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Numero do processo: 16327.001372/2004-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL-20. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS APLICADOS À PRODUÇÃO. PREÇO DE REVENDA. RESTRIÇÃO INDEVIDA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA.
A previsão expressa da aplicação do PRL-60 a bens importados aplicados à produção passou a vigorar apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O § 1º do art. 4º da IN SRF nº 38, de 1997 transbordou da sua competência normativa proibir aplicação do PRL-20 para bens submetidos à transformação para posterior revenda, vez que entrou em conflito com a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9101-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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PRL20. REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS APLICADOS À PRODUÇÃO. PREÇO DE REVENDA. RESTRIÇÃO INDEVIDA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. A previsão expressa da aplicação do PRL60 a bens importados aplicados à produção passou a vigorar apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O § 1º do art. 4º da IN SRF nº 38, de 1997 transbordou da sua competência normativa proibir aplicação do PRL20 para bens submetidos à transformação para posterior revenda, vez que entrou em conflito com a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 72 /2 00 4- 42 Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.398 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório MERCK SHARPP & DOHME FARMACÊUTICA LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 1.276/1.307, contra o Acórdão nº 1302 00.266, de 20 de maio de 2010 (efls. 1.252/1.270), que, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário anteriormente manejado, nos seguintes termos: Ementa: IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS. DECADÊNCIA. As antecipações de IRPJ e CSLL, a título de estimativas, não modificam a data do fato gerador, o qual se submete às regras do regime eleito pelo contribuinte, que in casu é o Lucro Real Anual. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.PRODUTOS APLICADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o produto importado, ao invés de ser revendido, é incorporado, ainda que com pouca representatividade, ao produto final, descabe aplicar, considerada a legislação vigente A. época da ocorrência dos fatos, o método de determinação do prego parâmetro que exige, para a sua utilização, os preços de revenda desse mesmo produto. A Instrução Normativa n° 38/97, ao vedar, em sua redação original, a determinação do preço parâmetro com base no PRL para produtos importados aplicados na produção de outro bem, amoldase, por inteiro, As disposições do artigo 100 do Código Tributário Nacional, eis que cuidou, apenas, de explicitar preceito de lei. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 910100.487, que recebeu a seguinte ementa: Acórdão nº 910100.487 Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.399 3 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4º, do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do fato gerador (trimestral ou anual). Recurso especial negado. Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a recorrente destaca o tema contra o qual se insurge: legalidade da restrição imposta pela IN SRF nº 38/97, que vedava, em sua redação original, a determinação do preço parâmetro com base no PRL para produtos importados aplicados na produção de outro bem. A contribuinte, em suas razões recursais, afirma ser inaplicável a IN SRF nº 38/97, uma vez que tal dispositivo teria inovado em relação à Lei nº 9.430, de 1996, por não possuir amparo em tal diploma legal e que seria possível a aplicação do método PRL a produtos utilizados no processo produtivo e não somente aos produtos estritamente revendidos. Ressalta que, no caso, não haveria produção de novo bem, na medida em que os princípios ativos importados não sofrem qualquer alteração em sua estrutura química, havendo apenas adição de excipientes inativos que não mudam a finalidade terapêutica de tais produtos. E que a auditoria fiscal, no que foi acompanhada pelo acórdão recorrido, não apresentou provas técnicas de que haveria, in casu, o referido processo industrial, limitandose a presumir que são produzidos novos bens com os princípios ativos importados. Indica que, admitindose a aplicação do método PIC, não teriam sido atendidas pela fiscalização as disposições do art. 21 da Lei nº 9.430, de 1996, e que seus produtos poderiam estar sendo comparados com outros de qualidade inferior, gerando distorção nos preços. Por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido a fim de que sejam cancelados os lançamentos. Por meio do Despacho de efls. 1.341/1.344, o Presidente da Terceira Câmara dá seguimento ao recurso, entendendo caracterizada a divergência jurisprudencial apontada. Na seqüência, a PFN apresenta Contrarrazões, em que, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que o método utilizado pelo recorrente para calcular o preço de transferência não permite descobrir qual o custo da matéria‑ prima Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.400 4 importada, uma vez que o método PRL, como disposto pela Lei nº 9.430/96, não prevê a possibilidade de dedução dos custos de produção para fins de apuração do preço de transferência, sendo certo que a pessoa jurídica possui outros custos de produção dos medicamentos. Aponta que o método PRL, estipulado pela Lei nº 9.430/96, não previa a hipótese de o recorrente agregar valor à matéria‑ prima importada, permitida posteriormente com a redação da Lei nº 9.959/2000, e que o custo de produção do medicamento vendido não foi segregado na apuração do preço de transferência dos princípios ativos importados, e assim o preço restou distorcido, o que justifica a atuação do Fisco. Salienta que não foi a IN SRF nº 38/97 que impediu a utilização do PRL pelo Recorrido e que essa limitação é inferida apenas com a leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96. A IN SRF nº 38/97 esclareceu algo que já se encontrava na Lei nº 9.430/96. Afirma que a fiscalização apurou os preços de transferência com base nos dados existentes e cuja utilização era possível; que a adoção do método PIC encontrava determinação na Lei nº 9.430/96 e que a recorrente, por seu turno, não teria logrado apresentar nenhuma prova de que a fiscalização errou no reajuste dos preços de transferência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como visto, alega a recorrente que a proibição, relativa ao período autuado (1999), de utilização do método PRL em relação aos bens aplicados à produção contida na IN nº 38, de 1997 art. 4º, § 1º não encontraria respaldo na Lei nº 9.430, de 1996, e que a Lei nº 9.959, de 2000, que criou um segundo percentual de lucro, de 60%, aplicável a partir do ano 2000 para os bens importados aplicados na produção, reconheceu a possibilidade de utilização do método PRL no presente caso. O comando normativo atacado não é ilegal, pois não criou, como afirma a recorrente, restrições não previstas em lei. Para tanto, transcrevese primeiro os trechos da mencionada IN, na redação vigente ao tempo dos fatos geradores: Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.401 5 nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. § 3º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado por um dos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. § 4º Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. ....................................................................................................... Art. 6º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados PIC, definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. ......................................................................................................... Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: ......................................................................................................... Art. 13. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá, ainda, ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro CPL, definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país, na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.402 6 Como também, transcrevese a lei, na redação vigente ao tempo dos fatos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.403 7 respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) (Grifei) Da análise que faço depreendo que o comando normativo atacado não é ilegal, pois não criou, como afirma a contribuinte, acompanhada pelo colegiado a quo, restrições não previstas em lei. É que, se se analisar a lei vigente ao tempo dos fatos geradores, verificase que o inciso II do art. 18, que previa o método PRL, era bastante claro no sentido de que esse método somente permitia uma margem de lucro de 20%, e esta era calculada sobre o preço de revenda. Com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, temse: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) (Grifei) Ou seja, após a Lei nº 9.959, de 2000, o legislador ainda repetiu a expressão “preço de revenda”, mas percebese que ele admitiu a possibilidade de aplicação do método, na hipótese de bens aplicados à produção. Antes do anocalendário de 2000, não havia essa previsão legal: o PRL era apenas aquele a que se refere o item “2” da alínea “d” acima transcrito, ou seja, somente para revenda, com margem de lucro de 20%. Por conseguinte, a IN SRF nº 37, de 1998, ao dispor que o método PRL não era aplicado indistintamente, e ao dizer que se o produto é aplicado na produção de outro bem só se podia usar PIC ou CPL, na verdade, quis deixar claro o que a lei, de forma implícita, já estabelecia. Por essa razão, não se pode dizer que a mencionada instrução normativa inova ou mesmo contraria a lei. Assim, com relação à possibilidade de aplicação da Lei n° 9.959/2000, é evidente que tal norma não era vigente à época dos fatos, de modo que o método PRL, com margem de lucro de 60%, na hipótese de matériasprimas aplicadas na produção de outro bem, só pode ser adotado para as operações de importação realizadas a partir de 1° de janeiro de 2000, conforme determina a Lei n° 9.959/2000, regulamentada pela IN SRF n° 113/2000, e consolidada pela IN SRF n° 32/2001. Logo, no período sob exame, há que se aplicar o disposto na Lei n° 9.430/96 e na IN SRF n° 38/97, em face do disposto no artigo 144 do CTN, que dispõe que "o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Por oportuno, refuto também o argumento de que a vedação ao PRL deveria estar expressa na lei, para que a IN assim o fizesse, pois há várias formas para um legislador Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.404 8 ordinário dispor sobre uma norma. No caso concreto, a lei dispôs sobre os três métodos e, ao estabelecer a sua forma de apuração, deixou implícito que o PRL seria no caso da revenda. Acrescento, quantos aos argumentos da Recorrente que defendem não se tratar o processo de produção de novo bem, ser de utilização recomendável os conceitos expressos na legislação do IPI, a mais apropriada para se desvendar aqueles que envolvem os processos produtivos industriais, por força do inciso I do artigo 108 do CTN. Os Regulamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 e RIPI/98 Decreto n° 2.637/98 (vigentes à época dos fatos), em seus artigos 3° e 4°, respectivamente, com fundamento na Lei n° 4.502/64 e no artigo 46 do CTN, dispõem que caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); ou a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento). No presente caso, à luz dos Regulamentos do IPI, a adição de excipientes confere, de forma inconteste, características diversas à matéria prima importada e, assim, os medicamentos produzidos pela impugnante constituem bem diverso da matéria prima que lhes deu origem e quanto a isso não há dúvida. Os produtos obtidos após essas operações são, portanto, outros produtos, ainda que conservem em seu núcleo os respectivos princípios ativos. A hipótese de simples revenda estaria configurada, apenas, acaso a contribuinte revendesse os princípios ativos na condição em que os adquiriu, o que não é o caso. No que tange à necessidade de a fiscalização comprovar fatos técnicos alegados, no Termo de Constatação Fiscal, de efls. 692 e seguintes, a Fiscalização esclarece as intimações que efetuou para saber quais os princípios ativos utilizados na fabricação de cada um dos medicamentos citados, vendidos pela Recorrente. Aduz que solicitou cópia de certificado de análise de cada princípio ativo. Consta também que a fiscalização teve acesso às fichas com os códigos de movimentação de Estoque dos produtos. E a partir daí a Fiscalização concluiu: “2.2.1.5. Parece absolutamente claro que a atividade da empresa não se enquadra no conceito de revenda, ou seja, ela não torna a vender ao consumidor final as matériasprimas adquiridas anteriormente de pessoas vinculadas. Na realidade, a empresa as utiliza na fabricação de outros produtos (medicamentos), os quais são vendidos ao consumidor final.” Ora, se a contribuinte adquire princípios ativos e revende medicamentos, resta afastada a possibilidade de revenda. Por conseguinte, prescindese de uma avaliação técnica ou perícia ou algo parecido que a recorrente quer sugerir, para demonstrar que os princípios ativos foram utilizados na produção dos medicamentos. Mas a Fiscalização fez, sim, ainda algumas diligências junto a laboratórios. A título de exemplo, destaco a Intimação de efls. 292. Vejase que no item 5 a Fiscalização indaga: “ A substância é aplicada na produção de que medicamento?” E à fl. 289, o Laboratório Ìtaca esclarece que a “substancia maleado de enalapril é utilizada na fabricação do medicamento enalapril” e anexa certificado de análise. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.405 9 Além disso, citou a Decisão Cosit nº 1, de 1999 (processo nº 10880.018189/9897), cujas conclusões foram acatadas pelo colegiado a quo, nos seguintes termos: “1. as formulações e preparações a que são submetidos os princípios ativos provocam transformações nessas matérias primas, que representam custos e importam em agregação de valor, resultando, ao final, alterações das suas funções originais; 2. as formulações/preparações coincidem com as fases de transformação do produto, ficando patente a agregação de valor em cada etapa através de intervenção de mãodeobra e de máquinas sofisticadas até a obtenção do produto final; 3. o termo facilitar designa a ação de tornar ou fazer fácil, removendo obstáculos e/ou dificuldades, conceito absolutamente divergente de possibilitar, que induz à idéia de viabilizar, ou seja, “tornar possível: O oxigênio possibilita a vida aos seres humanos (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa); 4. se os princípios ativos não sofressem formulações/preparações, sua utilização resultaria impossível; 5. ajudar a elucidar a questão, igualmente, os conceitos de intermediário e especialidade contidos no Anuário das Indústrias de Química Fina do Brasil (2ª Edição/1995): intermediário: moléculas puras com a finalidade de uso numa etapa de industrialização subseqüente, quer como matériaprima de uma nova reação química (intermediário de síntese), quer como constituinte de uma mistura (intermediário de uso); especialidade: são os produtos de química fina em que sua natureza, composição, etc., tem pouca ou nenhuma importância para o usuário. Seu valor está intrinsecamente ligado à função que desempenham, ao serviço que possam prestar; 6. a fronteira entre o princípio ativo importado (intermediário) e a formulação com a adição de excipientes (especialidade) é claramente delimitada nessa bibliografia técnica, inexistindo, por conseguinte, respaldo à alegação de que os produtos obtidos dos princípios ativos com eles se confundem;”(Grifos do original) Concluise, portanto, que é correta a interpretação dada pelo colegiado a quo, no sentido de que não é possível a utilização, no presente caso, do método PRL, nos termos do §1° do artigo 4° da IN SRF 38/97. A recorrente ainda contesta o procedimento adotado pela fiscalização na aplicação do método PIC, invocando a impossibilidade de utilização do SISCOMEX, por equívocos no conceito de similaridade e pela impossibilidade de utilização de princípios ativos genéricos. Ora, não há qualquer problema ou vedação legal para uso, por parte da própria Receita Federal, do sistema SISCOMEX, acompanhado de intimações fiscais para a obtenção de dados a serem utilizados em procedimentos de sua alçada. Ademais, é de se ressaltar que todas as informações e documentos obtidos das empresas independentes foram utilizados com a autorização expressa das mesmas. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.406 10 Relativamente à insurgência em relação ao conceito de similaridade utilizado pela fiscalização na busca de produtos de terceiros para a composição do preço parâmetro, lembro que este foi definido pelo art. 26 da própria IN SRF nº 38/97: Art. 26. Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: 1 tiverem a mesma natureza e a mesma função; e II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes Existe, portanto, previsão expressa a respeito do conceito de similaridade, em legislação específica, ou seja, na IN SRF n° 38/97, que regulamentou a Lei n° 9.430/96, nos aspectos relacionados a preços de transferência. Destaquese que a IN apenas complementou a Lei aliás, é esta, exatamente, a sua função sem inovar no ordenamento jurídico Quanto à utilização, pela fiscalização, de princípios ativos "genéricos" importados por terceiros, na apuração do preço parâmetro, destaco que a Lei n° 9.187/99, ao introduzir o conceito de medicamento genérico, igualouo àquele considerado "similar". Foi o que disse textualmente, em seu artigo 1°, que acrescentou o inciso XXI ao artigo 3° da Lei n° 6.360/76, que dispõe que: XXI Medicamento Genérico medicamento similar a um produto de referência ou inovador, que se pretende ser com este intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade, e designado pela DCB ou, na sua ausência, pela DCI (destaquei). Assim, o medicamento "similar", ou "genérico", pode ser utilizado na apuração do preço parâmetro. Ademais, a comparabilidade efetuada na ação fiscal não ficou prejudicada. Em primeiro lugar, porque todas as substâncias adquiridas pelas empresas independentes, exatamente como as adquiridas pela recorrente, têm a denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo aprovada pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária (Denominação Comum Brasileira — DCB). Em segundo lugar, todos os laboratórios farmacêuticos que prestaram as informações são detentores, assim como a recorrente, de autorização de funcionamento para fabricação emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária — ANVISA. Por fim, os princípios ativos e excipientes adquiridos pelas empresas independentes foram utilizados na produção de medicamentos regularmente registrados na ANVISA, os quais são comercializados normalmente. Ainda, no que tange à coleta de amostras do produto importado, tomado como base para comparação, observo que sobre isso se dá presunção (juris tantum) de veracidade das declarações prestadas por terceiros independentes sob intimação fiscal. Tal presunção é robustecida, ao extremo, pela comprovada utilização que fazem os terceiros independentes, de forma harmônica com o conteúdo das declarações de importação, dos princípios ativos importados nos medicamentos que produzem no país. Assim, nem mesmo a Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.407 11 alegação de que parte dos laboratórios já teve medicamentos recolhidos é suficiente para infirmar o método utilizado pela Fiscalização. Milita presunção relativa de veracidade em favor da declaração de importação que foi submetida e aprovada pelos controles legais da época, ainda que a autoridade administrativa tenha decidido pela desnecessidade de extração de amostras ou da anexação de eventuais instrumentos contratuais que as precederam. Nesse aspecto lembro que, a teor do disposto na IN SRF n° 69/96, a decisão sobre a necessidade de retirada de amostras é prerrogativa da fiscalização aduaneira. A autoridade fiscal não está obrigada a concluir pela necessidade de retirada de amostras. Os artigos 28 e 29 da referida IN prescrevem que: Art. 28 O importador prestará à fiscalização aduaneira as informações e a assistência necessárias à identificação da mercadoria e à análise do valor aduaneiro. Parágrafo único. A fiscalização aduaneira, caso entenda necessário, poderá designar técnico credenciado para proceder à identificação e quantificação da mercadoria. Art. 29 Sempre que a fiscalização aduaneira decidir pela retirada de amostra para exame laboratorial ou de outra natureza, o importador ou seu representante legal será notificado, para que participe do cumprimento dessa providência. Notese que a mesma presunção também se faz presente em favor das declarações de importação manejadas pela recorrente. Por fim, lembro que o artigo 6°, da IN SRF n° 38/97, apenas exige que se efetue, para efeito de determinação do custo dos bens adquiridos, a média aritmética dos preços de bens similares, sem, contudo, determinar um número mínimo ou máximo de amostras. Não se pode impor, na apuração do preço parâmetro, nenhuma outra exigência extra não prevista na referida IN e nem em qualquer outro dispositivo normativo. Assim, não procedem as alegações da recorrente. Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte para negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre relatora, peço vênia para divergir no mérito, a respeito da possibilidade de a pessoa jurídica adotar o PRL20, em momento no qual vigorava a redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.408 12 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens; serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido pais na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (grifei) (...) Entendeu a Fiscalização que a contribuinte não poderia ter adotado o PRL, em razão da vedação constante na IN SRF nº 38, de 1997, art. 4º, § 1º: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. (grifei) No art. 6º, encontrase o método PIC, e no 13, o método CPL. Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.409 13 Aduz a Contribuinte que, na época dos fatos, não havia vedação no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, para adoção do método PRL, e que a restrição imposta pela IN SRF nº 38, de 1997, art. 4º, § 1º, seria ilegal. Entendo que assiste razão à Contribuinte. De fato, a restrição imposta pela instrução normativa não encontra nenhum respaldo legal. O caput do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, deixa claro que, primeiro, o legislador obrigou o contribuinte a apurar o preço de transferência obrigatoriamente mediante aplicação de um dos três métodos, PRL, PIC ou CPL, e segundo, que a escolha seria livre, sem restrições. Por outro lado, a instrução normativa em debate impôs restrição expressa quando o bem, serviço ou direito fosse para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito. Fato é que, apesar de o PRL20 na redação original mencionar a margem de lucro sobre o preço de revenda, não implicou, necessariamente, em proibição a insumo que eventualmente poderia sofrer transformação e ser comercializado sob a forma de um outro produto. Em nenhum momento a redação deixou transparecer que o PRL20 seria apenas aplicável a insumo que fosse diretamente revendido no mercado interno sem nenhum processo de transformação. Resta mais evidente a situação com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, alterando o inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) (Grifei) A redação dada ao PRL60 é clara: sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Ora, preço de revenda é gênero, aplicável a espécie insumo submetido a transformação e a espécie insumo não submetido a transformação. Na redação original do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, faziase referência ao gênero, e por consequência aplicouse tratamento idêntico às espécies, vez que a lei não trouxe nenhuma distinção de espécie. Com a alteração promovida pela Lei nº 9.959, de 2000, passouse a dispor sobre cada uma das espécies, e, por consequência, cada espécie passou a receber tratamento particular da legislação: ao insumo submetido a transformação aplicase o PRL60, e ao insumo não submetido a transformação o PRL20. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.410 14 O tema já foi debatido em outras oportunidades. Transcrevo excerto do voto vencedor proferido pelo exConselheiro Caio Marcos Cândido, no Acórdão 10194.859, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Quanto à possibilidade de aplicação do método PRL (preço de revenda menos lucro), como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados a produção de outro bem, restringida pelo parágrafo 1° do artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 38/1997, entendo (como já entendeu de forma unânime esta Câmara nos julgamentos dos recursos 137.936 e 134.780) ter a orientação administrativa exacerbado sua função regulamentadora, impondo restrição onde a lei de regência da matéria, lei n° 9.430/1996, não impôs. Tal conclusão se sustenta nas disposições do caput do artigo 18 da citada lei combinado com o conteúdo do seu parágrafo 4°, que prevêem a existência de três métodos: de Preços Independentes Comparados (PIC), do Prelo de Revenda menos Lucro (PRL) e Custo de Produção mais Lucro (CPL) e a possibilidade de livre escolha pelo contribuinte daquele, dentre eles, que lhe for mais favorável. Restringir onde a lei não o fez, impondo ônus tributário ao contribuinte é causa de ilegalidade da regra restritiva, no caso da IN n° 38/1997 (artigo 4°, parágrafo 1°), o que implica o afastamento de seus efeitos. Portanto, a espécie "bens importados aplicados à produção" passou a receber tratamento específico apenas com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, no qual se passou a adotar a margem de lucro de 60% sobre o preço de revenda. Antes disso, não havia nenhuma restrição para que, no caso de bens importados aplicados à produção, pudesse ser utilizado método PRL20. Enfim, resta prejudicada apreciação sobre a outra matéria, se haveria ou não produção de um novo bem, vez que, diante da ilegalidade da instrução normativa, restou afastada por completo a infração fiscal. Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 16327.001372/200442 Acórdão n.º 9101002.507 CSRFT1 Fl. 1.411 15 Fl. 1411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.000008/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/03/2008
SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO
Provado o subfaturamento do bem importado, devem ser cobrados os tributos incidentes sobre a parcela do valor não declarado, com os devidos acréscimos de mora e a multa prevista em lei.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recursos negados.
