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Numero do processo: 10932.000511/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MULTA QUALIFICADA.
A conduta consciente e dirigida a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência de fato gerador, por meio de declarações zeradas e escrituração inservível a comprovação da origem de recursos e identificação de seus reais beneficiários, visando unicamente afastar o pagamento de tributo devido, caracteriza fraude e autoriza a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%.
MULTA AGRAVADA.
Não é cabível a cominação da multa agrava quando, a despeito do comportamento do contribuinte, é possível realizar apurar o montante tributável sem prejuízo para a fiscalização.
INCONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS.
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao agravamento da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos demais temas abordados. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.783
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A imputação dos valores pagos, referente a tributos objeto de ação fiscal em curso, do montante do crédito tributário lançado, não caracteriza novo lançamento ou sua revisão. Portanto, não há que se falar em reabertura do prazo para Impugnação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. AÇÃO FISCAL EM CURSO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, afastase a espontaneidade do contribuinte, destarte, a apresentação de declarações retificadoras no curso da ação fiscal não afastam o arbitramento do lucro e o consequente lançamento. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. A conduta consciente e dirigida a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência de fato gerador, por meio de declarações zeradas e escrituração inservível a comprovação da origem de recursos e identificação de seus reais beneficiários, visando unicamente afastar o pagamento de tributo devido, caracteriza fraude e autoriza a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. MULTA AGRAVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 11 /2 01 0- 44 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 3 2 Não é cabível a cominação da multa agrava quando, a despeito do comportamento do contribuinte, é possível realizar apurar o montante tributável sem prejuízo para a fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao agravamento da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos demais temas abordados. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 4 3 Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ em Campinas, que, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário e aplicou penalidade no percentual de 225% (multa qualificada e agravada). A ação fiscal teve início em 15/06/2009 e a despeito das sucessivas intimações o contribuinte não esclareceu os lançamentos no Livro Diário ou apresentou documentação que lhe desse suporte. Desta feita, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Em 10/09/2009 e 14/10/2009, mesmo estando com sua espontaneidade suspensa, o contribuinte apresentou declarações retificadoras de DIPJ, DACON e DCTF. Segundo o Termo de Descrição dos Fatos, lavrado em 22/12/2010 (proc. fls. 355 a 362), a autoridade fazendária relatou que o contribuinte exerceu a opção de apurar o seu resultado em 2006 pela modalidade do lucro presumido, no entanto, não apresentou os requisitos necessários que lhe permitiriam a apuração por esta modalidade, pois além de não recolher nos prazos estabelecidos o IRPJ do primeiro período de apuração trimestral, apresentou a DIPJ original preenchendo os campos com "zero" em relação aos débitos apurados. Ademais, deixou de apresentar à fiscalização os elementos fiscais que embasam os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão, bem como não escriturou a movimentação financeira mantida junto às instituições financeiras. Ante as intimações realizadas, a autoridade fiscalizadora relatou que “o contribuinte apresentou em 16/09/2010 as notas fiscais de prestação de serviços de Armazém, uma para cada mês e todas para a tomadora RAGI Refrigerantes Ltda, CNPJ 02.286.974/000109, sendo a primeira de nº 08, emitida em 31/01/2006 até a de nº 14 emitida em 31/07/2006, com o cancelamento das de nº 15, 16, 17 e 18, e, prosseguindo sequencialmente até a de nº 23 emitida em 31/12/2006”. Ainda na resposta, em 16/09/2010, o interessado noticiou e apresentou cópias de protocolo de entrega e de recebimento de elementos fiscais pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Alegou que como tais documentos estão aos cuidados do Fisco Estadual, não poderia apresentar a fiscalização versada nestes autos. Contudo, a autoridade fiscalizadora asseverou que “não constam no rol de documentos em poder do fisco estadual a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis requeridos”. Concluiu o auditor fiscal que “a escrituração do livro diário e do livro razão mantida pelo contribuinte revela evidentes indícios de fraude e contem vícios, que corroborados: pela falta de apresentação dos elementos fiscais que lhe deem sustentação; pela falta de escrituração de sua efetiva movimentação financeira; pela não apresentação de seus extratos bancários – medida que impede a convalidação dos registros escriturados de forma totalizada; pela não apresentação do detalhamento dos lançamentos resumidos e totalizados (no mês), contrariando as normas contábeis recomendadas, lhe submetem a ter seu resultado apurado pela modalidade do lucro arbitrado, em conformidade com as disposições dos artigos 527, 529 e 530, incisos II, letra "a", III, IV do Decreto n° 3.000/99”. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 6 5 Desta forma, para fixação do percentual a ser utilizado no arbitramento do lucro, o agente fiscal verificou que somente parte da receita escriturada pelo contribuinte advém da atividade de transporte de carga, o complemento está relacionado à prestação de serviço de armazenagem, conforme consta das notas fiscais de serviços emitidas, dos registros no livro de saídas e dos registros contábeis escriturados. Em consequência, entendeu corretos os percentuais de 9,6% e 38,4%, respectivamente, referentes às atividades mencionadas. Ressaltou ainda que, além das receitas escrituradas, foi apurado omissão de receita, caracterizada pela insuficiência de recursos para cobrir dispêndios realizados em detrimento dos históricos dos lançamentos contábeis registrados nos Livros Diário e Razão. Frente a esta constatação, o contribuinte foi “devidamente intimado e reintimado a apresentar/justificar as insuficiências apuradas, concomitante com a entrega de documentação comprobatória que identificasse de forma individualizada a natureza de cada despesa e/ou dispêndio realizado, cujo pagamento se deu por meio dos cheques que emitiu, levados a efeito da escrituração de forma totalizada e a débito na conta caixa, sem que houvesse o subsequente lançamento contábil destes numerários envolvidos em contas representativas de dispêndios, liquidação de obrigações ou aquisição de direito, mas de forma extravagante, o saldo devedor da conta caixa incrementado por estes lançamentos, sofre reduções ao final de cada mês, justamente pelo lançamento levado a efeito junto a conta Banco Itaú, caracterizando o que denominamos de “ciranda” de recursos”. Como forma de exemplificar a escrituração realizada pelo contribuinte, a fiscalização relatou que “o livro diário geral de n° 02, que contem 119 folhas numeradas de 1 a 119, registrando seu movimento contábil do período compreendido entre 01/01/2006 e 31/12/2006, mantém a autenticação sob n° 41.625 do Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito do Riacho Grande, São Bernardo do Campo/SP, datado de 10/09/2009, ou seja, após o inicio desta ação fiscal”. Concluiu que a omissão de receitas apurada pelo levantamento do fluxo financeiro da empresa deve ser levada a efeito exofficio na constituição do crédito tributário a lançar, sendo esta parcela da Receita Bruta submetida ao percentual de 38,4%, que é o percentual mais elevado entre as atividades desenvolvidas pela empresa, frente à impossibilidade de identificação de sua natureza, isto em decorrência da não entrega pela contribuinte da documentação comprobatória que dá lastro a sua escrituração contábil segundo dispõe o parágrafo único do art. 528 do RIR/99. Mencionou que a ação fiscal iniciouse em decorrência do “fluxo financeiro negativo”, ou seja, “os dados coletados nos Sistemas Internos da RFB corroborados com os dados informados pela própria contribuinte por meio de sua DIPJ entregue em 28/07/2007, cuja ficha 58 B Outras Informações (fls. 111) registrava valores próximos a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais), a titulo de pagamentos e encargos salariais, contribuições para o INSS e FGTS, enquanto que nada informou nos campos das demais fichas, inclusive a destinada a informar sua Receita Bruta, provocando por óbvio, o fluxo financeiro negativo indiciário, advindo das informações que prestou a RFB. O intuito de nada informar de Receita Bruta em sua DIPJ (fls. 105) se coaduna com o de nada declarar nas DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e de nada recolher a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), conforme já havíamos comunicado a empresa por meio dos Termos lavrados”. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 7 6 Ante as retificações realizadas pelo contribuinte, o agente fiscal afirmou que foram convalidadas as informações retificadas por meio da DIPJ em relação aos campos das fichas que tratam da Receita Bruta. Desta forma, foram lançados em desfavor do contribuinte os débitos apurados para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lastreados na Receita Bruta conhecida pela fiscalização (“parte escriturada e parte clandestina à escrituração”). Promoveu ainda, por meio de processo próprio e independente (proc. nº 10932.000517/201011), a Representação Fiscal com a finalidade de excluir os débitos declarados por meio de retificação das DCTF entregues no curso da ação fiscal e sem lastro em recolhimentos espontâneos ocorridos antes do termo inicial da presente fiscalização. Concluiu que fica a critério do contribuinte carrear estes valores para abater os débitos que serão constituídos de ofício, por meio de manifestação expressa de sua vontade. No tocante à análise da conduta do contribuinte, a autoridade fiscalizadora entendeu que restou caracterizado o dolo. Baseou sua afirmação no fato de que o interessado, a despeito das diversas intimações realizadas, não apresentou as informações solicitadas em relação à documentação comprobatória que daria lastro aos cheques emitidos ou que identificasse a natureza individualizada da origem dos recursos transferidos da conta caixa para a conta Banco Itaú, o que impossibilitou a auditoria dos registros contábeis e a verificação dos reais beneficiários dos recursos extraídos do contribuinte, considerando o resultado escritural de elevado prejuízo líquido em contraposição com o valor do capital social integralizado. Ademais, o contribuinte voluntariamente apresentou DIPJ com os campos informativos de Receita Bruta zerados, e, no entanto, foi constatado a existência de receita bruta auferida, tanto a escriturada nos livros, como a clandestina às contas contábeis de receita. Outro motivo que justificou a caracterização da conduta do contribuinte como dolosa foi que, mesmo tributado pela modalidade do Lucro Presumido, as DCTF originais nada acusavam de débitos para tributos federias, o que não se coaduna com a sistemática de apuração do resultado, que exige a aplicação de um percentual sobre a receita. Logo, havendo receita bruta sempre ocorrerá apuração de débitos para os tributos cuja base é o resultado (IRPJ e CSLL), bem como para o PIS e a COFINS submetidos à sistemática de apuração cumulativa. Somase a isto, o fato de que a pessoa natural do Sr. Rogério Raucci, detentor do CRC constante da DIPJ, por ser o responsável pelo preenchimento da declaração, representante da pessoa jurídica, integrante do quadro societário do contribuinte, e administrador da empresa fiscalizada, revela a forma consciente da entrega da DIPJ com campos preenchidos com zero, de forma concomitante, com a entrega das DCTF sem declarar débitos dos tributos em questão. Concluiu que estas condutas caracterizam o intuito de fraude previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, combinado com a intenção de omitir informações a que está obrigado por lei a prestar. Relativo à aplicação das multas, foi imposto ao contribuinte a multa prevista no art. 44, II da Lei nº 9.430/96 pelo intuito de fraudar o Fisco, bem como a do art. 44, § 2º do mesmo normativo c/c o art. 70, I da Lei nº 9.532/97 e art. 959 do RIR/99 pelo fato de não prestar as informações requeridas pela fiscalização, o que perfez o percentual de 225%. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 8 7 Por fim, o agente fiscal relatou que como o crédito tributário a ser constituído exofficio supera os R$ 500.000,00, retratado pela IN RFB 1.088/2010, bem como os 30% do patrimônio conhecido da empresa, motivou os procedimentos inaugurais do Arrolamento de Bens da Pessoa Jurídica para acompanhar a sua evolução patrimonial enquanto não satisfeitos os débitos perante a Fazenda Nacional (processo nº 10932.000510/201008). Contudo, o fato de não constar registros de bens de titularidade deste contribuinte nos registros da RFB, nos Informes de Rendimentos da Pessoa Jurídica e nos Sistema de Pesquisa do RENAVAN, aliados ao fato de que intimado a indicar bens conforme consta do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 03/11/2010, provocou a propositura de Instauração de Medida Cautelar Fiscal perante a PSFN/DRF/SBC em substituição ao procedimento do Arrolamento de Bens, conforme dispõe a IN RFB 1.088/2010. Em 28/01/2011, foi apresentada Impugnação (proc. fls. 416 a 441). De início a Postulante alegou a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa. Afirmou que no decorrer da fiscalização e muito antes da lavratura do Auto de Infração constatou que de fato havia erro em suas declarações e por este motivo realizou as retificações necessárias para que a Receita Federal pudesse aferir o valor real dos tributos federais devidos no período. Contudo, asseverou que embora a manifesta boafé, o auditor fiscal rejeitou as retificações e desconsiderou os pagamentos realizados, sob a justificativa de que os mesmos foram realizados após o início da ação fiscal, o que prejudicou sobremaneira o exercício da ampla defesa e violou o processo legal, acarretando, desta feita, em enriquecimento ilícito do Erário. No mérito, alegou que efetuou as retificações da DIPJ, DCTF e DACON muito antes da lavratura do Auto de Infração, o que demonstraria a sua boafé perante o Fisco. Desta forma, restou descabida a aplicação de arbitramento da suposta receita bruta, configurando o mesmo como ilegal posto que não foi pautado em critérios objetivos. Afirmou ainda que não se verificou qualquer das hipóteses arroladas no art. 530 do RIR/99 que justificam o arbitramento, já que antes da lavratura do presente Auto de Infração entregou os Livros Diário e Razão, Registros de Entrada e Saída de 2006, os registros de serviços prestados e notas de serviços, além de ter procedido a retificação da DIPJ, DCTF e DACON. No tocante à aplicação da multa, a Postulante asseverou que em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de lesionar o Fisco, prova disso que retificou suas declarações e ainda recolheu os tributos apurados como devidos. Ademais, o não cumprimento das intimações efetuadas se deu por motivo justo e alheio à Impugnante, pois a documentação que comprovaria a movimentação financeira estava, “durante todo o período da fiscalização”, em posse da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Argumentou ainda que “a simples apresentação de declaração com dados inexatos, não é razão, por si só, para presumir a fraude e aplicar a multa qualificada”, bem como entendeu que a retificação de boafé afasta o dolo. Alternativamente alegou que ainda que a penalidade fosse devida, a sua fixação em 225% da tributação, tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição. Concluiu que, caso fosse admitida a regularidade do lançamento, de modo algum a multa exigida a título de penalidade poderia subsistir, pois seu valor não guarda qualquer respaldo do ponto de vista infraconstitucional, vez que as infrações apontadas pela autoridade fiscal jamais ocorreram. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 9 8 Neste diapasão, afirmou que houve desrespeito ao Princípio da Verdade Material, pois era imprescindível o reconhecimento da existência da DIPJ retificadora, onde consta expressamente a receita auferida no período bem como o lucro negativo obtido, sendo impossível a aplicação do lucro arbitrado. Relatou ainda que “carece de validade o fundamento utilizado pelo D. Auditor Fiscal ao incluir o sócio da Impugnante como responsável solidário dos tributos considerados devidos, e pela multa exorbitante imposta, porquanto pretende ampliar a responsabilidade de pessoa física que não poderá responder pelos débitos decorrentes da atividade da empresa autuada”. Destarte, entendeu indevida a imputação de responsabilidade solidária do Sr. Rogério Raucci pois não foi comprovado quaisquer das condutas previstas no art. 135 do Código Tributário Nacional. Por fim, requereu a declaração de nulidade do Auto de Infração; a procedência da Impugnação e consequente anulação do lançamento; a exclusão ou redução da multa punitiva, a exclusão da responsabilidade solidária do sócio, e a não elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Requereu também a conversão do Auto de Infração em diligência para apreciação das declarações retificadoras. Em 16/06/2011, a DRJ em Campinas exarou Acórdão decidindo pela improcedência da Impugnação ao rejeitar as nulidades levantadas pela contribuinte, indeferir o pedido de diligência e perícia, bem como manter o crédito tributário lançado (proc. fls. 1374 a 1391). De início a Turma afirmou que na defesa apresentada pelo contribuinte não há qualquer oposição acerca dos valores das receitas apuradas como omitidas, portanto, inexiste litígio quanto a este aspecto. No tocante à alegação de reaquisição da espontaneidade, o órgão julgador alegou que no decorrer da ação fiscal não se vislumbrou lapso temporal superior a 60 dias entre as manifestações formais da fiscalização. Destarte, “não se pode cogitar que o contribuinte tivesse atuado de forma espontânea quando, em 10/09/2009 (fls. 112 e 581) e 14/10/2010 (fls. 120), entregou declarações retificadoras, nelas incluindo parte das receitas autuadas, e quando, em datas entre 30/09/2009 e 16/09/2010, efetuou recolhimento por meio de DARF que apresenta por cópia às fls. 673/688, sob códigos 2089 (IRPJ – lucro presumido) 2372 (CSLL), 8109 (PIS) e 2172 (COFINS) com datas de vencimento dos períodos autuados (entre 15/02/2006 e 31/01/2007), pagamentos estes encontrados no sistema SINAL – 08, conforme pesquisa juntada às fls. 1362/1373”. Concluiu que qualquer providência no sentido de retificar declarações ou proceder a recolhimentos após o início do procedimento fiscal, em nada afeta o lançamento de conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72 e no art. 138, parágrafo único do CTN. O órgão julgador a quo ressaltou que frente aos recolhimentos efetuados no curso da ação fiscal, a autoridade preparadora deve promover a imputação proporcional de mencionados recolhimentos aos valores lançados com acréscimo de multa de ofício, para cobrança apenas dos débitos remanescentes. Atinente à alegação de nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, a DRJ, com base no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, asseverou que não se verificou quaisquer das hipóteses legais que ocasiona a nulidade do Auto de Infração, pois este foi lavrado por autoridade competente e foi franqueada a oportunidade de defesa à autuada. No Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 10 9 mais, afirmou que o procedimento fiscal é inquisitório, o que afasta a aplicação dos Princípios do contraditório e da ampla defesa. Além disso, a Turma alertou para o fato de que a retificação de declarações e o recolhimento de parte dos valores exigidos, não são motivos para a nulidade do Auto de Infração visto que em nada afetam o lançamento, mas apenas ensejam a redução do valor a ser cobrado quando da execução da decisão administrativa, mediante imputação dos pagamentos alegados aos débitos lançados com prevalência da multa de ofício. A DRJ ainda esclareceu que o arbitramento não foi motivado pela falta de informação das receitas nas declarações originalmente apresentadas, as quais vieram a ser retificadas no curso do procedimento, mas sim “pelo fato de a escrituração apresentada não contemplar a totalidade da movimentação financeira e porque não apresentados elementos fiscais que deem suporte aos lançamentos da conta que registra a movimentação financeira, lançamentos estes em número de apenas quatro por mês, sendo dois de despesas bancárias e outros dois totalizando os depósitos e os cheques emitidos no mês”. O órgão julgador também mencionou que embora reiteradamente intimada, a contribuinte não atendeu a solicitação de esclarecer os lançamentos no Livro Diário e apresentar a correspondente documentação de suporte. Quanto ao argumento de que a documentação estaria em poder do Fisco Estadual, a DRJ asseverou que conforme ofício encaminhado pela Secretaria da Fazenda do Estado (proc. fl. 91), a documentação foi devolvida à contribuinte em 10/11/2010. Ademais, segundo noticiou a autoridade fiscalizadora, a documentação em poder do Fisco Estadual não correspondia à documentação comprobatória dos lançamentos contábeis requeridos. Destarte, constatado que a escrituração não contemplava a integralidade da movimentação financeira e que não foram apresentados documentos de suporte dos registros contábeis questionados, a Turma entendeu que não restou outra alternativa à fiscalização a não ser o arbitramento do lucro com fundamento no art. 530 do RIR/99. O órgão julgador ainda ressalvou que, relativo ao arbitramento, nada foi oposto referente ao montante apurado a título de receita bruta e aos percentuais de determinação do lucro, portanto, manteve a exigência de IRPJ e reflexos. Já quanto à penalidade aplicada, o colegiado afirmou que as condutas da contribuinte evidenciaram o intuito de fraude previsto nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, combinado com a intenção de omitir informações a que estava obrigada a prestar conforme estabelecido nos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. A Turma justificou a qualificação da multa tendo em vista as seguintes constatações: 1) “intimada no curso da presente ação fiscal não apresentou as informações solicitadas em relação à documentação comprobatória que deem lastro aos cheques que emitiu ou que identifiquem