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Numero do processo: 18471.001009/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Recurso Repetitivo).
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
REGIME DE COMPETÊNCIA. IRPJ.
O regime de competência impõe a apropriação das receitas ao exercício em que auferidas, devendo acompanhá-las o imposto de renda retido na fonte a elas correspondente. Isso porque a receita e a despesa se referem a um determinado ano-calendário, é nesse mesmo período que deverão ser reconhecidos, em face do regime contábil da competência dos exercícios, de observância obrigatória para efeitos fiscais, descabendo a pretensão de reduzir o resultado de um ano-calendário diferente daquele onde foi apropriada a receita.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do IRPJ, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1401-001.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para a Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Sérgio Luiz Bezerra Presta não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Recurso Repetitivo). OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. REGIME DE COMPETÊNCIA. IRPJ. O regime de competência impõe a apropriação das receitas ao exercício em que auferidas, devendo acompanhá-las o imposto de renda retido na fonte a elas correspondente. Isso porque a receita e a despesa se referem a um determinado ano-calendário, é nesse mesmo período que deverão ser reconhecidos, em face do regime contábil da competência dos exercícios, de observância obrigatória para efeitos fiscais, descabendo a pretensão de reduzir o resultado de um ano-calendário diferente daquele onde foi apropriada a receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do IRPJ, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. REGIME DE COMPETÊNCIA. IRPJ. O regime de competência impõe a apropriação das receitas ao exercício em que auferidas, devendo acompanhálas o imposto de renda retido na fonte a elas correspondente. Isso porque a receita e a despesa se referem a um determinado anocalendário, é nesse mesmo período que deverão ser reconhecidos, em face do regime contábil da competência dos exercícios, de observância obrigatória para efeitos fiscais, descabendo a pretensão de reduzir o resultado de um anocalendário diferente daquele onde foi apropriada a receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 09 /2 00 6- 51 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 345 2 Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do IRPJ, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para a Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Sérgio Luiz Bezerra Presta não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 346 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 1222.417 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, constante das fls. 284 e segs, até aquela fase: “Trata o presente de lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 200 a 203) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 204 a 208). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 195 a 199, a fiscalização esclarece, em síntese: a interessada informou na DIPJ ano calendário 2001, Ficha,05 A, Linha 31 Despesas Operacionais das Atividades em Geral, o valor de R$ 27.014.035,29 (fl. 8); segundo informação da interessada (fls. 64/65), datada de 04/09/2006, esse valor compõese de: (i) venda de debêntures Inepar R$ 14.810.000,00; (ii) Método Engenharia x PMSP R$ 11.131.846,46; e (iii) outros R$ 1.072.188,83; analisandose separadamente o valor de R$ 14.810.000,00, conta contábil 373.012, relativamente à venda de debêntures Inepar, verificase que a interessada erroneamente classificou este montante como Despesas Operacionais; a interessada registrou como custo de aquisição as debêntures recebidas como antecipação de aluguéis pagos por Inepar S/A Indústrias e Construção, locatária de um imóvel de propriedade da interessada; a locação teve início na data de assinatura do contrato (01/10/2000), celebrado pelo improvável prazo de 99 anos (fls. 54 a 58); na mesma data, através de instrumento particular, a Inepar obrigouse a entregar a interessada até 31/12/2000, no que concerne a aluguéis vencidos e vincendos, debêntures de sua emissão, conversíveis em ações, no valor de R$ 14.700.000,00 (fls. 75 a 81); o recebimento dessas debêntures como antecipação de aluguéis deveria ser escriturado em Receitas de Exercícios Futuros, como define o art. 181 da Lei 6.404/76, com apropriação aos resultados a medida do transcurso do prazo da locação; o fato de a interessada haver negociado as debêntures, com suposto prejuízo, um ano após a sua aquisição (18/10/2001), para Docas Investimentos S/A e para Phidias S/A, não autoriza a classificação destas operações como “venda de debêntures como prejuízo”, não podendo a aquisição das mesmas ser consideradas simplesmente custos; assim, o valor de R$ 14.810.000,00 é integralmente glosado como despesas operacionais, e adicionado ao lucro real do ano Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 347 4 calendário 2001 (Enquadramento Legal: art. 299, §§ 1° e 2°, art. 249, I; art. 300, todos do RIR/99); com relação ao segundo item de Despesas Operacionais das Atividades em Geral, intitulado Método x Prefeitura Municipal de São Paulo, verificouse que a interessada efetuou com a Prefeitura Municipal de São Paulo contratos de empreitada para a realização de obras; os serviços em questão foram parcialmente subempreitados à empresa Método pela interessada, com anuência da PMSP; o município ficou devedor de várias importâncias à interessada, conforme ações de execução em trâmite em Varas da Fazenda Pública de São Paulo; a interessada, por sua vez, ficou devedora da subempreiteira Método, supostamente por não haver recebido da PMSP; isto posto, em 21/12/2001, os advogados da Método, por meio da correspondência de fls. 66 a 68, propuseram um acordo à interessada, tendo em vista que o crédito da interessada em face da Prefeitura de São Paulo (R$ 25.866.983,73) era inferior ao crédito que a Método detinha contra a interessada (R$ 31.642.740,61), conforme o Quadro Resumo Geral, anexo ao documento; em 28/12/2001, foi firmado um Termo de Cessão de Direitos e Obrigações (fls. 69 a 73), em que a interessada cedeu (item I) a totalidade dos créditos junto à Prefeitura de São Paulo para a Método, com a finalidade de quitar sua dívida com esta; como o crédito da interessada junto à PMSP era inferior ao seu débito com a Método, qualquer acordo entre as partes relativo a encontro de contas referentes a estas transações, que não envolva toma de valores, como um foi o caso, necessariamente resultaria em ganho para a interessada; inexplicavelmente a interessada contabilizou como perda no ajuste com a Método o valor de R$ 11.131.846,46, quando houve ganho patrimonial de R$ 5.775.756,88 (Rs 31.642.740,61 Rs 25.366.983,73); o valor de R$ 11.131.846,46, abatido como Despesas Operacionais, é, portanto, totalmente glosado, uma vez que não foi incorrido (Enquadramento Legal: art. 299, §§ 1° e 2°, art. 249, I; art. 300, todos do RIR/99) é tributado também o valor de R$ 5.775.756,88 que, conforme demonstrado, representa um resultado positivo apurado na transação de ajuste com a Método Engenharia (Enquadramento Legal: art. 249, II, do RIR/99); a composição das Despesas Financeiras (Ficha 06 A, Linha 36, da DIPJ) do ano calendário 2001 constituise, segundo a interessada de: (i) execução judicial R$ 12.933.644,71; (ii) atualização TJLP Refis R$ 16.177.327,88; e (iii) despesas bancárias R$ 785,58 (fl. 96); Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 348 5 o grupo execução judicial é subdividido, segundo a interessada, em: (i) Banestado R$ 3.410.999,53; (ii) Banespa R$ 3.633.654,89; (iii) Sudameris (A) R$ 4.293.502,10; e (iv) Sudameris (B) R$ 1.595.488,19; em relação ao Banestado (R$ 3.410.999,53), tratase de execução por quantia certa contra devedor solvente, sendo devedores a interessada (sucessora de Sade Vigesa S/A) e Sequip Participações Ltda.; conforme extrato da dívida da Sade Vigesa S/A, anexo ao Mandado de Execução, a dívida era dividida em: I total do principal até maio/ 1998 R$ 1.357.810,92; IItotal de mora, encargos, multa e comissões até maio/1998 R$ 583.615,44; III total de parcelas em Ser (até 30/11/2000) R$ 1.456.652,50; e IV total das comissões em Ser (até 30/11/2000) R$ 12.920,67; o valor do principal da dívida, tanto vencida até maio/ 1998, quanto da dívida em Ser (a vencer) até 30/11/2000, itens I e III, conceitualmente não se constituem em encargos ou despesas financeiras, pois não são acessórios ao principal; quanto aos itens II e IV, apesar de acessórios, referemse a períodos anteriores (item II até maio/ 1998 e item IV a novembro/2000) e, portanto, pelo regime de competência, são indedutíveis no ano calendário 2001; em relação ao Banespa (R$ 3.633.654,89), tratase de execução por quantia certa contra devedor solvente, sendo devedora a interessada (sucessora de Sade Vigesa S/A); os contratos (dez) eram de operações com o Banespa, assinados entre 11/10/94 e 05/05/95, com vencimentos entre 09/08/95 e 22/10/95; tratase de despesa indedutível, tanto porque as parcelas do principal dos contratos de empréstimo, por definição, não são encargos financeiros, como porque os juros referemse a despesas financeiras que pelo regime de competência só poderiam ser apropriados em 1994 e 1995; em relação ao Sudameris (A) (R$ 4.293.502,10), tratase de execução contra empresas antecessoras da interessada, em dezembro de 2000; tendo em vista que o valor corresponde em parte ao principal do empréstimo e em parte a uma parcela de juros incorrida antes do ano calendário 2001, é indedutível pelos mesmos motivos já expostos anteriormente; em relação ao Sudameris (B) (R$ 1.595.488,19), a executada Sade Vigesa S/A (antecessora da interessada) foi executada pela não quitação de um contrato de fiança bancária; segundo o extrato elaborado pela Diretoria de Recuperação de Crédito da Sudameris, aceito pelo juízo, o valor total da dívida corresponde a principal, correção monetária e juros; o valor do principal não pode ser aceito como Despesa Financeira por não se tratar de encargos. A correção monetária Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 349 6 e os juros foram incorridos até 17/04/2000, isto é, antes do ano calendário 2001; sendo assim, procedese a glosa integral dos valores lançados como Despesas Financeiras grupo execução judicial, totalizando R$ 12.933.644,71 (Enquadramento Legal: art. 299, §§ 1° e 2°, art. 249, I, e art. 300, todos do RIR/99; o total tributado no ano calendário de 2001 corresponde a R$ 44.651.248,05; o prejuízo fiscal apresentado pela interessada na DIRPJ 2001 corresponde a R$ 37.798.108, 84; assim o montante final tributado corresponde a R$ 6.853.139,21 (R$ 44.651.248,05 R$ 37.798.108, 84); os demonstrativos de apuração e de multa _e juros de mora estão às fls. 568 a 584. Cientificada dos autos de infração em 10/10/2006, a interessada apresentou, em 09/11/2006, a impugnação de fls. 223 a 240, na qual alega, em síntese: o enunciado do auto de infração certifica que o lançamento atribuído à omissão de receitas não assenta em nenhuma das hipóteses do elenco taxativo fixado no art. 281 do RIR/99, nem naquelas que lhe são equiparadas, arts. 282, 286 e 287 do RIR/99; a inculcada omissão de receitas operacionais resulta, como explicitamente afirmado no termo de verificação, da diferença entre valores que revestem natureza aleatória, sem fundo nem forma de direito, pois quantitativos suscitados tãosomente em correspondência epistolar e pessoal de advogados, terceiros não partícipes de qualquer relação jurídica com a ora impugnante; são quantias que não constam dos registros contábeis, não foram reconhecidas nos processos judiciais, nem mencionadas no termo de cessão de direito; ressentemse elas assim dos pressupostos requeridos na lei (CTN, alt. 116, I e II) para o surgimento da obrigação tributária; por igual, porque sob igual fundamento carta de advogados – a improcedência da glosa do valor do prejuízo apurado e 1egalmente registrado nos livros contábeis que determinaram a perda de R$ 11.131.846,46, como prova a cópia da folha do Diário juntada; em relação às despesas indedutíveis, como se intui da digressão que embasa a glosa promovida, a operação de venda das debêntures contemplou dois distintos e inconfundíveis fatos jurídicos com repercussão autônoma no âmbito da legislação tributária; um, de natureza financeira, correspondente ao recebimento antecipado da receita representativa de aluguéis futuros, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 350 7 contabilizada em conta credora de resultados futuros, por seu total, nos termos do art. 178, §2°, c, da Lei n° 6.404/76; em momento algum houve registro dessa receita como custo, como refere a ação fiscal; sucede terse faceado o fato jurídico inafastável de essa receita financeira ter tido representividade física debêntures; daí o seu registro patrimonial ativo realizável a alongo prazo – como determina o item II do art. 179 da Lei n° 6.404/76; assim, inobstante terse exaurido aquele valor patrimonial, em razão de sua venda, a apuração do resultado operacional comercial e de lucro liquido, base do lucro real tributável, perfazse ainda hoje com a apropriação na conta de resultado, nas oportunidades prescritas em lei, do valor da receita inerente ao período a que corresponde (aluguel mensal); em razão de tal alienação, de um lado a receita dela decorrente repercutiu na disponibilidade ativa (R$ 5.735.815,25) e, de outro, porque desaparecida a expressividade patrimonial que as debêntures evidenciavam, processouse a baixa contábil desse ativo com o reflexo em conta de resultado da perda patrimonial; o lançamento tributário ora impugnado se assenta na imputação de que o contribuinte registrou como custo de aquisição as debêntures recebidas como antecipação de aluguéis; com base nesse equivocado juízo, a ação fiscal indicou inflação a dispositivos legais que disciplinam elementos vinculados à apuração do lucro operacional; a situação fáticojurídica indicada como hipótese de incidência do lançamento tributário situase, entretanto, na temática que diz respeito à quantificação do lucro não operacional; é flagrante a incompatibilidade entre a situação fática descrita no auto de infração e a tipicidade enunciada nas normas apontadas como infringidas; a propósito das perdas patrimoniais, a ação fiscal não argüiu nem ilegitimidade nem violação das normas de direito que regulam o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas; a peça acusatória é absolutamente silente sobre a matéria inerente à perda patrimonial e assenta em fato manifestamente inexistente; em relação às despesas financeiras, suscita preliminarmente a decadência, sob o fundamento de que se tratam de despesas incorridas em 02/01/01, como provam os lançamentos no Livro Diário; as referidas despesas integraram processos contenciosos de Execução Judicial cujos desfechos proporcionaram os lançamentos no ano calendário de 2001, mesmo ano em que se encerraram as demandas; não é ilegal o fato de a despesa financeira ser apropriada em período superveniente ao da sua ocorrência por deliberação da Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 351 8 própria pessoa jurídica ou por erro de fato, conforme reconhecido em jurisprudência do Conselho de Contribuintes que transcreve; é vedada a dedução de despesa quando subordinada sua exigibilidade a evento futuro, nos termos do Parecer Normativo CST7/76; assim deve ser considerada a despesa cuja quantificação e liquidez estão subjudice e, como tal, despidas de natureza de despesas incorridas; o lançamento da CSLL deve ser considerado improcedente pelas mesmas razões, na medida em que constitui exação reflexa do IRPJ”. A 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ na sessão de 22/12/2012, ao analisar a impugnação apresentada, proferiu o acórdão n° 1222.417 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedentes os lançamentos, para manter os montantes de R$ 1.707.284,80 de IRPJ e R$ 617.592,52 de CSLL, acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora.”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA. Mantémse o lançamento, se não comprovada a dedutibilidade da despesa glosada. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. É cabível o lançamento de ofício do resultado positivo não incluído na apuração do lucro real. DECADÊNCIA. No caso dos contribuintes optantes pela apuração anual do lucro real, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do anobase. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 AUTO DE INFRAÇAO DECORRENTE Inexistindo fatos ou argumentos novos, aplicase ao lançamento reflexo de CSLL O decidido em relação ao lançamento de IRPJ. Lançamento Procedente”. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/03/2009 (AR constante das fls. 205 dos autos), a SV ENGENHARIA S/A, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1222.417, apresenta recurso voluntário em 27/04/2009, constante das fls, 297 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa e acrescentando novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 352 9 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 26/03/2009 (quintafeira) e o prazo para apresentação do recurso voluntário seria no dia 25/04/2009 (sábado), porém a Recorrente em 27/04/2009 (segundafeira) protocolou o recurso voluntário, comprovada a tempestividade, vejo que também estão preenchidos os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, esclareço que desde a impugnação a Recorrente vem levantando uma preliminar de decadência do lançamento. Sobre o tema, a 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417, assim decidiu: “(...) Quanto à decadência, observase conforme DIPJ de fls. 4 a 45, no anocalendário de 2001 a interessada optou pelo regime de tributação do lucro real anual. No caso da pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual, conforme a atividade da interessada que seria objeto de homologação, a apuração do resultado tributável é efetuada em 31 de dezembro de cada ano ou na data de encerramento de suas atividades, data em que se consuma o fato gerador. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 353 10 Dessa forma, ocorrido o fato gerador em 31/12/2001, o prazo final para a decadência seria o dia 31/12/2006, e como a ciência do lançamento ocorreu em 10/10/2006, não há que se falar em decadência. Rejeito, portanto, a decadência suscitada (...)”. Este Colegiado, desde a época do antigo Conselho de Contribuintes, já pacificou o entendimento no sentido de que a partir da publicação da Lei n° 8.383/91 no Diário Oficial de 31/12/1991, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, que era tributo sujeito a lançamento por declaração, passou a ser por homologação. Assim, sendo tributo sujeito a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial (direito do fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento), para as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do lucro real anual é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, contarseá do final do anocalendário respectivo, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, conforme pode ser visto abaixo: “RECURSO EX OFFICIO IRPJ – Devidamente fundamentada nas provas dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ – DECADÊNCIA – LUCRO REAL ANUAL – O prazo decadencial do direito do fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, para as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do lucro real anual é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, contarseá do final do anocalendário respectivo, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. (...)” (CSRF 10195472 Acórdão, 10875.005625/200383 Publ: 26/04/2006). “DECADÊNCIA. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA NO DIA SEGUINTE A DATA DO FATO GERADOR. Ocorrido o fato gerador em 31121996, com a existência de pagamento antecipado, sem que se tenha verificado qualquer conduta dolosa por parte do sujeito passivo, contase o prazo decadencial de cinco anos na forma do artigo 150, § 4º, do CTN. Desta forma, no caso concreto, quando da notificação do lançamento ocorrida em 16012006, o crédito tributário exigido já se encontrava extinto pela decadência. Aplicação do entendimento constante no RESP 973.733/SC, submetido ao regime dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C, do CPC, e das disposições previstas no art. 62ª do Regimento Interno do Carf” (1402001.037 Acórdão, 13808.000107/2002 84). Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 354 11 Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), “verbis”: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 355 12 Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009 destaques do original) No presente caso observase na DIPJ juntada aos autos (fls. 4 a 45) a Recorrente no anocalendário de 2001 optou pelo regime de tributação pela sistemática do lucro real anual e como o fato gerador dos tributos (IRPJ e CSLL) é complexivo, ou seja, somente se aperfeiçoa no final do exercício, devendo ser considerada toda a renda auferida durante o ano para os fins de tributação e também para fins de decadência. A Recorrente foi cientificada do lançamento em 10/10/2006 (fls. 204 e segs dos autos) e segundo o termo de verificação fiscal (fls 199 e segs) trata do mesmo ano calendário de 2001. Assim, entendo que, em relação à preliminar de decadência, a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417 deve ser mantida em conformidade com o que determina o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Passando ao mérito, observando o Termo de Verificação Fiscal (fls. 199 e segs), constato a existência de três assuntos diferentes: (i) Venda de Debêntures INEPAR; (ii) Método Engenharia x PMSP; e (iii) Despesas Financeiras. Para facilitar, vou tratar casa assunto separadamente. (i) Venda de Debêntures INEPAR O Termo de Verificação Fiscal (fls. 199 e segs) apresenta um erro contábil por parte da Recorrente, conforme visto abaixo: “Analisandose separadamente o valor de R$ 14.810.000,00, conta contábil 373.012, relativamente à venda de Debêntures INEPAR, verificase que o contribuinte erroneamente classificou este montante como Despesas Operacionais. A classificação contábil de “Venda de Debêntures INEPAR” como despesa, foi fruto de uma distorcida escrituração por parte do contribuinte, que registrou como custo de aquisição as debêntures recebidas como antecipação de aluguéis pagos por Inepar S A Indústrias e Construções, CNPJ 76.627.504/000106, locatária de um imóvel (Fábrica de Jacareí São Paulo), de propriedade de SV Engenharia , cuja locação teve início na data de assinatura do contrato (02/10/2000 ), celebrado pelo improvável prazo de 99 (noventa e nove) anos. Na mesma data (02/ 10/2000), através de Instrumento Particular, a Inepar obrigase a entregar até 31/12/2000 à SV Engenharia, no que concerne a aluguéis vencidos e vincendos do imóvel “Fábrica de Jacareí”, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 356 13 debêntures de sua emissão , conversíveis em ações, no valor de R$ 14.700.000,00. O recebimento destas debêntures como antecipação de aluguéis, deveria ser escriturado em Receitas de Exercícios Futuros, como define o artigo 181 da Lei 6404/76, com apropriação aos resultados efetivos à medida do transcurso de prazo da locação”. Essa é a seguinte descrição gráfica da operação: Recorrente Inepar A Recorrente entrega um galpão em aluguel e recebe do locatário, no lugar de reais, debêntures conversíveis em ações Partindo desta realidade e observando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417, assim decidiu, às fls. 290 dos autos: “(...) A parcela de R$ 14.800.000,00, informada como despesa operacional na DIPJ do ano calendário 2001 e glosada pela fiscalização, teve origem na operação de venda de debêntures recebidas de aluguéis. Em relação à operação, pretende a impugnante distinguir dois fatos jurídicos autônomos, e segundo ela inconfundíveis, um de natureza financeira representado pelo recebimento antecipado da receita representativa de aluguéis futuros, e outro de natureza patrimonial, que corresponde à representatividade física da receita financeira, qual seja, as debêntures. Em que pese a forma arranjada pela interessada, não há como sobrepôla a verdade substancial: o recebimento antecipado de receita de aluguel não pode gerar despesa operacional da atividade. (...)” Observando os argumentos da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ sobre a operação realizada, constato que grande parte da peça recursal apresentada pela Recorrente, constante das fls. 297 e segs, é uma mera copia da impugnação, sem analisar as questões postas. Contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício, neste ponto, restringiuse demonstrar que a Recorrente classificou de forma equivocada errada a “Venda de Debêntures INEPAR” como Despesas Operacionais. E caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 357 14 O que aconteceu foi que a Recorrente, desde o conhecimento do lançamento em 10/10/2006 (fls. 204 e segs dos autos), nada apresentou que justificasse a classificação contábil de “Venda de Debêntures INEPAR”. Desta forma neste particular entendo que a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417 deve ser mantida. (ii) Método Engenharia x PMSP O Termo de Verificação Fiscal (fls. 199 e segs) apresenta mais um erro contábil por parte da Recorrente, conforme visto abaixo: “2.2) Com relação ao segundo item de Despesas Operacionais das Atividades em Geral – intitulado Método x Prefeitura Municipal de São Paulo (R$ 11.131.846,46), discriminado em 2.1) do presente Termo de Verificação Fiscal, verificouse o seguinte : A) O contribuinte (S. V. Engenharia) efetuou com a Prefeitura do município de São Paulo contratos de empreitada para a realização de obras, na rua Vergueiro (Centro Cultural São Paulo ). B) Os serviços em questão foram parcialmente subempreitados à empresa Método pela SV, com anuência do Município de São Paulo. C) O município ficou devedor de várias importâncias à SV, conforme ações de execução em trâmite em Varas da Fazenda Pública de São Paulo, contra a municipalidade. A SV Engenharia por sua vez, ficou devedora da subempreiteira Método, supostamente por não haver recebido da Prefeitura de São Paulo. ` D) Isto posto, em 21/12/2001, os advogados da Método através de correspondência, propuseram à SV um acordo entre as partes, tendo em vista que o crédito da SV em face da Prefeitura de São Paulo (R$ 25.866.983,73) era inferior ao crédito que a Método detinha contra SV (R$ 31.642.740,61), conforme o Quadro Resumo Geral, anexo ao documento. E) Em 28/12/2001, foi firmado um Termo de Cessão de Direitos e Obrigações, em que a SV cedeu (item I do contrato) a totalidade dos créditos junto à municipalidade de São Paulo, para a Método, com a finalidade de quitar sua dívida com esta última empresa. F) Como citado em D), o crédito da S.V. com a Prefeitura de São Paulo era inferior ao débito do contribuinte com a Método Engenharia. Portanto, qualquer acordo entre as partes, relativo a encontro de contas, referentes a estas transações, e que não envolva expressamente toma de valores, como foi o caso do Termo de Cessão de Direitos e Obrigações, já mencionado em E), necessariamente resultaria em ganho para a S. V. Engenharia. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 358 15 G) Inexplicavelmente o contribuinte contabilizou como perda no ajuste com a Método, o valor de R$ 11.131.846,46 (conta contábil 3.7.4.01 X), quando conforme o Termo de Cessão de Direitos de 28/11/2001( mencionado em E), houve ganho patrimonial de R$ 5.775.756,88, (R$ 31.642.740,61 crédito da Método com a SV Engenharia) menos (R$ 25.866.983,73 crédito da SV Engenharia com a Prefeitura Municipal de São Paulo). H) O valor de R$ 11.131.846,46 abatido como Despesas Operacionais neste item, é portanto, totalmente glosado, uma vez que não foi incorrido, como demonstrado anteriormente”. Observando a transcrição do ocorrido, e o Termo de Cessão de Direitos e Obrigações, fls. 75 e segs, não resta duvida que a Recorrente trocou uma dívida de R$ 31.642.740,61 por outra de R$ 25.866.983,73; ou seja houve, como afirmou o Termo de Verificação Fiscal, um ganho patrimonial de R$ 5.775.756,88, que deveria ter sido levado a tributação, como receita. O que a Recorrente também não fez Porém, segundo o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente “contabilizou como perda no ajuste com a Método, o valor de R$ 11.131.846,46 (conta contábil 3.7.4.01 X)”; e tanto na impugnação quanto no recurso voluntário não comprovou as razões da omissão do ganho patrimonial de R$ 5.775.756,88 e muito menos o valor de R$ 11.131.846,46; Assim, caberia a Recorrente provar suas ações e omissões; quanto as omissões, não resta prova; mas quanto as ações (contabilizar como perda na conta contábil 3.7.4.01X) a questão passa pela possibilidade ou não da dedutibilidade. Para o deslinde da questão no âmbito do PAF, tenho por função de oficio ter em conta, de um lado, os pressupostos legais fixados em lei e àqueles insertos no RIR/99, que disciplinam a matéria e, de outro, o exame das circunstâncias fáticas do caso concreto. E, vejo que se faz necessário registrar que a autoridade lançadora não impugnou a natureza das despesas, tendoas glosado apenas por entender que não houve perda de R$ 11.131.846,46 e sim um ganho patrimonial de R$ 5.775.756,88. O critério jurídico da exação repousa sobre a perda na conta contábil 3.7.4.01X, por não serem consideradas como despesas necessárias para a atividade da Recorrente. Tenho que me filiar à decisão do auditor fiscal e a da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417, pois segundo determina o artigo 299 do RIR/99 é inadmissível a dedutibilidade da perda realizada pela Recorrente, até porque a perda não existiu. (iii) Despesas Financeiras Passando para o ultimo ponto, que trata da glosa de despesas financeiras, tomando por base o Termo de Verificação Fiscal (fls. 199 e segs) e a impugnação apresentada Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 359 16 a 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, através do acórdão n° 1222.417, assim decidiu, fls. 292: “(...) Conforme se verifica nos autos, a maior parte dos valores glosados corresponde ao principal de operações de empréstimo, parcelas que a fiscalização considerou indedutíveis. Em relação a estes valores, a interessada não apresentou contestação específica. De fato, as parcelas que correspondem ao principal de operações de empréstimo não corresponderem a encargos ou despesas financeiras e não são dedutíveis. Em relação à parcela restante, minoritária, que corresponderia a juros, multa, encargos, etc, a interessada não traz aos autos elementos suficientes para apoiar sua pretensão. Notase que os documentos acostados não permitem distinguir de forma clara os valores dedutíveis dos não dedutíveis e, mais que isso, não há nem ao menos comprovação que as despesas foram efetivamente incorridas. Foram juntados aos autos pela fiscalização tãosomente documentos referentes a ações judiciais de execução propostas contra a interessada (ou sucedidas), inclusive os respectivos mandados de execução. Não há, entretanto, comprovação do efetivo pagamento dos valores executados, nem tampouco registro da data em que teriam ocorrido. A interessada, por sua vez, nada juntou à impugnação que pudesse esclarecer os fatos acima e comprovar a despesa que pretendeu deduzir. (...)”. Observando os argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 1222.417, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” as preliminares constantes da peça impugnatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada; continuou separando os recursos por tributo. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente e comprove todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 360 17 decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ para refutar as alegações, que ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1222.417, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário neste tópico. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Porém, devo ressaltar que existe certa dificuldade em analisar os argumentos expostos pela Recorrente na impugnação e repetidos no recurso voluntário, que não levou em conta a decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, conforme pode ser observado abaixo (fls. 241 e segs – impugnação e fls 302 e segs recutso voluntário): “A honestidade intelectiva do douto agente signatário do termo de verificação (doc. 302nos autos) certifica insuspeitadamente que, conquanto se trate de verbas inequivocamente representativas de despesas financeiras foram elas inadimitidas como parcelas subtrativas do lucro líquido porque, verbis: ‘pelo regime de competência são índedutíveís no ano calendário 2001’. Demais disso, explicitado está naquele documento termo de verificação que as referidas despesas integraram processos Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 361 18 contenciosos de Execução Judicial cujos desfechos proporcionaram os lançamentos no ano calendário de 2001, mesmo ano em que se encerraram as demandas. O Impossível, por isso, refugir da evidência de que até então, tais valores se encontravam subjudice, ilíquidos e incertos. Como tal, revestidos da característica de despesas pendentes. Assim, a teor do que, explicitadamente, preleciona o Parecer Normativo CST7/76, de 23.01.76, ‘a despesa cuja realização está condicionada à ocorrência de evento futuro, indisponível para o beneficiário o correspondente rendimento NÃO PODE SER CONSIDERADA INCORRIDA, VEDADA, POR CONSEQUÊNCIA, SUA DEDUTIBILIDADE NA APURAÇÃO DOS RESULTADOS ANUAIS.’ (destaques não são do original) Háse de convir que, subsumidos ao reconhecimento judicial, a quantificação, o direito e a exigibilidade dos encargos financeiros pretendidos pelos Bancos credores não revestem eles para o devedor, embargante de tais valores, a natureza de despesas incorridas. E, dessarte, na clara e competente assertiva da autoridade fiscal suso transcrito ‘vedada por conseqüência sua dedutibilidade na apuração dos resultados’. De seu turno, e sobre a mesma temática jurígena, decidiu o Egrégio Conselho de Contribuintes: (...) Bem se está a ver, portanto, que o lançamento tributário homologado pela instância a quo não se afiniza com as decisões das superiores autoridades fiscais a propósito das despesas, seja no que se refere ao conceito de incorridas, seja no que concerne a temporalidade do direito de sua imputação ao resultado do lucro real. E ensinam: a) não ser ilegal o fato de a despesa financeira ter sido apropriada em período superveniente ao da sua ocorrência por deliberação da própria pessoa jurídica ou por erro de fato; b) ser vedada a dedução de despesa, quando subordinada sua exigibilidade a evento futuro, assim considerada, por consectário lógico, aquela cuja quantificação e liquidez estão subjudice, e, como tal, despidas da natureza de despesas incorridas”. Olhando as razões e os documentos postos na impugnação e repetidos no recurso voluntário, fica claro que a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e do Acórdão nº 1222.417; na verdade entendo que seria o caso de uma provisão. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 362 19 Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses mais de 2.900 (dois mil e novecentos) dias entre o recebimento do auto de infração e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! Percebese claramente no relato constante do no termo de verificação fiscal que deliberadamente a Recorrente não disponibilizou para a fiscalização o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar as contabilizações realizadas. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 18471.001009/200651 Acórdão n.º 1401001.323 S1C4T1 Fl. 363 20 Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto aos lançamentos relativos a CSLL, cumpre que se dê aqui, o mesmo tratamento dado ao lançamento principal referente ao IRPJ. É que em face da decorrência daquele em relação a estes, e da inexistência de alegações especificamente dirigidas contra estas exações, tal tratamento se impõe. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1RJ deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004270/2001-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Em caso do título judicial estar em fase de execução de sentença, sem que haja renúncia comprovada da desistência no processo judicial, impede a pretensa compensação do tributo na esfera administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3801-004.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FLAVIO DE CASTRO PONTES - Presidente.
(assinado digitalmente)
CÁSSIO SCHAPPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 209 1 208 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.004270/200159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.946 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente BOM BRASIL OLEO DE MAMONA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Em caso do título judicial estar em fase de execução de sentença, sem que haja renúncia comprovada da desistência no processo judicial, impede a pretensa compensação do tributo na esfera administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FLAVIO DE CASTRO PONTES Presidente. (assinado digitalmente) CÁSSIO SCHAPPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 42 70 /2 00 1- 59 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Por economia processual adoto o relato dos fatos contido no acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (fls. 149), sintetizado nos seguintes termos: Tratase de Manifestação de inconformidade de fls.92/96, contra o Despacho Decisório n°678/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, fls.87/90 e ciência de fl.91, que indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com os créditos da contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária1997.33.5810, na qual se discute o direito ao PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°l0580.000290/0017, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, ora transcrito, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Por conseguinte, não homologa a compensação declarada dos débitos informados no Pedido de Compensação. Cientificada do indeferimento do direito, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n°2002.33.00.0232244, na la Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança (documentos 03 e 04), mas cuja medida judicial o SEORT da DRF insiste em contrariar. Alega que o Princípio da Verdade Material dos fatos é específico do procedimento administrativo, especialmente o tributário, devendo ser sempre buscado pela fiscalização, conforme doutrina que transcreve, restando clara a afronta por parte da DRF ao disposto no art.151, IV do CTN. No presente caso, requer o imediato afastamento dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário, objeto do presente pedido de compensação, sob pena de evidente infração ao principio da verdade material dos fatos, já que toda a documentação apresentada pela requerente é clara e eficiente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador(BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 Ementa: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade lmprocedente Crédito Tributário Mantido Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.004270/200159 Acórdão n.º 3801004.946 S3TE01 Fl. 210 3 Não concordando com a decisão proferida pela DRJ/SDR, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pede a reforma da decisão recorrida e deferida, totalmente, a homologação do pedido de compensação, com base na documentação e informações que instruem o presente processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo. Conselheiro Cássio Schappo. O recurso é tempestivo, portanto dele não se toma conhecimento, pelas razões a seguir expostas. Tratam os presentes autos de compensação de créditos de Contribuição de PIS/PASEP, com o mesmo tributo. Crédito esse, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado no Processo nº 1997.33.00.0005810 da 1ª VF do Estado da Bahia, porém, com execução de sentença em curso. Administrativamente a contribuinte ingressou com 31 pedidos de compensação de crédito decorrente de sentença judicial, que resultaram em 31 processos administrativos, dentre eles o que aqui se discute, como também, o de nº 10580.000290/0017, que teve seu pedido indeferido mediante Despacho Decisório DRF/SDR nº 573, de 07/11/2008. O Despacho Decisório nº 573, serviu de referência para o de nº 678, de 01/06/2009, proferido nos presentes autos às fls. 90/94, tendo em vista a identidade do crédito. Destaca que o pedido aqui formulado é idêntico ao do processo judicial, ambos tratando de compensação tributária, onde a matéria discutida e os períodos são idênticos. A decisão foi pelo indeferimento cuja compensação não foi homologada. Em primeiro grau o indeferimento foi mantido em face de restrição contida no art. 170A do CTN, introduzido pela LC 104/2001. Já nos termos da INSRF nº 21/97, consolidada pela IN nº 73 de 15/09/1997, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, em fase de execução, a compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto à unidade da RFB a desistência da execução do título judicial. O débito que a contribuinte pretendia ver liquidado foi objeto de intimação, para pagamento com os acréscimos legais no prazo estabelecido. Revogado o efeito suspensivo do débito, esse causou impedimento de emissão de CND, o que levou o sujeito passivo pleitear medida liminar através do Processo nº 2002.33.00.0232244 junto à 1ª VF do Estado da Bahia. Contudo, a decisão recorrida reconhece que estão suspensos os débitos ora em apreciação, enquanto amparado em liminar judicial concedida no processo nº 2002.33.00.0232244, da 1ª VF do Estado da Bahia. No recurso voluntário foi requerido o direito a irretroatividade dos efeitos da Lei Complementar nº 104/2001, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º, da CF/1988. A pesar Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 de razão lhe assistir nesse tópico, esse fato, isoladamente, não remete à reforma do Acórdão recorrido, pois existem outros elementos de convicção do julgador que somaram à sua decisão. Outro fato abordado no recurso é com relação a liminar concedida no Processo Judicial nº 2002.33.00.0232244, que lhe garantiu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto de compensação. Entendeu a recorrente que houve desrespeito a uma garantia fundamental, motivadora de reformulação da decisão. Alegação totalmente Improcedente, podendo ser extraído do acórdão a seguinte parte: O contribuinte alega que está amparado por medida liminar, deferida para suspender a exigibilidade dos débitos objeto da não homologação. Reiteremse, as manifestações de inconformidade e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, na forma do art.74, §11, da Lei n°9.430, de 1996, nas hipóteses de DCOMP transmitidas após a vigência da MP n°135, de 30 de outubro de 2003, ou pedidos de compensação convertidos em DCOMP, que não é o caso desta empresa. Contudo, estão suspensos os débitos ora sob apreciação, enquanto amparado sob liminar judicial n°2002.33.00.0232244, na 1ª Vara da Justiça Federal. Em questões de mérito a recorrente pretende, efetivamente, com base no princípio da verdade material dos fatos, o diferimento e a homologação da compensação requerida de créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, na qual se reconhece ao contribuinte o direito a compensar o PIS/PASEP recolhido nos termos dos Decretos nº 2445/1988 e 2449/1988, com débitos também, da Contribuição para o PIS/PASEP. A pesar da negativa firmada pela DRF e DRJ de Salvador/BA, de que a homologação não pode ser deferida pelo fato do processo judicial estar em fase de execução de sentença, a contribuinte entende que os cálculos e valores levantados em juízo são suficientes para respaldar o pedido. Merece destaque a manifestação do juízo contida na segurança concedida no processo judicial nº 2002.33.00.0232244, “verbis”: De inicio, verifica se que a autora não podia realizar as compensações antes do transito em julgado, já que a apelação interposta contra a sentença que lhe conferiu o direito à restituição foi recebida no efeito suspensivo. Destarte, mesmo inexistindo, à época norma que impedisse o exercício da compensação antes do trânsito em julgado, ainda assim a autora só poderia exercer o direito após o aludido marco. De resto o Superior Tribunal de Justiça firmou que, declarado o direito à compensação após o transito em julgado, o contribuinte pode efetuar administrativamente a compensação, não existindo a necessidade de Inexoravelmente apurar os valores judicialmente. Vele conferir trecho de julgado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: “(...)A compensação segundo entendimento da Corte Especial do S.T.J., é forma de extinção da obrigação tributária examinável na esfera administrativa, ao Judiciário compete declarar o direito de compensar crédito discutido.” (REO 2000.01.00.084141 0/MG. Rel. Juiz Hilton Queiroz. Quarta Turma, DJ p.177 de 28/02/2002). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.004270/200159 Acórdão n.º 3801004.946 S3TE01 Fl. 211 5 Destarte, no caso dos autos, se antes do transito em julgado a autora não poderia realizar a compensação, após a declaração transitada em julgado era seu direito fazêlo, submetendo as resistências à apreciação judicial. Compulsando os autos, verificase que a autora indicou os valores em que empreendeu a compensação à f. 905, arrolando 31 (trinta e um) procedimentos em que exerceu o direito em relação ao PIS em razão do titulo proferido nestes autos. De seu turno, até o momento, o expert do juízo, após inclusive analisar as razões externadas pela União, fixou o crédito da autora em R$ 408.931,58 (quatrocentos e oito mil, novecentos e trinta e um reais e cinquenta e oito centavos), conforme laudo de fl.764/768, com data base em junho de 2008. Desse modo, os elementos dos autos indicam que a autora, independente da irregularidade inicialmente verificada resta atuando em conformidade com seu direito, já que há grau de certeza razoável que os créditos orçam em R$ 408.931,58. Assim, importante enaltecer a força do titulo judicial, suspendendo a exigibilidade dos créditos compensados com base na ordem emitida nos autos, até posterior deliberação, nos limites da apuração parcial. Diante do exposto, suspendo a exigibilidade dos créditos compensados administrativamente do PIS, conforme procedimentos apontados à fl. 846/847, desde que alicerçados no titulo judicial desta demanda até o limite de R$ 408.931,58 (quatrocentos e oito mil novecentos e trinta e um reais e cinquenta e oito centavos), até posterior deliberação. Com muita propriedade a autoridade judicial da 1ª VF do Estado da Bahia define as razões da concessão da segurança, suspendendo a exigibilidade dos créditos cuja compensação havia sido requerida, como também, respaldou a decisão administrativa pelo indeferimento da compensação da contribuição para o PIS/PASEP. Como analisado alhures, a recorrente não detinha o direito de realizar a compensação pretendida, muito bem fundamentada pela administração tributária da SRF e reforçada pelo juízo federal, de que é vedada a compensação pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifouse) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto estar ainda sob a apreciação do Poder Judiciário, em fase de execução de sentença, o crédito objeto da presente compensação administrativa. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por C ASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16004.001549/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2004
PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL
Com o advento da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passam a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação do imóvel rural, o Valor da Terra Nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (Diat), respectivamente nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Caso o custo das benfeitorias integre o custo de aquisição, existindo VTN de aquisição e alienação, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o VTN do ano de alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias.
