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5863809 #
Numero do processo: 15586.721262/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.721262/2012­97  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2401­000.447  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  22 de janeiro de 2015  Assunto  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  FUNDAÇÃO SÃO JOÃO BATISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento em diligência.        Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício         Carolina Wanderley Landim ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e  Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim,  Igor Araújo Soares,  Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 21 26 2/ 20 12 -9 7 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/2012­97  Resolução nº  2401­000.447  S2­C4T1  Fl. 3          2    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  às  fls.  671/677,  insurgindo­se  contra  o Acórdão  de  nº  12­58.694  (fls.  660/667)  proferido  pela  14ª  Turma  da  DRJ/RJ1, que manteve a exigência consubstanciada no presente PAF.  Segundo o relatório fiscal de fls.36/52, a ação fiscal foi realizada com o objetivo  de  verificar  a  existência  (preenchimento)  dos  requisitos  para  o  gozo  da  isenção  das  contribuições previdenciárias patronal, bem como a regularidade dessas contribuições.   Afirma  o  autuante  em  seu  relatório  que  a  Contribuinte  é  sociedade  civil  estatutária, de caráter beneficente, de fins filantrópicos, fundada em novembro de 1963 e tem  como atividades:  ·  Criar,  instalar  e  manter  estabelecimento  de  ensino,  sem  finalidade  lucrativa, embora venha a manter cursos remunerados, de forma a elevar  o nível cultural da região;  ·  Criar  e  manter  serviços  educativos  mais  ajustados  aos  interesses  e  possibilidade  dos  estudantes,  bem  como  as  reais  condições  e  necessidades  do meio,  inclusive  com  esclarecimentos  à  opinião  púbica  sobre as vantagens asseguradas pela boa educação;   ·  Criar  e  manter  serviços  de  radiodifusão  educativa  e  comunicação  em  geral;  ·  Aplicar  integralmente  suas  rendas,  recursos  e  eventuais  resultados  operacionais  na  manutenção  e  desenvolvimento  dos  objetivos  institucionais no território nacional;  A  fiscalização  informa que houve apresentação pelo contribuinte de uma série  de documentos com o objetivo de demonstrar que se tratava de entidade de fins filantrópicos ­  fls. 36/38 do relatório fiscal.  Foi constatado pela fiscalização que, no processo nº 13770.000986/2008­12, foi  cancelado  o  reconhecimento  do  direito  à  isenção,  com  a  emissão  de  Ato  Cancelatório  e  consequente  ação  fiscal  para  lançamento  do  respectivo  crédito  previdenciário.  Em  razão  do  referido ato, a  fiscalização entendeu que no período em que a Lei 8.212/91 esteve vigente, a  entidade  não  gozava  da  isenção  das  contribuições  previdenciárias  patronais,  bem  como  as  devidas a outras entidades ou fundos.  Conforme item 3.1.8 do relatório, a fiscalização entendeu ainda que em 2008 a  entidade  continuou  não  atendendo  aos  requisitos  básicos  para  usufruir  da  isenção  por  não  apresentar a Certidão de Regularidade perante o Prouni relativo ao ano de 2008 (solicitada em  TIF próprio), o que  levou ao cancelamento do direito de  isenção das contribuições patronais  previdenciárias.  Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/2012­97  Resolução nº  2401­000.447  S2­C4T1  Fl. 4          3  Através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.056­8 e 37.390.880­6 que  compõem o presente PAF, a fiscalização afirma ter efetuado a cobrança das contribuições que  passaram  a  ser  devidas  com  a  perda  do  benefício  da  isenção  pela  entidade  (patronal  +  terceiros).  No  item  3.2  e  seguintes  de  seu  relatório  fiscal,  a  autoridade  autuante  disserta  sobre a Previdência Privada contratada pela entidade junto a Porto Seguro Vida e Previdência  S/A em 31.07.2007. Afirma o fiscal que a entidade não preencheu todos os requisitos contidos  no art. 28, inciso I, § 9º alínea “p” da Lei 8.212/1991, tendo em vista que o plano não estava  disponível a todos os empregados, elaborando planilha comparativa em seu relatório acerca da  quantidade de empregados abrangidos ou não pelo plano.  Prossegue o fiscal afirmando que em razão do não preenchimento dos requisitos,  restou  igualmente  configurado  o  descumprimento  de  obrigação  acessória,  qual  seja,  não  informar a  totalidade de  fatos geradores em GFIP. Afirma ainda que a autuada não  recolheu  sequer as contribuições dos segurados (que devem ser recolhidas pelas entidades beneficentes  em gozo de isenção).  Assim, através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.056­8, 37.390.879­2  e  37.390.880­6,  foram  feitos  lançamentos  referentes  às  contribuições  (patronal,  terceiros  e  segurados  empregados)  incidentes  sobre  as  remunerações  recebidas  a  título  de  previdência  privada.  No  item 5 do  relatório  fiscal,  a  autoridade autuante  traz as  informações gerais  dos DEBCAD’s contidos no presente PAF, vejamos:  ·  AI/DEBCAD  n°  37.347.056­8  –  item  5.1  –  refere­se  às  contribuições  previdenciárias  não  declaradas  GFIP,  a  cargo  da  empresa  +  RAT,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  no  período  de  jan/2008  a  dez/2008.  Valores  relacionados  à  declaração  indevida da  entidade  de  que  possuía  isenção  de contribuições previdenciárias;  ·  AI/DEBCAD  nº  37.390.879­2  –  item  5.2  –  refere­se  às  contribuições  previdenciárias  não  descontadas  dos  segurados  e  não  declaradas  em  GFIP,  relativos  à  previdência  privada,  no  período  de  jan/2008  a  dez/2008;  ·  AI/DEBCAD nº 37.390.880­6 – item 5.3 – refere­se a crédito tributário  relativo  às  contribuições  sociais,  não  declaradas  em  GFIP,  devidas  a  terceiros, no período de jan/2008 a dez/2008;  ·  AI/DEBCAD  nº  37.390.881­4  –  item  5.4  –  lavrado  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  por  apresentar  documentos  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias, no período de jan/2008 a nov/2008.  Consta  ainda  no  relatório  fiscal  tópicos  específicos  às  representações  penais,  bem como comparativo  de multas  a  serem  aplicadas,  de modo a  respeitar  a penalidade mais  benéfica ao contribuinte.  Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/2012­97  Resolução nº  2401­000.447  S2­C4T1  Fl. 5          4  Cientificada em 21/12/2012 sobre os  autos de  infração acima discriminados, a  entidade  apresentou  Impugnação,  em  18/01/2013  (fls.  463/467),  aduzindo,  em  síntese,  que  apresentara  recurso  voluntário  contra  o  Ato  Cancelatório  da  isenção  de  contribuição  previdenciária,  junto  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  no  processo  nº  13770.000986/2008­12, estando pendente de julgamento.   Nesse  sentido,  pugnou  pelo  sobrestamento  deste  feito  até  julgamento  daquele  processo,  onde  afirma  demonstrar  inequivocamente  o  seu  direito  à  isenção,  alegando  que  a  exigibilidade do crédito estaria suspensa enquanto pendente a decisão do referido recurso que  discute a isenção.  À fl. 603 consta o seguinte despacho:  Infração  37.347.056­8  e  37.390.880­6.  A  cobrança  dos  Autos  de  Infração  37.390.879­2  e  37.390.881­4,  não  questionados,  foi  transferida  para  o  processo  13770.720175/2013­91.  Encaminho  à  DRJ/RJO 1 para análise e julgamento.  Instada  a  se  manifestar  sobre  a  impugnação  apresentada,  a  14ª  Turma  da  DRJ/RJ1  proferiu  o  Acórdão  de  nº  12­58.694  (fls.  660/667),  mantendo  a  exigência  consubstanciada no presente PAF em sua íntegra.  No  julgamento,  a  DRJ  reiterou  que  a  cobrança  dos  Autos  de  Infração  37.390.879­2  e  37.390.881­4,  não  impugnados,  foi  transferida  para  o  processo  13770.720175/2013­91; indeferiu os pedidos de apresentação de provas testemunhais, periciais  e juntada posterior de documentos, por terem sido desacompanhados de qualquer justificativa;  sustentou  que  o  recurso  apresentado  no  processo  no  qual  foi  mantido  o  cancelamento  da  isenção  não  impedia  o  julgamento  do  presente  feito;  rechaçou  os  argumentos  contra  o  cancelamento da isenção, por serem objeto de PAF próprio; e  tendo em vista que a entidade  não apresentou argumentos específicos quanto às contribuições lançadas, manteve a autuação.  A  recorrente,  cientificada  em 10/09/2013  (fl.  669),  interpôs  recurso voluntário  em  08/10/2013  (fls.  671/677),  reiterando  as  razões  da  impugnação,  fazendo  referência  tão  somente aos AI’s 37.347.056­8 e 37.390.880­6.  À fl. 680 o processo foi remetido para apreciação por este Conselho.  É o relatório.  Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/2012­97  Resolução nº  2401­000.447  S2­C4T1  Fl. 6          5  Voto  Conselheira Carolina Wanderley Landim ­ Relatora  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela  qual dele tomo conhecimento.  Analisando o  processo,  verifica­se que  os  créditos  exigidos  estão  intimamente  ligados à emissão de Ato Cancelatório da condição de isenta da Recorrente, em debate no PAF  de nº 13770.000986/2008­12.  O PAF de nº 13770.000986/2008­12  foi  apreciado por  este CARF,  tendo  sido  proferido Despacho de nº 2401­144 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, datado de 25 de junho  de  2014,  determinando  que  fossem  verificados  os  requisitos  para  o  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  em  conformidade  com  as  disposições  do  Decreto  7.237/10  e  Instrução  Normativa  1.071/01.   O resultado do PAF de nº 13770.000986/2008­12, que trata do Ato Cancelatório  da condição de isenta da Recorrente, se constitui questão prejudicial ao presente processo.  Diante  de  tal  prejudicialidade,  voto  por  converter  o  presente  processo  em  diligência  para  verificar  se  já  ocorreu  o  trânsito  em  julgado  do  processo  administrativo  nº  13770.000986/2008­12, sendo informado, nestes autos, o resultado de eventual julgamento.  Na  hipótese  do  PAF  de  nº  13770.000986/2008­12  restar  ainda  pendente  de  julgamento,  voto  no  sentido  de  sobrestar  o  presente  feito  até  julgamento  final  e  consequente trânsito em julgado da questão prejudicial, devendo ser o resultado informado  no  presente  PAF.  Após,  retornem  os  presentes  autos  para  apreciação  do  recurso  voluntário  interposto às fls. 671/677 por este Conselho.  É como voto.    Carolina Wanderley Landim.   Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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5869762 #
Numero do processo: 10670.001061/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-18T16:23:50Z; Last-Modified: 2015-02-18T16:23:50Z; dcterms:modified: 2015-02-18T16:23:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:a7621310-1a8c-47e9-8afe-beb72a261aea; Last-Save-Date: 2015-02-18T16:23:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T16:23:50Z; meta:save-date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T16:23:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-18T16:23:50Z; created: 2015-02-18T16:23:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2015-02-18T16:23:50Z; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T16:23:50Z | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10670.001061/2010­35  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1201­000.163  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de novembro de 2014  Assunto  Auto de Infração  Recorrente  CIPOL COM. IND. PERES ARTACHO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.    (documento assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo – Presidente     (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo,  Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima  Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.    Relatório       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 01 06 1/ 20 10 -3 5 Fl. 8262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/2010­35  Resolução nº  1201­000.163  S1­C2T1  Fl. 3          2 Trata­se  de  Autos  de  Infração  de  IRPJ,  IRRF  e  reflexos  dos  anos­calendário  2005 a 2007 (o Auto de Infração do IRRF foi retificado, conforme Termo Complementar, fls.  3.175, e novamente dada ciência ao autuado, para apresentação de razões adicionais de defesa),  no valor total de R$ 9.618.037,82.  Durante os trabalhos de auditoria de verificações obrigatórias, o Contribuinte foi  intimado, por diversas vezes, a apresentar documentos, registros contábeis, extratos bancários e  bases de dados.  Com a conclusão da fiscalização foram autuadas as seguintes infrações:  a)  IRPJ   ­  Omissão  de  receitas  da  atividade  –  Saldo  Credor  de  Caixa,  conforme  demonstrado em anexos;  ­  Depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  –  Valor  referente  a  depósitos e investimentos, realizados em instituições financeiras, para os quais o  sujeito  passivo,  regularmente  intimado,  não  comprovou,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  b)  CSLL  sobre  receitas  omitidas,  decorrentes  de  depósitos  bancários  não  comprovados  e  atividades mercantis  sem  emissão  de Notas  Fiscais,  conforme  relatórios anexados ao Auto de Infração;  c)  PIS/PASEP  e  COFINS  –  omissão  de  receitas,  decorrente  de  depósitos  bancários  não  comprovados  e  atividades  mercantis  sem  emissão  de  Notas  Fiscais, conforme relatórios anexados ao Auto de Infração;  d)  IRRF  –  Importâncias  pagas  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiários  não  identificados / pagamento sem causa.  Com a ciência dos Autos de Infração a interessada apresentou Impugnação, na  qual alegou, em síntese, que:  1.  Nos  Autos  de  Infração  observa­se  uma  sucessão  de  planilhas,  campos e alíquotas, mal distribuídos e organizados, que não elucidam  as  lavraturas,  com  informações  confusas  e  muitas  vezes  incoerentes,  bem  como  um  emaranhado  de  referências  a  dispositivos  legais  desconexos,  inacessíveis  ao  contribuinte  comum.  Tudo  isso  dificultou  entender  o  lançamento,  sendo  óbice  e  cerceio  ao  exercício  da  ampla  defesa;  2.  Antes  de  lançar  qualquer  invectiva  à  declaração  prestada  pelo  contribuinte,  cumpre  à  autoridade  fiscal  lhe  requisitar  informações  e  documentos que possam justificar os dados glosados, a fim de evitar a  lavratura de autos que, posteriormente,  se constatarão  inconsistentes.  Assim, com base nos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72 ­ PAF, 142 do  CTN e 59, II, também do PAF, solicita a nulidade dos lançamentos;  3.  Não  se  pode  autuar  com  base  exclusivamente  em  depósitos  bancários,  na  mera  alegação  de  que  não  foram  comprovados,  afirmando serem relevantes e pertinentes os muitos Acórdãos, Decretos  Fl. 8263DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/2010­35  Resolução nº  1201­000.163  S1­C2T1  Fl. 4          3 e  Súmulas  acerca  do  assunto.  Transcreve  ementas  de  Acórdãos  do  Judiciário e do então Conselho de Contribuintes;  4. A autoridade fiscalizadora, somando absurdas receitas por ela tidas  como omitidas aos depósitos bancários, deixou de considerar que tais  depósitos englobavam as inúmeras receitas possíveis de uma atividade  empresarial,  tais  como:  suprimentos  de  recursos  por  aumento  de  capital,  injeção  financeira  efetuada  pelos  sócios,  adiantamento  de  fornecedores  ­  que  por  si  só  não  constituem  receita  enquanto  não  efetuada a saída do produto, transferência de numerários entre contas  bancárias de mesma titularidade, recebimentos de empréstimos obtido  junto a Bancos, a Pessoas Físicas diversas;  5. Segundo a Lei 8.021/90, art. 6°, §§ 4° e 6°, o arbitramento deve ter  como base preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos  ou eventos;  6. A empresa no ano de 2005 a 2007 não obteve evolução patrimonial  líquida sequer compatível às vultosas cifras apontadas pela autoridade  fiscal.  7. Em suas diversas assertivas, agasalha­se ainda nos arts. 107, 108 e  112 do CTN, bem como evoca o princípio da capacidade contributiva.  Junto com a impugnação a empresa apresentou dois demonstrativos, relativos à  CSLL  e  ao  IRPJ,  nos  quais  a  última  coluna  corresponde  aos  valores  da  contribuição  e  do  imposto a recolher conforme calculados pelo contribuinte para cada trimestre dos anos de 2005  a 2007.  Em sessão de 2 de dezembro de 2010, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento  de  Juiz  de Fora  decidiu,  por unanimidade, manter  os  lançamentos  e  julgar  improcedentes  as  impugnações.  Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, em que repete,  basicamente, os argumentos formulados na impugnação, acrescidos de questionamentos acerca  dos  cálculos  elaborados  pela  autoridade  fiscal,  nos  quais,  segundo  a  Recorrente,  haveria  equívocos. Com o voluntário foram anexados centenas de documentos, relativos a notas fiscais,  comprovantes de pagamentos e recibos trabalhistas, entre outros.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.  É o relatório.    Voto     Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais,  razão  pela  qual  dele  conheço.  Fl. 8264DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/2010­35  Resolução nº  1201­000.163  S1­C2T1  Fl. 5          4 Antes  de  adentrarmos  à  matéria  jurídica  debatida  nos  autos  faz­se  necessário  analisarmos o conjunto de documentos e planilhas que subsidiaram os lançamentos.  Isso porque a interessada, somente na peça recursal, aponta possíveis equívocos  nos cálculos efetuados pela fiscalização.   Com efeito, assim se manifesta a Recorrente:  Não  bastasse,  é  ainda  de  se  observar  os  não  raros  erros  nos  demonstrativos  efetuados  pela  fiscal. Como  exemplo,  e,  apenas  como  exemplo ­ pois inviável seria taxar todos os inúmeros erros de cálculos,  descrições,  planilhas  e  demonstrativos  elaborados  pela  fiscal  ­  enumeram­se alguns dos equívocos ínsitos aos Autos.  No  demonstrativo  de  pagamentos  sem  causa  e  sem  identificação  do  beneficiário, fls. 1497 a 1603 dos autos, observa­se um emaranhado de  cálculos  desconexos.  O  fato  é  que  há  inúmeros  valores  que  não  respeitam a composição do Caixa, que deve ser debitado pela entrada  de  recursos  e  creditado  pela  saída  destes.  Vejam­se  alguns  dos  inúmeros exemplos de cálculos equivocados de composição de caixa:  ­ A fl. 1530, na primeira linha do demonstrativo, observa­se um saldo  de  R$  2.410,31C.  Procedendo­se  à  subtração  do  débito  subseqüente  (R$ 1.200,00), chegar­se­ia à cifra de R$ 1.210,31C. Não obstante, não  se  sabe  como,  a  autoridade  fiscalizadora  procedeu  à  composição  do  caixa no valor de R$ 5.429,61C;  ­ A fl. 1529, na primeira linha do demonstrativo, observa­se um saldo  de R$ 19.978,35D. Procedendo­se  à  soma do débito  subsequente  (R$  299,50),  chegar­se­ia  à  cifra  de  R$  20.277,85.  Não  obstante,  não  se  sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa  no valor de R$ 11.174,75C;  ­ A fl. 1529, na quinta linha do demonstrativo, observa­se um saldo de  R$ 3.004,75C. Procedendo­se à  subtração do débito  subsequente  (R$  142,50), chegar­se­ia à cifra de R$ 2.862,25. Não obstante, não se sabe  como, a autoridade  fiscalizadora procedeu à composição do caixa no  valor de R$ 14.554,79C;  ­ A fl. 1529, na décima linha do demonstrativo, observa­se um saldo de  R$ 1.211,37C. Procedendo­se à  subtração do débito  subseqüente  (R$  2.535,00), chegar­se­ia à cifra de R$ 1.323,63D. Não obstante, não se  sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa  no valor de R$ 18.782,68C.  Estes são apenas alguns dos muitos equívocos nos cálculos contábeis  da  fiscal.  Poucos,  se  comparados  aos  inúmeros  outros  erros  que  contaminam o auto, mas suficientes para desqualificarem o auto. Como  se  denota  na  recomposição  do  Livro  Razão  nos  anos  inquiridos,  na  recomposição do Livro Diário também nos anos em questão, bem como  do  Plano  de  Contas  relativo  ao  período,  todos  estes  acostados  ao  presente recurso, não há correspondência entre os valores encontrados  pela fiscal e aqueles reescriturados.  Pois bem.  Fl. 8265DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/2010­35  Resolução nº  1201­000.163  S1­C2T1  Fl. 6          5 A  análise  dos  demonstrativos  acostados  aos  autos,  especialmente  quanto  aos  cálculos  indicados pela Recorrente,  realmente nos deixa em dúvida  acerca da metodologia  e  dos critérios adotados pela fiscalização.   Nesse  sentido, em homenagem ao princípio da verdade material e para que os  Autos de Infração possam ser apreciados de forma adequada, com a correta fundamentação dos  montantes que ensejaram os  lançamentos, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM  DILIGÊNCIA, para que a autoridade responsável:  a) Esclareça a metodologia utilizada para os cálculos apontados pela Recorrente,  conforme  acima  indicado,  cotejando­os  com  os  supostos  equívocos  mencionados;  b) Caso necessário, ratifique ou retifique todos os valores que serviram de base  para a autuação, elaborando demonstrativos com os respectivos montantes;  c) Informe se os documentos trazidos pela Recorrente na peça recursal possuem  o condão de alterar os lançamentos efetuados. Em caso afirmativo, a autoridade  deve intimar a empresa para comprovar a origem, pertinência e veracidade dos  documentos,  confrontando­os  com  os  registros  contábeis  devidamente  escriturados;  d) Elabore parecer conclusivo sobre os procedimentos efetuados e os montantes  apurados, intimando o Contribuinte para, no prazo legal, manifestar­se acerca do  resultado dos trabalhos.  Adotadas  as  providências  acima,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  e  Relator, para julgamento.    É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator    Fl. 8266DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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Numero do processo: 10480.002967/00-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. Preliminar rejeitada Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.971
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.002967/00­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.971  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  APOLO SANTANA VIEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008   NULIDADE  ­  CARÊNCIA  DE  FUNDAMENTO  LEGAL  ­  INEXISTÊNCIA   As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do  Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se  falar em nulidade por outras  razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de  preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.   CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  NULIDADE  DO  PROCESSO FISCAL   Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar  documentos  e  esclarecimentos,  bem  como  se  o  sujeito  passivo  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma  a  uma,  de  forma meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  defesa,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.   ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA  Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova  da  origem  dos  recursos  informados  para  acobertar  seus  dispêndios  gerais  e  aquisições de bens e direitos.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  ­  GASTOS  E/OU  APLICAÇÕES  INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA ­ LEVANTAMENTO  PATRIMONIAL  ­  FLUXO  FINANCEIRO  ­  BASE  DE  CÁLCULO  ­  APURAÇÃO MENSAL   O  fluxo  financeiro  de  origens  e  aplicações  de  recursos  será  apurado  mensalmente, considerando­ se todos os ingressos e dispêndios realizados, no  mês,  pelo  contribuinte.  Dessa  forma,  a  determinação  do  acréscimo  patrimonial a descoberto, considerando­se o conjunto anual de operações, não     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 29 67 /0 0- 06 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2 pode  prevalecer,  uma  vez  que  na  determinação  da  omissão,  as  mutações  patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.  Preliminar rejeitada  Recurso negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator  Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa,  Rafael  Pandolfo,  Dayse  Fernandes  Leite  (Suplente  Convocada),  Maria  Anselma  Croscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Jimir  Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.  Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/00­06  Acórdão n.º 2202­002.971  S2­C2T2  Fl. 3          3   Relatório  Em desfavor do contribuinte, APOLO SANTANA VIEIRA, foi lavrado auto  de infração, As folhas 02/15, lavrado contra o contribuinte acima qualificado para exigência de  imposto de renda dos anos­calendários de 1995 a 1998, além de multa e  juros de mora, com  fundamento em omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, acréscimo patrimonial a  descoberto,  dedução  indevida  da  base  cálculo  e  falta  de  recolhimento  do  imposto  devido  a  titulo de carne­leão.  Em  sua  impugnação,  As  folhas  750/757,  assinada  pelo  seu  representante  legal, devidamente habilitado A folha 758, o contribuinte alega, em preliminar, a nulidade do  lançamento por cerceamento da espontaneidade e da ampla defesa e, no mérito, a inexistência  de acréscimo patrimonial a descoberto.  A nulidade é pleiteada com base nos seguintes argumentos, em  síntese:  ­  o  reconhecimento  e  a  declaração  da  nulidade  total  do  lançamento, por vicio formal, é dever do julgador tributário;  ­  a  fiscalização  sobre  a  pessoa  do  defendente  iniciou­se  arbitrariamente,  contrariando  sua  possibilidade  de  exercitar  a  espontaneidade e de defender­se plenamente;  ­  a  fiscalização  sobre  a  pessoa  do  defendente  ocorreu  por  ter  sido ou por ser ele defendente, procurador ou sócio de algumas  das empresas arroladas no procedimento criminal n° 99.6216­7,  consistente  em Medida Cautelar de Busca  e Apreensão movida  pelo Ministério Público Federal;  ­  a  leitura  dos  "pedidos  e  requerimentos"  formulados  pelo  Ministério  Público  Federal  (texto  reproduzido  A  folha  754)  revela que não era sua intenção, nem foi requerido que a pessoa  fisica  do  contribuinte,  ora  defendente,  fosse  investigada  ou  fiscalizada, não sendo portanto licito As autoridades fazendárias  manter  retidos  documentos  do  defendente  que  não  guardassem  relação  com  o  objeto  da  busca  e  apreensão,  como  arbitrariamente restou acontecido;  ­  tendo  sido  realizada  com pleno êxito  e  sem qualquer  óbice a  referida  busca,  não  foi  possível  ao  Fisco,  tendo  em  vista  o  elevado  volume  do  material  apreendido,  selecionar  os  documentos pertinentes apenas As empresas investigadas, tendo  sido empacotado em caixas de papelão tudo quanto foi possível  ser levado e apreendido, sem qualquer critério de seleção;  ­ constatado o recolhimento indevido de documentos pessoais do  defendente, foi requerida a imediata devolução desse material, o  que foi peremptoriamente negado pylas autoridades fiscais;  ­ as autoridades fiscais simularam a devolução dos mesmos e no  mesmo  instante  procederam  sua  retenção,  conforme  se  depreende pela  leitura do Termo de Devolução de Documentos  (anexo),  que  6,  na  verdade,  uma  "Relação  de  documentos  retidos", consoante se 16 no seu próprio texto;  Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4 ­  no  mesmo  momento,  foi  expedido  e  entregue  o  Termo  de  Intimação  e  de  Retenção  de Documentos  (anexo),  cerceando  o  exercício  de  sua  espontaneidade  e  ferindo  sua  possibilidade  constitucionalmente protegida de defender­se plenamente.  Com  relação  ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  o  contribuinte alega, em  síntese:  ­ que celebrou contratos de mútuo com as sociedades comerciais  Alpha  Internacional  Comércio  Importação  e  Exportação  Ltda  (anos­calendários 1995 e 1997) e Kruger Comércio Importação  e Exportação Ltda (ano­calendário 1998);  ­ que tal operação não é tributável pelo imposto de renda em sua  pessoa  fisica,  não  havendo  obrigação  de  informá­la  na  declaração  de  ajuste  anual  porquanto  não  restou  divida  pendente para o exercício seguinte;  ­  que  a  quitação  desses  empréstimos  operou­se  por  meio  de  recursos  obtidos  com  a  distribuição  de  lucros  recebidos  da  pessoa  jurídica  de  que  era  sócio,  lucros  esses  divididos  e  já  tributados na fonte;  ­ que os recursos obtidos com as alienações dos veículos Nissan  Pathfinder modelo 1993 (ano­calendário 1995) e Golf/GLI (ano­ calendário  1997),  devidamente  informadas  nas  declarações  de  ajuste  anual  não  puderam  nem  podem  ser  comprovados  mediante  apresentação  do  documento  de  transferência  do  veiculo, porque tal documento fica com o adquirente;  ­ que devem ser levados em consideração os saldos provenientes  do ano anterior.  ­ o contribuinte solicita perícia em seus documentos contábeis e  na contabilidade dos mutuantes acima relacionados, bem como  diligência  nos  órgãos  estaduais  de  trânsito  e  de  registro  de  veículos  automotores,  para  comprovar  o  recebimento  das  quantias que afirma ter recebido.  Pelo Despacho n° 7/2001, da Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife,  as  folhas  779/781,  foi  proposta  a  devolução  do  processo d. Delegacia da Receita Federal em Recife, para as seguintes providências:  ­  trazer  ao  processo  elementos  probatórios  que  confirmem  ou  infirmem a alegação do contribuinte com relação aos contratos  de  mútuos  acima  mencionados,  sugerindo­se  o  exame  da  contabilidade  dos  mutuantes  e  de  eventuais  comprovantes  da  efetiva  transferência  do  numerário  (tanto  no  empréstimo  como  na  devolução  da  quantia  emprestada),  bem  como  o  exame  dos  demais  aspectos  relacionados  à  quitação  dos  empréstimos,  conforme afirmação reproduzida no subitem ;  ­  trazer  ao  processo  elementos  probatórios  que  confirmem  ou  infirmem  a  ocorrência  das  alienações  dos  veículos  a  que  se  refere o subitem 4.4, acima, inclusive quanto as datas e valores  envolvidos.  A  proposta  foi  aceita  pelo  Presidente  em  Exercício  da  Primeira  Turma,  conforme despacho à folha 781. Novos documentos são acostados aos autos.  A  DRJ  julga  a  impugnação  procedente  em  parte,  nos  termos  da  ementa  a  seguir:  Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/00­06  Acórdão n.º 2202­002.971  S2­C2T2  Fl. 4          5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­  IRPF  Ano­calendário: 1995, 1996, 1997, 1998  Ementa:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  DEVOLUÇÃO  DE  DOCUMENTOS  APREENDIDOS  POR  ORDEM  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA  COM  NOVA  RETENÇÃO PELO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.  Não  é  causa  de  nulidade  a  devolução  de  documentos  apreendidos em decorrência de ordem judicial combinada com a  simultânea retenção dos mesmos documentos pelo Fisco, visando  a realização de procedimento fiscal.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE PATRIMONIAL.  É  válido  o  lançamento  baseado  na  análise  patrimonial  do  contribuinte,  consistente  na  confrontação  entre  os  valores  que  ingressaram  e  saíram  de  seu  patrimônio,  em  determinado  período.  OMISSÃO DE  RENDIMENTOS.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA.  A  ocorrência  de  acréscimos  patrimoniais  incompatíveis  com  a  renda declarada constitui presunção legal relativa de omissão de  rendimentos.  ANALISE  DA  EVOLUÇÃO  PATRIMONIAL.RECURSOS  COMPROVADOS NO PROCESSO.  Devem  ser  refeitos  os  cálculos  relativos  à  análise  da  evolução  patrimonial do contribuinte quando demonstrada no processo a  existência  de  recursos  não  levados  em  consideração  pela  autoridade lançadora.   VARIAÇÃO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  SOBRAS  DE  RECURSOS EM DEZEMBRO DO ANO­CALENDÁRIO.  Na  análise  patrimonial,  o  saldo  positivo  apurado  no  mês  de  dezembro  do  ano­calendário  somente  pode  ser  utilizado  como  origem  de  recursos  no  mês  seguinte,  caso  tenha  sido  espontaneamente informado na declaração de bens integrante da  declaração de ajuste anual.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  MATÉRIA  NÃO  EXPRESSAMENTE ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO.  Considera­se  não  impugnada  a matéria,  objeto  da  autuação,  a  respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente.  Lançamento Procedente em Parte  A  autoridade  de  primeira  instância  entendeu  que  estaria  comprovado  a  origem de recurso decorrente da venda de veículos, tal como se nota as fls 871.  