Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10283.720049/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ERRO DE FATO REVISÃO DE OFÍCIO
Demonstrado e comprovado nos autos que a área total e as respectivas áreas distribuídas e utilizadas do imóvel foram informadas pelo Contribuinte na sua DITR/2005, com três casas decimais a mais, configurando-se a hipótese de erro de fato, cabe alterar as dimensões dessas áreas, para efeito de revisão do lançamento de ofício, adequando a exigência à realidade fática do imóvel
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ERRO DE FATO REVISÃO DE OFÍCIO Demonstrado e comprovado nos autos que a área total e as respectivas áreas distribuídas e utilizadas do imóvel foram informadas pelo Contribuinte na sua DITR/2005, com três casas decimais a mais, configurando-se a hipótese de erro de fato, cabe alterar as dimensões dessas áreas, para efeito de revisão do lançamento de ofício, adequando a exigência à realidade fática do imóvel Recurso de ofício negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10283.720049/2010-97
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5295297
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.389
nome_arquivo_s : Decisao_10283720049201097.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10283720049201097_5295297.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5089636
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173335420928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720049/201097 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2202002.389 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria IRRF Recorrente TATSUJI TAKENO ESPÓLIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ERRO DE FATO REVISÃO DE OFÍCIO Demonstrado e comprovado nos autos que a área total e as respectivas áreas distribuídas e utilizadas do imóvel foram informadas pelo Contribuinte na sua DITR/2005, com três casas decimais a mais, configurandose a hipótese de erro de fato, cabe alterar as dimensões dessas áreas, para efeito de revisão do lançamento de ofício, adequando a exigência à realidade fática do imóvel Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 49 /2 01 0- 97 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, TATSUJI TAKENO, por meio da Notificação de Lançamento nº 02201/00001/2010 de fls. 08/12, emitida, em 17.02.2010, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário, no montante de R$10.041.173,02, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2005, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Sítio Takeno”, cadastrado na RFB sob o nº 0.016.8092, com área declarada de 12.720,8 ha, localizado no Município de Manaus/AM. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02201/00027/2009 de fls. 03/04, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2005 no valor de R$1.734,62. Por não ter sido apresentado qualquer documento de prova, e procedendo se a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2005, a fiscalização resolveu alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$0,00 (R$0,00/ha) para R$22.065.754,10 (R$1.734,62/ha), com conseqüente aumento do VTN tributável, e disto resultando imposto suplementar de R$4.411.385,55, conforme demonstrado às fls. 11. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às fls. 09/10 e 12. Cientificado do lançamento em 22.04.2010, conforme Edital nº 038/2010 de fls. 15, ingressou o herdeiro responsável (Sr. Sadao Takeno, CPF 022.063.74234), em Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720049/201097 Acórdão n.º 2202002.389 S2‐C2T2 Fl. 3 3 29.04.2010, com sua impugnação de fls. 20/26, instruída com os documentos de fls. 27/72, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: Esclarece que a área do imóvel é de 12,7208 ha e não de 12.720,80 há como consta da Notificação de Lançamento e que em 29.01.2008 efetuou a venda do imóvel a Construtora Amazonidas Ltda, não sendo o legítimo proprietário do imóvel; Entende que a Notificação de Lançamento não encontra arcabouço legal ao se apoiar em uma área 1.000 (mil) vezes a área real do imóvel e o sujeito passivo da obrigação principal não é o recorrente, por esses motivos requer seja declarada a nulidade da Notificação; Informa que o imóvel está localizado a Rua Paul Adams, s/n – lote 5 – Parque 10, destacando que anteriormente a mudança de nomes das ruas situadas em Manaus o nome anterior da rua era Estrada dos Japoneses, s/n – Lote 5 – Parque 10; Considera que constitucionalmente o fato gerador do ITR é referente a imóvel localizado fora da zona urbana do município e assim, também, dispõe a Lei nº 9.393/1996 e que os imóveis que não se compreendem neste conceito ficam sujeitos ao Imposto sobre Propriedade Predial Territorial Urbana (IPTU), como é o caso em tela; Informa que efetua o pagamento do IPTU do imóvel, desde 2002, uma vez que ele está localizado em área urbana, já que o fato gerador desse imposto é a propriedade, domínio útil ou posse de imóvel localizado em zona urbano do município; Salienta que o Código Tributário Nacional (CTN) impôs o limite exigindo a existência de pelo menos dois melhoramentos construídos ou mantidos pelo poder público municipal além de o município considerar urbanas as áreas urbanizáveis ou de expansão urbana mesmo que localizados fora de zona urbana definida no art. 32 do CTN; Ressalta que além da cobrança e do pagamento do IPTU há as exigências para efeitos deste imposto como: posto de saúde, localizado em rua de acesso a Rua Paul Adams e iluminação pública, calçamento, asfaltamento e esgoto sanitário na Rua Paul Adams, colocando fotos, em sua impugnação, desses melhoramentos; Coloca foto de Mapeamento do Google Earth – Estrada dos Japoneses (Rua Paul Adams) – localizada no Bairro do Parque 10 – Manaus para demonstrar que o imóvel está localizado em área urbana e conclui que, pelo o exposto, está sujeito a incidência do IPTU; Salienta que ao não estar sujeito ao cumprimento do objeto da obrigação principal do ITR não está sujeito a correção monetária, multa e juros; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Requer que sejam acolhidas as preliminares argüidas, reconhecendo se a nulidade da Notificação de Lançamento, ou caso assim não seja entendido, requer sejam acatadas as razões de mérito, uma vez demonstrada a improcedência da autuação fiscal, cancelandose a Notificação com o consequente arquivamento do processo administrativo; Protesta pela produção de provas documental, testemunhal e depoimento pessoal, perícia e diligência no entendimento da autoridade julgadora caso sejam necessárias, requerendo para tanto que sendo deferida a perícia e ou diligência que seja acompanhada por um perito indicado pelo sujeito passivo. Após distribuição do processo para julgamento e em decorrência da análise preliminar do processo, verificouse que, não obstante os documentos acostados autos pelo herdeiro do contribuinte, não havia como afirmar, de forma inequívoca, que o imóvel referente ao lançamento efetuado seja o mesmo ao que o Srº Sadao Takeno se refere como localizado em área urbana na Rua Paul Adams, s/n, lote 05, Parque 10, anteriormente, localizado na Estrada dos Japoneses, s/n – Lote 5 – Parque 10, segundo sua própria informação, com a ocorrência de uma possível declaração errada em relação a área total do imóvel e que realmente houve inscrição do imóvel como rural, com incidência do ITR, e ao mesmo tempo como imóvel urbano, com incidência do IPTU, conforme Resolução nº 358 da 1ª Turma da DRJ/BSA, de 27.10.2010, às fls. 97/101. Assim, no intuito de melhor instruir os autos para fins de bom julgamento da lide, foi proposto o retorno do processo ao Órgão de origem, para a tomada das seguintes providências: Informar se havia pedido de cancelamento da inscrição do imóvel por parte do contribuinte, em conformidade, com o art. 6º da Lei nº 9.393/1996 e o art. 8º da IN/RFB nº 830/2008, e caso positivo qual seria a manifestação do órgão competente para análise do pedido; Não havendo pedido de cancelamento do presente NIRF, se possível, apresentar alguma informação ou documentos que possam esclarecer os fatos narrados, principalmente no que se refere à rejeição e bloqueio da referida DITR/2006; Consultar o Cartório competente, se necessário, para confirmação se há ou houve mais de um imóvel de propriedade do contribuinte, visando esclarecer se existe ou não um imóvel com 12.720,8 ha em área rural, e que para que sejam fornecidas as suas cópias atualizadas das matrículas dos registros imobiliários, além da cópia atualizada, inteiro teor, do registro da matrícula de nº 25.712, conforme Escritura de Compra e Venda; Consultar a Prefeitura de Manaus se o endereço constante da Escritura de Compra e Venda do Imóvel, “Colônia Cachoeira Grande, lote 05”, é o atual endereço declarado como sendo “Rua Paul Adams, s/n, lote 05, Parque 10”, e se são realmente áreas urbanas, com incidência do IPTU, com a confirmação da matrícula junto à Prefeitura, no caso de incidência do IPTU, e se foram pagos os Impostos referentes aos exercícios de 2005 e 2006. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720049/201097 Acórdão n.º 2202002.389 S2‐C2T2 Fl. 4 5 Após a finalização dos procedimentos solicitados, com a juntada dos documentos aos autos, que fosse cientificado e intimado o herdeiro responsável para apresentar os esclarecimentos necessários quanto à entrega das DITR de 2002 a 2006, e, caso fosse de seu interesse, complementar sua impugnação e apresentar qualquer outro documento, que entender pertinente para fazer prova a seu favor, no que diz respeito aos fatos narrados, em respeito aos Princípios do Contraditório e da Ampla defesa. Em atendimento a Resolução de fls. 97/101, a Delegacia da Receita Federal em Manaus apresentou o resultado da diligência, conforme Informação de fls. 158. Em resposta, o contribuinte, cientificado em 08.05.2012, fls. 136, apresentou a correspondência de fls. 141/142 acompanhada dos documentos de fls. 143/153. Na correspondência, informa, em síntese: Esclarece que entregou as DITR a partir de 2002, não obstante o imóvel ser urbano, por desconhecimento; Reitera que a área total do imóvel é de 12,7208 ha e não de 12.720,8 ha, o que é corroborado pela documentação juntada (escritura pública e notificações do IPTU) e ratificado pela Prefeitura Municipal de Manaus (fls. 105 e seguintes), questionada por este Órgão, no qual o imóvel encontrase em área urbana, conforme Lei nº 1.401 de 14.01.2010; Informa que se dirigiu a CAC, localizada no bairro do São Jorge, em 01.11.2011, para protocolizar pedido de cancelamento do imóvel por motivo de transformação em imóvel urbano, porém, não pode fazêlo devido ao servidor exigir que efetuasse a DITR de 2007, 2008, 2009 e 2010; Ante ao exposto, requer sejam acolhidos estes esclarecimentos, com a prova alegada e ratificada pela Prefeitura Municipal de Manaus, reconhecendose a nulidade da Notificação de Lançamento, conforme pedido na impugnação. A DRJ ao julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ERRO DE FATO REVISÃO DE OFÍCIO Demonstrado e comprovado nos autos que a área total e as respectivas áreas distribuídas e utilizadas do imóvel foram informadas pelo Contribuinte na sua DITR/2005, com três casas decimais a mais, configurandose a hipótese de erro de fato, cabe alterar as dimensões dessas áreas, para efeito de revisão Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 do lançamento de ofício, adequando a exigência à realidade fática do imóvel. FATO GERADOR. IMÓVEL URBANO. PROVA Para descaracterização do imóvel rural, tributado pelo ITR, é imprescindível que a lei que defina o imóvel como situado em zona urbana e o cadastramento do mesmo, para fins de lançamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), seja em data anterior a ocorrência do fato gerador do ITR. DO VTN ARBITRADO Mantendose a hipótese de subavaliação do VTN declarado, para a área total retificada, e não tendo sido apresentado o laudo técnico de avaliação exigido pela autoridade fiscal, cabe manter a tributação do imóvel com base no VTN/ha arbitrado apontado no SIPT, procedendose o necessário ajuste. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado A autoridade recorrida aponta em suas razão de votar que teria ocorrido um erro de fato no preenchimento da declaração que o valor da área declarada no lugar de 12.702,8 hectares, deveria ser 12,7 hectáres. O recorrente não apresentou recurso voluntário. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720049/201097 Acórdão n.º 2202002.389 S2‐C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. As razões de votar da autoridade recorrida são a seguir expostas: Da análise das peças do presente processo, verificase que o lançamento foi realizado com base nos dados cadastrais informados pelo Contribuinte na sua DITR/2005. No caso, foi considerado que o imóvel rural em epígrafe possuía área total de 12.720,8 ha, além de uma área de preservação permanente de 5,0 ha, uma área de produtos vegetais de 7,0 ha, uma área utilizada com atividade granjeira ou aquícola de 4,0 ha, com apuração de um grau de utilização de 0,1% e aplicação da alíquota de cálculo de 20,0%, prevista para a área total de 12.720,8 ha, considerando, também, um imposto mínimo recolhido de R$10,00. Ocorre que os documentos carreados aos autos, Escritura de Compra e Venda, doc./cópia de fls. 42/44, Registro da Matrícula do Imóvel, às fls. 156/157, Informação da Delegacia da Receita Federal de Manaus, às fls. 158, DITR, dos exercícios de 2007, às fls. 160, e 2008, constante no Sistema ITR (Suíte de Aplicativos RFB), bem como, procedendose a análise dos dados constantes do sistema eletrônico CAFIR, extrato de fls. 159, concluise que o “Sítio Takeno” não possui área total de 12.720,8 ha, mas sim de 12,7 ha. Ademais, mais dirimir qualquer dúvida, quanto a existência de outro imóvel com dimensões de 12.720,8 ha, de propriedade do impugnante, todos os Cartórios de Registro de Imóveis foram consultados pela DRF/Manaus, às fls. 121/134, cujas respostas foram negativas, às fls. 137/140, com exceção do Cartório do Primeiro Ofício, às fls. 154, que apresentou o já citado Registro da Matrícula do Imóvel, às fls. 156/157. Portanto, constatase que a área total do imóvel foi informada/processada com três casas decimais a mais, cabendo considerar, para efeito de revisão do lançamento, que o imóvel possui, na realidade, área total de 12,7 ha, sendo necessária adequar a área declarada como utilizada pela atividade rural de 11,0 ha reduzindo a para 7,0, com a exclusão da área declarada utilizada com atividade granjeira ou aquícola de 4,0 ha, recalculando se o grau de utilização, que passou de 0,1% para Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 90,9%, com aplicação da alíquota máxima 0,03%, prevista para a dimensão do imóvel (até 50,0 ha). O interessado alega, também, que sua propriedade está localizada em zona urbana, motivo pelo qual não estaria sujeita à incidência do Imposto Territorial Rural. A definição da zona urbana é matéria de competência exclusiva do município, que a promove por meio de Lei. Em síntese, a Lei Municipal é quem determina a delimitação da zona urbana. Contudo, a Lei nº 1.401, de 14 de janeiro de 2010, às fls. 111/117, que foi anexada aos autos pela Secretaria Municipal de Finanças de Manaus, às fls. 105, é posterior a ocorrência do fato gerador do ITR/2005, confirmando que em 01.01.2005, o imóvel era considerado imóvel rural. Além disso, essa Secretaria, não obstante ter afirmado que o imóvel é urbano, às fls. 105, sem contudo especificar a partir de qual data ele seria assim considerado, também, juntou aos autos, o Boletim de Cadastro Imobiliário, da Prefeitura de Manaus, às fls. 107, na qual se verifica que a data de cadastramento do imóvel foi em 18.10.2005, data essa, também, posterior a data de ocorrência do fato gerador do ITR/2005. Acrescentase que o imóvel continua ativo no Cadastro do Imóvel Rural – CAFIR e que, até o exercício 2008 o interessado entregou regularmente a Declaração de ITR relativa ao imóvel em questão (consulta CAFIR às f. 159). Assim, para efeito de aplicação do disposto no art. 1º da Lei nº 9.393/96, que define o fato gerador do ITR, não há como considerar que o referido imóvel tenha sido incorporado ao perímetro urbano do município, nos termos pretendidos pelo requerente, pois mesmo que esse fato tenha ocorrido, não foi comprovado nos autos que essa incorporação ocorreu antes da data do fato gerador, como exposto. Desta forma, pelo que consta dos autos, não há como acatar como urbano o imóvel objeto do presente lançamento do ITR/2005. Uma vez que não há reparos a realizar no arrazoado da autoridade recorrida, acompanho sua posição. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720049/201097 Acórdão n.º 2202002.389 S2‐C2T2 Fl. 6 9 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001732/2010-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto.
LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO.
Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito.
RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL.
O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11020.001732/2010-85
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289568
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.619
nome_arquivo_s : Decisao_11020001732201085.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 11020001732201085_5289568.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5053233
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173339615232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 195 1 194 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.001732/201085 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.619 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria PIS/PASEPRESTITUIÇÃO Recorrente COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 32 /2 01 0- 85 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: CONCEITO DE INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação ou que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. PERCENTUAIS DE RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. O crédito ressarcível oriundo de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 3802001.619 S3TE02 Fl. 196 3 custos, despesas e encargos comuns, quando determinado pelo método da proporcionalidade, será obtido aplicandose a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de despacho decisório proferido em pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado de PIS/Pasep. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, materiais estes utilizados no acondicionamento do produto industrializado pela Recorrente. Isso porque, de acordo com o Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), o creditamento seria restrito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização, sem compreender os materiais de acondicionamento, utilizados exclusivamente para fins de transporte das mercadorias. Entendeuse ainda que o interessado não teria juntado qualquer prova de que os referidos materiais seriam vendidos com o produto final; e que, ademais, a apuração do crédito relativo a custos, despesas e encargos comuns deveria ser determinada a partir da receita bruta total da empresa, e não apenas sobre a receita da venda de produtos lácteos. O Recorrente, nas razões de fls. 137163, sustenta que a confrontação entre os créditos da unidade de laticínios com a totalidade dos ingressos da cooperativa, realizada pela autoridade fiscal, seria contrária ao disposto no art. 15, III, da Lei nº 9.779/1999, o que implicaria a nulidade do auto de infração. Alega que a própria Fiscalização teria validado o critério de confrontação da totalidade dos créditos dos estabelecimentos do sujeito passivo, por meio do processo administrativo nº 13016.000165/200739. E que essa orientação seria vinculante, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Aduz que o conceito de insumos seria mais amplo que o adotado pela decisão recorrida, compreendendo todos os custos, despesas e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita. O direito ao crédito também seria decorrente da natureza dos produtos fabricados (do gênero alimentício), sujeitos à exigências e imposições de outros órgão públicos para o exercício da atividade econômica, em especial a Resolução nº 10/1984, do Ministério da Agricultura, Portaria SVS/MS nº 326/1997 e Resolução Anvisa nº 275/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 20/10/2011 (fls. 134), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 16/11/2011 (fls. 135), portanto, dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). A matéria em debate, por sua vez, está inserida na 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega preliminarmente a nulidade do auto de infração em razão da não observância dos critérios de rateio dos créditos. Tratase, porém, de preliminar que se confunde com o mérito e deve ser apreciada em conjunto com este. II DO DIREITO AO CRÉDITO DE EMBALAGENS A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 3802001.619 S3TE02 Fl. 197 5 aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a DRJ, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, assentado nos seguintes fundamentos: “[...] Considerando a definição do vocábulo ‘insumo’ nas instruções normativas supramencionadas [Instruções Normativas n° 247/2002e n° 404/2004] e, de interesse no contexto tratado no presente processo, devese concluir que são citados a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Observese que a abrangência da definição ‘insumo’ remete à produção ou fabricação do produto, dessa forma o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a ̀venda. Tendo em vista que a utilização desses créditos resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre observar o princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, há que se interpretar restritivamente a legislação referente à nova sistemática. A dúvida suscitada reside especificamente se os valores indicados pelo interessado, relativos aos gastos com material utilizado no acondicionamento para transporte podem ser considerados insumos. O relatório fiscal menciona claramente que a glosa foi efetuada sobre as aquisições de bens considerados fora do conceito de insumos, o que se deu em relação às despesas com embalagens que se destinavam ao transporte dos produtos elaborados, no caso: pallets de madeira, plástico de cobertura e filme plástico transparente ‘stretch’. Neste ponto, é importante tecer alguns comentários acerca da diferenciação entre as embalagens que acondicionam diretamente aos produtos e a eles se incorporam, e aquelas utilizadas apenas para o seu transporte. Embora aqui a discussão verse sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, buscase na legislação do IPI (Decreto n. 4.544/2002 RIPI), conforme o próprio interessado mencionou em sua manifestação, a distinção entre os dois tipos de embalagem: [...] 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 3802001.619 S3TE02 Fl. 198 7 Resta evidente, portanto, a distinção existente entre as embalagens incorporadas aos produtos apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam, por conta disso, tãosomente ao seu acondicionamento e transporte, e aquelas embalagens incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, que geram créditos a serem descontados das contribuições, por se constituírem em insumos, na acepção da legislação. Podese, assim, dizer que a embalagem de apresentação é aquela com a qual o produto se apresenta ao usuário no ponto de venda, ou seja, é a embalagem tida como elemento importante na decisão de compra do produto que estará junto com outros nas prateleiras. Temse, portanto, que o direito ao creditamento abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Assim, considerando o relatório fiscal elaborado pela unidade jurisdicionante e as próprias ponderações da interessada em sua manifestação de inconformidade, quando juntou fotografias para demonstrar os materiais cujas aquisições tiveram os respectivos créditos glosados, fica claro que os pretendidos créditos se referem a despesas com materiais de acondicionamento utilizados exclusivamente para o transporte das mercadorias. Devese ressaltar, a partir da observação das próprias fotografias anexadas pelo contribuinte, que seu produto é também acondicionado em outras embalagens que são de fato incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, com põe sua apresentação final e acabamento para utilização pelo consumidor, como é o caso das caixas menores de papelão para acondicionamento em lotes de 12 unidades e das embalagens do tipo ‘tetrapack’, cujas aquisições corretamente não foram glosadas, gerando o respectivo direito ao crédito. Importante, também, frisar que o interessado não juntou qualquer documentação no sentido de apontar que os referidos materiais de acondicionamento, cujas aquisições foram glosadas, possam ter sido vendidos juntamente com seu produto ao consumidor final. Pelo contrário, em face das evidências de que tais materiais de acondicionamento sequer integram os produtos na forma em que estes se apresentam ao consumidor final no ponto de venda, não resta outra alternativa senão considerálos como utilizados exclusivamente no transporte dos produtos industrializados.” A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito de insumo restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 244/2004 não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Por outro lado, no presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados: 8.8.1 – As matériaprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi demonstrado ainda que o “pallet” têm natureza “oneway” (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 244/2004 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira não retornáveis (“one way”), plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 3802001.619 S3TE02 Fl. 199 9 Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de acondicionamento com o produto ao consumidor final. III DOS CRITÉRIOS DE RATEIO Em relação as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à alíquota zero, o Recorrente por não apresentar um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração optou pela aplicação do critério do rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003: “Art. 3º [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Foram consideradas, porém, apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero, o que, de acordo com o sujeito passivo, teria sido validado no âmbito do processo administrativo nº 13016.000165/200739. Referida orientação, ainda segundo o interessado, seria vinculante para a Administração Fazendária, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Todavia, em que pese as razões aduzidas pelo Recorrente, entendese que, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, acima transcrito, o rateio proporcional deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês. Deve ser mantida, assim, o critério do despacho decisório, acolhido pela decisão recorrida, nos termos seguintes: O disposto nos incisos II, dos §§ 8o, acima transcritos, é bem claro ao determinar que a relação percentual aplicase aos custos, despesas e encargos comuns. Ao estabelecerem o método de rateio proporcional, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 definem que a relação proporcional deve ser aquela observada entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A expressão "receita bruta total" utilizada não comporta a interpretação restritiva Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 pretendida pelo interessado no sentido de reduzir o conceito do termo empregado, para incluir apenas as receitas decorrentes de vendas de produtos lácteos. Caso o legislador, em algum momento, pretendesse se referir somente à parcela das receitas decorrentes da atividade principal da empresa. O processo administrativo nº 13016.000165/200739, por sua vez, como se depreende da passagem transcrita na petição recursal, limitouse a reproduzir o mesmo critério da legislação, isto é, não autorizou, com a devida vênia, o cálculo por estabelecimento: “[...] os custos e encargos comuns devem ser rateados consoante contabilidade de custos integrada e coordenada com a contabilidade ou – s.m.j., por analogia, conforme art. 108 do CTN, com o § 8º do art. 3º das leis 10.637 e 10.833 – segundo a proporção das receitas brutas da venda de produtos de alíquota zero comparadas às receitas de produtos tributados a alíquotas positivas. Destarte, no item 2 da intimação fiscal nº 07, intimados a contribuinte a efetuar o rateio segundo um desses dois critérios.” (documentos em anexo, os grifos são nossos).” Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906860/2008-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.906860/2008-43
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291277
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-000.334
nome_arquivo_s : Decisao_15374906860200843.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 15374906860200843_5291277.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5060251
