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Numero do processo: 10980.003005/2004-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo o decidido no processo principal de IRPJ.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.072
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso provido. Vencido o Conselheiro António Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALM1R SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILII0 (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARA0.10, LEONARDO MENDONÇA MARQUES (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausentes. Justificadamente, os Conselheiros KAREM JUREIDINI DIAS e JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo o decidido no processo principal de IRPJ. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso provido. Vencido o Conselheiro António Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALM1R SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILII0 (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARA0.10, LEONARDO MENDONÇA MARQUES (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausentes. Justificadamente, os Conselheiros KAREM JUREIDINI DIAS e JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 30 05 /2 00 4- 93 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL, inconformada com o decidido no acórdão n° 10322.723, de 08/11/2006, às fl. 352/359, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), às fl. 380/386, com fulcro no artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da CSRF (RICSRF/98), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 12 de março de 1998, assim ementado, na parte que interessa ao presente julgamento: TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL — Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo o decidido no processo principal de IRPJ. Conforme se depreende da leitura da ementa supra, o lançamento em causa é decorrente do lançamento principal relativo ao IRPJ, no processo nº 10980.003004/200449, o qual foi julgado por esta 1ª Turma da CSRF na sessão de 24/05/2011, sendo relator o i. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, tendo sido proferida decisão no Acórdão nº 9101 001.002, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Referida decisão foi proclamada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso para restabelecer a multa de ofício ao percentual de 150% nos termos do relatório e voto do Relator. Vencido o conselheiro João Carlos Lima Junior que mantinha a multa no patamar de 75%. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Rlator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 Tratase de recurso especial privativo do Procurador da Fazenda Nacional, com fulcro no então vigente artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da CSRF (RICSRF/98), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 12 de março de 1998, contra decisão não unânime que teria sido proferida em contrariedade à lei ou às provas dos autos. Através do Despacho nº 1030.257/2008, de 19/09/2008 (fls. 407/408), obteve seguimento a esta instância superior, devendo ser conhecido. A questão posta à nossa apreciação diz respeito à desqualificação da multa de ofício procedida pela Turma de julgamento a quo, considerando que os elementos que deveriam justificar a qualificação da penalidade não se faziam presentes aos autos. Ocorre que, conforme consta do relatório, esse lançamento referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL é reflexo do lançamento principal relativo ao IRPJ, no processo nº 10980.003004/200449, o qual foi julgado por esta 1ª Turma da CSRF na sessão de 24/05/2011, sendo relator o i. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, tendo sido proferida decisão no Acórdão nº 9101001.002, no sentido de, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a multa de ofício ao percentual de 150%. Sendo assim, não havendo nada mais a acrescentar, voto por aplicar ao presente julgamento a mesma decisão proferida no processo matriz, restabelecendo a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes . Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001798/2005-49
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS.
Toda despesa comprovada e que demonstre correlação com a atividade da empresa deve ser considerada no cálculo do Imposto de Renda sob o regime do Lucro Real.
Numero da decisão: 1803-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas no valor de R$49.915,18 a título de comissão de agência e fundo de pensão, assim como no valor de R$28.486,20 a título de créditos com cobrança administrativa em curso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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Toda despesa comprovada e que demonstre correlação com a atividade da empresa deve ser considerada no cálculo do Imposto de Renda sob o regime do Lucro Real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas no valor de R$49.915,18 a título de comissão de agência e fundo de pensão, assim como no valor de R$28.486,20 a título de créditos com cobrança administrativa em curso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios. A autuação se perfez em decorrência dos seguintes fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 98 /2 00 5- 49 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.244 2 a) de glosa de despesas, b) glosa referente aos encargos de depreciação anual, cuja interessada não apresentou documentação comprobatória do custo de aquisição dos bens que originaram a depreciação; c) depreciação de bens do ativo imobilizado e excesso em função do valor do bem. d) perdas no recebimento de créditos e inobservância dos requisitos legais. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, de forma tempestiva, alegando quanto à infração de custos ou despesas não comprovadas, glosa de despesas, não ter localizado toda a documentação solicitada, juntando aquelas que julgou comprovar 13 das 19 despesas glosadas. Contudo, não apresenta qualquer documentação para comprovação do custo de aquisição dos bens cuja depreciação foram glosadas. Com relação à infração de glosa de depreciação de bens do ativo imobilizado e excesso em função do valor do bem, a recorrente não impugna ou contrapõese. E com relação à glosa das perdas no recebimento de créditos, inobservância dos requisitos legais, aduz que existindo cobrança, administrativa ou judicial, atendidos os requisitos de valores, os créditos podem ser registrados como perdas. E, relaciona e combate 9 dos 13 créditos baixados como perda glosada. A recorrente transcreve julgados de diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil e de Julgamento tratando da possibilidade de diferimento do lucro não realizado em contratos com entidades governamentais, concluindo que, por não terem os créditos sido recebidos, não existe razões para sua não adequação ao regime de perdas, sendo legítima a cobrança do IR sobre estes valores apenas após o seu efetivo recebimento. Protesta que tal prerrogativa não seria exclusiva às empreiteiras e empresas de fornecimento de material para construção civil. Afirma, a recorrente tratarse de uma faculdade do credor, de recursos de entidades governamentais, diferir a tributação do lucro, sem a exigência de préexistência de cobrança administrativa ou judicial. Afere que os entes governamentais não podem onerar a sociedade fazendo com que a parte que prestou serviço a eles sofra tributação sobre a receita não auferida, salientando que no seu caso, a glosa foi efetuada pelo próprio órgão arrecadador, a "Secretaria de Estado de Economia e Finanças" que, inadimplente por cinco anos, glosa uma baixa como perda por falta de protesto e cobrança judicial onde a própria é a devedora. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter parcialmente o lançamento. Afere, primeiramente, quanto aos custos ou despesas não comprovadas que a recorrente deixou de contraporse e tão pouco apresentou qualquer documento comprobatório hábil, para 6 das 19 despesas glosadas, constantes da planilha de fls. 08/13 do termos de verificação fiscal. A autoridade mantém a glosa quanto a esses itens. Aduz, de igual modo, que a recorrente não faz menção, nem apresenta documentação comprobatória hábil, para a autuação referente aos encargos de depreciação anual e 2000, do cinco bens elencados na tabela de fls. 9/13 do TVF. E, mantém a autuação respectiva. Já com relação às demais despesas glosadas, nas quais a recorrente elenca de “a” a “n” na sua impugnação, entende: A) despesa constante no número de ordem 1.1 do Termo de Intimação Fiscal — TIF e 08, Conta 320200100000 — Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.245 3 "Descontos s/ Receita Espécie", em 30/01/2000, histórico: "Prov. Créd. CKIC Ref 01/00 TVS", no valor de R$ 39.658,80, numero de arquivo 7192001: Os documentos juntados pela interessada às fls. 589/681, com os quais julga poder comprovar a efetividade e dedutibilidade da despesa glosada neste item, se resumem a planilha intitulada "Relatório de cartas de crédito" e cópias de documentos internos de empresa interligada à autuada, onde não consta qualquer participação, ciência, aquiescência ou aprovação da parte de terceiros envolvidos, não sendo, portanto, hábeis para comprovar a efetividade e dedutibilidade da despesa glosada, nem as explicações constantes do item "a" da peça impugnatória, devendo ser mantido o valor autuado de R$ 39.658,80. B) despesa constante no número de ordem 1.2 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 08, Conta 320200100000 — "Descontos s/ Receita Espécie% em 29102/2000, histórico: "Prov. Créd. CKIC Ref 02/00 TVS", no valor de R$ 16.857,04, número de arquivo 7192003: Idem ao item anterior, com relação aos documentos constantes às fls. 6831725 devendo ser mantido o valor autuado de R$ 16.857,04. C) despesa constante no número de ordem 1.7 do Termo de Intimação Fiscal — TIF d 08, Conta 320200100000 — "Descontos s/ Receita Espécie% em 30/0712000, histórico: "Prov. Créd. CKIC Ref 07/00 TVS", no valor de R$ 5.365,18, número de arquivo 7192002: Idem ao item anterior, com relação aos documentos constantes às fls. 7291741, devendo ser mantido o valor autuado de R$ 5.365,18. D) despesa constante no número de ordem 1.8 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 08, Conta 31020201001 — "Descontos s/ Veiculação Espécie",em 29/09/2000, histórico: "[&LV]CKIC 09/00", no valor de R$ 8.646,72, número de arquivo 35917770: A Interessada afirma que o valor glosado foi lançado em duplicidade, tendo sido estornado em outubro do mesmo ano de 2000. Para comprovar sua afirmação, junta aos autos cópia de seu Razões Contábeis da conta "31020201001 — Descontos sobre veiculação em espécie", de 01/09/2000 a 31/10/2000 e de 01/10/2000 a 31/01/2001, onde consta, em 31110/2000, um estorno, no valor de R$ 8.646,72, com o histórico "Estorno Prov. CKIC Ref. 09/00". Ocorre que, dois lançamentos abaixo, no mesmo dia 31/10/2000, consta no razão mais uma vez o valor de R$ 8.646,72 como despesa, com o mesmo histórico "Provisão CKIC 009100". Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.246 4 A princípio, tal constatação confirma a afirmativa da interessada de que houve estorno de lançamento efetuado em duplicidade. Porém surge a dúvida quanto a qual dos dois lançamentos foi estornado: se o lançado em 29/0912000 ou em 3111012000. Observando outro lançamento no mesmo dia 31/10/2000, temos a "provisão CKIC 010/00", demonstrando que tal provisão é lançada 'no mês a que corresponde, concluindose, portanto, que o lançamento estornado não foi o de 29/09/2000, glosado, mas o de 31/1012000, lançado em duplicidade no mês seguinte. Apesar de não usual o estorno de lançamento na mesma data, tal procedimento é contumaz para a interessada, conforme comprova o seu razão da conta 32040101001 Comissões de Agências, juntado à fl. 826, onde estoma na mesma data de 17/08/2000 dois lançamentos contábeis nela lançados. Acrescentese que, apurando a interessada o seu lucro real anualmente, independe qual dos dois lançamentos de despesa tenha sido..estornado, uma vez que, mesmo com o estorno, quando da autuação, em 31/12/2000, o résultadõ da interessada foi reduzido por despesa de R$ 8.646,72, que permanece sem qualquer comprovação, devendo, portanto, ser mantida a sua glosa. E) despesa constante no número de ordem 1.15 do Termo de Intimação Fiscal —TIF n° 08, Conta 3204001010000 — "Comissões de Agência", em 3110112000, histórico: "Comissão de agência 01/00 0001", no valor de R$ 112.298,82, número de arquivo 719F001: As 47 notas fiscais de emissão da interessada, juntadas pela mesma às fls.751/797 e relacionadas na planilha de fls. 7481749, comprovam as deduções de comissão de agenciamento cuja soma resulta nos R$ 112.298,82 do lançamento 719F001 constante do Diário da interessada juntado pela fiscalização à fl. 403 .'e glosado no presente item. Destaquese que a fiscalização não autuou o valor complementar do lançamento 719F001, de mesmo histórico, no montante de R$ 1.657,12, cuja interessada igualmente comprova as deduções de comissão de agenciamento com as notas fiscais juntadas às fls. 798/802 que totalizam aquele montante. Assim