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Numero do processo: 10073.902537/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 37 /2 01 2- 58 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$26.661,87,. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/12/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/12/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902537/201258 Acórdão n.º 3801003.533 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720233/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, e art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova da área de preservação permanente passível de exclusão da base de cálculo da ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal.
ITR - VALOR DA TERRA NUA - ARBITRAMENTO.
Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras - SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN.
Numero da decisão: 2201-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, rejeitar a preliminar de nulidade, arguida pelo relator, vencido Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator) e, no mérito, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, 100ha de área de preservação permanente e afastar o arbitramento do VTN. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator ad hoc
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini (Suplente convocada), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, e art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova da área de preservação permanente passível de exclusão da base de cálculo da ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. ITR - VALOR DA TERRA NUA - ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras - SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, rejeitar a preliminar de nulidade, arguida pelo relator, vencido Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator) e, no mérito, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, 100ha de área de preservação permanente e afastar o arbitramento do VTN. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator ad hoc EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini (Suplente convocada), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, e art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova da área de preservação permanente passível de exclusão da base de cálculo da ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 02 33 /2 00 8- 52 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, rejeitar a preliminar de nulidade, arguida pelo relator, vencido Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator) e, no mérito, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, 100ha de área de preservação permanente e afastar o arbitramento do VTN. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator ad hoc EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini (Suplente convocada), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada Notificação de Lançamento objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2006, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente, bem como arbitramento do Valor da Terra Nua. Cientificado do lançamento em 02/02/2009 (AR de fl. 12) o contribuinte apresentou, em 09/02/2009, a impugnação de fls. 13/19, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “7.1. Em primeiro lugar esclareceu que jamais recebeu intimação para apresentar documentos e que, compulsando os autos, não se verifica assinatura de qualquer dos sócios ou juntada de Aviso de Recebimento — AR comprovando que houve a referida intimação. Caso houvesse sido intimada não hesitaria em proceder sua juntada, até porque pode comprovar pelos documentos que mantém na empresa que os valores declarados no ITR estão corretos, conforme farta documentação que ora requer a juntada. 7.2. Disse que o arbitramento efetuado está totalmente fora das reais situações encontradas no imóvel; reproduziu parte do Quadro Demonstrativo da NL contendo os dados declarados e apurados pelo Fisco, evidenciando a diferença, para afirmar haver ocorrido absurda discrepância, não havendo qualquer justificativa para esse aumento. 7.3. A respeito da APP e ARL afirmou estar devidamente registradas e averbadas junto às matriculas nas dimensões declaradas. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720233/200852 Acórdão n.º 2201001.532 S2C2T1 Fl. 185 3 7.4. Discorreu a respeito da legislação do ITR, da apuração, da não incidência do imposto sobre as APP e ARL, da não necessidade da prévia comprovação da declaração dessas áreas. 7.5. Com relação ao ADA afirmou não ser imprescindível para a exclusão das áreas em pauta. 7.6. Por essas razões, sobretudo porque comprovada a efetiva existência e conservação das áreas de florestas, a autuação não merece subsistir. 7.7. Na sequencia, reproduzindo jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata da exclusão da área de florestas sem impor qualquer condição ou comprometimento, entre outros; reafirmou que a não apresentação do ADA não pode influenciar na exclusão da base de cálculo, devendo ser acatadas as declarações da requerente, posto que todos os demais documentos exigidos por lei estão sendo juntados ao procedimento, assim como todas as ARL devidamente averbadas nas respectivas matriculas, sendo feito há mais de vinte anos. 7.8. Portanto, a documentação ora juntada preenche todos os requisitos necessários para proceder a avaliação do imóvel em questão, devendo o mesmo ser a sua base de cálculo, bem como para possibilitar a isenção das APP e ARL da forma como foi declarado. 8. Acompanhou a impugnação a documentação de fls. 20 a 96, composta por: cópia de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes de 30/07/2007 relativo a outro processo; cópia de diversos mapas do imóvel; cópia de laudo de avaliação elaborado em 25/06/2002; cópia de alteração contratual; entre outros.” A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada â comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matricula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após Fl. 190DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado.” Cientificada da decisão de primeira instância em 22/10/2010, conforme AR de fl. 112, e com ela não se conformando, o Recorrente interpôs, em 18/11/2010, o Recurso Voluntário de fls. 113/133, por meio do qual reitera as razões de inconformidade suscitadas em sua impugnação. O Recurso Voluntário foi conhecido e colocado em pauta de julgamento. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão do Recurso Voluntário, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente o Recorrente sustenta a nulidade do lançamento ante a ausência de comprovação nos autos de que foi devidamente intimada para comprovar as informações declaradas em sua DITR do exercício de 2006. A DRJ afastou a preliminar de nulidade por verificar que o termo de intimação foi devidamente enviado ao endereço do Recorrente constante no cadastro da Receita Federal, bem como devido ao fato de não ter sido demonstrado qualquer prejuízo ao Recorrente. Examinando os autos verifico que de fato não foi anexada aos autos cópia do comprovante de recebimento pelo Recorrente do Termo de Intimação fiscal de fls. 6 por meio Fl. 191DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720233/200852 Acórdão n.º 2201001.532 S2C2T1 Fl. 186 5 do qual foram solicitadas as comprovações dos valores informados em DITR relativa ao exercício de 2006. No entanto, em vários julgados deste colegiado envolvendo alegações de nulidade por vício de intimação tenho me posicionado, em linha com a moderna doutrina da instrumentalidade do processo, no sentido de que ela somente deve ser declarada quando o vício tiver causado ou puder causar prejuízo à parte. Essa tendência ganhou notoriedade com a veiculação do brocardo francês "pás de nulite sens grief” (literalmente não há nulidade sem prejuízo). No presente caso, verifico que o Recorrente teve pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas, tendo apresentado sua impugnação juntamente com os documentos que entendeu necessários a sua defesa. Ademais, não foi comprovado nos autos eventual cerceamento de defesa que pudesse levar a prejuízo ao Recorrente. Assim rejeito a preliminar suscitada pelo Recorrente. No mérito o Recorrente contesta a glosa das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, bem como o arbitramento do VTN com base no SIPT. Área de Preservação Permanente Inicialmente verifico que o lançamento decorre da não comprovação pelo Recorrente dos valores declarados a título de APP, bem como da não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Quanto ao mérito, já me manifestei em diversas oportunidades no sentido de que o ADA é meio de prova, mas não exclusivo, à comprovação do direito à exclusão da área tributável sujeita ao ITR. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 A suposta obrigatoriedade do ADA estaria prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima verificase que o § 1º do art. 17 O acima instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, dependa do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorra diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art. 2º e 16 da Lei n.4.771/65, da base de cálculo do ITR. Nada obstante, verifico que embora tenha declarado como APP o montante de 220ha, com base na documentação constante dos autos somente o montante de 100ha deve ser aceito na medida em que corresponde efetivamente à margem de curso d’água, encostas, etc, nos termos da planta de fls. 64 e seguintes. Destarte, voto no sentido de restabelecer a área de APP no montante de 100ha. Reserva Legal No presente caso a chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720233/200852 Acórdão n.º 2201001.532 S2C2T1 Fl. 187 7 II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720233/200852 Acórdão n.º 2201001.532 S2C2T1 Fl. 188 9 imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal está condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. No presente caso verifico a existência das seguintes averbações: na matrícula nº 6.804, da área de 257,97ha, em 16/07/1981, a título de área de utilização limitada, e na matrícula 6.809, das áreas de 34,12ha, em 17/06/1986, e de 123,40ha, em 17/06/1986, em decorrência de Termo de Preservação Floresta firmado com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF, tendo a glosa decorrido da não apresentação dos documentos solicitados no Termo de Intimação às fls. 06/07, conforme reconhecido pela decisão ora recorrida (fl. 106 linha 37 da decisão). Verifico, portanto, que a averbação da reserva legal pelo contribuinte se deu inclusive em momento anterior à ocorrência do fato gerador, razão pela qual resta comprovada a existência da reserva legal no montante de 415,49ha, que deve ser restabelecida. Arbitramento do VTN O Recorrente questiona o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal. Em relação à legitimidade do arbitramento do VTN verifico que o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza, no caso de subavaliação, tal medida, ao estabelecer: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, não há nos autos qualquer evidência dos critérios e parâmetros utilizados pela D. Autoridade Fiscal para arbitramento do VTN. Verifico que não foi sequer juntada aos autos a tela do SIPT que indica o valor do VTN a ser considerado para fins de arbitramento. Assim entendo que o arbitramento não produziu efeitos devendo ser dado provimento ao recurso para restabelecer o VTN originalmente declarado pelo Recorrente. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720233/200852 Acórdão n.º 2201001.532 S2C2T1 Fl. 189 11 Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, 100ha de área de preservação permanente e afastar o arbitramento do VTN. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc (Despacho de fl.187) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014737/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS.
