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Numero do processo: 10925.002192/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2000, 2001, 2002, 2003, 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Conformando-se
o contribuinte com a exclusão do Simples, já não pode
suscitar a legalidade da mesma nos autos que tratam do lançamento
decorrente.
IRPJ. ESPONTANEIDADE.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração.
Numero da decisão: 1302-000.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. Conformando-se o contribuinte com a exclusão do Simples, já não pode suscitar a legalidade da mesma nos autos que tratam do lançamento decorrente. IRPJ. ESPONTANEIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração.
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EXCLUSÃO. Conformandose o contribuinte com a exclusão do Simples, já não pode suscitar a legalidade da mesma nos autos que tratam do lançamento decorrente. IRPJ. ESPONTANEIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Fl. 654DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10925.002192/200452 Acórdão n.º 130200.631 S1C3T2 Fl. 847 2 Relatório JOLAR AGOSTINHO COLDEBELLA EPP, dividamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Versam os autos sobre a exigência de IRPJ e reflexos, apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido e diz respeito aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2004. O procedimento fiscal decorre da exclusão da pessoa jurídica do Simples, a qual está finda na esfera administrativa (fls. 777 e 778). O lançamento se fundamenta na falta de declaração da receita de venda de mercadorias escrituradas no Livro de Registro de Saída, uma vez que a mesma entregou as DCTFs após o início da ação fiscal. Inconformada com as exigências fiscais, a interessada apresentou a impugnação de fls. 333, alegando em síntese que os débitos do 1º trimestre de 2004 já estão extintos por pagamento, conforme as cópias dos documentos de arrecadação correspondentes e que os demais débitos constam em PER/DCOMP. A Quarta Turma da DRJ em Belo Horizonte(MG) julgou a ação fiscal procedente, nos termos do acórdão nº 0220.197 (fls. 802/805), cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: IRPJ. ESPONTANEIDADE. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Cientificada da decisão (fls. 813), interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 815/818, dizendo em síntese estar inconformada com os motivos da exclusão do Simples, se reportando a supostos débitos de CSLL cujos fatos geradores ocorreram no ano de 1991 e apresentando os respectivos DARFs, afirmando nada dever. Diz que as correspondências de 23/11/2000, 26/05/2003 e 8/8/2003, juntamente com seus anexos, não foram devidamente analisadas pelos funcionários da Receita Federal e requereu o cancelamento dos autos de infração. É o Relatório. Voto Fl. 655DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10925.002192/200452 Acórdão n.º 130200.631 S1C3T2 Fl. 848 3 Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como anotado no relatório, a recorrente foi excluída do Simples e em conseqüência disto foram lavrados os autos de infração aqui discutidos. Os argumentos da impugnação não foram repetidos em sede recursal. Ao invés disto, a recorrente traz à baila argumentos tendentes a afastar a causa da exclusão do Simples. Às fls. 321/323 consta o Parecer Sacat nº 234/2003, extraído do Processo nº 13981.000113/200310, do qual se infere que a Solicitação de Revisão do Simples apresentada pela recorrente visando a sua reinclusão no sistema simplificado foi indeferida por intempestiva. Dos autos não consta qualquer indício de que a interessada tivesse interposto recurso ao CARF. Ao contrário, os documentos de fls. 777/778 dão conta que a exclusão da pessoa jurídica do Simples está finda na esfera administrativa. De outra parte, a manifestação da interessada acolhida como impugnação às exigências formalizadas através dos autos de infração aqui tratados, por pertinente, deve ser reproduzida: ...tendo recebido TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, em 20 de outubro de 2004, por ter sido excluída do Simples a partir de novembro de 2000 e devendo recolher aos cofres públicos o total da notificação, utilizouse dos créditos já pagos conforme o Per/Dcomp apresentados. Tendo em vista o 1º trimestre de 2004 constar na referida notificação e os mesmos terem sido recolhidos, conforme xerox dos DARFs, em anexo, solicitamos a IMPUGNAÇÃO DOS MESMOS. Ou seja, a interessada aceitou os termos da ação fiscal e a decisão recorrida, ao mesmo tempo que não acatou os pagamentos realizados com os efeitos de denúncia espontânea, alocou o valor arrecadado a outros débitos. Os argumentos expendidos no recurso voluntário, com exceção àquele do 1º trimestre de 2004, são estranhos à lide e mesmo que justificassem a permanência da empresa no Simples, já não podem ser apreciados em grau de recurso, pena de ofensa à coisa julgada. Quanto ao alegado pagamento relativo ao 1º trimestre de 2004, bem andou a decisão recorrida em não acatálos, uma vez que à época dos pagamentos a interessada já havia perdido o benefício da espontaneidade, enquanto que o valor arrecadado foi alocado a débitos não discutidos nos presentes autos. Fl. 656DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10925.002192/200452 Acórdão n.º 130200.631 S1C3T2 Fl. 849 4 DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de NEGARLHE PROVIMENTO. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 657DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000248/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.356
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RIMOLI E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 48 /2 00 6- 11 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 572 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento n° 42418.12l58.l20405.1.1.013863, no valor de R$ 129.845,54, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2005 (fl. 03). Foram transmitidas as DCOMPS relacionadas às fls. 333, vinculadas ao PER tratado neste processo. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada mediante procedimento fiscal. As constatações da auditora encontramse relatadas na Informação Fiscal de fls. 299/304, podendo ser assim resumidas: a) o estabelecimento fiscalizado industrializa formulários contínuos classificados nos códigos 4911.9900 (alíquota 0%) e 4820.4000 (alíquota 15%), segundo verificação, por amostragem, das notas fiscais de vendas; b) o papel em bobina e o papel autocopiativo são utilizadas na industrialização (matériaprima), mas também são revendidos em grandes quantidades (comercializados), enquanto as entradas desses papéis foram majoritariamente escrituradas como compras para industrialização, com crédito do IPI. Em virtude dessa inconsistência, a empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação do controle da produção e do estoque, as quantidades desses papéis (papel em bobinas e autocopiativo) aplicadas na industrialização. Nos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque apresentados Ê foram escriturados os produtos industrializados, nem os insumos utilizados em suas fabricações. Diante da impossibilidade de apurar corretamente as quantidades desses papéis que foram Fl. 572DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 573 3 aplicadas na industrialização, a fiscalização glosou os créditos oriundos de todas as entradas dessas mercadorias, segundo discriminado às fls. 302/303. Após reconstituição da escrita fiscal, com glosa dos créditos considerados indevidos, houve redução no valor do saldo credor originalmente apurado pela empresa (fls 297/298), além da apuração de débitos exigidos mediante lançamento de ofício (processo 14120.000132/200845). Em conseqüência, o direito creditório foi reconhecido apenas parcialmente (R$ 2.500,81), e as compensações declaradas foram parcialmente homologadas, nos termos do Parecer e Despacho Decisório de fls. 333/337. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando do indeferimento de seu pleito (fls. 365/375). Argumentou que 0 indeferimento do pedido de ressarcimento foi equivocado, pois a fiscalização deixou de considerar a atividade da empresa como preponderantemente industrial (fabricação de bobinas de PDV, formulários contínuos, etiquetas autoadesivas, etc), sendo inequívoco o direito ao crédito do IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização. lnsurgiuse também contra a imposição de multa, atualização pela Selic e juros de mora sobre os débitos que resultaram das compensações não homologadas. Alegou o caráter confiscatório da penalidade, a impossibilidade de utilização da taxa Selic como indexador e o caráter abusivo da cobrança, concomitantemente, de multa e juros de mora. Quando da primeira análise dos autos verificouse que uma parcela dos créditos a que a contribuinte fazia jus não foram aproveitados pela auditora, pois, como afirmado pela própria fiscalização, parte das aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo foram empregadas como matériaprima na industrialização efetuada pelo estabelecimento. Foram os autos, então, baixados em diligência por intermédio do despacho de fl. 480, pois entendeuse que, ainda que os controles da produção do estabelecimento não permitissem segregar as quantidades de papel em bobina e papel autocopiativo destinadas à industrialização e à revenda, seria possível estimá las por critério de rateio (proporcionalização), visando atender ao princípio da nãocumulatividade do imposto. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização, por critério de rateio (fls. 487), segregou as aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicadas na industrialização e revendidas, glosando apenas os créditos relativos às revendas. Elaborou a Reconstituição do RAIPI de fls. 495, que atesta a ocorrência de saldo credor. A contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência (fls. 501/503), apresentando as razões adicionais de defesa de fls. 504/505. Reafirmou o conteúdo da manifestação de inconformidade apresentada e, no que diz respeito aos créditos oriundos de aquisições de bobinas em papel e papel autocopiativo, solicitou que o quantum seja obtido “mediante Fl. 573DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 574 4 pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento”." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz\ de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao principio da nãocumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matériasprimas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Para as Declarações de Compensação apresentadas à Receita Federal após 27 de maio de 2003 os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios a partir da data de vencimento do tributo até a data da apresentação da DCOMP, acréscimos esses previstos em lei federal vigente (art. 61 da Lei 9.430, de 1996). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 561/563), no qual se insurgiu contra o Acórdão recorrido em relação a impossibilidade de concessão de prazo para que a ora recorrente pudesse proceder a um levantamento contábil pormenorizado e a aplicação da multa moratória. É o relatório, em síntese. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 575 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado anteriormente, a recorrente ataca o indeferimento do seu pedido de mais prazo para realizar um levantamento contábil pormenorizado a fim de "se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus" e complementa alegando que "o aludido levantamento só não foi feito ate a presente data justamente em razão da falta de tempo hábil concedido para tanto" (fl. 562). A irresignação da recorrente não merece acolhida, primeiro, porque teve inúmeras oportunidades de realizar tal levantamento, inclusive, quando da baixa do processo em diligência, segundo, o mais fundamental, porque era do contribuinte, desde a início, o ônus de provar o seu direito contra a Fazenda Nacional. Relembrese, por oportuno, que somente podem ser autorizadas as compensações de créditos líquidos e certos do sujeito passivo, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, não há reparo a ser feito nas razões de decidir do Acórdão recorrido, como se percebe do seguinte excerto do voto condutor: "(...) cumpre esclarecer A. contribuinte que estamos diante de pedido de ressarcimento, cabendo à solicitante a prova do direito creditório alegado. E, se desde a época da fiscalização até a presente data a contribuinte não trouxe aos autos elementos capazes de contradizer a apuração dos créditos efetuada pela fiscalização, não me parece razoável sua pretensão de obter mais prazo para proceder ao "pormenorizado levantamento contábil" dos créditos em comento." (grifo nosso) Ademais, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o Fl. 575DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 576 6 julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos citados, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente além de não se desincumbir do ônus de provar o seu suposto direito creditório, também não conseguiu demonstrar cabalmente nenhum erro na forma de apuração dos créditos realizada pela fiscalização, nem mesmo trazendo novos argumentos sobre o assunto em seu Voluntário. Por outro lado, no tocante à aplicação da multa moratória, a recorrente alega que não há que se falar em pagamento fora do prazo, mas em discussão acerca do quantum de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 14112.000248/200611 Acórdão n.º 3002000.356 S3C0T2 Fl. 577 7 crédito real a ser deferido, assim, após estabelecido tal valor, havendo débito, somente aí poderia ser exigida a multa de mora e, ainda assim, em parâmetro razoável de 2%. Melhor sorte não possui a recorrente nessa matéria, pois a multa e seu percentual decorrem de comando legal. Transcrevese o art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse passo, percebese que incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, como no caso ora analisado, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, de acordo com o dispositivo anteriormente reproduzido. Por outro lado, ressaltese que, mesmo em compensações homologadas, caso o PER/DCOMP tenha sido transmitido após a data de vencimento de débito declarado em DCTF, incidem os acréscimos moratórios entre a data do vencimento e a data de transmissão da declaração. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910725/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Numero da decisão: 3201-004.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 25 /2 00 8- 69 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 78 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMp nº 17361.50903.230104.1.3.046610, fls. 09/13,na qual o contribuinte pretende compensar crédito no montante de R$ 2.994,10 (crédito original da data da transmissão), decorrente de pagamento indevido ou maior de COFINS, efetuado em 15/03/1999, com débitos do próprio COFINS. Em 12/08/2008, após análise da DCOMP de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB, foi emitido despacho decisório assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente que não homologou a compensação declarada, por inexistência do crédito, nos seguintes termos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.994,10. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Diante da inexistência do crédito, não homologo a compensação declarada." Inconformado, o contribuinte, por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 14 a 16, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Dos fatos A Requerente na qualidade de contribuinte do PIS/COFINS recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 quando apurou a base de cálculo das contribuições. O crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor. Recentemente, a empresa recebeu o despacho decisório glosando uma das compensações efetuadas, por não ter sido confirmada a existência do crédito, pois o DARF não foi localizado. Todavia, em nenhum momento foi oportunizado à empresa demonstrar seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio fisco, motivo pelo qual não Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 79 3 pode a Requerente se conformar com tal decisão e interpõe o presente recurso administrativo. DOS FUNDAMENTOS DO RECURSO Ressalta que, conforme exposto acima, o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela Recorrente é a não localização do DARF do crédito. O fisco concluiu pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. Se o fisco tivesse cumprido com o seu dever de solicitar ao contribuinte a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado. restaria demonstrado o recolhimento indevido e, portanto, fulminado o fundamento utilizado para denegar as compensações. Por tais razões deve ser conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para que seja anulado o referido despacho decisório, determinando para a digna Autoridade a quo que efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações efetuadas. Alternativamente, requer, a homologação da compensação efetuada. DO PEDIDO Diante do exposto, requer que seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade para fins de anular o referido despacho decisório, determinando que sejam realizadas diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações glosadas. Alternativamente, requer, a reforma do despacho decisório para que sejam homologadas as compensações efetuadas. A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 80 4 Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP).PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. INDEFERIMENTO. Não se justifica a realização de diligência fiscal para verificação de documentos do contribuinte com o fim de verificar a procedência do direito por ele invocado quando apresentadas meras alegações sem exibição de qualquer documentos indicativo do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a Autoridade Administrativa concluiu pela inexistência do crédito sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação; (ii) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade; (iii) acaso tivesse ocorrido a intimação para o contribuinte demonstrar o seu crédito o Fisco teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; (iv) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (v) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que a Requerente é legitima credora da União Federal; e (vi) não se permitiu a produção de provas necessárias e com base nesta decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas; Requer, ao final, a Recorrente o provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 82 6 ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 83 7 direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 84 8 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201 002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201 003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201 003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.910725/200869 Acórdão n.º 3201004.096 S3C2T1 Fl. 85 9 "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901522/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 15 22 /2 01 3- 18 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10875.901522/201318 Acórdão n.º 1302002.947 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: “O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação [...], na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (cód. receita 2484 CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 28/02/2009. O contribuinte foi cientificado, [...]do Despacho Decisório [...]: [...] Irresignado, o contribuinte apresentou [...] a Manifestação de Inconformidade [...], alegando que havia incorreção em sua DCTF, cuja correção foi providenciada mediante DCTF retificadora [...]. Solicita, assim, sejam consideradas as correções propostas, pois seu direito creditório estaria assegurado com os recolhimentos efetuados por Darf”. Após analisada a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a Turma Julgadora a quo julgoua improcedente, sob o argumento de que pleiteado a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Abaixo, segue a transcrição do Acórdão n.º 1665.756 DRJ/SPO: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10875.901522/201318 Acórdão n.º 1302002.947 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho. Em sua peça, a recorrente traz documentos que reputa serem suficientes à comprovação de seu direito creditório, aduzindo para tanto, o que segue: A estimativa referente a fevereiro 2009 foi quitada através do DARF em 31/03/2009. Ocorre que o valor recolhido no mencionado DARF corresponde ao valor de R$ 62.330,03 declarados na DCTF transmitida em 17/04/2009, que veio a ser retificada pela DCTF transmitida em 05/09/2013, para refletir o correto valor da CSLL apurada na competência fevereiro 2009, ou seja, R$ 45.329,29. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.946, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901528/2013 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de março 2009. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, relativa ao mês de fevereiro 2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.946): "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão de Manifestação de Inconformidade que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Com relação ao direito creditório objeto deste processo, a Recorrente esclarece que efetuou o recolhimento de R$ 668.372,08 (cf. Comprovante de Arrecadação, Doc. 07 do recurso); porém, posteriormente, em decorrência de revisões internas, verificou que o valor devido a título de IRPJ por estimativa para o mês de março de 2009 era, na verdade, de R$ 472.200,79, tendo declarado este valor (e não aquele) na Ficha 11 da DIPJ 2010 (cf. Doc. 04 do recurso). Em razão disso, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP 18535.63848.250211.1.3.048801 no valor de R$ 196.171,29 (cento e noventa e seis mil, cento e setenta e um reais Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10875.901522/201318 Acórdão n.º 1302002.947 S1C3T2 Fl. 5 4 e vinte e nove centavos) que corresponde à diferença entre os valores discriminados no parágrafo anterior; sendo esta a origem do direito creditório objeto deste processo. Pontua, inclusive, que a DCTF nº 17.66.37.5747 (Doc. 08), onde constava a declaração do débito de R$ 668.372,08, foi retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc. 09) para consignar que a estimativa de IRPJ devida no mês de março de 2009 era, na verdade, R$ 472.200,79, uma vez que isto não havia sido procedido anteriormente. Pois bem. Cabe destacar a alegação da recorrente de que, apesar de ter declarado em DCTF o valor de R$ 668.372,08, declarou na DIPJ do exercício seguinte o valor de R$ 472.200,79 (cf. Doc. 04). No mesmo sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10875.901522/201318 Acórdão n.º 1302002.947 S1C3T2 Fl. 6 5 buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTFretificadora, cópia do documento de arrecadação federal e DIPJ. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: Entretanto, o contribuinte não juntou aos autos nenhum elemento comprobatório ou indiciário do alegado erro e nem tampouco explica as circunstâncias e os motivos que o levaram a efetuar, segundo alega, o pagamento indevido ou a maior. (...) Sendo assim, cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10875.901522/201318 Acórdão n.º 1302002.947 S1C3T2 Fl. 7 6 No caso em tela, entendo que a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003862/2010-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto, sendo que o paradigma sequer trata da norma tributária que orientou a decisão do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto, sendo que o paradigma sequer trata da norma tributária que orientou a decisão do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 62 /2 01 0- 01 Fl. 1716DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos referente a ganho de capital obtido em aplicações financeiras em renda variável, verificado no ano de 2006. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 1.338 a 1.375, contendo os argumentos assim resumidos no relatório da decisão de Primeira Instância, no que tange ao objeto do presente Recurso Especial: "8 a d. fiscalização informa que, "para efeito de cálculo dos ganhos/perdas nas operações de Renda Variável no período de 2006" será considerada a data da liquidação das operações, "onde se verifica o regime de caixa". Tal conclusão, no entanto, está incorreta; 9 o negócio jurídico de compra e/ou venda de ações em bolsa se efetiva na data do pregão, que é quando as partes acordam todos os termos da transação. Dessa forma, o fato gerador do imposto ocorre na data do pregão, e não na da liquidação. Essa foi, inclusive, a conclusão da Receita Federal do Brasil lançada no "Perguntas e Respostas" do IRPF de 2010; 10 conforme se verifica do demonstrativo elaborado para a Usina Costa Pinto S/A (Doc. 02), muito embora a d. fiscalização tenha indicado na coluna "Data do Evento" as datas indicadas nas notas de corretagem para a liquidação da operação, ela ordenou as operações em ordem cronológica de pregão; 11 se, segundo a d. fiscalização, o critério correto para a apuração dos resultados líquidos deve ter como base a data da liquidação, pois é nesse momento que "se verifica o efetivo desembolso e recebimento financeiro" (fls. 1.290), então as operações deveriam ter sido consideradas segundo em ordem crescente de liquidação, e não de pregão. Ou seja, a d. fiscalização mistura os dois critérios, não aplicando nenhum deles consistentemente; 12 essa confusão gera distorções imensuráveis no cálculo do resultado líquido, pois esse deve ser feito com base no custo médio das ações, o qual varia significativamente dependendo da ordem atribuída às operações de compra e venda de ações; 13 de acordo com o demonstrativo elaborado para ELETC38/ELETROBRAS (Doc. 03), em 09/03/2006 o Impugnante teria comprado 55.000.000 de ações da Eletrobrás pelo valor total de R$ 231.543,23. Em seguida, no dia 22/03/2006, o Impugnante teria vendido essas mesmas ações em 6 transações seguidas pelo mesmo valor total de R$ 231.543,23. Logo abaixo dessas operações, a d. fiscalização assinala que o Impugnante não teria exercido a opção de compra das ações ("OPÇÃO NÃO EXERCIDA NO VENCMTO ") e indica, consequentemente, uma perda de R$ 35.693,76; 14 tal raciocínio não está correto, pois se comprou e vendeu pelo mesmo valor, não há motivos para existir perdas. Na verdade, constatou o Impugnante que esse valor de R$ 35.693,76 aparentemente foi extraído da primeira operação realizada no Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.717 3 dia 27/12/2006. Sem nenhuma explicação, atribuiuse esse mesmo valor para uma transação que ocorreu no dia 20/03/2006; 15 conforme se verifica da nota de corretagem n° 133, acostada às fls. 195 do processo, o Impugnante adquiriu o direito de compra de 55.000.000 de ações da Eletrobrás mediante o pagamento de prêmio no valor final de R$ 231.543,23. Segundo a coluna "Prazo" dessa mesma nota, tal opção deveria ser exercida ainda no mês de março de 2006. Por força de regulamentação, as opções sempre valem até o dia 20 de cada mês (no caso, o mês de março indicado pela letra "c"). Em 17/03/2006 (data do pregão), o Impugnante exerceu a opção de compra dessas ações, pagando por tais valores mobiliários o montante de R$ 2.092.826,55. Disso se conclui que o custo total dessas 55.000.000 de ações da Eletrobrás foi de R$ 2.324.369,78 equivalente à soma de prêmio e preço; 16 verificase, portanto, que o primeiro equívoco cometido foi concluir que o Impugnante não teria exercido a opção de compra dessas 55.000.000 de ações da Eletrobrás, quando, pela documentação que lhe foi disponibilizada, não restavam dúvidas que a referida opção foi tempestivamente exercida; 17 se é verdade que o Impugnante não teria exercido a sua opção de compra, tais ações jamais poderiam constar da sua carteira, afinal elas não teriam sido adquiridas. Porém, ao analisar o demonstrativo elaborado pela d. fiscalização para o ativo "ELET3/ELETROBRAS", o Impugnante constatou, no dia 22/03/2006 a indicação de operações de compra de 55.000.000 de ações no valor total de R$ 2.092.826,55. Ou seja, apesar de afirmar que o Impugnante não teria exercido a sua opção de compra das ações, a d. fiscalização, contradizendo a sua alegação anterior, simplesmente lança essas mesmas ações na carteira do Impugnante; 18 na compra dessas ações também não foi computado o valor de compra das ações, o valor pago pelo impugnante para adquirir a opção de compra, isto é, o prêmio, devidamente informado na nota de corretagem de fls. 195; 19 de acordo com a nota de corretagem n° 402, encartada às fls. 351, em 17/05/2006 (data de pregão), o Impugnante adquiriu opção de compra de 114.000.000 ações da Eletrobrás. Tais opções deveriam ser exercidas em agosto de 2006. Porém, no mesmo dia, o Impugnante vendeu opção de compra de 159.000.000 de ações dessa mesma empresa; 20 considerando que o Impugnante comprou no dia 17/05/2006 114.000.000 opções de compra de ações da Eletrobrás e vendeu, no mesmo dia, 159.000.000 opções de compra do mesmo ativo, concluise que a conjugação da compra e da venda de opções de compra de 114.000.000 de ações da Eletrobrás no dia 17/05/2006 deve ser classificada como uma operação de day trade, sujeita a uma sistemática diferenciada de apuração do imposto de renda; Fl. 1718DF CARF MF 4 21 contudo, a d. fiscalização, no demonstrativo referente a esse ativo (Doc. 04), considerou que apenas a opção de compra de 5.000.000 de ações teriam sido negociadas nesse dia (vale notar que a d. fiscalização usa indica no demonstrativo a data da liquidação da operação, que, segundo a nota de corretagem de fls. 351, foi em 18/05/2006) no mercado de day trade; 22 segundo a nota de corretagem n° 325, juntada às fls. 543, em 18/08/2006 (data de pregão), o Impugnante comprou a termo 670.000 ações da Usina Costa Pinto S/A pelo valor de R$ 4.432.083,50. Essa mesma nota indica, ainda, na coluna "Prazo" que tal compra se aperfeiçoará em 48 dias; 23 no demonstrativo referente à Usina Costa Pinto (Doc. 02), considerouse que tal operação foi liquidada no dia 23/08/2006, pois a respectiva nota de corretagem indica, na sua parte final, que o seu valor seria "Líquido para 23/08/2006”. Tal raciocínio está incorreto; 24 como indicado na nota de corretagem, o prazo para a ocorrência da compra das 670.000 ações da Usina Costa Pinto era de 48 dias, o qual, contado a partir de 18/08/2006 (data do pregão) implementarseia no dia 04/10/2006. E foi justamente isso o que aconteceu. O extrato de Conta Correntes emitido pela São Paulo Corretora de Valores Ltda. indica em sua folha 12 a liquidação, em 04/10/2006, de contrato a termo no valor de R$ 4.432.083,50. Tal paginado do referido extrato também está anexado no processo às fls. 877; 25 tal informação poderia ter sido extraída da própria nota de corretagem n° 325. Conforme se verifica do quadro "Resumo Financeiro", o valor liquido das operações negociadas por meio da referida nota foi de R$ 3.825.701,00. Esse montante corresponde à diferença entre os valores de R$ 4.355.000,00 e R$ 529.299,00, que tratam, respectivamente, de vendas e compras no mercado à vista, passíveis de liquidação no dia 23/08/2006. Daí porque na parte final da nota de corretagem consta a seguinte observação: "(1) As operações a termo não são computadas no líquido da fatura"; 26 nota de corretagem n° 77 (fls. 612): indica a compra a termo de 270.000 ações. O prazo para a liquidação dessa operação era de 95 dias, o qual se realizou em 08/01/2007. Porém, a d. fiscalização tomou como base a data de liquidação da nota de corretagem n° 77, a qual não contempla as operações realizadas no mercado a termo, mas tão somente aquelas efetuadas no mercado à vista. Por esse motivo, a d. fiscalização equivocadamente indicou no demonstrativo referente à Usina Costa Pinto (Doc. 02) a ocorrência de uma aquisição de 270.000 no dia 10/10/2006, em vez de alocála para a data correta, a saber, 08/01/2007; 27 nota de corretagem n° 77 (fls. 612): indica a compra a termo de 600.000 ações. O prazo para a liquidação dessa operação era de 96 dias, o qual se realizou em 09/01/2007. Porém, a d. fiscalização tomou como base a data de liquidação da nota de corretagem n° 77, a qual não contempla as operações realizadas no mercado a termo, mas tão somente aquelas efetuadas no Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.718 5 mercado à vista. Por esse motivo, a d. fiscalização equivocadamente indicou no demonstrativo referente à Usina Costa Pinto (Doc. 02) a ocorrência de uma aquisição de 600.000 no dia 10/10/2006, em vez de alocála para a data correta, a saber, 09/01/2007; 28 nota de corretagem n° 99 (fls. 614): indica a compra a termo de 340.000 ações. O prazo para a liquidação dessa operação era de 95 dias, o qual se realizou em 09/01/2007. Porém, a d. fiscalização tomou como base a data de liquidação da nota de corretagem n° 99, a qual não contempla as operações realizadas no mercado a termo, mas tão somente aquelas efetuadas no mercado à vista. Por esse motivo, a fiscalização equivocadamente indicou no demonstrativo referente à Usina Costa Pinto (Doc 02) a ocorrência de uma aquisição de 340.000 no dia 11/10/2006, em vez de no dia 09/01/2007; 29 nota corretagem n° 115 (fls. 618): indica a compra a termo de 300.000 ações. O prazo para a liquidação dessa operação era de 93 dias, o qual se realizou em 10/01/2007. Porém, a d. fiscalização tomou como base a data de liquidação da nota de corretagem n° 115, a qual não contempla as operações realizadas no mercado a termo, .nas tão somente aquelas efetuadas no mercado à vista. Por esse motivo, a d. fiscalização equivocadamente indicou no demonstrativo referente à Usina Costa Pinto (Doc. 02) a ocorrência de uma aquisição de 300.000 no dia 13/10/2006, em vez de no dia 10/01/2007; 30 no mês de fevereiro da Usina Costa Pinto S/A (Doc. 02). Em 03/02/2006 o Impugnante recebeu 1.000.000 de ações do Sr. Jaime Michaan a título de empréstimo (a ser abordado no tópico III. 1). Segundo a d. fiscalização, o valor dessa operação seria equivalente a zero. Pois bem, em 06/02/2006 foi liquidada a nota de corretagem n° 18 (fls. 109), por intermédio da qual o Impugnante vendeu no mercado à vista 700.000 ações pelo valor líquido de R$ 1.957.348,95; 31 além desse procedimento não respeitar nenhuma metodologia, tampouco ele se reveste de qualquer lógica. Primeiro porque, o número de ações envolvidas nessas duas operações é completamente diferente; no mínimo, deveria a d. fiscalização ter proporcionalizado o montante. Segundo porque, não faz o menor sentido apurar o resultado líquido de uma operação a partir do valor pactuado em outra; 32 em determinados períodos, a d. fiscalização simplesmente abandona essa forma de cálculo e passa a utilizar a metodologia do custo médio. Segundo a nota de corretagem n° 490 (fls. 555), em 28/08/2006 (data do pregão), o Impugnante vendeu no mercado à vista 860.000 ações da Usina Costa Pinto S/A pelo valor bruto de R$5.590.000,00. A liquidação dessa operação ocorreu em 31/08/2006. No entanto, em 30/08/2006, o Impugnante recebeu 700.000 do Sr. Jaime Michaan a título de empréstimo. Diferentemente do efetuado nos meses anteriores, a d. fiscalização atribui valor zero à operação de empréstimo; Fl. 1720DF CARF MF 6 33 no ano de 2006, o Impugnante tomou emprestado do Sr. Jaime Michaan ações das empresas Usina Costa Pinto S/A e da Eletrobrás. As ações da Usina Costa Pinto foram utilizadas para realizar negociações diretas na bolsa de valores. Já as ações da Eletrobrás tinham a finalidade de garantia; 34 sob o argumento de que os empréstimos privados e gratuitos de ações não se submetem à sistemática regulada pela IN RFB n° 742/07, as ações recebidas a esse título do c. Jaime Michaan foram submetidas pela d. fiscalização a dois cálculos de apuração de resultado líquido em operações de renda variável: um por ocasião da venda das ações na bolsa de valores e outro no momento da devolução das ações; 35 os argumentos aduzidos no Termo de Verificação Fiscal para descaracterizar as operações realizadas entre o Impugnante e o Sr. Jaime Michaan são completamente descabidos. Isso porque, a d. fiscalização entende que empréstimos de ações pactuados entre particulares de forma gratuita não se caracterizam como empréstimo; 36 a fiscalização entendeu que porque o empréstimo foi contratado de forma gratuita, ele não se reveste das características dos empréstimos de ações realizados no âmbito da BM&F BOVESPA e retratados na IN RFB n° 742/07. Essa conclusão, porém, também está equivocada; 37 conforme amplamente demonstrado nos parágrafos anteriores, a onerosidade não é uma característica essencial dos contratos de empréstimos, sendo plenamente possível a contratação de empréstimos sem o estabelecimento de remuneração ao mutuante/comodante. Tanto é assim que a própria BM&FBOVESPA, em seu LINK "Perguntas Frequentes" sobre empréstimos de ações, esclarece que não existe remuneração fixa a ser cobrada pela pessoa que cede ações em empréstimos; 38 se, segundo a BM&F BOVESPA, as taxas de remuneração são livremente estipuladas entre o doador e o tomador, nada impede que as partes simplesmente não estabeleçam nenhuma remuneração pela cessão; 39 mesmo que os empréstimos pactuados entre o Impugnante e o Sr. Jaime Michaan não fossem realizados no âmbito da BM&F BOVESPA, ainda assim as regras estabelecidas pela IN RFB n° 742/07 seriam aplicáveis; 40 tal como demonstrado anteriormente, o negócio contratado entre o Impugnante e o Sr. Jaime Michaan corresponde a um efetivo empréstimo, e, para essas hipóteses específicas, o procedimento mais coerente para o cálculo do resultado líquido das transações ocorridas em bolsa de valores é justamente aquele regulado pela IN RFB n° 742/07; 41 partindo da premissa adotada pela d. fiscalização de que na etapa "1" o custo de aquisição das ações recebidas do Sr. Jaime Michaan seria equivalente a zero, eventual ganho seria apurado pelo Impugnante apenas por ocasião da venda das ações no mercado, pois somente nesse momento é que existiria um valor Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.719 7 de venda a ser confrontado com o custo de aquisição. Ou seja, somente no momento da venda das ações é que o Impugnante estaria sujeito à apuração de resultado líquido tributável; 42 esse não foi, no entanto, o procedimento adotado pela d. fiscalização que, para alguns meses do período analisado, alocou o ganho decorrente da venda para a data em que o Impugnante recebeu as ações do Sr. Jaime Michaan, e não para a data da venda das ações; 43 exemplificativamente, o mês de janeiro. No dia 03/01/2006 o Impugnante recebeu 300 ações do Sr. Jaime Michaan. Tais ações já haviam sido vendidas na Bolsa de Valores no pregão do dia 02/01/2006, com liquidação agendada para o dia 05/01/2006. Apesar da venda ter sido contratada no dia 02 e liquidada no dia 05, a d. fiscalização alocou o ganho da operação para o dia 03, data em que o Impugnante recebeu as ações do Sr. Jaime Michaan;" Recebida a Impugnação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP, esta baixou o processo em diligência à respectiva Defis/SP, nos seguintes termos: "A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 04/05/2009, e resultou na lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável. Omissão de Ganhos em Operações Comuns. Enquadramento legal: art. 6º, da Lei 9.959/00. 2 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável. Omissão de ganhos em operações “Day Trade”. Enquadramento legal: art. 2º, I, da Lei 11.033/2004, arts. 743, 761, 764, 765, 766 e 770 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999,/99. (...) Conforme Termo de Verificação retrocitado, para fins de apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável, a autoridade fiscal considerou a data de liquidação das operações, uma vez regerse pelo regime de caixa a tributação do imposto de renda pessoa física. De fato, o entendimento dominante na Secretaria da Receita Federal era de que, na apuração dos ganhos no mercado de renda variável, deveria ser considerada a data de liquidação. Na publicação “Perguntas e Respostas” do Exercício 2010, a resposta da pergunta 684 trata do tema, nos seguintes termos: ENAÇÃO DE AÇÕES EM BOLSA – LIQUIDAÇÃO NO MÊS ALIENAÇÃO DE AÇÕES EM BOLSA – LIQUIDAÇÃO NO MÊS SUBSEQÜENTE. Fl. 1722DF CARF MF 8 684 No caso de alienação de ações em pregão ao final de determinado mês, que resulte em liquidação financeira da operação no mês subsequente, qual é o mês em que deve ser considerado? A pessoa física sujeitase à apuração de imposto sobre a renda pelo regime de caixa. Assim, no caso de Alienação de ações, o fato gerador do imposto ocorre na liquidação financeira da operação. Portanto, na hipótese descrita, o mês a ser considerado é o mês subsequente ao do pregão, em que foi efetuada a alienação das ações. Posteriormente, na edição do exercício 2012, desta publicação, a resposta da mesma pergunta (nº 691), em clara mudança de entendimento, esclarece que o fato gerador do imposto de renda ocorre na data do pregão e não na data da liquidação, sendo, entretanto, a tributação diferida para o momento da liquidação financeira. ALIENAÇÃO DE AÇÕES EM BOLSA – LIQUIDAÇÃO NO MÊS SUBSEQÜENTE. 691 No caso de alienação de ações em pregão ao final de determinado mês, que resulte em liquidação financeira da operação no mês subsequente, qual é o mês em que deve ser considerado? Sendo o ganho líquido sobre renda variável uma modalidade de ganho de capital, a sua tributação segue as mesmas normas de apuração e tributação do ganho de capital. Assim, no caso de alienação de ações na Bolsa de Valores, tendo em vista que a liquidação financeira não ocorre na mesma data da operação, o fato gerador do imposto ocorrerá na data do pregão, sendo a tributação diferida para o momento da liquidação financeira. Desse modo, para efeitos de apuração do limite de isenção, considerase a data do fato gerador (data do pregão). A data da liquidação servirá como parâmetro para a retenção do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (pela corretora) e para a contagem do prazo para recolhimento do imposto devido, ou seja, o imposto devido deverá ser recolhido até o último dia útil do mês subsequente ao da liquidação financeira. É necessário, portanto, que a Fiscalização faça novo cálculo dos ganhos líquidos no mercado de renda variável utilizando a data do pregão conforme entendimento apresentado acima. Dessa forma, em face de todo o exposto, os autos do processo devem ser encaminhados à DEFIS/SP, para que os ganhos líquidos das operações normais e Day Trade sejam apurados utilizando o fato gerador ocorrido na data do pregão e considerando a tributação diferida para o momento da liquidação financeira. As planilhas com os resultados das operações normais e Day Trade por ativo e os demonstrativos mensais do ganho de capital em operações em bolsa de valores devem ser juntados ao presente processo. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.720 9 Encerrada a diligência, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado serlhe facultado o direito de apresentar manifestação no prazo de 30 dias, conforme previsão contida no art.35,§ único do Decreto 7.574 de 29 de setembro de 2011." Intimado do resultado da diligência em 25/10/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.468), o Contribuinte apresentou, em 25/11/2013, a manifestação de fls. 1.472 a 1.492, assim resumida: "Resumindo tudo o que foi exposto nesta Manifestação, o Requerente pontua e requer o seguinte: i. que esta Colenda Turma de Julgamento julgue nulo o auto de infração em testilha, pois oerro de cálculo identificado no despacho de n° 6 demonstra puro desconhecimento da legislação e erro de direito que não pode ser objeto de revisão de ofício nos termos do art.149 do CTN, sob pena de inovação do lançamento; ii. ainda que superado o item acima (o que se admite apenas para fins de argumentação) que esta Colenda Turma de Julgamento decrete a nulidade do lançamento porque, ainda que se sustente que os erros nele identificados sejam passíveis de revisão, já se passaram mais de 5 anos desde a ocorrência do fato gerador. Ou seja, já se esgotou o prazo para a revisão do lançamento, nos termos do art. 149, § único, do CTN; iii. que esta Colenda Turma de Julgamento afaste o trabalho elaborado pela Autoridade fiscal, seja porque ele extrapolou os limites estabelecidos no despacho n° 06, levando à inovação do lançamento, seja porque ele contém nítidos erros de direito, além de desobedecer expressamente as determinações contidas no despacho n° 06. iv. que seja o auto de infração em comento julgado nulo, pois esse trabalho de diligênciaelaborado deixou mais do que claro que os cálculos da autuação estão equivocados, o quecertamente levará à formulação de uma cobrança incorreta em face do Requerente." Em 20/08/2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP proferiu o Acórdão nº 1660.558, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Ementa: PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais do Ministério da Fazenda não constitui quebra do sigilo bancário. Fl. 1724DF CARF MF 10 CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DESCRIÇÃO DOS FATOS. O Auto de Infração acompanhado de todos os seus anexos, dentre os quais o Termo de Verificação, com o relato minucioso de todo o procedimento empreendido, a descrição e demonstração das infrações imputadas, permite ao contribuinte tomar pleno conhecimento da autuação e exercer seu amplo direito de defesa. Incabível, portanto, alegação de cerceamento de defesa quando presentes todos estes elementos no lançamento. RESULTADO APURADO EM DILIGÊNCIA. SUBSÍDIOS PARA O JULGAMENTO. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NA FASE IMPUGNATÓRIA. A autoridade julgadora pode determinar a realização de diligências de modo a subsidiar a apreciação das questões tratadas na impugnação. O resultado da diligência não se confunde com revisão de ofício e nem com lançamento complementar, já que após a apresentação da impugnação, o lançamento regularmente notificado somente pode ser alterado por força de decisão administrativa. EMPRÉSTIMO DE AÇÕES ENTRE PARTICULARES. APURAÇÃO DOS GANHOS LÍQUIDOS NAS OPERAÇÕES. CUSTO MÉDIO DAS AÇÕES EMPRESTADAS. COMPROVAÇÃO. Os empréstimos de ações realizados sem a intervenção da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) não são considerados operações de mercado de renda variável e não são reguladas pela CVM. Esses empréstimos não seguem as regras de tributação estabelecidas pela IN RFB nº 742/2007 e, para fins de apuração dos ganhos líquidos, há necessidade de comprovação do custo médio das ações recebidas. No caso de ativo cujo valor não possa ser determinado, o custo médio deve ser igual a zero. ALIENAÇÃO DE AÇÕES NA BOLSA DE VALORES. DATA DA APURAÇÃO DO GANHO LÍQUIDO. O ganho líquido sobre renda variável é uma modalidade de ganho de capital e a sua tributação segue as mesmas normas de apuração e tributação do ganho de capital. No caso de alienação de ações na Bolsa de Valores, tendo em vista que a liquidação financeira não ocorre na mesma data da operação, o fato gerador do imposto ocorrerá na data do pregão, sendo a tributação diferida para o momento da liquidação financeira. OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. DATA DA ENTRADA DO ATIVO NA CARTEIRA. APURAÇÃO DO GANHO LÍQUIDO. No caso de operações realizadas no mercado a termo, a data da entrada do ativo na carteira, no caso de aquisição, e a da apuração do resultado, na alienação, ocorre na liquidação do contrato e não na negociação feita à vista. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.721 11 OPERAÇÕES BOX. TRIBUTAÇÃO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. São tributados como de aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos nas operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, tais como as realizadas nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, denominadas operações Box. VENDAS A DESCOBERTO. APURAÇÃO DOS GANHOS LÍQUIDOS NO MOMENTO DA RECOMPRA. Nas vendas a descoberto em que o investidor vende um ativo sem possuílo em carteira, a apuração do ganho líquido é feita no momento da recompra. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Esta decisão gerou Recurso de Ofício, tendo em vista a exoneração de parte do crédito tributário, assim fundamentada: "A diligência foi cumprida e encerrada com a lavratura do Termo de Constatação de fls. 1446/1465 e os cálculos requisitados encontramse anexados às folhas 1443/1445 do processo digital. Entretanto, a autoridade lançadora não considerou em seus cálculos a apuração do resultado de todas as operações na data do pregão como requerido, mas tãosomente aquelas que resultaram em perdas, conforme o relato constante no citado Termo de Constatação: As apurações dos ganhos líquidos das operações normais (ou comuns) e daytrade serão apuradas utilizando o fato gerador ocorrido na data do pregão e considerando a tributação diferida para o momento da liquidação financeira, conforme o encaminhamento da Delegacia de Julgamento, e para isto: nas operações normais (ou comuns) e daytrade, caso o resultado da operação seja negativa (isto é, operação com prejuízo em seu resultado) será considerado para efeito do calculo do Imposto de Renda no mesmo mês da data do pregão, e caso o resultado da operação seja positivo (isto é, operação com lucro em seu resultado) será considerado para efeito do calculo do Imposto de Renda no mesmo mês da data da liquidação; Portanto, nos cálculos apresentados pela diligência devem ser identificadas todas as operações de alienação cujos resultados Fl. 1726DF CARF MF 12 foram positivos para retirar da apuração do resultado mensal esses lucros indevidamente considerados em meses subseqüentes. As operações no mercado à vista que se encontram nessa situação são as relacionadas na tabela abaixo: (...) Com base no acima exposto, os cálculos apresentados pela autoridade fiscal no encerramento da diligência devem ser alterados para retirar do resultado mensal os lucros indevidamente considerados nos meses subseqüentes. (...) Os valores de Imposto de Renda devido, para cada operação, considerando os valores obtidos no resultado da diligência e as correções acima, são como segue: (...) Comparando esses valores com os lançados e considerando o menor valor entre os dois, já que o imposto mensal não pode ser majorado nessa fase processual, temse o seguinte: (...) Dessa forma, em face de todo o exposto, voto pela procedência em parte da impugnação, alterando o crédito tributário exigido, conforme demonstrativo abaixo: (...)" Contra a decisão de Primeira Instância foi interposto recurso pelo Contribuinte e, em sessão plenária de 04/04/2017, foram julgados os Recursos de Ofício e Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.752 (efls. 1.633 a 1.655), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM FAVOR DO RECORRENTE. APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO 70.235/72. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.722 13 Decisão da DRJ que, admitindo a não permanência do fundamento que amparou o lançamento, baseiase em outros fatos e argumentos jurídicos para sua manutenção, inova na lide, acarretando cerceamento do direito de defesa do contribuinte.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal e não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.” O processo foi encaminhado à PGFN em 23/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.656) e, em 23/06/2017, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.657 a 1.677 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.678). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a declaração de nulidade no lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 14/08/2017 (fls. 1.680 a 1.687). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o art. 145, I, do CTN afirma que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de impugnação do sujeito passivo; recurso de ofício; ou iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149; afirma ainda o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, que “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior [auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou decisão administrativa proferida por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa] não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”; por sua vez, o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece as hipóteses de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal; percebese que há que se interpretar o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, à luz do princípio da instrumentalidade processual, plenamente aplicável ao processo administrativo tributário, que impede seja declarada a nulidade de atos processuais quando não exista prejuízo ao contribuinte; mais uma vez a legislação preferiu a revisão do lançamento à anulação/cancelamento e essa escolha está de acordo com o princípio da indisponibilidade do interesse público; Fl. 1728DF CARF MF 14 considerandose o equívoco na apuração do tributo devido pelo contribuinte e a patente necessidade de revisão, não havendo dúvida quanto à infração imputada ao contribuinte, o presente lançamento se torna necessário, com o intuito de se preservar o direito da Fazenda Pública na constituição do correto montante do crédito tributário; portanto, desnecessário e ilegal o cancelamento de todo o lançamento tributário, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose apenas os valores indevidamente exigidos; caso não acolhida a tese acima, defendese que o lançamento deve ser anulado por vício formal; na hipótese em apreço, supostos equívocos na formalização dos fatos, vício apontado pelo colegiado como causa de cancelamento do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784, de 1999; os vícios apontados são passíveis de serem revistos e corrigidos e, inclusive, essa correção já ocorreu, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, mediante a realização de diligências e complementação do relatório fiscal, tendo sido assegurada a ciência e oportunidade de defesa pelo contribuinte. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 24/08/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 1.690), o Contribuinte, em 08/09/2017, ofereceu as Contrarrazões de efls. 1.693 a 1.705 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 1.691), contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso Especial no caso em exame, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não traz a demonstração precisa da divergência ou a menção às circunstâncias que assemelhem o acórdão recorrido e o único paradigma colacionado, limitandose a mencionar que em ambos os casos houve equívoco por parte da auditoria fiscal ao identificar o momento de ocorrência do fato gerador; o caso presente não guarda similitude fática com o paradigma: enquanto o presente processo administrativo trata de IRPF decorrente de suposta omissão de rendimentos apurados em operações de renda variável, o paradigma trata de IRPJ e reflexos, apurados mediante arbitramento, em razão do não fornecimento de documentação contábil; o lançamento analisado pelo paradigma encontravase eivado por um único erro pontual: a escolha do período de apuração como trimestral, em detrimento do mensal; Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.723 15 o caso destes autos, por outro lado, apresenta uma série de equívocos em sua apuração muito mais complexos que a simples troca de periodicidade mensal por trimestral; na realidade, o acórdão recorrido acolheu a nulidade do auto de infração porque dele não é possível extrair com segurança quais teriam sido os critérios jurídicos e fáticos empregados na lavratura do auto de infração, de modo que, por mais que alguns equívocos pudessem ter sido identificados no decorrer do processo, seria impossível ter certeza de que estes seriam todos os equívocos cometidos; o ponto culminante da incompatibilidade entre o acórdão paradigma e o recorrido, é justamente este: no primeiro, havia certeza de que a correção do erro bastaria a assegurar a validade do auto de infração por isso a nulidade foi preterida; no segundo, ainda que se considerasse possível a correção dos erros apontados, a obscuridade do trabalho fiscal fazia prevalecer a probabilidade de ilegalidade do lançamento; no acórdão paradigma, a correção do erro se mostrava capaz de afastar a sombra da dúvida, recobrando a liquidez do crédito tributário e, no caso presente, o crédito tributário padecia de iliquidez congênita e incurável, daí porque a nulidade se impôs como inafastável. Impossibilidade de correção e revisão do lançamento em seu trabalho original, a Autoridade Fiscal utilizou a data da liquidação da operação para elaborar os cálculos do valor "tributável" lançado no Auto de Infração, estando errado este critério, como apontado pelo Contribuinte em sua Impugnação, pois a data utilizada para fins de apuração do ganho deve ser a do pregão; a DRJ acolheu este argumento do Contribuinte, mas não reconheceu a nulidade, e utilizou a diligência como subterfúgio para recálculo da autuação e verdadeira revisão do Auto de Infração; a Autoridade Fiscal realizou uma nova apuração do tributo, com correção da data de ocorrência do fato gerador, extrapolando o despacho de diligência da DRJ; por ter acolhido o resultado inovador da diligência, a DRJ acabou efetuando um lançamento complementar; não se pode aceitar que o lançamento complementar, já em sede de primeira instância administrativa, não signifique violação ao direito de defesa do Contribuinte; o Contribuinte iniciou o procedimento administrativo defendendose de um determinado lançamento, e no decorrer do processo viuse defendendose de um outro lançamento, importando supressão de instância esta alteração no objeto da defesa; fato é que, no caso presente, eventual alteração ampliativa no lançamento sujeitarseia, obrigatoriamente, à observância do prazo decadencial, mas o lançamento complementar realizado em sede de primeira instância não respeitou os requisitos do CTN e nem o prazo de decadência; Fl. 1730DF CARF MF 16 como bem decidiu o CARF, a diligência fiscal e a decisão da DRJ que a convalidou resultaram em inovação no lançamento, tornandoo nulo por vício na formação do crédito tributário; o presente lançamento, como bem constatado pelo CARF, foi realizado de forma precária, sem a devida cautela, e foi corrigido pela DRJ, por meio de lançamento complementar, como tentativa de salvar o trabalho fiscal, resultando esse lançamento na violação ao direito de defesa do Contribuinte, sendo manifesta a nulidade do Auto de Infração. Correta classificação do vício como material no presente caso, o vício encontrase na fundamentação do Auto de Infração, não havendo vício de forma, mas de conteúdo; em momento algum a fiscalização apontou qual seria a origem das diferenças entre a sua apuração e a do Contribuinte; muito embora tenha conseguido desvendar alguns cálculos e elaborar defesa, não se pode afirmar que não ocorreram outros erros, e o fato de o Contribuinte ter conseguido adivinhar alguns dos supostos critérios de cálculo da fiscalização não exime a autoridade fiscal do erro que cometeu ao não explicar e fundamentar a apuração que dá origem ao Auto de Infração; o princípio da conservação dos atos não pode prevalecer em casos em que importar cerceamento de defesa do Contribuinte, pois nestes casos há prejuízo à ampla defesa e ao contraditório; vale deixar claro que o motivo do erro incorrido pela autoridade lançadora neste caso foi exclusivamente o desconhecimento da norma da Receita Federal que trata do cálculo dos ganhos líquidos em mercado de renda variável; desconhecimento da legislação não é causa de revisão de lançamento, tampouco a mudança de raciocínio interpretativo do fisco. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos referente a ganho de capital obtido em aplicações financeiras em renda variável, verificado no ano de 2006. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.724 17 lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Alternativamente, pede que seja considerado que o vício seria formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do recurso, alegando inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Assim, tratandose de discussão acerca de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, com base na documentação fornecida pelo Contribuinte, foi lavrado Auto de Infração relativo a ganho de capital em renda variável, considerandose como o momento de ocorrência do fato gerador a data da liquidação das operações. O próprio Contribuinte, em sede de Impugnação, apontou a ocorrência de lapso, registrando que, conforme as orientações da Receita Federal, o fato gerador deveria ser considerado ocorrido na data do pregão. Seguiu apontando as distorções que dito lapso teria causado à apuração do crédito tributário. Nesse passo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), com base no art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, baixou os autos em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF) autuante, para que esta refizesse os cálculos, considerando o fato gerador no momento do pregão. Confirase o relatório do acórdão recorrido, que reproduz o relatório do acórdão da DRJ: "A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 04/05/2009, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 11/13, em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação ao anocalendário 2006, documentação comprobatória referente a todas as transações de compra e venda de ações negociadas em Bolsa de Valores, demonstrativos de corretagem relativos à sua movimentação junto à corretora São Paulo Corretora de Valores Ltda e comprovantes de despesas e aquisições realizadas no período. De posse dos documentos colhidos no decorrer da ação fiscal, o auditor elabora os demonstrativos de fls. 1.310/1.311 e, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.288/1.309, encerra a ação fiscal com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável. Omissão de Ganhos em Operações Comuns. Enquadramento legal: art. 6º, da Lei 9.959/00. 2 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável. Omissão de ganhos em operações “Day Trade”. Enquadramento legal: art. 2º, I, da Lei 11.033/2004, arts. 743, 761, 764, 765, 766 e 770 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999,/99. (...) Fl. 1732DF CARF MF 18 O contribuinte toma ciência do auto de infração em 27/11/2010, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 23/12/2010 de fls. 1.338/1.375, em que alega, em síntese, que: (...) 8. a d. fiscalização informa que, 'para efeito de cálculo dos ganhos/perdas nas operações de Renda Variável no período de 2006' será considerada a data da liquidação das operações, 'onde se verifica o regime de caixa'. Tal conclusão, no entanto, está incorreta; 9. o negócio jurídico de compra e/ou venda de ações em bolsa se efetiva na data do pregão, que é quando as partes acordam todos os termos da transação. Dessa forma, o fato gerador do imposto ocorre na data do pregão, e não na da liquidação. Essa foi, inclusive, a conclusão da Receita Federal do Brasil lançada no "Perguntas e Respostas" do IRPF de 2010; 10. conforme se verifica do demonstrativo elaborado para a Usina Costa Pinto S/A (Doc. 02), muito embora a d. fiscalização tenha indicado na coluna "Data do Evento" as datas indicadas nas notas de corretagem para a liquidação da operação, ela ordenou as operações em ordem cronológica de pregão; 11. se, segundo a d. fiscalização, o critério correto para a apuração dos resultados líquidos deve ter como base a data da liquidação, pois é nesse momento que 'se verifica o efetivo desembolso e recebimento financeiro' (fls. 1.290), então as operações deveriam ter sido consideradas segundo em ordem crescente de liquidação, e não de pregão. Ou seja, a d. fiscalização mistura os dois critérios, não aplicando nenhum deles consistentemente; 12. essa confusão gera distorções imensuráveis no cálculo do resultado líquido, pois esse deve ser feito com base no custo médio das ações, o qual varia significativamente dependendo da ordem atribuída às operações de compra e venda de ações;" (...) Em 7 de fevereiro de 2013, por meio do Despacho nº 6, desta 16ª Turma de Julgamento (fls. 1437/1438), o processo é baixado em diligência para que os ganhos líquidos das operações normais e Day Trade fossem apurados utilizando o fato gerador ocorrido na data do pregão e considerando a tributação diferida para o momento da liquidação financeira. A diligência foi encerrada com a lavratura do Termo de Constatação de fls.1446/1465. O contribuinte foi cientificado do Termo de Constatação em 25/10/2013 (fls. 1.468) e, em 25/11/2013, apresenta a manifestação de fls. 1.472/1.492 (...)" (grifei) Em face do Termo de Constatação elaborado por força da diligência, o Contribuinte apresentou argumentos no sentido de que a diligência teria servido para corrigir o lançamento, indo inclusive além do escopo traçado pela DRJ. Confirase o relatório do acórdão recorrido: Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.725 19 "2. o que ocorreu neste caso não foi uma simples diligência, mas sim a revisão e a correção de erro do auto de infração. Os trabalhos de diligência, tal como preceituados pela legislação de regência (art. 18, § 3o , do Decreto n° 70.235, art. 41 do Decreto n° 7.574), têm a finalidade de investigar / confirmar a correção e/ou veracidade de fatos ou documentos constantes do processo, e não a de dar uma 'segunda chance' para a Autoridade lançadora, permitindo que ela corrija um erro cometido no lançamento; 3. o erro em questão recai exclusivamente sobre o próprio direito no qual se funda a autuação. O Requerente apresentou todos os fatos e documentos solicitados durante a autuação, tal como se depreende da cópia integral dos autos. A autoridade lançadora aplicou mal a legislação. E isso ocorreu não porque existiam diversas interpretações possíveis sobre a data correta para se apurar o resultado em renda variável, mas simplesmente porque a Autoridade lançadora errou na aplicação da norma; 4. o art. 149 do CTN permite que o lançamento seja revisto de ofício, nos termos do art. 145, inciso III, do CTN, apenas em hipóteses muito específicas, notadamente nos casos em que haja erro de fato. O caso em questão não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas pelo mencionado dispositivo do CTN como justificadoras de uma revisão de ofício; 5. ainda que se admitisse que o caso em questão se tratasse de erro de fato passível de revisão, nos termos do art. 149 do CTN, ainda assim tal revisão está sujeita ao prazo de decadência do tributo, conforme determinação expressa do parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Nacional; 6. não há base legal que justifique a realização de uma diligência para corrigir um auto de infração lavrado incorretamente. As autoridades competentes devem, isso sim, julgálo nulo; 7. outro ponto de extrema relevância é que a Autoridade fiscal se 'aproveitou' da diligência solicitada por esta Colenda Turma de Julgamento para refazer outros pontos da autuação que estavam errados; 8. em sua Impugnação o Requerente chamou a atenção para o fato de que nas compras a termo, a Autoridade fiscal considerou o resultado da operação de aquisição na data da liquidação da nota de corretagem, e não na data da liquidação do termo. Naquela oportunidade, o Requerente esclareceu que o prazo para que a compra a termo se concretizasse não era aquele de liquidação da nota de corretagem; 9. em suas considerações gerais (item 3 do Termo de Constatação Diligência) a Autoridade fiscal indicou alterações feitas também no cálculo dos custos médios do Requerente nas operações no mercado a termo, o que não estava determinado no despacho n° 6. Mais especificamente, a Autoridade fiscal refez os cálculos para considerar as operações a termo como Fl. 1734DF CARF MF 20 liquidadas na data indicada pelo Requerente na sua Impugnação, e não na data originalmente considerada no auto de infração; 10. a Autoridade fiscal utilizou os argumentos de defesa do Requerente para refazer os cálculos da autuação. Conforme se verifica dos parágrafos 55 a 63 da Impugnação (fls. 1.351 a 1.353); 11. aplicação da metodologia correta de liquidação das operações de compra a termo fez a Autoridade fiscal perceber também que considerou na autuação original compras a termo liquidadas apenas no ano de 2007. Dandose conta desse erro, a d. fiscalização refez os cálculos e excluiu das suas contas as operações a termo listadas às fls. 1.451 e 1.452;" (grifei) Em face das alegações do Contribuinte a DRJ, embora tenha considerado regular o procedimento da Fiscalização, registrou que a diligência não fora cumprida conforme o determinado e efetuou novas correções no lançamento, considerando procedente em parte a Impugnação, conforme a seguir: "A diligência foi cumprida e encerrada com a lavratura do Termo de Constatação de fls. 1446/1465 e os cálculos requisitados encontramse anexados às folhas 1443/1445 do processo digital. Entretanto, a autoridade lançadora não considerou em seus cálculos a apuração do resultado de todas as operações na data do pregão como requerido, mas tão somente aquelas que resultaram em perdas, conforme o relato constante no citado Termo de Constatação: As apurações dos ganhos líquidos das operações normais (ou comuns) e daytrade serão apuradas utilizando o fato gerador ocorrido na data do pregão e considerando a tributação diferida para o momento da liquidação financeira, conforme o encaminhamento da Delegacia de Julgamento, e para isto: nas operações normais (ou comuns) e daytrade, caso o resultado da operação seja negativa (isto é, operação com prejuízo em seu resultado) será considerado para efeito do calculo do Imposto de Renda no mesmo mês da data do pregão, e caso o resultado da operação seja positivo (isto é, operação com lucro em seu resultado) será considerado para efeito do calculo do Imposto de Renda no mesmo mês da data da liquidação; Portanto, nos cálculos apresentados pela diligência devem ser identificadas todas as operações de alienação cujos resultados foram positivos para retirar da apuração do resultado mensal esses lucros indevidamente considerados em meses subseqüentes. As operações no mercado à vista que se encontram nessa situação são as relacionadas na tabela abaixo: (...) Com base no acima exposto, os cálculos apresentados pela autoridade fiscal no encerramento da diligência devem ser alterados para retirar do resultado mensal os lucros indevidamente considerados nos meses subseqüentes. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.726 21 (...) Os valores de Imposto de Renda devido, para cada operação, considerando os valores obtidos no resultado da diligência e as correções acima, são como segue: (...) Comparando esses valores com os lançados e considerando o menor valor entre os dois, já que o imposto mensal não pode ser majorado nessa fase processual, temse o seguinte: (...) Dessa forma, em face de todo o exposto, voto pela procedência em parte da impugnação, alterando o crédito tributário exigido, conforme demonstrativo abaixo: (...)" Destarte, a discussão que se travou por ocasião da prolação do acórdão recorrido girou em torno do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, mais especificamente sobre os limites de uma diligência, ou seja, se o seu resultado seria ou não um Auto de Infração Complementar lavrado após o prazo decadencial. Confirase o acórdão recorrido: "Compreendo que a sistemática de apuração do crédito tributário constituído pelo lançamento, contra o qual o contribuinte se opôs por meio da impugnação, não poderia ter sido alterada pelo resultado obtido em sede de diligência. Ocorre que após a apresentação da impugnação, não cabe mais à autoridade lançadora empreender qualquer alteração no lançamento, pois iniciada a sua fase litigiosa. No entanto, a DRJ compreendeu que poderia alterar o lançamento modificando a apuração do crédito nos pontos em que entender necessário para adequálo à legislação tributária, vejamos como foi fundamentado tal trecho no acórdão: (...) Compartilho do entendimento que a DRJ pode determinar diligências para formar sua livre convicção, todavia, jamais poderia o resultado da diligência refazer o lançamento tributário. (...) Ainda que o resultado da diligência tenha exonerado os valores apurados a maior em cada mês, verificase que houve, na prática, um nova forma de apuração do tributo, em verdade, alterouse a data de apuração. Ou seja, tentaram corrigir a data de ocorrência do fato gerador. Além de ser vedado tal procedimento, temse que o resultado da diligência foi além do solicitado pela DRJ. Fl. 1736DF CARF MF 22 Ocorre que no auto de infração a fiscalização utilizou a data da liquidação da operação para elaborar os cálculos do valor 'tributável'. Assim, após o contribuinte ter questionado a data e a forma de apuração do fato gerador do tributo, entendeu o auditorfiscal responsável pela condução da diligência por retificar integralmente o auto de infração, o que por si só já demonstra a precariedade do referido lançamento. Além disso, a DRJ de origem ao acolher o resultado da diligência como se fosse um mero 'cálculo novo', acabou por aperfeiçoar e transformar o lançamento, fazendo um efetivo lançamento complementar, a qual veio a se efetivar com a publicação do acórdão. Assim, temos que o contribuinte iniciou o processo defendendo se de débito "X" e passou, no decorrer do processo administrativo fiscal, a se defender de débito "Y". Ora, houve clara inovação no lançamento, pois este alterou as datas de todos os fatos geradores. Nas operações a termo, a autuação foi realizada na data do pregão /liquidação da nota, enquanto que deveria ter sido na liquidação do termo, nos termos do inciso I do art. 29 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época da autuação. (...) Assim, além de ser nulos os lançamentos por estarem em desconformidade com a legislação, também há nulidade do acórdão da DRJ, que fez inovação em seu julgado, pois acolheu o resultado da diligência que reformou, por inteiro, o auto de infração, sendo na prática um lançamento complementar." (negritos no original; sublinhei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado com resultado favorável à Fazenda Nacional em que, em face das alegações de defesa apresentadas pelo Contribuinte em sede de Impugnação, a DRJ baixasse os autos em diligência para que o autuante alterasse o momento de ocorrência do fato gerador, o que produziria reflexos na base de cálculo do tributo, tendo o autuante promovido outras alterações não determinadas no despacho de diligência. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 1302 00.163 não se reveste dessas características, conforme será a seguir demonstrado. De plano, constatase que o dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972 art. 18 que foi o objeto da discussão no acórdão recorrido, sequer figurou no julgado paradigma, simplesmente porque neste não houve solicitação de diligência pela DRJ, portanto não se cogitou da necessidade de lavratura de Auto de Infração Complementar. No caso do paradigma, foi apurada omissão de receita pela constatação da existência de depósitos bancários sem identificação de origem, sendo que a base de cálculo trimestral foi determinada por arbitramento (total dos depósitos bancários sem identificação de origem), tendo em vista que o Contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da sua escrituração. Nesse contexto, ao apurar a tributação reflexa (mesma base de cálculo do IRPJ) relativa ao PIS/COFINS, o autuante o fez também por trimestre, ao invés de mensalmente, como seria o correto. Nesse contexto, o Colegiado não considerou nulo o lançamento, uma vez que o lapso foi relativo apenas à forma de apuração dessas Contribuições, uma vez que os fatos geradores Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.727 23 ocorreram de fato mensalmente, sendo a base de cálculo facilmente apurável. Ademais, a decadência já havia abarcado até o mês de novembro, restando apenas a exigência referente ao mês de dezembro, o que acarretaria tãosomente a exclusão, da base de cálculo do último trimestre, das receitas referentes a outubro e novembro. Confirase o contexto do paradigma: Ementa "PIS, COFINS, MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores as que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente." Relatório "A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 229/231) e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 213/223), diz respeito à omissão de receitas por depósitos bancários não contabilizados e/ou de origem não comprovada. A base tributável foi obtida mediante arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte, sujeito à tributação com base no Lucro Real, não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, comprovado pela não apresentação dos livros fiscais e documentos." Voto vencedor "Com efeito, predominou o entendimento de que o fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a titulo de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração. Para o Colegiado, uma vez concretizada a hipótese de incidência em determinado período de apuração, emerge o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente, cabendo, se for o caso, a adequação da base de cálculo ao fato gerador ocorrido. Considerouse, na linha aqui esposada, que, não obstante a indicação incorreta dos períodos de apuração, cada um dos meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal Fl. 1738DF CARF MF 24 considerou ocorrido o fato gerador, efetivamente era indicativo de tal ocorrência, porém, em montantes inferiores aos apontados nas peças acusatórias, eis que ali estavam incluídas receitas que correspondiam a meses distintos do indicado como sendo o correspondente à concretização da hipótese de incidência. No caso vertente, em que foi reconhecida, por unanimidade, a caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2001, remanescem, apenas, os créditos tributários relativos às contribuições para o PIS e para COFINS do mês de DEZEMBRO de 2001, devendose, contudo, excluirse das matérias tributáveis consignadas nos autos de infração as receitas correspondentes aos meses de outubro e novembro ali computadas. Assim, no caso do paradigma, tendo se operado a decadência até o mês de novembro de 2001, tratouse da exigência de PIS/COFINS relativa unicamente ao mês de dezembro de 2001, cuja base de cálculo carregava as receitas de depósitos bancários referentes a outubro, novembro e dezembro, uma vez que no Auto de Infração considerouse que o período de apuração seria trimestral e não mensal. Nesse passo, a conclusão foi no sentido de que a hipótese de incidência, mensal ou trimestral, ocorrera efetivamente em dezembro de 2001 e, assim, bastaria a exclusão, da base de cálculo de dezembro de 2001, das receitas referentes a outubro e novembro de 2001. Com efeito, tal situação em nada se compara ao ocorrido no acórdão recorrido, em que, em face das alegações oferecidas em sede de Impugnação, foram alterados pela Fiscalização, via diligência, os momentos de ocorrência dos fatos geradores e as respectivas bases de cálculo, conforme já restou descrito no presente voto. A complexidade das alterações verificadas fica evidente inclusive no argumento utilizado pela DRJ para a solicitação de diligência: "O propósito da diligência era que a autoridade fiscal, responsável pela constituição do crédito tributário, de posse das planilhas e demonstrativos com os dados obtidos junto às corretoras e utilizando software especificamente desenvolvido para esses cálculos, fizesse novas apurações dos ganhos considerando as datas especificadas. Logicamente não haveria nenhum vício processual ou tributário se a própria autoridade julgadora se propusesse a fazer todas as planilhas com a apuração dos ganhos e, com base nos resultados, proferisse o julgamento da questão, alterando ou não o lançamento e o crédito decorrente. Embora não vedado, não seria razoável que a autoridade julgadora se detivesse a montar planilhas já existentes, com a introdução de valores e elaboração de fórmulas de cálculo, sem possuir nenhum programa específico, quando há no próprio órgão autoridade competente que possui todos os dados e fórmulas já gravados em seu disco rígido." (grifei) Diante do exposto, tendo em vista que o paradigma indicado efetivamente não logra caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 19515.003862/201001 Acórdão n.º 9202007.214 CSRFT2 Fl. 1.728 25 Fl. 1740DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000260/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.810
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ari Vendramini Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de análise e acompanhamento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS NÃO CUMULATIVA, vinculados á receitas de exportação relativas ao 1º trimestre de 2008 (01/01/2008 a 31/03/2008), no valor total de R$ 5.821.172,69, e de Declarações de Compensação (DCOMPs) onde se pretendem compensar vários débitos com o crédito oriundo do ressarcimento. 2. Conforme Despacho Decisório de fls. 6.137/6.167 dos autos digitais, exarado pela DERAT/SP, estes autos tratam da análise dos seguintes documentos eletrônicos : RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 26 0/ 20 10 -1 1 Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.322 2 PER/DCOMP Nº TIPO DE DOCUMENTO ELETRÔNICO 31211.95461.110808.1.5.093807 Pedido de Ressarcimento 26608.12016.110808.1.7.093887 40482.45616.110808.1.7.093647 30309.76191.110808.1.7.092088 33503.44240.140808.1.3.096199 31579.78807.120410.1.3.092005 19221.28146.140410.1.3.099078 41698.28857.220410.1.3.097043 35653.14120.280410.1.3.093093 35425.08883.250510.1.3.099508 Declarações de Compensação 3. Após realizar as devidas análises e verificações, a DERAT/SP exarou Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas, vinculadas ao pretenso crédito. 4. Houve, por parte da contribuinte, apresentação de manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório. 5. O relatório do Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE nº 1050.011, da sua 2ª Turma, assim resumiu os argumentos de defesa da contribuinte : Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 25/05/2012 (Termo de fl. 6.174) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos,aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: a Fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos da COFINS calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o paramento a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DWAduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF n° 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de COFINS nãocumulativa, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o § 3º do art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de COFINS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.323 3 momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito da COFINS no regime da nãocumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços,somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subseqüentes. Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo,entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo – quando efetivamente surge o direito ao crédito – ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na não cumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subseqüentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004: por não considerar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo previsto nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, deve ser acolhida a manifestação da empresa. Essas INs trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa. Deve ser reformado o DD. Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.324 4 b) créditos sobre bens/serviços insumos: considerando que a madeira é o principal insumo para a fabricação da pasta da celulose, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, razão pela qual o ato praticado pelo Fisco está ao arrepio da lei. O termo custo ou custo de produção abarca todos os gastos despendidos pela empresa, necessários e indispensáveis à produção de bens e serviços destinados à venda. Os custos de produção são todos os gastos com os insumos, com fatores de produção que agregam valor ao produto a ser vendido, diferente de despesas. Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção ensejam o direito ao crédito de COFINS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n° 10.833/2003, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3º do art. 3º). Mesmo sendo custo de produção, os créditos sobre tais dispêndios são vedados, pois não implicariam na cumulatividade dos contribuintes. No caso dos autos, todos os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela empresa, sendo legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser dado provimento à presente manifestação. c) insumos glosados indevidamente: refere ao DD, reclamando do entendimento exposto acerca de glosas de diversos insumos, dentre outros: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks,encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos,borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita. Contudo, os bens e serviços glosados pelo Fisco são parte essencial no processo produtivo, tendo sido desconsiderados esses insumos sem qualquer critério legal, sem qualquer embasamento jurídico. Deve ser reformado o DD para deferir os pedidos de restituição e homologar as compensações pleiteadas, relativamente aos bens e serviços utilizados como insumo. Estes bens e serviços são utilizados no processo de produção e são, sem dúvida, o custo de produção do bem – celulose – bem como de outros que tenha a mesma natureza de custo de produção, descritos nas planilhas Auditoria DACON (ano) (trimestre) elaboradas pela Fiscalização. Requer, em razão do grande número de insumos e o exíguo prazo para a manifestação de inconformidade, a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação. d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: o Fisco glosou créditos referentes a gastos com insumos florestais, isto é, valores dispendidos necessários à formação e desenvolvimento de florestas. Disse que todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquimico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS não cumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.325 5 sendo um ativo Imobilizado da empresa. Mas o art. 1º da Lei n° 10.833/2003, preceitua que a COFINS na incidência nãocumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal,assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose. Todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda, razão pela qual a glosa dos créditos se encontra ao arrepio da lei. Assim, todos os gastos listados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (Auditoria DACON (ano) (trimestre) que tiverem ligação à formação de florestas ou silvicultura, por constituírem insumo na produção da celulose, devem gerar direito a crédito de PIS/COFINS. Portanto, o DD deve ser reformado de modo a restabelecer os créditos da empresa. e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros: a Fiscalização afirma que não dá direito a crédito itens tais como clonagem, pesquisa,tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita. Mas a empresa só apropria créditos decorrentes de bens/serviços adquiridos de terceiros,não se apropriando de créditos sob sua própria mão de obra. Todos os serviços citados só compuseram a base de cálculo dos créditos porque foram adquiridos de terceiros. As próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização comprovam a assertiva, ao indicarem o prestador de serviço e número da respectiva NF cujos créditos foram glosados. Desta forma, resta patente a improcedência da glosa sob essa rubrica, devendo ser reformado o DD. f) crédito sobre fretes: disse o Fisco que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes não podem ser onsiderados como sendo insumo. Seguindo esta orientação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem/transporte de papel e logística. Tal argumento é improcedente. Neste item não há diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor. Todos estes gastos são tidos como custo de produção (art. 187, II, da Lei n° 6.404/1976), constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso IX do art. 3º dessas leis assegura apenas o frete que constitui uma despesa de venda, que é o frete pago pelo vendedor para entregar o produto ao comprador. Os gastos de frete da empresa, portanto, até o momento em que o produto está colocado à venda, mesmo se este frete for despendido após o produto estar acabado, irão integrar o custo da mercadoria ou produto vendido (art. 187, II, da Lei nº 6.404/1976). Em todos os casos, o frete é tido como custo de produção ou fator de produção, enquadrandose no conceito de insumo. Deve ser reparado o DD de modo a restabelecer na integralidade os créditos da empresa que foram glosados referentes a fretes, sem qualquer exceção. 5) Créditos vinculados à receita de exportação: é inequívoco o direito ao crédito de COFINS em relação à parcela de insumos que se encontram vinculados à receita de exportação. O creditamento de COFINS sobre os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação é assegurado de forma ampla pelo art. 6º, § 3° e art. 15,inciso II, da Lei n° 10.833/2003, que não impõem qualquer condição adicional para o gozo do direito. Tratase de empresa exportadora de pasta de celulose, sendo que todos os custos que estejam vinculados à receita de exportação, o que sem dúvida incluem os insumosflorestais e os fretes, conferem crédito de COFINS nos moldes dos dispositivos aludidos. 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.326 6 b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa,bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esse constituemse custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão. 6. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/PORTO ALEGRE : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.327 7 da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 28/05/2015 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, ás fls. 6482 dos autos Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.328 8 digitais, apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 30/06/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 6484 dos autos digitais, onde reitera seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, a controvérsia originouse da análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS nãocumulativos, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em quatro grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos – Rateio proporcional ii. Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos iii. Aproveitamento de créditos extemporâneos iv. Insumos da nãocumulatividade Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.329 9 Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.330 10 De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisa se uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS – RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de Novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.331 11 Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Portanto, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.332 12 ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.333 13 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. E, em sede de manifestação de inconformidade, a empresa juntou suas demonstrações contábeis, acompanhadas de parecer de auditores independentes. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS (art. 3°, II, §1, I das Leis de regência) Transcrevese o relato da fiscalização: 40. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: “dos itens (...) adquiridos no mês”. 41. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 000651 000 com emissão em 02/01/2006 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 10/2006 (documento 4300104789). 42. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 43. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 44. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. 45. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. Por sua vez, a Recorrente entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da nota fiscal para fins de apuração dos créditos de PIS, por não ser aquele o momento Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.334 14 da produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Percebese falha na conduta da fiscalização ao glosar a integralidade das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS emitidas fora do período de sua apuração. É lícito ao contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Aplicase aqui o CPC 30, que trata do preço justo para efeitos contábeis, hoje substituído pelo CPC 47. O CPC 30 era claro em seus itens 14 e seguintes, que diziam em síntese que a receita de venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas as condições: a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens, a entidade não tenha envolvimento na gestão dos bens vendidos, o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade e as despesas incorridas referentes à transação possam ser mensuradas com confiabilidade. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. Já na prestação de serviços a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade, o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade e as despesas incorridas com a transação puderem ser mensuradas com confiabilidade. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa de outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Inclusive, a Solução de Consulta COSIT nº 111, de 22/04/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.335 15 as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Diante do acima exposto, deve ser afastada a glosa integral das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS, sob a justificativa de que as “emissões se deram fora do período da sua apuração”. Como os créditos não foram sequer objeto de devida análise, deve ser esclarecido em diligência fiscal a natureza desses créditos, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.336 16 Observese a manifestação da fiscalização: 100. Identificado pelo contribuinte que um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea, ou seja, realizado fora de seu tempo normal. 101. Todavia, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os Dacon e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora.” (grifos nossos) 102. Em suma, caso o contribuinte identifique em dez/2006 um crédito não utilizado em jan/2005, deve proceder a retificação do DACON jan/2005. 103. Devese salientar que, no caso de ter havido recolhimento das aludidas contribuições pela Consulente, a retificação dos Dacon e DCTF correspondentes é o único procedimento que permite a restituição de eventuais valores recolhidos indevidamente ou a maior devidamente corrigidos pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para Títulos Federais, haja vista que os créditos extemporâneos não admitem a incidência de atualização monetária ou juros de mora, consoante dispõe o art. 13 c/c art. 3o, § 4o, da Lei nº 10.833, de 2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e § 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.337 17 105. Finalmente, devese salientar que a apuração de créditos, bem como a retificação de declarações, relativos a períodos de apuração anteriores, deve respeitar o prazo decadencial de cinco anos. 106. Todavia, o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, de forma que as rubricas contendo créditos extemporâneos de períodos diferentes das da apuração de cada DACON foram glosadas. Como exemplo, podemos citar a auditoria realizada pela Ernst & Young em 03/2010 apropriando créditos de PIS e COFINS cuja base de cálculo foi de R$ 167.052.349,09 (referente aos períodos de apuração de 2005 e 2006), valor este devidamente glosado por esta fiscalização. 107. Acerca dos Créditos Extemporâneos VCP – Jacareí apropriados no 4º Trimestre de 2006, a empresa foi intimada a informar o período dos referidos créditos, todavia, não apresentou documentação comprobatória dos mesmos, nem de que período os mesmos foram apurados. Desta forma, os valores foram devidamente glosados. Assiste razão à Recorrente, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON. Há claro equívoco na conclusão da fiscalização de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, diante da ausência de previsão legal para tal exigência. A 3ª Turma da Câmara Superior, acórdão n° 9303006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente. Mais uma vez, é necessário apontar que a empresa apresentou o suporte documental à fiscalização, como já mencionado no início deste voto. Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.338 18 Com isso, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Logo, entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes. Prosseguindo, para a fiscalização, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 58. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 59. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. 60. Entre outros, não foram considerados como insumos: corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos , serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.339 19 monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere). Em seguida, aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos – Caracterização – SD 200815 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. E anda, foram considerados como insumos os “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Fl. 6851DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.340 20 Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de no breaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais: os equipamentos de proteção individual (efls. 19/20, 35 do laudo); a utilização de rádios comunicadores (efls. 27 do laudo) e insumos utilizados para análises químicas em laboratório (efls. 128 e 131 do laudo). c) Insumos – Passagens, hospedagens e despesas de veículos – SD 200815 Não foram considerados insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores. Aponta a empresa que tais dispêndios são essenciais, por se referirem à locomoção, ida e volta, até a floresta. d) Insumos Partes e Peças de Reposição – SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. Entretanto, foram glosados despesas com: as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 87 e 130 do laudo). Fl. 6852DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.341 21 e) Materiais de Construção Civil utilizados como insumos Não foram considerados como insumos, uma vez que seriam incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, etc. Segundo a empresa, tratamse de reparos realizados na unidade fabril, essenciais. f) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foi considerado como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. h) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65 e 6.6 do laudo). Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 6853DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.342 22 Fl. 6854DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.343 23 Fl. 6855DF CARF MF Processo nº 12585.000260/201011 Resolução nº 3301000.810 S3C3T1 Fl. 68.344 24 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese a autoridade fiscal sobre ele; b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação; d) Analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos; e) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; f) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento (assinado digitalmente) Ari Vendramini Relator. Fl. 6856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720843/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA PARCIALMENTE ABORDADA. ACOLHIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO 11%. OBRIGATORIEDADE.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia.
O desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo à disposição legal.
Numero da decisão: 2402-006.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, com vistas a suprir a omissão apontada, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA PARCIALMENTE ABORDADA. ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO 11%. OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. O desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo à disposição legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, com vistas a suprir a omissão apontada, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MATÉRIA PARCIALMENTE ABORDADA. ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO 11%. OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. O desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo à disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 43 /2 01 3- 11 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 642 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, com vistas a suprir a omissão apontada, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo sujeito passivo em face de acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, onde os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti (relator), Jamed Abdul Nasser Feitosa e Fernanda Melo Leal, por unanimidade votaram por afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, determinando a correção do valor lançado de modo a adequálo ao percentual de 50% (cinqüenta por cento) das notas fiscais, nos termos do voto do relator. O Embargante sustenta que teria havido omissão quanto à apreciação do fato de que o consórcio, contratado para executar a obra em regime de empreitada parcial, teria recolhido todas as contribuições previdenciárias devidas e que a cobrança de retenção de 11%, a que se refere o presente lançamento, “consubstancia evidente bis in idem” ou excesso de exação. Após confrontar a alegação acima com excertos do voto condutor, a decisão de fls. 629/633 decidiu pela admissão dos embargos, com a fim de que fosse apreciada, em julgamento por colegiado, a suposta omissão apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator Os embargos foram tidos como tempestivos e admitidos nos termos do artigo 65 do RICARF, eis que haveria omissão no acórdão quanto a ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Um vez admitidos, vejo que toda a tese defensiva do autuado em seu recurso, quanto ao cabimento da retenção, podese resumir a duas alegações: Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 643 3 1 afastar de si a responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciária sobre a folha do contratado, ao argumento de que com ele não seria solidário em função de a contratação terse dado sob o regime de empreitada parcial e a própria RFB entender que tal instituto (solidariedade) somente aplicarseia ao regime de empreitada total. Confirase: 2 Que o consórcio contratado teria recolhido a integralidade da contribuição sobre sua folha de salário. Vejase: Em seus embargos, insiste o autuado na tese de que o lançamento seria indevido, na medida em que, tendo sido o contrato celebrado em regime de empreitada parcial e em se tratando de antecipação, o contratado não teria se valido desse valor em compensações em suas GFIP. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 644 4 O próprio acórdão de piso já havia se pronunciado sobre o assunto. Confira se: Isso porque não houve aplicação de responsabilidade solidária no presente lançamento. A responsabilidade solidária foi substituída pelo instituto da retenção, com a edição da Lei nº 9.711/118, a qual deu nova redação para o art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Doutro giro e a meu sentir, o acórdão embargado abordou o tema apenas de forma indireta, como se extrai do excerto abaixo colacionado. A retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços tem previsão expressa no artigo 31 da Lei 8.212/91. Vejamos: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (...) III empreitada de mãodeobra; Por sua vez, o artigo 219 do Decreto 3.048/99, assim determina: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 645 5 Notese que se trata de instituto diverso do da solidariedade, eis que o tomador, responsável pelo tributo, relacionase com a obrigação tributária na condição de sujeito passivo, por substituição legal. Vale dizer, quando da emissão da nota fiscal, naquele momento, perseguese o tomador e somente ele. É, em outras palavras, o que dispõe o §5º do artigo 33 da Lei 8.212/91. O regime de retenção instituído pela Lei 9.711/98, que promoveu alterações no artigo 31 da Lei 8.212/91, difere daquele que se tinha anteriormente no mesmo dispositivo. A partir de então, a regra é que a empresa, contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. E ainda, por força do § 5º do artigo 33 daquele mesmo diploma, passou a pouco importar, para fins dessa obrigação de reter, se o prestador do serviço (contratado) recolheu, ou não, a contribuição devida sobre sua folha de salários ou ainda se não promoveu compensação com as "antecipações" não retidas. A seu turno, não se pode olvidar que em alguns poucos casos ainda se aplica o regime de solidariedade, que em um passado não muito distante era a regra de sistemática nessas contratações. Veja, tratase de obrigação tributária principal atribuída ao tomador, por substituição, relacionada ao valor dos serviços que constaram na correspondente nota fiscal ou fatura. Evidentemente, o prestador, que sofreu a retenção, poderá utilizála na dedução da contribuição apurada sobre sua folha e, no caso de ainda restarlhe crédito, reavêlo em restituição. Não havendo, pois, que se falar em bis in idem. Nesse sentido, trago o acórdão a seguir ementado: RETENÇÃO DO ARTIGO 31 DA LEI 8.212/91. NATUREZA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DO SERVIÇO QUE DEIXOU DE EFETUARA RETENÇÃO. PAGAMENTO FEITO PELO PRESTADOR DO SERVIÇO. O instituto da retenção previsto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98 e alterações posteriores, é hipótese de substituição tributária, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC, de observância obrigatória por este órgão julgador, com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF. É direta a responsabilidade do tomador de serviço pela contribuição que deixou de reter do prestador, pois o artigo 31 da Lei 8.212/91 determina a observância da norma expressa pelo art. 33, § 5º do mesmo diploma legal, que traz a responsabilidade direta do tomador de serviço pelo adequado recolhimento. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 646 6 O tomador do serviço que deixou de efetuar a retenção de que trata o artigo 31 da Lei 8.212/91 não aproveita o pagamento feito pelo prestador do serviço relativo às contribuições devidas sobre sua folha de pagamento. (destaquei) Posta a sistemática acima e como já adiantado, há todavia, exceções ao regime de retenção tal como acima resumido. Podese exemplificar com o que se tem no ramo da Construção Civil. Vejamos: A Instrução Normativa SRP nº 03/2005, que vigeu de 15.07.2005 a 16.11.2009 e dispunha sobre Normas Gerais de Tributação Previdenciária, assim tratou da matéria: Inicialmente, procurou distinguir o que seria a OBRA de CONSTRUÇÃO CIVIL do SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL. O inciso I de seu artigo 413, especificou que obra de construção civil é "a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XIII". Por sua vez, o inciso X do mesmo artigo estabelece que serviço de construção civil e "aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no anexo XIII" Na seqüência, cumpre destacar a diferença entre EMPREITADA TOTAL e EMPREITADA PARCIAL. Antes, porém, há que se definir o que vem a ser "contratação por empreitada". Consoante estabelece o inciso XXVIII do artigo 413 da IN 3/2005, "contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte.", que, por sua vez, pode ser total ou parcial, como abaixo especificado: * total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; e * parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 647 7 Dessarte, para fins de determinar se há ou não retenção deverá ser verificada se a atividade classificase como obra ou como serviço. Classificandose como obra, haverá a retenção caso a contratação seja na forma de empreitada parcial ou subempreitada; classificandose como serviço haverá a retenção, independentemente do regime de contratação. No caso em exame, a contratação do consórcio derase em regime de empreitada parcial. É dizer, houve, em última análise, a contratação de duas empresas (OAS e ESTACON), reunidas em consórcio, para realização de parte da obra. Diferentemente, seria a contratação de mais de uma empresa duas ou três por exemplo, reunidas em consórcio para a realização de toda a obra. Nesse caso, ainda que a contratação estivesse de dando, a rigor, com cada uma das consorciadas que executariam no âmbito do consórcio parcial ou totalmente os serviços necessários à realização da obra, o fato é que a legislação equiparou referida circunstância ao regramento que se tem para a contratação de empreitada total nas obras de construção civil. À toda evidência, não é o que se tem neste caso, em que a contratação do consórcio se dera, como acertadamente assentou o recorrente, sob o regime de empreitada parcial. Isso porque, a princípio, conforme preconiza o artigo 169 da citada IN, a retenção aplicarseia somente à OBRA de contribuição civil, quando contratada por meio de empreitada PARCIAL. Diferentemente do que se tem para os SERVIÇOS de construção civil, que, a teor do inciso III do artigo 169, pouco importa a modalidade de contratação, bastando que se amoldem àqueles especificados no Anexo XIII da IN e desde que não estejam, textualmente, enumerados no artigo 170. É o que se infere da expressão "...tais como.." constante, inclusive, do inciso X do artigo 413. Art. 169. Na construção civil, sujeitase à retenção de que trata o art. 140, observado o disposto no art. 172: I a prestação de serviços mediante contrato de empreitada parcial, conforme definição contida na alínea "b" do inciso XXVIII, do art. 413; II a prestação de serviços mediante contrato de subempreitada, conforme definição contida no inciso XXIX, do art. 413; III a prestação de serviços tais como os discriminados no Anexo XIII; IV a reforma de pequeno valor, conforme definida no inciso V do art. 413. . Nesse sentido, podese dizer que o regime empregado ao ramo da Construção Civil se por retenção ou se por solidariedade resumese ao quadro a seguir: Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10280.720843/201311 Acórdão n.º 2402006.470 S2C4T2 Fl. 648 8 Ante ao exposto, voto por ACOLHER os Embargos opostos com vistas a suprir a omissão apontada, sem, contudo, empregar efeitos infringentes ao acórdão embargado. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 648DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.001306/98-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1994
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO JUSTIFICADA PELA AUTORIDADE JULGADORA. INOVAÇÃO. INACEITÁVEL.
A duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) deve ser devidamente justificada pela autoridade que efetua o lançamento de ofício e não pela autoridade julgadora.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL.
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE.
Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros.
JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994
SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para, tão somente, afastar a qualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1994 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO JUSTIFICADA PELA AUTORIDADE JULGADORA. INOVAÇÃO. INACEITÁVEL. A duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) deve ser devidamente justificada pela autoridade que efetua o lançamento de ofício e não pela autoridade julgadora. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993, 1994 SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para, tão somente, afastar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 424 1 423 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.001306/9881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.889 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente YADOYA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993, 1994 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO JUSTIFICADA PELA AUTORIDADE JULGADORA. INOVAÇÃO. INACEITÁVEL. A duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) deve ser devidamente justificada pela autoridade que efetua o lançamento de ofício e não pela autoridade julgadora. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1993, 1994 SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 13 06 /9 8- 81 Fl. 424DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para, tão somente, afastar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). Relatório DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração o qual lhe exige a importância de R$ 515.862,17, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime do Lucro Real, correspondente a fatos geradores mensais ocorridos nos anos calendário de 1993 e 1994, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora à època do pagamento. Segundo consta na Descrição dos Fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre de omissão de receitas da atividade. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls.30 a Volume I), a autoridade fiscal teria encontrado diferenças entre os valores escriturados no Livro Registro de Saídas de Mercadorias com os valores contabilizados no Livro Diário (planilhas anexas nos autos) e que, após intimações feitas ao contribuinte para as devidas explicações, o mesmo não teria providenciado os necessários esclarecimentos. As diferenças apontadas são (valores em CR$): Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13807.001306/9881 Acórdão n.º 1401002.889 S1C4T1 Fl. 425 3 Estas diferenças foram tributadas e o IRPJ apurado foi convertido para Reais, conforme consta no Auto de Infração. Em decorrência do lançamento de IRPJ, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, e de Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, nas importâncias de R$ 15.477,16, R$ 41.272,51, R$ 515.099,22 e de R$ 199.358,57, respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 150% e de juros de mora à época do pagamento. A Autuada foi cientificada dos Autos de Infração em 19/10/98 e em 16 de novembro foi protocolada a Impugnação, onde, após descrever seu ramo de atividade, suas origens e fundadores, as sucessivas crises internas brasileiras, os vários planos de estabilização econômica e da moeda, alegou que "ficará inviável para a Autuada pagar, mesmo que de forma parcelada os seus débitos já existente somados ao presente Auto de Infração com a abusiva cobrança dos juros e multa lançados, ..." Alegou também: Ademais, sem prova material existência de fraude fiscal ou sonegação fiscal, como definidas em leis federais, a multa por eventual infração de regulamento fiscal, sem má fé, não pode ser astronômica, nem proporcional ao valor do imposto como no presente caso. Não há no presente Auto de Infração qualquer causa legítima para o confisco tributário, que é manifestamente contrário a Lei Fl. 426DF CARF MF 4 maior, que é a Constituição Federal, que em seu art.150 IV, assim diz: "Art.150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV. utilizar tributos com efeito de confisco." Diante do exposto, requer de V.Sa. a redução da multa de 150% por ser um flagrante confisco tributário e redução dos juros a 1% ao mês, por ser de direito, com a consequente improcedência do Auto de Infração. DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO Em 08 de junho de 1999, a Delegacia de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO) julgou o lançamento procedente (fls.122 a Volume I), nos seguintes termos, resumidamente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Em não havendo justificativa para a diferença a maior detectada entre a receita apurada no Livro de Saídas de Mercadorias e a receita oferecida à tributação é de se concluir que houve omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. Configurada a ocorrência, em tese, de sonegação fiscal é de se aplicar a penalidade agravada. PIS, COFINS, IRFON e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O decidido no lançamento do IRPJ deve prevalecer na análise dos lançamentos decorrentes. [...] VOTO Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13807.001306/9881 Acórdão n.º 1401002.889 S1C4T1 Fl. 426 5 [...] A Multa de ofício foi capitulada no artigo 4º da Lei nº 8.218/1991 e artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, c/c artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei nº 5.172 de 25/10/1996. Transcrevese o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts.71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 428DF CARF MF 6 PIS, COFINS, IRFON e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve prevalecer na análise dos tributos decorrentes. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13807.001306/9881 Acórdão n.º 1401002.889 S1C4T1 Fl. 427 7 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada, em 24/08/99, da decisão da DRJ, ingressou a Interessada com recurso voluntário, protocolado em 22/09/99, onde repetiu os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. Às fls.150, consta despacho da DRF/SP (datado de 04/07/2001), por meio de autoridade fiscal competente, negando seguimento ao Recurso Voluntário por inexistência do depósito então previsto na MP 162130, ocasião em que a contribuinte foi intimada (fl.151) para recolhimento do crédito tributário lançado. Em 04 de julho de 2002 os débitos foram inscritos em dívida ativa, conforme Termo de Inscrição de Dívida Ativa, fls.185 a 283, Volume II. Às fls.286, despacho, em 16/06/2010, da PGFN informando (e solicitando manifestação da divisão própria) que a executada ingressou com Ação de Embargos à Execução Fiscal alegando a existência de cobrança em duplicidade de IRPJ e de CSLL do mesmo período (93/94) em dois processos judiciais (existiam outras execuções de outros períodos e foram juntadas por determinação judicial reunião de processos). Em 02/09/2015, despacho da DERAT/SP (fls.361) propondo "o encaminhamento deste processo à autoridade superior para que seja declarada nula a decisão que negou seguimento ao recurso voluntário interposto." E assim foi feito, sendo solicitado que a contribuinte tomasse ciência do feito e envio à PGFN para que procedesse ao cancelamento da inscrição em dívida ativa e, posteriormente, ao CARF para apreciação do recurso voluntário apresentado. Às fls.411 A 419, em Telas e Extratos, sistemas da PGFN mostram a situação da contribuinte, relativa ao débitos do presente processo presente: EXTINTA POR DECISÃO ADMINISTRATIVA ORGÃO DE ORIGEM A SER DEV OU ARQ. às fls.422, despacho, 05/09/2017, da DERAT/SP: Com base no Parece PGFN/CRJ nº 1.973/2010 e em face da declaração de inconstitucionalidade proferida na Súmula Vinculante nº 21 do STF, a DIDAU/PFNSPO proferiu despacho considerando indevida a negativa de seguimento do recurso, cancelando, inclusive, a inscrição na dívida ativa da União. Por sua vez, a DERATSPO, por meio de sua Delegada, reconsiderou decisão anterior e determinou o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 380/381). Informo que o contribuinte foi cientificado da reconsideração e o processo atualizado para situação “Suspenso – Julgamento do Recurso Voluntário” , conforme extrato de fls.397/405. Fl. 430DF CARF MF 8 À vista do exposto, encaminhese o presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. O recurso voluntário repete a argumentação apresentada na Impugnação, ora transcrita na decisão recorrida, então apreciada pela primeira instância. Da delimitação do litígio Depreendese do Recurso apresentado, que a Recorrente insurgese apenas contra a aplicação dos acréscimos legais, quais sejam, a multa de ofício e os juros moratórios. Da Multa de Ofício A base de cálculo da multa de ofício, ora aplicada, é o próprio valor do tributo/contribuição lançado, nos termos e com a utilização dos percentuais estabelecidos no art.44 da Lei 9.430/96 que adiante se transcreverá. Com relação aos argumentos trazidos pela Impugnante acerca do caráter confiscatório da multa aplicada de se dizer apenas que reclamações desta natureza não cabem sua apreciação nas instâncias administrativas. Sem qualquer discussão acerca da constitucionalidade/legalidade da legislação citada na Impugnação, algumas considerações são oportunas. Com relação a multa de ofício, alega que representa afronta ao preceito constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Quanto à argüição de confisco, a Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Tratase de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Porém, não existe um patamar prédefinido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicial competente. Assim, em primeiro plano, podese dizer que o princípio do não confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o princípio dirigese, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicálo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à administração tributária. Esta submetese ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Não cabe à administração tributária criar a lei, muito menos furtarse a aplicála ou negar sua vigência. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13807.001306/9881 Acórdão n.º 1401002.889 S1C4T1 Fl. 428 9 A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômico financeira do sujeito passivo. Assim, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. De tal sorte, como as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. LEI 9.430 DE 27/12/1996 – DOU 30/12/1996 Multas de Lançamento de Ofício (com a nova redação da Lei 11.488/2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 432DF CARF MF 10 Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra geral é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I transcrito, sendo, entretanto, aplicada no presente lançamento a multa do parágrafo 1º, de 150%. O princípio que norteia a imputação desta penalidade tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade, constituindose em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. No mais, a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste poder. Não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. A questão já foi, inclusive, objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Entretanto, entendo que deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, uma vez que a autoridade autuante não justificou o motivo de sua aplicação. Apesar de constar no Auto de Infração IRPJ apenas uma infração, qualquer acréscimo de percentual (agravamento ou qualificação) à multa de ofício típica (75%) deve ser objeto de justificativa por parte da autoridade fiscal autuante, sob pena de termos uma situação como a vista nos autos, ou seja, a justificativa para a aplicação da qualificação da multa de ofício foi construída pela decisão recorrida, algo que, obviamente, não se pode aceitar. Dos Juros de Mora Quanto à alegação de redução de taxa de juros para 1% ao mês, além de contestar sua legalidade, nada traz a contribuinte em sua defesa que lhe possa permitir o uso de tal percentual. Correto o enquadramento legal que consta no auto de infração para os juros de mora, observandose que, em alguns períodos (não todos), os juros eram cobrados à razão de 1%. Como se vê, os juros de mora foram calculados com base em dispositivos legais e devidamente citados nos autos de infração. A ação fiscal baseouse em comandos constantes de disposições legais, e destaquese que a Recorrente não apontou qualquer incorreção em sua apuração. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13807.001306/9881 Acórdão n.º 1401002.889 S1C4T1 Fl. 429 11 Em casos como este, em que a única forma de afastar uma determinada exigência fiscal é a de negar validade aos atos que a prevêem, no caso os juros, bastante limitada resta a atuação do julgador administrativo, em face das limitações impostas às instâncias administrativas à apreciação de questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal. Dos Lançamentos Decorrentes – CSLL, PIS/PASEP, COFINS e IRFF O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, PIS/PASEP, COFINS e IRRF neste processo, são reflexos da mesma irregularidade apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelandose a qualificação da multa de ofício, mantida, portanto, em seu patamar típico, de 75%. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720019/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
JUNTADA DE DOCUMENTO APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual.
NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, e não anual, conforme está determinado nas Leis nº 7.713, de 1988 e nº 8.134, de 1990. Correta a fórmula empreendida no lançamento.
Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que foram discriminados mensalmente os valores aplicados e os resgatados em contas mantidas no exterior, conforme planilha que consta dos autos.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES.
Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL.
A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade.
REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO.
A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANÁLISE DO FLUXO DE ORIGENS E DISPÊNDIOS.