sendo, tendo sido comprovado o valor da despesa, em verdade redução de receita, glosada no presente item, deve a mesma ser cancelada. F) despesa constante no número de"ordem 2.23 do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 13, Conta 32040101001 — "Comissões de Agências", em 30/1112000, histórico: "[&LV] Comissão extra fat. Com MI 97/00", no valor de R$ 6.075,48, número de arquivo 56435906: Os documentos acostados pela interessada às fls. 804/814 comprovam as despesas de comissão de R$ 1.016,13 (Nota Fiscal d 70011033584 — fl. 806) e R$ 2.174,85 (Nota fiscal n° 700110336311 — fl. 810) de Sociedade Rádio e Televisão Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.247 5 Alterosa Ltda. CNPJ d 17.247.9251000134 e de R$ 2.884,52 (Nota Fiscal n° 9425 — fl. 813) de Televisão Sorocaba Ltda. CNPJ n° 53.653.945/000179, todas datadas de novembro de 2000, que somadas resultam no valor glosado no presente item, devendo, portanto, ser o valor de R$ 6.075,48 considerado comprovado e a glosa respectiva excluída. G) despesa constante no número de ordem 1.46 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 15, Conta", em 30/0612000, histórico: "Provisão de 006/00 comissões", no valor de R$ 7.080,36, número de arquivo 7192009: As notas fiscais e comprovantes juntadas pela interessada às fls. 816/829, inobstante comprovarem despesas que somadas resultam no valor glosado de R$ 7.080,40, não podem ser aceitas como comprovação da despesa glosada, uma vez que a mesma foi lançada em 30/06/2000 e os comprovantes referemse a despesas dos meses de julho e dezembro de 2000. Assim, há que ser mantida a glosa referente ao presente item, no valor de R$ 7.080,36. H) despesa constante no número de ordem 1.43 do Termo de Intimação Fiscal — TIF e. 30, Conta 4301100000000 — "Comissão,de Agências", em 30/0312000, histórico: "Apropriação de 03/00 ref. representação' & no valor de R$ 7.615,15, número de arquivo 7192012: As notas fiscais e comprovantes juntadas pela interessada às fls. 831/835, inobstante comprovarem duas despesas que,,'nómadas, resultam.no valor glosado de R$ 7.615,15, não podem ser aceitas como comprovação da despesa glosada, uma vez que a mesma foi lançada em 30/03/2000 e a nota fiscal n° 016911 de TV O Estado Florianópolis Ltda. (fl. 833) foi emitida em 18/04/2000, bem como, observese, na cópia da segunda nota fiscal consta rascunho manuscrito que faz referência ao numero de arquivo de lançamento 7192009, quando o lançamento glosado foi o de numero 7192012. Assim, há que ser mantida a glosa referente ao presente item, no valor de R$ 7.615,15. I) despesa constante no número+ de ordem 1.44 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 30, Conta 4301100000000 — "Comissão de Agências' ; em 30/04/2000, histórico: "Apropriação de represent. Maio/00 conf W,3'0/00", no valor de R$ 8.665,20, número de arquivo 7192015: Os documentos acostados pela interessada às fls. 837/846 comprovam as despesas de comissão de R$ 1.920,00 (Nota Fiscal n° 3000400342 — fl. 838, de R$ 2.400,00 com o desconto concedido às fls. 840/841) de`TV Minas Sul Ltda. CNPJ 25.649.179/000133, R$ 514,80 (Nota fiscal n° 018412 — fl. 843) de Televisão Lages Ltda, CNPJ 83.012.013/000108 e de R$ 6.230,40 (Nota Fiscal n° 42168 fl. 846) de TVSBT Canal 4 de São Paulo Ltda.CNPJ n° 45.039.237/000114, que somadas resultam no montante glosado no presente item, devendo, Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.248 6 portanto, ser o valor de R$ 8.665,20 considerado comprovado e a glosa respectiva excluída. J) despesa constante no número de ordem 1.63 do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 30, Conta 4401505000000 — Fundo de Pensão", em 24/02/2000, histórico: "Prov. Ctas a Pagar 0000 Brapre CP 231000060 VCT 16/02/00", no valor de R$ 9.164,97, número de arquivo 719P202: Visando comprovar a despesa glosada no presente item, a interessada tão somente reapresenta, às fls. 848/849, os mesmos documentos rejeitados pela fiscalização, em 19/10/2005 (fls. 306/308). Assim, não tendo sido apresentado qualquer novo documento que comprove a efetividade e dedutibilidade da despesa de R$ 9.164,97, deve ser mantida a glosa da mesma. L) despesa constante no número de ordem 2.42 do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 30, Conta 32010104005 — Fundo de Pensão% em 10/10/2000, histórico: "Pgto Fundo de Pensão [&CA] [&DC][&EP][&NF] 0007568 multiprev — fundo múltiplo de pensão NS", no valor de R$ 26.052,70, número de arquivo 43021317: A autuação com relação a este item deve ser mantida, pois os documentos apresentados pela interessada visando comprovar a despesa glosada são inábeis e insuficientes, uma vez que se resumem: na fl. 851, a uma declaração de recebimento da quantia, e na E. 852 a uma planilha, ambas em papel sem qualquer timbre, correta identificação da pessoa signatária, reconhecimento de sua firma ou, mais relevante, a comprovação de sua competência para representar a "Multiprev — Fundo Múltiplo de Pensão" que supostamente teria recebido o valor glosado. M) despesa constante no número de ordem 2.49 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 30, Conta 32030801002 — Indenizações Processos Cíveis", em 04/09/2000, histórico: 'TV. Esp. Ind. Proc. Civeis [&CA] [&DC][&EP][& 0015394 fundo inf. Adolesc.cons.munic.dir.% no valor de R$ 9.060,00, número dg'arquivo 25313484: O comprovante de depósito em conta do Fundo de Infância e Adolescência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, de fl. 856, foi associado à interessada, como sua efetiva despesa, por força dos documentos acostados às fls. 860/867, que comprovariam e justificariam a despesa glosada, devendo, á mesma ser excluída. N) despesa constante no número de ordem 230 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 30, Conta 32030801002 — Indenizações Processos Cíveis", em 09/1112000, histórico: 'TV. Esp. Ind. Proc. Civeis [&CA] [&DC][&EP][& 0015394 Fundo inf. Adolesc.cons.munic.dir.” no valor de R$ 13.590,00, número de arquivo 52628520: Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.249 7 Idem ao item anterior, com relação ao comprovante de depósito de E. 860/867, devendo ser excluída a glosa da despesa de R$ 13.590,00:” Desse modo, entende o julgador a quo, com relação a este item da autuação, que deve o valor tributável do mesmo ser ajustado para o montante de R$ 257.797,97, tomando em conta o cancelamento das seguintes glosas: E) despesa constante no número de ordem 1.15 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 08, Conta 3204001010000 — "Comissões de Agência", ' em 31/01/2000, histórico: "Comissão de agência 01100 0001", no valor de R$ 112.298,82, número de arquivo 719F001: F) despesa constante no número de ordem 2.23 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 13, Conta 3 2040101001 — "Comissões de Agências", em 30/11/2000, histórico: "[&LV] Comissão extra fat. Com MI 97/00", no valor de R$ 6.075,48, número de arquivo 56435906: I) despesa constante no número de ordem 1.44 do Termo de Intimação Fiscal —TIF n° 30, Conta 4301100000000 — "Comissão de Agências% em 30/04/2000, histórico: "Apropriação de represent. Maio/00 conf MI 30100", no valor de R$ 8.665,20, número de arquivo 7192015: M) despesa constante no número de ordem 2.49 do Termo de Intimação Fiscal —TIF n° 30, Conta 32030801002 — Indenizações Processos Cíveis", em 04/09/2000, histórico: "PV. Esp. Ind. Proc. Civeis [&CA] [&DC][&EP][& 0015394 fundo inf. Adolesc.cons.munic.dir.", no valor de R$ 9.060,00, número de arquivo 25313484: N) despesa constante no número de ordem 2.50 do Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 30, Conta 32030801002 — Indenizações Processos Cíveis", em 09/11/2000, histórico: "PV. Esp. Ind. Proc. Civeis [&CA] [&DC][&EP][& . 0015394 Fundo in£ Adol esc. cons.munic. dír. % no valor de R$ 13.590,00, número de arquivo 52628520: Manteve, a autoridade, as demais glosas. No tocante à depreciação de bens do ativo imobilizado, excesso em função do valor do bem, a recorrente não faz qualquer menção à autuação. Considera não impugnada e mantida a glosa como excesso de encargo de depreciação no anocalendário autuado. Já no que diz respeito a perdas no recebimento de créditos e a inobservância dos requisitos legais, a recorrente somente protesta contra a glosa de nove dos treze créditos baixados. Assim, descreve a autoridade julgadora: Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.250 8 "Duplicata n° 5680, datada de 26/06/1996, de Lundgreen S/A, no valor de R$ 19.666,40; Duplicata n° 8485, datada de 14/08/1998, de Estilo Moderno LtdaME, no valor de R$ 15.751,50; Duplicata n° 5988, datada de 26/08/1996, de Multicard, no valor de R$ 7.485,75; e Duplicata n° 8854, datada de 27/0111999, de Magic Paradise Ltda, no valor de R$ 15.242,00. 1. Com relação à Duplicata 8411, de Conviver Ltda, de 16/07/1998, no valor de R$ 28.486,20, temos que, segundo documentação juntada pela própria interessada às fls. 871, a mesma somente teve sua cobrança administrativa iniciada em 05101/2001, tendo a perda sido corretamente glosada, uma vez que foi lançada no anocalendário de 2000, para o qual não foi apresentada qualquer documentação que comprove a sua cobrança administrativa então, tomando indedutível o seu reconhecimento como perda naquele ano, com fulcro nos limites impostos pela Lei n° 9.430/1996. Cumpre destacar que a interessada em seu arrazoado transcreveu textos do Termo de Verificação de Infração que levariam à incorreta conclusão da exceção de glosa da referida duplicata. Porém, a "exceção" transcrita se refere à reintimação de apresentação de cobrança administrativa ou judicial para a mesma no Termo de Intimação Fiscal 27 (fls. 293) e de falta de apresentação de qualquer documentação (pois foi apresentado o protesto do ano de 2001) no Termo de Constatação Fiscal n° 31 (fls. 361). A interessada, com relação à tal "confusão", deixou de transcrever o final do item 2.3 do Termo de Verificação de Infração, que bem elucida a questão, como segue: "No que tange á duplicata protestada no SERASA em 2001, igualmente fndedutível é a sua contabilização da despesa no anocalendário de 2000, objeto da fiscalização. Portanto, cabe a glosa da respectiva despesa apropriada no anocalendário de 2000, em função da baixa indevida neste período " Quanto a afirmativa da interessada de que o título "já estava sendo cobrado a tempos, de forma administrativa / amigável", antes de seu protesto em 2001, a mesma não junta aos autos qualquer documentação comprobátória, não podendo, portanto, ser aceita tal afirmativa. Face ao exposto, deve ser mantida a glosa da duplicata 8411, de Conviver Ltda, de 16/07/1998, no valor de R$ 28.486,20, por falta; dé cobrança administrativa ou judicial no anocalendário autuado em que a mesma foi apropriado como despesa. 2. Com relação às duplicatas de Lokorio Distribuidora Ltda, n°s 8985, de 26/03/1999, no valor de R$ 20.000,00; 8914, de 18/02/1999, no valor de R$ 20.000,00 e 9012, de 19/04/1999, no valor de R$ 10.000,00, temos qúe a interessada apresentou Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.251 9 documentação do Tabelionato do 1° Oficio de Protesto de Títulos que comprova o protesto das duplicatas n° 8985 (fl. 879/880) e 8914 (11. 8751876), ambas em' 28/05/1999, bem como documentação do Tabelíonato do 4° Oficio do Protesto de Títulos que comprova o protesto da duplicata n° 9012 em 02/07/1999 (fl. 885). Assim, comprovada a sua cobrança no anocalendário em que foram baixadas como perdas, respeitando o imposto pela Lei p ° 9.430/1996, devem ser canceladas as glosas das mesmas. 3. Por fim, com relação aos cinço Títulos da Secretaria de Finanças do Estado, n°s 3856, 3749, 3743, 3847 e 3744, datados, o primeiro de 31110/1994 e os demais de 28/09/1994, nos valores respectivos de R$ 31.223,66, R$ 23.508,25,. R$ 24.514,59, R$ 80.364,37 e R$ 77.901,53, a jurisprudência transcrita e os protestos da interessada se referem à possibilidade de diferimento da receita auferida e não recebida de entidades governamentais e não do reconhecimento como perdas de valores a receber das mesmas, objeto da autuação. Assiste razão à interessada quanto à possibilidade de diferimento de suas receitas auferidas e não recebidas de entidades governamentais. Porém, tal díferimento deve se dar no exercício do reconhecimento da receita, mediante sua exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real, nunca em exercícios posteriores. No caso em análise, as receitas se originaram de serviços prestados no ano de 1994 à Secretaria de Estado de Economia e Finanças do Estado do Rio de Janeiro. Assim, poderia naquele ano a receita ter sido excluída para diferimento até o recebimento dos valores. Porém, não tendo a interessada se valido desta prerrogativa, não cabe a baixa como perda das duplicatas no ano autuado de 2000, uma vez que inexiste previsão legal para baixa como perdas de duplicatas não recebidas, simplesmente por seu sacado se tratar de entidade governamental. Por oportuno, cabe destacar que a interessada em seu arrazoado confunde esta Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Estado de Economia e Finanças do Rio de Janeiro. Porém, com relação a seus protestos, nesta confusão, cabe esclarecer que inexiste qualquer impedimento legal para a fiscalização, lançamento de oficio e exigência de créditos tributários de pessoas jurídicas credoras do estado ou entidades governamentais. A autoridade julgadora elabora planilha, a respeito do valor do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, ajustando o montante. E, no tocante ao lançamento reflexo de CSLL, afere que a recorrente, por não apresentar fato novo que suscite conclusão diversa, deve mesmo Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.252 10 acompanhar o decidido quanto ao lançamento matriz de IRPJ, já que possuem suporte fático comum, e apresenta planilha a respeito. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância em 03.03.2008, a empresa recorrente apresenta em 02.04.2008, de forma tempestiva, suas razões em seara de recurso voluntário, alegando de forma sucinta quanto aos custos ou despesa não comprovados que, embora solicitada documentação comprobatória, não foram as mesmas localizadas, já que a recorrente mantém seus arquivos sob guarda de terceiros. Contudo, acosta a comprovação documental de alguns dos itens glosados com as devidas justificativas quando necessárias. Insurgese a recorrente, referindo que nas atividades do comércio e da indústria são emitidas notas fiscais de entrada de cancelamento de vendas ou de devolução parcial para acobertar tais operações. Ainda, aduz que as televisões que não possuem as referidas notas fiscais, posto não estarem sujeitas a essas obrigatoriedades (EC 42103), ficará restrito a esses relatórios internos, ora usados como documento comprobatórios, bem como de serem de amplo conhecimento do mercado e usualmente aceito pelo mercado anunciante e agências de publicidade que acompanham a exibição da campanha. Atenta para o fato de que em outras atividades é comum as Notas seguirem com as mercadorias, já no caso das Televisões a mercadoria é o tempo, e, tais cancelamentos se devem a mídia não entregue, face a erros e incompatibilidades operacionais,que surgem no dia a dia, em que agentes internos responsáveis, detectam e emitem esse relatório de crédito que por sua vez se transforma em desconto ao anunciante. Alega, a recorrente, o direito consuetudinário para embasar e fundamentar os documentos usados como comprobatórios. Informa que mantém todo seu acervo de produção e exibição de comerciais pelo prazo legal de 30 (trinta dias) o que demonstra e ressalta o princípio da boa fé que permeia essa atividade. E, tendo dificuldade em fazer prova pela questão do tipo de produto negociado, que é o tempo, e face à dinâmica operacional bastante complicada, considerando a exibição de Campanhas Publicitária ora praça a praça e ora a nível Nacional, aliado o principio da boa fé á exposto, e, da norma tributária que não pode invadir o Direito Privado, e sim se basear nele para fechar a regra matriz de incidência tributária, é que entende que a glosa desses itens deve ser excluída desse auto de infração. Cita a nulidade da decisão, quanto à glosa da despesa lançada em duplicidade e não comprovada, referindo que para se fundamentar em outro fato contábil, deveria a Auditoria Fiscal se valer de nova Ação Fiscal com novo Auto de Infração Fiscal e Imposição de Multa, já que o lançamento em questão foi matéria de estorno. Refere que o lançamento é inapto, porque já esta eivado de vícios insanáveis, sendo um absurdo trocar de base de lançamento no curso do procedimento Administrativo de impugnação, ferindo o contraditório e a ampla defesa e demonstra não só a parcialidade, mas também o interesse do responsável da r. decisão ora combatida. Isso porque ao se lavrar novo auto de infração este já nasceria em período de decadência, portanto seria preliminarmente inepta. Afere a recorrente, quanto às glosas em decorrência dos comprovantes estarem com datas em desacordo com termos lavrado, que as despesas foram incorridas nos meses em que as receitas também foram reconhecidas e salienta o regime de competência. Aduz também que se as notas fiscais foram emitidas com data posterior é porque o fornecedor, nesse caso aquele que serviu de agenciador, emitiu as notas ou conforme contrato ou face ao recebimento, regime de caixa, não tendo a recorrente qualquer gerência sobre a emissão do documento fiscal de terceiros. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.253 11 Finaliza salientando que as despesas mesmo que extemporâneas são dedutíveis, desde que não produza efeito diverso daquele que produziria se lançado em sua competência correta. E entende ser um absurdo glosarem as despesas com fundo de pensão dos funcionários da recorrente, que apresentou os recibos e declarações, bem como mantém esse benefício até os dias atuais e contrato com a Multiprev. No que diz respeito à glosa de perdas de recebíveis, a recorrente insurgese de uma glosa específica, por já ter anexado extrato do Serasa e constar do TVF como uma exceção por se enquadrar nos ditames legais. Afere que a glosa foi mantida, mesmo tendo juntado inclusive a comprovação de cobrança que culminou no protesto do título, sob a alegação de que nenhuma cobrança administrativa fora feita no período do ano de 2000 é mera especulação. Observa que a lei fala em cobrança administrativa e não em protesto, o protesto é um dos meios do qual pode o credor se valer ou não, um mero telefonema seria uma das formas de cobrança administrativa, embora neste caso fique impossível de se fazer prova, pois não são gravadas a conversa. A disposição na lei da cobrança administrativa, serve para garantir que não haja nenhuma conivência entre o credor e devedor, portanto a subseqüente comprovação de protesto no ano seguinte deixa bastante claro e evidente que houveram ampla tentativa de cobrança do crédito em questão, a presunção é inversa da que teve o órgão julgador em primeira instância, devendo ser excluída a glosa. Quanto as perdas de recebimentos oriundos de empresas governamentais, discorda da glosa quando aos recebíveis de Entidades Governamentais, tomando em conta tratarem de valores ainda não recebidos por aquela Secretaria de Finanças. Junta decisões jurisprudenciais e conclui que em razão do não recebimento dos recursos provenientes de contratos com entidades governamentais, existe a possibilidade do diferimento (exclusão) para efeitos de recolhimentos de impostos. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e cinco dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.254 12 Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 18471.001798/200549 Recorrente: TVSBT CANAL 11 DO RIO DE JANEIRO LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.638 Decisão: Por unanimidade de votos, deram provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas no valor de R$49.915,18 a título de comissão de agência e fundo de pensão, assim como no valor de R$28.486,20 a título de créditos com cobrança administrativa em curso. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios. A autuação é decorrente de glosa de despesas, glosa decorrente de depreciação anual sem comprovação de aquisição dos bens que originaram a depreciação, depreciação de bens do ativo imobilizado, bem como perdas no recebimento de créditos. Em seara de decisão de primeira instância, parte de alguns valores glosados foram acatados e os valores a serem cobrados reajustados. Contudo as despesas glosadas em decorrência de falta de documentação comprobatória ou mesmo em dissonância com a legislação permaneceram na demanda. A recorrente insurgese, tão somente, quando à glosa de despesa e a glosa das perdas de recebíveis. Nesse contexto, passo a observar cada item recorrido, pelo efeito devolutivo, senão vejamos: Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.255 13 1 Item 2.1 do Recurso Voluntário DOS CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS A empresa recorrente insurgese quanto ao fato da decisão a quo não ter acatado o relatório juntado ao feito, como comprovante efetivo dos custo e das despesas havidas pela mesma. Em suas alegações, frisa não estar obrigada a apresentar a nota fiscal de Entrada de cancelamento de venda ou devolução parcial, aferindo que é praxe entre as empresas do ramo, ter apenas um relatório dos valores a serem devolvidos, face ao seu objeto de trabalho, qual seja: o tempo na mídia. Relata que toda vez que por falha ou problemas técnicos não veicule uma mídia no tempo correto, resta devida a devolução dos valores pagos ao anunciante. Mas, essa devolução é cientificada apenas em um relatório. Entendo que não merece procedência as argumentações elencadas pela recorrente, tomando em conta que a elaboração do relatório citado se deu de forma unilateral, pela própria recorrente, sem contudo a cientificação da outra parte. Não há como comprovar que esses valores efetivamente foram devolvidos pela recorrente. A empresa recorrente cita o direito consuetudinário para dar respaldo aos seus argumentos, posto que refere ser admitida a conduta em comento para dar respaldo ao direito de colocar como custo e despesas o tempo vendido e não entregue por ela. Aduz que nesses casos deve devolver os valores ao contratante, por não ter entregue o objeto da contratação: tempo. Porém, devemos considerar que o direito consuetudinário por si só não pode ultrapassar os ditames legais e normativos, dispostos expressamente no ordenamento pátrio, ainda mais no ramo do direito tributário. Isso porque o direito tributário é um conjunto de leis que normatizam a relação entre o particular e o Estado. Ainda que o direito consuetudinário seja aceito como uma das fontes do direito, não tem o condão de anular ou ultrapassar uma norma legal vigente e; sobretudo, no que tange matérias de direito tributário. No caso em tela, tratandose de uma exigência de comprovação das despesas e custos a serem abatidos do imposto devido, a norma de direito tributário é claro quando exige a comprovação, através de documentação hábil. Quanto à duplicidade da despesa glosada, novamente a empresa recorrente não acosta ao feito prova de que não houve o equivoco de ter realizado o lançamento em duplicidade citada pela fiscalização. E, tomando em conta que a empresa recorrente pretende fazer jus a uma dedução de valores de despesas e custos, imprescindível que junte ao feito os comprovantes de que se tratam de dois valores iguais e de um estorno. Importa frisar que é dever da recorrente juntar ao feito os documentos que dão respaldo aos seus argumentos. No caso, não se trata de uma inovação da argumentação, realizada pela fiscalização e pela decisão a quo, quando outra vez é citado o fato de que a empresa recorrente não comprova a alegação. Nessa caminho, não cabe a argumentação da empresa quando à nulidade da decisão de primeira instância. Isso porque o artigo 10 do Decreto 70235/72 foi obedecido em sua integralidade, não havendo desrespeito aos seus preceitos. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.256 14 2 Comissão de Agência e Fundo de Pensão No caso das notas fiscais, juntadas ao feito, referentes ao pagamento de comissão de agência e despesas com fundo de pensão, entendo que faz jus a recorrente a dedução desses valores. Isso porque é plausível que os valores tenham sido pagos, independente da nota ter sido emitida posteriormente. A análise dos referidos documentos comprovam, efetivamente que os valores recebidos apresentam o desconto do repasse da comissão de agências. Já quanto aos valores de despesas com fundo de pensão, a glosa dessa despesa não pode prosperar. A empresa recorrente efetivamente comprova o ônus dessa despesa, através da documentação válida. Nesse sentido, os valores totais a serem descontados da autuação é de R$ 49.915,18 (quarenta e nove mil, novecentos e quinze reais e dezoito centavos). 3 Item 3.1 Créditos acima de. R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00 com cobranca administrativa: Insurgese a recorrente quanto aos valores glosados de perda de recebimentos oriundos da empresa Conviver Incorporações e Participações Ltda, no montante de R$28.486,20. Entendo que a empresa recorrente encontrase com razão, haja vista que comprova nos autos a cobrança necessária para fazer jus à dedução dessa perda de recebível. Isso porque a mesma junta ao feito cópia da inscrição no SERASA da empresa e do débito em comento. E, conforme se verifica do próprio TVF, a fiscalização já havia admitido essa comprovação. 4 Item 3.2 Títulos Incobráveis (DOC.13) Tratase de perda de recebíveis decorrentes de prestação de serviços para entidades governamentais. Os valores foram glosados pela fiscalização posto não compreenderem como valores passíveis de serem compreendidas como perdas de crédito. No entanto, seguindo a jurisprudência dominante no CARF, esses valores pendentes de recebimento, por tratarse de valores oriundos de entidades governamentais, podem ser objeto de diferimento. Isso porque a legislação permite a exclusão de lucros não realizados, referentes a contratos com entidade governamentais, para serem adicionados quando do recebimento da receita correspondente. Temse que o fornecedor de bens/serviços em virtude de contratos de longo prazo com entes públicos pode reconhecer, pelo regime de competência, as receitas correspondentes a um determinado período, para fins de composição do correlato lucro contábil. Ademais, identificando dessa grandeza, poderá proceder à exclusão da parcela dessas receitas que ainda não tenham sido efetivamente recebidas para fins de divisar o lucro real do período de apuração em exame. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.001798/200549 Acórdão n.º 1803002.638 S1TE03 Fl. 1.257 15 Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas no valor de R$49.915,18 a título de comissão de agência e fundo de pensão, assim como no valor de R$28.486,20 a título de créditos com cobrança administrativa em curso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10140.902993/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna e Karem Jureidini Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna e Karem Jureidini Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .9 02 99 3/ 20 08 -7 1 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/05/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10140.902993/200871 Resolução nº 1401000.335 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 171): Refrigerantes do Oeste Ltda., acima identificada, apresentou o PER/DCOMP n. 23551.22163.250205.1.3.034475 (f. 01 a 08), com o qual pretendeu compensar tributos federais, de acordo com o ali indicado. O crédito, segundo o declarado, era decorrente de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2004. O resultado da análise encontrase no Despacho Decisório e seu detalhamento (f. 09 a 15). Pelo que ali consta, a compensação não foi homologada em face de o saldo negativo disponível ser igual a zero. A ciência quanto ao despacho decisório deuse em 2 de dezembro de 2008 (extrato SCC e Consulta Postagem f. 16 e 17). Em 31 de dezembro de 2008, por meio da incorporadora, foi protocolada manifestação de inconformidade (f. 18 a 28 — anexos às f. 29 a 166). Nesta, foi aduzido, em apertada síntese, que: a) as antecipações da CSLL no anocalendário 2004 totalizaram R$ 1.031.071,35 e a CSLL devida apurado ao final do período foi de R$ 961.319,74; b) a inconsistência está nos meses de maio e setembro. Em maio o valor da CSLL a pagar era de R$ 20.890,23 e em setembro R$ 131.731,04. Entretanto, constou como valores pagos apenas R$ 13.770,21 (maio) e R$ 73.532,93 (setembro); c) houve compensações de R$ 7.120,02 em maio e de R$ 58.198,11 em setembro; d) "o equivoco material verificado no preenchimento do PER/DCOMP ... é passível de retificação ..., nos termos da IN SRF 600/05". Ao final, é requerido o reconhecimento do saldo negativo da CSLL no anocalendário 2004, no valor de R$ 69.751,62 e a homologação da compensação declarada do IRPJ (2005) no valor de R$ 71.411,71. Requerse, ainda, a suspensão da exigibilidade do débito objeto da cobrança efetuada por meio do Despacho Decisório. A 2ª Turma da DRJ Campo Grande, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 1619.208, assim ementado (fls. 169): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/05/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10140.902993/200871 Resolução nº 1401000.335 S1C4T1 Fl. 4 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Os pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação só podem ser retificados até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte e se tiver ocorrido mero erro material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 22/09/2010 (fls. 182), a contribuinte, em 22/10/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 0214 (vol. 02), reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, argumentando que os equívocos cometidos no preenchimento da DCOMP podem ser relevados, uma vez que a Administração Pública encontrase vinculada ao princípio da verdade material. Neste sentido, fez referência a precedentes judiciais e administrativos (fls. 1013, vol. 02). Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. Ao apreciar o presente processo, em 04/08/2011, este colegiado, por maioria de votos, decidiu converter o julgamento em diligência, solicitando que a fiscalização adotasse as seguintes providências (fls. 235236): Investigue se de fato houve erro material naquele procedimento, bem assim verificando a existência, suficiência, e disponibilidade do crédito pretendido na compensação. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. A autoridade diligenciante juntou aos autos os documentos de fls. 238516. Após minuciosa análise, o Relatório de Diligência de fls. 517520, concluiu o seguinte (fls. 520): Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/05/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10140.902993/200871 Resolução nº 1401000.335 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, concluise que o saldo negativo de CSLL para o ano calendário 2004 confirmado e disponível, apurado a partir das parcelas validadas, é de R$ 11.553,52 e não é suficiente para a compensação pretendida no PER/DCOMP nº 23551.22163.250205.1.3.034475. Não consta dos autos a devida ciência da contribuinte acerca do retrocitado Relatório de Diligência. Em 27/01/2015 a interessada protocolizou petição, fls. 522523, em que afirma: [...] apesar de o Acórdão (sic) de fls. 236 determinar expressamente a intimação do contribuinte para manifestarse acerca das informações trazidas aos autos, no prazo de trinta dias, tal intimação nunca ocorreu, sendo os autos inicialmente incluídos na pauta de julgamento do dia 26.11.2014. É o relatório. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/05/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10140.902993/200871 Resolução nº 1401000.335 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Conforme bem apontado pela interessada em sua petição de fls. 522523, a autoridade diligenciante se absteve de cientificar a contribuinte do inteiro teor do Relatório de Diligência. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade de origem entregue cópia do relatório de fls. 517520 à interessada, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões. Após, deve o processo retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/05/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS
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Numero do processo: 10830.006294/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Constada a ausência no acórdão embargado de declaração de voto regularmente apresentada, deve a omissão ser suprida pela inclusão da declaração no texto do acórdão.
Numero da decisão: 1803-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes se declarou impedido.
[assinado digitalmente]
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
[assinado digitalmente]
Ricardo Diefenthaeler - Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Constada a ausência no acórdão embargado de declaração de voto regularmente apresentada, deve a omissão ser suprida pela inclusão da declaração no texto do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes se declarou impedido. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, integrante dessa 3ª Turma Especial, em face do Acórdão nº 1803001.470, de 11/09/2012 (fls. 274 a 285). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 62 94 /2 00 8- 20 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 318 2 Na decisão em questão, os membros do colegiado decidiram "por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para excluir da tributação relativa ao IRPJ e à CSLL os valores de R$135.421,45 e R$85.984,27", vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso. Transcrevese a ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. O acórdão em questão foi objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 288 e 289), tendo essa 3ª Turma Especial, por unanimidade de votos, acolhido os embargos para rerratificar o acórdão, afastando a contradição e a omissão sem alterar o decidido. Com a decisão, consubstanciada no Acórdão nº 1803002.550, de 05/02/2015 (fls. 297 a 308), a ementa do acórdão que julgou o recurso voluntário passou a ter nova redação, a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A multa isolada tem natureza tributária e, portanto, está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada sobre base estimada que excede o montante do tributo devido apurado ao final do exercício. Irresignado pelo fato de não constar no acórdão do recurso voluntário (de nº 1803001.470) a declaração de voto que fez e encaminhou à então Relatora (Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi), o ora embargante interpôs os presentes embargos, para que fosse reparada a omissão e, assim, passasse a declaração de voto, que reproduziu nos embargos, "a constar devidamente daquele Acórdão, de nº 1803001.470, de 11/09/2012". Tendo o Conselheiro embargante tomado conhecimento da não inclusão de sua declaração de voto apenas na sessão de julgamento do dia 05/02/2015, quando se apreciava os já referidos embargos opostos pela Fazenda Nacional, comunicou a falta de inclusão à Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 319 3 Presidência da Turma em 07/02/2015, enviando mensagem de correio eletrônico “Expresso Livre”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Compulsandose o processo eletrônico, verificase que os autos foram movimentados da Relatora Adhoc dos embargos da Fazenda para o Conselheiro embargante em 18/02/2015. Tendo os presentes embargos sido juntados ao processo em 20/02/2015, é tempestiva sua interposição e deles conheço. Faculta o art. 65, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, a interposição de embargos de declaração por conselheiro do colegiado sempre que "o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma". Prevê também o RICARF, em seu art. 63, a possibilidade de o conselheiro que participar de decisão colegiada apresentar declaração de voto, que, a teor do § 7° do dispositivo em questão, integrará o acórdão ou resolução desde que formalizada "no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento". Nesse contexto, verificase que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte no presente processo foi julgado por essa 3ª Turma Especial na sessão de julgamento de 11/9/2012 (conforme fls. 274). E, como demonstra o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes em seus embargos, encaminhou ele declaração de voto à Relatora do acórdão nº 1803001.470 (Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi) em mensagem enviada pelo correio eletrônico “Expresso Livre” em 13/9/2012 e recebida no mesmo dia. É dizer, foi respeitado o prazo do § 7° do já referido art. 63 do RICARF. Ocorre que, como esclarece o Conselheiro embargante, "por força da posterior saída daquela Relatora do CARF e da necessidade de designação de Redatora Ad Hoc, tal Declaração de Voto não foi anexada ao acórdão então formalizado". Evidente, portanto, a omissão no acórdão embargado, cabendo acolher os presentes embargos e, assim, suprimir a omissão pela inclusão da declaração de voto em tela no acórdão. Deve, portanto, o acórdão embargado, de nº 1803001.470, que já teve seu texto alterado em face da rerratificação operada pelo acórdão de nº 1803002.550, sofrer nova alteração, de forma a incluir o texto da declaração de voto em questão, a seguir transcrito (alterouse a fonte para Arial): “Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 320 4 Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 321 5 verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do anocalendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 322 6 calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? Ora, o fato de haver sido apurado resultado negativo ao final do período anual não significa que, em todos os meses componentes desse mesmo período, também tenha sido apurado resultado negativo; h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao eventual montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10830.006294/200820 Acórdão n.º 1803002.637 S1TE03 Fl. 323 7 E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. NEGO PROVIMENTO ao Recurso.” Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS para rerratificar o acórdão de nº 1803001.470, afastando a omissão apontada sem alterar o decidido. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
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Numero do processo: 17883.000176/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Inexistindo antecipação de pagamento do tributo, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543-C do CPC.
De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, em 02/09/2010, data da ciência do lançamento, não havia sido consumada a decadência do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006.
GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). LANÇAMENTO POR ATO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A GFIP com código de entidade isenta não tem o efeito de constituir o crédito tributário correspondente às contribuições patronais e de terceiros, uma vez que a pessoa jurídica declarante não reconhece a dívida relacionada a essas contribuições, ainda que na GFIP tenha sido informado o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais.
