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Numero do processo: 18088.720393/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO.
Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendo-lhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada,consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta,planejada e executada mediante ajuste doloso.
Numero da decisão: 2201-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendo-lhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada,consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta,planejada e executada mediante ajuste doloso.
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OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabívelaaplicaçãodamultaagravadasemprequeocontribuintedeixarde prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal.Todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendolhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, nos termos do permissivo legal. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. 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Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1654.969 1ª Turma da DRJ/SP1 (fls.456/479), que julgou procedente em parte a sua impugnação. Pela clareza e concisão, adoto o relatório da decisão de primeira instância até a fase de impugnação, que bem sintetizou os principais aspectos do presente lançamento: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19/11/2013 (fl. 128), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008. Nesta mesma data o responsável tributário solidário Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, conforme Relatório Fiscal (itens 41 a 42.4 – fls. 121 e 122), também foi cientificado do lançamento e da respectiva sujeição passiva solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 477 2013 fls. 109 e 110). 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Relatório Fiscal (fls. 111 a 122) e planilhas de cálculo de fls. 13 a 16 e 46 a 49, a contribuinte efetuou pagamentos, por meio de débitos em suas contas correntes bancárias registrados em sua contabilidade (créditos contábeis nas contas bancos), cuja operação e respectiva causa não foram comprovadas pela contribuinte intimada (Termo de Diligência Fiscal nº 02/330/2013 – fls. 44 a 50) e reintimada (Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013 – fls. 59 a 61). 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o Auto de Infração de IRRF (ato Fl. 657DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 757 3 e anexos às fls. 02 a 12). A multa de ofício aplicada foi qualificada (itens 32 a 39 do Relatório Fiscal – fls. 120 e 121) com fulcro nos artigos 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação) e majorada por falta de resposta ao Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013, conforme artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, totalizando 225%. Os juros de mora estão calculados com base na taxa Selic. 4. Irresignada, a autuada e o responsável solidário, representados por mandatário (fls. 29, 30, 41 e 159 a 175), apresentaram, em 19/12/2013 (fls. 447 e 453), conjuntamente a impugnação de fls. 131 a 159, instruída com documentos de fls. 160 a 446, na qual alegam em síntese: 4.1. a Receita Federal do Brasil (RFB) pretende validar informações e documentos (escutas telefônicas e informações bancárias) colhidas em operação promovida em conjunto com a Polícia Federal em Fortaleza, Ceará (Operação Podium – documentos de fls. 176 a 206), cuja lacração dos documentos apreendidos foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (fls. 207 a 209) e ilegalidade do procedimento foi decidida pelo mesmo STJ no HC nº 198.224/CE (fls. 210 a 290), o que burla as exigências legais para constranger o cidadão e mitiga os direitos e garantias individuais; 4.2. apesar de não constar no processo como teria sido obtida a informação de que parte dos pagamentos realizados retornou para as contas dos impugnantes, resta claro que o auto de infração é ilegal pela quebra do sigilo bancário do responsável solidário Marco Antonio Bernardi, conforme se pode observar no item 21 do Relatório Fiscal que indica que foram quebrados também os sigilos bancários do Sr. Hybernon e da Sra. Karla Cysne, pois não houve autorização judicial, o que viola o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, conforme jurisprudência judicial reproduzida; 4.3. há probabilidade latente de estender aos impugnantes os efeitos da decisão exarada no HC 198.224CE, que determinou a impossibilidade de utilização, por serem ilícitas, das provas colhidas na Operação Podium, que, segundo o item 1 do Relatório Fiscal, é a origem do auto de infração ora impugnado, por meio de expediente enviado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, pois são ilegais as provas obtidas por derivação de provas nulas; Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 758 4 4.4. apesar de a fiscalização afirmar que os atos dos impugnantes geraram grande fraude à Fazenda Nacional, é certo que o narrado nos itens 07 a 24 do Relatório Fiscal apenas informa que a contabilidade provisionava os pagamentos, o que ocorre em toda empresa de grande porte, e na data indicada estes eram efetuados, o que não configura nenhuma fraude, pois ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 4.5. conforme doutrina reproduzida e artigo 924 do Regulamento do Imposto de Renda, que diz que cabe ao Fisco a prova de fatos inverídicos, para aclarar a descrição da fraude fiscal, a auditoria fiscal deveria indicar em que momento foi perpetrada a fraude e indicar que ocorreu o retardamento, diminuição ou supressão no pagamento do tributo de forma ardilosa; 4.6. do total de pagamentos efetuados, presumiuse sem provas que o impugnante Marco Bernardi recebeu em devoluções aproximadamente R$250.000,00, o que não chega nem aos pés das grandes fraudes contra a Fazenda Nacional do passado e do presente; 4.7. “por mais questionável que tenham sido os pagamentos feitos em favor do Impugnante, tais pagamentos não constituem fraude, pois não foram com o objetivo de suprimir o pagamento de tributo”; 4.8. no momento do lançamento (19 de novembro de 2013) encontrava se decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram até 19 de novembro de 2013, pois, conforme o § 2º do artigo 674 do RIR/1999 (norma que fundamenta o lançamento) considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento e o prazo decadencial é de cinco anos a partir do fato gerador de acordo com o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e orientação jurisprudencial citada da própria Receita Federal; 4.9. na hipótese de ser inadmitida ilegalidade da quebra do sigilo, bem como inadmitida a desconstituição da fraude, somente pode ser mantida a caracterização de fraude em relação ao montante de R$256.635,00, que é o valor que foi creditado em favor do responsável tributário Marco Bernardi e não em relação ao total dos pagamentos realizados (R$7.547.378,24); 4.10. é indevida a aplicação da multa de ofício duplicada (qualificada), já que a conduta do contribuinte é de inadimplemento e não de Fl. 659DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 759 5 sonegador, cujo ônus da prova é da auditoria fiscal segundo jurisprudência transcrita, pois em momento algum restou caracterizado o retardamento ou a criação de empecilhos, já que os fatos foram devidamente documentados na contabilidade; 4.11. a qualificação da multa também é indevida por ser confiscatória, e não atender os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade aos atos praticados; 4.12. também é indevido o aumento da multa pela metade, pois as requisições foram atendidas na medida do possível, visto que sempre esclareceu que os documentos solicitados não estavam em posse dos impugnantes, por serem objeto de outro procedimento, não podendo o Estado se utilizar da própria torpeza para agravar a situação da contribuinte; 4.13. era impossível apresentar a documentação em face dos princípios constitucionais do sigilo, do direito em não produzir provas contra si e do trancamento do procedimento criminal por decisão judicial; 4.14. não pode permanecer a solidariedade atribuída a Marco Bernardi sobre todo o crédito tributário constituído, pois menos de 5% do valor dos pagamentos retornaram para sua conta e a responsabilidade do diretor se limita aos atos que efetivamente deu causa, além do que, como já dito, esta informação foi obtida por ato inconstitucional; e 4.15. como não restou comprovada a fraude por parte do contribuinte, é impossível a responsabilização de seu diretor.” A 1ª Turma da Delegacia da Brasil de Julgamento em São Paulo I, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação para reduzir o percentual da multa aplicável a 150%, rejeitando o aumento de 50% (a 225%) levado a cabo pela autoridade autuante, por entender esta última no auto caracterizada a hipótese prevista no art. 44, §2o., inciso I da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no 11.488. de 15 de junho de 2007. O acórdão recorrido foi prolatado com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 18/01/2008, 01/02/2008, 01/03/2008, 20/03/2008, 24/03/2008, 25/03/2008, 05/05/2008, 20/05/2008, 02/07/2008, 23/07/2008, 4/07/2008, 01/08/2008, 04/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 27/08/2008, 02/09/2008, 11/09/2008, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 760 6 16/09/2008, 23/09/2008, 24/09/2008, 01/10/2008, 03/10/2008, 07/10/2008, 08/10/2008, 11/11/2008, 13/11/2008, 19/11/2008,21/11/2008, 28/11/2008, 05/12/2008, 10/12/2008, 11/12/2008, 12/12/2008,18/12/2008, 24/12/2008, 29/12/2008. PAGAMENTOS. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. CAUSA NÃO COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. É sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, pagamento efetuado a terceiro, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/01/2008, 01/02/2008, 01/03/2008, 20/03/2008, 24/03/2008, 25/03/2008, 05/05/2008, 20/05/2008, 02/07/2008, 23/07/2008, 24/07/2008, 01/08/2008, 04/08/2008, 21/08/2008, 26/08/2008, 27/08/2008, 02/09/2008, 11/09/2008, 16/09/2008, 23/09/2008, 24/09/2008, 01/10/2008, 03/10/2008, 07/10/2008, 08/10/2008, 11/11/2008, 13/11/2008, 19/11/2008, 21/11/2008, 28/11/2008, 05/12/2008, 10/12/2008, 11/12/2008, 12/12/2008, 18/12/2008, 24/12/2008, 29/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. Quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos que a Fazenda Pública possui para formalizar o crédito tributário devido é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. INTIMAÇÃO PARA JUSTIFICAR SAÍDAS DE DISPONIBILIDADES. ATENDIMENTO INSATISFATÓRIO. RECUSA EM PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO TIPIFICADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA DE OFÍCIO. CAUSA DE AUMENTO. MESMO FATO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. A recusa ou o atendimento insatisfatório de intimação para justificar saídas de disponibilidades configuram a hipótese infracional de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa, valor sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de trinta e cinco por cento, sancionada com multa de ofício, sendo vedado reconhecer a mesma circunstância fática caracterizadora do ilícito como causa de aumento da respectiva sanção, sob pena de se incorrer em bis in idem. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 761 7 DIRETOR. PARTICIPAÇÃO EM FRAUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Demonstrado nos autos que diretor da empresa autuada participou de fraude tendo sido beneficiário, por meio de depósitos em conta bancária pessoal, de pagamentos, cuja causa não foi comprovada, feitos inicialmente a terceiros, mantémse sua responsabilização tributária apontada pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No mesmo Acórdão, uma vez superado o limite de alçada de exoneração estabelecido pela Portaria MF no 3, de 03 de janeiro de 2008, formalizase Recurso de Ofício a este Conselho, quanto ao crédito tributário não mantido em sede de 1ª instância. Cientificados do mencionado Acórdão em 17 de fevereiro de 2014 (efls. 480/487), em 18/03/2014 a contribuinte e o sujeito passivo solidário ingressam com o Recurso Voluntário (efls. 495/519), onde, resumidamente: a) Iniciam o pleito recursal alegando que a investigação criminal denominada “OPERAÇÃO PODIUM” foi considerada ilegal para dois dos investigados, se encontrando suspensa em face do Sr. Marco Antônio Bernardi. Citase que a quebra de sigilo bancário e telefônico não obedeceram aos princípios de ampla defesa e devido processo legal, violando o contraditório. Mencionam decisão de lacração de documentos apreendidos, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (efls. 207 a 209), acreditando, ainda, na extensão do entendimento emanado em outro HC (198.224/CE) em favor dos pacientes vinculados à Recorrente IESA. Entendem que, a partir da decisão ali proferida, ficaram a Receita Federal e a Polícia Federal impedidos de dar seguimento ao procedimento inquisitorial, citando como evidência a inexistência de ação penal proposta, bem como a falta de andamento do inquérito há mais de um ano. Retomam, a seguir, assim, a argumentação de que a Receita Federal do Brasil (RFB) intimou o contribuinte com o intuito de arrecadar documentos e validálos, por via oblíqua, para fins de constituição dos crimes imputados aos autuados, através de posterior compartilhamento com a Polícia Federal em Fortaleza. b) Após breve síntese da autuação, passam a fundamentar seu recurso, dividindoo nos seguintes itens: b.1) Quanto ao sigilo bancário: Entendem que todas as peças acostadas aos autos se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, refutando a documentação citada pelo Acórdão recorrido em seu item 7, da seguinte forma: efl. 179: Tratase de ofício da RFB informando ao Juiz Federal de Fortaleza que um dos investigados iria dizer toda a verdade. efls. 187/189: Tratase de decisão judicial que defere a quebra de sigilo de pessoas jurídicas outras – Federação Cearense de Automobilismo, Capitalize Fomento Comercial e Construtora Marquise. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 762 8 efls. 190/191: Tratase de documentação arrecadada pela Polícia Federal e Receita Federal nos mandados de busca e arrecadação, os quais, por decisão do STJ, devem permanecer lacrados até decisão final, decisão esta que beneficia diretamente os documentos arrecadados na sede da residência da recorrente IESA, do recorrente Marco Bernardi e na Residência de Jauvenal OMS. Quanto ao item 10 do recorrido, transcreve excerto do Acórdão prolatado nos autos do HC 198.224CE que se refere a interceptação telefônica dos pacientes. Encerra o item ressaltando inexistir prova, nos autos, da quebra de sigilo dos recorrentes, alegando a insubsistência do auto por se basear na quebra de sigilo bancário de terceiros. b.2) Quanto à inexistência de fraude: Alega que os fatos descritos não indicam a existência de ação ou omissão dolosa a impedir, retardar a incidência do IRRF. Entende que haveria necessidade da autoridade fiscal demonstrar objetivamente a tentativa dos contribuintes omitirem ardilosamente a necessidade de retenção a título de IRRF, tendo, porém, se limitado a demonstrar, em tese, que os pagamentos a título de adiantamento teriam retornado aos recorrentes, sendo utilizados com a intenção de fraudar o Imposto de Renda da Pessoa Física ou prejudicar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, temas que fogem completamente ao escopo da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Propugna que não restou comprovado o comportamento de fraude dos recorrentes, mas apenas o seu inadimplemento, a ausência de retenção do IR, requerendo que o auto de infração e a imposição de multa sejam anulados, principalmente, com relação à fraude. c) Quanto à decadência: Defende a aplicabilidade, no caso de acolhimento da fundamentação da ausência de fraude, do disposto no art. 150, § 4o. da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), ressaltando que, nesta hipótese, restaria extinto o direito de exigir o crédito tributário dos fatos geradores ocorridos até 19 de novembro de 2008. d) Quanto à multa de ofício duplicada e a sua majoração em 50% : Entende não caber a duplicação da multa efetuada, uma vez que o presente processo cuida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, não havendo prova de que os recorrentes ludibriaram o Fisco para não pagar o IRRF. Ressalta que em momento algum restou caracterizado o retardamento, a criação de empecilhos, ou por ventura se logrou esconder o inadimplemento por parte dos recorrentes, com todos os fatos tendo sido documentados em sua escrita contábil. Volta a mencionar a falta de andamento da ação penal, afirmando que não há sonegação, não há fraude, mas tão somente o inadimplemento dos autuados. Finalmente, quanto aos argumentos referentes à majoração da multa em 50%, ainda que tal matéria não esteja mais em litígio no âmbito do Recurso Voluntário, permanece a mesma em litígio no âmbito do Recurso de Ofício e, assim, achouse por bem reproduzir as alegações dos contribuintes em sede do presente Relatório. Alegam, aqui, os recorrentes, que as requisições foram atendidas, na medida de sua possibilidade jurídica, havendo documentos que não estavam em posse dos recorrentes, bem como eram objeto de outro procedimento. Alega que a documentação requisitada sempre esteve em poder do Fisco, com as justificativas, esclarecimentos e requisições não passando de ardil para agravar a pena dos Recorrentes, entende assim incabível a majoração da multa em 50%. Do exposto, requerem os recorrentes que: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 763 9 a) Se declare a insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal, uma vez que: a.1) A ação fiscal foi movida em flagrante inconstitucionalidade, baseada em quebra do sigilo bancário dos Recorrentes, sem a prova da autorização judicial; a.2) A ação fiscal resta ilegal por ser decorrência direta de procedimento criminal suspenso, tendo já sido declarado, para outros envolvidos no procedimento criminal, a ilegalidade das provas obtidas; b) Não sendo acolhida nenhuma das preliminares ao mérito, requerse que seja acolhida a desconstituição da fraude, pois, conforme exaustivamente o que ocorreu foi o inadimplemento; c) Após a desconstituição da fraude no Imposto de Renda Retido na Fonte, requer o reconhecimento da decadência de grande parte dos lançamentos. d) Se ainda assim, mantiver o auto, requer que a multa seja reduzida proporcionalmente aos atos praticados; e) Outrossim, requer que a solidariedade seja anulada. No entanto, não entendendo desta forma, espera que ela seja mitigada para os atos, eventualmente, cometidos pelo impugnante Marco Bernardi; f) Caso não seja acolhido nenhum pedido para cancelamento e desconstituição do crédito tributário total, que seja reduzido o crédito tributário às ações em que forem comprovadas à fraude. O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução nº 2101000.193 desse Conselho ( 2ª Seção, 1ª Câmara, 1ª Turma), fls. 531/543. A mencionada decisão pede esclarecimentos, nos seguintes termos: a) Como se deu, em detalhes (mencionando números de Ofícios e/ou outros expedientes) a obtenção pela autoridade autuante da documentação carreada aos autos (inclusa, aqui, a documentação bancária de efls. 82 a 87 e 89 a 94) ? Teria sido a mesma obtida pela Policia Federal no âmbito do IPL 1311/08 e posteriormente transferida à Receita Federal ? b) Quanto à documentação bancária utilizada, teria se originado a mesma de envio pelas instituições financeiras, na forma relatada pelo relatório de fls. 20 a 21, com prévio afastamento de sigilo bancário autorizado judicialmente, ou de RMF, ou através de autos de busca e apreensão ? c) Houve, em algum momento, o afastamento dos sigilos bancário e telefônico, por força de decisão judicial, dos impugnantes IESA Projetos, Equipamentos e Montagens S/A e Marco Antonio Bernardi, bem como a autorização judicial do compartilhamento, com a Receita Federal do Brasil, das informações assim obtidas pela Polícia Federal relacionadas aos recorrentes e utilizadas no presente lançamento? d) Juntar aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 764 10 Em cumprimento à referida Resolução, foi exarada a Informação fiscal de fls. 546/548, em que a Autoridade Fiscal assim se manifestou: a) Os documentos de fls 82, 89, 90, 91, 92, 93 e 94 foram enviados à DRF AQA juntamente com memorando n° 15 SRRF03/Difis de 07.MAI.2013, onde anexo também constava representação da SAPAC DRF Fortaleza (juntados às efls 19/21 do processo 18088.720393/2013 47), oriundo de trabalho em conjunto com o Escritório de Pesquisa e Investigação – ESPEI. Estes documentos foram utilizados por aquela DRF para subsidiar procedimento de auditoria em face dos contribuintes da jurisdição da DRF Fortaleza. Salientase, segundo o citado expediente, que a quebra do sigilo bancário foi autorizada pelo Juiz da 11° Vara Federal do Ceará, conforme consta na página 2 (efls 19/21) Posteriormente, em complemento aos documentos acima mencionados, a fiscalização da DRF Fortaleza indicou o processo administrativo fiscal 10380.726219/201391, de onde foram extraídos os documentos de fls 83, 84, 85, 86 e 87. O citado processo é um dos autos de infrações de IRPF lavrado contra José Hybernon Cysne Neto, um dos envolvidos no esquema. b) A documentação bancária foi obtida conforme descrito na resposta ao quesito “a”. c) Conforme já descrito no quesito “a”, a documentação foi enviada pela SRRF03 à DRF Araraquara e extraída, também, do Processo 10380.726219/201391. A DRF Araraquara não solicitou a quebra de sigilo bancário (via Requisição de Movimentação Financeira RMF ou judicial) dos envolvidos, haja vista que os mesmos documentos utilizados nos processos administrativos dos contribuintes pertencentes à jurisdição da DRF Fortaleza também foram utilizados na auditoria da IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A (jurisdição da DRF Araraquara). As transações que ligam o Sr. JOSÉ HYBERNON a terceiros, via Federação Cearense de Automobilismo (FCA), tiveram a quebra de sigilo deferida e o compartilhamento para a RFB autorizado judicialmente, conforme anexo I deste relatório As transações que ligam o Sr. JOSÉ HYBERNON a terceiros, via pessoa jurídica KARLA LUSITANO CYSNE, foram conhecidas e tiveram o estudo aprofundado mediante a lavratura formal de duas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) emitidas pela DRF Fortaleza (anexo II deste relatório) Vale também deixar consignado que o terceiro que aparece em qualquer polo da transação bancária não necessita juridicamente de ter o seu sigilo bancário próprio quebrado para uso da informação pela RFB. Evidentemente, deve esse terceiro ser auditado, mediante a dialética processual adequada, para se manifestar sobre as circunstâncias da operação em si. A alegação em sede de defesa da existência/inexistência dessa Fl. 665DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 765 11 quebra específica (e desse compartilhamento) se traduz em mero direito de atacar formalidade (que não existe na prática), dado que não consegue explicar a matéria de mérito. d) No anexo III deste relatório consta o razão da conta “1.1.10.2.034.002 SERVIÇOS DE TERCEIROS” de maio/2008 (IIIA) e julho/2008 (IIIB) onde, no final de cada mês, a citada conta foi zerada e o respectivo saldo foi transferido para a conta “’1.1.10.2.034.0040 processo produtivo”. No anexo IV consta o razão da conta “1.1.10.2.034.0040 PROCESSO PRODUTIVO”. É de se notar que no dia 31/12/2008 há dois lançamentos para a conta “1.10.2.034.0050 TRANSFERÊNCIA PARA CPV”: Um de R$ 25.090.234,50 e outro de R$ 3.701.935,56. No anexo V consta o razão da conta “1.10.2.034.0050 TRANSFERENCIA PARA O CPV”, onde são feitas transferências para contas de resultado, cujo código iniciase com “3”, como, por exemplo: “3.3.02.1.005 MÃO DE OBRA”; “3.3.05.1.001 MATERIAIS”; “3.3.05.1.003 SERVIÇOS CONTRATADOS”; “3.3.02.1.003 MATERIAIS”. De todo o exposto, tendo sido respondido aos quesitos solicitados pelo CARF, encaminho o presente processo à SACAT DRF AQA para que seja dado ciência ao contribuinte e, também, para as demais providências de sua alçada. Foram anexados ao eprocesso, juntamente com este relatório 1) Anexo I: Autorização judicial para que fossem compartilhadas com a Receita Federal do Brasil as informações e documentos do processo judicial 2) Anexo II: RMFs emitidas pela DRF Fortaleza, onde foram solicitados extratos bancários e cópias de documentos bancários de KARLA LUSITANO CYSNE. 3) Anexo III “A” e III “B”: Razão da conta contábil “1.1.10.2.034.002 SERVIÇOS DE TERCEIROS”; 4) Anexo IV: Razão da conta contábil “1.1.10.2.034.0040 PROCESSO PRODUTIVO”; 5) Anexo V: Razão da conta contábil “1.10.2.034.0050 TRANSFERÊNCIA PARA CPV” É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 766 12 O Recurso de Ofício atende ao que estabelece a Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, portanto, deve ser conhecido. Recurso de Ofício A decisão de primeira instância, por maioria, afastou o aumento da multa de ofício, pela metade, em decorrência da conduta do sujeito passivo de não prestar esclarecimentos à Fiscalização, com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. De acordo com o entendimento da instância a quo houve um bis in idem, na medida em que a recusa ou atendimento insatisfatório da intimação para justificar saídas de disponibilidades configuram a hipótese infracional de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa, valor sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de trinta e cinco por cento, sancionada com multa de ofício, sendo vedado reconhecer a mesma circunstância fática caracterizadora do ilícito como causa de aumento da respectiva sanção. A falta de atendimento à Fiscalização para prestar esclarecimentos restou configurada através da várias intimações realizadas e não atendidas pelo sujeito passivo. Muito embora este apresentasse justificativas e requeresse dilações de prazo, o certo é que os esclarecimentos não foram prestados e a Fiscalização teve o seu trabalho dificultado em face do não exercício do dever de colaboração com as autoridades fazendárias perpetrado pela contribuinte. Diferentemente da decisão a quo, entendo que não foi a recusa ou atendimento insatisfatório da intimação que levou a Autoridade Fiscal a lançar o crédito tributário, mas se iniciou com um minucioso trabalho de investigação que envolveu o setor de inteligência da Receita Federal do Brasil (ESPEI), a Polícia Federal e o próprio Ministério Público Federal. Foi na conduta do sujeito passivo que a Fiscalização identificou o fato imponível, identificando todo o esquema fraudulento de sonegação fiscal. O não atendimento das intimações para prestar esclarecimentos consistiram em um óbice transponível, vez que a Fiscalização atingiu seu desiderato, mesmo, como já dito, tendo o seu trabalho em muito dificultado pela conduta omissiva do sujeito passivo de não colaboração com o trabalho desenvolvido na ação fiscal. Destarte, não há como reconhecer que as sanções impostas, multa de ofício decorrente do não pagamento de Imposto de Renda no vencimento da obrigação tributária e aumento da multa sejam decorrentes da mesma circunstância fática, e que tenha havido bis in idem. A multa de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) é decorrente do inadimplemento do tributo e o aumento dessa multa pela metade ( art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996) é uma sanção pela conduta do sujeito passivo de não prestar esclarecimentos. Para o caso que se cuida, não vale a máxima do Direito Penal que ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. O princípio nemo tenetur se detegere (o direito de não produzir prova contra si mesmo) encontra óbice intransponível no multicitado art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Assim sendo, todos os contribuintes têm o dever de colaborar com o Fisco, fornecendolhe esclarecimentos, quando solicitado, ainda que estes esclarecimentos não lhe surtam efeitos favoráveis. O não cumprimento desse dever acarreta a sanção de aumento da multa de ofício pela metade, como aplicou a Fiscalização no presente. Verificase que o sujeito passivo foi instado a se manifestar acerca de 46 (quarenta e seis) transações bancárias, mas permaneceu inerte de forma voluntária, fato que por si só, caracterizaria o aumento da multa de Fl. 667DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 767 13 ofício pela metade. Entretanto, além dessa, foram várias as ocorrências de não atendimento à Fiscalização para prestar esclarecimentos. De todo o exposto, voto por conhecer do Recurso de Ofício para darlhe provimento, restabelecendo o aumento da multa de ofício pela metade (225%), nos exatos temos do lançamento efetuado pela Autoridade Fiscal. Da Decadência A recorrente alega a decadência, nos termos do artigo 150, §4° do CTN, porém a contagem para o caso em tela deve ser feita através do artigo 173, I, conforme será demonstrado. É entendimento pacífico neste Conselho que é aplicável o artigo 173, I em casos de dolo, fraude ou simulação, conforme súmula abaixo: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. No mérito será demonstrada a ocorrência dos fatos que ensejam a contagem nos termos do artigo 173, I do CTN. A ciência do lançamento se deu em 19/11/2013 (fl.127). O fato gerador mais antigo se reporta à 18/01/2008. Portanto, o crédito tributário poderia ser lançado até 31/12/2013, não havendo que se falar em período decadente, como quer fazer crer a recorrente. Do Sigilo Bancário A recorrente manifesta insurgência ao presente lançamento, alegando que os documentos que lhe embasaram se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, maculando o crédito tributário por ilicitude na obtenção das informações. Quanto à obtenção de dados dos recorrentes, a Autoridade Fiscal assim se manifestou por ocasião do cumprimento da Resolução exarada por este Conselho: Os documentos de fls. 82, 89, 90, 91, 92, 93 e 94 foram enviados à DRF AQA juntamente com memorando n° 15 SRRF03/Difis de 07.MAI.2013, onde anexo também constava representação da SAPAC DRF Fortaleza (juntados às efls 19/21 do processo 18088.720393/201347), oriundo de trabalho em conjunto com o Escritório de Pesquisa e Investigação – ESPEI. Estes documentos foram utilizados por aquela DRF para subsidiar procedimento de auditoria em face dos contribuintes da jurisdição da DRF Fortaleza. Salientase, segundo o citado expediente, que a quebra do sigilo bancário foi autorizada pelo Juiz da 11a Vara Federal do Ceará, conforme consta na página 2 (efls 19/21) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 768 14 Posteriormente, em complemento aos documentos acima mencionados, a fiscalização da DRF Fortaleza indicou o processo administrativo fiscal 10380.726219/201391, de onde foram extraídos os documentos de fls. 83, 84, 85, 86 e 87. O citado processo é um dos autos de infrações de IRPF lavrado contra José Hybernon Cysne Neto, um dos envolvidos no esquema. Inferese da transcrição supra que não há qualquer irregularidade na obtenção dos documentos que serviram de supedâneo para o presente lançamento. Além da prova emprestada, restou consignado que o sigilo bancário foi quebrado pela 11a Vara da Justiça Federal no Ceará. Portanto, não existe mácula no presente lançamento em relação à obtenção de documentos. De outra sorte, impende ressaltar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Desse modo, a Receita Federal do Brasil tem a prerrogativa de obter informações bancárias dos sujeitos passivos da relação tributária visando coibir infrações à lei. Assim, não assiste razão à recorrente quando afirma que o lançamento está lastreado em provas obtidas por meio ilícito. Da Fraude Em relação ao artifício ardiloso perpetrado pelos recorrentes e os pilotos de automobilismo, consistente na prática simulada de ocorrência de patrocínio esportivo, tenho que o Relatório Fiscal efetuou a subsunção do fato à norma com riqueza de detalhes que não deixaram dúvidas acerca da irregularidade da conduta, seja sob o ponto de vista tributário ou penal. O retorno do numerário pago a título de patrocínio para a empresa e sócio, demonstra, sem sombra de dúvidas, a engenhosidade do grupo para fraudar, simular e agir em conluio para encobrir a ocorrência do fato gerador. A situação fática narrada demonstra um desapego do recorrentes ao cumprimento da lei. A caracterização da fraude restou assim consignada no Relatório Fiscal (itens 17 a 21.4 – fls. 114 a 115): 17 O que passo a descrever adiante é que ficou COMPROVADA UMA FRAUDE PERPETUADA CONTRA A FAZENDA NACIONAL, quando parte dos valores pagos aos beneficiários descritos no anexo do termo 02 (fls 46/49) eram depositados na conta corrente de Marco Antonio Bernardi Fl. 669DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 769 15 (presidente da IESA segundo cadastro da RFB – fls 62 e diretor financeiro, segundo ficha de breve relato da JUCESP – fls 63/75), conforme inicialmente descreveu o expediente da DRF Fortaleza, já noticiado no item 1 deste relatório. Os documentos acostados a este processo foram enviados à RFB juntamente com o expediente da ESPEI, dando conta do fluxo de pagamentos (fls 76) entre a IESA e JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO, HTECH TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES e KARLA LUSITANO CYSNE e MARCO ANTONIO BERNARDI. 