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Numero do processo: 10920.721539/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2401-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas no recurso voluntário; e III) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
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E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO FLORESTA EM PÉ. NÃO CARACTERIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA. O regime substitutivo inscrito no artigo 22A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da agroindústria, que se caracteriza como o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. De conformidade com a jurisprudência firmada neste Colegiado, a simples aquisição de floresta em pé, prontas ou semiprontas para o corte, não tem o condão de atrair a condição de agroindústria à empresa, não caracterizando produção própria. DIVERGÊNCIA ENTRE O ENTENDIMENTO DO FISCO E AQUELE EXARADA EM SOLUÇÃO DE CONSULTA FISCAL. INOCORRÊNCIA. O entendimento do fisco acerca do enquadramento da empresa como agroindústria está em perfeita consonância com a Solução de Consulta formulada pelo sujeito passivo, a qual não considera produção própria a aquisição de florestas maturadas para utilização no processo industrial, nem enquadra com agroindústria as empresas que têm produção rural própria ínfima em relação à matériaprima adquirida de terceiros. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. NÃO COMPROVAÇÃO DE FRAUDE DOLO OU SIMULAÇÃO. AFASTAMENTO. Não deve prevalecer a qualificação da multa, quando o fisco deixa de comprovar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou simulação. A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 39 /2 01 2- 10 Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 mera divergência de interpretação da norma tributária não tem o condão de qualificar a multa. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO FISCAL REGULARMENTE PROCESSADA. ATROPELO AO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatada a alegação de atropelo ao princípio da impessoalidade, quando a ação fiscal que deu ensejo ao lançamento foi realizada em conformidade com as normas procedimentais aplicáveis e o sujeito passivo não consegue comprovar que a Autoridade Lançadora se desviou da finalidade pública prevista na Lei. ERRO MATERIAL NA CITAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não deve ser reconhecido o cerceamento ao direito de defesa em razão de erro material na citação da fundamentação legal da multa, quando o fisco indica corretamente os fatos geradores e a matéria tributável, além de apresentar o Relatório de Fundamentos Legais com a correta menção da base legal. REQUERIMENTO DE NOVAS PROVAS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de dilação probatória quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.746 3 Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas no recurso voluntário; e III) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Recorre de ofício a 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis em face do Acórdão n. 0731.305, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelas empresas arroladas no polo passivo, ao reconhecer a decadência das competências 01 a 04/2007 e afastar a qualificação da multa. Dessa decisão também recorreram a autuada e as demais empresas colocadas pelo fisco na condição de solidárias pelo cumprimento das obrigações tributárias. O processo em questão contempla dois lançamentos, a saber: a) Auto de Infração – AI n. 37.345.1652: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados; b) Auto de Infração – AI n. 37.345.1660: imposição de multa pela falta de declaração da totalidade das contribuições na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A autuação decorreu do desenquadramento da empresa da condição de agroindústria, tendo entendido o fisco que não caberia a substituição das contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n. 8.212/1991, pelas dos incisos I e II do art. 22A da mesma Lei, na redação dada pela Lei n. 10.256/2001. A principal motivação do fisco para efetuar o enquadramento de ofício da atividade da empresa decorreu da suposta constatação de que a sua produção rural própria seria ínfima em relação ao total de matéria prima utilizada no processo produtivo. A empresa autuada iniciou seu recurso relatando os fatos processuais e depois passou a alegar, em apertadas síntese, que: a) as autuações são nulas, por violação ao princípio de impessoalidade da administração, uma vez que o Agente Fiscal desenvolveu a sua auditoria com o claro propósito de impor as lavraturas à recorrente; b) a perseguição fica nítida quando se percebe que o mesmo Auditor já havia autuada a empresa pelos mesmos fatos, conforme processo n. 13976.000364/200799, o qual encontrase no CARF para julgamento; c) devese reconhecer que o AI é nulo em razão de erro na capitulação da multa, fato que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa. É que o fisco fundamentou a multa na alínea “c” do inciso II do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, quando o correto seria citar a alínea “a” do mesmo dispositivo; d) as competências de 01 a 04/2007 foram alcançadas pela decadência; e) o seu enquadramento na condição de agroindústria tomou como base soluções de consulta emanadas da própria administração tributária, assim, o fisco ao adotar Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.747 5 entendimento contrário ofende frontalmente ao que dispõe o art. 100 do Código Tributário Nacional – CTN; f) a recorrente atende aos requisitos legais para o enquadramento como agroindústria posto que: 1) é produtor rural; 2) possui produção rural própria e se dedica ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria; 3) não modifica a natureza química da madeira ou a transforma em pasta celulósica; e 4) adquire produção rural de terceiros, a qual também é industrializada; g) no seu objeto social consta as atividades de florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura para uso próprio ou comercialização; h) agiu corretamente ao não declarar em sua DIPJ o resultado da atividade rural, posto que não possui qualquer resultado dessa atividade, uma vez que toda madeira produzida é utilizada no seu processo produtivo; i) o fato de não ter informado na GFIP o código FPAS 833 para os trabalhadores do setor industrial e o código 604 para os trabalhadores do setor rural, representa mero descumprimento de obrigação acessória, não podendo acarretar no seu desenquadramento da condição de agroindústria; j) a partir do momento em que adquiriu as árvores de uma propriedade, independentemente da fase de plantio ou maturação, toda e qualquer madeira obtida neste empreendimento é considerada produção rural da própria; k) ao adquirir a produção das fazendas continuou a cuidar da plantação até a sua utilização no processo industrial, não havendo qualquer vedação legal a essa operação que possa descaracterizar o produto obtido do conceito de produção rural contido no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991; l) o próprio CARF já afastou a alegação de que não configura produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada de trato cultural, como se pode verificar do julgamento do processo n. 13976.000364/200799; m) apresenta jurisprudência judicial em que se firmou o entendimento de que a empresa que industrializa produção rural é agroindústria independentemente da origem da matériaprima; o) inexiste na legislação que trata da matéria limite mínimo de produção própria para que uma empresa seja considerada agroindústria. Sobre essa questão o CARF já se debruçou no processo já citado, tendo concluído que não descaracteriza a condição de agroindústria o fato da produção rural adquirida de terceiros superar a produção própria; p) a decisão recorrida é contraditória, posto que ora afirma que a autuada não possuía produção própria e ora indica que a autuada iniciou plantio em propriedades disponíveis; q) qualquer requisito para caracterização de agroindústria que não esteja na Lei n.º 8.212/1991 representa afronta ao princípio da legalidade; Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 r) não se sustenta a aplicação da multa qualificada, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência de fraude, dolo ou simulação por parte da autuada; s) a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, fixada em 100% do tributo não declarado, possui efeito de confisco; t) é ilógico exigir que a autuada declarasse em GFIP contribuições que entendia não serem devidas, posto que se enquadrava como agroindústria; u) a multa punitiva representa bis in idem, posto que houve aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação principal decorrente dos mesmos fatos geradores; v) observese que em ação fiscal anterior, o fisco lançou as contribuições, todavia, não aplicou multa por descumprimento de dever instrumental. Esse fato mostra a fragilidade e incoerência do trabalho fiscal; w) deve ser declarado improcedente o indeferimento do pedido da recorrente para produção de todos os meio de provas admitidos, em respeito ao princípio da verdade material. Ao final requereu a declaração de improcedência das lavraturas e o julgamento conjunto com processo n. 10920.721540/201244. As codevedoras AAW EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, LED EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, RS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e MX IMPORTADORA E EXPORTADORA S/A apresentaram recurso voluntário único, no qual, além dos argumentos lançados pela autuada, afirmam que a solidariedade que lhes foi imputada ofende à Constituição Federal (art. 146, III) e o Código Tributário Nacional (art. 128). Asseveram que o inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 seria formalmente inconstitucional, posto que somente lei complementar poderia alargar a responsabilidade tributária para atingir terceiros não vinculados ao fato gerador. Para que fosse cumprido o desiderato do CTN, o fisco deveria demonstrar que as pessoas arroladas no polo passivo participaram da concretização da hipótese de incidência tributária ou tiveram vinculação com os fatos que fizeram nascer a obrigação tributária. Não há o que se falar em responsabilidade tributária posto que as recorrentes não descumpriram com qualquer dever de colaboração com a Administração Tributária, tampouco contribuíram para o inadimplemento das obrigações fiscais exigidas. É esse o entendimento predominante na jurisprudência do STF. A gestão das empresas é autônoma e o órgão de direção do grupo concentra as decisões empresariais, mas não desce ao nível do desenvolvimento concreto do objeto social das sociedades integrantes, não se vinculando aos fatos geradores realizados, muito menos ao cumprimento das obrigações tributárias. É o relatório. Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.748 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado (principal e multa) foi de R$ 1.678.387,48 (um milhão, seiscentos e setenta e oito mil e trezentos e oitenta e sete reais e quarenta e oito centavos), portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Os recursos voluntários merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Recurso de Ofício O recurso necessário interposto pela DRJ decorreu da desoneração das competências 01 a 04/2007 no AI n. 37.345.1652, em razão da decadência, bem como do afastamento da qualificação da multa para as competências 12/2008 e 13/2008. a) decadência Quanto à decadência, é cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Foi acertada a decisão da DRJ em aplicar a regra do § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial, uma vez que a empresa efetuava o recolhimento das contribuições tomando como base o valor da receita bruta da comercialização da sua produção rural, verificandose, portanto, recolhimentos antecipados. Assim, devese manter a exclusão das competências 01 a 04/2207, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 30/05/2012, conforme fl. 10. b) multa qualificada A DRJ justificou o afastamento da qualificação da multa de 75% para 150% em razão do fisco não haver demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, inexistindo o motivo que pudesse dar ensejo à aplicação do § 1. do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. De fato, observandose o relato da auditoria não vislumbramos a ocorrência das circunstâncias que pudessem caracterizar os ilícitos fiscais acima mencionados, mas apenas divergência de interpretação das normas tributárias. Andou bem a DRJ quando excluiu a qualificação da multa por falta de motivo, merecendo transcrição a fundamentação do voto condutor do acórdão: “No caso em concreto, da análise das alegações trazidas ao autos pela autoridade fiscal, entendo que, a simples constatação pela fiscalização de que durante o período fiscalizado a requerente informava em GFIP o seu enquadramento como agroindústria, sujeitandose ao regime de tributação diferenciado destinado a produtores rurais pessoas jurídicas que industrializam sua produção rural, não é motivo suficiente para a aplicação da multa de 150%, pois tal circunstância não figura entre suas hipóteses de incidência. Tampouco caracteriza fraude tributária o fato da impugnante, a partir da informação do código FPAS 833, em GFIP, deslocar a Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.749 9 tributação da folha de pagamento para uma receita bruta decorrente da comercialização da produção rural industrializada, ainda que esta produção rural, na realidade, seja quase que exclusivamente adquirida de terceiros. Bem como, ainda que a conduta ora analisada já tenha sido objeto de fiscalização, em 2006, sobre os mesmos argumentos, como o referido lançamento não transitou em julgado, não há como se vislumbrar nesta condição a prática reiterada da infração, tal com, o entende a autoridade lançadora. Portanto, em que pese as alegações da autoridade fiscal no intuito de justificar a intenção de sonegar, fraudar do contribuinte, diante da falta de provas materiais, há a ausência inegável do elemento subjetivo do ilícito, devendo, nas competências 12 e 13 de 2008, há que se reduzir a multa de ofício qualificada para multa de ofício regular de 75%..” Diante do exposto, devese negar provimento ao recurso de ofício tanto na conclusão relativa à decadência, quanto àquela relativa ao afastamento da qualificação da multa. Nulidades a) violação ao princípio da impessoalidade A recorrente suscita como causa de nulidade dos lançamentos o desrespeito ao princípio da impessoalidade cometido pela auditoria. Para justificar sua alegação, afirma que o Agente Fiscal, o mesmo que autuou a empresa em ação pretérita, teria atuado, não para verificar a sua regularidade fiscal, mas com intuito único de efetuar as lavraturas. Assevera ainda que uma auditoria de apenas cinco meses não seria suficiente para que fosse analisada com o rigor necessário toda a documentação apresentada pela empresa. O princípio da impessoalidade é um dos principais pilares em que se funda o Direito Administrativo. Para o Mestre Hely Lopes Meirelles2 este princípio, que mereceu referência na Constituição de 1988, nada mais é que o tão propalado princípio da finalidade, o qual impõe que o administrador somente pratique o ato para o seu fim legal, o qual se caracteriza como aquele indicado pela lei como objetivo do ato, de forma impessoal. Vale a pena transcrever as palavras do Administrativista: “O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração, visando unicamente a satisfazer interesses privados, por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais, sob a forma de desvio de finalidade. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder...” Os fatos narrados pelo sujeito passivo, a meu ver, não comprovam que a Autoridade Lançadora se desviou da conduta em que deveria se pautar um agente da Fazenda 2 Meirelles, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 26 ed.,São Paulo: Malheiros Editores, 1974, p. 85. Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Nacional. Inexiste nos autos qualquer evidência de que o lançamento tenha sido perpetrado para satisfazer um capricho pessoal do agente ou mesmo no intuito de perseguir o administrado. A ação fiscal foi desencadeada mediante o regular Mandado de Procedimento Fiscal e o Auditor designado, sem dúvida, possuía a competência necessária a constituir o crédito tributário. Não há qualquer impedimento legal para que um mesmo Agente Fiscal possa efetuar fiscalizações sucessivas num mesmo contribuinte. Essa situação até milita em favor do princípio da eficiência da Administração Pública, posto que, aquele Auditor que já conhece a realidade da empresa, em tese, será mais ágil nos trabalhos de verificação fiscal. Na situação que nos é posta, verificase que o fisco encontrou na empresa as mesmas irregularidades verificadas no procedimento pretérito, sendo seu dever, sob pena de responsabilização funcional, lavrar os autos de infração cabíveis. Ao contrário do que afirmaram as recorrentes, inexistiu desvio de finalidade, uma vez que os lançamentos constituem a essência da concretização do interesse público, que se revela na exigência de valores necessários ao equilíbrio financeiro da Seguridade Social. Não tem consistência a alegação de que o exíguo tempo gasto na apuração fiscal revelaria irregularidade na ação fiscal. As modernas técnicas de auditoria em que a documentação é apresentada em arquivos digitais reduz sobremaneira o tempo gasto na apreciação dos elementos fornecidos pelo sujeito passivo. Mais ainda quando o fisco, por já haver fiscalizado a empresa anteriormente, conhecia a sua estrutura organizacional. Assim, a preliminar de nulidade decorrente do desrespeito ao princípio da impessoalidade não merece acolhida, posto que as recorrentes não trouxeram aos autos qualquer evidência deste fato. b) erro na capitulação da multa – cerceamento ao direito de defesa O alegado cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo em razão de menção do fisco a dispositivo legal incorreto para fundamentar a aplicação da multa não merece acolhida. De fato, notase que, quando a Autoridade Lançadora mencionou em seu relatório o dispositivo para aplicação da multa de 24%, cometeu o lapso de indicar a alínea “c” do inciso II do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, quando o correto seria a alínea “a” do mesmo dispositivo. Todavia, entendo que esse erro material não é causa de nulidade do lançamento, até porque o percentual da multa efetivamente imposto está em consonância com a legislação. Seria formalismo ao extremo inquinar de nulidade o lançamento em razão desse descuido na citação do fundamento da multa, uma vez que os fatos geradores foram perfeitamente identificados e as razões que levaram o fisco a concluir pela ocorrência de infração à legislação estão expressas com clareza e precisão. É de se ressaltar que o Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito especifica a contento toda a legislação que serviu de base para a lavratura, apresentando inclusive tópico específico para os acréscimos de juros e multa, onde se nota o total acerto na fundamentação apresentada. Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.750 11 Assim, por entender que o relatório fiscal e seus anexos propiciaram aos sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do amplo direito de defesa, deixo de acolher a preliminar de nulidade decorrente de erro na citação da base legal da multa aplicada. c) produção de novas provas Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela procedência da lavratura. Contradição entre os lançamentos e Soluções de Consulta emanadas da Administração Tributária Afirmam as recorrentes que o fisco atropelou o art. 100 do CTN ao aplicar nas lavraturas entendimento diverso daquele manifestado pela própria Administração Tributária em soluções de consulta formuladas pela empresa autuada. Nos termos do dispositivo citado, as práticas reiteradas das autoridades administrativas têm natureza jurídica de normas complementares da legislação tributária e, o § único do mesmo artigo diz que a observância dessas normas pelos contribuintes impede a imposição de penalidades e a aplicação de juros. O § 2. do art. 161 do CTN também afasta a fluência de juros ou imposição de penalidades na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por outro lado, o princípio da segurança jurídica aplicado às consultas tributárias impõe, conforme art. 146 do CTN, que a alteração no entendimento veiculado pela Administração Tributária mediante solução de consulta somente passa a produzir efeitos para fatos geradores futuros, não podendo alcançar situações ocorridas sob a égide do critério jurídico anteriormente estabelecido. Ocorre que, ao contrário do que afirmaram as empresas, a Autoridade Lançadora não se desviou do entendimento exarado nas soluções de consulta mencionadas, mais especificamente na de n. 310/2004, proferida pelo então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinvile (SC). Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A interpretação jurídica dada pelo fisco amoldase inteiramente àquela firmada na solução de consulta mencionada. Vale a pena transcrever os termos do ato administrativo sob enfoque: “6. Cotejandose os dispositivos transcritos com as informações prestadas pela consulente , depreendemos, S.M.J., que as atividades por ele desenvolvidas o caracterizariam, nos termos da legislação previdenciária, como empresa agroindustrial, desde que as operações rurais e industriais estejam devidamente segmentadas em departamentos , divisões ou setores, bem assim observadas as considerações registradas nos itens seguintes (7 e 8). 