Numero da decisão: 1301-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL Com o advento da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passam a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação do imóvel rural, o Valor da Terra Nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (Diat), respectivamente nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Caso o custo das benfeitorias integre o custo de aquisição, existindo VTN de aquisição e alienação, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o VTN do ano de alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 15 49 /2 00 8- 87 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de retorno de diligência, determinada por esta Turma em sessão plenária realizada em 10 de abril de 2013, quando do julgamento de recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda., em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, que acatou em parte sua impugnação, apenas para afastar a acusação de fraude e reduzir a multa ao percentual de 75%. O litígio instaurouse em torno de autos de infração para formalização de exigência de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com base em acusação de não oferecimento à tributação de ganho de capital auferido em alienação do imóvel “Fazenda Boa Sorte”. Faço uma recapitulação do relatado na sessão de abril. Em síntese, os fatos que deram origem aos autos de infração, conforme Termo de Verificação Fiscal, foram os seguintes: A Fazenda Boa Sorte foi adquirida, em 24/03/1994, pela empresa AGRO SOL LTDA., que foi incorporada pela SEBO SOL LTDA. (atual SOL EMPREENDIMENTOS) em 30/09/2000. Constatou a autoridade fiscal que essa propriedade rural foi arrendada, pelo menos, de janeiro de 2002 a maio de 2004, tendo em vista o registro das receitas respectivas no livro Razão. A Fazenda Boa Sorte foi alienada em 25/06/2004, por R$ 4.000.000,00, por meio da integralização de capital na MALIBU, e treze dias depois, em 08/07/2004, a participação na MALIBU foi vendida para o sócio desta empresa, Sr. Mário Celso Lopes, pelo mesmo valor (R$ 4.000.000,00). Os recursos recebidos com a venda da Fazenda Boa Sorte foram utilizados na aquisição das Fazendas SÃO PEDRO, GUAÍRA e SANTA IZABEL, que foram contabilizados no Ativo Imobilizado. Quando da integralização de capital na MALIBU, a Fazenda Boa Sorte estava registrada no ativo circulante da SOL EMPREENDIMENTOS, pelo valor de R$ 444.378,89, e o contribuinte tributou a operação como receita de vendas, juntamente com a receita de vendas de apartamentos. Com base da Resolução n° 1025/2005, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou a NBC T 19.1, a autoridade fiscal concluiu que a Fazenda Boa Sorte jamais poderia ter sido contabilizada no ativo circulante, devendo constar do ativo imobilizado, pois permaneceu no patrimônio da SOL EMPREENDIMENTOS por quase quatro anos e, ademais, foi arrendada, pelo menos, de janeiro de 2002 a maio de 2004. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 4 3 A partir dos fatos apurados, a autoridade fiscal concluiu que o contribuinte deveria ter apurado ganho de capital na operação e que a opção pela tributação da alienação da Fazenda Boa Sorte como receita de venda de bem constante do ativo circulante configura infração à legislação tributária. Em impugnação foi alegado que as atividades de incorporação imobiliária, de compra e venda de imóveis e de desmembramento ou loteamento de terrenos já era exercida pela empresa desde 2001 (registro em 29/08/2002), e que havia a intenção de alienar a Fazenda Boa Sorte, razão pela qual foi ela registrada no ativo circulante. E que o arrendamento teria sido uma destinação provisória, enquanto não surgissem condições favoráveis ao desmembramento do imóvel, ou uma oferta ideal para a concretização da venda. Aduziu a impugnante não haver prova nos autos de que a Fazenda Boa Sorte foi de fato utilizada na produção à qual se destina por sua natureza, de modo que não se justifica sua manutenção no ativo imobilizado. E que a Resolução n° 1025/2005, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou a NBC T 19.1, em seu item 19.1.9.6, esclarece que o valor contábil de um item do ativo imobilizado, quando for retirado de operação, deve ser transferido para Investimentos, Realizável a Longo Prazo ou Ativo Circulante, conforme a destinação e reduzido ao seu valor de realização quando este for menor. Conclui que foi regular a transferência da Fazenda Boa Sorte para o ativo circulante. Mantidos os lançamentos em primeira instância, apenas com desqualificação da multa, o contribuinte recorreu a este Conselho alegando que: 1 A Fazenda Boa Sorte não foi transferida para o ativo circulante apenas objetivando a alienação e tributação com base no lucro presumido. Como a própria autoridade fiscal observou, ela já estava registrada no Ativo Circulante da empresa, cujo objeto social desde 29/08/2002 já incluía a construção de edifícios. 2 Quanto à classificação dos bens no ativo imobilizado, o Parecer Normativo nº 108/78, na parte final do item 8 esclarece que é admissível o registro, a critério exclusivo da pessoa jurídica, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, quando efetuado de acordo com os princípios contábeis recomendados para cada caso específico. 3 A liberdade admitida no parecer Normativo se encaixa no caso tratado: a empresa tinha como objeto a alienação do imóvel para o incremento da atividade principal no ramo imobiliário, e o classificou no ativo circulante, pois a simbólica locação não caracterizou verdadeira exploração no sentido de manutenção da atividade da empresa. 4 É importante verificar a inscrição e situação cadastral no CNPJ, onde consta como atividade principal o ramo de construção de edifícios e atividade secundária a construção de instalações esportivas e recreativas. 5 A classificação no ativo circulante não fere as regras dispostas no PN 3/80, reproduzido na decisão, pois a recorrente, no caso específico, tratou o bem como objeto de comercialização, posto que não destinado à exploração do objeto social ou manutenção de suas atividades, cuja atividade no ramo de construção civil vem expressa no seu CNPJ. 6 No Processo de Consulta nº 139/06, publicado no DOU de 28/09/2006, a Receita Federal assim se pronunciou: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 5 4 EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BENS PASSÍVEIS DE INTEGRAR O ATIVO CIRCULANTE E O ATIVO IMOBILIZADO. TRANSFERÊNCIA DE CONTAS. A empresa optante pelo lucro presumido que comercializa bens suscetíveis de serem contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude de suas atividades desenvolvidas constarem, em ambos os casos, de seu objeto social, pode transferir da primeira conta para segunda o respectivo bem a ser destinado para futura comercialização sem a necessidade de apurar o correspondente ganho de capital, contanto que seja adotado um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. DISPOSITIVOS LEGAIS: RIR, de 1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), arts. 518 e 521; PN CST nº 347, de 1970; PN CST nº 108, de 1978. 7 O Relator da decisão recorrida afirma expressamente que “há uma questão jurídicocontábil intrincada na situação”, e se a questão é intrincada, complexa, na qual paira dúvida, o procedimento da autoridade fiscal deve ser favorável ao sujeito passivo. 8 A fiscalização: (i) verificou que desde dezembro de 2001 o objeto social da empresa compreende a construção de imóveis destinados à venda, incorporação de empreendimentos imobiliários, venda e compra de imóveis e desmembramento ou loteamento de terrenos; (ii) analisou a escrituração contábil e atestou que o bem se achava classificado no ativo circulante ; (iii) a contabilidade faz prova em favor da recorrente. 9 Portanto, procedeu regularmente a recorrente quando, considerando o seu ramo de atividade, contabilizou o imóvel no ativo circulante, como mercadoria e ofereceu à tributação a receita bruta da venda correspondente à alienação. Na sessão de 13 de abril último esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência. Tal decisão decorreu da alegação, em razões aditivas, de erro da fiscalização na quantificação da base de cálculo, por ter deixado de aplicar a Lei nº 9.393, de 1996, que estipula regramento especial para apuração do ganho de capital no que tange aos imóveis rurais alienados por contribuintes do ITR. Pela Resolução nº 1301000.109 foi solicitado que a autoridade fiscal informe o valor do VTN constante dos cadastros de ITR do referido imóvel, no ano de 2000, bem como que reúne elementos que demonstrem a caracterização que se trata de atividade rural para beneficiarse do disposto no art. 8º da Lei nº 9.393/96. Em atendimento, a fiscalização juntou cópia dos dados extraídos da DITR relativa ao anocalendário de 2000, na qual consta o VTN de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), e aduziu que, conforme consta dos autos, a Fazenda Boa Sorte era arrendada desde janeiro de 2002 até maio de 2004, véspera da alienação, ou seja, tratavase de um imóvel destinado à locação, gerando receita de aluguel e, portanto, o contribuinte não exercia atividade rural no referido imóvel. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator A autoridade fiscal exigiu o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro relativo ao ganho de capital decorrente da alienação do imóvel “Fazenda Boa Sorte”, no valor de R$ 3.555.621,11, correspondente à diferença entre o valor da alienação e seu custo registrado no ativo (R$ 4.000.000,00 R$ 444.378;89). O auto de infração se escora na imputação de incorreção na escrituração do imóvel no ativo circulante. A Lei 6.404/76, com a redação vigorante à época dos fatos, dispunha: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial O Parecer Normativo CST nº 108/80, que tratou de “dirimir dúvidas relacionadas com a natureza de determinados elementos que compõem a estrutura do patrimônio das pessoas jurídicas e com a correta classificação das contas que representam esses elementos, face ao novo sistema de correção monetária introduzido pelo Decretolei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977”, esclarece; 8. No que tange ao imobilizado, a Lei nº 6.404/76 restringiu o seu alcance a: "os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial" (art. 179. , inciso IV)”. Portanto, o que caracteriza o imobilizado é a finalidade da aplicação, isto é, ser o bem ou o direito destinado à exploração do objeto social e à manutenção da atividade da companhia; pode englobar, pois, tanto bens corpóreos (máquinas, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 7 6 equipamentos, móveis, etc.), como bens incorpóreos, tais como os direitos sobre patentes, fórmulas e processos de fabricação, marcas, ponto comercial e outros direitos de idêntica natureza. Da mesma forma, poderseia concluir que os adiantamentos feitos a fornecedores de máquinas, equipamentos e outros bens que se destinem à exploração do objeto social ou à manutenção das atividades da companhia, constituem direitos exercidos com tal finalidade, classificáveis, portanto no imobilizado. No entanto, é admissível o registro, a critério exclusivo da pessoa jurídica, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, quando efetuado de acordo com princípios contábeis recomendados para cada caso específico. À época dos fatos o tratamento contábil para o ativo imobilizado estava previsto no NPC 7/2001 IBRACON nº 7 de 18/01/2001, que dispunha que o ativo imobilizado compreende os ativos tangíveis que: (a). são mantidos por uma empresa para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para locação a terceiros, ou para finalidades administrativas; e (b). conforme a expectativa, deverão ser usados por mais de um período. A recorrente foi constituída em outubro de 1970, com a denominação de Sebo Sol Ltda. e tendo por objeto social a indústria e o comércio de sebo e subprodutos bovinos. A Fazenda Boa Sorte passou a integrar o patrimônio da Recorrente em 30/09/2000, quando a empresa Sebo Sol Ltda. (antiga denominação da Recorrente) incorporou a empresa Agro Sol Ltda., que era proprietária do referido imóvel rural desde 24/03/1994. Portanto, quando da incorporação, a classificação correta do imóvel no balanço da empresa seria no ativo imobilizado, conforme art. art. 179, IV da Lei nº 6.404/76 e NPC nº 7/2001. Em 31/12/2001 a Sebo Sol Ltda. alterou seu contrato social, e o objetivo social passou a ser construção de imóveis destinados a venda, incorporação imobiliária, locação de bens móveis e imóveis próprios ou de terceiros, venda e compra de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, bem como a atividade da agricultura e pecuária. Essa alteração contratual, todavia, não justifica a transferência do imóvel para o ativo circulante (para destinálo à venda). Os elementos dos autos não indicam que essa era a destinação do imóvel, mas ao contrário, evidenciam que estava aplicado na exploração do objeto social da empresa, que incluía a locação de bens imóveis próprios. As cópias do razão analítico anexadas aos autos (fl. 150/155) indicam que a empresa auferia receitas operacionais de arrendamento de diversos bens (pastagens, instalações industriais, etc.), e demonstram que a Fazenda Boa Sorte estava arrendada pelo menos desde junho de 2000, por dois anos, por R$ 2.000,00 mensais, tendo o arrendamento sido renovado pelo valor de R$ 4.000,00, assim permanecendo até maio de 2004, mês imediatamente anterior à sua alienação, pelo valor de R$ 4.000.000,00. Portanto, em junho de 2004, quando foi alienada mediante conferência para integralização de capital da empresa Malibu, o imóvel rural estava aplicado na exploração do objeto social da Recorrente, não justificando sua contabilização no ativo circulante. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 8 7 Equivocase a Recorrente quando pondera que o item 8 do Parecer Normativo nº 108/78 deixa a exclusivo critério da pessoa jurídica contabilizar o bem no ativo circulante ou imobilizado. Referido ato normativo dispõe expressamente que o que caracteriza o imobilizado é a finalidade da aplicação, isto é, ser o bem ou o direito destinado à exploração do objeto social e à manutenção da atividade da companhia. A parte final do item 8 do Parecer Normativo 108/78 não deixa ao arbítrio da pessoa jurídica registrar bens destinados à exploração do seu objeto social no ativo imobilizado ou no circulante, admitindo essa flexibilidade apenas em relação aos adiantamentos feitos a fornecedores de máquinas, equipamentos e outros bens que se destinem à exploração do objeto social ou à manutenção das atividades da companhia. O fato de a atividade de construção civil vir expressa no seu CNPJ não basta para justificar a contabilização do bem no ativo circulante, eis que o que demonstra a destinação dada ao bem não é a vontade subjetiva da pessoa jurídica, mas sua efetiva aplicação. No caso concreto, a Fazenda Boa Sorte, que de acordo com o inciso IV do art. 179 da Lei nº 6.404/76 deveria estar registrada no ativo imobilizado da empresa Agro Sol desde sua aquisição, passando a compor o imobilizado da Sebo Sol (antiga denominação da Recorrente) desde setembro de 2000, quando da incorporação da Agro Sol, continuou com a mesma aplicação até ser alienado em junho de 2004. Dessa forma, não se justifica sua classificação no circulante, impondose sua permanência como integrante do ativo imobilizado até a baixa, tal como orienta o Parecer Normativo CST nº 3/80. Assim, procede a afirmativa da fiscalização de que está incorreta a classificação do bem no ativo circulante. Contudo, no lançamento, a autoridade deixou de observar o que dispõe a Lei nº 9.393, de 1996, que “Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências”. O art. 19 do referido diploma legal veicula norma específica sobre apuração de ganho de capital decorrente de alienação de imóveis sujeitos ao ITR, a saber: “Valores para Apuração de Ganho de Capital Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995.” Por seu turno, dispõe o art. 8º e 14 da mesma lei: “Da Declaração Anual Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 9 8 Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT.” No caso concreto, tratase de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido, contribuinte do ITR, e que entregou Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT relativa ao imóvel alienado. Conforme consta dos autos, apenas a partir de março de 2005 o objeto social do contribuinte deixou de abarcar a atividade rural (alteração contratual fls. 39 a 48). O fato de o imóvel se encontrar arrendado desde janeiro de 2002 até maio de 2004 não é suficiente para descaracterizálo como imóvel rural. Para afastar a aplicação do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, cumpria à fiscalização ter trazido aos autos prova de que o imóvel, no ano da alienação, não mais foi declarado no DIAT, o que não foi feito. A apuração do ganho de capital decorrente de alienação de imóvel rural, a ser tributado por pessoa jurídica optante do lucro presumido, está tratada no art. 523 do RIR/99, que reproduz literalmente o art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, sua matriz legal. Sendo idêntica a disposição regulamentar para a pessoa física (art. 136 do RIR/99) e para a pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido (art. 523 do RIR/99), inferese que, no que tange a custo de aquisição e alienação, a interpretação atribuída pela SRFB para o ganho de pessoa física aplicase à pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido. A orientação da Secretaria da Receita Federal sobre a matéria, dirigida às pessoas físicas, encontrase no “IRPF2013 DeclaraçãoPerguntão”, no sítio da SRFB da Internet, resposta à pergunta 599: 599 Como apurar o ganho de capital de imóvel rural? (...) 2 Imóveis adquiridos a partir de 01/01/1997 Com o advento da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passam a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação do imóvel rural, o Valor da Terra Nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (Diat), respectivamente nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Caso não tenham sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição ou alienação, ou ambos, devese proceder ao cálculo do ganho de capital com base nos valores Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 10 9 reais da transação. (Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 19) Atenção: Se as benfeitorias tiverem sido deduzidas como despesa de custeio na apuração da determinação da base de cálculo do imposto da atividade rural, o valor de alienação referente a elas será tributado como receita da atividade rural. Caso o custo das benfeitorias integre o custo de aquisição: a) inexistindo VTN de aquisição ou alienação, o ganho de capital é a diferença entre o valor total recebido na alienação (terra nua mais benfeitorias) e o custo de aquisição, representado pela soma do custo de aquisição da terra nua às despesas com benfeitorias; b) existindo VTN de aquisição e alienação, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o VTN do ano de alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias {GC = VTN alienação + valor recebido pelas benfeitorias (VTN aquisição + valor pago pelas benfeitorias)}. (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 29; Lei nº 9.393, de 1996, art. 1º, § 2º; Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, arts. 9º e 10) No caso concreto, o valor de alienação, no montante de R$ 4.000.000,00, compreende o VTN do ano da alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias. Quanto à aquisição, uma vez que o VTN (R$ 2.000.000,00) é superior ao custo de aquisição registrado no ativo (R$ 444.378,89), considerase que as benfeitorias foram adquiridas a custo zero. Assim o ganho de capital a ser tributado, nos termos do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, é de R$ 2.000.000,00. Tendo em vista o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reduzir o valor do ganho de capital tributável para a importância de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). É como voto. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.001549/200887 Acórdão n.º 1301001.332 S1C3T1 Fl. 11 10 . Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11543.001112/2006-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista, que reconheceram a nulidade total da decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP no 222.047.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista, que reconheceram a nulidade total da decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP no 222.047. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 12 /2 00 6- 61 Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Sawaya Batista, que reconheceram a nulidade total da decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP no 222.047. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre pedido para tratamento manual de declarações de compensação DCOMP (relacionadas à fl. 148)1 transmitidas de 16/02/2006 a 11/10/2006 (de crédito de COFINS relativo ao 4o trimestre de 2004, no valor total de R$ 1.231.790,05, com débitos diversos, ressarcindose o saldo remanescente cf. PER). Fundandose no parecer de fls. 147 a 154, é emitido em 16/10/2009 o despacho decisório de fls. 154/155, reconhecendo direito creditório no montante de R$ 512.204,98, homologando as compensações e deferindo o ressarcimento na medida dos créditos acatados (após compensação de ofício de débitos existentes). As glosas efetuadas se referem a: (a) apuração de créditos em relação a corretagem nas intermediações de café e soja, e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio); e (b) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação. Cientificada da decisão em 20/01/2010 (cf. AR de fl. 163), a empresa apresenta petição em 03/02/2010 (fls. 166 a 168), opondose à compensação de ofício, por entender não existir débito pendente a ser satisfeito (informando que o referido débito estava extinto por meio de compensações e parcelamento). Em 18/02/2010 a empresa apresenta ainda manifestação de inconformidade (fls. 228 a 251), afirmando que: (a) discute em juízo a aplicação da Taxa SELIC na atualização dos créditos; (b) no que se refere a serviços de corretagem, assessoria técnica comercial e despesas com condomínio, as glosas se referem a equivocada acepção do termo “insumos”, derivada da indevida analogia com a legislação do IPI, mas para as contribuições, “insumo” deve ser entendido como todo gasto que colabora direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora de receitas tributáveis; (c) as despesas de fretes não foram segregadas pela empresa por não haver tempo hábil, tendo sido o prazo adicional por ela solicitado (60 dias) indeferido pelo fisco, não podendo este glosar todos os fretes de transferência/remessa por presunção, pela ausência de segregação; e (d) a grande maioria das despesas de frete se refere a exportação indireta (transportes dos produtos saídos diretamente de seus fornecedores com destino aos portos para exportação, por conta e ordem da empresa juntando documentos de venda e transporte fls. 313 a 4583). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.001112/200661 Acórdão n.º 3403003.669 S3C4T3 Fl. 4.784 3 Em 15/03/2012 (fls. 4585 a 4597), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) os créditos demandados em relação a fretes não se referem a nenhuma das hipóteses permitidas na lei de regência (art. 3o, incisos I, II e IX), e os documentos apresentados se referem a aquisições com fim específico de exportação, que não geram créditos, por expressa vedação legal (art. 15, III da Lei no 10.833/2003 c/c art. 6o, III e § 4o da mesma lei); e (b) os insumos tem que ser efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto, ou na prestação de serviço desenvolvida pala empresa, sendo a corretagem/comissão em fase anterior ao processo produtivo, e não atendendo ao conceito de insumo ainda as despesas com assessoria técnica comercial e despesas com condomínio. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/05/2012 (fl. 4601), a empresa apresenta recurso voluntário em 31/05/2012 (fls. 4669 a 4700), sustentando que: (a) cabe a atualização monetária do crédito, não tendo a empresa contestado o assunto na manifestação de inconformidade porque discutia o tema judicialmente; (b) a decisão recorrida é nula, por inovar a fundamentação adotada originalmente pelo despacho decisório, em patente supressão de instância administrativa, no que se refere aos fretes; (c) a não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS é de caráter constitucional, não podendo ser mitigada pela legislação infraconstitucional; (d) a DRJ superou o entendimento do despacho decisório de que os fretes de remessa/transferência não gerariam créditos, mas ainda assim negou o pleito sob o novo fundamento de que haveria vedação legal (inexistente) ao crédito de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; (e) no que se refere a corretagem/comissão, despesas com assessoria técnica comercial e despesas com condomínio, os créditos permitidos na sistemática não cumulativa para as referidas contribuições (em relação a “insumos”) devem refletir todos os gastos que colaboram direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora das receitas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclareçase de início que a questão referente à compensação de ofício deve ser analisada pela unidade local da RFB, em rito próprio, com observância ao decidido em relação a eventual demanda judicial interposta pela empresa. E o pedido efetuado inauguralmente em sede de recurso voluntário (referente à atualização monetária do crédito), submetido à apreciação judicial, não constitui exatamente “fato novo”, mas fato motivador da não apreciação do tema por este tribunal administrativo, em face da unidade de jurisdição (consagrada na Súmula no 1 deste CARF), devendo a unidade local efetivamente cumprir o que restou decidido em juízo na liquidação do julgamento administrativo. Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 No presente processo, a matéria contenciosa se resume a glosas efetuadas pela fiscalização em relação a apuração de créditos sobre: (a) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação; e (b) corretagem e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio). Passase a seguir à análise das glosas efetuadas, cabendo trazer antecipadamente algumas delimitações conceituais e normativas necessárias. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Incumbe de início esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei poderia ter desbordado do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.001112/200661 Acórdão n.º 3403003.669 S3C4T3 Fl. 4.785 5 despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. Do conceito de insumos para a Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos, já adiantando a existência de substancial obstáculo, residente no fato de sequer se demonstrar a existência de processo industrial nos autos. Das glosas em espécie Conforme relatado, em relação ao despacho decisório, as glosas são referentes a: (a) fretes de remessas e transferências não detalhadas pela empresa mesmo após intimação; e (b) corretagem e outros serviços (como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio). Em relação a corretagem e outros “serviços”, como assessoria técnica comercial e despesas de condomínio, resta claro que nenhum destes itens se amolda ao conceito aqui trazido para insumos, na legislação que rege as contribuições. Nem se vislumbra enquadramento possível de tais rubricas em outros incisos do art. 3o da lei de regência, de modo que resta carente de fundamento normativo o direito de crédito. No que se refere aos fretes, cabe destacar que a negativa de crédito, no despacho decisório, era fundada em carência probatória (fls. 152/153): Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.001112/200661 Acórdão n.º 3403003.669 S3C4T3 Fl. 4.786 7 E, ao contrário do que parece crer a recorrente, a DRJ, ao apreciar tais documentos, apresentados na manifestação de inconformidade, certamente poderia verificar que estes não amparam o crédito, porque encontram obstáculo normativo. Assim, a fundamentação de carência probatória alterase para ausência de permissão legal. E se isso ocasionasse, como postula a recorrente, nulidade por alteração de fundamento, a DRJ não poderia sequer apreciar os documentos, bastando sua apresentação (ainda que em oposição às normas que regem a matéria) para que fosse afastada a autuação. Mantido esse entendimento, nenhuma empresa apresentaria mais os documentos na fase fiscalizatória, postergando a apresentação sempre à manifestação de inconformidade, quando já não poderia ser analisada qualquer matéria em relação aos documentos apresentados que não a sua simples apresentação. Nada mais absurdo. Por certo que se o documento só foi apresentado na manifestação de inconformidade, o julgador de piso pode (em verdade, deve) analisálo quanto ao cumprimento da legislação que rege a matéria. Afasto assim a nulidade suscitada. No mérito, a própria empresa (assim como os documentos anexados) esclarece que os fretes de remessa/transferência se referem ao transporte de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, até armazéns gerais localizados em Santos (que não são estabelecimentos da recorrente). Bem esclareceu a DRJ ao analisar a matéria (fl. 4383): Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 A DRJ não encontra enquadramento para a operação descrita nos documentos da empresa: fretes de remessa de mercadoria adquirida com fim específico de exportação para armazéns gerais que não são da recorrente, em cidade portuária. E aponta ainda vedação legal ao crédito, presente no art. 6o, III e § 4o c/c art. 15, III da Lei no 10.833/2003, concluindo que (fl. 4594): Temos aqui que a DRJ, apesar de partir da discutível premissa de que a operação de frete não é tributada (a nosso ver não é a ausência ou não de tributação de tal operação o fator de relevância na presente análise), suscita dispositivo (aplicável à COFINS por força do art. 15, III da Lei no 10.833/2003) que merece aqui transcrição e exegese o art. 6o (III e § 4o) da mesma Lei no 10.833/2003: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (grifo nosso) Além de, no caso em análise, o crédito não ser propriamente vinculado a “receita de exportação” (visto que a “receita de exportação” se refere à empresa que vendeu à comercial exportadora, para que não se opere duplicidade de cômputo), há vedação expressa à utilização de créditos básicos previstos no art. 3o (facilmente decorrente da leitura dos §§ 1o e 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003), como vem entendendo este CARF (v.g., Acórdãos no 3401002.886 a 892, no 3302002.216, no 3302002.654 e no 3302002.655). Transcrevase excertos deste último julgamento, unânime em relação à matéria: “DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditarse de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. (...) Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.001112/200661 Acórdão n.º 3403003.669 S3C4T3 Fl. 4.787 9 Não resta nenhuma dúvida de que todos os créditos da Cofins relativos aos custos, despesas e encargos incorridos pelo vendedor, e incluído no preço da mercadoria vendida com o fim específico de exportação, são de fruição exclusiva do vendedor da mercadoria e, por esta razão, o adquirente e exportador direto da mercadoria não pode se creditar da Cofins, por força do que dispõe § 4º, do art. 6º c/c inciso III, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzidos. (...) Supondo, por exemplo, que a recorrente seja exclusivamente uma empresa comercial exportadora e tenha incorrido nas mesmas despesas de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Nestas condições, e à luz do dispositivo legal acima, teria a recorrente direito ao creditamento das despesas com frete e armazenagem? Entendo que não. E não o tem porque a norma de regência (§ 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, acima reproduzido) é clara ao proibir a apuração de crédito vinculado à receita de exportação das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, independente de haver ou não, para o tipo de despesa incorrida, previsão legal de creditamento, quando vinculada às demais receitas. O fato de a recorrente auferir receita de exportação com a venda de produtos de sua fabricação e de produtos fabricados por terceiros, adquiridos com o fim específico de exportação, em nada afeta a proibição legal de apuração de crédito vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros.” (Acórdão no 3302002.655, Rel. Cons. Walber José da Silva, unânime em relação ao tema, sessão de 23.jul.2014) (grifo nosso) Acordamos, então, com a aplicação ao caso narrado nestes autos do dispositivo de vedação mencionado pela DRJ, que é mais amplo do que parece entender a recorrente, que o restringe a mercadorias (amplitude que é a nosso ver incompatível com a expressão constante ao final do referido § 4o do art. 6o: “vinculados”). Ademais, acordase ainda com a dificuldade expressa pelo julgador de piso em enquadrar o frete tratado nestes autos em uma das categorias permitidas na lei de regência (incisos I, II ou IX do art. 3o), pois não se comunga do entendimento que a remessa de mercadoria para armazémgeral em cidade portuária constitua propriamente um frete de venda (ainda que houvesse eventualmente sido comprovada no processo a assunção de tais despesas de transporte integralmente pela recorrente). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13063.000195/2001-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.205
Decisão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001.
Ementa:
Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS.
Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/2005-10 e, após, realizar o encontro de contas necessário.
Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000088/2001-66 e 13063.000019/2003-14, devendo a presente ser copiada e juntada a ambos os processos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 26/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001. Ementa: Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS. Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/2005-10 e, após, realizar o encontro de contas necessário. Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000088/2001-66 e 13063.000019/2003-14, devendo a presente ser copiada e juntada a ambos os processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. EDITADO EM: 26/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
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Ementa: Solicitação de ressarcimento de crédito de IPI e pedido de restituição de COFINS. Dado provimento parcial ao recurso da contribuinte em razão do pedido de ressarcimento/compensação, devendo ser remetidos os autos a origem para aguardar a decisão quanto o processo 11070.001870/200510 e, após, realizar o encontro de contas necessário. Essa mesma decisão é válida para os PAs 13063.000088/200166 e 13063.000019/200314, devendo a presente ser copiada e juntada a ambos os processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 26/05/2015 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 63 .0 00 19 5/ 20 01 -9 4 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13063.000195/200194 Resolução nº 3301000.205 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). Por bem resumir os fatos, adoto o Relatório de fls. 127 dos autos: “O estabelecimento acima qualificado protocolizou, em 13 de julho de 2001, o Pedido de Ressarcimento, da fl. 1, do saldo credor do IPI, apurado no segundo trimestre de 2001, no valor de R$ 10.185,05, citando o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O requerente também apresentou o Pedido de Compensação, da fl. 6, do referido saldo credor, com débitos de outros tributos/contribuições Em 15 de agosto de 2001, foi apresentado o Pedido de Ressarcimento reproduzido na fl. 12, do saldo credor do IPI, no valor de R$ 6.550,51, também referente ao segundo trimestre de 2001, objeto do Processo 13063.000222/200129, que foi juntado, por anexação, a este processo, segundo o termo da fl. 11, embora ambos tramitem em separado. No Processo n° 13063.000222/200129, também existe Pedido de Compensação. Os dois pedidos de ressarcimento, relativos ao segundo trimestre de 2001, somam R$ 16.735,56. 2. Os pleitos formalizados neste processo e no Processo ri° 13063.000222/200129 foram objeto de verificação fiscal, que também abrangeu pedidos de ressarcimento referentes a outros trimestres, formalizados em diversos processos, tendo sido emitido o Termo de Verificação Fiscal, das fls. 87 a 95, e a Informação Fiscal da fl. 97. No caso deste processo e do Processo n° 13063.000222/200129, foi considerado legítimo o ressarcimento de apenas R$ 8.863,54, porque a verificação fiscal citada evidenciou a prática de diversas infrações, pelo estabelecimento requerente, em especial, falta de lançamento do IPI, o que levou à reconstituição da escrita fiscal, com absorção de parte dos créditos, segundo consta no Processo ri° 11070.001870/200510, de lavratura de auto de infração. Na seqüência, foi emitido o Despacho Decisório DRF/SAO das f1s. 107 e 108, referente a este processo e ao Processo no 13063.000222/2001 29, despacho que, adotando os motivos de fato e de direito expostos no Termo de Verificação Fiscal antes referido, reconheceu parcialmente o direito creditório do requerente, com respeito aos pedidos relativos ao segundo trimestre de 2001, no valor de apenas R$ 8.863,54, e autorizou as compensações propostas, até o limite do referido valor, com ciência do requerente, em 29 de setembro de 2005, conforme consta no Aviso de Recebimento (AR), da fl. 113. 3. Contra o despacho decisório, foi apresentada, no devido prazo, em 20 de outubro de 2005, a manifestação de inconformidade, da fl. 114, firmada pelo representante legal do estabelecimento. Em seu arrazoado, o requerente discorda parcialmente da não homologação das compensações de débitos de outros tributos/contribuições, reportandose às razões de defesa Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13063.000195/200194 Resolução nº 3301000.205 S3C3T1 Fl. 4 3 apresentadas no Processo dl 11070.001870/200510, de lavratura de auto de infração.” A DRJ, analisando as alegações da Recorrente, entendeu por bem desprover a manifestação de inconformidade ao fundamento de que a Instrução Normativa SRF n. 600, de 2005, veda “o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo de determinação de exigência do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido” A Recorrente à fl. 140 interpõe Recurso Voluntário basicamente para pleitear a suspensão do presente processo enquanto não proferida decisão definitiva nos autos do PA n. 1070.001870/200510. Os autos do presente processo foram encaminhados a esse Eg. CARF que, à fl. 156/157 proferiu a seguinte decisão: Destarte, o auto de infração se caracteriza como questão prejudicial externa, uma vez que sua apreciação se dá em outro processo, sendo antecedente lógico e, nas palavras de Alexandre Freitas Câmara, "a prejudicial é uma questão prévia ao mérito e cuja solução terá forte influência na resolução do objeto do processo." Constatado o caráter de prejudicialidade destes autos em face daquele no qual se discute a autuação do IPI, visto que, o não reconhecimento do direito creditório decorre das questões a serem apreciadas naquele processo, é de se aplicar o que preceitua o art. 265, IV, "a" do CPC, abaixo transcrito, devendo este processo aguardar decisão final daquele. Art. 265. Suspendese o processo: IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Através de consulta ao sitio dos Conselhos de Contribuintes na internet, http://www.conselhos.fazenda.gov.br , verificase que o referido processo se encontra no Terceiro Conselho de Contribuintes, aguardando distribuição. Portanto, tendo em vista o caráter de prejudicialidade deste em relação ao processo n° 11070.001870/200510, encaminhese à Secretaria da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para: 1) solicitar ao Terceiro Conselho de Contribuintes que seja dado tratamento prioritário ao mesmo, para que este processo possa ser adequadamente apreciado e julgado; 2) aguardar decisão final relativa ao processo n° 11070.001870/200510, juntandose, posteriormente, cópia dessa decisão aos presentes autos e, finalmente, devolvendoo a esta relatoria. A então presidente do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, assim, encaminhou Memorando de n. 199 de 2007, requerendo ao Terceiro Conselho de Contribuintes tratamento prioritário para o PA 11070.001870/200510. VOTO (Resolução): O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13063.000195/200194 Resolução nº 3301000.205 S3C3T1 Fl. 5 4 Analisando a questão posta nesses autos, verificase que o PA n. 11070.001870/200510 ainda não recebeu decisão definitiva, estando pendente de exame de admissibilidade o Recurso Especial, conforme andamento abaixo: . O valor a ser compensado/ressarcido, como já exposto pela r. decisão desse Conselho, dependerá, de fato, da conclusão que se der ao PA n. 11070.001870/200510, daí porque determinou que se aguardasse decisão final relativa ao processo n° 11070.001870/200510, juntandose, posteriormente, cópia dessa decisão aos presentes autos e, finalmente, devolvendoo a esta relatoria. Em vista de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para: 1 – Aguardar decisão definitiva no PA n. 11070.001870/200510; 2 – Após a conclusão do processo indicado no item 1, fazer o encontro de contas necessário; 3 – Dar ciência ao contribuinte do mencionado encontro de contas para que, querendo, se manifeste em 10 dias; 4 – Ao final, retorne os autos a esse Eg. Conselho para análise do mérito. Decisão proferida conforme entendimento adotado nos demais PAs 13063.000088/200166 e 13063.000019/200314. Fábia Regina Freitas – Relatora. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006424/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/07/2001
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO COMERCIALMENTE DE “NEO ACID 910”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
O produto denominada comercialmente “Neo Acid 910”, identificado em laudo técnico como sendo uma mistura de reação constituída de ácidos carboxílicos saturados e ramificados de 9 e 10 átomos de carbono, classifica-se no código NCM 3824.90.29.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento.
MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE.
A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acompanhada da sua errônea classificação fiscal na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.950
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI e das multas de ofício de 75% (setenta cinco por cento).
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
1.0 = *:*
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/07/2001 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO COMERCIALMENTE DE “NEO ACID 910”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto denominada comercialmente “Neo Acid 910”, identificado em laudo técnico como sendo uma mistura de reação constituída de ácidos carboxílicos saturados e ramificados de 9 e 10 átomos de carbono, classifica-se no código NCM 3824.90.29. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acompanhada da sua errônea classificação fiscal na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 164 1 163 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006424/200581 Recurso nº 502.593 Voluntário Acórdão nº 310200.950 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2011 Matéria II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente EXXONMOBIL QUÍMICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/07/2001 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO COMERCIALMENTE DE “NEO ACID 910”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto denominada comercialmente “Neo Acid 910”, identificado em laudo técnico como sendo uma mistura de reação constituída de ácidos carboxílicos saturados e ramificados de 9 e 10 átomos de carbono, classifica se no código NCM 3824.90.29. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acompanhada da sua errônea classificação fiscal na NCM, subsumese à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI e das multas de ofício de 75% (setenta cinco por cento). (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 05/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1731.716, de 07 de maio de 2009 (fls. 129/138), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II/SP (DRJ/SPOII), em que, por unidade de votos, rejeitaram as preliminares suscitadas pelo impugnante e, no mérito, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 03/07/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria denominada comercialmente Neo Acid 910, identificada como sendo Mistura de Reação constituída de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de 9 e 10 átomos de carbono, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 3824.90.29. MULTAS DE OFÍCIO As multas de ofício sobre o II e o IPI, preceituadas no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, e no art. 80, inciso I da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, foram consideradas não impugnadas por não terem sido expressamente contestadas pelo Fl. 183DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 165 3 impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. Cabível a multa do controle administrativo das importações, prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, com fulcro na alínea “b” do inciso I do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos que motivaram o presente Recurso, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de autos de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, IPI vinculado, multas de ofício e multa do controle administrativo das importações, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como – ÁCIDO MONOCARBOXILÍCO SATURADO por meio da declaração de importação nº 01/06558859, registrada em 03/07/2001 (cópia de fls. 15 a 18), classificandoa no código NCM 2915.90.90, com alíquota de II de 5% e IPI de 0%. Por ocasião do despacho aduaneiro, foi coletada amostra da mercadoria para análise laboratorial, Pedido de Exame nº LAB 2038/SETCOF, na fl. 48. O Laudo nº 0238.01, elaborado pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, traz as seguintes informações sobre a mercadoria (nas fls. 49/50): “Embalagem: tambor preto de metal, tendo etiqueta com inscrições do nome NEO ACID 910ALIPHATIC CARBOXYLIC ACIDS, fabricante ...” “CONCLUSÃO: Tratase de Mistura de Reação constituída de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de 9 e 10 Átomos de Carbono (Ácido NeoNonanóico e Ácido NeoDecanóico). RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Qualquer Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado, de constituição química definida. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 Tratase de Mistura de Reação constituída de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de 9 e 10 Átomos de Carbono (Ácido NeoNonanóico e Ácido NeoDecanóico), um Produto Diverso das Indústrias Químicas. 2. Não se trata de composto orgânico de constituição química definida e isolado e nem de Preparação. Tratase de Mistura de Reação. 3. Segundo Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na fabricação de tintas, estabilizante para vinil, na extração de metais, etc. 4. A Literatura Técnica (cópia anexa) da mercadoria com a denominação comercial “NEO ACID 910” confirma que tratase de uma Mistura dos componentes cujos números de registros no Chemical Abstract são 68938078 (Ácido NeoNonanóico) e 26896208 (Ácido NeoDecanóico).” Com base nas informações do laudo técnico oficial, a fiscalização classificou a mercadoria no código NCM 3824.90.29, com alíquota de II de 16,5% e IPI de 10%. Diante da discordância do contribuinte quanto a classificação da mercadoria realizada pela fiscalização, foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento das diferenças de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados apuradas em razão da mudança de classificação fiscal, acrescidas das multas de ofício (de 75% sobre o II e IPI), da multa do controle administrativo das importações, capitulada no art. 169, inciso I, alínea “b” do DecretoLei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, totalizando, com juros de mora calculados até 31/08/2005, o valor de R$ 58.328,88. Cientificado dos autos de infração em 30/11/2005 (fls. 56verso), o contribuinte, por intermédio de sua advogada e procuradora (Instrumento de Mandato às fls. 66), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 27/12/2005, de fls. 57 a 65, alegando, resumidamente, que: 1) a impugnante submeteu a despacho aduaneiro de importação o produto “Ácido Neo 910”, que é uma mistura de ácidos neo decanóicos com cadeias de 9 a 13 átomos de carbonos, CAS Registry Number 68938078 (Fatty Acids C9C13NEO) e 26896208 (Neodecanoic Acid), conforme documento na fl. 76; 2) aplicandose a 3ª Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, segundo a qual a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, constatase que o produto em tela, Ácido Neo 910, por ser uma mistura de ácidos neo decanóicos com cadeias de C9 a C13, não se enquadra no capítulo 29 da TEC, onde se classificam apenas os produtos com mais de 90% de um determinado isômero; Fl. 185DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 166 5 3) de acordo com as NESH, a mercadoria importada pode ser enquadrada na posição 3823, uma vez que se trata de “outros” ácidos na seqüência de ácidos monocarboxílicos industriais; 4) por enquadrarse perfeitamente na descrição do código 3823.19.00 o produto em questão não se classifica no código 2915.90.90, como declarado por ocasião da importação, nem no código 3824.90.29, pretendida pela fiscalização, pois em função do processo de produção do Ácido Neo 910 pode ser enquadrado em código específico, 3823.19.00; 5) requer a realização de perícia técnica para comprovar que a conclusão do laudo técnico oficial não está correta, sugerindo algumas metodologias a serem utilizadas para a identificação do produto (nas fls. 63/64) e apresentando quesitos a serem respondidos e indicando o seu perito (na fl. 64), nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93; 6) não procede a imposição da multa do controle administrativo, uma vez que o produto foi suficiente e corretamente descrito nos documentos de importação. Diante das alegações do contribuinte, esta relatora decidiu solicitar assistência técnica para dirimir dúvidas suscitadas pelo impugnante, na Resolução nº 17854, nas fls. 86/87, da qual resultou um aditamento ao laudo, na fl. 95, contendo as seguintes respostas para os questionamentos desta relatora: 1) Qual a composição de cada um dos dois componentes do produto: Fatty Acids C9C13 Neo (CAS 68938078) e Neodecanoic Acid (CAS 26896208)? Resposta: De acordo com Literaturas Técnicas a denominação “Fatty Acids C9C13Neo” – CAS 68938078, referese a uma Mistura Complexa de Ácidos Graxos com estruturas similares com variação de 9 a 13 átomos de carbono. Ácido Neodecanóico – CAS 26896208, referese a um composto orgânico de constituição química definida, um Ácido Monocarboxílico Acíclico onde sua estrutura contém 10 átomos de carbono. 2) A mercadoria em tela, NEO ACID 910, pode ser considerada um Ácido Graxo (Gordo*) Monocarboxílico Industrial ? Explicar. Resposta: De acordo com os resultados das Análises constantes do Laudo nº 0238.01 Funcamp e informações encontradas em Literaturas Técnicas a mercadoria em epígrafe, com denominação comercial “NEO ACID 910”, referese a uma Mistura de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados com variação de 9 e 10 átomos de carbono, uma Mistura de Ácidos Graxos com variação de 9 e 10 Átomos de Carbono. 3) Quaisquer outros esclarecimentos que julgar pertinentes. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 Resposta: Considerando as respostas aos Quesitos acima, concluímos que a mercadoria em epígrafe tratase de uma Mistura de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de variação de 9 e 10 Carbonos, Outro Ácido Graxo Industrial, um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificada e nem compreendida em Outras Posições. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse, de fls. 115 a 124, reclamando que, quando da conversão do julgamento em diligência, foram apresentados apenas os quesitos elaborados pelo órgão julgador. Protesta também por ter sido desconsiderado o seu pedido de realização de análise química para verificar a composição do produto, restando comprovado o cerceamento do seu direito de defesa. É o relatório. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 140v), em 03/06/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 142/160, protocolado em 24/06/2009, reapresentando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e acrescentando, em síntese, o seguinte: a) o Acórdão recorrido mereceria ser anulado, por cerceamento do direito de defesa e violação do princípio da verdade material, pois no laudo técnico complementar, resultante da perícia determinada pelo Órgão de julgamento de primeiro grau, foram respondidos apenas os quesitos formulados pela autoridade julgadora e desconsiderados os quesitos e os testes químicos requeridos pela Recorrente, implicando descumprimento do amplo direito defesa e do contraditório assegurados aos contribuintes no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988; b) impossibilidade de revisão do despacho aduaneiro, por implicar alteração no critério jurídico de classificação das mercadorias; c) o laudo pericial e os quesitos respondidos no aditamento não contradiziam as afirmações da Recorrente, como a decisão recorrida pretendeu deixar transparecer. Ao contrário, a conclusão do laudo aditado diz que "Tratase de uma Mistura de reação constituída de Ácidos Can5oxilicos Saturados e Ramificados de 9 e 10 Átomos de Carbono (Ácido NeoNonanóico e Ácido NeoDecanóico)", o que também remeteria à classificação indicada pela Recorrente; d) no quesito n°. 2, transcrito na decisão (fl. 132), foi indagado expressamente se a mercadoria em tela poderia ser considerada um Ácido Graxo (Gordo) Monocarboxílico Industrial e pedido que o laboratório explicasse_a resposta, sendo que o laudo simplesmente se omitiu e não respondeu positiva ou negativamente a indagação, salientando apenas que se refere a uma mistura de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados; e) ao manter a desclassificação fiscal em questão, a decisão simplesmente desconsiderou a NESH do item 38.23 da TEC, que descreve que entre os ácidos graxos (gordos) incluise: "(...) 6. Os ácidos graxos (gordos) obtidos por oxidação catalítica de hidrocarbonetos sintéticos de peso molecular elevado", pois, sendo esse o processo de produção do Ácido Neo 910, a classificação tarifária adequada seria na posição 38.23; Fl. 187DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 167 7 f) nos termos da jurisprudência deste e. Conselho, deveriam ser cancelados os créditos tributários exigidos do contribuinte quando há uma posição especifica para o produto químico que não foi considerada pela Fiscalização no momento da autuação; g) ainda que se entendesse que a mercadoria importada não poderia ser enquadrada na posição apontada pela Recorrente, tal fato não constituiria qualquer infração à legislação tributária, sendo insubsistentes os fundamentos do acórdão recorrido em relação à aplicação das multas de oficio e da multa administrativa ao controle das importações; h) conforme reconhecido pela própria decisão recorrida, a multa administrativa ao controle das importações deveria ser aplicada somente quando houvesse a descrição inexata ou incorreta da mercadoria para fins de classificação fiscal do bem importado, e não em relação ao suposto enquadramento equivocado desta em relação a uma determinada classificação fiscal. Assim, não havia razão para imposição da multa administrativa ao controle das importações, sendo forçoso reconhecer seria aplicável ao caso em tela o entendimento exarado no Ato Declaratário (Normativo) COSIT nº. 12, de 1997; e i) como o produto importado fora devidamente descrito e identificado pela Recorrente na respectiva DI, de acordo com o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 1997, inexistiria fundamento jurídico para a aplicação das multas de ofício incidentes sobre os valores do II e do IPI devidos. No final, a Autuada pleiteou o seguinte: a) anulação da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa; b) caso não admitida a preliminar, fosse dado provimento ao presente Recurso, para que fosse reformado o Acórdão recorrido e cancelado o crédito tributário lançado; e c) caso mantido o lançamento fiscal em relação ao suposto enquadramento fiscal errôneo da mercadoria importada, que fosse canceladas as penalidades aplicadas. Em cumprimento ao despacho de fl. 163, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de julho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima dentro prazo legal, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 188DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 No presente Recurso, alegou a Autuada nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa e violação do princípio da verdade material, com base no argumento de que o laudo técnico complementar (fl. 95), resultante da perícia determinada pelo Órgão de julgamento de primeiro grau, respondeu apenas os quesitos formulados pela autoridade julgadora, desconsiderando os quesitos e os testes químicos requeridos pela Recorrente, o que implicaria afronta aos princípios do amplo direito defesa e do contraditório, assegurados aos litigantes no processo administrativo nos termos do art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. Em relação aos fatos alegados pela Recorrente, a Relatora do Voto condutor do julgado recorrido, assim se pronunciou sobre a matéria, in verbis: Esclarece esta relatora que dispensou a elaboração de uma análise química do produto, diante das informações técnicas constantes no laudo oficial, nas fls. 49/50, e da literatura técnica sobre o Neo Acid 910, nas fls. 51 ou 76, esclarecendo que referido produto tratase de uma mistura de dois outros, cujos CAS Registry Numbers são 68938078 e 26896208. Restava apenas saber se ambos os componentes são ácidos graxos monocarboxílicos, de tal forma que a mistura dos dois resultaria em um produto que poderia ser classificado na posição 3823, defendida pelo impugnante na sua defesa. Quanto aos dois quesitos elaborados pelo contribuinte (na fl. 64), concluí que a resposta para questão (a) tornouse irrelevante, porque a resposta para o quesito (b) já definiria a classificação da mercadoria na posição 3823 ou 3824 (adotada pela fiscalização). Desta forma, esta relatora elaborou a questão (b) do impugnante com outras palavras, porém buscando a mesma resposta: “A mercadoria em tela, NEO ACID 910, pode ser considerada um ácido graxo (gordo) monocarboxílico industrial?”. Desta forma, nos termos do art. 28, com a redação da pela Lei nº 8.748/93, e art. 29 do Decreto nº 70.235/72, indeferi parcialmente o pedido requerido pela impugnante, determinando a diligência que julguei necessária e suficiente para solucionar o presente litígio. Está com a razão a Relatora. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal federal (PAF), na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, se for o caso, as diligências ou perícias que entender necessárias para tal desiderato. Nesse sentido, cabe destacar que no âmbito processual e, em especial, no processo administrativo fiscal, a prova tem por fim o convencimento do julgador acerca dos fatos trazidos aos autos, sendo o seu destinatário, por excelência. Assim, asseverado a dita autoridade que está suficientemente satisfeita com a instrução probatória, também tenho por dispensável qualquer providência adicional com tal desiderato. No presente caso, observo que as dúvidas suscitadas pela Autoridade julgadora foram suficientemente esclarecidas no aditamento ao Laudo de Análise original (fl. 95). Ademais, as razões do indeferimento dos quesitos e dos testes químicos requeridos pela Recorrente foram devidamente fundamentados na decisão recorrida. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 168 9 Dessa forma, entendo que, no caso em tela, prejuízo algum houve ao direito de defesa e ao contraditório, que pudesse inquinálo de nulidade, por cerceamento de direito defesa. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do pedido de perícia reiterado. No presente Recurso, reapresentou a Autuada o pedido de perícia apresentado na fase impugnatória, para fim de análise dos procedimentos e quesitos apresentados pela Recorrente. Na fase recursal, em consonância com o disposto no art. 29 do PAF, somente se entender necessária, a autoridade julgadora poderá determinar realização de perícia. No presente caso, considero desnecessária a realização de nova perícia. Entendo que os esclarecimentos pretendidos pela Recorrente nada acrescentariam às conclusões que constam do Laudo Técnico colacionado autos, que foi elaborado por entidade credenciada e portadora de notória competência técnica na matéria. Dessa forma, proponho o indeferimento da perícia solicitada, por considerála prescindível para a solução da presente controvérsia, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para este julgador firmar seu convencimento a respeito da matéria fática, concernente a identificação do produto químico em questão. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, alegou a Recorrente, em síntese o seguinte: a) impossibilidade de revisão do despacho aduaneiro, em razão da mudança do critério jurídico de classificação das mercadorias; b) era incorreta a classificação fiscal atribuída ao produto pela Fiscalização; e c) inaplicabilidade das penalidades pelo indevido enquadramento tarifário. II.1 Da Prejudicial de Mérito: Mudança de Critério Jurídico Alegou a Autuada que a concordância do Fisco, no momento do desembaraço aduaneiro, com a classificação fiscal informada na DI, por força do art. 146 do CTN, estaria impossibilitado de posteriormente adotar um outro critério jurídico, com vista a alteração do enquadramento tarifário do produto na NCM. Tratase de novo argumento de defesa não suscitado na fase impugnatória, portanto, sem que tenha sido apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância. Assim, tratandose de um novo fundamento de defesa, portanto, não aduzido na fase de impugnação, em princípio ele não poderia ser conhecido nesta fase de julgamento, em face da preclusão estabelecida no art. 17 do PAF. Porém, por se tratar de matéria de ordem pública, insuscetível de preclusão consumativa, não me negarei conhecêla nesta fase de julgamento. Previamente, a análise do argumento trazido pela Recorrente, é oportuno fazer uma rápida digressão acerca do instituto da mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 No âmbito tributário, o citado princípio encontrase previsto no art. 146 do CTN. Sendo assim, recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para a sua adequada compreensão consiste em abordálo tendo em conta o conteúdo veiculado no citado preceito legal. Seguindo essa diretriz, passo a transcrevêlo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) Transparece com clareza que a modificação critério jurídico em apreço está relacionado a prévio ato de lançamento tributário da alçada autoridade administrativa, portanto, tratase de lançamento de ofício, evidentemente. Além dessa condição essencial, a alteração do critério jurídico anterior deva ser efetivada por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial (ato de jurisdição), e que tanto um quanto o outro refiramse a um mesmo sujeito passivo da relação jurídico tributária. Em suma, três são condições que deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. No caso presente, tenho que não se verificou nenhuma das condições, pois, a primeira delas, somente veio acontecer com a realização dos presentes lançamentos, mediante manifestação expressa da autoridade fiscal acerca do correto enquadramento tarifário dos produtos na NCM. Até então, a classificação fiscal e, por conseguinte, o critério jurídico adotado para estabelecêla foram, exclusivamente, da iniciativa da Autuada, ora Recorrente. Não é demais lembrar que, nos termos do § 1º do art. 27 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), o procedimento de classificação fiscal de mercadoria se divide em duas fases distintas, a saber: a) a fase de identificação física, com a especificação de todos os aspectos técnicos relevantes para o enquadramento do produto nos código da NCM (fase técnica); e b) a fase de enquadramento do produto nos códigos da NCM, realizada em consonância com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e a Regra Geral Complementar (RGC1), vigentes data da ocorrência dos fatos geradores, com subsídio nos esclarecimentos contidos nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) (fase jurídica). Nesse diapasão, cabe esclarecer que antes da conclusão do despacho aduaneiro, mediante ciência ao contribuinte do resultado do procedimento revisão aduaneira, o critério jurídico utilizado para a classificação fiscal do produto é aquele adotado pelo próprio importador, pois, como é de sabença, é da incumbência do Importador a elaboração da Declaração de Importação (DI) e, consequentemente, a responsabilidade pelo conteúdo das Fl. 191DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 169 11 informações nela inseridas, incluindo, as atinentes à identificação e classificação fiscal da mercadoria. Assim, somente após a homologação expressa, pela autoridade fiscal, do procedimento consubstanciado no despacho aduaneiro, é que se poderá falar em critério jurídico adotado pela Fiscalização. O simples ato de desembaraço aduaneiro, que consiste na liberação da mercadoria, encerrando a fase de conferência aduaneira, por óbvio, não tem a mesma natureza jurídica do ato de homologação expressa realizada no âmbito do lançamento por homologação (art. 150 do CTN). Com efeito, até a conclusão da fase de conferência aduaneira, com o ato de desembaraço aduaneiro, a atividade de classificação fiscal, valoração aduaneira, apuração e recolhimento dos tributos devidos etc, foram todos eles realizados pelo importador, atividade exercida anteriormente ao início do despacho aduaneiro, portanto, sem qualquer participação da Fiscalização aduaneira. Além disso, ainda que na fase de conferência aduaneira, a autoridade fiscal tenha poderes para alterar as informações prestadas pelo importador, em raríssimas oportunidades ela expressamente homologa a classificação fiscal adotada pelo importador. Na grande maioria das vezes, em face das peculiaridades do procedimento, que exige rapidez na liberação da mercadoria, sequer a autoridade fiscal toma conhecimento do desembaraço aduaneiro, podendo ocorrer até o desembaraço automático, sem a interveniência da autoridade fiscal. Na prática, esta situação passou a ser a regra, a partir da implantação do Siscomex importação, em 01/01/1997, quando, em conformidade com disposto no art. 504 do RA/2002, a conferência aduaneira passou a ser realizada por amostragem (art. 508 do RA/2002), mediante a seleção da DI para um dos seguintes canais: verde, amarelo, vermelho e cinza. É cediço que, dependendo do tipo de canal de seleção, é totalmente ausente a participação da autoridade fiscal na fase de conferência aduaneira. Neste sentido, dispõe o art. 201 da Instrução Normativa SRF 206, de 25 de setembro de 2002. Nessas circunstâncias, querer equipara o ato de desembaraço aduaneiro ao ato de homologação expressa da atividade de lançamento, pareceme um sem sentido (um nonsense). Na verdade, somente quando a autoridade fiscal se pronuncia de modo expresso sobre a classificação fiscal adotada pelo importador, no meu entendimento, estará 1 "Art. 20. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: (Revogado pela IN SRF nº 680, de 0 2/10/ 2006) I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido nos arts. 65 a 69". Fl. 192DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 configurada a fixação de um critério jurídico da Administração tributária, o que, regra geral, concretizase com o ato de revisão aduaneira. Sem tal manifestação, enquanto não precluso o direito de o Fisco realizar o lançamento, mediante procedimento de revisão aduaneira, definido pelo art. 542 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, a autoridade fiscal poderá rever a classificação fiscal adotada pelo importador e, se apurada diferença de crédito tributário a maior, deverá proceder ao lançamento de eventual diferença de crédito tributário apurada, com supedâneo nos incisos I, IV, V e VIII do art. 149 do CTN, conforme o caso. Como não há notícias nos autos de que houve prévio lançamento de ofício ou homologação expressa da atividade de lançamento, relativamente aos despachos aduaneiros objeto da presente autuação, fica cabalmente demonstrada a improcedência da alegação de que houve mudança de critério jurídico no caso em tela. De fato, consta da Descrição dos Fatos que integra o presente Auto de Infração (fl. 02), que Autoridade Fiscal, ainda na fase de conferência física, portanto, previamente ao desembaraço aduaneiro, retirou amostra do produto, para submeter a análise do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (Labana). Com essa providência, deixou expressamente consignado a Autoridade Fiscal que não estava de acordo com a classificação atribuída ao produto pela Importadora, o que evidencia que não houve a homologação expressa da atividade do lançamento, nem tampouco concordância com o critério de classificação do produto apresentado na DI. Na verdade, contrariando o alegado pela Recorrente, em nenhuma fase do despacho aduaneiro a Autoridade Fiscal manifestou a sua concordância com o critério de classificação fiscal da Importadora. Os documentos colacionadas aos autos demonstram exatamente o contrário. Com tais considerações, tenho por improcedente a alegação de que houve mudança de critério jurídico no caso vertente. II.2 Da Classificação Fiscal do Produto de Nome Comercial “Exxsol D30”. Nos presentes autos, é incontroverso que o código NCM 2915.90.90, atribuído ao produto na DI, estava incorreto. O ponto fulcral da presente controvérsia diz respeito a posição da NCM em que se enquadra o produto em destaque. Para a Recorrente, por ser mais específica, em conformidade com o disposto na primeira parte da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) nº 3 a), o produto se enquadraria na posição 38.23 da NCM, pois se tratava de um ácido graxo ("gordo") monocarboxílico, especificamente um outro ácido monocarboxílico industrial pertencente ao código 3823.19.00 da NCM. Por outro lado, com base nas conclusões apresentadas no Laudo de Análise de fls. 49/50, a Fiscalização enquadrou do referido produto na posição 38.24 da NCM, sob o argumento de que o produto em tela seria uma mistura de ácidos carboxílicos, especificamente um produto diverso das indústrias químicas integrante do código 2 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 193DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 170 13 3824.90.29 da NCM. Sob o mesmo fundamento, a decisão recorrida ratificou o enquadramento atribuído ao produto pela Fiscalização. Diante do exposto, com vista definição da posição em que se enquadra o produto, fica claro que a solução para a presente controvérsia está relacionada com a identificação do produto, ou seja, em saber se o produto em destaque é um ácido monocarboxílico ou um mistura de ácidos carboxílicos. Tratandose de matéria de natureza técnica, recorro as respostas e conclusões apresentadas no Laudo de Análise de fls. 49/5, complementado pelo Laudo de Aditamento de fl. 95. No primeiro documento, foram apresentadas as seguintes respostas aos quesitos formulados pela Fiscalização, in verbis: 1. Não se trata de Qualquer Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado, de constituição química definida. Tratase de Mistura de Reação constituída de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de 9 e 10 Átomos de Carbono (Ácido NeoNonanóico e Ácido NeoDecanóico), um Produto Diverso das Indústrias Químicas. 2. Não se trata de composto orgânico de constituição química definida e isolado e nem de Preparação. Tratase de Mistura de Reação. 3. Segundo Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na fabricação de tintas, estabilizante para vinil, na extração de metais, etc. 4. A Literatura Técnica (cópia anexa) da mercadoria com a denominação comercial “NEO ACID 910” confirma que tratase de uma Mistura dos componentes cujos números de registros no Chemical Abstract são 68938078 (Ácido NeoNonanóico) e 26896208 (Ácido NeoDecanóico).” Corroborando as informações contidas no primeiro, no Laudo de Aditamento foram apresentadas as seguintes respostas aos quesitos formulados pela Autoridade julgadora de primeiro grau: 1) Qual a composição de cada um dos dois componentes do produto: Fatty Acids C9C13 Neo (CAS 68938078) e Neodecanoic Acid (CAS 26896208)? Resposta: De acordo com Literaturas Técnicas a denominação “Fatty Acids C9C13Neo” – CAS 68938078, referese a uma Mistura Complexa de Ácidos Graxos com estruturas similares com variação de 9 a 13 átomos de carbono. Ácido Neodecanóico – CAS 26896208, referese a um composto orgânico de constituição química definida, um Ácido Monocarboxílico Acíclico onde sua estrutura contém 10 átomos de carbono. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 14 2) A mercadoria em tela, NEO ACID 910, pode ser considerada um Ácido Graxo (Gordo*) Monocarboxílico Industrial ? Explicar. Resposta: De acordo com os resultados das Análises constantes do Laudo nº 0238.01 Funcamp e informações encontradas em Literaturas Técnicas a mercadoria em epígrafe, com denominação comercial “NEO ACID 910”, referese a uma Mistura de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados com variação de 9 e 10 átomos de carbono, uma Mistura de Ácidos Graxos com variação de 9 e 10 Átomos de Carbono. 3) Quaisquer outros esclarecimentos que julgar pertinentes. Resposta: Considerando as respostas aos Quesitos acima, concluímos que a mercadoria em epígrafe tratase de uma Mistura de Ácidos Carboxílicos Saturados e Ramificados de variação de 9 e 10 Carbonos, Outro Ácido Graxo Industrial, um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificada e nem compreendida em Outras Posições. Com base nas respostas apresentadas nos citados documentos, estou convencido de que o produto em tela tratase de uma mistura de ácidos carboxílicos e não de um ácido monocarboxílico3, como asseverado pela Recorrente. Superada a questão de natureza técnica. Passo a analisar o aspecto jurídico da contenda, consistente no enquadramento do produto na NCM, tendo em conta o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e a Regra Geral Complementar (RGC1) da NCM, vigentes na data da ocorrência do fato gerador, com subsídio nos esclarecimentos contidos nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Em relação a esse ponto, alegou a Recorrente que, por ser mais específica, em conformidade com o disposto na primeira parte da RGISH nº 3“a”, o citado produto enquadrarseia na posição 38.23 da NCM. A referida regra tem o seguinte teor, in verbis: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. (...). Para fim de aplicação da referida regra, transcrevo a seguir o texto das referidas posições, in verbis: 3 "Ácido monocarboxílico ou monoácido orgânico é a denominação geral dada aos ácidos carboxílicos que apresentam na sua estrutura um único grupo funcional carboxila". (Wikipédia: Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_monocarbox%C3%ADlico>. Acesso em: 10.fev.2011. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 171 15 38.23 ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXÍLICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO; ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*) INDUSTRIAIS 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES Comparando os referidos textos, vejo que a primeira parte da RGISH nº 3 “a” não se aplica ao presente caso, pois ambas as posições são demasiadamente genéricas. Além disso, a posição 38.23 trata dos “ácidos monocarboxílicos industriais”, enquanto que o produto importado pela Recorrente foi identificado pelo Labana como sendo uma “mistura de ácidos carboxílicos industriais”. Portanto, inaplicável ao caso em tela as disposições da primeira parte da RGI SH nº 3“a”. Com efeito, com base nas RGISH nºs 1, e 6, combinado com a RGC1, o produto deve ser classificado no código 3824.90.29 da NCM. Assim, fica demonstrado que a Fiscalização classificou corretamente o produto no código NCM 3824.90.29, que compreende os Outros “Derivados de ácidos graxos (gordos*) industriais; preparações contendo álcoois graxos (gordos*) ou ácidos carboxílicos ou derivados destes produtos”. II.3 Das Multas Aplicadas Em relação às multas aplicadas, alegou a Recorrente que, ainda que fosse considerada errônea a classificação fiscal por ela defendida, as multas aplicadas não seriam devidas, pois não havia motivos para aplicação de tais penalidades, porque agiu sem dolo ou máfé, uma vez que descrevera corretamente o produto na citada DI. Aduziu ainda que tal procedimento estava em sintonia com o entendimento exarado nos Atos Declaratórios Normativos (ADN) Cosit nº10, de 16 de janeiro de 1997, e nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Da multa por falta de licenciamento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa que sanciona a infração administrativa ao controle das importações consistente na falta de Licença de Importação (LI), documento substituto da Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 16 b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema, em que a GI foi substituída pela LI, passando este último a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º4 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em que ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação (03/07/2001), a matéria estava disciplinada nos arts. 7º a 9º da Portaria Secex nº 21, de 1996, a seguir transcritos: Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifos não originais) De acordo com o novo regime, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o automático e o não automático. Na primeira modalidade era dispensada a emissão da LI e a anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, tanto a anuência prévia dos referidos Órgão como a emissão da LI eram sempre exigidas. Em suma, na vigência do referido regime de licenciamento, somente o produto sujeito a licenciamento não automático estava sujeito a controle administrativo e ao respectivo licenciamento. Analisando o item 002 da Descrição dos Fatos do Auto de Infração em apreço (fls. 02/03), verificase que não foi informado o tipo de licenciamento ou controle 4 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 197DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006424/200581 Acórdão n.º 310200.950 S3C1T2 Fl. 172 17 administrativo a que estava sujeito o produto identificado e reclassificado para o código NCM 3824.90.29, limitandose a autoridade fiscal em asseverar que o motivo da aplicação da presente penalidade decorrera da alteração da classificação fiscal, conjugado com a situação de o produto não ter sido corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários a identificação e ao enquadramento tarifário. Em outras palavras, segundo a Autoridade Fiscal, independentemente do tipo de licenciamento exigido, o erro no enquadramento tarifário, aliado a descrição incompleta do produto na DI, constituía motivo suficiente para a aplicação da presente penalidade. Discordo. No meu entendimento, apenas a operação de importação ou produto importado sujeito a licenciamento não automático, realizada sem amparo em LI, configura importação sem LI, conduta típica da infração sujeita a penalidade em apreço. Cabe ressaltar que na data do registro das referidas DI, a obrigatoriedade de emissão de LI somente existia para a operação ou produto sujeito a licenciamento não automático. Se o licenciamento fosse automático, era dispensada a emissão desse documento. Nessa circunstância, a materialização da infração por falta de LI seria impossível. Tendo em conta esse entendimento, compulsei o Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 1997, vigente na data da realização da operação de importação em tela, e constatei que o produto objeto da presente autuação estava sujeito a licenciamento automático, logo, a sua importação estava dispensada da emissão de LI. Com base nessa constatação, entendo que, no caso em tela, não houve a apontada infração administrativa ao controle das importações, caracterizada pela falta de LI, pois a permissão da importação do mencionado produto não dependia da emissão do citado documento. Dessa forma, fica cabalmente demonstrado que, no presente caso, a conduta praticada pela Importadora não se subsume à hipótese fática da infração em apreço. Portanto, indevida a aplicação da penalidade em destaque. Da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). No que concerne a aplicação da multa de ofício em epígrafe, alegou a Recorrente que não existiria fundamento jurídico para sua aplicação, pois o produto foi corretamente descrito na DI e não ficou comprovado dolo ou máfé da sua parte, estando o caso vertente, em conformidade com o entendimento exarado no item 15 do ADN Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. 5 O item 1 do referido ADN tem a seguinte redação: " O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34,de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente Fl. 198DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 18 Não assiste à Recorrente. As hipóteses de exclusão da multa de ofício, por classificação tarifária errônea (ou declaração inexata), estavam previstas no item 1 do ADN nº 10, de 1997, e exigia o atendimento das seguintes condições: (i) que o produto estivesse corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e (ii) que não se constatasse, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Analisando a Adição da citada DI (fl. 18), tenho que a “Descrição Detalhada da Mercadoria” nela consignada não atende a primeira condição, uma vez o citado produto, descrito como “ÁCIDO MONOCARBOXILICO SATURAO”, conforme anteriomente exposto, evidentemente não se encontrava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Corrobora o asseverado, as conclusões apresentadas no Laudo de Análise de fls. 49/5, complementado pelo Laudo de Aditamento de fl. 95. Com efeito, somente após a descrição do produto consignada nos referidos documentos, foi possível a Autoridade Fiscal, atribuir enquadramento tarifário correto ao produto. Com tais considerações, entendo corretamente aplicada a penalidade em apreço, por conseguinte, não merece acolhimento a alegação suscitada pela Recorrente. III DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para excluir a exigência da multa por falta de LI. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...)”. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 12/04/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10945.720663/2011-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.246
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720663/201107 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.246 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente V PILATI EMPRESA DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. RELATÓRIO. O Relatório Fiscal de fls 10.857 logo no início registra em caixa alta os DEBCAD´s AI DEBCAD´s nos. 37.302.1119, 37.302.1135 e 37.302.1151 “I. INTRODUÇÃO Trata o presente relatório do Auto de Infração – AI lavrado sob número acima indicado. O referido lançamento tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições de segurados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e as destinadas a outras entidades (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas à seguridade social, não recolhidas pela Empresa acima identificada e incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, que lhe prestaram serviços nas competências de janeiro de 2007 a dezembro de 2008.” Por serem motivados pelos mesmos elementos de prova, os DEBCADs n.º 37.302.1119 , 37.302.1135 e 37.302.1151 foram agrupados em um único processo e deveriam registrar, respectivamente o crédito referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, (GILRAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, não recolhidas e não informadas em GFIP, relativas a competências de 01/2007 a 12/2008, no montante consolidado de R$ 3.681.299,68 (três milhões e seiscentos e oitenta e um mil e duzentos e noventa e nove reais e sessenta e oito centavos); RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .7 20 66 3/ 20 11 -0 7 Fl. 10993DF CARF MF Impresso em 25/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10945.720663/201107 Resolução nº 2403000.246 S2C4T3 Fl. 3 2 AI DEBCAD n.º 37.302.1135, crédito referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas por segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhidas e não informadas em GFIP, incidentes sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, relativas a competências de 01/2007 a 12/2008, no montante consolidado de R$ 1.359.084,44 (um milhão e trezentos e cinqüenta e nove mil e oitenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos).; e AI DEBCAD nº 37.302.1151, crédito referente às contribuições patronais destinadas a Outras Entidades e Fundos, (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), não recolhidas e não informadas em GFIP, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2007 a 12/2008, no montante consolidado de R$ 611.658,49 (seiscentos e onze mil e seiscentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e nove centavos). Vieram também aos autos os créditos constituídos por retenções não repassadas e obrigações acessórias conforme abaixo: • AI DEBCAD nº 37.302.1089, crédito referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, (transportadores autônomos e sócios), retidas pela empresa e não repassadas à Seguridade Social, nas competências de 01/2007 a 09/2008, no montante consolidado de R$ 34.923,00 (trinta e quatro mil e novecentos e vinte e três reais). AI DEBCAD nº 37.302.1097, crédito referente às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, SEST E SENAT, incidentes sobre remunerações retidas dos segurados contribuintes individuais, (transportadores autônomos e sócios), e não repassadas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 09/2008, no montante consolidado de R$ 7.505,73 (sete mil e quinhentos e cinco reais e setenta e três centavos). • AI DEBCAD nº 37.302.1062, por apresentar as GFIP`s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68. No Relatório fiscal de fls. 10.865, registraramse que foi utilizado o valor mínimo estabelecido no Artigo 8º, Inciso IV da Portaria do Ministério da Previdência Social MPS, nº 407, de 14/07/2011 (R$ 1.524,43) para o cálculo do limite por competência, e que a multa foi aplicada nos termos do Art. 32, § 5° d a Lei n.º 8.212, de 24.07.91 e do Art. 284, inciso II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, fixada em 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada, respeitado o limite máximo, por competência. • AI DEBCAD nº 37.302.1070: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 6º da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, código de fundamento legal (CFL) 69, no montante de R$ 38.872,93 (trinta e oito mil e oitocentos e setenta e dois reais e noventa e três centavos), nas competências em que a multa calculada anteriormente à Medida Provisória n° 449/08, convertida na Lei n° Fl. 10994DF CARF MF Impresso em 25/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10945.720663/201107 Resolução nº 2403000.246 S2C4T3 Fl. 4 3 11.941, de 27 de maio de 2009, demonstrouse mais favorável ao contribuinte, (01/2007 a 11/2008). É o Relatório Fl. 10995DF CARF MF Impresso em 25/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10945.720663/201107 Resolução nº 2403000.246 S2C4T3 Fl. 5 4 VOTO No Relatório Fiscal, às fls.10.865, as Autoridades autuantes registraram que anexaram os seguintes resumos/demonstrativos relativos a este Auto de Infração: a) Demonstrativo nominal das Contribuições Pagas e não Declaradas às fls. 9.864 a 9.895; b) Resumo das Contribuições Pagas e não Declaradas às fls. 9.896 a 9.897; c) Resumo do Arbitramento da Conta do Razão “Fretes Pagos” às fls. 9.898 a 9.899; d) Demonstrativo Nominal das Diferenças Salariais às fls. 9.900 a 10.072; e) Resumo das Contribuições Não Pagas e Não Declaradas às fls. 10.073 a 10.076 e f) Demonstrativo da Multa Aplicada às fls. 10.077 a 10.084. Conforme informado na letra “c” acima, fls 9.898 consta o referido resumo de onde extraímos o registro de como a planilha fora confeccionada: parte empresa 20%, parte empregado 11% e parte terceiros 2,5%. “RESUMO DO ARBITRAMENTO DA CONTA DO RAZÃO 310103001 FRETES PAGOS para o AI 37.302.1062 COMP Saldo Arbitrado 20% do empresa empregado(?) terceiros TOTAL Conta 310103001 rend. Bruto 20% 11% 2,5% Fretes Pagos 200801 3.343.642,61 668.728,52 133.745,70 73.560,14 16.718,21 224.024,05” Da planilha em comento duas ocorrências se observam que exigem esclarecimentos : os registros revelam créditos constituídos por arbitramento que, entretanto não foram alcançados nos autos; e o AI AI 37.302.1062 que titula a planilha, como visto alhures , foi lavrado por inadimplemento de obrigações acessória não se revelando , portanto, vinculado à planilha. Assim três hipóteses permitem ser ventiladas: houve arbitramento da conta do razão 310103001 fretes pagos que não foi lançado neste auto de infração; não houve arbitramento neste auto de infração e o registro bem como os anexos constituem mero erro;e o registro do AI 37.302.1062 na planilha tratase de outro equívoco. CONCLUSÃO Fl. 10996DF CARF MF Impresso em 25/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10945.720663/201107 Resolução nº 2403000.246 S2C4T3 Fl. 6 5 Diante do exposto, determino converter os autos em DILIGÊNCIA para informar se houve arbitramento da conta do razão 310103001 fretes pagos, e se o lançamento foi efetuado em processo distinto. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 10997DF CARF MF Impresso em 25/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.720885/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL.