A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, com base em documentação hábil e idônea. Compete ao contribuinte demonstrar eventuais vícios na apuração minuciosamente detalhada em planilhas elaboradas pela fiscalização.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 2401-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier. Vencida em primeira votação a conselheira Andrea Viana Arrais Egypto, que votou por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 JUNTADA DE DOCUMENTO APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, e não anual, conforme está determinado nas Leis nº 7.713, de 1988 e nº 8.134, de 1990. Correta a fórmula empreendida no lançamento. Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que foram discriminados mensalmente os valores aplicados e os resgatados em contas mantidas no exterior, conforme planilha que consta dos autos. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL. A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANÁLISE DO FLUXO DE ORIGENS E DISPÊNDIOS. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, com base em documentação hábil e idônea. Compete ao contribuinte demonstrar eventuais vícios na apuração minuciosamente detalhada em planilhas elaboradas pela fiscalização. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier. Vencida em primeira votação a conselheira Andrea Viana Arrais Egypto, que votou por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, e não anual, conforme está determinado nas Leis nº 7.713, de 1988 e nº 8.134, de 1990. Correta a fórmula empreendida no lançamento. Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que foram discriminados mensalmente os valores aplicados e os resgatados em contas mantidas no exterior, conforme planilha que consta dos autos. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 00 19 /2 01 4- 11 Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.322 2 distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL. A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANÁLISE DO FLUXO DE ORIGENS E DISPÊNDIOS. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, com base em documentação hábil e idônea. Compete ao contribuinte demonstrar eventuais vícios na apuração minuciosamente detalhada em planilhas elaboradas pela fiscalização. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.323 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier. Vencida em primeira votação a conselheira Andrea Viana Arrais Egypto, que votou por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 15ª Turma da DRJ/SPO e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 2161/2177): Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 2.102 a 2.104, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário de 2009, acompanhado dos demonstrativos de fls. 2.105 a 2.109 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.091 a 2.101, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.640.391,19, composto de: Imposto: R$ 778.654,38 Juros de mora (calculados até 02/2014): R$ 277.746,02 Multa Proporcional R$ 583.990,79 Conforme descrição dos fatos de fls. 2.103 a 2.104, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: rendimentos recebidos por sócios de empresas – omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído excedentes ao lucro presumido – rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido, excedentes ao Lucro Presumido diminuído de impostos e contribuições, quando a pessoa jurídica não demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao Lucro Presumido, conforme relatado no Termo de Verificação Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.324 4 em anexo. Fatos geradores, valores apurados e enquadramento legal a fl. 2.103; acréscimo patrimonial a descoberto – omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme Termo de Verificação em anexo. Fatos geradores, valores apurados e enquadramento legal a fl. 2.104. No citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.091 a 2.101 encontrase descrito o desenvolvimento da ação fiscal, donde se extrai que: constatouse que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009, o valor total de R$ 1.850.000,00 a título de rendimentos isentos e não tributáveis referentes a lucros e dividendos recebidos da empresa Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda., CNPJ 57.646.119/0001 53; intimado a apresentar Ata de Assembleia ou documento equivalente, que deliberou sobre a distribuição dos lucros, bem como a comprovar a efetiva transferência financeira do valor declarado, o contribuinte apresentou apenas cópias parciais do Razão Analítico da empresa Atrevida Produções Artísticas Ltda., bem como cópias da folha de pagamento – prólabore de Angelina Maria Muniz Zagari e “Recibos de Retirada de Lucro”; analisando a DIPJ, constatouse que a empresa optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido e informou na Ficha 61A – Rendimentos de Dirigentes, Conselheiros, Sócios ou Titular, lucro distribuído à sócia Angelina Maria Muniz Zagari foi no montante de R$ 223.751,21; foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência, em 09/10/2012, em face da empresa Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda., da qual a contribuinte era sócia no ano calendário de 2009, com participação de 99%; em atendimento à intimação, a empresa apresentou o original do Livro Diário e do Livro Razão, em 27/11/2012, bem como Balancetes de Verificações Mensais e Anual Analítico e Balanço Patrimonial referentes ao anocalendário 2009. O livro Diário somente foi registrado na JUCESP em 14/11/2012; tendo em vista que a empresa envolvida não cumpriu as formalidades legais exigidas para a sua escrituração contábil, a fiscalização não considerou a escrituração contábil da empresa hábil para fazer prova a favor da contribuinte ora fiscalizada, sendo considerado como rendimentos isentos, recebidos a título de distribuição de lucros, tão somente o valor correspondente ao lucro presumido, declarado na DIPJ, diminuído dos impostos e Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.325 5 contribuições, conforme demonstrado a fl. 2.094, ou seja, R$ 67.044,44 no total para 2009; a parcela excedente foi submetida à tributação; ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – no ano calendário de 2009, a contribuinte era casada pelo regime da comunhão universal de bens com Walter Zagari, CPF n.º 482.996.00863. O casal entregou a DIRPF separadamente, no modelo simplificado; assim, foi efetuada a análise de todos os documentos acostados na ação fiscal do Sra. Angelina conjuntamente com os coletados na ação fiscal do Sr. Walter, computando todos os bens e direitos do casal, bem como os rendimentos e dispêndios de ambos, sendo elaborando ao final, um único fluxo de Análise de Variação Patrimonial e Financeira; foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de janeiro, abril, agosto e setembro de 2009, sendo tributado 50% para cada cônjuge, tendo em vista que o casal apresentou Declaração em separado. O Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira do anocalendário 2009 encontrase as fls. 2.041 a 2.044. Cientificada do lançamento em 28/02/2014 (fl. 2.111), a contribuinte apresentou, em 01/04/2014, a impugnação de fls. 2.116 a 2.144, por intermédio de procuradores (procuração a fl. 2.145), acompanhada dos documentos de fls. 2.152 a 2.156, alegando: em cumprimento à exigência da Fiscalização, foram apresentados os Livros Diário e Razão, bem como Balancetes de Verificação Mensais e Anual Analítico e Balanço Patrimonial referente ao anobase 2009; não obstante todo o restante da escrituração contábil da empresa estivesse em perfeita ordem, o Livro Diário fora registrado a destempo, entendendo a Fiscalização que deveria considerar toda a escrituração contábil inábil; alega o contribuinte que a pessoa jurídica Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda. possui contabilidade idônea e suficiente a comprovar que foi auferido no anobase 2009, lucro superior ao lucro presumido, viabilizando, consequentemente, as distribuições efetuadas à impugnante; no que tange ao segundo ponto de autuação, importa destacar que o procedimento de apuração e tributação de forma mensal e não anual, dos rendimentos decorrentes da suposta variação patrimonial a descoberto, é altamente questionável, podendo levar inclusive à nulidade da autuação; admitese a exigência de um único requisito à validade da distribuição de lucros e dividendos em valor superior ao do lucro presumido, sob o ponto de vista lógico, constitucional e Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.326 6 infraconstitucional, qual seja: a comprovação da existência de lucro em montante suficiente a embasar a respectiva distribuição, conforme registros contábeis; a impugnante logrou êxito, ao longo da fiscalização, em comprovar, através da apresentação de cópias do Balanço Patrimonial, dos Balancetes de Verificação e dos Livros Diário e Razão da pessoa jurídica, que o lucro apurado, efetivo, superou o valor correspondente ao do lucro presumido que serve de base de cálculo apenas para o recolhimento dos tributos devidos pela pessoa jurídica; existe uma única exigência válida à distribuição isenta de lucros e dividendos acima do valor do lucro presumido, e tal exigência é a existência de resultado suficiente à distribuição, devidamente respaldado em balanço; e leviano seria ignorar que tal resultado, qual seja, a existência do lucro efetivamente auferido pela pessoa jurídica no ano calendário 2009, pode ser respaldado por diversos documentos, sendo irrazoável fechar os olhos à sua real existência em razão de mero atraso em um dos registros que o comprovam!; alega ainda, a afronta aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e legalidade; no caso dos autos, ainda que válida fosse a desconsideração do Livro Diário, com o que não concorda o impugnante, certo é que os demais meios de prova trazidos aos autos poderiam plenamente substituílo no fito de comprovar a existência do lucro apurado pela pessoa jurídica (tais como os balancetes de verificação, Balanço Patrimonial, Recibos de Retirada de Lucros e Livro Razão apresentados); conforme se verifica pelos Recibos de Retirada de Lucros acostados aos autos, a Impugnante recebeu, a título de distribuição de lucros, o montante de R$ 1.850.000,00. Referidas distribuições estão devidamente registradas na contabilidade da empresa, atribuindo veracidade e reforçando as informações constantes nos Recibos de Retirada de Lucros; da ofensa aos princípios da motivação e da verdade material – carece de motivação o lançamento em questão, pois o impugnante apresentou documentos hábeis e idôneos e suficientes a comprovar a existência de lucro da pessoa jurídica Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda.; seria patente a improcedência do presente lançamento, razão pela qual tal AIIM encontrase eivado de insanável vício de nulidade, posto que carece do imprescindível requisito da motivação; o princípio da verdade material determina que o lançamento tributário deverá se ater à realidade dos fatos, de sorte que possa ocorrer a subsunção do fato efetivamente incorrido à Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.327 7 norma jurídica que lhe outorga consequências no campo tributário; restando evidenciada a ocorrência de erro material que distorce a realidade dos fatos, cabe à Administração Pública rever o lançamento. Transcreve ementa de processo judicial; a autuação originouse exclusivamente do fato de a fiscalização não ter observado a vasta documentação apresentada, capaz de suportar as distribuições de lucros havidas, em razão, exclusivamente, de erro cometido pela pessoa jurídica da qual a Impugnante é sócia, consistente no atraso do registro de seu livro Diário; tal procedimento afronta o princípio da verdade material, já que o lucro auferido pela pessoa jurídica resta plenamente comprovado; caso ainda resida dúvida acerca da suficiência da documentação anexa para a comprovação do quanto ora alegado, requer a Impugnante a conversão do julgamento em diligência, para rever a documentação contábil apresentada; Da Inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto – a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser realizada de forma anual, no ajuste, e não de forma mensal, como realizado nos autos; com relação à acusação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para o mês de janeiro de 2009, esta não se justifica já que ocasionada por mero erro cometido pelo escritório de contabilidade terceirizado contratado pela empresa na qual o marido da Impugnante é sócio majoritário. Conforme se verifica da anexa cópia da fl. 02 do Livro Diário, em conjunto com o extrato bancário da conta de titularidade do casal, no Citibank, além dos R$ 202.423,11 informados como distribuídos em janeiro ao marido da Impugnante, foi também distribuída a quantia de R$ 600.000,00 no dia 20/01/2009; a Fiscalização alega que a Impugnante (e/ou seu marido) teria aplicado em contas do banco RBC Dominion Securities Inc. em Toronto, Canadá, as quantias de R$ 2.101.883,76 e R$ 628.343,84 em março e abril de 2009, aplicações estas não identificadas nos extratos bancários que supostamente as embasam; impossível compreender as apurações referentes a supostos depósitos e aplicações tidos por ocorridos em contas bancárias no exterior, já que apresentadas pela Fiscalização de forma global, não individualizada, não respaldada pelas informações constantes dos respectivos extratos bancários e, portanto, inintelígivel, o que não se pode permitir, sob pena de afrontar ao direito constitucionalmente previsto ao contraditório e ampla defesa do Impugnante; Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.328 8 caso essa Delegacia de Julgamento entenda não ser possível, de plano, constatar que as mencionadas aplicações no exterior não foram devidamente demonstradas, calculadas, fundamentadas e comprovadas pela Fiscalização, impreterível será a conversão do julgamento em diligência, para que se digne a D. Fiscal autuante a esclarecer as acusações levadas a efeito; no mês de agosto de 2009, deixouse de considerar uma entrada financeira da Impugnante, referente a empréstimo tomado da empresa da qual é sócia majoritária (“Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda.”); isto se comprova através do simples confronto entre as informações constantes do Livro Diário de mencionada pessoa jurídica e extrato da conta mantida junto ao Citibank, quando se verifica que no dia 21/08/2009 houve transferência do valor de R$ 3.593.745,68 da empresa para a sócia, referente a empréstimo por ela tomado; considerando tal quantia na composição do APD, concluiremos que em agosto de 2009, o casal apurou saldo disponível para o mês seguinte, no valor de R$ 2.457.621,93 e não acréscimo patrimonial a descoberto; tal saldo, por consequência, anula igualmente o suposto APD apurado para o mês de setembro de 2009, que passa de R$ 212.738,96 para zero, majorando ainda o saldo disponível em caixa no ano, de R$ 750.218,80 para R$ 3.207.840,73; por fim, requer o conhecimento e regular processamento da sua defesa. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1662.339 (fls. 2161/2177), de 16/10/2014, cujo dispositivo considerou Improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APURAÇÃO MENSAL. Em consonância com o disposto no artigo 2º da Lei 7.713/1988, a partir do anocalendário de 1989, para fins de determinação Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.329 9 de omissão de rendimentos por análise da variação patrimonial, as alterações devem ser levantadas mensalmente e confrontadas com os rendimentos do respectivo mês. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ACIMA DO LIMITE DE ISENÇÃO. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. É tributável a parcela dos rendimentos pagos, a título de distribuição de lucros, a sócio de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, que exceder à diferença entre o lucro presumido e os valores correspondentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, a menos que fique demonstrado, por meio de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo para o qual houver optado. APURAÇÃO DO LUCRO EFETIVO. LIVRO DIÁRIO. FORMALIDADES. Para fazer prova a favor do contribuinte, o livro Diário deve conter, respectivamente, na primeira e última página, termos de abertura e de encerramento e deve ser registrado e autenticado pelas juntas comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio. Somente pode ser aceita a escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, quando o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte está sujeita à tributação. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. DILIGÊNCIA FISCAL CABIMENTO. A diligência fiscal deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões Judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.330 10 A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Não cabem os questionamentos do contribuinte acerca da validade do procedimento fiscal. Não há nele vicio que comprometa a validade do lançamento. O auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. O auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal, conforme designação pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.96.002014 001333. 2. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendolhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. 3. Os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.087 a 2.097) e no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração (fls. 2.099 a 2.100), partes integrantes do auto de infração, descrevem detalhadamente o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, bem como o seu enquadramento legal, permitindo ao impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, sem dar margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida. 4. Para as contas bancárias mantidas no exterior, foram computados mensalmente como “recursos” na análise da Evolução Patrimonial e Financeira os valores efetivamente resgatados. E foram computados mensalmente como dispêndios, os valores aplicados. E ao contrário do alegado pelo interessado, há sim documentação comprobatória dessas aplicações. As fls. 2.048 a 2.050, encontramse, discriminado em planilhas, os valores aplicados e os valores resgatados em contas no exterior, com identificação do Banco e n.º das contas. Ademais, as fls. 792/804 consta a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior, apresentada pelo cônjuge do contribuinte e documentos bancários de movimentação de contas no exterior. Também as fls. 828/917 e 1.123/1.174 encontramse extratos bancários de contas mantidas no exterior. Na declaração de bens e direitos da DIRPF/2010, do Sr, Walter Zagari estão registradas as contas mantidas no exterior (fls. 1.179 a 1.188). Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.331 11 5. A partir de 1º de janeiro de 1.989, com a edição da Lei nº 7.713/1988, o imposto de renda das pessoa físicas passou a ser exigido mensalmente, à medida em que os rendimentos incluídos neste conceito os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados e ganhos de capital são percebidos. Com a Lei nº 8.134, de 1990, o imposto continuou devido mensalmente, porém a título de antecipação, pois, ao se estabelecer que algumas deduções somente poderiam ser utilizadas na declaração anual, criouse uma exigência provisória do tributo, sendo que o valor definitivo só é determinado na declaração de ajuste anual. Portanto, a análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve reportarse aos períodos mensais para conformarse às disposições legais. Posteriormente, ao consolidar as normas de tributação relativas à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, a Instrução Normativa nº 15/01 do Secretário da Receita Federal esclareceu definitivamente, por meio do seu artigo 33, que o acréscimo patrimonial não justificado constitui rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual. Referese tal dispositivo, pois, à forma de tributação e não à apuração do fato gerador, que deve ser feita em bases mensais. 6. O art. 10 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, dispõe que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliada no País ou no exterior. 7. Em se tratando de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela do lucro distribuído excedente ao valor da base de cálculo do imposto, diminuída dos impostos e contribuições, não se sujeitará à tributação, se a pessoa jurídica demonstrar, por meio de escrituração contábil, efetuada de conformidade com a legislação comercial, que o lucro contábil é superior ao determinado pelas normas de apuração da base de cálculo do imposto calculado com base no lucro presumido. 8. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.091 a 2.101) o livro Diário do anocalendário de 2009 foi objeto de autenticação apenas em 14/11/2012, após o termo final estabelecido na legislação e após a ciência da intimação para a empresa Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda. para apresentação dos Livros Contábeis, que ocorreu em 11/10/2012 (AR a fl. 545). Mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais apresentada pela pessoa jurídica não confirma o valor dos lucros distribuídos no anocalendário 2009 à contribuinte. Pelo contrário, nela consta distribuição de lucros para a interessada no valor de R$ 223.751,21 (fl. 680) e cotejando os valores de receita bruta nela declarada e impostos e contribuições devidos, apurase o limite para distribuição de lucros no valor anual de R$ 67.044,44 (fl. 2.094). Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.332 12 9. Logo, não cumpridas todas as formalidades exigidas pela legislação, a escrituração contida nesse livro não possui o condão de fazer prova da apuração do lucro efetivo da pessoa jurídica. 10. Os demais documentos apresentados pelo contribuinte não se prestam para comprovar o lucro contábil auferido, sendo que os recibos de recebimento de dividendos, assinados apenas pela contribuinte, que detém 75% de participação na pessoa jurídica, não podem ser aceitos como prova de lucro contábil, mas apenas dos valores recebidos. 11. No que concerne à segunda infração, cabe considerar que o acréscimo patrimonial é uma das formas colocadas à disposição do Fisco para detectar omissão de rendimentos, edificandose aí uma presunção legal, do tipo condicional ou relativa, que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto da verdade e que impõe ao contribuinte a comprovação da origem dos rendimentos determinantes do descompasso patrimonial. 12. A presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. A eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo Fisco. Desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utilizase de fluxos de caixa com o objetivo de verificar a ocorrência de inconformidades entre a renda declarada e os dispêndios realizados pelo contribuinte. O resultado dos demonstrativos poderá indicar variação patrimonial a descoberto, ou seja, a aquisição de bens e/ou gastos acima dos rendimentos informados. 13. No caso em tela, a impugnante alega que foi distribuída a quantia de R$ 600.000,00 no dia 20/01/2009 para seu esposo. Entretanto, a contribuinte não aponta a transferência desses recursos para as contas correntes sejam de seu cônjuge ou as suas, limitandose a argumentar que estaria comprovada nos autos. Salientase que foram considerados como origens de recursos todos os saldos bancários em ContasCorrentes e Poupança no início de cada mês, tanto da contribuinte quanto de seu esposo. 14. Em relação aos mês de abril de 2009, a impugnante afirma que a fiscalização alega que a contribuinte (e/ou seu marido) teria aplicado em contas do banco RBC Dominion Securities Inc. em Toronto, Canadá, as quantias de R$ 2.101.883,76 e R$ 628.343,84 em março e abril de 2009, aplicações estas que não estariam identificadas nos extratos bancários. 15. Ocorre que os extratos bancários de fls. 1.474 a 1.477, 1.568 a 1.593, 1.803 a 1.848 demonstram aplicações financeiras em contas de n.º 671 2326328 e 6712326427 mantidas no Banco RBC Dominion Securities Inc, Toronto/Canadá. 16. Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que a planilha de fl. 2.070 discrimina mensalmente Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.333 13 os valores aplicados e os resgatados em contas mantida no Banco RBC Dominion Securities Inc. 17. Quanto ao acréscimo patrimonial apurado nos meses de agosto e setembro de 2009, argumenta o contribuinte que no mês de agosto de 2009 deixouse de considerar uma entrada financeira da contribuinte, referente a empréstimo bancário tomado da empresa da qual é sócia majoritária (“Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda.”), no valor de R$ 3.593.745,68. Contudo, não há nos autos um único documento comprovando o alegado empréstimo, havendo apenas cópia do extrato de uma conta no Citibank sem identificação do titular e do número da conta corrente (fl. 2.156) e uma página do Livro Diário da pessoa jurídica acima citada, onde consta um crédito de R$ 3.593.745,68 para a pessoa jurídica, identificado como valor ref a classificar (fl. 2.154). 