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Numero do processo: 10510.900465/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 65 /2 01 2- 16 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900465/201216 Acórdão n.º 3803006.178 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO.
Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 31/12/2013
José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 31/12/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 244 3 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 245 5 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10920.911195/2012-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 95 /2 01 2- 39 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16327.000372/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado eletronicamente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado eletronicamente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado eletronicamente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 72 /2 00 4- 25 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 3302002.415 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada na sessão de 12/08/2011, conforme Resolução nº 330200.163, cujo relatório abaixo se transcreve. Tratase de recurso voluntário (fls. 112 a 131) apresentado em 19 de dezembro de 2008 contra o Acórdão nº 1614.308, da 8ª Turma de Julgamento da DRJ / São Paulo I (fls. 88 a 96) cientificado em 19 de novembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001 COFINS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 15/03/2004, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 04/14) para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 46.291,26 (quarenta e seis mil, duzentos e noventa e um reais e vinte e seis centavos), incluindo os juros de mora e a multa de ofício (75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/1999 a 31/12/2001. A contribuinte tomou ciência da autuação, por via postal, em 26/03/2004, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 22. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS, e o lançamento está fundamentado nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições; da Medida Provisória nº 1.807/1999 e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 3302002.415 S3C3T2 Fl. 4 3 2.1. No Termo de Verificação (fl. 20), o autuante, assim descreve os fatos: “Nas funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em trabalho de revisão interna dos dados obtidos nos sistemas da SRF relativas ao contribuinte acima, decorrente da análise e preparo da ação fiscal relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal 0816600 2003.00264 4, cuja fiscalização baseada em dados bancários encontrase suspensa em virtude de ação judicial, observamos que o contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras receitas operacionais. “Tratandose de receitas operacionais do contribuinte, ambas estão sujeitas à tributação do PIS e da COFINS. “Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificase que o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. “O lançamento do crédito tributário se faz necessário tendo em vista o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei 5.172/66, facultado ao contribuinte o direito de ampla defesa administrativa, inclusive com a realização de diligências ou perícias e o acesso ao Judiciário.” 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu sócio gerente (doc. de fls. 49 a 62), apresentou, em 26/04/2004, a impugnação de fls. 23 a 48. 3.1. Na peça de defesa, a contribuinte, em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela decadência, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro/1999 e fevereiro/1999. Entende que a Lei nº 8.212/1991 não se aplica à COFINS à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, “b”, da Constituição Federal. 3.2. Defende a impugnante que a exigência a título de COFINS, no período de fevereiro/99 a dezembro/01, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição, é ilegal e inconstitucional, por ofender diversos artigos da CF e do CTN. Contrapõese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS e afirma que “faturamento” deve ser entendido como receita decorrente da venda de bens e serviços , afastadas quaisquer outras receitas; 3.3. Reportase a julgados do STF (RE nº 150.7551/ PE) e do STJ (4a Turma – REsp nº 501.628), afirmando que o STJ já reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998; 3.4. Por fim, reclama que a Taxa Selic não pode ser usada como taxa de juros de mora na atualização do suposto débito, dada sua natureza eminentemente remuneratória, não refletindo, efetivamente, as variações do valor da moeda e reportase ao REsp nº 215.881/PR Após a decisão da DRJ, no despacho de fl. 107, propôsse o cancelamento do lançamento em relação aos períodos anteriores a março de 1999, à vista da decadência, o que foi aprovado. No recurso, a Interessada, que afirmou tratarse de infração apurada apenas em relação a receitas financeiras, alegou ser inconstitucional a exigência da Cofins Fl. 932DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 3302002.415 S3C3T2 Fl. 5 4 além do faturamento; afirmou ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instância administrativa; e contestou a legalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. A diligência foi determinada pela Turma de Julgamento para as seguintes providências por parte da UL da RFB: Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento. Após lavratura de relatório, dele deverá ser dada ciência à Interessada, para apresentar resposta em trinta dias, caso não se constate a alegação de que a totalidade de receitas é de natureza financeira. Realizado a Diligência, foi lavrado o competente Relatório Fiscal para concluir o seguinte: “Portanto, para o ano de 1999 constatamos que as alegações do sujeito passivo são parcialmente corretas. Assiste razão quanto ao cálculo das contribuições para o PIS e são insubsistentes em relação à COFINS, conforme o material apresentado em resposta ao nosso termo de início. “Para os anos calendários subseqüentes, 2000 e 2001, o sujeito passivo não alegou quaisquer diferenças em relação à base de cálculo dos autos de infração. “No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração, constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos, conforme os relatórios apresentados”. Intimado do resultado da diligência, a empresa Recorrente não se manifestou. É o Relatório. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 3302002.415 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário foi conhecido na sessão de 12/08/2011, quando a Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 330200.163, de relatoria do Conselheiro José Antonio Francisco. Como se viu, a lide versa sobre a inclusão de outras receita na base de cálculo da Cofins dos períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 1999 e dezembro de 2001, acrescido que foi pela Lei nº 9.718/98. Na diligência ficou confirmado que as receitas objeto da autuação são receitas financeiras e de recuperação de custos. Quanto à COFINS do ano de 1999, apesar da inconsistência das informações prestadas pela Recorrente quanto à alíquota, de fato o recolhido foi efetuado com a alíquota correta, conforme afirma e demonstra o AuditorFiscal responsável pela realização da diligência. Disse a referida autoridade: Na tabela abaixo também calculamos a base de cálculo a partir dos valores efetivamente recolhidos e constatamos que a base de cálculo utilizada para o recolhimento correspondeu apenas ao valor do faturamento indicado na DIPJ, R$ 453.043,83. Também constatamos que os valores foram recolhidos com as alíquotas corretas, apesar do indicado nas memórias de cálculo. (o grifo não é do original) Com relação à inclusão de outras receitas na base de cálculo da Cofins, em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas, inclusive receitas financeiras, da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização, o que acarreta, no caso vertente, o cancelamento integral do crédito tributário lançado no auto de infração. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 934DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 3302002.415 S3C3T2 Fl. 7 6 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 935DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000828/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
A imputação de imposto decorrente da omissão de rendimentos, apurado através da confrontação da DIRPF do contribuinte com a DIRF apresentada pela fonte pagadora, quando não contestada, faz por manter a exigência por não comprometer o trabalho fiscal que resultou na cobrança do imposto.
Numero da decisão: 2102-002.898
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A imputação de imposto decorrente da omissão de rendimentos, apurado através da confrontação da DIRPF do contribuinte com a DIRF apresentada pela fonte pagadora, quando não contestada, faz por manter a exigência por não comprometer o trabalho fiscal que resultou na cobrança do imposto.
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NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A imputação de imposto decorrente da omissão de rendimentos, apurado através da confrontação da DIRPF do contribuinte com a DIRF apresentada pela fonte pagadora, quando não contestada, faz por manter a exigência por não comprometer o trabalho fiscal que resultou na cobrança do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a. Turma da DRJ/FNS, de 08 de setembro de 2011 (fls. 13/15), que por unanimidade de votos negou provimento à Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10925.000828/200855 Acórdão n.º 2102002.898 S2C1T2 Fl. 67 2 impugnação apresentada pela ora Recorrente, mantendo assim a exigência fiscal objeto de lançamento de ofício lavrado em 17/03/2008, no valor total de R$ 1.795,56, sendo R$ 834,64 a título de imposto, R$ 625,98 de multa de ofício, R$ 334,94 de juros de mora, decorrente da omissão de receitas no valor de R$ 6.575,47, sem retenção na fonte, onde figura como pagadora a Prefeitura Municipal de Herval D´Doeste – SC. Notificada do lançamento a Recorrente apresentou tempestiva impugnação, alegando que o valor tido como omitido referese ao recebimento de pensão decorrente do falecimento do pai de suas filhas menores, e que tal valor foi creditado em sua conta pelo fato das filhas serem menores de idade e não possuírem conta bancária. A decisão recorrida manteve a exigência fiscal por entender que a então impugnante não logrou êxito em comprovar que o rendimento que lhe foi atribuído pertence às filhas Eliziane Fior e Luciane Aparecida Fior. Em grau de Recurso Voluntário, aduz que a declaração feita na época era indevida, pois as dependentes eram menores de idade, sendo a genitora a responsável por elas e apresenta decisão judicial onde lhe foi assegurado o direito de receber a pensão pósmorte na condição de esposa do Sr. Jolar Fior, a partir de 2.008. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. A peça recursal apresenta uma decisão judicial onde ficou decidido que a Recorrente tem direito a receber pensão pelo falecimento de seu exmarido, com quem continuou vivendo em união estável, após o ano de 2.008, portanto, inaplicável ao presente caso, que atribuiu omissão de rendimentos no ano de 2.004. Também traz expressa afirmação de que “A declaração feita na época era indevida, pois as dependentes eram menores de idade, sendo a mãe, Cleny Terezinha Varela, responsável pelas menores”, sem apresentar qualquer outra argumentação ou refutar afirmações da decisão recorrida, de que os rendimentos omitidos e sobre os quais recaem a exigência fiscal, foram pagos pela Prefeitura Municipal de Herval D`Oeste e não do IPESP, fonte pagadora das pensões, mesmo que devidas às filhas menores, e que a Recorrente teria por elas recebido, em função da menoridade. Como destacou o Sr. Relator da decisão recorrida, a cópia da Carteira Profissional acostada à impugnação dá conta de vínculo empregatício com aquela Prefeitura, no ano questionado, embora sem identificar o portador daquele documento, mas foi pela Recorrente, na época impugnante, apresentado. Portanto, a decisão recorrida não merece reparos, devendo ser mantida a exigência fiscal. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10925.000828/200855 Acórdão n.º 2102002.898 S2C1T2 Fl. 68 3 Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000678/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSA DE ESTUDOS - NÃO-INCIDÊNCIA
Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição.