18 No caso em tela, os pagamentos feitos pela IESA foram efetuados a JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO, CPF 120.808.02372, piloto automobilístico (fls.77/78) e dirigente da Federação Cearense de Automobilismo; à pessoa jurídica HTECH TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 08.411.805/000130 cuja pessoa física José Hybernon é responsável perante a RFB e também sócia; à pessoa jurídica individual KARLA LUSITANO CYSNE, CNPJ 72.403.678/000123 (a titular, KARLA, é irmã de José Hybernon). Todas as pessoas físicas e jurídicas citadas anteriormente têm domicilio em Fortaleza/CE. 19 Houve ainda casos de pagamentos à pessoa jurídica individual LUIZ CARLOS ZEPELINI ME, CNPJ 10.478.419/000107, cujo titular é LUIZ CARLOS ZEPELINI, CPF 422.070.10953, também piloto automobilístico (fls 79) e, finalmente, à RODOERRE LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 85.116.259/000155, cujo responsável perante a RFB e sócio é LUIZ CARLOS ZEPELINI. Esses últimos, com domicilio em Balneário Camboriú/SC. 20 Cabe frisar que, através de instrumento de procuração (fls 80/81), a pessoa jurídica KARLA LUSITANO CYSNE deu totais poderes a JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO para administrar a empresa. Assim, inferese que o fluxo de pagamentos recebidos pela PJ KARLA LUSITANO CYSNE era movimentado por JOSÉ HYBERNON CYSNE NETO. 21 Pelo fluxo abaixo, demonstrase a engenharia financeira descrita no item 1: 21.1 No dia 05.05.2008 a IESA enviou à JOSE HYBERNON CYSNE NETO o valor de R$ 519.410,00 (através do BCO REG BRASILIA AG. 022 C/C 003694 2 conforme item 8 do livro razão – fls 46/49). 21.1.1 No mesmo dia (05.05.2008) foi transferido para a conta de MARCO ANTONIO BERNARDI (presidente/diretor financeiro da IESA) o valor de R$ 65.000,00 (comprovante às fls 82). Quem enviou o valor foi JOSE HYBERNON CYSNE NETO – Banco Itaú AG 7018 c/c 468707. 21.2 No dia 02.07.2008 a IESA enviou à KARLA LUSITANO CYSNE o valor de R$ 110.000,00. Notase que na Fl. 670DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 770 16 contabilidade consta 04.07.2008 (item 12 do anexo às fls 46/49), mas a data do pagamento foi em 02.07.2008, conforme documento às fls 83/84. 21.2.1 No dia seguinte, KARLA emitiu um DOC de R$ 55.000,00, que foi depositado na conta do Bradesco de José Hybernon Cysne Neto (fls 85) e um cheque de R$ 55.000,00, que foi depositado na conta do Itaú de José Hybernon Cysne Neto, conforme fluxo desenhado às fls 88. As saídas dos dois valores de R$ 55.000,00 constam no documento às fls 83/84. 21.2.2 Dia 03.07.2008 José Hybernon emitiu um cheque de R$ 55.000,00 (fls 86) nominal a Marco Antonio Bernardi, que foi depositado na conta do mesmo dia, via TED (fls 87). 21.3 Em 04.08.2008 a IESA enviou à KARLA LUSITANO CYSNE o valor de R$ 23.395,00 (através do BCO HSBC AG.985 C/C 1491611 – conforme item 21 do livro razão –fls 46/49). 21.3.1 No dia 08.08.2008 (quatro dias depois) foi transferido para a conta de MARCO ANTONIO BERNARDI (presidente/diretor financeiro da IESA) o valor de R$ 22.500,00 (fls 89). Quem enviou o valor foi JOSE HYBERNON CYSNE NETO – Banco Itaú AG 7018 c/c 468707. 21.4 Em 21.11.2008 a IESA enviou à conta de JOSE HYBERNON CYSNE NETO o valor de R$ 273.135,00, no Banco Itaú. Notase que na contabilidade consta o lançamento HTECH Tecnologia (BCO BRADESCO AG 2836 C/C 124141 – item37 do livro diário – fls 46/49). 21.4.1 No dia 25.11.2008 José Hybernon emitiu um DOC de R$ 114.990,50 do Banco Itaú e enviou para sua conta no Banco Bradesco (fls 90/91). 21.4.2 Nesta mesma data, JOSÉ HYBERNON emitiu um cheque do Bradesco de R$ 114.900,00 (fls 92/93), nominal a Vanderlei da Costa Lima (empregado da PJ KARLA LUSITANO CYSNE, segundo CNIS). Este cheque, aparentemente, teria sido sacado da “boca do caixa”. Mas, analisando a fita detalhe de caixa, notase que o valor foi depositado na conta de MARCO ANTONIO BERNARDI – presidente/diretor financeiro da IESA (fls 94). Concluiuse, portanto, que a fraude consistia no fato de que, parte dos pagamentos feitos a terceiros, cuja causa não foi comprovada pela fiscalizada retornava para o sócio da IESA, Sr. Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896. A fraude é assim definida pela legislação, mais especificamente pelo artigo 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a Fl. 671DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 771 17 impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Restou clara a tentativa da recorrente de esconder os pagamentos que fez a seu diretor, com o evidente intuito de evitar o pagamento do imposto devido. A solicitação dos recorrentes de que, caso seja entendida a ocorrência fraude, que esta seja reconhecida apenas em relação aos valores que retornaram para seu diretor financeiro/presidente no montante total de aproximadamente R$ 256 mil, não pode ser atendida, vez que restou comprovado nos autos que transitaram vários milhões de reais em contas de pessoas com ligações diretas com a empresa, tendo este julgador se convencido de todas agiam de forma coordenada para tentar burlar o Fisco. Desse modo, tenho como caracterizada a fraude, não merecendo reparo o lançamento ou a decisão recorrida quanto a este aspecto. Qualificação da Multa de Ofício Caracterizada a ocorrência de fraude, cabe a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996, que assim regula a matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 772 18 Desse modo, a aplicação em dobro da multa de ofício pela caracterização da fraude deve ser mantida. Responsabilidade Solidária dos Sócios Em relação à responsabilização pessoal do sócio da IESA, verificase que o fato de o mesmo ter recebido parte dos pagamentos de volta em sua conta bancária o vincula a todos os pagamentos realizados às mesmas terceiras pessoas cuja causa da operação não foi comprovada. Neste passo, com acerto agiu a fiscalização ao atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído a Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, que figura como Diretor Presidente da IESA, com base nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como visto, a legislação de regência é clara no sentido da responsabilização pessoal do diretor quando agem com infração à lei. Desse modo, não merece reforma esse aspecto do lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos recursos, para dar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 673DF CARF MF Processo nº 18088.720393/201347 Acórdão n.º 2201003.470 S2C2T1 Fl. 773 19 Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001516/2006-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir.
NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, à identificação do sujeito passivo, etc. Não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro.
Numero da decisão: 9101-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, à identificação do sujeito passivo, etc. Não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 16 /2 00 6- 94 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à declaração de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, erro que foi considerado como vício de natureza material. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130100.753, de 23/11/2011, rerratificado pelo Acórdão nº 1301001.048, de 12/09/2012, por meio dos quais a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para declarar a nulidade do lançamento. O Acórdão nº 130100.753 contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2001,2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. E o Acórdão nº 1301001.048, que julgou embargos de declaração apresentados contra o primeiro acórdão, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001,2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada, rerratificandose a parte conclusiva do voto condutor. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 4 3 A omissão no primeiro acórdão dizia respeito à ausência de pronunciamento acerca da natureza do vício propulsor da nulidade do lançamento tributário, que implicava indefinição sobre a possibilidade de aplicação das disposições do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional. O voto que orientou o segundo acórdão, ao sanar o vício de omissão contido na primeira decisão, apresentou os seguintes fundamentos: Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Esclareço, inicialmente, que merece acolhimento os embargos interpostos pela Fazenda, eis que a ausência de pronunciamento, no acórdão atacado, acerca da natureza do vício propulsor da nulidade do lançamento tributário, implica indefinição sobre a possibilidade de aplicação das disposições do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito. [...] Em que pese o fato de que, em determinadas circunstâncias, a indicação equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária pode representar vício meramente formal, passível até mesmo desconsideração no que tange aos efeitos jurídicos do ato praticado, penso que no caso vertente a situação seja outra. Com efeito, o acórdão embargado dá conta de que a Fiscalização identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, pessoa jurídica que já se encontrava extinta em momento anterior ao início do procedimento fiscal. Em tal situação, não seria exagero afirmar que não só o ato de lançamento tributário revelouse substancialmente nulo, mas todo o procedimento administrativo anterior a ele, eis que impulsionado contra pessoa inexistente no mundo jurídico. Tratase, pois, a meu ver, de vício inibidor da realização de novo lançamento nos termos preconizado pelo inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional, antes referido. Assim, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração interpostos para, suprindo a omissão alegada, ratificar a nulidade do feito fiscal, sendo inexistente, no caso, o vício formal. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto às matérias acima referidas, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa declaração de nulidade. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 5 4 DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida diverge da decisão proferida pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão nº 10514234 (Acórdão Paradigma cópia anexa), cuja ementa dispõe: CSLL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. A partir de 01/01/1995, a parcela da base de cálculo negativa da contribuição apurada pelo contribuinte poderá ser utilizada nos períodos seguintes, obedecido o limite de 30%, calculado sobre a base positiva do período da compensação. Recurso negado. invocamse ainda os Acórdãos 30330909 e 30133686 que, diversamente da posição adotada pela e. Câmara a quo, entenderam que, concluindose pela existência de erro na identificação do sujeito passivo, este é vício de natureza formal que poderia ensejar apenas a nulidade do lançamento, repitase, por vício de forma, mas não a improcedência total da exigência; Acórdão nº 30330909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Acórdão nº 30133686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, o lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. os precedentes acima citados comprovam, de forma cabal, a necessidade de reforma da decisão ora atacada, por esta não refletir a melhor exegese acerca da legislação de regência da matéria; DAS RAZOES DO RECURSO o entendimento de que, em caso como o dos autos, o lançamento deve recair sobre a pessoa jurídica, já foi abordado e confirmado anteriormente por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como vimos no Acórdão paradigma nº 10514234; Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 6 5 e mais, segundo esse acórdão paradigma, caso fosse hipótese de aplicação do art. 134, inc.VII do CTN, ainda assim, não restaria por ocorrido erro na identificação do sujeito passivo, a ensejar a nulidade do lançamento; portanto, sendo o caso de liquidação de sociedade de capital ou sociedade de pessoas, o certo é que liquidada/extinta, tal fato, por si só, não conduz à nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo; destarte, verificase a inexistência de erro de identificação do sujeito passivo, eis que se trata de autuação do contribuinte do tributo, nos termos do art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN; a liquidação da sociedade não lhe retira a condição de contribuinte, nos termos preconizados pelo dispositivo acima mencionado, enquanto não expirado o prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional apurar débitos tributários em seu nome; se a pessoa jurídica cometeu infrações de natureza tributária, das quais decorreram recolhimento a menor de tributos e/ou contribuições, estes devem, efetivamente, ser exigidos em nome dela, ainda que sejam cobrados de seu ex sóciogerente, na qualidade de responsável solidário da obrigação, na correspondente fase processual, ou de inscrição do débito em dívida ativa da União, visando a sua execução, nos termos da legislação de regência; o sujeito passivo foi adequadamente identificado, não ocorrendo o vício que levaria à nulidade do feito; assim, liquidada a entidade empresária, mesmo no caso de sociedade de pessoas, não ocorre nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo diante da formalização de exigência em nome da sociedade extinta; mas mesmo diante de erro na identificação do sujeito passivo, sendo este vício formal, impõese a reforma do acórdão para que seja declarada a nulidade formal do lançamento; o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração, em seu art. 10; pela leitura do referido dispositivo (art. 10 do Decreto 70.235/72), percebe se que dentre os requisitos ali dispostos, a qualificação do autuado possui natureza formal, ou seja, determina como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; a propósito, a jurisprudência deste Conselho Administrativo Fiscal é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 7 6 de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideram que se tratava de nulidade por vício de forma (ementas transcritas); portanto, se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; enfim, deve ser reparada a decisão da E. Câmara a quo, uma vez que o entendimento firmado, quanto à identificação do sujeito passivo, está em desacordo com a legislação em vigor, bem como com a jurisprudência e, caso se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, seja declarada a nulidade do lançamento por vício formal. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 017/2013, de 15/01/2013, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Assim, passo a apreciação da admissibilidade da divergência em relação ao primeiro ponto do recurso. [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verificase que o mesmo traz o entendimento de que não há vício na constituição do crédito tributário em nome da pessoa jurídica extinta. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que é nulo o lançamento efetuado em nome da pessoa jurídica extinta. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente em relação ao primeiro ponto. Passo a examinar o segundo ponto do recurso. [...] Examinando os acórdãos paradigmas, verificase que os mesmos consideram o erro na identificação do sujeito passivo um vício formal que enseja a nulidade do lançamento. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que, no caso, o vício ensejador da nulidade do lançamento tinha caráter material. Deste modo, as conclusões sobre a matéria ora examinada nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente também em relação ao segundo aspecto do recurso. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 01/11/2013, o sujeito passivo foi intimado dos Acórdãos do CARF, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e ele não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 e 2001. A autuação fiscal se deu no contexto dos fatos apurados pela CPI do Banestado, em que se constatou que contribuintes nacionais enviaram divisas para o exterior ou as movimentaram no exterior, à revelia do sistema nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participações de brasileiros. No caso específico da contribuinte em questão, o lançamento está baseado em omissão de receitas caracterizada (1) por depósitos de origem não comprovada realizados em moeda estrangeira em conta bancária controlada por seus sócios e (2) por transferências para contas de terceiros, na quais a contribuinte figura como ordenante. A omissão de receitas foi apurada em relação aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e outubro de 2000, e aos meses de março, abril e dezembro de 2001. O lançamento foi parcialmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa, que reconheceu a decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, e dos créditos tributários de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2000. A decisão de segunda instância administrativa, por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de declarar a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, considerando ainda esse erro como um vício de natureza material. De acordo com o acórdão recorrido, a pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir". O recurso especial da PGFN suscita divergência em relação a esses dois aspectos, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e também à identificação da natureza do vício que ensejou a nulidade. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 10 9 É importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. A responsabilidade tributária, em alguns casos, não é tema fácil, de aplicação automática. Isto porque a sujeição passiva ultrapassa a figura do contribuinte. O sujeito passivo pode estar vinculado à obrigação tributária na condição de contribuinte, mas pode também estar vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; como sucessor (pessoa física) na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; como sucessor pessoa jurídica no caso de evento societário de incorporação de empresa; etc. Esse contexto permite vislumbrar que a questão da identificação do sujeito passivo pode não ser de natureza meramente formal, resumida à simples digitação do nome e/ou do nº cadastral (CNPJ ou CPF) no auto de infração. A evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa em relação à questão da responsabilidade tributária revela bem isso. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. O acompanhamento da jurisprudência administrativa revela ainda um outro aspecto interessante: as situações em que a fiscalização lavra os mencionados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" são justamente aquelas em que a matéria da responsabilização exige um maior aprofundamento, exige mais informações, que devem estar presentes já no ato de lançamento. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. Especificamente em relação ao caso sob exame, penso que não há como acolher a tese da PGFN, no sentido de que enquanto não houver a decadência dos créditos tributários, a PJ (mesmo extinta) mantém sua condição de contribuinte. Essa idéia, que consta do acórdão paradigma apresentado, também está atualmente superada. Não há como manter a personalidade jurídica de uma empresa porque ainda não ocorreu a decadência dos tributos. O nascimento/constituição e a morte/dissolução de uma pessoa jurídica não estão disciplinados e nem condicionados pelo Direito Tributário. Antigamente, em casos como o presente, em que o lançamento se dava após a extinção da pessoa jurídica (contribuinte), o procedimento fiscal consistia em restabelecer o CNPJ que já estava baixado, como se isso ressuscitasse a sociedade, como se isso restabelecesse a personalidade jurídica da sociedade. Mas o pensamento jurídico evoluiu, e se percebeu que não adiantava simplesmente reativar o CNPJ (que é mero cadastro) da empresa baixada para que a personalidade jurídica se restabelecesse. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 11 10 Nesse passo, não merece reparo a decisão que declarou ter havido erro na identificação do sujeito passivo, conforme o voto vencedor que a orientou, cujos fundamentos também adoto neste julgamento de recurso especial: Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio foi levantada questão que antecede ao exame do mérito, atinente à sujeição passiva, o que, afinal, conduziu a conclusão diversa. Do exame dos autos se constata que o Fisco identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, a pessoa jurídica RIO EXCHANGE TURISMO LTDA. E, ainda, que essa pessoa jurídica já se encontrava extinta desde momento anterior ao do lançamento, anterior mesmo ao do início do procedimento de fiscalização. Com a extinção por liquidação voluntária, cessa a personalidade jurídica daquela tida por contribuinte no lançamento ora discutido, o qual não pode, assim, subsistir. A jurisprudência majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e também deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a qual concordo, é de que pessoa jurídica extinta não pode figurar no pólo passivo da relação jurídico tributária, conforme ilustram as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: [...] Ressalto, por oportuno, que, no caso concreto, a extinção da pessoa jurídica se deu mediante o registro de seu Distrato Social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, em 09/02/2006 (fls. 353/355v), bem antes do início do procedimento fiscal (em 17/08/2006, cf. AR à fl. 10) e da lavratura dos autos de infração (em 29/11/2006, fl. 322). Também não vislumbro qualquer tentativa de ocultação dos fatos por parte do representante da pessoa jurídica já então extinta, visto que os fatos eram claramente do conhecimento da Fiscalização por ocasião do lançamento, tanto assim que o Distrato Social é expressamente mencionado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 320. O Fisco, ao que parece, não deu qualquer importância a essa circunstância e simplesmente a ignorou, como se inexistente ou ineficaz fosse. Muito menos houve qualquer tentativa de imputação, na forma da lei, de responsabilidade tributária a quem quer que seja. De fato, extinta a pessoa jurídica, deixa de ter a capacidade de ser titular de direitos e obrigações, particularmente a tributária. Não mais pode se revestir da qualidade de contribuinte, e uma relação jurídicotributária em que o pólo passivo está vazio é, por certo, uma relação inexistente juridicamente, causa de nulidade do lançamento ora discutido. Em conclusão, a decisão do colegiado foi por dar provimento ao recurso voluntário, por entender nula a constituição do crédito tributário, em razão de ter sido lançado o tributo em nome de pessoa jurídica extinta. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 12 11 Cabe, assim, negar provimento ao recurso especial em relação à primeira divergência. Na segunda divergência suscitada, a PGFN contesta a decisão recorrida na parte em que ela considerou o erro na identificação do sujeito passivo como um vício de natureza material, e não formal. Quanto a esse aspecto, penso que não há uma regra fixa para definir de antemão a gravidade desse tipo de erro na identificação do sujeito passivo, se o erro é formal, se é material, etc. Isso varia caso a caso. Nem sempre a solução desse tipo de erro passa pela simples troca de um nº de cadastro por outro. O que é relevante é definir a sujeição passiva. Definir, como já mencionado, se o sujeito passivo está vinculado à obrigação tributária como contribuinte; se está vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; se está vinculado como sucessor pessoa física na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; etc. Cada uma dessas situações tem especificidades que repercutem na gravidade que esse tipo de vício pode apresentar. Em determinados casos, não há como tratar o erro na identificação do sujeito passivo como mero vício de natureza formal, principalmente se o saneamento da nulidade exigir alteração de conteúdo no lançamento, naqueles casos em que não basta substituir um nº cadastral (CNPJ ou CPF) por outro. Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 13 12 O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 14 13 d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 9101 00.955, que explicita bem esse aspecto: Acórdão nº 910100.955 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 15 14 elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Voto [...] Como visto, há um ponto comum em todos os mestres citados: o lançamento substitutivo só tem lugar se a obrigação tributária já estiver perfeitamente definida no lançamento primitivo. Neste plano, haveria uma espécie de proteção ao crédito público já formalizado, mas contaminado por um vicio de forma que o torna inexeqüível.... Bem sopesada, percebese que a regra especial do artigo 173, II, do CTN, impede que a forma prevaleça sobre o fundo. [...] [...] 4.0 VÍCIO FORMAL NÃO ADMITE INVESTIGAÇÕES ADICIONAIS Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Deveras, como visto anteriormente, a adoção da regra especial de decadência prevista no artigo 173, II, do CTN, no plano do vicio formal, que autoriza um segundo lançamento sobre o mesmo fato, exige que a obrigação tributária tenha sido plenamente definida no primeiro lançamento. Vale dizer, para usar as palavras já transcritas do Mestre Ives Gandra Martins, o segundo lançamento visa "preservar um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vicio formal detectado". Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 16 15 Ora, se o direito já estava previamente qualificado, o segundo lançamento, suprida a formalidade antes não observada, deve basear se nos mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro lançamento. [...] O fato é que se houver necessidade de inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Quanto ao caso em questão, vêse que o voto do conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que embasou a decisão do CARF na parte em que ela considerou o erro na identificação do sujeito passivo como um vício substancial (de natureza material, portanto), até admite que em alguns casos "a indicação equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária pode representar vício meramente formal", mas esclarece que no caso dessa empresa, o vício é mesmo de substância. De acordo com o referido voto, "não seria exagero afirmar que não só o ato de lançamento tributário revelouse substancialmente nulo, mas todo o procedimento administrativo anterior a ele, eis que impulsionado contra pessoa inexistente no mundo jurídico". Vêse que não há sequer indicação expressa de uma outra pessoa para compor o polo passivo da relação jurídicotributária. O polo passivo simplesmente está vazio, e para preenchêlo, a fiscalização teria que complementar o lançamento, o que já caracterizaria a ocorrência de vício material. Não se trata de mero erro formal, de trocar um nº cadastral por outro, de simplesmente substituir um nome por outro, ou algo semelhante. Não deixo de perceber que as petições de defesa foram assinadas por um dos sócios da pessoa jurídica extinta, mas isso não resolve o problema. Esse sócio iria responder em que condição: como responsável por ato ilícito na administração da empresa, ou como sucessor da PJ na proporção do acervo recebido? No primeiro caso, qual seria esse ato? O mesmo que motivou a autuação fiscal? Era ele o administrador à época dos fatos? No segundo caso, esse sócio recebeu algum acervo da PJ extinta? Enfim, são várias informações que não constam do lançamento, e que só poderiam ser trazidas mediante uma complementação de conteúdo (substância). Portanto, não merece reparo a decisão que, no presente caso, considerou o erro na identificação do sujeito passivo como vício de natureza material. Deve ser negado provimento ao recurso especial também em relação à segunda divergência. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 17 16 Na sessão de julgamento, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo trouxe algumas considerações em Declaração de Voto, que também adoto como razões de decidir. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Em que pese ter acompanhado o ilustre relator, faço a presente declaração de voto apenas para esclarecer alguns aspectos do presente processo. É que, compulsandose os autos, verificase que a Fiscalização, durante todo o procedimento fiscal, encaminhava as intimações aos sócios da pessoa jurídica, embora os termos e declarações fossem em nome da pessoa jurídica e serem respondidos, sempre, em nome da pessoa jurídica. Pois bem, com já observado pelo ilustre relator do voto vencedor da decisão recorrida, a Fiscalização consigna em seu Termo de Verificação Fiscal que havia distrato protocolizado na Junta , até porque tal ato foilhe apresentado pela própria autuada. Analisando tal distrato, verificase estar consignado que a pessoa jurídica encerrou suas atividades em 31/12/1999. Essa informação converge com as DIPJ apresentadas nos períodos subseqüentes, pois todas são relativas à situação de inativa. Além disso, é oportuno registrar que a fiscalização teve início em agosto de 2006, portanto quase seis meses após a formalização da extinção da pessoa jurídica, o que afasta a possibilidade de se concluir por uma extinção formal porém fraudulenta, com intuito de prejudicar o lançamento em nome da pessoa jurídica. Assim, o correto seria a Fiscalização ter consignado que como foram encontrados movimentações financeiras em nome da pessoa jurídica, as quais, à luz da legislação do imposto de renda, permitem concluir pela omissão de receitas, houve na verdade uma extinção irregular, de forma que respondem pelos atos de infração à lei societária (extinguir pessoa jurídica com débitos tributários), os sócios da sociedade ao tempo dessa extinção, nos termos do art. 135 do CTN. E, em face disso, lavrar o auto de infração em nome desses. Em face ao exposto, acompanhei o relator no sentido de manter a decisão recorrida que cancelou a autuação por erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 18471.001516/200694 Acórdão n.º 9101002.764 CSRFT1 Fl. 18 17 (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1069DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720216/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO.
Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91.
A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
SEGURADO EMPREGADO.
É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo.
DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB.
Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização.
Numero da decisão: 2401-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.095-2, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.096-0, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.097-9 e 51.031.768-5, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização.
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Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 16 /2 01 2- 39 Fl. 1970DF CARF MF 2 Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.971 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0952, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0960, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.0979 e 51.031.7685, manter o lançamento. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1972DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1797/1924) em face do Acórdão nº. 02 51.919 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1727/1773), que restou assim ementado: ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSA DA RFB. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários á fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tratase de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributário são os seguintes: · DEBCAD nº. 51.019.0952: exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências de 01/2009 a 13/2009, parte da empresa; · DEBCAD nº. 51.019.0960: exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.972 5 (FNDE), Incra, Senac, SESC e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, referente às competências de 01/2009 a 13/2009; · DEBCAD nº. 51.019.0979: exigência referente ao descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, III, § 11 c/c RPS, art. 225, III (CFL nº. 35), por deixar de apresentar esclarecimentos quanto à lançamentos contábeis, relatórios/laudos produzidos por empresa que lhe prestou serviço, notas fiscais solicitadas e outros esclarecimentos; · DEBCAD nº. 51.031.7685: exigência referente ao descumprimento ed obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, II, c/c RPS, art. 225, II e §§ 13 a 17 (CFL nº. 34), por deixar de escriturar na contabilidade, a títulos próprios, pagamentos realizados que entendeu a fiscalização se tratarem de remunerações. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 104/1555), temos que a descrição dos fatos e infrações a seguir narrados, os quais são extraídos também do acórdão recorrido que pormenorizadamente discorreu item a item dos fatos que ensejaram a autuação fiscal. Em todo o período fiscalizado o sujeito passivo enviou GFIP com o código de FPAS 639, declarandose como entidade em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. Contudo, verificou a fiscalização a ocorrência de descumprimento dos requisitos previstos na legislação vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para que o contribuinte fruísse de tal direito. Tal constatação por parte do AFRFB levou à conclusão de que o contribuinte não tinha direito ao gozo de isenção relativamente às contribuições previdenciárias. Para a análise da autoridade fiscal, foram considerados os requisitos existentes no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 (de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009), na MP nº. 446/2008 (de 10/01/2008 a 11/02/2009) e art. 29 da Lei nº. 12.101/2009 (a partir de 30/11/2009). A partir dos documentos solicitados ao contribuinte no curso do processo de fiscalização, foram constatados fatos que representam o descumprimento dos requisitos legais acima expostos, os quais foram sintetizados no Relatório Fiscal e abaixo reproduzimos (fl. 106/107): Fl. 1974DF CARF MF 6 a) Da não apresentação de requerimento de isenção ou de comprovação de estar em gozo de direito adquirido Intimado para apresentar comprovante de requerimento à RFB para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, o contribuinte apresentou, em resposta (fl. 855) apenas o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF de 10/12/1981. Segundo a fiscalização, a entidade foi declarada como de utilidade pública federal em 02/10/1981 (publicação em 05/10/1981), portanto, não teria direito adquirido à isenção, já que, para tanto, a declaração como de utilidade pública federal deveria ter ocorrido até 01/09/1977. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.973 7 A fiscalização juntou aos autos cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, conferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social _ CNAS, de 04/05/2007, com validade de 04/05/2007 a 03/05/2010 (fl. 847). Foi juntado, também, cópia do requerimento de renovação do CEBAS junto ao Ministério da Educação (fls. 848/849) e cópias de certidões exaradas pelo Ministério da Justiça que informam quando se deu o reconhecimento da entidade como de utilidade pública federal. Concluise, por fim, que não houve o cumprimento do requisito contido na Lei nº. 8.212/91, artigo 55, § 1º, aplicável de 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, pois inexistia qualquer pedido de emissão de ato declaratório reconhecendo o contribuinte como em gozo de isenção. Assim, de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009 a fiscalização considerou que não havia direto ao gozo de isenção. b) Da existência de débito exigível Nos termos do Relatório Fiscal, por meio de pesquisas aos sistemas informatizados da RFB constatouse que o contribuinte esteve em débito durante todo o período fiscalizado (01/2008 a 12/2009), sendo seus pedidos de CND repetidamente indeferidos. Consta nos sistemas informatizados da RFB que a última CND, de nº. 001502005/17.022.010, foi emitida em 21/01/2005. Todos os relatórios que apontaram restrições para concessão de CND indicaram a existência de débito exigível. A fiscalização discriminou os motivos das divergências a cada pedido efetuado de 13/11/2007 a 16/12/2009 (fls. 109/1011). Fez constar, assim, a existência de débitos e diferenças entre os valores declarados e os recolhidos entre 13/11/2007 a 16/09/2009. Assim, segundo a fiscalização, não foram cumpridos os requisitos do art. 55, § 6º, da Lei nº. 8.212/91 (vigente em relação ao período de 01/01/2008 a 09/11/2008 a 12/02/2009 a 29/11/2009), do art. 28, VI da MP nº. 446/2008 (em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009) e do 29, I da Lei nº. 12.101/2009 (vigente a partir de 30/11/2009). c) Dos valores pagos sob o título de arrendamento do Campus 1 ao Presidente Valdir Vilela sem lastro no contrato que trata dessa operação Segundo a fiscalização, por meio das declarações prestadas pelo contribuinte, o Sr. Valdir Vilela auferiu rendimentos de R$ 424.515,07, no ano de 2008, e R$ 342.809,25, em 2009, sob o código de receita 3208 (Alugueis e royalties pagos a pessoa física). Intimado a prestar informações, especialmente os documentos de caixa e contratos e a esclarecer a contabilização referente a esses pagamentos, o contribuinte apontou que (fl. 228): 1) tais pagamentos se referiam a valores pagos a título de arrendamento de imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela; 2) que os valores pagos correspondem, por força de dispositivo contratual, a 5% de receita de cada unidade que se utiliza do imóvel arrendado; Fl. 1976DF CARF MF 8 3) que os valores pagos são apurados com base nos relatórios de "receitas obtidas" e que tal despesa tem como contrapartida a conta de arrendamento a pagar; O contribuinte apresentou, além dos esclarecimentos acima, demonstrativos que detalhavam mês a mês, por unidade, as bases de cálculo de tais pagamentos, os valores de imposto de renda deduzidos e os valores a pagar. Também foram apresentados documentos denominados "Balancetes financeiros", os quais apontam os valores de receitas obtidos, por campus, em cada mês, e o percentual a pagar pelo arrendamento. Após a atualização dos valores previstos no contrato de arrendamento empregando os índices nele estabelecidos, entendeu a fiscalização que a soma dos valores pagos sob essa denominação ao Sr. Valdir Vilela são superiores àqueles amparados e devidos contratualmente. A diferença apontada, além de a obrigação contratual, foi de R$ 275.029,75 para o ano de 2008 e R$ 305.032,24 em 2009. Verificouse, com relação ao imóvel situado à Rua Itaiara, 301, Belford Roxo, que o instrumento contratual relativo ao arrendamento desse imóvel, onde funciona o Campus 1 da ABEU, datado de 28/4/1993, fixa o valor do arrendamento em 80 milhões de cruzeiros, reajustáveis de acordo com o índice de variação da Taxa Referencial Diária ou qualquer índice que venha a substituílo na hipótese de sua extinção. O termo de aditamento contratual de 4/2/2008 prorroga a vigência do contrato até 1/2/2023, silenciando em relação ao valor do arrendamento. Os valores informados nos demonstrativos e nos Balancetes financeiros apresentados pelo contribuinte foram conciliados com os valores registrados na contabilidade (conta 210301 – Arrendamento a pagar) indicados no demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito da conta Arrendamento a pagar e a crédito de Caixa ou Bancos” (fl. 156). Para apuração dos valores pagos a maior relativamente ao Campus 1, foram excluídos os valores pagos relativamente ao Campus 7. Foram juntados aos autos demonstrativos com os índices aplicados e as respectivas atualizações mês a mês (fls. 157/158) e elaborada tabela às fls. 114/115, apontando, por competência: o valor devido com base no que determina o contrato e aditivo devidamente reajustado, o valor bruto efetivamente pago e a diferença paga além da obrigação contratual. Concluiuse que os pagamentos desses valores, efetuados ao presidente Valdir Vilela, sem amparo no contrato de arrendamento a que se referem os registros contábeis, configuravam remuneração desse dirigente/administrador. Tal circunstância também configurou o descumprimento do requisito previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV (vigente em relação ao período de 1/1/2008 a 9/11/2008 e de 12/2/2009 a 29/11/2009), na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II (vigente em relação ao período de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I (vigente a partir de 30/11/2009). d) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus 7 ao Sr. Valdir Vilela A entidade foi intimada (TIF nº. 02) a apresentar todos os contratos e aditivos relacionados ao arrendamento de imóveis do Sr. Valdir Vilela. Ainda, foi solicitado o contrato de arrendamento relativo ao imóvel onde funciona o Campus 7 da ABEU (referido nos demonstrativos e balancetes apresentados pelo contribuinte). Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.974 9 O contribuinte não apresentou nenhum documento referente aos pagamentos efetuados ao presidente Sr. Valdir Vilela, que fossem relativos a arrendamento do imóvel situado na Av. Benjamim Pinto, 955, Belford Roxo (RJ), onde funciona o campus 7 (conforme consta em seus demonstrativos e balancetes). Foram apresentados apenas: escrituras de imóveis de Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu, plantas dos imóveis, balancetes financeiros de 02/2008 e 03/2008 (que ainda não haviam sido entregues). Após ser novamente intimado, por meio do TIF nº 5, de 21/6/2012, a apresentar os contratos e aditivos referentes aos pagamentos realizados em 02/2008, e de 04/2008 a 12/2008, a título de arrendamento do imóvel do Campus 7, o sujeito passivo manifestouse em 28/6/2012, apontando que tais valores foram incluídos indevidamente nas bases de cálculo das importâncias pagas a título de arrendamento, mas que em 4/1/2011 esse erro foi corrigido pelo registro contábil na conta 11020202 como desconto dos valores a serem pagos posteriormente. Nessa ocasião, o contribuinte apresentou folha do Livro Razão que tratava dessa conta e folhas número 73 e 74 do Livro Diário nº 33, registrado no Cartório do 3º Ofício de Justiça de Belford Roxo, em 21/5/2012, sob os números 9431 e 9432, que refletiriam essas retificações. Constatouse, com base na contabilidade da entidade (conforme demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito de arrendamento e a crédito de caixa ou bancos”, fl. 156) e com base nos balancetes financeiros (apresentados pelo contribuinte), que foram efetivamente pagos valores com o título de arrendamento de imóvel do Campus 7 (filial com final do CNPJ 001373), ao presidente Valdir Vilela, nas competências 02/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008. Esses pagamentos, com exceção dos realizados em 09/2008 e 10/2008, foram contabilizados de forma agrupada com os pagamentos/despesas de arrendamento do Campus 1. Concluiuse, por essa razão, que a retificação contábil informada pelo contribuinte referente aos pagamentos efetuados em 9/12/2008 (lançamento nº 203343 que seria referente a arrendamento em 09/2008) e em 17/2/2009 (lançamento nº 205817 que seria referente a arrendamento em 10/2008), e não atingiu a totalidade dos pagamentos realizados a Valdir Vilela, a título de arrendamento do imóvel, com base na receita do respectivo Campus 7. Além disso, constatouse que a retificação indicada foi concretizada somente após a intimação fiscal para apresentação dos documentos que embasaram tais pagamentos (termos contratuais e aditivos). Isso porque a ação fiscal se iniciou em 30/8/2011, e em 19/3/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de arrendamento do imóvel do campus 7, bem como os aditivos contratuais, mas não apresentou nenhum desses documentos. Novamente intimado, o sujeito passivo somente teria apresentado os esclarecimentos referidos em 28/6/2012. Contudo, embora os lançamentos contábeis retificados referidos datem de 4/1/2011, o acerto financeiro com o Sr. Valdir Vilela somente ocorreu em 15/5/2012 conforme demonstrariam os documentos de caixa apresentados em 9/7/2012, sendo que o Livro Diário com tais retificações somente teria sido registrado em 21/5/2012 (data posterior à intimação). Concluiuse que os valores creditados/pagos ao presidente da instituição,Sr. Valdir Vilela, com base na receita do Campus 7, referentes aos meses 02/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008, não são relativos à arrendamento de imóvel onde esse campus funciona, mas à remuneração a título de prólabore. Tal fato também representa o descumprimento do requisito para gozo de isenção das contribuições Fl. 1978DF CARF MF 10 previdenciárias, conforme dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, a MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II, e a Lei nº 12.101/2009. Com relação ao ressarcimento de valores pagos ao presidente, segundo o que dispõe a IN RFB nº 971/2009, artigo 229, § 1º, inciso I, a isenção ficará suspensa desde o mês de ocorrência da remuneração até a efetiva reversão de recursos ao patrimônio da entidade (o que se deu em 21/5/2012). Tal dispositivo prevê ainda, que esse ressarcimento será reajustado com base no índice previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, artigo 40, § 1º, o que não ocorreu. e) Utilização para fins particulares dos serviços prestados pela sociedade TCA TONELLI ASSESSORIA E ARQUITETURA LTDA. Segundo a fiscalização, o contribuinte, após ser intimado, apresentou notas fiscais emitidas pela sociedade TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Ltda. Pela análise dessas notas fiscais, o AFRFB constatou que todas tinham o mesmo histórico/descrição de serviços: "serviços de avaliações de imóveis". Em virtude da ausência de contrato escritos, foram emitidos os TIFs n. 08 e 09, de 17/7/2012 e 13/08/2012, respectivamente, solicitando os laudos/relatórios elaborados por empresas prestadoras de serviços, dentre as quais, a TCA Tonelli, que comprovassem a efetividade dos serviços. Em 05/09/2012 a entidade informou que a referida sociedade prestou serviços de avaliação de vários imóveis, e a título de exemplo, apresentou dois laudos, dentre eles, o relativo ao imóvel situado na Rua Itaiara, nº. 301, Bairro das Garças, Belford Roxo/RJ (fls. 1332/1397), o qual não pertence à entidade, conforme se verificou pela análise dos registros efetuados em sua contabilidade e ativo imobilizado, pela apreciação das escrituras e das plantas (fl. 1398) e conforme relação de imóveis apresentados pelo contribuinte. Referido imóvel, que pertence ao Sr. Valdir Vilela e é arrendado para a ABEU, foi avaliado para fins de identificar o seu valor de mercado para compra e venda. Com vistas a identificar os imóveis objetos dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria, o contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº. 12, de 02/10/2012, a apresentar cópias de todos os laudos de avaliação elaborados por essa sociedade e a apontar os custos de cada laudo, uma vez que nas notas fiscais consta a descrição genérica de "serviços de avaliação de imóveis". O sujeito passivo nada informou a respeito dos custos de cada laudo, tendo sido em razão dessa omissão, lavrado o AI DEBCAD 51.109.0979. Assim, a conclusão fiscal foi que o Sr. Valdir Vilela, presidente da ABEU, se utilizou, para atender a interesses particulares (avaliação de imóvel de sua propriedade), de serviços de avaliação de imóveis que foram custeados pelo contribuinte. Tal situação, verificada nas competências 06/2008, 07/2008, 08/2008, 03/2009, 04/2009 e 05/2009 (correspondentes aos meses de emissão das notas de serviços de avaliação pela TCA Tonelli), configura vantagem indireta a dirigente/administrador de natureza remuneratória (fato gerador de contribuições previdenciárias) e também representa o descumprimento de requisito para fruição de isenção previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 55, inciso IV. Foram juntadas aos autos cópias de algumas notas fiscais emitidas contra o contribuinte por esses serviços (fls. 1326/1331). Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.975 11 f) Utilização, para fins particulares, de veículo do contribuinte Intimado a apresentar as apólices de seguro referentes aos registros contábeis efetuados na conta “Seguros a vencer” e relativas diversos veículos, dentre os quais, o de placa LAX 6855 (conforme descritivo de fl. 194), o contribuinte apresentou a apólice de seguros nº 531.02.363.1837 (fls. 1.396/1.403) na qual constam a marca e o modelo do veículo e a finalidade do veículo: Mercedez Benz C280 Elegance 2.8 L6, ano 1995, placa LAX 6855, uso particular. Também constam no questionário de risco, contido na apólice, informações sobre o condutor e sobre a utilização do veículo, quais sejam: que o principal condutor é o Sr. Valdir Vilela, que o veículo não é utilizado como meio de transporte para o trabalho ou estudo, e que fica na garagem da residência do condutor. Pela análise dos lançamentos contábeis efetuados na conta Seguros, código 3408, verificouse a apropriação de despesas com seguros relativas ao veículo LAX 6855 durante todo o período fiscalizado. Constatouse que o veículo de propriedade do contribuinte ficou a disposição do Sr. Valdir Vilela, presidente da instituição, para uso particular durante todo o período fiscalizado. Concluise, que tal fato caracteriza remuneração in natura (fato gerador de contribuição previdenciária) e que ocorreu descumprimento de um dos requisitos para gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. Foi juntado aos autos a cotação obtida na tabela FIPE (fl. 1.407) e a simulação efetuada no sítio na internet na empresa locadora de veículos Unidas que serviu para identificação do valor de locação de veículo modelo “econômico” (fl. 1.408). g) Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU a fim de auferir valores superiores de remuneração Segundo o Relatório Fiscal, após verificado com base nas informações prestadas em DIRF, que o contribuinte, mesmo intimado não havia apresentados todos os contratos e notas fiscais de prestação de serviços no período, foi realizada a intimação por meio do TIF nº. 02, a apresentar todos os contratos/notas fiscais/faturas e laudos relativos à prestação de serviços, dentre os quais, os referentes à empresa Parc Consultoria Empresaria Ltda., CNPJ nº 09.182.971/000174. Em relação a essa sociedade teriam sido identificados pagamentos efetuados pela ABEU no montante de R$ 474.256,67, em 2008, R$ 410.674,92, em 2009. O contribuinte apresentou o contrato de prestação de serviços (fls. 999/1011) e parte das notas fiscais. No dia 17/7/2012, por meio do TIF nº 08, o sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar os laudos/relatórios produzidos pela Parc Consultoria que comprovassem a efetividade dos serviços prestados e a esclarecer a contabilização de nota de número 24 emitida por essa empresa. Com relação a essa nota fiscal, teria havido o registro incorreto de uma operação que nunca existiu, o que acarretaria, também, na inexistência de despesa referente à indenização judicial cível no valor de R$ 25.727,71 que foi a contrapartida de parte do lançamento como despesa de consultoria. A Nota fiscal de nº 024 tem o valor de face de R$ 8.026,56. Fl. 1980DF CARF MF 12 O contribuinte informou genericamente que, conforme contrato, essa empresa teria atuado em várias campanhas de marketing e solicitou (em 5/8/2012) a prorrogação de prazo para prestar os esclarecimentos acerca da contabilização na nota fiscal nº 24. Como o pedido de esclarecimentos e de apresentação de documentos efetuados por meio do TIF nº 08 não foi atendido, tal pedido foi reiterado por meio do TIF nº 09, de 13/8/2012. Em 20/8/2012, o contribuinte solicitou nova dilação de prazo e em 5/9/2012, manifestouse limitandose a repetir os esclarecimentos prestados em 5/8/2012 e aduzindo, com relação ao lançamento contábil relativo à contabilização da nota fiscal nº 24 por valor superior àquele constante no documento, que não teria conseguido identificar o motivo “da aparente duplicidade”, solicitando mais prazo. Assim, como o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos transcorreu sem o atendimento da intimação, o contribuinte foi autuado por meio do AI DEBCAD 51.019.0979 (AI CFL 35). Por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (cópia impressa à fl. 1.270) foi verificado que a Parc Consultoria iniciou suas atividades em 31/10/2007 e tinha como sede o local situado na Rua Marechal Floriano Peixoto, 1.480, sala 327. Porém, verificouse que nesse endereço não havia o desenvolvimento de atividades dessa empresa. Foi encontrada apenas uma empregado do escritório de contabilidade, que, segundo ele, era responsável pela contabilidade da Parc Consultoria. Por essa razão, a intimação para diligência realizada nessa sociedade foi enviada para o endereço de um dos sócios da Parc, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa. Intimada, a Parc Consultoria apresentou contrato social e 1ª alteração contratual, Livro Razão, Talonário de notas fiscais emitidas em 2008 e 2009 e contrato de prestação de serviço com o contribuinte (fls. 1001/1017 e fls. 1088/1261). Pela análise desses documentos constatouse que a sociedade prestou serviços apenas para o contribuinte. Não restou comprovada a efetiva prestação de serviços por essa pessoa jurídica. Além disso, pelo fato de não terem sido apresentados os extratos bancários (pois apesar de ter movimentado R$ 708.659,51 em 2008 e R$ 306.087,08 em 2009 foi informado conforme documento de fl. 1.266 que a Parc não possuía conta em instituição financeira) não foi possível identificar a efetividade dos ingressos financeiros e as suas aplicações no empreendimento. Por meio dessa diligência constatouse que o quadro societário da Parc Consultoria, compôsse de exempregados da ABEU, conforme segue: Carlos Alberto de Oliveira, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/4/2009), Paulo Roberto de Menezes Chaves, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/6/2009), Antônio Carlos de Santana Costa, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (readmitido em 1/4/2009, demitido em 1/3/2012 e novamente readmitido em 2/4/2012), e Célio de Oliveira Duarte, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (integrante do quadro de empregados durante todo o período fiscalizado). Constatouse, ainda, que com exceção de Célio de Oliveira Duarte, os demais sócios voltaram a ser empregados da ABEU em 2009. Nos arquivos digitais, apresentados pelo contribuinte, relativamente ao período fiscalizado, consta que: de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa foi remunerado como gestor do Campus 1, na Coordenação Administrativa; de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Carlos Alberto de Oliveira foi remunerado como Gerente de Marketing na Assessoria de Comunicação; e de 06/2009 a 12/2009, o Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como próreitor. Verificouse que o contador da sociedade Parc Consultoria, Arlindo de Oliveira Freitas, possui vínculo empregatício com o contribuinte, como Coordenador de Curso Superior, e foi remunerado como tal de 01/2008 a 06/2009; que houve o pagamento, registrado Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.976 13 na contabilidade e declarado por meio de GFIP, de remuneração efetuada em 05/2009 no valor de R$ 10.384,02 a Paulo Roberto de Menezes Chaves como contribuinte individual; que tal consultoria foi remunerada exclusivamente pelo contribuinte (por meio de análise das DIRF da Parc); e que todos os rendimentos de pessoas físicas, declarados por ela somente se referem a pagamentos efetuados aos sócios. Por meio de pesquisa na internet localizouse o Jornal Conexão Uniabeu (cópia impressa às fls. 987/998) referente aos meses de julho e agosto de 2008 que relacionam ocupantes de cargo estratégico da ABEU, dentre eles, figuram os sócios da Parc, Antônio Carlos de Santana Costa, Carlos Alberto de Oliveira e Paulo Roberto de Menezes Chaves. Analisandose os registros contábeis do contribuinte identificouse a ocorrência de ressarcimentos de despesas a Paulo Roberto de Menezes Chaves, tendo sido elaborado o quadro às fls. 131/132 do relatório fiscal, discriminando esses lançamentos contábeis. Ao verificarse, por amostragem, os documentos de caixa do mês de 11/2008 (que continham comprovantes de despesas contabilizadas em 14/11/2008) constatouse que no documento de prestação de contas o Sr. Paulo Roberto Menezes Chaves se identifica (por meio de carimbo) e assina como próreitor de relações institucionais e que quase a totalidade dessas despesas é lançada em centro de custo específico da próreitoria. Em nota fiscal, emitida pelo Hotel Accor Brasil S. A. (fl. 1.022) contra o contribuinte, consta, como endereço eletrônico institucional registrado, àquele pertencente ao Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves (pmrc@abeu.com.br). O Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi responsável pelo relatório de atividades da ABEU apresentado à RFB em 30/4/2009. Em relação aos demais sócios da Parc Consultoria, foram identificados documentos de caixa nos quais constam rubricas/assinaturas e carimbos como fito de convalidar as operações efetuadas pela ABEU. Foi elaborado um quadro, às fl. 132/133, no qual constam algumas despesas realizadas pelo contribuinte relativas ao fornecimento de materiais, energia elétrica, água e com telefonia em que se verificou a atuação de Célio de Oliveira Duarte, Carlos Alberto de Oliveira e Antônio Carlos de Santana Costa. Analisandose as