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Numero do processo: 13854.000456/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Embora a requerente tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrar-se no disposto no Decreto-lei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias do estabelecimento industrial deram-se com o "fim específico de exportação".
Consideram-se vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento parcial provimento ao Recurso para que a DRF analisasse a certeza e liquidez do crédito. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, que dava provimento integral ao Recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se suspeito.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Embora a requerente tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrarse no disposto no Decretolei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias do estabelecimento industrial deramse com o "fim específico de exportação". Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento parcial provimento ao Recurso para que a DRF analisasse a certeza e liquidez do crédito. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, que dava provimento integral ao Recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse suspeito. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 04 56 /2 00 2- 41 Fl. 513DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. Relatório Para bem relatar o feito, socorrome do relatório elaborado pela decisão recorrida: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo DERAT, que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI e não homologou as compensações declaradas. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 10.276/2001, no valor total de R$ (...), relativo ao 4° trimestre de 2002. Apresentou também, declarações de compensação deste crédito com débitos próprios. O pedido foi indeferido em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, com base na informação fiscal de fls. 117/123 que, em resumo, passo a relatar: 1. Exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2° do DecretoLei n° 1.248/72 (trading company), ou não registradas na SECEX, num total de R$ 162.278.628,49; 2. Inclusão no valor da Receita Operacional Bruta acumulada no ano das receitas decorrentes de revendas de mercadorias do mês de setembro de 2002, sendo que a ROB foi alterada para R$ 228.565.335,97; 3. Calculado o valor do crédito presumido acumulado para o 4° trimestre/2002, obtevese o valor de R$ 9.633.494,12; como a contribuinte já teve deferido em trimestres anteriores o valor de R$ 15.890.088,81, o resultado final para o 4° trimestre é um saldo negativo de crédito presumido de IPI de R$ 6.256.594,89, o qual deve ser contabilizado pela empresa CoinbraFrutesp S/A, CNPJ n° 46.347.795/000100, que incorporou a interessada em 18/12/2002. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 131/142, defendendo a inclusão, no cálculo da receita de exportação, das exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma tradingcompany, por considerar Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 514 3 que se encontra atendido o fim especifico de exportação. Acrescentou que a exclusão desses valores afrontaria os princípios da legalidade e da isonomia. Acrescentou que a empresa Coinbra Frutesp S/A (autuada) possui o Registro Especial de Exportação de que trata o inciso I do artigo 2° do DL n° 1.248/72. Assim sendo, as exportações efetuadas por intermédio da sua filial (Coinbra Frutesp S/A — CNPJ n° 46.347.795/000614) devem ser reconhecidas pela fiscalização, dentre aquelas efetuadas por intermédio de tradingcompany, já que o registro aplicase a empresa e não a seus estabelecimentos. Por fim, solicitou que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório na sua integralidade e homologadas as compensações declaradas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida A. glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida A baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM 0 FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado a expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ONUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: i) alteração de critério jurídico por parte da DRJ; ii) que as exportações foram efetivamente realizadas; iii) repisou suas razões anteriormente esposadas. É o relatório. Voto Vencido Fl. 515DF CARF MF 4 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Cumpre frisar, inicialmente, que o objeto desta lide abarca exclusivamente a exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inc. I, art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72 (trading company), ou não registradas na SECEX. A Recorrente sustenta que foi atendido o fim específico de exportação, e que o direito ao crédito presumido não se restringe às vendas para o exterior, realizadas por meio de trading companies. Assim estabelece o art. 1º da Lei 9.363/96, verbis: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A discussão, portanto, cingese a determinar o conceito de "empresa comercial exportadora" a que se refere tal ato legal. E sobre isso, é preciso que se deixe claro, a decisão recorrida foi exemplar, com um longo e elaborado arrazoado sobre o alcance da expressão, a qual utilizamos como razão de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei 9784/99: A resposta à pergunta n° 26 do "Perguntas e Respostas sobre Crédito Presumido do IPI", encaminhado pela Nota MF/SRF/Cosit/Cotip/Dipex n° 312, de 3 de agosto de 1998, denota que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação, e não apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decreto lei n° 1.248, de 1972, citado no despacho decisório controvertido, conhecidas como trading companies, que são espécie do gênero "empresa comercial exportadora". Para maior clareza, eis a transcrição da resposta mencionada: 26) No caso de empresas comerciais exportadoras, de quem é a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, no caso de não exportação, e como se dá a saída do produtor? Resposta: As saídas do produtor para as empresas comerciais exportadoras, inclusive as destinadas as empresas constituídas sob a forma do Decretolei no 1.248/72, são efetuadas com suspensão do IPI (art. 36, inciso VIII, alínea 'a', do RIPI/82, correspondente ao art. 40, inciso VI, 'a', do RIPI/98. Com relação ao crédito presumido do PIS/Pasep e Cofins, que tenha sido aproveitado ou ressarcido a titulo de IPI, caso não tenha ocorrido a exportação no prazo de 120 dias, ou o produto tenha sido vendido no mercado interno, roubado etc., o responsável pelo seu Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 515 5 recolhimento é a empresa comercial exportadora (0 42 a 72 do art. 2° da Lei n2 9.363/96, e art. 5° da Portaria MF n° 38/97. Sobre a interpretação do art. 36, VIII, "a", do RIPI, de 1982, citado na resposta transcrita, já havia sido editado o Parecer CST/Sipe n° 1.213, de 31 de maio de 1984, cuja ementa diz o seguinte: A referência feita pelo art. 36, inciso VIII, letra 'a', do RIPI/82, a 'empresas comerciais que operam no comércio exterior' alcança as empresas exportadoras, de modo genérico e não apenas as 'trading companies' de que trata o Decretolei 172 1.248/72. O referido parecer menciona, em apoio à conclusão a que chegou, o PN CST n2 878, de 1971, e a Instrução Normativa SRF n2 11, de 15 de março de 1982 (item 1). Manifestase também a SRF por meio do Parecer Normativo CST n° 42, de 1975, que trata de Estímulos à Exportação, entendimento semelhante ao descrito acima. Por oportuna, reproduzse a seguir o seu texto: PARECER NORMATIVO CST N°42/75 IPI ESTÍMULOS À EXPORTACÃO As atividades da Empresa Comercial Exportadora regulada pelo Decretolei n° 1.248/72 não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, referida no artigo 8° do Decreto n°64.833/69 e no artigo 7°, Inciso X, letra "a", do RIPI. O Decreto n°64.833, de 17 de julho de 1969, que regulamentou o Decretolei n° 491, de 05 de março de 1969, dispôs em seu artigo 8°, que: "os estímulos fiscais à exportação, inclusive os de que trata este decreto, aplicamse, igualmente, ao fabricante de produtos industrializados que tenha a sua exportação efetivada por intermédio de empresas exportadoras, de cooperativas, de consórcios de exportadores, de consórcios de produtores ou de entidades semelhante." 2. Procurase, agora, esclarecer se as operações de exportação efetivadas por intermédio de empresas exportadoras foram, de alguma forma, atingidas pelos dispositivos do Decretolei n°1.248, de 29 de novembro de 1972. 3. O Decretolei n° 1.248/72. como se declara no seu artigo 1°, trata de operações de compra de mercadorias no mercado interno, realizadas por Empresa Comercial Exportadora, para o fim especifico de exportação. A efetivação da exportação corre por ordem e conta da Empresa Comercial Exportadora, mas a operação de compra realizada no mercado interno gera, de imediato, beneficios fiscais para o produtorvendedor (art. 30). Para este, vale dizer, a opera cão interna se equipara a uma exportação efetiva para todos os efeitos, inclusive a isenção do IPI (RIPI. artigo 90, inc. II). Fl. 517DF CARF MF 6 4. Enquanto os benefícios fiscais tornamse definitivos para o produtorvendedor com a simples realização da operação no mercado interno, são totalmente transferido à Empresa Comercial Exportadora os ônus tributários, que, porventura, venham a se tornar devidos pela não efetivação da exportação, pela revenda das mercadorias no mercado interno ou pela destruição das mesmas mercadorias (art. 5). 5. Às Empresas Comerciais Exportadoras, por sua vez, são garantidos benefícios fiscais na área do imposto de renda (artigo 4°). 6. Quanto à empresa exportadora ou que opera no comercio exterior, sua atuação, nos precisos termos do dispositivo legal transcrito no item 1 deste parecer, é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que 6, de direito, o exportador. 7. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, beneficios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. A matéria já foi objeto de diversos Pareceres Normativos, merecendo destaque o de n°878, de 1971. 8. Acrescentese, também, que, diversamente do que ocorre com a Empresa Comercial Exportadora, a empresa que opera no comércio exterior não se subordina a quaisquer exigências da legislação tributária para sua constituição. 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais a exportação de manufaturados, entre a Empresa Comercial Exportadora de que trata o Decretolei n° 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no artigo 8° do Decreto n° 64.833/69 e no artigo 70, inciso X, letra "a", do RIPI.Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. Como se vê, de acordo com o PN CST n° 42, de 1975, a empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, não regulada pelo DecretoLei n° 1.248, de 1972, a sua atuação é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, benefícios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. Tal entendimento continua sendo mantido pela SRF nas respostas às consultas formuladas pelos contribuintes, como se pode exemplificar pela Solução de Consulta SRRF/9ªRF DISIT n° 108/2004, onde a interessada indagou se: "poderia conceder (sic) os beneficios fiscais estabelecidos na legislação para exportação direta, como a isenção ou suspensão do IPI, PIS e COFINS, e bem como na (sic) manutenção do Crédito Presumido do PIS/COFINS, nas vendas destinadas ao mercado interno com Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 516 7 o fim especifico de exportação através de Empresas Comerciais Exportadoras constituídas sob forma de Limitada" [...] "com capital mínimo abaixo ou não adequado pelo fixado através do Conselho Monetário Nacional, desde que estas empresas comprovem a exportação dentro do prazo conforme a legislação vigente", tendo sido respondido o seguinte: O DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, trata das empresas comerciais exportadoras conhecidas com "Trading Companies". Por força desse DecretoLei, são condições básicas para configurar uma Trading Company a constituição sob a forma de sociedade por ações, capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional e certificado de registro especial, concedido pelo Departamento de Comércio Exterior (Decex) em conjunto com a Secretaria da Receita Federal — SRF. A diferença básica entre esse tipo de empresa (Trading Company) e as demais empresas comerciais exportadoras reside no fato de as últimas não estão sujeitas a tantas exigências, não precisando cumprir os requisitos do citado DecretoLei n° 1.248, de 1972, aplicandoselhes as leis comerciais e civis que regem as demais sociedades empresariais. O Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI/2002), em todos os artigos em que se refere a empresa comercial exportadora, não faz referência a que seja aquela de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, com exceção do art. 285, que dispõe sobre as exportações de tabaco em folhas, onde determina que as comerciais exportadoras desse produto sejam as instituídas pelo Decreto—Lei n°1.248, de 1972. O Parecer Normativo CST n° 42, de 1975, esclarece que as diferenças entre a empresa comercial exportadora comum e aquela de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, advêm, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. Conforme esse Parecer, o DecretoLei n° 1.248, de 1972, como declara em seu art. 1°, trata das operações de compra de mercadorias no mercado interno, realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, efetivada por sua ordem e conta, sendo que a operação de compra realizada no mercado interno gera, de imediato, benefícios fiscais para o produtorvendedor (art. 3°), fazendo com que a opera cão interna se equipare a uma exportação efetiva para todos os efeitos. No mesmo momento, os ônus tributários são totalmente transferidos para a empresa comercial exportadora, os quais se tornarão devidos, seja pela não efetivação da exportação, pela revenda das mercadorias no mercado interno ou pela destruição das mesmas mercadorias (art. 5°). O referido DL n° 1.248, de 1972, em seu art. 4°, garante a essas empresas benefícios fiscais na área do imposto de renda. Em compensação, as comerciais exportadoras reguladas por este Decreto Lei, conforme visto anteriormente, esteio sujeitas a exigências maiores. Ainda de acordo com o PN CST n° 42, de 1975, quanto à empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, não regulada Fl. 519DF CARF MF 8 pelo DecretoLei n° 1.248, de 1972, a sua atuação é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, benefícios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. Quanto à suspensão do IPI, o Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/2002), em seu art. 42, V. "a", é claro ao estabelecer que sairão com suspensão do IPI as vendas realizadas pelo estabelecimento industrial à empresa comercial exportadora, desde que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados com o fim especifico de exportação, por conta e ordem desta. Somente não cabe a suspensão do IPI quando a exportação para o exterior é realizada pelo próprio produtor dos produtos industrializados, na condição de produtorexportador, visto tratarse de imunidade albergada na Constituição Federal, art. 153, ,sS' 3°, III, reproduzida no RIPI, art. 18, II Assim, se ao referirse a "empresas comerciais exportadoras constituídas sob a forma Ltda, cujo capital mínimo não está adequado pelo fixado através do Conselho Monetário Nacional " pretende a consulente indicar aquelas empresas exportadoras não reguladas pelo DecretoLei n°1.248, de 1972, poderá se valer dos benefícios concedidos pela legislação desde que os produtos de sua fabricação sejam remetidos diretamente para embarque ou para recinto alfandegados com o fim especifico de exportação, por conta e ordem das referidas empresas comerciais exportadoras. De todo o exposto, concluise que sairão com suspensão do IPI as vendas realizadas pelo estabelecimento industrial its empresas comerciais exportadoras, desde que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados com o fim especifico de exporta cão, por conta e ordem destas. Ainda se poderia confirmar esta interpretação pelo disposto na Instrução Normativa SRF n.° 95, de 06 de agosto de 1998: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Portaria MF n°38, de 27 de fevereiro de 1998, resolve: Art. 1º Aprovar o programa gerador do Demonstrativo de Exportação, na versão 2.0, para uso obrigatório pelas empresas comerciais exportadoras que houverem adquirido mercadorias de empresa produtora vendedora com o fim especifico de exportação. Parágrafo único. O programa a que se refere este artigo está disponível para os declarantes nas unidades da Secretaria da Receita Federal SRF e em seu site na INTERNET, no seguinte endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br . Art. 2° A empresa comercial exportadora referida no artigo anterior fica obrigada a apresentar o Demonstrativo de Exportação, no trimestre em que ocorrer pelo menos um dos seguintes eventos: I adquirir de mercadoria de empresa produtora vendedora, corn o fim especifico de exportação; Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 517 9 II exportar mercadoria que tenha sido adquirida de empresa produtora vendedora, com o fim especifico de exportação; III recolher impostos e contribuições na condição de responsável nos termos dos 40 a 70 do art. 2° da Lei 9.363, de 1996, relativos aos produtos adquiridos de empresa produtora vendedora com a finalidade especifica de exportação. Também nos convênios assinados pela Unido a expressão "empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação" não se restringe apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 1.248/72, como se constata a seguir: (...) Portanto, diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei n° 1.248, de 1972. Sendo assim, entendo que devem ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de serem favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 2 1.248/72, desde que estas vendas tenham tido o fim especifico de exportação, ou seja, que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados, com o fim especifico de exportação. Este entendimento vem sendo adotado por esta Turma de julgamento há algum tempo. Como se vê da longa e minuciosa citação, o conceito de empresa comercial exportadora vai bem além do âmbito das trading companies e isso foi reconhecido pela DRJ mas a glosa foi mantida sob argumento de que o contribuinte não comprovou o fim específico de exportação. Nos termos da decisão recorrida: não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Todavia, esta conclusão contraria diametralmente o verificado pela fiscalização no Despacho Decisório que analisou o pedido de ressarcimento do contribuinte, senão vejamos (fl. 139): Fl. 521DF CARF MF 10 Como se verifica no Despacho, restaram comprovadas as vendas para empresas com a finalidade de exportação e corretamente declaradas no Demonstrativo de Apuração do crédito presumido de IPI de fl. 118, o único motivo para a negativa do crédito foi o critério restritivo utilizado pela DRF, de limitar às hipóteses de venda para trading companies afastado isso, não há dúvidas sobre a ocorrência das exportações e, portanto, não restam quaisquer óbices ao aproveitamento do crédito pretendido. Desse modo, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos presumidos no caso de vendas para empresas comerciais exportadoras. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 518 11 Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento divergi do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. Embora o julgador de primeira instância tenha concordado com a então impugnante no que concerne ao fato de que deveriam ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independentemente de serem essas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 1.248/72, ressalvou a necessidade de que tais vendas tivessem tido o fim especifico de exportação, o que não teria restado comprovado nos autos, eis que não havia qualquer indicação de que os produtos vendidos a empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. No recurso voluntário, alega a interessada que: "Não obstante entenda que esse fato já se encontra superado, tendo em vista que nunca houve qualquer dúvida acerca da exportação das mercadorias, a ora Recorrente pede vênia para juntar documentos que comprovam as exportações ocorridas e que geraram o direito ao beneficio fiscal ora em comento (doc. 02)". No entanto, não basta que se comprove que as exportações foram efetivamente realizadas, devendose também comprovar que as mercadorias saíram do estabelecimento da recorrente com "fim específico de exportação", ou seja, diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora/adquirente. Conforme decidido no Acórdão nº 3402004.342, de 29/08/2017, sob a relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, "Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições". A interessada não laborou no recurso voluntário no sentido de que as exportações se deram com o "fim específico de exportação". A atividade de "provar" não se limita a simplesmente juntar documentos aos autos, especialmente nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos. Provar significa associar registros e documentos de forma individualizada na peça recursal. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento. Quem pleiteia o ressarcimento do crédito presumido sobre exportações realizadas por intermédio de outra empresa é que deve provar que se tratou de uma remessa com "fim específico de exportação", na forma prevista em lei. Fl. 523DF CARF MF 12 A alegação de ofensa ao art. 146 do CTN não prospera, primeiro porque não se trata de lançamento, mas de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI; segundo porque o critério jurídico a ser adotado para a fruição de benefício ou incentivo fiscal é sempre o atendimento ao disposto na legislação atinente a espécie. Embora a interessada tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto ao afastamento do óbice colocado no despacho decisório, no que concerne a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrarse no disposto no Decretolei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário, na forma da lei, para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias deramse com o "fim específico de exportação". Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687247/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 36216.28926.170407.1.3.045351, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 87 24 7/ 20 09 -6 9Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte defendeu a efetiva existência do crédito utilizado e atribuiu a não homologação da compensação a um equívoco no preenchimento na DCTF, o que, todavia, não poderia ser obstáculo à repetição do indébito, utilizado na compensação, devendo prevalecer o princípio da verdade material. Foram juntadas cópias da PERDCOMP e DCTF. A DRJ Porto Alegre/RS julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU ADMINISTRATIVOS. A apreciação de alegação de afronta a princípios constitucionais/administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão. Verificado que ambos os pagamentos alegados estão vinculados a débitos confessados em DCTF, não há como reconhecer o direito creditório em litígio, não se homologando a compensação declarada. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Se as informações e documentos que instruem os autos são suficientes para o convencimento do julgador, a realização de diligência é desnecessária. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. CITAÇÕES/TRANSCRIÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da RFB expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada a decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, nem a posições doutrinárias acerca de determinadas matérias. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL. DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 5 3 Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a peça recursal inaugural, esclarecendo que o indébito originavase de recolhimento indevido de Cofins sobre aquisição de software, acrescendo a alegação de inexistência de dano ao erário e a possibilidade de juntada posterior de prova documental. Coligidos ao recurso vieram cópias de contratos de câmbio, DARF, DCTF e PERDCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada agregam, entretanto, no recurso voluntário, trouxe cópias de contratos de câmbio e esclareceu a pretensa origem do indébito, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente, considerando que o recolhimento indevido diria respeito à Cofins sobre aquisição de software. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 6 4 restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913322/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.913322/201171 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.013 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria COFINS Recorrente TAKATA BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 22 /2 01 1- 71 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.301, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900200/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900200/201201 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.174 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 00 /2 01 2- 01 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.541. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903838/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.903838/201268 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.223 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente LORENPET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 38 /2 01 2- 68 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI que foi indeferido pelo Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, que não reconheceu na sua totalidade o crédito pleiteado através de PER/DCOMP e não homologando as compensações vinculadas que excediam o limite do montante porventura reconhecido. O crédito foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 00.455.985/000492. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Na Informação Fiscal que acompanha o DDE a justificativa para a glosa assim foi expressa: “Referido estabelecimento industrial opera dentro da planta industrial de um fabricante de óleos vegetais para alimentação, onde produz com exclusividade embalagens "pet" de 900 ml. (garrafas plásticas), classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) no códigofiscal 3923.30.00, tributadas à alíquota de 15%. Com base nas vias originais das notas fiscais de aquisições colocadas à nossa disposição, constatamos que a quase totalidade dos citados insumos foram adquiridos da empresa Valfilm Amazônia Ind. e Com. Ltda., estabelecida na Zona Franca de Manaus, com a isenção do IPI prevista no art° 69, inciso II do Decreto n° 4.544/2002 (art° 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010). Mesmo hão havendo imposto destacado nas referidas notas fiscais, a Interessada em sua escrita fiscal aproveitou créditos presumidos do mesmo na ordem de 15% sobre valor do insumo adquirido. (grifei). Intimada a informar e identificar a base legal em que se baseou para aproveitar citados créditos presumidos, a mesma assim se pronunciou: "A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação fiscal 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do Decreto n° 4.544/2002 (art. 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010) são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999: nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), na nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 4 3 1988 e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/1198, nos períodos compreendidos do 1o trimestre de 2008 ao 4o trimestre de 2010 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas, a título de crédito presumido. ...” Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, com as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega a tempestividade da manifestação. Sustenta que não estaria comprovado que a intimação por via postal teria sido improfícua, fato que teria ensejado a intimação por edital. Diz ter ficado sabendo que o débito compensado já se encontrava em cobrança final em 05 de novembro de 2013, quando verificou que o processo administrativo havia sido incluído no Relatório de Situação Fiscal emitido pela Receita Federal do Brasil na situação “DEVEDOR”. E assim, considerando que nesta data a Requerente foi devidamente intimada, o prazo para contestação encerraria em 05 de dezembro de 2013. Alega ainda que, até a presente data, sequer teria obtido cópia do Processo Administrativo Eletrônico. Quanto ao mérito, defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições de insumos fornecidos pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002. Considera equivocado o posicionamento do AuditorFiscal no sentido de que o simples fato de não ter sido cobrado imposto na etapa produtiva antecedente impediria o aproveitamento do crédito pelo adquirente do produto beneficiado na etapa subsequente, pois esse entendimento seria incompatível com o princípio da nãocumulatividade do IPI, sobre o qual discorre. Reportase ao entendimento manifestado pelo Exmo. Ministro Nelson Jobim no voto vencedor do Recurso Extraordinário n.° 212.4842/RS, julgado pelo Tribunal Pleno do E. Supremo Tribunal Federal, que transcreve em parte. Ataca também a menção ao Parecer PGFN n.° 405/2003, que não teria eficácia normativa em relação ao presente caso, pois referese à possibilidade de creditamento do IPI nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero, não havendo nenhuma relação com as operações isentas do IPI, provenientes da Zona Franca de Manaus de que se trata neste processo. Sustenta que a circunstância de se tratar de insumos provenientes da ZFM daria ainda mais guarida ao seu direito pois se trata de isenção peculiar, com natureza de incentivo regional, que somente será efetivo se o direito ao crédito for mantido em favor do adquirente. Tanto que o próprio E. Supremo Tribunal Federal consignou recentemente no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.819 que o julgamento ali proferido para as hipóteses de creditamento de IPI decorrente de aquisições de insumos isentos não contempla os casos de insumos beneficiados por isenção concedida à Zona Franca de Manaus. Finalizando, solicita o cancelamento dos débitos e o arquivamento do processo administrativo. Uma vez que se encontrava esgotado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, o interessado interpôs ação de mandado de segurança (M.S n° 0002832.23.2013.4.02.5120) junto à 2a Vara Federal de Nova Iguaçu, na qual obteve liminar que assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e o direito ao exame de manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) DEFIRO A LIMINAR Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 5 4 para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto dos processos administrativos arrolados na inicial, devendo as manifestações de inconformidade apresentadas nos referidos processos administrativos (n°s 10735.903830/201200, 10735.903831/201246. 10735.903832/201291, 10735.903833/201235, 10735.903834/201280. 10735.903835/2012 24, 10735.903836/201279, 10735.903838/201268. 10735.903839/201211, 10735.903840/201237, 10735903.829/201277 e 10735.903837/201213) serem processadas e encaminhadas para julgamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 10053.128. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.216, de 26 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10735.903831/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.216): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em pesquisa no site deste E. Conselho constatei que foi formalizado o processo nº 19515.721546/201278, decorrente de autuação fiscal na referida empresa em relação à glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. Informa o referido processo que as glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. Estando o PER/DCOMP do presente processo abrangido na referida autuação, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 3301003.626, de 23/05/2017, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 6 5 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA PRIMA.ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art.25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Excertos do voto: Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência),então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 7 6 Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO.INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI:(grifei) IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 8 7 regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas:(grifei). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade),matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 9 8 matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou:(grifei). TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma.(grifei). Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 10 9 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS.IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Ainda na mesma linha de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citase o julgado de 27/09/2016, proferido no processo 19515.001412/201075, da mesma empresa conforme a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 11 10 Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento antecipado do imposto, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CREDITAMENTO. IPI. INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não dá direito ao creditamento do tributo, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não umulatividade. Cabe destacar que neste processo a empresa apresentou recurso especial, o qual foi negado seguimento de forma definitiva, uma vez que o acórdão recorrido observou decisão do STJ proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio cingese ao direito a créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001425/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a abril de 2008, no valor de R$ 14.698,80, com redução para R$ 7.349,40 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.322 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 64DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000265/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados. Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento de Cofins, vinculada a exportação, relativa ao 1º trimestre de 2006, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003, cumulada com Declarações de Compensação. O Despacho Decisório decidiu por não homologar as compensações, em vista da glosa dos créditos, conforme os seguintes motivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 26 5/ 20 09 -5 3 Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 600 2 equívocos no rateio de créditos vinculados à exportação; glosa sobre aquisições de ferramentas, paletes, carretéis, materiais de limpeza, vestuário e embalagens destinadas à movimentação de material reciclável; glosa de valores das notas fiscais 231.795, por crédito apurado em duplicidade, e 1.473, que se trata de retorno de mercadoria remetida para industrialização; glosa de despesas de frete: de transporte de container vazio; devolução de caixas de coleta de recicláveis “Top Verde”; envio de amostras; reposição em garantia; outras devoluções; glosa de valores relativos à tomada de crédito sobre encargos de depreciação sobre móveis, utensílios e equipamentos de informática, os quais, segundo o Fisco, não estavam relacionados à produção; Como resultado das glosas, a homologação foi homologada parcialmente. Cientificada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando: que o Despacho Decisório seria nulo, porque não fundamentou a glosa relativa a ferramentas, carretéis e pallets e caixas top verde; que houve equívoco no apuração do rateio entre receita tributadas no mercado interno, receita não tributadas no mercado interno e receitas exportadas; que a data de embarque não pode ser considerada para fins de apuração da receita exportada, mas sim a data da nota fiscal, em vista do conceito de faturamento como base de cálculo das contribuições; legitimidade dos créditos tomados em relação a ferramentas, carretéis e pallets; a regra de não cumulatividade de Pis e Cofins, segundo princípios constitucionais, seria muito mais ampla que a adotada pelo Fisco; a nota fiscal 1.473 existe e apenas conteria erro no CFOP; quanto à glosa de frete de caixas “Top Verde” seria indevida, porque são embalagens utilizadas para recolher mercadorias para reciclagem, se tratando, desse modo, em gasto necessário para aquisição de insumos; o mesmo para a movimentação de conteineres vazios; e que os fretes na remessa de peças para substituição em garantia estarima no mesmo conceito de frete na venda, cf. inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 601 3 A impugnante expressamente deixa de recorrer quanto às glosas relativas a material de limpeza, de segurança, à notas fiscal aproveitada em duplicidade, e depreciação de bens do ativo imobilizado. A DRJ/Porto Alegre/RS – 2ª Turma decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o teor do Despacho Decisório. Transcrevo a ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Deve ser afastada a preliminar de nulidade por ausência de fundamentação ou motivação, quando o Despacho Decisório indica todos os pressupostos de fato e de direito que embasaram a sua decisão, inclusive com planilhas e demonstrativos como suporte. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Somente os dispêndios com fretes vinculados à venda de produtos, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, reforçando os argumento da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto O processo ainda não está maduro para julgamento. Os créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a vendas tributadas no mercado interno podem ser objeto de compensação com os respectivos débitos, inclusive de meses subsequentes, em vista do art. 3º, caput, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e §4º1. No caso de créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a exportação, eventual saldo credor pode ser objeto de pedido de compensação com outros débitos, e inclusive ressarcidos, nos termos do artigo 5º das mesmas 1 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 602 4 Leis. 2 Para esse fim, calculase o rateio proporcional entre receita de exportação e receita bruta. Não há acusação, por parte do Fisco, de exportações fictícias. Não obstante, constatase que as exportações mensais consideradas pelo Fisco são sistematicamente menores que as exportações informadas em Dacon. O total trimestral difere em dezenas de mihões de reais. A mera diferença de metodologia de apuração, pela data de embarque, não ensejaria essa diferença, em valores agregados. Aparentemente, as notas fiscais de saída para exportação, cujo embarque tenha ocorrido no mês seguinte, não foram computadas nas receitas de exportação em nenhum mês. Mas não há, nos autos, elementos suficientes para dirimir a dúvida. Desse modo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Receita Federal providencie os seguintes esclarecimentos: qual a composição das receitas exportadas em cada mês consideradas no Despacho Decisório ? Todos os embarques de exportação em cada mês foram considerados, ou somente os embarques relativos a notas fiscais do próprio mês ? caso todas as notas fiscais de exportação, tanto do próprio mês, quanto de meses anteriores, tiverem sido consideradas no cálculo do valor exportado de cada mês, qual a origem da diferença substancial dos valores agregados de exportação ? Após relatório conclusivo, com as considerações que entender pertinentes, a Delegacia da Receita Federal deve providenciar a cientificação da recorrente para manifestar se, se desejar, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, e devolver o processo a este Carf. Marcelo Giovani Vieira, Relator. 2 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 602DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.000205/2006-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços vedados.
Numero da decisão: 9101-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços vedados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 02 05 /2 00 6- 03 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 304 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra o acórdão nº 1103 001.019, da 3ª Turma Ordinária da 1º Câmara, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, reunir os elementos de prova da ocorrência da infração à legislação tributária.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido, “a Fiscalização não reuniu os elementos necessários para descaracterizar a opção da recorrida, o que lhe caberia fazer.” Ciência da decisão recorrida no dia 17/12/2014, à efl. 228. Recurso Especial da PGFN interposto no dia 17/12/2014. Nessa oportunidade, apresenta o acórdão ofertado como paradigma nº 30132532, segundo o qual “a pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados.” Segundo a recorrente, as atividades de prestação de serviços de produção de vídeos e filmes, previstas no contrato social da recorrida, são incompatíveis com o regime do Simples da Lei nº 9.317/1996, como afirma o acórdão ofertado como paradigma, contrariamente ao que restou decidido no acórdão ora contestado. Isso porque a decisão hostilizada considerou que as atividades realizadas pela recorrida independem de habilitação profissional legalmente exigida e não se assemelham à de produtor de espetáculos, ao passo que o acórdão trazido ao confronto interpretativo descreve que “a existência de semelhança com a produção de espetáculos não guarda dependência com o nível da produção ou com seu grau de grandeza, sendo irrelevante, assim, que a produção envolva custos expressivos aspecto em relação ao qual a lei não se deteve , bastando que ocorra a produção de filmes ou de vídeos.” No mérito, a recorrente manifesta que, ao fazer alusão ao termo “assemelhados”, o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1998 “deixa bastante evidente que lista ali contida não é exaustiva, sendo alcançada pela vedação toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades arroladas em tal inciso. Noutro giro, salienta que o critério relevante para determinar a validade da opção pelo Simples é a natureza da atividade desempenhada pela pessoa jurídica, e não a habilitação profissional dos sócios. No caso em julgamento, o contrato social da pessoa jurídica, juntado aos autos, comprova que esta realiza, entre outros, serviços auxiliares à produção de cine e vídeo, que são assemelhados à prestação de espetáculos. Nessa linha, adverte que a recorrida não trouxe aos autos documentos aptos a comprovar que não desenvolveu atividades vedadas para fins de ingresso no regime simplificado, nos termos do artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, a patentear que não assumira o ônus de provar suas alegações, no momento processual oportuno. A recorrente também destaca que não se deve definir a possibilidade de opção pelo Simples com base apenas em circunstâncias, pois tal critério implicaria exigir do Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 305 3 Fisco uma vigilância contínua para averiguar se eventualmente o contribuinte não estaria desenvolvendo atividades vedadas. Ao final, requer seja o presente Recurso Especial conhecido e, no mérito, provido, reformandose a decisão ora atacada, restabelecendose a decisão de primeira instância. Ciência da recorrida no dia 25/05/2016, à efl. 267. Contrarrazões apresentadas em 13/06/2016. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: a) a vedação do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 só pode ser aplicada a profissionais autônomos e não a pessoas jurídicas; b) o acórdão apontado como paradigma não pode ser empregado como fundamento da reforma; c) o texto legal traz a expressão “espetáculos”, o que sinaliza na direção de atividades que geram maior repercussão e complexidade no cenário artístico (e não comercial); d) o termo “assemelhados” não pode ser considerado para fins de interpretação da restrição legal, pois não se pode considerar válida a norma que imponha penalidade de modo tão aberto. Ao término, suplica a denegação ao provimento do Recurso Especial da PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Consta no Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886, 7 de agosto de 2003, que a recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2002, em razão da exploração da atividade de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos (código de atividade econômica: 92118/02). Tal ato menciona que a irregularidade data de 27/08/1986. Na apreciação da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples, à efl.03, a autoridade fiscal estribouse no argumento de que os documentos que instruíram o pedido “são insuficientes para demonstrar que a CNAE informada no Cadastro não correspondia à atividade Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 306 4 mencionada nos estatutos sociais”. Registrese que até aqui não se vê qualquer alusão à suposta semelhança com a atividade de produtor de espetáculos. Uma vez indeferido o pedido de revisão formulado pela recorrida na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, coubelhe apresentar manifestação de inconformidade à DRJ/São Paulo I, que também negoulhe o pleito, dessa feita escorandose na justificativa de que a impugnante se dedicava à produção cinematográfica, a teor das provas acostadas às fls. 107, 116 e 102/129, motivo por que se mostrava correto considerar tal atividade assemelhada à de diretor ou produtor de espetáculos. Para corroborar o entendimento então esposado, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu à descrição das atividades dos Diretores de Espetáculos e Afins e dos Produtores de Espetáculos, constantes da Classificação Brasileira de Ocupações, elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos seguintes termos: "Diretores de Espetáculos e Afins Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias. Produtores de Espetáculos Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos.” De início, consignese que a Lei nº 9.317/1996 não estava em vigor na data da irregularidade apontada (27/08/1986). Na ocasião, vigia o Estatuto da Microempresa instituído pela Lei nº 7.256/1984, que não impedia a adesão às produtoras de filmes e fitas de vídeo. É preciso considerar, ainda, que a atividade de produção de espetáculos implica organização complexa, no âmbito da qual é necessária a atuação de outros profissionais voltados à execução de diversas tarefas que contribuem para a realização do fim almejado, que é o espetáculo. Para tal resultado, a produção frequentemente compreende o aluguel de espaços físicos e equipamentos, ou mesmo a aquisição de apetrechos e instrumentos. As notas fiscais reunidas nos autos traduzem a realização da atividade de produção de vídeos voltados à veiculação interna e de cunho institucional, contratados por instituições financeiras, restaurante corporativo, indústrias químicas, editoras, institutos assistenciais e o Metrô de São Paulo. Segundo Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria MTE nº 397, de 9 de outubro de 2002, os produtores artísticos e culturais “implementam projetos de produção de espetáculos artísticos e culturais (teatro, dança, ópera, exposições e outros), audiovisuais (cinema, vídeo, televisão, rádio e produção musical) e multimídia. Para tanto, criam propostas, realizam a préprodução e a finalização dos projetos, gerindo os recursos financeiros disponíveis.”1 Diante das provas produzidas nos autos, é impossível sustentar a realização da atividade de diretor ou produtor de espetáculos, pois não há a menor evidência da contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Reparese que a autoridade fiscal, 1 vide: <http://www.ocupacoes.com.br/cbomte/2621produtoresartisticoseculturais>. Acesso em 10/01/2018 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 307 5 ao editar o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886/2003 não proclamou que a atividade exercida pela recorrida se assemelhava à de produtor ou diretor de espetáculos. Nesse ato, simplesmente averbouse a exclusão em razão da exploração da atividade de produção de filmes e fitas de vídeo, sem qualquer referência a outra atividade que se lhe assemelhasse. Aliás, cabe sublinhar que o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886/2003 bem distingue a atividade realizada pela recorrida (produção de filmes e fitas de vídeo), ressaltando a exceção dos estúdios cinematográficos, isto é, estava claro para a autoridade fiscal que a recorrida não se assumia como produtora de filmes cinematográficos. Portanto, a autoridade fiscal, em momento algum, imputou à recorrida a prática de produção cinematográfica. Ora, só se pode conceber um paralelismo com a atividade de produtor de espetáculos caso existente a prévia imputação de produtor cinematográfico, o que não ocorreu. Mas, se tal imputação houvesse, ainda assim não há prova nos autos da efetiva produção cinematográfica, o que, de outro modo, impede que se cogite de eventual semelhança com a produção de espetáculos. Ademais, é preciso fixar a atenção no verbo “prestar”, ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, os quais deslocam o ônus da prova para a Fiscalização. Ou seja, só a efetiva prestação de serviços vedados dá causa à exclusão do Simples com base no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nesses termos, devese insistir no fato de que a autoridade julgadora de primeira instância não produziu prova da efetiva realização da atividade de produtor cinematográfico. Por sua vez, a autoridade fiscal limitouse à mera descrição das atividades relacionadas no contrato social, sem traçar qualquer comentário sobre a realização da atividade de produtor de espetáculos. Assim, à luz dos argumentos ora colacionados, conheço do Recurso Especial para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679805/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 29/07/2005