Numero da decisão: 2301-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BOLSA DE ESTUDOS - NÃO-INCIDÊNCIA Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 78 /2 00 8- 12 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls.81), o fato gerador da contribuição lançada são os pagamentos relativos a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos. Segundo entendimento da autoridade lançadora, o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado na isenção concedida pela alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1223.200, da 15a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 623), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 655), alegando, em síntese, que: Foram lavrados três Autos de Infração em seu nome, todos decorrentes da mesma situação fática apontada pelo fisco, e que devem ser julgados em conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Há necessidade de redução da multa, tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009. A recorrente, ao fornecer auxílioeducação, pretendia elevar a qualificação dos seus empregados, e a análise prévia, por um comitê interno, para a concessão dos auxílios em comento não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. Tal fato jamais foi constatado pela fiscalização, que se pautou, exclusivamente, no entendimento que o financiamento de cursos superiores não poderiam deixar de repercutir no pagamento da contribuição previdenciária. Não houve qualquer alegação no sentido de que tais cursos não eram oferecidos de forma isonômica a todos os funcionários da recorrente, mesmo porque consta dos autos todos os documentos que comprovam a acessibilidade do auxílioeducação a todos os empregados. Apenas eram financiados cursos que pudessem contribuir para o crescimento profissional do empregado dentro da empresa, como forma de não desvirtuar a natureza indenizatória do auxílioeducação. Restou comprovado que tal benefício foi concedido para o trabalho, e não pelo trabalho, vez que tratou, exclusivamente, de financiamento de cursos de qualificação profissional. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 2301004.004 S2C3T1 Fl. 842 3 A legislação aplicável ao caso não deve ser pautada na novel redação doa Lei 9.394/96, visto que as alterações introduzidas pela Lei 11.741/08 sobrevieram após a ocorrência dos supostos fatos geradores objeto da discussão sub examine, não podendo, portanto, retroagir. Depreendese, do entendimento externado pela jurisprudência, que a natureza indenizatória do auxílioeducação é suficiente para afastar a incidência da contribuição previdenciária, e o STJ veio dirimir qualquer dúvida acerca da interpretação da norma. A lei 10.243/2001, ao não fazer distinção entre os níveis fundamental, médio e superior, deixou clara a ausência de caráter remuneratório do pagamento de auxílio educação, razão pela qual tal parcela não deve integrar o salário de contribuição dos empregados e, conseqüentemente, não é base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, registro o que se segue. Observase que a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração por entender que os pagamentos relativos a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos, é fato gerador da contribuição previdenciária. A autoridade autuante entendeu que o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado pela isenção de que trata a alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. Já a recorrente, em sua defesa, alega que os cursos ofertados são fundamentais para a capacitação dos funcionários e crescimento destes dentro da Sociedade e, nesse sentido, estão, sim, incluídos no rol do referido dispositivo legal. Afirma que a recorrente oferece a todos os seus funcionários a oportunidade de freqüentar cursos de graduação, línguas ou pósgraduação a fim de que estes tenham condições de aprimorar suas formações e evoluir dentro da empresa, e que os cursos ofertados De fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, elencando alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de auxílio educação não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, ou os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Art 28(...) § 9o(...) t) o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (grifei) No caso presente, a fiscalização entendeu que, por ser para pagar curso superior dos empregados, os valores despendidos pela empresa não estariam isentos da contribuição previdenciária, já que não visaria a educação básica. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 2301004.004 S2C3T1 Fl. 843 5 Ocorre que as despesas com os cursos de capacitação e qualificação profissional também se enquadram nas hipóteses de isenção do dispositivo legal transcrito acima. A recorrente comprovou, nos autos, que os cursos ofertados eram para capacitar seus empregados. A decisão recorrida manteve o lançamento, argumentando que, pela Lei 9.394/96, a educação profissional não se confundia com ensino superior. No entanto, entendo que nenhum dos dispositivos legais citados no Acórdão da DRJ é no sentido de que o curso superior não se presta para capacitar profissionalmente o empregado de uma empresa. Nesse aspecto, a lei previdenciária deixa claro que, para que os valores pagos para curso de capacitação e qualificação profissional não sejam considerados como salário de contribuição, devem preencher três requisitos, simultaneamente, a saber: estarem vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não serem pagos em substituição de parcela salarial e serem acessíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso dos autos, a acusação fiscal se limita a afirmar que o curso superior não se englobar no conceito de educação básica. Em nenhum momento, do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirma que os cursos ofertados pela recorrente não estariam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, ou não eram acessíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Da mesma forma, não restou comprovado, pelo fiscal autuante, que as parcelas pagas para custear os cursos seriam para substituir salario. Verificase que a empresa foi intimada, por meio de Termo de Intimação de 15/09/2008 (fls. 70), a prestar informações sobre os critérios utilizados para o pagamento/reembolso de cursos de inglês, faculdades, MBA no ano de 2004. E, da análise dos esclarecimentos prestados pela empresa, a fiscalização apenas concluiu que os cursos ofertados não se enquadrariam nas hipóteses de isenção somente porque não se enquadram no conceito de educação básica. Observase que em nenhum momento a fiscalização afirmou que os cursos ofertados não estariam ligados à atividadefim da empresa, Entretanto, como visto, tratamse de cursos de capacitação e, nesse sentido, se enquadram na hipótese de isenção da alínea “t”, do citado art. 28. Entendo que, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores concedidos a títulos de bolsas de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 A fiscalização deve provar os fatos em que se funda o lançamento. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos deduzidos. Em face dos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do direito tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica, o que não se verifica no caso vertente. Por todo o exposto, entendo que não restou evidenciada, nos autos, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 846DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11686.000160/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/09/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os créditos decorrentes de depreciação serão apurados sobre os encargos de depreciação, regra geral, ou opcionalmente sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo do bem. Não tendo o contribuinte demonstrado e provado que apurou pela forma opcional, a apuração pela regra geral deve ser mantida.
Numero da decisão: 3301-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. A indicação expressa, na decisão recorrida, das razões das glosas dos créditos da contribuição e dos fundamentos legais, permitiu ao sujeito passivo exercer seu direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO. Os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado comprovadamente utilizados no processo de produção dos bens destinado a venda geram créditos passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO. FORMA DE APURAÇÃO. OPÇÃO. Os créditos decorrentes de depreciação serão apurados sobre os encargos de depreciação, regra geral, ou opcionalmente sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo do bem. Não tendo o contribuinte demonstrado e provado que apurou pela forma opcional, a apuração pela regra geral deve ser mantida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/09/2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 60 /2 00 8- 79 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, a compensação do débito tributário declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 42/45, transmitida na data de 05/09/2007, com crédito financeiro decorrente de saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 2º trimestre de 2006. A homologação parcial decorreu da glosa dos créditos apurados sobre bens não utilizados no processo de produção (ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeo, bebedouros, cadeiras, entre outros) conforme Informação Fiscal às fls. 36/40 e Despacho Decisório às fls. 47. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação integral da compensação, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade onde contesta o cálculo efetuado pela fiscalização na apuração dos créditos. Afirma que o cálculo de apropriação de créditos de PIS é o valor apropriado de cada bem dividido em 48 meses, não podendo ser utilizado o valor da depreciação, uma vez que a vida útil do bem varia de acordo com o tipo de ativo a ser depreciado. Anexa demonstrativo de apuração de créditos, onde só constariam bens adquiridos em data posterior a 30/04/2004. Afirma que o montante creditório apurado está de acordo com a legislação vigente, uma vez que ar condicionado split, microcomputadores e monitores de vídeo são indispensáveis no processo de produção dos medidores fabricados. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11686.000160/200879 Acórdão n.º 3301002.144 S3C3T1 Fl. 154 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1030.073, datado de 24/02/2011, às fls. 115/120, sob a seguinte ementa: “ATIVO IMOBILIZADO CRÉDITO POSSIBILIDADE – São passíveis de creditamento apenas os gastos com ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, sendo o crédito calculado por meio de aplicação da alíquota do PIS nãocumulativo (1,65%) sobre o valor da depreciação e/ou amortização incorridos em cada mês. Opcionalmente, esse crédito poderá ser calculado pela aplicação dessa alíquota sobre o 1/48 do valor de aquisição do bem.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 125/134), requerendo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida sob a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância não ter se manifestado de forma expressa sobre os pontos contestados, na manifestação de inconformidade e por falta de fundamentação legal que a ampare; e, ainda, por contrariar o disposto no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2004; e, no mérito, repetiu as mesmas alegações expendidas na manifestação de inconformidade, que tem direito aos créditos glosados, tendo em vista que os aparelhos de ar condicionados são utilizados por imposição do INMETRO; os microcomputadores e os monitores de vídeos são necessários ao seu processo produtivo; e, ainda, defendeu a apuração dos créditos, nos termos do §14 do art. 3º daquela lei. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminar A suscitada nulidade da decisão recorrida sob o argumento de cerceamento do seu direito de defesa sob as alegações de que: (i) a autoridade julgadora de primeira instância não teria se manifestado de forma expressa sobre os pontos contestados na manifestação de inconformidade; (ii) falta de fundamentação legal que a ampare; e, (iii) contrariou o disposto no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não tem amparo legal e não merece prosperar. Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59 São nulos: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” No presente caso, ao contrário das alegações da recorrente, do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias suscitadas na manifestação de inconformidade, (i) glosas dos créditos apurados sobre os bens do ativo fixo, ar condicionado split, microcomputadores e monitores de vídeo; (ii) exigência do INMETRO; e (iii) forma de cálculo dos créditos, foram enfrentados e fundamentados de forma expressa, naquela decisão. A manutenção das glosas está fundamentada no inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, sob o entendimento de que os valores aproveitados não se enquadram neste dispositivo legal; já a forma de cálculo sob o fundamente de que a apuração, prevista no § 14 do referido artigo, é opcional e a recorrente não demonstrou, em sua escrita fiscal, que optou por esta forma de apuração. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. II – Mérito A fiscalização glosou os créditos apurados sobre os encargos de depreciação dos seguintes bens: ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeos e outros; e todos os créditos apurados sobre bens adquiridos até 30/04/2004. A recorrente alega que tem direito de apropriar créditos sobre os custos de aquisições de ar condicionado split, sob o fundamento de que o INMETRO exige estes equipamentos, no seu processo produtivo, para certificar os produto, e sobre os custos de aquisições de microcomputadores e monitores de vídeo por serem necessários ao seu processo produtivo; defende a apuração dos créditos da contribuição, nos termos do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ou seja, sobre 1/48 do valor do bem constante do total da nota fiscal, excluído o valor do IPI e, não nos termos do inciso III do § 1º do inciso VI do art. 3º desta mesma lei, conforme apurado pela fiscalização. Alegou, ainda, às fls. 79, que nenhum bem foi adquirido antes de 30/04/2004. Assim, o litígio, nesta fase recursal, se restringe às glosas dos créditos apurados sobre os custos de aquisições de ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeos e a forma de suas apurações. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, assim dispõe sobre o aproveitamento de créditos da contribuição: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11686.000160/200879 Acórdão n.º 3301002.144 S3C3T1 Fl. 155 5 [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...].” A Lei n° 10.833, de 2003 ao instituir a não cumulatividade para a Cofins estabeleceu uma forma alternativa de calcular créditos sobre o ativo imobilizado utilizado na produção de bens destinados à venda estendendo tal prerrogativa ao PIS não cumulativo por meio do inciso II de seu art. 15. O art. 3º desta Lei assim estabelece: “Art. 3°. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...].” Segundo os dispositivos citados e transcritos, somente geram créditos os encargos de depreciações dos bens do ativo imobilizado, utilizados na produção dos bens destinados a venda. No presente caso, a recorrente produz aparelhos de precisão, destinados a medição de correntes elétricas e consumo de energia sob condições especiais de temperatura e umidade, cuja certificação é feita pelo INMETRO que exige temperatura ambiental específica, nos termos das Portarias nº 88/2006, anexo III e nnº 431/2007, anexo C. Também, em face do rigoroso padrão de controle dos medidores produzidos, é necessária uma série de testes para assegurar suas precisões o que implica na utilização de microcomputadores e monitores de vídeos. Assim. os encargos de depreciação daqueles equipamentos, que comprovadamente são utilizados no processo produtivo e que estão instalados dentro da fabrica, geram créditos da contribuição. Como os referidos equipamentos são de uso geral, principalmente em escritórios e salas de diretores, ressalto que está sendo reconhecidos créditos apenas sobre os encargos daqueles efetivamente instalados na fábrica e utilizados no processo produtivo da recorrente. Quanto à forma de apuração, o § 1º, inciso III, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, prevê que os créditos serão apurados sobre os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção, apropriados mensalmente, ou opcionalmente, conforme disposto no §14 daquele mesmo artigo, será determinado sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Conforme consta da decisão recorrida, a recorrente, na apuração dos créditos sobre os encargos de depreciação, não optou pela forma prevista naquele parágrafo 14. Também, nesta fase recursal, a recorrente não apresentou documentos fiscais, Dacon, e/ contábeis, livro Razão (escrituração do crédito), comprovando sua opção pela forma de apuração prevista no parágrafo 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, correto o procedimento utilizado pela fiscalização quanto à forma de apuração dos créditos referentes à depreciação. Já em relação à homologação da compensação integral do débito tributário declarado na Dcomp às fls. 42/45, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a parte do crédito financeiro suplementar declarado nas Dcomp, objeto deste processo administrativo. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os encargos de depreciação dos aparelhos de ar condicionado split, microcomputadores e monitores de vídeos, comprovadamente utilizados no seu processo produtivo, instalados dentro da fábrica, cabendo à autoridade administrativa apurar os créditos e homologar a compensação do débito tributário declarado até o limite do total apurado, exigindo possível saldo remanescente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.722976/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972, e não se identificando qualquer outro vício insanável, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal.
