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Numero do processo: 10283.005841/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP).
A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção.
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL).
A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para analisar questionamentos acerca da inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2.
TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2301-005.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações relativas à inconstitucionalidade, rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 58 41 /2 00 4- 70 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 223 2 Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para analisar questionamentos acerca da inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2. TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações relativas à inconstitucionalidade, rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente. Reginaldo Paixão Emos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2000, constante às efls. 15 a 27. Conforme a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", de efls. 19, o contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos para comprovar as áreas não tributáveis declaradas em sua Declaração do Imposto Sobre a Propriedade Rural (DITR). Em razão do não atendimento às intimações, as áreas de utilização limitada/reserva legal e de preservação permanente foram glosadas, resultando no lançamento do crédito tributário, conforme se vê no demonstrativo de apuração de efls. 21. Contra o auto de infração foi apresentada impugnação (efls. 51 a 77) com os seguintes argumentos: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 224 3 § que a autoridade administrativa, sem qualquer justificativa plausível, desconsiderou sua DITR; § que o imóvel em questão está encravado na Floresta Amazônica, circundada de morros e rios; § que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada são consideradas não tributáveis pelo ITR; § que a autoridade fiscal não pode imputar uma medida fiscal em detrimento do principio da verdade material; § que o fisco apurou o VTNT do imóvel no valor de R$ 101.596,00; § que as áreas de preservação permanente não necessitam do ADA para serem consideradas não tributáveis, sendo este mero ato formal, o qual poderá ser substituído por prova pericial; § que a multa de 75% é exorbitante; § que a taxa de juros Selic é ilegal. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Recife (PE) proferiu o acórdão de nº 1118.732 (efls. 121 a 149), considerando o lançamento procedente e mantendo o crédito tributário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 225 4 As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário às efls. 163 a 203, argumentando, apertada síntese, o seguinte: § que a autoridade administrativa considerou na apuração do ITR as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando tributável 100% da área total do imóvel, no entanto somente 27,10% são tributáveis; § que ao desconsiderar a DITR o auditor fiscal sequer teve o cuidado de verificar, em mapas da região, que o imóvel em questão está encravado na Floresta Amazônica, circundado de morros, rios, abrangido em sua maior parte por áreas de preservação ambiental; § que o Código Florestal e a Lei 9.393/96 conferem isenção de ITR para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada e que o gozo dessa isenção independe do cumprimento de obrigações acessórias; § que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até a data do fato gerador do ITR não é condição para fruição da isenção de ITR, pois não está previsto no Código Florestal ou na lei 9.393/96; § que, conforme os documentos apresentados na impugnação, a maior parte do imóvel referese a áreas de utilização limitada de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e áreas de preservação permanente e, assim, não entram na base de cálculo do imposto; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 226 5 § que, por meio de prova pericial, em consonância com o princípio da verdade material, poderá ser verificada a exatidão da DITR com relação às áreas não tributáveis; § que o cálculo do VTNTributável feito pela fiscalização é indevido por desconsiderar as áreas não tributáveis declaradas. § que a multa de ofício de 75% é confiscatória e exorbitante; § que a utilização da taxa de juros selic se baseia apenas em ato administrativo e fere o Princípio Constitucional da Legalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto, exceto das alegações relativas à inconstitucionalidade, e passo a julgálo. Da Multa de Ofício Inconstitucionalidade Súmula Carf nº 2 Entende a recorrente que a multa de ofício de 75% a ela imposta é confiscatória e exorbitante. Argumentou que a própria multa do Direito Civil foi reduzida de 10% para 2% e que a inflação gira em torno de 1% ao mês, não sendo viável a penalidade no patamar aplicado. Não obstante o inconformismo da recorrente, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, não restando margem alguma de discricionariedade ao agente fiscal, que tem o dever de cobrar o tributo que apurar, sob pena de responsabilidade funcional (Código Tributário Nacional CTN, art. 3º e art. 142, parágrafo único). Nesse sentido, as multas aplicadas foram lançadas em obediência ao comando legal do art. 44, inciso I, §§1º e 3º, da Lei nº 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Ademais, os questionamentos apresentados, que se referem à inconstitucionalidade do comando legal citado, não podem ser analisados nesta instância administrativa, por absoluta falta de competência. Nesse sentido, este Conselho editou a Súmula nº 2. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não devem ser conhecidos os questionamentos relativos à inconstitucionalidade da lei que previu a multa aplicada. Dos Juros Selic Legalidade Súmula Carf nº 4 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 227 6 Argumentou a recorrente que a utilização da taxa de juros Selic se baseia apenas em ato administrativo e que fere o Princípio Constitucional da Legalidade. No que se refere aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa Selic passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da lei 9.250/95. Assim, para os tributos federais não pagos no prazo de vencimento aplicase a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95). Tal entendimento foi fixado pela Súmula CARF nº 4, sendo de caráter vinculante no âmbito deste Conselho: Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não conheço das alegações relativas à ilegalidade/inconstitucionalidade da taxa de juros Selic. Do Mérito Da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal O conflito instaurado diz respeito à glosa efetuada pela fiscalização das áreas de utilização limitada/reserva legal (5.895,0 ha) e de preservação permanente (950,0 ha) declaradas pelo sujeito passivo, resultando no recálculo do imposto e no lançamento ora discutido. Além de invocar o amparo do Código Florestal e da lei 9.393/96 para a isenção pretendida, a recorrente afirmou que os documentos apresentados também lhe dariam tal suporte. Os documentos citados foram apresentados na impugnação e são: certidão de inteiro teor do imóvel e um pequeno mapa da área do imóvel. A certidão de inteiro teor apresentada não contém a averbação da área de reserva legal. As áreas de preservação permanente e de reserva legal de fato estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarse á: (...) Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 228 7 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) No entanto, para gozo da isenção de ITR, em relação às áreas de preservação permanente e de reserva legal, em regra, é exigida a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por meio do Ato Declaratório Ambiental (ADA), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação. É o que reza o inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) Entretanto, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 229 8 sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu, sobre tal assunto, o Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016, por meio do qual adequou sua atuação ao entendimento pacífico do STJ, resultando em nova redação para o item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (lista essa relativa a temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016). O Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 não tem efeito vinculante para esta instância administrativa. Mas, entendo ser pertinente alinhar o entendimento deste Colegiado à atuação da PGFN, uma vez que a disputa poderia ser levada à esfera judicial, resultando num dispêndio desnecessário de recursos públicos. Assim, me filio à tese adotada no Parecer citado para que seja dispensada a apresentação do ADA para reconhecimento da isenção. Nos termos do referido Parecer, a exigência de averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, para gozo do benefício de isenção do ITR, permanece hígida e tal entendimento consta também da observação do citado item 1.25. Transcrevo abaixo o referido item 1.25: 1.25 ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. (grifei) OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal) Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 230 9 Nos presentes autos, a recorrente não fez prova da averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel. Quanto à Área de Preservação Permanente (APP), em que pese restar afastada a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR, a recorrente não atendeu à intimação fiscal para comprovar, por meio de um dos documentos abaixo, a existência dessa APP.: § Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal; § Ato do Poder Público que assim a declare; ou § Certidão do lbama ou de outro órgão público ligado à preservação ambiental. Restou, portanto, afastada a pretensão de restabelecimento das áreas declaradas como não tributáveis, haja vista a ausência de comprovação da existência da área de preservação permanente, bem como pela ausência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Do Pedido de Perícia Manifestou a recorrente às efls. 187, o seguinte: Sendo assim, através da prova pericial, em consonância ao principio da verdade material que rege os processos administrativos, poderá se verificar a exatidão da DITR/00 apresentada pela contribuinte, ora recorrente, com relação As Areas não tributáveis (de preservação permanente e de utilização limitada), bem como que as particularidades do imóvel condizem exatamente com o que foi declarado na DITR/00. Mais, adiante, no pedido, disse: 4) pugnase ainda pela produção de todos os meios de provas em direito admitidas, caso venha a ser necessária para a comprovação de todo o alegado no presente recurso; Entendo que não assiste razão à recorrente na sua pretensão de produção de prova pericial. Isso porque, a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensandoo de comprovar suas alegações. Conforme Termo de Intimação de e fls. 9, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar documentos que comprovassem a área declarada de preservação permanente e não o fez. Quanto à averbação da área de reserva legal, a certidão de inteiro teor, apresentada na impugnação, mostra que essa averbação não foi realizada. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou a análise de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. Por decorrência, a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado, competindo somente ao julgador avaliar a pertinência da produção da Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10283.005841/200470 Acórdão n.º 2301005.979 S2C3T1 Fl. 231 10 prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide (art. 18, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Assim, entendo desnecessária a produção de prova pericial. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer das questões relativas à inconstitucionalidade de lei e, na parte conhecida, POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.008744/2002-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1989 a 30/09/1991
Anistia Fiscal e competência da 3' seção de julgamento do CARF.
Competência não se presume. A sua atribuição se dá por meio dos atos normativos competentes. Não cabe à esta 3ª seção o julgamento de litígios envolvendo anistia geral de tributos. A competência residual pertence à 1ª seção do CARF, de acordo com o RICARF.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-000.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1989 a 30/09/1991 Anistia Fiscal e competência da 3' seção de julgamento do CARF. Competência não se presume. A sua atribuição se dá por meio dos atos normativos competentes. Não cabe à esta 3' seção o julgamento de litígios envolvendo anistia geral de tributos. A competência residual pertence A. P seção do CARF, de acordo com o RICARF. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento. Caio Marcos Cândido - Pr‘ésidente Substituto I Rb osta Possas - Relator EDITADO EM: 17/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Pelo seu nível de detalhamento adotaremos o relatório da lavra do relator da DRJ de Curitiba, com os acréscimos necessários. Trata o processo ao documento de fl. 01, referente ao pedido de fruição do beneficio fiscal previsto no art. 11 da Medida Provisória n.° 38, de 14 de maio de 2002, relativamente a contribuições para o Finsocial, objeto de questionamento judicial no processo n.° 89.00.02869-3 (10a Vara da Seção Judiciária da Justiça Federal em Curitiba/PR). Instruem o pedido os documentos de fls. 02/68, dos quais se destacam; (a) h. fl. 02, declaração de ter requerido a desistência das ações judiciais cujos débitos serão pagos ou parcelados na forma do diploma legal citado, bem como de renuncia a qualquer alegação de direito em que se funda o referido processo ( -fls. 29/30); (b) às fls. 29/27, cópias de procuração de representação da interessada; (c) As fls. 31/32, cópia de documento, encaminhado ao TRF/4a, em que esclarece que o pagamento do "tributo controvertido" ocorrerá por meio de conversão de renda dos depósitos judiciais realizados nos autos, com posterior levantamento da parcela excedente, nos termos do art. 5° e parágrafos da Portaria Conjunta SRF/PGFN n.° 900, de 19 de julho de 2002. (d) As fls. 33/61, copias de guias de depósito h ordem da Justiça Federal; (e) h. fl. 64, informação da interessada de que "o pedido de desistência do Agravo de Instrumento n.° 2001.04.01.030107-4/PR, em tramite perante o Tribunal Regional Federal da 4" Região, única pendência que ainda existia na ação, foi homologado por despacho publicado em 26-09-2002, conforme anexa cópia autenticada"; h. fl. 65, copia do despacho decisório no precitado agravo de instrumento; (f) h fl. 66, cópia de Acórdão do STF no Recurso Extraordinário n.° 202.198- 9, que o julgou não conhecido, e que transitou em julgado em 07/06/1999 (fl. 67). As fls. 67/70, cópia de informação fiscal, emitida no processo administrativo fiscal n.° 10980.005931/89-30. 0 chefe da Seort da DRF em Curitiba/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 73, decidiu indeferir o pleito da interessada, ante o contido no parecer de fls. 71/72; tal parecer e decisão têm a seguinte redação: "Volta ci carga a interessada ara buscar, agora, o pagamento de débitos relativos à contribuição)para o Fundo de Investimento 2 Processo n° 10980.008744/2002-18 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.887 Fl. 187 Social — Finsocial decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir do mês de junho do ano-calendário de 1989 com o beneficio previsto no art. 11 da Medida Provisória n.° 38, de 14 de maio de 2002. Declarou 'ter requerido a desistência das ações judiciais cujos débitos serão pagos ou parcelados na forma do diploma legal citado' e que renunciou `a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam referidos processos' judiciais (fl. 02). Juntou, ainda, cópia de petições de desistência do Agravo de Instrumento n.° 2001.04.01.030107- 4/Paraná (fls. 29 e 30) e de pedido de conversão em renda da União dos depósitos efetuados ern conta vinculada ao Juizo pelo qual tramitou a ação ordinária (fls. 31 e 32), devidamente protocoladas no Tribunal Regional Federal da 4" Região em 31 de julho e em 29 de agosto de 2002, respectivamente. A desistência do recurso foi homologada pela Relatora (17. 65), no uso da competência prevista no art. 37, inciso VII, do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 4"Regido." 2. A devida análise da questão passa, necessariamente, por pequeno escorço histórico que se levará a cabo a partir deste momento. 3. Inconformada com a base de cálculo do Finsocial instituída pela Medida Provisória n.° 38, de 3 de fevereiro de 1989 — posteriormente convertida na Lei n.° 7.738, de 9 de março de 1989 — a interessada ingressou, inicialmente, com Ação Cautelar para depositar, judicialmente, o quanto acreditava ter de pagar a titulo de Finsocial. Posteriormente, ingressou com a necessária Ação Ordinária, cujo objeto conseguiu levar ao Supremo Tribunal Federal por meio do Recurso Extraordinário n.° 202.198-9 Paraná (A 66), que transitou em julgado em 7 de junho de 1999 (1l. 61), tudo muito bem documentado nos autos do processo administrativo 10980.005931/89-30. Julgado definitivamente o mérito da causa, a interessada, em 27 de julho de 1999, apresentou petição, em juizo, requerendo `o pagamento do tributo controvertido na ação (Finsocial), na forma do artigo 17, § 1O, inciso III, da Lei n.° 9.779/99, com a redação da Medida Provisória n.° 1.858-6, de 29.06.99 (DOU 30.06.99), bem como na Instrução Normativa n.° 26, de 25.02.99 (DOU 26.02.99)', que mereceu parecer contrário por parte do então Serviço de Tributação desta Delegacia «is. 68 a 70), instado a se manifestar pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 4. Cotejando-se o disposto no art. 17, § 1", inciso III, da Lei n." 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescentado pela Medida Provisória n.° 1.858-6, de 29 de junho de 1999 (que, depois de várias reedições, deságua na Medida Provisória n.° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001), com o disposto no art. 11 da Medida Provisória n.° 38/02 (que, inclusive, remete àquele dispositivo), verifica-se que a única alteração que se promoveu foi permitir a ¡ concessão do tf.,, avor para débitos discutidos em ações judiciais protocoladas late ) \ 0 de abril de 2002, quando o inciso III do § 1" do art. 17 da Let n.° 9.779/99 fixava o termo final em 31 de dezembro 1 9/8. 3 5. Sendo assim, como não houve alteração de fundo na legislação de regência da matéria hábil a provocar igual alteração na compreensão da questão, adota-se o parecer anteriormente proferido pelo enteio Serviço de Tributação desta Delegacia (lis. 69 e 70) nos autos do processo administrativo 10980.005931/89-30 para propor-se, s.mj., o indeferimento do pedido. Este o parecer, que submeto a consideração superior. De acordo com o parecer retro, que aprovo, no uso da competência prevista no art. 2", inciso II, da Portaria DRF/CTA n.° 169, de 25 de setembro de 2001, DECIDO pelo indeferimento do pleito objeto do presente processo. Cientifique-se a interessada, facultando-lhe manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, dentro no prazo de 30 (trinta) dias.". Conforme despacho de fl. 74, a intimação foi encaminhada pela via postal, e, de acordo com o AR de fl. 75, a interessada foi cientificada em 13/08/2004. Inconformada com a decisão proferida, a interessada, por intermédio de procurador habilitado (procuração, as fls. 26/27), interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 76/80, considerada tempestiva pela DRF/CTA (despacho de fl. 81, datado de 13/09/2004), e cujo teor é sintetizado a seguir. Diz que propôs, em litisconsórcio com outras empresas, a medida cautelar de depósitos n.° 89.0002869-3, seguida da ação ordinária n.° 89.0002226-1, objetivando questionar a cobrança do Finsocial, na qual teve julgamento do mérito, que lhe foi desfavorável, decisão do STF que transitou em julgado em 07/06/1999. Afirma que, sobrevindo a MP n.° 1.858-6, de 29/06/1999, que deu nova redação ao disposto no art. 17 da Lei n.° 9.779, de 1999, apresentou, em 27/07/1999, sua opção de pagamento do tributo controvertido (Finsocial) com base nos beneficios ali previstos, mediante utilização parcial dos depósitos judiciais realizados no âmbito da medida cautelar, e levantamento do remanescente. A DRF/CTA, entendendo que a legislação exigia, para fins de concessão do beneficio, a existência de ação judicial em curso, indeferiu seu pedido, o que foi ratificado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (nos autos da ação judicial n.° 89.0002226-1), o que motivou a interposição de agravo de instrumento perante o TRF/4a (AI n.° 2001.04.01.030107- 4). Argumenta que na pendência do julgamento desse recurso, apresentou pedido de desistência, com renúncia ao direito em que ele se fundava, a fim de que pudesse se valer do pagamento mediante os beneficios da Medida Provisória n.° 38, de 2002, regulamentada pela Portaria Conjunta SRF/PGFN n.° 900, de 2002. Sustenta que o mesmo fundamento utilizado no indeferimento de seu pedido primitivo (transito em julgado da decisão de mérito anterior ao protocolo do pedido), levou ao indeferimento do pedido atualtriNspaldado na MP n.° 38, de 2002, uma vez que a única alteração promovida foi "permitir i concessão do favor fiscal para débitos discutidos em ações judiciais protocoladas até 30 de 'de 2002, quando o inciso III, do § 1°, do art. 17 da Lei n.° 9.779/99". 1 4 Processo n° 10980.008744/2002-18 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.887 Fl. 188 Diz ser relevante que a decisão judicial que deu origem à discussão sobre o direito de aplicação do beneficio da MP n.° 1.858-6, de 1999 (AI n.° 2001.04.01.030107-4), não havia recusado, sob esse aspecto, seu direito, transcrevendo o seguinte despacho, objeto do agravo: "Peticionam os autores requerendo a concessão dos beneficios da Lei n.° 9.779/99. Independentemente da manifestação da Procuradoria ás fls. 427/427, indefiro o pedido. Justifico tal posicionamento pelo fato de a sentença ter transitado em julgado em 07.0699. Assim, o aproveitamento fiscal de que pretendem de (sic) beneficiar está a critério da autoridade administrativa, não se subordinando a esfera jurisdicional. 0 pedido deverá ser dirigido à Secretaria da Receita Federal que poderá deferi-lo apesar do trânsito em julgado da sentença.". Por discordar tanto do despacho transcrito, como dos demais, a interposição do agravo de instrumento parecia-lhe a única alternativa de que dispunha para evitar o encerramento definitivo do feito e a conversão em renda integral dos depósitos judiciais. Alega que ao ser instaurado litígio entre as partes, no âmbito da ação judicial que propôs para discutir o tributo, passou a haver recurso passível de desistência e direito passível de ser renunciado, fato que teria sido detectado no despacho que homologou a desistência do agravo de instrumento, transcrito à fl. 78. Fala que sobrevindo nova legislação contendo a possibilidade de pagamento com beneficios legais (inclusive com utilização de depósitos judiciais), há que se verificar se preenche os requisitos legais necessários a adesão nesse momento, em face da situação então existente. Argúi, em primeiro lugar, que não concorda com a afirmação de que a legislação exigia a existência de processo judicial em curso para fins de aplicação do beneficio, o que teria sido destacado pelo juiz da causa, quando a remeteu ao pedido administrativo; prossegue, dizendo que tanto na redação original do art. 17, § 1 0, III, da Lei n.° 9.779, de 1999, como naquela do art. 11 da MP n.° 2.158-35, de 2001, ou ainda naquela descrita no art. 11 da MP n.° 38, de 2002, o requisito diz respeito ao período limite para o ajuizamento da ação judicial, e não para a opção de pagamento, que não se vincularia ao trânsito em julgado do processo. Lembra, ainda, que "a existência de processo em curso", para fins de indeferimento ao beneficio, no âmbito da decisão proferida no PAF n.° 10980.005931/89-30 (adotada como fundamento da decisão ora recorrida), foi estribada no art. 10 da IN SRF n.° 26, de 1999; assim, prossegue, ao se buscar suporte na Portaria Conjunta SRF/PGFN n.° 900, de 2002, que regulamentou a MP n.° 38, de 2002 (da qual transcreve, à. fl. 79, os arts. 1° e 2°), nela não se encontra exigência alguma de processo em curso_para fins de aplicação do beneficio, o que demonstraria, ao menos quanto A. situação nela tratada, ser possível a sua adoção em processo com trânsito em julgado. Entende que é a própria administração que interpretou de modo diferente as legislações, o que deve ser respeitado no caso concreto, reconhecendo-se o direito ao beneficio; fala que em situações análogas, o Judiciário vem decidindo ser direito dos contribuintes o levantamento do depósito judicial, mesmo em se tratando de processo já transitado em julgado, transcrevendo ementas de julgados do TRF/4a às fls. 79/80, que julga serem pertinentes. A titulo de argumentação, sustenta que e exigência de "processo em curso" fosse plausível, é fato que, entre os dois textos legais S .MP .° 1.858-6, de 1999, e MP n.° 38, de 2002), sua situação processual não é a mestrioi-;- o momento do segundo mantinha L_ 5 controvérsia jurídica em tomo do tributo, passível de desistência e de renuncia — o que foi reconhecido pela Relatora do recurso no TRF/4a, que somente veio a transitar em julgado posterionnente, preenchendo, deste modo, também esse requisito. Por fim, requer a reforma do despacho decisório de fls. 71/73, a fim de se reconhecer o direito A aplicação do beneficio, na forma originalmente requerida. Pelo despacho desta DRJ/CTA de fl. 82, o processo foi devolvido ao Seort da DRF/CTA, para que esse órgão prestasse informações. A fl. 82-verso, consta despacho da DRF/CTA comunicando a juntada dos documentos de fls. 83/85, relativos A. reiteração, pela interessada dos termos de sua manifestação de inconformidade, bem como fazendo menção a decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n.° 665.928/PR, que entende pertinente, e cuja ementa transcreve As fls. 83/84; reitera, ainda, a reforma do despacho decisório de fls. 71/73. As fls. 86/91, inforniação fiscal da DRF/CTA. A Manifestação de Inconformidade foi indeferida pela DRJ/CTA, fls. 47/54. 0 contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido por maioria de votos. E o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator 0 recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Porem não há como conhecê-lo por faltar competência A 3a seção de julgamento do CARF para julgar os processos de anistia geral de tributos. A Competência para as matérias residuais é da l a seção de julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2°, VII do Regimento Interno do CARF . (Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009) Conclusão Assim, voto para que seja negado o conhecimento do Recurso especial interposto pela PGFN por ser esta Seção incompetente para a sua apreciação e julgamento. 6
score : 1.0