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 05 /2 00 9- 12 Fl. 115DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico (nº de rastreamento 849902342) de 23/10/2009, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP (fls. 07/08), que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 29/07/2005. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 74/80): "(...) Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 09 a 23, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 116 3 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria credito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta." (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que" ... "analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada." (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobat6ria de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. 4 Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento a manifestação de inconformidade (fls. 35 a 37), informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. 5 E o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº 1630.209 de 16/03/2011, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP), à fl. 71: Fl. 117DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Em 18/05/2011 a Recorrente foi devidamente cientificado por meio do AR Correios (fl. 82) e não resignada com a decisão, em 14/06/2011 (fl. 83), interpôs o presente recurso voluntário (fls. 83/99), reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 117 5 pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso Fl. 119DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 118 7 Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 121DF CARF MF 8 § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 119 9 Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor Fl. 123DF CARF MF 10 de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 120 11 processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o incípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se Fl. 125DF CARF MF 12 juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721051/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano Damorim.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D´MORIM - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: Relator
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Data do fato gerador: 03/04/2012 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade do processo em razão do julgamento ter sido proferido em DRJ de local diferente do domicílio fiscal do contribuinte em razão do disposto na Súmula 102 deste Conselho. Assim como não há nulidade da decisão de primeira instância unicamente em razão da não apreciação de todos os fatos, pormenorizadamente, da exata forma desejada pelo contribuinte. Assim, se os fatos foram apreciados e a decisão de primeira instância devidamente motivada e fundamentada, não há como decretar sua nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. DILIGÊNCIA. Rejeitase a alegação de preterição do direito de defesa fundada em negação da diligência por parte do órgão julgador de primeira instância uma vez que este tenha apresentado, motivado e fundamentado sua decisão de acordo com os fatos, legislação e informações que considerou suficientes para a solução da controvérsia. ASSUNTO: MULTACONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO. Data do fato gerador: 03/04/2012 OCULTAÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Ocorrida ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias, considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a qual se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 10 51 /2 01 2- 61 Fl. 5379DF CARF MF 2 daquelas que não sejam localizadas ou que tenham sido transferidas a terceiro ou consumidas. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. FRAUDE Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a fiscalização deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01. MULTA QUALIFICADA. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, razão pela manutenção no polo passivo a empresa BS Colway Pneus LTDA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art.135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de infração a legislação, fato que restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios não devem ser afastados do polo passivo da autuação. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano Damorim. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.379 3 MÉRCIA HELENA TRAJANO D´MORIM Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários de fls. 5093 e 5159 do contribuinte e dos responsáveis solidários diante de Acórdão da DRJ/SP, fls 4913, de 29 de janeiro de 2014, que julgou o lançamento procedente. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância para acompanhamento dos fatos, do mérito e do trâmite dos autos: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado na data de 22/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS e COFINS, acrescidos de multa majorada de ofício e juros de mora, além da multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 292.818,08, em virtude dos fatos a seguir descritos. As mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, as quais apresentavam o sujeito passivo como importador por conta própria, foram submetidas a Procedimento Especial de Controle Aduaneiro que, entre outras ações, buscou verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, conforme documentos e esclarecimentos constantes do Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 10907.720989/201263 (íntegra anexada à presente autuação). Todavia, ao final de tais ações, ficou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias. Somase o fato de que o Sujeito Passivo, apresentado como importador e adquirente na Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184, classificou as respectivas mercadorias empregando códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para os quais a incidência vigente do Imposto de Importação à época dos registros era de 16%. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre referidas mercadorias, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante Fl. 5381DF CARF MF 4 simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos (valor tributável). Decorrente da diferença de tal valor em relação ao declarado na DI, verificouse valor recolhido a menor para o Imposto de Importação. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, cobrase o imposto complementar. A empresa ATILA PNEUS LTDA foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 19/07/2012 (fls. 3.243). A empresa ATILA PNEUS LTDA, protocolizou impugnação, tempestivamente em 03/08/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 4.323 à 4.386, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A IMPUGNANTE ATILA PNEUS LTDA. E BS COLWAY PNEUS LTDA. Aprioristicamente, mister se faz traçar um breve relato sobre a origem da empresa Átila Pneus Ltda., eis que o auto de infração, de forma infeliz, lançou mão de presunções a respeito de “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação como se fosse tal empresa, pasmem, autora de prática de descaminho. A missão da BS Colway sempre foi a de fabricar e comercializar pneus com excelência, para satisfação e segurança de seus clientes, mantendo seus compromissos sociais, de ética e cidadania. Continuamente investiu na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços, visando superar as expectativas dos clientes consumidores. A missão da BS Colway sempre foi a de fabricar e comercializar pneus com excelência, para satisfação e segurança de seus clientes, mantendo seus compromissos sociais, de ética e cidadania. Continuamente investiu na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços, visando superar as expectativas dos clientes consumidores. A BS Colway foi reconhecida em todo o Brasil e no mundo pelo seu modelo de modernidade fabril, pela qualidade dos pneus que fabricava e pela mais avançada aplicação da tecnologia de remoldagem, além de ser uma referência em cuidados com meio ambiente e programas de responsabilidade social. Não obstante tudo isso, para proteger o mercado das indústrias multinacionais do Brasil, que temiam o crescimento continuado da BS Colway em razão da falta de matériaprima, mesmo na Europa, que Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.380 5 jamais ocorreria, o Governo brasileiro decidiu encaminhar ao STF a ADPF 101/96 (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental), argumentando lesão ao meio ambiente. Sem a sua matériaprima de boa qualidade, inexistente no Brasil, a BS Colway, maior fábrica de pneus remoldados da história, foi obrigada a fechar suas portas, encerrando a fabricação de pneus remoldados e a demitir sua excepcional equipe de 1.200 trabalhadores à véspera do Natal de 2007. Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal não havia mais o que fazer a não ser acatar a derrota imposta. Os sócios da empresa trataram então de ajudar seus 1.200 trabalhadores a se recolocar em outras empresas, onde os avalizaram a respeito de seu comportamento e qualidade de trabalho. Pelo motivo exposto, DESDE 2007 NUNCA MAIS SE IMPORTOU UM ÚNICO PNEU USADO. Diante de tais acontecimentos, os sócios Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho ficaram desestimulados a prosseguir no negócio de pneus. r... tar .0, os seus seis herdeiros (três filhos de cada sócio), todos maiores e 'rm dos em nível universitário, decidiram prosseguir no negócio de pneus, porém não rric.s na industrialização de pneus remoldados, mas sim na importação de pneus ovos, em especial da marca MAXXIS, hoje a 10a. maior empresa fabricante de pneus novos do mundo. Com sua decisão, optaram em março de 2009 por criar uma empresa nova, aportando recursos próprios, devidamente declarados ao Imposto de Renda, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), que foram totalmente integralizados antes mesmo de a empresa Átila Pneus Ltda. ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus novos ou outros bens. Logo em seguida do preenchimento de todas as formalidades junto a Receita Federal esta concedeu à Átila Pneus um limite inicial de US$14 milhões (quatorze milhões de dólares) para o início de suas atividades de importação. As cópias das declarações de Imposto de Renda do Ano base de 2009, Exercício 2010, dos seis sócios fundadores da Átila Pneus, já juntadas no processo administrativo, fazem prova cabal e insofismável da capacidade financeira dos mesmos na data da constituição da empresa Átila Pneus (ano de 2009), nas quais ficaram comprovados seus patrimônios líquidos e rendimentos. Posteriormente, sucederamse aumentos no capital social, todos com recursos lícitos e devidamente noticiados à Receita Federal. Fl. 5383DF CARF MF 6 Isto tudo demonstra que a orientação de seriedade nas importações da Átila Pneus é matéria pacífica. Atualmente, a Átila Pneus promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS, SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores. Essa a origem da Átila Pneus. Nada, absolutamente nada a liga empresa BS Colway, salvo os laços familiares entre os respectivos sócios. Suas quotas de capital foram devidamente integralizadas em moeda corrente e suas instalações pertencem à outra de suas empresas 'Portal dos Mananciais Logística Ltda.), que possui os mesmos sócios das controladoras do seu capital social, bem como NUNCA importou pneus usados. É incrível a intenção do senhor auditor fiscal, demonstrando seu preconceito contra pneus usados, tentar alcançar e PUNIR os sócios da Átila Pneus apenas porque são ligadas por laços de DNA aos sócios da BS Colway. Não é justo que venha promover ilações sobre a idoneidade da empresa Átila Pneus, apenas porque seus seis sócios são filhos dos sócios da empresa BS Colway. Por outro lado, não há como se destacar a improcedência dos ataques à honra do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto praticadas ao longo da autuação lavrada pela fiscalização. O auditor fiscal, in casu, extrapolou completamente a linha que divide seu poder discricionário dos limites ao exercício de suas prerrogativas. As ilações injuriosas e caluniosas nada conduzem para o bom julgamento do feito, servindo apenas para demonstrar o caráter subjetivo da autuação. Tão inoportunas que são, devem ser desentranhadas dos presentes autos todas as acusações levianas, eis que estranhas à correta compreensão do processo instaurado, tratandose de “prova” ilícita, que contamina in totum o “trabalho” realizado pela fiscalização. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF 4a R.; AC 477125; Proc. 200072040030186; SC; Primeira Turma; Rela Juíza Maria Lúcia Luz Leiria; Julg. 21/03/2002; DJU 10/04/2002). A CONSTITUIÇÃO SOCIAL DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA ÁTILA PNEUS LTDA. A impugnante Átila Pneus é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, conforme se pode compulsar pela documentação societária em anexo, tendo por objeto social a importação e comércio de pneus e acessórios para veículos automotores, produtos automotivos e equipamentos para centros automotivos em geral. O capital social, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), foi totalmente integralizados EM DINHEIRO (depósitos foram anexados no processo administrativo) antes mesmo da empresa Átila Pneus ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus ou outros bens. Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.381 7 Conforme podemos observar, os sócios efetivaram a integralização do capital em dinheiro, mediante depósito na conta da própria sociedade empresária em questão, não existem dúvidas sobre referida integralização. O fato de constar no recibo de depósito do Bradesco como depositante “o próprio favorecido” em nada tira o mérito e a comprovação do ingresso de recursos financeiros na empresa, como integralização de capital. O equívoco do funcionário que efetuou na época os depósitos dos cheques em questão (ele deveria ter listado um a um o nome dos sócios) não pode demonstrar ter havido qualquer fraude nos depósitos, uma vez que na contabilidade da empresa e em suas declarações de Imposto de Renda à Receita Federal tal integralização de capital ficou muito bem formalizada, bem como foi plenamente aceita pela própria Receita Federal, que em razão disso outorgou à Átila Pneus Ltda. o LIMITE RADAR de US$14.300.000,00 ainda no ano de 2009, a partir de quando iniciou suas importações. Outrossim, é inconcebível que o senhor AuditorFiscal se dê o direito de simplesmente afirmar “que não ficou bem claro quem efetuou os depósitos relativos à integralização do capital da empresa”. Afinal, ele acusa a empresa, ou não? Aceita a integralização ou “quer dizer o que?”. Até para que a empresa possa exercer seu direito de defesa, como estabelece a lei e a Constituição brasileira, precisa saber exatamente à que tipo de acusação deve responder! Para provar a origem dos recursos destinados à integralização do capital social da impugnante, os sócios anexaram no processo administrativo suas Declarações de Imposto de Renda do Ano base 2009 (cópias anexas), ano da constituição da Átila Pneus Ltda., bem como as atuais, do Ano base 2011 (cópias anexas), onde estão lavrados em nome de cada sócio os respectivos rendimentos. Portanto, desde logo se afirma que não há como a RF de Paranaguá “supor” que os sócios quotistas da Átila Pneus Ltda. não tinham condições financeiras de constituir a Átila Pneus e nela integralizar, no mês de março de 2009, de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais). E ainda, nos dias 03.05.2012 e 28.05.12, as quotistas da Átila Pneus Ltda. decidiram aumentar em mais de 300% (trezentos por cento) o capital da empresa Átila Pneus Ltda., nela aportando, em dinheiro, através da 7a. e 8a. Alteração Contratual, os montantes de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais) em 03.05.12, e mais R$ 25.800.000,00 (vinte e cinco milhões e oitocentos mil reais), conforme cópias de depósitos bancários e documento da JUCEPAR que são anexados, elevando o capital integralizado da impugnante para R$ 51.000.000,00 (cinqüenta e um milhões de reais). Por oportuno, tais aumentos de capital foram informados à Receita Federal em Curitiba e Fl. 5385DF CARF MF 8 ao senhor AuditorFiscal Rockenbach / Aduana de Paranaguá, através de ofícios, ANTES DA LAVRATURA DESTE AUTO COMINANDO PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM PECUNIÁRIA. Tudo foi feito em consonância com o disposto no artigo 1081 do Código Civil. Em razão desse fato, podemos chegar a primeira conclusão, qual seja, desde a sua constituição a impugnante Átila Pneus comprovou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil estar apta a operar na importação de pneus, sendo que, para tanto, teve que provar a idoneidade dos sócios, bem como a real integralização do seu capital social e a origem dos recursos. Equivoco da fiscalização em afirmar que Alessandra, Luiz e Priscilla Bonacin possuem duas empresas distintas com o nome de Ventura e Orion INc, uma sediada nas Seychelles e outra na Suíça, o que não é verdade. O que ocorreu foi a constituição, pelos três sócios, em 29.07.2011, da empresa Ventura & Orion Inc. / Seychelles no valor de US$ 03,00, sendo cada um tular de uma ação de US$ 01,00 ( vide página 09, código 32 da DIRPF de cada um deles). Igualmente no decorrer de 2011, constituíram na Suíça uma conta bancária no banco DEME: 93507002 HSBCBANK USA e cada um dos acionistas transferiu para essa conta US$ 8.500.000,00. Há que se observar que os Lucros e Dividendos (Rendimentos Isentos / página 02 da DIRF) recebidos por cada um dos sócios Luiz, Priscilla e Alessandra eram mais do que suficientes para cobrir as remessas atrás referidas. Equivocadamente o fiscal confundiu a conta bancária da Ventura & Orion Inc. na Suíça como nova empresa constituída. Ademais, conforme pode ser observado na folha 09 da DIRF de cada um dos sócios, a totalidade das remessas enviadas à Suíça (US$ 8.500.000,00 cada um) serviram para integralização do Capital Acionário da Ventura & Orion Inc. nas Seychelles, razão porque essa conta se apresenta com um mínimo saldo residual (vide código 62 da DIRF de cada um deles). Tais importâncias, insta salientar, encontramse devidamente investidas no mercado financeiro. Embora nenhuma empresa no Exterior seja obrigada a prestar informações e provas da movimentação de seus recursos financeiros, os sócios da Átila Pneus Ltda., também sócios de empresas no Exterior, decidiram, em nome da transparência absoluta, a pedir ao HSBC a formalização das aplicações financeiras celebradas, que se encontram vigentes. A impugnante atendeu ao comando do artigo 333, I, do CPC, ao acostar ao processo administrativo os documentos citados acima (extrato, depósito e declaração de IRPF), comprovando efetivamente a origem e destino dos recursos utilizados. Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.382 9 Ora, não tinha a impugnante a obrigação de juntar quaisquer outros documentos além dos citados, notadamente face a ausência de qualquer irregularidade no procedimento adotado. Contudo, em suas manifestações o auditor fiscal limitase a apontar dúvidas, suspeições, numa espécie de negativa geral, exatamente pela falta de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da impugnante, nos termos do artigo 333, II, do CPC. A OBTENÇÃO DO RADAR PELA SOCIEDADE EMPRESARIA ATILA PNEUS LTDA. A atividade de importação da impugnante teve início em 2009, após devidamente autorizada pela Receita Federal, que aprovou seu limite operacional e atestou sua capacidade financeira e idoneidade para operar no comércio internacional. Em 17/11/2010, de forma espontânea, foi protocolado na Receita Federal um requerimento de aumento de limite RADAR, apoiado por farta documentação comprobatória das condições financeiras da impugnante, resultando, pouco mais de dezessete meses depois, em 27/04/2012, no deferimento e implantação no sistema da Receita Federal do novo limite operacional de US$ 41.460.000,00 (quarenta e um milhões e quatrocentos e sessenta mil de dólares). O volume de importações da Átila Pneus somente foi supostamente ultrapassado em "127%” ante a inércia da RF, que não analisou um pedido feito em 2010. Cabe ressaltar que a impugnante somente conseguiu a implantação do antigo pedido no sistema de comércio exterior por grande insistência presencial no órgão, eis que o Auditor da Receita Federal Sr. Lenisio Navarro Carrion, alegou ter instruções para não proceder à análise de revisões de limites, enquanto não fosse ultrapassado 5 vezes o “limite” inicialmente aprovado (praxe da Receita Federal). Não obstante já ter havido a atualização do RADAR da Atila Pneus Ltda., mister se faz observar que o auditor fiscal, ao citar os parâmetros para monitoramento das operações da Atila, utilizouse da previsão da IN 650 e do que efetivamente ocorreu em termos de volume de importações. Porém, “esqueceuse” de informar que esta mesma IN, em seu Artigo 21, V,§ 1º, determina que quando se ultrapassar o limite o importador receberá uma intimação, tendo um prazo de 30 dias para comprovar sua capacidade, o que em nenhum momento ocorreu. Isso demonstra, sem dúvidas, que o modus operandi do senhor Auditor Fiscal foi extremamente equivocado, devendo, pois, ser afastada qualquer dúvida quanto à capacidade financeira da impugnante para realizar suas operações de comércio internacional. Fl. 5387DF CARF MF 10 Ao longo dos anos de 2009, 2010 e 2011, a impugnante importou milhares de pneus, sem nunca ter sido registrado a menor irregularidade em seus processos de importação. Desta forma, novamente as provas são cristalinas, pois não existe qualquer irregularidade no RADAR da impugnante. Muito pelo contrário, a impugnante, espontaneamente, sempre procurou a Receita Federal visando sua atualização. SOBRE AS MARCAS DE PNEUS IMPORTADAS No que se refere à necessidade da importadora em efetuar o registro das marcas dos pneus importados junto ao INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sem dúvida há novo equívoco, uma vez que não há qualquer exigência, por parte da Receita Federal, ou seja de quem for, de que as empresas importadoras sejam detentoras das marcas dos produtos que importam. Sobre isso, seria absurdo e até um crime que importadoras de produtos como MERCEDES, BMW e outros, requeressem registros de tais marcas em nome delas (importadoras). Portanto, a impugnante promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS, SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores, sem que isso implique na necessidade de registro dessas marcas em seu nome nos órgãos competentes. Por outro lado, em nenhum momento o auditor demonstra a obrigatoriedade de tais medidas, mas apenas faz afirmações despropositadas e sem nenhum alcance prático, a não ser a visível intenção de promover “ilações”, razão pela qual referido argumento deve ser afastado de plano. Há, sem dúvidas, um critério extremamente subjetivo do auditor fiscal, o qual, por certo, não pode ser adotado como fundamento mínimo para tão nefasta ação fiscal. SOBRE O ENDEREÇO DA IMPUGNANTE A impugnante está localizada no Condomínio de Armazéns Portal dos Mananciais. A comprovação de que o imóvel é de empresa que possui os mesmos sócios da Atila demonstra, à míngua de qualquer tergiversação, que não estamos diante de terceiros ocultos. Nesse sentido, chama a atenção o fato do auditor fiscal questionar o contrato de comodato existente entre a impugnante e o Portal dos Mananciais Logística Ltda., sociedade empresária cujas cotas de capital, reiterese, pertencem ao mesmo grupo empresarial composto pelos sócios da empresa Átila Pneus Ltda. Não existe qualquer irregularidade no caso em tela, muito pelo 'ntr rio, foi demonstrada efetivamente a realidade fática existente e a conjugação db interesses existente entre duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e que, por terem identidades de sócios, não causam qualguer espécie de prejuízo a terceiros. Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.383 11 Há que se ressaltar que o comodato é um contrato devidamente regulamentado pela legislação civil brasileira. A existência ou não de funcionários é fato irrelevante, notadamente se considerarmos que há no Direito positivado a possibilidade de terceirizações, lembrandose sempre a incompetência funcional da Receita Federal para esse tipo de fiscalização, afeta à Delegacia Regional do Trabalho. No caso específico não houve formalização de “contrato de terceirização" de mão de obra, em razão do Grupo empresarial denominado BSMax, composto pela Átila Pneus Ltda. e as Distribuidoras de Pneus localizadas na esmagadora maioria dos Estados brasileiros, entender não ser necessário ou obrigatório. Assim, com base na atividade principal da impugnante é possível verificar que todas as demais atividades que a complementam, mas não se sobrepõem a ponto de haver prestação de serviço relacionada à atividade fim, caracterizam terceirização legal, ao contrário do que pretende atribuir de forma presuntiva o i. auditor. Não há na lei, no decreto regulamentador e nas portarias do Ministério do Trabalho qualquer proibição no sentido de que para as demais atividades a impugnante possa beneficiarse do contrato de trabalho especializado, mediante terceirização. AUSÊNCIA DOS EXTRATOS DO BANCO BRADESCO No cumprimento do Termo de Fiscalização, optou a impugnante por enviar inicialmente o extrato do BB, já que é este o banco que demonstra todas as operações tributárias aduaneiras e por ser ainda o Banco Oficial, onde são debitados o II, IPI, PIS, Cofins, Siscomex e AntiDumping. Em seguida, para sanar qualquer (e infundada) suspeita da fiscalização, a impugnante juntou seus extratos do BRADESCO, subdivididos em dois arquivos. No primeiro deles, separou a movimentação nos dias em que houve contratos de câmbio, visando facilitar a análise pelos auditores fiscais e, no segundo, toda a movimentação de rotina. Não obstante tal fato ser de conhecimento da fiscalização, o auto de infração deixa a impressão de que a impugnante escondeu os extratos do BRADESCO. Sempre que lhe foi solicitada alguma informação a impugnante prontamente prestou à fiscalização, acreditando que estava diante de um trabalho fiscal rotineiro e principalmente, imparcial. É de se questionar por que razão o senhor Auditor Fiscal Rockenbach, que lavrou a informação da falta de entrega dos Extratos bancários do Bradesco, deixou de mencionar que para sanar qualquer (e infundada) suspeita da fiscalização, a Átila anexou aos autos do processo Fl. 5389DF CARF MF 12 administrativo seus extratos do BRADESCO, subdivididos em dois arquivos para facilitar o trabalho. Repetimos, no primeiro deles, separou a movimentação nos dias em que houve contratos de câmbio, visando facilitar a análise pelos auditores fiscais. No segundo, toda a movimentação de rotina. Enfim, nada foi omitido ao auditor fiscal, razão pela qual não se pode imputar qualquer espécie de falta à impugnante. DA REGULARIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADES EMPRESARIAS ADMINISTRADORAS DE VALORES Exatamente por possuir uma estrutura operacional pequena e movimentar valores elevados, a impugnante celebrou contratos de administração de recebíveis e contas a pagar, com o intuito de minimizar seus custos e poder exercer seu objeto social com uma “estrutura” interna pequena, ou melhor, “enxuta”! Nestas condições, é plenamente justificável que os recursos transitassem nas contas correntes das referidas pessoas jurídicas, sendo que todas as obrigações legais / contratuais e fiscais da impugnante foram devidamente honradas. A Mississipi possuía contrato firmado com a impugnante. E atípico, nem por isso ilegal. A remuneração da empresa foi convencionada contratualmente. Importante destacar que existe uma separação clara das receitas, sendo que a prestadora de serviços recebe apenas o contratualmente previsto pelos serviços prestados e não um percentual sobre o total de vendas da Átila, por exemplo. Ora, ela administra apenas contas a pagar e receber, recebendo um valor contratualmente definido por isso, que pode variar de acordo com o volume de trabalho desenvolvido. Enfim, podemos constatar que não existe qualquer irregularidade no contrato firmado entre a impugnante e a Mississipi. Desta forma, não existem razões para se questionar as operações de importação da impugnante, bem como a existência dos recursos. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA A doutrina pátria consagra que, além do princípio da reserva legal, que sujeita o ato administrativo à lei e não a vontade do agente público. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO GUALAZZI. Com efeito, a não jurisdicização significa a desqualificação de fato ou ato fenomênicos para a esfera jurídica: não estão no mundo jurídico, pois não foram selecionados pela valorização ética positivada, "NON SUNT IN HOC MUNDO." Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.384 13 Referida afirmação aplicase ao caso em comento, pois o auditor fiscal descumpriu com as regras básicas legalmente previstas, calcando seu raciocínio com base em meras suposições. Não consta nos autos as justificativas pelo ato, muito menos provas cabais de que os representantes legais da impugnante estivessem se eximindo de suas responsabilidades, utilizandose de subterfúgios ilegais para promover o comércio internacional de pneumáticos. NULIDADE DA IMPOSIÇÃO FISCAL POR INCORRETA E IMPRECISA DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO AVERIGUADA E POR AUSÊNCIA DE ADEQUADA CAPITULACÃO LEGAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A ilustrada Fiscalização, ao descrever a suposta infração cometida pela impugnante, omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, resultando totalmente nula tal exigência, não passando de um juízo temerário caracterizador de cerceamento de defesa, impeditiva do direito de discutir a legalidade da exação. Não se alegue que os “termos, demonstrativos, anexos e documentos” justificam os autos de infração, pois os mesmos deveriam descrever em detalhes a composição do débito constituído pelo lançamento tributário e não pretender que, de certa forma, o contribuinte pudesse “adivinhar” os termos e montante calculado. A quantificação dos valores, para fins de apuração da base de cálculo das multas, deveria ser devidamente provada, o que não o foi. Preferiu o auditor, por motivos inexplicáveis, quantificar cada pneu em flagrante ofensa a todo e qualquer princípio em direito admitido, sem comprovar que os preços praticados pelas exportadoras estariam distantes da realidade. A relação anexa mostra os preços de todas as importações brasileiras de pneus novos realizadas por empresas do Brasil. Avaliandose os valores FOB dessa relação se percebe que os preços da maior parte dos pneus importados guarda semelhança com os preços pagos pela Átila Pneus Ltda. Além do mais, é sabido no mundo dos negócios que a empresa que compra volumes expressivos é aquela que consegue negociar melhores preços (mais baixos). E a Átila Pneus, atualmente, é uma das empresas de maior porte entre importadoras brasileiras de pneus. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Seabra Fagundes. Inexiste, portanto, na imposição fiscal impugnada, a demonstração analítica da composição de preço das mercadorias para fins de base de cálculo dos tributos e multa decorrente da pena de perdimento c/c a indicação expressa e necessária da legislação que teria sido violada em eventual subfaturamento. Não pode o senhor Auditor Fiscal se estribar no argumento “tendo em Fl. 5391DF CARF MF 14 vista a ocultação do verdadeiro importador para justificar inserir qualquer preço como sendo o correto preço FOB da mercadoria. Pois bem, se a increpação fiscal é falha ou omissa, tal comportamento da autoridade administrativa influenciará certamente na qualidade da defesa apresentada pelo administrado. Por conseguinte, havendo uma defesa parcial, o julgador do processo, seja no âmbito administrativo, seja no judicial, não irá dispor de elementos suficientes para julgar com equidade o feito que lhe é submetido. Seguese que a tutela jurisdicional será incompleta, tendendo ser até parcial, inclinandose, por falta de maiores informações, em favor do Fisco e em detrimento do Contribuinte. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 103.08.175 Primeiro Conselho de Contribuintes Terceira Câmara). O ABUSO DO DIREITO COMO LIMITE AO EXERCÍCIO DOS PODERES DISCRICIONÁRIOS Não obstante a costumeira correção nos procedimentos adotados pela impugnante, houve por bem a zelosa fiscalização em impor pena de perdimento convertida em pecuniária, alegando, dentre outros disparates, que a mesma não possui estrutura condizente com suas operações, estando a serviço de terceiros. A teoria do abuso de direito é uma decorrência da relatividade dos direitos subjetivos em face do conceito de justiça, que deve dominar a ordem social, ínsita na norma, formalmente disposta, que objetiva resguardar o bem jurídico de outrem, contra qualquer dano, previsto por ação ou omissão de titular de direito, ou decorrente de imprudência ou negligência na sua apreciação, o que se pode dar até por erro ou imprecisa interpretação efetivandoo, destarte, de maneira anormal. Por conseguinte, o exercício abusivo de direito se inclui entre uma das muitas variedades de atos ilícitos, como ato antissocial, com a ruptura, por um desses fundamentos, do equilíbrio dos interesses estabelecidos pela ordem jurídica, no condicionamento da harmonia social. Daí se impor a obrigação de reparar as conseqüências danosas de dito ato, seja na decretação, em sendo o caso, da nulidade do ato jurídico, com o desconhecimento dos seus efeitos, ou da composição econômica do prejuízo, com o restabelecimento do “status quo ante", isto é, o retorno à situação anterior, em sendo possível. Por vezes há, concomitantemente, a decretação da nulidade do ato e da composição econômica dos danos. Fica o exercício dos poderes discricionários limitado pelo exercício normal, regular, desses poderes. Transbordando esses limites verificar seá o abuso do direito, o exercício abusivo desses poderes. Tal se Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.385 15 apura, na prática, quando se verifica que o titular do poder discricionário o exerceu com desnaturamento do instituto jurídico, a que correspondia o ato realizado, de maneira a desconhecer a sua categoria, os princípios que a informam, como figura jurídica, ante o mal uso do seu direito. Sob a aparência de legalidade se pratica ato arbitrário, consequentemente nulo, por desrespeito subreptício, indireto, ao texto legal, tornando ilícito ou impossível juridicamente o objeto do ato administrativo. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de JOSÉ CRETELLA JÚNIOR. Reiterese, estamos tratando de pessoa jurídica ativa, com sócios que detém lastro financeiro, intelectual e legal (RADAR) para perfeitamente transacionar na importação de pneumáticos. A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENA DE PERDIMENTO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO Os fundamentos que embasam o inquinado Auto de Infração, objeto da presente impugnação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a autuação, bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A autuação é totalmente presuntiva. Portanto, nula. Inexistem efeitos, inexistiu fato gerador e por conseqüência não há obrigação principal e nem acessória, capaz de gerar crédito tributário. Isto está no Código Tributário Nacional, na doutrina mais autorizada e na jurisprudência, não pode, portanto, ser desconsiderado pelo Fisco Federal, não obstante a reconhecida necessidade de aumento de arrecadação. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO BOTELHO GUALAZZI. Mister que a ilustre Autoridade Administrativa, reexamine a ilegalidade do ato, e na insubsistência jurídica dele, declareo nulo. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de IVES GANDRA DA SILVA MARTINS Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (6a Câmara do Tribunal de Alçada de São Paulo, ap. 119.173 RT 410/249); (AGRAVO EM MANDADO DE SEGURANÇA N° 75.333 SP TFR DJU 291075 Ia Turma) e (AMS 76.335 DJU 291075 pág. 7845). Destarte, qualquer autuação com fundamento apenas em dúvida, em suspeição, é ilegal, pois não se pode presumir simulação, que necessariamente deverá ser demonstrada. É que ocorre no caso em questão, pois a Átila comprovou robustamente sua capacidade para perfeitamente transacionar, recolhendo a integralidade dos tributos por ela devidos. Fl. 5393DF CARF MF 16 A legislação explicita os casos de aplicação de pena de perdimento e, nem por ficção ou presunção, o legislador ordinário pode ultrapassar esses limites como no caso presente. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de GILBERTO DE ULHOA CANTO Nesse desiderato, é importante observar, mutatis mutandis, que em matéria de lançamento tributário não se aplica a presunção de legitimidade, cabendo sempre a administração fiscal demonstrar e comprovar os motivos de sua exigência. Em face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédita tributário. IRREGULARIDADE NA VALORACÃO ADUANEIRA PRA FINS DE BASE DE CALCULO DA MULTA IMPOSTA. BEM COMO DOS TRIBUTOS COBRADOS Na remota hipótese de se admitir como válida a pena de perdimento convertida em multa que foi imposta à impugnante, há que se reconhecer que a valoração aduaneira realizada pela autoridade fiscal é desprovida de mínimos fundamentos, devendo ser corrigida a multa imposta e afastadas as diferenças tributárias (PIS, COFINS, II e IPI) cobradas no auto de infração hostilizado. Com efeito, não há mínimos fundamentos para se realizar a valoração aduaneira dos bens importados (pneus), eis que o preço praticado em todas as operações foi o real, não havendo que se falar em subfaturamento. Para provar o alegado, a impugnante junta aos autos tabelas de preços praticadas pelas exportadoras de quem vem adquirindo os pneus que importa, comprovando que os preços cobrados são idênticos ao montante efetivamente pago. Ora, não há como se aceitar, mais uma vez, sobre preço com base em presunção do senhor fiscal. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: Acórdão 30236503. Os acórdãos citados se amoldam ao caso presente, onde o agente fiscal, ao valorar as mercadorias importadas em montante superior àquele constante nas Dl(s), o fez com base em meras presunções, “interpretando” que estaria diante de um subfaturamento. Sem dúvidas, a “interpretação” do auditor fiscal beira o absurdo, posto que não estamos diante de subfaturamento, ex vi tabelas de preços dos produtos (pneus) importados. Ora, onde está o acesso ao contraditório na aplicação da valoração aduaneira feita pela autoridade administrativa? Onde está o processo regular previsto na legislação complementar? A documentação em anexo, devidamente consularizada, demonstra o preço efetivamente praticado nas importações, não fazendo sentido algum a majoração levada a efeito pela fiscalização. Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.386 17 Para que se respeite o disposto no artigo 148 do CTN, mister se faz a realização de prova pericial, por meio da qual demonstrarseá a correção dos preços praticados. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (STJ; AgRgREsp 765.292; Proc. 2005/01115857; SC; Segunda Turma; Rei. Min. Mauro Campbell Marques; Julg. 04/03/2010; DJE 24/03/2010) e (TRF 3a R.; AC 001056964.2006.4.03.6100; SP; Sexta Turma; Rei. Des. Fed. Mairan Gonçalves Maia Júnior; Julg. 16/02/2012; DEJF 24/02/2012; Pág. 906). Analisandose os termos de arbitramento confeccionados, verificamos que o auditor fiscal utilizou o seguinte parâmetro: colacionou uma única DI de outro importador e. candidamente, majorou o preço praticado pela impugnante como se subfaturamento fosse. Ou seja, é de se imaginar que “escolheu” a importação de maior preço (provavelmente de um pequeno importador) para eleger o diferencial a ser aplicado em todos os preços da impugnante. Evidentemente, que existem preços muito menores de pneus importados do que os adquiridos pela impugnante. Nobre julgador, isso é um absurdo. A ação fiscal, se não corrigida ainda no âmbito administrativo, certamente trará prejuízos aos cofres públicos, posto que nosso judiciário certamente não comungará com uma valoração tão desleixadamente feita. Mister, pois, também sob esse fundamento, a correção da autuação, reconhecendose como ilegal a valoração aduaneira, fato que, per si, afastará as sanções tributárias impostas à impugnante. O ONUS DA PROVA A impugnante provou, desde sua primeira manifestação no processo que selecionou suas operações para procedimento especial, que atua perfeitamente, sendo totalmente descabível eventual sanção com pena de perdimento em relação aos seus processos de importação. Faz um breve relato de todos os tópicos até aqui mencionados. DA INEXISTENCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO No Auto de Infração a zelosa fiscalização cominou multa absolutamente abusiva para o caso presente. Foi imposta uma multa de 150%, completamente desproporcional e desprovida de qualquer fundamento lógico, assumindo caráter Fl. 5395DF CARF MF 18 nitidamente confiscatório. Ora, a aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, haja vista que a multa imposta é superior ao dobro do valor do imposto supostamente devido. Tal situação chega a ser esdrúxula. A sanção tributária, assim como qualquer sanção jurídica, tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário dos tributos, pactuados este entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção tributária, essa finalidade, mas só essa. A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado. O princípio do não confisco revelase corolário do princípio da capacidade contributiva, motivo pelo qual as penalidades pecuniárias devem ter limites, não podendo ser superiores ao valor do próprio tributo. O percentual imposto a título de multa no presente caso (150%) é evidentemente abusivo, configurando um verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte. Tal percentual não encontra característica qualquer de razoabilidade, de proporcionalidade ou legalidade. Junta textos da Jurisprudência Judicial do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a respeito do assunto. o DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. No caso vertente, impende seja realizada prova pericial. Os objetivos, em suma, são dois: a) comprovar que a Átila Pneus Ltda. efetivamente é uma empresa regularmente constituída, não “prestando serviços” a terceiros e, b) comprovar que a valoração aduaneira feita pela fiscalização é desprovida de mínimos fundamentos, caso se mantenha a pena de perdimento convertida em multa. Desta forma, para evitarmos maiores transtornos, devese analisar toda a documentação fiscal e contábil da impugnante, bem como as tabelas de preços praticadas. Ao se realizar a perícia, chegaremos à conclusão que a citada empresa nada mais fez do regularmente transacionar, ato previsto inclusive no artigo 170 da Constituição Federal. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Calmon de Passos. Apresenta quesitos e indica assistente. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DAS PESSOAS FÍSICAS Em sua ânsia, responsabilizou o agente fiscal a pessoa física dos administradores da impugnante Átila Pneus pela suposta infração. Com isso, fazem parte do polo passivo do processo administrativo fiscal as pessoas de Luiz Bonacin Netto e Gabriela Boneto Rodrigues. A ação, contudo, é temerária, não passando uma vez mais de medida subjetiva do agente fiscal. Conforme podemos compulsar, o art. 134 Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.387 19 cuida da responsabilidade solidária pessoal no direito tributário. Já o art. 135 cuida da responsabilidade em decorrência dos atos praticados com exceção de poderes ou infração de lei, contrato social e estatutos. Ora, nosso sistema jurídico não agasalha a teoria da responsabilidade sem culpa subjetiva, pelo que algumas disposições esparsas, em sentido contrário, são, na verdade, ineficazes. O preceito examinando, regula a responsabilidade por substituição; imputa a responsabilidade pessoal ao gerente, ao diretor ou ao administrador nas hipóteses e condições aí especificadas. Pois bem, somente o fato das duas pessoas físicas serem administradores da Átila Pneus não caracteriza que tenham recebido valores indevidamente ou que tenham se aproveitado de qualquer valor em benefício próprio. Ademais, caso houvesse alguma imputação a ser feita por responsabilidade tributária deveriam os auditores fiscais ter afirmado e demonstrado. Não existe qualquer indício, que dirá prova, que o Sr. Luiz Bonacin Netto ou a Sra. Gabriela Boneto Rodrigues auferiram qualquer benefício financeiro ilegal pelo fato de serem administradores da Átila Pneus. Houve “premiação” pela importação de pneus? Bônus em razão de aumento expressivo de faturamento? Distribuição de Lucros? Por certo que não. Como pode a fiscalização fazendária afirmar que as pessoas físicas foram beneficiárias das importações (sequer realizadas com lucro ante os custos para efetivo desembaraço) se não foi demonstrada ou apontada a prova cabal e idônea de que os valores tivessem beneficiado os mesmos? Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 260.107/RS Relator Min. José Delgado Ia Seção Julgado em 10/03/2004 Publicado no DJ de 19/04/2004.); (STJ Recurso Especial n° 652.858/PR Relator Min. Castro Meira 2a Turma 28/ 09/2004 Publicado no DJ de 16/11/2004, p. 258.) e (TRF 5a R.; APELREEX 4; Proc. 2007.80.00.0066679; AL; Segunda Turma; Rei. Des. Fed. Barros Dias; DJETRF5 28/05/2010). REQUERIMENTO FINAL Há do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecida a presente impugnação suspendendose a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Ainda em sede de preliminar, requer que seja desentranhados os documentos que não guardam relação com o caso, justamente aqueles que de forma subjetiva procuraram denegrir a imagem do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto, cuja defesa que será apresentada resta ratificada ,elas ora impugnantes. Fl. 5397DF CARF MF 20 Instaurado o contencioso administrativo, requerse sejam providas as preliminares formuladas, reconhecendose a nulidade total do auto de infração ora impugnado, admitindose a procedência das razões postas ao longo da presente peça. Em não sendo provido o pedido anterior, requerse, sucessivamente, no mérito, seja julgada improcedente a ação fiscal, por qualquer uma das razões discorridas na presente peça de impugnação, afastandose a pena de perdimento convertida em pecuniária. Caso seja mantida a pena de perdimento convertida em sanção pecuniária, que seja afastada a valoração aduaneira realizada pela fiscalização, afastandose, por conseguinte, as diferenças fiscais a título de PIS, COFINS, IPI e II. Finalmente, se houver entendimento diverso quanto à insubsistência total ou parcial do auto de infração, que seja desconsiderada a pesada multa imposta, eis que demonstrouse o seu caráter confiscatório. Igualmente, que seja reconhecida a ilegitimidade passiva das pessoas físicas dos administradores para responder pela presente autuação. Por derradeiro, requerse seja deferida a prova pericial, sob pena de nulidade do julgado. A empresa COLWAY PNEUS LTDA foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 18/07/2012 (fls. 3.286). A empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, protocolizou impugnação, tempestivamente em 06/08/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 4.834 à 4.883, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: INTROITO Antes de iniciar sua defesa, pedem vênia os impugnantes para informar que ratificam expressamente a defesa apresentada pela Átila Pneus, Luiz Bonacin Netto e Gabriela Boneto Rodrigues. Aprioristicamente, mister se faz traçar um breve relato sobre a origem da empresa Atila Pneus Ltda., eis que o auto de infração, de forma infeliz, lançou mão de presunção a respeito de “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação”, como se fosse tal empresa, pasmem, autora de prática de descaminho. Os Srs. Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho, conceituados no processo como pessoas com vinculação estreita com Sócio Administrador da empresa Átila Pneus Ltda., criaram, há mais de uma década, a BS Colway Remoldagem de Pneus Ltda., empresa idônea e cumpridora de suas contratações, sempre primando pela qualidade de seus produtos e satisfação do cliente consumidor, tendo, ainda, como lema ser “número 1 em Ecologia”. Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.388 21 Os sócios Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho , optaram em março de 2009 por criar uma empresa nova, aportando recursos próprios, devidamente declarados ao Imposto de Renda, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), que foram totalmente integralizados antes mesmo de a empresa Átila Pneus Ltda. ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus novos ou outros bens. Ressaltese que em nenhum momento a BS Colway ou seus dois sócios participaram da Átila Pneus, ainda que de forma oficiosa. O que houve, sim, foi a decisão de pessoas maiores, inteligentíssimas, de iniciar uma empresa importadora de pneus. Perdoem a colocação esdrúxula, mas o único detalhe que une a BS Colway à Átila Pneus é que ambas, na “ponta do iceberg”, acabam por vender pneus. A primeira possuía uma fábrica de remoldados. A segunda limitase a efetuar importações. De tal sorte que não há como se fazer a ligação entre as duas empresas, sociedades distintas, com sócios distintos e, importante salientar, objeto distinto. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ARTIGO 124. I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO. O auditor fiscal, para fins de arrolar os impugnantes como sujeitos passivos solidários, descrevem um suposto “interesse comum” entre as sociedades empresárias BS Colway e Átila Pneus. Contudo, suas conclusões estão absolutamente dissociadas de qualquer fundamento legal, eis que “laços de DNA” não os qualificam como responsáveis solidários. A existência de solidariedade tributária, para fins do Art. 124, I do CTN, é aquela considera, não o interesse econômico (efetivação do negócio), mas sim o interesse jurídico. O interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica em que consiste o fato gerador do tributo. A pessoa estranha à relação jurídica não possui interesse jurídico, porque não possui direito ou deverem controvérsia. A contrário senso, as pessoas que não possuem correlação com o fato gerador do tributo, não podem ser responsabilizadas solidariamente. A necessidade de vinculação da responsabilidade tributária ao fato gerador, no caso do art. 124, I do CTN, é norma cogente, ou seja, de aplicação obrigatória. Fl. 5399DF CARF MF 22 Assim, o interesse comum previsto no Art. 124, I do CTN é o interesse que une mais de uma pessoa no mesmo polo de uma relação jurídica. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de PAULO DE BARROS CARVALHO, MISABEL DERZI e de LUIZ ANTÔNIO CALDEIRA MIRETTI. Conforme podemos observar pelas lições acima, o art. 124, I do CTN só se aplica aos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa, ou seja, havendo mais de uma pessoa enquadrada na definição legal de contribuinte (art. 121, parágrafo único, I), determina o art. 124, I que sejam eles solidariamente obrigados pela dívida tributária, independentemente de disposição expressa de lei. Junta textos da Jurisprudência Judicial do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp 834044/RS, Rei. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008); (REsp 834044/RS, Rei. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010). Mister que se afaste a irresponsável solidariedade entre os impugnantes e a Átila Pneus Ltda. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SRS. LUIZ BONACIN FILHO E FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO ARTIGO 135. I E III De modo temerário, além de chamar à responsabilidade a BS Colway, optou o agente fiscal pela responsabilização dos seus sócios, Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho. Ora, as condutas e circunstâncias elencadas nos artigos 134 e 135 do CTN não possuem nenhum liame com a solidariedade baseada no interesse comum (Art. 124, I do CTN), sendo que a previsão legal não pode ser estendida para abarcar situações que não se referiam ao interesse coincidente das partes em relação ao suposto ilícito. Conforme podemos compulsar, o art. 134 cuida da responsabilidade solidária peculiar ao direito tributário. O certo é que a própria norma condiciona a responsabilidade solidária de terceiros aí referidos a dois requisitos impostergáveis: a impossibilidade de o contribuinte satisfazer a obrigação principal e o fato de o responsável ter uma vinculação indireta, através de ato comissivo ou omissivo, com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Não bastasse isso, o parágrafo único prescreve que a responsabilidade solidária, em matéria de penalidades, só tem aplicação em relação às de caráter moratório, ou seja, de acordo com o princípio de que a pena não pode passar da pessoa do infrator. Fl. 5400DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.389 23 Se o caput do art. 134 do CTN introduziu dois requisitos expressos para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiro, não há como, em nome da doutrina e da jurisprudência aplicáveis a espécie, desprezar esses requisitos e imputar a responsabilização a terceira pessoa, Srs. Luiz Bonacin Filho e Francisco Simeão Rodrigues Neto, que são tão somente sócios de outra empresa e que não possuem qualquer vínculo jurídico com a Átila Pneus. O art. 135, incisos I e III do CTN cuida da responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O preceito examinando, regula a responsabilidade por substituição; imputa a responsabilidade pessoal ao gerente, ao diretor ou ao administrador nas hipóteses e condições aí especificadas. A disposição legal é bem clara no sentido de separar a responsabilidade normal do contribuinte pelos créditos tributários oriundos de operações regulares, da responsabilidade pessoal dos diretores ou gerentes pelos créditos tributários oriundos de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Caso houvesse alguma imputação a ser feita por responsabilidade tributária deveria ter o auditor fiscal afirmado e demonstrado. Não existe qualquer indício, que dirá prova, que os Srs. Luiz Bonacin Filho Francisco Simeão Rodrigues Neto auferiram qualquer benefício financeiro ilegal. DA PRESUNÇÃO DE BENEFÍCIO ECONÔMICO ILEGALIDADE TERMO DE RESPONSABILIDADE NULO Os fundamentos que embasam a SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, objeto da presente impugnação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a responsabilização solidária, bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A simples lavratura do TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA contra os impugnantes é acintosa e reprovável, eis que eventual benefício econômico obtido pelos mesmos sequer teve a sua materialidade provada, mas simplesmente presumida, resultante de circunstâncias indiciárias, que jamais poderiam confirmar qualquer irregularidade. Ressaltese que em nenhum momento os auditores fiscais comprovaram ou demonstraram que os impugnantes auferiram receita/renda indevida em decorrência dos fatos narrados no “trabalho” fiscal, ou seja, não há indício, sequer provas de algo que possa imputar essa responsabilidade aos impugnantes. Fl. 5401DF CARF MF 24 A lavratura do termo de responsabilidade solidária é totalmente presuntiva. Não há relação entre a Átila Pneus e a BS Colway. Onde estão as provas? Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO BOTELHO GUALAZZl. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (T.F.R., AMS 65.641, DJU 210978, pág. 1335). Portanto, o termo de responsabilidade solidária lavrado, com fundamento apenas em dúvida, em suspeição. é ilegal. Nesse desiderato, em face do contido no artigo 142 do Código Tributário Nacional, o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédito tributário. DA INEXISTÊNCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO Foi imposta uma multa de 150%, completamente desproporcional e desprovida de qualquer fundamento lógico, assumindo caráter nitidamente confiscatório. Ora, a aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, haja vista que a multa imposta é superior ao dobro do valor do imposto supostamente devido. Tal situação chega a ser esdrúxula. A sanção tributária, assim como qualquer sanção jurídica, tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário dos tributos, pactuados este entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção tributária, essa finalidade, mas só essa. A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado. O princípio do não confisco revelase corolário do princípio da capacidade contributiva, motivo pelo qual as penalidades pecuniárias devem ter limites, não podendo ser superiores ao valor do próprio tributo. Eventual pena de perdimento do bem, para hipóteses de infração altamente grave, até seria admissível, mas não no caso em comento, onde a atividade do contribuinte é lícita e não envolve operações estranhas ao seu objeto social. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STF a respeito do assunto. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL No caso vertente, impende seja realizada prova pericial. O objetivo é, em suma, comprovar que a Átila Pneus Ltda. efetivamente é uma empresa regularmente constituída, não “prestando serviços” e não mantendo relação alguma com a BS Colway e seus sócios. Fl. 5402DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.390 25 Desta forma, para evitarmos maiores transtornos, devese analisar toda a documentação fiscal e contábil das empresas. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Calmon de Passos. Desta forma, tornase imperioso reconhecer a indispensabilidade da realização da requerida prova pericial. Com base no artigo 425 da Lei 5.869/73, requerse o direito à formulação de quesitos suplementares em momento oportuno. Indicam os impugnantes como seu perito o Dr. Aderbal Muller, com escritório profissional na Rua Marechal Deodoro, 869, conjunto 904, Centro, CEP 80060010, na cidade de Curitiba/PR. REQUERIMENTO FINAL Diante do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecida a presente impugnação, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Ainda em sede de preliminar, requer sejam desentranhados os documentos que não guardam relação com o caso, notadamente aqueles que de forma subjetiva procuraram denegrir a imagem do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto. Instaurado o contencioso administrativo, requerse sejam providas as preliminares formuladas, reconhecendose a nulidade total do auto de infração ora impugnado ou a solidariedade levada a efeito, admitindo se a procedência das razões postas ao longo da presente peça. Em não sendo provido o pedido anterior, requerse, sucessivamente, no mérito, seja julgada improcedente a ação fiscal, por qualquer uma das razões discorridas na presente peça de impugnação, afastandose a pena de perdimento convertida em pecuniária. Caso seja mantida a pena de perdimento convertida em sanção pecuniária, que seja afastada a valoração aduaneira realizada pela fiscalização, afastandose, por conseguinte, as diferenças fiscais a título de PIS, COFINS, IPI e II, conforme muito b ,n sustentado pela empresa Átila Pneus em sua defesa, cuja ratificação é ora declarada. Finalmente, se houver entendimento diverso quanto à insubsistência total ou parcial do auto de infração, que seja desconsiderada a pesada multa imposta, eis que demonstrouse o seu caráter confiscatório. Por derradeiro, requerse seja deferida a prova pericial, sob pena de nulidade do julgado. É o relatório." Fl. 5403DF CARF MF 26 A decisão de primeira instância administrativa dessa DRJ/SP de fls 4913, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/04/2012 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser conhecidos os tempestivos Recursos Voluntários. Os Autos de Infração (fls. 3 a 45) foram lavrados em face do contribuinte e dos responsáveis solidários, com aplicação de multa de 100% do valor aduaneiro arbitrado, multa de 150% e juros de mora, do valores das operações de mercadorias importadas em suposta operação fraudulenta no período de 03/04/2012, no total de R$ 292.818,08, não atualizado, referente à DI 12/06129184. O A.I. foi lavrado principalmente com fundamento no Art 23, V, § 1. e § 2 do Decreto 1.455/76, que estabelece a ocorrência do Dano ao Erário por presunção de interposição fraudulenta para ocultação de terceiros em eventual não comprovação da origem de recursos, transferências e recursos próprios para realização das operações. Fl. 5404DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.391 27 Os Recursos Voluntários em face do acórdão proferido pela DRJ/SP, redistribuídos por sorteio eletrônico para esta Turma e sob esta relatoria, sustentam em síntese, com relação ao mérito, que não houve interposição de terceiros, que havia independência nas decisões administrativas das empresas, que não houve fraude, que as empresas firmaram de forma pública e legal os contratos de comodato e administração financeira, que não há responsabilidade solidária, que houve ofensa à honra e ao princípio da legalidade tributária, que o valor aduaneiro foi arbitrado sem fundamentos válidos e que as multas são confiscatórias. DA NULIDADE DO PROCESSO, DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO INDEFERIMENTO DA DILIGÊNCIA SOLICITADA: Não há nulidade do processo em razão do julgamento ter sido proferido em DRJ de local diferente do domicilio fiscal do contribuinte em razão do disposto na Súmula 102 deste Conselho. “Súmula CARF nº 102 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.” Assim como não há nulidade da decisão de primeira instância unicamente em razão da não apreciação de todos os fatos, pormenorizadamente, da exata forma desejada pelo contribuinte. Assim, se os fatos foram apreciados e a decisão de primeira instância devidamente motivada e fundamentada, não há como decretar sua nulidade. Diante do exposto, deve ser rejeitada a alegação de preterição do direito de defesa fundada em negação da diligência por parte da DRJ uma vez que esta tenha apresentado, motivado e fundamentado sua decisão de acordo com os fatos, legislação e informações que considerou suficientes nos autos. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO, DA PRESUNÇÃO DE FRAUDE, COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIOS E DO GRUPO ECONÔMICO: A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação, ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais, ou propositadamente, foram criadas para determinar suas limitações. Fl. 5405DF CARF MF 28 Esquemas fraudulentos de interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação da fiscalização, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Portanto, este voto pretende traçar pontos fundamentados nos fatos e na estrita legalidade, de forma que tanto o crédito da União quanto o direito à livre iniciativa sejam prestigiados. O Art. 23 do DL 1.455/76, capitulação principal deste procedimento, tem como núcleo do tipo a conduta dolosa de ocultar o real adquirente de mercadorias importadas, que promove a entrada de mercadoria por meio de fraude. Conforme previsto, diante da expressa determinação, a não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção prevista nos tipos legais elencados (AI, Relatório Fiscal), em especial o §2.º do Art. 23 do DL 1455/76 (Lei 10637/02). Mas por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). Ficou comprovado nos autos, tanto pelo contribuinte quanto pela própria autoridade fiscal, a origem e a suficiência dos recursos próprios da Átila para operar no comércio exterior em comparação com a DI em questão, objeto do lançamento, com importações no valor exato de R$ 108.700,88 (fls 26 e seguintes) em 03/04/2012. Seguem as comprovações: integralização do capital social de R$ 12.600.000,00 e suficiência deste conforme fls 5159, 60, 61, 113 e 4323 e documentos anexos; limite do radar compatível conforme fls 5159, 52, ainda que por um período excedido; capacidade econômica dos sócios conforme DIRPF de fls 115, 5159 e 4323 e anexos; Patrimônio Líquido do Grupo Econômico, conforme fls 5159 do Recurso Voluntário e tabela juntada pelo fiscal em fls. 116. E diferentemente do alegado pela autoridade fiscal em fls 117, não há um documento formal ou oficial que por si só caracterize e proteja um grupo econômico para fins de comprovação de Patrimônio Líquido ou capacidade econômica. Qualquer avaliação doutrinária considera os elementos “economia” e "relação de coordenação", na caracterização de grupos econômicos. A exemplo, citase o Acórdão 230201.038 deste Conselho, que afirma o seguinte: “Para a caracterização de grupo econômico para fins previdenciários, mostrase despicienda a formalização jurídica dessa congregação de empresas, tampouco a existência formal de relação de subordinação, revelandose bastante e suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, a constatação fática de uma relação de coordenação, situação na qual não existe prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas simples conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios”. Fl. 5406DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.392 29 Da mesma forma que determinou o Acórdão CARF n.