a natureza individualizada da origem dos recursos transferidos da conta caixa para a conta Banco Itaú, conforme reiteradamente assinalada pela fiscalização nos diversos Termos lavrados em busca destes elementos, para permitir a auditoria dos registros contábeis e a verificação dos reais beneficiários dos recursos extraídos desta contribuinte, considerando o resultado escritural de elevado prejuízo líquido que apurou em seu balanço patrimonial (fls. 228) frente ao valor do capital social integralizado”; 2) “voluntariamente apresentou DIPJ, no entanto, preencheu os campos informativos e Receita bruta com valores iguais a “zero” na DIPJ, sendo que foi constatada Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 11 10 pela fiscalização a existência de receita bruta auferida, tanto a escriturada nos livros, como a clandestina às contas contábeis de receita, sendo que esta foi caracterizada e levantada por meio do confronto entre os recursos disponíveis e as aplicações que realizou, conforme anteriormente relatado”; 3) “as DCTF originais nada acusavam de débitos para os tributos federais – IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS, sendo que a modalidade do Lucro Presumido, manifestada por seu livre arbítrio, tem como sistemática a aplicação de um percentual sobre a receita, logo havendo receita bruta sempre ocorrerá apuração de débitos para os tributos cuja base é o resultado (IRPJ e CSLL), bem como para o PIS/Pasep e a COFINS submetidas à sistemática cumulativa (art. 2º, inciso I, alínea “a”, II e parágrafo único, arts. 3º, 10, 22 e 52 do Decreto nº 4.524/02)”; 4) “a circunstância de que a pessoa natural do Sr. Rogério Raucci ser detentor do CRC 1SP176285/O8, conforme consta da ficha 03 da DIPJ; ser o responsável pelo preenchimento da declaração; ser o representante da pessoa jurídica; integrar o quadro societário da contribuinte; ter a incumbência de ser o administrador da empresa, conforme cláusulas estipuladas no Instrumento de Constituição e nas alterações posteriores promovidas; revelam forma consciente da entrega das DCTF sem declarar débitos dos tributos em questão”. Relatou o órgão julgador que frente a estas constatações, a Impugnante limitouse a alegar ter retificado suas declarações para nela incluir parte da receita apurada como omitida, mesmo não tendo readquirido a espontaneidade como argumenta, e nada esclareceu quanto aos registros contábeis efetuados de forma totalizada inviabilizando a identificação da origem e a destinação dos recursos questionados. Ressaltou ainda que as retificações realizadas pela contribuinte só expressam a concordância com a ocorrência de omissão de receitas, pois que se estas estivessem escrituradas inexistiria motivo lógico para deixalas de incluir em suas declarações prestadas à Receita Federal, sobretudo tendo em conta a qualificação de contador de seu sócio e representante. Concluiu que a apresentação de receitas zeradas ocorreu de forma consciente. Destarte, entendeu a DRJ que “a conduta de adotar a forma de escrituração que inviabilize a identificação da origem de recursos transferidos da conta caixa para a conta bancos bem como que impeça a identificação dos reais beneficiários dos recursos e, ainda, de declarar sistematicamente ao Fisco valores zerados em dissonância com aqueles que seriam os verdadeiros, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações”. Ademais, a Turma ainda mencionou que tais fatos não foram desconstituídos pela Postulante, o que imporia a manutenção da qualificação da penalidade. Quanto à majoração da multa em 50%, o colegiado alegou que se deu tendo em vista que a contribuinte não apresentou as informações que lhe foram solicitadas (art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96). Relativo às alegações de que a multa aplicada caracteriza confisco e enriquecimento ao erário, o órgão julgador asseverou que não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade ou não de leis tributárias em vigor. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 12 11 A Impugnante se manifestou solicitando a não formulação de Representação Fiscal para Fins Penais, no entanto, a DRJ esclareceu que não é da competência dos órgãos administrativos o julgamento e apreciação de questões relacionadas a esta matéria. Citou ainda a súmula nº 28 do CARF que exclui da competência deste Conselho o pronunciamento sobre controvérsias relativas à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, no tocante ao pedido de diligência e perícia, a Turma asseverou que ante o arbitramento dos lucros, inadmissível é a desconsideração do lançamento pela apresentação posterior da documentação anteriormente exigida, pois não existe arbitramento condicional. Além disso, os elementos constantes dos autos são suficientes para formação da convicção dos julgadores a respeito da matéria em litígio. O Recurso Voluntário foi interposto em 16/05/2011 (proc. fls. 1396 a 1423). O Recorrente alegou em preliminar a nulidade do Acórdão exarado em virtude do evidente cerceamento do direito de defesa e a supressão de instâncias administrativa. Afirmou que ao considerar os pagamentos realizados para abatêlos do montante exigido da infração, a DRJ deveria ter reaberto prazo para que a Postulante retificasse sua defesa quanto a tal redução, oportunidade em que seriam fixados os pontos controvertidos do Auto de Infração, haja vista que não é dado às partes inovar em suas razões de mérito em sede de recurso. No mais, se valeu dos mesmos argumentos levantados na Impugnação, quais sejam: a impossibilidade de arbitramento do lucro frente às retificações realizadas em suas declarações (DIPJ, DCTF e DACON); ausência de dolo e necessidade de redução da multa aplicada; o caráter confiscatório da penalidade; o desrespeito ao Princípio da Verdade Material; e, a indevida imputação de responsabilidade solidária do sócio Sr. Rogério Raucci. É o relatório. Voto Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 13 12 PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso interposto é tempestivo, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa tendo em vista que em momento algum se impossibilitou a manifestação do contribuinte em face dos fatos alegados nestes autos. Ademais, sempre que lhe foi franqueada a oportunidade de pronunciamento o Postulante o fez de forma inequívoca por meio tanto de Impugnação como do Recurso Voluntário em análise. Não atende razão o argumento de que houve supressão de instância, caracterizando cerceamento do direito de defesa, a não reabertura do prazo para Impugnação da imputação do montante pago em face do crédito tributário lançado. O pagamento de parte do débito tributário no curso da ação fiscal e, seu consequente abatimento no valor do crédito exigido, não constitui novo lançamento ou sua revisão. Destarte, verificando que foi realizado o recolhimento de tais importâncias, outro não poderia ser o posicionamento do órgão julgador a quo senão o de reduzir tais valores, que foram calculados e pagos pelo contribuinte, do crédito tributário lançado, sob pena de se configurar enriquecimento sem causa ao erário. O contribuinte foi autuado tendo em vista que sua escrituração não contemplava toda a movimentação financeira verificada pela fiscalização, e, intimado para apresentar documentação que desse suporte aos lançamentos efetuados não obteve êxito, o que levou a autoridade fiscalizadora ao arbitramento do lucro. Vale mencionar que em nenhum momento a Recorrente se manifestou contra os valores das receitas apuradas como omitidas, o montante a título de receita bruta ou os percentuais de determinação do lucro, o que acarreta a preclusão quanto a estes temas. No caso concreto, o lucro foi arbitrado com fundamento no disposto no art. 530, II, alínea a do RIR/99, pois a escrituração apresentada não contemplava a totalidade da movimentação financeira, não sendo apresentados documentos fiscais hábeis a dar suporte aos lançamentos realizados pelo contribuinte, “lançamentos estes em número de apenas quatro por mês, sendo dois de despesas bancárias e outros dois totalizando os depósitos e os cheques emitidos no mês”. Destarte, afastase a afirmação de que o lançamento é improcedente ante o argumento de que não se verificou nenhuma das hipóteses legais para o arbitramento do lucro. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 14 13 Superada estas questões, cingese a controvérsia dos presentes autos à possibilidade ou não de retificação das declarações de DIPJ, DCTF e DACON realizadas após o início da ação fiscal e quais os efeitos em relação ao lançamento realizado. O ordenamento normativo vigente estabelece que, iniciado o procedimento fiscal, afastase a espontaneidade do contribuinte. Vale mencionar que a possibilidade de reaquisição da espontaneidade no curso da fiscalização apenas se dá quando a autoridade fiscal deixa transcorrer o lapso de 60 dias sem que indique o prosseguimento da atividade fiscalizatória, o que não se verificou no caso em tela. Vide art. 7º, §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235/72: “Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor ... § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Verificase que a apresentação de declarações retificadoras no curso da ação fiscal não gera qualquer efeito ao procedimento fiscal em curso. Destarte, não merece guarida a alegação da Recorrente de que realizada a retificação de suas declarações, afastado o lançamento tributário realizado. Este é o entendimento consolidado inclusive por meio de súmula deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. RETIFICAÇÃO DE DCTF QUANDO JÁ INSTAURADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE Reputamse ineficazes, em face da perda da espontaneidade do sujeito passivo, as informações veiculadas em declarações originárias ou retificadoras apresentadas no curso de ação fiscal. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 110200.394, julgado em 21/02/2011). DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA ESPONTANEIDADE SE APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 15 14 O contribuinte somente pode retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados em face daqueles do procedimento de ofício), se não estiver com procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 210201.183, julgado em 18/03/2011) Afastada a possibilidade de que a retificação das declarações efetuada no curso da ação fiscal afetaria o lançamento realizado e, consequentemente, o arbitramento do lucro, passase à análise das demais questões levantadas pelo Recorrente. Foi cominada multa qualificada e agravada com base nos art. 44, II e §2º da Lei nº 9.430/96, redação vigente à época da realização dos fatos geradores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II – cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71,72 e73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... § 2º. As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos caos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) Prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Vale mencionar, que em 2007 houve alteração legislativa, no entanto, mantevese a aplicação da multa agravada no percentual de 225% para as hipóteses descritas pela autoridade lançadora. Vide: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 16 15 ... § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. O Postulante limitase a afirmar que não se verificou conduta dolosa já que efetuou espontaneamente as retificações das declarações, o que demonstraria a sua boafé e afastaria o dolo. Não merece acolhimento esta afirmação. A uma, porque como já explanado a retificação de declarações no curso da ação fiscal não produz nenhum efeito sobre o lançamento realizado. A duas, porque a retificação ao invés de afastar o dolo da conduta do agente acaba por qualificala como dolosa, visto que se ante o conhecimento do início de ação fiscal o contribuinte prontamente retifica as declarações espontaneamente feitas, tal comportamento aponta para o fato de que o sujeito passivo tinha consciência de que apresentará declarações zeradas a par da existência de receita bruta auferida. E a três, porque a despeito de retificar suas declarações de DIPJ, DCTF e DACON, o contribuinte mantevese inerte quando das inúmeras requisições para apresentação dos documentos necessários a provar a movimentação financeira questionada. Outro argumento que reforça a afirmação de que o Postulante agiu de forma dolosa é o fato de o contador que subscreve a DIPJ é não apenas representante da pessoa jurídica, mas também administrador da mesma e integra o seu quadro societário. Destarte, não há que se dizer que o Sr. Rogério Raucci ao apresentar voluntariamente declarações zeradas de DIPJ, DCTF e DACON desconhecia a escrituração da empresa e suas receitas, tendo em vista que as retificou quando entendeu conveniente. Mostrase robustamente provado a consciência e vontade do sujeito passivo de que sua conduta consistia em forma de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fato gerador e de suas circunstâncias materiais. Portanto, entendo cabível a multa qualificada prevista no art. 44 § 1º da Lei nº 9.430/96, frente ao evidente intuito de fraudar visando o não pagamento do tributo, como de fato ocorreria se não iniciado o procedimento de fiscalização. No entanto, afasto a aplicação da multa agravada imposta sob o argumento de que o contribuinte não prestou as informações que lhe foram solicitadas. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 17 16 Segundo prescreve o § 2º, I da norma supracitada, a multa será agravada em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento. Compulsando os autos, verificase que de fato o contribuinte deixou de responder a algumas intimações que lhe foram feitas, e apesar disso a fiscalização de posse das retificações e demais documentos acostados conseguiu realizar o lançamento. Segundo jurisprudência deste colegiado, nesta situação, a multa agravada pode ser afastada. Confirase: MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento de intimação. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 210201.331, julgado em 13/05/2011) Logo, afasto a aplicação da multa agravada. Quanto à alegação de que a penalidade aplicada possui caráter confiscatório e, portanto, inconstitucional, este colegiado não possui atribuição para se manifestar no tocante à inconstitucionalidade de lei vigente no ordenamento jurídico pátrio. Vide súmula deste Conselho: Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. Por fim, referente à alegação de que é indevida a imputação solidária do sócio Rogério Raucci, sob o argumento de que este não realizou nenhuma das condutas previstas no art. 135 do CTN, é preciso esclarecer que não consta destes autos tal imputação de sujeição passiva solidária. Destarte, infundados os questionamentos acerca da atribuição de tal responsabilidade. Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso interposto, para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, manter o crédito tributário descontado destes os valores recolhidos quando da retificação da DCTF, aplicar a multa qualificada e afastar a imposição da multa agravada. Sala de Sessão, 08 de agosto de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 18 17 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Divirjo da I. Relatora quanto à exclusão do agravamento da penalidade, pois interpreto objetivamente as hipóteses do art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. E, no quadro elaborado pela autoridade julgadora de 1ª instância, abaixo transcrito, evidenciado está que a contribuinte deixou de atender intimações e/ou as atendeu fora do prazo marcado: Intimação Ciência Resposta Termo de Início (fls. 2), com intimação para apresentação de livros e documentos prazo 20 dias 15/06/09 (fls. 04) Em 16/07/09 (fls. 07) entrega de contrato social e solicitação de prazo adicional para entrega dos demais elementos solicitados (fls. 07) Termo de reintimação de 03/08/09 (fls. 05) – prazo 03 dias 06/08/09 (fls. 06) Em 16/09/09 (fls. 31) apresenta Livros Diário e Razão Termo de intimação de 21/09/09 (fls. 32) para apresentação de livros registros de saída, prestação de serviços e de entradas; talonário de notas fiscais, estratos de 06/10/09 (fls. 33) Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 19 18 movimentação financeira do Banco Itaú em decorrência de discrepâncias detectas nos valores de contas contábeis que aponta – prazo 05 dias úteis Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal 18/11/09 (fls. 34) 24/11/09 (fls. 35) Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal 14/01/10 (fls. 36) 18/01/10 (fls. 37) Reintimação p/ atendimento de solicitações anteriores no prazo de 5 dias e intimação p/ justificar diferenças constatadas em lançamentos contábeis que aponta no prazo de 20 dias 12/02/2010 (fls. 38) 25/02/10 (fls. 43) Termo de ciência de que decorridos mais de 30 dias não houve atendimento de solicitações anteriores que menciona – 30/03/10 08/04/10 (fls. 45) Em 30/04/10 solicitação de prazo de 30 dias (fls. 46) 31/05/10 Termo de ciência de que vencido o prazo pleiteado em 30/04/10 não foram atendidas solicitações anteriores (fls. 47) 04/06/10 (fls. 48) 28/07/10 – Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal (fls. 49) 30/07/10 (fls. 50) 01/09/10 – Termo de Verificação, Constatação e Intimação p/, entre outras solicitações, apresentar elementos hábeis e idôneos que comprovem e dêem lastro aos lançamentos escriturados no diário e razão (fls. 51/59) prazo 5 dias úteis 14/09/10 (fls. 83) Em 16/09/10 enviadas notas fiscais de serviços que menciona e livro de notas fiscais de serviços prestados (fls. 84) 03/11/10 – Termo de reintimação p/, entre outras solicitações, apresentar documentos hábeis a comprovar os lançamentos efetuados na escrituração do livro diário – prazo 5 dias (fls. 94) 05/11/10 (fls. 95) 16/11/10 solicitação de dilação de prazo por 20 dias (fls. 96) 03/12/10 apresentados livros registro de entradas e de saídas (fls. 98) 06/12/10 solicita prazo 10 dias p/ atender as demais solicitações (fls. 99/101) 07/12/10 apresenta livro de entrada (fls. 102) A desídia no atendimento às intimações fez o procedimento fiscal durar mais de 500 (quinhentos) dias, onerando o Estado com a dedicação de uma autoridade fiscal por todo este período para construir documentalmente fatos e presunções legais, o que evidencia a conduta protelatória da contribuinte, que como bem ressaltado pela I. Conselheira Relatora, Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 20 19 embora conhecedora de que a realidade de suas operações não seria aquela originalmente declarada ao Fisco, buscou assegurar o não recolhimento dos tributos devidos por largo espaço de tempo, antes e durante o procedimento fiscal, e, porque não dizer, também agora durante o contencioso administrativo fiscal. Esta conduta é distinta daquela que enseja a aplicação da multa qualificada, cuja manutenção defendo na mesma linha da I. Relatora, e é apenada, nos termos da lei antes transcrita, com a majoração da penalidade, neste caso originalmente fixada em 150%, motivo pelo qual entendo que a exigência fiscal deve ser integralmente mantida. Por estas razões, concordo com a rejeição das preliminares de nulidade arguidas, mantenho o crédito tributário descontado dos valores recolhidos quando da retificação da DCTF, bem como a aplicação da multa no percentual exigido, motivo pelo qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15277.000070/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 77 .0 00 07 0/ 20 08 -5 1 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000070/200851 Resolução nº 2402000.510 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a comercialização de produtos rurais, correspondentes à contribuição do produtor rural pessoa jurídica e a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 05/1999, 07/1999, 11/1999, 12/1999, 01/2000, 06/2000, 08/2000 a 10/2001, 12/2001, 02/2002 a 05/2002, 07/2002, 08/2002, 11/2002 e 12/2002. O Relatório Fiscal (fls. 33/34) informa que o débito foi apurado com base nos valores lançados no livro Razão, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos RL (fls. 16/18) e demonstrado no Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04/09). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/06/2008 (fls. 01 e 67), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/44), alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, argúi a tempestividade da impugnação assegurando que foi intimada pelo correio em 03/06/2008, portanto, a contagem do prazo para apresentação de defesa iniciouse em 04/06/2008 e encerrouse em 03/07/2008; 2. No mérito, alega a decadência do direito à constituição da obrigação tributária, em razão do transcurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e em face da publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8212/1991. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0920.749 da 6a Turma da DRJ/JFA (fls. 74/78) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação, acrescentando que seja observado o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000070/200851 Resolução nº 2402000.510 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Antes de analisarmos as questões do recurso, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco) e sanadas. Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada a intempestividade da peça de impugnação. Registrase que a DRJ, decisão de primeira instância, julgou intempestiva a impugnação da Recorrente, afirmando que o Auto de Infração impugnado foi recebido pela Recorrente em 02/06/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), e não levou em consideração o “Histórico do Objeto” obtido no “site” dos Correios que apontava a data de entrega em 03/06/2008 (fls. 67). Entretanto, a data do recebimento da intimação pelo sujeito passivo registrada na cópia do Aviso do Recebimento (AR) de fls. 36 não tem visibilidade nítida para a confirmação de que a data seria dia 02/06/2008 e, além disso, o ano registrado no AR (quadro da data de recebimento) encaminha para o ano de 2009, totalmente distinto dos demais documentos acostados aos autos que sinalizam para o ano de 2008. Desse modo, o fato constitutivo do lançamento fiscal ainda não está devidamente esclarecido qual seria a data de recebimento da intimação pelo sujeito passivo. Assim, pelo fato de que foram acostados cópias de documentos nos autos sobre a data de intimação do lançamento fiscal, já que esta data é relevante para o deslinde da controvérsia, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco verifique nos documentos originais ou em outros documentos dos Correios a data de intimação do lançamento fiscal e emita Parecer ou Informação Fiscal sobre os fatos constatados. Após a elaboração da Informação, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720113/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
LIDE. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO EXPRESSO.