28. 0 contribuinte pretende que sejam levados em consideração  na análise patrimonial os recursos decorrentes da alienação do  veiculo  Nissan  Pathfinder,  alegadamente  ocorrida  em  30/10/1995, por R$ 17.000,00. A alegação deve ser aceita, tendo  em vista a declaração do adquirente  (folha 827) e pelo  fato de  que  a  operação  consta  da  declaração  de  ajuste  anual  do  Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     6 exercício  1996,  apresentada  tempestiva  e  espontaneamente  (folha 37).  29.  0  contribuinte  também  pretende  que  sejam  levados  em  consideração na análise patrimonial os recursos decorrentes da  alienação  do  veiculo  Volkswagen Golf,  alegadamente  ocorrida  em  1997,  por R$ 13.000,00.  A  alegação  deve  ser  aceita,  tendo  em  vista  a  Autorização  para  Transferência  de  Veiculo  (por  copia,  à  folha  821)  e  pelo  fato  de  que  a  operação  consta  da  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício  1998,  apresentada  tempestiva  e  espontaneamente  (folha  223).  Observe­se  que  o  requisito  de  contemporaneidade  da  prova  folha  821  está  satisfeito  uma  vez  que  a  data  em  que  a  firma  do  vendedor  foi  reconhecida  (02/09/1997)  coincide  corn  a  data  da  operação,  constante daquele documento.  Intimado  do  acórdão  proferido  pela  DRJ,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário, onde reitera argumentos da impugnação.   ­ Da nulidade do lançamento por cerceamento de defesa;  ­ Da inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto;  Em cumprimento  ao  despacho de  fls.  1004 o  processo  foi  encaminhado  ao  Conselho de Contribuintes em 22/10/2008.  Em outubro de 2014, o processo foi digitalizado.  É o relatório.  Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/00­06  Acórdão n.º 2202­002.971  S2­C2T2  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo,  portanto, ser conhecido.  Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Direito de Defesa  Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja  anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são  os  descritos  no  artigo  59  do  Decreto  70.235/1972  e  só  serão  declarados  se  importarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  de  acordo  com  o  artigo  60  do  mesmo  diploma  legal.  A  autoridade  fiscal  ao  constatar  infração  tributária  tem  o  dever  de  ofício  de  constituir  o  lançamento.   Constatado  que  as  infrações  apuradas  foram  adequadamente  descritas  nas  peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte,  demonstrando  ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se  falar em nulidade do  lançamento. As  razões para não se aceitar os argumentos do  recorrente  estão claramente demonstrados  tanto no Termo de Verificação do Auto de  Infração como na  Decisão recorrida.  Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada.  Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresenta­se ampla defesa suscitando vários  pontos.  Na  realidade  no  caso  concreto  não  se  percebe  qualquer  nulidade  que  comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar  carece  de  sustentação  fática,  merecendo,  portanto,  a  rejeição  por  parte  deste  Egrégio  Colegiado.  Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto  Cabe  registrar  que  a  omissão  rendimentos  caracterizada  por  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  a  recorrente,  questiona  que  a  mesma  foi  baseada  tão  somente  em  presunções e conjecturas, indicando que possuía os recurso para efetivar a aquisição o imóvel.  Como explicado na decisão recorrida, o meio utilizado, no caso, para provar a  omissão  de  rendimentos  é  a  presunção.  É  o  meio  de  prova  admitido  em  Direito  Civil,  consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) e 332 do  Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo  Administrativo  Fiscal  e  no  Direito  Tributário,  conforme  art.  29  do  Decreto  nº  70.235,  de  06/03/1972, e art. 148 do CTN.  Tendo  sido  evidenciado  pelo  fisco  a  aquisição  de  bens  e/ou  aplicações  de  recursos,  cabe  ao  contribuinte  a  prova  da  origem  dos  recursos  utilizados.  Isto  é,  a  prova  ex  ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte.  A  Lei  nº  7.713/88  estabeleceu  uma  presunção  legal  ao  definir  que  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos  declarados  constituem  rendimentos  omitidos  e,  portanto,  sujeitos  à  tributação.  De modo  geral,  toda  presunção  é  a  aceitação como verdadeiro de um fato provável. Na maioria das vezes, a presunção é simples  ou relativa  (praesumptio  iuris  tantum) e seu efeito é a  inversão do ônus da prova, cabendo à  Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     8 parte  interessada a produção de prova  contrária para  afastar o presumido. É o que ocorre no  presente  caso.  A  presunção  legal  aqui  enfocada  é  relativa,  impondo  ao  agente  público  o  lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por  meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto.  Deste  modo  deve  a  recorrente  evidenciar  a  origem  de  recursos  que  possibilitem  cobrir  as  aplicações  apontadas.  No  caso  concreto,  a  recorrente  não  logrou  apresentar  uma  documentação  que  possibilite  demonstrar  de  modo  claro,  como  obteve  os  recurso para formalizar a realização de dispêndio tão expressivos.  Primeiramente  nesse  ponto,  cabe  registrar  que  o  acréscimo  patrimonial  no  caso concreto foi computado mês a mês , tal como se depreende do termo de verificação fiscal.,  atendendo todos os requisitos da legislação.  A autoridade recorrida ao apreciar a matéria apresentou o seguinte arrazoado:   25. 0  contribuinte alega  ter  celebrado em 03/04/1995,  contrato  de  mútuo  com  a  ALPHA  INTERNACIONAL  COMÉRCIO  IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, sociedade da qual era  sócio majoritário  (conforme  folha 57),  pelo qual  teria  recebido  R$ 30.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1995,  por R$ 34.395,00. Observe­se que este contrato não se confunde  com aquele, no valor de R$ 35.000,00, celebrado no mesmo ano,  e  que  foi  considerado  pela  Fiscalização,  conforme  folhas  42  e  78. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou  cópias do contrato (folhas 794/795) e do recibo de quitação do  empréstimo  (folha  802).  0  empréstimo  não  pode  ser  levado  em  consideração  na  análise  patrimonial,  pelos  motivos  expostos  a  seguir:  25.1.  não  há  a  necessária  prova  do  efetivo  recebimento  dos  recursos;  25.2.  o  contrato  e  o  recibo  não  possuem  qualquer  elemento  externo  de  datação  que  permita  demonstrar  sua  contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar;  25.3.  intimada  a  comprovar  o  registro  contábil  da  operação  (folha  844),  a  mencionada  sociedade  comercial  apresentou  apenas  copias  dos  livros  Diário  e  Razão  relativos  ao  período  01/01/1997 a31/12/1997 (folhas 850/853);  25.4.  também  não  é  possível  perceber  qualquer  registro  da  quitação  do  empréstimo  nas  cópias  dos  livros  Razão  e  Diário  constantes às folhas 79/83 que incluem os lançamentos efetuados  até  o  dia  29/12/1995,  cabendo  observar  que,  embora  o  livro  diário  esteja  incompleto,  a  folha  do  livro  razão,  à  folha  80,  correspondente à conta Caixa, contém o lançamento relativo ao  contrato  de  mútuo,  no  valor  de  R$  35.000,00,  celebrado  em  22/12/1995 (folhas 796/797) e abrange os lançamentos finais do  ano de 1995;  25.5.  a  alegação  de  que  o  empréstimo  foi  quitado  mediante  recursos  oriundos  de  distribuição  de  lucros  não  está  comprovada,  cabendo observar  que  tal  distribuição não  consta  da  declaração da mencionada  sociedade  comercial  (folha  855)  e,  embora  devidamente  intimados  (folhas  814/817  e  844/847),  nem  o  contribuinte,  nem  a  sociedade  apresentaram  qualquer  prova de sua ocorrência;  25.6.  no  contrato  (folhas  794/795)  e  no  recibo  de  quitação  do  empréstimo (folha 802) a sociedade comercial está representada  Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/00­06  Acórdão n.º 2202­002.971  S2­C2T2  Fl. 6          9 pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses  documentos.  26.  0  contribuinte alega  ter  celebrado em 22/08/1997,  contrato  de  mútuo  com  a  ALPHA  INTERNACIONAL  COMÉRCIO  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA,  pelo  qual  teria  recebido R$  125.000,00,  débito  este  que  teria  sido  saldado  em  29/12/1997,  por  R$  126.812,50.  Para  tentar  provar  suas  alegações  o  contribuinte  apresentou cópias  do  contrato  (folhas  798/799), do recibo de quitação do empréstimo (folha 805) e de  folhas dos livros Diário e Razão (folhas 849/853). 0 empréstimo  não  pode  ser  levado  em  consideração  na  análise  patrimonial,  pelos motivos expostos a seguir:  26.1.  não  há  a  necessária  prova  do  efetivo  recebimento  dos  recursos;  26.2.  o  contrato  e  o  recibo  não  possuem  qualquer  elemento  externo  de  datação  que  permita  demonstrar  sua  contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar;  26.3. o livro Diário relativo ao período 01/01/1997 a 31/12/1997  somente  foi  registrado  na  Junta Comercial  de Pernambuco  em  26/12/2001, quando o Auto de Infração já havia sido lavrado e o  crédito tributário já havia sido impugnado, o que reduz a força  probatória  do  documento  especialmente  por  não  ser  possível  confirmar  que  o  requisito  da  contemporaneidade  da  prova  estaria atendido.  26.4.  no  contrato  (folhas 798/799),  e  no  recibo de quitação  do  empréstimo (folha 805) a sociedade comercial está representada  pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses  documentos.  27.  0  contribuinte  também  alega  ter  celebrado  em  05/01/1998,  contrato  de  mútuo  com  a  KRUGER  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO LTDA, pelo qual  teria recebido R$ 110.000,00,  débito  este  que  teria  sido  saldado  em  29/12/1998,  por  R$  119.273,00.  Para  tentar  provar  suas  alegações  o  contribuinte  apresentou  cópias  do  contrato  (folhas  800/801)  e  do  recibo  de  quitação do empréstimo (folha 806). 0 empréstimo não pode ser  levado  em  consideração  na  análise  patrimonial,  pelos  motivos  expostos a seguir:  27.1.  não  há  a  necessária  prova  do  efetivo  recebimento  dos  recursos,  27.2.  o  contrato  e  o  recibo  não  possuem  qualquer  elemento  externo  de  datação  que  permita  demonstrar  sua  contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar;  27.3.  intimada  a  comprovar  o  registro  contábil  da  operação  (folha  830),  a mencionada  sociedade  comercial  não  atendeu  à  intimação;  27.4.  a  alegação  de  que  o  empréstimo  foi  quitado  mediante  recursos  oriundos  de  distribuição  de  lucros  não  está  comprovada,  cabendo  observar  que,  embora  devidamente  intimados (folhas 814/817 e 830/832), nem o contribuinte, nem a  sociedade apresentaram qualquer prova de sua ocorrência.  Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     10 Não  se  identifica  nos  autos  qualquer  elemento  que  afaste  o  entendimento  expresso  pela  DRJ,  de  modo  que  o  acompanho  no  que  toca  ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto.  Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos  mediante  empréstimo.  Inaceitável  a  prova  de  empréstimo  feita  somente  com  declaração  firmada  pelo  mutuante,  sem  qualquer  documento  hábil  e  idôneo  que  comprove  a  efetiva  transferência dos recursos para o mutuário.  No que toca ao aproveitamento de recurso de anos anteriores, compartilho o  entendimento da autoridade recorrida:  Com  relação  as  sobras  de  recursos  (subitem  4.5,  acima),  deve  ser  salientado  que,  para  fi  ns  de  análise  patrimonial,  o  saldo  apurado em favor do contribuinte no mês de dezembro do ano­ calendário somente pode ser utilizado como origem de recursos  no mês  seguinte  (janeiro  do  ano­calendário  subseqüente),  caso  tenha  sido  espontaneamente  informado  na  declaração  de  bens  integrante  da  declaração de  ajuste  anual.  Isto  porque,  tendo  o  contribuinte obrigação de informar em sua declaração de ajuste  anual  todos os  seus bens,  inclusive saldos bancários e dinheiro  em  espécie,  a  inexistência  dessa  informação  só  pode  significar  que  os  saldos  apurados  pela  técnica  da  análise  patrimonial  foram  consumidos  de  outra  forma.  Conclui­se  que  o  procedimento da autoridade lançadora está correto.  Não há reparos a ser realizado nessa parte do lançamento.  Das Provas nos Autos  É oportuno para o caso concreto,  recordar a  lição de MOACYR AMARAL  DOS SANTOS:   “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma  coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova  ‘é  aquela  que  se  forma  no  espírito  do  juiz,  seu  principal  destinatário,  quanto  à  verdade  deste  fato”.  Já  no  campo  objetivo,  as  provas “são meios  destinados  a  fornecer  ao  juiz o  conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.”  Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria:  a)  um objeto ­ são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes  como fundamento da ação;  b)  uma finalidade ­ a formação da convicção de alguém quanto à existência  dos fatos da causa;   c)  um destinatário  ­ o  juiz. As  afirmações de  fatos,  feitas pelos  litigantes,  dirigem­se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que  se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção.  Pode­se  então  dizer  que  a  prova  jurídica  é  aquela  produzida  para  fins  de  apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas  demonstrar  os  elementos  que  indicam  a  ocorrência  de  um  fato  nos  moldes  descritos  pelo  emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que  transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a  sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu.  O  recorrente  questiona  o  entendimento  exarado  pela  autoridade  fiscal.  Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do  Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/00­06  Acórdão n.º 2202­002.971  S2­C2T2  Fl. 7          11 relatório  não  demonstrou  os  seus  argumentos.  Em  linhas  gerais  inexiste  a  comprovação  dos  seus argumentos.  Ademais,  cabe  a  recorrente  por  força  da  presunção  legal,  compete  a  ela  provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela  própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio  et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar).    Ante  ao  exposto,  rejeito  a  preliminar  e,  no  mérito,  nego  provimento  ao  recurso.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 13502.900756/2013-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 1.273          1 1.272  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13502.900756/2013­74  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3802­000.388  –  2ª Turma Especial  Data  18 de março de 2015  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  BRASIL KIRIN INDUSTRIA DE BEBIDAS S/A (INCORPORADORA  DE PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE  S/A, CNPJ nº 01.278.018/0001­12).  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM  os  membros  da  2ª  Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  Diligência,  para  que  os  autos  retornem  à DRF  de  Sorocaba  –  SP  (unidade  do  domicílio  tributário  da  Recorrente),  para  que,  com  base  nos  documentos  apensados  aos  autos  às  fls.  262/1.268  e  considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os  dispêndios  com  os  itens  indicados  são  passíveis  de  apropriação  de  créditos  da  COFINS  conforme  alegado  e  de  acordo  com  o  contido  no  voto,  elaborar  parecer  e  demonstrativo,  concluindo  se  as  informações  lançadas  pela  Recorrente  refletem  a  realidade  dos  fatos  apontados.       (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano Damorim ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator     Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano  Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio  Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro  Solon Sehn.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 6/ 20 13 -7 4 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.274          2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº  06­46.386,  da  3ª  Turma  da  DRJ  de  Curitiba  (PR)  ­  fls.  210/215,  que  não  homologou  a  compensação  constante  do PER/DCOMP nº  12610.81893.250210.1.3.047297,  nos  termos  do  despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415919).  Na aludida Dcomp,  transmitida eletronicamente  em 25/02/2010, a contribuinte  indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em  15/07/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade  no valor total de R$ 822.279,71.  Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de  inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005   DCTF.  DACON.  RETIFICAÇÃO.  INTIMAÇÃO  PRÉVIA  AO  DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL.  Se  a  contribuinte,  intimada,  não  apresenta  documentos  contábeis  capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em  seu  Dacon  (retificadores),  apresentados,  ainda  que  previamente  à  emissão  do  despacho  decisório,  não  há  como  reconhecer  direito  creditório,  devendo­se  manter  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Por  bem  descrever  os  fatos  contidos  nos  autos,  adoto  o  relatório  objeto  da  decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade:  Trata o processo de manifestação de  inconformidade apresentada em  14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada  por  meio  do  Per/Dcomp  nº  12610.81893.250210.1.3.047297,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  03/07/2013  pela  DRF  Sorocaba (rastreamento nº 56415919).  Na  aludida  Dcomp,  transmitida  eletronicamente  em  25/02/2010,  a  contribuinte indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a  uma parte do pagamento efetuado em 15/07/2005, sob o código 5856,  no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade no valor  total de R$ 822.279,71.  Segundo  o  despacho  decisório,  cientificado  em  15/07/2013,  a  compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter  sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação.  Na  manifestação  apresentada,  a  interessada  discorre  sobre  os  fatos  havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a  Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.275          3 apresentar  documentos  que  comprovassem  a  origem  do  pagamento  indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261,  e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem  dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a  compensação não  foi homologada. Discorda da decisão e afirma que  tanto  a DCTF quanto  o Dacon  foram  retificados  antes  da  ciência  do  despacho  decisório.  Salienta  que  a  declaração  retificadora  substitui  integralmente  a  que  foi  retificada  e,  por  considerar  espontânea  a  transmissão  da  declaração,  pede  que  a  mesma  seja  acolhida.  Transcreve  jurisprudência do CARF e,  ao  final,  pede a homologação  da compensação.  Às  fls.  160  a  209,  juntaram­se  extratos  de  consulta  aos  sistemas  de  controle de DCTF e Dacon.  É o relatório.  Em 05/05/2014, a Recorrente  foi cientificada da decisão da primeira instância,  conforme consta às fls. 223 (ciência eletrônica – abertura do Portal e­CAC).   Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl.  225), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240), argumentando em suas razões  que:  1) Dos fatos e decisão recorrida  Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003,  apropriou­se de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que  acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de 06/2005.  E,  consequentemente,  a  constatação  de  que  o  montante  devido  para  referido  período  de  COFINS  era  de  R$  3.165.830,16  (5856)  e  não  de  R$  3.538,803,64,  conforme  anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de  restituição/compensação na quantia de R$ 372.973,48 (R$ 3.538.803,64 ­R$ 3.165.830,16).  Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da  ciência  do  despacho  decisório,  as  declarações  retificadas  (DACON  e  DCTF)  têm  a  mesma  natureza das declarações originais, substituindo­as integralmente.  Da  análise  do  acórdão  recorrido  revela  que  o  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  está  condicionado  à  comprovação,  por  meio  da  apresentação  de  provas  materiais  (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON.  2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida   2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente  Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar  o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizando­o em seu estabelecimento matriz,  haja vista que,  as  referidas  apurações  eram  realizadas  em  cada  um de  seus  estabelecimentos  filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz.  Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.276          4 A realização da revisão  tinha como escopo criar critérios únicos para apuração  do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos.  Conforme demonstra a  tabela abaixo, que corresponde às  fichas  l6A e 16B da  DACON,  a  base  de  cálculo  do  crédito  apurado,  no  valor  total  de  R$  15.977.010,14,  foi  composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços  utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de  depreciação  e  valor  de  aquisição  sobre  bens  do  ativo,  devolução  de  vendas,  créditos  por  unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos –  importação  (quadro demonstrativo elaborado no recurso):  Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis  da recorrente, anexados ao presente recurso.  A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas  anexas  elaboradas  de  acordo  com  os  valores  contidos  nos  resumos  dos  livros  de  registro  de  apuração do IPI e do I  ICMS ­ entradas ­ de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de  cada operação  (doc. n° 2), os  rótulos de  linha (doc. nº 3) as notas  fiscais de entrada daquele  estabelecimentos (doc. n° 4).  Ressalta­se  que  tais  demonstrativos  foram  feitos  com  espeque  nos  registros  efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS ­ entradas e saídas ­ e nas notas fiscais de  entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntam­se aos autos as  cópias daqueles registros (doc. n° 5).  Por  conseguinte,  algumas  destas  operações  de  entrada  ensejaram  à  recorrente,  com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi  devidamente  efetuada,  nos  termos  da  tabela  supramencionada.  A  fim  de  elucidar  que  tais  créditos  foram corretamente encontram respaldo nos documentos  fiscais/contábeis,  juntam­se  os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 262/1.268).    2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos   Na  época  da  revisão  realizada,  a  recorrente  contratou  a  empresa  PricewaterhouseCoopers  Contadores  Públicos  para  a  realização  de  um  estudo,  cuja  cópia  se  encontra acostadas aos autos (fls. 397/418).  Amparada  pelo  estudo  desenvolvido  pela  PwC,  a  recorrente  apropriou­se  de  créditos  de  COFINS  que  não  haviam  sido,  por  equívoco,  reconhecidos  anteriormente,  com  relação  a  materiais  e  serviços  adquiridos  para  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  e  despesas  de  frete  relacionadas  à  aquisição  dos  materiais  adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos.   Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do  Brasil.    3) Do pedido   Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.277          5 Ante  todo  o  exposto,  requer  o  provimento  do  recurso  voluntário  de  forma  a  homologar integralmente a declaração de compensação em discussão.  Caso  entendam  que  os  documentos  ora  apresentados  não  são  suficientes  à  confirmação  da  integralidade  do  crédito,  pede­se  a  conversão  deste  julgamento  em  diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada.  Por  fim,  solicita  a  sustentação  oral  de  suas  razões,  requer  ainda  que  seja  intimada  por  via  postal  e,  por  fim,  também  intimado  de  todos  os  atos  processuais,  por  via  postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso.     Voto   Conselheiro Waldir Navarro Bezerra ­ Relator   Da admissibilidade do recurso  Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira  instância  (fl. 223 – data da abertura dos arquivos no  link Portal e­CAC). Em 04/06/2014 (fl.  225 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240).   Portanto, o recurso voluntário é  tempestivo e preenche os demais requisitos de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Da análise do processo  No  caso  sob  análise,  temos  que  a  controvérsia  trata  que  a  Recorrente,  após  intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar  a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda  que previamente à emissão do despacho decisório.  No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra  prova  foi  apresentada,  concluindo  a  decisão  recorrida  que  “resta  inegável  que  o  direito  não  pode ser reconhecido”.  Segundo  o  despacho  decisório,  cientificado  em  15/07/2013  (fls.  12  e  13),  a  compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi  apurado saldo para fins de compensação.  Consta  dos  autos  que,  em  relação  ao  mês  de  junho  de  2005,  a  Recorrente  transmitiu  05  declarações  ­  DCTF  (em  04/08/2005,  24/11/2005,  07/03/2006,  07/03/2006  e  24/03/2010).  Nelas,  a  contribuinte  alterou  o  débito  sob  análise  de R$  3.538.803,64  para  R$  3.165.830,16. Por  sua vez, quanto aos Dacon, vê­se que apresentou dois demonstrativos  (em  04/08/2005 e 24/02/2010) com alterações nos débitos apurados.   Ressalte­se  que  o  despacho  decisório  em  questão  foi  cientificado  no  dia  15/07/2013 (fls.12 e 13) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 24/02/2010 e  24/03/2010,  respectivamente,  o  DACON  e  a  DCTF  (fls.  160/209  ­  extratos  de  consultas  sistemas  DCTF  e  Dacon),  foram  retificados  pela  Recorrente,  afim  de  alterar  o  valor  da  COFINS devida no período de apuração de junho de 2005.  Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.278          6  Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos  constantes na manifestação de inconformidade, concluiu­se da seguinte maneira:  (...)  Tais  alterações,  é  válido  ressaltar,  decorreram  da  mudança  nos  valores  de  diversos  outros  itens  do  Dacon,  tais  como:  bens  para  revenda,  bens  utilizados  como  insumos,  despesas  de  energia  elétrica,  despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas  de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas,  despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  encargos  de  depreciação de  bens  do  ativo  imobilizado,  devolução  de  vendas, ajustes positivos e negativos de créditos,  receitas  financeiras,  outras receitas, receitas isentas, etc.  Aludidos ajustes,  como pode  ser verificado, ocorreram previamente à  ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito  ao crédito.  Apesar  de  haver  decisões  administrativas,  como  a  citada  na  manifestação  de  inconformidade,  acolhendo  tais  retificações  quando  ocorridas  antes  de  a  contribuinte  ser  cientificada  de  algum  despacho/decisão  envolvendo  os  créditos  tributários  tratados  nessas  retificações,  não  há  como  perder  de  vista  que  a  contribuinte  foi  intimada  em  processo  específico  (nº  10855.722095/2012­61),  acerca  da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas  em  suas  DCTF  e  em  seus  Dacon  (Intimação  DRF/SOR/SEORT  nº  1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...).  (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca  dos  créditos  pleiteados,  a  discussão  acerca  da  existência  do  crédito  passa,  necessariamente,  para  a  comprovação  dessas  alterações,  ou  seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações,  deve­se constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do  art.  147  do CTN  é  esclarecedor  –  houve  efetivamente  algum  erro  de  fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido.  Noutras  palavras,  o  fato  de  a  contribuinte  ter  retificado  espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não  tem o condão, por si  só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi  intimada  a  justificar  (apresentando  provas  materiais)  as  alterações  efetuadas  na  DCTF  e  no  Dacon,  a  discussão  acaba  se  deslocando  justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso).  Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei  nº  10.833/2003,  apropriou­se  de  créditos  de  COFINS  que  não  haviam  sido,  por  equívoco,  reconhecidos,  o  que  acarretou  a  revisão  da  apuração  de  COFINS  relativa  ao  período  de  junho/2005. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes  da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma  natureza das declarações originais, substituindo­as integralmente.  Destaca  que  a  origem  do  crédito  pretendido  está  amparada  pelo  estudo  desenvolvido pela  empresa PwC  (fls.  397/418),  concluindo que  a  recorrente  apropriou­se de  créditos  de  COFINS  que  não  haviam  sido,  por  equívoco,  reconhecidos  anteriormente,  com  relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos  Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/2013­74  Resolução nº  3802­000.388  S3­TE02  Fl. 1.279          7 utilizados  no  processo  produtivo  e despesas de  frete  relacionadas  à  aquisição  dos materiais  adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos.  Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o  processo  de  apuração  do PIS  e  da COFINS,  centralizando­o  em  seu  estabelecimento matriz,  haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais,  com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz.  Enfatiza  ainda,  que  a  recomposição  demonstrada  no  recurso  encontra­se  respaldada  pelo  demonstrativo  e  documentos  fiscais  e  contábeis  que  estão  anexados  aos  presentes autos.  Pois  bem.  Neste  passo,  considerando  os  dados  e  informações  registrados  nos  documentos  anexo  aos  autos  (fls.  262/1.268),  visto  que  os  mesmos  foram  trazidos  extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário  da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material  no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação  do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida.  Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e  antes  do  julgamento  do mérito,  com  fundamento  no  art.  29  do Decreto  nº  70.235,  de  06  de  março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos  retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que:   1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 (planilha de  cálculo,  informações  e  cópia  de  documentos,  demonstrativos  e  extrato  de  livros  contábeis  e  fiscais),  levando­se  em  conta  a DCTF  e DACON,  retificados,  e  considerando as disposições  contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente  são  passíveis  de  apropriação  de  créditos  da  COFINS,  conforme  demonstrativo  de  apuração  elaborado às fl. 233 do recurso voluntário; após,  2)  elaborar parecer  e  demonstrativo,  concluindo  se  as  informações  lançadas  pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.  Após  a  conclusão  da  diligência,  devem  ser  intimados  sucessivamente  a  Recorrente  e  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  ­  PFN,  para,  querendo,  dentro  do  prazo  fixado, manifestarem­se sobre as conclusões exaradas no citado parecer.   Após,  retornem­se  os  autos  a  esta  2ª  Turma  Especial/3ª  Seção,  para  prosseguimento do julgamento.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra   Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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5844098 #
