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Numero do processo: 15253.000026/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/02/1987 a 30/08/1987
CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EFETUAR A COMPENSAÇÃO.
No caso dos autos, como a petição que pediu a desistência e compensação foi protocolada em 23/04/2002 e, o requerimento de compensação foi apresentado no presente processo administrativo em 22/12/2004; mesmo na hipótese de se aplicar por analogia o Decreto 20.910/32, que determina o início da contagem do prazo prescricional com o pedido de desistência na Execução Fiscal, entendo que não se configurou a prescrição dos créditos em análise.
Assim, independentemente da discussão de se aplicar o artigo 168 do CTN ou o Decreto 20.910/32 para a contagem do prazo prescricional, no caso em epígrafe, em ambas hipóteses os créditos não prescreveram. Sendo assim, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 575.689,44 e homologar a compensação pleiteada até esse limite; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA EFETUAR A COMPENSAÇÃO. No caso dos autos, como a petição que pediu a desistência e compensação foi protocolada em 23/04/2002 e, o requerimento de compensação foi apresentado no presente processo administrativo em 22/12/2004; mesmo na hipótese de se aplicar por analogia o Decreto 20.910/32, que determina o início da contagem do prazo prescricional com o pedido de desistência na Execução Fiscal, entendo que não se configurou a prescrição dos créditos em análise. Assim, independentemente da discussão de se aplicar o artigo 168 do CTN ou o Decreto 20.910/32 para a contagem do prazo prescricional, no caso em epígrafe, em ambas hipóteses os créditos não prescreveram. Sendo assim, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 575.689,44 e homologar a compensação pleiteada até esse limite; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 25 3. 00 00 26 /2 00 8- 19 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 336 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 337 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 244/258 do volume 2) interposto face v. acórdão (fls. 239/242 vol. 2) proferido pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, que decidiu não homologar a compensação pleiteada pela Recorrente. O processo trate de declaração eletrônica de compensação DCOMP, 21004.66646.221204.1.3.575200, cujo objeto é a compensação de débito, relativo ao IRPJ, período de apuração 11/2004, no valor de R$575.689,44, crédito oriundo da Ação Judicial, processo n° 89.00006347, com trânsito em julgado, nela informado, datado de 11/04/2004 (fls. 1 a 4). Conforme informação constante no andamento do processo e dos documentos constantes nos autos, a ação judicial teve o escopo de cobrar importância conrrespondente a atualização monetária que a Recorrente entende ser devida em relação ao valores que lhe foram restituídos administrativamente em 22/07/88, relativos aos pagamentos efetuados indevidamente a titulo de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos distribuídos à sua sócia, CAMIG, nos períodos de 02/87 a 08/87. O Despacho Decisório de fls. 178/183, decidiu não homologar o pedido de compensação por entender prescrito o direito da Recorrente e exigir os valores confessados e compensados indevidamente com encargos moratórios. Vejamos a parte do despacho que nos interessa. Considerando que, conforme fundamentos acima, a compensação foi realizada fora do limite do prazo a que o contribuinte tinha direito a compensar, DECIDO: NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO constante na "Declaração de Compensação" PER/DCOMP 21004.66646.221204.1.3.575200, transmitida em 22/12/2004, E EXIGIR, com base no § 6° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de1996, incluído pela Lei n° 10.833, de 2003 e nos artigos 26, § 4° e 29 da Instrução Normativa SRF n° 600, c/c 2005, os valores confessados e indevidamente compensados, relativamente ao o crédito tributário IRP.I — Cod. 23621, do período de apuração novembro/2004, no valor de RS575.689,44 (quinhentos e setenta e cinco mil , seiscentos e oitenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), ao qual deverá ser acrescido dos encargos moratórios na forma disposta no art. 30 da referida Instrução Normativa. A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade (fls. 188/201 volume 1) alegando o seguinte em relação ao r. Despacho Decisório. (cópia do relatório do v. acórdão recorrido) Com base na autorização judicial, a Manifestante apresentou, em 22.12.2004, Declaração de Compensação pleiteando a utilização do valor incontroverso para fins de compensação corn débito de IRPJ relativo ao mês de novembro de 2004. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 338 4 Ocorre, porém, que a referida Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF/U13B sob a alegação de prescrição do direito A compensação do valor incontroverso pelo decurso do prazo de cincos anos previsto no artigo 10 do Decreto 20.910/32. tendo em vista que o transito em julgado da fase de conhecimento da ação judicial ocorreu em 05.03.1999, ao passo que a Declaração de Compensação foi transmitida apenas em 22.12.2004. Contudo, não merece prosperar o entendimento manifestado pela DRF/UBB, pois, ao contrário do que alegam as autoridades julgadoras, o prazo para obter a compensação ainda não estava extinto em 22.12.2004, data em que foi transmitida a Declaração de Compensação pela Manifestante, pelas razões a seguir expostas: I Inexistência de regra de prescrição para o exercício da compensação — Inaplicabilidade do Decreto 20.910/32 II Termo inicial para contagem do prazo extintivo do direito à compensação "... a DRJ/UBB não traz qualquer argumento para justificar o por quê de a decisão proferida no processo de execução ser mera hipótese de interrupção da prescrição, sendo que na verdade a Manifestante estava impossibilitada de apresentar a sua Declaração de Compensação antes de proferida a decisão judicial que lhe autorizou a promover a compensação pelo valor incontroverso. ............................... Como a decisão que transitou em julgado fez coisa julgada material, é evidente que a Manifestante estava impossibilidade de utilizar o instituto da compensa cão antes da decisão judicial que lhe autorizou a aprovei/ar o indébito por meio de compensação, cancelando os respectivos precatórios, o que deixa claro que o prazo prescricional previsto no Decreto 20.910/32 apenas poderia começar a fluir, quando muito, após 12.06.2002, sendo extinto, portanto, em 12.06.2007, muito após a transmissão da Declaração de Compensação apresentada pela Manifestante em 22.12.2004." Em seguida os autos foram encaminhados para a DRJ de Juiz de Fora, que proferiu v. acórdão indeferindo a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o entendimento do r. Despacho Decisório de que o crédito encontravase prescrito nos termos dos artigo 8 e 9 do Decreto 20.910/32. Colaciono a parte do voto condutor do v. acórdão recorrido que demonstra o entendimento aplicado no julgamento da manifestação de inconformidade. Assim, no presente caso, em que houve desistência da execução, o trânsito em julgado da sentença da ação de conhecimento, em 05/03/1999, marcou o inicio do prazo prescricional (art. 1°); o inicio da execução para repetição do indébito, com a citação inicial da Fazenda Pública Federal, interrompeu o prazo prescricional (art. 7°). A prescrição recomeçou a contar. pela metade do prazo, em 12/06/2002, data da homologação da desistência da execução, que é de no mínimo 5 (cinco) anos a contar da data do transito em julgado da ação de conhecimento (art. 9° e Súmula 383, do STF). Fl. 338DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 339 5 Desse modo, a requerente tinha até 12/12/2004: para ingressar com a Declaração de Compensação. Como somente o fez em 22/12/2004, seu direito já se encontrava prescrito. Ou seja, o entendimento do v. acórdão afastou a aplicação do artigo 168 do CTN e aplicou o Decreto 20.910/32 para a contagem da prescrição do direito de pedir a compensação do crédito apontado como incontroverso na ação judicial/execução contra a Fazenda. Em seguida, devidamente notifica, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa da impugnação, pleiteando a reforma do v. acórdão e a homologação do pedido de compensação. Após a juntada do Recurso Voluntário, os autos foram remetidos para este E. CARF/MF, distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 340 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual, deve ser admitido. A presente lide, cingese na discussão se o direito de compensar o crédito da Recorrente, reconhecido em ação judicial, está prescrito ou não. A Fiscalização aplica, por analogia, a sistemática do Decreto 20.910/32 para contar o prazo prescricional e afasta a aplicação do artigo 168 do CTN. Este entendimento da Fazenda Nacional foi formalizado no Parecer Normativo Cosit 11, de dezembro de 2014, onde determina que se deve aplicar o Decreto 20.910/32 por analogia. (Apenas para ressaltar, o parecer foi elaborado e publicado posteriormente ao requerimento de compensação dos créditos incontroversos dos autos.) Além da discussão sobre qual norma será aplicada, existe também, divergência do momento em que irá se iniciar a contagem do prazo prescricional, que no caso dos autos, conforme pode se verificar no r. Despacho Decisório (fls. 180/182), se iniciou com o trânsito julgado material. Conforme trecho abaixo colacionado, o r. Despacho Decisório acolheu a manifestação da Equipe de Ações Judiciais EQAJ, que por sua vez, delimitou a prescrição nos seguintes termos: No entanto, concluise que há óbice a que a autora pudesse efetuar a compensação que pretendeu. E que ela deixou transcorrer prazo além daquele de que dispunha para executar seu julgado, na forma de compensação da parte incontroversa. Com efeito, dispõe o Decreto n° 20.910/32 (art. 1°), que as dividas passivas da União prescrevem no prazo de 05 anos. E, no presente caso, o termo inicial para contagem do referido prazo deve ser a data em que a decisão judicial fez coisa julgada material, ou seja, 05/03/1999, de forma que em 05/03/2004 expirou o prazo para que ela pudesse efetuar a compensação. Verificase que a PER/DCOMP 1.4 n° 21004.66646.221204.1.3.575200 somente foi transmitida em 22/12/2004. Portanto, após o decurso do prazo legal. Hà que se esclarecer que a decisão judicial proferida em 12/06/2002, a qual deferiu o pedido da autora de executar seu julgado de forma Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 341 7 diversa da que inicialmente requereu (compensação ao invés de expedição de precatório), não alterou a coisa julgada material. E dizer: a decisão incidentalmente proferida após o trânsito em julgado apenas homologou a desistência da autora de receber seu crédito incontroverso pela via judicial, para poder recebêlo pela administrativa, mediante compensação. Por isso, a decisão judicial não repercutiu na fluência do prazo extintivo do direito de a autora executar seu julgado perante a Administração, de forma que os 05 anos, de que dispunha, o qual dever ser contado da data do transito em julgado, não foi interrompido nem suspenso. Por outro lado, mesmo que se admitida que a decisão que autorizou a desistência da execução na via judicial haja interrompido o prazo para execução na via administrativa (o que se admite apenas para argumentar, já que as esferas são independentes), ainda assim a autora teria deixado escoar o prazo remanescente. E que, conforme artigo 9° do Decreto n° 20.910/32, abaixo transcrito, ocorrida a interrupção, o prazo recomeça a correr pela metade. Notese que, para a manifestação que foi acolhida pelo r. Despacho Decisório, devese aplicar o Decreto 20.910/32 e o inicio da contagem do prazo prescricional de 5 anos, foi com o transito em julgado material da ação ordinária, que se deu em 05/03/1999, com o término em 05/03/2004. Notese, que o r. Despacho Decisório, deixou de observar a decisão da IL. Juíza da Execução, datada em 12/06/2002, que autorizou a compensação do crédito incontroverso, ora discutido. Em 26/06/2000, a autora, ao argumento de que cometera equivoco quanto ao valor do crédito pleiteado na ação executiva, requereu ao respectivo Juízo a retificação do valor para R$ 2.010.680,86, postulando ainda a utilização de parte do crédito mediante a compensação com débitos de imposto de renda da pessoa jurídica ou subsidiariamente a expedição de precatório pelo valor integral (documento anexo). Embora a União tenha apresentado Embargos a Execução (autos n° 2001.38.00.0090877), processo em relação ao qual há apelação da Fazenda Nacional pendente de julgamento nesta data, conforme pesquisa ao sitio do Tribunal Regional Federal da l Regido, a Juíza da Execução autorizou que parte do crédito da autora fosse satisfeito mediante compensação, conforme trecho abaixo transcrito de decisão anexa, prédatada em 12/06/2002: "(..) Conforme já definido pelo E. STJ, o contribuinte deve proceder à compensação, após a autorização pelo Poder Judiciário, praticando todos os atos materiais para determinação do valor do tributo, ressalvada a autoridade administrativa a fiscalização para efeito de homologação desse procedimento, realizando o lançamento da diferença, se for o caso. Assim conforme analisado à fl. 178, reconhecida parte incontroversa da execução e tendo a exequente requerido a sua compensação, torno Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 342 8 sem efeito os itens 01, 02 e 03 do despacho que mandou expedir precatório e autorizo a compensação da parte incontroversa da execução, R$ 553.350,38 (quinhentos e cinqüenta e três mil, trezentos e cinqüenta reais e trinta e oito centavos.) " (grifos nossos) Ou seja, não foi observada a data da decisão judicial, que decretou sem efeito o despacho que mandou expedir os precatórios e acolheu o requerimento da Recorrente de desistência parcial para a compensação do crédito incontroverso, ora