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Numero do processo: 10283.900301/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-001.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900301/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.633 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de março de 2013 Matéria IRPJ Recorrente UNIVERSAL COMPONENTES D A AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 03 01 /2 00 9- 14 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900301/200914 Acórdão n.º 1803001.633 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitida em 26/04/05, mediante o qual foi efetivada a compensação de débitos da recorrente com crédito, no valor original de R$ 6.200,00, referente a pagamento indevido ou a maior, recolhido através de DARF em 31/03/2003. A Unidade de Origem, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que após o recolhimento do débito, constatou que o valor pago seria indevido, motivo pelo qual utilizou o crédito no PER/DCOMP ora em análise. Ainda, refere que a demonstração dessas informações poderá ser confirmada através da DIPJ e que o erro de fato cometido referese apenas ao indevido preenchimento da DCTF. Finaliza requerendo a procedência do direito creditório com o cancelamento do débito fiscal relativo ao processo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em sua integralidade. Aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, aduz o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Atenta que no caso presente, ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento indevido ou maior efetuado mediante Documento de Arrecadação Federal DARF. Ocorre que a unidade de origem verificou que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Afere que a empresa retificou sua DCTF, em 20/03/2009, mas que tal retificação é condição necessária embora não suficiente para que o sujeito passivo obtenha o reconhecimento do direito alegado. Salienta que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, ou seja, possui o encargo de Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900301/200914 Acórdão n.º 1803001.633 S1TE03 Fl. 113 3 comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pela recorrente em sua declaração de compensação referese a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável também à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Desse modo, a empresa ao exercer a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/1996. fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Afirma que ao final do anocalendário, caso a empresa apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6°, § I, da Lei n° 9.430/19962. Constata que a regra geral é no sentido de que a empresa recorrente leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Desse modo, entende que a certeza e liquidez do crédito reclamado a título de estimativa, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do qiiantum do lucro, do prejuízo fiscal ou do tributo declarados à Receita Federal do Brasil no anocalendário, mas sim em relação ao quantum demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Atenta que a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal, sendo indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro " L A L U R " etc. Cita legislação a respeito. E por fim, aduz que considerando que o PER/DCOMP foi transmitido no mês de abril de 2005, na vigência da IN SRF n° 460, de 2004, fica impossibilitada a utilização das estimativas para a restituição/compensação como requerido. Devidamente cientificada da decisão em 27.04.2011, a empresa recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário protocolado no dia 30.05.2011. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900301/200914 Acórdão n.º 1803001.633 S1TE03 Fl. 114 4 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitida em 26/04/05, mediante o qual foi efetivada a compensação de débitos da recorrente com crédito, no valor original de R$ 8.218,25, referente a pagamento indevido ou a maior, recolhido através de DARF em 28/02/2003. A Unidade de Origem, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa Devidamente intimada a recorrente impugnou tempestivamente, mas não interpôs o recurso voluntário dentro do trintídio legal. Isto porque, conforme se verifica do processo em apreço, a empresa recebeu a intimação, pela via postal, tendo assinado o Aviso de Recebimento (AR), constante das folhas 131, do presente processo, no dia 27.04.2011, uma quartafeira. Não sendo feriado, iniciase o prazo de contagem para a apresentação do recurso no dia seguinte, qual seja 28.04.2011, quintafeira, findando no dia 27.05.2010, sextafeira. Ocorre que a recorrente somente ingressou com o seu recurso voluntário no dia 30.05.2011, na segundafeira, conforme se verifica do protocolo firmado na capa do seu recurso no presente processo, ou seja, 33 dias após o início da contagem; três dias depois do término do prazo. Assim, o recurso voluntário da contribuinte, ora recorrente, não pode ser conhecido por encontrarse intempestivo. Sobre o prazo para apresentação de recurso, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Alertese à recorrente e também à Administração Tributária que conforme SCI Cosit nº 19, de 2011, não mais persiste a vedação contida no art. 10 da IN SRF 600/2005, mesmo para os pedidos anteriores à edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (que é o caso dos autos), o que abre espaço para a revisão de ofício da compensação requerida. Pelo exposto, VOTO no sentido de não conhecer do recurso. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900301/200914 Acórdão n.º 1803001.633 S1TE03 Fl. 115 5 É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008355/2005-92
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. VARIAÇÃO CAMBIAL.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso provido.
Numero da decisão: 202-17.486
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Nadja Rodrigues Romero. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Ivo de Lima Barbosa, OAB/PE nº 13.500, advogado da recorrente, e o Sr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE nº 5.178-E.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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I .. - • • . '-'• • . v... Ministéaio da Fazenda _ .• 22 CC-MF • -- • r in. "'''P n 'r Segundo Conselho de Contribuintes . • ), .• >, > ) ,1!: -.,- rés-sesundo Cangalho da Coralbukaos , Processo n2 : 19647.008355/2005-92 anel 01=1 s ur_o:_t_e Recurso .n2 : 434.426 . ,amaaco or• Acórdão n2 : 202-17486 Recorrente : BR PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A • Recorrida : DR, em Recife - PE • .. PIS. VARIAÇÃO CAMBIAL. • A base de cálculo & contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de IAF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o - CONFERE COM O OFtIGINAL , .„... I proferida pelo disposto no 4 1 & art. 32 da Lei nt 9.7/ 8/98, por sentença Blla. _._.rai.ji_j 5 plenário do Supremo Tribunal Federal em\,L#J Wv 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Andana Na mento Stluncikal Recuno provido. se. Mat. Siape 13773W4 P. - • . . Vistos, relatados e discutidos os presentes mitos de recurso interposto por - BR PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS 5/A: - " - ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do... Segundo Conselho de Contribuintes, por Maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira • Nadja Rodrigues Romero. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Ivo de Lima Barbosa, OAB/PE n2 13.500, advogado da recorrente, e o Sr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE n 2 5.178-E. . ...- . Sala .. . -. . . • 08 de novanbro de 2006. . .• . . tfrn i ti• • . mo OS • II . . - Presidente . _. . ' .' CUZ4-- Lark."4-- i _ te i aria Cristina Roza da :• / Relatora I _ • • . , L . . Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez TÁSpez. 1 . . . . . , k----„ .. • . .• • . . ". . MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 COMF • '' - • .Ministério da Tezenda),:, • .-. C.• • • CONFERE COM O ORIGINAL. .F1. . . 'Segundo Conselho de, Contrituintes Bramia, si 1 os 1 evo* ........_. ,. . . Processe tie : 19647.008355/2005-92( . ' Andreas N e•khildmo Schmtikal .• . .Itteurso r0 : 134.426 Mat. Siam 13773841 .. . ... , At:ardia se : 202-17.486 ,• . . . . • • Recorreste : 13R PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS SIA .• . . • .. ,. . .. .. . ,.. • • ' • - . . . • ,. .. ... . . .•- - ••• . -. IELAT6R10 ,• , • • • • . . .. ,... • . . ,... . .• . - , .• • . • . . . • • • • • Trata-se de recurso voluntári'o apresentado contra Decisão proferida pela 2 e Turma 4e Julgattnatto dá Delegacia da Receita 'Federal de Julgamento em Recife - PE. ._ . . , . i . • • • . .. ,: • . . . Po r eeonomia processual, reproduz-se, abaixo, o relatório da decisão recorrida: .' . .. . ' • . %.' . : • -•",De acanto . c o m ,ris autuantes,,o referido Auto i &corrente da diferença apurada entre -.. o valor escriturado e o declarado/pago & Contribuição para o Programa de Integração •,. ' : , • - , • • , . • - Social, com a incidência não-cumulativa para os períodos de dezembro.de 2002, março e • • abril de 2003, 'conforme descrito ds fis. 07 a •09 e no Termo de Encerramento de Ação - . •-•.. . ., .-. .• ,, . - Fiscal de fls. 15 a 29. . .,- . .. • . , .. ,,,, , • •••' .!• : • • , - .,- . • . , • , .,.. Inconformada com a autuação, a .contribuinte, através do seu representante kgsit: , -- :4)•,-,` • • • apresentou': impugnação de fiz, 233/260,4 qual anexou as fis. 261/313, ar:desaguei seja:: .,,;•:-",/ a mesma acolhida para que. , : -- - .• - ' . ./. . ..i • - • , .a) preliminarmente, seja declarada a decadência do direito de o Fisco lançar lis .--.-, :••• .--- • • . • • . • . • - , supostos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em outubro/99, • .. .2- ,' novembro9, dezembro/99, fevereiro/00, março/00, maio/00, junho/00 e julho/00;••• . ,. . -. •: - ,- • •• •• -- •-• -. ' • - - , . il: -b) no mérito; seja reconhecido que um mero registro contábil decorrente d̂a diininuição. : , ,z, •'; .•, . - . de um passivo em função de alteração da taxa de câmbio não possa Ser considerado . .• . - receita, passível de tributação pelo PIS, determinando o cancelamento do lançamento de , . • • . oficio na pane impugnada, por total falta de adequação tributário;com a legislação tributária . . .. o e • . - e) em havendo a manutenção do Al impugna^ dei, ora -admitido apenas para gaitas de . -ergwnentaçaie, seja afastada qualquer pretensão de o Fisco atualizar a multa; ' " • ' - - ' • . . . , - •.. 'et) dessa forma, haja o integral cancelamento da exigência faca! referida -• — Houve,emeintese, as seguintes alegações: - - • • -: , ' - ,, • , .... -- • ., - Worma que possui ação judicial questionando a validade jurídica do alargamento da baseie cidade do PIS (docs. 05 e 06); • . ... ,. • , , - - • -. - .. -- ' • -a Inspignante se utiliza de sem direito constitucional de defesa administrativa não para , " • . . - .. . ' - ' questknar amilidad e jurídica da UI n" 9.718/98, mas sim para, dentre outras questdes, • . • • • . -• - - - restentarsple a redução/estorno de um passivo decorrente de variação cambial não se •‘" ' - asam de receita, eu seja não há d̂iscussão administrativa acerca da eonstitucionalidade • avie legalidade do isoloma legal acima mencionado; . . - • '• - a discute& submetida ao Poder Judiciário nãoé a mesma que ansiá submetida à DRJ, . • . ,ant seja, não há que se falar na ocorrência de concomitância da sfiscussãojwileini coas a discussão administrativa, - ... . - opereu-Se a decadência do direito cl; a Fiscalização proceder ao ' lançainento^ - 1 dos - . • ' - .• - ,valores supostamente devidos, especificamente com relação aos - meses de outubro/99,. ..., . . . - . • . novembro9, dezembro9Jevereiro100, março/00, • maio/00, junho/00 e julho0, posto . . - . • • ..•• - que o Auto de Infração fora recebido em 15.08.2005, ou seja, após o decurso do prazo de, •• , cinco anos das ocorran' cias dos fatos geradores relativos aos meses acima mencionados;, ., . . . .., . . • • ^ ••• 1. ,. . • .• • . " . . .• . • MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. • Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL 22 CC-MF Segundo Conselho deContrâmintes Bras& Si / 05 / 0-1- Processo ntk 19647.008.155/2005-92 Andrezza N idlilleithco o 'hincilca1 titeatirso sat 134.426 Mat. Siete 1377389 Scèrdio nt 202-17.484 - o MS deve observar as regras de decadência constantes do CTN e não as estabelecidas - por ama lei ordinãria. A interpretação de que o art. 45 da Lei n°8112/91 4 aplicável 40 PIE afronta •Constituição Federa4 sendo, portanto equivocado, nos termos do art. 146, ilZ1): da Magna Cana Diante do comando constitucional, pode-se venfcar de plano, que • proas &cadenciai -disposto no art. 45 da Lá 1212/91 não pode ser aplicável aos tributos "leitos ao lançamento por homologação, caso do PIS, devendo ser aplicado disposte no f 41. do art. 150 doelY; -- ene face da marufesta decadência, a Impa:nateestá desastrada de quaisquer débitos retalhas aosperíodos citados, coreformepreconita o art 156, V e VII do .CTN; - o valor total da exigência materializada no AI corresponde única e exclusivamente ao registro contábil, por competência, da diminuição do valor de dívidas em moedas estrangeiras em fiação da alteração do valor reatem comparação a moeda estrangeira O moro registro Contábil de ama redação de um passivo que sequer havia sido liquidado, foi considerado pelos autuantes e indevidamente computados na base de cálculo do PIS. Mo 4 possível matentar juridicamente que um mero registro contábil decorrente da diminuição de 1011 passivo em jçrnção de alteração da taxa de câmbio seja considerada receita, passível de tributação pelo PIS; - explica-se o ocorrido: como no período compreendido entre 1999 e 2004 de fato ocorreram grandes* alterações nataxa de câmbio, a Impregnante, que Possuía dividas . escrituradas em suas demonstrações financeiras, devia atualizar o valor de seus passivos de acordo com a taxa de câmbio do respectiv' o mês. Assim, por força da obediência ao princípio contábil da competência, mesmo antes da liquidação de cada operação, a Impugnar:te registrava á mutação de sua sili4200 patrimonial, no caso a diminuição do - • valor de =passivo em moeda estrangeira que sequer havia sido liquidada; • - cita passagens da doutrina jurídico pano concitar que 'os eventos que reduzem -despesas, embora causem impactos patrimoniais, não configuram receitas e, portanto, não integram as bases de aileido do PIS'; - ademais, a Imptegnarue teria capacidade econômica para recolher tributos em virtude de estorno de obrigações que sequer fonas realizadas? É meridiano que a resposta . somente pode ser não!; ad argumentandum Untura, Measte receita antes da liquidação da operação. No essa, Impugnante incorreu em perda cambial e não em ganho (doc. 07); - a partir do ano calendário de 2000, an. 30 da MP n • ZI 58-35/01, as varia' çõei monetárias das obrigações devem ser consideradas para efeito de apuração elo PIX momento da liquidação da respectiva operação - denominado regime de caixa,- - a lei estabelece que os tributos não pagos no prazo letal sujeitam-se a aplicação da taxa San ou seja, não há previsão legal pata o amputo de juros SEL1C sobre a multa • de lançamento de oficio. Porfia, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Em sua defesa, sio inseridos lestos da doutrina, da legisla* e da jurisprudência administrativa e judicial. sobre o assunto abordado." • Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão, resumida na seguinte ementa: 'Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep 3 • , • •• • PE • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 2aCC-MF t %.p 'Segundo Conselho de .Contril, Brat- A 4 i OS 22004- Processual : 19647.0083551200542 Andrezza OsTi}(jrÁnento Schmeikal Recurso 111 : 134.426 Mat. Siam 13773104 • Acórdão e: 20247486 Period ode apuração:01/10/1999 a 31112/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/052000 a • 32/07/2000. 01111/2000 e 31/12/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01111/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/0812002 a 31/08D002, 01/10/2002 a AI/122002, 41/03/2003 a 30/04/2003 Emento DECADÊNCIA DASCONTRIBUIÇÕES soma , O direito de srpurar e constituir o crédito, nos casos de Contrai:nações Sociais para a SeperWade Social, só se -extingue após 10 (dez) anos contados do ,primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. RECEITA S F7NAIVCEIRAS VA.R.L4OES CAMBIAIS. No regime de competência aplicado à tributação das variações cambiais pelo PIS, a cada mês é verificada a existência de eventuais ganhas em função ida taxa de câmbio. Tal valoraçâo pode ser feita de forma líquida e certa, não estando sujeita a condição de espécie alguma, sendo, portanto, definitiva naquele período de apuração. ENCARGOS LEGAIS JUROS DE MORA E MULTA DE OFICIO. • • Os juros de mora e a multa de ofick ~dos no Auto de Infração estão previstos nas normas válidas e vigentes à época da constituição do respectivo crédito tributária PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. • As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Lançamento~edente". A decisão recorrida está animada nos seguintes fundamentos: Inoperância da decadência à vista do disposto no art. 45 da Lei n°&212/91; b) No que se refere à tributação das variações cambiais, o Ato Declaratório SRF e 73, de 09.08.1999, esclareceu que, a partir de 01/02/1999, as variações monetárias ativas, as quais podem decorrer de variações cambiais, deveriam ser computadas na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofias, eis que representam 6 ingresso de receitas • financeiras; (.4 Ocorre que a contribuinte contabilizai as variações cambiais pelo regime de competência. Assim, no regime de competência aplicado à tributação das variações cambiais pelo PIS a cada mês é verificada a existência de eventuais ganhos em fiação da taxa de câmbio. Tal valoração pode ser feita de forma liquida e certa, não estando sujeito a condição de espécie alguma, sendo, portanto, definitiva naquele ,período de apuração. Constituindo-se em uma receita, a qual erro se encontra alentada no rol de exclusões constante do art. 3 4; f 2°, da Lei n° 9.718/1998 a variação cambial deve compor a base de cálculo da Cofins no período em questão. Aliás, é o que reitera o • já transcrito artigo único do Ato Decloratário SRF n° 73/1999. • c) Não procede a alegação de atualização da multa de oficio pela taxa SEL1C. A multa de -oficio linde lhe foi imputada incidiu sobre o valor da contribuição apurada, não havendo atualização monetária, seguiu a ordem disposta na norma de regência, embasada na legislação citada á ft. 15, notadamente o art. 44, inciso I, da Lei 9,430/1996 (..); • d) (...) a multa de oficio deve ser aplicada sempre que o contribuinte deixar de recolher ou recolher a menor algum tributo ou contribuição devidos, ou ainda, recolher a \ 4 • . . • ' MF SEGUNDO CONSELHO DE C0NTRIBUINTE:4, • CONFERE COMO ORIGINAL. 2aCC-MF • r Ministério darazenda • Braslha, 24 / eo fl. Segundo Coner-lho de Contribuin- Andrezza Nese t‘ihthcikal Processo nre 19647.008355/2005-492 Kit Stepe 1377384 Recursos' 134.426 Acórdão a" 202-17.486 destempo sem o pagamento da multa de mora. Assim, é cabível a multa sempre que isouver lançamento de oficia (...); e) Ne presente caso, a autuada deixou de recolher a Contribuição para o Programa de Integração Sacia: - PIS incidindo, nos termos do art. 44, inciso 7, da Lei n.°9.430/1996, a multada 75%. .1) No que tange à exigência de juras de mora, os cálculos nos percentuais constantes às fls. 13/75, incidentes sobre 4 valor da respectiva contribuição mensal, estão de acordo com o que estabelece o gut 41, 3°, da Leia° 9.430E996, devidamente configurado àft • 15, correspondente ao percentual equivalente 4 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente." • Intinmda a conhecer da decisão em 20/0212006, a empresa, insurmta conca seus termos, apresentou, em 21/0312006, recurso voluntário teste Egrégio Conselho de Contribuintes, com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação. Reforça a improcedência total do auto de infração e da decisão singular alegando a) preliminar de decadência - o prazo para lançamento de PIS e Cofins é de 5 .. anos, a contar do fato gerador. Do crédito lançado, relativo ao período de dezembro de 1999 a novembro de 2002, teve ciência em 20/06/2005. O período de dezembro de 1999 a junho de 2000 encontra-se extinto, tanto pela homologação quanto pela decadência. Cita "Precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativo - b) no mérito, .a autuação se deu com base no § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, alcançando as reduções de passivo de contratos de empréstimos ainda não liquidados, por entender tratar-se de receitas financeiras. Redução de passivo não é fato gerador do PIS e da • Cofins, mas antes o faturamento. A variação cambial tributada decorreu da oscilação do valor do dólar frente ao real, sendo que em um mês, oscilando o dólar para mais, havia variação monetária passiva; oscilando o dólar para menos, ocorria variação monetária ativa, porém totalmente contábil, inexistindo efetiva realização do ganho ou da perda; • ' c) pugna pela correta interpretação a ser emprestada aos conceitos de faturamento e receita bruta, consagrados pela Lei n2 9718/98. Não aventa a inconstitucionalidade da referida lei, somente a equivocada intapretação do Fisco acerca da aplicação de seus dispositivos; d) aduz haver prevalência do conceito de faturamento previsto na Lei Complementar n2 70/91, em detrimento do previsto na Lei Ordinária n2 9.718/98. Cita precedentes judiciais do ST! e de Tribunais Superiores; e) argumenta que o STF já havia admitido que o conceito de faturamento fosse o . mesmo conceito de receita bruta. Entretanto, nlo admitiu o alargamento do conceito para alcançar todo lançamento contábil efetuado a débito de contas ativas referentes à apuração de resuitado; f) reporta-se à declaração de inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei ne 9.718/98 declarada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento dos Recursos• Extraordinários n2s 346.0841PR e 357.950/RS, em 09/11/2005, por entender que referida regra extrapolou a competência atribuída pelo art. 195, I, redação original, e do art. 195, § 42, da Constituição Federal, de vez que este último admitia a incidência somente sobre o faturamento; 5 • • • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2ACC4I4F 4:4 r: Ministério da Fazenda 3/4 CONFERE COM O ORIGINAL3/4 • . Fl. . rz Segundo Conselho detontribuintes e-!--t. • Brada. 34 05 W01- -- fracesse tz 196474008355/2005-92 Andreas Nascimento dunicikal Escuna 134.426 . Mal Soare innev Ackdão us 202-17486 g) a:esfuma A impossibilidade de se incluir "expectativas de receita" decorrentes • de variação cambial na base de ceado do PIS e da Cofias. Reforça seu entendimento destacando que a própria DIPY1rata as variações cambiais ativas e passivas diferentemente das receitas, as quais são identificadas como: receita de revenda de mercadoria; receitas de juros sobre capital próprio; outras receitas financeiras e outras receitas operacionais. Ou seja, não inclui as referidas variações no rol de receitas discriminadas na referida declaração; • la) raciocina que os valores envolvidos nos contratos de empréstimos possuem condição suspensiva, estabelecida nos *ris. 116, II, e 117,1, do 'Cl74, em face da implementação do ato gerador do PIS e ela •Cofms somente quando ocorra a liquidação da operação e se nesta • •esuhardesvalor do dólar, i) realça e malferimento do principio contábil da prudência pela tributação de expectativas de receitas. Relata fatos de sua escrita fiscal demonstrando o prejuízo efetivo havido com a variação cambial na liquidação dos contratos; j) caráter conftseatório da multa de 75%; e k) ilegalidade dataxa Sebe. Ao fin.; requer o reconhecimento dos fundamentos expostos, dando provimento ao recurso voluntário interposto, reformando a decisão recorrida, declarando a nulidade/improcedência dos autos de infração lavrados,relativos ao PIS e à Cofins. • •• A recorrente apresenta, à fl. 376, deClaração da inexistência de patrimônio, r possuindo ...apenas direitos relativos à participação no capital da empresa , BPBR Empreendimentos "Ltda., cuja equivalência patrimonial foi negativa,' bem como encontra-se inativa, conforme recibo de entrega de declaração de inativo --- cópia à fl. 377—, razão pela qual • não houve apresentação de arrolamento de bens nem de garantia do crédito tributário. É o relatório. _ • • • 1\5.. 6• • • • t 29 CC-14F • . Ministério da Fazenda RAF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE; • • 4 • Fl. Setomdo Conselho de Contribuinass CONFERE COM O ORIGINAL Brada, 34 i 05 WO% — Processe aat : 19647.00833512005-92 Marno ii 134.426 Andrezza 41tifinaterinto ichracikal , Acórdão s3 : 202-17.486 Mai Siape 13773119 VOU) DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA 1DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua admissibilidade c conhecimento. No hem 4 de Termo de Encerramento de Ação Fiscal informa a Fiscalização, Sítteris: "As diferenças apresentadas entre os valores devidos desta Contribuição como apurados por esta fiscalização e os valores declarados pela empresa devem-se, essencialmente, ao fato de a empresa não ter considerado nas suas apurações os multados da conta: 420502 - Variação Cambial - JRN, cujos lançamentos representaram Receitas Brutas Aos termos de que determina o parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98." Trata-se de exigência tributária constituída, exclusivamente, sobre receitas de . variação cambial com fulcro no § 1 2 do art. 32 da Lei ne 9.718/98, impondo a observância da -- decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria . - O RE 390840/MG, apreciado na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal de e 09/11/2005, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, foi julgado e decidido consoante a seguinte ementa: -"CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIE,NTE - ARTIGO 3 157-§ HÁ LEI N°9718, :- DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE• . DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSOES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCL4L - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSITIVCIONALIDADEDO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N' 9.718/98. A jurisprudência do &Tremo, ante a sedação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional a° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturantento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadoria de serviços 03I de mercadorias e serviços.