18. Em relação à alegação de afronta a princípios constitucionais, falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, condições que não se apresentam neste caso. 19. Cabe à autoridade julgadora de primeira instância examinar o pedido de realização de diligências ou perícias, formulado pelo sujeito passivo, mandando realizar (de ofício ou a requerimento) aquelas que forem necessárias e indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 2183/2210), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Não há que se falar em omissão de receita decorrente da distribuição de lucros em montante superior ao do lucro presumido da empresa da qual a recorrente é sócia, tendo em vista a vasta documentação acostada aos autos, hábil e suficiente a comprovar a efetiva apuração de lucro pela empresa em valor superior ao presumido, suportando, assim, as distribuições levadas a efeito, sendo certo que: (i.a) o mero atraso no registro do Livro Diário é insuficiente para desconsiderar tal documento como hábil a comprovar a existência de lucro acima do presumido, sob risco de ofensa ao princípio da proporcionalidade e razoabilidade; (i.b) mesmo que assim não o fosse, o que apenas se admite por argumentação, os demais documentos contábeis trazidos aos autos, cujas idoneidades jamais foram questionadas pela D. Fiscalização, igualmente comprovam o lucro efetivamente auferido pela pessoa jurídica em pauta, devendo, em atenção aos princípios da motivação, verdade material e razoabilidade, serem aceitos e considerados. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.334 14 b. Existe vício que nulifica tanto o procedimento de lançamento como o auto de infração dele decorrente, posto que: (ii.a) a apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto deve ser realizada anualmente, ou seja, considerando a situação patrimonial ao final do anocalendário, no ajuste, e não mensalmente, como realizado no caso dos autos; e (ii.b) equivocada e arbitrária a inclusão dos valores das aplicações efetuadas no exterior, na medida que ausente nos autos documentação probatória capaz de lhe dar arrimo, viciando, portanto, o presente lançamento em razão da ofensa dos princípios da motivação, eficiência e verdade material. c. Independentemente dos vícios acima apontados, no mérito, qualquer que seja a forma de apuração do acréscimo patrimonial da recorrente no ano calendário de 2009 (mensal ou anual), ficou comprovada e justificada a existência de outras “Origens” que respaldam integralmente despesas consideradas mês a mês, anulando a apuração de qualquer hipotético “acréscimo patrimonial” a descoberto, mais especificamente: (iii.a) o adicional de distribuição de lucro recebido pelo marido da recorrente, em janeiro de 2009, no valor de R$ 600.000,00, da empresa do qual é sócio; e (iii.b) o empréstimo tomado pela recorrente da empresa da qual é sócia, no valor de R$ 3.593.745,68, no mês de agosto de 2009, ambos devidamente respaldados pelas documentações contábeis das empresas e extratos bancários da recorrente e seu marido (conta conjunta). d. Pelo exposto, pede e espera seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso Voluntário e extinguindose o crédito tributário sob discussão. Por derradeiro, protesta pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da presente demanda, bem como pela conversão do julgamento em diligência, caso essa E. Turma entenda necessário. A recorrente, após a apresentação de seu apelo recursal e após a publicação da pauta de julgamento, e, inclusive, faltando poucos dias para apreciação de seu recurso pelo colegiado, em petição de fls. 2217/2221, requereu a juntada e apreciação de Parecer Técnico de Natureza Contábil e Tributária de fls. 2222/2239, acompanhado dos anexos de fls. 2240/2320. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.335 15 O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 2213, e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Do pedido de juntada de documentos na fase recursal. A recorrente, após a apresentação de seu apelo recursal e após a publicação da pauta de julgamento, e, inclusive, faltando poucos dias para apreciação de seu recurso pelo colegiado, em petição de fls. 2217/2221, requereu a juntada e apreciação de Parecer Técnico de Natureza Contábil e Tributária de fls. 2222/2239, acompanhado dos anexos de fls. 2240/2320. Esclareço que, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na Impugnação, precluindo o direito da prática do ato em outra oportunidade, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.336 16 oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, o § 5°, do mesmo dispositivo legal, transfere ao litigante, o ônus de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas para que a autoridade julgadora aceita a juntada posterior de documentos, após apresentada a Impugnação. Contudo, a recorrente não apresentou qualquer justificativa para a apresentação intempestiva do “Parecer Técnico de Natureza Contábil e Tributária”. Cabe ressaltar, inclusive, que a ciência do Auto de Infração em tela ocorreu no dia 28/03/2014. O julgamento em primeira instância, por sua vez, proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1662.339 (fls. 2161/2177), ocorreu em 16/10/2014. Ou seja, passados mais de 4 (quatro) anos da ciência do Auto de Infração e, somente nesta instância recursal, inclusive após a apresentação do recurso, e mesmo após a publicação da pauta de julgamento é que a recorrente decide juntar novos documentos aos autos, sequer apresentando justificativa razoável para sua aceitação e apreciação. Ante o exposto, rejeito a apreciação dos documentos apresentados pela recorrente, eis que intempestivo, estando, inclusive, ausente a comprovação do preenchimento dos requisitos previstos no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. 4. Preliminares. Preliminarmente, a recorrente requer a nulidade do auto de infração, por entender que a fiscalização teria apurado a suposta variação patrimonial a descoberto de forma mensal e não anual, o que, no seu entendimento, seria altamente questionável. Ademais, entende que o lançamento estaria viciado por ausência de provas da existência de aplicações efetuadas no exterior. Contudo, sem razão à recorrente. A começar, conforme bem pontuado pela decisão de piso, a análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, e não anual, para conformarse ao determinado nas Leis nº 7.713, de 1988 e nº 8.134, de 1990. E, ainda, no tocante à alegação de provas da existência de aplicações efetuadas no exterior, cabe destacar o seguinte trecho da decisão proferida pela DRJ e não contraditado pela recorrente: Para as contas bancárias mantidas no exterior, foram computados mensalmente como “recursos” na análise da Evolução Patrimonial e Financeira os valores efetivamente resgatados. E foram computados mensalmente como dispêndios, os valores aplicados. E ao contrário do alegado pelo interessado, há sim documentação comprobatória dessas aplicações. As fls. 2.048 a 2.050, encontramse, discriminado em planilhas, os valores aplicados e os valores resgatados em contas no exterior, com identificação do Banco e n.º das contas. Ademais, as fls. 792/804 consta a Declaração de Capitais Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.337 17 Brasileiros no Exterior, apresentada pelo cônjuge do contribuinte e documentos bancários de movimentação de contas no exterior. Também as fls. 828/917 e 1.123/1.174 encontramse extratos bancários de contas mantidas no exterior. Na declaração de bens e direitos da DIRPF/2010, do Sr, Walter Zagari estão registradas as contas mantidas no exterior (fls. 1.179 a 1.188). O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conorme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislção. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Dessa forma, afasto as preliminares levantadas pela recorrente, passando a apreciar o mérito da questão posta. 5. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2091/2101), foram apuradas as seguintes infrações e que serão analisadas separadamente: (i) rendimentos excedentes ao lucro presumido pagos a sócio; (ii) acréscimo patrimonial a descoberto. 5.1. Rendimentos excedentes ao lucro presumido pagos a sócio. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2091/2101), o contribuinte, relativamente ao anocalendário 2009, teria declarado rendimentos isentos ou nãotributáveis recebidos a título de lucros distribuídos por pessoa jurídica da qual é sócio em valores superiores ao lucro presumido apurado por essa empresa em cada ano calendário, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Segundo a fiscalização, o Livro Diário do anocalendário de 2009 somente foi registrado no órgão de registro competente (JUCESP) em 14/11/2012, tendo o procedimento fiscal iniciado em 24/04/2012 e a ciência da intimação pela empresa em questão para apresentação dos Livros Contábeis ocorrida em 11/10/2012. Ademais, a fiscalização apontou divergência existente entre o valor informado pelo contribuinte, a título de rendimentos isentos e não tributáveis referentes a lucros e dividendos, na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2009, e o valor que consta na Ficha 61A – Rendimentos de Dirigentes, Conselheiros, Sócios ou Titular – parte integrante da DIPJ do anocalendário de 2009 da Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda. A contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2009, Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.338 18 o valor total de R$ 1.850.000,00, a título de rendimentos isentos e não tributáveis referentes a lucros e dividendos recebidos da Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda, que por sua vez, informou o valor de R$ 223.751,21 distribuído à sócia Angelina Maria Muniz Zagari. Dessa forma, a fiscalização considerou, então, como rendimentos isentos, recebidos a título de distribuição de lucros, tão somente o valor correspondente ao lucro presumido, declarado na respectiva DIPJ, diminuído dos impostos e contribuições (inclusive adicional do IR, CSLL, Cofins, PIS/Pasep) (ADN Cosit n° 4, de 1996; IN SRF n° 11 de 1996, art. 51 e parágrafos; IN SRF n° 93 de 1997, art. 48 e parágrafos). A parcela excedente, por sua vez, foi submetida à tributação, com base na tabela progressiva aplicável aos rendimentos do trabalho assalariado, nos termos do artigo 3°, § 1° e 4°, e artigo 7° da Lei n° 7.713/88; artigos 1° e 3° da Lei n° 9.250/95; artigo 43 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); art. 9, inciso XVI da IN SRF n° 15, de 2001; artigo 1° da Lei n° 11.482/2007, com redação dada pela Lei n° 11.945/2009. Alega a recorrente que, embora a pessoa jurídica Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda. – EPP tenha optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, possui contabilidade idônea e suficiente a comprovar que foi auferido, no anobase 2009, lucro superior ao lucro presumido, viabilizando, consequentemente, as distribuições efetuadas à recorrente. Afirma, ainda, que os balancetes constantes dos autos e o respectivo Balanço Patrimonial, somados ainda à cópia do Livro Razão e também do Livro Diário da pessoa jurídica são inequívocos na demonstração da existência do lucro a ela distribuído, sendo certo que a desconsideração de toda essa documentação em razão exclusivamente do registro a destempo do Livro Diário denota patente ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e verdade material. Pois bem. Antes de adentrar ao mérito da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Nesse desiderato, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.339 19 contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior. O art. 48 da IN SRF nº 93/97, vigente à época dos fatos geradores, estabelecia as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas, da seguinte forma: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. §2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº9.250, de 1995. §5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. §6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.340 20 §8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. No mesmo sentido o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 51 da Instrução Normativa nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido ou arbitrado e os valores corresponndentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, inclusive adicional, quando devido, à contribuição social sobre o lucro, à contribuição para a seguridade social COFINS e às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. II na hipótese do § 2º do art. 51 da IN nº 11, de 1996, a parcela dos lucros e dividendos que exceder o valor da base de càlculo do imposto da pessoa jurídica, a ser distribuída também sem a incidência do imposto, será determinada deduzindose do lucro líquido do período, após o imposto de renda, o valor determinado na forma do inciso anterior. Na mesma toada, são também as disposições do art. 238 da IN RFB nº 1.700/2017, atualmente vigente. (...) II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Em suma, a empresa tributada com base no lucro presumido poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro presumido. Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.341 21 Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. O art. 258 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe sobre essas formalidades, da seguinte forma: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). O dispositivo em referência tratase, para efeitos de apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente. A exigência de autenticação do Livro Diário também consta do Código Civil, conforme abaixo: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.342 22 Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Nesse sentido, para distribuição de lucros acima do lucro presumido, há a necessidade de existir lucro contábil que possibilite tal distribuição, que se faz conhecido a partir da sua apuração (do lucro), com observância das exigências da legislação comercial. Se há distribuição de lucro acima do montante presumido, essa parcela excedente deve ser efetivamente demonstrada e essa demonstração deve se revestir de formalidades. As escriturações contábeis, apesar de não obrigatórias para as optantes pelo lucro presumido, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro presumido com isenção do imposto de renda. Portanto, verificado qualquer vício, erro ou deficiência que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, tal escrituração contábil deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. Pois bem. De início, destacase que estamos diante de isenção1 relativa a distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem regulares, além de guardarem harmonia entre as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. A propósito, cumpre pontuar que a finalidade da isenção em comento é no sentido de se estabelecer a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Nesse contexto, cabe destacar os seguintes trechos da exposição de motivos do Projeto de Lei n° 913, de 1995 (convertido na Lei n° 9.249/95)2, do então Ministro Pedro Malan, dirigindose ao Presidente da República: 2. A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o 1 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. 2 Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1995/lei924926dezembro1995349062exposicaodemotivos149781 pl.html>. Acesso em: 27/10/2018. Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.343 23 tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. [....] 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. No caso dos autos, a fiscalização apontou que o Livro Diário do ano calendário de 2009 somente foi registrado no órgão de registro competente (JUCESP) em 14/11/2012, após o início do procedimento fiscal (24/04/2012) e da ciência da intimação pela empresa para apresentação dos Livros Contábeis (11/10/2012). Vale destacar que a ciência do auto de infração ocorreu em 28/03/2014. Pois bem, apesar de ter manifestado anteriormente pela necessidade de observância do prazo estipulado na IN SRF n° 16/84, que admite a autenticação do Livro Diário em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data da entrega tempestiva da declaração, correspondente ao respectivo período, após maiores reflexões, entendo que a legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal. Esse entendimento, inclusive, já foi adotado em julgado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme ementa abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA. IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIO. LIVROS CONTÁBEIS. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. I O impetrante qualificado como sócio das pessoas jurídicas Osvaldo Pereira Sociedade de Advogados e JOPE Gestão de Bens e Participações Societárias, tributadas com base no lucro presumido, sustentou que recebeu distribuição dos lucros de referidas empresas, sem a incidência de impostos, com fundamento no art. 51, § 2ºm IN/SRF nº 11, de 21.02.1996, e assim, declarou mencionada verba, na sua declaração de ajuste anual, como rendimento isento e não tributável. O impetrante sustenta que foi fiscalizado pela Receita Federal do Brasil, com o objetivo principal de verificar sua variação patrimonial, não resultando apurada a existência de valores que pudessem caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto, a serem Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.344 24 considerados como rendimentos obtidos. II Entendeu a autoridade fazendária que referida verba tinha natureza tributável, uma vez que os livros diários das citadas empresas teriam sido apresentados a destempo. Assim, foi lavrado o auto de infração em desfavor do impetrante por dedução indevida de despesas médicas e por omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído, em valor excedente ao lucro presumido, relativamente ao anocalendário 2009. Todavia, a isenção foi criada como incentivo ao investimento na empresa pelos acionistas. Observese, que a isenção foi criada para prestigiar os acionistas, como instrumento de política fiscal. III A interpretação restritiva é mandamento do Código de Tributário Nacional, que determina em seu artigo 111, inciso II, que "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção". Além disso, o caput do artigo em questão fala da possibilidade de o beneficiário ser pessoa física ou jurídica. A figura do acionista realmente pode ser a de uma pessoa física ou a de uma pessoa jurídica e, ainda, podemos observar que o parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249/95 fez expressa referência ao sócio e ao acionista da empresa. IV O impetrante declarou como não tributáveis, na sua declaração de ajuste anual do ano calendário de 2009, rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativos à distribuição de lucros excedentes àquele apurados para o fim da tributação pelo regime do lucro presumido. V As pessoas jurídicas estão obrigadas a manter escrituração contábil de acordo com a lei, conforme o disposto no artigo 45 da Lei nº 8.981/95 e artigo 527 do Decreto nº 3000/99. Além disso, os livros precisam conter termos de abertura e encerramento e autenticação no órgão competente. Para a escrituração dos mencionados livros, a lei não prevê qualquer prazo. A escrituração contábil das pessoas jurídicas obedece, observadas eventuais exigências previstas em lei especial, aos critérios estabelecidos no Código Civil (art. 1179 ss.) e no DecretoLei nº 486/69. VI Conforme a fundamentação da r. sentença, a legislação comercial, assim como a Instrução Normativa MDICE/SCS/DNRC nº 102/06 (que dispõe sobre a autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e sociedades empresárias), não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. VII Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar autuação fiscal. VIII Apelação e remessa oficial tida por interposta não providas. (TRF3 Ap: 00226601120144036100 SP, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO CEDENHO, Data de Julgamento: 01/08/2018, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: eDJF3 Judicial 1 DATA:13/08/2018) Contudo, no caso em questão, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.091 a 2.101) o Livro Diário do anocalendário de 2009 foi objeto de autenticação apenas em 14/11/2012, após o termo final estabelecido na legislação e após a ciência da intimação para a empresa Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda para apresentação dos Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.345 25 Livros Contábeis, que ocorreu em 11/10/2012 (AR a fl. 545), havendo a perda da espontaneidade do contribuinte. Ademais, a acusação fiscal de rendimentos excedentes ao Lucro Presumido (item 4.1 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 2091/2101), não foi motivada unicamente em razão da autenticação a destempo do Livro Diário, de modo que questionou, ainda, a divergência existente entre o valor informado pelo contribuinte, a título de rendimentos isentos e não tributáveis referentes a lucros e dividendos, na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2009, e o valor que consta na Ficha 61A – Rendimentos de Dirigentes, Conselheiros, Sócios ou Titular – parte integrante da DIPJ do anocalendário de 2009 da Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda. A contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2009, o valor total de R$ 1.850.000,00, a título a título de rendimentos isentos e não tributáveis referentes a lucros e dividendos recebidos da Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda, que por sua vez, informou o valor de R$ 223.751,21 distribuído à sócia Angelina Maria Muniz Zagari. Conforme assinalado pela decisão de piso, mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais apresentada pela pessoa jurídica não confirma o valor dos lucros distribuídos no anocalendário 2009 à contribuinte. Pelo contrário, nela consta distribuição de lucros para a interessada no valor de R$ 223.751,21 (fl. 680) e cotejando os valores de receita bruta nela declarada e impostos e contribuições devidos, apurase o limite para distribuição de lucros no valor anual de R$ 67.044,44 (fl. 2.094). Ademais, na DIPJ da pessoa jurídica que distribuiu os lucros, o total informado a título de receita bruta declarada (R$ 374.875,00), por ser bastante inferior, é incompatível com o montante informado pela contribuinte Angelina Maria Muniz Zagari a título de lucros e dividendos recebidos, em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2009 (Termo de Verificação Fiscal de fls. 2091/2101). Assim, não pode ser considerado como rendimento isento e não tributável se não cumpridas as exigências formais legais, e se não demonstrado que tal lucro existiu conforme a escrituração da época dos fatos. No que diz respeito aos recibos assinados pelo contribuinte sobre recebimento dos lucros, como meio de prova, destaco entendimento preconizado pela decisão de piso: Os demais documentos apresentados pelo contribuinte não se prestam para comprovar o lucro contábil auferido, sendo que os recibos de recebimento de dividendos, assinados apenas pela contribuinte, que detém 75% de participação na pessoa jurídica, não podem ser aceitos como prova de lucro contábil, mas apenas dos valores recebidos. Infração mantida. E, ainda, no Livro Diário, fl. 1879, consta lançamento a título de “transferência”, no montante de R$ 600.000,00, nomenclatura distinta da utilizada em outras páginas para se referir a distribuição de lucros, qual seja, “retirada s/ lucro Aline” (fls. 1883 e 1931). Contudo, impossível identificar a natureza da transferência, e, ainda, se foram oferecidos à tributação ou se são rendimentos isentos ou não tributados. Como não foram informados na declaração de rendimentos, não foram oferecidos à tributação, e na ausência de provas, também não são rendimentos isentos a título de distribuição de lucros. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.346 26 Nesse sentido, ao meu ver, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar suas alegações. Portanto, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro presumido), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Por fim, é preciso registrar que a conversão do julgamento em diligência, com fundamento no princípio da busca da verdade material, não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir, sob pena de se inverter o ônus da prova. Dessa forma, sem razão à recorrente, estando, neste ponto, hígido o lançamento que ora se combate. 