discutido, que foi datado em 12/06/2002. O Decreto 20.910/32, aplicado por analogia pela Fazenda, determina o início da contagem do prazo em dois períodos; o primeiro, com o transito em julgado da ação ordinária e, o segundo, da data em que foi requerida a desistência da execução para a compensação. No caso dos autos, conforme trecho do r. Despacho Decisório acima colacionado, o início da contagem do prazo prescricional foi a data em que a decisão judicial fez coisa julgada material da ação ordinária (05/03/1999). Com efeito, dispõe o Decreto n° 20.910/32 (art. 1°), que as dividas passivas da União prescrevem no prazo de 05 anos. E, no presente caso, o termo inicial para contagem do referido prazo deve ser a data em que a decisão judicial fez coisa julgada material, ou seja, 05/03/1999, de forma que em 05/03/2004 expirou o prazo para que ela pudesse efetuar a compensação. Verificase que a PER/DCOMP 1.4 n° 21004.66646.221204.1.3.575200 somente foi transmitida em 22/12/2004. Portanto, após o decurso do prazo legal. (grifos nossos) Ora, compulsando os autos, entendo que tanto o r. Despacho Decisório, como o v. acórdão recorrido, estão equivocados. A petição que requereu a desistência e a compensação do crédito incontroverso, foi apresentada pela Recorrente nos autos da Execução em 23/04/2002 (fls. 181 primeiro volume). Está petição foi apresentada nos autos da Execução, depois de esclarecido que a Recorrente tinha requerido a compensação dos créditos e não a expedição de precatórios. Sendo que, a r. decisão que acolheu a desistência e determinou a compensação dos créditos incontroversos, foi proferida em 12/06/2002. Assim, face os documentos constantes nos autos, entendo que o crédito ora analisado não prescreveu, permanecendo o direito da Recorrente de compensar com imposto, conforme feito nos autos. Vejam D. Julgadores, mesmo na hipótese de se aplicar por analogia o Decreto 20.910/32, que determina o início da contagem do prazo prescricional com o pedido de desistência na Execução Fiscal; no caso dos autos, como a petição que pediu a desistência e compensação foi protocolada em 23/04/2002 e, o requerimento de compensação foi Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15253.000026/200819 Acórdão n.º 1402002.366 S1C4T2 Fl. 343 9 apresentado no presente processo administrativo em 22/12/2004, entendo que não se configurou a prescrição dos créditos em análise. Assim, seguindo minha linha de raciocínio, independentemente da discussão de se aplicar o artigo 168 do CTN ou o Decreto 20.910/32, para a contagem do prazo prescricional, no caso em epígrafe, em ambas hipóteses os créditos não prescreveram. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento para homologar a compensação do montante pleiteado de R$ 575.689,44. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 343DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000307/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 05/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 07 /2 00 8- 24 Fl. 325DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 05/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 326 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 50/55, o levantamento tem origem na caracterização como empregado do segurado GUSTAVO CARVALHO COTA considerado pela notificada como microempresário, por verificados os requisitos da relação de emprego, definidos no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8212/91 c/c art. 3° da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que D segurado é sócio gerente responsável da empresa GUST COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMATICA LTDA, tendo emitido ininterruptamente, no período de 05/01 a 12/05, mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vínculo foi reconhecido pela empresa pelo fato de o segurado receber parcela de remuneração pertinente apenas aos segurados empregados (premium card) e cumprir jornada de trabalho com horário fixado estabelecida em contrato, recebendo horas normais e extras, assim como ajuda de custo faculdade, alimentação e transporte. 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° O9352474F00, de fls. 40 , e seus complementares, de fls. 41/43, compatível com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. Fl. 327DF CARF MF 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Do prazo decadencial de acordo com o art. 173, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito extinguese em cinco anos, não sendo aplicável o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8212/91, pois o art. 146, III, da Constituição Federal exige lei complementar para veiculação de normas gerais, em especial quanto à prescrição e decadência, reproduzindo doutrina e jurisprudência em favor de sua tese; . não poderiam ter sido lançados os valores relativos às competências 08/01 a 12/01, em razão da decadência, devendo ser excluídos da NFLD, acrescidos de multa e juros; ... O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 327 5 O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A autoridade administrativa não comprovou a habituaiidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou Fl. 329DF CARF MF 6 documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 328 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 331DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 329 9 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 333DF CARF MF 10 Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar o mérito. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 330 11 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido Fl. 335DF CARF MF 12 constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Constatase através do documento apresentado pela fiscalização sob o título de discriminativo analítico do débito que não houve pagamento parcial em relação ao segurado empregado objeto do lançamento e que a fiscalização encaminhou ao ministério público federal representação fiscal para fins penais. Assim, deve ser acolhida a preliminar de decadência para exclusão dos valores relativos aos meses 01/05/2001 a 30/11/2001 e o décimo terceiro salário do mesmo ano. Como a obrigação de pagamento da contribuição relativa ao mês de dezembro tem vencimento no ano seguinte, o termo quo é 01/01/2003, logo ainda não decaída. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, o segurado era sócio gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) o recorrente admitiu o segurado como empregado formalmente registrado, mas continuou pagamento os valores acima do piso salarial através das notas fiscais; d) o segurado percebia participação nos lucros ou resultados juntamente com os segurados formalmente inscritos como empregados da recorrente; e) pagamentos a título de Horas Extras, Ajuda de Custo, Participação nos Lucros, Pagamento de Mensalidade de Universidade, Alimentação e Transporte; f) a suposta pessoa jurídica também emitia notas fiscais para formalizar pagamentos a outros segurados sem vínculo com ela ou com o recorrente. A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: o segurado é empregado da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 12267.000307/200824 Acórdão n.º 2301004.922 S2C3T1 Fl. 331 13 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal. Isso comprova pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele, que inclusive percebia verbas próprias de segurados empregados. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Por fim, o vínculo foi reconhecido pela empresa quando o segurado foi registrado como funcionário da empresa. Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário quanto à decadência de parte do período lançado. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 337DF CARF MF 14 Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912307/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.974
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 30 7/ 20 12 -8 8 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.912307/201288 Resolução nº 3402000.974 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912307/201288 Resolução nº 3402000.974 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912307/201288 Resolução nº 3402000.974 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917348/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.085
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 34 8/ 20 11 -0 5 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10480.917348/201105 Resolução nº 3401001.085 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.081. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10480.917348/201105 Resolução nº 3401001.085 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10480.917348/201105 Resolução nº 3401001.085 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.720139/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 2201-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/05/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 01 39 /2 01 4- 09 Fl. 74DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJRJ que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2013/038790064533858 (fls. 19/26) que alterou o resultado da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2013, anocalendário 2012, do Recorrente, passando de “imposto a restituir” no valor de R$ 6.423,59 para “imposto suplementar a exigir” no valor de R$ 1.132,94, com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento); e juros de mora. O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida com previdência privada, no valor tributável de R$ 3.085,58 (fls. 20). Dedução indevida com dependente, no valor tributável de R$ 1.974,72 (fls. 21). Dedução indevida de pensão alimentícia judicial por deixar de apresentar documentos que comprovassem o efetivo pagamento, no valor tributável de R$ 5.000,00 (fls. 22). Dedução indevida de despesas médicas de dependente, no valor tributável de R$ 9.178,42 (fls. 23). O Recorrente apresentou Impugnação tempestiva (fls. 02/03), concordando com as glosas relativas às despesas médicas, de previdência social e com dependente, porém, requerendo o cancelamento da glosa de pensão alimentícia. A Impugnação foi julgada totalmente improcedente para manter a glosa verificada no trabalho fiscal, conforme assim ementado pela DRJRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Tendo o Recorrente concordado com as glosas, tais matérias se tornam não impugnadas encontrandose fora do presente litígio. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente é dedutível a pensão cujo efetivo pagamento tenha sido comprovado com documentação hábil e possua prova de que estaria obrigado ao pagamento da pensão, no respectivo anocalendário, por meio de acordo ou ordem judicial. Impugnação Improcedente. Outros Valores Controlados. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/12/2014 (fls. 53), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 15/01/2015, Recurso Voluntário (fls. 54/55), Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13887.720139/201409 Acórdão n.º 2201003.536 S2C2T1 Fl. 70 3 reafirmando a legitimidade da dedução relativa a pagamento de pensão alimentícia. Ao final, requer o acolhimento e provimento ao recurso. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A legislação do imposto de renda, mais especificamente o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 77) e a Lei nº 9.250/95, Art. 4º, inciso II, determina que o direito às deduções realizadas diretamente na base de cálculo deste imposto está condicionado a requisitos e limitações expressamente previstos e nas formas previstas. Assim, a mencionada legislação permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF, conforme abaixo: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). De acordo com o artigo supramencionado, o direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: 1) existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Recorrente a pagar pensão, e 2) ocorrência do pagamento. Colocadas as premissas materiais, cumpre justificar legalmente o trabalho de fiscalização. A mesma legislação do IR, conjuntamente com o Decreto nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto – dispõem que todas as deduções informadas pelos Recorrentes em suas Declarações de Ajuste Anual são sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, conforme abaixo: Decreto nº 3.000/99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Decreto nº 5.844/43 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) Fl. 76DF CARF MF 4 § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Temse, assim, que a legislação transcrita confere à autoridade fiscal – que age no intuito de defender o interesse público (“arrecadação tributária”) –, o poder de exigir, para análise da dedução de despesas com pensão alimentícia, outros documentos além de recibos, declarações particulares e a própria DIRPF, que busquem comprovar o efetivo pagamento da pensão e, principalmente, o efetivo desembolso dos valores declarados como despesa a esse título, que demonstrem ter o Recorrente sofrido o ônus econômico das quantias que pretender ver deduzidas. Isso porque recibos e declarações particulares, além da própria DIRPF não fazem prova única e definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos informados na declaração do Recorrente. Os dados informados nestes documentos não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. Quanto aos recibos e declarações, devese distinguir sua força como prova de quitação entre as partes contratantes matéria disciplinada pelo Código Civil da força probatória que estes possuem perante o fisco, questão que se sujeita às normas de direito público que regem a relação tributária. No caso ora analisado, o Recorrente não logrou comprovar a efetiva transferência financeira de importâncias que alega ter pago a título de pensão alimentícia para sua excônjuge. Não logrou ter suportado o ônus financeiro que justifica a dedutibilidade fiscal dessa despesa. Cabe aqui esclarecer, novamente, que a prova dos pagamentos de pensão alimentícia não se faz pela mera apresentação de documentos confeccionados por particulares, como é o caso fls. 07, até mesmo, da própria DIRPF confeccionada pelo Recorrente, que informa ter pago a pensão. Por sua vez, nem mesmo o Termo de Audiência de Separação Consensual, juntado às fls. 64, juntado ao Recurso Voluntário que realmente comprova a obrigação alimentar nos termos da petição inicial juntada às fls. 12/17 possui força probatória capaz de demonstrar que houve transferência patrimonial do Recorrente para sua excônjuge, a título de pagamento de pensão alimentícia. Ocorre que a petição do acordo de separação mencionado acima diz em sua cláusula IX que o pagamento do valor da pensão alimentícia deve se dar através de depósito na conta corrente da ex cônjuge, contudo, não há nos autos prova de tais depósitos. Por mais que a decisão da DRJ tenha indicado apenas a falta da homologação judicial, que foi apresentado posteriormente pelo contribuinte, ocorre que na ementa e na própria autuação restou consignado que deveria ocorrer a comprovação da homologação judicial e o efetivo pagamento da pensão para fazer jus à dedutibilidade. Dessa forma, entendo que, a despeito dos documentos juntados, estes foram insuficientes para comprovar: i) a efetiva transferência financeira de valores do Recorrente para sua excônjuge, a título de pagamento de pensão alimentícia; ii) a assunção do ônus do pagamento da pensão pelo Recorrente. Isto posto, deve ser mantida a decisão de primeira instância que confirmou a glosa do valor de pensão alimentícia. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13887.720139/201409 Acórdão n.º 2201003.536 S2C2T1 Fl. 71 5 Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001680/2004-30