notas fiscais emitidas pela Parc contra o contribuinte percebeuse existir uma constância nos valores faturados, sendo de R$54.512,26 até 04/2009 e de R$ 9.782,00 a partir de 05/2009. A redução nos valores faturados guarda relação com a readmissão dos sócios da Parc nos quadros do contribuinte. Constatase que houve nos pagamentos nos meses de 11/2008, 12/2008 e 12/2009 um acréscimo dos valores habituais que corresponderia ao valor de mais de um mês de serviço a semelhança de pagamento de 13º salário. Somente houve variações nos valores de despesas com Parc no mês de 01/2008, em face da contabilização de despesa sem lastro (já que a nota nº 024 emitida pela Parc referida no registro contábil não alcança a quantia faturada), e nos meses de 06/2008 e 08/2008 já que a nota fiscal nº 66, emitida em 08/2008, foi contabilizada, equivocadamente, em 06/2008. Além disso, os valores pagos não guardam relação com os devidos conforme contrato firmado em 1/10/2007 (data anterior ao registro da Parc na JUCERJA, que ocorreu em 31/10/2007), cuja cláusula 4ª prevê o pagamento de R$ 32.000,00, no dia 10 de cada mês, sendo esse valor reajustado com base no índice INPC acumulado de março a fevereiro do ano subsequente. O objeto contratual é genérico: prestação de serviços e divulgação e apoio a eventos educacionais. Fl. 1982DF CARF MF 14 Em função de todos esses fatos e tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade dos serviços prestados pela pessoa jurídica Parc Consultoria, concluise que a prestação de serviços se deu pelos integrantes do quadro societário dessa sociedade e que o contrato firmado entre o contribuinte e essa empresa buscou apenas formalizar uma situação que não existia. Além disso, pelo fato dos sócios da Parc, durante o todo período fiscalizado, terem prestado serviços de forma pessoal, habitual, subordinada à ABEU e com onerosidade, considerouse que eles atuaram, em relação à ABEU, como segurados empregados. Tais circunstâncias também demonstram a utilização de interposta pessoa com o fito de ocultar a remuneração de segurados empregados. No estatuto social da ABEU consta como um dos órgãos da instituição,o Conselho Técnico, composto por pessoas indicadas pelo presidente, cujas atribuições estão indicadas no mesmo instrumento (artigo 46). Intimada a informar quem eram, durante o período fiscalizado, os integrantes desse conselho, a ABEU apresentou a Portaria GP nº 04/2008 pela qual foram nomeados os conselheiros. Consta ainda nessa portaria, artigo 4º, que tal função não deve ser remunerada. Dentre os conselheiros nomeados estão Paulo Roberto de Menezes Chaves e Antônio Carlos de Santana Costa. Formalmente, a partir de 04/2009, o conselheiro Antônio Carlos de Santana Costa também passou a integrar o quadro de empregados do contribuinte e o conselheiro Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como autônomo em 05/2009 e retornou ao quadro de empregados da ABEU em 06/2009. Constatouse, com base nas folhas de pagamento apresentadas, que durante todo o período fiscalizado, os sócios da Parc Consultoria ABEU, não conselheiros, ocuparam cargos/funções na ABEU. Os conselheiros prestaram serviços, como se viu, durante parte do período fiscalizado, com interposição de pessoa jurídica. Foi elaborado demonstrativo (fl. 140) evidenciado a remuneração efetiva dos segurados apurada (coluna opção utilizada pela ABEU), considerandose os valores pagos em folha de pagamento e os valores pagos que foram formalizados por meio de emissão de nota fiscal de serviços da Parc Consultoria. Nesse demonstrativo consta, ainda, a comparação entre opção remuneratória dos segurados sócios da Parc, efetivamente adotada pela ABEU (remuneração por meio de formalização da prestação de serviços da pessoa jurídica Parc Consultoria) e os valores de remuneração totais, caso não houvesse a formalização da prestação de serviços com a utilização de pessoa jurídica. Constatouse que com a utilização da Parc Consultoria, os segurados que integram essa sociedade, dentre os quais os conselheiros Antônio Carlos de Santana Costa e Antônio Carlos de Santana Costa, auferiram remuneração superior àquela contida nas folhas de pagamento. Para a fiscalização, tal situação configura o descumprimento de requisito para o gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. h) Valores pagos a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP Alega a fiscalização ter sido constatado, por meio das DIRFs que o sujeito passivo efetuou pagamentos a cooperativas de trabalho. Solicitada a apresentação dos contratos e das notas fiscais de cooperativas que lhe prestaram serviços, foram apresentados os documentos referentes à Unimed Nova Iguaçu Cooperativa de Trabalhos Médicos Ltda. e Uniodonto Nova Iguaçu. Assim, constatou a fiscalização que não foram declarados valores pagos a cooperativas de trabalho, o que representaria descumprimento de obrigação acessória Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.977 15 estabelecida na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º, combinado com o disposto no RPS, artigo 225, inciso IV, § 4º. Ainda, entendeu o AFRFB que o desatendimento de obrigação acessória (como no caso) representa o desatendimento de um dos requisitos para o gozo de isenção previsto na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso XI (vigente de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso VII (vigente a partir de 30/11/2009). i) Glosa de Bolsa Capacitação A fiscalização verificou nas folhas de pagamento a realização de pagamentos sob a rubrica "bolsa capacitação" que não foram considerados como salário contribuição. A ABEU foi intimada a esclarecer a natureza jurídica dessa rubrica, quem foram seus beneficiários e os critérios para seu pagamento. Em resposta o contribuinte apresentou a Portaria nº 200, de 2/2/2008 e um relatório com os beneficiários/valores das bolsas de 07/2008 a 12/2009. Conforme contido no artigo 1º, essa Portaria criou o Proape, que tem por objetivo fomentar a produção científica, tecnológica e as atividades de extensão universitárias docentes e discentes. No artigo 4º consta que para cada projeto aprovado, com parecer favorável pela instituição, será concedida uma bolsa no valor de R$ 1.500,00 referente à carga horária de trinta horas semanais para o desenvolvimento das atividades propostas. Para a fiscalização, como a bolsa conferida a docentes não se refere à educação profissional ou tecnológica e nem visa à educação básica dos empregados nos termos da Lei nº 9.394/1996 e sim remunerar o professor pelo acompanhamento extra dos projetos a serem desenvolvidos pelos alunos, concluise que tal valor, por ter natureza de contraprestação dependente de carga horária trabalhada, é fato gerador de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Os valores de bolsas de capacitação consideradas e os respectivos beneficiários estão indicados no demonstrativo “Planilha valores pagos a título de bolsa capacitação” (fls. 159/173 e fls. 832/846). j) Glosa de SalárioFamília Foram também lançados valores referentes à glosa de saláriofamília pago a maior. Cientificado por meio de demonstrativo juntado aos TIF nº 01 e nº 08, dos casos de saláriofamília pagos a maior, o contribuinte apresentou documentos e esclarecimentos que, depois de confrontados com as folhas de pagamento, resultaram na elaboração de outro demonstrativo denominado “Glosa de saláriofamília” (fls. 176/186) que indica, por trabalhador, o motivo da glosa. i) Descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.031.7685 CFL 34 Nos termos do relatório fiscal (itens 10, 11, 15, 37 e 39), por meio da análise da contabilidade do contribuinte, o AFRFB constatou que a remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais não foram registrados em títulos próprios de sua contabilidade (arrendamento do Sr. Valdir Vilela; remuneração de pessoas físicas sócios da Parc Consultoria). Em decorrência dessa infração, foi aplicada a multa prevista na Lei nº 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o disposto no RPS, aprovado pelo Decreto nº Fl. 1984DF CARF MF 16 3.048/1999, artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373. Tendo sido o valor da multa atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 02, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. j) Descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.019.0979 CFL 35 Nos termos do relatório fiscal, o contribuinte deixou de atender diversas solicitações da fiscalização para esclarecimentos referentes a notas fiscais, contratos, relatórios, bem como com relação ao fornecimento de bolsas e critérios para sua concessão. Em decorrência dessa infração, foi aplicada a multa prevista na Lei nº 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o disposto no RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 283, inciso II, alínea “b” e artigo 373. Tendo sido o valor da multa atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 02, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. Intimado em 18/12/2013 (fl. 1789) do Acórdão nº. 0251.919 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1727/1773), o contribuinte apresentou tempestivamente em 16/01/2014, via postal (fls. 1963/1964), o seu recurso voluntário (fls. 1797/1924), onde alega as razões a seguir reproduzidas, visando combater os fatos alegados pelo AFRFB no Relatório Fiscal de fls. 104/155. 1) Da imunidade tributária Defenda a imunidade tributária, seus fundamentos, finalidades. Afirma que a regulamentação da imunidade, nos termos que dispõe a CF, artigo 146, se dá pelo disposto nos artigos 9 e 14 do CTN. Apresenta considerações sobre o direito constitucional à educação, sobre o papel do Estado e a participação das entidades de assistência social para viabilização desse direito. Alega que promove assistência social prestando serviços de educação, concedendo bolsas de estudos integrais. Que não recebe doações ou subvenções, que aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, que aplica integralmente suas rendas e recursos no território nacional. Que não distribui lucros, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio sob alguma forma ou pretexto, que não recebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social, que mantém escrituração contábil formalizada de acordo com a legislação específica e como os princípios fundamentais da contabilidade. 2) Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente goza de direito adquirido oriundo da declaração de isenção por atender os requisitos pretéritos sob o manto da Lei nº. 3.577/59. A não apresentação do requerimento prefalado não encontrase elencado nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 que disciplina os requisitos a serem observados. O § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, revogado pela Lei nº. 12.101/2009, não recepcionou a exigência do requerimento de isenção à previdência social. Assim, aplicase a retroatividade benigna da norma conforme preceitua o art. 106 do CTN. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.978 17 Por ocasião do procedimento fiscal a recorrente encontravase legitimamente detentora do CEBAS em vigor e portanto em pleno gozo da imunidade tributária. Débitos anteriores, apontados como existentes, estavam submetidos ao REFIS a ensejar a conceituação de situação regular perante às contribuições previdenciárias, conforme se comprovou pelas CND´s acostadas aos autos. No período de 01/2008 a 12/2009 a recorrente não tinha débitos, uma vez que todos os débitos desde o exercício de 2007, bem como os encargos sociais, encontramse totalmente quitados. Os encargos previdenciários referentes ao período de 2005 a 2006 foram satisfatoriamente regularizados mediante o parcelamento enfocado a culminar com as Certidão Positiva com Efeitos de Negativa colacionada (fls. 1950/1951). Ainda, destaca a imunidade tributária concedida às entidades de ensino sem fins lucrativos de caráter beneficente e assistencial revestese de uma grande troca social: o contribuinte recebe a isenção, mas em contrapartida concede bolsas de estudo à universalidade de alunos carentes. O elemento nuclear, qual seja, as bolsas de ensino, foram integralmente cumpridas pela recorrente. Não foi encontrada qualquer irregularidade a respeito. Algumas e eventuais falhas de informações e registros, sem maiores significações, não podem dar azo a tão pesadas sanções. Pagarseão multa por alguns deslizes leves sem maiores consequências. 3) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus I e Campus 7 ao presidente Valdir Vilela Ficou cabalmente demonstrado a seguinte antítese: por mais de sesenta anos, a recorrente figura como locatário dos imóveis de propriedade de Valdir Vilela. Posteriormente, após os arrendamentos, a relação jurídica evoluiu para o contrato de direito de superfície a ensejar a transferência do direito de propriedade com todos os reflexos do cânon que não pode ser amalgamado com "vantagens ou benefícios a qualquer título". As vantagens auferidos por Valdir Vilela (proprietário) foram a título de legítima contraprestação pela concessão do direito de superfície à recorrente. Os valores (crédito/débito) sofrem as mutações constantes a título de ALugueis/Alugueis a Receber. 4) Da utilização para fins particulares dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Consiste no pagamento pelos serviços de avaliação de imóveis que foram objeto de atualização para efeitos patrimoniais, visando a lavratura de escritura pública com vistas à transferência das propriedades (direito de superfície). Quem recebeu os valores correspondentes obviamente foi aquela empresa. O dirigente Valdir Vilela que nada recebeu a respeito não pode alcançar qualquer tipo de vantagens, se essas, ao reverso, foram obtidas exclusivamente pela ABEU. 5) Da utilização para fins particulares de veículo da ABEU Fl. 1986DF CARF MF 18 Não é verdadeira a firmação da fiscalização de que o Sr. Valdir Vilela é o principal condutor. O condutor do veículo é motorista profissional, funcionário da recorrente. O veículo é utilizado para transporte de diretores, professores, autoridades, palestrantes, conferencistas, congressistas, líderes políticos e, sobretudo, para a locomoção de fiscais do MEC que se deslocam funcionalmente de longínquas localidades até a Baixada Fluminense para vistoria, exame, visitas técnicas, entre outros que se operam comumente in loco em todos os campus do centro universitário por meio de comissão técnica do MEC. A declaração do principal condutor, constante da apólice de seguro, devese ao fato da redução do prêmio em virtude do perfil do responsável maior. É óbvio que a apólice reclama a designação de uma das pessoas que irá utilizar o veículo. Não pode recair sobre terceiros ou usuários de hierarquia inferior a da presidência da instituição conforme se configura lógico. A recorrente possui personalidade jurídica abstrata. É uma ficção jurídica. Ela não conduz veículos. 6) Da utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do conselho técnico da ABEU Foi comprovada a relação jurídica entre PARC e ABEU, mediante contrato social, contrato de locação, notas fiscais emitidas etc. Os sócios da prestadora de serviços específicos de marketing também são empregados da recorrente ao exercerem funções outras (gestão de unidade de ensino, pró reitoria, gerência de marketing). Os sócios da Parc e outros profissionais técnicos integram o Conselho Técnico da ABEU, sem qualquer remuneração pertinente conforme constatado pela própria auditoria fiscal. Entre os sócios da Parc e o Conselho Técnico não existem dirigentes, diretores, conselheiros, sócios, instituidores etc. A questão da simulação (art. 9º da CLT) somente poderá ser dirimida na esfera especializada judicial trabalhista, conforme competência material prevista na Constituição Federal. Há absoluta ausência de dirigentes porquanto atuaram pessoas envolvidas na qualidade de empregados; sócios da Parc e conselheiros integrantes do Conselho Técnico que não recebem remunerações correspondentes, são condições que não acarretam qualquer violação ao requisito previsto no artigo 5, IV, da Lei nº. 8.212/91. 7) Dos valores pagos às Cooperativas de trabalho Os valores foram efetivamente pagos e, portanto, a não informação em GFIP, infringência de obrigação acessória, não pode ser migrada para a obrigação principal inexistente. Tal fato não se enquadra em momento algum em "vantagens ou benefícios a qualquer título" a diretores, conselheiros etc. Os tributos pertinentes foram satisfeitos pelos pagamentos. 8) Da bolsa capacitação A bolsa de capacitação profissional concedida aos docentes se corresponde à salário ou não cingese no âmbito do direito do trabalho e não pode ter repercussão sob Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.979 19 qualquer pretexto envolvendo descumprimento do inciso IV da Lei nº. 8.212/91, até porque professores favorecidos não são dirigentes. A bolsa capacitação sob exame não tem natureza salarial e por isso não podia ser incluída na base de cálculo para fins de contribuição social, não sendo informada na GFIP por isso. Não se trata na espécie de salário in natura como deixa entrever a fiscalização, haja vista que os valores pagos a tais títulos tem o condão de contribuir com a formação profissional do docente. 9) Do saláriofamília A recorrente informou à fiscalização que quando o empregado tem seu labor em duas ou mais unidades para efeito de salário família devem ser somadas, visando aferir a base de cálculo. Inexistente cogitarse sobre lançamentos de diferenças pagas a maior a tal título. Assim sendo, a recorrente tivera cautela de promover o pagamento do salário família na unidade onde a remuneração atingia o valor legal, sem qualquer acréscimo, pois por intuitivo a recorrente não estaria desfrutando de qualquer vantagem. Quanto aos valores glosados, é a própria auditoria, ao admitir que o pagamento respectivo se efetivou na unidade quando atingia o valor legal e assim não há que ser mantidos os valores referentes a salário família glosados. É o relatório. Fl. 1988DF CARF MF 20 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Mérito 1. Do Gozo da Isenção e/ou Imunidade Tributária (vigência do art. 55 da Lei nº. 8.212/91; da MP 446/2008 e da Lei nº. 8.212/91) O presente lançamento reportase aos fatos geradores que abrangem as competências de 01/2009 a 13/2009, assim, os requisitos e condições para o gozo da isenção são disciplinados pelos instrumentos legais conforme já mencionado pela fiscalização no seu TVF, sendo esse o mesmo critério a ser utilizado no presente voto: Lei nº 8.212/1991 (aplicável em relação às competências de 01/2008 a 10/2008 e de 02/2009 a 10/2009), MP nº 446/2008 (aplicável em relação às competências de 11/2008 a 01/2009) e Lei nº. 12.101/2009 (aplicável às competências a partir de 11/2009). A Lei nº. 8.212/91, com vigência entre 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, cuja redação é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] §6 A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (grifo nosso) Já a MP 446/2008 teve sua vigência em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009), e possuía a seguinte redação: Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.980 21 Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; [...] VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; [...] XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e [...] Art. 30 O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. (grifo nosso) Art.31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1º O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. (grifo nosso) E a Lei nº. 12.101/2009 passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; Fl. 1990DF CARF MF 22 [..] III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; [...] VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. Assim, pela análise preliminar da legislação vigente, teríamos que em relação ao período de 01/2009 a 13/2009, a entidade não seria isenta por sua própria natureza, mesmo que atendesse aos requisitos do artigo 55 da Lei nº. 8.212/91, 28 da MP 446/2008 e 29 e seguintes da Lei nº. 12.101/2009. O regramento vigente no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 exigia que a entidade além de cumprir os requisitos, fizesse requerimento expresso para ser atestada tal condição, sendo que, se deferido, produziria efeitos a partir da data do protocolo do pedido. Segundo a recorrente, para todos os períodos abrangidos pelos dispositivos supracitados, bastaria ser entidade beneficente de assistência social para não sofrer a incidência das contribuições previdenciárias por força da disposição constitucional (CF art. 146). Também, pela disposição do artigo 14 do CTN, também já lhe estaria conferida referida condição. Nesse ponto, a análise dos argumentos apresentados pelo recorrente merece ser divida em três subtópicos, quais sejam: da sua condição de imune/isenta por expressa disposição constitucional; da exigência do requisito de requerimento de gozo da isenção (§ 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91) e do direito adquirido ao gozo da isenção por força do Decreto Lei nº. 1.572/77. Vejamos. 1.1. Da imunidade/isenção por disposição constitucional A Constituição Federal dispõe acerca da imunidade das contribuições para a seguridade social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal: Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.981 23 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) Em que pese o texto se utilizar do termo "isenção", não há maiores discussões quanto a verdadeira natureza de imunidade do comando constitucional. Todavia, ainda que por se tratar de imunidade, não significa que haja inconstitucionalidade (do próprio texto constitucional) por sr incumbido à lei a tarefa de detalhar os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social a fim de usufruírem do benefício. Assim, dado o comando do legislador constituinte, cabe sim ao legislador infraconstitucional dispor acerca das regras e requisitos para tal fruição, como mencionado. E, eventuais discussões acerca da medida legal cabível para tal (se lei complementar, lei ordinária) não têm o condão de produzir efeitos no presente processo administrativo, ao passo que é defeso a este Conselho, afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, como pleiteia o recorrente em seu recurso voluntário. Eis a redação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, destaquese, ainda, que o próprio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº. 636.941/RS, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC vigente à época) reafirmou o entendimento daquela Corte constitucional no sentido de que lei ordinária pode regulamentar os requisitos formais sobre a constituição e o funcionamento das entidades que postulem usufruir da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da CF. Para melhor didática, eis o excerto do referido acórdão: 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda Fl. 1992DF CARF MF 24 aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) Assim, rejeito as alegações trazidas no recurso voluntário de que a condição de isenção/imunidade do recorrente adviria diretamente do texto constitucional sendo, assim, necessário sim o atendimento aos requisitos e condições estabelecidos pelo legislador ordinário. 1.2. Da exigência do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/91 Nos termos do entendimento do AFRFB, a recorrente não faria jus a isenção por (dentre outros motivos) não ter apresentado requerimento do gozo de isenção nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Primeiramente, importante destacar que referida exigência fora revogada quando da promulgação da Lei nº. 12.101/2009, que data de 30/11/2009, e o presente processo administrativo fiscal ofereceu ciência ao contribuinte das autuações já no anocalendário de 2012 (portanto, na vigência da Lei nº. 12.101/2009). A Lei nº. 12.101/2009 revogou a disposição do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, não sendo mais exigível para as entidades de assistência social, por exemplo, que realizassem um requerimento de pedido de isenção ao INSS. No presente caso, como reconhecido pelo próprio AFRFB, a recorrente apresentou o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, porém não atendeu a já mencionada exigência do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Como já mencionado anteriormente, a autoridade fiscal justificou a presente autuação com base nos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores abrangidos no presente lançamento. Todavia, entendo que, na análise da exigência específica, importante a observância do disposto no art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(grifamos) No presente caso, o § 1º do art. 55 exigia a formalidade de que só poderiam gozar do benefício da isenção quem protocolasse requerimento com essa pretensão junto ao INSS. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.982 25 Posteriormente, tal dispositivo fora revogado, sendo inconteste que a novel legislação apresentavase mais favorável ao contribuinte, ainda que ocorridos fatos geradores na vigência da lei revogada, devendo assim ser aplicada a retroatividade benigna da nova normal. Ressaltese que a Lei nº. 12.101/2009 revogou a exigência do requerimento específico, entendolhe absolutamente dispensável, sem contudo alterar ou revogar outras exigências que continuaram previstas. Simplesmente revogouse a exigência do § 1º do art. 55 e esta não fora substituída por nenhuma outra. Assim, entendo que não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração. No mesmo sentido, demonstro o entendimento de turmas julgadoras deste Conselho, em julgados realizados pelo voto da maioria, onde restaram vencidos somente o relator em cada um dos casos abaixo relacionados: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI 8.212/1991. A Recorrente foi autuada sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei 8.212/1991, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei 12.101/2009. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez revogado o §1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. (CARF, Acórdão nº. 2402004.672, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 11/03/2015. Red. designado Ronaldo de Lima Macedo) Fl. 1994DF CARF MF 26 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. (CARF, Acórdão nº. 2402 003.247, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 22/01/2013. Red. designado Thiago Taborda Simões) Assim, para o período de apuração abrangido pelos lançamentos do presente processo administrativo fiscal (01/01/2009 a 13/2009) sob vigência da Lei nº. 8.212/91, afasto o lançamento com fulcro na ausência de cumprimento do requisito do § 1º do art. 55 da referida lei, por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN. Em que pese o entendimento apresentado acima, esta r. turma julgadora entendeu de forma diversa, sendo o posicionamento vencedor o de que se exige, sim, a a Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.983 27 requisição de isenção perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, o qual poderia ser dispensado pelo entendimento deste relator, conforme razões acima. Dessa maneira, por força regimental, cabe a simples menção ao entendimento vencedor, já que para este, independentemente da apresentação ou não do requerimento de isenção, a mera dispensa deste por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN, não teria o condão de oferecer à recorrente o gozo da isenção ante o fato de serem vários os requisitos que devem ser cumpridos, de forma cumulativa. Portanto, em virtude do não cumprimento de outros requisitos, os quais serão apontados inclusive por este relator, entendeu a r. turma julgadora por afastar o entendimento apresentado no presente tópico, o qual não terá o condão de alterar o resultado do presente julgamento, nos termos do voto deste relator. 