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Numero do processo: 13864.000472/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS
Inexistindo as contradições alegadas os Embargos Declaratórios deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-004.127
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3101-001.786, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira declarou-se impedido.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS Inexistindo as contradições alegadas os Embargos Declaratórios deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento. Embargos Rejeitados.
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CONTRADIÇÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS Inexistindo as contradições alegadas os Embargos Declaratórios deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento. Embargos Rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 72 /2 00 8- 18 Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13864.000472/200818 Acórdão n.º 3301004.127 S3C3T1 Fl. 1.106 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3101001.786, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira declarouse impedido. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13864.000472/200818 Acórdão n.º 3301004.127 S3C3T1 Fl. 1.107 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte, fls. 1.088/1.092, em razão de supostas contradições existentes no Acórdão nº 3101002.823 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de janeiro de 2016. O Acórdão Embargado foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 IPI. IMUNIDADE . DERIVADOS DE PETRÓLEO. A Imunidade tributária é reconhecida pelo poder executivo pela indicação de "NT" (Não Tributável) no Tabela de incidência de IPI (TIPI), instituída por meio de Decreto. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Originariamente foi lavrado auto de infração (fls. 02/21) relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, em face de saída do produto nominado “emulsão asfáltica”, no período compreendido entre janeiro e junho de 2004, com destaque para alíquota de 0%, descrevendoo como isento ou não sujeito ao referido imposto, quando a aliquota correta seria 5%, à época. A Embargante alega omissão da Decisão embargada por não conter manifestação acerca do critério que orientaria a limitação da aplicação da imunidade dos derivados de petróleo. Nos termos regimentais, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13864.000472/200818 Acórdão n.º 3301004.127 S3C3T1 Fl. 1.108 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Os Embargos Declaratórios foram admitidos por Despacho do Presidente à fls. 1.102/1.103. Assim, conheçoos e passo a analisálos. A decisão do colegiado, ao apreciar o Recurso Voluntário, consubstanciouse na Súmula Carf nº 2 c/c o art. 62 do Ricarf, Anexo II, em face de que o Recurso Voluntário foi ancorado em alegada inconstitucionalidade do Decreto n º 4.542/2002. vejamos excertos do voto condutor da decisão embargada: A pretensa insubsistência do Auto de Infração, requerida pelo sujeito passivo, sustentouse no argumento de que a alíquota de 5% atribuída ao produto, por meio do Decreto nº 4.542/2002, fere preceito constitucional que atribui ao produto caráter de imunidade. A solução do presente litígio resumese na aplicação da Súmula CARF nº 2 c/c o art. 62 do Ricarf, Anexo II. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Resta cristalino que, à Conselheiro do CARF, é vedado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na mesma linha, as Súmulas do Carf são de observância obrigatória pelos Conselheiros do Carf, nos termos do art. 72 do Ricarf, Anexo II: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. No caso concreto, não há dúvidas que a exigência de IPI em relação ao produto "emulsão asfáltica" deuse por cumprimento das disposições do Decreto nº 4.542/2002. Disso se insurgiu a Embargante. Na prolação da decisão de primeiro grau, o relator do voto condutor explicitou em seus fundamentos, igualmente à decisão desse colegiado, ora Embargada, que, à matéria em questão, lhe era vedado manifestarse, invocando inclusive a Súmula Carf nº 2. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13864.000472/200818 Acórdão n.º 3301004.127 S3C3T1 Fl. 1.109 5 Não obstante, aquele Julgador adentrouse em detalhamentos quanto aos fundamentos que, a seu ver, teriam levado o legislador a segregar os derivados de petróleo em vários itens, atribuindose a uns a imunidade constitucional e a outros a natureza de produtos tributáveis, nos seguintes termos: [...] De se depreender, portanto, que, na elaboração da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, restaram analisados quais produtos seriam derivados de petróleo conforme a definição do §3o ao art. 18 do Ripi, e tais produtos foram nela incluídos como não tributados (NT). Do contrário, porque não atendem àquela definição, foram nela incluídos como produtos tributados, com alíquota zero ou positiva. É que a legislação tributária adota como critério à interpretação do alcance da imunidade constitucional conferida aos derivados de petróleo o da imediatidade, pelo qual somente são imunes os produtos obtidos diretamente do refino (decomposição do petróleo bruto por intermédio de destilação fracionada), excluindose, por decorrência, os produtos ulteriormente colocados em circulação mercantil e aqueles que venham a ser obtidos por qualquer processo de industrialização subseqüente, tais quais a transformação ou beneficiamento ulteriores. Tratase de interpretação restritivoteleológica, que reduz o campo aparente de ação da norma com o objetivo de, em tese, assegurar que prevaleça o alcance e a finalidade da regra prevista na Constituição da República. [...] [Destaquei] Sobre tais fundamentos houve contrarrazões por parte da então recorrente, em seu Recurso Voluntário, sobre os quais o Acórdão embargado não se manifestou. Essa é a omissão alegada. Não assistir razão à embargante. A matéria trazida à baila, frisese, diz respeito à inconstitucionalidade do Decreto nº 4.542/2002. Isso porque referido Ato normativo estabeleceu a alíquota de 5% ao produto autuado, conquanto entende a embargante que faria jus à imunidade prevista na constituição, por conseqüência referido Decreto estaria contrariando dispositivo constitucional. A matéria encontrase sumulada. Assim, qualquer manifestação proferida pelo colegiado em relação aos motivos que fundamentaria o referido Decreto, sejam fáticos ou jurídicos, favoráveis ou contrários, em nada influenciará a decisão a ser tomada, que será, indubitavelmente, aquela sumulada. Ademais, é sabido que o relator não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos pelas partes, desde que manifeste suas razões de decidir. Mormente no presente caso em se a decisão fundouse em Súmula Carf. Portanto desnecessário e irrelevante adentrar em pormenores doutrinários ou jurisprudenciais. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13864.000472/200818 Acórdão n.º 3301004.127 S3C3T1 Fl. 1.110 6 Dispositivo Com esses fundamentos, voto pela Rejeição dos Embargos Declaratórios interpostos pela Contribuinte, em face do Acórdão nº 3101002.823, por inexistir a omissão alegada. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005065/2005-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. LUCROS NO EXTERIOR. LUCROS PRODUZIDOS POR CONTROLADAS NO ANO-CALENDÁRIO DE 1997 E DISPONIBILIZADOS EM 2000 E 2001. LANÇAMENTO FISCAL NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.532, DE 1997. CIÊNCIA EM ABRIL DE 2005. SÚMULA CARF 78.
Lançamento fiscal sob a vigência da Lei nº 9.532, de 1997, que estabeleceu hipóteses expressas de disponibilização de lucros no exterior, estabelecendo diferenciação entre lucro produzido pela controlada (no caso, em 1997 e períodos posteriores) e lucro disponibilizado (em 2000 e 2001). Redação da Súmula CARF nº 78 estabelece que a fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Tendo sido lançamento cientificado em abril de 2005, e o lucros disponibilizados a partir de 31/12/2000, não há que se falar em decadência.
LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS.
Segundo melhor doutrina a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Análise do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997 e parágrafos permite constatar que a norma, sob aspecto pessoal, dirige-se à pessoa jurídica domiciliada no Brasil que possui participação societária de coligada ou controlada sediada no exterior. Sob aspecto material, predica que os lucros auferidos no exterior por meio das investidas deverão ser adicionados ao lucro líquido, mediante ocorrência de hipóteses, dentre as quais, mediante disponibilização para a empresa no Brasil, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (aspecto temporal), considerando-se pago o lucro quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça (aspecto territorial), inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior.
PAGAMENTO DO LUCRO. ATOS DA INVESTIDA E DA INVESTIDORA.
As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. O crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Por sua vez, o emprego de valor abrange ato da investidora, que, naturalmente, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros.
EMPREGO DE VALOR. CONDIÇÃO PARA CONSUMAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL.
O emprego de valor consolida precisamente a valorização do investimento, refletivo no balanço da investidora por meio do método da equivalência patrimonial, e não tributado enquanto não ocorrer a disponibilização dos lucros porque o lucro já é tributado na investida. A partir do momento em que a investidora decide se utilizar da participação da investida, e se beneficia da valorização do investimento para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela coligada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, resta evidente a consumação do emprego de valor, e por consequência o momento do pagamento do lucro, aspecto temporal da norma.