7. Competenos então, acrescentar que o INSS, mais especificamente sua Diretoria da Receita Previdenciária, consolidou, por meio da Consulta Técnica nº. 270, concluída em 26/05/2003, o entendimento de que a floresta adquirida não é considerada produção própria e, portanto, na hipótese de a empresa não ser proprietária de área sobre a qual se assente a fonte dos insumos, não deverá ser tida como agroindustrial. 8. Do entendimento firmado, inferimos que a ocorrência dos fatos geradores das contribuições estabelecidas pela Lei nº. 10.256/01 estará condicionada ao momento em que as florestas agregadas às suas propriedades atinjam a maturação e, em razão disso, sejam abatidas e industrializadas.” Conforme veremos mais adiante, os principais motivos que levaram o fisco a desconsiderar o autoenquadramento da autuada como agroindústria foi o fato de não se acatar o entendimento de que a aquisição de florestas maturadas poderia ser considerada produção própria, além de se vedar o enquadramento como agroindústria para empresas com produção própria ínfima em relação à matériaprima adquirida de terceiros. Assim, não merece razão o inconformismo da autuada e das corresponsáveis, uma vez que o entendimento do fisco está em perfeita consonância com a solução de consulta n. 310/2004. Do enquadramento de ofício da atividade da autuada O fisco afirma que em fiscalização realizada anteriormente, que tratou dos mesmos fatos geradores, constatouse que a fiscalizada não poderia ser enquadrada como agroindústria, posto que não teria industrializado produção própria no período auditado. Ressalta ainda que a autuada teria justificado o seu enquadramento com agroindústria baseada em processo de consulta formulado ao INSS, todavia, a solução de consulta cingiuse aos dados apresentados pelo sujeito passivo, os quais divergiram da situação verificada durante a ação fiscal. O fisco adverte que contexto encontrado no procedimento fiscal realizado no ano 2006 mantémse atualmente, ou seja, a produção rural aplicada no processo produtivo da fabricação de móveis decorre da aquisição de árvores originárias da produção rural de terceiros, através de compra específica da madeira em pé e de compra de fazendas com reflorestamentos implantados em fase de colheita, ou em adiantada fase de maturação. A empresa, segundo o Auditor, não declarou na GFIP nenhum empregado vinculado à atividade rural. Sustenta ainda que inexiste a possibilidade de no período Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.751 13 fiscalizado a empresa haver utilizado matériaprima de produção própria, posto que da época do plantio das árvores até a sua colheita são necessários pelo menos vinte anos e não há na contabilidade da empresa qualquer registro de florestamento/reflorestamento próprio antes de 2002. É apresentado quadro detalhando fazendas adquiridas pela autuada, cuja extração de toras de madeira ali já existentes foram consideradas como produção própria. Mencionase também os casos em que a fiscalizada computou como reflorestamento próprio a compra de árvores em pé. Sustenta o fisco que essa operação jamais pode ser considerada produção própria da autuada, posto que a relação comercial existente é de mera compra e venda de mercadoria, ficando a cargo da compradora apenas os custos de extração e transporte. Outra observação lançada no relato fiscal é que parte do reflorestamentos implantados pela Artefama, os quais teriam servido para justificar o seu enquadramento com agroindústria, foram alienados em fase incipiente de produção. Citase ainda um caso de contrato firmado pela autuada, pelo qual ela produziria árvores para vendêlas à contratante. O que, segundo o fisco, também não justifica a utilização do benefício fiscal previsto pela Lei n. 10.256/2001. A Autoridade Lançadora sustenta que, mesmo quando se considera produção própria as áreas rurais adquiridas com árvores com dez anos do plantio, essa parcela da matériaprima (toras) é insignificante em relação ao volume necessário ao processo produtivo da autuada. A seguir demonstrase que para cada exercício do período fiscalizado o percentual de produção própria de toras (considerandose a aquisição de árvores em pé): ANO PRODUÇÃO PRÓPRIA (%) 2007 3,74% 2008 7,94% 2009 2,22% 2010 15,7% 2011 7,49% O fisco assevera ainda que os dados acima dizem respeito à aquisição de toras de madeira, sendo que na fabricação de móveis a autuada ainda utiliza outros insumos de madeira, tais como madeira serrada verde, madeira serrada seca, laminados, painéis de madeira, etc, sendo esta aquisição efetuada diretamente de terceiros. Conclui que o percentual efetivo de madeira própria é ainda menor do que aquele apresentado no quadro acima. Outro ponto ressaltado no relatório do fisco é que a própria empresa, ao ingressar com ação judicial contra a exigência de contribuição ao INCRA (processo n. 2001.72.01.004350, 3.ª Vara Judicial de Joinville/SC), declarouse não fazer parte da relação jurídicotributária por não exercer atividade rural. A empresa, por seu turno, alega que cumpre todos os requisitos legais para se enquadrar com agroindústria, posto que é produtor rural, dedicandose ao florestamento/reflorestamento para utilização no processo de produção de móveis, além de que Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 no seu objeto social consta as atividades de florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura para uso próprio ou comercialização. A falta de declaração de empregados do setor rural na GFIP representa mero descumprimento do obrigação acessória não sendo suficiente para acarretar no seu desenquadramento da condição de agroindústria. Ao adquirir a produção das fazendas continuou a cuidar da plantação até a sua utilização no processo industrial, não havendo qualquer vedação legal para essa operação que possa descaracterizar o produto obtido do conceito de produção rural contido no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. Inexiste na legislação que trata da matéria limite mínimo de produção própria para que uma empresa seja considerada agroindústria. Sobre essa questão o CARF já se debruçou em processo da própria empresa, tendo concluído que não descaracteriza a condição de agroindústria o fato da produção rural adquirida de terceiros superar a produção própria. Passemos às nossas considerações. A Lei n. 10.256/2001, inseriu o art. 22A na Lei n.º 8.212/1991, de modo a alterar a base de incidência das contribuições sociais para o segmento das agroindústrias. Essas empresas que se sujeitavam às regras atinentes às empresas em geral (contribuição sobre a folha de salários), passaram a recolher sobre um percentual de sua receita bruta. Eis o dispositivo em questão: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.752 15 § 4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). § 7o Aplicase o disposto no § 6. ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). Observese que os requisitos legais para que o sujeito passivo possa se beneficiar desse regime de recolhimento é que seja agroindústria, assim considerada o produtor rural que industrialize a produção própria, podendo ainda utilizar na sua atividade industrial produção rural adquirida de terceiros. É nítida a intenção do legislador em reduzir a carga tributária dos produtores rurais que utilizam na atividade rural a maior parte da sua força de trabalho, de modo a reduzir a informalidade no setor e favorecer a fixação do homem no campo. No caso sob apreciação, vemos que a autuada tem como atividade principal a fabricação de móveis e que secundariamente exerce atividade rural. Essa questão fica bem nítida quando se observa os dados das declarações ao Fisco, mormente a DIPJ e a GFIP. Na primeira não foi declarada a receita da atividade rural e na segunda não se informou um empregado sequer que atuasse no setor agrícola. Outro fato que milita em favor do entendimento do fisco de que a autuada é na verdade uma empresa industrial é a declaração da própria perante a Justiça Federal, no sentido de que não seria empresa rural, descabendo o seu recolhimento da contribuição ao INCRA. Mas quando se olha a sistemática utilizada pela empresa para suprir o seu processo fabril da principal matériaprima, a madeira, é que se percebe claramente a existência de planejamento tributário voltado para se beneficiar da substituição de base de cálculo introduzida pela Lei 10.256/2001. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 A empresa fiscalizada até a competência 06/2004 enquadravase perante a Previdência Social como indústria, passando a partir de então a se declarar como agroindústria, com recolhimento sobre a comercialização da produção rural industrializada. Para justificar a sua condição de empresa agroindustrial iniciou a aquisição de fazendas com árvores em fase de corte ou em avançado estado de maturação, responsabilizandose pela colheita e transporte da matéria prima. Embora a Lei não fixe a fase de desenvolvimento de uma determinada cultura para que o adquirente a possa tratar como produção rural própria, não há dificuldade em se concluir que as operações de extrações e transporte da matériaprima até o estabelecimento industrial em absoluto podem ser consideradas atividades rurais para os fins pretendidos pelo legislador quando instituiu a desoneração prevista no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. O segmento da silvicultura exige do produtor uma sequencia de atividades que vai desde a pesquisa do solo e a sua preparação, passando pelo plantio e tratamento das plantas até o corte das árvores, não sendo razoável que a compra de fazendas cuja cultura esteja em adiantado estado de maturação possa tornar o adquirente um produtor rural, conforme exige a legislação. Caso se admita como produção da autuada as florestas prontas para o corte adquiridas de terceiros a razão de ser do benefício fiscal estará irremediavelmente comprometida, posto que a desoneração será estendida a empresas industriais que chegam ao campo apenas para buscar o produto rural em sua fase de colheita, não participando de todas as etapas que constituem a atividade primária. Assim, é de se concluir que não deve ser considerada como produção rural própria a matériaprima decorrente da aquisição de fazendas cujas as árvores se encontrem em adiantado processo de maturação ou prontas para o corte. Quando essa Turma de Julgamento teve que decidir sobre recurso apresentado pela recorrente no processo n. 13976.000364/200799 (período de 07/1998 a 12/2005), por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso na parte que tratava da possibilidade de se considerar como produção própria as árvores maduras compradas de terceiros. O Acórdão n. 240101.964, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 (...) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. “Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.753 17 adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria" Esse processo encontrase com embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, questionando apenas a conclusão da Turma acerca da contagem do prazo decadencial. Além disso, mesmo que se considere como produção própria as florestas adquiridas com mais de dez anos do plantio, ainda assim a matériaprima comprada pela autuada é em média 90% do total utilizado na sua produção. Sobre essa questão é bom que se diga que o art. 22A da Lei n.º 8.212/1991 é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo Agroindústria ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as empresas que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido, buscase incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica, como é o caso da autuada, eminentemente voltada para atividade industrial, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de se enquadrar na hipótese legal, praticando, assim, artifício de fuga da tributação, a qual não podemos admitir. Na última sessão de julgamento do ano passado essa turma se debruçou sobre o tema, chegando mais uma vez à conclusão de que a aquisição de árvores em pé não supre a existência legal de produção rural própria para fins de enquadramento como agroindústria, visando o recolhimento das contribuição com esteio no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. Eis a ementa do decisório exarado por essa Turma: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA INEXISTENTE E/OU ÍNFIMA. AQUISIÇÃO FLORESTA EM PÉ. NÃO CARACTERIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA. O regime substitutivo inscrito no artigo 22A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distinto, não abarcando Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 àquele contribuinte que não detém produção própria ou mesmo quando insignificante se comparada com a adquirida de terceiros, o qual deverá ser considerado como Indústria, hipótese que se vislumbra no caso vertente. De conformidade com a jurisprudência firmada neste Colegiado, a simples aquisição de floresta em pé, prontas ou semiprontas para o corte, não tem o condão de atrair a condição de agroindústria à empresa, não caracterizando produção própria. (Acórdão 2401003.255, de 19/11/2013, recurso negado por unanimidade, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Diante das considerações acima, encaminho meu voto pela impossibilidade da empresa recorrente se enquadrar como agroindústria, mantendo o que ficou decidido pelo órgão de julgamento da Receita Federal. Multa por descumprimento de obrigação acessória Apesar do inconformismo da recorrente, é procedente o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a mesma efetuou o incorreto enquadramento de sua atividade perante a Seguridade Social, incorrendo em declaração incorreta da GFIP quanto às contribuições devidas. Essa conduta contraria o art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991 que fixa a obrigação dos fatos geradores e das contribuições devidas na GFIP. Ao agir de forma contrária à legislação, o sujeito passivo deve se sujeitar à multa imposta, independentemente da interpretação que dê aos dispositivos aplicáveis. Duplicidade na aplicação das multas Acusa o sujeito passivo a ocorrência de bis in idem, caracterizado pela aplicação de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa relativa ao descumprimento da obrigação acessória, esta imposta no patamar de 100% da contribuição não declarada. Esse raciocínio não se coaduna com as disposições do Código Tributário Nacional. É que no seu texto está bem nítida a distinção entre a obrigação tributária principal, que consiste no adimplemento do dever de pagar o tributo e a obrigação tributária acessória, vinculada às prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos e cuja desobediência dá ensejo à aplicação de penalidade pecuniária. Eis as disposições do referido Codex sobre o tema: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.754 19 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Verificase, portanto, que a multa imposta pelo não recolhimento do tributo tem natureza jurídica distinta daquela aplicada pelo não cumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória). Somente caberia a interpretação de que ocorrera bis in idem se as causas jurídicas para aplicação das duas multas se confundissem, fato que não se verifica na espécie, posto que é diversa a incidência, uma decorre do descumprimento das obrigações tributárias principais (obrigação de dar, recolher tributos) e a outra tem razão de ser no inadimplemento da obrigação acessória (obrigação de fazer). Esse raciocínio é corroborado em decisão proferida pelo STJ no Resp 1182354/PE, in verbis: “STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1182354 PE 2009/01734755 (STJ). Data de publicação: 30/06/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ART. 32 DA LEI 8.212 /1991. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282 /STF. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (ENTREGA DE GFIP). MULTA PELO INADIMPLEMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 /STF. (...). 3. Hipótese em que foram aplicadas quatro multas, cujos fatos geradores são: a) ausência de entrega de declaração dos valores pagos a clubes de futebol, decorrentes de contratos de publicidade; b) inadimplemento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes; c) ausência de declaração, na GFIP, dos salários pagos aos empregados do recorrido; e d) inadimplemento do tributo incidente sobre a referida folha de salários. 4. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). (grifei). 5. A título exemplificativo, são plenamente cumuláveis as multas impostas pelo inadimplemento do Imposto de Renda (obrigação principal) e pelo atraso na entrega da Declaração Anual de Ajuste (obrigação acessória). Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 6. Em conseqüência, merece reforma o acórdão que se fundamentou na vedação do bis in idem para excluir as multas cominadas pelo descumprimento das obrigações acessórias. (...). 8. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (...).” Há de se ressaltar que atualmente, com a introdução do art. 35A na Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, nos lançamentos de ofício, a multa pelo descumprimento do dever de recolher o tributo encontrase reunida com aquela relativa à falta de apresentação da GFIP ou sua apresentação com omissões/incorreções. Aplicandose penalidade única pelos dois fatos. Todavia, essa sistemática não foi aplicada na ação fiscal sob enfoque, por ter se mostrado mais gravosa ao sujeito passivo, conforme esclarecido pelo fisco no relatório fiscal de aplicação da multa. Deixo de acolher, assim, o argumento de bis in idem tributário suscitado pela recorrente. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF3. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.755 21 Responsabilidade Solidária As empresas colocadas pelo fisco no polo passivo na condição de devedoras solidárias buscam afastar esse encargo inicialmente suscitando a inconstitucionalidade formal do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, sob a alegação de que a extensão da responsabilidade tributária a terceiros somente poderia ser veiculada por lei complementar, em atenção ao que dispõe o art. 146, III, da Carta Magna. Para enfrentar essa alegação é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, vejome impossibilitado de enfrentar a alegação de inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Para afastar a solidariedade as recorrentes também alegaram que não se vincularam aos fatos geradores, além de que o comando do grupo empresarial atemse a apenas às decisões estratégicas, não havendo interferência na rotina operacional das empresas componentes, descabendo a responsabilização solidária firmada pela auditoria fiscal. Pois bem, a responsabilidade solidária está prevista no CTN, que no seu art. 124 assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A Lei de Custeio da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991) estabelece o vínculo de solidariedade para as empresas integrantes de grupo econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.756 23 (...) Verificase de acordo com o texto acima que ocorre a solidariedade nas situações em que se configure a formação de grupo econômico, seja ele de fato ou de direito. Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT5, a IN SRP n.º 971/2009, vigente na data dos fatos geradores, assim dispõe sobre grupo econômico Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Pois bem, a existência do grupo econômico de fato restou demonstrada pela auditoria nos termos do Relatório Fiscal, onde se informa que a Indústrias Artefama S/A, fundada em 10/02/1945, é uma sociedade anônima de capital fechado, cujos principais acionistas são três empresas denominadas holdings, pertencentes aos seus Diretores, hoje qualificados como membros do Conselho de Administração: a. AAW Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.643/000197; b. RS Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.646/000120; c. LED Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.649/000164; Tendose em conta que a administração da Artefama cabe aos membros do Conselho de Administração, os quais são proprietários das holdings que detêm o controle acionário da empresa autuada, é inegável a configuração de grupo de empresas. Verificase que mediante a criação das holdings que possuem a maior parte da titularidade da companhia, os antigos sócios mantêmse no seu comando, mediante eleição para o Conselho de Administração, observandose claramente a interligação entre as empresas. Quanto a empresa MX Importadora e Exportadora S/A (cujo nome comercial anterior era ARTEFAMA COMERCIAL EXPORTADORA), verificase que é controlada diretametne pelas Indústrias Artefama S/A, que detém 99,7211% do capital votante. O restante da participação acionária pertence a AAW, LED e RS, as quais, por força do controle direto das Indústrias Artefama S/A, detêm, também, o poder de mando da MX Importadora e Exportadora S/A, de forma indireta. Percebese, assim, que na situação dos autos a solidariedade decorre da lei, sendo descabida a pretensão das recorrentes de se livrarem do cumprimento das obrigações previdenciárias, posto que alcançadas pelas disposições do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. 5 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício, por afastar as preliminares de nulidade e a decadência suscitas no recurso voluntário e, no mérito, por lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11965.000074/2010-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/03/2010
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA.
