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Numero do processo: 19515.005788/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. 1 Relatório. Trata o processo de autos de infração, págs. 623/651, que exigem R$ 1.480.641,55 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, devido à infração 001 Omissão de Receitas/Diferença de Estoques, com fato gerador em 31/12/2004; R$534.507,71 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativo à mesma infração; R$56.629,63 de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 78 8/ 20 09 -1 5 Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 3 2 contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativo à mesma infração e R$244.998,93 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativos à mesma infração; todos apenados com multa de ofício de 75% e juros de mora; R$740.320,78 de Multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ em 12/2004; R$267.253,86 de multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativa mensal de CSLL em 12/2004; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Verificação Fiscal TVF de págs. 610/622. 2.Cientificado, o contribuinte interpôs impugnação tempestiva em relação à qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS, requereu a diligência de págs. 985/1.060; a DRF/em Porto Alegre/RS DRJ/POA proferiu o Acórdão nº 1032.537, de 30 de junho de 2011, págs. 1.063/1.087, e considerou procedente em parte a impugnação: 1. Rejeitar a preliminar de nulidade. 2. Reduzir: 2.1. O IRPJ para R$ 1.415.909,71 (um milhão, quatrocentos e quinze mil, novecentos e nove reais e setenta e um centavos). 2.2. A CSLL para R$ 511.204,25 (quinhentos e onze mil, duzentos e quatro reais e vinte e cinco centavos). 2.3 O P1S/PASEP para R$ 52.357,33 (cinqüenta e dois mil, trezentos e cinqüenta e sete reais e trinta e três centavos). 2.4. A COFINS para R$ 225.320,45 (duzentos e vinte e cinco mil, trezentos e vinte reais e quarenta e cinco centavos). 2.5. A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de dezembro/2004 do IRPJ para R$ 707.954,86 (setecentos e sete mil, novecentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e seis centavos). 2.6. A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de dezembro/2004 da CSLL para R$ 255.602,13 (duzentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e dois reais e treze centavos). Cientificada em 07/12/2011 a Autuada apresentou Recurso Voluntário de págs. 1.884/1.904, em 06/01/2012, tempestivo, acompanhado de documentos de págs. 1.905/1.946. Em 04/02/2012, 03/04/2012 e 01/05/2012 e 04/05/2012, págs. 2.206, 1.104 e 1.947/1.948, protocolizou pedidos de dilação de prazo para juntada de Laudo Pericial; porém, não consta que tenha sido apresentado. Anexou Memoriais de Recurso Voluntário de págs. 2.003/2.015, em 05/12/2013, que resumem o recurso voluntário; afirma que teria sido apresentado Laudo de médico veterinário atestando que o processo produtivo, no caso, gera perdas de aproximadamente 2%, o que corresponde aproximadamente a 30.000 kg. Recurso Voluntário. Descreve a autuação e transcreve as conclusões no Acórdão DRJ/POA. Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 4 3 No item "II. 1 DO LEVANTAMENTO FISCAL E DOS INDÍCIOS QUE RESULTARAM NA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA": argumenta que é possível notar na decisão acima que a presunção de omissão de compras, que também ocorre no presente caso, não pode ser levada em conta quando a fiscalização não faz prova de pagamento; "assim, considerando que se trata de lançamento lastreado em presunções, o levantamento fiscal não deve ser efetivado sem uma rigoroso processo de auditoria, levando em conta todos os elementos necessários para que os indícios possam gerar a presunção da concretização do fato gerador. " No item "11.2 DO LEVANTAMENTO ESPECÍFICO DE PRODUÇÃO E O LEVANTAMENTO ESPECIFICO DE REVENDA DE MERCADORIAS", advoga que faltou a execução de Auditoria de Produção, art. 286 do RIR de 1999: levantamento por espécie, considerando as matérias primas e produtos intermediários, dado que somente foi utilizado levantamento fiscal em espécie quantitativo aplicável a empresas comerciais; no entanto, a recorrente, mesmo não estando cadastrada como indústria no CNAE, realiza processo de industrialização do art. 4º do RIPI, o que foi admitido no Acórdão DRJ; discorda que lhe caiba comprovar as operações de industrialização, mas sim á autoridade fiscal construir os indícios de presunção de forma correta; apresenta o quadro demonstrativo das diferenças apuradas pela fiscalização de 53.765,67 kg a maior que o estoque inventariado de Salmão Inteiro Fresco e de 360.668,70kg a menor que o estoque inventariado de Filé de Salmão C/P tipo ABC, para alegar que os 53.765,67 kg de Salmão Inteiro Fresco poderiam ter sido filetados, tendo sido transferidos para o estoque de Filé de Salmão. No item "II. 3 DAS DIFERENÇAS RELATIVAS AO SALMÃO EM FILÉ E AS REMESSAS PARA ARMAZÉM GERAL", relata que alegou que foram consideradas indevidamente às remessas para armazém geral (CFOP 5.905) como sendo saída do estoque da empresa, assim como os recebimentos em retorno do armazém geral como entrada no estoque. O fiscal contra argumentou alegando que as referidas operações "apesar de estarem estocadas em armazém geral, eram de sua propriedade e deveriam estar registrados no Livro Registro de Inventário". "O que é interessante é que foi por não considerar esta sua afirmação em seus cálculos é que o fiscal incorreu em erro que resultou em parcela substancial da diferença de estoque apurada pelo levantamento. Sem dúvida alguma, o produto registrado no Registro de Inventário corresponde não só àquele que estaria estocado no estabelecimento da empresa, mas também a quantidade estocada no armazém geral. Ao informar que o Estoque Final era de 360.668,70 Kg de filé de salmão, a Empresa se refere, praticamente, somente ao estoque em poder de terceiros, isto porque, a Empresa, simplesmente, não possuía à época local para armazenar produto em seu próprio estabelecimento. Conforme prova o contrato social anexado à este Recurso , a empresa possuía apenas um escritório em Osasco, SP, à Rua Américo Vespúcio, 900, sala 3 e também uma pequeno Escritório em Belo Horizonte, MG, não sendo possível armazenar 360.139,98 Kg de Filé de Salmão. Na verdade como demonstra o contrato de aluguel em anexo, a empresa Anhembi Agroindústria] Ltda, fez a locação tanto da sala (sede social da empresa) como da Câmara Fria que funcionaria como Armazém Geral" O que o auditor fiscal fez em seu levantamento foi considerar em seu cálculo o total tanto das saídas para o AG como as entradas oriundas do AG, da mesma forma da última linha (sombreada) do exemplo anterior, subestimado assim o estoque final total da empresa. As remessas para AG não podem alterar o estoque total em poder da Empresas, pois não são vendas. Desnecessário afirmar que operações com AG não geram nem receitas (remessas), assim como, custos (retornos). Desta forma, a fim de Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 5 4 calcular uma eventual omissão de receita os registros de remessa e de retorno de AG devem ser desconsiderados. A fiscalização na verdade apurou o estoque do estabelecimento da Empresa que, como pode se ver, é próximo de zero (528 kg), pois a Empresa não tem como estocar mercadoria dentro do seu estabelecimento que é apenas um escritório (veja explicação acima), portanto, retirandose a mercadoria em trânsito toda a mercadoria em estoque ao final de 2004 estaria estocada no AG. Porém, restaria ainda uma diferença de 135.883,55 kg que pode ser explicada por dois fatores: a) parte do filé de salmão é obtido a partir do salmão inteiro, cuja diferença apurada foi positiva; isto é, ao invés de ocorrer a venda sem nota fiscal o salmão inteiro foi filetado e transformado em filé de salmão; prova desta possibilidade já foi apresentada, visto que a empresa tinha autorização do SIF para realizar o beneficiamento, além do mais a Empresa apresentou também prova de que os produtos mudaram e código. b) outra parcela desta diferença se refere a importações em andamento que foram consideradas no estoque, mas não entraram no cômputo das compras. Diz que o auditor fiscal fez o levantamento também do ano de 2005, que originou outro auto de infração (Processo n. 19515.000114/201068), e neste outro levantamento, relativamente ao mesmo produto, filé de salmão, apurou uma diferença positiva na mesma proporção da diferença negativa de 2004: ANO EI ENTRADAS SAÍDAS EST. FINAL APURADO EF INVENT DIFERENÇA 2004 86.235,94 1.727.448,84 1.814.213,50 (528,72) 360.139,98 (360.668,70) 2005 360.139,98 1.028.487,48 1.019.426,76 369.200,70 23.060,50 346.140,20 Consolidado 86.235,94 2.755.936,32 2.833.640,26 8.532,00 23.060,50 (14.528,50) Assim, em um ano tivemos uma omissão de receita pela compra sem documentação fiscal, no ano seguinte, o levantamento fiscal do mesmo produto acusou uma venda sem nota fiscal em quantidade semelhantes às apontadas como compra sem nota fiscal no ano anterior. Segundo o cálculo do fiscal, para o mesmo período, a omissão de receita seria calculada a partir de uma diferença de 706.808,90 kg. Consolidando os dois anos e, neste caso, considerando as operações com o AG (remessa e retorno para os dois anos) a diferença consolidada é de apenas () 14.528,50." No item "II.1.4 DA DIFERENÇA RELATIVA AO SALMÃO INTEIRO E AS PERDAS", argumenta, em relação à diferença de 53.765,67kg de Salmão Inteiro Fresco, que esta diferença se explica por: a) parte foi utilizada para fazer Filé de Salmão; b) ocorreu perda, seja no manejo seja por vencimento do prazo de validade. Alega que as perdas normais são de 2% e, considerando as entradas efetivas resultariam em aproximadamente 30.000 kg. Sobre o art. 291, I do RIR de 1999, que Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 6 5 define que as quebras e perdas integram o custo, diz que não tem relação com diminuição do estoque, que é o presente caso. No item "II1.5 DOS CUSTOS A SEREM CONSIDERADOS NO CASO DE OMISSÃO DE RECEITA PELA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SEM NOTA FISCAL", argumenta que o custo referente à omissão de receita, no caso da presunção por compra sem registro contábil, deverá ser deduzidos no cálculo do imposto e das contribuições autuados "A compra sem nota fiscal, em si, não representa omissão de receita, pressupõese que em algum momento anterior à compra, a empresa teria vendido outros produtos sem nota fiscal cuja receita não foi registrada, tendo sido utilizada para aquisição destes produtos sem registro contábil. Estamos falando não dos custos dos produtos vendidos anteriormente sem nota fiscal, mas sim do fato de que ao adquirir produto sem nota fiscal, ainda assim, teríamos um custo de aquisição a ser computado, mais ainda se considerássemos que a Empresa foi também autuada por emissão de receita na venda de produtos sem nota fiscal (diferença positiva)." No item "Ill FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS E COFINS" "Considerando os erros cometidos pela fiscalização, demonstrados nos itens anteriores, não há evidência de supressão de faturamento e conseqüente incidência de PIS e COFINS. Porém, ainda que considerássemos a apuração da fiscalização correta, iríamos nos deparar com diferenças negativas e positivas. As diferenças negativas, representando supostamente aquisições sem nota fiscais, que caso confirmadas gerariam créditos." No item "IV MULTAS ISOLADAS E FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS POR ESTIMATIVA" "Ao recompor a apuração do IRPJ e CSLL não abateu as diferenças negativas das positivas conforme já mencionado no item supra, pois, as aquisições supostamente de mercadorias sem nota fiscal deveriam ser consideradas como custo no respectivo período. Ainda, sobre o mesmo fato impôs multa de ofício e multa isolada. A empresa também não deixou de efetuar o pagamento de estimativa, porque, referente ao período em 31/12/2004 procedeu conforme previsto no artigo 221 do RIR/1999; Mencionamos a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde prevalece o entendimento que para o mesmo fato, não há como ser aplicada multa de ofício conjuntamente com multa isolada. A fiscalização arbitrariamente tenta impor ao contribuinte multa de ofício e multa isolada sobre o mesmo período de apuração, 12/2004. Ora, nos mês de dezembro/2004, a empresa optou por balancete de suspensão e redução, apurando o IRPJ e CSLL realmente devido correspondente ao ano de 2004. A empresa Marcomar, não deseja protelar ou mesmo Impedir os andamentos processuais, porém, demonstra os fatos reais, considerando os erros da fiscalização na emissão do referido auto de infração que origina esse processo. A nulidade do referido auto de infração é imprescindível, pois, distorceu os fatos, precipitouse em conclusões, apurou diferenças de tributos sobre eventos que não representam acréscimo patrimonial para a empresa e não considerou o verdadeiro sujeito passivo referente as operações com o armazém geral. Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 7 6 Desta forma, não existe estimativa apurada nesse período, mas sim, a opção efetuada pela empresa pela apuração anual em 31/12/2004. A identificação pela fiscalização de eventuais diferenças somente ajusta o valor apurado em 31/12/2004 do IRPJ e CSLL, não constituindo, portanto, outro fato gerador de tributo. A fiscalização arbitrariamente tenta impor ao contribuinte multa de ofício e multa isolada sobre o mesmo período de apuração, 12/2004. Ora, nos mês de dezembro/2004, a empresa optou por balancete de suspensão e redução, apurando o IRPJ e CSLL realmente devido correspondente ao ano de 2004. A empresa Marcomar, não deseja protelar ou mesmo Impedir os andamentos processuais, porém, demonstra os fatos reais, considerando os erros da fiscalização na emissão do referido auto de infração que origina esse processo. A nulidade do referido auto de infração é imprescindível, pois, distorceu os fatos, precipitouse em conclusões, apurou diferenças de tributos sobre eventos que não representam acréscimo patrimonial para a empresa e não considerou o verdadeiro sujeito passivo referente as operações com o armazém geral. Desta forma, não existe estimativa apurada nesse período, mas sim, a opção efetuada pela empresa pela apuração anual em 31/12/2004. A identificação pela fiscalização de eventuais diferenças somente ajusta o valor apurado em 31/12/2004 do IRPJ e CSLL, não constituindo, portanto, outro fato gerador de tributo.” A 1ª TO da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF converteu o julgamento em diligência, págs. 2.016/2.036, para que a autoridade lançadora: Io) efetue o levantamento por espécie de quantidade de matériaprima e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da Recorrente, conforme determina o caput do art. 286. do RIR/99, e se manifeste acerca das alegações da Recorrente relativas aos itens II.2; DO LEVANTAMENTO ESPECÍFICO DE PRODUÇÃO E O LEVANTAMENTO ESPECIFICO DE REVENDA DE MERCADORIAS, e II. 3. DAS DIFERENÇAS RELATIVAS AO SALMÃO EM FILE E AS REMESSAS PAR4 ARMAZÉM GERAL. ambos constantes do Recurso Voluntário; e 2o) apresente conclusões sobre o levantamento realizado, bem como outros esclarecimentos que entender necessários para a solução do litígio, inclusive, se for o caso, novos demonstrativos de apuração do valor tributável, do imposto e das contribuições. Os documentos relativos a esta diligência se encontram às págs. 2.039/2.154 e às págs. 2.155/2.162 consta Informação Fiscal, relatando os procedimentos e concluindo: De todo e exposto é de entendimento desta fiscalização que os argumentos apresentados pelo contribuinte em sua defesa são de caráter meramente protelatórios e que não têm eficácia para cancelar/alterar o presente lançamento de ofício. Cientificada em 13/03/2015, pág. 2.168, a Recorrente se manifestou às págs. 2.171/2.178, em 25/03/2015, tempestivamente. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 8 7 Voto Reitera que se trata de auto de infração lavrado com fundamento na diferença de estoque apurado pelo cruzamento de informações pelo SINTEGRA, sem considerar a devida auditoria de produção, sem considerar ainda a (i) transferência de mercadorias para o armazém geral, (ii) processo de industrialização (filetamento) e (iii) perda do processo produtivo. Que foi obrigado a pedir dilação do exíguo prazo de 10 dias para entrega dos livros Registro de Produção e Registro de IPI; que o fiscal não realizou a auditoria de produção perquirida e descumpriu a determinação do CARF; que os valores exonerados em 1ª instância se referem apenas à documentação que demonstra a existência de "ordem de produção" formalizada, porém não faz sentido retirar do cálculo as diferenças mínimas que se referem ao mesmo fundamento defendido (processo produtivo); que diligência deixou de cumprir a determinação na diligência, sobre as diferenças por conta da remessa para armazenagem, que não são vendas desconsiderou as inconsistências na apuração e manteve a composição de entradas e saídas pelo Sintegra, sem considerar a existência de dois estabelecimentos, armazém geral e empresa, o que gerou distorções; e aponta que, em relação a 2004, a fiscalização apontou a diferença de 360.668,699 kg de Filé de Salmão, ao considerar o total de entradas e saídas pelo Sintegra, mas que a composição das entradas e saídas, sem as distorções das notas de armazenagem resulta no demonstrativo consolidado: Filé de Salmão ARMAZÉM GERAL ESTABELECIMENTO CONSOLIDADO EI 86.235,94 86.235,94 ENTRADAS 1.048.563,95 1.727.858,84 2.776.422,79 SAÍDAS 827.445,00 1.816.398,10 2.643.843,10 EF 360.139,98 360.139,98 52.785,09 88.539,26 141.324,35 Que considerando as entradas e saídas supra, o Salmão Inteiro foi filetado e se transformou em Filé de Salmão, sendo apurada uma diferença de apenas 46.850,75 kg, que corresponde a uma perda razoável (menos que 30%), conforme a seguir: Composição do Estoque Estoque Inicial (A) Compras (B) Vendas (C) Estoque apurado (A+BC) Estoque Final Inventário Diferença Filé de Salmão C/P Tipo ABC 86.235,94 900.413,84 767.834,15 218.815,63 360.139,98 141.324,35 Composição do Estoque Consolidado Produto Estoque Inicial (A) Compras (B) Vendas (C) Estoque Apurado (A+B C) Estoque Final Inventário Diferença Salmão Inteiro Fresco 17.720.59 1.488.029,45 1.288.213,47 217.536,57 29.361,47 188.175,10 Filé de Salmão C/P Tipo ABC 86.235,94 900.413,84 767.834.15 218.815,63 360.139,98 141.324,35 Diferença Consolidada 46.850,75 Diz que tal informação coincide com o MAPA, que descreve insumos e processos (registrado para obter SIF) e laudo técnico para obter autorização do Ministério da Agricultura, especialmente em relação ao rendimento médio do produto. Sobre embalagens necessárias para a venda do Salmão Filetado, aponta existirem embalagens para 136.655 kg de pescado em filé para 2004, destacando que as Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 9 8 compras sem produção utilizamse da mesma embalagem que foram importadas (ex. o salmão inteiro fresco que não é transformado em filé é comercializado com a mesma embalagem em que foi adquirido). Assim, considerando a diferença de salmão inteiro (188.175,10) para filé de salmão (141.324,35) e as perdas razoáveis (30%), podemos observar que a diferença se aproxima das embalagens utilizadas no período (correspondes a 136.655 kg), conforme planilha anexa. Isso elimina o argumento fiscal de falta de comprovação de material de embalagem para 360 ou 424 mil kg de Filé de Salmão, porque a diferença de estoque apurada pelo fiscal está incorreta. Reitera os argumentos e requerimentos do recurso voluntário. Em 03/08/2017, apresentou Petição, para a juntada de Laudos Técnicos: págs. 2.222/2.267, docs 2 e 3 Laudos Técnicos, Instituto da Pesca. Em 05/04/2018, apresentou arquivos não pagináveis contendo registros do Sintegra e tabelas resumindo os dados. 