É de ser mantida a glosa de despesas médicas relativas a pessoas não revestidas da condição de dependentes, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não foi expressamente questionada pela Recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que dava provimento parcial para excluir da tributação os valores recebidos a título de aposentadoria.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. LIDE. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO EXPRESSO. É de ser mantida a glosa de despesas médicas relativas a pessoas não revestidas da condição de dependentes, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não foi expressamente questionada pela Recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que dava provimento parcial para excluir da tributação os valores recebidos a título de aposentadoria. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 13 /2 01 1- 12 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 92 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, dos anos calendário de 2007 e 2008, exercícios de 2008 e 2009, respectivamente, onde foi exigido imposto no valor de R$ 4.216,49, acrescido de multa proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. No Relatório da Ação Fiscal, narra a Autoridade autuante, em resumo, que constatou dedução indevida com despesas médicas, relativas ao plano de saúde Unimed Juiz de Fora/MG, tendo em vista que parte dessas despesas não se referiam à própria declarante, mas sim ao marido e dois filhos, que não constavam como seus dependentes, nas DIRPF em questão. Irresignada, a Contribuinte apresentou Impugnação que consta da folha 71, dizendo em suma que seus rendimentos são isentos do imposto de renda por serem decorrentes de aposentadoria e ser ela portadora de moléstia grave. Anexou Laudo Médico Oficial, disse que os declarara como tributáveis por "desconhecimento" e pediu nova análise para "apuração ou restituição que seria de direito." A DRJ/Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade, concluindo, em resumo, assim (fl. 78): A infração apontada pelo Fisco a título de dedução indevida de despesas médicas não foi questionada pela impugnante, ... Requer ela, de outro lado, que se considere como isentos os rendimentos espontaneamente declarados como tributáveis, ... Contudo, importa esclarecer que só é admissível a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para fins de reduzir ou excluir tributo, quando solicitada antes de notificado o lançamento de ofício. E assim decidiu o Acórdão recorrido pela improcedência da impugnação. Cientificada dessa decisão em 29/06/2012, dia de sextafeira (AR na folha 81), a contribuinte interessada apresentou Recurso voluntário em 31/07/2012 (protocolo na folha 83). Em sede de recurso, volta a afirmar que seus rendimentos são isentos nos termos do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988 e que faria jus à restituição do imposto. Que Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 93 3 declarou erradamente por desconhecimento e que se julga no direito de "complementar o pedido". Anexa Laudo Médico Oficial e publicação de sua aposentadoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Discordo da DRJ, entretanto, que entendeu não poder analisar a questão relativa ao lançamento efetuado, tratando dos limites da lide. A dedução das despesas médicas reduz a base de cálculo do imposto. Uma vez efetuada a glosa, fazse nova apuração a partir de parcela dos rendimentos que haviam sido deduzidos. Se em sua defesa a contribuinte alega que aqueles rendimentos eram isentos, não vejo que esteja extrapolando os limites da lide. A alegação para a tributação ou não tributação daquela parte dos rendimentos é diversa da motivação apresentada pela Autoridade Fiscal no lançamento, mas o objeto do litígio é o mesmo. Por outro lado, quando diz que "complementa" seu pedido, no recurso, para que se considere todo o rendimento declarado como isento, em virtude do preenchimento das condições estabelecidas no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, e se lhe defira restituição, aí sim a Recorrente está indo além daquilo que foi alterado pelo lançamento, a parcela dos rendimentos que havia sido indevidamente deduzida a título de despesas médicas, e pretendendo uma "revisão de ofício" em sua declaração. Não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, como a própria assinala e pretende em seu recurso. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 94 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. A contribuinte apresentou o Laudo cuja cópia consta da folha 85, emitido por médico mastologista do Departamento de Saúde da Mulher da Secretaria da Saúde de Minas Gerais, dando conta de que era portadora de neoplasia maligna desde 07/2003 e cópia da publicação de sua aposentadoria pela Secretaria Estadual de Educação, no cargo de analista de educação, a partir de novembro de 1997. Porém, observo que a mesma possui nos exercícios em questão duas fontes de renda, como consta de suas declarações e dos comprovantes de rendimentos que constam dos autos: uma é a Secretaria de Estado do Governo de Minas Gerais e outra é a Prefeitura de Juiz de Fora, da qual recebia rendimentos em valor bastante superior. Em relação à Prefeitura, os rendimentos pagos não eram decorrentes de aposentadoria, mas de trabalho assalariado, como consta das folhas 44 e 59. Inclusive, a Contribuinte declarouse "servidora pública da administração direta municipal professor de ensino fundamental" como atividade principal, em suas DIRPF, evidenciando que na Prefeitura não estava aposentada, mas ativa, percebendo rendimentos do trabalho assalariado. Os rendimentos que são isentos são aqueles que satisfazem os requisitos da lei (decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão) e não todo e qualquer rendimento percebido pelo acometido por moléstia definida como grave e o fato de estar aposentada pela Secretaria Estadual não leva a abrangência da isenção para os rendimentos percebidos da Prefeitura, onde estava ativa e que tinham natureza de rendimento do trabalho assalariado. Se todo o rendimento da Contribuinte fosse isento, não haveria razão para se manter a autuação que efetuou a glosa das despesas mas, como explicado, não é o caso. CONCLUSÃO Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 95 5 Não tendo a contribuinte questionado a glosa da dedução com despesas médicas relativas a pessoas não dependentes e pelo acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720349/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA.
O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 03 49 /2 01 0- 11 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Relatório Em sessão plenária de 29/07/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 905.742, relativo à exigência de Imposto de Renda Pessoa, exarandose o Acórdão nº 2801 01.760 (fls. 109 a 121), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incabível a alegação de nulidade do lançamento, com base na ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, quando o recorrente não comprova a existência desse fato tampouco se encontram presentes nos autos quaisquer elementos que demonstrem ofensa àquele direito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude praticado pelo contribuinte, caracterizado pelo conjunto probatório contido nos autos, correta a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESCABIMENTO. Se o não atendimento às intimações da fiscalização não acarretar prejuízo ao curso da ação fiscal, incabível o agravamento da multa de ofício. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 9202003.673 CSRFT2 Fl. 190 3 As decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, que não possuem efeito vinculante, não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual somente produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%, nos termos do voto do Relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 19/09/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 166). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 19/10/2011, portanto o Recurso Especial (fls. 167 a 174) teria como termo final 03/11/2012, tendo sido interposto em 26/10/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 175). O recurso está fundamentado no art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir o desagravamento da multa de ofício. Ao recurso foi dado seguimento, conforme despacho de 27/04/2012 (fls. 176/177). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é preciso mencionar, inicialmente, que a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável; caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expeça as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. a natureza punitiva dessa norma é flagrante, não constando em seu conteúdo qualquer consideração acerca do resultado provocado pelo descumprimento do dever do sujeito passivo de colaborar com a Administração Tributária; o antecedente da norma contempla apenas a hipótese de o contribuinte não atender, no prazo marcado, a intimação para prestar esclarecimento, fato este suficiente para autorizar o agravamento da sanção; desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. a responsabilidade decorre do descumprimento do dever de prestar esclarecimentos, não importando, segundo o preceito do CTN, quais os efeitos desse ato; assim, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem o agravamento de multa; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 9202003.673 CSRFT2 Fl. 191 5 como se observa, a prosperar tal entendimento, restaria aniquilado todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; merece reforma, portanto, o acórdão a quo, por ofensa à legislação aplicável à matéria (Art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96), bem como por divergir do entendimento, que entendemos acertado, constante do Acórdão Paradigma nº 10808356. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja admitido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, mantendose a multa em seu percentual agravado. Cientificado em 21/02/2013 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 184), o Contribuinte quedouse silente (fls. 188). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase do desagravamento da multa de ofício qualificada, já que o Contribuinte não atendeu às intimações enviadas pela Fiscalização. Sobre o assunto, a Lei nº 9.430, de 1996 assim estabelecia: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente.” Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 80, o Contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos, o que por si só já constitui descumprimento ao dispositivo legal acima, que em momento algum ressalva a necessidade de demonstração de prejuízo à autuação. Ademais, no presente caso obviamente houve prejuízo à ação fiscal, já que toda a documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante circularização, o que constitui ônus adicional ao trabalho fiscal. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo o agravamento da multa de ofício, que já restara qualificada, retornandoa ao percentual de 225%. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001456/2004-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário. SIMPLES. INCLUSÃO. DÉBITO.
Nos termos do art. 9, XV da lei n° 9.713/96, ao contribuinte que tenha débito inscrito em dívida ativa da União, que não esteja com a exigibilidade suspensa, é vedada a inclusão no regime do simples.
Numero da decisão: 1103-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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Numero do processo: 10850.722902/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000288/201058. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 90 2/ 20 13 -7 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722902/201376 Resolução nº 3201000.558 S3C2T1 Fl. 168 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000288/201058, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722902/201376 Resolução nº 3201000.558 S3C2T1 Fl. 169 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000288/201058. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002714/2004-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente recurso, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente recurso, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 02 71 4/ 20 04 -5 6 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 6 ___________ RELATÓRIO Foi apresentado pela Fazenda Nacional RECURSO ESPECIAL (fls. 197 a 205) solicitando a reforma do acórdão recorrido (nº. 280200.728 — 2ª Turma Especial – fls. 190 a 194), que foi proferido em 17 de março de 2011, DANDO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, cancelando o auto de infração (fl. 158) e requerendo o recálculo do imposto incidente, seguindo o entendimento do STJ que considera a tabela do mês a qual se refere o rendimento, para a realização do cálculo, conforme se lê na ementa do julgado, nos termos que seguem: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Segundo jurisprudência pacifica do STJ, tratandose de verbas recebidas acumuladamente, mas relativas a períodos pretéritos, devidamente discriminados na ação judicial trabalhista, o mês do efetivo recebimento indica o momento da incidência do imposto e, para efeito de cálculo, deve se considerar a tabela progressiva do mês a que se refere o rendimento. Recurso provido. Recurso Voluntário Provido” Antes de seguir com os argumentos, oferecidos pela PGFN, cabe registrar que o lançamento, do julgamento em questão, referese a incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, originário de verbas trabalhistas, em conseqüência da ação proposta pelo contribuinte, relativo a valores salariais do período entre junho de 1988 e março de 1993. A soma total fora recebida parceladamente em três anoscalendários diferentes (2000, 2001 e 2002), acarretando em 03 processos administrativos fiscais, sendo que, o que está em discussão é o do Exercício 2002. Em suas alegações a Procuradora relata a divergência descrevendo que, no acórdão recorrido, a conclusão foi a de que o imposto incorre de acordo com a tabela da época do recebimento da renda e, no paradigma, ficou entendido que o imposto recai segundo a tabela do momento da recepção, em conformidade com os dispositivos legais que determinam a tributação no total dos rendimentos na ocasião do recebimento. Informa que, quando há apenas uma expectativa de disponibilidade da renda, não ocorre o fato gerador do imposto, não existindo o inadimplemento, e apenas com a efetiva percepção da renda é que aplicase a base de cálculo, que vigora à época (art. 144 do CTN). Com relação a jurisprudência do STJ, que trata do tema, mencionada no acórdão recorrido, a PGFN, argumenta que ela pode ser alterada, haja vista o entendimento por parte do STF quanto a matéria, nos Recursos Extraordinários 614.406 e 614.232, que tiveram repercussão geral reconhecida. Segue a ementa do RE 614.232: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.002714/200456 Resolução nº 9202000.008 CSRFT2 Fl. 7 3 “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC” (Plenário, julgamento 20.10.2010, fl. 326).” No Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 219 a 223), realizado em 10 de novembro de 2011, — Despacho nº 220000.804 2ª Câmara — , o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, DEU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Nas Contrarrazões apresentadas (fls. 227 a 230), o sujeito passivo contesta o entendimento da recorrente, de não haver apoio legal para a tributação fracionada, com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 56 do Decreto 3.000/99. Fazendo referência a jurisprudência do STJ, entende que o referido artigo, unicamente dispõe quanto ao momento em que incide o imposto, não havendo informações a respeito da forma de cálculo do tributo, sobre valores recebidos acumuladamente. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.002714/200456 Resolução nº 9202000.008 CSRFT2 Fl. 8 4 VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Salientamos, por primeiro, que o caso versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Esclareçase que não se está discutindo a natureza tributável ou não dos rendimentos, nem sua ocorrência, mas tão somente o critério jurídico adequado para cálculo do respectivo tributo. Especificamente, há dúvida quanto à tabela utilizável nesse cálculo: (a) a tabela vigente no momento do recebimento dos valores correspondentes a vários períodos de apuração ou (b) as tabelas vigentes nos períodos referentes ao auferimento da renda, em detrimento do momento de seu recebimento. Nesse caso, como a ocorrência do fato gerador é pacífica, entendo que não haja motivo para cancelamento do auto de infração, que entretanto poderá ter alterado no que diz respeito ao quantum debeatur, em virtude do método de cálculo a ser utilizado. Essa questão, foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte Processo nº 10768.003602/200947 Resolução n.º 2101000.131 S2C1T1 Fl. 4 3 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.002714/200456 Resolução nº 9202000.008 CSRFT2 Fl. 9 5 Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a serem utilizadas no cálculo do tributo devido, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, alterado pela Portaria MF n.º 586, de 2010, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por esses motivos, voto no sentido de sobrestar a apreciação do presente recurso, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003850/2010-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/10/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/10/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado.