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005
TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9900-001.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Ana Paula Fernandes e Demes Brito, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões do voto vencedor os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Ana Paula Fernandes e Demes Brito, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões do voto vencedor os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Ana Paula Fernandes e Demes Brito, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões do voto vencedor os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 80 /2 00 4- 30 Fl. 945DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 3 2 Vanessa Marini Cecconello Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). Fl. 946DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 641 a 650)1 com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007 c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 0203.133 (fls. 616 a 637) proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 05 de maio de 2008, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 COFINS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que há a antecipação do pagamento, aplicase o artigo 150 §4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. Em respeito ao princípio da economia processual, se determinada questão é afeta diretamente ao processo administrativo fiscal em curso, deve ser conhecida e enfrentada de pronto. Desnecessário se aguardar outro momento futuro para fazê!o. ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE l°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (grifouse) Os fatos do processo foram assim relatados na decisão recorrida: [...] "Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJII no Rio de Janeiro RJ, que considerou procedente a constituição de oficio de crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, decorrente de falta/insuficiência de recolhimento. 1 Todas as referências às folhas do processo são à numeração atribuída eletronicamente. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 5 4 Por bem descrever os fatos, reproduzse, abaixo, o relatório da decisão recorrida: "Tratase de impugnação à exigência fiscal, referente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativa aos períodos de 03/1999 a 12/2003, formalizada por meio de Auto de Infração, constante às fls. 266/277, no valor total de R$ 27.401.242,24. (destaquei) A autoridade fiscal lavrou o competente auto de infração porque constatou "falta/insuficiência de recolhimento da cofins" decorrente da "não inclusão na base da Contribuição dos valores recebidos pela empresa à título de JCP (juros sobre capital próprio)". Aduziu, ainda, no Relatório Fiscal (fls. 263/265), em resumo, que: 1. a fiscalização visava apurar se a empresa havia oferecido à tributação as receitas recebidas a título de juros sobre capital próprio; 2. em 04/11/04, o representante da fiscalizada comunicou decisão judicial proibindo a lavratura de auto de infração com o fim de tributar os juros sobre capital próprio (JCP); 3. o Juízo Federal não impediu, no entanto, a lavratura de auto com exigibilidade suspensa; 4. a empresa não adicionou os JCP à base de cálculo da Cofins, reduzindo indevidamente o valor da Contribuição; 5. lavrou o respectivo auto de infração, com exigibilidade suspensa, tomando como base de cálculo os JCP, recebidos no período de 02/99 a 12/03, cujos valores foram fornecidos pela empresa. A exigência fiscal foi efetivada com fulcro nos artigos 1" da LC n" 70/91; art. 2", 3" e 8" da Lei n" 9.718/98, com as alterações promovidas pela Medida Provisória n" 1.807/99 e suas reedições e, ainda, com as alterações promovidas pela Medida Provisória n" 1.858/99 e suas reedições; arts. 2", inciso II e parágrafo único, 3", 10, 22 e 51 do Decreto n" 4.524/02. Multa de oficio aplicada com base no art. 44, I, da Lei n" 9.430/96 cc art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n" 70/91. E os Juros de mora foram cobrados com base no art. 61, § 3", da Lei n" 9.430/96. A contribuinte, regularmente notificada em 04/01/2005 (fl. 265), apresentou impugnação em 03/02/2005 (fl. 284). Na peça impugnatória, às jls. 284, alega, resumidamente QUE: 1. se operou a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, em relação aos meses de 03, 04, 05, 07, 09 e l0 de 1999, por força do art. 150, § 4", do CTN; 2. é inaplicável o prazo decadencial de 10 anos, previsto na Lei n" 8.212/91, porque a decadência é matéria reservada à lei complementar e, ainda, porque o § 4", do art. 150, do CTN, não permite prazo superior a 5 anos para homologação do lançamento; 3. os juros de mora se devidos fossem, não poderiam ter sido calculados com base na taxa SELIC; 4. a exigência de juros sobre a multa punitiva não tem suporte legal, o que não autoriza o procedimento adotado pelo Fisco. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 6 5 Desta forma, a impugnante pede que seja "declarada a insubsistência do auto de infração lavrado, pelas razões acima expostas, como medida de direito e de justiça ". Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu acórdão resumido na seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 Ementa: Decadência O art. 45 da Lei n." 8.212/91 estabeleceu em 10 (dez) anos o prazo decadencial do direito de a Administração formalizar a exigência de crédito destinado a seguridade social, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Inconstitucionalidade de Lei Não compete à autoridade administrativa afastar lei legitimamente inserida no ordenamento jurídico, com base em argumentos de violação às normas constitucionais, vinculada que está aos ditames do principio da legalidade estrita. Taxa Selic Sobre os débitos com a União, não quitados no prazo previsto pela legislação, incidirão juros de mora, calculados à taxa Selic, acumulada mensalmente, nos termos do art 61 da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente ". Intimada a conhecer da decisão em 15/07/2005, a empresa, insurreta contra seus termos, apresentou, em 16/08/2005, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de dissentir: extinção pela decadência do período compreendido entre março de 1999 e outubro de 1999, nos termos do § 4" do art. 150 do CTN. Reproduz jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes; inaplicabiliclade do prazo decadencial de dez anos estabelecido pelo art. 45 da Lei n 8.212/91, por ser matéria reservada a lei complementar, conforme dispõe o art. 146 da CF/88. Cita doutrina e jurisprudência; ilegitimidade da taxa Selic como juros de mora. O percentual máximo admitido é de l%ao mês, como de infere do § 1 do art. 161 do CTN. Reproduz jurisprudência; falta de previsão legal para exigir juros de mora sobre o valor da multa de ofício; exigência indevida de juros de mora sobre a multa de oficio efetuada pela autoridade administrativa ao determinar o valor a ser oferecido em garantia para seguimento do recurso. Ao final pede e espera o provimento do recurso com reconhecimento da extinção do crédito tributário relativo ao período de março a outubro de 1999, em face da decadência operada, bem como o afastamento da exigência dos juros de mora, calculado com base na taxa Selic, principalmente no que diz respeito à sua Fl. 949DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 7 6 exigência sobre o valor da multa de oficio, para determinação do valor da garantia recursal. A autoridade preparadora informa a efetivação do arrolamento de bens para fins de garantir a instância recursal, conforme fl. 432. " ACORDARAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Manifestando a deliberação adotada por meio do acórdão recorrido, sintetizado na seguinte ementa: COFINS. DECADÊNCIA. O direito da Fazenda de fiscalizar e constituir pelo lançamento a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o prazo fixado por lei regularmente editada, à qual não compete ao julgador administrativo negar vigência. Portanto, nos termos do art. 45 da Lei n" 8.212/91, tal direito extinguese com o decurso do prazo de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante permissivo do § 4do art. 150 do CTN, ao ressalvar que a lei poderá fixar prazo diverso à homologação. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não compete à autoridade administrativa julgadora apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei, em razão de o sistema jurídico brasileiro adotar a jurisdição una, tornando exclusiva a competência do Poder Judiciário para a prática de tal mister. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Conforme determinação contida no art. 161, § 1, do CTN, os juros de mora devem ser apurados pela taxa Selic, nos termos do art. 84 da Lei n? 8.981/95, c/c o art. 13 da Lei n? 9.065/95 e 61, § 3, da Lei n 9.430/96, devendo incidir sobre os débitos não recolhidos no prazo estabelecido em lei e, no caso de auto de infração, o prazo para pagamento do tributo e da multa de ofício é de trinta dias da ciência do referido ato administrativo. Recurso negado. A Contribuinte, com apoio no art. 32, II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e com apoio no art. 5o , II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria n° 55/98, interpôs RECURSO ESPECIAL, em face do referido acórdão. Requereu seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por meio do Despacho n° 202158, fls. 563/564, o Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o Recurso Especial interposto quanto ao prazo decadencial para o fisco efetuar lançamento de crédito tributário da COFINS e quanto à incidência dos juros de mora pela taxa Selic sobre a multa de ofício aplicada. A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradoria, apresentou suas Contra Razões ao Recurso Especial, fls. 566/588, solicitando a manutenção da decisão proferida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho. [...] Fl. 950DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 8 7 O recurso especial da Contribuinte restou provido, nos termos do Acórdão nº 0203.133, para, dentre outros, (a) reconhecer a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 150, §4º do CTN, estando atingido pela decadência o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos até novembro/99; e (b) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No ensejo, a Fazenda Nacional interpõe recurso extraordinário insurgindose quanto à possibilidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Para comprovar a divergência jurisprudencial, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/910100.539 e CSRF/0400.651. O recurso extraordinário foi admitido, nos termos do Despacho nº 9100 00.646 (fls. 673 a 674). Em face do acórdão de recurso especial, a Contribuinte opôs embargos de declaração por omissão (fls. 695 a 698), os quais foram rejeitados (fls. 866 a 868). Além disso, a Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 719 a 743), alegando, preliminarmente, a perda do objeto do recurso extraordinário pela extinção do crédito tributário em razão do trânsito em julgado da ação ordinária nº 99.00103386, por meio da qual buscou afastar o comando do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a não se sujeitar à incidência de PIS e COFINS sobre quaisquer outras receitas que não aquelas que representassem o seu efetivo faturamento (produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou de ambos) e portanto excluídas as receitas financeiras. Esclarece, ainda, a Contribuinte que o objeto da ação ordinária era mais abrangente se comparado ao mandado de segurança nº 2004.51.01.020373 7, o qual se restringiu ao afastamento da contribuição do PIS e da COFINS sobre os juros sobre o capital próprio por ela recebidos. Por fim, no mérito, requer a negativa de provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. O processo foi encaminhado pela Demac do Rio de Janeiro para o setor de Tributação buscando obter análise quanto à cobrança da parte exigível do débito tributário em discussão, qual seja, o principal e a multa de ofício dos períodos de 01/2000 a 12/2003, mediante o andamento do mandado de segurança nº 2004.5101.203737, da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 795/796). À época, houve resposta no sentido da possibilidade de cobrança do débito relativo aos períodos de 01/2000 a 12/2003, tendo em vista que a decisão judicial então em vigor era favorável à Fazenda Nacional (fls. 801 a 802). Conforme documento da RFB (fl. 916), os débitos tributários, que restaram em aberto após o julgamento do recurso especial, relativos a esse processo foram transferidos para o PAF de nº 17091.720002/201372 para cobrança executiva. Remanescente nos presentes autos tão somente a discussão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício. Os débitos relativos aos períodos de apuração de 03, 04, 05, 07, 09 e 10 de 1999 foram extintos por decisão do CARF no julgamento do recurso especial (extintos ainda no PROFISC, sistema anterior ao SIEF). Débitos de 1999 encerrados no PROFISC, por isso não aparecem no SIEF. (fl. 943). A Contribuinte peticionou novamente nos autos (fls. 847 a 848) informando a ocorrência do trânsito em julgado do mandado de segurança, com decisão que lhe foi favorável, no sentido de reconhecer a inexigibilidade da contribuição do PIS e da COFINS Fl. 951DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 9 8 sobre os valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio durante a vigência da Lei nº 9.718/98, reiterando o pedido de perda de objeto do recurso extraordinário. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade constantes artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007 c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009, devendo, portanto, ser conhecido. A discussão posta nos autos restringese à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. 1. Prejudicialidade em razão da ação judicial Conforme consta no relatório, a Contribuinte obteve decisão favorável, com trânsito em julgado, nos autos do mandado de segurança nº 2004.51.01.0203737, declarando a inexigibilidade das contribuições do PIS e da COFINS sobre os valores recebidos pela empresa a título de juros sobre o capital próprio. Inequívoco é o dever da Administração Tributária em observar e fazer cumprir os comandos emitidos pelo Poder Judiciário, a exemplo de decisão judicial, com trânsito em julgado, acerca da inexistência de relação jurídicotributária ensejadora da exação em comento. Portanto, a decisão judicial que declarou a inexigibilidade das contribuições do PIS e da COFINS sobre os valores recebidos pela Recorrida a título de JCP deve ser observada pela Administração Tributária, o que fulminará o débito tributário em exigência no presente processo administrativo. Ocorre que: (a) tendo sido desmembrado o processo administrativo, sendo enviados os débitos tributários ainda em aberto para cobrança no PAF nº 17091.720002/201372; (b) houve a extinção da totalidade do crédito tributário em exigência por decisão judicial transitada em julgado, proferida no mandado de segurança nº 2004.51.01.0203737; (c) remanescente nos presentes autos tão somente a discussão relativa à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 10 9 Por esta razão, o recurso extraordinário da Fazenda Nacional deve ser analisado somente quanto a esta matéria, em nada sendo alterado ou desrespeitado o provimento judicial. 2. Juros de mora sobre a multa de ofício No Direito Tributário, a referência aos juros remete à mora, constituindose em uma indenização pelo atraso no pagamento do débito tributário, ocasionando a privação da Fazenda Nacional de utilizar a importância não recebida na data programada, e que ficou em poder do Contribuinte. Os juros moratórios visam remunerar o ente público pelo retardo no pagamento, sendo os mesmos aplicados na forma que a lei dispuser. A Lei nº 9.430/96 estabelece, em seu art. 61, a disciplina referente à multa de mora e aos juros de mora incidentes sobre o débito tributário. A multa de ofício, por sua vez, é tratada no art. 44 do mesmo diploma legal. Depreendese da leitura dos artigos de lei que a multa de ofício será aplicável nos casos de lançamento de ofício sobre o tributo ou contribuição, caracterizandose como uma penalidade mais gravosa que a multa de mora, pois o Contribuinte já perdera a oportunidade de realizar o recolhimento espontaneamente. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, haverá a incidência de juros de mora sobre "os débitos a que se referem o artigo", compreendido neste conceito apenas o valor principal do tributo, não servindo de amparo legal à Administração Tributária para proceder à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício ao cobrar o crédito tributário. Com relação ao art. 161 do Código Tributário Nacional, o mesmo também não é fundamento a autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque o termo "crédito" empregado na sua redação referese ao tributo, e nesse conceito não se enquadra a multa. Não por outra razão, o próprio artigo de lei faz uma ressalva em relação às penalidades, ao citar "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária". Assim, a multa, que é uma sanção, não se confunde com o tributo, não sendo cabível a sua atualização monetária pela aplicação de juros moratórios. Assim, por inexistir previsão legal, incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no caso dos autos. Diante do exposto, negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 953DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 11 10 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões em relação ao mérito do recurso. O recurso extraordinário da Fazenda Nacional defende a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, sendo que acórdão recorrido afastou a sua aplicação. O contribuinte, por sua vez, defende e reforça o mesmo entendimento do acórdão recorrido de que não existe previsão legal para a pretendida incidência. Essa matéria não é nova e no meu entendimento existe previsão legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 12 11 Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4. (Acórdão CSRF nº 9101 002385, de 12/07/2016, Processo 10932.000633/200905, relator do voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 9202004250, de 23/06/2016, Processo 10980.723322/201582, relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está Fl. 955DF CARF MF Processo nº 18471.001680/200430 Acórdão n.º 9900001.007 CSRFPL Fl. 13 12 sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão CSRF nº 9303003480, de 25/02/2016, Processo 16682.721207/201191, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Diante do acima exposto, voto por dar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 956DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.720563/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.COMPENSAÇÃO. RESTRIÇÃO. RENDIMENTOS DECLARADOS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO.
Somente o imposto correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo é passível de compensação na declaração de ajuste anual.
In casu, a instância de julgamento tem por atribuição a solução dos litígios instaurados, não lhe cabendo prover direito que não foi submetido pela via própria à autoridade administrativa competente.
Numero da decisão: 2401-004.636
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado Por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RESTRIÇÃO. RENDIMENTOS DECLARADOS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. Somente o imposto correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo é passível de compensação na declaração de ajuste anual. In casu, a instância de julgamento tem por atribuição a solução dos litígios instaurados, não lhe cabendo prover direito que não foi submetido pela via própria à autoridade administrativa competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 05 63 /2 01 3- 20 Fl. 135DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado Por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11543.720563/201320 Acórdão n.º 2401004.636 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, afastando a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica e mantendo a glosa no valor de R$ 18.165,52 (Cód. 0211), a ser acrescido de multa e juros de mora, conforme ementa do Acórdão nº 0653.554 (fls. 96/104): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DO NUMERO DE MESES. O imposto incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente é calculado sobre o montante pago, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, desde que devidamente comprovado o número de meses a que se refere o rendimento. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.COMPENSAÇÃO. RESTRIÇÃO. Somente o imposto correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo é passível de compensação na declaração de ajuste anual. RENDIMENTOS DO TRABALHO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DOS HERDEIROS. DESCABIMENTO. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave especificada na legislação tributária quando atestada por laudo médico oficial, não contempla os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial e não pode ser estendido aos herdeiros. RENDIMENTOS DECLARADOS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. A instância de julgamento tem por atribuição a solução dos litígios instaurados, não lhe cabendo prover direito que não foi submetido pela via própria à autoridade administrativa competente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presente processo teve sua origem na Notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 06/11), lavrada em face da revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2012, anocalendário 2011, apurandose: Fl. 137DF CARF MF 4 1. Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Cód. 2904) de R$ 18.244,04, Multa de Ofício de R$ 13.683,03 e Juros de Mora de R$ 2.116,80; 2. Imposto de renda Pessoa Física (Cód. 0211) de R$ 18.165,52, Multa de Mora de R$ 3.633,10 e Juros de Mora de R$ 2.107,20. De acordo com as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/09) constatouse: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 66.341,95; 2. Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 18.165,52. Devidamente notificada do lançamento em 15/10/2013 (fl.80), a Contribuinte apresentou, em 12/11/2013, impugnação (fls. 02/04), instruída com os documentos de fls. 13 a 72. Em sua impugnação, informa que os rendimentos considerados omitidos são oriundos de ação trabalhista (processo nº 2306.0071.1990.5.17.0131) movida por seu falecido esposo, Aselzion César Moulin, onde consta como inventariante do Espólio. Alega que se trata de Rendimentos Recebidos Acumuladamente relativos às verbas salariais do período de 07/1989 a 10/2011, razão porque deveriam ser tributados de acordo com o previsto no art. 12A, da Lei nº 7.713/1998, considerandose para tal o período de 287 meses. Solicita que seja descontado da base de cálculo os honorários advocatícios no valor de R$ 40.000,00 e afirma não ter havido omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, mas apenas um erro na classificação dos mesmos. Afirma estar correto o valor declarado de IRRF, conforme comprovado pelo DARF recolhido em 16/12/2011 (fl. 63), e que referido tributo havia sido retido indevidamente já que o autor da ação (seu marido) era portador de moléstia grave, o que o tornaria beneficiário da isenção de IRPF. Por fim, requer o acolhimento da defesa com o conseqüente cancelamento do crédito tributário e restituição do Imposto de Renda pago a maior. A 4ª Turma da DRJ/CTA julgou parcialmente procedente a impugnação, considerando como parcela do RRA sujeita à tributação o montante de R$ 50.642,27, para o período aquisitivo de 105 meses, afastando assim a omissão de rendimentos, em virtude da contribuinte ter declarado como tributáveis à título de RRA valor superior ao que deveria ser declarado a esse título, mantendo, no entanto, a cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 18.165,52, relativo à glosa. Conforme se vê na decisão de piso, com base na documentação apresentada pela contribuinte o lançamento foi constituído da seguinte forma: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11543.720563/201320 Acórdão n.º 2401004.636 S2C4T1 Fl. 4 5 Após os cálculos efetuados pela DRJ, foram apresentados os seguintes valores: Em face da decisão proferida, a recorrente foi cientificada do Acórdão em 07/12/2015 (fl. 109) e em 04/01/2016 apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 111/113), onde alega que na conclusão da decisão do Acórdão (fl. 104) ocorreu erro material quando da repetição do valor R$ 18.165,52, glosado do IRRF, requerendo, por conseguinte: 1. A alteração dos quadros da DIRPF exercício 2012, de acordo com os valores apresentados nas folhas 111 e 112, modificando, ou até mesmo, anulando o lançamento efetuado; 2. O cancelamento do débito fiscal no valor de R$ 18.165,52, a Multa de Mora no valor de R$ 3.633,10 e os Juros de Mora no valor de R$ 6.292,53 (fl. 107); 3. Que seja feita a compensação do IRRF no valor de R$ 18.165,52, glosado tendo em vista ter oferecido à tributação montante maior que o devido e a devolução dos valores pagos a maior; Requer a tramitação do Recurso Voluntário com base no Estatuto do Idoso fundamentado na data de nascimento da recorrente comprovada na cópia do seu RG (fl. 87). É o relatório. Fl. 139DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, alega a existência de erro material na conclusão do Acórdão nº 0653.554 da DRJ/CTA, que julgou parcialmente procedente a impugnação, excluindo a omissão apontada no lançamento e mantendo a cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física no importe de R$ 18.165,52, equivalente ao valor da glosa de 50% do IRRF (fls. 17 e 63). Assevera que restou demonstrada a improcedência da ação fiscal e pleiteia o cancelamento do débito e a devolução do imposto pago a maior. Pois bem. O lançamento em disputa foi perfectibilizado pela autoridade fiscal em virtude da constatação de: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 66.341,95; (ii) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 18.165,52. O colegiado de primeira instância afastou a omissão de rendimentos e manteve a glosa por compensação indevida de IRRF, não havendo que se falar em erro material na conclusão do Acórdão. No entanto, há de se verificar se ocorreu erro material na apuração do lançamento. Como se observa, a DRJ entendeu pela inexistência da omissão levantada pelo Auditor Fiscal ao reconhecer que do total de R$ 148.794,37, oferecidos à tributação pela contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual como Rendimentos Recebidos Acumuladamente, apenas o montante de R$ 50.642,27 seria o valor correto a ser oferecido como Rendimento Tributável. Portanto, o fato incontroverso do presente processo administrativo é que não houve omissão de rendimento na sua Declaração de Ajuste Anual, haja vista que o valor oferecido à tributação de RRA foi superior ao valor que deveria ter sido oferecido, conforme calculado na decisão de piso. A questão ainda em disputa é a cobrança do valor de R$ 18.165,52, referente à glosa do IRRF, bem como a devolução do Imposto de Renda pago a maior. Conforme se constata dos documentos adunados aos autos, a contribuinte procedeu à compensação indevida do IR Fonte sobre a parcela dos rendimentos pagos aos Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11543.720563/201320 Acórdão n.