º 1102001.320: “Pessoas jurídicas que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto realizarem negócios entre si, terem os mesmos sócios efetivos, explorarem o mesmo patrimônio, coexistirem no mesmo local, e valeremse do mesmo fundo de comércio, respondem solidariamente pelo crédito tributário lançado.” Assim, em se tratando de grupo econômico entre as empresas Atila e Ventura e Orion, por exemplo, conforme apresentado pela própria autoridade fiscal em seu relatório de fls 46 e pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, a capacidade econômica do Grupo Econômico (mais de 1 bilhão de reais) é fato incontroverso e, para fins de comprovação de origem de recursos próprios, são também adequados os recursos originados do Grupo Econômico. Ainda que a presente lide esteja limitada à DI de 03/04/2012, no valor de R$ 108.700,88 (fls 26 e seguintes), é importante considerar que o grupo possui capacidade econômica para arcar com os custos de todas as operações mencionadas, ainda que crescentes e volumosas. São adequados e suficientes os recursos porque são próprios da Atila (contribuinte) e do Grupo Econômico que integra. Para fins econômicos, o patrimônio financeiro é um só. A legislação admite inclusive que despesas sejam compartilhadas e o rateio de receitas, desde que haja critérios razoáveis do rateio como valor da hora de trabalho e posição hierárquica na empresa. Os recursos próprios têm origem no próprio capital social da empresa, que têm origem nos comprovados recursos dos próprios sócios, que têm origem dos comprovados volumes de vendas das mercadorias e participações em demais empresas do Grupo Econômico. Não valeriam para comprovar a origem de recursos próprios somente os recursos que não fossem próprios ou que fossem comprovadamente ilícitos. Não há sequer uma prova nos autos que retire a legitimidade dos recursos. Não há sequer um recurso ou transferência que tenha financiado inteiramente as operações de importação, questionado pela fiscalização. Logo, não há como aplicar a presunção neste caso em concreto. Ponto inicial da lógica deste voto parte do seguinte fato: a comprovação da origem de recursos próprios empregados nas operações de comércio exterior foi juntada aos autos, mas não foi aceita pela autoridade fiscal e pelo julgamento de primeira instância, em razão de entenderem pela possível ilicitude dos recursos próprios, oportunidade em que a autoridade de origem trata dos temas "lavagem de dinheiro" e "falsidade ideológica" sem juntar uma prova a respeito. Fl. 5407DF CARF MF 30 Ora, possível ilicitude de recursos comprovados não têm o poder de desconfigurar a origem dos recursos. Assim, se comprovada a origem dos recursos, como foi, a capitulação do lançamento somente poderia ser analisada sem que se considerasse o instrumento da “presunção”, poderia prosseguir somente na oportunidade dos fatos realmente subsumirem às normas, conforme previsto no Artigos 112, 113 e 142 do Código Tributário. A partir desta exclusão da presunção na avaliação da ocorrência ou não da interposição fraudulenta, é necessário que esteja presente o elemento subjetivo do tipo e os demais requisitos para que a conclusão pela ocorrência da interposição fraudulenta tenha validade. Este elemento subjetivo, em resumo, se concretiza na vontade consciente e na intenção de reduzir tributo e causar prejuízo ao fisco para auferir ganho econômico, conforme Art. 72 da Lei 4502/64. Neste contexto, a operação comercial e a estrutura societária teria de causar ilusão e ter exagerada distinção entre a realidade e a aparência, ou seja, o interposto (Atila) não teria real interesse nas importações e o reais adquirentes não poderiam "aparecer" nas operações. Aos reais adquirentes são destinadas as mercadorias e o interposto nada mais faz do que ser interposto, uma proteção aos reais adquirentes, uma empresa ou pessoa que suportaria todas as persecuções patrimoniais e penais. Os principais fatos que motivam a fraude, além do ganho econômico, costumam ser a proteção do patrimônio e da integridade do real adquirente de possível execução fiscal, a proteção contra eventuais processos criminais decorrentes das importações e da venda de produtos importados sem nota fiscal, sem recolhimento do tributo ou lavagem de dinheiro. No presente processo, todos estes encargos estariam apontados aos sócios da Atila, os possíveis laranjas da operação, que seriam os interpostos entre a União e os reais adquirentes. Segue exemplo de operação fraudulenta publicada pela própria Receita Federal1 (internet): Conforme publicado: "Este modelo permite ocultar o real adquirente("E") das mercadorias importadas, adquiridas por este junto ao seu fornecedor no exterior ("A"), bem como ocultar os elementos da própria transação comercial. A negociação de fato ocorre sempre 1 http://www.fazenda.gov.br/noticias/2006/r160806b Fl. 5408DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.393 31 entre "A" e "E", os quais definem preços, condições de pagamentos, mercadorias, quantidades e demais providências." Não há nos autos comprovação de que os sócios da BS Colway negociaram com as exportadoras ou mesmo escolhiam os produtos a serem importados, não comprovado o repasse de mercadorias ou subfaturamento de preços, não comprovada a quebra da cadeia do IPI e, principalmente, não estão comprovados nos autos os elementos subjetivos do tipo. Assim, com base nesta informações juntadas aos autos, a Atila não pode ser caracterizada como empresa de fachada, como concluiu a fiscalização. A própria relação familiar entre Francisco Simeao e Luiz Bonacin (BS Colway) com seus filhos, sócios da Atila, levanta dúvidas de que esta empresa fosse a "laranja" de toda a operação, que fosse o alvo de toda e quaisquer penas criminais que poderiam advir de operação fraudulenta. Cabe informar que a grande maioria das empresas no Brasil são familiares, em torno de 90% ou mais, informação que pode ser confirmada por qualquer cidadão em consulta ao SEBRAE, por exemplo. Levantou o contribuinte também que os tributos foram regularmente adimplidos e nesse ponto, não houve qualquer contestação da fiscalização ou da DRJ. Não é possível constatar fraude e dano ao erário sem que ao menos tenham sido juntadas provas de quebra da cadeia de recolhimento do IPI, falta de destaque do tributo e consequente ausência do recolhimento do tributo nas demais etapas de comercialização da mercadoria importada. É o que poderia justificar possível ocultação do sujeito passivo na importação. O que leva a crer que a Atila operou de forma direta nas importações (operação legalizada conforme IN SRF 680/06, 650/06 por exemplo), acertando as compras, as condições de pagamentos, frete e seguro, por sua conta (seus recursos) e por seu risco (ordem). Não há qualquer dúvida trazida no lançamento sobre a legalidade de sua habilitação ou legalidade dos despachos ou recolhimento dos tributos com a regular emissão de notas fiscais de entrada e devida escrituração. Operação tipicamente bilateral entre exportador e importador. Afirmase novamente: o crédito provado tem o condão de firmar o convencimento de que os fatos não subsumem ao tipo elencado, de forma que se a não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção previstas nos tipos legais elencados (AI, Relatório Fiscal),em especial o Art. 23 do DL 1455/76 (Lei 10637/02), por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). O Auditor Fiscal descreve “Conversão do Perdimento em Multa Impossibilidade de Apreensão de Mercadoria”, mas não existem sequer fatos que possam subsumir às disposições legais que poderiam fundamentar a lavratura do Auto de Infração. Não há fundamento, objeto ou razão para o Auto de Infração prosperar, pois a falta de recolhimento não está configurada e foi arbitrada de forma insustentável. Fl. 5409DF CARF MF 32 Feita esta introdução geral do caso, cabe ao relator expor os demais fatos que necessitam de análise específica. DA SIMULAÇÃO, DOS CONTRATOS DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA, DA BS COLWAY, DO CONTRATO DE COMODATO, DOS EXTRATOS BANCÁRIOS DO BANCO BRADESCO (FLS 2600 – DOC. 07 PARTE 02) E DO PAGAMENTO DOS FRETES (FLS. 71): A autoridade de origem juntou o Contrato de Comodato e o de Administração financeira (fls 62 e 127 e seguintes) que prevê a utilização de imóvel e a administração financeira. O contrato aparenta ser fruto de tratativas confusas do grupo empresarial. Mas não é possível concluir que o Contrato foi elaborado exclusivamente para simular a interposição fraudulenta de terceiro com o objetivo de ocultar reais adquirentes das mercadorias importadas e causar dano ao erário. Gera dúvida quanto à legalidade das operações o ponto levantado pelo Fiscal em fls. 131, sobre o trecho do contrato de Administração Financeira, em que consta o repasse de valores líquidos ao “IBS”, como se “IBS” fosse a sigla para representar o Instituto BS Colway. Mas não há nos autos nenhuma prova de que a sigla IBS seja o Instituto BS Colway e não há no lançamento, prova de que houveram repasses de valores líquidos ao Instituto BS Colway. O contrato de comodato e de administração financeira são instrumentos legais, conforme previsto no Art. 579 e seguintes e Art. 593 e seguintes do Código Civil. Contudo, certa confusão pode ser verificada na união das empresas. Os fatos causaram certa dúvida sobre a formatação desta união entre as empresas Atila e Bs Colway. Mas a correta ou incorreta forma de união dos negócios não pode caracterizar a fraude ou a simulação por si só, visto que as principais motivos que levariam à fraude não estão nos autos até o momento. Como já afirmado, a legislação admite inclusive que despesas sejam compartilhadas e rateio de receitas desde que haja critérios razoáveis do rateio como valor da hora de trabalho e posição hierárquica na empresa. Contudo, agora um indício da ocorrência da interposição fraudulenta, verificase nos autos que há relação entre a BS Colways e a Atila, de modo que existem débitos e créditos conforme extratos bancários do Banco Bradesco de fls. 2600 e seguintes. O que realmente pode ser considerado como uma prova de que a BS Colways realmente não era totalmente independente como fez crer o contribuinte em suas peças de defesa. Mas, de acordo com um dos principais requisitos que configuram a interposição fraudulenta, concluir que o controle financeiro e administrativo da empresa Atila era exercido pelos sócios da BS Colway, é desconsiderar a relação da Atila com a Fl. 5410DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.394 33 exportadora Goldstein e outras exportadoras, seus Presidentes estrangeiros e políticas dessas empresas. O efetivo controle financeiro que poderia caracterizar a fraude no presente caso, seria aquele que permitiria aos sócios da BS Colway toda a negociação com os exportadores, a definição dos produtos, das condições de pagamento e todas aquelas típicas de quem importa o produto. Não há uma prova a favor do fisco nos autos nesse sentido e há provas a favor do contribuinte, conforme correspondências de fls 4713, que demonstra a negociação por parte da própria Atila de forma direta nas operações. Concluir que houve interposição fraudulenta de terceiros por existirem débitos e créditos entre a Atila e a BS Colways, seria ignorar os outros fatos que deveriam ter sido comprovados no lançamento e não foram, para que os fatos possam subsumir ao tipo legal, sejam estes a incapacidade econômica do interposto (Atila), o controle financeiro do real adquirente (BS Colway), que as tratativas tenham sido realizadas pelo real adquirente, a quebra da cadeia do IPI, o repasse das mercadorias ao real adquirente e o aferimento de benefícios pessoais. Importante ressaltar que os extratos do banco Bradesco que comprovam existir relação econômica entre as empresas Atila e BS Colway não foram objeto do lançamento, razão pela qual não se pode inovar o lançamento no âmbito do processo fiscal administrativo por possível violação ao Art. 146 do CTN. Inclusive tais extratos foram descartados do lançamento conforme fls do Relatório Fiscal, oportunidade em que o fiscal atesta que os mencionados extratos não foram juntados, no sentido de afirmar que se fossem juntados poderiam provar que o contribuinte não realizou interposição fraudulenta (veja que o raciocínio foi inclusive inverso). O próprio contribuinte juntou os extratos em fls. 2600 e, de forma prejudicial à linha apresentada no Recurso Voluntário, tais extratos apontam que havia relação financeira entre a Atila e a BS Colway em valores expressivos. Importante mencionar, por exemplo, o pagamento do frete da Atila por parte da BS Colway conforme fls 64 e 71. O fiscal comprova com documentos que a BS Colway pagou frete de mercadoria do porto até a empresa Atila, para a empresa Transcap. Contudo, para fins de utilização destes documentos como prova de que realmente ocorreu uma interposição fraudulenta, ainda que pese no quadro de informações a confusão patrimonial e financeira, não é possível considerar estes documentos, porque sozinhos, provam somente a ocorrência da confusão patrimonial e não a ocorrência da interposição fraudulenta no molde capitulado. Este critério da similitude fática encontra respaldo nos limites legais determinados pela análise sistêmica dos seguintes dispositivos: Art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99 em confronto com os Arts. 112, 113, 142 e 146 do CTN. Fl. 5411DF CARF MF 34 Desta forma, neste lançamento em específico, não podem ser considerados como provas conclusivas em prejuízo ao contribuinte os documentos que comprovam o pagamento de fretes e a existência de débitos e créditos entre Atila e Bs Colway. Se mesmo assim, ao analisar os autos, dúvidas sejam levantadas a respeito da ocorrência ou não da interposição fraudulenta, por virtude do Art. 112 do CTN, o contribuinte tem a garantia da interpretação mais favorável, de modo que, não existindo um conjunto probatório robusto do tipo elencado, a conclusão pela procedência ou não dos autos seja, primeiramente, favorável ao contribuinte. Pelo que se conclui dos autos, na visão deste Relator, o contexto aponta, na verdade, que existe relação entre dois Grupos Econômicos, diferentemente do levantado no lançamento ou do alegado pelo contribuinte. Situação aparentemente atípica, o que leva a crer pela possibilidade de existência de um só grande Grupo Empresarial. Ficou evidente que os autos apontam que existe o Grupo dos Pais, de Francisco Simeao e Luiz Bonacin, com as empresas BS Colway Ltda e Instituto BS Colway e, o outro grupo, que seria composto pelos filhos, Fernando Francisco Simeão Rodrigues, Gabriela Boneto Rodrigues, Manuela Boneto Rodrigues, Alessandra Bonacin Buttchewits, Luiz Bonacin Netto e Priscilla Bonacin, com as principais empresas sendo a Atila, a Ventura e a Orion. Assim, mesmo existindo uma confusão de recursos entre dois grupos econômicos (Grupo da BS Colway e Grupo da Ventura, Orion e Atila), não há dolo comprovado nos autos e não há informações e provas suficientes que contestem ou desconfigurem a relação comercial estabelecida, como sugeriu a autoridade ao constar no lançamento a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Se assim fosse, todo grupo industrial familiar poderia ser considerado fraudulento e as importações diretas perderiam segurança jurídica, assim como o país poderia perder ainda mais a atratividade aos investidores internacionais, novas tecnologias deixariam de ser acessíveis aos Brasileiros e, consequentemente, a economia certamente poderá continuar a desaquecer e mais vagas de empregos deixariam de existir. DA OFENSA À HONRA E DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: O lançamento cita a lavagem de dinheiro, a falsidade ideológica, a ilicitude dos valores comprovados e não fundamenta ou comprova, de nenhuma forma, suas graves alegações. Ainda mais grave, junta aos autos decisões parciais de processos criminais do contribuinte, dando grave publicidade à fatos constrangedores e irreais, na medida em que claramente deixa a entender que estariase tratando de criminosos, quando ao analisar as decisões judiciais parciais, nenhuma é conclusiva e nenhuma condena os sujeitos passivos. Ao contrário, verificase haver decisões que concluem pela inépcia de denúncia, o que demonstra exatamente ao contrário do que cogitou a autoridade lançadora, demonstra a inocência dos sujeitos passivos. Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.395 35 É de conhecimento que tanto o Direito Tributário quanto o Direito Penal possuem caráter disciplinar e sancionatório, com arcabouço legislativo proveniente de princípios em comum. Contudo, de forma pragmática, verificase que o procedimento administrativo não possui o mesmo rigor do processo penal, talvez em razão de não haver um Código de Processo Administrativo como existe no Direito Penal o Código de Processo Penal. Logo, desta constatação surge a preocupação de que, em processo penais, os Juízes de Direito possam se utilizar unicamente da constituição definitiva do crédito para concluir que há materialidade e autoria. Em se tratando de justiça, não há nada mais perigoso e injusto para a sociedade e para o contribuinte do que a condenação “automática” de cidadãos e contribuintes. É sobre o tema em litígio que o nobre doutrinador, Juiz Federal aposentado, Doutor Hugo de Brito Machado, lançou o livre “Crime Contra a Ordem Tributária”. Verifica se inclusive na contra capa de seu livro que o autor identificou uma lacuna no conhecimento jurídico, o fato de que “... os penalistas geralmente pouco conhecem do Direito Tributário, e os tributaristas quase nada sabem do Direito Penal”. Com algumas ressalvas às generalizações feitas pelo autor em desfavor às autoridades fiscais, porque muitas autoridades realizam seu trabalho com ética e qualidade, cito a preocupação do nobre autor em fls. 21 desta mencionada obra, no sub capitulo “O Direito Penal e o combate ao crime”, conforme segue: “O melhor instrumento para o combate ao crime, no que concerne especificamente aos crimes contra a ordem tributária, é o respeito ao contribuinte. Respeito que começa pela redução da enorme carga tributária a ele imposta. Passa pelo atendimento desatencioso e absolutamente inadequado e insuficiente a ele dispensado nas repartições da Administração Tributária. Vai até mesmo às interpretações inteiramente inadmissíveis, visivelmente distorcidas, das normas da legislação tributária, tendentes a lhes negar os direitos mais elementares. Enfim, a total falta de respeito na relação tributária, que induz no contribuinte o sentimento de que a lei só existe contra ele, ou pelo menos só é aplicada contra ele, posto que as disposições a ele favoráveis são sempre ignoradas pelas autoridades da Administração tributária. A pretensão de arrecadar tributos indevidos somada às emaças levianas do uso da lei penal contra contribuintes somente degradam a relação tributária e terminam por banalizar o Direito Penal. E não obstante seja o Direito Penal de grande importância como elemento de controle social, realmente a sua utilização não poder ser banalizada. Na medida em que ilícitos de menor importância social, e sobretudo aqueles que menos afetam os sentimentos éticos das pessoas, e por isto mesmo despertam menor censura da opinião pública, são definidos como crime, o Direito Penal se banaliza e perde a eficácia.” A autoridade de origem teria de ter instruído o processo de forma não existisse dúvida se o contribuinte e os responsáveis solidários teriam participado das diversas Fl. 5413DF CARF MF 36 aquisições fraudulentas e de quais, não sendo possível a presunção de que o contribuinte e os responsáveis solidários tinham conhecimento de que em todas as operações havia fraude ou ilegalidade. São inúmeras operações de importação e não se pode generalizar ao contribuinte que o lançamento seria procedente em todas e quaisquer operações, inclusive porque o lançamento ocorreu com base somente na DI em questão, de forma que, se em determinada operação não se constatou informações que solucionem a lide a favor ou contra o contribuinte e os responsáveis solidários, não há como inovar o lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal. Em observação ao disposto no Art. 124, inciso I do CTN, poder ser concluído que há interesse em comum, porque todos os empreendedores desejam prosperar e desenvolver o negócio, gerar emprego, aquecer a economia, ter mais lucro e aquecer o mercado, este é o objetivo de toda empresa. Mas tal interesse é comum não só para os empreendedores envolvidos nos trabalhos da Atila, é comum para todos em um regime capitalista e, portanto, licito e legal. Vêse que apesar de haver interesse em comum, do interesse ter indícios de ser ilícito em razão dos extratos do Banco Bradesco que comprovam a existência de débitos e créditos entre a Atila e a BS Colway, existe a dúvida com relação à atuação de cada um dos responsáveis solidários e não se tem prova de que a intenção de todos era de fraudar conscientemente o recolhimento de tributos ou de atuar de forma interposta, porque se concluirse o contrário, logicamente estarseia aceitando a hipótese de que Francisco Simeão e Luiz Bonacin conscientemente correram o risco de expor seus filhos ao perigo de responsabilidades penais e fiscais, como possíveis “laranjas” interpostos da operação. Diante da atitude da fiscalização e das alegações do contribuinte, citase o professor e conselheiro Diego Diniz, conforme trecho do Acórdão 3402003.005 deste conselho: “Em outros termos, ao se analisar tais expressões no bojo da integralidade do denso trabalho fiscal, percebesse que não houve uma predisposição, por parte da fiscalização, de arrecadar a qualquer custo, o que poderia ser ofensivo aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, mas houve sim excesso retórico, o qual pode ser devidamente apurado e sancionado perante as instâncias correcionais da Receita Federal do Brasil, o que repitase, é insuficiente para macular de nulidade a presente autuação.” Dessa forma, com fundamento no Art. 112, 113 e 142 do CTN, os responsáveis solidários também devem ser excluídos do lançamento. SOBRE A VALORAÇÃO ADUANEIRA E MULTA: Não há como arbitrar valor aduaneiro diferente do declarado sem que os requisitos e métodos da valoração aduaneira tenha sido suficientemente motivados e fundamentados. Ao analisar os autos nas fls. 118, 99, e Doc. 11 do lançamento, é possível verificar ser insuficiente a utilização dos métodos da valoração aduaneira nos termos do Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.396 37 Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT, de modo que a autoridade somente fundamenta com a legislação correspondente mas não motiva ou descreve de forma clara quais valores e ou critérios foram utilizados nos cálculos. Neste tópico, assiste razão ao contribuinte e, ainda que houvesse sentido em concluir pela ocorrência da interposição fraudulenta, os valores aplicados não mereceriam prosperar. Em paralelo, utilizase das sábias palavras do nobre Conselheiro Fabio Piovesan como referência temática, ao tratar da aplicação de caráter excessivo da multa de 150% no julgamento do Acórdão 2301004.797, conforme transcrito a seguir: "Do Caráter Excessivo da Multa Qualificada de 150% Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício de 75% será duplicada sempre nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referidos dispositivos tratam das figuras da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A caracterização das figuras de agravamento da multa demanda a comprovação (e não a mera alegação) de que o contribuinte agiu propositalmente com o objetivo de impedir o conhecimento do fato gerador por parte da fiscalização (sonegação); ou de modificar as características essenciais do fato gerador – o que pressupõe a ocorrência do fato gerador seguida de modificações naquelas características – introduzidas pelo contribuinte para se evadir da obrigação já existente (fraude); ou que duas ou mais pessoas ajustaram a realização de atos visado a qualquer um desses efeitos (conluio). Nessas situações, o contribuinte utilizasse de meios ilícitos, como a falsidade consubstanciada na rasura de documentos fiscais ou no Fl. 5415DF CARF MF 38 registro de fatos inverídicos, para criar uma aparência não verdadeira perante o Fisco. A qualificação da multa não se contenta apenas com o ilícito tributário, ainda que realizado de forma reiterada. É preciso demonstrar que, no caso concreto, o contribuinte erigiu dolosa e indevidamente um obstáculo, um anteparo à adequada aplicação da norma tributária, a exigir da fiscalização um esforço adicional para desarmálo, sem o qual não seria possível alcançar o fato gerador da obrigação tributária. É esse comportamento reprovável do contribuinte com o fito de ludibriar os órgãos de controle, ofensivo a todo ordenamento jurídico, que autoriza a aplicação da multa qualificada. E tal comportamento deve ser provado pela fiscalização, com a apresentação da respectiva materialidade, sob pena de banalizar o instituto. Nesse contexto, é possível invocar a Súmula CARF nº 25, não pela matéria tributável tratada (imposto de renda incidente sobre omissão de rendimentos), mas pela obrigatória demonstração do contexto fraudulento pela fiscalização: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso ora analisado, reputo não haver justificativa plausível para o lançamento da multa qualificada de 150%, devendo esta ser reduzida ao patamar comum das autuações de ofício, isto é, 75%, uma vez que: (a) a responsabilidade solidária restou insubsistente, em razão da ausência de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada dos sócios Lúcio e Francélio, a partir do período de apuração janeiro/2010; e (...).” Também diante da impossibilidade de concluir pela ocorrência da interposição fraudulenta, não há razão para a aplicação da multa correspondente ao valor aduaneiro e, principalmente, não há razão para a aplicação da multa de ofício de 150% ou qualquer multa. CONCLUSÃO Em face do exposto, votase por conhecer e acolher os Recursos Voluntários e com fundamento no Art. 