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Numero do processo: 10425.900326/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DCTF (CTN, ART. 147,§ 2º).
Erro de fato comprovado conforme resultado constante de relatório de diligência fiscal.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84)
Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão (CTN, art. 147, § 2º).
Numero da decisão: 1301-002.995
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 4.333,87, em valores originais, e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DCOMP Recorrente BENTONIT UNIÃO NORDESTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA DCTF (CTN, ART. 147,§ 2º). Erro de fato comprovado conforme resultado constante de relatório de diligência fiscal. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84) Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão (CTN, art. 147, § 2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 4.333,87, em valores originais, e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 03 26 /2 00 8- 67 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 533 2 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 534 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.55/65 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 44/49) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que em 14/12/2004, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 23893.27003.141204.1.3.045286 (fls. 01/05), informando compensação tributária: a) débito informado: COFINS nãocumulativa, código de receita 58561, período de apuração novembro/2004, data de vencimento 15/12/2004, R$ 4.538,00; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 4.333,87; que o direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/08/2004, código de receita 2362, data de arrecadação 30/09/2004, valor do recolhimento R$ 22.968,64, conforme cópia do DARF (fl.29). Em 24/04/2008, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Campina Grande (fl. 07), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débitos da contribuinte, confessados em DCTF. Não restando crédito disponível. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório (fl. 07), in verbis: (...) 3— FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.333,87. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 535 4 (...) Ciente desse despacho decisório, a contribuinte, em 05/06/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 06), pedindo sua reforma, juntando: Cópia do Despacho Decisório de 24/04/2008 (fl.07); Cópia do PER/DCOMP nº 23893.27003.141204.1.3.045286, transmitido em 14/12/2004 (fls. 23/28); Cópia do DARF, código receita 2362, no valor original de R$ 18.634,77, referente período de apuração 08/2004, recolhido em 30/09/2004 (fl. 29); Cópia da Ficha 11 da DIPJ 2005 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da DIPJ, período de apuração agosto 2004, informando o valor a pagar (linha 13) de R$ 18.634,77; que, portanto, há o valor original recolhido a maior de R$ 4.333,87 e corrigido pela Selic de R$ 4.538,00 (fl. 32); Cópia do recibo de entrega da DIPJ 2005, via internet, de 29/06/2005 (fl.33); Cópia de folha isolada, única, da DCTF, débito confessado do IRPJ estimativa mensal do período de apuração agosto/2004, no valor de R$ 22.968,64 (fl.31 ); Cópia do recibo de entrega da DCTF (retificadora), via internet, em 27/04/2007, onde consta débito do IRPJ, no valor de R$ 140.275,52 do 3º trimestre/2004 (fl. 31). A DRJ/Recife, conforme Acórdão de fls. 44/49, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Não se homologa a compensação quando não comprovado ser indevido o pagamento efetuado ou maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 536 5 Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/10/2010 (fl. 54), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/11/2010 (fls. 55/65), juntando ainda os documentos, inclusive Balancete Analítico (fls. 66/103), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, não obstante ter confessado na DCTF do 3º Trimestre de 2004 (período de apuração agosto de 2004) o IRPJ estimativa mensal de R$ 22.968,64 (fls. 30/31) e ter efetuado respectivo pagamento (fl. 29), houve erro de apuração do valor do imposto desse PA, gerando pagamento a maior e confissão de débito a maior na DCTF; que o valor correto do IRPJ estimativa mensal do PA agosto/2004 totaliza R$ 18.634,77, conforme cópia da DIPJ 2005, transmitida pela internet em 29/06/2005 (fls.32/33); que, ainda, para comprovação do alegado, juntou cópia do balancete do período de apuração Agosto de 2004 (fls. 78/89), bem como planilha de apuração da base de cálculo do IRPJ (fl. 90); que, em atenção ao princípio da verdade material, devese dar prevalência às informações prestadas na DIPJ 2005, e não ao valor incorreto confessado na DCTF; que, para a decisão recorrida, além da falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, os valores pagos por estimativa mensal somente podem ser utilizados para dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período de acordo conforme disposto no artigo 10 da IN SRF 460/2004; que, entretanto, tal entendimento já foi absolutamente superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo cabível, destarte, a utilização do crédito, relativo a recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal, no próprio anocalendário, por não gerar prejuízo para o fisco. Invocou e transcreveu, em favor de sua tese, ementas de acórdãos deste CARF (Ac. 0515.943 e 10516.205) que a Instrução Normativa n° 900/08 (art. 11), que revogou a IN 600/05 (art. 10), excluiu da vedação de aproveitamento ou utilização, no curso do próprio ano calendário, de crédito decorrente do recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal; que não fez utilização dos valores recolhidos a maior ou indevidamente na apuração realizada no encerramento do anocalendário 2004, conforme demonstra a DIPJ 2005 (declaração de ajuste anual); Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso, no sentido de que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologada a compensação, extinguindose o débito informado. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 537 6 Na Sessão de 06/12/2012, a 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL converteu o julgamento em diligência, Resolução nº 1802000.139 – 2ª Turma Especial (fls. 117/125), constando do voto condutor, no que pertinente, in verbis: (...) Em face disso tudo, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Campina Grande, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 24/07/2007; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2004 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2004, para comprovação do seu alegado direito creditório; 6) confirmar qual foi o montante de pagamentos do IRPJ estimativa mensal do anocalendário 2004; 7) ajustar, de ofício, a DCTF, se for o caso; 8) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do alegado direito creditório pleiteado e se está disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 9) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos para julgamento. (...) Em 06/02/2017, remessa dos autos do processo ao CARF (retorno), constando a juntada de documentos, Informação Fiscal (relatório de diligência fls. 554/556), conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 558). É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 538 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; portanto dele conheço. Conforme relatado, em 14/12/2004 a contribuinte informou compensação tributária ao fisco sob condição resolutória, de débitos confessados na DCOMP com utilização de direito creditório de R$ 4.333,87 (valor original), cuja origem seria o pagamento, em parte, indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/08/2004, código de receita 2362, data de arrecadação 30/09/2004, valor do recolhimento R$ 22.968,64, conforme cópia do DARF (fl.29). Ou seja, que o crédito pleiteado de R$ 4.333,87 seria a diferença entre o valor do pagamento de R$ 22.968,64 e o débito apurado do referido PA R$ 18.634,77 (informado na DIPJ). As decisões anteriores nos autos (despacho decisório e a decisão recorrida da DRJ/Recife) denegaram o direito creditório reclamado, com base os seguintes fundamentos: que inexiste o crédito, pois o pagamento foi integralmente consumido pelo débito do próprio PA confessado na DCTF (retificadora); que é incabível a devolução do pagamento do imposto estimativa mensal antes de encerrado o anocalendário, pois só se devolve saldo negativo; que, por conseguinte, a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito utilizado na DCOMP para quitar débito nela confessado. Entretanto, a contribuinte, nas razões recurso, argumentou que cometera erro de fato, quanto ao recolhimento do imposto estimativa mensal do PA 31/08/2004 e sua confissão na DCTF (retificadora) respectiva; que a diferença paga a maior ou indevidamente por erro de fato, consoante jurisprudência do CARF, é cabível sua repetição no próprio ano calendário, a partir da data do pagamento indevido. Em face dos argumentos da contribuinte e da necessidade de instrução complementar, na Sessão de 06/12/2012 a 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL converteu o julgamento em diligência, Resolução nº 1802000.139 – 2ª Turma Especial (fls. 117/125). O resultado da diligência confirmou o erro de fato e, por conseguinte, a existência do crédito pleiteado pela contribuinte nestes autos, conforme Informação Fiscal da DRF/Campina Grande, de 06/02/2017 (fls. 544/546), que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por todo o exposto, tendo em vista o item 8) listado acima, tem se a relatar o que segue: Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 539 8 O contribuinte apresentou o PER/DCOMP n° 23893.27003.141204.1.3.045286 com crédito de pagamento indevido ou a maior de R$ 4.333,87, referente a IRPJ, período de apuração 31/08/2004, código de receita 2362, arrecadado em 30/09/2004, valor total recolhido de R$ 22.968,64, compensando com o débito de COFINS nãocumulativa no valor de R$ 4.538,00. Esse pedido de compensação foi indeferido, conforme Despacho Decisório de fl. 8, informando que o valor total do DARF R$ 22.968,64 foi totalmente utilizado com a quitação de débito do contribuinte, confessado em DCTF. Na DIPJ 2005, anocalendário 2004, foi apurado o valor de R$ 18.634,77 de IR a pagar estimativa no mês de agosto de 2004, fl. 203, tendo o contribuinte deduzido na Ficha 12A o valor total de R$ 418.343,31 nesse ano de estimativa IRPJ, fl. 206. Na DCTF retificadora, apresentada em 27/04/2007 o valor que consta de IRPJ estimativa foi de R$ 22.968,64, fl. 349. Pelo exposto, fica demonstrado que se compararmos somente a DCTF e o DARF pago, não há valor pago a maior ou indevido. Mas se compararmos com o valor declaração em DIPJ e confirmado pela contabilidade, verse que o contribuinte tem razão em pedir a compensação do valor de R$ 4.333,87, valor esse que corresponde a diferença entre o declarado na DIPJ 2005, anocalendário 2004, no período de agosto 2004, no valor de R$ 18.634,77, e o valor pago em DARF de R$ 22.968,64. Essa conclusão ficou corroborada com a análise da contabilidade do contribuinte, Diário Geral, Balancete à fl. 464, e Balancete Analítico, à fl. 93, consta o lucro/prejuízo acumulado em 31/8/2004 o valor de R$ 6.094.444,08, valor esse que coincide com o valor do lucro/prejuízo líquido acumulado apurado nas tabelas às fl. 94, 484 e 510. O valor apurado na tabela à fl. 484 na antepenúltima linha, denominada de SUB TOTAL, na coluna referente a agosto, é o mesmo valor constante da DIPJ 2005, anocalendário 2004, no mês de agosto, no montante de R$ 18.634,77. Com a finalidade de verificar se os valores deduzidos na tabela de fl. 484 estavam corretos, foi pedido ao contribuinte que demonstrasse o cálculo do incentivo de reserva de lei, do Investimento Fain e da Redução por reinvestimento, fl. 493. Em resposta à essa intimação, a empresa encaminhou os documentos de fls. 496/520. Com base nessa documentação enviada, foi feito pela fiscalização o recálculo da DIPJ do contribuinte do mês de agosto de 2004, às fls. 477/480. Após esse recálculo e após análise detalhada dos documentos enviados, verificouse que os cálculos apurados pelo contribuinte bateram com os valores apurados pela fiscalização. No que se refere se o crédito está disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos, informo que foi extraído do sistema PER/DCOMP a tela em anexo à fl. 475. Nessa tela, o crédito não está disponível para compensação, Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10425.900326/200867 Acórdão n.