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Numero do processo: 15586.721262/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.721262/201297 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.447 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2015 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FUNDAÇÃO SÃO JOÃO BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 21 26 2/ 20 12 -9 7 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 671/677, insurgindose contra o Acórdão de nº 1258.694 (fls. 660/667) proferido pela 14ª Turma da DRJ/RJ1, que manteve a exigência consubstanciada no presente PAF. Segundo o relatório fiscal de fls.36/52, a ação fiscal foi realizada com o objetivo de verificar a existência (preenchimento) dos requisitos para o gozo da isenção das contribuições previdenciárias patronal, bem como a regularidade dessas contribuições. Afirma o autuante em seu relatório que a Contribuinte é sociedade civil estatutária, de caráter beneficente, de fins filantrópicos, fundada em novembro de 1963 e tem como atividades: · Criar, instalar e manter estabelecimento de ensino, sem finalidade lucrativa, embora venha a manter cursos remunerados, de forma a elevar o nível cultural da região; · Criar e manter serviços educativos mais ajustados aos interesses e possibilidade dos estudantes, bem como as reais condições e necessidades do meio, inclusive com esclarecimentos à opinião púbica sobre as vantagens asseguradas pela boa educação; · Criar e manter serviços de radiodifusão educativa e comunicação em geral; · Aplicar integralmente suas rendas, recursos e eventuais resultados operacionais na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais no território nacional; A fiscalização informa que houve apresentação pelo contribuinte de uma série de documentos com o objetivo de demonstrar que se tratava de entidade de fins filantrópicos fls. 36/38 do relatório fiscal. Foi constatado pela fiscalização que, no processo nº 13770.000986/200812, foi cancelado o reconhecimento do direito à isenção, com a emissão de Ato Cancelatório e consequente ação fiscal para lançamento do respectivo crédito previdenciário. Em razão do referido ato, a fiscalização entendeu que no período em que a Lei 8.212/91 esteve vigente, a entidade não gozava da isenção das contribuições previdenciárias patronais, bem como as devidas a outras entidades ou fundos. Conforme item 3.1.8 do relatório, a fiscalização entendeu ainda que em 2008 a entidade continuou não atendendo aos requisitos básicos para usufruir da isenção por não apresentar a Certidão de Regularidade perante o Prouni relativo ao ano de 2008 (solicitada em TIF próprio), o que levou ao cancelamento do direito de isenção das contribuições patronais previdenciárias. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 4 3 Através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.0568 e 37.390.8806 que compõem o presente PAF, a fiscalização afirma ter efetuado a cobrança das contribuições que passaram a ser devidas com a perda do benefício da isenção pela entidade (patronal + terceiros). No item 3.2 e seguintes de seu relatório fiscal, a autoridade autuante disserta sobre a Previdência Privada contratada pela entidade junto a Porto Seguro Vida e Previdência S/A em 31.07.2007. Afirma o fiscal que a entidade não preencheu todos os requisitos contidos no art. 28, inciso I, § 9º alínea “p” da Lei 8.212/1991, tendo em vista que o plano não estava disponível a todos os empregados, elaborando planilha comparativa em seu relatório acerca da quantidade de empregados abrangidos ou não pelo plano. Prossegue o fiscal afirmando que em razão do não preenchimento dos requisitos, restou igualmente configurado o descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não informar a totalidade de fatos geradores em GFIP. Afirma ainda que a autuada não recolheu sequer as contribuições dos segurados (que devem ser recolhidas pelas entidades beneficentes em gozo de isenção). Assim, através dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.347.0568, 37.390.8792 e 37.390.8806, foram feitos lançamentos referentes às contribuições (patronal, terceiros e segurados empregados) incidentes sobre as remunerações recebidas a título de previdência privada. No item 5 do relatório fiscal, a autoridade autuante traz as informações gerais dos DEBCAD’s contidos no presente PAF, vejamos: · AI/DEBCAD n° 37.347.0568 – item 5.1 – referese às contribuições previdenciárias não declaradas GFIP, a cargo da empresa + RAT, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de jan/2008 a dez/2008. Valores relacionados à declaração indevida da entidade de que possuía isenção de contribuições previdenciárias; · AI/DEBCAD nº 37.390.8792 – item 5.2 – referese às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados e não declaradas em GFIP, relativos à previdência privada, no período de jan/2008 a dez/2008; · AI/DEBCAD nº 37.390.8806 – item 5.3 – referese a crédito tributário relativo às contribuições sociais, não declaradas em GFIP, devidas a terceiros, no período de jan/2008 a dez/2008; · AI/DEBCAD nº 37.390.8814 – item 5.4 – lavrado por descumprimento de obrigação acessória, por apresentar documentos não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de jan/2008 a nov/2008. Consta ainda no relatório fiscal tópicos específicos às representações penais, bem como comparativo de multas a serem aplicadas, de modo a respeitar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 5 4 Cientificada em 21/12/2012 sobre os autos de infração acima discriminados, a entidade apresentou Impugnação, em 18/01/2013 (fls. 463/467), aduzindo, em síntese, que apresentara recurso voluntário contra o Ato Cancelatório da isenção de contribuição previdenciária, junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo nº 13770.000986/200812, estando pendente de julgamento. Nesse sentido, pugnou pelo sobrestamento deste feito até julgamento daquele processo, onde afirma demonstrar inequivocamente o seu direito à isenção, alegando que a exigibilidade do crédito estaria suspensa enquanto pendente a decisão do referido recurso que discute a isenção. À fl. 603 consta o seguinte despacho: Infração 37.347.0568 e 37.390.8806. A cobrança dos Autos de Infração 37.390.8792 e 37.390.8814, não questionados, foi transferida para o processo 13770.720175/201391. Encaminho à DRJ/RJO 1 para análise e julgamento. Instada a se manifestar sobre a impugnação apresentada, a 14ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu o Acórdão de nº 1258.694 (fls. 660/667), mantendo a exigência consubstanciada no presente PAF em sua íntegra. No julgamento, a DRJ reiterou que a cobrança dos Autos de Infração 37.390.8792 e 37.390.8814, não impugnados, foi transferida para o processo 13770.720175/201391; indeferiu os pedidos de apresentação de provas testemunhais, periciais e juntada posterior de documentos, por terem sido desacompanhados de qualquer justificativa; sustentou que o recurso apresentado no processo no qual foi mantido o cancelamento da isenção não impedia o julgamento do presente feito; rechaçou os argumentos contra o cancelamento da isenção, por serem objeto de PAF próprio; e tendo em vista que a entidade não apresentou argumentos específicos quanto às contribuições lançadas, manteve a autuação. A recorrente, cientificada em 10/09/2013 (fl. 669), interpôs recurso voluntário em 08/10/2013 (fls. 671/677), reiterando as razões da impugnação, fazendo referência tão somente aos AI’s 37.347.0568 e 37.390.8806. À fl. 680 o processo foi remetido para apreciação por este Conselho. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.721262/201297 Resolução nº 2401000.447 S2C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Analisando o processo, verificase que os créditos exigidos estão intimamente ligados à emissão de Ato Cancelatório da condição de isenta da Recorrente, em debate no PAF de nº 13770.000986/200812. O PAF de nº 13770.000986/200812 foi apreciado por este CARF, tendo sido proferido Despacho de nº 2401144 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, datado de 25 de junho de 2014, determinando que fossem verificados os requisitos para o Ato Cancelatório de Isenção, em conformidade com as disposições do Decreto 7.237/10 e Instrução Normativa 1.071/01. O resultado do PAF de nº 13770.000986/200812, que trata do Ato Cancelatório da condição de isenta da Recorrente, se constitui questão prejudicial ao presente processo. Diante de tal prejudicialidade, voto por converter o presente processo em diligência para verificar se já ocorreu o trânsito em julgado do processo administrativo nº 13770.000986/200812, sendo informado, nestes autos, o resultado de eventual julgamento. Na hipótese do PAF de nº 13770.000986/200812 restar ainda pendente de julgamento, voto no sentido de sobrestar o presente feito até julgamento final e consequente trânsito em julgado da questão prejudicial, devendo ser o resultado informado no presente PAF. Após, retornem os presentes autos para apreciação do recurso voluntário interposto às fls. 671/677 por este Conselho. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001061/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
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IND. PERES ARTACHO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 01 06 1/ 20 10 -3 5 Fl. 8262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de Autos de Infração de IRPJ, IRRF e reflexos dos anoscalendário 2005 a 2007 (o Auto de Infração do IRRF foi retificado, conforme Termo Complementar, fls. 3.175, e novamente dada ciência ao autuado, para apresentação de razões adicionais de defesa), no valor total de R$ 9.618.037,82. Durante os trabalhos de auditoria de verificações obrigatórias, o Contribuinte foi intimado, por diversas vezes, a apresentar documentos, registros contábeis, extratos bancários e bases de dados. Com a conclusão da fiscalização foram autuadas as seguintes infrações: a) IRPJ Omissão de receitas da atividade – Saldo Credor de Caixa, conforme demonstrado em anexos; Depósitos bancários de origem não comprovada – Valor referente a depósitos e investimentos, realizados em instituições financeiras, para os quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. b) CSLL sobre receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários não comprovados e atividades mercantis sem emissão de Notas Fiscais, conforme relatórios anexados ao Auto de Infração; c) PIS/PASEP e COFINS – omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não comprovados e atividades mercantis sem emissão de Notas Fiscais, conforme relatórios anexados ao Auto de Infração; d) IRRF – Importâncias pagas pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados / pagamento sem causa. Com a ciência dos Autos de Infração a interessada apresentou Impugnação, na qual alegou, em síntese, que: 1. Nos Autos de Infração observase uma sucessão de planilhas, campos e alíquotas, mal distribuídos e organizados, que não elucidam as lavraturas, com informações confusas e muitas vezes incoerentes, bem como um emaranhado de referências a dispositivos legais desconexos, inacessíveis ao contribuinte comum. Tudo isso dificultou entender o lançamento, sendo óbice e cerceio ao exercício da ampla defesa; 2. Antes de lançar qualquer invectiva à declaração prestada pelo contribuinte, cumpre à autoridade fiscal lhe requisitar informações e documentos que possam justificar os dados glosados, a fim de evitar a lavratura de autos que, posteriormente, se constatarão inconsistentes. Assim, com base nos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72 PAF, 142 do CTN e 59, II, também do PAF, solicita a nulidade dos lançamentos; 3. Não se pode autuar com base exclusivamente em depósitos bancários, na mera alegação de que não foram comprovados, afirmando serem relevantes e pertinentes os muitos Acórdãos, Decretos Fl. 8263DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 4 3 e Súmulas acerca do assunto. Transcreve ementas de Acórdãos do Judiciário e do então Conselho de Contribuintes; 4. A autoridade fiscalizadora, somando absurdas receitas por ela tidas como omitidas aos depósitos bancários, deixou de considerar que tais depósitos englobavam as inúmeras receitas possíveis de uma atividade empresarial, tais como: suprimentos de recursos por aumento de capital, injeção financeira efetuada pelos sócios, adiantamento de fornecedores que por si só não constituem receita enquanto não efetuada a saída do produto, transferência de numerários entre contas bancárias de mesma titularidade, recebimentos de empréstimos obtido junto a Bancos, a Pessoas Físicas diversas; 5. Segundo a Lei 8.021/90, art. 6°, §§ 4° e 6°, o arbitramento deve ter como base preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos; 6. A empresa no ano de 2005 a 2007 não obteve evolução patrimonial líquida sequer compatível às vultosas cifras apontadas pela autoridade fiscal. 7. Em suas diversas assertivas, agasalhase ainda nos arts. 107, 108 e 112 do CTN, bem como evoca o princípio da capacidade contributiva. Junto com a impugnação a empresa apresentou dois demonstrativos, relativos à CSLL e ao IRPJ, nos quais a última coluna corresponde aos valores da contribuição e do imposto a recolher conforme calculados pelo contribuinte para cada trimestre dos anos de 2005 a 2007. Em sessão de 2 de dezembro de 2010, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora decidiu, por unanimidade, manter os lançamentos e julgar improcedentes as impugnações. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, em que repete, basicamente, os argumentos formulados na impugnação, acrescidos de questionamentos acerca dos cálculos elaborados pela autoridade fiscal, nos quais, segundo a Recorrente, haveria equívocos. Com o voluntário foram anexados centenas de documentos, relativos a notas fiscais, comprovantes de pagamentos e recibos trabalhistas, entre outros. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 8264DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 5 4 Antes de adentrarmos à matéria jurídica debatida nos autos fazse necessário analisarmos o conjunto de documentos e planilhas que subsidiaram os lançamentos. Isso porque a interessada, somente na peça recursal, aponta possíveis equívocos nos cálculos efetuados pela fiscalização. Com efeito, assim se manifesta a Recorrente: Não bastasse, é ainda de se observar os não raros erros nos demonstrativos efetuados pela fiscal. Como exemplo, e, apenas como exemplo pois inviável seria taxar todos os inúmeros erros de cálculos, descrições, planilhas e demonstrativos elaborados pela fiscal enumeramse alguns dos equívocos ínsitos aos Autos. No demonstrativo de pagamentos sem causa e sem identificação do beneficiário, fls. 1497 a 1603 dos autos, observase um emaranhado de cálculos desconexos. O fato é que há inúmeros valores que não respeitam a composição do Caixa, que deve ser debitado pela entrada de recursos e creditado pela saída destes. Vejamse alguns dos inúmeros exemplos de cálculos equivocados de composição de caixa: A fl. 1530, na primeira linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 2.410,31C. Procedendose à subtração do débito subseqüente (R$ 1.200,00), chegarseia à cifra de R$ 1.210,31C. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 5.429,61C; A fl. 1529, na primeira linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 19.978,35D. Procedendose à soma do débito subsequente (R$ 299,50), chegarseia à cifra de R$ 20.277,85. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 11.174,75C; A fl. 1529, na quinta linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 3.004,75C. Procedendose à subtração do débito subsequente (R$ 142,50), chegarseia à cifra de R$ 2.862,25. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 14.554,79C; A fl. 1529, na décima linha do demonstrativo, observase um saldo de R$ 1.211,37C. Procedendose à subtração do débito subseqüente (R$ 2.535,00), chegarseia à cifra de R$ 1.323,63D. Não obstante, não se sabe como, a autoridade fiscalizadora procedeu à composição do caixa no valor de R$ 18.782,68C. Estes são apenas alguns dos muitos equívocos nos cálculos contábeis da fiscal. Poucos, se comparados aos inúmeros outros erros que contaminam o auto, mas suficientes para desqualificarem o auto. Como se denota na recomposição do Livro Razão nos anos inquiridos, na recomposição do Livro Diário também nos anos em questão, bem como do Plano de Contas relativo ao período, todos estes acostados ao presente recurso, não há correspondência entre os valores encontrados pela fiscal e aqueles reescriturados. Pois bem. Fl. 8265DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.163 S1C2T1 Fl. 6 5 A análise dos demonstrativos acostados aos autos, especialmente quanto aos cálculos indicados pela Recorrente, realmente nos deixa em dúvida acerca da metodologia e dos critérios adotados pela fiscalização. Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material e para que os Autos de Infração possam ser apreciados de forma adequada, com a correta fundamentação dos montantes que ensejaram os lançamentos, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade responsável: a) Esclareça a metodologia utilizada para os cálculos apontados pela Recorrente, conforme acima indicado, cotejandoos com os supostos equívocos mencionados; b) Caso necessário, ratifique ou retifique todos os valores que serviram de base para a autuação, elaborando demonstrativos com os respectivos montantes; c) Informe se os documentos trazidos pela Recorrente na peça recursal possuem o condão de alterar os lançamentos efetuados. Em caso afirmativo, a autoridade deve intimar a empresa para comprovar a origem, pertinência e veracidade dos documentos, confrontandoos com os registros contábeis devidamente escriturados; d) Elabore parecer conclusivo sobre os procedimentos efetuados e os montantes apurados, intimando o Contribuinte para, no prazo legal, manifestarse acerca do resultado dos trabalhos. Adotadas as providências acima, os autos deverão retornar a este Conselho e Relator, para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 8266DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.002967/00-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.971
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 29 67 /0 0- 06 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. Preliminar rejeitada Recurso negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, APOLO SANTANA VIEIRA, foi lavrado auto de infração, As folhas 02/15, lavrado contra o contribuinte acima qualificado para exigência de imposto de renda dos anoscalendários de 1995 a 1998, além de multa e juros de mora, com fundamento em omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, acréscimo patrimonial a descoberto, dedução indevida da base cálculo e falta de recolhimento do imposto devido a titulo de carneleão. Em sua impugnação, As folhas 750/757, assinada pelo seu representante legal, devidamente habilitado A folha 758, o contribuinte alega, em preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento da espontaneidade e da ampla defesa e, no mérito, a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto. A nulidade é pleiteada com base nos seguintes argumentos, em síntese: o reconhecimento e a declaração da nulidade total do lançamento, por vicio formal, é dever do julgador tributário; a fiscalização sobre a pessoa do defendente iniciouse arbitrariamente, contrariando sua possibilidade de exercitar a espontaneidade e de defenderse plenamente; a fiscalização sobre a pessoa do defendente ocorreu por ter sido ou por ser ele defendente, procurador ou sócio de algumas das empresas arroladas no procedimento criminal n° 99.62167, consistente em Medida Cautelar de Busca e Apreensão movida pelo Ministério Público Federal; a leitura dos "pedidos e requerimentos" formulados pelo Ministério Público Federal (texto reproduzido A folha 754) revela que não era sua intenção, nem foi requerido que a pessoa fisica do contribuinte, ora defendente, fosse investigada ou fiscalizada, não sendo portanto licito As autoridades fazendárias manter retidos documentos do defendente que não guardassem relação com o objeto da busca e apreensão, como arbitrariamente restou acontecido; tendo sido realizada com pleno êxito e sem qualquer óbice a referida busca, não foi possível ao Fisco, tendo em vista o elevado volume do material apreendido, selecionar os documentos pertinentes apenas As empresas investigadas, tendo sido empacotado em caixas de papelão tudo quanto foi possível ser levado e apreendido, sem qualquer critério de seleção; constatado o recolhimento indevido de documentos pessoais do defendente, foi requerida a imediata devolução desse material, o que foi peremptoriamente negado pylas autoridades fiscais; as autoridades fiscais simularam a devolução dos mesmos e no mesmo instante procederam sua retenção, conforme se depreende pela leitura do Termo de Devolução de Documentos (anexo), que 6, na verdade, uma "Relação de documentos retidos", consoante se 16 no seu próprio texto; Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 no mesmo momento, foi expedido e entregue o Termo de Intimação e de Retenção de Documentos (anexo), cerceando o exercício de sua espontaneidade e ferindo sua possibilidade constitucionalmente protegida de defenderse plenamente. Com relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, o contribuinte alega, em síntese: que celebrou contratos de mútuo com as sociedades comerciais Alpha Internacional Comércio Importação e Exportação Ltda (anoscalendários 1995 e 1997) e Kruger Comércio Importação e Exportação Ltda (anocalendário 1998); que tal operação não é tributável pelo imposto de renda em sua pessoa fisica, não havendo obrigação de informála na declaração de ajuste anual porquanto não restou divida pendente para o exercício seguinte; que a quitação desses empréstimos operouse por meio de recursos obtidos com a distribuição de lucros recebidos da pessoa jurídica de que era sócio, lucros esses divididos e já tributados na fonte; que os recursos obtidos com as alienações dos veículos Nissan Pathfinder modelo 1993 (anocalendário 1995) e Golf/GLI (ano calendário 1997), devidamente informadas nas declarações de ajuste anual não puderam nem podem ser comprovados mediante apresentação do documento de transferência do veiculo, porque tal documento fica com o adquirente; que devem ser levados em consideração os saldos provenientes do ano anterior. o contribuinte solicita perícia em seus documentos contábeis e na contabilidade dos mutuantes acima relacionados, bem como diligência nos órgãos estaduais de trânsito e de registro de veículos automotores, para comprovar o recebimento das quantias que afirma ter recebido. Pelo Despacho n° 7/2001, da Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, as folhas 779/781, foi proposta a devolução do processo d. Delegacia da Receita Federal em Recife, para as seguintes providências: trazer ao processo elementos probatórios que confirmem ou infirmem a alegação do contribuinte com relação aos contratos de mútuos acima mencionados, sugerindose o exame da contabilidade dos mutuantes e de eventuais comprovantes da efetiva transferência do numerário (tanto no empréstimo como na devolução da quantia emprestada), bem como o exame dos demais aspectos relacionados à quitação dos empréstimos, conforme afirmação reproduzida no subitem ; trazer ao processo elementos probatórios que confirmem ou infirmem a ocorrência das alienações dos veículos a que se refere o subitem 4.4, acima, inclusive quanto as datas e valores envolvidos. A proposta foi aceita pelo Presidente em Exercício da Primeira Turma, conforme despacho à folha 781. Novos documentos são acostados aos autos. A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 4 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS POR ORDEM JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM NOVA RETENÇÃO PELO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não é causa de nulidade a devolução de documentos apreendidos em decorrência de ordem judicial combinada com a simultânea retenção dos mesmos documentos pelo Fisco, visando a realização de procedimento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE PATRIMONIAL. É válido o lançamento baseado na análise patrimonial do contribuinte, consistente na confrontação entre os valores que ingressaram e saíram de seu patrimônio, em determinado período. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A ocorrência de acréscimos patrimoniais incompatíveis com a renda declarada constitui presunção legal relativa de omissão de rendimentos. ANALISE DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL.RECURSOS COMPROVADOS NO PROCESSO. Devem ser refeitos os cálculos relativos à análise da evolução patrimonial do contribuinte quando demonstrada no processo a existência de recursos não levados em consideração pela autoridade lançadora. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOBRAS DE RECURSOS EM DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO. Na análise patrimonial, o saldo positivo apurado no mês de dezembro do anocalendário somente pode ser utilizado como origem de recursos no mês seguinte, caso tenha sido espontaneamente informado na declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente. Lançamento Procedente em Parte A autoridade de primeira instância entendeu que estaria comprovado a origem de recurso decorrente da venda de veículos, tal como se nota as fls 871. 28. 0 contribuinte pretende que sejam levados em consideração na análise patrimonial os recursos decorrentes da alienação do veiculo Nissan Pathfinder, alegadamente ocorrida em 30/10/1995, por R$ 17.000,00. A alegação deve ser aceita, tendo em vista a declaração do adquirente (folha 827) e pelo fato de que a operação consta da declaração de ajuste anual do Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 exercício 1996, apresentada tempestiva e espontaneamente (folha 37). 29. 0 contribuinte também pretende que sejam levados em consideração na análise patrimonial os recursos decorrentes da alienação do veiculo Volkswagen Golf, alegadamente ocorrida em 1997, por R$ 13.000,00. A alegação deve ser aceita, tendo em vista a Autorização para Transferência de Veiculo (por copia, à folha 821) e pelo fato de que a operação consta da declaração de ajuste anual do exercício 1998, apresentada tempestiva e espontaneamente (folha 223). Observese que o requisito de contemporaneidade da prova folha 821 está satisfeito uma vez que a data em que a firma do vendedor foi reconhecida (02/09/1997) coincide corn a data da operação, constante daquele documento. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Da nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; Da inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto; Em cumprimento ao despacho de fls. 1004 o processo foi encaminhado ao Conselho de Contribuintes em 22/10/2008. Em outubro de 2014, o processo foi digitalizado. É o relatório. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Direito de Defesa Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto Cabe registrar que a omissão rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto a recorrente, questiona que a mesma foi baseada tão somente em presunções e conjecturas, indicando que possuía os recurso para efetivar a aquisição o imóvel. Como explicado na decisão recorrida, o meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção. É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) e 332 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e art. 148 do CTN. Tendo sido evidenciado pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. A Lei nº 7.713/88 estabeleceu uma presunção legal ao definir que os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados constituem rendimentos omitidos e, portanto, sujeitos à tributação. De modo geral, toda presunção é a aceitação como verdadeiro de um fato provável. Na maioria das vezes, a presunção é simples ou relativa (praesumptio iuris tantum) e seu efeito é a inversão do ônus da prova, cabendo à Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 parte interessada a produção de prova contrária para afastar o presumido. É o que ocorre no presente caso. A presunção legal aqui enfocada é relativa, impondo ao agente público o lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar uma documentação que possibilite demonstrar de modo claro, como obteve os recurso para formalizar a realização de dispêndio tão expressivos. Primeiramente nesse ponto, cabe registrar que o acréscimo patrimonial no caso concreto foi computado mês a mês , tal como se depreende do termo de verificação fiscal., atendendo todos os requisitos da legislação. A autoridade recorrida ao apreciar a matéria apresentou o seguinte arrazoado: 25. 0 contribuinte alega ter celebrado em 03/04/1995, contrato de mútuo com a ALPHA INTERNACIONAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, sociedade da qual era sócio majoritário (conforme folha 57), pelo qual teria recebido R$ 30.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1995, por R$ 34.395,00. Observese que este contrato não se confunde com aquele, no valor de R$ 35.000,00, celebrado no mesmo ano, e que foi considerado pela Fiscalização, conforme folhas 42 e 78. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 794/795) e do recibo de quitação do empréstimo (folha 802). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 25.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos; 25.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 25.3. intimada a comprovar o registro contábil da operação (folha 844), a mencionada sociedade comercial apresentou apenas copias dos livros Diário e Razão relativos ao período 01/01/1997 a31/12/1997 (folhas 850/853); 25.4. também não é possível perceber qualquer registro da quitação do empréstimo nas cópias dos livros Razão e Diário constantes às folhas 79/83 que incluem os lançamentos efetuados até o dia 29/12/1995, cabendo observar que, embora o livro diário esteja incompleto, a folha do livro razão, à folha 80, correspondente à conta Caixa, contém o lançamento relativo ao contrato de mútuo, no valor de R$ 35.000,00, celebrado em 22/12/1995 (folhas 796/797) e abrange os lançamentos finais do ano de 1995; 25.5. a alegação de que o empréstimo foi quitado mediante recursos oriundos de distribuição de lucros não está comprovada, cabendo observar que tal distribuição não consta da declaração da mencionada sociedade comercial (folha 855) e, embora devidamente intimados (folhas 814/817 e 844/847), nem o contribuinte, nem a sociedade apresentaram qualquer prova de sua ocorrência; 25.6. no contrato (folhas 794/795) e no recibo de quitação do empréstimo (folha 802) a sociedade comercial está representada Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 6 9 pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses documentos. 26. 0 contribuinte alega ter celebrado em 22/08/1997, contrato de mútuo com a ALPHA INTERNACIONAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pelo qual teria recebido R$ 125.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1997, por R$ 126.812,50. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 798/799), do recibo de quitação do empréstimo (folha 805) e de folhas dos livros Diário e Razão (folhas 849/853). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 26.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos; 26.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 26.3. o livro Diário relativo ao período 01/01/1997 a 31/12/1997 somente foi registrado na Junta Comercial de Pernambuco em 26/12/2001, quando o Auto de Infração já havia sido lavrado e o crédito tributário já havia sido impugnado, o que reduz a força probatória do documento especialmente por não ser possível confirmar que o requisito da contemporaneidade da prova estaria atendido. 26.4. no contrato (folhas 798/799), e no recibo de quitação do empréstimo (folha 805) a sociedade comercial está representada pelo próprio contribuinte, o que reduz a força probatória desses documentos. 27. 0 contribuinte também alega ter celebrado em 05/01/1998, contrato de mútuo com a KRUGER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pelo qual teria recebido R$ 110.000,00, débito este que teria sido saldado em 29/12/1998, por R$ 119.273,00. Para tentar provar suas alegações o contribuinte apresentou cópias do contrato (folhas 800/801) e do recibo de quitação do empréstimo (folha 806). 0 empréstimo não pode ser levado em consideração na análise patrimonial, pelos motivos expostos a seguir: 27.1. não há a necessária prova do efetivo recebimento dos recursos, 27.2. o contrato e o recibo não possuem qualquer elemento externo de datação que permita demonstrar sua contemporaneidade com relação aos fatos que se deseja provar; 27.3. intimada a comprovar o registro contábil da operação (folha 830), a mencionada sociedade comercial não atendeu à intimação; 27.4. a alegação de que o empréstimo foi quitado mediante recursos oriundos de distribuição de lucros não está comprovada, cabendo observar que, embora devidamente intimados (folhas 814/817 e 830/832), nem o contribuinte, nem a sociedade apresentaram qualquer prova de sua ocorrência. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Não se identifica nos autos qualquer elemento que afaste o entendimento expresso pela DRJ, de modo que o acompanho no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos mediante empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer documento hábil e idôneo que comprove a efetiva transferência dos recursos para o mutuário. No que toca ao aproveitamento de recurso de anos anteriores, compartilho o entendimento da autoridade recorrida: Com relação as sobras de recursos (subitem 4.5, acima), deve ser salientado que, para fi ns de análise patrimonial, o saldo apurado em favor do contribuinte no mês de dezembro do ano calendário somente pode ser utilizado como origem de recursos no mês seguinte (janeiro do anocalendário subseqüente), caso tenha sido espontaneamente informado na declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. Isto porque, tendo o contribuinte obrigação de informar em sua declaração de ajuste anual todos os seus bens, inclusive saldos bancários e dinheiro em espécie, a inexistência dessa informação só pode significar que os saldos apurados pela técnica da análise patrimonial foram consumidos de outra forma. Concluise que o procedimento da autoridade lançadora está correto. Não há reparos a ser realizado nessa parte do lançamento. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.002967/0006 Acórdão n.º 2202002.971 S2C2T2 Fl. 7 11 relatório não demonstrou os seus argumentos. Em linhas gerais inexiste a comprovação dos seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13502.900756/2013-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 6/ 20 13 -7 4 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.274 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 210/215, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 12610.81893.250210.1.3.047297, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415919). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/07/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 822.279,71. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 12610.81893.250210.1.3.047297, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415919). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 527.846,78 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/07/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 985.299,95) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 822.279,71. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.275 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 160 a 209, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 223 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 225), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de 06/2005. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido período de COFINS era de R$ 3.165.830,16 (5856) e não de R$ 3.538,803,64, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 372.973,48 (R$ 3.538.803,64 R$ 3.165.830,16). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.276 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 15.977.010,14, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 262/1.268). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 397/418). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.277 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 223 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 225 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 226/240). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 12 e 13), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de junho de 2005, a Recorrente transmitiu 05 declarações DCTF (em 04/08/2005, 24/11/2005, 07/03/2006, 07/03/2006 e 24/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.538.803,64 para R$ 3.165.830,16. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 04/08/2005 e 24/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.12 e 13) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 24/02/2010 e 24/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 160/209 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de junho de 2005. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.278 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de junho/2005. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 397/418), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900756/201374 Resolução nº 3802000.388 S3TE02 Fl. 1.279 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 262/1.268), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 262/1.268 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 233 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.916240/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.916240/200909 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.265 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 05 de junho de 2014 Assunto Compensação Duplicidade Recorrente M DIAS BRANCO S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida DRJ Fortaleza Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 16 24 0/ 20 09 -0 9 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Erro de entendimento em despacho decisório é motivo para reformálo, e não para anulálo, por se tratar de matéria de mérito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DUPLICIDADE. Deve a Administração glosar o crédito pleiteado em duplicidade, permanecendo o contribuinte apenas com o crédito requerido no outro PER/DCOMP.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP no 18617.76531.310505.1.3.041058), que objetiva compensar recolhimento a maior de IRPJ, efetuado em 28/06/2002. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$213.298,55. O Despacho Decisório (fl. 20) não homologou a compensação declarada por entender que o direito creditório foi pleiteado em duplicidade com o PER/DCOMP n° 00181.50555.190906.1.7.022640. 2. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 22/29) contra o referido ato administrativo, alegando que: 1. DOS FATOS 1.1 — DA NÃO UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE DE CRÉDITO No período de apuração de MAIO de 2002, a empresa apurou e recolheu IRPJ (cód. de receita 2362) no valor de R$ 1.478.407,86, ao titulo de estimativa mensal„conforme DARF e DCTF Normal em anexo (doc.anexo 03). Posteriormente, revendo seus registros de apuração da IRPJ de MAIO/2002, a empresa verificou ter cometido equívocos nos cálculos aritméticos que determinaram o montante daquele tributo. Diante disso, em 11/08/2006, a empresa transmitiu declaração retificadora da DCTF do 2º trimestre de 2002 (doc. Anexo 04), corrigindo o valor devido da IRPJ para R$ 0,00. Diante desta retificação, o valor que seria devido ao titulo de estimativa mensal da IRPJ devida no período de maio de 2002 havia sido recolhido a maior no valor de R$ 1.478.407,86. Fato este, devidamente declarado através da DCTF retificadora supra mencionada. Fazse mister ressaltar que, o valor de R$ 1.478.407,86 alvo da compensação não homologada não é recolhimento por estimativa, mas sim, recolhimento a maior, pois a estimativa mensal devida para o período em foco era inferior a monta recolhida. Feita tal consideração, tratandose de recolhimento a maior, a requerente tratou de compensar tal excesso de recolhimento com tributos vincendos, com base nos permissivos legais constantes da Lei 9.430/96, art. 74, e art.28 da IN SRF No. 460/2004, vigente a época da compensação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 4 3 Em virtude da atualização do indébito pela taxa SELIC, na ordem de 52,13%, acumulados entre 28.06.2002 e 31.05.2005, o valor do indébito sobredito, REFERENTE AO PER/DCOMP em comento, resultou na monta de R$ 324.491,10, conforme dispunham o art.51 e art. 52 da IN SRF No. 460/2004. Para demonstrar a correção do crédito em destaque, arrolase a planilha em anexo (doc. anexo 05). Em 31/05/2005 a requerente' transmitiu o PER/DCOMP n° 18617.76531.310505.1.3.041058(doc. Anexo 06), com tipo de crédito qualificado como "Pagamento Indevido ou a Maior", utilizando o referido crédito para liquidação de débitos de CSLL (cód. De receita 2484) do Ines de ABR/2005, informando o valor de R$324.491,09. Para sua surpresa, em 05.03.2010, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho – Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.041058, sob o argumento de que tal crédito havia sido totalmente utilizado em outra compensação e, por isso, inexistente, pois o referido crédito estaria vinculado à compensação efetivada através da PERD/COMP 00181.50555.190906.1.7.022640 e, por conseguinte a quitação dos respectivos débitos. Logo, o crédito em tela havia sido utilizado em duplicidade para efetuar PERD/COMP's distintas. Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, não buscou sua fundamentação em elementos seguros, e limitou a sua análise em evidencias que não seriam suficientes para proferir informação fiscal/despacho decisório com teor de utilização em duplicidade do referido crédito. Data Máxima Venia, o referido entendimento esboçado pelo fisco fere de morte o Principio da Verdade Material, pois se a Secretaria da Receita Federal tivesse realizado uma análise mais apurada da utilização do referido crédito teria vislumbrado a correta apuração realizada pelo contribuinte; verificando que em nenhum momento houve compensação em duplicidade conforme aduzido no item n°. 5 do R. despacho decisório. Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que: "Constatase, portanto, de forma inequívoca, a utilização, do mesmo pagamento, em duplicidade, uma vez, através do PER/DCOMP 18617.76531.310505.1.3.041058 de pagamento indevido, outra por meio do PERD/COMP n°00181.50555.190906.1.7.022640 de saldo negativo de IRPJ.. Registrese que o pagamento R$ 1.478.407,86 foi utilizado para compor saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, como se pode visualizar na Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, Linha 16, gerando um saldo credor de IPRJ no montante de R$ 9.827.493,78, onde parte deste crédito foi utilizado para quitação de débitos consignados a PER/DCOMP 00181.50555.190906.1.7.022640, precisamente no montante de R$ 6.176.531,66, conforme foi informado nesta PER/DCOMP, na Página 02, campo Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP Desta feita vislumbrase que houve equivoco por parte do fisco em não identificar nas PER/DCOMP's apresentadas que o saldo negativo na apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, que soma o montante de R$ 9.827.493,78, foi parte dele utilizado na PERD/COMP n° 00181.50555.1909061.7.022640, valor de R$ 6.176.531,66, remanescendo um saldo a ser utilizado no valor de R$ 3.650.962,12. Obviamente que o crédito utilizado para efetuar a compensação da PERD/COMP 18617.76531.310505.1.3.041058, foi proveniente do saldo remanescente acima demonstrado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 5 4 Em que pese a elaboração desta PER/DCOMP ter sido transcrita com o tipo de crédito qualificado como Pagamento Indevido ou a Maior, tal fato não impediria o fisco, em razão da Verdade Material outrora mencionada, reconhecer o crédito do contribuinte proveniente do saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, DEVIDAMENTE UTILIZADO na PERD/COMP N°. 18617.76531.310505.1.3.04 1058.. Transparente está que o entendimento do despacho decisório em tela não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente informou em PER/DCOMP. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem Causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. Diante do exposto, resta evidente que o crédito em tela lido foi utilizado em duplicidade, as compensações foram efetivadas dentro do limite do saldo negativo da apuração do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, não remanescendo dúvidas com relação à origem do crédito utilizados nas PER/DCOMP's, como também a análise distorcida do fisco com relação questão, justificase o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. Importante ressaltar que apesar da análise distorcida do fisco com relação à ao pleito em comento, justificase o pedido de compensação pleiteado pela requerente reconhecendo o direito por ser questão de mais lidima justiça. 2. DO DIREITO 2.1. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA E LEGITIMIDADE A Manifestação de Inconformidade é meio de defesa cabível para contestar a nãohomologação do direito creditório. Decorre precipuamente, do inc. LV da Constituição Federal, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo o direito ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. De outro lado, temse a hipótese da Lei n° 9.430/96, em seu art. 74, §* 9o. Dai inferirse que a presente Manifestação apresentase como a via administrativa mais adequada para promover a tutela pleiteada pela Contribuinte, que é a reforma da decisão que indeferiu a homologação da compensação do crédito ora declarado. 