Numero da decisão: 3402-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recursos negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF nº 35.182. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 08 /2 01 0- 08 Fl. 388DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a pessoa física em epígrafe e o responsável solidário CONVECTOR DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, de acordo com Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 196/197), lavrado em razão do subfaturamento do valor do bem importado (o automóvel abaixo descrito) ante a diferença ente o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, para fins de cobrança de II, IPI, COFINS, PIS, incidentes na importação, com aplicação da multa de oficio qualificada (150%). Também foi lançada multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão do referido subfaturamento, no percentual de 100 % sobre a diferença entre o preço declarado e o praticado na importação (art. 88, parágrafo único da MP 2.15835), alem da multa do art. 83, I, da Lei 4.502/64 (entregar ao consumo, ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no país). O quadro abaixo, extraído do relatório fiscal (fls. 28/54), resume a exação. Consoante o relato fiscal, a ação fiscalizatória teve por base documentos e arquivos magnéticos coligidos em diligência realizada no estabelecimento da empresa CONVECTOR (CNPJ 05.832.157/000105), restando constatado que o automóvel marca Infinity, modelo FX 35 AWD, ano/modelo 2008, chassi JNRASS08W68X200455, fabricado no Japão e introduzido no país pela Declaração de Importação (DI) nº 08/03980157, em 13/03/2008, registrada na modalidade importação direta pela contribuinte Karla Renata Magnabosco, foi importado "fraudulentamente" por meio de declaração de valor inferior ao preço efetivamente praticado na operação. O valor declarado na DI foi de US$ 35.052,00. A fiscalização assim relatou o modus operandi da fraude: O Sr. OSCAR LORENZO INZULZA CONCHA (CPF n.° 262.548.13000), diretor comercial da empresa CONVECTOR, foi o responsável pelas negociações comerciais envolvendo a importação do veículo, ao passo que a despachante aduaneira Sra. MÁRCIA LUCIANA VELLOSO DA SILVA (CPF n.° 479.028.84049), diretora operacional da empresa CONVECTOR, registrou a declaração de importação sob apreço, em nome de KARLA RENATA MAGNABOSCO; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 389 3 A referida importação recebeu da empresa CONVECTOR o número de processo 18307 e foi objeto de contrato firmado, em 08/10/2007, entre a importadora e a referida empresa (fls. 145 a 153), onde consta que o valor do veículo importado, acrescido do valor da CPMF, monta em US$ 48.780,37, conforme o Anexo II deste contrato, à fl 152; Em correspondência também datada de 08/10/2007, o Sr. OSCAR INZULZA informa à importadora KARLA MAGNABOSCO as características do veículo a ser importado e, bem assim, os acessórios que fariam parte da operação (fls. 154 a 157 fotos e dados do veículo), sendo que o automóvel, segundo o documento intitulado de "Previsão de Importação Direta" (fl. 159), teria o preço de US$ 48.475,00; Dentre os documentos, também foi encontrada planilha excel intitulada "Karla R. Magnabosco Infiniti FX 35 x 3 A WD 2008.xls" (fls. 155 a 163), de onde se extrai o seguinte demonstrativo: Ou seja, o valor do automóvel não era, com certeza, o valor FOB declarado na DI (US$ 35.052,00), além do que, à vista da mensagem de correio eletrônico enviada em 10/10/2007, pela Sra. GIOVANNA FERNANDEZ MORIZ, assistente de vendas da revendedora de veículos norteamericana WARREN HENRY, ao Sr. OSCAR INZULZA (fls. 88 e segs.), verificase que o valor do automóvel importado é de US$ 50.125,00 (fl. 94), sobre o qual foi oferecido um desconto de USS 2.000,00 e acrescidos valores correspondentes a uma taxa e ao pacote de manutenção (fl. 99), totalizando o montante de US$ 49.302,30; De sua feita, a ordem de compra enviada pela empresa WARREN HENRY, (fl. 167), revela que o valor do automóvel importado foi de US$ 47.101,50, ao passo que os documentos relativos à contratação de seguro (fls. 186) indicam o valor de US$ 48.758,72, sendo que, relativamente ao seguro, a empresa CONVECTOR inicialmente solicitara nova cotação agregando ao valor da fatura comercial (US$ 35.032,00) os valores de despesas de embarque, da ordem de US$ 5.000,00, e de despesas no Brasil para obtenção da LI, da ordem de US$ 8.000,00, perfazendo o total de US$48.032,00, cópia de mensagem via correio eletrônico colacionada à fl. 189; Em relação aos pagamentos efetuados pela importadora, foi encontrada na empresa CONVECTOR a planilha de fl. 144, demonstrando que o total do pagamento efetuado pela importadora à empresa CONVECTOR montou a R$ 114.351,69, restando um saldo de R$ 435,02, em 03/04/2008, o que evidencia a existência de uma espécie de contacorrente entre a importadora e a CONVECTOR. Consta também nesta planilha, a título de "devolução a cliente", a despesa (saída) de R$ 24.680,66, valor idêntico que aparece em outra planilha referente ao mesmo processo "183/07" (fl. 143), descrito, porém, como "câmbio", ao passo que o valor desembolsado a título de "contrato de câmbio débito conta importador" perfaz R$ 62.883,29, pelo que se conclui que foi remetido um valor de câmbio à empresa WARREN Fl. 390DF CARF MF 4 HENRY pela CONVECTOR, via casas de câmbio, e outro que se refere ao contrato de câmbio, cujo valor foi declarado na DI; De outro turno, mensagem de correio eletrônico enviada pela Sra. GIOVANNA, da revendedora de veículos WARREN HENRY, ao Sr. OSCAR INZULZA (fl. 101), em 01/11/2007, informa que já havia sido remetido o valor de US$ 2.000,00, a título de depósito para a encomenda do veículo importado, e que, considerada a transferência do valor declarado na DI, no montante de US$ 35.052,00 (wire transfer), ainda seria devido pela importadora um saldo de US$ 12.245,30, valor este que, somado ao saldo devido na importação de veículos de outros importadores assessorados pela CONVECTOR, montou a US$ 35.920,10. O valor de US$ 35.052,00 foi enviado pela CONVECTOR em 13/11/2007, conforme demonstra a planilha intitulada de "Resumo câmbios Warren Henry Automobiles" (fl. 104), e que constituiu anexo da mensagem eletrônica enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA à despachante MÁRCIA VELLOSO, encontradas também na CONVECTOR (fls. 103/104); A confirmação da referida remessa de US$ 35.920,10, referente ao saldo devido à revendedora de veículos norteamericana pela compra de três automóveis da Marca Infiniti, dentre eles aquele cuja importação é objeto do presente processo, foi, inclusive, tratada em outra mensagem de correio eletrônico enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA à Sra. GIOVANNA (fl. 116), o que deixa claro a evidência de um pagamento à margem do controle cambial, para completar o valor do veículo; Não bastasse isso, foi apurado também que a fatura comercial e o romaneio de carga (packing list) que instruíram o despacho aduaneiro do veículo importado (fls. 183/184) foram materialmente falsificados, visto que foram montados em arquivos de planilha excel encontrados nos computadores da empresa CONVECTOR. Ademais, foi encontrada também mensagem de correio eletrônico enviada pelo Sr. OSCAR INZULZA (CONVECTOR) à Sra. GIOVANNA (revendedora WARREN HENRY), ressaltando que o valor FOB que consta na fatura (invoice) corresponde ao preço fiscal do carro no Brasil (fl. 113); Igualmente, foi constatado que tampouco o veiculo importado foi adquirido em uma venda para exportação na modalidade FOB, pois as despesas de embarque, frete interno nos Estados Unidos, frete marítimo e despesas na aduana americana não foram pagas pelo exportador que figura na DI, mas sim pela importadora através da CONVECTOR. Consta o valor de US$ 2.323,00, referente a essas despesas (despesas na origem) na tabela intitulada "Previsão de Importação Direta" (fls. 137 e 156), também encontrada em meio à documentação apreendida em diligência realizada na empresa CONVECTOR; Nos arquivos magnéticos da empresa CONVECTOR, mais precisamente na pasta denominada "CLIENTES" foram encontrados vários documentos relativos à importação do veículo em análise (fls. 172/176), dentre eles a procuração por meio da qual a importadora KARLA MAGNABOSCO nomeia o Sr. RAUL HERNANDEZ, da empresa CARIBEX WORLDWIDE, para representála perante a aduana norteamericana e conduzir todas as operações necessárias à exportação do referido veículo; Referida procuração (fl. 173) é exigida pela aduana norteamericana quando alguém, que não seja o exportador, preenche a declaração de exportação de veículos com valor superior a US$ 2.500,00. Donde se conclui que houve a redução da base de cálculo dos tributos incidentes na importação do veículo em comento, com a remessa de valores à margem do controle cambial, valores esses que deveriam integrar o valor aduaneiro, quer porque correspondem à parcela do preço total pago pelo veículo importado, quer porque configuram despesas de embarque que foram incorridas pela própria importadora, ao revés do que consta na declaração de importação. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 390 5 Impugnado o lançamento pela pessoa física importadora e pelo sujeito passivo solidário, a DRJ Florianópolis julgou parcialmente procedente o lançamento (fls. 259/287), "exonerando os sujeitos passivos do pagamento das multas aplicadas pela fiscalização com base no parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/2001, e no inciso I do art. 83 da Lei nº 4.502, de 1964". A r. decisão foi assim ementada: Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 13/03/2008 SUBFATURAMENTO. FATURA FALSA. MERCADORIA NÃO MAIS APREENSÍVEL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Constatado o subfaturamento e não sendo mais apreensível a mercadoria para aplicação da pena de perdimento, é cabível a exigência do pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa qualificada e juros moratórios, sendo passível, ainda, a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. REVISÃO ADUANEIRA. APLICABILIDADE. O fato de o veiculo importado ter sido desembaraçado pela Alfândega não elide a ilicitude constatada no procedimento revisional, sobretudo quando se trata de fraude, eis que a Revisão Aduaneira é voltada, precisamente, para apurar, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/03/2008 RETENÇÃO E EXAME DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL. Dentre os poderes legalmente conferidos à fiscalização tributária inclui~se o de reter e examinar livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais e fiscais, ainda que mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, constituindo, em contrapartida, obrigação dos contribuintes exibilos ao Fisco. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de diligência consistente na juntada de documentos relativos a outras importações quando a elucidação do litígio está a depender tão somente do exame dos elementos probatórios representativos dos dados e fatos referentes à importação que deu causa ao lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Fl. 392DF CARF MF 6 CONCURSO DE PESSOAS. Comprovado nos autos que tanto a importadora quanto a empresa que assessorou a importação concorreram para a prática da fraude apurada pela fiscalização, ambos devem responder pelo pagamento dos gravames não recolhidos e demais consectários legais, respectivamente, como contribuinte e responsável solidário. IPI. VEÍCULO IMPORTADO POR PESSOA FÍSICA. USO PRÓPRIO. INCIDÊNCIA. MULTAS CONFISCATÓRIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. ESPERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/03/2008 IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Quando a diferença apurada entre O preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida, apenas sendo cabível O lançamento da multa de cem por cento sobre a diferença de preços quando a exteriorização do dano ao Erário ocorrer em momento posterior à aplicação dessa penalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/04/2008 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita a perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal. Não resignados com a r. decisão, foram interpostos recursos voluntários. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 391 7 A solidária passiva (fls. 305/313), Convector, alega, em suma, questões quanto à forma de produção das provas que embasam a exação foram coligidas. Afirma que o procedimento da RFB foi feita com "absoluta ausência de causa, não existiam motivos técnicos nem de enquadramento legal que justificassem a intempestiva diligência invasiva, e de surpresa na sede da empresa que foi realizada por elevado contingente de agentes fazendários da Receita Federal na manhã d 11/06/2008, na qual foram retidos arbitrariamente e por coação arquivos magnéticos e físicos de uso privativo da empresa e correspondência pessoal e de colaboradores". Enfim, sustenta que as provas foram obtidas por meio ilícito, e que, por isso, deve julgado improcedente o lançamento. Já a importadora autuada, interpôs o recurso de fls. 320/348, alegando, em síntese: inaplicabilidade da multa de 150 % por entender que esta só é devida quando houver fraude. Acresce que contratou a Convector para efetuar a importação, pois, como pessoa física, não tem conhecimento quanto aos procedimentos de importação, não tendo tido em nenhum momento contato com a empresa exportadora. Aduz que outorgou procuração àquela empresa agir em seu nome de forma lícita, e que os valores que lhe foram cobrados foi para a entrega do veículo no Brasil, não tendo a recorrente conhecimento sobre a documentação para importação de veículos, bem como a tributação do mesmo. Conclui que por tais fatos "não há se falar em fraude, uma vez que a outorga da procuração para a empresa demonstra a licitude dos atos praticados pela recorrente", postulando que a multa de 150% seja afastada; inexistência de responsabilidade pessoal da recorrente em face da inteligência do art. 137 do CTN, pois ao outorgar procuração à Convector, esta deveria agir conforme a lei, sem infringir a legislação tributária, e que, portanto, sendo ela que "praticou atos com excesso de poderes e infração de lei", só ela é que pode punida, pois, "somente quem tenha sido o autor do ato abusivo é que será pessoalmente responsabilizado pela obrigação tributária dele oriunda"; defende que órgãos do executivo podem deixar de aplicar dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional. Com base nesse pressuposto, entende que a multa no patamar aplicado tem natureza confiscatória, postulando que seja reduzida para o percentual de 20%; que os juros de mora com base na taxa SELIC são ilegais, devendo ser aplicado 1% ao mês, consoante art. 161, § 1º, do CTN. De fls. 353/359, cópia da decisão monocrática do Ministro Celso de Mello, de 19/12/2012, na ação cautelar AC 3.091. Em resumo, a cautelar inominada buscava atribuir efeito suspensivo ativo a recurso extraordinário interposto pela Convector, no qual insurgiase contra acórdão do TRF4 que negara provimento à apelação cível nº 2008.71.00.0142387/RS em MS, o que foi deferido pelo Min. Celso de Mello. A ementa da decisão do TRF4, em sede de apelação em mandado de segurança (cujo teor não tem nos autos), objeto do Extraordinário, tem a seguinte dicção: Fl. 394DF CARF MF 8 A Resolução 3803000.513 (fls. 362/366), da 3ª Turma Especial, de 16/09/2014, dispôs o seguinte: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem sobresteja a tramitação deste processo até o trânsito em julgado da Medida Cautelar nº 3091 no STF e do Recurso Extraordinário correspondente, observandose na sua execução o teor da decisão final que vier a ser proferida. À fl. 371, telex enviado ao SRRF na 10ª RF, reproduzindo cópia do decidido pelo STF (fls. 372/384) no Agravo Regimental interposto pelo AdvogadoGeral da União contra a liminar deferida naquela AC 3.091. Transcrevo excertos dessa decisão para já delimitar os termos do meu voto. ... Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 392 9 ... ... Fl. 396DF CARF MF 10 ... E conclui o Ministro Celso de Mello: Sendo assim, restou confirmada a legalidade das provas e a forma de sua obtenção. Diante dessa definição, foi exarado o despacho do InspetorChefe da unidade local (fl. 370), de 15/10/2015, determinando o prosseguimento do feito, dando azo ao despacho de fl. 386, que determinou, em 22/12/2015, o retorno dos autos a esta Terceira Seção. Vieramme os autos pelo sorteio de 17 de março deste ano. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Diante da definição do STF quanto à licitude na forma de obtenção das provas coligidas a estes autos, seu teor, por si só, afasta a pretensão da responsável solidária que em sua peça recursal limitouse a arguir a ilegalidade na obtenção das provas e, em consequência, todos atos delas decorrentes, como o próprio auto de infração. Nos termos do art. 95, I, do RA, deve ser mantida sua responsabilização solidária. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10516.000008/201008 Acórdão n.º 3402003.773 S3C4T2 Fl. 393 11 Assim, é de ser negado provimento ao recurso da empresa Convector. Igualmente há de ser negado provimento ao recurso da pessoa natural importadora, que se faz de rogada, querendo imputar toda fraude que ajudou a dar causa à empresa que contratou para os trâmites de importação, como se ela, em seu pedestal de retidão, nada soubesse, mesmo que os valores da transação tenham sido por ela suportados. Ela é a contribuinte do imposto, nos termos do art. 104, I, do RA/2009. O fato, de acordo com o robusto arcabouço probatório a que referi alhures, é que houve subfaturamento na importação do veículo discriminado. De gizarse, inclusive, que quanto a essa constatação não houve, quer da importadora quer da responsável solidária, qualquer insurgência. A fatura apresentada para o desembaraço foi forjada com valor a menor do efetivamente pago, com o fim inequívoco de sonegar os tributos incidentes na importação. Todos documentos a que me referi no relatório provam vigorosamente que o valor efetivamente pago foi superior ao declarado na DI. Demais disso, chama sobremaneira a atenção que o veículo tenha sido desembaraçado em 17/03/2008 e, ato contínuo, em 24/04/2008 tenha sido alienado à empresa Alfa Arrendamento Mercantil S.A., conforme articulado no item 3 do TVC (fl. 34). Sendo a Sra. Karla Magnabosco a importadora do veículo, tratandose de importação direta, não pode a mesma querer esquivarse de sua responsabilidade. Esta é objetiva nos termos do art. 136, do CTN. Do mesmo modo, dispõe o RA em seu art. 94: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, hialino que houve fraude com o fim específico para sonegar os impostos incidentes na importação. A fraude está provada pelas provas e fatos a que aludi no relatório, restando inconteste a falsidade da invoice 13307, de 17/10/2007, que arrimou a importação com o preço da mercadoria subfaturada. Aqui já espancamos a alegação da recorrente de que não houve fraude. Dessarte, certo o animus dolandi com o fim sonegatório. A recorrente contribuinte entende que esta instância recursal administrativa pode adentrar no mérito de norma legal vigente para afastar sua aplicação por inconstitucionalidade. In casu, quer ver afastada a multa no percentual aplicado (150%) pela sua natureza confiscatória. Sem razão, pois tratase de questão ultrapassada no âmbito deste colegiado, conforme sua súmula 2, que reproduzo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 398DF CARF MF 12 Portanto, correta a aplicação da multa prevista no art. 44, I e § 1º da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/2007, restando comprovada a conduta típica a que faz menção o art. 71 da Lei 9.430/96. Por fim, quanto ao pugnado afastamento da taxa SELIC como juros de mora, também matéria que já não mais comporta dissídio neste CARF, de acordo com o enunciado da súmula 4 , abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Forte em todo exposto, nego provimento aos recursos voluntários do contribuinte e do responsável solidário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002461/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa:
NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO EMPRESA INCORPORADA - A empresa citada no lançamento extinguiu-se por incorporação pela empresa sucessora em 2001. 0 lançamento efetuado em 2004 deveria ter-se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊ-LOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊ-LOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e ACOLHÊLOS, sem efeitos infringentes, nos termos do voto relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 61 /2 00 4- 78 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 530 2 Relatório Na sessão plenária de 29 de junho de 2011, a 2ª Turma, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, julgou recurso de ofício interposto nestes autos. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 1302000.671, assim ementado: NULIDADE — ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse por incorporação pela empresa sucessora em 2001. O lançamento efetuado em 2004 deveria terse dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 464/473) admitido parcialmente, conforme fls. 499/503. Em 18/07/2013 a contribuinte tomou conhecimento do acórdão e da admissibilidade do recurso especial, apresentando as contrarrazões de fls. 515/525, mas antes opondo embargos de declaração, tempestivamente, em 22/07/2013, apontando que a decisão foi obscura na explicitação de sua conclusão, uma vez que não esclareceu a natureza do vício do lançamento, isto é, se formal ou se material. A existência de omissão acerca deste aspecto foi implicitamente reconhecida no despacho de fls. 499/503, que negou seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional na parte em que alegava divergência em face de acórdão paradigma no qual o vício que motivou a nulidade foi declarado de natureza formal. Vejase: Alega a recorrente que a decisão recorrida, ao contrário dos acórdãos paradigmas, teria declarado a improcedência total da exigência em face da nulidade, mas não é o que se vislumbra das conclusões do voto condutor do acórdão, in verbis: O erro na identificação do sujeito passivo é vicio fundamental que acarreta a nulidade do Auto. Nessa medida, não merece reparo a decisão da DRJ que assim deliberou, cancelando a exigência do crédito tributário em questão. Como se vê, o acórdão recorrido mantém a decisão de primeira instância que determinou o cancelamento da exigência em face da nulidade Fl. 530DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 531 3 identificada, mas não declara a improcedência material do lançamento. A decisão é simplesmente omissa quanto a declarar a natureza do vício que ensejou da declaração de nulidade. Ora, se a decisão recorrida foi omissa, ou mesmo obscura, quanto ao ponto que ora se debate a recorrente, imprescindível seria que a questão levantada tivesse sido suscitada pela recorrente mediante a apresentação de embargos de declaração, nos termos do art. 65 do RICARF, o que não foi feito. Com efeito, para que o recurso especial possa ter cabimento é imprescindível que a matéria recorrida tenha sido discutida para que a divergência possa ser caracterizada, o que não se vislumbra neste caso. Em despacho exarado às fls.527/528 dos autos, a presidente da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária admitiu os Embargos de Declaração opostos pelo recorrente, nos termos do art.65 §2º, e no art.49, §5º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade, de acordo com o despacho exarado às fls.527/528 dos autos, por isso deles conheço. No presente caso, a Embargante pede que seja esclarecida se a nulidade verificada pelo erro na identificação do sujeito passivo da relação obrigacional decorre de vício formal ou material. Em se tratando de aspecto crucial que macula o próprio lançamento (erro na identificação do sujeito passivo), resta configurada nulidade decorrente de vício material. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 531DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 532 4 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regramatriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, pp. 127129). Na presente hipótese, verificase, claramente, a ocorrência de vício material. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 1302000.671, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no lançamento é de ordem material. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302001.913 S1C3T2 Fl. 533 5 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.722793/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008, 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006
Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação.
Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento.
Numero da decisão: 1302-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008, 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006 Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação. Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento.
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO.PRATICA REITERADA. APLICAÇÃO DO §1º DO ARTIGO 29 DA LEI COMPLEMENTAR N.º 123/2006 Incabível a permanência no Simples Nacional de empresa enquadrada em quaisquer das hipóteses de exclusão de oficio prevista na legislação que rege o referido sistema de tributação. Constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Correta a aplicação do §1º do artigo 29 da lei complementar n.º 123/2006. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 27 93 /2 01 2- 95 Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.298 2 regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Trata o presente processo de Exclusão do Simples Nacional em conjunto com Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (CSLL, PIS/PASEP e COFINS), conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário de fl. 769. Entretanto, em vista de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 500002289.2013.404.7203/SC, transitada em julgado em 10/06/2014, foi elaborado o Despacho Decisório nº 395/2014DRF/JOA/SC (fl.1281) que determinou a nulidade dos valores em cobrança constituídos por lançamento de ofício e controlados no presente processo. A decisão judicial foi implementada nos sistemas de controle do crédito tributário, conforme se verifica no extrato de fls. 1283/1294, tendo o presente processo retornado a este Conselho para pronunciamento, exclusivamente, acerca da exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.299 3 Isto exposto, cabe relatar o histórico processual que resultou na emissão do Despacho Decisório SAFIS nº 377/2012 (fl. 752), que determinou a exclusão de ofício da empresa em epígrafe do Simples Nacional, à partir do dia 01/01/2008, como o impedimento do contribuinte em optar pelo referido regime unificado de arrecadação no prazo de 03 (três) anos, conforme o §1º do artigo 29 da Lei Complementar n.º 123/2006. Neste Despacho, informase que a exclusão do contribuinte do Simples Nacional operouse pela constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Para detalhar a subsunção dos fatos à norma jurídica de exclusão do Simples Nacional, adotase trecho correspondente do relatório apresentado pela DRJ/SDR no Acórdão da Impugnação apresentada nestes autos, à seguir transcrito: “Com referência à exclusão do SIMPLES, observase que integra o presente feito nas fls. 733 a 736, Representação Fiscal com proposta de exclusão da impugnante do referido sistema, pela prática das infrações abaixo realçadas: Através dos procedimentos fiscais realizados na empresa fiscalizada, foi constatado que sua escrituração não contemplava, em sua totalidade, os depósitos realizados em suas contas correntes, revelandose, assim, imprestável para identificar sua efetiva sua movimentação financeira, inclusive bancária. Tal fato se enquadra na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso VIII, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, além de ferir o §2º do art. 26 da mesma Lei, ambos acima transcritos. Tal procedimento da empresa foi realizado de forma reiterada, ao longo de todo o período fiscalizado, que compreende os anos de 2008 e 2009, o que a enquadra também na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso V, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, acima transcrito. Além disso, ao ser intimada a apresentar seus extratos bancários, a empresa apresentou apenas documentos sem qualquer elemento que pudesse comprovar sua integridade, veracidade e autenticidade, recusando se a apresentar novos documentos que oferecessem certeza quanto a tais aspectos, conforme podese verificar através do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 549/2011, do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 639/2011 e do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 738/2011 e suas respectivas respostas. Tal fato se enquadra na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso II, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 / 2006, acima transcrito. Ademais, durante os procedimentos fiscais realizados na empresa em questão, também foi constatado que a empresa prestava serviços de transporte sem a emissão do correspondente documento fiscal, como seria o conhecimento de frete. Tal constatação se comprova pelo fato da empresa não ter apresentado os documentos fiscais solicitados através do Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.300 4 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 210/2012 e do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL Nº 299/2012, indicando não possuir documentos fiscais que comprovassem todas as entradas de recursos em suas contas correntes, o que demonstra a não emissão de tais documentos fiscais. Tal procedimento da empresa foi realizado de forma reiterada, ao longo de todo o período fiscalizado, que compreende os anos de 2008 e 2009, o que a enquadra também na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL presente no inciso XI, do art. 29 da Lei Complementar nº 123 /2006, acima transcrito. A Representação Fiscal redundou no Parecer SAFIS nº 005/2012 (fls. 740 a 746), cujo teor abaixo se transcreve parcialmente: Em razão dos fatos constatados, resta clara a intenção da empresa de não tributar parte de suas receitas, omitindo sistematicamente valores recebidos durante, pelo menos, vinte e quatro meses sucessivos (janeiro de 2008 a dezembro de 2009). Tal prática se enquadra na definição acima, ou seja, era habitual e repetida, podendo também ser considerada como um costume da pessoa jurídica e, por isso, caracterizada como uma prática reiterada de infração à Lei Complementar 123/2006. No presente caso, além da prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, podemos destacar também a falta de escrituração da integral movimentação financeira, no Livro Caixa ou nos Livros Diário e Razão, a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço e o embaraço à fiscalização, cabendo assim, as seguintes hipóteses de exclusão, conforme o disposto na Lei Complementar n.º 123/2006. Assim, apesar de a situação da pessoa jurídica enquadrarse em quatro hipóteses de exclusão de ofício do Simples Nacional, entendemos que para os efeitos da exclusão devem prevalecer as hipóteses relacionadas à omissão de receitas, à falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, por serem mais abrangentes do que os efeitos da exclusão decorrentes do embaraço à fiscalização. Nesse sentido, conforme a representação fiscal de fls. 733 a 736, a omissão de receitas, a falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, vem ocorrendo desde o mês de janeiro de 2008 reiteradamente até, pelo menos, dezembro de 2009, assim, tendo como fulcro os dispositivos legais acima transcritos, entendemos que a exclusão deve reportarse à data 01/01/2008. Isto posto, Entendemos que a representação deve ser acolhida, de modo que seja efetuada a exclusão do Simples Nacional da pessoa jurídica acima qualificada, com efeitos retroativos a 01/01/2008. O Despacho Decisório SAFIS 377/2012 e o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 061, de 21 de novembro de 2012 (fls 752 e 753), convalidaram o Parecer que propôs a exclusão da impugnante do Simples Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.301 5 Federal, com efeito retroativo a 01/01/2008 pela prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço: Despacho Decisório SAFIS 377/2012 Em consonância com o Parecer SAFIS n° 005, de 21 de novembro de 2012, determino a exclusão de ofício da empresa em epígrafe do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Essa exclusão terá como termo inicial o dia 01/01/2008 e impedirá a empresa de fazer nova opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1o do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006. Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 061, de 21 de novembro de 2012 Art. 1º. O contribuinte abaixo citado fica excluído da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, denominada Simples Nacional, face ao disposto nos artigos 3º, 17 e 29 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores e de acordo com o disciplinamento constante da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e, posteriormente, da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011, em razão da constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço. Art. 2º. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Conforme já relatado, o contribuinte foi pessoalmente cientificado da exclusão do Simples e da autuação em 06/12/2012, porém recusouse a assinar os Termos de Ciência, conforme indicam os Termos de Constatação de fls. 966 e 969 lavrados pelas 03 Autoridades Fiscais responsáveis pelo procedimento. Por medida de prudência e objetivando assegurar ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório, foi, também, cientificada por meio do Edital 027/2012 publicado em 06/12/2012 (fls. 971/972), cuja desafixação ocorreu em 28/12/2012. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.302 6 Tais fatos comprovam que a impugnante foi regularmente cientificada da sua exclusão do Simples, tomou conhecimento de todos os fatos aqui narrados e teve à sua disposição 30 dias para interpor a sua Manifestação de Inconformidade, o que efetivamente ocorreu conforme petição de fls. 1.018 a 1.034. Observase, assim, que a alegação de que Receita Federal do Brasil teria adotado procedimento de exclusão do SIMPLES, sem respeitar a legislação pertinente à matéria, bem como afrontando princípios constitucionais basilares do ordenamento jurídico brasileiro, não se justifica, uma vez que no presente caso foram respeitados todos os procedimentos estabelecidos pela Lei Complementar 123/2006 e pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011. Todos os atos que embasaram o Ato Declaratório de exclusão estão inseridos neste PAF e foram regularmente cientificados ao interessado, que exerceu o seu direito de defesa em prazo hábil, o que afasta a possibilidade de ocorrência de qualquer cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Entender de forma contrária equivaleria a negar vigência a dispositivos legais regularmente editados afastandoos do mundo jurídico ou, de forma indireta, caracterizar como inconstitucional a lei instituidora da exclusão e da retroatividade aqui aplicada. A apreciação de tais argüições foge à alçada das autoridades administrativas, que, não dispõem de competência para examinar hipóteses que sustentem a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Tal entendimento, inclusive, já é objeto da Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cujo teor abaixo reproduzimos, que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, conforme atribuição dada pelo Ministro da Fazenda: Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada cfe. Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009, p. 70 a 72) Como se vê, a emissão do Despacho Decisório que redundou na exclusão da impugnante do Simples, foi resultado da aplicação de dispositivo legal regularmente instituído, e decorreu de ações desenvolvidas pelo próprio contribuinte, cuja conseqüência foi a impossibilidade da sua permanência no sistema de tributação mais favorável, não havendo nenhuma relação com aplicação de qualquer penalidade ou sanção administrativa, como tenta induzir a defesa. Quanto aos argumentos de defesa vinculados à pratica reiterada de omissão de receitas, falta de escrituração da movimentação bancária e falta de emissão de documentos fiscais, são matérias que dizem respeito ao mérito do lançamento e que serão tratadas em item específico deste voto, ressaltandose que a impugnante em nenhum momento justifica de forma Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.303 7 convincente as divergências apontadas pela fiscalização entre o seu movimento financeiro e os valores efetivamente declarados à Receita Federal, limitandose a questionar os aspectos formais do processo. No caso aqui tratado, o fisco demonstra que no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, as omissões de receitas corresponderam, em média, a 92% do total de receitas do contribuinte, alcançando a cifra de R$ 9.889.392,21 no período fiscalizado, com ocorrência regular em todos os meses dos anoscalendário objeto do lançamento. A citada Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, nos esclarece o conceito de prática reiterada no § 6º do art. 76, da seguinte forma: § 6 º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas "d", "j" e "k" do inciso IV do caput: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 9 º) I a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos cinco anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais; II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Assim não se sustenta a alegação contida na defesa, de que a teria ocorrido atribuição genérica de prática reiterada de infração. Para que a empresa pudesse integrar o sistema tributário do SIMPLES, seria necessário obedecer às regras estabelecidas na Lei Complementar 123/2006, que dispõe sobre os requisitos necessários para usufruir dos benefícios da tributação simplificada. No caso de descumprimento dos preceitos legais exigidos na citada legislação tributária, operase o efeito excludente, independentemente de ato administrativo posterior, conforme acórdão 30132537 proferido pelo então Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF abaixo transcrito: MOMENTO DA EXCLUSÃO – O direito à manutenção da opção pelo SIMPLES, depende do constante cumprimento, pela pessoa jurídica, dos requisitos fixados pela Lei nº. 9.317/96 e suas subseqüentes alterações, sendo que é a ocorrência do fato gerador excludente, por si só produz os efeitos impeditivos para continuidade no SIMPLES, independentemente da expedição de ato administrativo que tem cunho meramente declaratório. RECURSO NEGADO. (Acórdão 30132537, Primeira Câmara do Terceiro Conselho, sessão em 23/02/2006). Quanto às justificativas apresentadas pela defesa em relação a não emissão de documentos fiscais, e efeitos confiscatórios decorrentes da exclusão Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.304 8 retroativa do Simples, são matérias que serão objeto de abordagem no item específico das nulidades. Resta por fim analisar as alegações quanto à delimitação temporal da exclusão e seus efeitos pretéritos e futuros, já que na defesa alegouse que a exclusão, com suposta vedação à opção devese restringir ao período dos exercícios 2008, 2009 e 201...pois a extensão destes para os anos 2011 e 2012 é totalmente ilegal e arbitrário. Conforme já visto, tanto no Despacho Decisório SAFIS nº 377/2012 como no Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 061, de 21 de novembro de 2012, ambos regularmente cientificados ao contribuinte, consta a informação de que a exclusão de ofício deste do SIMPLES, decorreu da constatação de prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas, além da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com o artigo 29, incisos V, VIII e XI da referida lei complementar. Adicionalmente informase que essa exclusão terá como termo inicial o dia 01/01/2008 e impedirá a empresa de fazer nova opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1o do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006 com o disciplinamento dos constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Lei Complementar n.