Numero do processo: 10380.916240/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 2          1 1  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.916240/2009­09  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1102­000.265  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  05 de junho de 2014  Assunto  Compensação ­ Duplicidade  Recorrente  M DIAS BRANCO S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS  Recorrida  DRJ Fortaleza    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.    (assinado digitalmente)  João Otavio Opperman Thome – Presidente   (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator     Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  João  Otavio  Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares,  Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.       Relatório Trata­se de  recurso voluntário  contra  acórdão proferido pela Quarta Turma da  Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 16 24 0/ 20 09 -0 9 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 3          2 “ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ASSUNTO:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2002   DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.  Erro  de  entendimento  em  despacho  decisório  é motivo  para  reformá­lo,  e  não  para anulá­lo, por se tratar de matéria de mérito.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2002   PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DUPLICIDADE.  Deve a Administração glosar o crédito pleiteado em duplicidade, permanecendo  o contribuinte apenas com o crédito requerido no outro PER/DCOMP.”  O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis:  “O  processo  versa  sobre  compensação  (PER/DCOMP  no  18617.76531.310505.1.3.04­1058),  que  objetiva  compensar  recolhimento  a  maior  de  IRPJ, efetuado em 28/06/2002. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi  de  R$213.298,55.  O  Despacho  Decisório  (fl.  20)  não  homologou  a  compensação  declarada  por  entender  que  o  direito  creditório  foi  pleiteado  em  duplicidade  com  o  PER/DCOMP n° 00181.50555.190906.1.7.02­2640.  2.  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  22/29)  contra  o  referido ato administrativo, alegando que:  1. DOS FATOS  1.1 — DA NÃO UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE DE CRÉDITO   No período de apuração de MAIO de 2002, a empresa apurou e recolheu IRPJ  (cód.  de  receita  2362)  no  valor  de  R$  1.478.407,86,  ao  titulo  de  estimativa  mensal„conforme DARF e DCTF Normal em anexo (doc.anexo ­ 03).  Posteriormente,  revendo  seus  registros  de  apuração  da  IRPJ  de MAIO/2002,  a  empresa verificou ter cometido equívocos nos cálculos aritméticos que determinaram o  montante  daquele  tributo.  Diante  disso,  em  11/08/2006,  a  empresa  transmitiu  declaração retificadora da DCTF do 2º trimestre de 2002 (doc. Anexo ­ 04), corrigindo  o valor devido da IRPJ para R$ 0,00.  Diante desta retificação, o valor que seria devido ao titulo de estimativa mensal  da IRPJ devida no período de maio de 2002 havia sido recolhido a maior no valor de R$  1.478.407,86.  Fato  este,  devidamente  declarado  através  da  DCTF  retificadora  supra  mencionada.  Faz­se mister ressaltar que, o valor de R$ 1.478.407,86 alvo da compensação não  homologada não é recolhimento por estimativa, mas sim, recolhimento a maior, pois a  estimativa mensal devida para o período em foco era inferior a monta recolhida.  Feita  tal consideração,  tratando­se de  recolhimento a maior,  a requerente  tratou  de  compensar  tal  excesso  de  recolhimento  com  tributos  vincendos,  com  base  nos  permissivos  legais  constantes  da  Lei  9.430/96,  art.  74,  e  art.28  da  IN  SRF  No.  460/2004, vigente a época da compensação.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 4          3 Em  virtude  da  atualização  do  indébito  pela  taxa SELIC,  na  ordem  de  52,13%,  acumulados  entre  28.06.2002  e  31.05.2005,  o  valor  do  indébito  sobredito,  REFERENTE AO  PER/DCOMP  em  comento,  resultou  na monta  de R$  324.491,10,  conforme  dispunham o  art.51  e  art.  52  da  IN SRF No.  460/2004.  Para  demonstrar  a  correção do crédito em destaque, arrola­se a planilha em anexo (doc. anexo ­ 05).  Em  31/05/2005  a  requerente'  transmitiu  o  PER/DCOMP  n°  18617.76531.310505.1.3.04­1058(doc.  Anexo  06),  com  tipo  de  crédito  qualificado  como "Pagamento Indevido ou a Maior", utilizando o referido crédito para liquidação  de débitos de CSLL (cód. De receita 2484) do Ines de ABR/2005, informando o valor  de R$324.491,09.  Para  sua  surpresa,  em  05.03.2010,  a  contribuinte  recepcionou  Intimação/Despacho  –  Decisório  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  (SRF),  comunicando  a  improcedência  do  crédito  informado  na  PER/DCOMP  18617.76531.310505.1.3.04­1058,  sob  o  argumento  de  que  tal  crédito  havia  sido  totalmente  utilizado  em  outra  compensação  e,  por  isso,  inexistente,  pois  o  referido  crédito  estaria  vinculado  à  compensação  efetivada  através  da  PERD/COMP  00181.50555.190906.1.7.02­2640 e, por conseguinte a quitação dos respectivos débitos.  Logo, o crédito em tela havia sido utilizado em duplicidade para efetuar PERD/COMP's  distintas.  Infelizmente  o  Despacho  Decisório,  de  forma  incauta,  não  buscou  sua  fundamentação em elementos seguros,  e  limitou  a  sua  análise em evidencias que não  seriam  suficientes  para  proferir  informação  fiscal/despacho  decisório  com  teor  de  utilização em duplicidade do referido crédito.  Data Máxima Venia, o referido entendimento esboçado pelo fisco fere de morte o  Principio da Verdade Material, pois se a Secretaria da Receita Federal tivesse realizado  uma análise mais apurada da utilização do referido crédito teria vislumbrado a correta  apuração  realizada  pelo  contribuinte;  verificando  que  em  nenhum  momento  houve  compensação em duplicidade conforme aduzido no item n°. 5 do R. despacho decisório.  Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que: "Constata­se, portanto, de  forma inequívoca, a utilização, do mesmo pagamento, em duplicidade, uma vez, através  do PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.04­1058 de pagamento  indevido, outra por  meio do PERD/COMP n°00181.50555.190906.1.7.02­2640 de saldo negativo de IRPJ..  Registre­se  que  o  pagamento R$  1.478.407,86  foi  utilizado  para  compor  saldo  negativo na apuração do imposto de renda relativo ao ano­calendário de 2002, como se  pode visualizar na Ficha 12 ­ Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, Linha  16, gerando um saldo credor de IPRJ no montante de R$ 9.827.493,78, onde parte deste  crédito  foi  utilizado  para  quitação  de  débitos  consignados  a  PER/DCOMP  00181.50555.190906.1.7.02­2640,  precisamente  no  montante  de  R$  6.176.531,66,  conforme  foi  informado  nesta  PER/DCOMP,  na  Página  02,  campo  Total  do  Crédito  Original  Utilizado  nesta  DCOMP  Desta  feita  vislumbra­se  que  houve  equivoco  por  parte do fisco em não identificar nas PER/DCOMP's apresentadas que o saldo negativo  na  apuração  do  imposto  de  renda  relativo  ao  ano­calendário  de  2002,  que  soma  o  montante  de  R$  9.827.493,78,  foi  parte  dele  utilizado  na  PERD/COMP  n°  00181.50555.1909061.7.02­2640, valor de R$ 6.176.531,66, remanescendo um saldo a  ser utilizado no valor de R$ 3.650.962,12.  Obviamente que o crédito utilizado para efetuar a compensação da PERD/COMP  18617.76531.310505.1.3.04­1058,  foi  proveniente  do  saldo  remanescente  acima  demonstrado.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 5          4 Em que pese a elaboração desta PER/DCOMP ter sido transcrita com o tipo de  crédito  qualificado  como  Pagamento  Indevido  ou  a  Maior,  tal  fato  não  impediria  o  fisco,  em  razão  da  Verdade  Material  outrora  mencionada,  reconhecer  o  crédito  do  contribuinte proveniente do saldo negativo do IRPJ relativo ao ano­calendário de 2002,  DEVIDAMENTE  UTILIZADO  na  PERD/COMP  N°.  18617.76531.310505.1.3.04­ 1058..  Transparente  está que o  entendimento do despacho decisório  em  tela não pode  prosperar,  pois  cerceia  completamente  um  direito  liquido  e  certo  do  contribuinte  de  reaver  o  que  erroneamente  informou  em  PER/DCOMP.  Admitir  o  contrário  seria  subverter  inclusive  principio  geral  de  direito,  no  qual  há  repulsa  geral  ao  locupletamento sem Causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública.  Diante  do  exposto,  resta  evidente  que  o  crédito  em  tela  lido  foi  utilizado  em  duplicidade, as compensações  foram efetivadas dentro do  limite do saldo negativo da  apuração do  imposto de  renda  relativo ao ano­calendário de 2002, não  remanescendo  dúvidas com relação à origem do crédito utilizados nas PER/DCOMP's, como também  a análise distorcida do fisco com relação questão, justifica­se o pedido de compensação  pleiteado  e  refutando­se  por  completo  a  negativa  do  fisco  em  reconhecer  tal  límpido  direito.  Importante  ressaltar que  apesar da análise distorcida do  fisco  com  relação à  ao  pleito  em  comento,  justifica­se  o  pedido  de  compensação  pleiteado  pela  requerente  reconhecendo o direito por ser questão de mais lidima justiça.  2. DO DIREITO  2.1. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA E LEGITIMIDADE  A Manifestação  de  Inconformidade  é  meio  de  defesa  cabível  para  contestar  a  não­homologação  do  direito  creditório.  Decorre  precipuamente,  do  inc.  LV  da  Constituição  Federal,  que  assegura  aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo o direito ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela  inerentes.  De outro lado, tem­se a hipótese da Lei n° 9.430/96, em seu art. 74, §* 9o. Dai  inferir­se  que  a  presente  Manifestação  apresenta­se  como  a  via  administrativa  mais  adequada  para  promover  a  tutela  pleiteada  pela  Contribuinte,  que  é  a  reforma  da  decisão que indeferiu a homologação da compensação do crédito ora declarado.  2.2. DA NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO EM VIRTUDE DE ERRO  Segundo  a  melhor  doutrina  administrativa  e  a  jurisprudência  pátria,  todo  ato  administrativo  para  ser  válido  deve  conter  os  seus  cinco  requisitos  de  validade  (competência,  finalidade,  forma, motivo e objeto)  isentos de vícios, de defeitos. Caso  um desses elementos apresente­se em desacordo com a lei, o ato será nulo.  O  pressuposto  da  anulação  é  que  o  ato  administrativo  possua  um  vicio  de  legalidade  em  algum  de  seus  requisitos  de  formação,  podendo  e  devendo,  por  este  motivo,  ser  desfeito  pela  própria  Administração  Pública,  independentemente  da  provocação do administrado, sob pena de flagrante ilegalidade.  Noutros  termos,  a  nulidade  não  decorre  propriamente  do  descumprimento  do  requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado  constitucionalmente  ao  contribuinte  já  por  força  do  art.  5o,  L  V,  da  Constituição  Federal.  Isso  porque  as  formalidades  se  justificam  como  garantidoras  da  defesa  do  contribuinte.  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 6          5 PAULSEN, Á VILA e SLIWKA assim se posicionam sobre o assunto: "Alegada  eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se  tal implicou em efetivo prejuízo à defesa do contribuinte (..)". Grifou­se.  No caso em  tela, o ato administrativo praticado pela autoridade  fazendária está  eivado  de  vicio  devido  a  um  erro  gerado  pela  analise  equivocada  da  utilização  do  direito  creditório  proveniente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  período  de  apuração  de  junho  de  2002,  no  valor  de R$  1.478.407,86,  que  acabou  sua  utilização  sendo  vista  pelo  fisco  em  duplicidade,  razão  pela  qual  não  foi  homologada  a  compensação pretendida.  Ora, por força da natureza constitutiva do pedido de compensa cão, previsto no  §6° do art. 74 da lei N° 9.430/96, o ato culminou por gerar crédito tributário imputado  indevidamente  à  Contribuinte,  prejudicando­a.  Dai  pode­se  inferir  que,  por  conta  do  erro,  o  ato  administrativo  praticado  pela  Administração  Pública  Fazendária  é  nulo,  especialmente porque atribui Contribuinte obrigação tributária ilegal.  A  propósito,  o  Supremo  Tribunal  Federal  consolidou  entendimento  sobre  o  assunto  através  da  Súmula  473.  Nestes  termos,  pode­se  concluir  que  o  erro  da  Administração  persiste  no  fato  de  ter  a  autoridade  fazendária  se  baseado  em  uma  informação  equivocada,  que  acabou  por  negar  o  direito  creditório  legitimo,  liquido  e  certo; Motivando o Contribuinte requer que seja o ato administrativo declarado nulo e,  por  conseguinte,  seja  a  compensação  pleiteada  homologada,  cessando  os  efeitos  da  informação fiscal guerreada.  3.0. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA VERDADE MATERIAL   Como se sabe, o principio da proporcionalidade busca estabelecer uma relação  entre uma  finalidade determinada pela ordem  jurídica,  e os meios que  eventualmente  são  utilizados  para  atingi­la.  Repelindo­se  a  máxima  de  que  os  "fins  justificam  os  meios",  considera­se  que  o  meio  utilizado,  para  ser  proporcional,  deve  ser  apto,  necessário, e não excessivo, para chegar à finalidade a que se destina.  Do  contrário,  será  inconstitucional,  por  desproporcionalidade,  ainda  que  a  finalidade almejada seja licita; além de evitar restrições, que no presente caso, restrição  à plena informação tanto do encerramento do primeiro Procedimento Fiscal, bom como  a  restrição  a  informação  completa  no  segundo  Termo  de  Ciência  de  Inicio  da  Ação  Fiscal.  O  principio  da  razoabilidade  é  uma  diretriz  de  senso  comum,  ou  mais  exatamente,  de  bom­senso,  aplicada  ao  Direito.  Esse  bom­senso  jurídico  se  faz  necessário a medida que as exigências formais que decorrem do principio da legalidade  tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espirito.  Enuncia­se  com  este  principio  que  a  Administração,  ao  atuar  no  exercício  de  discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racionai, em sintonia  com  o  senso  normal  de  pessoas  equilibradas  e  respeitosas  das  finalidades  que  presidiram a outorga da competência exercida.  Nesse diapasão, o principio da proporcionalidade ou da razoabilidade ou, ainda,  da  proibição  do  excesso  ou  omissão  é  o  que  permite  ao  intérprete  aferir  a  compatibilidade  entre  os meios  e  fins,  de modo  a  evitar  restrições  desnecessárias  ou  abusivas contra os direitos fundamentais.  Mostra­se, então, irrazoável, na medida em que discrepa da razão ,d o justo, do  moderado,  do  prudente,  enfim,  do  senso  comum,  não  respeitando as  formalidades  da  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 7          6 lei, nem ao direito do Contribuinte de estar ciente de  todos os atos e suas  respectivas  fundamentações. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade,  ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos  autos pelos interessados.  A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame  ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os  elementos que possam influir no seu convencimento.  4. DO PEDIDO   Em conformidade com o exposto no presente, assim requer:  • Que seja considerado nulo o ato administrativo, consignado a informação fiscal  e despacho decisório;  • Que seja homologada a declaração de compensação.  Anexei as fls. 72/79.  É o relatório.”  O  acórdão  recorrido  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  pois entendeu que, diante da solicitação do crédito em duplicidade, incumbiria à Contribuinte  retificar  uma  de  suas  declarações  de  compensação,  sob  pena  de  indeferimento  do  pedido  respectivo.  Em  sede  de  recurso  voluntário  a  Contribuinte  reproduz  suas  alegações  da  manifestação  de  inconformidade,  em  especial  no  que  se  refere  à  não  utilização  do  direito  creditório em duplicidade e a aplicação da verdade material ao caso.   É o relatório.  Voto  Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO     O  recurso  voluntário  atende  é  tempestivo  e  foi  interposto  por  parte  legítima,  pelo que dele se toma conhecimento.  Conforme  se  depreende  do  relatório  supra,  em  28.06.2002,  a  Contribuinte  realizou  recolhimento  de  R$1.478.407,86,  correspondente  à  estimativas  de  IRPJ  relativa  ao  mês de abril de 2005 (fls. 41). Às fls. 42/43, verifica­se que a Contribuinte declarou nada dever  a  título  de  estimativa  no  período,  o  que,  conforme  entendimento  pacífico  dessa  Corte,  caracterizaria pagamento indevido ou a maior passível de restituição ou compensação.  Contudo, na  ficha 12 da DIPJ daquele  ano­calendário  (fls.  65),  a Contribuinte  lançou  o  referido  valor  a  título  de  recolhimento  de  estimativa  em  sua  declaração  de  ajuste,  razão pela qual o valor correspondente passou a integrar o saldo negativo de IRPJ do referido  período, no montante de R$9.827.493,78.   Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 8          7 Ao  invés  de  (a)  apresentar  apenas  uma  PER/DCOMP  para  requerer  a  restituição/compensação de  todo o montante por ela mesmo apurado como saldo negativo de  IRPJ  (no  valor  de  R$  9.827.493,78)  ou,  quando  menos,  (b)  retificar  suas  declarações  para  excluir do valor do saldo negativo o montante recolhido a título de estimativa em abril de 2005  (R$1.478.407,86),  permitindo­lhe  pleitear  a  devolução  de  tal  estimativa  como  “pagamento  indevido ou a maior”, a Contribuinte apresentou, equivocadamente, (a) uma PER/DComp para  restituição do valor integral saldo negativo (PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.02­2640,  no montante de R$9.827.493,78), dos quais alega ter utilizado em compensação apenas o valor  de  R$6.877.592,91;  e  (b)  outra  PER/Dcomp,  de  nº  18617.76531.310505.1.3.04  –1058,  para  pleitear  a  compensação  de  parte  do  valor  da  citada  estimativa  de  IRPJ,  como  se  pagamento  indevido ou a maior  fosse,  com débitos de  estimativa de CSLL  relativas  ao mês de  abril  de  2005.   É essa última PER/DCOMP, no valor de R$324.491,10, que é objeto de exame  neste processo administrativo.   Não  há  dúvida  de  que  a  Contribuinte  equivocou­se  no  preenchimento  da  PER/DCOMP  objeto  deste  processo,  porquanto  o  direito  creditório  nela  mencionado  (estimativa  de  IRPJ)  já  fazia  parte  do  valor  do  direito  creditório  objeto  da  PER/DComp  nº  00181.50555.190906.1.7.02­2640,  no montante  de R$9.827.493,78  (saldo  negativo  de  IRPJ).  Essa última PER/DCOMP é objeto do PA n. 10380.911993/2009­10.  Contudo,  o  equívoco  de  preenchimento  em  referência  não  pode  retirar  da  Contribuinte o direito de aproveitar­se de  seu  crédito. Caso o montante do  crédito  requerido  naquele processo seja suficiente para a quitação do débito objeto desse processo, a Contribuinte  faz  jus  à  compensação  do  saldo  negativo  de  IRPJ  pretendido  na  Dcomp  n.  00181.50555.190906.1.7.02­2640. Não se trata de atribuir fungibilidade entre os pedidos, mas  sim  de  reconhecer  o  mero  erro  material  da  última  declaração,  tal  como  defendido  pela  Contribuinte desde a manifestação de inconformidade por ela apresentada.  Este  Tribunal  Administrativo  já  decidiu  que  erros  de  preenchimento  de  declaração  não  podem  prejudicar  a  fruição  do  direito  creditório  do  contribuinte  quando  existente esse direito. Confira­se:   “COMPENSAÇÃO ­ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE  COMPENSAÇÃO  ­  DCOMP  ­  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  de  compensação  (DCOMP)  e  a  existência  do  crédito,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal,  sendo  o  crédito  reconhecido  e  a  compensação  homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do  colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto  do relator.” (Acórdão 1803­00681. CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial.  Julgado em 10.11.2010)   ................................  “OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INFORMAÇÕES EM DIRF  DIFERENTES  DO  DECLARADO.  ERRO  DE  DECLARAÇÃO  COMPROVADO.  Comprovado que os rendimentos informados em Dirf coincidem com os comprovantes  de  rendimentos  apresentados,  e  que  os  valores  declarados  não  possuem  qualquer  relação com essas quantias,  razoável o  argumento de  erro de declaração,  em especial  quando  os  valores  declarados  também  tiveram  rendimentos  retidos  na  fonte,  o  que  obrigaria sua informação em Dirf. Assim, foi recalculado o imposto devido em função  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/2009­09  Resolução nº  1102­000.265  S1­C1T2  Fl. 9          8 dos rendimentos de fato auferidos. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (grifou­se ­  Acórdão 2101001.597. CARF. 2ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária.  Julgado em 19.04.2012)  Firmadas  essas  premissas,  e  em  vista  da  impossibilidade  de  verificar­se  se  a  Contribuinte possui saldo credor na PER/DCOMP n. 00181.50555.190906.1.7.02­2640, objeto  da  PA  n.  10380.911993/2009­10,  orienta­se  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência para que seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de  utilização na PER/DCOMP citada para fins de compensação com os débitos da declaração de  compensação  objeto  desse  processo,  considerados  todos  os  demais  pedidos  de  compensação  relacionados ao direito creditório proveniente (a) do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário  de 2002 e (b) das estimativas relacionadas.  Em  relação  a  todas  as  verificações  efetuadas  deverá  ser  lavrado  Relatório  de  Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar,  no prazo de 30 (trinta) dias, querendo.    (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO   Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME

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Numero do processo: 11030.720426/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 11          1 10  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.720426/2012­94  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.806  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de março de 2015  Matéria  IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/MULTA QUALIFICADA  Recorrente  CASTOLDI, GEREVINI E SIGNORI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  Cabível  a  imposição  da multa  qualificada  de  150%,  prevista  no  artigo  44,  inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento  adotado pelo sujeito passivo enquadra­se nas hipóteses tipificadas no art. 71,  I, da Lei nº 4.502 de 1964.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  deste  colegiado,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Joselaine  Boeira  Zatorre  (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente  justificadamente Valmir  Sandri.  (documento assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 26 /2 01 2- 94 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo,  Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes  Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/2012­94  Acórdão n.º 1301­001.806  S1­C3T1  Fl. 12          3   Relatório  Tratam­se de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido/CSLL,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social/Cofins  e  Programa  de  Integração  Nacional/PIS,  no  montante  de  R$  220.261,41, em razão da omissão de  receita caracterizada pela ausência de emissão de notas  fiscais e conseqüentemente não reconhecimento das receitas auferidas relativamente a serviços  prestados (comissões) à COOPERCOLHEITA – Cooperativa dos Profissionais da Agricultura  e Colheita Ltda.  O  procedimento  fiscal  foi  empreendida  junto  à  COOPERCOLHEITA,  oportunidade em que a Fiscalização detectou a escrituração de despesas com comissões pagas a  empresas  em  nome  de  administradores  daquela  sociedade  cooperativa,  dentre  as  quais,  “Castoldi, Gerevini e Signori Ltda.”, cujos sócios são Diogo Luiz Castoldi, Aimar Luiz Signori  e Luiz Carlos Gerevini, que também participavam como associados de COOPERCOLHEITA.  Segundo a autoridade fiscal “A empresa comercial, prestadora de serviços da  Coopercolheita da qual  recebeu  rendimentos  de  comissões dos quais não emitiu nota  fiscal,  não  adicionou  na  sua  escrita  fiscal,  bem  como  omitiu  os  valores  na  sua  declaração  de  rendimentos”.  No  ano  calendário  de  2008  a  fiscalizada  declarou  à  Receita  Federal  do  Brasil/RFB  que  não  auferiu  receita,  ao  passo  que  as  comissões  percebidas  perfaziam  o  montante  de  R$  241.794,61.  Já  em  2009,  a  fiscalizada  declarou  à  RFB  não  ter  percebido  receitas no 1º  trimestre,  ao passo que nos 2º, 3º, e 4º  trimestres  teriam recebidos  receitas de,  respectivamente, R$ 3.046,00, R$ 9.000,00 e R$ 9.000,00, ao passo que as comissões recebidas  nos mesmos períodos totalizou R$ 384.212,24. Salienta a Fiscalização que as comissões pagas  pela COOPERCOLHEITA não compunham o montante de receitas declaradas ao Fisco.  Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, c/c §1º, da Lei  nº 9.430/96.  O  contribuinte  cientificado  apresenta  impugnação  alegando,  em  apertada  síntese, que:  A  Fiscalização,  de  forma  equivocada,  não  tem  aceitado  recibos  para  comprovação de despesas, glosando­as com base em opiniões subjetivas;  Os recibos foram aceitos para comprovar despesas da COOPERCOLHEITA,  sendo portanto, hábeis e idôneos; cita jurisprudência que reforçaria seus argumentos;  A  atividade  administrativa  é  vinculada  aos  termos  da  lei  e  o  art.  97, V,  do  CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades;  O  art.  112  do  CTN,  determina  que  a  lei  que  determinar  a  aplicação  de  penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado;  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     4 Não  ficaram  caracterizados  os  elementos  que  justificariam  a  aplicação  da  multa qualificada, pois,  em nenhum comprovou­se sonegação,  fraude ou conluio, nos  termos  dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64;  Alega ainda que a autoridade fiscal não  teria comprovado o dolo e, embora  não  tivesse  emitido  nota  fiscal,  foram  emitidos  recibos,  o  que  comprovaria  a  ausência  de  intenção  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária. Aduz  ainda  que  as  circunstâncias constatadas no procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA não podem ser  utilizadas para embasar o agravamento de sua penalidade, haja vista que a responsabilidade por  infrações  é  pessoal.  Cita  doutrina  e  jurisprudência  administrativa  que  embasariam  seus  argumentos;  Requer, ao final, seja reduzida a penalidade aplicada de 150% para 75%.  A DRJ/PORTO ALEGRE (RS) decidiu a matéria sintetizado no Acórdão 10­ 038.507,  Sessão  de  22  de  maio  de  2012,  julgando  improcedente  a  impugnação,  tendo  sido  prolatada a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2008, 2009  MULTA NO PERCENTUAL DE 150%.  Justifica­se  a  aplicação  da  multa  no  percentual  de  150%  quando  restar  demonstrado  que  o  contribuinte  agiu  de  forma  dolosa,  com  o  propósito  de  impedir  ou  retardar,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar  as suas características.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.  É o relatório.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/2012­94  Acórdão n.º 1301­001.806  S1­C3T1  Fl. 13          5   Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  Como  bem  salientado  no  voto  condutor  ora  recorrido,  a  questão  de  fundo  mostra­se  incontroversa:  o  impugnante  auferiu  receitas  de  comissão,  pagas  por  COOPERCOLHEITA, não as escriturou,  tampouco recolheu os tributos sobre elas  incidentes  ou os declarou à RFB. Tal  fato é corroborado pelo pedido de parcelamento apresentado pelo  contribuinte relativamente aos tributos lançados (fls. 158, 164, 165 e 169).  Embora o impugnante argumente sobre a legalidade da emissão de recibos, e  que,  em  razão  desse  fato,  a  falta  de  emissão  de  notas  fiscais  seria  irrelevante,  em  nenhum  momento  questionou­se  a  materialidade  do  fato  apontado  pela  Fiscalização:  o  impugnante  auferiu  receitas,  não  as  escriturou,  tampouco  declarou  os  tributos  incidentes  à  RFB  ou  os  recolheu.  Isso posto,  não há  lide  sobre a  exigência dos  tributos,  restando a discussão  sobre a correição da penalidade qualificada aplicada.  Neste ponto, (QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO) compulsando os  autos  do  presente  processo,  constata­se  de maneira  cristalina,  que  o  contribuinte  assumiu  de  forma  livre  e  consciente  o  risco  de  omitir  à  tributação  as  receitas  ora  apuradas.  Portanto,  o  contexto  revela  a  presença  de  conduta  DOLOSA  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso  I, do art. 71 da Lei 4.502/64, vejamos:  Por bem descrever os fatos transcrevo os seguintes trechos extraídos do voto  ora recorrido:  "O  contribuinte  discorda  da  aplicação  da  multa  de  ofício  no  percentual  de  150%, pois entende não haver comprovação de fraude e/ou dolo.  No caso dos autos, foi aplicadas a multa de 150% sobre o imposto de renda e  contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I,  § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de  2007,  tendo  em  vista  a  intenção  dolosa  do  contribuinte  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada).  Para melhor entendimento,  transcreve­se, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430,  de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação,  transformando­se  as  alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II de 50% (cinqüenta por cento), exigida  isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a) na  forma do art.  8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano  calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  [...]  Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é  admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts.  71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente;  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  artigos 71 e 72.  Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº  9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação  sempre que em procedimento fiscal constatar­se a ocorrência de sonegação, fraude  ou conluio.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/2012­94  Acórdão n.º 1301­001.806  S1­C3T1  Fl. 14          7 Vê­se  que,  para  enquadrar  determinado  ilícito  fiscal  de  tal  modo  que  se  justifique  a  aplicação  da  penalidade  de  150%,  há  necessidade  que  esteja  caracterizado o dolo.  O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de  todos  os  tipos  penais  de  que  trata  a  Lei  nº  4.502,  de  1964,  ou  seja,  a  vontade  de  praticar  a  conduta,  para  a  subsequente  obtenção  do  resultado.  Deve  ficar  demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou  reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos.  No  presente  caso,  o  contribuinte  deixou  de  declarar  expressivos  valores  de  receita durante o período de 01/01/2008 a 31/12/2009, sendo que, em 2008, declarou  não haver auferido qualquer rendimento. Essa conduta reiterada revela, sem dúvida,  a  intenção  dolosa  com  o  propósito  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  por  parte  da  autoridade  fazendária,  ou  de  excluir  ou  modificar as suas características, enquadrando­se nas hipóteses previstas nos art. 71  (sonegação)  e  72  (fraude)  da  Lei  nº  4.502,  de  1964.  Esse  "animus",  vontade  de  querer  o  resultado,  ou  assumir  o  risco  de  produzi­lo,  ficou  evidenciado  e  demonstrado  nos  autos,  não  podendo  serem  considerados  meros  erros  de  ordem  material,  sem  a  caracterização  de  qualquer  intuito  fraudulento,  posto  que  não  se  tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os  meses dos ano calendário de 2008 e de 2009.  Veja­se que no ano de 2008 o contribuinte declarou à RFB não  ter auferido  receitas, enquanto que as comissões percebidas perfazem R$ 241.974,61. Em 2009,  a  situação  não  se  altera  substancialmente,  pois  embora  tenha  declarado  auferir  receitas (R$ 21.046,00 durante todo o período), não escriturou o faturamento de R$  384.212,24, relativo também a comissões. Conseqüentemente, também não declarou  ou  recolheu  os  tributos  incidentes  sobre  esses  rendimentos,  caracterizando,  sem  sombra de dúvidas, o intuito fraudulento de ocultar a ocorrência do fato gerador da  obrigação tributária. Tanto é assim que, somente durante o procedimento fiscal junto  à COOPERCOLHEITA, que possui dentre seus associados os sócios do impugnante,  é que a autoridade fiscal obteve a informação de que o impugnante houvera auferido  receitas de comissões.  Assim  sendo,  os  argumentos  do  impugnante  quanto  à  ausência  de  comprovação do dolo mostram­se insubsistentes diante dos elementos coligidos pela  Fiscalização."  Como visto, a discussão nos autos ficou restrita à multa qualificada de 150%  contra a qual insurgiu a recorrente alegando, em apertada síntese, não ter ficado provado o dolo  por  parte  da  autoridade  fiscal  e  que  a  existência  de  omissão  de  receita,  por  si  só,  não  é  suficiente  para  caracterização  de  fraude.  Aduz,  que  o  fato  da  fiscalização  ter  constatado  recebimentos de comissões  sem emissão da  respectiva nota  fiscal, mas, em contrapartida,  ter  emitido recibos de quitação, não caracteriza a intenção de esconder a operação ou dificultar o  conhecimento dos fatos pelo fisco. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para  75%.  Vê­se  conforme  descrito  acima,  que  a  abordagem  contida  na  decisão  recorrida bem demonstra a impropriedade desta argumentação.  No  caso  em  análise  entendo  que  não  se  trata  simplesmente  de  declaração  inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi  alegado.  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO     8 Ressalte­se que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo,  com  vistas  a  reduzir  ou  suprimir  tributo,  estará  sempre  enquadrada  em  uma  das  hipóteses  previstas  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502  de  30  de  novembro  de  1964.  Portanto,  é  irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio,  bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais  definidos na citada lei.  No  caso  dos  autos,  não  há  dúvida  de  que  a  empresa  autuada  recebeu  comissões sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de  deixar de pagar ou pagar menos  tributo. Nota­se que a  recorrente,  sequer  tentou  justificar  as  diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar.  Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos,  não  há  dúvida  da  intenção  da  contribuinte  em  reduzir  os  tributos  devidos  e  se  beneficiar  indevidamente de forma dolosa, como bem destacou a autoridade fiscal.  Repito,  os  fatos  explanados  caracterizam  a  figura  da  sonegação.  As  circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de  forma  inequívoca, o  intuito deliberado, por  parte  do  contribuinte,  de  impedir  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  correspondentes  a  seu  faturamento.  O  fato  de  oferecer  à  tributação  valores  inferiores  aos  auferidos,  de  forma  reiterada,  durante  todo  o  período  fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil ou falta de pagamento,  o  que  demonstra  o  elemento  dolo,  no  sentido  de  ter  a  consciência  e  querer  a  conduta  de  sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64.  Por  essas  razões,  entendo  que  a  qualificação  da multa  aplicada  foi medida  acertada  e  perfeitamente  em  consonância  com  a  legislação  aplicável,  pelo  que  deve  ser  mantida.  LANÇAMENTOS DECORRENTES  Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para  o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão  de receita foi reconhecida e parcelada pelo contribuinte, e não tendo fatos ou argumentos novos  a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências,  ante a  íntima  relação e causa e  efeito.  Diante  do  exposto,  voto  por  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  salientando novamente que as peças de defesa limitou­se a resignar­se em relação à exigência  da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos desde já  objetos de pedido de parcelamento.  (documento assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator                  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/2012­94  Acórdão n.º 1301­001.806  S1­C3T1  Fl. 15          9                 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO

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Numero do processo: 35464.001128/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 433          1 432  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  35464.001128/2007­01  Recurso nº  003.728   Voluntário  Acórdão nº  2302­003.728  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  NFLD  Recorrente  KUBA VIAÇÃO URBANA LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.  A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou  depois  do  lançamento,  que  tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  verse  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  ao  contencioso  administrativo,  conforme  determinado  pelo  §3º  do  art.  126  da  Lei  no  8.213/91.  O  julgamento  administrativo  limitar­se­á  à  matéria  diferenciada,  se  no  Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  NFLD.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  Notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  dessa presunção.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.  Uma  vez  constatado  o  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  a  fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 28 /2 00 7- 01 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS.  SÚMULA  28  DO  CARF.  A  representação  fiscal  para  fins  penais  será  encaminhada  ao  Ministério  Público  após  proferida  a  decisão  final,  na  esfera  administrativa,  sobre  a  exigência fiscal do crédito tributário correspondente.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas  na  data  de  vencimento  será  acrescido  de  juros  de  mora,  de  caráter  irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC a que se  refere o  artigo 13 da Lei 9.065/95,  incidentes  sobre o valor  atualizado, nos  termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.   PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a  prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do  seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo­ lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  parcialmente  do  Recurso  Voluntário  e,  na  parte  conhecida,  negar­lhe  provimento,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  Sessão  de  Julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente de  turma),  André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho  Cruz e Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 434          3    Relatório  Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006.  Data da lavratura da NFLD: 27/02/2007.  Data da Ciência da NFLD: 05/03/2007.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente o lançamento tributário formalizado  mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.081.302­2, consistente  em  contribuições  sociais  previdenciárias  a  cargo  da  empresa  destinadas  ao  SEBRAE,  incidentes  sobre  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  empregados  e  a  segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços  em  cada mês,  não  recolhidas  aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 36/45.    Os valores considerados como salário de contribuição nos levantamentos GFI  e  FOP  encontram­se  baseados  nos  seguintes  livros  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte à fiscalização quando para tanto intimado através do "Termo de Intimação para a  Apresentação de Documentos" (TIAD) e analisados no decorrer da ação fiscal:   · Resumo  das  folhas  de  pagamento  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, a empresa  não entregou a folha de pagamento individualizada;   · Guias  de  recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social (GFIP);  · Guias da Previdência Social (GPS);   · Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006.    A  Fiscalização  apurou  que  em  todos  os  meses  a  empresa  entregava,  inicialmente, uma GFIP que deveria conter  todos os empregados, mas depois entregava uma  GFIP  com apenas um ou alguns  empregados. Com a  implementação da GFIP versão 8.0 ou  posterior,  havendo  a  entrega  de  mais  de  uma  GFIP  com  a  mesma  chave  (empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, FPAS, e tomador de serviço),  a GFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo integralmente  a GFIP transmitida anteriormente;   Assim,  foram  considerados  como  declarados  em GFIP  (levantamento GFI)  apenas  os  empregados  relacionados  na  última  GFIP  da  versão  8.0  ou  superior,  entregue  e  apresentada à fiscalização, que é a GFIP considerada válida, e que substituiu todas as demais;   Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 Por  outro  lado,  foram  lançados  como  valores  não  declarados  em  GFIP  (levantamento FOP) o salário de contribuição declarado na folha de pagamento, excluídos os  valores já lançados como declarados em GFIP;  Foram abatidas as deduções e os valores das contribuições sociais recolhidas  mediante  Guia  da  Previdência  Social  ­  GPS,  na  apuração  dos  valores  devidos,  conforme  ilustrado no RADA (Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados.  Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 78/101.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  baixou o  feito  em diligência para que  a Autoridade Lançadora  se pronunciasse  a  respeito de  questões  de  fato  arguidas  pelo  Sujeito  Passivo  em  sede  de  defesa  administrativa,  conforme  Despacho de Diligência a fls. 228/234.  Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência  acima  citado,  a  Autoridade  Lançadora  se  pronunciou  formalmente  nos  autos,  por  meio  do  Relatório de Encerramento de Diligência, a fls. 245/246.   Formalmente  notificado  do  conteúdo  do  resultado  do  Relatório  de  Encerramento  de  Diligência  antes  mencionado,  o  Sujeito  Passivo  apresentou  aditamento  à  impugnação a fls. 258/262.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 16­23.439 ­ 11ª Turma da DRJ/SP1, a fls.  333/364,  julgando procedente em parte o  lançamento,  tão  somente para que fosse aplicado o  código  correto  de  terceiro  (0064)  correspondente  ao  SEBRAE,  e  retificando  o  Crédito  Tributário na forma exposta no DADR – Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 325/332.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  16/07/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 372.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  373/380,  respaldando  seu  inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem:  · Que  os  valores  levantados  pela  Fiscalização  não  encontram  suporte  nos  salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento;   · Que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente  valores  lançados  na  última  GFIP,  sendo  totalmente  desconsideradas  as  informações contidas nas GFIP entregues mês a mês  (GFIP  substituídas),  as  quais  continham  a  informação  total  do  salário  de  contribuição  e  as  respectivas contribuições;   · Que não há fundamento para a emissão de RFFP;   · Que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional;   · Que a  contribuição para o SEBRAE não  encontra  amparo no  art.  195 da  CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base  em lei ordinária;   Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 435          5   Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido.    Relatados sumariamente os fatos ora relevantes.  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     6   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 16/07/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 13/08/2010, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO   O Recorrente alega que a contribuição para o SEBRAE não encontra amparo  no art. 195 da CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base em lei  ordinária.  Pondera  também  que  a  empresa  está  discutindo  judicialmente  as  contribuições  referentes ao SEBRAE.  As alegações recursais referentes às contribuição destinadas ao SEBRAE não  poderão  ser  apreciadas  e  julgadas  por  este  Sodalício  Administrativo,  uma  vez  que,  em  seu  louvor, o Recorrente tacitamente, abdicou de debatê­la na esfera administrativa.  Assentado  que  a  decisão  proferida  na  Instância  Judicial  subjuga  qualquer  outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal  e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa,  acerca  da  matéria  objeto  do  litígio,  será  tido  como  letra  morta  diante  da  decisão  judicial  transitada em julgado.  A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  versa  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  dos  beneficiários  acobertados  pelos  resultados  de  tal  demanda  ao  direito  de  recorrer  na  esfera  administrativa e à desistência do eventual recurso interposto.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 436          7 administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.    A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas  idênticas,  por  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  dando  ensejo  à  edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante:  Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.    Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos  temas  levados à apreciação  do Poder Judiciário, e reiterados nos vertentes Instrumentos Recursais interpostos perante este  Colegiado,  com  fundamento  no  preceito  insculpido  no  art.  126,  §3º  da  Lei  nº  8.213/91,  em  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual.  Reitere­se que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou  mesmo  da  vontade  psicológica  do  Recorrente.  Ela  decorre  ex  lege,  e  de  forma  objetiva,  independentemente do motivo ou do  tempo em que a demanda  tenha sido ajuizada perante o  poder judiciário.   Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço parcialmente.  Ante  a  inexistência  de  questões  preliminares  a  serem  dirimidas,  passamos  diretamente ao exame do mérito.      2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     8   2.1.  DO LANÇAMENTO  O  Recorrente  alega  que  os  valores  levantados  pela  Fiscalização  não  encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento.     Sem razão.    Mostra­se valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos,  assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e  veracidade.  Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade  e  legitimidade  consiste  na  "conformidade  do  ato  à  lei.  Em  decorrência  desse  atributo,  presumem­se,  até  prova  em  contrário,  que  os  atos  administrativos  foram  emitidos  com  observância  da  lei"  (Direito Administrativo,  18ª  Edição,  2005, Atlas,  São  Paulo).  Ainda  de  acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência  desse atributo, presumem­se verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág.  191). Dessarte,  a  aplicação  da  presunção  de  veracidade  tem o  condão  de  inverter o  ônus  da  prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo  agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do  Código de Processo Civil.  Deflui  da  interpretação  sistemática  dos  dispositivos  encartados  nos  artigos  19,  II, da CF/88 e 364 do CPC que os  fatos  consignados  em documentos públicos carregam  consigo  a  presunção  de  veracidade  atávica  aos  atos  administrativos,  ostentando  estes  fé  pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como  verdadeiros até que se produza prova válida em contrário.  Constituição Federal de 1988   Art.  19. É  vedado à União,  aos Estados,  ao Distrito Federal  e  aos Municípios:  (...)  II ­ recusar fé aos documentos públicos;  (...)      Código de Processo Civil   Art.  364.  O  documento  público  faz  prova  não  só  da  sua  formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o  funcionário declarar que ocorreram em sua presença.    Nessa  prumada,  existindo  no  mundo  jurídico  um  ato  administrativo  comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de  legitimidade  e  veracidade  das  informações  nele  assentadas.  Como  prerrogativa  inerente  ao  Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no  processo administrativo  fiscal como meio de prova hábil  a comprovar as alegações do órgão  Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 437          9 tributário,  cabendo  à  parte  adversa  demonstrar,  ante  a  sua  natureza  relativa,  por  meio  de  documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce.   Configurando­se  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  como  um  documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da  Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a  veracidade do seu conteúdo.  Ostentando,  todavia,  tal  presunção  eficácia  relativa,  esta  admite  prova  em  sentido  contrário  a  ônus  da  parte  interessada,  encargo  este  que  deve  ser  adimplido  pelo  Interessado, de molde a se afastar a suposta fidedignidade do teor da NFLD em debate.     No caso dos  autos, de acordo com a  resenha  fiscal,  todos os  levantamentos  que  constituem  a  presente NFLD  (FOP, GFI),  foram  efetuados  com  base  em  informações  e  documentos fornecidos pela própria empresa, devidamente relacionados no item 7 do Relatório  Fiscal:  “7.  Os  valores  considerados  como  salário  de  contribuição  nos  levantamentos GFI e FOP encontram­se baseados nos seguintes  livros  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  à  fiscalização quando para  tanto  intimado através  do  "Termo de  Intimação  para  a  Apresentação  de  Documentos"  (TIAD)  e  analisados no decorrer da ação fiscal:   a.  Resumo  das  folhas  de  pagamento  da  remuneração  paga,  devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a  seu  serviço,  a  empresa  não  entregou  a  folha  de  pagamento  individualizada;   b. Guias  de  recolhimento  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  documento informativo instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei  8.212191  (redação dada pela Lei 9.528/97),  c/c o art. 1º do  Decreto 2.803/98;   c. "Guias da Previdência Social' (GPS);   d. Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a  05/2006”.    O Órgão Julgador de 1ª Instância, a fls. 12/22 do Acórdão Recorrido, já havia  demonstrado que os valores  das bases de  cálculo  apurados na vertente NFLD,  representados  pelo  somatório  dos  levantamentos  FOP  e  GFI,  correspondiam,  nos  centavos,  aos  valores  consignados como “total salário de contribuição CLT”, declarados pela empresa nos resumos  das Folhas de Pagamento  acostados  a  fls.  107/171,  à  exceção da  competência 13/2003,  cujo  valor  lançado  pela  Fiscalização  (R$  1.197.584,48)  foi  inferior  ao  montante  consignado  na  respectiva Folha de Pagamento a fl. 119 (R$ 1.223.064,99).    Tal diferença  já havia sido verificada pela Autoridade Lançadora, conforme  consignado no item 05 do Relatório de Encerramento de Diligência a fls. 245/246:  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 “05.  Levando­se  em  conta  o  resumo  da  Folha  de  Pagamento  juntado as  fls. 118, de  fato existe uma diferença entre o valor  levantado na NFLD e no respectivo resumo:   a. NFLD = R$ 1.197.584,48   b. Resumo da FOPAG = R$ 1.223.064,99     06. Assim, de acordo com este resumo da Folha de Pagamento que  agora foi juntado ao processo, o valor correto para a base de  cálculo  do  levantamento  é  de  R$  1.223.064,99  e  não  o  constante na NFLD.     07.  Frise­se  que  só  ocorreu  divergência  nesta  competência  1312003, para todas as demais competências o valor levantado  corresponde exatamente ao valor presente no resumo da Folha  de Pagamento apresentado pela empresa.”    Ao ser  intimada a  respeito do conteúdo da Diligência Fiscal ora em apreço,  própria  Recorrente,  a  fl.  3  do  seu  aditamento  à  impugnação,  a  fls.  258/262,  declarou  expressamente  inexistir  divergências  entre  os  valores  lançados  na  NFLD  e  os  valores  consignados nos resumos das Folhas de Pagamento.  “Ademais,  não  há  que  se  falar  em  qualquer  divergência  entre  o  resumo da  folha de pagamento em  relação aos  valores  levantados  na  NFLD,  pois  conforme  pode  ser  verificado  na  documentação  acostada, os  valores  levantados  em  todas as  competências  sempre  corresponderam de forma exata aos valores da folha de pagamento,  inclusiva  em  relação  a  competência  13/2003,  não  havendo,  portanto, que se falar em qualquer divergência de valores”.    Pelas  mesmas  razões,  indeferimos  o  pedido  de  perícia  formulado  pela  Recorrente,  uma  vez  que  não  estão  presentes  os  equívocos  por  ela,  equivocadamente,  apontados.  Assim, além de não demonstrar a necessidade da perícia, esta foi formulada  de maneira genérica, sem a indispensável observância dos requisitos previstos no inciso IV do  art. 16 do Dec. nº 70.235/72, devendo o pedido de perícia  ser  tido como não  formulado, em  respeito ao disposto no §1º do mesmo suso citado dispositivo legal.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  IV  ­  as  diligências,  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam  efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação  dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso  de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu  perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  (...)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso IV  do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993)  (...)  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 438          11   2.2.   DA REDUÇÃO DA MULTA DE MORA APLICADA  O Recorrente alega que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação  de  multa,  somente  valores  lançados  na  última  GFIP,  sendo  totalmente  desconsideradas  as  informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a  informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições.    Ao  tratar  da  imposição  de multa  pelo  atraso  objetivo  no  adimplemento  da  Obrigação Tributária Principal, o §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91 dispõe que, na hipótese de  as contribuições terem sido declaradas nas GFIP, a multa de mora será reduzida em cinquenta  por cento.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  (...)  §4o  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV  do  art.  32,  ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a  que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por  cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    Tal  redução  se  justifica  administrativamente  pelo  fato  de  que,  estando  as  Contribuições Previdenciárias devidas devidamente consignadas nas GFIP entregues à RFB, o  Crédito Tributário correspondente passa a ser do conhecimento da Administração Fazendária,  eis  que  registradas  na  base  de  dados  da  RFB,  a  qual  terá  o  trabalho  reduzido  de,  apenas,  proceder a cobrança do crédito devido.  Ao  revés,  não  estando  registrados  tais  fatos  geradores  na base  de dados  da  RFB, a administração tributária deixa de conhecer a existência de contribuições devidas e não  recolhidas,  necessitando  a  Fazenda  Pública  de  deflagrar  procedimento  de  Fiscalização  nas  ordens dos contribuintes para, então, apurar o Crédito Tributário não declarado.  De acordo com a legislação tributária que rege os procedimentos inerentes à  declaração e entrega de GFIP, a entrega de GFIP posterior, ostentando a mesma chave de GFIP  anteriormente  entregue,  qualifica­se  como  GFIP  retificadora  da  anterior,  circunstância  que  implica a integral substituição da GFIP anteriormente entregue.  Trata­se  de  procedimento  a  ser  conduzido  pelo  Contribuinte  para  corrigir  omissões ou incorreções anteriormente declaradas, de modo a evitar cobrança indevida.  Assim, mediante a entrega de GFIP retificadora, os registros consolidados na  base  de  dados  da  RFB  passam  a  espelhar,  tão  somente,  os  dados  declarados  na  GFIP  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     12 retificadora,  sendo  integralmente  deletados  os  dados  inicialmente  aviados  nas  GFIP  substituídas.  Dessa  forma,  deixa  a  Administração  Tributária  de  ter  conhecimento  das  Contribuições  Previdenciárias  efetivamente  devidas  pelo  contribuinte,  sendo  necessária  a  deflagração de procedimento formal de Fiscalização para a apuração dos fatos geradores não  registrados  no  banco  de  dados  da  RFB,  e  consequente  constituição  do  Crédito  Tributário  correspondente.  Cabe  destacar  também  que,  da  consulta  ao  Sistema  Informatizado  GFIP­  WEB, a Fiscalização constatou que, mesmo após a lavratura da presente NFLD, a Notificada  vem  promovendo  a  entrega  de  novas  GFIP,  que  substituem  as  anteriores,  em  todas  as  competências abrangidas neste lançamento de crédito.   Com  esse  procedimento,  a  Notificada  está  continuamente  alterando  as  informações prestadas, deixando de cumprir o dever previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei n°  8212/91,  que  é  informar  mensalmente  os  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.     Por tal razão, não faz jus a Recorrente à redução de multa de mora prevista  no §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91.    2.3.  DA RFFP  O Recorrente alega não haver fundamento para a emissão de Representação  Fiscal para Fins Penais.    O  art.  66  do  Decreto­lei  nº  3.688,  de  3  de  outubro  de  1941  ­  lei  das  contravenções  penais  –  qualifica  como  “Omissão  de  Comunicação  de  Crime”  o  comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade  competente  de  conduta  que  represente,  em  tese,  crime  de  ação  pública,  de  que  teve  conhecimento no exercício de função pública.  DECRETO­LEI Nº 3.688 ­ DE 3 DE OUTUBRO DE 1941    OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME  Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente:  I ­ crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício  de  função  pública,  desde  que  a  ação  penal  não  dependa  de  representação;  II  ­  crime  de  ação  pública,  de  que  teve  conhecimento  no  exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que  a  ação  penal  não  dependa  de  representação  e  a  comunicação  não exponha o cliente a procedimento criminal:     Pena ­ multa.    Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 439          13 Calcando nas mesmas  teclas, o  art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os  crimes  contra  a  ordem  tributária,  estatui  que  qualquer  pessoa,  aqui  incluídos,  por  óbvio,  os  agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa  lei,  fornecendo­lhe  por  escrito  informações  sobre  o  fato  e  a  autoria,  bem  como  indicando  o  tempo, o lugar e os elementos de convicção.  Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990  Art.  16.  Qualquer  pessoa  poderá  provocar  a  iniciativa  do  Ministério  Público,  nos  crimes  descritos  nesta  lei,  fornecendo­ lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como  indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.  Parágrafo único. Nos  crimes previstos nesta Lei,  cometidos  em  quadrilha ou co­autoria, o co­autor ou partícipe que através de  confissão  espontânea  revelar  à  autoridade  policial  ou  judicial  toda  a  trama  delituosa  terá  a  sua  pena  reduzida  de  um  a  dois  terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995)    Nessa perspectiva, revela­se a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP  mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo  agente  público  sempre  que  se  deparar  com  conduta  que  represente,  em  tese,  crime  contra  a  ordem  tributária, devendo conter, dentre outros  elementos, exposição minuciosa do  fato  e os  elementos  caracterizadores  do  ilícito;  indícios  de  prova material  do  ilícito  ou  qualquer  outro  documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada  do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações,  perícias e outras  informações obtidas de  terceiros, utilizados para  fundamentar a constituição  do  crédito  tributário  ou  a  apreensão  de  bens  sujeitos  à  pena  de  perdimento;  a  qualificação  completa das pessoas  físicas  responsáveis;  a qualificação completa da pessoa ou das pessoas  físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A  identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e  suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que  possam  ser  arroladas  como  testemunhas;  cópia  das  declarações  de  rendimentos,  relativas  ao  período em que se apurou  ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas  representadas e da pessoa  jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc.  No  âmbito  da  legislação  previdenciária,  o  art.  616  da  IN SRP nº  3/2005  impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício  de  suas  atribuições  institucionais,  tiver  conhecimento  da  ocorrência  de  comportamento  omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa  de  representação  do  ofendido  ou  de  requisição  do Ministro  da  Justiça,  bem  como  qualquer  contravenção penal.  Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005   Art.  616. Por disposição expressa no art.  66 do Decreto­Lei nº  3.688,  de  1941  (Lei  de  Contravenções  Penais),  o  AFPS  formalizará  RFFP  sempre  que,  no  exercício  de  suas  funções  internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese,  de:   I­  crime  de  ação  penal  pública  que  não  dependa  de  representação  do  ofendido  ou  de  requisição  do  Ministro  da  Justiça;  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 II ­ contravenção penal.  Parágrafo  único.  Considera­se,  nos  termos  do  Decreto­Lei  nº  3.914, de 1941  (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de  Contravenções Penais):  I ­ crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão  ou  de  detenção,  quer  isoladamente,  quer  alternativa  ou  cumulativamente com a pena de multa;  II  ­  contravenção,  a  infração  penal  a  que  a  lei  comina  isoladamente  pena  de  prisão  simples  ou  de  multa,  ou  ambas,  alternativa ou cumulativamente.    Art.  617.  São  crimes  de  ação  penal  pública,  dentre  outros,  os  previstos  nos  arts.  15  e  16  da  Lei  nº  7.802,  de  1989,  alterada  pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137,  de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os  a  seguir  relacionados,  previstos  no  Decreto­Lei  nº  2.848,  de  1940  (Código Penal):(Revogado pela  IN RFB nº 851, de 28 de  maio de 2008)  I  ­ homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos  §§ 3º e 4º do art. 121;  II ­ exposição ao risco, com previsão no art. 132;  III ­ a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art.  168­A;  IV ­ o estelionato, com previsão no art. 171;  V  ­ a  falsificação de  selo ou de  sinal público, com previsão no  art. 296;  VI  ­  a  falsificação de documento público,  com previsão no art.  297;  VII  ­  a  falsificação  de  documento  particular,  com  previsão  no  art. 298;  VIII ­ a falsidade ideológica, com previsão no art. 299;  IX ­ o uso de documento falso, com previsão no art. 304;  X ­ a supressão de documento, com previsão no art. 305;  XI ­ a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308;  XII  ­  o  extravio,  a  sonegação  ou  a  inutilização  de  livro  ou  documento, com previsão no art. 314;  XIII  ­  o  emprego  irregular  de  verbas  ou  rendas  públicas,  com  previsão no art. 315;  XIV ­ a prevaricação, com previsão no art. 319;  XV ­ a violência arbitrária, com previsão no art. 322;  XVI ­ a resistência, com previsão no art. 329;  XVII ­ a desobediência, com previsão no art. 330;  XVIII ­ o desacato, com previsão no art. 331;  XIX ­ a corrupção ativa, com previsão no art. 333;  XX  ­  a  inutilização  de  edital  ou  de  sinal,  com previsão  no  art.  336;  XXI  ­  a  subtração  ou  a  inutilização  de  livro  ou  de  documento,  com previsão no art. 337;  XXII  ­  a  sonegação  de  contribuição  social  previdenciária,  com  previsão no art. 337­A.  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 440          15 Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela  IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008)  I  ­  recusar  dados  sobre  a  própria  identidade  ou  qualificação,  com  previsão  no  art.  68  do Decreto­lei  nº  3.688,  de  1941  (Lei  das Contravenções Penais);  II  ­  deixar  de  cumprir  normas  de  higiene  e  segurança  do  trabalho,  com  previsão  no  §2º  do  art.  19  da  Lei  nº  8.213,  de  1991.    Diante  desse  quadro,  constitui­se  dever  funcional  do  auditor  fiscal  a  elaboração,  ainda no  curso da ação  fiscal,  da Representação Fiscal  para Fins Penais,  sempre  que,  no  exercício  de  suas  atribuições  institucionais,  tiver  conhecimento  da  ocorrência  de  comportamento  omissivo  ou  comissivo  que  configure,  em  tese,  crime de  ação  penal  pública  que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem  como qualquer contravenção penal.  