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 50 /2 01 0- 78 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 10/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 40/43), os fatos geradores não informados em GFIP foram considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, pelos contribuintes individuais (sócios) e pela empresa, incluídas nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.251.8672 e 37.251.8680, lançados nesta mesma ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/12/2010 (fls. 01 e 55). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 64/399) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração lavrado contém erros formais (alusão deficiente aos dispositivos legais) que importam no cerceamento de defesa da Impugnante, direito assegurado pelo art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, razão pela qual o mesmo padece de nulidade. Colaciona jurisprudência; 2. não obstante o AuditorFiscal afirmar que foi aplicada a penalidade mais branda (em respeito ao art. 106, II, "c" do CTN), o demonstrativo da multa aplicada (Anexos I, IA e II) do presente auto de infração apresenta multiplicador, cuja aplicação não possui base legal, ferindo, assim, o princípio da legalidade; 3. apesar de imputada multa por omissões ou incorreções constantes em GFIP, não foram apontadas quais seriam, a fim de possibilitar a defesa da Impugnante, constando apenas do demonstrativo a expressão ‘campos com informação errada’. Assim, ficou impossibilitado o direito de ampla defesa à Impugnante. Junta comprovantes de entrega das GFIP de 01/2006 a 13/2007; 4. o princípio da legalidade não foi observado em todo o processo administrativo, acarretando o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, razão pela qual o presente auto de infração deve ser declarado nulo; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 5. por fim, a Impugnante requer a produção de prova pericial contábil, a fim de expurgar os valores indevidamente cobrados, de forma a evitar o confisco, vedado constitucionalmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão no 1636.255 da 13a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A DRF em São Paulo/SP encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRelator Marcelo Freitas de Souza Costa ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que sou apenas redator adhoc para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do Colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro RedatorDesignado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Com isso, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo erros formais e, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador da infração imputada à Recorrente, decorrente do preenchimento da GFIP não contendo todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006, 10/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/399) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 40/43) e seus anexos (fls. 01/39) são claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de fls. 01/02, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Esse Relatório informa que: “Por força do artigo 32, IV, parágrafo 5o. da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com art. 225, IV, parágrafo 4 0 . do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, a empresa é obrigada a INFORMAR mensalmente através de GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social (documento a que se refere à Lei 8.212/1991, art. 32, inc. IV, parágrafo 3o) TODOS os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias relativas a cada competência a que se refere. As GFIP foram entregues com omissões de Segurados Empregados e sócios ou declarados com valor menor que a Folha de Pagamento. Deixou, portanto, a empresa de declarar em GFIP, antes do inicio do Procedimento Fiscal, os valores pagos a todos seus segurados caracterizados como Salário de Contribuição. A omissão ou não inclusão de qualquer fato gerador de Contribuição Previdenciária na GFIP constituise infração (descumprimento de obrigação acessória) aos dispositivos legais mencionados acima, motivo pela qual a empresa está sendo autuada. No Anexo IV (ao Auto de Infração N. 37.251.8672) estão relacionados os segurados empregados, sócios e valores que deixaram de ser declarados em GFIP. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 5 7 O cálculo da contribuição de segurado obedeceu às faixas salariais. As Contribuições Previdenciárias omitidas e não recolhidas estão sendo lançadas através dos Autos de Infração de Obrigação Principal: AI n. 37.251.8672 – Empresa e AI n. 37.251.8680 – Segurados”. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 42/43) informa que a a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, observado o limite definido em função do número de segurados da empresa no § 4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 42). Citado relatório e respectivos anexos demonstram que foram incluídas na presente autuação apenas as multas aplicadas de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores, nas competências em que esta, somada à multa incluída nos Autos de Infração de Obrigação Principal, se mostraram mais benéficas ao Contribuinte face às alterações legislativas promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei 11.941/09 (01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006, 10/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007). Nas demais competências do período analisado (03/2006 a 06/2006, 09/2006 e 13/2006), nas quais a multa aplicada nos termos da legislação atual se demonstrou mais branda ao Contribuinte, em respeito ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, foi aplicada exclusivamente a multa de ofício incluída nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.251.8672 e 37.251.868. A planilha III (fls. 48) efetua o comparativo entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores e a atual, apontando as competências em que uma ou outra se mostrou mais branda. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/399) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e na planilha demonstrativa de fls. 9/10. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 6 9 § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, constatase que a Recorrente apresentou as GFIP’s não contendo todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, para as competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 10/2007. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/399) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 7 11 Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, o Conselheiro redator adhoc, designado para formalização do voto, CONHECE DO RECURSO e NEGA PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11474.000255/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Confirma-se a decisão de piso que declara nulo o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando a notificação fiscal é lavrada diretamente em nome de empresa que, sem revestir a condição de contribuinte, somente responde pela obrigações previdenciárias em razão do vínculo de responsabilidade solidária a ela atribuído por integrar grupo econômico de fato.
O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência, decorrente da incorreta interpretação da legislação pela autoridade lançadora, a qual diante da previsão de solidariedade entre empresas de grupo econômico considera que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer uma delas, é vício material.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 2401-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi que davam provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva ainda dissentiu do Relator por entender que o vício reconhecido é formal.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Confirmase a decisão de piso que declara nulo o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando a notificação fiscal é lavrada diretamente em nome de empresa que, sem revestir a condição de contribuinte, somente responde pela obrigações previdenciárias em razão do vínculo de responsabilidade solidária a ela atribuído por integrar grupo econômico de fato. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, decorrente da incorreta interpretação da legislação pela autoridade lançadora, a qual diante da previsão de solidariedade entre empresas de grupo econômico considera que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer uma delas, é vício material. Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 02 55 /2 00 7- 05 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.147 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi que davam provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva ainda dissentiu do Relator por entender que o vício reconhecido é formal. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.148 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0712.776, cujo dispositivo considerou nulo o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 1.118/1.134): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 NFLD n°.37.060.85187, de 22/01/2007. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GRUPO ECONÔMICO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. Situações que, embora constem da narrativa dos fatos, não se constituíram nos motivos determinantes do lançamento, não podem ser consideradas no julgamento sob pena de inovação, com conseqüente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. O artigo 30, inciso IX, da lei 8.212/90, não atribuiu às empresas integrantes de grupo econômico a qualidade de contribuintes, mas tão somente de responsáveis pelo crédito tributário. A notificação lavrada em nome da empresa que, sem revestir a qualidade de contribuinte direto, somente responde solidariamente pelas obrigações previdenciárias em decorrência da constatação de grupo econômico de fato, caracterizase vício insanável por limitações dos sistemas informatizados da RFB que possibilite a transferência do crédito para o outro CNPJ, levando à nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Lançamento Nulo 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 75/82, que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.060.8518, relativa ao período de 01/2002 a 04/2005, abrangendo as contribuições previdenciárias patronais previstas nos incisos I e II do art. 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como aquelas devidas a terceiros, incidentes sobre remunerações de segurados empregados (FPAS 507 Código 0079). 2.1 Segundo o agente fiscal, os fatos geradores e as bases de cálculo foram apurados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em nome de empresa componente do grupo econômico, denominada de Textai, cujos segurados empregados prestaram serviços à notificada, R S I Têxtil, sem haver, contudo, o correspondente Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.149 4 recolhimento da parte patronal das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas. 2.2 Com base nos elementos fáticos identificados durante a ação fiscal, a fiscalização concluiu pela existência de grupo econômico industrial de fato formado pela empresas supramencionadas, observado que a administração do grupo era centralizada na notificada. 2.3 Uma vez identificado o grupo econômico, foi imputada a responsabilidade solidária, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, tendo como corresponsável a empresa Textai. 3. Intimadas as empresas da autuação por via postal em 25/1/2007, conforme fls. 862/867, elas apresentaram impugnações (fls. 868/908 e 961/975). 4. Antes de apreciar as peças de defesa, o colegiado de primeira instância determinou o retorno dos autos à fiscalização para esclarecer, mediante confecção de relatório complementar, a razão pela qual o crédito tributário, incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados formalmente vinculados à empresa Textai, foi lançado diretamente na empresa notificada (fls. 1.031/1.032). 4.1 Em outros dizeres, o julgador "a quo" desejava saber se a auditoria havia procedido à caracterização dos segurados como empregados da notificada ou era o caso de responsabilidade solidária por sucessão, considerando que houve a transferência de todos os empregados da Textai para a notificada, nos meses de fevereiro e abril de 2005. 