A prescrição somente tem início após a constituição definitiva do crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício.
IMUNIDADE RECONHECIDA. DÉBITO INEXIGÍVEL.
A entidade faz jus ao exercício da imunidade desde 25 de maio de 1998, nos termos do Acórdão nº 12-36.937, da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, PAF n° 15559.000286/2007-79, que julgou procedente a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da isenção, de cuja decisão não cabe recurso.
O débito inexigível não tem o condão de afastar o direito à imunidade. Inteligência dos §§ 12 e 13 do art. 206 do RPS/99.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Inexistindo antecipação de pagamento do tributo, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543C do CPC. De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, em 02/09/2010, data da ciência do lançamento, não havia sido consumada a decadência do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). LANÇAMENTO POR ATO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A GFIP com código de entidade isenta não tem o efeito de constituir o crédito tributário correspondente às contribuições patronais e de terceiros, uma vez que a pessoa jurídica declarante não reconhece a dívida relacionada a essas contribuições, ainda que na GFIP tenha sido informado o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. A prescrição somente tem início após a constituição definitiva do crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício. IMUNIDADE RECONHECIDA. DÉBITO INEXIGÍVEL. A entidade faz jus ao exercício da imunidade desde 25 de maio de 1998, nos termos do Acórdão nº 1236.937, da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, PAF n° 15559.000286/200779, que julgou procedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 76 /2 01 0- 56 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 inconformidade contra o indeferimento da isenção, de cuja decisão não cabe recurso. O débito inexigível não tem o condão de afastar o direito à imunidade. Inteligência dos §§ 12 e 13 do art. 206 do RPS/99. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000176/201056 Acórdão n.º 2402004.678 S2C4T2 Fl. 205 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1236.270 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro 1 (RJ), fl. 123130, com ciência da autuada em 11/04/2011, fl. 134, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.265.4657. De acordo com o relatório fiscal de fl. 1719, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2005 a 12/2006, informadas pela empresa em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com código de entidade isenta (código 639). Consta, ainda, do relatório fiscal, que a empresa requereu a isenção junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme processo INSS nº 17624.0/002/98, transformado no processo nº 15559.000286/200779 junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil – Ministério da Fazenda, o qual estava pendente de análise. A autuada apresentou impugnação, fl. 3649, solicitando o cancelamento do crédito tributário lançado, ou, subsidiariamente, a suspensão do processo até que fosse apreciado o seu pedido de isenção. Alegou, preliminarmente, a prescrição da pretensão do fisco de cobrar os valores declarados em GFIP, com base na súmula 436 do STJ, a decadência qüinqüenal e a nulidade do lançamento por ter sido lavrado antes da emissão do ato cancelatório. No mérito, sustentou que faz jus à isenção, conforme comprovam os documentos anexados à impugnação, que não cabe a aplicação de multa de ofício porque não houve dolo, fraude ou óbice à fiscalização, cabendo, em última análise, aplicação da multa de 50% prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/2007, e, por fim, que a taxa Selic é inconstitucional. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. A decisão de primeira instância afastou a prescrição com base no fundamento de que o lançamento não está definitivamente constituído e entendeu que não ocorreu a decadência de acordo com a regra do art. 173, I, do CTN. Afastou o direto à isenção da autuada com base no fato de que ela não comprovou o direito adquirido à isenção e também não é possuidora de Ato Declaratório Ambiental no período do lançamento. Em 10/05/2011, a interessada interpôs recurso voluntário, fl. 136152, reiterando as razões da impugnação. Após isso, foi juntado aos autos o Acórdão nº 1236.937, da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, proferido na sessão de 28 de abril de 2011, relator Antônio Cláudio de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Jesus Abdalah, reconhecendo o direito da entidade à isenção das contribuições previdenciárias a contar de 25 de maio de 1998, fls. 265280 (PAF n° 15559.000286/200779). É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000176/201056 Acórdão n.º 2402004.678 S2C4T2 Fl. 206 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estar presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 81, nos seguintes termos: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse 1 DOU de 20/06/2008, p.1 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo2, que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. O lançamento em exame referese ao período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, sendo que neste período não houve antecipação de pagamento das contribuições a cargo da empresa, a qual se enquadrou como isenta, fazendo incidir a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que o prazo decadencial quanto aos fatos geradores materializados no ano de 2005 teve inicio em 1o de janeiro de 2006, encerrandose em 31 de dezembro de 2010, e assim sucessivamente em relação às demais competências. Portanto, em 02/09/2010, data da ciência do lançamento, fl. 201, não havia se consumado a decadência do direito do Fisco de lançar essas contribuições. Preliminar de decadência rejeitada. Preliminar de Prescrição A recorrente alega prescrição da pretensão punitiva por parte da Fazenda Pública, uma vez que o crédito tributário foi constituído há mais de cinco anos por meio de Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP). A GFIP foi instituída pela Lei 9.528/97, que alterou o art. 32 da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 1o do Decreto 2.803/98, para servir de base de cálculo das contribuições devidas ao INSS e compor a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, conforme abaixo: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos 2 REsp nº 973733/SC, Min. Rel. Luiz Fux, DJe 18/09/2009. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000176/201056 Acórdão n.º 2402004.678 S2C4T2 Fl. 207 7 benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto 2.803/98 Art. 1o A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Após as alterações promovidas no § 2o do art. 32 da Lei 8.212/91 pela Medida Provisória 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, a GFIP passou a ser reconhecida como documento suficiente para exigência do crédito tributário: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei 11.941/2009). IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei 11.941/2009) ... § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei 11.941/2009).(g.n.) Consta do relatório fiscal que o lançamento foi feito com base no valor das remunerações pagas pela empresa e declarado em GFIP, na qual, entretanto, não foram declaradas as contribuições aqui lançadas em razão de a entidade ter se enquadrado como isenta. Os extratos das GFIP´s juntados aos autos, fls. 6777, comprovam que a entidade não declarou as contribuições patronais de que trata o presente lançamento, previstas no art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/91, bem como as contribuições devidas aos terceiros. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A GFIP tem o efeito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições declaradas e não pagas, conforme Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época dos fatos geradores: Art. 632. O crédito tributário, no âmbito da SRP, será constituído nas seguintes formas: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) ... II por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito passivo: a) apresentar a GFIP e não efetuar o pagamento integral do valor confessado; ... O lançamento por homologação decorrente de ato praticado pelo contribuinte recai sobre o débito fiscal reconhecido pelo contribuinte, conforme se extrai da Súmula nº436 do Superior Tribunal de Justiça: A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Cabível, portanto, o lançamento de ofício das contribuições não declaradas pela entidade. Em razão da existência de causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela interposição de recurso pelo sujeito passivo3, o prazo prescricional somente começará a fluir após a constituição definitiva do crédito tributário, o que se dará com a ciência do contribuinte acerca do resultado final do recurso, conforme art. 174 do CTN, aclarado pela jurisprudência do STJ4: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. FLUÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 174 DO CTN. PRESCRIÇÃO AFASTADA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 142 E 145 DO CTN E 170 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. O prequestionamento dos dispositivos legais tidos como violados é requisito indispensável à admissibilidade do recurso especial. À luz do art. 174, caput, do CTN, firmouse o entendimento de que a constituição definitiva do crédito tributário, quando impugnado via administrativa, ocorre com a notificação do contribuinte do resultado final do recurso, e somente a partir daí começa a fluir o prazo prescricional de cinco anos para a cobrança do referido crédito. (g.n). ... 3 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; 4 REsp 468.139/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 27.6.2006, DJ 3.8.2006, p. 245. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000176/201056 Acórdão n.º 2402004.678 S2C4T2 Fl. 208 9 Preliminar de prescrição rejeitada. Mérito Imunidade A recorrente deixou de recolher as contribuições aqui tratadas por entender que no período do lançamento (01/2005 a 12/2006) gozava de isenção, nos termos do art. 55 da Lei 8.212/915, que, à época dos fatos geradores, regulava a imunidade concedida com base no art. 195, § 7o, da Constituição Federal6. Entretanto, a fiscalização consignou que a recorrente não cumpriu os requisitos para usufruir da imunidade, previstos nos §§ 1o e 6o do art. 55 da Lei 8.212/91, tendo verificado que a entidade não possuía o ato declaratório concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou pela Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), e que ela deixou de recolher as contribuições patronais no período fiscalizado, conforme mencionado no trecho do relatório fiscal abaixo transcrito: 7. De acordo com o citado artigo 55 da Lei 8.212/91, regulamentado pelo artigo 206 e seguintes do RPS, a pessoa jurídica de direito privado, para fazer jus à isenção das contribuições de,que tratam os art. 22 e 23 daquela lei, deveria, dentre outros requisitos: 5 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). 6 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 7.1. requerer o reconhecimento da isenção pretendida (art. 55 § 1º da Lei 8.212/91 e art. 208, do Regulamento da Previdência Social) e; 7.2. estar em situação regular em relação às contribuições sociais (art. 206, VII, do Regulamento da Previdência Social). 8. Os §§ 1º e 2º do art. 208 do RPS determinavam que o pedido de isenção seria decidido pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, e, sendo o mesmo deferido, este expediria Ato Declaratório e comunicaria à pessoa jurídica requerente da decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que geraria efeito a partir da data do seu protocolo. 9. No entanto, apesar de a pessoa jurídica somente ter direito à isenção pretendida após a expedição do Ato Declaratório, o Colégio Nossa Senhora do Amparo passou a declarar e recolher as contribuições como entidade beneficente isenta das mesmas, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração referente ao período de 01/2005 a 12/2006. Visto isso, o primeiro ponto a ser enfrentado é quanto à exigência do ato declaratório. Ficou consignado no relatório fiscal que a recorrente havia requerido o reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias em processo protocolado em 1998 junto ao INSS, Processo nº 17624.0/002/98, renumerado para 15559.000286/200779, em razão da transferência da competência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo que, até a data da lavratura do auto de infração, o pedido da interessada não havia sido apreciado. Cabe observar que na data da lavratura do lançamento, ocorrida em 23/08/2010, já vigorava a Lei 12.101/2009, que estabeleceu novas regras para o gozo da imunidade condicionada prevista no art. 195, § 7o da Constituição Federal, a qual havia sido regulamentada, à época, pelo Decreto 7.237, de 20/07/20107. Este decreto trouxe dispositivo específico relativo ao tratamento a ser dado, pelos órgãos do Ministério da Fazenda, aos pedidos de reconhecimento de imunidade não definitivamente julgados até a data da sua edição, determinando que a fiscalização verificasse se os requisitos estavam sendo atendidos pela requerente no momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias pretensamente imunes, conforme se depreende do art. 44 e parágrafo único: Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. 7 Revogado pelo Decreto nº 8.242, de 2014. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000176/201056 Acórdão n.º 2402004.678 S2C4T2 Fl. 209 11 O art. 44 do Decreto 7.237/2010 é norma expressa de aplicação retroativa do procedimento instituído no art. 32 “caput” da Lei 12.101/20098, segundo o qual, cabe à fiscalização relatar, no auto de infração de constituição do crédito tributário, os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade no período do lançamento, com a ressalva de que devem ser observados os requisitos materiais e formais vigentes no momento do fato gerador. Conforme visto, foi relatado pela fiscalização que no período do lançamento (01/2005 a 12/2006) a recorrente não possuía ato declaratório de isenção e estava em débito para com a Seguridade Social. A fiscalização também esclareceu que o débito da recorrente foi constituído por meio de lançamento de ofício na mesma ação fiscal. Todavia, ficou comprovado nos autos que a recorrente teve seu direito à isenção reconhecido desde 25 de maio de 1998, data do protocolo do pedido, conforme Acórdão nº 1236.937, da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, proferido na sessão de 28 de abril de 2011, relator Antônio Cláudio de Jesus Abdalah, PAF n° 15559.000286/200779, fls. 265280, de cuja decisão não cabe recurso. Quanto aos débitos, são os §§ 12 e 13 do art 206 do Regulamento da Previdência Social (RPS)9, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que conceituam débitos para este fim: § 12. A existência de débito em nome da requerente, observado o disposto no § 13, constitui motivo para o cancelamento da isenção, com efeitos a contar do primeiro dia do segundo mês subseqüente àquele em que a entidade se tornou devedora de contribuição social. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 13. Considerase entidade em débito, para os efeitos do § 12 deste artigo e do § 3º do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, autodeinfração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (g.n.) Portanto, nem todo débito gera o efeito de afastar o direito à imunidade, mas somente os débitos exigíveis no período do lançamento. No momento da lavratura do auto de infração, quando ainda não havia decisão ao pedido da recorrente de reconhecimento da imunidade, era cabível o lançamento dos créditos tributários aqui tratados com a finalidade de se prevenir a decadência, pois a exigibilidade estava suspensa até que fosse proferida a referida decisão. De qualquer modo, tais créditos tributários eram inexigíveis no período do lançamento (01/2005 a 12/2006) porque somente foram constituídos no ano de 2010. Além 8 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. 9 Artigo revogado pelo Decreto 7.237, de 2010. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 disso, os autos de infração debcad nº 37.265.4649 e 37.265.4657 estavam com a exigibilidade suspensa em razão de impugnação e recurso, nos termos do art. 151, III, do CTN. Quanto aos débitos relativos aos processos correspondentes aos autos de infração nº 37.260.8019, 37.260.8027 e 37.260.8035, relativos ao período de 01/2004 a 12/2004 (item 19 do relatório fiscal), convém esclarecer que este Conselho deu provimento aos recursos voluntários interpostos nos processos relativos a esses lançamentos, exonerando o crédito tributário10. Em suma, não há respaldo legal a sustentar os fundamentos invocados pela fiscalização para o não reconhecimento do direito da recorrente à imunidade condicionada em relação às contribuições aqui tratadas. Por incompatibilidade deixo de apreciar as demais alegações de mérito. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. 10 AI 37.260.8019 (PAF nº 17883.000494/200983), Acórdão nº 002.890, 4a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 19/02/2013, relator Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; AI 37.260.8027 (PAF nº 17883.000493/200939), Acórdão nº 002.889, 4a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 19/02/2013, relator Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira; AI 37.260.8035 (PAF 17883.000495/200928), Acórdão nº 002.888, 4a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 19/02/2013, relator Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13706.001342/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DÉBITO DECLARADO. AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR FAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PAGAMENTO SEM MULTA DE MORA. COMPROVAÇÃO.
