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Numero do processo: 10680.003270/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 13/12/2005, 04/03/2009
MULTA REGULAMENTAR DO IPI PREVISTA NA LEI Nº 4.502/1964. PENALIDADE PREVISTA NO ARTIGO 105, INCISO X, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. DISTINÇÃO E HIPÓTESES DE APLICAÇÃO. ARTIGO 690 DO REGULAMENTO ADUANEIRO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS ESPECÍFICA.
O artigo 105, inciso X, do Decreto-Lei nº 37/1966, trouxe a mesma penalidade prevista pelo artigo 87, inciso I, da Lei do IPI, perda de mercadoria, para a mesma situação fática, qual seja, a operação de importação irregular de mercadorias. A diferença é que na Lei do IPI, a prática a ser coibida é descrita de mais forma genérica, se refere a mercadorias encontradas em qualquer situação ou lugar, enquanto que na Lei Aduaneira, a descrição é mais específica.
A teor do que dispõe o parágrafo único do artigo 690 do Regulamento Aduaneiro em vigor (Decreto nº 6.759/2009), nas hipóteses em que existir penalidade mais específica para a importação clandestina, não se aplica a penalidade da Lei do IPI, devendo ser aplicada a mais específica.
Na hipótese dos autos, de mercadoria já entregue a consumo, a mercadoria não se encontra "exposta à venda", nem "depositada" e não está em situação de "circulação comercial no país", não havendo subsunção dos fatos à norma especial, devendo ser aplicada a norma genérica contida no artigo 87, inciso I, da Lei do IPI.
Numero da decisão: 3401-003.420
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter o lançamento sobre as mercadorias entregues a consumo vinculadas aos fornecedores “Compsupri” e “Telecom”, excluindo o lançamento em relação aos demais fornecedores, vencidos o Conselheiro Robson José Bayerl, que votava por manter o lançamento ainda a mercadorias adquiridas de outros seis fornecedores relacionados expressamente no relatório de ação fiscal anexo à autuação, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, no que se refere a importações fraudulentas, por discordarem da definição de “importações fraudulentas” adotada pelo relator e entendê-la secundária às conclusões externadas no voto.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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PENALIDADE PREVISTA NO ARTIGO 105, INCISO X, DO DECRETO- LEI Nº 37/1966. DISTINÇÃO E HIPÓTESES DE APLICAÇÃO. ARTIGO 690 DO REGULAMENTO ADUANEIRO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS ESPECÍFICA. O artigo 105, inciso X, do Decreto-Lei nº 37/1966, trouxe a mesma penalidade prevista pelo artigo 87, inciso I, da Lei do IPI, perda de mercadoria, para a mesma situação fática, qual seja, a operação de importação irregular de mercadorias. A diferença é que na Lei do IPI, a prática a ser coibida é descrita de mais forma genérica, se refere a mercadorias encontradas em qualquer situação ou lugar, enquanto que na Lei Aduaneira, a descrição é mais específica. A teor do que dispõe o parágrafo único do artigo 690 do Regulamento Aduaneiro em vigor (Decreto nº 6.759/2009), nas hipóteses em que existir penalidade mais específica para a importação clandestina, não se aplica a penalidade da Lei do IPI, devendo ser aplicada a mais específica. Na hipótese dos autos, de mercadoria já entregue a consumo, a mercadoria não se encontra "exposta à venda", nem "depositada" e não está em situação de "circulação comercial no país", não havendo subsunção dos fatos à norma especial, devendo ser aplicada a norma genérica contida no artigo 87, inciso I, da Lei do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter o lançamento sobre as mercadorias entregues a consumo vinculadas aos fornecedores “Compsupri” e “Telecom”, excluindo o lançamento em Fl. 3050DF CARF MF 2 relação aos demais fornecedores, vencidos o Conselheiro Robson José Bayerl, que votava por manter o lançamento ainda a mercadorias adquiridas de outros seis fornecedores relacionados expressamente no relatório de ação fiscal anexo à autuação, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, no que se refere a importações fraudulentas, por discordarem da definição de “importações fraudulentas” adotada pelo relator e entendê-la secundária às conclusões externadas no voto. Rosaldo Trevisan - Presidente. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Andre Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de auto de infração para cobrança da denominada "multa regulamentar do IPI" prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 1 , por supostas infrações cometidas pelo contribuinte entre 13/12/2005 e 04/03/2009, descritas, de forma resumida, no item 001 do lançamento, nos seguintes termos: "001 - PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR - CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO A empresa Universe Comercio e Tecnologia Digital Ltda entregou a consumo produtos de procedência estrangeira, introduzidos clandestinamente no país, importados irregular ou fraudulentamente. O estabelecimento deu entrada através de notas de empresas nacionais de mercadorias descritas em invoices retidas no referido estabelecimento cujo comprador é a própria Universe, e posteriormente deu saída nas mesmas como pode ser comprovado pelo número de série das mercadorias nas notas fiscais emitidas pela própria Universe. Os dois principais fornecedores da Universe, as empresas Telecom e Compsupri, além de não ter feito importações e não ter adquirido mercadorias por intermédio de terceiros, não foram localizadas, apesar de várias tentativas, para esclarecer os fatos. Apenas um sócio da Compsupri foi localizado e, depois de intimado, apresentou poucas notas fiscais de empresas que já não estavam habilitadas a operar há muito tempo pelos fiscos estaduais. Localizamos nas notas fiscais 1302, 1303 e 1304 da empresa Telecom, datadas de 08/12/2006, parte da mercadoria descrita na invoice 181507590, datada de 07/11/2006. São mercadorias tão peculiares que não resta qualquer dúvida de que são as mesmas. As demais mercadorias 1 A nosso ver, a denominação usualmente adotada destoa da natureza da multa, que, em atenção do ao artigo 97, inciso V, do CTN, é veiculada por Lei, a de nº 4.502/1964. Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.051 3 da invoice devem estar nas notas anteriores ou posteriores, sendo que não possuímos as mesmas para as demais verificações". (grifos nossos) Como se verifica pela leitura do "Relatório de Ação Fiscal" de fls. 175 e seguintes, o procedimento teve início em razão da retenção pela Receita Federal do Brasil ("RFB") nos Correios, em Belo Horizonte, de diversas embalagens procedentes do exterior contendo caixas vazias de mercadorias estrangeiras endereçadas a pessoas com ligação com a contribuinte. Em diligência da Fiscalização à sede da empresa, foram encontradas diversas mercadorias de origem estrangeira (eletrônicos, material de fotografia e informática) e várias faturas comerciais (invoices) emitidas por BH Photo & Video, empresa situada em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Ao ser indagada a respeito da documentação relativa à importação, a contribuinte informou que, na realidade, não havia importado tais mercadorias, mas que as teria adquirido no mercado interno, de 2 (dois) fornecedores principais, a saber, a empresa Compsupri Informática e Telecomunicações Ltda, CNPJ 02.410.718/0001-81 e a empresa Telecom Componentes Eletrônicos Ltda, CNPJ 56.837.404/0001-99. Ocorre que a Fiscalização aponta que os documentos fiscais emitidos por essas empresas eram inidôneos e que as operações de compra e venda no mercado interno, entre a contribuinte Universe e esses 2 (dois) fornecedores, na realidade, eram simulações, consistentes em "venda de nota fiscal". Nos termos do "Relatório de Ação Fiscal", às fls. 178: "Trata-se de simulação de vendas, fato conhecido como "venda de nota fiscal". Não há transação real de mercadorias, não há compra e venda, mas apenas a cessão fraudulenta de documentário fiscal inidôneo, numa tentativa de "esquentar" mercadorias estrangeiras irregularmente ingressadas no território nacional". Com relação ao fornecedor Compsupri, a Fiscalização levantou os seguintes elementos: (i) a empresa nunca foi importadora e as empresas das quais ela teria comprado as mercadorias vendidas à contribuinte Universe (Dolphin Import Comercial Ltda., MF Comercial Distribuidora de Produtos de Informática Ltda e Brastex Eletrônica Ltda.) seriam inexistentes, pois, pela análise dos dados obtidos nos sistemas Radar da RFB e Sintegra das Secretarias de Estado da Fazenda, tais empresas estão na condição "não habilitadas", pelo menos desde 2003, portanto, nem poderiam emitir documento fiscal; (ii) em diligência realizada no endereço do imóvel da empresa, em março de 2009, as pessoas que moravam no imóvel lá localizado, afirmaram não conheciam a empresa e que lá residiam há mais de 5 (cinco) anos, logo, desde 2004, a empresa Compsupri não exercia atividade empresarial, pelo menos, a partir daquele endereço (fls. 577 e seguintes); e (iii) a empresa Compsupri vendeu mercadorias em uma quantia aproximada de R$800.000,00 (oitocentos mil reais) para a contribuinte Universe, porém, a sua receita declarada nos anos de 2006 e 2007 não somou R$30.000,00 (trinta mil reais), conforme documento de fls. 583. Além disso, é de se mencionar que a Receita Federal ainda intimou os sócios desse fornecedor, para que apresentassem documentação e informações pertinentes. Conforme se verifica às fls. 613, o primeiro sócio afirma que o segundo sócio estaria administrando a sociedade de forma indevida, dizendo que tem "chegado ao conhecimento deste informante que o [segundo sócio] tem administrado tal sociedade de forma indevida, acarretando sérios transtornos para este informante". (grifos nossos) Já com relação à fornecedora Telecom, que teria vendido um valor total de R$34.000,00 (trinta e quatro mil reais) à contribuinte Universe, a Fiscalização aponta que (i) a Fl. 3052DF CARF MF 4 empresa não possuía nenhum funcionário; e (ii) em diligências realizadas nos quatro possíveis endereços da Telecom, teria ficado demonstrado que a empresa não existe nem existiu em nenhum deles. Outro elemento relevante, que se aplica a esses dois fornecedores, é a ausência de conhecimento de transporte e de identificação de transportador nas notas fiscais. Segundo a Fiscalização, "outro ponto a ser destacado é que, apesar das inúmeras vendas para a Universe, muitas delas com curto espaço de tempo e com valores consideráveis, as mesmas não possuem conhecimento de transporte nem identificação do transportador nas notas fiscais, ou seja, os fornecedores supostamente entregavam pessoalmente porta a porta ou o interessado ia buscar as mercadorias pessoalmente. A Telecom está estabelecida na cidade de São Paulo (586 km de Belo Horizonte) e a Compsupri, na cidade de Volta Redonda (RJ) (438 km de Belo Horizonte), o que convenhamos, não é nada usual". Além dessas duas supostas fornecedores, que correspondem a aproximadamente 80% (oitenta por cento) do volume de compras da contribuinte Universe, a Fiscalização considerou inidôneas as demais compras realizadas pela autuada no período da autuação, ou seja, a totalidade das compras realizadas, tendo em vista que, segundo a Fiscalização, "relacionamos, na planilha constante do processo, todas as notas fiscais, todas incluídas no processo, desde a de número 1511, datada de 13/12/2005, até a de número 2810, datada de 04/03/2009, descrevendo as mercadorias constantes das mesmas e, de forma detalhada, expurgando as mercadorias destinadas ao funcionamento da empresa, as mercadorias com saídas para demonstrações, as devoluções de mercadoria e as mercadorias, mesmo de origem estrangeira, cuja origem pode ser comprovada. As demais mercadorias foram consideradas sem origem legal". (fls. 184 dos autos) A Fiscalização ainda listou outras 8 (oito) principais fornecedores da contribuinte, afirmando que apenas uma delas, a Notebook Company, teve alguns registros de empregados com certa continuidade. Com relação aos fiscos estaduais, a empresa WZ-1000 já estava na condição de "não habilitada" quando efetuou vendas à contribuinte e as demais foram adquirindo esta condição ao longo dos anos, o que seria um forte indício de terem sido usadas apenas para dar entrada em mercadorias descaminhadas. Essas, em suma, as constatações do "Relatório de Ação Fiscal" de fls. 175 e seguintes que fundamenta o Auto de Infração lavrado contra a contribuinte Universe, para a cobrança da "multa regulamentar do IPI", calculada sobre todas as mercadorias que a contribuinte deu saída no período fiscalizado, com exceção das expurgadas conforme mencionado acima. Após a ciência dos lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada totalmente improcedente pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 11/09/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 13/12/2005 a 04/03/2009 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Quando distintos os objetos da ação judicial e do processo administrativo, há de ser conhecida a impugnação, devendo o processo ter prosseguimento normal. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.052 5 IMPORTAÇÃO IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. MULTA IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, os que entreguem a consumo ou possuam no estabelecimento produto de procedência estrangeira do qual não seja apresentada prova da importação regular". Dessa decisão, a contribuinte Universe, ora Recorrente, foi cientificada no dia 27/10/2014, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 3026 dos autos, e interpôs tempestivo Recurso Voluntário no dia 26/11/2014, conforme documento de fls. 3029, no qual apresentou as seguintes alegações contra o lançamento realizado: (i) a penalidade aplicada seria inadequada, considerando que autuação anterior (processo nº 10680.001338/2009-77) partiu das mesmas acusações, mas naquele caso foi aplicada a pena de perdimento prevista no artigo 105, inciso X, do Decreto nº 37/1966; (ii) inexistiria prova da infração, pois, segundo a Recorrente, a Fiscalização "teria que confrontar o estoque inicial, todas as entradas e as saídas de mercadorias e identificar as mercadorias importadas"; e (iii) a Recorrente teria realizado as aquisições no mercado interno de empresas existentes de fato. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A controvérsia existente nos autos do processo em julgamento diz respeito às atividades de comércio de mercadorias (eletrônicos, material de fotografia e informática) desempenhadas pela Recorrente. Para a Fiscalização, a Recorrente adquire de exportador localizado nos Estados Unidos mercadorias, de forma clandestina, ou seja, sem submeter as operações de importação ao controle aduaneiro e ao pagamento dos tributos incidentes, a partir do envio nos Estados Unidos e recebimento aqui no país, pela Recorrente, de correspondências que contém, em separado, as mercadorias, as embalagens e os itens a ela relacionados, como manual, acessórios etc. De posse dessas mercadorias, a Recorrente simularia operações de compra e venda no mercado interno, pela aquisição de notas fiscais dessa natureza junto a empresas inexistentes de fato. Com a documentação de aquisição interna de tais mercadorias, comercializaria esses bens anteriormente introduzidos clandestinamente no país. Fl. 3054DF CARF MF 6 Para a Recorrente, não ocorreu qualquer introdução clandestina de mercadorias no país por parte dela, que adquiria todas as mercadorias no mercado interno e posteriormente as revendia também no mercado interno. Diante disso, duas questões são colocadas à apreciação desse Colegiado: (i) a hipótese de incidência da penalidade ordinariamente chamada de "multa regulamentar do IPI", que é aquela prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 e se foi corretamente aplicada no presente caso; e (ii) a questão de prova quanto à natureza das operações realizadas pela Recorrente. É o que se examinará a seguir. Da multa regulamentar do IPI prevista na Lei nº 4.502/1964 frente às penalidades previstas no artigo 105, do Decreto-Lei nº 37/1966 As penalidades referentes às operações de importação estão previstas, em sua grande maioria, no Decreto Lei nº 37/1966, que trata do Imposto de Importação e de outras matérias aduaneiras, mas também no Decreto nº 1.455/1976, que traz em seu artigo 23 as infrações que se caracterizam como "dano ao erário", e na Lei do Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI"), Lei nº 4.502/1964. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 37/1966, "a jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro, e abrange: I - zona primária - compreendendo as faixas internas de portos e aeroportos, recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como outras áreas nos quais se efetuem operações de carga e descarga de mercadoria, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados; II - zona secundária - compreendendo a parte restante do território nacional, nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente". Logo, temos que a apuração de infrações por descumprimento às medidas de controle estabelecidas pela legislação aduaneira poderá ser realizada tanto na zona primária quanto na zona secundária. Além disso, para a correta compreensão e aplicação das penalidades previstas, impende-se observar que a operação de importação pode se dar de forma regular, quando a mercadoria é devidamente submetida a despacho aduaneiro de importação e, nesse sentido, a todos os controle aduaneiros e, se for o caso, ao pagamento de tributos, ou de forma irregular, quando a mercadoria ingressa no território aduaneiro a margem de qualquer controle, seja porque o proprietário ou detentor da mercadoria promove a sua entrada no território nacional em ponto no qual inexiste qualquer autoridade de controle (como, por exemplo, por uma estrada vicinal ou picada no meio da vegetação da fronteira terrestre que sabe inexistir controle aduaneiro), seja porque a mercadoria passa fisicamente por local onde existe controle aduaneiro, como um porto ou aeroporto, porém, é ingressada de forma oculta, por exemplo, por acondicionamento em fundo falso para burla de sistemas de controles. Entretanto, não é só na importação de forma irregular que ocorre a prática de uma conduta contrária à Legislação. Práticas contrárias também podem ocorrer em uma operação regular, no curso de um despacho aduaneiro ou em relação a mercadorias devidamente sujeitas ao controle aduaneiro, por exemplo, em hipóteses de subfaturamento ou de interposição fraudulenta. Por isso, a legislação prevê penalidades tanto para práticas relacionadas à operação de importação regular quanto para a irregular. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.053 7 Como a fiscalização para combater a operação de importação irregular é mais eficaz na zona secundária, onde é possível se encontrar nos estabelecimentos fiscalizados mercadorias sem prova da importação regular em estoques, expostas à venda ou sendo vendidas, os principais instrumentos disponíveis à Fiscalização para a repressão do ingresso clandestino de mercadorias se encontram na Lei do IPI (Lei nº 4.502/1964). O artigo 87, inciso I, da Lei do IPI, determina a pena de perda da mercadoria introduzida de forma clandestina no território nacional, nos seguintes termos: "Art . 87. Incorre na pena de perda da mercadoria o proprietário de produtos de procedência estrangeira, encontrados fora da zona fiscal aduaneira, em qualquer situação ou lugar, nos seguintes casos: I - quando o produto, tributado ou não, tiver sido introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente". Caso a Fiscalização se realize em momento posterior e a mercadoria já tenha sido movimentada no ciclo do comércio para frente, em direção ao consumidor, a penalidade é a do artigo 83, inciso I, da Lei do IPI, equivalente ao valor comercial da mercadoria, nos termos a seguir: "Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I - Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota-fiscal, conforme o caso". Destaque-se ainda o artigo 102 da Lei do IPI, que determina: "Art . 102. As mercadorias de procedência estrangeira encontradas nas condições previstas no artigo 87 e nos seus incisos I, II e III, serão apreendidas, intimando-se imediatamente, o seu proprietário, possuidor ou detentor a apresentar, no prazo de 24 horas, os documentos comprobatórios de sua entrada legal no país (...), lavrando-se de tudo os necessários têrmos". (grifos nossos) Como se verifica, a apreensão da mercadoria suspeita de ter sido introduzida de forma clandestina no país se mantém, seguindo os trâmites necessários até a perda da mercadoria, caso o proprietário, possuidor ou detentor da mercadoria seja incapaz de apresentar a documentação comprobatória da importação regular da mesma. A contrariu sensu, a meu ver, na apresentação da documentação que comprove que a mercadoria se sujeitou a todos os controles aduaneiros, a apreensão deve ser levantada e as mercadorias liberadas. Com isso, entendo que o dispositivo indica que os instrumentos disponíveis na Lei do IPI se destinam às hipóteses de operações de importação realizadas a margem do controle aduaneiro, de forma irregular, e não a eventuais irregularidades ocorridas no curso do despacho aduaneiro ou em relação a mercadorias submetidas ao controle aduaneiro, que têm punição específica na Legislação, como se verificará a seguir. Logo, quando a Lei do IPI prevê cominação de penalidade e multa para "importação fraudulenta", isso não significa que a penalidade e a multa se destinam a qualquer caso de fraude na operação de importação, mas que a penalidade do artigo 87, inciso I, e a multa do artigo 83, inciso I, da Lei do IPI devem ser aplicadas exclusivamente às operações de importação irregular, assim entendidas como aquelas realizadas a margem do controle aduaneiro, de forma clandestina, sem passar pela alfândega, ou de forma fraudulenta, passando fisicamente pela alfândega, mas a margem do controle aduaneiro. Fl. 3056DF CARF MF 8 Por outro lado, os instrumentos de combate às práticas ilegais nas operações de importação realizadas de forma regular, ou seja, aquelas que dizem respeito ao curso do processo de despacho aduaneiro ou às mercadorias importadas que passaram por controle aduaneiro, estão contidas no Decreto Lei nº 37/1966 e no Decreto nº 1.455/1976, que em seu artigo 23 prevê as infrações que se caracterizam como dano ao erário. Mas não exclusivamente. Também constam no Decreto Lei nº 37/1966 penalidades que se destinam a combater a operação de importação realizada a margem do controle aduaneiro, como as que estão previstas no artigo 105, incisos X e XVIII, a seguir transcritas: "Art.105 - Aplica-se a pena de perda da mercadoria: (...) X- estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; (...) XVIII - estrangeira, acondicionada sob fundo falso, ou de qualquer modo oculta;" Como se verifica, esses dispositivos trouxeram a mesma penalidade prevista pelo artigo 87, inciso I, da Lei do IPI, perda de mercadoria, para a mesma situação fática, qual seja, a operação de importação irregular de mercadorias no território aduaneiro. A diferença é que na Lei do IPI, a prática a ser coibida é descrita de mais forma genérica, se refere a mercadorias encontradas em qualquer situação ou lugar, apesar de apenas aquelas fora da zona fiscal aduaneira ou na zona secundária, enquanto que na Lei Aduaneira, a descrição é mais específica. Assim, a teor do que dispõe o parágrafo único do artigo 690 do Regulamento Aduaneiro em vigor (Decreto nº 6.759/2009) 2 , nas hipóteses em que existir penalidade mais específica para a importação clandestina, não se aplica a penalidade da Lei do IPI, devendo ser aplicada a mais específica. No presente caso, foi aplicada a multa prevista no artigo 83, inciso I, da Lei do IPI, que condiz perfeitamente com a narrativa estabelecida na fundamentação do Auto de Infração, de que teria ocorrido uma importação clandestina de mercadorias eletrônicas. A seu turno, a Recorrente defende a inaplicabilidade dessa multa ao caso. Segundo a Recorrente, em autuação anterior (processo nº 10680.001338/2009-77), a Fiscalização partiu das mesmas acusações para, ao cabo, aplicar a pena de perdimento prevista no artigo 105, inciso X, do Decreto nº 37/1966, infração que se caracteriza como "dano ao erário". Assim, configurada uma situação que se caracteriza como "dano ao erário", a penalidade correta seria a cominação de multa substitutiva da pena de perdimento prevista no Decreto-Lei nº 1.455/1976, artigo 23, e não a multa prevista na Lei do IPI. Não assiste razão à Recorrente. Primeiro, porque a penalidade foi aplicada corretamente tanto na autuação anterior quanto na presente autuação. 2 Art. 690. Aplica-se ainda a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 87, inciso I). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.054 9 No "Relatório de Ação Fiscal", fls. 184, é possível verificar a motivação e a penalidade referente a cada autuação: "O que foi relatado até agora foi encaminhado no processo de perdimento das mercadorias encontradas no referido estabelecimento e aqui foi colocado como inicial deste processo de multa. O que exporemos a seguir servirá, conjuntamente com o fundamentado para o perdimento, para a aplicação da multa referente a entrega ao consumo de mercadorias de origem estrangeira sem comprovação de sua entrada regular no território brasileiro". Com isso, a meu ver, está correta, no processo anterior, a aplicação da perda da mercadoria, com fundamento no artigo 105, inciso X, do Decreto-Lei nº 37/1966, tendo em vista a perfeita subsunção do fato à norma, levando-se em consideração que a mercadoria encontrada no estabelecimento da Recorrente se tratava de "mercadoria estrangeira (...) depositada" desprovida de "prova de sua importação regular", devendo ser aplicada a penalidade prevista na norma especial, em detrimento da norma genérica contida no artigo 87, inciso I, da Lei do IPI. Já no presente processo, não caberia a conversão da perda de mercadoria prevista no artigo 105, inciso X, do Decreto-Lei nº 37/1966, em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, por força do artigo 23, inciso IV, parágrafos 1º e 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976 3 , por ausência de subsunção dos fatos à norma especial prevista no artigo 105, inciso X, do Decreto-Lei nº 37/1966. A multa foi aplicada em razão de as mercadorias terem sido entregues à consumo. Pela fundamentação da autuação, não é hipótese de mercadoria "exposta à venda", nem de mercadoria "depositada", pois, em relação a essas últimas a penalidade foi aplicada em processo apartado. Por último, as mercadorias também não foram encontradas em situação de "circulação comercial no país", pois a entrega à consumo encerra o ciclo comercial, retirando aquela mercadoria do comércio. Dessa forma, não havendo enquadramento dos fatos em nenhuma das hipóteses específicas previstas no Decreto-Lei nº 37/1966, correto o enquadramento e aplicação da penalidade com base na norma genérica e subsidiária prevista na Lei do IPI, para os casos de importação irregular, realizada de forma clandestina, a margem do controle aduaneiro. Segundo, a fundamentação porventura contida e a penalidade aplicada em outro lançamento, estando correta ou não, de forma alguma, vincularia ou produziria efeitos no julgamento do lançamento ora analisado. A fundamentação desenvolvida na autuação que ensejou pena de perdimento diz respeito única e exclusivamente àquela autuação. Na presente autuação, é verdade que existem algumas passagens em que se menciona o dano ao erário, mas tais citações não tem o condão de levar a conclusão de que deveria ter sido aplicada uma penalidade caracterizada como dano ao erário ao presente caso. Na realidade, toda a fundamentação da presente autuação é desenvolvida para apresentar a tese acusatória de que houve uma importação clandestina, não existindo na fundamentação a 3 Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV - enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decreto- lei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3058DF CARF MF 10 qualificação dos fatos em nenhuma das hipóteses específicas que tratam de infrações que se caracterizam como dano ao erário. Pelo exposto, entendo que a multa foi corretamente aplicada no lançamento que ora se analisa, motivo pelo qual não merece prosperar a alegação da Recorrente nesse ponto. Da natureza das operações realizadas pela Recorrente Inicialmente, a Recorrente afirma que não haveria comprovação da existência da infração, por não ter a Fiscalização auditado o estoque da Recorrente e por não ter analisado as notas fiscais de entrada anteriores a 2006, o que teria levado, segundo a Recorrente, a uma presunção de que todas as mercadorias são estrangeiras e que foram internalizadas de maneira irregular. Essa alegação foi rejeitada pela decisão recorrida, que entendeu que o conjunto probatório levantado na Fiscalização era suficiente para as conclusões a que se chegou, nos seguintes termos: "A fiscalização autuou a Universe com base em documentos encontrados na empresa e em salas cuja existência até então era desconhecida dos órgãos públicos, não havendo razão para a alegação de que a intimação posterior se deu apenas em relação a fatos ocorridos a partir de 2006. Se a impugnante possuía notas fiscais, ou quaisquer outros documentos, que comprovassem a sua não participação na infração, deveria ter apresentado em resposta à intimação formulada, independentemente de ter sido exigido pela fiscalização, ou mesmo neste momento, como forma de impugnação. Alegar como matéria de defesa este fato sugere fortemente a violação ao princípio de que a ninguém é dado se valer da própria torpeza. A impugnante insistentemente tenta reduzir a fiscalização a uma auditoria de estoque, onde seria realizado simplesmente o batimento entre entradas e saídas a fim de se verificar possíveis irregularidades quanto ao saldo de mercadorias existentes em estoque, tentando desviar o foco para algo que lhe seria mais cômodo de justificar. Todos os lançamentos fiscais realizados pela fiscalização em face da empresa estão lastreados em provas documentais colhidas na sede da empresa e nos locais descobertos a posteriori". Realmente, a crítica à metodologia adotada pela Fiscalização não procede. A Recorrente tenta jogar dúvidas no método utilizado pela Fiscalização, afirmando que a ausência de análise do estoque e de notas fiscais anteriores à autuação afastaria a conclusão de que todas as mercadorias a que a Recorrente deu saída no período autuado teriam sido importadas fraudulentamente. Porém, não existe um único método de fiscalização que seja capaz de comprovar a importação irregular. Existem vários métodos de trabalho para a Fiscalização levantar informações e documentos que, ao final, constituam elementos suficientes para que, de maneira isolada ou em conjunto, sirvam como fundamento da acusação de que houve a importação irregular. No presente caso, a Fiscalização levantou um conjunto probatório robusto que sustenta a maior parte da multa aplicada. Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.055 11 A Fiscalização concluiu que todas as aquisições da Recorrente se deram a partir de empresas inexistentes de fato e aplicou a multa em relação a todas as mercadorias revendidas no período. Com relação às principais fornecedoras da Recorrente, Compsupri e Telecom, acredito que a Fiscalização foi capaz de fundamentar a conclusão a que chegou - de que as empresas não realizaram compra e venda de eletrônicos, material de fotografia e informática com a Recorrente e que houve apenas uma cessão fraudulenta de notas fiscais - pelo conjunto de elementos levantados durante a ação fiscal. Como já relatado, na primeira fornecedora, Compsupri, foram colhidos os seguintes elementos: (i) a empresa nunca foi importadora e as empresas das quais ela teria comprado as mercadorias vendidas à contribuinte Universe (Dolphin Import Comercial Ltda., MF Comercial Distribuidora de Produtos de Informática Ltda e Brastex Eletrônica Ltda.) eram inexistentes, pois, pela análise dos dados obtidos nos sistemas Radar da RFB e Sintegra das Secretarias de Estado da Fazenda, tais empresas estão na condição "não habilitadas", pelo menos desde 2003, portanto, nem poderiam emitir documento fiscal; (ii) em diligência realizada no endereço do imóvel da empresa, em março de 2009, as pessoas que moravam no imóvel lá localizado, afirmaram não conheciam a empresa e que lá residiam há mais de 5 (cinco) anos, logo, desde 2004, a empresa Compsupri não exercia atividade empresarial, pelo menos, a partir daquele endereço (fls. 577 e seguintes); e (iii) a empresa Compsupri vendeu mercadorias em uma quantia aproximada de R$800.000,00 (oitocentos mil reais) para a contribuinte Universe, porém, a sua receita declarada nos anos de 2006 e 2007 não soma R$30.000,00 (trinta mil reais), conforme documento de fls. 583. Além disso, o próprio sócio dessa empresa, em resposta a intimação da Fiscalização, afirmou que a "o [outro sócio] tem administrado tal sociedade de forma indevida". Já com relação à fornecedora Telecom, a Fiscalização realizou diligência física nos quatro possíveis endereços da empresa e demonstrou que a empresa não existe nem existiu em nenhum deles. Entretanto, com relação aos demais fornecedores, as poucas informações trazidas pela Fiscalização não permitem a mesma conclusão. A Fiscalização apresenta apenas um único indício, ao afirmar que a empresa WZ-1000 já estava na condição de "não habilitada" quando efetuou vendas à Recorrente e as demais foram adquirindo esta condição ao longo dos anos. Assim, pretende a Fiscalização enquadrar a totalidade das operações no modus operandi revelado pela investigação realizada nas duas principais fornecedoras, o que, no meu entendimento, não é possível, merecendo essa parte da autuação ser cancelada, por deficiência de fundamentação e prova, o que desde já se reconhece. Portanto, em relação à maioria das operações que foram alvo da multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, a Fiscalização fez prova dos motivos para a aplicação da penalidade, restando atendido perfeitamente ao artigo 142 do CTN. Se o método utilizado não é capaz de provar a acusação que é feita, como argumenta a Recorrente, caberia à Recorrente não apenas tecer críticas genéricas à forma de trabalho adotada pela Fiscalização, mas demonstrar a falha do método adotado. Se o método não é capaz de dar a certeza de que todas as mercadorias a que a Recorrente deu saída eram importadas, deveria a Recorrente apresentar, ao menos, uma mercadoria de origem nacional que porventura tenha sido objeto da autuação. Se a ausência de Fl. 3060DF CARF MF 12 análise de estoque enfraquece a tese acusatória, caberia à Recorrente apresentar, ao menos, uma mercadoria que porventura tenha sido adquirida antes do período analisado e, portanto, não poderia ter ser incluída dentre aquelas adquiridas de empresas inexistentes de fato, por documentação inidônea. Contudo, a Recorrente se limitou a tecer críticas genéricas ao método, sem demonstrar no caso concreto a deficiência do método adotado, motivo pelo qual não merece prosperar essa alegação. A Recorrente ainda defende que teria realizado as aquisições no mercado interno de empresas existentes de fato e, dessa maneira, não poderia prosperar a acusação de ter realizado operações de importação clandestina de eletrônicos. Contra a acusação de que todas as operações da Recorrente teriam se dado com empresas inexistentes, a Recorrente afirma que, com relação a Compsupri e Telecom, existiam notas fiscais acobertando a operação e comprovante de pagamentos/depósitos bancários. Além disso, a corroborar a regularidade das operações realizadas com tais empresas, em relação a Compsupri, a Recorrente afirma que "(i) possuía CND da Fazenda Nacional (fl. 2879), (ii) estava em dia com o FGTS (fl. 2880), (iii) encontrava-se regular perante o Cadastro de Contribuintes de ICMS do Estado do Rio de Janeiro (fl. 2881), (iv) tinha histórico invejável na SERASA (fl. 2882/2885), (v) possuía cadastro válido no SICAF do Governo Federal (fls. 2886/2888) e (vi) era fornecedora de diversos órgãos públicos, autarquias e fundações (fls. 2839/2878)" (fls. 3039)". Já em relação à Telecom, afirma a Recorrente que a empresa também seria fornecedora da FIAT. Apesar de tais alegações, a Recorrente não consegue afastar a constatação de que as fornecedores em questão são inexistentes de fato e de que houve apenas compra de notas fiscais, deixando de demonstrar a efetiva ocorrência de uma compra e venda de mercadoria. A Recorrente afirma que possui os comprovantes do pagamentos das operações de compra e venda. Ocorre que, da análise dos recibos emitidos pelo fornecedor que constam nos autos e dos comprovantes de pagamento, verifica-se que: (i) os recibos indicam que parte do pagamento era feita pela rede bancária, não havendo informação da forma de quitação do restante; (ii) os valores dos comprovantes nunca coincidem com o valor de uma nota fiscal ou com o somatório de notas fiscais; (iii) grande parte dos comprovantes se refere a depósitos em conta corrente em dinheiro, não sendo possível identificar que a Recorrente é a responsável pelo depósito; e (iv) na menor parte, os comprovantes se referem a depósito em conta corrente de cheque, não sendo apresentada documentação adicional identificando o emitente do cheque. Dessa maneira, a meu ver, os comprovantes não são suficientes para comprovar a ocorrência de compra e venda de mercadoria entre a Recorrente e seus fornecedores. Não há qualquer explicação ou justificativa para o pagamento ter sido efetivado em diversas parcelas e nos montantes em que são pagos, sempre diferentes do valor de uma nota fiscal ou do somatório de notas fiscais. Sem a identificação do depositante e sem qualquer justificativa, parecem pagamentos realizados nas contas do fornecedor que não guardam relação com a emissão das notas fiscais. Além disso, a Recorrente não explica porque apenas parte dos pagamentos era realizada pela rede bancária, não havendo maiores informações a respeito do restante do Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 10680.003270/2010-02 Acórdão n.º 3401-003.420 S3-C4T1 Fl. 3.056 13 preço que não é comprovado, se foi pago em espécie, se não foi pago. Na hipótese de ter ocorrido pagamento em espécie, caberia uma explicação sobre a forma de pagamento adotada pelas partes, ainda mais levando em consideração a distância de mais de 400 (quatrocentos) quilômetros entre a Recorrente, localizada em Belo Horizonte - MG, e a fornecedora, localizada em Volta Redonda - RJ. A Recorrente também não informa como seria a relação comercial entre ela e suas fornecedoras, no que diz respeito à entrega das mercadorias. Nas notas fiscais, não há qualquer indicação de empresa transportadora, o que colabora para a tese acusatória de que não houve compra e venda de mercadoria. Quanto a esse fato, a Recorrente não trouxe qualquer explicação. Outro elemento que não foi devidamente afastado pela Recorrente diz respeito à apreensão de invoices em nome da Recorrente emitidas pela empresa americana que vende mercadorias eletrônicas. A Recorrente trouxe aos autos declaração da empresa americana, na qual está escrito: "A quem possa interessar Universe Imp. Exp. Rep. Ltda. está em nossa lista de clientes, vendas foram feitas nessa conta em anos anteriores, entretanto, nós não mantemos ou tivemos quaisquer relações com qualquer representante, empregado ou gerentes da companhia, especialmente Sr. Ataíde Vaz ou Domingos Vaz". E também da suposta fornecedora, que afirma: "Relativamente à dúvida de V. Sas. do porquê da indicação do nome da Universe/sócios em invoices emitidas pela BH Photo & Video, informamos que a Compsupri costuma pedir a seus fornecedores que enviem os produtos com identificação do nosso cliente (nesse caso, a Universe) para facilitar a separação e entrega dos mesmos. Com isso, os lotes recebidos são rapidamente reenviados, devidamente acobertados por nota fiscal de emissão da Compsupri. É o que tínhamos a esclarecer". A informação prestada pela empresa americana, longe de ajudar a Recorrente em sua defesa, corrobora a acusação feita pela Fiscalização de que teria ocorrido a importação clandestina. Se a Recorrente é cliente de uma vendedora de eletrônicos no exterior, como declarado pela empresa americana, e é encontrado equipamento com origem no exterior em sua sede, haveria de existir documentação comprobatória de sua regular importação pela Recorrente. Se a importação tivesse sido feita pela Compusupri, como alega a Recorrente, a cliente da BH Photo & Video seria a própria Compsupri e não a Recorrente, como declarado. Em resumo, a declaração da BH Photo & Video só vem a corroborar a tese que lastreia o lançamento. A explicação da fornecedora também não se sustenta, frente à prova dos autos. Como afirma a própria defesa às fls. 3041 ("Quem é cliente da BH Photo e Video é a Compsupri e não a Universe"), a Compsupri é que seria a cliente da BH Photo & Video, mas pediria que a mesma emitisse uma invoice em nome da Recorrente como forma de agilizar a separação e entrega das mercadorias. Fl. 3062DF CARF MF 14 Nesse caso, a Compsupri seria a importadora e teria todos os documentos que comprovam a importação regular. Porém, intimada a apresentar as notas fiscais de aquisição, a Compsupri forneceu apenas notas fiscais de fornecedores locais, todos inexistentes de fato, não apresentando nenhum documento relacionado a operações de importação. Dessa maneira, penso que a prova dos autos sustenta a aplicação da penalidade relacionada às mercadorias vinculadas às fornecedoras Compsupri e Telecom, que não foi afastada pelos argumentos trazidos pela Recorrente. Entretanto, com relação aos demais fornecedores, penso que não cabe a aplicação sobre as mercadorias a eles vinculadas, por deficiência na fundamentação do lançamento. Por essas razões, proponho que esse Colegiado conheça o recurso voluntário interposto e lhe dê parcial provimento, para manter o lançamento sobre as mercadorias entregues a consumo vinculadas aos fornecedores Compsupri e Telecom, excluindo a parte do lançamento que se refere aos demais fornecedores. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator Fl. 3063DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.023475/99-67
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/05/1990 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE n° 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4°, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9100-000.868
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Valmar Fonsêca de Menezes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/1990 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE n° 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4°, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Recurso Extraordinário Negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/1990 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE n° 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4°, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 02 34 75 /9 9- 67 Fl. 448DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 942 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Trata o presente processo de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, conforme despacho de admissibilidade, nos autos, tratando exclusivamente do prazo prescricional para restituição de tributos recolhidos a maior. É o relatório, no que interessa à solução do processo. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Fl. 449DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 943 3 Adoto, por oportuno e suficiente, o voto do eminente conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, ao qual quero registrar as minhas homenagens, como razões de decidir. Passa a fazer parte, pois, a transcrição literal do acórdão de no. Processo n° 13891.000074/0000 (Acórdão no. 9900000.736), a seguir, in verbis: “0 recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4°do artigo 162, nos seguintes casos: 1 cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 450DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 944 4 5. nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3° da LC. n° 118, de 2005) 6. na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC n° 118/2005, cujos artigos 3° e 4° alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC n° 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei." (Lei n° 5.172/1966 CTN) Fl. 451DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 945 5 Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC n° 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE n° 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 452DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 946 6 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n° 1.269.570MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 /PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3°, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005.INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N°. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N°. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4° com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1a Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. Fl. 453DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 947 7 7. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n°. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 8. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC n° 118/2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: "TRIBUTÁRIO.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, Fl. 454DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 948 8 contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SCpara aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 172/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 9. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE Fl. 455DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 949 9 em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 10. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido." (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF n° 586, de 21/12/2010DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4° com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). (...) É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz” No presente caso, o pedido foi protocolizado em 20/12/1999, ou seja, anterior à data de 09/06/2005, e os fatos geradores se situam entre 04/90 a 11/95 ( relatório fl 259). Logo, diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 456DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.023475/9967 Acórdão n.º 9100000.868 CSRFPL Fl. 950 10 Valmar Fonseca de Menezes Fl. 457DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0317.10514.ZXF5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015 18:09:00. Documento autenticado digitalmente por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 03/08/2015 e VALMAR FONSECA DE MENEZES em 31/07/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/03/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0317.10514.ZXF5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 101660234759967. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16004.000725/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 9202-005.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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C. LTDA E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 25 /2 00 9- 44 Fl. 1792DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de o Auto de Infração para exigência da contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre o valor da aquisição da produção rural (animais para abate) de pessoas físicas, descontadas dos produtores rurais. Conforme o Relatório Fiscal, foi identificada suposta organização criminosa com o objetivo de fraudar a administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado “Grupo Itarumã”, do qual fazia parte a autuada. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401002.819 (fls. 1.655 a 1.670), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.793 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado. Recurso Voluntário Provido" A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 1º/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 16.754, do processo nº 16004.000722/200919, à época apensado ao presente processo) e, em 06/03/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.671 a 1.690 (Despacho de Encaminhamento de fls. 16.775, do processo nº 16004.000722/200919), visando rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 552/2013, de 15/05/2013 (fls. 1.691 a 1.695). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: em primeiro lugar, cabe apontar que o lançamento foi efetuado com lastro na Lei nº 10.256, de 09/07/2001 (DOU de 10/07/2001), conforme aponta o Relatório Fiscal e o anexo Fundamentos Legais do Débito FLD; o deslinde da controvérsia passa pela correta interpretação do alcance da proferida pelo Plenário do STF no RE n.º 363.852/MG, cujo trânsito em julgado se operou em 06/05/2011; feitas essas considerações iniciais, cumpre transcrever o acórdão da Suprema Corte que balizou o entendimento da decisão hostilizada: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do Fl. 1794DF CARF MF 4 extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações." (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; no RE nº 363.852/MG, a Suprema Corte se debruçou sobre a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física com empregados (Lei 8.212, de 1991, art. 12, V, letra “a”), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991 – redação dada pelas Leis nº 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997). importante registrar que o RE acima tem origem no MSG n.º 1998.38.00.0339353, impetrado perante a 16ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 27/08/1998, cuja causa de pedir foram as Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, então vigentes à época da impetração; o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212, de1991, com redação dada pelas Leis n.º 8.540, de 1992 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.794 5 previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do § 4º, do art. 195, da Carta Política; portanto, como a Lei nº 8.540, de1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição tudo na forma do pedido inicial (...)"; essa ressalva foi reiterada pelo Relator Ministro Marco Aurélio, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, que, embora não tenha acolhido os aclaratórios, afirmou o seguinte: “O Plenário defrontouse com processo subjetivo e, em acórdão que contém fundamentação minuciosa, acabou por acolher pedido formulado na inicial de mandado de segurança. Assim o fez com as cautelas próprias, ou seja, assentando, após a declaração de inconstitucionalidade de preceitos, o direito da impetrante de não ser compelida à retenção do recolhimento de contribuição social ou do recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos rurais de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate até que legislação nova baseada na Emenda Constitucional nº 20/98 venha instituir a contribuição”. (Destaque nosso) o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 conferida pela Lei nº 8.540, de 1992; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; Fl. 1796DF CARF MF 6 isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; com efeito, após o julgamento do RE 363.852/MG, diversos contribuintes passaram a sustentar que é inconstitucional a contribuição sobre o total da produção do empregador rural pessoa física até os dias atuais, sem considerar a existência da Lei n.º 10.256/2001, editada sob a vigência da EC 20/98; outros, ainda, passaram alegar que mesmo após a edição desse diploma legal, a cobrança da contribuição seria indevida pelo fato de ter sido alterado somente o caput do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, mantida a redação dos incisos e do art. 30, IV, da LCPS, conferida pelas Leis declaradas inconstitucionais pelo STF; acerca desses fundamentos, cabe tecer as seguintes considerações, a saber, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis n.º 8.540/92 e 9528/97, previa duas espécies de contribuição previdenciária incidente sobre a receita da comercialização da produção: a) contribuição devida pelo empregador rural pessoa física; b) a contribuição do segurado especial; a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandando de segurança nº 1998.38.00.0339353, gênese do RE n.º 363.852/MG. nesse sentido, interpretase que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 foi apenas parcial, nada afetando a contribuição do segurado especial, que tem previsão constitucional no art. 195, §8º da CF; em termos claros: a decisão proferida pelo STF só abrange o produtor rural empregador; logo, retomando o raciocínio anterior: se o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, com redação dada pelas Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí considerando que a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do §4º do art. 195, da Carta Política, esse mesmo fundamento não poderia ser aplicado ao segurado especial cuja previsão para incidência de contribuição social sobre o resultado da comercialização da produção tem assento constitucional específico no artigo 195, § 8º; ao longo de todo o julgamento do RE ficou explicitado que a instituição de contribuição sobre o total da produção somente seria constitucional em relação ao segurado especial, que atua em regime familiar, nos termos do art. 195, § 8º, da CF: “Vale frisar que, no artigo 195, temse contemplada situação única em que o produtor rural contribui para a seguridade social mediante a aplicação de alíquota sobre o resultado de comercialização de produção, ante o disposto no § 8º do citado artigo 195 – a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro, meeiro e arrendatários rurais e pescador artesanal bem como Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.795 7 dos respectivos cônjuges que exerçam atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, dáse a contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção. A razão do preceito é única, não se ter, quanto aos neles referidos, a base para a contribuição estabelecida na alínea “a” do inciso I do artigo 195 da Carta, isto é, a folha de salários. Daí a cláusula contida no § 8º em análise “... em empregados permanentes...”. (Min. Marco Aurélio, fl. 1888) “De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição – a folha de salários – a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção” (Min. Marco Aurélio, fl. 1889) “Ora ,a contribuição sobre o resultado da comercialização da produção rural do art. 195, § 8º, existe precisamente porque seu destinatário – o produtor rural sem empregados permanentes – não pode, é obvio, contribuir sobre folha de salários, faturamento ou receita, já que não dispõe de empregados, nem é pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada. Logo, é imediata a conclusão de que o sujeito passivo objeto pela parte inicial do art. 25 não se enquadra na exceção do art. 195, § 8º, reservada, em caráter exclusivo, ao segurado especial, que recebe proteção constitucional em vista de sua vulnerabilidade socioeconômica. Não entrando na exceção do art. 195, §8º, subsumese o empregador rural pessoa física à regra geral o art. 195, I, que estabelece a contribuição social devida pelo empregador sobre diferentes base de cálculo, notadamente a folha de salários – dentre os quais não se encontra, está claro, o “resultado” ou a “receita bruta proveniente da comercialização de sua produção” (Min. Cezar Peluso, fl. 19141915). no sentido da validade da contribuição previdenciária exigida do segurado especial, aliás, já decidiu a 1ª Turma do TRF da 4ª Região, nos autos AI nº 002893818.2008.404.7100/RS, transcrevese trecho do voto do Relator (Des. Joel Ilan Paciornik): “Necessário, antes de prosseguir, um esclarecimento. O julgado acima levava em conta redações já revogadas da Lei 8.212/1991. Isso porque, conforme se explicará adiante, não se pode considerar indevida a contribuição prevista no artigo 25, I, da Lei 8.212/91, relativamente ao segurado especial, definido no inciso VII do artigo 12 da Lei 8.212/91. (…) Pois bem, não há dúvidas de que a decisão proferida no RE n.° 363.852 declarou a inconstitucionalidade da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em relação aos produtores rurais que não se Fl. 1798DF CARF MF 8 amoldem à categoria dos segurados especiais, visto que o aludido recurso extraordinário foi interposto por pessoa jurídica adquirente de produtos cujos fornecedores eram pessoas físicas empregadoras.” (…) De se notar que o parágrafo 8º do artigo 195 da Constituição define base de cálculo para contribuição previdenciária, especificamente, para o segurado especial, que não se enquadra em nenhuma das outras categorias de segurado, definidas no artigo 12 da Lei 8.212/1991.” (negritos apostos) no mesmo sentido: “MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR ADQUIRENTE DE PRODUTOS RURAIS SEGURADOS ESPECIAIS E PESSOAS FÍSICAS LEI Nº 8.212/91, ART. 25 C.C. ART. 30, III E IV, DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS Nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 E 10.256/2001 (NOVO FUNRURAL) – LEGITIMIDADE. I –(...). II É legítima a contribuição previdenciária de segurados especiais e pessoas físicas produtoras rurais prevista no artigo 25 c.c. art. 30, III e IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas Leis nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 e 10.256/2001 (denominada Novo FUNRURAL), pois têm assento na redação originária do artigo 195 da Constituição Federal, a dos segurados especiais no § 8º do referido artigo, e a dos empregadores pessoas físicas produtoras rurais no próprio inciso I, "b", enquadrandose na expressão "faturamento", por isso não se exigindo lei complementar para sua instituição (art. 195, § 4º), de outro lado também não se confundindo com aquela contribuição exigida das agroindústrias (§2º do art. 25 da Lei 8870/94, incidente sobre "o valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado", declarada inconstitucional pelo Egrégio STF, quando do julgamento da ADIn nº 1103/DF (Tribunal Pleno, Rel. para acórdão Min. Maurício Corrêa, DJ 25/04/97, pág. 15197), justamente por não se enquadrar no conceito de "faturamento" recepcionado pelo atual Texto Constitucional. III Remessa oficial provida, reformando a sentença para denegar a segurança. Agravo retido prejudicado.(REOMS 200661050109410, JUIZ SOUZA RIBEIRO, TRF3 SEGUNDA TURMA, 11/02/2010)” (Destaque nosso) assim sendo, com relação aos “sem empregados” (segurado especial – art. 12, VII da Lei nº 8.212/91), a contribuição desde sempre esteve autorizada pelo texto constitucional (art. 195, § 8º, da CF), bem assim sua ampla regulamentação sempre esteve no art. 25 da Lei 8.212/91; portanto, a discussão no âmbito do RE n.º 363.852/MG restringiuse à constitucionalidade da contribuição social incidente sobre a receita oriunda da comercialização da produção do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição prevista no art. 22, da Lei n.º 8.212/91 e, ainda, antes da redação conferida pela Lei n.º 10.256/2001; Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.796 9 na linha desse arrazoado, releva notar que a redação original do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 contemplava apenas a contribuição do segurado especial, prevendo a alíquota de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; a Lei n.º 8.540/92, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II); para melhor visualização das alterações legislativas, importa trazer a lume o texto do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 antes e depois da Lei n.