2 Voto Da extensa lista de produtos em relação aos quais foram apuradas as diferenças, destacouse a seguir o Salmão, em várias modalidades: kg EI E S EF Inventário Diferença Interpreta ção Salmão inteiro fresco 17.720,589 2.828.991,830 2.763.585,280 83.127,139 29.361,467 53.765,672 (1) Filé de salmão C/P, tipo A/B/C 86.235,940 1.727.448,840 1.814.213,500 528,720 360.139,979 360.668,699 (2) Filé de salmão C/P, congelado 0,000 285.033,660 285.343,700 310,040 0,000 310,040 " Filé de salmão defu mado, inteiro 0,000 438,030 1.121,300 683,270 368,160 1.051,430 Filé de salmão defu mado, fatiado 1.237,427 9.933,690 24.543,080 13.371,963 22,641 13.394,604 " Salmão inteiro congelado 0,000 111.785,100 112.574,930 789,830 222,124 1.011,954 " Salmão Cong HG 0,000 7.046,270 11.102,470 4.056,200 891,469 4.947,669 " Filé de salmão S/P 8.805,755 42.026,820 44.680,000 6.152,575 1.373,557 4.779,018 (1) Outros (merlusa, bagre, cação, kani kama, lula, pescada, etc) Interpretação: (1) Faltam no estoque,"desapareceram" (2) Sobram no estoque, "apareceram" Os valores dessas diferenças de estoque, autuadas foram: Produto/mercadoria Valor unitário R$ Valor total (R$ Salmão inteiro fresco 8,50 457.008,21 Filé de salmão C/P, tipo A/B/C 10,55 3.805.054,77 Filé de salmão C/P, congelado 14,89 4.616,50 Filé de salmão defumado, inteiro 21,46 22.563,69 Filé de salmão defumado, fatiado 28,22 377.995,72 Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 10 9 Salmão inteiro congelado 6,33 6.405,67 Salmão Cong HG 5,58 27.607,99 Filé de salmão S/P 10,55 50.418,64 Outros (merlusa, bagre, cação, kani kama, lula, pescada, etc) 1.187.303,41 Total 5.938.974,61 Colocandose as participações percentuais de cada tipo de produto, verificase que os de Salmão, inteiro ou filetado, excluindose o defumado, representam 73,3% do valor, das diferenças apuradas (e se incluído, 80%): Descrição do produto Diferença de estoque apurada (kg) Valor total (R$ % % acumulado Filé de salmão C/P, tipo A/B/C 360.668,699 3.805.054,77 64,1% 64,1% Salmão inteiro fresco 53.765,672 457.008,21 7,7% 71,8% Filé de salmão defumado, fatiado 13.394,604 377.995,72 6,4% 78,1% Filé de salmão S/P 4.779,018 50.418,64 0,8% 79,0% Salmão Cong HG 4.947,669 27.607,99 0,5% 79,4% Filé de salmão defumado, inteiro 1.051,430 22.563,69 0,4% 79,8% Salmão inteiro congelado 1.011,954 6.405,67 0,1% 79,9% Filé de salmão C/P, congelado 310,040 4.616,50 0,1% 80,0% Outros (merlusa, bagre, cação, kani kama, lula, pescada, etc) 1.187.303,41 20,0% 100,0% Total 5.938.974,606 100,0% A Recorrente centra seus argumentos nos dois produtos de maior valor na atuação e que perfazem 71,8% do valor das diferenças. Um dos argumentos é que os produtos que Sobram no Estoque ou "apareceram" no inventário físico, que são os Filé de Salmão se originaram de processo produtivo interno de filetamento, a partir de Salmão Inteiro que Falta no Estoque ou "desapareceu", ao se fazer a contagem fisica ou inventário. Por isso, é interessante confrontar o total das variações de estoque, em kg desses dois grupos de produto. 2.1 A AUTUAÇÃO. O Autuante obteve os dados de Entradas e Saídas, a partir do sistema Sintegra. A contestação da Recorrente está centrada nos produtos da autuação: Produto (*) Est Inic Entradas Saídas Est Final Estoque apontado no Inventário Diferença Filé salmão C/P tipo A/B/C 86. 235,.940 1.727.448,840 1.814.213,500 (528,720) 360.139,979 (360.668,699) Salmão inteiro fresco 17.720,589 2.828.991,830 2.763.585,280 83.127,139 29.361,467 53.765,672 (*) Cabe esclarecer que cada um destes é o total de uma categoria de produtos A tabela supra evidencia que o estoque final de salmão inteiro real inventariado, que deveria ser 83.127,139 kg, foi de 29.361,467 kg, isto é, "desapareceram" 53.765,672 kg; o estoque final de Filé de Salmão C/P tipo A/B/C, seria negativo (528,720)kg; no entanto o inventário físico apontou que "apareceram" 360.668,699 kg, tendo sido objeto da autuação. Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 11 10 A Recorrente destacou que o Sintegra contém a totalidade das operações realizadas a qualquer título com mercadorias e serviços desde que previstos pela legislação estadual; isto significa que o contribuinte tem por obrigação informar as operações realizadas sob quaisquer CFOP sejam elas internas (dentro do estado de São Paulo), interestaduais, entradas, saídas, com exterior, transferências, devoluções, compras, vendas, remessas para armazenagem, conserto, demonstração, etc; porém, não estão inclusos nesse registro operações internas realizadas pela empresa, como requisições e transferências realizadas dentro do estabelecimento da empresa. E argumenta que o registro 54 (Sintegra) inclui remessas para armazenagem (cód CFOP 5.905) e que a Recorrente aluga Armazém Geral (AG), e as operações com o AG, tanto entradas como saídas integram os dados do Sintegra, e que por isso, a fiscalização teria se equivocado, pois interpretou que eram diferenças de estoque, o estoque que, na verdade, estava em poder de terceiros (no AG) e apresentou o doc. 05, intitulado "Apuração de diferenças de estoque não computando as remessas para armazenagem CFOP 5.905" págs. 801/805, no qual argumenta que as entradas e saídas, de fato, da empresa foram, pág. 803, primeira linha: Produto (em kg) Est Inic Entradas Sintegra Saídas efetivas (*) Est Final Apurado Estoque apontado no Inventário Diferença Filé salmão C/P (A/B/C) 86. 235, 940 903.703,84 767.646,95 222.292,83 360.139,979 (137.847,15) (*) 1.816.177,100 kg de Saída no Sintegra) () 1.048.530,150 de Saída cód CFOP 5905 (remessas para AG), resulta no total de saída efetiva da empresa de 767.646,95 kg Alega que 222 mil kg, resultantes de (360.668,70 137.847,15) foi apurado errado como omissão de compras, sendo que estava estocada no AG. A seguir, complementarmente, se reproduz de forma integral, a mesma linha do doc 5, pág. 803: Produto Est Inic Entradas Sintegra Saídas Sintegra (a) Saídas CFOP 5.905 (b) Saídas EFETIVAS (a) (b) Est Final Apurado Estoque apontado no Inventário Diferença Filé salmão C/P tipo A/B/C 86.235,.940 903.703,84 1.816.177,100 1.048.530,150 767.646,95 222.292,83 360.139,979 (137.847,15) CFOP 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral E se reproduz a apuração fiscal relativa a este grupo de produtos: kg EI E S EF Inventário Diferença Interpreta ção Filé de salmão C/P, tipo A/B/C 86.235,940 1.727.448,840 1.814.213,500 528,720 360.139,979 360.668,699 (2) Eis que, se a empresa alugou os serviços de AG onde mantém seus estoques (alega que a empresa são apenas duas salas, sem espaço para as mercadorias) e estando registrados no Sintegra as saídas da empresa para o AG e as entradas provenientes do AG, e se os estoques inventariados devem se referir à totalidade das mercadorias de propriedade da empresa, incluídas as que estão no AG, então, seja considerando as entradas e saídas e os estoques inicial e final de modo segregado, ou não, o resultado é o mesmo. Por exemplo: Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 12 11 localização física Est Inicial Entradas Saídas Estoque Final AG 100 1000+300=1.300 400+400=800 600 Empresa 5 5+400=405 1+300=301 109 Total 105 1.705 1101 709 Citese mais um exemplo: a. a empresa: compra 1.000, envia ao AG 800, vende 500, retornam do AG 300, saldo final 0 (zero) b. AG: recebe 800, devolve 300, saldo final 500. localização física Est Inicial Entradas Saídas Estoque Final AG 0 800 300 500 Empresa 0 1000+300 500+800 0 Total 0 2.100 1.600 500 No presente caso, o Autuante teria considerado como entradas 300+1000 e como saídas 500+800, o que resultaria em estoque final de (0+1.3001.300=0). O patrono da Recorrente reapresentou, por ocasião da defesa oral, o quadro da pág. 803, já reproduzido, destacando a forma como o Autuante utilizou os dados do Sintegra e onde a diferença de estoque de Filé de Salmão se reduz a (360.139,79224.256,430=)135.883,5 kg: Estoque inicial kg Entradas kg Saídas kg Estoque final calculado (Est In+ Compras Vendas) Estoque Final (Inventário físico) Entradas AG Entradas Compras Saída para AG Vendas 86.235,940 823.745,000 903.703,840 1.048.530,150 765.683,350 224.256,430 360.139,979 Dados utilizados pelo Autuante > 1.727.448,840 1.814.213,500 Aplicando a estes dados o raciocínio do exemplo dado pela relatora, verificase que: kg Estoque Inicial (Inventário físico) Entradas Saídas Estoque final calculado Estoque Final (Inventário físico) Diferença AG 1.048.530,150 823.745,000 Empresa (*) 1.727.448,840 1.814.213,500 Total 86.235,940 2.775.978,990 2.637.958,500 224.256,430 360.139,979 135.883,549 (*) Entradas: 823.745,00 recebidos do AG+903.703,840 de entradas de compras=1.727.448,840 Saídas: 1.048.530,150 remetidos para o AG+saídas por vendas = 1.814.213,500 No qual a diferença se reduz a 135.883,5 kg, o que confirma a alegação da Recorrente. Quanto a esta diferença ainda restante, a Recorrente justifica que teria origem em filetamento de outra mercadoria que é o salmão inteiro: Diferenças de estoque: particularidades do processo produtivo não consideradas: modificação de códigos internos decorrente de beneficiamento de produtos: salmão interno fresco para Filé inteiro congelado; Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 13 12 1. e, considerando somente as compras e vendas (anexou planilhas Sintegra em 05/04/2018)), da mercadoria Filé de Salmão e da mercadoria Salmão inteiro, apura diferenças de estoque em relação ao inventário de: a. 188.175,1 kg de Salmão inteiro fresco a menos no estoque inventariado b. 135.883,55 kg de Filé de Salmão tipo ABC a maior no estoque inventariado; c. e justifica que a diferença entre ambos de 52.291,55 kg decorre de processo de filetamento do salmão inteiro, em que a perda foi de (52.291,55/188.175,1)= 27,7%; assim, os kg de salmão fresco faltantes do estoque, segundo os dados de compras e vendas, conforme planilhas que anexou em 05/04/2018 que apresenta, teriam sido transformados nos kg a maior de filés inventariados fisicamente; d. não justifica por que não foi registrado no controle de estoques, a transformação de uma mercadoria na outra; cabendo destacar que, na resposta à diligência determinada pela DRJ, a resposta foi, pág. 1.004, depois de, de forma análoga, computar compras e vendas de salmão inteiro congelado e salmão inteiro fresco: Haveria a possibilidade de os 352.036,840 quilos de salmão inteiro fresco terem sido filetados, porém, conforme planilhas apresentadas pelo contribuinte (fls. 818/932) e analisadas no tópico seguinte, somente 18.011,46 quilos de salmão inteiro fresco teriam sido filetados (ver fls. 819, n° de controle 30 a 36) No quadro da pág. 803, a Recorrente calculou o Estoque Final de 224.256,430kg de Filé de Salmão, não tendo sido considerada a movimentação no AG; se do AG saíram 823.745,000 kg (entradas provenientes do AG que não seriam compras) e ingressaram neste 1.048.530,150kg (saídas para AG), então o estoque de 224.785,15 kg se situa no AG e a diferença em relação ao inventário se reduziria aos 135.883,549 kg. A Recorrente não explicou o porquê da defasagem entre as quantidades de compras e remessas ao AG e entre as quantidades de vendas e de saídas do AG, uma vez que assevera que todo o estoque se encontra fisicamente no AG (a empresa são algumas salas de escritórios); esta explicação foi oferecida verbalmente, por ocasião da sustentação oral, de que as mercadorias dão saída do AG e são carregadas em caminhões frigoríficos, para a realização das entregas, e quando tal entrega não se concretiza, dão entrada novamente no AG. 2.2 LAUDOS TÉCNICOS APRESENTADOS EM 02/08/2017 Às págs. 2.248/2.256, Laudo Técnico, datado de 02/08/2017, emitido por Pesquisadora Científica do Centro APTA do Pescado Marinho, Santos /SP, referente a "Rendimento do processo de filetagem de salmãodoatlântico (Salmo Salar I.) fresco Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1201000.413 S1C2T1 Fl. 14 13 eviscerado", estudo realizado na Unidade de Processamento de Peixes da Marcomar (não indica endereço), em 2324/02/2017; atesta que o rendimento do processo de filetagem corresponde aos descritos na literatura científica; as médias apuradas por amostragem, na Marcomar, foram: 71,45% de rendimento total durante a filetagem e congelamento, com perdas totais de 28,55%. Às págs. 2.260/2.266, Laudo Técnico, datado de 02/08/2017, emitido por Pesquisador Científico, Diretor do Centro de Aquicultura, São Paulo, referente a "Deglaciamento de salmãodoatlãntico (Salmo salar L.)", realizado em 15/03/2017 na Unidade Laboratorial do Instituto de Pesca, Santos/SP; relata a análise de determinação da quantidade da água de cobertura/glaciamento, expressa em porcentagem em relação ao peso da amostra de filés com pele congelados e glaciados de salmãodoatlântico (Salmo salar L.), utilizando a metodologia CODEX STAN, 190,1995; atesta que a média de quantidade de água de cobertura/glaciamento é de 2,91% com desvio padrão de 1,07%. Estes laudos corroboram a argumentação de que o excedente de Salmão inteiro, foi transformado em Filés de Salmão com perda aproximada de 30%. Assim, cabe concluir que há necessidade de se refazer a apuração, considerando as transações dos estoques entre a empresa e o AG, tal como nos exemplos citados pela relatora, a fim de se revisarem as diferenças de estoques apuradas. Considerar/verificar as planilhas Sintegra (arquivos nãopagináveis) anexadas em 05/04/2018, com os respectivos resumos. 3 Conclusão Voto por propor diligência a fim de se revisarem os cálculos relativos aos estoque dos grupos de produtos cuja síntese está na tabela: Descrição do produto Diferença de estoque apurada (kg) Valor total (R$ % % acumulado Filé de salmão C/P, tipo A/B/C 360.668,699 3.805.054,77 64,1% 64,1% Salmão inteiro fresco 53.765,672 457.008,21 7,7% 71,8% Filé de salmão defumado, fatiado 13.394,604 377.995,72 6,4% 78,1% Filé de salmão S/P 4.779,018 50.418,64 0,8% 79,0% Salmão Cong HG 4.947,669 27.607,99 0,5% 79,4% Filé de salmão defumado, inteiro 1.051,430 22.563,69 0,4% 79,8% Salmão inteiro congelado 1.011,954 6.405,67 0,1% 79,9% Filé de salmão C/P, congelado 310,040 4.616,50 0,1% 80,0% Outros (merlusa, bagre, cação, kani kama, lula, pescada, etc) 1.187.303,41 20,0% 100,0% Total 5.938.974,606 100,0% (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 2361DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914993/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.253
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o Impugnante alegou que não era contribuinte da Cofins, tratandose de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, que somente praticava atos com cooperados. Argumentou que sua atividade era a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos eram cooperativos, isentos da Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 99 3/ 20 12 -2 1 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.914993/201221 Resolução nº 3201001.253 S3C2T1 Fl. 128 2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na constatação de que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858 6, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas. Destacou o órgão julgador de primeira instância que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente eram passíveis de restituição/compensação se os indébitos reunissem as características de liquidez e certeza. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; b) o acórdão recorrido é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado, não se limitando unicamente à alegação de ausência de crédito; c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório é que somente com a decisão recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla defesa, extrapolandose os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; e) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; g) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.914993/201221 Resolução nº 3201001.253 S3C2T1 Fl. 129 3 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.249, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.914988/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.249): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.914993/201221 Resolução nº 3201001.253 S3C2T1 Fl. 130 4 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900242/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/07/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF.