Numero da decisão: 9101-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. LUCROS NO EXTERIOR. LUCROS PRODUZIDOS POR CONTROLADAS NO ANO-CALENDÁRIO DE 1997 E DISPONIBILIZADOS EM 2000 E 2001. LANÇAMENTO FISCAL NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.532, DE 1997. CIÊNCIA EM ABRIL DE 2005. SÚMULA CARF 78. Lançamento fiscal sob a vigência da Lei nº 9.532, de 1997, que estabeleceu hipóteses expressas de disponibilização de lucros no exterior, estabelecendo diferenciação entre lucro produzido pela controlada (no caso, em 1997 e períodos posteriores) e lucro disponibilizado (em 2000 e 2001). Redação da Súmula CARF nº 78 estabelece que a fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Tendo sido lançamento cientificado em abril de 2005, e o lucros disponibilizados a partir de 31/12/2000, não há que se falar em decadência. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS. Segundo melhor doutrina a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Análise do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997 e parágrafos permite constatar que a norma, sob aspecto pessoal, dirige-se à pessoa jurídica domiciliada no Brasil que possui participação societária de coligada ou controlada sediada no exterior. Sob aspecto material, predica que os lucros auferidos no exterior por meio das investidas deverão ser adicionados ao lucro líquido, mediante ocorrência de hipóteses, dentre as quais, mediante disponibilização para a empresa no Brasil, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (aspecto temporal), considerando-se pago o lucro quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça (aspecto territorial), inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. PAGAMENTO DO LUCRO. ATOS DA INVESTIDA E DA INVESTIDORA. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. O crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Por sua vez, o emprego de valor abrange ato da investidora, que, naturalmente, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros. EMPREGO DE VALOR. CONDIÇÃO PARA CONSUMAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL. O emprego de valor consolida precisamente a valorização do investimento, refletivo no balanço da investidora por meio do método da equivalência patrimonial, e não tributado enquanto não ocorrer a disponibilização dos lucros porque o lucro já é tributado na investida. A partir do momento em que a investidora decide se utilizar da participação da investida, e se beneficia da valorização do investimento para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela coligada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, resta evidente a consumação do emprego de valor, e por consequência o momento do pagamento do lucro, aspecto temporal da norma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
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INEXISTÊNCIA. LUCROS NO EXTERIOR. LUCROS PRODUZIDOS POR CONTROLADAS NO ANOCALENDÁRIO DE 1997 E DISPONIBILIZADOS EM 2000 E 2001. LANÇAMENTO FISCAL NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.532, DE 1997. CIÊNCIA EM ABRIL DE 2005. SÚMULA CARF 78. Lançamento fiscal sob a vigência da Lei nº 9.532, de 1997, que estabeleceu hipóteses expressas de disponibilização de lucros no exterior, estabelecendo diferenciação entre lucro produzido pela controlada (no caso, em 1997 e períodos posteriores) e lucro disponibilizado (em 2000 e 2001). Redação da Súmula CARF nº 78 estabelece que a fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Tendo sido lançamento cientificado em abril de 2005, e o lucros disponibilizados a partir de 31/12/2000, não há que se falar em decadência. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS. Segundo melhor doutrina a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Análise do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997 e parágrafos permite constatar que a norma, sob aspecto pessoal, dirige se à pessoa jurídica domiciliada no Brasil que possui participação societária de coligada ou controlada sediada no exterior. Sob aspecto material, predica que os lucros auferidos no exterior por meio das investidas deverão ser adicionados ao lucro líquido, mediante ocorrência de hipóteses, dentre as quais, mediante disponibilização para a empresa no Brasil, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (aspecto temporal), considerandose pago o lucro quando ocorrer o emprego do valor, em favor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 50 65 /2 00 5- 14 Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.244 2 da beneficiária, em qualquer praça (aspecto territorial), inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. PAGAMENTO DO LUCRO. ATOS DA INVESTIDA E DA INVESTIDORA. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. O crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Por sua vez, o emprego de valor abrange ato da investidora, que, naturalmente, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros. EMPREGO DE VALOR. CONDIÇÃO PARA CONSUMAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL. O emprego de valor consolida precisamente a valorização do investimento, refletivo no balanço da investidora por meio do método da equivalência patrimonial, e não tributado enquanto não ocorrer a disponibilização dos lucros porque o lucro já é tributado na investida. A partir do momento em que a investidora decide se utilizar da participação da investida, e se beneficia da valorização do investimento para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela coligada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, resta evidente a consumação do emprego de valor, e por consequência o momento do pagamento do lucro, aspecto temporal da norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.245 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial por Contrariedade à Lei (efls. 916/925), interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"), e Recurso Especial de Divergência (efls. 1009/1027) interposto pela TEJOVA EMPREENDIMENTOS LTDA ("Contribuinte"), em face da decisão proferida no Acórdão nº 10197.020 (efls. 839/869), pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 13/11/2008, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 09/35), relativa ao anoscalendários de 2000 e 2001, discorre sobre tributação de lucros auferidos no exterior. A Contribuinte é controladora de três pessoas jurídicas na Ilha da Madeira (Portugal), SQUARE SGPS Lda ("SQUARE") , ROUND SGPS Lda ("ROUND") e SEAFLAT SGPS Lda ("SEAFLAT"). Entendeu a Fiscalização que a Contribuinte deveria ter oferecido à tributação os lucros auferidos pelas empresas, em razão do emprego de valor (o art. 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97). Para a SQUARE, teria ocorrido a devolução do capital social por meio da transferência das ações da empresa para os seus sócios, caracterizandose a alienação do patrimônio da controlada. A ROUND teve um aumento de capital mediante incorporação da reserva legal subscrita pela Contribuinte, a única sócia, consumando o aumento de capital da controlada domiciliada no exterior. Em relação à terceira empresa, a Contribuinte decidiu empregar a quota de sua participação na SEAFLAT para aumentar o capital social de outra empresa (BISCAYNE CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA). Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 397/437). Em despacho da unidade preparadora, decidiuse pela lavratura da um auto de infração complementar, com base na revisão de ofício, para efetuar ajustes na conversão da moeda no exterior (escudos) para reais. No lançamento original, os ajustes dos lucros no exterior teriam sido realizados ao final de cada ano de apuração, e entendeu o despacho que deveriam ter sido feitos somente ao final do período em que tivesse ocorrido a disponibilização prevista na legislação. Foram lavrados autos de infração complementares (efls. 470/508). A Contribuinte apresentou nova impugnação (efls. 512/560). A primeira instância (DRJ) julgou o lançamento procedente (efls. 578/606). Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 611/672). A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu (efls. 700/723) declarar nulos todos os atos processuais praticados a partir da primeira impugnação, e determinou o retorno dos autos para a DRJ efetuar o julgamento da primeira impugnação, em face dos autos de infração primitivos. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.246 4 A DRJ, ao apreciar a primeira impugnação, decidiu julgar o lançamento dos primeiros autos de infração procedentes (efls. 730/766). e agravar as exigências fiscais relativas ao anocalendário de 2001. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 776/832), que foi julgada procedente em parte pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu (e fls. 839/869), para excluir da tributação as parcelas relativas aos lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 e 1997 em razão da decadência, afastar as exigências de CSLL até o mês de setembro de 1999, afastar a conversão cambial na data da disponibilização dos lucros e adotar a taxa de câmbio na data das demonstrações financeiras conforme lançamentos fiscais originais, e afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Foram opostos embargos de declaração (efls. 873/874) pela PGFN, parcialmente providos sem efeitos infringentes (despacho de efls. 911/912). A PGFN interpôs recurso especial (efls. 916/925) por contrariedade à lei (artigo 7°, inciso l, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais c/c artigo 4° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009), para contestar sobre a decadência aplicada sobre os lucros auferidos nos anos de 1996 e 1997. O despacho de exame de admissibilidade de efl. 933 deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 936/945). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1009/1027), em relação às matérias "caracterização da incorporação de reserva legal como hipótese de disponibilização de lucros" e "redução de capital e integralização de participação com hipótese de disponibilização de lucros". O despacho de exame de admissibilidade de efls. 1078/1081, confirmado pelo despacho de reexame (efls. 1082/1083) deu seguimento em parte ao recurso. Foram apresentadas pela Contribuinte petições (efls. 1101/1104 e 1133/1145) que foram apreciadas por despacho de efls. 1206/1028, que decidiu no sentido de dar seguimento integral ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1212/1217). Foi apresentada petição de e fls. 1232/1233 pela Contribuinte. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, ao apreciar a impugnação de efls. 397/437, decidiu julgar o lançamento dos primeiros autos de infração procedentes (efls. 730/766), no Acórdão nº 0216.027, na sessão de 17/10/2007, e agravar as exigências fiscais relativas ao anocalendário de 2001, nos termos da ementa a seguir. Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Na hipótese de alienação da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.247 5 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR EMPREGO DO VALOR CARACTERIZAÇÃO DA DISPONIBILIZAÇÃO Para efeito de incidência do IRPJ e da CSLL, consideramse pagos e, portanto, disponibilizados, os lucros auferidos no exterior cujo valor tenha sido empregado em favor da pessoa jurídica residente no Brasil, em qualquer praça, inclusive no aumento de, capital da controlada ou coligada, residente no exterior. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR INCIDÊNCIA DE CSLL Sujeitamse à incidência da CSLL todos os lucros auferidos no exterior que forem disponibilizados após a entrada em vigor do artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999, ainda que tenham sido apurados antes de sua vigência. ` LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 776/832) em face de decisão que agravou o lançamento fiscal original. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 13/11/2008, no Acórdão nº 10197.020, decidiu (efls. 839/869) julgar procedente em parte o recurso, para excluir da tributação as parcelas relativas aos lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 e 1997 em razão da decadência, afastar as exigências de CSLL até o mês de setembro de 1999, afastar a conversão cambial na data da disponibilização dos lucros e adotar a taxa de câmbio na data das demonstrações financeiras conforme lançamentos fiscais originais, e afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme ementa: Assunto: NORMAS GERAIS DO DIREITO AnosCalendário: 2001 e 2002 Ementa: CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa quando a impugnante demonstra perfeito entendimento do auto de infração e de sua causa. NULIDADE DO LANÇAMENTO Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. DECADÊNCIA. DIES A QUO. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR Na vigência do art. 25 da Lei 9.250/95, o termo inicial da contagem do prazo decadencial (ocorrência do fato gerador) é a data de fechamento do balanço da investidora brasileira, correspondente ao período em que se consideram disponibilizados os lucros pela investida no exterior, não se confundindo, portanto, com a data da efetiva disponibilização do lucro. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.248 6 IRPJ LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO Ao teor do disposto do § 7° do art. 394 do RIR/99, que reiterou o disposto no art. 25, § 4° da Lei n° 9.249/95, para efeito de conversão para o Real, os lucros auferidos no exterior devem ser convertidos em reais pela taxa de câmbio, para a venda, dos dias das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da controlada e coligada. LUCROS NO EXTERIOR EMPREGO DO VALOR DISPONIBILIZAÇÃO A utilização do valor de investimento já reavaliado pela equivalência patrimonial, para pagamento de divida da empresa, no caso para distrato de adiantamento para futuro aumento de capital, mediante dação em pagamento e entrega das ações, importa em disponibilização do lucro auferido no exterior, por ser forma de emprego do mesmo em favor da beneficiária. Interpretação do disposto no artigo 1°, § 2°, alínea “b”, item 4, da Lei 9.532/97. TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna. CONVENÇÃO BRASILPORTUGAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. De acordo com o Artigo X da Convenção, os lucros auferidos por empresa residente em Portugal e controlada por empresa residente no Brasil, quando remetidos ou pagos ou creditados (disponibilizados), conceituamse como dividendos (n° 4 do Artigo X), podendo ser tributados no Brasil. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA não cabe a autoridade administrativa julgadora de primeira instância agravar a exigência inicialmente formulada quando não presente nenhuma das hipóteses do art. 149 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Em se tratando de exigências calculadas com base no lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, a exigência para sua cobrança é reflexa e, assim, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado quanto às matérias decorrentes, considerando, evidentemente, o prazo em que a lei alcançou a sua tributação. A PGFN opôs embargos de declaração (efls. 873/874), que foram parcialmente providos sem efeitos infringentes (despacho de efls. 911/912). Em seguida a PGFN interpôs recurso especial (efls. 916/925) por contrariedade à lei. Discorre que a decisão recorrida, ao entender que o fato gerador teria ocorrido na data em que os lucros foram auferidos pelas controladas no exterior, teria afrontado o art. 25 da Lei nº 9.250, de 1995, e a IN SRF nº 38, de 1996, que determinaram que os lucros auferidos no exterior seriam tributados apenas quando fossem disponibilizados ao residente no Brasil. Assim, caberia reforma na decisão que reconheceu a decadência para os lucros auferidos nos anos de 1996 e 1997. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.249 7 O despacho de exame de admissibilidade de efl. 933 deu seguimento ao recurso especial pro contrariedade à lei. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 936/945). Protesta pela manutenção da decisão recorrida em relação à decadência, porque os lucros gerados por sociedade controlada no exterior em 1997 estavam sujeitos à tributação no Brasil por força do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, que predicava que os lucros gerados por intermédio de sociedade controlada ou coligada no exterior deveriam ser oferecidos à tributação em 31 de dezembro de cada ano. Ou seja, os lucros eram considerados disponibilizados no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, quer tivessem sido efetivamente distribuídos aos seus investidores no Brasil ou não. Como a Contribuinte só tomou ciência dos autos de infração em 19/04/2005, não há que se falar em tributação dos lucros auferidos no ano de 1997. Nem se diga que os lucros deveriam ter sido oferecidos à tributação apenas em 2001, conforme Lei nº 9.532, de 10/12/1997, vez que não poderia ser aplicada de forma retroativa para regular os fatos geradores de 1997. Requer que seja negado provimento ao recurso especial da PGFN. Caso contrário, requer pela devolução dos autos para que se aprecie os demais argumentos de mérito apresentados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados em razão do reconhecimento da decadência. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1009/1027), para discorrer sobre as matérias "caracterização da incorporação de reserva legal como hipótese de disponibilização de lucros" e "redução de capital e integralização de participação com hipótese de disponibilização de lucros". Discorre que a utilização (emprego) dos lucros há que ser realizada pela própria sociedade controlada estrangeira, que auferiu e acumulou os lucros no exterior. Isso porque todas as ações descritas pelo art. 1º, § 2º, alínea "b", da Lei nº 9.532, de 1997, referemse a situações no qual a sociedade controlada estrangeira, por meio de uma ação própria, pratica atos que possam ser considerados como uma disponibilização de lucros pela controlada para a controladora. Contudo, o caso concreto trata de situação no qual a Contribuinte é que transferiu a participação societária detida nas próprias controladas. Ou seja, as empresas controladas não empregaram os lucros em lugar nenhum, até porque as operação de integralização de reserva legal, de redução de capital e de integralização de capital nunca envolveram os lucros no exterior, mas sim quotas sociais. Entende que as sociedades controladas no exterior são entidades autônomas e independentes, razão pela qual admitir a tributação seria permitir a desconsideração de personalidade jurídica das empresas. Discorre que a incorporação de reserva legal é um ato isolado que não traz repercussão ao patrimônio social da Contribuinte, e que a capitalização de reserva de lucros não está prevista como emprego de valor. Da mesma maneira, a redução de capital é ato típico, distinto do emprego de lucros, sendo que os lucros acumulados na controlada estrangeira da Contribuinte permaneceram no exterior, sem o emprego a ser favor ou dos investidores pessoas físicas. Aduz que pelo princípio da isonomia a tributação não poderia ser aplicada, porque as operações de redução de capital realizadas com ações de empresa coligada ou controlada sediada no Brasil não ensejam incidência do IRPJ ou CSLL. Sobre a integralização de capital por meio de cotas, a Contribuinte conferiu em aumento de capital da BISCAYNE a quota a SEAFLAT que detinha, ou seja, a Contribuinte permaneceu como sócia controladora da SEAFLAT, ainda que indiretamente. Entende que, como não houve alteração de patrimônio, não haveria que se falar em emprego de valor. Protesta sobre a abusividade da multa de ofício de 75% aplicada, sobre a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, e da impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Requer pelo integral provimento ao recurso. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.250 8 O despacho de exame de admissibilidade de efls. 1078/1081, confirmado pelo despacho de reexame (efls. 1082/1083) deu seguimento em parte ao recurso, para a matéria "caracterização da incorporação de reserva legal como hipótese de disponibilização de lucros". Foram apresentadas pela Contribuinte petições (efls. 1101/1104 e 1133/1145) que foram apreciadas por despacho de efls. 1206/1028, que decidiu no sentido de dar seguimento integral ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1212/1217). Requer que seja negado provimento ao recurso especial da Contribuinte, adotando como razões os argumentos adotados pela decisão de primeira instância (DRJ/Belo Horizonte) e voto do Acórdão nº 1401 00.027. Foi apresentada petição de efls. 1232/1233 pela Contribuinte, protestando que a autoridade fiscal teria se equivocado na apuração do quantum da exação, porque não teriam sido considerados prejuízos fiscais das controladas. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do Despachos Exame de Admissibilidade de efl. 933 e do despacho de efls. 1206/1028, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer dos Recurso Especiais da Contribuinte e da PGFN. Passo ao exame do mérito. As matérias devolvidas para apreciação são: 1) decadência para se considerar, na apuração da base de cálculo do lançamento de ofício, os lucros auferidos pelas controladas no exterior relativos ao ano calendário de 1997 recurso especial da PGFN; 2) consumação do emprego de valor previsto no art. 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97, para os eventos da (2.1) aumento de capital da controlada mediante incorporação de reserva legal subscrita pela Contribuinte; (2.2) integralização de quota de 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.251 9 controlada pertencente à Contribuinte para aumentar o capital social de outra empresa; e (2.3) devolução do capital social de controlada da Contribuinte por meio de transferência das ações para os seus sócios. Decadência. Recurso Especial da PGFN. A autoridade autuante, ao apurar a base de cálculo para o lançamento de ofício, consolidou os lucros auferidos pelas controladas SQUARE, ROUND E SEAFLAT auferidos nos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (efls. 31/34). Por sua vez, foi dada ciência do lançamento fiscal em 19/04/2005. A decisão recorrida afastou os lucros apurados no anocalendário de 1997, por entender ter restado consumado a decadência. Transcrevo excerto do voto: Dessa forma, não há o que se falar em decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário relativo a supostos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 1999, eis que a efetiva disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil ocorreu tão somente no anocalendário de 2000 e 2001, épocas em que a Recorrente transferiu a participação societária que possuía nas controladas, para saldar dividas contraídas com seus sócios. (...) Dessa forma, por ter a Recorrente sido intimada do lançamento em 19.04.2005, no qual se apurou tributo com fatos geradores ocorridos na data de 31.12.2000 e 31.12.2001, não há o que se falar em perecimento do direito do fisco constituir o crédito tributário ora questionado, com exceção para os lucros apurados nos anoscalendário de 1996 e 1997, que entendo devem ser considerados disponibilizados, para efeito de tributação, ao final dos respectivos anoscalendário. Isto porque, para os lucros auferidos no exterior apurado até 31/12/1997, vigia o disposto no art. 25 da Lei n. 9.249/95, que dispunha que “os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano”, independente de seu efetivo pagamento ou crédito. Dessa forma, até o advento da Lei n. 9.532/97, os lucros auferidos no exterior deveriam ser adicionados à base de cálculo do imposto de renda, na proporção da participação societária, e sendo assim, o lançamento de ofício, para efeito de computo da base de cálculo do lucro auferido no exterior pela contribuinte, deveria levar em consideração os períodos já alcançadas pela decadência, ou seja, as datas dos lucros auferidos nas datas 31.12.1996 e 31.12.1997. Sendo assim, por ter sido dado ciência a contribuinte do presente lançamento na data de 19 de abril de 2005, não resta dúvida que nesta ocasião já havia decaido o direito do fisco Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.252 10 constituir o crédito tributário, ex vi do disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Esclarece o voto que, até o anocalendário de 1997, encontravase vigente apenas redação do art. 25 da Lei n. 9.249/95, que predicava que os lucros auferidos no exterior seriam aqueles apurados no balanço levantado no dia 31 de dezembro de cada ano, independente do seu efetivo pagamento ou crédito. Ou seja, até o anocalendário de 1997, a presunção para auferimento dos lucros era o levantamento do balanço em 31 de dezembro, não havendo diferenciação entre lucros produzidos pela controladora e lucros disponibilizados. Tendo sido a Contribuinte cientificada ao auto de infração em 19/04/2005, restou consumada a decadência. Por sua vez, com a edição da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que passou a vigorar para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 1998, as hipóteses previstas para a disponibilização de lucros passaram a ser aquelas previstas no art. 1º, sendo o emprego de valor positivado pelo § 2º, alínea ‘b’, item 4. E, no caso concreto, a disponibilização dos lucros consumouse apenas nos anoscalendário de 2000 e 2001, razão pela qual não haveria que se falar em decadência para os lucros auferidos a partir do ano calendário de 1998. Há que se considerar que o lançamento fiscal deuse na vigência da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a dispor sobre as hipóteses de disponibilização dos lucros, dentre as quais o emprego de valor, objeto dos presentes autos. E, diante de tal cenário, observase que a interpretação dada pela decisão recorrida restou superada com a edição da Súmula CARF nº 78: A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Transcrevo tabela com excerto de votos de precedentes que embasaram o entendimento sumular. Acórdão Voto 10809.592 Rejeito a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional realizar o lançamento suscitada pela recorrente, haja vista que o fato gerador do tributo exigido pelo Fisco foi a disponibilização do lucro no ano de 2000, por meio de recebimento de dividendo. A legislação tributária vigente à época do levantamento do lucro, 1996 e 1997, previa que a tributação ocorreria na data da apuração do lucro, entretanto, com a mudança legislativa processada em 1997 por meio da Lei n° 9.532, o momento da incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi deslocado para a data na qual esse lucro tornouse disponível para a empresa controladora. Assim, não há que falar em decadência quanto aos lucros apurados em 1996 e 1997, quando sua disponibilização aconteceu em 31 de dezembro de 2000 e o lançamento do IRPJ em 30 de setembro de 2005, menos de cinco anos, portanto. (Grifei)) 10196.652 O art. 1° da Lei 9.532/97 introduziu regra quanto ao momento em que os lucros no exterior se consideram auferidos pela empresa brasileira. A obrigação tributária, surge Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.253 11 Acórdão Voto com o auferimento do lucro, mas os dispositivos do art. 1° da Lei 9.532/97 definem o aspecto temporal da obrigação, criando exceção à regra geral, que é o momento do auferimento do patrimônio. Nos termos do art. 1° e § 1° da Lei n° 9.532/97, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, considerandose os lucros disponibilizados para a empresa no Brasil, no caso de coligadas ou controladas, pelo pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, conforme definido no art. 2°. Em relação à CSLL, somente os lucros disponibilizados a partir de 01/10/1999 podem ser tributados, tendo em conta que essa incidência foi instituída pela MP n° 1.8586/99. O caso concreto trata dos seguintes lançamentos fiscais: Controlada Ano dos lucros produzidos Ano da disponibilização dos lucros Fato Gerador do lançamento fiscal Ciência do Lançamento SQUARE a partir de 1997 2001 31/12/2001 19/04/2005 ROUND GPS a partir de 1997 2000 31/12/2000 19/04/2005 SEAFLAT a partir de 1997 2001 31/12/2001 19/04/2005 Adotandose o entendimento sumular, ao tomar em consideração a situação mais gravosa, da disponibilização de lucros ocorrida em 31/12/2000, observase que não há que se falar em decadência, vez que a ciência do lançamento poderia ocorrer até 31/12/2005, e deuse em 19/04/2005. Portanto, aplicandose interpretação disposta na Súmula CARF nº 78, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. Emprego de Valor. Recurso Especial da Contribuinte. Sobre o emprego de valor, a redação vigente à época da autuação era a seguinte: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.254 12 a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (grifei) Tratase de matéria já bastante discutida, tanto pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, quanto pelo CARF. No caso em tela, considerou a autoridade autuante pela ocorrência de emprego de valor, em três controladas da Contribuinte: 1) aumento de capital da controlada ROUND mediante incorporação de reserva legal subscrita pela Contribuinte; 2) integralização de quota da controlada SEAFLAT para aumentar o capital social de outra empresa (BISCAYNE); 3) devolução do capital social da controlada SQUARE por meio de transferência das ações para os seus sócios. Entendo que não há reparos em tal interpretação. Peço vênia para apreciar a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela doutrina de GERALDO ATALIBA 2. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Os aspectos analisados no presente voto são o material, pessoal, territorial e temporal. Ou seja, para se consumar a hipótese de incidência, há que se concretizar a ocorrência de todos os aspectos previstos na norma. 2 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.255 13 A empresa investidora (Contribuinte) passou a auferir lucros no exterior, a partir do anocalendário de 1998, na proporção de sua participação na sua investida. Isso porque as suas investidas, empresa controladas SQUARE, ROUND e SEAFLAT, com sede no exterior, auferiram lucros. Entendo ser o aspecto material de hipótese de incidência prevista no caput do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Transcrevo novamente o caput: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Ocorre que a consumação do aspecto material, por si só, não é suficiente para a concretização da hipótese de incidência. Passemos adiante. Quanto ao aspecto pessoal, a redação do caput não deixa dúvidas de que a norma estabelece, no pólo ativo, a presença de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e no passivo, empresa com sede no exterior. A empresa no Brasil atua no exterior por meio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas. No caso em tela, as empresas SQUARE, ROUND e SEAFLAT (pólo passivo, empresa com sede no exterior) são controladas pela Contribuinte (pólo ativo, empresa com sede no Brasil). Portanto, percebese que o aspecto pessoal encontra se atendido. Por sua vez, o diploma, ao tratar do aspecto temporal, discorre no caput sobre o balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados, e na sequência, nos §§ 1º e 2º, optou por detalhar as hipóteses de disponibilização (Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil:...). No caso de controladas e coligadas, a disponibilização ocorre na data (1) do pagamento ou (2) do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Observase, portanto, que enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Utilizo o termo "utilização", vez que restou clara, pela redação dada pela norma, que a disponibilização não se restringe à remessa dos lucros para o Brasil, stricto sensu. Os termos "pagamento" ou "crédito" não foram adotados por acaso. A disponibilização, a realização do lucro, pode ser operacionalizar mediante diferentes situações. Precisamente nessa perspectiva, é fundamental constatar que as quotas ou ações da investidora (Contribuinte) nas investidas (SQUARE, ROUND e SEAFLAT) percebe uma valorização, auferida mediante o método de equivalência patrimonial (MEP), em razão do lucro auferido pela investida. E, em se tratando da data do pagamento, optou o legislador em positivar quatro hipóteses, do qual transcrevo na sequência: 1ª) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.256 14 2ª) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3ª) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4ª) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. As três primeiras, (1) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, (2) entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e (3) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Na terceira, ampliase o aspecto territorial, ao dizer que a remessa em favor da beneficiária pode ser para o Brasil ou para qualquer outra praça. Já a quarta, precisamente o emprego de valor, pressupõe um ato que pode ser tanto da investida, quanto da investidora, que, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações ou quotas, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros. E também, na quarta hipótese, não por acaso dispôs o legislador que a negociação pode ocorrer em qualquer praça. Ora, ao dispor do investimento, a investidora tem liberdade para negociar com qualquer outra empresa, independente de sua localização. Pode alienar sua participação societária de uma empresa no exterior tanto para uma empresa localizada no exterior quanto para uma empresa localizada no Brasil. Não subsiste argumento apresentado pela Contribuinte de que o emprego de valor não poderia ter a investidora como beneficiária. Pelo contrário. O pagamento do lucro pressupõe a autonomia da investida, no sentido de decidir a conveniência disponibilizar os lucros para a investidora (itens 1, 2 e 3, alínea "b", § 2º, art. 1º) e também consagra a autonomia da investidora, que pode, a qualquer momento, dispor do seu investimento (item 4, alínea "b", § 2º, art. 1º), para quem quiser (empresa no Brasil ou no exterior) e da maneira que lhe parecer mais conveniente. No caso concreto, resta evidente que a Contribuinte, controladora dos investimentos, com poder de decisão, deliberou no sentido de promover o aumento de capital da controlada ROUND mediante incorporação de reserva legal; de integralizar a quota da controlada SEAFLAT para aumentar o capital social de outra empresa (BISCAYNE), e de devolver o capital social da controlada SQUARE mediante de transferência das ações para os seus sócios. E, em se tratando de investimento em coligada ou controlada, o valor da participação é avaliado pelo método de equivalência patrimonial (MEP), que permite refletir, na proporção da participação societária do investidor, os lucros auferidos pela investida. Enquanto o lucro estava sendo auferido na investida, e refletido via MEP na investidora, não havia que se falar em disponibilização para a investidora. Por sua vez, sendo tal investimento utilizado em operações societárias, como aumento de capital de outra empresa, devolução de capital para os sócios, ou integralização para aumentar capital social de outra empresa, Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.257 15 verificase que se consuma hipótese no qual o lucro, até então não disponibilizado pela investida, passaria a ser disponibilizado. Na realidade, o lucro auferido pela investida foi empregado, vez que as ações ou quotas valorizadas foram utilizadas para a consecução de negócios jurídicos envolvendo eventos societárias de empresas do grupo. Portanto, no caso em análise, a partir do momento em que a investidora (Contribuinte) decidiu que a controlada poderia incorporar a reserva legal subscrita pela Contribuinte para aumentar o seu capital social, ou que a quota de controlada poderia ser utilizada para aumentar o capital social de outra empresa, ou que o capital social de controlada poderia ser reduzido para transferir ações para os sócios, e que se beneficiou da valorização do ativo (ações) para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela controlada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, restou evidente a consumação do emprego de valor. Enfim, constam no recurso especial outros pedidos, (1) abusividade da multa de ofício de 75% aplicada, (2) a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários e (3) da impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Ocorre que o pedido 2 trata de matéria sumulada (Súmula CARF nº 4), o pedido 1 requer a declaração de ilegalidade, procedimento não autorizado no âmbito do tribunal (Súmula CARF nº 2), e que o pedido 3 não se encontra acompanhado de nenhuma decisão paradigma divergente. Constituemse, portanto, em matérias não devolvidas ao presente Colegiado, vez que suscitadas em flagrante desacordo com os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67, Anexo II do RICARF. A respeito de petição acostada aos autos, discorre a Contribuinte sobre decisão do Supremo Tribunal Federal contrária à aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. Ocorre que tal decisão (ADIN nº 2.588) não tem nenhuma repercussão nos presentes autos. Antes de ser excluída do ordenamento jurídico pelo STF, a redação do dispositivo previa o seguinte: Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Grifei) Ora, a exceção trazida, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação, não é por acaso. Veio tratar de situação de potencial conflito entre a redação do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Por isso, tratou de estabelecer uma preferência para as hipóteses previstas no art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, desde que ocorridas antes de 31/12/2002. E, posteriormente, tendo o parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 sido excluído do ordenamento jurídico, restou esvaziado o conflito normativo. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2001, continuou a vigorar a redação do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, estabelecendo hipóteses expressas de disponibilização de lucros, Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10680.005065/200514 Acórdão n.º 9101003.142 CSRFT1 Fl. 1.258 16 precisamente o caso em debate nos autos. Só a partir do anocalendário de 2002, passou a prevalecer a hipótese de incidência prevista no caput do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. E quanto ao caput¸ vale registrar que o STF entendeu ser inconstitucional apenas para a tributação de empresas coligadas fora de paraíso fiscal (o que não é o caso concreto, de empresas controladas em paraíso fiscal localizadas na Ilha da Madeira, inclusive a parte em que o STF reconheceu expressamente a constitucionalidade). Enfim, em outra petição (efls. 1232/1233), protesta a Contribuinte que a autoridade fiscal teria se equivocado na apuração do quantum da exação, porque não teriam sido considerados prejuízos fiscais das controladas. Ocorre que, no presente momento processual, não cabe revisão do mérito já efetuado nas instâncias anteriores. A apreciação de matéria pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF, deve ser submetido à exame de admissibilidade, no qual a recorrente deve demonstrar que ocorreu divergência na interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e decisão paradigma. Mera petição, com pedido de revisão da base de cálculo, não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser indeferida. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte, e conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.725292/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