É inconstitucional o § 1° do artigo Via Lei n• 9.71808, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receita aferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada" A decisão teve a seguinte votação: "Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário A por maioria, deu-lhe provimento, em parte, para declarar a irtconstitudonalidade do 510 do artigo 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8° e, ainda os Senhores Mm istmos Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson e/ 7 • • • ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE . 22c,calp • Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL 'Segundo Conselho de Contribuintes • ,• e Brasília, 34 05 .. Processo at : 19647.008355/2005-92 - Andrew NakEt SI;meikal • Recairmo : 134.426 Mat. Siara, 1377384• Acara. a? 20247486 Jobiara), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justracadamente, • Senhora Ministra Ellen Oracle. Plenário, 09.11.2005." No voto condutor da sentença foi reproduzido o art. 22 da Lei nt 9.718/98, no qual está definida base de cálculo da contrilmiçáo para o PIS e da Cofins como sendo o faturamento, assim se manifesta do Winistro-Relator: "Tivesse o legislador panado nessa disciplina, aludindo a faturamento sem dar-lhe, no campo da facção jurídica, conotação .discrepante da consagrada por doutrina e jurispnalência, sereia solução idêntica à concernente à Lei n°9.715/98. Tomar-se-ia o • faturamento tal como veio a ser raplirirnero na Ação Declaratória de Constitucionalidade e T -1/DF, ou seja,. envolver conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de • mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso! do artigo 195,0 cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em últirna análise, ter-se-ia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que i ‘o labutamo°, carnbaander-se para o atendimento da jurisprudência desta Corte." • Após 'digressão acerca de decisões outras e passadas do Pretório Excelso, retoma • Ifinistm a Lei n2 9.718/98, completando:• "Então, após mencionar, a jurisprudência da Corte sobre a valia dos institutos, dos vocábulos e aprendes constantes dos textos constitucionais e legais e considerada a visão técnico-vernacular, volto à Lei n° 9:718/98, salientando, como retratado acima, constar do artigo ra referência a faftsramento. No artigo 3°, aeu-se enfoque todo próprio, definição singular ao instituto faturamento, olvidando-se a dualidade faturamento e receita bruta de qualquer natureza, pouco importando a origem, em si, não estar revelada pela venda de mercadorias, . de serviços, ou de mercadorias e • serviços." E continua, após reproduzir o texto do art. 32: "Não fosse o 1° que se seguiu, ter-se-ia a observância de jurisprudência desta Corte no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Conrtiteicionalidade n° 1-1/DF, a sinordmia dos vocábulos Postamo:to' e 'receita bruta'. Todavia, o ,f 1° veio a definir esta última de forma toda própria." Após reproduzir o § 1 2 do art. 32, arremata: "O passo mostrou-se demasiadamente largo, 'olvidando-se porcompleto, não' só a Lei Fundamenta como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fez-se incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil." Mais adiante conclui: "Á constitucionalidade de certo dtoloma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jstriserruclência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Dai a inconstinicionalidade dof I° do artigo 3* da Lei n° 9.718,98. Nessa parte, • provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na • inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se .8/ 8 • • • MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 comF ' • 4' .1 birmistério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL o . Fi. m• fr Segtmdo Conselho de Contribuintes &asmas e0(2 • • Processo 19- : 19647.008355/2005-924áirVieAndreas imento Schmcikal Recamos n2 134.426 Mar. Swee 13773so ..lbeérdla S 20247.486 considerando 2reccita de natureza diversa. Deito de -acolher o pleito de compensação de valores,pmvue rijo compôs o pedido inicial" Este C.onselho de Contribuintes possui larga experiência no tato com lides cujo ' mérito versava sobre matéria-que o plenário do 'STF julgouinconstitucional, incidenter tantfon, e que no aguardo da Resolução do Senado Federal, manteve por muito tempo a exigência de tributo já reputado definitivamente inconstitucional ou mesmo ilegal, nos casos julgados pelo . ST1. , Há que se aprenda com a experiência. Não que se possa aqui decidir açodadamente após inaugurais decisões nesse sentido pelas Cortes Constitucional ou Legal. No caso ,em tela aio é esta a circunstância. Trata-se de matéria que há muito vem gerando conflito exare e Fiscos os contribuintes, tendo sido alvo de sentenças judiciais de monta, contrárias aos interesses do Fisco. C volume dessas decisões atingiu seu ápice com a decisão do STF, a qual, publicada, transitou em julgado em 29 de setembro de 2006, sendo enviada pelo Presidente do STF ao Presidente do Senado Federal em 03/10/2006 , Portanto, entendo que não há a que resistir. O julgador adttunistrativo tem como . . limite de decidiias normas legais em vigor, não lhe competindo apreciar inconstitucionalidades ou ilegalidades. Ao revés, a inconstitucionalidade do dispositivo fundador da autuação encontra- se declarada por sentença transitada em julgado pelo órgão designado pela Constituição da - , República, no art. 102, inciso El, alínea "a", a julgar causas decididas quando adecisão recorrida contrariar sais dispositivos ou declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. — E, consoante dispõe o inciso I do parágrafo único do art. r da Lei ri s' 9.784, de 29. ,de janeiro de 1999, quer regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação • conforme a lei e o Direito, devendo a Administração pública, segundo dispõe o capuz, obedecer, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Ademais, também não lhecompete dar seqüência à exigência de crédito tributário que esteja arrimado em norma sabidamente afastada do mundólurídico, com efeitos ex tunc, pela Corte constitucional. Saia de extremo non sense e, mais que isso, ofensivo aos princípios acima untados da Lei n'-' 9.784/99 manter a exigência tributária, remetendo o contribuinte a duas vertentes possíveis: ou socorrer-se da proteção judicial, levando os cofres públicos a pagarem por essa teimosia irracional de exigir tributo indevido, via ônus da sucumbência, ou, extinguindo o crédito tributário exigjdo, submeter-se à viet crusis do solve et repete, Nem uma nem outra. Na sutileza desse momento é que se justifica a existência de um tribunal administrativo. Não pode o julgador administrativo, posicionado diante de tal circtmstância deixar de enfrentar as vicissitudes de ter de um lado a lei formalmente ainda válida e eficaz, de outro a sentença transitada em julgado, proferida pelo Tribunal Maior do País, que mitiga, reduz, apequena o alcance pretendido pela lei no sentido de avançar sobre o patrimônio do particular. Entendo estar na esfera de competência do julgador administrativo -afastar a exigência tributária que se encontra sob sua apreciação, cuja inconstitucionalidade já tenha sido \, 9 \4 • • • • • PAF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUiNTES — - . Ministério danai:ind.% CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-14F • ""fr 4' Segundo Con.selho de Contribuintes &asila, 3 4 (25- .20 c? 7- Processo 212 19647.008355/2005-92 Andrezza N indifitellroo Schmeikal Ttecurto DL' : 134.426 Mai Supe 1377359 Acórdão rte. : 20247.486 declarada, porém, ainda não ampliada para os efeitos erga onmes, o que ocorrerá inexoravelmente por ser conduta formal de outro Poder, cuja atuação nem sempre está sincrônica com o -tempo e a necessidade da sociedade, afastando, com isso, as inevitáveis ações judiciais e maiores embaraços para .° tesouro nacional e para o contribuinte. Desse modo, deve ser afastada a exigência relativa à contribuição para o PIS e à Cofins contida nos autos, porquanto relativas à variação cambial e receita fmanceira não insertas ' =base de cálculo peia recorrente exatamente por entender inconstitucioiud o comando legal qbe ,determinava a tributação de tal parcela. À época da lavratura do auto de infração outra não podia ter sido a atuação do autuante. Também agora à4àca do julgamento, outra não pode ser aposição do julgador que não exonerar a exigência constituída. Por despiciendo não são objeto de apreciação as alegações contrárias à multa de oficio e aos juros demora. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2006. fi A CRISTINA RO DAV-‘42'ritct-C ai STA I O 11 Page 1 _0068400.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068600.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068800.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069000.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069200.PDF Page 1
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Numero do processo: 19726.000488/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/08/2004
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4.º do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
PERÍCIA - COMPROVAÇÃO DE SUA NECESSIDADE - LANÇAMENTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO - DESPICIENDA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Numero da decisão: 2401-002.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, acolher de ofício a decadência até competência 09/2000, vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitava a decadência. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar o pedido de perícia; e b) no mérito negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em exercício
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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No caso dos benefícios de “previdência complementar”, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. PERÍCIA COMPROVAÇÃO DE SUA NECESSIDADE LANÇAMENTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO DESPICIENDA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/08/2004 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4.º do art. 150 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 72 6. 00 04 88 /2 00 9- 64 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, acolher de ofício a decadência até competência 09/2000, vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitava a decadência. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar o pedido de perícia; e b) no mérito negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em exercício Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 35.553.7150, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados, no período de 05/2000 a 08/2004. Conforme relatório fiscal, fl. 69 a 82, o fato gerador do presente levantamento foi o fornecimento pela empresa de Plano de Previdência Complementar a seus empregados, porem tal benefício é concedido de maneira seletiva, não sendo extensivo a todos os seus empregados. No caso, a notificada contratou através da empresa ICATU HARTFORD, um PLANO GERADOR DE BENEFÍCIO LIVRE, através do Contrato n2 9001301388, firmado em 01/07/2003, o qual estipula um Plano de Previdência Privada Complementar, que era oferecido para alguns de seus empregados. Foi constatado, através da contabilidade, a existência de movimentação na conta relativa a este fato gerador, em período anterior ao contrato apresentado à fiscalização, desta forma foi solicitada a apresentação dos contratos anteriores, através do competente Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, os quais, uma vez não apresentados, constituíramse em um dos motivos da lavratura do Auto de Infração n° 35.552.8541, de 05/10/2005, por infração dos parágrafos 2 2 e 32 do artigo 33 da Lei n° 8.212/91. Ainda, conforme o relatório, do exame dos documentos apresentados foi verificado que constava da prática empresarial a concessão aos seus empregados, de Plano de Previdência Privada Complementar, fato este apurado através do contrato supra citado, de suas Folhas de Pagamento e de seus registros contábeis, através das contas 5.2.1.0.0002 — PREVIDÊNCIA PRIVADA e 6.2.1.0.0002 — PREVIDÊNCIA PRIVADA. Através do detalhamento deste fato, apurouse que tal benefício é concedido a seus empregados de maneira discriminatória, ou seja, ele não é extensivo a todos os funcionários, sendo oferecido apenas para Superintendentes e Gerentes, conforme consta da cláusula 1 — Participante, especificamente no item 1.1 do Contrato do Plano Gerador de Benéfico Livre, caracterizandose, desta forma, como prêmio, tendo em vista que é fornecido de forma distinta. O contrato em questão, denomina a JAMYR VASCONCELLOS S/A como INSTITUIDORA e os empregados da mesma como PARTICIPANTES, estabelecendo em sua cláusula 2 — Benefícios do Plano, as condições e benefícios do plano de aposentadoria, definindo no item 2.3, como benefícios adicionais um plano de renda por invalidez e um plano de pensão ao cõnjuge, sendo a Renda por Invalidez constituída por um benefício equivalente a 70% (setenta por cento) do salário do Participante, limitado a R$ 4.000,00 (quatro mil Reais) e a Pensão por Morte, consistindo em um benefício equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) do salário do Participante, limitado, também, a R$ 4.000,00 (quatro mil Reais). O referido contrato, em sua cláusula 4 — Do Custeio do Plano e do Pagamento da Contribuição, estabelece que o plano contratado será parcialmente contributivo, ou seja, a contribuição total necessária ao plano será dividida entre a Instituidora e os Participantes, sendo que estes, no Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 momento da adesão, definirão o percentual de seu salário a ser destinado à formação de reserva de aposentadoria, limitado a 10% do mesmo e a Instituidora destinará o dobro do valor indicado pelo Participante, limitado ao máximo de 20% do salário do mesmo, estabelecendo, também, que os benefícios de risco serão integralmente custeados pela Instituidora. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/10/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 14/10/2005. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 94 a 108, onde argumenta sinteticamente: A empresa foi cientificada pessoalmente do lançamento, em 1411012005, tendo protocolado sua impugnação, em 3111012005, portanto tempestivamente. Nessa oportunidade, apresentou os seguintes argumentos: Sustenta a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre a parcela "previdência privada complementar", que não representa ganho habitual sob a forma de utilidade, encontrandose, assim, afastada do conceito de remuneração dada a sua natureza assistencial; Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 120 a 122. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência sujeitase a tributação. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 131 a 143 , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Os valores disponibilizados pela Impugnante a título de acobertar o futuro de seus empregados, mediante previdência privada complementar, não representa salário e não pode servir de base de cálculo para as contribuições exigidas na NFLD combatida, como se verifica nas razões de direito que seguem. 2. A exigência contributiva se apresenta falha e insubsistente, seja por orientarse em interpretação equívoca das normas e dos fatos, seja por apurar gravames sobre valores que não representam verdadeira base de cálculo • contributiva, e, seja ainda por não representar o pagamento de previdência privada complementar uma hipótese de incidência previdenciária, do que resulta contrariedade á uma série de comandos legais constitucionais e infraconstitucionais. 3. A Recorrente, de fato, mantém uma previdência privada complementar para alguns de seus empregados, sendo que esta espécie de benefício (seguro), não integra salário (sequer salário in natura, como previamente definido), e, portanto, não pode servir de base de cálculo para os gravames previdenciários. O agente autuante considerou que a Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 4 5 hipótese vertente não integraria o rol de exclusões previsto no art. 28, § 9 2 , da Lei N ° 8212/91. 4. Todavia, deixou de levar em consideração que os valores em questão não representam "ganhos habituais sob a forma de utilidade", conforme preconizado no aludido dispositivo legal, responsável pela definição do salário de contribuição. Na verdade, ao disponibilizar tal benefício aos seus empregados, a Recorrente quis assegurarse de eventual encerramento de atividades sem grandes problemas para ela própria, pois em tais situações, é do conhecimento geral, que afastados os riscos de rompimento da relação de emprego, alg empregados recorrem a enquadramentos funcionais, equiparações (verdadeiras). 5. quando o legislador faz menção aos "ganhos habituais", certamente se refere a despesas que o empregado enfrentaria, e que deixa de fazêlo, pois que assumidas pelo empregador. No caso em pauta tal assertiva resta desconfigurada, pois que os empregados, provavelmente, não tomariam tal iniciativa se recebessem em espécie as importâncias sobre as quais.o.agente fiscal pretende impor a incidência de contribuição previdenciária, e aumentar o volume de arrecadação. 6. Temse que o encargo assumido pela ora Recorrente junto a seus empregados e dirigentes, correspondente a despesas com previdência privada não possui natureza salarial, por não refletir, direta e/ou indiretamente, contraprestação pecuniária decorrente da prestação de serviço ajustada nos respectivos contratos de trabalho. 7. Protesta pela produção de provas, reiterando a realização de perícia. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 149. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA (DE OFÍCIO) Incialmente convém observarmos a aplicação da decadência de 5 anos ao lançamento em questão, considerando a data de lavratura e as competências lançadas. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 5 7 VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 6 9 preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 7 11 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. A aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. A NFLD referese a pagamentos feitos á título de previdência complementar, valores estes não reconhecidos por meio da GFIP como salário de contribuição, razão porque entendo não há de se falar em recolhimento antecipado de contribuições, razão porque a decadência deve ser vista à luz do art. 173 do CTN. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;. chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 10/10/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 14/10/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/05/2000 a 31/08/2004, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, não há decadência a ser declarada. DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar o que constitui salário de contribuição para efeitos previdenciários. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário decontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 8 13 equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Afastado o primeiro argumento quanto a possibilidade de pagamento na forma de utilidades, convém apreciar que os benefícios concedidos pela empresa recorrente, para os segurados empregados, não satisfazem os requisitos legais para que sua concessão deixe de constituir fato gerador de contribuições previdenciárias. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de “previdência complementar, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa de alguns segurados empregados ( e dirigentes em decorrência do contrato de prestação de serviços à recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho). Não acato também o argumento que o encargo assumido pela ora Recorrente, correspondente a despesas com previdência privada (complementar) não possua natureza salarial, por não refletir, direta e/ou indiretamente, contraprestação pecuniária decorrente da prestação de serviço ajustada nos respectivos contratos de trabalho. Observe que a verba pode não ter sido prevista no contrato, porém a medida que o empregado passa a recebêla de forma habitual, dentro da relação laboral, possui relação com o trabalho prestado. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, para que a verba PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR esteja excluída do conceito de salário de contribuição deveria ser paga nos limites do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Novamente o recorrente não demonstrou a concessão do benefício a todos os trabalhadores, pelo contrário argumentou em sede de recurso que: “ A Recorrente, de fato, Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 mantém uma previdência privada complementar para alguns de seus empregados, sendo que esta espécie de benefício (seguro), não integra salário (sequer salário in natura, como o previamente definido), e, portanto, não pode servir de base de cálculo para os gravames previdenciários.” Também não acolho a alegação, que não define a lei propriamente a incidência sobre a verba previdência complementar. A definição de salário de contribuição, como mencionamos acima é geral, englobando todas as espécies de pagamento (diretos e indiretos, até mesmo as utilidades), porém no mesmo dispositivo legal o legislador indica, quais verbas estarão excluídas do conceito. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa complementou valores referentes aos planos de previdência privada. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. QUANTO A PERÍCIA Também quanto a requisição da perícia, entendo que a mesma é despicienda, não se prestando a alterar o julgamento, tendo em vista que a discussão reside na definição de ser a “previdência complementar” fato gerador, não havendo dúvidas, por exemplo em relação aos valores apurados. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 9 15 recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, INDEFERIR O PEDIDO DE PERÍCIA e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19726.000488/200964 Acórdão n.º 2401002.840 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.º do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF (fl. 135 do processo eletrônico) consta que foram verificadas guias de recolhimento, fato que nos leva a supor que houve pagamentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4.º do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 14/10/2005, voto pela declaração de decadência para o período de 05/2000 a 09/2000. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002615/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 8.134 1 8.133 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36202.002615/200726 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.338 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2013 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida FLEXIBRAS TUBOS FLEXÍVEIS LTDA E OUTROS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 02 .0 02 61 5/ 20 07 -2 6 Fl. 8176DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2402000.338 S2C4T2 Fl. 8.135 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão que exonera os interessados de valor superior ao limite fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Após o acórdão recorrido, os interessados tomaram ciência da decisão, mas ainda não lhe foi oferecida a oportunidade de interposição de recurso voluntário contra o crédito remanescente: 1. Pela presente, dáse ciência do Acórdão n° 1227.485 (cópia anexa), de 02.12.2009, da 15 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/RJOI, que julgou a impugnação procedente em parte, exonerando o crédito tributário n. 37.020.3399. 2. Informamos que a decisão da DRJ será submetida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento do recurso de ofício, face à exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008. É o relatório. Fl. 8177DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002615/200726 Resolução nº 2402000.338 S2C4T2 Fl. 8.136 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Ainda que tenha sido revogado o §1º do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que, no caso de exoneração do crédito, fixava como início do prazo para interposição do recurso voluntário a data da ciência do acórdão, permanece em vigor o caput do artigo que mantém o direito à interposição do recurso voluntário contra a parte que lhe foi desfavorável: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Em razão da possibilidade de que tenham origem nos mesmos fatos ou tese jurídica, no âmbito desse CARF são julgados na mesma sessão os recursos voluntários e de ofício. Quanto ao último também é possível, de acordo com seu regimento interno, a interposição de recurso especial à CSRF: Art. 68 (...) §11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado desde já aos interessados o direito à interposição de recurso voluntário no prazo legal para, após, serem encaminhados a esse CARF. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 8178DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001106/2003-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA
Não se verifica o arbitramento suscitado no presente auto de infração. As bases de cálculo da contribuição se originaram do faturamento registrado nos livros e documentos contábeis/fiscais da recorrente, não havendo motivo para se desconsiderar o lançamento desta contribuição, nem tampouco o sobrestamento de seu julgamento até decisão no auto de IRPJ, visto que não se trata de lançamento decorrente ou reflexo.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada até a impugnação, sob pena de preclusão do direito de apresentá-la em outro momento processual.
PEDIDO DE PERÍCIA.
É necessário o atendimento aos requisitos constantes do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, como pressuposto para possível deferimento de pedido de perícia.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC.
A taxa Selic, prevista na Lei nº 9.065/95, art. 13, por conformada com os termos do artigo 161 do CTN, é adequadamente aplicável.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-79470
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : PIS. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA Não se verifica o arbitramento suscitado no presente auto de infração. As bases de cálculo da contribuição se originaram do faturamento registrado nos livros e documentos contábeis/fiscais da recorrente, não havendo motivo para se desconsiderar o lançamento desta contribuição, nem tampouco o sobrestamento de seu julgamento até decisão no auto de IRPJ, visto que não se trata de lançamento decorrente ou reflexo. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada até a impugnação, sob pena de preclusão do direito de apresentá-la em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. É necessário o atendimento aos requisitos constantes do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, como pressuposto para possível deferimento de pedido de perícia. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. A taxa Selic, prevista na Lei nº 9.065/95, art. 13, por conformada com os termos do artigo 161 do CTN, é adequadamente aplicável. Recurso negado.