A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e  demais  informações  pertinentes,  constituir­se­á  de  autos  apartados  e  permanecerá  sobrestada  no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute  pela  procedência  total  ou  parcial  do  lançamento,  quando,  então,  poderá  ser  encaminhada  ao  órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal.  Adite­se,  por  derradeiro,  que  a  súmula  CARF  nº  28,  de  observância  obrigatória,  exclui  a  competência  deste  Conselho  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Súmula CARF nº 28:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação Fiscal para Fins Penais.    Assim  esculpido  o  arcabouço  legislativo/jurisprudencial,  podemos  afirmar  inexistir  qualquer  irregularidade  da  formalização  da  RFFP  em  destaque,  eis  que  o  seu  encaminhamento  ao  Ministério  Público  somente  se  dará  após  o  Trânsito  em  Julgado  administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência  total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora.    2.4.  DA TAXA SELIC  O Recorrente alega que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional.    De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do  capital  investido.  Esmiuçando  o  conceito,  juros  representam  o  rendimento  que  o  titular  do  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 capital  aufere  em  troca  da  colocação  de  um  quantitativo  à  disposição  de  uma  outra  pessoa/entidade.   Ilumine­se que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em  uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar  de seu capital, ofertando­o a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração,  compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior.  A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital  exige do  tomador deste, num horizonte  temporal, pela utilização do montante  tomado. Nesse  quadro,  o  índice  nominal  da  taxa  pode  ser  fixado  unilateralmente  pelo  capitalista,  ou,  em  comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar  que,  em  qualquer  caso,  a  fixação  da  taxa  de  juros  prescinde  da  edição  de  lei  formal,  como  assim  acredita  piamente  o  Recorrente,  até  porque  tal  exigência  culminaria  por  emperrar  a  atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza ­, paralizando­o.  Isso  porque  cada  investidor,  banco  ou  demais  instituições  financeiras  possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são  extremamente  influenciados  pelo  mercado,  pela  oferta  e  procura  de  capital,  pela  taxa  de  crescimento  da  economia,  pelo  risco  da  inadimplência,  etc.,  o  que  gera  uma  saudável  concorrência entre os detentores do livre numerário.  Diante  desse  panorama  mostra­se  evidente  que  a  exigência  de  lei  stricto  sensu  a  que  se  refere  o  CTN,  não  é  para  a  fixação  da  taxa  de  juros  (esta  flui  ao  sabor  das  correntes  do mercado), mas,  sim,  para  a  indicação  de  qual  taxa  de  juros  será  a  utilizada  na  remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo.   Com  efeito,  num  mundo  globalizado,  em  que  qualquer  evento  econômico  ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul,  seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos  por  cento,  como é  extremamente  comum em nossa economia,  com a velocidade e prontidão  que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o  trâmite procedimental exigido pela CF/88.  Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie,  foi de fato adimplido, senão vejamos:  A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência  para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  obrigação,  lançamento, crédito, prescrição e decadência  tributários, nas cores desenhadas em  seu art. 146, III, ‘b’, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  definição  de  tributos  e  de  suas  espécies,  bem  como,  em  relação  aos  impostos  discriminados  nesta  Constituição,  a  dos  respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 441          17 Imerso  nessa  ordem  constitucional,  ao  tratar  do  crédito  tributário,  já  no  âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente  inserido  no  Capítulo  que  versa  sobre  a  Extinção  do  Crédito  Tributário,  estabeleceu  que  o  crédito não  integralmente pago no vencimento  é  acrescido de  juros  de mora,  seja qual  for o  motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis:   Código Tributário Nacional  Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifos nossos)   §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos)   §2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.    Saliente­se  que  o  percentual  enunciado  no  parágrafo  primeiro  acima  transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da  seguridade  social  disciplinou  inteiramente  a  matéria  relativa  aos  acessórios  financeiros  do  crédito  previdenciário  em  constituição  e  de  forma  distinta,  devendo  esta  ser  observada  em  detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN.   Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao  proferir, ipsis litteris:   “Na  esfera  infraconstitucional,  o  Código  Tributário  Nacional,  norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de  juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois  o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros  somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário.  Assim,  não  tendo o Código Tributário Nacional  determinado a  necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas  de  juros  diversas  daquela  prevista  no  citado  art.  161,  §1º  do  CTN,  donde  se  conclui  que  a  incidência  da  SELIC  sobre  os  créditos  fiscais  se  dá  por  forca  de  instrumento  legislativo  próprio  (lei  ordinária)  sem  importar  qualquer  afronta  à  Constituição  Federal”  (TRF­  4ª  Região,  Apelação  Cível  200471100006514,  Rel.  Álvaro  Eduardo  Junqueira;  1ª  Turma;  DJ de 15/06/2005, p. 552).    Com  efeito,  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social  estão  sujeitas  não  só  à  incidência  de  multa  moratória,  como  também  de  juros  computados  segundo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  ­  SELIC,  nos  termos  do  art.  34  da  Lei  nº  8.212/91  que,  pela  sua  importância  ao  deslinde  da  questão,  o  transcrevemos  a  seguir,  com  a  redação  vigente  à  época  da  lavratura  do  presente  débito.  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     18 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que  se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos  nossos)     A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema  Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do  julgado a seguir ementado:   TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA  TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO.   1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no  vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa  de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro,  a  possibilidade  de  sua  regulamentação  por  lei  extravagante,  o  que  ocorre  no  caso  dos  créditos  tributários,  em  que  a  Lei  9.065/95  prevê  a  cobrança  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais (art. 13).   2.  Diante  dai  previsão  legal  e  considerando  que  a  mora  é  calculada  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  de  sua  apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC  sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram  objeto de parcelamento administrativo.   3.  Também  ,  há  de  se  considerar  que  os  contribuintes  têm  postulado  a  utilização  da  Taxa  SELIC  na  compensação  e  repetição  dos  indébitos  tributários  de que  são  credores. Assim,  reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor  dos  contribuintes,  do  mesmo  modo  deve  ser  aplicada  na  cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia.   4.  Embargos  de  divergência  a  que  se  dá  provimento.  STJ  ­  EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª  SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167.    Em reforço a tal assertiva jurisdicional, ilumine­se o Enunciado da Súmula nº  03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos:  SÚMULA CARF nº 3  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia – Selic para títulos federais.    Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 442          19 Dessarte, se nos afigura não haver vícios na aplicação da taxa SELIC como  referência  de  juros  moratórios,  haja  vista  terem  sido  aplicados  em  conformidade  com  o  comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em  afinada harmonia com o ordenamento jurídico.    A  propósito,  repise­se  que,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pela  Lei  nº  8.212/91  plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Atente­se  que  as  disposições  introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de  declaração  de  inconstitucionalidade,  seja  na  via  difusa  seja  na via  concentrada,  exclusiva do  Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Apreciando  a  questão  da  constitucionalidade  das  contribuições  destacadas  pelo Recorrente  por  um  outro  prisma,  adite­se  que  o  art.  26­A  do Decreto  nº  70.235/72,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  estabelece  óbice  intransponível  aos  órgãos  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  para  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  normas  tributárias  inseridas  no  ordenamento  jurídico  mediante  leis,  decretos,  tratado  ou  acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     20 c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)    Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as  Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrar­se impedida esta Corte  Administrativa  de  apreciar  tal  rogativa  e  reformar  a  Decisão  Recorrida,  ao  argumento  de  ilegalidade  da  aplicação  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios,  atividade  essa  que  somente  poderia emergir do Poder Judiciário.      3.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/2007­01  Acórdão n.º 2302­003.728  S2­C3T2  Fl. 443          21   É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                               Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração. ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484-RS. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 26/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 163          1 162  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.723165/2009­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­003.250  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de fevereiro de 2015  Matéria  ITR ­ Áreas de preservação permanente, ocupadas com benfeitorias e de  pastagens e arbitramento do VTN  Recorrente  NAIR HELLER DE BARROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2006  NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.  Comprovada  a  regularidade  do  procedimento  fiscal,  que  atendeu  aos  preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os  requisitos do art.  10  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  não  há  que  se  cogitar  em  nulidade  do  lançamento.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DO  CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.  Compete à autoridade fiscal  rever o  lançamento realizado pelo contribuinte,  revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos  requisitos para a concessão do favor.  VALOR  DA  TERRA  NUA  (VTN).  ARBITRAMENTO.  LAUDO  DE  AVALIAÇÃO.  O  arbitramento  do  valor  da  terra  nua,  apurado  com  base  nos  valores  do  Sistema  de  Preços  de  Terra  (SIPT),  deve  prevalecer  sempre  que  o  contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação  de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao  VTN extraído do SIPT.  O  arbitramento  do  valor  da  terra  nua,  apurado  com  base  nos  valores  do  Sistema  de  Preços  de  Terra  (SIPT),  deve  prevalecer  sempre  que  o  contribuinte não  faça  a  apresentação de  laudo de  avaliação, mormente  se o  VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 65 /2 00 9- 73 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 164          2 ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  COMPROVAÇÃO.  LAUDO.  Deve­se  reconhecer,  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido,  as  áreas  de  preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA),  cuja  existência  seja  confirmada mediante mapa  de  georreferenciamento  do  imóvel,  elaborado  por  engenheiro  agrônomo,  acompanhado  de  anotação  de  responsabilidade técnica (ART).  ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.  Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas  com  benfeitorias,  cuja  necessidade  e  utilidade  para  a  atividade  rural  seja  devidamente comprovada.  SOLICITAÇÃO  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO.  COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO.  Não  compete  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf),  em  grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo,  contudo,  possível  a  alteração  do  lançamento,  desde  que  o  contribuinte  comprove  de  forma  inequívoca  o  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração.  ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.  O  contribuinte  deve  comprovar,  por  meio  de  documentação  pertinente,  as  áreas ocupadas com pastagens.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  reconhecer,  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido,  uma  área  de  preservação  permanente  de  448,7  ha.  Vencidos  João  Bellini  Junior,  Livia  Vilas  Boas  e  Silva  e  Alice  Grecchi,  que  davam  provimento  em  maior  extensão  para  também  restabelecer  a  área  de  benfeitorias de 300,0ha.  Fez  sustentação oral  o patrono da  contribuinte Dilson Gerent, OAB  22484­RS.   Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora.    EDITADO EM: 26/02/2015  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse  Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta  de Azeredo Ferreira Pagetti.    Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 165          3   Relatório  Contra  NAIR  HELLER  DE  BARROS  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento,  fls.  96/100,  para  formalização  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR)  do  imóvel  denominado  Fazenda  São  Miguel,  com  área  total  de  1.294,5 ha  (NIRF  3.255.592­0),  relativo  ao  exercício  2006,  no  valor  de  R$ 496.112,12,  incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009.  As  infrações  imputadas  à  contribuinte  foram  glosa  parcial  da  área  de  preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor  da  Terra  Nua  (VTN),  com  utilização  de  dados  extraídos  do  Sistema  de  Preços  de  Terras  (SIPT), conforme quadro a seguir:  ITR 2006  Declarado  Apurado na Notificação de  Lançamento  03­Área de Preservação Permanente  700,0 ha  333,0 ha  08­Área Ocupada com Benfeitorias  320,0 ha  0,00 ha  16­Valor da Terra Nua  R$ 900.000,00  R$ 3.713.182,64  Inconformada  com  a  exigência,  a  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 49/74,  que  está  assim  resumida  no  Acórdão  DRJ/CGE  nº  04­25.974,  de  19/09/2011,  fls.107/116:  Preliminar  Suscita  invalidade  do  lançamento  pois  entende  que  não  ficou  configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da  técnica  do  arbitramento  (omissão  do  sujeito  passivo,  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas  ­  art.  10  §  1º,  inc.  I  e  art.  14,  ambos  da  Lei  9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT.  Complementa  argumentando  que  restaram  omissos,  na  notificação de  lançamento,  os  fundamentos de  fato  e de direito  infringidos,  o  que  afronta  o  princípio  da  legalidade,  do  contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72,  em  conformidade  com  a  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  conforme  ementas  transcritas  na  peça  impugnatória.  Reforça  que  constitui  ônus  do  Fisco  a  prova  quanto  à  inveracidade  dos  dados  tributários  declarados  pelo  sujeito  passivo  que  autoriza  a  adoção  do  arbitramento,  conforme  preceituam  os  considerandos  e  o  art.  2º  do  Decreto  83.936,  instituidor  do  "Programa  Nacional  de  Desburocratização",  o  art.  14  da  lei  9.393/96 e o  art.  10  §  7º  da Lei  9.393/96  com a  redação da MP 2166­67.  Mérito  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 166          4 Afirma,  com  base  no  levantamento  geo­referenciado,  protocolocado  no  INCRA,  que  a  área  de  preservação  permanente (APP) é de 448,7332ha.  Afirma  também,  com  base  em  laudo  técnico  emitido  por  profissional  habilitado, que  a  área  ocupada com benfeitorias  é  de  317,0ha,  a  qual  foi  reconhecida  pela  Receita  Federal  em  relação ao exercício 2005.  Pretende,  com  base  nisso,  que  seja  considerada  aproveitável  a  área  de  528,77ha,  correspondente  à  área  total  de  1294,5ha  menos APP  de  448,7332ha  e  área  ocupada  com benfeitoria  de  317,0ha.  Alega que incorreu em erro de  fato no preenchimento da DITR  ao  informar  a  existência  de  225  cabeças  de  gado  quando,  na  realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças,  conforme  comprovam  os  formulários  de  controle  de  vacinação  do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que  a média de animais de grande porte no exercício em questão foi  de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de  gado  foram  informadas  na  DITR  do  imóvel  identificado  pelo  NIRF 61004274­9, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças.  Diante  disso,  a  área  de  pastagem  utilizada,  considerando  o  índice de lotação de 0,70, seria de 974ha.  Considerando que  ficou comprovada que a área aproveitável  é  de 528,77ha, o grau de utilização adotado no  lançamento deve  ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para  0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no  lançamento  de  961,5ha,  o grau  de  utilização  deve  ser  alterado  para  100%  à  vista  do  número  de  cabeças  de  animais  ora  comprovados.  Pedido  Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar  a  alegação  de  que  a  quantidade  de  cabeça  de  animais  apascentados  no  imóvel  era  682.  Para  tanto,  indica  perito  e  formula quesitos.  Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja  reconhecida  a  improcedência  do  lançamento,  cancelando­se  o  crédito tributário lançado.  A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a  impugnação.  Cientificada  da  referida  decisão,  por  via  postal,  em  21/10/2011,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  119,  a  contribuinte  apresentou,  em  21/11/2011,  recurso  voluntário,  fls. 120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação.  Em  sessão  plenária,  realizada  em  15/10/2013,  esta  Turma  converteu  o  julgamento  em diligência,  conforme Resolução  nº  2102­000.160,  cujo  dispositivo  está  assim  redigido:  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 167          5 Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  juntada  aos  autos  dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade  de  bovinos  e  equinos  apresentados  ao  CARF,  que  deverão  ser  auditados  pela  fiscalização.  Vencidos  os  Conselheiros  Núbia  Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam  as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto  vencedor  a  Conselheira  Alice  Grecchi.  Fez  sustentação  oral  o  Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484.  A autoridade  fiscal,  em atendimento à Resolução acima mencionada  juntou  aos autos Relatório de Diligência, fls. 226/228, cujo teor a seguir se transcreve parcialmente:  Análise  objetiva  dos  documentos  distribuídos,  pela  defesa  da  contribuinte,  junto  aos  memoriais  na  sessão  de  julgamento  de  15/10/2013 da 2ª  Turma Ordinária da  1ª Câmara do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais:  PLANTA DA FAZENDA SÃO MIGUEL, datada de 1968.  1. Foi apresentada à  fiscalização a planta original da Fazenda  São  Miguel,  datada  de  setembro  de  1968,  elaborada  pelo  Engenheiro Agrônomo Áureo Gonçalves Dias CREA nº 6566, de  propriedade  de  Nair  Heller  e  Zaira  Heller  Hulse,  situada  em  Araçá  –  Município  de  Barra  do  Ribeiro  e  Tapes,  da  qual  foi  anexada cópia aos autos.  2. Na planta original apresentada foi constatada a existência de  uma área denominada Bacia do Açude de 350 ha.  3.  Confrontando  a  planta  original  da  Fazenda  São  Miguel  apresentada à fiscalização em 30/06/2014 com o Mapa de Área  de  Preservação  Permanente,  datado  de  dezembro  de  2009,  elaborado  pelo  Engenheiro  Agrônomo  Rodrigo  Carneiro  Monteiro  CREA  65.586,  anexado  aos  autos  fls.97/98,  pode­se  afirmar conclusivamente de  tratar­se da mesma área,  tendo em  vista  a  similitude  dos  contornos  da Bacia  do Açude  de  350  ha  existente,  bem  como  a  denominação  das  fazendas,  acidentes  geográficos e municípios limítrofes destacados na planta.  4.  O  Projeto  de  um  Dique  de  Terra  e  Canal  de  Drenagem,  datado de janeiro de 1959, elaborado pelo Engenheiro Henrique  Kotzian  CREA  nº  1.165­D,  cuja  documentação  original  foi  apresentada  a  esta  fiscalização  em  30/06/2014  e  da  qual  foi  anexada  cópia  aos  autos,  corrobora  a  existência  do  referido  açude na Fazenda São Miguel em data anterior à consignada na  planta de 1968 apresentada.  FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO  DE GADOS  1.  Foram  apresentadas  duas  Fichas  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento, Departamento  de Produção Animal, Divisão  de  Fiscalização  e  Defesa  Sanitária  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 168          6 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas  e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento,  bem como data de protocolo ou qualquer outro  ateste com as Fichas originais.  3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria  Butiá  e  não  Fazenda  São  Miguel,  bem  como  o  endereço  consignado  nas  Fichas  é Estrada  09  e Estrada  02,  distância  e  localização  Guará,  diferente  do  endereço  da  Fazenda  São  Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do  Ribeiro­Tapes, município de Tapes/RS.  4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro  de  2004  tem  por  número  “62”,  já  a  Ficha  com  dados  de  dezembro  de  2005  tem  por  número  “55”,  assinalando  uma  contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos  públicos.  5.  A  contribuinte  Nair  Heller  de  Barros  não  apresentou  documentação  formal  que  consignasse  os  componentes  da  Parceria  Butiá.  Por  conseguinte,  embora  haja  coincidência  no  estoque  de  animais  de  grande  porte  em  31/12/2004  (1.768)  e  31/12/2005  (1.684),  constante  das  Fichas  de  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  com  o  somatório  do  estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006  dos  seguintes  contribuintes  Nair  Heller  de  Barros,  Carmem  Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de  Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja cópia  das  DIRPF  2006  foram  anexadas  aos  autos,  não  é  possível  concluir  de  tratar­se  do  mesmo  rebanho  de  animais,  por  ausência  de  documentação  formal  discriminando  os  componentes da Parceria Butiá.  Cientificada  do  teor  da  diligência,  a  contribuinte  assim  se  pronunciou,  fls. 231/255:  Diante de tais considerações do Fisco, a Requerente vem prestar  os  seguintes  esclarecimentos  adicionais,  bem  como  apresentar  cópia  original  e  autenticada  da  constituição  da  “Parceria  Butiá”, demonstrando a veracidade de tudo o quanto, até agora,  foi alegado, a saber:  a)  o  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento consta “Fichas de Vacinação” dos anos de 2002  (ano da constituição da Parceria Butiá) e 2004, conforme provas  anexas  (cópias autenticadas),  o que  corrobora a autenticidade,  também, das Ficha dos anos de 2005 e 2006.  b)  quanto  ao  fato  de  constar,  nas  referidas  Fichas,  o  nome  Parceria Butiá  e  não Fazenda São Miguel,  se  justifica  porque,  no  ano  de  2002,  foi  constituída  a  referida  Parceria,  conforme  prova  a  anexa  cópia  autenticada  do  Contrato  Particular  de  Constituição de Parceria, composto dos imóveis de propriedade  de  Nair  Heller  de  Barros,  Carmen  Heller  de  Barros,  Rodrigo  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 169          7 Correa  de  Barros,  Napoleão  Correa  de  Barros  Neto  e  Helena  Heller Domingues de Barros, co ms áreas nele discriminadas;  c)  já  no  que  se  refere  ao  endereço  constante  das  Fichas  de  Vacinação (Estrada 09 e Estrada 02 – Distancia e Localização  Guará),  trata­se  de  dados  preenchidos  pelas  autoridades  sanitárias, sem a ingerência do proprietário do gado. Entende a  Requerente,  contudo,  que  a  prova  documental  anexa,  dando  conta  da  efetiva  existência  da  Pareceria  Butiá,  constitui­se  na  demonstração  inequívoca  de  que  as  Fichas  de  Vacinação  comprovam a efetiva movimentação de gado tal como declarada  em  cada  ano­calendário,  como  estoque  inicial  e  estoque  final,  pelos parceiros;  d) de igual  forma, entende, a Requerente, ser  irrelevante o fato  de  constar  números  diferentes  (62  e  55)  nas  Fichas  de  Vacinação.  Como  dito  referidas  Fichas  são  preenchidas  pelas  autoridades  sanitárias,  não  havendo  nenhuma  ingerência  do  proprietário do gado, par tanto; e  e)  Entende­se,  comprovado  que  o  rebanho  de  gado  declarado  por Nair Heller  de Barros, Carmen Heller  de Barros,  Rodrigo  Correa  de  Barros,  Napoleão  Correa  de  Barros  Neto  e  Helena  Heller Domingues de Barros, é coincidente com o que consta nas  Fichas  de  Vacinação  e  que  a  sua  divisão  foi  feita  de  conformidade  com  o  que  ficou  estabelecido  no  Contrato  de  Parceria Rural que deu origem à Parceria Butiá. Como reforço  a tal argumento, a Requerente chama a atenção para o fato de,  numa das Fichas de Vacinação anexas, aberta no ano de 2002,  quando  foi  constituída  a  referida Parceria Butiá,  ter  constado,  no  alto  do  campo  esquerdo,  os  nomes  dos  seus  componentes,  apostos datilograficamente.  É o Relatório.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 170          8   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Preliminarmente, o contribuinte  suscita a nulidade do  lançamento, alegando  que  não  ficaram  configuradas  nos  autos  as  hipóteses  autorizadoras  para  o  arbitramento  do  Valor  da  Terra  Nua  (VTN),  que  não  constam  do  lançamento  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  infringidos  e  que  é  ônus  da  autoridade  fiscal  demonstrar  as  inverdades  dos  dados  declarados pelo contribuinte na DITR.  De pronto, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi  levado a efeito  por  autoridade  competente  e  dado  ao  contribuinte  o  direito  de  defesa,  no  momento  da  apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Tem­se, ainda, que na  lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas  no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN),  sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal.  E mais, na Notificação de Lançamento estão devidamente descritas todas as  infrações imputadas à contribuinte, com a competente descrição dos fatos e os correspondentes  enquadramentos  legais,  de  modo  que  não  pode  prosperar  a  alegação  da  defesa  de  que  não  constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos.  Por  fim, ainda no que tange a argüição de nulidade do  lançamento, deve­se  apreciar a alegação da contribuinte de que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades  dos dados declarados pelo contribuinte na DITR, em razão do disposto no parágrafo 7º do art.  10  da  Lei  nº  9.393,  de  19  de  dezembro  de  1996,  abaixo  transcrito,  e  também  de  que  não  ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN.  §7oA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de  que  tratam as alíneas "a" e "d" do  inciso II, § 1o, deste artigo,  não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo  de  outras  sanções  aplicáveis.(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.166­67, de 2001)  De pronto, cumpre dizer que o disposto no parágrafo acima transcrito refere­ se apenas às áreas de preservação permanente, de reserva legal e de servidão ambiental, não se  aplicando no que pertine ao VTN, sendo certo que no caso presente, no que concerne à área de  preservação permanente, restou evidenciado nos autos que a declaração da contribuinte não é  verdadeira, posto que existe nos autos laudo técnico fornecido pela contribuinte com indicação  de  área  de  preservação  permanente  com  dimensão  menor  do  que  aquela  indicada  pela  contribuinte em sua declaração.  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 171          9 Ainda sobre o  tema, deve­se observar o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de  outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN), que assim se refere à responsabilidade  de fazer prova para concessão da isenção de tributos:  Art. 179. A  isenção, quando não concedida em caráter geral, é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade  administrativa, em requerimento com o qual o  interessado faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos  previstos  em  lei  ou  contrato  para  sua  concessão.  (grifei)  (...)  Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em  que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos  seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142.  Art.  142  ­ Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  (...)  Art. 147 ­ O lançamento é efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  ­  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  §  2º  ­  Os  erros  contidos  na  declaração  e  apuráveis  pelo  seu  exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa  a que competir a revisão daquela.  No  mesmo  sentido,  o  artigo  150  estabeleceu  as  regras  que  norteiam  o  lançamento realizado por homologação.  Art.  150  ­ O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 1º  ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 172          10 § 2º  ­ Não  influem sobre a obrigação  tributária quaisquer atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º ­ Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  Dos artigos acima transcritos, verifica­se que o CTN, visando à simplificação  da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o  sujeito  passivo  prestaria  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  efetivação  do  lançamento  e  anteciparia  o  pagamento  do  tributo  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Tal modalidade  de  pagamento/lançamento,  denominada  de  lançamento  por  homologação,  hodiernamente,  compreende  quase  que  a  totalidade  dos  tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural.  Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao  contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis:  Art.  8º O  contribuinte  do  ITR  entregará,  obrigatoriamente,  em  cada  ano,  o  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR  ­  DIAT,  correspondente  a  cada  imóvel,  observadas  data  e  condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal.  § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua ­  VTN correspondente ao imóvel.  § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em  1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado  auto­avaliação da terra nua a preço de mercado.  §  3º  O  contribuinte  cujo  imóvel  se  enquadre  nas  hipóteses  estabelecidas nos arts. 2º e 3º  fica dispensado da apresentação  do DIAT.  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  Contudo,  a  sistemática  do  lançamento  por  homologação  não  dispensa  o  contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos  previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção.  Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a  isenção de caráter  especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição  do tratamento diferenciado.  