5. Ao responder a diligência, a autoridade lançadora limitouse a esclarecer que a narrativa dos fatos e respectivas provas demonstravam a existência de grupo econômico de fato entre as duas empresas e tendo em conta que a solidariedade configurada não comportava benefício de ordem, o débito havia sido lançado na empresa que centralizava a administração do grupo (fls. 1.078). 5.1 Desta manifestação da fiscalização, foi dada ciência às empresas, em 09/3/2008, as quais aditaram as respectivas impugnações (fls. 1.082/1.085, 1.087/1.093 e 1.096/1.103). 6. Ao apreciar o litígio, o colegiado de primeira instância, por intermédio do Acórdão nº 0712.776, considerou nulo o lançamento, pelo voto de qualidade do Presidente da Turma, vencidos os julgadores que votaram pela procedência do lançamento. 7. Segundo o que consta do votocondutor vencedor do acórdão recorrido, o lançamento fiscal foi efetuado diretamente na empresa que não detém a qualidade de contribuinte, tão somente de responsável solidária pelo crédito tributário. 7.1 Com efeito, após a diligência, diante da existência de um grupo econômico, restava claro que o auditorfiscal considerava que o lançamento poderia ser efetuado em qualquer empresa, ainda que os fatos geradores estivessem contabilizados em outra. 7.2 Tal procedimento evidenciava a falta dos requisitos legais para configuração do fato gerador, bem como uma interpretação inadequada do que prescrevia o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, com inversão na ordem do lançamento. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.150 5 7.3 Na ausência de caracterização de segurados empregados em nome da notificada, tampouco configurada a sucessão de empresas, a Textai deveria figurar no polo passivo como contribuinte, ao passo que a notificada seria chamada na condição de responsável solidária, em decorrência da identificação de grupo econômico entre elas. 7.4 Ao final, o voto vencedor concluiu pela ocorrência de vício insanável, relativo a erro na identificação do sujeito passivo principal, julgando nulo o lançamento, sendo cabível a emissão de lançamento substitutivo. 8. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 9. Apenas a notificada foi cientificada do Acórdão nº 0712.776, não constando manifestação de sua parte (fls. 1.139). É o relatório. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.151 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 10. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 11. Entendo, desse modo, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Mérito 12. A qualificação do autuado, isto é, quem deve responder pela obrigação tributária, denominado de sujeito passivo, é requisito indispensável à validade do auto de infração, conforme prescrevem o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. 13. De acordo com o art. 121 do CTN, a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária dividese em contribuinte e responsável tributário: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 14. Em linhas gerais, o contribuinte é aquela pessoa eleita pelo legislador para compor o aspecto pessoal do consequente da regramatriz de incidência tributária, porque protagonizou o fato descrito na hipótese de incidência tributária. 14.1 No que toca à prestação de serviços remunerados realizados por segurado empregado, o contribuinte é o tomador desses serviços, que utiliza a prestação de serviços e tem relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária (art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 1991). Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.152 7 15. Já o responsável é um terceiro, que embora não tendo relação pessoal e direta com o fato jurídico tributário descrito no aspecto material da hipótese de incidência, é posto no polo passivo da norma tributária, por disposição expressa da lei, como obrigado ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. 15.1 Para fins previdenciários, uma vez identificada a existência de grupo econômico, a responsabilidade tributária vem disposta no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) 16. Desse dispositivo transcrito, observase duas normas jurídicas secundárias distintas, porém interligadas com a norma básica ou matriz, que disciplina a obrigação principal.1 16.1 Uma, voltada à sujeição passiva por responsabilidade indireta, em que a constatação da existência do grupo econômico implica a inclusão, no aspecto subjetivo do consequente da norma de incidência tributária, das demais empresas que o integram, respondendo elas e o contribuinte pelo débito. 16.1.1 Para o contribuinte, a própria norma básica de tributação já naturalmente o inclui como titular do dever de pagar o tributo, de tal sorte que o inciso IX adiciona tão somente ao polo passivo os demais componentes do grupo econômico. 16.2 A segunda, referente à solidariedade, que diz respeito a uma relação jurídica de garantia. 16.2.1 Nessa hipótese, o inciso IX define a relação entre os coobrigados contribuinte e responsável tributário no cumprimento da obrigação tributária, estabelecendo uma responsabilidade solidária em sentido estrito, entre contribuinte e responsáveis e entre responsáveis, no que tange ao cumprimento da obrigação tributária do contribuinte, inexistindo, por força do art. 124 do CTN, o chamado benefício de ordem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 17. Ao não comportar benefício de ordem, os responsáveis integrantes do grupo econômico são chamados para adimplir o crédito tributário junto com o contribuinte sem a 1 A respeito do conceito de norma básica ou matriz e de norma secundária, e sua aplicação no estudo da responsabilidade tributária, ver as notas de atualização de Misabel Abreu Machado Derzi, em BALEEIRO, Aliomar. Direito tributário brasileiro. 12ª ed. Rio de Janeiro:Forense, 2013, p. 1114/1116. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.153 8 necessidade de observar uma ordem de cobrança, podendo a Fazenda Nacional exigir a satisfação da dívida de um, de alguns ou mesmo de todos os devedores concomitantemente. 18. Entretanto, a união dos devedores por solidariedade, que se dá para fins de garantir o futuro cumprimento da obrigação tributária, não significa que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer um deles, desconsiderando a condição de contribuinte e responsável tributário. 19. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como são as contribuições previdenciárias, o ato administrativo do lançamento de ofício deve ser efetuado para que se possa exigir o pagamento do tributo quando o sujeito passivo omitese e descumpre o dever de recolhêlo antecipadamente, ou efetua recolhimento a menor. 20. Identificada a hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento de ofício deve ser realizado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários, discriminandoos no documento de lançamento. 21. Para possibilitar eventual contestação pelos autuados e não acarretar cerceamento do direito de defesa, na formalização da exigência fiscal há de se diferenciar o contribuinte, que tirou proveito econômico do fato jurídico e deixou de cumprir seu dever de antecipar o pagamento, e o responsável tributário, cuja lei o elegeu para responder igualmente pelo tributo. 22. O contribuinte será o devedor principal, porquanto descumpriu o dever de adimplir a obrigação tributária. Diferentemente, o responsável tributário tem seu vínculo distinto, sendo devedor só porque a lei assim determinou, com o propósito único de conferir maior garantia ao crédito tributário. 23. De verse que bem distintas as origens dessas responsabilidades, aqui em alusão à responsabilidade em sentido lato, como dever jurídico, do contribuinte e responsável tributário. 24. Tanto que a obrigação do contribuinte independente da obrigação do responsável tributário, de maneira que o crédito tributário pode ser exigido do contribuinte mesmo sem a declaração pelo agente fiscal da responsabilidade das demais empresas integrantes do grupo econômico. 24.1 Além disso, uma vez não ocorrido o fato gerador ou extinta a obrigação do contribuinte, inexistirá o dever de pagamento do responsável tributário. 25. Por outro lado, quanto ao responsável tributário, ainda que procedente o crédito tributário, a improcedência do vínculo de responsabilidade, ou mesmo a falta de sua comprovação pela acusação fiscal, são suficientes para afastálo do pagamento do tributo exigido. 26. Exposto assim, fica evidente que a autoridade fiscal, neste processo administrativo, incorreu em equívoco quando do cotejo entre os elementos fáticos da relação obrigacional e os enunciados do consequente da regramatriz das contribuições previdenciárias, assim como da norma abstrata de responsabilidade tributária prescrita no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.154 9 26.1 Quem é o contribuinte e, portanto, devedor principal é a empresa Textai, empregadora dos segurados remunerados. Tal situação fática, longe de desconstituída pela autoridade fiscal, foi ratificada quando da diligência fiscal. 26.2 Ao revés, a notificada, que não tem relação direta com os fatos geradores, deveria figurar no polo passivo como responsável tributária solidária, em decorrência da identificação de grupo econômico entre as duas empresas. 26.3 O que fez a autoridade lançadora foi promover a inversão de sujeição passiva, sob a justificativa de que, uma vez não comportando a solidariedade tributária benefício de ordem, o crédito poderia ser lançado na empresa que centralizava a administração do grupo econômico. 27. Essa conduta do agente fiscal afronta, inclusive, os atos normativos vigentes à época do lançamento fiscal, tal como o art. 749 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, que determinava o lançamento do crédito previdenciário na empresa tomadora de serviços, responsável pelos fatos geradores, com ciência das demais empresas integrantes do grupo econômico, sujeitos passivos investidos da condição de responsáveis solidários pelo inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis a redação do dispositivo normativo citado: Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. (grifouse) § 1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. § 2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. 28. Nesse cenário, não se trata de vício formal, decorrente de equívoco quanto à análise dos fatos e restrito ao enunciado do ato normativo individual e concreto (notificação fiscal). 29. Cuidase de nulidade por vício material, por violação quanto a um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta, qual seja o critério pessoal, resultado de erro do agente fiscal no que tange à sua interpretação da legislação tributária. 29.1 Tal erro não é convalidável, pois necessária a edição de novo ato administrativo com conteúdo alterado. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.155 10 30. Conquanto a decisão de piso não faça menção expressa quanto à natureza do vício da nulidade, a análise das suas razões permite identificar que o votocondutor manifesta se pela ocorrência de interpretação inadequada por parte da autoridade lançadora para o prescrito pelo inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, evidenciando, implicitamente, a presença do vício material. 31. Mesmo na hipótese de vício material, a emissão de lançamento substitutivo é cabível, como salientado na decisão de piso, desde que não transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 32. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância quanto à nulidade, por vício material, devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11065.001674/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2007
DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. REALIZAÇÃO.
A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo sanar dúvidas a respeito de questões fáticas não totalmente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, que se as entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferi-las fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como cerceamento do direito de defesa.