2.2. DA NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO EM VIRTUDE DE ERRO Segundo a melhor doutrina administrativa e a jurisprudência pátria, todo ato administrativo para ser válido deve conter os seus cinco requisitos de validade (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) isentos de vícios, de defeitos. Caso um desses elementos apresentese em desacordo com a lei, o ato será nulo. O pressuposto da anulação é que o ato administrativo possua um vicio de legalidade em algum de seus requisitos de formação, podendo e devendo, por este motivo, ser desfeito pela própria Administração Pública, independentemente da provocação do administrado, sob pena de flagrante ilegalidade. Noutros termos, a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5o, L V, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 6 5 PAULSEN, Á VILA e SLIWKA assim se posicionam sobre o assunto: "Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou em efetivo prejuízo à defesa do contribuinte (..)". Grifouse. No caso em tela, o ato administrativo praticado pela autoridade fazendária está eivado de vicio devido a um erro gerado pela analise equivocada da utilização do direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior do período de apuração de junho de 2002, no valor de R$ 1.478.407,86, que acabou sua utilização sendo vista pelo fisco em duplicidade, razão pela qual não foi homologada a compensação pretendida. Ora, por força da natureza constitutiva do pedido de compensa cão, previsto no §6° do art. 74 da lei N° 9.430/96, o ato culminou por gerar crédito tributário imputado indevidamente à Contribuinte, prejudicandoa. Dai podese inferir que, por conta do erro, o ato administrativo praticado pela Administração Pública Fazendária é nulo, especialmente porque atribui Contribuinte obrigação tributária ilegal. A propósito, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento sobre o assunto através da Súmula 473. Nestes termos, podese concluir que o erro da Administração persiste no fato de ter a autoridade fazendária se baseado em uma informação equivocada, que acabou por negar o direito creditório legitimo, liquido e certo; Motivando o Contribuinte requer que seja o ato administrativo declarado nulo e, por conseguinte, seja a compensação pleiteada homologada, cessando os efeitos da informação fiscal guerreada. 3.0. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA VERDADE MATERIAL Como se sabe, o principio da proporcionalidade busca estabelecer uma relação entre uma finalidade determinada pela ordem jurídica, e os meios que eventualmente são utilizados para atingila. Repelindose a máxima de que os "fins justificam os meios", considerase que o meio utilizado, para ser proporcional, deve ser apto, necessário, e não excessivo, para chegar à finalidade a que se destina. Do contrário, será inconstitucional, por desproporcionalidade, ainda que a finalidade almejada seja licita; além de evitar restrições, que no presente caso, restrição à plena informação tanto do encerramento do primeiro Procedimento Fiscal, bom como a restrição a informação completa no segundo Termo de Ciência de Inicio da Ação Fiscal. O principio da razoabilidade é uma diretriz de senso comum, ou mais exatamente, de bomsenso, aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário a medida que as exigências formais que decorrem do principio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espirito. Enunciase com este principio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racionai, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Nesse diapasão, o principio da proporcionalidade ou da razoabilidade ou, ainda, da proibição do excesso ou omissão é o que permite ao intérprete aferir a compatibilidade entre os meios e fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas contra os direitos fundamentais. Mostrase, então, irrazoável, na medida em que discrepa da razão ,d o justo, do moderado, do prudente, enfim, do senso comum, não respeitando as formalidades da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 7 6 lei, nem ao direito do Contribuinte de estar ciente de todos os atos e suas respectivas fundamentações. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. 4. DO PEDIDO Em conformidade com o exposto no presente, assim requer: • Que seja considerado nulo o ato administrativo, consignado a informação fiscal e despacho decisório; • Que seja homologada a declaração de compensação. Anexei as fls. 72/79. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que, diante da solicitação do crédito em duplicidade, incumbiria à Contribuinte retificar uma de suas declarações de compensação, sob pena de indeferimento do pedido respectivo. Em sede de recurso voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, em especial no que se refere à não utilização do direito creditório em duplicidade e a aplicação da verdade material ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende é tempestivo e foi interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, em 28.06.2002, a Contribuinte realizou recolhimento de R$1.478.407,86, correspondente à estimativas de IRPJ relativa ao mês de abril de 2005 (fls. 41). Às fls. 42/43, verificase que a Contribuinte declarou nada dever a título de estimativa no período, o que, conforme entendimento pacífico dessa Corte, caracterizaria pagamento indevido ou a maior passível de restituição ou compensação. Contudo, na ficha 12 da DIPJ daquele anocalendário (fls. 65), a Contribuinte lançou o referido valor a título de recolhimento de estimativa em sua declaração de ajuste, razão pela qual o valor correspondente passou a integrar o saldo negativo de IRPJ do referido período, no montante de R$9.827.493,78. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 8 7 Ao invés de (a) apresentar apenas uma PER/DCOMP para requerer a restituição/compensação de todo o montante por ela mesmo apurado como saldo negativo de IRPJ (no valor de R$ 9.827.493,78) ou, quando menos, (b) retificar suas declarações para excluir do valor do saldo negativo o montante recolhido a título de estimativa em abril de 2005 (R$1.478.407,86), permitindolhe pleitear a devolução de tal estimativa como “pagamento indevido ou a maior”, a Contribuinte apresentou, equivocadamente, (a) uma PER/DComp para restituição do valor integral saldo negativo (PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78), dos quais alega ter utilizado em compensação apenas o valor de R$6.877.592,91; e (b) outra PER/Dcomp, de nº 18617.76531.310505.1.3.04 –1058, para pleitear a compensação de parte do valor da citada estimativa de IRPJ, como se pagamento indevido ou a maior fosse, com débitos de estimativa de CSLL relativas ao mês de abril de 2005. É essa última PER/DCOMP, no valor de R$324.491,10, que é objeto de exame neste processo administrativo. Não há dúvida de que a Contribuinte equivocouse no preenchimento da PER/DCOMP objeto deste processo, porquanto o direito creditório nela mencionado (estimativa de IRPJ) já fazia parte do valor do direito creditório objeto da PER/DComp nº 00181.50555.190906.1.7.022640, no montante de R$9.827.493,78 (saldo negativo de IRPJ). Essa última PER/DCOMP é objeto do PA n. 10380.911993/200910. Contudo, o equívoco de preenchimento em referência não pode retirar da Contribuinte o direito de aproveitarse de seu crédito. Caso o montante do crédito requerido naquele processo seja suficiente para a quitação do débito objeto desse processo, a Contribuinte faz jus à compensação do saldo negativo de IRPJ pretendido na Dcomp n. 00181.50555.190906.1.7.022640. Não se trata de atribuir fungibilidade entre os pedidos, mas sim de reconhecer o mero erro material da última declaração, tal como defendido pela Contribuinte desde a manifestação de inconformidade por ela apresentada. Este Tribunal Administrativo já decidiu que erros de preenchimento de declaração não podem prejudicar a fruição do direito creditório do contribuinte quando existente esse direito. Confirase: “COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.” (Acórdão 180300681. CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Julgado em 10.11.2010) ................................ “OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INFORMAÇÕES EM DIRF DIFERENTES DO DECLARADO. ERRO DE DECLARAÇÃO COMPROVADO. Comprovado que os rendimentos informados em Dirf coincidem com os comprovantes de rendimentos apresentados, e que os valores declarados não possuem qualquer relação com essas quantias, razoável o argumento de erro de declaração, em especial quando os valores declarados também tiveram rendimentos retidos na fonte, o que obrigaria sua informação em Dirf. Assim, foi recalculado o imposto devido em função Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.916240/200909 Resolução nº 1102000.265 S1C1T2 Fl. 9 8 dos rendimentos de fato auferidos. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (grifouse Acórdão 2101001.597. CARF. 2ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Julgado em 19.04.2012) Firmadas essas premissas, e em vista da impossibilidade de verificarse se a Contribuinte possui saldo credor na PER/DCOMP n. 00181.50555.190906.1.7.022640, objeto da PA n. 10380.911993/200910, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização na PER/DCOMP citada para fins de compensação com os débitos da declaração de compensação objeto desse processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente (a) do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e (b) das estimativas relacionadas. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 11030.720426/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 26 /2 01 2- 94 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins e Programa de Integração Nacional/PIS, no montante de R$ 220.261,41, em razão da omissão de receita caracterizada pela ausência de emissão de notas fiscais e conseqüentemente não reconhecimento das receitas auferidas relativamente a serviços prestados (comissões) à COOPERCOLHEITA – Cooperativa dos Profissionais da Agricultura e Colheita Ltda. O procedimento fiscal foi empreendida junto à COOPERCOLHEITA, oportunidade em que a Fiscalização detectou a escrituração de despesas com comissões pagas a empresas em nome de administradores daquela sociedade cooperativa, dentre as quais, “Castoldi, Gerevini e Signori Ltda.”, cujos sócios são Diogo Luiz Castoldi, Aimar Luiz Signori e Luiz Carlos Gerevini, que também participavam como associados de COOPERCOLHEITA. Segundo a autoridade fiscal “A empresa comercial, prestadora de serviços da Coopercolheita da qual recebeu rendimentos de comissões dos quais não emitiu nota fiscal, não adicionou na sua escrita fiscal, bem como omitiu os valores na sua declaração de rendimentos”. No ano calendário de 2008 a fiscalizada declarou à Receita Federal do Brasil/RFB que não auferiu receita, ao passo que as comissões percebidas perfaziam o montante de R$ 241.794,61. Já em 2009, a fiscalizada declarou à RFB não ter percebido receitas no 1º trimestre, ao passo que nos 2º, 3º, e 4º trimestres teriam recebidos receitas de, respectivamente, R$ 3.046,00, R$ 9.000,00 e R$ 9.000,00, ao passo que as comissões recebidas nos mesmos períodos totalizou R$ 384.212,24. Salienta a Fiscalização que as comissões pagas pela COOPERCOLHEITA não compunham o montante de receitas declaradas ao Fisco. Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte cientificado apresenta impugnação alegando, em apertada síntese, que: A Fiscalização, de forma equivocada, não tem aceitado recibos para comprovação de despesas, glosandoas com base em opiniões subjetivas; Os recibos foram aceitos para comprovar despesas da COOPERCOLHEITA, sendo portanto, hábeis e idôneos; cita jurisprudência que reforçaria seus argumentos; A atividade administrativa é vinculada aos termos da lei e o art. 97, V, do CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades; O art. 112 do CTN, determina que a lei que determinar a aplicação de penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Não ficaram caracterizados os elementos que justificariam a aplicação da multa qualificada, pois, em nenhum comprovouse sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64; Alega ainda que a autoridade fiscal não teria comprovado o dolo e, embora não tivesse emitido nota fiscal, foram emitidos recibos, o que comprovaria a ausência de intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aduz ainda que as circunstâncias constatadas no procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA não podem ser utilizadas para embasar o agravamento de sua penalidade, haja vista que a responsabilidade por infrações é pessoal. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que embasariam seus argumentos; Requer, ao final, seja reduzida a penalidade aplicada de 150% para 75%. A DRJ/PORTO ALEGRE (RS) decidiu a matéria sintetizado no Acórdão 10 038.507, Sessão de 22 de maio de 2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como bem salientado no voto condutor ora recorrido, a questão de fundo mostrase incontroversa: o impugnante auferiu receitas de comissão, pagas por COOPERCOLHEITA, não as escriturou, tampouco recolheu os tributos sobre elas incidentes ou os declarou à RFB. Tal fato é corroborado pelo pedido de parcelamento apresentado pelo contribuinte relativamente aos tributos lançados (fls. 158, 164, 165 e 169). Embora o impugnante argumente sobre a legalidade da emissão de recibos, e que, em razão desse fato, a falta de emissão de notas fiscais seria irrelevante, em nenhum momento questionouse a materialidade do fato apontado pela Fiscalização: o impugnante auferiu receitas, não as escriturou, tampouco declarou os tributos incidentes à RFB ou os recolheu. Isso posto, não há lide sobre a exigência dos tributos, restando a discussão sobre a correição da penalidade qualificada aplicada. Neste ponto, (QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO) compulsando os autos do presente processo, constatase de maneira cristalina, que o contribuinte assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I, do art. 71 da Lei 4.502/64, vejamos: Por bem descrever os fatos transcrevo os seguintes trechos extraídos do voto ora recorrido: "O contribuinte discorda da aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, pois entende não haver comprovação de fraude e/ou dolo. No caso dos autos, foi aplicadas a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 14 7 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal de tal modo que se justifique a aplicação da penalidade de 150%, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No presente caso, o contribuinte deixou de declarar expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2008 a 31/12/2009, sendo que, em 2008, declarou não haver auferido qualquer rendimento. Essa conduta reiterada revela, sem dúvida, a intenção dolosa com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo serem considerados meros erros de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos ano calendário de 2008 e de 2009. Vejase que no ano de 2008 o contribuinte declarou à RFB não ter auferido receitas, enquanto que as comissões percebidas perfazem R$ 241.974,61. Em 2009, a situação não se altera substancialmente, pois embora tenha declarado auferir receitas (R$ 21.046,00 durante todo o período), não escriturou o faturamento de R$ 384.212,24, relativo também a comissões. Conseqüentemente, também não declarou ou recolheu os tributos incidentes sobre esses rendimentos, caracterizando, sem sombra de dúvidas, o intuito fraudulento de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tanto é assim que, somente durante o procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA, que possui dentre seus associados os sócios do impugnante, é que a autoridade fiscal obteve a informação de que o impugnante houvera auferido receitas de comissões. Assim sendo, os argumentos do impugnante quanto à ausência de comprovação do dolo mostramse insubsistentes diante dos elementos coligidos pela Fiscalização." Como visto, a discussão nos autos ficou restrita à multa qualificada de 150% contra a qual insurgiu a recorrente alegando, em apertada síntese, não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que a existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude. Aduz, que o fato da fiscalização ter constatado recebimentos de comissões sem emissão da respectiva nota fiscal, mas, em contrapartida, ter emitido recibos de quitação, não caracteriza a intenção de esconder a operação ou dificultar o conhecimento dos fatos pelo fisco. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para 75%. Vêse conforme descrito acima, que a abordagem contida na decisão recorrida bem demonstra a impropriedade desta argumentação. No caso em análise entendo que não se trata simplesmente de declaração inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi alegado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, não há dúvida de que a empresa autuada recebeu comissões sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de deixar de pagar ou pagar menos tributo. Notase que a recorrente, sequer tentou justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar indevidamente de forma dolosa, como bem destacou a autoridade fiscal. Repito, os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores inferiores aos auferidos, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil ou falta de pagamento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi reconhecida e parcelada pelo contribuinte, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, salientando novamente que as peças de defesa limitouse a resignarse em relação à exigência da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos desde já objetos de pedido de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720426/201294 Acórdão n.º 1301001.806 S1C3T1 Fl. 15 9 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001128/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 28 /2 00 7- 01 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 434 3 Relatório Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006. Data da lavratura da NFLD: 27/02/2007. Data da Ciência da NFLD: 05/03/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente o lançamento tributário formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.081.3022, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao SEBRAE, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 36/45. Os valores considerados como salário de contribuição nos levantamentos GFI e FOP encontramse baseados nos seguintes livros e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização quando para tanto intimado através do "Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos" (TIAD) e analisados no decorrer da ação fiscal: · Resumo das folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, a empresa não entregou a folha de pagamento individualizada; · Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); · Guias da Previdência Social (GPS); · Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006. A Fiscalização apurou que em todos os meses a empresa entregava, inicialmente, uma GFIP que deveria conter todos os empregados, mas depois entregava uma GFIP com apenas um ou alguns empregados. Com a implementação da GFIP versão 8.0 ou posterior, havendo a entrega de mais de uma GFIP com a mesma chave (empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, FPAS, e tomador de serviço), a GFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo integralmente a GFIP transmitida anteriormente; Assim, foram considerados como declarados em GFIP (levantamento GFI) apenas os empregados relacionados na última GFIP da versão 8.0 ou superior, entregue e apresentada à fiscalização, que é a GFIP considerada válida, e que substituiu todas as demais; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Por outro lado, foram lançados como valores não declarados em GFIP (levantamento FOP) o salário de contribuição declarado na folha de pagamento, excluídos os valores já lançados como declarados em GFIP; Foram abatidas as deduções e os valores das contribuições sociais recolhidas mediante Guia da Previdência Social GPS, na apuração dos valores devidos, conforme ilustrado no RADA (Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 78/101. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 228/234. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos, por meio do Relatório de Encerramento de Diligência, a fls. 245/246. Formalmente notificado do conteúdo do resultado do Relatório de Encerramento de Diligência antes mencionado, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 258/262. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1623.439 11ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 333/364, julgando procedente em parte o lançamento, tão somente para que fosse aplicado o código correto de terceiro (0064) correspondente ao SEBRAE, e retificando o Crédito Tributário na forma exposta no DADR – Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 325/332. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/07/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 372. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 373/380, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que os valores levantados pela Fiscalização não encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento; · Que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente valores lançados na última GFIP, sendo totalmente desconsideradas as informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições; · Que não há fundamento para a emissão de RFFP; · Que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional; · Que a contribuição para o SEBRAE não encontra amparo no art. 195 da CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base em lei ordinária; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 435 5 Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/07/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 13/08/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Recorrente alega que a contribuição para o SEBRAE não encontra amparo no art. 195 da CF/88. Aduz que o referido imposto jamais poderia ser exigido com base em lei ordinária. Pondera também que a empresa está discutindo judicialmente as contribuições referentes ao SEBRAE. As alegações recursais referentes às contribuição destinadas ao SEBRAE não poderão ser apreciadas e julgadas por este Sodalício Administrativo, uma vez que, em seu louvor, o Recorrente tacitamente, abdicou de debatêla na esfera administrativa. Assentado que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 436 7 administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados nos vertentes Instrumentos Recursais interpostos perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.1. DO LANÇAMENTO O Recorrente alega que os valores levantados pela Fiscalização não encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento. Sem razão. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 437 9 tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Interessado, de molde a se afastar a suposta fidedignidade do teor da NFLD em debate. No caso dos autos, de acordo com a resenha fiscal, todos os levantamentos que constituem a presente NFLD (FOP, GFI), foram efetuados com base em informações e documentos fornecidos pela própria empresa, devidamente relacionados no item 7 do Relatório Fiscal: “7. Os valores considerados como salário de contribuição nos levantamentos GFI e FOP encontramse baseados nos seguintes livros e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização quando para tanto intimado através do "Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos" (TIAD) e analisados no decorrer da ação fiscal: a. Resumo das folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, a empresa não entregou a folha de pagamento individualizada; b. Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), documento informativo instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei 8.212191 (redação dada pela Lei 9.528/97), c/c o art. 1º do Decreto 2.803/98; c. "Guias da Previdência Social' (GPS); d. Lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006”. O Órgão Julgador de 1ª Instância, a fls. 12/22 do Acórdão Recorrido, já havia demonstrado que os valores das bases de cálculo apurados na vertente NFLD, representados pelo somatório dos levantamentos FOP e GFI, correspondiam, nos centavos, aos valores consignados como “total salário de contribuição CLT”, declarados pela empresa nos resumos das Folhas de Pagamento acostados a fls. 107/171, à exceção da competência 13/2003, cujo valor lançado pela Fiscalização (R$ 1.197.584,48) foi inferior ao montante consignado na respectiva Folha de Pagamento a fl. 119 (R$ 1.223.064,99). Tal diferença já havia sido verificada pela Autoridade Lançadora, conforme consignado no item 05 do Relatório de Encerramento de Diligência a fls. 245/246: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 “05. Levandose em conta o resumo da Folha de Pagamento juntado as fls. 118, de fato existe uma diferença entre o valor levantado na NFLD e no respectivo resumo: a. NFLD = R$ 1.197.584,48 b. Resumo da FOPAG = R$ 1.223.064,99 06. Assim, de acordo com este resumo da Folha de Pagamento que agora foi juntado ao processo, o valor correto para a base de cálculo do levantamento é de R$ 1.223.064,99 e não o constante na NFLD. 07. Frisese que só ocorreu divergência nesta competência 1312003, para todas as demais competências o valor levantado corresponde exatamente ao valor presente no resumo da Folha de Pagamento apresentado pela empresa.” Ao ser intimada a respeito do conteúdo da Diligência Fiscal ora em apreço, própria Recorrente, a fl. 3 do seu aditamento à impugnação, a fls. 258/262, declarou expressamente inexistir divergências entre os valores lançados na NFLD e os valores consignados nos resumos das Folhas de Pagamento. “Ademais, não há que se falar em qualquer divergência entre o resumo da folha de pagamento em relação aos valores levantados na NFLD, pois conforme pode ser verificado na documentação acostada, os valores levantados em todas as competências sempre corresponderam de forma exata aos valores da folha de pagamento, inclusiva em relação a competência 13/2003, não havendo, portanto, que se falar em qualquer divergência de valores”. Pelas mesmas razões, indeferimos o pedido de perícia formulado pela Recorrente, uma vez que não estão presentes os equívocos por ela, equivocadamente, apontados. Assim, além de não demonstrar a necessidade da perícia, esta foi formulada de maneira genérica, sem a indispensável observância dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, devendo o pedido de perícia ser tido como não formulado, em respeito ao disposto no §1º do mesmo suso citado dispositivo legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) (...) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 438 11 2.2. DA REDUÇÃO DA MULTA DE MORA APLICADA O Recorrente alega que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente valores lançados na última GFIP, sendo totalmente desconsideradas as informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições. Ao tratar da imposição de multa pelo atraso objetivo no adimplemento da Obrigação Tributária Principal, o §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91 dispõe que, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas nas GFIP, a multa de mora será reduzida em cinquenta por cento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Tal redução se justifica administrativamente pelo fato de que, estando as Contribuições Previdenciárias devidas devidamente consignadas nas GFIP entregues à RFB, o Crédito Tributário correspondente passa a ser do conhecimento da Administração Fazendária, eis que registradas na base de dados da RFB, a qual terá o trabalho reduzido de, apenas, proceder a cobrança do crédito devido. Ao revés, não estando registrados tais fatos geradores na base de dados da RFB, a administração tributária deixa de conhecer a existência de contribuições devidas e não recolhidas, necessitando a Fazenda Pública de deflagrar procedimento de Fiscalização nas ordens dos contribuintes para, então, apurar o Crédito Tributário não declarado. De acordo com a legislação tributária que rege os procedimentos inerentes à declaração e entrega de GFIP, a entrega de GFIP posterior, ostentando a mesma chave de GFIP anteriormente entregue, qualificase como GFIP retificadora da anterior, circunstância que implica a integral substituição da GFIP anteriormente entregue. Tratase de procedimento a ser conduzido pelo Contribuinte para corrigir omissões ou incorreções anteriormente declaradas, de modo a evitar cobrança indevida. Assim, mediante a entrega de GFIP retificadora, os registros consolidados na base de dados da RFB passam a espelhar, tão somente, os dados declarados na GFIP Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 retificadora, sendo integralmente deletados os dados inicialmente aviados nas GFIP substituídas. Dessa forma, deixa a Administração Tributária de ter conhecimento das Contribuições Previdenciárias efetivamente devidas pelo contribuinte, sendo necessária a deflagração de procedimento formal de Fiscalização para a apuração dos fatos geradores não registrados no banco de dados da RFB, e consequente constituição do Crédito Tributário correspondente. Cabe destacar também que, da consulta ao Sistema Informatizado GFIP WEB, a Fiscalização constatou que, mesmo após a lavratura da presente NFLD, a Notificada vem promovendo a entrega de novas GFIP, que substituem as anteriores, em todas as competências abrangidas neste lançamento de crédito. Com esse procedimento, a Notificada está continuamente alterando as informações prestadas, deixando de cumprir o dever previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8212/91, que é informar mensalmente os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Por tal razão, não faz jus a Recorrente à redução de multa de mora prevista no §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91. 2.3. DA RFFP O Recorrente alega não haver fundamento para a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 439 13 Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 440 15 Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 2.4. DA TAXA SELIC O Recorrente alega que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o titular do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Com efeito, num mundo globalizado, em que qualquer evento econômico ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul, seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos por cento, como é extremamente comum em nossa economia, com a velocidade e prontidão que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o trâmite procedimental exigido pela CF/88. Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 441 17 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 442 19 Dessarte, se nos afigura não haver vícios na aplicação da taxa SELIC como referência de juros moratórios, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Apreciando a questão da constitucionalidade das contribuições destacadas pelo Recorrente por um outro prisma, aditese que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.001128/200701 Acórdão n.º 2302003.728 S2C3T2 Fl. 443 21 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO.
Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART).
ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.
Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada.
SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração.
ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484-RS.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 26/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixe de comprovar o VTN declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte não faça a apresentação de laudo de avaliação, mormente se o VTN declarado é bastante inferior ao VTN extraído do SIPT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 65 /2 00 9- 73 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 164 2 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante mapa de georreferenciamento do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para fins de cálculo do ITR devido somente são acolhidas as áreas ocupadas com benfeitorias, cuja necessidade e utilidade para a atividade rural seja devidamente comprovada. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração, sendo, contudo, possível a alteração do lançamento, desde que o contribuinte comprove de forma inequívoca o erro cometido no preenchimento da declaração. ÁREA OCUPADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com pastagens. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Vencidos João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão para também restabelecer a área de benfeitorias de 300,0ha. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte Dilson Gerent, OAB 22484RS. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 26/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 165 3 Relatório Contra NAIR HELLER DE BARROS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 96/100, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda São Miguel, com área total de 1.294,5 ha (NIRF 3.255.5920), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 496.112,12, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa parcial da área de preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2006 Declarado Apurado na Notificação de Lançamento 03Área de Preservação Permanente 700,0 ha 333,0 ha 08Área Ocupada com Benfeitorias 320,0 ha 0,00 ha 16Valor da Terra Nua R$ 900.000,00 R$ 3.713.182,64 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 49/74, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0425.974, de 19/09/2011, fls.107/116: Preliminar Suscita invalidade do lançamento pois entende que não ficou configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da técnica do arbitramento (omissão do sujeito passivo, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas art. 10 § 1º, inc. I e art. 14, ambos da Lei 9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT. Complementa argumentando que restaram omissos, na notificação de lançamento, os fundamentos de fato e de direito infringidos, o que afronta o princípio da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72, em conformidade com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme ementas transcritas na peça impugnatória. Reforça que constitui ônus do Fisco a prova quanto à inveracidade dos dados tributários declarados pelo sujeito passivo que autoriza a adoção do arbitramento, conforme preceituam os considerandos e o art. 2º do Decreto 83.936, instituidor do "Programa Nacional de Desburocratização", o art. 14 da lei 9.393/96 e o art. 10 § 7º da Lei 9.393/96 com a redação da MP 216667. Mérito Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 166 4 Afirma, com base no levantamento georeferenciado, protocolocado no INCRA, que a área de preservação permanente (APP) é de 448,7332ha. Afirma também, com base em laudo técnico emitido por profissional habilitado, que a área ocupada com benfeitorias é de 317,0ha, a qual foi reconhecida pela Receita Federal em relação ao exercício 2005. Pretende, com base nisso, que seja considerada aproveitável a área de 528,77ha, correspondente à área total de 1294,5ha menos APP de 448,7332ha e área ocupada com benfeitoria de 317,0ha. Alega que incorreu em erro de fato no preenchimento da DITR ao informar a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças, conforme comprovam os formulários de controle de vacinação do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que a média de animais de grande porte no exercício em questão foi de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de gado foram informadas na DITR do imóvel identificado pelo NIRF 610042749, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças. Diante disso, a área de pastagem utilizada, considerando o índice de lotação de 0,70, seria de 974ha. Considerando que ficou comprovada que a área aproveitável é de 528,77ha, o grau de utilização adotado no lançamento deve ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para 0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no lançamento de 961,5ha, o grau de utilização deve ser alterado para 100% à vista do número de cabeças de animais ora comprovados. Pedido Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar a alegação de que a quantidade de cabeça de animais apascentados no imóvel era 682. Para tanto, indica perito e formula quesitos. Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja reconhecida a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário lançado. A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Cientificada da referida decisão, por via postal, em 21/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 119, a contribuinte apresentou, em 21/11/2011, recurso voluntário, fls. 120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. Em sessão plenária, realizada em 15/10/2013, esta Turma converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2102000.160, cujo dispositivo está assim redigido: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 167 5 Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484. A autoridade fiscal, em atendimento à Resolução acima mencionada juntou aos autos Relatório de Diligência, fls. 226/228, cujo teor a seguir se transcreve parcialmente: Análise objetiva dos documentos distribuídos, pela defesa da contribuinte, junto aos memoriais na sessão de julgamento de 15/10/2013 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: PLANTA DA FAZENDA SÃO MIGUEL, datada de 1968. 1. Foi apresentada à fiscalização a planta original da Fazenda São Miguel, datada de setembro de 1968, elaborada pelo Engenheiro Agrônomo Áureo Gonçalves Dias CREA nº 6566, de propriedade de Nair Heller e Zaira Heller Hulse, situada em Araçá – Município de Barra do Ribeiro e Tapes, da qual foi anexada cópia aos autos. 2. Na planta original apresentada foi constatada a existência de uma área denominada Bacia do Açude de 350 ha. 3. Confrontando a planta original da Fazenda São Miguel apresentada à fiscalização em 30/06/2014 com o Mapa de Área de Preservação Permanente, datado de dezembro de 2009, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Rodrigo Carneiro Monteiro CREA 65.586, anexado aos autos fls.97/98, podese afirmar conclusivamente de tratarse da mesma área, tendo em vista a similitude dos contornos da Bacia do Açude de 350 ha existente, bem como a denominação das fazendas, acidentes geográficos e municípios limítrofes destacados na planta. 4. O Projeto de um Dique de Terra e Canal de Drenagem, datado de janeiro de 1959, elaborado pelo Engenheiro Henrique Kotzian CREA nº 1.165D, cuja documentação original foi apresentada a esta fiscalização em 30/06/2014 e da qual foi anexada cópia aos autos, corrobora a existência do referido açude na Fazenda São Miguel em data anterior à consignada na planta de 1968 apresentada. FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO DE GADOS 1. Foram apresentadas duas Fichas Registro de Vacinações e Movimentação de Gados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Departamento de Produção Animal, Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária do Estado do Rio Grande do Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 168 6 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, bem como data de protocolo ou qualquer outro ateste com as Fichas originais. 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, bem como o endereço consignado nas Fichas é Estrada 09 e Estrada 02, distância e localização Guará, diferente do endereço da Fazenda São Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do RibeiroTapes, município de Tapes/RS. 4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro de 2004 tem por número “62”, já a Ficha com dados de dezembro de 2005 tem por número “55”, assinalando uma contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos públicos. 5. A contribuinte Nair Heller de Barros não apresentou documentação formal que consignasse os componentes da Parceria Butiá. Por conseguinte, embora haja coincidência no estoque de animais de grande porte em 31/12/2004 (1.768) e 31/12/2005 (1.684), constante das Fichas de Registro de Vacinações e Movimentação de Gados com o somatório do estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006 dos seguintes contribuintes Nair Heller de Barros, Carmem Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja cópia das DIRPF 2006 foram anexadas aos autos, não é possível concluir de tratarse do mesmo rebanho de animais, por ausência de documentação formal discriminando os componentes da Parceria Butiá. Cientificada do teor da diligência, a contribuinte assim se pronunciou, fls. 231/255: Diante de tais considerações do Fisco, a Requerente vem prestar os seguintes esclarecimentos adicionais, bem como apresentar cópia original e autenticada da constituição da “Parceria Butiá”, demonstrando a veracidade de tudo o quanto, até agora, foi alegado, a saber: a) o carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento consta “Fichas de Vacinação” dos anos de 2002 (ano da constituição da Parceria Butiá) e 2004, conforme provas anexas (cópias autenticadas), o que corrobora a autenticidade, também, das Ficha dos anos de 2005 e 2006. b) quanto ao fato de constar, nas referidas Fichas, o nome Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, se justifica porque, no ano de 2002, foi constituída a referida Parceria, conforme prova a anexa cópia autenticada do Contrato Particular de Constituição de Parceria, composto dos imóveis de propriedade de Nair Heller de Barros, Carmen Heller de Barros, Rodrigo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 169 7 Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, co ms áreas nele discriminadas; c) já no que se refere ao endereço constante das Fichas de Vacinação (Estrada 09 e Estrada 02 – Distancia e Localização Guará), tratase de dados preenchidos pelas autoridades sanitárias, sem a ingerência do proprietário do gado. Entende a Requerente, contudo, que a prova documental anexa, dando conta da efetiva existência da Pareceria Butiá, constituise na demonstração inequívoca de que as Fichas de Vacinação comprovam a efetiva movimentação de gado tal como declarada em cada anocalendário, como estoque inicial e estoque final, pelos parceiros; d) de igual forma, entende, a Requerente, ser irrelevante o fato de constar números diferentes (62 e 55) nas Fichas de Vacinação. Como dito referidas Fichas são preenchidas pelas autoridades sanitárias, não havendo nenhuma ingerência do proprietário do gado, par tanto; e e) Entendese, comprovado que o rebanho de gado declarado por Nair Heller de Barros, Carmen Heller de Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, é coincidente com o que consta nas Fichas de Vacinação e que a sua divisão foi feita de conformidade com o que ficou estabelecido no Contrato de Parceria Rural que deu origem à Parceria Butiá. Como reforço a tal argumento, a Requerente chama a atenção para o fato de, numa das Fichas de Vacinação anexas, aberta no ano de 2002, quando foi constituída a referida Parceria Butiá, ter constado, no alto do campo esquerdo, os nomes dos seus componentes, apostos datilograficamente. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 170 8 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento, alegando que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), que não constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos e que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades dos dados declarados pelo contribuinte na DITR. De pronto, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. E mais, na Notificação de Lançamento estão devidamente descritas todas as infrações imputadas à contribuinte, com a competente descrição dos fatos e os correspondentes enquadramentos legais, de modo que não pode prosperar a alegação da defesa de que não constam do lançamento os fundamentos de fato e de direito infringidos. Por fim, ainda no que tange a argüição de nulidade do lançamento, devese apreciar a alegação da contribuinte de que é ônus da autoridade fiscal demonstrar as inverdades dos dados declarados pelo contribuinte na DITR, em razão do disposto no parágrafo 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, abaixo transcrito, e também de que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN. §7oA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) De pronto, cumpre dizer que o disposto no parágrafo acima transcrito refere se apenas às áreas de preservação permanente, de reserva legal e de servidão ambiental, não se aplicando no que pertine ao VTN, sendo certo que no caso presente, no que concerne à área de preservação permanente, restou evidenciado nos autos que a declaração da contribuinte não é verdadeira, posto que existe nos autos laudo técnico fornecido pela contribuinte com indicação de área de preservação permanente com dimensão menor do que aquela indicada pela contribuinte em sua declaração. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 171 9 Ainda sobre o tema, devese observar o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) (...) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação. Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 172 10 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verificase que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º do art. 10, mencionado pela contribuinte, apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, como necessários à fruição da isenção do ITR. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 173 11 Já no que concerne ao arbitramento do VTN assim está determinado no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No presente caso, em sua DITR/2006, a contribuinte informou VTN de R$ 900.000,00 e foi intimada a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 07/08, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que a contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado e verificado que o valor declarado pela contribuinte estava bastante inferior ao VTN disponível no Sistema de Preço de Terras (SIPT), a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua, fazendo uso de valor extraído do referido sistema. Observese que a falta de comprovação do VTN declarado aliado ao fato de o valor declarado pela contribuinte ser bastante inferior àquele constante do SIPT caracteriza a subavaliação e autoriza o arbitramento do VTN, tudo nos termos do disposto no art. 14, acima transcrito. Logo, não pode prevalecer a alegação da contribuinte de que não ficaram configuradas nos autos as hipóteses autorizadoras para o arbitramento do VTN. Nestes termos, afastase a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela defesa. Prosseguindo, passase ao exame das alegações de mérito trazidas pela recorrente. No que tange a área de preservação permanente, a contribuinte afirma que com base em georreferenciamento realizado no imóvel, concluiuse que a referida área tem dimensão de 448,7 ha. Conforme já dito neste voto, a contribuinte informou em sua DITR/2006 uma área de preservação permanente de 700 ha. Ocorre que, durante o procedimento fiscal, apresentou laudo técnico, fls. 28/31, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde está atestada a existência de uma área de preservação permanente na Fazenda São Miguel de 333,0 ha, que foi a área acolhida pela autoridade fiscal no lançamento. Nesse ponto, importa observar que há nos autos cópia de ADA, fls. 13, encaminhado ao IBAMA em 31/07/2007, onde há a informação de área de preservação permanente de 700,0 ha, sendo certo que tal ADA, embora intempestivo, foi acolhido pela autoridade fiscal. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 174 12 Quanto ao georreferenciamento do imóvel, consta nos autos a cópia da correspondente Anotação de Responsabilidade Técnica, fls. 89, e mapa, fls. 87, também assinado por engenheiro agrônomo em dezembro de 2009, onde consta um quadro que indica área de preservação permanente de 448,7 ha, que não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância em razão da intempestividade do ADA. Ora, veja que a autoridade fiscal já havia acolhido o ADA intempestivo, sendo que a motivação que ensejou a glosa parcial da área de preservação permanente foi a falta de comprovação da existência da referida área. Nestes termos, diante do georreferenciamento realizado na Fazenda São Miguel em data posterior à execução do Laudo Técnico, devese acolher a pretensão da recorrente de ver reconhecida para fins de cálculo do ITR devido uma área de preservação permanente de 448,7 ha, posto que suprida a falta de comprovação da existência da área, que motivou o lançamento. Quanto às áreas ocupadas com benfeitorias, temse que a glosa se deu em razão da falta de comprovação da existência das mesmas, sendo relevante dizer que a autoridade fiscal deixou claro na descrição dos fatos que, se existentes, fazerseia necessária a demonstração de que as benfeitorias fossem úteis e necessárias à atividade rural. Quando da apresentação da impugnação a contribuinte juntou aos autos laudo técnico, fls. 83/85, firmado em 03/10/2007, por engenheiro agrônomo, onde está atestada a existência, na Fazenda São Miguel, de uma área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural de 317,0 ha. Tal laudo não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância por referirse a situação do imóvel em 03/10/2007, deixando de especificar as benfeitorias existentes no ano de 2006 e também porque o laudo menciona a existência de barragem de 300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006. Da diligência determinada por esta Turma restou demonstrado que referida barragem, com 300 ha, era préexistente ao fato gerador do exercício 2006, contudo, não restou demonstrado nos autos que referida benfeitoria fosse útil e necessária à atividade rural, nos termos do que dispõe os arts. 10, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.393, de 1996 e o art. 17 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 175 13 (...) Benfeitorias Úteis e Necessárias Art. 17. Para fins do disposto no inciso II do art. 16, consideram se ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 Código Civil, art. 63): I as áreas com casas de moradia, galpões para armazenamento da produção, banheiros para gado, valas, silos, currais, açudes e estradas internas e de acesso; II as áreas com edificações e instalações destinadas a atividades educacionais, recreativas e de assistência à saúde dos trabalhadores rurais; III as áreas com instalações de beneficiamento ou transformação da produção agropecuária e de seu armazenamento; IV outras instalações que se destinem a aumentar ou facilitar o uso do imóvel rural, bem assim a conserválo ou evitar que ele se deteriore. Quanto à alegação da recorrente de que a área ocupada com benfeitorias de 317,0 ha já foi reconhecida pela Receita Federal, em relação ao exercício 2005, conforme consta assinalado na Notificação de Lançamento, fls. 90/91, temse que a contribuinte deixou de juntar aos autos os elementos que conduziram a autoridade fiscal naquele caso em reconhecer a existência de tal área. Nestes termos, deve ser mantida integralmente a glosa da área ocupada com benfeitorias, posto que não restou demonstrada a necessidade e a utilidade de tal barragem para a atividade pecuária desenvolvida pela recorrente no referido imóvel. Por fim, a recorrente pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha para 974 ha, dado que quando do preenchimento da DITR teria informado a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. De pronto cumpre dizer que, tratandose de matéria que não faz parte do objeto da autuação, oportuno observar o que diz a Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (...) Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. (grifei) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 176 14 Considerando a legislação supra, resta evidente que o órgão julgador não é o fórum adequado para o exame da questão, sendo certo que se poderia até admitir a retificação da DITR, desde que a contribuinte demonstrasse, de forma inequívoca, que de fato incorreu em erro de preenchimento. Durante os procedimentos da diligência, solicitada por esta Turma, a contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação, fls. 177/181, esclarecendo que: 12 – Afora isso, em atendimento ao solicitado através do item 2 da Intimação, está sendo comprovada a efetiva quantidade média de animais de grande porte (bovinos e eqüinos), na área de pastagens, através da “Ficha de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados”, do Departamento de Produção Animal – Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária Animal, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul, através da qual é possível constatar que o estoque inicial de animais de grande porte em 31/12/2004 era de 1886 cabeças, e que este estoque, em 31/12/2005 era de 1684 cabeças, com o que foi apurada uma média de 1735 cabeças. 13 – Do referido estoque, pertenciam á Intimada, 893 cabeças de gado bovino, em 31/12/2004 e 842 cabeças da mesma espécie, em 31/12/2005, como declarado. As restantes cabeças de gado, constantes da referida ficha de Vacinação, pertenciam aos seus filhos, como também declarado e indicado no já referido quadro resumo. (...) Observese que no recurso a contribuinte afirmou que teria informado a existência de 225 cabeças de gado na DITR/2006, quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. Já na resposta ao Termo de Intimação novamente modificou a informação, dizendo possuir 893 em 31/12/2004 e 842 em 31/12/2005, que daria uma média de 867,5 cabeças de gado no ano de 2005, considerandose apenas os estoques no início e no final do ano. Para comprovar suas alegações a contribuinte apresentou Fichas Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, fls. 183/186, e a autoridade fiscal assim se pronunciou sobre as mesmas: FICHA REGISTRO DE VACINAÇÕES E MOVIMENTAÇÃO DE GADOS 1. Foram apresentadas duas Fichas Registro de Vacinações e Movimentação de Gados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Departamento de Produção Animal, Divisão de Fiscalização e Defesa Sanitária do Estado do Rio Grande do Sul, em nome da contribuinte Nair Heller de Barros. 2. Foram apresentadas cópias autenticadas das referidas Fichas e não as Fichas originais. Nas fichas apresentadas não constam carimbo da fiscalização da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, bem como data de protocolo ou qualquer outro ateste com as Fichas originais. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 177 15 3. O nome do estabelecimento constante nas Fichas é Parceria Butiá e não Fazenda São Miguel, bem como o endereço consignado nas Fichas é Estrada 09 e Estrada 02, distância e localização Guará, diferente do endereço da Fazenda São Miguel constante do cadastro na RFB, que é Estrada Barra do RibeiroTapes, município de Tapes/RS. 4. A Ficha com registro de movimentação com data de dezembro de 2004 tem por número “62”, já a Ficha com dados de dezembro de 2005 tem por número “55”, assinalando uma contagem regressiva de controle, costume não usual dos órgãos públicos. 5. A contribuinte Nair Heller de Barros não apresentou documentação formal que consignasse os componentes da Parceria Butiá. Por conseguinte, embora haja coincidência no estoque de animais de grande porte em 31/12/2004 (1.768) e 31/12/2005 (1.684), constante das Fichas de Registro de Vacinações e Movimentação de Gados com o somatório do estoque de animais de grande porte constante nas DIRPF 2006 dos seguintes contribuintes Nair Heller de Barros, Carmem Heller Barros, Rodrigo Correa de Barros, Napoleão Correa de Barros Neto e Helena Heller Domingues de Barros, cuja a cópia das DIRPF 2006 foram anexadas aos autos, não é possível concluir de tratarse do mesmo rebanho de animais, por ausência de documentação formal discriminando os componentes da Parceria Butiá. A despeito das justificativas deduzidas pela defesa depois de ser cientificada do referido Relatório Fiscal, fato é que para ter sua DITR/2006 retificada, necessário seria, conforme já aqui mencionado, que a contribuinte comprovasse, de forma inequívoca, o erro de preenchimento da DITR. Nesse sentido, devese observar o disposto no art. 25 da Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002: Art. 25. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observandose que: I a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel. § 1º Consideramse, dentre outros, animais de médio porte os ovinos e caprinos e animais de grande porte os bovinos, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 178 16 bufalinos, eqüinos, asininos e muares, independentemente de idade ou sexo. § 2º Caso o imóvel rural esteja dispensado da aplicação de índices de lotação por zona de pecuária, considerase área servida de pastagem a área efetivamente utilizada pelo contribuinte para tais fins. Do artigo acima transcrito resta evidenciado que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária. Em nenhum momento foi comprovado pela contribuinte qual a área efetivamente utilizada. E mais, a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel e não a média entre o estoque de cabeças de gado no início e no final do mês, sendo certo que a Ficha de Vacinação pode ser tomada como prova da quantidade de gado, desde que acompanhada da Nota Fiscal de compra das vacinas ali indicadas. Como bem afirmou a autoridade fiscal tais documentos não tem assinaturas, sendo certo que as informações ali contidas não se prestam para demonstrar de forma inequívoca a área ocupada com pastagens. Acrescentese que a contribuinte juntou aos autos cópia do Contrato Particular de Constituição de Parceria, fls. 238/252, cuja Décima Primeira Cláusula esta assim redigida: Os administradores da Parceria comprometemse a efetuar um balanço físico e contábil de suas administrações a cada ano, dando ciência a cada um de seus integrantes. Ora, tratandose de parceria, cujo único objetivo social é a exploração da pecuária e levandose em consideração que a parceria estava sujeita à escrita contábil causa bastante estranheza que a contribuinte não tenha lançado mão dos livros contábeis para fins de demonstração dos estoques de cabeça de gado, preferindo fazer uso de Fichas de Vacinação, sem assinaturas ou qualquer protocolo de recebimento e desacompanhadas das Notas Fiscais de compras das vacinas. Nessa conformidade, rejeitase o pedido de retificação da DITR/2006, solicitada pela contribuinte. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, uma área de preservação permanente de 448,7 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.723165/200973 Acórdão n.º 2102003.250 S2C1T2 Fl. 179 17 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 11070.722318/2011-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Relatório
DO LANÇAMENTO
Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006.
Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos.
Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio.
Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal:
I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda.
II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A.
III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente.
IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização.
VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio.
VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista SLC à SLC John Deere S.A.
VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão.
IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00.
X-) Em 31/7/1999, a SLC John Deere S.A. incorporou a JDB.
XI-) A Evaux não foi extinta.
Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões.
Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa.
Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC John Deere S.A.
Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa.
Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior.
Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação.
Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações.
Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux.
Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora.
Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31.
Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir.
De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada casa-separa, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo):
a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos;
b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida;
c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta);
d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada;
e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada);
f) a empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.
Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos.
DA IMPUGNAÇÃO
Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo).
Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01.
Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar.
Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico.
Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada.
Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país.
Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.
Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país.
Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte:
I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996:
II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo O Agronegócio na Economia Brasileira 1994 a 1999.
III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A.
IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período:
V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C.
VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C.
VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período:
VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão:
IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação:
X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram.
Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa veículo, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades.
Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo):
Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.
Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa.
Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996.
Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro.
Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação.
Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída.
Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio.
Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição.
Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio.
Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio.
Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB.
Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido.
Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente.
Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos.
Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander.
Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos.
Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas.
Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina.
Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país.
Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante.
Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência.
Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente.
Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido.
Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil.
Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente.
Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência.
Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea a, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a teoria da imputação subjetiva, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade.
Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina.
Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis.
Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic.
DA DECISÃO DA DRJ
Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue.
Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.
Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento.
Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento.
Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial.
Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração.
Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina.
Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência.
Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países.
Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%.
Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura.
Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC.
Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada.
Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC.
Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação.
Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta.
Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso.
Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos.
DO RECURSO VOLUNTÁRIO
Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação.
Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar.
Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais.
Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente.
Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro.
Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio.
Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação.
Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil.
Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor.
Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao ano-calendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no ano-calendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I-) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II-) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III-) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC - John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC - John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV-) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V-) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI-) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII-) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista SLC à SLC John Deere S.A. VIII-) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX-) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X-) Em 31/7/1999, a SLC John Deere S.A. incorporou a JDB. XI-) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anos-calendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no ano-calendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no ano-calendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionam-se com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada casa-separa, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 e-processo): a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente recursos financeiros, incorporando-se tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações. Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e-processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anos-calendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I-) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II-) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo O Agronegócio na Economia Brasileira 1994 a 1999. III-) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV-) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: V-) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI-) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII-) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII-) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: IX-) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X-) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa veículo, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do e-processo): Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fez-se necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência. Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referem-se a operações ocorridas no período-base de 1999, essa autuação encontra-se atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no período-base de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o Decreto-Lei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresas-veículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é auto-aplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no ano-calendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No ano-calendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boa-fé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea a, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a teoria da imputação subjetiva, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelando-se a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anos-calendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, deve-se também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrer-se em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendo-se os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (e-processo), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto- lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Voto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcos Shigueo Takata (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .7 22 31 8/ 20 11 -0 7 Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.629 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, em que há a exigência do crédito tributário no montante de R$ 8.386.812,30 referente ao anocalendário de 2005, e a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no anocalendário de 2006. Primeiramente, alegou que a recorrente não atendeu de forma completa a intimação e reintimação realizada pela fiscalização, tendo em vista a sua repetida e contínua mora no fornecimento de documentos. Os autos de infração decorreram da dedução de amortização do ágio pago em processo de reestruturação societária que teve como participantes os grupos Schneider Logemann e John Deere, controladores da SLC S.A. Indústria e Comércio. Essa reestruturação teve início em 1979, quando a John Deere se associou a Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio, e teve a seguinte evolução temporal: I) Foi realizada uma reorganização societária em 1996, que fez com que a Deere & Company passasse a deter 40% do capital social da SLC S.A. e trouxe a constituição da holding John Deere Brasil Participações Ltda. II) Em julho de 1998, a sociedade Aços Planos do Sul S.A, com capital social de R$ 100,00, foi constituída, e em agosto do mesmo ano essa passou a ter como sua denominação social Evaux Participações S.A. III) Em 25/6/1999, mediante a emissão de 621.321.825 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, houve o aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00. As ações foram subscritas pela Schneider Logmann S.A. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC John Deere S.A. (antiga SLC S.A. Indústria e Comércio). Assim, a Evaux passou a deter 60% do capital social da SLC John Deere S.A. e a John Deere do Brasil Participações Ltda. 40% do capital remanescente. IV) Em 1999, a Deere & Company (D&C) constituiu a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), com capital social de R$ 100,00 e, no mesmo ano, devido à integralização feita integralmente por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, esse capital social passou a ter o valor correspondente a R$ 154.558.300,00. Além disso, essa ultima foi capitalizada pela 1ª empresa em mais de R$ 155.451.600,00, através de operações de empréstimos, V) Em 30/6/1999, a Evaux realizou o aumento do seu capital social para R$ 221.892.584,00, com a emissão de 303.230.193 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, e que somam o montante de R$ 305.542.800,00 onde, do preço de emissão, R$ 72.775.246,00 foram destinados ao capital social e R$ 232.767.654,00 foram destinados à reserva de ágio para futura capitalização. VI) A JDB contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, que corresponde à diferença entre o valor integralizado e o capital na Evaux, fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. Além disso, a integralização das ações em aumento de capital realizada pela JDB, teve o mesmo valor Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.630 3 patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo o excedente contabilizado como ágio. VII) Ainda em 30/6/1999 foi firmado o Contrato de Cessão e Transferência de Marca, onde a Schneider Logemann cedeu gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A. VIII) Em 1/7/1999, houve AGE da Evaux aprovando o protocolo de cisão parcial e justificação. Essa cisão foi realizada pela versão à JDB da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas de emissão da SLC – John Deere S.A. Essa versão não alterou o capital social (da JDB) e substituiu a participação social detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão. IX) Pela extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas de propriedade da JDB, a Evaux reduziu seu capital social de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00. X) Em 31/7/1999, a SLC – John Deere S.A. incorporou a JDB. XI) A Evaux não foi extinta. Analisando a evolução temporal da reestruturação societária ocorrida, a fiscalização extraiu algumas conclusões. Primeiramente concluiu que, de acordo com o item VI, o ágio foi suportado pela empresa sediada no exterior D&C, pois os recursos utilizados pela JDB para aportar capital na Evaux se originaram da primeira empresa. Ainda de acordo com o item retromencionado, afirmou que a Schneider Logemann indicou que a natureza é do ágio de rentabilidade de exercícios futuros, não observando as parcelas derivadas do fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. Com relação ao item VII, consignou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97, esse indica que o ágio foi, de forma oportuna e deliberada, direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros, de modo a fazer com que a sociedade incorporadora pudesse usufruir do expediente legal da amortização antes da realização do investimento que lhe deu causa. Ainda em relação ao item retromencionado apontou que, tendo em vista que esse contrato estabelecia a forma em que a operação de subscrição das ações deveria ser realizada, é possível concluir que isso foi feito de maneira premeditada, com o intuito de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. possuía na SLC – John Deere S.A., por meio do pagamento em moeda nacional pela sociedade sediada no exterior. Acerca do item VIII, acentuou que a forma como foi realizada a cisão indica que essa foi mais uma operação circunstancial realizada pela recorrente com o intuito de obter vantagem fiscal. Isso porque houve a quase instantaneidade de atos societários, a coincidência de agentes e a não observância das exigências da lei societária que determina que a operação de cisão deve ser submetida à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas, mediante justificação. Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.631 4 Observou que, em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. escriturou em seu balanço patrimonial o empréstimo obtido junto à D&C no montante de R$ 155.451.600,00, o ágio apurado pela incorporada correspondente a R$ 156.425.562,00 e os reflexos dessas operações. Apontou que a empresa John Deere do Brasil Ltda. apenas realizou operações ligadas à incorporação da participação da SLC – John Deere S.A., ao recebimento dos recursos aportados pela Deere & Company, à incorporação reversa pela sociedade investida e ao repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux. Ressaltou que não há equivalência entre a verdade real e a vontade ostensiva no que tange a criação da John Deere do Brasil Ltda. Isso porque, tendo em vista que essa foi incorporada pela SLC – John Deere S.A. antes mesmo de ter entrado em atividade, resta evidente que não havia interesse econômico na sua criação além da redução de tributos, uma vez que essa apenas foi utilizada como empresa veículo para realizar a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da incorporadora. Afirmou que a recorrente teve como fundamento para a amortização do ágio os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/97 e o artigo 426 do RIR. Esse ágio registrado por ele foi amortizado nos anoscalendários posteriores à incorporação, sendo que, até o ano de 2004, o montante amortizado corresponde a R$ 101.676.615,26, no anocalendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40, e no anocalendário de 2006 o valor de R$ 23.463.834,31. Apontou que foi aplicada ao caso em questão a multa de 150%, pois todas as operações societárias realizadas em 1999 pela recorrente relacionamse com as hipóteses previstas no artigo 72 da Lei 4.502/64 por terem sido feitas em sequência e por todo o instrumento societário e empresarial criado indicar a predeterminação dos agentes e a vontade de agir. De acordo com tudo o que foi exposto, concluiu que o ocorrido no caso em questão foi a operação denominada “casasepara”, em que há várias sociedades envolvidas em um liame negocial societário, de modo que uma sociedade é utilizada como veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência da outra sociedade. Essa operação tem como objetivo evitar a tributação do ganho de capital e a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, trazendo os seguintes efeitos no presente caso, conforme trecho do termo de constatação fiscal infratranscrito (fls. 2.883 e 2.884 eprocesso): “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizaram, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – recursos financeiros, incorporandose tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (de qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.632 5 d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – o contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – o contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada) passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Sendo assim, alegou que toda a reestruturação societária realizada pela recorrente e as demais empresas retromencionadas teve como objetivo a redução de tributos. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2.970 a 3.034 (e processo). Primeiramente, alegou que os autos de infração devem ser considerados nulos, tendo em vista que a fiscalização, ao analisar a amortização de ágio despendido na aquisição da SLC S.A. Indústria e Comércio para fins de IRPJ no ano calendário de 2007, e estender a fiscalização para os anoscalendário de 2005 e 2006, desrespeitou o artigo 10 da Portaria 3.007/01. Isso porque o diploma legal mencionado determina que se houver alterações referentes a tributos ou contribuições e períodos de apuração no Mandado de Procedimento Fiscal, deve ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Afirmou que a fiscalização realizou um juízo pessoal e preconceituoso ao analisar o caso, de forma a tentar induzir a opinião das autoridades julgadoras, e que as sociedades holding que participaram das operações junto à recorrente foram criadas em concordância com todas as leis societárias brasileiras e em um contexto econômico específico. Com relação à alegação da fiscalização no sentido de que as empresas holding foram criadas apenas com o intuito de reduzir tributos, afirmou que essa alegação significa ignorar o objeto social próprio dessas empresas, que é participação em outras sociedades. E que, além disso, isso corresponde a uma tentativa da fiscalização de determinar qual é a melhor forma de a recorrente organizar o seu grupo societário e atuar financeira e comercialmente, o que afronta ao princípio da livre iniciativa privada. Consignou que a recorrente, assim como a fiscalização, quer que o caso seja visto como um filme e não como uma fotografia, pois a jurisprudência e a doutrina dominante têm entendido que o exame da validade das operações do contribuinte deve analisar as razões empresariais e extra tributárias que motivaram as suas operações. Nesse sentido, afirmou que Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.633 6 as operações da recorrente foram motivadas pelas razões empresariais e extra tributárias de promover a expansão da atuação da D&C no país. Atestou que o Grupo John Deere emprega cerca de 52 mil funcionários em suas fábricas situadas em 17 países e investe cerca de 2 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Evidenciou que até hoje a John Deere investe na produção e comercialização de seus equipamentos no Brasil, tendo 3 fábricas e empregando 3.975 pessoas no país. Realizou um breve histórico das alterações societárias da recorrente, em que, em síntese, afirmou o seguinte: I) Em 1979 a D&C iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma associação com a Schneider Logemann & Cia. Ltda. com a aquisição de 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio e, em 1996, a fim de organizar seus investimentos no país, as duas empresas efetuaram uma reorganização societária que trouxe o aumento da participação da D&C na SLC de 20% para 40% e a criação da John Deere Brasil Participações Ltda. (empresa holding). Após isso, a D&C transferiu a sua participação na SLC à JD Participações. Quanto a isso colacionou quadro que demonstra como era a organização societária no final de 1996: II) Apesar de em 1999 a moeda brasileira estar desvalorizada e haver um cenário de forte instabilidade econômica, doméstica e internacional, o Brasil oferecia, no campo da agricultura, um mercado promissor e atrativo para as empresas do setor, o que fez com que a D&C realizasse operações a fim de aumentar sua atuação no País. Quanto a isso, colacionou trecho do estudo “O Agronegócio na Economia Brasileira – 1994 a 1999”. III) Em 15/6/1999 a D&C constituiu uma nova holding no Brasil, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB), que era controlada também pela empresa situada no exterior Deere Payroll Services Inc. (DPS) e, no ano anterior, a Schneider Logemann também havia constituído a holding Evaux Participações S.A. IV) Em 25/6/1999, a Evaux, através da integralização de capital, passou a deter a participação de 60% que a Schneider Logemann possuía na SLC, passando a ser essa última empresa a controlada de duas holdings denominadas JD Participações e Evaux. Ou seja, a Schneider Logemann conferiu ao capital da Evaux o investimento que essa tinha na SLC, trazendo assim o aumento de capital da Evaux. Nesse sentido, colacionou esquema do controle acionário da SLC neste período: Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.634 7 V) Em 28/6/1999, o capital social da JDB sofreu um aumento de R$ 100,00 para R$154.558.300,00, o qual foi integralizado integralmente pela D&C, por meio do Contrato de Câmbio 99/003706, no valor correspondente a US$86.500.000,00, recursos que efetivamente entraram no Brasil. Sendo assim, a JDB sofreu um aumento de capital com recursos integralizados pela D&C. VI) Ainda em junho de 1999, com o intuito de expandir sua atuação no Brasil, a D&C capitalizou a JDB através de operações de empréstimos, com o valor equivalente a R$ 155.451.600,00, fazendo com que o capital da JDB sofresse novamente um aumento devido a atuação da D&C. VII) Em 30/6/1999, devido ao Contrato de Subscrição de Ações, a Evaux, em aumento de capital ocorrido na mesma data, emitiu 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, que foram subscritas e integralizadas pela JDB, no valor de R$ 305.542.800,00, o qual apurou um ágio de R$ 156.425.562,00. Desse modo, a JDB subscreveu e integralizou o aumento de capital da Evaux. Quanto a isso, colacionou quadro demonstrativo do controle acionário da SLC neste período: VIII) Em 1/7/1999, foi aprovado o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação da Evaux, que fez com que o Grupo John Deere, então formado pela D&C, DPS, JDB, JD Participações e SLC, se tornasse independente do grupo econômico formado pela Schneider Logemann. Sendo assim, houve a cisão parcial da Evaux com ruptura do quadro de sócios, em que foi vertido para a JDB o investimento na SLC, o qual justificou o ágio pago pela JDB mencionado no item anterior. Além disso, alegou que a separação desses dois grupos econômicos foi o que motivou esta cisão, pois como a D&C era líder mundial no campo do agronegócio, ela poderia atuar de forma independente no Brasil. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra como ficou a independência dos dois grupos após a cisão: Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.635 8 IX) Em 31/7/1999, a SLC incorporou a JDB, realizando a incorporação reversa, que foi feita de acordo com a lei, teve os Protocolos de Incorporação e Justificação aprovados e teve a realização do Laudo elaborado pela empresa Ernst Young Auditores Independentes S/C. Essa incorporação fez com que os quotistas da JDB recebessem ações representativas do capital social da SLC, que passou a ser controlada pela JD Participações, pela D&C e pela DPS, que possuía apenas uma ação ordinária nominativa que foi transferida à D&C. Juntou quadro que demonstra a situação do grupo após a incorporação: X) Após essas operações, a SLC passou a escriturar em seu Balanço Patrimonial o ágio anteriormente apurado pela JDB no valor de R$ 156.425.562,00, que passou a ser amortizado de acordo com a legislação e que foi fundamentado nas razões econômicas que o motivaram. Afirmou que todas as reorganizações societárias retromencionadas foram feitas de acordo com a legislação brasileira e que, diferentemente do que foi afirmado pela fiscalização, a Evaux não é uma empresa “veículo”, uma vez que essa, além de continuar ativa até hoje (13 anos após a ocorrência dos fatos narrados), por ser uma holding, tem como objeto a participação em outras sociedades. Com relação ao item IX, afirmou que a incorporação da JDB foi necessária para facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre as empresas, de acordo com trecho da impugnação infratranscrito (fl. 2983 do eprocesso): “Conforme consta do referido Laudo, essa incorporação da JDB pela SLC de justifica uma vês que a JDB era uma holding que passou a controlar apenas a SLC, sendo que a D&C já possuía a JD Participações como holding controladora da SLC. Por conta disso, de modo a facilitar a administração dos negócios da D&C no Brasil e gerar maior integração entre tais empresas, a incorporação da JDB fezse necessária. Importante notar que, mais uma vez, todos esses passos foram feitos em estrita observação da legislação brasileira e com completa transparência.” Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.636 9 Aduziu que as mencionadas reorganizações societárias sucessivas fizeram com que ocorresse a expansão da atuação da D&C no Brasil, a emancipação dessa atuação frente ao Grupo Schneider Logemann e simplificou a estrutura do grupo econômico trazendo uma maior integração e unidade administrativa. Ressaltou que essas operações societárias analisadas ocorreram apenas em 1999 e envolveram empresas e relações societárias que haviam sido criadas em 1979 e 1996. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, essas operações não foram simuladas, pois tinham razões empresariais e extratributárias para serem realizadas dessa forma. Além disso, alegou que o ágio em questão originou de operações verdadeiras, praticadas em condições de mercado e que visavam a reestruturação societária a fim de ter uma maior participação, de forma independente, no mercado brasileiro. Alegou que como os autos de infração referemse a operações ocorridas no períodobase de 1999, essa autuação encontrase atingida pela decadência, tendo em vista que, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, deve ser observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária, bem como que o direito à amortização do ágio nasce no momento da incorporação. Além disso, afirmou que o fato de essas operações produzirem efeitos futuros é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, conforme o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ainda em relação à decadência, aduziu que, mesmo que a fiscalização entenda que a decadência dos tributos em questão deve ser contada anualmente, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL referentes aos fatos geradores ocorridos no períodobase de 2005, está decaída. Isso porque não houve dolo, fraude ou simulação, não podendo ser aplicado o prazo do artigo 173, I, do CTN, mas sim o do artigo 150, § 4º do mesmo diploma legal, bem como tendo em vista que, segundo o DecretoLei 1.967, o artigo 150, § 4°, do CTN, o artigo 57 da Lei 8.981/95 e o artigo 28 da Lei 9.430/96, esses são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ressaltou que é impossível alegar a inexistência do ágio em comento, uma vez que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por meio de cisão, observando o preço de mercado e que, por ter adquirido essas quotas por um valor superior ao valor do patrimônio liquido da recorrente, essa empresa foi obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio liquido da recorrente e em ágio. Dessa forma, consignou que, de acordo com o artigo 3º, § 3°, da Lei 7.713/88, a conferência de bens em integralização de capital é ato de alienação/aquisição. Apontou que a JDB adquiriu a recorrente para os fins do artigo 7° da Lei 9.532/97, que não determinou uma forma específica pela qual a participação poderia ser adquirida com ágio. Acrescentou que, mesmo que a fiscalização não considere que a JDB adquiriu as cotas da recorrente por cisão, há previsão legal e jurisprudencial para a existência desse ágio. Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.637 10 Alegou que a cisão parcial com a versão da participação retromencionada representa uma alienação para a Evaux e uma aquisição para a JDB. Quanto à regularidade da formação do ágio, afirmou que a JDB, ao adquirir as cotas da requerente na cisão parcial da Evaux e desdobrar em sua contabilidade o custo de aquisição do investimento que essa passou a deter em valor de patrimônio líquido da recorrente e em ágio, agiu de acordo com a determinação do artigo 385 do RIR. Isso porque o valor de mercado da requerente era superior ao seu patrimônio líquido. Nesse sentido, afirmou que o ágio mencionado se apresenta com a justificativa econômica de expectativa de rentabilidade futura da requerente. Apontou que a amortização fiscal do ágil foi realizada de forma correta, pois o artigo 8º da Lei 9.532/97 estabelece que se a sociedade controlada incorporar a controladora, o ágio deve ser tratado como um ativo amortizável para fins fiscais na sociedade sobrevivente à incorporação, em um prazo mínimo de 5 anos. Além disso, apontou que a doutrina estabelece que nesses casos, o que importa é a unificação dos patrimônios dessas sociedades e não a ordem de incorporação. Quanto a isso, colacionou doutrina e jurisprudência sobre os casos Gerdau, Tele Norte e Santander. Aduziu que a fiscalização confere, de forma equivocada, uma abrangência estrita aos artigos 385 e 386 do RIR, e que, mesmo que isso fosse correto, as operações em exame ainda estariam acolhidas por esses dispositivos. Ainda acerca dos artigos supracitados, afirmou que não é verdadeira a alegação da fiscalização no sentido de que a requerente não está submetida às suas regras por serem as suas operações simuladas. Quanto à alegação da fiscalização de que as empresas holding JDB e Evaux são fraudulentas, afirmou que essas, por serem holding puras, possuem apenas participações societárias, não sendo necessária a presença de empregados, receitas ou ativos. Nesse sentido, colacionou doutrina. Afirmou que, segundo o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que a Evaux e a JDB fossem consideradas empresasveículos, isso não seria capaz de invalidar a sua estrutura e efeitos fiscais, uma vez que ela não teria levado ao registro um ágio superior ao decorrente da aquisição direta da SLC no país. Esclareceu que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, não houve um planejamento tributário, mas sim uma opção fiscal, na qual a recorrente optou por um caminho plenamente regulado pela lei para estruturar suas operações da forma mais benéfica para ela. Sendo assim, afirmou que todos os atos praticados pela recorrente e pelo Grupo John Deere observaram a legislação fiscal em vigor, a doutrina e a jurisprudência dominante. Consignou que mesmo que não houvesse propósito negocial da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconsiderar esses negócios jurídicos, pois o artigo 116 do CTN, que permite a desconsideração nesse caso, não é autoaplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.638 11 Aduziu que, uma vez que a substância econômica desse caso corresponde ao fato de que a D&C aumentou sua atuação no mercado brasileiro por meio da compra do restante da participação da SLC que ainda não se encontrava sob o seu controle, se o caso for analisado sob a perspectiva da sua substância econômica, isso será favorável à recorrente. Evidenciou que a fiscalização não autuou a recorrente alegando simulação ou abuso de direito, mas sim dolo e fraude ao realizar uma reestruturação societária com o objetivo de obter benefício fiscal indevido. Com relação à aplicação da multa qualificada no valor de 150% da exigência principal, afirmou que essa deve ser ao menos reduzida para 75%, tendo em vista que o artigo 44, § 1°, da Lei 9.430/96 e os artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, determinam que essa só pode ser fixada dessa maneira nos casos em que a fiscalização provar, de forma inequívoca, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Além disso, apontou que a constituição da JDB e da Evaux foi realizada de acordo com o que determina a legislação em vigor, não havendo nenhum elemento fraudulento e não sendo caracterizada a simulação, uma vez que essa teve o intuito econômico e extra tributário de expandir a atuação da D&C no Brasil. Aduziu que é possível identificar esse intuito através da análise do numerário recolhido pela requerente aos cofres públicos, onde no anocalendário de 2001 foram recolhidos R$ 19.507.928,00 em impostos ao fisco sobre suas vendas, e R$ 4.628.164,00 a título de IRPJ. No anocalendário de 2011 esses valores evoluíram para R$ 215.270.432,00 e R$ 36.514.292,00, respectivamente. Ressaltou que a multa qualificada mencionada não pode ser aplicada, pois, além de o contribuinte ter agido de forma transparente e contribuído com a fiscalização, o percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação. De acordo com isso, colacionou doutrina e jurisprudência. Afirmou que como a recorrente agiu de boafé e não houve erro de proibição, deve ser observado o artigo 76, inciso II, alínea “a”, da Lei 4.502/64. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Ainda com relação à multa qualificada, afirmou que de acordo com a “teoria da imputação subjetiva”, não há nesse caso nenhum aspecto objetivo ou subjetivo que permitam a aplicação dessa penalidade. Além disso, alegou que o artigo 112 do CTN deve ser observado, de modo a fazer com que a penalidade seja aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida sobre a capitulação legal do fato e da natureza ou circunstâncias desses. Nesse sentido, colacionou doutrina. Aduziu que não pode incidir juros de mora sobre o valor da multa lançada, pois não há previsão legal da atualização das multas de ofício, bem como devido ao fato de o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.639 12 Com relação à aplicação da taxa Selic, alegou ser essa indevida, pois a jurisprudência tem reconhecido a sua inaplicabilidade. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o acolhimento e provimento da impugnação, de modo a ser reconhecida, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e que, se essa não for reconhecida, seja esse declarado improcedente, cancelandose a recomposição dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL e a exigência do IRPJ e da CSL. Requereu também que se a improcedência dos autos de infração não for reconhecida, seja cancelada a multa aplicada ou reduzida, no mínimo, a 75%, bem como seja cancelada a exigência de juros pela taxa Selic. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, de forma a manter os lançamentos, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, alegou que eventuais vícios presentes no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não acarretam a nulidade do processo, tendo em vista que esse é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, outro fator que faz com que esses vícios não acarretem a nulidade, corresponde ao fato de o MPF ter sido criado por ato infralegal, de modo a fazer com que eventual vicio na sua emissão não tenha o poder de contaminar todo o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, já que esses são regidos pelo CTN e pelo Decreto 70.235/72, que são diplomas normativos de hierarquia superior e que não consideram ser o MPF uma condição de validade do lançamento. Ainda com relação ao MPF, afirmou que a extrapolação do prazo para a realização do procedimento de fiscalização previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não impede que a fiscalização efetue o lançamento do crédito tributário. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Evidenciou que os lançamentos ocorridos nos anoscalendários de 2005 e 2006, sendo que em 2006 não houve lançamento de crédito tributário em razão de o contribuinte ter apurado prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSL, não estão atingidos pela decadência. Isso porque, como nesse caso, a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada, dolosa e com o intuito de reduzir o montante dos tributos devidos, deve ser aplicado o artigo 173, I, do CTN, que faz com que o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alegou que, ao analisar o prazo decadencial, deve ser considerado o direito que a fiscalização tem de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do período transcorrido entre a formação desses elementos e seu aproveitamento. Além disso, devese também considerar que o exercício de um direito pelo titular pressupõe a prova da legalidade dos fatos constitutivos desse direito, não Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.640 13 importando o decurso do tempo, mas sim o fato de não ter ocorrido à decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento. Ressaltou que a economia tributária não é vista como ilícita, exceto quando essa é feita de forma mascarada, onde os atos e negócios praticados se baseiam em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. Afirmou que quando o ágio foi contabilizado não se falava em ocorrência do fato gerador e que, quando houve a sua contabilização por conta da incorporação da JDB em 31/7/1999, esse não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL, não havendo nenhuma conseqüência tributária nesse período de apuração. Aduziu que a reestruturação societária em que a recorrente participou foi feita de forma artificial, simulada e dolosa, e que houve um planejamento tributário que, aparentemente, foi realizado sem ferir nenhuma norma legal, mas que traz em seu bojo a artificialidade e a simulação, devido ao fato de essa ter como único objetivo a redução do pagamento de tributos. Quanto a isso, colacionou doutrina. Ressaltou que, apesar de não ser unanime, deve ser observado o entendimento de que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, de modo a exigir com que haja compatibilidade entre a existência do direito e o modo como esse é exercido, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Nesse sentido colacionou jurisprudência. Apontou que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 3º da Constituição Federal, só poderão ser atingidos se forem preservados os recursos oriundos da tributação e que, para que isso ocorra, é necessário que os negócios praticados com o intuito de disfarçar o real objetivo da operação, que é a redução de tributos, sejam combatidos. De acordo com isso, citou jurisprudência e realizou uma interpretação comparada, analisando como é entendida essa operação em outros países. Aduziu que é possível observar a simulação ocorrida através da análise da composição societária da D&C no inicio e no fim das operações, onde no início, essa detinha 40% do capital social da SLC e no fim, 100%. Nesse sentido, alegou que a compra pela D&C da participação societária que a Schneider Logemann detinha da SLC teve como único objetivo a criação de ágio passível de amortização futura. Acrescentou que a criação da JDB, a associação com a Evaux, a cisão dessa e a incorporação da JDB pela SLC, foram procedimentos desnecessários para a obtenção, por parte da D&C, de 100% do capital social da SLC. Alegou que, de acordo com os artigos 7º e 8º, da Lei 9.532/1997 e o artigo 386 do RIR, é possível concluir que o procedimento adotado pelo contribuinte foi forjado com o intuito de gerar um ágio interno sem qualquer suporte econômico, e que a autorização legal para a amortização do ágio deve ser compreendida dentro do contexto histórico em que foi gerada. Evidenciou que o ágio pago não seria passível de dedução na forma estabelecida pelo artigo 386 do RIR, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela John Deere Participações Ltda. ou pela SLC. Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.641 14 Com relação à multa aplicada de ofício, afirmou que, de acordo com os artigos 72, 73 e 74, da Lei 4.502/64 e o artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, essa foi estabelecida de forma correta, pois é possível identificar na compra e venda das ações da SLC a sonegação, fraude e conluio, que são requisitos materiais para essa fixação. Apontou que, de acordo com a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996 e o artigo 116, III, da Lei 8.112/1990, a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, calculados sobre os valores do IRPJ e da CSL, está correta. Aduziu que , tendo em vista que, até o presente momento, não foi alegada a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, o pedido de revisão dessa resta prejudicado, não havendo pronunciamento da DRJ acerca disso. Por fim, alegou que esse processo foi analisado no plano da eficácia perante o direito tributário, sendo rejeitadas as preliminares de nulidade e de decadência, e julgada improcedente a impugnação, mantendose os lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 3.406 a 3.460 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação. Afirmou que a recorrente não questionou a extrapolação do prazo para a realização do lançamento pela fiscalização, mas sim a alteração do objeto e dos períodos de análise do MPF, que passou a não corresponder com o objeto e períodos iniciais do procedimento fiscalizatório, o que, segundo o artigo 10 da Portaria nº 3.007/2001, traz como conseqüência a necessidade da realização de um MPF Complementar. Por conseguinte, afirmou que ao não realizar o MPF Complementar a fiscalização desrespeitou o principio da legalidade, pois ela, ao constatar uma suposta infração à legislação tributária, deve efetuar o lançamento do crédito tributário de forma regular, com estrita observação dos dispositivos legais. Alegou que adquirir participação societária com ágio é uma questão factual e não interpretativa e que, de acordo com a análise dos documentos apresentados pela recorrente, não é possível questionar a existência do ágio pago pela JDB. Isso porque a contabilização do ágio foi feito de forma correta, já que, de acordo com o artigo 20 do Decreto lei nº 1.598/77, como a participação que a JDB passou a deter na recorrente era superior ao patrimônio liquido da recorrente, ela tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na recorrente. Apontou que a fiscalização não questionou o efetivo pagamento do ágio pela recorrente, nem o fato de que houve aquisição em dinheiro. Afirmou também que o momento da incorporação não interfere no direito da recorrente ao ágio. Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.642 15 Com relação à afirmação da fiscalização no sentido de que se a aquisição das ações fosse feita pela SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio pago não seria passível de dedução na forma do artigo 386 do RIR, alegou que essa está incorreta, pois o ágio pago devidamente por uma dessas sociedades poderia ser regularmente amortizado para fins fiscais nos termos da legislação. Aduziu que, de acordo com a jurisprudência e a doutrina dominante, o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico pode ser amortizado para fins fiscais, mesmo que esse não produza alterações de cunho contábil. Consignou que, de acordo com a Lei Complementar 104/2001 e a falta de regulamentação do artigo 116 do CTN, mesmo que não houvesse propósito negocial na criação da JDB e da Evaux, a fiscalização não poderia desconstituir a operação realizada apenas pelas suas motivações econômicas, já que essa foi feita de acordo com a legislação em vigor. Por fim, requereu que seja provido o recurso voluntário, de modo a ser reformada a decisão recorrida e reconhecida, em preliminar, a nulidade do auto de infração. Requereu também, que se essa não for reconhecida, que seja cancelado integralmente o auto de infração e todas as penalidades e juros aplicados. É o relatório. Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.643 16 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fl. 3.405 numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a questão central em lide diz respeito à dedutibilidade da amortização do ágio pago na aquisição de participação societária na Evaux Participações S.A., com fundamento econômico no investimento possuído pela Evaux, a SLC – John Deere S.A. (atual John Deere Brasil Ltda., a recorrente). Principio com o exame das preliminares de nulidade. A recorrente alega que o MPF 10108002008005483 fora emitido para análise dos efeitos tributários nas ações ordinárias relativas ao “Plano Verão” (1989) e à correção monetária diferença entre IPC e BTNF para fins de CSL (1990). Portanto, seria de rigor a emissão de MPF Complementar (MPFC), conforme o art. 10 da Portaria RFB 3.007/01, para a fiscalização que culminou nos lançamentos referentes à glosa da amortização fiscal do ágio. Eis a dicção do art. 7º, caput e §§ 1º a 5º, da Portaria RFB 11.371/07, vigente à época do início do procedimento fiscal em discussão: Art. 7º.O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º. O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.644 17 período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 5º. O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. [...] Vale lembrar também o que dispunham os arts. 8º, 11 a 14, da Portaria RFB 11.371/07, os quais não tiveram seu conteúdo alterado pela superveniente Portaria RFB 3.014/11 (arts. 8º e 11 a 14): Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. [...] Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º doDecreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.645 18 II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Em acesso ao site da RFB, para consulta ao MPF 10.1.08.002008005483 (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp), mediante código de acesso contido no termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3), constatei o seguinte. Tratase de MPFF emitido inicialmente para fiscalização de IRPJ do período de janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. O MPFF sofreu inúmeras alterações – um total de 15. Muitas delas foram para mudança dos ARFB responsáveis pela execução do MPFF, outras para inclusão de PIS e Cofins do período de setembro de 2004 a dezembro de 2004 e de CSL de janeiro a dezembro de 2007. Constam alterações do MPFF para inclusão do período de janeiro a dezembro de 2006 e do período de janeiro a dezembro de 2005, para IRPJ. Também figura a relação de prorrogações do MPFF – num total de 19 prorrogações – todas dentro do prazo previsto no art. 12 da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Significa dizer, o MPFF em questão se destinou à fiscalização de IRPJ compreendendo os períodos autuados de 2005 e 2006 (fls. 2942, 2949, 2950), e da CSL do mesmos períodos (fls. 2952, 2958 e 2959), por força do art. 8º da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Por outro lado, a análise correspondente aos efeitos tributários gerados pela recorrente quanto às ações ordinárias se deu com base em outro MPF: o MPFD (diligência) 1010800.2006.002703, como se nota do termo de intimação fiscal nº 1 (fls. 2 e 3). Na linha das considerações expostas, rejeito as preliminares de nulidade. A recorrente argui preliminar de mérito de decadência. Os lançamentos se aperfeiçoaram em 23/11/11 (fls. 2941 e 2951). Como o ágio em dissídio foi pago na aquisição de participação societária ocorrida em 1999, alega a recorrente terse consumada a decadência para a glosa da amortização fiscal do ágio de 2005 e de 2006. Embora o ágio pago na aquisição do investimento na Evaux tenha se dado em 1999, o efeito tributário dele decorrente se dá com sua amortização. Imaginese que em 2010 tenha surgido lei alterando a taxa de depreciação de bens do imobilizado. Suponhase que haja um ativo do imobilizado da recorrente adquirido em 1999. A nova taxa de depreciação não seria aplicável à parcela remanescente desse ativo, ou, noutras palavras, à despesa de depreciação incorrida a partir de 2011 e à sua contrapartida de depreciação acumulada não seria aplicável a nova taxa de depreciação legal? A resposta a essa pergunta seria negativa, i.e., seria aplicável a nova taxa de depreciação legal para as despesas de depreciação incorridas e a serem deduzidas a partir de 2011. Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.646 19 Não se haveria de falar em direito adquirido à depreciação, mas de respeito ao ato jurídico perfeito. A proteção ao direito adquirido não se dá mediante a irretroatividade da norma, mas por meio da eficácia diferida da norma revogada ou da chamada eficácia pósativa da lei anterior. A proteção ao ato jurídico perfeito se dá por meio da irretroatividade da norma. Tal proteção se daria no exemplo posto. A decadência também se opera em relação à despesa incorrida de amortização do ágio, ou à exclusão da parcela do valor do ágio do lucro líquido. Dito melhor, o prazo decadencial para se lançarem os tributos toma como marco a data da despesa incorrida e deduzida de amortização do ágio ou de exclusão do lucro líquido de parcela do ágio hipótese de ágio amortizado contabilmente antes do evento que permite a dedução do ágio, e sem se se tenha ativado tal parcela no antigo ativo diferido e se lançado sua contrapartida em aumento do PL. Isso, ainda que o motivo da glosa das amortizações fiscais do ágio tenha sido por ex. o vício genético que contamine o ágio (ágio interno artificial ou sem causa). Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência sob o fundamento ora analisado. Articula a recorrente, subsidiariamente, que se teria consumada a decadência em relação aos lançamentos de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2005, por eles se terem aperfeiçoado em 23/12/11, com a aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Aqui comparem dois pontos. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Logo, o primeiro ponto é o de que, mesmo que não haja simulação ou fraude, para aplicação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN, impõese haver a comprovação de algum pagamento de IRPJ e de CSL. As fichas 11 e 16 da DIPJ/06 indicam haver estimativa de IRPJ a pagar em janeiro e fevereiro de 2005 e estimativa de CSL a pagar nos mesmos meses; na ficha 12A da DIPJ/06 é informada a dedução de IRRF por órgãos públicos federais; na ficha 17 da DIPJ/06 é Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.647 20 informada a dedução de CSL na fonte por órgãos públicos federais e por entes privados; tudo conforme fls. 2314 a 2323. Antecipo que, para mim, as retenções de IRF e de CSL importam em pagamento a que se referem o caput, e os §§ 1º e 3º do art. 150 do CTN. O informe de rendimentos é o documento hábil e suficiente para dedução do IRRF, nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/99. Mutatis mutandis, o mesmo vale para a CSL na fonte. Dedução do IRPJ é dizer pagamento de IRPJ, tal como o é o pagamento ou adimplemento de estimativa de IRPJ, que é deduzido do IRPJ. Igualdade de razões para a CSL. Não há nos autos, porém, nenhum informe de rendimentos e de retenção de IRF e de CSL, nem comprovantes de pagamentos de estimativas de IRPJ e de CSL. De todo modo, esse ponto ganhará relevo jurídico no feito apenas se for afastada a multa qualificada. Esse é o segundo ponto. O de que, para aplicabilidade do prazo do art. 150, § 4º, do CTN, impõese inexistir simulação ou fraude. Como houve inflição de multa qualificada, o exame da decadência dependerá do exame do mérito em sentido amplo, o que inclui a multa. Portanto, deixo a apreciação da questão da decadência quanto ao anocalendário de 2005, para depois do enfrentamento do mérito, caso não resulte prejudicada. Passo ao exame do mérito. Importa deixar claro os limites objetivos da lide. No item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999” do Termo de Constatação Fiscal que integra os lançamentos constam os seguintes registros. Que o laudo de avaliação produzido por empresa especializada, posteriormente à aquisição do investimento na Evaux, cujo ativo era o investimento na SLC – John Deere S.A., foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura desse último investimento. Que a natureza do ágio alegada foi a rentabilidade futura da SLC – John Deere S.A., ignorandose qualquer parcela derivada de fundo de comércio da SLC – John Deere S.A. E, nesse sentido, há o contrato de cessão e transferência de marca, de 30/6/99, pelo qual a Schneider Logemann S.A. cede gratuitamente a marca mista “SLC” registrada no INPI para a SLC – John Deere S.A. Isso, nas fls. 2897 e 2898. Esse ponto consta somente nessas fls. dos autos no item “6. Das operações societárias realizadas pela contribuinte em 1999”, e num parágrafo do item “13. Conclusão” (fl. 2936), do Termo de Constatação Fiscal. O item “7. Das provas identificadas pela fiscalização no contexto das operações realizadas e sociedades constituídas” do Termo de Constatação Fiscal foca na questão de como foram utilizadas as empresas Evaux e JDB consideradas veículos simulados ou veículos abusivos. O item “8. Do posicionamento da fiscalização a respeito da consideração do propósito negocial para determinação dos efeitos tributários das operações examinadas” é decorrência do consignado no item “7”, e dá o fecho conclusivo sobre as citadas empresas veículos simuladas ou empresas veículos abusivas. Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.648 21 O item “9. Da amortização do ágio apurado pela John Deere do Brasil Ltda. e vertido por incorporação para a contribuinte” cuida somente dos valores amortizados até 2004, e dos valores amortizados nos anoscalendário de 2005 e 2006, estes objeto das autuações. O item “10. Da base legal relacionada às operações societárias realizadas” traz as regras para amortização fiscal do ágio para concluir por sua inaplicabilidade. O item “11. Da fundamentação para qualificação das infrações e para extensão do período de fiscalização para o anocalendário de 2005” faz remissão ao item “7”, para qualificação da multa. O item “12. Da condição de responsável solidária da contribuinte, na qualidade de sucessora por incorporação, e de beneficiária das vantagens tributárias auferidas na amortização do ágio gerado nas operações” versa somente sobre a responsabilização da recorrente. Há contradição em termos nesse item ao chamar de contribuinte a sucessora, responsável. Também, ao chamar de responsável solidária, na inexistência da figura da contribuinte por incorporação. Se a incorporada era simulada, então, o caso seria simplesmente de contribuinte, sem alusão à responsabilidade, seja por sucessão ou por outro modo. Apesar disso, não diviso aí vício a vitimar os lançamentos. Do exame integral do Termo de Constatação Fiscal, e, principalmente, da análise contextual da valoração dos fatos feita pelo autuante, concluo que o motivo das autuações se fixa e se identifica nas questões referentes às empresas veículos. Vêse que todo o foco contextual está nessas questões. Essa é a conclusão a que chego, para delimitação da lide. Logo, os limites objetivos da lide se estabelecem, a meu ver, nas questões das empresas veículos. Posto isso, prossigo com a apreciação de tais questões. Para tanto, recapitulo, sinteticamente, os principais passos das operações até a amortização fiscal do ágio em dissídio: a) O grupo D&C (Deere & Company) do exterior passou a investir no País em 1979, pela associação com o grupo Schneider Logemann, com aquisição de 20% do capital da SLC S.A. Indústria e Comércio; b) Em 1996, o grupo D&C ampliou sua participação na SLC S.A., para 40%, e constituiu a holding John Deere Participações Ltda., que passou a ser a investidora direta da SLC S.A.; c) Em 1998, o grupo Schneider Logemann, por meio da Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.) constitui a holding Evaux Participações S.A. Em 1999 (junho), foi conferida a seu capital social toda a participação possuída na SLC S.A. (então com denominação alterada para SLC – John Deere S.A.) – i.e., a Schneider Longemann S.A. conferiu ao capital da Evaux Participações S.A. toda a participação societária possuída na SLC – John Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio); Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.649 22 d) Em junho de 1999, o grupo D&C constituiu a holding John Deere do Brasil Ltda., capitalizandoa em R$ 154.558.300,00, e lhe emprestando R$ 155.451.600,00; e) Com tais recursos, em 30/6/99, a John Deere do Brasil Ltda. (JDB) promoveu a integralização do capital que subscreveu na Evaux Participações S.A., sendo R$ 72.775.246,00 destinados à conta capital social e R$ 232.767.654,00 destinados à conta de reserva de ágio em reservas de capital (PL) da Evaux. No caso, a JDB pagou R$ 305.542.800,00 pela participação na Evaux (por subscrição e integralização do capital), sendo R$ 149.117.238,00 correspondentes a VP (valor patrimonial) e R$ 156.425.562,00 de ágio; f) Em 1/7/99, houve a cisão parcial da Evaux, com ruptura do quadro de acionistas, sendo vertido todo o investimento da Evaux na SLC John Deere S.A. (denominação anterior, SLC S.A. Indústria e Comércio) para a JDB. Permaneceu como acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.); g) No final de julho de 1999, a JDB foi incorporada pela SLC John Deere S.A. (SLC S.A.), e a incorporadora passou a ter denominação de John Deere Brasil Ltda. (a recorrente). Notase que, ao tempo de incorporação da JDB pela SLC S.A. (SLC – John Deere S.A.), a JDB possuía participação de 100% do capital da SLC S.A. De início, pontuo que, das três holdings citadas, crítica ou questionável é a criação da Evaux Participações S.A. Tratase de sociedade criada em 10/7/98, com a denominação da Aços Planos do Sul S.A., que, em 31/8/98, passou a ter denominação de Evaux Participações S.A. Em 25/6/99, o capital da Evaux Participações S.A. foi aumentado de R$ 100,00 para R$ 149.117.238,00, com emissão de 621.321.825 ações ordinárias, por conferência a seu capital pela Schneider Logemann S.A. de 62.102.108 ações ordinárias da SLC – John Deere S.A. Isto é, toda a participação que a Schneider Logemann possuía na SLC (60% de seu capital) foi transferida para a holding Evaux. Em 30/6/99, o capital da Evaux foi novamente aumentado, desta vez subscrito e integralizado por John Deere do Brasil Ltda. (JDB), em dinheiro. A JDB transferiu para a Evaux R$ 305.542.800,00, com emissão de 303.230.193 ações ordinárias (com aumento de capital da Evaux de R$ 72.775.246,00; passou de R$ 149.117.338,00 para R$ 221.892.584,00). Em 1/7/99, a Evaux sofreu cisão parcial com ruptura do quadro de acionistas, deixando de ser acionista da Evaux a JDB, para quem foi vertido o investimento na SLC – John Deere S.A. (40% de seu capital), ficando a Schneider Logemann S.A. como única acionista da Evaux, na qual ficaram os recursos transferidos pela JDB (R$ 305.542.800,00). Esse desenho conspira para a configuração do chamado “casa e separa”, em que uma parte fica com o dinheiro e a outra com o bem ou direito, para se evadir de ganho de capital de R$ 156.425.562,00: diferença entre R$ 305.542.800,00 (que foram aportados pela JDB para a Evaux) e o VP do investimento na SLC da Schneider Logemann S.A. (valor pelo Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.650 23 qual se deu a versão do investimento na SLC para a Evaux, e que era seu valor contábil na investidora Schneider Logemann S.A.). Aqui se põe com toda a força de sentido uma razão negocial ou extrafiscal, para que o “casamento” fosse desfeito no dia seguinte, e, ainda, com cronologia determinada em contrato, o que foi o caso – o contrato previa que a Evaux não poderia inclusive ter nenhum outro ativo, nem passivo. Diante desse cenário, o argumento posto pela recorrente de que se intentou a separação dos dois grupos, a Schneider Logemann e a D&C, sendo essa a justificativa para a cisão, depõe contra ela. Esse ponto é crítico. Mas se cuida de questão que escapa a esta lide. Por outro lado, em que pese a questão crítica do uso da Evaux para a chamada operação “casa e separa”, não há como se negar que houve a aquisição do investimento na SLC – John Deere S.A. (SLC), com o aporte de dinheiro na Evaux. Não há como se recusar que houve a aquisição de participação na SLC (60%), por R$ 305.542.800,00, com VP de R$ 149.117.238,00 e ágio de R$ 156.425.562,00. O que havia na Evaux era tão só o investimento na SLC (60% do capital dessa). Logo, o valor patrimonial (VP) na Evaux era igual ao valor patrimonial na SLC; o ágio pago se justificava no investimento na SLC. O valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) do investimento na Evaux possuído pela JDB era o valor de equivalência patrimonial (valor patrimonial) na SLC possuída pela Evaux: R$ 149.117.238,00. A diferença entre R$ 305.542.800,00 aportados pela JDB e o valor patrimonial do investimento na SLC (igual ao VP do investimento na Evaux) corresponde ao ágio de R$ 156.425.562,00 pago com fundamento no investimento na SLC. Fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura expectada da SLC. É inolvidável que a aquisição de 60% de participação na SLC (seu valor patrimonial era de R$ 149.117.238,00) se deu com pagamento de ágio de R$ 156.425.562,00. A isso não interfere e nada tem de ver a chamada operação “casa e separa” à qual o desenho já exposto acusa. O ganho de capital decorrente da operação “casa e separa” seria da alienante, Schneider Logemann S.A., ainda que eventualmente pudesse ser imputável a responsabilidade solidária da JDB. Porém, isso é questão estranha ao nascimento e à higidez do ágio pago na aquisição do investimento na SLC. Repito, não há como se escusar que houve pagamento pela aquisição societária de terceiro, ou seja, houve pagamento de ágio legítimo na aquisição de participação na SLC, que o justifica. Com tal aquisição, a JDB passou a ter 60% da SLC e a outra holding da Deere & Company, a John Deere Participações Ltda., ficou com 40% da SLC. A John Deere do Brasil Ltda. (JDB) foi criada em 3/2/99, com denominação de Sassatune Comercial Ltda. Em 15/6/99, suas sócias passaram a ser a Deere & Company (D&C), com 99 cotas, e a Deere Payroll Services, Inc. & Company com 1 cota, e a denominação foi alterada para John Deere do Brasil Ltda. Em 28/6/99, a John Deere do Brasil Ltda. foi capitalizada pela D&C em dinheiro, no montante de R$ 154.558.300,00 (correspondentes a US$ 86.500.000,00, conforme contrato de câmbio 99/003706). Também em Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.651 24 junho de 1999, a John Deere do Brasil Ltda. obteve recursos do exterior (passivo) da D&C no valor de US$ 87.000.000,00, correspondentes a R$ 155.451.600,00 em 31/7/99. Relembrase que a aquisição do investimento na SLC pela JDB, por meio da aquisição de participação na Evaux, ocorreu em 30/6/99. A cisão parcial da Evaux (a “separação”) ocorreu no dia seguinte, 1/7/99, com versão do investimento na SLC para a JDB, deixando esta de ser acionista da Evaux – na qual ficaram os recursos nela aportados pela JDB, permanecendo acionista da Evaux a Schneider Logemann S.A. (atualmente com denominação de SLC Participações S.A.). Em 31/7/99 houve a incorporação da JDB pela SLC, ocasião em que a Deere Payroll Services, Inc. & Company cedeu sua única ação na SLC recebida com a incorporação para a D&C. Com isso, o valor do ágio pago na aquisição da SLC foi registrado no antigo ativo diferido, para passar a ser amortizado fiscalmente. Não entro no detalhe de constituição ou não de provisão no valor da diferença entre o ágio e o benefício fiscal de sua amortização, para registro da contrapartida do ativo diferido pelo valor do benefício fiscal no PL, ou sem a provisão, com registro da contrapartida do ativo diferido pelo valor total do ágio no PL. Aliás, na primeira alternativa, o que ocorrerá para a investidora da incorporada (e que passa a ser a investidora da incorporadora) é uma redução no valor do investimento na incorporadora (pelo MEP); redução do valor patrimonial na incorporadora. Notase que a D&C possuía outra holding, a John Deere Participações Ltda., constituída em 1996, para a qual foi vertida a participação que a D&C tinha na SLC de 20%, desde 1979. E em 1996, a holding recém constituída John Deere Participações Ltda. adquiriu mais 20% de participação na SLC. Essa holding permanece até hoje, com 40% de participação na John Deere Brasil Ltda. (atual denominação da SLC). Se a capitalização para aquisição dos 60% na SLC tivesse se dado nessa holding e ela tivesse sido incorporada pela SLC, o mesmo ágio seria questionável sob motivo de empresa veículo simulada? Não vejo como se pudesse. Qual a diferença entre isso e a capitalização ocorrida em outra holding, a qual adquiriu os remanescentes 60% na SLC, com a incorporação daquela por essa? Não consigo divisar nenhuma diferença essencial. Por questão de ordem lógica, se faz necessária a pergunta: se a D&C já possuía uma holding desde 1996 que tinha a participação de 40% na SLC, por que razão ela se sujeitaria a questionamento? De forma analítica, a D&C constituiria outra holding, capitalizandoa para aquisição dos 60% remanescentes da SLC em mãos de terceiro, para aquela ser incorporada por essa, e sofrer questionamento fiscal, quando, se fizesse exatamente o mesmo, por meio da holding existente desde 1996, a qual já possuía 40% da SLC, não se colocaria tal questão? Não me parece fazer o menor sentido. Justamente porque não há nenhuma diferença entre as duas situações. Justamente porque não há razão para simular. Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.652 25 É o art. 8º da Lei 9.532/97 que induz à confusão patrimonial por incorporação reversa, ou cisão reversa, ao permitir a amortização fiscal do ágio. Dito de outro modo, a lei diz “tanto faz” quem absorve quem, se a investidora incorpora a investida ou viceversa. Note se que não se põe aqui a questão de simulação relativa de incorporação, i.e., se quem efetivamente incorporou foi a declarada incorporada ou se foi mesmo a incorporadora. Se a holding existente desde 1996 tivesse sido capitalizada para aquisição dos 60% da SLC e fosse incorporada por essa, e, ato contínuo, a D&C constituísse outra holding no País, transferindo para essa o investimento na SLC, a aquisição, a incorporação reversa, e a constituição de outra holding seriam questionáveis? Ou melhor, o ágio amortizado seria questionável? Não por empresa veículo simulada. Na situação acima, ao invés de se constituir outra holding no País, se a operação parasse na SLC, esta incorporando a holding existente desde 1996, mudaria algo? A resposta à pergunta feita no parágrafo precedente seria outra? Não me parece ser possível. Por um problema de ordem lógica é que faço a colocação de tais perguntas ou questionamentos. Repiso. É a lei que diz expressamente que até mesmo por incorporação reversa ou por cisão reversa é permitida a amortização fiscal do ágio – sob fundamento econômico da perspectiva de rentabilidade futura. Abstraiase a questão do fundamento econômico do ágio para o que ora se acentua. A dedução da amortização do ágio é um benefício fiscal, assim entendo, mas concedido inclusive com indução de comportamento, exigindose somente a confusão patrimonial. Por aí se vê que, com a devida vênia, não há como se sustentar o argumento do órgão julgador de origem de que, se a aquisição das ações tivesse sido feita pela própria SLC – John Deere S.A. ou pela John Deere Participações Ltda., o ágio não seria passível de amortização fiscal. Acabamos de ver que se a John Deere Participações Ltda., existente desde 1996 e que possuía 40% das ações da SLC, fosse a adquirente das ações da Evaux, e, pois, a adquirente de 60% das ações da SLC, o ágio seria passível de amortização fiscal. Claro que com a incorporação da John Deere Participações Ltda. pela SLC (incorporação reversa) ou com a incorporação da SLC pela John Deere Participações Ltda. Já, a SLC – John Deere S.A. (ou simplesmente SLC) jamais adquiriria as ações da Evaux, por uma razão elementar: isso implicaria participação recíproca ou o equivalente à aquisição das próprias ações para registro em tesouraria. Isso seria descapitalizar a SLC, ainda que momentaneamente. Mesmo na hipótese acima, em que a participação seria registrada a débito no PL (e não como ativo) na SLC – John Deere S.A., quando ela voltasse a ser capitalizada, i.e., alguém adquirisse essa participação societária, e pagando ágio, a partir do momento em que a adquirente, por ex., fosse incorporada pela investida, o ágio pago nessa aquisição seria amortizável fiscalmente. Isso, na medida em que o fundamento econômico do ágio tenha sido a rentabilidade futura expectada da SLC, e desde que o adquirente não seja controladora da SLC, pois estamos tratando de um novo ágio. Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.653 26 Daí as colocações feitas serem necessárias, a meu ver, para equacionamento de um problema de ordem lógica. Na linha dessas considerações, a holding JDB foi capitalizada com dinheiro e adquiriu com ágio 60% de participação na SLC. Praticamente um mês depois seguiuse a incorporação reversa incorporação da JDB pela SLC. É o art. 8º da Lei 9.532/97. E é sabido que a Lei 9.532/97 induz comportamentos dessa forma, para estimular investimentos no País, seja por empresas nacionais, seja por empresas estrangeiras, com a concessão do tratamento de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos no País. Benefício fiscal estimulado pela lei. Não havendo interesse nisso, há o mecanismo constitucional e político: revoguese a lei. Se é a lei que induz e permite a amortização fiscal do ágio com a confusão patrimonial, como poderia o investidor estrangeiro exercer esse estímulo concedido pela lei, sem uma empresa no País para adquirir o investimento (no País)? A lei não vedou; pelo contrário, estimulou. E o fez sabidamente incluindo os investimentos estrangeiros no País – dificilmente alguém negará isso. Ou, ainda, em outras palavras, a lei não exige que uma empresa operacional adquira outra com ágio para que este seja amortizável fiscalmente, com a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) ou por incorporação da investida pela investidora. Cito, v.g., nesse sentido, excertos do voto condutor do ilustre Conselheiro Rafael Correia Fuso, no Acórdão nº 120100.689, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em decisão unânime: Tanto é que após a constituição de uma nova sociedade com as ações da Celpe na empresa veículo, esta foi incorporada pela Celpe, deixando de existir, demonstrando que a Neoenergia mantevese como controladora da Celpe, que fora privatizada para manterse na sua atividade de distribuição de energia na região do Estado de Pernambuco; [...] O Resultado, tanto pela incorporação às avessas pela Celpe das empresas controladoras, que formaram o novo grupo de investidores, quanto após a criação da empresa veículo Leicester seria o mesmo [observamos, foi usada a empresa veículo Leiceiter, que fora incorporada pela Celpe], qual seja o aproveitamento do ágio pela empresa privatizada, sob o fundamento trazido no artigo 386 do RIR/99, visto que na operação que gerou o ágio existe laudo de rentabilidade futura mencionado no próprio Edital, elaborado pelo Governo, que impôs preço mínimo para a aquisição da empresa estatal; (destacamos) Repito. O problema foi o uso da Evaux para o que conspira a operação “casa e separa”. Porém, essa é questão fora da lide e que não contamina a aquisição do investimento subjacente, o investimento na SLC. Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.654 27 Por força do que ficou deduzido neste voto, dou provimento ao recurso quanto à amortização fiscal do ágio. Ainda que se ultrapasse esse juízo, não vejo, pelas mesmas razões expendidas, como se possa qualificar a multa. Como deduzi alhures, havendo a holding John Deere Participações Ltda., que possuía 40% de participação da SLC – John Deere S.A. desde 1996, não há razão para abuso nem razão para simular. Ainda mais se considerarmos a jurisprudência da época dos fatos em dissídio, 1999, no máximo se poderia cogitar de erro de proibição, diante da visão diferente dos fatos nessa época. Enfim, desnecessárias mais palavras para se concluir que não há elemento subjetivo do tipo para qualificação da multa. Por conseguinte, sobre essa questão dou provimento ao recurso para afastar a inflição da multa qualificada. Não vejo necessidade de enfrentar outra questão prejudicada, a da decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2005. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 3 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Voto Vencedor Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Em seu brilhante voto, o Eminente Relator deu provimento ao recurso voluntário quanto à amortização fiscal do ágio e entendeu prejudicada, portanto, a análise da decadência. Tendo em vista, porém, a possibilidade de os membros desta Turma julgarem indedutível a despesa correspondente à amortização do ágio, entendo, com a devida vênia, necessário analisar esse argumento da recorrente (decadência). Por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, é imperiosa a observância, pelos membros deste Conselho, do entendimento adotado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, considerado representativo de controvérsia, segundo o qual o prazo decadencial, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, será regido (i) pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii) Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.722318/201107 Resolução nº 1103000.167 S1C1T3 Fl. 3.655 28 pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Filiome ao entendimento do Eminente Relator de que as retenções de IRRF e de CSLLfonte configuram pagamento para fins de aplicação do §4º do art. 150 do CTN, pois permitem ao Fisco ter ciência da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, respectivamente. O mesmo se diga em relação às estimativas mensais recolhidas pelo contribuinte optante pelo lucro real anual. Conforme consignado no voto condutor, não foram acostados a estes autos informes de rendimentos indicando retenções de IRRF e de CSLLfonte sofridas pela recorrente, tampouco comprovantes de pagamento de estimativas mensais de tais tributos. Deve ser observado que, embora tenham sido apurados prejuízo fiscal (fls. 2313), base de cálculo negativa da CSLL (fls. 2323) e saldo negativo de IRPJ e CSLL (fls. 2318 e 2323) no anocalendário de 2005, as fichas 11 e 16 da DIPJ 2006 indicam ter sido efetuados recolhimentos de IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 2005. Ademais, e conforme consignado no voto do Ilustre Relator, nas fichas 12A e 17 da DIPJ 2006 foram informadas as deduções de IRRF e CSLL por órgãos públicos federais e por entes privados (fls. 2314 a 2323). Tais informações inseridas na DIPJ não são suficientes para demonstrar que houve efetiva antecipação de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2005, o que atrairia a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Configuram, porém, forte indício da existência de pagamento parcial. Diante desse forte indício, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): a) informe se a contribuinte realizou recolhimentos de IRPJ e CSLL (devidos por estimativa mensal ou no ajuste anual) e, ou, sofreu retenções de IRRF e CSLLfonte no anocalendário de 2005; b) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às informações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e c) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10380.904539/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
[assinado digitalmente]
Ricardo Diefenthaeler - Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 39 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 212 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 02990.23404.280706.1.3.049197, transmitida eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Resultado Ajustado Ajuste Anual. Como relata a decisão recorrida, na referida Dcomp, "o contribuinte alegou ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 24/02/2006, no valor principal de R$ 22.107,14 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial, no limite do valor de R$ 22.328,21, com débitos totalizando R$ 22.591,68 (fls. 5)". O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito declarado, sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de tributo, assinalando que o valor informado em DCTF é maior do que o valor devido. Apreciando o recurso, a Turma Julgadora da DRJ a quo entendeu que a contribuinte não apontou a origem do erro e não demonstrou sua existência, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 213 3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13/8/2013 (fls. 117), a interessada apresentou o presente recurso em 12/9/2013 (fls. 119 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, o que segue: a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o PA 12/2005 a maior do que o devido; b) que o valor correto foi informado na DIPJ, tendo a recorrente entendido que assim estaria corrigido o erro; c) que a DCTF somente foi retificada em momento posterior ao Despacho Decisório, observando que a IN SRF nº 600, de 2005, não veda a retificação dessa declaração nesse momento; d) que para "confirmar de forma irrefutável" o crédito reclamado, juntou cópia da DIPJ, das DCTFs Original e Retificadora, dos DARFs e do LALUR, que comprova a base de cálculo do período; e) que os princípios da verdade material e da boafé objetiva concorrem no sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de CSLL relativa ao AC 2005 (código de receita 6773 "CSLL DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE"), que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68. Relata que, embora tenha informado o último valor em DCTF, posteriormente constatou o erro a partir de análise mais detalhada da sua escrita. O valor correto foi, então, informado em DIPJ, julgando a recorrente que esse procedimento era suficiente para corrigir a informação. Somente depois de tomar conhecimento da não homologação da compensação fez a retificação da DCTF. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 214 4 A decisão a quo assinala que a recorrente limitouse a informar que o valor correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim, que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente, não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado". Ocorre, no entanto, que o fato de constar em DIPJ apresentada em 28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL Ajuste Anual no valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de que entendeu ser suficiente a informação em DIPJ, daí a não retificação da DCTF antes do despacho decisório. Vejase, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise da Dcomp faz o cotejo do pagamento de que se origina o crédito a compensar com a informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ. Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de apuração constatado e corrigido com a apresentação da DIPJ, anteriormente, como se viu, à Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada. Não obstante o caráter de confissão da DCTF, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à época da retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2005 (a retificadora foi entregue em 19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Conclusão Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente processo, abstraindose do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Devem os débitos compensados permanecer com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total das compensações promovidas. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904539/200911 Acórdão n.º 1803002.599 S1TE03 Fl. 215 5 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
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