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Numero do processo: 10725.000542/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. - O inicio do procedimento fiscal implica na perda da espontaneidade e, salvo no
caso de despacho aduaneiro, cada intimação prorroga o prazo por 60 dias.
Ementa: PAGAMENTO EFETUADO DURANTE FISCALIZAÇÃO.
LANÇAMENTO. - 0 pagamento de tributo objeto de fiscalização, ao longo desta, não impede o lançamento de oficio.
Numero da decisão: 1101-000.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. - O inicio do procedimento fiscal implica na perda da espontaneidade e, salvo no caso de despacho aduaneiro, cada intimação prorroga o prazo por 60 dias. Ementa: PAGAMENTO EFETUADO DURANTE FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. - 0 pagamento de tributo objeto de fiscalização, ao longo desta, não impede o lançamento de oficio.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. - inicio do procedimento fiscal implica na perda da espontaneidade e, salvo no caso de despacho aduaneiro, cada intimação prorroga o prazo por 60 dias. Ementa: PAGAMENTO EFETUADO DURANTE FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. - 0 pagamento de tributo objeto de fiscalização, ao longo desta, não impede o lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCI IE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator FORMALIZADO EM: 2 8 JUN 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente da Turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação apresentada em razão de auto de infração. 0 contribuinte foi cientificado do auto de infração (proc. fls. 98 a 101), em 25/05/2005 (proc. fl. 108 e 109). Conforme autoridade autuante, constatou-se divergências entre os valores declarados/recolhidos e os valores escriturados nos livros fiscais. 0 fiscal informa também que o contribuinte efetuou o recolhimento da diferença, porém após o inicio do procedimento de oficio. O contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 112 a 118), em 24/06/2005. Inicialmente, o contribuinte explica que a impugnação é tempestiva, pois corno a ciência ocorreu no dia 25/02/2005, véspera de feriddo, o prazo só iniciou em 27/05/2005. Diz que a cobrança é de R$ 36.470,10, R$ 7.078,54, e R$ 27.352,57, respectivamente de CSLL, juros e multa. Informa que o crédito em controvérsia já foi recolhido, em 30/09/2004, quando a recorrente recolheu R$ 40.925,67 a titulo de CSLL e acréscimos moratórios. Conclui que o crédito lançado já estava extinto. Sustenta que o fiscal equivoca-se ao dizer que o recolhimento foi feito em razão de intimação, pois só em 17/03/2005 é que a fiscalização questionou os recolhimentos do 4° trimestre de 2003. Em 25/07/2008, a 9 ' Turma da DRJ no Rio de Janeiro decidiu que a impugnação não era procedente (proc. fls. 166 a 171), mas que o pagamento efetuado pelo contribuinte (DARF II. 102) deve ser considerado na liquidação do crédito tributário. Diz que o termo de inicio de fiscalização foi entregue em 26/03/2004 (proc. fl. 8) e que isso mostra que a impugnante estava sob procedimento de oficio quando do pagamento. A DRJ conclui com as seguintes palavras: "Por todo o exposto, voto pela procedência dos lançamentos, para manter integralmente as exigências de IRPJ de R$ 947.355,74 e CSLL de R$ 314.890,32, acrescidas de multa de oficio de 75% e de juros de mora." Em 28/08/2008, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 174) e, em 29/09/2008, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 177 a 192). A BJ Services do Brasil Ltda, sucessora por incorporação da autuada, alega que a "parte dispositiva do acórdão não condiz coin a realidade ‘fatica.". Ern razão disto, pede que "seja retificado o acórdão ora recorrido, de modo que a conclusão que o encerra corresponda a exata matéria aventada nos autos, ou seja, CSLL referente ao 4° trimestre de 2003." Na sequencia, explica que o recurso é tempestivo e repete os argumentos apresentados na impugnação. Adiciona que o auto de infração não atende aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, pois a descrição dos fatos é falha, já que afirma uma inverdade (de que só teria feito o recolhimento após intimado sobre a matéria). Argumenta que deve ser beneficiado pela redução de 50% da multa de oficio já que efetuou o pagamento no prazo da impugnação (na verdade, antes mesmo do lançamento), tal corno preconiza o art. 6' da Lei 8.218, de 1991, com o § 3" do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. Junta jurisprudência administrativa que admite a redução da multa de oficio em situações idênticas. Informa como entende que a imputação de seu pagamento deve ser feita, para abatimento do lançamento. Chega a conclusão que deveria apenas R$ 604,36 em setembro de 2004 e que este valor corrigido até setembro de 2008 daria R$ 832,30. Diz que como seu débito insigni fi cante, deve ser cancelado. 2 Processo n° 10725.000542/2005-83 SI-CITI Acórcliio n.° 1101-00.465 Fl. 259 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO O recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Inicialmente é necessário registrar que de fato há urn lapso na decisão da DRJ, mas no voto e não no acórdão. De fato, na conclusão do voto, ao propor manter o lançamento, é mencionado a CSLL, em montante diferente do ora em litígio, e o IRPJ, que não está em julgamento. No entanto, é preciso registrar que o voto é claro e aborda toda a matéria. De sorte que o lapso não prejudica o entendimento do que a turma votou. Assim, não é preciso correções, pois o erro é evidente e a conpreemsdo do voto não fica em nada prejudicada. Inclusive, o acórdão dispõe corn precisão sobre o decidido pela turma, a saber: "Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, acordam os membros da 9° Turma de Julgamento desta Delegacia, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para mantel- integrahnente a exigência de CSLL de R$ 36.470,10, acrescida de multa de oficio de 75% e de juros de mora, levando-se em consideração, na liquidação do crédito tributário, o pagamento consignado no DARF de fls. 139, após confirmação da alocação do valor recolhido." Também, não tem razão o contribuinte quanto a alegação de que o auto de infração não atende aos requisitos do art. 10 do Decreto IV 70.235, de 1972, por constar dele que o pagamento só se deu após intimação, quando na verdade este teria antecedido intimação especifica. Sem adentrar nos detalhes das diversas intimações feitas pela fiscalização, está evidente que o contribuinte efetuou o pagamento quando já iniciada fiscalização. Por isso ele já não estava mais ao abrigo da espontaneidade. Foi com base nesta circunstância que o Fiscal lançou o tributo com multa e juros e informou o pagamento efetuado pelo contribuinte. Portanto os fatos estão descritos corn precisão e de modo correto, não havendo desatendimento aos requisitos legais. Ainda, não tern razão o contribuinte ao alegar que o lançamento não poderia ter sido feito. Como já mencionado pelo fiscal, corno o pagamento foi feito sob procedimento de fiscalização, não tem o condão de evitar o lançamento (embora deva ser considerado na liquidação). Neste ponto, é preciso destacar que além da fiscalização ter iniciado muito antes do pagamento, o contribuinte havia sido intimado em 10/08/2004 (proc. fls. 33 e 145) de sorte que estava sob procedimento de oficio em 30/09/2004, data do pagamento. Vale a transcrição do art. 7° do Decreto 70.235, de 1972, que informa sobre a perda da espontaneidade no caso de fiscalização, bem corno sobre o prazo de 60 dias, prorrogável. Art 7" 0 procedimento fiscal lent inicio coin: I - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sitfeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; 3 § 1° 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em rela cão aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Pam-cm os efeitos do disposto no § 1", os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Assim, como existe urna intimação em 10/08/2004 e como o pagamento foi feito em 30/09/2004, o contribuinte não gozava dos beneficios da espontaneidade previstos no art. 138 do CTN. No que tange as pretensões apresentadas quanto a forma correta do aproveitamento do seu pagamento, cabe destacar que essa matéria não é objeto da lide administrativa. Ou seja, não sendo este o litígio em julgamento, não cabe ao CARF manifestar- se sobre a questão. Esses argumentos deverão ser apresentados à DRF, pois não é terna de competência do CARF. Finalmente, quanto a alegada insignificância do débito e o decorrente pedido de seu cancelamento, é preciso frisar que é totalmente improcedente. Aos órgão julgadores só é possível julgar e não emitir juizo de conveniência e oportunidade de efetuar ou não a cobrança de crédito tributário devido. Por tais razões, considero o recurso voluntário improcedente. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 4
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917006/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
CSLL COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS RETIFICAÇÃO DE
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Incabível a retificação da Declaração de Compensação, PER/DCOMP,
quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado.
Numero da decisão: 1103-000.489
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Jose Sergio Gomes. Relatório Fl. 128DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Tratase de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ do Rio de Janeiro I, que negou provimento a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o presente processo de pedido de compensação (fls. 2/6) de parte de recolhimento da CSLL realizado em 1/7/2004, no valor de R$ 44.000,00, com débitos do Pis e da Cofins apurados em setembro de 2004, no montante de R$ 4.950,00. 2 A Derat (RJ) indeferiu o pedido (fl. 7), por não ter sido localizado o Darf indicado no pedido. 3 Irresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 11/62 (documentos às fls. 63/67), alegando, em síntese, que identificou erroneamente o crédito como sendo do Pis, ao invés da CSLL, que tem origem não em Darf, mas em apuração contábil no período de 1999 a 2002, no valor de R$ 16.664,04. A DRJ decidiu: “ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. VEDAÇÃO DE RETIFICAÇÃO. A retificação de pedido de compensação somente é admitida antes da ciência de qualquer decisão administrativa.” A contribuinte, recorre: Notese que o tributo CSLL , código 2484 que o crédito pretendido não se originava em:DARFS pagos mas sim em apuração contábil de crédito no período 1999 a 2002, com valor apurado, na data de 31/12/2002, de R$ 16.664,04, passível de utilização para abatimento em tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por isso não foi encontrado DARF no banco de dados da Receita Federal; Os tributos que originaram o crédito foram declarados através do programa eletrônico PERDCOMP de forma identificada como "erro material" ou falha na transcrição para o computador, face à quantidade de leis e instruções . normativas que acima descrevemos. Além da enorme quantidade de quesitos legais, requerendo,que a empresa contasse com um "staff' voltado para área tributária, fato inconcebível para uma empresa de pequeno porte, coincidindo com o mês de conversão para a "não cumulatividade'. Como agravante operacional, a situação gerada pela inexperiência no uso do programa PERDCOMP, que apenas aceitava 1 (um) único DARF, quebrando todo o processo de levantamento e utilização dos Créditos, que já estava em andamento pela utilização de formulários de compensação em papel estes, com ampla facilidade e permissão para transcrever quaisquer quantidades de DARFS e créditos; Ressaltese também que, no tocante à filtragem de informações digitadas, requisito primordial em qualquer projeto de informática, que pressuponha a entrada de dadas versões iniciais de PERDCOMP erroneamente' permitiam a digitação de várias informações incorretas. A EMPRESA ainda detêm em disponibilidade, os créditos da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL, que seriam a origem dos créditos Fl. 129DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.917006/200811 Acórdão n.º 110300.489 S1C1T3 Fl. 2 3 para a compensação, portanto, solicitamos, que esta declaração de compensação possa ser refeita, evidentemente agregando os juros e as multas legais. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão se resume, se houve erro de fato, ou se, foi erro de escolha (erro de direito). Na fl. 4 do PER/DCOMP, informa que o valor requerido com código de receita 2484 (CSLL, estimativa mensal), possuía DARF de valor R$ 44.000,00. Por tudo o que está transcrito acima, não tenho como entender se tratar de erro de fato, pois, está claro que o crédito eleito para a PER/DCOMP foi o de CSLL, de acordo com o pedido, recolhido por meio de DARF. Agora a recorrente afirma que o sistema a confundiu, pois, os créditos teriam sido apurados na contabilidade. Não tenho como entender como erro de fato, mas sim, troca de crédito a destempo. Para retificação da declaração de compensação o interessado deveria ter observado os arts. 57 a 59 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, desde que fosse solicitada antes da decisão administrativa, conforme a seguir: “Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de Fl. 130DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação.” Assim, diante da ciência da decisão que não homologou a compensação declarada em 26/08/2008 (fl. 08), não é mais admissível a alteração da declaração de compensação. Os Conselhos de Contribuintes (atual CARF) também não admitem a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão administrativa, conforme os seguintes acórdãos: “DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada.” (Acórdão 10517130, de 13/08/2008) “IRPJ – COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS – RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – Incabível a retificação da Declaração de Compensação, Dcomp, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado.” (Acórdão 10809604, de 17/04/2008) Assim, não há como admitir tal retificação sem fundamento legal. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 131DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13706.001332/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2004
Ementa:
PENALIDADE. LANÇAMENTO DE MULTA DE MORA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Sujeito passivo que declarou em DCTF compensação do crédito de IPI, com débitos de IRPJ, e que efetuou pagamentos dos débitos acrescidos somente de juros de mora, dentro do prazo de 30 dias da data em que a tutela judicial teria deixado de existir, sem ter contudo ter apresentado a competente Declaração de Compensação, cabível o lançamento da multa de mora isolada,
por estar caracterizado o pagamento do débito fora do prazo.