Está  claro  que  o  parágrafo  7º  do  art.  10,  mencionado  pela  contribuinte,  apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, como necessários à  fruição  da  isenção  do  ITR.  Contudo,  inarredável  é  a  competência  da  autoridade  fiscal  para  solicitá­la,  posteriormente,  dentro  do  prazo  decadencial,  visando  a  verificação  do  correto  cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 173          11 Já no que concerne ao arbitramento do VTN assim está determinado no art.  14 da Lei nº 9.393, de 1996:  Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem  como  de  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto,  considerando informações sobre preços de terras, constantes de  sistema a  ser por  ela  instituído, e os dados de área  total,  área  tributável  e  grau  de  utilização  do  imóvel,  apurados  em  procedimentos de fiscalização.  No  presente  caso,  em  sua  DITR/2006,  a  contribuinte  informou  VTN  de  R$ 900.000,00  e  foi  intimada  a  fazer  a  comprovação  de  tal  valor,  durante  o  procedimento  fiscal,  conforme Termo de  Intimação Fiscal,  fls. 07/08, mediante a apresentação de  laudo de  avaliação  do  imóvel,  conforme  estabelecido  na  NBR  14.653  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  (ABNT),  com  fundamentação  e  grau  de  precisão  II  e  anotação  de  responsabilidade técnica (ART).  Encerrado o procedimento, sem que a contribuinte tenha apresentado o laudo  solicitado e verificado que o valor declarado pela contribuinte estava bastante inferior ao VTN  disponível no Sistema de Preço de Terras (SIPT), a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento  do valor da terra nua, fazendo uso de valor extraído do referido sistema.  Observe­se que a falta de comprovação do VTN declarado aliado ao fato de o  valor declarado pela contribuinte ser bastante  inferior àquele constante do SIPT caracteriza a  subavaliação e autoriza o arbitramento do VTN, tudo nos termos do disposto no art. 14, acima  transcrito.  Logo,  não  pode  prevalecer  a  alegação  da  contribuinte  de  que  não  ficaram  configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN.  Nestes termos, afasta­se a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela  defesa.  Prosseguindo,  passa­se  ao  exame  das  alegações  de  mérito  trazidas  pela  recorrente.  No  que  tange  a  área  de  preservação  permanente,  a  contribuinte  afirma que  com  base  em  georreferenciamento  realizado  no  imóvel,  concluiu­se  que  a  referida  área  tem  dimensão de 448,7 ha.  Conforme já dito neste voto, a contribuinte informou em sua DITR/2006 uma  área  de  preservação  permanente  de  700 ha.  Ocorre  que,  durante  o  procedimento  fiscal,  apresentou laudo técnico, fls. 28/31, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde  está atestada a existência de uma área de preservação permanente na Fazenda São Miguel de  333,0 ha, que foi a área acolhida pela autoridade fiscal no lançamento.  Nesse  ponto,  importa  observar  que  há  nos  autos  cópia  de  ADA,  fls.  13,  encaminhado  ao  IBAMA  em  31/07/2007,  onde  há  a  informação  de  área  de  preservação  permanente  de  700,0 ha,  sendo  certo  que  tal  ADA,  embora  intempestivo,  foi  acolhido  pela  autoridade fiscal.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 174          12 Quanto  ao  georreferenciamento  do  imóvel,  consta  nos  autos  a  cópia  da  correspondente  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica,  fls.  89,  e  mapa,  fls.  87,  também  assinado por engenheiro agrônomo em dezembro de 2009, onde consta um quadro que indica  área de preservação permanente de 448,7 ha, que não foi acolhido pela autoridade julgadora de  primeira instância em razão da intempestividade do ADA.  Ora,  veja  que  a  autoridade  fiscal  já  havia  acolhido  o  ADA  intempestivo,  sendo que a motivação  que  ensejou  a  glosa parcial  da  área de preservação permanente  foi  a  falta de comprovação da existência da referida área.  Nestes  termos,  diante  do  georreferenciamento  realizado  na  Fazenda  São  Miguel  em  data  posterior  à  execução  do  Laudo  Técnico,  deve­se  acolher  a  pretensão  da  recorrente  de  ver  reconhecida  para  fins  de  cálculo  do  ITR  devido  uma  área  de  preservação  permanente de 448,7 ha, posto que suprida a falta de comprovação da existência da área, que  motivou o lançamento.  Quanto  às  áreas  ocupadas  com  benfeitorias,  tem­se  que  a  glosa  se  deu  em  razão  da  falta  de  comprovação  da  existência  das  mesmas,  sendo  relevante  dizer  que  a  autoridade fiscal deixou claro na descrição dos fatos que, se existentes, fazer­se­ia necessária a  demonstração de que as benfeitorias fossem úteis e necessárias à atividade rural.  Quando da apresentação da impugnação a contribuinte juntou aos autos laudo  técnico,  fls.  83/85,  firmado  em  03/10/2007,  por  engenheiro  agrônomo,  onde  está  atestada  a  existência, na Fazenda São Miguel, de uma área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias  destinadas à atividade rural de 317,0 ha.  Tal laudo não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância por  referir­se  a  situação  do  imóvel  em  03/10/2007,  deixando  de  especificar  as  benfeitorias  existentes  no  ano  de  2006  e  também porque  o  laudo menciona  a  existência  de  barragem  de  300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006.  Da diligência  determinada por  esta Turma  restou  demonstrado  que  referida  barragem, com 300 ha, era pré­existente ao fato gerador do exercício 2006, contudo, não restou  demonstrado  nos  autos  que  referida  benfeitoria  fosse  útil  e  necessária  à  atividade  rural,  nos  termos  do  que  dispõe  os  arts.  10,  §  1º,  inciso  IV,  da  Lei  nº  9.393,  de  1996  e  o  art.  17  do  Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do Imposto Sobre a Propriedade  Territorial Rural):  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  (...)  IV ­ área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola,  pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas:  a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias;  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 175          13 (...)    Benfeitorias Úteis e Necessárias  Art. 17. Para fins do disposto no inciso II do art. 16, consideram­ se ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias (Lei nº 3.071, de  1º de janeiro de 1916 ­ Código Civil, art. 63):  I ­ as áreas com casas de moradia, galpões para armazenamento  da produção, banheiros para gado, valas, silos, currais, açudes e  estradas internas e de acesso;  II  ­  as  áreas  com  edificações  e  instalações  destinadas  a  atividades educacionais, recreativas e de assistência à saúde dos  trabalhadores rurais;  III  ­  as  áreas  com  instalações  de  beneficiamento  ou  transformação  da  produção  agropecuária  e  de  seu  armazenamento;  IV ­ outras instalações que se destinem a aumentar ou facilitar o  uso do imóvel rural, bem assim a conservá­lo ou evitar que ele  se deteriore.  Quanto à alegação da recorrente de que a área ocupada com benfeitorias de  317,0 ha  já  foi  reconhecida  pela  Receita  Federal,  em  relação  ao  exercício  2005,  conforme  consta assinalado na Notificação de Lançamento, fls. 90/91, tem­se que a contribuinte deixou  de  juntar  aos  autos  os  elementos  que  conduziram  a  autoridade  fiscal  naquele  caso  em  reconhecer a existência de tal área.  Nestes termos, deve ser mantida integralmente a glosa da área ocupada com  benfeitorias, posto que não restou demonstrada a necessidade e a utilidade de tal barragem para  a atividade pecuária desenvolvida pela recorrente no referido imóvel.  Por fim, a recorrente pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha  para 974 ha, dado que quando do preenchimento da DITR teria informado a existência de 225  cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças.  De  pronto  cumpre  dizer  que,  tratando­se  de  matéria  que  não  faz  parte  do  objeto da  autuação, oportuno observar o que diz a Medida Provisória no 2.189­49, de 23 de  agosto de 2001.  (...)  Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses  em  que  admitida,  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente apresentada, independentemente de autorização  pela autoridade administrativa.  Parágrafo  único. A  Secretaria da Receita Federal  estabelecerá  as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à  retificação de declaração. (grifei)  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 176          14 Considerando a legislação supra, resta evidente que o órgão julgador não é o  fórum adequado para o exame da questão, sendo certo que se poderia até admitir a retificação  da DITR, desde que a contribuinte demonstrasse, de forma inequívoca, que de fato incorreu em  erro de preenchimento.  Durante  os  procedimentos  da  diligência,  solicitada  por  esta  Turma,  a  contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação, fls. 177/181, esclarecendo que:  12 – Afora isso, em atendimento ao solicitado através do item 2  da  Intimação,  está  sendo  comprovada  a  efetiva  quantidade  média de animais de grande porte (bovinos e eqüinos), na área  de  pastagens,  através  da  “Ficha  de  Registro  de  Vacinação  e  Movimentação  de  Gados”,  do  Departamento  de  Produção  Animal – Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária Animal, da  Secretaria  de  Agricultura  e  Abastecimento  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul,  através  da  qual  é  possível  constatar  que  o  estoque inicial de animais de grande porte em 31/12/2004 era de  1886  cabeças,  e  que  este  estoque,  em  31/12/2005  era  de  1684  cabeças, com o que foi apurada uma média de 1735 cabeças.  13 – Do referido estoque, pertenciam á Intimada, 893 cabeças de  gado bovino,  em 31/12/2004  e  842  cabeças  da mesma  espécie,  em 31/12/2005, como declarado. As restantes cabeças de gado,  constantes da referida  ficha de Vacinação, pertenciam aos seus  filhos, como também declarado e indicado no já referido quadro  resumo. (...)  Observe­se  que  no  recurso  a  contribuinte  afirmou  que  teria  informado  a  existência de 225 cabeças de gado na DITR/2006, quando, na realidade, o rebanho apascentado  no imóvel seria de 682 cabeças. Já na resposta ao Termo de Intimação novamente modificou a  informação, dizendo possuir 893 em 31/12/2004 e 842 em 31/12/2005, que daria uma média de  867,5 cabeças de gado no ano de 2005, considerando­se apenas os estoques no início e no final  do ano.  Para comprovar suas alegações a contribuinte apresentou Fichas Registro de  Vacinação e Movimentação de Gados, fls. 183/186, e a autoridade fiscal assim se pronunciou  sobre as mesmas:  FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO  DE GADOS  1.  Foram  apresentadas  duas  Fichas  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento, Departamento  de Produção Animal, Divisão  de  Fiscalização  e  Defesa  Sanitária  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros.  2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas  e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam  carimbo  da  fiscalização  da  Secretaria  da  Agricultura  e  Abastecimento,  bem como data de protocolo ou qualquer outro  ateste com as Fichas originais.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 177          15 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria  Butiá  e  não  Fazenda  São  Miguel,  bem  como  o  endereço  consignado  nas  Fichas  é Estrada  09  e Estrada  02,  distância  e  localização  Guará,  diferente  do  endereço  da  Fazenda  São  Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do  Ribeiro­Tapes, município de Tapes/RS.  4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro  de  2004  tem  por  número  “62”,  já  a  Ficha  com  dados  de  dezembro  de  2005  tem  por  número  “55”,  assinalando  uma  contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos  públicos.  5.  A  contribuinte  Nair  Heller  de  Barros  não  apresentou  documentação  formal  que  consignasse  os  componentes  da  Parceria  Butiá.  Por  conseguinte,  embora  haja  coincidência  no  estoque  de  animais  de  grande  porte  em  31/12/2004  (1.768)  e  31/12/2005  (1.684),  constante  das  Fichas  de  Registro  de  Vacinações  e  Movimentação  de  Gados  com  o  somatório  do  estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006  dos  seguintes  contribuintes  Nair  Heller  de  Barros,  Carmem  Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de  Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja a cópia  das  DIRPF  2006  foram  anexadas  aos  autos,  não  é  possível  concluir  de  tratar­se  do  mesmo  rebanho  de  animais,  por  ausência  de  documentação  formal  discriminando  os  componentes da Parceria Butiá.  A despeito das justificativas deduzidas pela defesa depois de ser cientificada  do  referido Relatório  Fiscal,  fato  é  que  para  ter  sua DITR/2006  retificada,  necessário  seria,  conforme já aqui mencionado, que a contribuinte comprovasse, de forma inequívoca, o erro de  preenchimento da DITR.  Nesse sentido, deve­se observar o disposto no art. 25 da Instrução Normativa  SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002:  Art.  25.  Para  fins  de  cálculo  do  grau  de  utilização  do  imóvel  rural,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a menor  entre  a  efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente  entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de  lotação por zona de pecuária, observando­se que:  I  ­ a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela  soma  da  quantidade  média  de  cabeças  de  animais  de  grande  porte  e  da  quarta  parte  da  quantidade  média  de  cabeças  de  animais de médio porte existentes no imóvel;  II ­ a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da  quantidade de  cabeças  existente a cada mês dividido por doze,  independentemente do número de meses em que tenham existido  animais no imóvel.  §  1º  Consideram­se,  dentre  outros,  animais  de  médio  porte  os  ovinos  e  caprinos  e  animais  de  grande  porte  os  bovinos,  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 178          16 bufalinos,  eqüinos,  asininos  e  muares,  independentemente  de  idade ou sexo.  §  2º  Caso  o  imóvel  rural  esteja  dispensado  da  aplicação  de  índices  de  lotação  por  zona  de  pecuária,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a  área  efetivamente  utilizada  pelo  contribuinte para tais fins.  Do artigo acima transcrito resta evidenciado que para fins de cálculo do grau  de  utilização  do  imóvel  rural,  considera­se  área  servida  de  pastagem  a  menor  entre  a  efetivamente  utilizada  pelo  contribuinte  e  a  obtida  pelo  quociente  entre  a  quantidade  de  cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária.  Em  nenhum  momento  foi  comprovado  pela  contribuinte  qual  a  área  efetivamente utilizada.  E  mais,  a  quantidade  média  de  cabeças  de  animais  é  o  somatório  da  quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número  de meses em que tenham existido animais no imóvel e não a média entre o estoque de cabeças  de gado no  início e no  final do mês, sendo certo que a Ficha de Vacinação pode ser  tomada  como  prova  da  quantidade  de  gado,  desde  que  acompanhada  da Nota  Fiscal  de  compra  das  vacinas  ali  indicadas.  Como  bem  afirmou  a  autoridade  fiscal  tais  documentos  não  tem  assinaturas,  sendo  certo  que  as  informações  ali  contidas  não  se  prestam  para  demonstrar  de  forma inequívoca a área ocupada com pastagens.  Acrescente­se  que  a  contribuinte  juntou  aos  autos  cópia  do  Contrato  Particular de Constituição de Parceria, fls. 238/252, cuja Décima Primeira Cláusula esta assim  redigida:  Os  administradores  da  Parceria  comprometem­se  a  efetuar  um  balanço  físico  e  contábil de suas administrações a cada ano, dando ciência a cada um de seus integrantes.  Ora,  tratando­se  de  parceria,  cujo  único  objetivo  social  é  a  exploração  da  pecuária  e  levando­se  em  consideração  que  a  parceria  estava  sujeita  à  escrita  contábil  causa  bastante estranheza que a contribuinte não tenha lançado mão dos livros contábeis para fins de  demonstração dos estoques de cabeça de gado, preferindo fazer uso de Fichas de Vacinação,  sem assinaturas ou qualquer protocolo de recebimento e desacompanhadas das Notas Fiscais de  compras das vacinas.  Nessa  conformidade,  rejeita­se  o  pedido  de  retificação  da  DITR/2006,  solicitada pela contribuinte.  Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no  mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para  reconhecer, para fins de cálculo do  ITR  devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/2009­73  Acórdão n.º 2102­003.250  S2­C1T2  Fl. 179          17                 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA

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Numero do processo: 11070.722318/2011-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casa-separa”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casa-separa”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.629            2 Relatório  DO LANÇAMENTO   Trata­se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito  tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano­calendário de 2005, e a redução do  prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano­calendário de 2006.  Primeiramente,  alegou  que  a  recorrente  não  atendeu  de  forma  completa  a  intimação e  reintimação  realizada pela  fiscalização,  tendo em vista a  sua  repetida  e contínua  mora no fornecimento de documentos.  Os  autos de  infração decorreram da dedução de  amortização do ágio pago em  processo  de  reestruturação  societária  que  teve  como  participantes  os  grupos  Schneider  Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio.   Essa  reestruturação  teve  início  em  1979,  quando  a  John  Deere  se  associou  a  Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital  social da SLC S.A.  Indústria  e  Comércio, e teve a seguinte evolução temporal:  I­)  Foi  realizada  uma  reorganização  societária  em  1996,  que  fez  com  que  a  Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição  da holding John Deere Brasil Participações Ltda.  II­) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social  de  R$  100,00,  foi  constituída,  e  em  agosto  do  mesmo  ano  essa  passou  a  ter  como  sua  denominação social Evaux Participações S.A.  III­)  Em  25/6/1999,  mediante  a  emissão  de  621.321.825  ações  ordinárias  nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$  149.117.338,00.  As  ações  foram  subscritas  pela  Schneider  Logmann  S.A.  e  integralizadas  mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC ­ John  Deere S.A.  (antiga SLC S.A.  Indústria  e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do  capital social da SLC ­ John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do  capital remanescente.  IV­) Em 1999, a Deere & Company  (D&C) constituiu a John Deere do Brasil  Ltda.  (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita  integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o  valor  correspondente  a  R$  154.558.300,00.  Além  disso,  essa  ultima  foi  capitalizada  pela  1ª  empresa  em  mais  de  R$  155.451.600,00,  através  de  operações  de  empréstimos,  V­)  Em  30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a  emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas  e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de  emissão,  R$  72.775.246,00  foram  destinados  ao  capital  social  e  R$  232.767.654,00  foram  destinados à reserva de ágio para futura capitalização.  VI­)  A  JDB  contabilizou  como  ágio  o  valor  de  R$  156.425.562,00,  que  corresponde  à  diferença  entre  o  valor  integralizado  e  o  capital  na  Evaux,  fundamentado  na  expectativa  de  resultados  futuros  da  sociedade  SLC  –  John  Deere  S.A.  Além  disso,  a  integralização  das  ações  em  aumento  de  capital  realizada  pela  JDB,  teve  o  mesmo  valor  Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.630            3 patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no  capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio.  VII­) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de  Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John  Deere S.A.  VIII­)  Em  1/7/1999,  houve  AGE  da  Evaux  aprovando  o  protocolo  de  cisão  parcial  e  justificação.  Essa  cisão  foi  realizada  pela  versão  à  JDB  da  parcela  do  patrimônio  representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere  S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida  na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão.  IX­) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade  da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00.  X­) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB.   XI­) A Evaux não foi extinta.  Analisando  a  evolução  temporal  da  reestruturação  societária  ocorrida,  a  fiscalização extraiu algumas conclusões.  Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela  empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na  Evaux se originaram da primeira empresa.  Ainda  de  acordo  com  o  item  retromencionado,  afirmou  que  a  Schneider  Logemann  indicou  que  a  natureza  é  do  ágio  de  rentabilidade  de  exercícios  futuros,  não  observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A.  Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da  Lei 9.532/97, esse  indica que o ágio  foi, de  forma oportuna e deliberada, direcionado para o  fundamento  da  rentabilidade  de  exercícios  futuros,  de  modo  a  fazer  com  que  a  sociedade  incorporadora  pudesse  usufruir  do  expediente  legal  da  amortização  antes  da  realização  do  investimento que lhe deu causa.  Ainda  em  relação  ao  item  retromencionado  apontou  que,  tendo  em  vista  que  esse  contrato  estabelecia  a  forma  em  que  a  operação  de  subscrição  das  ações  deveria  ser  realizada,  é  possível  concluir  que  isso  foi  feito  de  maneira  premeditada,  com  o  intuito  de  transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC –  John  Deere  S.A.,  por  meio  do  pagamento  em  moeda  nacional  pela  sociedade  sediada  no  exterior.  Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que  essa  foi  mais  uma  operação  circunstancial  realizada  pela  recorrente  com  o  intuito  de  obter  vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência  de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de  cisão  deve  ser  submetida  à  deliberação  da  assembléia  geral  das  companhias  interessadas,  mediante justificação.   Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.631            4 Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere  S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de  R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os  reflexos dessas operações.  Apontou que a empresa  John Deere do Brasil Ltda. apenas  realizou operações  ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos  aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse  integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux.  Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no  que  tange  a  criação  da  John Deere  do Brasil  Ltda.  Isso  porque,  tendo  em vista  que  essa  foi  incorporada  pela  SLC  –  John  Deere  S.A.  antes  mesmo  de  ter  entrado  em  atividade,  resta  evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma  vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio  pago pela aquisição das ações da incorporadora.  Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os  artigos  7º  e  8º,  da  Lei  9.532/97  e  o  artigo  426  do  RIR.  Esse  ágio  registrado  por  ele  foi  amortizado nos anos­calendários posteriores à  incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o  montante  amortizado  corresponde  a  R$  101.676.615,26,  no  ano­calendário  de  2005  foi  amortizado  o  valor  de  R$  31.285.112,40,  e  no  ano­calendário  de  2006  o  valor  de  R$  23.463.834,31.  Apontou que  foi  aplicada  ao  caso  em questão  a multa de 150%, pois  todas  as  operações  societárias  realizadas  em  1999  pela  recorrente  relacionam­se  com  as  hipóteses  previstas  no  artigo  72  da  Lei  4.502/64  por  terem  sido  feitas  em  sequência  e  por  todo  o  instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade  de agir.  De  acordo  com  tudo  o  que  foi  exposto,  concluiu  que  o  ocorrido  no  caso  em  questão foi a operação denominada “casa­separa”, em que há várias sociedades envolvidas em  um  liame  negocial  societário,  de  modo  que  uma  sociedade  é  utilizada  como  veículo  de  transferência da participação societária e do preço pago pela  aquisição/transferência da outra  sociedade.  Essa  operação  tem  como  objetivo  evitar  a  tributação  do  ganho  de  capital  e  a  dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes  efeitos  no  presente  caso,  conforme  trecho  do  termo de  constatação  fiscal  infratranscrito  (fls.  2.883 e 2.884 e­processo):  “a)  na  referida  operação,  adquirente  (sociedade  sediada  no  exterior)  aporta  recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em  forma de empréstimos;  b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova  sociedade  interposta,  integralizaram,  respectivamente,  recursos  financeiros  e  participação  societária a ser transferida;  c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira  da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente  –  recursos  financeiros,  incorporando­se  tal  patrimônio  na  1ª  sociedade  interposta  (de  qual  foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta);  Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.632            5 d)  quando  do  aporte  de  capital  da  1ª  sociedade  interposta  (com  recursos  da  compradora) na 2ª  sociedade  interposta,  foi efetuado um cálculo de paridade de participação  societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na  aquisição  de  participação  societária  em  valor  igual  ao  ganho  de  capital  que  deixaria  de  ser  reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada;  e)  posteriormente,  a  1ª  sociedade  interposta,  que  apurou  ágio  na  aquisição  de  investimento e que mantinha empréstimos captados  junto à sua controladora,  foi  incorporada  pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada);  f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi  negociada)  passou  a  aproveitar  fiscalmente  a  despesa  com  o  ágio  apurado  em  suas  próprias  operações.”  Sendo  assim,  alegou  que  toda  a  reestruturação  societária  realizada  pela  recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos.    DA IMPUGNAÇÃO   Irresignada,  a  recorrente  apresentou  impugnação  de  fls.  2.970  a  3.034  (e­ processo).  Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos,  tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da  SLC  S.A.  Indústria  e  Comércio  para  fins  de  IRPJ  no  ano  calendário  de  2007,  e  estender  a  fiscalização  para  os  anos­calendário  de  2005  e  2006,  desrespeitou  o  artigo  10  da  Portaria  3.007/01.   Isso  porque  o  diploma  legal  mencionado  determina  que  se  houver  alterações  referentes  a  tributos  ou  contribuições  e  períodos  de  apuração  no Mandado  de  Procedimento  Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar.   Afirmou  que  a  fiscalização  realizou  um  juízo  pessoal  e  preconceituoso  ao  analisar  o  caso,  de  forma  a  tentar  induzir  a  opinião  das  autoridades  julgadoras,  e  que  as  sociedades  holding  que  participaram  das  operações  junto  à  recorrente  foram  criadas  em  concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico.  Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding  foram  criadas  apenas  com  o  intuito  de  reduzir  tributos,  afirmou  que  essa  alegação  significa  ignorar  o  objeto  social  próprio  dessas  empresas,  que  é participação  em  outras  sociedades.  E  que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor  forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o  que afronta ao princípio da livre iniciativa privada.   Consignou  que  a  recorrente,  assim  como  a  fiscalização,  quer  que  o  caso  seja  visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante  têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões  empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que  Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.633            6 as  operações  da  recorrente  foram motivadas  pelas  razões  empresariais  e  extra  tributárias  de  promover a expansão da atuação da D&C no país.  Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas  fábricas situadas em 17 países e  investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e  desenvolvimento de novos produtos.  Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de  seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país.  Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em  síntese, afirmou o seguinte:  I­)  Em  1979  a  D&C  iniciou  suas  atividades  no  Brasil  por  meio  de  uma  associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social  da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país,  as  duas  empresas  efetuaram  uma  reorganização  societária  que  trouxe  o  aumento  da  participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações  Ltda.  (empresa  holding).  Após  isso,  a  D&C  transferiu  a  sua  participação  na  SLC  à  JD  Participações.  Quanto  a  isso  colacionou  quadro  que  demonstra  como  era  a  organização  societária no final de 1996:    II­)  Apesar  de  em  1999  a  moeda  brasileira  estar  desvalorizada  e  haver  um  cenário  de  forte  instabilidade  econômica,  doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e  atrativo para as  empresas do setor, o que  fez com que a D&C realizasse operações  a  fim de  aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na  Economia Brasileira – 1994 a 1999”.  III­) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB),  que  era  controlada  também  pela  empresa  situada  no  exterior  Deere  Payroll  Services  Inc.  (DPS)  e,  no  ano  anterior,  a  Schneider  Logemann  também  havia  constituído a holding Evaux Participações S.A.  IV­) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter  a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última  empresa  a  controlada  de  duas  holdings  denominadas  JD  Participações  e  Evaux.  Ou  seja,  a  Schneider  Logemann  conferiu  ao  capital  da  Evaux  o  investimento  que  essa  tinha  na  SLC,  trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle  acionário da SLC neste período:  Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.634            7    V­) Em 28/6/1999,  o  capital  social  da  JDB  sofreu  um aumento  de R$ 100,00  para  R$154.558.300,00,  o  qual  foi  integralizado  integralmente  pela  D&C,  por  meio  do  Contrato  de Câmbio  99/003706,  no  valor  correspondente  a US$86.500.000,00,  recursos  que  efetivamente  entraram  no  Brasil.  Sendo  assim,  a  JDB  sofreu  um  aumento  de  capital  com  recursos integralizados pela D&C.  VI­) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a  D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$  155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a  atuação da D&C.  VII­) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em  aumento  de  capital  ocorrido  na  mesma  data,  emitiu  303.230.193  novas  ações  ordinárias  nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$  305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu  e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo  do controle acionário da SLC neste período:     VIII­) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da  Evaux,  que  fez  com  que  o  Grupo  John  Deere,  então  formado  pela  D&C,  DPS,  JDB,  JD  Participações  e SLC,  se  tornasse  independente  do  grupo  econômico  formado pela Schneider  Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em  que  foi  vertido  para  a  JDB  o  investimento  na SLC,  o  qual  justificou  o  ágio  pago  pela  JDB  mencionado  no  item  anterior.  Além  disso,  alegou  que  a  separação  desses  dois  grupos  econômicos  foi  o que motivou esta cisão, pois como a D&C era  líder mundial no campo do  agronegócio,  ela  poderia  atuar  de  forma  independente  no  Brasil.  