A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 47 37 /2 00 8- 17 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.014737/200817 Acórdão n.º 2102002.768 S2C1T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 85 a 90: Cuidase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2005 a 2007, anoscalendário 2004 a 2006 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: Na descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04/06 e Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/14, pela narrativa da autoridade autuante, em relação aos anoscalendário 2004 a 2006 foram glosadas as seguintes despesas, por falta de comprovação: GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS 2004 R$20.570,00 Hospital Mater Dei (R$3.605,00), Fundação Felice Rosso (R$2.650,00), Clínica Sion Ltda (R$9.600,00), Athletic Way Ltda (R$1.710,00) e Soasáude (R$3.005,00); 2005 R$15.012,00 Athletic Way Ltda (R$3.250,00), Fundação Felice Rosso (R$3.500,00), Hospital Mater Dei (R$5.150,00), Soasáude (R$3.112,00); 2006 R$27.401,00 Hospital Mater Dei (R$5.994,00), Fundação Felice Rosso (R$3.499,00), Clínica Sion Ltda (R$10.551,00), Athletic Way Ltda (R$3.455,00) e Soasáude (R$3.902,00). GLOSA DE DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA 2004 R$7.815,00 Bradesco Vida e Previdência; 2005 R$9.100,00 Bradesco Vida e Previdência; 2006 R$8.997,00 Bradesco Vida e Previdência. GLOSA DE DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO 2004 R$5.749,00 Curso Orvile Carneiro (R$1.852,00), PUC Minas (R$1.998,00), Junta Ed. Convenção Batista Mineira (R$1.899,00); Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.014737/200817 Acórdão n.º 2102002.768 S2C1T2 Fl. 4 3 2005 R$6.594,00 Curso Orvile Carneiro (R$2,198,00), PUC Minas (R$2.198,00), Junta Ed. Convenção Batista Mineira (R$2.198,00); 2006 R$4.747,68 Curso Orvile Carneiro (R$2.373,84), PUC Minas (R$2.373,84). Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação às fls. 75/79. Alega que o fisco baseouse simplesmente no fato de não terem sido apresentados os documentos, sem considerar a possibilidade de extravio de documentos. Desse modo entende que o auto de infração está maculado de vícios, pois encontrada a documentação a sanção já terá ocorrido. Discorda da aplicação dos juros de mora e da multa de ofício, sendo que em relação a esta traz diversos argumentos no sentido de que sua aplicação possui caráter confiscatório. Na qualidade de vítima (sic), aduz que a ele deveria ser dada a oportunidade de acompanhar as diligências fiscais, em razão do princípio do contraditório previsto na Constituição Federal de 1988. Ao final requer o cancelamento da exigência fiscal. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento,resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes, somente se justifica o seu restabelecimento com a confirmação do desembolso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora, calculados em percentual equivalente à variação da taxa SELIC, bem como a multa de ofício incidem sobre o valor do imposto suplementar por expressa disposição legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 98 a 103, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguinte: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.014737/200817 Acórdão n.º 2102002.768 S2C1T2 Fl. 5 4 O recorrente é pobre no sentido legal. Seus vencimentos são limitados ao sustento de si sua mulher e suas filhas menores em idade escolar, todos dependentes dele. Seu patrimônio é apenas o imóvel onde residem. Não possui a menor condição de arcar com o pagamento do imposto, e menos ainda com o pagamento dos juros e da multa. Não possui bens e/ou condições para cumprir os termos do artigo 33 do CTN quanto ao arrolamento de bens e direitos de valor equivalente a 30% da exigência fiscal indicada na decisão recorrida para que tenha seguimento o seu recurso, motivo pelo qual requer seja exonerada da obrigação de cumprir esse ato. Verificase que os termos do art. 172 do CTN autoriza a autoridade administrativa conceder remissão parcial e/ou total do crédito tributário. Se assim pode, porque não, por analogia, exonerálo deste dever face à sua impossibilidade absoluta de poder arcar com este ônus. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja recebido o presente recurso no efeito suspensivo, intimando quem de direito para apresentar as razões pertinentes, a final dandoo provimento para anular o crédito fiscal reclamado, ou alternativamente, não sendo esse o entendimento dos nobres julgadores, sejam anulados os juros e a multa de ofício aplicados no valor integral respectivo. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Inicialmente acerca das alegações de inconstitucionalidades, v.g., confisco da multa aplicada, ilegalidade da Taxa Selic e afronta de princípios constitucionais, informo que essas questões foram tratadas em Súmula e não mais suscitam dissídio jurisprudencial SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.014737/200817 Acórdão n.º 2102002.768 S2C1T2 Fl. 6 5 MÉRITO O contribuinte faz algumas colocações a respeito da sua condição econômicofinanceira. Não obstante, devese observar que, no âmbito do direito tributário, vige o princípio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há como considerar este argumento na apreciação do litígio. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Por oportuno, cabe aqui transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em citação contida na obra de Miranda, Darcy Arruda e outros, CPC nos Tribunais, Editora Jurídica Brasileira Ltda., 1995, v. V, p. 3.768, ao comentar o art. 302 do CPC, o qual trata da necessidade de o réu “manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial”, salienta o Prof. J. J. Calmon de Passos: Se o fato narrado pelo autor não é impugnado especificamente pelo réu e de modo preciso, este fato, presumido verdadeiro, deixa de ser objeto de prova, visto como só os fatos controvertidos reclamam prova. (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, v. III, n.º 151, p. 275). É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Ocorre que nada foi feito pelo Recorrente nesse sentido. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.014737/200817 Acórdão n.º 2102002.768 S2C1T2 Fl. 7 6 Da análise dos documentos constantes nestes autos, verifico que a contribuinte na data do lançamento não contava com alguma medida judicial com força suficiente para suspender a exigibilidade do tributo evitando o lançamento da multa de ofício. Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa e juros aplicados, pois são conseqüências pelo não recolhimento do tributo, apurado em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Concluise, com fundamento no exposto, que não há possibilidade legal para se considerar a exclusão da multa e juros no lançamento impugnado. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10183.002377/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. RESTABELECIMENTO.
Deve ser restabelecida a base de cálculo da multa por atraso de entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) na forma do decidido pela autoridade administrativa julgadora de última instância.
Recurso Provido
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para reduzir a base de cálculo da multa por atraso na entrega da DITR ao imposto devido declarado pelo contribuinte.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 03/04/2014
Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RESTABELECIMENTO. Deve ser restabelecida a base de cálculo da multa por atraso de entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) na forma do decidido pela autoridade administrativa julgadora de última instância. Recurso Provido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para reduzir a base de cálculo da multa por atraso na entrega da DITR ao imposto devido declarado pelo contribuinte. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 03/04/2014 Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 23 77 /2 00 6- 50 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10183.002377/200650 Acórdão n.º 2102002.870 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 24 a 28 da instância a quo, in verbis: Com base na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, artigos 6º a 9º, exige se, do interessado, o pagamento da Multa por Atraso na Entrega da Declaração do ITR – MAED/2001, no valor total de R$ 50.185,08, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal – NIRF 4.250.2411, localizado no município de Poconé – MT, conforme Auto de Infração – AI de fl. 05, cujo vencimento ocorreu em 10/07/2006. 2. Em 06/07/2006 o interessado apresentou impugnação, fls. 01 a 05, na qual, após tratar, sucintamente, I – Dos Fatos, apresentou seus argumentos de discordância, em resumo, da seguinte forma: 2.1. Em II – Do Direito afirmou que realmente entregou com atraso de 44 meses sua declaração, proporcionando uma multa de 44,0%, face o estabelecido na lei nº 9.393/1996, e que o ITR/2001 foi pago no valor de R$ 769,89, o que implicou no valor da multa em R$ 338,75, e não no valor ora cobrado. 2.2. A descrição do AI não ficou clara, pois, o valor cobrado foi com base no AI lavrado em 13/12/2005, o qual se encontra em analise considerando a defesa apresentada, não obtendo ainda decisão e, que, sendo julgada improcedente caberá recurso ao Conselho de Contribuintes, tratandose, assim, de uma arbitrariedade lavrar AI sobre valores que se encontram legalmente contestados e sem decisão definitiva. 2.3. Prosseguindo na discordância afirmando, entre outros assuntos, a não possibilidade de cobrança da multa enquanto a defesa não haja sido julgada em última instância, bem como mencionou o artigo 151, do Código Tributário Nacional – CTN, que trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 2.4. Em III – Do Pedido, ante o exposto, disse que o AI não merece ser mantido, pelo que requer que seja julgado totalmente improcedente, determinando seu arquivamento, considerando que o valor que originou a multa encontrase contestado sem a sua decisão definitiva. 3. Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 05 a 07, composta pelo AI impugnado, procuração e cópia do documento de identificação do procurador. 4. Das fls. 10 a 23 constam pesquisas internas, cópia do Acórdão nº 0411.857, de 26/04/2007 desta DRJ, relativamente à impugnação do lançamento de ofício de ITR/2001 do contribuinte em pauta, autuada no o processo nº 10183.006350/2005 55, entre outros. 5. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10183.002377/200650 Acórdão n.º 2102002.870 S2C1T2 Fl. 4 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, por maioria de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o fato da multa por atraso na entrega da DITR lançada, ter base de cálculo em crédito tributário em litígio administrativo, não invalida o procedimento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2001 Multa por Atraso na Entrega da Declaração MAED Lançamento de Ofício do Imposto Por determinação legal, a base de cálculo da Multa por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é o imposto devido e não o imposto devido declarado. Assim, quando houver lançamento de ofício, esta base será o valor do imposto devido apurado através do procedimento fiscal. (...) 12 Há que ser lembrado, também, que na hipótese de existência de dispositivo legal de concessão de benefício fiscal o mesmo deve ser interpretado restritivamente, como consta do disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional – CTN e, assim, na ausência de amparo legal, com mais razão se consolida a impossibilidade de exonerar a multa embasada em valor correto do imposto devido substituindo pelo valor declarado de forma inexata. 13 A respeito da possibilidade de recurso voluntário ao Conselho de Contribuinte e/ou da decisão daquele Órgão em favor ao recorrente não invalida a multa em análise. A mesma foi lançada com base nos dados existentes, mesmo porque, se este procedimento deva ser tomado, somente, após o trânsito em julgado do questionamento do lançamento relativo ao principal, muitas vezes ocorreria decadência, fato que impossibilitaria qualquer ação estatal para reaver o valor da multa em pauta. 14 Assim, tendo em vista que o interessado exteriorizou a possibilidade de recurso, o recorrente poderá aguardar o trânsito em julgado do processo nº 10183.006350/200555 para proceder ao pagamento da MAED, de acordo com o valor do imposto remanescente da decisão definitiva daqueles autos, ou, recolher a MAED no valor cobrado e, se for o caso de êxito em seu recurso, pedir restituição. 15 Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela procedência da multa, consubstanciada no Auto de Infração, devendo retornar os autos à unidade de origem para prosseguimento da cobrança e demais providências cabíveis, tais como o aguardo do trânsito em julgado do processo nº 10183.006350/200555, se for o caso. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 35 a 39, alegando em síntese, a insubsistência da cobrança da multa por atraso na entrega da DITR com base de cálculo em valor do ITR consubstanciado em Auto de Infração pendente de julgamento. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10183.002377/200650 Acórdão n.º 2102002.870 S2C1T2 Fl. 5 4 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa, ocorrido em 10/03/2010, cujo Acórdão de nº 210200.500, decidiu o seguinte: Frente a essa nova situação, onde o crédito que deu base ao lançamento que, ora se julga, foi desconstituído pelo julgado supra, contudo, sem decisão definitiva, voto por converter o julgamento em diligência, para que o presente processo retorne e permaneça na unidade de origem, até o resultado final administrativo do processo nº 10183.006350/200555, quando a autoridade preparadora deverá acostar cópia das decisões exaradas no processo administrativo nº10183.006350/200555, devolvendo a esse Conselho o processo administrativo de nº10183.002377/200650 para prosseguimento do julgamento por parte desse colegiado. Definido em última instância administrativa a questão no processo principal, este retornou para novo julgamento. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Como se vê às fls. 94 a 98, o resultado final do contencioso administrativo do processo nº 10183.006350/200555, ocorreu com o julgamento na CSRF do Carf , Acórdão nº 920202.018 da 2” Turma, em 20 de março de 20l2, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o Provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Destarte, sendo o crédito tributário do presente lançamento o valor da base de cálculo da autuação já cancelada no processo supra, não há como prosperar a presente cobrança. CONCLUSÃO Pelo exposto, DOU provimento ao recurso, para que seja mantida a multa por atraso na entrega da DITR com base no valor declarado pelo contribuinte, conforme o pedido do item b) do Recurso Voluntário às fl. 36. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10183.002377/200650 Acórdão n.º 2102002.870 S2C1T2 Fl. 6 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000770/2005-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SIMPLES FEDERAL. COMPENSAÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES.