O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
Numero da decisão: 1103-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 85 /2 01 1- 17 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720885/201117 Acórdão n.º 1103001.023 S1C1T3 Fl. 348 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp (fls.02/33) de 23/4/09, 19/5/09, 24/6/09, 23/7/09, 24/8/09 e 23/9/09, sendo a origem do direito creditório saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/07. Por meio do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 0484/11, de 6/5/11 (fls.77/79), cientificado ao contribuinte em 19/5/11 (fl.81), as compensações não foram homologadas com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “[...] Pelo que encerra o processo em foco, cumpre inicialmente analisar a existência do alegado indébito. ..... Entretanto, analisandose o disposto no Sistema SAPLI, que reproduz os resultados de ações de fiscalização sobre o prejuízo fiscal e as bases de cálculo negativas do IRPJ e da CSLL apurados pelos contribuintes, observase que, por meio do procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 16643.000274/201053, a autoridade administrativa responsável pelo feito adicionou R$100.826.209,81 à rubrica Lucro Real Antes da Compensação (Ficha 09A, Linha 51), passando tal conta a ter o valor de R$340.770.871,09. Em adido, glosou os R$55.051.302,46 declarados pelo sujeito passivo na rubrica Compensação de Prejuízos Fiscais de P.A. Anteriores – Atividades em Geral P.A. 1996 a 2007 (Ficha 09A, Linha 55). Do Termo de Verificação Fiscal extraído dos autos da aludida peça administrativa, temse que as supracitadas alterações advieram de redução tributária ocasionada por indevidas escriturações de despesas de amortização de ágio nos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008. Como conseqüência, no que tange ao anocalendário em foco (2007), constatouse que as bases de cálculo do IRPJ, apuradas nas respectiva DIPJ, estavam maculadas, inferiores às reais. Ademais, e ainda referenciando o auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16643.000277/201097, apontouse um excesso de compensação de prejuízos que, como é cediço, acaba por induzir reflexos na apuração do saldo desse imposto. ..... Dessa forma, o saldo de IRPJ apurado passa de um valor negativo (creditório) de R$18.841.746,58, para um positivo (devedor) de R$20.127.631,50. Conseqüentemente, concluise inexistir, de fato, saldo negativo de IRPJ para o anocalendário em questão, pelo que não há se falar em crédito compensável e, por conseguinte, em homologação de compensação.” (destaquei) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720885/201117 Acórdão n.º 1103001.023 S1C1T3 Fl. 349 3 Em primeira instância, a Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme acórdão de fls.289/299, que recebeu a seguinte ementa: SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Devidamente cientificado da decisão em 30/8/12 (fl.303), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 28/9/12 (fls.305/320), em que sustenta, em síntese, a necessidade de apensamento dos autos ao processo nº 16643.000274/201053 ou o sobrestamento do julgamento. Consta dos autos petição protocolizada em 1º/11/13 (fls.330/334), em que o Recorrente requer a distribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri, relator do processo nº 16643.000274/201053, ou o sobrestamento do julgamento: “[...] Como é possível observar, o presente feito guarda evidente conexão por continência com o processo n" 16643.000274/2010 53, motivo este que faz necessária a análise e o julgamento em conjunto, em clara observância ao principio da eficiência da Administração Pública. ..... Diante do acima exposto, a Recorrente requer que seja o presente processo administrativo distribuído ao Dr. Valmir Sandri da Primeira Turma, da Terceira Câmara, da 1ª Seção deste E. Conselho para julgamento conjunto com o processo administrativo 16643.000274/201053 (auto de infração), evitandose assim a prolação de decisões administrativas inconsistentes. Caso assim não entenda V.Sa., a Recorrente requer que seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo apensado até o julgamento final do processo administrativo prejudicial (16643.000274/201053).” Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720885/201117 Acórdão n.º 1103001.023 S1C1T3 Fl. 350 4 Em 17/3/14, o Recorrente reiterou seus pedidos alternativos de redistribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri ou de sobrestamento até o julgamento final do processo administrativo nº 16643.000274/201053 (fls.340/343). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Como relatado, na apuração de 31/12/07 a fiscalização adicionou o montante de R$100.826.209,81 à base de cálculo e procedeu a ajustes na compensação de prejuízos fiscais, o que resultou em IRPJ a pagar de R$20.127.631,50, em vez do saldo negativo pleiteado. Vêse, portanto, que a presente controvérsia, relacionada às compensações requeridas, não se resolve sem que antes a apuração ao final do anocalendário 2007 esteja integralmente equacionada, o que inclui a apreciação das glosas de despesas, matéria objeto de apreciação no processo nº 16643.000274/201053. Ou seja, a análise do direito creditório pleiteado, a ser empregado nas compensações declaradas, apenas poderá ser realizada após a decisão proferida naquele mencionado processo, especificamente no que concerne às glosas de despesas com amortização de ágio que impactaram exatamente na apuração daquele anocalendário 2007. É possível se entender, na espécie, pela caracterização de conexão por prejudicialidade, no caso homogênea (infração tributária apurada em um determinado ano calendário a influenciar na apreciação de compensações com direito creditório relacionado ao mesmo período de apuração, objeto de outro processo administrativo tramitando no mesmo órgão). Conforme consulta ao sistema eprocesso, o processo nº 16643.000274/2010 53 foi distribuído em 7/12/12 ao Cons. Valmir Sandri, bem antes, portanto, do sorteio dos presentes autos. Isto posto, duas soluções apresentamse para o presente caso: ou se aguarda o desfecho daquele processo na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara para se analisar os efeitos da decisão que vier a ser proferida, o que implicará o sobrestamento quanto às compensações; ou se encaminha os presentes autos para julgamento conjunto, considerando que o processo nº 16643.000274/201053 foi distribuído antes para aquele colegiado, tendo o respectivo Relator, Cons. Valmir Sandri, conhecido primeiro da matéria. Em que pese a adoção da primeira solução ser defensável, depõe contra a garantia constitucional da razoável duração do processo, pois apenas após o trânsito em julgado do acórdão proferido naquele processo é que se poderá destravar o curso da análise das compensações. A seu turno, a segunda possibilidade permite, por exemplo, que os processos Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720885/201117 Acórdão n.º 1103001.023 S1C1T3 Fl. 351 5 tramitem conjuntamente e que as decisões sejam proferidas pelo mesmo colegiado, sem o risco de serem conflitantes, tudo em prestígio à segurança jurídica. O Regimento Interno do CARF (Anexo II), ao tratar da conexão, dispôs que em tal situação os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio. O processo relativo às compensações deveria, então, ter sido distribuído juntamente com aquele que tratou especificamente das glosas de despesas e do ajuste nos prejuízos fiscais acumulados, a repercutirem diretamente na apuração ao final do anocalendário 2007. Vejamos: “Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. ..... Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Pelo exposto, com fulcro no artigos 47 e 49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, VOTO no sentido de encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10840.001028/98-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/1993, 31/12/1993
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SALDO INSUFICIENTE.
A compensação de prejuízos somente pode ocorrer até o limite do saldo existente na data da apuração do lucro
Numero da decisão: 1302-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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SALDO INSUFICIENTE. A compensação de prejuízos somente pode ocorrer até o limite do saldo existente na data da apuração do lucro Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 10 28 /9 8- 77 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório A contribuinte em epígrafe foi autuada em lançamento suplementar do imposto de renda do anocalendário de 1993, emitido eletronicamente, por suposto erro na exclusão do valor do lucro da exploração da atividade rural e compensação indevida de prejuízos fiscais e lançado o crédito tributário de IRPJ de R$ 205.252,05. Cabe destacar do lançamento que as infrações apuradas foram as seguintes: 1 exclusao do lucro da exploração da atividade rural na demonstração do lucro real maior que o calculado na denstração do lucro da exploração. 2 prejuizo fiscal indevidamente compensado na demonstracao do lucro real. Cientificada do auto, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 04, acompanhada dos documentos de fls. 13 a 19, onde alega o seguinte: que cometeu apenas erros de preenchimento da declaração. que em relação ao lançamento do IRPJ exigido sobre CR$ 7.182.222,00 relativo a receitas financeiras que reduziram o lucro da exploração da atividade rural, o contador da empresa fez constar na Linha 6 do quadro 5 do anexo 4, a importância acima mencionda como se tratando de receitas financeiras. que na verdade, como pode se observar na formação do resultado do mês de agosto de 1993 (anexo 1, quadro 4 linha 38), não existem receitas financeiras. Em idênticos valores existem sim, receitas não operacionais na linha 42. Na verdade estas receitas não operacionais são ganhos e perdas de capital que a empresa obteve com a venda de terras de seu ativo imobilizado, conforme comprovam as cópias das respectivas folhas do Diário anexas (doc. 2 e 3), que assim se resumem: “fls. 70 venda de terras loc. Us. S. Elisa para Engindus R$ 8.162.497,00 Fls. 75 Custo venda (R$ 980.275,29) Ganho de capital R$ 7.182.221,71” que embora tenha classificado em linha errada, fez a dedução correta, conforme se extrai do Quadro 5 do Anexo 4: Quadro 5 Linha Descrição Valor Ago/93 CR$ 01 Lucro liquido transportado da linha 51 do anexo 1 15.081.815 02 Despesas não operacionais 655 05 Provisões para pagts. De tributos e contribuições 271.124 06 Receitas Finaceiras 7.182.222,00 07 Receitas não operacionais (deveria constar o valor acima) 0,00 08 Tributos e contribuições pagos 209.456 11 Lucro da Exploração 7.961.916,00 que assim, resta evidente que se tratou de simples erro no preenchimento na transposição dos valores do Anexo 1, para o Anexo 4. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.001028/9877 Acórdão n.º 1302001.686 S1C3T2 Fl. 354 3 que em relação a glosa do prejuízo de R$ 7.175.026,00, constante do Anexo 2, Quadro 4, Linha 46, referente a ago/1993, repetiuse a falha de preenchimento dos campos próprios, pois como pode se constatar pela cópia do verso da folha 32, da Parte B do Lalur (doc.4), a empresa tinha saldo de prejuízo fiscal da atividade rural, no exercício de 1994, anobase 1993 à compensar. Aliás esses prejuízos estão contabilizados no Lalur e declarados na própria DIPJ questionada, na Linha 14 do Quadro 9 do Anexo 4 (Demonstrativo do Lucro Real da Atividade Rural), para os meses de janeiro a maio de 1993. que fez compensação como determinava o MAJUR/94, fls. 36 e 37, consignando a importância de CR$ 7.175.026,00, erradamente na Linha 44 desse mesmo quadro e anexo. que assim se expressa o MAJUR às fls. 36: “Poderão ser compensados com o lucro real apurado em cada períodobase, encerrado no anocalendário de 1993, os prejuízos fiscais apurados em períodosbase encerrados nos anos de 1989 a 1992, e nos períodosbase mensais de 1993". Dessa forma a importância glosada deve ser restabelecida. quanto a eliminação por parte da RFB da exclusão do Lucro Real de CR$ 4.674.619,00, constante do Anexo 2, Quadro 4, Linha 23, em dez/1993, também foi contabilizado erradamente no Anexo 4, Quadro 5, Linha 3. Essa importância na verdade existia e decorreu de lançamento de "perda de equivalência patrimonial", contabilizada pela empresa em razão de avaliação de seus investimentos. que anexamos a folha do livro Diário autenticado, de n° 113, DOC 5, na qual consta o valor do lançamento do citado valor. que o erro certamente se deu porque o contador da empresa não informou o respectivo valor, contabilizandoo na linha 44 do quadro 4 do anexo 1 englobadamente com um pequeno saldo de CR$ 10.990,00 de despesas não operacionais existentes antes da equivalênciapatrimonial, como comprova a folha 147 do livro diário autenticado, anexada, doc. 6. que assim, comprovado está o novo equivoco. Ao invés de declarar na linha própria para "Resultado Negativo em Participações Societárias" (linha 35 do quadro 4 do Anexo 1), o contador declarou a importância na linha 44 do quadro 4 do anexo 1, como despesas não operacionais, juntamente com a importância de CR$ 10.990,00 acima comprovada. A Chefe da DIADI, pelo despacho de fls. 25, DRJ/RPO/DIADI nº 2103/98, determinou a conversão do processo em diligência a fim de que o autuante, ou outro servidor manifestese sobre a impugnação e se for o caso seja ouvido o contribuinte. Então foi feito o lançamento suplementar, e encaminhado a DRJ para julgamento. A DRJ/Ribeirão Preto, pelo Acórdão de nº 2069, julgou procedente em parte impugnação, para manter a exigência em relação ao mês de agosto acrescido da multa de oficio e juros de mora, conforme ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/08/1993, 31/12/1993 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ementa: LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. É insubsistente a parte do lançamento decorrente exclusivamente de erro no preenchimento da declaração. Data do fato gerador: 31/08/1993 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SALDO INSUFICIENTE. A compensação de prejuízos somente pode ocorrer até o limite do saldo existente na data da apuração do lucro. Para melhor compreensão da decisão da DRJ destaco a seguinte parte do voto condutor do Relator: “Quanto à primeira infração, a empresa comprovou plenamente a situação alegada em relação ao mês de agosto. Aliás, tivesse sido observado na fl. 23, verso, que o valor das receitas não operacionais era idêntico ao declarado no anexo 2, como receitas financeiras, sequer teria havido a glosa. Quanto à compensação de prejuízos, alegou a interessada que, em vez de referirse a compensação de atividade rural do ano calendário, referirseia a prejuízos da atividade normal do próprio ano e de anos anteriores, conforme se depreende de sua citação ao Majur/93 (fl. 03). Entretanto, como se observa na fl. 12, o saldo de prejuízos acumulados não seria suficiente para compensar o lucro apurado. Portanto, a alegação é apenas procedente em parte, à vista de o saldo de prejuízos do exercício de 1991, corrigido, ser de Cr$ 3.911.962,00; o do exercício de 1993, de Cr$ 93.301,00; e o do próprio exercício (1994), de Cr$ 10.398,00. A cópia do Lalur apresentada (fls. 15 e 16) não comprova o direito alegado. Dessa forma, o lucro de Cr$ 7.175.026,00, após as compensações, reduzse para Cr$ 3.162.365,00, equivalente a 56.754,56 Ufir. Assim, o imposto devido é de 14.188,64 Ufir e o do adicional (10% incidente sobre o excedente a 25.000 Ufir), de 3.175,45, totalizando 17.364,10 Ufir. Em relação ao mês de dezembro, alegou a interessada que o valor informado no anexo 1 (fl. 23, verso), linha 44, deveria ter sido indicado na linha 35, exceto a parcela de Cr$10.990,00, que se referia realmente a despesas não operacionais. Alegou que os documentos de fls. 17 e 18 comprovariam suas alegações. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.001028/9877 Acórdão n.º 1302001.686 S1C3T2 Fl. 355 5 E, de fato, segundo os documentos apresentados, as despesas operacionais seriam de Cr$ 10.990,00 e o valor relativo à equivalência patrimonial seria de Cr$100.152.946,00. Portanto, tem razão a interessada. CONCLUSÃO A vista do exposto, DECIDO JULGAR PROCEDENTE EM PARTE 0 LANÇAMENTO, para manter a exigência, em relação ao mês de agosto, no valor de imposto de 17.364,10 Ufir, além da multa de oficio e juros de mora até a data do efetivo pagamento.” Cientificada da decisão em 25/01/01, a Interessada apresentou recurso voluntário tempestivo em 23/02/01, alegando basicamente o seguinte: que a decisão recorrida, na parte relativa aos prejuízos fiscais da atividade rural, que negou provimento a impugnação, merece ser reformada. que examinado o LALUR apresentado com a impugnação, constatarseá que ele registra prejuízos fiscais da atividade rural relativos ao anobase de 1993, em valores suficientes para anulação total do lucro real da atividade normal da Recorrente. que é perfeitamente possível, em sede de recurso, a modificação da linha de defesa, já que o que se busca no PAF é a verdade material. que durante os meses de janeiro a julho de 1993 a Recorrente apurou prejuízos fiscais da atividade rural em valor superior a Cr$ 7.175.026,00, mesmo valor do lucro real do referido período, razão porque realizou a compensação e deve ser julgado improcedente lançamento. que os dispositivos legais citados no auto de infração não fundamentam a decisão de glosar a compensação fiscal levada a efeito. que o artigo 512 do RIR prevê a compensação do prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural, sem fazer nenhuma restrição. que não pode concordar com o cálculo da decisão recorrida, pois ainda que fosse correto o entendimento meritório manifestado pela decisão recorrida, o que admitese apenas por hipótese, ainda assim o lucro não seria Cr$3.162.365,00, como registrado na decisão recorrida, e sim Cr$3.159.365,00. que tratase de mero erro material, que pode e deve ser objeto de reforma por este E. Conselho. que no caso presente, o prejuízo da atividade rural ocorreu durante o ano base de 1993, sendo que este foi compensado com o lucro real da atividade normal da Recorrente relativo ao próprio anobase de 1993, o que, como se viu, tem supedâneo legal. que, portanto, não pode prevalecer a autuação fiscal. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 que não concorda com a conta realizada pela decisão recorrida, pois ainda que fosse correto o entendimento, ainda assim o lucro não seria Cr$3.162.365,00, como registrado, e sim Cr$3.159.365,00. Tratase de mero erro material. Às folhas 174, o AFRF negou seguimento ao recurso voluntário, alegando que o Contribuinte atendeu as determinações constantes do parágrafo 4º, inciso II, do art. 2º e 3º da IN SRF nº 26/2001, visto que a recorrente não arrolou bens imóveis para garantir o recurso. A recorrente então ingressou com a ação declaratória de inexistência de obrigação tributária nº 2001.61.02.0070207, junto a 6ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto, onde requereu expressamente o seguinte: “A Autora apresentou impugnação (doc.03), a qual foi acolhida em parte (doc.04), por decisão do Sr. Delegado de Julgamento de Ribeirão Preto, mantendose o débito apenas no que se refere à compensação de prejuízos fiscais da atividade rural, o que é objeto desta ação. No entanto, a Ré não tem razão, pois foi legitima a compensação de prejuízos fiscais levada a efeito, o que demonstra que inexiste débito algum da Autora para com a Ré. Ocorre que a Autora está prestes a realizar importantes negócios relacionados com a compra e venda de imóveis, os quais, para sua efetiva concretização, dependem da obtenção de certidão negativa ou ainda positiva com efeito de negativa, na forma do artigo 206 do Código Tributário Nacional. Premida por essa necessidade urgente, a Autora não poderá aguardar a inscrição do pretenso débito na divida ativa e conseqüente ajuizamento da execução, para somente então indicar bens penhora, o que, na forma do artigo 206 do Código Tributário Nacional, lhe permitiria obter a certidão positiva com efeitos de negativa. Assim, a Autora não vê outra alternativa sendo ajuizar esta ação declaratória de inexistência de obrigação tributária, e de depositar o quantum integral da pretensa divida, no importe de R$56.588,80 (conforme valor constante de guia de recolhimento expedida pela própria Secretaria da Receita Federal doc.10), o que lhe pemitindo obter certidão negativa ou ainda positiva com efeitos de negativa, na forma do artigo 206 do Código Tributário Nacional. PRELIMINARMENTE NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N.° n.° 10840.001028/9877. (...) Ante o exposto, requer seja julgado procedente este pedido, preliminarmente, para o fim de anular o processo administrativo, a partir da decisão do Sr. Delegado da Receita Federal, que negou seguimento ao recurso administrativo, garantindo que o mesmo tenha seu trâmite regular retomado. MÉRITO (...) A decisão administrativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, que manteve a autuação fiscal na parte em que não foi aceita a compensação levada a efeito pela Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10840.001028/9877 Acórdão n.º 1302001.686 S1C3T2 Fl. 356 7 Autora não pode prevalecer, pois foi legitima a compensação de prejuízos fiscais. (...) DA INEXIGIBILIDADE DA ATUALIZACAO DO DEBITO OBJETO DESTA ACAO PELA TAXA SELIC E inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins de correção de débitos tributários.” Às folhas 196, o AFRFB/POR atestou o depósito do montante integral do crédito tributário e propôe o encaminhamento dos autos a GAJUD/POR para acompanhamento da ação judicial. Às folhas 199 a PGFN de POR, encaminha a cópia da sentença que julgou improcedente o pedido da Contribuinte e extinguiu o processo com o julgamento do mérito, para providências a respeito do depósito judicial. Às folhas 243, o AFRF em POR, em atendimento às solicitações de fl. 239, reproduziu o memorando n.° 17/CI/PORT.ESCOR08 284/04, onde realizou a imputação do depósito judicial realizado pelo interessado, demonstrados nas fls.227, demonstrandose totalmente suficiente para garantir e suspender a exigibilidade do débito aqui controlado, mantida, portanto a exigibilidade dos débitos aqui controlados. Assim, o processo retornou para permanecer a cargo do Grupo de Ações Judiciais GAJUDRPO, até o trânsito em julgado das ações judiciais nele mencionadas. Às folhas 343 consta o ofício nº 665/2013/DIDE2/PRFN, encaminhando a sentença proferida pelo TRF na apelação da ação judicial e informando que a PGFN não interporá recurso a teor da Súmula Vinculante nº 21. Diz a sentença do TRF da 3ª Região: “....Dou provimento a apelação para reformar a sentença e julgar procedente o pedido formulado, de modo a assegurar à Autora o direito ao processamento do recurso administrativo, independentemente da realização de arrolamento de bens....declarando inválidas todas as consequências decorrentes da decisão que negou seguimento ao recurso....” É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz os requisitos formais de admissibilidade, e, portanto, dele conheço. Quanto à parcela remanescente do auto de infração referente a compensação de prejuízos, alegou a interessada que, em vez de referirse a compensação de atividade rural do anocalendário, referirseia a prejuízos da atividade normal do próprio ano e de anos anteriores, conforme se depreende de sua citação ao Majur/93 (fl. 03). Entretanto, como bem decidiu a DRJ, conforme se observa às fls. 12, que o saldo de prejuízos acumulados não era suficiente para compensar o lucro apurado. Portanto, corretamente decidiu que a alegação era procedente em parte, à vista que o saldo de prejuízos do exercício de 1991, corrigido, ser de Cr$ 3.911.962,00, do exercício de 1993 ser de Cr$ 93.301,00, e, do exercício 1994 ser de Cr$ 10.398,00. Entendo também que a cópia do Lalur apresentada não comprova o direito alegado e desta forma, corretamente entendeu a DRJ que o lucro de Cr$ 7.175.026,00, após as compensações, deveria ser reduzido para Cr$ 3.162.365,00, equivalente a 56.754,56 Ufir. Desta feita, entendo que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar com a escrituração contábil correspondente, acompanhada de elementos de comprovação que corroborem o alegado. A vista do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11516.003530/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
SOCIEDADES COOPERATIVAS DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS PRESTADOS AOS ASSOCIADOS. GASTOS INCORRIDOS. EXCLUSÃO. PREVISÃO.