CTN. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. - A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, permite a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por sua participação, e desde que demonstrado que extraiu beneficio da situação.
Rejeito Preliminar.
Recurso do Contribuinte Negado.
Recurso do Responsável Tributário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA: Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam em parte o recurso para excluir do crédito tributário a parte atingida pela decadência. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam em parte o recurso para excluir do crédito tributário lançado na Autuada a parte atingida pela decadência.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972, e não se identificando qualquer outro vício insanável, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. CTN. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 76 /2 01 2- 15 Fl. 16749DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 com base no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, permite a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por sua participação, e desde que demonstrado que extraiu beneficio da situação. Rejeito Preliminar. Recurso do Contribuinte Negado. Recurso do Responsável Tributário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA: Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam em parte o recurso para excluir do crédito tributário a parte atingida pela decadência. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam em parte o recurso para excluir do crédito tributário lançado na Autuada a parte atingida pela decadência. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 16750DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, lançado contra o responsável tributário acima identificado em 10/12/2012, em relação aos fatos geradores ocorridos no período 01/2007 a 12/2009, vez que no procedimento fiscal foram averiguados pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada. O valor exigido no presente processo administrativo, na data de consolidação, totaliza R$ 119.518.396,79 (cento e dezenove milhões, quinhentos e dezoito mil, trezentos e noventa e seis reais e setenta e nove centavos), conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo anexado às fls. 10. Foi também elaborado termo de sujeição passiva solidária (TSPS), à fls. 16.458 a 16459, em desfavor de ELOIZIO GOMES AFONSO DURÃES, cuja responsabilidade estaria caracterizada. No Termo de Verificação (fls. 15888/15949), as Autoridades Lançadoras descrevem os fatos relevantes verificados no decorrer da ação fiscal desenvolvida na empresa, discorrendo sobre os tributos lançados nesta mesma ação fiscal. Deste termo, de forma resumida, destacam se as seguintes informações: Inicialmente, relatam que a ação fiscal, formalizada através do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002011008570, compreende os tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF referentes aos anos calendários 2007, 2008 e 2009. Informa que, nesses anoscalendário, o contribuinte optou pela tributação pelo Lucro Real Anual, cujas declarações anuais foram anexadas ao processo administrativo às fls. 53/141. Destaca as atividades desenvolvidas pela empresa SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA e relaciona os sócios que integravam o quadro social à época dos fatos geradores, e que continuam a integrálo: Eloízo Gomes Afonso Durães (CPF: 806.302.86868), sócio administrador e responsável pela empresa perante a RFB, e Valmir Rodrigues dos Santos (CPF: 409.071.98449). No item III – Aspectos Preliminares, destaca que o contribuinte fiscalizado foi um dos alvos da denominada “Operação Pratos Limpos”, deflagrada em 02/06/2009, realizada pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e demandada pelo GEDECSP (Grupo Especial de Delitos Econômicos do Ministério Público do Estado de São Paulo), a qual teve por objeto levantar informações fiscais sobre esquemas fraudulentos em licitações adotados por empresas fornecedoras de merenda escolar. Fl. 16751DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Após analisadas as aquisições de mercadorias realizadas pelas empresas fornecedoras de merenda e foram apurados fortes indícios de que as operações entre as empresas investigadas e alguns de seus fornecedores não ocorreram, no todo ou em parte. Os documentos coletados no decorrer da operação realizada pelo Fisco Estadual, tais como livros e documentos contábeis e fiscais apreendidos e eventuais relatórios de fornecedores inidôneos ou envolvidos em operações fraudulentas, foram solicitados para subsidiar os trabalhos desenvolvidos pela ação fiscal da RFB. Estão anexados ao presente processo administrativo relatórios oriundos de diligências efetuadas pelo Fisco Estadual em 07 fornecedores da empresa SP Alimentação e Serviços Ltda, com indícios de operações fictícias na venda de mercadorias: Cerealista Guimarães Ltda, Gênova Agrocomercial Ltda, CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, Cenco Central de Com. e Gêneros Alimentícios Ltda, Com. Varej. De Hortifrutigranjeiros Vila Sônia Ltda, Vinculo Distribuidora de Prod. Aliment. e Miudezas Ltda e Moema Hortifruti Granjeiro Ltda. O valor destas operações no período 2006 a 2009 totalizou R$ 192.718.702,13. Tais relatórios concluíram pela inexistência das operações de compra de mercadorias pela empresa SP Alimentação e Serviços Ltda. No item IV – Do atual procedimento fiscal, a Autoridade Autuante relata que o início do procedimento da RFB se deu em 18/03/2011, com a ciência pessoal do representante legal do contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal. A empresa autuada foi intimada a apresentar diversos Livros e documentos necessários à auditoria por meio do citado Termo de Início de Ação Fiscal e por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 1 a 5, todos anexados aos autos do processo administrativo. Em razão da empresa não ter apresentado vários documentos solicitados por meio dos diversos Termos de Intimação Fiscal e Reintimação Fiscal lavrados até então, notificados regularmente ao contribuinte e expirados os prazos e prorrogações concedidas, dada a impossibilidade de se dar continuidade ao procedimento fiscal, as Autoridades Responsáveis lavraram em 21/10/2011 o Termo de Embaraço e Reintimação Fiscal n° 6 (fls. 391/393), com ciência pessoal do contribuinte naquela mesma data, no qual foram listados todos os documentos e arquivos digitais não apresentados até aquela ocasião. Em resposta ao Termo de Embaraço, o contribuinte apresentou parte dos documentos solicitados, deixando de apresentar notas fiscais, comprovantes de pagamento (duplicatas ou recibos) emitidos pelos fornecedores selecionados, relação individualizada de cheques, bem como cópias dos cheques, TED's e DOCs emitidos para pagamento dos fornecedores selecionados. Considerando que a falta de apresentação de todos estes documentos teve como único objetivo dificultar a ação da Fl. 16752DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 4 5 fiscalização na apuração dos ilícitos tributários e penais que foram posteriormente identificados, e dada a impossibilidade de prosseguimento na ação fiscal, constatada ainda a hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII do art. 3º do Decreto 3.724/2001 (embaraço à fiscalização), as instituições financeiras em questão foram diretamente intimadas a fornecer, através da emissão de Requisições sobre Movimentação Financeira, as informações e documentos bancários (extratos, dados cadastrais, procurações, cartão de assinaturas e documentos de débito selecionados – cheques, TED, DOC, transferências, etc) não apresentados pelo contribuinte até então. Posteriormente à emissão do citado Termo de Embaraço, a Auditoria Fiscal solicitou a exibição de documentos e esclarecimentos por meio dos Termos de Intimação nº 6 a 11, tendo a autuada cumprido parcialmente o quanto solicitado. No item V – Do confronto dos valores contabilizados e declarados das compras com os constantes dos livros fiscais, a Autoridade Fiscal confirmou que os registros contábeis (arquivos digitais) de compras de mercadorias no decorrer dos anos calendários de 2007 a 2009 correspondem aos valores declarados nas fichas 4A das DIPJ referentes a esses períodos. Por outro lado, a partir do confronto dos registros contábeis com as declarações efetuadas pela empresa e por terceiros ao Fisco Estadual (SINTEGRA), foram constatadas divergências significativas nos meses de junho, julho e dezembro de 2008. Nestes períodos, foram registradas notas fiscais de compra nos livros fiscais, sem correspondência nos livros contábeis, dos seguintes fornecedores: Moema Hortifrutigr, CPA Com Prod Alim, Cenco Central Com Gen Alim, Vinculo Distr Prod Alim Miud e Com Var Hort V. Sonia. A Autoridade Fiscal relata que demonstrou que as operações com estes fornecedores não existiram e, portanto, elas não deveriam ter sido escrituradas. No entanto, a escrituração indevida destas operações nos livros fiscais repercutiu tributariamente apenas no âmbito estadual (apropriação indevida de créditos do ICMS). Acrescenta que a análise destes registros contábeis, a partir do mês de setembro/2008, permitiu a constatação de os lançamentos de compra, efetuados pela matriz, foram agrupados mensalmente por Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) de acordo com os valores escriturados nos respectivos Livros de Entrada. Ou seja, o contribuinte deixou de individualizar alguns lançamentos de compra, optando por registrálos nos livros contábeis de maneira agregada, mensalmente, considerando que os mesmos já estavam discriminados separadamente nos livros fiscais (Livro de Entradas). Grande parte destes lançamentos contábeis agrupados se referiram a “operações suspeitas” de compras de Fl. 16753DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 mercadorias, em função dos grandes volumes adquiridos de fornecedores de pequeno porte ou mesmo inativos, conforme análise posteriormente realizada. Os valores contábeis agrupados, referentes ao CFOP 2.102, para os meses 09/2008 a 12/2008 e 07/2009 a 09/2009, apresentam divergências em relação aos valores totalizados mensalmente dos registros fiscais de entrada para este mesmo CFOP. Intimado a esclarecer essas divergências, o contribuinte apresentou os registros individualizados dos lançamentos de compras agrupados nos Livros Diário e Razão referentes ao período de 07/2009 a 09/2009. Nestes registros foi verificada a predominância de compra de mercadorias de três empresas (Comercial de Alimentos Souza Ltda, Fresh Fruit Industria Com e Serv Ltda, Distribuidora de Alimentos Estrela do Mar Ltda), domiciliadas em outro Estado (Pernambuco), que nada haviam fornecido anteriormente para a fiscalizada. As três empresas, no ano calendário das operações (2009) ou não apresentaram DIPJ ou apresentaram Declaração como Inativas. Intimado a apresentar esclarecimentos e documentos (notas fiscais, comprovantes de pagamentos, conhecimentos de transportes, entre outros) adicionais referentes a estes fornecimentos, o contribuinte deixou de atender às Autoridades Fiscais. Posteriormente, o contribuinte apresentou os registros individualizados dos lançamentos de compras agrupados nos Livros Diário e Razão referentes ao período de 09/2008 a 12/2008. Nestes registros, constatou se que a totalidade das compras provinha dos fornecedores considerados “suspeitos”: CPA, CENCO e VÍNCULO. Ainda, os Auditores Fiscais relacionam a individualização dos registros contábeis, conforme Livro de Entradas, dos demais lançamentos agrupados de compras efetuadas junto a fornecedores “suspeitos”, referente ao período 01/2009 a 06/2009, para os quais o contribuinte não logrou comprovar a efetividade das operações. O detalhamento individualizado dos montantes apurados nos meses 09/2008 a 09/2009, conforme descrito neste item, foram relacionados no Anexo 18 do TVF (fls. 16252/16322). No item VI – Da apuração de aquisições de mercadorias/produtos/ serviços não comprovados e diligências a fornecedores, as Autoridades Lançadoras relatam que, visando apurar lançamentos indevidos de compra na contabilidade do contribuinte, foram efetuadas diligências em diversos fornecedores de mercadorias e prestadores de serviços. Além das empresas “suspeitas” identificadas pelo Fisco Estadual, foram selecionadas outras empresas que efetuaram transações de valores elevados com a empresa SP no decorrer do período fiscalizado. Ao todo foram diligenciados 15 fornecedores de mercadorias e 3 prestadores de serviços, conforme relacionado às fls. 15904/15905 do TVF. Fl. 16754DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 5 7 As intimações enviadas aos fornecedores de mercadorias e aos prestadores de serviços, bem como as respostas recebidas das empresas, foram juntados ao presente processo administrativo (fls. 3093/4626). A análise dos resultados obtidos no decorrer das ações fiscais nos fornecedores, possibilitou as seguintes conclusões pelas Autoridades Fiscais, ora resumidas neste Relatório: Empresas cujos representantes não foram encontrados pela RFB e pelo Fisco Estadual. Os Livros Fiscais obtidos do sistema Sintegra não acusam qualquer fornecimento para o contribuinte fiscalizado: Cerealista Guimarães Ltda, Cpa Comercio de Produtos Alimentícios, Cenco – Central de Comércio e Gêneros Alimentícios. Especificamente quanto à empresa Atacadão Centro Sul Cereais Ltda, destacam os Auditores Fiscais que está localizada na mesma região das empresas anteriores e realizou vendas à empresa SP apenas no mês 12/2007, no expressivo montante de R$ 3.043.507,55, não constando informações sobre os eventuais livros apresentados ao Fisco Estadual. Empresas que declararam jamais terem mantido relacionamento comercial com a autuada, fato confirmado nas informações referentes aos Livros de Saídas constantes do sistema Sintegra: Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiros Vila Sônia Ltda, Platanus Laticínios Ltda, WSP Distribuidora de Cereais Ltda, Moema Hortifrutigranjeiro Ltda. Quanto às três últimas, foi verificado