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Numero do processo: 11686.000080/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 0/ 20 08 -1 3 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/04/2006 a 30/06/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no Mercado Interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de PIS NãoCumulativo Mercado interno, referente ao 2º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 6 5 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE 1CMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 9 8 Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000080/200813 Resolução nº 3302000.321 S3C3T2 Fl. 10 9 nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000777/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - SÚMULA VINCULANTE STF
Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei
1569/77 e os
artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Na hipótese dos autos, aplica-se
o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC
nos termos do art. 62-A,
Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF,
com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve
recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo
RDA - Relatório
de Documentos Apresentados no conexo processo nº
11444.000775/2010-62.
A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia
30.06.2010, o período objeto do auto de infração é de 04/2005 a 12/2009.
Dessa forma, constata-se
que já se operara a decadência do direito de
constituição dos créditos ora lançados até a competência 05/2005, inclusive,
nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração - GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da
MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com
incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é
fato gerador do auto-de-infração,
o qual se constitui, principalmente, em
forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por
finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.288
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 05/2005,
inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo RDA - Relatório de Documentos Apresentados no conexo processo nº 11444.000775/2010-62. A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia 30.06.2010, o período objeto do auto de infração é de 04/2005 a 12/2009. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 05/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração - GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo RDA Relatório de Documentos Apresentados no conexo processo nº 11444.000775/201062. A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia 30.06.2010, o período objeto do auto de infração é de 04/2005 a 12/2009. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 05/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 05/2005, inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 196 3 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 175 a 179, com Anexo às fls. 180 a 192, interposto pela Recorrente – QUINTANA CÂMARA MUNICIPAL apresentado contra Acórdão nº 1432.387 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Ribeirão Preto SP, fls. 149 a 151, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.256.2426, com ciência da Recorrente em 30.06.2010, às fls. 01, com valor inicial consolidado de R$ 28.500,00 sendo retificado para R$ 18.000,00. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 18, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 78, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a declaração – GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. O Relatório Fiscal da Infração aponta ainda que a Recorrente deixou de declarar em GFIP, no período de 04/2005 a 12/2009, a totalidade das contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre a remuneração paga a agentes políticos, exercentes de mandato eletivo Vereadores, e incidentes também sobre as rescisões de contrato de trabalho de segurados empregados, bem como a diferença de alíquota de 1% de RAT devida no período de 06/2007 a 13/2009, sobre a folha de empregados; omitindo também o código 84116/00 no campo CNAE PREPONDERANTE até 10/2008; já para as competências 01 a 12/2009 , informou erroneamente o campo CAT dos vereadores com o código 12, quando o correto é 19; e o NIT da vereadora Claudia Aparecida Colucci com o n° 12155433281, sendo correto o NIT n° 17007347620. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. Quanto à aplicação da multa, o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 19 a 21, informa que efetuou a aplicação da multa mais benéfica em função da Lei 11.941/2009 com a comparação com o art. 32A, lei 8.212/1991. Foi emitido o TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 5 a 6, contendo o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0811800.2010.002916. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é 04/2005 a 12/2009. A Recorrente teve ciência da AIOP no dia 30.06.2010, conforme fls. 01. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 197 5 Após análise dos autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP emitiu a Acórdão nº 1432.387 9ª Turma, fls. 149 a 151, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: Contribuições Sociais previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, GFIP com informações incorretas ou omissas. NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES POLÍTICOS. E segurado obrigatório da Previdência Social, na qualidade de empregado, o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, sendo devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração destes a partir de setembro de 2004. MULTA APLICADA. OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. RETIFICAÇÃO. Vislumbrase a ocorrência de bis in idem na aplicação da multa de ofício concomitantemente com a multa prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, com a retificação da multa aplicada, mantendo o crédito remanescente de R$18.000,00 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 175 a 179, com Anexo às fls. 180 a 192, reiterando as argumentações apresentadas em sede de primeira instância no processo nº 11444.000775/201062: (i) Da inconstitucionalidade. A Lei n° 9.506/97 instituiu a condição de segurado obrigatório aos exercentes de mandato eletivo, criando, de forma irregular, nova fonte de custeio da seguridade social por meio de lei Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 ordinária, quando era exigido lei complementar. Que mesmo com a nova redação dada ao artigo 195 da Constituição Federal dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, não se alterou a condição dos exercentes de mandato eletivo, entendendo que os mesmos não prestam serviços à Câmara Municipal, nem à Prefeitura ou ao Município, não podendo ser enquadrados como empregados. Menciona que o dispositivo da lei acima mencionada foi declarada inconstitucional pelo STF, editando, o Senado Federal, a resolução n° 16, suspendendo a sua execução. Menciona que a mesma inconstitucionalidade foi cometida na edição da Lei 10.887/04. Entende existir, ainda, outra inconstitucionalidade advinda do fato da lei ser originária de uma medida provisória, enquanto o artigo 62 da Constituição Federal veda a edição de medidas provisórias sobre matérias reservadas à lei complementar. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 194. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 198 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 194. DAS PRELIMINARES (a) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.256.2426 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 199 9 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 200 11 Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (b) Alegações de inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (c) Da decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 201 13 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 202 15 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000777/201051 Acórdão n.º 240301.288 S2C4T3 Fl. 203 17 § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente processo AIOA nº 11444.000777/201051 com o correlato processo de AIOP nº 11444.000775/201062. Na hipótese presente do correlato processo de AIOP nº 11444.000775/2010 62, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela Auditoria Fiscal pois o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 11, apresenta recolhimentos nas competências: 04/2007 a 04/2009. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar realizados pelo contribuinte, observandose que aplico tal regra desde que haja pelo menos 01 (um) recolhimento antecipado realizado pelo contribuinte em qualquer competência e que tal informação esteja disponível nos autos. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 30.06.2010 e o período objeto do auto de infração se refere a 04/2005 a 12/2009. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2005, inclusive. (d) Em relação ao segurado Cláudia Aparecida Colucci e ao segurado Vanderlei Meleiro. Analisemos. A Recorrente aduz que em relação aos segurados Cláudia Aparecida Colucci e Vanderlei Meleiro, a disposição legal exclui a obrigatoriedade de recolhimento à Previdência Social ao exercente de mandato eletivo pertencente a regime próprio. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Contudo, corroborando a manifestação da decisão de primeira instância, o vínculo referido pelo art. 12, I, j, Lei 8.212/1991 se refere ao vínculo com o próprio município. Ademais, a Recorrente não anexou aos autos a prova documental do vínculo desses segurados com o regime próprio do Município de Quintana. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar provimento parcial ao recurso, NAS PRELIMINARES, acolhendo a decadência até a competência 05/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10840.902876/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 02 87 6/ 20 09 -0 9 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902876/200909 Resolução nº 3401000.697 S3C4T1 Fl. 96 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação no valor atualizado de R$ 1.149,32, relativo a crédito de PIS, recolhido a maior em 31.3.2002. A DRF de Ribeirão Preto – SP, através de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, tendo em vista o fato de que o pagamento a maior indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no pedido de compensação. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: A totalidade do crédito apurado pela contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP é originária do indevido recolhimento da contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; É de domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. A contribuinte apresentou cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre as receitas não operacionais e financeiras. Destacou que se a autoridade julgadora entender necessária a realização de perícia contábil, os documentos da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu a homologação da compensação pleiteada. Além disso, solicitou que nas intimações e notificações constasse o nome do advogado da empresa. Em 22.4.2010, a 4ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos, pois tratase de fatos contábeis, que estão no campo de conhecimento do auditor fiscal. A perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Quanto à solicitação de que em todas as intimações e notificações conste o nome do procurador da contribuinte com o respectivo endereço, não há previsão legal para que a intimação ocorra em nome ou no endereço do procurador do sujeito passivo. No que tange à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, os efeitos da decisão do STF, citada pela contribuinte, se restringem às partes que figuram no processo, não beneficiando terceiros. De qualquer forma, mesmo que fosse reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, isso não significaria um reconhecimento automático do direito creditório, pois para comprovar que a totalidade do crédito compensado via Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902876/200909 Resolução nº 3401000.697 S3C4T1 Fl. 97 3 PER/DCOMP neste processo advém do indevido recolhimento do PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, a contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal. Esse documento, por si só, desacompanhado dos livros fiscais, razão e caixa estabelecidos e regularmente preenchidos na forma da lei, não representariam, em qualquer hipótese, prova hábil suficiente para reconhecimento do direito creditório. Em 10.6.2010, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 1º.7.2010, protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: A prova pericial era indispensável neste processo administrativo, uma vez que a contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMPs, tornando impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações da contribuinte e das préprovas constituídas, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo órgão Julgador Administrativo; A recorrente produziu, em sua Manifestação de Inconformidade, prova material apta a comprovar a existência do indébito, oriundo da incidência e recolhimento da contribuição PIS/Pasep sobre receitas não operacionais e financeiras. Dadas as condições para que seja verificada a conformidade do crédito apurado pela contribuinte, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados. É necessária a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos do PIS/Pasep que a recorrente possui. Já é de domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária, violou a redação original do art. 195, Inc. I, da Constituição Federal, ainda vigente, ao ser editada a mencionada norma legal. A base de cálculo da contribuição para o PIS e Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, restando afastado o disposto no artigo 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a recorrente requer: Preliminarmente, que seja declarada a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado e, ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Que o julgamento seja convertido em diligência, para verificação e confirmação da exatidão dos créditos alvo do pedido de compensação, recolhidos indevidamente pela recorrente sobre a base de cálculo “receitas não operacionais e financeiras”. Que seja julgado procedente o recurso, com o fim de conferir regularidade às apurações fiscais realizadas pela contribuinte, como também, a regularidade dos créditos que esta faz jus, homologandose a declaração de compensação realizada. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902876/200909 Resolução nº 3401000.697 S3C4T1 Fl. 98 4 Em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa, requer intimação para apresentação de sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902876/200909 Resolução nº 3401000.697 S3C4T1 Fl. 99 5 Voto Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Conheço deste recurso por apresentar os requisitos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimentos de créditos de PIS/Pasep, recolhidos a maior em 31.3.2002. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, no qual defende a repercussão geral da decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, que proclama o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Além disso, defende a nulidade do julgamento de primeira instância, pois foi negado o pedido de perícia contábil para a confirmação da existência e do valor dos créditos requeridos. Por fim, solicita o reconhecimento de seu Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão da instância anterior e a conversão deste julgamento em diligência. À vista do exposto, voto por converter o julgamento em pedido de diligência a fim de que seja verificada a efetiva existência de crédito, o valor do débito e, por fim, o saldo credor ou devedor. Após o resultado da diligência, cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse. É como voto! Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10845.003447/00-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios propostos pela contribuinte e, no mérito, converter o novo julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios propostos pela contribuinte e, no mérito, converter o novo julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Tratase de embargos de declaração interpostos pela Recorrente, Ten Feet Comércio de Vestuário Ltda, em face do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2012, com fundamento no que dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .0 03 44 7/ 00 -1 6 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10845.003447/0016 Resolução nº 1801000.241 S1TE01 Fl. 478 2 Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1922, com a exigência do crédito tributário no valor de R$13.862,05, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente a novembro de 1995 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. A infração se fundamenta na omissão de receitas em decorrência saldo credor de caixa, conforme Demonstrativo do Fluxo de Caixa, fls. 4647 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 3940, onde está descrita a metodologia utilizada de levantamento do fluxo de caixa pelo saldo final mensal: soma dos valores do saldo inicial e do total das entradas, bem como diminuição do total das saídas de recursos. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §3º do art. 532, art. 739 e art. 892, todos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto de n.º 1.041, de 11 de janeiro de 1994. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os créditos tributários a seguir discriminados pelos lançamentos formalizados nesse processo. O Auto de Infração às fls. 2326 a exigência do crédito tributário no valor de R$5.544,79 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 43 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 3º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995. O Auto de Infração às fls. 2730 a exigência do crédito tributário no valor de R$19.219,67 a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 739 do RIR, de 1994, art. 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 3º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995 e art. 62 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. O Auto de Infração às fls. 3134 com a exigência do crédito tributário no valor de R$415,85 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, e itens I e II da alínea “b” da Seção 1 do Capítulo 1 do Título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982, art. 43 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 3º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, inciso I do art. 2º, art. 3º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.212, de 25 de novembro de 1998, Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 e inciso I do art. 2º, art. 3º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995. O Auto de Infração às fls. 3538 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.108,95 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º, art. 2] e art. 3º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 43 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 3º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995. Cientificada em 28.12.2000, fls. 19, 23, 27, 31 e 35, a Recorrente apresentou a impugnação em 03.01.2001, fls. 7398, aduzindo que a exigência é improcedente. Informa que Fl. 478DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10845.003447/0016 Resolução nº 1801000.241 S1TE01 Fl. 479 3 inexiste saldo credor de caixa, uma vez que o saldo correto da conta duplicatas em janeiro de 1995 é no valor de R$185.770,70, o que gerou erros nos meses subseqüentes com um estorno na conta de “duplicatas a pagar” no valor de R$15.306,73. Acrescenta que a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fere o Código Tributário Nacional (CTN) e a Constituição da República Federativa do Brasil (CF). Defende que devem ser aplicadas as disposições da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, nos termos do art. 106 do CTN. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Indica a legislação que rege a matéria e princípios que alega foram violados e ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Intimada do Termo de Diligência – Relatório Conclusivo, fls. 375380, em 13.07.2009, fl. 381, a Recorrente em 23.07.2009, fls. 383390, diz apresentar os extratos bancários indicando o fluxo de caixa, cujos valores se encontram devidamente registrados na escrituração contábil e supostamente por ela comprovados. Não concorda, portanto, com as conclusões constantes no referido relatório. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPOI/SP nº 16 23.462, de 12.11.2009, fls. 339404: “Impugnação Improcedente”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 SALDO CREDOR DE CAIXA Não sendo apresentados os documentos solicitados pela diligência, para provar, como alega a Impugnante, que o saldo apurado pela fiscalização estava errado, prevalece o apurado durante os trabalhos de auditoria fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. TAXA SELIC. Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados. AUTOS REFLEXOS IRRF, PIS, COFINS e CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Notificada em 01.12.2009, fl. 409, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.12.2009, fls. 410432, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita que a decisão de primeira instância é nula e que houve manutenção parcial da exigência com a “alteração da fundamentação legal da exigência de multa de lançamento exofficio para multa de mora, o que não lhe era dado fazer”. Expõe que os créditos tributários foram alcançados pela decadência, haja vista que são tributos regidos pelo lançamento por homologação. Reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Diante do exposto, a RECORRENTE pede aos I. Conselheiros encarregados do exame e julgamento deste processo que examinem detidamente toda a argumentação acima exposta, quando então, constatada a improcedência da autuação, darlhe ão provimento, para desobrigála do recolhimento de quaisquer quantias. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10845.003447/0016 Resolução nº 1801000.241 S1TE01 Fl. 480 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2012, fls. 443453: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando a decisão de primeira instância não modifica o fundamento legal originalmente indicado nos lançamentos. DECADÊNCIA. O início do prazo decadencial é determinado pelo inciso I do art. 173 do CTN, quando o pagamento antecipado não é comprovado. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para elidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício não contém incorreções. CSLL, IRRF, PIS e COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Notificada em 08.07.2011, fl. 461, a Recorrente interpôs embargos de declaração em 13.07.2011, fls. 462472 com as alegações a seguir resumidas. Suscita que há omissão, obscuridade e contradição na decisão embargada. Defende a tese de que os lançamentos referentes ao fato gerador mensal ocorrido em 30.11.1995 foram alcançados pela decadência, cuja matéria não foi analisada na decisão embargada. Suscita que a revogação do art. 43 e o art. 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, pela Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, tem efeito retroativo, nos termos do art. 106 do CTN. Acrescenta que essa matéria não foi exaustivamente analisada na decisão embargada. Conclui Em face do exposto, espera a ora Embargante [...] que essa [...] Turma [...] receba e acolha os presentes embargos de declaração, para sanar as mencionadas contradições, obscuridade e omissões, com a conseqüente modificação do acórdão embargado, de modo que a decisão de segunda instância não corresponda à mera reprodução do que ficou decidido pela autoridade de primeira instância. Termos em que, P. Deferimento. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10845.003447/0016 Resolução nº 1801000.241 S1TE01 Fl. 481 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração apresentados pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente destaca que os lançamentos referentes ao fato gerador mensal ocorrido em 30.11.1995 foram alcançados pela decadência, cuja matéria não foi analisada na decisão embargada. Em relação à matéria, no Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2012, fls. 443453, está registrado: Cabe esclarecer que os presentes Autos de Infração tratam de tributação com base no lucro presumido trimestral. É fato notório que os tributos constantes nos Autos de Infração estão sujeitos ao lançamento por homologação. O prazo decadencial referente ao quarto trimestre do anocalendário de 1995 tem início em 01/01/1996 e a Recorrente foi cientificada dos Autos de Infração em 28/12/2000, [...]. Deste modo, como não transcorreu o prazo de decadência de cinco anos, não tem fundamento o reconhecimento da decadência. Temse que no período de 01.01.1995 a 01.01.1996 a apuração do IRPJ e CSLL pelo regime de tributação com base no lucro presumido foi mensal, nos termos dos arts. 27 a 32 e 44 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que produziu efeitos a partir de 01.01.1995. A começar em 01.01.1997, ocasião em que iniciaram os efeitos dos art. 1º e 25 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a determinação do IRPJ e da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro presumido passou a ser trimestral. Restou esclarecido assim, que em 31.11.1995 houve a ocorrência dos fatos geradores de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, em conformidade os créditos tributários constituídos pelo lançamento de ofício nos presentes autos. Nesse sentido, a análise da decadência deve ter como parâmetro essa circunstância. Analisando a objeção de decadência, vale esclarecer que é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento Fl. 481DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10845.003447/0016 Resolução nº 1801000.241 S1TE01 Fl. 482 6 antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. Nesse momento processual, a Recorrente instrui os autos com as cópias dos DARF de fls. 436437, oportunidade em apresenta um forte indício que conduz ao conhecimento da situação real do fato de que pode haver pagamentos antecipados efetuados em relação aos tributos objeto dos lançamentos no período objeto da ação fiscal. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é imprescindível a comprovação de que houve pagamentos antecipados efetuados de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins relativamente ao fato gerador ocorrido em 31.11.1995. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo e, no mérito acolhêlos para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente instruir os autos com as cópias dos DARF que comprovem os pagamentos antecipados efetuados de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins e da DCTF entregue relativamente ao fato gerador ocorrido em 31.11.1995, informações estas extraídas dos registros internos da RFB. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 2 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 3 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12448.911403/2010-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 91 14 03 /2 01 0- 96 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas nos autos. Por meio de DCOMP transmitida em 31/10/2008, pugnou a interessada pelo reconhecimento de direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ do mês de abril de 2007 (recolhimento em maio de 2007), no valor de R$ 436.398,08. De acordo com o que consta dos autos, a interessada teria apurado uma estimativa devida de IRPJ para abril de 2007 no valor de R$ 1.891.849,66, mas teria efetuado um recolhimento em DARF de R$ 2.967.299,55, e assim apontado um indébito da diferença, de R$ 436.398,08. Por Despacho Decisório a DEMAC do Rio de Janeiro não reconheceu o indébito ao argumento de que estimativas de IRPJ ou de CSLL não podem ser pleiteadas a esse título, mas somente como dedução na apuração do IRPJ/CSLL devidos ao final do período ou para compor o saldo negativo porventura apurado ao final do período de apuração. Irresignada, apresentou a interessada manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que: a) em decorrência da revisão efetuada, o valor devido (IRPJ) em abril de 2007 foi reduzido de R$ 2.967.299,55, para R$ 1.891.894,97; b) já foi retificada a DCTF, que se encontrava em desacordo com a apuração final, conforme DIPJ 2008; c) no que tange aos tributos sob a modalidade de lançamento por homologação, a liquidez e certeza do crédito tributário não são prérequisitos para o exercício da compensação do indébito tributário, já que apuradas pelo agente administrativo, no momento da homologação; d) com base no acima exposto, resta comprovada a origem e a existência do crédito, não havendo razão para a nãohomologação da compensação ora pleiteada; e) a DCTF retificadora comprova a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Com a Manifestação de Inconformidade vieram, entre outros, os seguintes documentos: páginas da DCTF retificadora, recepcionada em 09/11/2009 (fls. 128 e ss.); e parte da DIPJ 2008 (fls. 29 e ss). Apreciando o litígio a DRJ no Rio de Janeiro/RJI, assim se pronunciou: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.911403/201096 Acórdão n.