º 8.540/92: Redação original Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. Redação conferida pela Lei n.º 8.540/92 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. ora, entender que a decretação de inconstitucionalidade perpetrada pelo STF atingiu a integralidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, ou seja, inclusive os incisos, seria chegar ao absurdo de dizer que o segurado especial estaria desobrigado da contribuição para a previdência social, porquanto a base de cálculo e alíquota de sua contribuição estão dispostas nesses incisos; com certeza, essa não é a conclusão que se extrai de uma leitura atenta do RE nº 363.852/MG, uma vez que a contribuição do segurado especial sequer foi objeto da ação mandamental; houve, portanto, apenas declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei nº 8.540/92 no comando dirigido ao empregador rural pessoa física; se a inconstitucionalidade decretada no RE nº 363.852/MG em nada afetou o segurado especial, por conseguinte, mantiveramse hígidos os incisos do art. 25, da Lei nº 8.212/91; então, intuitivo concluir que o fato de a Lei nº 10.256/2001 ter alterado apenas o caput do art. 25 da LCPS em nada obsta a cobrança da contribuição substitutiva da folha de pagamento a cargo do empregador rural pessoa física, pois à exação se aplicam os mesmos incisos do art. 25 que permaneceram vigendo no ordenamento jurídico relativamente ao segurado especial; Fl. 1800DF CARF MF 10 igual raciocínio se aplica para o art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/91, que também se trata de norma dirigida tanto ao empregador rural pessoa física como o segurado especial; confirase a redação do preceptivo legal atualizada pela Lei n.º 9.528/97: “IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992)”. (g.n.) a obrigação tributária por subrogação do adquirente quanto ao segurado especial não restou prejudicada pelo RE nº 363.852/MG; nesse sentido, o art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, permaneceu produzindo seus efeitos no ordenamento jurídico; despiciendo, portanto, que a redação conferida pela Lei n.º 9.528/97 não tenha sido alterada pela Lei n.º 10.256/2001; como é possível perceber da leitura do acórdão proferido pelo Plenário do STF no RE nº 363.852/MG, a subrogação em si não possui nada de inconstitucional; a decretação de insubsistência da obrigação tributária por subrogação do adquirente da produção do empregador rural pessoa física, ordenada no RE 363.852/MG, somente permanece se presente o quadro jurídico analisado pelo STF, isto é, ausência de previsão no art. 195, I, da CF para cobrança de contribuição sobre receita bruta e lei ordinária tratando da matéria (Lei 8.540/92); alterado esse contexto por novel legislação, in casu, a Lei n.º 10.256/2001, editada após a EC 20/98, válida a arrecadação da contribuição por meio da técnica da substituição tributária, nos termos do art. 30, inciso IV, da LCPS, que permaneceu vigendo no ordenamento em relação ao segurado especial; Na esteira desse entendimento, a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.797 11 instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (TRF4, AC 2007.70.03.0049589, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 11/05/2010). [grifos acrescidos] “PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO. ARTS. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da LEI 8.212/91. LEI N° 10.256/2001. EXIGIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. RESERVA DE PLENÁRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. 1. Com a edição das Leis n°s 8.212/91 PCPS Plano de Custeio da Previdência Social e Lei n° 8.213/91 PBPS Plano de Benefícios da Previdência Social, a contribuição sobre a comercialização de produtos rurais teve incidência prevista apenas para os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar (Lei nº 8.212/91, Art. 12, VII e CF/88, Art. 195,§ 8º), à alíquota de 3%. O empregador rural pessoa física contribuía sobre a folha de salários, consoante a previsão do art. 22. 2. O art. 1º da Lei 8.540/92 deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da Lei 8.212/91, cuidando da tributação da pessoa física e do segurado especial. A contribuição do empregador rural , antes sobre a folha de salários, foi substituída pelo percentual de 2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural para o pagamento dos benefícios gerais da Previdência Social, acrescido de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. 3. Quanto aos segurados especiais, a Lei nº 8.540/92 reduziu a sua contribuição de 3% para 2% incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento da complementação dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho, além de possibilitar a sua contribuição facultativa na forma dos segurados autônomos e equiparados de então. 4. O art. 30 impôs ao adquirente/consignatário/cooperativas o dever de proceder à retenção do tributo. Fl. 1802DF CARF MF 12 5. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciarem o RE 363.852, em 03.02.2010, decidiram que a alteração introduzidapelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 infringiu o § 4º do art. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda 20/98, pois constituiu nova fonte de custeio da Previdência Social, sem a observância daobrigatoriedade de lei complementar para tanto: 6. A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis n°s 8.540/92 e 9.528/97 e aborda somente as obrigações subrogadas da empresa adquirinte, consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente da produção do empregador rural pessoa física (no caso específico o "Frigorífico Mataboi S/A"). 7. O STF não tratou das legislações posteriores relativas à matéria, até porque o referido Recurso Extraordinário foi interposto na Ação Ordinária n° 1999.01.00.111.3782, o que delimitou a análise da constitucionalidade da norma no controle difuso ali exarado. 8. O RE 363.852 não afetou a contribuição devida pelo segurado especial, quanto à redução de contribuição prevista pelos mesmos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 8.540/92, como retro mencionado. Portanto, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada. 9. A Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao artigo 195 da CF/88 e permitiu a cobrança também sobre a receita de contribuição do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada: 10. Em face do permissivo constitucional (EC nº 20/98), a "receita" passou a fazer parte do rol de fontes de custeio da Seguridade Social. A conseqüência direta dessa alteração é que, a partir de então, foi admitida a edição de lei ordinária para dispor acerca da exação em debate nesta lide, afastando definitivamente a exigência de lei complementar como previsto no disposto do artigo 195, § 4º, com a observância da técnica da competência legislativa residual (art. 154, I). 11. Editada após a Emenda Constitucional n° 20/98, a Lei nº10.256/2001 deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e alcançou validamente as diversas receitas da pessoa física, ao contrário das antecessoras, Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, surgidas na redação original do art. 195, I, da CF/88 e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica vigente. 12. Não cabe o argumento de que os incisos I e II foram declarados inconstitucionais e, portanto, inexiste a fixação de alíquota, o que tornaria a previsão do Caput "letra morta". Na hipótese, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.798 13 específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada quanto ao segurado especial. 13. Com a modificação do Caput pela Lei n° 10.256/2001, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física. 14. O empregador rural pessoa física não se enquadra como sujeito passivo da COFINS, por não ser equiparado à pessoa jurídica pela legislação do imposto de renda (Nota Cosit n° 243, de 04/10/2010), não se podendo falar, assim, em "bis in idem", mas apenas a tributação de uma das bases econômicas previstas no art. 195, I, da CF, sem qualquer sobreposição. 15. A contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, nos moldes do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, vem em substituição à contribuição incidente sobre a folha de salários, a cujo pagamento estaria obrigado na condição de empregador, mas foi dispensado pela Lei n° 10.256/2001. 16. Nos termos do artigo 30, III, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 11.933/2009, cabe à empresa adquirinte, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n° 8.212/91 até o dia 20 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção. 17. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01. (...)” (TRF 3, APELAÇÃO CÍVEL 1601121, Processo: 2010.61.02.0056030, Relator DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ LUNARDELLI, Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento 28/06/2011, Data da Publicação/Fonte DJF3 CJ1 DATA:17/08/2011 PÁGINA: 213) [grifos acrescidos] “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL. PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 363.852/MG. ART. 25 DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS 8.540/92 E 9.528/97. LEI 10.256/2001, NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8.212/91. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, disponha sobre a contribuição. No sentido do texto, observese a ementa do referido julgado: Fl. 1804DF CARF MF 14 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) 2. Com a edição da Lei nº 10.256/2001 não há que se falar em inconstitucionalidade da contribuição previdenciária discutida no presente feito, prevista no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91, eis que cobrada com espeque no art. 195, I, alínea b, da Constituição Federal, com redação dada pela EC nº 20/98. 3. Considerando que a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, não existe inconstitucionalidade na cobrança e tendo em vista que a parte autora pleiteia a repetição de contribuições pagas somente a partir de 2002, não assiste à requerente direito a restituição. 4. Apelação improvida.” (TRF 5ª Região, Processo: 000525045.2010.4.05.8000 Órgão Julgador: Primeira Turma, Rel. Desembargador Federal Francisco de Barros e Silva (Substituto), Data Julgamento 30/06/2011, Fonte: Diário da Justiça Eletrônico Data: 07/07/2011 Página: 302) [grifos acrescidos] logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; vejase que, no RE nº 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.799 15 a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001, que fundamentou o lançamento; em conclusão, a declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE nº 363.852/MG se referiu, exclusivamente, ao caput do art. 25 da Lei de Custeio, com redação dada pela Lei n.º 8.540/92, na parte dirigida ao empregador rural pessoa física; em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25; da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF; no caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 12/2003 a 12/2006, ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC nº 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração; observase ainda no mesmo sentido: Acórdão 20500.676 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2006 CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Contribuições sociais devidas decorrentes da subrogação na aquisição de produto rural de produtor pessoa física, conforme art. 25 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 8.540/92, Lei 9.528/97 e Lei 10.256/01, art. 30, incisos III e IV da Lei 8.212/91. JUROS , SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que: é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. À Administração Pública não cabe o exame da constitucionalidade das Leis. Recurso Voluntário Negado.” Fl. 1806DF CARF MF 16 Acórdão nº 20500676 “A recorrente afirma que a contribuição do produtor rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção é inconstitucional, pela equivalência da sua base de cálculo com base da contribuição do segurado especial, por ter instituída por lei ordinária, quando deveria ter sido por lei complementar e por violação ao princípio constitucional da igualdade (...) In casu, tratase de contribuições dos produtores rurais pessoas fisicas e o art. 25, incisos lei! da Lei n° 8.212/1991 dispõe o seguinte: (...) A mesma lei no art. 30 inciso IV determinou que a empresa adquirente ficaria subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa fisica e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 encimado. (...) Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional.” logo, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; nesse teor, vejase que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, já sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, já decidiu sobre os estreitos limites do controle de constitucionalidade efetivado na via incidental: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 3º, § 1º, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte.” Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.800 17 (acórdão nº 340100387, processo administrativo nº 10580.011972/200351). delineado esse contexto, no qual ainda não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei nº 10.256/2001, mesmo após o RE nº 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF’s da 3ª, 4ª e 5ª Regiões, não poderia o Colegiado valerse do disposto no RICARF para estender a declaração de inconstitucionalidade nos termos do acórdão recorrido; idêntico raciocínio vale ainda com mais razão para as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial; não há no Regimento Interno qualquer norma que autorize o Colegiado, mediante dedução, presunção, ilação ou interpretação a entender pela inconstitucionalidade desta ou daquela norma, esse mister cabe ao Poder Judiciário; nesse teor, vejase que matéria pertinente já foi até mesmo objeto de enunciado de Súmula Vinculante, verbis: “Súmula Vinculante Nº 10: viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.” repitase ainda uma vez mais tudo o quanto já se expôs. Seja no sentido de que as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial não foram objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF; seja no sentido de que a subrogação em si nada possui de inconstitucional e que a Lei nº 10.256/2001 não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF em nenhum momento, não sendo atribuição regimental do CARF esse mister; como se vê, nada a agasalhar o entendimento ventilado na decisão recorrida que estribou seu posicionamento no art. 62, inciso I, do RICARF e não utilizou o entendimento ventilado no acórdão proferido pelo STF no RE nº 363.852/MG como mero subsídio; assim, ainda que se valendo do disposto no art. 62A do RICARF, o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister; tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, de forma a restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose o lançamento em sua integralidade. Fl. 1808DF CARF MF 18 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento de seu recurso. Cientificados, os Contribuintes Unidos Agro Industrial S/A, J&T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda, AFA Administração e Participação Ltda, Itarumã S/A, João Carlos Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e Ari Feliz Altomari ofereceram, em 08/11/2013, as Contrarrazões de fls. 1.747 a 1.766 e 1.769 a 1.787, reiterando os fundamentos do acórdão recorrido e pedindo o não provimento do recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Foram oferecidas Contrarrazões pelos Contribuintes Unidos Agro Industrial S/A, J&T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda, AFA Administração e Participação Ltda, Itarumã S/A, João Carlos Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e Ari Feliz Altomari. Tratase de o Auto de Infração para exigência da contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre o valor da aquisição da produção rural (animais para abate) de pessoas físicas, descontadas dos produtores rurais. Conforme o Relatório Fiscal, foi identificada suposta organização criminosa com o objetivo de fraudar a administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado “Grupo Itarumã”, do qual fazia parte a autuada. Os valores são referentes ao período de 01/12/2003 a 31/12/2006, portanto exigidos já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. A Fazenda Nacional visa rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido e do Recurso Especial, não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de estenderse à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.801 19 a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Fl. 1810DF CARF MF 20 Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, colacionase a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose a exigência contida na autuação. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.802 21 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Da Alegada Inconstitucionalidade Contribuição Sobre A Receita Bruta Proveniente Da Aquisição De Produtor Rural Pessoa Física A base do Recurso referese a discussão não apenas da aplicação de decisão do STF, bem como a delimitação do alcance da referida decisão, e quais os dispositivos legais teriam sido efetivamente declarados inconstitucionais pelo STF, por meio do RE 363.852/MG. Assim, quanto ao mérito da questão cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da questão, considerando o recurso apresentado. Confesso que a interpretação trazido pelo recorrente realmente foi por mim adotada em relação aos primeiros processos analisados acerca do tema, todavia, após um estudo mais sistematizado acerca da matéria, considerando diversas ponderações trazidas por conselheiros deste Conselho, tive a oportunidade de alterar meu entendimento acerca do tema, conforme posicionamento adotado em diversos outros votos aos quais tive a oportunidade de relatar. Dessa forma, passo a proferir meu entendimento acerca do tema, alterando a posição adotada no recorrido, acompanhando o relator no mérito. Assim, passo a apresentar meu posicionamento acerca do tema. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, conforme identificado pela autoridade fiscal: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrrogação descrita neste AIOP está respaldada tanto no que dispõe o art. 30, IV (relatório fiscal), III, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97, bem como no Regulamento da Previdência Social – Decreto 3048/99, conforme relatório de fundamentos legais FLD, fls. 75: Fl. 1812DF CARF MF 22 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge face o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.803 23 incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial à contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração quando envolver lançamento de contribuições sobre fatos geradores sob a égide da legislação anterio, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Fl. 1814DF CARF MF 24 Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.804 25 Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: Fl. 1816DF CARF MF 26 No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Cite se do TRF: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.805 27 acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Fl. 1818DF CARF MF 28 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.806 29 §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Fl. 1820DF CARF MF 30 Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, enquanto relatora de processo envolvendo questão idêntica, tive a oportunidade de verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do tema subrrogação (propriamente dito) art. 30, III e IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.807 31 (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Fl. 1822DF CARF MF 32 Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontra se também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo (conforme relatório FLD), bem como no Decreto 3048/1999: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.808 33 Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento (Decreto 3048/99) a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, Fl. 1824DF CARF MF 34 independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 16004.000725/200944 Acórdão n.º 9202005.142 CSRFT2 Fl. 1.809 35 I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Contribuições destinadas ao Senar Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso III e IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. Fl. 1826DF CARF MF 36 Face ao exposto, acompanho o relator em seu voto, apenas esclarecendo a mudança do meu posicionamento. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723281/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. CREDITAMENTO DE LEITE "IN NATURA" ADQUIRIDO DOS SEUS ASSOCIADOS.
Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 as cooperativas agropecuárias tinham direito a apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite "in natura" dos seus associados.
FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO.
A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) reconhecer como válidos os créditos apurados pelo recorrente em relação às aquisições de leite in natura; e, ainda, (ii) reconhecer como válido apenas aqueles créditos de frete tomados pela recorrente e cujo custo de aquisição não foi repassado para os seus associados. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que negaram provimento. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurenttis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito em relação à totalidade dos fretes. Sustentou pela recorrente o Dr. Tiago de Oliveira Brasileiro, OAB/MG 85.170
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. CREDITAMENTO DE LEITE "IN NATURA" ADQUIRIDO DOS SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 as cooperativas agropecuárias tinham direito a apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite "in natura" dos seus associados. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. CREDITAMENTO DE LEITE "IN NATURA" ADQUIRIDO DOS SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 as cooperativas agropecuárias tinham direito a apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite "in natura" dos seus associados. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) reconhecer como válidos os créditos apurados pelo recorrente em relação às aquisições de leite in natura; e, ainda, (ii) reconhecer como válido apenas aqueles créditos de frete tomados pela recorrente e cujo custo de aquisição não foi repassado para os seus associados. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que negaram provimento. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurenttis Galkowicz e Maysa de Sá AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 81 /2 01 0- 02 Fl. 394DF CARF MF 2 Pittondo Deligne, que deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito em relação à totalidade dos fretes. Sustentou pela recorrente o Dr. Tiago de Oliveira Brasileiro, OAB/MG 85.170 Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a discussão travada no presente processo administrativo, utilizo como meu parte do relatório extraído da resolução n. 3401000.879 (fls. 357/363), da lavra do então Relator do caso, Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMPs referentes a créditos PIS Não cumulativo – Exportação (Mercado Externo) do quarto trimestre de 2004, conforme detalhamento constante do despacho de fls. Vale frisar que, inicialmente, o objeto do presente processo estava no Processo Administrativo nº 10680.723279/201025, que abrangia créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo), Cofins Não cumulativa – Mercado Interno, PIS Não cumulativo – Exportação (Mercado Externo), PIS Não cumulativo – Mercado Interno, do período de 01/04/2004 a 31/12/2005. O objeto do referido processo foi desmembrado em diversos outros PAs com base no tributo, matéria e período de apuração, permanecendo no presente somente os créditos de PIS Não cumulativo – Exportação (Mercado Externo) do quarto trimestre de 2004. Conforme Relatório Fiscal de fls. 09/25, o procedimento de auditoria fiscal realizado junto à Recorrente culminou na reconstituição dos DACON apresentados à RFB, constatando divergência entre os valores apurados pela contribuinte e pela fiscalização, quanto aos seguintes itens: (...). 1.2.2) LEITE IN NATURA O leite in natura é recebido principalmente dos associados da CCPRMG, mas é também comprado de pessoas físicas e jurídicas não associadas, com o fim de compor estoque. Foi verificado que a contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos básicos o valor do leite adquirido de seus associados, quando deveria, nos termos do art. 26 da IN SRF nº 635/2006, apurar crédito presumido sobre esses valores. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10680.723281/201002 Acórdão n.º 3402003.968 S3C4T2 Fl. 24 3 A cooperativa de produção agropecuária não possui direito ao crédito básico de PIS e COFINS nas operações com associados, por ter o direito de excluir da base de cálculo dessas contribuições os valores repassados a esses últimos, decorrentes da comercialização de produto por eles entregues à cooperativa, como determina o inciso I e § 1° do art. 15 da MP n°2.15835/2001. Logo, se não há cobrança de PIS e de Cofins sobre os valores repassados aos cooperados, o leite adquirido destes não dará direito ao crédito básico e seu valor deve ser excluído da base de cálculo desse tipo de crédito. Por outro lado, o leite in natura adquirido de cooperados dá direito ao crédito presumido, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Isso altera o valor dos créditos pretendidos pela empresa já que o crédito básico é calculado com 100% das alíquotas das contribuições e, no caso, o crédito presumido é calculado com 80% (para os meses 05 a 07 de 2004) ou 60% destas alíquotas (após 08/2004). 1.2.3) FRETE NA COMPRA DE LEITE IN NATURA Da análise dos lançamentos contábeis de 2004 e 2005, restou constatado que os serviços de frete primeiro e segundo percursos, na compra de leite in natura, é descontado dos fornecedores deste insumo. A autoridade fiscal fundamentou sua conclusão com base nos lançamentos contábeis da Recorrente. Assim, conclui a fiscalização que, se o ônus desse serviço foi suportado pelos fornecedores de leite e não pela CCPRMG, os créditos relacionados ao frete na compra de leite in natura devem ser glosados. (...). 2. Além das duas glosas pontuadas alhures, o contribuinte também se deparou com outras glosas referentes ao mesmo pedido de ressarcimento, as quais, todavia, não foram objeto de insurgência, conforme se observa da manifestação de inconformidade de fls. 47/57. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJBelo Horizonte (acórdão n. 0258.949 fls. 319/331), nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. PIS NÃOCUMULATIVO EXPORTAÇÃO. Somente são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão do Perdcomp. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA. Fl. 396DF CARF MF 4 Na relação processual relativa à verificação dos créditos da não cumulatividade pretendidos pelo contribuinte a título de ressarcimento ou compensação, cabe a este a demonstração da obediência aos parâmetros legais de apuração relativos à comprovação da existência e à natureza dos dispêndios. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 336/353, oportunidade em que, em suma, alegou: (i) em relação ao creditamento decorrente da aquisição de leite in natura junto aos seus associados: (i.i) possibilidade de creditamento integral de tais aquisições, haja vista que, segundo a Recorrente, a restrição para tal creditamento só deu com o advento da IN SRF 636/06; (i.ii) subsidiariamente, equívoco no cálculo da referida glosa, uma vez que ao recompor a escrita do contribuinte, a fiscalização desconsiderou parcela de aquisições de lei in natura de nãoassociados; (ii) em relação ao frete para a aquisição de leite in natura: (ii.i) direito à integralidade do creditamento dos valores incorridos na contratação de serviços de frete sobre a aquisição de leite in natura dos seus associados, uma vez que a recorrente seria a tomadora deste serviço e teria arcado com seu custo; e (ii.ii) subsidiariamente, equívoco no cálculo da glosa referente aos créditos de frete, uma vez que a fiscalização teria partido da premissa que o custo com todos os fretes glosados teria sido repassado aos associados da contribuinte, o que, segundo a recorrente, não seria verdadeiro, já que tal repasse se limitaria apenas à parcela do leite transportado. 5. Uma vez pautado para julgamento pela antiga turma ordinária, o então Relator do caso, Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima, acompanhado por maioria, resolveu baixar o caso em diligência (resolução n. 3401000.879 fls. 357/363), para que fossem tomadas as seguintes providências: (...). Diante do exposto acima, proponho a conversão em diligência para que sejam apurados os créditos da aquisição de insumos de associados e nãoassociados, considerando não apenas os estabelecimentos industriais da Recorrente, mas também seus postos de coleta, e os créditos de frete na compra de leite in natura, devendo tais levantamentos serem realizados com base nos documentos contábeis, notas fiscais e demais documentos apresentados pela Recorrente no decurso da fiscalização. Devem ser avaliados os seguintes quesitos: a) Aquisição de leite de nãoassociados: 1) Apurar a totalidade de leite adquirido pela Recorrente durante o terceiro trimestre de 2004. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10680.723281/201002 Acórdão n.º 3402003.968 S3C4T2 Fl. 25 5 2) Verificar as aquisições de associados e as de nãoassociados para cálculo dos créditos de PIS. b) Frete na compra de leite in natura: 1) Verificar nas notas fiscais se o valor do frete está por conta do destinatário. 