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 112, 113, 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Art. 4.º, I, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, restando improcedente o lançamento, exonerados todos os créditos tributários e canceladas as multas. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.397 39 Voto Vencedor Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, Redatora Designada Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários. O litígio versa sobre o auto de infração, para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS e COFINS, acrescidos de multa majorada de ofício e juros de mora, além da multa proporcional ao valor aduaneiro, conforme demonstrativo do crédito tributário, a seguir, à efl. 02: Imposto de Importação Valor Imposto R$ 10.426,52 Juros de Mora R$ 143,88 Multa R$ 15.639,78 Valor do Crédito Apurado R$ 26.210,18 Imposto sobre Produtos Industrializados Valor Imposto R$ 1.511,84 Juros de Mora R$ 20,86 Multa R$ 2.267,76 Valor do Crédito Apurado R$ 3.800,46 Multa/Juros Diversos Independentes – Imposto de Importação Valor Multa (100% V. Aduaneiro) R$ 173.866,68 Multa (100% dif. V. Aduaneiro – V. Arbitrado) R$ 65.163,25 Valor do Crédito Apurado R$ 239.029,93 Programa Integração Social Valor Contribuição R$ 1.645,01 Juros de Mora R$ 22,70 Multa R$ 2.467,52 Valor do Crédito Apurado R$ 4.135,23 Fl. 5417DF CARF MF 40 Contribuição p/ financiamento S. Social Valor Contribuição R$ 7.813,78 Juros de Mora R$ 107,83 Multa R$ 11.720,67 Valor do Crédito Apurado R$ 19.642,28 Total Valor Crédito Tributário R$ 292.818,08 De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do AI, verifica se, o seguinte:: 001 – MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO – NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a sua entrega a consumo. As mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, as quais apresentavam o sujeito passivo como importador por conta própria, foram submetidas a Procedimento Especial de Controle Aduaneiro que, entre outras ações, buscou verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, conforme documentos e esclarecimentos constantes do Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 10907.720989/201263 (íntegra anexada à presente autuação). Todavia, ao final de tais ações, ficou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias. ...... 002 – DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA (VALOR DE TRANSAÇÃO INCORRETO) O Sujeito Passivo, apresentado como importador e adquirente na Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, classificou as respectivas mercadorias empregando códigos(s) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para o(s) qual(is) a(s) alíquota(s) vigente(s) do Imposto de Importação (II) à época dos registros era(m) de: (1) 16%. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre referidas mercadorias, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.398 41 efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos (valor tributável). Decorrente da diferença de tal valor em relação ao declarado na DI, verificouse valor recolhido a menor para o Imposto de Importação. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, cobrase o imposto complementar daí decorrente, somado aos acréscimos legais devidos e conforme demonstrativos e Relatório Fiscal anexos. .... 003 – DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme o que consta do Relatório Fiscal em anexo. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre as mercadorias da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 abaixo, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos. Nos termos da legislação, a ocorrência de diferença entre tal valor e aquele declarado nas DI é objeto de multa. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, é efetuado o lançamento de tal penalidade. ....... Temse que a empresa ÁTILA PNEUS registrou a Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184, de 03/04/2012, (cópia a partir das folhas 702). A empresa ÁTILA apresentase como IMPORTADOR DIRETO ou POR CONTA PRÓPRIA. A referida DI teve por unidade de despacho aduaneiro a Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de PARANAGUÁ, importando 19.335,73 kg de pneumáticos de borracha classificados no código NCM 4011.20.90 (OUTROS PNEUMÁTICOS NOVOS DE BORRACHA), originários de Taiwan, de marca comercial MAXXIS, no valor aduaneiro de US$ 59.656,92. Fl. 5419DF CARF MF 42 É de se esclarecer inicialmente que, conforme quadro à efl. 5255 (abaixo), todos apresentaram recursos voluntários: ÁTILA PNEUS, LUIZ BONACIN NETTO e GABRIELA BONETO RODRIGUES, apresentaram em conjunto o recurso voluntário. Da mesma forma, BS COLWAY LTDA, LUIZ BONACIN FILHO e FRANCISCO S. R. NETO. De acordo, com o relator original do processo, de forma sucinta: Os Recursos Voluntários em face do acórdão proferido pela DRJ/SP, redistribuídos por sorteio eletrônico para esta Turma e sob esta relatoria, sustentam em síntese, com relação ao mérito, que não houve interposição de terceiros, que havia independência nas decisões administrativas das empresas, que não houve fraude, que as empresas firmaram de forma pública e legal os contratos de comodato e administração financeira, que não há responsabilidade solidária, que houve ofensa à honra e ao princípio da legalidade tributária, que o valor aduaneiro foi arbitrado sem fundamentos válidos e que as multas são confiscatórias. Inicialmente, sobre as preliminares arguidas, acerca das nulidades no julgamento da DRJ/SP, ou seja, da remessa da impugnação administrativa para julgamento pela 23ª Turma da DRJ/SP, da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes e cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como da imprescindível produção de prova pericial para se alcançar a verdade material, entendo que já foram objeto de análise, bem como rejeitadas essas preliminares. Passo ao mérito, no que me coube o voto vencedor. Registrese que no julgamento comentouse muito que o fundamento legal da interposição era a presunção, mas a descrição dos fatos levoua à simulação, que é a situação descrita no dispositivo legal que dispõe a penalidade aplicada na interposição fraudulenta de terceiros. Observese, inicialmente, que, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n° 902010/DF, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008), desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes. Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.399 43 Não há como deixar de apontar diversos relatos, elementos e fatos de provas trazidos pela fiscalização, a seguir comentados (oriundos do relatório fiscal do Auto de Infração). Os fatos são importantes para entender o modus operandi da empresa, conforme Relatório da Fiscalização e transcritos, inclusive, pela decisão a quo. O emprego de interposta pessoa é artifício utilizado em operações de comércio exterior, logo, foram editadas normas que dão suporte à Fiscalização para seu enfrentamento. O DecretoLei nº 1.455/76, de 07/04/1976, com as alterações da Lei nº 10.637/02, de 30/12/2002, definiu como Dano ao Erário a ocultação do Sujeito Passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punida com o perdimento das mercadorias. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Pois bem, a DI foi direcionada, inicialmente para o canal vermelho de conferência e incluída no procedimento especial de controle aduaneiro. Então, a fiscalização utilizouse dos procedimentos especiais de controle aduaneiro e verificou que restou caracterizada a ocorrência de conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias, mediante simulação, previstos pela IN SRF nº 228/2002, a qual dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas Então, a exigência promovida por meio do auto de infração do presente processo decorre de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Fl. 5421DF CARF MF 44 A pena prevista para a infração antes descrita é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias importadas não terem sido localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos, in verbis: § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. No caso, restou caracterizado o dano ao Erário causado pela comprovada ocultação do real adquirente, Átila através da interposição perante o Fisco da empresa BS Colway, figurandose esta de forma indevida e ostensiva como empresa importadora e adquirente. Argumenta a empresa sobre a habilitação no sistema RADAR, no entanto, quando do momento da habilitação da empresa importadora/exportadora no Sistema RADAR, não há como verificar se aquela empresa terá um comportamento adequado frente aos critérios de compatibilidade entre sua capacidade contributiva e o seu volume transacionados bem como as demais práticas ilícitas referentes ao uso de empresa interposta em operações de comércio exterior. Ocorre que, embora, para a concessão dessa habilitação, todo importador seja submetido à análise fiscal sob um aspecto preventivo e à estimativa da capacidade financeira semestral para operar no comércio exterior, tratase meramente de uma análise preliminar para que seja autorizada a operar no comércio exterior, não havendo qualquer óbice a que seja fiscalizado o seu despacho de importação ou efetuada a revisão aduaneira das suas importações. Pelo contrário, para que uma empresa seja selecionada qualquer ação fiscal relativa à importação é pressuposto necessário que a empresa esteja previamente habilitada a atuar no comércio exterior e tenha efetivamente realizado operações de importação, o que exatamente aconteceu. Verificase que a estimativa de volume para operar semestralmente no comércio exterior é efetuada com base na capacidade financeira potencial da pessoa jurídica com base em recolhimentos de tributos efetuados pela requerente nos 5 anoscalendário anteriores ao pedido de habilitação, enquanto a verificação da origem do recursos aplicados nas operações de comércio exterior é realizada em relação às concretas operações efetuadas no período fiscalizado. Enfim, mesmo com a habilitação da empresa no Sistema RADAR nada impede que a mesma desempenhe a função de empresa interposta em operação de comércio exterior à margem do que é previsto na legislação aplicável. No caso, no momento da habilitação para operar no comércio exterior, não foi apresentado qualquer instrumento, público ou particular, informando o Contrato de Comodato de uso do imóvel sede da empresa ÁTILA PNEUS a título gratuito com a empresa PORTAL DOS MANANCIAIS LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 13.790.661/000100, cujos sócios são quase coincidentes com os da empresa ÁTILA. Isso evidencia, pelo menos, uma confusão patrimonial, indício de uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior. Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.400 45 No curso do procedimento especial de controle aduaneiro que redundou na presente autuação, a empresa, a título de comprovação de seu efetivo funcionamento é que a empresa ÁTILA PNEUS apresentou o contrato de comodato, desta feita firmado com outra das empresas do chamado “ JOVEM GRUPO BS PNEUS”. É de se considerar ainda que, na cláusula segunda do Capítulo I, do Contrato de Comodato de uso do imóvel, expressamente se afirma que: “ a presente cessão restringese apenas ao uso da área operacional dos bens identificados na cláusula anterior, para as atividades de estocagem de pneus novos da COMODATÁRIA...”, deixando claro que não se trata de cessão de escritórios ou salas. Assim fica patente que a pessoa jurídica ÁTILA PNEUS LTDA. não dispõe, de forma estável e regular, de qualquer espaço físico para desempenho de sua atividade econômica principal, qual seja o Comércio por atacado de pneumáticos e câmarasdear. A informação acima indica que se está tratando unicamente de disponibilização de espaço para estocagem de pneus novos, e que, por consequência, a empresa formalmente não dispõe de escritório, espaço físico especialmente destinado à prática de atividades de cunho administrativo e/ou comercial, informação não disponibilizada, quando da sua habilitação. Quanto à integralização, percebese que se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. Notase que a empresa ÁTILA PNEUS alega à efl. 4.333: Outrossim, é inconcebível que o senhor AuditorFiscal se dê o direito de simplesmente afirmar "que não ficou bem claro quem efetuou os depósitos relativos à integralização do capital da empresa". Afinal, ele acusa a empresa, ou não? Aceita a integratizaçâo ou "quer dizer o que?". Até para que a empresa possa exercer seu direito de defesa, como estabelece a lei e a Constituição brasileira, precisa saber exatamente à que tipo de acusação deve responder! Para provar a origem dos recursos destinados à integralização do capital social da impugnante, os sócios anexaram no processo administrativo suas Declarações de Imposto de Renda do Ano base 2009 (cópias anexas), ano da constituição da Atila Pneus Ltda., bem como as atuais, do Ano base 2011 (cópias anexas), onde estão lavrados em nome de cada sócio os seguintes rendimentos: Fl. 5423DF CARF MF 46 E à efl. 4.334: Portanto. desde logo se afirma que não há como a RF de Paranaguá "supor” que os sócios das quotistas da Átila Pneus Ltda. não tinham condições financeiras de constituir a Átila Pneus e nela integralizar, no mês de março de 2009, o capital de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), valor este que representava na época apenas 25% do patrimônio dos mesmos, conforme acima discriminado (números extraídos das declarações ao I.R. anexadas). Aliás, somente no ano base de 2009 estes sócios auferiram o montante de R$15.041.708,30 a título de rendimentos pessoais. O ponto não se cinge à capacidade econômica, de nada vale exibir a DIRPF, os rendimentos, o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se a empresa não demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: a origem do recurso, sua disponibilidade no momento da integralização do capital social, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada depósito praticado. Concluise que na fase do procedimento especial que visava o combate à interposição fraudulenta do qual resultou este AI e que também seus elementos coligidos foram utilizados na autuação, foi constatado o que segue: Habilitação: Valor estimado de US 14 milhões operou US 29 milhões (fl. 52) Procedimento Especial: Não haviam sido entregues os extratos bancários da conta corrente do banco BRADESCO, na qual foram debitados os contratos de câmbio, cujas cópias haviam sido apresentadas (vide tabela, resumo de tais informações (fl. 59). Integralização No que dizia respeito à comprovação da integralização do capital social da empresa, as cópias dos depósitos apresentados para tal fim não permitiam identificar a origem dos recursos: a única constatação que tais cópias permitiam era a de que a própria havia sido o depositante dos valores, o que se mostrava insuficiente, ao menos de forma preliminar, para se comprovar sua verdadeira origem bem como sua consistência com o que consta no contrato social (fl. 60). Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.401 47 Integralização Do Capital Demonstração Da Capacidade Financeira A exigência de demonstração da capacidade financeira para iniciar as operações no comércio exterior está fundada no tripé: origem, disponibilidade e efetiva transferência no nascimento efetivo da empresa: a captação dos recursos próprios. Óbvio que a origem deve ser lícita pois o objeto de qualquer sociedade há de ser lícito. Por comprovação, entendese insuficiente a existência e transferência do recurso; exigese também sua disponibilidade no momento ou anterior da integralização, em especial quando o valor total de R$ 12 milhões, mantidos em espécie, são depositados no banco em 15 operações, no intervalo de cerca de 1 mês. Não é crível que sócios de empresa localizados em uma grande região metropolitana (Curitiba) dirijamse sistematicamente, no período de 1 mês, à agência bancária portanto grande volume de dinheiro em espécie (valores que chegam a R$ 1.200.000,00) com fins à integralização do capital de uma nova sociedade, quando aparentados de pessoas notoriamente conhecidas no meio empresarial do ramo de pneumáticos. O que se retrata e se comprova é só e simplesmente que a relevante quantia de R$ 12.600.000,00 foi depositada, ao longo dos meses de 04 e 05/2009 em conta corrente da empresa (à época ainda denominada como MAXXIS IMPORTADORA DE PNEUS LTDA), e que o depositante foi a própria empresa. Ressaltese, ainda, que no extrato bancário figure a própria empresa (e não seus sócios) como depositante dos valores em espécie para a integralização do capital social (fl. 113). Conclusão lógica é que não foram os sócios que integralizaram o capital (fl. 114) E mais, a capacidade financeira dos sócios não foram comprovadas, vez que as DIRPF (anos 2011 e 2012) apresentadas retratam situação posterior à integralização do capital, que se deu em 2009 (fl. 115) Sem essa comprovação, implica em prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros, na forma do inc. V, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. O que se depreende da leitura do inciso V é que o importador interposto é aquele que deliberadamente oculta o responsável pela importação, independentemente da sua capacidade econômica e da efetiva transferência de recursos. O fato é que o inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 traz a seguinte disposição: Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. O citado dispositivo define a priori como ilícita a prática de interposição de pessoas no comércio exterior. O responsável pela importação COMPRADOR no mercado interno tinha o dever de se identificar para os órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros e assim não o fez. Se isso ocorre, estáse diante da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 5425DF CARF MF 48 Alega a empresa à efl. 4.340: No que se refere à necessidade da importadora em efetuar o registro das marcas dos pneus importados junto ao INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sem dúvida há novo equivoco, uma vez que não há qualquer exigência, por parte da Receita Federal, ou seja de quem for, de que as empresas importadoras sejam detentoras das marcas dos produtos que importam. Sobre isso, seria absurdo e até um crime que importadoras de produtos como MERCEDES, BMW e outros, requeressem registros de tais marcas em nome delas (importadoras). Portanto, a impugnante promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS. SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores, sem que isso implique na necessidade de registro dessas marcas em seu nome nos órgãos competentes. Por outro lado, em nenhum momento o auditor demonstra a obrigatoriedade de tais medidas, mas apenas faz afirmações despropositadas e sem nenhum alcance prático, a não ser a visível intenção de promover "ilações", razão pela qual referido argumento deve ser afastado de plano. Há, sem dúvidas, um critério extremamente subjetivo do auditor fiscal, o qual, por certo, não pode ser adotado como fundamento mínimo para tão nefasta ação fiscal. No caso em análise, a DI nº 12/06129184, de 03/04/2012, refere a importação de 19.335,73 kg de pneumáticos de borracha classificados no código NCM 4011.20.90 (OUTROS PNEUMÁTICOS NOVOS DE BORRACHA), originários de Taiwan, de marca comercial MAXXIS. Em verificação aos registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a fiscalização aduaneira constatou que a marca adotada pelas mercadoria sob análise (MAXXIS) não pertencia à empresa apresentada como importadora e adquirente, mas a outra empresa, no caso a BS COLWAY PNEUS LTDA. Em sendo assim, o produto importado tinha por destinatário predeterminado a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA – que surge na condição de sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) – para posterior revenda do produto no mercado interno. Assim, quem de fato comercializa esse produto no mercado interno é a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Nada impede que a empresa ÁTILA PNEUS possa importar produtos da marca MAXXIS, contudo, na medida que sua comercialização no mercado interno será feita necessariamente pela empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, é nítido que a empresa ÁTILA PNEUS importa para esta. Portanto, assume a condição de interposta pessoa em operação de comércio exterior. Observase uma afirmação da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, à efl. 4.838: Perdoem a colocação esdrúxula, mas o único detalhe que une a BS Colway à Átila Pneus é que ambas, na "ponta do iceberg", Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.402 49 acabam por vender pneus. A primeira possuía uma fábrica de remoldados. A segunda limitase a efetuar importações. De tal sorte que não há como se fazer a ligação entre as duas empresas, sociedades distintas, com sócios distintos e, importante salientar, objeto distinto. Em suma, a empresa ÁTILA PNEUS importa pneus que são vendidos no mercado interno com o Certificado de Conformidade às normas do INMETRO, cuja a detentora é a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Portanto, empresa ÁTILA PNEUS efetua importações para a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Esse procedimento é irregular na medida em que a empresa ÁTILA PNEUS se declara aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros como importadora e adquirente. O procedimento correto seria a empresa ÁTILA PNEUS adotasse a modalidade de Importação por “conta e ordem” ou modalidade de Importação por “encomenda”, a depender do modo de financiamento da importação, e assim informar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros quem é a responsável pela comercialização do o do produto importado no mercado interno, no caso a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Em não procedendo assim, ocultando o responsável pela importação – sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR ) essa transação configura prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Tecendo mais alguns comentários sobre o quadro social da empresa Átila, a mesma foi formalmente constituída em 20/03/2009, tem domicílio fiscal em Piraquara, Estado do Paraná, apresentando outros dados cadastrais. A empresa ÁTILA PNEUS apresenta, como um de seus administradores, LUIZ BONACIN NETTO, pessoa que tem vinculação familiar estreita com Sócio Administrador de outras empresas que atuam ou atuaram de forma intensa no ramo de importação e comércio de pneumáticos e câmaras de ar. Fl. 5427DF CARF MF 50 Quanto ao imóvel, sede da Empresa ÁTILA PNEUS é de propriedade da empresa BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A. A empresa admite que as empresas formam um grupo econômico e portanto possuem interesses convergentes. De fato, quando tomado isoladamente, não existe qualquer irregularidade. No entanto, ao constatar que a empresa ÁTILA PNEUS atua como empresa importadora e usa instalações do grupo econômico – como denominado pela própria empresa – e repassa o produto para outra empresa do mesmo grupo econômico – empresa BS COLWAY PNEUS LTDA que é a detentora da marca MAXXIS no Brasil – fica