º 1801001.476 S1TE01 Fl. 3 3 ... Esclareço que o presente processo só consigna a questão da não homologação da compensação aqui controlada, pois toda a discussão acerca do direito creditório com o qual o interessado pretendia compensar seu débito se deu nos autos do processo 12448.909533/201069, PerDcomp 37046.45720.270607.1.3.04.4902, Acórdão nº 37.420, de 26.05.2011. Assim, dado que esta turma, em julgamento anterior nesta mesma sessão, manteve naqueles autos o indeferimento do direito creditório pleiteado, não homologando a compensação lá declarada, restanos apenas seguir o ali decidido, de modo a também manter a decisão de não homologar a compensação, conforme Despacho Decisório Eletrônico nº 880541684 de fls. 11. ... Notificada da decisão, em 06/07/2011, apresentou, a interessada, em 02/08/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa, em preliminares, invoca a nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. instância por violação aos princípios que regem o ato administrativo e por cerceamento do direito de defesa, por não terem sido apreciadas as provas apresentadas. No mérito afirma que somente foi levado ao computo do saldo negativo apurado ao final o valor da estimativa apurada como devida, de R$ 1.891.849,47, e não o valor total recolhido de R$ 2.967.299,55, o que tornaria inquestionável que a diferença recolhida a maior, de R$ 436.398,08, foi indevidamente recolhida a maior. Aduz que o artigo 10 da IN SRF 460, de 2004 e 600, de 2005, foi modificado pela IN SRF n º 900, de 2008, que suprimiu a vedação de compensações de estimativas recolhidas a maior. Invoca posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais a seu favor e pugna, ao final, pelo acolhimento do recurso com o reconhecimento do indébito e a homologação da compensação pleiteada. Fez sustentação oral em plenário, pela recorrente, a Dra. Georgeana Leal de Macedo Rezende, OAB/RJ n º 111.642, que alegou ter providenciado pedido de juntada de outros documentos aos autos – memorial. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que respeita à invocada nulidade cumpre observar que as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da Turma Julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI, dos fundamentos adotados no Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos constantes dos autos em cotejo com as normas regulamentares, que o direito creditório pleiteado não possuiria os atributos de liquidez e certeza, em razão da vedação legal para sua utilização e tal posicionamento, como consignado, não pode dar ensejo a anulação de qualquer decisão. No mérito observase que a autoridade administrativa de jurisdição da recorrente, assim como a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiram o pleito ao argumento de que não poderia haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de abril de 2007, em valor maior que o devido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a sua Unidade de Jurisdição, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.911403/201096 Acórdão n.º 1801001.476 S1TE01 Fl. 4 5 devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo, como afirmou em sua defesa. E isto porque, em verdade, o mérito da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade de jurisdição da recorrente e a Turma Julgadora de 1a. instância centraram suas decisões na possibilidade do pedido, e assim não analisaram a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela unidade de jurisdição e pela Turma Julgadora de 1a. instância, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oportunidade de aditar suas razões recursais, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela unidade de jurisdição da recorrente, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, bem como a ciência dessa nova decisão, à interessada, para que lhe seja possibilitada a discussão do mérito da compensação nas instâncias administrativas de julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10073.001143/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF -RICARF.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, incabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados após 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, incabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados após 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 11 43 /2 00 7- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação de folhas 01 e 02, e dos PER/DCOMP vinculados n ºs 27476.58604.050707.1.3.044005, 12154.07402.240707.1.3.040328 e 27258.19812.210807.1.3.043063, apresentados pela Prefeitura Municipal de Volta Redonda, nos quais pleiteia a compensação de débitos de PASEP, relativos a maio, junho e julho de 2007, com de créditos da mesma contribuição recolhidos entre 30/05/1997 e 31/03/1999. À folha 03, a interessada informa que os créditos declarados [seriam originados] de um "vácuo legislativo" no período compreendido entre as datas de edição da MP n° 1212/95 e da Lei n° 9.715/98. A citada MP só [teria se transformado] em lei após 38 reedições, sendo que 16 delas [teriam sido] publicadas após o decurso do prazo de vigência da MP anterior. Nos termos do parágrafo único do artigo 62 da CF, a não conversão da MP em lei, no prazo de 30 dias, faz com que o instrumento perca sua eficácia desde a sua edição. Assim, [seriam] indevidos os recolhimentos de PASEP efetuados no período citado. A Delegacia da Receita Federal em Volta RedondaRJ, através do Despacho Decisório de folhas 25 a 28 e Decisão de folha 29, não homologou as compensações pleiteadas, diante da constatação da inexistência do crédito pretendido, uma vez que o entendimento da interessada não [encontraria] respaldo nos julgados do STF, que, reiteradamente, manifestouse pela constitucionalidade das MP contestadas. Determinou, ainda, a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Cientificada em 19/07/2007, a Prefeitura Municipal de Volta Redonda apresentou, em 17/10/2007, a manifestação de inconformidade de folhas 41 a 59, na qual afirma que não embasa sua tese na inconstitucionalidade das MP, como entendeu a DRF, mas na ocorrência do que chama de "vácuo legislativo", uma vez que a prorrogação a destempo [teria feito] com que a MP [perdesse] sua eficácia desde o início. Alega, ainda, que, no caso de perda de eficácia de medida provisória, não se [restauraria] a vigência da lei anterior, no caso, a LC n° 08/70. Conseqüentemente, o PASEP não [teria] exigibilidade legal no período compreendido entre a publicação da MP n° 1.212/95 e a vigência da Lei n°9.715/98. Alega, ainda, que os créditos declarados têm origem no período de 05/97 a 03/99 e, portanto, não se [submeteriam] ao disposto no artigo 3° da LC nº 118/05, em vista da inconstitucionalidade do artigo 4° da mesma lei.” A DRJRio de JaneiroII/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 63/66), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1997 a 31/03/1999 Ementa: MEDIDAS PROVISÓRIAS. REEDIÇÕES. PRAZO. OBSERVÂNCIA. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10073.001143/200713 Acórdão n.º 3202000.783 S3C2T2 Fl. 91 3 O termo inicial para contagem do prazo constitucional de 30 dias para reedição de Medida Provisória é o de sua publicação, iniciandose sua contagem a partir do dia seguinte, de tal sorte que a publicação da MP nº 1.407/96 se deu tempestivamente, dentro do trintídio constitucional. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte de pleitear a restituição ou compensação de tributo pago em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 73/80), repisando os mesmo argumentos oferecidos na impugnação e alegando, ainda, que, quanto aos créditos pleiteados, não há que se falar em decadência. Afirma que, para “os tributos onde o fato gerador aconteceu antes da vigência da Lei Complementar n°.118/05 (sendo este o presente caso), adicionase dez anos sobre esta data ("tese dos 5+5")” e que “Além disso, é necessário observar o limite de cinco anos, contados da entrada em vigor da LC n°.118/05. A data mais recente encontrada será o prazo final para o ingresso de ação de repetição de indébito tributário.” Ao final, requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Pretende a recorrente, por meio deste processo administrativo, compensar débitos seus, relativos à contribuição para o PIS/PASEP, com créditos a que alega ter direito, oriundos de supostos pagamentos indevidos da mesma contribuição, efetuados entre maio/1997 e março/999. Para tanto, em julho de 2007, apresentou PER/DCOMP eletrônicas, constantes destes autos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Já daí observase a existência de óbice quanto à pretensão da recorrente, vez que o direito à restituição do alegado indébito, quando da apresentação da PER/DCOMP, já se encontrava fulminado pela prescrição. Considerando que o artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os PER/DCOMP protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº. 118/2005 que ocorreu em 09/06/2005 será o de 10 anos: 5 anos para homologar (na forma do artigo 150, §4º do CTN) mais 5 anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (na forma do artigo 168, I do CTN). Sendo a contribuição para o PIS/PASEP tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo sido apresentado os pedidos de restituição/compensação somente em julho de 2007, após, portanto, do dia 09/06/2005 (data em que passou a viger a LC nº 118/05), incabível a aplicação, ao presente caso, da chamada tese dos 5 + 5, objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10073.001143/200713 Acórdão n.º 3202000.783 S3C2T2 Fl. 92 5 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (grifos não constantes do original) Desta forma, temse por prejudicada, de pronto, a pretensão deduzida pela contribuinte, visto que o crédito aduzido para fins da compensação efetuada restou prescrito. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 16643.000323/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA
Período de apuração: janeiro/2006 a junho/2007
VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA – ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA.
A autoridade fiscal pode, em decisão fundamentada, rejeitar o 1º Método de Valoração Aduaneira – “Valor da Transação”, quando o importador regularmente intimado não esclarecer as circunstancias pelas quais o preço de venda das mercadorias importadas encontra-se abaixo do custo de produção. Na apuração do valor da mercadoria pelo 3º Método de Valoração Aduaneiro, o Acordo de Valoração Aduaneira prescreve que devem ser utilizados valores de referência de "mercadorias similares", assim consideradas aquelas que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente.
Recurso de Ofício provido.
Numero da decisão: 3202-000.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : VALORAÇÃO ADUANEIRA Período de apuração: janeiro/2006 a junho/2007 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA – ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. A autoridade fiscal pode, em decisão fundamentada, rejeitar o 1º Método de Valoração Aduaneira – “Valor da Transação”, quando o importador regularmente intimado não esclarecer as circunstancias pelas quais o preço de venda das mercadorias importadas encontra-se abaixo do custo de produção. Na apuração do valor da mercadoria pelo 3º Método de Valoração Aduaneiro, o Acordo de Valoração Aduaneira prescreve que devem ser utilizados valores de referência de "mercadorias similares", assim consideradas aquelas que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Recurso de Ofício provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: VALORAÇÃO ADUANEIRA Período de apuração: janeiro/2006 a junho/2007 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA – ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. A autoridade fiscal pode, em decisão fundamentada, rejeitar o 1º Método de Valoração Aduaneira – “Valor da Transação”, quando o importador regularmente intimado não esclarecer as circunstancias pelas quais o preço de venda das mercadorias importadas encontrase abaixo do custo de produção. Na apuração do valor da mercadoria pelo 3º Método de Valoração Aduaneiro, o Acordo de Valoração Aduaneira prescreve que devem ser utilizados valores de referência de "mercadorias similares", assim consideradas aquelas que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Recurso de Ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente em exercício e Relator. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Leonardo Mussi da Silva. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de Autos de Infração (fls. 497/SS – Volume IV), para a cobrança do Imposto de Importação, IPI – vinculado à importação, PISImportação e COFINSImportação, acrescidos de multas de ofício e juros moratórios, constituindo crédito tributário no montante de R$ 8.206.644,15. Segundo relatou a fiscalização, houve irregularidade no valor aduaneiro atribuído pela empresa/importador em operações de importação de mercadorias classificadas no código tarifário NCM/SH 5903.2000, no período de janeiro/2006 a junho/2007 (vide relação das declarações de importações às folhas 512 e 513). Desta forma, foi afastado o 1º Método de Valoração Aduaneira e substituído pelo 3º Método, nos termos do que dispõe o AVA – Acordo de Valoração Aduaneira, com a consequente utilização de preços de produtos similares, conforme demonstrado no “Termo de Constatação e Verificação” (fls. 478/497 – Volume IV). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A interessada foi autuada em face de infração caracterizada como "declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto)", sendolhe exigido crédito tributário no valor de R$ 8.206.644,15, relativo ao Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e COFINS incidentes na importação, acrescidos dos respectivos juros de mora e multas de ofício. Por meio das Declarações de Importação (DI) relacionadas no Auto de Infração (fls. 497/562), registradas no período entre 18/01/2006 e 13/06/2007, foram importados tecidos revestidos de poliuretano, destinados a atender ao mercado de fabricantes de mochilas, sacolas, etc..., classificados no código N CM 5903.20.00. O procedimento fiscal teve origem em denúncia formalizada pela ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (fls. 03/08), que apontou indícios de irregularidades nas importações desses tecidos, uma vez que os preços médios de importação no ano de 2008 estavam abaixo do custo de produção. A autuação sob análise abarcou dois tipos de produtos com os seguintes códigos de referência: "Polyester 300D*300D/PU" e "Polyester 300D*600D/PU". A importação envolveu três diferentes fabricantes: PRIMA TEXTILE INC. e RYH TAY CO., LTD, ambos de Taiwan; e Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 2 3 YUNG TAY INTERNATIONAL TRADING CO., LTD., da China. Os produtos, cuja composição foi indicada pela contribuinte como sendo 9% de poliuretano e 91% de poliéster, encontramse assim descritos nas D I , em linhas gerais: Com base nas planilhas de fls. 134/139, a fiscalização apurou que as mercadorias foram vendidas pelo mesmo preço, apesar de a importação envolver três fabricantes diferentes. Além disso, os preços US$/FOB de importação no período de janeiro a março de 2006, evoluíram de US$ 0,55/0,56 para US$ 0,97/1,05 a partir de abril daquele ano. Questionada sobre essa situação através do Termo de Intimação n° 02, de 25/05/2010 (fls. 132/133), a importadora esclareceu (fl. 140): "Quanto a alteração de preço de US$ 0,55/0,56 de janeiro a março de 2006 para US$ 0,97/1,05 de abril a julho de 2006, face ao lapso temporal já transcorrido, a empresa acredita que ocorreu este aumento de preço por dois motivos: a) por se tratarem de materiais diversos, pois como já esclarecido anteriormente, o produto é importado com a mesma referência e descrição, contudo, podem ser lisos, estampados, ou ainda dependendo de sua cor, detém variação de preço; b) e ainda por reajuste de preço do exportador. "Instada a informar sobre as diferenças técnicas e de custo entre os produtos, a empresa esclareceu que todos têm o tecido feito em tear plano, no sistema trama e urdume e são revestidos de poliuretanto (PU). A diferença entre eles é basicamente o título do fio empregado. No produto "300D*300D/PU" empregase fio de titulagem 300D no urdume (fios que entram paralelos no tear na vertical) e 300D na trama (fios que entram na horizontal do tecido), ou inverso. No produto "300D*600D/PU" empregase fio de titulagem 300D no urdume e 600D na trama, ou inverso. Observou, ainda, que apesar da variação do título do fio, Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 conseguese a mesma composição final do tecido (toque, gramatura, espessura, etc) através da manipulação da quantidade de fios no urdume e "batidas" da trama. Portanto, apesar da configuração diferente, o produto final apresenta o mesmo resultado em sua aplicação (fls. 140/141). Ainda em resposta ao Termo de Intimação 2, a importadora declarouse impossibilitada de fornecer as amostras dos tecidos requisitadas, haja vista não mais possuílas em seu estoque ( f l . 141). Considerando que (i) os esclarecimentos prestados nada esclareceram sobre as práticas de preços entre exportador e importador; (ii) pelas descrições e características dos produtos, nada indica que sejam diferenciados; (iii) o aumento de preços de 90% para o mesmo produto de diferentes empresas é de se estranhar; (iv) apesar do reajuste, os preços são tão baixos que sequer cobrem os preços das matériasprimas básicas, conforme demonstrado nas planilhas de custos obtidas a partir de publicações internacionais; a fiscalização, fundada na Decisão 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, intimou a empresa pelo Termo n° 3, em 28/07/2010, para manifestar se acerca da tamanha divergência entre os preços de aquisição e as estimativas de custo constantes das planilhas mencionadas, bem como para apresentar a documentação necessária a esclarecer as dúvidas do fisco (fls. 154/157). A partir da análise das planilhas que disponibilizou à contribuinte, a fiscalização constatou que o custo de produção para a referência "300D*300D/PU" era de US$ 2,017 por quilo de tecido; e para a referência "300D*600D/PU", US$ 2,040 por quilo de tecido. Referidos tecidos, todavia, foram importados pela autuada ao preço de US$ 0,55 a 1,05/kg e US$ 0,97/kg, respectivamente. A empresa requereu dilação de prazo para se manifestar, em 28/08/2010 ( f l . 160). Em resposta protocolizada na data de 30/09/2010 (fls. 162/163), alegou que os fabricantes se negaram a fornecer informações e documentos acerca do custo de produção das mercadorias, ao argumento de se tratar de informação sigilosa. Requereu dilação de prazo para apresentar um laudo completo, e apresentou um parecer prévio de lavra do Engenheiro José Luiz Marques (fls. 166/168). Este concluiu que as planilhas de custo apresentadas pelo fisco não se aplicam aos produtos importados, haja vista que (i) referemse a fios texturizados e não lisos; (ii) baseiamse em fio com titulação de 150 e não 300 e 600; (iii) o tecido Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 3 5 importado se utiliza do tafetá (ligamento de construção dos fios mais simples que existe). Em 08/10/2010, a fiscalização solicitou assistência técnica à ABIT, por meio do expediente de fls. 169/170. Nas respostas de 28 e 29/10/2010 (fls. 179/279), aquela Associação deixou claro que a emissão de laudos referentes a custo e valor estimado das mercadorias está condicionada à recepção das respectivas amostras. Não obstante, disponibilizou informações estatísticas acerca dos tecidos indicados pelo fisco. Resumimos, a seguir, os dados fornecidos: Por derradeiro, a ABIT informou que todos os tecidos em análise são semelhantes entre si, podendo inclusive ser substituíveis, devidos aos seguintes fatores: (i) todos possuem a mesma construção (ligamento tela ou tafetá); (ii) embora tendo gramaturas diferentes, elas não conferem diferenciação de natureza; (iii) o tipo de fio existente no tecido, se liso ou texturizado, não altera a função principal; (iv) os títulos dos fios são diferentes entre si, contudo não são eles que irão dar a função principal do tecido; (v) Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 todos os tecidos recebem um acabamento resinado (poliuretano) que confere a função principal de não ultrapassar a umidade para o lado avesso do tecido. A ABIT conclui, assim, que as diferenças técnicas dos artigos, como a variação na porcentagem da composição, gramatura, título do fio e o tipo do fio não alteram sua função principal, podendo ser perfeitamente utilizados em artigos de decoração, como por exemplo, no revestimento de estofados e na confecção de mochilas, bolsas e sacolas. Por meio do Termo de Notificação de 29/10/2010 (fls. 280/286), a fiscalização levou ao conhecimento da importadora as razões para a desclassificação do primeiro método de valoração aduaneira e aplicação do terceiro. Argumentou que os esclarecimentos prestados foram insuficientes e não estavam acompanhados de provas materiais que justificassem a prática de preços abaixo das estimativas de custo a partir do preço internacional das matériasprimas e do custo de mão de obra verificada a partir de publicações internacionais. Além disso, os preços praticados também revelaram distorções em relação a outros importadores, conforme pesquisa de preços de produtos similares, constante do Anexo I do Termo de Notificação. Referido Termo apresentou ainda os seguintes números: Na mesma data, 29/10/2010, a importadora apresentou Laudo completo elaborado por expert (fls. 290/353), o Engenheiro Fábio Campos Fatalla da empresa Interface, que concluiu ser incabível a comparação entre os preços de aquisição da fiscalizada e as estimativas de custos desenvolvidas, posto que: (i) os tecidos adquiridos eram de qualidade inferior; (ii) não se realizou relatório de ensaio que permitisse determinar seu real valor; (iii) não se pode fixar um valor de tecelagem pois o mesmo varia em função de vários fatores (equipamentos usados, custo da mão de Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 4 7 obra, custo da energia de iluminação, custo da ventilação, custo do ar condicionado, custo da energia motor, insumos, produtividade do local e acordos comerciais); (iv) não se pode afirmar que os tecidos foram produzidos com filamentos sintéticos texturizados, o que torna irreal o valor estimado como custo; (v) não se tomou conhecimento da diferença de título dos fios, utilizando de forma errônea o mesmo valor de custo; (vi) não se levou em consideração o volume da compra do importador; (vii) o valor dessas mercadorias pode ser influenciado pela sazonalidade do setor têxtil (tendências da moda) e deve levar em consideração o "Preço Médio de Produção Têxtil na China, o que também prejudicou todos os valores e o resultado final contidos no Termo de Intimação n° 3. A contribuinte manifestouse, em 12/11/2010 (fls. 357/385) sobre o Termo de Notificação Fiscal que desclassificou o primeiro método, alegando que: (i) a existência de preços FOB únicos para diferentes fabricantes explicase em razão de sua estratégia de negociação, selecionando sempre o menor preço, bem como pelo fato de duas fabricantes pertencerem a um mesmo grupo de empresas; (ii) reiterou as razões anteriormente apresentadas acerca do grande aumento de preços ocorrido no período de janeiro a julho de 2006, acrescentando consulta feita ao sítio do MDIC, na ferramenta Aliceweb, pela qual a média do preço unitário das importações para o período de janeiro a março de 2006, de US$ 0,948/kg, sofreu um aumento de 28% para o ano de 2007, cujo valor seria de US$ 1,216/kg; (iii) apresentou novo laudo da empresa Interface que conclui que o produto utilizado para levantamento de custos não condiz com aquele importado pela KATEC. Especificamente sobre a planilha de importações de produtos similares elaborada pela fiscalização, a empresa fez os seguintes comentários: (i) os valores de importação foram considerados na condição Inconterm CFR, ao passo que os valores de importação da KATEC são apresentados na condição Inconterm FOB; (ii) os dados apresentados na planilha de similares, nas colunas peso líquido e descrição, não conferem com os dados disponíveis no sítio da Receita Federal, na ferramenta: Aduana > Estatísticas de Comércio Exterior > Importações por NCM; (iii) análise técnica da empresa Interface concluiu que os produtos da planilha não podem ser considerados similares àqueles importados; (iv) analisando os dados estatísticos no sítio da Receita Federal, na ferramenta: Aduana > Estatísticas de Comércio Exterior > Importações por NCM, para o ano de 2007, encontrou inúmeras importações registradas bem Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 mais próximas daquelas importadas pela KATEC, com preços também mais próximos aos praticados, citando como exemplo os Registros 5437626 e 5437638, ambos de maio de 2007. Nessa ocasião, ainda, a KATEC apresentou carta digitalizada dos exportadores declarando a veracidade dos preços negociados, bem como o alinhamento com os preços praticados para outros clientes e mercados. Acatando as ponderações da contribuinte sobre os valores de importação dos similares terem sido considerados na condição Inconterm CFR, ao passo que os valores de importação da KATEC são apresentados na condição Inconterm FOB, a fiscalização procedeu aos devidos ajustes para exclusão do valor do frete, o que resultou nos demonstrativos de fls. 473/474. Sobre a diferença entre os dados disponíveis no sítio da Receita Federal, na ferramenta: Aduana > Estatísticas de Comércio Exterior > Importações por NCM, e aqueles apresentados na planilha de similares de fls. 285/286, esclareceu a fiscalização que no caso destes últimos, as adições trazem mais de um produto e, portanto, refletem o preço médio da adição. Para se evitar distorções, foi necessário apurar o preço apenas do item similar, ajuste este que acabou reduzindo seu preço, conforme demonstração realizada no Termo de Constatação, relativamente a uma das D I paradigmas (fls. 495 e 495verso). As demais alegações apresentadas pela KATEC não foram aceitas pela fiscalização, conforme Termo de Constatação e Verificação (fls. 478/496), com base nos seguintes motivos: (i) o laudo elaborado pela empresa Interface se limita a fazer considerações gerais, sem responder a qualquer questão da fiscalização de forma conclusiva, omitindose em fornecer dados técnicos para se contrapor às estimativas de custos apresentadas pela ABIT; (ii) as estimativas da ABIT tem por objetivo apenas demonstrar, de forma adicional, as impropriedades dos preços praticados pela KATEC; (iii) as médias estatísticas do Aliceweb referemse à posição N CM 5903.20.00 e envolvem grande variedade de produtos com as mais diversas características, preços e quantidades, não tendo utilidade para fins de valoração aduaneira; (iv) os registros de importação em datas próximas, citados pela KATEC, não contêm todos os elementos necessários para uma comparação com os produtos importados (por exemplo, porcentagem do fio de poliéster e do poliuretano), padecendo dos mesmos problemas de preços apresentados e não respondidos pela Katec, e que poderão ser objeto de fiscalização futura; (v) as diferenças técnicas dos produtos Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 5 9 utilizados como base de comparação não alteram sua função principal e, portanto, não impedem que sejam caracterizados como similares; (vi) as cartas dos exportadores nada esclarecem sobre os baixos preços praticados pela KATEC. Em consequência, a fiscalização rejeitou o método do valor de transação e adotou o terceiro método de valoração aduaneira, lavrando o competente Auto de Infração (fls. 497/562) para cobrar a diferenças de tributos e demais acréscimos legais, tendo por base os seguintes valores praticados na importação de produtos similares: Cientificada do lançamento em 29/11/2010, a interessada apresentou impugnação em 28/12/2010, fls. 614/796, alegando, em síntese, que: a) o Termo de Constatação e Verificação, bem como o próprio procedimento fiscal, encontramse eivados de nulidades, porque: (i) todos os cálculos apontados pela fiscalização, bem como a assessoria técnica, foram prestados pela Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção ABIT, quem realizou a denúncia que ensejou o presente processo fiscal, logo, parte interessada e com animus de parcialidade sobre os fatos; (ii) os dados fornecidos pela ABIT o foram de forma extraoficial, posto que ocorreram antes de ser formalmente oficiada, o que comprova a parcialidade do procedimento; (iii) inexistem razões para desenquadrar o primeiro método de valoração disposto pelo GATT; (iv) o arbitramento realizado nos termos do terceiro método considerou produto NÃO SIMILAR e ainda por cima adotou os preços mais altos encontrados, o que desafia o Acordo de Valoração; b) em preliminar, houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, posto que (i) a fiscalização, antes mesmo de apreciar o laudo apresentado (o que se deu em 29 de outubro de 2010), notificou a impugnante sobre a adoção do Terceiro Método de Valoração descrito no GATT, o que caracteriza préjulgamento; (ii) a comparação para valoração