° 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse á quando: I – verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; II – for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; III – for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; IV – a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; V – tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI – a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.305 9 VII – comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII – houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; IX – for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; X – for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. XI houver descumprimento da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 desta Lei Complementar; (Incluído pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) XII omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. (Incluído pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1º de julho de 2007) Obs: Grifei Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I – emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011 Dos Efeitos da Exclusão de Ofício Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I – (...) II (...) III (...) Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.306 10 IV a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1 º ) a) for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; b) for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; c) a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; d) tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar n º 123, de 2006; e) a ME ou EPP for declarada inapta, na forma da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; f) comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; g) houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; h) for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; i) for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, foi superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; j) não emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de forma reiterada, observado o disposto nos arts. 57 a 59 e ressalvadas as prerrogativas do MEI nos termos da alínea “a” do inciso II do art. 97; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 101, de 19 de setembro de 2012) k) omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço, de forma reiterada; Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.307 11 Em que pese as afirmações contidas na defesa, não se vislumbra nenhuma ilegalidade, seja na aplicação dos efeitos retroativos da exclusão do Simples, seja no impedimento de nova opção pelos 03 anoscalendário subseqüentes ao período da exclusão. Logo, estando devidamente fundamentada nos autos as razões da exclusão do SIMPLES e o seu efeito retroativo e o período de impedimento legal para nova opção, e tendo sido aplicada a regra legal prevista na legislação tributária, não há como prosperar a argüição de violação a qualquer preceito ou princípio constitucional. (...)” (Grifei) Dessa forma, o órgão julgador de 1ª instância considerou a impugnação improcedente, e manteve a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. No Recurso Voluntário, a recorrente replica os argumentos expostos na peça de impugnação em face da exclusão do Simples Nacional. Em síntese aduz que: 1. DA PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. ATRIBUIÇÃO GENÉRICA Totalmente descabida a exclusão por prática reiterada de infração à Lei Complementar 123/2006 quando ausente menção clara e objetiva de quais os dispositivos legais infringidos, bem como quando a suposta prática infracional tem disciplina específica na legislação tributária; 2. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO CONTABILIZADA Não houve qualquer demonstração da falta de escrituração ou da impossibilidade de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não há, em nenhum momento, menção de que houvesse falta de escrituração do livrocaixa no caso em tela. Assim, não há como considerar que a hipótese de exclusão seja pela falta de escrituração do livrocaixa, pois o mesmo foi devidamente entregue à fiscalização. Havendo escrituração do livrocaixa, inclusive tendo sido entregue ao Agente Fiscal, inocorrente tal hipótese para efeito de exclusão”. Resta pois, a hipótese de impossibilidade de apuração da movimentação financeira (bancária). Neste ponto, também inocorrente a hipótese legal, uma vez que a movimentação financeira, inclusive bancária, estava devidamente escriturada. Em que pese faça menção de que a movimentação bancária estava escriturada apenas em parte, o Agente Fiscal deixou de apontar quais seria omissões, razão pela qual torna impossível a impugnação pela contribuinte da tal afirmação”. Ainda que não tivessem sido contabilizados os depósitos bancários, o que se admite apenas a título de argumentação, tal hipótese teria sido Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.308 12 suprida pela obtenção do total das movimentações através de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) emitidas em 24.01.2012 e encaminhadas às respectivas instituições financeiras; 3. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL – Todos os documentos correspondentes a serviços prestados pela empresa contribuinte foram emitidos. No entanto, a simples circulação de depósitos/valores pelas contas correntes desta não caracterizam serviços prestados, o que ocorreu no caso em tela”. A emissão de documento fiscal, no caso o conhecimento de fretes, somente é devida quando corresponda a serviço prestado efetivamente prestado pela contribuinte. No caso em tela, os depósitos considerados como faturamento pela Fiscalização, não correspondem a tal, não sendo devida a emissão de documento fiscal a esse respeito. A contribuinte em tela tem como objetivo social a exploração do ramo de transportes rodoviários de cargas intermunicipal, interestadual e internacional. Nesse sentido tem firmado diversos contratos de frete com grandes empresas produtoras no mercado nacional. Estes, por sua vez, tem como forma de organização do transporte a concessão de vagas para realizar o transporte de seus produtos”. Nesse sentido, estando a contribuinte registrada e apta à realização do transporte, todos os contatos e pagamentos são realizados pelo cliente em nome desta, ainda que não seja esta quem realize o transporte. Então, neste caso, temse que inúmeras vezes o pagamento é realizado em favor da ora autuada, mas, na verdade, é devido a quem realizou de fato o transporte”. Portanto, tais pagamentos simplesmente transitaram pelas contas da contribuinte, mas tiveram destino final os transportadores (pessoas físicas ou jurídicas), mobilizados por esta, para realizarem o serviço, sendolhes posteriormente repassado o valor do frete. Assim, não tendo sido a autuada quem efetivamente realizou o transporte, não há como ser considerado faturamento o valor transitado em suas contas para repasse a quem efetivamente o tenha feito”. Portanto, a mera circulação de valores na conta bancária não caracteriza necessariamente faturamento, não prestando como base de cálculo das contribuições sociais e do imposto sobre a renda que exige o efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte o que no mcaso presente não restou demonstrado pelo agente fiscal. Não se tratando de faturamento, não há como exigir a emissão de documento fiscal. Ainda, a hipótese legal exige "prática reiterada", a qual é definida no § 9º, o mencionado artigo 29”. Acrescentese que não houve qualquer formalização de auto de infração ou notificação de lançamento anterior, o que sequer foi mencionado nos presentes autos. Por essa razão, excluída a hipótese do inciso I. Quanto ao inciso II, trata da utilização de meio fraudulento, que não é o caso Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.309 13 em tela. Como se verifica nos presentes autos, em nenhum momento restou evidenciada a vontade de enganar o fisco, de sonegar ou criar embaraço ao Fisco; 4. DELIMITAÇÃO TEMPORAL DA EXCLUSÃO. ILEGALIDADE DO ATO O ato impugnado trata da exclusão da requerente do regime simplificado de tributação desde 01.01.2008, bem como vedalhe a possibilidade de opção pelo Simples Nacional no prazo de 03 (três) anos, conforme o § 1º do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006. Em que pese tenha delimitado o início do tempo da exclusão (01.01.2008) e seus efeitos por 3 (três) anos, deixou de especificar ou limitar os efeitos da exclusão quanto ao seu final Temse, portanto, que a exclusão, com a suposta vedação à opção deve se restringir ao período dos exercícios de 2008, 2009 e 2010. No entanto, verificase no sistema mantido pelo Fisco, que a contribuinte consta como excluída do regime simplificado, inclusive para os anos de 2011 e 2012. Ora, há que estar delimitados os efeitos da exclusão, pois a extensão destes para os anos de 2011 e 2012 é totalmente ilegal e arbitrário. Deve, portanto, ser restabelecido imediatamente a opção pelo regime simplificado, para os anos de 2011 e 2012, o que desde logo requer; 5. EXCLUSÃO. EFEITOS. TERMO A QUO Delimitado o período de alcance do Ato Declaratório impugnado, também há que se tratar do termo a quo do mesmo. Afastadas as hipóteses de exclusão de ofício, caso constatada a omissão de receita, o que se admite apenas para argumentar, e feita a apuração tributária, temse que o termo a quo da exclusão deve ser o último dia útil do mês seguinte ao excesso de receita, de que trata o artigo 30, da Lei Complementar n° 123/2006”. Portanto, em que pese não se admita qualquer hipótese de exclusão do regime simplificado, não há como se falar em exclusão antes da ocorrência do excesso ao limite de receita bruta previsto no inciso II, do caput do art. 3º, da Lei Complementar referenciada. Há, portanto, que ser respeitada a opção pelo regime tributário simplificado em cada ano, até que alcançado o limite de receita bruta; 6. TRIBUTAÇÃO RETROATIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO – A cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte”. Discrepa do parágrafo primeiro do art. 97 do CTN, o ato declaratório excludente, posto que este, modificando sutilmente a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado, e impondo a migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Se o faturamento da micro e pequena empresa permanecer o mesmo para uma tributação maior, a onerosidade é Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.310 14 evidente, pois a hipótese de incidência perfectibilizará um aumento da tributação; 7. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SANÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTRIBUINTE A pretexto da temática, a cobrança retroativa dos tributos está na iminência de ocorrer, e o Poder Executivo sinaliza que referida cobrança será realizada com incidência de juros e correção monetária”. A sanção tributária está a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão”. Se não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que este seja excluído da tributação simplificada, é ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob bases de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Tendo em vista que a data da ciência do Acórdão de Impugnação, via postal, se deu em 14/01/2014 (fl. 1171), e tendo a peça recursal sido apresentado em 31/01/2014, resta tempestivo o presente Recurso Voluntário, motivo pelo qual dele conheço. Com relação à lide em julgamento, repiso, tratase de julgamento de exclusão do Simples Nacional. Com efeito, tal exclusão operouse por ter a fiscalização constatado que o contribuinte praticou, reiteradamente, infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, na forma de omissão de receitas; falta de escrituração da movimentação financeira; e falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço, tendo como termo inicial da exclusão o dia 01/01/2008. Demonstrados os motivos da exclusão do Simples Nacional, devese analisar os argumentos ventilados pela autoridade fiscal. Com relação à omissão de receitas, o trabalho da fiscalização apurou que, considerando as movimentações financeiras contabilizadas e as não contabilizadas, de um total de 1.548 movimentações financeiras para as quais foram solicitadas justificativas, a contribuinte só conseguiu comprovar a origem de apenas 31 transações, conforme consta no item 06 do Relatório Fiscal. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.311 15 Adiante, a fiscalização no relatório de atividade fiscal (fls. 867 e segs) elabora planilha que ilustra o conteúdo probatório reunido ao longo do procedimento, o qual confirma que a recorrente deixou de oferecer à tributação, em média, 92% das receitas auferidas. Vejamos: Portanto, no caso aqui tratado, o fisco demonstra que no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, as omissões de receitas corresponderam, em média, a 92% do total de receitas do contribuinte, alcançando a cifra de R$ 9.889.392,21 no período fiscalizado, com ocorrência regular em todos os meses dos anoscalendário objeto do lançamento. Verificada a disparidade entre as informações presentes nos livros contábeis e também nos extratos de movimentação bancária da empresa, esta foi intimada a apresentar documentos que comprovassem a efetiva origem das entradas de recursos, porém, conforme exposto alhures, a empresa só conseguira comprovar uma quantidade ínfima das mesmas. A esse respeito, a Lei 9.430/06, em seu artigo 42, dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.312 16 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em observância à clara disposição legal, este Conselho já se pronunciou sobre o assunto da seguinte maneira: “CARF – Data da Sessão: 03/02/2016 Nº Acórdão: 1402002.105 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada.” De outro lado, a falta de escrituração da movimentação financeira também está claramente demonstrada no Relatório Fiscal, e comprovada pelos documentos constantes deste PAF. A autoridade fiscal atesta que, nas informações obtidas através das RMF encaminhadas ao Banco Bradesco S/A, Banco Santander Meridional S/A, e Banco Real S/A, foi feita comparação com os lançamentos contábeis escriturados pela empresa, de modo que ficou constatado que a movimentação bancária estava escriturada apenas em parte, e que a parte escriturada não transitava por contas de resultado. Tudo em conformidade com o descrito no item 05 do Relatório Fiscal. Ademais, cabe frisar que o fisco demonstra que as infrações foram praticadas no período de janeiro/2008 a dezembro/2009, caracterizando, portanto, a prática reiterada das infrações supra descritas. Para conferir fundamentação legal ao enquadramento da conduta do contribuinte no artigo 29, V, LC 123/2006, a autoridade autuante trouxe o conceito atribuído pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, que dispõe no § 6º do art. 76, o seguinte: § 6 º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas "d", "j" e "k" do inciso IV do caput: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 9 º) I a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.313 17 verificada em relação aos últimos cinco anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais; II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Assim, resta correta a atribuição de prática reiterada às infrações cometidas pelo contribuinte, tendo em vista que se amolda ao conceito disciplinado pela Resolução acima citada. Relativamente à definição do termo a quo da exclusão do Simples Nacional, ratifico a correção do Acórdão recorrido em determinar que este seja o dia 01/01/2008. Isto porque, o artigo 29, § 1º, prevê, justamente, que nos casos como o aqui enfrentado, a exclusão produzirá efeitos à partir do próprio mês em que incorridas. No entanto, com relação à delimitação temporal da exclusão, há de se fazer uma ressalva. Delimitado o dia 01/01/2008 como o termo inicial da exclusão do contribuinte do Simples Nacional, e verificada hipótese de exclusão de ofício, como a aqui ocorrida, fica o contribuinte impossibilitado de exercer a opção pelo Simples pelos 3 (três) anoscalendários seguintes. É o que dispõe o § 1º do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006 com o disciplinamento dos constante no art. 6º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e nos arts. 73 a 76 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. Logo, excluído do Simples no dia 01/01/2008, o contribuinte ficará inabilitado a optar pelo regime unificado de arrecadação pelos anos de 2008, 2009 e 2010. À partir do anocalendário 2011 o contribuinte já encontrase em condições de, em caso de preenchimento dos requisitos, optar pelo Simples Nacional. Dessa forma, com relação às infrações objeto desse procedimento fiscal, não subsistirá o impedimento em optarse pelo Simples Nacional à partir do anocalendário 2011, posto que já decorrido o prazo de impedimento legalmente previsto. A Recorrente, ainda aduz ser ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação. Porém, reforçase que a empresa que desfruta dos benefícios do regime unificado de arrecadação, devese submeter constantemente aos requisitos nela impostos, ou seja, os requisitos da LC 123/2006. Uma vez não atendidos os preceitos legais exigidos na citada legislação tributária, operase o efeito excludente, independentemente de ato administrativo posterior. Neste sentido, o próprio CARF já se pronunciou da seguinte forma: “CARF – Data da Sessão: 23/02/2006 Acórdão nº 30132537 MOMENTO DA EXCLUSÃO – O direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento, pela pessoa jurídica, dos requisitos fixados pela Lei nº. 9.317/96 e suas subseqüentes alterações, sendo que é a ocorrência do fato gerador excludente, por si só produz os efeitos Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.314 18 impeditivos para continuidade no SIMPLES, independentemente, da expedição de ato administrativo que tem cunho meramente declaratório.” Portanto, o descumprimento dos preceitos legais, por si só, é capaz de operar a exclusão do contribuinte de Simples Nacional. Isto importa que, à partir de quando a empresa começou a praticar as sobreditas infrações, já se encontrava fora do regime. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e do termo inicial da exclusão. Logo fixado o referido termo inicial, fica formalizado que o contribuinte, à partir daquela data, não mais poderia beneficiarse do regime unificado de arrecadação. Tal questão já fora pacificada em Recurso Repetitivo no STJ, e devidamente reproduzida no âmbito do CARF. Vejamos: “CARF – Data da Sessão: 03/03/2015 Acórdão n.º 1803002.564 Assunto: Simples Nacional Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ Recurso Repetitivo)” Logo, declarado o momento da exclusão, deve o fiscal realizar o lançamento reportandose à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, como disciplina no artigo 144 do CTN. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10925.722793/201295 Acórdão n.º 1302001.990 S1C3T2 Fl. 1.315 19 O raciocínio é aplicável, ainda, à última questão suscitada pela recorrente, ou seja, de que a sanção tributária está a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando está a impor a tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Ora, uma vez que o ato administrativo tem o condão de apenas declarar a situação de inadequação do contribuinte aos preceitos legais do Simples Nacional, formalizando a situação de exclusão do regime, não há razão na afirmação de tratarse de ato sancionatório exercido pela Administração. Em outras palavras, não há sanção quando apenas se declara uma situação motivada por infrações praticadas pelo administrado que, por si só, efetivaram a exclusão contribuinte do Simples Nacional. Por tudo exposto, julgo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional DRF/JOA n. 061, de 21 de novembro de 2012. É como voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 12259.003355/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO.
Tratando- se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento e afastada a imputação de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN.
A mera desconsideração de contratos firmados com pessoa jurídica para prestação de serviços que caracterizam vínculo empregatício não é suficiente para se presumir a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte provido e Recurso Especial da Fazenda prejudicado no mérito.