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''''F...'"::-‘4414H"a" Segundo Conselho de Contribuintes tki-a> 303 MF-Seguncto Conselho de Contribuintes Processo n2 19647.001106/2003-12 dePuito no/ Dikio Oficiai de liMo Recurso n2 129402 Acórdão n2 : 201-79.470 - Rubrk:s Recorrente : COMERCIAL VITA NORTE LTDA. - Recorrida : DRJ em Recife - PE I 'to • SEDutire DeNCELHO Da tmarittaliNTEsi PIS. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA COM-tr.:2 C. c.'!?.:: ..., C:FM:NAL é Não se verifica o arbitramento suscitado no presente auto de e:5a, ,) 4 I 10 ......1 020oC g infração. As bases de cálculo da contribuição se originaram do Mat. Siape 91751 faturamento registrado nos livros e documentos contábeis/fiscais Sueli Tolentin Meneies da Cruz da recorrente, não havendo motivo para se desconsiderar o lançamento desta contribuição, nem tampouco o sobrestamento de seu julgamento até decisão no auto de IRPJ, visto que não se trata de lançamento decorrente ou reflexo. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada até a impugnação, sob pena de preclusão do direito de apresentá-la em outro momento . processual. - . .. PEDIDO DE PERÍCIA. É necessário o atendimento aos requisitos constantes do art. 16, IV, do Decreto n2 70.235/72, como pressuposto para possível deferimento de Pedido , de perícia. INCONST1TUCIONALIDADE DE LEI MULTA DE OFíCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. A vedação ao confisco pela Constituição • Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. A taxa Selic, prevista na Lei n2 9.065/95, art. 13, por conformada com os termos do artigo 161 do CTN, é adequadamente aplicável. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CASA BRANDO COMERCIAL LTDA. (-9-2Ç 45V.. I - - 1 . 4 „,..—...........—..--.--........---.• ..+111::. NIF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MFMinistério da Fazenda.t.w..4„, -tora Segundo Conselho de Contribuintes CCNFERE COM O GR!C1NAL Fl. ,rtark 4, R n . o2 11 / -50 .._1 24)06‘ Mciji ..n...r....a. ........_____. Processo n2 : 19647.001106/2003-12 ----- Recurso n2 : 129.402 Sueli Tolenti Mendes da Cruz Acórdão0 : 201-79.470 I Mun. Siape 91751 . ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006. Ci* _ A"4.. "Égettr.: . osef Maria Coelho Marques1+ Presidente -) auricio Tave . va Relator -,.. )_ Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 2 • : • tas,.:et:iii Ministério da Fazenda MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTROUINTES CCTF r Fl. 1-ekr:Or Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C0f,'. O OR!CINAL > Bfasia, O24 ..10 /0200G 2-26 Processo n2 : 19647.001106/2003-12 4Recurso n2 : 129.402 SLICii Tule/ mi Mendes da Cruz Acórdão a2 201-79.470 Ia1. Se. , ; • L• i 75 I Recorrente : COMERCIAL VITA NORTE LTDA. RELATÓRIO Comercial Vita Norte Ltda., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 91/120, contra o Acórdão n 2 6.788, de 28/11/2003, prolatado pela 2! Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, fls. 83/88, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 05/07, resultante de falta de recolhimento da Cofin.s, relativamente ao período de agosto/1998 a dezembro/2002, no montante total de R$2.370.524,61, à época do lançamento, cuja ciência ocorreu em 26/08/2003. Conforme consignado às fls. 6/7 e 60, o lançamento decorreu de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Cofins. A contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 65/67, em 25/09/03, alegando, em apertada síntese, que teve sua escrita desclassificãda -por te1- auferido reCéita supériái ao- limite permitido ao exercício da opção pelo lucro presumido. Por conta da impropriedade do arbitramento do lucro, posto que não está demonstrado nos autos que sua escrita não seria aproveitável como base do lucro real, requer a reforma dos autos de infração Ido PIS e da Cofin.s, posto que fundamentados no mesmo levantamento arbitrai que serviu de base ao processo matriz de IRPJ. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, cujo acórdão se encontra assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/2002 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição é o faturamento mensal, considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza A partir de 1999, a base de cálculo é o faturamento mensal, considerado a totalidade da receita bruta da pessoa jurídica. Lançamento Procedente" Dentre os argumentos mencionados pela DR!, cabe destacar o seguinte: "12. A diferença dos valores constantes do levantamento efetuado pela fiscalização, tomou por base o Livro Registro de Apuração do Ia& da empresa, sendo elaboradas as planilhas de "Composição da Base de Cálculo", fls. 33/37, "Apuração de Débito", fls. 38/42, "Pagamentos", fls. 43/45 "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", fls. 46/50. A base de cálculo foi encontrada com apoio na escrituração da empresa" A contribuinte apresentou tempestivamente, em 26/03/2004, recurso voluntário, fls. 91/120 e anexos de fls.121 a 3.286, aduzindo que: a) preliminarmente argumenta ser nula a decisão de primeira instância, pois não considerou a argüição de inadequação do arbitramento efetuado e nem determinou a realização de perícia para dirimir a suposta imprestabilidade da escrita fiscal. Não apreciou ,as ovas ‘W°1/4.- 3 SEGUNO0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE" COM O ORIGINAL. FI. liffir:-",:ser Segundo Conselho de Contribuintes &pe ia / J 020 r, C 3 ..sqa, Processo n2 : 19647.00110612003-12 Sueli Totem ino tendes da Cruz Recurso n2 : 129.402 N1.11 Siar,: 91751 Acórdão n2 : 201-79.470 apresentadas devendo este processo ficar sobrestado até o julgamento do processo principal de rRPJ. b) no mérito, entende inadequado o arbitramento por ser medida extrema e não foi caracterizado nos autos a imprestabilidade de sua escrita, fato necessário para legitimar a desconsideração; c) insurge-se contra a base de cálculo e aliquotas utili7adas, fundamentadas na lei n2 9.718/98, flagrantemente ilegal e inconstitucional, a uma por se tratar de lei ordinária alterando Lei Complementar, a duas por distorcer e alterar os conceitos de receita e faturamento, pugnando a recorrente pela aplicação do conceito de faturamento nos moldes da decisão proferida os autos da ADC 1-1 DF; d) traz aos autos notas fiscais emitidas durante um mês, para que, por amostragem, seja comprovado o abuso da exigência ora combatida, feita em descordo com o ordenamento jurídico vigente; e) argüi acerca do caráter confiscatório da multa imputada e da inconstitucionalidade da taxa Selic como juros moratórios; Por fim, requer: a) anule a decisão ora recorrida em face da flagrante necessidade de perícia, bem como do prévio julgamento do auto de EUS; b) caso não seja acatada a preliminar de nulidade suscitada, que seja julgado improcedente pelas razões anteriormente expostas; c) protesta pela juntada de novos documentos, bem como por perícia fiscal. À fl. 3.200 consta arrolamento de bens, confirmado pelo despacho à fl. 3.287, para seguimento do recurso a esta instância julgadora. É o relatório. 69f 45V\-' 4 , • MF • SEGUNDO CONS.r.1.110 DE CONTRIBUINTES CC-MF Ministério da Fazenda cor: C ORIGNAL. ^."...;`,"•."- Segundo Conselho de Contribuintes B r rp;;:ia 0221 / J.O it2Ope__2 .a.ci? Processo n2 : 19647.001106/2003-12 1 - Sodi io!ent 10 Mendes d.: C. Recurso n2 : 129.402 91751 Acórdão n9 : 201-79.470 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Dentre os argumentos aduzidos pela recorrente, encontra-se, em caráter preliminar a argüição de nulidade da decisão recorrida, por desconsiderar a alegação do arbitramento efetuado. Não assiste razão à recorrente, pois a DRJ não só abordou o tema como o refutou, de forma objetiva, conforme consta em sua decisão à fl. 84, parágrafo 12, supradito e novamente citado a seguir: "12. A diferença dos valores constantes do levantamento efetuado pela fiscalização, tomou por base o Livro Registro de Apuração do ICMS da empresa, sendo elaboradas as planilhas de "Composição da Base de Cálculo", fls. 33/37, "Apuração de Débito", fls. 38/42, "Pagamentos", fls. 43/45 "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", fls. 46/50. A base de cálculo foi encontrada com apoio na escrituração da empresa." Para que não reste dúvida quanto à impropriedade de tal argumentação, reco.rre-Se ao Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, à fl. 60, no qual se encontra consignada a ocorrência de arbitramento do lucro no ano calendário de 2000, decorrente da impropriedade da permanência na opção pela declaração com base no lucro presumido. Como conseqüência, o autuante menciona que em relação ao IRPJ e a CSLL, as diferenças encontradas serão objeto de lançamento, incluindo-se o arbitramento do lucro no ano de 2000. Porém, não adota a mesma conduta em relação à Cofins e ao PIS, mencionando ter se baseado na escrita fiscal/contábil, para sua confecção. Sobre essas contribuições, tece as seguintes considerações, verbis, "Elaboramos um Demonstrativo do Faturamento onde discriminamos as receitas Declaradas na DIRPJ e as Receitas escrituradas na escrita fiscal/contábil" Corroborando a afirmativa de que a fiscalização não se utilfrou de arbitramento para a elaboração do presente lançamento, às fls. 33/37, encontra-se o relatório "Composição da Base de Cálculo", no qual se observa, além das "Receitas de Vendas", as "Exclusões de Vendas", característica própria da utilização de documentos contábeis para sua produção e inadequado aos casos de arbitramento. É nítido que o arbitramento somente gerou reflexos nos lançamentos de IRPJ e CSLL, não se aplicando aos lançamentos da Cofins e do PIS e a justificativa para tal fato é que "lucro", não se confunde com "faturamento". Enquanto a determinação do IRPJ e CSLL decorre do "lucro", o "faturamento", se caracteriza como elemento básico na determinação das contribuições para a Cotins e o PIS. Restando claro que não houve arbitramento na determinação das bases de cálculo da Cofias e do PIS, não há que se cogitar de perícia para dirimir a suposta imprestabilidade da escrita fiscal. Registre-se, entretanto, que mesmo que fosse o caso de se efetuar uma perícia, tal pedido não se encontra formulado conforme preceitua o art. 16, W e §1 do Decreto nz 70.235/72 — PAR As determinações nele contidas dão conta de que o pedido de perícia deve ser feito no momento da impugnação, contendo obrigatoriamente, os motivos, formulação dos quesitos, e a indicação do perito, sob pena de se considerar como não formulado o pedido que não atender aos requisitos. W)." 5 AAF - SEGUNDO CONSELHO CNITRIEWiNTES 22 CC-NIF•••• Ministério da Fazendat, CCIVEZ: nj. J Fl. '.'-n4ftt". Segundo Coasellio de Contribuintes ';',Ckt,k5 JÁ) , A 2). 2,i1j5r7 Processo n2 : 19647.001106/2003-12 Recurso o' : 129.402 IChennio. UZ M;t1 ICT • tr,• • 1)! ?I • •Acórdão n2 : 201-79.470 Também não prospera o argumento de não apreciação de provas apresentadas, por falta de objeto, posto que a recorrente não as apresentou, limitando-se a apresentar três laudas de impugnação e cópia do auto de infração. Também não há razão para que este processo fique sobrestado, até o julgamento do processo de IRPJ, visto não se tratar de lançamento decorrente ou reflexo, o qual poderia sofrer influência do julgamento do principal. No presente caso são processos distintos e o seu julgamento encontra-se na competência do Segundo Conselho de Contribuintes, consoante o art. 82, inciso LH do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria ME n2 55/98, com redação dada pelo art. 2 2 da Portaria ME n2 1.132/02. Refinando todos os argumentos aduzidos na preliminar, passo a análise do mérito, deixando de tecer novas considerações quanto ao arbitramento, posto que, conforme demonstrado anteriormente, no presente lançamento este fato não se verifica. Relativamente ao argumento de a lei n2 9.718/98, ser ilegal e inconstitucional, os órgãos de julgamento administrativo não podem negar vigência à lei com base em alegações de _inconstitucionalidade,_ pois a norma jurídica emanada do órgão legiferante competente goza_ de presunção de constitucionalidade :que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, no exercício da competência exclusiva que lhe foi conferida pela Constituição Federal (arts. 97 e 102 da CF/88). Ademais, é defeso a este Colegiado apreciar inconstitucionalidade, à luz do disposto do art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, verbis: "Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1- que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; 11- objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; JJJ - que embasem a exigência do crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal" Quanto à alegação de que a multa de oficio ser inconstitucional pelo seu caráter confiscatório, além do fato de que não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição de inconstitucionalidade de lei, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la posto que o lançamento é uma atividade vinculada. Do mesmo modo, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios decorre de Lei, conforme se demonstrará. A Lei n2 8.981 de 23/01/1995 estabeleceu, o seu art. 84, I, que os ft 6 `V .• Ministério da Fazenda NIF • SEGUNDO CON3EL!- :5 cer.m.vcuims 2° CC-MF Ft. -spr'„5---„ko.r Segundo Conselho de Contribuintes j COnf-EZE ". . • 3.aclq S ita:3. 0249 Pope Processo n2 : 19647.001106t2003-12 f 15Recurso n2 : 129.402 Sucii IblentUR * ,1,:n titSi.:4 Cruz Acórdão n2 : 201-79.470 t M.J1 juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Divida Mobiliária Federal interna. A MP n° 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora, estabelecendo que os mesmos seriam equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), com aplicação a partir de 01/04/1995. A MP n2 972, de 22/04/1995, convalidou aMedidaProvisória anterior e, fmalmente,- - a Lei n2 9.065 de 21/06/1995, no seu art. 13, reafirmou o art. 13 das duas Medidas Provisórias retro mencionadas. Por último, os juros Selic foram ratificados pela Lei n2 9.430, de 27de dezembro de 1996, art. 61. Como se verifica, a adoção da taxa de referência Selic como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta a Lei n2 5.172, de 1966, art. 161, § 1 2. Portanto, não é ilegal a sua cobrança e não existe até a presente data decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. Finalmente, quanto às notas fiscais trazidas aos autos, por ocasião do recurso, para que seja comprovado, por amostragem, o abuso da exigência feita em desacordo com o ordenamento jurídico vigente, não cabe qualquer providência, a uma por não haver sido apresentada qualquer prova concreta com relação de causa e efeito de um fato que se pretende demonstrar. A duas pela intempestividade de sua apresentação; conforme dispõe o § 4 2 do art. 16 do Decreto n2 70.235/72, alterado pela Lei n2 9.532/97, verbis: "A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destina-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos." Como o caso não se refere a nenhuma das exceções permitidas pelo dispositivo acima citado, admitir qualquer prova após a impugnação seria ferir a referida norma. Ademais, conforme dito anteriormente, a recorrente se limitou a apresentar uma quantidade elevada de notas fiscais de fls. 127 a 3196, referentes ao mês maio/1999, sem que tivesse a preocupação de demonstrar ou indicar qualquer fato concreto que justifique a necessidade de trazê-las aos autos. Isto posto, nego provimento ao recuso voluntário mantendo a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006. MA • 'CIO TAVE SILVA dl; 7 Page 1 _0086700.PDF Page 1 _0086900.PDF Page 1 _0087100.PDF Page 1 _0087300.PDF Page 1 _0087500.PDF Page 1 _0087700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.906590/2009-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.906590/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.383 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria Compensação Darf pagamento indevido Recorrente MEDEIROS E GUIMARÃES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA (M G ENGª ELÉTRICA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 90 /2 00 9- 94 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.719/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 78 a 84, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 1/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 1/2001, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906590/200994 Acórdão n.º 1801001.383 S1TE01 Fl. 3 3 VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 22; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 292, 289, 294, 290, valor total de R$ 35.683,91, às fls. 31, 36, 44, 56; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 33/35, 38/43, 46/51, 53/55, 57/72, e 74; d) cópias de notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de serviços, numeração 406, 404, 409, 408, 410, valor total de R$ 6.480,25, às fls. 32, 37, 45, 52, 73. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. As notas fiscais de transferência de mercadorias para prestação de serviços, por seu turno, referemse às respectivas notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, conforme indicação expressa no campo "informações complementares". Assim, apenas os valores das notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais devem ser incluídos no cômputo da receita bruta, sob pena de duplicidade. Consta do documento intitulado “planilha de cálculo do IRPJ devido” informação de que parte da receita bruta estaria sujeita ao cálculo do IRPJ presumido por aplicação do percentual de 32%. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Todavia não foram apresentadas as respectivas notas fiscais, o que impossibilita conhecimento da natureza das supostas operações, e respectivos valores. De outra parte, com base nos demais elementos probatórios, elaborase o seguinte demonstrativo: [...] Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 87; Recurso – 18/03/11, fls. 88) o Recurso de fls. 88 a 98, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906590/200994 Acórdão n.º 1801001.383 S1TE01 Fl. 4 5 Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906590/200994 Acórdão n.º 1801001.383 S1TE01 Fl. 5 7 A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906590/200994 Acórdão n.º 1801001.383 S1TE01 Fl. 6 9 papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906590/200994 Acórdão n.º 1801001.383 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13204.000021/2005-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO.