As sociedades cooperativas de eletrificação rural, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição, poderão excluir da receita bruta, além dos valores especificados no art. 15 da Medida Provisória no 2.158-35/01 e art. 1o da Lei 10.676/03, o valor dos gastos incorridos na prestação dos serviços de eletrificação rural a seus associados, quando a eles repassados.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o PIS/Pasep, até 1º de dezembro de 2002, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que seja excluída do Auto de Infração a totalidade do valor dos serviços prestados pela cooperativa a seus associados.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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NULIDADE. HIPÓTESES. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As demais irregularidades, incorreções e omissões, quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, devem ser sanadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS PRESTADOS AOS ASSOCIADOS. GASTOS INCORRIDOS. EXCLUSÃO. PREVISÃO. As sociedades cooperativas de eletrificação rural, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição, poderão excluir da receita bruta, além dos valores especificados no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835/01 e art. 1o da Lei 10.676/03, o valor dos gastos incorridos na prestação dos serviços de eletrificação rural a seus associados, quando a eles repassados. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 30 /2 00 6- 10 Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS PRESTADOS AOS ASSOCIADOS. GASTOS INCORRIDOS. EXCLUSÃO. PREVISÃO. As sociedades cooperativas de eletrificação rural, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição, poderão excluir da receita bruta, além dos valores especificados no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835/01 e art. 1o da Lei 10.676/03, o valor dos gastos incorridos na prestação dos serviços de eletrificação rural a seus associados, quando a eles repassados. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o PIS/Pasep, até 1º de dezembro de 2002, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que seja excluída do Auto de Infração a totalidade do valor dos serviços prestados pela cooperativa a seus associados. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 3 3 Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 22/11/2006, contra a contribuinte acima identificada: a) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 573.604.,66 (sendo R$ 263.805,46 a título da contribuição, R$ 111.945,27, a título de juros de mora calculados até 31/10/2006 e R$ 197.853,93, a título de multa de ofício 75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 30/09/2001 a 30/06/2006 (fls. 193 a 198). O crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS e o lançamento está assim fundamentado: art. 1º da Lei Complementar nº 70/1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/1998; com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/1999; arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002; art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; Lei nº 10.676, de 2003; art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003; e arts. 23 e 33 da IN SRF nº 247, de 2002, alterada pela IN SRF nº 358, de 2003.; b) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 124.280,12 (sendo R$ 57.157,64 a título da contribuição, R$ 24.254,49 a título de juros de mora calculados até 29/09/2006 e R$ 42.867,99, a título de multa de ofício 75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 30/09/2001 a 30/06/2006 (fls. 215 a 220). O crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS e o lançamento está assim fundamentado: . arts. 1º e 3º da Lei complementar nº 07/1970; arts. 2º, inciso I, 8º, inciso I e 9º da Lei nº 9.715/1998; arts. 2º, 3º, 8º e 69 da Lei nº 9.718/1998; com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/1999; arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002; art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; Lei nº 10.676, de 2003; art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003; e arts. 23 e 33 da IN SRF nº 247, de 2002, alterada pela IN SRF nº 358, de 2003. 1.1.A ciência da autuação deuse em 06/12/2006, conforme registrado às fls. 194 e 216. 2. No Termo de Encerramento e Verificação Fiscal de fls 174 a181., os auditores fiscais autuantes, na introdução, apontam o objetivo da contribuinte, consoante seu estatuto social, como sendo a transmissão e a distribuição de energia elétrica para uso domiciliar ou industrial, de modo a atender exclusivamente seus associados. Também relatam, quanto aos procedimentos, a respeito das intimações fiscais e das respostas e documentação apresentadas pela então fiscalizada. 2.1.Os autuantes também explanam sobre as exclusões da base de cálculo da contribuição permitidas ao tipo de atividade da Cooperativa, registrando que, além das exclusões previstas no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da MP nº 2.15835, de 2001, as sociedades cooperativas de eletrificação rural podem ainda excluir da receita bruta os valores correspondentes: Às sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971, efetivamente distribuídas; Aos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Transcreve ainda a legislação Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 pertinente à matéria, qual seja: o art. 17 da Lei nº 10.684/200s, o art. 33, inciso VI, §§ 4º, 5º, 8º, I e II, 10 e 12 da IN SRF nº 247, de 21/11/2002. 2.1.1. Registram também que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, como litisconsorte, em ação de número 99.80.029510, em 15 de outubro de 1999, na Seção Judiciária de Criciúma. Em 18 de outubro de 1999, por aquela seção judiciária julgarse incompetente o processo foi remetido ao Juízo Federal da 3a Vara Federal de Florianópolis onde tramitou sob o nº 99.00.093674. A ação objetivou afastar a cobrança da COFINS ilegalmente atribuída às impetrantes pela Medida Provisória 1858 e suas sucessivas reedições; bem como, no caso de indeferimento do pedido de medida liminar, obter o direito de depositar em juízo os valores da contribuição até decisão definitiva; ou ainda, que fosse determinada a diminuição da alíquota e da base de cálculo do tributo, alterados pela Lei nº 9718/1998. Em 10/02/2000, foi indeferido o pedido de liminar e, em 15/08/2001, foi prolatada sentença denegatória da segurança. Em 08/02/2002, a sentença transitou em julgado. 2.2.Quanto às irregularidades apuradas, os auditores fiscais autuantes primeiramente informam terem constatado que a cooperativa somente recolheu a PIS sobre folha de pagamento. Sendo que os demais valores faturados ficaram à margem da tributação e não foram declarados em DCTF. 2.3.Apontaram, assim, a “Falta de Recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para a Contribuição pra Financiamento da Seguridade Social COFINS”. Explicaram que, a partir da edição da Lei nº 9.718/98 e da MP nº 1.8586/99, as Cooperativas de maneira geral passaram a contribuir para as contribuições PIS e COFINS com base na receita bruta e que a isenção da COFINS relativa aos atos cooperativos fora expressamente revogada pelo artigo 23 da já referida MP 1.8586/1999. 2.3.1. Também expuseram que, apesar da revogação efetivada pelo art. 23 da MP 1.8586/1999, foram previstas exclusões de valores referentes aos atos cooperativos próprios deste tipo societário, conforme disciplinado na IN SRF nº 145/1999 e as deduções específicas introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003 e IN nº 247/2002, alterada pela IN nº 358/2003. 2.3.2. Com base na legislação de regência, expuseram os autuantes que, para a apuração da Base de Cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, partiram do total do faturamento apresentado pela contribuinte, composto pelas receitas de Fornecimento de Energia e Serviços, Receitas Financeiras e Receitas de Aluguel de Postes, e deduziram os custos de que trata a IN SRF nº 358, de 09/09/2003, ou seja, os custos de Energia Elétrica e os custos de manutenção da rede de distribuição (grupo 61503) e as sobras que trata a IN acima citada (antes das reservas previstas no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971, e efetivamente distribuídas). Informam que os valores apurados como Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS são os apresentados no quadro de fls. 172/173. 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu Presidente, apresentou, em 19/12/2006, a impugnação de fls. 226 a 268, acompanhada da documentação de fls. 268 a 785. 3.1.Na peça de defesa, a impugnante preliminarmente alega a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, por não ter como saber de onde foram buscados os “custos” que servem de exclusão para tributação Base Imponível para fins PIS/COFINS. Nesse sentido afirma haver necessidade de apresentação de lançamento por lançamento para que se analise a natureza e o destino deles e questiona: Que critério o fisco está usando para incluir contas ou excluíIas? (...) Porque não foram inclusas as contas (custos) do Setor Administrativo? As contas que foram inclusas são mesmo aquelas relatadas já que Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 4 5 se tem só o somatório delas? Conclui que não teria como se defender se não estiver discriminada conta por conta na base de cálculo das contribuições, para verificar se fora observado o tratamento tributário diferenciado dispensado às Cooperativas de Eletrificação Rural ¬Art. 17 da Lei 10684/03. 3.2.Quanto ao mérito, inicialmente, discorre sobre a natureza especial das cooperativas e a respeito do tratamento tributário adequado aos atos cooperativos, com base na prescrição contida no artigo 146, inciso III, da Constituição Federal. Conclui que em qualquer ramo que seja o objeto de aglutinação de seus associados, as cooperativas: (a) restringemse a prestar serviços; (b) não possuem resultados; (c) não têm receitas. Logo, não auferem renda; nem faturam, nem obtém receitas para si: todos os ingressos se incorporam ao patrimônio dos próprios cooperados. 3.3.Em seguida, sob o tópico “IMPUGNANTE, INSERIDA NO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO, COMO COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL RAMO INFRAESTRUTURA” a interessada explica que: A distribuição de energia, por Cooperativa, centrase na prestação de serviço público essencial que tem por base e fundamento atividade de exploração das redes de distribuição, consistindo na tarefa de receber a energia da empresa transmissora, em altíssima tensão para entregar a energia elétrica ao associado que se conecta à rede de distribuição, perpassando os centros urbanos e zonas rurais (Objeto do contrato de Concessão). O art. 29 Parágrafo 3º da Lei Cooperativista, abre a possibilidade de pessoas jurídicas ingressarem como associadas, sem as limitações previstas no Art. 6, I, desde que se localizem na respectiva área de ação, de uma Cooperativa de Eletrificação Rural. No desempenho das atividades de distribuição, a impetrante usa de espaço público ao utilizarse de postes fincados travessias de cabos e fios ao longo das estradas federais, estaduais e municipais, nas chamadas faixas de domínio e adjacentes, essenciais à prestação do Serviço Público de distribuição de Energia Elétrica na modalidade uso compartilhado. 3.3.1. Aponta o papel importante da Sociedade Cooperativa de Eletrificação Rural na nova estrutura do setor elétrico, e que está sujeita tanto à legislação cooperativista como à de controle do setor elétrico (ANEEL), dispondo que: A IMPUGNANTE é detentora desse caráter próprio, como sociedade cooperativa; é regida igualmente por legislação do setor cooperativo e elétrico classificada no ramo da infraestrutura. São cooperativas que têm por função primordial prestar coletivamente serviços de que o quadro social necessita (luz, telefone, água – infraestrutura), sem objetivo de lucro, acompanhado da prestação de serviço público de energia elétrica a consumidores urbanos e rurais, através dos serviços de distribuição, administração e comercialização. 3.4.Passa então a analisar os conceitos de “faturamento” e de “receita bruta” à luz de julgados do STF (REs 357.950,390.840, 358.273 e 346.084) e do art. 110 do CTN, concluindo que: Os Entes Públicos, em matéria tributária, não podem alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expresse ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias; Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Ao se definir competência tributária, aquele conceito ou aquele instituto de direito privado passam a ser vinculantes dentro do Direito Tributário. Constitucionalizado o conceito ou instituto, no terreno da taxação, para efeito de definição da competência impositiva, a lei infra constitucional não mais poderá dar nova conceituação, sob pena de tomar inócuo o princípio constitucional da discriminação de rendas tributárias; Somente, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15121998, é que passou a ser permitida a instituição de contribuição sobre a "receita ou o faturamento" (art. 195, I, "b" da CF). A conjunção alternativa "ou" deixou claro tratarse de coisas diferentes, restando ao legislador ordinário a opção entre uma e/ou outra, adquirindo contornos mais amplos na sua base de imposição; A atual exigência dessas contribuições já está adequada a esta ementa (arts.2º e 3º da Lei nº 9718/1998). 3.5.Sob o tópico “COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL – SEM BASE IMPONÍVEL”, defende não haver base material, nem legal, para a imposição do ato infracional pelo Fisco, às Cooperativas de Eletrificação e Rural. Alega ser inaplicável o conceito de “faturamento receita bruta” ao ato cooperativo em razão de: O art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto serviço, não há incidência de PIS/COFINS cuja base material é essa (faturamentoreceita); Aquilo que passa pela cooperativa, mesmo que contabilmente seja lançado como receita, tem natureza transitória, pois pertence ao cooperado a quem será repassado, e, por isso não será receita. Não se trata de um ato da PESSOA JURíDICA COOPERATIVA, mas sim, um ato do cooperado. Logo, não há receita, não há faturamento, como se entende comumente; o Caráter nãolucrativo das Cooperativas – art. 4º da Lei 5.764/71, ser inerente ao regime jurídico das cooperativas. Ele por si só não leva à inexistência de valores que poderiam ser caracterizados como RECEITA, mas acrescido de um outro elemento, que é o de prestar serviços aos associados, caracterizando como Ato Cooperativo (meio e fim), não agindo em nome próprio, na busca de resultados para si, mas daqueles que representam, afastando resultados financeiros que venham a obter e a natureza de "faturamento" ou "receita bruta" ou mesmo "receita", na ampla concepção da Lei 9718/98. E conclui, qualquer que seja o seu ramo e o objeto da aglutinação de seus cooperados, as cooperativas: a) se restringem a prestar serviços; b) não possuem resultados e c) não têm receita operacional. Os chamados atos nãocooperativos, previstos na Lei 5764/71, nos art. 85, 86 e 87, não se enquadram nesses conceitos e são tributados, normalmente, conforme a detenção do Art. 111, e os ingressos adquirem uma nova feição e padrão; os atos nãocooperativos são "aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas não associadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil". Neste caso tais operações, contabilizadas em separado, de acordo com o artigo 87 da Lei nº 5.764/71, teriam a incidência de tributos, tendo em vista a existência do fato gerador, qual seja o faturamento; A Lei Complementar nº 70/91, em seu artigo 6º, inciso I, ao isentar a COFINS,deu tratamento adequado ao Ato Cooperativo. Tal dispositivo foi revogado Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 5 7 pelo art. 93, II, da MP nº 21583501, sendo questionável a revogação de um dispositivo contido em Lei Complementar por meio de Medida Provisória. 3.6. Em conclusão explica que “O que determina a base imponível é o Faturamento (Art. 179 do RIR), entendido como o “produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados”. Portanto, dita base de cálculo encontrase calcada no volume das vendas efetuadas pelos contribuintes e/ou preço dos serviços pelos mesmos prestados, ou no produto de ambos, se for o caso". Nas relações internas das cooperativas (art. 79) não acontece por falta de objeto ou materialidade, porque o conceito de RECEITAS (ingressos), estranho ao mundo das cooperativas, não existe conceitualmente: o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda do produto, mercadoria ou serviço. A relação entre cooperativa e associado não produz receitas, pois, o resultado pertence ao associado e não à cooperativa. Não há relação negocial; 3.7.Defende também a impugnante que, com a edição do artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, o legislador quis dar um tratamento diferenciado ("adequado”, segundo o prisma constitucional) a esse segmento do cooperativismo (junto com agropecuário) reconhecendo a importância estratégica e social, já que presta serviço, preferencialmente, no meio rural, sabidamente mais deficitário, ao fixar esse dispositivo infraconstitucional. Pondera que o termo “valores” empregado no referido artigo 17, difere da palavra “custos” empregada para as cooperativas agropecuárias. Reforça que tem suas atividades centradas na modalidade de serviço de distribuição de energia. 3.8.A respeito do REPASSE DE VALORES AO ASSOCIADO, VIA FATURA (FATURAMENTO) – INGRESSOS, a interessada expõe que a cobrança de todos os valores pagos ou incorridos por conta dos associados dáse mediante valor fixado em tarifa por quilowatt consumido, à qual, além de contemplar todos os dispêndios contratados por conta e em nome dos associados, inclui também tributos sobre ela incidentes, tais como ICMS destacado na conta de energia cobrada . São os chamados dispêndios operacionais e não operacionais. Entende que os valores a serem excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS são aqueles em que a cooperativa tenha agido na qualidade de repassadora de valores de serviços prestados , que embora computados em sua escrita, devem ser suportados pelos associados, destinatários da transferência de valores. 3.8.1. Ressalta que "custo" difere de "valores" e tem extensão conceitual diferente, mais restrita. Caso o legislador quisesse fazêlo, com o mesmo alcance, mudaria a redação, para acrescentar a palavra "custos" às cooperativas agropecuárias e de eletrificação rural. Destarte, na redação do art. 17, o termo "valores" apresenta uma extensão maior "Custos" são espécies de valores, mas, não são os únicos (custo = valor de um bem). 3.8.2. Também argumenta que: Quando a IN 358/03 aplica a palavra "custos" às Cooperativas de Eletrificação Rural, repassados aos associados, tem um alcance restrito e restritivo. Não poderia fazêlo, já que é um conceito mais amplo. Ademais, nem caberia à Instrução Normativa incrementálo, pois não pode um conceito expresso pela lei, ser parcializado por norma hierarquicamente inferior, como se fez ao aplicar o significado de "custos" a "valores". Aqui vale o disposto no art. 110 do CTN, exatamente na lição do Ministro STF Marco Aurélio de Mello, como já analisado. 3.8.3. Ao afirmar que “A Base Imponível deve ser feita então com o acerto das contas e sua natureza”, a impugnante explica que dos valores repassados, via tarifa, que vão compor faturamento bruto, alguns servirão como base imponível Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 para as contribuições, já que não têm natureza de repasse de valores. Tratase das contas que não estão incluídas nos atos cooperativos, por exemplo, os ingressos advindos com receitas nãooperacionais, ganhos aplicações financeiras. Porém, os excluídos da base imponível serão os relacionados ao ato cooperativo, isto é, advindos do pagamento da tarifa pelo associado. Todos esses deverão ter exclusão base de cálculo do PISCOFINS. É a interpretação lógicoliteral do artigo. 3.8.4. Registra assim que na prática todos os dispêndios: custos relativos à operacionalidade para entrega da energia aos associados; investimentos em linhas redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessárias ao funcionamento da cooperativa e necessários á prestação dos serviços aos associados, poderão ser excluídos da base de cálculo das CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. 3.9.Acusa o Fisco de cometer equívoco, na apuração da base de cálculo, pois, no seu entender, o Fisco não contempla na totalidade as exclusões previstas na IN nº 358/03, IN nº 247/02 e IN nº 635/2006. Explica que, para fazer frente a todas as etapas da entrega de energia ao associado, na operacionalização de todo o sistema existem os custos incorridos que deverão ser rateados. 3.9.1. Alega ainda que: Na essência, portanto, todos os ingressos da cooperativa são advindos de Atos Cooperativos. Os CUSTOS de uma cooperativa de eletrificação rural são os dispêndios, meiofim, para consecução dos objetivos. Não há base legal para incluir uns, e, excluir, outros, como fez o fisco, no caso; como cooperativa de eletrificação rural, todas atividades, meio visam a um fim: o serviço público de energia elétrica a preços módicos. Não há como excluir um setor de não participar. Todos os custos são repassados à Tarifa. É uma unidade só, com um objetivo. 3.10. Ao reportarse à Solução de Consulta nº 352, de 26/11/2004, da 9a. Região Fiscal aponta que o importante nessa consulta é o reconhecimento da SRF – da exclusão dos custosadministrativos, financeiros aos atos relacionados internamente (atos cooperativos). E conclui: Alguém poderia alegar que se trata de atos não vinculados à atividade principal. Nada mais falso. Pela definição de Renato Becho, apenas serão considerados atos nãocooperativos aqueles praticados com terceiros nãocooperados que se fossem realizados com associados seriam cooperativos. Todos os demais (excluindose os próprios atos cooperativos) classificamse como atos cooperativos auxiliares. 3.11.Em relação à aplicabilidade dos PN nºs 77/76, 66/86 assevera que A Receita Federal reconhece o Ato Cooperativo e as operações que dão origem a ele (Art. 79 Lei Cooperativista). É sabedora então, que não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto, mercadoria e serviços. Essa questão é esclarecida pelas PN 77/76 e 66/86. Daí, não entenderse o Ato Fiscal, derivado de Atos Cooperativos, em desacordo com órgão da própria Receita. 3.12.Em subtópico “8.1) COOPERATIVAS DE ELETRIFICAÇÃO RURAL E O BEM MÓVEL ENERGIA ELÉTRICA; EXCLUSÃO DA BASE IMPONÍVEL PIS/COFINS. APLICABILIDADE DA IN SRF – IN635/06 – Art. 12, II”, entende que a autoridade fiscal deixou de aplicar a norma que disciplina o tratamento tributário das cooperativas em geral e das cooperativas de eletrificação rural. Apresenta assim, as seguintes considerações: (1) O art. 83 do CC, considera a Energia elétrica, como bem móvel por definição legal. A Impugnante é uma típica Cooperativa de Eletrificação Rural: recebe e distribui aos seus associados – o bem móvel (Energia elétrica), somente; Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 6 9 (2) O Legislador ao conceder benefício fiscal direciona a esse segmento: que gera, transmite, distribui, comercializa , (art. 13 IN 635/06) ESSE BEM MÓVEL. Tanto é que no Art. 14, dessa Instrução Normativa, manda contabilizar separadamente, qualquer outra atividade que fuja às básicas: tipo produção, consumo...para as deduções e exclusões próprias. Salientese, então que podem compartilhar atividades cooperativas, distintas, cada uma com tributação própria no aspecto tributário. (3) Independente da classificação da Energia Elétrica – quer como bem e/ou mercadoria o benefício fiscal se aplica ao detentor desse ato cooperativo. Logo, os benefícios fiscais são para todos os detentores do ATO COOPERATIVO COM ENERGIA ELÉTRICA COMO BEM EM TODA A SUA EXTENSÃO. 3.11.Sobre a Jurisprudência do STJ sobre PISCOFINS das Cooperativas, a impugnante adverte que “O Superior Tribunal de Justiça vem de muito, com jurisprudência mansa e pacífica, que podese resumir no seguinte: “Atos de cooperativas realizados apenas com cooperados são isentos de tributação”. O entendimento é tanto da Primeira e segunda turmas do Turma (sic) do Superior Tribunal de Justiça e reforça a jurisprudência do tribunal de que a cooperativa tem isenção de tributos em relação aos atos cooperativos. Ou seja os atos praticados somente com os associados não estão sujeitos à incidência de tributos". Reportase assim a ementas de alguns acórdãos proferidos em Recursos Especiais; 3.12.Nas considerações finais, ao repisar suas alegações expõe, quanto ao Mandado de Segurança nº 99.00.93674 (que a fiscalização informou ter sido arquivado em fevereiro de 2002, que, com a edição da Lei nº 10.684/2003 (art. 17), com efeito retroativo a 1999, houve desistência na continuação da Lide, já que na prática só os atos nãocooperativos seriam abrangidos pela taxação, ante a clareza daquele dispositivo, aplicados retroativamente a 1999; 3.13. Também em suas Considerações Finais, conclui a impugnante que A AUTORIDADE FISCAL ENCONTRASE SOLITÁRIA NO SEU MODO DE INTERPRETAR A LEI (INCLUSIVE NÃO OBSERVANDO OS DIZERES DA CONSULTA 352/04 – 9a Região). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COFINS. ISENÇÃO PREVISTA EM LEI COMPLEMENTAR. REVOGAÇÃO POR MEDIDA PROVISÓRIA/LEI. INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não pode afastar a incidência da contribuição prevista em medida provisória ou lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A obrigatoriedade de lei complementar a disciplinar o adequado tratamento tributário a ser dirigido às cooperativas, estabelecida pela Constituição Federal, é dirigida ao legislador, Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação contida na legislação tributária. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Apenas as exclusões autorizadas pela legislação tributária e devidamente comprovadas devem ser consideradas para fins de apuração da base de cálculo da contribuição para a COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Apenas as exclusões autorizadas pela legislação tributária e devidamente comprovadas devem ser consideradas para fins de apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Reapresenta preliminar de nulidade do Auto de Infração, por preterição ao direito de defesa. Afirma, Voltamos a afirmar que determinadas contas foram "agraciadas" com "exclusões" (aleatoriamente). Resultados como sendo somatório das contas de "manutenção e distribuição" (Conta 3.4.1 ou 1700). Conduz a falsa idéia que "todas" as contas" teriam sido contempladas com "exclusões" dispostas no Art 33 In 247/02 (regulando o art. 17 da Lei 10 864/03). Na realidade, isso não aconteceu: várias contas que envolvem custos/gastos ficaram de fora: pessoal ,administrativo financeiro, geral (Vide "DEMONSTRATIVO FEITO PELA RECORRENTE) Informese que são custos reconhecidos pelo setor elétrico –Lei 8631/93 e Decreto 774/93,(e outros diplomas legais, como veremos nesse recurso) na determinação da tarifa e assim nominados. A decisão de primeiro grau ,repetindo o equívoco do fisco, conclui que cabe à recorrente demonstrar as "exclusões" .Um lançamento para ser válido tem que apresentar uma base válida. (art 142 CTN) Transcreve jurisprudência. Assevera que não tem como saber de onde foram obtidos os custos que servem de exclusão para tributação. Que não há um demonstrativo específico claro e objetivo das exclusões e inclusões, apenas citações em rodapé. Apresentamse somatórios parciais e incompletos. O acórdão, reconhecendo implicitamente esse fato, sugere à recorrente, "DECOMPOR" (SIC) os números do fisco para chegar à base imponível. Não há como fazer. Ela em si, deve ser decomposta; se tem que "decompor" é porque não foi bem "composta". 