Numero da decisão: 1301-002.757
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF.
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CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 02 42 /2 00 8- 18 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16327.900242/200818 Acórdão n.º 1301002.757 S1C3T1 Fl. 434 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1631.955, proferido pela 8ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 09 de junho de 2011, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 09 a 12) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 757860575 (fl. 02), de 24/04/2008, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP 29243.22663.311003.1.30.42805 (fls. 64 a 69). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 31/07/2002, de R$ 2.727.937,39, código de receita 2469 (CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), relativo ao período de apuração de 30/06/2002, do qual seria parte o montante de R$ 29.376,50 declarado na DCOMP como indevido ou a maior, fora integralmente utilizado na quitação de débito do interessado, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/04/2008, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 36.885,13, de principal, R$ 23.739,26, de juros, e de R$ 7.377,02, de multa. 4. Cientificado da decisão em 02/05/2008 (fl. 76), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 30/05/2008 (fl. 09), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 29.376,50, seria líquido e certo porque resultante do recolhimento de R$ 2.727.937,39, em DARF (fl. 59), relativo à CSLLEstimativa de 06/2002, em montante maior do que o valor correto, de 2.698.560,89 (R$ 29.376,50 = R$ 2.727.937,39 R$ 2.698.560,89), constante da DIPJ do referido ano (fl. 28); ii) o mencionado valor de recolhimento teria, ainda, sido declarado na DCTF do 2º trimestre de 2002 (fl. 63), a qual, porém, teria sido retificada, em 20/05/2008 (fl. 70), para conter o valor correto (fl. 73); Fl. 434DF CARF MF Processo nº 16327.900242/200818 Acórdão n.º 1301002.757 S1C3T1 Fl. 435 3 iii) assim, existiria crédito disponível para a compensação dos débitos declarados, com base no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 165 do CTN. 5. É o Relatório. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 16 31.955, de 09 de junho de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Em uma primeira apreciação, a antiga 2ª Turma Especial desta Seção de Julgamento, acolhendo argumentos trazidos pela contribuinte, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a trazer aos autos os balancetes do período ou algum documento contábil ou fiscal que demonstre a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ, esclarecendo, na ocasião, que a não comprovação suporte implicará no não reconhecimento do seu direito creditório com base no constante em DCTF. (Resolução nº 1802000.387, de 05/11/2013). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Brasília, Distrito Federal, carreou ao processo o documento de fls. 342/345, em que, em apertada síntese, concluiu que "não foi comprovada a liquidez e certeza do direito creditório (...). Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16327.900242/200818 Acórdão n.º 1301002.757 S1C3T1 Fl. 436 4 Cientificada do resultado da diligência realizada, a contribuinte aportou ao processo o documento de fls. 350/355, por meio do qual contesta a conclusão esposada no relatório da diligência fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, trata o presente processo de Declaração de Compensação, transmitida eletronicamente em 31/10/2003, por meio da qual o contribuinte pleiteia a compensação de suposto crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL, período de apuração junho/2002, no valor original de R$ 29.376,50, código de receita 2469. Em suas razões de recurso, a recorrente renovou seu pleito de que a autoridade fiscal analisar e negar o pleito compensatório unicamente com base nos elementos da DCTF (com erro), pois detinha as informações corretas em DIPJ, que se encontravam em conformidade com a Per/Dcomp apresentada. Ao analisar os argumentos mencionados em recurso, este Colegiado, através da Resolução nº 1802000.387, resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse apurada a liquidez e certeza do crédito apresentado, de forma que fosse intimado o contribuinte para trazer aos autos os balancetes do período ou algum documento fiscal ou contábil que demonstre a validade do crédito pleiteado, a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. Afinal, conforme consignado na referida Resolução, o que interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado período de apuração e isso não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Encaminhados os autos para a Unidade de Origem, foram realizadas duas intimações ao contribuinte. A primeira através do Termo de Intimação nº 440/2015, para apresentar esclarecimentos que justificassem o recolhimento a maior e a segunda, através do Termo de Intimação nº 498/2015, para que fosse apresentada documentação contábil/fiscal (Livros Diário e Razão) comprobatória do antedito recolhimento a maior. Apesar do contribuinte atender a primeira intimação, esclarecendo que o recolhimento a maior decorreu de erro na apuração da CSLL Estimativa Mensal de junho/2002, devido a utilização de saldo incorreto das rubricas de Receita 7.1.5.00.003 Rendas de Títulos e Val. Mobiliários e de Despesa 8.1.5.20.004 Prejuízos com Títulos de Renda Fixa, acostando, inclusive na oportunidade, quadroresumo, planilhas de apuração original e retificadora e Balancete COSIF, não atendeu a segunda intimação, ao informar que não localizou a documentação requerida, sob a justificativa que se tratava de empresa incorporada e que, em face do tempo decorrido, provavelmente os documentos requeridos foram expurgados. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16327.900242/200818 Acórdão n.º 1301002.757 S1C3T1 Fl. 437 5 Em conclusão, a autoridade diligenciante entendeu que não restou provada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado na DComp nº 29243.22663.311003.1.3.04 2805 (fls. 64 a 69), propondo, em seguida, seja dado ciência ao contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência. Após cientificado, o contribuinte alega que de fato, à época, não localizou os preditos documentos contábeis/fiscais, e aduz que promoveu diligências internas, mesmo após o prazo declinado no Termo de Intimação nº 498/2015, culminando com a localização do Livro de Balancetes Diários e Balanços de junho/2002, e apresenta, ainda que extemporâneo, cópia autenticada daquele documento contábil, assim como, disponibiliza a cópia autenticada do respectivo Termo de Abertura e Encerramento A despeito da possibilidade de juntada de novos documentos, tenho adotado o entendimento por sua aceitação, sob o entendimento de que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, de forma a impedilo de apresentar novas provas, em face do princípio da verdade material, do princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. Em minhas decisões, tenho, inclusive citado entendimento do CSRF sobre o assunto, pois no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, ocorrido na sessão de 06 de abril de 2017, a Egrégia Câmara deste Conselho reconheceu a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, Confirase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, entendo que nada impede, com fundamento em princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo acórdão recorrido. Porém, no caso dos autos, como se viu, há uma particularidade, vez que os preditos documentos não foram juntados quando do protocolo do recurso voluntário, e nem até o início do julgamento do processo em 2ª instância administrativa. Os documentos foram trazidos aos autos apenas após o prazo declinado no Termo de Intimação nº 498/2015, e de forma inesperada, pois o próprio contribuinte, em atendimento à este Termo de Intimação, noticiou que os documentos solicitados provavelmente foram expurgados (fls. 327), e posteriormente os apresentou. Desta forma, impõese reconhecer a preclusão para apresentar estes documentos, por absoluta perda de prazo. Não se está aqui a negar aplicação dos princípios da verdade material ou formalidade moderada, pois, exatamente por prestigiar ditos princípios o Colegiado entendeu pela conversão em diligência. No caso, o próprio contribuinte deu causa a Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16327.900242/200818 Acórdão n.º 1301002.757 S1C3T1 Fl. 438 6 não apreciação dos mencionados documentos, ao não cumprir o prazo assinado no Termo de Intimação nº 498/2015. Por outro lado, ressaltese que para que se possa processar a compensação, o artigo 170 do CTN exige o requisito da existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, cujo ônus de demonstração é do sujeito passivo, e o faz através de provas hábeis, da composição, existência e disponibilidade do crédito pleiteado. Nesse contexto, vêse que o contribuinte teve oportunidade para apresentar documentos capazes de comprovar o montante do crédito que alega possuir, entretanto, ainda que intimado em sede de diligência, não apresentou documentação suficiente para a comprovação do direito creditório alegado. No que se refere ao prazo de guarda dos documentos contábeis/fiscais, principalmente quando ele servem a demonstrar a validade do crédito pleiteado, deve o contribuinte manter a documentação pertinente até que sejam encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Assim, não tendo a contribuinte apresentado a documentação necessária à aferição e comprovação do direito creditório alegado, há de se concluir que o pedido de compensação apresentado não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000680/2007-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.
Tendo em vista a inexistência de créditos em favor da contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação dos débitos tidos por compensados e informados em declaração de compensação
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 11/04/2000 a 30/06/2000
COMPENSAÇÃO. CISÃO.
No caso em tela, a empresa nova, surgida a partir decisão de outra, não se sub-rogou em eventuais direitos creditórios da empresa cindida, para efeitos de compensação tributária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Tendo em vista a inexistência de créditos em favor da contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação dos débitos tidos por compensados e informados em declaração de compensação Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 11/04/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. CISÃO. No caso em tela, a empresa nova, surgida a partir decisão de outra, não se sub-rogou em eventuais direitos creditórios da empresa cindida, para efeitos de compensação tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Negado
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NÃOHOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Tendo em vista a inexistência de créditos em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação dos débitos tidos por compensados e informados em declaração de compensação ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 11/04/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. CISÃO. No caso em tela, a empresa nova, surgida a partir decisão de outra, não se subrogou em eventuais direitos creditórios da empresa cindida, para efeitos de compensação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 06 80 /2 00 7- 58 Fl. 496DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 2ª Turma da DRJ/Santa Maria (efl. 385 e ss): Trata o presente processo de Representação lavrada pela SAORT da DRF/Santa Maria (RS) visando análise e o acompanhamento do PER/DCOMP n 25387.47451.120704.1.3.572911, transmitido pela contribuinte em 12/07/2004, pretendendo a compensação de créditos oriundos da ação judicial n 94.11020151 com débitos de PIS referentes a períodos de apuração entre 04 e 06/2000. A Seção competente anexou documentos e realizou a necessária verificação, tendo emitido o Relatório e fiscalização e de auditoria interna, onde concluiu pela inexistência os créditos apontados pela empresa. Após, foram anexadas cópia de parte de PER/DCOMP e Extrato de Processo. Está anexado o Parecer DRF/STM n° 442, de 25/07/2007, bem como à fl. 31, o Despacho Decisório DRF/STM da mesma data, onde o Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Maria (RS), não homologou as compensações efetuadas através do PERDCOMP n 253 7.47451.120704.1.3.5729, relativo a débitos de PIS de períodos de apuração entre 04 e 06/2000, em razão da inexistência de crédito passível de compensação na ação judicial n 94.11020151, sendo que aqueles débitos deveriam permanecer em cobrança através o processo n 11060.001266/200332, então no Conselho de Contribuintes. A contribuinte foi cientificada em 31/07/2007 Não conformada com o despacho exarado pela autoridade administrativa, a contribuinte apresentou em 10/0 12007, a manifestação de inconformidade, onde assenta, em síntese, os seguintes argumentos: Do EXAME DA MEDIDA FISCAL Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11060.000680/200758 Acórdão n.º 3001000.183 S3C0T1 Fl. 3 3 • a empresa foi cientificada da exigência fiscal, segundo a qual pretende o Fisco Federal cobrar a título de PIS s importâncias de R$ 1.422,46, R$ 1.526,15 e R$ 1.426,78, relativamente a períodos de apuração entre 04 e 06/2000; • em seu relatório a Fiscalização constatou a existência de dois grupos de possíveis irregularidades: a) compensação indevida de .débitos de PISFaturamento com crédito de terceiro; b) compensação de débitos de PISFaturamento efetuados em desacordo com a sentença judicial transitada em julgado . • entende não era devedora do imaginário crédito tributário, vez que é credora da União Federal, especialmente pela existência de indébito tributário pertinente aos indevidos recolhimentos realizados ao IS nos moldes dos Decretoslei n 2.445 e 2.449, de 1988, os quais foram reconhecidos inconstitucionais pelo Poder Judiciário (processos judiciais específicos); • são estas a premissas que demonstrarão a total insubsistência do crédito tributário indevido. Pede o apensamento do presente processo ao de n° 11060.001266/200332. DA EXISTÊNCIA DO DIREITO MATERIAL À COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA PERTINENTE AO PROCESSO JUDICIAL N° 94.1 020151 • a fiscalização glosou a compensação realizada entre o indébito tributário do PIS com obrigações tributárias de mesma natureza, ao pífio argumento de que não haveria o direito material, nem o crédito em si, imprescindíveis ao acerto de contas; • entendeu a fiscalização que a norma individual e concreta proferida nos autos do processo judicial n 94 11020151 não autorizava o exercício da compensação tributária, notadamente pelo fato de que a decisão proferida na esfera judicial se mostrava omissa quanto à transferência de créditos fiscais à terceiros; consignouse, ainda, que a coisa julgada teria efeitos jurídicos exclusivamente entre a empresa Viação Dom Antônio Ltda. e a União Federal, não dando direito de crédito a nenhum outro contribuinte; • florescem, então, os equívocos e os desacertos da peça fiscal, visto que a compensação realizada não decorre do ato de transferência de créditos fiscais de terceiros, consoante possa parecer; • há indiscutível indébito tributário pertinente ao PIS exigido nos moldes dos Decretoslei nOs2.445 e 2.449, de 1988, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade dos recolhimentos efetuados naquela forma, conforme o processo judicial n 94.11020151; Fl. 498DF CARF MF 4 • nada há a discutir ou questionar quanto à materialidade do crédito fiscal, eis que existe declaração emanada do Poder Judiciário reconhecendo que a União Federal exigiu pagamentos indevidos, havendo determinação de devolução das quantias exigidas indevidamente; • o auto de in ração nega vigência à decisão superior, porquanto não está acatando a decisão proferida no processo judicial nO 94.11020151, que reconheceu definitivamente como indevidos vários recolhimentos efetuados ao PIS; • havendo indébito tributário, tal declaração se materializa em um bem, ou seja, um direito perfeitamente oponível contra a União Federal, no que pertine à quitação de obrigações fiscais; • a decisão proferida pelo Poder Judiciário foi iniciada por Viação Dom Antônio Ltda., notadamente pelo fato e ter sido aquela pessoa jurídica que se sujeitou ao recolhimento da exação inconstitucional, sendo que aquela nunca aproveitou qualquer importância do indébito tributário do PIS, permanecendo o direito material à compensação intacto; • a empresa viação Dom Antônio Ltda. restou cindida, sendo seu patrimônio líquido vertido para duas ou as sociedades, entre as quais a impugnante. Aponta aspecto da Lei das Sociedades Anônima; • em função e tal cisão, lhe tocou o percentual de 88,09% do patrimônio líquido da Viação Dom Antônio Ltda., sendo que dentro daquele percentual encontramse todos os direitos e obrigações pelas quais a empresa ficou responsável, consoante sucessão da responsabilidade fiscal; • assim, resta do a empresa titular do crédito cindida e a impugnante investida na qualidade de receptora d patrimônio da empresa Viação Dom Antônio Ltda., tem aquela o direito de apropriarse proporcionalmente do indébito tributário recebido via cisão, observandose que não existem nenhuma parte do processo judicial n° 94.11020151 qualquer restrição ao aproveitamento do crédito fiscal por parte da empresa receptora do patrimônio. Aponta excerto de obra doutrinária; • mostrase perfeitamente possível o exercício da compensação tributária pela empresa receptora do patrimônio líquido, via cisão, devendo ser baixada e cancelada a exigência fiscal, homologandose a compensação realizada no período de 31/03/1999 a 31/12/2002; • em virtude do a . 132 do CTN, desde a cisão vem recolhendo as obrigações tributárias que lhe compete. Junta documentos procurando demonstrar terse responsabilizado pelas obrigações tributárias da Viação Dom Antônio Ltda.; • a operação de compensação que realizou não tem a natureza jurídica de transferência de créditos de terceiro, especialmente porque o indébito tributário do PIS é parte constante do patrimônio líquido que recebeu via cisão. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11060.000680/200758 Acórdão n.