São passíveis de compensação conforme autorização judicial, os valores decorrentes de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de administradores, devidamente reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, cujo recolhimento ocorreu antes da adesão à sistemática de recolhimento simplificado denominado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96).
Numero da decisão: 1803-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o direito creditório e homologue as compensações até o limite do crédito apurado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. COMPENSAÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES. São passíveis de compensação conforme autorização judicial, os valores decorrentes de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de administradores, devidamente reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, cujo recolhimento ocorreu antes da adesão à sistemática de recolhimento simplificado denominado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o direito creditório e homologue as compensações até o limite do crédito apurado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque.
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COMPENSAÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES. São passíveis de compensação conforme autorização judicial, os valores decorrentes de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de administradores, devidamente reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, cujo recolhimento ocorreu antes da adesão à sistemática de recolhimento simplificado denominado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o direito creditório e homologue as compensações até o limite do crédito apurado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 07 70 /2 00 5- 74 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório SOCIEDADE EDUCACIONAL JEAN CRISTOPHE LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de impugnação ao lançamento dos tributos e contribuições integrantes do SIMPLES. No auto de infração de fls. 3/38, o auditor relata, em síntese, o seguinte: a) intimada (fl. 55) a apresentar cópia da declaração de compensação relativa aos valores compensados na DSPJ referente ao anocalendário de 2003, a contribuinte informou (fl. 56) não ter formalizado o respectivo processo; b) como no período em comento as compensações eram efetuadas em procedimentos internos à SRF, em atendimento a requerimento do interessado, devese exigir os valores indevidamente compensados. Cientificada da autuação, a interessada impugnou a exigência (fls. 64/178) pedindo ao final seja julgado improcedente o lançamento, sob as seguintes alegações, em síntese: a) respaldada por decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n° 1998.38.02.0016040, formalizado pela Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ementa a fl. 73), a ora impugnante promoveu a compensação de importâncias indevidamente recolhidas a titulo de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre prólabore, autônomos e avulsos, com débitos do SIMPLES relativos ao ano de 2003, fazendo constar esse ato nas guia de recolhimento do SIMPLES e na declaração anual simplificada; b) conforme orientação jurisprudencial, a União é parte legitima para integrar o pólo passivo das ações que visam a compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição previdenciária com valores devidos a titulo de SIMPLES; c) decisão judicial foi feita para ser cumprida, e não questionada. 0 referido acórdão do TRF da 1ª Região diz expressa e claramente que as filiadas da ACIU optantes pelo SIMPLES têm direito a compensação. A DRJ UBERABA (MG), através do acórdão nº 0921.806, de 03 de dezembro de 2008 (fls. 180/182), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.059 S1TE03 Fl. 193 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO Decisão judicial que reconheça, em tese, o direito a compensação de créditos oriundos de contribuições previdenciárias a cargo do empregador, com débitos dessa mesma contribuição incluídos nos valores devidos a titulo de SIMPLES, não dispensa a apresentação de declaração de compensação pela interessada, ainda que em formulário. Ciente da decisão em 19/01/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 186), apresentou o recurso voluntário em 17/02/2009 fls. 187/190, onde reafirma seu direito às compensações realizadas e a insubsistência do auto de infração. É o relatório Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício das exações contidas no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), relativas ao ano calendário 2003, por compensações indevidas realizadas diretamente na Declaração Simplificada Simples – DSPJ Simples. Alega a recorrente em síntese: a) Que é beneficiária de decisão judicial transitada em julgado pela qual foi assegurado seu direito à compensar valores indevidamente recolhidos à título de contribuições previdenciárias patronais, com parcelas devidas por contribuições da mesma natureza; b) Que conforme decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, as empresas do SIMPLES também podem compensar os referidos valores, com as exações da mesma natureza incluídas na sistemática de recolhimento simplificado; c) Que carece de legalidade a decisão de primeira instância que afirma não haver legitimidade por parte da Receita Federal em apreciar a compensação; d) Que não fundamento outrossim, a afirmação de que a compensação somente poderia ser realizada mediante entrega de formulários e outras exigências por parte da Secretaria da Receita Federal cabendo a esta apenas cumprir a decisão judicial. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, tratase de ação mandamental intentada por entidade de classe pela qual foi reconhecido o direito à compensação de parcelas recolhidas indevidamente à título de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos administradores. Consoante documentos de fls. 72/73 a recorrente é em tese legítima detentora de créditos decorrentes de pagamentos indevidos à título de contribuições previdenciárias e que podem ser compensadas com as exações previdenciárias contidas na sistemática do SIMPLES. Entendo que nos deparamos com situação peculiar em que as contribuições indevidamente recolhidas foram pagas ao INSS em GPS mas as contribuições objeto de compensação encontravamse abrangidas pelo recolhimento efetuado por DARF na sistemática do SIMPLES FEDERAL e sob administração da Secretaria da Receita Federal. Compulsando os elementos contidos no processo, verifico que a decomposição dos valores exigidos no auto de infração (fls. 05/08) demonstra que o maior montante dos débitos é devido justamente ao INSS ou seja, não teria havido qualquer compensação indevida com débitos efetivamente administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.059 S1TE03 Fl. 194 5 Lembro que os valores arrecadados pela Secretaria da Receita Federal em DARF Simples incluem as Contribuições à Seguridade Social a cargo da pessoa jurídica e são imediatamente creditados a esse título. Destarte, entendo inaplicáveis as disposições da Instrução Normativa nº 210/2002, invocada não pela autoridade fiscal que realizou o lançamento, mas pela decisão de primeira instância, considerando ainda que os pagamentos indevidos ocorreram antes da sua opção pela sistemática de recolhimento do SIMPLES em 2001 (fl. 87), não havendo qualquer regulamentação no âmbito da Secretaria da Receita Federal quanto a esta matéria. A autoridade fiscal motivou o lançamento apenas com a afirmação de que as compensações deveriam ser realizadas por procedimento interno da Receita Federal sendo irregular o procedimento adotado pelo contribuinte (fl. 10). Parece razoável que ante a constatação da compensação realizada, deveria a Administração Tributária de posse dos elementos fornecidos pelo contribuinte por ocasião do atendimento da intimação (fls. 55/56), ter efetuado a verificação da exatidão dos valores pleiteados e somente lavrado eventual auto de infração sobre diferenças apuradas. Verifico contudo, que a recorrente tampouco apresentou planilha e documentos demonstrando a origem dos valores e a liquidez e certeza do crédito compensado. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a unidade de origem, verifique a liquidez e certeza dos créditos afastando qualquer alegação de ilegitimidade e homologando as compensações realizadas até o limite do crédito efetivamente apurado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13502.902339/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 39 /2 01 2- 85 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902339/201285 Acórdão n.º 3803006.247 S3TE03 Fl. 89 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 24 de janeiro de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 33.626,32, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/05/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 7 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902339/201285 Acórdão n.º 3803006.247 S3TE03 Fl. 90 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902339/201285 Acórdão n.º 3803006.247 S3TE03 Fl. 91 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902339/201285 Acórdão n.º 3803006.247 S3TE03 Fl. 92 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15504.014640/2008-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS
Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.385