Numero da decisão: 9202-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que restou prejudicado no mérito.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DECADÊNCIA ART. 150, §4º DO CTN. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. PAGAMENTO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Tratando se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento e afastada a imputação de fraude, dolo ou simulação, aplicase o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. A mera desconsideração de contratos firmados com pessoa jurídica para prestação de serviços que caracterizam vínculo empregatício não é suficiente para se presumir a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN. Recurso Especial do Contribuinte provido e Recurso Especial da Fazenda prejudicado no mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que restou prejudicado no mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 33 55 /2 00 9- 54 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.384 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para a cobrança da Contribuições Previdenciárias devidas em razão da descaracterização pelo Ministério Público do Trabalho dos contratos de prestação de serviços artístico firmados com pessoas jurídicas e os quais supostamente serviam para mascarar a relação de emprego mantida com jornalistas, radialistas e artistas. Segundo relatório fiscal de fls. 350, a cobrança referese ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 37.093.2080, relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados obrigatórios. Tal débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada como a diferença entre a contribuição efetivamente devida, conforme a época do fato gerador e a remuneração recebida, e a contribuição efetivamente recolhida em nome de cada segurado; contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; contribuição devida por lei a terceiros, a cargo da empresa (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC e SEBRAE); acréscimos legais devidos pelo não recolhimento das importâncias devidas no prazo legalmente estabelecido, compostos de juros de mora e multa moratória. O débito foi apurado para as competências de 01/1997 à 12/2002. Contribuinte foi intimado pessoalmente em 21/12/2007, fls. 01. Da leitura da peça de Impugnação (fls. 439) destacamse as principais alegações de defesa: (i) decadência dos fatos geradores ocorridos entre 12/1996 e 11/2002, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento que atrai a aplicação do art. 150, §4º do CTN, (ii) legalidade da celebração de contratos por meio de pessoas jurídicas e aplicação retroativa do art. 129 da Lei 11.196/05, (iii) falta de amparo legal para lavratura do auto, (iv) cerceamento de defesa, e (v) aplicação do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento decidiu pela improcedência parcial da impugnação, declarando a decadência do período de 01/1997 a 11/2001 pela aplicação do art. 173, I do CTN por classificar a conduta do contribuinte como fraudulenta. Contra decisão foi apresentado Recurso de Ofício e interposto Recurso Voluntário, o primeiro julgado improcedente e o segundo provido em parte. O acórdão de nº 2301003.751, ora recorrido, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Diante da fraude nos contratos de trabalho, aplicase ao caso a regra do art. 173, inciso I do CTN. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA PARA EFEITOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de tributos, não carretando essa análise a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as consequências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.385 5 Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Incabível a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a", pois a retroatividade benigna diz respeito às infrações e suas penalidades, ao passo que o fato gerador deve seguir as determinações do art. 144 do CTN. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E PELAS MULTAS MORATÓRIAS E PUNITIVAS. ARTS. 129 e 133 DO CTN. RESP 923.012 E ART. 62A DO RICARF. Conjugandose a aplicação do art. 62A do RICARF com o conteúdo do Resp 923.012/MG do STJ, cujos fundamentos apontam para os arts. 129 e 133 do CTN, concluímos que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Negado. Recurso Especial da Fazenda Nacional para discutir a aplicação da multa afirmando que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso deve levar em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principal e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Recurso especial interposto pelo Contribuinte contra aplicação do art. 173, I do CTN, argumenta que a mera reclassificação dos contratos não pode levar a presunção de que teria ocorrido conduta fraudulenta. Cita como paradigmas os acórdãos 2401002.924 e 2401002.926. As partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Esclarecimento: Importante citar, conforme muito bem delimitado pelo Contribuinte, o objeto do processo que ainda permanece em litígio referese as contribuições devidas em relação ao período de dezembro de 2001 a novembro de 2002 haja vista decisão proferida pelo Colegiado a quo, o teor dos recursos apresentados e o pagamento à vista, pelo contribuinte com os benefícios da Lei nº 11.941/09, do valor referente ao fato gerador ocorrido no mês de dezembro de 2002. Do Recurso do Contribuinte: Não encontramos óbices para o conhecimento do recurso. Conforme narrado no relatório o contribuinte insurgese contra o entendimento de que há nos autos a comprovação de fraude à lei que justificaria a aplicação do art. 173, I do CTN para apuração do período de decadência. O cerne da questão foi muito bem resumido pelo despacho de admissibilidade da seguinte forma: Enquanto a decisão recorrida decidiu que houve a comprovação de dolo/fraude/simulação, pela utilização de pessoas jurídicas para, em tese, ocultar a condição de segurados empregados, a decisão paradigma decidiu de forma contrária, que só a ocultação, em tese, não é o bastante para deixar de aplicar a regra decadencial expressa no Art. 150, do CTN. Ao contrário do que se pode argumentar, o objetivo do presente recurso não é a revaloração de provas por esta instância superior. O que se pretende é que a Câmara Superior defina o seguinte: a mera utilização de pessoa jurídica para fins de contratação de serviços artísticos seria suficiente para caracterizar dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 173, I do CTN? Diante desta delimitação os acórdãos apresentados como paradigmas são suficientes para demonstrar a divergência e em razão disso entendo como cumpridos os requisitos para admissibilidade do recurso. Superado eventuais problemas quanto ao conhecimento, no mérito entendo pertinentes os argumentos trazidos pelo Recorrente, isso porque para fins da aplicação da legislação tributária não basta uma suposição de que a conduta do contribuinte tenha sido fraudulenta, devese demonstrar que agindo com dolo este tenha se utilizado de meio ardil para burlar a legislação. Lembramos que nesta etapa processual não se discute mais sobre o acertamento ou não da decisão do Ministério Público do Trabalho que reconhecendo haver Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.386 7 elementos caracterizadores de relação de trabalho (subordinação, pessoalidade e não eventualidade) desconsiderou os contratos firmados entre o Contribuinte e os sócios das pessoas jurídicas. Portanto, julgo desnecessário emitir juízo de valor acerca da possibilidade ou não da contratação de serviços artísticos por meio de pessoas jurídicas. Diante da caracterização do vínculo empregatício os artistas, jornalistas e radialistas foram classificados como segurados obrigatórios, fato que motivou o presente lançamento. Analisando o teor do Relatório Fiscal, é possível perceber que a existência de fraude é abordada apenas em relação aos contratos de trabalho, não tendo sido feito qualquer avaliação mais específica acerta dos elementos dolosos que caracterizariam o crime de sonegação ou a fraude para fins da legislação tributária pelo uso de pessoa jurídica. Vale citar algumas partes do relatório que demonstram isso: 7 A presente ação fiscal foi iniciada a partir de requisição do MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, como resultado final do INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO n° 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que: "... a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7o da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação 'civil' com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais." (...) 11 Concluise, portanto, que verificada a prática de qualquer ato com o fito de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos constantes da CLT, devem, conforme o comando legal constante do art. 9o , CLT, ser tais atos considerados nulos, de pleno direito, quer dizer, sem a necessidade de declaração judicial (...) 31 Merece destaque o fato de que a fiscalização, ora parcialmente encerrada, não desconsiderou a personalidade jurídica de qualquer das empresas prestadoras, citadas no item 36 do presente relatório. Tampouco declarou que os artistas/jornalistas são detentores de direitos trabalhistas, mas tãosomente que para a relação jurídica examinada estão presentes as já citadas características de uma relação de emprego, portanto, devida as contribuições sociais ora lançadas. Ora, o art. 150, §4º do CTN em sua parte final traz a exceção à sua aplicação para os casos onde houver sido comprovado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E para compreender esses conceitos nos socorremos dos conceitos trazidos pela Lei nº 4.502/64. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 A sonegação no artigo 71, se refere à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. A Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificando‑ o para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Em que pese a fundamentação do acórdão recorrido, entendo que o lançamento não demonstrou a ocorrência desses eventos jurídicos, limitandose a afirmar que teria ocorrido fraude em relação à legislação trabalhista, fraude essa que a meu ver não se confunde e nem pode ser aproveitada para caracterizar a conduta do contribuinte para fins de afastamento da regra decadencial do tributo prevista no art. 150, §4º do CTN. Importante destacar que tanto não se aproveita que sequer foi instaurado processo de representação fiscal para fins penais. Por fim, como bem colocado pelo Recorrente deve ser considerado o teor do art. 129 da Lei nº 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Ora, referida norma acaba por demonstrar que a suposta vedação à prática do contribuinte de contratar serviços artísticos por meio de pessoas jurídicas, no que se refere aos aspectos tributários, era no mínimo duvidosa, portanto, sua simples ocorrência não caracteriza automaticamente a existência de conduta dolosa/fraudulenta do contribuinte. Diante do exposto, afastada a existência de dolo, fraude ou simulação e havendo comprovação dos autos da antecipação do pagamento do tributo, devese reconhecer a decadência do crédito tributário referente ao período de dezembro de 2001 a novembro de 2002, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Do Recurso da Fazenda Nacional: A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma do julgado sob o argumento de que para determinar qual a multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Aqui devo esclarecer que embora mereça ser conhecido, em razão do provimento dado ao recurso do Contribuinte e consequente reconhecimento da decadência da totalidade dos fatos geradores ainda discutidos no processo, resta prejudicada a análise do mérito deste Recurso Especial interposto pela União. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 9202004.351 CSRFT2 Fl. 1.387 9 Diante do exposto, conheço dos Recursos. No mérito dou provimento ao recurso do Contribuinte, restando prejudicado o recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13839.000108/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
Ementa:
VALE-TRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos vales-transporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do vale-transporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos vales-transporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992-B.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: VALETRANSPORTE. SERVIÇOS. DELEGAÇÃO. INGRESSOS NÃO DEFINITIVOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os ingressos não definitivos e que não representam qualquer elemento positivo no patrimônio do contribuinte, correspondentes aos valores de face dos valestransporte recebidos dos seus clientes (empregadores que fornecem o benefício do valetransporte a seus empregados), que serão depois repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, não integram a sua receita bruta para fins de incidência do PIS/Pasep. No caso, a receita bruta tributável da contribuição social para o contribuinte, que possui delegação para distribuição dos valestransporte e presta serviços a ela vinculados, corresponde ao preço do serviço prestado aos seus clientes. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Cláudia Fonseca Morato Pavan, OAB/SP 144.992B. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 01 08 /2 00 5- 12 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, que julgou procedente o lançamento. Trata o processo de auto de infração, relativo aos períodos de apuração mensais compreendidos entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 2003, com ciência pela contribuinte em 25/02/2005, para a exigência de PIS/Pasep, multa de ofício e juros de mora, sobre os valores de vales/cartões/cupons recebidos pela contribuinte de seus clientes, no montante total de R$19.317.524,22, calculado até 31/01/2005. Constatou a fiscalização que a contribuinte não gozaria da posição de mero intermediário, já que faturaria diretamente contra seus clientes e, por outra, os emissores dos vales/cartões/cupons faturariam diretamente contra a contribuinte. Ademais, por falta de regulamentação, não socorreria a contribuinte o art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/98, ora revogado, que dispunha sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos a outra pessoa jurídica. Além disso, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, concluiu a fiscalização pela ausência de prova quanto à efetividade de ingresso de numerário na conta caixa, eventualmente decorrente de contratos de mútuo, reputando o valor de R$883.022,10 como saldo credor da conta caixa, fato auxiliar para a incidência da presunção legal de omissão de receita prevista no art. 40, inciso I da Lei n° 9.430/96, resultando na exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) no processo nº 13839.000107/2005 60. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: i) Não realizaria operação de compra e venda dos vales/cartões/cupons, agindo mais como agente facilitador da distribuição dos vales transportes, numa combinação de atribuições próprias da intermediação, do mandato e da comissão. ii) Só existiria receita quando o ingresso de numerário no patrimônio se fizesse de modo definitivo. Receita seria elemento novo e positivo no patrimônio, circunstância não ocorrente respeitante ao objeto "ValeTransporte", certo que o tanto quanto repassado pelos seus clientes para a cobertura do preço de determinada quantidade de "ValeTransporte" é exatamente o tanto quanto que ele, contribuinte, repassaria aos emissores de ditos "Vale Transporte". iii) Se receita existe, quem a experimenta seriam tão só as empresas concessionárias de serviço público de transporte coletivo quando do momento da prestação do respectivo serviço. iv) A tributação, a titulo de Contribuição ao PIS e de Cofins, da totalidade do numerário proveniente de seus clientes (aquele correspondente ao valor de face dos "Vale Transporte" mais aquele remuneratório do serviço que presta), levaria ao desrespeito da Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.658 3 capacidade contributiva, da utilização de tributo com efeito de confisco e ofensa ao principio da razoabilidade. Mediante o Acórdão DRJ/CPS N° 9.357, de 10 de maio de 2005, foi julgado procedente o lançamento, em síntese, sob os seguintes argumentos: No escopo do sistema de transporte coletivo público, a circulação dos vales transporte compreende: [1] o operador do sistema, que é obrigado por lei a emitir e a comercializar ditos valestransporte; [2] o empregador, que é obrigado por lei a adquirir os valestransporte; e [3] o empregado, que é obrigado por lei a usar os valestransporte exclusivamente para bancar suas despesas de transporte compreensivas do trajeto residência trabalho residência. Terceiro que se posta entre o operadoremissor e o empregador, assim o faz de modo voluntário (não ex lege) e, obviamente, segundo a perspectiva de mercado, focado na produção, distribuição e consumo da mercadoria "valetransporte". O valetransporte só pode não ser considerado mercadoria entre os agentes intervenientes do sistema de transporte coletivo público, já que a Lei n° 7.418/85 é tendente a descaracterizar, nesse restrito âmbito, o ato de transferência do valetransporte como substrato de uma possível compra e venda. Portanto, com respeito aos valestransporte, terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo opera com compra e venda e a sua receita, tributável pelo PIS/Pasep, corresponde ao total de ingresso de numerário que percebe para fazer frente, justamente, ao custo de aquisição dos "valestransporte", a outras despesas próprias ao seu serviço e, certamente, a alguma margem de lucro adventícia. Tendo sido cientificada dessa decisão em 30/05/2005, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/06/2005, alegando, em síntese: DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Acórdão proferido pela DRJ/CPS deixou de apreciar a matéria arguída pela Recorrente no Parecer que acompanhou a Impugnação, relativa ao conceito de receita para fins de incidência do PIS, à luz da materialidade desta contribuição (art. 195, I, b e 239 da CF) e dos princípios da capacidade contributiva, não confisco e da razoabilidade, eis que a Recorrente não pôs em dúvida a validade de qualquer das normas jurídicas em que a autuação se fundamentou. Conforme demonstrado no Parecer juntado, a recorrente limitouse a demonstrar que a atividade exercida pela Recorrente corresponde à prestação de serviços de gerenciamento de vale transporte e não à compra e venda mercantil, como pretendeu a fiscalização. Valetransporte não é mercadoria, seja quando "distribuído" por agente do sistema de transporte público, seja quando "distribuído" por terceiro Pretendem os d. Julgadores de 1° instância, data venia, de forma totalmente equivocada, que a assertiva de que o valetransporte não é mercadoria, não seja aplicável à Recorrente, sendo somente válida para os agentes intervenientes do sistema coletivo de transporte público, do qual a Recorrente não faria parte, eis que estaria voluntariamente atravessando aquele sistema para revender valestransportes. No entanto, a natureza jurídica de Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 um bem ou direito, no caso o valetransporte é apenas uma, não podendo ser alterada ou variar dependendo das partes envolvidas na relação jurídica. O valetransporte instituído pela Lei nº 7.418/85 está longe de ser uma mercadoria, eis que representa, em sua essência, o direito do trabalhador ao serviço de transporte público no percurso residênciatrabalhoresidência. O exercício desse direito só pode ocorrer na relação jurídica de transporte, e pelo titular do respectivo direito, o trabalhador. A atividade exercida pela Recorrente e sua função delegada no âmbito do sistema de transporte público Conforme já demonstrado na Impugnação, a atividade da Recorrente consiste na prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87 acima mencionados. Os artigos 5º e 6° da Lei n° 7.418/85 prevêem a delegação de funções das operadoras do sistema de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) a terceiros. No presente caso, a atribuição de "distribuir" valestransporte foi delegada pelas empresas operadoras à Recorrente, através do Termo de Permissão no 4006928104, outorgado pela Companhia do Metrô, e do Termo de Credenciamento para Distribuição de ValesTransporte celebrado com a SPTrans. Portanto, a Recorrente não é terceiro estranho ao sistema de transporte público, eis que atua na condição de permissionária junto às companhias emissoras de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans), com a atribuição delegada de "distribuir" valestransporte às empresas empregadoras. Os Acórdãos 10193.683, 10321076 e 10193.741 abraçaram integralmente a tese aqui sustentada pela Recorrente. A atividade da Recorrente no entendimento da própria SRF é de prestação de serviço sujeita ao PIS somente sobre o valor das comissões art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04 O Ato Declaratório lnterpretativo SRF nº 6, de 25 de março de 2004, no que diz respeito à norma estabelecida pelo art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12/03/2003, esclareceu que tal regra (i.e. no pagamento por valetransporte, a base de cálculo do PIS e da COFINS é apenas o valor da comissão ou corretagem), aplicase somente às "vendas" efetuadas por intermediárias, sejam elas vinculadas ou não à prestadora do serviço de transporte. O ADI SRF n° 06/04 deixa claro que a base de cálculo do PIS e da COFINS, em relação aos valores pagos pelas empresas da administração pública a uma intermediária (tal como a Recorrente) pelo fornecimento de valestransporte adquiridos junto às empresas emissoras destes vales, é apenas e tão somente o valor da comissão ou corretagem paga pelas empresas empregadoras pela respectiva prestação de serviço. O art. 17 da IN SRF 480/04 estabelece as mesmas regras que o antigo art. 14 da IN SRF 306/03, agregando a elas as normas de interpretação da SRF constantes do ADI SRF n° 06/04. Das normas editadas pela SRF acima descritas, extraise que, se a Recorrente fornecesse valestransporte para uma empresa pública federal, ela sofreria retenção do PIS exclusivamente sobre o valor da comissão ou corretagem paga pela prestação de serviços de aquisição, envelopamento individualizado e entrega dos valestransporte. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.659 5 No caso exato da Recorrente, ela presta os mesmos serviços de aquisição, envelopamento e entrega de valestransporte, mas para empresas do setor privado. Registrese que a atividade exercida pela Recorrente é a mesma, seja quando destinada a empresas públicas, seja quando destinada a empresas privadas, nada há de diferente. Em outras palavras, não é razoável sustentar que a natureza da atividade e a base de cálculo da contribuição ao PIS sejam alteradas pelo fato de o adquirente do valetransporte ser uma empresa pública ou uma empresa privada. As autoridades julgadores têm o dever de seguir as normas e entendimentos da SRF expressos em atos tributários As autoridades julgadoras têm o dever de seguir o entendimento da SRF expresso em atos tributários, conforme reconhece o próprio Acórdão recorrido. Conceito jurídico de receita O que não se subsume ao conceito de receita não pode ser tributado pela contribuição social sobre o faturamento. Nem todos os valores que transitam pelo caixa da pessoa jurídica são receitas, sendo unânime na doutrina o entendimento no sentido de que receitas são apenas as entradas que modificam o patrimônio da pessoa jurídica, incrementando tal patrimônio. No presente caso, os valores recebidos pela Recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no patrimônio da Recorrente, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. No caso da recorrente, embora exista ingresso de valores em conta de ativo circulante da empresa, valores estes entregues por seus clientes e posteriormente repassados às operadoras do sistema de transporte público, tais valores não se incorporam ao patrimônio da Impugnante e sequer representam um incremento positivo liquido no seu patrimônio. Isto porque, o ingresso dos recursos dos clientes em seu ativo tem como contrapartida a obrigação de fornecer valestransporte aos próprios clientes, contabilizada no passivo da empresa. Não há qualquer efeito positivo liquido sobre o patrimônio da Impugnante. Tratandose especificamente de valestransporte, a receita, no sentido técnicojurídico da expressão, será das empresas transportadoras, quando prestam o serviço de transporte das pessoas e que recebem do público transportado os valestransporte em pagamento das viagens. A atividade remunerada que produz a receita é o transporte público. O meio de pagamento desse transporte só pode ser o valetransporte. Só há que se falar em auferimento de receita para a empresa prestadora do serviço de transporte público, quando do efetivo serviço de transporte, pago com a apresentação pelo usuário dos respectivos valestransporte. É a empresa transportadora que na verdade irá auferir receita (e não a Recorrente!), pois ela é quem faz o transporte pago com os vales. A Recorrente, conforme já exaustivamente comprovado, apenas repassa os valores (e não receitas!) entregues por seus clientes no âmbito da delegação expressamente prevista pela Lei n° 7.418/85. Esse inclusive é o entendimento do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, a exemplo das inúmeras decisões administrativas transcritas pela Recorrente em sua Impugnação. Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Decisões de PIS e COFINS relativas à empresa Blue Card Refeições Convênio S/C Os d. Julgadores de 1ª Instância administrativas mencionam no Acórdão recorrido as decisões proferidas por este E. Segundo Conselho de Contribuintes nos autos dos processos 10882.002396/200194 e 10882.002394/200103, relativos a exigências autônomas de PIS e COFINS contra a empresa Blue Cards Refeições Convênio S/C. Ressaltase, contudo, a matéria discutida nos referidos processos administrativos referese à aplicabilidade do já revogado artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, que permitia à pessoa jurídica excluir da receita bruta "valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Ocorre que a discussão travada pela Recorrente no presente caso não diz respeito ás disposições do artigo 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98. Tal dispositivo legal não se aplica ao presente caso posto que a Recorrente sequer auferiu receita, quanto menos computou algum valor como tal. Mediante a Resolução nº 340200.035 — 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de setembro de 2009, em face de questões atinentes à competência da 3ª Seção de Julgamento, decadência e à natureza das receitas tributadas, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora esclarecesse: a) se as folhas processuais mencionadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24 a 41 são mesmo do processo relativo ao IRPJ (n° 13839.000107/200560) promovendo, nesse caso, a juntada do Termo lá redigido que indique a exigência lá efetuada; b) se houve algum recolhimento por parte da empresa nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 da contribuição aqui exigida. c) a completa composição das bases de cálculo que embasaram os valores exigidos, discriminando as contas que a integraram. Mediante o Relatório Fiscal das efls. 1007/1008, a autoridade fiscal juntou documentos da ação fiscal e esclareceu, em síntese, que: a) O presente auto de infração baseiase em elementos de prova diversos daqueles presentes no processo relativo ao IRPJ (13839.000107/200560), não se tratando de lançamento reflexo, apesar de haverem como origem a mesma ação fiscal. b) Não constam recolhimentos da contribuinte de PIS/Cofins no período compreendido entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2000. c) A autuação teve como base de cálculo valores escriturados nas contas "121100001", "121100002" e "121100003" do Ativo Circulante, os quais não foram oferecidos à tributação no tocante às contribuições do PIS e Cofins. Os lançamentos dessas contas constam nas fls. 486/581 e as planilhas de apuração das contribuições nas fls. 582/585 (numeração original no processo em papel). Em sua manifestação em face da diligência, contestou a contribuinte a afirmação da autoridade fiscal sobre a ausência de recolhimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 2000, conforme demonstram as cópias juntadas de Darf´s e DCTF no período, Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.660 7 afirmando que efetuou tais pagamentos utilizando como base de cálculo o valor da taxa de administração dos serviços prestados aos seus clientes. Mediante a Resolução nº 3402000.566 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de agosto de 2013, o julgamento foi convertido em diligência para que se verificasse a autenticidade dos recolhimentos acostados aos autos. Conforme Relatório Fiscal das efls. 1080/1082, os pagamentos apontados pela recorrente foram localizados em consulta ao sistema SINAL08, informandose dessa vez o código da DRF/Barueri. A recorrente manifestouse pela concordância com o Relatório Fiscal. O Colegiado entendeu pela necessidade de outra diligência, pela Resolução nº 3402000.645 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23 de abril de 2014, nos termos abaixo, vez que, para a recorrente fazer jus ao tratamento isonômico dado às entidades da administração pública, se faria necessário o cumprimento de requisitos específicos, os quais não estavam comprovados nos autos: (...) Diante desta perspectiva, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem intime o recorrente a apresentar: a) Os contratos celebrados entre 01/01/2000 e 31/12/2003, cujo objeto seja de corretagem ou comissão sobre a venda de vales transporte; b) Os pedidos de compra dos valestransporte feitos pelos clientes da recorrente; c) Comprovantes dos valores recebidos dos clientes para aquisição dos vales transporte; d) Comprovantes dos valores pagos as empresas emissoras dos valestransporte; e e) As notas fiscais emitidas pela recorrente que conste a discriminação dos serviços prestados aos seus clientes. De posse destes documentos, que seja produzido relatório conclusivo que ateste:1) A natureza dos contratos celebrados pela recorrente com seus clientes; 2) Se o valor do pedido confere com o valor repassado pelo cliente e com o valor pago às emissoras dos valestransporte; e 3) Se há destaque em todas as notas fiscais emitidas pelo recorrente para seus clientes do valor da corretagem ou da comissão recebida pelos serviços prestados. (...) No Relatório Fiscal das efls. 2629/2630, a fiscalização juntou a documentação solicitada e esclareceu que: Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 A recorrente apresentou manifestação, aduzindo, em síntese: A documentação acostada comprova a vocação empresária da recorrente na prestação de serviços de administração de benefícios, distribuição e logística, bem como a perfeita separação dos recursos recebidos entre valores de face (repassados aos órgãos emissores) e os valores correspondentes às receitas de serviço (receita da VB Serviços). A diferença entre os valores recebidos e os repassados é insignificante, no montante de 0,027% entre os itens distribuídos aos clientes e os adquiridos nos emissores, conforme memória de cálculo anexa. Na resposta ao quesito 1 formulado pelo CARF, o agente fiscal confirmou a natureza de contratos de prestação de serviços, entre a VB e seus clientes, de corretagem ou comissão, o que demonstra a insubsistência do auto de infração, segundo a qual a Recorrente desempenharia a atividade de compra e venda mercantil. Também, na resposta ao quesito 3, foi confirmado que há destaque no valor da taxa de operacionalização dos valestransportes, preenchendo outro requisito para o tratamento isonômico com as entidades que prestam serviços à administração pública, de forma a permitir a adoção da base de cálculo correspondente ao valor da corretagem ou comissão cobrada pela pessoa jurídica prestadora. Embora a resposta ao quesito 2 tenha sido negativa, tratase de mera presunção. Ademais, há impossibilidade material de sua ocorrência, pois o comportamento descrito pelo AuditorFiscal é vedado pelas companhias emissoras dos valestransporte, constando essa vedação de cláusula expressa no Termo de Permissão e nos contratos que credenciam a Recorrente para a aquisição dos bilhetes. No caso presente, o valetransporte, pela sua natureza, não pode ser visto como mercadoria, tratandose de um documento representativo de um crédito, materializando um direito de acesso ao transporte público a quem o detiver. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.661 9 Sob o aspecto subjetivo, nem a emissora dos vales, nem a Recorrente, nem os seus clientes participam da operação de aquisição dos valestransporte na condição de comerciante, ou seja, para revendêlo, auferindo lucro. Pelo contrário, o valor dos vales corresponde com rigor ao valor da tarifa oficial, sendo vedados descontos ou acréscimos. Também não seria razoável considerar que a variação do preço público pudesse ensejar "lucro na venda de bilhetes de transporte" vislumbrada no Relatório Fiscal. Por tudo isso, o Relatório atesta o preenchimento pela Recorrente dos requisitos que, segundo o CARF, asseguram o mesmo tratamento dispensado às empresas que prestam serviços à Administração Pública, pelo que requer, com base no disposto nas Instruções Normativas nºs 306/2003 e 1540/2015, recém editada, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Decadência: Conforme esclarece o Voto condutor do Relator Manoel Coelho Arruda Junior no Acórdão nº 9202003.589– 2ª Turma da CSRF, de 03 de março de 2015, a questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do art. 150, §4º do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação já se encontra resolvida pela aplicação do entendimento do STJ no julgamento do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF: (...) Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: (...) Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕ PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias". Assim, no caso sob análise, no qual não se verificou dolo, fraude ou simulação, e confirmouse pagamentos da contribuinte relativos ao mês de janeiro e fevereiro Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.662 11 de 2000 (penúltima diligência efls. 1080/1082), é aplicável o art. 150, §4º do CTN para a contagem do prazo de decadência de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que a contribuinte foi cientificada da autuação em 25/02/2005, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário relativa a fatos geradores ocorridos até 25/02/2000, mais precisamente, somente a parte relativa ao fato gerador de 31/01/2000, conforme se vê dos itens mais remotos do auto de infração abaixo transcritos: "DO CERCEAMENTO DE DEFESA" Improcede a alegação de cerceamento de defesa na decisão recorrida. Embora o julgador de primeira instância não tenha conhecido de matéria que julgou ser atinente à constitucionalidade das leis que fundamentaram a autuação, ele expôs os fundamentos suficientes para o enquadramento das operações da contribuinte como receitas tributáveis pelo PIS/Pasep segundo o seu próprio entendimento. É cediço que, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pela parte, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008). No caso, entendeu o julgador a quo, em síntese, que as operações seriam de compra e venda de valestransporte, eis que a contribuinte seria terceiro estranho ao sistema de transporte público coletivo, sendo a receita bruta correspondente (ingresso total de numerário) tributável pelas contribuições sociais, não prosperando, a seu ver, a tese da impugnante de que as operações seriam de prestação de serviços de gerenciamento de valetransporte. Do mérito Conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal, entendeu a fiscalização que os valores constantes nas contas do Ativo Circulante abaixo integrariam a receita bruta, sendo, portanto, sujeitos a tributação do PIS/Pasep, relativamente às operações de compra e venda dos valestransporte: Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 (...) Entendeu o AuditorFiscal autuante que a VB não adquiriria valestransporte por conta e ordem de terceiro, porque se assim fosse estaria atuando na forma de intermediação, o que não teria ocorrido, eis que a companhia emissora de vales não fatura diretamente contra o cliente da VB, mas sim contra a própria VB, que assume todo o risco e a responsabilidade pelos vales adquiridos. Dessa forma, concluiu a fiscalização que: (...) De outra parte, a contribuinte alega que atuaria como permissionária da Companhia do Metropolitano de São Paulo — Metrô e credenciada da SPTrans, empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, para o fim de distribuir "Vale Transporte", de forma que não comercializaria valestransporte, mas prestaria serviços, sendo inclusive cadastrada como contribuinte do ISS junto à prefeitura de Morungaba. Nessa condição, esclareceu a contribuinte na impugnação que as operações cujos valores foram tributados poderiam ser assim descritas: (a) através de um pedido via Internet feito pelo site da Impugnante, os clientes da Impugnante informam a quantidade e espécie de valestransporte que desejam receber (vejam cópia de pedido exemplificativo doc. 3); Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.663 13 (b) com base no pedido recebido pelo site, a Impugnante calcula e informa ao cliente o valor correspondente (i) a tarifa pública vigente dos valestransporte, multiplicada pela quantidade de vales solicitada pelo cliente; e (ii) a taxa cobrada pela Impugnante pelos serviços de compra, envelopamento individualizado dos vales por usuário, seguro e entrega dos valestransporte aos clientes; (c) o cliente faz então uma transferência bancária eletrônica ("DOC") em favor da Impugnante, no valor calculado pela tarifa pública e pela taxa de serviço (vejam cópia de DOC exemplificativo doc. 4), o qual é registrado a débito em conta de ativo circulante (Banco) da lmpugnante, tendo como contrapartida (i) o lançamento a crédito em conta de passivo circulante (Adiantamento de Clientes), pelo valor recebido para aquisição dos valestransporte pela tarifa pública então vigente (b.i acima) e (ii) o lançamento a crédito em conta de resultado, correspondente à receita de prestação de serviço, pelo valor da taxa de serviços de compra, envelopamento individualizado por usuário, seguro e entrega dos valestransporte ao cliente (b.ii acima); (d) após receber o DOC de seus clientes, a Impugnante repassa à empresa emissora de valestransporte (Companhia do Metrô e SPTrans) o valor recebido correspondente à tarifa pública vigente, multiplicada pela quantidade de valestransportes solicitados no pedido do cliente (b.i acima). (e) mediante o recebimento do valor correspondente à tarifa pública então vigente, a empresa emissora dos valestransporte (Companhia do Metrô ou SPTrans) emite Recibo em favor da Impugnante (vejam Recibo exemplificativo doc. 5), pelo valor recebido, e entrega os valestransporte à Impugnante; (f) recebidos os valestransportes das emissoras, e após o envelopamento individualizado dos mesmos, é feita a entrega dos valestransporte aos clientes, com a emissão da nota fiscal de serviços também individualizada (vejam Nota Fiscal exemplificativa doc. 6), pondo fim à operação. A nota fiscal discrimina os valestransporte entregues aos clientes, com o respectivo valor de face, e discrimina a taxa de serviço cobrada dos clientes, pelos serviços prestados. Dessa forma, segundo a contribuinte, os valores objeto de tributação seriam aqueles recebidos de seus clientes (empregadores), correspondente à tarifa vigente dos vales transportes solicitados, os quais repassa diretamente às emissoras de valestransporte e operadoras do sistema de transporte coletivo público. Assim, tais ingressos não permanecem no ativo circulante nem representam qualquer incremento ou acréscimo patrimonial positivo para a empresa, sendo que somente os ingressos correspondentes a taxa de serviços cobrada dos clientes é que permanece com a contribuinte, caracterizando, essa sim, sua receita própria, oferecida regularmente a tributação. No recurso voluntário, a recorrente sustenta o entendimento de que os valores autuados não integrariam a receita bruta, essencialmente, nos seguintes pontos: a) vale Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 transporte não é mercadoria; b) exerce prestação de serviços de operacionalização, por delegação, da distribuição do beneficio de valestransporte, conforme previsto na Lei n° 7.418/85 e no Decreto n° 95.247/87; c) a base de cálculo das contribuições seria somente o valor da comissão ou corretagem (art. 14 da IN 306/03, ADI 06/04 e art. 17 da IN 480/04); d) os valores recebidos pela recorrente relativos ao valor de face dos valestransportes adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio e, logo, não podem ser considerados receita; e, por fim, e) a questão sob litígio não envolve a transferência de valores computados como receita a outra pessoa jurídica (art. 3°, inciso III da Lei n° 9.718/98, revogado sem regulamentação), vez que a recorrente não auferiu esses valores como receita, nem tampouco os computou como tal. Conforme se depreende dos autos, a recorrente exerce as atividades de relativas às operações objeto de autuação em conformidade com a delegação dada pelo art. 5º da Lei nº 7.418/85, abaixo transcrito: Art. 5º A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e a comercializar o Vale Transporte, ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. (Renumerado do art . 6º, pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (...) § 2º Fica facultado à empresa operadora delegar a emissão e a comercialização do ValeTransporte, bem como consorciarse em central de vendas, para efeito de cumprimento do disposto nesta Lei. § 3º Para fins de cálculo do valor do ValeTransporte, será adotada a tarifa integral do deslocamento do trabalhador, sem descontos, mesmo que previstos na legislação local. [grifei] O Decreto nº 95.247/87, que traz a regulamentação para o valetransporte, dispõe também sobre a proibição de repassar os custos de operacionalização ao valor da tarifa do valetransporte, mesmo que a sua operacionalização se faça por meio de empresa delegada, e outras regras a serem obedecidas por esta empresa: Art. 14. A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e comercializar o ValeTransporte ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços. § 1° A emissão e a comercialização do ValeTransporte poderão também ser efetuadas pelo órgão de gerência ou pelo poder concedente, quando este tiver a competência legal para emissão de passes. § 2° Na hipótese do parágrafo precedente, é vedada a emissão e comercialização de ValeTransporte simultaneamente pelo poder concedente e pelo órgão de gerência. § 3° A delegação ou transferência da atribuição de emitir e comercializar o ValeTransporte não elide a proibição de repassar os custos respectivos para a tarifa dos serviços. Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.664 15 Art. 15. Havendo delegação da emissão e comercialização de ValeTransporte, ou constituição de consórcio, as empresas operadoras submeterão os respectivos instrumentos ao poder concedente ou órgão de gerência para homologação dos procedimentos instituídos. Art. 16. Nas hipóteses do artigo anterior, as empresas operadoras permanecerão solidariamente responsáveis com a pessoa jurídica delegada ou pelos atos do consórcio, em razão de eventuais faltas ou falhas no serviço. Assim, como a contribuinte exerce a sua atribuição por delegação do operador do sistema de transporte público coletivo, estando sujeita às restrições legais e regulamentares para operar com os valestransporte, não se poderia dizer, como afirmado pela decisão recorrida, que a contribuinte seria um terceiro elo estranho ao próprio sistema de transporte público coletivo que aderiria voluntariamente ao sistema e, por isso, ainda que se admitisse que os valestransporte não se caracterizassem como bens negociáveis, tal predicado não mais subsistiria com a entrada da contribuinte no sistema. Por certo, a natureza jurídica dos valestransporte não se altera pelo fato de serem operacionalizados antes de chegar ao seu usuário final por um terceira empresa privada, apenas porque esta recebe uma taxa de administração pela atividade por ela exercida. Os valestransportes, recepcionados nos ônibus e trens, não podem ser considerados como meras mercadorias, eis que exercem, do ponto de vista econômico, a função de meio de pagamento dos serviços de transporte prestados pelas concessionárias, atuando, por assim dizer, como uma espécie de moeda, válida exclusivamente para pagamento das passagens de transporte coletivo. Além disso, no valor de face do valetransporte não pode ser incluído qualquer valor de custo sobre a sua operacionalização. Com efeito, a contribuinte juntou aos autos declarações das empresas operadoras do sistema de transporte coletivo Metrô e SPTrans (fls. 442/448), nas quais se registrou que: a) A VB é permissionária ou credenciada para distribuir os valestransporte; b) A VB não obtém qualquer desconto ou participação no produto da venda; c) Há proibição no contrato para a formação de estoque especulativo pela VB; e d) A remuneração da VB é feita unicamente pela prestação de serviços às empresas compradoras. Conforme consta no "TERMO DE CREDENCIAMENTO PARA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANSPORTE QUE ENTRE SI FIRMAM A SÃO PAULO TRANSPORTE S/A E A EMPRESA VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA" (fls. 820/830): (...) CLAUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1. O objeto do presente instrumento é a distribuição, pela "CREDENCIADA", aos seus clientes, de ValesTransporte de emissão da "SPTRANS", nos formatos de papel ou de crédito eletrônico, a critério exclusivo da SPTrans. (...) Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 2.1.5.1 A medida que os cartões forem distribuídos aos usuários, a CREDENCIADA deverá solicitar a baixa de seus estoques junto a SPTRANS. 2.1.6. É vedado à "CREDENCIADA", sob qualquer hipótese, dar outra destinação aos produtos especificados nos itens 2.1.1 e 2.1.2 entregues pela "SPTRANS", que não esteja previsto neste instrumento. (...) 4.5. Efetuar a distribuição dos ValesTransporte, no formato de papel, ao preço da tarifa vigente. 4.6. Emitir recibo, mecanicamente autenticado, no valor dos valestransporte distribuídos. 4.6.1. Para fins do disposto neste item, a "CREDENCIADA" deverá encaminhar, para conhecimento da "SPTRANS", os modelos de recibos que serão adotados. 4.6.2. Os serviços adicionais prestados pela "CREDENCIADA" a seus clientes, vinculados à distribuição dos valestransporte, serão realizados por sua exclusiva conta e risco, ficando a "SPTRANS" totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer titulo, em relação a tais serviços. (...) CLAUSULA OITAVA DA PROIBIÇÃO DE GANHOS ESPECULATIVOS PROVENIENTES DE AUMENTOS TARIFÁRIOS 8.1 Fica vedado à "CREDENCIADA" efetuar compras de valestransporte que lhe propiciem ganhos especulativos. 8.1.1. Considerarseá ganho especulativo aquele obtido pela "CREDENCIADA" através da compra para estoques, às vésperas de aumentos tarifários, para revenda imediatamente nos primeiros dias de vigência dos novos valores dos vales transporte. 8.2. Para viabilizar a avaliação do disposto no item anterior, fica a "CREDENCIADA" obrigada a fornecer à "SPTRANS", os seguintes documentos: (...) Também consta no CONTRATO N° 4006928104 VB SERVIÇOS, COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO LTDA DISTRIBUIÇÃO DE VALESTRANPORTE, SOB REGIME DE PERMISSÃO, OUTORGADA PELA COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO METRO (fls. 831/845) que: (...) CLAUSULA PRIMEIRA OBJETO O objeto do presente instrumento é a outorga pela COMPANHIA DO METRO PERMISSIONÁRIA, de Permissão a titulo precário, Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.665 17 oneroso e não exclusivo, para distribuição de ValesTransporte que são comercializados pela COMPANHIA DO METRO, vedada sua transferência a terceiros. 1.2. A distribuição dos ValesTransporte será realizada de acordo com as disposições deste Termo de Permissão e abrangerá, sem a elas se limitar, o seguinte: 1.2.1. Retirada pela PERMISSIONARIA, por meio próprios e sem ônus para a COMPANHIA DO METRO, dos lotes de Vales Transporte, os quais deverão ser mantidos sob sua guarda e responsabilidade, e em perfeitas condições de segurança e ambientação. 1.2.2. Distribuição dos ValesTransporte junto às empresas que vierem a se utilizar dos serviços da PERMISSIONARIA para fornecimento desse beneficio. 1.2.3. Repasse para a COMPANHIA DO METRO, pela PERMISSIONARIA, dos recursos financeiros correspondentes ao somatório dos valores dos ValesTransporte distribuídos. 1.3. A PERMISSIONARIA poderá prestar serviços a seus clientes, concernentes à distribuição dos ValesTransporte, os quais serão realizados por sua conta e risco, ficando a COMPANHIA DO METRO totalmente isenta de responsabilidades, a qualquer título, em relação a tais serviços. (...) 3.3. A PERMISSIONÁRIA somente poderá solicitar lotes de ValesTransporte cujo somatório dos respectivos valores estejam dentro do valor da garantia apresentada conforme item 7.2. da Cláusula Sétima, considerando a quantidade de Vales Transporte em seu poder e configurado no estoque. (...) 3.4. Na distribuição dos ValesTransporte, a PERMISSIONÁRIA deverá considerar, dentre outros, o que segue: 3.4. 