0ra, não se admite uma base dessa natureza. Como "decompor" algo que "usa dois pesos duas medidas": das mesmas contas de despesas/ custos foram aceitas umas e deixadas de fora outras (pessoal, administrativas, financeiras)? Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 7 11 As demais contas pertencentes a esse grupo? Como se chegou a esse número? Cita "custos de distribuição"? quais ? os "administrativos" não fazem parte da distribuição? E os de "pessoal"? Que base foi usada? Que critério foi usado? As contas são aquelas relatadas (parcialmente) já que se tem um somatório? À que contas dizem respeito ? Haveria necessidade de um demonstrativo próprio das contas usadas; do seu somatório. Porque não buscar diretrizes na Legislação do Setor ElétricoDecreto 774/93 Art. 2 que fixa de maneira clara, os custos e despesas que compõem a Tarifa repassados aos associados e permitida como exclusão da Base imponível pela IN. SRF 358, de 09/09/2003 e 635/2006 ? Se a tarifa é custo do setor porque não aplicar seu resultado como exclusão? No mérito, dá início à defesa esclarecendo o papel das Cooperativas de Eletrificação Rural (CERS) na composição do Sistema Interligado Nacional de Energia Elétrica (Lei 9.074/95), sujeito às normas do Conselho Federal de Contabilidade (NBC T 10.8), como também a padronização contábil (Plano de Contas), tarifação e sistema de custos fixados pela ANEEL, repassados à Tarifa (Lei Federal 8631 de 1993 e Decreto 774/93) e Lei Cooperativista Lei n o 5.764/71; Decreto 62724/68. Que na condição de cooperativa permissionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica deve balizar seus procedimentos com os do setor elétrico, porém, observando as características do regime jurídico próprio: das cooperativas (Lei Cooperativista). Explica, Com a edição do art.17 Lei 10.684/03 (com efeitos retroativos a 1999) que o segmento do Cooperativismo de EletrificaçãoRural (junto com o agropecuário) teve reconhecida a sua importância estratégica e social já que presta serviço, preferencialmente, no meio rural, sabidamente mais deficitário, ao fixar na legislação infraconstitucional, exclusões na base imponível próprias para contribuições sociais. Art. 17. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados" (grifouse) A seguir, passa à explicação da sistemática de funcionamento do Setor. Para prestação de um serviço adequado devem ser coberto todos os seus custos, que estão previstos pela Lei que fixa o regime tarifário pelo preço. Para ser um "serviço adequado" implica em ter cobertura de todos os seus custos. Esses não são necessariamente o que a Permissionária deseja e, sim, os "previstos" pelo normativo que fixa o regime tarifário. Determina Aneel (Lei 8631/93) que a tarifa deva ser fixada por permissionária, conforme características específicas de cada EMPRESA. Na tarifa é centrado todo o sistema de CUSTOS DO SETOR ELÉTRICO JÁ QUE REPASSADA AO ASSOCIADO. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Explica que o regime jurídico das cooperativas os sócios, em regra geral, são chamados a contribuir financeiramente para que a empresacooperativa possa desempenhar suas atividades. Isso significa que os associados adiantam recursos financeiros (contribuições via tarifas) para o custeio dos dispêndios operacionais da sociedade. Se, ao final do exercício houver sobras a assembleia lhes dará destinação; se houver "perdas" os associados terão que disponibilizar mais recursos (contribuir mais) para que as contas de resultado apresentem receitas totais iguais aos dispêndios totais. Explica como, no caso concreto, as tarifas cobradas pela Cooperativa foram definidas em conjunto da ANEEL. Que a tarifa é composta por dois conjuntos de custos, o primeiro (26,29% do total) são os considerado não gerenciáveis e o segundo (73,71%), gerenciáveis. 4.2.4.1.1 "O PRIMEIRO CONJUNTO DE CUSTOS TARIFÁRIOS:_1 "PARCELA "A" da Tarifa referese ao repasse dos custos considerados não gerenciáveis; na homologação da CERPRAG foram identificados em 26,29%, seja porque seus valores e quantidades, bem como sua variação no tempo, independem de controle da permissionária (como, por exemplo, o valor da despesa com a energia comprada pela distribuidora para revenda aos seus consumidores), ou porque se referem a encargos e tributos legalmente fixados (como a Conta de Desenvolvimento Energético, Taxa de Fiscalização de Serviço de Energia Elétrica etc). Como ficou definido no cálculo tarifário feito pela Aneel para Recorrente RESOLUÇÃO HOMOLOGATORIA N° 912 de 24/11/2009 http://mw.aneel.gov.bricedoc/areh2009912_1.pdf (...) 4.2.4.1.2SEGUNDO CONJUNTO DE CUSTOS DA TARIFA: "PARCELA "B" (CUSTOS GERENCIÁVEIS) RN Aneel 166/05 Art 2... XII Art 20§1º Dec 774/93 identificados em 73,71% CERPALO. O segundo conjunto referese à cobertura dos custos de pessoal, de material e outras atividades vinculadas diretamente à operação e manutenção dos serviços de distribuição, bem como dos custos de depreciação e remuneração dos investimentos realizados pela empresa para o atendimento do serviço. Esses custos são identificados como custos gerenciáveis, porque a concessionária tem plena capacidade em administrálos diretamente e foram convencionados como componentes da "Parcela B" da Receita Anual Requerida da Empresa." A seguir, explica quais são os custos repassados à tarifa de energia elétrica, conforme legislação especial do Setor, e demonstra como a Norma Brasileira de Contabilidade NBC 10.8, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 920/01, define de modo amplo os dispêndios do setor. Lembra que as regras aplicáveis na apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins devem levar em consideração as determinações da Legislação do Imposto de Renda (Art 10 da Lei 70/91) e dos tributos federais, razão pela qual o conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei 10833/03, deve tudo o quanto estiver atrelados à atividade fim da Cooperativa. A “totalidade dos dispêndios não deixam de ser insumos”. Referese à literalidade estabelecida no art. 111 do Código Tributário Nacional. Enumera, uma a uma, as despesas e os custos que a “legislação do Sistema Elétrico brasileiro, lei especial, portanto, com aplicabilidade obrigatória”, considera devam ser repassados à tarifa e, consequentemente, ao associado. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 8 13 Referese à expressão contábil dos custos (gastosdispêndios de uma cooperativa de eletrificação). EM SÍNTESE: A cobrança de todos os valores pagos ou incorridos por conta dos associados, dáse mediante valor fixado em tarifa por quilowatt consumido, a qual, além de contemplar todos os dispêndios contratados por conta e em nome dos associados, inclui também tributos sobre ela incidentes,(Dec 774/93Art. 2° §1° d) na conta de energia cobrada. É A CHAMADA PARCELA "A" E "B" do sistema elétrico. Defende que quem definiu o conceito da expressão valores contida no art.17 Lei 10.684/03como sendo os custos foi a Receita Federal do Brasil. Mas que, mesmo ficando nesse conceito restrito eles deverão necessariamente abranger a totalidade dos dispêndios das Cooperativas de Eletrificação Rural amparados que estão pelo normativo do sistema elétrico. Referese à Solução de Consulta nº. 352, de 26 de novembro de 2004, formulada pela Cooperativa Produção AgroPecuária, instituição que, segundo entende, está enquadrada em situação parcialmente semelhante à sua. Na Solução, a Secretaria da Receita Federal teria reconhecido direito de exclusão da base de cálculo das Contribuições custos administrativos e financeiros relacionados a atos cooperativos. Contesta a decisão de primeiro grau em relação às exclusões admitidas da base de cálculo das Contribuições. Na prática de uma CER "todos" os dispêndios": custos relativos à operacionalidade para entrega da energia aos associados; investimentos em linhas redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessárias ao funcionamento da cooperativa e necessários à prestação dos serviços aos associados, poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições sociais por força do benefício do art 17 e IN 635/06 e 358/03 e previstos na Legislação do Setor de CUSTOS ELÉTRICOS, decreto 774/93 (Custos tarifários Dec. 0774/93 Art. 2º 1º letra e) que considera como "exclusão"“ os gastos de distribuição repassados ao associado. São os chamados custos gerenciáveis (B) e não gerenciáveis (A). A materialização desse processo é o repasse ao associado via cobrança tarifária. A PN 32/81 definiu o conceito de despesa necessária que é "gasto" necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias , que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Ora a recorrente tem como objeto social distribuir energia ,como atividade principal e única. Salientese que os custos próprios do setor determinados pelo sistema elétrico já acobertam a totalidade [quase] dos dispêndios do sistema cooperativista de eletrificação rural já que a TARIFA NADA MAIS É QUE CUSTO DO SISTEMA ELÉTRICO REPASSADO AO ASSOCIADO (IN RFB 358/03). Refuta também o fundamento da decisão de piso no sentido de que não poderia apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei. Toda a nossa contestação está embasada em ILEGALIDADES [que não se confunde com inconstitucionalidades].0s tribunais administrativos estão a serviço da aplicação da Lei e isso implica na sua correta interpretação. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 Também quanto à falta de observações sobre a torrencial jurisprudência apresentada na Manifestação de Inconformidade. Lembra a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, para defender a necessidade de análise da natureza contábil dos valores ingressos no seu patrimônio, na medida em que, consoante o entendimento do STF, nem toda a receita ingressa nas contas de uma empresa enseja a tributação, porque não decorre de faturamento de vendas, de serviços ou de ambos. A seguir, referese ao erro que teria sido cometido pelo Fisco Federal na apuração da base cálculo. Requer que seja reconhecida a totalidade das contas do setor elétrico cooperativista presentes no Demonstrativo de Matéria Tributável. Pela mesma razão, considera nulo o Ato Fiscal. No que diz respeito às sobras, advoga que as mesmas não representam acréscimo patrimonial para associado que recebem de volta os recursos não utilizados e, portanto, não devem ser base imponível de qualquer tributo. Que apenas das operações de venda ou prestação de serviços a terceiros decorre resultado (vendas, menos despesas e tributos), ensejando tributação. Contudo, assevera não ser o caso da Recorrente, no qual todo o ingresso advém do Ato Cooperativo. Mais adiante, cita doutrina e jurisprudência para pontuar que, As Cooperativas assemelhamse às demais sociedades no que tange às regras de administração. Porém, divergem na essência delas, no que se chama ATO COOPERATIVO. Este nada mais é que a união de várias individualidades, uma vez que no momento de entrada ou saída de bem ou serviço, há presença de um sujeito chamado de ASSOCIADO, na satisfação de necessidades básicas. Em se tratando de atividade executada por pessoas em nome delas mesmas, não há lucro ou não há fato gerador mercantil. Quem comanda o processo é o sócio e não, como se poderia supor, o sócio capital. Através de atos internos e atos externos, ligados à atividade fim e atividademeio do ente cooperativo (Arts.3 0, 4 0,10,79 da Lei nº 5764 de 16/12/71) chegase aos objetivos societários Defende não haver base material ou legal para imposição de ato infracional pelo Fisco. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria e, por isso, não há incidência de PIS/COFINS cuja base material é essa (faturamentoreceita). Aquilo que passa pela cooperativa, mesmo que contabilmente seja lançado como receita, tem natureza transitória, pois pertence ao cooperado a quem será repassado, e, por isso não será receita. Não se trata de um ato da PESSOA JURÍDICA COOPERATIVA, mas sim, um ato do cooperado. Logo, não há receita, não há faturamento, como se entende comumente. Nesse sentido POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ. Outrossim, destaca outra razão para não tributação dos valores que serviram de base de cálculo para as Contribuições: o caráter não lucrativo das Cooperativas. Cita e transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável ao seu pleito. De uma primeira análise do Processo, foi considerado necessário converter o julgamento em diligência para esclarecimentos adicionais. A seguir disposição final da Resolução correspondente. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 9 15 Em face disso, uma vez haja necessidade de melhor instrução do Processo, VOTO pela CONVERSÃO do Julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Esclareça o fundamento para que não tenham sido considerados determinados gastos, tais como os administrativos, como incluídos no conceito de valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados ou mesmo no conceito introduzido pela Instrução Normativa da SRF, como gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. 2 – Aponte e fundamente, à luz das considerações aduzidas ao Voto, quais são as receitas incluídas na base de cálculo que, no seu entender, não decorrem da atividade típica da Cooperativa de Eletrificação Rural. A resposta da Autoridade diligenciada pode ser resumida nos excertos a seguir transcritos. Respostas na mesma ordenadas de acordo com as perguntas acima. Resposta De acordo com o já descrito no Termo de Encerramento e Verificação Fiscal às Sociedades Cooperativas de Eletrificação Rural, além das deduções previstas para as demais cooperativas, poderão excluir da base de cálculo da contribuição os serviços prestados aos associados, representados pelos Custos de Distribuição, Manutenção e Geração de Energia Elétrica, repassados aos associados, com base, na MP n ° 2.15835, de 2001, art. 15; Lei n ° 10.676, de 2003; Lei n ° 10.684, de 2003, art. 17; e IN SRF n ° 247, de 2002, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n ° 358, de 2003. A IN SRF n ° 247, de 2002, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n ° 358, de 2003, com base na legislação de regência, permitiram a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores dos custos dos sei os prestados pelas cooperativas de eletrificação rural aos seus cooperados, esclarecendo que os custos desses serviços abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos cooperados. Dessa forma, o que está fora dos custos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, não pode ser utilizado para dedução da base de cálculo da contribuição. Caso fosse diferente, onde as cooperativas de eletrificação rural pudessem aproveitar todos os custos e despesas como dedução da base de cálculo da contribuição, o próprio legislador não os restringiria aos gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, e mesmo assim, quando repassados aos cooperados. Não seria necessário, pois todos os gastos produzidos pela cooperativa seriam deduzidos. Aliás, seria mais cômodo então, isentar suas receitas ou reduzir a zero a alíquota dessas cooperativas. Resta esclarecer, que a classificação e a nomenclatura contábil das cooperativas de eletrificação rural foi determinada pela ANEEL, através da Resolução n° 12, de 11 de janeiro de 2002 e legislação posterior. Resposta Primeiramente cabe ressaltar que a receita bruta é a totalidade das receitas auferidas e independe da atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil utilizada para as receitas. (Lei n o 9.718, de 1998, arts. 2 o e 3 o ; Lei n ° 10.637, de 2002, art. 1 o ; e Lei n ° 10.833, de 2003, art. 1 o ). Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 16 Nesse contexto e de acordo com a Lei n ° 9.718, de 1988, todas as pessoas jurídicas de direito privado, incluídas as sociedades cooperativas, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição para o PIS/COFINS, em relação à sua receita bruta total auferida mensalmente, sendo admitidas exclusões ou deduções específicas de acordo com suas atividades. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Embora a preliminar de nulidade do Auto de Infração por preterição ao direito de defesa já tenha sido apreciada na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, por força do disposto no artigo 63, parágrafo 6º, do Regimento Interno deste Conselho1, volto a expor o entendimento que tenho a respeito do assunto, submetendoo mais uma vez à decisão colegiada. A decisão de primeira instância foi didática em esclarecer o que preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações, no que diz respeito aos atos que devem ser declarados nulos. Como reza a norma, consideramse nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou os atos, despachos e decisões proferidos ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Depreendese do texto que, em regra geral, há uma clara delimitação em relação à espécie de acontecimentos capazes de fulminar por nulidade o procedimento fiscal. De fato, de se acrescentar que, logo a seguir, o mesmo diploma legal afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tenham essa repercussão. Decreto 70.235/72 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 1 Art. 63. As decisões das turmas, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo relator, pelo redator designado e pelo presidente, e delas constarão o nome dos conselheiros presentes e os ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6° No caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 10 17 Como apontado pela própria Recorrente, o que precisa ser avaliado é se os critérios e metodologia de cálculo da base imponível foram demonstrados de maneira clara, permitindo o entendimento da autuada, sem imporlhe dificuldades na construção da defesa. À folha 180 do Processo, Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, a Fiscalização, após prestar os esclarecimentos pertinentes acerca da legislação aplicável, explica qual foi o critério utilizado para apuração da base de cálculo das Contribuições. Seguindo a legislação supra citada e decisão judicial que transitou em julgado, procedemos à apuração da Base de Cálculo do PIS e da COFINS. Partimos do total do faturamento apresentado pelo contribuinte, composto pelas receitas de Fornecimento de Energia e Serviços, Receitas Financeiras e Receitas de Aluguel de Postes e deduzimos os custos que trata a Instrução Normativa n° 358 de 09.09.2003, ou seja, custos da Energia Elétrica, custos de manutenção da rede de distribuição (grupo 61503) e as sobras que trata a IN acima citada (antes das reservas previstas no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971, e efetivamente distribuídas). Os valores apurados como Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo para o Pis e para a Cofins são os apresentados no quadro constante da fls. 172/173. A Parte protesta contra exclusões aleatórias, o que teria dado a falsa impressão de que todas as contas teriam sido contempladas. Segundo alega, isso não teria ocorrido, pois “várias contas que envolvem custos/gastos ficaram de fora: pessoal ,administrativo financeiro, geral [...]” e que não tem como saber de onde foram obtidos os custos que serviram de exclusão para tributação, pela falta de um demonstrativo. A meu sentir, se é reclamada a exclusão de custos/gastos de pessoal, administrativo, financeiro e geral, então há claro conhecimento de quais deduções não foram consideradas pelo Fisco. Ademais, ao declarar dificuldade em compreender os cálculos realizados pelos AuditoresFiscais autuantes, a defesa mostrase vaga. Protesta pela demonstração clara e objetiva da base de cálculo, mas incorre, ela própria, em falta de objetividade na indicação da dificuldade encontrada. Afasto a preliminar. Passo ao mérito. Do teor dos esclarecimentos prestados pela Autoridade diligenciada extraise a informação de que os Atos Normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal permitiram a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural aos seus cooperados, esclarecendo que os custos desses serviços abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos cooperados. O Decreto 774/93, que regulamenta a Lei nº 8.631, de 4 de março de 1993, que, por sua vez, dispõe sobre a fixação dos níveis das tarifas para o serviço público de energia elétrica, especifica em seu artigo 2º, § 1º. Art. 2º A proposta dos níveis das tarifas do concessionário do serviço público de energia elétrica conterá os valores necessários à cobertura do respectivo custo do serviço, segundo suas características específicas, de modo a garantir a prestação de serviço adequado. § 1º O custo do serviço compreende: Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 18 a) pessoal e encargos sociais; b) material; c) serviços de terceiros; d) tributos, exclusive o imposto sobre a renda; e) despesas gerais; f) contribuições e demais encargos não vinculados à folha de pagamento; g) energia elétrica comprada da Itaipu Binacional; h) energia elétrica comprada de outros supridores; i) transporte de energia elétrica da Itaipu Binacional; j) quotas de reintegração, compreendendo depreciação e amortização; k) quotas para a Reserva Global de Reversão (RGR); l) Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos; m) quotas das Contas de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC), para os respectivos sistemas interligados; n) quotas da Conta de Consumo de Combustíveis para os sistemas isolados (CCCISOL); o) combustíveis utilizados na geração térmica, não reembolsáveis pela CCC; p) demais despesas inerentes ao serviço público de energia elétrica, reconhecidas pelo DNAEE; q) variação cambial excedente, segundo critérios aprovados pelo DNAEE; r) remuneração. (...) E, de fato, não se chega a conclusão diferente quando se lê a regulamentação tributária veiculada nas Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal (IN SRF nº 247/02, alterada pela IN SRF nº 358/03). Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: (...) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifos acrescidos) (...) Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11516.003530/200610 Acórdão n.º 3102002.399 S3C1T2 Fl. 11 19 O que observo é que as disposições regulamentares editadas pelo Poder Executivo, tanto Decreto nº 774/93 quanto as Instruções Normativas acima, garantem às Cooperativas de Eletrificação Rural o direito de excluírem da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins todos os gastos incorridos na geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, sejam eles classificados, do ponto de vista contábil, como custos ou como despesas. A única restrição que deve ser observada está especificada no artigo 2º, parágrafo 1º, do Decreto 774/93, acima transcrito. Peço licença para manifestar minha divergência à leitura proposta pela Autoridade autuante no sentido de que, caso o entendimento fosse diferente do que defende, o próprio legislador não restringiria as deduções aos gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos cooperados. Que não seria necessário, pois todos os gastos produzidos pela cooperativa seriam deduzidos. E que seria mais cômodo então, isentar suas receitas ou reduzir a zero a alíquota dessas cooperativas. Como bem apontado no Relatório de Fiscalização, o ato cooperado propriamente dito não é mais beneficiado com a isenção tal como fora no passado. Atualmente, o que vale são apenas as reduções admitidas pelo legislador que, a meu sentir, tratou ele próprio de definir, sem assim denominálos, os atos que podem ser classificados como atos cooperados. Mas fêlo sem esclarecer que o fazia. Retirou a isenção concedida de forma genérica aos atos cooperados e determinou que, a partir daquela data, apenas determinadas operações praticadas pelas cooperativas estavam "isentas" (poderiam ser subtraídas da base de cálculo). Essas operações, basta que se observe, são exatamente aquelas que podem ser enquadradas como atos cooperados. Quer dizer, não há que se falar em reduzir todos os gastos produzidos pela cooperativa, como entendeu a Fiscalização. Apenas os gastos dos serviços prestados aos associados podem ser reduzidos. É também de se observar que o artigo 17 da Lei 10.684/03 sequer mencionou custos. Referiuse aos valores dos serviços prestados. Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. E embora os Atos Normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal tenham empregado uma interpretação restritiva do enunciado legal, convertendo a expressão serviços na expressão custos, jamais restringiram o alcance a determinados tipos de custos. Muito pelo contrário, definiramlhes como sendo os gastos, incorridos na geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, repassados aos seus associados. Com base nessas considerações, peço mais uma vez vênia para manifestar meu entendimento de que apenas o faturamento das cooperativas que não esteja vinculado aos serviços prestados aos associados é que pode ser tributado. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 20 Mas nem todo. Como tive a preocupação de anotar na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, com a declaração da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, apenas a receita decorrente de atividades próprias do estabelecimento pode ser tributada. Assim, peço mais uma vez vênia para esclarecer que a conceituação proposta pelo i. Auditor para receita bruta não prosperou no mundo jurídico, pois foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão tomada em Regime de Repercussão Geral, o que a torna de observação obrigatória. Desta forma, no caso concreto, não podem ser tributadas as Receitas Financeiras e as Outras Receitas. A primeira por, notadamente, não decorrer do exercício da atividade típica da Cooperativa de Eletrificação Rural. A segunda, por não ter sido demonstrado que o seja, prova que, em face da denominação contábil utilizada Outras Receitas, é indispensável. VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do Auto de Infração o valor correspondente aos gastos incorridos pela Cooperativa na prestação de serviços a seus associados, entendido como tal, indistintamente, a totalidade das despesas e dos custos vinculados a esses serviços. Da mesma forma, sejam subtraídos da base imponível o valor das Receitas Financeiras e das Outras Receitas. Sala de Sessões, 18 de março de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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