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Numero do processo: 10880.690958/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 58 /2 00 9- 11 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690958/200911 Acórdão n.º 3302005.048 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.932. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690958/200911 Acórdão n.º 3302005.048 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.690958/200911 Acórdão n.º 3302005.048 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.690958/200911 Acórdão n.º 3302005.048 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.690958/200911 Acórdão n.º 3302005.048 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001568/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato
administrativo.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO.
Ainda que descumprido do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não se considera invalidado o lançamento efetuado pela autoridade tributária.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS.
REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estes valores informados nas declarações simplificadas da pessoa jurídica, e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do SIMPLES.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 1% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e no livro de apuração do ICMS e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1402-000.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. Ainda que descumprido do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não se considera invalidado o lançamento efetuado pela autoridade tributária. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS. REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estes valores informados nas declarações simplificadas da pessoa jurídica, e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 1% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e no livro de apuração do ICMS e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
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CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. Ainda que descumprido do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não se considera invalidado o lançamento efetuado pela autoridade tributária. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS. REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estes valores informados nas declarações simplificadas da pessoa jurídica, e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 2 2 Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 1% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e no livro de apuração do ICMS e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Comercial Canoense de Aparas de Papel Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo trata de impugnação, dos Autos de Infração (AI), lavrados em 25/08/2010, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica SIMPLES (IRPJSIMPLES), fls. 219/224, à Contribuição para o PIS/PASEP_SIMPLES, fls. 256/261, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES (CSLLSIMPLES), fls. 269/274, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES (CofinsSIMPLES), fls. 284/289, e à Contribuição para a Seguridade Social SIMPLES (INSSSIMPLES), fls. 299/304, nos valores originários de R$ 49.128,46, R$ 36.119,22, R$ 51.713,70, R$ 152.786,36 e R$ 434.621,41, respectivamente, e são referentes a fatos geradores ocorridos entre de janeiro de 2006 e junho de 2007. Os tributos originários acrescidos de juros moratórios (calculados até 30/07/2010) e multas de ofício montam a R$ 2.089.160,32. A contribuinte usufruía da apuração de tributos pela sistemática do Simples até de 01/01/2006 até 30/06/2007. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 212/218, tendo a ciência deste, juntamente com os AI, sido dada à contribuinte em 25/08/2010. A contribuinte apresentou impugnação, às fls. 317/352, em 24/09/2010, alegando insubsistência da autuação fiscal e requerendo, à fl. 351: a nulidade dos AI por basearse em mandado de procedimento fiscal extinto; improcedência dos AI por ter sido a contribuinte obrigada a fazer prova contra si própria; improcedência pela utilização de arbitramento descabido; improcedência em face da falta de provas da efetiva omissão de receitas pela contribuinte; improcedência pela falta de demonstração da base tributável utilizada nos AI; alternativamente, a redução da penalidade agravada em face da falta de provas da existência de dolo pela contribuinte e pela falta de observância dos princípios constitucionais: da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Relatório de atividade fiscal O relatório do procedimento fiscal qualifica a contribuinte, e informa que ela apresentou DIPJ SIMPLES para o período de 01/01/2006 a 30/06/2007 (fls. 166/195), e DIPJ com opção pelo lucro presumido para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 (fls. 196/207). O procedimento fiscal amparouse no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.002010000429, com ciência do termo de início (fls. 02/03) em 21/01/2010. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 4 4 Neste documento, foi solicitada a apresentação de documentos societários, contábeis e fiscais, bem como extratos bancários de todas as movimentações financeiras da empresa, tudo referentemente aos anoscalendário de 2006 e 2007. Após solicitar e ter concedida prorrogação no prazo para cumprimento da intimação, a contribuinte atendeu parcialmente às solicitações, entregando apenas os livros de Entrada, Saída, Apuração de ICMS e Inventário, referentes aos anos de 2006 e 2007, bem como os extratos bancários de 19/10/2006 a 31/12/2007 (fl. 06). Em 15/03/2010, a representante da contribuinte recebeu novo termo de intimação, através do qual foi questionada se concordava com os valores de receitas por ela escriturada, transcritos em tabela (fls.123/124) e que estes deveriam ter sido declarados à RFB. No mesmo documento, tendo em vista que optara pela tributação na sistemática do lucro presumido para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, foi uma vez mais intimada a apresentar a escrituração contábil (livro diário e razão) e/ou livro caixa. Respondendo a essa intimação (fl.126), o sócio gerente da empresa, em 08/04/2010, informou que concordava com os valores constates da intimação pois estes "foram extraídos dos Livros de Apuração do ICMS, referentes aos anos de 2006 e 2007, muito embora não tenham sido declarados nas Declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil". No mesmo documento, informou que não apresentou "os Livros de Registro de Escrituração Contábil e Balanços referentes aos anos de 2006 e 2007, por não terem sido os mesmos confeccionados" naqueles anos e que no momento não tinham "condições técnicas de confeccionálos por falta de documentos hábeis para tanto". Na mesma data em que apresentou sua resposta, a contribuinte foi novamente intimada (fls. 127/128) a apresentar os livros de escrituração contábil para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, com a ressalva de que a falta destes documentos implicaria no arbitramento do seu lucro para aquele período , conforme determinações dos artigos 528 a 530 do RIR/99. Em 20/04/2010, a contribuinte informa (fl. 129), novamente, que não teria condições de apresentar os referidos registros do ano de 2007, por não terem sido confeccionados e por que no momento, não possuía "condições técnicas de confeccionálos por falta de documentos hábeis para tanto". Por fim, em 29/04/2010 (fl. 133), a contribuinte foi intimada (fls. 130/131) a apresentar talonários de notas fiscais dos meses de 04/2006, 06/2006, 04/2007 e 06/2007. Em 07/05/2010, apresentou a documentação solicitada (fl. 136). Em face da inexistência de escrituração contábil e/ou livro caixa; da análise dos valores constantes do Livro de Registro de Saídas e do Livro de Apuração do ICMS; dos valores declarados em DIPJ pela contribuinte à RFB, para os anos calendários de 2006 e 2007; e do reconhecimento pela contribuinte de que aqueles valores não constaram destas declarações, o agente fiscal elaborou planilha (fl. 216) na qual fica evidenciada a existência de omissão de receitas, pela diferença entre os valores informados para fins de ICMS e os declarados à RFB. Os valores das omissões apuradas foram tributados pela sistemática do SIMPLES, no período de 01/01/2006 e 30/06/2007, lançados nos AI constantes do presente processo, e pela sistemática do lucro arbitrado para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, o que foi realizado através de AI no Processo n° 11065.001567/201045. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 5 5 Tendo em vista que as declarações da contribuinte ao fisco federal continham informações falsas, com omissão de receitas, de forma contumaz, em todos os meses dos períodos de apuração, sobre os tributos omitidos foram aplicadas multas de 150%, conforme disposto no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996. Impugnação A impugnação se inicia com a qualificação da impugnante, considerações sobre a tempestividade e justificativa de sua entrega na agência da RFB em São Leopoldo. Seguese uma sinopse dos fatos que levaram à autuação, na visão da contribuinte. Tratando do mérito (Título I), há a divisão em seis capítulos. Os dois primeiros (I e II) imputando nulidade dos AI, os dois seguintes (III e IV), buscando insubsistências com base em fundamentos diversos, o quinto (V) busca afastar a aplicação de penalidade agravada e o sexto e último contém os requerimentos. Capítulo I MPF, ciência da prorrogação, requisito essencial A impugnante ataca a validade dos AI, em razão de alegado esgotamento do prazo do MPF n° 10.1.07.002010000429, a ela cientificado em 21/01/2010 e que teria expirado em 21/05/2010, haja vista que o seu prazo de validade é de cento e vinte dias, de acordo com o art. 12 da Portaria SRF n° 6.087 de 21/11/2005. Afirma que não houve prorrogação com fornecimento a ela de Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na internet, conforme disposto no §2° do art. 13 da referida portaria. Em face de os AI terem sido lavrados em 28/08/2010, posteriormente à data em que expirava o MPF, tece dissertação sobre a validade do AI que teria sido contaminado pelo alegado vício formal do MPF, afetando inclusive a competência do agente fiscal e por isto também seria nulo. Capítulo II Livros do ICMS, prova incabível e insuficiente Nesse capítulo, a contribuinte ataca "a prova da existência e do conseqüente arbitramento do lucro da empresa", que seria essencialmente feita com base na análise do Livro Registro de Saídas e do Livro de Apuração do ICMS. Afirma ser incabível a utilização de tal prova para embasar o lançamento, com base em orientação ventilada na Súmula n° 182 do TFR bem como em julgado do TRF que referencia. A utilização dos livros fiscais do ICMS como prova isolada não seria cabível e tal ilegalidade seria motivo para insubsistência dos AI. Capítulo IH/IV Arbitramento: requisitos, base legal e subsunção A reclamante mostra inconformidade com a utilização do arbitramento, pois, apesar dos seus problemas com a escrituração contábil, esta se apresentaria "em condições perfeitas para ser aferido e apurado o lucro efetivo". Afirma ainda que "somente na impossibilidade de apuração do lucro real é que pode a fiscalização desclassificar a escrita e arbitrar o lucro tal qual feito pelo auto de infração, quando em contrapartida o fisco tinha todos os elementos a sua disposição e toda a condição de apurar a matéria tributável". Busca apoio a sua tese em acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 6 6 A impugnante ataca também suposta falta de base legal para o arbitramento do lucro, afirmando que o relatório fiscal não expressa o suporte jurídico utilizado parta o arbitramento, não apontando nem mesmo "a legislação básica do que é o art. 530 do RIR/99". Entende a reclamante que o fiscal deveria identificar na legislação qual seja a hipótese prescritiva para o arbitramento, procedendo à apuração do valor tributável em consonância com o art. 532 e seguintes do RIR/99. Contudo, teria violado tal preceito, não dispondo de que forma estaria procedendo ao arbitramento, utilizando critério desconhecido, que não se coaduna com o conteúdo do art. 532; por esta razão, seria insubsistente o auto de infração. Capítulo V Multa agravada, subsunção, dolo e base legal A contribuinte ataca a aplicação de penalidade agravada de 150%, por entender que o fiscal não caracterizou a conduta por ela realizada que levasse ao enquadramento no que está disposto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com base no disposto nos arts. 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502/1964. Não vê no AI subsunção dos fatos descritos às normas jurídicas vigentes. A falta da referida descrição, indiretamente, também afrontaria o art. 112 do CTN, segundo o qual se deve interpretar a norma penal de forma mais favorável ao acusado em caso de dúvidas quanto: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Inexistindo a demonstração dos fatos e das razões para aplicação da penalidade, a contribuinte teria o seu direito à ampla defesa e ao contraditório ferido, o mesmo ocorrendo em relação ao devido processo legal, todos previstos no art. 5 o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Protesta ainda, que o relatório de ação fiscal não direciona especificamente a qual da capitulações a sua conduta estaria inserida, pois simplesmente informa "que a multa estaria nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4502/64", neles se inserindo três tipos de conduta diversas, devendo o auditor eleger e demonstrar em qual delas o contribuinte estaria incurso. Não vê no corpo do AI demonstração do ato ou omissão doloso, apesar do ônus dessa prova ser do fisco, sendo anulável, no seu entender, a imputação daquela penalidade. Informa que, no AI, a fiscalização teria afirmado que "o fundamento para a aplicação da sanção seria o fato da contribuinte ter apresentado declarações falsas sobre as receitas auferidas". Assevera, no primeiro parágrafo da fl. 27, que "nunca houve qualquer declaração de receitas de forma inexata". Por fim, ataca a própria norma, por, no seu entender, ser esta conflitante com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, aos quais deveria sujeitarse a administração pública em geral, e o auditor fiscal em particular.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 31.417 (fls. 365370v) de 12/05/2011, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MPF. CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 7 7 instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS. REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estes valores informados nas declarações simplificadas da pessoa jurídica, e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; quando o contribuinte entendese prejudicado por lei que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/05/2011 (A.R. de fl. 379), a interessada interpôs recurso voluntário em 28/06/2011 onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Entendo que o Acórdão recorrido bem enfrentou as matérias reapresentadas em sede recursal, pelo que peço vênia para adotar os fundamentos daquele neste Voto, como razões de decidir. Do MPF e suas prorrogações. Alega a Recorrente a nulidade do AI, em face de não haver prorrogação do MPF ou de não lhe ter sido franqueada a ciência da prorrogação. Descabida a pretensão da Recorrente quanto a esse ponto. Ressaltese que, ao contrário do que afirma a Interessada, houve a referida prorrogação da validade do MPF, tal fato poderia ser verificado no sítio da RFB, no quadro ao Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 8 8 final do MPF que trata da validade das prorrogações, sendo a última válida até 16/09/2010, data posterior à da ciência do AI. Ademais, há que se ponderar que o MPF é ato de controle interno, definindo, por norma infralegal, quais, dentre os diversos auditores de uma determinada jurisdição, atuarão na diligência ou fiscalização. Não é norma de competência, até por que a competência só é definida por lei. Compreende, antes de tudo, medida administrativa organizacional, para controle do trabalho e informação ao contribuinte de que a ação fiscal levada a cabo junto a ele é de conhecimento do comando do órgão e como ele poderá se certificar de existência de tal procedimento administrativo. Acrescentese que portaria não tem o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento prevista no Parágrafo único do art. 142 do CTN. Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6º Lei n° 10.593, de 06/12/2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB. Consequentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem o Auditor o dever de promover o lançamento. Portanto, uma vez que a competência do auditorfiscal não emana do MPF, qualquer irregularidade que eventualmente possa nesse existir quanto a esse tema não tem o condão de afetar a competência atribuída pela citada Lei n° 10.593/2002 ao AFRFB. Recordese, outrossim, que a hipótese de nulidade absoluta dos atos processuais nas esfera tributária federal, está prevista no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, em seu artigo 59, inciso I4 , e referese ao caso em que a autuação tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não ocorreu no caso presente. Por outro lado, há que se entender que o MPF não aparece sequer como requisito formal do AI, dentre aqueles arrolados no art. 105 do mesmo decreto. Portanto, inexistem quaisquer dos vícios que poderiam levar à nulidade do AI; isso afasta a afirmação da contribuinte de que o AI foi feito em discrepância com a norma. Em sua produção, o AI contém todos os elementos postos na norma; no máximo, o procedimento do fiscal é que pode ter sido inexato falho. Ressaltese que a recorrente conhecia o conteúdo da fiscalização que estava se desenvolvendo, bem como conhecia os AFRFB responsáveis por ela, não tendo lhe causado qualquer prejuízo a ausência da ciência pessoal da prorrogação. Dessa forma há que se considerar que, ainda que não tenha ocorrido a ciência formal da prorrogação do MPF, através de documento escrito, em nada ficou prejudicado o direito de defesa da Recorrente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento neste Conselho de que o mesmo eventual descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal, apesar de Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 9 9 sujeitar a autoridade tributária a sanções administrativas, não invalida o lançamento por esta efetuado. Tal entendimento encontrase consolidado nas ementas a seguir reproduzidas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária. (12010.425, Acórdão de 24/02/2011). AUTO DE INFRAÇÃO MPF NULIDADE INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. A emissão do MPF – Complementar para ampliar a abrangência da fiscalização inicialmente prevista no MPF Fiscalização não enseja nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de oficio. (10517.368, Acórdão de 17/12/2008) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NULIDADE — INEXISTÊNCIA Não é nulo o MPF cujas prorrogações ocorreram em tempo hábil e que não são causa da substituição do AFRF, somente prevista no caso de emissão de MPF novo. (Acórdão 10517.357, de 17/12/2008) NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (...) (Acórdão 20176449, de 19.9.2002) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) Das provas baseadas nos livros pertinentes ao ICMS. Alega a Recorrente que o Auditor teria se baseado na escrituração dos registros pertinentes ao ICMS para formalizar provas que dessem guarida ao arbitramento e conseqüente lavratura do AI. Considera incabível tal procedimento. Cita, como orientação, Súmula 182 do TRF, in verbis: “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.” Quanto a esse ponto, entendo serem os extratos, quando utilizados, origem de dados coletados (valores de depósitos) que devem ser trabalhados (exclusão de transferências entres contas do mesmo titular, depósitos estornados, cheques devolvidos, etc.) para obtenção de valores de receitas que, por presunção legal, sejam consideradas rendimentos tributáveis; já Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 10 10 os valores registrados nos livros do ICMS, que efetivamente são os utilizados no processo, são informações diretas das receitas havidas pela Contribuinte na sua atividade de comercialização de mercadorias. Afirma à fl. 14 que o fiscal construiu o arbitramento com base em "elementos estranhos e que são vedados", aparentemente, por não serem conjugados com outras provas. Uma vez mais, ela não aponta a razão da alegada vedação, nem da estranheza; seria estranho à contribuinte seu próprio Livro de Apuração do ICMS? Se ela vê qualquer impropriedade relativamente às receitas comerciais que ela própria registra, deve infirmálas com provas, já que os registros contábeis fazem prova contra ela, o que já se depreende do art. 226 do Código Civil vigente, bem como do art. 378 do Código de Processo Civil. Quanto à Súmula 182 do antigo TFR, trata apenas dos casos de lançamento do imposto de renda arbitrado com base em depósitos bancários, a luz de legislação e sistema constitucional distinto, já que anterior à Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e sem relação alguma com o lançamento aqui combatido. Já o julgado do TRF da 1ª Região, no processo n° 90.01.160654/RO, com relatoria da Ministra Eliana Calmon, trata de matéria referente ao ICMS, pois decorria de autuação com base no Decretolei n° 82 de 26/12/1966, que regulava o sistema tributário do Distrito Federal, e a legislação lá combatida eram os Decretos n° 3.992/77 (aprova o Regulamento do ICM do Distrito Federal) e n° 85.367/80 (estende a aplicação daquele aos Territórios Federais); portanto, nenhuma relação tem com a autuação ora discutida. Assim, não há que se considerar insubsistente o AI que utiliza os próprios registros do ICMS da contribuinte para apurar as receitas omitidas dos demais livros fiscais obrigatórios, por ela não confeccionados. Da Alegação de Arbitramento. De início, cabe salientar que a fiscalização não apontou como imprestável a contabilidade da contribuinte. Na verdade os livros contábeis, obrigatórios por determinação legal, não foram apresentados após duas intimações (fls. 02/03 e 123/124). Portanto, não há que se falar em recomposição da escrita contábil ou das receitas da contribuinte por parte do fisco, quando a própria contribuinte afirma que os livros de escrituração contábil e balanços, bem como o Livro Caixa, referentes aos períodos sob fiscalização não tinham sido confeccionados e que a falta de documentação hábil então a impedia de fazêlo; se quem tem a obrigação legal e possui os elementos para elaboração da escrita informa que a documentação existente não é hábil para tanto, como protestar para que o fisco o faça? A tributação das receitas se deu com base em valores que deveriam ter sido declarados e não o foram, apesar de constarem nos registros do ICMS. Além disso, no presente processo descabe se falar em arbitramento, uma vez que os lançamentos foram realizados com base na sistemática e alíquotas do SIMPLES. Assim, cabe apenas incluir na tributação as receitas claramente omitidas que constavam dos registros do ICMS da própria contribuinte e por ela foram admitidas em resposta (fl. 126) à intimação da fiscalização de fls. 123/125. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 11 11 O acréscimo das receitas omitidas implicou em novo patamar de alíquotas, conforme demonstrativo à fl. 225. Assim, aplicandose aquelas alíquotas foram tributadas as receitas omitidas, sujeitos à multa de 150%, bem como os valores de receitas pela contribuinte declarados, cuja parcela não recolhida estava sujeita à multa de 75%. Da Multa Qualificada. Diferentemente do que entende a Recorrente, a descrição do fiscal, à fl. 217, é clara: a Contribuinte apresentou declarações com informações inverídicas à RFB a respeito de suas receitas ao longo de todo o período fiscalizado. Houve omissão de receitas de forma contumaz em todos os meses, omissão essa confirmada pelos registros nos livros do ICMS para o mesmo período. Os fatos descritos no relatório permitem verificar a existência da intenção de não informar ao fisco federal o total das receitas havidas na atividade empresarial, não se tratando de mero erro ou esquecimento, mas de procedimento sistemático. A tabela da fl. 216 do relatório fiscal evidencia que a contribuinte declarou, entre janeiro de 2006 e junho de 2007, apenas R$ 60.194,17 ao fisco federal, apesar de ter registrado receitas de comercialização que totalizavam R$ 6.583.731,84 menos de 1% das receitas foram declaradas à RFB. Nos meses de janeiro a abril, nada foi declarado. Realmente não houve declaração de receita inexata como afirma a contribuinte, existiu, isto sim, declaração falsa. Se a situação descrita não caracteriza declaração falsa, o que caracterizaria? Tratando de situação análoga à presente, vejase a argumentação abaixo, exposta no voto da conselheira Ana de Barros Fernandes (Acórdão 19100.065, sessão de 11/12/1999): A estonteante diferença entre a matéria tributária identificada —faturamento obtido por vendas com cartão de crédito —, ainda que deforma presuntiva, mas que indubitavelmente constitui base de cálculo para a apuração dos tributos exigidos da contribuinte autuada, e a matéria tributária oferecida espontaneamente pela contribuinte ao fisco, justifica, per si, a qualificação da multa. A atitude da contribuinte em oferecer à tributação somente 10% do seu faturamento evidencia a sua intenção em fraudar o fisco. Ou seja, nos termos do artigo 71, a omissão dolosa pretendeu impedir parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502/64). Destaquese, por oportuno, que dados os fatos e conhecida a legislação, não é necessário o auditor fiscal esmiuçar o óbvio, pelo que, para este caso, divido frontalmente da tese defendida pela recorrente de que, além da tipificação legal e da descrição dos fatos, o auditor fiscal tenha que descer às minúcias e explicitar o que está patente nos autos, desde a constituição do crédito tributário, bastando comparar o demonstrativo de apuração do tributo sobre as diferenças apuradas (fls. 118 a 120) e os valores informados na DIPJS entregue pela contribuinte, no prazo legal, também constantes dos autos (fls. 20 a 36 e 113 a 117). Nesse sentido, entendo que o enquadramento da penalidade, pela detecção da presença da circunstância qualificadora, não merece reparos. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 12 12 A exemplo da citação acima, vem sendo consolidada na jurisprudência deste CARF a associação do conceito de fraude à prática reiterada de ações e omissões menos evidentes, como é o caso da omissão sistemática de valores nos livros contábeis obrigatórios (no caso, nem mesmo confeccionados) ou declarações de rendimentos. O dolo se evidência pelo "conjunto da obra" e é delimitado pela forma premeditada e contínua com que essas ações, aparentemente isentas quando tomadas individualmente, são executadas ao longo do tempo. Ilustrase essa argumentação com os seguintes arestos: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. (140200.505, Acórdão de 31/03/2011). MULTA QUALIFICADA — Comprovado nos autos o evidente intuito de fraude praticado pela contribuinte, evidenciado não só pela não apresentação dos documentos, mas pela apresentação das DCTF's e DIPJs zeradas quando na verdade houve faturamento, correta a aplicação da multa em seu percentual agravado. (l°CCAc.10197.1351o CData da sessão: 06/02/2009). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO FALTA DE RECOLHIMENTO EXIGÊNCIA MULTA AGRAVADA Sobre créditos apurados em procedimento de oficio cabe multa agravada quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. (1o CCAc. 108.06667/2001 8a C Data da sessão: 19.09.2001). ERROS REITERADOS NO SOMA TÓRIO DE VENDAS MULTA AGRAVADA A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada. (1o CC Ac. 10805.900 8a C. Rel. Mário Junqueira Franco Júnior – DOU 14.12.1999p. 8) IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS MULTA QUALIFICADA Caracteriza a intenção de fraudar o Tesouro Nacional o fato de o contribuinte, reiteradamente, somar a menor, nos livros de registro de saídas, a coluna correspondente aos valores das vendas. Aplicável, assim, a multa qualificada prevista no inc. II do art. 992 do RIR/94. (1º CCAc. 10191.987 1a C – DOU 28.05.1998). Considerase, pois, correta a aplicação de penalidade de 150% do tributo lançado e mantido pela Delegacia de Julgamento porquanto evidenciado o intuito de fraude, conforme definido pelo art. 71 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964, transcrito à fl. 217 no relatório fiscal. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001568/201090 Acórdão n.º 140200.884 S1C4T2 Fl. 13 13 Por fim, relativamente à alegada inconstitucionalidade da norma sancionadora, tal argumento não pode ser apreciado em sede de julgamento administrativo, pois falece competência para tal apreciação na esfera do executivo, restrita, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário. A toda evidência, não é lícito exigir que o Fisco passe por cima de seu dever funcional de obediência e negue aplicação à lei ou ato normativo, cujo cumprimento a Secretaria da Receita Federal do Brasil lhes imponha. Nessa direção tem sido a reiterada posição dos antigos Conselhos de Contribuintes, que levaram à publicação da Súmula n° 2 do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscias CARF, publicada no D.O.U. de 22/02/2009, com o seguinte teor: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ex positis, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905478/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 78 /2 01 2- 22 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10183.905478/201222 Acórdão n.º 3201003.480 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.834, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10183.905478/201222 Acórdão n.º 3201003.480 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15173.720004/2016-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2014 a 31/12/2014
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
O procedimento fiscal não pode ser dissociado da matéria sob investigação e dos fatos constatados pelo Auditor-Fiscal naquele período fiscalizado, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores.
COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010).
CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS.
Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, mas com produtos industrializados.
Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967.
ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica.
EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo Auditor-Fiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido.
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA.
O mandado de segurança, individual ou coletivo, trata-se de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada.
Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2-A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário.
MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN.