A interposição da ação judicial favorecida com medida liminar (antecipação de tutela) interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63, §2°, Lei n° 9.430/96). Evidenciado o pagamento do imposto, no referido prazo, acrescido dos respectivos juros de mora, cabe ser cancelada a exigência da multa de mora.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR FAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PAGAMENTO SEM MULTA DE MORA. COMPROVAÇÃO. A interposição da ação judicial favorecida com medida liminar (antecipação de tutela) interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63, §2°, Lei n° 9.430/96). Evidenciado o pagamento do imposto, no referido prazo, acrescido dos respectivos juros de mora, cabe ser cancelada a exigência da multa de mora. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 13 42 /2 00 7- 26 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 28/47) decorrente do processamento das DCTFs referentes aos trimestres 1° ao 4°/2004, por meio do qual exigiuse crédito tributário no valor de R$ 3.937.409,04. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de "FALTA OU INSUFICIÉNCL4 DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora), conforme Anexo IV", tendo em vista pagamento fora do prazo de vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Contra a autuação, a empresa apresentou impugnação, a qual foi julgada procedente pelo DRJ, conforme resume a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DÉBITO DECLARADO. AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR FAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PAGAMENTO SEM MULTA DE MORA. COMPROVAÇÃO. A interposição da ação judicial favorecida com medida liminar (antecipação de tutela) interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63, §2°, Lei n° 9.430/96). Evidenciado o pagamento do imposto, no referido prazo, acrescido dos respectivos juros de mora, cabe ser cancelada a exigência da multa de mora. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante da exoneração do crédito tributário acima do valor de alçada, recorre se de ofício da decisão acima transcrita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13706.001342/200726 Acórdão n.º 3202001.620 S3C2T2 Fl. 177 3 Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: O recurso de ofício é dirigido contra acórdão que constatou que o crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa e, portanto, a contribuinte faz jus a aplicação, ao caso concreto em análise, do art. 63, §2°, da Lei n° 9.430/96. Eis os termos essenciais do acórdão recorrido: Resta pois, analisar, se o crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa e, portanto, se passível de aplicação, ao caso concreto em análise, do art. 63, §2°, da Lei n° 9.430/96. Mencionese, a propósito que, na ação ordinária, tratandose de crédito tributário com a exigibilidade anteriormente suspensa pela concessão de antecipação de tutela (na forma do art. 151, inciso V, do CTN), liminarmente ou em agravo de instrumento, a sentença, sendo favorável ao contribuinte, manterá a suspensão da exigibilidade, eis que o 7 recurso de apelação será, neste caso, recebido apenas no efeito devolutivo (CPC, art. 520, VU'). [...] Portanto, enquanto vigente a sentença que ratificou a tutela antecipada, suspensa a exigibilidade do crédito tributário compensado com lastro na ação em comento, mesmo com a interposição do recurso de apelação, em face de seu recebimento apenas no efeito devolutivo. Essa situação somente foi alterada quando sobreveio o julgamento, pelo TRF, do recurso de apelação, em 16/08/2005, por meio do qual foi dado provimento ao recurso da Fazenda Naciona1 2. A situação do crédito tributário resolvese pela exigibilidade, não havendo, a partir dai, obstáculos ao prosseguimento da cobrança. Com a publicação do referido acórdão em 18/10/2005 (fls. 94/103), e, a partir dai, a conseqüente exigibilidade do crédito 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 tributário, apressouse a autora em providenciar o seu recolhimento, em 17/11/2005 (portanto, dentro de 30 dias após a publicação da decisão), acrescido tão somente da taxa selic, desde o seu vencimento, valendose do disposto no § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96. Quanto ao não recolhimento da multa de mora, razão cabe à contribuinte, uma vez que, nos termos do § 2° do art. 63 da Lei 9.430/1996, "a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição". Como o acórdão que revogou a sentença favorável (publicada em 11/07/2000) foi publicado em 18/10/2005, houve interrupção da incidência da multa de mora nesse período (de 11/07/2000 a 17/11/2005) e, portanto, corretos os recolhimentos efetuados em 17/11/2005, relativos a fatos geradores ocorridos em 2004 (período no qual a incidência da multa de mora encontravase interrompida), sem a sua incidência. Registrese, por oportuno, que a exatidão dos valores recolhidos a titulo de juros de mora (taxa selic) encontrase atestada pelos demonstrativos de fls. 30/47, componentes do auto de infração. Acrescentese, por fim, que não se está, no presente voto, atestando a procedência dos créditos pleiteados nem da sistemática adotada pela interessada para a compensação. Atestase, tão somente, a legitimidade da extinção do crédito tributário de que cuida o auto de infração sob análise, pelos recolhimentos efetivados em 17/11/2005, sem a multa de mora. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do Auto de Infração de fls. 28/29, e seus anexos, para exonerar a autuada do recolhimento do crédito tributário ali exigido, relativo à multa de mora, no montante de R$ 3.937.409,04. No contexto fático, precisamente, delineado pelo acórdão, entendo que assiste razão a DRJ, quando acolheu a impugnação da contribuinte, uma vez que restou demonstrado que o recolhimento do tributo, acrescido dos juros legais, se deu dentro dos 30 dias da reforma da decisão judicial que lhe suspendia a exigibilidade, não sendo correto a cominação de multa nessa hipótese, nos termos do art. 63, §2°, da Lei n° 9.430/96. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, ratificando o acórdão da DRJ. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13706.001342/200726 Acórdão n.º 3202001.620 S3C2T2 Fl. 178 5 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 12266.720166/2011-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 01 66 /2 01 1- 75 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/09/2008 REGISTRO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre carga transportada, após o prazo legal para prestar informações sobre ela, confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 5 4 A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2008 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 3801004.852 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.001579/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
REGIME ALTERNATIVO DE QUE VERSA A LEI n.º 10.276/2001. CRÉDITO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Encontra-se pacificado no âmbito do CARF, mediante a emissão da Súmula CARF n. 19, que a definição de matéria prima e produto intermediário, para fins de inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que versa a Lei n.º 9.363, de 1996, reclama a ação direta do insumo sobre o bem em produção.