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173343809536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 263 1 262 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.906860/200843 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.334 – 3ª Turma Especial Data 20 de agosto de 2013 Assunto PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TRANSFERRO OPERADORA MULTIMODAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 25 de outubro de 2006, referente a crédito decorrente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 86 0/ 20 08 -4 3 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906860/200843 Resolução nº 3803000.334 S3TE03 Fl. 264 2 alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 4.633,94, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão em 30/7/2008, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando que pagara a maior a contribuição para o PIS devida em outubro de 2003, tendo informado, equivocadamente, na DCTF, que o valor pago corresponderia ao valor da contribuição apurado. Segundo o então Manifestante, com o intuito de regularizar definitivamente a incongruência das informações prestadas, apresentara, em 12/8/2008, com fundamento no art. 11, § 1°, da Instrução Normativa RFB nº 786/2007, a DCTF retificadora, declaração essa que refletiria a real situação do período sob análise. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do DARF, das DCTFs original e retificadora, do Dacon, do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o julgador de piso, a retificação da DCTF, mesmo no caso de ela ter sido efetuada antes da ciência da decisão decisório, não afastaria de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado no PER/DCOMP, pois se trata de procedimento de compensação instaurado pelo contribuinte, tendo havido a apresentação de declarações contraditórias que exigiriam prova contábilfiscal mais robusta para suportar sua alegação. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906860/200843 Resolução nº 3803000.334 S3TE03 Fl. 265 3 Cientificado da decisão em 16 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de março de 2012 e reiterou seu pedido de homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa. Arguiu o Recorrente que, tendo recebido Termo de Intimação atestando a irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP, transmitira, em 25/10/2006, PER/DCOMP retificador que, no seu entender, regularizaria a pendência apontada. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos, além do que já havia sido apresentado na manifestação de inconformidade, cópias de parte do Livro Diário e do Livro Razão, que, segundo ele, demonstrariam o crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento efetuado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro II/RJ por ausência de provas que pudessem infirmar a decisão impugnada. A par da decisão da Delegacia de Julgamento, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópias de parte da escrituração contábilfiscal que, de acordo com seu entendimento, seriam bastantes à comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906860/200843 Resolução nº 3803000.334 S3TE03 Fl. 266 4 em que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. A DCTF retificadora e o Dacon trazidos aos autos por cópia pelo contribuinte no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade foram considerados pela autoridade julgadora como insuficientes à comprovação do direito reclamado, dado que desacompanhados da escrituração contábilfiscal, situação essa configuradora da preclusão, tendo em vista que a prova não fora produzida no momento processual adequado. Ao ser alertado pelo julgador de piso acerca da necessidade de comprovação dos dados declarados, o Recorrente carreia aos autos novos elementos probatórios, estes extraídos de sua escrituração contábilfiscal, cuja aptidão à comprovação do indébito reclama por uma análise minuciosa dos valores e demais dados envolvidos. Contudo, antes de se adentrar à análise da documentação trazida aos autos apenas em grau de recurso, necessário se torna perquirir acerca da possibilidade de seu acolhimento em face das regras de preclusão previstas no Decreto nº 70.235, de 1972. A meu ver, a preclusão processual, associada ao princípio constitucional da celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como os princípios da vedação ao enriquecimento ilícito e da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de processamento eletrônico, a partir de cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental é suscitada somente na decisão de primeira instância, situação essa que faz incidir a ressalva presente na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dado que o Recorrente está apresentando provas em contraposição às razões posteriormente trazidas aos autos pela Delegacia de Julgamento. No despacho decisório, somente os dados relativos ao pagamento efetuado e aos declarados em DCTF foram objeto de questionamento por parte da autoridade administrativa, não tendo havido, até então, qualquer referência à escrituração contábilfiscal do sujeito passivo e aos documentos que a lastreiam. Somente a partir da decisão de primeira instância a questão da prova escritural é apontada como elemento imprescindível à apreciação da matéria controvertida. Ainda que o Recorrente estivesse obrigado a demonstrar o direito alegado desde o primeiro momento de sua intervenção no processo, ele o fez com base nos elementos probatórios por ele considerados suficientes à comprovação de suas alegações, tendo havido a arguição da necessidade de apresentação da prova escritural apenas na decisão da Delegacia de Julgamento, após o que ele traz aos autos as provas reclamadas pelo julgador a quo. Como nos ensina Leandro Paulsen, Renê Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka2, o rigor da regra da preclusão no Processo Administrativo Fiscal (PAF), relativamente 2 PAULSEN, Leandro, ÁVILA, René Bergmann, SLWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado e Editora, 2012, pp. 119 a 122. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906860/200843 Resolução nº 3803000.334 S3TE03 Fl. 267 5 à juntada de documentos após a impugnação, “viola frontalmente o princípio da ampla defesa e impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo”, tendo relevância o art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe “que é direito do administrado a apresentação das alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da decisão”. Ainda que a Lei nº 9.784, de 1999, se aplique ao PAF somente de forma subsidiária, seus dispositivos devem ser considerados e interpretados conjuntamente com as regras específicas que regem o contraditório administrativo, em busca da norma aplicável a cada caso levado à apreciação da autoridade julgadora administrativa. Feitas essas considerações, passase à análise dos elementos probatórios presentes nos autos, considerando que todos os anexos ao recurso voluntário foram autenticados pela repartição de origem. Consta do PER/DCOMP (fls. 2 a 6) que o contribuinte pretendia compensar crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição para o PIS, do período de apuração outubro de 2003, com débito da mesma contribuição devida em novembro do mesmo ano, no montante de R$ 4.633,94. Segundo o PER/DCOMP, a DCTF Retificadora (fl. 87), o DARF (fl. 17) e o despacho decisório (fl. 9), fora recolhido aos cofres públicos, em 14 de novembro de 2003, a título de PIS devido em outubro de 2003, o valor de R$ 16.726,36, do que, segundo o Recorrente, exsurgira um indébito no montante de R$ 4.633,94, pelo fato de que a contribuição devida no período seria de R$ 12.092,42. No livro Diário Geral (fl. 222), devidamente registrado na Junta Comercial e acompanhado dos termos de abertura e encerramento, consta, em 30/11/2003, a compensação da contribuição para o PIS paga a maior de R$ 4.633,93, que corresponde, com a diferença de R$ 0,01, ao indébito alegado pelo Recorrente. De acordo com o Razão Analítico (fl. 227), o valor pago da contribuição de outubro de 2003 foi de R$ 12.092,43, que, apesar de não coincidir com o valor constante do DARF, corresponde, com diferença de R$ 0,01, ao valor que o Recorrente alega ser o devido no período, constando ainda do livro Razão (fl. 232) um pagamento a maior da contribuição para o PIS de outubro de 2003 no montante de R$ 4.633,93. Verificase, portanto, que a escrituração contábilfiscal vai ao encontro dos argumentos de defesa do Recorrente, coincidindo com os valores declarados na DCTF retificadora (fl. 87). Contudo, as partes dos livros contábilfiscais trazidas aos autos se referem, todas elas, à escrituração do mês de novembro de 2003, mês em que a contribuição devida em outubro fora recolhida. Dessa forma, não consta dos autos3 a base de cálculo da contribuição devida em outubro de 2003, o que impede que se conclua, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado, havendo necessidade de se obterem junto à pessoa jurídica informações e/ou documentos adicionais relativos à escrituração do mês de outubro de 2003. 3 Exceto no Dacon, mas este documento não tem a mesma força probatória da escrituração contábilfiscal. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906860/200843 Resolução nº 3803000.334 S3TE03 Fl. 268 6 Diante do exposto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa, com base na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica e, se necessário, nos documentos fiscais que a lastreiam, informe a este Colegiado a base de cálculo da contribuição apurada no mês de outubro de 2003, assim como o valor da contribuição devida no mesmo período, e se eventual indébito apurado no período se encontra ainda disponível para a compensação pleiteada neste processo. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.917648/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DECLARAÇÃO RETIFICADORA
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo, entretanto se houver declaração retificadora o prazo contar-se-á dessa por considerar que é esse o pedido que a final se analisa.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Somente é possível compensação de débito com crédito líquido e certo do sujeito passivo. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito, não há como se homologar as compensações pretendidas, devendo-se manter a decisão recorrida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento parcial no sentido homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges para redigir o voto vencedor. Participou do julgamento o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância..
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DECLARAÇÃO RETIFICADORA Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo, entretanto se houver declaração retificadora o prazo contar-se-á dessa por considerar que é esse o pedido que a final se analisa. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Somente é possível compensação de débito com crédito líquido e certo do sujeito passivo. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito, não há como se homologar as compensações pretendidas, devendo-se manter a decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.917648/2009-25
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299564
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.028
nome_arquivo_s : Decisao_11065917648200925.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 11065917648200925_5299564.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento parcial no sentido homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges para redigir o voto vencedor. Participou do julgamento o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância.. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5117059
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173363732480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 146 1 145 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.917648/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.028 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COFINS Recorrente TOP VISION CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA — DECLARAÇÃO RETIFICADORA Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo, entretanto se houver declaração retificadora o prazo contarseá dessa por considerar que é esse o pedido que a final se analisa. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Somente é possível compensação de débito com crédito líquido e certo do sujeito passivo. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito, não há como se homologar as compensações pretendidas, devendose manter a decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 76 48 /2 00 9- 25 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 147 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento parcial no sentido homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges para redigir o voto vencedor. Participou do julgamento o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira que declarouse impedido por ter participado do julgamento em primeira instância.. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 148 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO) que não homologou Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida pela empresa acima identificada, na qual informa crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Referido despacho aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado, no valor de R$ 47.779,06, já teria sido integralmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. No mérito, a interessada alega que teria ocorrido erro de fato, pois, embora afirme que não retificou suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) o pagamento a maior, no valor original de R$ 629,21, teria sido reconhecido e registrado contabilmente, juntando cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro razão na tentativa de comprovar suas alegações. Desta forma, conclui que deve ser revisto o "lançamento", pois entende que a decisão atacada estaria em dissonância com a verdade material. Em face da existência de elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado na manifestação e considerando a insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DCOMP, o presente processo foi remetido em diligencia à DRF jurisdicionante, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para análise e demonstração da composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, devendo a DRF pronunciarse a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após os encontros de contas. Em resposta à diligência solicitada, a DRF de origem analisou os esclarecimentos apresentados pela interessada e concluiu (vide item 5 do relatório) que os elementos apresentados foram insuficientes para comprovar a redução do valor devido e acrescenta que os valores escriturados no Balancete de Apuração induzem justamente ao contrário, que não foram computadas na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais as receitas financeiras, no valor de R$ 17.434,35, conforme os valores escriturados no Balancete de Apuração, sendolhes atribuída a classificação “Receita Tributada à Alíquota Zero”. Aponta que conforme o disposto nos artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 149 4 novembro de 1998, então vigente, toda receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza ou classificação contábil, submetiase à tributação pela COFINS e pelo PIS. Desta forma, após demonstrar a recomposição da base de cálculo da contribuição, a fiscalização apurou um valor original de R$ 48.583,06 a recolher, concluindo então que o pagamento (crédito) informado na DCOMP teria sido totalmente utilizado, corroborando o Despacho Decisório Eletrônico. Após ciência do resultado da diligência, a interessada novamente se manifestou no sentido de defender seu procedimento adotado, argumentando que o crédito utilizado teria suporte em decisão proferida pelo STF, que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo daquela contribuição realizada pela Lei nº 9.718/98. Após transcrever a supracitada decisão do STF, acrescenta que esta deveria ser seguida pela administração pública, com base no art. 26A da Lei nº 11.941/09. Reitera os pedidos feitos na manifestação de inconformidade original, e requer, assim, o reconhecido o crédito pretendido e a homologação da compensação efetuada. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 150 5 Apresenta a parte o presente recurso voluntário alegando em sua defesa que em maio de 2008 ocorreu a favor da contribuinte homologação tácita da declaração de compensação porquanto o a competência é de maio de 2003; que a fiscalização na diligência incluiu na receita tributável (além das receitas financeiras) as receitas das vendas para a zona franca de Manaus que assim foram indevidamente tributadas; que a diligência realizada fez a apuração do valor devido da COFINS no período, não o cálculo do valor indevidamente tributado e que como ficou demonstrado que a contribuinte tributou indevidamente receitas financeiras o crédito deveria ser deferido. Protestou, afinal, pelo provimento do recurso. É o relatório, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 151 6 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Três são os pontos a serem examinados por essa turma: o um, se houve homologação tácita; o dois, se foram incluídas as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus indevidamente e se é possível, nesse momento, pronunciarse sobre esse ponto, e se houve ou não erro na sistemática de apuração. Quanto à homologação tácita, entendo que não tem razão a Recorrente. Pelo que pode ser visto estamos analisando uma declaração retificadora entregue à RFB em 09 de julho de 2009, o pedido original é de junho de 2005, referente a um pedido para compensação de IRPJ a pagar de maio de 2005. O AR que cientificou a Recorrente do despacho decisório de nãohomologação é de 21/10/2009 (fls. 45). Apesar de não constar dos autos a PER/DCOMP original a declaração examinada é a retificadora. O artigo 74, § 5º da Lei n.º 9.430/1996 determina que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”, como o exame se refere a declaração retificadora entendo que é da entrega dessa que deve ser contado o prazo e nesse caso, mesmo se fosse contado da original não teria havido homologação tácita. Com relação aos demais pontos, tenho que eles podem ser analisados em conjunto. Como se pode ver a fiscalização, quando da diligência realizada apontou a existência de tributação sobre as receitas financeiras no valor de R$ 17.434,35 e paralelamente reconstituiu a base de cálculo da contribuição com a inclusão nela de receitas que entendeu que deveriam ter sido lançadas e não foram pela contribuinte — receitas de vendas feitas à Zona Franca de Manaus. Entendo, entretanto, que o limite do presente litígio era efetivamente a restituição pedida pelo contribuinte dos valores pagos indevidamente sobre as receitas financeiras, valores esses que foram comprovados, não podendo a fiscalização, em procedimento de diligência, fazer a recomposição da base de cálculo da contribuição que somente poderia ser feita em processo próprio. Em outras palavras, a redução do valor a ser ressarcido ao contribuinte se deveu, não porque tivessem sido constatadas irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do ‘crédito’, que é o pagamento indevido sobre valores que não correspondem ao faturamento, mas, sim, nos débitos da contribuição da COFINS de cada um dos períodos, porque entendeu o agente que alguns valores deveriam ter sido incluídos na sua base de cálculo, mas não foram. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 152 7 Agiu o fisco, portanto, de forma similar aos procedimentos que adota quando trata, por exemplo, de “Pedidos de Ressarcimento de Créditos de IPI”, fundados no artigo 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, ou seja, diante de um crédito de IPI indevidamente pleiteado pela empresa, promove uma glosa no valor do crédito, diminuindo, conseqüentemente, a pretensão da contribuinte. Tal procedimento, entretanto, não se mostra adequado quando se depara com Pedidos de Compensação quando o motivo da divergência levantada pelo fisco se encontra na parcela do débito da COFINS, como é o presente caso. Lembrese, neste ponto, que o valor do saldo do ressarcimento pleiteado pela empresa fora diminuído pela autoridade fiscal por entender que o valor do débito da contribuição devida ao COFINS, havia sido apurado a menor por não se ter incluído as receitas de venda dos produtos para a Zona Franca de Manaus. Diante de um valor de débito da COFINS apurada a menor, o fisco, em vez de efetuar um lançamento de oficio na forma dos artigos 113, § 1º; 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Código Tributário Nacional, apenas retificou o correspondente valor então declarado no Pedido de Ressarcimento para o valor que entendeu correto. Assim, até que haja alteração especifica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos da COFINS nãocumulativa, a constatação pelo fisco de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais um mero acerto escritural de saldos, conforme foi feito neste processo. Deveria a autoridade, em respeito ao disposto no Código Tributário Nacional e no artigo 9º do Decreto n.º 70.235/1972, abrir procedimento específico de lançamento e aplicar as penalidades devidas, nunca fazer um lançamento às avessas como o aqui realizado. Inclusive, o procedimento feito do modo em que foi efetivado aqui pode implicar em dupla penalidade ao contribuinte: a uma, a impossibilidade de compensação dos valores pagos a maior referente ao tributo incidente sobre as receitas financeiras e a duas, o lançamento dos valores supostamente devidos em decorrência da diferença apurada sobre os valores que a fiscalização entende que deveriam aqui acrescidos à base de cálculo do tributo e que não o foram. Parcela essa que serve de motivo ao indeferimento do pleito aqui apresentado e que não tem qualquer vinculação com o pedido apresentado. No mais, quando dessa recomposição da base de cálculo ocorreu em período no qual o direito da Fazenda em lançar o tributo, se houvesse, já havia decaído. A Contribuinte demonstrou nos autos que sobre o montante das receitas financeiras de R$ 17.434,35 pagou a COFINS indevidamente no valor de R$ 523,03 (quinhentos e vinte e três reais e três centavos) devendo ser homologada a compensação até esse valor. Nesse sentido voto por julgar parcialmente procedente o presente recurso voluntário para homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido de R$ 523,03 (quinhentos e vinte e três reais e três centavos). (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 153 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de maio/2003, cujo pagamento a maior ou indevido teria como fundamentação jurídica o alargamento da base de cálculo de PIS/COFINS com base no artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. Segundo consta nos autos, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de maio/2003, no montante de R$ 47.779,06, recolhido em 12/06/2003, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 29. No entanto, a recorrente alegou que houve um erro na apuração e o valor correto apurado referente a COFINS nesse mesmo período seria no montante de R$ 47.149,85. Em confronto com o valor recolhido daria ensejo a um pagamento a maior de COFINS no montante de R$ 629,21. Este foi o valor do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação com débito de IRPJ, às fls 33/39. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tendo em vista a plausibilidade do alegado erro de fato e em face da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DCOMP a Delegacia de Julgamento (DRJ) converteu o julgamento do processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor devido a título de Contribuição para a COFINS, período de apuração de maio/2003. A Delegacia de origem, por sua vez, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, apurou o valor devido da COFINS para o retrocitado período e exarou o Relatório de Diligência de fls. 55/57, no qual consta um valor original total de R$ 48.583,06 a recolher, portanto superior ao originalmente recolhido no valor de R$ 47.779,06. Com base nesse relatório e dando razão à interessada quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 a DRJ verificou que o valor total a recolher apurado na diligência seria superior à soma do valor originalmente recolhido com o crédito obtido pela exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Ou seja, não restou saldo disponível remanescente para que se pudesse homologar a compensação pretendida. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11065.917648/200925 Acórdão n.º 3801002.028 S3TE01 Fl. 154 9 Nos termos do artigo 170 do CTN, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de compensação. Entendo, portanto, correto o procedimento da DRJ pois a diligencia é justamente para se apurar o valor devido e verificar o credito pleiteado, podendo o contribuinte discordar dos cálculos, o que não o fez, apenas se atendo ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718/98, o que foi reconhecido pelo acórdão guerreado mas que confrontado com o valor devido da contribuição do mês a que se referia o crédito não restou saldo para se homologar as compensações pretendidas, estando assim preclusas as demais alegações em sede recursal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 11/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913872/2009-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10830.913872/2009-67
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5290129
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.009
nome_arquivo_s : Decisao_10830913872200967.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10830913872200967_5290129.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5053367
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173367926784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 107 1 106 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.913872/200967 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.009 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria Compensação Recorrente SOTREQ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 38 72 /2 00 9- 67 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.913872/200967 Acórdão n.º 3801002.009 S3TE01 Fl. 108 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório da DRJ de Campinas: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que o montante de PIS apurado e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento a maior. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento do PIS a maior, a DCTF e a DACON foram posteriormente retificadas e transmitidas, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento a maior, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade. A DRJ de Campinas julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade ementando o acórdão do seguinte modo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.913872/200967 Acórdão n.º 3801002.009 S3TE01 Fl. 109 3 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. DACON. APURAÇÃO DO CRÉDITO NO MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. Consideramse confissões de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a recorrente o presente recurso voluntário alegando que com base nas informações prestadas em DACON e DCTF tem crédito disponível a compensar. Que fez pagamento a maior por intermédio de DARF. Que no presente caso tendo havido mero erro de preenchimento da DCTF e da DACON deve ser aplicado o princípio da verdade material. É o que importa relatar. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.913872/200967 Acórdão n.º 3801002.009 S3TE01 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente aponta como único elemento de defesa que o ajuste realizado na DCTF foi o suficiente para comprovar o seu erro e autorizar a compensação pleiteada. De fato, a DRJ não rejeitou, conforme também é o nosso entendimento, os efeitos da retificação da DCTF após o despacho decisório, apenas disse que a sua retificação, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Entretanto, no presente caso, apesar de alertada expressamente acerca da necessidade de apresentar provas acerca do direito creditório a Recorrente não informou a origem do seu suposto erro e nem apresentou um demonstrativo sequer do cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não pode prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito e apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, competia ao sujeito passivo, a Recorrente, a Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.913872/200967 Acórdão n.º 3801002.009 S3TE01 Fl. 111 5 comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreados aos autos. Não sendo apresentadas provas das alegações, nem sequer a origem do crédito pleiteado, há que se negar o pedido realizado. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000473/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compô-la, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável.
SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros.