Quanto  a  isso,  colacionou  quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão:  Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.635            8    IX­) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa,  que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e  teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C.  Essa  incorporação  fez  com  que  os  quotistas  da  JDB  recebessem  ações  representativas  do  capital  social  da  SLC,  que  passou  a  ser  controlada  pela  JD  Participações,  pela D&C  e  pela  DPS,  que  possuía  apenas  uma  ação  ordinária  nominativa  que  foi  transferida  à D&C.  Juntou  quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação:     X­)  Após  essas  operações,  a  SLC  passou  a  escriturar  em  seu  Balanço  Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou  a  ser amortizado de acordo com a  legislação e que  foi  fundamentado nas  razões econômicas  que o motivaram.  Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas  de  acordo  com  a  legislação  brasileira  e  que,  diferentemente  do  que  foi  afirmado  pela  fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa  até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto  a participação em outras sociedades.  Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para  facilitar  a  administração  dos  negócios  da  D&C  no  Brasil  e  gerar  maior  integração  entre  as  empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e­processo):  “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela  SLC  de  justifica  uma  vês  que  a  JDB  era  uma  holding  que  passou  a  controlar  apenas  a  SLC,  sendo  que  a  D&C  já  possuía  a  JD  Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de  modo  a  facilitar  a  administração  dos  negócios  da D&C  no  Brasil  e  gerar maior  integração  entre  tais  empresas,  a  incorporação  da  JDB  fez­se  necessária.  Importante  notar  que,  mais  uma  vez,  todos  esses  passos  foram  feitos  em  estrita  observação  da  legislação  brasileira  e  com completa transparência.”  Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.636            9 Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas  fizeram com  que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao  Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior  integração e unidade administrativa.  Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999  e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996.  Afirmou  que,  diferentemente  do  que  foi  alegado  pela  fiscalização,  essas  operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem  realizadas  dessa  forma.  Além  disso,  alegou  que  o  ágio  em  questão  originou  de  operações  verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a  fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro.  Alegou  que  como  os  autos  de  infração  referem­se  a  operações  ocorridas  no  período­base de 1999, essa autuação encontra­se atingida pela decadência, tendo em vista que,  nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato  gerador  da  obrigação  tributária,  bem  como  que  o  direito  à  amortização  do  ágio  nasce  no  momento da incorporação.   Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é  irrelevante  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  conforme  o  entendimento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda  que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência  de valores de  IRPJ e CSL referentes  aos  fatos geradores ocorridos no período­base de 2005,  está decaída.   Isso porque não houve dolo,  fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o  prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem  como tendo em vista que, segundo o Decreto­Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57  da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses  são  tributos  sujeitos ao  lançamento por  homologação.  Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez  que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e  que,  por  ter adquirido  essas quotas por um valor  superior  ao valor do patrimônio  liquido da  recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio  liquido da recorrente e em ágio.   Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a  conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição.   Apontou  que  a  JDB  adquiriu  a  recorrente  para  os  fins  do  artigo  7°  da  Lei  9.532/97,  que  não  determinou  uma  forma  específica  pela  qual  a  participação  poderia  ser  adquirida com ágio.  Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as  cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio.  Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.637            10 Alegou  que  a  cisão  parcial  com  a  versão  da  participação  retromencionada  representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB.  Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as  cotas  da  requerente  na  cisão  parcial  da Evaux  e  desdobrar  em  sua  contabilidade  o  custo  de  aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente  e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR.  Isso porque o valor de  mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido.   Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa  econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente.  Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o  artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o  ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à  incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos.   Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é  a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso,  colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander.  Aduziu  que  a  fiscalização  confere,  de  forma  equivocada,  uma  abrangência  estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que  isso  fosse correto, as operações em  exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos.   Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação  da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as  suas operações simuladas.  Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são  fraudulentas,  afirmou  que  essas,  por  serem  holding  puras,  possuem  apenas  participações  societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido,  colacionou doutrina.  Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, mesmo que  a Evaux e a  JDB fossem consideradas  empresas­veículos,  isso não seria  capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro  um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país.  Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve  um  planejamento  tributário,  mas  sim  uma  opção  fiscal,  na  qual  a  recorrente  optou  por  um  caminho plenamente regulado pela  lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica  para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John  Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante.  Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux,  a  fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios  jurídicos, pois o artigo 116 do CTN,  que  permite  a  desconsideração  nesse  caso,  não  é  auto­aplicável,  dependendo  de  regulamentação por  lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a  isso,  juntou jurisprudência.   Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.638            11 Aduziu  que,  uma  vez  que  a  substância  econômica  desse  caso  corresponde  ao  fato  de  que  a  D&C  aumentou  sua  atuação  no  mercado  brasileiro  por  meio  da  compra  do  restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for  analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente.  Evidenciou  que  a  fiscalização  não  autuou  a  recorrente  alegando  simulação  ou  abuso  de  direito,  mas  sim  dolo  e  fraude  ao  realizar  uma  reestruturação  societária  com  o  objetivo de obter benefício fiscal indevido.  Com  relação  à  aplicação  da multa  qualificada  no  valor  de 150% da  exigência  principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo  44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode  ser  fixada  dessa  maneira  nos  casos  em  que  a  fiscalização  provar,  de  forma  inequívoca,  a  ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso,  colacionou jurisprudência.  Além  disso,  apontou  que  a  constituição  da  JDB  e  da  Evaux  foi  realizada  de  acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento  e  não  sendo  caracterizada  a  simulação,  uma  vez  que  essa  teve  o  intuito  econômico  e  extra  tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil.   Aduziu  que  é possível  identificar  esse  intuito  através  da  análise  do  numerário  recolhido  pela  requerente  aos  cofres  públicos,  onde  no  ano­calendário  de  2001  foram  recolhidos R$  19.507.928,00  em  impostos  ao  fisco  sobre  suas  vendas,  e  R$  4.628.164,00  a  título de IRPJ. No ano­calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e  R$ 36.514.292,00, respectivamente.  Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além  de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual  da  penalidade  fiscal  deve  ser  definido  a  partir  de  um  juízo  valorativo  de  pertinência  e  de  adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência.    Afirmou que como a recorrente agiu de boa­fé e não houve erro de proibição,  deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou  jurisprudência.  Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da  imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a  aplicação dessa penalidade.   Além disso,  alegou que  o  artigo  112  do CTN deve  ser  observado,  de modo  a  fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos  de  dúvida  sobre  a  capitulação  legal  do  fato  e  da  natureza  ou  circunstâncias  desses.  Nesse  sentido, colacionou doutrina.  Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois  não  há  previsão  legal  da  atualização  das  multas  de  ofício,  bem  como  devido  ao  fato  de  o  dispositivo  que  embasa  o  entendimento  do  Fisco  é  expresso  no  sentido  de  que  apenas  os  débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis.   Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.639            12 Com  relação  à  aplicação  da  taxa  Selic,  alegou  ser  essa  indevida,  pois  a  jurisprudência  tem  reconhecido  a  sua  inaplicabilidade.  Quanto  a  isso,  colacionou  jurisprudência.   Por  fim,  requereu o  acolhimento  e provimento da  impugnação, de modo a  ser  reconhecida,  em  preliminar,  a  nulidade  dos  autos  de  infração  e  que,  se  essa  não  for  reconhecida,  seja  esse  declarado  improcedente,  cancelando­se  a  recomposição  dos  prejuízos  fiscais  e  da  base  de  cálculo  negativa  da  CSL  e  a  exigência  do  IRPJ  e  da  CSL.  Requereu  também que se  a  improcedência dos  autos de  infração não  for  reconhecida,  seja cancelada a  multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros  pela taxa Selic.    DA DECISÃO DA DRJ   Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de  Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter  os lançamentos, conforme o entendimento que se segue.  Inicialmente,  alegou  que  eventuais  vícios  presentes  no  Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo,  tendo em vista que esse é  um  ato  de  controle  interno  da  administração  tributária,  de  caráter  gerencial  e  utilizado  para  determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita  Federal do Brasil.   Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade,  corresponde  ao  fato  de  o MPF  ter  sido  criado  por  ato  infralegal,  de modo  a  fazer  com  que  eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o  lançamento propriamente dito,  já que  esses  são  regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72,  que  são  diplomas  normativos  de  hierarquia  superior  e  que  não  consideram  ser  o MPF  uma  condição de validade do lançamento.   Ainda  com  relação  ao  MPF,  afirmou  que  a  extrapolação  do  prazo  para  a  realização  do  procedimento  de  fiscalização  previsto  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso,  colacionou jurisprudência.  Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos­calendários de 2005 e 2006,  sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter  apurado  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSL,  não  estão  atingidos  pela  decadência.  Isso  porque,  como nesse  caso,  a  constituição  do  ágio  se  deu  de  forma  artificial,  simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado  o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que  a  fiscalização  tem  de  examinar  a  legalidade  de  todos  os  elementos  que  compõem  a  base  de  cálculo  do  período,  independentemente  do  período  transcorrido  entre  a  formação  desses  elementos  e  seu  aproveitamento. Além disso,  deve­se  também considerar que o  exercício de  um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não  Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.640            13 importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de  a fiscalização efetuar o lançamento.  Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa  é  feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente  legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial.  Afirmou  que  quando  o  ágio  foi  contabilizado  não  se  falava  em  ocorrência  do  fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em  31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo  nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração.  Aduziu que a  reestruturação societária em que a  recorrente participou  foi  feita  de  forma  artificial,  simulada  e  dolosa,  e  que  houve  um  planejamento  tributário  que,  aparentemente,  foi  realizado  sem  ferir  nenhuma  norma  legal,  mas  que  traz  em  seu  bojo  a  artificialidade  e  a  simulação,  devido  ao  fato  de  essa  ter  como  único  objetivo  a  redução  do  pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina.  Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento  de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que  haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de  incorrer­se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência.   Apontou  que  os  objetivos  fundamentais  da  República  Federativa  do  Brasil,  previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados  os  recursos oriundos da  tributação e que, para que  isso ocorra,  é necessário que os negócios  praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos,  sejam  combatidos.  De  acordo  com  isso,  citou  jurisprudência  e  realizou  uma  interpretação  comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países.  Aduziu  que  é  possível  observar  a  simulação  ocorrida  através  da  análise  da  composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha  40% do capital social da SLC e no fim, 100%.  Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a  Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de  amortização futura.  Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a  incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte  da D&C, de 100% do capital social da SLC.  Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386  do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte  foi  forjado com o  intuito  de gerar  um  ágio  interno  sem qualquer  suporte  econômico,  e que  a  autorização  legal  para  a  amortização  do  ágio  deve  ser  compreendida  dentro  do  contexto  histórico  em  que  foi  gerada.  Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida  pelo  artigo  386  do  RIR,  se  a  aquisição  das  ações  tivesse  sido  feita  pela  John  Deere  Participações Ltda. ou pela SLC.  Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.641            14 Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos  72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma  correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e  conluio, que são requisitos materiais para essa fixação.  Apontou  que,  de  acordo  com  a  Súmula  n°  4  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III,  da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os  valores do IRPJ e da CSL, está correta.  Aduziu  que  ,  tendo  em  vista  que,  até  o  presente momento,  não  foi  alegada  a  exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado,  não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso.  Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o  direito  tributário,  sendo  rejeitadas  as  preliminares  de  nulidade  e  de  decadência,  e  julgada  improcedente a impugnação, mantendo­se os lançamentos.     DO RECURSO VOLUNTÁRIO   Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls.  3.406 a 3.460 (e­processo), reiterando o alegado em sede de impugnação.  Afirmou  que  a  recorrente  não  questionou  a  extrapolação  do  prazo  para  a  realização do  lançamento pela  fiscalização, mas  sim a  alteração do objeto  e dos períodos de  análise  do  MPF,  que  passou  a  não  corresponder  com  o  objeto  e  períodos  iniciais  do  procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001,  traz como  conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar.  Por  conseguinte,  afirmou  que  ao  não  realizar  o  MPF  Complementar  a  fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração  à  legislação  tributária, deve efetuar o  lançamento do crédito  tributário de forma regular, com  estrita observação dos dispositivos legais.  Alegou  que  adquirir  participação  societária  com  ágio  é  uma  questão  factual  e  não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente,  não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do  ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto­ lei nº 1.598/77,  como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido  da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao  investimento que passou a deter na recorrente.  Apontou  que  a  fiscalização  não  questionou  o  efetivo  pagamento  do  ágio  pela  recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro.   Afirmou  também  que  o momento  da  incorporação  não  interfere  no  direito  da  recorrente ao ágio.  Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.642            15 Com  relação à  afirmação da  fiscalização no  sentido de que  se a  aquisição das  ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio  pago  não  seria  passível  de  dedução  na  forma  do  artigo  386  do  RIR,  alegou  que  essa  está  incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente  amortizado para fins fiscais nos termos da legislação.  Aduziu  que,  de  acordo  com  a  jurisprudência  e  a  doutrina  dominante,  o  ágio  gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para  fins  fiscais, mesmo  que esse não produza alterações de cunho contábil.  Consignou  que,  de  acordo  com  a  Lei  Complementar  104/2001  e  a  falta  de  regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação  da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas  suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor.   Por  fim,  requereu  que  seja  provido  o  recurso  voluntário,  de  modo  a  ser  reformada a  decisão  recorrida  e  reconhecida,  em preliminar,  a nulidade  do  auto  de  infração.  Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de  infração e todas as penalidades e juros aplicados.    É o relatório.  Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.643            16     Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  (fl.  3.405­ numeração do e­processo). Dele, pois, conheço.  Como se viu do relatório, a questão central em lide diz respeito à dedutibilidade  da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  participação  societária  na Evaux Participações  S.A., com fundamento econômico no investimento possuído pela Evaux, a SLC – John Deere  S.A. (atual John Deere Brasil Ltda., a recorrente).  Principio com o exame das preliminares de nulidade.  A recorrente alega que o MPF 1010800­2008­00548­3 fora emitido para análise  dos  efeitos  tributários  nas  ações  ordinárias  relativas  ao  “Plano  Verão”  (1989)  e  à  correção  monetária  diferença  entre  IPC  e  BTNF  para  fins  de  CSL  (1990).  Portanto,  seria  de  rigor  a  emissão de MPF Complementar (MPF­C), conforme o art. 10 da Portaria RFB 3.007/01, para a  fiscalização que culminou nos lançamentos referentes à glosa da amortização fiscal do ágio.  Eis a dicção do art. 7º, caput e §§ 1º a 5º, da Portaria RFB 11.371/07, vigente à  época do início do procedimento fiscal em discussão:  Art. 7º.O MPF­F, o MPF­D e o MPF­E conterão:  I ­ a numeração de identificação e controle;  II ­ os dados identificadores do sujeito passivo;  III ­ a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização  ou diligência);  IV ­ o prazo para a realização do procedimento fiscal;  V  ­  o  nome  e  a  matrícula  do  AFRFB  responsável  pela  execução  do  mandado;  VI ­ o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do  AFRFB  a  que  se  refere  o  inciso  V;  e  VII  ­  o  nome,  a matrícula  e  o  registro  de  assinatura  eletrônica  da  autoridade  outorgante  e,  na  hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato.  §  1º.  O  MPF­F  e  o  MPF­E  indicarão,  ainda,  o  tributo  ou  contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo  ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações  relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados  na  escrituração  contábil  e  fiscal  do  sujeito  passivo,  em  relação  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido  nos  cinco  anos  que  antecedem  a  emissão  do  MPF  e  no  Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.644            17 período  de  execução  do  procedimento  fiscal,  observado  o  modelo  aprovado por esta Portaria.  § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se  refere o § 1º será de dez anos.  § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o  MPF­F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros  períodos,  com  vista  a  verificar  os  fatos  que  deram  origem  a  valor  computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele  sejam decorrentes.  § 4º O MPF­D indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a  serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria.  §  5º.  O  MPF­E  indicará  a  data  do  início  do  procedimento  fiscal,  observado o modelo aprovado por esta Portaria.  [...]  Vale  lembrar  também o  que  dispunham os  arts.  8º,  11  a  14,  da  Portaria RFB  11.371/07,  os  quais  não  tiveram  seu  conteúdo  alterado  pela  superveniente  Portaria  RFB  3.014/11 (arts. 8º e 11 a 14):  Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo  ou  contribuição  contido  no  MPF­F  ou  no  MPF­E,  também  configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a  normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização,  independentemente  de  menção expressa.  [...]  Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:  I ­ cento e vinte dias, nos casos de MPF­F e de MPF­E;  II ­ sessenta dias, no caso de MPF­D.  Art.  12.  A  prorrogação  do  prazo  de  que  trata  o  art.  11  poderá  ser  efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias,  observado,  em  cada  ato,  o  prazo  máximo  de  sessenta  dias,  para  procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de  diligência.  Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se  o  do  vencimento, nos termos do art. 5º doDecreto nº 70.235, de 1972.  Parágrafo único. A contagem do prazo do MPF­E far­se­á a partir da  data do início do procedimento fiscal.  Art. 14. O MPF se extingue:  I  ­  pela  conclusão  do  procedimento  fiscal,  registrado  em  termo  próprio, com a ciência do sujeito passivo;  Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.645            18 II ­ pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12.  Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do  caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF.  Em  acesso  ao  site  da  RFB,  para  consulta  ao  MPF  10.1.08.00­2008­00548­3  (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp),  mediante  código  de  acesso contido no termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3), constatei o seguinte.  Trata­se de MPF­F emitido inicialmente para fiscalização de IRPJ do período de  janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. O MPF­F sofreu  inúmeras  alterações  –  um  total  de  15.  Muitas  delas  foram  para  mudança  dos  ARFB  responsáveis  pela  execução  do MPF­F,  outras  para  inclusão  de  PIS  e Cofins  do  período  de  setembro de 2004 a dezembro de 2004 e de CSL de janeiro a dezembro de 2007.  Constam alterações do MPF­F para inclusão do período de janeiro a dezembro  de 2006 e do período de janeiro a dezembro de 2005, para IRPJ.  Também  figura  a  relação  de  prorrogações  do  MPF­F  –  num  total  de  19  prorrogações  –  todas  dentro  do  prazo  previsto  no  art.  12  da  Portaria  RFB  11.371/07  e  da  Portaria RFB 3.014/11.  Significa  dizer,  o  MPF­F  em  questão  se  destinou  à  fiscalização  de  IRPJ  compreendendo os  períodos  autuados  de  2005  e  2006  (fls.  2942,  2949,  2950),  e  da CSL do  mesmos períodos (fls. 2952, 2958 e 2959), por força do art. 8º da Portaria RFB 11.371/07 e da  Portaria RFB 3.014/11.  Por  outro  lado,  a  análise  correspondente  aos  efeitos  tributários  gerados  pela  recorrente quanto às ações ordinárias se deu com base em outro MPF: o MPF­D (diligência)  1010800.2006.00270­3, como se nota do termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3).  Na linha das considerações expostas, rejeito as preliminares de nulidade.  A recorrente argui preliminar de mérito de decadência.  Os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/11/11 (fls. 2941 e 2951).  Como  o  ágio  em  dissídio  foi  pago  na  aquisição  de  participação  societária  ocorrida  em  1999,  alega  a  recorrente  ter­se  consumada  a  decadência  para  a  glosa  da  amortização fiscal do ágio de 2005 e de 2006.  Embora o ágio pago na aquisição do  investimento na Evaux  tenha se dado em  1999, o efeito tributário dele decorrente se dá com sua amortização.   Imagine­se  que  em 2010  tenha  surgido  lei  alterando  a  taxa de  depreciação  de  bens do imobilizado. Suponha­se que haja um ativo do imobilizado da recorrente adquirido em  1999. A nova taxa de depreciação não seria aplicável à parcela remanescente desse ativo, ou,  noutras palavras, à despesa de depreciação incorrida a partir de 2011 e à sua contrapartida de  depreciação acumulada não seria aplicável a nova taxa de depreciação legal? A resposta a essa  pergunta seria negativa,  i.e., seria aplicável a nova taxa de depreciação legal para as despesas  de depreciação incorridas e a serem deduzidas a partir de 2011.   Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.646            19 Não se haveria de falar em direito adquirido à depreciação, mas de respeito ao  ato jurídico perfeito. A proteção ao direito adquirido não se dá mediante a irretroatividade da  norma, mas por meio da eficácia diferida da norma revogada ou da chamada eficácia pós­ativa  da lei anterior. A proteção ao ato jurídico perfeito se dá por meio da irretroatividade da norma.  Tal proteção se daria no exemplo posto.  A decadência  também se opera em relação à despesa  incorrida de amortização  do ágio, ou à exclusão da parcela do valor do ágio do lucro líquido.   Dito melhor, o prazo decadencial para se lançarem os tributos toma como marco  a data da despesa incorrida e deduzida de amortização do ágio ou de exclusão do lucro líquido  de parcela do ágio ­ hipótese de ágio amortizado contabilmente antes do evento que permite a  dedução do ágio, e sem se se tenha ativado tal parcela no antigo ativo diferido e se lançado sua  contrapartida em aumento do PL.   Isso,  ainda que o motivo da glosa das  amortizações  fiscais do  ágio  tenha  sido  por ex. o vício genético que contamine o ágio (ágio interno artificial ou sem causa).   Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência sob o fundamento ora analisado.  Articula a recorrente, subsidiariamente, que se teria consumada a decadência em  relação aos  lançamentos de IRPJ e de CSL para o ano­calendário de 2005, por eles se  terem  aperfeiçoado em 23/12/11, com a aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN.  Aqui comparem dois pontos.   Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi  afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux.  No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do  CTN  só  é  aplicável  caso  haja  algum  pagamento  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação;  do  contrário,  o  prazo  decadencial  é  o  do  art.  173,  I,  do  CTN.  Entretanto,  o  mesmo  acórdão  do  STJ,  em  seu  dispositivo,  embora  faça  remissão  ao  art.  173,  I,  do  CTN,  proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do  fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial  é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado,  nem com o do art. 150, § 4º, do CTN.   Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do  CTN, inclusive com citações doutrinárias, parece­me que a melhor interpretação do dispositivo  do  acórdão  é  o  de  reconhecer  a  aplicabilidade  do  art.  173,  I,  nos  termos  do  CTN,  pois  a  literalidade  redacional  do  contido  no mesmo  dispositivo  não  tem  ponto  com  nenhum  termo  inicial algum previsto no CTN.  Logo, o primeiro ponto é o de que, mesmo que não haja simulação ou fraude,  para aplicação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN,  impõe­se haver a comprovação de algum  pagamento de IRPJ e de CSL.   As  fichas  11  e  16  da  DIPJ/06  indicam  haver  estimativa  de  IRPJ  a  pagar  em  janeiro e fevereiro de 2005 e estimativa de CSL a pagar nos mesmos meses; na ficha 12A da  DIPJ/06 é informada a dedução de IRRF por órgãos públicos federais; na ficha 17 da DIPJ/06 é  Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.647            20 informada a dedução de CSL na fonte por órgãos públicos federais e por entes privados; tudo  conforme fls. 2314 a 2323.  Antecipo que, para mim, as retenções de IRF e de CSL importam em pagamento  a que se referem o caput, e os §§ 1º e 3º do art. 150 do CTN. O informe de rendimentos é o  documento hábil e suficiente para dedução do IRRF, nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/99.  Mutatis mutandis, o mesmo vale para a CSL na fonte. Dedução do IRPJ é dizer pagamento de  IRPJ,  tal como o é o pagamento ou adimplemento de estimativa de  IRPJ, que é deduzido do  IRPJ. Igualdade de razões para a CSL.   Não há nos autos, porém, nenhum informe de rendimentos e de retenção de IRF  e de CSL, nem comprovantes de pagamentos de estimativas de IRPJ e de CSL.   De todo modo, esse ponto ganhará relevo jurídico no feito apenas se for afastada  a multa qualificada. Esse é o segundo ponto. O de que, para aplicabilidade do prazo do art. 150,  §  4º,  do  CTN,  impõe­se  inexistir  simulação  ou  fraude.  Como  houve  inflição  de  multa  qualificada, o exame da decadência dependerá do exame do mérito em sentido amplo, o que  inclui a multa.   Portanto, deixo a apreciação da questão da decadência quanto ao ano­calendário  de 2005, para depois do enfrentamento do mérito, caso não resulte prejudicada.  Passo ao exame do mérito.  Importa deixar claro os limites objetivos da lide.  No  item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999”  do Termo de Constatação Fiscal que integra os lançamentos constam os seguintes registros.   Que o laudo de avaliação produzido por empresa especializada, posteriormente à  aquisição do investimento na Evaux, cujo ativo era o investimento na SLC – John Deere S.A.,  foi  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  desse  último  investimento.  Que  a  natureza do  ágio  alegada  foi  a  rentabilidade  futura da SLC –  John Deere S.A.,  ignorando­se  qualquer parcela derivada de fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. E, nesse sentido, há  o  contrato  de  cessão  e  transferência  de marca,  de  30/6/99,  pelo  qual  a Schneider Logemann  S.A.  cede  gratuitamente  a marca mista  “SLC”  registrada  no  INPI  para  a SLC –  John Deere  S.A. Isso, nas fls. 2897 e 2898.  Esse  ponto  consta  somente  nessas  fls.  dos  autos  no  item  “6.  Das  operações  societárias realizadas pela contribuinte em 1999”, e num parágrafo do item “13. Conclusão”  (fl. 2936), do Termo de Constatação Fiscal.   O  item  “7.  Das  provas  identificadas  pela  fiscalização  no  contexto  das  operações  realizadas  e  sociedades  constituídas”  do  Termo  de  Constatação  Fiscal  foca  na  questão de como foram utilizadas as empresas Evaux e JDB consideradas veículos simulados  ou veículos abusivos.  