Numero do processo: 13956.720268/2013-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para aceitar os recibos de Marcia Gonçalves e Meire Rezende.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para aceitar os recibos de Marcia Gonçalves e Meire Rezende. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 72 02 68 /2 01 3- 47 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13956.720268/201347 Acórdão n.º 2002000.983 S2C0T2 Fl. 178 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 16/22) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2011 (efls. 03/11), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 164): A intimação nº 292/2012 foi atendida no prazo legal, com apresentação de todos os recibos com nome e CPF dos profissionais, declarações dos profissionais e cópias de extratos bancários; Não existe limite para dedução de despesas médicas, sendo que a comprovação disponível são os recibos; O efetivo pagamento foi realizado conforme declaração dos profissionais, em dinheiro. A Impugnação foi julgada improcedente pela 7ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 163/167): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA MÉDICA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, cujos valores sujeitamse à imediata cobrança e não são objeto de análise no julgamento administrativo. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Cientificado do acórdão de primeira instância em 09/09/2015 (efls. 170), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 05/10/2015 (efls. 172/173) apresentando um breve relato dos fatos processuais e os argumentos abaixo reproduzidos: Prezados senhores conselheiros, neste momento dirijome a este conselho, pedindo que analisem o fato acima exposto, com olhar voltado para simplicidade deste declarante que tenta cumprir com as obrigações de contribuinte e cidadão, fazendo Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13956.720268/201347 Acórdão n.º 2002000.983 S2C0T2 Fl. 179 3 pessoalmente as minhas declarações, em momento algum houve da minha parte ma fé, ou tentativa de obter vantagens com deduções de despesas médicas em minha declaração; o que esta havendo é uma desinformação de minha parte, e com certeza de quase todos os contribuintes, no que diz respeito aos documentos aceitos pelo fisco para dedução das despesas médicas, Os (recibos) fornecidos pelos prestadores destes serviços, para servirem como despesas, têm que ter o nome, CPF, Endereço, nº de Seu registro Profissional, descriminação do serviço, se foi realmente efetivado o que esta escrito, a forma de pagamento se é em cheque nominal com extrato para comprovar o pagamento, se for em dinheiro da mesma forma tem que se provar que houve um saque de sua conta daquele valor, se faltar algum destes itens não servirá, è o que esta acontecendo comigo e servido de base de sustentação do fisco para o auto de infração, já estou desacreditado em meus argumentos de defesas anteriores, onde apresentei o que eu tinha que era os recibos e declarações dos profissionais confirmando o tratamento e a real necessidade dos mesmos, achava eu estar correto, pois não sabia dessas exigências todas para se comprovar as despesas médicas, sendo que é o único documentos que se recebe dos profissionais, o simples recibo que é pratica comum e usual por todos os profissionais desta área. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre as despesas médicas declaradas para Andréia Martins, Josiani Gonçalves, Aline de Camargo, Meire Rezende, Kenny Sakane e Marcia Gonçalves, cujas glosas foram contestadas pelo contribuinte e mantidas na decisão recorrida por falta de comprovação do seu efetivo pagamento, conforme razões a seguir transcritas, as quais acompanho (efls. 166/167): No presente caso, foi solicitado ao contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas, conforme termo de intimação de fls. 101/102. Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a dedução foi glosada. Durante a fase impugnatória, visando comprovar as deduções de despesas médicas glosadas, o contribuinte novamente não apresentou documentos que comprovem o repasse de valores, limitandose a alegar que os recibos e as declarações comprovam o efetivo pagamento, feito em dinheiro. Os documentos anexados durante o procedimento fiscal não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela Autoridade Fiscal. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13956.720268/201347 Acórdão n.º 2002000.983 S2C0T2 Fl. 180 4 Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referemse às despesas declaradas, pois não é possível fazer o confronto entre os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Ademais, o contribuinte não apresentou nenhuma planilha relacionando quais saques teriam sido utilizados para os recibos apresentados, limitandose a apresentar os extratos de suas duas contas bancárias durante o anocalendário. Ressaltese que, ainda que o montante global dos saques tenha sido superior ao valor das despesas declaradas, os pagamentos propriamente ditos não restaram comprovados. A disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Portanto, uma vez que não houve a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os saques efetuados, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Impõese observar que tal exigência não está relacionada à presunção de fraude ou de máfé, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13956.720268/201347 Acórdão n.º 2002000.983 S2C0T2 Fl. 181 5 elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que não restou demonstrada a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta bancária e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13956.720268/201347 Acórdão n.º 2002000.983 S2C0T2 Fl. 182 6 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902318/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 18 /2 00 9- 20 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de PER/DComp apresentado pelo contribuinte, no qual pleiteou o deferimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ e declarou a compensação deste crédito com débitos de estimativas de IRPJ e CSLL. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio de Despacho Decisório, decidiu não homologar a compensação declarada. A DRF constatou que o valor integral do DARF informado pelo contribuinte no PER/DComp havia sido inteiramente utilizado. Portanto, não havia saldo para a compensação pretendida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que teria cometido erro de fato no preenchimento do PER/DComp, uma vez que deveria ter pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ ao invés de pagamento indevido ou a maior. O contribuinte informou na Manifestação de Inconformidade que apresentou DIPJ retificadora na qual corrigiu a informação e passou a registrar o dito saldo negativo. Ao final pediu que a primeira instância de julgamento reconhecesse o crédito oriundo de saldo negativo e homologasse a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, a DRJ registrou que a autoridade administrativa não poderia ter homologado a compensação declarada pois inexistia o crédito pleiteado decorrente de pagamento a maior ou indevido. Em seguida, a DRJ declarou sua incompetência para realizar o exame inaugural do crédito sob novo fundamento, ou seja, decorrente de saldo negativo de IRPJ. Inconformado com a decisão de piso, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e ainda lançou mais duas questões, a saber: (i) que, embora a competência originária para apreciar o crédito pleiteado seja da DRF, devese conjugar com as garantias processuais, de forma que se adote as decisões e providências processuais necessárias para que se retorne e se aprecie a matéria em primeira instância, com posterior oferecimento de oportunidade recursal ao contribuinte; e (ii) que a autoridade julgadora de segunda instância se manifeste acerca da possibilidade legal e jurídica da nova análise dos fundamentos que levam à manutenção do crédito pleiteado pela recorrente, à luz da suspensão da exigibilidade do crédito pela Fazenda Pública, bem como pela Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 4 3 manutenção desse direito creditório em razão da necessidade de nova decisão de competência da DRF/Natal. É o que havia para relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.245, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10469.902321/2009 43, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.245): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo. No que tange às razões adotadas pela DRJ para declinar da competência para analisar o crédito pleiteado sob novo fundamento na Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de IRPJ foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Neste sentido, realmente não competia à DRJ proceder à análise pedida pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Todavia, no recurso voluntário, o contribuinte formulou pedidos diversos. Ao reconhecer a competência original da DRF, o contribuinte pediu que a segunda instância julgadora devolvesse os autos para que a DRF pudesse realizar o exame de liquidez e certeza do crédito, agora sob novo fundamento, ou seja, crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Também pediu que este Conselho se pronuncie sobre a possibilidade de nova análise pela DRF, em vista da suspensão da exigibilidade do crédito. É oportuno destacar que, embora em regra, não seja permitido aos contribuintes inovarem em razões de fato e de direito no recurso voluntário, no presente caso, a questão da incompetência da DRJ surgiu somente na decisão de primeira instância. Assim, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, tomo conhecimento das razões expostas e dos pedidos formulados. Os pedidos demandam uma análise detalhada. Em julgados anteriores, já me manifestei acerca da possibilidade de superar o erro de fato no preenchimento do PER/DComp, quando o contribuinte indica equivocadamente como fundamento do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter indicado saldo negativo, ou viceversa. Contudo, não vislumbro na regulamentação do Processo Administrativo Fiscal, veiculado pelo Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de a segunda instância determinar o retorno do processo à autoridade lançadora para que esta possa exercer sua competência original. Mesmo que se submetesse o feito a uma diligência, nesta etapa do processo, o conhecimento da matéria e o exame de liquidez e certeza do crédito seria feito originariamente pela autoridade julgadora, o que, como dito, não é possível. Contudo, há que se ter uma solução legítima que evite que o contribuinte perca seu eventual direito a crédito por força de erro de fato no preenchimento do PER/DComp. Neste contexto, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 6 5 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, pois, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 7 6 de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Na decisão a quo, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Mas, em verdade, considerouse incompetente para o exame do crédito, destacando que se tratava de competência da DRF. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhecese, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. Em relação ao segundo pedido da contribuinte, o próprio Parecer Normativo citado aduz que a revisão de ofício do Despacho Decisório pode ser feita enquanto os créditos tributários não estiverem prescritos. Tais créditos foram Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10469.902318/200920 Acórdão n.º 1401003.247 S1C4T1 Fl. 8 7 considerados compensados indevidamente no Despacho Decisório, mas, tendo em vista que a Manifestação de Inconformidade dá início ao contencioso tributário sob a égide do Decreto nº 70.235/72, os créditos encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721284/2012-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A ((Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f").
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para acatar a dedutibilidade da pensão alimentícia paga na cifra de R$ 25.912,00.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A ((Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f"). Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para acatar a dedutibilidade da pensão alimentícia paga na cifra de R$ 25.912,00. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 12 84 /2 01 2- 97 Fl. 97DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 8.673,18, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2008, anobase de 2007, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 32.242,80, por falta de comprovação do pagamento e do atendimento das normas do Direito de Família, eis que não foi apresentada decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (fls. 20/25). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando se tratar do pagamento de pensão alimentícia decorrente de decisão/acordo judicial, que o obriga ao pagamento de 87,47 (oitenta e sete vírgula quarenta e sete) salários mínimos, sendo beneficiários Cristina Alfama Costa, Rafael Costa Pinto e Diego Costa Pinto (fls. 02/09). Pertinente registrar que reportada Impugnação se apresenta com o título de "Documentos Comprobatórios Outros" no eprocesso, restando razoável a efetivação da respectiva correção. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 29/31): 1. embora intimado para apresentar acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia e os respectivos comprovantes, o contribuinte não atende a fiscalização, nem apresenta tais documentos na impugnação; 2. os comprovantes de depósitos das folhas 03 a 09 contêm valores diversos sem comprovar que se referem a prestação de alimentos. Ademais, não anexa acordo, decisão ou escritura fixando os valores e quem são os beneficiários. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.721284/201297 Acórdão n.º 2003000.050 S2C0T3 Fl. 97 3 Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, no qual indica a juntada de documentos e argumenta que foi determinada judicialmente a pensão alimentícia equivalente a de 87,47 (oitenta e sete vírgula quarenta e sete) salários mínimos, forma não convencional, por se tratar de região turística, onde os ganhos são variáveis em decorrência da sazonalidade (fls. 36/64). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 26/09/13 (fls. 34), e a Peça recursal foi recebida em 25/10/2013 (fls. 36), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; Fl. 99DF CARF MF 4 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Posta assim a questão, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Confirmase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Consoante consta na documentação juntada aos autos, a Decisão Judicial de Dissolução de União Estável fixou pensão alimentícia a ser paga aos quatro filhos do recorrente, conforme abaixo (fls. 37/42): 1. nos meses de janeiro e fevereiro, 10,41 (dez virgula quarenta e um) salários mínimos vigentes; 2. nos meses de março a outubro, 6,255 (seis virgula duzentos e cinquenta e cinco) salários mínimos vigentes; 3. nos meses de novembro e dezembro, 8,33 (oito virgula trinta e três) salários mínimos vigentes. Nesses termos, no referido anocalendário, o recorrente deveria arcar com o dispêndio na ordem de R$ 32.445,35, assim distribuído: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.721284/201297 Acórdão n.º 2003000.050 S2C0T3 Fl. 98 5 Mês Salário mínimo (R$) Parâmetro (quant.) Pensão devida (R$) Janeiro 350,00 10,41 3.643,50 Fevereiro 350,00 10,41 3.643,50 Março 350,00 6,255 2.189,25 Abril 380,00 6,255 2.376,90 Maio 380,00 6,255 2.376,90 Junho 380,00 6,255 2.376,90 Julho 380,00 6,255 2.376,90 Agosto 380,00 6,255 2.376,90 Setembro 380,00 6,255 2.376,90 Outubro 380,00 6,255 2.376,90 Novembro 380,00 8,33 3.165,40 Dezembro 380,00 8,33 3.165,40 Nesse pressuposto, o contribuinte logrou comprovar o recolhimento da quantia de R$ 25.912,00 durante dito anocalendário de 2007, nos seguintes termos (fls. 50/62): Mês referência Total pago (R$) Mês do pagamento Dedutibilidade Janeiro 3.643,50 Março/2007 Anobase 2007 Fevereiro 3.643,50 Março e abril/2007 Anobase 2007 Março 2.187,50 Abril/2007 Anobase 2007 Abril 2.187,50 Junho/2007 Anobase 2007 Maio 2.375,00 Julho/2007 Anobase 2007 Junho 2.375,00 Agosto/2007 Anobase 2007 Julho 2.375,00 Agosto/2007 Anobase 2007 Agosto 2.375,00 Setembro/2007 Anobase 2007 Setembro 2.375,00 Outubro/2007 Anobase 2007 Outubro 2.375,00 Novembro/2007 Anobase 2007 Novembro 3.165,40 Janeiro/2008 Anobase 2008 Dezembro 3.165,40 Janeiro/2008 Anobase 2008 Por oportuno, vale consignar que os pagamentos realizados no períodobase posterior pagamentos referentes a novembro e dezembro de 2007, mas efetivados em janeiro do ano seguinte não são dedutíveis na DAA revisada, já que, em regra, a tributação da pessoa física se dá pelo regime de caixa, aí se considerando somente as receitas auferidas e as despesas incorridas no interregno temporal delimitado pelo períodobase declarado. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto, acatando a dedutibilidade da pensão alimentícia paga na cifra de R$ 25.912,00. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907294/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.876
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DILIGÊNCIA. Recorrente BLUE ANGELS SEGURANCA PRIVADA E TRANSPOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual a empresa declara a existência de crédito de PIS recolhido a maior. Uma vez que o valor do crédito declarado teria sido utilizado para quitar o valor do PIS do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, em conformidade com a DIPJ do período, o valor devido de PIS para o período em análise foi inferior ao valor recolhido em DARF. A defesa apresentada foi negada por ausência de provas do crédito. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual complementaria as informações apresentadas com documentos que respaldariam seu direito ao crédito e os valores declarados na DIPJ, que estariam corretos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 29 4/ 20 08 -5 3 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 3 2 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.875, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907293/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.874): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Considerando as informações acostadas aos autos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, entendo que há elementos que apontam para uma possível existência de direito creditório em favor do contribuinte sendo necessário, contudo, levantamento documental adicional para confirmar os fatos depreendidos destes autos. Senão vejamos. Como se depreende do Pedido de Compensação formulado, o crédito seria decorrente do pagamento a maior em DARF de PIS, de R$ 15.395,32 que, como indicado no pedido, seria relativo ao código de receita 6912 (PIS NÃO CUMULATIVO LEI 10.637/02). Contudo, observase que o DARF anexado aos autos, à efl. 101, do valor indicado no PER/DCOMP, tem o código de receita 8109 (PIS FATURAMENTO): Vejamse que o DARF traz como informação o valor da base de cálculo de R$ 931.231,75, alcançando um valor de PIS devido de R$ 15.365,32 pela aplicação de uma alíquota de 1,65%. Contudo, como indicado em seu contrato social, anexado aos autos (efl. 15) e na DIPJ 2003 retificadora (efl. 111), a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica a atividade de transporte de valores, vigilância e segurança privada. Vejamos pela cláusula terceira do contrato social da pessoa jurídica (efl. 15): Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 4 3 Essas atividades são referenciadas no art. 10 da Lei n.º 7.102/1983 e expressamente excepcionadas da apuração do PIS pela sistemática não cumulativa, na forma do art. 8º, I, da Lei n.º 10.637/2002: Lei n.º 10.637/2002 "Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;" (grifei) Lei n.º 7.102/1983 "Art. 10. São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de: (Redação dada pela Lei nº 8.863, de 1994) I proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas; (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994) II realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga. (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994)" (grifei) A manutenção do regime cumulativo para as pessoas jurídicas que se dedicam ao menos a uma das atividade identificadas na Lei n.º 7.102/1983 é indicada na solução de consulta COSIT n.º 345/2017: "14. Em face do exposto, concluise que: • a pessoa jurídica que realizar ao menos uma das atividades referidas na Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, estará excluída do regime não cumulativo e terá todas as suas receitas sujeitas a cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, submetendose às alíquotas de 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente; • considerase serviço de segurança, conforme o art. 10, II, da Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, o monitoramento à distância de veículos de carga." Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 5 4 Portanto, a Recorrente, como empresa de segurança privada e vigilância está sujeita ao recolhimento do PIS na sistemática cumulativa (DARF no código de receita 8109) e não na sistemática não cumulativa da Lei n.º 10.637/2002 (DARF no código de receita 6912). Pela planilha acostada aos autos às efl. 100, a empresa busca evidenciar que a sistemática que teria adotado para apurar o valor de PIS devido em dezembro/2002 de R$ 15.395,32, na base de cálculo informada no DARF de R$ 931.231,75, foi a sistemática não cumulativa, ainda que tenha recolhido com o código DARF correto (8109). Vejamos o teor da planilha da efl. 100. Cumpre vislumbrar que o valor de faturamento indicado na planilha é o mesmo indicado na DIPJ retificadora apresentada. A empresa procedeu com as exclusões previstas para a sistemática não cumulativa e aplicou a alíquota de 1,65%. Contudo, sujeita à sistemática cumulativa, bastaria aplicar a alíquota de 0,65% sobre a receita bruta aferida, em conformidade com a Lei n.º 9.718/98. E essa foi a sistemática adotada na DIPJ 2003, na qual a Recorrente informa as receitas aferidas no campo "BASE DE CÁLCULO DA Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP FATURAMENTO", alcançando um valor de PIS devido de R$ 6.146,95 pela aplicação da alíquota da sistemática Cumulativa (0,65%), sobre a base de cálculo por ela informada (R$ 945.683,97). Vejamos o teor da DIPJ 2003 retificadora do mês de dezembro/2002 (efl. 139) Assim, vislumbrase que a documentação acostada pela empresa aos autos aponta uma possível existência de equívoco cometido quando da edificação do valor de PIS devido na competência de dezembro/2002, apurando pela sistemática não cumulativa (com a aplicação da alíquota de 1,65%) e não pela sistemática cumulativa a qual se sujeita. Em seu pedido de compensação, a empresa aparentemente buscou evidenciar o equívoco cometido ao indicar que o crédito seria decorrente de DARF com o código de receita da sistemática não cumulativa (6912). Contudo, observase que constam dos autos apenas planilha elaborada pela empresa e a DIPJ retificadora apresentada após o recebimento do despacho decisório. Não obstante esteja claro o equívoco cometido, não é possível identificar se o valor de PIS a pagar indicado na DIPJ retificadora está correto, sendo certo que não constam dos autos DACON do período, DCTF do período e documentos contábeis que respaldam os valores declarados. Ora, como bem salientado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034 "este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original". No presente caso, o erro cometido pelo sujeito passivo pode ser evidenciado pela planilha e pelo DARF acostado aos autos não sendo possível, contudo, atestar o direito creditório sem o respaldo das informações na documentação fiscal e contábil. Para confirmar a efetiva existência de recolhimento à maior, essencial que seja confirmado se o valor indicado de PIS devido na DIPJ retificadora (R$ 6.146,95) está correto para que seja confirmada o pagamento indevido originário de R$ 9.248,37, informado na DCOMP objeto do presente processo (R$ 9.218,37 efl. 8). Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 7 6 Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (DERAT São Paulo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.907294/200853 Resolução nº 3402001.876 S3C4T2 Fl. 8 7 Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.003467/95-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/03/1995
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-006.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação de decisão definitiva prolatada no processo judicial.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação de decisão definitiva prolatada no processo judicial. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação de decisão definitiva prolatada no processo judicial. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 34 67 /9 5- 11 Fl. 210DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: A empresa em epigrafe promoveu, através das DI's 252.876 e 252.877, registradas cm 30.03.95 (fls. 35 a 61) a importação de dois veículos tipo "jeep grand cherokee", modelo 94, fabricados nos EUA, procedentes do Uruguai e desembargados na IRF/SP. Concomitantemente ao registro das DIs, entrou em vigor na mesma data o Decreto 1.427195 (DOU. 30.03.95) que majorava a alíquota dos produtos de 32 para 70%. Inconformada, a interessada requereu MANDADO DE SEGURANÇA que recebeu o número 95.00307308, distribuído & 11a. Vara Federal de SAO Paulo, onde teve INDEFERIDO cm 07/04/95 o pedido de Liminar (fl6.06/07) que objetivava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário majorado abruptamente pelo Decreto supra mencionado. Não satisfeita em sua pretensão, já em grau de APELAÇÃO junto ao TRF. de São Paulo. obteve cm 20/04195 a MEDIDA LIMINAR requerida (fls.10/11) com base na qual as duas DIs foram desembaraçadas em 17/05/95 com alíquota de 32% (fls.35v. e 48v). Todavia, tal concessão vigorou apenas até 02/06/95 com a intervenção final do STF. que a SUSPENDEU até decisão do mérito por parte daquela Corte Suprema (fls.35). A par desta rumorosa e acidentada trajetória judicial, o AFTN designado pela IRF/SP lavrou o competente Auto de Infração de fls. 02 onde se exigem a diferença de tributos recolhidos a menor e, bem assim, as multas e acréscimos legais pertinentes. Cientificada que foi do conteúdo da Notificação de fls. 62, a autuada apresenta a impugnação de fls. 63 a 73, contestando a exigência dos tributos em questão alegando ter ingressado com ação judicial junto à 11a. Vara Federal de São Paulo. tendo por objeto a mesma matéria tratada neste processo, exceto quanto à aplicação das multas de lançamento de oficio. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: EMENTA Concomitância entre o Processo Administrativo e o Judicial. A propositura de ação judicial implica em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nessa hipótese. considerase definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário. Em relação ao crédito não objeto de ação judicial, mas dependente do resultado desta, cabe sobrestamento do Processo Administrativo. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10314.003467/9511 Acórdão n.º 3402006.387 S3C4T2 Fl. 211 3 Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo, porém não atende a todos requisitos de admissibilidade, como se verá adiante, razão pela qual dele não se deve conhecer. Trata o processo de Auto de Infração lavrado pela Autoridade Fiscal em razão de diferenças de crédito tributário de Imposto de Importação, recolhidos a menor pela empresa, em decorrência do desembaraço aduaneiro de veículos importados, ao qual foi aplicada a alíquota de 32% para o II, em atendimento de determinação judicial consistente de liminar concedida em Mandado de Segurança impetrado contra ato do Inspetor da Receita Federal em São Paulo, onde a ora Recorrente pleiteou não se ver compelida ao recolhimento do tributo Imposto de Importação, à alíquota de 70%, por ocasião do desembaraço de veículos importados, tendo em vista a determinação contida no Decreto n° 1.427 de 29 de março de 1995, que majorou a referida alíquota, de 32%, para 70%. Informa a Autoridade Fiscal (fls.197) que da folha de movimentação do primeiro processo consta a expedição de sentença (publicação em 31/9/1995) e baixa definitiva em 24/5/1996, porém o endereço eletrônico da Justiça Federal de SP não oferece condições de acesso ao teor da decisão. Conforme se percebe nos autos, não há controvérsia quanto a existência de identidade de objeto entre o processo administrativo em epígrafe e processo judicial. No entanto, requer a Recorrente que seja suspenso o presente procedimento administrativo até final decisão do Mandado de Segurança, não só na parte referente as multas, mas também e principalmente no tocante ao principal, pois se acolhida a tese, o crédito tributário restará definitivamente extinto, por questão de bom senso e de economia processual. Aduz, ainda, de forma alternativa, caso assim não entendam cabível os julgadores sobre o sobrestamento, que os seus argumentos de mérito sejam providos para anulação do Auto de Infração lavrado. Nenhum dos pedidos da Recorrente merecem ser acolhidos, isto porque restando comprovado que no processo judicial se discute a mesma matéria na qual se fundou a autuação, este Colegiado fica impedido de analisar matérias que foram levadas para o judiciário pela Empresa com a mesma identidade e objeto com o processo administrativo. Como se sabe, a discussão de determinada matéria na esfera judicial implica, necessariamente, na renúncia ao recurso administrativo quanto a mesma matéria, uma vez que o poder Judiciário detém o monopólio da jurisdição. Fl. 212DF CARF MF 4 Nesse sentido, a Súmula Carf nº1 preceitua: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (negrito nosso) Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação de decisão definitiva prolatada no processo judicial. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.906642/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Indefere-se o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitou-se a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito.