Numero da decisão: 1402-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto, que integram o prs relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário:2004 Ementa: PENALIDADE. LANÇAMENTO DE MULTA DE MORA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Sujeito passivo que declarou em DCTF compensação do crédito de IPI, com débitos de IRPJ, e que efetuou pagamentos dos débitos acrescidos somente de juros de mora, dentro do prazo de 30 dias da data em que a tutela judicial teria deixado de existir, sem ter contudo ter apresentado a competente Declaração de Compensação, cabível o lançamento da multa de mora isolada, por estar caracterizado o pagamento do débito fora do prazo.
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LANÇAMENTO DE MULTA DE MORA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Sujeito passivo que declarou em DCTF compensação do crédito de IPI, com débitos de IRPJ, e que efetuou pagamentos dos débitos acrescidos somente de juros de mora, dentro do prazo de 30 dias da data em que a tutela judicial teria deixado de existir, sem ter contudo ter apresentado a competente Declaração de Compensação, cabível o lançamento da multa de mora isolada, por estar caracterizado o pagamento do débito fora do prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto, que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar acompanham a relatora pelas conclusões sob o entendimento de que a negativa de provimento se dá apenas pela falta de apresentação de DCOMP. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em decorrência de auditoria interna nas DCTF dos três últimos trimestres de 2002, para exigência de multa de mora, relativamente a pagamentos do valor principal do IRPJ, efetuados em 17.11.2005, acompanhado de juros de mora. O valor da multa exigida corresponde a R$ 1.012.210,45. Os principais argumentos contidos na impugnação são os seguintes, transcritos da decisão de primeira instância: 4. Alega que "podem ter levado a Receita Federal a, equivocadamente, exigir as parcelas objeto do presente auto", os seguintes acontecimentos: a) ajuizou Ação Ordinária (n° 99.00176111), para que lhe fosse assegurado o direito de aproveitar créditos escriturais de IPI nas aquisições de insumos imunes, isentos, não tributados ou à aliquota zero, a fim de compensar débitos do próprio IPI, bem como para que "lhe fosse assegurado o direito à compensação de valores recolhidos indevidamente de IPI em anos anteriores com exações devidas a título de outros tributos ou contribuições"; b) na referida ação, foi proferida decisão liminar que, antecipando os efeitos da tutela, autorizou "a implementação das compensações nos moldes pleiteados", autorização que não ficou vinculada à decisão em Agravo de Instrumento interposto pela União, porque "a sentença favorável prejudicou qualquer recurso interposto contra a decisão liminar"; c) com a sentença, foi autorizado a "implementar as compensações referidas, quais sejam: o aproveitamento do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos à alíquota zero, isentos ou não incidente, para fins de abatimento com débitos de IPI nas saídas dos produtos industrializados; a compensação dos valores a título de IPI indevidamente recolhidos nos anos anteriores, com débitos de outros tributos federais ( IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)"; d) o acórdão da 4' Turma do Tribunal Regional Federal da 2' Região, que deu provimento à apelação da União, "fazendo com que o aproveitamento de créditos de IPI e a compensação dos valores indevidamente recolhidos do tributo, efetuada pela ora Impugnante deixasse de ter a tutela jurisdicional...", foi publicado em 18.10.2005. 5. Diz que "todas as compensações implementadas foram correta e integralmente declaradas ao Fisco Federal através das entregas regulares de suas declarações — DIPJs e DCTFs, bem como, que efetuou a retificação das mesmas para fins de declarar a modificação da forma de quitação dos tributos, Fl. 307DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 2 3 deixando de ser compensação e passando a ser quitação mediante DARF de pagamento". 6. Aduz que a sua conduta de "implementar as compensações devidas" foi corroborada pela Fazenda Nacional, "que em momento algum se demonstrou contrária a isto", já que não efetuou lançamento fiscal para exigir as parcelas objeto de compensações, sequer para afastar a decadência. 7. Alega que, "à época dos vencimentos dos tributos compensados, possuía provimento jurisdicional com eficácia plena e imediata, que lhe autorizava a implementação das compensações efetuadas", e, que, "até a publicação do Acórdão, em 18.10.2005, foi totalmente correta a sistemática que adotou". 8. Afirma que, embora tenha interposto Embargos de Declaração (que, segundo diz, suspende, para parte da doutrina, os efeitos da decisão embargada), "resolveu por bem efetuar em 17.11.2005, isto é, exatamente 30 dias após a publicação do acórdão, o pagamento integral, e de uma só vez (vejase, foi pagamento e não depósito judicial), do valor principal de todos os tributos anteriormente compensados, acrescidos da Taxa Selic". 9 Sustenta que não é devida qualquer parcela a título de multa de mora, porque os pagamentos foram efetuados ao amparo do art. 63, parágrafo 2°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela produção de prova documental, "inclusive, em V. Sa entendendo necessário, a conversão do julgamento da presente em diligência fiscal". Pede o cancelamento do crédito tributário e o arquivamento do feito. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. Transcrevo parte do voto condutor do acórdão: 22 O interessado alega, em síntese, que, até 30 (trinta) dias após a publicação do Acórdão que deu provimento à Apelação contra a sentença monocrática que amparava seu pleito, era, a teor do § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, incabível a multa de mora.Vejamos se a sua pretensão tem amparo na lei. (...) 25. Pois bem. Após obter a tutela antecipada, a decisão de primeira instância, publicada em 11.07.2000 (fls.122), julgou o pedido do interessado parcialmente procedente, verbis: Posto isto, DECLARO SUBSISTENTE OS EFEITOS DA TUTELA CONCEDIDA ANTECIPADAMENTE, sujeitos contudo ao que se decidir definitivamente nos autos do Agravo de Instrumento no 2000.02.01.0027307, em curso na 1 a Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, e JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, O PEDIDO para condenar a Fl. 308DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) na obrigação de não criar qualquer óbice ao exercício pelas autoras de constituir os seus respectivos créditos do IPI ( Imposto sobre Produtos Industrializados), pretéritos e vincendos, gerados nas aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) com isenção ou nãoincidência do tributo, conforme for apurado em liquidação de sentença, acrescidos os primeiros da respectiva correção monetária plena, a partir da data dos respectivos eventos pelos mesmos índices de atualização utilizados para os tributos exigidos pelo Fisco, quais sejam o IPC, até a vigência da Lei no 8.177/91, e desde então pelo INPC e, posteriormente pela Taxa SELIC (a partir de 01/01/96), excluídos os juros compensatórios, mas, incidentes os juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161, do C7'N. Condeno, ainda, a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) na obrigação de aceitar a compensação de tais créditos com o próprio IPI incidente em operações subseqüentes, das respectivas autoras, bem como com quaisquer outros tributos administrados ou cobrados pela Receita Federal, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 74, da Medida Provisória no 1.788, art. 77 e da Instrução Normativa SRF no 21/97, abstendose a UNIÃO FEDERAL, por qualquer de seus agentes e autoridades públicas, de eventual ou precipitada execução fiscal das parcelas que serão compensadas, do crédito do IPI, assim como a imposição de penalidades por realizar a compensação, inclusive a inscrição no CADIN —Cadastro de Inadimplentes, ou recusar a obtenção de certidões negativas de débitos fiscais em relação as parcelas compensadas dos créditos do IPI, com parcelas vincendas desses ou de demais tributos e contribuições administradas ou cobradas pela Receita Federal, independentes de ser da mesma espécie. A compensação dos créditos do IPI, efetivada por conta e risco da parte autora, será fiscalizada e controlada pela Receita Federal, até a liquidação desta Sentença, por arbitramento na forma do art. 607, do CPC, para se apurar o montante correto a ser compensado, com base nos documentos contábeis da autora. Condeno, finalmente, a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) no reembolso das custas judiciais adiantadas pelas autoras e no pagamento dos juros moratórios de 1% a.m. (um por cento ao mês), a partir do trânsito em julgado (CTN, art. 167, p. único) se ainda houver crédito a compensar, mais os honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) do valor total a ser compensado, dada a sucumbência em parte do pedido inicial. Sentença sujeita ao reexame necessário. Encaminhese, por oficio, cópia desta Sentença à Desembargadora Federal Relatora do Agravo de instrumento no 2000.02.01.0027307, na Ia Turma, do Tribunal Regional Federal, da 2a Região, para os fins que entender necessários. 26. Ressaltese que a sobredita decisão judicial, além de mencionar, expressamente, que a compensação seria efetivada por conta e risco do interessado, com observância das normas Fl. 309DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 3 5 legais em vigor (entre elas o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e a Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997), determinou que, até a liquidação da sentença (porque, no pedido, o interessado não especificou quais débitos haviam sido objeto de compensação), por arbitramento, a compensação a ser efetuada seria fiscalizada e controlada por esta Secretaria. 27. Ressaltese, ainda, que, quando sujeita a reexame necessário (duplo grau de jurisdição), a sentença de primeira instância só produz efeitos após confirmada pelo tribunal (art.475 da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973 — Código de Processo Civil — CPC). 28. A União Federal, sustentando, entre outras razões, que, nos termos do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), ocorrera a prescrição quinquenal dos valores pleiteados pelo interessado, recorreu da dita sentença, em Apelação Cível, recebida em 04.10.2000, nos efeitos suspensivo e devolutivo (fls.121). 29. Pois bem. Se, pelo efeito suspensivo, a Apelação impede a eficácia imediata da decisão recorrida, e, pelo devolutivo, submete ao Tribunal a análise de toda a matéria em discussão, temse que não havia provimento judicial a garantir ao interessado a homologação das "compensações implementadas". 30. Em Acórdão de 16.08.2005 (fls.153/164), a Quarta Turma Especializada do TRF/2°, por unanimidade, deu provimento à Apelação interposta pela União, e, reconhecendo como injurídica e sem base legal as pretensões de restituição e de compensação veiculadas pelo interessado, julgou, nestes termos, improcedente a ação ajuizada: (...) 31. Ao julgar, em sede de Apelação, improcedente a ação ajuizada, o Tribunal ratifica a impossibilidade de a decisão de primeira instância produzir qualquer efeito, ou seja, reconhece que, desde o início (isto é, desde antes do ajuizamento da ação ordinária), não havia direito creditório com base no qual o interessado pudesse efetuar quaisquer compensações. 32. E, é exatamente pelo fato de que os débitos passaram a estar sem qualquer amparo judicial, que o interessado efetuoulhes os pagamentos, acrescidos de juros de mora desde os seus vencimentos, como se vê em nosso item 1, cujas informações foram extraídas do Auto de Infração e das DCTFs. 33. Não obstante isso, o interessado alega que, apesar de ter interposto Embargos de Declaração, "resolveu, por bem", efetuar os pagamentos referidos no item anterior. 34. O CPC (arts. 535 a 538) não atribui aos Embargos de Declaração qualquer efeito suspensivo da decisão judicial contra a qual são interpostos, limitado que este recurso está a esclarecer obscuridade, omissão ou contradição na sentença. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 35 Mas, ainda que assim não fosse, e que, embargos ou quaisquer outros recursos tenham sido interpostos, e recebidos com ou sem efeito suspensivo, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (e, da mesma forma, os arts. 12 e 17 da IN SRF n° 21/1997, expressamente citada na sentença; o art.26, inciso IX, da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; e o art. 50 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005), ao qual, como explicitou a decisão monocrática, todas as compensações efetuadas por conta e risco do interessado deveriam estar submetidas, dispõe que os direitos creditórios apurados em sede judicial só podem ser objeto de compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial que assim os reconheceu, o que, definitivamente, aqui não se verificou: Lei n° 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Orgão. IN SRF nº 600, de 28.12.2005: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. 36. Pois bem. Na forma da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é devida a multa de mora, até o limite de 20%, sobre os débitos tributários pagos após o vencimento, senão vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do Iº (primeiro) dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a 20% (vinte por cento). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5º, a partir do 1º (primeiro) dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. 37. Na via judicial, como se viu, não foi proferida qualquer decisão desonerando da multa de mora as obrigações tributárias adimplidas com atraso. Viuse, também, que não há previsão em Fl. 311DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 4 7 lei para a compensação com base em decisão judicial ainda em tramitação. 