que os números das Notas Fiscais apresentadas pela autuada são superiores aos números constantes dos AIDF (Autorização para Emissão de Documentos Fiscais) emitidos para o mesmo período. Quanto à empresa Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda, foi constatado que as Notas Fiscais emitidas pelo fornecedor apresentaram valores muito distintos daqueles contabilizados na empresa SP, indicando a utilização de documentos falsos para simular vendas à autuada. Por sua vez, as representantes da empresa Horfrugran Comércio de Alimentos Ltda declararam que a empresa não chegou a realizar operações comerciais no período fiscalizado. Ainda, a última AIDF registrada na Secretaria da Fazenda de São Paulo corresponde às Notas Fiscais nº 1 a 550, enquanto que as notas contabilizadas na empresa SP têm numeração entre 1803 e 2296. Embora intimada, a autuada apresentou apenas parte das Notas Fiscais referentes às compras contabilizadas realizadas das empresas acima listadas. No entanto, as Autoridades Fiscais obtiveram cópias de outra parte das Notas Fiscais do Fisco Estadual, com o que foi obtido 71,68% das notas contabilizadas. Em relação aos comprovantes de pagamento, a autuada apresentou cópia de apenas um cheque, tendo como beneficiário a empresa Cenco – Central de Comércio e Gêneros Alimentícios. Fl. 16755DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Posteriormente, foram obtidas das instituições financeiras cópias de grande parte dos cheques contabilizados como pagamentos destes fornecimentos, com fortes indícios de irregularidades. No item VII – Do confronto da contabilização da movimentação financeira com os extratos bancários, as Autoridades Lançadoras relatam que a autenticidade dos extratos bancários fornecidos pela autuada foi confirmada pelos extratos bancários enviados pelas Instituições Financeiras em resposta às RMF (Requisições de Movimentação Financeira) a estas encaminhadas. Ainda, relatam as Autoridades Autuantes que, do confronto das informações bancárias (extratos) com as contábeis, não foram constatadas irregularidades. No item VIII – Da comprovação dos pagamentos contabilizados para os fornecedores das operações suspeitas, os Auditores Fiscais esclarecem que obtiveram das instituições financeiras (em resposta a RMF emitidas) as informações e documentos bancários não apresentados pelo contribuinte referentes aos pagamentos relacionados às compras com indícios de irregularidades anteriormente mencionadas. Como resultado, após a análise dos documentos encaminhados pelas instituições financeiras, a fiscalização relacionou os fornecedores utilizados na contabilização de “compras fictícias”, apurados no decorrer da fiscalização: Cenco Central de Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda, Cerealista Guimarães Ltda, CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, Moema Hortifruti Granjeiro Ltda, Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda, Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda, Gênova Agro Comercial Ltda, Comercial Monterade Ltda; Frihelp Frigorífico Vale das Águas Ltda, Shopping Verde Comércio de Alimentos Ltda ME, Auto Posto Aruba Ltda, Kontorno Confecções Indústria, Comércio e Prestação de Serviços Ltda, Irmãos Franco Indústria e Comércio de Cereais Ltda, Atacadão CentroSul de Cereais Ltda, Platanus Laticínios Ltda, WSP Distribuidora de Cereais Ltda e Horfrugran Comércio de Alimentos Ltda. Adicionalmente, foi verificado que o contribuinte contabilizou, de forma agrupada por código CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações), pagamentos realizados aos seguintes fornecedores: CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, Cenco Central de Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda, Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda, Horfrugran Comércio de Alimentos Ltda, Platanus Laticínios Ltda, WSP Distribuidora de Cereais Ltda, Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda, Comercial de Alimentos Souza Ltda, Fresh Fruit Indústria, Comércio e Serviços Ltda e Distribuidora de Alimentos Estrela do Mar. Intimado (TIF nº 9) a apresentar informações e documentos referentes às compras e respectivos pagamentos realizados a estes fornecedores, a empresa deixou de atender o quanto solicitado. Fl. 16756DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 6 9 As Autoridades relatam que todos os documentos analisados (relação e cópias de cheques obtidos de instituições financeiras, lançamentos contábeis referentes às compras de mercadorias e serviços, notas fiscais) que conduziram à conclusão acima expressada estão anexados ao processo administrativo. No item IX – Da identificação dos reais beneficiários dos pagamentos ref. ao item acima, estão relatados os procedimentos para a identificação dos reais beneficiários dos pagamentos das “compras fictícias”, por meio da análise dos cheques (que continham informações dos sacadores no verso) e depoimentos pessoais dos envolvidos. As Autoridades Fiscais identificaram que parte (cerca de 85%) dos recursos sacados pelas pessoas físicas envolvidas (motorista exempregado, prestadores de serviços “motoboys”, funcionário de agência de turismo) retornava para o departamento financeiro da própria empresa SP, cuja destinação final não foi possível apurar dos esclarecimentos obtidos. Todos os Termos de Depoimento e Anexos foram juntados ao processo administrativo. Por outro lado, os pagamentos restantes (que cerca de 15% dos cheques, contabilizados para pagamento dos fornecedores CEREALISTA GUIMARÃES, CPA, CENCO, VÍNCULO, MOEMA, VILA SÔNIA e GENOVA) eram depositados em contascorrentes de diversas pessoas físicas e jurídicas. Após a realização de diligências nos maiores beneficiários, concluíram as Autoridades Autuantes que nenhum dos cheques compensados, emitidos pela empresa fiscalizada, está relacionado com vendas de mercadorias ou prestação de serviços à empresa SP Alimentação e Serviços Ltda. Conforme as respostas obtidas, estes cheques foram utilizados para compra de cavalos, automóveis, imóveis, mercadorias diversas e até empréstimos, sem qualquer relação com os fatos descritos no histórico dos lançamentos contábeis (pagamento de fornecedores da empresa SP). Do exposto, sobre a análise amostral dos cheques emitidos pela fiscalizada, concluíram os Auditores Fiscais que os pagamentos contabilizados aos fornecedores suspeitos não foram comprovados, ficando caracterizado que todas as compras relacionadas a eles seriam fictícias. No item X – Da análise do “caixa 2” da empresa SP Alimentação, as Autoridades relatam que, no decorrer dos trabalhos, tiveram notícia de denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo à 10ª Vara Criminal da Comarca da Capital – SP, em face de várias empresas e pessoas físicas envolvidas com a denominada “Máfia da Fl. 16757DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Merenda”, dentre as quais se encontrava a empresa SP Alimentação e Serviços Ltda. Solicitadas ao Promotor de Justiça responsável as peças integrantes dos Procedimentos Investigatórios Criminais (PIC), o Ministério Público de São Paulo, após autorização judicial, encaminhou cópias digitalizadas dos referidos PIC. Dentre os documentos disponibilizados, foram encontrados diversos depoimentos de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com as operações fraudulentas praticadas pela empresa SP, e, ainda, uma planilha extraída de um arquivo digital localizado em um “pendrive” (obtido em uma operação de Busca e Apreensão autorizada judicialmente) do gerente financeiro do grupo SP Alimentação onde eram registradas as operações extracontábeis referentes à real destinação dos recursos sacados por meio dos cheques emitidos pela empresa SP para pagamento de compras fictícias anteriormente mencionadas. Ao realizarem um batimento entre os valores das entradas da planilha e os cheques descontados contabilizados como pagamento a fornecedores, os AuditoresFiscais constataram uma correspondência exata entre os valores sacados (cheques) e os ingressos. Este fato confirmou que a empresa utilizou um esquema de sonegação fiscal, entre outros crimes, inflando os seus custos e seus créditos de PIS/COFINS com a contabilização de compras fictícias e, ainda, encobrindo a destinação real destes recursos. No item XI – Dos créditos não comprovados de PIS/COFINS não cumulativos, os Agentes Fiscais informam que a empresa foi intimada para relacionar os registros contábeis referentes à aquisição de mercadorias, insumos e serviços que compõem os valores da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS declarados em DACON, bem como a apresentar demonstrativos detalhados de apuração de créditos de PIS/COFINS classificados na contabilidade como “extemporâneos”. Para comprovar a origem dos valores dos créditos de PIS/COFINS que integraram a base de cálculo no período de 2008 e 2009, o contribuinte apresentou documentos/esclarecimentos insuficientes e contendo irregularidades, como detalhadamente demonstrado no TVF (inclusão das compras fictícias na base de cálculo dos créditos, inclusão em DACON de valores de aquisição de bens para revenda superiores ao contabilizado, adição indevida na base de cálculo do crédito de PIS/COFINS de serviços não classificados como insumos aplicados na produção ou fabricação de produto). Todos os créditos de PIS/COFINS glosados neste item foram relacionados no Demonstrativo “Levantamento das Divergências nas Bases de Cálculo dos Créditos de PIS/COFINS” anexado ao processo administrativo. No item XII – Dos outros ilícitos tributários apurados, foram relatadas as inconsistências a seguir detalhadas: Fl. 16758DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 7 11 Na confrontação dos saldos iniciais e finais dos saldos de estoques de mercadorias declaradas nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2009 (AC 2008) e DIPJ 2010 (AC 2009), os Auditores Fiscais constataram uma divergência de R$ 12.146.607,99 (estoques no dia 31/12/2008 = R$ 24.826.492,79; estoques no dia 01/01/2009 = R$ 36.973.100,78). Essa divergência foi também encontrada em sua contabilidade. Intimado a esclarecer essas divergências, o contribuinte gerou um novo arquivo SPED Contábil, referente ao ano calendário 2009, e o transmitiu para a RFB em 08/02/2012. Ao analisar os novos registros apresentados, verificou se que as divergências entre os saldos finais de 2008 e iniciais de 2009, nas contas contábeis em questão, desapareceram. Porém, com o intuito de manter o mesmo Custo de Mercadorias Vendidas (CMV) apurado anteriormente (e desta forma não alterar a base de cálculo do IRPJ e CSLL) o contribuinte efetuou uma série de lançamentos que resultaram em aumento significativo das compras do ano 2009 no mesmo valor da divergência anteriormente apurada (R$ 12.146.607,99). Também efetuou uma série de novos lançamentos na conta “Clientes a Receber”, com contrapartida nas contas de “Estoque”. Intimado para que apresentasse a documentação, com coincidência de datas e valores, que daria suporte aos novos registros lançados na contabilidade de 2009, deixou o contribuinte de se manifestar quanto ao solicitado. As Autoridades Fiscais constataram, com base nos registros contábeis, a existência de diversos mútuos com pessoas físicas e jurídicas ligadas ao contribuinte, inclusive empresas do grupo empresarial ou seus sócios. A autuada foi intimada a apresentar a documentação hábil e idônea que comprovasse a evolução dos mútuos concedidos (entre 2007 e 2009) e registrados em diversas contas contábeis. A partir dos documentos disponibilizados, os Auditores Fiscais concluíram que, em relação aos mútuos concedidos às pessoas físicas de Eloízo Gomes Afonso Durães (01/2007 e 02/2007) e Lilian Cristina Nicareta (segunda esposa de Eloízo), que os mesmos não tiveram relação com a atividade empresarial da SP e os juros tomados junto ao banco, referente a estes empréstimos repassados, contabilizados como despesas financeiras deveriam ser glosados para efeitos tributários, dado que são despesas não necessárias para atividade da empresa. Utilizandose do cálculo de taxas médias de juros anuais, foram apurados os juros bancários referentes a estes empréstimos, contabilizados indevidamente como despesas financeiras pela empresa SP. Fl. 16759DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 No item XIII – Da matéria tributável apuração da base de cálculo de valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multa isolada, encontramse resumidas as infrações à legislação tributária que impõem a constituição de crédito tributário através de lançamento de ofício: (a) glosa de custos/comprovação inidônea de compras: em razão da empresa não ter comprovado, por meio da documentação hábil e idônea, a efetiva aquisição de mercadorias e serviços das empresas Cerealista Guimarães Ltda, CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, Cenco Central de Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda, Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda, Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda, Moema Hortifruti Granjeiro Ltda, Atacadão CentroSul de Cereais Ltda, Platanus Laticínios Ltda, WSP Distribuidora de Cereais Ltda, Horfrugran Comércio de Alimentos Ltda, Frihelp Frigorífico Vale das Águas Ltda, Comercial de Alimentos Souza Ltda, Fresh Fruit Indústria, Comércio e Serviços Ltda e Distribuidora de Alimentos Estrela do Mar Ltda, os valores pagos foram considerados indevidamente apropriados aos custos, motivo pelo qual as Autoridades Fiscais adicionaramnos ao lucro líquido nos respectivos períodos de apuração, nos termos do art. 249, inciso I, do RIR (Decreto nº 3.000/99), conforme discriminativos apresentados no TVF e seus anexos. (b) superavaliação de estoque inicial: a divergência, no valor de R$ 12.146.607,99, entre o estoque final do ano calendário 2008 (31/12/2008) e o inicial do ano 2009 (01/01/2009) não foi devidamente explicada pela empresa pelas alterações realizadas no arquivo SPED Contábil, conforme anteriormente relatado. Nestes termos, as Autoridades Fiscais desconsideraram os novos registros contábeis acrescentados ou modificados por