MULTA. LEI 11.941/09. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. ART. 35 DA LEI 8.212/91. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 75%. Em consonância ao disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08, deve ser aplicada a multa de mora nos percentuais vigentes à época, limitada, no entanto, a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compô-la, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável. SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. MULTA. LEI 11.941/09. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. ART. 35 DA LEI 8.212/91. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 75%. Em consonância ao disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08, deve ser aplicada a multa de mora nos percentuais vigentes à época, limitada, no entanto, a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13962.000473/2009-27
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301571
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-003.712
nome_arquivo_s : Decisao_13962000473200927.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 13962000473200927_5301571.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5127041
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173383655424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 640 1 639 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13962.000473/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.712 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SIMULAÇÃO Recorrente JULIANO SCHIMDT CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compôla, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável. SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. MULTA. LEI 11.941/09. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. ART. 35 DA LEI 8.212/91. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 75%. Em consonância ao disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08, deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 04 73 /2 00 9- 27 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 aplicada a multa de mora nos percentuais vigentes à época, limitada, no entanto, a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000473/200927 Acórdão n.º 2402003.712 S2C4T2 Fl. 641 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JULIANO SCHIMDT CALÇADOS LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.238.9686, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte patronal incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do relatório fiscal que foram lançadas contribuições de segurados empregados que prestaram serviços a empresa STUDIO ANA PAULA LTDA, CNPJ 04.338.551/000110, integrante do grupo JULIANO SCHIDMT, e considerada pela fiscalização em novembro/2009. Às fls. 148 fora juntada a representação fiscal para inaptidão do CNPJ da empresas STUDIO ANA PAULA LTDA E ANA PAULA LTDA, bem como da própria recorrente, tendo em vista que as pessoas jurídicas consideradas como interpostas não possuíam patrimônio ou capacidade operacional para realização de suas atividades, tendo sido constituídas como optantes do SIMPLES exclusivamente com a finalidade de furtarse a recorrente ao recolhimento das contribuições previdenciárias parte patronal e terceiros. O lançamento compreende o período de 10/2004 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 07/12/2009 (fls. 01). O acórdão de primeira instância declarou a decadência das competências de 10 e 11/2004, com base no art. 150, §4o do CTN. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a Receita Federal não tem competência para declarar relação de emprego; 2. que é no mínimo temerário que se permita aos agentes fiscais do INSS/Receita Federal, por conta própria, considerarem uma determinada relação jurídica como uma relação de emprego, competência esta da Justiça do Trabalho; 3. que as conclusões adotadas pela fiscalização não se caracterizam em prova cabal e irrefutável de que o vínculo empregatício, efetiva e concretamente, se dava diretamente com a empresa notificada; 4. que em sendo as empresas, todas elas, pessoas jurídicas autônomas, distintas e independentes uma das outras, estando todas elas em plena atividade, cada qual possuindo contrato, quadro social, faturamento e quadro de funcionários próprios, estando ainda devidamente Fl. 642DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 registradas nos órgãos competentes, inclusive INSS e Secretaria da Receita Federal, e arcando em dia, e em nome próprio, com todas as obrigações comerciais, fiscais e trabalhistas assumidas, inferese, data venia, que as conclusões emanadas pela fiscalização não passam de meros indícios e presunções. 5. que o fato das empresas possuírem as mesmas pessoas físicas, no caso parentes, como sócios, não tem o condão de ensejar o reconhecimento do grupo econômico de fato, afastando a incidência, a incidência ao caso em tela seja dos arts. 2 o , § 2o , da CLT, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91 6. que nada impede o desligamento de funcionários de uma empresa e a contratação por outra, pois com as transferências todos os gravames e encargos decorrentes da relação empregatícia passaram a ser arcados pelas novéis contratantes, pelo que não há de se falar permanência da pessoalidade, subordinação e muito menos em onerosidade dos anteriores pactos laborais; 7. que a empresa ANA PAULA era mera locadora do galpão onde o grupo exercia as atividades, exercendo atividade de forma independente e por sua conta e risco, conforme apontam as declarações de funcionários juntadas aos autos; 8. que na base de cálculo dos valores notificados, certamente foram incluídas diversas verbas indevidas (auxíliodoença/acidente, saláriomaternidade, etc), motivo que enseja a nulidade do Auto de Infração lavrado por absoluta iliquidez; 9. por fim, requer a revisão da multa aplicada de acordo com a retroatividade benigna da Lei 11.941/09, para que ao final seja a multa pela não informação de fatos geradores em GFIP calculada em conformidade com o art. 32A da Lei 8.212/91, bem como para que a multa por atraso no pagamento do tributo seja aplicada de acordo com o art. 35 da Lei 8.212/91, em sua redação anterior, limitado, no entanto, a soma das duas ao patamar de 75%. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000473/200927 Acórdão n.º 2402003.712 S2C4T2 Fl. 642 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES São duas as preliminares a serem enfrentadas no presente julgamento. Quanto à alegação no sentido de que a Receita Federal não detém competência para declarar relação de emprego, não confiro razão ao recorrente. Essa autorização é garantida ao auditor fiscaldada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, fato sobre o qual nos debruçaremos ao tratar do mérito da contenda, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer invasão da competência da Justiça Laboral, até porque todos os segurados já eram tidos como efetivos empregados das empresas interpostas no presente caso. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No que se refere ao pedido de reconhecimento de nulidade do Auto de Infração pela ausência de liquidez, melhor sorte não aufere a recorrente. Sob esta ótica, suas alegações se resumem na tentativa de demonstrar que o lançamento não possui liquidez, tendo em vista que foram consideradas verbas em sua base de cálculo sob as quais não incidem as contribuições previdenciárias, no caso auxílioacidente, salário maternidade. Todavia, ao analisar o relatório fiscal da infração e mesmo o próprio DAD, não verifico que ali foram incluídas tais parcelas. Ao analisar a documentação trazida pelo contribuinte em sua impugnação, também não vislumbrei que o mesmo caracterizou de forma cabal terem sido consideradas pela fiscalização no lançamento parcelas sobre as quais não deveriam incidir as contribuições previdenciárias. E mesmo que assim não o fosse, a alegação de que a impossibilidade de destaque de tais parcelas do total da base tributável, por si só, não possui o condão de invalidar o lançamento, até porque tal ação é plenamente possível, se tivesse sido apurada no caso ora sob análise. Ademais, no que se refere ao lançamento, verificase que a fiscalização levou a efeito o seu dever legal, de acordo com as disposições do art. 142 do CTN, trazendo aos autos todas as informações necessárias ao lançamento, de modo a permitir ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa e ao contraditório. Ante todo o exposto, rejeito as preliminares. MÉRITO A recorrente sustenta, ainda, que as conclusões da fiscalização não teriam o condão de demonstrar a efetiva ocorrência do vínculo de emprego entre a recorrente e os funcionários das empresas tidas por interpostas, já que estas possuíam movimentação financeira, eram independentes, bem como que arcavam em dia e em nome próprio com todas as obrigações tributárias a seu cargo. No entanto, uma vez já demonstrada a possibilidade da fiscalização levar a efeito a caracterização de segurados como empregados de determinada pessoa jurídica, ao analisar os fundamentos expostos pela auditora em seu arrazoado, entendo que mais uma vez deve ser afastada a tese de defesa constante no recurso voluntário. Esclareço, por oportuno, que segundo a fiscalização, as três pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação na condução de seus negócios. A constatação que se faz é que de fato tratase de uma empresa apenas, com uma só administração, mediante o fracionamento de suas atividades, obtendose redução da carga tributária, na medida em que duas partes dela encontravamse inseridas no regime de tributação SIMPLES. O caso ora sob exame, portanto, não é caso de formação de grupo econômico de fato. Diante disso, inicialmente friso que diferentemente dos argumentos recursais, não fora somente a participação societária nas empresas, considerado como único elemento de caracterização da simulação ocorrida e do vínculo com a recorrente, mas sim, outras constatações que levaram a tais conclusões. Vejamos, a propósito, o que bem consignou o v. acórdão de primeira instância, ao reproduzir, em síntese as conclusões adotadas pela fiscalização para levara e feito a caracterização do vínculo com a recorrente, as quais adoto como razões de decidir: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000473/200927 Acórdão n.º 2402003.712 S2C4T2 Fl. 643 7 Segundo diligência fiscal realizada nas instalações das empresas, foi verificada a seguinte situação: As três empresas funcionam no mesmo local; Existe uma única recepção tendo como recepcionista a funcionária FERNANDA TORRES, que atende as três empresas e é formalmente registrada na STÚDIO ANA PAULA LTDA EPP; A marca dos calçados é "Ana Paula"; Os empregados das três empresas usam o uniforme "Ana Paula"; As empresas possuem o mesmo setor financeiro e o mesmo setor de recursos humanos; A funcionária da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA, PERLA KÁTIA SILVA SERPA, administra o setor de pessoal das três empresas, conforme procurações às fls. 129/131 e consulta ao CNIS fl. 128 do processo 13962.000473/200927. Conforme registro no livro caixa da empresa ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME (fls. 270/271 do processo 13962.000473/200927) existem lançamentos de dois empréstimos feitos pela empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS no mês de maio de 2008. Esses empréstimos foram feitos para cobrir despesas da empresa ANA PAULA. Esta prática parece ser comum também com relação à empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA. A fiscalização informa haver constatado, por meio da contabilidade, empréstimos da empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA para a empresa e que segundo declaração do chefe do setor financeiro (sócio administrador da Stúdio Ana Paula), o Sr. ADRIANO CIPRIANI, estes empréstimos não passaram de um simples repasse financeiro para cobrir as despesas da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA (fl. 60 do processo 13962.000473/200927). Consta dos autos documentos que comprovam ser a empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA a empresa que controla todas as operações do empreendimento, como exemplo citamos Notas Fiscais emitidas em nome de JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA (fls. 186/189 do processo 13962.000473/200927), onde consta o endereço da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA(contrato fl. 108/111 do processo 13962.000473/200927), sendo que no corpo das Notas Fiscais consta "comissões sobre vendas bolsas" (o objeto social da empresa STÚDIO). Constam diversos fretes em nome das empresas ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME e STÚDIO ANA PAULA LTDA, com carimbo da empresa JULIANO Fl. 646DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 SCHMIDT CALÇADOS LTDA e pagos por esta última (fls. 177/181 e 261/265 do processo 13962.000473/200927). Foram juntados aos autos diversos comprovantes de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTSGRFGTS, que demonstram haver uma confusão patrimonial e que de fato existe uma única empresa, sob o comando único de ADRIANA ZONTA. Constam GRFGTS da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da mesma empresa (fls. 190/201 do processo 13962.000473/2009 27); constam ainda dos autos GRFGTS em nome da STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da empresa ANA PAULA BOLSAS E ACES. LTDAME (fls. 202/204 do processo 13962.000473/200927); por fim registrase a existência de GRFGTS em nome da empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA EPP (fls. 205/213 e 217/223 do processo 13962.000473/2009 27). Outros pagamentos referentes à documentos das três empresas (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais; Documento de Arrecadação de Receitas Federais; Guia de Recolhimento da Contribuição Sindical Urbana e taxa do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de São João Batista) foram debitados da mesma conta, demonstrando existir uma única conta para movimentação bancária das três empresas (does. às fls. 214/216 e 224/235 do processo 13962.000473/200927). E de se notar que em todos os comprovantes de pagamento embora conste ora o nome da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP, ora o nome da empresa ANA PAULA BOLSAS E ACES. LTDAME, todos são referentes à conta 26298 do Banco do Brasil em nome de ADRIANA ZONTA. O que comprova que de fato existe uma única empresa comandada por ADRIANA ZONTA. Ressaltese que ADRIANA ZONTA não consta do contrato social das empresas STÚDIO ANA PAULA LTDA EPP e ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME, figurando apenas como sócia majoritária da JULIANO SCHMIDT, onde detém 99% do capital social da empresa, (conforme contratos sociais juntados aos autos às fls. 93 a 119 do processo 13962.000473/200927), possuindo procuração para atuar em nome das duas empresas jutamente com JULIANO SCHMIDT (fls. 280/295 do processo 13962.000473/200927). Verificase que às fls. 278/279 do processo 13962.000473/2009 27 consta procuração conferida por ADRIANA ZONTA à JULIANO SCHMIDT, concedendolhe plenos poderes para atuar em nome da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA. Corrobora a conclusão de que existe apenas uma empresa sob o comando de ADRIANA ZONTA e JULIANO SCHMIDT a entrevista realizada com o sócio gerente da STÚDIO ANA Fl. 647DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000473/200927 Acórdão n.º 2402003.712 S2C4T2 Fl. 644 9 PAULA LTDA, O Sr. ADRIANO CIPRIANI (fl. 277 do processo 13962.000473/200927). Diversos documentos confirmam que a empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA é na verdade a empresa existente de fato e de direito, bem como a real empregadora dos funcionários das três empresas. Para exemplificar citamos as fichas cadastrais de ADILSON RAITZ, ILDO GUIOMAR DOS SANTOS MARTINS e PEDRO GERCINO REGIS onde constam como empregados da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA e os avisos de férias dos três empregados emitidos em nome da STÚDIO ANA PAULA LTDA (fls. 247/253 do processo 13962.000473/200927). A empregada GEOVANI REIS ALVES, registrada na STÚDIO ANA PAULA LTDA tem uma solicitação de laudo assinada por funcionária de Recursos Humanos da JULIANO SCHMIDT (fls. 254/255 do processo 13962.000473/200927). O empregado EUCLIDES JOÃO ALEXANDRE tem recibos de férias do mesmo ano assinados pela STÚDIO ANA PAULA LTDA e pela JULIANO SCHMIDT (fls. 256/257 do processo 13962.000473/200927). A empregada MÁRCIA CRISTINA DA SILVA, registrada na JULIANO SCHMIDT, tem o termo de rescisão e recibo de férias assinados pela STÚDIO ANA PAULA (fls. 258/260 do processo 13962.000473/200927). Para corroborar todas essas informações, na auditoria fiscal foi efetuado o procedimento de verificação física (fls. 272/276 do processo 13962.000473/200927), onde todos os empregados ao serem indagados sobre quem é o dono da empresa responderam ser ADRIANA ZONTA e JULIANO SCHMIDT. Ou seja, diante de tais afirmações, devidamente esclarecidas e constantes do Relatório Fiscal, que inclusive foram obtidas mediante entrevistas com funcionários considerados como segurados da recorrente, verificase que de fato as empresas envolvidas tratamse de uma única empresa, tripartida de modo a deixar os seus funcionários vinculados a pessoa jurídica optante do SIMPLES, exclusivamente com a finalidade de furtarse ao pagamento das contribuições patronais, situação esta que de acordo com outros julgados desta Eg. Turma, justifica o lançamento ora sob exame. A meu ver, o lançamento merece ser mantido. Por fim, já no que se refere a multa, tenho que assiste razão o recorrente. No lançamento da obrigação principal, a auditoria fiscal aplicou a multa de ofício de 75%, sob o argumento de que seria a situação mais benéfica ao sujeito passivo, levando a efeito a comparação da multa de mora (24%) acrescida da multa do AI 68 (GFIP) em relação a nova multa de 75%, em decorrência da redação da Lei 11.941/09. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Conforme já restou decidido por esta Eg. Turma, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõem o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 649DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000473/200927 Acórdão n.º 2402003.712 S2C4T2 Fl. 645 11 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A auditoria fiscal ao fazer as comparações entre multa de mora mais multa por descumprimento de obrigação acessória e multa de ofício de 75% busca amparo no art.106, inciso II, alínea “c” do CTN que trata das possibilidades de retroação da lei. Tal artigo dispõe os seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (g.n.) Fato é que o dispositivo em comento não se aplica ao caso, uma vez que a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Assim, devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, devendo ser regido pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Deve ser aplicado, no entanto, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela MP 449. Assim, a multa deve ser aplicada observandose o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, porém, não deve ultrapassar o percentual de 75% que correspondente à multa de ofício prevista na legislação atual Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso apenas para determinar a aplicação da multa com base no art. 35 da Lei 8.212/91, com redação vigente a época dos fatos geradores, para as competências em que a mesma ainda não tenha sido aplicada, limitada ao patamar de 75%. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002694/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. INOCORRÊNCIA
Não se verificou a ocorrência da decadência para nenhuma das competências abarcadas pela autuação, tendo em vista que nenhum exercício completou o prazo de 5 anos, até a data da lavratura do referido AI, posto que o Auditor cumpriu o disposto na Súmula Vinculante nº 08, do STF, determinando que o lançamento fosse constituído, observando-se o prazo decadencial de 5 anos.