baseouse em declarações de importação que não foram apresentadas à impugnante, para que a mesma pudesse checar as informações lá contidas. Se as declarações de importação utilizadas pela fiscalização Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 10 tiverem adições, ou qualquer outra informação diversa das da Impugnante, os preços automaticamente são influenciados. Como a impugnante pode se defender se não teve acesso aos documentos que embasam a valoração praticada pela fiscalização? c) no mérito, o procedimento fiscal carece de motivação, uma vez que a denúncia da ABIT nem de longe guarda ligação com a impugnante, já que se refere a importadores de outros estados do país, a produtos diversos e a período não compatível com as importações da impugnante; d) em todo o curso da fiscalização, a impugnante em momento algum teve ciência de que era a ABIT que elaborava as tabelas encaminhadas nos Termos de Intimação, e muito menos que era a própria ABIT que havia realizado a denúncia. Destacase que a fiscalização dispunha do laudo da ABIT, mas sonegouo da impugnante, notificoua para se defender e, posteriormente, rejeitou a prova técnica da defesa, com base em um laudo que já existia em mãos da fiscalização, mas foi ocultado da contribuinte. Neste diapasão, temse que todo o praticado no curso da fiscalização ocorreu de forma parcial, uma vez que quem denunciou era o mesmo ente que dispôs quanto à suposta irregularidade dos preços da impugnante, e ainda foi quem assessorou a fiscalização quanto à similaridade do paradigma escolhido pela fiscalização. O que não se pode admitir, já que se trata de "hipótese de impedimento de perito", conforme previsão do Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução CFC n° 1.050/05, item 2.3.3; e) ademais, o laudo foi elaborado pela ABIT sem que fossem encaminhadas as amostras dos tecidos a serem analisadas, violando, também, os termos do convênio firmado entre a Receita Federal e a ABIT (vide exigência de envio de amostras às fls. 173, parágrafo primeiro). Ou seja, além do dom da infalibilidade, o subscritor do laudo coringa da ABIT, de fls. 181/279, tem, também, o atributo da onisciência, eis que é capaz de analisar mercadorias sem as correspondentes amostras; f ) assim, resta evidenciado que no caso vertente formouse estrutura estranha, pois o Auditor Fiscal, ao invés de buscar uma entidade neutra para elaborar laudo sobre a matéria, agiu como se fosse um procurador da ABIT. Tudo o que fora realizado no decorrer do processo administrativo assim o foi com base única e exclusiva em tabelas por ela formuladas. A ausência de imparcialidade, portanto, ensejou uma avaliação viciada e nula por parte da fiscalização. Temse, assim, que todas as manifestações técnicas da ABIT nestes autos, à exceção da denúncia, são provas nulas, devendo, inclusive, ser retiradas dos autos, Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 6 11 para que não possam contaminar o ânimo da autoridade julgadora administrativa; g) se a impugnante detinha prazo para se manifestar sobre a estimativa de custo apresentado pelo Termo de Intimação 3 e apresentar laudo técnico, não havia motivos para que a fiscalização excluísse o primeiro método de valoração aduaneira. Até mesmo porque a Impugnante havia apresentado todos os documentos que exigem o primeiro método de valoração (invoices, proforma, contratos de câmbio), bem como cartas do exportador declarando a veracidade dos preços negociados; h) o esclarecimento prestado sobre o aumento de preços ser decorrência dos reajustes realizados pelo exportador e por se tratarem de produtos com características diferentes não pode ser tachado de insuficiente pela fiscalização, porque nenhum fornecedor do mundo irá informar seus custos para produção e sua margem de lucro, j á que se trata de knowhow do exportador. Assim, carece de fundamentação por parte da fiscalização a não aceitação do aumento de preço, declarado como real e autêntico pelo próprio exportador, para propor o desenquadramento do I o método de valoração; i)outrossim, é descabido rechaçar o I o método de valoração pelo fato de a impugnante importar de três exportadores distintos e todos deterem preços similares. Neste tópico, a fiscalização volta a "fechar os olhos" para os esclarecimentos prestados pela impugnante, que informou, por primeiro, que não se tratam de três exportadores, mas sim de DOIS EXPORTADORES, uma vez que duas das empresas pertencem ao mesmo grupo. E, ainda, é incontroverso o fato que todo o cliente realiza "leilão" de preços em seus fornecedores para manter o custo x beneficio de seu negócio; j ) ademais, os preços médios de importação da KATEC, em função do volume importado e da qualidade exigida, encontravamse totalmente de acordo com as médias de importações para o Brasil para o mesmo período e mesmo país de origem. Foram apresentadas pesquisas na ALICEWEB demonstrando que os preços praticados pela Impugnante estavam compatíveis com o praticado no mercado. Frisase que na manifestação da Impugnante às fls. 280/284, fora apresentada outra opção de importação "paradigma", com preços muitíssimo inferiores ao escolhido pela fiscalização, que aparentemente optou por valerse do maior valor disponível em sua base de dados; Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 12 k) dessa forma, deverão ser considerados nulos os atos praticados pela fiscalização, que sem qualquer fundamentação aplicou o terceiro método de valoração, devendo prevalecer o primeiro método no caso em tela; 1) o custo aplicado pela ABIT está incorreto, pois inicialmente apresentou o valor de R$ 1,465 para custo da matéria prima fio (fls. 147/148), como se fosse fio texturizado, e após a Impugnante dispor que se utiliza de fio liso, apresenta nova estimativa valorando o texturizado para R$ 1,593 e o liso para R$ 1,465. Temse que a cada momento a ABIT apresenta preços de custos da mercadoria diversos. Nada obstante tal fato, a ABIT em sua estimativa, não considerou os tipos e títulos de fio que compõe o tecido, o que de igual forma reduz o custo. E pior, acabou em seu laudo de estimativa por dar destinação diversa ao tecido importado pela impugnante, ao dispor que seriam para tecidos de decoração, quando a própria fiscalização reconhece que os tecidos por ela importados servem para fabricação de mochilas e sacolas; m) conforme laudo elaborado pela empresa INTERFACE (fls. 292/336), temse que através das diferenças entre fio liso e texturizado; custo de tecelagem do fio liso e do texturizado; título do fio; gramatura do tecido; qualidade inferior; volume de compras; a estimativa de custo diverge em percentuais consideráveis ao da estimativa de custo apresentado. Destarte, resta comprovado que a estimativa de custo apresentada pela ABIT encontrase totalmente em desacordo com o tipo de tecido importado pela impugnante; n) a fiscalização aplicou incorretamente o 3o método, primeiro porque o produto apresentado pela fiscalização não é similar àquele importado pela impugnante, já que aquele passou por processo de beneficiamento (tinto), e ambos divergem entre si nos quesitos percentagem da composição, gramatura, construção, título e tipo do fio e finalidade. A impugnante NUNCA mencionou que seu produto poderia ser utilizado para decoração, muito pelo contrário, que era para revestimento de mochilas e sacolas detendo qualidade inferior de tecidos que ficam à mostra. Nesta esteira, nunca poderia tal produto ter sido considerado como similar ao da impugnante; o) a similaridade do produto também não pode ser considerada em decorrência do segundo requisito, qual seja, venda no mesmo nível comercial e quantidade. Observase que a fiscalização compara importações de produtos de cerca de 170 (cento e setenta) mil quilos de tecido versus as 55 (cinqüenta e cinco) importações realizadas pela impugnante, que se referem a mais de duas mil toneladas de tecido. Ademais, também não fora Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 7 13 considerada a forma de pagamento, pois destacase que a impugnante adquiri seus produtos à vista. A fiscalização sequer verificou ou apresentou a forma de pagamento do paradigma, o que comprova que o segundo requisito não foi cumprido; p) por fim, temse que o terceiro requisito também não foi cumprido pela fiscalização, uma vez que não se trata do mesmo país exportador. Veja que as importações da impugnante foram realizadas da China e Taiwan, sendo cerca de 51% das importações China e 49% Taiwan, quando que o similar adotado foi 100% Taiwan. Logo, não se enquadra no terceiro requisito de similaridade; q) ressaltese que a fiscalização sequer utilizouse do paradigma que apresentou com gramatura 250g/m2, que mais se assemelhava do produto da impugnante, preferindo eleger o que detinha gramatura 226g/m2. Isto somente pelo fato do preço deste último ser mais elevado que o primeiro, não deixando dúvidas que a valoração realizada superfatura os preços. Assim, verificase que a fiscalização optou por escolher senão o preço mais alto disponível na base de dados, algo muito próximo disso, rejeitando sem motivação idônea, os paradigmas apontados como alternativa pela impugnante, em total afronta ao GATT; r) contudo, temse que a Impugnante não tinha amostras, mas nada impedia a fiscalização de obter amostras deste tipo de tecido e realizar o ensaio técnico para apuração dos valores, mas assim não agiu e preferiu manterse no âmbito da presunção em decorrência da opinião j á formada e projetada pela ABIT à fiscalização. Neste diapasão, o processo administrativo não pode basearse em meras presunções, mas deve ser comprovado; s) por todo o exposto, requer a impugnante seja acolhida a preliminar declinada, face ao cerceamento de defesa praticado pela fiscalização, ou, alternativamente, seja convertido o presente julgamento, em diligência, para que sejam apresentadas as Declarações de Importação que embasaram o Termo de Notificação que propôs o desenquadramento do 1º Método de Valoração. Caso não seja este o entendimento, requerse que o presente auto de infração seja declarado nulo em decorrência de seus vícios insanáveis, a saber: (i) ausência de fundamentação, posto que a denúncia perpetrada, não guarda relação com a impugnante; (ii) toda a fundamentação do procedimento fiscal é parcial e se embasa em informações prestadas exclusivamente pela denunciante ABIT, antes ainda de ser oficiada formalmente; (iii) inexistência de provas para desqualificar o 1º Método de Valoração Aduaneira; (iv) o Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 14 produto utilizado para aplicação do 3o Método de Valoração Aduaneira não é similar. Contudo, caso não seja o entendimento deste Julgador, requerse que seja aplicado para realização do 3º Método de Valoração Aduaneira os paradigmas apresentados pela impugnante com os devidos ajustes previstos no artigo V II do GATT. Ad argumentandum, caso não seja o entendido pela aplicação do paradigma da impugnante, requerse que seja aplicado sobre o preço eleito para a valoração aduaneira utilizado pela fiscalização os reajustes determinantes do GATT. É o relatório. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II SP julgou improcedente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1748.579, sessão de 17/02/2011 (fls. 800/ss – Volume V)), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 18/01/2006 a 13/06/2007 Ementa: VALOR ADUANEIRO. É legítima a decisão fundamentada da autoridade fiscal que rejeita o valor de transação declarado pelo importador que, apesar de devidamente intimado, não esclarece as circunstâncias pelas quais o preço de venda das mercadorias importadas encontrase abaixo do custo de produção. Todavia, a aplicação do terceiro método de valoração não subsiste em face da falta de comprovação da procedência dos valores arbitrados, e/ou quando não observados os requisitos previstos pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Foi apresentado Recurso de Ofício, pelo Presidente da 2ª. Turma da DRJ SPOII, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no art. 1° da Portaria MF n° 03/2008. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 02/03/2011 (fls. 824/825 – Volume V), sendo que não consta dos autos a interposição de Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 8 15 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Da motivação do procedimento fiscal e da alegada parcialidade do Fisco e da ABIT Entendo que não há reparos a fazer na decisão de primeira instância no tocante a estas matérias preliminares. Como relatado, o procedimento fiscal teve origem em denúncia formalizada pela ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (fls. 03/08), que apontou fortes indícios de irregularidades nas importações de tecido classificados nos códigos NCM/SH 5906.2000 e 5903.9000, uma vez que os preços médios de importação no ano de 2008 estavam abaixo do custo de produção, conforme trechos abaixo transcritos: Tratase de tecidos impregnados ou revestidos com poliuretano (PU) e/ou outros plásticos, com exceção de poli cloreto de vinila (PVC), classificados nas posições tarifárias 59032000 e 59039000 respectivamente, que em nosso entendimento estão sendo importados a valores inferiores aos custos das matériasprimas têxteis utilizadas em sua produção. Como pode ser observado na planilha em anexo, foram importadas mais de 2.700 toneladas de tecidos impregnados com poliuretano (PU) no ano de 2008 pelo Porto do Rio de Janeiro a um preço médio de US$0,73/kg FOB, sendo que apenas no mês de dezembro foram importadas 400 toneladas a US$0,51/kg FOB. Para efeito de "comparação, no ano fechado de 2007 foram importados pelo mesmo porto cerca de 2 toneladas a um preço médio de US$17,37/kg, um valor 2.280% maior que a média no ano de 2008. Ainda no mesmo tipo de tecido, foram importadas pelo Porto de Itaguaí mais de 3.200 toneladas no ano de 2008 a um preço médio de US$1,02/kg FOB e mais de 4.000 toneladas em 2007 a um preço médio de US$0,48/kg FOB, valores muito abaixo de suas próprias matérias primas, conforme será detalhado abaixo. (grifamos) Importante registrar que a denúncia apresentada, por qualquer cidadão ou entidade, serve apenas para levar ao Fisco indícios de prática de irregularidades aduaneiras/tributárias, sendo então, aprofundada a pesquisa destas irregularidades com base em critérios técnicos e na execução de procedimentos fiscais próprios. Esta fase de execução do procedimento fiscal (“fiscalização”) é uma etapa meramente investigativa, inquisitória, onde o Fisco busca verificar se houve o correto Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 16 cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte, não havendo a necessidade, neste momento, de se estabelecer o contraditório