º 2401004.636 S2C4T1 Fl. 5 7 herdeiros. Assim, do total de R$ 36.331,04 de IRRF, apenas o montante de R$ 18.165,52 poderia ter sido deduzido pela contribuinte. No entanto, a totalidade dos R$ 36.331,04 a título de Imposto de Renda retido na fonte já foi devidamente recolhida, não cabendo ao Fisco proceder novamente a sua cobrança (fls. 62/63). A glosa da compensação indevida de IRRF não tem como consequência a existência de débito do mesmo valor glosado; primeiro porque já ocorreu o pagamento da totalidade dos R$ 36.331,04 retidos do imposto; segundo, porque não foi procedido ao recálculo do lançamento na forma estabelecida pelo artigo 12A, da Lei nº 7.713/1988, considerando como parcela do RRA sujeita à tributação o montante de R$ 50.642,27 para o período aquisitivo de 105 meses, valor bem inferior do que o montante de R$ 148.794,37 oferecidos pela contribuinte à tributação. Ora, se a própria Delegacia de Julgamento entendeu que a parte do lançamento que versa sobre forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, no curso de Ação Trabalhista, estava incorreto, da mesma forma deve ser o raciocínio aplicado quanto ao cálculo do imposto de renda retido pela fonte sobre referidas verbas. Conquanto tenha ocorrido equívoco no valor da retenção na fonte declarado, é de se observar o equívoco com relação ao valor dos rendimentos declarados a maior. Com efeito, quanto à tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente da forma prevista no art. 12A da Lei nº 7.713/1988, a DRJ/CTA assim se posicionou: Assiste razão a contribuinte no referido pleito. Pelo dispositivo transcrito verificase que, no ano de 2011, os rendimentos recebidos acumuladamente eram de tributação exclusiva na fonte, com o cálculo do imposto obedecendo ao que é estabelecido nos parágrafos e incisos. Aplicase especialmente ao caso desses autos o parágrafo primeiro, que estatui que o imposto será “calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. [...] Desta forma, deve ser considerado o valor constante da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento no ano calendário de 2011, que era de R$1.566,61 para o mês de dezembro (quando ocorreu o pagamento) e multiplicado pelo número de meses ao qual o rendimento era relativo (105). O resultado de R$ 164.494,05 revela que parcela dos rendimentos recebidos acumuladamente estava isenta (tendo em vista que o total recebido pela contribuinte relativo aos RRA, após as deduções previstas pela legislação, foi de R$ 215.136,32). A diferença de R$50.642,27 deveria ter sido oferecida à tributação.(Grifamos). Fl. 141DF CARF MF 8 Verificase que, apesar da decisão de 1ª instância ter reconhecido como correta a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/1988 aos rendimentos oriundos do processo trabalhista, limitouse apenas a recalcular a parcela desse rendimento que deveria ser oferecida à tributação, objetivando tão somente reconhecer que não houve omissão de rendimento, já que o valor oferecido na Declaração da Contribuinte era superior ao valor calculado. No entanto, a correta aplicação do referido dispositivo legal se perfectibilizaria com a apuração do imposto devido dentro dessa nova sistemática de cálculo, o que não foi feito pelo Auditor Fiscal por ocasião do lançamento, quando era cediço que desde a época do fato gerador já se encontrava em vigor o art. 12A da Lei nº 7.713/1988, acrescido pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento. Ora, apesar da Recorrente ter oferecido à tributação valor bem superior ao que legalmente deveria ter sido oferecido, consoante destacado na decisão de piso, além de ter ocorrido o pagamento do total do Imposto de Renda Retido (fl. 63), foi mantida a cobrança do valor glosado de compensação indevida de IR Fonte. Por outro lado, observase nitidamente o equívoco da fiscalização na apuração da base de cálculo tributável, na medida em que a fiscalização utilizou o regime de caixa e não o de competência, configurando erro de cunho material na apuração do montante devido, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, em face do exame dos elementos que instruem o processo administrativo, deve ser exonerado o crédito tributário em sua totalidade. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para cancelar a exigência contida no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11543.720563/201320 Acórdão n.º 2401004.636 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser mantida a decisão a quo, como passaremos a demonstrar. No que diz respeito à compensação indevida do IRRF ocorreu a glosa de R$ 18.165,52 do total de R$ 36.331,04 declarados pela contribuinte em sua DAA. A impugnação afirma que o valor declarado corresponde ao retido pela fonte pagadora quando do recebimento dos rendimentos recebidos em virtude de ação judicial. Junta aos autos o documento de fl. 63 no intuito de comprovar suas alegações. O valor retido de IR, entretanto, referese ao total pago em função da ação trabalhista que deu origem aos rendimentos ora analisados. Tendo em vista que a contribuinte, como viúva meeira recebeu apenas 50% do total destes rendimentos, somente poderia deduzir o percentual a eles equivalente. Assim sendo, é de se manter a glosa do IRRF efetuada pelo lançamento. Não é porque fora ofertado tributação a maior que esta deve ser considerada para o presente litígio, a Notificação de Lançamento é precisa a infirmar a infração, ou seja, há uma delimitação quanto a demanda. Vale salientar ser bem provável que a contribuinte tenha de fato razão quanto as suas alegações, até mesmo o direito creditório, porém não cabe a este Tribunal se manifestar sobre assunto que não faça parte do litígio, por isso há de negar provimento ao recurso. Da mesma forma no que concerne ao pedido de retificação da DIRPF 2012/2011, cumpre observar que a competência desta Turma em sede de Recurso Voluntário de lançamento encontrase restrita aos litígios instaurados. O pedido para alteração na forma de declaração dos rendimentos declarados decorrentes da reclamatória trabalhista haveria de ser submetido pela contribuinte, mediante declaração retificadora ou procedimento equivalente, à autoridade competente para proceder à sua revisão, atribuição que, no âmbito da Receita Federal, recai sobre as Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, a teor do art. 224, XXII, do Regimento Interno deste órgão (Portaria MF nº 203, de 2012) Nesse contexto, não cabe a esta Turma de Julgamento reconhecer direito à retificação da declaração, com o objetivo de implementar modificação que haveria de ser submetida à autoridade competente, a qual detém o poder de acatála ou não, efetuando os atos de fiscalização que reputar necessários a esse fim, nada impedindo que seja feita no momento da execução deste Julgado. Fl. 143DF CARF MF 10 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900049/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário.
Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário. Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 49 /2 00 8- 67 Fl. 433DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo, advindo de manifestação de inconformidade, cujo relatório é transcrito partir do relatório da Resolução nº 3802000.371, Relator Solon Sehn, fls. 166/167: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 26491.54613.101103.1.3.041884. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ Confirmar Valor (fls. 37) (sic), relativo ao suposto pagamento a maior na competência setembro de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 1.784,60 (fls. 04). É o Relatório. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10983.900049/200867 Acórdão n.º 3302003.733 S3C3T2 Fl. 3 3 decisório relativo à compensação declarada, no qual não foi reconhecida a suficiência do crédito a suportar o integral Ainda no que concerne às razões recursais, a Recorrente expôs o seguinte, fls. 155/161: i) A partir do advento da Circular Bacen n° 3.068/2001, as instituições financeiras obrigaramse na atualização dos Títulos e Valores Mobiliários de que fossem proprietárias, ajustados conforme a cotação de mercado (marcação a mercado); ii) No período acima citado, a Recorrente promoveu o oferecimento das receitas decorrentes dos ajustes positivos da marcação a mercado nas bases de cálculo do PASEP e da COFINS, rubrica 7.1.5.90.109, inseridas na receita bruta da empresa; iii) Ocorre que, posteriormente, observouse que o procedimento estaria em desconformidade com o art. 35 da Lei n° 10.637/2002, o qual previa considerar os ajustes da marcação a mercado somente quando da alienação dos títulos; iv) Assim, a Recorrente readequou a base de cálculo destas contribuições efetuandose a exclusão dos ajustes positivos a valor de mercado, conforme planilhas de apuração dos valores devidos, que foram acostadas à impugnação; v) O erro foi identificado e reprocessadas as bases de cálculo das referidas contribuições sociais, mas a empresa não retificou as declarações acessórias correspondentes (DIPJ e DCTF), evidenciandose incorretamente os débitos e créditos envolvidos. Apesar de não ter retificado a empresa transmitiu a DCOMP, objeto do processo administrativo em baila; vi) Em fevereiro/2008, a empresa foi cientificada a respeito do despacho pagamento dos débitos declarados. Em decorrência, na manifestação de inconformidade da empresa, reconheceuse o equívoco consubstanciado na não retificação da DIPJ e DCTF respectivas, ao passo que foram comprovadas a correta apuração e contabilização dos tributos, juntandose, para tanto, planilhas de apuração e controle dos tributos, planilhas demonstrativas e atualização do crédito de pagamento a maior, razão contábil da conta 7.1.5.90.109; vii) Alega que o princípio da verdade material rege o processo administrativo e pleiteia pela nulidade da decisão de primeira instância, pois declarou a necessidade de retificação e o referido pedido foi ignorado pela DRJ/Florianópolis; viii) Colaciona uma série de precedentes, que demonstram que mesmo sem a retificação, se o contribuinte faz jus ao crédito, este deve ser deferido. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, fls. 168: Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; Fl. 435DF CARF MF 4 b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Princípio da verdade material e do pedido de nulidade da primeira instância A Recorrente alega que deve ser observado o princípio da verdade material, onde a realidade dos fatos deve prevalecer sobre a verdade formal. Ela alega que houve supressão de instância no julgamento por parte da DRJ/Florianópolis, uma vez que os documentos não foram analisados e que ficou afastado também o princípio do livre convencimento motivado do julgador. A decisão da DRJ/Florianópolis caminhou no sentido da impossibilidade de considerar a homologação da DCOMP, pois, no caso em análise, a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório. Ora, tal foi o posicionamento do julgador, justamente, pela observância do princípio do livre convencimento motivado. Vide trecho da decisão abaixo, fls. 141: De se ressaltar, por fim, que não se discorda aqui de que, em regra, erros no preenchimento de declarações não podem se sobrepor à realidade dos fatos. Ocorre, porém, que é preciso diferenciar aquelas declarações que meramente “informam” algo à Administração Tributária, daquelas – como a DCTF – que para além do caráter informativo servem à conformação de situações jurídicas. Como acima se viu, os valores devidos declarados em DCTF têm o vigor de confissão de dívida, razão pela qual só se pode admitir sua retificação por parte do próprio contribuinte nas condições e prazos legalmente postos, não sendo lícito à autoridade fiscal produzir alterações de ofício no que foi declarado. Assim, mesmo concordandose com a posição de que erros formais não devem prevalecer sobre a verdade dos fatos, certo é que, do ponto de vista estrito da legislação tributária, a confissão de dívida, materializada pela declaração de débitos na DCTF, não pode ser tida como uma questão meramente formal. Não há, portanto, como acatar aqui as razões postas pela contribuinte. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10983.900049/200867 Acórdão n.º 3302003.733 S3C3T2 Fl. 4 5 Em face da demonstrada impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF, deixase de apreciar aqui as razões trazidas pela contribuinte com o fim de demonstrar a existência integral de seu crédito contra a Fazenda Nacional. É que independentemente da existência ou não desse crédito, ele não foi utilizado de forma regular no procedimento que aqui se discute ( o que não significa que tal eventual crédito possa ser utilizado em outro procedimento compensatório, posterior à retificação da DCTF, formalizado dentro do prazo legal de repetição). Nula seria a decisão, caso ela não tivesse enfrentando os argumentos, opostos pela contribuinte, o que não foi o caso. Portanto, improcedente o argumento de nulidade da decisão. 3. Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese a duas questões. A primeira, diz respeito à impossibilidade de validar/homologar a compensação antes da retificação DCTF. A segunda, referese à falta de comprovação da parcela do crédito não reconhecido e utilizada na compensação não homologada. 3.1. Da impossibilidade da compensação Segundo o voto condutor do julgado recorrido, o motivo apresentado pela Turma de julgamento a quo, para manter a não homologação parcial da compensação em apreço, foi a “impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF”, baseada nos seguintes argumentos, in verbis, fls. 140: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Joinville/SC foi correta. O fato de a contribuinte vir a, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só teria se aperfeiçoado bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), ela só pode ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez, quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Fl. 437DF CARF MF 6 (grifos não constam no original) Os argumentos apresentados pela Recorrente não procedem, pois, embora a compensação tenha sido efetivada antes da entrega da DCTF retificadora, ocorrida no dia 03/08/2004, ao contrário do asseverado pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, a dita DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 28/2/2008, e o titular da unidade Receita Federal de origem não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada com base nos dados da referida DCTF retificadora, o que se constata mediante a comparação dos dados apresentados no Despacho Decisório de fls. 134 e com os dos dados apresentados nos extratos de fls. 175/178. Da simples leitura do questionado Despacho Decisório, verificase que o real motivo da não homologação da compensação foi a falta de comprovação da correspondente parcela do valor do crédito utilizado. Dessa forma, por também entender que o motivo da denegação da compensação foi a falta de comprovação de parcela do direito creditório, afastase a alegada impossibilidade e passase a analisar os elementos as provas carreadas aos autos. 3.2. Do resultado da diligência A partir da análise da manifestação à informação fiscal por parte da Recorrente, verificase, a partir do resultado, que não há direito ao crédito, por ela pleiteado. Ela afirma que foi incluído a mais na base de cálculo referente à apuração dos ajustes positivos ao valor de mercado a quantia de R$ 651.364,90 setembro/2002. Posteriormente, afirma que foi apurado o valor de R$ 329.272,10 referente à contribuição para o PIS/Pasep, sendo que, quando houve a correção pela exclusão do ajuste positivo, o valor devido seria de R$ 325.038,23, o que lhe renderia um crédito de R$ 4.233,87. A Recorrente somente juntou cópia dos balancetes, mas, em momento algum, fez, efetivamente, prova cabal da base de cálculo em questão, sendo que o ônus da prova lhe compete1. Diferente, portanto, é o contido no relatório de informação fiscal nº 780/2015/DIORT/DRF/BSB, fls. 362/363: 7. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 175/179), confirmouse, em primeiro lugar, um único pagamento no valor de R$ 321.297,18, na data de arrecadação informada na Dcomp (15/10/2002). Tal pagamento foi alocado ao respectivo débito declarado em DCTF. 8. Ademais, notase a existência de três DCTF para o período em análise (3º trimestre/2002): a original, entregue em 04/11/2002; e duas retificadoras, uma cancelada e outra ativa, ambas entregues em 03/08/2004, após, portanto, a apresentação da presente Dcomp. Não obstante, o que importa observar acerca do crédito pleiteado é que o valor do débito confessado na DCTF ativa não coincide com o valor apurado pela Interessada, conforme parágrafo 6, razão pela qual a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito. 1 Lei nº 13.105 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10983.900049/200867 Acórdão n.º 3302003.733 S3C3T2 Fl. 5 7 Notese que, do débito confessado na DCTF ativa, parte foi quitado por meio de pagamento e parte por meio de compensação. 9. Com o objetivo de subsidiar os trabalhos, de modo a confirmar ou refutar as alegações descritas no parágrafo 6 desta Informação, a Contribuinte foi intimada em 29/07/2015, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 531/2015 (fls. 180/181), a apresentar documentos e informações nos termos requeridos pelo Carf. 10. Ocorre que em sua resposta (fls. 183/360) a Interessada limitouse a apresentar documentos e informações já juntados aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, com exceção do balancete geral analítico (fls. 309/323) que mostra apenas a conta, com valor respectivo, em que foi registrado o ajuste positivo ao valor de mercado. Cabe notar que os supostos balancetes de fls. 325/338 nada revelam, pois, não há identificação do período a que se referem. 11. No que diz respeito ao solicitado no item “b” do parágrafo 4 desta Informação, a Interessada apresentou a planilha de fls. 185, informando que houve alienação de títulos nos meses de maio, junho, julho e agosto, todos de 2003. Entretanto, tratase de simples informação, sem que esteja acompanhada de elementos de prova. 12. Assim sendo, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo do PIS/Pasep efetivamente devido em setembro/2002, por meio de apresentação de documentação contábil idônea, nada se pode afirmar acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (grifos não constam no original) Portanto, não há nos autos, nem posteriormente à diligência, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep efetivamente devida em setembro/2002. Diante da falta de prova, mantémse a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente. 4. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando a preliminar arguida e, no mérito, indefiro o provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 439DF CARF MF 8 Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908427/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.351
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 27 /2 01 1- 94 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/04/2009 a 30/06/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.008, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.908427/201194 Acórdão n.º 3401003.351 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000078/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBAROS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO.
Comprovado o lapso manifesto que impedia o prosseguimento do julgamento, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para prosseguimento do julgamento.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Embargos Providos
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBAROS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO. Comprovado o lapso manifesto que impedia o prosseguimento do julgamento, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para prosseguimento do julgamento. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Embargos Providos Recurso Voluntário Negado
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LAPSO MANIFESTO. PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO. Comprovado o lapso manifesto que impedia o prosseguimento do julgamento, cabe a admissibilidade dos embargos com efeitos infringentes para prosseguimento do julgamento. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 00 78 /2 00 7- 14 Fl. 493DF CARF MF 2 Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Embargos Providos Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pelo Conselheiro Relator e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3102002.046, que possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Confirmada a apresentação de manifestação sobre resultado da diligência fiscal que não foi analisado pela decisão da primeira instância, confirmase o cerceamento do direito de defesa, Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 493 3 devendo ser realizado novo julgamento considerando a manifestação apresentada sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela autoridade a quo. Recurso Voluntário Provido em Parte As razões do embargo do conselheiro relator, foram assim detalhadas no recurso: i) Na seção do dia 23/02/2016 foram julgados diversos processos da empresa International Paper que tratavam de fatos conexos referentes a pedidos de compensação; ii) Durante o julgamento desta Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara foi verificado que a Delegacia de Julgamento, antes de proferir o seu julgamento, determinou a realização de diligência e que as conclusões finais do trabalho fiscal fossem cientificadas ao contribuinte para sua manifestação; iii) O contribuinte, cientificado do resultado da diligência, apresentou a competente manifestação questionando os resultados da diligência, entretanto, a DRJ ao proferir o seu julgamento considerou que o contribuinte não tinha apresentado manifestação sobre a diligência fiscal; iv) Tendo em vista que o contribuinte, antes do julgamento do recurso voluntário, comprovou a apresentação das contrarrazões à diligência. A decisão no Acórdão nº 3201 002.045 foi no sentido de anular a decisão da primeira instância para que nova decisão fosse proferida, considerando as contrarrazões apresentados pelo contribuinte. v) Entretanto, durante a formalização dos votos, foi identificado que no presente processo, as contrarrazões do contribuinte foram juntadas aos autos como manifestação de inconformidade e foram conhecidas pela DRJ; vi) O julgamento do presente acórdão partiu da premissa que a DRJ não tinha recebido a manifestação da contribuinte. Portanto, resta comprovado o equívoco no julgamento. Os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional caminharam no mesmo sentido dos embargos do Conselheiro Relator, reafirmando a omissão no julgado, quanto ao conhecimento da Delegacia de Julgamento das contrarrazões de diligência apresentados pelo Contribuinte. Os embargos foram admitidos diante da comprovação do lapso manifesto para sanar o equivoco cometido no julgamento, que de forma equivocada, considerou que a DRJ não teve conhecimento da manifestação apresentada pelo contribuinte. Consultando os autos, verificouse que as contrarrazões apresentadas pelo contribuinte foram juntados aos autos como manifestação de inconformidade. Diante da admissibilidade dos embargos, que determinam a apreciação do recurso voluntário, considerando a manifestação da Recorrente sobre as conclusões da Fl. 495DF CARF MF 4 diligência, fazse necessário esclarecer toda a lide e neste caminho transcrevo a seguir, o relatório da primeira instância, com as devidas adições, que muito bem relatou os fatos. "Trata o processo de contestação contra indeferimento de pedido eletrônico de ressarcimento, de PIS/Pasep Não Cumulativo Exportação do 3º trimestre de 2005, no valor de R$ 339.645,58 (Per nº 00459.19317.211206.1.1.088617), cumulado com declaração de compensação (Dcomp nº 21623.26127.211206.1.3.087800), visando a extinção de débitos próprios (IRPJ código 236201 do PA 11/2006). A DRF em Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório nº 363/2008, datado de 09/05/2008, indeferiu o ressarcimento pleiteado e, em conseqüência, não homologou as compensações vinculadas ao pretendido crédito, motivado pela não entrega de documentos comprobatórios que permitissem a análise do direito creditório pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 15/05/2008, a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado, ingressou com Manifestação de Inconformidade, a seguir sintetizada. Esclarece que, dentre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos em seu processo produtivo; comenta que o fisco a intimou a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.º 202/2008), porém, em face do excessivo volume de documentos requeridos, solicitou dilação de prazo de mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.º 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a ‘longa’ lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, foi solicitada novo prazo de atendimento, mas o fisco emitiu o despacho decisório não reconhecendo o seu direito creditório. Destacando a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados. Dizendo que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pediu um tempo maior para atendê la, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação. Diz, ainda, que os livros obrigatórios sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal. Na sequência, ressalta os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, argumentando que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito, ou seja, verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, e entendendo que teria havido flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 494 5 o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação. Insiste que o alegado direito de crédito decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito, seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. Suscita a realização de perícia, alegando que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito à alíquota zero; indicando, para tanto, perito e formulando diversos quesitos. Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade e requer a juntada de CDRom que diz conter toda a documentação solicitada pelo fisco. Quando da análise do processo por esta 3ª Turma/DRJ/Curitiba, tendo em vista a juntada de mídia na manifestação de inconformidade, que, segundo alega, conteria as informações necessárias à comprovação de seu direito creditório, devolveuse o processo à unidade de origem para que se verificasse ser a documentação assim apresentada suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, ciência à interessada dos trabalhos realizados, reabertura de prazo para apresentação de eventuais contrarrazões e, posteriormente, reenvio para este órgão julgador. Por sua vez, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (Safis/DRF/PTG) expediu intimação n.