º 3001000.183 S3C0T1 Fl. 4 5 DA REGULARIDADE DA COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA • não poderá ser mantido o lançamento referente a glosa de compensação que realizou, especialmente na parte decorrente de créditos próprios reconhecidos judicialmente no processo n 95.1 001574; • obteve tutela jurisdicional para realizar a restituição, via compensação, dos recolhimentos indevidamente efetuados ao PIS nos moldes dos inconstitucionais Decretoslei n 2.445 e 2.449, de 1988, te do apurado os valores do indébito tributário, atualizandoos conforme determinação do Poder Judiciário, e implementado a compensação exclusivamente com débitos do próprio PIS a partir da competência 03/1999; • impugna os cálculos apresentados pela auditoria fiscal, eis que a empresa, ao processar os cálculos, seguiu exatamente as determinações da decisão judicial, sendo que a auditoria fiscal elegeu como base de cálculo do PIS um signo presuntivo diverso do disposto na LC n 07, de 1970, ou seja, apurou o PIS supostamente devido com base no faturamento; • aplicou em se especialmente aqueles débitos inflacionários a que aludem a temporalidade dos pagamentos cálculos os índices de correção monetária pertinentes ao caso, dados pelo TRF 4'/R, não tendo aplicado os expurgos Súmulas 32 e 37 daquele Tribunal, exatamente porque pela is variantes não são aplicáveis; • à época dos recolhimentos indevidos a empresa estava condicionada à modalidade do PISREPIQUE DEDUÇÃO, devendo efetuar o recolhimento do PIS no percentual de 5% (cinco por ento) sobre o valor do Imposto de Renda devido, vide art. 3~ parágrafos 1° e 2' da Lei Complementar n° 7170,porque empresa ligada ao ramo da prestação de serviços (transportes). Registra legislação; • estava obriga a ao recolhimento do PIS, relativamente à época do indébito tributário, desde que tivesse apurado IR a pagar, consoante expressamente determinava a legislação de regência. Aponta legislação; • no período d indébito tributário sempre apurou prejuízo, fato jurídico que determinou que nenhum recolhimento de PIS devesse ser feito, ou seja, não havendo IR, igualmente não estava obrigada ao recolhimento do PIS, razão pela qual todos os recolhimentos realizados via DARF são indevidos e merecem ser restituídos 'in totum', confirmando a regularidade da compensação que realizou; • se reconhecidos como indevidos os pagamentos do PIS, reputamse igualmente devidos (sic) todo os acréscimos legais que haviam sido efetuados fora dos prazos regulamentares, notadamente pela aplicação do princípio de que o acessório Fl. 500DF CARF MF 6 deve seguir o principal, devendo, portanto, to o e qualquer valor adicionalmente exigido ser ressarcido à empresa. DAS CONCLUSÕES • conclui que nenhuma das irregularidades apontadas pela fiscalização foi comprovada, donde a insubsistência do crédito tributário mostrase patente, seja porque possui o direito material ao exercício da compensação do PIS com o próprio PIS, seja porque ao realizar a compensação com créditos próprios obedeceu categoricamente aos parâmetros do pronunciamento da esfera judicial; • afastados quaisquer indícios de irregularidades nos procedimentos que realizou, devese cancelar e bai ar a indigitada exigência fiscal. DO PEDIDO • pelo exposto demonstrado e comprovado, solicita seja acolhida a sua impugnação para que seja determinado o cancelamento da exigência contida na autuação fiscal que lhe foi indevidamente lavrada, especialmente porque é detentora do direito material à compensação do indébito tributário de PIS, com as obrigações fiscais de mesma natureza; • postula a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo administrativo, por força dos parágrafos 9° a 11 do art. 74 da Lei n 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n 1.833, de 2003, até o julgamento definitivo deste processo administrativo; • postula pelo 11060.001266/200332, que sobre a mesma matéria; apensamento do presente feito ao processo administrativo n° ata da mesma matéria, evitandose, assim, decisões diferentes • pede deferimento. A DRF de Santa Maria produziu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Per iodo de apuração: 01/04/2000 a 30106/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Tendo em vista a inexistência de créditos em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação dos débitos tidos por compensados e informados em declaração de compensação. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE . COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não se estendendo a questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11060.000680/200758 Acórdão n.º 3001000.183 S3C0T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 11/04/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. CISÃO. No caso em tela, a empresa nova, surgida a partir de cisão de outra, não se subrogou em eventuais direitos creditórios da empresa cindida, para efeitos de compensação tributária. COISA JULGADA. A sentença transitada em julgado tem força de lei entre as partes PIS. MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Não basta o entendimento de terse efetuado recolhimentos indevidos de PIS, esses reconhecidos inconstitucionais por decisão judicial, para operarse a compensação com débitos da própria contribuição, sendo imprescindível que a apuração dos valores se processe com a observação expressa dos termos da decisão judicial. Solicitação Indeferida Em Recurso Voluntário (efl. 413 e ss) a Recorrente, em suma, repete os argumentos utilizados na manifestação de Inconformidade e, ainda, traz nova alegação, a de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 4.378,39 (efl. 419), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Fl. 502DF CARF MF 8 Não há como ser admitida a assertiva da contribuinte, observandose que duas são as razões básicas que impedem a aceitação: I no PERDCOMP nº 25387.47451.120704.1.3.572911 (ora analisado), transmitido pela contribuinte em 12/07/2004, o processo judicial referido é o de n° 94.11020151, não tendo ha ido qualquer referência à ação judícial n° 95.11001574. II quanto ao processo judicial nº 94.11020151, não existe nele qualquer referência à empresa autuada. Ocorre que tal ação foi proposta por Viação Dom Antônio Ltda. (CNPJ nº 95.598280/0001 98). Alega a contribuinte que a cisão realizada na empresa Viação Dom Antônio Ltda., da qual lhe decorreu 88,09% do patrimônio líquido, lhe permitiu a realização da compensação, eis que aquela possuía direitos emanados do processo judicial antes apontado. Isso não ocorre, porquanto: a) a cisão parcial foi processada em 10/02/1993, tendo os bens da empresa Viação Dom Antônio Ltda. si o parcialmente destinados para duas empresas, entre as quais a ora interessada, havendo o documento Alteração Contratual Cisão Parcial (fls. 80/86), que aponta a existência de balanço patrimonial (item 3.2) onde os bens, direitos, obrigações,parcelas do patrimônio líquido e demais elementos são detalhados, observandose naquele o acervo da empresa cindida antes da cisão parcial, as parcelas vertidas às empresas receptoras e o acervo da empresa cindida após implementado o ato; b) no balanço patrimonial para fins de cisão parcial, que retrata a destinação do acervo de bens e direitos da cindida, não há qualquer referência a eventuais direitos que decorressem de processo judicial em andamento, ou seja, o direito à compensação de eventuais recolhimentos feitos indevidamente ou a maior em nome da empresa Viação Dom Antônio Ltda. não consta do documento, isto é, do rol de bens, direitos e obrigações que integrariam a parcela do patrimônio vertida à interessada, entendendose que eventual direito que estivesse sendo discutido junto ao Poder Judiciário permaneceu na esfera de patrimônio da empresa cindida parcialmente porquanto há que ser respeitada a eficácia da coisa julgada; c) dessa forma, pretendeu a contribuinte uma compensação com créditos de terceiros, o que é vedado pela legislação de regência, ou seja, a eventual utilização de indébitos da empresa cindida só seria possível em um pedido de compensação de débitos com créditos de terceiros, não estando registrado no presente processo que tenha havido tal procedimento; Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11060.000680/200758 Acórdão n.º 3001000.183 S3C0T1 Fl. 6 9 d) ademais, verificase que a cisão deuse em 10/02/1993, sendo que a proposição da ação pela empresa Viação Dom Antônio Ltda. se deu somente em 28/10/1994, donde pode ser concluído que os créditos, se existissem, somente poderiam ser aproveitados pela empresa postulante. Não há, pois, neste aspecto, que ser aceita a compensação informada em PER/DCOMP. A Recorrente alega, também, a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Compulsando os autos, não localizei, nas impugnações apresentadas, qualquer menção a tais operações, pontualmente consideradas, o que prejudica o conhecimento da matéria exclusivamente em segunda instância, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Uma vez que a matéria não foi expressa e especificamente contestada em impugnação, configurouse a preclusão consumativa em relação à altercação. Assim, pelo exposto, voto pro NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 504DF CARF MF 10 Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720127/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária.
GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária.
GANHO DE CAPITAL. ÚNICO IMÓVEL.
Para fins de exclusão do ganho de capital a que alude o art. 22, inciso I, da Lei nº 7.713, de 1988, é requisito a titularidade de um único imóvel, independentemente da sua natureza, destinação ou de estar localizado em zona urbana ou rural.
GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. VENDA DE IMÓVEL RESIDENCIAL. APLICAÇÃO DOS RECURSOS NA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL RESIDENCIAL.
A isenção do ganho de capital auferido por pessoa física de que trata o art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, aplica-se às alienações de imóveis residenciais desde 14 de outubro de 2005, não retroagindo seus efeitos para fatos geradores anteriores.
Numero da decisão: 2401-005.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Recorrente FRANCISCO JOSÉ DI JORGE PORTELLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária. GANHO DE CAPITAL. ÚNICO IMÓVEL. Para fins de exclusão do ganho de capital a que alude o art. 22, inciso I, da Lei nº 7.713, de 1988, é requisito a titularidade de um único imóvel, independentemente da sua natureza, destinação ou de estar localizado em zona urbana ou rural. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. VENDA DE IMÓVEL RESIDENCIAL. APLICAÇÃO DOS RECURSOS NA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL RESIDENCIAL. A isenção do ganho de capital auferido por pessoa física de que trata o art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, aplicase às alienações de imóveis residenciais desde 14 de outubro de 2005, não retroagindo seus efeitos para fatos geradores anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 01 27 /2 00 6- 77 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 172 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 173 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), por meio do Acórdão nº 0110.712, de 17/03/2008, cujo dispositivo tratou de considerar procedente o lançamento efetuado, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 118/128): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/10/2002 GANHO DE CAPITAL. Na determinação do ganho de capital deve ser excluído aquele decorrente da alienação do único imóvel, residencial ou não, que o titular possua, desde que não tenha realizado outra operação nos últimos cinco anos e o valor da alienação não seja superior a limite estabelecido em ato legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. RETROATIVIDADE DO ART. 39 DA LEI 11.196, DE 2005. Inaplicável a retroatividade do art. 39 da Lei n° 11.196, de 2005, por se tratar de norma isentiva e não se enquadrar nas hipóteses do art. 106 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 PROVAS. A impugnação apresentada pelo contribuinte deverá, além de mencionar os motivos em que se fundamenta e os pontos de discordância, trazer aos autos as provas que possuir, sem o que não poderá haver análise por parte do órgão julgador. Lançamento Procedente Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 174 4 2. Extraise do Auto de Infração, acostado às fls. 36/46, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2002, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital, no importe de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), na alienação do apartamento nº 305, Bloco G, situado à SQN 116, Brasília (DF). 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 12/09/2006, tendo o contribuinte impugnado, em 11/10/2006, a exigência fiscal (fls. 36 e 52/74). 4. Intimado em 11/04/2008, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 130/131, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 07/05/2008, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 134/164): (i) não houve ganho de capital, pois a diferença entre o custo de aquisição e o valor de alienação decorre de valorização normal de mercado do imóvel no período compreendido entre a compra e venda; (ii) a autoridade fiscal não considerou qualquer fator de atualização do custo de aquisição do apartamento; (iii) tratouse de alienação do único imóvel residencial do contribuinte, o que não é passível de tributação por ganho de capital; e (iv) eventual ganho de capital é isento de tributação nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, dispositivo aplicável retroativamente à alienação do imóvel, dado que o contribuinte utilizou os recursos na aquisição de outro apartamento para a mesma finalidade daquele vendido. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 175 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. De acordo com a escritura pública de venda e compra, o apartamento nº 305, Bloco G, localizado em Brasília (DF), foi vendido em 30/10/2002, recebendo o alienante, ora recorrente, o preço certo e ajustado de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), pagos em moeda corrente nacional (fls. 30/33). 6.1 No que tange ao custo de aquisição, o imóvel foi comprado pelo recorrente em 14/09/1998, pelo valor de R$ 90.000,00 (noventa mil reais), parte em dinheiro e o restante mediante recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS (fls. 24/29). 7. Na venda de imóvel, o ganho de capital é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 3º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). No caso dos autos, a quantia de R$ 50.000,00 superou o custo de aquisição do imóvel. 7.1 A tributação do imposto de renda incide sobre a riqueza nova decorrente da própria valorização de mercado do imóvel, que representa acréscimo patrimonial para o alienante. 7.2 Por sua vez, o custo dos imóveis adquiridos a partir do ano de 1996, como é a hipótese dos autos, não está sujeito à atualização ou correção monetária (art. 17, inciso II, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Tampouco há previsão na legislação tributária para utilização de índices de depreciação contábil. 8. Defende ainda o sujeito passivo a isenção do ganho de capital quando ocorre a alienação do único imóvel. Segundo a petição recursal, o imóvel alienado era usado como residência pelo casal, enquanto os demais imóveis informados na sua Declaração de Ajuste Anual constituíamse em lotes de terras que não se destinavam ao uso residencial. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 176 6 9. Com efeito, o inciso I do art. 22 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelece a isenção relativa ao ganho de capital na hipótese de alienação do único bem imóvel, atualmente por valor igual ou inferior a R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais): Art. 22. Na determinação do ganho de capital serão excluídos: I o ganho de capital decorrente da alienação do único imóvel que o titular possua, desde que não tenha realizado outra operação nos últimos cinco anos e o valor da alienação não seja superior ao equivalente a trezentos mil BTN no mês da operação. (...) 9.1 Entretanto, a isenção alcança a situação de titularidade de um único imóvel, independentemente da sua natureza (terreno, lote, apartamento etc) e destinação (comercial, residencial, industrial etc.), bem como da localização em zona urbana ou rural. Em outros dizeres, a expressão "único imóvel" não é equivalente a "único imóvel residencial". 9.2 Segundo os dados informados na Declaração de Imposto de Renda entregue pelo contribuinte relativa ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, o recorrente possuía diversos imóveis, dentre eles terrenos, lotes, casa e apartamento, o que torna inaplicável o benefício acima mencionado (fls. 08/14). 10. Por derradeiro, pleiteia o recorrente a incidência da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, tendo em conta que o valor recebido na alienação do apartamento foi investido integralmente na aquisição de outro imóvel para fins residenciais localizado no País: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. (...) 11. Segundo os arts. 105 e 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), via de regra a lei tributária tem efeitos prospectivos: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. (...) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 177 7 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) 12. Por outro lado, apenas de forma excepcional é admitida a retroatividade da lei tributária, nas hipóteses de lei expressamente interpretativa e lei tributária penal mais benéfica (art. 106 do CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 13. Todavia, o conteúdo do art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, diz respeito a uma norma de caráter isentivo, que inovou materialmente o ordenamento jurídico para excluir da tributação determinado ganho de capital auferido por pessoa física na venda de imóveis residenciais, cuja produção de efeitos deve operarse para os fatos geradores futuros ou pendentes, salvo previsão expressa em contrário. 13.1 A norma jurídica do art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, não é meramente interpretativa, tampouco abarca infrações e penalidades (direito tributário penal) para autorizar a retroação dos seus efeitos ao passado. No máximo o que fez o legislador ordinário foi determinar a produção de efeitos desde o dia 14/10/2005 (alínea "d" do inciso II do art. 132 da aludida Lei). 14. Desse modo, a isenção de que trata o art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, não é aplicável ao presente lançamento, o qual abrange fato gerador de ganho de capital ocorrido no anocalendário de 2002. 15. Em face do exposto, o acórdão recorrido de primeira instância não merece reforma. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10283.720127/200677 Acórdão n.º 2401005.234 S2C4T1 Fl. 178 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000026/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE DO STJ.
Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições.
PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS
Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002.
CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO
Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC.