1.3. Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente alega possuir direito adquirido, nos termos do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), assim disposto: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decreto lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (grifo nosso) A recorrente, e a própria fiscalização, reconhecem (fls. 849/851 e fl. 1.575) que a ABEU foi reconhecida como sendo de utilidade pública federal em 02/10/1981 (DOU 05/10/1981), ou seja, posterior a publicação do DecretoLei acima reproduzido. Nesse contexto, não há que se admitir o reconhecimento de isenção da recorrente por direito adquirido com base nas disposições do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), posto que a recorrente teve o seu reconhecimento como entidade de Utilidade Pública Federal somente no ano de 1981, ou seja, posterior ao referido Decreto. 2. Da existência de débitos exigíveis e a ausência de CND ou CPDEN Nos termos da fiscalização, o contribuinte estaria em débito em todo o período fiscalizado, tendo reiteradamente indeferidos os pedidos de CND. As fls. 109/111 a fiscalização discriminou os motivos, os quais reproduzimos: Fl. 1996DF CARF MF 28 Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.984 29 Assim, com base nas informações contidas, entendeu a fiscalização que estaria infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, que exige a inexistência de débitos para manutenção da isenção. No tocante à MP 446/2008, estaria infringido o art. 28, VI, que exige a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa para fazer jus à isenção. Já na vigência da Lei nº. 12.101/2009, estaria infringido o disposto no art. 29, III, que exige para a isenção a apresentação de CND e CPDEN. A recorrente apresentou em sede de impugnação a CPDEN emitida em 14/10/2009, com validade até 12/04/2010 (fls. 1586/1587), a qual informa ser o contribuinte optante pelo Parcelamento da Lei nº. 11.941/2009. Ainda, constante nos autos, o pedido de CND 0005001/2009, de 16/03/3009 (fls. 1296/1300), apontava nesta data a existência de débitos que datavam de 01/2005 a 12/2008. Assim, resta inconteste que no período abrangido entre 01/2008 e 02/2009, a recorrente possuía débitos em aberto perante a RFB, já que o pedido de CND acima mencionado data de 03/2009., razão pela qual infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, vigente no referido período. No tocante ao período do lançamento abrangido pela MP nº. 446/2008 (art. 28, VI, 30 e 31), referente a 11/2008 a 01/2009 e pela Lei nº. 12.101/2009 (art. 29, III, 31 e 32), referente a 11/2009 em diante, temse na vigência destas que o gozo da isenção/imunidade sujeitavase a obtenção de CND ou CPDEN. Fl. 1998DF CARF MF 30 Assim, a mencionada CPDEN apresentada (fls. 1586/1587) data de 14/10/2009, produzindo efeitos somente a períodos posteriores a sua emissão, ao passo que não tem o condão de atestar a inexistência de débitos referente a períodos superiores a 2 (dois) dias ao menos da data do seu pedido de emissão. De acordo com o conjunto probatório trazido aos autos pelo AFRFB, a CND (ou CPDEN) mais recente emitida anteriormente àquela datada de 14/10/2009 é a CND emitida em 21/01/2005, de nº. 001502005/17.022.010) Assim, não fora apresentada prova cabal da inexistência de débitos no período compreendido entre 01/2009 a 13/2009. O que alega o recorrente é que tal exigência seria requisito para a concessão de isenção, ao passo que faz jus à imunidade. Todavia, conforme se infere dos documentos de fls. 1278/1322, a recorrente possuía sim débitos em aberto no período abrangido pelo presente lançamento, os quais se referiam tanto a períodos anteriores quanto ao próprio anocalendário de 2009, incorrendo em infrações aos três dispositivos legais acima descritos que abrangem todo o período do presente lançamento. Isto posto, ante a inexistência de provas que comprovem a ausência de débitos da entidade nos períodos em análise, verificase a infração aos dispositivos legais supramencionados e a procedência do lançamento quando ao descumprimento do requisito específico. 3. Da utilização de veículo da entidade por dirigente para fins particulares Conforme relatado, a acusação fiscal baseiase na verificação das apólices de seguro do veículo de placa LAX 6855 para determinar que tratase de uso particular por dirigente da entidade. Ora, em que pesem as razões apresentadas pela fiscalização, entendo que estas não são suficientes para atestar o uso do veículo para fins particulares pelo Sr. Vilela. Eventuais formalidades na elaboração da apólice do seguro não são provas cabais de tal afirmação, do mesmo modo que não seria caso fosse o contrário: e se não estivesse o Sr. Vilela na apólice, isto seria fundamento para afirmar que ele não era o condutor? No caso específico, entendo que a fiscalização deixou de efetivamente produzir provas a respeito de suas alegações, o que, nos parece, carece de comprovação e, via de consequência, não deve prosperar a alegação de remuneração indireta, razão pela qual tal alegação deve ser afastada do lançamento. 4. Dos valores pagos a título de arrendamento de imóveis ao Sr. Valdir Vilela No tocante à acusação de pagamento de remuneração indireta ao Sr. Valdir Vilela, mediante a alegação de se tratar de arrendamento de imóveis utilizados pela entidade, entendo que o contribuinte apresentou suas alegações que, embora factíveis, carecem de comprovação fática e documental suficiente. Nada há de ilegal que determinada pessoa física alugue/arrende imóveis a determinada instituição de ensino, mesmo que aquela seja um dos seus fundadores ou atual presidente. Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.985 31 Ocorre que, justamente por se tratar de uma entidade que se identifica como de assistência social, tais cuidados deveriam ser potencializados para se evitar, justamente, acusações como a presente. Entendo que no presente caso, confrontando as demonstrações da recorrente e da acusação fiscal, correto o lançamento na parte excedente ao que estipulado previamente em contrato. Não vejo problemas em serem realizados pagamentos a título de aluguel e ou arrendamento vinculados ao faturamento da instituição ou da atividade exercida no referido imóvel, todavia, tais disposições devem ser claramente dispostas em contratos, com cláusulas claras e práticas a nível normal das práticas de mercado. Não sendo essa a situação verificada nestes autos, entendo que deve ser considerado procedente o lançamento quanto aos valores pagos referente aos alugueis/arrendamentos dos imóveis de Campus 1 e 7. 5. Da remuneração indireta de dirigente por serviços prestados à ABEU pela TCA Tonelli Segundo a acusação fiscal, serviços prestados pela referida empresa, especificamente "avaliações de imóvel", seriam na verdade em benefício do presidente da instituição, Sr. Valdir Vilela, ao passo que as avaliações realizadas foram em face de imóveis de propriedade deste. As avaliações realizadas, conforme apontadas, para identificar o valor de mercado para compra e venda dos respectivos imóveis, necessariamente não significam que se dão em benefício do seu proprietário. Ora, avaliação de imóvel pode ser solicitada por um proprietário de um imóvel, por um terceiro interessado, ou por um terceiro que, ainda que não interessado no imóvel analisado, pode estar em busca de informações do valor de imóveis situados na região específica. Por se tratar, no caso, da instituição de ensino, que aluga imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela, os quais possuem relações diretas e, também, valor de aluguel/arrendamento vinculados ao faturamento da empresa, não há nada de ilegal ou inapropriado em se realizar a avaliação desses imóveis, que podem servir como prévias a uma futura compra, bem como um pedido de revisão de valor de aluguel/arrendamento. Nesse caso, ante a ausência de comprovação cabal de que tais serviços prestados se deram para interesse e benefício única e exclusivamente do Sr. Valdir Vilela, entendo que deve ser afastado o lançamento a esse título. 6. Dos valores pagos a cooperativas de trabalho Ainda, o AFRFB também realizou o lançamento decorrente da contratação de serviços de cooperativas de trabalho contratados pela recorrente, nas modalidades de nos termos do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91. Fl. 2000DF CARF MF 32 Todavia, como de conhecimento público, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.986 33 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. 7. Da utilização de interposta pessoa jurídica para remuneração de diretores Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Os fatos específicos, muito bem detalhados, foram esposados no relatório fiscal, bem como a defesa da recorrente, que alega terem sido prestados serviços de promoção educacional, marketing etc. Sem se adentrar na análise das questões específicas, valores, comprovação da comprovação dos serviços, etc., entendo que a discussão no presente caso passa, necessariamente, pelo que dispõe a Lei nº. 11.1196/2005, em seu artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Nesse caso, temos que, se simplesmente os sócios da pessoa jurídica Pac estivessem prestando serviços a entidade, tal fato, por si só, não configuraria infração, posto que albergados pela disposição do art. 129 acima que, permitira àqueles, utilizaremse do manto da pessoa jurídica para a prestação dos serviços educacionais (os quais são, sem dúvida, de natureza intelectual). Ainda, faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente. Portanto, para que se realize o lançamento, ainda que com base na primazia da verdade material basta a demonstração, individualizada, das características da prestação de Fl. 2002DF CARF MF 34 serviço de cada uma das pessoas jurídicas acima mencionadas e o seu enquadramento como pessoa física empregada da recorrente. Todavia, o AFRFB deixou de realizar o elo entre os fundamentos teóricos por ele trazidos ao Relatório Fiscal e a realidade fática INDIVIDUALIZADA da pessoa jurídica descaracterizada e, em especial, aos seus sócios. Assim, entendo que o lançamento, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Nesse sentido, este Conselho e esta colenda turma: QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou víci o material. (CARF, Acórdão nº. 2301003.427,1ª T.O., 3ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 14/03/2013. Red. Designado Mauro José Silva) CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Acórdão nº. 2401004.063, Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.987 35 1ª T.O., 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão de 28/01/2016. Rel. Carlos Alexandre Tortato) Assim, ante a insuficiência de fundamentação do AFRFB, que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica), deve ser cancelado o lançamento de obrigação principal, por vício material, e a multa de ofício aplicada. Via de consequência, o Auto de Infração de obrigação acessória deve também ser cancelado, ante a ausência de infração do recorrente no preenchimento das GFIPs. 8. Da bolsa capacitação Alega a fiscalização que o pagamento de bolsa capacitação realizado pela entidade, aos seus professores, não faria jus a isenção disposta no art. 28, § 9º, t), refere a concessão de bolsas de estudos para cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Embora não entenda que referido dispositivo deva restringirse a somente cursos de capacitação profissional, mas sim estendido a cursos de graduação, pósgraduação e todos "relacionados" as atividades empresariais, no presente caso, não assiste razão à recorrente. Conforme apresentado nas próprias razões de impugnação e recurso voluntário, tratase de remuneração vinculado à projetos de bolsas de estudo fornecidos pela universidade em parceria com o Ministério da Educação. Nesse caso, não se trata de investimento da entidade para qualificar os seus empregados, mas sim, de remuneração vinculada à horas trabalhadas desses profissionais ao assumirem novos projetos/funções dentro da entidade. Procedente o lançamento neste ponto específico. 9. Do saláriofamília A fiscalização apresenta valores referentes à glosa de saláriofamília, conforme planilha de fls. 176/186, que teriam sido pagos a maior. As razões apresentadas pelo contribuinte, especificamente de que os valores pagos foram de acordo com o máximo legal daquela unidade onde realizado o pagamento, não são suficientes para contrastar a conclusão fiscal, que apresentou pormenorizadamente os beneficiários e os valores pagos a maior. Nesse passo, entendo que deve ser mantida a glosa a título de saláriofamília. 10. Da omissão de fatos geradores e contribuições devidas em GFIP DEBCAD 51.031.7685 CFL 34 No lançamento de multa por descumprimento das obrigações acessórias pela ausência de contabilização de fatos geradores da contribuição (remuneração de segurados Fl. 2004DF CARF MF 36 empregados e contribuintes individuais) entendeu a fiscalização que a infração foi cometida já que o recorrente havia se declarado como entidade isenta (informando Código FPAS 639). Quanto ao cálculo da multa aplicada, o AFRFB já aplicou os benefícios contidos nas reduções de multa previstas na Lei nº. 11.941/2009, aplicandose assim a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no relatório fiscal, razão pela qual mantenho parcialmente o presente lançamento, que deverá repercutir eventuais exclusões de valores da base de cálculo nos termos das razões de mérito do decidido acima. 11. Do não atendimento de forma suficiente à fiscalização DEBCAD 51.019.0979 CFL 35 O referido lançamento da multa se deu pelo fato do contribuinte deixar de atender, "de forma suficiente", aos pedidos de esclarecimentos e apresentação de documentos requeridos pela fiscalização. Em que pese a recorrente ter apresentado uma série de esclarecimentos, ainda assim, deixou de prestar diversas informações solicitadas, conforme pormenorizadamente elencadas pela fiscalização e que reproduzo novamente: · registro contábil da Nota Fiscal nº 024 emitida pela · Parc Consultoria Empresarial Ltda; · não apresentou os relatório/laudos produzidos pela empresa Mendes Costas Advogados Associados, CNPJ nº 04.813.785/000172; · não apresentou as notas fiscais emitidas por Lando Consultoria e Representações Ltda, CNPJ nº 31.842.081/001 09; e · não prestou esclarecimentos quanto ao tipo de cada bolsa concedida, quem seriam os beneficiários e os critérios para sua concessão relativamente as bolsas denominadas: Aluno Abeu, Convênios, Escolas Públicas, Reitoria, Depend. De Func. Abeu, 2º Integrante Família, Bolsão, 3 ou Mais Integr., Filho Aluno Unibeu, Ficlho de Func.ABEU, Funcionário ABEU, Plano PAE, Transferência (Esc), Convênios, Transferência (Fac), ABEU Colégios, Portador de Diploma, CREF, Bayer, Monitoria, Educafro, Bolsa Social II, Camp. Escolas Pub., Convênios Especiais, CRA, CRC, Estagiário ABEU, Exalunoe Enfermagem, Exalunos Continuada, Pós Convênio, Transf. De Turno e Ajuste de Pagamento. Assim, nos termos do disposto no art. 32, III, § 11 da Lei nº. 8.212/91 c/c com o art. 225, III do Decreto 3.048/99 (RPS), deve ser mantida a autuação fiscal para imposição da multa imposta. 11. Das imputações mantidas e excluídas Assim, para melhor elucidação, em contraponto ao quadro elaborado pela fiscalização (fls. 106/107) e reproduzido no relatório acima, com as infrações imputadas ao contribuinte em cada um dos períodos analisados sob a vigência dos respectivos consectários legais, apresento o mesmo quadro de acordo com as conclusões apresentadas no presente voto: Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.988 37 Fato Período com suspensão de isenção Fundamento Legal do requisito infringido 1 Não apresentação de requerimento de isenção junto à RFB / não comprovação de eventual situação de direito adquirido 2 Existência de débito em todo o período / não apresentar CND ou CPDEN em relação às contribuições administradas pela RFB 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, § 6º; MP 446/2008, art. 28, VI; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, III. 3 Valor de arrendamento do Campus 1 a maior, configurando remuneração do Sr. Presidente 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV; MP 446/2008, art. 28, II; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, I. 4 Valor de arrendamento do Campus 7 indevido, configurando remuneração do Sr. Presidente Não se aplica ao presente lançamento Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV 5 Pagamento a Cooperativas de Trabalho Não Informação em GFIP Descumprimento de Obrigação Acessória 6 Utilização de serviços prestados pela empresa TCA Tonelli à ABEU para atender interesses pessoais, configurando remuneração do Sr. Presidente 7 Utilização de veículo da ABEU para uso particular, pelo seu Presidente 8 Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração Assim, por entender infringidos os dispositivos acima indicados, nos períodos também delimitados, referentes aos fatos "2" e "3", deve ser mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, nos Fl. 2006DF CARF MF 38 seguintes termos: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0952, excluir do lançamento os levantamentos TT2, UM2, UO2 e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 51.019.0960, manter o lançamento; e c) quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCADs 51.019.0979 e 51.031.7685, manter o lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.989 39 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora Designada AUSÊNCIA DE ISENÇÃO Quanto à isenção, votei pelas conclusões com o relator, pois a autuada descumpriu vários requisitos legais, não fazendo jus ao benefício legal. Entretanto, discordo do entendimento do relator de que "não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração." A Constituição da República estabeleceu no § 7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Por sua vez, a Lei 8.212/91, no art. 55, vigente à época de parte dos fatos geradores, assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 2008DF CARF MF 40 Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei 8.212/91. Assim, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS (ou SRFB, conforme a época), o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Não há que se falar em retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, pois o auto de infração foi lavrado na vigência da Lei 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista na CR/88, art. 195, § 7º. Não é possível retroagir a Lei 12.101/2009, que suprimiu a exigência de Ato Declaratório específico. Não se vislumbra nesse novo regramento qualquer das hipóteses previstas na legislação pátria capazes de ensejar a sua aplicação a fatos geradores pretéritos. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de lei mais branda quanto a infrações ou penalidades. Assim dispõe o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ressaltese que o art. 106 do CTN é direito excepcional e, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas restritivamente. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.990 41 Portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, não há se falar em retroatividade no caso em exame. Na verdade, aplicase à hipótese o art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ressaltese que a exceção prevista no § 1º do citado art. 144 do CTN não encontra aplicação ao caso, pois a Lei 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processo de fiscalização, não ampliou poderes de investigação, nem outorgou ao crédito maiores garantias ou privilégios. Sendo assim, aplicase a norma vigente à época dos fatos geradores para verificação dos requisitos necessários ao gozo da isenção, inclusive o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. FATOS GERADORES Quanto aos fatos geradores do crédito tributário em análise, a única discordância do voto do relator se refere ao levantamento DP2, relativo à utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração. Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Entendeu o relator que "faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente.", devendo o levantamento DP2 ser excluído. Contudo, por voto de qualidade, mantevese o lançamento efetuado no levantamento DP2. Consta no Relatório Fiscal, fls. 123/136, todos os elementos avaliados que levou a fiscalização a concluir: · Considerando o princípio da verdade material, concluise que o contrato firmado entre a PARC e a ABEU buscou apenas caracterizar uma situação formal, que não existia na prática. As situações fáticas evidenciaram a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas e o contribuinte autuado, pois constatouse que os sócios da PARC prestaram pessoalmente os serviços em caráter não eventual, mediante remuneração e sob subordinação da fiscalizada. · Na prática os sócios da PARC exerceram funções inerentes a cargos estratégicos da ABEU. · Nãoeventualidade/habitualidade os serviços executados são diretamente ligados aos empreendimentos do contribuinte. Verificou se que os sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, Fl. 2010DF CARF MF 42 validaram documentos de despesas da ABEU, identificandose como gestores/diretores. As notas fiscais emitidas pela PARC são sequenciais e com exclusividade para a ABEU. · Pessoalidade os serviços foram prestados pelos próprios sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, pois atuavam assinando despesas e sendo identificados no organograma da empresa como gestores. Constatouse também o uso de email institucional. · Onerosidade verificada pelo pagamento face aos serviços prestados. Constatouse um provável décimo terceiro embutido nas notas fiscais referentes aos meses 11/08, 12/08 e 12/09. · Subordinação em razão das funções exercidas pelos segurados, não há dúvida de que lavoravam sujeitos ao poder de direção e a hierarquia, comandando também seus inferiores.Os prestadores não assumem o risco da atividade econômica, sendo ressarcidos pelas despesas despendidas. O serviço é executado nas dependências da ABEU. Esses trabalhadores, ocupam na estrutura empresarial do contribuinte cargos de confiança em atividade estritamente ligado aos objetivos sociais da empresa, quais sejam: gestores/diretores e pró reitor de relações institucionais. Sobre a caracterização de segurados como empregados, é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas físicas que lhe prestam serviço independentemente da forma como foram contratadas. É aplicável também à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Em qualquer hipótese, os fatos devem prevalecer sobre o contido nos documentos. Na verificação fática durante a ação fiscal, a fiscalização constatou que estão presentes os pressupostos característicos da relação empregatícia, constantes do artigo 12, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Se uma pessoa presta serviços nas condições definidas no artigo 3º da CLT, ainda que sem qualquer registro, a fiscalização tem o poder e o dever de considerála como empregado para fins de exigir contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. No presente caso, conforme apurado pela fiscalização, estão presentes os pressupostos básicos da relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 15563.720216/201239 Acórdão n.º 2401004.614 S2C4T1 Fl. 1.991 43 O contrato de trabalho é um contrato realidade. A qualificação jurídica que as partes venham a dar para a relação do trabalho é irrelevante. Constatada a relação de emprego: não eventualidade dos serviços, subordinação, salário e pessoalidade, estabelecese o vínculo do segurado com a previdência social na categoria empregado, sendo devidas as contribuições previdenciárias. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acompanhando o voto do relator, exceto quanto ao lançamento efetuado no levantamento DP2, que deve ser mantido. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 2012DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729871/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 71 /2 01 3- 13 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.927, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.002738/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