38. Ainda que assim não fosse, os pagamentos efetuados, além de implicarem o reconhecimento, pelo interessado, da improcedência das compensações supostamente implementadas, submeteramno à disciplina geral de extinção do crédito tributário por pagamento: ante a atraso no adimplemento da obrigação, é devida a multa de mora. 39. Quanto à norma do § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, ao amparo da qual o interessado alega se encontrar, não tem aplicação à hipótese em tela, porque é regra que disciplina unicamente a constituição de crédito tributário através de lançamento de oficio, com o objetivo de prevenir a decadência, senão vejamos, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 (trinta) dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. 40. Os débitos tributários em tela não foram objeto de qualquer lançamento de oficio para prevenir a decadência, que justificasse a aplicação da sobredita norma. 41. O interessado alega, também, que as compensações que efetuou foram corroboradas pela Fazenda Nacional, "que em momento algum se demonstrou contrária a isto", já que não efetuou lançamento fiscal para exigir as parcelas objeto de compensações, sequer para afastar a decadência. 42. Não lhe colhe qualquer razão. 43. Primeiro, porque a lei determina que a Fazenda Nacional dispõe de (5) cinco anos para homologar as compensações declaradas pelo sujeito passivo. Assim, enquanto não expirado tal prazo, como é o caso, a pessoa jurídica não pode concluir que estavam, conforme a lei e os fatos, as compensações que informou e/ou declarou. 44. Segundo, porque os débitos confessados em DCTF e/ou em Declaração de Compensação (Dcomp) dispensam a constituição do crédito tributário através de lançamento de oficio. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 45. E, terceiro, porque, as compensações dos débitos de IRPJ do anocalendário de 2002 (receita 2362), que o interessado, antes da concessão da tutela jurisdicional antecipada, informara, em DCTF, que haviam sido efetuadas à conta de processo administrativo, não restaram demonstradas. 46. Com efeito, os débitos de IRPJ do anocalendário de 2002, referidos em nosso item 1, foram, nas DCTFs originais dos trimestres em tela, declarados como tendo sido compensados à conta do processo administrativo n° 13746.000403/200176 (fls.76/81, 92/95, 103/111); após, em DCTFs retificadoras, à conta do processo administrativo 13746.000189/00 79 (fls.83/84, 97/98, 112/114). 47. O processo administrativo 13746.000189/0079 foi apreciado pela autoridade lançadora em 15.08.2009, conforme cópia do Parecer n° 034/2009, de lavra da DRF/Nova Iguaçu RJ, juntado por cópia às fls.165/175. 48. Pois bem. De acordo com o sobredito Parecer, o processo 13746.000189/0079, que, nas DCTFs de todos os trimestres, aparece como vinculado aos créditos de IRPJ em tela, não controla créditos de IRPJ de 2002 (fls.168/169). 49. Dessa forma, o que remanesce, concretamente, é que o interessado, por meio de DCTFs retificadoras, alterou, sucessivamente, as informações sobre as modalidades de extinção dos débitos de IRPJ do anocalendário de 2002. 50. Com efeito, anteriormente à informação de pagamento dos débitos, constou, nas DCTFs, primeiramente, que os débitos em tela estavam vinculados a processos, como se viu; e, após, como amparados por "Antecipação de Tutela" (fls.75/120). 51. E, embora as referidas DCTFs tenham sido, ao final, retificadas com a informação de pagamento (as DCTFs dos trimestres em comento foram retificadas mais de uma vez, como se lê às fls.75/120), o interessado não logrou comprovar as alegadas compensações, e, muito menos, que elas teriam sido "corroboradas pela Fazenda Nacional". 52. Não é demais observar que a compensação, desde a edição da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002), passou a ser declarada pelo sujeito passivo, através de Declaração de Compensação, a ser, obrigatoriamente, entregue/encaminhada a esta Secretaria. Anotese, também, que, com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a Declaração de Compensação foi equiparada à confissão de divida. Conclusão 53 Concluise, assim, que as obrigações tributárias relacionadas em nosso item 1 foram pagas após o vencimento, fato que não restou elidido pelo interessado, a quem, como se demonstrou, o § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, não socorre. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 5 9 54 Considerando, então, que, na forma da legislação de regência, o pagamento da obrigação tributária após o vencimento sujeitase à multa de mora, o lançamento, no total de R$ 1.012.210,45, deve ser julgado procedente. 55. É o meu voto. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 17.07.2009 e o recurso voluntário foi apresentado em 18.08.2009. Inicialmente a recorrente aduz que diante da jurisprudência que cita e da melhor doutrina, caso não se entenda que a documentação trasladada pela DRJ possui todas as informações necessárias ao deslinde da controvérsia, em atenção ao princípio da verdade material, requer sejam analisados os documentos anexados ao recurso. Aborda a possibilidade de compensar antes do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o seu direito ao crédito. Afirma que no presente caso, não há que se falar em exigência do trânsito em julgado, porque tanto a medida liminar quanto a sentença, não condicionaram a compensação dos créditos ao trânsito em julgado da ação. Transcreve os seguintes trechos da ação judicial: Medida liminar (publicada em 14.04.1999): "Posto isso, CONCEDO A ANTECIPAÇÃO DO EFEITOS DA TUTELA, na forma requerida, para que se abstenha a UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional), por qualquer de seus agentes e autoridades públicas, de eventual e precipitada execução fiscal das parcelas que serão compensadas, no curso desta lide, de créditos de IN, assim como a imposição de penalidades por realizar essa compensação, a inscrição indevida em "Cadastro de Contribuintes, ou recusar a obtenção de certidões negativas em relação às parcelas compensadas dos créditos de /P/ com parcelas vincendas desse ou demais tributos e contribuições independentes de ser da mesma espécie." (grifos nossos) Sentença (Publicada em 11.07.2000): Posto isto, DECLARO SUBSISTENTE OS EFEITOS DA TUTELA CONCEDIDA ANTECIPADAMENTE, sujeitos contudo ao que se decidir definitivamente nos autos do Agravo de Instrumento no 2000.02.01.0027307, em curso na Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, O PEDIDO para condenar a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) na obrigação de não criar qualquer óbice ao exercício pelas autoras de constituir os seus respectivos créditos do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), pretéritos e vincendos, gerados nas aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) com isenção ou não incidência do tributo, conforme for apurado em liquidação de sentença, acrescidos os primeiros da respectiva correção monetária plena, a partir da data dos respectivos eventos pelos mesmos índices de atualização utilizados para os tributos exigidos pelo Fisco, quais sejam o IPC, até a vigência da Lei no 8.177/91, e desde então pelo INPC Fl. 314DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 e. posteriormente pela Taxa SEL1C (a partir de 01/01/96), excluídos os juros compensatórios, mas, incidentes os juros moratórios de I% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161, do CTN. Condeno, ainda, a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) na obrigação de aceitar a compensação de tais créditos com o próprio IPI incidente em operações subseqüentes, das respectivas autoras, bem como com quaisquer outros tributos administrados ou cobrados pela Receita Federal, nos termos da Lei no 9.430/96, art.74, da Medida Provisória no 1.788, art. 77 e da Instrução Normativa SRF nº 21/97, abstendose a UNIÃO FEDERAL, por qualquer de seus agentes e autoridades públicas, de eventual ou precipitada execução fiscal das parcelas que serão compensadas, do crédito do 1P1. assim como a imposição de penalidades por realizar a compensação, inclusive a inscrição no CAD1N Cadastro de lnadimplentes, ou recusar a obtenção de certidões negativas de débitos fiscais em relação as parcelas compensadas dos créditos do IPI, com parcelas vincendas desses ou de demais tributos e contribuições administradas ou cobradas pela Receita Federal, independentes de ser da mesma espécie. Salienta que em ambas as decisões, além de não terem restringido as compensações ao trânsito em julgado, autorizam a recorrente a realizar as compensações no curso da lide; e que quando as decisões foram publicadas já estavam em vigor os arts. 12 e 17 da IN SRF 21/97, que exigiam o trânsito em julgado da decisão judicial para implementação da compensação. Destaca que quando a sentença faz menção ao art. 74 da Lei 9.430/96, é para demonstrar o direito da recorrente de compensar os créditos de IPI com quaisquer outros tributos administrados pela Receita Federal e não, exigir que as compensações fossem realizadas após o trânsito em julgado. Aduz que outro não pode ser o entendimento, porque quando a sentença foi proferida, em 27.06.2000, o art. 74 somente dispunha sobre a compensação de créditos com quaisquer tributos administrados pela SRF, enquanto que a exigência do trânsito em julgado, foi inserida com as alterações introduzidas pela Lei 10.637, de 30.12.2002. Assim, conclui que a sentença não só autoriza expressamente que as compensações sejam realizadas antes do trânsito em julgado, como também admite que algumas compensações já tenham sido realizadas quando a sentença foi proferida, nos seguintes termos: “a compensação dos créditos do IPI, efetivada por conta e risco da parte autora, será fiscalizada e controlada pela Receita Federal, até a liquidação desta sentença, por arbitramento na forma do art. 607, do CPC, para se apurar o montante correto a ser compensado, com base nos documentos contábeis das autoras”. Cita a manifestação da PGFN, por meio do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/2005, que termina à Receita Federal o cumprimento das decisões judiciais que autorizem a realização das compensações antes do trânsito em julgado, “ainda que as decisões sejam contrárias à legislação vigente”. Transcrevo o trecho reproduzido no recurso voluntário relativo a esse Parecer: "Pode a compensação ser recusada pela Administração, em virtude do disposto no aludido art.170A do CTN, assim como no caput do artigo 74 da Lei 9.430/96? Fl. 315DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 6 11 107. Sobre o tema, a douta CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil COSIT, por intermédio da Solução de Consulta Interna 10, de 11.03.2005, já se pronunciou, nos seguintes termos: "Conforme bem assevera a DISIT da SRRF06, não cabe à SRF e a seus servidores descumprir uma decisão judicial proferida por autoridade ou órgão competente da Justiça Federal, ainda que sob a alegação de que referida decisão contraria disposição literal de lei. A recusa do Poder Executivo ao cumprimento de decisões em vigor proferidas pelo Poder Judiciário, ainda que provisórias, constitui ofensa ao principio da harmonia e independência entre os Poderes da União previsto no art. 2° da Constituição Federal de 1988. Num Estado Democrático de Direito tal qual a República Federativa do Brasil, eventual 'correção de erros praticados pelas autoridades e órgãos do Poder Judiciário no exercício de sua função jurisdicional deve ser buscada pelo Poder Executivo pelos meios previstos em lei, jamais mediante a recusa no cumprimento da decisão judicial. Há que se salientar, ademais, que o Brasil, a par do controle concentrado, adotou o critério difuso( ou jurisdição constitucional difusa) de controle de constitucionalidade das leis, segundo o qual todos os juizes podem negar a aplicação da lei ao caso concreto por considerála incompatível com a Constituição Federal, dai a possibilidade de a autoridade ou órgão competente da Justiça Federal negar a aplicação do disposto no art. 170A do C'IN à compensação pleiteada pelo sujeito passivo. Por tudo isso e em consonância com o entendimento esposado pelo DISIT da SRRF06, as unidades da SRF devem admitir a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial vigente, ainda que não transitada em julgado,quando referida decisão, além de ter reconhecido o credito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, também reconheceu o direito à utilização do referido crédito, antes do transito em julgado da referida decisão, na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão. A compensação, no entanto, é realizada sob condição resolutiva e deve ser revista se a decisão final da Justiça for diferente da decisão provisória." 108. Em casos como esses, é importante que a unidade da RFB, imediatamente, dê ciência da decisão à PGFN, para que esta adote as providencias judiciais pertinentes, a fim de reverter a decisão contrária ao CTN. Outra providência, que se revela de grande utilidade, pelo que se sugere sua implementação, é a seguinte: tratandose de ação de Fl. 316DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 12 Mandado de Segurança nesta matéria, as próprias unidade da RFB deveriam adotar como padrão de comportamento informar destacadamente ( por exemplo, em ementas ou procedimento similar na primeira página ) a incidência no caso da norma contida no art. 170A do CTN (existe, assim, uma contribuição a que o juiz, para conceder a determinação, expressamente proclame a inconstitucionalidade do art. 170 A do CTN, o que para as subseqüentes atuações da PGFN em juízo cria uma grande facilidade). 