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei n° 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 40 /2 00 8- 69 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EXCLUSÃO DO SIMPLES EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 204 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei n° 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – TALENTO JÓIAS LTDA contra Acórdão nº 0242.790 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.170.2844, com valor inicial de R$ 36.689,85, retificado para R$ 32.656,48. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição previdenciária da parte de Terceiros, no período de 12/2002 a 12/2003. Em relação ao objeto social da empresa, o Relatório Fiscal informa a atividade produção de jóias: Assim sendo, uma das modificações observadas ocorreu através da 11' alteração contratual de 17.10.00, JUCEMG no 2541837 de 10.11.00, que incluiu ao objeto social da empresa a atividade produção de jóias. Esta atividade de produção de jóias foi excluída através da IT alteração contratual de 01.08.2006, JUCEMG n° de 17.08.2006: "...ficam excluídas as atividades a produção de jóias, prestação de serviços de ourivesaria e design, redesenho, conserto e incluída a atividade de licenciamento de marcas próprias". (...) foi realizado o enquadramento da sociedade na atividade econômica preponderante e no correspondente grau de risco, observandose os estabelecimentos existentes e desconsiderando se os segurados empregados que prestavam serviços em atividadesmeio, para, ao final, concluir que no período de 12/2002 a 6/2003 a atividade preponderante era a de produção de jóias, enquanto a partir de 7/2003 era a de comercialização de artigos de joalheria. Em 7/2003, a sociedade extinguiu o departamento de operação da produção, transferindo os empregados para a sociedade Geórgia Ltda, CNPJ nº 03.554.462/000149, pertencente ao mesmo grupo empresarial. O Relatório Fiscal mostra que a empresa foi excluída do SIMPLES a partir de 01.01.2002: 10 A Talento Jóias Ltda. foi optante do SIMPLES, sendo excluída pela Secretaria da Receita Federal a partir de 01.01.2002, por incorrer na situação excludente prevista na Lei n° 9.317, de 05.12.1996, Artigo 90, IX, de acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. 11Mantevese como optante do SIMPLES até 07/2003 em relação aos atos praticados referentes às contribuições previdenciárias (recolhimentos e informações em GFIP) para todos os estabelecimentos, exceto, o 38.551.792/000599, cuja competência considerada se estendeu até 10/2003; Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 205 5 Em relação aos fatos geradores, informa o Relatório Fiscal: 15 São fatos geradores das contribuições sociais componentes deste AutodeInfração: O exercício de atividade remunerada pelos segurados empregados de 12/2002 a 06/2003, conforme consta da conta: 1.1.3.02 Produção Própria, sub conta: 1.1.3.02.004 Custo mão deobra sobre produção, código de levantamento MOP; 0 fornecimento de ticket alimentação aos seus empregados, sem convênio com o PATPrograma de Alimentação do Trabalhador, códigos de levantamento AL1, competências: 1212002 a 06/2003 e ALI , competências: 07 a 12/2003; Prestação de assistência médica aos empregados em desacordo com a legislação tributária previdenciária, códigos de levantamento FP3, competências: 07 a 1212003 e FP4:1212002 a 06/2003; Os códigos de levantamento, estão assim descritos no Relatório Fiscal: 120 presente lançamento fiscal refere se a créditos de contribuição social devida a Seguridade Social correspondente à parte de segurados empregados, não descontada, códigos de levantamento: MOP, ALI, ALI, FP3 e FP4. 17.1Código levantamento MOP: 12/2002 a 06/2003 , valores contabilizados na conta: 1.1.3.02 Produção Própria, sub conta: 1.1.3.02.004 Custo mãodeobra sobre produção; 17.1.1Código levantamento MOP: 02/2003 aferido com base no valor de 01/2003, já que não está na contabilidade, o contribuinte não apresentou a documentação relativa a esta mãodeobra e a DIPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, informa valores de receita de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria 17.2Código de levantamento: ALI E ALI: Os empregados tem um desconto mensal em folha de pagamento equivalente a 20% do valor mensal do ticket alimentação recebido. Baseado nesta informação calculamos através de uma regra de três simples, o valor total da custo com ticket refeição no decorrer do mês para cada empregado. Deste valor total deduzimos o valor descontado em folha mensal de pagamento de cada empregado , obtendo efetivamente a base de cálculo da contribuição social devida para a Previdência Social, cujos valores se encontram no discriminativo a seguir: 17.3Código de levantamento FP3 e FP4: No período de 12/2002 a 12/2003 há a prestação de assistência médica aos empregados através dos serviços prestados pela Unimed Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Cooperativa de Trabalho Médico Belo Horizonte — MG, contrato celebrado para Plano de Saúde enfermaria segundo documentação examinada: contrato de prestação de serviços, notas fiscais de serviços, folhas mensais de pagamento e contabilidade, contas: 2.1.1.01Fornecedores, subconta: 2.1.1.01.011 Unimed BH Cooperativa de Trabalho Médico, 3.4.1.01Despesas com Pessoal, subconta: 3.4.1.01.005 Plano de Saúde, 3.2.1.01Custo com PessoalOficina, subconta: 3.2.1.01.005Plano de Saúde Através do exame das folhas mensais de pagamento da matriz constatamos que alguns empregados eram beneficiários do Plano de Saúde da Unimed e outros não e que nenhum dos empregados das filiais possuia plano de saúde. Mediante TIADTermo de Intimação para Apresentação de Documentos em anexo, intimamos o contribuinte a apresentar documento demonstrando a opção pelo plano de saúde feita pelo funcionário beneficiário do mesmo, ou a opção pelo não recebimento por quem não tem direito ao beneficio, bem como, os Acordos/Convenções Coletivas de Trabalho 2002 e 2003 ou a cartilha de benefícios da empresa para que pudéssemos conhecer as regras estipuladas para concessão do beneficio. A documentação não foi apresentada à fiscalização. A Lei n° 8.212, artigo 28, & 9°,"q" dispõe: Não integram o saláríodecontríbuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo 6 assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa". De acordo com a documentação examinada concluímos que a cobertura da assistência médica prestada não abrange a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa como determina a legislação, constituindose em saláríode contribuição para a Previdência Social. Os valores mensais constantes dos lançamentos contábeis referentes à assistência médica constituíramse nas bases de cálculo da contribuição devida, deduzindose destas os valores dos descontados em folha de pagamento, pois, a empresa não apresentou a relação de segurados beneficiários e dependentes do plano de saúde, bem como, a mensalidade paga a Unimed por cada titular e dependente em 12/2002 e 2003 O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.11.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 12, é de 12/2002 a 12/2003,. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 206 7 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Cientificado do Auto de Infração em 20/11/2008, fls. 3, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 129, apresentou impugnação em 22/12/2008, fls. 76 a 128, contestando o lançamento. Recapitula os fatos e alega que a exigência do tributo, se juridicamente adequado, somente seria possível a partir da data da notificação do contribuinte da exclusão do Simples, conforme entendimento jurisprudencial esposado pelo Superior Tribunal de Justiça. Sustenta, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, que a atuação da fiscalização não poderia se estender a períodos anteriores a junho de 2003, pois a ação fiscal se iniciou em 2 de junho de 2008, em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal. Adverte que, no caso concreto, há verdadeira cobrança em duplicidade, pois os fatos aqui discutidos foram objeto de cobrança no Auto de Infração Debcad nº 37.170.2836, Comprot nº 15504.014642/200811. Pontua que é inválida a cobrança das contribuições ao Sebrae, pois, dirigida às micro e pequenas empresas, em nada beneficiaria o contribuinte, tornandose inconstitucional por afronta ao disposto no artigo 149 da Constituição. Defende que na hipótese de ser legítima a obrigação de média e grandes empresas submeteremse à cobrança da contribuição ao Sebrae, estarseia criando verdadeiro imposto com arrecadação vinculada a atividade estatal específica, em flagrante contrariedade ao disposto no artigo 167, IV, da Constituição. Assevera que a contribuição ao Incra é inconstitucional, pois não se ampara em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 195 ou 240 da Constituição, além de ressaltar o fato de que a autarquia federal do Incra não desempenha qualquer atividade relacionada com o contribuinte. Alega que por estar sujeita à Previdência Social Urbana, não possui nenhuma vinculação direta ou indireta com o meio rural, razão pela qual a exigência da contribuição violaria o princípio constitucional da igualdade e do direito de propriedade. Argumenta que a cobrança da contribuição destinada ao SAT é indevida, uma vez que não há lei determinando a abrangência das expressões “atividade preponderante” e “risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave”, sendo que a omissão legal não pode ser suprida pelo Poder Executivo através da edição de decretos. Assinala que a Representação Fiscal para Fins Penais enviada ao Ministério Público deve ser imediatamente cancelada, visto Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 que não se esgotou o processo administrativo fiscal, sob pena de caracterização de ato de abuso de autoridade. Requer que as intimações sejam encaminhadas ao impugnante e aos advogados. Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 6/4/2010, fls. 139 a 140, o processo foi baixado em diligência fiscal, ressalvando à autoridade lançadora o emprego ao presente processo, se cabível, das alterações efetuadas nos processos de Debcad nºs 37.170.2836 e 37.170.2852. Em 29/7/2011, fls. 142 a 143, a autoridade lançadora elaborou informação fiscal para atendimento da diligência, e assim se manifestou: _ o débito referente ao comprot nº 15504.014639/200834, Auto de Infração Debcad nº 37.170.2836, não foi retificado porque os levantamentos AL1 e ALI estão inferiores ao valor calculado e para os levantamentos F3 e F4 não foi feito novo cálculo tendo em vista a empresa não discriminar os segurados beneficiários do plano de saúde. _ no débito referente ao comprot nº 15504.014641/200811, Auto de Infração Debcad nº 37.170.2852, o levantamento FP2, referente ao estabelecimento 38.551.792/000165 (Remuneração pro labore, no período de 8/2003 a 12/2003) foi declarado em GFIP e a empresa recolheu os valores apurados na data do vencimento das contribuições previdenciárias. Estes levantamentos serão excluídos do Auto de Infração. A alteração efetuada no processo supracitado não tem qualquer relação com o presente Auto de Infração, pois, a Remuneração sobre pro labore, não é fato gerador para a contribuição arrecadada para Outras Entidades e Fundos. _ diante do exposto, não há retificações a serem feitas neste Auto de Infração. O contribuinte tomou ciência do relatório fiscal da diligência em 5/8/2011, fls. 166. Em 14/1/2013, fls. 180, a Equipe de Processos Fiscais da DRF/BHE elaborou despacho para encaminhar o processo à DRJ/BHE, frisando que o contribuinte e os sujeitos passivos solidários não se manifestaram sobre o resultado da diligência fiscal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0242.790 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 207 9 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, de acordo com o Ato Declaratório de Exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. JURISPRUDÊNCIA NÃO VINCULANTE. O autuado não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado. PRAZO DECADENCIAL. CTN. PAGAMENTO NO VENCIMENTO. Aplicamse os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional CTN aos créditos destinados à Seguridade Social. Na disciplina do CTN, há de se observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou a regra do § 4º do artigo 150, para os casos em que o contribuinte tenha efetuado pagamento parcial no vencimento, contandose o prazo da data de ocorrência do fato gerador. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. ATO DECLARATÓRIO APROVADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a auxílio alimentação pago in natura, lançado sob o fundamento de falta de inscrição no PAT, em razão de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. A exigência no mesmo procedimento fiscal da contribuição devida a terceiros e da contribuição devida pelos segurados empregados não configura a hipótese de cobrança em duplicidade, pois se tratam de exações distintas. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. OFENSA. Fica vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. FORMALIZAÇÃO. SÚMULA CARF. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 A autoridade fiscal deverá formalizar representação fiscal para fins penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social ou contra a Ordem Tributária. Segundo a Súmula CARF nº 28, com efeito vinculante sobre a administração tributária federal, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, inexistindo determinação legal expressa para que as intimações sejam dirigidas aos procuradores. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte e manter em parte o crédito tributário, alterandose os seguintes fatos geradores: a) Exclusão integral dos levantamentos ALI e FP3, competências 8/2003 a 10/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000165, por reconhecimento da decadência. b) Exclusão integral dos levantamentos AL1 e ALI – Alimentação sem convênio PAT, competências 12/2002 a 12/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000165, por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 3, de 20/12/2011. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 208 11 dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste acórdão e demais providências. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: O presente auto de infração foi consolidado em 20/11/2008, com a ciência do lançamento pelo contribuinte em 20/11/2008, fls. 3, e abrange contribuições relativas a fatos geradores ocorridos nas competências de 12/2002 a 12/2003. Para as competências 12/2002 a 07/2003 (estabelecimentos 000165, 0002 46 e 000408) e competências 2/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000599), entendo que se deve observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, do CTN, pois os pagamentos antecipados realizados pelo sujeito passivo não se vinculam à ocorrência dos fatos geradores exigidos neste Auto de Infração, uma vez que havia efetuado recolhimentos no código de pagamento 2003 (Simples), sistema integrado de tributação distinto das regras previstas na Lei nº 8.212/91. Ver nas fls. 621 a 634 do processo nº 15504.014641/200811, cópias das GPS recolhidas pelo autuado, consoante consulta efetuada no Sistema de Arrecadação da Previdência Social – Conta Corrente. No que se refere às competências 8/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000165), por se mostrar configurado o pagamento parcial antecipado (código GPS 2100), fls. 635 a 637 do processo nº 15504.014641/200811, cabe a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, o que implica a decadência do direito da Seguridade Social de exigila, devendo o lançamento, nesse período e estabelecimento, ser cancelado. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade De acordo com o art. 202 do Decreto n° 3.048/993, as alíquotas do SAT/RAT variam de 1% (um por cento) a 3% (três por cento), conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave Imperioso ressaltar que o Decreto Regulamentar da Previdência Social n 3.048/99 não traz os conceitos de atividade preponderante, ou risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave, elementos essenciais à cobrança da exação. Destarte, enquanto não houver lei determinando a abrangência destas expressões, tornase impossível a exigência da referida contribuição. Com efeito, no Direito Tributário vigora o princípio da estrita legalidade, segundo o qual todos os elementos necessários à cobrança do tributo devem vir previstos em lei, conforme preceitua o art. 97 do Código Tributário Nacional (...) A lei deve esgotar os elementos necessários à identificação do fato gerador da obrigação tributária e o quantum do tributo, sem que caibam poderes à autoridade para, à sua livre vontade, estabelecer dados ausentes. Porém, o art. 22 da Lei n° 8.212/92, ao definir a contribuição para o financiamento dos benefícios decorrentes do grau de risco da atividade laboral, acabou concedendo poderes para o exercício da discricionariedade pela Administração. Imperioso que o legislador defina com precisão os elementos essenciais da norma jurídica tributária, a fim de que não subsista à Administração qualquer margem de discricionariedade. Portanto, ainda que a, a contribuição em tela não pode ser exigida com fundamento no disposto em decreto, por falta de competência para supriras lacunas da lei admitida a constitucionalidade do art. 22 da Lei n° 8.212/91. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 209 13 Com base em todas estas razões, é de se concluir ser absolutamente nula a autuação fiscal lavrada contra a Recorrente, no que lhe exige o recolhimento da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laboral decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – TALENTO JÓIAS LTDA contra Acórdão nº 0242.790 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.170.2844, com valor inicial de R$ 36.689,85, retificado para R$ 32.656,48. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição previdenciária da parte de Terceiros, no período de 12/2002 a 12/2003. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 210 15 IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 211 17 § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade Analisemos. Neste ponto, a questão de fundo enfrentada pela Recorrente está centrada que enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões (as alíquotas do SAT/RAT variando de 1% a 3%, conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave), tornase impossível a exigência da referida contribuição, ademais sendo exigida por Decreto. De modo que tanto a exigência do SAT/RAT via Decreto, tanto o art. 22, Lei 8.212/1991 ao conceder poderes à Administração em termos de edição de alíquotas de SAT/RAT decorrem de inconstitucionalidades. Em que pese tal argumentação da Recorrente, as considerações acerca de apreciação de inconstitucionalidades foram apreciadas no tópico (B) acima, com a observação expressa da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, neste AIOP não há a cobrança de SAT/RAT, conforme se depreende do Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, o que, por si só, já afastaria o mérito de tais alegações do Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. Analisemos. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: O presente auto de infração foi consolidado em 20/11/2008, com a ciência do lançamento pelo contribuinte em 20/11/2008, fls. 3, e abrange contribuições relativas a fatos geradores ocorridos nas competências de 12/2002 a 12/2003. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 212 19 Para as competências 12/2002 a 07/2003 (estabelecimentos 000165, 0002 46 e 000408) e competências 2/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000599), entendo que se deve observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, do CTN, pois os pagamentos antecipados realizados pelo sujeito passivo não se vinculam à ocorrência dos fatos geradores exigidos neste Auto de Infração, uma vez que havia efetuado recolhimentos no código de pagamento 2003 (Simples), sistema integrado de tributação distinto das regras previstas na Lei nº 8.212/91. Ver nas fls. 621 a 634 do processo nº 15504.014641/200811, cópias das GPS recolhidas pelo autuado, consoante consulta efetuada no Sistema de Arrecadação da Previdência Social – Conta Corrente. No que se refere às competências 8/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000165), por se mostrar configurado o pagamento parcial antecipado (código GPS 2100), fls. 635 a 637 do processo nº 15504.014641/200811, cabe a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, o que implica a decadência do direito da Seguridade Social de exigila, devendo o lançamento, nesse período e estabelecimento, ser cancelado. Discordo do posicionamento da decisão de primeira instância. Senão, vejamos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 213 21 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 29 a 30, apresenta recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS entre as competências 08/2003 a 13/2003, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Temos que a ciência do AIOP ocorreu em 20.11.2008 e as competências objeto do lançamento são 12/2002 a 12/2003. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. Analisemos. Conforme já debatido em sede de primeira instância, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 7 de agosto de 2003, o Recorrente foi excluído do Simples a partir do dia 01.01.2002, às fls. 115: Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n 2 425.859. de 07 de agosto de 2003 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) o contribuinte que menciona. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. no uso da competência que lhe confere o parágrafo 3 º do artigo 15 da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, Incluído pelo artigo 32 da Lei n2 9.732. de 11 de dezembro de 1998, e tendo em vista o disposto nos artigos 9 2 . 12. 14, inciso I. e 15 da Lei na 9.317. de 1996. com suas alterações posteriores. declara: Art. 1 º Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: TALENTO JÓIAS LTDA CNPJ: 38.551.792/000185 Data da opção pelo Simples: 01/01/2000 • Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 600.017.47649 , CNPJ 64.256.183/0001 93 Data da ocorrência: 31/12/2001 . Fundamentação legal: Lei n2 9.317, de 05/12/1996: art. 9 2 . IX; art.12; art.14. I; art.15, II. Medida Provisória 'n2 2.158 34, de 27/07/2001: art.73. Instrução Normative SRF n 2250. de . , 26/11/2002: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24. II. c/c parágrafo único. .