2) Confrontandose os valores das notas fiscais e livro razão, apurar se houve o reembolso do frete pelos fornecedores à Recorrente. 3) Calcular o crédito de PIS sobre o frete na compra de leite in natura pago pela Recorrente, descontandose os valores reembolsados pelos fornecedores. 4) Alocar o montante do crédito do PIS correspondente ao terceiro trimestre de 2004 e vinculado à exportação. 6. Referida diligência foi cumprida pela unidade preparadora nos termos do relatório de fls. 283/389, a respeito do qual o contribuinte se manifestou as fls. 368/381. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 8. O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende os demais pressupostos formais para o seu conhecimento, o que passo a fazer a seguir. I. Do creditamento do leite in natura 9. Conforme já mencionado no presente relatório, a glosa aqui tratada se deu nos seguintes termos (fl. 19): (...). A cooperativa não possui direito ao crédito básico de PIS e COFINS nas operações com associados por ter o direito de excluir da base de cálculo destas contribuições os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa, como determina o Inciso I e § 1° do art. 15 da MP n° 2.15835/2001. (...). Assim, podemos afirmar que, apesar de as cooperativas serem contribuintes do PIS e da COFINS, o legislador decidiu por excluir da base destas contribuições os valores decorrentes da comercialização de produto repassado pelos associados. Logo, não há cobrança de PIS e de COFINS sobra estas operações de repasse de produto entre cooperados. Fl. 398DF CARF MF 6 Portanto, o leite adquirido dos cooperados associados não dá direito ao crédito básico e deve ser retirado da base de cálculo dessas créditos. Por outro lado, dá direito ao crédito presumido, devendo ser acrescida da base de cálculo, como descrito no item 5.2 deste Relatório Fiscal. Esta sistemática altera o valor dos créditos pretendidos pela empresa, já que o crédito básico é calculado com 100% das alíquotas de PIS e COFINS, enquanto o crédito presumido é calculado com 80% (para os mesas 05 a 07 de 2004) ou 60% destas alíquotas (após 08/2004). (...). 10. Em suma, a fiscalização alega que, por gozar do benefício estabelecido pelo art. 15 da MP no 215835/011, a recorrente não teria o direito de usufruir dos créditos básicos da contribuição em apreço2, nos termos do que prevê o art. 3o, § 2o, inciso II da lei n. 10.637/023. 11. Não obstante, ainda segundo a fiscalização, a recorrente não teria direito ao citado crédito básico de PIS, mas sim ao crédito presumido prescrito art. 8o da lei n. 10.925/044. 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos." 2 Nos termos do art. 21 da lei n. 10.865/04, que deu a segiunte redação ao art. 10 da li n. 10.833/03: "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...); VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (...)." 3 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...)." 4 "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (...); Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10680.723281/201002 Acórdão n.º 3402003.968 S3C4T2 Fl. 26 7 12. Em princípio, referido raciocínio parece válido, isto se não fosse o disposto no art. 9o da mesma lei n. 10.925/04, que assim prevê: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (...). II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (...). § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifos nosso). 13. Valendose da prerrogativa do estabelecida no §2o do inciso II da sobredita lei, a RFB editou a IN SRF 636/06, depois revogada pela IN 660/06, cabendo a este último veículo normativo, em seu art. 11, inciso I, assim prever: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e (...) (g.n.). 14. Diante deste contexto, o que se conclui é que, pela ótica da RFB, até o advento da IN SRF nº 636/2006 a recorrente não fazia jus ao crédito presumido, o que, por sua vez, permite afirmar, por dedução, que até então esta mesma recorrente fazia jus ao crédito básico da contribuição aqui tratada, sendo exatamente este o crédito aqui vindicado. 15. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento da própria RFB, conforme se observa das seguintes soluções de consulta: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de junho de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...)." Fl. 400DF CARF MF 8 No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da COFINS. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da nãocumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática nãocumulativa. (g.n.). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 126 de 19 de Maio de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. VENDAS EFETUADAS INDEVIDAMENTE COM SUSPENSÃO. LANÇAMENTO A DÉBITO DAS CONTRIBUIÇÕES E EVENTUAL PAGAMENTO. No período entre a publicação da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos indevidamente com suspensão e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente da regularidade fiscal do fornecedor. As vendas efetuadas indevidamente com suspensão, no mesmo período, devem ser revistas, com o lançamento a débito da COFINS e eventual pagamento do saldo devedor. (g.n.). 16. No mesmo teor é o entendimento deste CARF, conforme se observa da ementa abaixo transcrita e extraída de acórdão publicado em processo administrativo do mesmíssimo contribuinte aqui tratado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Ementa: COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10680.723281/201002 Acórdão n.º 3402003.968 S3C4T2 Fl. 27 9 pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa. FRETES CONTRATADOS PELO PETICIONÁRIO MAS CUJO ÔNUS DO PREÇO FOI SUPORTADO PELO FORNECEDOR. As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem que o direito a crédito a partir dos gastos com frete depende de que o ônus desses gastos tenha sido efetivamente suportado pelo contratante do serviço de frete. (CARF; Acórdão n. 3401002.990; 1a T. da 4a Câmara da 3a Seção; j. em 20/03/2015). 17. Diante deste quadro, devem ser reconhecidos como válidos os créditos apurados pelo recorrente em relação às aquisições de lei in natura. II. Do crédito de frete nas operações de aquisição de leite in natura dos associados 18. Não obstante, outro ponto de discórdia no presente caso diz respeito ao creditamento feito pela recorrente em razão do pagamento de frete na aquisição de leite in natura. 19. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que o frete em questão foi formalmente arcado pela Recorrente, consoante se extrai das notas fiscais de aquisição do leite in natura, donde se extrai que o frete para tais operações é custeado pela recorrente, configurando, pois, custo na aquisição de tais bens. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que o frete em questão é formalmente custeado pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 20. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da recorrente repassar os custos de tais fretes para seus fornecedores, o que, por sua vez, impediria atribuir à referido frete a natureza de custo de aquisição. É o que se depreende do seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 10): 21. Não é demais lembrar que estamos tratando de uma cooperativa, que recebe os bens dos seus cooperados para vendêlos no mercado. Uma parcela do montante recebido por esta venda feita no mercado é devolvido ao cooperado em razão da sua produção, Fl. 402DF CARF MF 10 oportunidade em que a recorrente faz o desconto do valor pago a título de frete e que é aqui questionado. Tal fato, inclusive, é assumido pela própria recorrente, conforme se extrai de um excerto da sua peça recursal (fl. 349): 22. Logo, se a recorrente recupera o valor do frete que, formalmente, é por ela pago, não é possível dar a tal frete o tratamento material de custo de aquisição, o que torna válida a glosa aqui debatida. 23. Ressaltese, todavia, que ainda remanesce uma questão neste tópico em particular, haja vista que, subsidiariamente, o contribuinte alega a existência de um equívoco no cálculo desta glosa. Assim, segundo o recorrente, a fiscalização teria partido da premissa que o custo com todos os fretes glosados teria sido repassado aos seus cooperados, o que não seria verdadeiro, já que tal repasse se limitaria apenas à parcela do leite transportado. 24. Em sede de diligência fiscal, a unidade preparadora de fato constatou esse equívoco, mas tentou "adequálo" sob o fundamento de que, ainda sim, não seria devido o creditamento do frete no caso em concreto, uma vez que (fl. 386 relatório de diligência fiscal): 25. O que a unidade preparadora sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. Logo, em se tratando de transporte de leite in natura e entendo a fiscalização que este insumo está sujeito ao crédito presumido, conforme exposto no tópico imediatamente anterior do presente voto, a unidade preparadora concluiu que (fl. 387 relatório de diligência fiscal): Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10680.723281/201002 Acórdão n.º 3402003.968 S3C4T2 Fl. 28 11 26. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete sofreu a incidência integral da contribuição e, por isso, não pode ser comparado ao procedimento aplicável ao bem transportado. 27. Logo, uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). (g.n.). Fl. 404DF CARF MF 12 Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013). 28. Com base em tais fundamentos reconheço como válido apenas aquele crédito de frete tomado pela recorrente e cujo custo de aquisição não foi repassado para seus associados. Dispositivo 29. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para: (i) reconhecer como válidos os créditos apurados pelo recorrente em relação às aquisições de lei in natura; e, ainda (ii) reconhecer como válido apenas aqueles créditos de frete tomados pela recorrente e cujo custo de aquisição não foi repassado para os seus associados. 30. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.002145/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Recorrente GILSA MARIA PAREDES BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 21 45 /2 01 0- 88 Fl. 140DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10183.002145/201088 Acórdão n.º 2402005.680 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase, na origem, de notificação de lançamento no 2008/774583414079015 (fls. 61/64) para a exigência de crédito tributário consolidado em 03/2010, no valor de R$ 3.124,20 (três mil, cento e vinte e quatro reais e vinte centavos), relativo ao exercício 2008. O lançamento originouse da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação alegando que é aposentada por invalidez, fazendo jus a isenção de imposto de renda. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ Campo Grande em acórdão (fls. 70/74) cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e essa doença deve estar relacionada como grave para fins de isenção do imposto de renda, segundo a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 16/12/2011 (fl. 80), a contribuinte apresentou manifestação (fls. 83/84), postada em 03/01/2012, aduzindo erro grave no julgamento e que: 1. seu problema de saúde foi caracterizado como acidente de trabalho, retroagindo a data da CAT para 18/08/2003 e que foi aposentada por invalidez depois da aprovação da CAT; 2. foi aposentada em 01/06/2006 e, em 25/09/2009, foi deferido o pedido de isenção do imposto de renda a contar de 01/06/2006. Entende ter direito às restituições. Juntou documentos (fls. 85/98). Em 31/05/2012, o órgão de origem noticiou que a contribuinte havia ajuizado ação de repetição de indébito (processo no 465157.2012.4.01.3600, 6.ª Vara do Juizado Especial Federal do Mato Grosso) requerendo a restituição do imposto de renda dos exercícios 2007, 2008 e 2009, sob argumento de ser isenta por ser portadora de moléstia profissional grave. O julgamento foi convertido em diligência (fls. 106/109) para o órgão de origem juntar as peças do processo judicial. Em resposta (fl. 134), o órgão de origem informa a juntada da petição inicial (fls. 114/131). Fl. 142DF CARF MF 4 A contribuinte foi intimada do resultado da diligência em 26/03/2015 (fl. 136), não havendo apresentado qualquer manifestação adicional. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10183.002145/201088 Acórdão n.º 2402005.680 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Em razão do princípio da informalismo, recebese a manifestação da contribuinte (fls. 83/84) como recurso voluntário. Tendo sido apresentado no trintídio assinalado pela lei, temse que o recurso é tempestivo, pelo que deve ser conhecido. Dos documentos trazidos aos autos (fls. 114/131), constatase que a contribuinte ajuizou, perante a 6.ª Vara do Juizado Especial Federal do Mato Grosso, em 27/03/2012, ação anulatória de débito fiscal e restituição de imposto de renda, autuada sob no 465157.2012.4.01.3600, requerendo a restituição do imposto de renda dos exercícios 2007, 2008 e 2009, sob argumento de ser isenta por ser portadora de moléstia profissional grave. Dos fatos apontados na petição inicial (fls. 116/122), destacamse: "A autora após anos sofrendo de vários males por esforço repetitivo e lesões sofridas pelo mesmo motivo, e passar por diversas perícias, obteve através do Decreto "P" n° 1635/2006 de 31 de maio de 2006, publicado em Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul do dia 01/06/2006 (doe. anexo) a sua Aposentadoria por Invalidez." Ocorre, contudo, Excelência, que mesmo contando com o beneficio da isenção do Imposto de Renda os descontos deste imposto continuaram a serem deduzidos de seus benefícios, a autora que desconhecia ser portadora de tal beneficio só dera conta do mal que lhe estava sendo causado através da Ilegalidade de tal cobrança no ano de 2009." (...) "...lhe causou tremenda estranheza as notificações de lançamento que recebeu da Receita Federal de no 2007/601450918854118, 2008/774583414079015 e 2009/774583499512720, cobrando imposto de renda devido e acrescido de juros e multa." (...) "Excelência, o que a autora busca é apenas a restituição dos impostos cobrados indevidamente por parte de Receita Federal, direito este garantido por lei que corresponde a R$ 1.176,14 mil cento e setenta e seis reais e quatorze centavos (exercício 2007), R$ 3.951,67 Três mil, novecentos cinqüenta e um reais e sessenta e sete centavos (exercício 2008) e R$ 4.917,06 Quatro mil novecentos e dezessete reais e seis centavos (exercício 2009) conforme copias anexas das declarações de imposto de renda, o que totaliza a restituir R$ 10.044,87 Dez mil, quarenta e quatro reais e oitenta e sete centavos." Ainda do exame da petição inicial da referida ação (fls. 116/122), extraemse os seguintes pedidos: Fl. 144DF CARF MF 6 "I) a concessão da tutela antecipada "inaudita altera pars" de acordo com o artigo 273, do CPC, já que estão presentes ambos os requisitos autorizadores da medida, sendo para suspender a exigibilidade do credito tributário, consoante o artigo 151, inciso V do Código Tributário Nacional, e a restituição de imposto de renda a que tem direito no valor R$ 10.044.87 (Dez mil quarenta e quatro reais e oitenta e sete centavos.): II) a procedência dos pedidos confirmando em definitivo a tutela anteriormente concedida, sendo para anular lançamento tributário;" Assim, de plano constatase que a Contribuinte ajuizou ação com o mesmo objeto do presente recurso, requerendo, inclusive a anulação do presente lançamento. A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto pela contribuinte, declarando a definitividade do lançamento e determinando o cumprimento da sentença proferida no processo judicial. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001757/2004-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal.
Numero da decisão: 9303-004.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 57 /2 00 4- 81 Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional (fls. 2206/2220), ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.646, de 28/05/2014, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. Os valores referentes à aquisição de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, integram o cálculo do crédito presumido. Matéria fixada no julgamento do REsp 993.164/MG, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O produto sebo bovino com notação “NT”na Tabela do IPI faz jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com o REsp 993.164/MG, julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, se houver oposição da Administração para o reconhecimento dos créditos presumidos, deve ser a aplicação do índice. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES E DESPESAS DE CARGA. A legislação de PIS e Cofins autoriza a tomada de crédito, desde que seja utilizado em seu processo produtivo , bem como quando o ônus for suportado pelo vendedor, o que não se evidenciou nos autos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS IMPORTADOS. Os valores de aquisições de insumos importados devem ser excluídos da apuração do beneficio porque a legislação admite o cômputo das aquisições efetuadas no mercado interno, com incidência das contribuições. O destaque efetuado acima referese à matéria que foi objeto do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial foi admitido mediante o despacho de fls. 2222/2225. Cientificado por meio de Edital de Intimação, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. O presente processo referese a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, da Lei nº 9.363/96, tendo o contribuinte optado pelo sistema alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. Ao julgar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte o acórdão recorrido entendeu por autorizar a incidência da taxa Selic a ser aplicada sobre os créditos glosados pelo despacho decisório, a partir da data do protocolo do pedido. A Fazenda Nacional insurgese contra essa decisão com os seguintes argumentos em síntese: não pode incidir a taxa Selic sobre os valores ressarcidos por falta de previsão legal, ressaltando serem diferentes os institutos da restituição e do ressarcimento; entende que não é aplicável ao presente caso a Súmula nº 411 do STJ, pois ela trataria somente do crédito de IPI decorrente do princípio da não cumulatividade e não de créditos incentivados de IPI como é o caso do crédito presumido do IPI que é tratado no presente processo; que não haveria tido a resistência ilegítima do fisco, preconizada na decisão do STJ, pois "o Fisco apenas seguiu os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido de ressarcimento" ou que teria apenas ocorrido "divergência de teses" e que esse fato não torna a "recusa ilegítima". Apesar de concordar com a Fazenda Nacional de que os institutos da restituição e do ressarcimento são diferentes e também que não caberia, por falta de previsão legal, a aplicação da taxa Selic sobre os valores ressarcidos decorrentes do crédito presumido do IPI, entendo que no presente caso é aplicável sim a decisão do STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC. É importante ressaltar que o STJ, no julgamento do RESP nº 1.035.847, na sistemática do art. 543C do CPC, decidiu, como regra, que não é cabível a correção monetária sobre o crédito de IPI, por falta de previsão legal, salvo se houver oposição indevida da Administração Tributária. Veja sua ementa com destaques ao tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 7 6 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De fato ao analisar o conteúdo desta decisão teríamos que restringir a sua aplicação aos créditos de IPI decorrentes da aplicação do princípio da nãocumulatividade do IPI e não aos créditos incentivados do IPI. Porém, posteriormente, o próprio STJ, no julgamento do RESP nº 993.164, também julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, decidiu estender o mesmo entendimento em relação ao crédito presumido do IPI. Veja abaixo parte da ementa com os destaques sobre o tema: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 8 7 DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A existência da oposição ilegítima está caracterizada pelo fato de que, somente no âmbito da última instância administrativa de julgamento é que foi possível ver o seu direito creditório garantido, ou seja, na parte em que teve negado o seu direito pelo despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem. No meu entender, houve oposição ilegítima do Fisco quanto ao seu direito. Penso não ser cabível aqui a discussão se foi ou não em decorrência de "divergência de teses" como alega a Fazenda Nacional em seu recurso especial, até porque as decisões de base foram tomadas no estrito cumprimento de orientações normativas emanadas pela própria Receita Federal. O fato é que a negativa do direito demonstrouse incorreta por parte do fisco, não podendo o contribuinte arcar sozinho com o ônus desta demora, sob pena de enriquecimento sem causa por parte do Fisco. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 9303004.681 CSRFT3 Fl. 9 8 Portanto, é sim o caso de aplicação do art. 62A do antigo Regimento Interno do CARF, atualizado pelo § 2º do art. 62 do atual Regimento, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, ratificando o acórdão recorrido no sentido de ser cabível no presente caso a aplicação da taxa Selic aos valores de ressarcimento reconhecidos somente no âmbito do acórdão recorrido, aplicáveis a partir do protocolo do seu pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2240DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720354/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONTRIBUINTE PRESTADORA DE SERVIÇOS DE LOGÍSTICA, PICKING, BACKOFFICE E RECURSOS HUMANOS. SUBCONTRATAÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão aptos a gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS os serviços contratados pela empresa prestadora de serviços (subcontratação), responsável pelas áreas de logística, picking, backoffice e recursos humanos do grupo econômico em que se insere, passíveis de serem enquadrados como custos de produção, tendo em vista seu objeto social e os contratos firmados com as demais empresas do grupo.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3402-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) cancelar as glosas referentes a serviços de assessoria, consultoria, advocacia, gestão empresarial, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, administração de creche, despesas com eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, bem como mão de obra temporária, manutenção predial, ginástica laboral, dança, terapias e massagens; e b) para excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONTRIBUINTE PRESTADORA DE SERVIÇOS DE LOGÍSTICA, PICKING, BACKOFFICE E RECURSOS HUMANOS. SUBCONTRATAÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS os serviços contratados pela empresa prestadora de serviços (subcontratação), responsável pelas áreas de logística, picking, backoffice e recursos humanos do grupo econômico em que se insere, passíveis de serem enquadrados como custos de produção, tendo em vista seu objeto social e os contratos firmados com as demais empresas do grupo. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 54 /2 01 4- 01 Fl. 2932DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) cancelar as glosas referentes a serviços de assessoria, consultoria, advocacia, gestão empresarial, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, administração de creche, despesas com eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, bem como mão de obra temporária, manutenção predial, ginástica laboral, dança, terapias e massagens; e b) para excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte/MG, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança da Contribuição ao Programa de Integração Social ("PIS") e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") não cumulativas, consubstanciadas nos autos de infração em questão, pelos quais se cobra valores a título das contribuições, bem como juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: Trata este processo administrativo de Autos de Infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, código de receita 6656, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, código de receita 5477, referentes aos períodos de apuração Janeiro de 2011 e Dezembro de 2012, formalizando as exigências a seguir discriminadas, com valores expressos em reais (fls. 3 a 91). Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 334 3 (...) De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.212/1.498), os lançamentos decorrem da execução de procedimento fiscal, autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0812400/00164/2014, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidos nos anoscalendário de 2011 e 2012. No decorrer dos trabalhos de fiscalização restou constatado que a Autuada descontara valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas com serviços de assessorias, consultorias, auditorias, advocacia, gestão empresarial, contabilidade, propaganda, e marketing, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, administração de creche, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, gestão de arquivos de documentos, digitalização de documentos, bem como mãode obra temporária, manutenção predial e ainda ginástica laboral, dança, terapias e massagens. Foram glosados os créditos concernentes a tais valores, vez que a autoridade fiscal os reputou em desacordo com as disposições do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e do art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004, por entender que tais dispêndios têm somente reflexo indireto na atividadefim da Autuada. Os valores dos créditos de Pis e Cofins glosados pela Fiscalização foram detalhados conforme demonstrativo de fls. 1.245/1.490. Os demonstrativos de apuração das contribuições devidas constam das fls. 1.491/1.494 (Pis) e 1.495/1.498 (Cofins). A Autuada foi devidamente cientificada dos lançamentos em 05/11/2014 (vejase Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, fls. 1.509/1.510) e, em 05/12/2014, apresenta impugnação, para alegar o que se segue: A fiscalização não investigou com profundidade os fatos, de maneira que pudesse fazer correto juízo acerca dos serviços glosados e sua relação com os serviços prestados pela Impugnante. Não foram investigadas (I) as atividades empresariais da Reclamante, (II) a materialidade e as particularidades dos serviços contratados e, ainda, (III) a relação dos serviços Fl. 2934DF CARF MF 4 contratados com os diversos serviços prestados pela Impugnante, não havendo, a rigor, prova da acusação fiscal. O procedimento fiscal foi realizado por amostragem, sem que houvesse intimação da empresa para apresentar documentos e informações específicas quanto à atividade empresarial exercida e quanto aos serviços contratados (principalmente os relacionados às áreas de logística, picking, backoffice e recursos humanos). Conforme o art. 142 do CTN, a fiscalização tem o dever de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e identificar corretamente a matéria tributável, não sendo admitido o lançamento pautado em mera presunção simples, como o ora examinado (feito mediante procedimento de amostragem e sem examinar os contratos e a natureza dos serviços tomados e prestados). A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes é pacífica quanto à insubsistência do lançamento nos casos em que a fiscalização não teve o cuidado de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e identificar corretamente a matéria tributável. A autoridade lançadora pautase na premissa de que somente geram direito de crédito os serviços consumidos diretamente na prestação do serviço, mas essa definição de insumos aplicase ao IPI (que pressupõe um industrial como contribuinte), não à prestação de serviços. A adoção desse critério jurídico impróprio ao caso da Autuada torna insubsistente o trabalho fiscal. A inaplicabilidade da definição de "insumo", prevista na legislação do IPI, no contexto da não cumulatividade das contribuições sociais incidentes sobre a receita é matéria pacificada na jurisprudência da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Além disso, o inc. II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso ao determinar o direito aos créditos da nãocumulatividade do Pis e da Cofins nas aquisições de bens e serviços utilizados na prestação de serviços pelos Contribuintes, independentemente de serem consumidos direta ou indiretamente. Não há no texto constitucional quaisquer restrições à apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins. Por isso é vedado ao legislador infraconstitucional, bem como ao aplicador da Lei, restringir o seu alcance. A não cumulatividade do Pis e da Cofins é bem mais ampla que a prevista para o IPI e para o ICMS pois, na sua análise, o intérprete deve levar em consideração a relação entre as despesas incorridas e as receitas auferidas. Nesse cenário, o conceito de insumo, para efeitos de apuração de créditos do Pis e da Cofins não pode ser o mesmo desenvolvido pela doutrina e pela jurisprudência (administrativa e judicial) para efeito de apuração dos créditos de IPI e ICMS. Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 335 5 Os créditos permitidos para o Pis e a Cofins devem refletir todos os gastos (custos, despesas e encargos) que colaboram direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora das receitas, não se limitando às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem ou, então, aos serviços adquiridos e consumidos diretamente na prestação de serviços, como consignado no Termo de Verificação Fiscal. No caso, os créditos glosados são insumos e foram tomados exatamente porque estão relacionados à consecução do objeto social da Impugnante, vez que tais serviços viabilizam a produção de receitas da empresa, ou seja, são despesas relacionadas à aferição da receita tributável pelo Pis e pela Cofins. Os dados registrados na contabilidade da Recorrente e destacados nas notas fiscais de entrada nada dizem a respeito da materialidade e das particularidades dos serviços contratados, bem como da sua relação com os serviços prestados pela Impugnante. Por conseguinte, não podem sustentar a ilação da autoridade administrativa de que teriam "reflexo somente indireto na atividadefim do fiscalizado". Os dados extraídos do SPED e das notas fiscais indicam a existência de gastos incorridos com a contratação dos serviços, mas não permitem aferir a materialidade e as particularidades dos serviços contratados, bem como sua relação com os serviços prestados pela Impugnante. De forma que o SPED e as notas fiscais de entrada não podem, per si, ser havidos como elementos de prova das ilações empreendidas pela autoridade fiscal. Sendo assim, não há motivação adequada e específica nos lançamentos tributários, o que compromete os autos de infração lavrados. Entretanto, sem aprofundar as investigações, a autoridade administrativa optou pela utilização da presunção simples, encerrando prematuramente o trabalho fiscal, em total afronta ao disposto no art. 142 do CTN. A apuração das contribuições devidas ignora ordem judicial, vez que a Reclamante está albergada por sentença e por acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos do MS 2007.61.00.0119310, que determinou a não inclusão do ISS nas bases de cálculo do Pis e da Cofins. Assim sendo, ao menos parte do crédito tributário em discussão deveria ter sido constituída com exigibilidade suspensa e, por decorrência, sem o acréscimo de juros de mora e sem a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. O trabalho de "reapuração" das contribuições, levandose em conta o decidido no MS 2007.61.00.0119310, alcança também a quantificação dos créditos a serem descontados em todo o período alcançado pelo provimento jurisdicional, incluindo os anos de 2011 e 2012, objeto da autuação. Fl. 2936DF CARF MF 6 A inobservância do decidido nos autos do MS 2007.61.00.0119310 na quantificação e formalização dos créditos tributários lançados dá origem a exigências fiscais ilíquidas e incertas, o que enseja o cancelamento dos autos de infração. Ou, ao menos, que seja determinado que a quantificação do crédito tributário deve ficar condicionada à decisão final a ser prolatada nos autos do MS 2007.61.00.0119310. Insurgese contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%, face à inexistência de fundamentação legal. As disposições contidas no CTN somente autorizam a cobrança de juros de mora sobre tributos (obrigação tributária principal) ou penalidade pecuniária consubstanciada ou convertida em obrigação principal (por exemplo, multa isolada por insuficiência do recolhimento de estimativas). Requer também sua intimação, com antecedência razoável, dando ciência do local, data e horário da sessão de julgamento, para que possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos perante as autoridades julgadoras. Em 23 de junho de 2015, os autos foram baixados em diligência (Resolução 02001.930, fls. 2.462/2.466) para esclarecimentos relativos a despesas com serviços de assessoria, cujos créditos foram glosados pela fiscalização. Em atendimento à diligência solicitada, foi elaborado o relatório de fls. 2.538/2.541, cujas conclusões são abaixo transcritas: “Foram os mencionados serviços contratados no contexto da necessidade de capacitação para a realização de suas atividades (caso de assessorias ou de consultorias) ou da adequação às normas contábeis (casos de empresas de auditoria). Todavia, como bem esclareceu o contribuinte no item 13 do documento apresentado em resposta ao Termo de Diligência Fiscal, “os necessários e essenciais serviços registrados na RUBRICA Assessorias” e que “atuação dos respectivos prestados (sic) de serviços se limita, muitas vezes, a reuniões presenciais, emissão de opiniões verbais e/ou recomendações para a prática de determinada conduta”. Cabe ser ressaltado que as principais características do trabalho de assessoria são apoio, aconselhamento, orientações ou recomendações ao tomador de serviços, o que, sem sombra de dúvidas, não se consome no serviço final do contratante. Portanto, tratamse sim de serviços necessários, relevantes e essenciais às atividades de inovação do contribuinte, mas seguramente de efeitos indiretos sobre o resultado final. Assim, tais serviços de assessoria e de consultoria não se amoldam ao conceito de insumo estabelecido pela legislação de regência, uma vez que NÃO SE CONSOMEM DIRETAMENTE nos serviços prestados pelo contribuinte. Cabe ainda observação de que definitivamente também não há Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 336 7 previsão legal para o desconto de créditos do PIS e da Cofins sobre os gastos com a contratação de mão de obra temporária.” Devidamente cientificada do resultado da diligência, a Interessada atravessou, em 22/01/2016, novo arrazoado para repisar, em síntese que: Os gastos (custos, despesas e encargos) incorridos com gestão de pessoas, treinamento, recursos humanos, tecnologia da informação, backoffice e demais indicados no termo de verificação fiscal são utilizados na prestação de serviços e, portanto, autorizam a apuração de créditos da não cumulatividade do Pis e da Cofins. No curso da diligência fiscal a Interessada apresentou robusto conjunto de informações e documentos relacionados aos serviços prestados por pessoas jurídicas contratadas, comprovando a necessidade e a essencialidade dos respectivos gastos no desempenho das atividades empresariais, o que legitima o crédito decorrente dessas despesas. O aprofundamento nas investigações, no sentido de se obter informações e documentos inerentes aos serviços contratados nos períodos autuados, só ocorreu após a determinação da diligência fiscal o que, por si, já implica em cancelamento da autuação, por afronta ao art. 142 do CTN e reforça a manifesta precariedade dos lançamentos tributários na sua origem. A reintimação para a Requerente, após ciência do relatório de diligência, apresentar razões adicionais e específicas de defesa representa a introdução de novos elementos no processo e o reconhecimento da própria autoridade administrativa que, originalmente, os lançamentos não possuem suficiente e adequada fundamentação, como amplamente demonstrado na impugnação do contribuinte. A definição de insumos adotada pela fiscalização – com base na legislação do IPI – já foi afastada pela firme e pacífica jurisprudência da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A pretensão de se aplicar a uma empresa eminentemente prestadora de serviços, um conceito próprio da legislação do IPI é descabida e pode conduzir ao absurdo entendimento de que o aproveitamento de créditos, previsto na legislação da nãocumulatividade, não seria aplicável às empresas prestadoras de serviços. Todavia, o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 é categórico ao determinar o direito de crédito da nãocumulatividade do Pis e da Cofins, nas aquisições de bens e serviços utilizados (direta ou indiretamente) como insumo na prestação de serviços, e não apenas aos serviços consumidos diretamente na prestação dos serviços. Fl. 2938DF CARF MF 8 A própria natureza do "serviço" revela sua impossibilidade de se agregar "fisicamente" a outro serviço ou bem. O serviço é prestado e não agregado, ou consumido. Sendo assim, na tomada de créditos deve haver uma vinculação entre o serviço contratado e o serviço prestado; vinculação esta que não é física, mas sim funcional. Equivale a dizer que o serviço contratado deve viabilizar a prestação de outro serviço. Ao elaborar o relatório de diligência, a própria autoridade fiscal atestou a necessidade, a relevância e a essencialidade dos serviços contratados pela Requerente, no desempenho de suas atividades empresariais. Portanto, resta incontroverso que os serviços contratados pela Requerente nos períodos autuados dão direito à apuração de créditos a nãocumulatividade do Pis e da Cofins. (grifei) Em julgamento datado de 10 de maio de 2016, a DRJ Belo Horizonte/MG deu provimento parcial à impugnação do Contribuinte (Acórdão 0268.383), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALUGUEL DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da contribuição, nos moldes da legislação de regência, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas o trabalho executado por empregado temporário pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo/prestação de serviços mas, sendo esse trabalho realizado por pessoa física (art.2º da Lei nº6.019, de 1974, retrotranscrito), não é passível de gerar créditos das contribuições para o Pis e da Cofins, face à vedação contida no art.3º, §2º, I, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº10.833, de 2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 337 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALUGUEL DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da contribuição, nos moldes da legislação de regência, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas o trabalho executado por empregado temporário pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo/prestação de serviços mas, sendo esse trabalho realizado por pessoa física (art.2º da Lei nº6.019, de 1974, retrotranscrito), não é passível de gerar créditos das contribuições para o Pis e da Cofins, face à vedação contida no art.3º, §2º, I, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº10.833, de 2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PROCEDIMENTO POR AMOSTRAGEM. PRESUNÇÃO. DESCABIMENTO. A escolha do critério para proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa. O termo “por amostragem” apenas ressalva que não foram verificadas todas as operações realizadas pelo contribuinte, não implicando em presunção por parte da auditoria. Não cabe falar em presunção quando há nos autos provas suficientes e concretas dos fatos apurados. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. DETALHAMENTO DA GLOSA. O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos constituem fundamento da autuação e representam detalhamento à glosa dos créditos, não havendo que se falar em nulidade. Fl. 2940DF CARF MF 10 DECISÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. EFICÁCIA. DEVER DE OBSERVÂNCIA. Por tratarse de ação de natureza mandamental, as decisões de mérito exaradas em sede de mandado de segurança traduzemse em ordens de cumprimento imediato, devendo ser observadas pela Administração Tributária. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que rege o processo administrativo tributário federal não prevê que as partes possam oferecer sustentação oral nas sessões de julgamento da primeira instância administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao fim da decisão, o voto da Relatora, seguido pela unanimidade dos julgadores, apresentou as seguintes conclusões: Ante o exposto, voto por julgar PARCIALMENTE procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: 1) Sejam reconhecidos, nas apurações realizadas pela fiscalização, os efeitos da suspensão de exigibilidade do Pis e da Cofins incidentes sobre o Imposto Sobre Serviços – ISS, em cumprimento ao decidido nos autos do MS 2007.61.00.0119631 0. 2) Sejam restabelecidas as glosas referentes às seguintes despesas: Despesas com serviços de auditoria e contabilidade; Despesas com serviços de gestão de arquivos e documentos; Digitalização de documentos; Despesas com recrutamento e seleção; Despesas com treinamentos, conferências, organização de conferências. Nos termos discutidos no Item VI deste Voto, se após a implementação desta decisão restar constatada uma exoneração acima do limite previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, os autos devem retornar a esta Primeira Turma da DRJ/Belo Horizonte, para a interposição de recurso de ofício. Tendo em vista o quanto decidido pelo Turma Julgadora da DRJ Belo Horizonte/MG, foi apresentado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls 2613 a 2615), com os cálculos determinados pelo acórdão recorrido e a conclusão de que o valor exonerado ultrapassava o limite de R$1.000,000,00 (um milhão de reais), razão pela qual, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, foi interposto recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do crédito exonerado. Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 338 11 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 2660 2767), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Depois de intimada do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, por zelo quanto ao seu prazo processual, a Recorrente apresentou novo arrazoado (fls 2784 – 2905) que chamou de re ratificação do recurso voluntário, mais uma vez trazendo os argumentos que entende suficiente para a reformado julgamento a quo na parte em que foi negado provimento à Impugnação. Além dos fundamentos anteriormente trazidos em sua impugnação, a Recorrente traz novos pontos para a apreciação desse Colegiado, quais sejam: i) inconsistência na fundamentação para a manutenção da glosa de créditos relacionados ao serviços utilizados como backoffice; ii) omissão do julgamento da DRJ a respeito da glosa de créditos com serviços, que foram objeto da diligência durante o processo administrativo; iii) modificação de critério jurídico pela DRJ para manter determinadas glosas, em afronta ao artigo 146 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 02/06/2016, conforme informação de fls 1512, apresentando Recurso Voluntário em 30/06/2016. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, ele continua sendo passível de conhecimento, mesmo depois do advento da Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017, que aumentou o limite de alçada para R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais). Em seu recurso voluntário, a Recorrente traz ao julgamento do CARF pontos preliminares, seguidos da questão central de mérito, como relatado acima. Dessarte, passo à análise desses argumentos, na mesma ordem e forma que apresentados pela Recorrente. 1. Nulidade parcial da decisão por preterição do direito e defesa 1.1. Inconsistência na fundamentação para a manutenção da glosa de créditos relacionados ao serviços utilizados como backoffice A Recorrente afirma existirem uma série de “inconsistências, contradições e subjetivismos” na decisão recorrida, haja vista que além dos serviços de auditoria, contabilidade, gestão de arquivos e documentos, digitalização de documentos, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências e organização de conferências (glosas revertidas pela DRJ), diversos outros serviços e contratos são igualmente utilizados na prestação de serviços de backoffice pela Recorrente, merecendo também que suas glosas sejam revertidas, pela aplicação do raciocínio encampado pelo juízo a quo a respeito do ônus probatório ser da fiscalização em processos de auto de infração. Contudo, tal discussão se refere ao mérito do recurso, e não à suposta preliminar de nulidade, então mais adiante será devidamente tratada. Fl. 2942DF CARF MF 12 1.2. Omissões relevantes na r. decisão recorrida Neste tópico a Recorrente aponta aparente omissão do julgamento da DRJ a respeito da glosa de créditos com serviços, que foram objeto da diligência durante o processo administrativo, como relatado acima. Pelo relatório da final de diligência, tais serviços foram considerados essenciais para as atividades da Recorrente, porém suas glosas foram mantidas pela decisão recorrida, “sem qualquer critério ou prova”, no sentir da Recorrente. Constatamos que aqui novamente a discussão confundese com o mérito do recurso, razão pela qual postergo sua análise nesse voto. 1.3. Efeitos da decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0119310 Neste ponto a Recorrente se insurge contra as conclusões a respeito da implicação do reconhecimento da decisão judicial proferida no bojo do Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0119310 no presente processo administrativo. Explico. A DRJ decidiu que deveriam ser reconhecidos os efeitos da suspensão da exigibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS devidos sobre o Imposto sobre Serviços (ISS), uma vez que a referida ação mandamental teve tanto a sentença quanto a apelação favoráveis à Contribuinte, encontrandose hoje pendente de julgamento definitivo por estar sobrestada aguardando a manifestação do Supremo Tribunal Federal no RE n. 592.616/RS. Diante desse cenário, afirma a Recorrente que a além do reconhecimento da suspensão da exigibilidade e cancelamento da multa de ofício de 75%, é necessária também a reapuração dos créditos tributários constituídos de ofício, levando em consideração os saldos dos créditos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os quais devem ser reconstituídos desde a impetração do writ, fazendo valer a decisão judicial sobre a não incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre o ISS. Cumpre destacar que a Recorrente, na apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins nos períodos fiscalizados não excluiu da base de cálculo o ISS, conforme autorizado pela liminar judicial. Vale dizer, ao invés de passar a tributar a Contribuição ao PIS e a COFINS sem o ISS na base de cálculo, provisionando os valores em razão da decisão ainda sub judice, a Recorrente permaneceu calculando as contribuições como se a decisão do Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0119310 não existisse. Assim é que, pela descrição do lançamento tributário, a princípio haveria uma limitação do seu objeto às glosas dos créditos descontados indevidamente, com base no artigo 3º das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, não tangenciando qualquer problema com relação à falta de inclusão do ISS na apuração das Contribuições Sociais. Entretanto, ao analisar a forma de cálculo adotada pela autoridade fiscal, percebese que, na reapuração das Contribuições não fora retirado o ISS de suas bases de cálculos, como garante a decisão judicial em favor da Recorrente. Ou seja, no presente auto de infração há, ainda que de forma oblíqua, lançamento da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre valores devidos a título de ISS, na contramão do quanto decidido no Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0119310. A autoridade lançadora não poderia proceder dessa forma, uma vez que descumpre a determinação do artigo 63 da Lei n. 9.430/96, cujos dizeres determinam que o lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por decisão judicial não pode implicar no lançamento de multa de ofício. Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 339 13 Por essa razão considero que a decisão da DRJ, ao determinar o reconhecimento dos efeitos da suspensão da exigibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS devidos sobre o ISS, foi correta. Deve ser, portanto, mantida a decisão na parte em que acolheu o pleito da Contribuinte sobre a aplicabilidade dos efeitos do MS nesse processo. Contudo, há de ser afastado o pleito da Recorrente de reapuração dos créditos tributários levando em consideração os saldos dos créditos da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS reconstituídos desde a impetração do writ. Com efeito, não é possível que se dê, desde já, efeito à decisão proferida pelo TRF no Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0119310, como se definitiva fosse, transformando o presente processo de cobrança tributária por meio de lançamento de ofício em pedido de restituição de indébito. Aqui tratamos unicamente do específico período de apuração da autuação fiscal (01/01/2011 a 31/12/2012), com relação aos débitos da Contribuição ao PIS e da COFINS decorrentes da reapuração feita pelo lançamento tributário por força das glosas de crédito. Com relação, portanto, a estes específicos débitos é que se deve reconhecer os efeitos da suspensão da exigibilidade acima descritos. No caso de consagrarse definitivamente vencedora na ação judicial (comprovada com seu trânsito em julgado), a Recorrente poderá tranquilamente requerer pelas vias administrativas ou judiciais adequadas a reapuração dos créditos tributários de todo o período determinado pela decisão do Poder Judiciário anterior, similar ou posterior ao tratado nesse processo administrativo , em razão de ter pago indevidamente as Contribuições sobre o ISS, repetindo então o indébito tributário. Concluo então por manter a decisão da DRJ sobre as implicações das decisões do MS n. 207.61.00.0119310 nesse processo, quais sejam: o cancelamento da multa de 75% sobre os valores cobrados indevidamente com o ISS inserido na base de cálculo. 1.4. Iliquidez e incerteza dos créditos tributário apuradas na diligência solicitada pela decisão recorrida Alega a Recorrente que, apesar de a decisão da DRJ ter cancelado determinadas glosas, as mesmas não foram observadas em sua integralidade na diligência requerida pela instância a quo (fls 2615 a 2645). A mesma diligência também não teria cumprido a decisão da DRJ sobre os efeitos do Mandado de Segurança n. 207.61.00.0119310 na apuração dos débitos. Entretanto, cumpre observar que a diligência foi requerida para fins de apuração do quantum exonerado pelo julgamento recorrido, de modo a saber se ultrapassava o limite legal para a interposição de recurso de ofício, e não para a liquidação do Acórdão 02 68.383, o qual, como se sabe, ainda não é final pois depende ainda da decisão a ser exarada por este Conselho, não podendo antes desse momento ser liquidado. É o que dispõe os artigos 43 a 45 do Decreto 70.235/72. Efetivamente, não ocorreu nenhuma das situações de definitividade do julgamento, traçadas no artigo 42 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: Fl. 2944DF CARF MF 14 I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Assim, não há que se falar em coisa julgada administrativa, liquidação ou incerteza e iliquidez do crédito passível de culminar em sua nulidade. De toda sorte, haja vista o conteúdo do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 02 , de 23 de agosto 2016, 1 sobre a inexistência de recurso contra a liquidação pela unidade preparadora de decisão definitiva no processo administrativo fiscal julgando parcialmente procedente lançamento, por força da coisa julgada material incidente sobre esta lide administrativa, é de bom alvitre sinalizar o lapso do trabalho da autoridade fiscal de origem. É o que cumpre nesse julgamento ficar registrado. 1.5. Da alteração de critério jurídico para manter parcialmente os lançamentos tributários No sentir da Recorrente, haveria alteração de critério jurídico in casu. Isto porque o auto de infração foi lavrado com base no entendimento de que os serviços contratados teriam reflexo indireto nas suas atividades empresariais, contudo, posteriormente, no relatório da diligência fiscal a autoridade administrativa teria atestado a essencialidade dos serviços contratados pela Recorrente. Este último entendimento fora desprezado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, mantendo a glosa de determinados serviços. Ademais, a decisão recorrida separou os gastos da recorrente em sete grupos, de forma inaugural em relação ao auto de infração, trazendo novas distinções e motivações para manter a glosa. Contudo, deixo de analisar a questão com fulcro no artigo 59, §3º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972, cujo texto dispõe: “quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 1.6. Da Falta de Aprofundamento nas Investigações e ausência de provas (violação aos artigos 112 e 142 do CTN) A Recorrente brada pela decretação de nulidade do lançamento tributário, uma vez que teriam ocorrido, no presente caso, os seguintes vícios: i) a fiscalização efetuou o lançamento sem uma prudente análise documental do contribuinte e sem efetuar o cotejo entre 1 Entretanto, de acordo com o referido Parecer Normativo: "8. Como se trata de lançamento de ofício definitivamente constituído, o sujeito passivo pode apresentar, de forma fundamentada, petição contendo pedido de revisão de ofício de débitos, desde que se trate exclusivamente de erro de fato contido na liquidação do acórdão. Para tanto, devem ser verificadas as condições e restrições contidas no Parecer Normativo RFB nº 3, de 2014, notadamente nos itens 21, 22 e 56. Notese que essa revisão de forma alguma pode implicar alteração da decisão dos órgãos julgadores, ou seja, não pode ensejar qualquer juízo de valor quanto a isso. O que ela pode rever é simplesmente se a conversão do julgado em números foi correta ou não." Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 340 15 seu objeto social os créditos de PIS/COFINS que eram tomados; ii) tendo isso em vista, depois do protocolo da Impugnação foi requerida diligência para a DRJ, na qual foi refeito o trabalho da fiscalização, agora sim trazendo elementos probatórios aos autos, tudo na contramão do que determina o artigo 142 do CTN; iii) a fiscalização efetuou o lançamento por amostragem, o que não é permitido. Pela leitura do Termos de Verificação Fiscal (“TVF”), constatase que a autoridade lançadora, interpretando a legislação que disciplina a Contribuição ao PIS e a COFINS (art. 3º, incisos I, II, IV, V, VII e IX das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004, Instrução Normativa 247, de 21 de novembro de 2002, Instrução Normativa 404, de 12 de março de 2004), entendeu que há permissão legal para a tomada de crédito das referidas contribuições tão somente dos bens e serviços diretamente consumidos na atividade final da Recorrente (prestação de serviços), que são justamente aqueles elencados expressamente pelos atos normativos citados: energia elétrica consumida nos estabelecimentos, aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, armazém e frete nas operações de venda, bem como encargos de depreciação sobre os imóveis e equipamentos (fls 1218). Assim, glosou diversos itens por entender que se tratam de dispêndios cujo reflexo era somente indiretamente importante para a atividadefim da empresa (fls 1218), quais sejam: serviços de assessoria, consultoria, auditoria, advocacia, gestão empresarial, contabilidade, propaganda e marketing, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, administração de creche, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, gestão de arquivos e documentos, digitalização de documentos, bem como mão de obra temporária, manutenção predial, ginástica laboral, dança, terapias e massagens. Dando continuidade à análise do TVF, verifico que a fiscalização se baseou nos documentos fiscais e informações apresentados pela própria Contribuinte, deixando claro seu o entendimento do porquê considerou indevidos os créditos tributários escriturados e declarados pela Recorrente. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho, de fls 1218 do TVF: Fl. 2946DF CARF MF 16 A questão fulcral é o conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, o qual restringese na visão da fiscalização ao adotar como critério para a interpretação do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 o conceito de IPI estampado nas Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004. É discutível tal conceituação, como restará demonstrado na parte dedicada ao mérito deste voto. Contudo, sendo esse o critério adotado pela Fiscalização, como é claro pela leitura do TVF, não há que se falar em falta de motivação do lançamento hábil a decretação de nulidade do ato administrativo. O mesmo se diga com relação às provas (contrato social, contratos de prestação de serviços, livros, notas fiscais, etc) que foram requeridas pela Fiscalização por meio dos diversos Termos de Intimação constantes dos autos, apresentadas pela Recorrente em suas respostas às intimações e analisadas para a elaboração dos autos de infração. Tanto é assim que a Recorrente pode apresentar robusta defesa, contradizendo o entendimento adotado pela fiscalização. A diligência fiscal que sucedeu a lavratura do auto de infração não altera tal conclusão, à medida que serviu para dirimir a dúvida que pairava no espírito dos julgadores de primeira instância, os quais lêem os requisitos para a legitimidade da tomada de crédito de PIS/COFINS de forma mais abrangente que a fiscalização, razão pela qual se fez necessária a complementação do conjunto probatório, exatamente como permite o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sobre a alegação de o lançamento ter sido efetuado por amostragem, tampouco entendo assistir razão à Recorrente. Como ressaltado pelo acórdão recorrido, dentre os diversos Termos de Intimação Fiscal que tinham por objetivo proporcionar à autoridade fiscal o conhecimento das atividades desenvolvidas pela Recorrente, destacase o Termo de Intimação Fiscal nº 003 (fl. 126), cujo conteúdo requeria “os contratos com prestadores de serviços (consultorias, mãodeobra temporária, gerenciamento de infraestrutura, serviços Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 341 17 quarteirizados e serviços prestados entre empresas do grupo), com vigência nos anos calendário 2011 e 2012.” Em sua resposta a esse Termo de Intimação, a Recorrente reconheceu o grande volume de contratos firmados nos anoscalendário 2011 e 2012, tendo apresentado, por amostragem, apenas alguns desses instrumentos (fl. 136). Assim, o auto de infração foi lavrado com base nos documentos oferecidos pela própria Recorrente, que foram suficientes para lançar o crédito tributário de acordo com o entendimento da autoridade fiscal, estampado nas fls 1218 do TVF supratranscrito, o qual será analisado mais a frente, onde também terá lugar a argumentação da Recorrente a respeito da aplicação do artigo 112 do CTN (ônus da prova em processos de glosas de crédito de PIS/COFINS). Assim, entendo que os fundamentos da Fiscalização, apesar de sucintos, são claros e objetivos, bem como os fatos que ensejaram a autuação estão corretamente descritos. Não existe, portanto, a alegada ofensa ao artigo 142 do CTN, razão pela qual tampouco caracterizouse ofensa ao direito da ampla defesa e do contraditório do contribuinte, a ensejar a nulidade do lançamento tributário (artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72). 