Configura embaraço à fiscalização a tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter recebido ordem da autoridade aduaneira para que permanecesse na fila para cadastramento e fiscalização das mercadorias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/03/2010 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. Configura embaraço à fiscalização a tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter recebido ordem da autoridade aduaneira para que permanecesse na fila para cadastramento e fiscalização das mercadorias. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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MULTA. Configura embaraço à fiscalização a tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter recebido ordem da autoridade aduaneira para que permanecesse na fila para cadastramento e fiscalização das mercadorias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração para exigir a multa de R$ 5.000,00 por embaraço à fiscalização, com fulcro no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 5. 00 00 74 /2 01 0- 44 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Embora a autuada tenha se recusado a assinar o auto de infração, a ciência ocorreu no dia 02/03/2010, mesma data da lavratura do auto de infração, conforme termo de fls. 05, assinado por duas testemunhas do fato. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal: "EMBARAÇAR, DIFICULTAR OU IMPEDIR AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA Em fiscalização regular de rotina na Aduana da Ponte Internacional da Amizade (PIA), por volta das 10:00h do dia 02/03/2010, a viajante BEATRIZ TEREZINHA PASQUALOTTO, RG n° 1.382.515, CPF 024.756.48937, estava na fila da Sala "DI" quando foi encaminhada para o cadastramento. Ao ser chamada por uma das digitadoras para um dos guichês, a autuada continuou andando e foi em direção à porta de saída. A digitadora insistiu com a viajante para que retornasse, mas a autuada não parou. A digitadora avisou o vigilante (da empresa terceirizada INTERSEPT VIGILÂNCIA) que estava na porta de saída. Quando a autuada passou pela porta da saída ela começou a correr, tentando EVADIRSE desta Aduana, CONTRARIANDO A DETERMINAÇÃO de ter suas mercadorias fiscalizadas e cadastradas. O vigilante com a ajuda de mais um colega trouxeram de volta a autuada juntamente com suas mercadorias. A autuada já estava na saída desta Aduana. Após isto, foi constatado que a viajante possuía mercadorias no valor de US$ 726,00 (muito acima da cota de isenção de US$ 300,00), o que ensejaria pagamento de imposto. Portanto, a viajante tinha a clara intenção de furtarse ao pagamento dos tributos devidos, além de impedir que sua passagem por esta Aduana fosse registrada. A autuada possui um histórico extenso de passagens por esta Aduana e de termos de lacração/retenção, conforme pode ser visto em anexo. Fazem parte deste auto a cópia do documento de identidade, o testemunho dos servidores que presenciaram o ocorrido e a tela do SCB (Sistema de Controle de Bagagens). ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n°37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03." Em sede de impugnação, a autuada relatou, em síntese, que trabalha como diarista duas vezes por semana e que como a remuneração por esse trabalho é muito baixa, passou a trabalhar também no Paraguai "passando mercadoria". Disse que exerce essa atividade há mais de 15 anos, três vezes por semana, em conjunto com a atividade de diarista no Brasil. Alegou que não tem outra forma de sobreviver e de prover, sozinha, a subsistência de seus 3 filhos. No dia 02/03/2010 disse que estava "passando uma cota" e foi encaminhada para a fila para pagar o imposto. Como estava com pressa, pediu para um fiscal para ser atendida antes, mas ninguém a ouvia. Disse que a mercadoria que estava passando não custava mais do que US$ 380,00. Como ninguém resolvia nada, achou que poderia ir embora. Quando ouviu o apito do guarda, achou que não era com ela porque havia muitas pessoas caminhando na mesma direção e continuou andando. Foi pega pelo braço e levada para uma sala. Alegou que foi xingada e acusada de estar fugindo com a mercadoria. Disse que não estava fugindo porque a mercadoria era de pouco valor e que ela podia pagar o imposto, como de fato pagou. Disse que voltou ao Paraguai para pedir o dinheiro do imposto ao dono da mercadoria. Quando voltou à aduana para efetuar o pagamento e retirar a mercadoria, recebeu o auto de infração com a multa de R$ 5.000,00. Recusouse a assinar porque não tem como pagar esse valor. Disse que com o que ganha no Paraguai, como diarista e com a pensão do exmarido, aufere cerca de R$ 730,00 por mês. Sentese injustiçada e não sabe por que estão fazendo isso com ela. Reconhece Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11965.000074/201044 Acórdão n.º 3403003.028 S3C4T3 Fl. 3 3 que o que faz é errado, mas não tem condições de sobreviver de outra forma e também não tem como pagar a multa. Por meio do Acórdão 26.465, de 28 de agosto de 2013, a 5ª Turma da DRJ Fortaleza julgou a impugnação improcedente. A turma de julgamento a quo entendeu que houve o descumprimento, por parte da contribuinte, à determinação da autoridade aduaneira para que se submetesse ao procedimento de cadastramento das mercadorias trazidas do exterior e o consequente pagamento dos tributos que viessem a ser apurados. Regularmente notificada em 14/09/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/09/2013, no qual reprisou os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de reapreciar os mesmos argumentos oferecidos na impugnação. Basicamente a recorrente alega falta de capacidade contributiva subjetiva para arcar com o pagamento da multa e também nega o embaraço à fiscalização porque ao ouvir o apito da segurança não sabia que o sinal sonoro era dirigido a ela. A falta de capacidade contributiva subjetiva não pode ser considerada para exonerar a recorrente do pagamento da multa, pois se tal circunstância fosse admitida como hipótese excludente do crédito tributário, ninguém pagaria um centavo de imposto, já que todos dariam um jeito de alegar falta de recursos financeiros. As alegações no sentido de que as filas estavam enormes e que não pretendeu fugir porque não sabia que o apito da segurança se dirigia à recorrente, também não justificam sua tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter sido orientada pela autoridade administrativa a permanecer na fila para cadastramento das mercadorias, ou seja, na fila para ser fiscalizada. A recorrente confirma ter recebido a ordem para entrar na fila para "pagar o imposto", mas por iniciativa própria decidiu contrariar a ordem recebida e abandonar o recinto aduaneiro com as mercadorias porque "estava com pressa". Tal conduta se enquadra no 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, pois ao se retirar do recinto aduaneiro após ter recebido a ordem para ser fiscalizada, a recorrente tentou impedir a ação da fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000995/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, fazse necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 95 /2 01 0- 22 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 273 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 037.503 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.291.9669. A lavratura em questão referese a aplicação de multa em razão da falta de arrecadação da contribuição dos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 20, a empresa deixou de arrecadar, no período de 01 a 12/2007, as contribuições decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) seguro de vida em grupo sem previsão em norma coletiva de trabalho; e b) assistência médica destinada aos dependentes dos segurados. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 21, apresenta a fundamentação legal para imposição da penalidade e os critérios de sua gradação. A empresa ofertou impugnação, fls. 29 e segs., tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, fls. 108 e segs, mantido na íntegra a multa aplicada. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 135 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) é equivocado o entendimento da Autoridade Fiscal de que a verba paga a título de seguro de vida em grupo somente poderia ser excluída do saláriodecontribuição, caso estivesse prevista em norma coletiva de trabalho; b) sobre a citada verba não se verifica a ocorrência dos requisitos de retributividade pelo trabalho executado ou habitualidade no pagamento, sem os quais inexiste no mundo fático a hipótese de incidência de contribuições sociais; c) o pagamento do seguro de vida independe dos serviços prestados à empresa, sendo fornecido por esta como mero conforto psicológico para o empregado ou dirigente e a sua família; d) os valores pagos pela empresa a esse título não são recebidos pelo segurado, mas pela seguradora, sendo que o eventual recebimento da indenização somente ocorrerá, caso se concretizem os eventos mórbidos previstos no contrato, afastandose, assim, por completo a sua natureza salarial; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 e) a jurisprudência é uníssona quando o tema é a não incidência de contribuições sociais sobre os valores relativos a seguro de vida em grupo; f) nem mesmo para fins trabalhistas pode se incluir a referida verba no conceito de salário; g) as exigências para exclusão do seguro de vida em grupo da tributação previdenciária previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, são ilegais, posto que esse ato normativo não poderia inovar no ordenamento, criando empecilhos a fruição de uma benesse, os quais não foram previstos em lei.É esse o entendimento que tem prevalecido no Judiciário; h) do mesmo modo, o oferecimento de planos de saúde pelas empresas aos seus empregados e dependentes não tem finalidade de retribuir o trabalho prestado, sendo considerado um benefício social. Por esse motivo, inadmissível a sua inclusão no saláriode contribuição; i) a jurisprudência tem manifestado reiteradamente o entendimento contrário à natureza salarial do fornecimento de assistência médica aos segurados; j) considerando que a utilização do plano de saúde pelos segurados e dependentes somente ocorre nos casos de doença, afastase da verba sob comento o requisito da habitualidade; k) não havendo habitualidade, não há de se inserir o fornecimento de assistência à saúde no conceito de remuneração, inexistindo incidência de contribuições sobre a mesma; l) nem mesmo a interpretação literal da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 justifica a tributação da verba sob enfoque; m) a jurisprudência do STJ e do TST não faz qualquer distinção entre a natureza jurídica do fornecimento de plano de saúde aos trabalhadores e aos dependentes destes; n) a invocada interpretação literal do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 não se aplica a situação sob comento, posto que não se está diante de norma de isenção, mas clara situação que não se situa no campo de incidência das contribuições sociais; o) mesmo que se considere a norma inserta na alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 regra de isenção, devese adotar a interpretação teleológica para afastar a tributação, posto que seria grande a incoerência de se desestimular a concretização do valor fundamental da saúde, que recebeu da Carta Magna a mais alta consideração; p) por outro lado, há de se convir que a regra que exclui a incidência de contribuição sobre a assistência médica fala na concessão ao trabalhador, que engloba a saúde do próprio obreiro, mas também daqueles que dele dependam; q) a jurisprudência tem se inclinado nesse sentido, reconhecendo que não tem natureza de salário nem o plano de saúde ofertado ao trabalhador, tampouco o disponibilizado aos dependentes; Ao final, requer o cancelamento do AI. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 274 5 O julgamento do CARF foi convertido em diligência para que fosse verificada a existência de inclusão do crédito em parcelamento. Retornou a esse Colegiado com resposta negativa. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Ocorrência da infração Há pouco julgamos o AI n.º 15586.000993/201033 (AI n.º 37.291.9650), no qual são exigidas as contribuições não descontadas dos segurados empregados incidentes sobre os valores repassados a título de seguro de vida e assistência médica aos dependentes. Foi negado provimento ao recurso do contribuinte. A Turma concluiu pela procedência do lançamento da obrigação principal, o que nos leva a entender que a infração à norma prevista no inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 se configurou. Eis o dispositivo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Um ponto a ser esclarecido inicialmente é que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados deuse apenas em relação as verbas acima tratadas, donde se conclui que a empresa efetuou desconto em relação aos valores que entendeu estarem incluídos na base de cálculo previdenciária. Também há de se ressaltar que o Fisco levou em conta o limite legal do saláriodecontribuição para fins de calcular a contribuição dos segurados, conforme se depreende do processo em que é exigida a referida contribuição. Apresentadas essas particularidades, é bom que se diga que não há unanimidade quanto se analisa à ocorrência de infração para esses casos. A matéria é controversa e, até aqui no CARF, não há um consenso quanto à ocorrência de infração quando a arrecadação da contribuição dos segurados é apenas parcial. Explico. Há uma corrente, que me parece majoritária, defendendo que somente se caracteriza a ofensa à alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, quando a empresa nada arrecada a título de contribuição dos segurados. Vejam a redação do dispositivo: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 275 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Entendem os defensores da inexistência de infração quando há algum desconto na remuneração dos segurados que o núcleo da conduta o verbo arrecadar foi realizado, posto que não se pode dizer que inexistiu arrecadação. Para essa corrente, somente se o legislador tivesse utilizado a expressão “arrecadar a totalidade das contribuições...” é que estaria caracterizada a infração pela falta de arrecadação integral. Respeito esse posicionamento, do qual, inclusive, fui ferrenho defensor, mas tenho ousado seguir outra trilha na interpretação da alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Prá começar, enxergo uma dificuldade operacional em considerar como legal a conduta decorrente da arrecadação de parte da contribuição dos segurados devida. É que esse entendimento leva ao absurdo de afastar a penalidade nos casos em que a empresa, por exemplo, pagando salários e gratificação, efetua o desconto apenas sobre o valor do salário, por considerar que a gratificação não compõe a base de cálculo das contribuições sociais. Nessa situação, sem dúvida, observase que o objetivo da norma restou ferido, posto que a arrecadação da contribuição do segurado foi inferior ao que efetivamente deveria ser direcionada aos cofres da Seguridade Social. Por outro lado, o próprio segurado estaria também prejudicado, uma vez que a base de contribuição para cômputo no cálculo de futuros benefícios previdenciários estaria aquém dos valores efetivamente recebidos em razão do trabalho. Por esse motivo, ouso afirmar que a conduta de descontar parcialmente o valor da contribuição da remuneração dos segurados é conduta que fere a norma inserta na alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, sendo causa para aplicação da multa. E por falar em remuneração, vejase que o citado dispositivo, na sua parte final, fala em “...descontandoas da respectiva remuneração”. Ora para fins de aplicação das normas de custeio previdenciário “remuneração” equivale ao que o art. 28, “caput” da Lei n.º 8.212/1991 chama de “saláriodecontribuição”. Vejamos o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Ora, se o saláriodecontribuição é a remuneração, a obrigação de descontar a contribuição do segurado somente restará cumprida quando levar em conta todos os rendimentos do trabalhador sujeitos à incidência de contribuições sociais. Tendo concluído que as verbas pagas sob os títulos de seguro de vida em grupo e assistência médica aos dependentes subsumemse ao conceito de saláriode contribuição, por força do art. 30, I, da Lei n.º 8.212/1991, fica evidente a ocorrência da infração. Não há dúvida, portanto, que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados sobre as mencionadas rubricas caracterizouse como infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, sendo legítima a autuação. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 276 9 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pesem as bem lançadas razões de decidir do Eminente Relator, ouso dele divergir no presente caso. Sobre o assunto, tenho linha de entendimento diferente no que se refere a configuração ou não da ocorrência da infração imputada ao recorrente. Compartilho do entendimento no sentido de que para a configuração da infração indicada na aliena “a” do inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91 é necessário que se apure que a recorrente nada tenha arrecadado a título de contribuição dos segurados. Vejamos o que dispõe referido artigo de Lei: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Da leitura do dispositivo, dele depreendo que em se tratando da imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, há que ser prevista uma conduta que deverá ser considerada como cumprida ou descumprida pelo sujeito passivo da obrigação tributária para que então possa vir a ser materializado o descumprimento à norma. E no presente caso a legislação impõe ao sujeito passivo a obrigação de “arrecadar” contribuições previdenciárias mediante desconto nas remunerações de seus segurados empregados, sem, no entanto, apontar expressamente que tal conduta a obrigue ao desconto da totalidade das contribuições devidas, sobretudo em casos como o presente, no qual se trata do lançamento de verbas que não eram consideradas pela recorrente como bases de cálculo de contribuições previdenciárias. Logo, em meu entendimento, somente se o legislador tivesse utilizado a expressão “arrecadar a totalidade das contribuições...”, como de fato tal expressão é utilizada em outros artigos seja da Lei 8.212/91, como em artigos do próprio Decreto 3.408/99, é que estaria materializa a infração pela falta de arrecadação, agora, integral. Há de se notar que no presente caso, tratase de casos nos quais o fiscal apurou que a recorrente efetuava os descontos das contribuições da remuneração paga aos seus segurados empregados, notadamente sobre as verbas que considerava faziam parte de seu salário de contribuição. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Interessante trazer à lume a necessária menção do relator a tal fato: Um ponto a ser esclarecido inicialmente é que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados deuse apenas em relação as verbas acima tratadas, donde se conclui que a empresa efetuou desconto em relação aos valores que entendeu estarem incluídos na base de cálculo previdenciária. Também há de se ressaltar que o Fisco levou em conta o limite legal do saláriodecontribuição para fins de calcular a contribuição dos segurados, conforme se depreende do processo em que é exigida a referida contribuição. Por tais motivos é que peço vênias ao eminente relator, para DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 13116.001416/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/12/2007
MULTA ADUANEIRA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA.