Numero da decisão: 1301-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Indefere-se o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitou-se a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Indeferese o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitouse a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 66 42 /2 00 9- 11 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.100 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através da DCOMP nº 39541.31785080507.1.3.041433, que pleiteia compensação crédito de IRPJ Estimativa Mensal, com débito também de IRPJEstimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi considerada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto ao fundamento de não ter sido comprovada a liquidez e certeza do alegado crédito, nos termos do art. 170 do CTN. O contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido em parte, para determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora, que admitiu a possibilidade de compensação de pagamento a maior de estimativa mensal e reconheceu o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, anulando a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP . Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) á luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestarse sobre a análise sumária do crédito Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.101 3 pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos á Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora. Ante o teor Acórdão nº 1801001.335, proferido pelo CARF, a Turma da DRJ encaminhou os autos em diligência para ciência da contribuinte acerca do teor do referido Acórdão e notificação da mesma para apresentação de elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, por meio dos elementos de prova previstos na legislação tributária. Cientificada, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o "mencionado crédito é legítimo, fundamentado em lei, tendo ocorrido somente erro de preenchimento na declaração de compensação, o que não é fundamento para a não homologação do crédito pleiteado";que "vislumbrase claramente a ocorrência de simples erro formal, uma vez que ao lugar de imputar o crédito decorrente de diferença positiva entre a estimativa recolhida e a efetivamente apurada pelo lucro real como saldo negativo de IRPJ, a ora impugnante o fez alocando o valor como decorrente de pagamento indevido ou a maior". Discorreu acerca dos valores considerados indevidos considerando os débitos declarados em DIPJ e DCTF em face dos pagamentos efetuados via DARF, mas não demonstrou a apuração dos tributos. Ao final requereu: "(i) o recebimento e processamento da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em seus regulares efeitos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário sob análise, nos termos do artigo151, inciso III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/65);e (ii) a homologação da compensação pretendida, uma vez que como demonstrado, o crédito é legítimo, expedindo, ao final, o despacho decisório do ato homologatório da compensação enviada, declarando assim a extinção total do crédito tributário e posterior arquivamento do processo em referência". Por despacho, foram os autos devolvidos à DRJ/Ribeirão PretoSP para prosseguimento. A 6ª Turma da DRJ/RPO proferiu novo acórdão, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O Colegiado concluiu que o indébito não continha os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Transcrevese a ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.102 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência e composição do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do 2º Recurso Voluntário (fls. 627634) Em 02/04/2014, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo. Ainda incorformado, em 17/04/2014 a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual: Argumenta que é possível a compensação de pagamento indevido de estimativa mensal; Declara que a DIPJ e DCTF comprovam que não ocorreu aproveitamento do crédito em duplicidade; Defende que em sua manifestação de inconformidade fez juntada de elementos probatórios de que o crédito é legítimo e afirma que restou comprovado que o valor a ser recolhido no mês de maio seria de R$ 4.507,87, embora a Recorrente tenha recolhido R$ 32.000,00; Por fim, requereu o recebimento e processamento do recurso, e ao final a homologação da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade invocando seu direito à compensação de estimativas mensais. Neste momento apresentou DIPJ e DCTF informando os valores apurados. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e o contribuinte apresentou recurso voluntário onde reiterou seu direito à compensação de pagamentos indevidos de estimativa mensal. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.103 5 O acórdão da 1ª Turma Especial do CARF deu provimento parcial ao recurso, posto que considerou ser possível a compensação/restituição de pagamento indevido de estimativa mensal, mas que se fazia imprescindível a comprovação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. E, considerando que não havia sido dado oportunidade para que o contribuinte se manifestasse sob a existência do crédito, anulou a decisão de 1ª Instância e determinou o proferimento de nova decisão, após pronunciamento do contribuinte sobre a existência de crédito. Destaquese que no presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal, sem que o contribuinte tivesse sido intimado para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. A Turma da DRJ, ao receber o processo, determinou a realização de diligência nos seguintes termos: Ante o teor Acórdão n.º 1801001.335, proferido pelo CARF, nos termos acima descritos, VOTO por encaminhar o processo em diligência com solicitação à Unidade de origem para que a contribuinte tenha ciência do referido Acórdão e seja notificada a, querendo, apresentar elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN, observado o disposto nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, bem como as formalidades previstas art. 5º, § 2º, do DecretoLei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos (termos e abertura e encerramento dos Livros Contábeis e Fiscais, e, no caso de Livro Diário, autenticação). Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) Decretolei nº 1.598, de 1977 Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. [...] Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (g.n.) DecretoLei nº 486, de 1969 Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.104 6 Art. 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas, seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. [...] § 2º Os livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comercio. [...] Decreto nº 64.567, de 1969 Art. 6º Os livros deverão conter, respectivamente, na primeira e na última página, tipograficamente numeradas, os termos de abertura e de encerramento. [...] À Unidade da RFB de origem para as providências de sua alçada.(grifei) Ou seja, o teor da Resolução da DRJ deixa claro que o contribuinte deveria comprovar a certeza e liquidez do seu crédito com a apresentação de sua escrituração contábil. Entretanto, apesar de regularmente intimado, o contribuinte mais uma vez limitouse a trazer aos autos cópias de declarações DIPJ, DCOMP e DCTF, sem contudo apresentar sua escrituração contábil. Não apresentou a apuração do tributo, constante das declarações apresentadas, nem tampouco demonstrou que os valores constantes das declarações foram devidamente contabilizados em sua escrita fiscal. Dessarte, restou acertada a decisão da DRJ que novamente considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento deu que cabendo o ônus da prova ao sujeito passivo, este não comprovou a existência de crédito passível de compensação. A decisão de piso ressalta que o contribuinte não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período informado para o crédito, resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração, e o débito apurado. Também deixa consignado que as declarações prestadas à RFB (DIPJ, DCTF, DCOMP) e DARFs mostramse insuficientes à adequada instrução probatória. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reitera o seu direito a compensar pagamento indevido de estimativas mensais e reafirma a existência de crédito. Em relação ao direito à compensação de pagamento indevido de estimativas mensais, entendo ser possível a caracterização do indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.105 7 Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Veja que o direito a compensar pagamento indevido de estimativa mensal restou reconhecido acórdão da Turma Especial do CARF que determinou o retorno dos autos à DRJ para dar oportunidade de o contribuinte apresentar sua escrituração contábil para comprovar o valor do tributo apurado e, por conseguinte, o indébito. Para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Todavia, apesar das várias oportunidades para apresentar documentos, seja durante a diligência, seja na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, de ter restado clara a necessidade de comprovar o indébito através da sua escrituração contábil, a Recorrente limitouse a apresentar cópias de declarações, DARF e contrato social e não demonstrou a apuração do tributo devido em face do pagamento realizado, nem a regular escrituração dos valores. Nesse sentido, ratifico o entendimento do Colegiado a quo, que entendeu ser imprescindível a apresentação de elementos probatórios, tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Portanto, ainda que seja possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, a Recorrente não logrou êxito em comprovar a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. A Recorrente limitouse a apresentar declarações e comprovantes de pagamento, mas eximiuse da obrigação de demonstrar a apuração do imposto em sua escrita contábil, apesar de devidamente intimada para tal. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.106 8 Fl. 1106DF CARF MF
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Numero do processo: 19832.000733/2008-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para envio do processo à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para envio do processo à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.000.7689 (AI 38), lavrado em razão de a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização o Livro Caixa ou o Livro Diário, solicitados por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativos ao período de janeiro/2003 a fevereiro/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 05. Em sessão plenária de 16/04/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.283 (efls. 148 a 153), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 98 32 .0 00 73 3/ 20 08 -4 5 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 292 2 Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2006 CONEXÃO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. NATUREZAS DIVERSAS DAS OBRIGAÇÕES. Para deferimento de pedido de conexão entre processos é necessário estarem presentes nos autos subsídios suficientes para analise da conexão dos processos (art. 47, do Anexo II, do RICARF, c/c art. 103, do Código de Processo Civil), e seu ônus probatório seria da parte requerente. Considerando as diversas as naturezas das obrigações originárias dos créditos constituídos em cada instrumento de lançamento, bem como as causas de pedir e objetos diversos, sem demonstração e comprovação de efetiva identidade, não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado" A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima que votaram em converter o julgamento em diligência." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 232) e, em 20/06/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 233 a 246 (Despacho de Encaminhamento de efls. 247), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 30/06/2016 (efls. 257/258). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a decisão recorrida anulou o lançamento porque entendeu que não seria possível, com base nas informações trazidas no Relatório Fiscal, concluir acerca da configuração da infração, fato este determinante para o lançamento de débito, assim, anulou o lançamento por vício material; registrese que, em nenhum momento, nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 293 3 na hipótese em apreço, a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador (incluída aqui a juntada de documentos considerados essenciais à sua comprovação aos autos), vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; na verdade, sequer se poderia cogitar que houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, tendo em vista que este afirma que foi submetido a ampla ação fiscal, redundando inclusive na lavratura de NFLD; noutra linha, não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação; como já salientado, tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador (incluída aqui a ausência de juntada de documentos que embasaram o lançamento), que em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos), isso porque em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu; logo, para se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento; tratandose de vício relacionado à exteriorização do ato administrativo, este que representa requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55, da Lei nº 9.784, de 1999. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso, para afastar a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarar a ocorrência de vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 13/07/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 261/262), a Contribuinte interpôs, em 27/07/2017 (carimbo de efls. 263), o Recurso Especial Adesivo de efls. 263 a 283. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a natureza do vício de nulidade do lançamento. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.000.7689 (AI38) lavrado em razão de a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização o Livro Caixa ou o Livro Diário, solicitados por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 294 4 relativos ao período de janeiro/2003 a fevereiro/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 05. A matéria que teve seguimento à Instância Especial diz respeito à natureza do vício, se formal ou material, sendo que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 320100.248 e 310200.780. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 257/258, o seguimento do apelo se deu mediante a análise apenas do primeiro deles. Confirase: "O Recurso Especial tem como fundamento o art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a seguinte matéria: Nulidade auto infração. Natureza vício. Formal x Material. Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nºs 320100.248 e 310200.780, que teriam decidido em sentido diverso, vejamos: Acórdão paradigma 320100.248 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que irregularidades na descrição do fato gerador informa vício material, no paradigma entendeuse que tal situação configura vício formal. O segundo paradigma não será examinado em razão da admissibilidade já reconhecida." (destaques no original) No caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, declarandose a nulidade do lançamento por vício material, considerandose que não houve a demonstração completa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito e que não foram juntados documentos obrigatórios ao lançamento. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "III – Contudo, entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, demonstram as reais bases jurídicas para entender como irregular a documentação apresentada. Como relatado não há nos autos qualquer indicação clara ou cópia do TIAD, que solicitou os documentos, e do TEAF, bem com não está claro qual foi o documento não apresentado se foi o Livro Caixa ou Diário, justamente porque não se tem provado nos autos quais documentos foram solicitados pela fiscalização. Ainda, ressaltese que à época dos fatos, a IN/INSS n. 3/2005, art. 360, XIII e XIV, colocava as presenças desses documentos como obrigatório do instrumento do lançamento. Assim, há preterição ao direito de defesa da Recorrente. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 295 5 Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/1972). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) (...) Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: (...) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Tal matéria representa um vício material." (grifei) Quanto ao único paradigma analisado para a matéria em tela Acórdão nº 320100.248 a Fazenda Nacional, visando demonstrar a alegada divergência, colacionou a ementa e trechos do voto condutor, conforme a seguir: Paradigma Acórdão nº 320100.248 Ementa "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Voto "Ratifico a motivação do voto da DRJ, por concordar com o mesmo e não merecer reparo, já que o lançamento contém vícios formais e por Fl. 295DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 296 6 estarem em desacordo com o artigo 142 do CTN, o que culmina com cerceamento do direito de defesa. Os motivos são os mesmos que baseia o voto, como a seguir se fundamenta em alguns trechos aqui trazidos, por traduzirem exatamente o meu pensamento: “Embora o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo (principalmente se levarmos em consideração que o negócio simulado levado a cabo pelos envolvidos se reveste de artimanhas que dificultam – e por vezes até mesmo impossibilitam – a comprovação material do mesmo, uma vez que, pela própria natureza do ilícito, os meios utilizados para burlar a fiscalização precisam dar aparência de negócio legal), no auto de infração persistem omissões e inconsistências no tocante à determinação da matéria tributável e subsiste a ausência de documentação idônea que sirva de base à apuração do valor correto da multa a ser aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento. (...) Temse, ainda, que as informações utilizadas para a apuração da matéria tributável restam desguarnecidas de suporte probatório. A fiscalização se utiliza de uma relação de notas fiscais de saída fornecida pela Brazilian Trade como fonte de informação para determinação da base de cálculo da infração e junta aos autos apenas algumas notas fiscais, segundo ela por economia processual. Entretanto, tal economia não se justifica, quando no caso concreto bastaria juntar as 15 notas relacionadas à fl. 05. A falta das referidas notas fiscais impedem a apreciação de argumentos da impugnante como o de que não reconhece parte das operações como sendo de sua responsabilidade. Por outro lado, convém observar que embora o presente lançamento tenha se originado de uma ampla e complexa fiscalização, que deu origem a outros lançamentos, não seria necessário juntar em todos os processos todas as notas fiscais envolvidas na operação, bastando trazer para cada um deles as cópias das notas fiscais relativas às operações objeto daquela autuação específica. Isso significa dizer que houve falta de demonstração dos dados que serviram de base à determinação da matéria tributável, a qual está intrinsecamente relacionada com a apuração do valor aduaneiro que, por sua vez, depende da identificação exata dos adquirentes de cada uma das mercadorias importadas, dentre eles a empresa arrolada como responsável solidária no caso sob exame. Portanto, se inexistem, no caderno processual, demonstrativos de cálculo escorreitos e a correspondente prova documental que lhe dê suporte, de modo a respaldar a exigência tributária, e tampouco foram cientificados à impugnante, resta explícito o vício do lançamento, caracterizado por obscuridade, omissão e inconsistência, que acabam por afetar o direito de defesa da impugnante, na medida em que não teve ciência dos critérios de cálculo e documentos que amparam a determinação da matéria tributável. Portanto, o auto de infração continua a carecer de comprovação documental necessária para dar suporte à descrição Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 297 7 dos fatos, acarretando cerceamento do direito de defesa e, por conseqüência, viciando o lançamento de nulidade. (...) Tal demonstração tem o escopo de fornecer ao sujeito passivo todas as informações pertinentes ao lançamento para que possa exercer com plenitude o seu direito de defesa, constitucionalmente assegurado, o qual restará obstado se não for possível conhecer com precisão quais são os valores e critérios de cálculo que respaldam a exigência tributária e os documentos em que se baseiam. É que o exercício da defesa abrange não só a refutação dos fatos descritos e seus efeitos legais, mas também envolve o exame e conferência dos cálculos e documentos em que se baseiam, com vista a permitir a contestação de eventuais inconsistências, assegurandose, dessa forma, o controle da atividade impositiva. Somente com o conhecimento de todos esses elementos que servem de base para a exigência tributária é que se assegura ao interessado o pleno exercício do direito de defesa. (...) O art. 142 do CTN estabeleceu os requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário e este artigo deve ser interpretado conjuntamente com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e sob o enfoque do princípio consagrado no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, o que resultará na conclusão de que a determinação da matéria tributável, a descrição dos fatos e o cálculo do montante do tributo devem estar perfeitamente explicitados no auto de infração, acompanhados ainda dos documentos em que se embasam, com vista a assegurar o contraditório e a ampla defesa ao recorrente, o que não aconteceu no caso presente. Assim sendo, observase que como o auto de infração não descreve a matéria tributável de forma completa e clara, impedindo a compreensão do crédito tributário apurado e consequentemente ensejando o cerceamento do direito de defesa, logo, cumpre declarar sua nulidade, nos termos do art. 59, II; do Decreto n° 70.235/72 c/c art. 5°, inciso LV, e art. 37, caput, da Constituição Federal. Diante do exposto, voto por negar o recurso de oficio, tendo em vista, a nulidade dos lançamentos, em razão de vício formal, sem prejuízo da formalização de novos autos de infração, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional.” De plano, verificase que o vício tratado no acórdão recorrido não foi de confusa contextualização de elementos de prova, mas de falta de demonstração dos fatos da infração imputada e da não juntada dos documentos TIAD e TEAF, obrigatórios ao lançamento. Compulsando o inteiro teor desse primeiro paradigma, constatase que a situação nele tratada em nada se assemelha à do recorrido. Os trechos colacionados confirmam que sequer os vícios em confronto guardam alguma similitude: o vício existente neste paradigma referese à ausência de demonstrativos de cálculos que serviram de base à determinação da matéria tributável, que está relacionada com a apuração do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 298 8 Assim, os vícios relatados não possuem a necessária similitude, a ponto de estabelecerse divergência jurisprudencial, exatamente no que tange à natureza do defeito se formal ou material. Com efeito, não há como discutirse a natureza do vício, quando os defeitos em confronto não demonstram similaridade. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência. Ocorre que, relativamente à matéria que teve seguimento se nulidade houve, tratase de vício formal e não material esse julgado foi o único analisado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sendo que também foi indicado como paradigma para essa matéria o Acórdão nº 310200.780. Ademais, verificase que não foi realizado o exame de admissibilidade do Recurso Especial Adesivo interposto pelo Contribuinte (efls. 263 a 283) Diante do exposto, tendo em vista que o primeiro paradigma não pode ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência, voto pela conversão do julgamento em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, examinandose o paradigma não analisado, e para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial Adesivo do Contribuinte, com posterior retorno dos autos a esta Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720171/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. A contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116).
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.
