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Numero do processo: 10882.907194/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.229
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 94 /2 01 2- 93 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.831. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907194/201293 Acórdão n.º 3302004.229 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905574/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.795
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 74 /2 01 2- 21 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.322, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.905574/201221 Acórdão n.º 3201002.795 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000517/99-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/1997
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 259, 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Recurso Especial da Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/11/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 259, 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 249 1 248 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10320.000517/9971 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.996 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria ALADI Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 259, 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 05 17 /9 9- 71 Fl. 256DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3101001.738, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/11/1997 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado” Insatisfeito com a decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Tratase de pedido de restituição decorrente de informação equivocada contida na Declaração de Importação que majorou a base de cálculo do imposto de importação, por inclusão indevida do valor do frete na base de cálculo do imposto de importação, pela inobservância do art. 10 do Decreto 2.256/97, que excluía, da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação, o custo do frete incorrido no transporte realizado em embarcações registradas no REB Registro Brasileiro; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 250 3 · Todas as condições estabelecidas na legislação foram integralmente observadas, incidindo na hipótese, portanto, a redução tarifária indicada no momento da importação, razão pela qual faz jus à repetição de indébito; · E, em observância ao princípio da verdade material, comprovada a expedição direta da mercadoria entre os paísesmembro da ALADI, como ainda a correta emissão das faturas comerciais e do Certificado de Origem, inconteste o direito à fruição da redução tarifária. Em Despacho à fl. 239, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional que trouxe, entre outros, que: · Ainda que os documentos acostados aos autos permitam a rastreabilidade documental do produto importado, verificase que não foram adotados os procedimentos formais necessários à comprovação da origem; · Ocorre que formalidade exigida na interpretação das normas de origem refletem tanto aspectos do regime jurídico tributário como aspectos do regime jurídico aduaneiro; · Desta forma, com base nos documentos acostados aos presentes autos, entendeu, corretamente, o colegiado “a quo” estar correta a desqualificação efetuada pela autoridade fiscal do Certificado de Origem ALD 1971101301CS para a fruição da preferência tarifária em razão da origem acordadas no âmbito da ALADI, visto que o certificado de origem aponta fatura comercial diversa da que instruiu o despacho de importação, prejudicando o devido controle aduaneiro e as regras de origem. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido, o que concordo com os termos do Despacho de Análise de Admissibilidade às fls. 239 a 242. Eis que para se comprovar a divergência, o sujeito passivo indicou como paradigma os acórdãos de 320100.378 e CSRF/0305.104 e da leitura dos arestos, constatase que restou devidamente comprovado o alegado dissenso jurisprudencial, pois em ambos os casos a operação de triangulação comercial ocorreu. Ora, em um, vêse que o produto importado foi procedente de empresa situada em país membro da ALADI (PDVSA Petróleo e Gás S/A, situada na Venezuela) e foi embarcado diretamente para o Brasil, segundo conhecimentos de embarque, mas as faturas que instruíram os despachos aduaneiros foram emitidas por empresa situada nas Ilhas Cayman. Diante de situações semelhantes, as decisões foram completamente dissonantes, vez que no acórdão recorrido o Colegiado entendeu pela impossibilidade de utilização do benefício em decorrência de o certificado de origem indicar fatura comercial diversa da que instruíra o despacho de importação. Enquanto que, no acórdão paradigma, foi decidido manter o benefício ao importador diante da mesma divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, eis que os fatos e provas comprovaram a hipótese de enquadramento para a fruição do incentivo. Ademais, a Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90 – que trouxe a operação da triangulação ora discutida surgiu antes da Resolução ALADI 232 – o que entendo que não cabe a argumentação de que à época não havia norma tratando da operação em comento. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 251 5 Em vista de todo o exposto, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a análise da discussão se, no caso vertente, devese aplicar a preferência tarifária percentual. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: Fl. 260DF CARF MF 6 a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. É de se recordar que, no presente caso, a Fazenda Nacional não contesta a validade dos Certificados de Origem, tampouco das Faturas Comerciais. Tanto que traz em seu próprio Recurso Especial (Grifos meus): “Ainda que os documentos acostados aos autos permitam a rastreabilidade documental do produto importado [...]” E, em retorno de diligência solicitada pelo Colegiado do acórdão recorrido, inconteste que os documentos comprobatórios acostados aos autos demonstram que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil não tendo aportado em outro País. O que resta comprovado que a interveniência do terceiro não participante foi meramente negocial. Ademais, expresso ainda minha concordância ao entendimento expressado pelo exconselheiro Luiz Roberto Domingos que traz que as hipóteses perfiladas na letra “b” destinamse àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. Notase que tal entendimento encontrase ainda expresso em inúmeras decisões judiciais. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 252 7 Cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias era, procedentes da Venezuela, país signatário do Tratado de Montevidéu e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Vêse que, no que tange aos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente. ” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Nesse ínterim, importante trazer que, após análise de cada uma das DI´s, ratifico a constatação do relator do voto vencido – de que “confrontando cada uma das DIs e respectivos documentos complementares (Certificado de Origem, Bill Fl. 262DF CARF MF 8 of Lading, Faturas Comerciais), apresentados para despacho”, verificouse que a descrição das mercadorias era a mesma, não se justificando a alegação de divergência. O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Depreendendose da análise dos autos, é de se constatar que: · A fatura/invoice CORPOVEN nº 9710M007 (fls. 117) ampara a operação e menciona o Certificado de Origem n° ALD 971101301CS (fls.120), de venda da Querosene de aviação (JET 1), para a Petrobras; · A fatura da Petrobras n° SB033/97 (fls.118) ampara a venda – operação financeira – para a Braspetro Oil Service Brasoil, nas Ilhas Cayman, e · A Invoice da Brasil nº BSLSB085/97 ampara a importação e fecha a triangulação. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo – há que se aplicar a redução tarifária no momento da importação para se deferir o pedido de restituição do indébito tributário. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 253 9 Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também Fl. 264DF CARF MF 10 integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 254 11 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. Fl. 266DF CARF MF 12 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão está em consonância com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. O que confere com o caso em comento, eis que a Fazenda Nacional apenas traz a questão da adequada formalidade quando afirma que os documentos acostados aos autos permitem a rastreabilidade documental do produto importado. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 255 13 DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Fl. 268DF CARF MF 14 Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 9303004.996 CSRFT3 Fl. 256 15 obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial não é de ser conhecido. É que a importação objeto dos autos foi realizada antes do início da vigência da Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, que, incorporada à nossa legislação por meio do Decreto n° 2.865/98, passou a permitir a participação, na operação engendrada pela contribuinte, de um operador de um terceiro pais, desde que atendidos os requisitos nela especificados. A importação de que trata o acórdão paradigma, todavia, foi realizada já na vigência da Resolução ALADI nª 232, de modo que, sendo diversa a disciplina legal aplicável aos casos cotejados, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 270DF CARF MF 16 Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.724086/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2011
LIMITES DA COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. SUPERVENIÊNCIA DE FARTA LEGISLAÇÃO SOBRE A MATÉRIA E DE CONTROLE CONCENTRADO NO STF, QUE JULGOU A LEI CONFORME.
O trânsito em julgado da decisão que desobrigou o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n. 7.689/88, não impede que o tributo seja exigível com base em normas legais supervenientes que tenham alterado os critérios da incidência tributária, mormente quando a referida lei foi considerada conforme a Constituição pelo STF, mediante controle concentrado. Homenagem ao princípio da igualdade tributária e respeito à cláusula rebus sic stantibus, que não se observa na espécie, pois o STJ ainda discute os efeitos prospectivos da declaração de constitucionalidade.
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-001.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli e Gustavo Guimarães, que lhe davam provimento.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2011 LIMITES DA COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. SUPERVENIÊNCIA DE FARTA LEGISLAÇÃO SOBRE A MATÉRIA E DE CONTROLE CONCENTRADO NO STF, QUE JULGOU A LEI CONFORME. O trânsito em julgado da decisão que desobrigou o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n. 7.689/88, não impede que o tributo seja exigível com base em normas legais supervenientes que tenham alterado os critérios da incidência tributária, mormente quando a referida lei foi considerada conforme a Constituição pelo STF, mediante controle concentrado. Homenagem ao princípio da igualdade tributária e respeito à cláusula rebus sic stantibus, que não se observa na espécie, pois o STJ ainda discute os efeitos prospectivos da declaração de constitucionalidade. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2011 LIMITES DA COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. SUPERVENIÊNCIA DE FARTA LEGISLAÇÃO SOBRE A MATÉRIA E DE CONTROLE CONCENTRADO NO STF, QUE JULGOU A LEI CONFORME. O trânsito em julgado da decisão que desobrigou o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n. 7.689/88, não impede que o tributo seja exigível com base em normas legais supervenientes que tenham alterado os critérios da incidência tributária, mormente quando a referida lei foi considerada conforme a Constituição pelo STF, mediante controle concentrado. Homenagem ao princípio da igualdade tributária e respeito à cláusula rebus sic stantibus, que não se observa na espécie, pois o STJ ainda discute os efeitos prospectivos da declaração de constitucionalidade. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli e Gustavo Guimarães, que lhe davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 40 86 /2 01 3- 95 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Trata o presente processo de lançamento da CSLL, relativa ao anocalendário de 2011, no valor de R$ 5.779.977,30, multa proporcional de R$ 4.334.982,98, juros de mora de R$ 849.078,67 e multa isolada de R$ 2.958.965,48. Consta no Relatório Fiscal que, por ocasião da resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte informou que possuía uma decisão em medida judicial (Mandado de Segurança n° 89.00145282), transitada em julgado, assegurando o direito de não recolher a CSLL a partir do ano calendário de 1988 e subsequentes. A empresa forneceu cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança em questão além de outras peças processuais, inclusive da Certidão de Publicação do Acórdão N° 1613123, de 14/11/1995 Agravo Regimental em Recurso Extraordinário impetrado pela União, tendo ocorrido o trânsito em julgado da medida judicial em 27/03/1996. Após verificações na escrituração fiscal nas DIPJ referentes aos anoscalendário compreendidos entre o período de 2007 a 2011, restou constatado que a empresa fiscalizada deixou de demonstrar a apuração da CSLL e, quando o fez nas declarações, constituiu exclusões no mesmo valor da contribuição para tornar o saldo a pagar nulo e, consequentemente, deixar de recolher tal tributo. A fiscalização verificou que não havia declarações de débito em DCTF relativos à CSLL no período de 01/10/2007 a 31/12/2011, bem como informações de recolhimento na base RFB para o tributo em tela (SINAL08). Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 4 3 Intimada, a contribuinte apresentou em meio magnético autenticado pelo SVA os Livros de Apuração do Lucro Real LALUR do período mencionado. No transcorrer do procedimento fiscal, foi informado por setor interno da RFB que, em decisões monocráticas mais recentes do STJ, o Judiciário havia sinalizado o retorno da exigibilidade da CSLL, alterando a preliminar visão de inconstitucionalidade. Tomando por exemplo, em fevereiro de 2012 (DJE 02/02/2012), o Ministro Napoleão Nunes Maia deliberou que os efeitos da decisão transitada em coisa julgada favorável ao contribuinte pela declaração de inconstitucionalidade da CSLL cessaram a partir de agosto de 2007, data do trânsito em julgado do Acórdão proferido pelo STF na ADI 15 (Rei. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), fato que veio modificar o entendimento a respeito da inconstitucionalidade da CSLL. Tendo em vista a notícia relevante, para consolidação do posicionamento do fisco, foi solicitado pelo SEFIS/DRF/SOR junto à PSFN/SOR um Parecer com relação à exigibilidade da CSLL, no que se refere à presente ação fiscal, no período de 01/01/2007 a 31/11/2011, em face da decisão proferida na ADI 15. Em resposta à solicitação de consulta, a PSFN/SOR emitiu o Parecer PSFN/SOROC/N° 12/2012, utilizando como fundamentação o Parecer PGFN/CRJ/N° 492/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, concluindo que, no presente caso, o período de 01/01/2007 a 31/12/2010 não poderia ser exigido do contribuinte, conforme o abaixo anexado: Assim sendo, no caso da presente consulta, tendo em vista que a cessação da eficácia da decisão transitada em julgado (12/09/2007 data do trânsito em julgado da ADI 15 STF) ocorreu em momento anterior á publicação do Parecer PGFN/CRJ/ N° 492/2011 (26/05/2011), e os atos de cobrança por parte do fisco somente se iniciaram em 07/03/2012, o período de 01/01/2007 a 31/12/2010, abrangido pelo Procedimento Fiscal n°. 08.01.10.00201200096, não pode ser exigido do contribuinte. Diante da conclusão do Parecer PSFN/SOROC/N° 12/2012, verificase que, na conjuntura em tela, a CSLL tem sua exigibilidade de recolhimento confirmada para a contribuinte fiscalizada a partir do anocalendário de 2011, cujo fato gerador, para o regime de tributação do Lucro Real Apuração Anual ocorreu em 31/12/2011; Dessa forma, tendo em vista que a ADI 15 combinada com o Parecer PGFN/CRJ/N° 492/2011 e com o Parecer PFSN/SOROC/N° 12/2012, na presente situação, fundamentam a exigibilidade da CSLL para o anocalendário de 2011, foi efetuado o lançamento do crédito tributário de ofício, mediante a lavratura de Auto de Infração. Reconhecida pelo fisco a exigibilidade do lançamento da CSLL anual devida, tomouse exigível também a apuração da CSLL Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 5 4 incidente sobre as bases de cálculo estimadas em função de balanço de suspensão ou redução, com apuração mensal a partir do mês de maio de 2011, dado que o termo inicial do fato gerador da CSLL por estimativa foi adotado como 31/05/2011, data posterior à publicação do Parecer PGFN/CRJ/N° 492/2011 (26/05/2011), tornandose exigível, dessa forma, a multa prevista no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488 de 2007, conforme o apurado nas planilhas que compõem o ANEXO II, integrantes deste relatório, lançandose mão das informações contidas no LALUR da contribuinte, calculandose os valores de CSLL a partir do lucro líquido mensal ajustado e aplicandose 50% relativos à multa de ofício em tela sobre a diferença de CSLL a pagar, para cada período. Notificada da autuação a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 655 a 669, na qual alega: - O pedido do Mandado de Segurança foi o de ter reconhecido seu direito de "não recolher a Contribuição Social de que tratam a Medida Provisória n° 22/88 e a Lei n° 7689/88. não só a relativa ao balanço encerrado em 31.12.88, como também quanto aos balanços futuros que por elas vierem a ser alcançados''. De acordo com os arts. 467 a 470 do Código Civil Brasileiro: i. Coisa julgada material torna imutável e indiscutível a sentença, no caso presente: o direito de não recolher a CSLL em períodos futuros; ii. A sentença proferida faz lei entre as partes e se, segundo a Constituição Federal e a LINDB, a lei não prejudicará a coisa julgada, muito menos Parecer Normativo emitido pela RFB: e iii. Os motivos de decidir (inconstitucionalidade da lei), ainda que importantes para o deslinde da causa, não fazem coisa julgada. Assim, se a impugnante não possui declaração privada de constitucionalidade/inconstitucionalidade da norma em discussão, ainda que tenha sido este o fundamento pelo qual foi deferido seu direito ao não recolhimento da CSLL, não sofre a influência da decisão proferida pelo STF na ADC n° 15, sendo descabida a aplicação do Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. - A res judicata no presente caso é a concessão da segurança no sentido de não fazer, ou seja, não recolher o tributo. Deste modo, não há que se falar em trânsito em julgado de uma declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado de constitucionalidade, como no Parecer citado, como fundamento para a autuação de fls. - Vêse, do exposto, que a presente autuação não poderia ter sido lavrada por ofender claramente a coisa julgada, bem como pelo fato de não se adequar ao Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011, já que não se está diante de norma individual e concreta que Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 6 5 declare a inconstitucionalidade da lei, mas sim, de norma individual e concreta que manda não recolher a CSLL! - Outro ponto necessário de discussão é a diferenciação entre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, dos efeitos da declaração de constitucionalidade. Isto porque, os efeitos são completamente diversos, o que pode causar confusão ao se analisar a questão. - Enquanto a declaração de inconstitucionalidade de lei em controle difuso de constitucionalidade (por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN) tem o efeito de macular a lei desde o seu nascedouro, gerando efeitos ex tunc na declaração de constitucionalidade (seja em sede de Ação Direta de Constitucionalidade ADC, seja pelo indeferimento de uma Adin) o efeito é diverso, qual seja, reafirmar que a lei é válida e inserida no ordenamento jurídico pátrio. - Ou seja, o efeito da declaração de inconstitucionalidade em controle difuso atinge a lei desde o início, o que faz com que ela nunca tenha existido no mundo jurídico, enquanto os efeitos da decisão de constitucionalidade só reforça que a lei sempre existiu, gerando, portanto, efeitos ex nunc. - Ora, se a lei destaca que para a ADIN, que tem efeito ex tunc, podem ser modulados os efeitos da decisão somente para atacar período futuro e não estabelece o mesmo para a ADC, resta evidente que a decisão proferida em ADC somente tem validade do momento em que foi proferida para a frente, não atingindo atos praticados anteriormente a sua publicação, como a decisão transitada em julgado proferida em favor da Recorrente. - Nestes termos, caberia à RFB, se quisesse cobrar o tributo em testilha, mover ação rescisória, se dentro do tempo permitido por lei, a fim de rescindir a res judicata. Não o fazendo e já tendo transcorrido o prazo legal, nada pode ser cobrado da Recorrente, já que seu direito esta acobertado pela coisa julgada soberana. - Não bastasse o desrespeito ao princípio da coisa julgada, a Impugnante está sendo apenada com duas penalidades sobre o mesmo fato gerador. Está sendo apenada pelo fato de não ter recolhido a CSLL ao final do ano calendário e ao mesmo tempo pelo fato de não ter recolhido as estimativas mensais da CSLL. - A aplicação de multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais (reforcese ESTIMATIVAS) é descabida quando se aplica a multa pela falta de recolhimento do principal. Isto porque, já incidiu multa pelo descumprimento da obrigação tributária. - Desta forma, a manutenção da exigência fiscal, a multa isolada deve ser afastada. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 7 6 Em sessão de 20 de março de 2014 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para manter os lançamentos da CSLL e da multa isolada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão central dos autos diz respeito aos efeitos da decisão do TRF da 3a Região, transitada em julgado em 1996 a favor da Recorrente, que afastou, em concreto, a incidência da CSLL, com base na MP n. 22/88 e na Lei n. 7.689/88. Por força disso, entende a empresa que a decisão é imutável e perene, não sendo possível alterar a relação jurídicotributária negada pela justiça. Aduz que a coisa julgada material é protegida pelo ordenamento constitucional e que a res judicata no presente caso não apreciou a constitucionalidade da CSLL, mas apenas o não recolhimento do tributo. Por seu turno, entende a fiscalização que a decisão superveniente do STF, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, que considerou conforme a Lei n. 7.689/88, à exceção do artigo 8o, permite a exigência da CSLL, mesmo para contribuintes que possuíam decisão final no judiciário. Esse entendimento é referendado pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011. As teses em debate são conhecidas e já foram analisadas por este Relator em outras oportunidades. Nesse contexto, convém ressaltar que a decisão obtida pela Recorrente diz respeito à incidência da Lei n. 7.689/88, de sorte que não podemos olvidar que diversos outros veículos normativos cuidam da matéria, a exemplo da Lei Complementar n. 70/91 e das Leis n. 7.856/89, n. 8.034/90, n. 8.383/91, n. 8.541/92, n. 8.849/94, n. 8.981/95, n. 9.065/95, n. 9.069/95, n. 9.249/95, n. 9.430/1996, além da Emenda Constitucional 10/96, todas posteriores à norma original. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 8 7 Isso se faz relevante para que possamos verificar os limites da coisa julgada material e a oponibilidade ou não dos efeitos da sentença em relação ao ordenamento jurídico em vigor, pois não é demais lembrar que os lançamentos ora combatidos são relativos ao ano calendário de 2011. Observese que a autoridade lançadora solicitou parecer interno da Receita Federal sobre os efeitos da coisa julgada no caso concreto, quando cotejados com as decisões do Supremo Tribunal Federal e os pareceres da Fazenda Nacional. E mais: não apenas fundou seu entendimento nas orientações dos referidos pareceres como circunscreveu o lançamento apenas ao período que não encontrava obstáculos jurídicos (2011), deixando de efetuar o lançamento para os exercícios anteriores à sua publicação. Percebese, pois, que a autoridade fiscal agiu com o devido zelo e diligência, de forma que inexiste qualquer mácula no lançamento, restando, a este Conselho, a questão de fundo, que é eminentemente jurídica e controversa. Conquanto a Recorrente defenda que não questionou a constitucionalidade da CSLL, mas apenas o direito de não recolhimento, a tese não merece prosperar. Afinal, se a matéria de fundo não fosse a constitucionalidade do tributo, qual o motivo que permitiria a um contribuinte simplesmente não recolhêlo? E com efeitos permanentes? Além disso, o Superior Tribunal de Justiça, em decisões contemporâneas ao lançamento e mencionadas pela autoridade fiscal, tem admitido os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das decisões tributárias transitadas em julgado e contrárias à posterior decisão do STF, posto que os fatos geradores ocorreram em 1989, anteriores, portanto, à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei n. 7.689/88, instituidora da CSLL, seja em controle difuso (RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), seja em controle concentrado de constitucionalidade (ADI n° 152/DF DJ 31/08/2007). Vejamos a decisão, publicada em novembro de 2011, proferida pelo Ministro Napoleão Nunes Maia, nos autos do Embargos de Divergência em REsp Nº 841.818 DF (2010/00913813), cujo teor se repetiu no julgamento dos Embargos de Divergência no Agravo 991.788, verbis: PROCESSUAL CIVIL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 (CSSL). RES JUDICATA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO. REO 89.01.161516DF. TRF DA 1a. REGIÃO. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO OPOSTA DO STF. RE 138.284CE. PRONTA PREVALÊNCIA. EXIGIBILIDADE IMEDIATA DO TRIBUTO. DESNECESSIDADE DE RESCISÃO/ANULAÇÃO DO JULGADO. RESSALVA DOS EFEITOS JURÍDICOS JÁ PRODUZIDOS. SIMILITUDE COM A TEORIA REBUS SIC STANTIBUS. ACEITAÇÃO DA TESE DA FAZENDA PÚBLICA NACIONAL POSTA NO PARECER PFN 492, DE 24.05.2011 (DOU 26.05.2011). PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. 1. Não se submete aos ditames da Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal (limitação da eficácia da coisa julgada ao exercício em que proferida a decisão) a res judicata que declara Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 9 8 inconstitucionalidade material de Lei Tributária, em sede de controle difuso (STJ, AgRg no AgRg nos EREsp. 885.763GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 24.02.10; REsp. 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11). 2. A eficácia da coisa julgada tributária cessa automática e imediatamente (sem a necessidade de sua rescisão ou de sua anulação), se lhe sobrevém decisão adversa do STF, ressalvandose, porém, os efeitos jurídicos produzidos até então; a partir desse pronunciamento, o tributo pode ser exigido; aplicase, por similaridade, a teoria rebus sic stantibus, para preservar e igualmente assegurar a supremacia das decisões do STF, quando contrapostas a pronunciamentos das instâncias judiciais anteriores. 3. O instituto da coisa julgada conservase como pilastra irremovível do sistema normativo (art. 5º, XXXVI da Carta Magna), mas é imperativo ajustar os seus efeitos às mudanças jurídicas e fáticas que lhe são posteriores, quando se trata de relação obrigacional que se distende no tempo (qual a exigência da CSSL, Lei 7.689/88), dado o seu trato sucessivo, e sobre a qual o STF expendeu interpretação definitiva. 4. Embargos de Divergência parcialmente acolhidos, para proclamar a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária a que se refere o Acórdão na REO 89.01.161516DF, do TRF da 1a. Região, a partir do julgamento do RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendose a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 2 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011)”. Assim, de acordo com o voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária de decisão que declarou a inconstitucionalidade material da Lei 7.689/88, instituidora da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ocorreu “a partir do julgamento do RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendo se a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 24 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011)”. Posteriormente, em decisão publicada em fevereiro de 2012, em Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência no RESP Nº 841.818 – DF, o Ministro revisou seu posicionamento, para fixar como marco para cessação da eficácia vinculante da coisa julgada a data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em controle concentrado, determinando que “independentemente de ação rescisória ou anulatória (...) a coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa”, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 10 9 RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DA CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA COISA JULGADA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE, EM FACE DA SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO ADVERSA DO STF EM SEDE CONCENTRADA. EFEITO AUTOMÁTICO E IMEDIATO. APLICAÇÃO ERGA OMNES. DOUTRINA DA COISA JULGADA E DAS DECISÕES DO STF EM JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PARCIALMENTE ACOLHIDOS. 1. Somente as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade dos atos normativos (art. 102, I, a da Carta Magna), dotadas de definitividade, força vinculante e aplicabilidade erga omnes, possuem a extraordinária eficácia de paralisar, pronta e automaticamente, a produção de efeitos jurídicos de coisa julgada anterior, com elas inconciliável, que decidira relação obrigacional de trato sucessivo (ou de natureza continuativa). 2. As decisões recursais extraordinárias do STF, quando adotadas no regime de recursos múltiplos fundados em idêntica controvérsia (art. 543B do CPC), têm a aptidão de vincular obrigatoriamente os julgamentos pendentes e futuros da mesma espécie, mas não ostentam, contudo, a força excepcional de paralisar a eficácia de coisas julgadas que lhes são anteriores. 3. As decisões do STF, adotadas em sede de controle difuso de constitucionalidade, têm eficácia inter partes, não vinculando, pelo menos obrigatoriamente, os julgamentos pendentes ou futuros, mas representem precedentes reverenciandos, dada a superior autoridade da Corte Suprema. 4. Sobrevindo à coisa julgada difusa, que dantes solucionara relação de trato sucessivo, decisão do STF dotada de vinculação geral e eficácia erga omnes, cessa, tão logo transite em julgado, independentemente de ação rescisória ou anulatória, a eficácia da res judicata precedente com ela incompatível. A força jurídica da decisão suprema concentrada subordina, aliás, todos os órgãos do Poder Judiciário (ADC 1, Rel. Min. MOREIRA ALVES, RTJ 157, p. 377). 5. Lições da doutrina jurídica mais autorizada e da jurisprudência do STJ, em recurso repetitivo (REsp. 1.118.893 MG, Rel. Min ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 6.4.2011). 6. A coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516 DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa. 7. Manutenção dos fundamentos da decisão embargada que deu parcial provimento aos Embargos de Divergência, apenas com a redemarcação do termo inicial da cessação da eficácia do REO Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 11 10 89.01.161516DF, fixandoa na data do trânsito em julgado do acórdão do STF na ADIN 15.” A decisão ao norte foi reproduzida com idêntico teor nos Embargos de Declaração nos EAG 997.788, da lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Notase que o entendimento dos tribunais superiores acerca da matéria corrobora o entendimento da fiscalização e afasta a pretensão e os argumentos da Recorrente. Ademais, podemos perceber que, para além dos dispositivos da Lei n. 7.689/88, que foi o instrumento jurídico especificamente combatido pela interessada no mandado de segurança, diversos outras normas alteraram a relação jurídicotributária inaugurada pela Lei n. 7.689/88 e, em todas, restou confirmada a incidência da CSLL. Com efeito, a Lei n. 8.981/95, que não se encontra no escopo da referida decisão, estabelece: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 12 11 Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (grifamos) Parecenos induvidoso que os comandos acima grifados realmente alteraram a relação jurídicotributária relativa à CSLL, tanto assim que o artigo 57 expressamente equipara os mecanismos de apuração e pagamento àqueles típicos do IRPJ, mantendo, nos limites da alterações trazidas pela própria Lei, as alíquotas e bases de cálculo então vigentes. Igual situação decorre da Lei n. 9.430/96, artigo 28, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. As mudanças introduzidas nesses veículos normativos são profundas e ultrapassam a mera questão das alíquotas e da base de cálculo, que foram objeto de Recurso Repetitivo no STJ. Nesse sentido, entendo que houve inovação jurídica suficiente para ao menos se questionar a aplicabilidade futura, permanente e imutável da sentença favorável à Recorrente. Isso porque a legislação brasileira permite a revisão da coisa julgada nas hipóteses de modificação das circunstâncias de fato e de direito, como autoriza o artigo 471 (atual artigo 505, que não sofreu alterações) do Código de Processo Civil: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. (grifamos) As chamadas relações jurídicas continuativas cuidam de situações que se renovam e prolongam, por vezes indefinidamente, no decorrer do tempo. No caso em tela, é óbvio que todos os anos, continuamente, a interessada pratica os fatos jurídicos que ensejariam a relação tributária que foi afastada pela decisão do TRF. Aliás, não só a Recorrente faz isso, mas outras milhares de empresas que atuam no mercado brasileiro. Assim, seria de se perguntar: seria razoável que somente um punhado de empresas, entre todas as demais, tivesse o direito permanente e imutável de nunca ser tributada? Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 13 12 Parecenos que a questão transcende o conceito de coisa julgada e permeia outros princípios, de suprema importância, como o da igualdade tributária, insculpido no artigo 150, II, da Constituição da República: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (grifamos) Admitir a prevalência da decisão favorável à Recorrente seria negar a todas as outras empresas do país igual direito, em clara distinção entre contribuintes, com graves efeitos de ordem tributária e, sobretudo, concorrencial, pois a interessada teria, indefinidamente, uma vantagem econômica não extensível às demais empresas, inclusive aquelas que atuam no mesmo tipo de atividade. Entendo que a distinção efetivamente não pode ser mantida, até porque a decisão, nos termos do artigo 471 (atual 505) do CPC, opera efeitos desde que mantida a paridade da cláusula rebus sic stantibus, conforme posição já acolhida pelo STJ. Contudo, é evidente que isso não ocorreu. Todas as leis e normas posteriores à Lei n. 7.689/88 foram editadas no sentido de confirmar, ampliar e regulamentar a incidência da CSLL. Não há uma manifestação legislativa sequer que indique a sua desnecessidade ou exclusão. O legislador nacional permanece firme no sentido de manter o tributo, fazêlo incidir e, portanto, alcançar todos os contribuintes a ele sujeitos, nos exatos termos da Constituição, que exige igualdade de tratamento para situações semelhantes. E como a alteração jurídica ou fática superveniente não pode ser atingida pela coisa julgada cuja sentença certamente não possui o dom da clarividência pareceme possível, justo e razoável que o tributo possa ser exigido por força de tais mudanças. Esse é o entendimento, entre outros, do Ministro Teori Albino Zavascki, na obra Eficácia sas Sentenças na Jurisdição Constitucional, 2ª edição, Editora RT, pg. 105/106: 4.3 Limites temporais da eficácia da sentença e cláusula rebus sic stantibus Estabelecido que a sentença, nos casos assinalados irradia eficácia vinculante também para o futuro, surge a questão a saber qual é o termo ad quem de tal eficácia. A solução é esta e vem de longe: a sentença tem eficácia enquanto se mantiverem inalterados o direito e o suporte fático sobre os quais estabeleceu o juízo de certeza. Se ela afirmou que uma relação jurídica existe ou que tem certo conteúdo, é porque supôs a existência de determinado comando normativo (norma jurídica) Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 14 13 e de determinada situação de fato (suporte fático de incidência); se afirmou que determinada relação jurídica não existe, supôs a inexistência ou do comando normativo, ou da situação de fato afirmada pelo litigante interessado. A mudança da qualquer desses elementos compromete o silogismo original da sentença, porque estará alterado o silogismo do fenômeno de incidência por ela apreciado: a relação jurídica que antes existia deixou de existir, e viceversa. Daí afirmarse que a força do comando sentencial tem uma condição implícita, a da cláusula rebus sic stantibus, a significar que ela atua enquanto se mantiverem íntegras as situações de fato e de direito existentes quando da prolação da sentença. Alterada a situação de fato (muda o suporte fático, mantendose o estado da norma) ou de direito (muda o estado da norma, mantendose o estado de fato), ou os dois, a sentença deixa de ter a força de lei entre as partes, que até então mantinha. A alteração do status quo tem, em regra, efeitos imediatos e autônomos. Assim, se a sentença declarou que determinado servidor público não tinha direito a adicional de insalubridade, a superveniência de lei prevendo a vantagem importará o imediato direito de usufruíla, cessando a partir daí a eficácia vinculativa do julgado, independentemente de novo pronunciamento judicial ou de qualquer outra formalidade. Igualmente, se a sentença declara que os serviços prestados por determinada empresa estão sujeitos a contribuição para a seguridade social, a norma superveniente que revogue a anterior ou que crie isenção fiscal cortará a sua força vinculativa, dispensando o contribuinte, desde logo, do pagamento do tributo. O mesmo pode ocorrer em favor do Fisco, em casos em que, reconhecida, por sentença, a intributabilidade, sobrevier lei criando o tributo: sua cobrança pode darse imediatamente, independente de revisão do julgado anterior (grifamos). Considero, pois, que tanto a alteração do desenho normativo da CSLL, ocorrida ao longo dos anos e sempre no sentido de confirmar a sua incidência, como a decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado, exarada na ADIN n. 15, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, publicada no DJU em 01.08.2007 e, portanto, posterior à decisão favorável à empresa, possuem o condão de alterarlhe os efeitos, sendo possível, na hipótese, tributar exercícios posteriores a 2011, nos exatos termos do Parecer da PGFN, integralmente adotado pela autoridade tributária que, inclusive, deixou de lançar os anos calendário anteriores, que também se encontravam sob fiscalização. No que tange à multa isolada, esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, que esta deve ser afastada, em observância ao princípio da consunção, para os fatos anteriores à alteração promovida, em 2007, no artigo 44 da Lei n. 9.430/96. Como se sabe, o princípio da consunção (também denominado princípio da absorção) aplicase quando há uma sucessão de condutas tipificadas que, em razão de um nexo de dependência intrínseco, permite que a infração mais grave absorva aquelas de menor intensidade, em razão do brocardo lex consumens derogat lex consumptae, o que equivale a dizer que o crimefim absorve o crimemeio. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 15 14 Essa teoria encontra suas raízes na famosa double jeopardy clause, preceito fixado pela 5a Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que determina que ninguém poderá ser por duas vezes ameaçado em sua vida ou saúde pelo mesmo crime, o que se constitui, há tempos, na aplicação da clássica regra que veda a dupla punição em razão do mesmo fato, tal como garantida pelo princípio ne bis in idem, conforme a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula 105 deste Conselho, que conferiu, à luz do artigo 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do artigo 44 entendo como jurídica e obrigatória a aplicação das multas nele previstas. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10855.724086/201395 Acórdão n.º 1201001.751 S1C2T1 Fl. 16 15 É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908705/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/03/2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.708
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/03/2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 87 05 /2 00 9- 42 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 15374.908705/200942 Acórdão n.º 3201002.708 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.691. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 15374.908705/200942 Acórdão n.º 3201002.708 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 15374.908705/200942 Acórdão n.º 3201002.708 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000847/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE.
Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos.
ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS.
Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção.
ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS.
Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade.
Numero da decisão: 2201-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 21/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE. Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS. Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade.