109. Em resumo, podese afirmar que a RFB apenas deve dar cumprimento a decisões contrárias ao art.170A do CTN se e quando essas forem expressas e inequívocas ao determinar/autorizar que a compensação se faça antes do transito em julgado ou que a ela não se aplique o art.170A do CTN, sendo certo que essa situação apenas se caracteriza em pronunciamentos judiciais de eficácia imediata, ainda que "condicionada" ao futuro desenrolar do processo,como são, por exemplo, as liminares em ações cautelares e em Mandados de Segurança, as antecipações de tutela em ações ordinárias e os acórdãos de tribunais regionais federias contra os quais apenas estejam pendentes recursos sem efeito suspensivo ( recurso especial e recuso extraordinário)" (grifos nossos) Aduz que as decisões caem como uma luva ao caso concreto, uma vez que as decisões judiciais autorizaram a recorrente a realizar as compensações de imediato, contrariamente ao disposto nos arts. 12 e 17 da IN SRF 21/97, que nem força de lei tem, sob pena de desobediência a uma decisão judicial. Salienta que essa é a jurisprudência do 2º CC (recursos voluntários 149534 e 139553). Conclui que (i) a medida liminar permitiu a compensação de seu crédito, imediatamente, sem que fosse necessário aguardar pelo trânsito em julgado do processo judicial, (ii) a sentença ratificou a liminar anteriormente concedida e reiterou a realização das compensações no curso da ação. A seguir, a recorrente aborda a impossibilidade da exigência da multa de mora. Argumenta que conforme observado pela DRJ, as apelações da recorrente e da Fazenda Nacional foram recebidas no duplo efeito: suspensivo e devolutivo. Ressalta que a apelação quando recebida no efeito suspensivo, tem o efeito de suspender os efeitos da sentença recorrida, restaurando os efeitos da liminar anteriormente concedida. Cita trecho do acórdão 203123826, para dizer que naquela jurisprudência, a sentença cassou a liminar concedida, diferentemente do que ocorreu no presente caso, em que a sentença ratificou a liminar e declarou “subsistente os efeitos da tutela concedida antecipadamente”; sendo assim, se a sentença que cassou a medida liminar é suspensa quando a apelação é recebida no efeito suspensivo, reativando a medida liminar anteriormente concedida, com muito mais razão devese admitir que a medida liminar concedida no presente caso, seja reativada, tendo em vista que a sentença ratificou a medida liminar anteriormente concedida. Conclui que não restam dúvidas de que a decisão proferida em sede de liminar se mantém até que seja cassada pela instância superior. Fl. 317DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 7 13 Ressalta que, no entanto, em que pese a medida liminar da recorrente estar em vigor até a publicação do acórdão, em 18.10.2005, que revogou o direito de a recorrente realizar as compensações, a autoridade julgadora acabou exigindo a multa de mora, por ter entendido que a decisão que conferiu efeito suspensivo à apelação revogou o direito de realizar as compensações. Entende que tais argumentos não possuem fundamento. Aduz que não se configura mora quando se está diante de pretensões que se encontram inexigíveis e se não há mora sem exigibilidade, não pode haver multa de mora. Transcreve os arts. 61 e 63 da Lei 9.430/96, para concluir que o art. 61 não se refere ao presente caso, por tratar de outra situação, pois não haveria que se falar em tributo em atraso, tendo em vista que o débito estava extinto devido à apresentação das compensações. A respeito do art. 63, diz que tratase de regra excepcional que dispensa o pagamento da multa de mora, enquanto o débito não pode ser exigido do contribuinte em razão de medida liminar, e somente voltará a ser exigível 30 dias após a publicação da decisão judicial que considerar o tributo devido. Salienta que a decisão recorrida vai de encontro ao disposto nesse artigo, eis que o despacho que conferiu efeito suspensivo aos recursos de apelação da Fazenda e da recorrente não tem o condão de considerar o tributo devido, mas, tão somente de suspender a eficácia da sentença, e consequentemente, reativar a liminar anteriormente deferida. Acrescenta que a sentença que reconheceu o direito de a recorrente compensar os créditos de IPI é uma sentença terminativa, nos termos dos arts. 162, § 1º, 267 e 269 do CPC, que só pode ser substituída por uma decisão proferida pelo Tribunal, ou seja, pelo acórdão, nos termos do art. 512 do CPC. Assim, o prazo de 30 dias previsto no mencionado art. 63 jamais poderia ter sido ativado por um despacho que recebe o recurso de apelação no efeito suspensivo, pois este não tem o condão de substituir a sentença, muito menos de considerar o tributo devido. Dessa forma, estaria claro que a recorrente possuía provimento judicial até a publicação do acórdão que considerou o tributo devido, pois estava sob o efeito produzido pela medida liminar que, nos termos do art. 63, suspende o estado de mora. Conclui que a multa de mora exigida não é devida, pois a recorrente possuía provimento judicial que impedia a cobrança dos débitos do IRPJ até a publicação do acórdão em 18.10.2005, e ao realizar o pagamento da contribuição em 17.11.2005, ou seja, 30 dias após o provimento judicial que considerou o tributo devido, conforme exigido no art. 63 da Lei 9.430/96, extinguiu o crédito tributário. Requer que o auto de infração seja julgado improcedente, em razão de (i) do direito da recorrente efetivar as compensações antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito, (ii) improcedência da exigência do pagamento da multa de mora, tendo em vista que o crédito tributário encontravase extinto em razão da apresentação das declarações de compensação. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 14 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso voluntário atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração lavrado em decorrência de auditoria interna nas DCTF dos três últimos trimestres de 2002, para exigência de multa de mora, relativamente a pagamentos do valor principal do IRPJ, efetuados em 17.11.2005, acompanhado de juros de mora. A recorrente argumenta que não efetuou o pagamento da multa de mora porque o pagamento do principal e juros de mora foi realizado dentro do prazo de 30 dias da publicação (18.10.2005) do acórdão da 4ª Turma do TRF2, que deu provimento à apelação da União, fazendo com que o aproveitamento de créditos de IPI e a compensação dos valores que teriam sido indevidamente recolhidos desse tributo, deixasse de ter a tutela jurisdicional. Um dos pontos em discussão se refere ao argumento da Turma Julgadora de que os direitos creditórios apurados em sede judicial só podem ser objeto de compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial, do que a contribuinte discorda. Na sentença de primeira instância, o juiz deixou claro que: A compensação dos créditos do IPI, efetivada por conta e risco da parte autora, será fiscalizada e controlada pela Receita Federal, até a liquidação desta Sentença, por arbitramento na forma do art. 607, do CPC, para se apurar o montante correto a ser compensado, com base nos documentos contábeis da autora. A recorrente, inicialmente, estava amparada com decisão liminar que, antecipando os efeitos da tutela, autorizou "a implementação das compensações nos moldes pleiteados", e posteriormente, com a sentença, tinha tutela judicial para antecipar a compensação antes do trânsito em julgado, ou seja, a decisão não condicionou a compensação ao trânsito em julgado. Cabe o registro de que o TRF2, em 27.11.2000, deu provimento ao agravo regimental, julgando prejudicado o agravo de instrumento. Caberia no caso, que a Fazenda Nacional adotasse as providências judiciais pertinentes, a fim de reverter a decisão contrária ao CTN (art. 170A), que veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial (incluído pela LC 104/2001), mas no caso, a sentença foi proferida antes da edição dessa lei complementar. Assim, concluo que não havia óbice para a compensação. Destacase que essa conclusão não entra no mérito, se até à publicação do acórdão da 4ª Turma do TRF2, a contribuinte estava ou não amparada por autorização judicial. A partir deste ponto, parto da hipótese de que a contribuinte estava amparada por medida judicial quando da publicação do mencionado acórdão. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 8 15 O sujeito passivo fundamentouse no art. 63 da Lei 9.430/96, para efetuar o pagamento do valor do IRPJ, com juros de mora e sem a multa de mora. Transcrevo esse dispositivo legal: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº. 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Ou seja, o sujeito passivo declarou em DCTF que efetuou compensações do crédito de IPI, com débitos de IRPJ, que estaria amparado em sentença favorável, e em 18.10.2005 a tutela jurisdicional teria deixado de existir, razão pela qual efetuou o pagamento do valor principal mais juros de mora, deixando de recolher a multa de mora, com fundamento no art. 63 da Lei 9.430/96, acima transcrito. Segundo o caput do art. 63, na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa, em razão de concessão de medida liminar em mandado de segurança e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, não caberá lançamento da multa de ofício, desde que a suspensão da exigibilidade tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Na situação em que não tenha ocorrido a constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, ainda assim, tendo sido interposta ação judicial favorecida com a medida liminar, há a interrupção da incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A ação judicial interposta se refere a ação ordinária para que fosse assegurado o direito de aproveitar créditos escriturais de IPI nas aquisições de insumos imunes, isentos, nãotributados ou à alíquota zero, a fim de compensar débitos do próprio IPI, e também para que fosse assegurado o direito à compensação de valores recolhidos de IPI em anos anteriores com outros tributos ou contribuições. Portanto, mesmo na hipótese da contribuinte estar amparada por tutela judicial, o art. 63 da Lei 9.430/96, não ampara a contribuinte na situação de compensação do alegado crédito de IPI com o débito de IRPJ, pois o objeto da ação judicial não se refere à discussão do IRPJ ser devido ou não, e ademais não se trata de lançamento de ofício para prevenir a decadência. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 16 Essa já seria razão suficiente para que se negasse provimento ao recurso, não havendo necessidade de se apreciar os demais argumentos da recorrente, entretanto, na votação fui vencida, em relação a essa parte do voto, razão pela qual dou continuidade ao julgamento. O outro ponto que a Turma Julgadora destacou é que a compensação não restou comprovada. Vejamos o seguinte trecho extraído do voto condutor do acórdão da Turma Julgadora. 45. E, terceiro, porque, as compensações dos débitos de IRPJ do anocalendário de 2002 (receita 2362), que o interessado, antes da concessão da tutela jurisdicional antecipada, informara, em DCTF, que haviam sido efetuadas à conta de processo administrativo, não restaram demonstradas. 46. Com efeito, os débitos de IRPJ do anocalendário de 2002, referidos em nosso item 1, foram, nas DCTFs originais dos trimestres em tela, declarados como tendo sido compensados à conta do processo administrativo n° 13746.000403/200176 (fls.76/81, 92/95, 103/111); após, em DCTFs retificadoras, à conta do processo administrativo 13746.000189/00 79 (fls.83/84, 97/98, 112/114). 47. O processo administrativo 13746.000189/0079 foi apreciado pela autoridade lançadora em 15.08.2009, conforme cópia do Parecer n° 034/2009, de lavra da DRF/Nova Iguaçu RJ, juntado por cópia às fls.165/175. 48. Pois bem. De acordo com o sobredito Parecer, o processo 13746.000189/0079, que, nas DCTFs de todos os trimestres, aparece como vinculado aos créditos de IRPJ em tela, não controla créditos de IRPJ de 2002 (fls.168/169). 49. Dessa forma, o que remanesce, concretamente, é que o interessado, por meio de DCTFs retificadoras, alterou, sucessivamente, as informações sobre as modalidades de extinção dos débitos de IRPJ do anocalendário de 2002. 50. Com efeito, anteriormente à informação de pagamento dos débitos, constou, nas DCTFs, primeiramente, que os débitos em tela estavam vinculados a processos, como se viu; e, após, como amparados por "Antecipação de Tutela" (fls.75/120). 51. E, embora as referidas DCTFs tenham sido, ao final, retificadas com a informação de pagamento (as DCTFs dos trimestres em comento foram retificadas mais de uma vez, como se lê às fls.75/120), o interessado não logrou comprovar as alegadas compensações, e, muito menos, que elas teriam sido "corroboradas pela Fazenda Nacional". 52. Não é demais observar que a compensação, desde a edição da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002), passou a ser declarada pelo sujeito passivo, através de Declaração de Compensação, a ser, obrigatoriamente, entregue/encaminhada a esta Secretaria. Anotese, também, que, com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a Fl. 321DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13706.001332/200791 Acórdão n.º 140200.436 S1C4T2 Fl. 9 17 Declaração de Compensação foi equiparada à confissão de divida. Entendo que tem razão a Turma Julgadora, pois a contribuinte não formalizou pedido de compensação, e tampouco apresentou a Declaração de Compensação, que seria o instrumento essencial para a efetiva compensação, exigida a partir da edição da MP 66, de 29.08.2002. Consequentemente, o lançamento da multa deve ser mantido, por estar caracterizado o pagamento do IRPJ fora do prazo, desacompanhado da multa de mora, sendo cabível o lançamento da multa de mora. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 322DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.001309/00-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2000
Ementa:
SALDO NEGATIVO COMPOSIÇÃO
Não devem ser consideradas para a determinação do saldo negativo de CSLL, as estimativas parceladas, mas apenas aquelas efetivamente quitadas.