IMUNIDADE PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988 E NA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO ÀS NOVAS EXIGÊNCIAS. ATO DE CANCELAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE NOVO REQUERIMENTO.
Com a nova égide constitucional e a edição da Lei nº 8.212/91, foram previstas novas exigências para a concessão do benefício fiscal às entidades de assistência social, sendo dispensadas as que já usufruíam da isenção de requerê-la novamente, mas não de se adequar aos novo mandamentos.
De qualquer modo, a expedição de Ato Cancelatório da isenção retira o direito da entidade, que poderá formular novo requerimento, autorizando o lançamento realizado pela autoridade fiscal das contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorrerem enquanto não estiver no gozo do benefício.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. INOCORRÊNCIA Não se verificou a ocorrência da decadência para nenhuma das competências abarcadas pela autuação, tendo em vista que nenhum exercício completou o prazo de 5 anos, até a data da lavratura do referido AI, posto que o Auditor cumpriu o disposto na Súmula Vinculante nº 08, do STF, determinando que o lançamento fosse constituído, observando-se o prazo decadencial de 5 anos. IMUNIDADE PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988 E NA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO ÀS NOVAS EXIGÊNCIAS. ATO DE CANCELAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE NOVO REQUERIMENTO. Com a nova égide constitucional e a edição da Lei nº 8.212/91, foram previstas novas exigências para a concessão do benefício fiscal às entidades de assistência social, sendo dispensadas as que já usufruíam da isenção de requerê-la novamente, mas não de se adequar aos novo mandamentos. De qualquer modo, a expedição de Ato Cancelatório da isenção retira o direito da entidade, que poderá formular novo requerimento, autorizando o lançamento realizado pela autoridade fiscal das contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorrerem enquanto não estiver no gozo do benefício. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13855.002694/2009-57
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303412
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.243
nome_arquivo_s : Decisao_13855002694200957.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 13855002694200957_5303412.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5142211
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173404626944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 917 1 916 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.002694/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.243 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria Imunidade de Entidade Beneficente Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. INOCORRÊNCIA Não se verificou a ocorrência da decadência para nenhuma das competências abarcadas pela autuação, tendo em vista que nenhum exercício completou o prazo de 5 anos, até a data da lavratura do referido AI, posto que o Auditor cumpriu o disposto na Súmula Vinculante nº 08, do STF, determinando que o lançamento fosse constituído, observandose o prazo decadencial de 5 anos. IMUNIDADE PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988 E NA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO ÀS NOVAS EXIGÊNCIAS. ATO DE CANCELAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE NOVO REQUERIMENTO. Com a nova égide constitucional e a edição da Lei nº 8.212/91, foram previstas novas exigências para a concessão do benefício fiscal às entidades de assistência social, sendo dispensadas as que já usufruíam da isenção de requerêla novamente, mas não de se adequar aos novo mandamentos. De qualquer modo, a expedição de Ato Cancelatório da isenção retira o direito da entidade, que poderá formular novo requerimento, autorizando o lançamento realizado pela autoridade fiscal das contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorrerem enquanto não estiver no gozo do benefício. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 26 94 /2 00 9- 57 Fl. 932DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 2 Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS, referente às contribuições sociais a cargo das empresas em geral, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços, inclusive as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas no art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, apuradas pelo exame das folhas de pagamento e das declarações do contribuinte em GFIP, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 32/38. Diz ainda o referido Relatório que, embora tenha revelado não ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no período fiscalizado, o contribuinte se declarou como entidade beneficente em gozo de isenção das contribuições previdenciárias durante todo o período do débito, utilizandose do código de FPAS 639, com alíquota de SAT zerada, levando a Delegacia de origem a emitir e publicar em 04/09/2009, após o regular procedimento administrativo, o Ato Declaratório nº 15, que cancelou a isenção tributária com efeitos retroativos a 21/01/1999, pelo descumprimento do art. 55, II, da Lei nº 8.212/91. O Auditor Fiscal, considerando a edição da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em consonância com o art. 106, II, c, cuja redação dispõe que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a Fl. 933DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13855.002694/200957 Acórdão n.º 2301003.243 S2C3T1 Fl. 918 3 prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, trouxe no referido Relatório Fiscal as seguintes informações: b) Competências 02/2007 a 10/2008, anteriores à vigência da MP 449/2008, foi efetuada a comparação das seguintes multas: (1) Multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999 24% (legislação anterior à MP 449/2008); (2) Multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no § 50 do art. 32 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 CFL 68 (legislação anterior à MP 411/ 449/2008); (3) Multa de oficio (75%) prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei no 11.941 de 27/05/2009; b.1) Após efetuar a comparação das multas [legislação anterior(1)+(2) com a legislação atual(3)] foram aplicadas para o período de 02/2007 a 10/2008 as multas previstas na legislação anterior por serem mais benéficas para a entidade/contribuinte. A multa por descumprimento de obrigação acessória referente a este período está sendo lançada através do auto de infração Debcad nº 37.220.0222. Já a multa de mora está sendo lançada neste auto de infração. c) Competência 11/2008: (...) c.2) Obrigação principal já o fato gerador da obrigação principal ( não recolher a contribuição previdenciária devida) ocorreu antes da publicação da MP 449/2008, sendo assim aplicase a multa de mora (24%) prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei no 9.876, de 1999, que está sendo lançada juntamente com a obrigação principal neste Auto de Infração. d) Com relação às competências 12/2008 e 13/2008 (décimo terceiro salário) não houve aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que de acordo com o art. 35A da Lei no 8.212/91, acrescentado pelo MP 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 da mesma lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, do qual transcrevemos parte: (...) d.1) Como se vê, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, a ser aplicada a partir da competência 12/2008 nos casos de lançamento de oficio é única, no importe de 75%, e visa a apenar, de forma conjunta tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação de declaração (GFIP) ou declaração inexata, motivo pelo qual para as competências 12/2008 e 13/2008 não está sendo lavrado auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, já que a obrigação principal está sendo objeto de lançamento através do presente Auto de Infração, acrescida da multa de oficio correspondente a 75% (setenta e cinco por cento). Fl. 934DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 4 Em 16/09/2009, a ora Recorrente tomou ciência da autuação contra ela lavrada, apresentando Impugnação no dia 15/10/2009, às fls. 524/538. Entretanto, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação de fls. 878/886, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ENTIDADES BENEFICENTES. ISENÇÃO. LEI ORDINÁRIA. REQUISITOS LEGAIS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades beneficentes ficam isentas das contribuições previstas nos artigos 22 e 23 da Lei de Custeio da Previdência Social desde que atendam todos os requisitos insculpidos na legislação de regência. A Constituição Federal/88, ao dispor sobre a isenção das contribuições para a seguridade social, preconiza lei ordinária para estabelecimento dos requisitos necessários a serem atendidos pelas entidades de assistência social. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, obtido junto ao Conselho Nacional de Assistência Social e renovado a cada três anos, é requisito essencial para o gozo da isenção. Ato cancelatório da isenção oriundo de processo administrativo autoriza o lançamento das contribuições sociais, máxime quando de seu julgamento definitivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa apresentou tempestivamente Recurso Voluntário às fls. 898/914, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Afirma que possui direito adquirido ao Certificado de Entidade de Assistência Social desde 1973, na vigência do Decretolei nº 3.577/59, estando, portanto, imune à exação tributária, nos moldes do art. 195, § 7º, CF/88, bastado seu atendimento aos requisitos do art. 14, CTN, sendo inaplicável a regra prevista no art. 55, da Lei nº 8.212/91; 2) Informa que é regida pelo regime jurídico publicístico, desde a edição da Lei Complementar Municipal nº 101/2009; 3) Diz que as informações prestadas através das GFIP’s estão adequadas, já que é entidade imune, por força do disposto no art. 150, VI, “c” c/c art. 195, §7º, CF/88 e art. 14, CTN; 4) Alega ser insubsistente a presente autuação, posto que alberga valores retroativos ao período, cujo próprio direito, o ente tributante não mais possui, ou seja, se era possível a constituição do crédito tributário desde 1999 e, tendo a autoridade fazendária autuado apenas em 2009, deveria a partir desta data o direito retroagir apenas 5 anos, e não 10 anos; Sem contrarrazões. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13855.002694/200957 Acórdão n.º 2301003.243 S2C3T1 Fl. 919 5 Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Decadência Em suas razões recursais, alega o contribuinte que o presente Auto de Infração alberga valores decaídos. Entretanto, ao analisar os autos, constatei que no Relatório Fiscal, às fls. 32/38, o Auditor Fiscal diz o seguinte: Entretanto, em cumprimento ao contido na Súmula Vinculante nº 08 do STF – Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 e determinou a aplicação dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTNCódigo Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25/10/1966, o presente lançamento está sendo constituído observando o prazo decadencial de 05 (cinco) anos.(grifo meu) Desta feita, se o referido AI foi lavrado em 11/09/2009, e as competências abarcadas pelo lançamento são de 01/01/2005 a 31/12/2008, verificase que entre o primeiro exercício apurado e a data da constituição definitiva do crédito o lapso temporal é inferior a 5 (cinco) anos, restando descaracterizada a decadência quinquenal, prevista no CTN. Sendo assim, não há o que se falar em decadência dos períodos abarcados pelo Auto de Infração. Da impossibilidade de rediscussão na via administrativa da manutenção da imunidade. Do não atendimento dos requisitos legais. De início, cabe destacar que não trata o presente processo administrativo de pedido de isenção, matéria que não cabe mais a este Conselho apreciar. O caso dos autos versa sobre autuação fiscal na qual foi apresentado pelo contribuinte alegação de ser detentor de imunidade que já havia sido afastada por processo anterior. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 6 Deste modo, verificase a competência do CARF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Através do Declaratório, a Recorrente foi excluída do benefício tributário previsto no art. 55 da Lei nº 8.212/1991, em face do descumprimento do seu inciso II, qual seja, manter o Registo e Certificado de Entidade Beneficiente de Assistência Social fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. A exclusão deuse com efeitos retroativos a 21/01/21999. Assim, qualquer discussão acerca da manutenção ou não do direito a permanecer no gozo da imunidade deveria ter sido feita naquela oportunidade, não sendo mais possível sequer a revisão daquele ato neste momento, diante do trânsito em julgado da decisão administrativa de exclusão. Deste modo, não cabe à fiscalização, tampouco a este órgão colegiado, verificar a correção do ato administrativo que determinou o cancelamento da imunidade, sob pena de se promover, por via transversa, a revisão do ato administrativo irreformável. Assim, caberia à Recorrente requerer novamente o benefício fiscal para, somente após a sua concessão, gozar a partir do deferimento da imunidade garantida no art. 195, §7º da Carta Magna, o que pode ser feito atualmente inclusive. Partindo da premissa inafastável, portanto, de que a ora Recorrente deixou de preencher os requisitos necessários à obtenção do benefício fiscal, seja por desobediência às exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/91, seja do art. 14 do CTN, a única conclusão possível é a de que deveria ter recolhido as contribuições previdenciárias nos períodos lançados. De qualquer modo, cabe ressaltar que, a partir de simples análise do caso dos autos, verificase que a Recorrente não preenche, de fato, todas as exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.028, o Supremo Tribunal Federal limitouse a suspender a eficácia apenas do artigo 1º da Lei 9.792/98, na questão referente à mudança de redação do inciso III do artigo 55 da Lei 8.212/91, incluindo, por fim, outros parágrafos no referido dispositivo. Destarte, apesar do julgamento da ADIN, os demais incisos e parágrafos do art. 55 em comento continuaram a produzir todos os seus efeitos, não havendo que se falar em suspensão de eficácia em razão do julgamento daquela ação constitucional. Nesse sentido, segue transcrição do voto do Ministro Marco Aurélio em decisão liminar proferida no plenário do Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da ADIN nº 2.028: Tudo recomenda, assim, sejam mantidos, até a decisão final desta ação direta de inconstitucionalidade, os parâmetros da Lei nº 8.212/91, na redação primitiva. (...) Defiro a liminar, submetendoa desde logo ao Plenário, para suspender a eficácia do art. 1º , na parte em que alterou a redação do art. 055 , inciso III , da Lei n º 8212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º , 4º e 5º , bem como dos artigos 4º , 5º e 7º da Lei nº 9.732 , de 11 de dezembro de 1998. (STF, ADIN 2.028, Rel: Ministro MOREIRA ALVES, TRIBUNAL PLENO, Julgamento: 11/11/1999, DJe: 16/06/2000)(Grifo meu) Fl. 937DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13855.002694/200957 Acórdão n.