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Numero do processo: 16327.900401/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Comprovada a existência parcial do direito creditório pleiteado pela empresa devem ser homologadas as compensações efetuadas, até o limite do crédito reconhecido.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e a certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta, ainda que parcialmente, o direito creditório pleiteado e não comprovado.
HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-001.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório de R$ 958.500,05, em valores originais.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovada a existência parcial do direito creditório pleiteado pela empresa devem ser homologadas as compensações efetuadas, até o limite do crédito reconhecido. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e a certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta, ainda que parcialmente, o direito creditório pleiteado e não comprovado. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovada a existência parcial do direito creditório pleiteado pela empresa devem ser homologadas as compensações efetuadas, até o limite do crédito reconhecido. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e a certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta, ainda que parcialmente, o direito creditório pleiteado e não comprovado. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório de R$ 958.500,05, em valores originais. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 04 01 /2 00 9- 65 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 03) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 821096981 (fl. 04), de 18/02/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP 41400.67620.280205.1.3.045837 (fls. 13 a 18). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 27/02/2004, de R$ 125.939.028,19, código de receita 2390 (IRPJ ENTIDADES FINANCEIRAS – AJUSTE ANUAL), relativo ao período de apuração de 31/12/2003, do qual seria parte o montante de R$ 1.499.370,97 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 15), fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 27/02/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 1.726.825,55, de principal, R$ 957.179,40, de juros, e de R$ 345.365,11, de multa. 4. Cientificado da decisão em 04/03/2009 (fl. 28), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 03/04/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 1.499.370,97, seria líquido e certo porque seria parte da diferença a maior, de R$ 1.534.060,29, entre o recolhimento de R$ 125.939.028,19, em DARF (fl. 08), relativo ao IRPJ Ajuste Anual do anocalendário 2003, e o valor correto, atualizado, de R$ 124.404.967,90 (R$ 1.534.060,29 = R$ 125.939.028,19 R$ 124.404.967,90), este correspondente ao valor original de R$ 123.173.235,55, constante da DIPJ do referido ano (fl. 07); ii) o mencionado valor original teria, ainda, sido declarado equivocadamente na DCTF do 1º trimestre de 2004, como R$ 124.692.107,12 (fl. 10), a qual, porém, teria sido retificada, em 25/02/2009 (fl. 11), para conter o valor correto (fl. 12); Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 4 3 iii) assim, existiria crédito disponível para a compensação do débito declarado na DCOMP nº 41400.67620.280205.1.3.045837 (fls. 13 a 18). Em sessão de 17 de junho de 2011, a 8a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, aliado à tese de que teria ocorrido homologação tácita do crédito, com a impossibilidade de constituição, pelo fisco, de eventuais diferenças apuradas. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Em 03 de dezembro de 2013 a 2a Turma Especial deste Conselho declarouse incompetente para o julgamento do feito, por força do valor em debate, devolvendo o processo para sorteio entre as Turmas Ordinárias da primeira Seção. Em 29 de julho de 2014 este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência para que a autoridade competente: a) Analisasse os documentos trazidos aos autos com o Recurso Voluntário, de fls. 129 e seguintes do processo eletrônico e, à luz dessas informações e de quaisquer outras que julgasse necessárias, apresentasse parecer conclusivo acerca da pertinência dos créditos pleiteados, com especial destaque para as seguintes informações: Manifestação acerca da existência e do eventual montante do direito creditório reivindicado; Se tal montante já foi utilizado em outras compensações efetuadas pela Contribuinte. A autoridade elaborou Relatório de Informação Fiscal em 31 de março de 2016 (fls. 212) e concedeu prazo para que a interessada se manifestasse. A Recorrente protocolizou, em 05 de setembro de 2016, manifestação acerca das conclusões da autoridade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 261DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 5 4 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão em debate diz respeito à existência do direito creditório pleiteado pela interessada, o que motivou, inclusive, a conversão do julgamento em diligência, mediante Resolução desta Turma. No Recurso Voluntário, a interessada alega suposto cerceamento de direito de defesa e pugna pelo reconhecimento dos documentos trazidos ao tempo do Recurso, circunstância que já foi observada pela Resolução de 2014 deste Colegiado, que converteu os julgamento em diligência justamente para que tais documentos fossem apreciados pela autoridade competente, o que afasta, de forma inequívoca, qualquer alegação de cerceamento ao direito de defesa. Quanto ao mérito, alega a Recorrente que teria ocorrido a homologação tácita das compensações, com a consequente impossibilidade de o fisco apurar e lançar eventuais diferenças, nos seguintes termos: Depreendese com isso, que, em se tratando de tributo por homologação, cabe à Fazenda Nacional concordar ou não com as informações prestadas pelo sujeito passivo. Considerando que o IRPJ referese ao anocalendário encerrado em 31.12.2003, o prazo de cinco anos esgotouse no primeiro dia útil do exercício subseqüente, ou seja, no dia 01.01.2009. Portanto, a homologação tácita ocorreu em data anterior à data do despacho decisório que não homologou o crédito tributário objeto da compensação, ou seja, 18.02.2009. Das assertivas acima, concluise que a Fazenda Nacional homologou o crédito tributário de R$ 123.173.235,55, que consiste no saldo a recolher após as deduções das parcelas pagas por estimativa, conforme consta na Linha 14 da Ficha 12 B da DIPJ 2004. Assim, no caso em tela, o prazo para constituição de eventuais diferenças do crédito tributário declarado se encerrou e, 01.01.2009. Não assiste razão à Recorrente. De se notar que matéria sequer foi questionada quando da apresentação da impugnação, o que ensejaria a aplicação do artigo 17 do Decretolei n. 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Contudo, poderseia alegar que o tema é de ordem pública e na esteira do entendimento dos Tribunais Superiores deve ser reconhecido, a qualquer tempo e no bojo do processo administrativo, pelas autoridades competentes. Nesse sentido, analisaremos a questão. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 6 5 O artigo 74 da Lei n. 9.430/96 estabelece que o prazo de cinco anos para homologação deve ser contado a partir da entrega da Dcomp pelo interessado (destacaremos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Da leitura dos dispositivos acima constatase que o prazo para a chamada "homologação tácita" é de cinco anos contados da entrega da declaração e que as autoridades fiscais, dentro deste prazo, poderão analisar o crédito pleiteado e, em caso de não homologação, intimar o sujeito passivo a pagar o valor indevidamente compensado. No caso em tela verificamos que a Dcomp foi entregue em 28 de fevereiro de 2005, conforme documento de fls. 13: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 7 6 Como o Despacho Decisório da DEINF foi emitido em 18 de fevereiro de 2009 (portanto, dentro do prazo de 5 anos para homologação) e, ao não reconhecer o direito creditório da interessada a intimou para pagamento ou impugnação no prazo de 30 dias, nos exatos termos da legislação de regência, não há de se falar em qualquer fenômeno preclusivo do direito da Fazenda Pública, posto que rigorosamente obedecidas as condições legais. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 8 7 Tal circunstância foi, inclusive, reconhecida pela própria Recorrente, que na sua Impugnação consignou que (fls. 01 e ss): Fl. 265DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 9 8 E nem poderia ser diferente, pois se prevalecesse o entendimento da Recorrente, qualquer contribuinte poderia aguardar o transcurso do prazo de 5 anos, contados do fato gerador, para no último dia protocolizar uma declaração de compensação, que estaria automaticamente homologada no dia seguinte, sem qualquer oportunidade para que a Fazenda Pública pudesse analisar a existência e a pertinência dos créditos! Tal situação, evidentemente absurda, contraria o disposto na Lei n. 9.430/96 e nos artigos ao norte transcritos. Ante o exposto, afasto a tese defendida pela Recorrente e ratifico a validade e os procedimentos adotados pela autoridade fiscal. Quanto à existência e ao montante do direito creditório da interessada, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que ambos fossem apurados, à luz dos documentos acostados aos autos junto com o Recurso Voluntário. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 212 e seguintes, a autoridade constatou, ao responder os quesitos formulados pela Resolução deste Colegiado, que: Em relação à solicitação de item “a”, se faz necessária a análise da documentação trazida aos autos. Nesse sentido, verificouse que a contribuinte apresentou o LALUR – Parte A, com a composição do lucro real apurado no anocalendário de 2003, no montante de R$ 1.054.335.506,87, fls.130/135, mesmo valor informado em DIPJ/2004 original, fls.198/199. Assim, diante da apresentação desse livro fiscal, será considerado o lucro real anocalendário no valor de R$ 1.054.335.506,87. 