Numero da decisão: 1201-000.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,
ACOLHERos embargos de declaração para rerratificar sem efeitos infringentes o Acórdão nº 10323.213, de 17.10.2007, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERos embargos de declaração para rerratificar sem efeitos infringentes o Acórdão nº 10323.213, de 17.10.2007, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 391DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10480.001309/0099 Acórdão n.º 120100.569 S1C2T1 Fl. 392 2 Relatório Mediante a peça de fl. 375 a 379, o sujeito passivo tributário opõe embargos de declaração ao acórdão de fls. 366 a 371, cujos relatório e voto condutor foram da lavra do até então Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, no qual aduz as seguintes razões: Em primeiro lugar, a Embargante pede seja sanado o erro de fato constante à fl. 370, quando essa Relatoria aponta como total de estimativa devida R$ 3.360,169,78. Houve um erro de digitação que deve ser corrigido. 0 valor em referência deve ser retificado para R$ 3.630.169,78, porque esse era o valor devido por estimativa, conforme se depreende do demonstrativo à fl. 258. (...) Em segundo lugar, a Embargante pede seja esclarecida obscuridade em relação à não consideração da estimativa devida (e recolhida) referente ao mês de maio/1998, para composição do saldo negativo apurado ao final do ano calendário. De fato, as pessoas jurídicas que optaram pelo lucro real anual, estão sujeitas antecipação mensal do IRPJ e da CSLL calculados sobre o lucro por estimativa. Ocorre que se ao final do ano calendário for constatado que as antecipações superam o valor do tributo efetivamente devido, a diferença (saldo negativo) é restituível/compensável. E mais, para apurar essa diferença, basta comparar o total antecipado por estimativa com o total devido ao final. Pois bem. In casu, o acórdão considera o total devido por estimativa (anui a primeira obscuridade porque não se sabe o motivo de levar em consideração esse elemento que não importa para apuração do saldo negativo), não considera o valor efetivamente recolhido pelo REFIS (aqui outra obscuridade porque também não se sabe o motivo da exclusão dessa parcela), e conclui que o valor restituível é R$ 456.331,23. Ocorre que, conforme asseverado, o fato é que para apurar o saldo negativo basta comparar o total da CSLL antecipada por estimativa com o total devido ao final do anocalendário (fato conhecido por esse órgão julgador). E, assim sendo, é obscuro o acórdão recorrido quando i) leva em consideração o total devido por estimativa e ii) abstrai o total efetivamente recolhido. O cálculo, na verdade, deveria ser o seguinte: (...) Fl. 392DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10480.001309/0099 Acórdão n.º 120100.569 S1C2T1 Fl. 393 3 Importante repisar que para apurar o saldo negativo abstraise o valor devido a titulo de antecipação. Esse dado só é necessário para o Fisco calcular eventual multa isolada devida. Sendo assim, é obscuro o acórdão embargado na medida em que para apurar o saldo negativo leva em consideração elemento dispensável (valor devido como estimativa) e desconsidera, por outro lado, elemento essencial (valor efetivamente recolhido, qual seja, aquela parcela incluída no REFIS) — vide fl. 371. Atentese que não existe no acórdão justificativa para tanto, o que caracteriza a obscuridade e cerceia o direito a ampla defesa e ao contraditório na medida em que a Embargante não sabe do que ou como se defender. E mais, é contraditório quando tenta justificar a não inclusão da parcela incluída no REFIS da parcela da estimativa de maio/1998 para cálculo do saldo negativo. E é contraditório porque reconhece que essa parcela, por ter sido incluída no REFIS, não foi objeto de autuação de multa isolada. E se não foi objeto de multa isolada, é porque foi paga e, portanto, deve compor o saldo negativo. A propósito desse ponto, oportuno transcrever o trecho que importa: (...) Observese que esse trecho, data maxima venia, é obscuro e contraditório. Um vicio, aliás, decorre do outro. A obscuridade decorre do fato de o Relator partir de uma premissa que é favorável à Embargante para concluir contra ela. E a contradição é exatamente essa (uma premissa favorável e uma conclusão contrária). Ora, se o Fisco no seu dever de aplicar multa isolada nos casos em que não existe antecipação da estimativa devida (CTN, art. 142, c/c Lei 9.430/96, art. 44, § 1º , IV, com redação anterior à L 11.408/2007) deixa de fazêlo, por reconhecer que houve pagamento (seja por que modalidade for), o fato é que esse valor reconhecidamente antecipado deve compor o saldo negativo apurado ao final do anocalendário. Aliás, importa ressaltar que no mês de maio/1998 foi apurada estimativa no valor de R$ 1.608.167,83 e que desse montante apenas R$ 1.504.935,23 foi incluída no REFIS, de forma que a diferença (R$ 103.232,60), efetivamente não recolhida, foi objeto de autuação especifica em que o Fisco exige multa isolada (vide do. 02 do RV). Esse fato ratifica o que tem sido afirmado até o momento: no cálculo do total antecipado deve ser incluído o valor incluído no REFIS (R$ 1.504.935,23) ate porque o Fisco reconhece esse pagamento. Conclusão: Em razão disso, fazse imprescindível o acolhimento e provimento desses Embargos declaratórios para, sanando a obscuridade e a contradição apontadas, integrar a decisão embargada e possibilitar à Embargante o pleno conhecimento de Fl. 393DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10480.001309/0099 Acórdão n.º 120100.569 S1C2T1 Fl. 394 4 todos os fundamentos da decisão embargada, notadamente no que diz respeito exclusão da parcela paga no REFIS da composição do saldo negativo do anocalendário de 1998. 4. Dos pedidos: Ante o exposto, a Embargante pede, em primeiro lugar, sejam conhecidos e providos os Embargos Declaratórios para sanar o erro de fato, a obscuridade e a contradição apontados, retificando o valor da estimativa devida e esclarecendo o motivo da exclusão da parcela paga no REFIS da composição do saldo negativo do anocalendário de 1998. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Pela leitura do voto, conforme trecho transcrito abaixo, podemos constatar claramente não ter havido a contradição apontada pela embargante, uma vez que, em momento algum, o julgador considerou para a finalidade do cálculo do saldo negativo o valor devido a título de estimativas. Pelo contrário. Destacou que para a realização desse cálculo, não importa o valor devido. Abaixo, segue sua redação na literalidade: Do cotejo dos dados contidos no Relatório Fiscal de fls. 104/113 com os demonstrativos elaborados pela Recorrente, verificase a existência de erro nos dados apresentados pela recorrente, especialmente, quando considera o valor de R$ 3.630.169,78, como sendo o crédito fiscal do anocalendário de 1998. Esse valor, na verdade, constitui o total da CSLL devida por estimativa nos meses daquele ano, conforme bem demonstrado na fl. 109. Todavia, o crédito remanescente de 1997 não foi suficiente para compensar toda a CSLL devida por estimativa, e nem a recorrente efetuou o recolhimento ou o parcelamento da diferença total devida. Nada obstante, realmente houve obscuridade do julgado ao não consignar as razões de não ter considerado para fins do cálculo do saldo negativo o valor da estimativa incluída no REFIS. Abaixo, segue o trecho do voto em que o tema é tratado, in verbis: Quanto a alegada desconsideração de parcela incluída no REFIS, observo que no demonstrativo de fl. 109, a autoridade fiscal afirma que "...do valor devido por estimativa no mês de maio/1998, o montante de R$ 1.504.935,23 foi incluído no débito confessado no Refis..." . " Logo não sera objeto de multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal da CSLL até este montante." Destarte, valor, eventualmente, incluído no programa REFIS, como pretendido, não pode ser considerado crédito apto à restituição/compensação. Na época do julgamento, a razão fixada pelo Colegiado foi a de que só estimativas efetivamente quitadas podem compor o saldo a ser devolvido ao interessado. Não é Fl. 394DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10480.001309/0099 Acórdão n.º 120100.569 S1C2T1 Fl. 395 5 o caso de valores meramente parcelados, como aqueles incluídos no REFIS. Há de se considerar também que esse fundamento entra em contradição com a decisão ora embargada em relação ao trecho “nem a recorrente efetuou o recolhimento ou o parcelamento da diferença total devida”, que implicitamente dá a entender que valores parcelados, ainda que não quitados, podem compor o valor do saldo a ser restituído. Dessa forma, voto por dar provimento parcial aos embargos, mas sem efeitos infringentes, com o fito de reconhecer a obscuridade e contradição do acórdão embargado e retificálo para substituir a expressão “nem a recorrente efetuou o recolhimento ou o parcelamento da diferença total devida” pela “nem a recorrente efetuou o recolhimento da diferença total devida”. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 395DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002577/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN, devendo ser cancelada a exigência formalizada fora do prazo.
Numero da decisão: 1103-000.473
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN, devendo ser cancelada a exigência formalizada fora do prazo.