evidente o uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior e da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA como REAL COMPRADOR (sujeito passivo oculto), conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Do que foi apresentado a título de comprovação do funcionamento efetivo da empresa ÁTILA PNEUS consta cópia de conta de telefone praticamente sem consumo e Contrato de Comodato de uso do imóvel sede da empresa a título gratuito com a empresa PORTAL DOS MANANCIAIS LOGÍSTICA LTDA., CNPJ 13.790.661/000100, cujos sócios são quase coincidentes com os da ÁTILA Em que pese o porte da empresa, não há consumo de serviço de telefonia uma incompatibilidade com o ramo, porte e recursos financeiros que declaram possuir (fl. 62). Além do mais, demonstrase a ausência de capacidade operacional, vez que o imóvel cedido tratase unicamente de espaço para armazenagem de pneus novos, não há sala de escritório para prática de atividades comerciais e administrativas, não houve consumo de energia elétrica (fl. 103). A própria declarou que a operacionalização das atividades é efetuada pelo grupo BS COLWAY (fl. 107), não há registro de veículos em nome da empresa (fl. 108). Apesar do grande fluxo de mercadorias que teriam sido por si importadas e negociadas, a empresa ÁTILA PNEUS, tendo em vista não apresentar imóvel próprio ou formalmente locado para desenvolvimento das suas atividades comerciais e/ou administrativas, sequer consta como unidade consumidora de energia elétrica no local onde estaria localizada, conforme consulta ao cadastro da empresa distribuidora de energia elétrica do estado do Paraná. Ainda, em consulta a sistema que agrega as informações prestadas pelas empresas com base na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social relativamente a ÁTILA PNEUS LTDA., verificouse a total ausência, desde sempre, de funcionários com vínculo empregatício com a empresa. Dado esse significativo para se aferir a capacidade operacional própria de uma empresa, é relevante citar que, em atendimento a exigência contida no primeiro TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (Documento Comprobatório nº 2), na qual se buscava justamente verificar a existência de contratos/acordos de utilização de capacidade operacional de terceiras empresas, apresentouse resposta, conforme tela C16. Com relação ao item mão de obra da recorrente, o que causou estranhamento à fiscalização foi a incompatibilidade da quantidade de empregados com o volume de operações efetuadas pela ÁTILA PNEUS, além do fato de existir vários funcionários vinculados a outras empresas do grupo de fato. Esse elemento, não por si só, mas aliado aos outros já existentes, como, por exemplo, a falta de comprovação de integralização do capital social da pessoa jurídica, conduz também no sentido da criação de uma empresa simulada para atender aos interesses do grupo. Bem como, a quase completa ausência de consumo registrado Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.403 51 na conta de telefone apresentada que confirma o papel meramente figurativo da empresa ÁTILA PNEUS em todo o processo que efetivamente se desenrola Ainda, junto à documentação apresentada, especialmente cópias de comprovantes de pagamentos dos fretes das mercadorias anteriormente desembaraçadas, havia documentos indicando que despesas a cargo do interessado (fretes de mercadorias vendidas ou desembaraçadas) teriam sido pagas por empresas do que pode ser denominado mesmo grupo empresarial familiar, tendo em vista as ligações societárias e de parentesco. Concluise que as despesas de frete no transporte da mercadoria importada (nacionalizada) foram suportadas por empresa diferente, porém com grau de parentesco e sócios comuns. (fl. 64). Constam os documentos (fls. 65/72) referidos acima. Notase, o volume de importações praticado pela empresa ÁTILA PNEUS: Então, o que foi apresentado à Fiscalização não se mostra compatível com os volumes de importação declarados como próprios pela empresa, sendo absolutamente certo que se trata de mais um artifício irregular utilizado com o fim de se ocultar as reais negociações e os seus reais participantes, enfim os responsáveis pela importação. Resta claro que a empresa ÁTILA PNEUS LTDA., não detém capacidade operacional própria, assim entendida como a reunião de recursos humanos, materiais, logísticos, bens de capital, imóveis, tecnologia, dentre outros, para a realização de seu objeto societário. A empresa ÁTILA PNEUS, dada sua ausência de capacidade operacional, age como importadora para as empresas sob o controle dos sócios LUIZ BONACIN FILHO e LUIZ BONACIN NETTO, denominado de " JOVEM GRUPO BS PNEUS", na medida em que é financiada e amparada estruturalmente e funcionalmente pelas mesmas e sequer possui quadro próprio para proceder as negociações com seus fornecedores internacionais. Verificase que no momento da habilitação no Sicomex/RADAR, a estimativa do volume total de importações, considerada compatível com sua situação, foi de US$ 14.300.000,00 para cada período de seis meses. Para o período anual de 03/2011 a 03/2012, sua média semestral de importações havia sido de US$ 29.410.402,20, sendo que entre 09/2011 a 03/2012 tal valor superou os US$ 39.000.000,00. Por esse motivo, o procedimento de habilitação (IN SRF nº 650/06), estabelece que a estimativa semestral, quando ultrapassada, servirá como parâmetro para a seleção para procedimento especial com base na IN RFB n. 1.169/11. Como pode uma empresa que não possui imóvel próprio (O imóvel não comporta realização de atividades comerciais e administrativas), não paga aluguel, não tem funcionário, não tem gastos com telefonia, não consumiu energia elétrica, comercializa Fl. 5429DF CARF MF 52 mercadoria cuja registro de propriedade é de outra empresa, mas operou cerca de U$ 29 milhões. Não há registros, tampouco, de empregados com vínculos com a empresa (fls. 73). Dessa maneira, verificouse, portanto, que: Os registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), constatou que a marca das mercadorias sob análise (MAXXIS) NÃO PERTENCE à empresa apresentada como importadora e adquirente (empresa ÁTILA PNEUS); Os registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), constatou que a marca ostentada pelas mercadorias sob análise (MAXXIS) PERTENCEM à Empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Evidencia o uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior e a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA como sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Em relação à comprovação da integralização do capital social da empresa, as cópias dos depósitos apresentados NÃO PERMITEM IDENTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS. A única constatação que essa documentação permite apurar é que o próprio favorecido havia sido o depositante dos valores, o que se revela insuficiente para atender o trinômio origem, disponibilidade e transferência. Ressaltese, ainda, que os meios utilizados revelam artifícios de simulação, em especial quanto aos lançamentos contábeis (MISSISSIPI X ÁTILA) contratos que tentaram dar aparência de negócios realizados entre empresas. Há caso que a empresa não existia à época das transações (ORION X ÁTILA) Por exemplo, a considerar a única atividade econômica declarada da empresa MISSISSIPI SOCIEDADES DE FOMENTO MERCANTIL – FACTORING, temse a venda de títulos de crédito que, a teor dos balancetes apresentados e daquele momento da vida formal da empresa, eram inexistentes. Assim sendo, há a figura de simulação, adotada com o fim de tentar encobrir, sob o manto de operação de venda de créditos inexistentes mero trânsito de valores significativos pela contacorrente da empresa, cuja origem, de fato, não foi esclarecida mas que, sob a justificativa de integralização de capital social, afinal foram imediatamente redirecionados para outra pessoa jurídica. Da mesma forma, ao que ocorreu em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A, a empresa ÁTILA PNEUS apresentou impresso denominado de CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GESTÃO FINANCEIRA (Documento Comprobatório nº 9) que teria sido firmado com a VENTURA & ORION em 01/06/2011, menos de 01 mês após a constituição formal desta. O quadro de irregularidades contábeis verificado em relação à VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A é ainda mais grave que aquele detalhado em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A, tendo em vista que, verificandose os primeiros lançamentos presentes na conta contábil de ativo ADTO. VENTURA & ORION S/A, constatamse lançamentos em tal conta no mês de 04/2011, QUANDO A PESSOA JURÍDICA SEQUER EXISTIA LEGALMENTE; além disso, o primeiro lançamento que poderia ser tomado como regular, dado que efetuado após a data de existência formal da pessoa jurídica VENTURA & ORION, representa novo fato completamente estranho ao que, em tese, teria sido pactuado no dito contrato firmado com tal entidade: quantia de grande valor (R$ Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.404 53 4.500.000,00), debitada de contacorrente da empresa, foi simplesmente repassada à VENTURA & ORION sob o nada esclarecedor histórico de TRANSFERÊNCIA ATILA X VENTURA / BD, sem deixar, explícita ou implícitamente, identificação do motivo e/ou documento que comprovasse/justificasse tal operação, obviamente relevante para o patrimônio da empresa Ainda, da afirmação que constava do site www.bspneus.com.br, até 31/05/2012, cotejada com os elementos probantes, depreendese que a atividade de importação de pneus desempenhada pela empresa Átila pneus nada mais é que a continuidade dos negócios da empresa BS Colway Pneus LTDA, após o impedimento judicial de sua anterior atividade de importação e remoldagem , A continuidade da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA., bem como sua ocultação indevida nas operações de importação surge ainda evidente quando se analisam os certificados de adequação dos pneumáticos importados às normas brasileiras de qualidade, registrados junto ao INMETRO e que inclusive foram informados na DI, objeto da presente análise. Assim sendo, ressaltese que a escrituração contábil regular, mantida com a observância das disposições legais e com base em contratos e documentos apropriados, é um importante meio de prova de que dispõe a contribuinte para comprovar, em relação aos recursos empregados nas operações de comércio exterior, a origem (de onde e quando veio o numerário), a disponibilidade (posse do numerário no momento de pagar a operação) e a transferência (efetiva migração do numerário para o pagamento da operação). Com efeito, ao final do procedimento fiscal, diante da análise da documentação apresentada pela fiscalizada e de outros elementos, concluiu a fiscalização que, além das "flagrantes irregularidades na própria constituição das pessoas jurídicas fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas", a contabilidade da contribuinte revelouse imprestável para fins de comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de importação realizadas no período fiscalizado. Com relação à confusão patrimonial, embora, como alega a recorrente, não seja ilícito o fato de compartilhar funcionários, atenta contra a autonomia da pessoa jurídica declarar como parte de seu patrimônio, inclusive para fins de integralização de capital social, bens que pertencem a outra pessoa jurídica. Ademais, não foi comprovado nos autos o rateio entre as empresas dos custos e despesas relativamente aos funcionários e bens e serviços utilizados conjuntamente. Diante da falta de comprovação de integralização do capital social, apurada na ação fiscal anterior e confirmada no atual procedimento fiscal, da ilegitimidade da justificativa de suprimentos de recursos por empresas do grupo de fato, bem como das inconsistências e artifícios encontrados na contabilidade da ÁTILA PNEUS com intuito de dificultar o rastreamento de recursos, entendeu a fiscalização pela ocorrência da simulação como a ocultação por interposição de pessoas de forma fraudulenta, nos termos do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, o uso de artifícios fraudulentos ou simulatórios para ocultar, esconder ou encobrir o real sujeito passivo. Portanto, a simulação como a ocultação são caracterizados como fraude, conforme o que dispõe a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Fl. 5431DF CARF MF 54 "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." Por todo o exposto, entendo que não foi comprovada a integralização do capital, a capacidade financeira, econômica e operacional, mediante a simulação engendrada que envolveu sócios comuns à empresa do grupo BS Colway, que é a situação descrita no dispositivo legal que dispõe sobre a penalidade aplicada na interposição. DA VALORAÇÃO ADUANEIRA Relativamente à valoração aduaneira, concluiu a fiscalização que as Faturas Comerciais apresentadas não mereciam fé quanto aos valores declarados, tendo em vista os fatos apurados que também motivaram a interposição fraudulenta. Como se observa, à efl.184: Os fatos acima apontados, a omissão evidente da autuada em esclarecer minimamente os envolvidos na negociação das mercadorias, e ainda levando em conta tudo o mais que já foi relatado até o presente momento, não permitem outra conclusão que não a de que os impressos apresentados como Faturas Comerciais emitidos pelas entidades GOLDSTEIN TRADING LLC. e GEBADIL S/A, NÃO PODEM SER TOMADOS COMO PROVAS DA OCORRÊNCIA EFETIVA DE UMA VENDA ENTRE OS ALI INDICADOS COMO COMPRADOR E VENDEDOR; da mesma forma, o preço da mercadoria lá constante seguramente não representa o acerto livre de vontades entre as partes indicadas, conclusão que se estende, por consequência, também aos impressos relativos ao outro exportador constante da Tabela C.5, denominado como ROSAVA30. A conclusão anterior leva à outra, necessária e consequente: o valor aduaneiro, assim considerado aquele que serve de base para fins de se determinar os direitos aduaneiros, não pode ser tomado com base em tais documentos. Para determinálo, recorrese então à legislação relacionada. Assim entendeu a fiscalização pela necessidade de arbitramento dos valores aduaneiros das mercadorias importadas. Pois bem, o arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01 caracterizase como uma exceção à apuração da base de cálculo do Imposto de Importação (e consequentemente dos demais tributos incidentes na importação): nos casos regulares, a base de cálculo do Imposto de Importação, de acordo com o artigo 2º do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT); já nos casos de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria. Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.405 55 Desta forma, os novos valores de transação atribuídos para as mercadorias valoradas foi processado conforme a legislação de regência, na medida que aplicouse ao caso o disposto no art. 88 da Medida Provisória n°.2.15835, de 24 de agosto de 2001, em consonância com a Interpretação Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira acerca da aplicação do art. 17 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT), haja vista a apuração de fraude de valor na importação. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Por sua vez, a Opinião Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, interpretando o disposto no Artigo 17 e demais princípios do AVA/GATT, afirma que as Administrações Aduaneiras não são obrigadas pelo Acordo a levar em conta os documentos fraudulentos. Para o Comitê, o Acordo de Valoração Aduaneira baseiase nos elementos de fato reais, não fraudulentos, e “qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo.” Nas operações fraudulentas, quando um ou mais elementos da operação real de importação estiverem em desacordo com os elementos reproduzidos na Declaração de Importação e nos documentos instrutivos da importação, como por exemplo o real exportador, o importador, o adquirente de fato, a quantidade de mercadoria importada, além obviamente do valor aduaneiro, aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira ficará prejudicada. Pelo exposto, entendo correto o arbitramento dos valores das mercadorias e a correspondente exigência das diferenças de tributos, bem como a utilização desses valores para a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (em face da ocultação de Fl. 5433DF CARF MF 56 interposição fraudulenta), bem como da multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado. Registrese que o detalhamento do critério adotado para a valoração das mercadorias em cada importação e a notificação à autuada de tal arbitramento, inclusive antes da autuação, entendo não estar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Também, relativamente à aplicação sequencial dos métodos de valoração aduaneira, alegada pela recorrente, o arbitramento de preço em conformidade com o art. 88 da Medida Provisória n° 2.158 exclui a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, o qual somente é aplicável a operações comerciais nas quais não configuradas fraude, sonegação ou conluio que comprometam a confiabilidade dos documentos comprobatórios das negociações. MULTA QUALIFICADA A recorrente insurge contra a aplicação da multa qualificada de 150%, que diz ser confiscatória e injustificada. No entanto, o dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Logo, a multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal. Por fim, quanto à arguição sobre ser uma multa confiscatória. alegação de inconstitucionalidade, aplicase ao caso SÚMULA CARF Nº 2, in verbis: Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) RESPONSABILIDADE TIBUTÁRIA SOLIDÁRIA Consta na autuação Relatório Fiscal e nos Termos de Responsabilização que a pessoa jurídica foi responsabilizada solidariamente com a autuada/importadora ostensiva com fundamento no art. 95, I do Decretolei n° 37/66, e as pessoas físicas, também com base no art. 135, III do CTN (efls. 3250,3258,3267,3275 e 3286). Os fatos e condutas já abordados, praticados com o fim de dar aparência de regulares a operações que, conforme demonstrado, foram efetivadas mediante uso de diversos Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.406 57 artifícios simulatórios e objetivando manter ocultas a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. e a continuidade de seus negócios, e que ao fim possibilitaram o resultado almejado pelas infrações apontadas na presente autuação, além das demais consequências inerentes ao caso, torna obrigatória a inclusão desta pessoa jurídica na qualidade de responsável solidária do crédito tributário ora constituído, conforme as razões especificadas nos tópicos anteriores e nos termos da legislação. Em se tratando de infração aduaneira o inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66 é taxativo: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; A situação tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 constitui uma infração aduaneira. Configurada a infração, por determinação expressa do inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66, a responsabilidade decorrente da aplicação da pena de perdimento em função da prática de interposição fraudulenta de terceiros, atinge a pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Além do mais, enquanto pessoas físicas, não efetuaram a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a integralização do CAPITAL SOCIAL da empresa ÁTILA PNEUS o que configura infração de Lei, na forma do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. Ou seja, a ação fiscal se apoia na seguinte constatação: os sócios se valiam da empresa ÁTILA PNEUS para a prática de interposição fraudulenta de terceiros, conduta infracional. Configurada a infração de Lei, por determinação expressa do caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pela exação tributária atinge a pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se observa o art.135, inciso III do CTN, que, com o aqui já apontado, prevê a possibilidade de responsabilização pessoal aos “diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica”. A grande questão sempre presente nos debates, de fato, é a configuração da hipótese específica que autoriza a sua aplicação, uma vez que, tratandose, como de fato o é, de norma de caráter excepcional (responsabilidade tributária de terceiros), a sua utilização somente se mostra possível quando presentes, então, todas as respectivas circunstâncias autorizativas expressamente previstas no dispositivo em análise. Em face dos longos debates práticos e doutrinários então desenvolvidos, é relevante destacar que, a jurisprudência nacional já a ela especificamente se debruçou, sendo importante destacar, a esse respeito, a existência de precedente específico do Superior Tribunal de Justiça–STJ, que, sob a sistemática própria dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim então já se pronunciou: Fl. 5435DF CARF MF 58 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SÓCIOGERENTE. ART. 135, III, DO CTN. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE TRIBUNAL SUPERIOR. SÚMULA 7/STJ. RECURSO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de condicionar a responsabilidade pessoal do sóciogerente à comprovação da atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, excepcionandose a hipótese de dissolução irregular da sociedade devedora. 2. A análise da atuação do sócio, para efeito de enquadramento nas hipóteses de redirecionamento previstas no art. 135 do CTN, ou, até mesmo, para constatar a ocorrência de encerramento irregular da sociedade, encontra óbice na Súmula 7 desta Corte: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 3. Recurso desprovido (grifo nosso). (AgRg no REsp 596.134/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 10/08/2006, p. 193. g.n.). Pelo que aqui se verifica, o julgamento paradigma fundamental editado pelo STJ a respeito aos específicos contornos da aplicação das disposições do art.135, inciso III do CTN, e, no caso, a responsabilização tributária do sócio, é evidente no sentido que não se mostra suficiente a simples demonstração ou identificação da ocorrência do inadimplemento do montante devido. É fundamental que, em cada caso, reste devida e especificamente comprovada a atuação com excesso de poder e/ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, sem a qual, definitivamente, não se pode admitir a responsabilização do referido dirigentes. No caso dos autos, verificase a devida configuração das hipóteses autorizativas da referida previsão legal da responsabilidade pessoal do dirigente da pessoa jurídica, contida nas disposições do art. 135, inciso III do CTN, sendo, portanto, completamente devida, assim, a sua imputação, nos termos e fundamentos devidamente apresentados, uma vez que foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art.135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos agiu com infração de legislação. Com essas considerações, divirjo do ilustre relator e voto no sentido de rejeitar as preliminares e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto nas matérias acima, determinando a manutenção da responsabilidade tributária solidária da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA e pessoas físicas, pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado . CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Bem como, manter no polo passivo, os responsáveis solidários. Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.407 59 (assinado digitalmente) Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, Redatora Designada Fl. 5437DF CARF MF
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