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INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplicase a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 27 38 /2 00 9- 70 Fl. 1126DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário oriundo de glosa de compensações de contribuições previdenciárias realizadas em GFIP Guia de Recolhimento do Findo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social pelo sujeito passivo, nas competências 02/2009 a 04/2009 e 07/2009 a 09/2009. O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 11/20) informa que o Órgão Público Municipal efetuou compensações de importâncias cujos créditos não foram comprovados uma vez que não configurado recolhimento indevido ou a maior que o devido a título de: a) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Vereadores, cujos pagamentos teriam sido realizados no período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 136/138), compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/2009. Compensações glosadas em função dos recolhimentos e respectivas GFIPs terem sido realizados no CNPJ da Câmara de Vereadores, não podendo ser compensados no CNPJ da Secretaria de Finanças do Município; b) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Prefeito e vicePrefeito, relativos ao período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 139/146) compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/009. Compensações relativas ao período de 02/1998 a 12/2003 foram glosadas pois estaria alcançado pela prescrição e as relativas ao período de 01/2004 a 09/2004 foram glosadas pois as remunerações do Prefeito e do vivePrefeito não foram declaradas nas respectivas GFIPs e não houve comprovação de recolhimento a maior que o devido; c) contribuições que o sujeito passivo alegou trataremse de valores sobre parcelas indenizatórias pagas a segurados, compensadas nas competências 07/2009, 08/2009 e 09/2009 e glosadas porque o órgão autuado, não comprovou por meio de documentação hábil e idônea, as remunerações e rubricas pagas, os nomes dos segurados envolvidos, as contribuições recolhidas indevidamente, as competências envolvidas nem as datas dos recolhimentos. A Edilidade impugnou o lançamento, conforme síntese constante no relatório do Acórdão nº 1142.238 da 7ª Turma da DRJ do Recife (PE), de fls. 1060/1066, que reproduzo: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.112 3 I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; IV) prescrição decenal do direito compensatório; V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. Ao final, pede a nulidade do presente AI. Solicitada por meio do Despacho nº 978/2010, f.. 247, diligência para apuração da existência de parcelamentos quantos aos valores ora compensados e para verificação das alegadas correções nas GFIP. Em resposta, fls. 369 a 373, a Fiscalização acrescenta que: 5)os parcelamentos promovidos pelo contribuinte, LDC de números 35.920.7944 e 35.920.7936, tratam das competências de 06/2001 a 06/2005 e de 06/2001 a 11/2004, respectivamente; 6)considerando a decadência de compensar o período 02/98 a 12/2003, apenas verificamos o mérito das compensações para o período de 01 a 09/2004; 7)o contribuinte não atendeu à intimação de exibição da memória de cálculo dos valores parcelados, limitandose a apresentar o FORCED (fls. 252 a 261), com os valores finais; 8)conforme se extrai do quadro de f. 370, não há correspondência entre os valores parcelados e a diferença GFIP X GPS ao tempo da operação: as GFIP de 03 a 08/2009 possuem valores inferiores aos parcelados e as GFIP 02 e 09/2009 estão muito abaixo das médias mensal das demais; 9)nestas GFIP não estão contemplados o Prefeito e o vice; 10) em diligência à empresa para verificar o valor de suas folhas de pagamento (conforme tese da defesa), o auditor obteve como resposta (fls. 294 a 308), o Doc 4 – Cálculos e Folhas de Fl. 1128DF CARF MF 4 pagamento Sintéticas, demonstrando que os valores parcelados correspondem aos da folha sintética resumida (quadro no item 22 de resumo à f. 371), que divergem das GFIP então declaradas; 11) ao investigar as informações trazidas pelo contribuinte por mídia digital (CD com folha de pagamento analítica à f. 292), o autuante encontrou nova diferença de valores : folha sintética x folha analítica (quadro no item 25 de f. 371) ; 12) assim, não se pode considerar a existência de crédito em favor do contribuinte uma vez que as folhas de pagamento analíticas trazidas são superiores aos valores confessados em parcelamento, não restando demonstrada a inclusão das remunerações de mandato eletivo. O contribuinte foi cientificado deste pronunciamento em 24/08/2011 (f. 376). Não se manifestou adicionalmente. A impugnação foi julgada improcedente e o sujeito passivo cientificado do Acórdão da DRJ em 11/09/2013, conforme A.R. de fls. 1068. Inconformado, apresentou recurso voluntário em 10/10/2013, trazendo como argumentos preliminares: (a) que o recurso deve ser conhecido, mesmo havendo adesão ao parcelamento da Lei nº 12.810/2013, por força do Mandado de Segurança nº 0004838 91.2013.4.05.8200, cuja liminar lhe garantiu o direito à discussão administrativa e judicial, de contribuições incluídas em parcelamento; (b) nulidade do acórdão da DRJ por não tratar de todos os pedidos da impugnação; (c) nulidade do processo por violação ao contraditório e ampla defesa devido à nulidade da ciência do acórdão porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. No mérito requer, em resumo: 1) Que seja revista e aceita a comprovação dos créditos compensados, pois o Município teria sim atendido as intimações durante o procedimento fiscal, através dos ofícios 338/SEFIN/09 e 356/2009/SEFIN (fls. 190 a 193); 2) Que seja revisto o lançamento pois incluiu as competências 01 a 09/2004 no parcelamento especial da Lei nº 11.196/2005, cujos Forceds anexados às fls. 194/196, comprovam a inclusão do "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Alega que o débito incluído no parcelamento contemplou toda a folha de pagamento do município, inclusive segurados que na época não foram declarados em GFIP, como o caso do Prefeito e vice; 3) Que obedeceu à determinação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006, procedendo à retificação das GFIPs para excluir os exercentes de mandato eletivo informados; 4) Que seja aceita a compensação de valores recolhidos anteriormente à vigência da LC 118/2005, aplicandose a sistemática dos "5 + 5" anos, em observância ao entendimento do STJ pois a DRJ considerou quinquenal o prazo para compensação alegando haverem normas expressas nesse sentido. Refere ementa do REsp 1.002.932SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009, com o entendimento de que a LC nº 118/2005 deve ser aplicada aos pagamentos Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.113 5 indevidos realizados após sua vigência e não à ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, de modo que para os pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos cinco mais cinco anos (limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova Lei). Reproduz outros julgados do STJ com o mesmo entendimento; 5) Que seja reconhecido o crédito relativo às cotas patronais indevidamente recolhidas sobre os subsídios dos agentes políticos, durante o período de 02/1998 a 09/2004 (declaradas inconstitucionais conforme Resolução do Senado Federal nº 26/2005), cujos valores demonstrou nas planilhas de fls. 232 a 236; 6) Que seja reconhecido o crédito decorrente do recolhimento indevido sobre parcelas indenizatórias, não integrantes da base de cálculo do INSS, como auxíliodoença e terço constitucional de férias. Reporta o inciso XIII, do art. 58 da IN/RFB nº 971/2009, que diz não integrar a base de cálculo para fins de incidência de contribuições, a importância paga ao segurado empregado, inclusive quando em gozo de licença remunerada, a título de complementação do valor do auxílio doença, desde que o direito seja extensivo à totalidade dos empregados. Com relação à não incidência de INSS sobre o terço constitucional de férias, alega ser matéria já pacificada nos Tribunais Superiores. Afirma demonstrar os créditos a que tem direito nas planilhas de fls. 237/244 dos autos; 7) Que seja declarada a legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta, isto porque as Câmaras Municipais não possuem personalidade jurídica mas apenas personalidade judiciária, só podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. Assim, como a relação jurídica se estabelece entre os ocupantes de cargos eletivos e o Município, é do Município a legitimidade para realizar as compensações previdenciárias no que toca às remunerações do Prefeito, do VicePrefeito e dos Vereadores. 8) Que seja revista a decisão da DRJ no tocante à compensação dos valores indevidamente recolhidos pela administração indireta, pois, embora a EMLUR e FUNJOPE possuam personalidade jurídica própria, os débitos previdenciários por estas contraídos são de responsabilidade subsidiária do Município. Afirma que a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba já decidiu neste sentido em ação onde litigam o Município de João Pessoa e a Fazenda Nacional, entendendo que o Município é parte legítima para formular pedido de suspensão da exigibilidade de créditos tributários constituídos contra suas autarquias, visto que o Município, em última análise, apresentase como coresponsável pelos débitos tributários de suas autarquias, em face de haver figurado nos termos de parcelamento. Requer o reconhecimento da legitimidade da Prefeitura Municipal para utilização de créditos previdenciários dos entes que compõem a administração pública indireta. 9) Que sejam refeitos os cálculos dos valores passíveis de compensação, com a consequente homologação do valor de R$ 11.349.683,87, compensado nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009, excluindose a multa e juros aplicados. É o relatório. Fl. 1130DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Das Preliminares a) Mandado de Segurança nº 000483891.2013.4.05.8200 Em sede recursal o interessado veio informar da existência da ação mandamental com pedido de liminar objetivando que o Delegado da Receita Federal do Brasil no Estado da Paraíba se abstenha de exigir do Município de João Pessoa, quando do pedido de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.810/2013, a desistência ou renúncia à discussão dos débitos envolvidos, quer administrativa quer judicialmente. A liminar foi deferida em 29/08/2013, determinando que o impetrado dê prosseguimento aos processos administrativos nº 14751.002740/200949, 14751.002738/2009 70, 14751.720223/201170, 14751.720225/201169 e 14751.720224/201114. Em consulta ao sítio do TRF da 5ª Região, constase que a liminar foi confirmada por sentença que concedeu a segurança e os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional não foram providos pela Terceira Turma daquele Tribunal (Acórdão de 16/08/2016). Assim, a discussão administrativa do presente processo (de nº 14751.002738/200970), deve ter prosseguimento. b) Nulidade do acórdão da DRJ Contrariamente ao alegado pelo recorrente, o acórdão nº 1142.238 expedido pela DRJ de Recife (PE) tratou sim de todos os pedidos da impugnação. Da leitura daquele julgado em confronto com os argumentos da impugnação, podese pontuar, para cada alegação do impugnante, o que foi decidido pela DRJ: I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; · Acórdão DRJ: Da Omissão do contribuinte Ao contrário do que alega, o interessado não atendeu integralmente as intimações fiscais, não obtendo êxito em demonstrar seu direito compensatório, uma vez que não conseguiu identificar os excedentes de pagamento que julgava possuir. Conforme já relatado, não trouxe a identificação dos valores e dos segurados relativos a tais excedentes. O contribuinte limitouse a apresentar o Ofício nº338/SEFIN/09 a o contrato de prestação de serviços nº 43/2009, sequer detalhando as rubricas sobre as quais teria recolhido valores indevidos. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.114 7 Ademais, não conseguiu apresentar folhas de pagamento analítica e sintética correspondentes entre si, não demonstrando os indébitos relativos aos exercentes de mandato eletivo. Em conclusão, não procede a alegação de atendimento adequado à fiscalização (Termos de Intimação de fls. 50 e 51, 153). II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; · Acórdão DRJ: Dos parcelamentos Como já dito, a Lei no. 8.212/91 somente permite a repetição do indébito na hipótese de comprovação de recolhimento indevido de contribuições. Assim, a suposta inclusão de contribuições indébitas em parcelamento administrativo não integralmente quitado é insuficiente para dar amparo à compensação. Antes, é necessário que haja demanda do contribuinte, no processo específico, para fazer a revisão do parcelamento para expurgar as supostas contribuições indevidas, efetuar nova consolidação de débitos e créditos e apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos. Com isso, razão não assiste ao sujeito passivo ao compensar contribuições incluídas em parcelamento não integralmente quitado, porque os supostos créditos a seu favor não são líquidos e certos. Cabe, ainda, realçar que, no caso sob exame, apenas se discute o direito, visto que o Impugnante sequer comprovou a inclusão de quaisquer contribuições indevidas em parcelamento. Por esta conclusão resta sem interesse a discussão acerca de eventual correção de GFIP, uma vez afastados o alegado indébito e a compensação intentada. IV) prescrição decenal do direito compensatório; · Acórdão DRJ: Das restrições ao direito compensatório: Prescrição Quanto à prescrição, cabe esclarecer que o CTN estabelece em seu artigo 168, inciso I, que o direito de promover a Fl. 1132DF CARF MF 8 compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A LC no. 118/2005, por sua vez, deixou claro que a extinção do crédito se dá com o pagamento antecipado. Assim, havendo normas vigentes e expressas nesse sentido, deve se considerar como qüinqüenal o prazo para compensar pagamentos indevidos. Na planilha de f. 12 trazida pelo Fisco, observase que a primeira GFIP entregue com declarações de compensação data de 25/09/2009. Desta feita, pelo prazo acima estabelecido, estão prescritos quaisquer créditos decorrentes de pagamentos efetuados até 24/09/2004. Para as compensações intentadas relativas aos pagamentos feitos a partir desta data, seguiremos a análise da glosa promovida. V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 · Acórdão DRJ: Da inconstitucionalidade das contribuições patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 Tratase de matéria já apreciada pelo STF e acatada pelo Fisco. Incontroversa, portanto. Salientese que o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito ressarcitório do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; · Acórdão DRJ: Do direito à Compensação De início destacar que o cerne do direito de se compensar pleiteado pelo contribuinte é a existência de recolhimentos indevidamente realizados. Nos termos do antes resumido relatório fiscal, não houve comprovação inequívoca de recolhimento previdenciário sobre remuneração de agentes eletivos, mesmo após diligência suplementar. Como já referido, o mero reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. Quanto à suposta contribuição sobre verbas indenizatórias, esta também não restou demonstrada nos autos. Acertada, portanto, a autuação fiscal em tela, que glosou a compensação de recolhimentos não comprovados. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.115 9 VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. · Acórdão DRJ: Da Legitimidade para pleitear a Compensação A Prefeitura Municipal pretendeu incorretamente se compensar de eventuais contribuições incidentes sobre a remuneração dos Vereadores e de prestadores de serviços de Autarquias. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal/ Autarquias são consideradas empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social, e estão sujeitas, individualmente, ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. Assim, não cabe o aproveitamento, pela Edilidade, das contribuições sociais de responsabilidade destes outros entes, já que todas possuem CNPJ e obrigações próprias. Destaque, por fim e mais uma vez, que a autuada não demonstrou o indébito em nome de quaisquer destes outros entes. O recorrente pode não concordar com a decisão da DRJ, mas não lhe socorre a afirmativa de que aquela decisão teria deixado de apreciar seus argumentos de impugnação. Portanto, não se vislumbra a nulidade alegada. c) Violação ao contraditório e ampla defesa O recorrente alega nulidade da ciência do acórdão, porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. Examinando os autos, constatase que o auto de Infração foi lavrado em nome do Município de João Pessoa Prefeitura Municipal, no CNPJ nº 08.806.721/000103, cadastrado para João Pessoa Secretaria de Finanças SEFIN. As GFIPs que geraram as glosas foram declaradas no CNPJ nº 08.806.721/000103. O Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 41/42) foi cientificado à Sra. Livânia Maria da Silva Farias, Secretária de Finanças. Os Termos da Intimação Fiscal nº 01 (fls. 43), 02 (fls. 45/46) e 03 (fls. 153), contém o endereço da Prefeitura Municipal Praça Pedro Américo nº 70 e foram recepcionados pela Sra. Josélia Guedes Alves. Nas respostas às intimações (Ofícios da Prefeitura Municipal de João Pessoa Secretaria de Finanças) consta o CNPJ nº 08.806.721/000103 e o endereço da av. Diógenes Chianca nº 1777. O endereço cadastrado para o CNPJ nº 08.806.721/000103 é da av. Diógenes Chianca nº 1777 e a pessoa que atendeu a fiscalização foi a Sra. Josélia Guedes Alves, que representou o sujeito passivo mediante procuração constante às fls. 346. O Acórdão da DRJ foi encaminhado por via postal ao endereço onde se realizou a ação fiscal, devidamente cadastrado no CNPJ. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1134DF CARF MF 10 (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) A súmula CRF nº 09 trata da validade da intimação realizada no domicílio eleito pelo contribuinte: Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Assim, é válida a intimação encaminhada ao endereço da Secretaria de Finanças do Município, a qual acompanhou os trabalhos da fiscalização e tinha conhecimento da autuação lavrada. Os trâmites internos (encaminhamento para a Procuradoria do Município) são de responsabilidade do Sujeito Passivo. Ademais, não houve prejuízo a ampla defesa do contribuinte pois o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e acompanhado dos documentos que entendeu pertinentes. Do mérito 1) Atendimento às intimações Através dos ofícios 338/SEFIN/09 (fls. 150) e 356/2009/SEFIN (fls. 135) (fls. 190 a 193 da impugnação), verificase que durante o procedimento fiscal, o Município respondeu às intimações, informando no primeiro Ofício que as compensações dos meses de julho, agosto e setembro são decorrentes de parcelas de natureza indenizatória que constam na IN MPS/SRF nº 03/2005 e o segundo Ofício trata do encaminhamento da memória de cálculo dos valores compensados (fls. 136/149). Ocorre que as respostas não foram satisfatórias. O primeiro Ofício não identificou os valores das remunerações, valores das contribuições, épocas dos recolhimentos indevidos, nomes dos segurados nem quais seriam as parcelas indenizatórias indevidamente tributadas. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.116 11 Já as planilhas que acompanharam o segundo Ofício (identificando os detentores de mandato eletivo e suas remunerações) não trazem qualquer comprovação com relação ao efetivo recolhimento dos valores que o contribuinte pretendeu compensarse. Portanto, as intimações foram atendidas mas as informações não foram suficientes para identificar de forma inequívoca os créditos que o contribuinte teria em seu favor. 2) Do Parcelamento Os documentos anexados às fls. 194/196 apenas comprovam que a Edilidade solicitou a inclusão em parcelamento, de "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Não há prova nos autos de que as contribuições incluídas no parcelamento contemplem as remunerações dos detentores de mandato eletivo, por vários motivos: não foram apresentadas as folhas de pagamento em que constem o Prefeito e o VicePrefeito e suas respectivas remunerações; as remunerações do Prefeito e do vice não foram declaradas em GFIP pelo Município; os valores incluídos em parcelamento não correspondem aos débitos declarados em GFIP nem às folhas de pagamento examinadas pela fiscalização; não foram apresentadas as memórias de cálculo dos valores parcelados, apenas os FORCED com os valores finais. Assim, caberia à recorrente comprovar através de documentos hábeis e idôneos, que efetivou o parcelamento do valor correspondente à integralidade das contribuições devidas e também das contribuições indevidas incidentes sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo, para que pudesse pleitear a compensação destas últimas. Tenho como não comprovada a alegação, não podendo ser acolhido o pedido do Município. 3) Da retificação das GFIPs Conforme se depreende do processo, o contribuinte não declarou em suas GFIPs o Prefeito e o VicePrefeito, portanto não ofereceu à tributação da Seguridade Social suas respectivas remunerações. A fiscalização informa no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17) que "no Relatório Demonstrativo de Normalizações e Agregações, extraídos do sistema CNISA, contendo as bases de cálculo informadas à época dos recolhimentos não há valores informados na categoria 19AGENTES POLÍTICOS". O recorrente alega ter cumprido com determinação contida na Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006 (D.O.U. de 18/09/2006), que assim dispunha: 1.4 (...) NOTAS: a) A compensação deve ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência 09/2004. b) Os mandatos eletivos, desde a versão 5.0 do Sefip (aprovada pela Resolução INSS/DC nº 063, de 17/09/2001), são informados em GFIP na categoria “19”. Nas versões anteriores eram Fl. 1136DF CARF MF 12 informados na categoria 12, que incluía todos os servidores públicos federais, estaduais e municipais vinculados ao RGPS. Ao pretender compensarse de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos (cuja exigibilidade restou suspensa por força da Resolução do Senado Federal nº 26, de 21/06/2005, em face da declaração inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da letra “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescida pela Lei nº 9.506/1997, nos autos Recurso Extraordinário nº 351.7171 – PR), o contribuinte afirma que teria retificado suas GFIPs para excluir tais remunerações. Isto não faz sentido! Se os detentores de mandado eletivo não estavam declarados em GFIP, não poderiam ser dela excluídos. Assim, tenho que as retificações de GFIP alegadas, não fizeram exsurgir recolhimentos de contribuições a maior, pois os fatos geradores referentes aos detentores de mandado eletivo não foram sequer declarados em GFIP nem oferecidos à tributação. 4) Do prazo prescrional para realização da compensação A Municipalidade requer que seja aplicado à situação em apreço, o entendimento de algumas decisões do STJ no sentido de que para os pagamentos indevidos realizados antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, continua observando a tese vigente à época dos pagamentos, dos cinco mais cinco anos. Primeiro cabe observar que o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC nº 118/2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos. Já em relação às ações ajuizadas até 08/06/2005, a Corte entendeu pela aplicação do entendimento até então predominante na jurisprudência, permitindose, assim, a devolução dos tributos indevidamente recolhidos até os últimos 10 (dez) anos. O STF permitiu a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após o início da vigência da LC nº 118/2005, considerando que o prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias possibilitara aos contribuintes não apenas tomar ciência do novo prazo, como também ajuizar as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Conforme se extrai da própria ementa do julgado supra referido, para a aplicação do prazo prescricional na forma prevista na LC nº 118/2005, levase em conta a data da propositura da demanda e não o período em que realizados os recolhimentos dos tributos impugnados. Percebese, pois, que a eficácia vinculativa da decisão diz respeito à aplicação do prazo prescricional de dez anos apenas às ações ajuizadas anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose o novo prazo previsto naquela lei complementar às ações ajuizadas após o início de sua vigência. A questão específica do pedido administrativo, que é o caso dos autos, e o prazo prescricional da LC 118/2005 não foi objeto de apreciação por aquela Corte. Cabe referir, também, a súmula CARF nº 91, que entende ser a data do pedido de restituição o marco do prazo prescricional, assim disciplinando: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.117 13 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mesmo que se pudesse aplicar tal súmula, por analogia, à declaração de compensação, apenas para as declarações transmitidas antes de 09/06/2005 se aplicaria o prazo o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De qualquer sorte, há inúmeros julgados dos Tribunais Superiores no sentido que "A lei que regula a compensação tributária é a vigente na data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda Nacional com o contribuinte." No caso em questão as GFIPs onde o contribuinte pretendeu compensarse foram transmitidas em 09/2009 e mesmo que se fosse considerar o pedido administrativo como termo final de contagem do prazo prescricional, uma vez ocorrido após o prazo de vacatio legis da LC 118/2005, apenas seriam passíveis de compensação os indébitos recolhidos a partir de 09/2004. Contudo, todas estas ponderações se mostram inócuas ao reconhecimento do direito do interessado pois, conforme já explicitado, o contribuinte não comprova ter realizado recolhimentos indevidos ou a maior que os devidos no período que identificou como origem dos seus créditos. Assim, não havendo créditos comprovados a seu favor, não há que se falar em prazo para efetivar compensações. 5) Reconhecimento de créditos Para fazer jus à compensação efetuada com base nos recolhimentos dos agentes políticos o sujeito passivo deveria comprovar que efetuou o recolhimento sobre tais valores. Além disso, deveria também comprovar a devida correção das GFIPs do período, nas quais, no momento anterior à compensação deveriam constar os fatos geradores daqueles agentes e, para fins de compensação, procedida a exclusão de suas declarações, dos valores das remunerações informadas para eles. É que o referido documento declaratório tem a dupla função de calcular o valor devido à Seguridade Social e servir de basedecálculo para os benefícios previdenciários, de sorte que a declaração dos fatos geradores e depois sua retificação prévia, conforme disposto na norma específica, é condição para o exercício da compensação. Nas planilhas da fls. 233 a 236 o recorrente informa tão somente a remuneração dos agentes políticos para o período de 02/1998 a 09/2004, não comprovando em momento algum o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais remunerações, não havendo crédito a ser reconhecido. Da mesma forma, para fazer jus à compensação de valores que alega ter recolhido indevidamente sobre parcelas indenizatórias. As planilhas de fls. 237/244 indicam valores a título de Adicional de 1/3 de férias, do período de 01/2001 a 06/2009 e de Auxílio Doença, do período de 01/2005 a 08/2009, sem comprovar o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais rubricas. Observase que em nenhum momento o sujeito passivo explicou ou demonstrou de forma específica e pontual, mês a mês, os valores devidos, os valores compensados e sua origem (rubrica recolhida a maior, competência e data do recolhimento a maior), o saldo a compensar e como procedeu para a atualização destes valores, limitandose a trazer os mesmos argumentos e documentos apresentados na ação fiscal. Para a correção e conferência dos valores compensados é imprescindível a informação do valor recolhido a maior e da data do recolhimento, a partir da qual se operam os cálculos de atualização monetária. Fl. 1138DF CARF MF 14 O recorrente não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar a regularidade das compensações efetuadas. Neste caso, correta a glosa de compensação. 6) Legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta A Câmara Municipal assim como os entes que compõem a administração pública indireta não possuem personalidade jurídica, mas possuem CNPJ próprio, o que por si só vincula as contribuições declaradas em GFIP no CNPJ, aos recolhimentos realizados para o mesmo CNPJ. Na ocorrência de recolhimentos a maior, a compensação do indébito devese operar no âmbito do mesmo CNPJ. Havendo irregularidade na compensação assim realizada, a constituição de eventual crédito tributário será efetuada em nome do Ente Público que possui personalidade jurídica, no caso a Prefeitura Municipal, com a identificação (no Relatório do Procedimento Fiscal), da origem da divergência (no caso a Câmara de Vereadores e/ou outros entes da Administração pública). O procedimento de compensação foi equivocado, uma vez que as declarações e recolhimentos foram realizados no CNPJ da Câmara e dos entes que o contribuinte nominou como EMLUR e FUNJOPE, e a compensação pretendida foi efetuada no CNPJ da Prefeitura. Portanto, a Prefeitura não tem legitimidade para compensarse de créditos apurados na Câmara ou em Fundações Municipais, respondendo sim pelas obrigações destes Entes. 7) Dos valores indevidamente compensados Uma vez não homologadas as compensações realizadas nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009 e não reconhecidos os créditos utilizados para a compensação, mantémse a multa e juros aplicados ao lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721501/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO.