5.2. Acréscimo patrimonial a descoberto. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2091/2101), no anocalendário de 2009, a recorrente era casada pelo regime da comunhão universal de bens com Walter Zagari, também fiscalizado conforme Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002012014728, substituído em 13/02/2014 pelo MPFF 08.1.96.002014 001333. O casal entregou a Declaração de Ajuste Anual separadamente, sendo que ambos utilizaram o modelo simplificado. No referido anocalendário, o total do patrimônio do casal era da ordem de R$ 29.682.710,33 e R$ 63.370.006,65, em 31/12/2008 e 31/12/2009, respectivamente. Parte do patrimônio encontrase declarada na declaração de bens do cônjuge varão e na parte da cônjuge varoa, não necessariamente na proporção de 50% para cada um. Assim, a fiscalização efetuou a análise de todos os documentos acostados na ação fiscal da Sra. Angelina conjuntamente com os coletados na ação fiscal do Sr. Walter, computando todos os bens e direitos do casal, bem como os rendimentos e dispêndios de ambos, elaborando, ao final, um único fluxo de Análise da Variação Patrimonial e Financeira. Com base nos documentos e esclarecimentos apresentados pelo casal durante as respectivas ações fiscais, nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício de 2010/AnoCalendário de 2009 de ambos, nas informações constantes nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, documentos coletados junto a terceiros e demais dados obtidos pela fiscalização, foi efetuada a análise mensal da Evolução Patrimonial e Financeira do anocalendário de 2009, verificando a compatibilidade entre os gastos efetuados e a renda disponível. Assim, a fiscalização verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados, sendo os gastos/investimentos realizados superiores à renda disponível declarada, gerando, como consequência, Acréscimo Patrimonial a Descoberto no anocalendário de 2009. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto foi feita em separado, na proporção de 50% para cada cônjuge, tendo em vista que o casal não apresentou Declaração em conjunto, mas sim separadamente. Para que esse valor fosse considerado na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, repito, deveria ser demonstrado que se refere a rendimentos já tributados ou que sejam isentos ou não tributados. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.347 27 Assim, passase a analisar os argumentos da recorrente, bem como a prova dos autos. Em seu recurso, a recorrente insiste que em relação à acusação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD) para o mês de janeiro de 2009, esta não se justificaria já que ocasionada por mero erro cometido pelo escritório de contabilidade terceirizado contratado pela empresa na qual o marido da recorrente é sócio majoritário. Alega que, conforme cópia da fl. 02 do Livro Diário daquela pessoa jurídica (WZ Publicidade e Comunicação Ltda – CNPJ n° 54.337.098/000120), em conjunto com o extrato bancário da conta de titularidade do casal junto ao Citibank, além dos R$ 202.423,11 informados como distribuídos em janeiro ao marido da recorrente, foi também distribuída a quantidade de R$ 600.000,00, no dia 20/01/2009. Sustenta que a empresa possuía Lucros Acumulados de dezembro de 2008, conforme transferência constante da linha 02 da p. 02 de seu Livro Diário, cuja cópia já se encontra anexada aos autos, no valor de R$ 13.873.102,64, tendo apurado no mês de janeiro, ainda, lucro líquido de R$ 1.342.376,21, o que demonstra a total viabilidade da distribuição dos R$ 600.000,00 adicionais de lucros ao marido da recorrente. Assim, entende que restou equivocada a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto referente ao mês de janeiro de 2009, no valor de R$ 366.067,48, por entender que respaldado pelo recebimento dos R$ 600.000,00 acima mencionados e documentalmente comprovados nestes autos. Pois bem. De início, cabe destacar que, conforme já abordado no tópico anterior, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro presumido), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Aqui repito: Conforme apontado pela decisão de piso, a recorrente não articulou suas ideias com os documentos que entende fazer prova de suas alegações, limitando se a argumentar que estaria comprovada nos autos, sem apontar a transferência desses recursos para as contas correntes, sejam de seu cônjuge ou as suas. Conforme extrato de fl. 766, consta que no mês de janeiro de 2009 o saldo inicial no Citibank era de R$ 19.218,86 e o saldo final de R$ 19.909,00, sendo que junto com os saldos das outras contas, foram totalizados, alcançando o montante de R$ 68.238,87 e R$ 23.495,06 (fl. 2066) e transportados para a planilha de apuração “demonstrativo mensal da evolução patrimonial e financeira” (fl. 2041). No Livro Diário, fl. 1879, consta lançamento a título de “transferência”, no montante de R$ 600.000,00, nomenclatura distinta da utilizada em outras páginas para se referir a distribuição de lucros, qual seja, “retirada s/ lucro Aline” (fls. 1883 e 1931). Contudo, impossível identificar a natureza da transferência, e, ainda, se foram oferecidos à tributação ou se são rendimentos isentos ou não tributados. Como não foram informados na declaração de rendimentos, não foram oferecidos à tributação, e na esteira do elucidado em tópico anterior, também não são rendimentos isentos a título de distribuição de lucros. Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.348 28 Para além do exposto, a mera identificação de erro de contabilização pelo recorrente, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. Ora, vale destacar que o que está regularmente registrado na contabilidade faz prova contra o contribuinte. Nesse sentido, cumpre pontuar que o contribuinte não demonstrou a retificação dos livros contábeis das sociedades das quais é sócio, bem como da respectiva declaração fiscal do anocalendário de 2009, limitandose a argumentar, genericamente, que tais fatos estariam comprovados nos autos. Conforme esclarece Fabiana Del Padre Tomé3, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Adicionalmente, argumenta que a apuração de suposto acréscimo patrimonial a descoberto para o mês de abril de 2009 decorreria, ainda, de erro cometido pela D. fiscalização na apuração de supostas aplicações financeiras em contas no exterior nos meses de março e abril de 2009. Mais precisamente, alega a D. Fiscalização que a recorrente (e/ou seu marido) teria aplicado em contas do banco RBC Dominion Securities Inc. em Toronto, Canadá, as quantias de R$ 2.101.883,76 e R$ 628.343,84 em março e abril de 2009, respectivamente, aplicações estas não identificadas nos extratos bancários que supostamente as embasam. Argumenta, pois, que impossível compreender as apurações referentes a supostos depósitos e aplicações tidos por ocorridos em contas bancárias do exterior, eis que apresentados pela fiscalização de forma global e não individualizada, o que não se poderia permitir, sob pena de afronto ao contraditório e ampla defesa. Assim, entende que deveriam ser desconsiderados da planilha de apuração da evolução patrimonial da recorrente e seu marido tais valores apontados como tendo sido aplicados no exterior nos meses de março e abril de 2009, uma vez que não se encontram devidamente explicados, fundamentados e, principalmente, comprovados nos autos. Pois bem. A tese recursal do contribuinte repete as alegações de defesa, e não contrapõe as afirmações da decisão de piso que, ao meu ver, muito bem esclareceram a ausência de afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa e que, por isso, merecem respaldo, conforme se destaca: Ocorre que os extratos bancários de fls. 1.474 a 1.477, 1.568 a 1.593, 1.803 a 1.848 demonstram aplicações financeiras em contas de n.º 6712326328 e 6712326427 mantidas no Banco RBC Dominion Securities Inc, Toronto/Canadá. Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que a planilha de fl. 2.070 discrimina mensalmente os valores aplicados e os resgatados em contas mantida no Banco RBC Dominion Securities Inc. 3 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.349 29 Portanto, constatase que é possível identificar todos os valores e documentos, dentro do processo, não havendo que se falar em afronta ao contraditório e a ampla defesa. A recorrente alega, ainda, que tal qual ocorreu no mês de janeiro de 2009, no mês de agosto de 2009, a fiscalização teria deixado de considerar uma entrada financeira, desta vez da recorrente, referente ao empréstimo por ela tomado junto à empresa da qual é sócia majoritária (“Atrevida Produções Artísticas e Culturais Ltda” – CNPJ n° 57.646.119/000153). Tal fato se comprovaria através do simples confronto entre as informações constantes no Livro Diário de mencionada pessoa jurídica e extrato da conta mantida pelo casal junto ao Citibank, quando se verifica que no dia 21/08/2009 houve transferência no valor de R$ 3.593.745,6 da empresa para a recorrente, referente a empréstimo por ela tomado. Conforme destacado pela decisão de piso, a improcedência do argumento se dá pelo fato de que não há nos autos documentação que comprove a existência do empréstimo, havendo apenas cópia do extrato de uma conta no Citibank sem identificação do titular e do número da contacorrente (fl. 2.156) e uma página do Livro Diário da pessoa jurídica acima citada, na qual consta um crédito de R$ 3.593.745,68 para a pessoa jurídica, identificado como valor ref a classificar (fl. 2.154). Quando foi classificado como "empréstimo"? Quando foi pago o “empréstimo”? Qual a taxa de juros? Quantas prestações? A documentação apontada pela recorrente apenas demonstra que houve uma transferência de valores entre a empresa e a contribuinte, não se comprovando que a sua natureza seja de empréstimo. E, ainda, reforço o entendimento segundo o qual a conversão do julgamento em diligência, com fundamento no princípio da busca da verdade material, não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir, sob pena de se inverter o ônus da prova. Por fim, destaco que as considerações aqui tecidas estão em consonância com o decidido nos autos do Processo n° 10437.720018/201469, Acórdão n° 2202003.569, da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, em sessão de 21 de setembro de 2016, e que diz respeito ao auto de infração lavrado em face do Sr. Walter Zagari, com base nos mesmos elementos de prova, sendo que este Eg. Conselho, naquela oportunidade, por unanimidade, rejeitou as preliminares e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, e não anual, conforme está determinado nas Leis nº 7.713, de 1988 e nº 8.134, de 1990. Correta a fórmula empreendida no lançamento. Não há afronta aos princípios constitucionais do contraditório e de ampla defesa, na medida em que foram Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.350 30 discriminados mensalmente os valores aplicados e os resgatados em contas mantidas no exterior, conforme planilha que consta dos autos. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANÁLISE DO FLUXO DE ORIGENS E DISPÊNDIOS. A apuração da variação patrimonial, para fins de imposto de renda, deve ser feita a partir de fluxo mensal de origens/receitas e dispêndios/aplicações, com base em documentação hábil e idônea. Compete ao contribuinte demonstrar eventuais vícios na apuração minuciosamente detalhada em planilhas elaboradas pela fiscalização. DILIGÊNCIAS. DESNECESSIDADE. Despicienda a determinação de diligências quando todas as provas necessárias à formar a convicção do julgador encontramse nos autos. Recurso Voluntário Negado. Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 10437.720019/201411 Acórdão n.º 2401005.777 S2C4T1 Fl. 2.351 31 Dessa forma, sem razão à recorrente, estando, neste ponto, hígido o lançamento que ora se combate. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NERGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. Por fim, votaram pelas conclusões os Conselheiros Miriam Denise Xavier, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), por entenderem pela necessidade de observância do prazo estipulado na IN SRF n° 16/84; Rayd Santana Ferreira, por entender que não houve perda da espontaneidade; e Andrea Viana Arrais Egypto, por estar adstrita ao relatório da acusação fiscal. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 2351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.911188/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1302-001.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Niterói, com o fito de que continue na análise do PER/Dcomp nº n° 11858.86239.120107.1.3.04-5006, observando o disposto na Solução de Consulta Interna nº 19 - Cosit, de 5 de dezembro de 2011.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Júnior
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Recorrente AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Niterói, com o fito de que continue na análise do PER/Dcomp nº n° 11858.86239.120107.1.3.045006, observando o disposto na Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Frizzo, Waldir Rocha, Luiz Tadeu Matosinho, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa.. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 88 /2 00 9- 79 Fl. 150DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 A recorrente emitiu a Per/Dcomp (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação) de fls. 90 a 94 pretendendo restituição, e posterior compensação, de pagamento a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de julho de 2006, no valor de R$ 1.073.667,16. O pleito da recorrente formalizado na Per/Dcomp nº 11858.86239.120107.1.3.045006 foi indeferido por tratarse de pagamento efetuado a título de estimativa, concluindo a autoridade a quo pela impossibilidade do pedido com este objeto – Despacho Decisório Eletrônico às fls. 85. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 01 a 09. A recorrente se insurgiu, em suma, contra o indeferimento dos pedidos com fulcro em Instrução Normativa editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sem respaldo em lei tributária. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, às fls. 117 e segs., proferiu o Acórdão nº 1232.818/10, indeferindo a Per/Dcomp, acompanhando a motivação que constou no Despacho Decisório. A recorrente, cientificada da decisão recorrida em 22/09/2010 (AR a fls 104) interpôs recurso voluntário em 22/10/2010 (doc. a fls. 105 a 117), no qual alega as seguintes razões: a) que o crédito utilizado na compensação efetuada pela RECORRENTE consiste na diferença decorrente do recálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado para o periodo de Julho do ano 2006, efetuado em virtude dos efeitos das seguintes decisões judiciais proferidas nos autos do mandado de segurança impetrado pela ora RECORRENTE (à época, CERJ — Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro) contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro (processo n° 98.02071293): a.1) Liminar de 10/02/1999, publicada em 05/03/19992, e sentença de 19/12/2001, publicada em 09/01/20023, ambas proferidas pelo Juízo da 1º Vara Federal de Niterói, autorizando a ora RECORRENTE a utilizar integralmente os prejuízos fiscais acumulados nos anos calendários de 1993, 1995 e 1996 contra lucros apurados no ano calendário de 1998 e seguintes, para fins de apuração do IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL), sem as limitações previstas pelos artigos 42 e 58, "caput", da Lei nº 8.981/95 e pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, sendo que, sob os efeitos de tais decisões (liminar e sentença), a ora RECORRENTE calculou e recolheu IRPJ e CSLL, de modo que o estoque de prejuízo fiscal acumulado esgotouse no mês de Março do ano 2006 e o estoque de base negativa de CSLL acumulada esgotou no mês de Dezembro do ano 2005 e assim, o IRPJ apurado para o período de 31/07/2006 foi de R$ 3.576.890,51, recolhido em 31/08/2006, por meio de DARF; a.2) Acórdão de 14/11/2006 e publicado em 14/12/2006, proferido pela Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (processo nº 1998.51.02.2071296), dando provimento ao recurso de apelação interposto pela União Federal contra a sentença mencionada no item acima e, em virtude da publicação de tal acórdão, a ora RECORRENTE decidiu recalcular as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL aplicando as limitações previstas pelos artigos 42 e 58, "caput", da Lei nº 8.981/95 e pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, resultando assim do recalculo efetuado pela Companhia, o valor da estimativa de IRPJ para o período de apuração 31/07/2006 passou a ser de R$ 2.503.223,35, tendo este valor sido devidamente declarado em DCTF e em DIPJ; b) que, em decorrência do recálculo efetuado pela ora RECORRENTE, gerouse um recolhimento a maior de tributo no valor de R$ 1.073.667,16 que foi utilizado para compensação através do PER/DCOMP n° 11858.86239.120107.1.3.045006, entregue em 12/01/2007; Fl. 151DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.911188/200979 Acórdão n.º 1302001.226 S1C3T2 Fl. 151 3 c) que o valor do crédito fica assim retratado: Data Valor em R$ IRPJ recolhido (DARF 31/08/2006 (+) 3.576.890,51 IRPJ devido 31/08/2006 () 2.503.223,35 Crédito decorrente de recolhimento a maior de IRPJ (=) 1.073.667,16 d) que a decisão recorrida julgou improcedente sua manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos: d.1) à época da compensação efetuada pela ora RECORRENTE não era possível a utilização de estimativa mensal para fins de compensação antes de encerrado o ano calendário, por força do art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; d.2) o rol de vedações que consta do art.74 da Lei n° 9.430/96 é enumerativo; d.3) a Receita Federal possui poderes conferidos pelo legislador para disciplinar o procedimento de compensação de tributos por ela administrados; d.4) o julgador administrativo de primeira instância não pode negar aplicação a um ato normativo da Receita Federal em face do dever de observância imposto pela Portaria MF n° 58/2006; d.5) o fato de o art.11 da Instrução Normativa n° 900/2006 ter removido a restrição à compensação de estimativa mensal recolhida indevidamente ou a maior no mesmo anocalendário não legitima a pretensão da ora RECORRENTE de fazer retroagir a referida norma; d.6) a jurisprudência do STJ já expressou o entendimento de que o processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas; e) que o valor do crédito pleiteado na declaração de compensação não homologada pelo v. acórdão recorrido resta devidamente comprovado; f) que a RECORRENTE pugna pelo reconhecimento da comprovação do crédito decorrente da diferença demonstrada no item 2.2, referente ao valor recolhido a maior do que o apurado a titulo de estimativa mensal de IRPJ; g) que a Ficha de Débito Apurado e Créditos Vinculados da DCTF, no código 236201, relativa ao mês de Julho de 2006 (doc.7 da Manifestação de Inconformidade), na qual consta que o valor do débito apurado do IRPJ foi de R$ 2.503.223,35, com as seguintes informações que evidenciam o pagamento a maior no valor de 1.073.667,16; h) que a Ficha 11 da DIPJ no mês de Julho de 2006 (doc.8 da Manifestação de Inconformidade), na qual consta que o valor do IRPJ apurado foi de R$ 1.073.667,16; i) que acórdão recorrido não merece prosperar, uma vez que não se pronunciou sobre a validade das informações prestadas em DIPJ e em DCTF, o que, no entender da RECORRENTE, limitou o alcance do julgamento administrativo de 1º instância; j) que o crédito pleiteado na declaração de compensação (referente ao valor recolhido a maior do que o apurado a tftulo de estimativa mensal) caracteriza pagamento indevido para fins do art. 165 do Código Tributário Nacional e do art. 74 da Lei n° 9.430/96; Fl. 152DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 l) que, ao contrario do manifestado pela autoridade administrativa a quo, a jurisprudência administrativa do CARF já reconheceu a possibilidade de se compensar estimativas mensais dentro do mesmo anocalendário, com base no art. 165 do CTN; m) que não há fundamento para a homologação da compensação pelo v. acórdão recorrido, tampouco para a cobrança de quaisquer débitos compensados com crédito decorrente do pagamento a maior efetuado pela RECORRENTE por meio do DARF de 31/08/2006, pelo fato de ter se amparado na melhor jurisprudência para não ter constituído saldo negativo no anocalendário 2006, e sim, utilizado o crédito em PER/DCOMP; n) que o antigo Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 10516205, já se pronunciou no sentido de que o montante que exceder à estimativa mensal apurada conforme legislação especifica poderá ser compensado durante o mesmo anocalendário, afirmando que os recolhimentos feitos acima dos valores apurados seguindo as regras de estimativa mensal previstas na legislação são recolhimentos indevidos e, por essa razão, passíveis de restituição/ compensação; o) que o art. 10 da IN 600/2005 não tinha amparo em lei; p) que nunca pretendeu aplicar a Instrução Normativa n° 900/2008 para legitimar a compensação pleiteada, masque citou a IN 900/2008 apenas para demonstrar a ilegalidade da restrição do art. 10 da IN 600/2005 que sequer foi mantida; q) que estava devidamente autorizada por lei a efetuar a compensação do valor que recolheu a maior (art. 165 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430/96) e que a restrição à compensacão prevista no art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005 exorbitou o poder da Receita Federal do Brasil (previsto no §12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96) de disciplinar as normas aplicáveis à utilizacão de créditos na compensação; r) que reafirma também que a não conversão da Medida Provisória n°449/2009 em lei torna ainda mais flagrante a ausência de previsão legal impedindo a compensação do recolhimento de valor maior que o apurado de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito pelo representante legal da recorrente , razão pela qual dele conheço. A recorrente apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 11858.86239.120107.1.3.045006, por meio do qual pretendeu compensar débitos de IRPJ Estimativa referentes ao AC 2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de R$ 1.073.667,16, decorrente do pagamento a maior da estimativa de IRPJ do mês de JULHO/2006. Todavia, a compensação não foi homologada, porque, conforme despacho decisório a fls. 105, “a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do Fl. 153DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.911188/200979 Acórdão n.º 1302001.226 S1C3T2 Fl. 152 5 período”. A decisão recorrida (a fls. 118 e segs.), datada de 18/08/2010, por sua vez, confirmou o despacho decisório, por entender que: “Na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão”. Com efeito, as disposições das Instruções Normativas SRF 460/2004 e 600/2005, vigorava à época do pedido sub examine, claramente suportavam o que fora decidido no despacho decisório acima referido. Com a edição da Instrução Normativa RFB 900/2008, revogada pela IN RFB 1.300/2012, tal entendimento foi alterado, pois o novo normativo deixou de contemplar o texto que negava aos contribuintes a possibilidade de compensação das estimativas pagas indevidamente ou a maior no curso do exercício. Com isso, durante algum tempo houve dúvida sobre a possibilidade de se aplicar o disposto na IN RFB 900/2008 aos PER/DCOMP apresentados antes da publicação de tal normativo. Entretanto tal dúvida foi dirimida e o entendimento da decisão recorrida, ora em exame, já está superado no âmbito da própria Receita Federal, se não vejamos como dispõe a ementa da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplica se inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Cabe, ainda, salientar que tal entendimento encontra amparo na Súmula CARF nº 84, in verbis: Fl. 154DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.”. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Niterói, para que continue na análise do PER/Dcomp nº n° 11858.86239.120107.1.3.045006, observando o disposto na Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011. Fl. 155DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16149.G2X5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/11/2013 20:55:17. Documento autenticado digitalmente por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/11/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1018.16149.G2X5 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 05AEAC04CD527715F3FCF6623EC9BCCF81AFB5B8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10730.911188/2009-79. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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