º 2301003.243 S2C3T1 Fl. 920 7 Como ainda não houve decisão definitiva referente à ADIN supramencionada, em virtude dos autos do processo permanecerem conclusos ao relator, serão observados os preceitos dispostos no referido artigo 55 da Lei 8.212/91 para o julgamento deste recurso, pois era aquele o dispositivo legislativo válido quando da ocorrência do fato gerador. Feitas essas digressões, resta inconteste a improcedência do argumento de que seria inconstitucional o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, que dispõe: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.” O caráter condicional do referido diploma legislativo para a concessão da imunidade constitucional já foi, inclusive, corroborado por entendimento pacífico do Tribunal Regional da Terceira Região, conforme se depreende do julgado a seguir transcrito: APELAÇÃO EM AÇÃO ORDINÁRIA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS. A jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal já identificou, na cláusula inscrita no art. 195, § 7, da Constituição da República, a existência de uma típica garantia de imunidade (e não de simples isenção) estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social. A Lei 9.732/98, foi objeto da ADIn 2.028, tendo o Plenário do E. Supremo Tribunal Federal suspendido, em sede de liminar, a eficácia do artigo 1º, na parte que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91, e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, bem como dos artigos 4º, Fl. 938DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 8 5º e 7º do citado diploma legal. A legislação em debate restou suspensa em virtude da análise material que o Excelso Tribunal realizou, concluindo que se deve exigir das entidades de assistência social somente o registro como entidade de fins filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, para o gozo de imunidade. Deve a entidade preencher os demais requisitos constantes da Lei 8.212/91, que nada mais são do que repetição dos requisitos criados pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, lei recepcionada como complementar e que é aplicada aos casos de imunidade das entidades beneficentes de assistência social e de educação. São eles: I) ser, a entidade, reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II) ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III) não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruir vantagens ou benefícios a qualquer título; e IV) aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Sentença reformada. Apelação parcialmente provida. (TRF 3, AC 11384, Rel.: Juiz Convocado RUBENS CALIXTO, TERCEIRA TURMA, JULGAMENTO 23/09/2010)(Grifo meu) Destarte, é cabal a observância dos requisitos supracitados para que seja concedida a imunidade constitucional pleiteada. Todavia, conforme se depreende dos autos, não houve, por parte da recorrente, a atenção devida aos pressupostos expressos na legislação, pois não apresentou Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS válido (inciso II). Cabe aqui ressaltar que não cabe qualquer alegação de direito adquirido, uma vez que as entidades que já gozassem da isenção seriam dispensadas de requerer ao INSS novamente o benefício (§1o do art. 55), mas não de atender aos demais dispositivos legais necessários à concessão do benefício (não percepção pelos seus diretores remuneração, vantagem ou benefício a qualquer título, aplicação do resultado operacional na manutenção do desenvolvimento dos seus objetivos constitucionais etc), de modo que a manutenção da isenção dependeria, de qualquer modo, à adequação às exigências estabelecidas pela Lei nº 8.212/91, com fundamento na Constituição Federal de 1988. Diante disso, em virtude da não configuração dos requisitos legalmente exigidos, não se verifica o devido enquadramento da Recorrente nas hipóteses de imunidade previstas no art. 195, §7º da Constituição Federal. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13855.002694/200957 Acórdão n.º 2301003.243 S2C3T1 Fl. 921 9 Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 10 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13855.002694/200957 Acórdão n.º 2301003.243 S2C3T1 Fl. 922 11 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A 12 Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 943DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000826/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA
Deve-se manter a exigência, quando constatado que o contribuinte já se beneficiou da não incidência do imposto de renda sobre parte de seus benefícios de complementação de aposentadoria em declarações de ajustes anuais anteriores, na totalidade do seu direito (esgotado em 2002), conforme disposto no art. 7° da MP n. 2.159-70 de 24/08/2001.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA Deve-se manter a exigência, quando constatado que o contribuinte já se beneficiou da não incidência do imposto de renda sobre parte de seus benefícios de complementação de aposentadoria em declarações de ajustes anuais anteriores, na totalidade do seu direito (esgotado em 2002), conforme disposto no art. 7° da MP n. 2.159-70 de 24/08/2001. Recurso Negado
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.000826/2008-41
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5302999
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.570
nome_arquivo_s : Decisao_11516000826200841.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 11516000826200841_5302999.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5142087
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173415112704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 596 1 595 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000826/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.570 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente GILBERTO FERNANDES PALHARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA Devese manter a exigência, quando constatado que o contribuinte já se beneficiou da não incidência do imposto de renda sobre parte de seus benefícios de complementação de aposentadoria em declarações de ajustes anuais anteriores, na totalidade do seu direito (esgotado em 2002), conforme disposto no art. 7° da MP n. 2.15970 de 24/08/2001. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 08 26 /2 00 8- 41 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra omissão parcial de rendimentos recebidos da Fundação Celesc de Seguridade Social, no valor de R$17.128,11, uma vez que o rendimento recebido foi de R$50.884,72, conforme DIRF apresentada pela fonte pagadora, sendo que o contribuinte declarou somente R$33.756,61. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n. 0722.781, de 14 de janeiro de 2011, que se encontra às fls. 105/107, sob os seguintes fundamentos: a) a 4ª Vara Federal de Florianópolis reconheceu a inexigibilidade do imposto de renda incidente sobre os valores recebidos a título de previdência complementar, correspondentes, proporcionalmente, às contribuições recolhidas pelo autor, anteriormente à vigência da Lei n° 9.250/95; b) o contribuinte já havia ajuizado o Mandado de Segurança nº. 2000.72.00.0070653/SC, contra o Delegado da Receita Federal em Florianópolis, onde, por força de liminar, ocorreu a suspensão da exigibilidade de parte dos rendimentos da aposentadoria complementar. Todavia, o acórdão do TRF da 4ª Região, com trânsito em julgado em 20/02/2002, retirou do impetrante a isenção provisória do imposto de renda reconhecido por liminar. Dessa forma, no anocalendário 2006, o rendimento referente à complementação de aposentadoria ora em discussão não estava mais com a exigibilidade suspensa em face do citado Mandado de Segurança; c) de acordo com o decidido judicialmente, o crédito em favor do interessado esgotouse em abril de 2002, ocorrendo, com isso, a efetivação da decisão do processo de conhecimento, motivo pelo qual em momento algum o Fisco pretendeu descumprir a decisão judicial, tampouco este órgão administrativo pretende discutir o mérito acerca do direito do contribuinte de afastar a incidência do imposto de renda sobre o valor de sua complementação de aposentadoria decorrente das contribuições por ele vertidas no período de 01.01.89 a 31.12.95; d) o que ora se pretende, legalmente, é corrigir uma situação que se apresenta irregular no anocalendário objeto do lançamento (2004), uma vez que já não havia mais saldo de contribuições que pudessem ser consideradas como rendimentos não tributáveis. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 21/02/2011, consoante o AR– Aviso de Recebimento –. (fls. 110). À vista da decisão, foi protocolizado, em 11/03/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fl. 111 e seguintes, no qual o recorrente, com vistas a obter a reforma do julgado, alega que fez um depósito judicial no valor do crédito principal, sem encargos e juros, de R$ 4.710,73, conforme documento anexado a este recurso. No mais, em síntese, pretende o recorrente demonstrar que a decisão administrativa está em desacordo com a decisão judicial que conferiu o direito ao contribuinte de reduzir a base de cálculo do benefício de complementação de aposentadoria proporcionalmente às aposentadorias vertidas na vigência da Lei nº 7.713/88. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. A peça recursal insiste nos argumentos apresentados em primeira instância, no sentido de que a decisão judicial não foi acatada pelo fisco, uma vez que a decisão Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000826/200841 Acórdão n.º 2802002.570 S2TE02 Fl. 597 3 transitada em julgado (ação n° 2003.72.00.0181087/SC) determinou a exclusão da base tributável do rendimento de complementação de aposentadoria da parte correspondente às contribuições vertidas ao Fundo de Previdência Complementar durante a vigência da Lei n° 7713/88. Assim, entendo que a decisão da autoridade julgadora de primeira instância não merece reparo uma vez que as argumentações apresentadas pela recorrente, em fase de recurso voluntário, já foram minuciosamente apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Destarte, devese manter a exigência, quando constatado que o contribuinte já se beneficiou da não incidência do imposto de renda sobre parte de seus benefícios de complementação de aposentadoria em declarações de ajustes anuais anteriores, na totalidade do seu direito (esgotado em 2002), conforme disposto no art. 7° da MP n. 2.15970 de 24/08/2001. Com essas considerações, NEGO provimento ao recurso voluntário, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.906285/2009-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira - Relator
.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11030.906285/2009-08
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299476
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.899
nome_arquivo_s : Decisao_11030906285200908.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11030906285200908_5299476.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira - Relator . Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5116971
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173475930112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.906285/200908 Recurso nº Acórdão nº 3801001.899 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de maio de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente SUPERMERCADO CORSO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira Relator 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 62 85 /2 00 9- 08 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA . Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Porto Alegre (RS), que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF em Passo Fundo, que não homologou a compensação declarada por ausência de direito creditório oponível contra o Fisco. A interessada, preliminarmente, defende o direito à apresentação da presente manifestação de inconformidade, a qual teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos em aberto. Entende ser possível a compensação dos débitos declarados, alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título da contribuição em tela. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveria ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III da Lei nº 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações.” A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/10/2001 DIREITO CREDITÓRIO – INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo as razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade e reiterando a alegação de que é possível a compensação no caso em tela. 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Voto Conselheiro PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA No recurso voluntário interposto a contribuinte não contestou em momento algum o motivo da nãohomologação da declaração de compensação, apresentando apenas alegações com relação a fatos em nenhum momento suscitados pela Receita Federal do Brasil. No presente processo se discute se houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos ou não da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3°, § 2º, inciso III da Lei 9.718/98, o que teria gerado ou não indébitos compensáveis. No julgamento da DRJ/POA, prevaleceu o seguinte entendimento: “Verificase que o dispositivo, embora a exclusão tenha sido aventada na redação original, encontravase com sua eficácia condicionada, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídica da base de cálculo da contribuição, à regulamentação pelo Poder Executivo. Irrelevante, para este caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da autoexecutoriedade, obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produziria efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência”. O Recurso Voluntário interposto trata do direito da contribuinte de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrente dos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88, que vigoram entre 1988 e 1995. Enquanto que o processo administrativo em questão trata de COFINS, e não de PIS, e ainda, estas foram recolhidas em período totalmente diverso ao da vigência dos Decretos (entre 1988 e 1995), vejamos: “Então, uma vez reconhecido o direito da Impugnante de receber o que pagou indevidamente em razão dos referidos decretos, devese reconhecer também o seu direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos tributos próprios na forma do artigo 66 da Lei 8.393/91. Conforme restou amplamente demonstrado, a impugnante tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições.” 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Portanto, o recurso voluntário interposto está em total dissonância com o Acórdão recorrido, não o contestando, tratando de Contribuição diversa (PIS, ao invés de Cofins), de período de apuração diverso (de 1988 a 1995, ao invés de 2001), e com razões de defesa totalmente distintas aos da manifestação de inconformidade, não estando inclusive pré questionada a matéria suscitada no Recurso Voluntário. Contudo, necessário registrarse que não é possível o julgamento deste Recurso Voluntário pela verdade material, haja vista que carece prova do crédito existente, não existindo elementos suficientes nos autos suficientes para o provimento do presente recurso voluntário. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5o, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará:I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei no 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4. do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002563/2004-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10840.002563/2004-36
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289220