º 1301002.995 S1C3T1 Fl. 540 9 visto que não restou saldo, pois o valor informado em DCTF coincide com o valor pago por meio de DARF. Por todo o exposto, vêse que o valor do lucro que consta da contabilidade do contribuinte coincide com o valor constante nas tabelas encaminhadas pelo contribuinte. Assim fica comprovado que o valor de IR estimativa apurado no mês de agosto de 2004, constante da DIPJ 2005, anocalendário 2004, no valor de R$ 18.634,77, tem base na contabilidade do contribuinte. Assim, após toda a análise realizada pela fiscalização, constatouse que o direito creditório alegado pelo contribuinte de R$ 4.333,87 tem amparo na contabilidade e nos documentos apresentados à fiscalização. (...) O erro de fato, suscitado pela contribuinte, como visto, restou demonstrado pelo relatório da diligência fiscal, justificando, por conseguinte, a aplicação da inteligência do verbete da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado o erro de fato, logo justificase ainda a necessidade da autoridade administrativa fiscal local da DRF/Campina Grande proceder a retificação da DCTF retificadora (transmitida em 27/04/2007 fl. 349) quanto ao PA 31/08/2004, nos termos do art. 147, § 2º, do CTN, ajustando o débito estimativa de R$ 22.968,64 para R$ 18.634,77, exsurgindo, assim, o crédito pleiteado de R$ 4.333,87 (valor original) bem como sua disponibilidade. Por tudo que foi exposto, voto para dar provimento ao recurso para homologar a compensação até o limite do crédito disponível. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722699/2014-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
Numero da decisão: 2001-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 26 99 /2 01 4- 26 Fl. 156DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 100/104, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2009, de R$ 18.222,17 para R$ 2.472,08. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 102), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcs. do Banco do Brasil, CNPJ nº 33.754.482/000124, no valor de R$98.945,27, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Cientificado do lançamento em 16/09/2014 (fls. 106), o interessado apresentou, em 10/10/2014, a impugnação de fls. 02/15, por meio da qual alega em síntese que é portador de paralisia irreversível e incapacitante (gonoartrose de joelho), moléstia prevista na Lei nº 7.713/88, desde novembro de 2008 e é aposentado desde março de 1993, situações que podem ser comprovadas mediante o Laudo Médico Pericial emitido pelo Serviço Público Municipal e o comprovante de aposentadoria que anexa, que atendeu a todas as exigências do Ofício 169/2013, encaminhado à Prefeitura Municipal de Botucatu, apresentando os documentos que fundamentaram o laudo médico pericial, dentre outros argumentos. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls.113/119. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de NÃO reconhecer a moléstia grave. Em sede de Recurso Voluntário, perdeu o contribuinte o prazo legal determinado na norma para a sua apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Merece que seja trazido a baila, logo de início, que conforme Aviso de Recebimento (AR) a cientificação da Notificação de Lançamento ocorreu em 31/03/2016, sendo a impugnação apresentada somente em 05/05/2016. Nesta senda, insta frisar que o prazo legal para formalização por escrito da impugnação é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10825.722699/201426 Acórdão n.º 2001000.447 S2C0T1 Fl. 3 3 Registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, a contagem dos prazos é contínua, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento, e iniciase ou termina somente em dia de expediente normal. No caso de a intimação ser efetuada por via postal, como é o caso em apreço, a sua ciência se dá na data de seu efetivo recebimento no domicílio fiscal do contribuinte, com Aviso de Recebimento – AR, ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte, tal qual determina o inciso II do § 2º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532/1997. Este é o entendimento da jurisprudência pronunciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Intempestivo, o Recurso Voluntário não instaura a fase litigiosa do procedimento, incompatibilizando o julgamento do mérito, consoante disposições do art. 28 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993; e Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Tendo em vista a evidente intempestividade do recurso entendo que não deve ser conhecido, por ausência delimitação de litígio nesta fase recursal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720072/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESI-SP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultando-se, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestarem-se sobre o assunto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Waltir de Carvalho, Martin da Silva Gesto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultandose, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestaremse sobre o assunto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Waltir de Carvalho, Martin da Silva Gesto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 37.365.6726, atinente ao anocalendário 2008, e relativo a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, destinadas ao Serviço Social da Indústria – SESI (1,5%), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1,0%), e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 07 2/ 20 13 -2 8 Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Resolução nº 2202000.817 S2C2T2 Fl. 3.962 2 estabelecimentos enquadrados no código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 531. Conforme o relatório fiscal (fls. 411/421), a autuação se refere às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. A fiscalização constatou que somente os empregados do setor de abate poderiam ser enquadrados no FPAS 531, sendo que os demais deveriam ser enquadrados no FPAS 507, de acordo com o art. 137 e Anexo II da IN SRP nº 03/05, vigente à época, e tendo em vista que a atividade preponderante da empresa é a industrialização dos insumos adquiridos. Consta do relato fiscal a informação de que o setor de abate é definido como o setor que abarca as seguintes atividades: (i) recepção dos animais; (ii) condução e lavagem; e (iii) atordoamento, sendo que somente os valores referentes a essas atividades poderiam ser lançados com o FPAS 531. Não obstante impugnada (fls. 3691/3744), a exigência foi mantida pela instância de piso (fls. 3855/3860), dando ensejo à interposição de recurso voluntário em 27/06/2013 (fls. 3779/3844), no qual foi arguído, conforme síntese efetuada pelo relator da Resolução nº 2402 00.519 (fl. 3858): a) o entendimento da fiscalização de que só o setor de abate pode ser enquadrado no FPAS 531 é incorreto, pois todos os procedimentos realizados até a serragem da carcaça ao meio compõem o setor de abate, devendo ser realizada diligência para determinar até qual procedimento se enquadra no setor de abate; b) o resfriamento e a desossa, procedimentos realizados após o abate, também devem ser qualificados como indústria rudimentar, devendo ser igualmente enquadrados no FPAS 531, eis que não há transformação, nessas fases, de matéria prima em bens de consumo ou produção, que é a definição de indústria que se enquadra no FPAS 507; c) vício do auto de infração, pois este teria sido lavrado contra a matriz incorretamente, uma vez que os fatos são relativos às filiais, não havendo sequer Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) relativo a estas, devendo se considerar que a competência para fiscalizar e cobrar é da DRF competente pela jurisdição de cada filial. d) a decadência relativa à competência 01/2008; e e) caso não seja esse o entendimento, pleiteia o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. À ocasião daquela Resolução deste Colegiado, datada de 26/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência para que se procedesse à exata definição das atividades que compõem o setor de abate e qual o critério adotado para essa definição. Realizada tal providência (fls. 3925/3936), e manifestandose o contribuinte sobre o feito (fls. 3948/3957), retornou o processo para prosseguimento. É o relatório. Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Resolução nº 2202000.817 S2C2T2 Fl. 3.963 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Não obstante os termos da diligência efetuada, cuja necessidade foi bem apontada pelo relator da Resolução nº 2402000.519, persiste situação que demanda maiores esclarecimentos, a serem obtidos via encaminhamento de nova diligência. Giza o § 2º do art. 49 do Decreto nº 57.375/65, o qual aprovou o Regulamento do SESI: Art. 49. A arrecadação das contribuições devidas ao SESI será feita pelo instituto ou caixa de pensões e aposentadoria a que estiver filiada a emprêsa contribuinte, concomitantemente com as contribuições da previdência social. § 1º O órgão arrecadador, pelos seus serviços, terá direito a uma remuneração fixada e paga na forma do disposto no artigo 255 e seus parágrafos do RegulamentoGeral da Previdência Social, baixado com o decreto nº 48.959A, de 19 de setembro de 1960. § 2º Em face de circunstâncias especiais, as empresas que nela se encontrarem poderão recolher as suas contribuições diretamente ao SESI, mediante autorização do Departamento Nacional, comunicada ao órgão previdenciário competente. (...) (grifouse) Ora, consta nos autos "Convênio para Arrecadação direta com prestação de serviços assistenciais nº 5.199" (fls. 3739/3741), firmado em 03/09/2008 entre o SESI Departamento Regional de São Paulo e estabelecimento do recorrente de CNPJ nº 02.916.265/002727, cuja cláusula segunda prevê que "a partir da assinatura do presente convênio a empresa passará a recolher diretamente ao SESISP, em qualquer instituição bancária dentro do Território Nacional, a contribuição mensal que lhe é devida". Baseado em tal instrumento, o contribuinte alega que os valores devidos pelas filiais enquadradas no FPAS serão pagos diretamente ao SESI, havendo juntado, quando da impugnação, as primeiras folhas de Notificação de débito contra a qual foi apresentada defesa administrativa (fls. 3743/3744). De outra parte, na decisão guerreada, é asseverado que o convênio foi firmado entre o SESISP e filial que foi objeto de autuação, e que as informações das GFIPs, relativas a essa filial, bem como à matriz, não traziam elementos que refletissem tal contexto. Transcreva se trecho do acórdão: 16.4 No presente caso, entretanto, da análise dos documentos juntados (Doc. 03 e Doc. 04), e das GFIP´s do Contribuinte constantes no sistema GFIP WEB, verificase que o alegado convênio com o SESI de São Paulo não se reflete na presente autuação: 16.4.1 O convênio juntado na defesa (fls. 3.739/3.741) foi assinado entre o SESI SP e a filial CNPJ 02.916.265/002707, que não foi objeto da autuação, em 03/09/2008, com prazo de vigência a partir da data de sua assinatura, conforme Cláusula Sétima. Entretanto o referido estabelecimento 002707 continuou declarando o código soma de terceiros 0079, que corresponde ao FPAS 507 sem nenhum convênio, até 12/2008: Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Resolução nº 2202000.817 S2C2T2 Fl. 3.964 4 (...) Em que pese tais considerações, há que se reconhecer que no documento relativo ao Convênio, temse o parágrafo único da