• Art. 2º A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 n2 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 214 23 Art. 3º Poderá o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias contados a partir da recebimento deste Ato, manifestar sua inconformidade, por escrito, nos termos do Decreto:'.n 70.235. de 7 de março de 1972: e suas alterações posteriores, relativamente à exclusão do Simples. ao Delegado da Receita Federal de sua jurisdição , por meio do formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples(SRS), disponível na página da Secretaria da Receita Federal na Internet (www.receita.fazenda.gov.br/publico/formularios/srs.rtf), ou em suas unidades,assegurados o contraditório e a ampla defesa. Art.4 º Não havendo manifestação no prazo previsto no artigo anterior, a exclusão do Simples ' tornarseá definitiva. Ora, conforme a fundamentação do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003, o art. 16 da Lei 9317/1996 determina a sujeição das pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES às regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, enquanto que o art. 15, Lei 9317/1996 delimita o marco temporal a partir do qual ocorre a produção dos efeitos da exclusão do SIMPLES, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9 o ; ( Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998 ) ( Vide Lei nº 10.925, de 2004 ) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9 o desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9 o desta Lei. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A argumentação do Recorrente no sentido dos efeitos da exclusão pudessem ser contados a partir da notificação da exclusão do Simples, em agosto/2003, não pode prosperar porque contraria os arts. 15 e 16 da Lei 9317/1996, os quais, ademais, fundamentaram o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (C) Da matéria não impugnada Após as Preliminares, considerandose também a tributação já anteriormente afastada pela decisão de primeira instância, restou a ser discutido apenas as competências 11/2003 e 12/2003 em relação ao Código de Levantamento FP3 Assistência médica. Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que não foram argüidas pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, as matérias objeto do Código de Levantamento FP3 Assistência Médica. Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão das matérias de direito não discutidas neste momento processual do Recurso Voluntário. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 2403002.385 S2C4T3 Fl. 215 25 conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) No mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.003398/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NA SUA EMISSÃO NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. Preliminar afastada.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, e for constatado o pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, isto é 5 anos a contar do fato gerador. No caso dos autos foi constatado pagamento antecipado, reconhecendo a decadência do exercício de 2000. Preliminar parcialmente acatada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora
Numero da decisão: 2202-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Fabio Brun Goldschmidt - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NA SUA EMISSÃO NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. Preliminar afastada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, e for constatado o pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, isto é 5 anos a contar do fato gerador. No caso dos autos foi constatado pagamento antecipado, reconhecendo a decadência do exercício de 2000. Preliminar parcialmente acatada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 98 /2 00 5- 87 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 16 2 subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002004004808, no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondentes aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 1.633.727,63 (fl. 04), incluída a multa de ofício de 75 % e juros de mora. No termo de verificação fiscal, informa o ARF (fls. 411 a 414) que o crédito tributário foi constituído em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O enquadramento legal das infrações acometidas ao contribuinte vem descrito à fl.422. Procedimento de Fiscalização Foi lavrado em 23/03/2004, o Termo de Início da Ação Fiscal (fl. 04), cuja ciência se deu mediante AR em 03/04/2007(fl. 05), intimando o recorrente para: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 17 3 a) apresentar documentos e esclarecimentos referente à DIRPF dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002; b) relacionar individualmente a composição dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, c) informar a natureza dos rendimentos demonstrando a data do recebimento, o valor do recebimento, nome e CPF do responsável pelo pagamento e, os respectivos recolhimentos efetuados a título de carnêleão. Em 15/04/04, o fiscalizado trouxe parte da documentação solicitada às fls. 53 a 148 (relação de pacientes). Em 02/08/2004, foi lavrado Termo de Intimação (fl. 150), cuja ciência se deu em 13/08/2004, em vista das informações prestadas pelas instituições financeiras nas Declarações Trimestrais da CPMF (06 a 33), onde foram recuperadas as movimentações anuais do contribuinte. Foi requisitado ao fiscalizado os extratos das contas bancárias que deram procedência às movimentações financeiras relacionadas naquelas Declarações, bem como a comprovação das respectivas origens. Em sua resposta em 13/09/2004, o contribuinte apresentou os extratos bancários às fls. 152 a 235, não trazendo nenhuma documentação referente à comprovação dos recursos creditados. Do exame dos documentos exibidos pelo recorrente, lavrouse em 25/11/2004, Termo de Intimação (fl. 344 a 375). Naquela oportunidade foi reiterada a necessidade de comprovação das origens dos recursos creditados nas contas correntes. Notese que o fiscalizado não atendeu a solicitação do fisco. Diante da falta de comprovação das origens dos depósitos bancários por documentação hábil e idônea, foi lavrado auto de infração (fl.419 a 423). A fiscalização quando da apuração da base de cálculo, considerou a condição de assalariado do contribuinte (fl. 53) servidor público federal – acatando como “origens” os valores tributados na fonte e na DAA depositados na conta nº 30.5561 do BBS/A e discriminados como “proventos”. Além disso, foram canceladas as transferências entre contas do próprio fiscalizado; resgates de aplicações financeiras; cheques depositados e devolvidos e de estorno de lançamento. Impugnação O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 09/03/2006 (fl. 424), apresentando impugnação em 28/03/2006 (fls. 426 a 434). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 18 4 Nos seus argumentos referiu que as entradas creditadas em suas contas correntes não dizem respeito, exclusivamente, a honorários médicos, mas também a valores de vendas de mercadorias da empresa Diet Empório Ltda, na qual era sócio diretor. Refere, além disso, que não houve uma distinção precisa pelo fisco do que pode ser representado como honorários médicos e o que pode representar comercialização de produtos. Por fim, refutou a possibilidade de se lançar o crédito tributário a partir de amostragens de depósitos bancários, quando não produzida prova inequívoca e irrefutável de que tais movimentações efetivamente representam receita e renda, sob pena de fragilidade do lançamento e ofensa ao princípio da tipicidade. Decisão da DRJ A 10a Turma de Julgamento da DRJ/SPOII (fls. 436 a 442), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento mantendo o crédito tributário exigido. Ao analisar o mérito da impugnação a DRJ verificou que decorreram mais de 23 meses entre o início da ação fiscal e o seu término, sem que o contribuinte houvesse juntado aos autos a comprovação solicitada pela autoridade fiscal. Diante desta situação, concluiu pelo correto lançamento do crédito tributário com base no art. 42 da Lei 9.430/96 (omissão de rendimento relativo a valores depositados em conta corrente sem origem comprovada). Quanto ao ponto levantado relativo ao princípio da tipicidade tributária, o órgão julgador entendeu que não prospera a alegação do impugnante, já que o lançamento respeitou o que determina a legislação. Recurso Voluntário Intimado em 29/01/2009 (fl. 452), irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 240 a 280, em 19/02/2009. Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação, e em especial a nulidade do auto de infração pela inexistência de prorrogação do MPF, decadência do anocalendário 2000 e a impossibilidade da cumulatividade da multa com juros. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 19 5 O recurso apresentado atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235/1972. Assim, dele conheço. Nulidade do Procedimento de Fiscalização Alega o recorrente a nulidade do procedimento de fiscalização, em vista da falta da inexistência de prorrogação do procedimento fiscal, nos termos dos artigos 12 a 16 da Portaria 1.238, da SRF/2002. A referida Portaria, revogada pela Portaria RFB 4.328/2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. O seu artigo 2º dispõe que: “Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)”. Diante disso, entendo que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária para a realização dos procedimentos de fiscalização. Por ser mero instrumento de controle criado pela administração tributária, este Conselho já entendeu que a sua inexistência ou irregular prorrogação, não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. Vejase: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. (CSRF, 2ª Turma, acórdão nº 9202002.519, Rel. Luiz Eduardo De Oliveira Santos,13 /03/2013) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 20 6 INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Compartilho da mesma conclusão, na qual a eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Isso porque, não houve preterição do direito de defesa do contribuinte, bem como os atos foram lavrados por pessoa competente, não ensejando a subsunção do artigo 591, do Decreto nº70.235/72 que regula a nulidade dos atos administrativos. Por essa razão, afasto a preliminar suscitada. Decadência 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 21 7 Intenta o recorrente a decadência do crédito tributário do anocalendário de 2000. Como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme pressupõe o artigo 150 do CTN. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Sendo assim, a autoridade fiscal, nos termos do § 4º do referido artigo, goza de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, de 12/08/2009, recurso este representativo da controvérsia (art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ), que “o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre” (grifo nosso): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 22 8 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 23 9 Como visto, entendeu o STJ que, para as hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não houve qualquer antecipação de pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. A contrário sensu, nos casos em que houver qualquer antecipação de pagamento, a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, que, em relação ao IRPF, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Diante do advento da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A2 Sendo assim, a partir do julgamento do RESP nº 973.733/SC, a orientação por ele dada passou a ser de observância obrigatória também por esse Conselho e apenas confirmou o entendimento que já vinha sendo adotado pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica no julgado abaixo: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerasse ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/0400.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo, Sessão de 19/06/2007, CSRF). No mesmo sentido, aplicando a orientação agora pacificada pelo STJ, já vinha assim se manifestando a 1ª Turma da 2ª Câmara: Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 24 10 Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação do lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Acórdão 2201001.859. (Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe, Sessão de 16/10/2012, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária). No caso dos autos houve pagamento antecipado do Imposto de Renda (fls. 06 a 33/ 412/ 437), aplicandose a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, o prazo quinquenal para que o Fisco promovesse o lançamento tributário relativo ao fato gerador ocorrido em 2000 (31/12/2000), começou a fluir em 01/01/2001, extinguindose em 31/12/2005. Uma vez que a ciência da constituição do crédito se deu em 09/03/2006 (fl. 424), é que reconheço a decadência referente ao anocalendário de 2000. Omissão de Rendimentos Depósito em Conta Corrente No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, foram identificados diversos depósitos em montantes consideráveis (conforme demonstrativo dos créditos em conta corrente de origem não Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 25 11 comprovada às fl. 411 a 423), os quais, contudo, não foram declarados na DIRPF, e, menos ainda, tiveram sua origem comprovada ou justificada. Em sua defesa o recorrente sustenta a revogação tácita do artigo 42 da Lei 9.430/96 em face da antinomia com o parágrafo 4º do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001 e, a aplicação da presunção relativa no caso da apuração do imposto de renda do art. 42, do referido diploma legal. Primeiramente, quanto ao argumento da operância de revogação tácita do art. 42 da Lei 9.430/96, pelo § 4º do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001, me filio ao entendimento de Tárek Moysés Moussallem3 que destaca que a situação ontologicamente subjetiva não é juridicamente relevante, pois depende de linguagem. Isto é, não havendo linguagem não há objetividade, sendo que para que algo integre ou não integre o sistema jurídico é necessário estar vertido em linguagem. Por isso não há que se falar em revogação tácita, pois no tácito não há linguagem vertida. Além do mais, nos termos do artigo 9º da Lei Complementar 107/2001, a cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas, portanto não tendo ocorrido a revogação expressa do art. 42, da Lei 9.430/1996, não há como admitir a alegação do recorrente. Posteriormente, concordo com a alegação do recorrente que a presunção a ser aplicada no caso do art. 42 da Lei 9.430/96 é a juris tantum, a qual poderia ter sido afastada caso fosse demonstrada de forma cabal as considerações tecidas durante a sua defesa. Todavia, mesmo instado a comprovar a origem dos depósitos, como bem trabalhado na fase de lançamento, conforme o detalhamento no TVF (411 a 414), o contribuinte não apresentou documentos justificáveis a fim de comprovar a origem dos créditos bancários, sendo então aplicada a presunção de omissão de rendimentos. Ainda, reforçase que o recorrente não trouxe qualquer documento novo quando da impugnação, nem mesmo em recurso voluntário. Dessa forma, como bem sustentado no voto da DRJ (fl. 441), dos autos verificase que o interessado, durante a ação fiscal, não apresentou informações ou documentos relevantes que comprovem a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, relacionadas às 328 / 329, que corroborem a alegada inexistência de débito. O mesmo sucede na impugnação apresentada, uma vez que não oferece novos dados, bem como não anexa 3 MOUSSALEM, Tárek Moysés. Revogação em matéria tributária. São Paulo. Noeses, 2005, pg. 1267 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 26 12 outros documentos àqueles que constam nos autos e que já foram examinados pelo Auditor Fiscal na fase de apuração do crédito tributário. A simples alegação sem a apresentação de documentos ou informações relevantes não é suficiente para descaracterizar o lançamento de débito, vez que os atos administrativos são vinculados e nascem com a presunção de legalidade, legitimidade e veracidade, sob pena de responsabilidade ao administrador. No caso dos autos, a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/92 é inquestionável, pois como já dito pelo auditor fiscal e posteriormente confirmado pela DRF, o contribuinte sequer justificou, minimamente, com documentação hábil e idônea à origem do considerado valor de depósitos realizados na sua conta bancária nos anoscalendários em questão, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de omissão de rendimentos quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão como dolosa quando a renda for decorrente de esquemas fraudulentos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 27 13 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ no tocante à tributação dos rendimentos omitidos, apurados a partir de depósito em contas bancárias sem comprovação de origem. Cumulatividade da Multa com Juros Moratórios Entende o recorrente pela impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício arbitrada pela fiscalização. O artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96, prevê: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como bem analisado pelo Conselheiro Rafael Pandofo no Acórdão 2202 002.429, o juros moratórios incidirão sobre o “débito”, grandeza utilizada como referência pelo legislador, para verificar a aplicabilidade da Taxa Selic, sendo que “o débito tributário é a relação inversa do crédito tributário, direito subjetivo da Fazenda de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária. Essa, como bem aponta o Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regra matriz de incidência. A multa, por sua vez, decorre do descumprimento de ato ilícito e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito”. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 28 14 Nesse contexto, o Código Tributário Nacional em seu art. 161 (caput) prevê que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”. Portanto, como se verifica no enunciado acima referido, sobre o valor devido a título de tributo incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de qualquer medida sancionatória que possa incidir cumulativamente sobre o débito. Isto é, tanto a multa quanto os juros incidem apenas sobre o “débito” tributário, aliás, como já compreendeu o CARF, vejase: JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. (CARF. 1º Seção. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Acórdão nº 110300.193. Rel. Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Julg. 18/05/10) A possibilidade de aplicação dos juros de mora sobre a multa, somente se perfectibiliza quando essa é lançada isoladamente, conforme o parágrafo único, do artigo 434, da Lei 9.430/96. Sendo assim, entendo que somente incidirão juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for lançada de modo isolado, vez que o art. 61 da Lei 9.430/1996, que trata sobre o lançamento do crédito tributário, institui regime diferente para quando estas duas parcelas são exigidas em conjunto. Nesse mesmo sentido, já se pronunciou a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, observese: A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996 [...] Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202001.985. Rel. Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Julg. em 18/09/12) 4 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003398/200587 Acórdão n.º 2202002.571 S2C2T2 Fl. 29 15 Entretanto, da análise dos autos, em específico do demonstrativo de multa e juros de mora (fl. 418), percebese que não incidiu juros sobre a multa de ofício, motivo pelo qual não merece prosperar a irresignação do recorrente quanto ao ponto. Destarte, não acolho o pedido do recorrente nesse tocante, em vista do esposado. Conclusão Isso posto, acolho a decadência referente ao exercício de 2000 e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902047/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 47 /2 00 9- 56 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902047/200956 Acórdão n.º 3802003.105 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902047/200956 Acórdão n.º 3802003.105 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000907/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. MATÉRIA DE MÉRITO.
Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF.
PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão.
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIOS FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, mediante declaração dos profissionais emitentes.
DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO.
Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantém-se a glosa da despesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO.
Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento atendendo a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor total de R$ 24.250,00 (vinte e quatro mil, duzentos e cinquenta reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE. MATÉRIA DE MÉRITO. Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIOS FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, mediante declaração dos profissionais emitentes. DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO. Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantém-se a glosa da despesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento atendendo a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor total de R$ 24.250,00 (vinte e quatro mil, duzentos e cinquenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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MATÉRIA DE MÉRITO. Versando a alegada nulidade sobre matéria de mérito, como tal deverá ser tratada. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico está jungida às normas constantes no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Não prospera pedido genérico de diligências e de produção de provas, tanto mais quando realizado em momento processual em que já se operou a preclusão. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIOS FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 09 07 /2 00 8- 14 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais nos recibos médicos trazido pelo contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, mediante declaração dos profissionais emitentes. DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO NÃO CUMPRIDO. Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantémse a glosa da despesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ATÉ A DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. Inexistência de previsão legal para que a redução da multa de ofício possa se dar até a decisão final administrativa. Antecipação do pagamento atendendo a finalidade arrecadatória do sistema tributário, a ser correspondida, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91, com a redução da multa de ofício lavrada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor total de R$ 24.250,00 (vinte e quatro mil, duzentos e cinquenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000907/200814 Acórdão n.º 2802002.933 S2TE02 Fl. 239 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ Brasília, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 21.690,77, relativo ao anocalendário 2005. A autuação decorreu da dedução indevida de despesas médicas no total de R$ 25.770,00, por falta dos requisitos previstos na legislação, quais sejam: nome do beneficiário do tratamento, data da prestação do serviço, CPF, assim como endereço do profissional responsável pela emissão dos recibos. Foram verificadas, também as seguintes omissões de rendimentos: dos recebidos da Prefeitura Municipal de Vila Valério, CNPJ nº 01.619.232/000195, no valor de R$ 800,00; e dos oriundos de resgate de contribuições à Bradesco Vida e Previdência S/A., CNPJ nº 51.990.695/000172, no valor de R$ 27.616,19, tendo sido nesse caso compensado na autuação o Imposto de Renda Retido na Fonte. Irresignado, informou o contribuinte em sua impugnação o endereço dos emitentes dos recibos e juntou documentos já apresentados à autoridade fiscal. Alegou que não teve intuito de sonegar imposto e que a omissão de rendimentos deuse por equívoco e lapso contábil, insurgindose, também, contra a multa de ofício lavrada. Postulou, ainda, a apresentação de todas as provas admitidas pelo direito, sustentação oral, realização de diligências e que as intimações do processo se dessem na pessoa do advogado. A decisão recorrida manteve o lançamento, destacando serem a informação sobre os endereços profissionais dos emitentes, e a identificação dos beneficiários, requisitos legais que não foram atendidos, não servindo para tanto relação na peça impugnatória. No que tange às omissões de rendimentos, invocouse a legislação para ressaltar que a responsabilidade por infrações tributárias independe da culpa ou dolo do agente, sendo mantido o gravame bem como a multa de ofício, esta por ter sido aplicada dentro dos estritos limites legais no decorrer de atividade vinculada. Rejeitados, também, os demais pedidos formulados. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/1/2012, apresentando declarações dos profissionais que emitiram os recibos e opondose novamente à multa de ofício, por ser esta confiscatória e com o entendimento de que faria jus a sua redução, até a implementação da decisão final administrativa. Acrescenta, outrossim, que deixou de informar os rendimentos omitidos por equívocos contábeis, mas sem intenção de sonegar. Demanda, ao final: a nulidade do lançamento guerreado, por restarem os fatos esclarecidos e comprovados com a documentação trazida; o reconhecimento de que a não análise dos documentos e a não realização de diligências a eles vinculadas implicaria cerceamento de defesa; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 caso determinado o recolhimento da multa, que seja autorizada sua redução sem vinculação a prazos, até a conclusão do julgamento, excluindose ainda a incidência da taxa Selic; a “cientificação de todos os procedimentos administrativos” e fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas, por meio de remessa ao seu advogado; a prova do direito por todos os meios admitidos, propugnando a determinação de realização e diligências e, por meio de intimação oportuna, o implemento de sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Nulidade. O contribuinte pleiteia seja decretada a nulidade do “Auto de Infração” [sic], por ter apresentado todos os documentos necessários para a aferição das despesas médicas e o endereço dos emitentes dos recibos, restando aquelas cabalmente comprovadas. A matéria levantada se confunde com o mérito e como tal será oportunamente enfrentada, portanto, rejeito a argüição. Da intimação pessoal do patrono do contribuinte e da sustentação oral. É demandada a ciência pessoal do patrono do contribuinte acerca dos procedimentos e decisões administrativas, inclusive para que seja possibilitado o implemento de sustentação oral. O art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). O parágrafo único do art. 55 do Anexo II desse regimento1, por outro lado, regra que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. Improcedentes, portanto, os pedidos. 1 Art. 55. A pauta da reunião indicará: (...) Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000907/200814 Acórdão n.º 2802002.933 S2TE02 Fl. 240 5 Da produção de todas as provas permitidas pelo direito e das diligências. O contribuinte protesta pela prova do alegado por todos os meios admitidos pelo direito e determinação de diligências, sob pena de cerceamento de defesa. Não merece guarida tal pretensão. O autuado não apresenta quesitos específicos para serem analisados e formula pedido de diligências em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto nos arts. 16, § 4º e 18 do Decreto nº 70.235/72. Merece ser lembrado que a produção de provas com vistas a infirmar a autuação é ônus do contribuinte, cabendolhe sustentar a defesa de seu direito com documentação hábil a fundamentar suas razões. As diligências não se prestam para a busca de novos elementos de prova em face de alegações genéricas do contribuinte, tanto mais, repita se, quando o momento processual apropriado já está precluso. Indefiro, por conseguinte, o pleito. Mérito. Das despesas médicas glosadas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) O contribuinte apresentou no corpo da impugnação relação dos endereços dos profissionais prestadores de serviços (fls. 212/213), procedimento que não satisfaz os requisitos legais acima mencionados. Como bem observado no julgamento contestado, a indicação deve estar presente no recibo/documento emitido pelo próprio profissional. Acrescento ser, ainda, admissível declaração firmada pelo profissional emitente do documento complementando as informações lacunosas, ou a apresentação de segunda via dos recibos, desde que atendidos os requisitos estipulados pelas normas de regência. A relação apresentada consubstanciase, na verdade, em mera declaração do próprio contribuinte sobre o conhecimento de determinados fatos, no caso, os supostos endereços dos prestadores de serviço. Mas, conforme dispõem os arts. 368 e 373 do Código de Processo Civil, semelhante documento pode tãosomente comprovar a declaração em si, mas não a veracidade das informações nele consignados. De outra parte, necessário é chamar à atenção para o fato de que vários recibos e comprovantes tiveram a sua glosa motivada, em parte ou no todo, por não estar presente no respectivo documento com a indicação do beneficiário do serviço. O exame desses documentos (fls. 33/68) revela que em todos eles consta, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, Álvaro Guerra Filho, o recorrente. Ora, não trilha bom caminho interpretação que parece ter sido a adotada, ainda que implicitamente, pela autuação e pelo julgamento a quo – segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio ou apartado a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000907/200814 Acórdão n.º 2802002.933 S2TE02 Fl. 241 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas (fls. 229/235), os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativotributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boafé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizandose assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários. Na espécie, reconhecese que as declarações firmadas pelos profissionais Luciana Lopes Guerra, Rômulo Pazollini Reali, Rodrigo Bissi Bortolini, Pedro Carlos Sabadini (sócio proprietário da empresa COPIS), Poliana Vilas Boas Reis França, Domingos Lopes Furtado e Adriano Augusto Alves (fls. 229/235), permitem o atendimento adequado e suficiente aos requisitos normativos estabelecidos pelo inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, ao completar as exigências que restavam faltantes nos recibos glosados. Não apresentada declaração do gênero de lavra de Rogério Liberato Porto, e carecendo o recibo por ele emitido do seu CPF e endereço profissional, escorreito o lançamento amparado na não aceitação desse recibo como apto à comprovação de despesas médicas. Em síntese, deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no montante de R$ 24.250,00, correspondentes ao total dos pagamentos efetuados a Luciana Lopes Guerra, Rômulo Pazollini Reali, Rodrigo Bissi Bortolini, Poliana Vilas Boas Reis França, Domingos Lopes Furtado, Adriano Augusto Alves e COPIS – Centro Odontológico de Cirurgia e Implantes Orais Ltda. (fls. 229/235), mantendose a glosa de R$ 1.520,00 referente ao pagamento realizado a Rogério Liberato Porto. Da omissão de rendimentos. O contribuinte omitiu rendimentos do trabalho recebidos da Prefeitura Municipal de Vila Valério, na quantia de R$ 800,00, assim como R$ 27.616,19 de rendimentos provenientes de resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi, no caso específico, pagos pela empresa Bradesco Vida e Previdência S/A. Disse não ter informado o rendimento de R$ 800,00 por lapso contábil. Quanto ao valor de R$ 27.616,19, alega, na mesma linha, que, como o devido imposto de renda foi retido na fonte, não houve intuito de sonegar imposto, existindo apenas equívoco contábil, “o que será revisto quando possível”. Em suma, o contribuinte não nega, como visto, ter omitido os supra mencionados rendimentos em sua declaração de ajuste anual, mas defende que, por ter se equivocado e agido de boafé, seria improcedente o lançamento de ofício. Sem razão o autuado. Giza o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O dispositivo é claro ao estabelecer ser irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte para que se lhe atribua a responsabilidade por infrações à legislação tributaria, salvo expressa previsão legal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000907/200814 Acórdão n.º 2802002.933 S2TE02 Fl. 242 9 No caso concreto, havendo o autuado admitido de maneira inequívoca a omissão de rendimentos, a boa ou má fé que lastrearam sua conduta não afetam a constatação de infringência das normas tributárias, em particular do art. 33 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 1º a 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Daí sucede ser de rigor, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN2, a realização do lançamento de ofício com os consectários legais pertinentes, o qual se configura, assim, sem máculas neste particular. Da multa de ofício e da taxa Selic. O autuado irresignase com a multa de ofício aplicada no valor de 75%, percentual que considera violar o princípio constitucional do não confisco, demandando também que o seu pagamento com redução seja possibilitado até que se implemente “a coisa julgada administrativa”, no que entende estar amparado pelos arts. 60 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. A alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF3: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A redução da multa de ofício, por sua vez, está estabelecida apenas para as hipóteses em que o contribuinte efetuar o pagamento ou requerer o parcelamento nos trinta dias que se seguem à notificação do lançamento, ou nos trinta dias que se seguem à notificação acerca da improcedência de sua impugnação, por decisão de primeira instância no processo administrativo, consoante regra o art. 6º da Lei nº 8.218/91 e alterações posteriores, não havendo dispositivo legal que permita cogitar de prazo diverso, conforme tenciona o contribuinte. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Vale anotar, de passagem, que a imposição de sanções administrativas pecuniárias (multas) visa proteger o interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado). Conforme leciona Luciano Amaro4, Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Nesse compasso, é perfeitamente coerente com essa sistemática que o legislador preveja a redução de multa para o contribuinte que, tendo contra si lavrado crédito tributário, abra mão do contencioso administrativo e recolha ou parcele o débito, atendendo aos interesses da arrecadação tributária. Quanto mais grave a infração, mais severa a multa; quanto mais se antecipa o adimplemento do crédito tributário, mais ela se abranda. Alertese o autuado, ainda, que o art. 60 da Lei nº 8.383/91, por ele aludido como esteio para suas pretensões, encontrase revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. No que diz respeito à taxa Selic, registrese que a referida tem expressa previsão legal nos arts. 13 da Lei nº 9.065, de 19 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, incidindo na espécie o já mencionado art. 72 do RICARF. Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão, portanto, o contribuinte em sua inconformidade com a multa de ofício e com a aplicação da taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesas médicas no valor total de R$ 24.250,00. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro.13ª ed. São Paulo; Saraiva, 2007. pp.439/440. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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