O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 21 /2 00 5- 01 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS no regime não cumulativo, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 01/10/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. Conforme se depreende do Parecer SAORT e do Relatório de Diligência acostado ao processo nº 13204.000015/200546, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes nos créditos apurados pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 264/2003 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes nos valores dos créditos a descontar referente ao ativo imobilizado (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03), em razão de o contribuinte ter feito a opção em setembro de 2005 e ter retroagido os cálculos ao mês de maio de 2004; (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal); d) No mês de janeiro de 2005 foi retificado o saldo de crédito presumido disponível para desconto relativo ao estoque de abertura; (item 5 do Relatório de diligência Fiscal); Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 13 3 e) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo do contribuinte, sendo os valores da memória de cálculo ajustados pela fiscalização de acordo com o percentual de rateio relativo aos mercados interno e externo (40% e 60%, respectivamente); (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); f) Em março de 2005 houve retificação das bases de cálculo informadas no DACON em decorrência de lançamentos constantes da conta 420200, retificados pela fiscalização conforme balancetes disponibilizados pelo contribuinte; (item 7 do Relatório de Diligência Fiscal) g) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de variações monetárias ativas (receitas financeiras) não oferecidas à tributação. Não há direito ao crédito quanto às perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras que não são decorrentes de empréstimos ou financiamentos obtidos de pessoas jurídicas e nem se enquadrarem nas hipóteses legais de dedução da base de cálculo (art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03); (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); i) Foi corrigido erro nos DACON transmitidos, pois o contribuinte não informou ou informou incorretamente valores objeto de compensação em Decomp, referente a alguns meses do ano de 2005, gerando saldos de créditos indevidos de um mês para o mês seguinte. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é ilegal incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois além das receitas financeiras não comporem o faturamento, a previsão legal contida no art. 3º, V, da Lei nº 10.637/02 é no sentido da sua dedução; b) a pretensão fiscal tem lastro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que foi declarado inconstitucional pelo STF; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) quanto aos créditos tomados sobre as aquisições para o ativo imobilizado, alegou que com o advento do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, passou a existir o direito de apurar o crédito relativo à aquisição de máquinas, equipamentos e bens afins de acordo com o valor de aquisição dos mesmos, no prazo máximo de quatro anos; f) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Finalmente, quanto à apropriação de créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, ficou decidido que o contribuinte, tendo exercido a opção por tomar o crédito sobre o custo de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 aquisição em setembro de 2005, não poderia ter adotado base de cálculo com efeito retroativo ao mês de maio de 2004. O pedido de perícia foi rejeitado em face da DRJ ter considerado a providência desnecessária. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 04/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012. Em relação à matéria argüida na impugnação e enfrentada pela DRJ, alegou em síntese o seguinte: a) ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição e a ilegalidade da glosa efetuada quanto aos serviço de remoção de rejeitos industriais e do material refratário, em face do conceito de insumo que deve nortear a aplicação da legislação das contribuições nãocumulativas; b) em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2004 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; c) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; d) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. As demais alegações contidas no recurso voluntário não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou não foram objeto de impugnação por parte da recorrente. Requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 14 5 Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições (inclusão das receitas financeiras provenientes de variações cambiais), quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários e quanto à glosa do crédito tomado sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado. As questões levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou que não foram objeto da manifestação de inconformidade não serão tratadas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, a fiscalização consignou no item 8 do relatório de diligência o seguinte: “(...) 8 No que concerne aos lançamentos a débito das contas de receita 410102 (Alumínio Brasileiro S/A.ALBRAS) e 410107 (Cia. Vale do Rio Doce CVRD), meses de janeiro à março, bem como, na conta 421111001, meses de abril à dezembro, em atendimento ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), o contribuinte informou que referese a ajustes de preços decorrentes da venda de produtos no mercado interno, em face de sua fixação em moeda estrangeira e/ou desvios de características físico/químicas. Verificado pela fiscalização os termos do contrato de fornecimento de Alumina, celebrado com a empresa ALBRAS (em anexo), observase que tais ajustes tem a natureza de descontos condicionais (despesas financeiras), em função da variação (decréscimo) da taxa do dólar ocorrida entre a data da emissão da Nota Fiscal de Venda e o recebimento do preço pactuado (cláusulas 12.3 e 12.4). Ainda que acordado entre as partes a emissão de documento complementar posterior à entrega dos bens, tal convenção não descaracteriza a natureza de variação monetária. Nestas situações, impõese a tributação do ganho (receita financeira), não dando direito a créditos as perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas, tão pouco se enquadram como parcelas não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS, de que tratam o art. 1º , § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verbis: (...) omissis... Desta forma, os lançamentos identificados no Livro Razão (cópias em anexo) sob os históricos ajuste de preço/alumina/venda e acerto faturamento, bem como, os correspondentes tributos/contribuições ICMS/PIS/COFINS (ajuste/acerto), utilizados pelo contribuinte como parcelas redutoras das vendas no mercado interno, foram adicionados à BC por ele informada nos DACON's transmitidos à RFB (planilha em anexo). (...)” Em relação a este item da recomposição das bases de cálculo da contribuição devida, o contribuinte se limitou a invocar no recurso voluntário a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte se limitou a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 15 7 basicamente receitas financeiras decorrentes de contratos cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, no caso concreto, tanto a discussão sobre a constitucionalidade da tributação das receitas financeiras, quanto a questão do momento do reconhecimento contábil dessas receitas são irrelevantes, uma vez que para o ano calendário de 2005 a alíquota do PIS e da Cofins sobre as receitas em questão foi reduzida a zero pelos Decretos nº 5.164, de 30 de junho de 2004 e pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005. Portanto, a adoção do entendimento contido no Acórdão 340301.503 quanto ao momento do reconhecimento contábil da receita financeira proveniente da flutuação do preço da moeda estrangeira não resultará em nenhum efeito prático sobre este processo. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 16 9 alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto que não integre o custo de produção. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito junto com a lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas apenas sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Quanto ao ajuste nos créditos tomados sobre a despesa de depreciação com base na opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, o único óbice oposto pela fiscalização foi o exercício da opção por parte do contribuinte no mês de setembro de 2005 com efeito retroativo a abril de 2004. No item 4 do Termo de Diligência, anexo ao processo 13204.000015/2005 46, a fiscalização consignou o seguinte: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 17 11 “(...) 4 No mês de setembro de 2005, a base de cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado [PIS (FICHA 06 / LINHA 10); COFINS(FICHA 12 / LINHA 10)] foi informada pelo contribuinte nos valores de R$ 24.862.400,49 (mercado interno) e R$ 38.887.344,36 (mercado externo), perfazendo um total de R$ 63.749.744,85. A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo (em anexo) revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 anos, adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. Tendo exercido a opção no mês de setembro de 2005, a base de cálculo (R$ 63.749.744,85) utilizada pelo contribuinte (planilha em anexo) reflete efeitos retroativos ao mês de maio/2004, resultado do somatório de 1/48 das aquisições efetivadas entre os meses de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 66.778.984,50), diminuídos os valores dos créditos informados nos DACON's referentes aos meses de agosto à dezembro/2004 (R$ 359.286,67), janeiro à março/2005 (R$ 1.001.232,73), abril/2005 (R$ 333.744,24), maio/2005 (R$ 333.744,24), junho/2005 (R$ 333.744,24), julho/2005 (R$ 333.744,24) e agosto/2005 (R$ 333.743,24). Tal procedimento vai de encontro ao previsto nas normas legais que regem a matéria, senão vejase: "Lei nº 10.833/03 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VImáquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (...) § 14 Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular crédito de que trata o inciso III do § 1 a deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com a regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n s 10.865, de 2004)" (grifos nossos) "Instrução Normativa SRF ns 457/04 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nQ 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei na 4.506. de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º. para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado: Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º9 devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: II de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; (...) § 2° Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens nele referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Art. 7º Considerase efetuada a opção de que tratam os §§ 2º dos arts. 1º e 3º, de forma irretratável, com o recolhimento das contribuições apuradas na forma neles previstas" (grifos nossos) Com efeito, a melhor exegese que se extrai dos textos legais retrocitados é a de que a opção exercida tem caráter irretratável, com efeitos ex nunc. Tratandose de bens parcialmente depreciados, a regulamentação dispõe que as alíquotas a serem aplicadas (1,65% e 7,6%) deverão recair sobre 1/48 do valor residual. Aplicarseá idêntica interpretação ante à inexistência de depreciação, quando da opção, qual seja, cálculo dos créditos com base em 1/48 do valor de aquisição do bem. Ressalta se que, em qualquer caso, o aspecto temporal deverá ser observado, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 4.506/64, o qual condiciona o reconhecimento da depreciação a partir da época em que o bem é posto em serviço ou em condições de operar. Deste modo, considerandose que o contribuinte, na apuração das contribuições PIS/COFINS referente ao mês de setembro/2005, adotou por opção a sistemática prevista no art. 1º , § 2º , inciso I da IN SRF nº 457/04, refezse a base de cálculo (BC) dos créditos atinentes aos meses de setembro à dezembro de 2005, com base na memória de cálculo por ele disponibilizada, a saber: possibilidade de desconto dos créditos em 4 anos, a partir do mês de setembro (opção), tomandose o custo de aquisição acumulado de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 516.382.102,56), diminuído dos valores já descontados pelo sujeito passivo ( R$ 3.029.239,60 ) e rateandose o saldo em 48 meses (R$ 10.694.851,31). Adicionandose 1/48 da aquisição de setembro/2005 (R$ 457.004,90), resulta em uma BC mensal de R$ 11.151.856.21 (planilha em anexo). (...)” Verificase, assim, que a fiscalização não questionou nem o direito à opção e tampouco o direito à depreciação em quatro anos. Apenas questionou o critério retroativo que o contribuinte imprimiu quando da opção pela forma de cálculo do crédito com base no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/2003. Contra o critério adotado pela fiscalização, o contribuinte argumento com a Lei nº 11.196/2005 que previu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras. A alegação é improcedente, pois se o contribuinte entende que tinha direito à depreciação acelerada de um ano deveria ter optado por esse regime e não pela depreciação em quatro anos. A fiscalização apenas corrigiu o cálculo da opção efetuada pelo próprio contribuinte em depreciar os bens em quatro anos (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000021/200501 Acórdão n.º 3403002.028 S3C4T3 Fl. 18 13 Ademais, a alegação do contribuinte veio desacompanhada de provas no sentido de que os bens em relação aos quais a fiscalização fez a correção da apropriação da despesa de depreciação, se enquadravam nos Decretos nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13807.005089/2004-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado,