2. Da Conceituação de 'Insumos' para fins de aproveitamento de Créditos da Contribuição ao Pis e da Cofins A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). 2 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). 3 Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou 2 AC nº 20312.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007. 3 AC nº 320200.22, Processo nº 11020.001952/200622, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de dezembro de 2010. Fl. 2948DF CARF MF 18 conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.4 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 5 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/996 (Acórdão 3402002.881), 7 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. 4 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. 5 AC nº 3302002.674, Processo nº 13971.720063/200814, rel. Fabíola Cassiano Keramidas, sessão de 19 de agosto de 2014. 6 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 7 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição de defesa robusta, não rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 342 19 Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. Ainda, não é demais ressaltar a particularidade do presente caso em relação ao quotidiano de julgamento no CARF sobre o tema: aqui tratamos unicamente da tomada de serviços para uma subsequente prestação também de serviços. Não existe processo industrial. Não existe materialidade nos bens sob discussão. Por isso é preciso atentar ao fato de que este cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. (...). Fl. 2950DF CARF MF 20 julgamento pautarseá exclusivamente na análise de contratos, e não no recorrente "processo produtivo" de empresas, o que faz com que aferição do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS seja inegavelmente mais complexa e abstrata. Por essa razão é de suma importância a consistência dos critérios adotados para a reversão ou não das glosas perpetradas pela fiscalização. Traçadas essas premissas, destaco o objeto social da Recorrente, retirado dos atos constitutivos vigentes à época da autuação fiscal, constantes dos autos. De acordo com 24ª Alteração Contratual, de 08 de junho de 2009, as atividades exercidas pela Recorrente eram: A – prestação de serviços de separação, embalagem para transporte, endereçamento de mercadorias e assessoria logística; B – prestação de serviços de consultoria e assessoria em sistemas de informações, desenvolvimento de softwares, administração de bancos de dados e redes de serviços relacionados à Internet, locação de equipamentos de informática de grande porte e treinamento em informática; C – prestação de serviços de assessoria fiscal e contábil, gestão em controle patrimonial, gestão financeira, gestão de tesouraria e planejamento econômico, gestão em recursos humanos e treinamento em recursos humanos; D – participação e administração, sob qualquer forma, em negócios de qualquer natureza, na qualidade de sócia quotista ou acionista. Já de acordo com a 25ª Alteração Contratual, de 15 de fevereiro de 2012, foi reduzido o objeto social da empresa, ficando resumido a: A – prestação de serviços de separação, embalagem para transporte, endereçamento de mercadorias e assessoria logística; B – gestão em recursos humanos e treinamento em recursos humanos; C – participação e administração, sob qualquer forma, em negócios de qualquer natureza, na qualidade de sócia quotista ou acionista. Dentro deste contexto, a Recorrente presta diversos serviços para as empresas o Grupo Natura. Dentre eles, destacamse o contrato de prestação de serviço de backoffice,(fls 253 a 291) e assessoria logística. Com relação à prestação de serviço de backoffice, de acordo com a Cláusula 1ª, o objeto do contrato é que a “prestação de serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia da informação, administração de dados e processamento de informações.” Na Cláusula 2ª do mesmo instrumento contratual, consta que: Estão contemplados no escopo dos serviços as atividade de assessoria em gestão e TI. Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 343 21 a) Contabilidade: serviços de contabilidade, que compreendem a contabilização de movimentos diários, fechamento de balanço mensal, fechamento de balanço anual, consolidação de demonstrações financeiras para publicações, bem como arquivo de documentos contábeis e fiscais; b) Fiscal: assessoria fiscal, que compreende a apuração e recolhimento de tributos, conferência fiscal do recebimento de mercadorias, elaboração de livros fiscais e demais obrigações exigidas pelas autoridade federais, municipais e estaduais; elaboração de arquivos magnéticos e demais informações eletrônicas exigidas pelas autoridade federais, municipais e estaduais; acompanhamento da legislação tributária e das fiscalizações; obrigandose a prestar informações à Contratante; c) Planejamento Econômico: envolve a coordenação e elaboração do orçamento da Contratante, análise e projeção de resultados, gestão do modelo e informações gerenciais, elaboração e divulgação dos resultados gerenciais; análise de eficiência e resultados, coordenação de relatório anual da Contratante; d) Tesouraria (Assessoria em Contas a Pagar e Tesouraria): compreendem a autorização de pagamentos, sendo: reembolso de despesas, liquidação de débitos, controle de contratos que geram desembolsos, acompanhamento de títulos em Cartório, identificando e dirimindo os motivos que ensejaram a situação; controle, liquidação e contabilização de títulos a receber originados de vendas diversas; acompanhamento de pagamentos originados de projetos; conciliação de contas contábeis (fornecedores, colaboradores e clientes da Contratante); gerenciamento de recursos financeiros; escolha de agentes financeiros; aplicação e captação de recursos; disponibilização de recursos financeiros; elaboração de fluxo de caixa; cotação para realização de operações financeiras; emissão de relatórios de controle de recursos captados; emissão de relatórios de controle de recursos aplicados; obtenção de informações de cobrança e obtenção de informações de cheques devolvidos. e) Auditoria: auditoria nas áreas designadas pela Contratante, conforme metodologia de controle de avaliação dos riscos e dos seus controles internos, efetuando recomendações de aperfeiçoamento dos controles internos da Contratante, através da emissão de relatórios formais, bem como, acompanhamento das sugestões efetuadas; f) Serviços Administrativos em geral; g) Assessoria em Recursos Humanos, Recrutamento e Seleção; h) Treinamento em Recursos Humanos; i) Assessoria em Tecnologia da Informação, Administração de Dados e Processamento de Informações. Fl. 2952DF CARF MF 22 Já no que tange aos contratos de prestação de serviços de assessoria logística, o escopo dos serviços pactuados abrangia: a) Separação dos produtos, conforme ordem de pedido colocada pela Contratante; b) colocação de produtos em caixas para transporte; c) conferência e lacre das caixas montadas; d) preparação dos lotes em pallets; e) disponibilização dos pallets e separação por região e por transportadora; f) assessoria na contratação das empresas transportadoras e seguradoras; g) administração dos contratos de prestação de serviços de transporte, firmados entre a contratante e os prestadores de serviços de transporte; h) assessoria logística contínua, a fim de sempre identificar as melhores condições e oportunidades de melhoria na entrega dos produtos da Contratante para seus clientes; i) administração e controle de todas as entregas até o endereço do cliente da Contratante; j) gerenciamento de toda a carga não entregue ou devolvida, bem como a verificação da qualidade do produto devolvido, antes de integrar os estoques da Contratante. A Recorrente informa que para conseguir honrar suas obrigações assumidas dentro do Grupo Natura (assessoria e consultoria), comumente recorre à outras pessoas jurídicas (prestadores de serviços) para contratar serviços que não consegue atender diretamente (subcontratação). Foram tomados créditos referentes a aquisição destes serviços sob a rubrica Assessoria, os quais foram glosado pela fiscalização. Os contratos apresentados pela Recorrente sobre tais serviços é que ensejaram a DRJ a baixar o processo em diligência, mediante a Resolução n. 02001.930.8 Dando cumprimento à análise solicitada pela Resolução, no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls 2538 a 2541) temos o seguinte: Em 26/10/2015, o contribuinte apresentou as seguintes informações sobre os serviços cujos créditos das contribuições foram glosados na ação fiscal: Quanto à Account Assessores S/S Ltda., apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de mãodeobra especializada, tendo por objeto as seguintes atividades: emissão de pedidos de compras para área de tecnologia, digitalização de notas fiscais para atendimento ao CAP, controle de pagamento de 8 “De acordo com o que afirma a Recorrente, a execução de alguns dos serviços contratados com as outras empresas do Grupo Natura pode ser feita por outras pessoas jurídicas subcontratadas. Sendo assim, algumas das despesas com contratos de assessoria podem, de fato, estar intrinsecamente relacionadas ao seu processo produtivo, assim entendido, à "produção" de seus serviços, no período fiscalizado. Por conseguinte, será necessário que a fiscalização proceda a uma análise percuciente dos valores glosados na rubrica Assessoria, a fim de esclarecer se tais despesas estão intrinsecamente relacionadas aos serviços prestados pela Recorrente.” (fls 2466) Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 344 23 fretes, recebimento fiscal, marketing de relacionamento, treinamento comercial (abertura e recebimento de listas de presença de cursos ministrados, apoio a equipe de desenvolvimento e treinamento para públicos CN e CNO, atendimento às GR’s, logística do workshop “nossos diferenciais” e atendimento à força de vendas via email) e cálculo da provisão da repartição de benefícios”; Quanto à Ernest & Young Terco Assessoria Empresarial Ltda., apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de consultoria na área logística, para a consecução de configuração no sistema de planejamento SAPAPO”; Quanto à Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes, apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de auditoria das demonstrações contábeis anuais, individuais e consolidadas, relativas ao exercício encerrado em 31/12/2010”; Quanto à Pricewaterhouse Coopers Assessoria em Processos e Negócios Ltda., apresentou contrato de “(a) prestação de serviços de refinamento dos perfis de acesso ao SAP, cujos objetivos eram a conscientização e capacitação, redução do risco, saneamento dos perfis e qualificação dos chamados: e (b) prestação de serviços relativos à segurança da informação”; Quanto à PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos Ltda., apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de assessoria para continuidade de testes relativos à Lei Sarbanes Oxley, artigo 404, para o ano de 2011” Quanto à Pricewaterhouse Coopers Auditores Independentes, apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de asseguração do Relatório do Inventário de Emissão de Gases de Efeito Estufa do exercício de 2010”; Quanto à ESJ – Enio Sperling Jaques Assessoria e Consultoria S/C Ltda., apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de assessoria na área jurídica trabalhista, no levantamento dos documentos de processos, pesquisas de jurisprudências, acórdãos, orientações jurisprudenciais, fiscalizações e questões de relativas a entidades sindicais patronais e profissionais”; Quanto à GTR – Gestão de Transportes e Risco S/A, apresentou cópia do contrato de “prestação de serviços de gestão e operação da Central de Tracking dos Pedidos e Monitoramento da Operação de Transporte”. Quanto à Visão Campinas – Assessoria Recursos Humanos Sociedade Limitada, apresentou “notas fiscais comprovando a contratação de serviços de mãodeobra temporária”; Quanto à DNS Assessoria Empresarial., apresentou cópia da “proposta datada de 21/12/2011, para renovação da licença de software de gerenciamento de espaços confinados, que consiste Fl. 2954DF CARF MF 24 em um aplicativo de Gestão da NR33 (Segurança do Trabalho), e treinamento de colaboradores”; Quanto à Towers Watson Assessoria, apresentou cópia do “relatório com os resultados da pesquisa de mercado sobre práticas de administração salarial e de estruturas organizacionais junto a um grupo selecionado de empresas para subsidiar a tomada de decisão, buscando a aderência às melhores práticas de mercado”; Quanto à Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes, apresentou cópia do “parecer de auditoria sobre as demonstrações contábeis individuais e consolidadas relativas ao exercício encerrado em 31/12/2010”; Quanto à GTR – Gestão de Transportes e Risco S/A, apresentou cópia do “relatório técnico denominado Projeto de Tracking (Mapa de Responsabilidades)”; No item 13 do documento de 26/10/2015 apresentado à fiscalização, “esclarece a Requerente que, invariavelmente, os necessários e essenciais serviços registrados na Rubrica “Assessorias” não são materializados por relatórios e alguns são até mesmo dispensados de elaboração de contratos, sendo certo ainda que a atuação dos respectivos prestadores de serviços se limita, muitas vezes, a reuniões presenciais, emissão de opiniões verbais e/ou recomendações para a prática de determinada conduta”; (Grifei e destaquei) De fato, os serviços de assessoria e de consultoria utilizados pelo contribuinte são essenciais e relevantes para a realização de sua atividade econômica (até janeiro de 2012, prestação de serviços de consultoria e assessoria em sistemas de informações, desenvolvimento de softwares, administração de banco de dados e rede de serviços relacionados à internet, locação de equipamento de informática de grande porte e treinamento em informática, prestação de serviços de assessoria fiscal e contábil, gestão em controle patrimonial, gestão financeira, gestão de tesouraria e planejamento econômico, serviços de separação, embalagem para transporte, endereçamento de mercadorias e assessoria logística (picking), de gestão e treinamento em recursos humanos; a partir de fevereiro de 2012, apenas prestação de serviços de separação, embalagem para transporte, endereçamento de mercadorias e assessoria logística (picking), de gestão e treinamento em recursos humanos. Foram os mencionados serviços contratados no contexto da necessidade de capacitação para a realização de suas atividades (caso de assessorias ou de consultorias) ou da adequação às normas contábeis (casos de empresas de auditoria). Não se pode perder de vista que no presente caso a empresa autuada é prestadora de serviços (área de logística, picking, backoffice e recursos humanos) que, por sua vez, contrata determinados serviços de terceiros para atingir seu escopo. Em casos como este, entendo que não é cabível aproximar a ideia de “essencialidade” do insumo à ideia de “vinculação física” ou “consumo direto”, própria do IPI, como aventa a fiscalização no Termo Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 345 25 de Encerramento de Diligência Fiscal. Afinal, um serviço não se desgasta ou consome, mas sim é “utilizado” no objeto social da empresa, exatamente como requer o artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Pela definição dos serviços de Consultoria e Assessoria contratados pela Recorrente, descritos no excerto acima, é hialino que se amoldam ao seu objeto social como operadora logística do Grupo Natura. Em poucas palavras: a Recorrente é tomadora de tais serviços para que possa exercer sua atividade, razão pela qual a contratação desses mesmos serviços, nesse caso, caracteriza custo de produção e, por conseguinte, deve dar direito ao crédito de PIS/COFINS. A própria Receita Federal já se manifestou sobre casos como o da Recorrente, convalidando a tomada de crédito de PIS/COFINS de empresas subcontratadas para a assessoria na prestação de serviços que são típicos do objeto social do contribuinte. Vejamos: Solução de Consulta nº. 38/2010 (SRRF 6ª Região Fiscal) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ATENDIMENTO. São considerados insumos, para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.833/2003, os serviços de atendimento a clientes da consulente prestados por pessoas jurídicas subcontratadas, domiciliadas no país, desde que respeitados todos os demais requisitos legais e normativos atinentes à espécie. Poderão ser aproveitados os créditos ainda não utilizados, referentes aos serviços prestados pelas empresas subcontratadas, contanto que dentro do prazo prescricional de 5 (cinco) anos. Por tudo quanto aqui exposto (objeto social da Recorrente, escopo dos serviços de backoffice, escopo dos serviços de assessoria logística e picking (doc 8 da impugnação, contratação de empresas para consultoria e assessoria mencionados no relatório de diligência), entendo que não há motivo para reverter as glosas canceladas pelo acórdão recorrido (Despesas com serviços de auditoria e contabilidade; Despesas com serviços de gestão de arquivos e documentos; Digitalização de documentos; Despesas com recrutamento e seleção; Despesas com treinamentos, conferências, organização de conferências). Devem, isto sim, serem igualmente canceladas as glosas com: i) Despesas com serviços de assessorias e consultorias; ii) serviço de advocacia; iii) Despesas com serviços de gestão empresarial, haja vista que também são englobadas pelo objeto social da Recorrente e o escopo dos contratos citados. O mesmo se diga com relação às iv) Despesas com alocação de estagiários e v) despesas com a contratação de mãodeobra temporária, que também devem ter as glosas canceladas. Isto porque, analisando o TVF, constato que as empresas são subcontratadas para a prestação de serviço de alocação de estagiários e de mãodeobra temporária para serviços de RH. 9 9 Quase em tua totalidade pela Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios e pela a Proativa Recursos Humanos Ltda (empresa de recrutamento e seleção de profissionais), respectivamente. Fl. 2956DF CARF MF 26 Ora, como amplamente visto acima, a gestão de recursos humanos constava no objeto social da Recorrente no período fiscalizado, bem como do escopo do contrato de backoffice. Dessarte, a contratação de empresa justamente para tal ofício é insumo utilizado na prestação do Serviço da Recorrente. A fiscalização nunca trouxe prova aos autos que infirme tal conclusão, como lhe é determinado pela distribuição do ônus da prova, delineada alhures. Ademais, a locação de mãos de obra constitui prestação de serviço, já que sujeita ao ISS, conforme Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003 (item 17.05 Fornecimento de mão de obra, mesmo em caráter temporário, inclusive de empregados ou trabalhadores, avulsos ou temporários, contratados pelo prestador de serviço), de forma que não há óbice algum no seu enquadramento como serviço para fins de caracterização de insumo para o direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos moldes do artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme já decidiu este Conselho no Acórdão 1402002.337 Processo 16004.720395/201393, Data da Sessão 05/10/2016, Relator FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO). 10 10 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. OPERAÇÕES REALIZADAS A VALOR DE MERCADO. INCORRÊNCIA. Não há que se falar em distribuição disfarçadas de lucros quando as operações foram realizadas em valores absolutamente dentro da média praticada no mercado. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Em decorrência da relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento de CSLL as razões de decidir utilizadas em relação ao lançamento de IRPJ. PIS E COFINS. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NORMA QUE ESTIPULE VALORES MÍNIMOS NAS OPERAÇÕES INTRAGRUPO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Demonstradas que as operações questionadas pelo Fisco não configuram distribuição disfarçada de lucros, tampouco simulação, e na ausência de normas que estipulem valores mínimos a serem praticados entre empresas do mesmo grupo para fins da incidência de PIS e de Cofins no regime monofásico, cancelase o crédito tributário correspondente. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. INSUMO. CONSULTORIAS. Insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto ou serviço prestado. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ANÁLISE LABORATORIAL. EXIGÊNCIA DA ANVISA. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos relativos à aquisição de serviços ligados à análise laboratorial, decorrentes de exigências legais, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. A locação de mão de obra é citada expressamente como prestação de serviço, já que sujeita ao ISS, conforme Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003 item 17.05 Fornecimento de mão de obra, mesmo em caráter temporário, inclusive de empregados ou trabalhadores, avulsos ou temporários, contratados pelo prestador de serviço. Não se pode confundir a locação de mão de obra (prestação de serviço), com a locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pois essa não é considerada prestação de serviço (Súmula Vinculante STF nº 31), razão pela qual o legislador citou expressamente que dá direito ao crédito de PIS e Cofins o pagamento feito a pessoas jurídicas a título de locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, não sendo necessária a menção direta a locação de mão de obra por esta já estar enquadrada no conceito de insumo utilizado na produção e fabricação de bens e produtos destinados à venda. Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 346 27 Ainda com relação à centralização na Recorrente da prestação de serviços relativas ao RH, cumpre lembrar que a função do RH vai desde a seleção dos profissionais que atuam nas empresas até a garantia da qualidade do serviço prestado e da produtividade para o empregador. Nesse sentido, também é papel do setor de Recursos Humanos fazer com que as normas de segurança do trabalho sejam aplicadas, afiançando a saúde física e psíquica dos trabalhadores, além de sua segurança, evitando a ocorrência de acidentes, sinistros e doenças laborais. Tendo isso em vista, as glosas referentes a vi) ginástica laboral, dança, terapias, massagens e medicina do trabalho devem ser canceladas. No que tange ao setor de TI, lembremos que o contrato de backoffice prevê que a Recorrente se responsabiliza pela “Assessoria em Tecnologia da Informação, Administração de Dados e Processamento de Informações.” Por essa razão, entendo que a Fiscalização não trouxe nada aos autos que desconecte os serviços descritos e comprovados pela Recorrente (no próprio contrato de backoffice, além dos contratos de suporte e licencimanto de software, bem como os contratos de terceirização de videoconferência audioconferência doc 12 da impugnação, fls 2000 e seguintes) com as despesas que foram glosadas pela fiscalização. Desse modo, os dispêndios com vi) Despesas com serviços de produção de vídeos; vii) Despesas com telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz; por falta de prova em contrário pela Fiscalização, devem ser entendidos como custos de produção da Recorrente, e, portanto, dando direito ao crédito pretendido. Vêse ainda que o contrato de backoffice prevê que a Recorrente será remunerada por “serviços administrativos em geral”. Aqui, mais uma vez por falta de a Fiscalização ter se desincumbido do ônus da prova de demonstrar que determinados dispêndios não se coadunavam com o exercício das atividades da Recorrente, prestadora de serviço que centralizava tal função no Grupo Natura, tudo conforme seu objeto social, entendo que as glosas com despesas com locação de equipamentos para comemorações ou reuniões; despesas com serviços de hotelaria, viagens a serviço e administração de creche; despesas com serviços de saneamento; despesas com gestão e manutenção predial; despesas com serviços de tradução; despesas com eventos comemorativos também devem ser revertidas. Finalmente, cumpre retomar outra atividade central desenvolvida pela Recorrente: a assessoria logística. A esse respeito, a Recorrente descreve a relevância dos serviços de logística e picking para suas atividades dentro do Grupo Natura. Explica e comprova que o Grupo utiliza o sistema de venda portaaporta, por revendedores autônomos (doc 4 e 5 da impugnação). Assim, não há postos fixos de revenda (doc. 6 da impugnação), mas sim centros de distribuição localizados em pontos específicos do país (doc 7 da impugnação). O picking, explica, inserese nesse contexto, sendo um “processo de separação destes produtos, para o atendimento dos pedidos que, quando recebidos, são encaminhados para diferentes linhas onde as caixas são identificadas com o nome dos revendedores, cada produtos solicitado é separados nestas linhas e acondicionados nas caixas.” Para conseguir Portanto, caso o legislação não citasse expressamente o direito à apropriação de crédito relativo a locações de prédios, máquinas e equipamentos não seria possível incluir tal direito na cláusula geral de serviço prestado por pessoa jurídica, o mesmo não ocorrendo em relação à locação de mão de obra. (...) Recursos Voluntários dos Coobrigados Providos. Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica Autuada Provido em Parte. Fl. 2958DF CARF MF 28 manter esse sistema, a Recorrente incorre em custos com call center, certificação de produtos, locação de veículos e transporte de empregados. Com razão a Recorrente, que trouxe aos autos explanações e documentos sobre suas atividades prestação de serviços de separação, embalagem para transporte, endereçamento de mercadorias e assessoria logística , de forma a demonstrar que, no seu específico caso, os custos com call center, certificação de produtos, locação de veículos e transporte de empregados, devem conferir o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, por se tratarem de custo de produção, indispensáveis para a atividade da empresa. Assim, entendo que tais glosas igualmente devem ser canceladas. Em síntese, todas as glosas merecem ser canceladas, com exceção dos créditos tomados pela contratação de serviço de propaganda e marketing e despesas com telemarketing, que não se amoldam ao objeto social da Recorrente, tampouco aos contratos que foram apresentados nesse processo, razão pela qual os valores despendidos para seu pagamento não caracterizam custo de produção da Recorrente, e, por conseguinte, não podem dar direito ao crédito. 3. Juros sobre a multa de ofício Com relação à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os “ “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarse á, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (“CTN”), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3ª) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 347 29 sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 11311 combinado com o artigo 139,12 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402 002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4, 13 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. 11 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 12 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 13 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 2960DF CARF MF 30 Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do tributo não recolhido (PIS/COFINS), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Tratase do AgRg no REsp 1.335.688PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 3402003.989 S3C4T2 Fl. 348 31 defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. Dessarte, voto por dar provimento ao recurso voluntário para a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: i) mantendo a decisão da DRJ sobre as implicações das decisões do MS n. 2007.61.00.0119310 nesse processo, quais sejam, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente às Contribuições calculadas com o ISS em sua base, com o respectivo cancelamento da multa de ofício; ii) igualmente mantendo as reversões de glosas efetuadas pela instância a quo, vale dizer: despesas com serviços de auditoria e contabilidade; despesas com serviços de gestão de arquivos e documentos; digitalização de documentos; despesas com recrutamento e seleção; despesas com treinamentos, conferências, organização de conferências. Quanto ao recurso voluntário, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para: iii) cancelar as glosas referentes a serviços de assessoria, consultoria, advocacia, gestão empresarial, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, Fl. 2962DF CARF MF 32 administração de creche, despesas com eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, bem como mão de obra temporária, manutenção predial, ginástica laboral, dança, terapias e massagens; e iv) para a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 2963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900025/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.998
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 5/ 20 12 -5 5 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.022. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.900025/201255 Resolução nº 3401000.998 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722730/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995.
LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários.
INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE.
Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no polo passivo da autuação.
COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE.
São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF.
INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO.
Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal.
IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB.
INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, dar-lhes provimento parcial para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Relator
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PAGAMENTOS SEM CAUSA Recorrente CORDEIRO LOPES & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos sem que seja justificada a causa destes, cabível o lançamento contra a fonte pagadora na alíquota de 35%, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA BAIXADA DE OFÍCIO PELA RFB POR INEXISTÊNCIA DE FATO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que é perfeitamente possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa que se encontra com baixa de ofício no CNPJ por inexistência de fato, posto que esta providência administrativa não extingue a empresa, que pode inclusive readquirir a regularidade frente aos órgãos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 30 /2 01 2- 35 Fl. 4050DF CARF MF 2 INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTO CONTRA ESTA. POSSIBILIDADE. Uma vez que o fisco considerou que os pagamentos sem causa foram efetuados pela empresa autuada, para a qual não houve a desconsideração da personalidade jurídica, cabível que figure no polo passivo da autuação. COEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS COM DE IRRF. POSSIBILIDADE. São compatíveis os lançamentos formalizados na ação fiscal sob apreciação, posto que o IRPJ e reflexos alcança fenômeno tributário ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. INTIMAÇÃO DAS SOLIDÁRIAS SOBRE A ORIGEM DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES DA AUTUADA. MATÉRIA ESTRANHA À DISCUSSÃO. Considerando que o lançamento sob apreciação não contempla incidência sobre entrada de recursos em contas correntes da autuada, não é cabível na presente lide a discussão acerca da necessidade de se intimar as devedoras com ela solidárias acerca da origem dos citados recursos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo os devedores arrolados na condição de solidários tomado ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Termo de Verificação Fiscal, onde puderam visualizar os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento e da responsabilização que lhes foi imputada, incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa por desconhecimento de detalhes da acusação fiscal. IRREGULARIDADE NO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A falha apontada no recurso quanto ao MPF não se configurou, posto que a autoridade emissora detinha a competência para prática do ato, conforme delegação de competência prevista em ato normativo da RFB. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. A autoridade tributária responsável pela lavratura estava vinculada à Delegacia circunscricionante do estabelecimento matriz da empresa na data do lançamento, portanto, não há o que se falar de sua incompetência para prática do referido ato administrativo. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4051DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dos votos em conhecer dos recursos e, por maioria, darlhes provimento parcial para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. Votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade de Humberto Verre, Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho, por entenderem cabível a responsabilização com base também no inciso I do art. 124 do CTN. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 4052DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de recursos apresentados pelos codevedores Humberto Verre (fls. 3.671/3.708) Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI (fls. 3.790/3.826) e Santa Izabel Administração e Participações Ltda (3.912/3.948) contra decisão que declarou improcedentes as defesas apresentadas para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o processo sob cuidado. Nos termos da descrição constante no AI (fls. 3.421/3.426), o lançamento de ofício de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF se deu em decorrência da infração à legislação tributária consistente em pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal TVF de fls.3.282/3.308, o contribuinte é uma sociedade empresária limitada, constituída em 1996 e, no período fiscalizado, tinha a matriz localizada no Município de São José/SC, chegando a possuir sete filiais na capital e no interior do Estado de São Paulo. No momento da fiscalização, o domicílio da empresa se encontrava alterado para São Paulo/SP, todavia, esta não mais funcionava de fato, motivo pelo qual o seu CNPJ foi baixado de ofício. No anocalendário fiscalizado os sócios da empresa eram Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva, ambos sócios administradores, todavia, em 05/05/2009, Rodrigo foi substituído no quadro social por Vilma Pereira de Araújo. Em visita ao suposto domicílio tributário do sujeito passivo, constatouse que o imóvel encontravase fechado. O fisco então intimou as sócias a apresentarem a documentação necessária à verificação da regularidade fiscal do contribuinte. Como não houve atendimento das intimações, a autoridade lançadora formalizou o Termo de Embaraço à Fiscalização e encaminhou Requisições de Movimentação FinanceiraRMF para as instituições bancárias onde o sujeito passivo era titular de contas corrente. As sócias foram intimadas a comprovar a origem dos depósitos que o fisco não conseguiu vincular a alguma causa justificável. Ambas apresentaram respostas por escrito, conforme se segue. Lúcia Aparecida afirmou que: a) é domiciliada na cidade catarinense de São José, onde estava sediada a pessoa jurídica até a 16.ª Alteração Contratual, a qual foi transferida para São Paulo em 04/12/2009; b) segundo tal alteração, a administração e representação da sociedade caberia unicamente à outra sócia Vilma Araújo, por esse motivo as notificações a ela endereçadas seriam nulas; c) o gerenciamento e administração das filiais do Estado de São Paulo, cujo objetivo era a execução de um contrato firmado com o DETRAN/SP, competia a Humberto Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 4 5 Verre, que era o beneficiário dos recursos financeiros provenientes deste negócio, sendo Vilma Araújo a procuradora legalmente constituída para representar a empresa e Sônia Regina Perez Sandoval a administradora de fato; d) Seu marido, Valdemir Rodrigues da Silva, e o filho, Rodrigo Rodrigues da Silva, outrora sócios da empresa, não teriam qualquer ingerência sobre as filiais de São Paulo e tampouco eram beneficiários dos recursos movimentados por aqueles estabelecimentos; e) requer que toda a documentação relativa às filiais de São Paulo, da qual não tem posse, seja solicitada diretamente a Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval ou Vilma Araújo; f) juntou cópia de documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", assinado pela própria e por Valdemir Rodrigues, Rodrigo Rodrigues, Humberto Verre e Vilma Araújo, onde em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes e Cia Ltda seria dividida em duas partes: a primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob a responsabilidade de Valdemir Rodrigues e a segunda, integrada pelas demais filiais, todas localizadas em São Paulo, estariam sob o controle de Humberto Verre. De acordo com a avença (cláusulas 6 e 8), cada uma dessas pessoas ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. g) de acordo com a cláusula 8.1, Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender ao contrato com o DETRAN/SP edital n.º 20/2005, cujas obrigações e resultados a ele pertencem, desde a assinatura do instrumento, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras; h) há ainda uma disposição na qual os subscritores declaram e assumem total responsabilidade pela não divulgação do conteúdo acordado a terceiros, sob pena de perdas e danos; i) foi juntada cópia de declaração prestada, por ela e pelo marido, a Agente do Fisco do Estado de São Paulo, onde é feito um histórico da empresa, relatandose inclusive o acordo realizado com Humberto Verre, acima mencionado; j) foi trazida ainda procuração concedida pelos então sócios da empresa fiscalizada para Vilma Araújo, outorgandolhe amplos poderes para administrar a Cordeiro Lopes Ltda; k) foram juntadas ações trabalhistas de exfuncionários da empresa em questão, as quais incluíram no polo passivo a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda de propriedade de Humberto Verre; l) ao final, nega que tenha qualquer responsabilidade sobre a movimentação bancária apresentada pelo fisco, alegando que todos os depósitos seriam oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP e, portanto, gerenciados exclusivamente por Humberto Verre, Sônia Regina Sandoval e Vilma Araújo. Fl. 4054DF CARF MF 6 Em 31/10/2011, a agora sócia da empresa autuada, Vilma Araújo, foi intimada a justificar a movimentação financeira verificada pelo fisco, tendo respondido com as seguintes alegações: a) não poderia responder por atos realizados no ano de 2008, posto que somente ingressou no quadro social da empresa Cordeiro Lopes em 17/04/2009; b) que em virtude de desentendimentos com a sócia minoritária, que estaria se recusando a fornecer informações e documentos sobre a empresa, resolveu transferir a sede da empresa em questão para São Paulo; c) a sócia Lúcia Aparecida Silva, em razão dessa providência, ajuizou Ação Anulatória de Contrato Social, tentando reverter a última alteração contratual; d) mesmo sendo representante legal da empresa, não tem como apresentar documentos relativos ao período fiscalizado, posto que a sócia minoritária não lhe forneceu estes elementos, devendo, assim, o procedimento fiscal se voltar contra esta; e) menciona que na ação fiscal relativa ao anocalendário de 2007, a autoridade tributária teria aceitado os seus argumentos e direcionado a auditoria para Lúcia Aparecida. As alegações de Vilma Araújo não foram acatadas pelo fisco, sob a justificativa de que esta detinha procuração com amplos poderes para administrar a empresa desde 2006, além de que assinou diversos cheques no decorrer do ano de 2008. Nesse sentido, nova intimação dirigida para Vilma Araújo para apresentação de documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Em resposta a esta intimação, foi afirmado que não teria sido possível reunir a documentação, pelos motivos já expostos. Atendendo a intimação do fisco, o Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo DETRAN/SP apresentou discriminativo contendo as datas e os valores pago à empresa fiscalizada no anocalendário de 2008, em decorrência de contratos de fornecimento de produtos e prestação de serviços firmados com o órgão. As informações obtidas das instituições bancárias, levaram o fisco a diligenciar juntos às empresas beneficiárias dos recursos provenientes de contas bancárias da empresa Cordeiro Lopes. Verificouse que as empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda, ambas controladas por Humberto Verre, eram as principais destinatárias dos recursos pagos pelo DETRAN/SP. Essas empresas foram instadas a comprovar a causa dos depósitos e apresentaram resposta única, na qual, segundo o fisco, os valores das notas fiscais não foram correlacionados aos repasses recebidos, sendo que a totalização das notas fiscais foi de R$ 2.518.225,75, enquanto que o total dos repasses para a Casa Verre foi de R$ 23.286.110,18 e para a Santa Izabel de R$ 11.805.000,00. Afirmase ainda que as notas fiscais apresentadas para justificar o repasse para ambas as empresas eram de emissão da Casa Verre, sem nenhuma referência à Santa Izabel, e sem qualquer observação sobre tal fato. Novos esclarecimentos foram solicitados pelo fisco, não tendo havido resposta das empresas. Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 5 7 As demais empresas envolvidas também foram intimadas e se limitaram a afirmar que não haviam localizados nos seus arquivos e na escrituração contábil os registros dos depósitos provenientes da Cordeiro Lopes. Concluiu o fisco que a empresa autuada teria sido utilizada para encobrir a identidade dos reais beneficiários dos recursos financeiros oriundos dos contratos firmados com o DETRAN/SP, os quais seriam Humberto Verre e suas empresas Casa Verre e Santa Izabel. A autoridade lançadora mencionou ainda a ocorrência de dissolução irregular da autuada, constatada mediante diligência no local indicado como sua sede, onde se verificou a inexistência de atividade empresarial. Ressalta que a empresa se encontra baixada de ofício na RFB em razão de "inexistência de fato". Foi então lavrado o AI pela infração consistente em pagamento sem causa às seguintes empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Ecosena Oficina de Equipamentos Ltda, Tecnocom Negócios e Participações Ltda EPP e Inversora Moonlight Ltda, posto que não foram justificados os motivos das transações financeiras verificadas mediantes as informações dos bancos. Encontrase discriminada nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária de n.ºs 01 a 07, conforme conduta atribuída a cada um, a responsabilização tributária das seguintes pessoas físicas e jurídicas Humberto Verre, Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Vilma Pereira de Araújo, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva. Apresentadas impugnações por Humberto Verre, Casa Verre e Santa Izabel, a DRJ declarouas improcedentes, mantendo integralmente o AI. Contra essa decisão os mesmos codevedores interpuseram recursos voluntários, cujas razões serão expostas a seguir. Cientificado da decisão da DRJ em 20/05/2013, Humberto Verre protocolizou sua peça recursal, fls. 3.671/3.708, em 18/06/2013, com as razões abaixo mencionadas. PRELIMINARES Nulidade por incompatibilidade entre o lançamento e sua fundamentação Segundo o recorrente, a fundamentação do AI é incompatível com os fatos narrados no TVF. Sustenta que se o fisco considerou que houve interposição de empresa para encobrir repasses financeiros oriundos de contratos com o DETRAN/SP para os reais beneficiários, o lançamento não poderia ter como sujeito passivo a pessoa jurídica interposta, mas os próprios beneficiários. Neste caso, jamais se poderia imputar ao recorrente e as suas empresas a responsabilidade solidária, posto que se estes, como afirmou o fisco, foram os beneficiários dos pagamentos, deveriam, por decorrência lógica, terem o lançamento direcionado contra si e não serem arrolados como responsáveis por solidariedade. Fl. 4056DF CARF MF 8 Alega que não faz sentido que os supostos pagamentos sejam a causa do lançamento e ao mesmo tempo o fundamento para responsabilização do recorrente. Defende que, ou o fisco acusa a empresa autuada de efetuar pagamentos a beneficiários sem causa e procede ao lançamento de IRRF; ou, então a toma como interposta pessoa e efetua o lançamento contra os reais beneficiários. Afirma que, se houve interposição de pessoa, a base de cálculo do lançamento deveria considerar os pagamentos individuais a cada um dos beneficiários, com base na contabilidade destes e não imputar a determinado sujeito passivo operações efetuadas com outras pessoas. Cita decisões do CARF em que se firmou o entendimento de que, no caso de interposição de pessoa, o lançamento de ofício deve ser efetuado diretamente em face daquele contribuinte considerado titular dos rendimentos. Menciona ainda caso em que a fiscalização teve início contra determinada empresa, a qual depois veio a ser considerada dissolvida irregularmente, hipótese em que o fisco redirecionou a ação fiscal para alcançar apenas a pessoa do sócio. No caso em tela, o equívoco é gritante, pois o próprio fisco apontou a empresa autuada como inexistente e com cadastro baixado na Receita Federal. Assevera que é contraditório o fisco efetuar o lançamento contra uma empresa que foi irregularmente dissolvida e considerada pessoa jurídica interposta. Tal procedimento, no seu entender, representa erro na identificação do sujeito passivo, o que leva à nulidade do lançamento, conforme pacífica jurisprudência do CARF Nulidade por erro na metodologia do lançamento A partir da premissa adotada pelo fisco, o lançamento encontrase viciado por violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972, posto que é absolutamente contraditória a fundamentação do ato administrativo e a metodologia aplicada para constituição do crédito tributário. Chama atenção para o fato de que o fisco efetuou o lançamento do IRPJ e reflexos sobre receitas que teriam sido omitidas, assim, não poderia lançar o IRRF, haja vista que aí é exigida a retenção na fonte de valores que seriam do próprio recorrente e das empresas das quais era sócio. Pergunta: como pode existir para um mesmo "sujeito passivo" a obrigação de pagar por solidariedade o IRPJ e reflexos, porque teria recebido tais valores a título de desenvolvimento de suas atividades e, ao mesmo tempo, ser solidário pelo crédito tributário constituído em relação aos mesmos valores por pagamento a beneficiário não identificado e sem causa? Afirma que o próprio CARF tem cancelado os lançamentos em que se constata erro de metodologia na sua confecção. Cita precedente. Nulidade por impossibilidade de exigência de IRRF concomitantemente à tributação de omissão de receitas O lançamento de IRRF seria incompatível com a própria fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal, que também serviu para o lançamento de IRPJ e Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 6 9 reflexos. Não há como compatibilizar o lançamento que exige IRPJ e CSLL sobre a omissão de receitas e o lançamento de IRRF. O fisco concluiu no TVF que o recorrente e suas empresas foram os efetivos beneficiários dos recursos movimentados pela Cordeiro Lopes, então, se essa premissa estava correta, não se poderia exigir a obrigação de que os próprios favorecidos efetuassem a retenção dos valores que recebiam, havendo aí um evidente erro de sujeição passiva. Repete que não tem plausibilidade jurídica considerar que o recorrente, por intermédio de suas empresas, eram os beneficiários dos pagamentos efetuados pelo DETRAN/SP e efetuar o lançamento de IRRF decorrente de pagamento a beneficiário desconhecido ou sem causa. Se o fisco atribuiu um determinado tratamento aos fatos, os efeitos dele advindos devem valer para os lançamentos de todos os tributos fiscalizados. Cita decisão do CARF em que se afasta a exigência de IRRF quando o próprio lançamento tributário deuse em razão da desconsideração de planejamento tributário e já atribuiu às respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. Apresenta outro precedente deste Tribunal que firma o entendimento de que a exigência do IRRF por pagamentos a beneficiário desconhecido ou sem causa somente tem lugar quando os pagamentos não tenha sidos considerados na apuração de outro tributo, onde se identifique os beneficiários e/ou a causa do pagamento. Aliado a isso, também não se poderia tributar o IRRF sobre receita presumida. Nulidade por irregularidade da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários Assegura que no presente caso não houve a intimação do recorrente, tampouco das empresas de que era sócio, para demonstrar a origem dos recursos que foram a ela atribuídos pelo presente AI, mediante a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, o que vicia todos os lançamentos efetuados na ação fiscal em destaque. O CARF tem entendido que a intimação é requisito prévio para a aplicação da referida presunção legal. Cita precedentes. Nulidade por incompetência da autoridade para lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e do lançamento O MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização, o qual não detinha competência legal para prática do ato, nos termos do art. 6.º da Portaria RFB n.º 3.014/2011. Por outro lado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB responsável pela fiscalização e, principalmente, pela lavratura do auto de infração, deveria ser aquela da circunscrição em que estava localizada a sede do contribuinte, in casu, São José/SC. É isso que prevê a legislação aplicável. Fl. 4058DF CARF MF 10 A lavratura do AI por agente vinculado à Delegacia da RFB em São Paulo, torna nulo o lançamento. Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa Até o dia em que efetuou o protocolo da impugnação, o recorrente não teve acesso integral aos diversos relatórios e documentos juntados no processo administrativo e a que fazem referência o TVF e o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Nesse sentido, é inquestionável a ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa. MÉRITO Impossibilidade de imputação de responsabilidade solidária ao recorrente e indevida desconsideração de pessoa jurídica O recorrente não é sócio da empresa Cordeiro Lopes, participando do quadro societário tão somente das empresas Casa Verre e Santa Izabel, as quais foram equivocadamente apontadas como responsáveis solidárias pelo débito fiscal. As empresas das quais o recorrente era sócio foram contratadas pela autuada para prestação de assessoria técnica, fornecimento de mercadorias e locação de imóveis, por possuírem experiência e credibilidade nos seus ramos de atuação. Tratase de mera relação comercial estabelecida entre as organizações, não se podendo inferir dela que o recorrente ou suas empresas possuíssem o poder de gerir contábil e financeiramente a contratante ou mesmo interferir no contrato firmado por esta com o DETRAN/SP. Principalmente a empresa Santa Izabel, que atua em área totalmente distinta (administração de imóveis). O fisco não poderia fundamentar a responsabilidade solidária imputada ao recorrente e suas empresas no art. 124, I, do CTN, posto que esse dispositivo visa alcançar as pessoas que guardam interesse comum com o fato gerador, não se prestando para responsabilizar terceiros, como é o caso do recorrente e de suas empresas. Quanto ao inciso III do art. 135 do CTN, este visa a responsabilizar os "diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas", portanto, não pode alcançar o recorrente, haja vista que a única relação que tinha com a Cordeiro Lopes era a prestação de serviços que as empresas de que era sócio realizava para aquela. Assim, a desconsideração de personalidade jurídica, por dissolução irregular, não implicaria responsabilização de quem não é sócio ou administrador da empresa irregularmente dissolvida. Por outro lado, a doutrina e a jurisprudência majoritária consideram ser necessária prévia decisão judicial para desconsideração da personalidade jurídica, para posterior imputação de responsabilidade tributária. O argumento do fisco quanto à proximidade da sede da Cordeiro Lopes da localização das empresas Casa Verre e Santa Luzia de modo a justificar a suposta interferência destas na gestão daquela não se sustenta. Tal fato somente demonstra que estas empresas tinham sedes distintas e que precisavam funcionar em locais próximos, tendo em conta a sua parceria comercial. Tributação de valores em triplicidade Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 7 11 A tributação ocorreu em triplicidade, primeiro incidiram tributos sobre a receita recebida do DETRAN e sobre os mesmos valores repassados aos demais responsáveis (PAF n.º 19515.722729/201219) e, em segundo lugar, a mesma renda é tributada pelo IRPJ e pelo IRRF, exigindose o cumprimento dessa obrigação dos acusados de serem os beneficiários dos valores. Tratase de gritante equívoco. Ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário e sobrestamento do recurso A quebra do sigilo bancário da empresa autuada, mediante requisição de movimentação financeira, não encontra amparo da jurisprudência do STF, que nos autos do RE n.º 389.808/PR, decidiu pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo sem autorização judicial. Essa matéria teve também a sua repercussão geral analisada e reconhecida pelo Pretório Excelso no RE n.º 601.314/SP, assim, caso não se reconheça a sua inconstitucionalidade, pelo menos que se determine o sobrestamento do processo administrativo até a definição desta questão pelo STF. Impossibilidade da exigência da multa de ofício Descabendo o lançamento ora guerreado, inexiste, por conseguinte, fundamento para imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que esta penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. Inaplicabilidade de juros sobre a multa de ofício Os juros moratórios não podem ser aplicados sobre a multa de ofício lançada, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no AI não autoriza a imposição de juros sobre a multa, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. Ao final, pediu o provimento do recurso com declaração de nulidade ou improcedência do AI. A Casa Verre tendo tomado ciência da decisão de primeira instância em 24/05/2014 (fl. 3.467), interpôs recurso voluntário (fls. 3.790/3.826) em 18/06/2013, trazendo as mesmas alegações mencionadas no recurso acima narrado. A empresa Santa Izabel foi cientificada da decisão da DRJ em 20/05/2013 (fl. 3.645), tendo apresentado seu recurso (fls. 3.912/3.948) em 18/06/2013, onde também repetiu os argumentos apresentados na peça do seu sócio Humberto Verre. É o relatório. Fl. 4060DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Os recursos foram apresentados no prazo legal e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. PRELIMINARES Nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Os recorrentes justificam a existência de cerceamento ao direito defesa no fato de não terem tido acesso aos documentos que compões o AI, mesmo tendo comparecido à repartição da RFB, posto que o AI não houvera sido lavrado em seus nomes, mas em nome da empresa Cordeiro Lopes. A decisão recorrida afasta essa tese, sob o argumento que houve a cientificação dos Termos de Verificação Fiscal e de Sujeição Passiva Solidária, os quais, fazendo referência o número do processo, permitiria facilmente a obtenção de cópia desta na RFB. De fato, observase as fls. 3.485/86/87 que os três recorrentes tomaram ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, onde foram relatados todos os fatos que levaram o fisco a concluir pela responsabilização destas pessoas, além de que foram juntados a esta remessa os principais Termos lavrados durante a ação fiscal, mormente o TVF. De posse desses documentos foram fornecidos aos recorrentes as informações necessárias ao perfeito entendimento da imputação, além de que de posse destes haveria a total facilidade de se obter cópia integral do processo, não havendo espaço para se falar em cerceamento ao direito de defesa, uma vez que essa garantia poderia ser exercida com amplitude mediante os documentos que lhes foram enviados ou, caso se achasse necessário, mediante obtenção de cópia integral do processo. Além disso, os termos da defesa/recurso, onde se debate amplamente os diversos aspectos da autuação, permite concluir que houve o perfeito entendimento da imputação, não se vislumbrando o mínimo prejuízo ao direito de defesa dos devedores. Afasto, portanto esse preliminar. Nulidade por incompetência da autoridade para lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e do lançamento Essa preliminar teve como argumentos a suposta incompetência do servidor que assinou os MPF de diligência fiscal que resultaram na responsabilização dos recorrentes, além da impossibilidade de servidor da Delegacia da RFB em São Paulo lavrar auto de infração contra empresa situada em outra unidade federativa. Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 8 13 Começo pelo segundo argumento, que me parece mais simplório. Conforme noticiado nos autos a empresa Cordeiro Lopes teve sua sede transferida para o Município de São Paulo em 04/12/2009, conforme a 16.ª Alteração Contratual. A ação fiscal teve como marco inicial o dia 07/04/2011, conforme consignado no Termo de Início de Ação Fiscal, fl. 187, lavrado no âmbito da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo. Portanto, não há o que se falar que tenha havido fiscalização por agente lotado em repartição, cuja circunscrição não abrangesse a sede da empresa, posto que quando do início da fiscalização o domicílio fiscal da empresa já era na capital paulista. Quanto à autoridade que emitiu o MPF, vejo que também não assiste razão aos recorrentes. Vejamos. Pois bem, cumpre esclarecer que os procedimentos fiscais em tela foram autorizados por meio de emissão de Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD), nos termos da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 (a mencionada Portaria RFB n.° 11.371/2007 foi revogada pela Portaria RFB nº 3.014/2011), que consigna, em seu artigo 6º, § 3º, as normas para delegação de competência para sua emissão, conforme transcrito a seguir: Art. 6º O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...); § 3º Somente será admitida delegação de competência para emissão e alteração de MPF nas seguintes hipóteses: I de Superintendente da Receita Federal do Brasil para Chefe de Divisão de Fiscalização, de Administração Aduaneira ou de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da Superintendência; II do CoordenadorGeral de Pesquisa e Investigação para Chefe de Escritório e Núcleo de Pesquisa e Investigação; III do CorregedorGeral para Chefe de Escritório e Núcleo da Corregedoria; IV do Delegado da Receita Federal do Brasil de Delegacias Especiais e de Delegacias Classe "A" ou "B", para Chefe de Divisão/Serviço de Fiscalização da Delegacia; (...) (grifei) No caso concreto os Mandados de Procedimento Fiscal (fl. 3.026 e 3.052) foram emitidos pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (DEFIS) e assinados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luiz Carlos Modesto dos Santos, então chefe da Divisão de Fiscalização, amparado pela Portaria de Delegação de Competência nº 171, de 12/07/2011. Logo, restam cumpridas as normas infralegais a respeito da emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal. Além do mais, a jurisprudência do CARF é pacífica no entendimento de que o MPF, hoje extinto, representava apenas um instrumento de controle administrativo e alguma irregularidade verificada não levava à nulidade dos atos que lhe sucediam, mormente os lançamentos fiscais. É o que se pode ver do recentíssimo Acórdão n.º 3402003.310, de 28/09/2016: Fl. 4062DF CARF MF 14 " Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 18/09/2009 a 13/10/2009 NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA DE MPF ESPECÍFICO PARA A REVISÃO ADUANEIRA. Eventuais irregularidades verificadas no MPF ou mesmo a sua própria inexistência não acarretam a nulidade do auto de infração, pois a competência do AuditorFiscal da Receita Federal decorre de disposição expressa do art. 6º da Lei nº 10.593/2002, não podendo ser restringida por atos administrativos. MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO INEXATA NAS DI. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO ENCOMEDANTE. Restando comprovado que o importador por encomenda não informou o número do CNPJ do encomendante no campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem, como determina o art. 3º, parágrafo único, da IN SRF nº 634/2006, é cabível a inflição da multa estabelecida no art. 69, § 1º, I, da Lei nº 10.833/2003. Recurso voluntário negado." Afastase, portanto, mais essa preliminar. As demais questões trazida pelos recorrentes como preliminares, por se confundirem com o próprio mérito da contenda, serão tratadas adiante. Ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário e sobrestamento do recurso Asseverouse no recurso que a exação decorreu da quebra do seu sigilo bancário, conforme se constata de toda a narrativa expressa no TVF. No seu entender a quebra do sigilo bancário dos contribuintes é medida extrema que afeta a sua intimidade e que somente pode ser efetuada mediante autorização judicial. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional os dispositivos da Lei Complementar n.º 105/2001, que no bojo do RE 389.808/PR manifestou o entendimento que apenas o Judiciário detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário e, mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos. Menciona que o próprio STF já se manifestou sobre o tema ao apreciar o RE n.º 389.808, reconhecendo a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário dos contribuintes em que o fisco detenha autorização judicial. Vejamos. A celeuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, citado pelos recorrentes para requerer o sobrestamento do feito, no qual se definiu que: Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 9 15 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de cancelar o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco. Por outro lado, o pedido de sobrestamento do feito em razão da pendência de julgamento no STF perdeu o objeto, posto que o RE n.º 601.314, processo judicial em que o contribuinte se baseou para requerer a suspensão do julgamento, já foi decidido pela Corte Máxima, conforme visto acima. Incidência de juros sobre a multa de ofício Essa questão já se encontra pacificada no âmbito dessa turma, como se pode ver do Acórdão n.º 2002005.339, 14/06/2016, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. Fl. 4064DF CARF MF 16 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. JUROS ISOLADOS. IRRF. INEXISTÊNCIA DE RETENÇÃO. APURAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL PARA A ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PELO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. 1. No período compreendido entre a data em que a retenção deveria ter sido recolhida, pela fonte, e a data final prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, pelo beneficiário, a mora é da própria fonte, e não do beneficiário.2. Nesse período, a fonte responde pelos juros moratórios.3. O sujeito passivo indireto somente não responde pela mora a qual não der causa, que é a mora contada a partir da data final da entrega da declaração pelo contribuinte, ocasião em que o rendimento deve ser oferecido à tributação no ajuste. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. MULTA QUALIFICADA. IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. EQUÍVOCO. 1. O art. 674 do RIR/99 e seu § 1º estabelecem, para o sujeito passivo, o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos realizados, assim como as suas causas subjacentes.2. Em não havendo comprovação, tais pagamentos são tributados exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%.3. A inexistência de razões recursais quanto ao lançamento do IRRF, torna definitivo o lançamento, na dicção do parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972.4. Diante do evidente equívoco na qualificação da multa e, consequentemente, na identificação da matéria tributável (art. 142 do CTN), deve ser cancelada a sua qualificação.5. Não pode a DRJ, enquanto órgão julgador, corrigir o lançamento, para corrigir os fundamentos da qualificação, sob pena de ofensa ao princípio do devido processo legal (due process of law). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. 1. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.2. O tributo e a multa têm datas de vencimentos distintas.3. Diferentemente do tributo, que decorre exclusivamente do seu respectivo fato gerador, a multa de ofício decorre do lançamento.4. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Recurso Voluntário Provido em Parte." (grifei) Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 10 17 Esse mesmo entendimento tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, de pude extrair o voto integrante do Acórdão n.º 9101002.446, o qual adoto como fundamento para meu encaminhamento: "Vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins ratifica o entendimento: 'A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que Fl. 4066DF CARF MF 18 merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113 (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris,, fita n. 6, lado A).' (grifei) Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto penalidade estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC." Erro na identificação do sujeito passivo Alegam os recorrentes que o fisco adotou como um dos pressupostos do lançamento a interposição da pessoa jurídica autuada para dissimular os reais beneficiários dos pagamentos feitos pelo DETRAN/SP. Nesse sentido, defendem que a lavratura teria que ser efetuada em nome das pessoas que efetivamente foram favorecidas com os depósitos e não naquela que apenas "emprestou" suas contas bancárias para trânsito dos recursos. Advogam que não faz sentido que os supostos pagamentos sejam a causa do lançamento e ao mesmo tempo sirvam para fundamentar responsabilização das recorrentes. O lançamento, conforme já sabemos, tem por objeto a exigência do IRRF nos termos do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995, o qual carrega a seguinte redação: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...)" O fisco, em consonância com o dispositivo acima, elegeu como sujeito passivo do lançamento a empresa Cordeiro Lopes, posto que esta foi a responsável pelos Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 11 19 pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, os quais não tiveram sua causa justificada. Não custa frisar que inexistiu neste caso a desconsideração desta pessoa jurídica, como se quis insinuar nos recursos. Observese que o TVF é enfático ao afirmar que as empresas Casa Verre e Santa Izabel, principais beneficiárias dos repasses efetuados pela autuada, apresentaram resposta única para justificar as transações financeiras, indicando notas fiscais que dariam cobertura aos depósitos efetuados, todavia, as notas exibidas não mantinham correlação com os repasses recebidos, sendo que a totalização dos documentos fiscais assumiu o montante de R$ 2.518.225,75, ao passo que foram depositados R$ 23.286.110,18 para a Casa Verre e 11.805.000,00 para a Santa Izabel. As demais empresas intimadas não reconheceram os depósitos verificados mediante RMF. Nesse sentido, plenamente cabível a aplicação do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995 à situação narrada, não se verificando qualquer dissonância entre os fatos (falta de identificação da causa do pagamento) e a fundamentação do lançamento (§ 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. Os sujeitos passivos do lançamento foram a empresa que efetuou os pagamentos sem causa e as recorrentes. A primeira na condição de contribuinte (inciso I do art. 121 do CTN), e as demais sendo chamadas para responder solidariamente pelo crédito tributário (inciso II do mesmo artigo). Dúvida não há de que foi a empresa autuada quem praticou a conduta que deu ensejo ao lançamento, ou seja, aquela que efetuou os pagamentos sem causa, portanto, natural que figure na condição de contribuinte do imposto. Por outro lado, não há qualquer incompatibilidade em se atribuir ao beneficiário do pagamento sem causa a condição de responsável solidário pelo crédito, desde que presentes os requisitos impostos pela lei, o que será apreciado neste voto na parte que tratar especificamente da responsabilidade tributária de cada uma das pessoas arroladas como codevedoras. Não há portanto o que falar em incompatibilidade entre a situação narrada e a fundamentação do lançamento. Quanto à jurisprudência colacionada para demonstrar a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, verifico que os precedentes não guardam identidade com a situação sob testilha, uma vez que se referem à infração concernente a depósitos bancários de origem não comprovada prevista no § 5.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (Acórdãos n.º 1401 00.257; 30100.350 e 0105.543); erro na identificação do sujeito passivo por autonomia de estabelecimentos na apuração do IPI (Acórdão n.º 3101001.361) ou erro no lançamento contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária (Acórdão n.º 140100.377). Acerca da impossibilidade de lançamento contra pessoa jurídica extinta, que seria outra causa de nulidade da autuação, vejo que também não assiste razão aos recorrentes. Pelo que se extrai dos autos, em ação fiscal anterior, levada a efeito pela DRF/Florianópolis, foi emitida representação para baixa de ofício por inexistência de fato da empresa, cujo desfecho foi a alteração cadastral na RFB da autuada para "baixada de ofício", conforme PAF n.º 11516.003546/201017. Fl. 4068DF CARF MF 20 Ocorre que a baixa de ofício não representa a extinção da pessoa jurídica, como afirmam os recorrentes, posto que o encerramento definitivo se dá somente com a averbação no registro onde houver a inscrição. É essa a conclusão a que se chega da leitura dos seguintes dispositivos do Código Civil (Lei n.º 10.406/2002): "Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica." Verificase assim que somente após a liquidação sua liquidação é que ocorre o cancelamento da pessoa jurídica. Nos casos de baixa de ofício do CNPJ não ocorre a dissolução, até porque ainda pode haver, no caso de inexistência de fato, o restabelecimento da atividade da empresa perante a RFB, mediante requerimento, conforme se verifica da hoje vigente Instrução Normativa RFB n.º 1634/2016: "Da Baixa de Ofício da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 31. No caso de pessoa jurídica inexistente de fato, o procedimento administrativo de baixa deve ser iniciado por representação consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações descritas no inciso II do caput do art. 29. § 1º A unidade cadastradora da RFB que jurisdiciona a pessoa jurídica ou da unidade de exercício do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal, acatando a representação citada no caput, deve intimar a pessoa jurídica, por meio de edital, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, a regularizar, no prazo de 30 (trinta) dias, sua situação ou contrapor as razões da representação, suspendendo sua inscrição no CNPJ a partir da publicação do edital. § 2º Quando não houver atendimento à intimação ou quando não forem acatadas as contraposições apresentadas, a inscrição no CNPJ deve ser baixada por meio de ADE, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, no qual devem ser indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ. § 3º A pessoa jurídica que teve a inscrição baixada conforme o § 2º pode solicitar o seu restabelecimento, por meio de processo administrativo, mediante prova: I de que dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, no caso previsto na alínea “a” do inciso II do art. 29; Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 12 21 II de sua localização, nos casos previstos na alínea “b” do inciso II do caput do art. 29; III da localização do seu procurador, no caso previsto na alínea “c” do inciso II do caput do art. 29; IV do reinício de suas atividades, no caso previsto na alínea “d” do inciso II do caput do art. 29; V da efetividade das operações descritas nos documentos emitidos, no caso previsto no item 1 da alínea “e” do inciso II do caput do art. 29; VI de que é a real beneficiária das operações realizadas, no caso previsto no item 2 da alínea “e” do inciso II do caput do art. 29. § 4º O restabelecimento da inscrição da pessoa jurídica baixada na forma prevista no § 2º deve ser realizado por meio de ADE, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, no qual devem ser indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ. § 5º A análise da contraposição de que trata o § 1º e do pedido de restabelecimento deve ser precedida, sempre que possível, de manifestação do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que emitiu a representação propondo a declaração da baixa de ofício." (grifei) Como se percebe não há impedimento de que se lance o crédito tributário em nome de pessoa jurídica com o CNPJ baixado de ofício, de forma que não há de acolher a tese da nulidade decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Nulidade por erro na metodologia do lançamento Para os recorrentes, o fisco, tendo considerado que a empresa autuada funcionou no período do lançamento como interposta empresa para ocultar os pagamentos que o DETRAN/SP fez para as empresas Casa Verre e Santa Izabel, não poderia lançar o IRRF, posto que aí se exige a retenção na fonte de valores que pertenciam aos próprios recorrentes, uma vez que, segundo o raciocínio fiscal, estes eram os verdadeiros proprietários dos recursos. Não é essa a melhor interpretação. Embora o fisco mencione a existência de suposta interposição de pessoa jurídica, no caso a Cordeiro Lopes, tais fatos foram narrados não para dar fundamento ao lançamento diretamente nas pessoas das beneficiárias, mas tão somente para dar robustez à responsabilização de Humberto Verre e de suas empresas na condição de solidárias pelo débito, o que será analisado em tópico específico. Não está aqui tratando de inexistência da empresa interposta, posto que não se desconsiderou a personalidade jurídica da autuada, mas de artifício ilícito engendrado entre pessoas jurídicas para reduzir o valor dos tributos devidos. A partir dessa conclusão é fácil se notar que a metodologia utilizada está em perfeita sintonia com a legislação de regência. Não tendo sido comprovadas as causas dos pagamentos feitos pela empresa sob ação fiscal às pessoas jurídicas beneficiárias das Fl. 4070DF CARF MF 22 transferências monetárias, cabível o lançamento do IRRF à alíquota de 35%, conforme determina o art. 61 da Lei n.º 8.981/1995. Impossibilidade de lançamento do IRRF com o IRPJ e reflexos A tese da impossibilidade jurídica da coexistência de lançamentos para exigência do IRRF e do IRPJ e reflexos também não merece sucesso. É equivocada a tese de que o lançamento de IRRF seria incompatível com a própria fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal, que também serviu para o lançamento de IRPJ e reflexos. Vejamos. Inicialmente cabe ponderar que a apuração do IRPJ e reflexos foi objeto de AI que compõe o PAF n.º 19515.722729/201219. Ali a matéria tributável, correspondente ao lucro arbitrado, foi obtida com base na receita bruta de vendas, esta correspondente a soma das notas fiscais de prestação de serviço e vendas de mercadoria, adicionandose à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. No processo sobre o qual agora nos debruçamos, a base de cálculo corresponde às saídas de recursos da empresa em que não houve a comprovação da causa do pagamento, pela falta de correlação entre as notas fiscais apresentadas e os depósitos, ou simplesmente pela falta de apresentação de algum documento que embasasse o desembolso. Ora, se tais recursos decorreram de contratos da autuada com o DETRAN/SP, devem ser devidamente justificadas as saídas monetárias quando utilizados em pagamentos a terceiros, sem causa comprovada, a teor do inciso I do art. 674 do RIR/99, verbis: "Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61). § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61,§1 (...) § 3 ° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3°)”. Nesse sentido, os recorrentes precisam compreender que a tributação para o IRPJ alcança fenômeno ocorrido em momento distinto daquele que enseja o lançamento para o IRRF. O primeiro, quando a Cordeiro Lopes aufere as receitas e os recursos ingressam na conta bancária. O segundo ocorre quando ela, pessoa jurídica, transfere os recursos para empresas outras, sem que estas operações tenham decorrido de causa conhecida. A toda evidência, não estão sendo feitos dois lançamentos sobre a mesma base imponível. Os lançamentos versam sobre rendimentos auferidos por pessoas distintas. Por outro lado há de se ter em conta que a jurisprudência mencionada não se aplica ao presente caso, posto que aqui, conforme já reiteramos, a motivação do lançamento de Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 13 23 IRRF não foi a falta de identificação dos beneficiários, mas a falta de causa para o pagamento, nos termos do § 1.º do art. 61 da Lei n.º 8.981/1995, já transcrito. Acerca impossibilidade dos beneficiários das receitas (os recorrentes) de efetuarem retenções sobre pagamentos que lhe pertenciam, já me manifestei acima no sentido de que a suposta interposição foi citada no TVF apenas no sentido robustecer a imputação da responsabilidade solidária, posto que no lançamento considerouse que os recursos derivados dos contratos com o DETRAN/SP pertenciam a autuada e foram repassados à terceiros sem comprovação da causa do pagamento. Fica, assim, afastada a tese da impossibilidade de tributação para o IRPJ e reflexos e aquela relativa ao IRRF. Outra alegação dos recorrentes é que não se poderia tributar o IRRF sobre receita presumida. Essa é outra tese que deriva de equívoco no entendimento dos recorrentes. O presente lançamento não foi edificado com base em presunção de receitas, mas tem como fundamento a existência de depósitos, identificados mediante RMF´s, os quais, após diligências nas empresas beneficiárias, não tiveram a causa justificada. Mais adiante os recorrentes tentam afastar o lançamento alegando uma tributação em triplicidade sobre os mesmos recursos. Advogam que houve a tributação sobre os pagamentos efetuados pelo DETRAN/SP à autuada, concomitantemente tributouse às saídas de recursos e, por fim, ainda se atribuiu a responsabilidade pelos créditos constituídos a terceiras pessoas. Quanto à compatibilidade entre os lançamentos de IRPJ e IRPF contra a autuada é tema que já foi discutido neste voto, concluindose que por serem fenômenos tributários ocorridos em momentos distintos, inexiste incompatibilidade entre os lançamentos. Acerca da imputação de responsabilidade solidária às recorrentes, é tema que será tratado em tópico específico deste voto. Nulidade por irregularidade da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários Asseguram os recorrentes que no presente caso não houve a sua intimação, para demonstrar a origem dos recursos que foram a ela atribuídos pelo presente AI, mediante a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, o que vicia todos os lançamentos efetuados na ação fiscal em destaque. Uma primeira observação a ser feita é que a falta de intimação a que se referem os recorrentes diz respeito aos créditos efetuados em contas correntes da Cordeiro Lopes e que não tiveram sua origem identificada. Nesse sentido, verificase de plano que é circunstância que não se comunica com o presente lançamento relativo a IRRF. É que este, conforme assinalado acima, decorreu de tributação de saídas de recursos da autuada sem causa justificada. Portanto, a alegação sob enfoque é estranha à discussão do AI sob apreciação, somente tendo cabimento no bojo do processo relativo à exigência de IRPJ e reflexos. Fl. 4072DF CARF MF 24 Da responsabilidade solidária imputada aos recorrentes I) Humberto Verre TSPS de fls. 3.428/3.434 Para o fisco, Humberto Verre era o administrador de fato e principal beneficiário dos negócios desenvolvidos pela empresa autuada, conforme comprovariam os fatos narrados que resumidamente apresento agora: a) declaração prestada ao fisco paulista pela sócia da Cordeiro Lopes, Lúcia Aparecida, a qual foi anexada a respostas a intimações do fisco federal, dá conta de que o administrador de fato da empresa, Valdemir Rodrigues da Silva, celebrou acordo com Humberto Verre cedendo o nome da empresa autuada para participação em licitação promovida pela DETRAN/SP; b) firmado o acordo, a Cordeiro Lopes outorgou poderes ilimitados a Vilma Araújo (exfuncionária da Casa Verre) para administrála. Segundo Lúcia Aparecida, a partir deste momento, o relacionamento da autuada com o DETRAN/SP passou a ser exercido por intermédio de Vilma Araújo e Sônia Regina Sandoval (funcionária da Casa Verre), tudo sob o comando de Humberto Verre; c) ainda segundo Lúcia Aparecida, para atender ao contrato com o DETRAN/SP foram abertas filiais da Cordeiro Lopes em São Paulo, as quais eram de fato administradas por Humberto Verre, que firmou vários contratos para prover a empresa de estrutura necessária ao funcionamento. Todos esse contratos foram assinados pela mandatária Vilma Araújo; d) mencionouse ainda que os talonários de notas fiscais da autuada eram enviados para São Paulo, de modo que os documentos fiscais fossem emitidos por funcionários da Casa Verre; e) foi juntado às respostas de Lúcia Aparecida às intimações fiscais documento denominado "Termo e Instrumento de Declaração e Compromisso" no qual os representantes da Cordeiro Lopes, juntamente com Humberto Verre e Vilma Araújo, acordaram que aquela empresa seria cindida em duas partes, com o estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficando sob a responsabilidade de Valdemir Rodrigues e as demais filiais, todas localizadas em São Paulo, ficariam sob o comando de Humberto Verre; f) a cláusula 8.1 deste documento estabelecia que Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos assumidos pela empresa para com o DETRAN/SP, respondendo pelas obrigações e sendo beneficiários dos resultados do negócio; g) foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo denúncia contra as pessoas envolvidas no contrato com o DETRAN/SP, sócios, administradores e empregados da Cordeiro Lopes e da Casa Verre, pelos delitos de "fraude em licitação" e "formação de quadrilha"; i) desta denúncia consta que a empresa Cordeiro Lopes após sagrarse vencedora da licitação com o órgão de trânsito, cedeu, mediante pacto secreto, o objeto licitado a Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre; j) o fisco relata também que cerca de 80% de todos os créditos recebidos pela Cordeiro Lopes no anocalendário de 2008 eram repassados às empresas Casa Verre e Santa Izabel, sendo que, dos valores recebidos do DETRAN/SP, mais de 70% eram repassados na mesma data em que eram creditadas para a autuada; Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 14 25 k) em diligências nas principais recebedoras dos recursos, dos R$ 35.091.110,18 repassados, foram justificados apenas R$ 2.518.225,75, que seriam oriundos de vendas de mercadorias pela Casa Verre, em relação aos restantes R$ 32.572.884,43, nada foi esclarecido; l) constatouse ainda que ambas as empresas, Casa Verre e Santa Izabel, eram controladas por Humberto Verre e sua família; m) apontase ainda o fato da sede da autuada ficar na mesma rua onde funcionam a Casa Verre e a Santa Izabel; n) foram juntadas reclamatórias trabalhistas movidas por funcionários da Cordeiro Lopes, onde está também posta no polo passivo a Casa Verre, havendo inclusive acordos em que esta assume os débitos trabalhistas da primeira; o) o cadastro bancário da Cordeiro Lopes, tinha como nome de contato Maria Demori, funcionária da Casa Verre; r) Vilma Araújo (procuradora da Cordeiro Lopes) e Sônia Sandoval, esta responsável por gerir o contrato com o DETRAN/SP, eram também funcionárias da Casa Verre; Concluise assim que Humberto Verre e suas empresas eram os principais gestores e beneficiários dos negócios realizados pela autuada no ano de 2008, tal fato inclusive levou a 5.ª Vara Federal de Execuções Fiscais da Seção Judiciária de São Paulo a acolher pedido da Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de redirecionar a cobrança do crédito sob enfoque para a Casa Verre, sendo incluídos ainda no polo passivo Humberto Verre e todas as outras pessoas arroladas pelo fisco como devedoras solidárias neste lançamento. Para o fisco restou caracterizada a sujeição passiva solidária de Humberto Verre com base no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135, ambos do CTN. Para afastar a responsabilidade imputada, Humberto Verre alegou que não é sócio da empresa Cordeiro Lopes, participando do quadro societário tão somente das empresas Casa Verre e Santa Izabel, as quais foram equivocadamente apontadas como responsáveis solidárias pelo débito fiscal. Afirma que as empresas das quais é sócio foram contratadas pela autuada para prestação de assessoria técnica, fornecimento de mercadorias e locação de imóveis por possuírem experiência e credibilidade nos seus ramos de atuação. Tratase de mera relação comercial estabelecida entre as organizações, não se podendo inferir dela que o recorrente ou suas empresas possuíssem o poder de gerir contábil e financeiramente a contratante ou mesmo interferir no contrato firmado por esta com o DETRAN/SP. Principalmente a empresa Santa Izabel, que atua em área totalmente distinta (administração de imóveis). Defende que o fisco não poderia fundamentar a responsabilidade solidária imputada ao recorrente e suas empresas no art. 124, I, do CTN, posto que esse dispositivo objetiva alcançar as pessoas que guardam interesse comum com o fato gerador, não se prestando para responsabilizar terceiros, como é o caso do recorrente e de suas empresas. Fl. 4074DF CARF MF 26 Quanto ao inciso III do art. 135 do CTN, sustenta que este visa a responsabilizar os "diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas", portanto, não pode alcançar o recorrente, haja vista que a única relação que tinha com a Cordeiro Lopes era a prestação de serviços que as empresas de que era sócio realizava para aquela. Assim, no seu entender, a desconsideração de personalidade jurídica, por dissolução irregular, não implicaria responsabilização de quem não é sócio ou administrador da empresa irregularmente dissolvida. Acrescenta que a doutrina e a jurisprudência majoritária consideram ser necessária prévia decisão judicial para desconsideração da personalidade jurídica, para posterior imputação de responsabilidade tributária. Para o recorrente, o argumento do fisco quanto à proximidade da sede da Cordeiro Lopes da localização das empresas Casa Verre e Santa Luzia de modo a justificar à suposta interferência destas na gestão daquela não se sustenta. Tal fato somente demonstra que estas empresas tinham sedes distintas e que precisavam funcionar em locais próximos, tendo em conta a sua parceria comercial. Passo as minhas considerações, iniciando pelo último argumento. De fato, tem razão o recorrente quando afirma que não há como correlacionar a localização das empresas com a sua gestão. Fosse esse o único argumento utilizado para dar sustentação ao termo de sujeição passiva, fatalmente a responsabilidade solidária não subsistiria. Todavia, este foi apenas um dos pontos trazidos ao TSPS para ilustrar a suposta ingerência do recorrente e de suas empresas na gestão da Cordeiro Lopes. Os demais passarei a apreciar neste momento. Vejo que as declarações prestadas pela sócia da autuada, Lúcia Aparecida até poderiam ser tratadas como retaliação pelas divergências ocorridas entre ela e o recorrente, como este insinuou. Ocorre que a documentação juntada aos autos é robusta o suficiente para levar à conclusão de que houve entre as empresas envolvidas acordo "às escondidas" mediante o qual estas se associaram para aparentarem situações jurídicas que de fato não se configuraram no plano da realidade. Os acordos firmados para que parte da empresa fosse gerida por Humberto Verre, a procuração dando poderes de gestão a uma exempregada deste, a movimentação bancária e a emissão de documentos fiscais por funcionários da Casa Verre, as transferências financeiras e outras questões apontadas no TVF e no TSPS não deixam margem para que se interprete que ali inexistia uma associação de pessoas e de empresas visando ocultar do fisco a ocorrência situação que configura fato gerador dos tributos lançados. As meras alegações apresentadas nos recursos não são suficientes para infirmar robustas provas documentais carreadas aos autos pelo fisco mediante diligências e requisições de informações a bancos e órgãos públicos. Superada a apreciação dos fatos, passemos agora a analisar a faceta jurídica desta discussão, ou seja, se houve a correta subsunção dos fatos às normas mencionadas pelo fisco em suas peças de acusação. A primeira fundamentação jurídica para incluir no polo passivo Humberto Verri foi o inciso I do art. 124, o qual transcrevo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 15 27 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) A luz da doutrina e da jurisprudência não vejo como se possa atribuir a responsabilidade solidária a um sócio ou administrador meramente com base no inciso I do art. 124 do CTN, o qual exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A apreciação dessa questão envolve a pesquisa do que o legislador quis atribuir ao que chamou "interesse comum". Pareceme que para a doutrina majoritária o significado do termo vinculase ao interesse jurídico, não ao mero interesse econômico. Nesse sentido os interessados devem ser partícipes da mesma relação jurídica, a qual no caso do Direito Tributário referese à formação do ato que dá ensejo à obrigação tributária. Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. O mestre Rubens Gomes de Souza não me deixa falando sozinho, quando leciona sobre o tema: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed. 1960, p 67) A jurisprudência também caminha nesse sentido, como se pode observar de decisão do Egrégio STJ onde fica patente o entendimento de que o interesse econômico de uma pessoa quanto à ocorrência do fato gerador é insuficiente para caracterizar a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos: "Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível." Fl. 4076DF CARF MF 28 STJ REsp 884845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIM EIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009 Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária de Humberto Verre com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada no Termo de Sujeição Passiva, o inciso III do art. 135 do CTN: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária no repasse ao recorrente da gestão de parte da empresa autuada. Embora esse fato seja negado com veemência, as provas indicam que Humberto Verre, no ano calendário de 2008, administrava a empresa Cordeiro Lopes nos negócios realizados no Estado de São Paulo, conforme fartamente demonstrado pelo fisco. Nesse sentido é evidente que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que Humberto Verre, que efetivamente geria o contrato com o DETRAN/SP e outros, era estranho ao seu quadro social. Observese que o acordo de cessão do nome da empresa autuada para participar de licitação em São Paulo foi subscrito por pessoa que sequer era sócio desta, em total afronta ao estatuto empresarial. Assim, de acordo com a jurisprudência do CARF, é certo que nesses casos cabe a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 16 29 ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 1402001.601, de 11/03/2014 ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não Fl. 4078DF CARF MF 30 observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Acórdão n.º 1301001.536, de 03/06/2014 A luz do entendimento de que os terceiros podem ser chamados a responder pelo crédito tributário na hipótese do inciso III do art. 135 do CTN e que a situação sob análise pede a aplicação deste dispositivo, o que me leva a concluir pela procedência da responsabilidade solidária atribuída a Humberto Verre. II) Casa Verre Indústria e Comércio Ltda TSPS de fls. 3.435/3.442 Pelos mesmos fatos narrados no TSPS lavrado contra seu sócio, a Casa Verre foi arrolada como devedora solidária, porém, com fundamento apenas no inciso I do art. 124 do CTN, em razão da existência de interesse comum na situação que configura o fato gerador. As razões do recurso desta solidária são idênticas a daquelas constantes no recurso do seu sócio, donde se conclui que não têm força para afastar as provas substanciosas trazidas pelo fisco. A colocação da pessoa jurídica na condição de devedora solidária me parece bastante plausível. Aí se nota um esforço conjunto na realização das condutas que deram ensejo à ocorrência do fato gerador. Observe que a Casa Verre é que mantinha relação com o DETRAN/SP, mediante seus funcionários, além de que estes representavam a autuada perante instituições bancárias, além de emitir as notas fiscais de prestação de serviços e venda de mercadorias. Não há dúvida que a Casa Verre funcionava não como prestadora de serviço da Cordeiro Lopes, mas representava uma verdadeira extensão dos negócios da autuada no Estado de São Paulo. Assim fico seguro para afirmar que neste caso o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador ocorreu, posto que Cordeiro Lopes e Casa Verre atuaram conjuntamente na consecução das atividades que geraram as receitas sobre as quais incidiram as autuações fiscais. Concluo que deve ser mantida no polo passivo a empresa Casa Verre. III) Santa Izabel Administração e Participações TSPS de fls. 3.443/3.449 Este TSPS tem os mesmo fundamentos fáticos e jurídicos daquele lavrado em nome da Casa Verre. Neste caso, todavia, tenho entendimento divergente do fisco. É que a única forma de participação da Santa Izabel demonstrada nos autos é o recebimento dos recursos repassados pela autuada. Assim, identificase apenas um interesse econômico, não se apresentando o interesse jurídico exigido pela norma, o inciso I do art. 124 do CTN. Nesse sentido, entendo que não deva subsistir a imputação da solidariedade à empresa Santa Izabel. Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 19515.722730/201235 Acórdão n.º 2402005.619 S2C4T2 Fl. 17 31 Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para excluir do polo passivo a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 4080DF CARF MF
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Numero do processo: 44000.000891/2006-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DE NÍVEL SUPERIOR COOPERAS/SUP4 LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 00 0. 00 08 91 /2 00 6- 73 Fl. 707DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 230101.973, proferido em 14/04/2011 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa e decisum encontramse a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PR EVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4° do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. COOPERATIVAS. VIGÊNCIA DA LC 84/96. A contribuição social prevista no art. 1°, II, da LC 84/96 é devida a pelas cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por Fl. 708DF CARF MF Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 9202005.147 CSRFT2 Fl. 244 3 intermédio delas no período de vigência da referida lei complementar. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado. I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir — devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN — as contribuições apuradas até 12/1996, anteriores a 01/1997, a partir da data da ciência do lançamento retificado, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela aplicação da decadência a partir da primeira ciência do lançamento; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Nos termos do acórdão acima referido, o colegiado que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência de alguns dos períodos lançados, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. In casu, temos que a cooperativa não realizou qualquer pagamento relativo à incidência prevista na LC 84/96.Portanto, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, considerando a ciência do lançamento retificado em 09/05/2002, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/1996, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Fl. 709DF CARF MF 4 Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/1996. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Cientificado, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 44000.000891/200673 Acórdão n.º 9202005.147 CSRFT2 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 711DF CARF MF 6 Fl. 712DF CARF MF
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