Numero da decisão: 1402-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa; ii) por unanimidade de votos: ii.i) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio; ii.ii) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao ágio na aquisição da "NDPAR" através da permuta pela "AGUAPAR", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da "CORONA" efetuado por "MANDIÇUNUNGA/DABARRA" e da subscrição de capital da "MUNDIAL" pela "COSAN 50", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira; ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; ii.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação do artigo 112 do CTN; ii.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestaram interessem em apresentar declaração de voto as Conselheiras Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. A contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116). DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa; ii) por unanimidade de votos: ii.i) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio; ii.ii) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 71 /2 01 6- 17 Fl. 6891DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.892 2 Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao ágio na aquisição da "NDPAR" através da permuta pela "AGUAPAR", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da "CORONA" efetuado por "MANDIÇUNUNGA/DABARRA" e da subscrição de capital da "MUNDIAL" pela "COSAN 50", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira; ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; ii.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação do artigo 112 do CTN; ii.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestaram interessem em apresentar declaração de voto as Conselheiras Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Da autuação: Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.893 3 Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2011 e de 2012. A Fiscalização apurou, no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações: 1. Despesas não comprovadas; 2. Falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada. As presentes autuações fiscais são uma extensão da ação fiscal referente ao período de apuração de 2006 a 2009, processo administrativo fiscal nº 16561.720093/201138, onde foram detectadas as infrações “amortização de ágio” e “compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”. A amortização de ágio foi gerado a partir de operações societárias de incorporações sucessivas Em decorrência das infrações, foram apurados os seguintes valores de crédito tributário constituído: Imposto/Cont. Juros Multa (75%) Total IRPJ 29.181.372,08 13.787.502,84 21.886.029,06 64.854.903,98 CSLL 10.522.573,95 4.971.671,00 7.891.930,46 23.386.175,41 SubTotal 39.703.946,03 18.759.173,84 29.777.958,77 88.241.079,39 Multa Isol. IRPJ 3.639.730,52 Multa Isol. CSLL 1.282.942,00 Total 84.330.564,58 37.518.347,68 59.555.917,54 181.404.829,8 Valores em R$ 1,00 juros corrigidos até dezembro/2016. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: Trata o presente processo da exigência fiscal formulada contra à interessada acima identificada, por meio de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 29.181.372,08 e R$ 10.522.573,95, acrescidos de juros de mora, calculados com emprego da taxa Selic, e de multa de ofício, determinada à razão de 75%. Houve, também, exigência de multa isolada, referentes ao IRPJ e a CSLL, de R$ 3.639.730,52 e R$ 1.282.942,00, respectivamente. O lançamento referese aos anoscalendário 2011 e 2012. Autos de infração às fls. 6.151 e ss. No período, a interessada era tributada pelo regime do lucro real. Fl. 6893DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.894 4 O enquadramento legal empregado pela fiscalização consta dos autos de infração. Fora consignado no termo de verificação e constatação fiscal (fls. 6.065 e ss), em síntese, o seguinte: · que a presente autuação é fruto da extensão da ação fiscal referente ao período de apuração de 2006 a 2009, PAF nº 16561.720093/201138, onde foram detectadas as infrações “amortização de ágio” e “compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”; · que estes autos versam sobre “amortização de ágio”, gerado a partir de operações societárias de incorporações sucessivas; · que, além da interessada, relacionamse ao caso as seguintes pessoas jurídicas ou grupos de pessoas jurídicas: 1. Usina da Barra S.A – Açúcar e Álcool (doravante, BARRA 44). Até agosto de 2002, seus sócios eram Cosan Indústria e Comércio S.A (doravante COSAN 50) e Adm de Participações Aguassanta Ltda (doravante AGUASSANTAP), com 45,4% e 54,6% de participação, respectivamente. Após, a COSAN 50 passou a titularizar a integralidade das ações. 2. Agrícola Diamantina S.A (doravante DIAMANTINA). Sócios: Edda Corona Ugolini (doravante EDDA), Sérgio Roberto Ugolini (doravante SÉRGIO), Maria Eloisa Ugolini (doravante ELOÍSA) e Maria Regina Ugolini Chamma (doravante REGINA), com as respectivas participações no capital social iguais a 0,5%, 0,5%, 33% e 33%. 3. Monte Alto Agropecuária Ltda (doravante MONTE ALTO). Sócios: Sócrates Nasser (doravante SÓCRATES) e Vivian Antonieta Corona Nasser (doravante VIVIAN), cada um com 50% da sociedade. 4. Novadec Participações Ltda (doravante NOVADEC). Sócios: SÓCRATES e VIVIAN, respectivamente, detentores de 37,5% e 62,5% das quotas. 5. Grupo Cosan. Em 2001, a Aguassanta Comercial, Importadora e Exportadora S.A (doravante AGUASSANTAC) foi constituída pela AGUASSANTAP, que detinha 100% de seu capital. Até 2004 ficou inativa, ocasião em que adotou a razão social Cosan Comercial Exportadora e Importadora Ltda. Na DIPJ/2006, seu representante informado era Rubens Ometto Silveira Mello (doravante RUBENS). 6. ND Par Participações Ltda (doravante NDPAR). Constituída em maio de 2005, tendo como sócios DIAMANTINA (99,99%) e SÉRGIO (0,01%). A DIAMANTINA subscreveu e integralizou capital com ações da Açucareira Corona S.A (doravante CORONA), primeira denominação da interessada. 7. Agrícola Mandiçununga S.A (doravante MANDIÇUNUNGA). Constituída em dezembro de 2004, com a denominação EPC Administração e Participações Ltda (doravante EPC), pelos sócios Belga Empreendimentos e Participações Ltda (doravante BELGA) e Fl. 6894DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.895 5 RUBENS, este também seu administrador. Inativa até fevereiro de 2006. Inicialmente, seu capital social era de R$ 1.174.174,00, sendo R$ 1.000,00 subscrito e integralizado por RUBENS. Em 07/12/2005, o capital social foi retificado para R$ 1.100,00 e RUBENS manteve sua participação de R$ 1.000,00, cedendo, na mesma ocasião, suas quotas à Gratia Administração e Participações S.A (doravante GRATIA), representada pelo próprio RUBNES e por Pedro Isamu Mizutani (doravante PEDRO). A transformação da EPC em MANDIÇUNUNGA se deu após esta cessão. 8. Aguapar Participações e Investimentos Ltda (doravante AGUAPAR). Constituída em 31/01/2006, tendo como sócios COSAN 50 (99,999%) e RUBENS (0,001%). Em 02/02/2006, COSAN 50 e RUBENS cederam todas as suas quotas para a MANDIÇUNUNGA, ato que lhe serviu para o aumento do capital social. Nesta mesma data, o capital social da AGUAPAR também foi aumentado em R$ 133.359.504,00, mediante emissão de quotas de valor unitário R$ 1,00 que foram subscritas e integralizadas pela MANDIÇUNINGA (R$ 113.357.104,00) e CORONA (R$ 20.002.400,00). Em 16/02/2006, a CORONA cedeu a totalidade de suas quotas à MANDIÇUNUNGA. Em 21/02/2006, foi formalizada a “permuta” da AGUAPAR pela ND PAR, com a saída da sociedade da MANDIÇUNUNGA, para assunção do controle pela família Ugolini, controladora da ND PAR e da DIAMANTINA. Em 28/09/2007, ocorreu a cisão parcial da AGUAPAR, com parte de seu patrimônio transferido à DIAMANTINA. 9. FBA – Franco Brasileira S.A Açúcar e Álcool (doravante FBA). Constituída em novembro de 2000, resultante de uma joint venture da COSAN 50 com as sociedades Union SDA da Barra Ltda (doravante USDAB) e Sucden Investimentos S.A (doravante SUCDENI). Em 17/02/2000, USDA Participações S.A (doravante USDAP) e Sucden Participações S.A (doravante SUCDENP) aumentaram o capital da FBA, gerando um ágio de R$ 22.991.609,16. Em 28/02/2001, a FBA incorporou USDAB e SUCDENI, com isso seu capital social passou de R$ 52.393.573,00 para R$ 123.779.781,96. Em 10/04/2001, a FBA adquiriu 99,96% da Univalem S.A Açúcar e Ácool (doravante UNIVALEM) e 50% da Gasa – Guanabara Industrial S.A (doravante GASA), gerando um ágio de R$ 24.117.658,24. Em 28/08/2001, a FBA foi incorporada pela UNIVALEM. EM 24/05/2002, a FBA adquiriu da sócia Grandene os 50% restantes da GASA. Em 27/01/2003, a GASA incorporou sua controladora FBA e adotou esta como sua nova razão social. Em 19/11/2004, a FBA constituiu a Nova FBA Industria e Comércio Ltda (NFBA). Em 21/01/2005, a NFBA adquiriu 98,34% da Destivale – Destilaria Vale do Tietê (doravante DESTIVALE) e em 13/04/2005 adquiriu a parcela remanescente, ao custo total de R$ 78.057,00. Em 27/04/2005, a DESTIVALE incorpora sua controladora NFBA. Em 10/05/2005, ocorreu a redistribuição do capital com a NFBA, que era sócia majoritária da DESTIVALE, da Destilaria Agropecuária Ltda (doravante DESTILARIA) e do Auto Posto Destivale (doravante DESTIVALE AP). Em 31/05/2005, a COSAN recebe 52,5% do capital da FBA, passando a deter 99,9% e tendo o seu capital social alterado para R$ 376.722.025,59. Em 29/07/2005, a COSAN incorporou sua controladora Cosan S.A Refinadora de Açúcar (COSANR). Em Fl. 6895DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.896 6 09/05/2006, a FBA foi incorporada pela Usina da Barra 48 (doravante BARRA 48). 10. Danco Participações S.A (doravante DANCO). Constituída em 16/11/2000, com capital social de R$ 1.000,00, por RUBENS – com participação de R$ 10,00 – e Usina Santa Helena S.A Açúcar e Álcool (doravante SANTA HELENA) – com participação de R$ 990,00. Mantevese em situação de inatividade até fevereiro de 2007. · que a interessada utilizou, nesta ordem, as seguintes denominações: CORONA, BARRA 48, Usina da Barra 08 (doravante BARRA 08) e Raizen Energia S.A (atual); · que, até setembro de 2005, o quadro societário da Corona era composto por: DIAMANTINA, MONTE ALTO e NOVADEC, cada uma com 33,33% de participação; · que, em 30/09/2005: (i) SÓCRATES subscreveu ações da interessada (então, CORONA), no valor de R$ 96.680.456,16, integralizadas por meio de notas promissórias prosoluto que totalizaram R$ 104.990.225,80, dos quais R$ 76.678.056,16 serviram para aumentar o capital social e R$ 28.312.169,66 foram destinados à conta “reserva de ágio”; e (ii) DIAMANTINA subscreveu ações da interessada, no valor de R$ 20.002.400,00, integralmente vertido para o capital social. Dessa forma, o capital social da CORONA passou de R$ 37.895.000,00 para R$ 134.574.919,45 [embora R$ 37.895.000,00 + R$ 76.678.056,16 + R$ 20.002.400,00 seja igual a R$ 134.575.456,16]; · que, fruto das sobreditas subscrições, a participação acionária na CORONA passou a ser de 34,99% para a NOVADEC, 34,99% para a MONTE ALTO e 30,02% para a DIAMANTINA; · que, em 13 de outubro de 2005, MONTE ALTO e NOVADEC venderam suas participações na CORONA – bem como nas subsidiárias Açucareira Nova Tamoio S.A (doravante TAMOIO) e Bonfim Nova Tamoio BNT Agrícola Ltda (doravante BNT) – para a empresa Fluxo Comércio e Assessoria Internacional S.A (doravante FLUXO), que cedeu metade dessa participação para a AGUASSANTAC, que passou, então, a deter 34,99% do capital social da CORONA; · que, também em 13/10/2005, o capital social da NDPAR foi aumentado para R$ 160.037.401,00, fruto de integralização de capital feita pela DIAMANTINA mediante entrega de ações da CORONA – as mesmas ações que a DIAMANTINA havia subscrito em 30/09/2005. Ao final desta operação, o capital da CORONA estava dividido entre o grupo Cosan, a FLUXO – cada uma com 34,99% e a NDPAR, com 30,02%; · que, em 01/02/2006, a COSAN 50 adquiriu a parte da FLUXO na CORONA, aumentando sua posição para 69,98% e pagando nessa aquisição o equivalente a R$ 154 milhões. Na mesma data, BELGA e GRATIA cederam gratuitamente suas ações da MANDIÇUNUNGA para a COSAN 50; · que, em 08/02/2006, ELOÍSA, REGINA, ROBERTO, EDDA e SÉRGIO (sócios na DIAMANTINA) firmaram com a MANDIÇUNUNGA e a Fl. 6896DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.897 7 CORONA (quotistas da AGUAPAR, em formação) instrumento de permuta de quotas da NDPAR por quotas da AGUAPAR; · que, em 09/02/2006, a NDPAR foi transferida pela DIAMANTINA à ELOÍSA, à REGINA e ao ROBERTO; · que, em 16/02/2006, a CORONA cedeu à MANDIÇUNUNGA a totalidade das quotas que detinha da AGUAPAR; · que, em 28/02/2006, a COSAN 50 subscreveu e integralizou novas ações emitidas pela MANDIÇUNUNGA. Na mesma data, a denominação social da MANDIÇUNUNGA foi alterada para Dabarra Participações S.A (doravante DABARRA) e foi convertida em subsidiária integral da COSAN 50. Também na mesma data, a CORONA aumentou seu capital social em R$ 480.365.561,00, montante totalmente subscrito e integralizado pela DABARRA, com os mesmos ativos que havia aumentado seu próprio capital na mesma data, horas antes. Ainda em 28/12/2006, a COSAN 50 adquiriu 99% e a BARRA 48 adquiriu 1% da DANCO; · que, em 31/03/2006, a CORONA incorporou a BARRA 44, alterando sua denominação para BARRA 48 e o endereço de sua sede para o da antiga sede da BARRA 44; · que, em 31/03/2006, a BARRA 48 deliberou pela incorporação (além da BARRA 44), da FBA, da DESTIVALE, da DESTIAGRO, da NDPAR, da DABARRA e da TAMOIO. Na mesma data, a Munidal Açúcar e Álcool S.A (doravante MUNDIAL) aumentou seu capital social em R$ 60.876.070,00, totalmente subscrito e integralizado pela COSAN 50; · que, em 28/02/2007, a DANCO – empresa inativa até então e com capital social de R$ 1.000,00 – incorporou a BARRA 48 – empresa com capital de R$ 660.518.604,29 e ativa desde 1956, passando a adotar a denominação BARRA 08; · que, em 10/12/2009, a BARRA 08 alterou sua razão social para Cosan Açúcar e Álcool S.A (doravante COSAN 08); · que, em 01/06/2011, a COSAN 08 alterou sua razão social para Raízen Energia S.A; · que, destas operações relacionadas, três dizem respeito a ação fiscal destes autos: (i) ágio na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) ágio na subscrição de capital da CORONA pela MANDIÇUNUNGA; e (iii) ágio na subscrição de capital da MUNDIAL; · que o valor total dos ágios apurados na subscrição de capital da CORONA e na aquisição da NDPAR foi de R$ 618.489.620,16. Entretanto, na CORONA, o ágio obtido pela incorporação da DABARRA e da NDPAR foi contabilizado por R$ 551.010.000,00, com taxa de amortização de 10% ao ano; · que, com a Lei nº 11.638/07 e a MP nº 449/08, foi alterada a forma de contabilização de ágios em aquisições de controladas e coligadas avaliadas pela equivalência patrimonial, de forma que a utilização da via de constituição de empresas veículo com o único objetivo de contornar a restrição legal à amortização do ágio, apenas para pagar menos tributos, Fl. 6897DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.898 8 como fez a interessada, tornam indedutíveis as despesas de amortização, por se tratar de ágio inexistente; · que, dessa forma, os valores glosados foram os seguintes: (i) referente a 2011, R$ 57.979.055,56; e (ii) em 2012, R$ 58.938.432,81. Em ambos os períodos, tratase ágio das sociedades DABARRA, NDPAR e MUNDIAL, conforme discriminado no item 7.1.1 do relatório fiscal; · que os valores acima mencionados foram obtidos: (i) nos demonstrativos de composição dos valores declarados na ficha 36A das DIPJ; (ii) nos demonstrativos apresentados pela interessada no curso da ação fiscal; e (iii) no Lalur do período auditado, com base nos valores lá excluídos; · que, ante a insuficiência de pagamento de estimativas de IRPJ e de CSLL, pela recomposição das bases de cálculos em razão das glosas, foi aplicada multa isolada; · que, com base nos artigos 129 e 132 do CTN, bem assim no atigo 207, III, do RIR/99 cabe a imputação de responsabilidade tributária à interessada, inclusive quanto às multas, em razão da sua qualidade de incorporadora; Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificada (i) do termo de constatação e verificação fiscal e dos autos de infração (e anexos) em 12/12/2016 (fls. 6.185) e (ii) do termo de ciência de lançamento e encerramento em 21/12/2016 (fls. 6.193 e 6.199), a interessada interpôs, em 09/01/2017 (fls. 6.200), a impugnação de fls. 6.201 e ss, alegando, em síntese: · que decaiu a possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos que deram origem aos ágios, uma vez que decorreram de operações societárias efetivadas entre 02/2006 e 03/2006 – aquisição da NDPAR e aumento de capital da CORONA – e entre 03/2006 e 10/2006 – aumento de capital na MUNDIAL. Ou seja, muito embora os ágios tenham sido amortizados nos anosbase 2011 e 2012, o fato contábilsocietário, que deu origem aos referidos ágios, ocorreu em 2006, e, assim, “os ‘fatos geradores’ do IRPJ e da CSLL correspondem, em síntese, à obtenção de resultados que provocam acréscimo patrimonial, a contagem do prazo decadencial em relação aos referidos tributos deve ter início a partir do momento em que os fatos jurídicos tributários formadores deste acréscimo patrimonial forem reconhecidos, ou seja, no presente caso, a partir do fato jurídico impugnado (origem dos ágios em 2006), e não a partir da sua amortização, em 2011”; · que os argumentos fiscais para a desconsideração do ágio da NDPAR não possuem qualquer fundamentação legal, ao passo que “as operações em foco atenderam a todos os requisitos legais para registro e amortização do ágio” e “todos os atos societários que acarretaram o aproveitamento do ágio pela Impugnante deramse de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos”. “Da análise do ‘filme’ das operações efetivamente ocorridas, constatase que as operações societárias (‘várias fotografias’) que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.899 9 visavam, desde sempre, a aquisição da NDPAR, detentora da participação societária na Corona, pela Mandiçununga. Dessa forma, verificase desde já que a dedutibilidade fiscal do ágio é uma mera consequência do conjunto das operações analisadas, com o efetivo propósito negocial”. Tal aquisição foi conseguida pela realização da permuta NDPAR x AGUAPAR, realizada entre a Família Ugolini e a MANDIÇUNUNGA; num contexto que “envolve processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimento em novos negócios e mercados, o que, inclusive, se verifica na própria operação de aquisição do controle acionário da Açucareira Corona”, já que “o evidente abismo financeiro em que se encontrava a Corona (...) ensejou a principal dissidência entre os sócios da Corona, após a entrada da Fluxo e da Cosan no negócio, (...) mesmo após os diversos esforços conduzidos pelos novos acionistas, aliados à atuação da acionista remanescente, NDPAR, para reerguer financeiramente a Corona, esta ainda permanecia em situação de grave endividamento, principalmente com fornecedores, o que, por óbvio, não era interessante para o desenvolvimento de suas atividades e, por consequência, realização do investimento pelos acionistas. Neste contexto, a solução encontrada foi a realização de novo aporte de capital na Corona, com o objetivo de evitar a falência do negócio. No entanto, a Fluxo e NDPAR não possuíam recursos suficientes para assim prosseguir, de forma que, caso o aumento fosse realizado inteiramente ou principalmente pelo Grupo Cosan, ocorreria a diluição de suas participações societárias e perda do controle na tomada de decisões, situação que não era de interesse daquelas sociedades, levandoas a optarem por se desfazer do negócio, alienandoo ao Grupo Cosan”; · que “é evidente, de plano, o equívoco cometido pela Autoridade Fiscal ao se manifestar acerca da suposta inexistência de laudo para justificar o preço (e o ágio) pagos na aquisição da NDPAR, pois além de a legislação de regência não trazer um rigor formal, exigindo a apresentação de um ‘laudo’ na forma como descrita no TVF, o laudo em questão foi, de fato, elaborado por empresa de auditoria independente (Deloitte), datado de 31/01/2006 (doc. 04, já citado), ou seja, antecipadamente à operação de permuta, a fim de se aferir corretamente o valor das ações da Corona, único ativo da NDPAR (...) o referido laudo de avaliação reflete uma análise econômica da Corona, tendo em vista que, conforme já mencionado e reconhecido no próprio TVF, a NDPAR possuía, como único ativo, a participação detida naquela sociedade. Ou seja, a análise da expectativa de rentabilidade futura da Corona reflete a expectativa quanto à NDPAR. Assim, resta evidente pela análise da conclusão do Laudo de Avaliação dos auditores independentes, elaborado nos termos da Lei, que o valor do ágio decorrente da aquisição, pela Mandiçununga, da NDPAR estava, sim, amparado no fundamento econômico da rentabilidade futura, o que desqualifica, portanto, a afirmação feita pela Autoridade Fiscal”; · que “o ágio ou deságio gerado em operações como as ocorridas no presente caso decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial, previsto no artigo 248, da Lei das S/A (Lei nº 6.404/76)12. No presente caso concreto, a aquisição deuse entre partes independentes, quais sejam, as pessoas físicas acionistas da NDPAR e a Mandiçununga (Dabarra), controladora da Aguapar, mediante permuta da participação societária detida pelas partes nas sociedades mencionadas”; · que, quanto ao ágio na DABARRA, os argumentos fiscais não possuem qualquer fundamentação legal. A crise financeira enfrentada pela CORONA, inclusive com elevado passivo fiscal, motivou o grupo Cosan a efetuar o aumento do seu capital, Fl. 6899DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.900 10 “integralizado diretamente pela Mandiçununga (Dabarra)”. Assim, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em despender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o plano de negócios traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades, além do atingimento de novos mercados”. Ademais, “o registro do referido ágio tem como suporte o mesmo laudo de avaliação econômica da Corona elaborado pela Deloitte para fins da operação de aquisição da NDPAR por permuta (...) considerandose que as duas operações (i.e. a aquisição da NDPAR por meio de permuta e o aumento de capital na Corona) são contemporâneas, efetivadas ao final do mês de fevereiro de 2006, o laudo de avaliação da Corona datado de 31/01/2006 é plenamente suficiente para suportar os dois ágios”. Acrescentou a defesa que “ao fundamentar a glosa da despesa com o ágio em foco, a Autoridade Fiscal questiona, ainda, a validade do ágio gerado no aporte de capital feito pela Cosan 50 na Usina da Barra 44, transferido à Corona na integralização do aumento de capital na Corona (...) Contudo, o entendimento fiscal neste tocante também não merece prosperar, tendo em vista, primeiramente, que o referido ágio da Usina da Barra 44 sequer ensejou qualquer despesa com amortização nos anosbase do presente lançamento”. Mas que “na remota hipótese da desconsideração do ágio da Usina da Barra 44 na capitalização da Corona, (i) o efeito no presente caso seria apenas a glosa parcial do ‘Ágio Dabarra’ (exclusão do montante de R$ 22.894.988,00 da composição de tal ágio), mas jamais a desconsideração integral desse ativo, ou, ao menos, (ii) o presente processo deverá ser sobrestado até o encerramento definitivo do processo administrativo nº 16561.720093/201138 que trata sobre esse ágio, como reconhecido pela própria Autoridade Fiscal”; · que “a figura do ágio decorrente de operação dentro do mesmo grupo econômico, conhecida como ágio intragrupo ou, ainda, ágio interno, não pode ser desconsiderada pela Autoridade Fiscal. Isso porque, a própria ciência contábil não veda o ágio decorrente de operação realizada em um mesmo grupo econômico. O que não se aceita é, na verdade, o ágio gerado dentro de uma mesma entidade considerada de forma individual”; · que “o aumento de capital na Usina da Barra 44 se deu por meio de cessão de créditos no valor de R$ 70.000.000,00, em conta corrente que a Cosan 50 detinha com a Usina da Barra 44. Vejase, aqui, que não se trata de ausência de pagamento, como busca caracterizar a Autoridade Fiscal. De fato, o que se tem é a cessão de um crédito, de forma que a Cosan 50 passa a possuir um débito futuro com a Usina da Barra 44, em troca de participação societária em seu capital (por conseguinte, uma aquisição)”; · que “com relação ao questionamento fiscal quanto ao laudo de avaliação para aferição do valor justo de mercado das ações da Usina da Barra 44, deve se ter em conta que, tratandose de avaliação de empresa em operação ou de ações de empresa em operação, o artigo 170, § 1º, da Lei das S/A estabelece que o preço de emissão das ações em processos de aumentos de capital deverá ser fixado, tendo em vista, alternativa ou conjuntamente: (...) I – a perspectiva de rentabilidade da companhia; II – o valor do patrimônio líquido da ação; III – a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio em função das condições de mercado. (...) Portanto, diferentemente do alegado pela Autoridade Fiscal, o fato das informações e dados que basearam o laudo de avaliação terem sido fornecidas pela Cosan 50 em nada desqualificam o efetivo aumento de capital que se processou na Usina da Barra 44”; Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.901 11 · que “os argumentos fiscais para justificar a suposta invalidade do ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos” e que “seguindo em linha com o processo de ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados, o Grupo Cosan efetuou a aquisição da Mundial, ao passo que, após esta negociação, passou a uma capacidade conjunta de produção de 32,8 milhões de toneladas de canadeaçúcar. (...) a partir da aquisição em foco e competente adequação dos critérios contábeis adotados pela Mundial