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.869
nome_arquivo_s : Decisao_10840002563200436.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10840002563200436_5289220.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5051590
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173488513024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 171 1 170 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002563/200436 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.869 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria COFINS. DCOMP. Recorrente USINA BAZAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de DCOMP apresentada pela contribuinte, por meio da qual pretende a interessada compensar débitos seus utilizandose de créditos que alega possuir referentes à Cofins, relativa ao período de apuração de março/2004, no valor total de R$ 38.420,27. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 25 63 /2 00 4- 36 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Relatório Fiscal, constante às efls.42/58, informou a Fiscalização haver constatado as seguintes irregularidades: a) No cálculo do crédito da Cofins não cumulativa, a contribuinte havia incluído aquisições de produtos que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. Verificouse que a interessada havia inserido, indevidamente, as aquisições relacionadas ao chamado “custo agrícola”, quais sejam, produtos utilizados na plantação da canadeaçúcar, tais como adesivos, corretivos, cupincida, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, tudo utilizado em propriedades de terceiros, com os quais a contribuinte possuía contrato de parceria agrícola nas plantações da canadeaçúcar. b) No cálculo do crédito da Cofins não cumulativa, foram incluídas, ainda, aquisições de serviços que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. A contribuinte teria incluído, indevidamente, os valores pagos a empresas prestadoras de serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte da canadeaçúcar. c) Para fins de cálculo do crédito para desconto da Cofins correspondente ao estoque de abertura, previsto no art. 12 da Lei nº. 10.833/2003, a Fiscalização analisou o “Demonstrativo de Cálculo de Abertura de Estoque” apresentado pela contribuinte e verificou que a interessada havia considerado, no estoque de abertura, os custos agrícolas e os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas referentes ao transporte de pessoal (itens“a” e “b” acima indicados). Tais valores foram glosados e o cálculo do valor do estoque de abertura foi, então, refeito, resultando daí numa redução de R$ 17.941.517,59, pretendido pela contribuinte, para R$ 7.024.423,51. Aplicados os percentuais devidos, apurouse o crédito presumido da Cofins de acordo com o §2º daquele mesmo artigo de lei, resultando em 12 parcelas de R$ 13.517,34. d) Foram, ainda, verificadas duas irregularidades nos cálculos apresentados pela interessada que, após sanadas, resultaram em valores mais benéficos à interessada, tendo sido estes considerados pela Fiscalização (fls.57/58). A DRFRibeirão Preto/SP, por meio do Despacho Decisório constante à efl. 59, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 34.084,84, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, a querelante apresentou manifestação de inconformidade (e fls. 74/97), apresentando as razões de defesa assim sintetizadas pela autoridade julgadora de piso: “Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.71/94, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa, faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade, pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, "...sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica "da etapa anterior" e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS.” Sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.002563/200436 Acórdão n.º 3202000.869 S3C2T2 Fl. 172 3 A "... ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito", uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. BENS E PRODUTOS NÃO INCLUÍDOS NO CONCEITO DE INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO Alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que os tratos culturais e o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizamse como despesas incorridas numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito, representando clara transgressão à sistemática da não cumulatividade. CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA Alega que os custos utilizados para a composição do crédito decorrente do estoque de abertura se relacionam a insumos ou materiais intermediários para a produção, e que a própria Receita Federal entende que o valor que deve ser levado em consideração é aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, a vista do disposto no art. 48, §§7º e 8º , da IN SRF n° 594, de 2005. Pretende a inclusão de despesas de transporte de pessoal, uma vez que estas são essenciais para a atividade do interessado. Quanto às despesas referentes à depreciação, alega que a Lei n° 10.865, de 2004, ofendeu o primado da não cumulatividade, o princípio da irretroatividade da norma tributária, da isonomia e livre concorrência, estes ao distinguir os contribuintes que adquiriram bens incorporados ao Ativo imobilizado antes de 01/05/2004, que não tem direito ao crédito referente a depreciação de amortização dos bens e os que adquiriram depois desta data, que tem direito a tal crédito. Critica a escolha da data 01/05/2004 para a entrada em vigor do direito ao crédito, pois não há qualquer correlação com as datas das leis que criaram a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nem outro qualquer critério lógico. Que a Receita Federal, através da IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito à crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei n° 10.833. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes à atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (efls. 108/115), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4o , do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/03/2004 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 118/143), alegando, em síntese: I. Preliminarmente: que houve revisão incabível dos critérios de apuração da COFINS relativos a período já atingido pela decadência, vez que foi cientificada do Despacho Decisório somente em 12/06/2009 e que, assim, teria havido homologação tácita dos créditos de Cofins pleiteados, referentes a março de 2004. Afirma que o instituto da decadência não só repercute no ato de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.002563/200436 Acórdão n.º 3202000.869 S3C2T2 Fl. 173 5 lançamento das exações, mas possui também reflexos na própria apuração dos créditos levantados pelos contribuintes. Entende que, na homologação tácita, não é homologado apenas o pagamento, mas sim a própria apuração realizada pelo sujeito passivo, e que, desta forma, o levantamento do estoque de abertura, cuja atividade incluise no rol dos procedimentos de apuração de tributos pelo sujeito passivo, encontravase com sua base de cálculo tacitamente homologada, em razão do transcurso do prazo quinquenal. II. No mérito: a) que houve indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação. Aduz que a DRJ confundiu o dispêndio que a contribuinte pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que se trataria de gastos referentes a combustível utilizado no transporte de trabalhadores, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Assim, diante do equívoco cometido pela DRJ, entende que o processo deveria retornar à instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito; b) que os dispêndios incorridos pela Recorrente efetivamente estão atrelados ao seu processo produtivo, delimitandose, assim, o correto alcance do conceito de "insumo" para fins de apropriação dos créditos da COFINS; c) que “a recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto”. Assim ,“nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção”. Desse modo, não haveria como não se considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar, que é a matériaprima para a produção do açúcar e o álcool; d) que, da mesma forma, há que se considerar como insumos os custos agrícolas (adesivos, corretivos, cupincida, fertilizantes, herbicidas e inseticidas), visto serem custos essenciais para a consecução de suas atividades. Além disso, tais insumos foram incorporados à canadeaçúcar que, por sua vez, foi utilizada como matériaprima na produção do açúcar e do álcool, de tal forma que tais insumos acabaram por ser consumidos ao longo do processo produtivo, constituindose, assim, como produto intermediário, gerando direito ao crédito, na forma do art 3º da Lei nº. 10.833/2003 e) que o fato de a utilização de tais custos ocorrer em terras de terceiros não é suficiente para descaracterizálos como insumos, visto que, por meio de contrato de parceria, cultiva canadeaçúcar em terras de terceiros, arcando com todo o custo desse cultivo; f) que são incabíveis as exclusões, da composição do estoque de abertura, dos custos agrícolas e dos gastos com serviços de transporte dos cortadores de cana. A uma, porque o transporte de pessoas e os custos agrícolas efetivamente consistem em insumos para a produção da Recorrente. A duas porque a própria Receita Federal do Brasil entende que o valor que deve ser levado em consideração para fins do cálculo do estoque de abertura é Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, consoante se depreende do art. 48, §§ 8º e 7º da Instrução Normativa 594/05. g) que o art. 12 da Lei nº. 10.833/20023 leva ao entendimento de que, na apuração do valor dos estoques, é possível computar todos os custos de fabricação, sem quaisquer exclusões ou adições, que é o mesmo entendimento esposado pelos §§ 7º e 8º do art. 48 da IN/SRF nº. 594/05. Ao final, requer seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte da cana, determinandose o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema. Com relação às matérias enfrentadas pela DRJ, seja dado provimento ao recurso. Subsidiariamente, caso não seja determinada a devolução dos autos à DRJ, pede pela procedência do recurso, com a consequente homologação das compensação efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Logo de plano, vêse caber razão à querelante quando afirma que a autoridade julgadora de piso teria decidido sobre a adequação no conceito de insumo, para fins de creditamento da Cofins, de gasto diverso daquele que fora objeto de glosa. A Fiscalização deixou claro: desconsiderou, como insumos, os gastos relativos às aquisições de serviço de transporte de pessoas, bem como os custos agrícolas. Em momento algum houve qualquer manifestação relativa a gasto com combustível, fosse este referente ao transporte de pessoas, fosse referente ao transporte de canadeaçúcar. Vejase: “A. DA GLOSA, NO CÁLCULO DE CRÉDITOS DA COFINS, APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA, DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS, PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE, PARA A FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. (...) A fiscalização verificou que a contribuinte inseriu nas planilhas de cálculo dos créditos da COFINS (Fls. 17/18) não cumulativa as aquisições de produtos relacionados com o "custo agrícola", ou seja, produtos utilizados nas plantações de cana de açúcar (Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas) em propriedades de terceiros com os quais a fiscalizada possui contratos de parceria agrícola nas plantações de canadeaçúcar. Como a contribuinte é produtora e vendedora de AÇÚCAR e ÁLCOOL, nenhum dos produtos relacionados com o "custo agrícola" poderão ser considerados, de acordo com a citada legislação, como INSUMOS na fabricação ou produção de açúcar e álcool. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.002563/200436 Acórdão n.º 3202000.869 S3C2T2 Fl. 174 7 Isto posto, a fiscalização efetuou a glosa no cálculo créditos (Fl. 38) de todas as aquisições relacionadas com o "custo agrícola"(Adesivos, Corretivos, Cupincida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas) efetuadas pela empresa. B. DA GLOSA, NO CÁLCULO DE CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA, DE AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS, PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE, PARA A FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. Tendo em vista a mesma base legal citada e transcrita no item anterior, ou seja, o Art. 8º , inciso I, alínea b), b.1) e b.2), parágrafo 4º item I, alínea a) da Instrução Normativa nr.404, de 12 de março de 2004, a fiscalização apurou que a contribuinte inseriu no cálculo dos créditos da COFINS (Fls. 38) não cumulativa valores pagos a empresas prestadoras de serviços, a título de transporte de pessoas. Diante desta verificação, em 25/02/2009 a empresa foi intimada (Fl. 23 item 2.) a informar, apresentando documentação hábil e idônea que comprovassem o valor informado na planilha de cálculo de crédito (Fl. 16), referência 530 e 885 "Transporte de Pessoas" bem assim, informar também que tipo de transporte e que pessoas foram transportadas. Em 13/03/2009 a contribuinte apresentou resposta à intimação (Item 2. da Fl. 27) informando que : tratase do transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte." Diante do exposto, a fiscalização efetuou a glosa dos créditos (Fls. 38) de todas as aquisições de serviços a título de Transporte de Pessoas entendendo não haver amparo legal vigente para considerar estas aquisições como INSUMOS na produção e fabricação de AÇÚCAR E ÁLCOOL pela empresa.” Quanto aos insumos glosados pela Fiscalização, assim se manifestou a autoridade julgadora administrativa de primeira instância: “ Bens não incluídos no conceito de insumos Dispõe o art. 92 da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. Por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n° 404, de 2004, que em seu art. 8º , § 4º , definiu o conceito de insumos para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo: Art. 8 Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos 111 e IV do § lº do art. 4°; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou (...) § 4 Para os efeitos da alínea "b" do inciso Ido caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;(grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Assim, o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias,por falta de previsão legal, não pode ser considerado como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição.” (grifei) Desta forma, temse claro que o Acórdão recorrido não analisou a questão referente ao objeto desta lide e que foi contestada na impugnação, pois afastou o creditamento, a título de insumo, de gasto referente ao combustível utilizado no transporte de pessoas, quando, na verdade, houve a glosa do serviço de transporte de pessoas. Demais disso, não houve qualquer manifestação quanto à glosa referente ao custo agrícola e que também foi matéria de defesa trazida na manifestação de inconformidade (efls. 90/94). Assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão administrativa de primeira instância, a fim de que outra seja proferida, decidindo sobre as matérias efetivamente objeto de glosa pela Fiscalização e que foram trazidas na manifestação de inconformidade pela contribuinte. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.002563/200436 Acórdão n.º 3202000.869 S3C2T2 Fl. 175 9 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