º 19/2010 e n.º 24/2010 para que a interessada apresentasse a documentação necessária para a adequada averiguação do alegado direito creditório, com solicitação pela contribuinte e autorização de prazo adicional para o cumprimento da exigência; novo pedido de dilação de prazo, devido a dificuldades na obtenção das informações solicitadas; após, reintimação fiscal, de n.º 227/2010, volta a interpelar a interessada para, no prazo de cinco dias úteis, cumprir as precitadas intimações, de nºs 19 e 24, com novo pedido de dilação de prazo por parte da contribuinte. Em resposta ao último pedido de dilação de prazo, foi emitido o Comunicado nº 03/2010, indeferindo a solicitação e comunicando o encaminhamento dos autos à DRJ em Curitiba para julgamento. Juntamente, foi lavrada Informação Fiscal pela Safis/DRF/PTG, noticiando brevemente os fatos havidos no processo, enfatizando as várias oportunidades dadas à contribuinte para a adequada instrução do processo e, ao final, concluindo pela impossibilidade de se verificar a consistência do crédito pleiteado. A manifestação de inconformidade foi então analisada por esta 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que, por meio do Acórdão n.º 27.576, de 28 de julho de 2010, decidiu por rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de perícia e manter o não reconhecimento do pedido de ressarcimento, bem como a não homologação da declaração de compensação. Fl. 497DF CARF MF 6 Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário, no qual requereu: (a) a declaração da nulidade do acórdão da DRJ/CTA, por afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa na diligência fiscal; (b) o reconhecimento do direito de crédito de Cofins pretendido e a homologação das compensações a ele vinculadas; (c) seja reconsiderado o indeferimento do pedido de perícia, para a interessada poder demonstrar a efetividade de seus créditos. O recurso interposto foi apreciado pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujos membros, por meio do Acórdão n.º 310201.164, em sessão havida em 02/06/2011, por unanimidade de votos, acataram o argumento da interessada de que a decisão de primeira instância “é lastreada em documentos juntados aos autos pela DRF/PTG após o protocolo da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e sem a sua devida cientificação” e acordaram em “acolher a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos a DRF para proferir a intimação da recorrente da informação fiscal de fls. 140/142.” Comunicada a interessada, em 15/10/2012, desse julgado, bem como da Informação Fiscal da DRF/PTG/Safis, foi ressalvado o seu direito à manifestação de inconformidade a ser apresentada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na parte que lhe for desfavorável. Em 25/10/2012, apresentou contestação, argüindo que a diligência não foi cumprida na forma determinada pela DRJ, o que teria prejudicado seu direito ao crédito, com manifesto cerceamento ao direito de defesa; fala que como o trabalho fiscal não teria cumprido o papel de informar a autoridade julgadora sobre o crédito a que diz ter direito, a mencionada diligência deveria ser declarada nula, com a consequente determinação de uma efetiva apuração do direito creditório. No item “2. Diligência efetuada não responde ao que foi solicitado pela DRJ/Curitiba”, diz que, em razão de diligência solicitada pela DRJ/CTA, a DRF/PTG intimoua apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis, mas que, devido ao grande volume dos documentos então solicitados, teve dificuldades em atender à totalidade da intimação, trazendo aos autos, no entanto, em meio magnético (CD) os seguintes elementos: 1. lançamentos contábeis, 2. saldos mensais, 3. plano de contas e 4. centro de custos. Acrescenta que, na sequência, o órgão fiscal efetuou nova intimação requerendo os arquivos em formato digital validado por leiaute estabelecido pela RFB, para o que requereu novo prazo; no entanto, para sua surpresa, no curso dessa verificação, fala que ‘sem qualquer aceno sobre o direito creditório’ a diligência foi encerrada, com o retorno do processo à DRJ/Curitiba. Prossegue, dizendo que ao final dos trabalhos de diligência, agora franqueada para contestação, o auditor fiscal emitiu a seguinte conclusão: “Tendo em vista as considerações supra, ha que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhamento para a DRJ Curitiba Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 495 7 para prosseguimento.”, a qual considera equivocada, fora do escopo determinado pela DRJ/CTA, uma vez que não foi realizada a análise solicitada, isso porque: “a missão de verificar os documentos apresentados não foi realizada, pois o que deveria ser o resultado da análise da diligência com a elaboração dos demonstrativos do crédito resumese a noticia dos documentos apresentados.”, o que demonstraria que não houve qualquer trabalho sobre os documentos que apresentou, não acreditando que de seus lançamentos contábeis ‘não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito postulado’, revelando que a diligência teria se acomodado com a falta de alguns documentos para negar todo o direito creditório. Agrega que a precitada diligência tinha como pressuposto verificar todo e qualquer elemento que pudesse sustentar o direito creditório, tanto é assim que o pedido de perícia só teria sido indeferido sob o argumento de que tal diligência supriria a necessidade de averiguação por profissional habilitado. Conclui esse tópico dizendo: “Desta forma, concluíse imprestável o trabalho realizado que macula a decisão ora combatido por estar baseado em conclusão equivocada.”. Sob o título “3. Do direito ao crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins”, argumenta que se o fisco tivesse examinado os documentos que embasam seu direito creditório, constataria que o crédito de Cofins requerido é legítimo, posto que teria origem na aquisição de insumos e bens aplicados em seu processo de fabricação de papel, conforme previsão do art. 3º, II da Lei nº 10.833, de 2003, e que estaria demonstrado em planilhas anexas; diz que o acumulo dos créditos ora debatidos decorreria de seu vínculo às operações que realiza, cujas receitas para fins de apuração do PIS e da Cofins, possuem imunidade assegurada pelo art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988, e confirmada no art. 6º, I, da Lei nº 10.833, de 2003; assim, diz que tais créditos não seriam consumidos na sistemática da não cumulatividade da Cofins, pela inexistência de débitos a lhes serem contrapostos. Menciona julgado do então Segundo Conselho de Contribuintes que admitiria, como insumo gerador de crédito do PIS e da Cofins, todo e qualquer custo, gasto ou despesa vinculados ao produto ou serviço vendido, pedindo que tal tratamento seja dados aos créditos que apropriou e informou em DACON, sendo que relativamente ao 3º trimestre de 2004, apresenta o seguinte demonstrativo: Tabela a fl. 320. Reafirma que mesmo não tendo tido tempo hábil para fornecer as informações na forma requerida (arquivos magnéticos), as mesmas sempre estiveram disponíveis, por outros meios, tais como os livros de entrada, que a RFB poderia acessar para análise; acrescenta, em face dos documentos então apresentados, ser impossível não haver condições de identificar algum crédito da Cofins, dentre os que pleiteou, o que demonstraria a ação extremada da nãohomologação da integralidade dos créditos objeto do presente processo. Fl. 499DF CARF MF 8 No título “4. Da comprovação do direito ao crédito de Cofins em sede de recurso – laudo que atesta o crédito”, reitera que não se negou a atender a intimação fiscal, tendo pedido apenas um tempo maior para cumprila, ressalvando que seus livros de entrada, obrigatórios para apuração dos créditos, sempre estiveram à disposição do fisco, e, assim, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, requer que o seu direito creditório possa ser analisado, insistindo em afirmar que o seu direito ao crédito reside na utilização efetiva de insumos e demais bens no processo produtivo de papel, o que ocasionou o acúmulo do crédito de PIS objeto dos pedidos de ressarcimento e de compensações realizadas posteriormente." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pela contribuinte e o seu direito de resposta se encontrou plenamente assegurado, não se configura o cerceamento do direito de defesa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito de pedido de ressarcimento, é ônus da interessada a comprovação minuciosa da existência do direito creditório; não havendo atendido de forma satisfatória intimação para apresentação de provas quanto ao direito alegado, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. PEDIDO DE PERÍCIA. É prescindível o pedido de perícia que vise a comprovação de créditos da pessoa jurídica, quando se tratar de matéria que não exige conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito, ainda mais quando envolver a falta de apresentação de provas e informações quanto aos valores dos créditos pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, alegando preliminarmente, a nulidade da decisão, visto que a diligência determinada pela Delegacia de Julgamento deveria verificar a documentação anexada ao processos, sendo assim, seria obrigatório a autoridade responsável pela diligência, elaborar demonstrativos sobre o direito creditório e apontar quais débitos poderiam ser homologados. Entretanto, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis que não foram entregues, o que determinou o encerramento da diligência, concluindo pela impossibilidade de verificar o direito creditório, em razão das inconsistência na documentação apresentada e a falta do restante dos documentos. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 496 9 Alega a Recorrente que a diligência determinada pela DRJ não foi insatisfatória, pois não realizou a análise que lhe foi imposta, que resumese na notícia dos documentos apresentados e não a exigência de novos documentos. A diligência fiscal não realizou nenhum trabalho sobre os documentos apresentados, não sendo crível que a partir dos lançamentos contábeis não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito pleiteado. Nos termos informados pela Fiscalização, inconsistência tem significado totalmente distinto de imprestável, ou seja, pequenas inconsistência na documentação, não poderiam culminar com o indeferimento total dos créditos pleiteados. Prossegue a Recorrente afirmando que sempre deixou à disposição da fiscalização os documentos fiscais e contábeis que deram origem aos créditos pleiteados, além de ter solicitado a realização de perícia para que fosse comprovada a existência do direito ao crédito. Assim, para reforçar seu argumento, a recorrente anexou ao processo o levantamento realizado por empresa independente, que demonstra a existência do saldo credor com base na compensação, juntando ainda, em conjunto com o relatório, planilhas em Excel com o resultado dessa análise e os elementos utilizados para o cálculo. No que tange ao pedido de perícia, a autoridade julgadora de forma arbitrária, decidiu por indeferir o pedido sob a alegação que somente poderia ser admitido, se restasse provado ser desnecessária à apuração dos fatos, o que não é o caso, eis que a perícia se mostra necessária para a comprovação do direito creditório da Recorrente. Quanto ao mérito do direito creditório, alega o recurso que caso o trabalho fiscal de diligência tivesse seguido o determinado pela Delegacia de Julgamento e examinado os documentos que embasam o direito creditório e que estavam a disposição da Fiscalização, seria constatado que o crédito de PIS/Pasep requerido é legítimo, pois, cabe a autoridade fiscal o poderdever de averiguar se houve o cumprimento das regras contidas nas normas jurídico tributárias e levantar todos os elementos fáticos existentes para formação de sua convicção. Por fim, alega a Recorrente que a alteração nos valores tidos como devidos, previamente informados em DCTF, DACON e DIPJ, somente poderia ocorrer com a edição de ato administrativo de ofício, ou seja, fazse necessário o lançamento fiscal e não poderia ser realizado no presente processo que trata de pedido de compensação. Quando do julgamento do recurso voluntário, foi trazido aos autos pela Recorrente, a comprovação da entrega de manifestação sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela Delegacia de Julgamento (fls. 401 a 447), que segundo suas alegações não foi apreciado por aquela autoridade julgadora, o que ensejaria o cerceamento do direito de defesa. Ao apreciar o recurso voluntário esta turma decidiu no Acórdão nº 3201 002.046, na sessão do dia 23/02/2016, por anular a decisão da primeira instância, determinando a realização de um novo julgamento, baseado na ausência de conhecimento pela DRJ sobre a manifestação sobre a diligência apresentada pela Recorrente. Ao formalizar o julgamento o Conselheiro Relator do Acórdão identificou que a DRJ teve ciência da manifestação sobre a diligência apresentada pela Recorrente e manifestouse sobre esta matéria no seu julgado. O Conselheiro Relator diante da existência de lapso manifesto no acórdão, apresentou embargos declaratórios e no mesmo caminho também Fl. 501DF CARF MF 10 a Procuradoria da Fazenda Nacional. Os embargos foram admitidos para sanar o equivoco no acórdão, conforme já detalhado neste relatório É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão alegada pelo Conselheiro Relator e pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, fazse necessário o prosseguimento do julgamento a partir da nova informação que confirma o