aos padrões estabelecidos pelo Grupo Cosan, verificouse a existência de vultoso passivo a descoberto que, necessariamente, deveria ser suprido”; · que, quanto ao entendimento da fiscalização de terem sido utilizadas “empresas veículo” no caso em tela, “a interpretação da Autoridade Fiscal não merece guarida. Isso porque, conforme demonstrado por todo o até aqui exposto, as decisões de constituição e manutenção da Mandiçununga, bem como das demais sociedades que participaram das operações em análise, obviamente não foram respaldadas só em razão do seu efeito no campo tributário, mas também em diversos fatores de natureza estritamente negocial. Inicialmente, frisese que o E. CARF vem entendendo que o instituto do ‘propósito negocial’ não possui previsão no ordenamento jurídico pátrio, tendo surgido com base exclusivamente em corrente doutrinária, que foi refletida em parte da jurisprudência. Logo, deve ser afastada a aplicação do supracitado instituto em razão do princípio da legalidade, o qual deve ser respeitado pelo Fisco”. Ainda que devesse ser observado o interesse econômico na geração dos ágios amortizados, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em dispender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o planejamento traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades”; · que, “ainda que as empresas Mandiçununga, NDPAR e Aguapar fossem meras ‘sociedades veículo’ utilizada para permitir o aproveitamento de ágio, o que se alega apenas a título argumentativo, devese destacar que não há vedação legal para a sua utilização nas reestruturas societárias (...) não sendo a utilização da empresa veículo proibida por lei, sua utilização não pode ser tolhida pelo Fisco. Em linhas gerais, empresas holding, sem estrutura operacional, utilizadas dentro de estruturas societárias que envolvam o registro de ágio e que, normalmente, são extintas no decorrer de tal processo, em razão de incorporação, são comumente conhecidas como ‘sociedades veículo’ (...) devese observar que, em diversas operações, a constituição de uma ‘sociedade veículo’ é indispensável para que se obtenha o propósito negocial pretendido”; · que “muito embora a Impugnante tenha realizado as operações em questão por razões extra tributárias, vale salientar que não pode o Fisco pretender adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados na administração da sociedade empresária, como pretendeu a Autoridade Fiscal nos presentes autos. Deveras, a liberdade de auto organização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. O mais importante deles, o princípio da legalidade, é basilar em nosso ordenamento jurídico, estando previsto de forma genérica no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, e, dada sua cabal importância, adotado específica e expressamente para fins tributários no artigo 150, inciso I, do mesmo diploma (...) Efetivamente, não havendo norma que proíba a pessoa jurídica de realizar a operação de determinada maneira, não se pode pretender impedir o contribuinte de realizála, partindose de premissas baseadas exclusivamente em Fl. 6901DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.902 12 fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual; a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes, que são verdadeiros princípios constitucionais”; · que “o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixou, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e parágrafos, da Lei nº 7.689/88), não arrolando, como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Assim, tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, da parcela do ágio, não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige”; · que “caso venhase a decidir pela manutenção do lançamento que deu origem a este processo, o que se alega ad argumentandum, e tal decisão ocorra pelo voto de qualidade, isto é, por meio de julgamento em que haverá empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração, não podendo subsistir as multas aplicadas na lavratura dos autos de infração ora combatidos”; · que “para o E. CARF sequer é admitida, após o encerramento do anocalendário, a exigência do IRPJ e da CSLL sobre estimativas não recolhidas, com muito mais razão não poderá haver a exigência da multa sobre os tributos não recolhidos por estimativa, uma vez que o lançamento da multa de ofício cumpre esse papel, assim como ocorre nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, na hipótese de saldo devedor no ajuste do exercício. Desta feita, não poderia a Autoridade Fiscal, no presente caso, apurar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa para aplicação dessa penalidade (...) Outrossim, devese ter em conta que, ainda que fosse possível lançar, após o encerramento do anobase, multa isolada em razão do não recolhimento dessas estimativas, o que se alega a título de argumentação, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade. (...) Insta ressaltar que o E. CARF aprovou o enunciado da Súmula nº 105, onde restou firmado o entendimento de que ‘A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício’ o qual vem, inclusive, sendo aplicado pela C. CSRF”; · que “ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal”. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.903 13 ATOS NORMATIVOS. ENTENDIMENTO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. VINCULAÇÃO DRJ. As Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas do CARF aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda e com efeito vinculante em relação à administração tributária federal (Portaria MF nº 383/2010) e ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos (art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011). LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo cuja exigência se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação decai em cinco anos, contados: (a) da data da ocorrência do fato gerador, se houve pagamento espontâneo, ou (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na ausência de pagamento prévio. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu em lapso temporal próximo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos normativos regularmente insertos no ordenamento jurídico. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPONIBILIDADE AO FISCO. ABUSO DO DIREITO. PROPÓSITO NEGOCIAL. Para que um planejamento tributário seja oponível ao fisco, não basta que o contribuinte, no exercício do direito de autoorganização, pratique atos ou negócios jurídicos antes dos fatos geradores. Além disso, é necessário que haja um propósito negocial, de modo que o exercício do direito seja regular. CSLL. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Fl. 6903DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.904 14 Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto normativo que lhe comina. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. NÃO CONCORRÊNCIA. Por decorrerem de distinta motivação, não concorrem, entre si, as multas de ofício incidentes sobre tributos devidos em razão de irregularidades apuradas as denominadas multas isoladas que derivam do não recolhimento de estimativas de tributos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado pela unanimidade do colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: afastou a decadência pleiteada pois o momento da infração é quando o tributo deixou de ser pago, e a mesma não é atingida pelos arts. 150,§4º e 173,inc. I do CTN; A análise da licitude desses ganhos já fora desenvolvida, com proficiência, nos autos do processo nº 16561.720093/201138. Lá, tratouse dos ágios na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA e na subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA. No entanto, a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele, guarda total relação com os fatos já julgados no citado PAF. Como bem disse a interessada, o “ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos”. para tanto, traz excertos do voto anterior, proferido no processo retromencionado, em que se analisa a legislação aplicável aos casos de ágio; nestes excertos, a conclusão foi o seguinte: Portanto, no presente caso, a amortização do ágio decorrente de operações societárias, não pode ser reconhecido pelos seguintes motivos: 1. A autuada não apresentou justificativas plausíveis, os quais justificassem a operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados bem como sobre os motivos pelos quais a Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.905 15 permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50; 2. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita; 3. As empresas foram constituídas tendo com único objetivo a transferência de ativos (empresas veículos) nas aquisições de outras empresas; 4. O tempo decorrido entre as operações, muito curta, denota o propósito apenas de viabilizar a constituição do ágio e seu posterior aproveitamento pela incorporadora (o trânsito pela Dabarra do aumento de capital com ativos que saíram da Cosan 50 no dia 28/02/2006, às 9 horas, e às 18 horas do mesmo dia foram entregues para a Corona); 5. A pessoa jurídica foi, de fato, constituída para fins específicos, ou seja, utilizada apenas para abrigar determinadas operações e evitar a incidência de tributos; 6. A utilização de "empresa veículo ou de passagem", que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso; 7. A criação "sociedade efêmera" ou empresa de curta duração que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Foi o que ocorreu no planejamento em que uma sociedade é criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto a empresa pode desaparecer. Foi o que ocorreu com as empresas NDPar e Dabarra (antiga Mandiçununga), as quais desapareceram; 8. A reorganização societária com a finalidade única de pagar menos tributos configura abuso de direito, situação inaceitável no âmbito tributário; 9. O ativo intangível correspondente ao ágio por expectativa de rentabilidade futura só pode ser reconhecido se adquirido de terceiros e nunca pode ser reconhecido aquele gerado pela própria empresa ou dentro do conjunto de empresas sob controle comum. Por não ser esse tipo de ágio passível de reconhecimento contábil, não se pode admitir que a sua amortização seja dedutível tributariamente, pois, do contrário, estarseia a admitir a dedutibilidade de uma despesa inexistente. ao final, conclui que de todo o exposto, fica patente a ausência de fundamento econômico nas operações societárias levadas a efeito pela interessada. A defesa pugna pela observação do conjunto dessas operações, e não por cada uma de per si. E é exatamente a observação teleológica do caso que aponta, com clareza hialina, para a realização de um planejamento tributário abusivo. Isoladamente e do ponto de vista formal, as operações ostentam legalidade, transparência e publicidade, que, no entanto, não lhes garantiu a necessária legitimidade, posto que ausente o propósito negocial: a única finalidade foi a economia de tributos; Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.906 16 no caso concreto, houve abuso de direito, nos termos do art. 187 do Código Civil; manteve a multa isolada aplicada, por respeito à literalidade da lei aplicada; aplicase à multa de ofício o mesmo tratamento do crédito tributário, no que tange a cobrança de juros. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos, repisando praticamente os mesmos elementos suscitados na sua peça impugnatória, e rebatendo alguns pontos suscitados no v. acórdão recorrido. Em síntese: preliminar da nulidade da decisão recorrida em razão da falta de fundamentação alegação que houve substancial transcrição da acórdão de primeiro grau proferido nos autos do processo administrativo 16561.720093/201138, não apreciando os argumentos expostos na sua impugnação. Entende que houve omissão de diversos pontos essenciais da defesa, o que afastaria o exercício do contraditório e da ampla defesa; do direito decadência / preclusão do direito de o fisco questionar a legitimidade do crédito compensado, considerando o momento em que ocorreram as reorganizações societárias e o momento da autuação fiscal; da subsistência das operações que culminaram na apuração dos ágios possibilidade de seu aproveitamento fiscal: a) ágio NDPAR infundadas questões suscitadas pela fiscalização e turma julgadora a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio NDPAR: houve a efetiva operação realizada todos os atos societários se deram de forma lícita e adequada; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan (razão da dificuldade na administração conjunta do negócio, optouse por adquirir o controle integral daquela sociedade (CORONA) com a retirada dos demais sócios); houve validade do laudo de avaliação econômica a justificar o registro do ágio pela aquisição da NDPAR; b) ágio DA BARRA infundadas questões suscitadas pela fiscalização e turma julgadora a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio; Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.907 17 houve a efetiva operação realização todos os atos societários se deram de forma lícita e adequada; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: grave crise financeira na CORONA, que fez o aumento de capital ser necessário; ao final, sobre a discussão deste ágio, conclui que: houve licitude das operações, a aquisição se deu entre partes independentes, a permuta é considera uma forma de alienação e o custo de aquisição é o valor pelo qual o investimento cedido se encontrava registrado; c) ágio Mundial infundadas questões suscitadas pela fiscalização e acórdão recorrido a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio Mundial; houve a efetiva operação realização; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: busca da ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados; Argumentos aplicáveis a todos os ágios: inexistência de sociedade veículo; e de qualquer forma, há jurisprudência do CARF que lhe dá validade; teoria do propósito negocial aplicabilidade às operações praticadas; coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico; opção legal e impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte; validade do ágio interno para o direito; inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, das despesas com a amortização dos ágios considerados indedutíveis pela autoridade fiscal; impossibilidade de exigência da multa a aplicação do art. 112 do CTN; impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa; ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; Ao final, transcrevo seu pedido: IV DO PEDIDO Pelo exposto, a Recorrente requer a este E. Conselho o recebimento, o conhecimento e o provimento do presente recurso voluntário, com a consequente reforma da decisão ora recorrida, seja com base na preliminar suscitada, seja pela insubsistência Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.908 18 da exigência fiscal no mérito, com o consequente cancelamento integral do crédito tributário objeto de lançamento. Ainda, caso não seja determinado o cancelamento integral do crédito tributário, o que se alega a título argumentativo, requer se, ao menos, (i) a exoneração da multa isolada em razão da alegada falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL; e (ii) a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, haja vista a ausência de previsão legal nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Das operações em litígio Antes da análise pertinente aos ágios em discussão no presente processo, cabe ressaltar que no momento das reorganizações societárias (por volta de 2006) a pessoa jurídica que registrou os ágios tinha a razão social de Açucareira Corona S/A (CORONA), e foi absorvida pela recorrente, conforme o histórico abaixo: em 05/05/2006 foi constituída a DANCO Participações, ficando inativa até fev/2007; em 30/04/2006, Açucareira Corona S/A (CORONA) teve sua denominação social mudada para Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool (USINA DA BARRA 48); em 28/02/2007, DANCO incorpora a USINA DA BARRA 48 (CNPJ 48.661.888/000130), antiga CORONA, e altera sua razão social para USINA DA BARRA 08 (CNPJ 08.070.508/000178 CNPJ já da presente recorrente); em 10/12/2009 USINA DA BARRA 08 altera sua razão social para Cosan Açúcar e Álcool S/A COSAN 08; Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.909 19 em 01/06/2011, COSAN 08 altera sua razão social para RAIZEN Energia S/A. Considerando o anteriormente relatado no presente acórdão, cingese a controvérsia, quanto à existência de fundamento econômico para o ágio apurado em três operações societárias: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) subscrição de capital da CORONA, pela MANDIÇUNUNGA/DA BARRA; e (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. As operações acima se fazem, basicamente, dentro do grupo econômico COSAN, com vários participantes, conforme detalhado no termo de verificação fiscal, os quais procuro sintetizar abaixo. Os reflexos fiscais das operações societárias discutidas no presente processo envolvem a dedução de ágio referente aos anoscalendário de 2011 e 2012. Em relação às operações (i) e (ii) cabe ressaltar que já foram objetos de autuação fiscal referente aos seus efeitos fiscais nos anoscalendário de 2006 a 2009 processo administrativo fiscal nº 16561.720093/201138. Este processo já transitou integralmente neste CARF, tendo ocorrido decisão da CSRF nº 9101003364 (sessão de 18/01/2018) que manteve as autuações ali constantes, restabelecendo a multa qualificada da operação (ii). Conforme se verifica, há várias pessoas jurídicas envolvidas nas reorganizações societárias que, no entender da recorrente, geraram agora entendidos como indevidos pela autoridade fiscal autuante. No geral, vamos encontrar as listas abaixo, mas há todo um detalhamento, inclusive da sua origem e existência, no TVF, no capítulo 3 Das empresas envolvidas. Cabe destacar que muitas das empresas tiveram sua existência bem efêmera, sendo incorporadas logo após as várias reorganizações societárias ocorridas no Grupo COSAN. Resumidamente, são as seguintes empresas envolvidas nos ágios em litígio: 1) Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool CNPJ 44.814.325/000183 (USINA DA BARRA 44); 2) Açucareira Corona S/A CNPJ 48.661.888/000130 (CORONA) dadas as várias incorporações e mudanças de denominação social, acabou virando a atual recorrente RAIZEN, CNPJ 08.070.508/000178, conforme explicarei logo abaixo. Em 31/03/2006 incorporou a USINA DA BARRA 44, e mudou sua denominação social para Usina da Barra S.A. Açúcar e Álcool, mesmo CNPJ da antiga CORONA (USINA DA BARRA 48); 3) Grupo Cosan (Grupo COSAN) basicamente as empresas que estavam sob o controle da Cosan Comercial Exportadora e Importadora Ltda., CNPJ 04.012.487/000183 (antiga denominação social da Aguassanta Comercial), que fora constituída e tinha como única sócia na época das reorganizações societárias a Aguassanta Participações S/A (CNPJ 07.012.487/000183). A Aguassanta Participações era, na época, o principal acionista do Grupo COSAN, bem como a principal acionista da Cosan Indústria e Comércio S.A. (COSAN 50), com 40,8% de participação no capital; Fl. 6909DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.910 20 4) NDPar Participações Ltda., CNPJ 07.673.863/000179 (ND PAR); 5) Agrícola Mandiçununga S/A, CNPJ 07.362.842/000132 (MANDIÇUNUNGA); 6) Aguapar Participações e Investimentos Ltda., CNPJ 07.841.332/000148 (AGUAPAR), cujo sócio com 99,99% da participação era a COSAN 50; 7) FBA Franco Brasileira S/A Açúcar e Álcool (FBA); 8) Danco Participações S/A. Dos ágios em questão, ocorreram, em linhas gerais, as seguintes operações: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) subscrição de capital da CORONA, pela MANDIÇUNUNGA/DA BARRA; e (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50: Analisarei as operações inerentes a cada ágio quando os tratar no presente voto. Assim, dado o todo exposto das operações em litígio no presente processo, passo a analisar a peça recursal do contribuinte, doravante chamado de recorrente. Das alegações suscitadas na peça recursal Preliminar quanto a nulidade do acórdão recorrido por ausência de fundamentação Alega a recorrente que houve a nulidade do acórdão recorrido em razão de ausência de fundamentação. No seu entender, o voto proferido na turma julgadora a quo fez uma substancial transcrição da acórdão de primeiro grau proferido nos autos do processo administrativo 16561.720093/201138, quando parte das matérias aqui em discussão também foram decididas. Ao proceder assim, não teria apreciado os argumentos expostos na sua peça impugnatória, que no seu entender, acarretaria omissão de diversos pontos essenciais da defesa, o que afastaria o exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 6910DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.911 21 A recorrente alega que a decisão recorrida não se posicionou sobre os pontos III.1.2, III.2.2 e III.3.3 da sua peça impugnatória1, que em síntese tratam das seguintes matérias: III.1.2 Efetiva Operação Realizada Ágio NDPAR III.2.2 Efetiva Operação Realizada Ágio Dabarra III.3.3 Dos Motivos que Levaram ao Aumento de Capital e Suportam o Ágio Mundial. Em tais tópicos, expostos pela recorrente na sua peça impugnatória, procura demonstrar um propósito negocial a cada um dos conjuntos de operações societárias em discussão, ao relatar como se deram as mesmas, afirmando que o ágio seria, então, uma mera consequência. Contudo, analisandose o v. acórdão recorrido, entendo que há a devida fundamentação para as conclusões do voto proferido. Aqui aparenta mais ser uma discordância do decidido na decisão a quo, que entendeu não estar de acordo com o impugnado então, pela atual recorrente. Em relação a tratar as três operações societárias em conjunto, a decisão recorrida apenas seguiu, citando o que a própria recorrente, então impugnante, se manifestara na sua peça impugnatória: ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos. Após fazer esta referência, a decisão recorrida assim continua: Assim, para o enfrentamento das três infrações a um só tempo, é oportuno conhecer a lúcida decisão proferida naqueles autos, no trecho vazado conforme o seguinte:. Ou seja, dada a própria conformidade comum dada pela então impugnante aos três ágios em discussão, o relator do voto condutor da decisão a quo também aí se manifesta na mesma linha, e parte para a sua decisão. No posicionamento do seu voto, o relator da decisão a quo realmente se vale de um significativo excerto do acórdão DRJ nº 1641.702, referente ao processo 16561.720093/201138. Contudo, a partir da fl. 56 da decisão, até a fl. 59, o acórdão faz uma análise pessoal dos argumentos gerais da impugnação, agregando ao que replicou da decisão anteriormente mencionada. Ali, o relator, na decisão a quo, já começa com o seguinte parágrafo: De todo o exposto, fica patente a ausência de fundamento econômico nas operações societárias levadas a efeito pela interessada. A defesa pugna pela observação do conjunto dessas operações, e não por cada uma de per si. E é exatamente a observação teleológica do caso que aponta, com clareza hialina, 1 Contudo, fica claro, também, que o acórdão recorrido não se posicionou sobre os diversos motivos que ensejaram às operações que culminaram com o aproveitamento dos ágios e, como demonstrado, justificaram seu reconhecimento (itens III. 1.2; III.2.2; III.3.3 da Impugnação). (parágrafo extraído da peça recursal) Fl. 6911DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.912 22 para a realização de um planejamento tributário abusivo. Isoladamente e do ponto de vista formal, as operações ostentam legalidade, transparência e publicidade, que, no entanto, não lhes garantiu a necessária legitimidade, posto que ausente o propósito negocial: a única finalidade foi a economia de tributos. Posteriormente, faz ponderações sobre as alegações da liberdade de auto organização do contribuinte, planejamento tributário, abuso de direito e propósito negocial. Na transcrição do acórdão da DRJ do processo nº 16561.720093/201138, são enfrentados os seguintes pontos da matéria em discussão: da criação de empresa veículo (a MANDIÇUNUNGA) e sua falta de propósito negocial; da permuta pela NDPAR e o aumento de capital efetuado na CORONA, que não foram realizados diretamente pela COSAN; na falta de apresentação de justificativas para tais operações, parte a uma análise da legislação aplicável, concluindo o seguinte: O que se observa do trabalho fiscal é que a contribuinte efetuou inúmeras operações societárias de incorporação, permuta, capitalização de empresas com o intuito de adquirir o controle sobre as empresas envolvidas e, assim, aproveitarse dos ágios originados destas operações; há extensa análise do papel do GRUPO COSAN na operação, e os ágios pertenceriam à COSAN50, não tendo o enquadramento legal do art. 386 do RIR/99; passa a fazer nova e extensa análise das operações envolvidas para a pretendida geração do ágio que fora glosada pela fiscalização; no que tange às justificativas da então impugnante, no outro processo, assim caracteriza: a autuada não apresentou justificativas plausíveis (grifo meu); apresenta 9 pontos para entender como inválido o ágio pretendido pela então impugnante; sobre a questão do laudo, pontuo que dada a desconsideração do negócio jurídico de incorporação por falta de propósito negocial, esta questão deixa de ter relevância para o presente caso; faz ponderações de outras questões alegadas pela então impugnante no processo nº 16561.720093/201138. Em suas próprias palavras, o relator condutor do voto da decisão recorrida faz uma conclusão da questão envolvida, principalmente no que tange ao conflito da liberdade de autoorganização versus os efeitos fiscais advindos, bem como tece algumas ideias sobre o abuso de direito inerentes ao caso. A discussão de eventual nulidade aqui se centra se os fundamentos de decidir do acórdão a quo do presente processo atingem negativamente o direito de defesa da recorrente no que tange ao art. 59, inciso II do Decreto 70.235/19722. 