Numero da decisão: 2401-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). JUROS MORATÓRIOS Recorrente MOACIR ANTONIO DA SILVA ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 72 52 92 /2 01 2- 77 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11610.725292/201277 Acórdão n.º 2401005.192 S2C4T1 Fl. 177 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a alteração realizada na declaração do contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1649.142 (fls. 78/85): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2008, em decorrência de ação judicial trabalhista, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES A JUROS DE MORA. Os valores recebidos a título de juros de mora calculados sobre rendimentos tributáveis em ação judicial trabalhista integram a base de cálculo do imposto de renda. Impugnação Improcedente 2. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/525777965812030, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do Processo Trabalhista nº 001790050.1987.5.02.0008, no valor de R$ 106.184,84 (fls. 4/7). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), retificadora entregue pelo espólio do contribuinte em 14/06/2012, reduzindo o valor do imposto a restituir (fls. 71/77). 3. Cientificado da notificação por via postal em 09/08/2012, às fls. 68, o espólio do contribuinte, por meio da sua inventariante, impugnou a exigência fiscal em 30/08/2012(fls. 2/3). 4. Intimado da decisão do colegiado de primeira instância, conforme atesta o documento às fls. 86, com data de 27/09/2013, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/10/2013, em que alega os seguintes argumentos de defesa (fls. 88/95). (i) os juros recebidos na ação trabalhista, no importe de R$ 135.456,17, são rendimentos não tributáveis; e Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11610.725292/201277 Acórdão n.º 2401005.192 S2C4T1 Fl. 178 3 (ii) de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, os juros moratórios estariam isentos, quando avaliado o número de meses a que se referem. 5. Em juízo preliminar dos fatos controvertidos, verifiquei que a ação trabalhista movida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo, em nome de seus associados, reivindicou o pagamento de adicional de periculosidade. 5.1 Porém, os elementos que instruíam os autos não permitiam avaliar com segurança se os juros moratórios recebidos, no valor de R$ 135.456,17, decorriam ou não do recebimento em atraso de verbas pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho do Sr. Moacir Antônio da Silva. 6. Com vistas ao convencimento do julgador, foi determinada a intimação do interessado pelo colegiado desta Turma, na pessoa do inventariante, para esclarecimento da questão de fato duvidosa, nos termos contidos na Resolução nº 2401000.520, de 14/06/2016 (fls. 119/121). 7. Intimado pela unidade preparadora da RFB, o interessado manifestouse às fls. 128/135, com os anexos de fls. 136/157. 7.1 Deu notícia da interposição, em 25/04/2014, de ação de repetição de indébito, cumulada com pedido de dano moral e material, perante a Justiça Federal de São Paulo, cadastrada sob o nº 000727960.2014.4.03.6100, em que requereu a restituição integral dos valores indevidamente retidos na Reclamação Trabalhista nº 0179/1987, tendo em conta o recebimento apenas parcial do direito creditório, através de depósito em conta corrente, conforme Notificação de Lançamento nº 2009/525777965812030, concernentes ao Processo Administrativo nº 11610.725292/2012 77 (fls. 134/157). 7.2 Também comunicou a prolatação de sentença pelo Juízo de 1º grau, parcialmente favorável ao autor (fls. 129/135). É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11610.725292/201277 Acórdão n.º 2401005.192 S2C4T1 Fl. 179 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 9. Conforme documentos de fls. 128/157, os herdeiros do espólio de Moacir Antônio da Silva, por meio do Processo nº 000727960.2014.4.03.6100, com tramitação na Justiça Federal de São Paulo, decidiram levar à apreciação do Poder Judiciário a Notificação de Lançamento nº 2009/525777965812030, a qual alterou o resultado de Declaração de Ajuste entregue pelo contribuinte, reduzindo o valor do imposto a restituir, relativamente ao ano calendário de 2008 (exercício 2009). 9.1 Para melhor compreensão do objeto da ação judicial, reproduzo trechos da petição inicial do Processo nº 000727960.2014.4.03.6100 (fls. 137/152): (...) Em 2012, o requerente, através de uma Declaração de Imposto de Renda retificadora, apresentou os valores dos juros moratórios da referida ação, como rendimentos não tributáveis, e os honorários advocatícios gastos na ação, como despesas. A declaração retificadora da requerente ficou retida na malha fina da requerida, para a apresentação dos documentos comprobatórios da ação. A requerente apresentou a documentação do processo trabalhista para a requerida, e a requerida considerou como isentos os juros moratórios e as despesas dos honorários advocatícios somente do período de out/2010 até 2012, sob alegação que a Instrução Normativa da Receita Federal, foi editada em fev/2011, e não poderia retroagir aos últimos 5 anos como prevê o art. 106 do CTN; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11610.725292/201277 Acórdão n.º 2401005.192 S2C4T1 Fl. 180 5 Com isso, os juros moratórios e os honorários advocatícios, recebidos da Ação Trabalhista que se iniciou em 1987, e encerrou somente em 2008, foram parcialmente considerados para efeitos da devolução do imposto de renda retido, ao requerente, já no ano de 2012, quando na realidade, a requerida deveria considerar integral. A requerente recebeu parcial, através de credito em conta corrente, conforme Notificação de Lançamento nº 2009/525777965812030, impugnou os valores remanescentes e pleiteia junto a Vossa Excelência, o reconhecimento do direito pretérito, dos últimos 5 anos, dos benefícios da INRF 1127/01, cc art. 106 do CTN, embasando o seu pleito em diversos julgados que passa a transcrever após a narração dos fatos. (...) O requerente teve o imposto de renda retido pela requerida por todo esse período, indevidamente, já foi apresentada a Declaração retificadora, impugnação desde 30.08.2012, e até esta data, não lhe foi restituído os valores, e nem houve manifestação por parte da requerida, dentro do prazo legal de 360 dias, fazendo jus ao que lhe é direito, ou seja, a devolução de R$ 27.730,23 (valores da época), o que equivale ao valor atualizado de R$ 41.857,07 (valores reajustados de acordo com o índice da Receita Federal para restituições de IR) e, em dobro por parte da requerida, o equivalente a R$ 83.714,14, repetição do indébito. (...) Ao final, a) Que seja a presente ação julgada procedente, para o fim de condenar a Requerida a devolver ao Requerente o valor retido indevidamente na fonte com a repetição do indébito, tudo devidamente corrigido monetariamente desde o desembolso até o pagamento final, acrescidos dos juros legais, b) Que seja a requerida condenada a reparar o requerente no Dano Moral, a ser arbitrado por Vossa Excelência e o Dano Material comprovado pela não restituição devida ao requerente do valor da restituição devida, em valor a ser arbitrado, por Vossa Excelência, em valores não inferiores aos danos causados pela requerida; (...) 10. O pleito judicial, embora com pedido mais abrangente, contém a discussão a respeito da incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos na ação trabalhista, relativamente ao anocalendário de 2008, evidenciando, sem dúvida, a identidade de matéria com o recurso voluntário sob exame. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11610.725292/201277 Acórdão n.º 2401005.192 S2C4T1 Fl. 181 6 11. Ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa, porque prevalecerá o entendimento do Poder Judiciário. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, em razão da opção pela discussão da matéria controvertida na via judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 13054.000463/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
O não cumprimento dos requisitos dispostos no o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 e o artigo 30 da Lei nº 9.250/95 impede que o contribuinte possa se beneficiar da isenção em razão de moléstia grave.