conhecimento da DRJ da manifestação sobre a diligência apresentada pela Recorrente (efls. 284 a 294). O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise, a alegação que a diligência determinada pela DRJ não poderia exigir novos documentos e se ater unicamente aqueles constantes dos autos, entendo não assistir razão ao recurso. A determinação da autoridade de primeira instância para a realização da diligência ocorreu com o intuito de verificar se os documentos apresentados pela Recorrente eram suficiente para comprovar o direito creditório, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão que determinou a diligência. (fl. 116) Assim, tendo em vista que a interessada teria, em principio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de PIS Não Cumulativo Exportação, relativos ao 3º trimestre de 2004, entendese ser necessário o retorno do processo à DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante possível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. A Fiscalização já tinha se pronunciado quanto a falta de comprovação do direito creditório, quando da elaboração do despacho decisório e no momento em que foi realizar a diligência determinada pela DRJ, intimou a Recorrente para a entrega de documentos que não constavam do processo, por obvio, que atendendo o escopo da diligência, que era a comprovação dos créditos pleiteados. As intimações realizadas não fogem a diligência da DRJ, mas, atendem de forma plena a solicitação da autoridade de piso. A busca da verdade material, resta plenamente atendida pela Fiscalização, que ao intimar a Recorrente a apresentar os Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 497 11 documentos que embasariam seus créditos, nada fez além de atender o objetivo da diligência determinada pela DRJ. O despacho da DRJ que determinou a diligência, não limitou a autoridade fiscal a análise unicamente dos documentos constantes dos autos, que tratavase de verificar se os documentos eram suficientes para comprovar o direito creditório. A Fiscalização entendendo que os documentos constantes do processo não eram suficientes, utilizando das suas prerrogativas legais, intimou a Recorrente a apresentar os documentos e informações que julgou necessárias a comprovar o direito creditório, não existindo nenhuma ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade fiscal. Quanto ao trabalho fiscal, fazse necessário transcrever o trecho abaixo, retirado do termo de diligência fiscal. (fls. 146 a 147) Iniciandose a verificação das planilhas, contatouse inconsistências nos valores totais com os apurados em DACON. Em relação ao memoriais de cálculo, não ocorreu o detalhamento da origem dos créditos informados, principalmente no que se refere as rubricas referentes ao ativo imobilizado, depreciação e a rubrica "Outros". Em decorrência destes fatos, foram efetuadas as Intimações Fiscais fls 19/2010 e 24/2010. Na primeira intimação, foram solicitados os arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e detalhados no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15 de 23/10/2001. ... Na Intimação Fiscal n° 24/2010 foi solicitado o detalhamento dos créditos de depreciação, ativo imobilizado e os informados como "Outros". Para ambas As Intimações Fiscais foi concedido o prazo de 20(vinte dias), tendo sido cientificados em 25/01/2010 e 02/02/2010 respectivamente. Em 04/02/2010 foi protocolado na Agência da Receita Federal de Ibaiti o pedido de dilação de prazo em 20(vinte dias) para o atendimento das Intimações Fiscais, pedido este atendido. Em 12/03/2010 foi recepcionado por esta DRF, parte dos arquivos, quais sejam: Lançamentos contábeis (item 4.1.1 da ADE n° 15/2001), saldos mensais(item 4.1.2), Plano de contas(item 4.9.2) e centro de custos(item 4.9.3). No entanto, foram encontradas inconsistências, fato este informado via contato telefônico ao contribuinte. Em 12/03/2010, o interessado protocolou novamente um pedido de dilação de prazo em 15(quinze dias) para a Intimação Fiscal n° 24/2010. Sem que fossem apresentados os documentos solicitados, mesmo com as prorrogações, efetuouse a re intimação, tendo sido cientificado em 27/04/2010, para a apresentação em 5(cinco) dias úteis. Novamente o contribuinte requereu dilação do prazo, afirmando como PRAZO DEFINITIVO até o dia 14/05/2010. No prazo afirmado como final pelo contribuinte, o mesmo apresentou um novo pedido de dilação de prazo em 30(trinta) dias na agência de Ibaiti, este indeferido e comunicado ao contribuinte. Fl. 503DF CARF MF 12 Verificase do termo da diligência, que a primeira intimação para apresentação de documentos e informações foi em 25/01/2010 e a primeira entrega de parte dos documentos ocorreram em 12/03/2010, sendo informado ao contribuinte, a existência de inconsistências na documentação apresentada, foi concedido novo prazo e após sucessivos pedidos de prorrogação, concedido o prazo final de 14/05/2010 e mesmo assim, sem solucionar as pendências a Recorrente apresenta novo pedido de prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias, que não foi concedido ao contribuinte, sendo esta decisão comunicada a Recorrente e consequentemente finalizada a diligência com o envio do relatório à DRJ. O processo foi julgado na primeira instância e em sede de recurso voluntário o CARF decidiu anular a decisão, determinando que fosse dado ciência do relatório fiscal de diligência ao contribuinte e franqueado o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação acerca das informações apuradas na diligência, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído do Acórdão nº 310201.164, de 02/06/2011, de relatoria do Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ora, alegado documento é na verdade a informação fiscal através da qual a DRF/PTG apresenta um relato detalhado de todo o procedimento adotado para obtenção dos documentos que comprovam o direito a ressarcimento, especificando as intimações, pedidos de prorrogação e os prazos concedidos, concluindo que não foi possível identificar o quantum do crédito pleiteado, em razão da fala de documentação e pela inconsistências daquelas que foram apresentadas. Percebese que a recorrente deveria ter sido intimada das informações contidas no aludido "documento novo", até porque esta foi a determinação da DRJ ao proferir o despacho de fls. 111. ... Pelas razões, conheço do recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos a DRF para proferir a intimação da recorrente da informação fiscal de fls. 140/142. Em cumprimento a decisão do CARF, a Recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal de Diligência em 27/09/2012, sendo concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre as conclusões da diligência. A Recorrente apresentou sua manifestação alegando que a diligência determinada pela DRJ não foi cumprida, sendo que, o Auditor Fiscal não verificou os documentos apresentados, que mesmo parcialmente poderiam confirmar o direito creditório da Recorrente. Os autos seguiram para a Delegacia de Julgamento, que proferiu nova decisão, com base na diligência, negando o direito creditório por falta de comprovação documental. O histórico dos fatos, mostra que o prazo final concedido pela Fiscalização para apresentação de esclarecimento no procedimento de diligência determinada pela DRJ ocorreu em 14/05/2010. A Recorrente, cientificada da conclusão da segunda diligência, desta Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 498 13 feita determinada pelo CARF, em 08/08/2012, mais de dois anos após a ciência do prazo final para da primeira diligência alega que a Fiscalização não realizou a diligência e que existiriram documentos suficientes para apuração do crédito pleiteado pela Recorrente. Não vislumbro, como mudar a decisão da primeira instância, pois, a diligência não foi superficial como quer fazer crer a Recorrente, foi um trabalho detalhado, em que foram indicados pela Autoridade Fiscal os documentos a serem apresentados, sendo concedido diversos prorrogações de prazo. Os arquivos digitais, por exemplo, em que a legislação prevê um prazo de 20 (vinte) dias para sua apresentação, após diversos pedidos de prorrogação concedidos pela Fiscalização, que ao final concederam o prazo de 109 (cento e nove) dias não produziram os documentos digitais necessários para análise dos créditos. O relatório de diligência fiscal aponta o prazo concedido para apresentação dos arquivos digitais. Dentro do principio do contraditório e ampla defesa, foi concedido ao contribuinte um período extenso, através de sucessivas prorrogações e uma reintimação, sem que no entanto fossem apresentados os documentos solicitados. No que se refere aos arquivos digitais formatados conforme a ADE n°15/2001, cabe frisar que a IN n°86/2001 estabelece 20(vinte) dias para a apresentação, mas no entanto apôs 109(cento e nove) dias, apenas alguns itens, com inconsistências, foram apresentados. Entendo que a decisão da autoridade de piso não merece nenhum reparo. Quanto a necessidade de esclarecimentos por perícia técnica que foi solicitada pela Recorrente, não vejo a necessidade de tal instrumento processual. Os esclarecimentos periciais são necessários, quando o julgador não detém o conhecimento técnico necessário para analisar as informações trazidas aos autos, o que não ocorre no presente caso em que as informações são todas de origem contábil e fiscal, matérias que os julgadores da primeira e da segunda instância possuem conhecimento técnico para realizar o julgamento. Com relação ao mérito da lide, a recorrente teceu apenas argumentos genéricos, alegando que a auditoria foi superficial e não realizou as auditorias necessárias, entretanto não aponta os erros do trabalho tampouco esclarece as inconsistências levantadas durante o trabalho fiscal. A diligência realizada pela Autoridade Fiscal apontou os problemas identificados nos documentos apresentados e comunicou as inconsistências e sua interferência para o deferimento do pleito da Recorrente, conforme pode ser verificado nos diversos termos de intimação e prorrogação de prazo, onde consta o trabalho da auditoria e confirma que a Recorrente foi informada dos problemas, tanto assim que consta de um dos seus pedidos de prorrogação, a afirmação que está providenciando os documentos necessários e providenciará a correção dos problemas para o prosseguimento da diligência. “INTERNATIONAL PAPER COMERCIO DE PAPEL E PARTICIPAÇÕES ARAPOTI LTDA, pessoa jurídica de direito privado,com sede na rua Telémaco Carneiro, 669, na cidade de Arapoti, inscrita no CM'," sob o numero 52.736.949/000158, por seu representante ao final assinado, em atendimento ao Termo de Intimação 019/2010, apresentar as seguintes Fl. 505DF CARF MF 14 informações, listadas abaixo entregues através do cdR/DVDR etiquetado, sendo vejamos: 1. Lançamentos Contábeis; 2. Saldos mensais; 3. Plano de contas; 4. Centro de custos; Entretanto, apesar de todos os esforços desta contribuinte, devido ao grande volume de informações solicitadas o prazo concedido não foi suficiente para reunir todos as informações solicitadas pelo Sr. Fiscal. Diante disso, fica renovado o nosso compromisso de que serão apresentadas todas as informações e documentos solicitados. Diante disso, solicitamos ao Sr. Fiscal que todos os demais documentos e informações faltantes possam ser entregues juntamente com os documentos relacionados à Intimação 024/2010, ou seja, dia 15/03/10, ou, sendo possível,antecipadamente.: ... A simples observação dos procedimentos adotados pelo autoridade fiscal durante a diligência, demonstra o detalhamento do trabalho realizado, em que a Recorrente foi cientificada dos problemas na documentação que inviabilizavam o trabalho de verificação dos créditos. Considerando todo o prazo decorrido, desde a diligência em 2010 até a ciência do relatório da diligência, após a decisão do CARF que ocorreu em 2012, sendo a Recorrente cientificada do relatório da auditoria e com o prazo de 30 (trinta) dias, não apresentou nenhum esclarecimento ou documento que pudessem solucionar os problemas apontados na diligência. A Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância que manteve o despacho decisório por falta de comprovação documental e apresentou seu recurso voluntário, ou seja, cientificada da diligência fiscal e já com o conhecimento das conclusões da Fiscalização e da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas na sua primeira impugnação e não trouxe nenhum questionamento objetivo que pudesse levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal, novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação de buscar as provas quanto ao seu direito creditório seria da Receita Federal. A observação do procedimento adotado pela Fiscalização mostra que foi dado conhecimento à Recorrente das alegações e das conclusões da Fiscalização para não homologar os pedidos de compensação. Não pode prosperar, a alegação que o trabalho foi superficial e não buscou a comprovação efetiva dos créditos. A fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou os documento ou esclarecimentos necessários para levantar dúvidas sobre a decisão de não homologação do pedido de compensação. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16403.000078/200714 Acórdão n.º 3201002.636 S3C2T1 Fl. 499 15 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Por fim, consta do recurso, a alegação que os procedimentos de julgamento e as conclusões da fiscalização estariam ferindo princípios constitucionais. Quando a esta matéria, este colegiado não pode se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, comprovado que a DRJ teve conhecimento da manifestação da diligência, entendo que não pode prosperar as alegações do recurso voluntário devendo ser mantido integralmente o despacho decisório. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o voto vencedor do Acórdão 3102002.046 e negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 507DF CARF MF 16 Fl. 508DF CARF MF
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