total falta de comprovação e adotaram os valores declarados de estoque nas DIPJ 2009 (anocalendário 2008) e 2010 (anocalendário 2009) apresentadas. Consequentemente, a referida diferença foi caracterizada superavaliação de estoque inicial no ano calendário 2009, tratada como apropriação indevida de custos e adicionada ao lucro líquido deste mesmo ano, nos termos do art. 249, inciso I, do RIR/99. (c) glosa de despesas financeiras não necessárias: parte das despesas financeiras com empréstimos contratados, compreendendo os juros contabilizados referentes aos valores repassados para o Sr. Eloízo e Sra. Lilian a título de mútuo, não seriam dedutíveis, uma vez que os recursos emprestados pelo banco não seriam necessários à atividade da empresa e nem à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme determina o art. 299 do RIR/99. Efetuado o cálculo destes juros anuais apropriados indevidamente, estes valores foram tratados como apropriação indevida de despesas e foram adicionados ao lucro líquido no ano calendário 2009, também nos termos do art. 249, inciso I, do RIR/99. As bases de cálculo e valores devidos de IRPJ e CSLL, consideradas as glosas de despesas e custos discriminadas nos itens (a), (b) e (c), estão discriminados no Anexo 25 (fls. 16433). Fl. 16760DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 8 13 (d) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base estimada – multa isolada: sabendo se que o contribuinte era optante pelo Lucro Real no período dos lançamentos, a glosa das despesas acima relacionadas acarretou na alteração dos valores devidos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativos constantes dos Anexos 26 e 27 ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 16434/16437). Nestes demonstrativos, as Autoridades Fiscais identificaram que, nos meses de 01/2007 a 12/2009, eram devidos IRPJ e CSLL, não declarados e nem recolhidos pela empresa fiscalizada. A falta desta declaração/recolhimento mensal impõe a constituição de multa isolada nos termos da alínea b do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96. Consta, às fls. 15940, um quadro resumo com os valores devidos mensalmente de IRPJ, CSLL e as respectivas multas isoladas aplicáveis. (e) pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa: a base de cálculo desta infração é composta pelos valores lançados na contabilidade, a título de pagamento a fornecedores em contrapartida a compras constatadas como inexistentes, conforme detalhado no item VIII. Os fornecedores em questão seriam: (1) Cenco Central de Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda, (2) Cerealista Guimarães Ltda, (3) CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, (4) Moema Hortifruti Granjeiro Ltda, (5) Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda, (6) Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda, (7) Gênova Agro Comercial Ltda, (8) Comercial Monterade Ltda; (9) Frihelp Frigorífico Vale das Águas Ltda, (10) Shopping Verde Comércio de Alimentos Ltda ME, (11) Auto Posto Aruba Ltda, (12) Kontorno Confecções Indústria, Comércio e Prestação de Serviços Ltda, (13) Irmãos Franco Indústria e Comércio de Cereais Ltda, (14) Atacadão Centro Sul de Cereais Ltda, (15) Platanus Laticínios Ltda, (16) WSP Distribuidora de Cereais Ltda e (17) Horfrugan Comércio de Alimentos Ltda. Os registros contábeis referentes a estes pagamentos estão reproduzidos nos Anexos 02 a 09 (fls. 15951/16114) do TVF. O contribuinte, após intimado por meio dos Termos TIF n° 05 (fls. 235/360), TIFEF n° 06 (fls. 406/408), TIF n° 09 (fls. 549/553) e TIF n°10 (fls. 554/555), não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse o efetivo destino destes pagamentos. Adicionalmente, como já relatado, foi apurado por meio de diligências que grande parte dos cheques contabilizados para pagamento destes fornecedores eram sacados em dinheiro na “boca do caixa”. Já os cheques compensados eram depositados em contascorrentes de titulares diferentes dos fornecedores em questão, tendo como destinatários as contas bancárias de empresas e/ou pessoas físicas, aparentemente, sem qualquer relação com a atividade comercial da empresa SP. Fl. 16761DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Após a análise da planilha referente ao “Caixa 2” da fiscalizada, as Autoridades Fiscais apuraram que os recursos sacados por meio do desconto destes cheques eram utilizados para pagamentos de gastos sem relação com a atividade comercial da empresa SP, preponderantemente “propinas”, provavelmente a funcionários públicos de prefeituras e autarquias para as quais o contribuinte fornecia alimentação. Não foi possível individualizar os beneficiários destes recursos e nem a razão dessas operações. Nestes termos, foi efetuado o lançamento de ofício referente ao Imposto de Renda (IRRF), exclusivamente na fonte, referente a estes pagamentos a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou sua causa, com fundamento no art. 674 e §§ do RIR. Dado o grande número de registros contábeis envolvidos (mais de 3500 cheques), as Autoridades Fiscais consideraram como datas dos efetivos pagamentos, para efeito de apuração do IRRF, a do último dia do mês das respectivas contabilizações. Estão relacionados às fls. 15942 os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou operações sem causa (agrupados mensalmente), o valor dos rendimentos brutos reajustados (nos termos do § 3º do art. 61 da Lei 8.981/95), e os respectivos valores de IRRF devidos, calculados à alíquota de 35%. (f) glosa de créditos de PIS e COFINS não cumulativos: em decorrência da glosa de diversos valores que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS não Cumulativos, referentes à aquisição de mercadorias e de bens e serviços utilizados como insumos (declarados em DACON), estes valores resultaram em débitos de PIS e COFINS que foram objeto de constituição de crédito tributário através de auto de infração. O contribuinte deixou de apresentar documentação hábil e idônea, ou apresentou justificativa não aceita pela fiscalização, quanto à inclusão de tais custos/despesas na base de cálculo dos créditos das referidas contribuições. Os lançamentos contábeis referentes aos créditos glosados foram juntados ao processo administrativo. Os valores glosados e o cálculo da apuração dos valores devidos de PIS e COFINS foram detalhados no Anexo 28 (fls. 16438/16447) e resumidos no quadro de fls. 15943/15944. (g) multa qualificada: no decorrer desta ação fiscal foi apurado que parte das compras contabilizadas pela fiscalizada não existiram, sendo, inclusive, suportadas com documentos inidôneos (“notas frias”). Com isso, através destes subterfúgios, a autuada intencionou aumentar indevidamente os seus custos e despesas e a consequente redução das bases de cálculo e valores devidos de IRPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal, nos termos do inciso I, e caput, do art. 71 da Lei n° 4.502/64. 2.13.8.1. Estes fatos impõem a aplicação de multa de ofício agravada de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96. Essas compras fictícias também foram adicionadas indevidamente às base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, Fl. 16762DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 9 15 resultando na redução indevida dos montantes a pagar destas contribuições. Também será imposta a multa de ofício agravada de 150% nestes casos. Quanto às demais infrações apuradas, dentre as quais se inclui a que integra o presente Auto de Infração, a multa de ofício imposta será de 75% nos termos do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. No item XIV – Do enquadramento legal, consta a ressalva de que o enquadramento legal está discriminado nos respectivos Autos de Infração. No item XV – Da responsabilidade tributária, as Autoridades Fiscais relatam a atribuição da responsabilidade solidária ao contribuinte ELOÍZO GOMES AFONSO DURÃES (CPF 806.302.86868) pelos créditos tributários constituídos, na condição de principal administrador da empresa, tendo praticado atos com infração de lei, dado os crimes de sonegação fiscal e falsificação de documentos fiscais apurados no decorrer da ação fiscal. Os fatos e condutas atribuídos ao Sr. Eloízo estão discriminados no Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 01 (fls. 16458/16465), lavrado simultaneamente ao Termo de Verificação Fiscal. No citado Termo de Sujeição Passiva estão descritos os seguintes fatos relevantes à configuração da responsabilidade solidária: Como detalhado no TVF, foram constatadas no decorrer da ação fiscal práticas de crimes de falsificação de documentos fiscais (notas fiscais “frias”, falsas, adulteradas), inserção de elementos inexatos na contabilidade (contabilização de aquisições de mercadorias inexistentes) e prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias (redução indevida da base de cálculo de IRPJ e CSLL, aumento indevido das bases de cálculo dos créditos de PIS/COFINS Não Cumulativos). Tais condutas foram confirmadas por depoimentos de integrantes do grupo econômico liderado pela SP Alimentação e Serviços Ltda, conforme documentos encaminhados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPESP), referentes à Denúncia Crime oferecida por este Órgão à 10ª Vara Criminal da Comarca da Capital – SP. Ainda, entre os documentos encaminhados pelo MPESP encontrase um arquivo digital, designado no TVF como CAIXA 2 da empresa SP. Da análise de todos estes elementos probantes colhidos no decorrer da ação fiscal, ficou caracterizado que o principal responsável por estes atos de infração à lei tributária e penal seria o Sr Eloízo Gomes Afonso Durães, pois: Ele é o único sócio administrador e responsável pela empresa fiscalizada perante a RFB (Vide ficha cadastral do CNPJ da empresa juntada ao processo); Fl. 16763DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Todas as procurações concedendo poderes para terceiros assinar cheques em nome da empresa SP (documentos anexados ao processo administrativo) eram outorgadas por ele; Seu nome é mencionado inúmeras vezes na Denúncia Crime do MPESP, sempre referenciado como um dos líderes e principais articuladores do esquema criminoso em questão. O Sr. Eloízo apropriouse de recursos financeiros da empresa SP a título de “empréstimos” em 2007, no montante de R$ 15.175.284,26, sem ter comprovado a devolução de qualquer valor, tanto a título de amortizações, quanto de juros. No arquivo digital apreendido, onde estão discriminadas as transações do “Caixa 2” da empresa SP, no período de 01/07/2005 a 06/03/2008 o Sr Eloízo é identificado em 2045 operações (aproximadamente 20% delas) autorizando pagamentos à margem da contabilidade. De todo o exposto, ficou comprovada por meio de provas documentais e testemunhais a participação ativa do Sr. Eloízo Gomes Afonso Durães na administração da empresa SP no decorrer de todo o período fiscalizado, sendo o principal interessado e beneficiário das práticas fraudulentas imputadas à empresa SP, tendo como um dos principais objetivos, modificar as características essenciais do fato gerador, alterando as bases de cálculo dos tributos, de modo a reduzir os seus montantes devidos. O ocultamento das reais bases de cálculo dos tributos em questão fez surgir os créditos tributários decorrentes desta ação fiscal. Ante o exposto, as Autoridades Fiscais caracterizaram a sujeição passiva solidária de Eloízo Gomes Afonso Durães pelos créditos constituídos nos processos administrativos fiscais n° 19515.722974/201218, 19515.722975/201262 e 19515.722976/201215, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN. No item XVI – Da Representação Fiscal para Fins Penais, os AuditoresFiscais relatam que, uma vez verificadas condutas, no transcorrer da ação fiscal, que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária conforme definido no artigo 1º da Lei nº 8.137/90, foi lavrada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada por meio do processo n° 19515.722978/201204. Integra o presente processo, além dos diversos Termos, Anexos Apensos relacionados pelas Autoridades Fiscais no Termo de Verificação Fiscal, o Auto de Infração – Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 16448/16457) contendo a descrição dos fatos e o enquadramento legal; a relação de fatos geradores; o demonstrativo de apuração do tributo, da multa, dos juros de mora e respectiva fundamentação legal. Cientificado em 22/12/2012, dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 16590), o responsável tributário impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 16477/16518, anexando documentos de fls. 16519/16527 (Procuração e Atos Societários), na qual apresentou as seguintes alegações, em resumo: Fl. 16764DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 10 17 Em preliminar, sustenta a nulidade da intimação da empresa realizada por edital, vez que acarretou no cerceamento de seu direito de defesa. Esclarece que, no período 22/12/2012 a 01/01/2013 esteve em férias coletivas, e somente conseguiu manter contato com os AuditoresFiscais em 15/01/2013, quando tomou conhecimento do Edital nº 318/2012 que foi afixado nas dependências da repartição fiscal em 13/12/2012 e desafixado em 02/01/2013. Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 10/12/2012 e o Edital foi afixado em 13/12/2012, a intimação é nula de pleno direito pois o Fisco ignorou o disposto no inciso I a III do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, vez que não foi tentada a intimação pessoal da empresa, do representante legal ou procurador da empresa autuada. Também, afirma que não houve tempo hábil para que se tentasse intimar o contribuinte por via postal. Deste modo, diante da violação de diversos Princípios Constitucionais como a Legalidade, Segurança Jurídica, Ampla Defesa, deve ser devolvido o prazo para que a defendente apresente impugnação, sob pena do cerceamento de seu direito de defesa. Ainda, alega que não recebeu cópia dos Autos de Infração, Termo de Verificação Fiscal, muito menos documentos que o instruíram, vez que teria decorrido o prazo de 15 dias estipulados no Edital n. 318/2012, ficando sob sua responsabilidade solicitar vistas do processo para obter cópia integral. Contudo, enviado email solicitando vistas do processo administrativo, até o presente momento não obteve retorno, o que comprova o cerceamento de defesa e violação a garantias constitucionais. Sustenta a tempestividade da defesa apresentada. Alega a nulidade do auto de infração por contrariar o art. 11 do Decreto nº 70235/72 que, em seu inciso IV, determina que a Notificação de Lançamento deverá ser assinada pelo chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração foi lavrado e assinado pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, que estão subordinados ao chefe de fiscalização, que está subordinado ao chefe de Equipe de Fiscalização que por sua vez está subordinado ao Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, o qual deveria ter assinado o auto de infração ou atribuído ao Sr. Fiscal, por ofício, poderes para tanto. Não tendo sido o auto de infração assinado pelo chefe do órgão expedidor ou por outro servidor autorizado, o Sr. Fiscal é Fl. 16765DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 incompetente para assinálo, motivo pelo qual é nulo o auto de infração, conforme estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Alega que o Fisco já possuía informações bancárias do contribuinte antes de intimálo do início da fiscalização e também antes de lavrar o auto de infração em epígrafe, configurando assim quebra de seu sigilo fiscal, eis que as informações financeiras da defendente foram solicitadas e fornecidas sem autorização judicial para tanto. Afirma ser nulo o Mandado de Procedimento Fiscal e, consequentemente (art. 59, §1°, do Decreto n° 70.235/72), o Auto de Infração em tela por ser ato posterior às requisições de movimentação financeira. O Fisco, ao quebrar o sigilo por conta própria, estará se utilizando de prova ilícita, sendo esta destituída de validade jurídica de acordo com o artigo 5°, inciso LVI, da Constituição Federal e artigo 332, do Código de Processo Civil. Acrescenta que, apesar da Lei Complementar n° 105/2001, em seu artigo 6º, autorizar aos órgãos governamentais o exame de informações prestadas por instituições financeiras (seja bancos, seja administradoras de cartões de crédito e débito) quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, esta autorização legal por si só não basta, eis que a Constituição Federal estabelece que as garantias constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes, em particular, devem ser respeitadas, sendo necessária prévia autorização judicial para tanto. Assim, resta claro que as informações das instituições financeiras foram obtidas ilicitamente e consistem meio inábil (prova ilícita) para a lavratura do Auto de Infração, eis que não foram respeitados os princípios constitucionais da reserva de jurisdição, da legalidade, da segurança jurídica e do devido processo legal, violando, consequentemente, as garantias constitucionais da intimidade e da privacidade financeira do contribuinte. Colaciona decisões judiciais e administrativas para fortalecer seus argumentos. Afirma que o Auto de Infração é passível de nulidade, eis que o Termo de Verificação Fiscal menciona diversos apensos sem que os mesmos tenham sido encaminhados ao contribuinte. Sem a consulta dos documentos, a empresa defendente está incapacitada de elaborar com perfeição sua defesa, sendo visível o cerceamento de defesa praticado pelo Fisco. Demonstrado está que o defendente foi prejudicado; vez que não recebeu cópia de todos os documentos que instruíram o Auto de Infração. Deste modo, viuse impossibilitado de verificar as informações constantes no processo e prestar esclarecimentos que poderiam mudar o curso da defesa contra a injusta imposição que lhe foi feita. Fl. 16766DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 11 19 O Fisco, ao não disponibilizar os documentos (apensos) à defendente, violou princípios constitucionais como a legalidade, a segurança jurídica e o devido processo legal. Considerando insuficientes as informações contidas no Auto de Infração para apresentar uma defesa precisa, a impugnante requer que lhe seja entregue cópia dos documentos que instruíram o presente processo ou seja disponibilizada vista dos autos com consequente devolução de prazo a fim de elaborar e apresentar sua Defesa com perfeição, sob pena de Cerceamento de Defesa. Entende que o lançamento de ofício de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento a beneficiário desconhecido está sujeito à modalidade de lançamento por homologação. Por sua vez, de acordo com o Código Tributário Nacional, o direito do Fisco constituir definitivamente o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, conforme previsto em seu artigo 150, §4°. Afirma que diversos pagamentos efetuados em 2007 a 2009 referemse a aquisição de mercadorias de períodos anteriores a 2006. Assim, caso o Fisco tivesse realizado o levantamento fiscal, teria constatado a decadência dos referidos períodos. E acrescenta que, uma vez que os Autos de Infração foram lavradosem 10/12/2012, momento em que se operou efetivamente o lançamento de ofício, já havia passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores de 2007, devendo o lançamento fiscal ser deve ser considerado nulo de pleno direito e cancelado, afinal parte do crédito tributário que se pretendia constituir pelo lançamento já se encontrava extinto pela decadência. No mérito, alega que o Fisco atribui a base de cálculo desta infração aos “valores lançados na contabilidade, a titulo de pagamento a fornecedores, por compras inexistentes, conforme apurado durante esta ação fiscal”. Refuta tal entendimento eis que fundado exclusivamente em Relatórios fornecidos pelo Fisco Estadual, documentos estes não recebidos pela Dependente. Acrescenta que todas as transações comerciais se consumaram entre 2007 a 2009, e as diligências e apurações dos Srs. Auditores Fiscais ocorreram a partir de 2011. Esclarece que sempre adotou as precauções possíveis quando d realização das transações comerciais, no que se refere à documentação a ser exigida das empresas vendedoras. À época dessas transações, a defendente verificou a existência das empresas vendedoras com documentos que lhe foram apresentados e colhidos pela própria, tais como: consultas da situação cadastral do Sintegra / ICMS que constava como habilitado; Fl. 16767DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Alteração de Contrato Social; Comprovante de Inscrição e Situação Fiscal emitido no site da Secretaria da Receita Federal; Autorização de Impressão de Documentos; consulta no site do Serasa. Deste modo, conclui que as transações comerciais se efetivaram, as empresas vendedoras efetivamente existiam, havendo a emissão de documentos fiscais necessários à circulação de mercadorias, bem como o pagamento das compras às empresas vendedoras. Portanto, não há que se falar em “pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa”, como alegam os Srs. Auditores Fiscais. Assim, a defendente agiu e utilizou os meios que lhe eram acessíveis para verificar a existência e idoneidade das empresas com quem transacionou comercialmente, não agindo com máfé, dolo fraude ou simulação eis que não objetivou burlar o Fisco. Seus atos foram amparados em legislação vigente eis que as transações comerciais ocorreram de fato e direito, e efetuou pagamento a beneficiários devidamente identificados, ou seja, empresas vendedoras. Sustenta não prevalecer a alegação do Fisco quanto a inocorrência das transações comerciais eis que amparada nos Relatórios elaborados pelo Fisco Estadual e entregues ao Fisco Federal, documentos estes não recebidos pela Defendente, não tendo condições de analisálos e, se fosse o caso, impugnálos. Reitera sua alegação de cerceamento de defesa vez que os Termos de Intimação e Anexos encaminhados às empresas fornecedoras e suas Respostas, enviados vários anos após a conclusão das transações comerciais, foram juntadas ao presente processo como Apensos 8 a 25 mas não foram entregues, ou disponibilizada sua vista, à defendente. Renova o pedido de envio de cópia dos documentos ou disponibilização de vista dos autos, com a devolução de prazo para elaborar e apresentar Defesa. Mesmo sem ter acesso aos Termos de Intimações e respostas dos fornecedores, entende que o procedimento fiscal não foi elaborado com perfeição vez que embasado somente em presunções e indícios. Caso os Srs. Auditores Fiscais tivessem analisado os documentos e livros fiscais das empresas fornecedoras, teriam constatado que estas transacionaram comercialmente com a empresa Defendente e receberam valores pela venda das mercadorias. Portanto, nulo o procedimento fiscal que resultou no lançamento de ofício representado pelo auto de infração ora impugnado. Justifica sua argumentação com as seguintes informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal: Às fls. 32 do TVF consta informação de que a empresa Vital Representações Comerciais recebeu de Cerealista Guimarães cheques da Defendente referente a contrapartida a uma palestra realizada em 20/03/2007. Ora, se a Cerealista Guimarães repassou cheque da Defendente à Vital, comprovado está que tais cheques decorrem do pagamento das mercadorias adquiridas em transação comercial de compra e venda. Fl. 16768DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 12 21 Às fls. 31 do TVF as Autoridades relatam que a Prosystem Processamento de Dados recebeu de CPA Comércio de Produtos Alimentícios cheques da Defendente por conta de locação de equipamentos. Novamente, se a CPA Comércio de Produtos possuía cheques da Defendente e repassou para Prosystem, tais cheques referem se a pagamento pelas transações comerciais concluídas. Reafirma que as mercadorias adentraram no estabelecimento da defendente e os documentos fiscais que acobertaram as compras foram regularmente escriturados nos livros e registros. Ou seja, as transações comerciais se consumaram e a defendente efetuou o pagamento pela aquisição das mercadorias a destinatários identificados (empresas vendedoras das mercadorias). Assim, resta clara a boafé da defendente pois à época das transações comerciais era evidente a idoneidade das empresas vendedoras e dos documentos fiscais emitidos pelas mesmas, não havendo justificativa para o lançamento de ofício. A Defendente não pode ser autuada e penalizada como se tivesse concorrido para a suposta inidoneidade das empresas vendedoras ou dos documentos fiscais que acompanharam as mercadorias, conforme alegam os Srs. Auditores Fiscais no Termo de Verificação Fiscal e nos documentos (diversos apensos) que não lhe foram disponibilizados, impossibilitando elaboração de sua defesa com perfeição, cerceando seu direito de Defesa. Colaciona decisões administrativas. Afirma que a autuação fiscal foi embasada em presunções e indícios no lugar de realizar o levantamento fiscal específico. Impugna novamente a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, afirmando que, para a efetiva apuração da realidade das atividades das empresas, seria necessária a análise de um conjunto de elementos, como o confronto das declarações das vendedoras em resposta aos Termos de Intimações com as respectivas contabilidades. Conclui que os Auditores Fiscais deixaram de lado uma prova que, se produzida, daria fim à questão, fulminando qualquer espécie de indício em contrário. Deste modo, requer seja convertido o julgamento em diligência, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, para que seja analisada a escrita fiscal das empresas vendedoras. No caso, conclui que a fiscalização não comprovou as supostas infrações apontadas no Termo de Verificação Fiscal que implicasse ou possibilitasse glosa dos custos e despesas, já que se utilizou de prova ilícita e não realizou levantamento fiscal. Efetivamente, o trabalho do Fisco não traz segurança na medida em que não foram levantadas todas as informações necessárias e indispensáveis que justificasse a suposta infração, sendo incorreta a exigência fiscal, devendo a mesma ser cancelada. Fl. 16769DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Não sendo devido o Imposto e a Contribuição Social, também não são devidos os acessórios, ou seja, multa e juros. Diante do exposto, requer sejam acolhidas as preliminares aduzidas, determinando a nulidade do procedimento fiscal. Caso contrário, requer a entrega dos documentos (apensos) ou a disponibilização dos autos para vistas e a devolução do prazo para apresentar defesa, sob pena de cerceamento de defesa. Ainda, alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para sanar as irregularidades cometidas pelo Fisco. Requer que seja conhecida a Defesa e julgada totalmente procedente, declarando insubsistentes as autuações fiscais para o fim de anular o Auto de Infração, bem como cancelar as exigibilidades do crédito tributário em questão. Caso ainda não seja o entendimento, requer redução ou relevação das multas impostas diante de todo o exposto anteriormente. Protesta provar a veracidade do alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de documentos, vistorias, etc. Igualmente dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 16590), o responsável solidário impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 16528/16573, anexando documentos de fls. 16574/16576 (Procuração e documento do Patrono), na qual apresentou as mesmas alegações produzidas pela autuada, diferindo apenas no seu inconformismo com a responsabilização solidária do sócio, conforme resumido a seguir: Ao contrário do que afirma a Autoridade Fiscal, sustenta que não restaram comprovadas as práticas fraudulentas, não prevalecendo o Termo de Sujeição Passiva bem como a autuação fiscal. Inicialmente, ressalta entendimento de que só existe solidariedade nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte SP Alimentação e Serviços Ltda, o que não vem ao caso já que o sujeito passivo é empresa constituída desde o ano de 1997 e possui sua situação cadastral “ATIVA” perante o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Sustenta não ser aplicável, ainda, o disposto no inciso III do art. 