O integridade do dispositivo de segurança tem caráter assecuratório de que não houve violação da carga ou da unidade de carga, ou seja, a garantia de que, por esse meio, nada foi incluído ou retirado, o que confere estabilidade no sistema de controle.
TRÂNSITO ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É inaplicável a denúncia espontânea acerca da violação de dsipositivo de segurança, no âmbito do regime especial de trânsito aduaneiro, uma vez que não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, haja vista que veículo e a respectiva carga encontram-se sob fiscalização, desde a concessão do regime. O ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo - Relator,Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/12/2007 MULTA ADUANEIRA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. O integridade do dispositivo de segurança tem caráter assecuratório de que não houve violação da carga ou da unidade de carga, ou seja, a garantia de que, por esse meio, nada foi incluído ou retirado, o que confere estabilidade no sistema de controle. TRÂNSITO ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É inaplicável a denúncia espontânea acerca da violação de dsipositivo de segurança, no âmbito do regime especial de trânsito aduaneiro, uma vez que não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, haja vista que veículo e a respectiva carga encontramse sob fiscalização, desde a concessão do regime. O ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator,VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 14 16 /2 00 8- 55 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ Fortaleza (fls. 83/91), que manteve a aplicação de multa por violação do dispositivo de segurança (lacre n° H621870) durante a operação de trânsito aduaneiro, DTA n° 07/05227910, conforme relatório da decisão recorrida que transcrevo abaixo: “Tratase de multa prevista no art. 107, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966, com as alterações do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. A infração ocorreu em dispositivo de segurança (lacre de nº H621870) aplicado ao veículo de placa DPB 9896, referente a operação de trânsito aduaneiro DTA nº 07/05227910. A multa prevista é de R$ 2.000,00 no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança. Consta no auto de infração lavrado, que o motorista do veículo transportador, Sr. Maurício Soares Ramalho, em 11/12/2007 ao verificar que o lacre do veículo havia “sido perdido”, registrou ocorrência na Policia Militar de Goiás, conforme Boletim de Ocorrência nº 338801 do 4º BPM/GO (fls. 13 e 14). Registrese que o transporte no regime de trânsito aduaneiro teve como origem o aeroporto de Guarulhos e, como destino, o porto seco de Anápolis. O serviço foi executado pela empresa Fassina Transporte e Comércio Ltda, tendo como importador a APAE — Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Anápolis GO. O recinto alfandegado do Porto Seco Centrooeste, na cidade de Anápolis/GO registrou a chegada da mercadoria e lavrou o termo de ocorrência nº 26 onde constatou a falta do lacre do veículo transportador (fls 15 a 17). A Delegacia da Receita Federal em Anápolis lavrou o auto de infração e o encaminhou para a cidade de Santos/SP, domicílio do autuado. Em 11/07/2008, conforme aviso de recebimento (fls. 18), o autuado teve ciência do auto de infração contra ele lavrado e em 12/08/2008 apresentou impugnação (fls. 20 a 35), com as razões a seguir descritas. Inicialmente, a autuada, através de seu representante legal, faz breve relato, resumindo os passos desde a saída do veículo transportador do aeroporto internacional de Guarulhos em São Paulo até sua chegada ao porto seco de Anápolis. Destaca que “Após chegarem intactas ao Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAIA — AnápolisG0.), as referidas mercadorias submetidas ao regime especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc. 03 anexo), foram regularmente nacionalizadas pelo importador, no caso, a "APAE — ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE ANÁPOLISGO.", sem que houvesse quaisquer registros de extravio/avaria de tais mercadorias.” Continua a defesa da impugnante, asseverando que o auto de infração lavrado “carece de total respaldo legal, vez que, relativamente a operação de Trânsito Aduaneiro efetuada ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc. 03 anexo concluída em 11.12.07), jamais houve a "violação do lacre" aposto pela repartição fiscal de origem no veículo transportador” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13116.001416/200855 Acórdão n.º 3101001.646 S3C1T1 Fl. 131 3 A autuada cita o artigo 107, inciso VI, do Decretolei n° 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003 que determina a aplicação da multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança. Afirma a defesa da impugnante que o dispositivo legal não se aplica à operação de trânsito aduaneiro efetuada pelo seu cliente, pelas seguintes razões: • A uma, porque não houve violação de volume ou unidade de carga contendo mercadorias sob controle aduaneiro e tampouco a violação do dispositivo de segurança, mas apenas, o rompimento do lacre aposto no veículo transportador pela repartição fiscal de origem quando do início da operação de Trânsito Aduaneiro; • A duas, porque a operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA nº 07/05227910 (Doc.03 anexo), foi regularmente concluída dentro do prazo fixado pela repartição fiscal de origem (ALF.AISPGUARULHOS), sem que houvesse quaisquer irregularidades quanto a integridade dos volumes transportados, o que foi, inclusive, comprovado pela repartição fiscal de destino (EADI PORTO SECO — DAIA — ANAPOLISG0.), quando da lavratura do respectivo Termo de Ocorrência n° 26/2.007, de 11.12.07; • A três, porque as mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA.n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), foram regularmente nacionalizadas pelo importador, no caso, a "APAE — ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE ANÁPOLIS/GO." por meio da Declaração de Importação n° 08/01085343, sem que houvesse quaisquer registros de extravio/avaria de tais mercadorias. • A quatro, porque o que houve, na verdade, foi o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador das mercadorias submetidas ao Regime Especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), durante o percurso rodoviário de São Paulo (AISP GuarulhosSP) até Anápolis GO. (Porto Seco — DAÍ — Anápolis GO.), sem que o motorista/preposto da Requerente, tivesse qualquer culpa pelo ocorrido, que caracteriza, no caso, a hipótese de "caso fortuito ou de força maior", cláusula excludente da responsabilidade de indenizar, a teor do disposto no artigo 595 do atual R.A. aprovado pelo Decreto n° 4.543/2.002 Conclui, então, a defesa da autuada “Portanto, o dispositivo legal citado no Auto de Infração ora impugnado, como embasamento para aplicação da penalidade de multa imposta à ora Requerente (artigo 107, inciso VI, do Decretolei n° 37/66, com a atual redação do artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003), não se aplica ao fato ocorrido quando da operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), pois como já ressaltado, assim, não houve violação de volume ou unidade de carga, ou de dispositivo de segurança, mas sim, a ocorrência de um fato imprevisível, no caso, o rompimento do lacre aposto no veículo transportador durante o percurso rodoviário, sem que houvesse qualquer violação das mercadorias transportadas sob o regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo).” A defesa da autuada tece comentários e cita a jurisprudência dos tribunais procurando embasamento para demonstrar que o rompimento do lacre deve ser enquadrado como caso fortuito, fato imprevisível ou de força maior e que a fiscalização estaria violando o princípio da tipicidade, haja vista não existir, segundo a autuada, definição legal para o que ela considera um “rompimento/extravio” e não uma infração definida na Lei ou Regulamento Aduaneiro. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 Aduz a defesa da autuada, que “caso fortuito é o acidente causado por força física ininteligente, em condições que não poderiam ser previstas pelas partes, enquanto a força maior é o fato de terceiro, que criou, para inexecução da obrigação, um obstáculo, que a boa vontade do devedor não pode vencer", com a observação de que o traço que os caracteriza não é a imprevisibilidade, mas a inevitabilidade. (Superior Tribunal de Justiça 4°. Turma. Recurso Especial nº 140659RJ. Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira)” Sustenta ainda que se trata de mera irregularidade formal, passível de ser relevada, conforme previsão legal contida no artigo 654, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Argumenta também a defesa da autuada que permanecendo a exigência da multa formalizada no auto de infração “restarão violados, também, os princípio da proporcionalidade e da razoabilidade.” Entende, ainda, a autuada, que as alegações explanadas são suficientes para afastar a aplicação da multa e que “caso assim não entenda essa Egrégia Delegacia de Julgamentos, requer a ora Requerente a conversão do julgamento em diligência junto ao Porto Seco — DAI — AnápolisGO., a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos relacionados com a operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo): a) A operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA n° 07/05227910, chegou ao Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAI — Anápolis GO.) dentro do prazo fixado pela repartição fiscal de origem (Alfândega AISP Guarulhos)? b) — Em que pese o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador das mercadorias submetidas ao regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), o Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAÍ — AnápolisG0.), constatou se houve violação dos volumes? As mercadorias chegaram intactas ao Recinto Alfandegado de destino? Foi constatada alguma divergência de peso nos documentos que instruíram a referida DTA? c) — Houve por parte do importador pedido de realização de "Vistoria Aduaneira Oficial" para apurar eventual avaria/extravio das mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo)? Em caso negativo, então não houve extravio e/ou avaria? d) — Poderia o Recinto Alfandegado de destino confirmar se as mercadorias submetidas ao Regime Especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. Nº 07/05227910 (Doc.03 anexo), foram posteriormente nacionalizadas, sem que houvesse quaisquer irregularidades quanto a integridade/inviolabilidade de tais mercadorias ? e) — O fato de ter ocorrido o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador, durante o percurso rodoviário das mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. no 07/05227910 (Doc.03 anexo), causou prejuízo à Fazenda Nacional ? Por fim, solicita que o auto de infração seja julgado totalmente improcedente/insubsistente”. A decisão colegiada recorrida acordou pela manutenção do auto de infração conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “MULTA POR VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13116.001416/200855 Acórdão n.º 3101001.646 S3C1T1 Fl. 132 5 É pertinente a aplicação da multa por violação de dispositivo de segurança, quando ficar comprovado que o fato previsto na norma efetivamente ocorreu. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas nos estritos limite de seu conteúdo. Impugnação Improcedente” Intimada da decisão em 17/01/2013 (fls. 103/104), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 18/02/2013, repisando os argumentos da impugnação e requerendo a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, entendo incabível a denúncia espontânea, já que a mercadoria se encontrava em fiscalização aduaneira desde o momento em que fisicamente aportou no território nacional até seu desembaraço no Porto Seco. É de notarse que o Regime Especial de Trânsito Aduaneiro confere ao veículo transportador e à carga o atributo de “zona primária móvel” que transita pelo território em caráter precário, portanto, tratase de operação que desde a concessão do regime até o desembaraço estará sob fiscalização aduaneira. Apesar de o § 1º do art. 102 do Decretolei nº 37/66, dispor que “não se considera espontânea a denúncia apresentada, após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração” a circunstância do trânsito aduaneiro retira a possibilidade de prática desse ato de ofício. É que, não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, pois a Recorrente e a respectiva carga transportada encontravamse sob fiscalização, desde a concessão do regime, de modo que o ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino. No que tange às diligências requeridas, não restou caracterizada qualquer violação ao contraditório e à ampla defesa, porquanto o indeferimento de tal pleito por ser prescindível ao desfecho da causa comporta expressa previsão normativa (art. 18, Decreto nº 70.235/71) e se trata de juízo exclusivo do julgador administrativo ou do órgão colegiado que decidiu neste sentido, o qual inclusive muito bem fundamentou suas razões no votocondutor do Acórdão (fl. 87). Quanto ao mérito, entendo que o lacre é a garantia de que o conteúdo não será violado. Com o rompimento, sem a presença da fiscalização, não é possível garantir que a mercadoria ou unidade de carga sofreu violação, que mercadoria foi incluída ou mercadoria foi retirada. O dispositivo de segurança, como o próprio nome diz, é que confere a segurança Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 (garantia) suficiente contra eventual desvio da unidade de carga e da integridade do conteúdo tal qual chegou no local de desembarque. Aliás, da mesma maneira que a presença deste dispositivo de segurança confere a presunção de que nada dentro do veículo foi alterado ou subtraído, a ausência ou violação deste implica na presunção em sentido diametralmente oposto. Ademais, a análise do dispositivo infringido demonstra que a atuação da autoridade aduaneira diante do caso concreto foi irrepreensível. Vejamos o que dispõe o art. 107, inciso VI, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VI de R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança; A conjunção alternativa “ou” é suficiente para demonstrar que a hipótese normativa restará plenamente preenchida caso haja unicamente a violação do dispositivo de segurança, sendo que a hipótese de violação sobre o “volume ou unidade de carga” consiste em situação alternativa que, ocorrendo, também ensejaria a aplicação desta penalidade, ainda que o lacre estivesse intacto. Desta forma, restam prejudicados os demais argumentos da Recorrente, porque a aplicação de multa não constitui necessário óbice ao desembaraço, além de ser indiferente o estado das mercadorias ou se estas correspondem ou não ao que fora declarado no momento em que houve a colocação do dispositivo. Por fim, a tentativa de furto não é causa excludente por não se caracterizar caso fortuito ou de força maior, uma vez que a atividade do transportador e do depositário congrega o dever de zelo pelo bem e no caso do trânsito aduaneiro, zelar pelo lacre, como forma da presunção de não violação do conteúdo. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 11080.736547/2012-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA Q DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 - COSIT.