Numero da decisão: 2301-005.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 04/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. O não cumprimento dos requisitos dispostos no o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 e o artigo 30 da Lei nº 9.250/95 impede que o contribuinte possa se beneficiar da isenção em razão de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 04/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 04 63 /2 01 0- 78 Fl. 98DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário, f. 47, interposto em 30/08/2012, contra o Acórdão nº1039.611, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, f. 3942, cientificado ao contribuinte em 10/08/2012, conforme aviso de f. 45, no qual foi julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2008/841577471776705, f. 1013. A exigência decorre de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2008, no valor de R$ 3.495,77, com acréscimo de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão de terem sido omitidos rendimentos no montante de R$ 38.114,64. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido pelas fontes pagadoras, no valor de R$683,43. O impugnante insurgiuse contra o lançamento com o argumento de ser portador de doença grave prevista no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, de 1988. A decisão de primeira instância considerou improcedente a impugnação com o seguinte fundamento, f. 4142: O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pelo INSS, fl. 07, faz prova de que os rendimentos foram recebidos a título de aposentadoria. Entretanto, quanto à comprovação da moléstia grave, o contribuinte traz aos autos o atestado médico de fl. 36, fornecido em receituário médico da Fundação de Saúde Pública São Camilo de Esteio. Tal atestado não foi produzido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não preenchendo a segunda condição para fazer jus à isenção pleiteada. No recurso apresentado, o contribuinte alega que os rendimentos foram recebidos em decorrência de ação judicial e o valor nunca teria ultrapassado o valor de isenção mensal, bem como questiona a não aceitação do laudo médico apresentado. Em 09/03/2016, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.593 (fls. 65 a 67), que converteu o julgamento em diligência intimando o contribuinte a apresentar os documentos, relativos ao Processo judicial nº 2003.71.12.0020299/RS: sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, guia de levantamento do autor da ação e do advogado, se houver, DARF do recolhimento do IRPF e recibos dos honorários advocatícios e/ou perícias, assim como também a apresentação de atestados médicos que comprovem cabalmente: doença e suas respectivas CIDs (a fim de inferir, sem quaisquer dúvidas, a gravidade da doença), bem como a data de início da doença anterior à emissão do atestado, com o intuito de possibilitar aos julgadores a viabilidade da isenção pretendida para os rendimentos auferidos no anocalendário 2007, de que tratou o lançamento. Em 12/09/2016, foi emitida a Intimação nº 240/2016 (fl. 70), pela qual o contribuinte ficou intimado a apresentar a documentação referida na Resolução nº 2301 000.593, sendo que ele foi efetivamente intimado em 04/10/2016 conforme aviso de recebimento (fl. 71). Em 31/10/2016, o Recorrente pediu prazo adicional para apresentação dos documentos solicitados (fl. 77). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13054.000463/201078 Acórdão n.º 2301005.176 S2C3T1 Fl. 3 3 Dentre os documentos juntados aos autos do processo administrativo em 13/12/2016, constam: (i) cópia do processo judicial 2003.71.12.0020299 (fls. 79 a 84), no qual o autor pede a percepção de aposentadoria por invalidez desde a data do cancelamento administrativo do auxílio doença, em 30/07/2002; (ii) cópia do Acórdão do STJ que negou seguimento Recurso Especial da Fazenda (fls .86 a 87); (iii) cópia de documento do Setor de Cálculos e Pagamentos Judiciais (fl. 88 a 92); (iv) requisição de pagamento (fl. 94); e (v) demonstrativo de transferência judicial (fl. 95), pelo qual fica demonstrado que o INSS transferiu ao Recorrente o valor líquido de R$ 22.214,94 , a data de autuação foi 03/05/2006, a data de pagamento foi 01/03/2016 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Vale ressaltar que a concessão da isenção do IRPF se aplica nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço, nos termos do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88; e b) o beneficiário dos rendimentos e portador de moléstia prevista comprovar a moléstia grave por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios, conforme o art. 30 da Lei nº 9.250/1995. Transcrevo aqui o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 e o artigo 30 da Lei nº 9.250/95: Lei nº 7.713/88 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Lei nº 9.250/95 Fl. 100DF CARF MF 4 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vale ressaltar ainda que tal entendimento está disposto na Súmula CARF nº 63, que assim dispõe: Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada pro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Diante de tais requisitos legais, o contribuinte foi chamado a apresentar pela Resolução nº 2301000.593 (fls. 65 a 67), (i) os documentos, relativos ao Processo judicial nº 2003.71.12.0020299/RS: sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, guia de levantamento do autor da ação e do advogado, se houver, DARF do recolhimento do IRPF e recibos dos honorários advocatícios e/ou perícias, (ii) assim como também a apresentação de atestados médicos que comprovem cabalmente: doença e suas respectivas CIDs (a fim de inferir, sem quaisquer dúvidas, a gravidade da doença), bem como a data de início da doença anterior à emissão do atestado, com o intuito de possibilitar aos julgadores a viabilidade da isenção pretendida para os rendimentos auferidos no anocalendário 2007, de que tratou o lançamento. Conforme exposto no Relatório, o Recorrente apresentou os documentos relativos ao processo judicial 2003.71.12.0020299 (fls. 79 a 95), demonstrando que os rendimentos possuem natureza de aposentadoria. Todavia, não foram apresentados os documentos que comprovem cabalmente a doença e sua data de início. Diante da falta de apresentação de tais documentos, não foi comprovada a condição do contribuinte para se beneficiar da isenção, uma vez que não foi trazido aos autos laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios atestando a molesta grave, havendo apenas um atestado médico apresentado na impugnação (fl. 36), mas que foi emitido no ano de 2012, de forma que não há documento trazendo a data inicial da doença. Dessa forma, não houve cumprimento dos requisitos dispostos no o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 e o artigo 30 da Lei nº 9.250/95. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13054.000463/201078 Acórdão n.º 2301005.176 S2C3T1 Fl. 4 5 Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900031/2014-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 ERRO FORMAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta para caracterizar o erro formal, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 16ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro (efl 38 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 00 31 /2 01 4- 15 Fl. 97DF CARF MF 2 Tratase de Pedido de Restituição nº 42908.01605.071113.1.6.043866, cujo crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 5856), recolhido em 25/08/2010, atinente ao Período de Apuração 01/07/2010 a 31/07/2010, no valor de R$ 13.907,92, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 5) emitido eletronicamente, a DRF Presidente Prudente, indeferiu o pedido de restituição, alegando não restar crédito disponível para a restituição, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Cientificada em 19/02/2014(fl. 9), a interessada ingressou, em 19/03/2014, com manifestação de inconformidade (fl. 10/13), na qual alega, em síntese, que apurou débito de PIS, no período de 01/07/2010 a 31/07/2010, e recolheu o montante de R$ 5.293,26. Informou tais valores em DCTF e DACON. Ao rever a sua contabilidade constatou ter recolhido a maior visto que o valor efetivamente devido seria no montante de R$ 2.925,05. Assim sendo transmitiu o Per/Dcomp nr. 15838.85869.120713.1.2.040948, pleiteando a restituição da diferença no montante de R$ 2.368,21. Posteriormente, revendo sua contabilidade, constatou que o valor devido, a título de Pis, no período de julho/2010, era de R$ 2.273,75, de acordo com o Dacon e Dctf retificadores transmitidos em 31/10/2013. O valor recolhido a maior em 25.08.2010 foi de R$ 3.019,51 e não de R$ 2.368,21. Procedeu à retificação do Per/Dcomp nr. 15838.85869.120713.1.2.040948. No entanto, ao retificar através do Per/Dcomp nr. 42908.01605.071113.1.6.043866, incorreu em erro formal e, em vez de inserir o crédito de R$ 3.019,51, de Pis/Pasep, inseriu o crédito de Cofins, do mesmo período, qual seja R$ 13.907,92. Tratase de equívoco formal que não pode ser impedimento ao seu direito límpido e cristalino. No mínimo lhe deve ser restituído o valor objeto do Per/Dcomp nr. 15838.85869.120713.1.2.040948, de R$ 2.368,21. A DRJ/RJ assim ementou: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/07/2010 a 31/07/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO FORMAL. É procedente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, por inexistência de crédito, no qual houve Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10835.900031/201415 Acórdão n.º 3001000.044 S3C0T1 Fl. 3 3 equívoco nas informações prestadas quanto à contribuição objeto do recolhimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RETIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DE MANIFESTAÇÃO. Não procede manifestação sobre pedido de retificação já retificado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 47 e ss.), em síntese, repete a argumentação já trazida ao processo. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é, segundo o relatório do tribunal a quo, de R$ 13.907,92 (efl. 2), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Alega a Recorrente que apenas cometeu erro formal no preenchimento de suas declarações e, como, tal, não poderia ter seu direito de crédito afastado. Pelo que se depreende da análise da documentação acostada aos autos e das afirmações da Recorrente do Fisco e do tribunal a quo, a Recorrente mantevese inerte quando alegou detectou problemas de preenchimento de documentação. No mesmo sentido, causa espécie a quantidade de alegados erros formais que a Recorrente teria continuamente cometido. E mais, a documentação trazida ao processo não dá segurança a esse julgador de considerar que ocorreu apenas um "erro formal". Fl. 99DF CARF MF 4 Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. A parte tem o ônus de provar o que alega. Não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13434.000140/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 4. 00 01 40 /2 00 7- 12 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13434.000140/200712 Acórdão n.º 2202004.240 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905781/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.088