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizam-se como produtos intermediários, para a finalidade de aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aqueles não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados imediata e integralmente no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Inteligência dos Pareceres Normativos CST nºs 181/74 e 65/79 e REsp 1.075.508/SC (art. 543-C do Código de Processo Civil).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência, e o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio, que dava provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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REALIZAÇÃO. A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo sanar dúvidas a respeito de questões fáticas não totalmente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, que se as entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferilas fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como cerceamento do direito de defesa. IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizamse como produtos intermediários, para a finalidade de aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aqueles não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados imediata e integralmente no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Inteligência dos Pareceres Normativos CST nºs 181/74 e 65/79 e REsp 1.075.508/SC (art. 543C do Código de Processo Civil). Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência, e o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio, que dava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 74 /2 01 0- 73Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, período agosto/2005 a dezembro/2007, decorrente de glosas de créditos qualificados pelo contribuinte como produtos intermediários, que, porém, correspondiam a partes e peças de máquinas e equipamentos e material de consumo, além de não sofrerem desgaste por contato direto com o produto em industrialização, nos termos do PN CST 65/79. Segundo o Relatório de Ação Fiscal (fls. 319/323), a maior parte das glosas corresponde a rolamentos, mangueiras, retentores, abraçadeiras, anéis, buchas, suportes, ferramentas, painéis elétricos, disjuntores elétricos e peças para máquinas industriais em geral. Em impugnação o contribuinte defendeu o seu direito ao creditamento alegando que todos os produtos ingressam no seu processo produtivo; que o art. 147, I do RIPI/98 não exigia o desgaste direto sobre o produto em fabricação; que o PN CST 181/74 lhe garantiria o crédito glosado. Na oportunidade discorreu sobre o princípio da não cumulatividade, com remissão a decisões judiciais acerca do assunto, juntou laudos técnicos e, por fim, requereu perícia técnica. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve integralmente o lançamento, mediante decisão assim ementada: “INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. Além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, geram direito ao crédito quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. As partes e peças de equipamentos, bem como o material de uso e consumo não geram créditos passíveis de aproveitamento pelo estabelecimento industrial. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese pedido de perícia quando se verifica que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, e quando não evidenciado que o lançamento tenha se fundamentado em dados incompletos, inidôneos e controvertidos sobre os quais fosse imprescindível um conhecimento especializado para o deslinde do litígio.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeiro grau administrativo por cerceamento do direito de defesa, em função do indeferimento da prova pericial, eis que determinados produtos glosados entrariam em contato direto com o produto (bobinas, anéis de trefiladeira, bloco lança, forma reparo bica, endireitador, roldana desenho, extrator, canaleta elefante, gaxetas, martelos e pinos). No Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 11 3 mérito, mais uma vez, discorreu sobre o princípio da não cumulatividade, alegando direito irrestrito ao crédito do imposto, uma vez que os insumos se desgastariam durante o seu processo produtivo, citando doutrina e jurisprudência; que o PN CST 65/79 violaria a legislação atinente ao imposto, criando exigência não prevista em lei ou regulamento; e, que os insumos glosados são desgastados, consumidos e indispensáveis ao seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Preliminarmente, quanto à nulidade da decisão reclamada por indeferimento da prova pericial, não vislumbro vício algum que a conspurque, eis que, pela redação do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, a realização de diligências ou perícias será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias, devendo, em caso de indeferimento daquelas requeridas pelo contribuinte, apresentar as justificativas para tal, nos termos do art. 28, in fine, do mesmo diploma. Como se verifica dos dispositivos citados, as diligências e/ou perícias não tem por móvel a produção de prova, como parece defender o recorrente, mas sim esclarecer dúvidas porventura existentes acerca de questões de fatos ainda não devidamente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, de sorte que se este as entende prescindíveis não está obrigado a determinálas, ainda que disso divirja o requerente. Na hipótese dos autos o relator da decisão recorrida declinou os fundamentos para o indeferimento da perícia/diligência, o que implica reconhecer a inexistência de qualquer mácula que imponha a decretação de nulidade da decisão, motivo pelo qual rejeito a preliminar argüida. De minha parte, na mesma linha do colegiado a quo, entendo que o processo já contém todos os elementos necessários ao julgamento, não havendo qualquer questão que exija dilação probatória ou a sua conversão em diligência. O meritum causae diz respeito à caracterização de determinados insumos como “produtos intermediários” para a finalidade de creditamento na conta gráfica de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados. Defendeu o recorrente que o seu direito aos créditos seria irrestrito, por força do princípio da não cumulatividade, não havendo na legislação de regência do tributo a exigência do desgaste por contato direto com o produto em fabricação, como requisito para o creditamento. Para reforçar o seu argumento asseverou que todos os insumos glosados são consumidos e indispensáveis ao seu processo produtivo, daí a necessidade da prova pericial. Ressalto, contudo, que não se questiona a imprescindibilidade ou importância desses insumos ao processo industrial do contribuinte, mesmo porque é indubitável que a Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 atividade empresarial moderna não transige com custos inúteis ou dispensáveis, logo, todos os custos de produção, em tese, seriam necessários à obtenção do bem produzido. Definitivamente, não é esse o ponto. A meu sentir, no caso vertente, em debate está a aplicabilidade (ou não) do conceito de produto intermediário fornecido pelo PN CST 65/79, para a finalidade de fruição do direito de crédito do IPI. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, vigente à época dos fatos, tratava da matéria no seu art. 164, I, nos seguintes termos: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” Com intuito de esclarecer o alcance da segunda parte do dispositivo, que é a reprodução do art. 66, I do RIPI/79 (Decreto nº 83.263/79), então vigente, proferiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – CST, à época, o Parecer Normativo nº 65/79, que, em brilhante exegese, aduziu que, mesmo não se integrando ao novo produto, os materiais intermediários deveriam exercer função análoga àqueles que efetivamente se incorporassem ao bem em fabricação, qual seja, de se desgastar, consumir e/ou perder suas propriedade físicas e químicas em função do contato direto com o bem em produção e viceversa. Desta forma, diversamente do que argumenta o recorrente, não bastaria o simples consumo no processo produtivo, ou mesmo a indispensabilidade do insumo ao processo industrial, mas principalmente o contato direto com o produto fabricado. A questão não é nova neste sodalício, que já se debruçou sobre a matéria reiteradas vezes e firmou seu entendimento no sentido que, para a definição do alcance dos termos “matériaprima”, “produtos intermediários” e “material de embalagem”, prevalece a inteligência do Parecer Normativo CST nº 65/79, como se verifica dos seguintes acórdãos, exemplificativamente colacionados: “IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. EXCLUSÃO. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros como ferramentas e peças de reposição, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST. n° 65/79, incluindo anel, filtro, pastilha, arruela, viga, fusível, rebite, chave, serrote, plug, parafuso, bateria, mangueira, abraçadeira, lâmpada, trena, correia, resistência, luva, prego, joelho, alicate, relê, chave de fenda, retentor e lona de freio, não podem ser Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 12 5 considerados como matériaprima ou produto intermediário, para fins de créditos básicos do imposto.” (Acórdão 20309.858) “(...)PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ÓLEOS COMBUSTÍVEIS.Não geram direito ao crédito presumido os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento (PN CST nº 65/79).” (Acórdão 3401001.118) “(...) CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram direito ao crédito presumido os insumos que, embora se desgastem ou se consumam no decorrer do processo industrial, não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (PN CST n 65/79).” (Acórdão 340300.054) “IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363, DE 1996. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. EXCLUSÃO. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos e gastos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, incluindo energia elétrica, óleo diesel, comunicações, transportes e outros (materiais de consumo, de higiene, peças, uniformes, vestuário etc) não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins do cálculo do crédito presumido estabelecido pela Lei n° 9.363/96, devendo os valores correspondentes ser excluídos no cálculo do beneficio.” (Acórdão 20312.477) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, nos termos do PN CST n°65/79.” (Acórdão CSRF/0202.706) Esse, aliás, o motivo da não aceitação da energia elétrica e dos combustíveis no cálculo do crédito presumido de IPI de que tratava a Lei nº 9.363/96, como se verifica da Súmula CARF nº 19: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” (destacado) Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 Portanto, acertados o lançamento e a decisão sob vergasta quando adotam a acepção de produto intermediário contida no PN CST nº 65/79 para exame dos insumos passíveis de creditamento do IPI. Demais disso, devese considerar, hodiernamente, ainda, a inteligência das decisões exaradas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, na sistemática da repercussão geral e dos recursos repetitivos, arts. 543B e 543C, respectivamente, de observância obrigatória pelas turmas julgadoras do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do RICARF (Portaria MF nº 343/15). Exemplo de decisão julgada como recurso repetitivo, atinente ao debate ora realizado, é o REsp 1.075.508/SC, julgado em 23/09/2009, que, mesmo não fazendo expressa remissão aos requisitos dos PNs CST 181/74 e 65/79, destaca que a condição de material intermediário exige que o insumo se desgaste de maneira integral e imediata no processo produtivo, verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Extraise do voto condutor deste aresto a seguinte compreensão do tema: Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 13 7 “Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’ . Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.” (grifado) Portanto, a partir das conclusões dos pareceres normativos e do REsp 1.075.508/SC, as condições cumulativas, para que determinado insumo possa ser enquadrado como material intermediário, são: i) desgaste ou consumo por contato direto com o produto em fabricação, ii) que não seja parte de máquinas e equipamentos ou peças de reposição; iii) não seja classificável como bem do ativo permanente, segundo a legislação do IRPJ; e, iv) que o desgaste seja integral e imediato no processo produtivo. No caso dos autos, os insumos argüidos pelo recorrente são os seguintes: rolamentos, mangueiras, retentores, abraçadeiras, anéis, buchas, suportes, ferramentas, painéis elétricos, disjuntores elétricos, bobinas, blocos, formas, endireitadores, roldanas, extratores, canaletas, gaxetas, martelos, pinos e peças para máquinas industriais em geral. Como denota a relação exemplificativa, correspondem os insumos a partes ou peças de reposição de máquinas e equipamentos, que não se desgastam imediata e integralmente durante o processo produtivo, o que, na linha de raciocínio até aqui desenvolvida, impede o aproveitamento do crédito. Em situação semelhante, a extinta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou neste mesmo sentido, valendo a transcrição do voto condutor do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, verbis: É que, assim como a primeira instância, também entendo que materiais como anel, filtro, pastilha, arruela, viga, fusível, rebite, chave, serrote, plug, parafuso, bateria, mangueira, abraçadeira, lâmpada, trena, correia, resistência, luva, prego, joelho, alicate, relê, chave de fenda, retentor e lona de freio, dão direito ao crédito, haja vista não estarem enquadrados no conceito de insumo. A legislação do IPI, ao tratar dos créditos básicos do imposto, especialmente no art. 82, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 (RIPI/82), equivalente ao art. 147, I, Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), informa o seguinte: ‘Artigo 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei n°4502/64, artigo 25);’ O Parecer Normativo CST n° 65/79, tratando do art. 66, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 83.263/79 (RIPI/79), equivalente ao art. 82, I, do RIP1/82, assentou interpretação acerca dos créditos básicos do imposto, que continua válida até hoje. Segundo essa interpretação consolidada, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente que, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo, forem consumidos no processo de industrialização, isto é, sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. No caso da recorrente, claramente os materiais elencados ferramentas e peças de reposição não se enquadram nos parâmetros do referido Parecer Normativo.” Por compartilhar da mesma visão, entendo que o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos, não merecendo qualquer reparo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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