A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/2011-38, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas.
O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, q.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 COSIT. 1. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. 2. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 65 47 /2 01 2- 62 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos concernentes a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho (inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. PERÍCIA. Descabe a realização de perícia, por desnecessária para o deslinde da controvérsia, quando os documentos constantes dos autos mostramse suficientes para o exame das questões deduzidas pela impugnante. ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. CONTRIBUINTE. Inexistindo faturas individuais emitidas contra os beneficiários do plano de saúde, e havendo a impugnante efetuado o pagamento das faturas correspondentes à totalidade do valor do plano de saúde, faturas estas emitidas em seu nome, é ela a contribuinte da exação estabelecida no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, e alterações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 5 4 A RFB lavrou os autos de infração que ora se discute para o fim de constituir crédito tributário de contribuição previdenciária, calculado sobre o valor dos pagamentos feitos pela Recorrente, no ano de 2009, à Unimed Porto Alegre – Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. Para sustentar tais autuações, a RFB alega que a Recorrente deixou de promover o recolhimento do valor equivalente a 15% das faturas emitidas pela cooperativa de trabalho acima indicada, em infração ao disposto no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991. Não se precisa ir longe para concluir que a contribuição criada pela Lei nº 9.876/99 não suporta o enfrentamento com o disposto no art. 195, I, “a” e § 4º, da Constituição Federal. Posto isso, requer: a) Seja provido o recurso, para o fim de cassar o acórdão recorrido e determinar a realização de perícia requerida na pela impugnatória; b) Sucessivamente, na remota hipótese de não ser acolhido o pedido anterior, seja provido o recurso para o fim de desconstituir os créditos tributários vergastado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos concernentes a serviços prestados ao sujeito passivo, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme as disposições contidas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Sobre o assunto, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. A decisão referida no parágrafo anterior foi assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – NFLD. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 7 6 previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 8 7 pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido No concernente ao enquadramento do fato à norma dentro do conceito da não incidência condicionada, em 28 de março do corrente ano, a Receita Federal do Brasil, por intermédio da CoordenaçãoGeral de Tributação, na Solução de Consulta nº 77 – Cosit, concluiu que: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PLANO DE SAÚDE DISPONIBILIZADO A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. O dispositivo legal que trata da não incidência, está assim redigido: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 9 8 (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (grifouse e destacouse) Notase, portanto, que no caso ora em discussão, a autoridade administrativa não conseguiu demonstrar que os valores lançados são efetivamente devidos. De mais a mais, estou de acordo com a decisão recorrida, que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. Contudo, sobre o argumento de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 apresentado pelo Recorrente, sabese que em 23/04/2014, no julgamento do RE 595.838 São Paulo, o plenário do STF, por unanimidade, assim decidiu: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, do a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Como se pode observar, a decisão do STF, no RE 595.838 São Paulo, encerra a discussão sobre a matéria. Assim, mantenho meus posicionamentos anteriores a respeito da não incidência (condicionada) do tributo e dou provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 10 9 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10805.722394/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta,Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta,Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Tratase de pedido de compensação de créditos decorrentes de suposto saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ do ano calendário de 2004, com valor original de R$ 25.045.033,45, controlados por meio de processos de cobranças den° 10805.722397/201143,n° 10805.722400/201129 e n°10735.722517/201183, conforme extratos de fls.168/180. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 22 39 4/ 20 11 -1 8 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10805.722394/201118 Resolução nº 1202000.239 S1C2T2 Fl. 6 2 Conforme se denota nas Declarações de Compensação (fls.168/180)a empresa Recorrente “Via Varejo S/A”, atualmente denominada de “GLOBEX UTILIDADES S/A”realizou diversas compensações que foram parcialmente reconhecidas pela autoridade fiscal que chancelou a existência de saldo negativo no montante de R$ 2.252.719,23. Em seu despacho decisório de fls. 401/407, a autoridade esclareceu que sua análise focou em dois pontos, conforme segue: O primeiro enfoque dizia respeito à verificação de comprovação de retenção de tributos analisadas por meio de DIRF’s transmitidas ou comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos do artigo 943, § 2° do Decreto n. 3000/99, bem como da verificação de declaração de tais retenções por meio de DIPJ. Assim, em primeiro lugar, a autoridade fiscal constatou que dos R$ 25.104.024,97 declarados como passíveis de dedução de imposto devido, R$ 22.742.280,50 foram reconhecidos pelos sistemas da RFB ou por meio de comprovantes anuais. Após essa conclusão inicial, a autoridade fiscal passou a verificar se os rendimentos que sofreram retenção de imposto de renda na fonte foram incluídos na DIPJ de 2005. Para tanto, dividiu a análise em rendimentos financeiros e não financeiros. Com relação aos rendimentos não financeiros (fls. 404, quadro II), do total de R$ 266.417,63 declarados como valores retidos de Imposto de Renda(IRRF) somente R$ 112.219,39 foram confirmados por meio de DIRF’s transmitidas por meio de fontes pagados, não apresentando o contribuinte qualquer comprovante capaz de elidir a conclusão da autoridade fiscal. Já com relação aos rendimentos financeiros, entendeu a autoridade tributária que do total de receitas financeiras de R$ 118.750.879,07, a que seria correspondente o valor de R$ 23.750.175,81 de IRRF aproveitados, apenas R$ 39.117.587,33 haviam sido oferecidos à tributação. Assim, o saldo negativo foi recomposto pela autoridade administrativa, tendo sido reconhecido apenas o montante de R$ 2.252.719,23, resultando, portanto, numa glosa R$ 22.792.314,22. O contribuinte tomou ciência da decisão em 15/12/2012 (fls. 409/410), apresentando manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 412/431), na qual alegou, primeiramente a ocorrência da homologação tácita das seguintes Declarações de Compensação: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10805.722394/201118 Resolução nº 1202000.239 S1C2T2 Fl. 7 3 Em seguida, contestou a conclusão da autoridade fiscal de que parte das receitas financeiras não haviam sido oferecidas à tributação. Segundo ele, os rendimentos financeiros a que se referia o IRRF no valor total de R$ 21.860.912,48 vinham sendo oferecidos à tributação desde o anocalendário de 2001, ocasião em que foram firmados contratos de investimento com instituições financeiras, sendo todas as apropriações declaradas nos livros razão dos anos de 2001 a 2004. Afirmou também que somente em 2004 tais receitas sofreram retenção, pois haviam sido cedidas a terceiros (empresa Vale Couros Trading S/A). Desta forma, entende ter comprovado o oferecimento destes rendimentos à tributação, rendimentos estes que originaram o IRRF deduzido do IR devido de 2004, principal elemento na constituição do Saldo Negativo em questão. Os julgadores da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas acordaram, por unanimidade, em considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade. Para tanto, consideraramhomologadas por decurso de prazo as Declarações de Compensação de abaixo transcritas tendo em vista que entre a data da ciência do Despacho Decisório (ocorrida em 15/10/2012) e a transmissão das declarações (ocorridas até 25/04/2007) transcorreram mais de cinco anos. Assim, foram homologadas as seguintes declarações: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Com relação ao mérito, propriamente dito, afirmou aquela Delegacia de Julgamento que apesar de plausível o argumento de que somente no momento do resgate, transferência ou repactuação é que há retenção de IR nos investimentos financeiros, o Contribuinte não apresentou documentação satisfatória para comprovar a sua tese. Apesar disso, a DRJ buscou nos bancos de dados da RFB as DIPJ’s elaboradas pelo contribuinte desde 2001, a fim de verificar se os investimentos haviam sido informados pelo Contribuinte. E a conclusão a que chegou a DRJ é a de que os valores declarados, em especial na linha “outras receitas Financeiras”é bem superior ao valor informado pelo contribuinte como valor de aplicação financeira. Tais valores, porém, não permitem que se chegue a nenhuma conclusão, pois da mesma forma que os rendimentos questionados poderiam estar Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10805.722394/201118 Resolução nº 1202000.239 S1C2T2 Fl. 8 4 inseridos nas declarações, outros rendimentos que não dizem respeito ao presente processo poderiam ser os responsáveis pelos somatórios declarados na DIPJ. Assim, concluindo que o contribuinte não juntou provas suficientes, indeferiu a DRJ o direito creditório e deixou de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Por sua vez, o contribuinte apresentou recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento creditório. Nesta fase recursal, alega que teve bastante dificuldades de provar suas alegações, em razão de processos de fusões e aquisições sofridos pela empresa e que dificultaram a obtenção de documentos. Porém, pugna pelo princípio da verdade material para requerer a análise de documentos apresentados após a elaboração da impugnação. Requer também a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72 para verificar a comprovação documental das declarações realizadas. No mérito, propriamente dito reitera as alegações realizadas em primeira instância afirmando que o IRRF aproveitado na formação do saldo negativo provém de receitas financeiras decorrentes de cessão de sete títulos de CDB, ressaltando que as cessões ocorreram em 2004 e a aquisição dos títulos ocorreu em 2001. Afirma que todas as alegações estão lastreadas nos livros razões os quais foram anexados e que todos foram oferecidos à tributação. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Antes mesmo de propor solução do mérito, fazse necessário apreciar a documentação de comprovantes sobre IRRF e outros elementos oferecidos para análise da conta “outras Receitas Financeiras” com o recurso voluntário, uma vez pertinentes ao pedido original do presente processo e que, alegando insuficiência de demonstração não foram apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância, deixando de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Como se tratam de elementos subsidiários relevantes para o conhecimento efetivo da completude dos fatos inicialmente já oferecidos pela Recorrente, é se se propor a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade de origem, conferindo a veracidade da documentação juntada e a pertinência a justificar as declarações supra citadas, emita seu parecer conclusivo sobre a procedência legitimadora, ou não, dos documentos Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10805.722394/201118 Resolução nº 1202000.239 S1C2T2 Fl. 9 5 suplementares juntados e acolhidos nesta instância recursal, para efeito de decomposição das receitas financeiras e constatação da correção, ou não, do pedido da Recorrente, no que se refere as declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Abrase vista para a Recorrente, depois, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após o que, retorne os autos com as conclusões e prosseguimento do julgamento. Eis como se vota. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10936.000377/2007-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/12/2006
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA. HIPÓTESES.