O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, quanto ao argumento desenvolvido no item I.1.3. do voto da Relatora, vencidos a Relatora e o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro; (ii) pelo voto de qualidade, quanto aos itens I.2 e V do voto da Relatora, restando prejudicada a análise pelo Colegiado do item II, vencidos a Relatora e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto; e (iii) por unanimidade de votos, quanto aos itens III e IV do voto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Julgamento iniciado na sessão de outubro/2017, na qual, por maioria de votos, foi rejeitado pelo Colegiado o argumento de incompetência da RFB para rever ato da SUFRAMA (itens I.1.1 e I.1.2 do voto), tendo sido vencida a Relatora; e concluído em 29/01/2018.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
(Assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010). CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS. Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, mas com produtos industrializados. Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto-lei nº 288/1967. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica. EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO. Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo Auditor-Fiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA. O mandado de segurança, individual ou coletivo, trata-se de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada. Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2-A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado
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ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. O procedimento fiscal não pode ser dissociado da matéria sob investigação e dos fatos constatados pelo AuditorFiscal naquele período fiscalizado, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010). CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSAS. Devem ser mantidas as glosas relativas aos produtos adquiridos pela contribuinte que não foram produzidos com matériasprimas agrícolas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 17 3. 72 00 04 /2 01 6- 79 Fl. 585DF CARF MF 2 extrativas vegetais regionais, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, mas com produtos industrializados. Não há previsão legal para a apropriação de crédito pela contribuinte em relação ao produto adquirido com a isenção de que trata o art. 9º do Decreto lei nº 288/1967. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental prevista em norma específica. EFEITOS DA COISA JULGADA. PREJUDICIAL AO MÉRITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO. Por se tratar de matéria de ordem pública, a análise de prejudicial ao mérito, quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pelo AuditorFiscal autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA. O mandado de segurança, individual ou coletivo, tratase de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada. Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. O artigo 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Diante da inexistência de decisão administrativa com eficácia normativa atribuída por lei, nos termos do artigo 100, inciso II do CTN, incabível a exoneração pleiteada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 586 3 Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, quanto ao argumento desenvolvido no item I.1.3. do voto da Relatora, vencidos a Relatora e o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro; (ii) pelo voto de qualidade, quanto aos itens I.2 e V do voto da Relatora, restando prejudicada a análise pelo Colegiado do item II, vencidos a Relatora e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto; e (iii) por unanimidade de votos, quanto aos itens III e IV do voto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Julgamento iniciado na sessão de outubro/2017, na qual, por maioria de votos, foi rejeitado pelo Colegiado o argumento de incompetência da RFB para rever ato da SUFRAMA (itens I.1.1 e I.1.2 do voto), tendo sido vencida a Relatora; e concluído em 29/01/2018. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (Assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Fl. 587DF CARF MF 4 Por trazer uma clara síntese do processo até a interposição da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever parte do relatório do Acórdão 1462.499 da 8ª Turma da DRJ/RPO, com destaque para os seus principais pontos: "Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 69.258.531,64 (sessenta e nove milhões, duzentos e cinquenta e oito mil, quinhentos e trinta e um reais, sessenta e quatro centavos), consolidado na data do lançamento, conforme consta do demonstrativo (efl. 2). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (e fls. 14/26), a fiscalização foi instaurada em face dos pedidos de ressarcimento PER nº 08223.94707.240714.1.1.019435 e PER nº 31831.90045.300115.1.1.016802. Em resumo, mencionado relatório narra o seguinte: » O sujeito passivo tem como objetivo social (a) fabricar e comercializar, incluindo via importação ou exportação, refrescos, refrigerantes, na forma líquida e solúvel, sucos de frutas, naturais ou artificiais, água mineral e outras bebidas, alcoólicas ou não alcoólicas, em qualquer forma ou apresentação; (b) fabricar e comercializar, incluindo via importação ou exportação, equipamentos para bebidas pós misturadas (post mix) e chope, incluindo tanques, tambores e/ou barris; (c) fazer parte ou ter participação em outras sociedades; (d) administrar bens de renda próprios, e (e) prestação de serviços administrativos e similares. » Atendendo a intimação, a fiscalizada apresentou documentos relativos ao Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), da qual é associada, invocando os efeitos da coisa julgada. Contudo, a coisa julgada abrangeria apenas os substituídos que tivessem, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão julgador, haja vista o disposto no art. 2ºA da Lei nº 9.494, de 10 de setembro de 1997. A ação foi impetrada contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, na 22ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, e o Acórdão foi prolatado pelo TRF da 2ª Região, porém, à época (14/08/1991) o domicílio da empresa era o Município de São Paulo/SP. » No período auditado, mais de 80% dos créditos aproveitados pela contribuinte fiscalizada tiveram origem em insumos provenientes da Zona Franca de Manaus – concentrados fornecidos pela empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não onerados pelo IPI – apropriados em decorrência de incentivo fiscal instituído pelo art. 6º, caput e parágrafo 1º, do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e no art. 95, III, do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010). » Em diligência realizada junto à fornecedora dos concentrados, constatouse que os insumos adquiridos pela fiscalizada foram elaborados apenas com produtos industrializados, e não “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional” como requer a norma instituidora do incentivo. No caso do “concentrado de guaraná”, verificouse, por meio das notas fiscais de venda da empresa Jayoro para Recofarma, que não são comercializadas sementes de guaraná como informado pela diligenciada, mas sim extrato de guaraná, tratandose, portanto, de produto industrializado. Tendo em vista que o art. 111, inciso II, do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) determina que em matéria de outorga de isenção a interpretação da legislação tributária deve ser literal, foi considerado indevido o aproveitamento dos créditos. » Foram constatados créditos indevidos de vários produtos que não se enquadram nos conceitos de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME). Apesar de constituírem despesa necessária para a produção, não integram o produto final e nem se desgastam em ação direta exercida sobre ele. » Analisando as saídas do estabelecimento industrial da fiscalizada, verificouse que o item GUARAPAN PET2/8 apresenta uma redução de 50% na alíquota. Todavia, conforme os Demonstrativos de Coeficiente de Redução do Imposto de Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 587 5 Importação – DCREs, apresentados pela diligenciada Recofarma, observouse que no item citado (código do produto 55793) não há utilização de extrato de semente de guaraná. Há, dentre as matérias primas utilizadas, suco de frutas, aplicando se, portanto, a redução de 25% na alíquota e não 50%, nos termos da Nota Complementar NC (211) da TIPI. O próprio registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (nº MG/05076000641), indica essa informação ao descrever o produto / marca: REFRIGERANTE DE MAÇÃ / GUARAPAN. » No período de apuração 04/2014, verificouse uma diferença a maior, em relação ao valor escriturado, de R$ 2.263,63 (correspondendo ao valor de IPI destacado na nota fiscal 780392, emitida em 19/04/2014). No período de apuração 10/2014, verificouse uma diferença a maior, em relação ao valor escriturado, de R$ 5.235,32 (correspondendo aos valores de IPI destacados nas notas fiscais 27100, de 16/10/2014, 27215, de 21/10/2014, 27298, de 23/10/2014 e 27352, de 24/10/2014). Todos esses valores foram adicionados aos montantes dos débitos dos respectivos períodos. » Considerando o creditamento indevido, foram glosados os créditos dos produtos adquiridos da Recofarma e dos produtos não considerados MP, PI ou ME. Também foram ajustados os débitos pelas saídas do produto GUARAPAN PET2/8 e pelos valores não escriturados. Por consequência, procedeuse à reconstituição da escrita fiscal, o que resultou em saldos devedores de IPI, ao invés dos saldos credores pleiteados nos PER/DCOMP. Cientificada do lançamento em 07/04/2016, a autuada apresentou a sua impugnação (efls. 84/154) em 04/05/2016. Aduziu em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: 01 Alteração de critério jurídico O lançamento viola o art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), pois a autoridade administrativa alterou, de forma retroativa, o critério jurídico utilizado em lançamento e verificações fiscais anteriores. No auto de infração PA nº 15504.729713/201469, a autoridade considerou que o crédito de IPI relativo à aquisição dos insumos isentos, previsto no art. 95, III, do RIPI/2010, seria indevido sob a alegação de que, na elaboração dos concentrados, a Recofarma não teria utilizado diretamente matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, salvo no caso do concentrado de Guaraná, visto que este foi elaborado com referida exigência. No entanto, no auto de infração PA nº 15173.720004/201598, cuja ciência ocorreu em 12/05/2015, houve adoção de novo critério jurídico ao não se aceitar o crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos para fabricação do refrigerante Guaraná. Deste modo, somente para fatos geradores após 12/05/2015 poderia ser utilizado esse novo critério jurídico. No presente auto de infração, o período autuado foi de abril de 2014 a dezembro de 2014, não tendo sido aceito o crédito do concentrado de Guaraná. Ocorre que, ao assim proceder, o Fisco inovou o critério retroativamente. 02 Direito ao crédito com base no art. 6º do DL nº 1.435, de 1975 O direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos tem arrimo nos atos da SUFRAMA. O DL nº 1.435, de 1975, outorgou a SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais nele previstos em seu art. 6º. Neste sentido, o CARF já decidiu que o Fisco não tem competência para desconsiderar o ato da SUFRAMA que concede o benefício, devendo questionálo se for o caso. Logo, a autoridade fiscal não pode desconsiderar o incentivo fiscal legítimo e exigir do adquirente de boafé o IPI abatido com o crédito do imposto isento. Fl. 589DF CARF MF 6 O art. 179, CTN, determina que a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada por despacho da autoridade administrativa. Com fulcro nessa norma, resta inequívoco que o despacho da autoridade administrativa, suficiente a comprovar a isenção da Recofarma, é a Resolução CAS nº 298/2007, fundamentada no Parecer Técnico nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI. Para a SUFRAMA, a concessão do benefício não depende da utilização direta e exclusiva de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais oriundas da Amazônia Ocidental. O emprego, na fabricação do concentrado, de açúcar, álcool ou extrato de guaraná, produzidos na Amazônia Ocidental, com canadeaçúcar e semente de guaraná adquiridas de produtor também localizado na Amazônia Ocidental, atende ao art. 6º do DL nº 1.435, de 1975. O desrespeito pela autoridade fiscal aos atos da SUFRAMA, sem qualquer processo administrativo, com a necessária participação das partes interessadas, caracteriza ofensa ao devido processo legal, com evidente cerceamento do direito de defesa (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). 03 Direito ao crédito com base na coisa julgada A segurança concedida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca Cola (AFBCC) em defesa de direito constitucional comum aos seus associados, abrange, de forma ampla e irrestrita, os associados estabelecidos em todo o território nacional. (...) 04 Direito ao crédito com base no art. 9º do DL nº 288, de 1967 Porque oriundo da Zona Franca de Manaus, haveria direito aos créditos, pois o concentrado adquirido da Recofarma também gozaria da isenção de que trata o art. 81, II, do RIPI/2010, com base legal no art 9º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. (...) 05 Direito ao crédito com base no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 A partir de 19/01/1999, com a edição da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, passou a existir o direito ao crédito do imposto na medida em que a interpretação do art. 11 da lei é no sentido de que a aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na industrialização, dá direito ao crédito do respectivo imposto sem condicionar tal direito ao pagamento do IPI na operação anterior. (...) 06 Idoneidade das notas fiscais emitidas pela Recofarma Porque consta de notas fiscais idôneas a referência expressa à isenção do art. 6º do DL nº 1.435, de 1975, base legal do art. 95, III, do RIPI/2010, a adquirente de boa fé tem direito ao crédito do IPI isento e, ao lançar e utilizar esse crédito, não pratica qualquer infração, consoante jurisprudência repetitiva e, pois, vinculatória para Administração. (...) 07 Utilização de saldo credor de período anterior Levando em conta o auto de infração do processo administrativo nº 15173.720004/201598, a autoridade fiscal entendeu ser indevida a utilização do saldo credor apurado no período anterior ao dos presentes autos. Ocorre que, contra o referido auto de infração, houve apresentação de impugnação. Logo, tendo em vista que a discussão administrativa referente ao PA nº 15173.720004/201598 ainda não está encerrada, a escrita fiscal não deve ser reconstituída até que seja confirmada a glosa do crédito. 08 Acréscimos legais Ao utilizar o crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, a impugnante agiu de acordo com a Resolução CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007. (...) 09 Exigência de multa Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 588 7 Também seria incabível a imposição de multa relativamente à infração “créditos indevidos” em razão do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Especificamente em relação às aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, a CSRF tem entendimento no sentido de reconhecer o crédito de IPI ao adquirente desses insumos desde 11/11/2002, conforme se verifica do Acórdão CSRF nº 0201.212. Referido acórdão: (i) foi proferido com o colegiado completo, (ii) é anterior aos fatos geradores ora questionados e (iii) não foi alterado até a presente data. A CSRF já decidiu que a multa de ofício decorrente de auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da glosa créditos desse imposto, es razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, no período de 2002 a 2015, deve ser excluída, por força do art. 486, II, a, do RIPI/2002 (correspondente ao art. 567, II, a, do RIPI/2010), cuja base legal é o art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual vincula todos os órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Redução de 50% nos créditos de IPI Caso seja reconhecido o crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos para fabricação do refrigerante Guaraná, esse deve ser restabelecido na sua integralidade, pois a redução de 50% mencionada pela Fiscalização não é aplicável a esses créditos. A condição para a aplicação da redução de 50% na alíquota dos concentrados é que estes atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente do Ministério. No presente caso, os concentrados não foram registrados no MAPA. 11 Alíquota de IPI na saída do Guarapan Pet 2/8 Ainda que incorreta a redução de 50% da alíquota do IPI na saída do refrigerante Guarapan Pet 2/8, caso o auto seja integralmente cancelado, não haverá valor de imposto a ser exigido, haja vista a existência de saldo credor suficiente para compensar eventuais débitos decorrentes de suposta redução incorreta. 12 Produtos não enquadrados nos conceitos de MP, PI ou ME A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos de produtos utilizados para assepsia. lubrificação, sanitização, limpeza em geral, filtragem, paletização dos produtos, etiquetação e embalagens. Todos esses produtos integram o processo produtivo do refrigerante, já que inerentes a sua produção. Em relação aos produtos utilizados para assepsia, sanitízação e limpeza em geral não há dúvida que são utilizados de forma obrigatória, inclusive, por exigências sanitárias. Quanto às embalagens de “bag in box”, como o próprio nome já indica, são utilizadas para embalar os produtos. O próprio Parecer Normativo CST nº 65, de 5 de novembro de 1979, concluiu que o conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam consumidos no processo de fabricação, exercem uma ação direta sobre o produto fabricado. Ao aplicar o entendimento do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, em caso em que foi parte outra fabricante de CocaCola, o CARF concluiu que os produtos empregados diretamente no processo de fabricação de refrigerantes para higienização da produção qualificamse como produtos intermediários. Citase a ementa do Acórdão nº 340200.517, de 18/03/2010. 13 Diferenças nos montantes de débitos de IPI A diferença de R$ 2.263,63 apurada em abril de 2014 não é devida. A nota fiscal nº 780392, emitida em 19/04/2014, foi cancelada. Quanto às diferenças apuradas em outubro de 2014, ainda que tenha havido o destaque do IPI nas notas fiscais e não tenham sido escriturados os respectivos Fl. 591DF CARF MF 8 valores, caso o auto de infração seja integralmente cancelado, não haverá valor de imposto a ser exigido, haja vista a existência de saldo credor suficiente para compensar eventuais débitos. 14 Juros sobre a multa de ofício A incidência de juros sobre a multa de ofício implica numa indireta majoração da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa. (...) Por fim, a interessada pugna pelo cancelamento do auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário exigido. É o relatório do essencial." (efls. 328/335 grifei) A Impugnação foi julgada integralmente improcedente, com a manutenção da autuação. A decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2014 a 31/12/2014 CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais deprodução regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. CRÉDITOS DE IPI. REDUÇÃO DE 50% EM RAZÃO DA NOTA COMPLEMENTAR NC (211) DA TIPI. Deve ser reduzida de cinqüenta por cento a aplicação das alíquotas do IPI relativas aos extratos concentrados para elaboração de refrigerantes, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos nos “ex” 01 e 02 do código 2106.90.10, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente do Ministério. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS NÃO COMPREENDIDOS NOS CONCEITOS DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. CRÉDITO INDEVIDO. As compras de materiais de limpeza e outros materiais não compreendidos no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem não legitimam o aproveitamento de créditos de IPI. APURAÇÃO DO IPI. SALDO CREDOR DE TRIMESTRES ANTERIORES OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NOS TRIMESTRES SEGUINTES. Saldo credor de trimestre anterior, objeto de pedido de ressarcimento efetuado no início do trimestre subsequente pelo seu valor integral, não poderá ser aproveitado na apuração do IPI do trimestre atual, sob pena de aproveitamento daqueles créditos em duplicidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2014 a 31/12/2014 APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração Tributária a respeito de determinada norma. Na situação, o critério considerado foi o da utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na fabricação dos concentrados, em todos os casos. A diferença entre os casos é de mera apuração dos fatos, se houve ou não a utilização de tais matériasprimas, e não de critério jurídico. DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. DECRETO Nº 2.346, DE 1997. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 589 9 As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100, CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. CONTRIBUINTE DE BOA FÉ. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2014 a 31/12/2014 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. DÉBITO DE IPI NÃO LANÇADO. PROVA DE FATOS. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 326/328) Intimada desta decisão em 09/09/2016, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 06/10/2016 alegando, em síntese: (i) a alteração de critério jurídico de forma retroativa, vez que no PTA n.º 15504.729713/201469 e nos despachos decisórios correspondentes, a autoridade aceitou o crédito de IPI glosado no presente Auto de Infração, decorrente da aquisição de concentrados utilizados para elaboração do refrigerante Guaraná; Fl. 593DF CARF MF 10 (ii) a validade do crédito tomado pela Recorrente com fulcro no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, vez que a fornecedora de concentrados de refrigerantes fabricados na Amazônia Ocidental (RECOFARMA) cumpre os requisitos para o gozo da isenção como atestado pela SUFRAMA em atos administrativos específicos. Sustenta que a RECOFARMA goza de isenção onerosa cujos requisitos foram atestados pela SUFRAMA, órgão competente para tanto; (iii) a necessidade de observância da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834; (iv) a possibilidade da tomada de crédito de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus com fulcro: (iv.1) no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso extraordinário n.º 212.484, que continuaria sendo aplicável após o julgamento proferido no RE n.º 566.819 enquanto não proferido o julgamento do RE n.º 592.891 em sede de repercussão geral; (iv.2) no art. 11 da Lei n.º 9.779/1999; (v) o fato da Recorrente ser adquirente de boafé dos produtos da RECOFARMA, por indicar nas notas fiscais que os concentrados por ela comercializados são amparados pela isenção do art. 95, III, do RIPI/2010; (vi) a necessidade de se aguardar o desfecho da discussão administrativa relativa aos pedidos de ressarcimento objeto do PTA n.º 15173.720004/2015 98 para a reconstituição da escrita do contribuinte; (vii) a impossibilidade de cobrança de multa, juros de mora e correção monetária nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN, vez que a Recorrente e a empresa fornecedora observaram atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (SUFRAMA). (viii) a necessidade de se afastar a multa aplicada em face do art. 76, II, 'a' da Lei n.º 4.502/64; (ix) a inaplicabilidade da redução de 50% dos créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos, vez que os concentrados para fabricação do refrigerante guaraná não foram registrados no MAPA pela fornecedora RECOFARMA; (x) o direito ao crédito sobre produtos utilizados para assepsia, lubrificação, sanitização, limpeza em geral, filtragem, paletização, etiquetação e embalagens, listados na Tabela B do Auto de Infração, por serem inerentes à produção de bebidas, tratandose de produtos intermediários que são consumidos no processo de fabricação; (xi) o descabimento da diferença de R$ 2.263,63 referente ao mês de abril/2014 em razão do cancelamento da nota fiscal n.º 780392 comprovada pelo registro do SPED acostado aos presentes autos na impugnação; (xii) da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, afirma que os valores dos créditos que não foram objeto de discussão específica deverão somente ser objeto de ajuste na escrita após o provimento do Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 590 11 Recurso Voluntário, vez que com o estorno da glosa realizada remanescerá saldo credor de IPI na escrita. Após contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, os autos foram direcionados para este Conselho. O processo foi incluído em parta de julgamento para o dia 28/06/2017. Contudo, diante da informação pela Recorrente da existência de fato novo que poderia alterar o resultado do julgamento do presente processo (petição das efls. 537/546), foi aberta vista para a procuradoria por meio do despacho das efls. 547/548. Após a manifestação da procuradoria (efls. 550/558), o processo retornou para ser incluído em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado, discutese no Recurso Voluntário os seguintes pontos objeto do Auto de Infração: I Glosa dos créditos de IPI tomados com fulcro no art. 237, do RIPI/2010, por descumprimento, pela empresa fornecedora RECOFARMA, dos requisitos do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975 (art. 95, III, do RIPI/2010); II Não obediência à redução de alíquota indicada na NC (211) da TIPI quando da tomada de créditos de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus (extratos concentrados para elaboração de refrigerantes que contenham extrato de sementes de guaraná) III Glosa de créditos básicos de produtos que não correspondem à matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (produtos utilizados para assepsia, lubrificação, sanitização, limpeza em geral, filtragem, paletização, etiquetação e embalagens, listados na Tabela B do Auto de Infração); e IV Cobrança de uma diferença de R$ 2.263,63 referente ao mês de abril/2014. Passaremos a análise de cada um destes pontos a seguir. I DO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS I.1 DA ISENÇÃO DO ART. 6º DO DECRETOLEI N.º 1.435/1975 E DO CRÉDITO DA RECORRENTE PREVISTO NO §1º DESTE DISPOSITIVO Neste ponto, adentrase na discussão travada nos presentes autos referente à glosa dos créditos de IPI tomados pela Recorrente na condição de adquirente de concentrados Fl. 595DF CARF MF 12 de refrigerantes fabricados pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., localizada IVna Zona Franca de Manaus. Como narrado pela fiscalização e como indicado nas notas fiscais emitidas pela referida empresa fornecedora, estes produtos, utilizados como insumos na produção de bebidas pela Recorrente, foram tratados como produtos isentos de IPI, tanto com fulcro nos artigos 7º e 9º do Decretolei n.º 288/67, como no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975. Contudo, no entendimento da fiscalização, a Recorrente não teria adimplido com os critérios ditados pelo referido dispositivo do Decretolei n.º 1.435/1975 e pelo art. 95, III, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n.º 7.212/2010 para a tomada de crédito de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Expressam os referidos dispositivos: Decretolei n.º 1.435/75 "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifei) RIPI/2010 "Art. 95. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e DecretoLei no 1.593, de 1977, art. 34)." (grifei) Como se depreende da disciplina normativa acima transcrita, para o gozo desta isenção, necessário que os produtos sejam produzidos em conformidade com os projetos aprovados pela SUFRAMA, com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. A Recorrente, na condição de adquirente dessas mercadorias utilizadas como matérias primas dos produtos por ela industrializados e comercializados com incidência de IPI (bebidas não alcoólicas), tomou o crédito do IPI na forma autorizada pelo art. 6º, §1º acima em destaque, reproduzido no art. 237 do RIPI/20101. 1 "Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o)." Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 591 13 Contudo, no entender da fiscalização, os produtos adquiridos pela Recorrente não estariam abrangidos pela isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, vez que a empresa fornecedora RECOFARMA teria descumprido as condições normativas para o seu gozo. Vejamos a expressão do Termo de Verificação Fiscal: "Juntamente com as informações elencadas acima, a diligenciada apresentou a Resolução SUFRAMA n°298, de 11/12/2007, e um DVD contendo informações sobre as Notas Fiscais emitidas para cada tipo de concentrado nos meses 05/2010, 11/2010, 07/2011 e 09/2012, tendo como adquirente a empresa Spal Industria Brasileira de Bebidas Ltda. No curso daquela ação fiscal a empresa foi novamente intimada a informar quais são os insumos utilizados na produção dos concentrados comercializados com a empresa Spal Industria Brasileira de Bebidas S/A que são considerados como matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, devendo informar também a origem dos produtos utilizados. A Recofarma enviou a seguinte resposta: No que se refere às matérias primas empregadas em cada concentrado, a Requerente informa que o Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação (DCRE), também já apresentado à presente fiscalização em resposta ao Termo de Intimação de DiligênciaFiscal 01, contém a relação de todos os insumos utilizados, sejam importados ou nacionais, e, neste último caso, aqueles produzidos a partir de produtos agrícolas regionais na Amazônia, ficando explicitado que estes últimos são: a cana de açúcar, utilizada para a produção do caramelo, do álcool neutro e do ácido cítrico; a semente de guaraná, utilizado ha produção do respectivo extrato. Notese que, pelo exame das referidas DCREs, vêse que, em todos e em cada um dos concentrados, há alguns desses componentes nacionais obtidos pela utilização de matériaprima regional, fornecidos pela Agropecuária Jayoro Ltda, agroindústria localizada no Município de Presidente Figueiredo – AM Mediante análise dos Demonstrativos de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação – DCREs (fls. 1294/1403 do eprocesso 10880.909581/201365), onde são relacionados os componentes nacionais e internacionais utilizados na elaboração dos referidos concentrados, verificouse que no concentrado de guaraná consta a utilização de semente de guaraná, produto agrícola de produção regional informado pela diligenciada. Entretanto, ao verificar as notas fiscais de venda da empresa Jayoro para Recofarma, constatamos que não são comercializadas sementes de guaraná, mas sim extrato de guaraná, tratandose, portanto, de produto industrializado (exemplo: nota fiscal 9872, de 09/07/2013 e 10737, de 09/12/2013). Nos demais concentrados, constatouse apenas a utilização de componentes industrializados, inclusive o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico, obtidos a partir da industrialização da cana de açúcar e fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda., conforme informou a diligenciada. A legislação citada inicialmente trata do benefício da isenção destinado ao produto (isenção objetiva), uma vez que a norma legal estatui, expressamente, a isenção para os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Conforme artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assim, matériaprima agrícola e extrativa vegetal não se confunde com matériaprima industrializada. As matériasprimas básicas utilizadas pela Recofarma na produção dos concentrados para refrigerantes são produtos industrializados e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Portanto, a aquisição desses concentrados Fl. 597DF CARF MF 14 não gera direito a crédito de IPI, previsto no artigo 237 do Regulamento do IPI, para a fiscalizada." (efls. 18/19 grifei) Assim, a fiscalização entendeu que uma condição imposta pela SUFRAMA à RECOFARMA teria sido descumpridas, ensejando na afastamento da isenção aplicada: a não utilização de matérias primas agrícolas e extrativistas vegetais (canadeaçúcar e semente de guaraná). Entretanto, a fiscalização extrapolou sua competência ao trazer elementos diferentes daqueles delimitados pela SUFRAMA na Resolução n.º 298/2007 e no Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007, este último acostado aos autos às efls. 185/196. Antes de adentrar especificamente no item entendido como descumprido pela fiscalização, importante primeiramente tecer breves considerações quanto aos limites da Receita Federal para a fiscalização dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus disciplinados pela SUFRAMA. Em seguida, partirei para a análise da exigência indicada como descumprida pela Receita Federal à luz das diretrizes fixadas pela SUFRAMA. I.1.1 DA COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL NA FISCALIZAÇÃO DOS INCENTIVOS FISCAIS DISCIPLINADOS PELA SUFRAMA. A Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA é uma autarquia criada pelo Decretolei n.º 288/1967, atualmente vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, à qual foi atribuída a administração da Zona Franca de Manaus ZFM. Atentandose em especial para a disciplina dos incentivos fiscais concedidos nesta área (e, posteriormente, na área da Amazônia Ocidental do Decretolei n.º 291/1967), observase que originariamente a atuação da SUFRAMA exigia o aval do Ministério da Fazenda, que igualmente participava do processo de aprovação dos projetos de industrialização passíveis de serem desenvolvidos naquela área e de gozarem dos incentivos fiscais. A disciplina originária igualmente se preocupava em garantir a competência do Ministério da Fazenda no controle da entrada e saída das mercadorias no âmbito da ZFM. É o que se depreende da disciplina do Decreto n.º 61.244/1967, que originariamente regulamentou o Decretolei n.