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SOROCABA LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN, devendo ser cancelada a exigência formalizada fora do prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Tratase de recurso de ofício. A DRJ deu parcial provimento para cancelar a parte decaída com o fulcro do art. 150 do CTN, e baseado no pagamento efetuado. Os autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrados em 23/11/2007, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 5.611.808,64, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas do 1º ao 4º trimestre do anocalendário de 2002, e assim descritas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 124/127, parte integrante da peça acusatória: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavro o presente Termo de Verificação e Constatação Fiscal para relatar as irregularidades apuradas na fiscalização determinada através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.13.00200700278, instaurado na pessoa jurídica acima mencionada. O referido MPF determinou auditoria no IRPJ do ano calendário de 2002 e Verificações Obrigatórias, correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, relativa aos tributos e contribuições administrados pela SRF, no período de 02/2002 a 12/2006. A presente fiscalização teve início em 06.03.2007 com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal e do Termo de Intimação Fiscal 01/2007, os quais foram entregues pessoalmente ao representante da fiscalizada (fl. 60 e 61). Através dos referidos termos, solicitamos ao contribuinte, dentre outros documentos, o contrato social da empresa, os livros fiscais, as DCTF entregues a partir de 2002, bem como o preenchimento de planilha das verificações obrigatórias, em papel e arquivo magnético.” Quanto a decadência a DRJ decidiu: “Decadência Preliminarmente, deve ser apreciada a invocada decadência dos créditos tributários exigidos exofficio, tendo em conta que os lançamentos, cientificados ao contribuinte em 23/11/2007, referemse aos fatos geradores ocorridos anoscalendário de 2002. No entendimento desta Turma de Julgamento, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, não basta que a legislação ordinária tenha atribuído ao sujeito passivo o dever Fl. 302DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10882.002577/200714 Acórdão n.º 110300.473 S1C1T3 Fl. 2 3 de apurar e pagar o imposto devido, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. É necessário que o sujeito passivo tenha efetuado a apuração e o pagamento , ainda que parcial do imposto para que a norma de contagem do prazo decadencial possa ser antecipada da regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN para a regra especial prevista no art. 150, §4º do mesmo diploma legal. Sob tais pressupostos, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma do lançamento por homologação, nos casos em que o sujeito passivo não apura IRPJ devido, e nos casos em que apesar de apurar IRPJ devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário, configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareçase, ainda, que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em atos normativos internos da Coordenação Geral de Tributação – Cosit, órgão regimentalmente responsável pela expedição de orientação normativa destinada a uniformizar a interpretação da legislação tributária. Há orientação expressa no sentido de que o prazo decadencial de o Fisco lançar o imposto de renda deve ser contado: (i) a partir do fato gerador, caso haja pagamento antecipado por parte de sujeito passivo (art. 150, § 4º, do CTN); ou (ii) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fisco poderia fazer o lançamento, caso não haja pagamento antecipado por parte do sujeito passivo (art. 173, I, do CTN). Cumpre destacar também que tal posicionamento é consentâneo com a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, em Recurso Repetitivo, prolatada no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Ministro Luiz Fux, que tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco consti tuir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 303DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexist indo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujei tos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efe tua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. In casu, verificase às fls. 06/59, que a contribuinte apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Fl. 304DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10882.002577/200714 Acórdão n.º 110300.473 S1C1T3 Fl. 3 5 Jurídica – DIPJ 2003 (relativa ao anocalendário de 2002), tendo optado pelo Lucro Real Trimestral, e procedeu ao pagamento dos tributos apurados como devidos, de acordo com os documentos de fls. 210/223. Em conseqüência, como a contagem do prazo decadencial deve observar as prescrições do art. 150, §4º, do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, na data da ciência das autuações, em 23/11/2007, já estava decaído o crédito tributário, cujos fatos geradores teriam ocorrido até 22/11/2002, apresentandose como regular a constituição de ofício do crédito tributário, cujos fatos geradores teriam ocorrido em 31/11/2002 e 31/12/2002.” Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. A questão é apenas sobre a decadência, doa acórdão da DRJ extraio: In casu, verificase às fls. 06/59, que a contribuinte apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2003 (relativa ao anocalendário de 2002), tendo optado pelo Lucro Real Trimestral, e procedeu ao pagamento dos tributos apurados como devidos, de acordo com os documentos de fls. 210/223. Em conseqüência, como a contagem do prazo decadencial deve observar as prescrições do art. 150, §4º, do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, na data da ciência das autuações, em 23/11/2007, já estava decaído o crédito tributário, cujos fatos geradores teriam ocorrido até 22/11/2002, apresentandose como regular a constituição de ofício do crédito tributário, cujos fatos geradores teriam ocorrido em 31/11/2002 e 31/12/2002. Assim, como vemos, a ciência foi em 23/11/2007, como houvera pagamentos usando o § 4.º do art. 150 do CTN, estão decaídos os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 22/11/2002. Assim, não há reparos a fazer no acórdão da DRJ. Em face do exposto,voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 305DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Fl. 306DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 03/06/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13899.001318/2004-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Fl. 113DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13899.001318/200424 Acórdão n.º 210201.170 S2C1T2 Fl. 99 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra KAZUYUKI TSURUMAKI foi lavrado Auto de Infração, fls. 59/63, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 72.752,47, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal, fls. 65/66, foi omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, que foi evidenciado por remessas de recursos ao exterior (fatos apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 71/74, que se encontra assim resumida na decisão recorrida, Acórdão DRJ/SPOII nº 17 22.822, de 08/02/2008, fls. 76/82: 3.1 Inicialmente, à fl. 72, afirma o impugnante que nunca efetuou quaisquer envios de recursos ao exterior no período em questão, muito menos manteve qualquer tipo de relacionamento com a citada empresa Beacon Hill; também, afirma que nunca manteve qualquer conta ou aplicação junto ao Banestado ou Citibank, em qualquer de suas agências; 3.2 O que se verifica no caso, prossegue o impugnante, é que seu nome e CPF foram indevidamente utilizados para tais fins, o que não causa estranheza em se tratando do caso Banestado, onde é fato público e notório que inúmeras pessoas tiveram seus nomes utilizados indevidamente no referido esquema de fraude; 3.3 Apesar dos documentos de fls. 5/6 — onde seu nome é citado —, o que chama a atenção é a total falta de quaisquer outras provas no sentido de que, de fato, foi ele, impugnante, quem efetuou tais remessas, ressaltandose que são documentos produzidos eletronicamente, sem qualquer assinatura, podendo ter sido feitos por qualquer pessoa que possuísse seus dados; 3.4 Ademais, o laudo anexado às fls. 07/17, bem como as outras peças extraídas do processo na 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (fls. 18/45), não apontam, em nenhum momento, o nome do impugnante; Fl. 114DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13899.001318/200424 Acórdão n.º 210201.170 S2C1T2 Fl. 100 3 3.5 Cita, então, o tributarista Zuudi Sakakihara a respeito da validade da exigência do crédito tributário; 3.6 No presente caso, argumenta que o lançamento efetuado constituise de absoluta iliquidez e incerteza, baseado em frágeis documentos não submetidos ao contraditório, eis que obtidos à sua total revelia, em processo no qual não foi chamado a participar e, portanto, nulos; 3.7 Reitera que há fortes indícios de que seu nome foi indevidamente utilizado pela quadrilha que arquitetou o esquema Banestado, como ocorreu com inúmeros cidadãos brasileiros honestos e trabalhadores; isso é fato público e notório e independe de qualquer outra prova, eis que amplamente divulgado pela imprensa nacional; 3.8 Conclui, requerendo a exoneração de pagamento do crédito tributário lançado, em vista de sua iliquidez e incerteza, mormente por não ter sido ele, impugnante, o autor das transferências bancárias referidas. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/03/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 85, o contribuinte apresentou, em 18/04/2008, recurso voluntário, fls. 86/95, no qual reitera e reproduz as mesmas alegações da impugnação. É o Relatório. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13899.001318/200424 Acórdão n.º 210201.170 S2C1T2 Fl. 101 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do exame dos documentos que compõe o processo, principalmente do Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, fls. 55, inferese que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal foi evidenciado tãosomente pela operação de remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 75.000,00, em 06/12/1999, onde o contribuinte consta como remetente. Destaquese que na elaboração do fluxo de caixa não foram considerados sequer os rendimentos declarados e as demais informações constantes na Declaração de Ajuste Anual (DAA), fls. 56/58, exercício 2000, anocalendário 1999, apresentada pelo contribuinte. Para melhor analisar a questão, vale lembrar que a remessa de recursos para o exterior, por si só, não comprova consumo de renda ou aquisição de patrimônio. A transferência de recursos financeiros de um país para outro, deve ser analisada, para fins de elaboração de fluxo de caixa, da mesma forma como se analisa uma transferência de numerário entre contas bancárias mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras domiciliadas no Brasil. O fato de o contribuinte movimentar seus recursos financeiros de uma instituição para outra não pode ser tomada como consumo de renda ou aquisição de patrimônio. O consumo da renda somente é evidenciado quando a autoridade fiscal comprova que o contribuinte comprou bens móveis ou imóveis ou que suportou despesas. A transferência bancária, por si só, ainda que seja do Brasil para o exterior, não equivale à realização de despesas. E mais, dos autos não restou comprovado que o valor correspondente à transferência do referido recurso ao exterior tenha sido convertida em consumo de renda ou aquisição de patrimônio, seja aqui no Brasil ou no exterior. Ou seja, a autoridade fiscal limitou se a tributar a operação bancária, sem comprovar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67 (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010), que abaixo se transcreve: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Acórdãos precedentes: CSRF/0104.663, de 13/10/2003; 10617.156, de 06/11/2008; 10615.820, de 20/12/2006; 10419.123, de 05/12/2002; 104 17.359, de 28/01/2000) Fl. 116DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13899.001318/200424 Acórdão n.º 210201.170 S2C1T2 Fl. 102 5 Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou consumo da renda. Logo, não pode prosperar o lançamento. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 117DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 11330.000954/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2006
Ementa: INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E
DA AMPLA DEFESA
Deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2301-002.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2006 Ementa: INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância. Decisão Recorrida Nula
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A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 29/06/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 20), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitados por intermédio de TIAD, os documentos relativos ao Movimento Contábil referente aos lançamentos identificados no Anexo I do referido Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1216.604, da 15a Turma DRJ/RJOI (fls. 72), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 79 e seguintes), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na existência de dependência do AI n. 37.107.8237 à NFLD n° 37.006.6570, uma vez que os documentos requisitados pelo Ilustre Auditor Fiscal e que constam do Anexo I, acostado ao presente processo, têm estrita ligação com a NFLD n° 37.006.6570, sendo inegável que o que restar decidido no processo principal (NFLD) terá reflexo no processo decorrente (A.I). Observa que, no caso em foco, enquanto a NFLD cuida da incidência de contribuições levantadas sobre prêmios pagos em caráter indenizatório, mas que a fiscalização caracteriza como salários, fato negado pelo Contribuinte, o Auto de Infração referese a penalidades e multas por não ter a Recorrente informado, à Fiscalização, a relação discriminando os valores pagos, por beneficiário e competência, relativos às Notas Fiscais, emitidas pela empresa administradora do programa de premiação. Reitera que o auto de infração é nulo por arrolamento inadequado dos supostos sujeitos passivos da obrigação fiscal, uma vez que a autoridade lançadora fez constar, n a Relação dos CoResponsáveisCORESP, nomes de pessoas que não possuíam poder de mando/direção a época da ocorrência dos pretextados fatos geradores. Reafirma que o Auditor Fiscal relacionou, sem critério e indevidamente, pessoas que sequer faziam parte da administração da empresa no decurso do período fiscalizado, ignorando, entretanto, que somente as pessoas eleitas para a Diretoria Executiva da Impugnante naquele período é que estariam, em tese, sujeitas às citadas vinculações. Entende que devem ser consideradas, para a fixação da coresponsabilidade e vinculação ao crédito lançado, somente as pessoas eleitas a partir da Assembléia Geral Ordinária de 2003 para os mandatos de 2003 a 2005 e, posteriormente, pela Assembléia Geral Ordinária de 2005, para o mandato de 2005 a 2007, que são responsáveis pelo período objeto do lançamento impugnado, e, mesmo assim, somente pelo período em que eram diretores eleitos do Recorrente, em razão de várias substituições efetivadas no decurso desse tempo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000954/200781 Acórdão n.º 2301002.150 S2C3T1 Fl. 95 3 Estranha a conclusão da autoridade julgadora, pois aduz que restou comprovado, nos autos, que os responsáveis elencados na relação de Coresponsáveis não possuíam qualquer poder de mando/direção à época dos fatos geradores apontados pela fiscalização. No mérito, tenta demonstrar que os valores relativos aos incentivos fornecidos aos empregados não integram o salário de contribuição por não se tratarem de remunerações É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise das razões recursais trazidas pela autuada, registro o que se segue. Inicialmente, a autuada alega que o AI é nulo, pois o Auditor Fiscal relacionou, nos relatórios de vínculos e de coresponsáveis, sem critério e indevidamente, pessoas que sequer faziam parte da administração da empresa no decurso do período fiscalizado, ignorando, entretanto, que somente as pessoas eleitas para a Diretoria Executiva da Impugnante naquele período é que estariam, em tese, sujeitas às citadas vinculações. Estranha a conclusão da autoridade julgadora, de que "os responsáveis elencados no Relatório de Co ResponsáveisCORESP, são para fins de Cadastro de Possível Responsabilidade Pessoal nos casos em que a Lei determina, não para fins de atribuição de responsabilidade solidária". De fato, verificase que a recorrente alegou, em sua peça impugnatória, que a fiscalização se equivocou indicando, no relatório de vínculos e no de coresponsáveis, pessoas que não faziam parte, à época da ocorrência da infração, do quadro de gerentes da recorrente. No entanto, o Relator do Acórdão recorrido, entendo que as alegações da recorrente eram no sentido de afastar a responsabilidade solidária das pessoas arroladas pelo fisco nos relatórios integrantes da NFLD, tentou demonstrar que os responsáveis ali elencados são somente para fins de cadastro. Todavia, em nenhum momento de sua impugnação a recorrente tentou afastar a responsabilidade dos administradores da empresa, mas apenas tentou comprovar que a fiscalização se equivocou ao incluir nomes que não faziam parte da administração da empresa. O julgador de primeira instância afirma que a relação de coresponsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos Fatos Geradores. Ora, mas é exatamente isso que a recorrente afirmou, e que não foi averiguado pela primeira instância administrativa: que algumas das pessoas constantes da relação de coresponsáveis não possuíam, à época, poder de mando/direção, tendo em vistas as Assembléias Geral Ordinárias ocorridas no período, com eleições alterando a Diretoria Executiva da Recorrente, o que não foi observado pela autoridade autuante quando da elaboração dos referidos relatórios. Contudo, ao contrário do que alega a recorrente, entendo que o vício apontado no Acórdão recorrido não vicia todo o procedimento fiscal, podendo ser sanado com a emissão de nova decisão, oportunizando, assim, ao contribuinte tomar ciência do entendimento da SRFB sobre o assunto, concedendolhe prazo para interposição de recurso a este Conselho, restituindolhe, dessa forma, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000954/200781 Acórdão n.º 2301002.150 S2C3T1 Fl. 96 5 Dessa forma, diante da irregularidade acima apontada, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância merece ser decretada, para que seja apreciada a matéria impugnada pela empresa, e para que seja averiguada as alegações da recorrente, no sentido de que algumas das pessoas físicas arroladas pelo fisco nos relatórios “Relação de Vínculos” e “Relatório de Representantes Legais” não faziam parte da administração da empresa nos períodos ali indicados. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000080/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006
Ementa: JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da
Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE
CONSTITUCIONALIDADE.
Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais,
cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.937
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006 Ementa: JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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Recorrente PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SUPERBOM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006 Ementa: JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Recurso Voluntário Negado Fl. 214DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18186.000080/200712 Acórdão n.º 230200.937 S2C3T2 Fl. 213 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, cujos valores foram declarados em GFIP, referente ao período compreendido entre as competências fevereiro de 2004 a março de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 85 a 88. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 108 a 133. A Delegacia da Receita Previdenciária exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 147 a 159. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 165 a 184. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • A multa aplicada é confiscatória; • É indevida a aplicação da taxa Selic; • Não houve recolhimento por estado de necessidade; • Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 208. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. A alegação de ter agido com boafé não afasta a responsabilidade tributária. A alegação de estado de necessidade não desnatura o lançamento efetuado. Uma vez que a notificada remunerou segurados, descontando as contribuições previdenciárias por eles devidas, conforme informação nos registros documentais da empresa, deveria a notificada efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Mesmo quando a empresa não efetua os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será do empregador, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 217DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18186.000080/200712 Acórdão n.º 230200.937 S2C3T2 Fl. 214 5 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 Fl. 218DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Diante da especificidade da legislação tributária, não há que se aplicar as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor. Nesse sentido é o teor do verbete de Súmula n 51 do CARF, nestas palavras: Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 219DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000827/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006
ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas,
montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL.
DESNECESSIDADE.
É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006 ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 88 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006. Data da lavratura da NFLD: 17/11/2006. Data da Ciência do NFLD : 17/11/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme declaradas em GFIP, de acordo com o relato assentado no Relatório Fiscal a fls. 39/40. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 41/51. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 68/71 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/01/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 72. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente, em 30/01/2008, interpôs recurso voluntário, a fls. 73/85, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que não restou comprovada a motivação da autoridade autuante para a instituição do suposto crédito previdenciário de forma a demonstrar, clara e precisamente, a ocorrência de suposta infração, ofendendo dessa forma, as garantias do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa; • Que a NFLD em questão foi lavrada através de um procedimento fiscal realizado no estabelecimento da empresa Recorrente, através do qual se procedeu à análise dos livros e documentos contábeis relativos às contribuições exigidas, sendo necessária a verificação dos valores constantes da escrita fiscal no intuito de apurar o crédito previdenciário julgado devido. Aduz que, para a análise de tais documentos fiscais, são necessários os conhecimentos técnicos de um profissional de contabilidade, sendo que a análise de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado; • Que a multa de mora aplicada tem efeito de confisco; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional. Ao fim, requer que seja declarada a nulidade da Notificação Fiscal. Alternativamente, requer o afastamento da multa de mora e a incidência da taxa Selic. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO Alega o Recorrente que não restou comprovada a motivação da autoridade autuante para a constituição do suposto crédito previdenciário de forma a demonstrar, clara e precisamente, a ocorrência de suposta infração, ofendendo dessa forma, as garantias do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. O apelo do Recorrente não espelha a realidade consignada nos relatórios que integram a NFLD em debate. De início, cabe iluminar que o Lançamento Tributário configurase como um ato administrativo por excelência, sendo, por tal motivo, dotado de presunção de veracidade e legitimidade que, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de veracidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Robustecida a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, operase a inversão do ônus probante, recaindo sobre o notificado a carga de desconstituir o lançamento levado a efeito. Dessai do Relatório Fiscal, a fl. 39, itens 01 a 04, que os fatos geradores apurados mediante o levantamento “FPG FOLHA DE PAGTO DECL EM GFIP” foram apurados diretamente pelo exame das folhas de pagamento e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Assentado que a responsabilidade pela elaboração das folhas de pagamento e pelo seu conteúdo repousa sobre o próprio sujeito passivo, conforme assim estatui o inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91, tornase despicienda a sua integral reprodução no Relatório Fiscal da NFLD em apreço, eis que o Recorrente já possui conhecimento de toda a matéria tributável objeto deste lançamento. Cuidouse a Autoridade Lançadora de consignar no item 01 de seu Relato Oficial que o recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social, relativas à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre as folhas de pagamento de empregados e contribuintes individuais, não foi comprovado pelo notificado. Nesse contexto, tendo em vista, repisese, o consagrado atributo da presunção iuris tantum de veracidade que caracteriza os atos administrativos, e a consequente inversão do encargo probatório, repousa sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Tal incumbência lograria o êxito esperado pela mera apresentação de cópias autenticadas dos comprovantes de recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias objeto da vertente Notificação Fiscal. De forma análoga, caso o Recorrente houvesse vislumbrado qualquer erro cometido pela fiscalização na mensuração da base de cálculo, bastaria instruir a sua Impugnação com as cópias autenticadas de suas folhas de pagamento e das GFIP – documentos a partir dos quais foram apuradas as matérias tributáveis – para, assim, desconstituir a presunção em realce. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados em suas folhas de pagamento e GFIP, não se encontravam condizente com a realidade tanto na fase de impugnação, quanto agora em sede Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 90 7 de Recurso Voluntário. Assim não o fez, optando por opor alegações vazias, não ancoradas em indícios de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, tão somente, as quais são insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame, não logrando, assim, desincumbirse do ônus probatório que lhe era avesso. Mas não é assim que a banda toca. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária comprovou a ocorrência dos fatos geradores, pelo exame dos documentos elaborados pelo próprio Recorrente, enquanto que este, de forma sintomática, uma vez mais, deixouse transcorrer in albis o momento oportuno para produzir as provas aptas à desconstituição do lançamento tributário ora em julgo. Verificase que os relatórios que integram a presente NFLD foram elaborados em sintonia com as normas que disciplinam o Processo Administrativo Fiscal. O Relatório Fiscal e documentos anexos descrevem de forma detalhada e clara os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no curso da ação fiscal, indicando em cada caso, a fonte onde foram coletadas as informações bem como a natureza de cada contribuição lançada, indicando, para cada competência e código de levantamento, o valor da base de cálculo apurada, sindicável, portanto, quanto a sua correcção. O Discriminativo Analítico de Débito, por seu turno, apresenta ao notificado as bases de cálculo apuradas, as rubricas exacionais associadas, as alíquotas correspondentes, os valores originários das contribuições devidas, os eventuais crédito tributários de titularidade Sujeito Passivo, bem como as diferenças a recolher, tudo isso discriminado por rubrica, por levantamento e por competência. Quanto ao embasamento jurídico a dar suporte à atividade levada a cabo pela fiscalização, os fundamentos legais aplicáveis ao lançamento encontramse detalhadamente arrolados no relatório "Fundamentos Legais do Débito — FLD", além das menções pontualmente distribuídas no corpo do Relatório Fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão ao Recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: A empresa remunerou segurados obrigatórios do RGPS mas não logrou comprovar o recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias correspondentes. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 3. DO MÉRITO Cumpre assentar, de plano, que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO EXAME DA CONTABILIDADE Sustenta o Recorrente que a NFLD em questão foi lavrada através de um procedimento fiscal realizado no estabelecimento da empresa Recorrente, através do qual se procedeu à análise dos livros e documentos contábeis relativos às contribuições exigidas, sendo necessária a verificação dos valores constantes da escrita fiscal no intuito de apurar o crédito previdenciário julgado devido. Aduz que, para a análise de tais documentos fiscais, são necessários os conhecimentos técnicos de um profissional de contabilidade, sendo que a análise de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado; A rogativa acima reclamada encontrase totalmente dissociada do procedimento levado a efeito na apuração das contribuições previdenciárias objeto da NFLD em debate. Conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal, a fl. 39, itens 01 a 04, os fatos geradores apurados mediante o levantamento “FPG FOLHA DE PAGTO DECL EM GFIP” foram apurados diretamente pelo exame das folhas de pagamento e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, e não pelo exame da escrita contábil do Recorrente. Além disso, a alegação de que o exame da de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado encontrase em flagrante atrito com o Ordenamento Jurídico Pátrio. O art. 37, I da CF/88 estabelece, de forma clara e precisa, que os cargos públicos são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, cuja investidura dependerá de aprovação prévia em concurso público. Constituição Federal de 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 91 9 títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) A formação acadêmica e as atribuições conferidas aos Auditores Fiscais encontramse elencadas na lei que rege a aludida carreira, a saber, Lei nº 10.593/2002, a qual não estabelece nenhuma precedência ou exclusividade de qualquer profissão regulamentada sobre outra, conforme se depreende das disposições inscritas em seu art. 3º, caput, e 8º, em excerto rememorado adiante para a melhor compreensão de seus fundamentos: LEI Nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Art. 2º Os cargos de AuditorFiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de AuditorFiscal da Previdência Social e de AuditorFiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifos nossos) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; (grifos nossos) b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; (grifos nossos) c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; (grifos nossos) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...) Tal competência também se revela nos termos inscritos no art. 33 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à ocasião da lavratura do presente Auto de Infração. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art.33 – Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art.11, cabendo ambos os órgãos, na esfera da sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. §1 É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e do Departamento da Receita Federal – DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos artigos 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) A Lei nº 11.457/2009 promoveu a fusão da Secretaria da Receita Federal SRF com a Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, dela originando a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, permaneceram irretocadas, no entanto, as atribuições do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme dessai da redação do texto legal a seguir transcrito: LEI Nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 92 11 não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007) Mais adiante, de molde a espancar qualquer dúvida ainda persistente, a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, modificou a redação do art. 33 da Lei nº 8.212/91 sem, no entanto, alterarlhe a essência, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifos nossos) Mas não é só. Há mais ... Perfilando o mesmo desenho legal, este Colegiado firmou entendimento no sentido oposto à pretensão do Recorrente, materializado na Súmula nº 5, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007, e publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, com a seguinte redação: SÚMULA Nº 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem parte do seu cotidiano, Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal. 3.2. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Pondera o Recorrente que a multa aplicada tem caráter de confisco, o que não é permitido na ordem jurídica brasileira. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 93 13 arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Escapa da competência desta Corte Administrativa, entretanto, a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 94 15 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA TAXA SELIC. Pondera em defesa o Recorrente que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é ilegal. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 16DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 95 17 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 96 19 Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 19DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10980.009580/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2006
PEDIDO DE PERÍCIA. CONSIDERA-SE NÃO FORMULADO SE AUSENTES OS REQUISITOS LEGAIS PARA SUA APRESENTAÇÃO.