cláusula segunda, no qual é expressamente assinalado que "para efeito de cálculo e recolhimento da contribuição, a empresa considerará os empregados referentes a todos os seus atuais e futuros estabelecimentos, dentro do território do Estado". Além disso, o signatário do instrumento está qualificado como gerente corporativo da empresa, sendo que a notificação de débito de fl. 3812 e ss, que complementa o material apresentado à impugnação, está dirigida ao estabelecimento matriz e traz alusão ("estabelecimentos fiscalizados") que denota englobar várias filiais do recorrente. De todo modo, havendo sido apresentada a Notificação de Débito nº 02533/SP somente em sede de recurso voluntário, entendese deva ser demandado ao SESISP a confirmação dos termos do documento trazido e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas), bem como o período de vigência, facultandose, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora e para o recorrente, manifestaremse sobre a resposta da instituição. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 3812 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultandose, em seguida, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestaremse sobre o assunto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003629/2008-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$ 3.700,00, por estarem suficientemente comprovadas por Notas Fiscais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$ 3.700,00, por estarem suficientemente comprovadas por Notas Fiscais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 29 /2 00 8- 70 Fl. 54DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 09/12), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, anocalendário de 2006, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 28.704,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/08), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 34/40. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 44/50. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.003629/200870 Acórdão n.º 2001000.083 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. NOTAS FISCAIS Foram apresentadas Notas Fiscais da Clínica de Ginecologia e Obstetrícia Joe Luiz Garcia Novo S/C Ltda. no valor de R$ 3.700,00,. Foi anexada, ainda, Declaração do profissional, atestando que foram prestados serviços médicos a Livia Jordão Boccatto, dependente do autuado. A relação de dependência não foi questionada na autuação. Entendo que as Notas Fiscais, por estarem revestidas de mais formalidade e instrumentos de controle que os recibos, não necessitam de comprovação do efetivo pagamento, a não ser que os motivos de sua rejeição sejam devidamente explicitados na fundamentação do lançamento. O mero indício de numeração em sequência não é suporte suficiente para afastar a dedução da despesa. Fl. 56DF CARF MF 4 Desta forma, devese alterar o lançamento para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$ 3.700,00, que entendo estarem suficientemente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento parcial, para o fim de afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 3.700,00, conforme explanado acima. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.003629/200870 Acórdão n.º 2001000.083 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do Fl. 58DF CARF MF 6 instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.001397/2007-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.166
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 13 97 /2 00 7- 60 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório O presente processo se refere à auto de infração lavrado em razão de atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao 4° trimestre de 2001, cujo valor é de RS 200,00. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de e fl. 02, na qual invoca doutrina e jurisprudência para defender o entendimento de que a multa é confiscatória e que houve denúncia espontânea da infração na forma do art. 138 do CTN, de modo que sua responsabilidade pela infração foi excluída. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 ENTREGA FORA A DO PRAZO DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÊNCIA. Não há denúncia espontânea quando o contribuinte apresenta, com atraso, a DCTF. O art. 138 do CTN não se aplica às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega da DCTF não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 33, no qual alega, em síntese: a) que as declarações entregues com atraso estão albergadas pelo instituto da Denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN, eis que foram apresentadas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização; b) que a multa não poderia ser cobrada de forma cumulativa, isto é, uma para cada trimestre no qual ficou constatado o atraso na entrega da declaração, apresentando jurisprudência que, entende, corrobora sua alegação segundo a qual seria indevido o somatório das multas; c) que não tinha a obrigação legal de (sic) "entregar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 4.º trimestre do ano de 2002, pois sempre foi microempresa e encontravase devidamente enquadrada no SIMPLES." É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13827.001397/200760 Acórdão n.º 1002000.166 S1C0T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é intempestivo e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 03/09/2009 (efl. 30) e apresentou seu recurso voluntário somente no dia 14/10/2009 (efl. 33), observase que o Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Cabe ressaltar que a própria Unidade de Origem atestou a intempestividade do Recurso Voluntário (efl. 41) e que o processo foi enviado a este CARF por força do comando do artigo 35 do já mencionado Decreto: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 44DF CARF MF 4 Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720097/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO CANCELADO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA.