2 Art. 59. São nulos: Fl. 6912DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.913 23 Na sua impugnação do processo nº 16561.720093/201138, o contribuinte, aqui neste processo recorrente neste momento, procura demonstrar porque fizera as operações societárias daquela forma, analisando todas as suas etapas e tentando justificálas, da mesma forma que o fez agora no presente processo, na sua peça impugnatória. Caberia a questão se o decidido no processo nº 16561.720093/201138, no primeiro grau administrativo, do qual o relator do voto condutor da decisão agora recorrida, seria o bastante para fundamentar a decisão do presente processo, considerando as alegações da recorrente? Antes de qualquer coisa, cabe lembrar que a decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na sua peça de defesa (no caso, a discussão é na peça impugnatória), quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema, decisões do Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG – agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 6913DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.914 24 “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” Sintetizando, a recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 19723, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Transcrever trechos de decisão proferida em outro processo, que se entenda pertinente ao caso, não eiva uma decisão em nula, pois há apenas uma aplicação um raciocínio já feito e aproveitado, pois em muitas situações fica praticamente impossível construir raciocínios distintos dos já emanados anteriormente, já que os fatos trabalhados são os mesmos. Ademais, a própria linha de defesa da recorrente, então impugnante, foi em vários momentos similar para cada um dos ágios. Assim, não vejo nenhum prejuízo em tratar os ágios em comum, desde que não ocorra prejuízo à defesa da recorrente, o que não vislumbrei no corrente caso. Se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da então impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão a quo, por isso REJEITO esta preliminar suscitada. Preliminar do direito: decadência/preclusão do direito do fisco questionar a legitimidade do crédito compensado Alega a recorrente que o ágio foi surgido como elemento contábil e societário em 10/2006, e no seu entender, já passou a produzir efeitos tributários. Então, este seria o momento do fato gerador. Como a ciência da autuação fiscal se deu em dezembro de 2016, estaria já decaído o direito da autoridade fiscal autuante constituir os créditos tributários em questão no presente processo. Não acompanho a alegação da recorrente, pois o que está sendo analisado no auto de infração, no que tange ao ágio, são os valores amortizados ao longo dos anos de 2011 e 2012. Não se está constituindo nenhum auto de infração referente ao anocalendário de 2006. 3 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Fl. 6914DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.915 25 Ademais, recentemente, tal matéria restou sumulada por este CARF, Súmula CARF nº 116, nos seguintes termos: Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. No caso concreto, a autoridade fiscal está verificando situações e fatos contabilizados que repercutiram no futuro, no caso em 2011 e 2012, haja vista que a recorrente se valeu da amortização de parcelas do ágio para diminuir o valor do lucro real apurado fato gerador autuado. Os registros dos ágios na contabilidade, ocorridos em 2006, apesar de há mais de 5 anos, devem ser sim analisados para verificar sua procedência, pois no caso atual, seus efeitos tiveram efeitos em 2011 e 2012, e como a recorrente adotou nestes anos o forma de tributação pelo lucro real anual, ao tomar ciência dos autos de infração em 12/12/2016, não há que se falar em decadência. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de decadência alegada pela recorrente. Preliminar petição pela aplicação do art. 24 da LINDB O presente processo estava pautado para julgamento em 24/07/2018, em que a recorrente, nas vésperas de então, anexou aos autos petição para aplicação do art. 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB ((fls. 6852/6854)), à qual, com decisão unânime deste colegiado, foi conhecido e encaminhado para manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Resolução nº 1402000.672. Após manifestação da Procuradoria, retornou os autos para este relator. Sobre a matéria, como já discutido anteriormente neste colegiado, entendo não aplicável ao processo administrativo fiscal (PAF) o art. 24 da LINDB. O art. 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no PAF, dados os seguintes pontos: O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; Tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um Fl. 6915DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.916 26 contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; A Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Assim, resta demonstrada a inaptidão do art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, para regular a atividade do lançamento, bem como o Processo Administrativo Fiscal dele decorrente, REJEITANDOSE esta preliminar. Do Mérito Como demonstrado no relatório e nas peças impugnatória e recursal, bem como no v. acórdão recorrido, o tema em questão nos autos é recorrente neste Conselho. No presente caso, temos uma sociedade, a recorrente, querendo aproveitar, para efeitos fiscais, os ágios registrados por meios de operações, dos quais a autuação fiscal entendeu indevidas. Por conseguinte, houve a glosa dos respectivos valores deduzidos a título destes ágios aproveitados na apuração do lucro real da recorrente. Antes de adentrar nas alegações da recorrente, cabe uma análise da matéria, no que tange à legislação tributária aplicável. Legislação tributária quanto à amortização de ágio Considerando que a autuação em litígio referese à amortização de ágio decorrente de participação societária adquirida por preço superior ao do patrimônio líquido da investida, cabe, primeiramente, uma análise da legislação que rege a matéria. Nos termos do art. 25 combinado com o art. 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, que dão suporte aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente , a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio: Decretolei nº 1.598/1977 “Art.20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: Fl. 6916DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.917 27 I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte, e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. ” (...) “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifo meu) Contudo, o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a produzir efeitos em 01/01/1998, autoriza o contribuinte que incorporou sociedade na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, cujo fundamento econômico seja o da expectativa de rentabilidade futura da investida, a amortizar referido ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação. O artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99, assim dispõe: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, Fl. 6917DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.918 28 de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifo meu) (...) Destarte, depreendese do enquadramento legal retrocitado que a presença e dedutibilidade da despesa com amortização de ágio exige os seguintes aspectos: 1. a efetiva aquisição dos controles acionários; 2. que o custo de aquisição seja superior ao patrimônio líquido das participações societárias adquiridas; 3. haver fundamento econômico baseado na expectativa de rentabilidade futura; 4. ocorrer o efetivo pagamento da aquisição da participação societária; 5. haver a incorporação total pela incorporadora da incorporada; e, 6. extinção da incorporada, via incorporação integral, ainda que reversa. Ou seja, o aproveitamento do ágio decorre de regras especiais e o respectivo cumprimento. Assim, a regra geral é que o ágio é indedutível não implementadas tais regras, não é possível a dedução. Do caso concreto Como já destacado acima, as glosas efetuadas pela autoridade fiscal autuante envolvem os ágios decorrentes de 3 operações: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de permuta (pela Aguapar), que teve como objetivo final a aquisição do controle da empresa CORONA pela recorrente. Houve um investimento avaliado pelo custo, inicialmente sem a formação de ágio, e dias após, foi escriturado com um ágio baseado em suposto laudo de avaliação da CORONA. As empresas envolvidas NDPAR, MANDIÇUNUNGA e AGUAPAR eram efêmeras; (ii) subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA; Fl. 6918DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.919 29 segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de ágio intragrupo, em que a COSAN 50 aumentou capital da MANDIÇUNUNGA, e no mesmo dia, esta, sob nova denominação, DABARRA, subscreveu e integralizou o aumento de capital da CORONA pelo mesmo valor. (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de ágio intragrupo, em que a única acionista da MUNDIAL no momento do aumento de capital é a empresa JUMP, que teve existência efêmera na operação. Conforme relatado, a partir de agosto de 2006, a recorrente passou a registrar as despesas de amortização de ágio, as quais reduziram os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL a partir do próprio anocalendário de 2006. Em relação aos itens (i) e (ii), a matéria envolvida já foi analisada nos termos da processo 16561.720093/201138, com julgamento definitivo na Câmara Superior de Recursos Fiscais através do acórdão 9101003.364, proferido na sessão de 18 de janeiro de 2018. Contra tal decisão foram admitidos embargos declaratórios opostos pela recorrente, que não afetaram a matéria principal julgada, pois envolvem questões de como foi registrado a decisão na ata, em virtude da divergência entre o voto vencedor e vencido, e matérias de multa qualificada, que não foi aplicada nas autuações fiscais constantes do presente processo administrativo fiscal. Os embargos foram julgados em sessão de 07/11/2018 Acórdão 9101 003.882, e sanadas as obscuridades no sentido de retificar o acórdão, sendo publicado em 07/01/2019, não tendo ocorrido nenhum embargo ou agravo acostado aos autos. A partir deste momento, o processo (16561.720093/201138) já se encontra transitado em definitivo na esfera administrativa. O presente auto de infração, no que tange à dedutibilidade do ágio e sua formação, trata de duas operações glosadas idênticas às encontradas autuadas no processo 16561.720093/201138. Em relação a estes itens, os únicos fatores que diferenciam este processo do outro, é o anocalendário, neste sendo 2011 e 2012, e naquele de 2006 a 2009. Isto posto, passo a analisar cada um dos ágios em questão no presente processo. (i) ágio na aquisição da NDPAR através da permuta pela Aguapar: Segundo o TVF, este ágio diz respeito à permuta de ações da AGUAPAR pelas ações da NDPAR, em operação pactuada em 08/02/2006, mas concretizada dia 22/02/2006. De um lado, temos os sócios da DIAMANTINA, que controlava diretamente a NDPAR. Do outro lado, temos a MANDIÇUNUNGA, que era controlada pela COSAN 50. Conforme destacado no TVF, a MANDIÇUNUNGA foi constituída em dezembro de 2004 (com o nome de EPC Administração e Participações Ltda.), tendo permanecida inativa desde então até fevereiro de 2006, quando ocorrem as operações em questão nos autos. A AGUAPAR foi constituída em 31/01/2006. A NDPAR foi constituída Fl. 6919DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.920 30 em maio de 2005, pelos sócios da DIAMANTINA exclusivamente para a participação, como sócio, no capital da CORONA. Ente os dia 08/02/2006 e dia 22/02/2006 ocorrem uma sucessão de atos preparatórios até que a permuta fosse efetivada: O momento original da estrutura societária era a seguinte: Em 09/02/2006, a NDPAR é transferida para as pessoas físicas da família Ugolini, ocorrida através de uma diminuição do capital social da DIAMANTINA de R$ 23.357.892,00. Graficamente: Em 16/02/2006, a sócia CORONA cede a totalidade das quotas que tinha na AGUAPAR para a outra sócia, a MANDIÇUNUNGA. Com isso, a CORONA passou a ser credora da MANDIÇUNUNGA no total de R$ 20.002.400,00. Graficamente: Fl. 6920DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.921 31 Segundo o TVF, neste momento, o conjunto estava com a configuração desejada pelas partes para realizar a permuta de ações entre a NDPAR e a AGUAPAR, cujo objetivo desta operação foi a transferência da participação societária de 30,02% na empresa CORONA, único ativo da NDPAR , para a MANDIÇUNUNGA. De um lado, a família UGOLINI retira o controle indireto que tinha sobre a NDPAR através da DIAMANTINA, para que as ações fossem recebidas pelas pessoas físicas. Do outro lado, a CORONA retirase do controle da AGUAPAR. Assim, a permuta de ações (entre NDPAR pela AGUAPAR) ocorreria apenas entre a MANDIÇUNUNGA e a família UGOLINI. Posteriormente, a CORONA incorpora a MANDIÇUNUNGA. Notese acima, pelo primeiro gráfico, que a CORONA, que tinha parte do seu controle societário da família UGOLINI, através da NDPAR. Com a permuta de ações da ND PAR pela AGUAPAR, o GRUPO COSAN passou a deter a integralidade das quotas da CORONA, o que está bem detalhado pela composição societária deste grupo no TVF. O TVF, no conjunto dos elementos ali apurados, dá uma série de motivos para desqualificar este pretenso ágio: conforme Instrumento de Permuta, foi uma troca recíproca das quotas sem torna, já que foi convencionado pelas partes que os ativos teriam o mesmo valor econômico; neste Instrumento de Permuta estabelecia a criação de duas empresas com o objetivo de serem permutadas NDPAR e AGUAPAR; o ágio foi criado com base numa operação de permuta, sem estar baseado em nenhum Laudo de Avaliação que justificasse sua contabilização, e que mesmo se existisse e fosse aceitável o ágio, seria em valor inferior ao registrado. No final, o TVF conclui que: Por fim, a Mandiçununga serviu para dois fins. Transmitir o ativo financeiro da Cosan 50 para os exsócios da Corona. E essa passagem dos ativos pela Mandiçununga possibilitou o Fl. 6921DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.922 32 registro do ágio e, mais, que esse ágio fosse aproveitado tributariamente pelas empresas incorporadoras da Mandiçununga, como se verá mais a frente. Cabe ressaltar que as reorganizações societárias acima elencadas não foram contestadas pela recorrente. A discussão se centra na sua validade e aceitação para os respectivos efeitos fiscais. Assim, os pontos principais atacados pela autoridade fiscal autuante foram os seguintes: a permuta, nos termos registrados não implicaria na formação de ágio por dois motivos principais: em primeiro lugar não haveria torna e em segundo lugar não foi elaborado previamente qualquer laudo de avaliação da empresa NDPAR. Inicialmente, a contabilização da operação foi apenas pelo valor da aquisição, contudo, alguns dias depois, foi registrado um ágio informado decorrente desta operação, com fundamento no patrimônio líquido negativo da CORONA (participação societária adquirida na permuta) e que teria respaldo em laudo. A formalização da permuta se deu em 08/02/2006 através do Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, e em 09/02/2006 a participação na ND PAR foi transferida das DIAMANTINA para as pessoas físicas (quando seria concretizada permuta e a NDPAR detida por pessoas físicas, que não poderiam registrar seus investimentos com ágio). O laudo apresentado é o Laudo de Avaliação Contábil, datado de 28/02/2006, elaborado pela BDO Trevisan, ou seja, posterior a sua contabilização, que foi em 22/02/2006, o que não se prestaria para embasar o ágio nesta operação; das análise de todo escopo acusatório, as empresas MANDIÇUNUNGA, NDPAR E AGUAPAR foram sociedades efêmeras, cujo único objeto real foi possibilitar a amortização do ágio para a recorrente, através das sucessivas operações societárias detalhadas no termo de verificação fiscal o que configuram as comumente chamadas empresas veículos. Na análise deste ágio em questão, assim consigna a autoridade fiscal autuadora: Por fim, a Mandiçununga serviu para dois fins. Transmitir o ativo financeiro da Cosan 50 para os exsócios da Corona. E essa passagem dos ativos pela Mandiçununga possibilitou o registro do ágio e, mais, que esse ágio fosse aproveitado tributariamente pelas empresas incorporadoras da Mandiçununga, como se verá mais a frente. Após a decisão de primeiro grau administrativo, que entendeu como indedutível o ágio em questão, por conta da utilização de empresa veículo MANDIÇUNUNGA, sem nenhuma justificativa negocial para tanto, a recorrente, na sua peça recursal, expõe os seguintes argumentos para tentar demonstrar como válido este ágio: os atos societários se deram de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos envolvidos. As operações visavam sempre a aquisição da NDPAR, não se resumindo à economia de tributos, e a dedutibilidade seria mera consequencia; a permuta inseriuse no contexto do processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimentos em novos negócios e mercados¸e dada a dificuldade de gerenciamento compartilhado no negócio desenvolvido pela Corona. O ágio surgiu da necessidade de realizar os ajustes no patrimônio líquido da Corona, para fins de Fl. 6922DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.923 33 uniformização de critérios, e como a participação na Corona era o único ativo relevante da NDPAR, seu patrimônio líquido seria negativo, o que fundamentaria o ágio registrado; apesar de não existir um rigor formal para apresentação do laudo, houve um elaborado pela empresa de auditoria independente Deloitte, datado de 31/01/2006 (doc. 04 da impugnação). Passo ao meu voto sobre este ágio em questão. No que tange ao laudo nesta operação, cabe ressaltar que o mesmo foi apresentado na peça impugnatória, como anexo (doc.04 fls. 6436/6480). Em análise do mesmo, chama atenção que consta a data de 31/01/2006 apenas na folha inicial de referência e na folha seguinte, antes de qualquer análise para fundamentálo. As análises fazem muitas referências a data posterior, como por exemplo, em gráfico logo na folha 02 do laudo: Estrutura Societária do Grupo COSAN em 28 de fevereiro de 2006. Verificase que a autoridade fiscal autuante durante o procedimento fiscal específico do presente processo intimara a recorrente a apresentar a documentação pertinente que envolveria tal laudo na intimação datada de 20/05/2016, nos seguintes termos: 2. Apresentar os laudos de avaliação de cada evento que deu origem a cada ágio amortizado neste período. Tal laudo foi apresentado e questionado pela autoridade fiscal. Entendo que a discussão do momento da geração de tal laudo não resolve a situação em favor do recorrente, pois haveria outros elementos que entendo mais relevantes para a discussão, dos quais supero tal validade ou não laudo em questão. A grande discussão aqui se centra se houve empresa veículo na operação (ou não), e a possibilidade de amortização fiscal do ágio. A fiscalização, no seu relatório fiscal, assim consigna sobre o tema: Além dessa justificativa declarada, a fiscalizada foi inquirida sobre os motivos ou fins da operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados. Da mesma forma, foi questionada sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50 . A contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita. Verificando o caso concreto, observase que há a questão de qual o papel da empresa MANDIÇUNUNGA no aproveitamento deste ágio, e se tal situação é legítima. O artigo 386 do RIR/1999, supracitado, assim especifica no seu caput: Fl. 6923DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.924 34 Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) Aqui se poderia ampliar todo o conteúdo dos artigos 385 e 386 do RIR/1999, mas me concentro neste ponto acima, para fins de análise. Notase que a MANDIÇUNUNGA jamais teve a decisão de adquirir a participação societária da AGUAPAR., muito menos teve a expectativa de rentabilidade futura sobre tal operação. Como se verifica no relatório e nos autos, a decisão de aquisição da participação societária foi da CORONA. Neste contexto, a MANDIÇUNUNGA foi um mero instrumento de realização da transação, jamais tendo sido a investidora, que acreditou na maisvalia do investimento, realizando os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido. Aqui, haveria a eventual discussão do desembolso ou não, e sua equivalência com a permuta, mas entendo que superada já pela questão primordial em análise. A MANDIÇUNUNGA foi constituída em dezembro de 2004, e ficou inativa até fevereiro de 2006. Após algumas etapas de reorganização societária a envolvendo, conforme já destacado anteriormente no presente voto e detalhado no TVF, a MANDIÇUNUNGA, 28/02/2006 mudou sua denominação social para Dabarra Participações S/A (DABARRA, envolvida no ágio seguinte discutido deste voto), até ser incorporada pela CORONA em 30/03/2006. Tal fato está amplamente demonstrado nos autos pela autoridade fiscal autuadora, e em nenhum momento foi contestado pela recorrente. Desta forma, a CORONA ao incorporar a MANDIÇUNUNGA jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela autuada não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Fl. 6924DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.925 35 Neste sentido, cabe aqui ume excerto sobre o tema, ao qual recorro ao acórdão nº 9101002.301 (sessão de 06/04/2016), proferido pela 1ª CSRF, da relatoria do i. Conselheiro André Mendes de Moura: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de Fl. 6925DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.926 36 plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. Fl. 6926DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.927 37 SCHOUERI , com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que, para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ou seja, concluise portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar a investida (ou por ela ser incorporada). Como já exposto acima, não foi o que vislumbra nesta operação societária. Igualmente, como bem conclui em excerto do acórdão 9101003.366 (sessão de 18/01/2018), pelo i. relator do voto vencedor, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das Fl. 6927DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.928 38 hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa, podemos concluir que, in casu, houve a construção artificial do suporte fático de modo a conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Alega a recorrente que a permuta inseriuse no contexto do processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimentos em novos negócios e mercados¸e dada a dificuldade de gerenciamento compartilhado no negócio desenvolvido pela Corona. Note que são propósitos negociais muito amplos, por dizer, comum a qualquer empreendimento que objetive crescer, sem ser decorrente de uma imposição regulamentar de setor ou algo equivalente. Não se pode aceitar tal alegação como uma propósito negocial para ter empreendido tal reorganização societária nos moldes ocorridos. Aos contribuintes há toda a liberdade negocial própria das suas atividades, mas deve ser verificado os efeitos fiscais das mesmas, e se for o caso extrapolarem as normas tributárias pertinentes, anulandoos. O que não se admite é criar situações artificiais que visam à economia tributária primordialmente, tentando trazer justificativas negociais para agir assim. As eventuais necessidades negociais peculiares, que não estão previstas no ordenamento tributário, não podem é ter repercussão na esfera fiscal. Por conseguinte, dado o todo exposto acima, NEGO PROVIMENTO quanto a este ágio acima analisado. (ii) ágio decorrente da subscrição de capital da CORONA efetuado pela MANDIÇUNUNGA/DABARRA: Segundo o TVF, este ágio decorre do registrado na MANDIÇUNUNGA (nome alterado no mesmo dia para DA BARRA Participações S.A.), e diz respeito à subscrição e integralização do aumento de capital da CORONA, em 28/02/2006. Envolveu 480.365.561 novas ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, emitidas pela CORONA pelo preço de R$ 1,00 cada. Os ativos usados para esta integralização são os mesmos usados pela COSAN 50 no aumento de capital da própria DA BARRA, e no mesmo dia (28/02/2006). Fl. 6928DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.929 39 Assim, os ativos da COSAN 50 foram transferidos para a Mandiçununga/Dabarra e que os usa para subscrever capital da Corona, diluindo a participação societária dos demais acionistas e, principalmente, com elevado valor de ágio (citado originalmente no TVF). Como escreve o TVF: Qual o papel da empresa Dabarra (antiga Mandiçununga) no Grupo Cosan? Ficou claro que a Dabarra serviu apenas de passagem para estes ativos, o que caracteriza a clássica modalidade de planejamento tributário com utilização de empresa veículo. O que, mais uma vez, possibilitou a geração de despesas de amortização de ágio Outro aspecto relevante é o fato de que a Cosan 50 quando integralizou o capital na Dabarra/Mandiçununga já detinha o controle da Corona, ou seja, toda a operação se passou dentro do Grupo Cosan. (...) Composto de participações societárias, créditos em conta corrente e ágios apurados em operações anteriores, o ágio foi obtido sem envolver nenhum novo recurso, sem haver nenhuma saída de caixa. Não houve transferência efetiva de recursos que permitisse gerar novas riquezas. Nas operações societárias entre empresas sob o mesmo controle não há nenhuma saída ou entrada efetiva de ativos de dentro do grupo econômico que dê suporte ao registro de um ágio. Graficamente, temos