e a ampla defesa. Caso seja detectada alguma irregularidade, será lavrado o competente ato administrativo de lançamento, quando então, havendo a impugnação por parte do contribuinte, instaurase a fase processual. Nesta nova fase, então, o contribuinte terá direito à ampla defesa e ao contraditório, como de fato ocorreu, no caso concreto. Como muito bem destacou o voto da decisão recorrida, a denúncia formalizada pela ABIT apenas originou “o procedimento fiscal sob análise, não menos certo é que seus termos não têm o condão de limitar a competência institucional ínsita à natureza do Fisco, qual seja, a de exercer a administração dos tributos internos e do comércio exterior, executando atividades de fiscalização, entre outras”. A Receita Federal do Brasil, dentro de sua área de competência legal, tem a prerrogativa – poder/dever – de executar procedimentos fiscais em relação aos tributos federais, não havendo, portanto, qualquer ilicitude no fato de efetuar uma fiscalização em decorrência de uma denúncia apresentada. Muito pelo contrário, é sua missão apurar as denúncias levadas a seu conhecimento e, se ficar constatado que são procedentes, tomar as medidas legais cabíveis. Da valoração aduaneira O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT, denominado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT), é previsto na legislação pátria pelo Decreto Legislativo No. 30, de 15 de dezembro de 1994, sendo que o texto do AVA foi publicado com o Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, cuja vigência iniciouse em 1o de janeiro de 1995. As normas sobre valoração acima citadas estabelecem que o valor aduaneiro da mercadoria importada deva ser determinado mediante a aplicação sucessiva e sequencial, do primeiro ao último dos seis métodos de valoração até se chegar àquele por meio do qual se possa determinar o valor aduaneiro. O primeiro e principal método, previsto no art. 1o combinado com o art. 8o do AVA, baseiase no “valor da transação”, isto é, no preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, existindo cinco métodos secundários: “Valor de Transação de Mercadorias Idênticas” (art. 2o); “Valor de Transação de Mercadorias Similares” (art. 3o); “Valor Dedutivo” (art. 5o); “Valor Computado” (art. 6o) e “Valor de Último Recurso” (art. 7o), os quais devem ser aplicados na sequência enumerada no Acordo, com a ressalva prevista no art. 4o, que permite ao importador solicitar a inversão da ordem de aplicação dos métodos referidos nos artigos 5º e 6º. No caso em tela, a fiscalização submeteu à valoração aduaneira os produtos importados pelo contribuinte nos termos do AVA, conforme veremos a seguir. Da rejeição do 1º Método de Valoração Aduaneira Quanto a esta matéria, também entendo que não há reparos a fazer na decisão de primeira instância. Ficou plenamente demonstrada pela fiscalização a impossibilidade da aplicação do 1º Método de Valoração Aduaneira (vide exposição detalhada no “Termo de Constatação e Verificação”, às folhas 482 a 489), devendo, assim, serem aplicados sucessivamente os métodos subsequentes. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 9 17 A autoridade fiscal, inclusive, intimou a empresa para que “se manifestem sobre a desclassificação do 1º para o 3º método de valoração aduaneira, com a adoção dos novos valores aduaneiros, manifestação essa que deve ser acompanhada de elementos probatórios de forma a que se modificar o entendimento desta Administração Tributária” (fl. 492 frente), entretanto, a Recorrente não apresentou elementos probantes capazes de elidir a desclassificação do 1º método (fls. 492 – verso). Transcrevemos trechos elucidativos do voto condutor do acórdão da DRJ – São Paulo, que demonstra os motivos pelos quais não foi aceito o 1º Método de Valoração, qual concordamos inteiramente, verbis: “(...) a autoridade fiscal poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. No presente caso, a dúvida que norteou o trabalho fiscal decorreu do fato de as mercadorias estarem sendo exportadas a preços abaixo do seu custo de produção, conforme estimativa disponibilizada pela ABIT. Considerando que a impugnante não logrou afastar a aplicação da referida estimativa ao caso sob comento, conforme demonstrado no tópico anterior, restanos perquirir se as explicações, documentos e/ou provas apresentados são suficientes para esclarecer a dúvida existente. Em que pese a importadora tenha apresentado a documentação exigida (invoices, proforma, contratos de câmbio), além de cartas dos três exportadores declarando a veracidade dos preços negociados, é forçoso reconhecer que não foram esclarecidas as razões, nem apresentadas provas materiais, hábeis a justificar a prática de preços abaixo do custo de produção. Razão assiste à fiscalização, quando afirma que o laudo apresentado pela contribuinte se limita a fazer considerações gerais, omitindose em fornecer dados técnicos para se contrapor às estimativas de custos apresentadas pela ABIT. Referido laudo, repetimos, foi hábil em enumerar os diversos fatores que influenciam os preços dos produtos, todavia revelouse incapaz de identificar suas características específicas, passando ao largo de qualquer estimativa de custos. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 18 As cartas emitidas pelos exportadores também não esclarecem os motivos dos preços praticados, já que se limitam apenas a declarar a veracidade dos valores impressos nas faturas comerciais. Finalmente, também está correta a fiscalização quando alega que as médias estatísticas do Aliceweb não têm utilidade para fins de valoração aduaneira. De fato, a posição NCM 5903.20.00 envolve produtos com uma grande variedade de características e diferenças de condições, o que inviabiliza qualquer comparação. Destaquese, por fim, que a interessada não contestou esta decisão da DRJ São Paulo (que rejeitou o 1º Método de Valoração Aduaneira), uma vez que não houve a apresentação de Recurso Voluntário. Da aplicação dos métodos sequenciais O voto condutor do Acórdão 1748.579 concluiu por “reconhecer a legitimidade da decisão que rejeitou o primeiro método de valoração aduaneira”, entretanto, afastou a aplicação do 3º Método de Valoração por entender que “o fato de a aplicação do terceiro método não predicar observância aos requisitos normativos previstos pela legislação de regência, impede seja reconhecida procedência ao lançamento fiscal”. Entendo que a decisão de primeira instância administrativa deve ser reformada no tocante a conclusão a que chegou quanto à aplicação do 3º Método de Valoração. Senão vejamos. A partir da rejeição do 1º Método de Valoração Aduaneira efetuado pela fiscalização, com o qual concordamos inteiramente, o método seguinte 2º Método de Valoração (“mercadoria idêntica”) – não foi aplicado por inexistência de mercadorias idênticas (conforme descrito pela fiscalização às folhas 490) e, por conseguinte, sequencialmente, aplicouse o método seguinte – o 3º Método de Valoração Aduaneira (“mercadoria similar”). Este Método está disciplinado no artigo 3 do AVA, nos seguintes termos: Artigo 3 1. (a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições dos Artigos 1 e 2, será ele o valor de transação de mercadorias similares vendidas para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado. (b) Na aplicação deste Artigo, será utilizado, para estabelecer o valor aduaneiro, o valor de transação de mercadorias similares, numa venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade que as mercadorias objeto de valoração. Inexistindo tal venda, será utilizado o valor de transação de mercadorias similares vendidas em um nível comercial diferente e/ou em quantidade diferente, ajustado para se levar em conta diferenças atribuíveis aos níveis comerciais e/ou às Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 10 19 quantidades, desde que tais ajustes possam ser efetuados com base em evidência comprovada, que claramente demonstre que os ajustes são razoáveis e exatos, quer estes conduzam a um aumento quer a uma diminuição no valor. 2. Quando os custos e encargos referidos no parágrafo 2 do Artigo 8 estiverem incluídos no valor de transação, este valor deverá ser ajustado para se levar em conta diferenças significativas de tais custos e encargos entre as mercadorias importadas e as similares às importadas, resultantes de diferenças nas distâncias e nos meios de transporte. 3. Se, na aplicação deste Artigo, for encontrado mais de um valor de transação de mercadorias similares, o mais baixo deles será utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Por sua vez, o artigo 15.2 do AVA prescreve os conceitos que devem ser dados aos termos “mercadoria idêntica” e “mercadoria similar”, verbis: "a) entendese por "mercadorias idênticas" as mercadorias que são iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram na definição; b) entendese por "mercadorias similares" as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares incluemse a sua qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; (...) d) somente poderão ser consideradas "idênticas" ou "similares", as mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração; Ab initio, é importante destacar que, nos termos do artigo 15.2 acima transcrito, o conceito de “mercadoria similar” é bem diferente daquele atribuído à “mercadoria idêntica”, pois não há necessidade de se assemelharem em todos os seus aspectos, sendo suficientes que tenham características e composição semelhantes, desde que cumpram as mesmas funções. A interessada argumentou que o produto apresentado pela fiscalização (paradigma) não é similar àquele por ela importado, já que passou por processo de beneficiamento (tinto), e ambos divergem entre si nos quesitos percentagem da composição, gramatura, construção, título e tipo do fio e finalidade. Por sua vez, a ABIT foi inequívoca ao Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 20 esclarecer, às fls. 181/182, que "os tecidos em análise são semelhantes entre si podendo inclusive ser substituíveis”. No meu entender, os produtos são semelhantes, repitase, não idênticos! Vejamos: a) Descrição produto importado pela Katec: 1º.) Polyester 300D*300D/PU – tecido plano de filamentos sintéticos de poliéster recoberto com plástico a base de poliuretano em ponto de tafetá c/ gramatura aproximada de 350 g/m2, largura de 1,5 mts e títulos aproximados de 330 decitex (tela revestida). Composição: 91% poliéster, 9% poliuretano. 2º.) Polyester 300D*600/PU tecido plano de filamentos sintéticos de poliéster recoberto com plástico a base de poliuretano em ponto de tafetá com gramatura aproximada de 350 g/m2, largura de 1,44 mts. e títulos aproximados de 330 decitex e 660 decitex (tela revestida). Composição: 91% poliéster, 9% poliuretano. b) Descrição produto similar 1º.) Tecido plano, poliéster, tela, tinto, 330 dtex, largura l,50m, 226 gr/m2, recoberto PU composição: 95% poliéster, 5% poliuretano 2º.) Tecido plano, poliéster, tela, tinto, 330 dtex, largura l,50m, 250 gr/m2, recoberto PU composição: 95% poliéster, 5% poliuretano Tanto os produtos importados pela Katec como os “produtos similares” têm a mesma função (por óbvio, são tecidos) e têm características (tecidos planos de poliéster) e composições semelhantes (um tem 91% de poliéster e 9% de poliuretano; o outro 95% e 9%, respectivamente). Veja, não há necessidade de que as características e composição sejam idênticas (senão estaríamos tratando do 2º Método de Valoração), mas “similares”, ou seja, análogos e parecidos. Em relação ao requisito constante do artigo 3, item 1 (a) – “mercadorias vendidas para exportação para o mesmo país de importação” – ambos os produtos (o da Katec e o “similar”) foram igualmente importados pelo Brasil, portanto, atende plenamente a exigência. Da mesma forma, quanto ao outro requisito do artigo 3, item 1 (a) – “exportadas ao mesmo tempo” ou “em tempo aproximado” também se encontra satisfeito, posto que as importações objeto da autuação referemse ao período de janeiro/2006 a junho/2007, enquanto as importações paradigmas referemse praticamente ao mesmo período (vide planilha de fls. 474). Em relação ao requisito do artigo 3, item 1 (b) – “venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade que as mercadorias objeto de valoração” – pareceme também que foram atendidos, uma vez que “substancialmente” as vendas estão em quantitativos semelhantes: o peso líquido dos produtos similares está na faixa de até 16.000 kgs (fl. 474); o peso líquido dos produtos da Katec está na faixa de 11.000 kgs a 58.000 kgs. (fl. 475/476). O requisito constante do artigo 15.2, item (d) – “mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração” – pode ser considerado atendido, uma vez que os produtos importados pela Katec são originários da China e de Taiwan e os “produtos similares” foram importados de Taiwan. Por fim, registrese que discordamos da decisão da DRJ – São Paulo quando afirma que “as DI utilizadas pela fiscalização não foram juntadas aos autos. Os dados Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16643.000323/201058 Acórdão n.º 3202000.520 S3C2T2 Fl. 11 21 referentes às importações paradigmas somente foram disponibilizados por meio da planilha de fls. 285/286, elaborada pelo Fisco, e posteriormente ajustada pela planilha de fl. 474”. A fiscalização não poderia juntar extrato das DI paradigmas (de outros contribuintes) aos autos por força do que dispõe o artigo 198 do CTN (sigilo fiscal), sendo que, para não infringir este dispositivo legal e trazer as informações aos autos, elaborou planilha contendo os mesmos dados das DI paradigmas (extraídos de sistemas da Receita Federal). Observese, que os dados apresentados nas planilhas de folhas 285/286 e 474 são suficientes e bastantes para o fim a que se prestam nestes autos a valoração aduaneira. Há presunção (relativa) de legitimidade no tocante aos atos praticados pela autoridade fiscal, portanto, até que se prove em contrário, os dados apresentados nas planilhas são verdadeiros e refletem aqueles constantes nas respectivas declarações de importação. Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO Recurso de Ofício e manter o crédito tributário exigido. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10640.900093/2009-39
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/11/2006
Declaração de Compensação (DCOMP). Emissão Indevida. Cancelamento da Cobrança.
O PER/DCOMP se presta a declarar compensação, quando o sujeito passivo tiver crédito a compensar. Constatada a emissão indevida de PER/DCOMP, face a inexistência de crédito a compensar e havendo débito correlato, eis que inexiste pagamento, deve-se prosseguir na cobrança decorrente da entrega indevida da DCOMP eletrônica.