1 . Quando da distribuição dos ValesTransporte aos seus clientes, a PERMISSIONÁRIA deverá cobrar dos mesmos valor igual ao das tarifas oficiais praticadas na data de entrega dos vales, sem quaisquer descontos, com pagamento obrigatoriamente vista, na forma da legislação especifica. (...) Ademais, na última diligência efetuada, após a análise dos contratos entre a recorrente e seus clientes (empregadores que repassam os valestransporte a seus empregados), concluiu a fiscalização que: a) os contratos têm como objeto prestação de serviços, compreendendo a aquisição pela VB de valestransporte nas companhias emissoras, envelopamento individualizado por usuário e posterior entrega à empresa cliente, conforme pedidos de compra; b) o valor cobrado dos clientes corresponde ao preço total dos vales Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 transporte acrescido da taxa de administração do serviço, cujo valor encontravase destacado nas notas fiscais analisadas. Assim, considerando as especificidades das operações da contribuinte acima apontadas, embora tais operações estejam grafadas nos documentos da contribuinte como compra e venda de valestransporte e o faturamento não tenha se dado diretamente da companhia emissora de valestransporte para o cliente da VB, entendo que não se tratam de operações de compra e venda mercantil, como sustentado na autuação e na decisão recorrida, mas de prestação de serviços atinentes a distribuição e gerenciamento de valestransporte, remunerados por uma taxa de administração. Conforme esclareceram no Parecer anexo o Dr. IVES GANDRA DA SILVA MARTINS e a Dra. FATIMA FERNANDES RODRIGUES DE SOUZA, a atividade da recorrente "corresponde a um plexo de utilidades, as quais, vistas no seu conjunto, correspondem ao gerenciamento do benefício do valetransporte para o empregador, evitando que este tenha que pessoalmente cuidar de todas as providências necessárias para sua aquisição, transporte, segurança, manuseio e distribuição individualizada, ou seja, segundo as necessidades de cada funcionário". Nessa esteira, bem aduzem os ilustres Pareceristas que o fato de a aquisição se dar em nome da recorrente "não descaracteriza sua atividade como serviço, pois essa é precisamente a natureza do contrato de comissão (espécie contratual típica do Código Comercial, prevista no art. 165 daquele Código sob o nome comissão mercantil, e hoje prevista no art. 693 da nova Lei Civil), serviço que integra o plexo de utilidades que presta ao cliente". Nesse caso, dispõe o art. 224 do RIR, que a receita bruta é o preço dos serviços prestados: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Conforme bem esclarece o Professor Minatel1, "O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada e que tenha como causa o exercício de atividade empresarial". Com a sua peculiar precisão na linguagem, esclarece o Ilustre Professor a diferença entre receita e renda: Já afirmamos que receita pressupõe ingresso, no sentido de contraprestação em dinheiro recebida, por exemplo, pelo comerciante proveniente da venda de mercadorias, ou pela atividade desempenhada pelo prestador de serviços, assim como se qualificam no contexto de receita os juros que remuneram o capital transferido num contrato de mútuo. Nessa concepção, foram tomados sob o genérico rótulo de receita, por não ser demais repetir que tais eventos têm configuração instantânea de circulação de riqueza, aferível na contrapartida instantânea de cada negócio ou operação, portanto, prescindem de apuração de resultado mediante confronto com os custos correspondentes. O 1 MINATEL, José Antonio. O Conteúdo do conceito de receita. São Paulo: MP Editora, 2005. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.666 19 mesmo não acontece com a renda, conceito relacional, pois pressupõe avaliação técnica do efetivo resultado, num determinado período de tempo, segundo métodos e critérios predefinidos, para o que são relevantes todos os fatores inter relacionados para exteriorizálo. A distinção acima apontada é relevante ao presente caso, pois, ao não se considerar como receita bruta o ingresso que não seja definitivo, não se estaria confundindo receita com renda, como afirmou o julgador da decisão recorrida. Nesse ponto, importa citar o entendimento da autoridade fiscal na autuação de que tais ingressos, embora se caracterizassem, a seu ver, receita, não se caracterizariam renda, tendo em vista a ausência de lucro nas operações entendidas como de "compra e venda": (...) No entanto, nas lições do Professor Minatel são consideradas notas determinantes para o conceito de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep, dentre outras, tanto a "definitividade de ingresso", como também a "mensuração instantânea e isolada em cada evento, abstraindose dos custos e de periodicidade para sua apuração". Assim, considerando que as operações objeto de autuação tratamse de serviços, entendo que os valores recebidos dos seus clientes e repassados às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público, correspondentes aos valores de face dos valestransporte, são ingressos não definitivos no patrimônio da recorrente, que também não podem ser considerados como custos desses serviços, eis que esses são remunerados pela taxa de administração. No caso, os valores originados das vendas de ValesTransporte não podem ser compreendidos no conceito de receita, tendo em vista que, ao mesmo tempo em que se verifica um aumento no ativo da empresa, ocorre também um aumento de seu passivo em idêntico valor, consistente na obrigação de resgatar os bilhetes emitidos pelos mesmos valores praticados na comercialização com os seus clientes (empregadores que repassam esses vales a seus empregados). Como afirmado pela recorrente, os valores por ela recebidos, relativos ao valor de face dos valestransporte adquiridos por seus clientes não incrementam ou representam qualquer elemento positivo no seu patrimônio, mas sim no patrimônio das prestadoras de serviço de transporte público, que ao final fazem o resgate do valor dos vales. Nessa esteira, na definição atual do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no seu parágrafo 4.25, o ingresso deve representar um aumento do patrimônio líquido para ser considerado como receita, nesses termos: 4.25. Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue: (a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (...) Cabe destacar que o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 306/2003 e o art. 17 da IN SRF n° 480/2004, que tratavam da tributação na fonte de PIS, Cofins e CSLL na aquisição de valestransporte e assemelhados pela Administração Pública, embora não pudessem ser aplicados às operações sob estudo, eis que a recorrente presta os serviços a empresas do setor privado, corrobora com o entendimento acima exposto, eis que reconhece que, na específica situação regulamentada, a base de cálculo para a incidência seria apenas o valor da corretagem ou da comissão destacada na Nota Fiscal de Serviço. Em vários julgados anteriores deste Conselho, abaixo transcritos, que trataram de situação bem similar ao caso presente, manifestouse entendimento no sentido acima exposto, de que os ingressos relativos ao repasse de valores dos valestransportes não se caracterizam como receita: Acórdão n° 140100.707– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Recorrente VIA NOVA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Relator: Antonio Bezerra Neto ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa: CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valesbenefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples. (...) PROCESSO N°: 10640.000658/9717 RECURSO N° : 114.930 RECORRENTE: ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE JUIZ DE FORA RECORRIDA: DRJ EM JUIZ DE FORA(MG) SESSÃO DE: 20 DE FEVEREIRO DE 2002 ACÓRDÃO N°: 10193.741 Ementa: (...) IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE VALES TRANSPORTE. Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13839.000108/200512 Acórdão n.º 3402003.239 S3C4T2 Fl. 2.667 21 As vendas de valestransportes pela associação de classe, emitidos pela mesma associação, por delegação expressa no parágrafo 2°, do artigo 5°, da Lei n° 7.814/85 (redação da Lei n° 7.855/89), não constituem receitas da associação de classe. Os recursos arrecadados passam a constituir receitas quando utilizados os valestransporte e prestados os serviços de transporte pelas empresas concessionários de transporte coletivo de passageiros que são os titulares dos direitos de emissão de valestransporte pelo caput do artigo 5° da Lei n° 7.814/85. (...) Processo n° 13808.004244/0037 Recurso n° 126.797— EX OFFICIO Recorrente DRJ EM SÃO PAULO — SP,. Interessada: EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS DE SÃO PAULO — SP. Sessão de 08 de novembro de 2001 Relator: Francisco de Assis Miranda Acórdão n°. 10193.683 Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA NA EMISSÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE VALETRANSPORTE — INOCORRÊNCIA — Valores originários da venda de Vale Transportes, recebidos por operadora, não se enquadram no conceito de receita dado pelo art. 226 do RIR194, por constituir uma obrigação da operadora. Citados valores se destinam na realidade a pagamentos às concessionárias de serviços de transporte municipal, em decorrência das prestações dos referidos serviços, que recebem os bilhetes dos trabalhadores, a título de pagamento das passagens e têm seus valores ressarcidos pela Operadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — O decidido em relação ao IRPJ, se estende às exigências reflexas referentes ao PASEP, COFINS e CSSL, dado o nexo causal existente. Negado provimento ao recurso de ofício. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.725114/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 14 /2 00 9- 82 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725114/200982 Acórdão n.º 9202004.148 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 14041.000346/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Brasília que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Em face do banco acima qualificado foi lavrado auto de infração para a exigência de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), referente a fatos geradores ocorridos de 12/05/2004 até 31/12/2005, multa de ofício e juros de mora, no montante total de R$1.024.152,71, consolidado até 31/03/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 34 6/ 20 09 -8 2 Fl. 5533DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.534 2 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, "(...) foi constatado que o BANCO DE BRASÍLIA S/A, na qualidade de responsável tributário [art. 5º, inciso I da Lei n° 9.311/96] pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza financeira CPMF, incidente sobre lançamentos a débito em contas correntes de depósito, em contas de depósito de poupança e em contas correntes de empréstimos, bem com a incidente sobre os lançamentos a crédito em contas correntes que apresentaram saldos negativos, até o limite do valor da redução dos saldos devedores [art. 2°, incisos I e II da Lei n° 9.311/96], no período de 06/05/2004 a 31/12/2005 [art. 20 da Lei n° 9.311/96 c/c art. 1° da Lei n° 9.539/97], deixou de realizar a retenção/recolhimento da referida contribuição nos lançamentos efetuados em 55 (cinqüenta e cinco) contas, sem que houvesse embasamento legal para tal procedimento". As contas que deixaram de sofrer retenção da CPMF foram agrupadas pelos motivos que levaram a autuação dessas contas, na seguinte forma: A) Contas cujos titulares são PESSOAS FÍSICAS A.1) Não retenção motivada por MEDIDA JUDICIAL: a contribuinte não apresentou as medidas judiciais que amparassem tal abstenção; e A.2) Contas caracterizadas como "CONTA INVESTIMENTO": a contribuinte não apresentou nenhuma justificativa para a não retenção da CMPF. B) Contas de titulares declarados como administração pública direta e indireta B.1) Empresas Públicas: além de as empresas públicas estarem impedidas de gozarem de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado, os titulares dessas contas não estavam inscritos como entes da administração pública nos cadastros da Secretaria do Tesouro Nacional — STN e da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB; B.2) Outras formas de fundações e associações: contas que não se enquadram em nenhuma das condições de não incidência, e cujos titulares não estão inscritos como entes da administração pública nos cadastros da STN e da RFB; B.3) Cartórios: contas com base no art. 2°, incisos I e II da Lei 9.311/96; no art. 3° da Lei 9.492/97, que define que o serviço de recebimento dos valores provenientes de títulos apontados para protestos é exercido de forma privativa pelo Tabelião de Protesto de Títulos; bem como no § 2° do Art. 19 da Lei 9.492/97, que estabelece que o valor é disponibilizado primeiramente aos tabeliães. C) Contas de titulares declarados como entidades referidas no inciso III, art. 8º da Lei n° 9.311/96: mas que, na verdade, estão inscritos nos cadastros da RFB com o código de cartórios. D) Contas de titulares declarados como entidades beneficentes: este grupo destaca as contas para as quais o BRB foi intimado a apresentar a declaração pra fins de isenção da CPMF, porém não foi apresentada nenhuma declaração para o período entre 06/05/2004 a 31/12/2004. E) Contas de PESSOA JURÍDICA caracterizadas como "CONTA INVESTIMENTO": o Banco BRB não esclareceu qual seria a condição legal que ensejaria a não retenção da CPMF nestas contas Fl. 5534DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.535 3 Cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação e documentos, mediante a qual argumentou ser improcedente a cobrança da CPMF ocorrida em relação a 11 (onze) contas que estavam protegidas por isenções legais ou alíquotas zero na forma da legislação, nesses termos, conforme consta na decisão recorrida: • Grupo D — Conta 037.6017651 — a declaração do titular da conta prevista na IN SRF n° 44/2001 foi apresentada à fiscalização. (..) Ademais, meros aspectos formais não são argumentos suficientes para inviabilizar a isenção da entidade, pois esta obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme documento à fl. 233; • Grupo A1 — Contas 024.1046149 e 103.1055646 — as contas são de titularidade de Emerson Ferreira de Carvalho (CPF 620.826.631 91) e José Domingues Guerra (CPF 010.788.10630), os quais são afiliados do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro). A isenção foi concedida à época em decorrência de medida judicial (liminar) cuja cópia está às fl. 235/238. (...) • Grupo B3 (contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016) e Grupo C (contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164.0008516) — a manutenção/ movimentação dessas contas decorre de convênio celebrado entre o BRB e cartórios judiciais (cópia às fl. 240/252) nos termos do Provimento Geral da Corregedoria do TJDF, no qual se obriga a arrecadar os valores dos títulos pagos e das custas cartorárias, repassandoos, respectivamente, aos seus apresentantes/credores e aos cartórios após dois dias úteis do seu recebimento. Os titulares sequer são capazes de movimentar as contas. Com base nas Circulares n° 2535 e 3001 do Banco Central do Brasil, entende que os beneficiários dos valores dos títulos são os apresentantes ou credores, mas não os cartórios, de forma que o BRB pode fazer a transferência para suas respectivas contas sem trânsito direto na conta de livre movimentação dos cartórios. (...) As contas se enquadram perfeitamente no disposto no art. 8°, §3º, da Lei n° 9.311/96, regulamentado pela Portaria MF n° 6/97, estando sujeitas à alíquota zero, pois se constituíram para a consecução do objeto social do impugnante, que é instituição financeira, e foram abertas para arrecadar valores para posterior transferência a seus titulares. A própria DRJ corroborou esse entendimento no processo administrativo n° 14041.00906/200737, no Acórdão n° 0329.140. (...) Conta 107.0144069 — R$ 9.969,74 — documentos às fl. 253/291 (doc. 6) e 292/370 (doc. 7) — P/ comprovar que os valores arrecadados foram devidamente transferidos aos seus titulares, elaborou a tabela "Consolidado 107 SRF" (arquivo magnético fl.184). (...) Foram considerados indevidamente no lançamento débitos estornados, conforme constam identificados no extrato da conta (doc. 6) e na coluna C da tabela acima. (...) As transferências estão demonstradas na planilha "TED em conta" (arquivo magnético fl. 184). Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a cobrança da CPMF; Conta 026.0077739 — R$ 58.262,35 — documentos às fl. 371/491 (doc. 8) e 492/681 (doc. 9) — Os repasses eram efetuados por meio de TED/DOC, enviados diretamente para os apresentantes/credores, ou creditados/transferidos para a conta do credor/apresentador no BRB (nas três modalidades de repasse — TED/DOC, títulos BRB e RVA). É Fl. 5535DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.536 4 devido retificar a base de cálculo pois não foram considerados estornos efetuados, alguns débitos foram considerados em duplicidade, e outros lançamentos devidos não constaram da base. (...) Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a cobrança da CPMF. Em relação a alguns PA verificou que a contribuição é devida (PA 20, 37, 64 e 89); Contas 164.0008516 (R$ 70,13) e 164.0009890 (R$ 35.094,70) — documentos às fl. 681/719 (doc. 10 e 11) e fl. 720 — elaborou a tabela "Consolidado 164 SRF" (arquivo magnético à fl. 184), onde demonstra a correta base de cálculo (coluna D), já que diversos estornados foram considerados conforme coluna C. (...) Logo, resta comprovado que a conta acima identificada é de arrecadação, sendo indevida a CPMF, exceção do débito de R$ 135,16, efetuado no dia 16/06/2005 na conta 164.0008516. EM relação ao valor de R$ 3.400,00, este foi creditado na conta 164.9997890, de cheque administrativo da agência, a qual emitiu o cheque, que foi devidamente compensado, conforme extrato anexo (doc. 12); Conta 176.0000016 (R$ 12.568,78) (...) Não deve prosperar a cobrança, visto que tratase comprovadamente de conta de arrecadação, com todos os valores transferidos aos apresentantes/credores, exceção feita aos PA 66,70, 80 e 111, onde a CPMF é devida (...) Conta 153.9500010 (R$ 87.737,18) — documentos às fl. 798/837 (doc. 16), fl. 838/944 (doc. 17) e fl. 945/1086 (doc. 18) — foi elaborada a tabela "Consolidado 153 SRF" para demonstrar o caráter arrecadatório da conta (arquivo magnético à fl. 184). Cabe esclarecer que o núcleo 153 é um Posto de Atendimento Bancário (PAB), por isso os valores arrecadados na conta em análise foram transferidos para a agência 105, à qual ele é vinculado, que procedia os repasses. (...) Contas 059.9501278 (R$ 81.936,83) e 159.0000029 v(R$ 122.429,20) — documentos às fl. 1087/1107 (doc. 19), 1108/1124 (doc. 20), 1125/1385 (doc. 21), 1386/1417/ (doc. 22) — o núcleo 159 é um PAB vinculado à agência 059. Por isso repassava os valores arrecadados na conta 159.0000029 para a agência 59, que procedia aos repasses conjuntamente com sua arrecadação. (...) Conforme informou o julgador de primeira instância, a autuada não impugnou os valores lançados relativamente às contas dos grupos A1 (exceção das contas 024.1046149 e 103.1055646), A2, B1, B2 e E, no total de R$ 45.028,92 (principal). Em relação às contas 026.0077739, 059.9501278, e 159.0000029, 107.0144069, 164.0008516, 176.0000016, 131.0000023 e 153.9500010, dos grupos B3 e C, respectivamente, reconheceu como devida CPMF no montante de R$ 19.682,85, por não ter localizado provas da aplicabilidade de alíquota zero para alguns débitos nas referidas contas (em relação à conta 131.0000023 não encontrou qualquer prova; tendo, então, recolhido, em 02/06/2009, o valor de R$ 125.749,68 (principal, juros e multa reduzida). A Delegacia de Julgamento acolheu parcialmente os argumentos da impugnante, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Fl. 5536DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.537 5 Período de apuração: 06/05/2004 a 31/12/2005 ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECLARAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM RESPONSABILIDADE. Apresentada a declaração na forma prevista na IN SRF nº 44/2001 ou no ADE SRF n° 69/2001, a instituição financeira deixa de ser responsável pela retenção da CPMF sobre a movimentação financeira de entidade beneficente de assistência social. CONTA DE ARRECADAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICÁVEL A ALÍQUOTA ZERO. O sujeito passivo não logrou comprovar documentalmente que as contas abertas em nome de cartórios de protesto de títulos, razão pela qual não fazem jus à alíquota zero estabelecida no art. 8, inciso IV da Lei nº. 9.311/96, com regulamentação da Portaria MF nº 06/97. DÉBITOS ESTORNADOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. Segundo o art. 3°, inciso II, da Lei n° 9.311/96, a CPMF não incide sobre débitos estornados, sendo sua tributação indevida. Devida a retificação da base de cálculo. DÉBITOS CONSIDERADOS EM DUPLICIDADE/ ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. O sujeito passivo logrou comprovar que para alguns fatos geradores e contas foram considerados na base de cálculo da CPMF débitos em duplicidade e que a somatória dos débitos ocorridos é inferior à base de cálculo considerada no auto de infração para determinados fatos geradores. Tributação indevida da parcela excedente. Devida a retificação da base de cálculo. FALTA DE RETENÇÃO EM VIRTUDE DE MEDIDA JUDICIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar que os titulares das contas estavam amparados por medida judicial para a não retenção da CPMF. Tributação devida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 02 de dezembro de 2009, a autuada apresentou recurso voluntário em 04/01/2009, mediante o qual alegou, em síntese que: a) a decisão recorrida manteve no montante sob cobrança todos os valores já recolhidos; b) as exigências remanescentes formalizadas a título de CPMF sobre a movimentação financeira das contas correntes 024.1046149 e 103.1055646 (Grupo Al), 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), 059.950.1278, 107014.4069, 153.9500010, 159.0000029 e 164.0008516 (Grupo C) não merecem prevalecer, uma vez que a não tributação decorreu de isenção legal (Grupo Al) ou da aplicação da alíquota zero (Grupo B3 e C). É o relatório. VOTO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 5537DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.538 6 Antes do julgamento do litígio delimitado no recurso voluntário, entendo que algumas questões carecem de esclarecimentos. Contas nºs 024.1046149 — R$ 0,83 e 103.1055646 —R$ 22,04 (Grupo A1) No caso dessas contas, não há prova nos autos de que a medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança coletivo nº 1999.01.00.0251066, impetrado pelo SinproDF, estava ainda vigente à época em que o BRB deveria ter efetuado as retenções da CPMF relativas às contas correntes das pessoas físicas filiadas. Contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), Contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164M008516 (Grupo C) Alega a recorrente que ainda há necessidade de retificação das bases de cálculo autuadas em face de estornos não considerados pela DRJ em sua decisão (item 4.2.1 do recurso voluntário) nas seguintes contas: 107.0144069 (item 4.2.2), 026.0077739 (item 4.2.3), 176.0000016 (item 4.2.4), 153.9500010 (item 4.2.5) e 059.9501278 e 159.0000029 (item 4.2.6), juntando documentos para tal comprovação, os quais necessitam de análise da fiscalização. Além disso, alega a recorrente que deve ser afastada a exigência da cobrança de CPMF nas contas autuadas dos Grupos B3 e C, pela aplicação de alíquota zero em contas destinadas à arrecadação de valores, uma atividade típica de instituições financeiras, nos termos do art. 8º da Lei nº 9.311/96, conforme documentos juntados (item 4.2.7). Aduz também (itens 4.2.8 e 4.2.9) que está demonstrado nos autos que as transferências dos valores arrecadados foram efetuadas estritamente de acordo com o requerido pelos cartórios (para os titulares e nos valores por eles indicados), conforme nova conciliação juntada para o PA 100 (de 24 a 30/11/2005) relativamente a todas as contas correntes. Em análise dos documentos acostados à impugnação, entendeu o julgador de primeira instância que não era possível verificar se as contas desses grupos seriam efetivamente de arrecadação e que os valores nela creditados foram verdadeiramente repassados ao cartório ou aos credores/bancos apresentantes, salientando, entretanto, que: "Em que pese os documentos carreados servirem de indício de que a conta aqui tratada pode ser de arrecadação, o que justificaria a realização de diligência para a análise pela autoridade fiscal da documentação acima mencionada junto ao sujeito passivo, entendo por não adotar tal medida haja vista que, tendo o BRB já sofrido lançamentos que tratavam da mesma matéria relativamente a fatos geradores anteriores, os quais foram objeto de apreciação por esta Turma da DRJ/BSA/DF, este deveria ter se esforçado um pouco mais em acumular e organizar de forma didática todos os documentos relativos a tais operações". Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DRFBrasília que: Fl. 5538DF CARF MF Processo nº 14041.000346/200982 Resolução nº 3402000.862 S3C4T2 Fl. 5.539 7 a) Mediante intimação à recorrente ou à impetrante ou com auxílio da Procuradoria da Fazenda Nacional, averigue a eventual vigência da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança coletivo nº 1999.01.00.0251066, impetrado pelo Sinpro DF, à época em que o BRB deveria ter efetuado as retenções da CPMF relativas à conta corrente 103.1055646 de José Domingues Guerra, filiado ao sindicato. b) Com relação às contas 026.0077739, 164.0009890 e 176.0000016 (Grupo B3), Contas 059.9501278, 107.0144069, 153.9500010, 159.0000029 e 164M008516 (Grupo C), analise a documentação acostada aos autos, inclusive solicitando documentos adicionais à contribuinte se necessários, e emita Parecer Conclusivo sobre a sua potencialidade para comprovar os estornos apontados pela recorrente e as correspondentes retificações nas bases de cálculo autuadas (itens 4.2.1 a 4.2.6 do recurso voluntário), bem como se as referidas contas correntes destinavamse à arrecadação de valores e se os valores arrecadados nessas contas foram devidamente transferidos para contas de livre movimentação dos apresentantes/credores dos títulos (itens 4.2.7 a 4.29 do recurso voluntário). c) Na oportunidade, manifestese sobre a alegação da recorrente de que a decisão recorrida teria mantido no montante sob cobrança todos os valores já recolhidos, efetuando, se for o caso, a correspondente imputação e informando os valores que remanescem na autuação. d) Cientifique a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. e) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 5539DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000196/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PROVA INEXISTENTE
A simples declaração de terceira pessoa não comprova que os valores retidos decorrentes de rendas correspondentes, auferidas no exterior, foram submetidas à tributação no país Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior, e que é passível de compensação, é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O ART. 23, PARÁGRAFO 2º, DA CONVENÇÃO BRASIL-EQUADOR PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste omissão a ser sanada.