º 288/1967: "Art 11. Estão isentas do impôsto sôbre produtos industrializados tôdas as mercadorias industrializadas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer a comercialização em qualquer ponto do território nacional. § 1º Os projetos para a produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias que pretendam gozar dos benefícios do Decretolei nº 28867 serão submetidos à aprovação da SUFRAMA, ouvido o Ministério da Fazenda, quanto aos aspectos fiscais, implicando em aprovação tácita a falta de manifestação dêsse Ministério no prazo de 30 (trinta) dias contados do pedido de audiência. § 2º Os projetos serão apresentados de conformidade com critérios e procedimentos estabelecidos pela SUFRAMA, mediante instruções aprovadas pelo Ministro do Interior. § 3º O Superintendente da SUFRAMA poderá rejeitar, de plano, ouvido o Conselho Técnico, os projetos que, visando a obtenção dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 28867, tenham por fim a produção, industrialização ou beneficiamento das mercadorias capituladas no parágrafo 1º do artigo 3º do referido Decretolei, inclusive as alterações supervenientes por Decreto (Decreto lei nº 28867 artigo 3º, parágrafo 2º). Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 592 15 Art 12. Tôda entrada de mercadoria nacional ou estrangeira na Zona Franca de Manaus fica sujeita ao contrôle da SUFRAMA, respeitada a competência legal atribuída á fiscalização aduaneira e de rendas internas do Ministério da Fazenda." (grifei) Especificamente quanto à análise de entrada das mercadorias nacional ou estrangeira, referenciada no art. 12 acima transcrito, constatase que o Ministério da Fazenda manteve seu controle na forma indicada no art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.º 203/2012, que disciplina o controle da entrada e saída de mercadorias da ZFM e das áreas da Amazônia Ocidental. Esse dispositivo, inclusive, é o único no regimento interno da Receita Federal que faz referência às essas áreas em específico: "Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) (...) § 3º Às Alfândegas Porto de Manaus e Aeroporto Internacional Eduardo Gomes compete ainda: I proceder ao despacho de internação de mercadorias da Zona Franca de Manaus para o restante do território nacional; II processar os pedidos de saída temporária para o restante do território nacional de bens ingressados na Zona Franca de Manaus com suspensão de tributos; e III controlar a saída da Zona Franca de Manaus de mercadorias nacionais nela ingressadas. § 4º Às DRF Boa Vista, Porto Velho, JiParaná, Rio Branco e Macapá compete ainda: I proceder ao despacho de internação de mercadorias da Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio para o restante do território nacional; II processar os pedidos de saída temporária para o restante do território nacional de bens ingressados na Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio com suspensão de tributos; e III controlar a saída da Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio de mercadorias nacionais nela ingressadas." (grifei) Por outro lado, no que concerne aos critérios e requisitos para a concessão de incentivos fiscais no âmbito da Zona Franca (referenciada no art. 11 do Decreto n.º 61.244/1967 acima transcrito), observase que com o transcorrer dos anos a influência do Ministério da Fazenda foi afastada por completo, com garantia de plena autonomia à SUFRAMA para tanto. Fl. 599DF CARF MF 16 Com efeito, como se depreende das disciplinas regulamentares trazidas nos Decretos n.º 2.566/1998, n.º 4.628/2003, n.º 6.372/2008 e até no atualmente vigente Decreto n.º 7.139/2010, a administração da concessão de incentivos fiscais é atribuída de forma exclusiva à SUFRAMA, independentemente, portanto, de qualquer aval do Ministério da Fazenda. Vejam se pela redação do art. 1º, VI, do Anexo I destes Decretos, todos com redação no mesmo sentido2: Art. 1o A Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, autarquia criada pelo DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tem como finalidade promover o desenvolvimento socioeconômico, de forma sustentável, na sua área de atuação, mediante geração, atração e consolidação de investimentos, apoiado em capacitação tecnológica, visando a inserção internacional competitiva, a partir das seguintes ações: (...) VI administrar a concessão de incentivos fiscais." (grifei) Sob essa perspectiva que os referidos Decretos atribuíram ao Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) a competência para aprovar "os projetos das empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais", bem como "estabelecer normas, exigências, limitações e condições" para estes projetos, sem depender de qualquer outro órgão, inclusive do Ministério da Fazenda (art. 3º, I, 'c', do Anexo I do Decreto n.º 2.566/1998 e art. 4º, I, 'c' do Anexo I dos Decretos n.º 4.628/2003, n.º 6.372/2008 e n.º 7.139/2010). Exatamente no exercício de sua competência, o CAS expediu a Resolução CAS n.º 202/2006, posteriormente revogada pela atualmente vigente Resolução CAS n.º 203/2012, com os requisitos para a aprovação dos projetos industriais para a concessão e gozo dos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental, dentre os quais aquele objeto desta autuação do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75. Esta disciplina normativa com os procedimentos de apresentação, análise, aprovação e acompanhamento de Projetos Industriais para fins de concessão dos incentivos fiscais evidenciam a autonomia da SUFRAMA no processo de aprovação e acompanhamento dos projetos, indicando expressamente que, quando comprovado por aquele órgão o inadimplemento dos requisitos para o gozo dos incentivos fiscais, a Receita Federal será devidamente notificada para que tome as providências cabíveis. Vejamos pelo teor da Resolução CAS n.º 202/2006, vigente à época da análise do projeto da RECOFARMA objeto deste processo (cujas disciplinas, nos pontos sob enfoque neste voto, não foram substancialmente alteradas pela Resolução CAS n.º 203/20123): "Art. 1º Os incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, concedidos a projetos industriais que objetivem a industrialização de produtos na Zona Franca de Manaus (ZFM), são os seguintes: I isenção do Imposto de Importação (II), relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo interno na ZFM; II redução do II, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira 2 Com excessão do Decreto n.º 2.566/1998, que trazia essa mesma previsão no inciso III do art. 1º do Anexo I. 3 A previsão de comunicação da Receita Federal do Brasil (RFB) após a comprovação da aferição indevida de incentivos fiscais é trazida no art. 55 desta Resolução CAS n.º 203/2012. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 593 17 utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo em outros pontos do território nacional; III isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo a produtos produzidos na ZFM destinados à comercialização em qualquer ponto do território nacional; IV isenção do IPI para os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; V crédito do IPI, calculado como se devido fosse, para o adquirente de produtos de que trata o inciso anterior, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto; e VI isenção do II e do IPI relativo a bens de capital destinados à implantação de projetos industriais. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica a armas, munições, fumo, bebidas alcoólicas, automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou toucador, preparados e preparações cosméticas, salvo quanto a estes se destinados, exclusivamente, a consumo interno na ZFM, ou quando produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais. (...) Art. 5º Os projetos submetidos à apreciação da SUFRAMA deverão atender, cumulativamente, aos seguintes objetivos e condições para a concessão e fruição dos benefícios fiscais: I atendimento aos limites anuais de importação de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II incremento da oferta de emprego na região; III concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; IV incorporação de tecnologias e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; V níveis crescentes de produtividade e competitividade; VI reinvestimento de lucros na região; VII investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico; e VIII atendimento ao Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para seus produtos. § 1º No caso de empresas cujo objeto seja a produção de bens e serviços de informática, além do atendimento do disposto neste artigo, deverá ser observada a legislação específica que trata dos investimentos compulsórios em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). § 2º Quando da apresentação de projeto de implantação, deverá ser apresentada cópia autenticada da Licença Prévia emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas IPAAM, órgão ambiental competente, do estado do Amazonas. (...) Art. 8º A SUFRAMA efetuará a análise de todos os projetos que atendam ao disposto no art. 5º desta Resolução devendo dar prioridade àqueles que apresentem: I produção de componentes, partes e peças, subconjuntos e materiais de embalagem destinados principalmente ao adensamento das cadeias produtivas do Pólo Industrial de Manaus; II programa de exportação; III aplicação em programas de Pesquisa e Desenvolvimento; IV maior geração de empregos por unidade de renúncia fiscal projetada; e Fl. 601DF CARF MF 18 V Índice de Desenvolvimento Regional IDR superior à média do subsetor ao qual a empresa pertença, de acordo com regulamentação estabelecida pela SUFRAMA, sendo: (...) Art. 10. Compete ao Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) deliberar acerca da aprovação dos projetos que visem o gozo dos incentivos de que trata o art. 1º, apresentados por empresa que se encontre em situação fiscal regular, mediante apresentação da Certidão de Regularidade Cadastral CRC junto à SUFRAMA ou das certidões negativas de débitos ou documento equivalente expedidos pelos órgãos competentes, nos termos da alínea d do art. 38 desta Resolução e cujos produtos possuam PPB previamente aprovado, nos termos do art. 4º, do Decreto nº 2.891/98. § 1º Excepcionalmente, em casos devidamente justificados, os projetos que não apresentem situação fiscal regular, mas que tenham apreciação favorável do CAS, desde que apresentem comprovação de regularidade no prazo de 60 (sessenta) dias, improrrogáveis, contados da data de apreciação do projeto pelo Conselho, poderão ter seus atos aprobatórios expedidos pela(o) Superintendente. § 2º As empresas que não atenderem ao prazo estipulado no parágrafo anterior somente poderão ter seus projetos incluídos em nova pauta do CAS mediante a regularização prévia de sua documentação e/ou cadastramento junto à SUFRAMA. § 3º A aprovação de projetos somente terá eficácia após a publicação do correspondente ato aprobatório no Diário Oficial da União (DOU). (...) Art. 58. A SUFRAMA enviará comunicado a Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre que comprovar que a empresa auferiu indevidamente dos incentivos fiscais administrados pela autarquia, descritos no art. 1º desta Resolução." (grifei) E aqui é importante salientar que a referência à necessidade de aprovação dos projetos pela SUFRAMA é igualmente depreendida da disciplina legal dos incentivos fiscais, tal como aquele objeto de análise nos presentes autos. Vejamos novamente o teor do dispositivo que respalda o incentivo fiscal condicionado sob análise (art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75): "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifei) Portanto, observase que a autoridade competente para identificar as condições para o gozo das isenções deferidas no âmbito da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental, na forma do caput do art. 179, do CTN, é a SUFRAMA, autoridade administrativa com personalidade jurídica própria, e não a Secretaria da Receita Federal do Brasil: "Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o Fl. 602DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 594 19 interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...)." (grifei) Em outras palavras, o despacho da autoridade administrativa necessário à concessão das isenções onerosas ou condicionadas relativas à ZFM e à Amazônia Ocidental, a que se refere o art. 179, do CTN, é a SUFRAMA, à quem a legislação atribuiu competência específica. Por conseguinte, cabe aos demais órgãos administrativos, dentre os quais a Secretaria da Receita Federal do Brasil, observar as condições delineadas por aquela autoridade administrativa específica. Em conformidade com a disciplina trazida pelo CAS nas Resoluções n.º 202/2006 e 203/2012, os projetos apresentados pelos sujeitos passivos visando ao gozo dos incentivos fiscais, após a apreciação da Superintendência, são aprovados por ato do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) devidamente publicado no Diário Oficial. No presente caso, à luz da Resolução CAS n.º 202/2006, após solicitação da empresa fornecedora da Recorrente (RECOFARMA) da renovação de seu projeto para o gozo dos incentivos fiscais, foi proferido Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007 pela Superintendência Adjunta de Projetos da SUFRAMA (efls. 185/196), devidamente aprovado pelo CAS por meio da Resolução n.º 298/2007, com validade até 05/10/2023. Nesse sentido, a fiscalização da Receita Federal quanto aos incentivos fiscais sob análise é restringida pelos despachos administrativos proferidos pela SUFRAMA que o concedem (Parecer Técnico de Projeto e Resolução CAS). Portanto, não pode a fiscalização da Receita Federal se dissociar dos termos identificados pela SUFRAMA nestes documentos. Importante frisar que não se nega de qualquer forma o poderdever da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil de proceder com a análise da validade dos incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA no âmbito da ZFM e da Amazônia Ocidental, com fulcro no art. 37, XVIII da Constituição Federal. Contudo, o que não se admite é que a fiscalização ultrapasse os termos dos despachos administrativos de concessão dos incentivos fiscais, para trazer requisitos outros além daqueles disciplinados pela SUFRAMA, como órgão competente. O próprio dispositivo constitucional mencionado é claro ao limitar a atuação da administração fazendária "dentro de suas áreas de competência"4. E aqui essencial enfatizar que para que seja atestado o descumprimento das condições, a SUFRAMA traz procedimentos administrativos específicos, com a emissão em uma periodicidade de 3 (três) anos dos Relatórios de Acompanhamento de Projetos (RAP) e com a possibilidade de vistorias técnicas a qualquer tempo. É o que se extrai da Resolução CAS n.º 203/2012 atualmente vigente: "CAPÍTULO V DA AVALIAÇÃO DOS PROJETOS Art. 42. A SUFRAMA emitirá a cada três anos, ou sempre que necessário, por amostragem, Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP), relativo aos 4 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;" (grifei) Fl. 603DF CARF MF 20 produtos ativos (não cancelados) com projetos aprovados por suas respectivas empresas junto ao Conselho de Administração da SUFRAMA. § 1º O RAP deverá conter a relação de produtos ativos das empresas, com a situação atualizada de cada um no que diz respeito aos Laudos de Operação e de Produção, à entrega do LTAI e dos indicadores de desempenho, à adimplência em relação à Certificação da qualidade, além de dados atualizados de produção, mão deobra, faturamento, investimentos em máquinas e equipamentos, concessão de benefícios sociais aos trabalhadores, investimentos na formação e capacitação de recursos humanos, e, se for o caso, volume de exportações e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. § 2º O RAP deverá conter ainda, a análise dos desvios em relação às metas originais e aos compromissos assumidos pelas empresas quando da aprovação de seus projetos, bem como proposições para cancelamento de projetos e/ou alterações nas resoluções aprobatórias. § 3º A SUFRAMA, quando da emissão do RAP, deverá inspecionar in loco as instalações da empresa, devendo neste momento ser atestado o cumprimento e manutenção das disposições constantes nos Laudos de Operação e de Produção emitidos, além de verificar as informações prestadas nos LTAIs apresentados. § 4º A SUFRAMA deverá submeter à apreciação do CAS na primeira reunião do exercício subseqüente, a consolidação das informações contidas nos RAPs emitidos durante o ano imediatamente anterior. § 5° A SUFRAMA, durante a fase de elaboração do RAP, sempre que houver necessidade, poderá solicitar da empresa dados, informações e/ou documentos contábeis que venham a comprovar o cumprimento de metas estabelecidas em projeto, devendo a documentação requerida, devidamente assinada pelo contador e pelo representante legal da empresa, ser entregue no prazo previamente estabelecido pelo setor competente. CAPÍTULO VI DA VISTORIA TÉCNICA Art. 43. A qualquer tempo a SUFRAMA poderá realizar vistoria técnica nas empresas com projeto aprovado, com a finalidade de verificar, para fins de manutenção ou cancelamento dos benefícios fiscais, o exato cumprimento dos termos e condições estabelecidos nesta Resolução e demais condições legais pertinentes. Art. 44. A empresa deverá permitir aos servidores da SUFRAMA ou a seu serviço, devidamente identificados e credenciados, amplo, geral e irrestrito acesso a quaisquer de suas instalações fabris, bem como aos livros, demonstrações contábeis, fiscais e sistemas de informações, informatizadas ou não, para efeito de emissão dos Laudos de Operação e de Produção e para realização das vistorias técnicas. Parágrafo único. A empresa deverá manter seus documentos organizados de maneira a facilitar seu manuseio e conferência por ocasião das visitas técnicas ou demais acompanhamentos realizados pela SUFRAMA." (grifei) Dessa forma, a autoridade competente para avaliar o cumprimento das condições das isenções deferidas por meios dos projetos específicos é a SUFRAMA, não cabendo à Receita Federal fugir à esse procedimento e trazer condições diversas àquelas estabelecidas pelo órgão competente. A restrição da atuação fiscal da Receita Federal quanto aos incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA já foi externada em distintas oportunidades pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF e pelas câmara ordinárias5. Vejamos, a título de exemplo, algumas manifestação da CSRF: 5 Recomento a leitura da declaração de voto da Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões no Acórdão nº 3301.003.005, que foi contundente nesse sentido (Processo nº 15504.729713/201469. Sessão de 22 de junho de 2016) Fl. 604DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 595 21 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/06/1998 a 31/12/1998 IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o DecretoLei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Especial do Procurador Negado." (Número do Processo 10283.009636/200131 Data da Sessão 14/11/2013 Relator RODRIGO CARDOZO MIRANDA Nº Acórdão 9303002.664 Unânime grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 20/10/2004 POSSIBILIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO DA ETAPA PREVISTA NA LETRA “H’” DO ARTIGO 1° DA PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 185/93, PARA EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Não cabe restringir a possibilidade de terceirização à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus e com projeto aprovado pela SUFRAMA, para o gozo do benefício de isenção do IPI, quando a norma pertinente não o faz expressamente e o órgão responsável pela concessão do processo produtivo básico autorizou a terceirização da etapa “h” nesses termos. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 10283.007961/200754 Data da Sessão 27/04/2016 Relator(a) VANESSA MARINI CECCONELLO Nº Acórdão 9303003.825 grifei) Nesse sentido, a fiscalização da Receita Federal, quanto à análise de incentivos fiscais concedidos pela SUFRAMA, não possui ampla liberdade para a identificação dos parâmetros de atuação do contribuinte para o gozo dos incentivos, devendo se ater às condições identificadas nos documentos expedidos pela SUFRAMA, quais sejam, Parecer Técnico de Projeto e Resolução CAS de aprovação. Fixada essa premissa, passamos à análise do trabalho fiscal feito nos presentes autos. I.1.2 OS ATOS DE CONCESSÃO DO INCENTIVO FISCAL PELA SUFRAMA E AS EXIGÊNCIAS DA RECEITA FEDERAL NO PRESENTE CASO Como visto, a fiscalização entendeu que um requisito teria sido descumprido pela RECOFARMA, empresa fornecedora da Recorrente, para o gozo do incentivo fiscal do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75: a não utilização de matérias primas agrícolas e extrativistas vegetais. Vejamos novamente as razões trazidas pela fiscalização: "Mediante análise dos Demonstrativos de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação – DCREs (fls. 1294/1403 do eprocesso 10880.909581/201365), onde são relacionados os componentes nacionais e internacionais utilizados na elaboração dos referidos concentrados, verificouse que no concentrado de guaraná consta a utilização de semente de guaraná, produto agrícola de produção regional Fl. 605DF CARF MF 22 informado pela diligenciada. Entretanto, ao verificar as notas fiscais de venda da empresa Jayoro para Recofarma, constatamos que não são comercializadas sementes de guaraná, mas sim extrato de guaraná, tratandose, portanto, de produto industrializado (exemplo: nota fiscal 9872, de 09/07/2013 e 10737, de 09/12/2013). Nos demais concentrados, constatouse apenas a utilização de componentes industrializados, inclusive o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico, obtidos a partir da industrialização da cana de açúcar e fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda., conforme informou a diligenciada. (...) As matériasprimas básicas utilizadas pela Recofarma na produção dos concentrados para refrigerantes são produtos industrializados e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Portanto, a aquisição desses concentrados não gera direito a crédito de IPI, previsto no artigo 237 do Regulamento do IPI, para a fiscalizada." (efl. 19 grifei) Entretanto, no ato de concessão desse incentivo à RECOFARMA (Resolução CAS n.º 298/2007 e Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007), esta condição, da forma como apontada pela fiscalização na presente autuação, não foi trazida pela SUFRAMA. De fato, a fiscalização da Receita Federal ultrapassou de sua competência por impor uma nova condição para o gozo da isenção onerosa sob análise, diferente das condições fixadas pelo órgão competente da SUFRAMA. Com efeito, em atenta análise do Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007, observase que a SUFRAMA, quando da aprovação do Projeto industrial da RECOFARMA, já consignava que as matérias primas regionais a serem utilizadas no processo produtivo seriam em forma de açúcar (cristal ou mascavo) e extrato de guaraná, e não a própria cana de açúcar e semente de guaraná como exigido pela Receita Federal. Vejamos os exatos termos do Projeto (efl. 187): Fl. 606DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 596 23 A menção às "matériasprimas regionais" foi indicada exatamente para o gozo da isenção contestada pela fiscalização nos presentes autos, do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, indicada no item 4 do referido parecer: Mais adiante, ao tratar especificamente do percentual de origem dos insumos, a SUFRAMA indica que os produtos serão compostos por insumos regionais, insumos nacionais e insumos importados. Naquela oportunidade, indicase uma nota para esclarecer quais seriam os insumos regionais, indicando que "na elaboração do produto CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS para o modelo de referencia 'concentrado para bebidas refrigerantes de sabor de cola', será utilizada a matériaprima regional açúcar (cristal e mascavo) processado no interior do Estado. E para outros tipos do produto utilizase também a maláriaprima regional extrato de guaraná. " (efl. 195 grifei): Portanto, vislumbrase com clareza que a fiscalização faz uma restrição que ultrapassa o projeto aprovado pela SUFRAMA, indevidamente exigindo que as matérias primas sejam utilizadas pela RECOFARMA em seu estado natural. Ora, a SUFRAMA identifica com clareza em seu parecer que o açúcar e o extrato de guaraná devem ser admitidos como matérias primas regionais suficientes ao adimplemento do projeto e ao gozo do incentivo fiscal, não cabendo à Receita Federal restringir esse entendimento do órgão competente. Desta forma, a fiscalização, em contrariedade à orientação ditada pela SUFRAMA, órgão competente para a concessão dos incentivos fiscais sob análise, inova quanto aos requisitos necessários para o gozo da isenção prevista art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, o que não se pode admitir. Considerando os termos definidos pela autoridade administrativa competente no despacho de concessão do incentivo fiscal sob análise (SUFRAMA Resolução CAS n.º Fl. 607DF CARF MF 24 298/2007 e Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007) inexiste qualquer incongruência técnica ou fática suscetível à afastar o gozo da isenção. E esse fato foi atestado pela própria SUFRAMA por meio dos ofícios de 26 de setembro de 2014 (efls. 198/199) e 28 de agosto de 2015 (efls. 482/483), nos quais o Superintendente Adjunto de Projetos da SUFRAMA atesta: "1. Em atendimento ao expediente protocolado nesta Autarquia sob o n° 006268, de 24/07/2014, informamos que a RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., com sede nesta cidade à Avenida Buriti, n° 190 — Distrito Industrial, devidarnente habilitada nesta Suframa sob n° 20.0567.012, na presente data ESTÁ REGULAR EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NO PROJETO TÉCNICO ECONÔMICO INDUSTRIAL DE ATUALIZAÇÃO, aprovado peta Resolução do Conselho de Administração da Suframa (CAS) n° 298, de 11/12/2007, nos termos do Parecer Técnico de Projeto N° 224/2007SPR/CGPRUCOAP1 — único em vigência, comprovados de acordo com os seguintes instrumentos, em conformidade com Resolução CAS n° 203, de 10 de dezembro de 2012 (revogou a Resolução CAS n° 202, de 17/05/2006), especificamente: no que se refere aos seguintes parâmetros: Dados do Produto: CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS — Cód. Suframa 0653." (Ofício n.º 3638 SPR/CGAPI/COPIN efl. 198 grifei) "1. (...) c) E, com base ainda no que determinada a Resolução n.º 203/2012, art. 44 e como instrumento interno de acompanhamento e fiscalização da Suframa que abrange a verificação do cumprimento pela empresa de toda a legislação vigente no Polo Industrial de Manaus (PIM), bem como os parâmetros dispostos em seu projeto industrial, foi emitido o Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP) n.º 0090/2010SPR/CGAPI/COAUP, não sendo encontradas, na ocasião de sua emissão, ressalvas e divergências em relação aos compromissos assumidos quando da aprovação do referido projeto. 2. Por fim, ressaltamos em relação ao "demonstrativo" que se refere no parágrafo acima, exigido para os fabricantes beneficiados com os incentivos fiscais dispostos no Decretolei n.º 1.435, de 16/12/1975, este faz parte integrante do LP, que consideramos como comprovações, para fins de análises, a apresentação de notas fiscais de aquisição de matéria prima regional, que seja compatível com o previsto no respectivo projeto, no caso, o item II do art. 4º da Res. 298/2007. (...)" (Ofício n.º 4215 COPIN/CGAPI/SPR efls. 482/483 grifei) Assim, a autoridade administrativa competente para a definição das condições para o gozo da isenção sob análise atestou a regularidade da empresa fornecedora da Recorrente RECOFARMA, não cabendo ao fiscal da Receita Federal trazer critérios diversos daqueles previstos pela autoridade para buscar atribuir uma situação de irregularidade da isenção que, de fato, inexiste, em descumprimento do procedimento e da competência regulamentar pertinente para o incentivo fiscal específico sob análise. Aqui importante mencionar que, ao contrário do que pretendeu a fiscalização, as isenções onerosas ou condicionadas não podem ser livremente suprimidas, em conformidade com a Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal. Necessário que se observe a disciplina legal e normativa aplicável à hipótese para que sejam afastadas as condições. No presente caso, ao ignorar o cumprimento das condições atestadas pelo órgão competente (SUFRAMA), a Receita Federal foge ao seu poder regulamentar para trazer exigências não identificadas pelo órgão competente, em clara afronta ao princípio da segurança jurídica, em seu viés subjetivo da proteção da confiança. Nas palavras de Humberto Ávila: "Os atos administrativos individuais. dirigidos a determinados contribuintes, criam uma 'relação de confiança', na medida em que conotam uma Fl. 608DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 597 25 'pessoalidade'. A maior proximidade entre o Poder Público e o cidadão também instaura um compromisso entre eles e, por consequência, gera um dever de lealdade: o descumprimento de um compromisso é causa de deslealdade, a seu turno violadora do princípio da moralidade administrativa. Exatamente em decorrência dessa proximidade é que se fala, no caso dos atos e dos contratos administrativos, em dever de boafé administrativa: a relação de proximidade entre Estado e contribuinte cria deveres recíprocos de lealdade que restringem ou que atenuam as próprias exigências de legalidade e de previsibilidade." (grifei)6 Nesse sentido, à luz do art. 179, do CTN e da disciplina normativa aplicável ao incentivo fiscal do art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, entendo que a fiscalização no caso em tela invadiu competência regulamentar atribuída à SUFRAMA, trazendo requisitos diversos para o gozo da isenção, o que não se pode admitir. Desta forma, confirmado o cumprimento das condições pela SUFRAMA, entendo ser válida a isenção da empresa RECOFARMA. Por conseguinte, descabida a glosa dos créditos da Recorrente, que corretamente e com fulcro nos atos administrativos competentes emitidos pela SUFRAMA, tomou o crédito com fulcro no art. 237, do RIPI/2010, devendo ser cancelada a autuação neste ponto. Neste tópico eu busquei enfrentar o principal fundamento da autuação quanto a glosa dos créditos tomados pela Recorrente em suas aquisições de produtos da Zona Franca de Manaus. Contudo, na hipótese de sair vencida neste ponto, adentro nos demais argumentos de mérito desenvolvidos pela Recorrente para a garantia da tomada do crédito, o que passo a realizar a seguir. I.1.3 DA CONDIÇÃO DA EMPRESA DE ADQUIRENTE DE BOAFÉ Como visto, considerando os termos definidos pela autoridade administrativa competente no despacho de concessão do incentivo fiscal sob análise (SUFRAMA Resolução CAS n.º 298/2007 e Parecer Técnico de Projeto n.º 224/2007) observase que a Recorrente, como adquirente, não poderia identificar qualquer incongruência técnica ou fática suscetível à afastar o gozo da isenção. Com efeito, como dito, a regularidade no processo produtivo básico da fornecedora da Recorrente foi inclusive atestado pela própria SUFRAMA por meio dos ofícios de 26 de setembro de 2014 (efls. 198/199) e 28 de agosto de 2015 (efls. 482/483), nos quais o Superintendente Adjunto de Projetos da SUFRAMA atesta: "1. Em atendimento ao expediente protocolado nesta Autarquia sob o n° 006268, de 24/07/2014, informamos que a RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., com sede nesta cidade à Avenida Buriti, n° 190 — Distrito Industrial, devidarnente habilitada nesta Suframa sob n° 20.0567.012, na presente data ESTÁ REGULAR EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NO PROJETO TÉCNICO ECONÔMICO INDUSTRIAL DE ATUALIZAÇÃO, aprovado peta Resolução do Conselho de Administração da Suframa (CAS) n° 298, de 11/12/2007, nos termos do Parecer Técnico de Projeto N° 224/2007SPR/CGPRUCOAP1 — único em vigência, comprovados de acordo com os seguintes instrumentos, em conformidade com Resolução CAS n° 203, de 10 de dezembro de 2012 (revogou a Resolução CAS n° 202, de 17/05/2006), especificamente: no que se refere aos seguintes parâmetros: Dados do Produto: CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS — Cód. Suframa 0653." (Ofício n.º 3638 SPR/CGAPI/COPIN efl. 198 grifei) 6 ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 473474 Fl. 609DF CARF MF 26 "1. (...) c) E, com base ainda no que determinada a Resolução n.º 203/2012, art. 44 e como instrumento interno de acompanhamento e fiscalização da Suframa que abrange a verificação do cumprimento pela empresa de toda a legislação vigente no Polo Industrial de Manaus (PIM), bem como os parâmetros dispostos em seu projeto industrial, foi emitido o Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP) n.º 0090/2010SPR/CGAPI/COAUP, não sendo encontradas, na ocasião de sua emissão, ressalvas e divergências em relação aos compromissos assumidos quando da aprovação do referido projeto. 2. Por fim, ressaltamos em relação ao "demonstrativo" que se refere no parágrafo acima, exigido para os fabricantes beneficiados com os incentivos fiscais dispostos no Decretolei n.º 1.435, de 16/12/1975, este faz parte integrante do LP, que consideramos como comprovações, para fins de análises, a apresentação de notas fiscais de aquisição de matéria prima regional, que seja compatível com o previsto no respectivo projeto, no caso, o item II do art. 4º da Res. 298/2007. (...)" (Ofício n.º 4215 COPIN/CGAPI/SPR efls. 482/483 grifei) Assim, ainda que se entenda que a Receita Federal possui competência para revisar as manifestações da SUFRAMA (o que cogito aqui apenas de forma subsidiária), observase que a Recorrente se respaldou em pronunciamento de autoridade administrativa com competência para aprovar e rejeitar os projetos produtivos básicos, que inclusive atestou a regularidade da isenção concedida aos produtos comercializados por sua fornecedora. Neste contexto, por se respaldar nos documentos fornecidos pela SUFRAMA para confirmar a validade da isenção concedida ao seu fornecedor, a Recorrente se mostrou como uma verdadeira adquirente de boa fé, cujo crédito aproveitado deve ser garantido, em entendimento análogo ao que foi firmado pelo STJ em sede de repercussão geral no Recurso Especial n.º 1.148.444, para o ICMS, em se tratando de notas fiscais inidôneas. Como consignado naquela oportunidade, "a responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco": "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Fl. 610DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 598 27 Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (STJ, REsp 1148444/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010 grifei) Ora, com efeito, quando da realização das operações a Recorrente estava respaldada em documentos que atestavam a regularidade da isenção concedida ao seu fornecedor, tendo corretamente fundado sua tomada de crédito com base nos documentos da SUFRAMA. O raciocínio específico para o IPI do adquirente de boa fé, com a garantia do crédito para aquele que toma o crédito considerando os documentos fornecidos, já foi delineado pelo STJ: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 80 DA LEI Nº 4.502/64. PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. IPI. SAÍDA DO PRODUTO DO ESTABELECIMENTO COM SUSPENSÃO DO TRIBUTO. DECLARAÇÃO EMITIDA PELO ADQUIRENTE. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO VENDEDOR. INTELIGÊNCIA DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/02. 1. Discutese nos autos a possibilidade de responsabilizar o vendedor pela utilização indevida do regime de suspensão do IPI, quando a empresa adquirente, embora apresente a declaração legalmente exigida de que faz jus ao benefício (art. 29, § 7º, II, da Lei nº 10.637), não preenche os requisitos legais para tanto. (...) 6. O inciso II do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/02 incumbiu as empresas adquirentes da obrigação de declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. 7. No regime de suspensão do IPI, nem a lei de regência, nem a legislação complementar tributária delegaram ao vendedor a incumbência de verificar a Fl. 611DF CARF MF 28 veracidade da declaração prestada pelo adquirente, de forma que não pode a autoridade fiscal responsabilizar o vendedor por não ter adotado cautelas para conferir se o estabelecimento adquirente atendia ou não aos requisitos para o gozo do benefício. É que não cabe a atribuição de outros encargos à empresa vendedora, se não há normativa expressa nesse sentido. Com efeito, as obrigações acessórias decorrem da legislação tributária (art. 113, § 3º, CTN), não podendo o Fisco exigir outras prestações que ache necessárias se não há amparo na legislação tributária (leis, tratados ou convenções internacionais, decretos e normas complementares art. 96 do CTN). 8. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé (art. 422 do Código Civil), de forma que a celebração de negócio jurídico pressupõe a confiança no comportamento legítimo das partes, de modo que se uma delas se conduz de forma indevida ou ilegal, quebrando a confiança que lhe foi depositada, a parte que atuou segundo o princípio da boafé objetiva não pode ser penalizada pelo comportamento antijurídico da outra, sob pena de subverter a própria atividade comercial e, em última análise, o vetusto conceito de justiça segundo o qual se deve dar a cada um o que lhe é devido, inclusive em relação à distribuição equânime dos ônus que devem ser imputados a cada parte. 9. Recurso especial conhecido e parcialmente provido para desconstituir o crédito tributário e anular o auto de infração que aplicou à recorrente a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64." (STJ, REsp 1528524/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2015, DJe 28/08/2015 grifei) Cumpre mencionar que, no presente caso, uma vez que a documentação na qual se respaldou o contribuinte foi emitida pela própria administração pública (SUFRAMA), não é relevante o fato da Recorrente integrar ou não o mesmo grupo econômico da fornecedora (apesar de não ter vislumbrado nos autos qualquer indício dessa conexão na condição de grupo). Ora, cada pessoa jurídica possui os seus próprios controles de produção, controles fiscais e controles contábeis, sendo certo que a fornecedora da Recorrente estava amparada por documentos emitidos pela SUFRAMA atestando a regularidade de sua produção e das atividades desenvolvidas para fins do gozo da isenção. E os documentos indicavam expressamente que as condições eram adimplidas para fins do gozo da isenção cujo crédito é objeto desse processo. Assim, entendo que neste caso, ainda que não se entenda pela incompetência da Receita Federal para rever os critérios definidos pela SUFRAMA, a Recorrente se respaldou em documentação fornecida por aquele órgão que atestava a regularidade da empresa fornecedora, sendo verdadeira adquirente de boa fé cujo crédito deve ser preservado. I.2 DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DA RECORRENTE Como mencionado acima, a isenção nas aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus pela Recorrente, além de encontrar amparo no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975 (cujas condições foram acima enfrentadas), era igualmente fundamentada nas notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no art. 81, II, do RIPI/2010, que expressam: Decretolei n.º 288/1967 "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu Fl. 612DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 599 29 consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)" (grifei) RIPI/2010 "Art. 81. São isentos do imposto (DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9o, e Lei no 8.387, de 1991, art. 1o): (...) II os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (Posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matérias primas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico;" (grifei) Atentandose para a presente ação fiscal, observase que a fiscalização, não obstante transcreva o referido art. 81 do RIPI/2010, se ateve a verificação dos requisitos do já mencionado art. 6º do Decretolei n.º 1.435/1975 ("matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional"), não adentrando especificamente nos requisitos do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 ("matériasprimas da fauna e flora regionais"). Com efeito, ao tratar da possibilidade da tomada do crédito do IPI na aquisição dos insumos isentos adquiridos com base no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, a fiscalização afirmou a inaplicabilidade na hipótese da coisa julgada firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834 impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), no qual foi reconhecido o direito ao crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na forma do referido artigo 9º do Decretolei n. 288/67. O provimento, transitado em julgado em 02/12/1999, foi proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região na Apelação n.º 9602060506, ementado nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS MATÉRIA PRIMA PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO PRECEDENTES JUDICIAIS. 1. CABENTE O CREDITAMENTO DO VALOR DO IPI QUE, EM RAZÃO DE ISENÇÃO, DEIXOU DE SER TRIBUTADO EM OPERAÇÃO ANTERIOR, PARA QUE SE DÊ PLENO ALCANCE AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DE NÃO CUMULATIVIDADE, ENUNCIADO SEM RESTRIÇÕES PARA ESSE IMPOSTO. 2. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO." (TRF2, Primeira Turma, Relatora Desembargadora Federal Julieta Lidia Lunz Relator para Acórdão Desembargador Federal Ney Fonseca Data Decisão: 28/04/1998, Data Publicação: 25/08/1998 grifei) Fl. 613DF CARF MF 30 Ao tratar desse Mandado de Segurança Coletivo, indicou o Termo de Verificação Fiscal que seria aplicável o art. 2ºA da Lei n.º 9.494/97: " 4.1 Do Mandado de Segurança Coletivo n° 91.00477834 Em atendimento à intimação contida no TIPF, foi informada a existência de decisão judicial referente ao Mandado de Segurança Coletivo n° 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola, da qual o contribuinte é associado. Documentos referentes à ação judicial já haviam sido apresentados no curso de fiscalização anterior (MPF 06.1.01.002013005642 e 06.1.01.002014005760) e encontramse juntados às fls. 1081 a 1181 do eprocesso 10880.909581/201365. Analisando tais documentos verificamos que a referida ação mandamental assegura aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola AFBCC o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de matériaprima isenta (concentrado código 2106.90 da TIPI) adquirida de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizada na industrialização de seus produtos tributados. O trânsito em julgado ocorreu em 02/12/1999. A ação foi impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, na Justiça Federal RJ – 22ª Vara. À época da propositura da ação judicial, 14/08/1991, a fiscalizada estava domiciliada no município de São Paulo/SP, fora da competência territorial do TRF da 2ª Região, que abrange os Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. A Lei 9.494/1997, no artigo 2ºA, define a abrangência da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, nos seguintes termos: Lei 9.494/1997 Art. 2º A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) Portanto, conforme artigo 2ºA da Lei 9.494/1997, os efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 não se aplicam à Spal.." (efls. 15/16 grifei) Observase, assim, que a fiscalização não adentra especificamente nos requisitos de validade da isenção do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, afastando a possibilidade da tomada do crédito exclusivamente em razão da não extensão dos efeitos da coisa julgada do Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834 à Recorrente. Ora, considerando os fatos narrados pela fiscalização e as notas fiscais acostadas aos autos, observase que a Recorrente possui dois fundamentos autônomos para a tomada do crédito nas aquisições de produtos isentos da Zona Franca de Manaus: (i) a autorização legal trazida no art. 6º, §1º do Decretolei n.º 1.435/1975 nas condições por ele previstas que, no entender da fiscalização, teriam sido descumpridas pela fornecedora da Recorrente (enfrentados no item anterior, mas vencidos por essa turma); e (ii) a autorização judicial firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, considerando a isenção dos produtos provenientes da Zona Franca de Manaus com fulcro no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 (vez que, para esta isenção específica, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI). Como visto, as condições trazidas por este dispositivo não foram enfrentadas pela fiscalização no fundamento Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 600 31 da autuação, que faz referência, apenas, aos requisitos do Decretolei n.º 1.435/1975. Contudo, cumpre aqui confirmar se a autorização judicial de tomada de crédito firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834 se aplica à Recorrente, que figurava como uma das associadas da AFBCC à época da impetração. Como visto, sustenta a fiscalização que os efeitos dessa decisão não se aplicam a Recorrente pelo fato de ela não estar localizados no Rio de Janeiro, onde a ação foi proposta, em razão da previsão do art. 2ºA da Lei n.º 9.494/1997, incluído pela Medida Provisória n.º 2.18035/2001. Tratase de questão cuja apreciação não é novidade nessa turma, que já apreciou em decisões em sua composição anterior. Com efeito, a impossibilidade da aplicação do mandado de segurança coletivo às associadas da AFBCC localizadas fora do Rio de Janeiro era reiteradamente invocada neste CARF sob o entendimento da necessidade de se aplicar a restrição territorial do art. 2ºA da Lei n.º 9.494/97 com fulcro no entendimento proferido pelo Ministro Gilmar Mendes na Reclamação n.º 7.7781/SP, em ação proposta por outra associada da ABFCC. É o que evidencia a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no voto proferido no Acórdão n.º 3402003.067, de 17/05/2016: "Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos, constato que fornecedora dos insumos, informava nas notas fiscais de saída que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos do IPI por força dos artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma (fornecedor das mercadorias ao Contribuinte) usufruiu tanto da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (artigo 9º do DecretoLei nº 288/67), quanto da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75). Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito ao crédito de IPI ora sob análise (artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75), cumpre avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor do contribuinte. Isto porque no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que o Contribuinte alega fundar seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decretolei n. 288/67, haja vista que, para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI. Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende o Contribuinte que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, Fl. 615DF CARF MF 32 depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos." (grifei) Contudo, a decisão proferida nesta Reclamação 7.778 do STF não mais é eficaz vez que, como noticiado pela Recorrente no processo (efls. 537/546), ela foi extinta por perda de objeto. Isso porque, a decisão que deu origem à reclamação foi reformada pelo Superior Tribunal Justiça no Recurso Especial n.º 1.438.361, no qual foi reconhecido que a decisão de mérito proferida no Mandado de Segurança Coletivo é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Com o trânsito em julgado desse acórdão do STJ em 23/02/2017, a Reclamação n.º 7.778 foi julgada extinta pelo STF. Essa perda de eficácia da decisão proferida na Reclamação n.º 7.778 foi devidamente considerada pelo Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco nos Acórdãos n.º 3401004.243 e 3401004.244 de 26/10/2017, nos quais, por unanimidade de votos, com fulcro na coisa julgada do mandado de segurança coletivo, foi dado provimento ao Recurso Voluntário da empresa associada da AFBCC para garantir o direito ao crédito na aquisição dos produtos isentos. É o que se depreende do primeiro acórdão referenciado, no qual as decisões judiciais acima mencionadas são expressamente transcritas: "12. O segundo fato superveniente à decisão foi a decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, em 18/08/2017, da extinção da Reclamação nº 7.778, em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 601 33 conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publiquese. Brasília, 11 de maio de 2017. Ministro Gilmar Mendes Relator 13. A decisão em referência transitou em julgado em 18/08/2017, como se denota da seguinte certidão: 14. Tais fatos supervenientes devolvem a questão ao conhecimento deste colegiado, uma vez que são prejudiciais ao objeto da Resolução, que se prestou a sobrestar o processo a fim de aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca do mérito, inacessível ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão administrativo, a partir do reconhecimento judicial da coisa julgada. Devolvemna, no entanto, unicamente para que se reconheça a superveniência da decisão judicial no sentido da aplicação da coisa julgada ao caso presente. 15. ASSIM, DIFERENTE DO CONTEXTO FÁTICO APRECIADO QUANDO DA PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO CARF Nº 3401003.750, PROFERIDO EM SESSÃO DE 26/04/2017, DE MINHA RELATORIA, NO QUAL EXTERNAMOS AS RAZÕES PELAS QUAIS DEVERIAM SER RECONHECIDOS OS EFEITOS DA COISA JULGADA DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Fl. 617DF CARF MF 34 E OBTIDA NO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Nº 91.00477834 (PROCESSO Nº 004778334.1991.4.02.5101), QUE RECONHECEU O DIREITO DE TODOS OS ASSOCIADOS AO CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS DE EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS, NO MOMENTO DA PROLAÇÃO DA PRESENTE DECISÃO, A QUESTÃO RESTOU JUDICIAL E DEFINITIVAMENTE DECIDIDA, O QUE AFASTA A JURISDIÇÃO E A COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. 16. Desta forma, inoportuno e descabido a este Relator ou a este colegiado se pronunciarem a respeito da extensão dos efeitos da coisa julgada, como, aliás, tivemos a oportunidade de fazer, detidamente, no Acórdão CARF nº 3401003.750, e, muito menos, a respeito da matéria de fundo, ou seja, o direito ao creditamento do IPI. Isto porque, conforme já defendemos naquela ocasião, uma vez que se reconheça a prevalência e, logo, a primazia da coisa julgada (matéria que o colegiado tem a obrigação de conhecer previamente, sem jamais deixar de decidir a respeito dela, sob pena de caracterização do non liquet), descabido será o pronunciamento quanto ao mérito. 17. Outro não poderia ser o desfecho do presente caso, sob pena de afronta à separação constitucional do Poder, tendo em vista a necessidade de observância, por parte das instâncias administrativas, do trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361RJ (Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834), reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados e, portanto, inclusive da contribuinte ora recorrente, bem como a perda de objeto da Reclamação nº 7.778 que tramitou no Supremo Tribunal Federal. 18. Assim, voto no sentido do cumprimento da decisão judicial naquilo que concerne à não aplicação da interpretação da limitação territorial da coisa julgada no caso em análise, devendo a decisão obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou na 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, aproveitar à contribuinte em tela. Com base nesses fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário." (grifei) Acrescese ainda que o próprio Ministro Gilmar Mendes, em seu voto proferido no RE n.º 612.043, proferido em 10/05/2017 em sede de repercussão geral (que firmou tese quanto às ações coletivas de rito ordinário proposta por entidades associativas7), confirmou a tese reiterada no STF no sentido de que os mandados de segurança coletivos observam regime jurídico distinto, não lhes sendo aplicável o art. 2ºA da Lei n.º 9.494/1997). Em seu voto proferido para acompanhar as razões do relator Marco Aurélio, o Ministro Gilmar Mendes afirmou: "Não se está aqui a falar em mandado de segurança coletivo ou em ação coletiva proposta por sindicato, que recebem um tratamento distinto, conforme exposto a seguir. Mandado de Segurança Coletivo No MS 23.769/BA, de relatoria da Min. Ellen Gracie, DJ 30.4.2004, ficou assentado que o art. 2ºA da Lei 9.494/97 não se aplica ao mandado de segurança coletivo. 7 "EXECUÇÃO – AÇÃO COLETIVA – RITO ORDINÁRIO – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. Beneficiários do título executivo, no caso de ação proposta por associação, são aqueles que, residentes na área compreendida na jurisdição do órgão julgador, detinham, antes do ajuizamento, a condição de filiados e constaram da lista apresentada com a peça inicial." (RE 612043, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2017, DJe229 DIVULG 05102017 PUBLIC 06102017) Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 602 35 Nessa assentada, a relatora considerou que a entidade impetrante, em cumprimento às suas finalidades institucionais e em defesa de um interesse afeto a todos os seus associados, tem legitimação direta, e não intermediada, para agir. Logo, dispensaria a autorização especial em assembléia geral, sendo suficiente aquela constante do estatuto da associação, bem como a apresentação da relação nominal dos associados com seus respectivos endereços. O acórdão ficou assim ementado, no que interessa: “MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DO TRABALHO. COMPOSIÇÃO DOS TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA REPRESENTAÇÃO CLASSISTA NA JUSTIÇA LABORAL. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 24/99. VAGAS DESTINADAS A ADVOGADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. CRITÉRIO DE PROPORCIONALIDADE. 1 Legitimidade do Presidente da República para figurar no polo passivo do writ, tendo em vista ser ele o destinatário da lista tríplice prevista no § 2º do art. 111 da Constituição Federal, visando ao provimento dos cargos em questão. Precedente: MS nº 21.632, rel. Min. Sepúlveda Pertence. 2 Não aplicação, ao mandado de segurança coletivo, da exigência inscrita no art. 2ºA da Lei nº 9.494/97, de instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da indicação dos seus respectivos endereços. Requisito que não se aplica à hipótese do inciso LXX do art. 5º da Constituição. Precedentes: MS nº 21.514, rel. Min. Marco Aurélio, e RE nº 141.733, rel. Min. Ilmar Galvão (...)”. (MS 23.769/BA, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJ 30.4.2004) (grifo nosso) Tal posição foi reiterada no RE 501.953 – AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 26.4.2012. Registro, entretanto, que, após o julgamento de mérito do RE 573.272RG (tema 82), cuja tese exponho a seguir, há precedente no sentido de exigir autorização expressa dos associados mesmo em mandado de segurança coletivo impetrado por associação: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL FORMADO EM MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. De qualquer forma, não se cuida aqui de um mandado de segurança coletivo, impetrado nos termos do art. 5°, inciso LXX, alínea “b”, da Constituição Federal, mas de ação ordinária coletiva, conforme deixa claro o acórdão recorrido. ASSOCIAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS ASSOCIADOS. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mérito do RE 573.232RG, firmou entendimento no sentido de que a exigência de autorização expressa prevista no art. 5º, XXI, da Constituição Federal não se satisfaz com a simples previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. 2. Acórdão proferido pelo Tribunal de origem que se ajusta ao entendimento firmado por esta Corte. 3. Agravo regimental a que se nega provimento”. (ARE 787.123 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, Dje 22.9.2015) De qualquer forma, não se cuida aqui de um mandado de segurança coletivo, impetrado nos termos do art. 5°, inciso LXX, alínea “b”, da Constituição Federal, mas de ação ordinária coletiva, conforme deixa claro o acórdão recorrido." (grifei) Desta forma, não vislumbro qualquer argumento contrário à aplicação à Recorrente da coisa julgada firmada no Mandado de Segurança Coletivo n.º 91.00477834, seja pela extinção da Reclamação n.º 7.778 que anteriormente fundamentava sua não aplicação, seja Fl. 619DF CARF MF 36 em razão da própria interpretação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no sentido do descabimento da restrição territorial e subjetiva no mandado de segurança coletivo, que não observa as restrições do art. 2ºA, da Lei n.º 9.494/97. Assim, com base nesse argumento autônomo de mérito, entendo ser descabida a glosa dos créditos da Recorrente, que corretamente tomou o crédito de IPI na aquisição de insumos isentos na forma do art. 9º do Decretolei n.º 288/1967 e no art. 81, II, do RIPI/2010, com fulcro na decisão judicial proferida em mandado de segurança coletivo e transitada em julgado, que deve ser aplicada à Recorrente na condição de associada da Associação impetrante (AFBCC). Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. II DA NOTA COMPLEMENTAR N.º 211 DA TIPI Neste ponto, afirma a fiscalização que, considerando a classificação fiscal da mercadoria adquirida pela Recorrente, ela deveria ter aplicado, necessariamente, os termos da Nota Complementar n.º 211 da TIPI para a tomada do crédito na aquisição (aqui restabelecido conforme desenvolvido no tópico anterior). Nos termos do trabalho fiscal: "Verificamos, nas Notas Fiscais de Entrada, que a classificação fiscal adotada para os insumos provenientes da ZFM, fornecidos pela empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, a saber, extrato concentrado para elaboração de refrigerantes, é o código NCM 2106.90.10 EX 01, cuja alíquota é 20%. A classificação está correta. Conforme Nota Complementar NC (211) da TIPI, aprovada pelo Decreto 7.660/2011, as alíquotas do IPI referente a extratos concentrados para elaboração de refrigerantes que contenham extrato de sementes de guaraná ficam reduzidas de 50% (cinquenta por cento). Essa Nota Complementar foi revogada, a partir de 01/10/2012, pelo Decreto 7.742/2012, sendo recriada pelo Decreto 8.017/2013, com vigência a partir de 20/05/2013. Os créditos referentes a aquisição de concentrado de guaraná foram registrados no Livro de Apuração do IPI (RAIPI) considerandose a alíquota cheia, de 20%. Assim, se tivesse o contribuinte direito ao crédito, deveria ser reduzido em 50% a partir de 20/05/2013" (efls. 19/20) Contudo, em conformidade com voto proferido em julgamento do Recurso de Ofício no Acórdão n.º 3402003.806, entendo que a fiscalização deve observar os requisitos para a aplicação da Nota Complementar n.º 211 da TIPI e a correspondente redução da alíquota em 50%, que não ocorreram no presente caso. De fato, não constam dos presentes autos quaisquer informações ou documentos que atestem que a fornecedora da Recorrente, a RECOFARMA, é obrigada ao registro de seu produto (concentrado de refrigerantes) no Ministério da Agricultura e Pecuária MAPA e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, requisitos essenciais para a aplicação da NC 211. É o que se extrai dos exatos termos da Nota Complementar n.º 211 da TIPI: "NC (211) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos extratos concentrados para elaboração de refrigerantes, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos nos “ex” 01 e 02 do código 2106.90.10, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério." (grifei) Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 603 37 Com efeito, o referido dispositivo indica que a autoridade competente para decidir se o produto preenche ou não os requisitos estabelecidos na NC (211) para fins de redução da alíquota da TIPI é o Ministério da Agricultura. Sob esta perspectiva, após o pronunciamento do Ministério da Agricultura sobre a matéria de sua competência (análise dos padrões de identidade e qualidade do produto), é que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá editar o ato declaratório reconhecendo o direito do contribuinte ao benefício fiscal da redução de alíquota, tendo como pressuposto o ato administrativo anterior. No presente caso, vislumbrase que não constam dos autos sequer informação se os produtos comercializados pela fornecedora da Recorrente efetivamente se enquadram no padrão do Ministério da Agricultura, ou se haveria um ato declaratório da SRF que autorizasse uma redução de alíquota para os produtos comercializados pela RECOFARMA, fornecedora da Recorrente. Ao contrário do que se aduz da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a aplicação da NC (211) da TIPI não é automática, tratandose de um benefício fiscal de redução da alíquota do IPI que depende do cumprimento de requisitos, com um ato resultante da conjugação de vontades de dois órgãos administrativos distintos (Ministério da Agricultura e Ministério da Fazenda). Desta forma, ao ser restabelecido o crédito da Recorrente, na forma proposta no tópico anterior, não deve ser considerada a redução de alíquota da Nota Complementar n.º 211 da TIPI, vez que não demonstrada pela fiscalização o cumprimento de todos os requisitos para sua aplicação na hipótese (atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e registro naquele Ministério). Cumpre salientar que esse raciocínio não afeta o entendimento da fiscalização quanto às saídas realizadas pela Recorrente com débito de imposto à maior (produto GUARAPAN PET2/8 da Nota Fiscal n.º 780178 efl. 24), para o qual foi apresentado o n.º de Registro no Ministério da Agricultura e que não foi objeto de discussão específica por parte da Recorrente em sua defesa. III GLOSAS DOS PRODUTOS NÃO ENQUADRADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM Quanto a glosa de créditos básicos de produtos que não correspondem à matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (produtos utilizados para assepsia, lubrificação, sanitização, limpeza em geral, filtragem, paletização, etiquetação e embalagens, listados na Tabela B do Auto de Infração), iremos analisar a possibilidade de tomada de crédito à luz do art. 226, do RIPI/2010, que expressa: "Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de Fl. 621DF CARF MF 38 industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" (grifei) Afirma a Recorrente que os produtos identificados na Tabela B da autuação se tratam de produtos utilizados para assepsia, lubrificação, sanitização, limpeza em geral, filtragem, paletização, etiquetação e embalagens. Contudo, a Recorrente traz alegações genéricas, e não trazendo qualquer informação fática complementar concreta que possa apontar qualquer peculiaridade quanto à forma como esses produtos são usados em seu processo produtivo. Isso porque, de forma geral e em conformidade com o Parecer Normativo CST nº 65/79, esses produtos não são consumidos no processo de industrialização, mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Como indicado no referido Parecer Normativo, a expressão "consumidos no processo de industrialização" empregada pela legislação “há de ser entendida em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo”. Os insumos envolvidos na presente autuação, de forma geral, não possuem esse desgaste dentro do processo produtivo, compondo o seu custo, mas não o integrando de forma essencial para a produção. A Recorrente genericamente afirma em sua defesa que eles seriam essenciais à produção, sendo utilizados em máquinas ou em determinadas etapas produtivas. Contudo, não esclarece como eles se consomem dentro do seu processo produtivo, não trazendo quaisquer elementos passíveis de alterar a conclusão fiscal. Diante disso, aplicável nesse caso a jurisprudência deste E. CARF, proferido inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Vejamos a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste, perda de propriedade ou função de ação exercida sobre o produto em fabricação, proporciona o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se inclui no conceito de produtos não utilizados diretamente na produção, como os materiais de limpeza, nos termos do presente voto. Recurso Voluntário Negado." (Número do Processo 10380.904368/201055 Data da Sessão 30/01/2014 Relator(a) Fabia Regina Freitas Nº Acórdão 3301002.182 grifei) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CARACTERIZAÇÃO. CONSUMO POR CONTATO DIRETO. EXIGÊNCIA. O insumo, para se caracterizar como produto intermediário, para fins do IPI, exige que integre o produto industrializado ou, ao menos, que se consuma ou desgaste por contato direto com aquele, o que não ocorre com os produtos de limpeza de superfícies e equipamentos. (...)." (Número do Processo 10380.725563/201011 Data da Sessão 22/05/2012 Relator Robson Jose Bayerl. Nº Acórdão 3403001.622 grifei) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CALCULO. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 604 39 Não são suscetíveis do beneficio de credito presumido de IPI os gastos com combustível para caldeiras, graxa, óleos, lubrificantes, produtos para tratamento da água, material de laboratório, conservação e limpeza, pois, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, posto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. (...) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (Número do Processo 13982.000313/0040 Data da Sessão 02/09/2008 Relator Elias Sampaio Freire Nº Acórdão CSRF/02 03.528 grifei) "Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999(...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. MATERIAIS DE LIMPEZA. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. UNIFORMES. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. (...) Recurso especial provido em parte." (Número do Processo 13983.000120/9838 Data da Sessão 02/09/2008 Relator Antonio Carlos Atulim Nº Acórdão CSRF/0203.567 grifei) Salientese que a Recorrente trouxe aos autos posicionamento deste CARF no Acórdão n.º 340200.517 no qual foi admitido o creditamento para os itens empregados na limpeza dos vasilhames que acondicionam a bebida fabricada. Entretanto, a Recorrente não demonstra quais as despesas com limpeza que efetivamente se refeririam a essa questão. Não traz, portanto, correspondências concretas entre os itens indicados na Tabela B da autuação e seu processo produtivo. Nesse sentido, nego provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto, mantendo as glosas referentes aos materiais da Tabela B do Auto de Infração. IV DIFERENÇA DE R$ 2.263,63 REFERENTE AO MÊS DE ABRIL/2014 Aponta a fiscalização que em abril/2014 a Recorrente deixou de debitar valor de IPI em saída de mercadoria objeto nota fiscal n.º 780392, no valor de R$ 2.263,63 (efl. 25). Em sua impugnação, sustenta a Recorrente que esta nota fiscal estaria com numeração inutilizada, conforme comprovado por tela do SPED (efls. 321/322). Entretanto, em consulta da nota fiscal no ambiente da nota fiscal eletrônica, vislumbrase que ela permanece válida, com autorização de uso perante a Fazenda Estadual, não constando dos autos elementos contundentes de que esta nota teria sido efetivamente inutilizada: Fl. 623DF CARF MF 40 Nesse mesmo sentido foi a manifestação da decisão recorrida, que não merece reparos: "No tocante ao mês de abril, alega a impugnante que a nota fiscal nº 780392, emitida em 19/04/2014, foi cancelada. Juntou cópia do DANFE (efls. 319/320), do Registro dos Documentos de Saídas (efl. 321) e de tela de consulta ao SPED demonstrando o registro da Nota como numeração inutilizada (efl. 322). Não obstante tais documentos sustentarem a alegação de cancelamento da nota fiscal nº 780392, não são suficientes para corroborar o cancelamento do débito. Não se sabe porque nem quando o documento foi cancelado, não se tem os registros fiscais concernentes aos períodos envolvidos (da emissão da nota e do seu cancelamento). Sendo assim, à luz dos documentos juntados aos autos, não é possível formar convicção a respeito da improcedência do débito." (efl. 353 grifei) Acrescese que no Recurso Voluntário a Recorrente não trouxe qualquer documento adicional neste ponto, devendo ser mantida a exigência. V NÃO INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Quanto à não incidência da Taxa SELIC sobre a multa de ofício, assiste razão à Recorrente, uma vez que inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, a previsão legal do art. 61, da Lei n. 9.430/96 garante a inclusão dos juros de mora sobre os débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" que sejam pagos a destempo. Esta extensão do que se entende por débito para fins da inclusão dos juros de mora é depreendida do caput e do §3º deste dispositivo legalm que expressam: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 605 41 ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Nesta toada, vislumbrase que a multa de ofício não foi incluída como "débitos para com a União" para fins de aplicação dos juros no art. 61 da Lei n.º 9.430/96. Consoante o raciocínio proposto pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, mostrase “ilógico interpretar que a expressão 'débitos' ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput” (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Da mesma forma, não se entende que seria aplicável na espécie o art. 43, da Lei n.