Pedido de cancelamento de DCOMP: O pedido de compensação efetuado via PER/DCOMP somente pode ser cancelado antes de proferido o despacho decisório, com fundamento no artigo 9o da IN 432/2004. Se o contribuinte não o fez naquela oportunidade, não poderá agora requerê-lo
Numero da decisão: 1802-001.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 11/11/2006 Declaração de Compensação (DCOMP). Emissão Indevida. Cancelamento da Cobrança. O PER/DCOMP se presta a declarar compensação, quando o sujeito passivo tiver crédito a compensar. Constatada a emissão indevida de PER/DCOMP, face a inexistência de crédito a compensar e havendo débito correlato, eis que inexiste pagamento, deve-se prosseguir na cobrança decorrente da entrega indevida da DCOMP eletrônica. Pedido de cancelamento de DCOMP: O pedido de compensação efetuado via PER/DCOMP somente pode ser cancelado antes de proferido o despacho decisório, com fundamento no artigo 9o da IN 432/2004. Se o contribuinte não o fez naquela oportunidade, não poderá agora requerê-lo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 141 1 140 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900093/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.655 – 2ª Turma Especial Sessão de 8 de maio de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MEPEMULTI ESTRUTURA PROJETOS E ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/11/2006 Declaração de Compensação (DCOMP). Emissão Indevida. Cancelamento da Cobrança. O PER/DCOMP se presta a declarar compensação, quando o sujeito passivo tiver crédito a compensar. Constatada a emissão indevida de PER/DCOMP, face a inexistência de crédito a compensar e havendo débito correlato, eis que inexiste pagamento, devese prosseguir na cobrança decorrente da entrega indevida da DCOMP eletrônica. Pedido de cancelamento de DCOMP: O pedido de compensação efetuado via PER/DCOMP somente pode ser cancelado antes de proferido o despacho decisório, com fundamento no artigo 9o da IN 432/2004. Se o contribuinte não o fez naquela oportunidade, não poderá agora requerêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 93 /2 00 9- 39 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900093/200939 Acórdão n.º 1802001.655 S1TE02 Fl. 142 2 Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora JFA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não homologando a compensação de suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor de R$ 5.583,16, com débito de mesma natureza, relativo ao 3º trimestre de 2004, bem como não acatou o pedido de cancelamento da PER/DCOMP efetuado por falta de competência das Delegacias de Julgamento, determinando o prosseguimento da cobrança dos débitos existentes. Para descrever os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, in verbis: “Trata se de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico nº 821001025, emitido em 16/02/2009, fl. 3, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 41715.20500 111106.1.7.042854, transmitido em 11/11/2006, às fls. 04/08, referente a alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 373), no valor original informado de R$ 5.583,16, com débito da mesma natureza, relativo ao 3º trimestre de 2004. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado na DCOMP, fl. 6, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Diante da inexistência de crédito, não foi homologado a compensação declarada. A interessada, às fls. 2, pediu o cancelamento da referida DCOMP, alegando, verbis: ‘Os créditos informados nessa PER/DCOMP são aqueles oriundos dos direitos de abatimento do contribuinte optante pela forma de apuração do Lucro Real, quais sejam, recuperação de IPI/IR retidos e/ou pagos na fonte e desconto de 30% da base de cálculo para compensação de prejuízos anteriores. Tais compensações do imposto devido não constituem "pagamento indevido ou a maior'', tendo sido, portanto, equivocada a geração e transmissão da PER/DCOMP.’ Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900093/200939 Acórdão n.º 1802001.655 S1TE02 Fl. 143 3 Para instrução dos autos anexei, às fls. 18/20, extrato relativo à DCTF 4º Trim/2004 entregue pela interessada.". Assim, pela decisão exarada, a DRJ/DFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e indeferiu o pedido de cancelamento formulado pela Recorrente, baseandose nos seguintes argumentos: 1) O DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, por isso os créditos alegados pela Recorrente não foram reconhecidos; 2) A Recorrente deveria ter retificado a DCTF referente ao 3º trimestre de 2004 que constava de informações erradas e não emitir PER/DCOMP para este fim, pois a PER/DCOMP se presta a declarar compensação, quando o sujeito tiver crédito, o que não ocorre neste caso; 3) Não há competência a aquele colegiado para apreciação do pedido de cancelamento da PER/DCOMP; 4) Como a Declaração de Compensação constitui confissão de dívida, os débitos indevidamente compensados deverão ser mantidos e cobrados devidamente. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando que os valores em aberto referente ao 3º trimestre de 2004, foram devidamente compensados a com créditos tributários de IPI e IRRF (juntada as notas fiscais com objetivo de comprovar a possibilidade de aproveitamento desses créditos), sendo a emissão do PERD/COMP 41715.20500.111106.1.7.042854, de 11/11/2006, na modalidade de compensação de pagamento indevido ou a maior, fora feito equivocadamente, requerendo, ao final, baixa (cancelamento) do PER/DCOMP, o acatamento das DCTFs retificadoras e a cessação da cobrança do respectivo débito. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O presente recurso voluntário é tempestivo, vez que a intimação via postal foi recebida em 04/04/2012 (fls. 23) e o protocolo do Recurso Voluntário no dia 02/05/2012 (fls. 25), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, consagrado pelo artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900093/200939 Acórdão n.º 1802001.655 S1TE02 Fl. 144 4 sendo certo que também preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O crédito fiscal pretendido pela Recorrente não foi confirmado, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A própria Recorrente admite que o crédito fiscal pleiteado através do PERD/COMP, ora em análise, inexiste, sendo que o crédito que suportaria tal compensação é o decorrente do aproveitamento de créditos de IPI na compra de insumos e de IRRF sobre notas fiscais e não do pagamento a maior ou indevido de Imposto de Renda. Constatase dos autos que a Recorrente ao preencher a DCTF do 3º trimestre de 2004, informou como “compensação de pagamento indevido ou a maior” e, ao invés de proceder a retificação da DCTF, emitiu o PERD/COMP, ora em julgamento, vinculando a DARF de pagamento inexistente. Assim, resta comprovado nos autos que a Recorrente não possui o crédito pleiteado que suporte a compensação requerida através do PERD/COMP no. 41715.20500.111106.1.7.042854 O pedido de cancelamento do PERD/COMP efetuado pela Recorrente poderia ter sido efetivado apenas antes de proferido o despacho decisório, nos termos do artigo 62, da IN 600, de 2005 que regulava a matéria à época. Após esse evento, entendo que o PERD/COMP não pode ser mais alterado. Apesar da recorrente ter apresentado DCTF retificadora, apenas em sede recursal, na qual as informações prestadas erroneamente a título de “compensação de pagamento indevido ou a maior” foram corrigidas e agora declaradas como “outras compensações”, em nada altera o deslinde da causa, uma vez que o crédito objeto da respectiva compensação, constante do PERD/COMP não fora reconhecido e, por isso, a DCTF retificadora não constitui como medida hábil para esse caso. Não seria possível a esse Conselho, na fase processual que se encontra o presente processo, homologar a compensação pleiteada, uma vez que os créditos de IPI e IRRF, trazidos à baila pela recorrente, não foram analisados pela Receita Federal. Ademais a pretensão da Recorrente implica novação do pedido o que é vedado pela legislação. Por fim, como a declaração de compensação constitui confissão de dívida (art. 26 da IN 600/2005), o débito objeto do presente PERD/COMP não compensado por inexistência de crédito, passa a ser devidos pelo Recorrente. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, mantendo a decisão da DRJ/JFA. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900093/200939 Acórdão n.º 1802001.655 S1TE02 Fl. 145 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001773/2003-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA
A multa isolada reporta-se ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Se a imputação de penalidade é feita após o encerramento do ano-calendário, o balanço final do exercício é prova suficiente para determinar o limite da multa - cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido - sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Numero da decisão: 9101-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dado provimento em parte ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva e Valmir Sandri que negavam provimento, e Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) que dava provimento integral.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A multa isolada reporta-se ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Se a imputação de penalidade é feita após o encerramento do ano-calendário, o balanço final do exercício é prova suficiente para determinar o limite da multa - cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido - sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
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Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Se a imputação de penalidade é feita após o encerramento do anocalendário, o balanço final do exercício é prova suficiente para determinar o limite da multa cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dado provimento em parte ao recurso. Vencidos os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 17 73 /2 00 3- 85 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 16 2 José Ricardo da Silva e Valmir Sandri que negavam provimento, e Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) que dava provimento integral. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, inciso II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do acórdão de n° 10515.594, proferido pela então Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 22 de março de 2006. Tratase de Auto de Infração (fls. 34/40) para a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL para os anoscalendários de 1998 a 2002, no montante de R$ 681.820,45 em decorrência das seguintes irregularidades apontadas: (i) Exclusão indevida na apuração do lucro real de valores referentes a depósitos judiciais das contribuições para o PIS e COFINS. Infração ao artigo 344, § 1° do RIR/99. (ii) Falta de recolhimento da CSLL anual. Indevida compensação da contribuição social devida com 1/3 da COFINS que não estava paga, mas apenas depositada judicialmente. Infração ao artigo 8° da Lei 9.718/98. (iii) Falta de recolhimento das estimativas mensais de CSLL, apuradas em balanços de suspensão. Houve imposição de multa isolada relativa ao não recolhimento das estimativas mensais e multa proporcional referente à CSLL devida e não paga ao final do período. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 17 3 O contribuinte apresentou impugnação às fls. 530/544, mas a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) manteve o lançamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Normas da Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: Multa. Podem validamente conviver a multa isolada relativa ao não recolhimento das estimativas mensais e a multa proporcional referente à CSLL devida e não paga ao final do período, tendo em vista serem diferentes as suas hipóteses de incidência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: depósitos judiciais. Incabível a dedução de depósitos judiciais relativos a tributos e contribuições enquanto encontrarse suspensa a sua exigibilidade. Lançamento procedente. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 581/605 no qual sustentou, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração em virtude de vício formal, bem como a nulidade da decisão recorrida por falta de motivação do ato administrativo, nos termos do artigo 50 do Decreto n° 70.235/72. Quanto ao mérito, alegou, principalmente, o descabimento da aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Sobreveio acórdão da então Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que manteve as exigências quanto aos depósitos judiciais não oferecidos à tributação bem como a improcedência da dedução da CSLL correspondente a 1/3 da COFINS. Contudo, afastou a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício no mesmo lançamento. A decisão restou assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO Descabe a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício no mesmo lançamento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL – ANO CALENDÁRIO: 1998, 1999 DEPÓSITOS JUDICIAIS Incabível a exclusão de depósitos judiciais relativos a tributos e contribuições enquanto encontrarse suspensa a sua exigibilidade. ANOCALENDÁRIO 1999. COMPENSAÇÃO 1/3 da COFINS A dedução da CSLL correspondente a 1/3 COFINS somente Fl. 787DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 18 4 A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 662/671), com fulcro no artigo 7°, inciso I do Regimento Interno do Conselho de Contribuinte, alegando, em síntese, que o r. acórdão recorrido contraria o disposto no artigo 44, § 1°, inciso IV da Lei 9.430/96. Aduz que ao contrário do que afirma a e. Câmara, não há imposição de duas multas sobre uma mesma infração pois “a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa”. Além disso, sustenta que tais multas tampouco incidem sobre a mesma base de cálculo. Às fls. 673/674, pelo Despacho de n° 1050310/2008, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, satisfeitos os pressupostos para a sua admissibilidade. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 725/736) alegando a improcedência da tese defendida pela Fazenda Nacional acerca da concomitância na aplicação das penalidades. Além disso, às fls. 697/724 apresentou Recurso Especial aduzindo inconsistências entre o Auto de Infração e o Acórdão guerreado no tocante ao enquadramento legal e à descrição correta dos fatos. Contudo, às fls. 751 o mesmo apresentou requerimento de desistência de Recurso Administrativo. Às fls. 783 o processo foi encaminhada à Câmara Superior de Recursos Fiscais para regular julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Tendo em vista que o contribuinte apresentou pedido de desistência do seu Recurso Especial, permanece em litígio apenas a matéria exonerada objeto de recurso da Fazenda Nacional. O Recurso da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele conheço. Quanto ao Recurso do Contribuinte, tendo este sido objeto de requerimento de desistência, dele não conheço. Delimitando a lide, a questão cingese exclusivamente à aplicação da multa de ofício cumulada com a multa isolada em decorrência do não pagamento da CSLL. Ocorre que a multa isolada foi aplicada em relação aos anoscalendários de 1998 a 2002, exatamente os mesmo anoscalendários objeto do lançamento principal. Primeiramente, verifico do termo de verificação fiscal que relativamente aos anos de 1998 e 1999 de fato ha concomitância entre a multa isolada e a multa de oficio, conforme demonstrativo de calculo da CSLL, mencionado no referido termo, e apresentado no anexo 2/1998 (fls. 54/57) e anexo 2/199 (fls. 58/61). Tal não se constata contudo para os anos calendários de 2000, 2001 e 2002, cujas penalidades isoladas são lançadas com fundamento na diferença entre a escrituração mensal contábil e fiscal do contribuinte, os valores declarados à CSRF e os sistemas de controle da SRF. Tudo conforme TVF, especificamente às fls. 44 a 48. A despeito de tanto o voto vencido quanto o voto vencedor abordarem de modo geral a questão da multa isolada referente às estimativas mensais da CSLL aplicadas com base nas infrações para lançamento do imposto, em outros itens do mesmo auto de infração e, a Fl. 788DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 19 5 despeito do voto vencedor ter dado provimento ao recuso do contribuinte para retirada da multa isolada, verifico a necessidade de segregar o período para o qual a multa de fato se apresenta de forma concomitante com a imputação da infração principal, o qual ao meu ver só se apresenta para os períodos de 1998 e 1999. No que tange à concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada, para que se firme o adequado entendimento da questão que ora se coloca, fazse necessário ponderar a natureza das penalidades e os critérios para a aplicação das multas. ESTRUTURA E NATUREZA DA SANÇÃO A sanção é instrumento jurídico utilizado pelo Estado para desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe. Significa dizer que a desobediência de um dever estabelecido por uma norma jurídica corresponde a um ilícito – negativa da observância da relação jurídica prevista no conseqüente da norma primária dispositiva que, por sua vez, é a razão da imposição de sanção (conseqüência jurídica). Segundo Sacha Calmon Navarro Coelho “os ilícitos correspondem às hipóteses de incidência das sanções” (in Teoria Geral do Tributo e da Exoneração Tributária). A norma jurídica que estabelece a sanção contém no antecedente um fato jurídico correspondente ao evento ilícito que se pretende desestimular. No conseqüente da norma primária sancionadora está a própria sanção, com as indicações precisas dos sujeitos vinculados em razão do ilícito, e da forma de cálculo da penalidade a ser imputada ou, na hipótese de aplicação de sanção não pecuniária, a determinação do dever a que estará obrigado aquele que cometeu o ilícito. A natureza jurídica da sanção está diretamente relacionada com a natureza jurídica da norma de comportamento desobedecida, já que a sanção é conseqüência jurídica da desobediência da relação jurídica prevista na norma primária dispositiva. SANÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 789DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 20 6 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Fl. 790DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 21 7 Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. Feitas estas considerações, passamos à análise das multas específicas que são objeto do presente Recurso, quais sejam, (i) a multa isolada e (ii) a multa de ofício sobre o montante principal devido. A primeira delas foi aplicada pela falta de recolhimento antecipado de CSLL, e, a segunda pela ausência de pagamento do mesmo tributo quando do ajuste na Declaração Anual do Contribuinte. Ambas as multas foram apuradas e constituídas simultaneamente em procedimento de ofício e ambas as multas referemse à descumprimento de obrigação de pagar tributo. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: 1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 22 8 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSLL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 23 9 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetuar a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram Fl. 793DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 24 10 pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. E ainda que a redação do caput do mencionado artigo 44 tenha sido alterada, conforme disposição do artigo 113 do Código Tributário Nacional, a obrigação não pode ser outra senão a principal ou a acessória. Neste passo, ainda que o caput do mencionado artigo não mais se refira ao termo tributo ou contribuição, o pagamento de montante principal não pode se reportar a outra coisa que não a tributo, ainda que sob a forma de antecipação. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese Fl. 794DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 25 11 de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – CSLL é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo da CSLL devida – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou Fl. 795DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 26 12 possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Portanto, se a multa é de natureza tributária e tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, bem como para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. A MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A multa de ofício, por sua vez, é aplicada em lançamento cujo objetivo é a constituição de tributo não recolhido e tem fundamento no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, verbis: 2 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(...)” Esta multa, portanto, é aplicada sempre que finalizado o procedimento de fiscalização, quando, de ofício, a autoridade administrativa constitui crédito tributário não recolhido pelo contribuinte, como forma de penalizálo por não ter realizado a conduta devida, deixando de cumprir a obrigação principal decorrente da realização de fato gerador tributário. Evidentemente que a multa em questão relacionase com a obrigação principal, sendo calculada com base no valor do tributo que deixou de ser recolhido, de forma integral ou parcial. Assim, a multa de oficio tem natureza tributária, pois aplicada em razão do 2 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." "§ 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 27 13 descumprimento de relação jurídica obrigacional prevista na norma primária dispositiva de natureza tributária. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte sujeito passivo e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura CSLL devida ao final do ano calendário e impor sanção pelo não recolhimento das antecipações devidas, relativamente ao mesmo tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 28 14 Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794 – Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. No mesmo sentido, é o entendimento outrora pacificado nesta Câmara Superior, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.” (Recurso n.º : RD/101134.520 Sessão de : 18/09/2006, Acórdão n.º : CSRF/0105.503). “CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 29 15 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação”. (Recurso nº: 105139794, Sessão: 04/12/2006, Acórdão nº : CSRF/01 05.552). “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.” (Recurso nº : 107139.896 Sessão : 11/06/2007. Acórdão nº : CSRF/0105.675) Assim, no presente caso não pode prosperar a multa isolada em razão de insuficiência nos recolhimentos mensais de CSLL, pois foi também constituída multa de ofício em razão do lançamento para constituição do tributo e ajuste na base de cálculo apurado em mesmo procedimento de fiscalização, referente ao ano calendário de 1998 e 1999. Já com relação aos anoscalendário de 2000 a 2002, ao menos no que tange ao Termo de Verificação Fiscal, não constatei concomitância entre a multa isolada e eventual infração quanto à CSLL relativamente aos respectivos anos, pelo que não é possível exonerar nessa parte sobre tal fundamento, merecendo aqui provimento o Recurso da d. Fazenda Nacional. Contudo, tal provimento deve observar a jurisprudência pacificada dessa e. Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de limitar a base da penalidade ao valor do tributo efetivamente devido no encerramento dos respectivos anoscalendários. Sobre tal questão, essa Câmara Superior já inúmeras se manifestou, conforme de início relatei: “se a multa é de natureza tributária e tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, bem como para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal.” Neste sentido, dou PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer as multas não concomitantes, que são aquelas relativas apenas ao período de 2000 a 2002, limitadas, contudo, ao valor do tributo devido nos respectivos anoscalendário. É como voto. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001773/200385 Acórdão n.º 9101001.637 CSRFT1 Fl. 30 16 Sala das Sessões, em 15 de maio de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 800DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 11239.000918/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da existência de ação judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da existência de ação judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 23 9. 00 09 18 /2 01 0- 61 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998 Data da lavratura da NFLD: 30/05/2000. Data da ciência da NFLD: 30/05/2000. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face da empresa acima identificada, referente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, devidas e não recolhidas nos prazos e na forma prevista na legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/32. Informa a fiscalização que contribuições lançadas incidem sobre as seguintes rubricas: · Diferenças de salário de contribuição de segurados empregados incluídos em folha de pagamento; · Remunerações de trabalhadores, considerados indevidamente como autônomos pela empresa, por não atenderem aos pressupostos previstos no artigo 12, inciso IV, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, em decorrência dos elementos verificados pela fiscalização, constatando, em observância à legislação previdenciária, serem segurados empregados; · Retiradas prólabore do sóciogerente; · Remunerações a autônomos. Os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram com: · Pagamento a empregados incluídos em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias, recolhidos a menor; · Pagamento da remuneração aos trabalhadores relacionados em planilha anexa (Anexo II), em razão dos serviços de armador, pedreiro, pintor, bombeiro, servente de pedreiro e carpinteiro, os quais foram qualificados como segurados empregados, uma vez que se encontravam presentes os pressupostos legais de tal qualificação: Pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade; · Retiradas prólabore do sóciogerente Tarciso de Queiroz Bicalho e remunerações a autônomos (contadores, advogados, médicos e engenheiros), verificadas em recibos, cópias de cheques e registros contábeis. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.274 S2C3T2 Fl. 379 3 No desenvolvimento da ação fiscal foram examinados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, Livros Diários de número 1 a 9, sendo o último registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais/JUCEMG sob nº 52.001.595, em 04/04/2000. A empresa Recorrente ajuizou Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2001.38.03.0012417, cópia a fls. 258/285, perante a 2ª Vara Federal Subseção Judiciária de Pato de Minas /MG, visando a desconstituir o lançamento formalizado pela NFLD ora em julgamento e a afastar a incidência de juros moratórios à taxa SELIC. Sentença a fls. 218/222 julgou procedente o pedido do autor. Porém, o INSS interpôs recurso de apelação, a fls. 331/338, pendente ainda de julgamento no TRF1. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 95/108. O Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva em Uberaba/MG lavrou DecisãoNotificação a fls. 136/141, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/12/2000, fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 145/158, alegando em síntese: · Que os valores escriturados a título de remuneração de empregados correspondem aos valores efetivamente percebidos pelos mesmos em razão da relação de trabalho, não havendo qualquer diferença salarial a ser recolhida ou tributada; · Que somente a desclassificação feita pela fiscalização dos trabalhadores autônomos contratados é que origina discrepância nos valores de contribuições recolhidas. Afirma que as atividades relacionadas neste tópico são prestadas essencialmente por profissionais autônomos. Aduz que a notificação é calcada em simples presunção à revelia de fatos concretos e que a fiscalização deve apontar os fatos, motivos e fundamentos que revelam a descaracterização destes profissionais como autônomos. · Impossibilidade também de se instituir contribuição social que tenha como fato gerador ou base de cálculo de outro imposto, ou outra contribuição social já discriminada pela própria constituição; · Que com relação à contribuição dos segurados empregados, trabalhadores temporários e avulsos, na competência setembro de 1995, a NFLD traz como fundamento o art. 4º da Lei 9.129 de 20 de novembro de 1995, ou seja, lança os efeitos da novel legislação para o passado, afrontando os mais elementares princípios de aplicação do direito; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que quanto à contribuição da empresa sobre a remuneração dos empregados, bem como, quanto a contribuição das empresas para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, com referência às competências de agosto e setembro de 1997, firmase a autuação na Lei 9.528 de 10 de dezembro de 1997. Ao fim, requer que seja julgada procedente em todos os seus termos o presente recurso de modo a cancelar a autuação combatida, uma vez que assim se estará aplicando a plena Justiça ! Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 187/188. A 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento em diligência para que, in verbis: (a) a Autarquia elabore nova planilha, relacionando quais são os segurados indevidamente caracterizados como "autônomos", expondo os motivos que levaram a tal conclusão e exibindo indícios comprobatórios de suas alegações; (b) caso entenda ser necessária a retificação da autuação, proceda à elaboração de nova DecisãoNotificação e, após, cientifique o autuado dos seus termos, oferecendo prazo para apresentação de defesa, caso lhe interesse; (c) caso entenda pela desnecessidade de retificação, profira despacho fundamentado e, após, cientifique o autuado dos seus termos, antes de encaminhar os autos à presente CaJ para regular processamento. Informação Fiscal a fl. 212, pugnando pela manutenção do lançamento. Devidamente intimada da Informação Fiscal acima referida, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.274 S2C3T2 Fl. 380 5 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/12/2000. Havendo sido o presente Recurso Voluntário postado na Agência dos Correios em 16/01/2001, há que se reconhecer a tempestividade de sua interposição. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Afirma o Recorrente que os valores escriturados a título de remuneração de empregados correspondem aos valores efetivamente percebidos pelos mesmos em razão da relação de trabalho, não havendo qualquer diferença salarial a ser recolhida ou tributada. Pondera que somente a desclassificação feita pela fiscalização dos trabalhadores autônomos contratados é que origina discrepância nos valores de contribuições recolhidas. Afirma que as atividades relacionadas neste tópico são prestadas essencialmente por profissionais autônomos. Aduz que a notificação é calcada em simples presunção à revelia de fatos concretos e que a fiscalização deve apontar os fatos, motivos e fundamentos que revelam a descaracterização destes profissionais como autônomos. Defende, ainda, a impossibilidade de se instituir contribuição social que tenha com fato gerador ou base de cálculo de outro imposto, ou outra contribuição social já discriminada pela própria constituição. Com relação à contribuição dos segurados empregados, trabalhadores temporários e avulsos, na competência setembro de 1995, o Recorrente alega que a NFLD traz como fundamento o art. 4º da Lei 9.129 de 20 de novembro de 1995, ou seja, lança os efeitos da novel legislação para o passado, afrontando os mais elementares princípios de aplicação do direito; Quanto à contribuição da empresa sobre a remuneração dos empregados, bem como quanto a contribuição das empresas para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, com referência às competências de agosto e setembro de 1997, argumento o Notificado que a autuação se deu com fundamento na Lei 9.528 de 10 de dezembro de 1997. As matérias acima resumidamente mencionadas, todavia, não poderão ser conhecidas por este Sodalício, uma vez que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatêla na esfera administrativa. Com efeito, a empresa Recorrente ajuizou perante a 2ª Vara Federal Subseção Judiciária de Pato de Minas/MG, Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2001.38.03.0012417, visando a desconstituir o lançamento formalizado pela NFLD ora em julgamento e a afastar a incidência de juros moratórios à taxa SELIC. E diga o preâmbulo da peça vestibular em realce: “1 . A presente ação vem combater exclusivamente o lançamento fiscal efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.039.2960, que, dentre outras exigências, atribui Fl. 395DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 vínculo laboral a diversos profissionais autônomos e pessoas jurídicas subcontratadas pela autora”. As alegações desfiadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário interposto em face do lançamento tributário que ora se edifica são coincidentes com as questões levadas à apreciação e julgamento da Justiça Federal, além de outras alegadas na esfera judicial mas não reproduzidas no recurso administrativo em realce. Assentado que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada na vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.274 S2C3T2 Fl. 381 7 Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial ajuizada pelo Sujeito Passivo sobre as mesmas questões de fato e de direito aviadas no Recurso Voluntário ora em foco, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte Administrativa. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o Poder Judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art.. 22 da Portaria MPS nº 520/2004 e no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria MPS nº 520, de 19 de maio de 2004 Art. 22. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso regulado por este ato. Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento do vertente Recurso Voluntário, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, c.c. art. 35 da Portaria RFB nº 10.875/2007, em razão de as questões de fato e de direito sobre as quais versa o referido instrumento recursal já terem sido levadas à apreciação do Poder Judiciário mediante a Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2001.38.03.0012417. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em virtude de renúncia tácita levada a efeito pelo Sujeito Passivo, em razão da propositura de ação judicial com o mesmo objeto. É como voto. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Arlindo da Costa e Silva Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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