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 78 1/ 20 11 -4 6 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10280.905781/201146 Resolução nº 3402001.088 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10280.905781/201146 Resolução nº 3402001.088 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10280.905781/201146 Resolução nº 3402001.088 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10280.905781/201146 Resolução nº 3402001.088 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.902146/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 02 14 6/ 20 08 -1 9 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.902146/200819 Resolução nº 1201000.295 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.902146/200819 Resolução nº 1201000.295 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.002218/2002-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 23/02/1996 a 21/11/1996
DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
Numero da decisão: 9303-005.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.002218/200271 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.865 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DRAWBACK Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AJINOMOTO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/02/1996 a 21/11/1996 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 22 18 /2 00 2- 71 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3101000.613, de 02 de fevereiro de 2011 (efolhas 449 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobreporse ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei nº. 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. ASSUNTO: DECADÊNCIA Tratase o caso de DRAWBACK suspensão onde operase nos 30 dias subseqüentes ao prazo dado pelo ato concessório, não ocorrido o pagamento o prazo decadencial será contado conforme o inciso I, do artigo 173 do CTN. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Admitir a desqualificação do regime abstraindose da análise substancial do instituto, de forma a adequála à verdade material, fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e, obviamente, o princípio da verdade material, indo de encontro à justiça fiscal, que deve sempre ser Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 4 3 buscada pela Administração Tributária. Não deixa de ser, também, um contrasenso à própria natureza falível do homem. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 470 e segs) diz respeito à repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente sustenta essas irregularidades são suficientes para que o regime aduaneiro especial de Drawback seja considerado inadimplido. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 495 e segs. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 502 e segs. Argumenta que as exportações foram efetivamente realizadas. Que meros erros formais não devem se sobrepor à verdade material. Pugna pelo desprovimento do recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutemse as consequências jurídicotributárias decorrentes da ausência de informação tempestiva, nos registros de exportação de Drawback, (i) do código da operação de Drawback, 81.101 e/ou (ii) do número do Ato Concessório correspondente. O voto condutor da decisão de primeira instância esclarece as circunstâncias fáticas específicas do caso concreto: Por primeiro, a autoridade lançadora detectou que todos os RE estavam à mingua da necessária identificação do Ato Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 5 4 Concessório vinculado à operação lastreada naqueles RE. Nesse ponto, a fiscalização assim arrematou (fl. 256): (...) Constataram, do mesmo modo, a inexistência de qualquer vínculo, nos RE, no tocante as notas fiscais de venda relativas ao leque de operações concernentes às vendas para o mercado interno com fim específico de exportação (fls. 38/96v, 116/175 e 257). Destacou, também, elementos que não se fizeram presentes nos mencionados documentos fiscais (fl. 257). Ainda, em relação aos RE n's. 96/0931262/001, 960931262/002, 96/0931262/003 e 96/0971651/001 (fls. 33/37), a operação de exportação foi qualificada como exportação normal, à vista do implemento nesses RE do código 80.000 a categorizar o enquadramento da operação, em vez do correto código, qual seja, 81101, drawbacksuspensão. Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições para o adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 6 5 II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria SCE nº 02, de 1992: Art. 10 – O Registro de Exportação no SISCOMEX – RE é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e definem o seu enquadramento. (...) §3.º As tabelas com os códigos utilizados no preenchimento do RE, do RV e do RC estão contidas no Anexo‘I’desta Portaria. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 8 7 e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 9303005.865 CSRFT3 Fl. 9 8 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Com base nessas premissas, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 529DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.721315/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. PERT
À vista de pedido de desistência de recurso voluntário, formulado por meio de petição nos autos, apresentada com base no disposto no § 1º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 34, de 09 de junho de 2015, impõe-se o não conhecimento do recurso voluntário, face à perda do objeto.
Numero da decisão: 1302-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de parcelamento do débito efetuado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. PERT À vista de pedido de desistência de recurso voluntário, formulado por meio de petição nos autos, apresentada com base no disposto no § 1º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 34, de 09 de junho de 2015, impõe-se o não conhecimento do recurso voluntário, face à perda do objeto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de parcelamento do débito efetuado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta).
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ATIVO PERMANENTE Recorrente SEMALO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2007 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. PERT À vista de pedido de desistência de recurso voluntário, formulado por meio de petição nos autos, apresentada com base no disposto no § 1º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 34, de 09 de junho de 2015, impõese o não conhecimento do recurso voluntário, face à perda do objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de parcelamento do débito efetuado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 13 15 /2 01 1- 12 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10140.721315/201112 Acórdão n.º 1302002.381 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário por meio do qual a Recorrente insurgese contra o Acórdão que considerou como infração legal a falta de reconhecimento de Ganho de Capital na alienação de imóvel, ocorrida em 2007. Referido imóvel já havia sido alienado em 2004, pelo preço de R$ 632.775,04 mas, somente parte deste preço foi recebido, e em razão de inadimplência do comprador, retornou ao patrimônio da Recorrente, e foi objeto de uma 2a alienação em 2007. Em suas razões de recurso Recorrente não discorda da existência de ganho de capital na alienação do imóvel ocorrida em 2007, nem do fato de ter deixado de considerar tal ganho na apuração do seu resultado. Alega, contudo, em síntese, que: a) a reintegração (devolução) do bem ao imobilizado deveria ser pelo custo de R$ 632.775,04, valor esse anteriormente computado na alienação de 2004 e não pelo valor de R$ 438.231,94 como entende a auditora da Receita Federal, e b) ainda que fossem devidos IRPJ e CSLL, deveria ser considerada a possibilidade de diferimento do IRPJ e da CSLL incidentes nos recebimentos a longo prazo de venda de ativo imobilizado, como admitem o CARF e a Receita Federal, e apresenta demonstrativo dos valores que considera que seriam devidos; c) não houve intuito doloso, mas total transparência nos registros contábeis e nas declarações regularmente entregues à Receita Federal, embora efetivamente o registro do ganho de capital se deu de forma equivocada Não obstante a interposição de recurso, a Recorrente requereu a desistência do Recurso Voluntário, com base no disposto no § 1º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil O Recurso Voluntário é tempestivo e a contribuinte está devidamente representada. Todavia, na forma relatada, a Recorrente requereu a desistência do Recurso Voluntário, com base no disposto no § 1º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10140.721315/201112 Acórdão n.º 1302002.381 S1C3T2 Fl. 4 3 Conforme o disposto no § 3º do art.78, Anexo II, do RICARF, no caso de desistência do recurso, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente Dessa forma, à luz do disposto nos §§ 4º e 5º, art. 78, Anexo II do RICARF, o processo deve retornar à unidade da administração tributária da origem para prosseguir na exigência do crédito tributário objeto de desistência, tornandose insubsistentes todas as decisões que forem favoráveis ao sujeito passivo; e, se for o caso, apartar os autos com retorno do processo ao CARF, para apreciação da matéria não contemplada pela desistência. Sendo assim, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