º 9.430/96. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Ora, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de 75% do valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. A ausência de previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício vem sendo reconhecida pela jurisprudência deste CARF, ainda não consolidada (por exemplo, Acórdão 3403002.367, de 24/07/2013; Acórdão 3402002.862, de 26/01/2016 e Acórdão 3402002.929, de 24/02/2016). E aqui, frisese, que não se está afastando de qualquer forma a aplicação da Súmula CARF n.º 48, que determina a inclusão da SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. Com efeito, devese entender por "débitos tributários" para fins de inclusão da SELIC os tributos administrados pela RFB, em conformidade com a expressão do art. 61 da Lei n.º 9.430/96, não podendo estender para as multas de ofício cobradas no mesmo lançamento. Nesse exato sentido: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. 8 Súmula CARF n° 4: "A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifei) Fl. 625DF CARF MF 42 Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (Acórdão n.º 3403003.425. Processo n.º 19515.723091/201314 Sessão 13/11/2014 Relator Alexandre Kern e Redator designado Antonio Carlos Atulim especificamente quanto à parte da não incidência dos juros sobre a multa de ofício grifei) Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. VI DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) cancelar o item " 4.2.1. Crédito referente a “concentrado” proveniente da Zona Franca de Manaus" do Termo de Verificação Fiscal (tópicos I e II deste voto); e (ii) ao ser restabelecido o crédito da Recorrente, na forma proposta no item i, não deve ser considerada a redução de alíquota da Nota Complementar n.º 211 da TIPI, vez que não demonstrada pela fiscalização o cumprimento de todos os requisitos para sua aplicação na hipótese (atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e registro naquele Ministério) (iii) quanto às exigência remanescentes, excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 606 43 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. Para que haja alteração de critério jurídico adotado no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar, o que não é o caso. Ademais, como bem acentuou a decisão recorrida, o critério jurídico foi o mesmo nos dois casos, qual seja, a verificação da utilização de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na fabricação dos concentrados, sendo que a diferença de resultados deuse em face de mera apuração dos fatos pelo AuditorFiscal. O art. 146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão nº 1401001.649– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar) não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos constatados pelo AuditorFiscal naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. Também não assiste razão à recorrente quanto à alegação de que se deveria aguardar o desfecho da discussão administrativa relativa aos pedidos de ressarcimento objeto do processo nº 15173.720004/201598 para a reconstituição da escrita do contribuinte. Como já detalhado na decisão recorrida, independentemente de qualquer resultado a que se chegar no processo nº 15173.720004/201598, não haverá saldo a ser aproveitado no 2º trimestre de 2014 e seguintes. Sustenta a recorrente a validade do seu crédito com fulcro no art. 6º do Decretolei n.º 1.435/75, vez que a fornecedora de concentrados de refrigerantes fabricados na Amazônia Ocidental (Recofarma) cumpriria os requisitos para o gozo da isenção como atestado pela Suframa, que seria o órgão competente para tanto. A questão da incompetência da Receita Federal para fiscalizar as isenções no âmbito da Zona Franca de Manaus não tem prevalecido neste CARF, conforme demonstram os julgados abaixo: Processo nº 12266.722104/201289 Acórdão nº 3401003.220– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 627DF CARF MF 44 Sessão de 24 de agosto de 2016 Relator: Rosaldo Trevisan (...) COMPETÊNCIA. ZONA FRANCA DE MANAUS. FISCALIZAÇÃO E CONTROLE. BENEFÍCIOS FISCAIS. A disposição estabelecida artigo 18 do Decreto nº 6.008/2006, sobre competência da SUFRAMA, para "fiscalização da execução dos PPB", deve ser lida à luz do artigo 51 do próprio decreto, e dos comandos normativos que lhe são hierarquicamente superiores, como a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, sendo inequívoca a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar e controlar qualquer benefício fiscal relativo aos tributos federais, no território nacional, que inclui a Zona Franca de Manaus. (...) VOTO (...) Sobre a alegação de incompetência da autoridade fiscal, temos que resulta de incompreensão das funções de cada uma das autoridades governamentais atuantes na Zona Franca de Manaus. Quando o artigo 18 do Decreto no 6.008/2006 trata da competência da SUFRAMA para "fiscalização da execução dos PPB", por certo não está, e nem poderia, operar tal competência em prejuízo da tarefa constitucionalmente atribuída à Fazenda, no artigo 237 da Constituição Federal, nem das atribuições previstas em normas de estatura superior ao decreto, como o Código Tributário Nacional, no qual o papel do artigo 194 está longe de ser o que lhe empresta a interpretação albergada pela empresa, bastando o cotejo de tal comando, v.g., com os artigos 142 e 179 da mesma codificação, para que se perceba que um decreto não teria o condão de deslocar competência legalmente (e constitucionalmente) estatuída. Isso resta claro na redação do artigo 51 do próprio decreto invocado pela empresa, de no 6.008/2006, que esclarece que as competências da SUFRAMA serão exercidas "sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da administração pública". Assim, a disposição estabelecida no Decreto obviamente deve ser lida à luz dos comandos normativos hierarquicamente superiores, sendo inequívoca a competência da Secretaria da Receita Federal para fiscalizar e controlar qualquer benefício fiscal relativo aos tributos federais, como as quatro espécies que figuram na autuação. Inexistente, por consequência, a segunda nulidade apontada. (...) Processo nº 10830.727274/201272 Acórdão nº 3301003.006– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2016 Relator: Andrada Márcio Canuto Natal (...) ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 607 45 (...) VOTO (...) Neste ponto é importante ressaltar que não é só a SUFRAMA que detém competência para constatar a correção do seu processo produtivo para o fim de usufruir do benefício fiscal em questão. Consta das normas, que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. Quanto a isso não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados, conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem, diante dos elementos de prova apresentados se há ou não cumprimento dos requisitos necessários à usufruição de benefícios fiscais. Além disso, a SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo Conselho de Administração da Suframa por ocasião da emissão da portaria ou da resolução autorizativa do projeto. Ainda sobre a competência da fiscalização do IPI, vejase o que reproduz os arts. 505 e 506, do RIPI atual Decreto nº 7.212. de 2010: (...) Para que os produtos adquiridos sejam considerados isentos e daí decorra o direito ao crédito para recorrente/adquirente, nos termos dos arts. 95, III e 237 do RIPI/20109, devem ocorrer cumulativamente as seguintes situações: 9 RIPI/2010 Decreto nº 7.212/2010: Art. 95. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Fl. 629DF CARF MF 46 i. os projetos para a produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias pela fornecedora tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa; ii. os produtos adquiridos pela recorrente devem ter sido elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental; e iii. esses produtos adquiridos tenham emprego, no processo industrial da recorrente, como "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto". No caso, a fiscalização identificou que não havia o cumprimento segundo requisito acima (ii.) na elaboração de produtos no estabelecimento da fornecedora, eis que não utilizavam "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Como dito, para que a recorrente tivesse direito ao crédito deveriam ter sido atendidos concomitantemente os três requisitos enumerados. Assim, não obstante a fornecedora da recorrente tenha um projeto de industrialização aprovado pela Suframa, o que não foi contestado pelo Auditor Fiscal autuante, a recorrente/adquirente não faz jus ao direito creditório em face do não atendimento a outro requisito (ii. acima). Quanto à competência da Receita Federal do Brasil (RFB) e do Auditor Fiscal para analisar o cabimento da isenção dos produtos adquiridos pela recorrente e verificar se lhe assiste o direito creditório correspondente, relativamente o requisito ii) acima, ela decorre, dentre outros, dos seguintes dispositivos legais e regulamentares: LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966 Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o). Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 608 47 Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. LEI No 10.593, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2002: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (...) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) DECRETO Nº 7.212, DE 15 DE JUNHO DE 2010 RIPI 2010: Art.505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91, e Lei no 11.457, de 2007, art. 2o). Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos Fl. 631DF CARF MF 48 limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art.506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). Art.507.As atividades de fiscalização do imposto serão presididas e executas pela autoridade administrativa competente (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 93). Parágrafo único. A autoridade administrativa a que se refere o caput é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 93, Lei no 10.593, de 2002, art. 6o, e Lei nº 11.457, de 2007, art. 9º). Assim, é irretocável decisão recorrida que rejeitou o argumento da então impugnante quanto à incompetência da RFB para não conceder a isenção pleiteada, nestes termos: (...) Entretanto, o que está em discussão não é a competência para a aprovação de projetos de que trata o DL nº 1.435, de 1975. Não constam dos autos que, em momento algum, a validade dos atos da SUFRAMA foram questionados ou tiveram a sua eficácia afastada. Sem dúvida, compete ao Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) deliberar acerca da aprovação dos projetos de empresas que visem o gozo dos incentivos fiscais, dentre eles aquele a que se refere o art. 6º do DL nº 1.435, de 1975, especificando os incentivos pretendidos/pleiteados. Porém, a competência para verificar o correto cumprimento da aplicação da legislação tributária federal, bem como a aplicação dos demais atos administrativos e judiciais na seara tributária é da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e das autoridades fiscais federais nos exercícios de suas funções. Neste contexto, o aproveitamento de créditos no âmbito da escrita fiscal do IPI diz respeito, sim, à esfera de controle da RFB. (...) É importante destacar que a concessão da isenção a Recofarma não implica em um reconhecimento automático do direito da manutenção do crédito pelas adquirentes de seus produtos. Não se pode admitir que os atos da SUFRAMA sejam utilizados como um salvo conduto a consentir com o não pagamento de tributos mesmo quando as exigências legais não estejam sendo observadas. Ao constatar o descumprimento dos requisitos exigidos à fruição do benefício fiscal (aproveitamento de créditos “fictos” de IPI) e descaracterizar os seus efeitos tributários, a autoridade fiscal nada mais faz do que concretizar suas repercussões na esfera tributária. (...) Como visto, a norma isentiva abrange tãosomente produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 609 49 vegetais. Não é o caso do concentrado, que utiliza como matériaprima PRODUTO INDUSTRIALIZADO. Não se questiona se a Recofarma possui projeto aprovado pela SUFRAMA e não é esta a matéria tratada nos presentes autos. A questão é que os concentrados adquiridos pelo estabelecimento produtor dos refrigerantes não são exatamente produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional tais quais dispõem os indigitados dispositivos legais e regulamentares. (...) O Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 (efls. 185/196) faz referência às matériasprimas regionais açúcar cristal e mascavo, destinadas ao processamento de concentrado para bebidas refrigerantes, de sabor cola, sendo a primeira produzida pela empresa Agropecuária Jayoro, situada no município de Presidente Figueiredo, Amazonas. Outra matériaprima citada, para outros tipos de produtos, é o extrato de guaraná, também uma matériaprima regional. O fato de se qualificar uma matériaprima como regional não significa que ela seja agrícola ou extrativa vegetal, pois, como visto, o açúcar e o extrato de guaraná tratamse de produtos industrializados. A Resolução nº 298/2007, em seu art. 1º, limitase a aprovar o projeto industrial para produção de concentrado para o gozo dos incentivos previstos, dentre outros, no art. 6º do DL nº 1.435, de 1975. O art. 4º da referida Resolução determina, em seu inciso III, para o gozo do benefício, “a utilização de matéria prima regional de origem vegetal na elaboração dos produtos constantes do Art. 1º desta Resolução, segundo o Art. 6º do Decreto Lei nº 1.43575”. Não tendo cumprido tal condição, como já referido, a empresa não está apta ao incentivo fiscal. (...) Não remanescem dúvidas no sentido de que o açúcar cristal, açúcar mascavo e extrato de guaraná utilizados como matériaprima pela Recofarma, por já terem sido submetidos a processo industrial, não podem ser considerados “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional” referidas pelo art. 95, III do RIPI/2010. O art. 11 da Lei nº 9.779/99, abaixo transcrito, não pode auxiliar a recorrente, eis que a isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do estabelecimento ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem"): Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. [grifei] Fl. 633DF CARF MF 50 No art. 11 da Lei nº 9.779/99, o legislador ordinário utilizou o termo "produto" para designar o bem industrializado que sai do estabelecimento, tanto que, ao mencionar novamente essa palavra, referese a "saída de outros produtos", ou seja, aqueles produtos que não sejam isentos ou tributados à alíquota zero; bem como, de outra parte, fez uso da expressão "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem" para designar os insumos que entram no estabelecimento contribuinte. Dessa forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. Ademais, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos sobre produtos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental, prevista em norma específica. Quanto ao fato de o direito ao creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos estar sob repercussão geral10, em nada altera o andamento do feito no âmbito deste CARF tomandose por constitucional a norma legal questionada, conforme já decidiu este CARF, sob o Voto Condutor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3401003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à questão de ser adquirente de boafé. Não se trata de caso de notas fiscais inidôneas para eventual aplicação do entendimento do STJ no Recurso Especial nº 1.148.444. Ademais, a boafé da recorrente é irrelevante no presente processo, no qual não houve a exigência de multa de ofício qualificada ou agravada, mas a mera exigência de saldos devedores de IPI e seus consectários legais, decorrentes de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte em face da não comprovação, a seu cargo, do atendimento aos requisitos veiculados pela legislação tributária para a fruição dos créditos registrados em seus livros fiscais. Com relação à isenção de que trata o art. 9º do Decretolei nº 288/196711, não há previsão legal para o aproveitamento do crédito em relação ao produto adquirido com tal isenção, como bem esclareceu a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, no Voto Condutor do Acórdão nº 3402002.933 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 24 de fevereiro de 2016, que, nestes termos: (...) 10 Tema 844 Possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Relator: MIN. GILMAR MENDES Leading Case: RE 398365 Há Repercussão?Sim Ver descrição [+] Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 150, § 6º, e 153, § 3º, II, da Constituição Federal, a possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. [] Ver tese [+]O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero.[] 11 Decretolei n.º 288/1967: Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no §1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) Fl. 634DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 610 51 A legislação do IPI traz duas situações distintas sobre o direito ao crédito de IPI relativo a produtos da região amazônica, quais sejam: i) o artigo 9º do Decretolei n. 288/67, regulado pelo artigo 69, incisos I e II do RIPI/2002, que concede a isenção porém não traz previsão expressa para o aproveitamento do crédito presumido; ii) o artigo 6º do Decreto n. 1.435/75, regulado pelo artigo 82, inciso III do RIPI/2002, o qual expressamente estabelece o direito ao aproveitamento do crédito de IPI “calculado como se devido fosse” (sob condição de cumprimento de seus requisitos, como discutido no tópico acima). (...) Não obstante isso, com relação à tomada de crédito com base no art. 9º do Decretolei n.º 288/1967, entende a recorrente que faria jus à autorização judicial concedida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, vez que figurava como uma das associadas da AFBCC (Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola) à época da impetração. Como elemento novo, argui que as decisões do TRF 2ª Região e da Reclamação nº 7.778 foram reformadas por decisões já transitadas em julgado. Em Agravo de Instrumento interposto pela União Federal (processo 2004.02.01.0132984), a controvérsia a respeito da sua aplicabilidade a empresas filiadas à AFBCC domiciliadas em municípios localizados fora da competência territorial do Tribunal da 2ª Região havia sido solucionada, nos termos da ementa abaixo transcrita (DJU de 07/04/2008): PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TUTELA COLETIVA. COISA JULGADA. ABRANGÊNCIA RESTRITA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO JULGADO. COMPETÊNCIA. I A eficácia da coisa julgada, embora erga omnes, fica restrita aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, consoante disposto no art. 16 da Lei n° 7.347/85, na redação da Lei n° 9.494/97, qual seja, este TRF 2ª Região, e apenas no Estado do Rio de Janeiro. II Agravo provido. O referido Acórdão do TRF 2ª Região teve seus efeitos suspensos por medida liminar concedida pelo então Relator Ministro Cesar Peluso na Reclamação nº 7.778, a qual foi posteriormente redistribuída ao Ministro Gilmar Mendes, que negou seguimento à referida Reclamação, sob o fundamento de que esta não seria cabível. Ocorre que o Acórdão do TRF 2ª Região foi depois reformado pelo STJ, por decisão já transitada em julgado em 23/02/2017, no Recurso Especial nº 1.438.361RJ, que conheceu em parte o recurso especial interposto pela Companhia de Bebidas Ipiranga e, nessa extensão, deu provimento para reformar o acórdão recorrido e negar provimento ao agravo de instrumento da Fazenda Nacional. Dessa forma, no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, remanesce a decisão, sem a restrição territorial ou subjetiva expressa, que reconheceu o direito das associadas da impetrante de utilizarem o crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos utilizados na industrialização de seus produtos. Fl. 635DF CARF MF 52 Não se desconhece também que o AuditorFiscal autuante assim rejeitou a aplicação da decisão transitada em julgado no referido Mandado de Segurança Coletivo, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF): (...) A ação foi impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, na Justiça Federal RJ –22ª Vara. À época da propositura da ação judicial, 14/08/1991, a fiscalizada estava domiciliada no município de São Paulo/SP, fora da competência territorial do TRF da 2ª Região, que abrange os Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. A Lei 9.494/1997, no artigo 2ºA, define a abrangência da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, nos seguintes termos: Lei 9.494/1997 Art. 2º A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) Portanto, conforme artigo 2ºA da Lei 9.494/1997, os efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 não se aplicam à Spal. (...) Não obstante isso, entendo que há questão de ordem pública, que pode e deve ser suscitada neste momento processual, que é impeditiva da aplicação à recorrente dos efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, conforme mais abaixo se exporá. Conforme decidido no Recurso Especial, cuja ementa se transcreve abaixo, quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência, o que quer dizer que o pronunciamento de ofício pelo juiz ou tribunal sobre as referidas matérias não representa julgamento extra, infra ou ultra petita: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.524 DF (2009/00421318) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA . INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. (...) Ementa 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (...). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da Fl. 636DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 611 53 congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciar se de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio juridico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). (...) 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso, no âmbito do processo administrativo, temse que a possibilidade de aplicação dos efeitos do mandado de segurança coletivo é uma questão prejudicial à análise de mérito da autuação, eis que se tivesse razão a recorrente quanto a esse aspecto, seria desnecessário prosseguir quanto à análise dos demais temas de mérito. Embora a fiscalização tenha se manifestado sobre tal questão no TVF, eis que a recorrente já havia peticionado nesse sentido no procedimento fiscal, não se trata de motivo ou motivação da autuação, mas de questão prejudicial ao lançamento. A motivação para o lançamento está na demonstração da existência de saldos devedores de IPI, decorrentes de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte em face da não comprovação, a seu cargo, do atendimento aos requisitos veiculados pela legislação tributária para a fruição dos créditos registrados em seus livros fiscais. Com efeito, aplicandose o entendimento do Recurso Especial nº 1.112.524 DF acima no processo administrativo fiscal temse que a questão prejudicial ao mérito do lançamento, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser apreciada a qualquer tempo, assim como as condições da ação, os pressupostos processuais e as preliminares alegáveis na contestação no processo judicial. Assim, a análise quanto à possibilidade de aplicação dos efeitos da coisa julgada ao lançamento, pode ser efetuada a qualquer tempo pelo julgador, inclusive quanto a aspecto não levantado pela fiscalização autuante, mormente quando a recorrente já apresentou suas alegações nesse sentido no recurso voluntário (item 4.2.8), como se vê abaixo: (...) 4.2.8. Neste particular, cabe destacar que o STF tem jurisprudência plenária e pacífica no sentido de que a autoridade coatora tem apenas a função de prestar informações Fl. 637DF CARF MF 54 e a parte no MSC é a União Federal, e, pois, a respectiva coisa julgada obriga a União Federal, produzindo efeitos em todo o território nacional, independentemente da autoridade indicada como coatora, conforme se verifica dos acórdãos do STF abaixo: (...) Dessa forma passase à análise da prejudicial relativa à aplicação dos efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, partindose dos conceitos básicos, mas essenciais, de mandado de segurança. O mandado de segurança, individual ou coletivo, é remédio constitucional assegurado, como garantia fundamental, no art. 5º, LXIX e LXX da Constituição Federal (CF): LXIX Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. LXX – O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. [negritei] Diante da ausência de especificação diversa no texto constitucional, ou em lei ordinária, também o mandado de segurança coletivo é instrumento para reparar ou fazer cessar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de função pública. A Lei nº 1.533/5112, no caput do art. 1º, vigente à época da impetração, previa também amparo à ameaça de lesão: “Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado pode habeas corpus, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais forem as funções que exerça” [negritei e grifei]. Como se vê, também o mandado de segurança preventivo destinase a reparar ato praticado por autoridade pública13. 12 Atualmente vige a LEI Nº 12.016, DE 7 DE AGOSTO DE 2009, que disciplina o mandado de segurança individual e coletivo, e assim dispõe: Art. 1o Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1o Equiparamse às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. (...) 13 Ao longo do tempo, o conceito de autoridade coatora no mandado de segurança foi assim delimitado pelas Leis nºs 1.533/51 e 12.016/2009: Lei nº 1.533/51: Art. 1º (...) alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais forem as funções que exerça. § 1º Consideramse autoridade para os efeitos desta lei os administradores ou representantes das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do poder público, somente no que entende com essas funções. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 612 55 Hely Lopes Meirelles14 traz um conceito único para todas as modalidades do instituto, individual ou coletivo e repressivo ou preventivo no seguinte sentido: "Mandado de segurança é o meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica, órgão com capacidade processual, ou universalidade reconhecida por lei, para a proteção de direito individual ou coletivo, líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, lesado ou ameaçado de lesão, por ato de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça (CF, art. 5º, LXIX e LXX; Lei n. 1533/51, art. 1º)". [negritei] Dessa forma, seja qual for a modalidade de mandado de segurança, ele será a via adequada para reparar somente os atos comissivos ou omissivos no âmbito da competência da autoridade impetrada, não se prestando a corrigir outros atos da pessoa jurídica à qual pertence essa autoridade. Em nada altera isso o fato de a pessoa jurídica (no caso, a União Federal), ter de suportar os efeitos de ordem patrimonial na correção do ato impugnado, ser intimada do feito ou ter a faculdade de recorrer. O mandado de segurança tratase de um remédio constitucional cuja essência está, portanto, definida na própria Constituição Federal, no sentido de ser um instituto que visa reparar ilegalidade ou abuso de poder no que se refere a ato de responsabilidade de autoridade pública ou a ela equiparada. Assim, tendo sido identificados pela impetrante, por ocasião da impetração do mandamus, o ato coator e a autoridade coatora, é contra eles que se dirige a segurança definitiva concedida ao final do processo. § 1º Consideramse autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos dos Partidários Políticos e os representantes ou administradores das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do poder público, somente no que entender com essas funções. (Redação dada pela Lei nº 6.978, de 1982) § 1º Consideramse autoridades, para os efeitos desta lei, os representantes ou administradores das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do Poder Público, somente no que entender com essas funções. (Redação dada pela Lei nº 9.259, de 1996) (...) Art. 2º Considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais. Lei nº 12.016/2009: Art. 1º Concederseá mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrêla por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1o Equiparamse às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. § 2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. (...) Art. 2º Considerarseá federal a autoridade coatora se as consequências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada. Art. 6º (...) (...) § 3º Considerase autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática. (...) 14 MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de segurança. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 21/22. Fl. 639DF CARF MF 56 Quanto às alegações da recorrente (item 4.2.8 do recurso voluntário, acima transcrito), os julgados mencionados não possuem efeito vinculante para a Administração Pública e nem demonstram a uniformização da jurisprudência do STF e do STF quanto ao fato de que a segurança concedida no mandado de segurança destinase aos atos praticados ou a serem praticados pela autoridade impetrada, não obstante, como dito, será a pessoa jurídica que acabará suportando os efeitos patrimoniais da reparação do ato coator, mas tão somente no que se refere a ato de competência da autoridade impetrada. Tratase de limitação subjetiva constitucional para o mandado de segurança, seja ele individual ou coletivo. Assim, independentemente da questão acerca da abrangência da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2A da Lei 9.494/1997, entendo que a segurança concedida em mandado de segurança, inclusive o coletivo e preventivo, tem seus efeitos restritos aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo, obviamente, expressa ressalva judicial em sentido contrário. Com efeito, no presente caso, tratase de mandado de segurança coletivo preventivo impetrado em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, de forma que não se poderia estender seus efeitos para atos praticados (ou a serem praticados) por outras autoridades federais. Quisessem a impetrante (AFBCC) ou a ora recorrente efeitos tão amplos para a decisão definitiva do processo judicial, aplicáveis a todas as autoridades públicas da Receita Federal, deveriam ter se socorrido das vias ordinárias em ação movida contra a pessoa jurídica da União Federal. Desta maneira, os efeitos da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, impetrado em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, não se aplicam ao presente lançamento, lavrado por AuditorFiscal subordinado ao Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte. Assim, diante da ausência de autorização legal ou judicial nesse sentido, a recorrente não faz jus ao creditamento na aquisição de produtos isentos com fulcro no art. 9º do Decretolei nº 288/1967. Sustenta a recorrente a impossibilidade de cobrança de multa, juros de mora e correção monetária nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN, vez que ela e a fornecedora teriam observado atos expedidos pelas autoridades administrativas (Suframa). No entanto, tais atos, que possuem caráter exclusivo e concreto, não são considerados "atos normativos" a que se refere o art. 100, I do CTN, que são atos gerais e abstratos. Sem se olvidar, como já dito neste Voto, que tais atos não afastam a competência da Receita Federal para a fiscalização do IPI, inclusive no que se refere à verificação do atendimento aos requisitos previstos na legislação para o aproveitamento de direito creditório. No que concerne ao pedido para se afastar a multa aplicada em face do art. 76, II, "a" da Lei n.º 4.502/64, adoto os fundamentos de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, do Acórdão nº 3301003.005 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob voto condutor do Conselheiro Francisco José Barroso Rios, abaixo transcrito: (...) Quanto ao pedido para exoneração da multa de ofício, entendo que o artigo 100, II, do CTN, não recepcionou o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64, de sorte que, não havendo decisão administrativa "a que a lei atribua eficácia normativa", Fl. 640DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 613 57 não há como se reconhecer a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado" (redação do artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64). Com efeito, não há como se acolher dispositivo legal em desarmonia com o artigo 100, II, do CTN, norma que, além de ser de natureza complementar, foi editada posteriormente à lei ordinária suscitada pelo sujeito passivo. Lamentavelmente o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 encontrase ainda no Regulamento do IPI ora vigente. Não obstante, penso que tal falha, por ser destituída de alicerce legal, não tem força vinculante. A multa, portanto, é devida. Não há espaço para aplicação do disposto no artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502/64, e sua exigência está fundamentada no artigo 80, caput, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 13 da Lei nº 11.488/07, segundo o qual "a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido". No que diz respeito aos juros de mora sobre a multa de ofício, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/79, abaixo transcrito, que prevê a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral, conforme entendimentos que se seguem: Fl. 641DF CARF MF 58 Decretolei nº 1.736/79: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) (...) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (...) Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) Solução de Consulta Cosit nº 47, de 04 de maio de 2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Perguntas e Respostas no sítio da RFB: [http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declarac oesedemonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoes economicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do Fl. 642DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201679 Acórdão n.º 3402004.828 S3C4T2 Fl. 614 59 crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF 4ª Região, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias. Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Fl. 643DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000037/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA.
Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria.
PROVA TESTEMUNHAL.
No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF.
NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS.
Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples.
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2:
DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO.
Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicando-se a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade.
NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata-se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
O artigo 112 do CTN refere-se à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ME, atual denominação de KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 37 /2 00 9- 14 Fl. 357DF CARF MF 2 Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO. Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicandose a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade. NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O artigo 112 do CTN referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 3 3 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1803000.130 da 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 3 de março de 2015, complementandoo a seguir: Tratase, o presente feito, de auto de infração, relativo aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007, referente ao IRPJ, apurado pelo lucro arbitrado, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%. O presente feito decorre de exclusão do Simples Federal ( processo n. 10925.002074/200878), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais. Decorrente do procedimento de exclusão, também foi constituído processo de exclusão do Simples Nacional, protocolizado sob o número 10925002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/200983, 10925000033/200928, 10925.000034/200972, 10925.000035/200917, 10925.000036/200961, 10925.000037/200914, 10925.000038/200951, 10925.000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.000041/200974, 10925.000042/200919, 10925.000043/200963, 10925.000044/200916, 10925.000045/200952, 10925.000046/200905, 10925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/200931, 10925000051/200918. De acordo com o relatório fiscal, a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. Afere se que o pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Ainda, os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. Fl. 359DF CARF MF 4 Informa o relatório fiscal que a empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fl. 24 e 25. De igual modo, constatouse que em relação à contabilidade das empresas, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz terem sido encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Frisa que a recorrente também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. E, em sua escrituração deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Assim, entende que "esses fatos também levam à conclusão de que o `Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Em ato contínuo, afirma que a recorrente foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto a sua escrituração da forma solicitada, conforme art. 530, I e II do RIR/99,o IRPJ foi apurado pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, conforme art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Para apuração do IR devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fls. 28/29. No tocante à multa qualificada aplicada, entende a fiscalização restar caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da recorrente, em decorrência da análise dos fatos relatados até o presente momento e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento. Ainda, entende que configura fundamento para a multa ser aplicada o fato da recorrente se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada da autuação, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes, com base no regime de tributação normal. Ademais, informa que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 4 5 formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas, foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Aduz a recorrente que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente. De igual modo, referese acerca dos dois sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa J.S., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Fl. 361DF CARF MF 6 Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, o CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito, por parte do contribuinte, para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, ao exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem as sócias, Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 5 7 são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo qua se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apensar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme se verifica em planta anexada, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Fl. 363DF CARF MF 8 Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 6 9 definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 925.002074/200878), cuja manifestação de inconformidade foi objeto de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.629, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Afere que nos termos do art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Segundo o julgador, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. E, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, salienta que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Já no que diz respeito ao arbitramento, o julgador a quo alude tratarse de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Expõe que a recorrente foi "fartamente intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Livro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado", mas que nada apresentou. Assim, entendeu que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Prossegue, em relação à contabilidade das empresas, constatando a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não Fl. 365DF CARF MF 10 refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz que a empresa efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o "Grupo" é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. E explicita que ao contrário do alegado pela recorrente, a mesma não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade. Destaca que a recorrente nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela autoridade fiscal, mas apenas apresenta alegações genéricas. Assim, conforme art. 530, I e II do RIR/99, correta a apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. E, informa que, ao contrário do alegado, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, conforme se verifica nas planilhas de fls. 28/29 do relatório fiscal, sendo estes compensados como "IRPJ recolhido (Simples)" para fins de apuração da receita arbitrada devida. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Quanto ao pedido para que as intimações fossem feitas no endereço e na pessoa dos advogados identificados na procuração inclusa nos autos, sob pena de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 7 11 nulidade, este não pode ser atendido, por falta de previsão legal. O CTN, art. 127, dispõe sobre a existência do domicílio tributário, havendo, portanto, previsão legal sobre o local para onde devem ser dirigidas as intimações e notificações. Assim, feita a eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. Em face da referida Resolução, converteuse o julgamento em diligência, o que se deu nos seguintes termos: Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Baixados os autos à DRF/Joaçaba, após os trâmites e análises efetuadas tanto pelo setor especializado dessa unidade de Receita Federal do Brasil, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida a Informação nº 441/2016– SACAT/DRF/JOA/SC (fls. 341 a 344), verbis: Tratase de processo administrativo relativo a Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao período compreendido entre o 2º trimestre / 2004 e o 2º trimestre / 2007, do qual resultou crédito tributário na importância de R$ 75.498,31 (setenta e cinco mil, quatrocentos e noventa e oito reais e trinta e um centavos), já computados os juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%. 2. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 19 a 33), o presente processo decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal levada a efeito no Fl. 367DF CARF MF 12 processo administrativo nº 10925.002074/200878, fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo à falta de recolhimento/declaração. 3. Ainda segundo o mencionado Relatório, o Auto de Infração teve como objetivo prevenir a decadência dos valores apurados, enquanto não julgada a impugnação do ato de exclusão do Simples Federal. 4. Irresignada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 36 a 82. Todavia, o recurso foi considerado improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 156 a 179). 5. Na sequência, houve a interposição de Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 183 a 222). 6. Iniciado o julgamento, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, resolveram converter o julgamento na realização de diligência (fls. 227 a 240). Nesse contexto, é pertinente transcrever o Voto Vencedor: [...] 7. Observase que o objeto da diligência é o mandado de segurança nº 2008.72.03.0028250. A autoridade julgadora requer a instrução do presente processo com a documentação pertinente ao referido mandamus, bem como o pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais nele proferidos quanto ao Auto de Infração de IRPJ. 8. Pois bem. A documentação relativa ao mandado de segurança foi anexada às fls. 242 a 258, sendo que todo o histórico de tramitação foi delineado na Informação Fiscal de fls. 329 a 334. Além disso, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Joaçaba concluiu no seguinte sentido quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais em relação ao Auto de Infração em epígrafe (fls. 335 a 340): a) Não houve impugnação do mérito dos autos de infração por meio do writ; b) O mandado de segurança impetrado pela contribuinte teve apenas por objetivo assegurar o efeito suspensivo das impugnações administrativas, mantendoa no regime do SIMPLES até o julgamento definitivo dos recursos; c) Com o julgamento definitivo das impugnações na esfera administrativa, não há óbice para que os atos questionados, caso sejam mantidos, produzam seus efeitos normais, uma vez que a decisão judicial sustava somente os efeitos específicos da exclusão do SIMPLES até a conclusão dos recursos. d) Com o desfecho no âmbito administrativo, não remanescem os efeitos da sentença, ainda que transitada em julgado. 9. A contribuinte deverá ser cientificada acerca do teor da presente Informação Fiscal, em relação à qual poderá haver manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, bem como da Resolução nº 1803000.130 – Turma Especial / 3ª Turma Especial. Ao término do referido prazo, com ou sem manifestação, o processo será remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para continuidade do julgamento. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 8 13 Em face da extinção das Turmas Especiais, o presente processo foi redistribuído por sorteio no âmbito desta Turma Ordinária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se deve conhecer. Exclusão do Simples Federal. O presente processo referese a auto de infração de IRPJ relativo aos anos calendário 2004, 2005 e 2006 e aos 1º e 2º trimestres de 2007. O principal do tributo foi acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. A exigência decorre da exclusão da recorrente do Simples Federal, que foi objeto de discussão administrativa no processo nº 10925.002074/200878. Quanto a esse processo, já houve decisão administrativa irrecorrível, tendo sido mantida a exclusão. Em face disso, relativamente às alegações veiculadas no recurso, específicas à defesa quanto à exclusão do Simples Federal, a matéria está preclusa, nenhum julgamento sendo mais possível. A título informativo, transcrevese o entendimento esposado no citado processo, conforme abaixo: A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais. Fl. 369DF CARF MF 14 O ato de exclusão foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional. Assim, o ato de exclusão e a decisão de primeira instância contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 9 15 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. No presente caso, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA/SC nº 22, de 21.10.2008, fl. 136, com efeitos a partir de 01.12.2003, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba Santa Catarina, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria Ministerial n° 095, de 30 de abril de 2007, declara: Art. 1°. A pessoa jurídica abaixo identificada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores, e de acordo com o disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, em razão de constituição por interpostas pessoas e prática de atividade vedada, conforme fatos apurados no processo administrativo n° 10925.002074/200878. Art. 2°. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006. Art. 3°. Fica intimada a pessoa jurídica, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste poderá manifestar, por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4°. Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior a exclusão tomarseá definitiva. Esse procedimento não gera qualquer efeito nos atos constitutivos da Recorrente, tendo alcance tão somente na sistemática de tributação e fundamentase nas justificativas jurídicas constantes no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135: Trata o presente processo administrativo de representação fiscal, de fls. 01 a 06, na qual se informa que a empresa em epígrafe, optante pelo Simples Federal, faz parte de um “grupo” empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal Fl. 371DF CARF MF 16 “grupo”, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime simplificado de tributação. Segundo a mencionada representação fiscal, o pretenso “grupo” empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Industrial Ltda. ME (cujo nome original era K.F. Montagens Industriais Ltda. ME). Quanto aos sócios destas duas últimas empresas, todos possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, Sra. Elita Schazmann e Sra. Claudia Schazmann Perottoni, respectivamente, tendo a empresa K.F. Industrial Ltda. ME como únicos sócios consignados no contrato social o Sr. Fellipe Marques Schazmann e a Sra. Karinne Marques Schazmann, ambos filhos do Sr. José Schazmann, conforme quadro de fls. 03. Aduzse ainda, na representação fiscal, que as empresas KS Industrial Ltda. ME e J.S. Máquinas Ltda. ME, na prática, são meras fornecedoras de mãodeobra para a empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e os custos em geral (exceto custos com folha de pagamento, incluindo gastos com matérias primas e outros insumos, como energia, etc.). A fim de se demonstrar a distribuição do faturamento, custos, folha de pagamento, número de empregados registrados por empresa e as relações custos/receita, folha de pagamento/receita, e receita/empregado, incluiuse na representação fiscal um quadro específico (fls. 05 a 06), com dados anuais, para o período de 2003 a 2007. Em tal demonstrativo informase, por exemplo (fls. 05), que a empresa Idugel registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos (2005 a 2007), e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004. A respeito da contabilidade das empresas envolvidas, relatase, na representação fiscal, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade, ou seja, “quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recursos da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias” (fls. 04). São tecidas ainda outras considerações sobre as práticas contábeis e econômicas das empresas mencionadas, tendo sido anexadas cópias de documentos contábeis para exemplificação de tais práticas. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 10 17 Como fundamentos legais para a exclusão, no caso do Simples Federal, apontamse, na representação fiscal, o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96, dispositivo que trata da constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, e o art. 9°, inciso XIII, da mesma lei, que estabelece vedação à atividade de prestação de determinados serviços profissionais. Concluise, na representação fiscal, que a pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME não poderia ter optado pelo Simples Federal, nem pelo Simples Nacional, representandose, ao final, para a exclusão da empresa de ambos os regimes de tratamento diferenciado. [...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 351, de 21 de outubro de 2008, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 238, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, com fundamento nos artigos 9°, XII, “f”; 14, IV; e 15, V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e com observância dos artigos 20, XI, “e”; 22, II, “a”; 23, I e IV; e 24, VII, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, determino a exclusão da pessoa jurídica em epígrafe do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), instituído pela supracitada Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir do dia 01/12/2003. No que se refere à interposição de pessoas, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em qualquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; A interposição de pessoas consiste em uma pessoa, que não é a titular dos interesses em causa, praticar um ato jurídico no lugar daquela que é a verdadeiro titular desses direitos. Esse instrumento pode ser utilizado para criação de pessoas jurídicas com o intuito formação de grupo econômico, mediante procuração com outorga de amplos poderes em que é nomeado como procurador o real titular dos interesses e sócio de uma delas para gerir e administrar todos os negócios concernentes às demais pessoas jurídicas integrantes. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais pessoas jurídicas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A constituição de várias pessoas jurídicas, que ocupam um espaço físico contíguo, desenvolvem objeto social similar, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e distribuir receitas, caracteriza constituição de grupo econômico de fato e impede a opção pelo Simples. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Fl. 373DF CARF MF 18 O presente Parecer Sacat tratará somente da exclusão do Simples, regime diferenciado e favorecido instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, atualmente conhecido como Simples Federal. A exclusão do Simples Nacional, regime de que trata a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, será apreciada no processo administrativo n° 10925.002253/200813, originário do presente processo. A trajetória da J.S. Máquinas Ltda. ME e sua exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, foram abordadas, respectivamente, nos processos administrativos n° 10925002073/200823 e 10925.002252/200861. A Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, ao instituir e disciplinar o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, restringiu o universo de empresas aptas a aderir ao mesmo. Tais limitações tiveram como escopo não apenas vedar o acesso de empresas cujas características tomam prescindíveis qualquer tratamento tributário privilegiado, mas também impedir que empresas inicialmente inaptas a aderir ao Simples utilizem meios transversos para adquirir a legitimidade necessária à opção. No caso em tela, constatase com clareza que a criação da pessoa jurídica em epígrafe é o coroamento de uma movimentação orientada a manter sob o total controle do Sr. José Schazmann, e de sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, três pessoas jurídicas, com aparência de empreendimentos econômicos distintos, que formariam um pretenso “grupo” empresarial, o qual, na verdade, consiste em uma única empresa de fato, a Idugel Industrial Ltda., e duas empresas simuladas, sem autonomia econômica ou administrativa, as já citadas K.F. Industrial e J.S. Máquinas, mantidas na forma de pessoas jurídicas individualizadas, fundamentalmente para se proceder à segmentação artificial das atividades, do faturamento, e da contratação da mãodeobra do “grupo”, com o fim de se reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Federal, especialmente as contribuições previdenciárias patronais, manipulandose contabilmente os gastos com mãode obra, alocados em sua quase totalidade às empresas simuladas, optantes do Simples Federal até 01/07/2007, e mantendoas com faturamento dentro dos limites para opção, uma vez que as receitas auferidas pelo “grupo” , como um todo, ultrapassam sistematicamente os limites para opção e permanência no Simples Federal, o que, em condições normais, impediria o ingresso do empreendimento, como empresa única, no citado regime diferenciado de tributação. Enquanto a J.S. Máquinas teve suas atividades incorporadas, na prática, pela Idugel Industrial Ltda., após ter sido aparentemente fundada como empresa de constituição autônoma, conforme constatado nos processos n° 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, a K.F. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 11 19 Industrial já nasceu sob o comando do Sr. e da Sra. Schazmann, quando estes já eram os únicos donos da Idugel e da J.S., sendo que, desta última, como proprietários de fato da pessoa jurídica, constituída, então, por interpostas pessoas, época em que a J.S., enquanto empreendimento econômico autônomo, já não passava de uma ficção. Por economia processual transcrevemos abaixo um trecho do Parecer Sacat n° 341/2008, desta DRF/JOASC, integrante do processo n° 10925.002252/200861, no qual analisamos a evolução societária da empresa Idugel e da pessoa jurídica J.S., bem como a questão de passarem ambas a ter sede no mesmo endereço comercial, assim como a K.F.. Isto propiciará o entendimento sobre a constituição do pretenso “grupo” empresarial. Em seguida, incluiremos considerações adicionais sobre o surgimento da K.F., no mesmo contexto. Assim nos pronunciamos no referido Parecer Sacat n° 341/2008: “..constatase com clareza que, pelo menos a partir de determinado momento, a pessoa jurídica em epígrafe perdeu, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda. A partir de tal momento, a empresa J.S. Máquinas Ltda. ME assumiu existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, da inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda., beneficiandose indevidamente, esta última (Idugel), pelo fato de acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda. ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente as contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo” empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Notase uma incontestável movimentação visando a que se submetesse o controle administrativo da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME ao casal que atualmente domina com exclusividade a composição societária da empresa Idugel Industrial Ltda., o Sr. José Schazmann e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann. Tal controle administrativo, sobre a J.S. Máquinas, vem sendo exercido tanto de fato, segundo constatou a fiscalização da RFB, quanto formalmente, em virtude dos amplos poderes conferidos ao casal para “gerir e administrar" a J.S. Máquinas Ltda. ME, segundo procuração de fls. 07 a 10. Também se cuidou para que o contrato social da J.S. Máquinas Ltda. ME evoluísse de modo a manter como únicos sócios formais parentes de primeiro grau do Sr. José Schazmann, o que reforça a intencionalidade de se atribuir o controle absoluto desta pessoa jurídica à vontade do casal detentor de todos os poderes para administrála. Fl. 375DF CARF MF 20 A dinâmica da composição societária da J.S. Máquinas Ltda. ME demonstra que desde sua constituição original, em 15/01/1997, o Sr. José Schazmann já estava em seu comando, como sócio fundador, ao lado de sua mãe, Sra. Elita Schazmann. Observase que o Sr. Schazmann optou por se retirar formalmente do quadro societário da empresa em epígrafe (J.S. Máquinas) para ingressar, juntamente com sua esposa, em 22/09/1997, no quadro societário da Idugel Industrial Ltda., criada em 06/02/1995. Pouco mais de um ano após o ingresso do casal na sociedade empresarial Idugel Industrial Ltda., ou seja, a partir de 20/11/1998, o Sr. e a Sra. Schazmann se tornaram oficialmente proprietários exclusivos das cotas societárias daquela empresa (Idugel), na mesma data em a J.S. Máquinas Ltda. ME passou a ter como sócias formais, exclusivamente, a mãe do Sr. Schazmann, e uma irmã deste, a Sra. Claudia Schazmann. Ao lado desta movimentação societária, verificase que a partir do ingresso do casal Schazmann no quadro societário da Idugel, em 22/09/1997. a J.S. deixou de ter sede própria, alterandose o endereço de sua sede, no contrato social, para o mesmo endereço no qual a Idugel passara a funcionar dois meses antes. na Av. Caetano Natal Branco. 3800. Centro. Joacaba/SC. conforme primeira alteração contratual da J.S., de 22/09/1997 (fls. 15 a 18), e alteração contratual da Idugel, de 31/07/1997 (fls. 28 a 30). Atualmente as duas pessoas jurídicas têm como endereço o imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC. Segundo os respectivos contratos sociais, a Idugel ocuparia o Bloco A, enquanto a J.S. Máquinas estaria instalada no Bloco B deste imóvel. Contudo, segundo constatou a fiscalização da RFB, esta pequena diferença é apenas formal. Para se ter uma ideia mais clara do grau de simulação da existência de um “grupo” formado por três empresas distintas, vale destacar, quanto à localização destas, o seguinte relato da fiscalização da RFB, às fls. 04 da representação de fls. 01 a 06, com alguns grifos nossos: “No mesmo imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. e J.S. MÁQUINAS LTDA. Embora a empresa K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, trata se na verdade de um endereço residencial, o mesmo das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S." (...) “A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, JS e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas." Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 12 21 (...) “As empresas IDUGEL, J.S. e K.F., na verdade, funcionam num mesmo estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a elas, com uniforme contendo a descrição 'GRUPO IDUGEL', trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. Portanto, a supremacia dos fatos revela tratarse de uma só empresa." A K.F. Industrial Ltda. ME, conforme elementos a seguir abordados, foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S. Máquinas Ltda. ME, que culminou na atual constituição desta última. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança do endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda., conforme transcrição acima. De outro modo, a K.F. já nasceu, como dissemos, sob completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, segundo relata a fiscalização da RFB, na representação fiscal (fls. 04). O controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tornase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem seus filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração, conforme fls. 14. Até este ponto, analisamos a movimentação societária e a evolução da localização das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME, J.S. Máquinas Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., principalmente a partir de informações extraídas de seus contratos sociais. Abordamos também a questão do controle administrativo daquelas pessoas jurídicas. São elementos que corroboram o entendimento de que a constituição da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME como uma empresa autônoma é simulada, e que esta constituição fictícia conta com a participação de pessoas interpostas pelos proprietários da empresa Idugel. Contudo, tais elementos não devem ser isoladamente considerados, e sim em conjunto com as demais informações trazidas na representação fiscal que inaugurou o presente processo administrativo. A questão central do caso em apreço é a caracterização da simulação, conforme descrito na representação fiscal; se tal simulação é motivo para exclusão do Simples Federal, sob quais fundamentos, e com efeitos a partir de qual momento. Fl. 377DF CARF MF 22 Para tanto, tornase importante a análise do quadro demonstrativo incluído na representação fiscal, fls. 05, que relaciona dados contábeis referentes aos exercícios financeiros de 2003 a 2007. Neste demonstrativo foram separados os custos com folha de salários dos demais custos, estes na coluna “Total Custos” que incluem principalmente insumos, inclusive matériasprimas, energia, etc., podendo englobar também outros custos operacionais. Quanto ao objeto social da K.F., vale ressaltar que embora seu nome original fosse K.F. Montagens Industriais Ltda., que sugere serviços de montagem, alterado para o nome atual, K.F. Industrial Ltda. ME (fls. 35), mais identificado com a produção fabril, somente após a segunda alteração contratual, de 03/08/2007 (fls. 42), observase que desde sua constituição original está presente em seu objeto a “fabricação” de máquinas e equipamentos industriais. Apenas no período de 26/04/2007 (primeira alteração contratual, fls. 34) a 03/08/2007 (segunda alteração contratual, fls. 42) foi suprimida do objeto social a referência à atividade fabril, conforme as respectivas cláusulas de fls. 20, 28 e 36. Portanto, somente durante pouco mais de três meses a referência foi suprimida. Este detalhe formal (presença da referência da atividade fabril no objeto social) apenas vem reforçar a análise ora desenvolvida. Por outro lado, a ocorrência de período com supressão da atividade fabril no contrato social não tem o condão de provocar qualquer impacto na presente análise, frente a todos os elementos levantados, que comprovam a simulação de atividade empresarial autônoma para a K.F. Industrial Ltda. ME. Verificase, desse modo, que os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis as discrepâncias detectadas para os percentuais anuais da relação custos/receita das duas empresas. Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F. não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial. Ainda que as receitas referidas hajam tido como contrapartida apenas a prestação de serviços de montagem, que demandariam principalmente custos com mãodeobra, notase a injustificável ausência de custos com aluguel da sede administrativa, energia elétrica, telefone, água, etc. Mesmo em 2003 quando não houve registro de receita, tais custos operacionais deveriam ter sido contabilizados, caso houvesse intenção de se construir uma atividade empresarial de fato. Concluise que a K.F. não registrou tais custos simplesmente em razão de não haver distinção, na prática, entre sua atividade e a atividade da empresa Idugel, do modo como afirma a fiscalização da RFB. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 13 23 Embora no exercício financeiro de 2006 o percentual custos/receita da K.F. (24%) mostrese compatível com o da Idugel (34%), segundo os registros contábeis compilados no demonstrativo, observase que em para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, elevando o percentual custos/receita da K.F. para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. Mais uma vez, não se encontra substrato para a existência de uma atividade empresarial real da K.F. Já para a relação folha de pagamento/receita, no período 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, as discrepâncias alcançam patamares ainda mais absurdos, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F. São números que causam perplexidade. Importante também ressaltar que no ano de 2003, mesmo sem contabilizar receita, a K.F. manteve, em dois meses de funcionamento, o número médio mensal de 4 empregados contratados, que corresponde ao mesmo número médio de empregados da Idugel, contingente supostamente capaz de propiciar a geração da receita de R$1.164.065,76. O que chama mais à atenção, no referido quadro de fls. 05, efetivamente, são os valores relativos aos números de empregados. A maior prova isolada de que ocorre a simulação da existência de atividades empresariais autônomas, em nosso entendimento, é a informação contábil de que a Idugel, com apenas dois a quatro empregados (médias mensais) nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 1 a 5 milhões, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados (médias mensais) para obter um faturamento da ordem de apenas R$8 a 266 mil anuais. Verificase que estas discrepâncias tomaramse progressivamente mais profundas, chegandose a registrar para a K.F., em para uma receita de apenas R$62.482,54, a manutenção de vinte e cinco empregados contratados, em média, e custos salariais anuais de R$268.821,85, equivalentes a 430% da receita. O auge desta progressão ocorre em 2007, com receita de R$8.298,04, custos (exceto salários) de R$204.689,36 (2.467%), salários de R$303.340,20 (3.656%) para um número médio de vinte e quatro empregados. Desse modo, os dados tomam óbvio que a Idugel utiliza para obtenção de sua receita, os empregados contratados pela K.F. Industrial Ltda. ME. Conjugados com os demais, já mencionados, são extremamente reveladores de que ambas as empresas, de fato, atuam como uma só, juntamente com a J.S. Máquinas Ltda. ME, com faturamento total superior ao permitido para ingresso e permanência no Simples Federal Fl. 379DF CARF MF 24 (mesmo que não considerados os faturamentos da K.F. e da J.S.). Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fls. 05) comprovam a informação da fiscalização da RFB de que a Idugel concentra o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F.) assumem a maior parte dos gastos com mãodeobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples. especialmente com relação às contribuições previdenciárias patronais. Ocorre que outras informações trazidas pela fiscalização devem, ainda, ser levadas em conta. É também muito reveladora a informação incluída na representação fiscal, de que as empresas, além de ocuparem o mesmo espaço físico, têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas, trabalhando com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”. Além disso, e não menos importante, os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Verificou a fiscalização, também, a ocorrência de diversos pagamentos cruzados por meio da utilização frequente de contas bancárias de uma pessoa jurídica para pagar despesas de outra, ostensivamente, ferindo se o princípio contábil da entidade, princípio reconhecido como essencial para caracterizar a autonomia de uma empresa em relação a seus sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou em relação a outras empresas do mesmo grupo empresarial. Foram incluídas no presente processo diversas cópias de documentos que comprovam as práticas contábeis acima descritas, as quais agridem frontalmente o princípio contábil da entidade (fls. 07 a 13 e 82 a 115). Em virtude dos argumentos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização da RFB, consideramos fartamente provada a simulação da existência de empresas distintas e autônomas. Na representação fiscal, de fls. 01 a 06, como fundamento para a exclusão do Simples Federal, apontase o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. [...] No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa K.F. Industrial Ltda. ME, bem como os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda., concluise que a empresa K.F. Industrial Ltda. ME, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a K.F. Industrial Ltda. ME destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, a que a Idugel Industrial Ltda., através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 14 25 figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda. ME, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Restou evidenciado que a Idugel Industrial Ltda tem com sócios Silvana Marques Schazmann e José Schazmann, que foram nomeados os bastantes procuradores com poderes amplos para gerir e administrar todos os negócios concernentes a Recorrente. Por seu turno, a Recorrente tem como sócios Fellipe Marques Schazmann e Karine Marques Schazmann, ambos filhos de José Schazmann, conforme consta expressamente no Contrato Social e alterações e no Instrumento Público de Procuração. Temse que a Idugel Industrial Ltda e a Recorrente têm objetos sociais similares, são domiciliadas em espaços físicos contíguos e ainda utilizam empregados, em cujos uniformes está estampado o logotipo do “Grupo Idugel”. As despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico de fato por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Atinente à locação de mão de obra, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Para elucidar, cabe mencionar excertos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. [...] § 3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da Fl. 381DF CARF MF 26 empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse, na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos, bem como fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição nos sistemáticas. Outra possibilidade reúne a colocação da mão de obra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiária da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 15 27 o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que não assume o risco da atividade econômica, ou seja, transfere os custos decorrentes do empreendimento realiza operação relativa à locação de mão de obra. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Por outro lado, em razão de tudo o que foi apurado, chegase à conclusão de que estas duas pessoas jurídicas são mantidas nesta condição, pelos seus verdadeiros controladores, primordialmente para a contratação de empregados em nome destas entidades jurídicas, K.F. e J.S., a fim de que esta força de trabalho seja cedida e se mantenha à disposição da única empresa de fato do pretenso “grupo” empresarial, a Idugel Industrial Ltda.. A atividade de cessão ou locação de mãode obra realizada por uma empresa também constitui motivo impeditivo à opção ou permanência no Simples Federal, conforme dispõe o art. 9°, inciso XII, alínea “f”, da Lei n° 9.317, de 1996. Ainda que a K.F. Industrial Ltda. ME exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda., visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da K.F. com mãodeobra mostramse extremamente exagerados e incompatíveis com seu faturamento, ainda mais quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. (fls. O5), conforme já abordado. Desse modo, mesmo se considerarmos apenas os registros contábeis da K.F. Industrial Ltda. ME, abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, entendemos que fica caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fundamento no art. 9°. inciso XII. alínea “f". da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (cessão de mãodeobra. Portanto, o exame conjunto dos dispositivos legais supracitados e dos documentos mencionados leva à conclusão da impossibilidade da permanência da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME no Simples Federal. Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente realiza operação relativa à locação de mão de obra, uma vez que não assume o risco e não se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, as despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial, bem como seus empregados usam uniformes com o logotipo do “Grupo Idugel”. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição Fl. 383DF CARF MF 28 de um grupo econômico por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente aos efeitos da exclusão, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei. [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir da ocorrência das situações excludentes ainda que coincida com a data do início das atividades, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 16 29 Superada a questão do cabimento da exclusão, parecenos que o próximo ponto a ser enfrentado reside na data de início dos efeitos desta exclusão. Considerando que as informações analisadas, entendemos que os elementos que constam do presente processo permitem caracterizar de forma plena a ocorrência das referidas situações de exclusão a partir da abertura da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME, tendo sido iniciados os efeitos da opção pelo Simples Federal em 01/12/2003. Definido que desde a sua constituição inicial é possível caracterizar plenamente a ocorrência de situações de exclusão do Simples Federal, com base nos documentos incluídos no processo, importante trazer à baila o disposto nos artigos 20, 22, 23 e 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, que ora transcrevemos [...] Uma vez que restou plenamente comprovada no presente processo, a nosso juízo, a ocorrência do fato mencionado no inciso IV, do art. 23, acima transcrito, desde o ingresso da pessoa jurídica no Simples Federal, e sendo este fato o principal e mais grave motivo para a exclusão, entendemos que prevalece a regra do inciso VII. do art. 24, da IN SRF n° 608/2006, acima reproduzido, incluindose, quanto aos efeitos da exclusão do Simples Federal. o mês de dezembro de 2003. As situações impeditivas de opção pelo Simples de interposição de pessoas para formação de grupo econômico e de locação de mão de obra estão efetivamente evidenciadas nos autos desde o início das atividade da Recorrente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.12.2003 está correta. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 385DF CARF MF 30 Lançamento de ofício. No que tange ao lançamento a que se refere o presente processo, foi alegado: a cobrança de tributos de forma retroativa tem efeitos confiscatórios; não houve ilícito praticado pelo contribuinte para a exclusão, pelo que é ilegítima a cobrança retroativa de tributos à época da vedação, acrescidos de multa e juros; "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado"; "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra"; "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida"; há cerceamento do direito de defesa, "na medida que ainda pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas"; o auto de infração é nulo, pois fundamentado no artigo 149, inciso VII, do CTN e, no entanto, não houve qualquer revisão efetuada por superior hierárquico ao autuante; operouse a decadência quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração; não houve fraude, pelo que impossível a manutenção do lançamento, pois ausente a hipótese legal do artigo 149, inciso VII, do CTN; deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela; é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica; "não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente". É requerida a produção de prova oral, cujo rol será apresentado oportunamente. No que tange à cobrança retroativa de tributos e o alegado efeito confiscatório, temse que, enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos. E, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. Quanto ao alegado efeito confiscatório, havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 17 31 norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A decadência também foi alegada quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração. Como pode ser visto no auto de infração de fls. 3 a 16, o primeiro período autuado foi o segundo trimestre de 2004, pelo que não tem substância a alegação. A título de esclarecimento, temse que a ciência, pessoal, quanto ao lançamento ocorreu em 28 de janeiro de 2009. Considerandose a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, como invocado pela própria recorrente, o lançamento relativo ao segundo trimestre de 2004 poderia ser efetuado em julho desse mesmo ano. Assim, o prazo decadencial iniciouse em 1º de janeiro de 2005, com termo final em 31 de dezembro de 2009. Portanto, não se operou a decadência quanto a nenhum dos períodos considerados para o lançamento de ofício. Alegouse ainda a nulidade porque "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado". Ainda, "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra" e, "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida". Quanto a tais alegações, não se vislumbra qualquer irregularidade, pelo que nulidade não ocorreu. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 19 a 33, aplicandose a multa no percentual de 150% previsto na legislação. A descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Aduz ainda a recorrente que é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica. Quanto a essa questão, basta uma simples consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 26 e 27) para se constatar a impropriedade da alegação. Consta ali o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples: Fl. 387DF CARF MF 32 Argumentou a recorrente que deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela. Ocorre que tal dispositivo referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo. Como se viu e, também, como restará consignado abaixo, não se está diante de nenhuma dúvida quanto à infração cometida, pelo que não é aplicável ao caso o dispositivo em tela. No que tange à produção de prova oral, não há disposição legal que a permita. No entanto, como evidenciado no voto da decisão de piso, os depoimentos de testemunhas poderiam ser reduzidos a termo que deveriam ter sido carreados junto com a impugnação, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. Quanto às demais alegações, no voto condutor da decisão de piso elas são abordadas com propriedade, pelo que se transcreve abaixo excerto desse voto, cujas conclusões são adotadas como razões de decidir: 2 — NULIDADES Inicialmente, quanto à nulidade do lançamento, o disposto no PAF, art. 59, tratando das hipóteses de nulidade, assim estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, não ocorreram aquelas irregularidades. O auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não se constata cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. A descrição dos fatos, os cálculos nela demonstrados e a capitulação legal contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse exercer seu direito de defesa. Além disso, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este se mostra conhecedor do motivo da autuação. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 18 33 Não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações ficais e lançamento dos tributos por regime diverso do Simples. Também não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Nos termos do art. 15, § 3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, conforme já mencionado, o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Destarte, não há vício de nulidade no lançamento. 3 — ARBITRAMENTO DO LUCRO Primeiramente, cabe esclarecer que se trata de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Conforme fartamente demonstrado pela Autoridade Fiscal, o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real — LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto, nada apresentou, sendo que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Em relação à contabilidade das empresas, constatou a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Fl. 389DF CARF MF 34 A empresa também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o "Grupo" é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Assim, ao contrário do que alega a impugnante, esta não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade da impugnante. Destacase ainda, que a impugnante nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela Autoridade Fiscal, mas sim, apenas apresenta alegações genéricas.Desta forma, conforme art. 530, I e II do RIR/1999, correta a apuração do IRPJ apurada pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Esclarecese, que ao contrário do alegado pela impugnante, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro Arbitrado, conforme se verifica nas planilhas de fls. 28/29 do relatório fiscal, sendo estes compensados como "IRPJ recolhido (Simples)" para fins de apuração da receita arbitrada devida. Portanto, correto o lançamento do IRPJ pelo lucro arbitrado. 4 MULTA QUALIFICADA As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, §1°, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10925.000037/200914 Acórdão n.º 1201001.937 S1C2T1 Fl. 19 35 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72". No caso, foi aplicada a multa qualificada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Procede a fundamentação da Autoridade Fiscal, pois como fartamente demonstrado no presente processo, bem como nos procedimentos de exclusão do Simples, houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. O artifício fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do Simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da impugnante como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. Portanto, ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Portanto, é devida a multa de oficio qualificada no lançamento em análise. Conclusão. Em face de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 391DF CARF MF 36 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721224/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, anterior ou posterior a esta, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente.
DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NÃO CABE COBRANÇA ADMINISTRATIVA.
Considerando o teor do julgamento prolatado pelo poder judiciário e a definitividade da decisão judicial não cabe a cobrança administrativa sendo aplicável a coisa julgada.
Numero da decisão: 3401-004.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça interposta a título de recurso voluntário, por estar a matéria sujeita a tutela jurisdicional, inclusive com provimento definitivo, que deve ser cumprido pela unidade preparadora.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça interposta a título de recurso voluntário, por estar a matéria sujeita a tutela jurisdicional, inclusive com provimento definitivo, que deve ser cumprido pela unidade preparadora. ROSALDO TREVISAN - Presidente. MARA CRISTINA SIFUENTES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
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A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, anterior ou posterior a esta, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NÃO CABE COBRANÇA ADMINISTRATIVA. Considerando o teor do julgamento prolatado pelo poder judiciário e a definitividade da decisão judicial não cabe a cobrança administrativa sendo aplicável a coisa julgada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça interposta a título de recurso voluntário, por estar a matéria sujeita a tutela jurisdicional, inclusive com provimento definitivo, que deve ser cumprido pela unidade preparadora. ROSALDO TREVISAN Presidente. MARA CRISTINA SIFUENTES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 12 24 /2 01 3- 46 Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13971.721224/201346 Acórdão n.º 3401004.373 S3C4T1 Fl. 592 2 Relatório Conforme consta no relatório do acórdão DRJ nº 1453.105, de 27/08/2014: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada à fl. 06, foi lavrado o auto de infração às fls. 03 e 04, em 10/06/2013, para exigir R$ 757.672,67 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e R$ 279.198,89 de juros de mora calculados até 31/05/2013, sendo o crédito tributário total consolidado de R$ 1.036.871,56. Consoante a descrição dos fatos, às fls. 05 e 06, e o termo de verificação fiscal, às fls. 364/371, foi constatado que a contribuinte aproveitou os créditos referentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem isentos, não tributados ou com alíquotas reduzidas a zero, com amparo no Mandado de Segurança nº 2001.72.05.005212 2. Embora o mandamus tenha transitado em julgado, em virtude de decisões recentes emanadas do Supremo Tribunal Federal e da Proposta de Súmula Vinculante nº PSV 26/DF em tramitação no STF com a mesma matéria discutida na ação mandamental, a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com a Ação Rescisória nº 0002102 89.2013.404.0000 perante o TRF da 4ª Região, em 25/03/2013, para reexame da matéria. O lançamento de ofício, sem a inflição da multa de ofício por conta da suspensão de exigibilidade, foi efetuado com a finalidade de prevenir os efeitos da decadência. A empresa tomou ciência da exação em 19/06/2013 por meio da AR (fl.373). Em 08/07/2013, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 376/382, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica (alteração contratual às fls. 387/405), em que alega, basicamente, a falta de cabimento do auto de infração em face do Mandado de Segurança ajuizado, com trânsito em julgado, sendo que a ação rescisória impetrada não possui efeitos imediatos de desconstituição do direito garantido pela decisão judicial transitada em julgado; se vitoriosa, a ação rescisória deverá ter efeitos prospectivos, com a preservação dos atos praticados pela impugnante, conforme jurisprudência do TRF da 4ª Região. Por fim, requer o recebimento da impugnação e a respectiva procedência, sendo imperioso o cancelamento do auto de infração; ainda, que seja suspenso o crédito tributário constituído com base no CTN, art. 151, III. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13971.721224/201346 Acórdão n.º 3401004.373 S3C4T1 Fl. 593 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, anterior ou posterior a esta, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. VINCULAÇÃO E OBRIGATORIEDADE. A atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, inclusive para afastar os efeitos deletérios da decadência, sob pena de responsabilidade funcional. Regularmente cientificada por via postal em 15/04/2015 a empresa apresentou recurso voluntário em 11/05/2015, nos seguintes termos: a mudança de entendimento do STF não atinge a recorrente porque seu processo já havia transitado em julgado (em 06/08/2008); os lançamentos fiscais realizados devem permanecer com sua validade e efeitos suspensos até o trânsito em julgado da ação rescisória interposta pela PFN; em 06/04/2015, a DRF Blumenau determinou a cobrança administrativa tendo em vista a decisão da DRJ, entretanto em 24/11/2014 o STF já havia se pronunciado, em sede de repercussão geral, pela improcedência da ação rescisória que tratava da desconstituição de coisa julgada baseada nos creditamentos de IPI; o contribuinte interpôs recurso extraordinário que restou sobrestado para aguardar julgamento do STF, e, após a decisão do STF, o TRF 4ª Região recentemente determinou a revisão da ação rescisória que alberga o presente processo; o contribuinte não abriu mão da via administrativa na medida que quem ingressou na via judicial foi a União visando desconstituir a coisa julgada e que o objeto da ação rescisória diverge da discussão contida no processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13971.721224/201346 Acórdão n.º 3401004.373 S3C4T1 Fl. 594 4 Em consulta ao site do TRF 4ª Região constato que a ação rescisória foi julgada em 30/07/2015 apresentando o seguinte teor: EMENTA AÇÃO RESCISÓRIA. CRÉDITOS DE IPI. SÚMULA 343 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento do RE 590809/RS, com a relatoria do Ministro Marco Aurélio, que a sua Súmula nº 343 deve ser observada em situação jurídica na qual, inexistente controle concentrado de constitucionalidade, haja entendimentos diversos sobre o alcance de determinada norma, mormente quando aquele Tribunal tenha sinalizado, num primeiro passo, óptica coincidente com a revelada na decisão rescindenda. 2. Caso em que o acórdão rescindendo está apoiado em acórdãos do Supremo Tribunal Federal que reconheceram o direito aos créditos de IPI. 3. Ação rescisória julgada improcedente, em juízo de retratação. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, julgar improcedente a ação rescisória, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 30 de julho de 2015. Juiz Federal JOÃO BATISTA LAZZARI Relator Também consta no site do TRF o despacho de 12/02/2016 determinando o arquivamento do processo. Consta dos autos a informação que o lançamento foi efetuado para evitar o decurso do prazo decadencial, pois já havia trânsito em julgado favorável ao aproveitamento do crédito tributário pelo contribuinte, mas em virtude de mudança do entendimento sobre a matéria pelo STF, RE 353.657/PR, e posterior ingresso de ação rescisória pela União. A DRJ julgou pela concomitância de ações judiciária e administrativa e improcedência da impugnação, mas entendendo que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa aguardando o julgamento da ação rescisória em curso. Considerando o teor do julgamento prolatado pelo poder judiciário e a definitividade da decisão judicial entendo que não cabe mais a cobrança administrativa e aplicável a coisa julgada pela Receita Federal Voto por não conhecer da peça interposta a título de recurso voluntário, por estar a matéria sujeita a tutela jurisdicional, inclusive com provimento definitivo, que deve ser cumprido pela unidade preparadora. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13971.721224/201346 Acórdão n.º 3401004.373 S3C4T1 Fl. 595 5 Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 595DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904575/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.042
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 45 75 /2 01 2- 70 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.055, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10283.904575/201270 Acórdão n.º 3402005.042 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.727180/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 10/08/2010
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MATÉRIA DISTINTA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIA OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO. Cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer indevidos os tributos exigidos sobre as mercadorias objeto de perdimento que foram efetivamente destinadas pela Aduana.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 10/08/2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA DISTINTA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIA OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO. Cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-26T21:19:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: PDFArchitect; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2018-02-26T21:19:57Z; Last-Modified: 2018-02-26T21:19:57Z; dcterms:modified: 2018-02-26T21:19:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-02-26T21:19:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFArchitect; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2018-02-26T21:19:57Z; meta:save-date: 2018-02-26T21:19:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-26T21:19:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-02-26T21:19:57Z; created: 2018-02-26T21:19:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-02-26T21:19:57Z; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-26T21:19:57Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 138 1 137 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.727180/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.335 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II/IPI Recorrente NAVE PRATA PRESENTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/08/2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA DISTINTA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIA OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO. Cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer indevidos os tributos exigidos sobre as mercadorias objeto de perdimento que foram efetivamente destinadas pela Aduana. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 71 80 /2 01 4- 21 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15771.727180/201421 Acórdão n.º 3401004.335 S3C4T1 Fl. 139 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente) atuou em substituição ao Conselheiro Renato Vieira de Ávila (Suplente), ausente ocasionalmente. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 99/107), o qual passo a transcrever: "A impugnante promoveu o registro das declarações de importação DI n° 10/17018709 em 28/09/2010 e DI n° 10/1369247/2 em 10/08/2010 oferecendo a despacho aduaneiro as mercadorias ali descritas. A fiscalização submeteu os dois despachos aos Procedimentos Especiais de Controle Aduaneiro dos artigos 65 a 69 da IN SRF n° 206/2002, retendo as mercadorias por suspeita de subfaturamento. Parte das mercadorias destas declarações de importação, notadamente as bolsas femininas, foram submetidas a perícia que constatou erro na classificação fiscal e preço declarado inferior ao custo da matéria prima empregada. A fiscalização intimou a impugnante a apresentar documentos que comprovassem a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados no comércio exterior. Do resultado dessa auditoria a fiscalização, através dos processos administrativos de números 10314.001406/201191 e 10314.001407/201135, identificou a prática da interposição fraudulenta nas citadas declarações de importação, aplicando a pena de perdimento às mesmas. Através de Ação Ordinária com Pedido de Antecipação de Tutela n° 47931.33.2011.4.01.3400 da 6ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, a impugnante obteve o direito de desembaraçar as mercadorias relativas às duas declarações de importação. Na decisão judicial foi concedida a antecipação de tutela determinado o depósito de 100% do valor das mercadorias, devendo as mercadorias subfaturadas serem avaliadas nos termos do art. 88 da MP n° 2.15835/2001. A mesma decisão determinou a exigência de todos os tributos incidentes nas importações. Abaixo o dispositivo relativo ao comando judicial: 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15771.727180/201421 Acórdão n.º 3401004.335 S3C4T1 Fl. 140 3 (...) Em 21/10/2011 a impugnante depositou judicialmente o valor incontroverso no montante de R$ 112.551,03. Após a reavaliação do valor aduaneiro das mercadorias consideradas subfaturadas pela fiscalização, a impugnante depositou a título de complementação o valor de R$ 29.340,25 em 25/11/2011, totalizando um depósito judicial de R$ 141.891,28. Assim, em cumprimento à decisão judicial a fiscalização desembaraçou as mercadorias retidas, com exceção a parte da DI n° 10/17018709 que já havia sido destinada, no valor de R$ 11.998,80. Ainda em cumprimento à decisão judicial, as mercadorias foram reavaliadas nos termos do art. 88 da MP n° 2.15835/2001. Através do presente auto de infração foram então lançadas: ● As diferenças de tributos (II, IPI, PIS, Cofins) calculadas com base na reavaliação do valor aduaneiro, descontados os valores já recolhidos; ● A conversão do perdimento em multa das 2 declarações de importação considerando a reavaliação das mercadorias subfaturadas. A autuação totalizou o valor de R$ 162.720,41. Intimada do Auto de Infração em 05/03/2015 (fl. 57), a interessada apresentou impugnação e documentos em 06/04/2015, juntados às fls. 58 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do auto de infração por vício formal. Alega que a fiscalização não agregou aos autos a íntegra dos processos administrativos de números 10314.001406/201191 e 10314.001407/2011 35, que decretaram o perdimento das mercadorias. Alega que também não foram anexadas as planilhas que demonstram os cálculos dos tributos. 2. Alega que não houve subfaturamento nas adições 1 e 2 da DI n° 10/13692472. Alega que a classificação fiscal indicada na DI (NCM 4202.29.00) é correta. Alega que mesmo considerando a NCM da fiscalização (4202.32.00), não há diminuição na arrecadação de tributos. Alega que o preço praticado pela impugnante (média de US$ 1,10 por unidade) está dentro da média do Sistema Alice Web para a NCM 4202.29.00. Apresenta declaração do exportador na China confirmando os valores praticados. Cita jurisprudência judicial sobre valoração aduaneira. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15771.727180/201421 Acórdão n.º 3401004.335 S3C4T1 Fl. 141 4 3. Alega que, em função da ausência de subfaturamento, não é cabível o lançamento de diferenças tributárias. 4. Alega que os depósitos judiciais de R$ 141.891,28 abrangem os valores lançados por este auto de infração. Alega que, em função de identidade de objeto entre o debatido nos âmbitos judicial e administrativo, imperioso se faz que, caso a Fazenda tenha êxito na Ação Judicial, sejam os valores depositados convertidos em pagamento do crédito lançado neste auto de infração. 5. Alega que não deve haver incidência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento. Cita o art. 71, III do Regulamento Aduaneiro. 6. Requer, por fim, que seja reconhecida a nulidade por vício formal ou, alternativamente, seja julgado improcedente o presente auto de infração. É relatório." (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 20/05/2015 (fls. 99/107), foi pelo não conhecimento parcial da impugnação e não provimento na parte conhecida, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/08/2010 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n°7/14. Súmula CARF n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (Ar à fl. 116), em 01/06/2015, apresentou o recurso voluntário de fls. 121/133, em 01/07/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação, aduzindo sobre a necessidade do conhecimento administrativo das questões não debatidas da esfera judicial, no que referese à inadmissibilidade do valor aduaneiro atribuído pelo fisco. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso é tempestivo, porém, em parte dele, verificouse a ocorrência de preclusão, além da concomitância de discussões, verificada desde a impugnação, com mesmo objeto, no âmbito administrativo e judicial, como adiante se demonstrará. Pois bem, a questão inicial está assentada na concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial n° 4793133.2011.4.01.3400/DF, ação pelo rito ordinário com decisão antecipatória, que determinou o desembaraço aduaneiro das mercadorias representadas pelas DI's nº 10/13692472 e nº 10/17018709, eis que ambos os processos Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15771.727180/201421 Acórdão n.º 3401004.335 S3C4T1 Fl. 142 5 teriam como objeto a discussão sobre o subfaturamento das mercadorias importadas e a tipificação de interposição fraudulenta na importação. Entendeu a decisão recorrida, que a pretensão de discutir estas questões em sede administrativa encontraria óbice no artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80; no Parecer Normativo COSIT n° 7/14, e na Súmula CARF nº 1, restringindo a discussão administrativa à questão da nulidade do auto de infração por vício formal; afirmando ainda: "Com relação aos demais argumentos da impugnante, tecemos as seguintes considerações: Ao contrário do alegado pela impugnante, os valores dos depósitos judiciais de R$ 141.891,28 são inferiores ao valor lançado por este auto de infração que totalizou R$ 162.720,41. Dessa forma, na eventual execução dos créditos aqui lançados, necessariamente serão considerados os valores depositados judicialmente, mas também serão exigidas as diferenças de tributos que totalizaram R$ 20.829,13. Descabe a alegação da impugnante de não incidência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento, visto que o perdimento aplicado nas declarações de importação foi convertido em desembaraço, por força da decisão judicial já citada. Logo, não está havendo a exigência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento. Do todo exposto, voto por não conhecer, no mérito, da impugnação em função da concomitância com o processo judicial. Com relação aos demais argumentos da impugnante, julgo improcedente a impugnação. Dessa forma, mantêmse integralmente os créditos tributários constituídos por este lançamento." Contudo, alega a recorrente constituir objeto próprio do presente processo a revisão aduaneira, nos termos do artigo 88, da MP n° 2.15835/2001, e o lançamento (R$162.720,41) com base na reavaliação do valor aduaneiro; enquanto a tutela obtida, determinando o desembaraço, tiveram depósitos e complementos de depósitos (R$141.891,28), cujas diferenças (R$ 20.829,13) não foram questionadas, em nenhum momento, na esfera judicial, nela não se discutindo a reavaliação do valor aduaneiro e os valores ora lançados (diferenças de tributos com base na reavaliação do valor aduaneiro e conversão do perdimento em multa considerando a reavaliação das mercadorias subfaturadas). Ainda que tenha sido o presente auto de infração lavrado com exigibilidade suspensa, sem aplicação de multa de ofício (art. 63, da Lei nº 9.430/96), para a prevenção da decadência, em razão da Antecipação de Tutela n° 47931.33.2011.4.01.3400, da 6ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, entendo, assistir razão a recorrente ao afirmar que a questão da reavaliação do valor aduaneiro, trazida no recurso voluntário, não se confunde com as questões principais (subfaturamento e interposição fraudulenta) levadas ao judiciário, tendo este, exclusivamente, decidido que as mercadorias deveriam ser reavaliadas nos termos do art. 88 da MP n° 2.15835/2001, sendo cabível a apreciação administrativa do procedimento utilizado na obtenção do valor aduaneiro para lançamento dos valores. Constatase, porém, que a matéria somente foi trazida à discussão administrativa em grau de recurso voluntário (fls. 120/131) e por aplicação do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72 (PAF), Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando à instância recursal a rediscussão sobre a nulidade do auto de infração por vício formal e sobre a exigência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15771.727180/201421 Acórdão n.º 3401004.335 S3C4T1 Fl. 143 6 Nulidade do auto de infração por vício formal Alega a ora recorrente que o auto de infração seria nulo pois a fiscalização não anexou ao presente processo o conteúdo dos processos administrativos de números 10314.001406/201191 e 10314.001407/201135, documentos indispensáveis, eis que, aqueles em que foram decretados os perdimentos e decorrerá a conversão em multa. Aduz, ainda, sem prequestionamento prévio na impugnação, inexistir nos autos o laudo técnico que fundamentou a nova valoração aduaneira que ora se lança (fl. 45 do PAF no 15771.727180/201421), com base no custo de produção. Quanto ao ponto não prequestionado, aplicase do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72 (PAF). Quanto aos documentos que decretaram o perdimento, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que a ora recorrente teve ciência plena dos dois processos em 06/10/2010 e inclusive fazendo citações dos mesmos em sua defesa. Além disso, o conteúdo probatório do processo 10314.001407/201135 é idêntico ao conteúdo probatório do processo 10314.001406/201191, diferindo apenas o número da DI autuada, estando este segundo processo apenso na íntegra ao presente auto de infração. Logo, além do conteúdo probatório estar apenso ao presente processo, a impugnante demonstrou plena ciência das imputações e exerceu defesa plena pelo qual não há que se cogitar qualquer nulidade da autuação por vício formal. Exigência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento Entendeu a decisão recorrida, descabida a alegação da ora recorrente de não incidência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento, visto que o perdimento aplicado nas declarações de importação foi convertido em desembaraço, por força da decisão judicial, não havendo a exigência de tributos sobre mercadoria objeto de pena de perdimento. Alega a recorrente que não se está pleiteando a não incidência tributária sobre a totalidade das mercadorias importadas, mas apenas sobre àquelas que foram destinadas pelo fisco, que nunca foram usufruídas pela recorrente. Na esteira do citado art.71, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, o imposto não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida, representando a destinação na mercadoria forma inequívoca de perdimento, portanto, indevidos os tributos incidentes sobre a parcela destinada das mercadorias. Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer indevidos os tributos exigidos sobre as mercadorias objeto de perdimento que foram efetivamente destinadas pela Aduana. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.001760/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 20/05/1996 a 02/07/1996
Ementa
REGIME ADUANEIRO. FRAUDE. PRÁTICA CRIMINOSA RESPONSABILIDADE ADUANEIRA E TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE AUTUADO NA CONDUTA ILÍCITA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA FISCAL.