Reconhece-se o direito ao ressarcimento de tributo após a decisão definitiva em processo administrativo que cancela exigência fiscal e restabelece o saldo credor apurado regularmente na escrita fiscal do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.651
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO CANCELADO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Reconhecese o direito ao ressarcimento de tributo após a decisão definitiva em processo administrativo que cancela exigência fiscal e restabelece o saldo credor apurado regularmente na escrita fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 00 97 /2 00 7- 13 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10825.720097/200713 Acórdão n.º 3201003.651 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3403000.466 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: PROFORM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transmitiu, em 10/11/2003, o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 17726.93140.1011031.1.010784, fls. 2 a 8, requerendo o ressarcimento do saldo credor básico de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no montante de R$ 76.302,82, apurado no 2º trimestre de 2003, autorizado pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 033 de 04 de março 1999. A Informação Fiscal de fls. 149 deu conta de que o contribuinte não possui saldo credor de IPI no período em questão porque a sua escrita fiscal foi reconstituída nos autos do processo administrativo fiscal nº 10825.003350/2005–09, que trata de determinação e exigência de crédito tributário do imposto. O Despacho Decisório SAORT/DRF/BAU nº 1.125/2007, fls. 152 a 154, apoiado na referida IF, indeferiu o pleito. Sobreveio reclamação, fls. 157 a 172, na qual alegou, em suma, que tendo em vista que o pedido de ressarcimento depende da resolução do processo matriz 10825.003350/200509, no qual se discute a existência do saldo credor de IPI, não há que se falar em indeferimento do pedido de ressarcimento referente a este e, sim, em suspensão do feito, para se aguardar o desfecho do processo principal. A DRJ/RPO8 ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1436.850, de 6 de março de 2012, fls. 272 a 274, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. É vedado o ressarcimento de créditos do imposto se houver processo de exigência fiscal pendente de decisão administrativa definitiva que possa modificar o montante passível de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 283 a 295, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pugna pelo sobrestamento do feito até que se julgue em definitivo a controvérsia objeto do processo 10825.003350/200509. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10825.720097/200713 Acórdão n.º 3201003.651 S3C2T1 Fl. 4 3 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o relatório. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 27/06/2013, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência por entender que o prosseguimento do julgamento deste processo depende do que restar decidido definitivamente no processo nº 10825.003350/2005–09, que trata de determinação e exigência de crédito tributário do imposto no período em questão. O processo foi baixa do em diligência para que a unidade de preparo informasse (i) a decisão final daquele processo e (ii) a eventual repercussão sobre o saldo credor discutivo no presente processo. O relator fundamentou sua proposta conforme extraise de excerto de seu voto: (...) Conforme relatado, a reconstituição da escrita fiscal da qual não resultou saldo credor ressarcível ao requerente, ora recorrente, foi controvertida nos autos do processo administrativo nº 10825.003350/200509. Esta 3ª TO já teve oportunidade de se debruçar sobre a controvérsia desenrolada nesse processo, ao julgar o recurso voluntário nº 256.275, resultando no Acórdão nº 340300.905, de 8 de abril de 2011, relator Conselheiro Domingos de Sá Filho, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA A fazenda dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário, decorrido este lapso temporal impõese a perda do direito de constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo 4º do art. 150 do CTN. IMPRESSÃO GRÁFICA PERSONALIZADA SOB ENCOMENDA. INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA DE IPI E ISS. POSSIBILIDADE. Os trabalhos de impressão gráfica personalizada realizados por encomenda do adquirente, ainda que para uso exclusivo, atraem a incidência do IPI sobre tais operações, por subsumirem à hipótese de incidência deste tributo, caracterizandose como industrialização, não prejudicando este raciocínio a incidência concomitante do ISS, por força de inclusão destas operações na lista de serviços anexa à LC 116/03, ressalvado o período sob a égide do DL 406/68, quando havia norma impeditiva para tal (art. 8º, § 1º). Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10825.720097/200713 Acórdão n.º 3201003.651 S3C2T1 Fl. 5 4 Recurso Voluntário Provido em Parte. Na oportunidade, o colegiado decidiu reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro 2000 e excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até o advento da Lei Complementar nº 116/2003, determinado que a Fiscalização, na parte remanescente, recalculasse o auto de infração, levando em conta os créditos de IPI alegados pela recorrente. O Colegiado ainda negou provimento ao recurso quanto à não incidência do IPI sobre a atividade de artes gráficas. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 31/10/2011, interpôs Embargos de Declaração, acolhidos por unanimidade na sessão de julgamento de 27/02/2013, Acórdão nº 3403001.922, ainda pendente de formalização de acordo com o consulta ao sítio do CARF na INTERNET formulada em 27/05/2013. Não há dúvida, a decisão final daquela controvérsia é questão prejudicial para o deslinde do presente litígio, razão pelo qual voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o processo à origem, para que a autoridade preparadora informe qual foi a decisão final proferida naquele processo e sua eventual repercussão sobre o saldo credor discutido neste processo.. A DRF Bauru/SP antes mesmo da decisão definitiva do litígio instaurado no processo nº 10825.003350/2005–09 remeteu informação fiscal acompanhada de demonstrativo dos valores lançados, impugnados e exonerados até a decisão proferida no acórdão de recurso voluntário nº 340300.905, de 08/04/2011. Posteriormente foi juntado neste processo cópia do acórdão da CSRF nº 9303005.581, de 17/08/2017. Na informação fiscal constou o andamento dos julgamento do auto de infração de exigência de IPI decorrente da reconstituição da escrita fiscal da contribuinte. Apontou que no julgamento do recurso voluntário, que deu parcial provimento, resultou exoneração dos lançamentos dos débitos: período de 10/04/2000 a 30/04/2000, em razão de decadência; períodos anteriores à 30/07/2003, inclusive, decorrente do início da vigência da Lei Complementar nº 116/03, que deixou de tributar as operações da recorrente pelo ISS. No acórdão de Recurso Especial da contribuinte cancelou a exigência fiscal por considerar a operação desenvolvida pela contribuinte como não sujeita ao IPI, mas tão somente ao ISS, com fudamento no art. 146, I da CF/88 e art. 1º, § 2º da LC nº 116/2003. O acórdão nº 9303005.581 recebeu a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10825.720097/200713 Acórdão n.º 3201003.651 S3C2T1 Fl. 6 5 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO. ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. ICMS. ISS. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Com essas informações, o processo retornou ao CARF providenciandose nova redistribuição em razão da extinção da Turma em que se iniciou o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O presente processo aguardou julgamento pois dependia da decisão definitiva no processo formalizado para o lançamento do IPI após a reconstituição da escrita. Pois bem, decidido de forma definitiva aquele processo, apto está a ser proferida decisão neste processo que trata de ressarcimento do IPI no 2º trimestre de 2003 01/04/2003 a 30/06/2003. Na decisão da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF restou exonerado o lançamento do IPI em relação ao 2º trimestre/2003, que se confirmou na decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferida em 17/08/2017, que se tornou definitiva com a ciência, sem manifestação no prazo regimental, da contribuinte e da Fazenda Nacional. Assim, resta verificar nos demonstrativos do crédito fiscal elaborado pela unidade de origem após a decisão da turma ordinária e mantido na CSRF se restou saldo credor no período em questão para fins de ressarcimento nos termos da legislação. Apresentase a seguir os valores de saldo credor nos decêndios do 2º trimestre de 2003, no qual se observa que o saldo credor acumulado no período corresponde exatamente ao valor do pedido de ressarcimento inaugural deste processo. Escrita fiscal LAIPI AI Impugnação Período credito debito saldo lançado Exonerado Saldo credor 10/04/2003 18.342,37 438,35 17.904,02 33.442,11 33.442,11 17.904,02 20/04/2003 8.292,70 0 8.292,70 21.912,78 21.912,78 8.292,70 30/04/2003 9.125,01 152,72 8.972,29 40.653,68 40.653,68 8.972,29 10/03/2003 14.709,86 325,23 14.384,63 28.255,05 28.255,05 14.384,63 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10825.720097/200713 Acórdão n.º 3201003.651 S3C2T1 Fl. 7 6 Escrita fiscal LAIPI AI Impugnação Período credito debito saldo lançado Exonerado Saldo credor 20/05/2003 14.028,20 1.186,56 12.841,64 27.052,51 27.052,51 12.841,64 30/05/2003 12.444,93 16.065,79 3.620,86 39.468,92 39.468,92 3.620,86 10/06/2003 13.655,20 8.787,65 4.867,55 30.457,99 30.457,99 4.867,55 20/062003 12.926,66 4.521,93 8.404,73 28.681,36 28.681,36 8.404,73 30/06/2003 9591,61 5.335,49 4.256,12 29.912,14 29.912,14 4.256,12 Soma 113.116,54 36.813,72 76.302,82 279.836,54 279.836,54 76.302,82 Conclusão De tudo ante exposto, e após a decisão definitiva em processo que cancelou o lançamento do IPI, restou configurado a existência de saldo credor do IPI no 2º trimestre de 2003, apto a proceder ao ressarcimento, observado os demais requisitos da legislação. Assim, VOTO para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da PROFORM INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006289/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Há de se rejeitar os embargos quando ausentes os requisitos legais. Ratificação do acórdão nº 1101-000.821.