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 134 1 133 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.005089/200407 Recurso nº Resolução nº 3201000.326 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24/04/2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SAO PAULO. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.005089/200407 Resolução n.º 3201000.326 S3C2T1 Fl. 135 2 A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face de indeferimento do Pedido de Restituição formulado e conseqüente não homologação das compensações vinculadas ao presente processo. O Pedido de Restituição foi recepcionado em 12/07/2004 (fl. 01), referindose à multa moratória em razão de atrasos nos recolhimentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código 2172), contribuição para o PIS/PASEP (sobre faturamento – código 8109, e não cumulativo – código 6912), efetuados no período de 30/09/1999 a 22/12/2003, conforme planilha anexada à fl. 18 e DARF (cópias às fls. 19 a 66). Vinculado ao presente processo foi apresentado o PER/DCOMP de nº 42738.02658.190704.1.3.042709, informando a compensação dos seguintes débitos (fls. 69 a 72): Tributo Código Vencimento Valor pleiteado Cofins 2172 15/08/2001 3.566.154,40 PIS/PASEP 8109 15/08/2001 899.945,17 Cofins 2172 13/07/2001 952.892,96 Analisando o pleito, a Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório de fls. 74 a 82, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações declaradas, conforme sintetizado abaixo: Trata o presente processo de Pedido de Restituição no montante de R$ 8.905.928,50, referente às multas de mora e juros dos pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, referentes aos períodos de apuração de julho/1999 a outubro/2003, recolhidos em atraso. Com base nos créditos que pleiteia, busca a extinção dos débitos relativos a tributos administrados pela SRF, relacionados em Declaração de Compensação eletrônica de nº 42738.02658.190704.1.3.042709, transmitida à Receita Federal em 19/07/2004. A requerente entende que a multa de mora foi paga indevidamente, uma vez que a exclusão da responsabilidade por infrações, em virtude de denúncia espontânea, a que alude o art. 138 do CTN, atingiria a multa de mora. O art. 138 do CTN integra a Seção IV (Responsabilidade por Infrações) e guarda uma relação lógica com os dois artigos precedentes (136 e 137), que tratam das responsabilidades objetiva e pessoal do agente. Tais dispositivos dizem respeito somente à multa punitiva, decorrente de infração à legislação tributária. O art. 161 do CTN estabelece que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, sejam elas de natureza moratória ou penal. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.005089/200407 Resolução n.º 3201000.326 S3C2T1 Fl. 136 3 O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração, ficando o fisco impedido de lançar a multa de ofício (multa de natureza penal), mantendose, no entanto, a obrigação de pagar a multa moratória (multa de natureza indenizatória), devida desde o dia seguinte ao do vencimento do cumprimento da obrigação principal. No ordenamento jurídico vigente, o legislador criou a multa de mora para coibir o descumprimento dos prazos legais para pagamento dos tributos. A interpretação de que o art. 138 do CTN impede a aplicação da multa de mora retiraria toda a imperatividade da norma que fixa prazos para recolhimento de tributos/contribuições. O vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Os artigos 161 e 134, do CTN, evidenciam que o próprio Código Tributário Nacional tratou da multa moratória, sendo incongruente interpretar que o art. 138 a exclui na hipótese em que esta é cabível. O art. 138 faz parte do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do Título II (Obrigação Tributária), referindose ao chamado arrependimento eficaz, em que se dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo/contribuição desfaz a irregularidade. Tratandose de multa de mora, a irregularidade é o descumprimento do prazo, e esta não de desfaz com o pagamento extemporâneo. A doutrina, consoante entendimentos expressos por consagrados tributaristas, como Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1986, p. 322/3) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, 4ª ed., Resenha Tributária, p. 453), temse pronunciado no sentido de ser de natureza indenizatória a multa de mora, cabível nos pagamentos efetuados em atraso. O instituto da denúncia espontânea exclui a responsabilidade por infrações, afastando a penalidade aplicável ao contribuinte infrator, por este ter agido espontaneamente, não se aplicando à multa de mora, que não tem a natureza jurídica de penalidade. Os julgados administrativos, do Conselho de Contribuintes (Acórdãos de nºs 10807268, de 30/01/2003, 10244873, de 20/06/2001, 105 13378, de 10/11/2000, 10512822, de 13/05/1999, 10610930, de 23/09/1998, 10512478, de 16/07/1998), e também o Judiciário (decisão proferida no MS de nº 96.03.0768286, DJ2, de 30/10/1996, p. 82911), têm confirmado este entendimento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.005089/200407 Resolução n.º 3201000.326 S3C2T1 Fl. 137 4 Diante do exposto, indeferese o pedido de restituição e não se homologa a declaração de compensação nº 42738.02658.190704.1.3.042709. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 15/02/2008 (fl. 83, verso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86 a 90), em 14/03/2008, com as seguintes alegações, em síntese: Em face de diversos julgados emitidos pelo Superior Tribunal de Justiça, bem como decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda requereu restituição, nos termos da Instrução Normativa da SRF nº 210, de 2002, dos valores pagos a maior em virtude de cobrança de multa moratória, em discordância expressa ao que reza o artigo 138 do Código Tributário Nacional. A liquidez e certeza do direito da requerente decorrem da norma expressa no artigo 138 do CTN. A doutrina e a jurisprudência têm respaldado uma interpretação teleológica do art. 138 do CTN, sempre direcionada ao estímulo do saneamento das irregularidades no plano fiscal por meio da atuação do próprio sujeito passivo da obrigação tributária, antecipando o recolhimento aos cofres públicos. Como já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, estabelecer penalidades em denúncia espontânea, no caso em tela, a exigência de multa moratória e o acréscimo financeiro, seria “desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirado da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita” (RESP nº 9.421 – PR). A outorga da possibilidade do recolhimento espontâneo do tributo devido, sem incidência de penalidades, antes de qualquer procedimento fiscal, muito se assemelha à figura do arrependimento eficaz previsto no art. 15 do Código Penal. Ao propiciar o recolhimento do tributo e de seus consectários legais sem imposição de penalidades, o art. 138 do CTN estimula o adimplemento voluntário da obrigação tributária sem qualquer prejuízo à Fazenda Pública Federal, à medida que o tributo é recolhido devidamente corrigido e acrescido de juros moratórios. Desgarrada das finalidades do art. 138 do CTN, a Fazenda Pública Federal ainda sustenta diferença de tratamento, sob a ótica desse dispositivo, entre a multa moratória e a punitiva, como se aquela não correspondesse também a uma sanção pela violação do dever de pagar pontualmente o tributo, tal como a penalidade imposta pelo acréscimo financeiro decorrente da impontualidade. Não há como distinguir a multa moratória de outros tipos de multa para fins de sua exclusão do âmbito do artigo 138, à medida que o vocábulo infração, nele inserido, é suficientemente amplo para abranger todo e qualquer tipo de violação da lei tributária ao qual se vincula. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.005089/200407 Resolução n.º 3201000.326 S3C2T1 Fl. 138 5 O pagamento fora do prazo imposto pela norma tributária importa na sua infringência, havendo, pois, uma infração pela qual responde o contribuinte se não efetuar a sua denúncia espontânea com as providências previstas no mesmo artigo 138 do CTN. Na doutrina essa questão tem sido muito debatida, entendendose inexistir distinção, para fins de incidência desse dispositivo legal, entre as multas moratórias e as indenizatórias. Dentre os tributaristas que versaram a matéria destacase Sacha Calmon Navarro Coelho (Comentários ao Código Tributário Nacional, 2ª edição, Forense, 1998, p. 335), Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, p. 261) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, p. 438). Outra não é a orientação da jurisprudência, como na decisão do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 106.068 – SP, relatado pelo Ministro Rafael Mayer, e em inúmeras decisões do E. Superior Tribunal de Justiça, cujas ementas transcreve. Conclui pelo acolhimento do pedido de restituição e requer a total reforma da decisão que o indeferiu. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI nº 20.101, de 15/01/2009: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/2003 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. E incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em consequência, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP eletrônica, vinculada ao crédito pleiteado. Solicitação Indeferida Intimado da decisão, a recorrente PROAD interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A recorrente, com base no instituto da denúncia espontânea, buscou compensar créditos decorrentes de pagamento em atraso de contribuições diversas, como PIS e CSLL com outros tributos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.005089/200407 Resolução n.º 3201000.326 S3C2T1 Fl. 139 6 As decisões até o momento foram denegatórias, sob alegação de que não é cabível o instituto da denúncia espontânea para as chamadas multa moratórias. O STJ já assentou o entendimento de que as multas moratórias somente podem ser passiveis de repetição se o contribuinte não houver declarado o valor do trinuto para a Fazenda. Esta decisão está submetida ao rito dos recursos repetitivos, ou seja, este Colegiado deve seguila. Entretanto, da análise dos autos não é possível verificar se os referidos débitos pagos em atraso foram ou não declarados antes do seu pagamento. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora informe se os tributos pagos em atraso foram informados em declaração para a RFB antes do pagamento ou se primeiro houve o pagamento e depois a declaração. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 24 de abril de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 18088.000548/2010-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 30/04/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. A contradição que rende ensejo aos embargos de declaração deve ser verificada entre as premissas e a conclusão do acórdão. Se a conclusão do acórdão está escorada em premissa falsa e sem justificativa racional, o caso é de obscuridade, que deve ser sanada acolhendo-se os embargos. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-001.603
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para: I) sanar a obscuridade do Acórdão nº 3403-001.334 e suprir as demais omissões verificadas; e II) no mérito, alterar o resultado do julgamento consignado no acórdão embargado que passa a ser “por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.”