O  item “8. Do posicionamento da  fiscalização a  respeito da  consideração do  propósito  negocial  para  determinação  dos  efeitos  tributários  das  operações  examinadas”  é  decorrência  do  consignado  no  item  “7”,  e  dá  o  fecho  conclusivo  sobre  as  citadas  empresas  veículos simuladas ou empresas veículos abusivas.   Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.648            21 O item “9. Da amortização do ágio apurado pela John Deere do Brasil Ltda. e  vertido  por  incorporação  para  a  contribuinte”  cuida  somente  dos  valores  amortizados  até  2004,  e  dos  valores  amortizados  nos  anos­calendário  de  2005  e  2006,  estes  objeto  das  autuações.  O  item “10.  Da  base  legal  relacionada  às  operações  societárias  realizadas”  traz as regras para amortização fiscal do ágio para concluir por sua inaplicabilidade. O item  “11.  Da  fundamentação  para  qualificação  das  infrações  e  para  extensão  do  período  de  fiscalização  para  o  ano­calendário  de  2005”  faz  remissão  ao  item  “7”,  para  qualificação  da  multa.   O  item  “12.  Da  condição  de  responsável  solidária  da  contribuinte,  na  qualidade  de  sucessora  por  incorporação,  e  de  beneficiária  das  vantagens  tributárias  auferidas  na  amortização  do  ágio  gerado  nas  operações”  versa  somente  sobre  a  responsabilização da recorrente.   Há  contradição  em  termos  nesse  item  ao  chamar  de  contribuinte  a  sucessora,  responsável.  Também,  ao  chamar  de  responsável  solidária,  na  inexistência  da  figura  da  contribuinte por incorporação. Se a incorporada era simulada, então, o caso seria simplesmente  de contribuinte, sem alusão à responsabilidade, seja por sucessão ou por outro modo. Apesar  disso, não diviso aí vício a vitimar os lançamentos.  Do  exame  integral  do  Termo  de  Constatação  Fiscal,  e,  principalmente,  da  análise  contextual  da  valoração  dos  fatos  feita  pelo  autuante,  concluo  que  o  motivo  das  autuações se fixa e se identifica nas questões referentes às empresas veículos. Vê­se que todo o  foco contextual está nessas questões.   Essa  é  a  conclusão  a  que  chego,  para  delimitação  da  lide.  Logo,  os  limites  objetivos da lide se estabelecem, a meu ver, nas questões das empresas veículos.  Posto isso, prossigo com a apreciação de tais questões.  Para  tanto,  recapitulo,  sinteticamente,  os principais passos das operações  até  a  amortização fiscal do ágio em dissídio:  a)  O grupo D&C (Deere & Company) do exterior passou a  investir no País  em  1979,  pela  associação  com  o  grupo  Schneider  Logemann,  com  aquisição de 20% do capital da SLC S.A. Indústria e Comércio;  b)   Em 1996, o grupo D&C ampliou sua participação na SLC S.A., para 40%,  e constituiu a holding John Deere Participações Ltda., que passou a ser a  investidora direta da SLC S.A.;  c)   Em  1998,  o  grupo  Schneider  Logemann,  por  meio  da  Schneider  Logemann  S.A.  (atualmente  com  denominação  de  SLC  Participações  S.A.) constitui a holding Evaux Participações S.A. Em 1999 (junho), foi  conferida  a  seu  capital  social  toda  a  participação  possuída na SLC S.A.  (então com denominação alterada para SLC – John Deere S.A.) –  i.e.,  a  Schneider  Longemann  S.A.  conferiu  ao  capital  da  Evaux  Participações  S.A.  toda  a  participação  societária  possuída  na  SLC  –  John Deere  S.A.  (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio);   Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.649            22 d)   Em  junho  de  1999,  o  grupo  D&C  constituiu  a  holding  John  Deere  do  Brasil  Ltda.,  capitalizando­a  em  R$  154.558.300,00,  e  lhe  emprestando  R$ 155.451.600,00;  e)   Com  tais  recursos,  em  30/6/99,  a  John  Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB)  promoveu  a  integralização  do  capital  que  subscreveu  na  Evaux  Participações  S.A.,  sendo  R$  72.775.246,00  destinados  à  conta  capital  social  e  R$  232.767.654,00  destinados  à  conta  de  reserva  de  ágio  em  reservas  de  capital  (PL)  da  Evaux.  No  caso,  a  JDB  pagou  R$  305.542.800,00  pela  participação  na  Evaux  (por  subscrição  e  integralização  do  capital),  sendo  R$  149.117.238,00  correspondentes  a  VP (valor patrimonial) e R$ 156.425.562,00 de ágio;  f)   Em  1/7/99,  houve  a  cisão  parcial  da  Evaux,  com  ruptura  do  quadro  de  acionistas,  sendo  vertido  todo  o  investimento  da  Evaux  na  SLC  ­  John  Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio) para a  JDB. Permaneceu como acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A.  (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.);  g)   No final de julho de 1999, a JDB foi incorporada pela SLC ­ John Deere  S.A.  (SLC  S.A.),  e  a  incorporadora  passou  a  ter  denominação  de  John  Deere Brasil Ltda. (a recorrente).  Nota­se  que,  ao  tempo  de  incorporação  da  JDB  pela  SLC  S.A.  (SLC  –  John  Deere S.A.), a JDB possuía participação de 100% do capital da SLC S.A.  De  início,  pontuo  que,  das  três  holdings  citadas,  crítica  ou  questionável  é  a  criação  da  Evaux  Participações  S.A.  Trata­se  de  sociedade  criada  em  10/7/98,  com  a  denominação  da  Aços  Planos  do  Sul  S.A.,  que,  em  31/8/98,  passou  a  ter  denominação  de  Evaux Participações S.A.  Em 25/6/99, o capital da Evaux Participações S.A. foi aumentado de R$ 100,00  para R$ 149.117.238,00, com emissão de 621.321.825 ações ordinárias, por conferência a seu  capital pela Schneider Logemann S.A. de 62.102.108 ações ordinárias da SLC – John Deere  S.A.  Isto  é,  toda  a  participação  que  a  Schneider  Logemann  possuía  na  SLC  (60%  de  seu  capital) foi transferida para a holding Evaux.  Em 30/6/99, o capital da Evaux foi novamente aumentado, desta vez subscrito e  integralizado  por  John  Deere  do  Brasil  Ltda.  (JDB),  em  dinheiro.  A  JDB  transferiu  para  a  Evaux  R$  305.542.800,00,  com  emissão  de  303.230.193  ações  ordinárias  (com  aumento  de  capital da Evaux de R$ 72.775.246,00; passou de R$ 149.117.338,00 para R$ 221.892.584,00).   Em 1/7/99, a Evaux sofreu cisão parcial  com ruptura do quadro de acionistas,  deixando de ser acionista da Evaux a JDB, para quem foi vertido o investimento na SLC – John  Deere S.A. (40% de seu capital), ficando a Schneider Logemann S.A. como única acionista da  Evaux, na qual ficaram os recursos transferidos pela JDB (R$ 305.542.800,00).  Esse desenho conspira para a configuração do chamado “casa e separa”, em que  uma  parte  fica  com  o  dinheiro  e  a  outra  com  o  bem  ou  direito,  para  se  evadir  de  ganho  de  capital  de R$ 156.425.562,00: diferença  entre R$ 305.542.800,00  (que  foram aportados pela  JDB para a Evaux) e o VP do investimento na SLC da Schneider Logemann S.A. (valor pelo  Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.650            23 qual  se deu  a versão do  investimento na SLC para  a Evaux,  e que era  seu valor  contábil  na  investidora Schneider Logemann S.A.).  Aqui se põe com toda a força de sentido uma razão negocial ou extrafiscal, para  que  o  “casamento”  fosse desfeito  no  dia  seguinte,  e,  ainda,  com cronologia  determinada  em  contrato, o que foi o caso – o contrato previa que a Evaux não poderia  inclusive  ter nenhum  outro ativo, nem passivo.   Diante  desse  cenário,  o  argumento  posto  pela  recorrente  de  que  se  intentou  a  separação dos dois grupos, a Schneider Logemann e a D&C, sendo essa a justificativa para a  cisão, depõe contra ela.   Esse ponto é crítico. Mas se cuida de questão que escapa a esta lide.  Por outro lado, em que pese a questão crítica do uso da Evaux para a chamada  operação “casa e separa”, não há como se negar que houve a aquisição do investimento na SLC  –  John Deere S.A.  (SLC),  com o aporte de dinheiro na Evaux. Não há como  se  recusar que  houve  a  aquisição  de  participação  na  SLC  (60%),  por  R$  305.542.800,00,  com  VP  de  R$  149.117.238,00 e ágio de R$ 156.425.562,00.  O que havia na Evaux era tão só o investimento na SLC (60% do capital dessa).  Logo, o valor patrimonial (VP) na Evaux era igual ao valor patrimonial na SLC; o ágio pago se  justificava no investimento na SLC.   O  valor  de  equivalência  patrimonial  (valor  patrimonial)  do  investimento  na  Evaux possuído pela JDB era o valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) na SLC  possuída pela Evaux: R$ 149.117.238,00. A diferença entre R$ 305.542.800,00 aportados pela  JDB e o valor patrimonial do  investimento na SLC (igual ao VP do  investimento na Evaux)  corresponde  ao  ágio  de R$  156.425.562,00  pago  com  fundamento  no  investimento  na  SLC.  Fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura expectada da SLC.  É  inolvidável  que  a  aquisição  de  60%  de  participação  na  SLC  (seu  valor  patrimonial era de R$ 149.117.238,00) se deu com pagamento de ágio de R$ 156.425.562,00.   A isso não interfere e nada tem de ver a chamada operação “casa e separa” à  qual o desenho  já exposto acusa. O ganho de capital decorrente da operação “casa e separa”  seria da alienante, Schneider Logemann S.A., ainda que eventualmente pudesse ser imputável a  responsabilidade solidária da JDB. Porém, isso é questão estranha ao nascimento e à higidez  do ágio pago na aquisição do investimento na SLC. Repito, não há como se escusar que houve  pagamento pela aquisição societária de terceiro, ou seja, houve pagamento de ágio legítimo na  aquisição de participação na SLC, que o justifica.  Com tal aquisição, a JDB passou a ter 60% da SLC e a outra holding da Deere  & Company, a John Deere Participações Ltda., ficou com 40% da SLC.  A John Deere do Brasil Ltda. (JDB) foi criada em 3/2/99, com denominação de  Sassatune  Comercial  Ltda.  Em  15/6/99,  suas  sócias  passaram  a  ser  a  Deere  &  Company  (D&C),  com  99  cotas,  e  a  Deere  Payroll  Services,  Inc.  &  Company  com  1  cota,  e  a  denominação foi alterada para John Deere do Brasil Ltda. Em 28/6/99, a John Deere do Brasil  Ltda.  foi  capitalizada  pela  D&C  em  dinheiro,  no  montante  de  R$  154.558.300,00  (correspondentes a US$ 86.500.000,00, conforme contrato de câmbio 99/003706). Também em  Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.651            24 junho de 1999, a John Deere do Brasil Ltda. obteve recursos do exterior (passivo) da D&C no  valor de US$ 87.000.000,00, correspondentes a R$ 155.451.600,00 em 31/7/99.  Relembra­se  que  a  aquisição  do  investimento  na SLC  pela  JDB,  por meio  da  aquisição  de  participação  na  Evaux,  ocorreu  em  30/6/99.  A  cisão  parcial  da  Evaux  (a  “separação”) ocorreu no dia seguinte, 1/7/99, com versão do investimento na SLC para a JDB,  deixando esta de ser acionista da Evaux – na qual ficaram os recursos nela aportados pela JDB,  permanecendo acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação  de SLC Participações S.A.).  Em 31/7/99 houve a  incorporação da JDB pela SLC, ocasião em que a Deere  Payroll Services, Inc. & Company cedeu sua única ação na SLC recebida com a incorporação  para a D&C.   Com  isso,  o  valor do  ágio  pago  na  aquisição  da SLC  foi  registrado  no  antigo  ativo diferido, para passar a ser amortizado fiscalmente.   Não entro no detalhe de constituição ou não de provisão no valor da diferença  entre  o  ágio  e  o  benefício  fiscal  de  sua  amortização,  para  registro  da  contrapartida  do  ativo  diferido pelo valor do benefício fiscal no PL, ou sem a provisão, com registro da contrapartida  do ativo diferido pelo valor total do ágio no PL. Aliás, na primeira alternativa, o que ocorrerá  para  a  investidora  da  incorporada  (e  que  passa  a  ser  a  investidora  da  incorporadora)  é  uma  redução no valor do investimento na incorporadora (pelo MEP); redução do valor patrimonial  na incorporadora.  Nota­se que  a D&C possuía outra holding,  a John Deere Participações Ltda.,  constituída em 1996, para a qual foi vertida a participação que a D&C tinha na SLC de 20%,  desde 1979. E em 1996, a holding recém constituída John Deere Participações Ltda. adquiriu  mais 20% de participação na SLC. Essa holding permanece até hoje, com 40% de participação  na John Deere Brasil Ltda. (atual denominação da SLC).  Se a capitalização para aquisição dos 60% na SLC tivesse se dado nessa holding  e  ela  tivesse  sido  incorporada  pela  SLC,  o  mesmo  ágio  seria  questionável  sob  motivo  de  empresa veículo simulada? Não vejo como se pudesse.  Qual a diferença entre  isso e a capitalização ocorrida em outra holding, a qual  adquiriu os  remanescentes 60% na SLC, com a  incorporação daquela por essa? Não consigo  divisar nenhuma diferença essencial.   Por questão de ordem lógica, se faz necessária a pergunta: se a D&C já possuía  uma  holding  desde  1996  que  tinha  a  participação  de  40%  na  SLC,  por  que  razão  ela  se  sujeitaria a questionamento?   De  forma  analítica,  a  D&C  constituiria  outra  holding,  capitalizando­a  para  aquisição dos 60%  remanescentes da SLC em mãos de  terceiro,  para  aquela  ser  incorporada  por essa, e sofrer questionamento fiscal, quando, se fizesse exatamente o mesmo, por meio da  holding existente desde 1996, a qual já possuía 40% da SLC, não se colocaria tal questão?   Não  me  parece  fazer  o  menor  sentido.  Justamente  porque  não  há  nenhuma  diferença entre as duas situações. Justamente porque não há razão para simular.   Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.652            25 É o art. 8º da Lei 9.532/97 que induz à confusão patrimonial por incorporação  reversa, ou cisão reversa, ao permitir a amortização fiscal do ágio. Dito de outro modo, a lei  diz “tanto faz” quem absorve quem, se a investidora incorpora a investida ou vice­versa. Note­ se  que  não  se  põe  aqui  a  questão  de  simulação  relativa  de  incorporação,  i.e.,  se  quem  efetivamente incorporou foi a declarada incorporada ou se foi mesmo a incorporadora.   Se a holding  existente desde 1996  tivesse  sido capitalizada para aquisição dos  60% da SLC e fosse incorporada por essa, e, ato contínuo, a D&C constituísse outra holding no  País,  transferindo  para  essa o  investimento  na SLC,  a  aquisição,  a  incorporação  reversa,  e  a  constituição  de  outra  holding  seriam  questionáveis?  Ou  melhor,  o  ágio  amortizado  seria  questionável? Não por empresa veículo simulada.   Na situação acima, ao invés de se constituir outra holding no País, se a operação  parasse na SLC, esta incorporando a holding existente desde 1996, mudaria algo? A resposta à  pergunta feita no parágrafo precedente seria outra? Não me parece ser possível.  Por um problema de ordem lógica é que faço a colocação de tais perguntas ou  questionamentos.   Repiso. É a lei que diz expressamente que até mesmo por incorporação reversa  ou por cisão reversa é permitida a amortização fiscal do ágio – sob fundamento econômico da  perspectiva de  rentabilidade  futura. Abstraia­se a questão do  fundamento econômico do ágio  para o que ora se acentua.   A  dedução  da  amortização  do  ágio  é  um  benefício  fiscal,  assim  entendo, mas  concedido  inclusive  com  indução  de  comportamento,  exigindo­se  somente  a  confusão  patrimonial.  Por aí se vê que, com a devida vênia, não há como se sustentar o argumento do  órgão julgador de origem de que, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela própria SLC –  John  Deere  S.A.  ou  pela  John  Deere  Participações  Ltda.,  o  ágio  não  seria  passível  de  amortização fiscal.   Acabamos de ver que se a John Deere Participações Ltda., existente desde 1996  e  que  possuía  40%  das  ações  da  SLC,  fosse  a  adquirente  das  ações  da  Evaux,  e,  pois,  a  adquirente de 60% das ações da SLC, o ágio  seria passível de amortização  fiscal. Claro que  com a incorporação da John Deere Participações Ltda. pela SLC (incorporação reversa) ou com  a incorporação da SLC pela John Deere Participações Ltda.   Já, a SLC – John Deere S.A. (ou simplesmente SLC) jamais adquiriria as ações  da Evaux, por uma razão elementar:  isso implicaria participação recíproca ou o equivalente à  aquisição das próprias ações para registro em tesouraria. Isso seria descapitalizar a SLC, ainda  que momentaneamente.   Mesmo na hipótese acima, em que a participação seria registrada a débito no PL  (e  não  como  ativo)  na  SLC  –  John Deere  S.A.,  quando  ela  voltasse  a  ser  capitalizada,  i.e.,  alguém adquirisse essa participação societária, e pagando ágio, a partir do momento em que a  adquirente,  por  ex.,  fosse  incorporada  pela  investida,  o  ágio  pago  nessa  aquisição  seria  amortizável fiscalmente. Isso, na medida em que o fundamento econômico do ágio tenha sido a  rentabilidade futura expectada da SLC, e desde que o adquirente não seja controladora da SLC,  pois estamos tratando de um novo ágio.   Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.653            26 Daí as colocações feitas serem necessárias, a meu ver, para equacionamento de  um problema de ordem lógica.  Na  linha dessas  considerações,  a holding  JDB  foi  capitalizada  com dinheiro  e  adquiriu  com  ágio  60%  de  participação  na  SLC.  Praticamente  um  mês  depois  seguiu­se  a  incorporação reversa ­ incorporação da JDB pela SLC.   É o art. 8º da Lei 9.532/97.  E  é  sabido  que  a  Lei  9.532/97  induz  comportamentos  dessa  forma,  para  estimular  investimentos no País, seja por empresas nacionais, seja por empresas estrangeiras,  com a concessão do tratamento de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos  no  País.  Benefício  fiscal  estimulado  pela  lei.  Não  havendo  interesse  nisso,  há  o mecanismo  constitucional e político: revogue­se a lei.   Se  é  a  lei  que  induz  e  permite  a  amortização  fiscal  do  ágio  com  a  confusão  patrimonial,  como poderia  o  investidor  estrangeiro  exercer  esse  estímulo  concedido  pela  lei,  sem uma empresa no País para adquirir o investimento (no País)?   A  lei não  vedou; pelo  contrário, estimulou.  E  o  fez  sabidamente  incluindo  os  investimentos estrangeiros no País – dificilmente alguém negará isso.  Ou,  ainda,  em  outras  palavras,  a  lei  não  exige  que  uma  empresa  operacional  adquira  outra  com  ágio  para  que  este  seja  amortizável  fiscalmente,  com  a  incorporação  da  investidora  pela  investida  (incorporação  reversa)  ou  por  incorporação  da  investida  pela  investidora.  Cito, v.g., nesse sentido, excertos do voto condutor do ilustre Conselheiro Rafael  Correia Fuso, no Acórdão nº 1201­00.689, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de  Julgamento do CARF, em decisão unânime:  ­ Tanto é que após a constituição de uma nova sociedade com as ações  da  Celpe  na  empresa  veículo,  esta  foi  incorporada  pela  Celpe,  deixando de existir, demonstrando que a Neoenergia manteve­se como  controladora  da  Celpe,  que  fora  privatizada  para  manter­se  na  sua  atividade  de  distribuição  de  energia  na  região  do  Estado  de  Pernambuco;  [...]­ O Resultado,  tanto pela incorporação às avessas pela Celpe das  empresas controladoras, que  formaram o novo grupo de  investidores,  quanto  após  a  criação  da  empresa  veículo  Leicester  seria  o mesmo  [observamos,  foi  usada  a  empresa  veículo  Leiceiter,  que  fora  incorporada  pela  Celpe],  qual  seja  o  aproveitamento  do  ágio  pela  empresa  privatizada,  sob  o  fundamento  trazido  no  artigo  386  do  RIR/99,  visto  que  na  operação  que  gerou  o  ágio  existe  laudo  de  rentabilidade  futura  mencionado  no  próprio  Edital,  elaborado  pelo  Governo,  que  impôs  preço  mínimo  para  a  aquisição  da  empresa  estatal; (destacamos)  Repito. O problema foi o uso da Evaux para o que conspira a operação “casa e  separa”. Porém, essa é questão fora da lide e que não contamina a aquisição do investimento  subjacente, o investimento na SLC.  Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.654            27 Por força do que ficou deduzido neste voto, dou provimento ao recurso quanto à  amortização fiscal do ágio.  Ainda que se ultrapasse esse juízo, não vejo, pelas mesmas razões expendidas,  como se possa qualificar a multa.  Como deduzi  alhures,  havendo  a holding  John Deere Participações Ltda.,  que  possuía 40% de participação da SLC – John Deere S.A. desde 1996, não há razão para abuso  nem razão para simular.  Ainda mais  se considerarmos a  jurisprudência da época dos  fatos  em dissídio,  1999, no máximo se poderia cogitar de erro de proibição, diante da visão diferente dos fatos  nessa época.  Enfim,  desnecessárias  mais  palavras  para  se  concluir  que  não  há  elemento  subjetivo do tipo para qualificação da multa.   Por  conseguinte,  sobre  essa  questão  dou  provimento  ao  recurso  para  afastar  a  inflição da multa qualificada.  Não vejo  necessidade  de  enfrentar outra  questão  prejudicada,  a  da  decadência  dos lançamentos relativos ao ano­calendário de 2005.  Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso.  É o meu voto.  Sala das Sessões, em 3 de fevereiro de 2015   (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos  Em  seu  brilhante  voto,  o  Eminente  Relator  deu  provimento  ao  recurso  voluntário quanto à amortização fiscal do ágio e entendeu prejudicada, portanto, a análise da  decadência.   Tendo em vista,  porém,  a possibilidade de os membros desta Turma  julgarem  indedutível  a  despesa  correspondente  à  amortização  do  ágio,  entendo,  com  a  devida  vênia,  necessário analisar esse argumento da recorrente (decadência).  Por  força  do  art.  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF,  é  imperiosa  a  observância,  pelos membros deste Conselho, do entendimento adotado pelo STJ no julgamento do Recurso  Especial  nº  973.733,  considerado  representativo  de  controvérsia,  segundo  o  qual  o  prazo  decadencial,  em  relação  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  será  regido  (i)  pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii)  Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/2011­07  Resolução nº  1103­000.167  S1­C1T3  Fl. 3.655            28 pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou  (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas  constatada  a prática de dolo,  fraude ou  simulação.  Filio­me ao entendimento do Eminente Relator de que as  retenções de IRRF e  de CSLL­fonte configuram pagamento para fins de aplicação do §4º do art. 150 do CTN, pois  permitem  ao  Fisco  ter  ciência  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  IRPJ  e  da  CSLL,  respectivamente.  O  mesmo  se  diga  em  relação  às  estimativas  mensais  recolhidas  pelo  contribuinte optante pelo lucro real anual.  Conforme  consignado  no  voto  condutor,  não  foram  acostados  a  estes  autos  informes  de  rendimentos  indicando  retenções  de  IRRF  e  de  CSLL­fonte  sofridas  pela  recorrente, tampouco comprovantes de pagamento de estimativas mensais de tais tributos.   Deve  ser  observado  que,  embora  tenham  sido  apurados  prejuízo  fiscal  (fls.  2313),  base  de  cálculo  negativa  da CSLL  (fls.  2323)  e  saldo  negativo  de  IRPJ  e CSLL  (fls.  2318  e  2323)  no  ano­calendário  de  2005,  as  fichas  11  e  16  da  DIPJ  2006  indicam  ter  sido  efetuados  recolhimentos de  IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de  janeiro e  fevereiro de  2005. Ademais, e conforme consignado no voto do Ilustre Relator, nas fichas 12A e 17 da DIPJ  2006 foram informadas as deduções de IRRF e CSLL por órgãos públicos federais e por entes  privados (fls. 2314 a 2323).  Tais  informações  inseridas  na  DIPJ  não  são  suficientes  para  demonstrar  que  houve  efetiva  antecipação  de  IRPJ  e  CSLL  no  ano­calendário  de  2005,  o  que  atrairia  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN.  Configuram,  porém,  forte  indício  da  existência  de  pagamento parcial.  Diante  desse  forte  indício,  voto  pela  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB):  a)  informe  se  a  contribuinte  realizou  recolhimentos  de  IRPJ  e  CSLL  (devidos  por  estimativa mensal ou no ajuste anual) e, ou, sofreu retenções de IRRF e CSLL­fonte  no ano­calendário de 2005;  b)  cientifique  o  contribuinte  sobre  o  resultado  da  diligência,  para,  se  assim  desejar,  apresentar manifestação limitada às informações constantes do respectivo relatório, no  prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e  c)  findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento.    (assinado digitalmente)  Breno Ferreira Martins Vasconcelos      Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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Numero do processo: 10380.904539/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva - Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler - Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 211          1 210  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.904539/2009­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.599  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2015  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  DAFONTE VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2005  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.  O  Per/DComp  somente  pode  ser  retificado  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontre pendente de decisão  administrativa  à data do  envio do documento  retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que  restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em  Per/DCTF,  evidenciado  através  das  informações  contidas  em DIPJ  anterior  ao Dcomp.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  ANALISADO.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  RETORNO  DOS  AUTOS  COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Em  situações  em  que  restou  superado  o  fundamento  da  negativa  de  homologação  da  compensação,  a  unidade  de  origem  deve  proceder  à  nova  análise  do  mérito  do  pedido,  verificando  a  existência,  suficiência  e  disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados  com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo­ se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de  não homologação total.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 39 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 212          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    [assinado digitalmente]  Carmen Ferreira Saraiva ­ Presidente      [assinado digitalmente]  Ricardo Diefenthaeler ­ Relator    Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Ricardo  Diefenthaeler,  Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada  em  face  do  acórdão  proferido  pela  DRJ  a  quo,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  de  nº  02990.23404.280706.1.3.04­9197,  transmitida  eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL) ­ Resultado Ajustado ­ Ajuste Anual.   Como relata a decisão  recorrida, na  referida Dcomp, "o contribuinte alegou  ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 24/02/2006, no valor principal de R$  22.107,14 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial,  no limite do valor de R$ 22.328,21, com débitos totalizando R$ 22.591,68 (fls. 5)".   O Despacho Decisório  considerou  improcedente  o  crédito  declarado,  sob  a  seguinte fundamentação:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  alegou  a  ora  recorrente  que  possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de  tributo, assinalando que o valor  informado em DCTF é maior do que o valor devido.  Apreciando  o  recurso,  a  Turma  Julgadora  da  DRJ  a  quo  entendeu  que  a  contribuinte  não  apontou  a  origem  do  erro  e  não  demonstrou  sua  existência,  julgando  improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Ano­calendário: 2005   COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 213          3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado,  mormente  diante  da  inconsistência  entre  as  informações  por  ele  prestadas  à  Administração Tributária.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada da decisão  em 13/8/2013  (fls.  117),  a  interessada apresentou o  presente recurso em 12/9/2013 (fls. 119 e seguintes), tempestivamente, portanto.   Assevera, em síntese, o que segue:  a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o  PA 12/2005 a maior do que o devido;  b) que o  valor  correto  foi  informado na DIPJ,  tendo  a  recorrente  entendido  que assim estaria corrigido o erro;  c) que  a DCTF  somente  foi  retificada  em momento  posterior  ao  Despacho  Decisório,  observando  que  a  IN  SRF  nº  600,  de  2005,  não  veda  a  retificação dessa declaração nesse momento;   d) que  para  "confirmar  de  forma  irrefutável"  o  crédito  reclamado,  juntou  cópia  da  DIPJ,  das  DCTFs  Original  e  Retificadora,  dos  DARFs  e  do  LALUR, que comprova a base de cálculo do período;  e) que os princípios da verdade material e da boa­fé objetiva  concorrem no  sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito  de  CSLL  relativa  ao  AC  2005  (código  de  receita  6773  ­  "CSLL  ­  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS  ­  DECLARAÇÃO DE AJUSTE"),  que  alega  ter  recolhido  com  erro,  a  maior.  Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68.   Relata  que,  embora  tenha  informado  o  último  valor  em  DCTF,  posteriormente  constatou  o  erro  a  partir  de  análise  mais  detalhada  da  sua  escrita.  O  valor  correto  foi,  então,  informado  em  DIPJ,  julgando  a  recorrente  que  esse  procedimento  era  suficiente  para  corrigir  a  informação.  Somente  depois  de  tomar  conhecimento  da  não  homologação da compensação fez a retificação da DCTF.  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 214          4 A decisão a quo assinala que a recorrente limitou­se a  informar que o valor  correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim,  que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente,  não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula  de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado".   Ocorre,  no  entanto,  que  o  fato  de  constar  em  DIPJ  apresentada  em  28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL ­ Ajuste Anual no  valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 ­ fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de  que  entendeu  ser  suficiente  a  informação  em DIPJ,  daí  a  não  retificação  da DCTF  antes  do  despacho decisório. Veja­se, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise  da  Dcomp  faz  o  cotejo  do  pagamento  de  que  se  origina  o  crédito  a  compensar  com  a  informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ.  Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer  que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de  apuração  constatado  e  corrigido  com a  apresentação  da DIPJ,  anteriormente,  como  se  viu,  à  Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado  anteriormente qualquer outro valor  em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito,  sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até  mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada.   Não  obstante  o  caráter  de  confissão  da  DCTF,  a  exatidão  dos  valores  envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na  fase  de  julgamento,  seja  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  seja  para  preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou,  ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo.  De  outra  banda,  se  a  norma  tributária  veda  a  retificação  da Declaração  de  Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para  a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à  época  da  retificação  da  DCTF  do  2º  Trimestre  de  2005  (a  retificadora  foi  entregue  em  19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  serve  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  vinculados.  Conclusão   Em  face  do  exposto,  voto  por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso  voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente  processo, abstraindo­se do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido.  Devem  os  débitos  compensados  permanecer  com  a  exigibilidade  suspensa  até  a  prolação  de  nova  decisão,  concedendo­se  ao  sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação  total  das compensações promovidas.    [assinado digitalmente]   Ricardo Diefenthaeler  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/2009­11  Acórdão n.º 1803­002.599  S1­TE03  Fl. 215          5                           Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER

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