É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso em menor extensão ao voto do relator para manter somente as glosas das empresas MJ Aragão Cruz ME, WG Couros LTDA., Mariabi Agro Comercial LTDA. e Arkima Comercial LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE DO STJ. Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições. PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso em menor extensão ao voto do relator para manter somente as glosas das empresas MJ Aragão Cruz ME, WG Couros LTDA., Mariabi Agro Comercial LTDA. e Arkima Comercial LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE DO STJ. Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições. PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 26 /2 00 6- 92 Fl. 9577DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso em menor extensão ao voto do relator para manter somente as glosas das empresas MJ Aragão Cruz ME, WG Couros LTDA., Mariabi Agro Comercial LTDA. e Arkima Comercial LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase de PER/DCOMP referente a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao quarto trimestrecalendário de 2003, segundo o regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias declarações de compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos. Conforme leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 14861519) e planilhas/demonstrativos que o acompanham, houve a glosa do montante do beneficio fiscal em escrutínio correspondente a aquisições efetuadas de fornecedores pessoas físicas e pessoas jurídicas em situação irregular (inexistentes de fato, inativas, omissas), tendo sido alguns pagamentos realizados mediante cessão de créditos. O Despacho Decisório de fl. 1502, exarado pela DRF/Presidente Prudente reconheceu apenas parcialmente o direito creditório. Fl. 9578DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.571 3 Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo: I) que a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, não prevê exclusões da base de cálculo do crédito presumido; todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem devem compor a base de cálculo do beneficio, em particular no caso de compras efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas, sendo que, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, Instruções Normativas não podem inovar ou modificar texto legal; II) que não merece prosperar a glosa referente a fornecedores em situação irregular, por motivos como inexistência de fato, inatividade, nãohabilitação no SINTEGRA, etc., pois a efetividade das operações de compra, assim como o recebimento das mercadorias, tem comprovação nos documentos anexados (RPA's e comprovantes de pagamento): a) Arkima Comercial Ltda., CNPJ 02.938.228/000403 — empresa com situação "inapta" quanto ao CNPJ desde 15/09/2004 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 15/12/2003; a glosa é indevida, pois as operações de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem são anteriores à declaração de inaptidão, tendo sido juntado documento do Ministério do Exército que atesta a existência e a regularidade do fornecedor; b) Agro Industrial Bélica Ltda., CNPJ 03.061.815/000179 — empresa "ativa" no CNPJ desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 20/12/2005; as operações são anteriores A declaração de "não habilitada" no SINTEGRA, sendo a glosa indevida; c) Geraldo Jailton Coimbra, CNPJ 04.058.064/000102 — empresa com situação "inapta" desde 17/07/2004, sendo as operações anteriores à declaração de inaptidão e, portanto, indevida a glosa de custos efetuada; d) M J Aragao Cruz ME, CNPJ 00.432.430/000182 — empresa com situação "inapta" desde 24/04/2002 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 25/01/2006 ("habilitado" conforme consultas de 2004 e 2005); a inaptidão foi declarada em 27/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000030/20083916 e não poderia alcançar fatos pretéritos; e) Nunes Pinheiro Comércio de Celulares Ltda., CNPJ 05.748.461/000160 — empresa com situação "ativa" no CNPJ desde 03/11/2005 e sem cadastro no SINTEGRA; empresa com notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, para suprir a falta de cadastro no SINTEGRA, revestidas de presunção de legalidade; f) WG Couros Ltda., CNPJ 04.461.371/000121 — empresa com situação "inapta" desde 22/05/2001 e "não habilitada" no Fl. 9579DF CARF MF 4 SINTEGRA desde 01/11/2006 ("habilitado" conforme consultas de 2001, 2004, 2005 e 2006); a inaptidão foi declarada em 24/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000022/20089216 e não poderia alcançar fatos pretéritos; g) Marfabi Agro Comercial Ltda., CNPJ 05.724.387/000142 — empresa com situação "inapta" desde 04/03/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 11/07/2003 ("habilitado" conforme consulta de 03/11/2003); a inaptidão foi declarada em 04/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000431/200716 e não poderia alcançar fatos pretéritos; h) Ki Belo Prod. e Equip. Identif. Animal Ltda., CNPJ 05.553.811/000133 — empresa "suspensa" no CNPJ desde 21/12/2007 e "habilitada" no SINTEGRA desde 12/11/2003, conforme consultas de 2004; a declaração de inaptidão foi publicada depois do inicio do processo n° 15940.000434/2007 41, em 19/11/2007, não podendo retroagir; III) que, nos termos da IN SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002, art. 43, §3º, I e II, a inidoneidade de documentos emitidos somente pode ser aplicada com a publicação do ADE no Diário Oficial; a nãolocalização dos contribuintes não pode ensejar as glosas das operações que se referem ao ano de 2003, sendo as inaptidões declaradas apenas a partir de dezembro de 2007; IV) que a interessada tomou o cuidado prévio de somente contratar fornecimentos de empresas habilitadas no sistema SINTEGRA do Fisco Estadual e junta documentos comprobatórios da efetividade das operações, como cópias de depósitos bancários que comprovam os pagamentos, "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias e RPAs que comprovam o transporte das mercadorias, tudo discriminado em planilha elaborada; V) que as glosas efetuadas são flagrantemente ilegítimas e nulas, pois A. época das operações as empresas fornecedoras encontravamse devidamente habilitadas, tendo sido tornadas públicas as declarações de inidoneidade em datas bem posteriores aos fatos; VI) que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, assim requer a aplicação de juros moratórios ao valor deferido, porquanto tratase de isonomia com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e os acresce as restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros equivalentes à taxa do Selic; transcreve julgados nesse sentido; A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Fl. 9580DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.572 5 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS INAPTAS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Sao glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas jurídicas declaradas como inaptas, ausente a comprovação da efetividade das operações: pagamento do preço e recebimento dos bens. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 9581DF CARF MF 6 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligencia ou perícia. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões aduzidas anteriormente. Em razão da decisão de Agravo de Instrumento juntada aos autos, foi determinada a apreciação no prazo máximo de 30 dias dos processos de ressarcimento de PIS e COFINS do contribuinte agravante, observandose o precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, o processo foi encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. As questões controversas neste Recurso Voluntário são as seguintes: I) Glosa do crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas. II) Glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas. III) A validade das operações de cessão de crédito. IV) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Elas serão analisadas sequencialmente, para esclarecer o nosso entendimento acerca do presente caso. A Lei nº 9.363/96 trouxe a previsão de um crédito presumido de IPI para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, como forma de permitir um ressarcimento econômico das contribuições sociais do PIS e Cofins, tendo como fato gerador a aquisição, no mercador interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que seriam utilizados no processo produtivo. É esta a dicção expressa de seu art. 1º, verbis: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 9582DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.573 7 Diante disso, passemos à análise dos pontos controvertidos. I) Glosa do crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas. A DRJ manteve a glosa do crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas, cuja apuração se deu conforme o regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001. Sobre isto, divergimos do entendimento adotado pela DRJ, endossando as conclusões alcançadas pelo Cons. Rosaldo Trevisan no acórdão CARF nº 3403003.173. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, e, portanto, vinculante em relação aos julgamentos deste tribunal administrativo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua Fl. 9583DF CARF MF 8 força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” ( Diante disso, reproduzo a argumentação do Cons. Rosaldo Trevisan, abaixo: A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, Fl. 9584DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.574 9 no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)”O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Fl. 9585DF CARF MF 10 Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Fl. 9586DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.575 11 Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em Fl. 9587DF CARF MF 12 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e nº 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. É improcedente a glosa, então, neste tópico. II) Glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas. Parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2004, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. Em seu recurso voluntário a interessada alega que os atos declaratórios de inaptidão de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp 1.148.444MG. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea" e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Percebese que a norma acima propõe duas formas em que os documentos serão considerados inidôneos, pois a declaração de inaptidão da empresa não exclui as outras formas de inidoneidade de documentos prevista na legislação, assim o fato da declaração de inaptidão ser posterior, não legitima os documentos emitidos no passado, caso estes preencham as hipóteses de inidoneidade prevista na norma. Fl. 9588DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.576 13 Observando o termo de verificação fiscal, percebese que as compras que foram objeto de glosa decorrem de empresas inaptas, inaptidão essa caracterizada em sua grande maioria por inexistência de fato, consoante se depreende do item 10 do referido termo de verificação fiscal: A empresa acima identificada adquiriu, de fornecedores localizados no estado de São Paulo e de outros Estados, matéria prima (couro verde), a ser utilizada no processo de Fabricação. Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse ern" situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: A IN nº 200/2002, vigente à época dos fatos, dispõe que a inexistência de fato será configurada nos seguintes casos: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV– cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Quanto aos documentos emitidos por pessoa jurídica considerada inapta a mesma resolução, já os considerava inidôneos, mesmo antes da declaração da inaptidão, consoante prescreve os inciso III, IV e V do §3º e § 4º do art. 43, os quais assim definem: Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. §3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: Fl. 9589DF CARF MF 14 I a partir da data da publicação do ADE a que se refere o art. 32, na hipótese do inciso I do art. 29; II a partir da publicação do ADE a que se refere o art. 35, na hipótese do inciso II do art. 29; III a partir da data desde a qual se caracteriza a situação prevista no inciso III do art. 37; IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; V na hipótese do inciso IV do art. 29, desde a data de ocorrência do fato. §4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º deste artigo (Grifo nosso). No tocante ao argumento do recorrente de que a declaração de inidoneidade dos documentos apenas podem surtir efeitos após a publicação do ADE, ele não deve ser tomado de forma absoluta, pois, só as hipóteses dos incisos I e II do§3º do art. 43 estabeleciam tal marco temporal, sendo as situações respectivamente definidas nos inciso I e II do art. 29 da IN nº 200/2002: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas nos itens 1 e 3 da alínea "c" do inciso I do art. 48, por cinco ou mais exercícios consecutivos e, intimada, não regularizou sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; III inexistente de fato; IV pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Pois bem, o Recorrente pleiteia a aplicação do precedente vinculante do REsp nº 1.148.444MG, inclusive sendo determinado tal observância pela decisão judicial do Agravo de Instrumento já mencionado anteriormente, cuja ementa diz o seguinte: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. Fl. 9590DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.577 15 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das Fl. 9591DF CARF MF 16 notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) A melhor interpretação dessa decisão foi feita no Acórdão CARF nº 1201 000.798, no voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que bem esclareceu o alcance desse provimento judicial vinculante: A fim de esclarecer a decisão acima referida, há que se dizer que o mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, não ressalva a possibilidade de o interessado produzir prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios registrados nas notas fiscais declaradas inidôneas. Art. 23. O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. (Grifamos) Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia uma presunção legal absoluta, que, como tal, não admite prova em contrário por parte do interessado no crédito, não importando se a nota fiscal havia sido emitida antes ou após a publicação do ato que a declarou inidônea. Por meio da decisão acima mencionada o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa. Já em relação às notas fiscais emitidas após à publicação do ato que as declarou inidôneas, pareceme, pela leitura do inteiro teor do REsp 1.148.444– MG, que a interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata de presunção legal absoluta, como defendido pelo fisco estadual, sendo por conseguinte incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da operação. Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelos fornecedores da contribuinte antes de publicados os atos declaratórios de sua inidoneidade. Em assim sendo, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei n 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário. Fl. 9592DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.578 17 Foi exatamente este o esforço probatório que o ora recorrente procurou fazer desde a fase de fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto, no âmbito do presente recurso, em que a interessada reitera seus argumentos, caberá a esta Turma decidir, pelo exame dos elementos juntados aos autos pela contribuinte, se esta se desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço. Consta dos autos, no Termo de Verificação Fiscal, abrangendo o período do 4º trimestre de 2002 ao 2º trimestre de 2007, que Vitapelli Ltda. adquiriu de fornecedores matéria prima (couro verde) a ser utilizada no processo de fabricação. A Fiscalização, após análise das notas fiscais de compras e pesquisas aos sistemas corporativos da Receita Federal, bem como do SINTEGRA (sistema cadastral do fisco estadual de São Paulo), e mesmo na INTERNET, constatou que parte dos fornecedores encontravamse em situação cadastral irregular por inexistência de fato, inatividade, omissão na entrega de declarações, não habilitação no sistema cadastral da secretaria de fazenda estadual (não habilitada no Sintegra) etc. A partir dessa constatação, realizaramse diligências nesses fornecedores, verificandose que a maioria deles era inexistente de fato, posto que não se localizavam nos endereços informados como sendo seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ. São eles: Fl. 9593DF CARF MF 18 Assim, glosouse todas os créditos referentes às aquisições desses fornecedores. Glosaramse também os créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas que haviam sido objeto de representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Os créditos glosados referemse a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação. São elas: A Fiscalização ainda glosou os créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação“não habilitada". São elas: Fl. 9594DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.579 19 Em primeiro lugar, o contribuinte confrontou as glosas relativas às aquisições da Nunes Pinheiro Comércio de Celulares Ltda., CNPJ 05.748.461/000160, cuja situação do CNPJ é ativa, mas não se encontra habilitada no SINTEGRA, por ausência de cadastro, o que foi suprido com a emissão de notas fiscais avulsas, através da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, suprindo assim a falta de cadastro, visto que tais notas são revestidas de presunção de legalidade. Desse modo, não há razão para a manutenção dessas glosas específicas. Quanto à empresa Arkima Comercial Ltda., CNPJ 02.938.228/000403, a DRJ já havia revertido as glosas no período anterior a 15/12/2003, visto que a mesma se encontra "não habilitada" no SINTEGRA a partir desta data, o que implica na inidoneidade das notas fiscais emitidas nesse período entre 15/12/2003 e 31/12/2003. Quanto à empresa Agro Industrial Bélica Ltda., CNPJ 03.061.815/000179, as glosas se referem a períodos anteriores à declaração de "não habilitada" no SINTEGRA, que se deu apenas em 20/12/2005, razão pela qual não podem subsistir as glosas sob este fundamento. As demais empresas cujas aquisições foram glosadas correspondem àquelas cuja inexistência de fato foi constatada em diligência do órgão fiscalizador, com fundamento no art. 37, II da IN nº 200/2002 (empresa que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem). Pois bem, as demais glosas se fundamentaram na inexistência de fato das empresas fornecedoras, cuja inaptidão foi declarada apenas com o ADE publicado em 2008. É preciso, pois, que se analise a regulamentação específica dos efeitos temporais da inidoneidade das notas fiscais de aquisição de matériasprimas emitidas, nos termos do art. 43, §3º da IN nº 200/2002. Compulsandose o TVF, vêse que foi empreendida uma abrangente e cuidadosa ação fiscal, com exceção da ponto relativo à análise e conclusão a que chegou a Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas no 10.1 do Termo. Conforme aduzido no Acórdão CARF nº 3803003.332, observouse que em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, podese perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do Fl. 9595DF CARF MF 20 fornecimento das matériasprimas, muito menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. Ora, a fiscalização reconhece a existência de três partes na relação: i) a Vitapelli, adquirente de matériasprimas; ii) a fornecedora de matériasprimas, a quem foi imputada a inaptidão; e iii) terceira pessoas que receberam pagamento da Vitapelli, em razão de "cessão de crédito" realizada entre eles (terceiros) e os fornecedores. É preciso que reste claro, pois, que a cessão de crédito é um negócio jurídico que ocorre entre o fornecedor (cedente) e o comprador do crédito (cessionário) identificado pela Fiscalização como "terceiras pessoas" , não havendo qualquer intervenção do Recorrente (Vitapelli), exceto a exigência do art. 290 do Código Civil: Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. Voltamos então à descrição da atividade da fiscalização: o fiscal intimou esses terceiros, adquirentes dos créditos dos fornecedores, e questionou sobre a existência de vínculos comerciais com a Vitapelli, tendo recebido respostas negativas e, em razão disso, concluído pela inexistência das operações comerciais: "Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais.". Absolutamente impertinente o questionamento, provavelmente em razão de não compreender que a operação de "cessão de crédito" não tem como parte o Recorrente, mas os fornecedores e os cessionários. Um exemplo deixará isto bastante claro: poderia eu, Conselheiro do CARF, entender ser um bom negócio utilizar meu jeton para adquirir créditos de uma das fornecedoras da Vitapelli, quiçá com algum deságio se no curso da fiscalização acerca da idoneidade das notas fiscais me fosse questionado se eu teria relações comerciais com o Recorrente, minha resposta seria certamente negativa, resposta essa que nada permite inferir sobre a inexistência das fornecedoras ou sobre a inocorrência da operação comercial. Não foram vistos nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização, com base na inexistência de relação comercial Fl. 9596DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.580 21 entre os cessionários dos créditos e o Recorrente. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, IV, do art. 43, IN RFB nº 200/2002: § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; Não há nos autos quaisquer provas que indiquem que as fornecedoras nunca realizaram suas atividades regularmente, desde a sua constituição. O máximo que se pode inferir diante das provas dos autos é que os fornecedores se enquadram na caracterização do art. 29, II da IN 200/2002, verbis: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; É dizer, logrouse comprovar que elas não estavam localizadas nos endereços informados à SRF, mas não se fez prova específica necessária à caracterização da inexistência de fato, que é a comprovação de que a empresa jamais exerceu atividade regular, e mais, a resposta dos cessionários dos créditos em absolutamente nada corrobora a conclusão pela inexistência. Caracterizada as fornecedoras como "omissa e não localizada", há que se aplicar a regra temporal do art. 43, §3º, II da IN 200/2002: § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere o art. 32, na hipótese do inciso I do art. 29; II a partir da publicação do ADE a que se refere o art. 35, na hipótese do inciso II do art. 29; Tal dispositivo determina que os efeitos da inidoneidade se iniciam exclusivamente com a publicação do ADE de inaptidão. Frisese que instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boafé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. Diante disso, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte para reverter todas as glosas, com exceção daquelas relativas à Arkima Comercial Ltda., CNPJ 02.938.228/000403, referentes às notas fiscais emitidas nesse período entre 15/12/2003 e 31/12/2003. Fl. 9597DF CARF MF 22 III) Da validade da cessão de créditos A fiscalização entendeu por desconsiderar os pagamentos feitos pelo Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor" (sic), para arrematar em tom triunfal que as operações negociais não existiram, pois os cessionários dos créditos não comprovaram sua relação comercial com a Vitapelli. O equívoco é total, neste ponto. A cessão de créditos é operação típica, descrita no art. 286 do Código Civil: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Em primeiro lugar, o titular, proprietário, dos créditos que serão cedidos NÃO é a Vitapelli, mas sim os FORNECEDORES que se tornaram credores do Recorrente após o fornecimento de matériasprimas mediante contraprestação (ou promessa de contraprestação). Portanto, que cede o crédito não é a Vitapelli, mas sim o fornecedor. Assim, a cessão de crédito, como já foi dito anteriormente, é uma relação negocial entre o fornecedor credor da Vitapelli e uma terceira pessoa que não tem qualquer relação necessária com a Vitapelli , cujos efeitos somente poderão ser opostos ao devedor (o Recorrente) mediante notificação deste, nos termos do art. 290 do CC/02 (Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.). O que a cessão de crédito opera é apenas o efeito translativo na posição creditória da relação jurídica decorrente do negócio realizado originalmente entre a Vitapelli e seus fornecedores. Ora, se é reconhecido pela própria fiscalização que os pagamentos foram feitos aos terceiros cessionários dos créditos dos fornecedores, a relação jurídica creditória decorrente dos negócios jurídicos de aquisição de matériasprimas que estarão sendo extintas por esses pagamentos pois o cessionário subrogase na posição do fornecedor, como credor da Vitapelli. Como bem colocado pela Recorrente, não há que se confundir a cessão de créditos relativos à operação de compra e venda, com a operação de compra e venda em si, pois é nesta que se funda o direito aos créditos, conforme a legislação. São três momentos distintos: i) a compra e venda (Vitapelli e fornecedor); ii) a cessão dos créditos (fornecedor e terceiros); e iii) o pagamento das compras (Vitapelli e terceiros). Ainda se aduziu, na decisão recorrida, que segundo o art. 288 do CC/02, "É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654". Ora, o Fisco não é terceiro interessado na cessão de créditos, mas apenas na ocorrência do pagamento relativo ao negócio jurídico, de modo que o negócio foi celebrado mediante instrumento particular com assinaturas devidamente reconhecidas em cartórios, garantindo a validade da operação de cessão e a sua oponibilidade ao devedor (Vitapelli). O terceiros a que se refere a legislação são aqueles que tenham interesses patrimoniais em bens e direitos dos envolvidos na operação de cessão de crédito Fl. 9598DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.581 23 especificamente o cedente e o cessionário como forma de proteger terceiros, por exemplo, da dilapidação patrimonial para frustrar obrigações privadas existentes absolutamente nada tem a ver com a verificação da ocorrência ou não dos negócios jurídicos de aquisição de matérias primas entre os fornecedores e o Recorrente. Pelo contrário, ao atestar a ocorrência dos pagamentos feitos pela Vitapelli aos cessionários, a Fiscalização confirma a ocorrência da condição necessária para afastar a inidoneidade dos documentos, conforme art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. É dizer, a própria Fiscalização confirmou o pagamento as obrigações oriundas do fornecimento de matériaprima. Desse modo, há que se reconhecer a validade das operações de cessão de crédito realizadas pelos fornecedores, que impactaram na comprovação do pagamento do preço respectivo das matériasprimas adquiridas, o que, conjuntamente ao Livro de Registro de Entradas do período analisado, servem para comprovar as condições para afastar a inidoneidade das notas fiscais. IV) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Requer o contribuinte o reconhecimento do direito à correção monetária pela SELIC. Sobre o tema, aduziu o Cons. Waldir Navarro no julgamento do PAF nº 10835.002183/200471, nos seguintes termos: Pois bem. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e o art. 39, caput e § 4º , da Lei nº 9.250, de 1995, autorizavam a compensação ou a restituição, corrigida monetariamente, com base na variação da Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou o abono de juros calculados pela taxa Selic, de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições, o que não é o caso de ressarcimento de créditos, oriundos de receitas de exportação, de PIS/COFINS não absorvidos pelos débitos do mesmo imposto ou compensados com os demais tributos federais. Cabe ressaltar que ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de incentivo fiscal (um benefício), ao passo que a restituição, ou repetição de indébito é a devolução, ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior do que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. E mais. Entendo que essa matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão da Recorrente correção do ressarcimento da COFINS pela incidência da taxa SELIC, encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência, Fl. 9599DF CARF MF 24 disposta no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inciso VI do art. 15: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (....). Assim, contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a Recorrente. E é desta forma que vem reiteradamente sendo decidido pela CSRF. Por fim, sobre a alegação de inconstitucionalidade, deste outro lado, pela aplicação da Súmula CARF nº 2, fica impedido o Colegiado deste CARF de apreciar a Constitucionalidade da lei. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À vista disso, o pleito feito pela Recorrente de atualização monetária e incidência de juros pela SELIC dos valores dos créditos a serem ressarcidos não pode ser acolhido. Aderindo às razões acima, há que se negar o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC. V) Conclusão Ante o exposto, voto por: I) Reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. II) Reverter todas as glosas, com exceção daquelas relativas à Arkima Comercial Ltda., CNPJ 02.938.228/000403, referentes às notas fiscais emitidas nesse período entre 15/12/2003 e 31/12/2003. III) Reconhecer a validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 9600DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.582 25 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto, ressalto minha discordância em relação aos seguintes pontos tratados neste voto: (i) à glosa de créditos relativas à aquisição de matérias primas das empresas fornecedoras (empresas inaptas); e (ii) a validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Cabe repisar que trata os autos de Pedido eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao quarto trimestrecalendário do ano de 2003. Consta dos autos que parte das glosas de créditos pleiteados pela Recorrente no quarto trimestre respectivo do anocalendário de 2003, referese à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo Fisco sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. O cerne da questão aqui tratada reside em que no seu Recurso Voluntário a interessada alega que os Atos Declaratórios (ADE) de inaptidão do CNPJ de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2003, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp. nº 1.148.444MG. Das Diligências realizadas pelo Fisco em outros PAF (mesma empresa e matéria) Dentro do contexto acima, verificase que quando do julgamento do PAF nº 10835.002183/200471 (da própria recorrente VITAPELLI Ltda.), também decorrente de processo de PER Pedido de Ressarcimento de saldo credor de COFINS, oriundos de receitas de exportação sob a sistemática da nãocumulatividade, referente ao 2º Trimestre de 2004, o qual resultou no Acórdão nº 3402004.900, de 01/02/2018, de lavra deste Conselheiro, constatase que quando do cumprimento da Diligência solicitada pelo CARF, em sua Informação Fiscal, o Fisco proferiu o seguinte Despacho (5.441/5.442): "(...) Com a finalidade de atender o contido na Resolução nº 3402000.696 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, fls. 3676 a 3682 e, considerando que os elementos solicitados fazem parte, inclusive, do processo administrativo fiscal nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL), processo este findo administrativamente, por economia processual, providenciamos cópia da documentação pertinente e juntamos ao presente processo, fls. 3862 a 5410. (Grifei) Ato contínuo, com apoio na documentação citada, elaboramos planilhas com as seguintes indicações: a) Empresas inaptas, nº do ADE, data da publicação no DOU, fundamentação e data dos efeitos (fl.5.419); Fl. 9601DF CARF MF 26 b) Notas fiscais glosadas, datas dos lançamentos e de emissão dos documentos, identificação das emitentes, valores das notas fiscais, forma de pagamento (fls.5.432 a 5.438). Prosseguindo, foi elaborado relatório fiscal, denominado esclarecimentos complementares (fls 5.420 a 5.429), tendo por base as pessoas jurídicas cuja documentação fiscal foi objeto de glosa. Assim sendo, entendemos que a documentação carreada aos autos, adicionada aos esclarecimentos complementares, permite a tomada de decisão". Verificase ainda que, no referido Relatório Fiscal denominado de "Esclarecimentos Complementares" (às fls 5.420/5.429, daquele processo), encontrase relacionadas as informações a respeito das pessoas jurídicas cuja documentação fiscal foi objeto das glosas naqueles autos. Desta forma, para deslinde da questão posta nestes autos, subscrevo trechos das considerações tecidas no referido Acórdão (3402004.900, de 01/02/2018), adotandoas como fundamentos e razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. Assim, iniciamos colacionando, a título de exemplo, trechos do referido Acórdão nº 3402004.900 (advindo do Relatório de Fiscalização), referente às observações colhidas sobre a empresa M J Aragão Cruz ME (MA Comércio de Couros), às fls. 15.181/15.182 do PAF nº 10835.002183/200471): "5.5) M J Aragão Cruz ME (M A Comércio de Couros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3616 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Mata de São João – BA; b) o titular da firma individual informou que inicialmente o objeto da empresa era o comércio de carnes (açougue), mas que essa atividade encerrouse em 2002, e a partir de então passou a eventualmente representar a empresa Sergicouros na venda de couro, onde recebia apenas comissão; c) afirmou também desconhecer a emissão de aproximadamente R$ 15.000.000,00 em notas fiscais de sua empresa; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 27/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 24/04/2002; Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6080 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 27/09/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 10.989.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) diversas notas fiscais em seqüência numérica e valores idênticos; c) boa parte dos pagamentos realizados pela recorrente a este fornecedor se deu em valores muito inferiores àqueles constantes das notas fiscais; d) Fl. 9602DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.583 27 há notas fiscais com numeração repetida; e) diversos pagamentos feitos via conta Caixa; f) baixas contábeis efetuadas no ano de 2006; g) na condição de cessionária, a Sergicouros transferiu créditos para terceiros, sem encargos, após 17 meses da emissão da documentação fiscal pelo fornecedor". Nessa mesma trilha, o Acórdão citado, pontuou sobre outras empresas envolvidas no processo (fls. 15.180/15.185). Encontrase abaixo reproduzido, PLANILHA elaborada pela fiscalização, em forma de extrato, demonstrando sobre a declaração de Inaptidão do CNPJ: a empresa, nº do ADE, data de publicação, fundamentação, data dos efeitos e as folhas referente a documentação acostada (fl. 5.419, do PAF nº 10835.002183/200471): Da Manifestação da Recorrente (pós diligência) Cabe ressaltar que, naquele processo nº 10835.002183/200471, da seguinte forma consta da Manifestação elaborada pela Recorrente (pós diligência fiscal de 02/04/2015 fls. 5.451/5.460), que "(...) Apesar de ter sido proferida decisão irrecorrível da 1ª SEJUL do CARF no PA n.° 15940.000293/200929, em sentido contrário ao da recorrente, o Judiciário determinou que a cobrança do IRPJ e CSLL seja suspensa até que haja o trânsito em julgado dos PAs de ressarcimento de 2004, pois, havendo a manutenção da decisão da 3ª Turma Especial da 3º SEJUL revertendo as glosas, o AIIM de IRPJ e CSLL sucumbirá (Mandados de Segurança n.° 000499106.2014.4.03.6112 e 000023432.2015.4.03.6112). Em suma, a Recorrente entende que o Judiciário reconheceu que o Auto de Infração de IRPJ e da CSLL (PAF nº 15940.000293/200929, da empresa VITAPELLI) foi lavrado em decorrência da análise dos pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS do ano calendário 2004 e, havendo a manutenção das decisões da (extinta) 3ª TE/3ª Sejul, esse lançamento terá que ser cancelado. Aduz que há identidade entre os fornecedores de matériasprimas abarcados neste feito e aqueles abarcados nos processos n.°s 10835.003027/200427 e 10835.000162/200500. Nesses dois PAFs, foram analisadas justamente aquelas operações realizadas em 2004, fornecedores estes considerados "em situação irregular", quais sejam, Comercial St. Paul Ltda., Frigorífico Alta Noroeste Ltda., Jadluc Indústria e Comércio de Couros, MJ Aragão Cruz, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda., Ki Belo Couro Comercial Ltda., Marfabi Agro Comercial Ltda., Montaria Comércio de Óleo Ltda. e Santos Soares Dias e WG Couros Ltda, dentre outros. Por fim, ressalta que a Recorrente tomou as cautelas exigidas pelo STJ, no REsp nº 1.148.444/MG. Por ocasião da celebração das operações comerciais, consultou a Fl. 9603DF CARF MF 28 situação dos fornecedores e constatou que eles se encontravam "habilitados", conforme consultas efetuadas no SINTEGRA (fls. 1.811/1.812, 1.868/1.897, 2.374, 2.409/2:415 e 2.499/2.501), reafirmando que , "(...) conforme decidido pelo STJ, a verificação da idoneidade das empresas compete ao Fisco". Em relação aos demais itens da conversão em diligência, o objetivo dos julgadores foi o de obter a certeza de que a recorrente agiu de boafé (entendimento firmado no REsp do STJ) e que as operações, de fato, ocorreram. Naquele processo, visando comprovar que as operações mercantis de fato ocorreram a Recorrente solicitou a realização de Perícia Contábil pela empresa ATHROS/ASPR Auditoria e Consultoria, que examinou todas as operações realizadas com os fornecedores em questão, constatando documentalmente que todas efetivamente ocorreram e que foram devidamente registradas na sua escrituração fiscal e contábil. Informa que o referido Laudo com os 21 Anexos de documentos em meio digital foram protocolizados no CARF em 15/09/2014. Mais especificamente em relação às cessões de crédito realizadas (será tratada em outro tópico), a recorrente apresentou as notificações que recebeu de seus fornecedores (fls. 257/413, 757/762, 1.179, 1.1491, 1.6218/1.219, 1.229, 1.230, 1.250, 1.266/1.267, 2.638, 2.644, 2.650, 2.654, 2.661, 2.664, 2.667, 2.671/2.672, 2.675, 2.678, 2.686, 2.690, 2.696, 2.700, 2.704, 2.711, 2.721, 2.727, 2.730, 2.735, 2.740, 2.743, 2.746, 2.750 e 2.753). Em resumo, a Recorrente entende ter comprovado a realização das operações, a regularidade das cessões de crédito e a entrada das mercadorias em seu estabelecimento, na forma da Lei e da jurisprudência. Das Provas carreadas aos Autos PAF nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL) Quando do atendimento da Resolução nº 3402000.696, da 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara (fls. 3.676/3.682, do do PAF nº 10835.002183/200471), o Fisco, considerando que os elementos solicitados pelo CARF faz parte, inclusive, do PAF nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL processo da empresa VITAPELLI que se encontra encerrado administrativamente), alegando economia processual, providenciou cópia da documentação pertinente e juntou naquele processo às fls. 3.862/5.410. Verificase que o processo, referese a lançamento reflexo dos tributos IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de notas fiscais de compras consideradas inidôneas perante a RFB (controladas em outros processos). Foram lançadas não só o imposto e as contribuições anuais como também as multas isoladas por falta do recolhimento mensal por estimativa. Em consulta ao sitio do CARF, verificase que após análise do processo, foi proferido o Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013, e que o resultado do julgamento se deu da seguinte forma dispositiva: "Não havendo o sujeito passivo logrado êxito em provar nem a entrega da mercadoria por ele supostamente adquirida, nem o pagamento do respectivo preço, correta a glosa de custos realizada pela fiscalização e a conseqüente lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos aos Cofres Públicos". Por outro lado, há que se considerar que os membros do Colegiado acordaram, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada, por entenderem que, no caso, houve a concomitância. Fl. 9604DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.584 29 Como se vê, no acórdão de Recurso Voluntário citado, o CARF decidiu por serem indevidas as multas isoladas, mantendo, tão somente, as contribuições anuais. Verifica se que, embora tenha havido novo recurso para a instância superior deste Conselho Administrativo, o seu RE (Recurso Especial) não foi admitido pela CSRF/CARF. Da observância ao decidido pelo STJ REsp (repetitivo) nº 1.148.444/MG Na decisão Judicial perpetrada pela Recorrente, ficou determinado pelo juízo que se faça as análises dos fatos com observância do decidido pelo STJ no REsp repetitivo nº 1.148.444/MG. E, nesse passo, a observância ao decidido pelo STJ se faz obrigatório, uma vez que o art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), impede contrariar decisões emanadas pelo Superior Tribunal de Justiça tomada em Recurso escolhido como repetitivo. Vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, em cumprimento ao comando Judicial e em observação ao RICARF, passo a análise da questão com a observância do decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG. Para tanto, entendo que neste caso, por tratarse de PAF da empresa Vitapelli Ltda e das mesmas empresas envolvidas, mesmos períodos fiscalizados e dos mesmos elementos de provas, que tinha como objetivo manter o lançamento, reproduzo e adoto como fundamentos para decidir a questão aqui tratada (com algumas alterações pontuais), nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784, de 1999, os argumentos expostos no Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013 (findo administrativamente), de Ralatoria do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que passa a fazer parte integrante do presente voto, nas partes que interessam ao deslinde deste processo, quais sejam: (i) da inexistência de Ato Declaratório de Inaptidão do CNPJ anterior aos fatos (data dos efeitos); (ii) das provas trazidas aos autos; (iii) da valoração das provas; (iv) do pagamento e do recebimento das mercadorias (couro de boi); (v) das cautelas exigidas em Lei; e (vi) das irregularidades das cessões de créditos realizados. Primeiramente, há que se ressaltar que foram analisadas naquele Acórdão, além das empresas aqui tratadas, outras, que não foram relacionadas pelas glosas tratadas neste processo. A seguir, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, reproduzo trechos do voto condutor do Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013 (da empresa Vitapelli Fl. 9605DF CARF MF 30 Ltda), o qual analisa todas as questões aduzidas pela Recorrente no recurso voluntário, bem como na Manifestação elaborada pós diligência realizada pela fiscalização, fazendo observância do decidido pelo STJ no REsp repetitivo nº 1.148.444/MG, conforme o comando Judicial reportado. " (...) . Dos Atos Declaratórios de Inaptidão dos Fornecedores Parte dos custos escriturados pela contribuinte no anocalendário de 2004, referentes à aquisição de couro bovino junto aos 16 fornecedores indicados no Termo de Verificação Fiscal (do PAF nº 10835.002183/200471), foi glosada pelo Auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. A referida glosa (fl. 5.135 e fls. 8.328/8.341) corresponde a aproximadamente 10,8% do total dos custos informados pela autuada em sua DIPJ/2005. Em seu recurso voluntário a interessada alega que os Atos Declaratórios de inaptidão de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2003/2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp nº 1.148.444–MG. Argumenta, ainda, que não há Ato Declaratório para alguns dos 16 fornecedores apontados pelo auditor, e que, para os demais, os atos padecem de vício formal pois não foram publicados no sítio da RFB na Internet, conforme previsto no art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Pois bem, sobre o assunto os arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, assim estabelecem: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (Grifei) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. (Grifamos) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (Grifei) O art. 81 acima transcrito trata das hipóteses de declaração de inaptidão da inscrição de uma pessoa jurídica junto ao Cadastro Geral de Contribuintes CGC (atualmente denominado de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ). Entre essas hipóteses, a que mais nos interessa no presente caso é a da pessoa jurídica inexistente de fato, ou seja, aquela pessoa que não possui existência real (estabelecimento, bens necessários à consecução de seus objetivos etc), mas apenas formal (registro dos atos constitutivos, inscrição estadual, inscrição no federal etc.). Já o art. 82 cuida de um dos efeitos da declaração de inaptidão, qual seja, a presunção de inidoneidade dos documentos emitidos pela pessoa jurídica declarada inapta, ressalvada ao sujeito passivo a produção de prova em contrário. Tratase aqui de presunção legal relativa cujo efeito, como é cediço, é a inversão do ônus da prova. Em assim sendo, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, caberá ao interessado que com ela manteve negócios comprovar o recebimento dos bens e o respectivo pagamento, sem o que poderá o fisco presumir que aqueles negócios efetivamente não ocorreram. (Grifei) Fl. 9606DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.585 31 Embora tratando de questão relativa à legislação do ICMS, em especial do art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela Recorrente, exarada no âmbito do REsp nº 1.148.444–MG, vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE).NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOA FÉ. 1. O comerciante de boa fé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) (Grifei) (...) 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. (grifamos) 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A fim de esclarecer a decisão acima referida, há que se dizer que o mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, não ressalva a possibilidade de o interessado produzir prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios registrados nas notas fiscais declaradas inidôneas. Fl. 9607DF CARF MF 32 Art. 23. O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. (grifamos) Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia uma presunção legal absoluta, que, como tal, não admite prova em contrário por parte do interessado no crédito, não importando se a nota fiscal havia sido emitida antes ou após a publicação do ato que a declarou inidônea. Por meio da decisão acima mencionada, o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa. Já em relação às notas fiscais emitidas após à publicação do ato que as declarou inidôneas, pareceme, pela leitura do inteiro teor do REsp nº 1.148.444–MG, que a interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata de presunção legal absoluta, como defendido pelo fisco estadual, sendo por conseguinte incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da operação. Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelos fornecedores da contribuinte antes de publicados os atos declaratórios de sua inidoneidade. Em assim sendo, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário. E foi exatamente isso que a Recorrente procurou fazer desde a fase de fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto, no âmbito do presente recurso, em que a interessada reitera seus argumentos, caberá a esta Turma decidir, pelo exame dos elementos juntados aos autos pela Recorrente, se esta se desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço. Mas há mais. A rigor, uma vez que a autoridade fiscal também produziu provas que, sob sua ótica, são suficientes à comprovação de que as operações sob exame não ocorreram (em especial, diligências juntos aos fornecedores da contribuinte), sequer haveria necessidade, ao menos para os fins do presente processo, que propusesse às DRFs competentes a declaração de inaptidão das pessoas jurídicas fornecedoras (vide processos de representação à fl. 3.461 e ss.). De fato, é preciso ter em conta que uma das principais funções do ato declaratório de inaptidão da pessoa jurídica “A” é dispensar o auditor, que esteja fiscalizando a pessoa jurídica “B”, de produzir prova da inidoneidade das notas fiscais emitidas por “A”. Assim, basta ao auditor acostar aos autos o ato declaratório de inaptidão de “A” para que o ônus da prova se inverta, cabendo então a “B” fazer prova do recebimento da mercadoria adquirida junto a “A” e do pagamento do preço. Mas, como já afirmado, no caso dos autos o auditor não lastreou sua autuação exclusivamente nos atos declaratórios de inaptidão dos fornecedores da contribuinte. Muito ao Fl. 9608DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.586 33 contrário, cuidou de colacionar elementos materiais que, em seu entender, provam a não ocorrência das operações descritas nas notas fiscais glosadas. Em assim sendo, a alegada inexistência de ato declaratório para alguns fornecedores, bem como a suposta ocorrência de vício formal nos atos declaratórios dos demais fornecedores (não publicação no sítio da RFB na internet), de modo algum seriam suficientes para afastarse, de pronto, o lançamento. Resumindo, a existência e validade dos atos declaratórios de inaptidão dos 16 fornecedores da contribuinte são questões cuja solução de modo algum porá fim ao litígio de que cuida o presente processo pois o lançamento, em tese, poderia se sustentar apenas nos elementos de prova trazidos aos autos pelo fisco. Nesse sentido, o litígio somente será solucionado por meio do exame e da valoração dos elementos de prova trazidos pela Recorrente, pela fiscalização e pela diligência solicitada pela DRJ. É o que se passa a fazer. Do Exame dos Elementos de Prova Em seu termo de verificação fiscal (fls. 5.125 e ss.) o Auditor afirma serem inidôneas, para fins de comprovar as transações nelas registradas, as notas fiscais apresentadas pela contribuinte para amparar a dedução de custos relativos à aquisição de couro bovino junto a 16 fornecedores deste produto. Lastreia sua afirmação nos fatos por ele apurados quando da realização de diligências junto aos fornecedores (fls. 3462/3780), bem como em documentos apresentados pela contribuinte em resposta a intimações fiscais a ela dirigidas (fls. 334/3461 e fls. 3803/5044). A relação dos custos glosados encontrase às fls. 3781 a 3802. A contribuinte, por sua vez, contesta a mencionada glosa de custos mediante a apresentação de elementos que, a seu juízo, comprovam tanto a efetiva entrega da mercadoria quanto o respectivo pagamento. Em anexo a sua impugnação a interessada juntou os documentos já apresentados durante a fiscalização, mas de uma forma mais organizada (fls. 5232/7658). Argumenta ainda que adquiriu os produtos de boa fé, e que não pode ser responsabilizada por eventuais irregularidades cometidas por seus fornecedores. O julgamento de primeiro grau foi convertido em diligência, havendo, então, a autoridade fiscal designada, juntado aos autos o relatório de diligência e os documentos que serviram de base à resposta aos quesitos formulados pela DRJ (fl. 7.707/8.360). Não foi apresentada pela interessada contrarrazões ao Relatório de Diligência. O órgão a quo julgou improcedente a impugnação. A recorrente não apresentou novos elementos de prova em anexo ao recurso voluntário. Dito isso, passemos ao exame dos elementos de prova presentes nos autos, relativamente a cada um dos fornecedores investigados. 5.1) (...). 5.5) M J Aragão Cruz ME (M A Comércio de Couros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3616 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Mata de São João – BA; b) o titular da firma individual informou que inicialmente o objeto da empresa era o comércio de carnes (açougue), mas que essa atividade encerrouse em 2002, e a partir de então passou a eventualmente representar a empresa Sergicouros na venda de couro, onde recebia apenas comissão; c) afirmou também desconhecer a emissão de aproximadamente R$ 15.000.000,00 em notas fiscais de sua Fl. 9609DF CARF MF 34 empresa; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 27/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 24/04/2002; Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6080 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 27/09/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 10.989.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) diversas notas fiscais em seqüência numérica e valores idênticos; c) boa parte dos pagamentos realizados pela recorrente a este fornecedor se deu em valores muito inferiores àqueles constantes das notas fiscais; d) há notas fiscais com numeração repetida; e) diversos pagamentos feitos via conta Caixa; f) baixas contábeis efetuadas no ano de 2006; g) na condição de cessionária, a Sergicouros transferiu créditos para terceiros, sem encargos, após 17 meses da emissão da documentação fiscal pelo fornecedor. 5.6) Marifabi Agro Comercial Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP; b) um dos sócios também não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou jamais haver participado como sócio em nenhuma empresa; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 11/07/2003; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 04/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 16/06/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6786 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 03/11/2003, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 1.725.955,50, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e junho de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) apesar de estar supostamente domiciliado em São Paulo – SP, cedeu crédito a pessoas supostamente domiciliadas em Aracaju – SE, Belo Horizonte MG, Bom Despacho MG, Feira de Santana – BA. Fl. 9610DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.587 35 5.7) (...). 5.11) WG Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3727 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Esmeraldas – MG; b) os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) o Fisco mineiro informou que a pessoa jurídica encontrase bloqueada desde 01/12/2006; d) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 24/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 22/05/2001. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7224 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 16/06/2006, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 4.927.500,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feito ao terceiro R.S.P. Fomento Mercantil Ltda., acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) ocorreram diversas baixas contabilizadas ao longo dos anos de 2005 e 2006, destacandose o lançamento efetuado em 19/07/2005; b) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro. Intimada, a cessionária declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor; c) cessões de créditos contendo redação semelhante às emitidas por outras “noteiras”; d) pagamentos de duplicatas efetuados à Marfrig. 5.12. (...)". Da Valoração dos Elementos de Prova Neste voto examinamos os elementos de prova trazidos aos autos pela fiscalização, pela contribuinte e pela autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ. Passemos agora a sua valoração, primeiro no que toca ao recebimento da mercadoria e depois quanto ao pagamento do respectivo preço, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. Do Recebimento do Couro A fim de provar o efetivo recebimento da mercadoria a contribuinte juntou aos autos tickets de pesagem de carga e recibos de pagamento a autônomo (RPAs) pela suposta prestação do serviço de transporte da carga. Pois bem, a meu juízo, o valor probatório desses elementos é relativamente baixo, haja vista que tanto os tickets de pesagem de carga quanto os RPAs são documentos de emissão do próprio autuado. Fl. 9611DF CARF MF 36 Maior força probante teriam os conhecimentos de transporte rodoviários de cargas (CTRC), pois são documentos emitidos por terceiros não interessados, quais sejam, os transportadores das mercadorias. No entanto, a ora Recorrente, apesar de estar obrigada a exigir dos transportadores a 2ª via do CTRC, que inclusive serviria como comprovante de entrega das mercadorias (vide art. 19, II, do Convênio Sinief nº 06/1989, mais adiante transcrito), não exibiu esse importante documento à fiscalização, nem os juntou aos autos posteriormente. Por outro lado a fiscalização apresentou como prova de sua acusação as diligências realizadas nos domicílios tributários dos 16 fornecedores objeto da auditoria e, em alguns casos, as diligências também efetuadas pelo fisco estadual (fl. 3461 e ss.). Nessas diligências restou cabalmente comprovado que os 16 fornecedores, à época em que emitidas as notas fiscais aqui glosadas (ano de 2004), não existiam nos endereços constantes das notas fiscais objeto da presente glosa, ou seja, não existiam em seus domicílios tributários. Embora esteja provado que, em 2004, os citados 16 fornecedores não existiam nos endereços constantes das notas fiscais glosadas, esse fato, por si só, não pode ser tomado como prova inequívoca de que a contribuinte não recebeu a mercadoria, pois ainda haveria a possibilidade que esses fornecedores estivessem desenvolvendo clandestinamente suas atividades em outros locais, que não em seus domicílios tributários. Nessa hipótese, a contribuinte poderia alegar, como realmente o fez, que não estava obrigada a saber que os 16 fornecedores não funcionavam em seus domicílios tributários. Todavia essa afirmação contradiz um dos elementos juntados pela própria contribuinte em sua defesa, qual seja, os recibos de pagamento a autônomo por ela emitidos em razão da alegada contratação dos serviços de transporte de carga. De fato, se é verdade que ora recorrente contratou os serviços de transporte do couro bovino (daí a emissão dos RPAs), é de se perguntar: qual o endereço que a contribuinte informou aos transportadores como local para recebimento da carga? Ora, o endereço para o qual o transportador deve se dirigir para receber a carga é informado pela contratante do serviço de transporte, no caso, pela contribuinte. E se a contribuinte os mandou receber a carga nos domicílios tributários de seus 16 fornecedores, então os transportadores não os encontrariam ali, pois, como visto, à época eles não existiam naqueles endereços. Também aqui o conhecimento de transporte rodoviário de carga poderia fazer prova a favor da (ou contra a) contribuinte. Neste documento, de emissão obrigatória por todos os transportadores, inclusive os autônomos, deve estar indicado, entre outras coisas, o local do recebimento da carga. Sobre a emissão do CTRT, o Convênio Sinief nº 06/1989 assim estabelece: Art. 16. O Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8, será utilizado por quaisquer transportadores rodoviários de cargas que executarem serviço de transporte rodoviário Intermunicipal, interestadual e internacional, de cargas, em veículos próprios ou afretados. (Grifamos) Parágrafo único. Considerase veículo próprio, além do que se achar registrado em nome da pessoa, aquele por ela operado em regime de locação ou qualquer outra forma. Art. 17. O documento referido no artigo anterior conterá, no mínimo, as seguintes indicações: (...) VI a identificação do remetente e do destinatário: os nomes, os endereços e os números de inscrição, estadual e no CGC ou CPF; VII o percurso: o local de recebimento e o da entrega; (Grifamos) Fl. 9612DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.588 37 VIII a quantidade e espécie dos volumes ou das peças; IX o número da nota fiscal, o valor e a natureza da carga, bem como a quantidade em quilograma (Kg), metro cúbico (m³) ou litro (l); Art. 19. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado no mesmo Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido, no mínimo, em 4 (quatro) vias, que terão a seguinte destinação: I a 1ª via será entregue ao tomador do serviço; (Grifamos) II a 2ª via acompanhará o transporte até o destino, podendo servir de comprovante de entrega; (Grifamos) (...) Art. 20. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado em outro Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido com uma via adicional (5ª via), que acompanhará o transporte para fins de controle do fisco do destino. (...) Isso posto, sobre o efetivo recebimento da carga, há que pesar se, pela lado da contribuinte, a debilidade das provas por ela trazidas aos autos (documentos de sua própria emissão), bem como a falta de juntada dos CTRC. Pelo lado do fisco pesa o fato, provado, de que os 16 fornecedores não existiam nos endereços informados nas notas fiscais glosadas, na época em que foram emitidas. Por fim, há ainda a questão, aqui levantada, sobre o local para onde os transportadores deveriam se dirigir a fim de receber a carga dos 16 fornecedores, já que foi a contribuinte quem contratou os serviços de transporte (vide RPAs). A valoração dessas provas, a meu juízo, autorizam concluir que a ora recorrente não se desincumbiu do ônus de provar, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, o efetivo recebimento da mercadoria (sobre o ônus da prova vide item 4 deste voto). Dos Pagamentos pela Aquisição das Mercadorias A fim de provar o efetivo pagamento do couro que alega ter adquirido junto aos citados 16 fornecedores, a contribuinte apresentou os comprovantes bancários dos pagamentos (TED, transferência bancária etc.), bem como a grande maioria dos instrumentos de cessão de crédito dos fornecedores em favor de terceiros. Devese reconhecer desde já que os comprovantes bancários constituemse em elementos de prova aos quais devese atribuir elevado peso, já que, além de serem emitidos por terceiros não interessados no presente litígio, não seria crível que instituições financeiras fornecessem comprovantes bancários ideologicamente falsos a seus clientes. De seu lado, não nega o fisco a existência dos aludidos comprovantes bancários. Afirma entretanto que os pagamentos não tiveram como beneficiários os 16 fornecedores, e sim terceiros, por meio de cessão de crédito. Ademais, constatou o autor da diligência fiscal que parte dos créditos foi cedida a pessoas ligadas ao sócio majoritário da ora recorrente. Pois bem, quanto aos contratos de cessão de crédito é de se dizer que tratase de um negócio jurídico legítimo, por meio do qual o cedente (no caso dos autos, o fornecedor) transfere ao cessionário (no caso dos autos, o terceiro) a sua posição de credor de um direito perante o devedor (no Fl. 9613DF CARF MF 38 caso dos autos, a contribuinte). Havendo a contribuinte sido notificada por escrito da cessão de crédito dos fornecedores aos terceiros, em princípio nada há de irregular nos pagamentos feitos diretamente. A situação se inverte, todavia, quando a autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ constatou que em diversas ocasiões os fornecedores do couro cederam seus créditos às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que vêm a ser parentes da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio que detém 95% do capital social da autuada. Intimadas, aquelas senhoras declararam ao fisco que não mantiveram negócios com os cedentes do crédito, o que nos autoriza concluir que cessão teria se dado a título gratuito. Ademais, intimada do relatório de diligência, a ora recorrente não se manifestou sobre o assunto, nem em contrarrazões àquele relatório, nem no voluntário. Assim sendo, devese perguntar: (i) seria razoável crer que os supostos fornecedores do couro à contribuinte tenham cedido seus créditos a terceiros a título gratuito? (ii) ainda que positiva a resposta, seria razoável crer que os beneficiários da cessão gratuita dos créditos sejam pessoas ligadas justamente ao devedor dos títulos, no caso, a contribuinte? As respostas a ambas as perguntas há que ser, definitivamente, negativa. É de conhecimento público que, via de regra, as pessoas não cedem seus créditos (dinheiro a receber) a terceiros a troco de nada. Exceções podem existir, como, por exemplo, o caso do pai que cede o crédito a seu filho, mas esse não é o caso dos autos. Aqui os supostos fornecedores do couro, em diversas ocasiões, cederam gratuitamente seus créditos a pessoas que não eram a eles ligadas, e sim ligadas à contribuinte, devedora dos títulos. O fato de a contribuinte haver feito pagamentos a pessoas a ela ligadas, sem que houvesse entre estas pessoas e os cedentes do crédito (os supostos fornecedores de couro), qualquer relação negocial (a não ser a própria cessão gratuita do crédito), autoriza concluir, sem espaço para dúvida, que os citados pagamentos, apesar de comprovados (vide comprovantes bancários), não tiveram como causa a aquisição de couro junto àqueles supostos fornecedores. Conclusão sobre a Valoração dos Elementos de Prova Conforme visto no item 6.1, a meu juízo, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o efetivo recebimento do couro bovino a que aludem as notas fiscais objeto da glosa. Recordese uma vez mais que, conforme explicado no item 4 do voto, o ônus da prova, no caso, recai sobre a contribuinte, uma vez que as citadas notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato, à época de sua emissão. Assim sendo, haja vista que a recorrente não logrou êxito em provar o efetivo recebimento do couro bovino registrado nas notas fiscais, não haveria sequer necessidade de examinar se a questão da comprovação do pagamento do respectivo preço, uma vez que o art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96 exige que a contribuinte comprove tanto o recebimento da mercadoria quanto o seu pagamento. Ainda assim, no item 6.2, examinamos a questão dos pagamentos relativos às aquisições de couro bovino junto aos 16 fornecedores. Aqui a recorrente juntou aos autos os respectivos comprovantes bancários de pagamento tendo como beneficiários, via de regra, terceiros, cessionários dos créditos dos fornecedores pela suposta venda a prazo do couro bovino à contribuinte. Todavia, restou cabalmente provado pela fiscalização, ao menos em relação às cessões de crédito feitas pelos fornecedores às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que os respectivos pagamentos realizados pela contribuinte não tiveram como causa a alegada aquisição de couro bovino. Quanto aos demais pagamentos, é certo que poderíamos pedir a realização de nova diligência, já que a solicitada pela DRJ não teve como objeto a verificação da ligação entre os cessionários dos créditos (terceiros) e a contribuinte, ou entre aqueles e os cedentes. Fl. 9614DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.589 39 A realização de nova diligência, contudo, revelase desnecessária pois a contribuinte, como dito acima, deixou de provar o efetivo recebimento do couro bovino, condição necessária ao aproveitamento do custo dessas supostas aquisições. (...) ". Da Perícia Contábil (manifestação pós diligência) No PAF nº 10835.002183/200471, a Recorrente informa em sua Manifestação (pós diligência) que "(...) para comprovar que as operações mercantis de fato ocorreram a Recorrente solicitou a realização de Perícia Contábil por ATHROS/ASPR Auditoria e Consultoria (fls. 5.503/5.533), que examinou todas as operações realizadas com os fornecedores em questão, constatando documentalmente que todas efetivamente ocorreram e que foram devidamente registradas na sua escrituração fiscal e contábil." Consta que o referido Laudo (Perícia Contábil), com 21 anexos de documentos, foram protocolados e apensados aos autos e, com a conversão do feito em diligência, a Recorrente junta todos os documentos que ampararam a citada perícia. Aduz que a referida Perícia é importante justamente para comprovar que "as presunções da fiscalização em torno de situações isoladas da atividade comercial da recorrente não são capazes de afastar a boafé e a efetiva ocorrência das operações com os fornecedores". No entanto, da leitura dos dispositivos legais transcritos neste voto e dos documentos acostados aos autos, em especial do parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430, de 1996, do art. 48 da IN SRF nº 748, de 2007 (em vigor à época dos fatos), e do art. 40 da Portaria MF nº 187, de 1993, concluise que a partir do momento em que um documento é declarado tributariamente ineficaz, mediante processo administrativo regular, compete à empresa que fez uso desse documento (terceiro interessado) provar que a operação nele descrita, de fato, ocorreu (conforme relatado no item "Das Provas carreadas nos Autos", deste voto). Isso porque, conforme a legislação, se presume que as operações contidas nos documentos inidôneos não ocorreram. Cabe ao interessado se desincumbir do ônus de provar o contrário. E, desse ônus probatório a Recorrente não se desincumbiu. De fato, não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Como é cediço, os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002 (vigente à época dos fatos). Por fim, muito embora tratando de questão relativa à legislação do ICMS, em especial do art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela Recorrente exarada no âmbito do REsp. nº 1.148.444–MG, e solicitada sua observância pela decisão Judicial, que vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96, pelos motivos expostos neste voto, entendo que não cabe sua aplicação ao presente caso sob análise. Fl. 9615DF CARF MF 40 Da cessão de Créditos Em relação a cessão de crédito sustenta a Recorrente que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos dos art. 107 e 108 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). O Código Civil em seu art. 288 define que a mesma é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada através de instrumento público, ou em caso de instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos insculpidos no art. 654 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Código Civil Art. 288: É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. Código Civil Art. 654: Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, 411 a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Ressaltese ainda que a Lei de Registros Públicos nº 6.015, de 1973, que estabelece em seu art. 130, § 9º, que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros, devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Art.130. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). 9º os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. Acontece, que no caso dos autos não foram obedecidas as exigências indicadas, tal assertiva também pode ser constatada pelas afirmações da própria Recorrente ao dizer em suas razões recursais que “as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação do devedor/recorrente”. Não constam nos autos os instrumentos referentes às diversas cessões de crédito que os fornecedores da requerente teriam feito com vários cessionários, apenas há cartas de alguns fornecedores (denominado Notificação de Cessão de Crédito), comunicando a Recorrente que o pagamento deveria ser feito para um terceiro por eles escolhidos (fls. 5.399). Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Fl. 9616DF CARF MF Processo nº 10835.000026/200692 Acórdão n.º 3402004.968 S3C4T2 Fl. 9.590 41 Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado quanto à glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas para manter as glosas das empresas MJ Aragão Cruz ME, WG Couros Ltda, Mariabi Agro Comercial Ltda e Arkima Comercial Ltda, bem como a validade das operações de cessão de crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 9617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.022928/99-53
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.419
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Numero do processo: 10580.721907/2008-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 07 /2 00 8- 41 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10580.721907/200841 Acórdão n.º 9202006.371 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 351DF CARF MF
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Numero do processo: 13986.000146/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
INSUMOS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS.