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CONTRADIÇÃO. A contradição que rende ensejo aos embargos de declaração deve ser verificada entre as premissas e a conclusão do acórdão. Se a conclusão do acórdão está escorada em premissa falsa e sem justificativa racional, o caso é de obscuridade, que deve ser sanada acolhendose os embargos. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para: I) sanar a obscuridade do Acórdão nº 3403001.334 e suprir as demais omissões verificadas; e II) no mérito, alterar o resultado do julgamento consignado no acórdão embargado que passa a ser “por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso.” Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3403001.334, sob o argumento de que o julgado estaria eivado de contradição. A ementa do acórdão, na parte em que interessa à solução destes embargos está redigida de seguinte forma: “(...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. LIMITE DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REFORMATIO IN PEJUS.IMPOSSIBILIDADE. Na discussão do lançamento fiscal, o âmbito da competência de julgamento da DRJ é balizado pelos fundamentos do lançamento e os fundamentos da impugnação do contribuinte, não se podendo cogitar do agravamento do lançamento por ato da própria DRJ, na medida em que não tem competência para o lançamento. Recurso parcialmente provido, para cancelar o agravamento da multa promovido pela DRJ.” (...)” Alegou a Procuradoria que o colegiado desqualificou a multa de ofício, sob o argumento de que a DRJ teria agravado a exigência em sede de julgamento, conforme o seguinte excerto extraído do voto condutor: “(...) A competência da DRJ limita‑ se ao julgamento, isto é, à apreciação dos fundamentos de defesa apresentados pelo contribuinte, podendo, se for o caso, anular a decisão em razão de alguma ilegalidade ou recomendar à Autoridade Fiscal alguma complementação. Embora integre a Administração Tributária em seu sentido largo, a competência da DRJ é de julgamento, competindo‑ lhe, pois, a análise das defesas apresentadas pelos contribuintes. Está dentro de suas possibilidades a revisão da legalidade dos atos administrativos impugnados pelo contribuinte, mas não pode tomar o lugar da própria Autoridade Fiscal, refazendo a deliberação administrativa por meio da revisão de seus critérios, refazendo o trabalho da autoridade competente. Neste caso, como visto no relatório, a DRJ se arvorou em agravar a multa de 75% para 150%, por ato próprio. Falece à Autoridade Julgadora qualquer competência no sentido de pretender agravar a situação do contribuinte, por meio da revisão dos fundamentos adotados pelo Auditor Fiscal competente para promover o lançamento. Entendo, por isso, que deve ser reformado o acórdão da DRJ, restabelecendo a multa de 75% aplicada pelo Auto de Infração, porquanto tal multa não poderia ser agravada pela DRJ.(...)” Entretanto, segundo a Procuradora da Fazenda Nacional, esta não é a conclusão que se extrai dos autos, pois na descrição dos fatos de fls. 05/06, no termo de descrição complementar detalhada dos fatos de fls. 07/16, assim como no demonstrativo da Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.000548/201082 Acórdão n.º 340301.603 S3C4T3 Fl. 2 3 multa de dos juros de mora de fls. 20/21, se pode verificar que a multa qualificada foi originariamente lançada no patamar de 150% pela autoridade incumbida do lançamento e não pela DRJ. Requereu o acolhimento dos embargos para o fim de que seja sanado o vício acima apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a licença do Conselheiro Ivan Allegretti, relator originário deste processo, passo a relatar os embargos de declaração da Fazenda Nacional. A ilustre Procuradora da Fazenda Nacional sustentou a existência de contradição entre a conclusão do colegiado e a realidade fática dos autos, pois a decisão no sentido de desqualificar a multa de ofício foi baseada em premissa não condizente com a realidade. A contradição mencionada no art. 65 do RICARF que rende ensejo aos embargos de declaração é aquela verificada entre as premissas da decisão e sua conclusão, e não entre esta e a realidade dos autos. No caso concreto, o pressuposto para os embargos não é a contradição, mas sim a obscuridade, uma vez que não se sabe o que levou o relator a estabelecer como premissa do seu raciocínio que a DRJ havia agravado a exigência da multa. Além da obscuridade evidente apontada pela Fazenda Nacional, ao cotejar o recurso voluntário com o acórdão embargado, constatase também que houve omissão quanto à apreciação de argumentos contidos no recurso, a qual necessita ser sanada por meio deste julgamento. Conforme se verifica nas fls. 14 a 16 dos autos, a própria fiscalização qualificou a infração constatada no item B.1 do termo de constatação, descrita como “DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO”. Conforme se observa no demonstrativo que existe na fl. 13, nos períodos de apuração de abril a julho de 2006, os saldos devedores existentes no livro modelo 8 variaram entre R$ 72.477,90 e R$ 91.572,44. Entretanto, para todos esses períodos foi declarado em DCTF sempre o valor fixo de R$ 10,00. Quanto aos períodos de agosto e setembro de 2006, os saldos escriturados no livro modelo 8 foram de R$ 71.258,71 e R$ 48.476,75, respectivamente, enquanto que os valores declarados em DCTF foram de R$ 2.137,76 e R$ 1.454,30, respectivamente. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A conduta reiterada de declarar em DCTF valores ínfimos, diferentes dos valores realmente apurados na contabilidade, foi enquadrada pela fiscalização no art. 71 da Lei nº 4.502/64, como sonegação, o que resultou na qualificação da multa de ofício. Verificase, assim, que o acórdão embargado está eivado do vício de obscuridade, pois o relator não esclareceu em que se baseou para estabelecer como premissa de seu raciocínio que foi a DRJ quem agravou a multa de ofício. Considerandose que este foi o único fundamento utilizado pelo acórdão embargado para desqualificar a multa, e, tendose constatado que está fundado em premissa que não tem existência real, cumpre analisar os argumentos trazidos em sede de recurso pelo contribuinte. Nesse passo, alegou a defesa que seu procedimento foi o mesmo para os meses de abril a dezembro de 2006 e que as diferenças se referem a mero erro formal, pois apesar de efetuar o crédito com base nas debêntures da Eletrobrás, deixou de informar o fato no campo relativo a “outros créditos” no livro modelo 8 nos meses de abril a julho. A alegação de mero erro formal não pode ser aceita, pois não é crível que nos períodos compreendidos entre abril e julho o contribuinte tenha “esquecido” de registrar o crédito apropriado no livro modelo 8, mas tenha “lembrado” de declarar o valor mínimo nas DCTF entre abril e julho. O crédito de IPI só existe se estiver escriturado. Se não for escriturado ele não tem existência jurídica. Ademais, não é crível que o esquecimento do contribuinte durante quatro meses seguidos e os créditos que teriam sido considerados mentalmente pelo contribuinte no momento de preencher as DCTF tenham produzido saldos devedores equivalentes a exatamente R$ 10,00. Dez reais é o valor mínimo de pagamento por meio de DARF e existindo pagamento antecipado, por menor que seja, o contribuinte garante a contagem do prazo de decadência pela regra do art. 150, § 4º do CTN, o que restringiria o prazo para o fisco descobrir e lançar diferenças por eventuais irregularidades cometidas. Desse modo, o contribuinte durante seis meses seguidos (abril a setembro de 2006) prestou declaração inverídica ao fisco, incidindo na conduta prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64 o que justifica a inflição da multa de ofício qualificada, devendo ser revista nesta parte a exoneração promovida pelo Acórdão nº 3403001.334. No mais, o acórdão embargado foi omisso quanto à apreciação dos seguintes argumentos: 1) ofensa a princípios constitucionais em razão da declaração de concomitância entre os processos administrativo e judicial; 2) nulidade da decisão da DRJ por não ter analisado argumentos da impugnação; e 3) inexistência de concomitância entre o processo judicial e o administrativo. No que tange à alegação de ofensa a princípios constitucionais, e aqui se incluem os princípios que supostamente teriam sido violados pela inflição da multa de ofício qualificada, é entendimento pacífico nesta instância que não cabe aos órgãos administrativos de julgamento decidirem acerca da inconstitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. Relativamente à nulidade da decisão da DRJ pela falta de apreciação de argumentos, o confronto da impugnação de fls. 461 a 471 com o acórdão da DRJ revela que a alegação do contribuinte é improcedente. A uma porque as alegações que estão abrangidas pelo Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 18088.000548/201082 Acórdão n.º 340301.603 S3C4T3 Fl. 3 5 processo judicial não podem ser analisadas na via administrativa, em face do princípio da unidade da jurisdição. E, a duas, porque em relação às matérias diferenciadas o acórdão da DRJ apreciou e rechaçou toda as alegações do contribuinte. Observase que nada foi alegado quanto à exigência de juros de mora. Por fim, quanto à alegação da inexistência de concomitância entre o processo judicial e o administrativo, o próprio recorrente admitiu o fato da concomitância na fl. 501 do recurso, in verbis: “(...) Conforme amplamente demonstrado na Impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a Ação Declaratória n° 2006.61.15.0007489, em trâmite na 19 Vara Federal em São Carlos, SP, busca a recorrente a declaração judicial da validade de diversas "Obrigações ao Portador" de números 0423248,0423252, 0423253, 0423254, todos da Série "H", de que detém posse e direito creditório, bem como reconhecido seu direito ao ressarcimento dos valores pelas mesmas representados, mediante procedimento de creditamento ou compensação com os diversos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive do IPI. (...)” Portanto, o direito de utilizar os valores das obrigações da Eletrobrás a crédito na escrita do IPI é objeto do processo judicial e também objeto deste processo administrativo, no qual a fiscalização glosou os referidos valores da escrita fiscal nos períodos de outubro, novembro e dezembro de 2006, fato que justifica a aplicação do Ato Declaratório Normativo nº 3/96, que, ao contrário do alegado, tem amparo legal no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80. Com estas considerações, voto no sentido de: I) acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a obscuridade do Acórdão nº 3403001.334 e suprir as demais omissões verificadas; e II) no mérito, alterar o resultado do julgamento consignado no acórdão embargado que passa a ser “por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso”. Antonio Carlos Atulim Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.722362/2011-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO RECEBIMENTO DOS VALORES EM DECORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA COMPROVADA NOS AUTOS.
O regime de caixa, a que se sujeita o IRPF, impede a tributação, por não ocorrência do fato imponível, de valores decorrentes de ação judicial comprovadamente não recebidos pelo sujeito passivo.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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NÃO RECEBIMENTO DOS VALORES EM DECORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA COMPROVADA NOS AUTOS. O regime de caixa, a que se sujeita o IRPF, impede a tributação, por não ocorrência do fato imponível, de valores decorrentes de ação judicial comprovadamente não recebidos pelo sujeito passivo. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que negavam provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 62 /2 01 1- 96 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, exercício 2010 (fls. 3/9), lavrada em decorrência da omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 46.010,78, que resultou no imposto suplementar de R$ 9.564,62, acrescido de multa de oficio, juros de mora e demais encargos legais. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente, sob fundamento de que conforme as informações prestadas pela Receita Federal e Banco do Brasil acompanhados de cópias do processo judicial, são suficientes para comprovar a titularidade sobre os valores tributados e que por outro lado, não foi verificada nenhuma prova no sentido de confirmar a alegação do Recorrente de que seu advogado não teria lhe transferido tais rendimentos (fls. 163/164). Nas razões de Voluntário (fl. 168/169), requer o cancelamento da multa sob a alegação de que desde o início do processo de fiscalização se prontificou a esclarecer o ocorrido. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Apesar de se tratar de rendimentos acumulados supostamente recebidos em decorrência de ação judicial, por versar a insurgência sobre tema diverso da forma de tributação dos rendimentos, ainda sob Repercussão Geral do STF (tema 368), passo à análise do mérito do recurso. Há provas suficientes nos autos quanto ao não recebimento dos valores, em virtude de apropriação indébita do advogado da causa (já falecido) e da ação judicial proposta com a finalidade de obter a respectiva indenização/restituição dos valores, ainda não transitada em julgado. Sendo o regime de tributação do imposto de renda pessoa física, o de caixa, portanto, a exigir o efetivo recebimento da renda mediante a disponibilidade econômica dos rendimentos tributáveis, inviável a tributação de valores comprovadamente não recebidos pelo sujeito passivo. Isso porque: “(...) o regime de caixa ignora mutações patrimoniais ainda não traduzidas em movimentação em moeda para dentro ou para fora do caixa (...)”. (Ricardo Mariz de Oliveira, Fundamentos do Imposto de Renda, p. 317). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722362/201196 Acórdão n.º 2802002.276 S2TE02 Fl. 184 3 Em sentido semelhante, 1ª. Turma Especial desta 2ª Seção, Acórdão 2801 01.441, em 16/03/2011: IRPF. REGIME DE CAIXA. AQUISIÇÃO DA DISPONIBILIDADE DA RENDA. A hipótese de incidência do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, de modo que os valores recebidos acumuladamente em ação trabalhista devem ser tributados no ano do efetivo recebimento pois somente neste exercício se tornaram efetivamente disponíveis ao sujeito passivo. Com efeito, o ilícito praticado pelo advogado da parte impediu o fluxo de aquisição da disponibilidade econômica dos valores pelo sujeito passivo, de sorte a evitar a ocorrência do fato imponível do imposto de renda pessoa física, submetido, nos termos do parágrafo único do art. 3º, da Lei n.º 9.250/95, ao regime de caixa. Ademais, seguindo à risca o regime de caixa e a possibilidade de tributação de aquisição ilícita da renda, tais valores deveriam ser cobrados do advogado do sujeito passivo, nunca do Recorrente que, comprovadamente não teve qualquer disponibilidade desses valores no anocalendário 2009. Qualquer outra interpretação iria de encontro ao conceito legal de renda e proventos de qualquer natureza do artigo 43 do CTN, ao regime de caixa do IRPF a que se refere o parágrafo único do art. 3º, da Lei n.º 9.250/95, além de implicar em desprezo ao princípio da capacidade contributiva e ao mínimo existencial. Cumpre lembrar, ainda, que os valores ilicitamente retidos pelo advogado da parte, se e quando recebidos em virtude de condenação judicial, deverão ser tributados no ano calendário do efetivo recebimento, à exceção de eventual condenação por danos morais que venha a acrescer ao dano material consumado (Súmula 498 do STJ). Só por esta razão, o presente crédito tributário não merece prosperar. A invocação do artigo 123 do CTN, utilizada como fundamento pela DRJ, não se aplica em hipótese na qual a relação travada entre os particulares inviabiliza a disponibilidade econômica da renda ou dos proventos de qualquer natureza, ou seja, o próprio fato imponível do tributo e decorre de ilícito comprovado, qual seja, a apropriação indébita dos valores. Não é possível chamar de “convenção entre particulares”, o cometimento de ilícito pelo procurador da parte, claramente impeditivo do recebimento em moeda dos valores a que o sujeito passivo fazia jus. Com efeito, até mesmo qualquer argumento no sentido de que os poderes de representação dados ao advogado da parte pelo sujeito passivo legitimariam a incidência do IRPF, não se sustentam em análise mais detalhada. É evidente que poderes especiais para realizar o levantamento dos valores não se confunde com apropriação indébita dos valores. O poder de representação se limita a autorizar a prática do ato de levantamento e imediato repasse. Qualquer outro ato além desse configura excesso de poderes de representação. A figura do procurador só se confunde com a do sujeito passivo na prática desse único ato. A ausência comprovada do repasse dos valores desloca a sujeição passiva do IRPF para a figura do procurador, dada a irrelevância da forma de percepção da renda, se lícita Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 ou não. Tal fato impede a tributação na pessoa daquele que ficou privado da disponibilidade econômica da renda, qual seja, o Recorrente. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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