Em conformidade com o §1º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia que não preenche os requisitos legais é considerado não formulado.
NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação,preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial
é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não existem pagamentos em relação aos fatos geradores lançados, o que impõe a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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PREV NFLD PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente CRE PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2006 PEDIDO DE PERÍCIA. CONSIDERASE NÃO FORMULADO SE AUSENTES OS REQUISITOS LEGAIS PARA SUA APRESENTAÇÃO. Em conformidade com o §1º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia que não preenche os requisitos legais é considerado não formulado. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não existem Fl. 1784DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 pagamentos em relação aos fatos geradores lançados, o que impõe a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1785DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.756 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.044.5791, lavrada em 29/12/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais, no período de 12/1999 a 03/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 338.719,57, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 02/01/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 587/614, na qual apresentou alegações similares àquelas que resumiremos a seguir quando tratarmos do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 1695/1705, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/12/2007, fls. 1707. No decisório foi excluído o lançamento em duplicidade da competência 09/00. O recurso voluntário, apresentado em 10/01/2008, fls. 1708/1746, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia apontando que muitos dos pagamentos considerados pela fiscalização referemse à quitação de serviços prestados por pessoas jurídicas, e a reembolsos de viagem. Aponta que a fiscalização lhe concedeu um prazo exíguo para a apresentação de documentos, o que caracterizaria uma atuação arbitrária que resulta na nulidade do lançamento. Teria ocorrido cerceamento de defesa no indeferimento da prova pericial e documental pela decisão a quo. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Alega que muitos pagamentos referemse a pagamentos feitos a pessoas jurídicas mediante notas fiscais e retenção na fonte. Sustentou a recorrente que contratou mútuo com a empresa Formato em 1999 e que a quitação de tal mútuo foi feita por meio de pagamentos a pessoas físicas que eram funcionários da mutuante Formato. Argumenta que teriam sido incluídas no lançamento algumas despesas operacionais que não representaram prólabore indireto aos sócios. Alega que fez a retenção e recolhimento sobre o pagamento de vários contribuintes individuais( Mauro Rassi Júnior (06/03 e 07/03), Wilson Pedroso (07/03, 10/04 e 01/05, João Arlindo dos Santos (02/04)). Insiste que provas foram desconsideradas caracterizando um formalismo excessivo, ferindo o princípio da verdade real do processo contencioso tributário. Fl. 1786DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 É o relatório. Fl. 1787DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.757 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória, na medida em que o prazo originalmente concedido era muito curto e seu pedido de dilação deste não foi atendido. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Pedido de perícia sem os requisitos legais Alega a recorrente que a decisão a quo é nula, pois não apreciou seu pedido de perícia. No entanto, observamos que o pedido de perícia constante da impugnação foi genérico sem apontar os motivos que a justificariam e sem qualificar o perito de sua parte que Fl. 1788DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 indicava. Assim, de acordo com o art. 16, §1º, o pedido é considerado não formulado. Se o pedido não foi formulado adequadamente não pode ser considerado como causa de nulidade sua não apreciação. Ademais, o item 13 da decisão justificou a negativa para a realização de perícia. Do pedido de produção de provas A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada algumas das hipóteses do §4º do art. 16, o que não foi demonstrado pela recorrente. Por seu turno, a decisão de primeira instância justificou a negativa de produção de provas no item 13 do decisório. O pedido para produção de provas é, portanto, negado, bem como fica afastada a nulidade da decisão de primeira instância por esse motivo. Decadência A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada Fl. 1789DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.758 7 inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Fl. 1790DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Fl. 1791DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.759 9 Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 1792DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1793DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.760 11 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei Fl. 1794DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade Fl. 1795DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.761 13 dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não constam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/2001, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Como relatado, no mérito alega que os pagamentos a contribuintes individuais são, na verdade, referentes a : 1 — pagamentos de pessoas jurídicas; 2— pagamento da folha de subempreiteiro; 3 — pagamento de pessoas físicas como forma de saldar mútuo com a empresa formato; 4 — despesas operacionais, em especial os pagamentos caracterizados como prólabore; 5— retenção e recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais; Pagamentos a pessoas jurídicas Conforme consignado na decisão a quo, a recorrente não especificou nas planilhas de fls. 624/665, quais pagamentos teriam sido efetuados a pessoas jurídicas com a correspondente emissão de nota fiscal, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar Fl. 1796DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Pagamento da folha de subempreiteiro A recorrente afirma que assumiu o pagamento de alguns trabalhadores que deviam ser remunerados por seu subempreiteiro. Mais uma vez, a decisão de primeira instância, fls. 1701, foi precisa ao afirmar que : “(...)[como o] subempreiteiro desapareceu, como evidencia a comunicação interna que determina o adiantamento dos salários de outubro de 2003. Portanto, nas competências 12/03 e 01/04 o subempreiteiro estava ausente e os trabalhadores não estavam recebendo ordens de serviço de seu empregador desaparecido (não havia subordinação). A fiscalização não detectou a presença dos elementos caracterizadores do vínculo de emprego direto com a Notificada. Logo, diante da inequívoca prestação de serviços dos trabalhadores para a CRE e da ausência do subempreiteiro, os trabalhadores são contribuintes individuais, pessoas físicas que prestaram serviços para a Notificada.” Pagamento de pessoas físicas como forma de saldar mútuo com a empresa formato Sustentou a recorrente que contratou mútuo com a empresa Formato em 1999 e que a quitação de tal mútuo foi feita por meio de pagamentos a pessoas físicas que eram funcionários da mutuante Formato. No tocante aos empréstimos e sua comprovação, os argumentos da recorrente não prosperam. Tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos, sendo que a jurisprudência firmouse mansa e pacificamente no sentido de não acolher as alegações de empréstimos não acompanhadas do respectivo contrato de mútuo e das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. (Acórdão 10245383 de 20/02/2002) MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este Fl. 1797DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.762 15 ultimo possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 10612836 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio majoritário, são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro do empréstimo na escrituração, por si só, é insuficiente para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica. Na falta de documentos, coincidentes em datas e valores, que comprovem o efetivo ingresso dos recursos alegados no patrimônio da pessoa física do sócio, mantémse o lançamento a título de omissão de rendimentos revelada por acréscimo patrimonial a descoberto. (Acórdão 10612357 de 07/11/2001) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO MÚTUO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) “NORMAS PROCESSUAIS PROVA MÚTUO O evento econômico de referência expresso em documento apresentado como prova, deve estar em harmonia com os demais que constituíram o suporte fático para incidência do tributo. O empréstimo do tipo mútuo requer suporte em instrumento contratual, revestido das formalidades intrínsecas e extrínsecas previstas na lei e a comprovação da efetiva entrega de seu objeto.” (2ª Câmara, Ac. 10246120, sessão de 10/09/2003) “EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO MÚTUO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor.” (6ª Câmara, Ac. 10613763, sessão de 05/12/2003) “EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cópia do contrato de mútuo, cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio hábil e idôneo admitido em direito, da efetiva transferência dos recursos, coincidente em datas e valores, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo, não sendo suficiente a apresentação apenas de recibo ou nota promissória.” (2ª Câmara, Ac. 10246568, sessão de 01/12/2004) Portanto, para a comprovação do empréstimo, há necessidade da efetiva comprovação da saída do numerário do patrimônio do mutuante, respaldado pelo respectivo contrato ou da informação nas escriturações autenticadas de ambos os contratantes, e da comprovação da quitação efetuada pelo mutuário. Ausentes tais elementos probantes, resta sem comprovação a efetividade do mútuo. Destacamos, por oportuno, o que foi anotado na decisão a quo: Fl. 1798DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 “9.3.3. Notese que, sem os contratos celebrados e sem documentos que os corroborem, a situação é pouco verossímil: Formato aliena obras e acervo técnico para CRE, mas esta empresta dinheiro da Formato e salda o mútuo através do pagamento dos salários e contribuições da mãodeobra da Formato que foi cedida para a CRE, devendo a CRE, por decorrência lógica, pagar também pela cessão da mãodeobra da Formato nas obras agora de titularidade da CRE. 9.3.4. Portanto, diante da ausência de prova do contrato de cessão da mãodeobra e da ausência de prova do teor do contrato de mútuo, não há como negar que a CRE remunerou mãodeobra de contribuintes individuais, tal como detectado pela fiscalização.” Despesas operacionais Segundo a recorrente, teriam sido incluídas no lançamento algumas despesas operacionais que não representaram prólabore indireto aos sócios. Conforme anotado na decisão a quo, tal argumento não diz respeito ao presente lançamento, mas à NFLD 37.044.5848. A título argumentativo, no entanto, esclarecemos que a qualificação de despesa operacional em nada afeta a incidência da contribuição previdenciária. Aqui o que importa é quem foi beneficiário do pagamento e qual o vínculo que este possui com a empresa. Toda a folha de pagamentos é despesa operacional, mas, nesse caso, a incidência da contribuição previdenciária é determinada pela existência de remuneração a empregados. Por outro lado, se são feitos pagamentos a pessoas físicas que possuem a característica de remuneração por serviço prestado sem vinculo trabalhista, estes devem sofrer a incidência da contribuição por serem remuneração de contribuintes individuais, como é o caso dos autos. Retenção e recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais A recorrente alegou que fez a retenção e recolhimento sobre o paga,mento de vários contribuintes individuais( Mauro Rassi Júnior (06/03 e 07/03), Wilson Pedroso (07/03, 10/04 e 01/05, João Arlindo dos Santos (02/04)). No entanto, como já assinalado no decisório de primeira instância não trouxe aos autos a prova de tais pagamentos, o que impede o acatamento de seus argumentos. Fl. 1799DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.763 17 Desconsideração de provas Por fim, não compartilho do entendimento da recorrente de que provas foram desconsideradas sem qualquer justificativa, o que teria comprometido a busca pela verdade real. Observamos que a decisão a quo analisou detidamente todas as provas apresentadas, relacionando para cada uma delas o motivo da desconsideração de seu valor probante, particularmente no item 12 da decisão atacada. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a afastar os fatos geradores ocorridos até 31/12/2001, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1800DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
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