o seguinte desenrolar da operação ao longo do dia 28/02/2006. Na abertura do dia 28/02/2006, temos a seguinte situação do Grupo COSAN: Fl. 6929DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.930 40 Às 9h do dia 28/02/2016, após a integralização do aumento de capital da MANDIÇUNUNGA/DA BARRA, feito pela COSAN 50, temos a seguinte situação: Fl. 6930DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.931 41 Às 18h do dia 28/02/2016, após a integralização do aumento de capital da CORONA, feito pela DA BARRA (antiga MANDIÇUNUNGA), temos a seguinte situação: Em 31/03/2006, ocorre a incorporação, pela CORONA, das seguintes empresas: DA BARRA, NDPAR, USINA DA BARRA 44, FBA e das controladas desta empresa DESTIVALE e DESTIAGRO, e a NOVA TAMOIO, que era controlada da CORONA. Com isso, o grupo COSAN fica com a seguinte situação, graficamente demonstrada: Fl. 6931DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.932 42 Dada toda a operação acima demonstrada, a autoridade fiscal autuante entendeu que a operação realizouse apenas dentro do GRUPO COSAN. Ficou ali demonstrado que tanto a empresa que detinha os ativos (DA BARRA) quanto a que os recebeu (CORONA) faziam parte do mesmo grupo econômico, entendendo tal operação como, comumente conhecida, como ágio interno. O presente ágio envolve que, em resumo, a COSAN 50 aumentou capital na MANDIÇUNUNGA, e no mesmo dia, esta, sob nova denominação, DABARRA, subscreveu e integralizou o aumento de capital da CORONA pelo mesmo valor. Ou seja, esta passagem dos ativos da COSAN 50 pela MANDIÇUNUNGA (depois DABARRA) serviram para criar uma situação que não espelharia a realidade a operação, pois a COSAN 50 e CORONA eram sociedades com existência ativa, o que dificultaria a obtenção da situação que permitisse a amortização dos ágios. Ademais, no momento da operação, o GRUPO COSAN já detinha o controle societário da CORONA, o que configura a geração interna de ágio, sem ter ocorrido o dispêndio real algum. O ágio obtido no momento em que MANDIÇUNUNGA/DABARRA integralizou o capital em CORONA decorreu de um planejamento tributário articulado para criar um ágio artificial intragrupo com o emprego de empresa veículo, constituída sem finalidade negocial. A utilização de MANDIÇUNUNGA/DABARRA, nesse conjunto de negócios com participações societárias teve a intenção primordial de gerar um ágio artificial e transferila para ser amortizada na incorporadora CORONA, e, assim, reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL desta última. Constata que o ágio contabilizado por ocasião do aumento de capital em CORONA por DABARRA foi obtido sem envolver nenhum novo recurso do grupo COSAN. Ou seja, não houve transferência efetiva de recursos que possibilitasse a geração de novas riquezas. Não existe ágio sem o sacrifício patrimonial de quem investe em benefício dos alienantes do investimento. Em breve síntese, não se pode falar em ágio se a mais valia do investimento não for gerada em ato de aquisição, e isso supõe dispêndio para se obter algo de terceiro. Ou, de outro modo, isso supõe o sacrifício de outro ativo ou o reconhecimento de um passivo, porquanto o primeiro (sacrifício de um ativo) ou o segundo (reconhecimento de um passivo) são as contrapartidas ao registro do custo do investimento adquirido. Mas o que se vê no caso concreto é um aumento no patrimônio líquido em contrapartida a um aumento no ativo, em decorrência de um negócio “consigo mesmo”. Tal conclusão está em sintonia com a opinião da CVM, exposta no item 20.1.7 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Fl. 6932DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.933 43 Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.” (grifei) A teor do que segue no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, atestase que o laudo de avaliação de CORONA é ineficaz para o fim de emprestar suporte ao ágio gerado no instante em que DABARRA integralizou o capital naquela sociedade, uma vez certificandose, como efetivamente se certifica, do ágio interno. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. No que tange ao ágio que envolve a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, , cabe destacar que as operações decorrem das mesmas reorganizações societárias promovidas pelo grupo empresarial da recorrente detalhados no termo de verificação fiscal Conforme descrito no TVF, a Mundial Açúcar e Álcool S.A. (MUNDIAL) apresentava a seguinte configuração societária em fins de 2005: Fl. 6933DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.934 44 Em 31/03/2006, a MUNDIAL aumentou o seu capital social em R$ 60.876.070,00, com emissão de mais 60.876.070 ações ON ao preço de R$ 1,00 cada uma. Este aumento de capital foi totalmente subscrito e integralizado pela COSAN 50, com anuência da JUMP, o qual gerou um ágio de R$ 21.142.300,00. Tal integralização foi efetuada à vista, com créditos em contacorrente que a COSAN 50 possuía junto à MUNDIAL. Pela COSAN 50, foi contabilizado como um AFAC adiantamento para futuro aumento de capital. Conforme o TVF descreve: O fato de que em uma operação intragrupo não há geração de novas riquezas fica ainda mais claro nesta operação. O único acionista da Mundial no momento do aumento de capital é a empresa veículo JUMP sob controle da Cosan 50. Em 31/10/2006, a COSAN 50 incorpora a MUNDIAL e passa a amortizar este ágio. Em síntese, a operação detalhada acima envolve as seguintes operações: o único acionista da MUNDIAL no momento do aumento de capital é a empresa JUMP, que conforme termo de verificação fiscal, teve existência efêmera na operação o que é considerado uma empresa veículo, e estava sob o controle da COSAN 50; a operação ocorrida é intragrupo, sem geração de nenhuma riqueza; quando a MUNDIAL foi adquirida pela COSAN 50, através da JUMP, o seu patrimônio líquido estava negativo; Nos termos do termo de verificação fiscal: Segundo a Cosan 50, os recursos foram emprestados para financiar as operações da Mundial, os quais constituíram em passivo para ela e ativos a receber para a Cosan e ao transformar esses passivos em capital surgiu o ágio. Em 31/10/2006, a Cosan 50 incorpora, dentre outras, a Mundial e passa a amortizar este ágio tributariamente. Fl. 6934DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.935 45 Para a CVM o ágio gerado de si mesmo é incabível na estrutura conceitual da contabilidade, pois não decorre de um processo de aumento de capital entre partes independentes e não relacionadas, ressaltase o caráter simulado do aumento de capital e aquisição de participação societária, onde se comprovou que os recursos financeiros retornaram à sua origem. Os elementos constantes dos autos demonstram a subordinação jurídica e econômica entre as empresas do grupo. Ou seja, é incabível a geração de ágio de si mesmo, pois não houve partes independentes e não relacionadas, o que configura uma situação que os recursos financeiros aplicados no aumento de capital e aquisição da participação societária retornaram a sua origem. Configura uma situação, como o ágio anteriormente analisado, na geração artificial de ágio, aplicandose a mesma fundamentação para a sua descaracterização. Portanto, após estas considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à dedutibilidade da amortização deste ágio. quanto a alegação da inexistência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL O recorrente ainda traz como tese subsidiária a alegação de que, caso seja mantida a glosa referente à amortização do ágio, não há previsão legal para a adição da correspondente despesa na base de cálculo da CSLL. Como sabido, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que, dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido que é, também, a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Fl. 6935DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.936 46 Como consequência, dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício, digase, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990. Mais a mais, o art. 13, da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Logo, a infração de CSLL apurada é reflexa, sendo que neste caso, a procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica impõe a manutenção da exigência fiscal dele decorrente (no caso da CSLL). Nota de julgamento: na apreciação deste item pelo colegiado, houve a seguinte votação: ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; Destarte,. os fundamentos da maioria, pela mesma decisão, foram distintas do externado no voto do relator, os quais trago ao presente voto. Os conselheiros supracitados entenderam que os ágios acima discutidos no mérito principal nem chegaram a existir. Enquanto os dois últimos são o que é comumente chamado de ágio intragrupo, que na prática nem poderia ser caracterizado como um ágio, pois nem chegam a atingir o plano da existência, o primeiro também não atingiria o mesmo plano, pois seus fundamentos de existir adotado pela recorrente foram pela majoração do patrimônio líquido após já concretizada a permuta, o que o descaracterizaria como um ágio. Assim, não havendo que se falar em ágio nos 3 casos analisados, seria uma despesa sem fundamento como tal a ser glosada pela autoridade fiscal,. e por conseguinte, os efeitos da glosa se aplicaria a todas eventuais repercussões, o que no caso seria também na formação da base de cálculo da CSLL. Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da impossibilidade de exigência da multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN Alega a recorrente que deve ser exonerada das multas aplicadas, caso ocorra empate, aplicandose o art. 112 do CTN ao caso. Contudo, a aplicação da multa de ofício, independente do seu percentual, são previstos na legislação, e não cabe a este colegiado modificar isso. Ademais, o art. 112 não se coaduna com o julgamento administrativo, pois este avalia a validade existencial e jurídica dos autos de infração, e neste caso, em caso de empate, deve prevalecer o interesse público. Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.937 47 Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da alegação da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa: Alega a recorrente na sua peça recursal da impossibilidade da cobrança de multa isolada. Contudo, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.938 48 “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.939 49 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. quanto a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alega a recorrente pela ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão Diante de todo exposto, NEGO PROVIMENTO INTEGRAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO da recorrente. (assinado digitalmente) Fl. 6939DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.940 50 Marco Rogério Borges Declaração de Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio É corriqueiro, no âmbito do CARF, os contribuintes alegarem como "nulidades" matérias que são questões relativas ao mérito da exigência constante do lançamento. Provavelmente, tal confusão se dá em razão da utilização dos dispositivos legais e das normas de direito privado sobre o tema. Conforme observa SEABRA FAGUNDES, da classificação apresentada pela doutrina civilista, no âmbito do direito administrativo, deve se circunscrever ao "uso das denominações ali adotadas" , sendo que, mesmo quanto a esse aspecto, a utilização dessa terminologia poderá ser "antes um fato de confusão de princípios do que de aproveitamento das experiências e sedimentações do direito privado".( FAGUNDES, Seabra O controle dos Atos Administrativos pelo poder Judiciário São Paulo, nº 53, julset. 1990, p. 14). Com efeito, o cerne da distinção entre atos nulos e anuláveis, na doutrina civilista, consiste na natureza coletiva ou individual do comando violado, uma vez que nulos são os atos que vulneram preceitos de ordem pública e anuláveis aqueles que violam preceitos que visam proteger interesses particulares. Fica claro, portanto, que tal distinção não pode ser reproduzida para o direito administrativo ou tributário onde o agir é sempre informado pelo interesse público. Sendo assim, esclarecedor o posicionamento de CELSO RIBEIRO BASTOS que enuncia ser nulo o ato "que apresenta vícios de legalidade atinentes à competência, ao objeto, ao motivo, à forma e à finalidade". (BASTOS, Celso Ribeiro Curso de direito administrativo, 2002, p. 163/164). Em outras palavras, não são quaisquer vícios de legalidade que acarretam a nulidade. O erro na interpretação dos dispositivos legais é matéria que será revista nos processos de controle do lançamento e terá como eventual consequência a improcedência do lançamento, não sua nulidade. Coerente com as premissas acima expostas são as disposições legais do Decreto nº 70.325/72 sobre a nulidade dos atos administrativos abaixo transcritas. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 6940DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.941 51 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. O exame dos dispositivos supra mostra que só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente ou, no caso dos despachos e decisões, se ocorrer o cerceamento do direito de defesa. Todavia, recentemente, tem aumentado, de maneira expressiva, o número de recursos cuja alegação de nulidade, tal como a dos autos, residiria na ofensa ao duplo grau de jurisdição na esfera administrativa. De um modo geral, as discussões giram em torno da seguinte questão: Poderiam as Delegacias Regionais de Julgamento utilizar decisões proferidas em outros processos, relativos ao mesmo contribuinte e ao mesmo fato gerador, quando as alegações constantes das impugnações apresentadas nos processos são distintas? A omissão constante da decisão recorrida é hipótese de nulidade? Para responder a essas questões, entendo fundamental analisar a abrangência do princípio do duplo grau de jurisdição na esfera administrativa. Isso porque, conforme observa JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA, "não há definição universalmente válida do princípio do duplo grau: cabe ao intérprete extrair dos textos do ius positum os dados necessários à sua caracterização, num determinado ordenamento (MOREIRA, José Carlos Barbosa Comentários ao Código de Processo Civil Volume V, arts. 476 a 565, 7ª edição, ed. Forense, p. 237). Sendo assim, é importante verificar como se operacionaliza o princípio do duplo grau de jurisdição no Decreto nº 70.235/72. Os julgamentos de primeira instância estão disciplinados na Seção VI, artigos 27 à 36, abaixo transcritos: Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem presentes as circunstâncias de crime contra a ordem Fl. 6941DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.942 52 tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Parágrafo único. Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 6942DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.943 53 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. (grifamos) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que eventuais omissões constantes nas decisões de primeira instância não podem ser sanadas mediante recurso de embargos declaratórios. Sendo assim, as alegações constantes de uma impugnação, que não foram abordadas na decisão utilizada pela autoridade julgadora de primeira instância, não podem ser sanadas junto à instância a quo. A questão que se coloca, portanto, é: tais omissões acarretariam a nulidade da decisão recorrida, ainda que individualmente destacadas pela Recorrente, como no caso dos autos? Entendo que não. Isso porque, diversamente do que ocorre no processo civil, no qual as sentenças podem ser corrigidas mediante embargos declaratórios, o processo administrativo fiscal federal não prevê essa possibilidade. Nesse sentido, esclarecedoras as observações de JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA: Surgem as dificuldades, porém, quando se quer determinar a extensão da atividade cognitiva a ser exercida pelo órgão ad quem, em confronto com a que exerceu o órgão a quo. Costuma suscitarse o problema, especialmente, no que tange à amplitude dos poderes cognitivos exercitáveis no juízo de apelação. Indagase, com efeito, se ao órgão ad quem é lícito examinar todos os aspectos da causa, inclusive aqueles sobre os quais não se haja pronunciado o órgão a quo, ou se estaria vinculado, e em que medida, aos limites da cognição efetivamente exercida no primeiro grau. Indagase, noutras palavras, quando se deve reputar exaurido o primeiro grau, de sorte que a causa, sujeita à apreciação do órgão ad quem, não precise voltar ao órgão a quo, para eventual complementação da atividade cognitiva a este deferida. (...) Fl. 6943DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.944 54 Posta em semelhantes termos, a questão obviamente se articula com a da delimitação do efeito devolutivo que se atribui ao recurso ou ao expediente análogo previsto na lei.(...) nem o texto da Constituição anterior nem o da vigente ministra, no particular, conceito que se imponha ao legislador ordinário; nenhum dos dois alude seque, expressis verbis, ao princípio. Temse de verificar quais são, a respeito, as exigências inerentes à própria sistemática do Código.(grifamos) É importante observar que não se discute o direito do contribuinte de ter seu processo julgado em dupla instância, direito esse já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 388.359 . O que se discute é a nulidade da decisão de primeira instância que não analisou todas as alegações jurídicas suscitadas pelo contribuinte. A resposta deve ser dada pela legislação, e essa, como visto, não conferiu ao contribuinte o direito de que todas as suas alegações fossem analisadas pela primeira instância. Tanto assim, que não previu o recurso de embargos declaratórios das suas decisões. Conforme disposto no artigo 32, as deficiências que podem ser sanadas pela instância a quo circunscrevemse às inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão Ao enfrentar a questão nos arts. 276 a 283, o NCPC destaca a instrumentalidade das formas, o aproveitamento dos atos processuais em geral e a sanabilidade de todo e qualquer vício processual. Por instrumentalidade, devese entender a preservação da validade do ato processual que, mesmo maculado por algum vício de forma, atinge corretamente o seu objetivo, a sua finalidade, sem causar prejuízo (arts. 277 e 282, §1º). Daí se dizer que não há nulidade sem prejuízo: “Aplicandose a instrumentalidade das formas, por exemplo, temse que a falta de indicação do valor da causa (requisito da petição inicial)não acarreta, por si só, a nulidade do processo (STJ, AR 4.187/SC). De forma geral, a instrumentalidade das formas processuais submetese ao postulado de que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief), cuja aplicação em nossa lei se encontra no §1º do art. 282.” (ARRUDA ALVIM, Novo contencioso cível no CPC/2015, São Paulo: RT, 2016, p. 128).(grifamos) Não se pode esquecer – e isso é essencial para a boa compreensão desse tema – que o regime das nulidades processuais não se confunde com aquele próprio das nulidades de direito material. No processo, em princípio, todos os vícios, sejam eles absolutos (de fundo) ou relativos (de forma), são sanáveis. Na exata lição de TERESA ARRUDA ALVIM WAMBIER, MARIA LÚCIA LINS CONCEIÇÃO, LEONARDO FERRES DA SILVA RIBEIRO e ROGÉRIO LICASTRO TORRES DE MELLO: “A distinção entre as nulidades relativas e absolutas no processo não tem senão a função de estabelecer o regime jurídico destes vícios, no que diz respeito a dois aspectos: (a) à possibilidade de o juiz deles conhecer sem provocação da parte e (b) à existência ou à ausência de preclusão quer para o juiz, quer para as partes. No mais, a distinção perde importância, já que ambas as espécies de vícios são sanáveis, o que não ocorre no direito Fl. 6944DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.945 55 privado.” (Primeiros comentários ao novo código de processo civil, 2. ed. São Paulo: RT, 2016, p. 514). Diante do postulado de que não há nulidade sem prejuízo, questionase: Qual o prejuízo sofre o contribuinte que não teve todas as suas alegações jurídicas analisadas pela primeira instância? A resposta é: não há prejuízo algum. Com efeito, suponhamos que o argumento jurídico, suscitado pelo contribuinte e não analisado pela instância a quo, pudesse levar à procedência da impugnação. Mesmo que tenha exonerado o crédito tributário, tal decisão estaria sujeita ao recurso de ofício previsto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, devolver o processo à instância a quo , em virtude de omissão nas alegações jurídicas do contribuinte, equivale a admitir uma correção que o próprio sistema jurídico não contemplou. Como o processo, na grande maioria dos casos, deverá retornar ao CARF para exame do recurso de ofício, a única vantagem seria a tramitação mais demorada, o que vai de encontro ao princípio constitucional da duração razoável do processo. É importante destacar que, mesmo o código de processo civil, no qual existe a previsão dos embargos declaratórios contra decisão de primeira instância, flexibilizou necessidade de análise dos argumentos jurídicos pela decisão de primeiro grau. É o que se verifica pelo artigo 1013, §4º do NCPC abaixo transcrito: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. (...) § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. (grifamos) Por fim, quanto à utilização da motivação exposta em decisões anteriores, sobre o mesmo fato gerador, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 (Lei Geral dos Processos Administrativos) admite, expressamente, tal expediente. Confirase: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6945DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.946 56 § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.(grifamos). Em face de todo exposto, rejeito a alegação de nulidade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa A maioria do Colegiado decidiu rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. Esta Conselheira, porém, entendeu pela nulidade em face da demonstração de que argumentos da impugnação deixaram de ser apreciados pela Turma Julgadora de 1ª instância, consoante alegado pela recorrente: Inicialmente, é importante destacar que, mediante a leitura do acórdão recorrido, percebese que a Turma Julgadora "a quo" não apreciou devidamente os argumentos expostos pela Recorrente em sua Impugnação, razão pela qual o referido acórdão é nulo de pleno direito. Deveras, do confronto entre as razões apresentadas na supracitada Impugnação e as alegações insertas na decisão recorrida, constatase que a Delegacia de Julgamento simplesmente se omitiu à análise de diversos pontos essenciais da defesa, afetando, assim, o exercício do contraditório e da ampla defesa pela Recorrente. Nesse sentido, vejase que o acórdão recorrido, ao fundamentar seu posicionamento quanto à regularidade da amortização dos ágios em análise, simplesmente se limita, por 17 páginas do acórdão, a replicar, ipsis litteris, o texto de decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 16561.720093/2011 38, conforme se pode notar às fls. 32 a 49 do acórdão recorrido. Confirase: "A análise da licitude desses ganhos já fora desenvolvida, com proficiência, nos autos do processo n° 16561.720093/201138. Lá, tratouse dos ágios na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA e na subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA. No entanto, a subscrição de Fl. 6946DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.947 57 capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele, guarda total relação com os fatos já julgados no citado PAF. Como bem disse a interessada, o "ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos". Assim, para o enfrentamento das três infrações a um só tempo, é oportuno conhecer a lúcida decisão proferida naqueles autos, no trecho vazado conforme o seguinte: (...)" (fls. 31 e 32 do acórdão recorrido g.n.) Ressaltese, inclusive, que os trechos acima destacados do voto condutor são os únicos de lavra do relator do caso que "tratam" da principal questão de mérito ora analisada (i.e.: operações societárias que culminaram com o aproveitamento dos ágios NDPAR; Dabarra; e Mundial), sendo o restante apenas reprodução do teor do julgado prolatado no processo administrativo n° 16561.720093/201138. De fato, o voto condutor do acórdão recorrido, ao abordar o contexto fático que culminou na apuração dos ágios e a possibilidade de sua amortização verificação precípua à constatação da regularidade do procedimento adotado pela Recorrente simplesmente ignora todo o contexto e os argumentos expostos na Impugnação apresentada nestes autos, lançando mão, exclusivamente, do entendimento adotado em outro processo, sem sequer fazer qualquer ilação quanto às alegações expostas no caso que ora deveria analisar. Com efeito, o longo trecho reproduzido na decisão recorrida aborda, basicamente, o contexto legislativo atinente à amortização fiscal do ágio, apontando que a utilização de empresaveículo e a apuração de ágio entre partes relacionadas obstaria a possibilidade de seu aproveitamento. Contudo, fica claro, também, que o acórdão recorrido não se posicionou sobre os diversos motivos que ensejaram às operações que culminaram com o aproveitamento dos ágios e, como demonstrado, justificaram seu reconhecimento (itens III. 1.2; III.2.2; III.3.3 da Impugnação). Ora, o voto retirado do processo administrativo n° 16561.720093/201138 é expresso no sentido de que na contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa" (fls. 32 do acórdão recorrido) para a realização das operações como levadas a efeito. Ocorre que aquele julgamento não abordou as questões suscitadas na Impugnação apresentada nestes autos, muito menos analisou as operações em detalhes como foram aqui abordadas, de forma que não caberia sua utilização como