Os gastos de combustíveis utilizados no processo produtivo da empresa, desde que não seja para o abastecimento de veículos, dá direito ao crédito correspondente.
Numero da decisão: 3402-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento parcial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento parcial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. INSUMOS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS. Os gastos de combustíveis utilizados no processo produtivo da empresa, desde que não seja para o abastecimento de veículos, dá direito ao crédito correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento parcial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 46 /2 00 5- 73 Fl. 1827DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Por bem relatar o feito, tomo de empréstimo o relatório apresentado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Cofins, relativo ao 2° Trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo deferimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens destinadas precipuamente ao transporte de produtos acabados, aquisição de serviços de transportes de documentos, aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como pela inclusão de receitas não consideradas pelo contribuinte no rateio proporcional. A interessada apresentou manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Aduz que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para o transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais, são insumos consumidos na fase final de industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção da Requerente. Afirma que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto de crédito de Cofins sobre as aquisições de insumos de materiais de embalagem. Aduz que a Lei n° 10.833/2003, em seu artigo 3°, permite o desconto de créditos calculados sobre insumos necessários a obtenção de produtos elaborados pela contribuinte, em sentido amplo e sem restrições. O conceito de insumo presente no art. 8°, §40, da IN SRF n° 404/2004 define a amplitude do conceito de insumo, incluindo toda e qualquer aquisição de material de embalagem. Afirma ainda que o legislador foi além, possibilitando o crédito inclusive sobre armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (art. 3°, IX, da Lei n° 10.833/03). Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 13986.000146/200573 Acórdão n.º 3402004.879 S3C4T2 Fl. 3 3 Em relação a aquisição de combustíveis e lubrificantes, afirma que os mesmos são, de fato, utilizados no processo de fabricação. Como prova, a recorrente anexa plano de contas e balancetes mensais. Ressalta que os combustíveis e lubrificantes utilizados em seus diversos veículos encontramse escriturados em sua contabilidade em contas distintas, e não foram objeto de pedido de ressarcimento. Requer, desta forma, a inclusão na base de cálculo do crédito de PIS não cumulativo os valores referentes a embalagens destinadas ao transporte e combustíveis e lubrificantes. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0719.645, de 23 de abril de 2010. Em seguida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando suas razões de Impugnação. Por entender necessários maiores esclarecimentos, o Conselheiro Gilson Rosemburg propôs a conversão do julgamento em diligência com o acato do Colegiado para que a fiscalização responda as seguintes perguntas: a) Todos os custos com embalagens dizem respeito aos invólucros utilizados para o acondicionamento e transporte dos produtos finais? b) Qual o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes utilizados no processo produtivo do recorrente? c) Qual o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes consumidos pelos veículos (automóveis) que não fazem parte do processo produtivo do recorrente? Esses valores foram computados no pedido de ressarcimento da Cofins? Prestados os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, foi exarada a informação fiscal de fls. 180911821. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. De início, cumpre delimitar a lide. Apesar dos diversos fundamentos da glosa de créditos objetos do pedido de ressarcimento do Contribuinte, este se insurgiu apenas contra dois deles: i) a glosa dos créditos de embalagens de acondicionamento; e ii) glosa dos créditos de combustíveis e lubrificantes. Fl. 1829DF CARF MF 4 Logo, como ponto de partida, é necessário a reprodução da forma como está C. Turma Ordinária de Julgamento, e o próprio CARF, tem entendido os limites às possibilidades de creditamento da sistemática não cumulativa das mencionadas contribuições sociais. Nesse sentido, ilustrativa é a cita do Acórdão 3403002.656, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (grifo nosso) É dizer, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins aceita creditamento de bens e serviços utilizados como insumos que sejam pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou a prestação de serviços. Independem, nesse aspecto, a opção de modelo produtivo adotada pelo contribuinte, este abrangido pela liberdade de organização negocial do empresário, e o fato do emprego dos insumos ser direto ou indireto, como veiculado no Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 13986.000146/200573 Acórdão n.º 3402004.879 S3C4T2 Fl. 4 5 O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (grifo nosso) (...) Recentemente o Superior Tribunal de Justiça encampou essa visão ampla do conceito de insumos para PIS e Cofins, especialmente no voto vencedor de lavra do Ministro Mauro Campbell Marques, no REsp 1.246.317, publicado em 29/06/2015, onde definiu insumo nos seguintes termos: Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifos nossos) Têmse, portanto, os critérios de pertinência ou instrumentalidade (que viabiliza a atividade), atrelado a critérios consequenciais da ausência do bem ou serviço, que são a impossibilidade da atividade ou perda de qualidade substancial. Tratase de critérios amplamente vagos, restando necessária a consolidação de elementos que reduzam essa indeterminação e os tornem mais funcionais. Não se exige que o bem ou serviço seja essencial, haja vista que o Fisco não pode se intrometer no modelo de produção ou prestação de serviços do contribuinte, mas sim que, escolhido um modelo, haja a pertinência entre este e aqueles. Todavia, o critério para identificação dos insumos de PIS e Cofins sofreu um novo acréscimo, a nosso juízo, no Acórdão 9303003.079, relatado pelo Cons. Rodrigo Cardozo Miranda e julgado em 13/08/2014, no qual em ilustrativo voto é considerada uma extensão daquela posição anteriormente citada: para além do vínculo de pertinência com a produção do bem ou realização do serviço, entendeu a CSRF que “o creditamento deve se dar de forma ampla, observando apenas os limites previstos na própria legislação”, e arremata o voto do relator: Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à Fl. 1831DF CARF MF 6 venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Um ponto merece esclarecimento aqui. Falase em critério relacional nos dois últimos acórdãos mencionados, entretanto, não se trata do mesmo tipo de relação: enquanto no primeiro considerouse uma relação funcional entre o bem ou serviço adquirido com a produção de outro bem ou a realização de um serviço, é dizer, a relação entre as materialidades da atividade econômica tomada com a atividade que será realizada pela empresa; no segundo, diferentemente, a relação é entre os custos despendidos e a receita auferida, ou seja, o foco recai sobre o produto da atividade econômica, e não sobre ela mesma, com a diferença que nesse caso se excluiriam as limitações existentes na legislação das contribuições em relação ao creditamento. Parecenos ser esta a visão atual do CARF sobre a matéria. Dito isto, podemos passar às glosas de crédito contestadas. I) Material de Embalagem O valor total glosado da base de cálculo de créditos da Cofins relativos a aquisições de materiais de embalagem, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal de fls. 1412/1443, foi de R$ 531.027,48. A glosa em referência, mantida pela DRJ/Florianópolis, incluiu os itens calços, caixas de papelão, bups, cantoneiras, papel seda natural, caixas e bja de cartão corrugado ondulado fita gomada e bobina papel ondulado, conforme discriminado às fls. 1417/1435 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 040/2015, a interessada apresentou descrição detalhada de seu processo produtivo, descrevendo a etapa de embalagem da seguinte forma (arquivo não paginável à fl. 1782, arquivo “Item 2 – Descrição detalhada do processo produtivo.pdf”): “10) Embalagem: Depois de acabados os produtos são embalados nas caixas de papelão. Nessa etapa são utilizadas as caixas de papelão, bups, calços, cantoneiras, bandejas de cartão corrugado ondulado, papelão ondulado, papel seda natural, fitas e etiquetas. Também acompanham os produtos as ferragens de acabamento, sendo os puxadores, espelhos, pinos, corte de EVA, dentre outros”. Também foram apresentadas fotos e respectivas descrições dos materiais de embalagem (arquivo não paginável à fl. 1782, arquivo "Item 3 Registros fotográficos dos materiais de embalagem.pdf"), que constam em fls. 18111813. O tema do creditamento de materiais de embalagem utilizados no acondicionamento da produção é velho conhecido deste Colegiado, tendo sido enfrentado no Acórdão CARF nº 3402003.097, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, ocasião em que foi dado provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, neste ponto, por maioria de votos (vencido apenas o Conselheiro Jorge Freire). Reproduzo abaixo os fundamentos adotados naquela oportunidade: Com relação ao material de embalagem, entendo que pode ser considerado como insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não seja um bem ativável, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 13986.000146/200573 Acórdão n.º 3402004.879 S3C4T2 Fl. 5 7 pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme demonstra abaixo parte do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. O critério adotado no acórdão mencionado foi exatamente a condição da embalagem não ser ativável, o que resta absolutamente comprovado nos autos pelas imagens dos materiais de embalagem, visto que se tratam, precipuamente, de isopor, papelão e papel, itens notoriamente sujeitos a uma vida útil inferior a um ano. Cabe mencionar, inclusive, que em recentíssima decisão proferida no Proc. nº 13981.000082/200551, a 3ª CSRF julgou, em Outubro de 2017, por maioria, no sentido de autorizar o crédito de PIS/Cofins nos materiais de embalagem para transporte, desde que não fossem reutilizáveis. Nessa linha, entendo dever ser revertida a glosa perpetrada sobre os materiais de embalagem de acondicionamento. II) Combustíveis e Lubrificantes O valor total glosado da base de cálculo de créditos da Cofins relativos a aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal de fls. 1412/1443, foi de R$ 70.344,05. A glosa em referência foi mantida pela DRJ/Florianópolis.Reproduzo abaixo as conclusões da diligência, por elucidarem perfeitamente a questão: A partir das informações constantes no razão analítico (fls. 946/952), no plano de contas (fls. 1476/1495) e no balancete contábil analítico (fls. 1498/1530), constatouse que a empresa segrega os custos com combustíveis e lubrificantes, mantendo contas separadas para cada máquina, equipamento, veículo e postos de operação. Fl. 1833DF CARF MF 8 Assim, com base nas informações prestadas pela interessada em recurso voluntário e em atendimento às intimações efetuadas no curso da presente diligência, foi possível reconstruir a memória de cálculo relativa aos custos com combustíveis e lubrificantes, acrescentando informações e detalhes quanto à utilização dos referidos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo, conforme apresentado na tabela abaixo: (...) Os valores pleiteados conferem com os registrados na contabilidade da empresa. No entanto, verificouse que alguns dos custos com combustíveis e lubrificantes não foram devidamente comprovados. Primeiramente, constatouse que as notas fiscais de números 012760, 012795, 208379, 012824 e 206345, referemse a serviços de lavações, lubrificações e filtros. Dessa forma, os custos vinculados a tais notas fiscais devem ser glosados, uma vez que evidentemente não se tratam de custos com a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes. Também foram considerados como não comprovados todos os custos com combustíveis e lubrificantes contabilizados no livro Diário com o histórico “Saídas Almoxarifado”, uma vez que tais custos decorrem de transferência de produtos dentro da própria empresa. Segundo o disposto no art. 3º, § 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/2003, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Além disso, o art. 3º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, estabelece que o crédito relativo a bens para revenda e a bens utilizados como insumo será apropriado no mês da aquisição. Assim, para fins de apropriação dos créditos nãocumulativos de PIS e de Cofins, os custos com combustíveis e lubrificantes devem ser apropriados no mês da aquisição de pessoa jurídica domiciliada no País, e não no momento em que o insumo é disponibilizado para sua utilização dentro da empresa. Dessa forma, aceitouse apenas os custos com combustíveis e lubrificantes relacionados a documentos fiscais que comprovam a aquisição de outra pessoa jurídica domiciliada no País. Por sua vez, os custos com combustíveis e lubrificantes provenientes de saídas de almoxarifado não foram aceitos, visto que decorrem de transferências internas. Ademais, não foram apresentados documentos comprobatórios (notas fiscais) das aquisições relativas a “Saídas Almoxarifado”, solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 304/2015, de modo que se impõe a glosa de tais custos por falta de comprovação. As glosas relativas aos custos não comprovados com combustíveis e lubrificantes foram relacionadas no arquivo “Glosas – Combustíveis e Lubrificantes – 2T2005.xls” (Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável, fl. 1808), totalizando base de cálculo no montante de R$ 44.192,66 no trimestre. Diante do exposto, é possível esclarecer ao questionamento “ b )” respondendo que o valor dos custos com combustíveis e/ou Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 13986.000146/200573 Acórdão n.º 3402004.879 S3C4T2 Fl. 6 9 lubrificantes utilizados no processo produtivo do recorrente é de R$ 70.344,05, conforme registrado na contabilidade da empresa. No entanto, constatouse que do valor total contabilizado apenas R$ 26.151,39 foi devidamente comprovado. A fiscalização corretamente segregou as entradas de combustíveis advindos do Almoxarifado da empresa (através das quais não seria possível se comprovar o direito ao crédito), daquelas adquiridas de terceiros e utilizadas no processo produtivo da empresa. Dessa modo, voto por reverter parcialmente a glosa dos créditos de combustíveis, reconhecendo o crédito no valor de R$ 26.151,39, nos termos da Informação Fiscal. III) Conclusão Ante exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: i) reverter integralmente as glosas de materiais de embalagem de acondicionamento. ii) reverter parcialmente a glosa dos créditos de combustíveis, reconhecendo o crédito no valor de R$ 26.151,39, nos termos da Informação Fiscal. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1835DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004794/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 94 /2 00 7- 37 Fl. 231DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 37.109.2310, lavrado em 31/08/2007, contra o contribuinte identificado acima, no valor total de R$ 60.874,35 (sessenta mil, oitocentos e setenta e quatro reais e trinta e cinco centavos), relativas a competências compreendidas no período de 08/2005 a 07/2007. Foram lançadas: contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remuneração paga a segurados empregados; contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remuneração paga a segurados contribuintes individuais; contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — RAT; contribuições para outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Devido à configuração de grupo econômico, a sociedade empresária Tonacril Indústria de Tintas Ltda. CNPJ 02.580.032/000139 também foi intimada da presente notificação, já que responde solidariamente pelos créditos lançados (fls. 92/93). Conforme o relatório fiscal de fls. 38/46, o fato gerador das contribuições lançadas foi o trabalho remunerado prestado por segurados empregados e contribuintes individuais. A apuração das bases de cálculo utilizadas no presente lançamento, ou seja, das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, foi realizada, de acordo com o citado relatório, com base em folhas de pagamento apresentadas pela sociedade empresária Maxicron. Tais remunerações, ainda de acordo com o citado relatório, foram declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC julgado o lançamento procedente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/04/2011, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803000.653 (fls. 141/148 – vol I), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, (1) em preliminar, por maioria, a turma entendeu que pode ser conhecido de ofício a questão da multa benéfica, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 9202006.438 CSRFT2 Fl. 3 3 ainda, que sem pedido do contribuinte, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que entende ser desnecessária tal menção, pois a lei mais benéfica deve ser aplicada por todo à administração tributária, leiase DRF origem; (2) quanto ao mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa moratória sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1997, desde que mais favorável ao sujeito passivo.Vencido o Conselheiro Oséas Coimbra Júnior, que entende pela aplicação da multa mais benéfica, a qual será obtida pela comparação da multa que consta da presente NFLD com a multa prevista no artigo 44,1, da lei 9.430/96, por se tratar de lançamento de ofício. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que tal cálculo deve ser feito pela DRF de origem, conforme portaria conjunta PGFN/RFB, quando não pleiteado no recurso ”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2007 APURAÇÃO DEVIDA, COM BASE EM DOCUMENTOS FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, a NFLD foi lavrada considerando os próprios livros e demais documentos do contribuinte, demonstrandose corretamente as bases legais e fáticas do crédito apurado, obedecendo o art. 142 do CTN. GRUPO ECONÔMICO SOLIDARIEDADE PELAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, de forma comprovada, respondem solidariamente entre si pelas contribuições previdenciárias. GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 7º , da Lei n. 8.212/1991, e 225, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustandose ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009) APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, Fl. 233DF CARF MF 4 E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II , e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2°, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009. o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 13/09/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 27/09/2011, Recurso Especial (fls. 151/167 – vol I). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 305/2012, da 3ª Câmara, de 22/05/2012 (fls. 204/205 – vol I). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2803000.653, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 12/06/2012, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 9202006.438 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 195. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 235DF CARF MF 6 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 9202006.438 CSRFT2 Fl. 5 7 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 237DF CARF MF 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 9202006.438 CSRFT2 Fl. 6 9 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 239DF CARF MF 10 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 9202006.438 CSRFT2 Fl. 7 11 Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 241DF CARF MF
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