135 do CTN, eis que não foi comprovado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto pelo sócio administrador. O Termo de Verificação Fiscal afirma que o Sr Eloízo foi o principal interessado e beneficiário das supostas práticas fraudulentas diante de sua evolução patrimonial. Tal afirmação está embasa exclusivamente em presunções pois não foi analisado com perfeição a Declaração do Imposto de Rendas. O Fisco verificou somente o valor do patrimônio declarado sem analisar as demais informações como as dívidas e ônus assumidos. Fl. 16770DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 13 23 Portanto, na realidade, não houve aumento patrimonial por práticas fraudulentas que indicassem evolução patrimonial. Efetivamente, o Sr. Eloízo possui outras atividades que geram rendimentos. Ainda que houvesse aumento patrimonial, este não depende exclusivamente das atividades decorrentes da SP Alimentação e Serviços Ltda. Deste modo, resta claro a precipitação da autoridade fiscal e nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Auto de Infração, por terem sido ambos embasados em prova ilícita. Por fim, formula os mesmos pedidos apresentados pela autuada e requer, adicionalmente, a declaração de insubsistência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. A DRJ julgou a impugnação improcedente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Constatado o pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada, será apurado o Imposto de Renda incidente exclusivamente na fonte, nos termos do art.61 da Lei nº 8.981/95, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento é da fonte pagadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. REQUISITOS. A intimação por edital só é admitida depois de comprovada a tentativa improfícua de intimação direta do contribuinte, seja pessoal, postal ou por meio eletrônico, sem ordem de preferência destas (art. 23, inciso III, do Decreto n°70.235/72). INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL ENDEREÇADA AO SÓCIO. É válida a intimação entregue no domicílio fiscal do sócio da pessoa jurídica quando se frustra a tentativa de intimála no endereço seu domicílio tributário cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal doBrasil. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. INDEFERIMENTO. Fl. 16771DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções constantes no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. SOLICITAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nºº70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. COMPETÊNCIA FUNCIONAL DO AUDITOR FISCAL DA RFB. LANÇAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Entre as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil previstas em lei estão as competências funcionais para executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica e de constituir, mediante lançamento de Auto de Infração, o crédito tributário e de contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem aos sujeitos passivos todas as informações relevantes para suas defesas, comprovado por meio de impugnações em que demonstram conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, por expressa ressalva legal plasmada no § 4º do art. 150 do CTN, a regra para contagem do prazo decadencial será aquela estabelecida pelo art. 173, inciso I. No caso de lançamento de ofício referente a Imposto de Renda retido exclusivamente na fonte, na forma prevista no art. 61 da Lei nº8.981/95, considera se ocorrido o fato gerador no dia do pagamento a beneficiário não identificado. Consequentemente, o prazo decadencial para que a Administração Tributária proceda ao lançamento, considerando a regra do art. 173, inciso I, do CTN, se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que ocorreu o referido pagamento. Fl. 16772DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 14 25 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA A utilização de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo quando prestados à Administração Tributária com observância de dispositivos previstos no ordenamento jurídico. MULTA. LEGALIDADE. A multa é devida em decorrência de lançamento de ofício e cobrada em virtude de determinação legal, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. É solidária a responsabilidade do sócio gerente pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei, contrato social ou estatuto. A caracterização da responsabilidade pessoal dos sócios gerentes pelos créditos tributários não exclui a responsabilidade direta do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito a contribuinte e o responsável solidário interpõem recursos voluntários reiterando fundamentalmente as mesmas razões das impugnações. É o relatório. Fl. 16773DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes recursos voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O lançamento foi feito sob o pressuposto de que houvera pagamentos feitos a beneficiários não identificados ou sem causa, conforme constatações apresentadas em extenso Termo de Verificação Fiscal, aplicandose o disposto no artigo 61, da Lei n° 8981/1995, que prevê a incidência do IRF sobre uma base de cálculo reajustada. Concomitantemente à lavratura do auto de infração, foram formalizados os Termos de Sujeição Passiva Solidária dos Srs. ELOIZIO GOMES AFONSO DURÃES, com fundamento legal no artigos 135, incisos III, do Código Tributário Nacional. Do Recurso do Responsável Tributário (Autuada) Da Preliminar de Nulidade Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972, e não se identificando qualquer outro vício insanável, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. Acrescentese, por pertinente, que se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Isto posto rejeito a preliminar de nulidade. Da Decadência – do Pagamento sem Causa No que diz respeito ao Imposto de Renda na Fonte, entendo que a hipótese trazida pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, reproduzido pelo art. 674 do RIR/99, não se enquadra no disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, nos termos do referido dispositivo, as regras ali estampadas estão dirigidas para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Resta evidente que a hipótese de incidência em discussão (pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado) revelase, sempre, a partir de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. Fl. 16774DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 15 27 A incidência preconizada pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, a meu ver, sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. Nesse diapasão, resta claro que a constituição do crédito tributário em questão só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo o disposto no parágrafo 2º do art. 674 do RIR/99 (“considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância”) relevante apenas para fins de determinação dos termos iniciais dos encargos legais incidentes. Na hipótese de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95, repiso, estamos diante de LANÇAMENTO DE OFÍCIO, e, por conta disso, sendo inaplicáveis as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional, a decadência é regida pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. A ausência total de pagamento faz com que se afaste a regra específica do artigo 150, e se utilize a regra geral do artigo 173, ambos do CTN. Neste processo a ciência entendo que ocorreu em 22/12/2012, e os fatos geradores se reportam a 01/01/2007 a 31/12/2009. O responsável pela empresas foi cientificado em 2012, não podendo se argumentar que a autuada (pessoa jurídica) não teve conhecimento do lançamento. Descabe, portanto, a arguição de caducidade, visto que, nesse caso. Do Mérito Quanto ao mérito, como claramente explicitado no relatório, tratase de exigência de Imposto de Renda exclusivamente na fonte, tendo em vista pagamento sem causa, com fundamento no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. Tais pagamentos referemse a valores sacados das contas da Autuada para pagamentos diversos. "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado,ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da lei n°8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 16775DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual incidirá o imposto. São duas, portanto, as condições referidas na lei para a incidência do imposto: que tenha havido um pagamento e que este não tenha seu beneficiário ou sua causa identificados. No caso concreto, como relatado pela Fiscalização, os lançamentos não tem claramente suas causas identificadas. O lançamento baseiase no fato, apontado pela autoridade lançadora, de que esses beneficiários e as causas dos pagamentos não seriam aqueles constantes dos registros contábeis. Daí ter destacado que o fundamento da autuação é ausência de comprovação da causa do pagamento. Sobre essa questão cumpre assinalar que quando o art. 61 da Lei n° 8.981 se refere a beneficiário não identificado, está se referindo a sua identificação nos registros regulares da empresa. Se esses registros indicam que foi feito um pagamento a um determinado beneficiário e se constata que tal pagamento não ocorreu, mas que os recursos correspondentes foram subtraídos das disponibilidades da empresa, é evidente que houve um pagamento, porém a um beneficiário diferente daquele indicado nos documentos e registros da empresa. Isto é, a beneficiário não identificado. Por ouro lado, não comprovada a operação que deu causa a esses pagamentos, restaria também configurado o pagamento sem causa, da mesma forma a ensejar a formalização da exigência, com fundamento no art. 61 da Lei n°8.981, de 1995. Da Prova Em seu recurso o recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida. Entretanto. o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo Fl. 16776DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 16 29 emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Do Recurso da Responsável Solidária Da Hipóteses Legais da Responsabilidade Tributária e a sua Subsunção ao Caso Concreto A chamada desse contribuinte aos autos, ocorreu com fundamento legal nos artigos 135, inciso II do CTN, tendo em vista que o Sr. ELOIZIO GOMES AFONSO DURÃES, seria o único sócio administrador da SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., sendo responsável direto pelas irregularidades apuradas pela fiscalização. Cabe assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional — CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: 1— contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador: II — responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição apressa de lei." Entendo, portanto, que o artigo 121 do CTN só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, além do art. 121, II, os artigos 124, I e 135, II e HL Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1— as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II — as pessoas expressamente designadas por lei." Para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de Fl. 16777DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 30 divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel Todos os coproprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124. I do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda, exigido da fonte pagadora. Sem examinarmos, por enquanto, essa circunstância de o imposto ser de tributação exclusiva de fonte, a autuação demonstrou que o indigitado obrigado solidário foi beneficiário da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para a realização dos pagamentos irregulares e para a ocultação desses fatos por meios fraudulentos.Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, Ido CIN. A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade solidária o art. 135, II e III, que a seguir transcrevo: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) II os mandatários, prepostos ou empregados; III — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Notese que se trata de lançamento onde o sujeito passivo é expressamente designado pela lei, no caso pelo art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. Tratase, portanto, da hipótese de sujeição passiva referida no art. 121. II combinada com o art. 128 do CTN. E mais, de situação em que a lei não só atribuiu a responsabilidade a terceira pessoa, à fonte pagadora dos rendimentos, mas determinou que essa responsabilidade seria exclusiva, como previsto no mencionado artigo 128, que a seguir transcrevo. "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Fl. 16778DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.722976/201215 Acórdão n.º 2202002.643 S2‐C2T2 Fl. 17 31 Em conclusão, entendo QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA: rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 16779DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10120.012399/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARCO ANTONIO ORTEGA GARCIA
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARCO ANTONIO ORTEGA GARCIA RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 12 39 9/ 20 09 -1 3 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, MARCO ANTONIO ORTEGA GARCIA, foi lavrado o Auto de Infração de fls.221/234, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2006, que lhe exige crédito tributário no montante de R$.3.285.881,10. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e dá conta dos seguintes aspectos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram realizadas a instituições financeiras, tal como se constata de fls. 14 a 19. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/200913 Resolução nº 2202000.368 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/200913 Resolução nº 2202000.368 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/200913 Resolução nº 2202000.368 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/200913 Resolução nº 2202000.368 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10660.003371/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS.
Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003. Somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades pela prática de infrações.
Em face do princípio da irretroatividade a lei não deve retroagir para atingir fatos passados, exceto nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade benigna, o que não é o caso dos autos.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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MULTA ISOLADA Recorrente RODRIGUES & RODRIGUES SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003. Somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades pela prática de infrações. Em face do princípio da irretroatividade a lei não deve retroagir para atingir fatos passados, exceto nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade benigna, o que não é o caso dos autos. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 33 71 /2 00 6- 27 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de auto de infração (efls. nº 5/ss), lavrado em 24/11/2006, para a cobrança de multa isolada no valor de R$ 219.519,95 pela compensação indevida caracterizada pela utilização de créditos de terceiros. Conforme informado pela autoridade fiscal na “Descrição dos Fatos” (efl. nº 6), a empresa efetuou a compensação de tributos federais com “crédito originário da ação ordinária nº 89.00136224, impetrada por ABC Componentes para Calçados Ltda., Calçados Licetti Ltda. e outros, por sua conta e risco, não se verificando tutela jurisdicional nas decisões judiciais prolatadas nos autos da referida ação que permita tal procedimento”. Concluiu, então, que “contribuinte efetuou compensação indevida de valores, por utilizar crédito não passível de compensação, contrariando o disposto no caput do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996”. Consta, ainda, a informação (efl. nº 9) que as DComps fora formalizadas em 16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003, 15/08/2003 e 20/10/2004. Por bem sintetizar os fatos, transcrevese relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Em desfavor da contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração, de fls. 2 a 10, no qual foi constatada compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. 2. Com base no Enquadramento Legal (fl. 6), restou apurado um crédito tributário de R$ 219.519,95, exclusivamente decorrente de multas isoladas. Da Autuação 3. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4 a 6), a contribuinte entregou diversas Declarações de Compensação (DCOMP) utilizando crédito sem previsão legal. 4. As DCOMP em questão foram reproduzidas no Processo Administrativo nº 10660.001821/200566. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem conclui que a empresa em epígrafe efetuou compensação com crédito originário de ação judicial impetrada por ABC Componentes para Calçados LTDA., Calçados Licetti LTDA. E outros,por sua conta e risco, não se verificando tutela judicial que permitisse tal procedimento. 5. Segundo a autoridade lançadora, ao entregar essas declarações, a contribuinte utilizou crédito não passível de compensação, contrariando o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conforme esse dispositivo, o sujeito passivo não pode utilizar crédito de terceiro para quitar débitos próprios. 6. A compensação indevida sujeita a contribuinte ao lançamento de oficio previsto no art. 90 da Medida Provisória n2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, alterado pelo art. 18 da Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7. Para o presente caso, se aplicaria a multa de 150%, porém, após as alterações do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e considerando a retroatividade benigna prevista no Código Tributário Nacional, devese aplicar a multa de 75% sobre os débitos indevidamente compensados, visto que a interessada utilizou crédito de terceiro. Da Impugnação Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.003371/200627 Acórdão n.º 3202001.165 S3C2T2 Fl. 132 3 8. Devidamente cientificada em 28 de novembro de 2006 (fl. 52), a contribuinte apresenta impugnação (fls. 58 a 64) em 20 de dezembro de 2006, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) os citados créditos decorrem de decisões judiciais de finitivas, nas quais houve reconhecimento do direito ao créditoprêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da possibilidade de compensação; b) valendose dos permissivos legais constantes da legislação brasileira, a ora recorrente adquiriu direitos creditórios das empresas autoras das ações ordinárias e os aproveitou mediante apresentação de DCOMP; c) a legislação civil brasileira admite a livre alienação e cessão de direitos creditórios, pelo credor a terceiros, desde que observadas as condições legalmente estabelecidas; d) assim, respeitados todos os procedimentos legais relativos à cessão de créditos, a recorrente utilizouse de créditos próprios, não havendo compensação com crédito de terceiro; e) em vista de já ter transitado em julgado o processo judicial que embasa o aproveitamento dos créditos, qualquer obstáculo administrativo compensação pleiteada estará ferindo o principio constitucional do respeito coisa julgada; f) há patente impropriedade técnica acerca da aplicação dos dispositivos da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, no que tange à aplicação de multa sobre as compensações não declaradas; g) tal norma entrou no ordenamento brasileiro em 29 de dezembro de 2004, enquanto que a última operação de compensação realizada data de 16 de dezembro de 2004, atentando contra o principio da irretroatividade das leis, ainda mais para aplicar uma sanção; h) além disso, para considerar como não declarada a compensação, a decisão recorrida utilizouse dessa mesma legislação que não vigorava à época da compensação; i) cita jurisprudência judicial para reforçar sua tese. É o relatório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 11.34.772, sessão de 26 de agosto de 2011 (efolhas 91/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo; a compensação indevida de débitos tributários em face da utilização de créditos de terceiros, cabível a exigência da multa isolada nos termos da legislação de regência. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS As decisões judiciais fazem coisa julgada às partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 A interessada foi cientificada do Acórdão em 23/01/2012 (efolha 102), apresentou Recurso Voluntário em 17/02/2012 (efls. 114/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na Impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, o auto de infração foi lavrado para a cobrança da multa isolada por declarações de compensação indevidas, formalizadas em 16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003, 15/08/2003 e 20/10/2004, mais especificamente pela utilização de supostos créditos de terceiros, obtidos pela empresa ABC Componentes para Calçados Ltda., Calçados Licetti Ltda. e outros no bojo da ação judicial nº 89.00136224. À época em que foram apresentadas as declarações de compensação, o artigo 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835 (DOU de 27.08.2001), prescrevia: "Art. 90 Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." (grifei) De outro lado, é certo que o dispositivo contido no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, apenas autoriza compensações de créditos apurados pelo próprio contribuinte, não havendo previsão para utilização de créditos apurados por terceiros estranhos à relação jurídicotributária existente entre sujeito ativo e passivo, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) (grifei) Assim, não há dúvidas que a conduta praticada pela Recorrente, ao utilizarse de créditos de terceiros para compensar débitos próprios, estava expressamente vedada pelo dispositivo legal acima transcrito. E mais, o art. 170, do CTN, dispõe que a autoridade administrativa pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Temos, portanto, que à época em que a Recorrente apresentou as declarações de compensação (16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003, 15/08/2003 e 20/10/2004) já havia dispositivos legais proibindo a utilização de créditos de terceiros para compensar com débitos próprios. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.003371/200627 Acórdão n.º 3202001.165 S3C2T2 Fl. 133 5 Contudo, a meu ver, a penalidade cabível pela prática da conduta vedada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002 – compensação indevida de tributo utilizandose de crédito de terceiros – passou a ser prevista apenas com a edição da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003 (publicada no DOU em 30/12/2003), verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. O caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 definiu as hipóteses em que seria cabível a aplicação da multa isolada de ofício, quais sejam: (a) quando o crédito/débito não for passível de compensação, por expressa determinação legal; (b) quando o crédito não tiver natureza tributária; e (c) quando ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64) No caso em tela, portanto, podemos extrair as seguintes conclusões: (i) quando formalização das declarações de compensação realizadas em 16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003 e 15/08/2003 (prática da conduta infracional), a MP nº 135, de 2003 (a publicação ocorreu em 31/10/2003), convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ainda não havia sido publicada, portanto, não havia norma válida e vigente estipulando a penalidade pela prática da conduta típica. (ii) quando formalização das declaração de compensação realizadas em 20/10/2004 (prática da conduta infracional), a MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, já havia sido publicada, portanto, a norma que estipulava a penalidade pela prática da conduta típica já estava válida e vigente. Logo, assiste razão em parte à Recorrente quando afirma que a lei que prevê a cobrança da multa isolada é posterior às compensações efetuadas pela Recorrente. Como todos sabem, o princípio da irretroatividade prescreve que a lei não deve retroagir para atingir fatos passados (art. 150, III, “a” da CF/88 e art. 105 do CTN), exceto nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade benigna (art. 106/CTN), o que não é o Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 caso dos autos. É certo, também, que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades pela prática de infrações (art. 97, V, do CTN). Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (a) em decorrência da ausência de norma prescrevendo a penalidade à época da prática da conduta infracional tipificada no lançamento, deve ser exonerada a cobrança da multa isolada em relação às declarações de compensação apresentadas em 16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003 e 15/08/2003; (b) para a declaração de compensação, formalizada em 20/10/2004, deve ser mantida a cobrança da multa isolada. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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