Além da pena de perdimento dos cigarros de procedência estrangeira, aqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem o cigarro estarão sujeitos à multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro apreendido, em conformidade com o parágrafo único do art. 3o do Decreto-lei no 399/1968.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/12/2006 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA. HIPÓTESES. Além da pena de perdimento dos cigarros de procedência estrangeira, aqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem o cigarro estarão sujeitos à multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro apreendido, em conformidade com o parágrafo único do art. 3o do Decreto-lei no 399/1968. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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MULTA. HIPÓTESES. Além da pena de perdimento dos cigarros de procedência estrangeira, aqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem o cigarro estarão sujeitos à multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro apreendido, em conformidade com o parágrafo único do art. 3o do Decretolei no 399/1968. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 00 03 77 /2 00 7- 46 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (lavrado em 20/05/2008 fls. 156 a 1591) para exigência de multa por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira (prevista no parágrafo único do art. 3o do Decretolei no 399/1968), no valor de R$ 30.000,00. À fl. 2 consta termo de apreensão de mercadorias (1 DVD e 15.000 maços de cigarro que estavam em uma Belina II ano 1981) efetuada em zona secundária, no posto Sabiá, no município de Terra Roxa/PR, durante a Operação Fronteira Cerrada II, em 20/12/2006. O veículo foi inicialmente lacrado (Termo de fl. 5) e transportado para a Delegacia da Receita Federal em Guaíra/PR, tendo o Sr. Gilberto de Souza Mafort (recorrente) assinado o termo de retenção como preposto/motorista do veículo. Ao final do Termo de fl. 5 destacase que o motorista estava acompanhado do proprietário do veículo, Sr. Benedito Lima, que não havia feito a transferência para seu nome. À fl. 6 o Sr. Benedito Lima declara ser o proprietário do veículo. À fl. 7 constam fotos do veículo nas quais são visíveis os maços de cigarro transportados. Os 15.000 maços de cigarros e o DVD foram apreendidos, tendo sido aplicada a pena de perdimento, cf. fls. 15 a 150, cabendo sinteticamente informar que o auto de perdimento (fls. 15 a 18), lavrado contra ambas as pessoas que estavam no veículo, e impugnado por Gilberto de Souza Mafort (fls. 27 a 40) foi mantido no julgamento efetuado pela unidade local (fls. 82 a 87) em instância única, tendo sido aplicada a apena de perdimento às mercadorias. Como a multa aplicada na presente autuação, em relação ao cigarro, é cumulativa com o perdimento, por expressa disposição legal (parágrafo único do art. 3o do Decretolei no 399/1968), foi lavrado o auto que agora se analisa. Cientificado da autuação, o recorrente apresenta sua impugnação em 19/09/2008 (fls. 166 a 181), alegando, em síntese, que: (a) foi equivocadamente confundido como sendo proprietário do veículo que estaria transportando cigarros supostamente descaminhados do Paraguai; (b) reside em Almirante Tamandaré/PR, e estava em Guaíra/PR para visitar a mãe de sua companheira, tendo retornado da viagem em companhia de um conhecido, Sr. Benedito Lima, também residente em Almirante Tamandaré, que havia lhe oferecido uma carona; (c) durante a viagem o veículo, de propriedade do Sr. Benedito, estragou, tendo o este solicitado que o recorrente ficasse esperando no carro enquanto buscava socorro mecânico; (d) ao esperar no carro, no acostamento, foi surpreendido pela Polícia Rodoviária Federal, que encaminhou o veículo à Receita Federal, que o considerou como proprietário do veículo; (e) “não teve participação alguma que importasse em lesão ao erário, supressão de tributo e nem tampouco na compra/venda/transporte/etc de mercadoria importada, uma vez que estava apenas retomando para casa em companhia de um conhecido que lhe havia oferecido carona em troca da divisão das despesas com combustível”; (f) “foi grande a surpresa do ora impugnante quando fora detido por fato que não concorreu, e sequer sabia o que estava acontecendo, uma vez que não sabia que no veículo em que estava viajando 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10936.000377/200746 Acórdão n.º 3403003.138 S3C4T3 Fl. 236 3 havia carteiras de cigarro”; (f) “não houve nenhuma exposição à venda, depósito ou ainda circulação comercial realizada pelo ora autuado e que importasse em qualquer tipo de infração administrativa”; e (g) “em nenhum momento foi individualizada a conduta do ora autuado, uma vez que o mesmo foi confundido como sendo o proprietário do veículo”, violando o “princípio da intranscendência”. Solicita, por fim, a recorrente, a oitiva de servidores aduaneiros, o envio de ofício ao DETRAN para identificar o proprietário do veículo e a comunicação de atos processuais ao advogado. No julgamento de primeira instância, efetuado em 09/04/2010 (fls. 195 a 200), acordase unanimemente pela improcedência da impugnação, destacandose que: (a) dos dispositivos legais que regulam a matéria (arts. 2o e 3o do Decretolei no 399/1968) inferese que em nome daqueles que adquirirem, transportarem ou possuírem cigarros de procedência estrangeira é aplicada a pena de perdimento dos cigarros, sendo, além de tal pena, aplicada multa calculada por maço de cigarros, sem prejuízo da sanção penal prevista; (b) é desnecessária a propriedade do veículo ou dos cigarros para que se caracterize a infração estabelecida no Decretolei no 399/1968, bastando apenas a configuração de uma das condutas ali descritas; (c) contrariamente ao que alega o interessado (veículo quebrado), a “declaração” formulada pelo Sr. Benedito Lima (fl. 6) indica que o recorrente estava dirigindo o veículo; (d) à fl. 07 (fotos) se observa notadamente que citado veículo estava carregado de cigarros; (e) embora não sendo o proprietário do veículo (e das mercadorias) segundo sua alegação, o recorrente se encontrava conduzindo, transportando e, portanto, na posse dos referidos cigarros por ocasião da apreensão; o DecretoLei no 37/66 (art. 95, I) claramente designa como responsável pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática; e (f) o valor da multa (R$ 2,00 por maço de cigarro) é ficado em lei, não cabendo sua ponderação pelo julgador. Por fim, declara prescindíveis as providências solicitadas pelo recorrente. Cientificada do resultado do julgamento em 19/05/2010 (cf. AR de fl. 204), o Sr. Gilberto de Souza Mafort apresenta Recurso Voluntário em 10/06/2010 (fls. 205 a 221), basicamente reiterando os argumentos expostos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se esclarecer, logo de início, qual a conduta imputada nestes autos ao recorrente. E isso resta cristalino pelo enquadramento legal da infração indicado na autuação (fl. 158): parágrafo único do art. 3o do Decretolei no 399/1968, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003. É de se transcrever excerto do referido diploma legal, com destaque (negrito) para o parágrafo único do art. 3o: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Art 2o O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3o Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” (grifo nosso) O recorrente parece, ao início de seu recurso voluntário, se defender de conduta diversa (que lhe era imputada no auto de infração relativo ao perdimento), prevista no art. 105, X do Decretolei no 1.455/1976 (“mercadoria exposta a venda, depositada ou em circulação comercial” sem prova de importação regular). Convém destacar, contudo, que as alegações referentes a tal matéria não são afetas ao presente processo, no qual se discute tão somente a multa aplicada com base no parágrafo único do art. 3o do Decretolei no 399/1968. Como destacado pelo julgador de piso, as versões apresentadas no presente processo são contraditórias, mas as contradições não chegam a afetar o conteúdo do julgamento. O Sr. Benedito Lima, que sequer consta na autuação que está em julgamento (embora constasse na referente ao perdimento) afirma ser de sua propriedade o veículo, mas que o recorrente (Sr. Gilberto de Souza Mafort) “na verdade estava como passageiro, mais (sic) que naquele momento devido meu cansaço estava ele dirigindo”. O recorrente, por sua vez, afirma ser mero “carona”, e que estava esperando no carro enquanto o Sr. Benedito Lima buscava socorro mecânico quando foi abordado por policiais. No Termo de Retenção e Lacração do Veículo (fl. 5) há um campo referente a “dados do preposto/motorista do veículo”, que foi preenchido com o nome do Sr. Gilberto de Souza Mafort. Há ainda outro campo, referente aos dados do veículo, indicando no item “proprietário” o Sr. Bendito Lima. Ao final do mesmo Termo, há um campo intitulado “Ciência e Recebimento de cópia pelo Proprietário ou Preposto”, que foi assinado pelo Sr. Gilberto de Souza Mafort. A endossar que o Sr. Gilberto de Souza Mafort assinou como preposto e não como proprietário está, além do teor do referido Termo, a mensagem manuscrita ao final: “Obs: o motorista estava acompanhado do proprietário, que não havia feito a transferência p/ seu nome”. Mas a questão sobre a propriedade somente seria relevante se a proposta fosse de perdimento também ao veículo (o que não consta dos autos). Para aplicação da multa, absolutamente irrelevante a propriedade do veículo. Basta que se tenha adquirido, transportado, vendido, exposto à venda, depositado, possuído ou consumido o cigarro de procedência estrangeira. Como sequer se contesta na impugnação ou no recurso ser o cigarro ou não de procedência (ou mesmo origem) estrangeira, discutirseá aqui tão somente se houve ou não a prática de algum dos verbos relacionados no parágrafo anterior. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10936.000377/200746 Acórdão n.º 3403003.138 S3C4T3 Fl. 237 5 E a resposta é no sentido de que o recorrente estava de posse, além de estar transportando o cigarro. Independente da circunstância de estar ou não o veículo com defeito, o fato é que, no momento da apreensão, o recorrente respondia pelo veículo e pelas mercadorias, e não era razoável crer que sequer soubesse o que estava sendo transportado no veículo, como alega em seu recurso voluntário (fl. 209): “Foi grande a surpresa do ora recorrente quando fora detido por fato que não concorreu, e sequer sabia o que estava acontecendo, uma vez que não sabia que no veículo em que estava viajando havia carteiras de cigarro.” Vejase, nas fotos abaixo, copiadas da fl. 7, que seria inimaginável que o recorrente estivesse no interior do veículo sem saber que estava transportando 15.000 maços de cigarro (seja pela falta de espaço, ou mesmo pelo próprio odor do produto). Assim, ao contrário do que crê o recorrente, resta perfeitamente tipificada e individualizada sua conduta: possuir/transportar cigarro de procedência estrangeira. Não há, assim violação ao indicado “princípio da intranscendência”. Na própria doutrina trazida na peça recursal (entendimento de Nilo Batista sobre a teoria do domínio do fato), complementa o recorrente que; “Autor é aquele que executa diretamente a conduta descrita pelo núcleo do tipo penal, ocasião em que será reconhecido como autor direto ou autor executor ; ou poderá ser, também, aquele que se vale de outra pessoa que lhe serve, na verdade, como instrumento para a prática da infração penal , sendo, portanto, chamado de autor indireto ou mediato. Autor direto é aquele que tem o domínio do fato, na forma do domínio da ação, pela pessoal (execução de própria mão da Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 ação típica) e dolosa (consciência e vontade a respeito dos elementos objetivos do tipo) realização da conduta típica . (conceituação de NILO BATISTA)”. (grifo nosso) E segue o recurso voluntário afirmando que: “Da análise dos conceitos supramencionados , notase que o ora autuado não se enquadra na qualidade de autor nem de partícipe, pois não possuía o domínio do fato e tampouco concorreu para a infração penal l administrativa. Além disto, não induziu, instigou ou auxiliou materialmente o autor. (...) Diante do exposto, fica claro que o ora autuado não teve qualquer envolvimento objetivo com aquele a quem é imputada a conduta descrita no auto de infração e não aderiu à conduta do outro, , pois não sabia que havia mercadoria supostamente ilegal sendo transportada.” (grifo nosso) Como destacado anteriormente, não é crível (seja pelo espaço ou pelo odor) que o recorrente não soubesse que o veículo no qual estava continha 15.000 maços de cigarro. Assim, absolutamente incompatível a jurisprudência colacionada, porque não se presta ao caso concreto em análise. Por fim, em relação à multa aplicada, alega a recorrente que é arbitrária e confiscatória, e não condiz com a realidade dos fatos e com sua situação. Sobre tal alegação, há que se esclarecer que a multa é fixada em lei, como exposto, no montante de R$ 2,00 por maço de cigarro, não podendo o julgador ponderar fatores como a situação econômica do autuado ou o efeito eventualmente confiscatório, pois penetraria em seara constitucional, matéria vedada ao tribunal administrativo, conforme a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Há ainda que se destacar que as intimações devem ser feitas no domicílio tributário da recorrente (ou por meio eletrônico), conforme preceitua o art. 23 do Decreto no 70.235, e que a produção de provas também deve respeito ao mesmo diploma, em seu art. 16, § 4o. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 240DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10936.000377/200746 Acórdão n.º 3403003.138 S3C4T3 Fl. 238 7 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000684/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 06 84 /2 00 9- 15 Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 3 trimestre de 2006, no valor de R$ 1.026.664,03. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 14, de 7 de março de 2012, fls. 448 a 458, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 122.505,56, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS REQUERIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 07/06 217.546,05 196.882,74 255.371,35 20.663,31 08/06 548.225,41 493.847,18 540.097,74 54.378,23 09/06 301.987,95 254.523,93 353.700,50 47.464,02 Total R$ 122.505,56 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.118 3 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 468 a 498, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.534, de 22 de abril de 2013, fls. 758 a 805, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 866 a 917, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.119 5 julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com os processos nºs 15987.000230/200936, 15987.000231/200981 e 15987.000232/200925, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 866 a 917 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.534, de 22 de abril de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 646 a 648, o valor do crédito deferido foi pago por meio da emissão da Ordem Bancária 2012OB801077 em 24/08/2012, fls. 733, conforme despacho de fls. 757, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.120 7 ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.121 9 recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/07/2006 a 30/09/2006, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.122 11 Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 3403002.976 S3C4T3 Fl. 1.123 13 Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15758.000451/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que não convertia em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que não convertia em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 58 .0 00 45 1/ 20 10 -4 1 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15758.000451/201041 Resolução nº 2401000.370 S2C4T1 Fl. 173 2 Relatório FUNDAÇÃO DO ABC, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Campinas, Acórdão nº 0531.741/2010, às fls. 92/97, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 26/29, consubstanciado nos seguintes levantamentos: F1 – incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, F2 – incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados da filial 0007 (Graduação); Tratase de Auto de Infração (obrigações principais) lavrado em 04/10/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Informa o fiscal autuante que o presente lançamento fora efetuado em razão da perda da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias pela contribuinte, mediante Ato Cancelatório nº 21.432/002/2003, de 16/12/2003, em face da constatação do não cumprimento cumulativo dos requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente incisos II, III e IV, consoante relatado na Informação Fiscal que culminou com a emissão do Ato Cancelatório supra, o qual fora confirmado pelo Acórdão nº 3030, de 16/12/2005, exarado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. Esclarece, ainda, a autoridade lançadora que a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS 639 relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, quando o correto seria fazer constar das guias de recolhimento os Códigos FPAS 5150 e 5740, conforme o caso, gerando uma diferença entre os tributos devidos e os efetivamente recolhidos, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 103/128, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15758.000451/201041 Resolução nº 2401000.370 S2C4T1 Fl. 174 3 Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a contribuinte deve deferido o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, 27/08/1975, nos autos do processo nº 253.154/74, tendo sido registrada no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS em 05/07/1974, mediante processo nº 224.992/74, razão pela qual goza do direito adquirido contemplado no § 1o, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, que estabelece em seu bojo aludida garantia para aquelas entidades que tiveram seu reconhecimento como entidade filantrópicas, sob a égide da Lei nº 3.577/1959, na linha da jurisprudência judicial trazida à colação. Infere que a recorrente se enquadra perfeitamente na hipótese legal do § 1º, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, uma vez que a Fundação ABC fora certificada pelo Conselho Nacional de Serviço Social – CNSS no exercício de 1974, culminando, na mesma ocasião, com a concessão da quota patronal das contribuições previdenciárias. Dessa forma, defende que o Ato Cancelatório da isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias fora emitido em total contrariedade com o disposto no artigo 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91. Acrescenta que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91, impor limitações ou exigências à fruição da isenção em comento, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa imunidade da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do Código Tributário, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Ressalta que o benefício fiscal em comento se trata de uma verdadeira imunidade, porquanto emana da Constituição Federal, não havendo se falar em natureza de isenção, de maneira a fazer incidir os pressupostos legais inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, impondo a observância dos preceitos do artigo 14 do Códex Tributário para fins de verificação do cumprimento dos requisitos de aludida imunidade. Aduz que a própria autoridade lançadora reconhece que a entidade cumpre todos os pressupostos legais estabelecidos no artigo 14 do Código Tributário Nacional, o que rechaça de uma vez por todas a pretensão fiscal. Alega que, mesmo que se entenda pela aplicação o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade, igualmente, cumpre todos os pressupostos para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos, demonstrando ser portadora de Título de Utilidade Pública Federal e Municipal; do Certificado de Entidade de Assistência Social, desde de 1975; além de também observar os preceitos dos incisos III, IV e V, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15758.000451/201041 Resolução nº 2401000.370 S2C4T1 Fl. 175 4 Mais a mais, esclarece que o Supremo Tribunal Federal decidiu que o Certificado se trata de documento com natureza Declaratória e não Constitutivo de uma situação préexistente, tendo, portanto, efeito retroativo à data de seu requerimento junto ao órgão administrativo competente. Repisa que a recorrente é portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS com plena vigência, informando, ainda, que os demais Certificados pertinentes aos triênios anteriores 2008/2009 e 2010, igualmente, foram renovados, consoante certidão acostada aos autos, o que implica dizer que a contribuinte jamais ficou sem a devida certificação, conferindolhe, assim, o direito da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciária, na forma que a jurisprudência do STF e demais Tribunais Superiores vem decidindo. Destaca a edição da Lei nº 12.101/2009, a qual revogou os dispositivos legais que regulamentavam a matéria, trazendo ao mundo jurídico novos regramentos, mormente, para concessão, manutenção e cancelamento da isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, impondo seja determinada a retroatividade das normas que beneficiam a contribuinte, nos termos do artigo 106 do CTN, sobretudo em razão de o presente auto de infração ter sido encerrado em 27/01/2010, sob a égide, portanto, dessa nova lei. Registra que a Lei nº 12.101/2009 estabeleceu novas regras para a obtenção da imunidade em relação às entidades que, além atuar em área distinta da educação e também atue na educação superior, as quais devem observância agora ao artigo 10 da Lei nº 11.096/2005, ou seja, as regras do PROUNI, o que se vislumbra com a recorrente que, atuando nas áreas de educação e saúde, aderiu ao PROUNI no exercício de 2005. Pugna, ainda, pela reforma do Ato Cancelatório n° 21432/002/2003, o qual fora fundamentado pela ausência de comprovação de aplicação de ao menos 20% da receita bruta em gratuidade, tendo em vista que aludida comprovação foi devidamente demonstrada, tanto que a Recorrente foi Certificada pelo CNAS como entidade beneficente de assistência social. Neste sentido, diante da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, tornase despicienda aludida comprovação, uma vez que tal análise ocorre por ocasião da concessão daquele certificado. Relativamente à utilização do Código FPAS n° 639, argumenta que a contribuinte agiu de conformidade com a legislação de regência, tendo em vista estar imune ao pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias, como restou demonstrado ao longo da peça recursal, não havendo se falar em equívoco na conduta da entidade, seja de natureza acessória ou principal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15758.000451/201041 Resolução nº 2401000.370 S2C4T1 Fl. 176 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente notificação referese às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 26/29, consubstanciado nos seguintes levantamentos: F1 – incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, F2 – incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados da filial 0007 (Graduação) Com mais especificidade, informa o fiscal autuante que o presente lançamento fora efetuado em razão da perda da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias pela contribuinte, mediante Ato Cancelatório nº 21.432/002/2003, de 16/12/2003, em face da constatação do não cumprimento cumulativo dos requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente incisos II, III e IV, consoante relatado na Informação Fiscal que culminou com a emissão do Ato Cancelatório supra, o qual fora confirmado pelo Acórdão nº 3030, de 16/12/2005, exarado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. Esclarece, ainda, a autoridade lançadora que a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS 639 relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, quando o correto seria fazer constar das guias de recolhimento os Códigos FPAS 5150 e 5740, conforme o caso, gerando uma diferença entre os tributos devidos e os efetivamente recolhidos, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário. Por derradeiro, ressalta o fiscal autuante o que segue: "[...] 7.4. Em atendimento ao TIF n° 1, onde foram solicitados, entre outros documentos: Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária, Certificados emitidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, a empresa apresentou, respectivamente o seguinte: Relatório sobre os Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária, que, em resumo, informa a perda a Isenção, inscrição em divida Ativa, Execução Fiscal, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15758.000451/201041 Resolução nº 2401000.370 S2C4T1 Fl. 177 6 embargos à Execução, e, ainda, que os autos da Execução Fiscal, bem como os Embargos encontramse pendentes de julgamento. [...]" De fato, às fls. 90 do processo administrativo n° 15758.000450/201005 (objeto da mesma ação fiscal e lastreado nos mesmos fatos), a contribuinte apresentou "Relatório sobre os Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária", explicitando o seguinte: "[...] Após o trânsito em julgado da decisão do referido Conselho, a Fundação do ABC foi inscrita em dívida ativa, resultando o ajuizamento de Execução Fiscal em face da Instituição. A Fundação do ABC apresentou Embargos à Execução Fiscal, cujo mérito discute o direito da Instituição em gozar a imunidade referente as contribuições previdenciárias. Os autos da Execução Fiscal, bem como os Embargos à Execução encontramse pendentes de julgamento. [...]" Ocorre que, de conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Entrementes, inobstante constar dos autos a informação de que a contribuinte se valeu do Judiciário com o fito de discutir o seu pretenso direito à imunidade das contribuições previdenciárias, não fora acostado ao processo a documentação pertinente à aludida discussão judicial, o que inviabiliza verificar se há, efetivamente, concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária trazer à colação o inteiro teor dos Embargos à Execução opostos pela contribuinte nos autos da Execução Fiscal, bem como eventuais decisões já exaradas nos autos de aludido processo judicial. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos os Embargos à Execução, bem como eventuais decisões proferidos naqueles autos, oportunizando à contribuinte se manifestar sobre o resultado da diligência no prazo estabelecido na legislação de regência, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13629.720820/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. CPP
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível
Preliminar Rejeitada.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. CPP Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível Preliminar Rejeitada. Recurso Parcialmente Provido.