fundamento para a rejeição do conteúdo da presente defesa o que, frisese, sequer seria possível, haja vista a necessidade de Fl. 6947DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.948 58 que o Colegiado se manifestasse diretamente quanto aos argumentos da Recorrente e não simplesmente reproduzisse outra decisão. Ora, a atuação da Autoridade Julgadora não pode se resumir a simples trabalho de "encaixe" de matérias préjulgadas a novas autuações, com razões de defesa únicas e independentes, ainda que as matérias sejam relacionadas. Em outras palavras, mesmo que o processo administrativo n° 16561.720093/201138 também verse sobre o aproveitamento de ágio pela Recorrente que culminou no presente lançamento fiscal, de certo que cumpre à Autoridade Administrativa realizar a devida apreciação dos pontos de defesa abordados pela Recorrente em cada caso, separadamente. Nesse contexto, importante notar que o Ágio Mundial sequer era objeto daquele processo administrativo, como, inclusive, reconhecido pela própria decisão recorrida4, o que, por óbvio, torna tal decisão completamente inaplicável à análise desta matéria. A justificativa adotada no voto condutor do acórdão recorrido para aplicar o mesmo entendimento do processo administrativo n° 16561.720093/201138 foi a relação e semelhança entre os fatos que ensejaram a apuração do Ágio Mundial e os Ágios ND PAR e Dabarra. Contudo, a simples semelhança entre as matérias não representa o devido enfrentamento dos argumentos de defesa suscitados pela Recorrente em sua Impugnação. Com efeito, o acórdão recorrido busca fazer crer que o trecho reproduzido da decisão do processo administrativo n° 16561.720093/201138 também abrangeria o Ágio Mundial, matéria que sequer era discutida naqueles autos. Ora, como poderia, então, tal decisão se aplicar à situação fática que sequer analisou e, ainda mais, sobre argumentos de defesa que nem foram suscitados naquele julgamento? Frisese, ainda que haja semelhança entre os aspectos que permeiam a geração dos Ágios NDPAR e Dabarra e o Ágio Mundial, de rigor que cada operação possui nuances próprias que não podem ser resumidas em um simples julgamento "temático". Cumpre, à Autoridade Julgadora, a devida análise do caso em específico para, assim, atender ao devido processo legal e permitir a ampla defesa e contraditório por parte do Contribuinte. Caso contrário, não é possibilitado à Recorrente rebater de maneira minimamente eficaz as razões do acórdão recorrido, pois o trecho que foi replicado na decisão sequer trata da situação concreta que se abordará em sede recursal. Portanto, além da impossibilidade de se aceitar a simples transcrição de outro julgado proferido em processo administrativo específico, o qual sequer abordada todas as 4 "No entanto, a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele (...)" (fls. 31 do acórdão recorrido) Fl. 6948DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.949 59 matérias sob exame nesses autos, há ainda mais motivos para que seja reconhecida a insuficiência dos fundamentos que suportam o acórdão prolatado, ensejando, assim, o reconhecimento de sua nulidade. [...] Para além do alegado, releva notar que a transcrição, na decisão recorrida, da decisão proferida no processo administrativo nº 16561.720093/201138, traz a seguinte constatação: [...] (...) a fiscalizada foi inquirida sobre os motivos ou fins da operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados. Da mesma forma, foi questionada sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50. A contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa. Portanto, o ágio carreado por empresa veículo ou gerado internamente não é passível de reconhecimento, e não se pode admitir que a sua amortização seja dedutível tributariamente, pois, estarseia admitindo a dedutibilidade de uma despesa criada artificialmente. [...] Como bem descrito no Termo de Verificação Fiscal, houve a utilização de uma empresa veículo entre a Cosan 50 e a Corona (Mandiçununga). Essa empresa veículo, sem nenhuma operação econômica, poderia ser incorporada sem ônus, mas com todos os benefícios fiscais da amortização dos ágios. A passagem dos ativos da Cosan 50 pela Mandiçununga foram considerados pela Fiscalização como operações formais e artificiais, não efetivadas no mundo real. Os ágios, segundo levantamento fiscal, na verdade, pertencem à Cosan 50 e lá ficariam, pois tanto a Corona quanto a Cosan 50 são empresas ativas, não tendo ocorrido a situação que permitiria o enquadramento dos ágios no art. 386 do RIR/99, como já citado. Outro fato relevante constatado pela autoridade fiscal é que o ágio, o qual teria sido apurado pela Mandiçununga na permuta da Aguapar pela NDPar bem como o apurado pela Mandiçununga no aumento de capital da Corona (incluindo o ágio da Usina da Barra 44), foram transferidos à própria Corona na sequência, pela incorporação da Mandiçununga e NDPar (entre outras), permitindo artificialmente aplicar o disposto no art. 386 do RIR/99. Essa incorporação reversa da empresa Mandiçununga, foi utilizada apenas para transferência dos ágios apurados, em operação denominada de "incorporação às avessas". [...] Fl. 6949DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.950 60 Está claro que a presente operação nada mais representa do que uma reorganização societária para fins de redução de tributos, sem fundamento econômico, pois faltou o propósito negocial da operação, como bem descrito pela autoridade fiscal. O propósito do negócio entre as sociedades envolvidas na incorporação é unicamente de redução de tributos, pois uma vez constituída, para que esta pudesse aproveitar a dedução do ágio (incorporação às avessas da empresa mãe pela filha). [...] Portanto, no presente caso, a amortização do ágio decorrente de operações societárias, não pode ser reconhecido pelos seguintes motivos: 1. A autuada não apresentou justificativas plausíveis, os quais justificassem a operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados bem como sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50; 2. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita; 3. As empresas foram constituídas tendo com único objetivo a transferência de ativos (empresas veículos) nas aquisições de outras empresas; 4. O tempo decorrido entre as operações, muito curta, denota o propósito apenas de viabilizar a constituição do ágio e seu posterior aproveitamento pela incorporadora (o trânsito pela Dabarra do aumento de capital com ativos que saíram da Cosan 50 no dia 28/02/2006, às 9 horas, e às 18 horas do mesmo dia foram entregues para a Corona); 5. A pessoa jurídica foi, de fato, constituída para fins específicos, ou seja, utilizada apenas para abrigar determinadas operações e evitar a incidência de tributos; [...] Nestes termos, a partir da acusação fiscal de que a contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa para as operações na forma realizada, a fundamentação adotada na decisão recorrida apenas conclui que não foram apresentadas justificativas plausíveis pela impugnante, reportando o uso de empresa veículo e de existência efêmera, muito embora os argumentos deduzidos na impugnação apresentada nestes autos, como expresso no próprio relatório da decisão recorrida, tenham sido os seguintes: [...] Fl. 6950DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.951 61 . que os argumentos fiscais para a desconsideração do ágio da NDPAR não possuem qualquer fundamentação legal, ao passo que “as operações em foco atenderam a todos os requisitos legais para registro e amortização do ágio” e “todos os atos societários que acarretaram o aproveitamento do ágio pela Impugnante deramse de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos”. “Da análise do ‘filme’ das operações efetivamente ocorridas, constatase que as operações societárias (‘várias fotografias’) que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante visavam, desde sempre, a aquisição da NDPAR, detentora da participação societária na Corona, pela Mandiçununga. Dessa forma, verificase desde já que a dedutibilidade fiscal do ágio é uma mera consequência do conjunto das operações analisadas, com o efetivo propósito negocial”. Tal aquisição foi conseguida pela realização da permuta NDPAR x AGUAPAR, realizada entre a Família Ugolini e a MANDIÇUNUNGA; num contexto que “envolve processo de restruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimento em novos negócios e mercados, o que, inclusive, se verifica na própria operação de aquisição do controle acionário da Açucareira Corona”, já que “o evidente abismo financeiro em que se encontrava a Corona (...) ensejou a principal dissidência entre os sócios da Corona, após a entrada da Fluxo e da Cosan no negócio, (...) mesmo após os diversos esforços conduzidos pelos novos acionistas, aliados à atuação da acionista remanescente, NDPAR, para reerguer financeiramente a Corona, esta ainda permanecia em situação de grave endividamento, principalmente com fornecedores, o que, por óbvio, não era interessante para o desenvolvimento de suas atividades e, por consequência, realização do investimento pelos acionistas. Neste contexto, a solução encontrada foi a realização de novo aporte de capital na Corona, com o objetivo de evitar a falência do negócio. No entanto, a Fluxo e NDPAR não possuíam recursos suficientes para assim prosseguir, de forma que, caso o aumento fosse realizado inteiramente ou principalmente pelo Grupo Cosan, ocorreria a diluição de suas participações societárias e perda do controle na tomada de decisões, situação que não era de interesse daquelas sociedades, levandoas a optarem por se desfazer do negócio, alienandoo ao Grupo Cosan”; [...] . que, quanto ao ágio na DABARRA, os argumentos fiscais não possuem qualquer fundamentação legal. A crise financeira enfrentada pela CORONA, inclusive com elevado passivo fiscal, motivou o grupo Cosan a efetuar o aumento do seu capital, “integralizado diretamente pela Mandiçununga (Dabarra)”. Assim, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em despender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o plano de negócios traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades, além do atingimento de novos Fl. 6951DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.952 62 mercados”. Ademais, “o registro do referido ágio tem como suporte o mesmo laudo de avaliação econômica da Corona elaborado pela Deloitte para fins da operação de aquisição da NDPAR por permuta (...) considerandose que as duas operações (i.e. a aquisição da NDPAR por meio de permuta e o aumento de capital na Corona) são contemporâneas, efetivadas ao final do mês de fevereiro de 2006, o laudo de avaliação da Corona datado de 31/01/2006 é plenamente suficiente para suportar os dois ágios”. Acrescentou a defesa que “ao fundamentar a glosa da despesa com o ágio em foco, a Autoridade Fiscal questiona, ainda, a validade do ágio gerado no aporte de capital feito pela Cosan 50 na Usina da Barra 44, transferido à Corona na integralização do aumento de capital na Corona (...) Contudo, o entendimento fiscal neste tocante também não merece prosperar, tendo em vista, primeiramente, que o referido ágio da Usina da Barra 44 sequer ensejou qualquer despesa com amortização nos anosbase do presente lançamento”. Mas que “na remota hipótese da desconsideração do ágio da Usina da Barra 44 na capitalização da Corona, (i) o efeito no presente caso seria apenas a glosa parcial do ‘Ágio Dabarra’ (exclusão do montante de R$ 22.894.988,00 da composição de tal ágio), mas jamais a desconsideração integral desse ativo, ou, ao menos, (ii) o presente processo deverá ser sobrestado até o encerramento definitivo do processo administrativo nº 16561.720093/201138 que trata sobre esse ágio, como reconhecido pela própria Autoridade Fiscal”; [...] . que “o aumento de capital na Usina da Barra 44 se deu por meio de cessão de créditos no valor de R$ 70.000.000,00, em conta corrente que a Cosan 50 detinha com a Usina da Barra 44. Vejase, aqui, que não se trata de ausência de pagamento, como busca caracterizar a Autoridade Fiscal. De fato, o que se tem é a cessão de um crédito, de forma que a Cosan 50 passa a possuir um débito futuro com a Usina da Barra 44, em troca de participação societária em seu capital (por conseguinte, uma aquisição)”; [...] . que “os argumentos fiscais para justificar a suposta invalidade do ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos” e que “seguindo em linha com o processo de ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados, o Grupo Cosan efetuou a aquisição da Mundial, ao passo que, após esta negociação, passou a uma capacidade conjunta de produção de 32,8 milhões de toneladas de canade açúcar. (...) a partir da aquisição em foco e competente adequação dos critérios contábeis adotados pela Mundial aos padrões estabelecidos pelo Grupo Cosan, verificouse a existência de vultoso passivo a descoberto que, necessariamente, deveria ser suprido”; Fl. 6952DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.953 63 Houve, assim, substanciais justificativas para realização das operações da forma efetivada. Aliás, em sustentação oral, a patrona da recorrente demonstrou que a impugnação apresentada no processo administrativo nº 16561.720093/201138 foi elaborada por outro patrono, e esta seria a razão de não ter veiculado diversos argumentos somente deduzidos nestes autos. Diante de tantas especificidades veiculadas em impugnação, não se vislumbra na argumentação desenvolvida às fls. 56 e 59 da decisão recorrida resposta suficiente para afastar a arguição de cerceamento ao direito de defesa. Em verdade, a autoridade julgadora de 1ª instância estendeuse sobre as características das operações descritas pela autoridade fiscal, mas não enfrentou as justificativas apresentadas pela defesa. É certo que a decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na sua peça de defesa. Contudo, frente a evidências de que a defesa apresentada no processo administrativo nº 16561.720093/201138 não foi a mesma deduzida nestes autos, impõese reconhecer que as justificativas apresentadas para o formato adotado nas operações questionadas deveriam ser examinadas na decisão recorrida, dada a possibilidade de algum aspecto fático se prestar a descaracterizar a acusação fiscal de transferência do ágio amortizado. Esclareçase que o vício aqui constatado não decorre da mera transcrição de decisão proferida em outro processo, circunstância que não caracteriza, necessariamente, a nulidade da decisão, como já exposto por esta Conselheira em declaração de voto no Acórdão nº 1402003.823: A recorrente argúi a nulidade do acórdão recorrido por ausência de devida fundamentação, asseverando que em momento algum a decisão enfrentou algum argumento de mérito apresentado pela Recorrente. Destaca trecho que seria revelador da escolha do órgão julgador em não se pronunciar sobre a matéria impugnada, para concluir que o acórdão recorrido se limitou a mencionar que no mérito concorda com os argumentos apresentados por outra Turma Julgadora em sede de julgamento de outro processo administrativo (13830.720239/201482). Aponta violação ao art. 489, §1º, inciso IV do Código de Processo Civil e afirma ter sido cometida dupla ilegalidade porque não apresentada fundamentação a ensejar a improcedência da Impugnação apresentada e por inexistir justificativa e construção racional do julgador para sustentar que o referido Acórdão nº 1457.618 pode ser integralmente aplicado, quanto à fundamentação, ao presente processo administrativo. Observa que o CARF já tomou posicionamento conflitantes em relação a uma mesma operação fiscalizada, reporta condução divergente adotada por outra DRJ, e acrescenta que a mera verificação da natureza e origem das despesas não justificam, ou não, a sua glosa, mas sim os fundamentos adotados pela Fiscalização para fundamentar a dedutibilidade, ou não, das referidas despesas, devendose analisar os elementos que compõem as operações societárias fiscalizadas, e se foram cumpridos os requisitos legais de dedutibilidade da amortização do ágio. Inicialmente anotese que, em respeito ao princípio da colegialidade, esta Conselheira deixa de se reportar aos Fl. 6953DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.954 64 argumentos deduzidos na preliminar de conexão suscitada no Acórdão nº 1402003.574, no qual restou vencida, e que poderia validar a decisão de 1ª instância mesmo se confirmada a alegada ausência de devida fundamentação, dado que, como se demonstrará adiante, a decisão recorrida está devidamente fundamentada. Isto porque o exame do acórdão recorrido evidencia que a preliminar de nulidade do lançamento foi apreciada, nos seguintes termos: Em preliminar, a Impugnante alega ter havido violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, em razão de ausência de fundamentação da glosa de despesa de ágio; argumentando que “não foi realizado qualquer juízo próprio de valor quanto à glosa das exclusões decorrentes da amortização de ágio pago por rentabilidade futura, sendo que, claramente, o Sr. Agente Fiscal limitouse a mencionar a existência do procedimento fiscal anterior ...”. Não houve quaisquer dos eventos alegados em preliminar. O devido processo legal fora efetivamente respeitado com a devida ciência, dos autos de infração e seus consectários, tendo sido, então, apresentada a correspondente impugnação no prazo legal. De fato, a Fiscalização considerou a fim de apurar a matéria tributável no período de 2013/2014, tudo que havia sido discutido e apurado no contexto do PAF nº 13830.720239/201482, porque se tratava de continuidade de amortização do mesmo ágio examinado nos autos do processo citado, que considerou o período de 2009/2012 imediatamente anterior ao aqui tratado. No entanto, a Autoridade Fiscal, de modo expresso e claro, informou ao contribuinte, já no Termo de Início de Procedimento Fiscal, de que a auditoria fiscal que se iniciava tratava, entre outros, das despesas de amortização do ágio examinado naquele outro processo, a fim de lhe oportunizar a adição de qualquer novo e relevante elemento, verbis: [...] Ora, visto que nada de novo, em relação ao procedimento anterior, fora acrescentado, conforme constatara a Autoridade Fiscal, houve manutenção dos fundamentos para manter a glosa do ágio discutido (fl. 429): 7. As explicações e os documentos apresentados são os mesmos que integram o lançamento anterior. Assim, adotamos os mesmos fundamentos expostos no Relatório Fiscal (fls. 9/15) da autuação anterior, no presente lançamento. (gn) Fl. 6954DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.955 65 Daí improceder a preliminar de nulidade com base em “ausência de fundamentação da glosa de despesa de ágio”. Ademais, a recuperação de elementos de prova e todas as informações de interesse para a Fiscalização constante dos autos do Processo Administrativo n° 13830.720239/2014 82. Além de ter sido operado pelo próprio contribuinte (fls. 37 e ss), o transporte daqueles elementos justificase porque os contenciosos de ambos os processos (aquele citado e o atual) têm origem nas mesmas operações resultantes em despesa de ágio, parte amortizada de 2009 a 2012 (objeto do PAF nº 13830.720239/201482) e parte amortizada de 2013 a 2014 (objeto do PAF nº 13830.720422/201721). Notandose ainda que o art. 37 da Lei nº 9.784/99 fornece apoio legal para o procedimento adotado: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (gn) Finalmente, não se vislumbra abuso na fiscalização empreendida pelas Autoridades da Receita Federal, assim, descabida qualquer alegação de nulidade, que deve ser rejeitada. Conclusão que se torna induvidosa quando se verifica que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O simples cotejamento dos autos de infração lavrados com cada requisito acima enumerado confirma a obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Por outro lado, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, nem se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal citadas nos AI e TVF para o lançamento de ofício e para exigência de multas correspondentes. Fl. 6955DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.956 66 Enfim, não tendo havido cerceamento de defesa, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade competente, consideramse válidos todos os atos praticados no procedimento fiscal, porque em consonância ao que determina o PAF, art. 59, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Desta forma, rejeitase integralmente a tese de nulidade, em todos os seus fundamentos. Nesta exposição já se constata que a autoridade julgadora demonstrou a equivalência entre as acusações fiscais dos dois processos administrativos citados e, na sequência, o que se observa é a equiparação, também, das razões de defesa apresentadas em ambos os processos: A Autoridade Fiscal, no Relatório (fls. 427 e ss), e a Impugnante, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 37 e ss), embora com propósitos distintos, recuperam elementos do Processo Administrativo Fiscal n° 13830.720239/201482, espaço do contencioso substantivado na resistência à lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referentes aos períodos de apuração de 2009 a 2012. Neste sentido, a Autoridade Fiscal transportou elementos, informações, provas para a apuração dos mesmos tributos dos períodos subseqüentes (2013 e 2014), adotando o mesmo fundamento da autuação anterior para estes autos conforme revelou no Relatório Fiscal, fl. 429: “(...) adotamos os mesmos fundamentos expostos no Relatório Fiscal (fls. 9/15) da autuação anterior, no presente lançamento”. Por seu turno, a Impugnante produziu contestação na mesma linha (na parte que se refere à constituição do crédito relativa ao ágio) da Impugnação apresentada no curso do PAF n° 13830.720239/201482, conforme tacitamente admite (fl. 443 e ss): Considerando a já mencionada inexistência de motivação própria no TVF lavrado nestes autos para deixar de reconhecer a legitimidade da exclusão da amortização de ágio do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anos base de 2013 e 2014, cabe à Impugnante enfrentar os argumentos fiscais suscitados no Processo Administrativo n° 13830.720239/201482, adotado como suporte da presente autuação (vide fls. 03 do Relatório Fiscal). O argumento que fundamentou os autos de infração objeto do Processo Administrativo n° 13830.720239/201482 se resume, basicamente, à impossibilidade de amortizar o Fl. 6956DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.957 67 suposto ágio interno, em razão de as operações terem sido realizadas entre partes relacionadas. (gn) Na verdade, observandose pela ótica do contribuinte, nos anos de 2013 e 2014, há apenas continuidade de registros e dedução de despesas a título de amortização de ágio legítima e legalmente obtido, cuja origem e utilização para efeito de cálculo do IRPJ/CSLL já haviam sido contempladas nos períodos anteriores (2009/2012). E, posicionandose na perspectiva da Fiscalização, há apenas continuidade das glosas já efetuadas mediante regular processo administrativo fiscal para período pretérito de despesas com idêntica origem e natureza. Assim, a matéria litigiosa tratada no PAF n° 13830.720239/201482, no que concerne a legitimidade e dedutibilidade das citadas despesas de ágio, abrange completamente as questões suscitadas sobre a dedutibilidade, ou não, da amortização do ágio na apuração das bases de cálculo dos mesmos tributos no período tratado nestes autos. É neste contexto que a autoridade julgadora de 1ª instância conclui: Neste autos, é necessário apenas averiguar se, de fato, as despesas glosadas correspondem exatamente em sua natureza e origem àquelas discutidas nos autos citados (PAF n° 13830.720239/201482). Todavia, conforme já afirmado, a simples leitura das peças equivalentes (Relatório Fiscal e Impugnação) nos dois processos dissipa qualquer dúvida em relação ao ponto. Assim, adotase os mesmos fundamentos registrados no voto do Acórdão 1457.618 5ª Turma da DRJ/POR, PAF n° 13830.720239/201482 para rejeitar as despesas com ágio no período de 2013/2014. Ou seja, a decisão recorrida claramente adota os mesmos fundamentos da decisão proferida no processo administrativo nº 13830.720239/201482 por constatar que a acusação fiscal e a defesa lá apresentadas veicularam argumentos equivalentes aos presentes nestes autos. Desnecessário, assim, reproduzir os termos daquela decisão, considerando que o sujeito passivo dela, indubitavelmente, tem ciência. Registrese, ainda, que o acórdão recorrido também traz a abordagem dos pedidos subsidiários acerca de (1) exoneração do crédito tributário referente à CSLL;e de (2) exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, e de sobrestamento do feito, com a correspondente exposição das razões de decidir, e que assim resultam, ao final, na declaração de improcedência total da impugnação. Nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, a nulidade da decisão de 1ª instância depende, necessariamente, Fl. 6957DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.958 68 da demonstração de prejuízo à defesa, eventualmente infirmandose a equiparação entre a acusação fiscal e a defesa apresentada no processo administrativo nº 13830.720239/2014 82, com base na qual a autoridade julgadora de 1ª instância decidiu adotar os mesmos fundamentos da decisão proferida naquele processo. Ausente esta demonstração, deve ser rejeitada a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. Considerando, por fim, que o Decreto nº 70.235/72 não cogita da oposição de embargos em face de omissões presentes nas decisões de 1ª instância, a solução processual para tais vícios é a declaração de sua nulidade, com fundamento no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Estas as razões, portanto, para ACOLHER a arguição de nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 6958DF CARF MF
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