Numero da decisão: 3102-00.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 REGIME ALTERNATIVO DE QUE VERSA A LEI n.º 10.276/2001. CRÉDITO DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Encontrase pacificado no âmbito do CARF, mediante a emissão da Súmula CARF n. 19, que a definição de matéria prima e produto intermediário, para fins de inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que versa a Lei n.º 9.363, de 1996, reclama a ação direta do insumo sobre o bem em produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena. LUIS MARCELO GUERRA CASTRO Presidente. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. EDITADO EM: 07/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra Castro, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Luciano Pontes de Maya Gomes e Ricardo Rosa. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 1419.797 (fls. 131/141), da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, que negou provimento a manifestação de inconformidade (fls. 8293), mantendo o indeferimento parcial dos créditos reclamados em PER/DCOMP pela Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC (fls. 67/71). Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: A interessada transmitiu em 13/02/2004 o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), protocolizado em meio fisico em 29/06/2004, cujos créditos se referem ao 4o. trimestrecalendário de 2003 e com apuração segundo o regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, no importe de R$2.066.047,97. No despacho decisório de 23/08/2005, de fls. 69/72, a Delegacia da Receita Federal em Joinville, SC, deferiu parcialmente a solicitação, com o reconhecimento parcial do direito creditório e a homologação das compensações efetuadas por DCOMP até o limite do montante de crédito reconhecido. Houve a glosa total na apuração do beneficio fiscal encetada pela autoridade administrativa no valor de R$ 96.579,64, correspondente às alterações (exclusões ou, no caso da receita bruta operacional, acréscimos) das seguintes parcelas, conforme o demonstrativo de fl. 63 (que traz o valor correto do crédito presumido a que a requerente faz jus: R$ 1.969.468,33): a) exportação direta no mês (linha 4); b) receita operacional bruta (linha 9); c) matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção no mês (linha 11), em desacordo com a legislação tributária, notadamente o Parecer CST n° 65, de 1979, consoante discriminação nas planilhas de fls. 55/57; d) energia elétrica efetivamente consumida no processo produtivo (linha 23), de acordo com as notas fiscais fatura de energia elétrica e com percentuais fixados em laudos técnicos homologados pela concessionária • CELESC. Insubmissa à decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 25/08/2005 por via postal, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte apresentou, em 26/09/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 82/93, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica qualificado na procuração juntada, instruída com reproduções fotográficas de supostos produtos intermediários, e, em que, resumidamente, contesta o entendimento esposado pelo Fisco de que os artefatos especificados na planilha de fls. 55/57 não sejam produtos intermediários aptos a gerar créditos nas aquisições, por não exercerem ação direta sobre os bens industrializados; contudo, o conceito de produto intermediário seria mais amplo e deve ser buscado na legislação do IPI, notadamente o RIPI/98, art. 488, II, subsidiariamente aos preceitos das Leis n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e n° 10.276, de 10 de setembro de 2001: segundo o dispositivo regulamentar, há os insumos consumidos no processo industrial e que se integram ao produto final, e aqueles também utilizados na produção, mas que não se integram ao produto final; não há restrições na norma para que sejam considerados apenas os insumos que exerçam ação direta sobre o bem industrializado, sendo Fl. 362DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10920.001579/200431 Acórdão n.º 310200.831 S3C1T2 Fl. 170 3 aplicável o preceito de hermenêutica jurídica segundo o qual "onde a lei não distingui (sic), não pode o intérprete distinguir", conforme doutrina e jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes suscitadas; os produtos discriminados pela autoridade fiscal são materiais químicos, equipamentos de proteção e de armazenamento, além de outros produtos essenciais à linha produtiva, e se enquadram como produtos intermediários; há julgados do Conselho de Contribuintes que consagram a energia elétrica e os combustíveis como produtos intermediários e que fazem jus ao crédito; a interpretação mais adequada para o conceito de produto intermediário, para fins de crédito presumido de IPI, não deve ser tão restritiva como aquela conferida pelo Parecer Normativo n° 65, de 1979; deve ser feita uma interpretação finalística da Lei n° 10.276, de 2001, sendo o objetivo desta incentivar as exportações de produtos industrializados brasileiros e, assim, deve ser computado, no cálculo do incentivo, o valor total das aquisições de produtos intermediários; por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente e modificado parcialmente o despacho decisório, com o reconhecimento do direito creditório referente às aquisições dos produtos intermediários identificados às fls. 55/57, assim como a homologação das compensações correspondentes, com o protesto pela produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a juntada de documentos e a realização de perícia, para a qual é indicado o perito e definidos os quesitos. Após análise das razões que motivaram a insurgência da Recorrente em manifestação de inconformidade, a 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação mediante o Acórdão n.º 1419.797 (fls. 131/141). Consoante o acórdão recorrido, legítimas as glosas ao crédito reclamado em virtude da inserção na base de cálculo do crédito presumido de bens indevidamente classificados pela Recorrente como produtos intermediários, em dissonância com a legislação aplicável ao tema que os definem como aqueles utilizados e/ou consumidos no processo produtivo mediante contato físico sobre o produto final. Regularmente notificada quanto ao teor da decisão referenciada, a Recorrente opõe o recurso voluntário ora sob análise (fls. 146/160), oportunidade em que basicamente renova os argumentos já ventilados por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Voto Conselheiro LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES. Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Pois bem. O objeto recursal cingese ao alcance jurídico da expressão “produtos intermediários”, especificamente se ela estaria a abarcar todos aqueles insumos utilizados ou consumidos no processo produtivo, independentemente do respectivo desgaste/consumo se dar mediante contato direto com o produto final ou prescindindo desta situação específica. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 Em momento algum nas suas manifestações a Recorrente defende que os produtos ditos por si como intermediários e glosados em diligência pela fiscalização (relacionados às fls. 55/57) seriam consumidos e/ou desgastados mediante contato físico com o produto final, razão pela qual concluímos que a questão remanescente não padece de controvérsia fática, mas eminentemente de direito. Portanto, a resolução da lide em mesa não reclama por ulterior dilação probatória, razão pela qual rejeito, desde já, a necessidade da perícia requerida pelo Recorrente e, portanto, a alegação de vício de nulidade suscitada por não haver o acórdão a quo deferido a realização da diligência pericial. Por outro lado, observamos que instante algum a Recorrente teve o mínimo cuidado de procurar convencer esta instância administrativa, como também não o fez perante a instância primeira, que o rol de produtos relacionados às fls. 55/57 seriam, ainda que sem contato físico, desgastados ou consumidos no processo industrial1. Somente por estas razões, já não estaria esta instância julgadora apta ao reconhecimento do direito ao cálculo do crédito presumido sobre aos bens em questão, já que deixou a Recorrente de produzir a prova de suas alegações no momento processual oportuno, conforme orienta o art. 16, inciso III, do PAF (Decreto n.º 70.235/72). No que concerne ao conceito jurídico de ‘produtos intermediários’, o próprio diploma normativo que instituiu o regime alternativo de crédito presumido de que ora se trata (Lei n.º 10.276/01), ao estatuir no §5º do seu art. 1º a aplicação dos demais preceitos da Lei n.º 9.363/96, remete à legislação que regra o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Disto não discorda a Recorrente, não divergindo ainda que o conceito ora buscado está definido no art. 147 do Regulamento do IPI (aprovado pelo Decreto n.º 2.637/98), cuja redação se segue: Artigo 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei nº 4502/64, artigo 25); A dúvida que se põe, como já alardeamos, instaurase sobre se a expressão “consumidos no processo de industrialização” exige ou não a ação direta do insumo sobre o produto final. E embora admitamos a razoabilidade da tese da Recorrente, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já firmou seu entendimento quanto ao assunto ao editar o enunciado sumular n. º 19, o qual adotamos como premissa no presente julgamento, pelo qual demonstra a exigência do contato direto do ‘insumo’ sobre o produto, para fins de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96. Confirase o texto: 1 Aliás, o que não nos afigura razoável que ocorra com luvas, alicates, lacre de aço para containers, levicida, fungicida, detergente, filtro e tintas, por exemplo. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10920.001579/200431 Acórdão n.º 310200.831 S3C1T2 Fl. 171 5 Súmula CARF n.º 19 – Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n. º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2010. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 365DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 12266.722160/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/04/2008, 15/04/2008, 25/04/2008, 11/06/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 21 60 /2 01 2- 13 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/04/2008, 15/04/2008, 25/04/2008, 11/06/2008 REGISTRO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre carga transportada, após o prazo legal para prestar informações sobre ela, confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração, punível com multa específica, independente da intenção do agente. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 5 4 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de informação sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento eletrônico ou item incluído ou retificado após o prazo, independentemente da quantidade de campos alterados. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2008, 15/04/2008, 25/04/2008, 11/06/2008 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 6 5 Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 8 7 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 9 8 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 10 9 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 11 10 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 12 11 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 13 12 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 14 13 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 15 14 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 17 16 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 18 17 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722160/201213 Acórdão n.º 3801004.862 S3TE01 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13893.000306/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/03/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL.
Apenas são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento os saldos credores vinculados às operações relacionadas no art. 17 da Lei n° 11.03/043, de 2004. Nos demais casos, como ocorre no saldo credor de PIS/COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo, somente é possível a utilização mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros OAB 15787.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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DECOMP Recorrente VALTRA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/03/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL. Apenas são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento os saldos credores vinculados às operações relacionadas no art. 17 da Lei n° 11.03/043, de 2004. Nos demais casos, como ocorre no saldo credor de PIS/COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo, somente é possível a utilização mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros – OAB 15787. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 03 06 /2 00 5- 13 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que não são passíveis de aproveitamento, via compensação ou ressarcimento, os saldos credores vinculados às operações não tratadas no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, sendo sua utilização possível somente mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Em 31/05/2005 a contribuinte apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fl. 62, mediante a qual declarou a extinção de débito de IRPJ — Estimativa Mensal com pretensos créditos referentes à sistemática não cumulativa da COFINS, apurados em relação a operações no mercado interno, vinculados ao período de agosto de 2004 a março de 2005. Conforme fl. 2, o débito compensado alcança R$ 1.832.008,07. Por sua vez o crédito teria sido aproveitado a partir de um saldo credor acumulado no importe de R$ 3.939.546,34, de acordo com fl. 03. O feito foi encaminhado ao setor de Fiscalização, que elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/55. No citado TERMO, a fiscalização, em trabalho detalhado, reconhece a apuração de saldo credor acumulado de créditos de Cofins, em relação ao período de agosto/2004 a março/2005, no montante de R$ 3.760.197,87. Entretanto, a autoridade do setor de fiscalização alerta (fl. 52) que: os saldos credores da COFINS apurados pela contribuinte na forma do art. 3° da Lei n° 10.833/03, e do art. 15 da Lei n° 10.865/04 e oriundos do mercado interno não são decorrentes do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, com o que não podem ser objeto de compensação com débitos próprios, nem objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro, podendo apenas ser utilizados para desconto da contribuição apurada em cada mês, nos termos do artigo 3° da Lei 10.833/03. Os autos então retornaram ao Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT), que emitiu o Despacho Decisório de fls. 56/58. Reportandose ao teor do mencionado TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, o autor da decisão lembra que o art. 3°, §4° de ambas as Lei n° 10.637, de 2002, e Lei n° 10.833, de 2003, estabelecem a mesma disposição acerca do crédito da não cumulatividade não aproveitado por desconto no mês de apuração: o crédito não aproveitado em um determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Lembra o despacho decisório que a Lei n° 11.116, de 2005, trouxe nova forma de aproveitamento do saldo credor quando oriundo das operações previstas naquela lei. E transcreve, na Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000306/200513 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 11 3 sequência, os art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005 e art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004: Lei nª 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 30 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n ° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei n° 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Prossegue o texto do despacho decisório em tela: “Do estudo dos textos legais acima, concluise que somente o saldo credor correspondente às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência do PIS e da Cofins são passíveis de ressarcimento em dinheiro ou compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Diante desse contexto e tendo em conta o disposto no caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, concluiu a autoridade local que: Salvo os casos expressamente previstos em lei, o saldo credor das contas PIS e Cofins não cumulativos não é, portanto, um direito creditório contra a Fazenda Pública. Com base nos art. 26, §3 °, III, e art. 31, §1% da Instrução Normativa n° 460, de 2004, a unidade local, por fim, não reconheceu o direito creditório indicado e considerou não declaradas as compensações a ele vinculadas. Ao fim do despacho, a unidade local determinou, ainda, a juntada aos presentes, por apensação, dos processos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 administrativos n° 13893.000307/200568, 13893.000308/2005 11, 13893.000337/200574 e 13893.000338/200519, que tratam de DCOMP que também se utilizam do mesmo pretenso direito de crédito. A efetivação da mencionada juntada processual foi comunicada no aviso de fl. 229. Conforme informado no fecho do Despacho, contra o posicionamento que entendeu não declarada a compensação não caberia a interposição de manifestação de inconformidade, a teor do disposto no art. 3, §2°, combinado com o art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Não obstante, notificada do despacho decisório em 30/06/2009, em 29/07/2009 a contribuinte protocolou a peça de fls. 66/80, na qual informa e alega, em síntese: a) recorrera à via do Mandado de Segurança a fim de ver reconhecido seu direito à interposição da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §9° da Lei n° 9.430, de 1996; b) por submeterse ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins, apropria e acumula, mensalmente, créditos decorrentes da aquisição de insumos, os quais não podem ser aproveitados integralmente em razão da redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; c) a suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins as quais, segundo o caput do art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, não impediriam a manutenção dos créditos são figuras desonerativas que buscam reduzir a carga tributária e o preço dos produtos comercializados; da mesma forma ocorre com a mencionada redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; d) assim, para os fins colimados no artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, devese ter em conta a intenção pretendida pelo legislador, qual seja, autorizar o contribuinte que acumula créditos do PIS e da COFINS – porque suas vendas são beneficiadas – a compensálos com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; e) o STF no RE 174.4782 decidiu, com relação ao ICMS, que a redução da base de cálculo se equivale ao instituto da isenção parcial; f) assim, seja em virtude da melhor doutrina que equipara os dois institutos, seja em razão do entendimento firmado pelo Pleno do STF no sentido de que tais institutos – a redução da base de cálculo e a isenção parcial – impedem parcialmente a incidência tributária, inferese que o procedimento adotado pela Requerente está correto e de acordo com a legislação correlata; sendo a redução da base de cálculo uma espécie de isenção parcial, o crédito é perfeitamente passível de restituição ou ressarcimento atendendo, dessa forma, as condições impostas pela Lei n° 11. 