Respondem pelos tributos que deixaram de ser recolhidos as pessoas jurídicas ou físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador dos tributos incidentes sobre as importações ou que, de alguma forma, concorreram para a prática de infração aduaneira ou dela se beneficie, o que não ocorre no caso em concreto.
As provas dos autos são no sentido de demonstrar que a autuada foi vítima de uma esquema criminoso, o qual contou com a falsificação (ideológica e material) de documentos aduaneiros da empresa para fins de indevida liberação de mercadorias importadas.
Incumbe à fiscalização a inequívoca demonstração da ocorrência de situação concreta que enseja a responsabilidade da pessoa física ou jurídica pelos tributos e sanções aduaneiras, o que não aconteceu no caso concreto.
Recurso voluntário provido. Créditos tributário e aduaneiro exonerados.
Numero da decisão: 3402-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/05/1996 a 02/07/1996 Ementa REGIME ADUANEIRO. FRAUDE. PRÁTICA CRIMINOSA RESPONSABILIDADE ADUANEIRA E TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE AUTUADO NA CONDUTA ILÍCITA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA FISCAL. Respondem pelos tributos que deixaram de ser recolhidos as pessoas jurídicas ou físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador dos tributos incidentes sobre as importações ou que, de alguma forma, concorreram para a prática de infração aduaneira ou dela se beneficie, o que não ocorre no caso em concreto. As provas dos autos são no sentido de demonstrar que a autuada foi vítima de uma esquema criminoso, o qual contou com a falsificação (ideológica e material) de documentos aduaneiros da empresa para fins de indevida liberação de mercadorias importadas. Incumbe à fiscalização a inequívoca demonstração da ocorrência de situação concreta que enseja a responsabilidade da pessoa física ou jurídica pelos tributos e sanções aduaneiras, o que não aconteceu no caso concreto. Recurso voluntário provido. Créditos tributário e aduaneiro exonerados.
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DIAS & FILHOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/05/1996 a 02/07/1996 Ementa REGIME ADUANEIRO. FRAUDE. PRÁTICA CRIMINOSA RESPONSABILIDADE ADUANEIRA E TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE AUTUADO NA CONDUTA ILÍCITA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA FISCAL. Respondem pelos tributos que deixaram de ser recolhidos as pessoas jurídicas ou físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador dos tributos incidentes sobre as importações ou que, de alguma forma, concorreram para a prática de infração aduaneira ou dela se beneficie, o que não ocorre no caso em concreto. As provas dos autos são no sentido de demonstrar que a autuada foi vítima de uma esquema criminoso, o qual contou com a falsificação (ideológica e material) de documentos aduaneiros da empresa para fins de indevida liberação de mercadorias importadas. Incumbe à fiscalização a inequívoca demonstração da ocorrência de situação concreta que enseja a responsabilidade da pessoa física ou jurídica pelos tributos e sanções aduaneiras, o que não aconteceu no caso concreto. Recurso voluntário provido. Créditos tributário e aduaneiro exonerados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 17 60 /2 00 1- 11 Fl. 2022DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJSão Paulo II (acórdão n. 1715.624 fls. 502/511), o que passo a fazer nos seguintes termos: Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.011 3 Fl. 2024DF CARF MF 4 2. Referida impugnação foi julgada improcedente, nos termos do já citado acórdão, cuja ementa restou assim prescrita: Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.012 5 3. Inconformada com a decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 515/536, oportunidade em que repisou as alegações externadas em impugnação. 4. Por seu turno, referido recurso foi julgado parcialmente procedente pelo acórdão n. 30239.691 (fls. 563/574), cuja ementa segue abaixo transcrita: Fl. 2026DF CARF MF 6 5. Em suma, este Tribunal, de ofício, reconheceu a impropriedade da multa por importação desamparada de guia de importação pelo fato do contribuinte não ter se responsabilizado por esta obrigação no momento da assinatura do termo de responsabilidade decorrente de Declarações de Trânsito Aduaneiro DTA's. 6. Contra esta decisão, a União e o contribuinte interpuseram seus respectivos recursos especiais, o que suscitou o acórdão n. 9303002.132 (fls. 878/883), assim ementado: Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.013 7 7. Esta decisão foi objeto de embargos inominados interpostos pelo Presidente da 24º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1 (fls. 895/898), o qual foi conhecido e provido pelo acórdão n. 9303004.129 (fls. 916/918), nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/05/1996 a 02/07/1996 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo inexatidões materiais devidas a lapso manifesto deve se proceder ao saneamento mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos. 8. Em suma, referido acórdão foi acolhido para anular o acórdão n. 302 39.691, da lavra de turma ordinária deste CARF, e não o acórdão proferido pela DRJ, o que se deu pelo seguinte motivo: (...). Verifico que, de fato, o voto proferido no acórdão recorrido referiuse à nulidade de decisão extra petita, transcrevendo excerto do Acórdão nº 30239.691, no qual restou evidenciado o julgamento da aplicação da multa por importação ao desamparo de guia de importação, matéria não expressamente impugnada. (...). 9. Diante deste quadro, o presente caso foi novamente distribuído para uma turma ordinária deste Tribunal, incumbindo a mim o papel de relatálo. Assim, em 22 de fevereiro de 2017, por intermédio da resolução n. 3402000.897 (fls. 934/940), esta turma Fl. 2028DF CARF MF 8 julgadora entendeu por bem baixar o presente caso em diligência para que fosse providenciada a cópia do Inquérito Policial n. 69/96, referido a fl. 480 dos autos, bem como de eventual ação penal correlata, até seu final desfecho. 10. Tais documentos foram acostados aos autos as fls. 962/2.007, a respeito dos quais o contribuinte manifestouse por intermédio da petição de fls. 952/957. 11. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 12. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Da acusação fiscal a e as consequências para a recorrente 13. Para a devida compreensão do presente caso, mister se faz retomar a acusação fiscal externada no auto de infração de fls. 382/434, de onde se extrai que a recorrente gozava de um regime especial de trânsito aduaneiro. Nesse sentido, de posse de Declarações de Trânsito Aduaneiro Simplificado ("DTA's"), a recorrente promovia a liberação de mercadorias importadas sem maiores burocracias, cabendolhe, na sequência, fazer prova da conclusão de tais operações. 14. Acontece que, segundo apurado nos autos, a recorrente não fez a prova exigida legalmente quanto à conclusão das operações de trânsito sujeitas ao sobredito regime simplificado. E é exatamente aí que gravita o imbróglio da presente demanda, cuja elucidação perpassa, obrigatoriamente, pela análise da cópia do processo criminal juntado aos autos após a conversão do presente julgamento em diligência. 15. Ressaltese, entretanto, que tal processo criminal não se refere exatamente às DTA’s tratadas no presente processo administrativo1, mas dizem respeito ao mesmo período de apuração, apresentam o mesmo modus operandi e os mesmos investigados. Logo, é possível afirmar que as conclusões alcançadas na aludida apuração criminal são esclarecedoras para a resolução do presente caso. 16. Assim, retomando tal investigação criminal, convém destacar trecho das denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra certas pessoas (fls. 971/977), com especial destaque para o denunciado João Gouvêa, exfuncionário da recorrente: (...). 1 As DTA’s investigadas criminalmente, bem como as tratadas neste processo tiveram registro em junho de 1996, à exceção de algumas DTA’s deste Auto de Infração que foram registradas alguns dias antes de referido mês (ex.: 22/05/1996). Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.014 9 (...). (...). Fl. 2030DF CARF MF 10 17. Em suma, o funcionário da empresa recorrente, Sr. João Gouvêa, juntamente com seus comparsas, falsificava material e ideologicamente documentos aduaneiros para internar no país mercadorias importadas. Dentre os documentos falsificados, encontravamse as DTA's da recorrente, na qual à época o Sr. João Gouvea atuava na qualidade de encarregado geral da empresa junto ao aeroporto de Guarulhos o que, inclusive, justificava a razão de possuir cartão de credenciamento perante a Receita Federal e autorização para assinar DTA's para fins de remoção e trânsito de mercadorias. 18. Durante a investigação criminal ficou devidamente comprovado, mediante laudo grafotécnico (fls. 1.357/1.360), que as assinaturas constantes nas DTA's fraudadas eram da lavra do Sr. João Gouvêa. 19. Assim, em sentença criminal de fls. 1.923/1.954, os denunciados foram condenados, exceção feita ao Sr. João Gouvêa, uma vez que, em razão do seu óbito (documento de fl. 1.736), teve sua punibilidade extinta, conforme se observa da decisão penal de fls. 1.738/1.739. 20. Importante registrar que em determinado trecho da citada sentença penal, resta claro a inexistência de qualquer envolvimento por parte da empresa recorrente na citada prática criminosa. É o que se observa do seguinte trecho: (...). Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.015 11 (...). (...). 21. Não obstante, insta destacar que, uma vez ciente do envolvimento do seu funcionário na prática delituosa acima descrita, a recorrente promoveu sua demissão por justa causa (fl. 484), bem como o seu descredenciamento para operar em nome da empresa junto ao SISCOMEX, conforme atesta documento de fl. 482. 22. Diante de todo este cenário fático, é possível concluir que a empresa recorrente foi vítima de uma quadrilha e que não concorreu nem se beneficiou, de qualquer Fl. 2032DF CARF MF 12 forma, da indevida importação das mercadorias aqui tratadas. Nesse sentido, aliás, já decidiu esse colegiado em caso análogo ao aqui tratado (acórdão n. 3402002.876). Naquela oportunidade, a então Relatora do caso, Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, assim manifestouse: (...) Relativamente às infrações aduaneiras que constam na autuação, mais ainda, não se vislumbra qualquer hipótese de responsabilização da XEROX como agente direto, em conformidade com o art. 94 do Decretolei nº 37/66, pois não há qualquer comprovação ou indício de que, ela própria, tenha cometido essas infrações, nem tampouco em face das disposições legais contidas no art. 95 do Decretolei nº 37/66, eis que não há provas de que tenha contribuído de alguma forma para a prática das infrações ou que tivesse interesse ou benefício com as irregularidades: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. §1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. §2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Não pode prosperar a responsabilização da XEROX, fundamentada na responsabilidade objetiva nas infrações aduaneiras, como fizeram a fiscalização e o julgador de primeira instância. De todo o modo, a pessoa física ou jurídica somente poderia ser punida como agente direto da infração (art. 94 do Decretolei nº 37/66), que cometeu a ação ou omissão ilícita, ou como responsável pela infração (art. 95 do Decretolei nº 37/66), o que não se verificou no presente caso em relação à empresa XEROX. Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Acórdão n.º 3402004.943 S3C4T2 Fl. 2.016 13 Também não seria o caso de responsabilização da XEROX "em vista da negligência constatada no controle das suas operações de importação que permitiu a prática das infrações, quer seja pela própria empresa (culpa in omittendo), quer seja pela má escolha de seu representante (culpa in eligendo), ou porque não fiscalizou adequadamente a execução do serviço contratado para operar em seu nome no comércio exterior (culpa in vigilando)", conforme descrito na autuação. Não há que se olvidar que o exercício da profissão de despachante aduaneiro somente é permitido à pessoa física inscrita no Registro de Despachantes Aduaneiros, mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, após o atendimento dos requisitos estabelecidos em regulamento. Dessa forma, à época da escolha do despachante aduaneiro pela empresa XEROX, militava em favor deste profissional a presunção relativa de idoneidade em face da inscrição do despachante autorizada pela Receita Federal do Brasil. (...). O caso em análise deve ser apurado pelas autoridades competentes. Nesse sentido, agiu diligentemente a empresa XEROX, quando, tomando conhecimento das importações realizadas indevidamente em seu nome, apresentou Notícia Crime ao Departamento de Polícia Federal (fls. 495/501), requerendo a instauração de inquérito policial para apuração dos fatos relativos a crimes em face da noticiante e da administração pública. (...). 23. Ressaltese, inclusive, que no presente caso a recorrente não assinou qualquer termos de responsabilidade decorrente da utilização dos seus DTA's falsificados, o que só reforça a inaplicabilidade, no caso em comento, do disposto nos artigos 499 e 500 do então Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos em tela. 24. Percebese, pois, que no presente caso concreto não há qualquer fato social realizado pelo recorrente, o que impede a convocação de qualquer dispositivo legal (CTN ou RA) para a sua responsabilização, uma vez que não há subsunção no caso do recorrente por inexistir conduta por ele praticada para fins de importação das mercadorias destacadas na autuação. 25. Assim, com base no cenário fático aqui tratado e, ainda, empregando como minhas as razões de decidir externadas no acórdão n. 3402002.876, desta Turma julgadora, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para exonerar a exigência fiscal aqui tratada e indevidamente imputada à recorrente. Dispositivo 26. Ex positis, voto por dar integral provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 27. É como voto. Fl. 2034DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 2035DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722869/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO AO CAPITAL. REGISTRO.
A integralização de capital mediante incorporação de bens ao patrimônio de empresa por valores superiores aos constantes da declaração de bens e direitos configura espécie do gênero alienação e enseja a tributação da diferença a maior como ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO AO CAPITAL. REGISTRO. A integralização de capital mediante incorporação de bens ao patrimônio de empresa por valores superiores aos constantes da declaração de bens e direitos configura espécie do gênero alienação e enseja a tributação da diferença a maior como ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 28 69 /2 01 4- 29 Fl. 105DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11516.722869/201429 Acórdão n.º 2401005.260 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fl. 49, acompanhado do demonstrativo de fl. 48 e do Relatório Fiscal de fls. 42/46, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2010, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 52.088,23, composto da seguinte forma: R$ 24.712,13 relativo ao Imposto; R$ 8.842,00 de Juros de mora (calculados até 10/2014); e R$ 18.534,10 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 50), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujo fato gerador ocorreu em 30/11/2010. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 42/46), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu pela alienação de um apartamento com garagem, situado no Edifício BEVERLY BOULEVARD RESIDENCE, na rua Almirante Lamego, 1.338, em Florianópolis/SC. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 62/65), alegando, resumidamente, o que segue: (i) a suposta infração referese a omissão de rendimentos decorrentes do suposto ganho de capital na alienação de bens e direitos, utilizados para integralização de capital de sociedade empresária limitada que participa, denominada MJA – Construtora, Incorporadora e Eletromecânica Ltda., CNPJ nº 79.847.000/000181; (ii) o suposto ganho de capital foi autuado em 50% em seu nome e 50% em nome da sua esposa, diante do regime de casamento em comunhão universal de bens; (iii) durante o procedimento fiscal, tentou esclarecer que o referido aumento de capital não ocorreu de fato, mas somente mediante alteração contratual numa empresa que foi idealizada para executar obras de engenharia, mas que nunca entrou em operação; (iv) até hoje os imóveis permanecem em nome do impugnante e de sua esposa, conforme certidões de matrícula dos imóveis e por falha da contabilidade da empresa não houve a reversão do capital subscrito; (v) para corrigir a falha e reverter a subscrição de capital efetuada, e não formalmente integralizada, foi registrada na JUCESC a quarta alteração do contrato social da empresa, na qual rerratificase a segunda alteração contratual registrada em 20/12/2010, excluindo a integralização por meio de imóveis e mantendo o capital integralizado em dinheiro; (vi) a fiscalização alega que o fato de não levar a alteração contratual ao Cartório de Registro de Imóveis não altera a essência do negócio, mas os fatos levam à Fl. 107DF CARF MF 4 conclusão que a transação não se consumou, pois a empresa não entrou efetivamente em operação; (vii) o registro de imóveis é característica essencial para se firmar o direito de propriedade, conforme art. 1.245, § 1º do Código Civil; (viii) no caso não ocorreu o fato gerador que fundamentaria o lançamento; (ix) a rerratificação da integralização do capital social, em 25/05/2014, após o início da fiscalização, não é vedada, pois não se trata de retificação de declaração ou qualquer outra informação prestada ao Fisco, mas mera correção de erro cometido em anos anteriores; (x) o seu erro não justifica o lançamento tributário, citando jurisprudência. Ao final, requereu o cancelamento do auto de infração ao argumento de que: a) não houve a transmissão da propriedade dos imóveis; b) houve erro do contribuinte ao rerratificar tardiamente a alteração contratual que promoveu o aumento de capital social da empresa em que participa; e c) excesso de forma adotado pela fiscalização, tentando prevalecer a forma sobre a verdade material. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0438.910 da 4ª Turma da DRJ/CGE, às fls. 72/78, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE COTAS COM IMÓVEL. Constitui alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a integralização de cota de capital de sociedade comercial mediante transferência de propriedade de imóvel declarada no contrato social ou alteração contratual, ainda que a transferência não tenha sido registrada no Registro de Imóveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 13/04/2015, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 82. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 84/90), apresentando os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11516.722869/201429 Acórdão n.º 2401005.260 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/04/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 82, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/05/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Em síntese, o Recorrente reafirma que durante o procedimento fiscal, tentou esclarecer que o referido aumento de capital não ocorreu de fato, mas somente mediante alteração contratual numa empresa que foi idealizada para executar obras de engenharia, mas que nunca entrou em operação. Todavia, razão não lhe assiste. Sobre o tema imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital, assim dispõe a Lei nº 7.713/1998: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, Fl. 109DF CARF MF 6 desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. No caso de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, efetuados por pessoa física, assim dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Portanto, inconteste que a alienação de bens por pessoa física mediante integralização de imóveis ao capital social de pessoa jurídica, por valores superiores ao custo de aquisição devidamente registrado nas respectivas declarações de bens e direitos, configura fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. No caso dos autos, conforme bem pontuado pela primeira instância administrativa, restou constatada “a ocorrência em 30/11/2010, da integralização do capital social da pessoa jurídica MJA – Construtora, Incorporadora e Eletromecânica Ltda., conforme Segunda Alteração e Consolidação do Contrato Social (fls. 17/24), registrado na JUCESC em 20/12/2010 sob o nº 20103421416, revestindose, portanto, das formalidades para segurança, autenticidade, validade e publicidade dos atos mercantis, gozando, por isso mesmo, da presunção de regularidade e legitimidade. Não foi sem motivo que o capital social da empresa MJA – Construtora, Incorporadora e Eletromecânica Ltda, da qual o autuado é sócio, foi aumentado de R$ 1.000,00 para R$ 1.300.000,00, e o registro da Alteração Contratual nº 02 na Junta Comercial deu o suporte jurídico necessário para consecução do fim pretendido, razão pela qual não merece guarida a alegação de que não houve proveito ou ganho em favor da pessoa física sócia na pessoa jurídica bem como a existência de condição a macular a disponibilidade jurídica ou econômica”. Assim, não restam dúvidas de que a integralização de capital com bens imóveis implica em alienação para fins de incidência do IRPF, a título de ganho de capital, classificável como proventos de qualquer natureza. Por fim, destacase que a Quarta Alteração e Consolidação do Contrato Social, formalizada em 28/05/2014 (f. 3237), reduzindo o valor do contrato social integralizado, com registro em 29/05/2014 na JUCESC sob o nº 20141638214, ocorreu somente após a ciência da lavratura do termo de início de fiscalização, ocorrida em 20/05/2014 (fl. 11), não surtindo, pois, os efeitos desejados para invalidação do presente lançamento. Desta forma, não há quaisquer fundamentos para se reformar a decisão de primeiro grau. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11516.722869/201429 Acórdão n.º 2401005.260 S2C4T1 Fl. 5 7 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 111DF CARF MF
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