8. Além do LALUR, a contribuinte apresentou a Ficha 12B da DIPJ/2004, fl.137, que demonstra o cálculo do imposto de renda sobre o lucro real, conforme tabela 01 abaixo. Passase a seguir Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 10 9 à análise, em separado, de cada item que compõe o cálculo do imposto de renda a pagar (linha 14). (...) 9. IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL: o valor de R$ 263.559.909,72 apresentado na ficha 12B, confere com o percentual de 15% aplicado o valor do lucro real, R$ 158.150.326,03 (linha 01 da Ficha 12B), mais o adicional de R$ 105.409.550,69 (linha 02 da Ficha 12B). 10. OPERAÇÕES DE CARÁTER CULTURAL E ARTÍSTICO (linha 03): o valor é de R$ 2.676.000,00, que é inferior ao limite de 4% sobre o IR a alíquota de 15%, limite esse que é de R$ 6.326.013,04 (4% de R$ 158.150.326,03). Assim, essa informação prestada em DIPJ/2004 será acatada. 11. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (linha 04): o valor é de R$ 1.293.904,20, que é inferior ao limite de 4% sobre o IR a alíquota de 15%, limite esse que é de R$ 6.326.013,04 (4% de R$ 158.150.326,03). Assim, essa informação prestada em DIPJ/2004 será acatada. 12. ATIVIDADE AUDIOVISUAL (linha 05): o valor é de R$1.099.489,72, que é inferior ao limite de 3% sobre o IR a alíquota de 15%, limite esse que é de R$ 4.744.509,78 (3% de R$ 158.150.326,03). Assim, essa informação prestada em DIPJ/2004 será acatada. 13. FUNDOS DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (linha 06): o valor é de R$ 1.500.000,00, que é inferior a 1% sobre o IR a alíquota de 15%, limite esse que é de R$ 1.581.503,26 (1% de R$ 158.150.326,03). Assim, essa informação prestada em DIPJ/2004 será acatada. 14. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (linha 08): o valor de IRRF declarado na ficha 12B da DIPJ/2004 é de R$ 1.767.184,88 e foi totalmente confirmado, conforme telas extraídas do Sistema DIRF, fls.174/175. 15. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃOS PUB. FEDERAL (linha 09): o valor de IRRF declarado na ficha 12B da DIPJ/2004 é de R$ 42.230,09. No entanto, não foi localizada nenhuma retenção por órgão público federal, tanto na DIRF, fls. 174/185, quanto nas 24 fontes pagadoras informadas em DIPJ, fls.200/205. Assim, esse valor não será considerado como dedução na apuração do imposto de renda a pagar. 16. IRPJ MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA (linha 12): o valor do imposto de renda pago por estimativa declarado na ficha 12B da DIPJ/2004 é de R$ 132.007.832,28. Por outro lado, foram verificados todos os valores das estimativas declaradas em Ficha 11 da DIPJ/2004, e constatouse que são exatamente os mesmos valores confessados em DCTF, conforme telas de fls.186/197. A tabela 02, abaixo, indica, para cada período de apuração, os Fl. 267DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 11 10 valores dessas estimativas declaradas em Ficha 11 da DIPJ/2004 e confessadas em DCTF. A soma de todas essas estimativas perfaz o montante de R$ 131.480.200,75, conforme última linha da tabela 02. 17. Cabe observar que esses valores indicados em tabela 02 não representam a soma dos pagamentos efetuados pela contribuinte, mas sim dos valores confessados em DCTF. Assim, percebese que existe uma divergência entre o valor total das estimativas declaradas em Ficha 11 da DIPJ/2004, e confessadas em DCTF, que é de R$ 131.480.200,75, de acordo com tabela 02, e total das estimativas pagas, no valor de R$ 132.007.832,28, indicado em linha 14 da ficha 12B – DIPJ/2004. 18. Por outro lado, a tabela 03, abaixo, indica os valores efetivamente pagos a título de estimativa para cada período de apuração do anocalendário de 2003. A soma desses pagamentos perfaz o montante de R$ 132.431.835,26, de acordo última linha de tabela 03. Esses pagamentos foram extraídos do sistema SIEF/Documentos de Arrecadação, fls.186/197, e estão alocados aos respectivos débitos confessados em DCTF. Entretanto, para os períodos de apuração de fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto, novembro e dezembro, verificouse que a contribuinte efetuou pagamentos em valores superiores aos confessados em DCTF, conforme telas de fls.186/197. 19. Em que pese a contribuinte ter pago algumas estimativas mensais em valores superiores aos confessados em DCTF, todos Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 12 11 esses valores pagos a maior (períodos de apuração de fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto, novembro e dezembro) foram objeto de pedido de restituição/compensação, via PER/DCOMP, de acordo com telas de fls.186/197. Percebese que, para cada pagamento realizado a maior, parte do pagamento foi alocado ao respectivo débito confessado em DCTF, e o restante (pago a maior) foi compensado/restituído. 20. Como exemplo, para o período de apuração de julho/2003 a contribuinte pagou R$ 11.463.351,10 (tabela 03) a título de estimativa, mas confessou em DCTF o valor de R$ 10.914.886,13 (tabela 02). A diferença de R$ 548.674,97 (R$ 11.463.351,10 – R$ 10.914.886,13), paga a maior, foi objeto de pedido de compensação, DCOMP n° 30229.84693.280205.1.3.042130, conforme telas de fl.192, cuja análise resultou no deferimento total do crédito, de acordo com tela de fl.206. 21. Dessa forma, para cada pagamento realizado a maior, verificase que apenas o valor do pagamento que foi alocado ao respectivo débito em DCTF é que pode ser considerado na composição do imposto de renda pago por estimativa, pois o valor pago a maior foi compensado/restituído. Assim, para o exemplo dado em parágrafo anterior, será considerado na composição do imposto de renda pago por estimativa, apenas o valor de R$ 10.914.886,13, que é o valor declarado em DIPJ/2004 e confessado em DCTF (tabela 02). 22. Cabe ainda observar que para o período de apuração de setembro a contribuinte confessou em DCTF o valor de R$ 10.197.588,26, sendo que parte dessa estimativa foi quitada por meio de pagamento (DARF), no valor de R$ 8.982.691,29, e o restante por compensação, no valor de R$ 1.214.896,97, conforme tela de fl. 194. Essa compensação foi realizada pela transmissão de três DCOMPs: 41109.00457.311003.1.3.04 3718, 39210.23971.311003.1.3.046602 e 00802.79827.311003.1.3.048295, conforme tela de fl.207. Dessas três DCOMPs, as duas primeiras encontramse em discussão administrativa, enquanto que a última foi totalmente homologada, de acordo com telas de fls.208/210. 23. Nesse sentido, em relação às duas DCOMPs não homologadas, que se encontram em discussão administrativa, tais valores serão validados, em conformidade com o estabelecido na Solução de Consulta Interna nº 18 – Cosit, que dispõe que “na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ”. 24. Diante do exposto, será considerado como imposto de renda pago como estimativa para o anocalendário 2003 (linha 12 da Ficha 12B – DIPJ/2004) a soma dos valores das estimativas declaradas em Ficha 11 da DIPJ/2004 e confessadas em DCTF, no valor de R$ 131.480.200,75, conforme tabela 02, haja vista Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 13 12 que o montante desses respectivos pagamentos realizados a maior (períodos de apuração: fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto, novembro e dezembro) já foram objeto de pedido de restituição/compensação (fls.186/197). 25. Partese, agora, para nova apuração do imposto de renda a pagar, Ficha 12B da DIPJ/2004. Nesse novo cálculo, o Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público (linha 09), que na DIPJ/2004 foi declarado no valor de R$ 42.230,09, agora será considerado no valor de R$ 0,00, conforme explicações de parágrafo 15. Já o imposto de renda mensal pago por estimativa (linha 12), que havia sido declarado em DIPJ/2004 no valor de R$ 132.007.832,28, será considerado no valor de R$ 131.480.200,75, conforme explicações de parágrafos 16/24. Assim, o imposto de renda a pagar, Ficha 12B, será confirmado no valor de R$ 123.743.097,17, conforme linha 14 da tabela 04 abaixo: 26. Dessa forma, verificase que o imposto de renda a pagar, anocalendário de 2003, é de R$ 123.743.097,17. De acordo com o § 2º do art. 858 do Regulamento do Imposto de Renda, a esse saldo de imposto a pagar deve ser adicionado juros de 1% para pagamentos efetuados em fevereiro/2004, que foi o caso em tela. A contribuinte trouxe aos autos cópia do DARF de ajuste do Imposto de Renda, anocalendário 2003, fl. 139, no valor de R$ 125.939.028,19, data de arrecadação 27/02/2004. Logo, o valor devido pela contribuinte, em 27/02/2004, é de R$ 124.980.528,14 (R$ 123.743.097,17 + 1%). 27. Em consulta ao sistema SIEF/Documentos de Arrecadação, constatouse que a contribuinte realmente efetuou o pagamento em 27/02/2004, no valor de R$ 125.939.028,19, conforme tela de fl.211. Como o valor devido a título de imposto de renda é de R$ 124.980.528,14, conforme parágrafo anterior, concluise que houve um pagamento a maior, no valor de R$ 958.500,05 (R$ Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 14 13 125.939.028,19 – R$ 124.980.528,14). Cabe observar que esse valor se refere ao crédito originário apurado a favor da contribuinte, sem a incidência de correções pela taxa SELIC. Portanto, apesar de a contribuinte ter pleiteado o valor de R$ 1.499.370,97, a título de pagamento indevido ou a maior, foi apurado o valor do direito creditório no montante original de R$ 958.500,05. 28. Por fim, após consultas aos sistemas SIEF/PERDCOMP e SIEF/Documentos de Arrecadação, verificouse que o valor apurado, no valor de R$ 958.500,05, não foi utilizado em outros processos de compensação. A análise dos documentos presentes nos autos, somada aos cálculos e aos comentários efetuados pela autoridade responsável pela diligência, nos levam a concluir pela existência do direito creditório, que poderá ser utilizado para homologação parcial da compensação pleiteada neste processo, até o limite original apurado, de R$ 958.500,05. Afasto, portanto, os demais argumentos veiculados pela Recorrente, posto que não integralmente comprovados pelos documentos presentes no autos, sendo de rigor reconhecer o direito creditório nos termos retratados pela diligência, cujos fundamentos acolho e ratifico. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, nos quais se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). De se notar, ainda, a intempestividade das contrarrazões apresentadas pela interessada em relação ao Relatório da Diligência, posto que deste foi intimada em 23 de maio Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16327.900401/200965 Acórdão n.º 1201001.634 S1C2T1 Fl. 15 14 de 2016 e apenas se manifestou em 05 de setembro de 2016, conforme atestam os documentos de fls. 220 e 231. De nada adianta, neste passo, alegar novamente o princípio da verdade material para, de modo intempestivo, trazer à discussão novos argumentos, que deveriam constar da Impugnação, apresentada em 2009, nos termos do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72. Este Colegiado já atendeu, no limite do possível e do razoável, a pretensão da Recorrente, ao converter o julgamento em diligência em 2014, assim como lhe concedeu prazo para manifestação, que não foi observado. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE parcial provimento, para reconhecer o direito creditório de R$ 958.500,05, em valores originais. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.910888/2009-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.878