Numero da decisão: 1301-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão do item 1, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão do item 1, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
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COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PROVA INEXISTENTE A simples declaração de terceira pessoa não comprova que os valores retidos decorrentes de rendas correspondentes, auferidas no exterior, foram submetidas à tributação no país Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior, e que é passível de compensação, é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O ART. 23, PARÁGRAFO 2º, DA CONVENÇÃO BRASILEQUADOR PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Incabível embargos de declaração quando no acórdão embargado inexiste omissão a ser sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão do item 1, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 96 /2 01 0- 54 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 510 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do Acórdão nº 1301001.651, de 23 de setembro de 2014, proferido por este Colegiado que, pelo voto de qualidade, entendeu por DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: CONVENÇÕES: BRASIL E PORTUGAL. BRASIL E EQUADOR. AMPLITUDE. As Convenções firmadas pelo Brasil com as Repúblicas do Equador e Portuguesa, destinadas a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre rendimentos, não contém cláusula capaz de impedir a tributação dos lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional por meio de participações em empresas sediadas no exterior, mas, sim, a tributação, pelo Brasil, dos lucros auferidos pelas próprias empresas sediadas no exterior. A previsão de mecanismo que autoriza a compensação dos impostos pagos, efetiva o objetivo do acordo no sentido de evitar a dupla tributação, ratifica a inexistência de vedação à denominada tributação em bases universais das pessoas jurídicas domiciliadas no país e, por outro lado, invalida a interpretação acolhida na instância julgadora a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior . Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Em 22/06/2015, foi disponibilizado o resultado do julgamento na caixa postal da embargante, no módulo eCAC do site da Receita Federal, sendo que a ciência se consumou em 23/06/2015, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 511 3 Em 26/06/2015, o contribuinte opôs, tempestivamente, embargos de declaração, alegando a existência de omissões e contradição no acórdão embargado, sustentando ter incorrido em omissão em relação a aspectos essenciais para o julgamento da lide, que exigiam manifestação expressa e pronunciamento específico da autoridade julgadora; e em contradição, no que se refere aos fatos analisados e ao direito aplicado. Às fls.506508, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente desta 1ª Turma Ordinária concordou com a proposta deste Conselheiro, no sentido de que os embargos fossem admitidos e submetidos à apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos de declaração foram opostos, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço e passo a apreciálos. Alega o contribuinte que o acórdão embargado deu provimento ao recurso de ofício, incorrendo em omissão e contradição, cujas alegações serão a seguir analisadas. Assim, passo a analisar os vícios apontados, na ordem em que foram apresentados: 1. Vícios de omissão e contradição. A compensação do imposto pago no exterior. A embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso, pois em nada se manifestou acerca da compensação das retenções na fonte em que foi submetida no exterior, especificamente sobre os valores das retenções na fonte que totaliza o montante de 89.070,68 euros, conforme pleiteado pela embargante em sua impugnação. Além disso, alega ainda que a decisão embargada incorreu em evidente contradição, eis que primeiramente afirmou que o mecanismo que autoriza a compensação do imposto pago no exterior corrobora o entendimento de que os tratados em análise não impedem a tributação dos lucros auferidos no exterior, e depois nega este direito à compensação desse imposto pago no exterior, ao não se manifestar sobre o tema. OMISSÃO Conforme assentado na doutrina e jurisprudência, existe o vício de omissão a ser corrigido por embargos, na hipótese da decisão guerreada não se pronunciar sobre todas as questões de fato e de direito relevantes mencionadas pelas partes e necessárias ao julgamento. Analisando a peça de impugnação apresentada pela embargante, realmente, há um tópico denominado de "compensação do imposto pago no exterior" (fls. 333), que requer seja admitida a compensação do imposto pago em Portugal, conforme previsto no art. 26 da Lei n. 9.249/95. Neste tópico a interessada faz referência aos documentos colacionados por ela às fls. 349366 dos autos, noticiando que se tratam de retenções na fonte submetidas pela empresa portuguesa Bento Pedrosa Construções S.A. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 512 4 A decisão recorrida, em que pese ter admitida em tese a compensação do imposto pago no exterior, não se pronunciou sobre os valores retidos. Assim, a ausência de efetiva manifestação sobre os valores sujeitos às retenções na fonte, bem como análise dos correspondentes documentos colacionados que comprovam, sob a ótica da interessada, a retenção dos valores, dá ensejo aos embargos, devendo ser acolhidos neste ponto para sanar a omissão apontada. Da análise de tais documentos, repitase, colacionados às fls 349366 dos autos, verificase que são declarações prestadas por terceiras pessoas, que noticiam retenções na fonte efetuadas por aquelas pessoas jurídicas. Com relação aos documentos juntados às fls 350359, apesar de comprovarem que aquelas pessoas jurídicas efetuaram as retenções, nos valores lá discriminados, não comprovam que alguns dos valores descritos se referem às retenções efetuadas da empresa portuguesa Bento Pedrosa Construções. Isso porque esses documentos não trazem o nome das empresas que se sujeitaram às retenções, sendo identificadas, pelo que pude perceber, por um "número de identificação fiscal", não havendo notícia nos autos de que um daqueles números pertence à empresa controlada pela interessada. Assim, não os aceito como prova de que as retenções foram efetuadas em nome de Bento Pedrosa Construções. No que pertine aos demais documentos juntados (fls. 360366), considerando que eles identificam adequadamente a empresa portuguesa aqui mencionada, aceitoos como prova de que as retenções foram efetuadas em nome dela. Porém, deixo de deduzir do montante exigido, pela razão a seguir descrita. Isso porque, pelo menos em princípio, a simples declaração de uma pessoa jurídica que noticia haver retenção de valores no exterior não comprova que citada renda auferida no exterior foi devidamente oferecida à tributação. Assim, ainda que as retenções tenham sido efetivamente ocorridas no exterior, a simples declaração não faz comprovação de que as rendas correspondentes foram submetidas à tributação no país. Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o imposto de renda recolhido no exterior e que é passível de compensação é o incidente sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real. De fato, é necessário que o contribuinte demonstre, por meio de outras provas, que as receitas submetidas às retenções efetivamente foram computados na apuração do lucro real e devidamente oferecidas à tributação, a não ser que, por outro lado, trouxesse provas de que a retenção na fonte, de acordo com a lei portuguesa, equivale a tributação definitiva, diferenciando da lei brasileira, fato este que não ocorreu. Cabe lembrar, finalmente, que imposto retido não é sinônimo de imposto pago. Ainda que, hipoteticamente, se possa admitir que as retenções na fonte ocorreram, isso não significa que algum imposto tenha sido pago. Fazendo um paralelo com a legislação brasileira: aqui, em grande número de situações, o imposto retido é mera antecipação daquele que será efetivamente devido ao final do período de apuração, sendo certo que a apuração de imposto a pagar dependerá de um grande número de outros fatores. Pode haver imposto retido, mas não imposto a pagar, situação em que o contribuinte poderá pleitear restituição. Não consta dos autos em que contexto ou sob que modalidade ocorreu a alegada retenção na fonte Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 513 5 em Portugal, pelo que não se há de tomar, automaticamente, imposto retido como sinônimo de imposto pago. Nestes termos, tenho por suprida a omissão, sem efeitos modificativos. CONTRADIÇÃO Sustenta a embargante que o acórdão embargado incorreu em evidente contradição, eis que primeiramente afirmou que o mecanismo que autoriza a compensação do imposto pago no exterior corrobora o entendimento de que os tratados em análise não impedem a tributação dos lucros auferidos no exterior, e depois nega este direito à compensação desse imposto pago no exterior, ao não se manifestar sobre o tema. Não lhe assiste razão. Não há qualquer contradição no entendimento de que tais tratados não impedem tributação no exterior, concluindose pelo alcance na norma brasileira nos resultados auferidos no exterior, com o entendimento no sentido de negar a compensação do imposto pago no exterior, pelas razões acima descritas. No meu sentir, ainda que fosse essa a decisão, que, repitase, não foi, a decisão recorrida não estaria viciada com o vício da contradição, pois haverá contradição passível de ser atacada por embargos de declaração quando, por exemplo, a fundamentação seguir em determinado sentido e o dispositivo, por sua vez, caminhar em sentido contrário, hipótese esta que não ocorreu no caso que se apresenta. Ademais, conforme restou consignado, não houve decisão administrativa contrária ao direito de compensar tributo pago no exterior, no caso, em Portugal. Porém, pelo que se vê, a decisão recorrida admitiu, em tese, a compensação do imposto pago no exterior, não se pronunciou tãosomente sobre os valores retidos, deixando de analisar os correspondentes documentos colacionados pela recorrente quando apresentou sua impugnação, não havendo que se confundir "tributo pago" com "retenções na fonte", pelos motivos acima expostos. Assim, não sendo demonstrada qualquer contradição entre os fundamentos da decisão e as respectivas conclusões, as alegações sustentadas devem ser rejeitadas, mormente na circunstância em que resta evidente a tentativa de, pela via estreita dos embargos, rediscutir matéria já devidamente apreciada pela decisão combatida . 2. Vício de omissão. O art. 23, parágrafo 2º, da Convenção Brasil Equador para evitar a Dupla Tributação. A embargante alega ainda que acórdão embargado foi omisso com referência a este tópico. Sustenta que ao restabelecer a exigência fiscal, olvidou que a Convenção Brasil Equador, em seu art. 23, parágrafo 2º, afasta por completo qualquer pretensão de exigência do IRPJ e da CSL no Brasil, destacando que detinha 100% do capital da CNOE, fato este segundo sua ótica, impedia qualquer pretensão tributária do fisco brasileiro. Transcrevo aqui as razões de impugnação (fl. 320, grifos não constam do original): Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 514 6 Por fim, no caso especifico do acordo firmado com o Equador, ainda que superados todos os fundamentos acima expostos, na hipótese de se entender que o dispositivo aplicável é o art. 10 e que a sua aplicação não requer efetiva distribuição dos dividendos, o que se admite apenas para fins de argumentação, não se pode perder de vista que, mesmo assim, o art. 23, parágrafo 2° do mencionado tratado, afasta por completo qualquer pretensão de exigência do IRPJ de CSL no Brasil. Isso porque tal dispositivo é claro no sentido de que "os dividendos pagos por sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, serão isentos de imposto no outro Estado Contratante." Este seria o caso dos autos, eis que a impugnante detinha 100% do capital da empresa equatoriana, o que permite a incidência de mais essa regra que afasta a tributação no presente caso. Ora, o acórdão recorrido não se fundamentou no art. 10 da Convenção, mas sim no art. 7º, veja o voto vencedor (fls. 477/480, grifos não constam do original): Isto porque, ao analisar os termos das Convenções firmadas pelo Brasil com a República Portuguesa e com a República do Equador, concluiu pela inexistência de cláusula capaz de impedir a tributação, no país, dos lucros auferidos por pessoas jurídicas aqui domiciliadas de empresas por elas controladas e sediadas nos referidos países (Portugal e Equador). O art.7º dos referidos Tratados Internacionais, apontado como aquele que contempla a norma impeditiva da tributação dos lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil por meio de controladas ou coligadas sediadas no exterior, efetivamente não traz comando nesse sentido. A vedação ali estabelecida só seria aplicável caso a legislação tributária brasileira autorizasse a tributação do LUCRO AUFERIDO POR PESSOA JURÍDICA SEDIADA NO EXTERIOR que fosse controlada ou coligada de empresa domiciliada no Brasil. À evidência, não é disso que trata a legislação da denominada TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. Nela, a previsão de incidência é dirigida para os LUCROS AUFERIDOS PELA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO BRASIL por meio de controladas e coligadas sediadas no exterior. A diferença entre as situações é tênue, mas de extrema relevância e justificadora da introdução de normas, inclusive nas CONVENÇÕES referenciadas, que autorizam a compensação do imposto que foi pago no exterior, pois, do ponto de vista estritamente econômico, e não jurídico, o lucro auferido pela controlada ou coligada no exterior, no caso em que a legislação do país em que elas forem sediadas contiverem previsão de tributação da renda, será tributado no país de origem e no Brasil, visto que a legislação tributária brasileira passou a tributar as pessoas jurídicas aqui domiciliadas tanto em relação ao lucro auferido internamente como aquele proveniente de participações em empresas sediadas no exterior. [...] Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 12897.000196/201054 Acórdão n.º 1301002.131 S1C3T1 Fl. 515 7 Por fim, cabe registrar que, diante das considerações acima, revelase absolutamente inócua a discussão acerca da possibilidade de a tributação promovida de ofício encontrar respaldo nas disposições do art. 10 das referidas CONVENÇÕES, eis que, para o Colegiado, o que caberia apreciar é se os referidos Tratados continham norma capaz de criar óbice à pretensão do Fisco, o que, em razão dos argumentos declinados, restou comprovado que não. Assim, em conformidade com a própria redação da recorrente, a alegação que faz referência ao artigo 23 da citada Convenção, seria tão somente na hipótese de se entender que o dispositivo aplicável é o art. 10. Não tendo o Colegiado considerado aplicável o art. 10 (dividendos), o art. 23, § 2, é igualmente inaplicável Eis o específico dispositivo da mencionada Convenção: “2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no outro Estado Contratante.” Observese que este dispositivo expressamente se refere a dividendos pagos por uma sociedade residente do Equador a uma sociedade residente do Brasil, revelandose desde já que ele é inaplicável ao caso concreto, uma vez que a decisão embargada não concluiu pela aplicabilidade do art. 10 do Tratado, que cuida de dividendos. Assim, inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, voto por DAR provimento parcial aos embargos, apenas sanar a omissão apontada e mencionada no item 1, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 14120.000327/2009-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 27 /2 00 9- 76 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 583DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 585DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 9202004.725 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 587DF CARF MF
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