Numero da decisão: 1201-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Há de se rejeitar os embargos quando ausentes os requisitos legais. Ratificação do acórdão nº 1101-000.821.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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score : 1.0
Numero do processo: 11060.900742/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 42 /2 01 3- 71 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.010. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.407, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11060.900742/201371 Acórdão n.º 3301004.550 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940296/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.625
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 29 6/ 20 11 -2 1 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.065. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.940296/201121 Resolução nº 3301000.625 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.903406/2008-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. PROVAS.
Se não foram juntadas aos autos provas, escrita contábil ou documentos que pudessem comprovar o erro indicado na escrita fiscal não se pode reconhecer crédito.
Numero da decisão: 1001-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. PROVAS. Se não foram juntadas aos autos provas, escrita contábil ou documentos que pudessem comprovar o erro indicado na escrita fiscal não se pode reconhecer crédito.
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PROVAS. Se não foram juntadas aos autos provas, escrita contábil ou documentos que pudessem comprovar o erro indicado na escrita fiscal não se pode reconhecer crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Restituição/Compensação n. 32510.85815.121104.1.3.040205, de 12/11/2004 (efl. 41/46), através da qual o contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 34 06 /2 00 8- 07 Fl. 178DF CARF MF 2 pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ Estimativa (AC 2000). O pedido de Restituição/Compensação foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781131952, de 12/08/2008 (efl. 47), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório disponível, pois os pagamentos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0335.454 2 Turma da DRJ/BSB , e fl.133/137). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que: A alegação de que em procedimento de auditoria externa foi verificado que o valor devido a titulo de estimativa do IRPJ, relativo ao período de apuração de novembro de 2000, seria de R$ 75.973,08, e não de R$ 78.695,58, não pode ser comprovada, visto que não foram juntadas aos autos provas da ocorrência de tal auditoria, nem escrita contábil ou documentos que pudessem comprovar o erro indicado. O art. 10 da Instrução Normativa SRF n 460, de 18 de outubro de 2004, que disciplinava a restituição e a compensação de quantias recolhidas a titulo de tributo ou contribuição administrados pela RFB, à época em que os fatos ocorreram, vedava que o contribuinte compensasse credito com origem em pagamento que se referisse a estimativa mensal. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/03/2010 (efl. 110) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 09/04/2010 (efl. 117), em que alega, em resumo, que: referido crédito deve ser reconhecido independentemente dos valores originalmente declarados pela Recorrente, pois esses foram inseridos nas respectivas DCTF e DIPJ em virtude de mero erro de preenchimento, o qual tomouse absolutamente irrelevante após as retificações levadas a efeito. a referida Instrução Normativa veio ao ordenamento jurídico pátrio extrapolando as regras contidas na lei que deveria regulamentar, Lei n° 9.430/96, visto que a restrição por ela imposta não estava presente na referida lei e, portanto, se a lei não restringiu não poderia uma regra infralegal o fazer. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10120.903406/200807 Acórdão n.º 1001000.520 S1C0T1 Fl. 178 3 Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mesmo que por hipótese fosse superada a falta de provas da ocorrência da alegada auditoria, ou de escrita contábil ou documentos que pudessem comprovar o erro alegado pelo contribuinte, observo que fica prejudicada qualquer eventual instrução probatória tendose em vista que, conforme já assinalado pela decisão de primeira instância, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n 460, de 18 de outubro de 2004, que disciplinava a restituição e a compensação de quantias recolhidas a titulo de tributo ou contribuição administrados pela RFB, à época em que os fatos ocorreram (2004), vedava que o contribuinte compensasse credito com origem em pagamento que se referisse a estimativa mensal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 180DF CARF MF
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