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 88 /2 00 9- 07 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 9303004.878 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.173, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 9303004.878 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 9303004.878 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 9303004.878 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 16537.000986/2011-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 09 86 /2 01 1- 61 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 220 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.795, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 22 de janeiro de 2013 (efls. 188 a 194). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Período de apuração: 01/08/2001 a 01/12/2001 AUSÊNCIA DE PROVA DA COMPENSAÇÃO A compensação do crédito tributário deve ser comprovada pelo contribuinte. O contribuinte não apresentou nos autos documentos que lastreiem a alegada compensação. INCONSTITUCIONALIDADE. A discussão sobre a inconstitucionalidade de lei deve ocorrer no âmbito do Poder Judiciário. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E JUROS MORA. A cobrança de tais acréscimos foi realizada em virtude do inadimplemento das contribuições previdenciárias, em consonância com os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 e com o art. 13 da Lei 9.065/95. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS DE MORA Aplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, conforme art. 34 da Lei 8.212/91, art. 13 da Lei 9.065/95 e Súmula nº 4 do CARF. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 221 3 8.212/1991, pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para determinar a aplicação da penalidade mais benéfica, de modo que a multa de mora não ultrapasse o percentual de 20%. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro na questão da multa. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 10/06/2013 (efl. 195) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 14/06/2013 (efl. 195), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 196 a 206). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF e no Acórdão 240102.453, também de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, datado de 01/06/2012, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 222 4 Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Acórdão 240102.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 223 5 base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) A redação do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; b) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias, que no caso consistirão na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 224 6 previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; c) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, por esse motivo, não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; d) Quanto à obrigação acessória, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; e) devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212, de 1991. f) Mesmo caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao mesmo dispositivo pela Lei nº11.941, de 2009. g) Cita, ainda a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, Requer, assim, que seja dado provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 209 a 212. Cientificada em 13/09/13 (efl. 215), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 225 7 É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Assim, passo a sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 226 8 § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 227 9 no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 228 10 vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 229 11 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação nova do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, limitandose ao percentual máximo de 20%, previsto no art. 61 da Lei 9.430, de 1996. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 230 12 qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 231 13 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 232 14 a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16537.000986/201161 Acórdão n.º 9202005.362 CSRFT2 Fl. 233 15 como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001150/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 01 15 0/ 20 06 -0 7 Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 13971.001150/200607 Resolução nº 1402000.427 S1C4T2 Fl. 2.223 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 479485, numeração física) em face do acórdão n° 1402001.271, julgado na sessão de 04 de dezembro de 2012. O julgado embargado restou assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, conforme precedentes do E. STJ. PIS e COFINS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 13971.001150/200607 Resolução nº 1402000.427 S1C4T2 Fl. 2.224 3 Recurso Voluntário provido. Recurso de Ofício desprovido." Nos termos do Art. 49 do Regimento Interno do CARF RICARF: "[...] § 5° Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. " Com base no dispositivo acima e considerando que o respectivo conselheiro relator não se encontra mais nos quadros do CARF, os presentes embargos foram redistribuídos. Pois bem. Alega a embargante (FAZENDA NACIONAL) que esta Turma originária teria sido omissa quanto ao fundamento de sua decisão. Isto porque no caso concreto foi aplicada a regra de decadência do direito do fisco de lançar a contar do fato gerador, em conformidade com o artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, em virtude de que o relator teria constatado a existência de pagamentos parciais realizados pelo contribuinte no período em questão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal apenas 11% da receita total do contribuinte foi declarada. Segundo o raciocínio da embargante o único fundamento da aplicação do prazo decadencial a partir do fato gerador se deu em virtude de questão de fato, qual seja, de haver comprovação de pagamento parcial. Por isso, como o relator não apontou aonde estariam os pagamentos que lhe deram fundamento para a decisão, especialmente em virtude de que 89% das receitas sequer estariam declaradas, a hipótese de não haver pagamentos efetivos é considerável, o que provocou a oposição dos embargos para que esta Turma fundamente adequadamente sua decisão nos respectivos elementos probatórios. Por outro lado, a decisão da Turma julgadora não foi unânime. Isto para a Fazenda Nacional poderia confirmar sua tese de que não haviam pagamentos comprovados posto que os conselheiros vencidos também em tese teriam rejeitado o recurso igualmente por falta de provas. Mais adiante, expõe a embargante que haveria ainda contradição no teor do julgado. Transcrevo abaixo trecho do voto que deu origem à alegada contradição: Com efeito, tendo o contribuinte, optante pelo lucro presumido, tomado ciência do lançamento em 07/07/2006 (fl.208), no que toca ao IRPJ e à CSLL, quer seja pela regra contida no art. 150, §4°, quer seja pela regra do art. 173, I, do CTN se comprovada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000 já foram alcançados pela decadência, razão pela qual improcede a sua exigência, mantendose, nesse ponto, a decisão recorrida e tornando improcedente, nesse ponto, o recurso de ofício." (grifei) A contradição, segundo a FAZENDA NACIONAL, estaria nesta segunda expressão "quer seja", que estaria a significar que, numa primeira leitura, mesmo se houvesse fraude, dolo etc., e conseqüentemente imposta a contagem com base no art. 173 do CTN, a decadência também estaria configurada no caso concreto. Isto é, se eventualmente, mesmo Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 13971.001150/200607 Resolução nº 1402000.427 S1C4T2 Fl. 2.225 4 contado o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o fisco poderia tê lo efetuado, o lançamento realizado seria legítimo. É o relatório. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 13971.001150/200607 Resolução nº 1402000.427 S1C4T2 Fl. 2.226 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Nos termos do art. 65, § 2°, do RICARF fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Dispõe o art. 65 que: "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Em sede de admissibilidade, os presentes embargos foram admitidos para exame da desta Turma julgadora de suposta omissão e contradição. Quanto à alegada omissão, sendo o julgamento fundamentado em matéria de prova, parece razoável que fosse indicado objetivamente quê prova embasou as conclusões do relator, tais como a indicação das folhas do processo esta prova encontrase espelhada, por exemplo. O relator, ao propor o provimento do recurso voluntário, deixou claro ter afastado a aplicação do artigo 173 para aplicar o artigo 150, ambos do CTN. Diante disso o crédito tributário estaria extinto. Deixou claro também que, para aplicar o artigo 150 considerou haver pagamentos parciais efetuados pelo contribuinte. Todavia, não deixou claro em seu relatório ou voto, segundo o Embargante, quais os documentos ou fatos o levaram a chegar nesta conclusão. Por essa razão, entendeuse em sede de admissibilidade que houve realmente a omissão apontada pela Fazenda Nacional. Quanto a suposta contradição, a partir de um exame sistemático dos autos, e não somente da expressão "quer seja" de forma isolada, creio que não há reparos a serem feitos na decisão embargada. Isto porque a referida expressão, repito, vista isoladamente, passa a ser irrelevante na medida em que restou incontroverso o fato de que NÃO houve a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, em nenhuma hipótese, segundo o entendimento do relator, haveria a aplicação do artigo 173 do CTN neste caso. Examinando mais detidamente o caso, percebo que pretende a embargante, na prática, o reexame das provas carreadas ao processo, o que não me parece possível nesta instância processual. Mesmo que não se tratasse de reexame em si, observo que o relator destes embargos foi designado em virtude de que o conselheiro originalmente responsável não faz mais parte deste Conselho. Não seria razoável então que este julgador ad hoc indicasse quais as provas que convenceram aquele conselheiro do direito do Recorrente pois, além de não ter sido o relator do processo, não participou do julgamento. Contudo, em atenção ao principio da busca da Verdade Material, e considerando o necessário conforto dos demais colegas julgadores de minha Turma, me parece salutar propor que o presente processo seja convertido em diligencia, para: Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 13971.001150/200607 Resolução nº 1402000.427 S1C4T2 Fl. 2.227 6 a) que os autos retornem à Delegacia da Receita para verificar se no ano calendário/competências relativas ao ano 2000 houve(ram), de fato, recolhimento de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS por parte da autuada. b) que a autoridade elabore relatório conclusivo sobre as informações obtidas, discriminando o tributo e correspondente data de pagamento, podendo apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. c) ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 2231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720285/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIVERGÊNCIA. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. INFORMAÇÃO EM DIRF.
Deve ser cancelada a exigência tributária que se baseia exclusivamente em DIRF posteriormente retificada, conforme acordo judicial entre locador e locatário, confirmando-se que o pagamento dos aluguéis efetivamente não ocorreu, quando informado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DIVERGÊNCIA. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. INFORMAÇÃO EM DIRF. Deve ser cancelada a exigência tributária que se baseia exclusivamente em DIRF posteriormente retificada, conforme acordo judicial entre locador e locatário, confirmando-se que o pagamento dos aluguéis efetivamente não ocorreu, quando informado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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RENDIMENTOS DE ALUGUEL. INFORMAÇÃO EM DIRF. Deve ser cancelada a exigência tributária que se baseia exclusivamente em DIRF posteriormente retificada, conforme acordo judicial entre locador e locatário, confirmandose que o pagamento dos aluguéis efetivamente não ocorreu, quando informado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 85 /2 01 2- 59 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13748.720285/201259 Acórdão n.º 2202003.967 S2C2T2 Fl. 125 2 Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.681, desta Turma Ordinária, complementandoo ao final (fl. 112): Conforme Notificação de Lançamento acostada às folhas 57 e seguintes, o contribuinte teve sua declaração de imposto de renda das pessoas físicas do exercício de 2010, relativa ao ano calendário de 2009, revista pela Delegacia da Receita Federal competente. Na revisão, foram apuradas as seguintes infrações: 1 omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas Autômatos tecnologia de informação Ltda, no valor de R$ 18.834,88, com consideração de imposto retido na fonte de R$ 3.853,66. Na impugnação o contribuinte alegou que não recebeu esse valor da referida fonte e anexou peças de Ação Judicial onde litigava com a mesma, tendo como objeto a locação de imóvel. 2 omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas na impugnação o contribuinte expressamente concordou com essa infração, conforme folha 02. 3 dedução indevida de despesas médicas conforme descrito pela Autoridade Fiscal na folha 61. O contribuinte impugnara parcialmente essa infração, como se depreende de sua manifestação na folha 02. Ao julgar a manifestação de inconformidade parcial do interessado, assim dispôs em resumo o Julgador a quo: (...) Dessa feita, deuse provimento parcial à impugnação apresentada. Cientificado dessa decisão em 01/08/2012 (AR na folha 82), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/08/2012 (com protocolo na folha 84) onde questiona apenas a exigência relativa a omissão de rendimentos de aluguéis que teriam sido recebidos de pessoa jurídica, sem nada falar sobre a glosa das despesas médicas parcialmente mantida. Repisando que os aluguéis não foram pagos no ano de 2009, meses de janeiro e fevereiro, e destacando pontos da lide judicial que manteve em face da fonte que deveria lhe pagar os aluguéis, asseverou que a DIRF não continha informações verdadeiras. Anexou, posteriormente, um extrato de DIRF retificadora, apresentada por Autômatos Tecnologia de Informação Ltda, em 15/03/2013 e uma cópia de acordo judicial entre ele e a empresa. Ao analisar a questão, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência em vista de faltarem alguns documentos necessários nos autos, encaminhandose à DRFB para "anexação do extrato da DIRF original com a informação do pagamento a este contribuinte dos rendimentos que ensejaram o lançamento. Anexação do extrato da DIRF retificadora, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13748.720285/201259 Acórdão n.º 2202003.967 S2C2T2 Fl. 126 3 mencionada neste voto, com a constatação da retirada da informação sobre o pagamento de aluguéis a este contribuinte, no ano de 2009". O contribuinte, intimado sobre o procedimento, não se manifestou. Cumprida a diligência, com os documentos de folhas 117 a 119, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Também conforme foi delimitado no Voto que redundou na conversão do julgamento em diligência: Conforme procuramos assentar no relatório, a lide que chega a esta instância recursal referese, em face da impugnação e do recurso apresentados, exclusivamente à questão da tributação de rendimentos de aluguéis recebidos da empresa Autômatos Tecnologia de Informação Ltda, que informou em DIRF o pagamento de R$ 18.834,88, com retenção de imposto na fonte de R$ 3.853,66, no ano de 2009, estando as demais matérias objeto do lançamento preclusas, em vista do artigo 17 do Decreto 70.235, de 1972. O contribuinte sempre alegou nestes autos que não recebera tal valor no ano de 2009, procurando demonstrar em seu favor que litigava judicialmente contra a empresa exatamente para receber esses aluguéis e outras verbas decorrentes do contrato de locação. Em 05 de fevereiro de 2013, portanto não poderia ter apresentado tal documento antes, assentouse perante o juízo da 2ª Vara Cível de Itaipava/RJ, dentre outras questões, que a empresa Autômatos Ltda. deveria retificar a DIRF onde informara o pagamento dos aluguéis no ano de 2009, uma vez que ali reconhecia não têlos pago nos meses de janeiro e fevereiro daquele ano. Em 04 de abril de 2013, a representante legal do contribuinte apresentou solicitação de juntada de documentos, dentre eles a cópia de DIRF retificadora que teria sido transmitida pela empresa Autômatos Tecnologia Ltda. em 15/03/2013 (fl. 95) e na qual constaria a retificação do registro do pagamento e retenção na fonte que ensejaram a parte do lançamento tributário que permanece em discussão. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13748.720285/201259 Acórdão n.º 2202003.967 S2C2T2 Fl. 127 4 Primeiramente, no que diz respeito à aceitação de documentos após a apresentação do recurso, que deuse em 15/08/2012, destaco que a "assentada" assinada pelo Juiz de Direito da 2ª Vara Cível do Foro regional de Itaipava (fl. 104) somente ocorreu em 05/02/2013 e uma de suas determinações foi que a empresa Autômatos deveria retificar a DIRF onde informara pagamento de dois meses de aluguel ao recorrente, no ano de 2009. Tal retificação só foi processada em 15/03/2013, como agora se comprova com a cópia anexada na fl. 119. Assim, a consideração de tais documentos, apresentados após o recurso, está prevista no artigo 16, § 4º, alínea 'b' do Decreto nº 70.235, de 1972. A parte da autuação que aqui se discute baseouse exclusivamente na "análise de informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil", conforme consta da Notificação de Lançamento (fl. 58), a partir de uma DIRF apresentada pela empresa Autômatos Tecnologia da Informação Ltda, que alugava imóvel de propriedade do contribuinte. Acontece que apesar de ter informado o pagamento de aluguel nos meses de janeiro e fevereiro de 2009 (fl. 117), tal pagamento efetivamente não ocorreu. Tanto é que o contribuinte recorreu ao Poder Judiciário para ter seu direito satisfeito. Na decisão judicial, inclusive, pleiteou que a DIRF fosse retificada, o que ocorreu em 15/03/2013 (fl. 119). CONCLUSÃO Sendo a única fonte que subsidiou o lançamento a DIRF, que por decisão judicial o próprio informante retificou posteriormente, não informando qualquer pagamento ao recorrente, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência relativamente à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 18.834,88. Consequentemente, retirase da apuração do imposto o valor de R$ 3.853,66, informado como imposto retido na fonte (fl. 58 e 62). (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.001017/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS
A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeita-se à submeter-se às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodos-base objeto da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Toselli e Gustavo Guimarães, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Carparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeita-se à submeter-se às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodos-base objeto da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Toselli e Gustavo Guimarães, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Carparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodos base objeto da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Toselli e Gustavo Guimarães, que davam provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 10 17 /2 00 4- 89 Fl. 1753DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Roberto Carparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO CAMPINA DA SORTE LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1127.987 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que julgou procedente em parte a impugnação. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06, e, por decorrência, o constante as fls. 868/871 do presente processo, para exigência do crédito tributário referente aos anoscalendário de 2000,2001, 2002,2003 e 2004 adiante especificado, expresso em Reais: Os Autos relativos ao IRPJ e à CSLL são decorrentes de constatação de diferença entre os valores escrituradas pela pessoa jurídica e aqueles declarados ou pagos, verificada com base no Livro Caixa e Livro Registro de Prestação de Serviços. Foi verificado, ainda, que a contribuinte não declarou os créditos fiscais relativos ao 1º trimestre de 2003, 3° trimestre de 2003 e 1º trimestre de 2004, conforme fls. 648/658, não tendo, portanto, a fiscalização considerado na apuração dos débitos, bem como das DCTF retificadoras de fls. 659/668, por terem sido apresentadas após o inicio da ação fiscal. Os enquadramentos legais dos lançamentos objeto do presente processo, constam dos Autos de Infração retrocitados. Foi efetuada representação fiscal para fins penais através do processo n ° 10425.001082/200412. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.746 3 Inconformada em parte com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação parcial às fls. 742/747, apresentando os argumentos a seguir relatados: Inicia afirmando ter percebido somente após o recebimento do Termo de Inicio de Fiscalização, mas antes da lavratura do Auto de Infração em lide, que havia efetuado a menor pagamentos a titulo de IRPJ referente ao quarto trimestre de 2000 e aos 1º e 2° trimestres de 2001 e que o adicional do IRPJ devido nunca tinha sido recolhido. Então, teria promovido o recolhimento das referidas quantias, conforme Darf anexados aos autos requerendo a exclusão destes valores do Auto em epígrafe. Que o autuante havia admitido como corretos os valores constantes de sua contabilidade até o mês de setembro de 2003, a partir de quando havia passado a adotar valores diversos daqueles constantes de sua contabilidade. Alega que a autoridade fiscal não havia apontado de forma clara e precisa quais os fundamentos documentais e de fato que o haviam conduzido a desconsideração dos valores constantes da sua contabilidade/escrita fiscal a partir de setembro de 2003, e promover o arbitramento da receita utilizando valores que não poderiam ser considerados para efeitos de tributação. Que a sua atividade primordial consistia na exploração, mediante autorização da Loteria do estado da Paraíba, da loteria de prognósticos "21 dá Felicidade" a qual funcionava como bingo, para o qual eram vendidos bilhetes a fim de que o seu adquirente pudesse concorrer aos prêmios admitidos. Tais prêmios eram distribuídos em momento posterior ao da realização do sorteio, quando detectados os ganhadores, sendo os recursos necessários aos pagamentos da premiação (bem como o do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF sobre ela incidente) reservados do produto da arrecadação obtida com a venda dos bilhetes. Que considerou como receita sua o valor correspondente ao montante financeiro disponível após o pagamento da premiação e da parcela devida à LOTEP pela realização do sorteio, por considerar que as referidas parcelas não poderiam ser consideradas como receita pelo fato de que nunca haviam lhe pertencido. Argumenta que a autoridade fiscal havia considerado como receita o valor total arrecadado com a venda de bilhetes, desconsiderando o fato verificado por ele, de que os prêmios prometidos haviam sido efetivamente entregues aos seus ganhadores e o IRRF a eles correspondente haver sido recolhido no período em questão bem como a correção dos valores repassados à LOTEP. Conclui ser impossível desconsiderar o equivoco do autuante no que se refere aos valores imputados como receita a partir de setembro de 2003, afirmando que a receita seria aquela constante de sua contabilidade/escrita fiscal, não podendo a Fl. 1755DF CARF MF 4 autoridade administrativa sem motivos relevantes para tanto, desprezar as informações ali constantes para "criar" obrigação tributária sobre fato econômico inexistente. Afirma que verificou ter efetuado recolhimentos inferiores aos devidos os quais havia confessado e objeto de pagamento após a lavratura do Auto de Infração em lide, requerendo a sua exclusão do valor lançado. Aduz que a autoridade fiscal havia cometido equivoco no cálculo do IRPJ e adicional devidos, ao considerar que os valores constantes da planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada" tratavamse exclusivamente do IRPJ, desconsiderando que estavam incluídos os valores devidos a titulo de adicional do IRPJ. Finaliza requerendo: A exclusão dos valores pagos após a autuação do valor total lançado; Seja julgada improcedente a parte do lançamento relativa ao período posterior a setembro de 2003, referente a suposta omissão de receita; Sejam revistas as bases de cálculo equivocadamente utilizadas pelo autuante para determinação dos valores apontados como devidos em todo o período objeto do lançamento; Em caso de dúvida, requer a interpretação mais benigna conforme o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional,e Requer perícia em relação ao período posterior a setembro de 2003, além de admitida a juntada posterior de documentos e demais provas. As fls. 1.488/1489 foi determinada a realização de diligência no sentido de que a autoridade lançadora se manifestasse acerca da diferença verificada entre os valores constantes do Livro de Apuração do ISS, fls. 906/926 e aqueles constantes do demonstrativo "composição da base de cálculo", fls. 708/709, em relação ao mês de setembro de 2003, devido a impossibilidade de verificação dos lançamentos constantes do livro caixa devido ao fato de que as cópias anexadas aos autos estarem ilegíveis. Realizada a diligência, a autoridade administrativa elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1544/1545 no qual informa: Que após ser intimada, a contribuinte apresentou o Livro Caixa (original), contendo a escrituração das operações de entradas e saídas de caixa relativas ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, do qual foram extraídas cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento e das folhas 392 a 421, contendo a escrituração das operações do mês de setembro de 2003; Com base no Livro Caixa havia procedido ao levantamento de toda Receita de Serviços escriturada no mês de setembro de 2003 (fls. 1512/1543) em confronto com os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ISS (fls. 906 e 921), e o Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.747 5 valor declarado em DIPJ, concluiu que o valor a ser tributado no mês de setembro de 2003 é de R$706.776,00 e não o de R$730.752,50 conforme apurado anteriormente pelo autuante. Em análise da impugnação apresentada, a DRJ, na sessão de 30 de outubro de 2009, julgoa parcialmente procedente, para ajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, considerandose o valor da receita bruta referente ao mês de setembro de 2003 como sendo R$706.776,00, conforme apurado através da diligência e proferindo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Anocalendário: 2000,2001,2002, 2003, 2004 EXPLORAÇÃO DE JOGO DE BINGO. RECEITA PRÓPRIA. A receita própria da administradora de jogo de bingo não é senão a decorrente da totalidade dos recursos obtidos com as vendas das cartelas de bingo. Na revenda de cartelas de bingo, a totalidade dos valores recebidos pela pessoa jurídica de seus clientes integra a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo o sujeito passivo optado pela apuração do lucro presumido, é cabível o lançamento do imposto decorrente de omissão de receitas, obedecendose a referida opção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001,2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo o sujeito passivo optado pela apuração do lucro presumido, é cabível o lançamento da contribuição social decorrente de omissão de receitas, obedecendose a referida opção. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 12/04/2010 (AR de efls. 1.589), apresentando em 12/05/2010, o recurso voluntário de efls. 1.598/1.624, no qual repete basicamente as alegações de sua impugnação. Extraio a Conclusão e os Requerimentos lá registrados, verbis: III. CONCLUSÃO E REQUERIMENTOS (...), Serviços e Administração Campina da Sorte requer seja acolhido o presente recurso voluntário e, em seguida, reformado o acórdão no 1127.987, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, para que: (i) sejam excluídos do saldo de imposto a pagar os recolhimentos já efetuados pela recorrente (vide DARF's anexos à Fl. 1757DF CARF MF 6 impugnação), inclusive aqueles realizados depois da ciência do inicio da ação fiscal; (ii) seja anulado o auto de infração, eis a autoridade fiscal arbitrou a receita da recorrente, no período posterior a setembro de 2003, sem levar em conta as informações constantes dos registros fiscais e contábeis mantidos pela recorrente, e que foram regularmente disponibilizados à fiscalização; (iii) caso assim não se entenda, seja julgada improcedente a autuação, eis que ela recai sobre parcela premiações e percentagens destinadas a outros entes que não compõem a receita da recorrente e, portanto, não podem integrar a base de cálculo do IRPJ; (iv) caso assim não se entenda, que seja ajustada a base tributável (e, via de conseqüência, o valor do imposto) atribuída à recorrente no período posterior a 2003 para os valores constantes de seu livros contábeis e fiscais, regularmente mantidos; (v) do mesmo modo, que seja corrigido o erro de cálculo em que incorreu a autoridade autuante, ajustandose a base tributável e o valor do IRPJ e Adicional lançados no auto de infração àqueles encontrados durante a própria ação fiscal, conforme planilhas instrutórias desta, especialmente as planilhas "COMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO APURAÇÃO SINTÉTICA", às fls. 705/709, "APURAÇÃO DE DÉBITO", às fls. 710/714, "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA", às fls. 718/722. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da Consideração da Receita Bruta: A fiscalização considerou a título de receita bruta, base de cálculo para apurarse o lucro de forma presumida, a oriunda da venda de bilhetes ou cartelas de sorteios de bingos, registrada no Livro de Registro de Prestação de Serviços e escriturada no Livro Caixa da recorrente. A decisão recorrida apresenta os seguintes argumentos em defesa da incidência do IRPJ sobre o total da arrecadação bruta obtida com a venda dos bilhetes da loteria: Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.748 7 1º) a receita bruta significa aquela obtida pela empresa mediante atividade que constitua seu objeto social. Assim, a receita bruta da empresa que explora a atividade de bingo consiste nas receitas advindas da venda de cartelas, em sua totalidade; 2º) a responsabilidade tributária pelos tributos decorrentes da exploração dos jogos de bingo é da empresa que administra tal atividade, ainda que, na qualidade de mera administradora ou permissionária, não seja a real detentora da autorização legal para exploração desse negócio, em razão da legislação pertinente. Sendo assim, a sua receita própria decorre da totalidade dos recursos advindos com as vendas das cartelas de bingo. A recorrente insurgese contra o primeiro argumento da decisão recorrida, pois entende que sua atividade era a administração do bingo (serviço prestado à entidade desportiva autorizatária e à LOTEP, como se confere no contrato anexo) e sua receita bruta não pode ser outra senão os valores que a recorrente percebe em pagamento dos serviços de administração e operacionalização do bingo. Assim, o valor das premiações dos ganhadores do bingo e as percentagens da arrecadação da venda de bilhetes não compõem, segundo a recorrente, a remuneração de sua atividade, eis que se trata de receita de terceiros e não podem compor a base de cálculo do IRPJ devido. Ressalta que, no presente caso, a própria autoridade autuante verificou que os prêmios da loteria administrada pela recorrente foram, realmente, entregues aos correspondentes ganhadores. Transcreve, para corroborar a sua tese, trechos do Acórdão nº 10193.226, de 18/10/2000, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes e do Acórdão nº 105.15.849, de 26/07/2006, da 5ª Câmara do 1º CC. Quanto ao segundo argumento, entende a recorrente que a regra de substituição tributária contida no art. 40 da Lei n. 9.981/2000 só abrange, evidentemente, os tributos efetivamente devidos pelos substituídos. Vale dizer, a recorrente só é obrigada a recolher, em virtude da regra de substituição tributária, aqueles tributos que efetivamente incidem sobre as parcelas que compõe a arrecadação total decorrente da venda de bilhetes sejam os prêmios distribuídos aos vencedores, sejam as parcelas devidas à LOTEP/entidade filantrópica, sejam as parcelas que a recorrente mesma titulariza. Aduz a contribuinte que, sobre os prêmios distribuídos aos vencedores, os quais se caracterizam como renda tributável destes (o que é elementar e não demanda maiores explicações) incide não o imposto sobre a renda da pessoa jurídica, mas o imposto sobre a renda da pessoa física eis que essa é a natureza dos vencedores, titulares das verbas , como por diversas já puderam reconhecer as diferentes instâncias julgadoras da Receita Federa1. Aliás, prossegue a recorrente, a situação é completamente inaceitável: ao argumento de que os prêmios constituem receita de titularidade da administradora do bingo, a Receita pretende tributar essas verbas a titulo de IRPJ; por outro lado, ao argumento de que esses mesmos prêmios compõem a renda de titularidade dos vencedores, pretende que as administradoras de bingo retenham o IRPF na fonte. Ao que parece, o Fisco pretende, com base em premissas francamente contraditórias, beneficiarse duas vezes da tributação de uma mesma quantia, pelo mesmo imposto. Por outro lado, entende o sujeito passivo, que as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária, não incide imposto algum, eis que tais entidades gozam de diferentes imunidades tributárias, dai resultando que a substituta tributária a recorrente nada tem a recolher sobre tais parcelas. Fl. 1759DF CARF MF 8 Em que pese os argumentos expendidos pela recorrente, adoto, por concordar com seus fundamentos, o voto condutor proferido no Acórdão nº 1801001.839, na sessão de 12 de fevereiro de 2014, pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, tendo como recorrente a mesma empresa e sobre os mesmos fatos, mas referente aos anos calendário de 2004 e 2005, cujos excertos trago a colação, verbis: O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total arrecadado. (...) Não se pode considerar que as atividades da recorrente são prestadas por conta alheia, pois quem praticou os fatos geradores da obrigação tributária, ou seja, promoveu e explorou os jogos de azar, foi, efetivamente, a recorrente em estabelecimento seu, o que lhe iça à condição, sim, de contribuinte, sujeito passivo da obrigação de pagar os tributos decorrentes da prática destes fatos. Semelhantemente, ocorre com as agências de viagens, que ao prestarem os serviços de Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.749 9 venda de passagens aéreas, auferem estas receitas e as oferecem à tributação, apesar dos valores das passagens serem repassados às companhias aéreas. (...) Salientese, ainda, que restou esclarecido que as disposições do artigo 4º da Lei 9.981/00 são aplicáveis, por analogia, aos demais jogos de azar: Art. 4º Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Destarte, a contribuinte dos tributos federais incidentes sobre a atividade de jogos de azar é a recorrente e, por ter optado pela apuração do lucro na forma presumida, correta está a autuação fiscal que calculou o lucro sobre toda a receita auferida. (...) Concluise que a autuação foi estabelecida em estrita conformidade com as normas tributárias vigentes, nada havendo a reparar nos lançamentos tributários neste concernente. Ante o exposto, tendo a recorrente optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. Da Desconsideração dos pagamentos efetuados pela recorrente após o início da ação fiscal e após a lavratura do auto de infração. Requer a recorrente a exclusão do saldo do imposto a pagar de valores de IRPJ recolhidos após a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal e depois da lavratura do auto de infração, conforme DARF's anexos à impugnação. Das Divergências entre as planilhas elaboradas pela Fiscalização e os valores apresentados no "Demonstrativo de Apuração" do Auto de Infração. Cobrança a maior de imposto em virtude de erro de cálculo. A recorrente alega que no momento da lavratura do auto de infração, a autoridade fiscal utilizou os valores constantes da Coluna "Diferenças Apuradas pelo AFRF Imposto/Contrib.", que se vê na planilha "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" (fls. 718/722), como ponto de partida para realizar todos os seus demais cálculos. Ao invés de partir dos valores de base tributável indicados nas planilhas que elaborara para, então, aplicar as alíquotas cabíveis e chegar ao imposto e adicional devidos e lançálos no auto, preferiu fazer os cálculos de modo inverso: partiu dos valores dos débitos que já havia encontrado em suas planilhas para, então, mediante regra de três simples, chegar ao valor da Fl. 1761DF CARF MF 10 base tributável a ser registrada no auto de infração. Mas, a principio, o procedimento eleito não geraria problema algum, desde que a autoridade autuante houvesse se recordado que os valores de débito constantes de suas planilhas (precisamente, na Coluna "Diferenças Apuradas pelo AFRF Imposto/Contrib.", que se vê na planilha "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" de fls. 718/722) compreendiam tanto o IRPJ quanto o Adicional de IRPJ devidos nos períodos. Segundo o sujeito passivo, o resultado dessa operação foi que a base apontada como tributável no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO" integrante do auto de infração é muito superior àquela encontrada na ação fiscal, constante das planilhas que deram origem ao auto e isso em TODOS OS PERÍODOS FISCALIZADOS de modo que cobrou se duas vezes Adicional de IRPJ e, além disso, o valor da multa proporcional e dos juros foi, evidentemente, "catapultado". Da Desconsideração dos valores constantes dos Livros Fiscais e Contábeis no que diz respeito ao último trimestre de 2003 e ao primeiro trimestre de 2004. Alega a recorrente que, conforme destacado na impugnação, ainda que a definição de base de cálculo do IRPJ devido pela recorrente utilizada pela fiscalização estivesse correta isto é, ainda que o imposto houvesse, efetivamente, de incidir sobre a arrecadação total da venda de bilhetes , ainda assim o montante da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal não seria o correto, eis que diverge das informações constantes dos livros fiscais e contábeis da empresa. Segundo a contribuinte, o valor apresentado pela autoridade autuante como arrecadação total do bingo (que ela entende tratarse da receita bruta da recorente, base de cálculo do IRPJ), não é o mesmo constante dos livros contábeis e fiscais da empresa, notadamente o Livro de Registro de Serviços Prestados, donde se conclui que o autuante só pode têlo arbitrado o que, naturalmente, seria vedado, eis que a recorrente mantém escrituração regular. Ressalta, ainda que, o acórdão recorrido admitiu erro da autuante apenas no que diz respeito ao mês de setembro de 2003, reduzindo a base de cálculo apurada para o valor de R$ 706.776,00, valor que não corresponde à quantia certa. O valor correto para esse mês, segundo a contribuinte, seria de R$ 553.869,50. Abaixo, passo à análise dos erros de fato apontados pela recorrente. Compulsando os autos, especialmente o Livro de Registro dos Serviços Prestados da matriz e filial (efls. 901 e seguintes) e as planilhas: "Composição da base de cálculo" (Apuração Sintética), "Apuração de Débito", "Pagamentos" e "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", elaboradas pela Fiscalização (efls. 712 e seguintes), entendo que assiste parcial razão à recorrente. A base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para a apuração da receita bruta é exatamente aquela registrada no Livro de Registro dos Serviços Prestados e Livro Caixa (MATRIZ +FILIAL). Foram levados em consideração os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração. Porém, o cálculo do imposto adicional do IRPJ foi apurado em duplicidade e todos os DARFs anexos à impugnação com o código da receita 2917 (IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO) deverão ser considerados pela Unidade de Origem como pagamento parcial do auto de infração de IRPJ. Abaixo, trago a colação, as telas que ilustram como foi apurado a diferença de imposto devido no 4º trimestre de 2003: Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.750 11 Fl. 1763DF CARF MF 12 Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.751 13 Fl. 1765DF CARF MF 14 Total da Receita Bruta (matriz + filial) do 4º trimestre de 2003: R$ 4.487.102,50 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.752 15 Valor tributável (lucro presumido) do 4º trimestre de 2003= R$ 4.487.102,50 x 32% = R$1.435.872,50 Fl. 1767DF CARF MF 16 Total dos pagamentos (código de receita 2089) relativos ao 4º trimestre de 2003= R$163.669,55 Imposto devido = R$1.435.872,50 x 15%= R$ 215.380,87 Imposto Adicional devido= R$1.435.872,50 R$ 60.000,00 = R$ 1.375.872,50 x 10% =R$137.587,25 Total do IRPJ devido no 4º trimestre de 2003=R$215.380,87+R$137.587,25=R$352.968,12 Diferença de IRPJ a cobrar no Auto de Infração com adicional= R$352.968,12 R$163.669,55 = R$189.298,57 Os valores constantes do Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ (efls. 16/17) estão registrados nas telas abaixo: Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.753 17 Fl. 1769DF CARF MF 18 Observase no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ, que a autoridade fiscal apurou em duplicidade o Adicional de IRPJ. Isso porque, no valor de R$189.298,57, já estava embutido o adicional de IRPJ do 4º Trimestre de 2003, conforme se depreende do "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", ao norte reproduzido. Esse erro aconteceu em todos os períodos de apuração. Assim, entendo que a Unidade de Origem deverá excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodosbase objetos da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ. Da Tributação Reflexa CSLL A tributação realizada de ofício para a exigência de CSLL é decorrente do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo da autuação reflexa. Portanto, a Unidade de Origem também deverá considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2973 (CSLL LANÇAMENTO DE OFÍCIO) como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Conclusão Isso posto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da cobrança o imposto adicional devido apurado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração de IRPJ para todos os períodosbase objetos da autuação e considerar os DARFs anexados com a impugnação com o código de receita 2917 como pagamento parcial do auto de infração do IRPJ e aqueles com o código de receita 2973 como pagamento parcial do auto de infração da CSLL. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10425.001017/200489 Acórdão n.º 1201001.666 S1C2T1 Fl. 1.754 19 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 1771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721855/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Numero da decisão: 2202-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 55 /2 01 4- 96 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 141 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13896.721855/201496, em face do acórdão nº 1664.072 julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em São Paulo (DRJ/SPO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 40 a 50, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2010, que constatou as seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 5.675,98. Fonte pagadora: Chicago Pneumatic Brasil Ltda. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 14,50; omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 79.278,33. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.378,35; dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$ 2.830,84, por falta de comprovação; dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 19.770,80, por não terem sido apresentados os comprovantes com valores discriminados por beneficiários. Glosadas as despesa com Amil Assistência Médica Interna, nos valores de R$ 10.120,44 e R$ 9.538,08 e as despesas com Odontoprev, nos valores de R$ 56,14 e R$ 56,14. número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado – Tributação exclusiva – nº de meses declarado: 60, nº de meses comprovado:0. compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente – tributação exclusiva glosa do valor de R$ 2.378,35. Cientificada do lançamento em 23/06/2014 (fl. 59), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 03, em 08/07/2014, alegando que: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 142 3 concorda com a omissão de rendimentos recebidos de Chicago Pneumatic Brasil Ltda., no valor de R$ 5.675,98; quanto a omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, alega que tratase de revisão de cálculo de aposentadoria do INSS iniciada em 10/11/2004, processo n.º 2004.61.83.0061612, paga em 22/07/2010; dedução indevida com despesa de instrução – o valor referese a despesas com a filha com idade até 21 anos, Ana Beatriz Amorim de Brito Machado, nascida em 07/10/1988; dedução indevida de despesas médicas – o valor referese a despesas médicas de filha com idade até 21 anos de idade. O seguro saúde está vinculado à Bayer Brasil para seu cônjuge (titular) e dois dependentes, ela e a filha, Ana Beatriz. Anexa também, por não ter sido apontado na DAA, despesas médicas para que sejam consideradas. A DRJ de origem entendeu pela improcedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte. Deuse provimento a alegação de que indevida a despesa de instrução, por falta de comprovação, visto que o contribuinte apresenta documento com o pagamento de dependente, determinando o restabelecimento da dedução com despesa de instrução no valor de R$ 2.830,84. Inconformado, o contribuinte apresentou Petição, a qual denominou de "pedido de dilação de prazo para apresentação de documento", às fls. 85/87, requerendo dilação de prazo para juntada de documentos. Em anexo a referida petição, apresentou documentos às fls.98/117. Após, promove nova juntada de documentos às fls. 121/136. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator No presente caso, temse que no último dia do prazo recursal a contribuinte apresentou "pedido de dilação de prazo para apresentação de documento". Embora não seja nomeado de recurso, ou seja apresentado nele pedidos, ou ainda, requerimento de reforma do acórdão, ainda que de forma genérica, entendo que o mesmo deve ser recebido como recurso voluntário, por força do princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal. Portanto, o recurso voluntário de fls. 85/87 foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No recurso apresentado não há pedidos, ou ainda, requerimento de reforma do acórdão, não possuindo ele qualquer fundamentação fática ou jurídica para reformar o acórdão recorrido. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13896.721855/201496 Acórdão n.º 2202003.976 S2C2T2 Fl. 143 4 Os documentos de fls. 98/117 e 121/136, por si só, ou seja, desacompanhados de razões recursais, não são capazes de causar a reforma do acórdão da DRJ. Entendo, portanto, que não foi realizada a prova para afastar o lançamento tributário. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Assim, conforme o entendimento acima retratado, necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902294/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.902294/201126 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.813 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 94 /2 01 1- 26 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.244. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902294/201126 Acórdão n.º 3302003.813 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720139/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.770
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 39 /2 01 1- 21 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.283. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.720139/201121 Acórdão n.º 3302003.770 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.008064/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE
Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque".
Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
Numero da decisão: 3302-004.314
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BRITISH AIRWAYS PLC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 80 64 /2 00 8- 11 Fl. 234DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.319, de fls.181/188, conforme a seguir transcrito: Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.008064/200811 contra o acórdão nº 0727.092, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de janeiro de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 25.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n° 37/66. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através das Declarações de Exportação (DE’s) listada no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo não cumprimento do prazo de informação dos dados de embarque no SISCOMEX. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que a SRF equivocouse ao enquadrar a conduta da impugnante no artigo 107, IV, "e", o qual imputa multa de R$5.000,00 por informação intempestiva de veiculo ou carga nele transportada, isso porque existe previsão legal especifica, portanto aqui aplicável, acerca de mercadoria transportada não manifestada ou informada a SRF na forma e prazo estabelecidos legalmente. A previsão legal especifica seria o artigo 107, inciso XI, alínea a. Portanto tendo em vista a inexistência do cumprimento das formalidades legais para a lavratura do presente auto de infração que impossibilita o direito de defesa ampla e do contraditório, requer que o auto de infração deve ser declarado nulo. Se esse não for o entendimento , penalizar a impugnante no termos do artigo 107, inciso XI, alínea "a" do Decreto n° 37/66 o Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 235 3 qual se refere a imposição de multa no valor de R$100,00 por carga não manifestada. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 EMENTA DISPENSADA. Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), na forma do artigo 1°, inciso I, da Portaria SRF n° 1364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2 A recorrente espontaneamente inseriu todas as informações de embarque de mercadorias o Siscomex, por esse motivo não deve ser penalizada pela suposta infração; 3 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo arcar com pesadas multas em virtude de um atraso; 4 A inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo, eis que não ocorreu qualquer prejuízo ao Fisco ou ao interesse público, sendo a multa em questão desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos; 5 A denúncia espontânea é aplicável a todas as penalidades de natureza administrativa, exceto com relação ao perdimento. É o sucinto relatório. Através do Acórdão nº 3801005.319 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 236DF CARF MF 4 O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.785, de 26/04/2016, fls.215/223, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o. advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 236 5 Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Fl. 238DF CARF MF 6 A empresa teve ciência do julgado em 15/06/2016, através do Termo de Abertura de Documento, conforme despacho, fl. 230. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Impossibilidade de responsabilização da Recorrente em razão das folhas técnicas do Sistema Siscomex Quanto às supostas falhas técnicas do Sistema Siscomex, cabe destacar que as normas procedimentais preveem as alternativas quanto ao fornecimento de informações pelo responsável pela carga quando da indisponibilidade do Siscomex, no entanto, conforme será analisado na parte meritória esse não foi o suporte fático da autuação. Da falta de elemento essencial Argui o Recorrente que a penalidade aplicada não tem um fim específico a justificála, visto que carece do “elemento essencial da finalidade de estar ‘no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos’ conforme se verifica no 1§ 2º do art. 113, do CTN”. O artigo colacionado está inserido no âmbito do Direito Tributário, visto que integra, como norma geral o Código Tributário Nacional, ocorre que a multa ora debatida está disciplinada na legislação aduaneira, com regras e motivação próprias, visto que o escopo da legislação aduaneira, cuja característica precípua é a extrafiscalidade, situase para além do tributário, uma vez que os bens tutelados, incluem não apenas o aspecto fiscal, mas o econômico, o controle do território aduaneiro, a proteção e segurança da sociedade. Com efeito, cabe enfatizar que a Constituição Federal de 1988 prescreve: Artigo 22, VIII : quanto à competência privativa da União para legislar sobre comércio exterior,; Artigo 237: 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 237 7 que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.(grifei). Nesse mister, dispõe o artigo 94 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Observese que a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, está situada no [CAPÍTULO III ...DAS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA] da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, a multa que ora se discute tem um escopo claro na legislação que é o controle aduaneiro, logo sua natureza acessória autônoma se distingue perfeitamente da natureza acessória de que trata o § 2º do art. 113, do CTN, que tem por escopo o adimplemento do tributo. Aduz em abono dessa tese o acórdão nº 9303003.737, de 26/04/2016, fls. 216/224, ao afastar a denúncia espontânea com relação a multa que ora se discute: O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido.(grifei). Rejeitase portanto, as preliminares suscitadas. Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Para melhor compreensão da situação fática, transcrevese a seguir excertos da Descrição dos Fatos, fl.03: ...com vistas A verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF n.° 28/1994, alterado pelo art. I.°, da IN/SRF n.° 510/2005, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, efetuados no mês de janeiro de 2004, referentes aos transportes internacionais realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG. Fl. 240DF CARF MF 8 Considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação com prazo superior aos 2 (dois) dias concedidos ao transportador responsável, contados a partir da realização do embarque, assim considerado a data do veio, de acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n.° 28/1994. Observase portanto que o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 03/04, o qual ocorreu em 28/01/2004 a 23/02/2004. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 2inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994, vigente à época do embarque: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou os seguintes atos: 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 238 9 IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). IN RFB nº 1.096, de 2010: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. À época do embarque, ocorrido em 26/08/2004, vigia a IN SRF nº 28, de 1994, com o seguinte enunciado [Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX]. Ocorre que integra o núcleo infracional acima [deixar de prestar informação...] duas situações, na forma e prazo, cujo rito procedimental ficou à cargo da RFB, no entanto para a espécie dos autos, cuja cominação deveuse pela extrapolação de dois dias à data de embarque, utilizandose a definição de prazo estabelecida na IN SRF nº 510, de 2005, por ser mais benéfica ao contribuinte, visto que comparada às disposições interpretativas da Notícia Siscomex n° 105, de 1994, é inaplicável a multa exigida, visto que a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito indeterminado [Imediatamente após realizado o embarque], ou melhor, um conceito jurídico indeterminado, cuja compreensão é incerta, ambígua, contrapondose assim a um conceito jurídico determinado como soí acontecer por exemplo com as medidas de grandezas, prazos, etc, tampouco a Notícia Siscomex n° 105, de 1994, se insere na categoria dos atos administrativos normativos, disciplinados nos incisos I dos artigos 100 e 103 do CTN, visto que carece de um requisito fundamental que é a publicidade. Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 3art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 242DF CARF MF 10 hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Assim deduzse da situação fática, que à época do embarque, a norma procedimental não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, requisito esse que só foi estabelecido pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, portanto inaplicável ao caso, visto que a condição imposta pela lei, para a cominado da multa [deixar de prestar informação... no prazo estabelecido ], inexistia à época do embarque, tampouco há que se falar em aplicação de norma mais benéfica, uma vez que ao caso sub examine são inaplicáveis as disposições do artigo 106 do CTN. Ante os fundamentos acima, podese concluir que somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Ex positis, estando o auto de infração formalizado com o lançamento da multa, com base IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, tornase incabível ao caso em apreço. Cabe ainda destacar que a interpretação acima encontra precedente neste E. Conselho, conforme dispõe o acórdão 3102002.040, de 25/09/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3302004.314 S3C3T2 Fl. 239 11 Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada.(grifei). Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido. Ante o exposto, VOTO POR, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário às exigências formalizadas anteriores à 27/02/2005, conforme planilhas de fls.03/04. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 244DF CARF MF
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