116/2005, bem como pela IN n'460/04, vigente à época da entrega das declarações de compensação; g) nesse passo, vedar a utilização dos créditos de PIS e de Cofins acumulados de acordo com as Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000306/200513 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 12 5 de 2003, é ofender os princípio da isonomia bem como o da não cumulatividade; deve ser garantido ao contribuinte o direito de compensar na apuração das referidas contribuições o montante do PIS e da COFINS relativo às operações anteriores; se, todavia, diante da isenção parcial, não restar saldo devedor dessas contribuições, a fim de dar efetividade à não cumulatividade, nada mais lógico que do que compensar tais créditos com outros tributos e contribuições devidos à RFB. Foi ainda juntado aos autos, fls. 219/221, cópia, da sentença obtida pela contribuinte nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.03006482, contendo o seguinte trecho dispositivo: “Isto posto, decreto a extinção do processo com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, I do Código de Processo Civil, e concedo a segurança para que sejam recebidas, processadas e encaminhadas para julgamento as manifestações de inconformidade relativas aos processos administrativos n° 13893.0003061200513 e 13893.003061200571, suspendendo a exigibilidade dos débitos discutidos, nos termos do art. 74, §11 da Lei n° 9.430196”. A DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL. Não são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento, os saldos credores vinculados às operações não tratadas no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, sendo sua utilização possível somente mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subsequentes. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo basicamente as mesmas alegações de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume a verificação da possibilidade de o contribuinte aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de COFINS vinculado às operaçõesde venda com redução de base de cálculo. Alega o Fisco, no que foi acompanhado pela decisão recorrida, que a possibilidade de compensação ou ressarcimento do saldo credor da COFINS apenas alcança as operações de que trata o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, o que não seria o caso daquelas que Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 deram origem ao saldo credor da contribuinte, qual seja, venda com redução da base de cálculo do tributo. Já a Recorrente sustenta que (i) a suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins as quais, segundo o art. 17 da Lei n° 11.033/04, não impediriam a manutenção dos créditos, são figuras desonerativas que buscam reduzir a carga tributária e o preço dos produtos comercializados; da mesma forma ocorre com a mencionada redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; (ii) para os fins colimados no artigo 16 da Lei n° 11.116/05, devese ter em conta a intenção pretendida pelo legislador, qual seja, autorizar o contribuinte que acumula créditos do PIS e da COFINS – porque suas vendas são beneficiadas – a compensálos com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; (iii) o STF no RE 174.4782 decidiu, com relação ao ICMS, que a redução da base de cálculo se equivale ao instituto da isenção parcial; e (iv) seja em virtude da melhor doutrina que equipara os dois institutos, seja em razão do entendimento firmado pelo Pleno do STF no sentido de que tais institutos – a redução da base de cálculo e a isenção parcial – impedem parcialmente a incidência tributária, inferese que o procedimento adotado pela Requerente está correto e de acordo com a legislação correlata; sendo a redução da base de cálculo uma espécie de isenção parcial, o crédito é perfeitamente passível de restituição ou ressarcimento atendendo, dessa forma, as condições impostas pela Lei n° 11.116/05, bem como pela IN nº 460/04, vigente à época da entrega das declarações de compensação; Pois bem. A Recorrente está sujeita à sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS. Além disso está sujeita à redução da base de cálculo incidente sobre as suas operações de venda, nos termos do art. 10, da Lei n° 10.485/02. Por conta disso, a Recorrente vem acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS, apurados na forma do art. 3º das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, o qual pretende ressarcir no presente pedido. Conforme bem pontuado pelo despacho decisório, a presente matéria é regulada pelo art. 16 da Lei 11.116/05, que assim dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da simples leitura do referido texto legal, inferese que apenas o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000306/200513 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 13 7 acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Já o referido art. 17, estabelece o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em estreita síntese, o que referidos dispositivos legais, em conjunto, determinam é que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Ou seja, acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS ou da COFINS em face da venda de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições – seja qual for a razão da “exoneração” tributária – autorizase o contribuinte a requerer o seu ressarcimento ou compensação. A presente matéria foi regulamentada pela IN SRF nº 900/08, a qual confirma a amplitude e o alcance da autorização legal relativa à compensação/ressarcimento do crédito acumulado dessas contribuições: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: I gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II óleo diesel e suas correntes; III gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo ou de gás natural; IV querosene de aviação; V biodiesel; VI álcool hidratado para fins carburantes; VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI; IX máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI; X pneus novos de borracha da posição 40.11 e câmarasdear de borracha da posição 40.13 da TIPI; e XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores. § 5º A vedação referida no § 4º não se aplica à pessoa jurídica fabricante das máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi que apure a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime de nãocumulatividade, a qual poderá descontar créditos relativos à aquisição, para revenda, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, podendo ainda darlhes a mesma utilização prevista no caput deste artigo, se incorrer nas hipóteses previstas nos seus incisos I e II. Tecidas essas considerações, concluise que apenas o saldo credor acumulado em decorrência das hipóteses prescritas no art. 17 da Lei 11.033/04, ou seja, em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. São essas e somente essas as situações em que o legislador autorizou que o contribuinte aproveite o saldo acumulado para ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros Fl. 371DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000306/200513 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 14 9 tributos administrados pela RFB. Para as demais situações, resta apenas cumprir a vocação natural (e constitucional) dos créditos da não cumulatividade, qual seja, ser consumidos pelos débitos do próprio tributo. Com efeito, a manutenção e o aproveitamento do saldo credor de tributos não cumulativos deve observância a regime próprio, previsto na lei, não se confundindo com a restituição e compensação de tributos relacionados à repetição de indébito. E, para o caso concreto, a regra geral é servir apenas para abater os débitos do próprio tributo devido, podendo, todavia, ser transferidos para o período seguinte. No caso concreto, todavia, a Recorrente pretende ver reconhecido seu direito de aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo. Ora, a despeito de se tratar de hipótese desonerativa do tributo que, como tal, pode gerar o acúmulo de saldo credor, sem possibilidade de utilização na própria conta gráfica, certo é que a presente situação não foi contemplada pelo legislador como hipótese autorizadora de pedido de restituição/compensação. Afinal, reafirme se não se trata de isenção, alíquota zero ou não incidência. A despeito disso, sustenta a Recorrente que o seu direito decorreria do fato de a correta qualificação jurídica da redução da base de cálculo ser a de isenção parcial, razão pela qual deveriam ser equiparados estes dois institutos e, consequentemente, lhes ser outorgado o mesmo regime jurídico. Ora, como é possível perceber, a afirmação da Recorrente é contraditória em seus próprios termos. Se redução de base de cálculo tivesse efetivamente natureza jurídica de isenção não haveria porque equiparar estes institutos. Afinal, equiparação é procedimento para tratar igualmente figuras/institutos jurídicos diferentes, não iguais. Assim, o que se vê é que a própria Recorrente, ao pleitear a sua equiparação, reconhece que se tratar de institutos diferentes. Como nos explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção é regra que mutila parcialmente a regramatriz de incidência tributária, ou seja, que inutiliza parte da norma fazendo com que ela não alcance determinadas situações ou pessoas. O efeito jurídico da regra de isenção é, pois, retirar alguns sujeitos ou mesmo situações do campo de incidência de determinada regra tributária, impossibilitando, assim, o surgimento da obrigação tributária nesses casos bem definidos. É o que nos ensina Paulo de Barros Carvalho: As normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura, que intrometem modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária. Guardando sua autonomia normativa, a norma de isenção atua sobre a regramatriz de incidência tributária, investindo contra um ou mais critérios de sua estrutura, mutilandoos, parcialmente. Com efeito, tratase de encontro de duas normas jurídicas que tem por resultado a inibição da incidência da hipótese tributária sobre os eventos abstratamente qualificados pelo preceito isentivo, ou que tolhe sua consequência, comprometendolhe os efeitos prescritivos da conduta. Se o fato é isento, sobre ele não se opera a incidência e, portanto, não há que falar em fato jurídico tributário, tampouco em obrigação tributária. E se a isenção se der pelo consequente, a ocorrência fáctica encontrarseá inibida juridicamente, já que sua eficácia não poderá irradiarse. O que o preceito de isenção Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente, podendo a regra de isenção suprimir a funcionalidade da regramatriz tributária de oito maneiras distintas: (i) pela hipótese: i.1) atingindolhe o critério material, pela desqualificação do verbo; i.2) mutilando o critério material, pela subtração do complemento; i.3) indo contra o critério espacial; i.4) voltandose para o critério temporal; (ii) pelo consequente, atingindo: ii.1) o critério pessoal, pelo sujeito ativo; ii.2) o critério pessoal, pelo sujeito passivo; ii.3) o critério quantitativo, pela base de cálculo; e ii.4) o critério quantitativo, pela alíquota. De qualquer maneira, a regra de isenção ataca a própria esquematização formal da normapadrão de incidência, para destruíla em casos particulares, sem aniquilar a regra matriz, que continua atuando regularmente para outras situações. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008, p. 521522). Já na redução da base de cálculo o efeito é outro. Não se vislumbra a supressão da funcionalidade da regramatriz tributária. Pelo contrário, nessas situações permanece existindo a obrigação de pagar tributo, só que com valor reduzido. Assim, tratandose de institutos jurídicos conceitual e funcionalmente diferentes (um elimina a carga ou outro apenas a reduz), sujeitos a regimes jurídicos igualmente diversos, não há como proceder à equiparação pleiteada pelo Recorrente. Por fim, um ponto merece reflexão. Não se pode admitir a presente equiparação apenas para um efeito jurídico. Aceitar que redução da base de cálculo é espécie de isenção para fins de autorizar o ressarcimento/compensação do saldo credor significa também admitir que a aquisição de insumos com redução de base de cálculo pode não gerar qualquer crédito do presente tributo. Afinal, a lei foi clara ao prescrever que não dará direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Será que é realmente esta a melhor interpretação deste dispositivo legal? É bem verdade que os precedentes jurisprudenciais citados pelo Recorrente acenam para a possibilidade de ser este o tratamento jurídico a vir ser conferido pelo Poder Judiciário à matéria. De fato, em diversas oportunidades, relativamente ao ICMS, o STF e o STJ entenderam que estes institutos devem ser equiparados e, por conta disso, estaria o contribuinte obrigado a proceder ao estorno proporcional dos créditos em casos de aquisição de mercadorias com redução de base de cálculo. Em que pese se tratar de decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, não me parece ser este o melhor juízo a respeito do tema. E como nenhuma dessas decisões foi proferida em sede de recurso representativo de controvérsia ou repercussão geral não vinculam este órgão administrativo. Não se nega que no caso concreto vislumbrase uma situação de potencial violação ao princípio da isonomia, como alegado pelo Recorrente. Afinal, se verifica a outorga de tratamento jurídico diferente a pessoas que se encontram em situações muito similares (acúmulo de crédito em razão da outorga de algum tipo de benefício fiscal lato sensu). Aliás, pareceme seja este o ponto central da presente discussão: poderia o legislador autorizar o ressarcimento/compensação de saldo acumulado nos casos de não incidência, isenção e alíquota zero e não fazêlo relativamente às demais situações em que o contribuinte, por anos Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13893.000306/200513 Acórdão n.º 3102002.384 S3C1T2 Fl. 15 11 não consegue consumir seus créditos na própria escrita fiscal, como ocorreria nos casos de vendas com redução de base de cálculo e tantas outras situações? Entretanto, não temos como apreciar a pretensão da Recorrente sob esta perspectiva, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, e em face do principio da estrita legalidade tributária, não há como reconhecer possibilidade de o Recorrente aproveitar, via compensação ou ressarcimento, o saldo credor de COFINS vinculado às operações de venda com redução de base de cálculo nesta esfera administrativa. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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