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REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETAMENTE PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 08 20 /2 01 2- 28 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 inconteste e demonstrada de forma cabal. A movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever de a administração lançar com multa de oficio as receitas ou os rendimentos omitidos na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. CPP Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível Preliminar Rejeitada. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório SILVIA MARIA RIBERIO ARRUDA AZEVEDO – FIRMA INDIVIDUAL, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 07.651.907/000160, com domicílio fiscal na cidade de Ipatinga, Estado de Minas Gerais, na Rua Botafogo, nº 28, Bairro Vila Ipanema, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Coronel Fabriciano MG, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 825/845 prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 853/868. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Coronel Fabriciano MG, em 07/02/2013, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição Patronal Previdenciário (CPP) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 03/81), com ciência por AR, em 08/02/2013 (fl. 103), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.222.668,53, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de ofício qualificada agravada de 225,00 % e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referente ao exercício de 2010, correspondente ao anocalendário de 2009. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2010, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO: Infração capitulada nos arts. 3° § 1°, 13, inciso I, 18 §§ 1°, 3° e 4° e 25, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações; arts. 1°, 2°, 3°, 4°, 5° § 1°, 6° e 16 da Resolução CGSN n° 05/2007 e alterações; e arts. 13, 14, inciso II, e 19 §§ 1° a 4°, da Resolução CGSN n° 30/2008. 2 – INSUFICIÊNCIA DE RECONHIMENTO: Infração capitulada nos arts. 3° § 1°, 13, inciso I, 18 §§ 1°, 3° e 4° e 25, da Lei Complementar n° 123/2006 e alterações; arts. 1°, 2°, 3°, 4°, 5° § 1°, 6° e 18, inciso II, da Resolução CGSN n° 51/2008 e alterações; e arts. 14, inciso III, e 19 §§ 1° a 4°, da Resolução CGSN n° 30/2008. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório Fiscal (fls. 547/566), entre outros, os seguintes aspectos: que o início da fiscalização ocorreu em 02/02/12, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência pessoal do contribuinte através de seu procurador, o Sr. Rodrigo Roberto Arruda Azevedo, CPF 101.377.08629. Neste termo, intimamos o contribuinte a apresentar, para o anocalendário 2009: Livro Diário e Razão ou Livro Caixa, caso não tivesse escrituração, e Contrato Social e suas alterações; que, em 14/02/2012 foram apresentados para a Fiscalização os Livros Diário e Razão e o Requerimento de Empresário e suas alterações. Verificamos que os valores escriturados nos livros contábeis como receitas de revenda de mercadorias do contribuinte em Fl. 881DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 4 5 foco foram declarados na Declaração Anual do Simples Nacional DASN referente ao ano calendário 2009; que, em 17/02/12, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 01, com ciência pessoal do contribuinte. No referido termo, a fiscalizada foi intimada a apresentar os extratos bancários e o Livro Diário e Razão, referentes ao anocalendário de 2008, ou Livro Caixa, caso não tivesse escrituração. O prazo concedido foi de 20 dias. A fiscalizada não apresentou os documentos e não se manifestou dentro do prazo estabelecido na intimação; que o Termo de Reintimação Fiscal n° 01, cuja ciência foi por via postal, em 15/03/2012, reintimando o contribuinte a apresentar os documentos alhures mencionados. A empresa nos enviou uma resposta pelo correio, que foi recebida nesta delegacia em 21/03/2012, na qual mencionava que os documentos entregues já eram suficientes para atender aos trabalhos fiscais e que os extratos bancários eram informações sigilosas, e que a documentação fiscal contábil já era satisfatória. Não foram apresentados os extratos bancários e nem os livros; que, diante da resposta, esta equipe fiscal reintimou o contribuinte em questão, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 02, com ciência por via postal em 27/04/2012, achando por bem alertar sobre o que este comportamento da Fiscalizada poderia acarretar, visto que a legislação prevê a exclusão de ofício do Simples Nacional neste caso, com base na Lei Complementar n° 123/2006; que, sendo assim, diante da recusa da fiscalizada em apresentar os extratos bancários, a Fiscalização obteve tais informações, com o amparo da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, junto às instituições financeiras nas quais houve movimentação pela empresa, através Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira n° 06111002012000147e 06111002012000155, emitidas diante da recusa da Fiscalizada em apresentar os extratos bancários; que de posse das informações bancárias, demos continuidade à ação fiscal, analisando a Movimentação Financeira do contribuinte em termos globais, depurando todos os valores creditados nas contas bancárias da empresa, com ênfase na apuração e exclusão das movimentações financeiras que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas pela fiscalizada, como, por exemplo, estornos, devolução de cheques e transferências de investimentos para a conta corrente, que puderam ser detectados nos históricos dos extratos bancários; que na sequência da ação fiscal, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 02 e seus anexos, com ciência por via postal em 14/05/2012, o contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que consubstanciaram os créditos bancários, já depurados de ofício, em suas contascorrentes no ano base de 2009, conforme planilhas preparadas pela Fiscalização. O prazo concedido foi de 20 dias; que o contribuinte enviou pelo correio a resposta à Fiscalização, datada de 28/05/2012, na qual ele continuou se recusando a apresentar qualquer documento ou esclarecimento, insistindo nos mesmos argumentos improfícuos e afirmações desconexas utilizados anteriormente e acrescentando mais alguns, que nada acrescentou ao trabalho da Fiscalização; Fl. 882DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, enviamos pelo correio o Termo de Reintimação Fiscal n° 03, como derradeira tentativa de obter os documentos acima mencionados, e foi recebido pelo contribuinte no dia 18/06/2012. O prazo concedido foi de 5 dias úteis. Neste, além das solicitações efetuadas anteriormente, diante da última resposta da fiscalizada, incluímos algumas observações e instruções importantes para atendimento ao Termo, novamente ignoradas pelo contribuinte; que após este Termo a fiscalizada enviou nova resposta, insistindo nas mesmas argumentações desarrazoadas e ainda acrescentou novas, como a de que o contribuinte se nega a apresentar a documentação para o Auditor Fiscal, dizendo que deveria existir uma seção responsável por este recebimento, como um setor específico de protocolo. Para ele, os documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal não deveriam ser recebidos pelo Auditor Fiscal. Ou seja, além de querer determinar como deve ser o trabalho do Auditor Fiscal, que é o servidor responsável pela Fiscalização e quem a conduz, ele pretende ainda determinar como devem funcionar os órgãos da Administração Tributária, tamanha a sua pretensão; que, portanto, dando prosseguimento ao trabalho fiscal, diante da recusa da empresa de apresentar as justificativas acompanhadas dos documentos comprobatórios, procedemos novamente à análise dos extratos bancários e identificamos créditos que se referiam a transferências entre contas e os retiramos das planilhas, visto que após análise localizamos os débitos correspondentes. Elaboramos uma nova planilha que consolidasse os dados, totalizada mensalmente, tendo como parâmetro as conclusões da Fiscalização, acima explicitada. Referida planilha encontrase anexa a este Relatório; que a omissão de receitas e depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, com base nas informações bancárias reunidas, conforme descrito anteriormente constatamos que transitaram pelas contas correntes da empresa no ano de 2009 o valor de R$ 6.856.883,94 (seis milhões e oitocentos e cinquenta e seis mil e oitocentos e oitenta e três reais e noventa e quatro centavos), embora tenham sido escriturados nos livros contábeis e declarados na DASN rendimentos de apenas R$ 986.755,27 (novecentos e oitenta e seis mil e setecentos e cinquenta e cinco reais e vinte e sete centavos); que em virtude desta constatação, elaboramos planilhas com os valores creditados/depositados nas contascorrentes da empresa no ano de 2009, já excluídos os créditos que, pelas suas características, não pudessem configurar um rendimento. O contribuinte foi intimado e reintimado a justificar a origem dos depósitos, conforme relatado no item 2 deste relatório, no entanto, o contribuinte preferiu omitirse a responder. Até a presente data, nenhum documento ou elemento qualquer foinos oferecido pelo contribuinte para esclarecer a origem dos depósitos; que, sendo assim, não tendo o contribuinte se manifestado a fim de comprovar a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o DEVER de considerar os valores depositados, não justificados/documentados, como rendimentos tributáveis, omitidos na DASN e nos Livros Diário e Razão, efetuando o lançamento do imposto correspondente, conforme planilhas demonstrativas que integram o presente Relatório; que, em razão da omissão de rendimentos, houve alteração também nas alíquotas do Simples aplicáveis aos valores já declarados, o que gerou a infração denominada "Insuficiência de Recolhimento", apurada no corpo do Auto de Infração do qual este Relatório é parte integrante; que o elemento caracterizador da qualificação da multa é o dolo, com a consequente redução ou supressão de tributo. Entendemos que no presente caso o Fl. 883DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 5 7 comportamento do contribuinte revela o elemento subjetivo do dolo, uma vez que a movimentação financeira apresenta um volume muito alto, enquanto sua escrituração reflete uma mínima parte dela; que deixar de escriturar movimentações tão relevantes, durante todo o período, não pode ser atribuído a equívoco ou esquecimento, mas mostra, segundo nossa convicção, a vontade clara de omitir informações aos destinatários da escrituração; que a empresa, conforme já dito, declarou na modalidade do Simples Nacional, o que foi mantido para o anocalendário de 2009, tendo a auditoria tributado os valores não comprovados nesta modalidade; que a empresa informou na DASN apenas 12,58% das receitas apuradas pelo fisco no ano calendário de 2009. Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em escriturálos e declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Ao tentar ocultar, em tese, tamanha movimentação bancária à administração tributária federal, tinha o contribuinte a consciência de que a conduta levaria a resultado ilícito; que o agravamento da multa, conforme já descrito no início deste relatório fiscal, a autuada foi intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários e os livros contábeis de 2008. No entanto, ela não atendeu aos prazos estabelecidos nos termos e não apresentou os referidos documentos. Além disso, foi intimada e reintimada a comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos, mas também não o fez; que em ambos os casos, aguardamos até mais do que o prazo que foi solicitado, mas mesmo assim o contribuinte não apresentou nenhum dos documentos citados e nenhuma justificativa acompanhada de documentos sobre a origem dos depósitos, prejudicando o desenvolvimento dos trabalhos da fiscalização; que, sendo assim, o percentual da multa de ofício foi aumentado pela metade, conforme prevê o § 2° do art. 44 da lei n° 9.430/96, por não atendimento à intimação. Em sua peça impugnatória de fls. 793/822, apresentada, tempestivamente, em 08/03/2013, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a nulidade do Auto de Infração e impossibilidade de quebra de sigilo Bancário do contribuinte sem previa Autorização Judicial, ou seja, o Auto de Infração já e insubsistente porque embasado em arbitramento de tributo realizado sem a efetiva demonstração da essencialidade desse procedimento pela Autoridade Fazendária; que em sede de conclusão, o assunto se encerra assim; a quebra de sigilo bancário dos contribuintes deve ser precedida de autorização judicial e pouco importa que haja legislação infraconstitucional que flexibilize a regra, porque, ela tem matiz constitucional e não comporta essa flexibilização. Por isso, se o auto de infração ora impugnado e assenta exclusivamente, como de fato é nas informações financeiras indevidamente obtidas, há aí patente nulidade que impõe seu cancelamento imediato, pois escorado em prova inegavelmente ilícita; Fl. 884DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que o Arbitramento de Procedimento de Arbitragem, ausência de Verificação dos Requisitos Autorizadores e Extrapolação ao Uso de Presunções por parte da fiscalização, ou seja, viuse no tópico anterior que o auto de infração é nulo pelo simples fato de se embasar exclusivamente em prova ilícita, consistente em extratos bancários obtidos sem previa autorização judicial. Só que mesmo se a ilicitude da prova não existisse, continuaria improcedente a autuação por conta do abuso em que incorreu a Agente Fazendária no uso de presunção de receita omitida para a apuração de tributos promovida com base nos referidos extratos; que, portanto, dispensase maiores considerações sobre a ilegalidade do procedimento de arbitramento no caso em análise, simplesmente porque é clara demais essa ilicitude, ratificada integramente pelo atual entendimento sustentado pelo Conselho administrativo de Recursos Fiscais – CARF. E sendo assim, imperioso e faz reconhecer a nulidade dos Autos de Infrações ora atacados também por esse motivo; que especificamente quanto à multa de ofício aplicada, neste sentido, a impossibilidade de presunção de conduto dolosa do contribuinte, necessário afastamento da qualificação da multa imposta à Impugnação e do Procedimento Fiscal para fins penais formalizado no processo n° 13629.720841/201243, ou seja, a autuação fiscal é indevida porque o lançamento padece de vícios insanáveis. Primeiro porque há inconsistências evidentes na apuração dos valores lançados que, por si só, retiram credibilidade ao procedimento de arbitramento realizado. Segundo porque o crédito tributário decorre unicamente da quebra do sigilo bancário da Impugnante, coisa que a Constituição Federal, a doutrina e a jurisprudência rebatem com veemência; que, no caso dos autos, a demonstração do dolo não acontece e, por isso, ainda que se entende pela manutenção do credito tributário principal (tributo), o que não se espera, há que se afastar a multa qualificada indevidamente imposta à impugnante; que desta forma, há que se reconhecer, já que demonstrada a ausência de intuito fraudulento por parte da Impugnante, o que afasta a caracterização de condutas delituosas de índole penal tributaria, a insubsistência do procedimento de representação fiscal para fins penais, que deve ser de imediato cancelado, sob pena de infligir à Impugnante ônus e constrangimento a que não deu causa; que, o ad argumentandum, confiscatório da multa proporcional imposta à Impugnante, mesmo que se entenda pela validade do auto de infração e, e, especial, da imposição de multas, há que ser destacada a verdadeira abusividade do percentual aplicado, por razões outras além daquelas descrita no tópico anterior; que a penalidade imposta, ainda que, por absurdo, seja considerada legítima, deve, ao menos, receber graduação mais branda, ante a ausência de justificativa para a sua manutenção em tão alto patamar. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG, concluíram pela procedência em parte da impugnação e pela manutenção em parte do crédito tributário lançado baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, quanto à quebra de sigilo bancário, é de se dizer que em alguns pontos da impugnação a interessada alega que a quebra do sigilo bancário afronta a CRFB e que só pode ser solicitada ao Poder Judiciário ou se tal exame for indispensável; Fl. 885DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 6 9 que, primeiramente, há que se considerar que o art.1º, § 3º, III da Lei Complementar nº 105/2001, dispõe que não se considera violação ao sigilo bancário o fornecimento de informações à SRF; que a requisição das informações bancária do contribuinte junto às instituições financeiras, foi efetuada por meio de RMF. Tal procedimento está autorizado pelo artigo 6º, da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10/01/2001; que quanto aos aspectos constitucionais, estes não podem ser discutidos na esfera administrativa, cabendo tal discussão apenas no âmbito do Poder Judiciário; que observese a motivação da expedição da RMF está no fato de não ter recebido os extratos bancários do contribuinte, sendo este um documento importante para que o fiscal pudesse fazer a análise dos lançamentos contábeis expressos na escrituração da interessada; que, registrese, então, que não há que se falar em nulidade pela quebra de sigilo bancário, segundo afirmado pelo contribuinte; que o legislador estabeleceu de forma clara uma presunção legal e relativa de omissão de receita, a qual já se encontra plenamente sedimentada nas esferas de julgamento administrativo e judicial. À fiscalização cabe apenas a prova do fato indiciário, ou seja, que, regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas. Ocorrido tal fato, conforme demonstrado no caso vertente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas omitidas pelo sujeito passivo. Há a inversão do ônus de prova característica das presunções legais – o sujeito passivo é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável; que, no presente caso, o sujeito passivo não logrou afastar a presunção de omissão de receitas, pois não comprovou, “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” ou mesmo as existências de créditos inadequadamente considerados na autuação. Assim, os depósitos constantes das contas correntes analisadas se constituem em omissão de receitas por presunção legal; que, conforme relatado, houve uma depuração dos “valores creditados nas contas bancárias da empresa, com ênfase na apuração e exclusão das movimentações financeiras que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas pela fiscalizada, como, por exemplo, estornos, devolução de cheques e transferências de investimentos para a conta corrente, que puderam ser detectados nos históricos dos extratos bancários” e posteriormente procedeuse novamente “à análise dos extratos bancários quando identificamos créditos que se referiam a transferências entre contas e os retiramos das planilhas, visto que após análise localizamos os débitos correspondentes. Elaboramos uma nova planilha que consolidasse os dados, totalizada mensalmente, tendo como parâmetro as conclusões da Fiscalização, acima explicitada. Referida planilha encontrase anexa a este Relatório”; que, quanto ao agravamento da multa de ofício, é de se dizer que da leitura do Termo de Verificação Fiscal, podese concluir que o contribuinte compareceu aos autos após cada intimação, com exceção daquela a que se referiu ao AC2008. O fato de as respostas Fl. 886DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 não terem sido a contento da autoridade fiscal não caracteriza a hipótese do inciso I do §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; que a recusa ou não comparecimento foi explícita no que se refere ao AC2008, entretanto este anocalendário não foi objeto de lançamento. Se não há nenhum tributo lançado para o AC2008 e a multa incide sobre o tributo, obviamente não há também nenhum valor de multa a ser agravada; que as provas documentais devem ser trazidas com a impugnação, estando precluso o direito de a contribuinte apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto; que, quanto à qualificação da multa de ofício, é de se dizer que assim afirmou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal. “Analisando o quadro supra, constatamos que a empresa informou na DASN apenas 12,58% das receitas apuradas pelo Fisco no ano calendário de 2009. Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em escriturálos e declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Ao tentar ocultar, em tese, tamanha movimentação bancária à Administração Tributária Federal, tinha o contribuinte a consciência de que a conduta levaria a resultado ilícito”; que o contribuinte questiona a qualificação afirmando, entre outros aspectos que “É fundamental ao deslinde da controvérsia ressaltar que o dispositivo invocado pela Auditora Fiscal para fundamentar a qualificação da multa em 150%, menciona condutas dolosas praticadas pelo contribuinte. Há que ficar comprovado então, de forma evidente, o propósito fraudulento do sujeito passivo de lesar o Erário Público. Sem isso, não estará autorizada a majoração da penalidade nos patamares impostos à Impugnante.”; que a ele não assiste razão. Diante de tudo que se apurou, devidamente registrado no Termo de Verificação Fiscal, parcialmente transcrito no Relatório, pode se dizer que ficou caracterizado que o procedimento adotado pelo autuado inserese nas hipóteses previstas no artigos 71 da Lei nº 4.502/64; que a conduta do contribuinte, informando na DASN apenas 12,58% das receitas apuradas pelo Fisco no ano calendário de 2009 não pode ser tratada como um simples erro. Não se trata, como afirmado pelo Fisco “de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em escriturálos e declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Ao tentar ocultar, em tese, tamanha movimentação bancária à Administração Tributária Federal, tinha o contribuinte a consciência de que a conduta levaria a resultado ilícito.”; que a expressão “em tese’, aqui utilizada, como também no Termo de Verificação Fiscal, se deve ao fato de que se houve ou não crime é fato a ser analisado no processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Registrese, por oportuno, que esta autoridade julgadora não é competente para quaisquer análises em processos de Representação Fiscal para Fins Penais; que do caráter confiscatório da multa de ofício, neste sentido, a interessada questiona ainda em sua defesa que a multa de ofício, que teria efeito confiscatório é de se dizer que o art. 3º do CTN dispõe que o conceito de tributo não abrange as sanções por atos ilícitos. Portanto, as multas pecuniárias não são alcançadas pelo Princípio em comento; Fl. 887DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 7 11 que quanto aos lançamentos reflexos, é de se dizer que devido à relação de causa e efeito a que se vinculam ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexo, em virtude de ser decorrente; que segundo a regra de que o acessório segue ao principal, as mesmas razões adotadas no exame do lançamento principal de IRPJ servem também para os respectivos lançamentos reflexos, no caso de PIS, CSLL e Cofins e Contribuição Previdenciária Patronal. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Lei Complementar nº 105/2001 permite que o Fisco examine informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configura se omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. O fato de as respostas às intimações ao contribuinte não terem sido a contento da autoridade fiscal, por si só, não autoriza o agravamento da penalidade. MULTA QUALIFICADA. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 888DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 16/07/2013, conforme Termo constante às fl. 852, e, com ela não se conformando, a contribuinte, interpôs, tempestivamente em (12/08/2013), o recurso voluntário de fls. 853/868, instruído pelos documentos de fls. 869/ 876 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, quanto à quebra de sigilo bancário, é de se dizer que como inteiramente já se fez explícito que as exações reveladas em todos os Autos de Infrações se amolde nos ingressos de valores nas contas bancárias, cujos extratos bancários foram obtidos pela fiscalização sem a devida aquiescência do contribuinte/recorrente, com violação frontal e clara do direito a privacidade, especialmente do sigilo Bancário, (art. 5°, Inc.XII da CF/88); que no caso do contribuinte defendente, por razões de operacionalidade e de direito, não disponibilizou a sua movimentação financeira para a Receita Federal. Todavia, mesmo assim, consoante infere do Relatório Fiscal do processo que deu base a ação fiscal (Lançamento Fiscal) (13.629.720820/201228), 1° parágrafo da pagina 3, a douta fiscalização obteve as informações, quebrando o sigilo Bancário do contribuinte sem ordem judicial, lavrando, via de consequência, os AI´s sob o mando de omissão de receita por manter movimentação financeira superior ao volume de receita bruta declarada; que, quanto à omissão de receita e depósito bancários, é de se dizer que o lançamento pautou, anteriormente, no ingresso de valores movimentados na contacorrente do contribuinte/recorrente. Com isso, a exação vingou sob o pálio da presunção, o que, data vênia, não subsiste; que também não é razoável admitirse que todas as pessoas são supostos sonegadores, até prova em contrario. Essa tese é passível de ser deduzida diante da inobservância do princípio da presunção da inocência como se debateu. E mais uma consequência dos meandros utilizados pelo legislador para garantir, a qualquer custo, os interesses do Estado Tributário; que, quanto à multa de oficio qualificada, é de se dizer que como bem demonstra o feito, o manejo do direito constitucional de não apresentar os extratos bancários, resultante de intimação fiscal, data vênia, em hipótese alguma está a revelar prática de ação dolosa; que pela descrição da matéria objeto, não vislumbra a ocorrência do evidente intuito de fraude. O “ânimo” de fugir à tributação, como é a pretensão da fiscalização, este revelado no Relatório Fiscal, não configura, por si só, evidente “intuito de fraude”. É preciso que a própria conduta para fraudulenta e tendente a esconder ou retardar o conhecimento do fato gerado por parte do fisco seja fraudulenta. É o relatório. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. As infrações apuradas pelo Fisco se restringem a omissão de receitas provenientes de depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada. Assim, a discussão versa sobre a omissão de receitas, quantificada mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e CPP, totalizando um crédito tributário de R$ 2.222.668,53. A decisão recorrida entendeu que a Lei Complementar nº 105/2001 permite que o Fisco examine informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso, configurandose omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações, bem como entendeu que a imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Por outro lado, entendeu que o fato de as respostas às intimações ao contribuinte não terem sido a contento da autoridade fiscal, por si só, não autoriza o agravamento da penalidade, desagravando a multa de ofício qualificada, reduzindoa ao percentual de 150%. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminar de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. É de se notar, inicialmente, que entre outras razões recursais, o sujeito passivo argúi a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei nº 10.174, de 2001 e Lei Complementar nº 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão a suplicante pelos motivos que se seguem. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Como se vê o aspecto divergente estaria no entendimento que a suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. O presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos arts. 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declaradas pelos contribuintes. É sabido, que o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. Ora, as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgado pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às Instituições Financeiras. Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Fl. 891DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 9 15 Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, é de se rejeitar a preliminar argüida pela Recorrente. A contribuinte alega que em qualquer processo, administrativo ou judicial, cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de recurso, não é se as operações que deram origem aos depósitos foram ou não contabilizadas, mas sim se a ausência de contabilização autoriza o Fisco Federal a adotar, para o lançamento fiscal, base de cálculo diversa daquela prevista em Lei. Expõe o seu entendimento de que o artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996 define um fato que, constatado, induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte. Verificado tal fato, cabe ao Fisco Federal, sob pena de evidente ilegalidade, apurar qual o montante da receita omitida (que, em determinadas situações, poderá, até, corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Não existe previsão legal, entretanto, que autorize ao Fisco Federal adotar, para realizar lançamento fiscal, base de cálculo aleatoriamente estabelecida. Quanto ao mérito em si, a contribuinte alega que a presente acusação baseada apenas em extratos de movimentação bancária aponta apenas frágeis indícios de ocorrência do fato gerador, que não podem servir de alicerce seguro para a caracterização do crédito tributário. Alega, ainda, que a tributação dos depósitos bancários é ilegal sob a argumentação de que os depósitos não representam receita. Nenhuma razão assiste a contribuinte como ficará demonstrado. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Como se vê, nos dispositivos legal mencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso que é função do fisco, entre outras, é comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração Fl. 893DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 10 17 de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão receitas ou de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada à origem dos recursos tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como sendo receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando os lançamentos do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção das receitas com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do contribuinte em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido Fl. 894DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997 caracterizam, por si só, omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a recorrente recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde efetivamente a auferimento de rendimentos ou receitas (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse apresentar provas de origem de tais receitas presumidas. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Da análise dos autos se constata que a autoridade lançadora procedeu exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, a fiscalização relacionou em planilha os depósitos, após excluir aqueles decorrentes de transferências de mesma titularidade, os estornos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial, e intimou a empresa a comprovar a origem do numerário depositado/creditado em suas contas. A Fl. 895DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 11 19 contribuinte não tendo apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida. No que diz respeito à multa qualificada aplicada, a contribuinte, em sua defesa, sustenta que é incabível a qualificação da multa de ofício, quando, não restar, perfeitamente, demonstrado nos autos, que o envolvido na prática da infração tributária procedeu com evidente intuito de fraude. De fato, os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% sob argumento de que tendo em vista o fato de a contribuinte fiscalizada ter declarado, reiteradamente, à Receita Federal valores a menor em comparação com a movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, além do fato de ter movimentado volumes elevados de numerários, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996. Resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa da contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela movimentação de quantias elevadas por meio de suas contas bancárias, inteiramente à margem da escrituração da empresa, quer pela omissão de informações à Fiscalização, objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Ou seja, entendeu de que a movimentação de elevadas somas de numerários nas contas bancárias de sua titularidade é importante meio de impedir ou retardar o conhecimento, por parte do fisco nacional, do recebimento de receitas. Assim, verificase que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de receitas, caracterizados pela existência de depósitos bancários de elevada monta sem a comprovação de sua origem, cuja legislação de regência prevê que esta atitude caracteriza uma presunção de omissão de receitas. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que a contribuinte deixou deliberadamente de informar receitas auferidas fazendo declarações simuladas e apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que estaria comprovada, nos autos, a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando receitas auferidas e não escrituradas/declaradas. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na escrituração contábil da empresa, de contas bancárias movimentadas representativas de receitas tributáveis ocasionando a falta ou o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalina a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que a contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de escriturar receitas auferidas (deixar de declarar receitas auferidas). Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 declaração de imposto de renda, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido é o fato da autoridade lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de receitas (depósitos bancários não justificados). Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização através das informações fornecidas pelas instituições financeiras nas quais a contribuinte possuía as suas contas bancárias e, que por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores já existiam e não eram passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, a suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, a movimentação bancária elevada, cuja origem não foi comprovada, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 12 21 Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a movimentação bancária de recursos elevados e de forma reiterada sem a devida comprovação da origem, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado tendo em vista a apuração de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários não justificados (presunção legal de omissão de receitas/rendimentos), o que, até prova em contrário, permite ao fisco a cobrança do imposto de renda sobre estes valores, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria à prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais valores (depósitos bancários não justificados) deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base presunção legal de omissão de receitas/rendimentos, vislumbrase um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulamse as premissas de que a omissão de receitas/rendimentos por presunção legal e a simples falta de inclusão de valores nas declarações de imposto de renda, em razão da forma reiterada e/ou expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja: o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata, jamais será motivo para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de receitas / rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de receitas/rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 sobre a omissão de receitas, já que a contribuinte esta pagando imposto à menor, ou seja, deixou de declarar receitas auferidas e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja: a de simples omissão de receitas por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos sobre ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 13 23 ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.º. 10193.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 14 25 É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) Fl. 903DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 15 27 I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte da contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que a suplicante não logrou comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias Fl. 905DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 16 29 movimentadas, bem como deixou de lançar receitas em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada devendo ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (ilegalidade e inconstitucionalidade), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 17 31 Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, se faz necessário esclarecer que Imposto Renda da Pessoa Jurídica é um tributo calculado sobre as receitas auferidas. Ou seja, é calculado levandose em consideração as receitas auferidas e é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal. É entendimento, neste Conselho de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Como se infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13629.720820/201228 Acórdão n.º 1402001.725 S1C4T2 Fl. 18 33 Em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e efeito existentes entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir as irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências quer a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Observando que a desqualificação da multa de ofício é válida para todos os autos de infrações que compõem o presente processo. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 910DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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