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PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE. Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS. Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 08 47 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 21/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 204) apresentado em face do Acórdão nº 0927.351, da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls 194), que julgou improcedente a impugnação (fls 180) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fl 3) pelo qual se exige dele crédito tributário que somava, à época de sua constituição, R$ 294.462,61 (fl 2), relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais, tendo por base de incidência rendimentos da atividade rural. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 11), o contribuinte foi selecionado para fiscalização por encontrarse omisso na entrega das Declarações do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física DIRPF nos anoscalendário 2004 a 2006 e, no mesmo período, apresentar expressiva movimentação financeira. Intimado, o fiscalizado apresentou seus extratos bancários do período abrangido pelo procedimento e esclareceu que os recursos movimentados são decorrentes da exploração de atividade rural, tendo juntado demonstrativos, notas de produtor rural em relação a operações realizadas com clientes domiciliados em Estados da federação diferentes do de sua residência, resumo demonstrativo das notas fiscais, fonte pagadora e depósitos nos bancos, cópia do cartão de produtor rural, contratos de arrendamento e financiamento rural e declaração do tratorista para comprovar sua atividade profissional e a origem dos recursos. Essas informações foram ratificadas pela fiscalização em diligências realizadas junto ao principal cliente do contribuinte, documentação obtida na Repartição Fazendária Estadual e visitas nas propriedades utilizadas para a produção rural. Ao rendimento decorrente do somatório das informações prestadas pelo próprio contribuinte e das obtidas junto ao seu principal cliente foi aplicado o percentual de 20% para obtenção da receita bruta de cada anocalendário (art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10660.000847/200911 Acórdão n.º 2201003.694 S2C2T1 Fl. 215 3 O imposto de renda foi lançado com a multa de ofício de 75%. O sujeito passivo teve ciência do auto de infração em 20/08/2009 (AR à fl 178) e apresentou impugnação em 18/09/2009 (fls 180). A ciência da decisão da DRJ/JFA, que julgou improcedente sua impugnação, ocorreu em 21/12/2009 (fl 211) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 19 de janeiro de 2010 (fls 204). Em suas razões recursais o contribuinte alega, em síntese, que: A fiscalização teve início com base em informações obtidas a partir da movimentação financeira do contribuinte, o que estava amparado pelo §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, contudo, na data do início da ação fiscal e do próprio lançamento, essa lei já estava revogada; O §1º do art. 144 não autoriza o fisco a usar um procedimento previsto em lei que perdeu vigência; A Súmula 182 do extinto TRF, no que é seguido por jurisprudência que menciona, considerava ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas nos extratos bancários ou depósitos bancários; Ao utilizar os extratos bancários a fiscalização não observou os mandamentos dos incisos I e II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que determina a exclusão de transferências no valor de R$ 80.000,00 por anocalendário; O fisco não fez prova da receita bruta levada a tributação; A fiscalização aplicou diretamente o art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990, sem observar o art. 4º, que determina a dedução das despesas; A fiscalização também não aplicou as alíquotas de 10% e 25% previstas nos incisos I e II do art. 10. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, o recorrente alega a nulidade do lançamento tendo em vista que, quando ele ocorreu, a Lei nº 9.311, de 1996, não estaria mais em vigor. Não lhe assiste razão, entretanto. Fl. 216DF CARF MF 4 Em primeiro lugar porque, quando da ocorrência dos fatos geradores tributários, essa norma ainda produzia todos os seus efeitos não havendo qualquer restrição à obtenção das informações pela Secretaria da Receita Federal. Tendo regular acesso às informações, a seleção de contribuintes para fiscalização é procedimento interno não afetado por essa alteração na legislação. A isso deve se somar a autorização contida na Lei Complementar nº 105, de 2001, norma ainda em vigor e cuja constitucionalidade foi recentemente confirmada pelo STF em sede de repercussão geral. Por outro giro, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracteriza como omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantido junto a instituição financeira em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Esta norma também se encontra em vigor autorizando o procedimento fiscal com base na movimentação bancária do contribuinte e, mais do que isso, criando uma presunção de omissão de rendimentos à qual se contrapõe um ônus do sujeito passivo em demonstrar que a omissão não existiu. Portanto, sem qualquer razão o apelante, uma vez que há mais de um dispositivo legal em vigor autorizando o procedimento adotado pela autoridade fiscal. A despeito disso, não é correto afirmar que o lançamento foi efetuado tendo por base exclusiva os depósitos bancários, uma vez que a omissão de rendimentos da atividade rural foi suportada em declarações e documentos juntados pelo sujeito passivo, o que foi confirmado por diligências realizadas pela autoridade fiscal. Quanto a esse aspecto, é de se registrar que o auto de infração (fls 2) contém um único item, que é identificado como "atividade rural omissão de rendimentos da atividade rural", e nele consta a seguinte descrição: Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, anos calendario de 2004 a 2006, apurados em conformidade com os demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte, circularizaçäo junto ao Carrefour Comércio e Indústria Ltda (seu principal fornecedor) do efetivo recebimento e confronto com as próprias 5” vias das notas fiscais de venda de produtor rural e cadastro de produtor rural arquivados na Repartição Fazendária Estadual de Cambuí, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo.(fl 5) O enquadramento legal está no mesmo documento e não há menção nele ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim à legislação que trata da tributação da atividade rural. Isso significa que, embora a procedimento fiscal tenha se iniciado a partir da identificação de movimentação financeira incompatível, o lançamento não foi realizado com base na presunção de omissão de receita ou rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Na verdade, o lançamento teve por base a identificação de omissão de receita de atividade rural cabalmente demonstrada no processo. Como o lançamento não foi realizado com base na presunção de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se justifica a pretensa exclusão dos depósitos de valor individual de até R$ 12.000,00 limitados a R$ 80.000,00 no ano. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10660.000847/200911 Acórdão n.º 2201003.694 S2C2T1 Fl. 216 5 Na hipótese em questão, comprovada por documentação hábil e idônea a existência de receita da atividade rural, também era ônus do contribuinte comprovar as despesas realizadas com essa atividade, conforme determina a Lei nº 9.250, de 1995, no seguinte dispositivo: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais) facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. Logo, por disposição expressa de lei, a falta de escrituração implica arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta. Assim, se o contribuinte deixou de realizar a escrituração tal como exigido pela legislação, deve se submeter ao arbitramento. Por outro lado, o protesto pelas deduções de que trata o art. 7º da Lei nº 8.023, de 1990, também é carecedor de amparo já que essas deduções foram revogadas pelas Leis nº 8.383, de 1991, e nº 9.249, de 1995. A mesma sorte teve as alíquotas de 10% e 25% que estavam estipuladas no art. 10 dessa Lei, que foi revogado elas Lei nº 8.134, de 1991, e nº 8.383, de 1991. Afastados todos os argumentos apresentado pelo impugnante, não se identifica qualquer vício no procedimento fiscal que pudesse macular o lançamento realizado. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 218DF CARF MF 6 Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000526/2007-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002
BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
Numero da decisão: 9303-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 579 1 578 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.000526/200781 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.668 – 3ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria PIS E COFINS CUMULATIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO RECEITAS DE TERCEIROS PROPAGANDA Recorrente PRIME BRASIL PUBLICIDADE LTDA. (antiga denominação de IBI Propaganda Ltda.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 05 26 /2 00 7- 81 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 580 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 340101.683, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a impossibilidade de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, valores relativos aos valores entregues pelas agências de propaganda e publicidade aos órgãos veiculadores. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de auto de infração lavrado em 28/02/2007 para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins, ambas contribuições ainda sob o regime da cumulatividade, que teriam sido recolhidas a menor pela autuada relativamente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2002 e de janeiro de 2002 a janeiro de 2004, respectivamente. De acordo com o relato da fiscalização, a infração restou caracterizada porquanto a empresa autuada – uma agência de propaganda e publicidade – não obstante indicasse no corpo das suas notas fiscais de prestação de serviços, e de forma separada, o montante de seus honorários [“Serviços Prestados”] e o montante dos valores repassados a terceiros [“Despesas com Terceiros”], fez incluir na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins apenas o primeiro deles. Considerou o Fisco, porém, que teria havido a inobservância das regras que determinam a apuração da base de cálculo das referidas contribuições, contidas na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, mais especificamente, no seus artigos 2º e 3º, os quais não contemplariam quaisquer exclusões, de sorte que o correto teria sido o oferecimento do valor total da nota fiscal à tributação". O Acórdão restou assim ementado: Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 581 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade do PIS/Pasep não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade da Cofins não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. Recurso Voluntário Negado Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: entendeu a Fiscalização Federal de Forma equivocada, que a Recorrente teria deixado de recolher o PIS e a COFINS sobre os valores que foram incluídos nas suas notas fiscais/faturas, mas que pertencem aos terceiros ( veículos de divulgação, produtores de vídeo, g´raficas, etc) por ela contratados por conta e ordem dos seus clientes (anunciantes). O lançamento fiscal, a começar pela pífia fundamentação utilizada pelo Auditor (parágrafos 1º e 2º do inciso III do artigo 3º da lei nº 9.718/98, um deles julgado inconstitucional pelo STF e outro totalmente inaplicável ao caso) a Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, ocasião em que demonstrou e comprovou a correção dos recolhimentos de PIS e COFINS e a completa improcedência do lançamento fiscal, fls.517. Essa confusão ou desconhecimento da matéria conduziu o julgamento a uma outra conclusão equivocada: a de que a contratação existente entre a Recorrente e os seus clientes, no que pertine aos valores que foram considerados para o lançamento fiscal, teria sido realizada de forma global, Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 582 4 para a criação e também divulgação dos trabalhos, mais um equívoco da decisão recorrida. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20216.820 e 20179.211. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu o Recurso, fls 563/565, quanto à existência de divergência, do cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigmas, apontada dissensão em relação à matéria de direito, tendo estes últimos concluído, em oposição àquele, que os valores repassados pelas agências de publicidade aos veículos de propaganda, nos moldes da Lei nº 4.680/65, devem ser excluídos da apuração do PIS/Pasep e Cofins. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 568/571, requerendo que seja negado provimento ao Recurso e mantido o acórdão recorrido. É o relatório Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese em relação a matéria de direito, especialmente se os valores repassados pelas agências de publicidade aos veículos de propaganda, nos moldes da Lei nº 4.680/65, devem ser excluídos ou não da apuração do PIS/Pasep e Cofins. Porém, antes de analisar as questões de mérito, cabe apresentar algumas considerações relevantes para compreensão do correto deslinde da controvérsia. Com efeito, compulsando os autos, extraise da "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is), às folhas 149, 150 e 158, e do Termo de Verificação de Encerramento de Ação Fiscal, às folhas 144 a 147,que a autuação é decorrente da apuração de insuficiência de recolhimento da Cofins e da contribuição ao PIS. Fundamenta a autoridade lançadora que a contribuinte excluiu da base de cálculo das contribuições valores repassados a terceiros, sem previsão legal". Por seu turno, o acórdão recorrido manteve o lançamento sob o fundamento de que: "O próprio STF definiu por ocasião do decidido no RE nº 346.084/PR, Pleno, Relator Ministro Cezar Peluzo, DJ 01/09/2006, o faturamento adstringese àqueles ingressos oriundos da realização do objeto social da empresa (venda de mercadorias ou prestação de serviços), e, no presente caso, o valor que o Fisco considerou para proceder ao presente lançamento foi retirado da nota fiscal de prestação de serviços emitida pela empresa, ou seja, não foi retirada da escrituração contábil, o quê, como se sabe, se dá com as outras receitas operacionais, a maioria delas decorrentes de transações que não demandam a expedição de nota fiscal e até mesmo de recibos. Por isso é que não podemos analisar a questão sob o viés dos efeitos que o conceito de alargamento da base de cálculo poderia provocar, ou seja, e, com outras palavras, estamos diante de um valor que, por estar contido na nota fiscal de prestação de serviços, não pode ser denominado de outra forma senão a de um item do faturamento". É que, se bem Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 583 5 repararmos na leitura conjunta que se faz dos artigos 9º e 15º da Lei 4.680, de 1965 – repetidamente invocada pela Recorrente para fazer valer sua argumentação – concluiremos que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar [junto aos vinculadores, por exemplo], o que implica que isso deve ocorrer mediante a emissão de notas fiscais distintas: uma pela agência e a outra pelo órgão veiculador". Quanto à matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 930301.59, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, pronunciada na sessão de julgamento de 30 de agosto de 2011, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelas agências de propaganda. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão dos valores pagos por ela aos veículos de divulgação. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tão somente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 584 6 Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos efetuados aos veículos de divulgação, para tanto, a defesa socorrese da Lei 4.680/65 que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda. Acontece, porém, que essa lei não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. De outro lado, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. De outro lado, como já dito linhas acima, não se pode aplicar a essa contribuição os mesmos critérios adotados para o IRPJ e para a CSLL, que tem forma diversa de tributação. Aqui, peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão recorrido, da Lavra do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que discorreu sobre o tema com a costumeira competência. Para o deslinde da questão importa analisar, primeiro, a legislação afeta ao mercado de propaganda e publicidade, visando definir se os pagamentos efetuados pela recorrente aos veículos seriam meros repasses financeiros, ou seriam custos, como considerou a Fiscalização, e também para saber de que modo as agências de propaganda devem faturar os serviços por elas prestados; segundo, analisar as bases de cálculo do PIS, do IRPJ e do ISS, para saber se as legislações dos dois impostos podem ser aplicadas à contribuição; terceiro, as decisões administrativas citadas, que supostamente confirmariam os argumentos da recorrente. A Lei nº 4.680/65, como sua ementa indica, dispõe “sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências.” Após definir que agenciadores são “os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 585 7 por conta de terceiros” (art. 2º), e que agência é a pessoa jurídica especializada em publicidade (art. 3º), estabelece no seu art. 11 que a comissão constitui a remuneração dos agenciadores, enquanto o desconto a remuneração das agências, sendo ambas fixadas pelos veículos de divulgação, sobre os preços estabelecidos em tabela destes. A finalidade da referida Lei é regular as profissões de publicitário e agenciador de propaganda e não o mercado de propaganda e publicidade. Tanto assim que nos seus artigos finais determinou a sua fiscalização a cargo do antigo Departamento Nacional do Trabalho, enquanto sua regulamentação ficou para o Ministério do Trabalho. Além do mais, o meio da publicidade não funciona como prevê a lei, sendo comum as agências substituírem as pessoas físicas que exercem a atividade regulamentada de agenciador de propaganda. Embora o artigo 17 da referida Lei nº 4.680/65 estabeleça que a atividade publicitária nacional será regida pelos princípios e normas do Código de Ética dos Profissionais da Propaganda, instituído em 1957, nem na Lei, nem no Código, há qualquer dispositivo de índole tributária, tampouco dispondo sobre os valores das faturas/notas fiscais a serem emitidas pelas agências ou pelos veículos de propaganda. As disposições acerca do faturamento, mas não sobre os valores de faturas ou notas fiscais, repita se, encontramse no Decreto nº 4.680/65, que dispõe: “Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípios básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. (...) Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda.” (Grifos nosso) Os dois dispositivos acima precisam ser lidos em conjunto, impondose uma interpretação sistemática. Assim, percebese que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar. Todavia, cada nota fiscal ou fatura deve ser emitida com o valor dos serviços que cada empresa realizar: a da agência com o valor dos seus diversos serviços, a do veículo com o valor da veiculação. Uma fatura englobando as outras, como no caso em tela, é prova de que quem emitiu pelo total contratou todos os serviços. Por que o veículo deve remeter a sua fatura à agência de propaganda? Para que esta confira os serviços e apresentea ao anunciante, demonstrando que a propaganda elaborada foi devidamente veiculada e que cada um (agência e veículo) possa receber a sua parte, a par das faturas emitidas, na forma dos contratos firmados. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 586 8 A interpretação feita pela recorrente não se sustenta porque transforma simples apresentação da fatura do veículo, ao anunciante, numa suposta obrigatoriedade de emissão da sua fatura por valor irreal, que não refletiria as operações. Pretende fazer prevalecer sobre a legislação tributária e comercial dispositivos isolados da Lei nº 4.680/65 e do Decreto que a regulamenta, numa interpretação assaz desarrazoada que não encontra guarida nem ao menos na literalidade dos texto legal. As agências de propaganda desenvolvem atividades complexas, sendo remunerada de diversas formas, tanto por parte dos veículos quanto pelos clientes anunciantes. Neste sentido a própria recorrente informa que tal remuneração pode ser decomposta em três parcelas: honorários à base de 20%, cobrados dos veículos; honorários de no mínimo 15%, cobrados dos clientes anunciantes; e honorários diversos, por serviços especiais, como pesquisas de mercado, promoção de vendas, relações públicas, etc. Destarte, uma agência pode realizar os contratos mais diversos, tanto com os seus anunciantes quanto com os veículos, a depender de cada situação específica. O desconto a ser recebido dos veículos, de que fala o art. 11 da Lei nº 4.680/65, é apenas uma das formas possíveis de remuneração, constituindo se na hipótese em que a agência é remunerada pelos veículos e não pelos anunciantes. A hipótese dos autos é outra, pois a recorrente, ao emitir a nota fiscal/fatura pelo valor total dos serviços, deixa caracterizado um contrato em que é remunerada de forma global pelos anunciantes. Tratase de um “pacote fechado”, nos quais dentre outros serviços encontrase o de veiculação, a ser contratado junto a emissoras de televisão, rádios, editoras, etc. Daí os pagamentos aos veículos serem custos e não meros repasses financeiros. Neste ponto cabe destacar que a fatura é o documento comprobatório de um serviço prestado ao seu destinatário por quem a emite, no valor da importância total nela consignada. É o que informa o art. 20 da Lei nº 5.474/68, cuja dicção é a seguinte: “Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (destaque nosso) Interpretando o artigo acima, Rubens Requião informa que “a fatura discriminará a natureza do serviço prestado, e a soma a pagar corresponderá ao seu valor.”1 Valor este que corresponde a receita auferida pela recorrente, embora parte dela seja destinada aos veículos de Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 587 9 propaganda. Ressaltese que após emitida a fatura o prestador dos serviços poderá acompanhála de duplicata, que como se sabe é título executivo extrajudicial. Ou seja, a recorrente tornase titular do direito de crédito junto ao anunciante, no valor da fatura emitida. No caso dos autos, em que os veículos também emitem notas fiscais contra os anunciantes, de forma que a soma dos documentos comerciais resulta num valor superior à soma dos serviços, o procedimento não está correto. Os veículos deveriam faturar em nome da recorrente. Da forma como está há duplicidade de valores faturados contra o anunciante. De todo modo, e apesar da incorreção, o fato de a recorrente ter em seu poder vias de notas fiscais emitidas por terceiros contra o seu credor, o anunciante, não lhe permite deduzir tais valores da sua receita bruta. Até porque é certo que o PIS também incidirá sobre os valores faturados pelos veículos, em face da sua incidência em cascata ou bis in idem (bis repetição; in idem sobreo mesmo). Passase agora à análise da base de cálculo do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma das Leis nºs 9.715/98 e 9.718/98, sendo despiciendo analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. Também não tem qualquer importância a contabilidade, não alterando a base de cálculo do PIS a apropriação dos valores recebidos dos anunciantes, na parte destinada aos veículos, em conta do passivo. Como obrigações também podem ser apropriados outros custos e despesas, sem qualquer influência no cálculo do PIS. Neste sentido a Lei nº 9.718/98 veio explicitar, no seu art. 3º, § 1º, que “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” As deduções possíveis na base de cálculo do PIS são somente aquelas elencadas expressamente em lei, a depender das especificidades de cada atividade. Assim acontece, por exemplo, com as sociedades cooperativas, as instituições financeiras e as operadoras de planos de saúde, mas não com a atividade de propaganda e publicidade, sujeitas às mesmas regras das outras prestadoras de serviços. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 588 10 No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Quanto à IN Conjunta SRF/STN/SFC nº 04/97, cujo art. 13 é citado no Recurso, determina que a retenção se dê sobre o valor de cada nota fiscal, não podendo ser aplicada como pretende a recorrente. Observese: “Art. 13. Nos pagamentos de serviços de propaganda e publicidade, quando efetuados por intermédio de agência de propaganda, a retenção será efetuada em relação a esta e a cada uma das demais pessoas jurídicas prestadoras do serviço, pelo valor das respectivas notas fiscais de sua emissão. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições retido será compensado pela empresa emitente da nota fiscal, na proporção de suas receitas, devendo o comprovante de retenção ser fornecido em seu nome.” O ISS, por sua vez, é tributo cuja base de cálculo pode variar de um Município para outro, no âmbito de suas competências tributárias. Destarte, sua legislação, assim como a do IRPJ, não podem ser aplicadas ao PIS, como já assentado na decisão de primeira instância. Adentra se agora no terceiro e último ponto desta análise, cabendo afirmar que, do mesmo modo como a legislação do IRPJ não pode ser aplicada ao PIS, também assim acontece com as decisões administrativas citadas no Recurso, quase todas relativas a esse imposto ou a CSLL, que lhe segue. Apenas Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 e o Acórdão nº 20173.944 é que dizem respeito à contribuição. Esta Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 informa que as agências de turismo podem excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores repassados às empresas de transportes aéreos, relativamente às vendas de passagens. Tratase de vendas em consignação, que não é o caso das agências de propaganda. Quanto ao Acórdão nº 20173.944, invocado sob o argumento de que cabe à fiscalização comprovar que os valores arrecadados por ordem dos veículos de propaganda se constituem em receita por ela auferida, trata da Cofins em situação distinta da dos autos e que serve, inclusive, para demonstrar a diversidade dos contratos no ramo da publicidade. Conforme o relatório daquele julgado, ali o preço total do serviço publicitário, incluindo a veiculação, é contratado diretamente entre o cliente anunciante e a agência, havendo duas formas de pagamento. No chamado “desconto” o veículo recebe diretamente do anunciante oitenta por cento do total, emitindo nota fiscal nesse valor, enquanto a agência recebe também do anunciante o restante, faturando o equivalente a vinte por cento. Já na Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 589 11 chamada “comissão” a situação é semelhante à destes autos, com o veículo no lugar da agência. Na primeira situação não há dúvida quanto à tributação, até porque os valores e faturas são independentes. Na segunda, todavia, o veículo fatura pelo total e emite a duplicata correspondente, cobrando o total mas considerando não tributável a parcela que repassará para a agência, a título de comissão. O ilustre relator, Conselheiro Jorge Freire fundamenta se em julgamento anterior Recurso nº 109.019 , quando ficou assentado que o valor referente ao repasse de verbas de empresas consorciadas, para empresa responsável pela administração de obra a cargo daquelas, não constituía faturamento a ensejar a incidência da norma impositiva. Não aplicaria o mesmo fundamento, pelo que chego a conclusão diferente. Tanto no julgado mais antigo, relativo a obra subcontratada, quanto no Acórdão nº 20173.944, em que o veículo de divulgação fatura e recebe pelo total dos serviços, para efeito de base de cálculo do PIS deve ser tomada a soma dos valores faturados por cada empresa. É vedado o abatimento em virtude de subcontratos e também o decorrente de repasses dos veículos de propaganda às agências. De igual modo neste julgado, em que a emissão de faturas/notas fiscais pelo total, por parte da recorrente, caracteriza a remuneração global a cargo dos anunciantes. A referendar a interpretação ora adotada, cabe mencionar que esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, já decidiu conforme a ementa seguinte: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1997 a 30/04/2000 Ementa: PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. EMPRESA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. DESCABIMENTO. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos autorizando a exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receita de prestação de serviços, ou integrantes do faturamento, foram destinados a terceiros (veículos de comunicação) para fazer frente aos custos com a divulgação de propaganda.”(Acórdão nº 20312.093, Recurso nº 129.059, sessão de 24/05/2007, relator Odassi Guerzoni Filho, unânime, sendo que na mesma sessão foi julgado o processo da Cofins, com idêntico resultado Acórdão nº 20312.094, Recurso nº 129.130) Por fim, destaco que não caberia cogitar aqui da aplicação do art. 13 da Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, segundo o qual “O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas.” O art. 53 da Lei nº 7.450/85 trata de casos nos quais há incidência de imposto na fonte sobre alguns serviços prestados, inclusive o Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 590 12 de propaganda, sendo que o seu parágrafo único exclui de tal retenção os valores por serviços de propaganda e publicidade, pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. A Lei nº 10.925/2004 introduziu norma nova relativa ao PIS e à Cofins, já sob a égide da não cumulatividade, sendo impertinente qualquer retroatividade na sua eficácia. Desta feita, não há como atender à pretensão da recorrente de tributar apenas a receita líquida, isto é, a receita pertinente ao faturamento deduzida das despesas para sua obtenção. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres" Diante do exposto, voto pelo improvimento do Recurso interposto. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 591 13 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à tributação pelas contribuições ao PIS e à Cofins dos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral, peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes para manifestar meu entendimento. Recordo que o caso em comento traz que os valores constaram destacadamente das notas fiscais de prestação de serviços da autuada para seus clientes com o título “Despesas de Terceiros” e foram consideradas pela autoridade fazendária como receita para os fins de incidência das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins. Não obstante ao entendimento manifestado pela autoridade fazendária, vêse que os valores registrados como “Despesas de Terceiros”, não constituem receita, eis que apenas correspondem a valores recebidos de seus clientes para o pagamento de serviços prestados efetivamente por terceiros contratados pela agência “em nome do cliente”. O que caracterizariam repasses de valores pela agência, e não valores a serem registrados como receita e despesa (quando repassados). Com efeito, o art. 3º da Lei 4.680/51 estabelece que as agências de publicidade têm como função e escopo o estudo, a criação e a execução da propaganda ou publicidade, agindo por ordem e conta de seus clientes, de sorte que as tais receitas/despesas de terceiros lançadas nas suas notas fiscais não são receitas. Sendo assim, em respeito ao disposto na Lei 4.680/65 e no Decreto 57.690/66, temse que o procedimento de emissão de faturas de prestação de serviços quando a agência atua como idealizadora da propaganda e tem a incumbência de contratar, em nome de seu cliente (por conta e ordem dele) se encontra correta com o observado pela agência. Descreveu as despesas efetivamente incorridas por ela e aquelas que seriam despesas de terceiros. Não há como se ignorar a relação contratual direta firmada entre a agência de propaganda e os clientes – anunciantes. Considerando a relação jurídica firmada, notase que os anunciantes atribuem à agência o encargo de contratar, em nome deles, os terceiros para a produção do material visual ou gráfico. O que resta, de per si, considerar que o valor referente aos serviços prestados por terceiros não seria efetivamente receita – pois nada acresce ao patrimônio da agência, eis que não é auferido pela agência. Frisese tal entendimento o art. 21 do Decreto 57.690/66, in verbis: “ Art. 21. A profissão de Agenciador de Propaganda instituída pela Lei número 4.680, de 18 de junho de 1965, e disciplinada pelas disposições deste Regulamento, abrange a atividade dos que vinculados aos Veículos d Divulgação, a eles encaminham propaganda, por conta de terceiros.” Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 592 14 Tal dispositivo traz que a contratação dos terceiros pela agência de publicidade é realizada por conta e ordem de seus clientes anunciantes. Esse dispositivo está em consonância com as diversas normas municipais que tratam de ISS – que, por sua vez, trazem a necessidade de se segregar na nota fiscal as despesas próprias e as incorridas efetivamente por terceiros contratados por conta e ordem dos clientes. Eis que consideram como remuneração da agência somente aquele valor inerente ao serviço efetivamente prestado e contratado. Ademais, impossível ainda ignorar o conceito de receita trazido pelo CPC 30. Tal pronunciamento especifica, em síntese, que receita é o ingresso de recursos que resulta em aumento do patrimônio líquido da entidade. O que resta, nessas fundamentações, concluir que os valores em discussão não poderiam ser contabilizados como receita e, por conseguinte, não comporiam a base das contribuições. E, caso se pretenda ignorar os dizeres do CPC 30 Receitas, alegando se tratar de norma contábil sem implicação tributária, cabe trazer o art. 58 da Lei 12.973/14: “ DAS DEMAIS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Art. 58. A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, identificar os atos administrativos e dispor sobre os procedimentos para anular os efeitos desses atos sobre a apuração dos tributos federais.” Com tal dispositivo, fica evidente que as normas contábeis publicadas anteriormente à Lei 12.973/14 devem ser observadas para fins de registro contábil, produzindo, inclusive, efeitos tributários. O que é o caso do CPC 30 Receitas. Esse dispositivo somente explicitou o que as normas contábeis internacionais já defendiam – a primazia da essência sobre a forma. Tal teoria é de suma importância aos investidores que suplicavam pela transparência dos eventos e dos reflexos negociais que uma empresa vivenciava. Para eles, a contabilidade deveria refletir o que de fato, no sentido econômico, a empresa estava vivenciando. E, para melhor transmitir essas informações, independentemente da forma legal, a contabilidade deveria considerar o substrato econômico de cada evento – podendo, assim, o investidor conhecer os efetivos riscos de sua participação naquela empresa. É de se esclarecer ainda que pela Teoria da Prevalência da Essência Econômica sobre a Forma, a correta classificação contábil dos r. valores – despesas de terceiros deveria desconsiderar qualquer intenção de se tratálos como receita. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 593 15 Ora, no que tange ao conceito contábil de receita, o CPC 30 traz (Grifos meus): “ [...] Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil Financeiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. [...] 7. Neste Pronunciamento são utilizados os seguintes termos com os significados especificados a seguir: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...]” O art. 58 da Lei 12.973/14 nada mais fez do que explicitar o respeito a ser dado às normas internacionais de contabilidade que, por sua vez, trazem como princípio basilar a Primazia da Essência sobre a Forma. E, recordase, por esse princípio basilar, tais valores não devem ser considerados como receita, eis que não teriam natureza de remuneração para a agência. A agência nem foi contratada para se prestar esse serviço. Tanto é assim que não prestou o serviço correspondente a “despesa de terceiro” e o terceiro foi contratado pelo cliente. (Inegável desconsiderar o fato de a agência ter contratado EM NOME DO CLIENTE). Quem é efetivamente o prestador de serviço é o terceiro e o contratante o cliente. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 594 16 Fl. 594DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.011994/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES.
O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de-contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2401-004.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriodecontribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 19 94 /2 00 8- 36 Fl. 969DF CARF MF 2 parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 969 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.140.4479) lavrado contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social para terceiros Sesi, Senai, Sebrae, Salário educação e Incra, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de 11/03 a 12/06, não informada em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 16/46), são fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos empregados a título de: convênio médico (MED) e participação nos lucros e resultados (PLR). Consta do referido relatório que a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. A Fiscalização informa que todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. A Fiscalização contatou, também, que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, plano esse não disponibilizado aos demais segurados empregados. Apurouse, ainda, que empregados da unidade de Sumaré vinculados ao plano de assistência médica da Sul América, bem como empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Assim, entendeu a fiscalização que por ser o plano de assistência médica diferenciado em razão do cargo ou salário, este benefício foi considerado salário in natura, e, consequentemente, fato gerador de contribuições sociais. Quanto à PLR, a Fiscalização apurou que até o acordo coletivo de 2005 não existia o estabelecimento de metas e, após esse período, não foram apresentados documentos probatórios que demonstrassem os critérios de avaliação para a consecução dos objetivos. Segundo a fiscalização: · O Acordo Coletivo de Trabalho assinado em 11 de agosto de 2003 estabelece, na cláusula primeira, que a empresa pagará aos trabalhadores abrangidos pelo acordo, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados relativa ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003, o valor de R$ 1.600,00, sendo R$ 900,00 em 15/8/03 e R$ 700,00 em Fl. 971DF CARF MF 4 31/1/04. Não há qualquer menção ao estabelecimento de metas a serem alcançadas, o que foi observado, também, na Ata de Assembléia Geral Extraordinária do sindicato, realizada no mesmo dia, autorizando a diretoria a firmar o acordo coletivo com a empresa, discutindose apenas os valores monetários e o cronograma de pagamento. · A Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 24 de junho de 2005 autoriza a diretoria do sindicato a firmar o acordo coletivo com a empresa referente ao pagamento do PLR do período de 1/1/05 a 31/12/05 no valor de R$ 2.700,00, sendo R$ 2.000,00 após cinco dias da assinatura do acordo e R$ 700,00 após seis meses do pagamento da antecipação, não havendo a apresentação e discussão de metas. · A Cláusula 2ª do Acordo Coletivo de Trabalho de 27 de junho de 2005 estabelece que as bases para o pagamento do PLR são: "as metas estabelecidas pela empresa para o período de 01 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2005, relativas ao Plano de Produção, indices de Qualidade e Produtividade, divulgadas internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais". · O Acordo Coletivo de Trabalho de 26 de Junho de 2006 estabelece que a empresa pagará, a titulo de PLR relativa ao período de 01/01/06 a 31/12/06, o valor de R$ 3.280,00, sendo 2.100,00 em até três dias da assinatura do acordo e R$ 1.180,00 em 15/12/2006. A Cláusula 2 possui a mesma redação que o acordo coletivo anterior quanto às metas estabelecidas. Constatouse, ainda, que tais verbas foram pagas por mais de duas vezes durante o ano civil, em desacordo com a Lei 10.101/2000, art. 2º, § 3°. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.908 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 876/890, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIARIO. MULTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONVÊNIO MÉDICO. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS. CORESPONSABILIDADE. TERCEIROS. Incide multa de mora sobre a contribuição social incluída em lançamento de oficio, na forma da Lei. As verbas pagas a titulo de "Participação nos Lucros e Resultados" e "Convênio Médico" em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. A relação de coresponsáveis anexadas pela Fiscalização não tem como escopo incluir os sócios e/ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 970 5 pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em divida ativa É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil fiscalizar, arrecadar e cobrar as contribuições devidas aos TERCEIROS. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 23/3/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 894), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/4/09, fls. 403/449, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Alega que deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/08, no percentual de 20%, em razão da retroatividade benigna. Diz que com relação a planos médicos a única condição imposta pela legislação é que o plano de saúde seja estendido a todos os empregados, condição que foi plenamente atendida pela recorrente. Afirma que a lei não se refere a critério equânime, ou que a cobertura seja igual para todos os funcionários. Entende que a PLR foi paga em perfeito acordo com a Lei 10.101/2000. Diz que apresentou o acordo coletivo no qual se pautou o pagamento, estabelecendo datas e valores que seriam distribuídos aos funcionários a título de PLR. Diz que o PLR da recorrente não está baseado em metas individualizadas, mas em metas voltadas a índices de qualidade e produtividade aplicáveis a toda a produção de veículos, portanto, com base na Lei 8.212/91, art. 2º, § 1º, inciso I, e não no inciso II. Alega que para demonstrar o critério de qualidade e produtividade, apresenta Laudo Técnico do Supervisor de Produção e Relatórios de Inspeção do Departamento de Qualidade dos anos de 2003 a 2006, que demonstram existir parâmetros que informam os procedimentos adotados pela recorrente, que se dividem em fase anterior e posterior à entrega do veículo. Afirma que o auto de infração é nulo por incluir na base de cálculo valores que não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Requer a declaração de nulidade do Auto de Infração, a reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório correspondente às contribuições destinadas a terceiros. É o relatório. Fl. 973DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE O argumento do contribuinte de que o auto de infração é nulo por incluir valores que não integram a base de cálculo das contribuições sociais não tem como prosperar. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. De fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados e o valor despendido pelas empresas relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 971 7 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; [...](grifo nosso) Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei 10.101/2000. De acordo com a fiscalização a empresa não observou referida lei, sujeitando então, os valores pagos a esse título, à incidência da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. No caso dos planos de saúde, para se subsumir à hipótese de isenção legal é indispensável que a cobertura do plano oferecido pela empresa abranja a totalidade dos seus empregados e dirigentes, condição esta não adimplida pela empresa, razão pela qual os valores pagos a esse título foram incluídos na base de cálculo da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. Sendo assim, inexiste qualquer nulidade do procedimento conduzido pela fiscalização, uma vez que, ao não atenderem às condições essenciais previstas na lei, as rubricas em questão permanecem regidas pela regra geral de tributação. MÉRITO PLANO DE SAÚDE Nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'q', acima citado, para que o plano de assistência médica ou odontológica não integre o salário de contribuição, a cobertura deve ser oferecida a todos os empregados e dirigentes da empresa. Conforme relatado, a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. Todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. Apurouse que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, pois esse plano não foi disponibilizado aos demais segurados empregados. Além disso, apurouse que empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Fl. 975DF CARF MF 8 Vêse que a controvérsia dos autos está na interpretação conferida à Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘q’. De um lado a fiscalização entendeu que para o gozo da isenção prevista no dispositivo legal citado, o plano de saúde ofertado pela empresa deve ser idêntico para todos os empregados. Já o sujeito passivo entende que basta ter cobertura a todos, não havendo impedimento em diferenciar a qualidade ou abrangência do plano em virtude do cargo ocupado pelo segurado. A cobertura é a garantia de proteção contra o risco de determinado evento. Já o risco é um evento futuro, incerto e que independe da vontade das partes. Para o custeio de um plano, cada risco deve ser considerado isoladamente, devendo o prêmio ou contribuição a ser pago pelo segurado (ou pela empresa, ou por ambos) ser calculado conforme os riscos contratados. Assim, dependendo dos riscos acobertados, temse o montante devido pelo participante do plano para caso haja o sinistro (acontecimento do evento de risco previsto no plano), possa usufruir os benefícios propostos pelo plano contratado. No caso dos planos de saúde, além dos riscos acobertados, também são oferecidas comodidades, como planos enfermaria ou apartamento, com ou sem reembolso de despesas médicas, reembolso de medicamentos etc. Tais comodidades também integram o cálculo do prêmio ou contribuição. Logo, os riscos acobertados e as comodidades do plano importam no valor a ser pago pelo participante ou por ele e a patrocinadora (empresa que oferece o plano a seus empregados), ou somente pela patrocinadora. Portanto, dizer que a cobertura deve abranger a todos os empregados e dirigentes não significa, necessariamente, que os riscos acobertados e as comodidades tenham que ser iguais para todos. Aliás, caso assim o fosse, seria uma forma de burlar o dispositivo previsto em lei, acima transcrito, pois se o plano é também custeado pelo trabalhador e a empresa oferecesse somente um plano que cobrisse vários riscos e com muitas comodidades (mais caro), poderia incorrer na grande probabilidade dos segurados com menores salários não aderirem ao plano, podendose inferir que o plano, apesar de “oferecido para todos”, somente visaria a acobertar os trabalhadores com maiores salários. Desta forma, para os planos coparticipativos, em que trabalhador e empresa participam do custeio, não existe vedação legal à oferta de planos diferenciados para determinados trabalhadores (por exemplo, um plano para empregados e outro para dirigentes). Basta que sejam oferecidos a todos. A condição estipulada pelo legislador na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “q” restaria atendida pelo fato de haver cobertura de assistência médica e/ou plano de saúde a todos os empregados e dirigentes da empresa, ainda que os riscos acobertados sejam diferentes entre si. Assim, não é necessário que a cobertura disponibilizada pela empresa seja a mesma para todos os grupos de colaboradores, basta que haja cobertura e que ela abranja a Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 972 9 todos os empregados e dirigentes para que seja determinada a não inclusão dos valores correspondentes à assistência médica ou ao plano de saúde no cômputo do saláriode contribuição e a consequente não incidência de contribuições previdenciárias. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes. A condição assim delineada está em acordo com a finalidade da norma de não incidência condicionada, que é a de garantir a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. Assim, para planos custeados por empregado e empresa, não há problema em se oferecer planos diferenciados aos empregados e dirigentes, desde que os funcionários possam optar pelo plano que desejarem. Esta seria a melhor forma de atingir o propósito legal, oferecendo planos diferenciados, mas que todos os trabalhadores pudessem aderir a eles, garantindo a cobertura a todos os empregados e dirigentes. Por outro lado, se a empresa assume a totalidade do custo com o plano, a oferta de planos diferenciados, em função do cargo ou salário, com acesso exclusivo, apresenta evidente discriminação, desvirtuando o propósito legal. No presente caso, a oferta de planos de diferentes seguradoras aos funcionários da matriz em Sumaré e da filial de São Paulo não descaracteriza a condição de abrangência geral, pois a cobertura, além de similar, abrange a totalidade de trabalhadores. Não exige a norma que tal assistência seja prestada por uma única pessoa jurídica. No caso em análise, em que o plano foi custeado totalmente pela empresa, não há óbice em oferecer planos diferenciados para seus empregados e dirigentes, mas desde que os mesmos possam optar pelo plano que desejarem. Assim, qualquer valor recebido pelos segurados a título de assistência médica, em dissonância com o plano básico oferecido pela empresa, que foi disponibilizado à totalidade de empregados e dirigentes, são entendidos como remuneração e integram o salário de contribuição, pois assim não está garantida a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. No caso em apreço, estão em dissonância com os planos básicos, os valores pagos para o plano executivo da Sul América (restrito a dirigentes) e as diferenças pagas pela empresa relativas ao plano superior (acomodação em quarto privativo) para os quais não ocorreu o pagamento pelo trabalhador da respectiva diferença. Logo, estes valores são entendidos como remuneração, integram o salário de contribuição, e devem ser mantidos no lançamento. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores relativos aos planos básicos da Unimed e Sul América, disponibilizados à totalidade de empregados e dirigentes. Fl. 977DF CARF MF 10 PLR O lançamento em litígio teve por base o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, inciso I, já transcrito acima. O conceito de remuneração, descrito nos artigos 457 e 458 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. A princípio, tudo o que o segurado ganha é remuneração, contudo, conforme dispõe a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, algumas verbas são excluídas do saláriodecontribuição, mas, para que referidas verbas não integrem a base de cálculo da contribuição ora lançada, precisam ser pagas exatamente como determina a lei, caso contrário, são sim remuneração. No caso da PLR, a Constituição Federal de 1.988, art. 7o, XI, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) A Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea ‘j’, condiciona a exclusão da parcela de participação nos lucros do saláriodecontribuição dos segurados empregados se houver a estrita observância da lei regulamentadora do dispositivo constitucional. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. O artigo 2o desta lei, na redação vigente à época do fato gerador, dispõe que: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: [...] (grifo nosso) Da análise do caso concreto, concluise que a verba distribuída a título de PLR pautouse integralmente nos Acordos Coletivos de Trabalho. Portanto, os Acordos Coletivos de Trabalho acostados pela recorrente, fls. 778 e seguintes, deveriam contemplar, Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 973 11 cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos na Lei 10.101/2000, o que, de fato, não foi observado no caso em debate. No caso em apreço, os Acordos Coletivos de Trabalho pactuados entre a Recorrente e o Sindicato dos trabalhadores nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Campinas e Região, não continham em seu bojo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, tampouco continham os critérios de aferição para se verificar o quanto já se houve por cumprido do acordado. O ACT de 2003 não veicula qualquer regramento para o pagamento da PLR indicado na sua cláusula primeira. Basta trabalhar na empresa para receber a rubrica. Logo, tratase de remuneração e, consequentemente, salário de contribuição. O ACT de 2004 (fl. 784), na cláusula primeira, estabelece: Conforme os termos da Lei 10.101 de 19 de dezembro de 2000, a Empresa pagará trabalhadores abrangidos por este Acordo, a titulo de Participação nos Lucros e resultados relativa ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, o valor de R$ 1.825,00 (Hum mil e oitocentos e vinte e cinco reais), sendo R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais) a titulo de antecipação, pago em 10/08/2004 e o saldo restante de R$ 325,00 (trezentos e vinte e cinco reais) pago em 10/02/2005: A cláusula segunda do ACT de 2004 estatui que “Os objetivos que balizam o pagamento prescrito neste Acordo são aqueles definidos pela Empresa em seu plano anual relativos a produção, qualidade e produtividade e divulgados internamente, para o período compreendido por este Acordo Coletivo”. A cláusula segunda dos ACT de 2005 a 2006 (fl. 792 e seguintes) dispõe que “A base para o pagamento prescrito neste acordo são as metas estabelecidas pela empresa para cada exercício, relativas ao Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade, divulgados internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais”. Tais acordos coletivos não contêm regras claras e objetivas a respeito dos direitos substantivos dos trabalhadores, não estabelecendo qualquer correspondência entre o montante a que cada operário teria direito e o grau de atingimento das metas estipuladas. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o valor integral. Caso contrário, recebe de forma proporcional. Não trazem, igualmente, tais ACT, os direitos substantivos dos trabalhadores de nível de supervisão e acima, cujos pagamentos seriam efetuados “de acordo com os valores a serem definidos pela empresa”. O “Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade” referido nos ACT não foi acostado aos autos. Fl. 979DF CARF MF 12 O Laudo Técnico a que se refere a recorrente foi emitido ao final do período fiscalizatório e não à época dos fatos geradores. Os demais documentos juntados se referem a procedimentos adotados pela empresa para análise de seu produto final e não relativos ao pagamento da PLR. Acrescentese que consta de tais documentos que na maioria dos meses dos anos de 2003 a 2006 as metas não foram atingidas em relação à produção do "FIT" e do "CIVIC". Portanto, se esse fosse o instrumento de apuração dos indicadores de produtividade e qualidade para fins de pagamento de PLR, esta não deveria ter sido paga. Sendo assim, os valores pagos sob o título de PLR, mesmo que previsto em ACT, mas sem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, PLR não são! Tratamse de prêmio ou gratificação. Portanto, são valores que integram a remuneração e, consequentemente, o salário de contribuição, não se aplicando o disposto na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'j'. Verificase, no caso, que o direito ao recebimento da verba em questão dependia, tão somente, do empenho ordinário, usual e cotidiano do empregado, decorrente diretamente do contrato de trabalho comum, inexistindo nos ACT celebrados pela Autuada qualquer viés de incentivo à produtividade que justificasse a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, nas circunstâncias descritas na Lei 10.101/2000. Cabe ainda mencionar que os ACT analisados foram celebrados quando já havia transcorrido, em média, a metade de cada período de apuração. Além disso, a Fiscalização apurou a efetiva ocorrência de pagamentos a título de PLR nas competências 11 e 12/2003; 01, 08, 09, 10, 11 e 12/2004; 01, 02, 06, 07, 08, 10, 11 e 12/2005; 06, 07, 08, 09, 10, 11 e 12/2006, fato não contestado pelo recorrente. MULTA A multa aplicada não é a de mora, pois não houve o recolhimento espontâneo por parte do sujeito passivo de contribuições em atraso, mas sim o lançamento de ofício de contribuições devidas, o que determina a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. A regra vigente à época dos fatos geradores era a prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, que estabelecia que o percentual de multa a ser cobrado era de 24%. Com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, a multa para o lançamento de ofício passou a ser de 75%, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91 c/c o artigo 44 da Lei 9.430/96. Logo, no presente caso, onde há lançamento de contribuições sociais para outras entidades e fundos, a multa mais benéfica é a da redação da lei vigente à época dos fatos geradores, no percentual de 24%. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como quer o contribuinte. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 974 13 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 981DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000388/2009-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA.
Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias.
PLR - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE.
Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 9202-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Auxílio Educação e à PLR - Participação nos Lucros e Resultados e em não conhecer da retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. PLR - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o salário-de-contribuição.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracterizase como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o saláriodecontribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Auxílio Educação e à PLR Participação nos Lucros e Resultados e em não conhecer da retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 88 /2 00 9- 33 Fl. 3206DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (Debcad nº 37.220.848 7), referente às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhidas aos cofres públicos, no período de 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal de fls. 49 a 58 informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Em sessão plenária de 20/11/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402003.848 (fls. 2.982 a 3.009), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PLANO EDUCACIONAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (ajuda de custo faculdade) aos segurados empregados. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração ou quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.207 3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LEVANTAMENTO PPR PROGRAMA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando não satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação para gozo da imunidade. Quando se comprova a efetiva aferição do cumprimento das metas, descabem considerações acerca da natureza subjetiva dos critérios fixados nos acordos de PLR. Somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a lei. LANÇAMENTO FISCAL. CORREÇÃO DO VALOR APURADO. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Havendo comprovação de que o valor do tributo está incorreto, tal valor inicialmente apurado no lançamento fiscal deverá ser alterado para espelhar a realidade da contabilidade da Recorrente. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em dar provimento parcial para que: a) sejam retificados os valores inicialmente apurados na base de cálculo dos 'levantamentos FPA FOLHA PAGTO AMBIENTAL e TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL', conforme delineamento constante da Tabela 1do voto condutor; b) os valores apurados no levantamento UED Utilidade Educação sejam excluídos; c) sejam excluídos da base de cálculo do levantamento PPR Programa Participação nos Fl. 3208DF CARF MF 4 Resultados os pagamentos das primeira e segunda parcelas, concedidos ao mesmo segurado; e d) aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996.” O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 24/02/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.010). Conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, o prazo para interposição de Recurso Especial expiraria em 14/04/2014. Em 03/04/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 3.011 a 3.032 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.033), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: auxílioeducação (ajuda de custofaculdade) sujeito a período de carência para os empregados e/ou patamar mínimo de remuneração; exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000; aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme despacho de 08/09/2015 (fls. 3.035 a 3.046). O Recurso Especial apresenta os seguintes argumentos, em síntese: Quanto ao auxílioeducação de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; desse modo, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, porém existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Art. 28 [...] Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.208 5 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). de fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, porém elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes, requisitos não cumpridos no caso dos autos; a leitura do dispositivo legal em questão deixa evidente que a isenção atinge apenas os valores pagos a título de bolsa de estudos (que vise a educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa) dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível à bolsa de estudo referentes aos dependentes; destarte, não estando contemplada pela norma de isenção, a bolsa de estudos em cursos de graduação de nível superior e concedida aos filhos e dependentes dos empregados devem integrar o saláriodecontribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades; ressaltese que o que não integra o saláriodecontribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica do empregado e dirigentes, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: ... I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. como se depreende da simples análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica; dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador Fl. 3210DF CARF MF 6 fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária; concluise, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior; a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal, a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada; assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Quanto aos valores pagos a titulo de PLR Participação nos Lucros e Resultados a Constituição Federal dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 11º: “Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. em perfeita consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, encerra a definição legal de saláriodecontribuição nos seguintes termos: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: .. I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades, ressalvado o disposto no artigo 9º e respeitados os limites dos §§ 3º, 4º e 5º deste artigo.” assim, o salário é elemento remuneratório do trabalho, e se a Constituição ou a Lei Básica de Previdência Social não excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de cálculo da contribuição; pelo artigo 7º, inciso XI da CF: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.209 7 participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”; conforme reconheceu o próprio STF, esse artigo consubstancia uma regra de eficácia limitada, carecendo de lei para sua total eficácia, de modo que até a sua edição era devida a contribuição previdenciária sobre a total remuneração paga aos empregados, mesmo que denominada participação nos lucros e resultados (RE nº 393.764Agr); nessa senda, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei a que se refere o citado preceito constitucional; não se faz suficiente para fazer impedir a cobrança de contribuição previdenciária a existência da lei reguladora e a denominação de participação nos lucros e resultados; devese observar em tudo e por tudo a legislação pertinente, e esse sentido, eis acórdão do STJ: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido.” (STJ. SEGUNDA TURMA. REsp 856160 / PR. Ministra ELIANA CALMON. DJe 23/06/2009. Nesse mesmo sentido, Cf. REsp 496949 / PR) resta, pois, evidenciado que somente as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, nos termos da Lei nº 10.101/00, estão imunes à tributação; contudo, conforme largamente demonstrado no relatório fiscal, não é o caso dos autos, já que o pagamento a titulo de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração; Fl. 3212DF CARF MF 8 prescrevem os arts. 2º e 3º da Lei nº 10.101/00: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” pois bem, atento às regras acima transcritas, cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se o contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do salário de contribuição a verba que denomina como “participação nos lucros”; inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício; de acordo com a legislação de regência da participação nos lucros e resultados, dos instrumentos decorrentes da negociação entre a empresa e seus empregados, devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.210 9 a lei ainda veda a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; no caso, o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados; noutro turno, cabe registrar que para alguns anos não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. Restou desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas; por fim, cumpre destacar que no ano de 2004 o pagamento de PLR aos empregados da Divisão de Vendas e ao Grupo Executivo da Goodyear não estava amparado por convenção ou acordo coletivo, conforme determina a legislação; com efeito, conforme relata a autoridade fiscal, os Planos Próprios de Participação foram decididos com os diretores, gerentes e os funcionários da Divisão de Vendas, sem a materialização do pactuado por meio de convenção ou acordo coletivo; constatase, pois, a inobservância de outro requisito previsto na legislação, tendo como conseqüência a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a Lei nº 10.101/2000; ressaltese que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais; no caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição; o próprio art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos; logo, o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, "j" da Lei 8.212/91. Quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. a Fazenda Nacional pede a manutenção do lançamento, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 3214DF CARF MF 10 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido para restabelecer o lançamento nos termos acima expostos. Cientificada em 19/10/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 3.050), a Contribuinte, em 29/10/2015, ofereceu as Contrarrazões de fls. 3.143 a 3.154 e interpôs o Recurso Especial de fls. 3.052 a 3.070. Quanto ao Recurso Especial, a este foi negado seguimento, conforme despacho de 28/12/2015 (fls. 3.186 a 3.194), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 3.195 a 3.201. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: Quanto ao Auxílio Educação atentese, inicialmente, que a Recorrente inicia suas alegações afirmando "divergência quanto à verba intitulada 'ajuda de custofaculdade' (auxilio educação)", em razão de que "na hipótese dos autos, é cristalino que o programa implantado pela empresa não é ofertado a todos aqueles que compõem o seu quadro funcional, uma vez que previamente foram excluídos da opção ao benefício os empregados que não cumprissem as condições por ela estabelecidas, tal como exigir um prazo de dois anos na empresa", conforme petição de fls. 3015. tratase de uma grande impropriedade, na medida em que a verba intitulada "ajuda de custofaculdade" foi paga para os empregados que preencheram os requisitos previstos no procedimento interno da ora Recorrida, denominado "Orientação de Trabalho (OT) Programa Bolsa Estudo'", o qual foi anexado ao presente processo; por sua vez, o fato de o benefício ter sido concedido a coordenadores, gerentes e assistentes financeiros (funções dos empregados da ora Recorrida), demonstra claramente que é inverídica a alegação da Recorrente de que o "programa implantado pela empresa não é ofertado a todos". Muito pelo contrário, tal fato demonstra que o benefício de educação foi estendido a todos os empregados, não se justificando assim a alegação da Recorrente; Neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2005 SALÁRIO UTILIDADE. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. APLICAÇÃO AO ASPECTO DO FATO GERADOR MUTILADO E NÃO AOS REQUISITOS PARA DESFRUTE DO BENEFÍCIO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO, CONVÊNIO SAÚDE. A interpretação restritiva para as normas isencionais exigida pelo art. 111 do CTN diz respeito ao aspecto do Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.211 11 fato gerador mutilado e não aos requisitos para desfrute do benefício. As eventuais condições de isenção não devem se submeter a uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade da norma sob pena de negarmos a finalidade do dispositivo. Se a norma iscncional exige que o benefício seja oferecido a todos os empregados, uma exigência de um tempo mínimo na empresa guarda relação lógica com a finalidade do benefício fiscal no que se refere à bolsa auxílio educação e ao convênio saúde, não sendo esta uma motivação adequada para o afastamento da isenção. (...) (Processo n° 10909.006800/200820 Sessão de 13 de março de 2013) Grifamos. no mesmo sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça, pacificou seu entendimento: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. VALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENC1ÁR1AS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CONVÊNIO SAÚDE. LEI N° 8.212/91. EXCLUSÃO. DESPESA COM ALUGUEL. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO INSS: I(...) II Os valores despendidos pelo empregador para prestar auxílio escolar aos empregados da empresa não integram o saláriodecontribuição, tendo natureza tipicamente indenizatória, sendo indevida a inclusão de tal verba na base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: REsp n° 371088/PR, Rei. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJ de 25.08.2006: REsp n° 365398/RS. Rei. Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 18.03.2002; Resp n° 324.178/PR, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, DJ de 17/12/2004. III(...) IV A estipulação de prazo de carência para que os empregados da empresa façam jus ao auxílio escolar e ao convêniosaúde não retira o caráter de generalidade prevista na Lei n" 8.212/91, não se configurando os valores pagos com tais benefícios, portanto, como saláriodecontribuição. (...) (REsp 1057010/SC, Rei. Ministro FRANCISCO FALCÃO. PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 04/09/2008). (Grifamos). ademais, observase que a regra de não incidência prevista no arl. 28. §9°. alínea "f", da Lei n° 8.212/1991, foi modificada pela lei n° 12.513/2011, a qual alterou os requisitos para a obtenção da concessão da "isenção" previdenciária, deixando de exigir que o acesso ao plano educacional seja extensivo a todos os empregados e dirigentes; Fl. 3216DF CARF MF 12 desta forma, caso Vossa Excelência entenda que o benefício não foi concedido a todos os empregados, deve ser aplicado ao caso concreto o princípio da retroaüvidade da norma mais benéfica, conforme estabelecido no art. 106, inciso II. alíneas "a" e "b", do CTN; assim, tendo em vista a retroatividade obrigatória da norma tributária mais favorável ao contribuinte, aplicase, na situação em apreço, a regra disposta no art. 28, § 9o, alínea "t" da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 12.515/2011, a qual não exige que o plano educacional seja disponibilizado a todos os funcionários; neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais — CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREV1DENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados cm acordo com a Lei 10 LI 01/2000. não ocorre a incidência da contribuição previdenciária. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea "t", § 9o, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrasc aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. (...) (PROCESSO 16682.720808/201186 Sessão de 11 de setembro de 2014)Grifamos. ainda, é importante frisar que a verba paga a título de "ajuda de custofaculdade" tem natureza indenizatória, uma vez que se trata de um pagamento para a melhoria da execução dos trabalhos prestados, o qual possibilita que os empregados cursem o ensino superior, até mesmo curso aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, ou seja, tratase de um investimento da empresa na qualificação de seus empresados, assim tais valores despendidos com a concessão do benefício não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária; neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALORES DESPENDIDOS A TÍTULO DE BOLSA DE ESTUDO DOS EIMPRECADOS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.212 13 Os valores pagos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não são incluemse no campo de incidência da contribuição previdenciária.(...) (Processo n° 10166.728529/201202 Sessão dc 09 de setembro de 2014) Grifamos. portanto, a decisão recorrida deverá ser integralmente mantida no que diz respeito à exclusão dos pagamentos de auxílio educação da base do salário de contribuição. Quanto à PLR Participação nos Lucros e Resultados verificase que a Recorrente alega em seu recurso especial que no caso concreto há "divergência quanto á exclusão da tributação dos valores pagos o. título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2o. §3° da Lei n° 10.101/2000", uma vez que "o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados", razão pela qual "não pode ser admitida a sua exclusão do salário contribuição ", conforme petição de fls. 3027/3028; primeiramente tais alegações não procedem, pois, a verba paga pela empresa aos seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa não tem natureza salarial, e sim indenizatória, não integrando assim a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7o, inciso XI, da Constituição Federal, e do art. 28, § 9o, alínea "J", da Lei n° 8.21211991; a Recorrida demonstrou que não houve qualquer irregularidade no pagamento das participações dos lucros e resultados. O que ocorreu no caso concreto foi que, após uma revisão nas plataformas individuais, a ora Recorrida constatou que alguns dos seus funcionários passaram a ter direito a uma complementação dos valores pagos à título de participação nos lucros ou resultados; a complementação dos valores pagos à título de participação nos lucros ou resultados foi efetuada para resguardar o direito dos trabalhadores que alcançaram as metas estabelecidas no Acordo de Participação dos Funcionários e estagiários da empresa, não restando, assim, configurada uma nova distribuição nos lucros ou resultados da empresa; sobre essa questão, o v. acórdão recorrido estabeleceu que "somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a Lei n° 10.101/2000 e deverão ser submetidos à incidência da contribuição previdenciária "; a despeito da ora Recorrida não concordar que as parcelas adicionais compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, considerando que a natureza indenizatória da participação nos resultados decorre de mandamento constitucional, não faz nenhum sentido que sobre TODOS os valores pagos, incluindose o primeiro e o segundo pagamentos expressamente previstos em lei, haja a incidência do tributo; Fl. 3218DF CARF MF 14 assim, no máximo, poderá haver a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados à título de Participação nos Lucros ou Resultados a partir da segunda parcela (quando hipoteticamente a empresa deixou de atender aos requisitos da Lei n° 10.101/200); desta forma, não prospera a alegação da Recorrente de que havendo o recolhimento em periodicidade menor do que aquela estabelecida na lei, haverá a incidência da verba previdência sobre todos os pagamentos. ademais, a jurisprudência predominante desta B. Corte é no sentido de que, tendo em vista o recolhimento da primeira e segunda parcela estarem de acordo com a legislação, a incidência da verba previdenciária ocorrerá somente a partir da terceira parcela. assim, notese que é vedado ao Fisco realizar o lançamento em relação a todas as parcelas, uma vez que os pagamentos das duas primeiras parcelas foram efetuados de acordo com a legislação vigente. Desta forma, fazer incidir a contribuição previdenciária sobre todas as parcelas implica na desconsideração dos pagamentos efetuados de acordo com a referida lei; portanto, não prospera a alegação da Recorrente, não merecendo ser provido o presente recurso especial. Da não aplicação do art. 35A da Lei nº 11.941, de 2009 a Recorrente em seu recurso especial, assevera que "há nítida divergência entre o acórdão e os acórdãos adotados como paradigmas proferidos pela Primeira Turma da Terceira Câmara e pela Primeira Turma da Quarta Câmara, ambas da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão n° 230100283 e Acórdão n° 240100120) ". conforme petição de fls. 3018. notese que os acórdãos paradigmas trazidos aos autos pela Recorrente não demonstram a divergência suspostamente ocorrida, eis que os referidos acórdãos têm por objeto a aplicação da nova redação dada ao art. 35A, da Lei n° 8.212/1991 e, por sua vez, o caso concreto diz respeito à aplicação da redação anterior do referido artigo, portanto não há jurisprudencial hábil a ensejar o provimento do presente recurso especial: vejamos trechos dos acórdãos paradigmas: Acórdão Paradigma n° 240100120. "Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n" 8.212/199L as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996". Acórdão Recorrido n° 2402003.847 "não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN {lempus regit actunr. o lançamento reportase à data da ocorrência do fato Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.213 15 gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que. para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008. aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991). limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996". ainda, a Recorrente, na fl. 3031, requereu expressamente a manutenção do lançamento do crédito tributário, bem como a aplicação da norma mais benéfica: "Nesta linha de raciocínio, o lançamento em tcstilha deve ser mantido, com a ressalva de que. no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n" 449/2008, atualmente convertida na Lei n° 11.941/2009". notese que o requerimento da União no presente recurso especial já foi concedido no v. acórdão recorrido: "Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAREI IE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) sejam retificados os valores inicialmente apurados na base de cálculo do "levantamentos FPA FOLHA PAG TO AMBIENTAL e TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL", conforme delineamento constante da 'Tabela E'deste Voto e do Relatório Fiscal de Diligência (DE e PARA); (ii) os valores apurados no "levantamento UEDutilidade Educação" sejam excluídos; (iii) sejam excluídos da base de cálculo do "levantamento PPRPrograma Participação nos Resultados "os pagamentos das primeira e segunda parcelas, concedidos ao mesmo segurado; c (iv) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. (Grifamos). portanto, a Recorrente não possui interesse recursal no presente recurso especial, na medida em que se busca a manutenção do v. acórdão recorrido e a aplicação da norma mais benéfica, ou seja, em caso de conhecimento e provimento do presente recurso especial o resultado do julgamento será mesmo daquele trazido pela 4a Câmara/2a Turma Ordinária; além disso, conforme narrado anteriormente, não há no caso concreto divergência jurisprudencial, eis que os acórdãos paradigmas não demonstram a referida divergência. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela UniãoFazenda Nacional. Fl. 3220DF CARF MF 16 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: auxílioeducação (ajuda de custofaculdade) sujeito a período de carência para os empregados e/ou patamar mínimo de remuneração; exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000; aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (Debcad nº 37.220.848 7), referente às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhidas aos cofres públicos, no período de 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal de fls. 49 a 58 informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Quanto à primeira matéria, no caso do acórdão recorrido, o auxílioeducação não era disponibilizado a todos os empregados mas sim àqueles que cumpriram o período de carência de dois anos. Nesse passo, aplicouse retroativamente a Lei nº 12.513, de 2011, que teria abolido a exigência de extensão do benefício a todos os empregados. Como paradigma, a Fazenda Nacional apresentou o Acórdão nº 2401 002.710, de 16/10/2012, tratando também de competências anteriores a 2011, porém nesse julgado aplicouse a legislação vigente à época do fato gerador, mantendose a exigência de extensão a todos os segurados, de sorte que a divergência foi efetivamente demonstrada. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o benefício seria extensivo a todos os empregados, porém a estipulação de carência de dois anos para o usufruto do auxílioeducação está patente na autuação, bem como no voto condutor do acórdão recorrido, sobre o qual não foram opostos Embargos de Declaração que pudessem desfazer qualquer equívoco nesse sentido. Adentrando ao mérito da matéria, constatase que o art. 144 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), assim estabelece: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, não há que se falar em aplicação de lei posterior, eis que a retroatividade benigna somente é permitida em matéria de penalidade, o que não é o presente caso. Destarte, a lei vigente à época do fato gerador e aplicável ao caso é a Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelece: Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.214 17 “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa[...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” (grifei) Nesse passo, para que os valores pagos a título de Auxílio Educação não integrem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a empresa deve atender a alguns requisitos, dentre eles a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes. Ademais, a interpretação do caso concreto deve ser efetuada de forma objetiva, nos limites da legislação específica, ou seja, a Fiscalização não pode deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal benefício, a teor do art. 111 do CTN: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Concluise, assim, que os pagamento relativos a Auxílio Educação, devem integrar o saláriodecontribuição, no presente caso, já que não foram extensivos à totalidade dos empregados, conforme reconhece a própria decisão recorrida. Destarte, a despeito das considerações da Contribuinte em sede de Contrarrazões, a autuação deve ser mantida, cabendo aqui reiterar argumento contido no paradigma (Acórdão nº 2401002.710): "Mais a mais, consoante restou muito bem assentado pela ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nos autos do processo administrativo n° 35434.000858/200571, a contratação em caráter de experiência não afasta os direitos Fl. 3222DF CARF MF 18 trabalhistas dos empregados, desde o primeiro dia de serviço, o que reforça a tese da ausência de distinção entre os funcionários 'efetivos' e os que se encontram sob contrato de experiência, senão vejamos: '[...] O contrato de experiência respaldado no art. 445, §2° da CLT, nada mais é do que uma possibilidade de o empregador 'testar' o empregado antes que o mesmo tornese empregado por prazo indeterminado. OU seja, desde o primeiro dia em que está trabalhando na condição de empregado contratado por experiência o empregado faz jus a TODOS os direitos trabalhistas, por exemplo: Férias, 13° salário, FGTS etc.. Os únicos direitos que acabam sendo inviabilizados são o aviso prévio e a indenização de 40% do FGTS, mas, não por se tratar de contratação por experiência, mas porque não encontramse presentes os requisitos da dispensa imotivada. Portanto, qualquer empregado desde o 1° dia, é considerado empregado e como tal faz jus a direitos trabalhistas. A exclusão dos empregados até 60 dias de vinculo, restringe o acesso à previdência complementar e portanto, descumprido o preceito legal que afastaria a natureza salarial. [...]' E, se no âmbito trabalhista (direito privado) não existe distinção de direitos dos empregados em experiência daqueles 'efetivos', não pode a legislação previdenciária adentrar a tais conceitos do direito privado de maneira a estabelecer aludida distinção para efeito de concessão de benefícios aos empregados, limitandoos aos 'efetivos', em total afronta aos dispositivos legais que contemplam a matéria, seja trabalhista ou previdenciária. (...) Na hipótese dos autos, o que torna ainda mais digno de realce, é que o período de carência se apresenta por demais prolongado (24 meses), o que afastaria a tese de alguns julgadores no sentido de que tal lapso temporal não teria o condão de rechaçar a isenção em comento no caso de coincidir com o período de experiência contemplado na legislação trabalhista (60 dias, prorrogáveis por mais 30)." (grifei) Sobre esse último argumento, no sentido de exigirse um prazo de carência por demais prolongado (dois anos), quando o período de experiência contemplado na legislação trabalhista é bem menor (60 dias, prorrogáveis por mais 30), interessante trazer à colação trecho do Acórdão nº 2301003.394, de 13/03/2013 (processo nº 10909.006800/2008 20), que a própria Contribuinte cita em sede de Contrarrazões, buscando respaldo para o procedimento por ela adotado: "A fiscalização entendeu que exigir um prazo de três ou seis meses na empresa para disponibilizar o benefício bolsa auxílio educação violava a norma isencional, porém, como vimos, nossa interpretação nos conduz para conclusão diversa. O requisito temporal razoável não representa discrímen vedado pela norma isencional. Assim sendo, tais pagamentos desfrutam da isenção e devem ser excluídos da base de cálculo do tributo em questão." Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.215 19 Como se pode constatar, até mesmo no julgado citado pela Contribuinte como apto a demonstrar suposta regularidade de seu procedimento, considerouse que seria razoável um prazo de carência de três ou seis meses, o que de forma alguma se compara ao prazo de 24 meses, como é o caso do acórdão recorrido. A Contribuinte cita ainda, em Contrarrazões, o Acórdão nº 2403002.734, de 11/09/2014 (processo nº 16682.720808/201186), que referendaria a aplicação de retroatividade benigna, porém esse julgado nada tem a ver com esse tema. Confirase: "Entendo que os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea 't', § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação." Como se vê, esse julgado, que trata de fatos geradores de 2007/2008, apenas utiliza a Lei nº 9.394, de 1996 (portanto anterior aos fatos geradores), para definir que modalidades de ensino seriam aptas à inclusão no auxílioeducação. Com efeito, não trata de aplicação de lei posterior ao fato gerador, para considerar inexigível que o beneficio se aplique à totalidade dos segurados, como é o caso do recorrido. Finalmente, a Contribuinte cita a seu favor o Acórdão nº 2803003.589, de 09/09/2014 (processo nº 10166.728529/201202), porém mais uma vez o julgado nada tem a ver com a questão tratada no acórdão recorrido, já que também aborda as modalidades de ensino que estariam abarcadas pelo benefício. Confirase: Relatório "O fundamento fático do lançamentos encontrase no entendimento fiscal de que a empresa teria custeado a educação, superior, aos seus funcionários que deveria ser considerada remuneração por não estar abrangida no disposto no art. 28, §9º, t, da Lei n. 8.212/1991." Voto "Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior ou técnico é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplicase excluindose a incidência da norma de exação. (...) Como esse é o único motivo que fundamenta esse tipo de lançamento, e o mesmo é inválido, o ato de constituição tornase insubsistente." Quanto à decisão judicial invocada pela Contribuinte, esta não tem caráter vinculante em relação à esfera administrativa. Fl. 3224DF CARF MF 20 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nesta parte. Quanto à segunda matéria exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000 o acórdão recorrido assim registra: "No presente caso, verificase que os Acordos Coletivos de Trabalho (fls. 291/311, processo 12268.000387/200999) referentes aos Programas de Participação nos Resultados (PLR) de 2006 e 2007, expressamente, dispõem que o pagamento do PLR dáse nos meses de 01/2006, 07/2006, 01/2007 e 07/2007. Entretanto, o pagamento do PLR ocorreu mais de duas vezes nos anoscalendário 2006 e 2007 (vide Anexo IX, fls. 286/290, processo 12268.000387/200999), sendo que isso caracteriza uma desobediência às condições estabelecidas nos Acordos Coletivos e na Lei l0.101/2000. Com isso, o pagamento concedido após a segunda parcela serviu para complementar o salário dos empregados, sujeitandose a incidência da contribuição previdenciária. Logo, entendese que somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a Lei 10.101/2000 e deverão ser submetidos à incidência da contribuição social previdenciária." Assim, a despeito das alegações da Contribuinte em sede de Contrarrazões, embora a previsão fosse de dois pagamentos no ano, esse limite foi extrapolado. Nesse passo, o Colegiado a quo considerou tributáveis apenas as parcelas que excederam o limite. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que, excedido o quantitativo legal de pagamentos, todo o PLR deve ser tributado. Como paradigma, indica o Acórdão nº 240101.619, que efetivamente defende esse posicionamento, portanto o apelo merece ser conhecido, também nesta parte. Adentrando ao mérito dessa segunda matéria, registrese que a participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional, no Capítulo que trata dos Direitos Sociais: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E assim foi editada a Medida Provisória nº 794, de 2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A citada lei normatizou diversos aspectos da participação no resultado, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.216 21 Ao tratar especificamente da periodicidade do pagamento, o legislador assim especificou, claramente: Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (.) § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. Destarte, ao efetuar os pagamentos em mais de duas parcelas a Contribuinte fez tábula rasa do § 2º, acima transcrito. A Lei nº 8.212, de 1991, na alínea “j”, do § 9º, do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, estabelece que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre dita verba, porém condiciona o benefício ao pagamento da parcela dos resultados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei nº 10.101, de 2000: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Concluise, assim, que em havendo o pagamento em desrespeito à Lei nº 10.101, de 2000, a verba deve ser integrada ao saláriodecontribuição. Ressaltese que não há que se falar na inclusão, na base de cálculo, de apenas as parcelas excedentes, uma vez que não se trata simplesmente da extrapolação de um limite e sim da própria desnaturação da verba. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a tributação de todas as parcelas de PLR pagas. Finalmente, quanto à terceira matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 na decisão recorrida determinouse o cálculo da multa com base no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, limitandoa ao percentual de 75%, previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a manutenção do lançamento, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 3226DF CARF MF 22 Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento da matéria referente à aplicação da multa mais benéfica, alegando, em síntese: que os paradigmas não demonstram a alegada divergência, já que neles se busca a aplicação do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, enquanto que no recorrido aplicouse a redação antiga do dispositivo legal; que não há interesse recursal, uma vez que o acórdão recorrido já aplicou o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na sua redação anterior à MP nº 449, de 2008, limitandose o percentual a 75%, o que coincide com o pedido da Fazenda Nacional. Quanto ao primeiro argumento, os acórdãos paradigmas efetivamente não tratam de situações em que o pleito seja a aplicação da lei em sua antiga redação, como é o caso do acórdão recorrido. Com efeito, tratase de situações em que se pleiteia a aplicação da multa de mora na nova redação da Lei nº 8.211, de 1991, ou seja, no percentual de 20%. Quanto ao segundo argumento, também assiste razão à Contribuinte, já que, no que tange à aplicação da retroatividade benigna, o resultado preconizado no acórdão recorrido coincide com a pretensão da Fazenda Nacional. Confirase: Acórdão recorrido: "Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar." Recurso Especial: "A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009." Destarte, em ambos os julgados entendese que deve ser aplicada a antiga redação do art. 35, e que a retroatividade benigna é representada: Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.217 23 no acórdão recorrido, pela limitação ao percentual de 75%, que nada mais é que o limite estabelecido no art. 35A da nova redação; nos paradigmas, pela aplicação do art. 35A, da nova redação, que limita o percentual da multa em 75%. Com efeito, a leitura do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional permite concluir que o apelo baseiase em premissa equivocada, qual seja, a de que no acórdão recorrido a retroatividade benigna pressupunha a aplicação do novo art. 35, que trata da multa de mora limitada a 20%. Concluise, portanto, que efetivamente falta interesse de agir por parte da Fazenda Nacional, razão pela qual o apelo não pode ser conhecido, nesta parte. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que tange ao Auxílio Educação e à PLR Participação nos Lucros e Resultados e, na parte conhecida, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Em que pese o excelente voto da relatora, peço vênia para divergir no tocante a um ponto importante acerca da incidência de Contribuição Previdenciária sobre valores concedidos aos empregados a título de auxílioeducação. Para Relatora os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracterizamse como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. Contudo a meu ver, a exigência legal é de que o Benefício seja concedido a todos os segurados não obstando ao empregador a discricionariedade de impor algumas condições para tanto. Desse modo, desde que os critérios sejam de ordem objetiva como, por exemplo, no caso em concreto a exigência de que o empregado esteja há mais de dois anos na empresa. Fl. 3228DF CARF MF 24 A intenção do legislador foi claramente de evitar subjetividades e apadrinhamentos no ambiente de trabalho, que pudessem levar ao oferecimento de vantagens a alguns em detrimento de outros o que resultaria em efetivo salário indireto. Todavia impor regras de ordem objetiva, como critérios temporais, denotam tão somente o poder de direção do empregador e de cuidado com seu negócio garantindo que o auxílio educação seja concedido a todos seus empregados e dirigentes, desde que estes cumpram o requisito temporal objetivo que não os diferencia por critérios subjetivos como cargo, produtividade ou afinidade com a diretoria. Insta salientar que segundo o STJ, o auxílioeducação não tem por objetivo remunerar o empregado. Tratase de verba empregada para o trabalho como ferramenta de trabalho), e não pelo trabalho (no sentido de remuneração). Notese que o STJ vem decidindo desta forma mesmo antes da edição da Lei 9.528/97. Logo, pelo fato de o auxílioeducação revestirse de natureza não salarial, por consequência referida verba não deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Peço vênia para discordar ainda quanto a solução dada aos pagamentos em menor periodicidade do que aquela definida em lei, para os quais conforme o voto do qual divirjo, teriam o condão de dar natureza de complementação salarial a todas as verbas pagas a título de PLR, naquele determinado programa. Com relação à questão da periodicidade do pagamento, entendo que apenas os pagamentos específicos que ultrapassagem o interstício temporal determinado em lei é que deveriam ser considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos exarados pelo voto da Turma Ordinária, ora recorrido. Entendo que esta interpretação é a que melhor atende aos objetivos da Lei n° 10.101, de 2000, e foi utilizada em diversos precedentes do CARF no ano de 2014. Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça também já abordou o tema, identificando o procedimento a ser realizado, quanto ao Programa de PLR, nos casos de terem sido realizados pagamentos em períodos inferiores a seis meses. “TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. (...) 1. Hipótese em que se discute a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas distribuídas aos empregados a título de participação nos lucros e resultados da empresa. 2. O Banco distribuiu parcelas nos seguintes períodos: a) outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros; e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos resultados. 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.218 25 a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. (...) 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) (...)” (STJ, REsp 496949/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 31.08.09) A Justiça do Trabalho, com maior legitimidade para discussão da natureza da verba, tem aplicado uma interpretação mais alinhada com a Constituição Federal, valorizando o resultado das negociações coletivas de trabalho, por força do art. 7º, XXVI, e nesse sentido mais importante do que a rubrica que identifica o pagamento feito ao empregado é a apuração da sua real natureza jurídica. Certamente, o legislador, quando fez constar, no art. 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de “PLR”. Assim na análise dos casos concretos, devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento coletivo definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. O Tribunal Superior do Trabalho vem se manifestando quanto a esta temática: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO PARCELADO. A jurisprudência desta Subseção, calcada no art. 7º, XXVI, da Magna Carta, sinaliza no sentido da viabilidade de norma coletiva estabelecer periodicidade de pagamento da participação nos lucros inferior à semestral. Ressalva de entendimento da Ministra Relatora. (TST, ERR 194200 95.2003.5.02.0462, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministra Relatora Rosa Maria Weber, DJ 07/05/2010) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA E PAGAMENTO PARCELADO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. A decisão recorrida não reconheceu como válida a norma coletiva (acordo coletivo) que, expressamente, retratando a vontade de sindicato profissional e empresa, dispôs que o pagamento da participação nos lucros, relativa ao ano de 1999, seria feito de forma parcelada e mensalmente. O fundamento é de que o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000 dispõe que o pagamento de antecipação ou distribuição a título de participação nos lucros ou resultados não pode ocorrer em período inferior a um semestre ou mais de duas vezes no ano cível. Fl. 3230DF CARF MF 26 O que se discute, portanto, é a eficácia e o alcance da norma coletiva. O livremente pactuado não suprime a parcela, uma vez que apenas estabelece a periodicidade de seu pagamento, em caráter excepcional, procedimento que, ao contrário do decidido, desautoriza, data venia, o entendimento de que a parcela passaria a ter natureza salarial. A norma coletiva foi elevada ao patamar constitucional e seu conteúdo retrata, fielmente, o interesse das partes, em especial dos empregados, que são representados pelo sindicato profissional. Ressaltese que não se apontou, em momento algum, nenhum vício de consentimento, motivo pelo qual o acordo coletivo deve ser prestigiado, sob pena de desestímulo à aplicação dos instrumentos coletivos, como forma de prevenção e solução de conflitos. (TST, EEDRR 1236/20041021500, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministro Milton de Moura França, DJ 24/04/2010) Desse modo, entendo que somente as parcelas que não respeitaram a semestralidade nos termos na Lei, e que não continham periodicidade menor, expressamente pactuada em instrumentos coletivos, poderão ser tidas como verbas de natureza remuneratória. Ressalto ainda, que havendo possíveis descumprimentos a estas regras acima expostas, estes afetarão apenas aqueles indivíduos nos quais as ilegalidades sejam verificadas no caso concreto, sem afetar os demais indivíduos que se encontram com as formalidades respeitadas, ainda que se encontrem sob um mesmo contrato ou programa de PLR. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 3231DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725687/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO PATRONO CONSTITUÍDO. DESCABIMENTO
O artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 estabelece o domicílio fiscal do contribuinte para efeito de intimação.
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO
Verificada as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS
Constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social - RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da cooperativa, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Devida à contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Em face da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõe-se a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF.
PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OFERECIDA A DIRIGENTES
Após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa.
AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2401-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO PATRONO CONSTITUÍDO. DESCABIMENTO O artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 estabelece o domicílio fiscal do contribuinte para efeito de intimação. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO Verificada as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS Constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da cooperativa, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Devida à contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 56 87 /2 01 3- 49 Fl. 1341DF CARF MF 2 Em face da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OFERECIDA A DIRIGENTES Após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE), que julgou a impugnação improcedente e manteve os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.045.4844, 51.045.4852, 51.045.4860, 51.045.4810, 51.045.482 8, 51.045.4836 e 51.0454801, conforme ementa do Acórdão nº 0434.190 (fls. 1.224/1.239): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. DESCARACTERIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Há caracterização do sócio da pessoa jurídica como segurado empregado, quando há prestação de serviço do sócio de forma pessoal e na atividade fim da empresa tomadora, consequentemente afastar a empresa interposta e constituir o vínculo diretamente com o tomador de serviços. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL SOBRE A REMUNERAÇÃO AOS COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS AS PESSOAS NATURAIS. A remuneração paga ao cooperado que presta serviço a pessoa natural por intermédio da cooperativa é saláriodecontribuição e a cooperativa está sujeita a contribuição previdenciária patronal. SALÁRIO INDIRETO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PARA A DIRETORIA. A exclusão da parcela relativa à plano de previdência privada do saláriodecontribuição ocorre somente quando é estendido para todos os empregados, conforme condiciona a Lei 8.212/91, no art. 28, §9º, alínea ‘p’. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO Os valores pagos aos segurados empregados relativo ao aviso prévio indenizados são saláriosdecontribuição para a Seguridade Social com a publicação do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 que revogou a alínea "f" do inciso V do § 9o do art. 214 do Decreto 3.048/1999. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de preparar folhasdepagamento das remunerações Fl. 1343DF CARF MF 4 pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 34 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e o montante das quantias descontadas dos segurados. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 29 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78 MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto por 07 Autos de Infração (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário à fl. 02), referente período de apuração 01/01/2009 a 31/12/2009, lavrados em 25/06/2013, conforme se segue: 1. AI DEBCAD nº 51.045.4844 (fls. 03/14), relativo a Contribuições previdenciárias patronal e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador/ financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no valor de R$ 7.303.042,98. 2. AI DEBCAD nº 51.045.4852 (fls. 15/21), relativo à Contribuições previdenciárias dos segurados empregados, trabalhadores temporários e avulsos, no valor de R$ 362.439,03. 3. AI DEBCAD nº 51.045.4860 (fls. 22/29), relativo a contribuições destinadas à outras entidades e fundos (terceiros), no valor de R$ 481.603,32. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 4 5 4. AI DEBCAD nº 51.045.4801 (fl. 30), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 78), no valor de R$ 81.920,00. 5. AI DEBCAD nº 51.045.4810 (fl. 31), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 30), no valor de R$ 5.152,14. 6. AI DEBCAD nº 51.045.4828 (fl. 32), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 34), no valor de R$ 51.520,74, lavrado em 25/06/2013. 7. AI DEBCAD nº 51.045.4836 (fl. 33), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 59), no valor de R$ 5.152,14. O Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 37/52, anexos às fls. 53/215), em síntese, informa que: · Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 03.1.01.002012010665, foi instaurado o procedimento de fiscalização em 17/09/2012, com o envio, ao Contribuinte, do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 216/217) ; · Os Autos se referem à constituição de crédito previdenciário e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal e de obrigações tributárias acessórias; · O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relativos ao período de 06/2008 a 12/2009; · No decorrer da ação fiscal foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal –TIF nº 01 (fl. 218), de 13/11/2012, nº 2 (fl. 219), de 14/01/2013, nº 3 (fs. 220/223), de 30/01/2013, nº 4 (fl. 224), de 15/03/2013, nº 5 (225/230), de 12/04/2013, nº 6 (231/232), de 24/04/2013 e o nº 7 (fl. 233), de 25/04/2013, além do Termo de Retenção de Livros e Documentos (fl. 234) e dos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 235/240); · Analisando os documentos apresentados a auditoria constatou existência de débito relativo às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social incidentes sobre fatos geradores não declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e não recolhidos ao INSS em época própria. O contribuinte foi intimado dos Autos de Infração, pessoalmente, em 28/06/2013, conforme assinatura no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fl. 699). Fl. 1345DF CARF MF 6 Em 26/07/2013 apresentou, tempestivamente, suas Impugnações aos DEBCADS: · Nº 51.045.4852 (fls. 706/731, doc. anexos às fls. 732/776); · Nº 51.045.4801 (fls. 777/785, doc. anexos às fls. 786/830); · Nº 51.045.4828 (fls. 831/855, doc. anexos às fls. 856/900); · Nº 51.045.4860 (fls. 901/926, doc. anexos às fls. 927/971); · Nº 51.045.4810 (fls. 972/1.005, doc. anexos às fls. 1.006/1.050); · Nº 51.045.4836 (fls. 1.051/1.078, doc. anexos às fls. 1.079/1.132); · Nº 51.045.4844 (fls. 1.133/1.164, doc. anexos às fls. 1.165/1.209). Nas impugnações apresentadas pelo Contribuinte pleiteia a nulidade e insubsistência dos Autos de Infração, relativos às obrigações principais e acessórias. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 4ª Turma da DRJ/CGE, foram julgadas improcedentes as impugnações com a manutenção dos créditos constituídos nos Autos de Infração. O contribuinte teve ciência do Acórdão nº 0434.190 em 09/05/2014, via postal (AR à fl. 1.242), e apresentou, tempestivamente, em 09/06/2014, seu Recurso Voluntário (fls. 1.247/1.289) onde: · Requer a reforma do Acórdão recorrido alegando que a intimação deve ser feita diretamente ao advogado devidamente constituído nos autos; · Requer a nulidade dos Autos de Infração em razão da incompetência da Receita Federal do Brasil em caracterizar a existência de vínculo empregatício; · Pleiteia a nulidade dos lançamentos por inexistência de elementos fáticojurídico insertos no artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT para caracterizar as relações empregatícias dos prestadores de serviços pessoas jurídicas com a cooperativa. Reforça seu pedido argumentando que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas com a cooperativa são prestação de serviços intelectuais, consoante o artigo 129, da Lei nº 11.196/82005; · Alega que não há fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do HRU, pois o fazem de forma autônoma, sem vínculo; · Alega que não há incidência da contribuição social para a Seguridade Social sobre a verba de aviso prévio indenizado; Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 5 7 · Se insurge contra a cobrança da contribuição previdenciária sobre a previdência privada paga aos diretores em virtude da sua natureza indenizatória; · Alega não haver ausência do descumprimento da obrigação acessória, pois as Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP foram preenchidas com o código da categoria “17”; · Afirma que para a caracterização da infração deve se observar os elementos objetivos e subjetivos do ilícito tributário, no caso falta o elemento subjetivo (dolo), pois o contribuinte pauta a sua conduta na boafé; · Assevera que a multa aplicada é ilegítima, desproporcional, irrazoável e confiscatório. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seja o mesmo provido integralmente, para tornar os Autos de Infração insubsistentes e nulos, exonerando definitivamente da cobrança. Em 21/08/2014 o Contribuinte foi intimado (fl. 1.300), via postal (AR à fl. 1.301) para apresentar documentos faltantes. Tendo em 27/08/2014 anexado ao processo os documentos às fls. 1.304 a 1.334. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF 8 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da necessidade de notificação pessoal do patrono constituído nos autos Pleiteia a Recorrente que as intimações sejam efetuadas em nome dos patronos constituídos no processo administrativo. Segundo o artigo 23, do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim sendo, a intimação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, assim considerado, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 6 9 Descabida, portanto, a pretensão da contribuinte de que as intimações sejam encaminhadas a outro endereço que não o de seu domicílio tributário e em nome diverso, que não o do sujeito passivo, razão pela qual o pedido deve ser indeferido. 2. Autos de Infração nºs 51.045.4810, 51.045.4828, 51.045.4836, 51.045.4844, 51.045.4852 e 51.045.4860 2.a) Da incompetência da autoridade fiscal para decidir acerca da existência de vínculo empregatício – Violação ao art. 114 da Constituição Federal – Nulidade dos Autos de Infração Alega a Recorrente existir nulidade do ato administrativo de lançamento por entender que a autoridade fiscal caracterizou relação de emprego em afronta à competência estabelecida pelo art. 114 da constituição Federal. Não procede o argumento apresentado na peça recursal. A autoridade fiscal efetuou lançamento das contribuições sociais previdenciárias por constatar a caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas sócias das pessoas jurídicas contratadas. Destarte, é cediço que a ocorrência do fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária (art. 113, § 1º e 114 do CTN), em face do princípio da legalidade, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, verificando as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. 2.b) Da inexistência de vínculo empregatício entre a Unimed e as pessoas jurídicas que lhe prestam serviço Conforme asseverado em sua peça recursal, a Recorrente alega que não estão presentes os requisitos da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade (não há pagamento de salário) e subordinação, em relação às empresas que prestam serviços à Unimed. Por outro lado, a fiscalização, através da análise dos lançamentos contábeis e de documentos fornecidos pela empresa (contratos e notas fiscais), constatou a contratação de pessoas jurídicas, em caráter personalíssimo, para executar atividades permanentes da empresa, concluindo estarem presentes os requisitos do 2º e 3º CLT para caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas efetivamente contratadas (fls. 37/52). Os valores apurados no levantamento DJ DESCONSIDERAÇÃO PJ foram considerados como saláriodecontribuição de segurados empregados não declarados em GFIP pela empresa e podem ser observados através da planilha “ANEXO PESSOAS JURÍDICAS Fl. 1349DF CARF MF 10 CONTRATADAS PELA UNIMED FORTALEZA CONSIDERADAS PELA FISCALIZAÇÃO COMO CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA COM CARACTERÍSTICA DE RELAÇÃO DE EMPREGO”. A principal controvérsia que envolve o processo administrativo em debate, diz respeito à natureza jurídica dos serviços realizados por profissionais integrantes dos quadros societários das pessoas jurídicas contratadas formalmente, mais especificamente, o enquadramento das pessoas físicas prestadoras dos serviços pactuados como seguradas empregadas. Primeiramente, importante esclarecer que, tendo em vista o princípio da primazia da realidade sobre a forma, pode a fiscalização desconsiderar os atos e negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos para fins tributários (art. 118 do CTN). No entanto, em face da existência de contratos de prestação de serviços entre a Unimed e as pessoas jurídicas constantes às fls. 241/514, compete ao Fisco o ônus probatório relativo à existência do vínculo empregatício que afirma existir, na medida em que o dever da prova dos fatos jurídicos incumbe a quem tem interesse em fazer prevalecer o que declara existir (art. 373 do NCPC). A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Por outro lado, a Recorrente assevera que a Unimed jamais exigiu que algum cooperado criasse pessoa jurídica e que estas foram constituídas por mera liberalidade de seus sócios, e por sua conta e risco, firmaram contrato com a Unimed, nos termos autorizados pelo art. 129 da Lei nº 11.196 de 2005. É certo que não há impedimento em nosso ordenamento jurídico na constituição de pessoa jurídica para a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, sendo lícita a utilização da forma societária (art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005). Ocorre que o Auditor Fiscal, ao analisar os contratos de prestação de serviços, identificou os requisitos da pessoalidade do empregado, habitualidade, subordinação e onerosidade, destacando cláusulas de alguns contratos para a comprovação do vínculo de emprego: 3.2.2.1. Nos contratos celebrados com as pessoas jurídicas é observada clausula que determina o caráter personalíssimo da relação, pois, nesses casos, é especificado que a contratada (pessoa jurídica) dever prestar o serviço através de uma pessoa física determinada, não existindo a possibilidade dos serviços serem prestados por nenhum outro profissional. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “CLINICA MÉDICA SPINDOLA”, no item 2.1 do contrato está especificado: “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Daniele Cristina dos Santos Spíndola por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia...”. 3.2.2.2. O fato acima observado não é característica dos contratos celebrados entre pessoas jurídicas, pois nessa relação não importa qual profissional deverá executar o serviço contratado, qualquer profissional, habilitado para o serviço, poderá executá Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 7 11 lo. Diante de tal fato denotase um trabalho “INTUITU PERSONAE”, onde não há outro profissional, que não o citado, para a execução da tarefa. 3.2.2.5. A continuidade dos serviços prestados pode ser observada no contrato de prestação de serviço celebrado entre as empresas, onde consta o horário de trabalho e os dias a serem trabalhados. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “ACUP E PROCTO SERVIÇOS MÉDICOS DE ACUPUNTURA E PROCTOLOGIA”, no item 2.1 do contrato está especificado “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Cynthia Maria Pontes Soares por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia, nos dias úteis de trabalho, totalizando 40 (quarenta) horas semanais...”. 3.2.2.6. A não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo. 3.2.2.7. É o princípio da hierarquia, na qual o empregado é subordinado as ordens e determinações técnicas superiores que detém os poderes contratuais de dirigir, regulamentar, fiscalizar e punir. A ausência da subordinação pressupõe que o contratado executa suas tarefas de forma independente e autônoma não observando as determinações técnicas, regulamentos e normas internas da contratada. 3.2.2.8. A própria natureza dos serviços contratados e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vínculo de subordinação à empresa tomadora da prestação dos serviços. As funções desempenhadas pelos segurados fazem parte da estrutura organizacional da entidade tomadora e, consequentemente, tais atividades estão subordinadas à sua hierarquia administrativa, normas e regulamentos internos, desta forma caracterizando a subordinação jurídica. 3.2.2.9. A onerosidade pode ser observada através dos contratos de prestação de serviços que especificam uma remuneração fixa e mensal a ser repassado para as empresas contratadas, remuneração essa comprovada através dos lançamentos contábeis mensais que contabilizam como despesas nas contas “4621390000001HONORARIOS DECONSULTORIA” e “4621290000001HONORARIOS DE AUDITORIA” os repasses mensais efetuados, observamos a comprovação dos repasses financeiros através da emissão de notas fiscais mensal e em valor fixo relativo a contrapartida pelo serviço realizado. OUTROS REQUISITOS 3.2.2.10. Analisando os contratos celebrados entre a UNIMED e as pessoas jurídicas contratadas, as notas fiscais emitidas e os Fl. 1351DF CARF MF 12 lançamentos contábeis podemos verificar outros requisitos característicos da prestação de serviços através de relação de emprego, tais como: • A existência de recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação de serviço sem prejuízo da remuneração mensal, permitindo inclusive a redução do período de recesso mediante compra dos dias pela contratante. Essa concessão é similar a férias anual remunerada e ao abono de férias observado nas relações de emprego, benefício esse não existente na contratação de contribuinte individuais e menos ainda na contratação de pessoas jurídicas. Consta em alguns contratos a seguinte clausula ou similar “3.2 A CONTRATANTE concederá a CONTRATADA recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação dos serviços, o qual será negociada as datas entre as partes, sem prejuízo do valor contratualmente acordado mensalmente, sendo pago pela CONTRATANTE 3.2.1 A CONTRATANTE poderá, quando necessário, em comum acordo com a CONTRATADA, reduzir o recesso anual de 30 (trinta) dias da prestação de serviços. 3.2.2 A cada dia reduzido será pago, pela CONTRATANTE a CONTRATADA, um valor proporcional ao valor total pago mensalmente. • Pagamento de remuneração extra anual equivalente à remuneração mensalmente repassada as empresas contratadas. Essa concessão é similar ao 13o salário, rubrica própria das relações de emprego. Consta em alguns contratos a seguinte clausula ou similar “3.4 Além da remuneração estabelecida no item 3.1. desta cláusula, a CONTRATANTE pagará a CONTRATADA uma remuneração extra anual, equivalente ao valor estabelecido no item 3.1., a ser pago uma semana após a realização da Assembléia Geral ordinária – AGO”. • Existência de empregados informadas nas folhas de pagamento para realizar a mesma atividade das pessoas jurídicas contratada, fato esse que destaca que as empresas foram contratadas para suprir a necessidade de serviços próprios, normais e necessários ao funcionamento da estrutura empresarial e cuja prestação é normalmente realizada sobre o amparo da relação de emprego. • A empresa DOURADO BARSI CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA foi contratada para prestação de serviço de consultoria em gestão na área de regulação dos serviços de saúde médica, conforme contrato foi firmado em 01/05/2009, a pessoa física determinada para prestação dos serviços é a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi. Observamos que a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi constava como empregada da empresa até então, tendo o contrato de trabalho rescindido em 04/05/2009. A demissão de segurado empregado e posterior contratação através de pessoa jurídica pode ser observado no caso do Sr. FRANCISCO JARBAS STUDART FROTA e do Sr. ADRIANO RAMALHO LIMA (outros segurados podem está na mesma situação, a auditoria não investigou todos os casos). Fato esse que demonstra uma movimentação da empresa para substituição de segurados empregados através contratação de Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 8 13 pessoa jurídica de caráter personalíssimo para realizar a mesma tarefa. Compulsando os autos, verifiquei a existência de contratos de prestação de serviços entre a Unimed Fortaleza e várias pessoas jurídicas (fls. 241/515), com disponibilização de serviços por pessoa determinada, com horários fixos, com valor determinado e pagamento mensal, recesso anual de 30 (trinta dias), sem prejuízo do valor acordado mensalmente, com remuneração extra anual equivalente ao valor de um mês de salário, ou seja, com todos os requisitos atinentes à relação de emprego. Nesse diapasão, constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social – RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS, in verbis: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Diante de todo o conjunto probatório constante nos autos, destacado de forma minuciosa na acusação fiscal, constatase presentes os requisitos do 2º e 3º CLT para caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas prestadoras dos serviços pactuados como seguradas empregadas e os valores apurados considerados como salário de contribuição. Em vista de todo o exposto, deve ser mantido o lançamento da referida exigência, bem como a multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1353DF CARF MF 14 2.c) Da inexistência de fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do HRU A Recorrente alega que não há fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do Hospital Regional da Unimed, haja vista que o HRU é mero equipamento que viabiliza a prestação de serviço médico, e não tomadora dos serviços. A fiscalização procedeu ao levantamento CH – COOPERADOS HRU referente aos valores informados pela empresa como pagamentos aos médicos cooperados que prestam serviços no Hospital Regional Unimed. De acordo com o Relatório Fiscal, após análise dos documentos apresentados concluiu que os médicos cooperados que atuaram nas atividades fins do Hospital Regional Unimed prestaram serviço diretamente a cooperativa (hospital), sendo, assim, considerados como contribuintes individuais. Como se observa, os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da Unimed, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Por isso, resta configurada a ocorrência do fato gerador previstos no inciso III, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em face da remuneração paga a contribuintes individuais: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, deve ser mantido o lançamento nesse ponto. 3. Autos de Infração nºs 51.045.4810, 51.045.4836, 51.045.4844, 51.045.4852 e 51.045.4860 3.a) Da cobrança de contribuição patronal incidente sobre aviso prévio indenizado Consoante se infere do Relatório Fiscal, aludido levantamento se refere aos pagamentos concedidos pela empresa aos empregados a título de Aviso Prévio Indenizado. A autoridade lançadora utilizou como fundamento o fato de que, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048//1999 foi revogada, portanto, o aviso prévio indenizado passa a ser base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratarse de verba indenizatória, não tendo natureza remuneratória, colacionando jurisprudência nesse sentido. Assiste razão à Recorrente. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 9 15 Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na hipótese dos autos, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação da aludida verba, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Fl. 1355DF CARF MF 16 Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min.Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. [...] (grifamos) Conforme preceitua o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, impõese ao julgador deste Colegiado a observância às decisões do Superior Tribunal de Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543C, do CPC, hipótese que se amolda ao caso vertente, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Assim, diante da definitividade da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência firmada nos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. Conforme razões acima expostas, também afasto a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao respectivo levantamento. 4. Autos de Infração nºs 51.045.4828 e 51.045.4844 4.a) Da cobrança de contribuição patronal incidente sobre verba paga pela empregadora relativo à programa de previdência complementar – caráter indenizatório A fiscalização constatou pagamento de plano de previdência PGBL exclusivamente aos dirigentes e conselheiros da empresa. Desta forma, considerou os valores pagos como base de cálculo para a previdência social não declarados em GFIP e não recolhidos pela empresa. Aduz a Recorrente que a natureza das verbas relativas ao programa de previdência complementar pagos a diretores e conselheiros é eminentemente indenizatória, pois visa compensar as perdas que os médicos sofrem por terem de deixar os consultórios, não devendo ser entendido como salário. A previdência social é organizada sob a forma do regime geral, de caráter contributivo e filiação obrigatória (art. 201 da Constituição Federal), ou sob o regime de previdência privada, de caráter complementar, facultativo e organizado de forma autônoma, conforme se destaca no art. 202, da Lei Maior: Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Estabeleceu ainda em seu parágrafo 2º, que as contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes dos planos, encontrandose assim desvinculada da remuneração, trazendo uma regra imunizante com relação à incidência da contribuição previdenciária, desde que não restem caracterizados como benefício em razão do trabalho, senão vejamos: § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Dentro desse contexto constitucional, foi editada a Lei Complementar 109/2001 que assim disciplinou as normas sobre os planos de previdência privada: Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Art. 12. Os planos de benefícios de entidades fechadas poderão ser instituídos por patrocinadores e instituidores, observado o disposto no art. 31 desta Lei Complementar. Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. § 2o É facultativa a adesão aos planos a que se refere o caput deste artigo. Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou Fl. 1357DF CARF MF 18 II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Com o advento da LC n° 109/2001, restou clara a diferenciação entre o regime fechado de planos, inseridos na Seção II da Lei Complementar 109/2001, através de seu artigo 16, no qual há a exigência de disponibilidade do plano para todos os empregados; e o regime aberto, em que poderão ser oferecidos para grupos de pessoas constituídos de uma ou mais categorias de empregados, conforme disposto no art. 26, inserido na Seção III do diploma legal. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 11 19 Dessa forma, por força da norma imunizante estabelecida no § 2º, art. 202 da CF, e, restando cumpridas as determinações contidas na referida Lei Complementar, as contribuições do empregador encontramse desvinculadas da remuneração dos participantes (art. 68), não incidindo tributação e contribuições de qualquer natureza sobre as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária (§ 1º do art. 69 da Lei Complementar nº 109/2001). Assim, conquanto a Lei 8.212/1991 determine que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve ser disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, para que não integrem o salário de contribuição (alínea p do § 9º do art. 28), a aparente antinomia encontra solução na aplicação integrada com a Lei Complementar nº 109/2001, conforme analisado anteriormente. Destaco ainda a decisão proferida no Acórdão nº 2402003.661 (4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) que passa a integrar a fundamentação deste Voto: Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, Fl. 1359DF CARF MF 20 eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. Do exposto, entendendo caber razão à Recorrente, pois, após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. Pelas mesmas razões acima expostas, também afasto a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao respectivo levantamento. 5. Do descumprimento de obrigação acessória relativa ao campo categoria do trabalhador Segundo a contribuinte, não procede a alegação da fiscalização de que a empresa prestou informações inexatas em GFIP com relação ao campo categoria do trabalhador. Sem razão a Recorrente. Conforme Manual da GFIP, o contribuinte individual – cooperado que presta serviços a entidade beneficente de assistência social isenta da cota patronal ou a pessoa física, por intermédio da cooperativa de trabalho devem ser informados em GFIP com a categoria 24, sendo que a empresa apresentou, para todo o período fiscalizado, a GFIP dos trabalhadores cooperados que prestam serviço para pessoas físicas com categoria “17”. As remunerações em decorrência das prestações de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional da UNIMED foram pagas diretamente pela cooperativa e não pelas pessoas naturais, ocorrendo o fato gerador do inciso III, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, a Recorrente não enquadrou de forma correta os cooperados associados na Categoria 17, devendo ser excluída a exigência do lançamento. 6) Da multa exorbitante Assevera na peça recursal que a multa ultrapassa o limite da razoabilidade, por ser exorbitante e ilegítima. O lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, motivo porque é dever de a Autoridade Lançadora aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. Ademais, a Súmula CARF nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 12 21 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares alegadas, e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria). (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1361DF CARF MF
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