Evidenciando-se que o voto condutor acórdão embargado efetivamente tratou do tema para o qual se aponta objetivamente ter havido omissão, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(sucessora de SADIA S.A.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO. Evidenciandose que o voto condutor acórdão embargado efetivamente tratou do tema para o qual se aponta objetivamente ter havido omissão, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 15 01 /2 01 4- 43 Fl. 5720DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 5486 a 5499)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3401003.096 (fls. 5315 a 5379), de minha relatoria, tendo sido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira designado como redator do voto vencedor nos tópicos referentes a indumentária e itens de uso obrigatório (4.1.1) e despesas de energia elétrica (item 4.9). Em 18/04/2016 foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, tendo sido tais embargos rejeitados pelo exame de admissibilidade de fls. 5401 a 5404. A Fazenda apresentou ainda o recurso especial de fls. 5406 a 5438, ao qual foi dado seguimento pelo despacho de fls. 5440 a 5446, havendo contrarrazões da empresa às fls. 5601 a 5631. Os embargos de declaração apresentados pela empresa serão aqui analisados apenas em relação ao tópico para o qual foram admitidos, no despacho de fls. 5712 a 5719, referente à omissão apontada no que se refere ao item “antioxidantes”. Sobre tal item, alegou a embargante que a decisão considerou, na análise do tópico referente a “antioxidantes”, a planilha "NICTB", quando o correto seria ter considerado a planilha "CFOP", mencionada pela defesa no parágrafo 196 de seu recurso voluntário. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no exame de fls. 5712 a 5719, passase diretamente à análise da omissão reconhecida como objetivamente apontada, no referido exame. Recordese, preliminarmente, que o exame de admissibilidade não estava a decidir sobre a existência de omissão, matéria reservada, regimentalmente, ao colegiado, mas apenas sobre a omissão estar objetivamente apontada. Alega a empresa que a decisão embargada incidiu em omissão, por ter sido a glosa referente a “antioxidantes” analisada à luz da planilha “NICTB” (Documentos cuja contabilização não indica se tratar de insumos), pois, conforme consta do parágrafo 196 do recurso voluntário, os valores glosados com antioxidante constam da planilha “CFOP”. Necessário, para analisar os embargos, retomar, preliminarmente, algumas considerações sobre o roteiro utilizado no julgamento do processo, que se referia a glosas de diversos itens. No voto condutor, os temas a analisar foram sintetizados em seis tópicos: (1) demanda pela apreciação conjunta dos cinco processos correlatos; (2) preliminares (sobre o Fl. 5721DF CARF MF Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.418 S3C4T1 Fl. 5.721 3 trabalho fiscal, o ônus probatório e a verdade material); (3) conceito de "insumos na legislação que rege as contribuições"; (4) glosas em espécie; (5) créditos presumidos de ICMS; e (6) penalidades. Dentro do item 4, referido acima (glosas em espécie), foi ainda efetuado um segundo desdobramento, em 14 itens: (1) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo; (2) aquisições de bens e serviços que não geram crédito por não representarem a aquisição de insumos; (3) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; (4) serviço de fretes de transferência de produtos; (5) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; (6) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito; (7) notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão; (8) valores não comprovados na memória de cálculo; (9) despesas de energia elétrica; (10) despesas de aluguéis de prédios; (11) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; (12) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; (13) bens do Ativo Imobilizado; e (14) crédito presumido da agroindústria. O item 4.1 (aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo) é ainda desmembrado em 6 subitens (4.1.1 a 4.1.6), para melhor visualização das glosas, agrupadas por tema e motivação, de acordo com o resumido no relatório que antecede o voto: 4.1.1 (indumentária e itens de uso obrigatório), 4.1.2 (pallets e caixas), 4.1.3 (materiais e equipamentos), 4.1.4 (serviços realizados por “operador logístico”, 4.1.5 (materiais e serviços de limpeza) e 4.1.6 (outros itens). No relatório fiscal, os “antioxidantes” não são glosados por nenhum desses motivos. Tanto que não constam na planilha “NICTB”, mas sim na planilha “CFOP”, o que é bem explicado quando a defesa tenta justificar que os “antioxidantes” seriam enquadrados no conceito de insumos, buscando justificar sua utilização no processo produtivo. Em relação a tal justificativa, assim se manifesta o voto (fl. 5392): (...) Vejase que o voto não confunde ou se omite em relação à alegação da empresa, e demonstra plena ciência de que a argumentação referente a “antioxidantes” Fl. 5722DF CARF MF 4 invocava a planilha “CFOP”, e não a planilha “NICTB”. Ou seja, nenhuma análise do item foi feita à luz da planilha “NICTB”, simplesmente porque o motivo da glosa não era ausência de enquadramento como insumo, mas estar operação com “antioxidante” inserida em CFOP que não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito. Tal tema foi expressamente tratado no item 4.6 do voto condutor (notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito), isso porque os “antioxidantes” foram glosados pela fiscalização exatamente por esse motivo (fl. 5348): Assim, o citado parágrafo 196 do recurso voluntário (recordese, inserido no subtópico do recurso intitulado de “outros itens”, dentro do tópico “dos bens e serviços utilizados como insumos”) se presta a argumentar que os itens ali constantes constituiriam efetivamente insumos. Mas não foi essa a razão da glosa dos antioxidantes. Assim, tal parágrafo revela má compreensão das razões da autuação, que não se devem à exclusão do conceito de insumo, mas ao CFOP utilizado para a operação. E as glosas de CFOP foram analisadas no tópico 4.6 do voto condutor, aqui transcrito, que faz expressa referência aos “antioxidantes”, e ao fato de a empresa sustentar que Fl. 5723DF CARF MF Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.418 S3C4T1 Fl. 5.722 5 constituiriam insumos, sem trazer qualquer elemento que refute a imputação fiscal referente ao código CFOP adotado para a operação (matéria seguramente distinta da referente ao enquadramento como insumo). Assim, aquilo que a embargante denomina de omissão (análise dos “antioxidantes” à luz da planilha “NICTB”) resulta tãosomente de má compreensão da defesa, não só em relação às razões da autuação, mas também em relação ao julgamento do processo. Os “antioxidantes” são glosados pela fiscalização e analisados, no julgamento, com base na planilha “CFOP”, no item 4.6 do voto condutor, com resultado unânime, na turma. O excerto constante do tópico 4.1.6 do voto, e referente à planilha “NICTB” devese não à análise do tema à luz de planilha equivocada, mas, simplesmente, a apontar que a empresa defendeuse, em relação aos “antioxidantes”, como se a glosa fosse motivada por tal material não ser enquadrado no conceito de insumo, no subtópico de sua defesa intitulado de “outros itens”, dentro do tópico “dos bens e serviços utilizados como insumos”, quando, na verdade, deveria ter atacado as efetivas razões da glosa, apresentando elementos que justificassem que o CFOP utilizado se referia a uma operação que ensejasse o crédito. A simples leitura de ambos os tópicos do voto, aqui transcritos, esclarece a questão, não havendo vestígios de ocorrência da omissão apontada. Diante do exposto, devem ser rejeitados os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 5724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720094/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.548
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.720094/200810 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3302000.548 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO ADUANA Recorrentes RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA E OUTRA FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração às fls. 0220, 2135, 3646 e 4760, lavrados em face do importador, a empresa RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 07.567.851/000160, a qual doravante denominarei apenas RIO LAGOS, e da empresa considerada real adquirente das mercadoria importadas, a POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 00.436.042/000170, a qual denominarei, a partir de agora, simplesmente POLIMPORT, esta na condição de responsável solidária, por meio RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 09 4/ 20 08 -1 0 Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 3 2 dos quais foram formalizadas as seguintes exigências, decorrentes do subfaturamento de preços, e de entrega a consumo, de mercadorias importadas, por meio de declarações de importação registradas no período de 01/02/2006 a 10/08/2006: a) auto de infração às fls. 0220: a.1) Imposto de Importação no valor de R$ 41.021,86, acrescido de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) do imposto exigido, prevista no art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 61.532,79, em função da declaração inexata do valor das mercadorias submetidas a despacho de importação através das DI's 06/01271992, 0601275688, 06/01275696, 06/01351767, 06/01522790, 06/01687749, 06/01831254, 06/02497501, 06/02847375, 06/03118563, 06/03186429, 06/06234653, 06/06238047, 06/06238900, 06/06484153, 06/07462722, 06/07480976 e 06/09456088, sendo que na DI 06/06234653 houve infração somente na adição 002; na DI 06/07462722 houve infração nas adições 001 e 002; enquanto que, nas demais, houve infração apenas nas adições 001. a.2) Multa do Controle Administrativo no valor de R$ 234.866,64, conforme disposto no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, face a diferença apurada entre o preço declarado pelo importador nestas DI's e o preço efetivamente praticado; b) auto de infração às fls. 2135: b.1) Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à Importação no valor de R$ 22.478,22, acrescido de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) do imposto exigido, prevista no art. 80, e seu § 6°, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da mesma Lei, no valor de R$ 33.717,33, em razão da declaração inexata do valor das mercadorias submetidas a despacho de importação através das mesmas DI's citadas acima, no subitem a.1; b.2) Multa Regulamentar do IPI no valor de R$ 1.442.296,52, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/1968 c/c o art. 81, inciso V, da Lei n° 10.833, de 2003, em função da autuada ter entregue a consumo produtos de procedência estrangeira importados com subfaturamento. c) auto de infração às fls. 3646: c.1) COFINS na Importação no valor de R$ 24.429,63, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) da contribuição exigida, conforme previsto no artigo 19 da Lei n° 10.865/2004 combinado com o art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, e com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 36.644,45; d) auto de infração às fls. 4760: d.1) PIS/PASEP na importação no valor de R$ 5.303,54, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) da contribuição exigida, conforme previsto no artigo 19 da Lei n° 10.865/2004 combinado com o art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, e com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 14.577,08; Objetivo da ação fiscal Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme a descrição dos fatos constante do Relatório de Auditoria Fiscal (doc. às fls. 61184), que é parte integrante dos autos de infração relacionados neste processo, a ação fiscal desenvolvida em desfavor das empresas RIO LAGOS e da POLIMPORT, teve como objetivo a verificação do cumprimento de suas obrigações fiscais, especialmente a apuração de indícios de subfaturamento na importação e utilização de faturas ideologicamente falsas (fl. 64). Os citados indícios foram obtidos de documentos arrecadados no bojo da chamada OPERAÇÃO DILÚVIO, realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal. Segundo o mesmo Relatório, à fl. 64, vol. I do processo: "(...) Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em ParanaguáPR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, dedicada à prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO iniciaramse em 2005 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais em diversos Estados (...) ". Do grupo MAM Consta no Relatório, às fls. 6465, referindose às empresas e pessoas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob o controle de MARCO ANTÔNIO MANSUR (Grupo MAM), investigadas na OPERAÇÃO DILÚVIO, que: "(...) Tratase de um conjunto de empresas, constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros (...)". À fl. 05 do Relatório de Auditoria (fl. 65, vol. I), consta que os elementos apreendidos na citada OPERAÇÃO DILÚVIO foram, em atendimento ao Ofício n°. 1.033/2006DPF/PGA/PR (fl. 195, vol. II), disponibilizados pela Justiça Federal para fins de procedimentos fiscais da Secretaria da Receita Federal, conforme Decisão Judicial nos Autos n°. 2006.70.00.0224356, de 14/09/2006 (fls. 197, vol. II ). Modus operandi do grupo MAM Conforme o Relatório de Auditoria, à fl. 70, vol. I do processo: "O GRUPO MAM especializouse na prestação de serviços de importação a diversos clientes, viabilizando significativa e ilícita redução dos tributos devidos, seja na fase de nacionalização, seja nas etapas subseqüentes de comercialização dos produtos no mercado interno. Para tal, foram praticadas inúmeras irregularidades, a saber: falsificação de documentos, subfaturamento dos valores declarados nas operações de importação, ocultação dos reais intervenientes, simulação de operações Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 5 4 comerciais, remessa de divisas à margem do controle legal, geração de créditos tributários fraudulentos e utilização de benefícios fiscais relativos ao ICMS..." De acordo com a fiscalização, o esquema do grupo pode ser representado pelo seguinte gráfico, apresentado à fl. 98, vol. I do processo, e também à fl. 71, sendo: A: Exportador verdadeiro e fornecedor efetivo; B: Exportador de fachada, controlado pelo GRUPO MAM. Eventualmente este pólo é ocupado por um Exportador de fachada controlado pelo cliente. C: Importador de fachada: via de regra uma trading com benefício do ICMS constituída em nome de laranjas. D: Adquirente/distribuidor de fachada. Empresa constituída em nome de E: Importador/adquirente verdadeiro: cliente do GRUPO MAM, por vezes empresa vinculada ao real exportador "A". E: Importador/adquirente verdadeiro: cliente do GRUPO MAM, por vezes empresa vinculada ao real exportador "A". O GRUPO MAM, segundo a fiscalização, fls. 71/73, vol. I do processo: "... era responsável pelo controle dos elementos B, C, e D. O esquema permitia ocultar o real adquirente das mercadorias importadas (elemento E), transacionadas junto ao seu real fornecedor no exterior (elemento A). Ou seja, a negociação ocorria, de fato, entre A e E, os quais definiam preços, condições de pagamento, tipos de mercadorias e quantidades. Porém, a operação visível de comércio exterior a declarada ao Fisco se processava de forma simulada entre um exportador de fachada (elemento B) e uma 'trading' com benefício de ICMS (elemento C), muitas vezes constituída em nome de laranjas, ambos controlados pelo GRUPO MAM. Esta operação não representava os elementos da verdadeira transação comercial. Quanto ao fluxo financeiro, as declarações de importação registradas em nome do importador (elemento C) serviam para formalizar a saída de divisas do país, via Banco Central, tendo como destinatário o exportador fictício (elemento D), sob a égide de pagamento das importações realizadas. Já quando da ocorrência de subfaturamento, a parte restante do pagamento ao verdadeiro exportador (elemento A) era processada por outros meios, à margem do sistema legal, ou pela via legal, mas em operações não relacionadas com a importação. Considerando as variáveis empregadas pela organização no esquema fraudulento, as importações eram processadas em alguma das seguintes formas: [1] registradas como se fossem por conta e ordem de um adquirente de fachada (elemento D); ou, [2] registradas como importação direta da própria 'trading' (elemento C), a qual simulava uma venda a um distribuidor de fachada (elemento D) após a liberação alfandegária (desembaraço aduaneiro); ou, [3] numa modelagem menos complexa, eram registradas com importação direta da própria 'trading' (C ), a qual simulava uma venda ao cliente final (E) imediatamente após o desembaraço. Em todas as situações, os artifícios empregados pelo GRUPO MAM davam, geralmente, várias vantagens ilícitas aos seus clientes, a saber: Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 6 5 Ilusão dos tributos federais diretamente relacionados à importação, mediante a prática do subfaturamento dos preços declarados ao Fisco. Para tal, empregavam faturas comerciais fabricadas ou refaturavam as mercadorias a preços menores através do elemento B do esquema o exportador de fachada; Não figurar como contribuinte equiparado a industrial e evitar a incidência do IPI nas operações subseqüentes à importação, de comercialização no mercado interno; Geração de créditos tributários fraudulentos, por meio de empresas fantasmas, adquirentes e distribuidores de fachada o elemento D. Estas importavam os produtos a preços subfaturados (seja como operação direta ou por sua conta e ordem) ou, ainda, compravam os produtos junto às 'tradings " do GRUPO MAM após a nacionalização na mesma condição subfaturada. Após, revendiam a valores bem mais elevados, gerando grandes créditos de tributos de incidência não cumulativa. As dívidas junto ao Fisco acabavam não sendo honradas, beneficiando os clientes da organização que recebiam as mercadorias com valores esquentados; Repasse de benefícios relativos ao ICMS incidente nas operações de importação (tributo de competência dos Estados), através das importadoras ('tradings') do GRUPO MAM elemento C; Não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; Interferir na avaliação do risco da operação (parametrização das DIs), mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos. " Modus operandi específico para operações destinadas à POLIMPORT O modus operandi das importações do GRUPO MAM, destinadas à POLIMPORT, conforme destacado na fl. 86, vol. I do processo, é descrito com base em INFORMAÇÃO FISCAL (ANEXO III do presente processo, onde constam cópia dos volumes I e II do processo 10980.001184/200716, nos quais está reproduzida a citada INFORMAÇÃO FISCAL). A referida INFORMAÇÃO FISCAL foi elaborada com base em amostra de documentação fotocopiada de originais, apreendidos pela Polícia Federal quando da deflagração da Operação DILÚVIO, que revelam a ocorrência de fatos e circunstâncias em que se pode evidenciar fraudes em importações, bem como na circulação interna de mercadorias destinadas à POLIMPORT. As fraudes praticadas, envolvendo a POLIMPORT e o GRUPO MAM, conforme fl. 87, vol. I do presente processo, são descritas a partir de uma série de casos concretos, exemplificativos, desvendados a partir da documentação apreendida pela Polícia Federal, e a partir dos quais, segundo a fiscalização, se pode comprovar as irregularidades. À fl. 87 do processo, no Relatório de Auditoria, é informado que as operações simuladas, relativas à POLIMPORT, tinham como importadora registrada, na maioria dos casos, a empresa RIO LAGOS, e, esporadicamente, a MERCOTEX DO BRASIL LTDA, a OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., e a GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA.. E como adquirentes registrados nas DIs constavam a DELTA COMEX, a SUPPORT IMPORTAÇÃO E EXPORT. LTDA., a CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., a GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., a ZEKTOR THECNOLOGIES, a SP CABLES e a OPUS TRADING. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 7 6 Conforme a fiscalização, nesse emaranhado de empresas, estava no centro, gerenciando as operações, a empresa INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., que repassava os recursos dos clientes finais para as empresas acima citadas, operacionalizando o esquema de importações para a POLIMPORT. De acordo com o Relatório de Auditoria, fl. 88, dentro da estrutura organizacional, havia inscrições nos processos, para fins de controle interno, vinculandoos aos clientes de fato, tendo como referência as três primeiras letras, que indicavam as iniciais dos clientes finais, seguidos de numeração sequencial e do ano. O primeiro caso analisado é o POL 22/05, que se refere à DI no 05/03752490, registrada no dia 13/04/2005. De acordo com a fiscalização, nessa DI (fls. 88 e 89, vol. I do processo): "(...) Figurava como importador a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA e adquirente das mercadorias a empresa GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. O processo era instruído com a fatura comercial no 05000113 da empresa exportadora de fachada FECA INTERNACIONAL (empresa com endereço em MIAMI FLÓRIDA E.U.A, cujo dossiê da ESPEI aponta como exportador de fachada), datada de 04/02/2005, consignada à empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA, com valor total das mercadorias de US$ 9.986,00, referente à mercadoria discriminada como APARELHO DE GINÁSTICA ORBITEK COM MONITOR 68 UNIDADES, E APARELHO DE GINÁSTICA ORBITEK SEMM MONITOR 129 UNIDADES.Acontece que no mesmo processo consta fatura comercial de no 9972200 da empresa THANE DIRECT COMPANY, sediada no Canadá, datada de 04/02/2005, e consignada à empresa SANTA FÉ TRADING IMP. E EXP. LTDA, no valor de US$ 13.675,00. Foram emitidas duas faturas para o mesmo processo, contendo mesma data de emissão, mesmas mercadorias e quantidades descritas acima, porém com valores diferentes, US$ 9.986,00 e US$ 13.675,0, respectivamente. Apesar de estarem consignadas para empresas diferentes, tinham como objetivo o mesmo destinatário final, ou seja, a empresa POLIMPORT. Neste processo, constatase um subfaturamento em torno de 30%. Na documentação que embasa o processo POL 22/05, aparece um demonstrativo de despesas relatando todos os custos da referida declaração de importação no 05/03752490, informando ao cliente final POLIMPORT tais despesas. Este demonstrativo fora confeccionado pela empresa BWI ASSESSORIA DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, empresa que prestava serviços para as empresas acima citadas. Em razão da constatação de que a POLIMPORT acompanhava cada passo da operação de importação, não resta dúvida de que ela era o real adquirente, oculta em todas as fases do processo de importação, com o objetivo de descaracterizar a cadeia de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na saída para o consumidor final". Ilustrando o mecanismo utilizado para livrar a POLIMPORT da sujeição passiva quanto ao recolhimento do IPI na saída da mercadoria de seu estabelecimento, caso fosse equiparada a industrial, a fiscalização afirma, à fl. 88, em relação à DI acima, que: "(...) O mecanismo consistia em, desembaraçada a mercadoria, logo era emitida uma nota fiscal de entrada (nota no000176, data de emissão 13/04/2005) pela empresa MERCOTEX no valor de R$ 48.464,24, com os valores próximos aos que foram declarados na respectiva DI. Após isso, a mesma emitia nota fiscal de saída (nota no 00177, data de emissão 13/04/2005) para a empresa adquirente GHATS no valor de R$ Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 8 7 53.588,94. Por sua vez, a GHATS emitiu uma nova nota fiscal de saída (nota no 1588, data de emissão 14/04/2005) para uma empresa de fachada que não se encontra no rol de empresas acima mencionadas, empresa esta que é a QUALITY HARD INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 06.232.266/000143, no valor de R$ 66.146,20, majorando aproximadamente em 20% os valores de sua saída. A empresa QUALITY HARD INFORMÁTICA, por sua vez, superfaturava a sua nota fiscal de saída para uma outra empresa, provavelmente, neste caso, para a empresa CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, e esta emitiu a nota fiscal de saída no 0266, datada de 14/04/2005, para a empresa POLIMPORT no valor de R$ 147.971,24, isto é, valor acrescido de aproximadamente 300% do seu valor de origem". A fiscalização, ainda sobre a DI no 05/03752490 (POL 22/05), explica, à fl. 89: "(...) Dos fatos acima, depreendese claramente que a finalidade das mercadorias ingressarem no Brasil por um valor subfaturado, é para eximirse da exação fiscal, recolhendo menos tributos quando da sua nacionalização, com este artifício, recolhe menos I.I e I.P.I, bem como PIS/COFINS. O superfaturamento na sua circulação interna, até chegar ao cliente interessado, dáse pelo seguinte motivo: a empresa de fachada obtém um lucro fictício muito grande e obrigase a recolher tributo estadual (ICMS), bem como os tributos federais (IRPJ , CSLL) e, geralmente, não possui patrimônio suficiente para, numa eventual fiscalização, liquidar os tributos não recolhidos e multas, blindando, assim, o cliente final POLIMPORT. Além disso, a empresa POLIMPORT tem dos valores das mercadorias contabilizados na sua entrada aproximados dos valores reais, não resultando em grande diferença, quando confrontados com os valores de saída ". Em seguida, a fiscalização apresenta outros casos concretos semelhantes ao POL 22/05, descrito acima: DI no 05/06138440 (fls. 9091), DI no 05/04510970 (fls. 9192), POL 119/05 e POL 124/05 (fls. 9293), POL 130/05 (fls. 9394). O sexto caso apresentado pela fiscalização, chamado THA 02/2006 (fls. 9698), referese, segundo os Auditores, a documentos encontrados na empresa POLIMPORT. Estes estavam sob a forma de processos de importação, sendo que a folha inicial continha o timbre POLIMPORT e o seu respectivo email. A numeração desses processos seguia o mesmo formato que o utilizado pela INTERLOGISTIC, com a diferença de que as três primeiras letras referiamse às iniciais do exportador, seguidas de numeração sequencial e terminando com o ano da importação. No caso, a expressão THA referese ao exportador THANE DIRECT COMPANY. A fiscalização, sob a denominação THA 02/2006, apresenta no Relatório, às fls. 94 a 96 do processo, exemplos, alguns dos quais abaixo transcritos, de atuação irregular da empresa, principalmente emails trocados entre representantes da POLIMPORT e seus intervenientes, utilizados nos procedimentos de importação de mercadorias estrangeiras. "Exemplo 01: correspondência enviada pela empresa OPUS TRADING LTDA, na qual solicita à POLIMPORT numerário referente ao pagamento de despesa de nacionalização de mercadorias, requisitando que tal numerário fosse depositado na sua conta do Banco Bradesco Ag. 35092, conta corrente 1534238. Em seguida, a funcionária da POLIMPORT Adriana Mingroni, enviou email para o senhor Carlos Neto e Rubens Cilone, com cópia para Angela Mei, no qual pede autorização para pagamento de R$ 12.397,63, requisitado pela empresa OPUS TRADING LTDA, referente a impostos e outras despesas que diz já ser de conhecimento dela, ainda Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 9 8 solicitando que esse pagamento fosse efetuado rapidamente, a fim de que a Declaração de Importação fosse registrada. Neste mesmo email, a senhora Adriana Mingroni solicita aprovação ao senhor Carlos Neto para que fosse enviado numerário do processo TEL 04/2005 no valor de R$ 34.438,13, também relativo a impostos e outras despesas de importação. Ato contínuo, o senhor Carlos Neto autorizou, também via e mail, o pagamento de tal quantia na mesma data. (DOC.09). Exemplo 02: Foi encontrada, juntamente com a documentação apreendida, uma correspondência enviada pela empresa THANE DIRECT COMPANY (exportadora, com sede no exterior, de mercadorias para as empresas já mencionadas no início) à Empresa POLIMPORT, para o senhor Carlos Neto, correspondência em idioma em inglês, a qual diz respeito a uma auditoria que teria sido feita na empresa THANE em março de 2006, e a mesma requisita que a empresa POLIMPORT confirme débito no valor de US$ 348.417,00, o qual pressupõese seja resultante das transações comerciais entre ambas. O Senhor Carlos M. de Oliveira Neto (POLIMPORT) confirma o débito, em documento assinado, datado de 30/05/2006 (DOC. 10). Exemplo 03: correspondência de Thiago Haouila (INTERLOGISTIC) para Rubens Cilone (POLIMPORT Financeiro), datada de 08/12/2005, onde Thiago solicita a Rubens valores a serem depositados na conta corrente 10054861 da empresa CONTROL, Ag. 0937, Banco Real, para fechamento de câmbios dos processos de importação POL 127/05 e POL 128/05, também denominados de INT 09/2005 e INT 10/2005 respectivamente. Acontece que estes valores solicitados por Thiago Hauila (INTERLOGISTIC), somados, totalizam US$ 36,165.00 (US$ 17,655.00+ US$ 18,510.00, valor que figura na CONTA CORRENTE mencionada no quarto caso acima, ou seja, objeto de transferência internacional de fundos, datada de 16/12/2005, tendo como histórico POLIMPORT INTERGLOBAL. Os processos POL 127/05 e POL 128/05 referemse, respectivamente, às declarações de importação de números 06/03118563 e 06/06234653, sendo que, os valores referemse a adiantamentos parciais para fechamento dos câmbios dos processos deste exemplo. Por fim, observese que os processos POL 125/05 e POL 127/05 foram encontrados na empresa RIO LAGOS TRADING, enquanto que os processos INT 09/2005 e INT 10/2005 e o email impresso de Thiago Haouila para Rubens Cilone foram encontrados na empresa POLIMPORT (DOC. 11). (...)". Das empresas Nas DIs incluídas nos autos de infração que compõem o presente processo, constam, como importador, a empresa RIO LAGOS, e, como adquirente, a empresa DELTA COMEX, que seria a distribuidora de fachada. Porém, de acordo com a fiscalização, em todas as operações o real adquirente era a empresa POLIMPORT. A empresa INTERLOGISTIC prestaria assessoria para esta última. A empresa RIO LAGOS, conforme fls. 100103, foi constituída em 27/07/2005, com capital social de R$ 1.500.000,00. Declarou receita bruta de R$ 6.741,01 no ano calendário de 2005, e efetuou movimentação financeira de R$ 424.960,49, de julho a dezembro de 2005. A empresa teria efetuado diversas importações por conta e ordem de algumas sociedades, clientes contumazes do GRUPO MAM (fl. 101). Tem como presidente a Sra. Idalina Martins de Almeida Junqueira, funcionária pública, a qual não teria capacidade econômica e financeira compatível com a condição de presidente de uma trading desse porte. Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 10 9 A empresa DELTA COMEX, que figurou como adquirente nas declarações de importação incluídas nos autos de infração, conforme fl. 103, tem um capital social de R$ 100.000,00 e possui sócios com baixos rendimentos. Segundo o Relatório de Auditoria, fls. 103104, a empresa INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., CNPJ 06.974.682/000110, funcionava como uma assessoria especializada nos procedimentos de desembaraço aduaneiro e na prestação de serviços de logística e controle das operações. Seus principais clientes, segundo a fiscalização, seriam empresas do GRUPO MAM, como a HITECH, MERCOTEX e GHATS. A empresa POLIMPORT, que seria a real adquirente das mercadorias, conforme fl. 104, está atualmente sediada no Município de Varginha/MG. A alteração de endereço ocorreu em 10/11/2006, logo em seguida à deflagração da Operação Dilúvio. Do procedimento fiscal Às fls. 105125, vol. I do processo, constam as informações acerca do procedimento fiscal, destacando que, tendo em vista que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo, de fato, operações por conta e ordem de terceiros (reais adquirentes), este foi focado no adquirente, restringindose às importações registradas pela RIO LAGOS, nas operações identificadas como realizadas, de fato, por conta e ordem da empresa POLIMPORT. Segundo os autuantes, foram utilizados no procedimento fiscal: Documentação fotocopiada de originais, apreendidos pela Polícia Federal na Operação Dilúvio, referentes às importações específicas destinadas à POLIMPORT; Documentação apresentadas pela empresa RIO LAGOS, em atendimento a intimação Documentação apresentada pela empresa Delta Comex, em resposta a intimação Documentação apresentada pela empresa POLIMPORT, em resposta a termos de intimação. Cabe destacar, no presente item, a seguinte afirmação da fiscalização: "(...) Da análise dos documentos apresentados, uma vez mais, as respostas não foram satisfatórias para confirmar a regular importação das mercadorias, ou mesmo sua regular aquisição no mercado interno, objetivando a verificação do cumprimento das obrigações de natureza contábil fiscal relacionadas às mercadorias de origem estrangeira, apreendidas conforme TERMO DE APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS no 01POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL no 05 0615100.2007.002809, decidimos proceder diligências nos principais estabelecimentos fornecedores, para confirmar com documentação hábil a efetividade das operações. Sendo assim, concluímos pela proposição da aplicação da pena de perdimento das mercadorias de origem estrangeira apreendidas conforme TERMO DE Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 11 10 APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS no 01POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme PAF 10611.000767200860 Dos fatos apurados Conforme fls. 126146, a fiscalização expõe os fatos apurados, afirmando ter identificado elementos que comprovam, de forma inequívoca, que as operações citadas em relação contida na fl. 126 do processo foram realizadas por conta e ordem da empresa POLIMPORT. Na citada relação constam os números das DI, nota fiscal de entrada do importador, nota fiscal de saída do importador, nota fiscal de saída do distribuidor, ordem de compra, e número de controle. A partir da fl. 129 em diante, são detalhados os elementos de prova, por declaração de importação, vinculando a importação efetuada pela RIO LAGOS com o real adquirente, a POLIMPORT, citandose os anexos em que estão as citadas provas. Do valor aduaneiro Às fls. 146161, a fiscalização detalha a forma utilizada para proceder à determinação do valor aduaneiro utilizado nos autos de infração. Verificase que em relação a produtos importados através das DIs 06/01271992, adição 001; 06/0127568 8, adição 001; 06/01275696, adição 001 e 06/01371767, adição 001 , às fls. 148149, a fiscalização aceitou os valores encontrados em documentos que revelavam as cifras reais das operações. Assim, segundo os Auditores, embora os valores declarados tenham sido desconsiderados, por não representarem os preços efetivamente pagos ou a pagar pelas importações, o método do valor de transação, para as citadas DIs, pôde ser preservado. Em relação às mercadorias importadas contidas na adição 001 da DI 06/0623804 7, a fiscalização adotou como critério para o arbitramento de seu valor, os preços efetivamente praticados em outras operações com mercadorias idênticas ou similares, (inciso I do artigo 88 da MP no. 2.15835/2001) fls. 152154. Quanto aos produtos importados através da DI 06/02847375, adição 001; DI 06/03186429, adição 001; 06/01522790, adição 001; 06/01687749, adição 001; 06/01831254, adição 001; 06/02497501, adição 001; 06/03118563, adição 001; 06/06234653, adições 001 e 002; 06/06238900, adição 001; 06/07462722, adições 001 e 002; 06/07480976, adição 001; e 06/09456088, adição 001, a fiscalização utilizou, como critério para arbitramento, o previsto na alínea 'b' do inciso II do artigo 88 da MP no. 2.15835/2001. Este, segundo os Auditores, não se diferencia da aplicação do sexto método de valoração previsto nos artigos 2 e 3 do AVA/GATT, com uma maior flexibilização, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade (fls. 154 158 do processo). No que se refere às mercadorias importadas através da DI 06/06484153, a fiscalização adotou, como critério para arbitramento do valor das mesmas, o valor das citadas mercadorias, constante da nota fiscal de entrada na POLIMPORT, subtraído dos valores dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos (art. 88, II, "b' da MP 2.158 35/2001). Neste caso, notase que não foram subtraídos valores relativos ao ICMS (fls. 158159). Da sujeição passiva A determinação do contribuinte e do responsável solidário, para cada tributo exigido nos autos de infração, é discriminada às fls. 161171. Após analisar os fatos, a Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 12 11 fiscalização conclui pela responsabilidade solidária da empresa POLIMPORT, sendo contribuinte dos tributos a empresa RIO LAGOS. Das Infrações apuradas A fiscalização discrimina, às fls. 171182, as infrações apuradas no decorrer do procedimento fiscal, que foram: declaração inexata e ocultação do real adquirente. Esta última prática, segundo a fiscalização, faz com que fique perfeitamente tipificada a infração, configurada como dano ao erário, prevista no inciso V do art. 23 do Decreto lei no. 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei no. 10.637/2002. Quanto às penalidades, na fl. 174, argumentase que: "(...) a efetiva aplicação da pena de perdimento traria por conseqüência o afastamento destas mercadorias estrangeiras do campo de incidência tributária, conforme dispõe o inciso III do §4o. do art. 1o. do Decretolei n o. 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n o. 10.833/2003". Em seguida, a fiscalização afirma, na mesma fl. 174, que: "(...) No entanto, a não aplicação da pena de perdimento por absoluta impossibilidade, haja vista que as mercadorias importadas nestas condições não foram encontradas, foram todas entregues a consumo ou consumidas, não sendo mais possível, portanto, sua apreensão, não há que se falar de não incidência tributária". Desse modo, foram cobrados, nos autos de infração, as diferenças de tributos, com os acréscimos legais. Foi aplicada, ainda (fl. 177), multa de ofício, de 150%, sobre os tributos devidos, em virtude da constatação de intuito de fraude. Isso, por força do art. 44 da Lei n o 9.430/96, c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502/1964. Em virtude do subfaturamento, foi aplicada a multa do art. 633 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n o 4.543/2002), com base no § único do art. 88 da MP 2.158 35/2001, de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (fl. 177178). Às fls. 178181, a fiscalização discrimina a aplicação, também, da penalidade prevista no art. 631 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n o 4.543/2002), baseada no artigo 83, inciso I, da Lei n o 4.502/1964, que submete, os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta, à multa equivalente ao valor da mercadoria. Quanto a essa multa, a fiscalização aduz, à fl. 179 do processo, que adotou como valor comercial das mercadorias, o próprio valor aduaneiro apurado. Representação Fiscal para fins penais A fiscalização, nesse item do Relatório de Auditoria, transcreve o § 7o. da Portaria SRF 326, de 15/03/2005, segundo o qual, quando a ação fiscal for motivada por informações oriundas do Ministério Público ou da Polícia Federal ou quando tais órgãos já tiverem conhecimento prévio dos fatos que configurem crime, em tese, a representação para fins penais se limitará à comunicação ao órgão interessado dos fatos apurados pelos Auditores Fiscais. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 13 12 Das Conclusões Em decorrência do procedimento de fiscalização, foram lavrados os autos de infração já descritos no início do presente Relatório, no montante de R$ 1.933.900,04. Da impugnação da responsável solidária POLIMPORT Cientificada, a empresa POLIMPORT, dos lançamentos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 08/07/2008 (fls. 03, 22, 37, 48 e 60), esta apresentou impugnação (fls. 1.2541.301) em 07/08/2008, através de seu representante (cópia autenticada da procuração às fls. 1.334). Alegando que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente improcedente e que deve ser declarado nulo de pleno direito, apresenta seus argumentos nos seguintes termos: referindose à sujeição passiva, argumenta que não é responsável solidária; aduz, referindose à fiscalização de zona primária, que, uma vez liberadas as mercadorias, resta comprovado que não existe nenhum indício de subfaturamento ou mesmo fraude nas declarações; e, após analisar os comprovantes de importação, informa que as mercadorias contidas nas DIs objetos dos autos de infração passaram pelo canal vermelho, não tendo sido apurados quaisquer indícios de irregularidades; referindose a nulidades relacionadas ao processo para aplicação da pena de perdimento, a impugnante afirma que, anteriormente ao lançamento constante do presente processo administrativo foi lavrado o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0615100/00280/07, relativo ao processo administrativo n° 10611.000.767/200860, referente a pena de perdimento de mercadorias estrangeiras de propriedade da impugnante, o qual não teria preenchido os requisitos básicos para o seu prosseguimento; afirma que, nos autos de infração objeto da presente impugnação, a fiscalização exige crédito tributário referente às mesmas mercadorias de origem estrangeira objeto da pena de perdimento, sendo que, tanto a investigação que deu origem à pena de perdimento, quanto a que originou os créditos tributários têm origem na "Operação Dilúvio". Citando o artigo 77, § 4o., inciso III, da Lei n° 10.833/2003, afirma que a efetiva aplicação da pena de perdimento traria por consequência o afastamento das respectivas mercadorias do campo da incidência tributária, conforme citado no próprio Relatório de Auditoria Fiscal que embasa os autos de infração, à fl. 114 (fl. 173 do processo), o que resultaria na prejudicialidade dos autos de infração impugnados, em relação às mercadorias objeto da pena de perdimento, referentes a cinco declarações de importação, citadas em tabela: 06/06238047, 06/07480976, 06/01275700, 06/01555230 e 06/01609322. Afirma, ainda, que, nas três últimas dessas declarações, a fiscalização não encontrou elementos de prova que indiquem subfaturamento, conforme páginas 99100 do Relatório de Auditoria que embasa os autos de infração (fls. 159160 do processo), devendose anular, quanto a tais mercadorias, quaisquer pretensões tributárias ou sancionatórias; alega que não foram seguidos os procedimentos legais previstos para o controle da valoração aduaneira; afirma que não há base para se concluir que a impugnante participou de importações por conta e ordem; alega ausência de interesse nas supostas fraudes apontadas na "Operação Dilúvio", já que não tem ingerência nenhuma nos negócios de seus fornecedores; Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 14 13 diz que a fiscalização, ao aplicar os métodos de valoração aduaneira, não obedeceu ao disposto na legislação porque não seguiu a ordem sucessiva dos métodos; não fundamentou porque foi descartada a aplicação do segundo ao quinto método; tomou por base documento que ela mesma alega ser fraudulento. Assim, conclui que há cerceamento de defesa, já que não é possível saber os critérios que efetivamente orientaram a fiscalização; sustenta que a fiscalização, na apuração das diferenças entre os preços declarados e os preços arbitrados, desconsiderou o disposto no artigo 633, § 5o., I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002 base legal : art. 169, § 7o., do DL 37/66), que permite uma variação, para mais ou para menos, de 10% no preço das mercadorias, e de 5% na quantidade ou peso, devendo eventuais tributos e penalidades ser aplicados apenas ao que exceder referidos limites; analisando cada uma das DIs objeto dos autos de infração, a impugnante, em relação ao produto AB KING (NCM 9506.91.00), fls. 148149 do processo, referente às adições 001 das DIs 06/01271992, 06/1275688, 06/01275696, 06/01351767, sustenta que o Fisco desconsiderou as faturas comerciais que embasaram essas DIs, para arbitrar o preço com base em "Planilha de controle interno" e "Relatório de fechamento" (fls. 88 e 89 do Relatório de Auditoria Fiscal), documentos estes obtidos no âmbito da Operação Dilúvio, requerendo perícia para apurar sua veracidade e a verossimilhança dos dados nele constantes; aduz também que é totalmente arbitrária a conduta da fiscalização ao considerar como inidônea as faturas emitidas pela empresa International Edge, empresa que deteria o registro para comercialização do produto AB KING, não tendo nenhuma ligação com a impugnante; no que se refere ao produto MANHATTAN DUSTER (NCM 9603.90.00), referente à DI's 06/06484153, adição 001, tratada às fls. 9899 do Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 157158 do processo), a impugnante alega que, como o Fisco afirma, à fl. 98 do Relatório, que o principal objetivo da interposição fraudulenta de empresas era a quebra da cadeia do IPI, e o produto acima estava, na época do registro da DI, sujeito à alíquota zero, não pode a impugnante ter se beneficiado de qualquer esquema fraudulento, já que não teria interesse na negociação, devendo ser declaradas nulas as exigências referentes à DI acima; sustenta a impugnante que as supostas diferenças que levariam à caracterização do alegado subfaturamento são ínfimas, e somente poderiam ser constatadas se houvesse a importação por preço vil, em detrimento do valor de mercado efetivamente praticado, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuinte, que transcreve; a impugnante expressa que os autos de infração são improcedentes ao considerarem a exigência das contribuições para o Pisimportação e a Cofins importação em sua integralidade, já que esses tributos geram créditos a serem utilizados no momento do pagamento das contribuições para o Pis e da Cofinsfaturamento, para as empresas submetidas à sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003; assim, aduz que, se não houve a utilização de créditos (valores relativos ao Pis e Cofins importação), que deveriam ser descontados nesse sistema, não há que falar na exigência dessas contribuições no presente processo, sob pena de exigência em duplicidade das mesmas; alega que, por ter seguido os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, em conformidade com o artigo 100, inciso I, do CTN, e ADI 07/2002, não deve responder por juros de mora, e atualização do valor monetário da base de cálculo dos tributos; Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 15 14 sustenta não haver base legal para a imposição da multa do artigo 633, inciso I, do RA/2002, assim como a majoração de 75% para 150% da multa de ofício; afirma também não ser cabível, contra a impugnante, a multa prevista no artigo 631 do RA/2002, devida aos que entregarem a consumo mercadoria estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada de forma irregular ou fraudulentamente, já que resta provado que não houve qualquer fraude de sua parte; e, mesmo que fosse aceitável a valoração aduaneira, as diferenças estão dentro do limite de 10% aceito pela legislação, ou muito próximas a este valor, inferindose que não houve introdução irregular ou fraudulenta; sustenta que, mesmo que se aceite a existência de subfaturamento, não há base legal para afirmar que as importações foram por conta e ordem da impugnante, devendose responsabilizar ou a trading ou a distribuidora; argumenta que, mesmo que se admita que a impugnante possa ser responsabilizada por destinar a consumo mercadorias importadas fraudulentamente, a verdade é que muitas das mercadorias objeto dos autos de infração foram comercializadas em virtude de expressa determinação judicial, apresentadas às fls. 1.421 a 1.428 do processo, não podendo ser punida por ter cumprido essa decisão judicial que analisa questões penais afetas aos fatos em discussão; citando o § único do art. 631 do RA/2002, que determina que a multa prevista no caput não será exigida quando tenha sido aplicada a pena de perdimento, afirma a prejudicialidade, já citada, das exigências do presente processo, com o relativo à aplicação da pena de perdimento; aduz que, nos casos em que as mercadorias foram levadas a consumo, isso foi feito com autorização judicial, com o recolhimento dos tributos devidos, tendo a empresa realizado o depósito judicial sobre as citadas mercadorias, e, nesses casos, conforme o § único do art. 631 do RA/2002, não se pode aplicar a multa do caput; até porque, caso reconhecida a suposta infração, os depósitos judiciais serão convertidos ao Fisco. afirma que, conforme jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, que transcreve, a exigência dos tributos devidos na importação torna legítima a entrada dos produtos no território nacional, devendo ser afastada a multa do caput do art. 631 do RA/2002; sustenta que, apesar de constar nas fls. 100101 do Relatório de Auditoria que não foram encontrados elementos de prova de valor que indiquem subfaturamento nas DIs 06/01275700, 06/01555230 e 06/01609322, os valores das mesmas são indevidamente objeto da base de cálculo da multa do art. 631 do RA/2002, tendo sido incluídas as adições 001, 002 e 003, muitas das quais não foram objeto de análise para fins de apuração de subfaturamento; sustenta que a multa de 150% sobre o valor do tributo não deve prevalecer concomitantemente com a multa de "controle administrativo", no percentual de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, porque isso significaria a dupla penalização do contribuinte sobre a mesma infração; a impugnante alega que a taxa Selic é totalmente inaplicável ao caso em questão, sendo inadmissível a aplicação de tal índice para a atualização de créditos tributários; Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 16 15 por fim, pede que sejam julgados improcedentes os autos de infração e, caso assim não seja, que haja o reconhecimento da relação de prejudicialidade entre o presente processo e o de n° 10611000.767/200860, que trata de perdimento, com o sobrestamento da presente demanda, até que venha a ser proferida decisão final nos autos daquele processo administrativo; e, ainda, protesta por todas as provas admitidas em direito, sobretudo a realização de diligências e perícias documentais. Da impugnação da contribuinte RIO LAGOS Cientificada, pelos Correios, dos lançamentos e do Relatório de Auditoria Fiscal, em 21/08/2008, conforme Aviso de Recebimento anexado à fl. 1.248, vol. V do processo, a empresa RIO LAGOS protocolou sua impugnação, em 18/09/2008, na Agência da Receita Federal do Brasil de Cabo FrioRJ, conforme carimbo na primeira folha da referida defesa, à fl. 1.462, vol. VI do processo, enviada pela citada ARF para a DRJFortaleza através do Memorando 1025/2008 (fl. 1.460). Nessa impugnação, às fls. 1.4621.469, o contribuinte apresenta os argumentos que, segundo ele entende, demonstrariam a insubsistência dos lançamentos e infrações que lhe foram imputados, nestes termos: citando a infração "ocultação do real adquirente", tratada na página 112113 do Relatório de Auditoria (fls. 172173 do processo), afirma que, ainda que fossem completamente verdadeiras as acusações contra a impugnante, o que esta não admite, a fiscalização cometeu um erro ao cobrar os tributos devidos sobre a diferença correspondente à declaração inexata do valor, já que, segundo o artigo 23 e parágrafos 1o. e 3o. do DecretoLei n° 1.455/76, a penalidade cabível para a ocultação seria a pena de perdimento, convertendose em multa de 100% no caso de não localização das mercadorias; deixando de assim proceder, a fiscalização teria penalizado mais o contribuinte, já que, sendo o caso de perdimento, haveria a nãoincidência dos tributos; sustenta que, ainda que a fiscalização tivesse agido corretamente e efetuado a conversão da pena de perdimento em multa equivalente a 100% do valor da mercadoria, a multa cabível para a impugnante seria de 10%, conforme o disposto no art. 33 da Lei n° 11.488/2007, dispositivo que, por força do art. 106, II, "c", do CTN, deve retroagir; aduz que sempre atuou por conta e ordem de terceiros, sendo responsabilidade da empresa adquirente, no caso a Delta Comex, a negociação de valores, forma e prazo de entrega e pagamento, bem como todos os fatos relativos à negociação; afirma, também, que nenhuma das observações contidas no Relatório de Auditoria desqualifica a sua condição de importadora por conta e ordem, nem confirma qualquer tipo de atuação irregular, não tendo havido nenhuma denúncia contra os sócios da empresa, nem estando em vigor qualquer restrição ao patrimônio ou atividade destes ou da RIO LAGOS; diz também que nunca teve nenhuma relação com a empresa POLIMPORT e desconhece que a adquirente Delta Comex o tivesse, inexistindo comprovação nos autos da affectio entre a impugnante e a POLIMPORT; alega que, após serem fiscalizadas, as cargas referentes às operações entre a RIO LAGOS e a Delta Comex foram liberadas pela Receita Federal e pelo Juízo responsável, sem haverem sido encontrados indícios de irregularidade de preço em nenhuma delas; assim, não pode aceitar a imputação não comprovada de inidoneidade documental ou erro no preço; referindose à valoração aduaneira, afirma que não houve observância do disposto no art. 633, §5o., II do RA/2002, que não considera infração a diferença de até 10% no preço das mercadorias importadas; Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 17 16 por fim, pede a total improcedência dos autos de infração e a sua intimação sobre a data do julgamento para que possa indicar advogado constituído para proceder à sustentação oral. Através da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma deste órgão julgador (fl. 1.486), decidiuse converter o julgamento em diligência para o órgão de origem, nos seguintes termos: "a) avaliar a possibilidade de inclusão, como responsável solidária pelo crédito tributário, da empresa que constava como adquirente nas DI's objeto dos autos de infração que compõem o presente processo; b) informar se chegou a ser aplicada a pena de perdimento de alguma das mercadorias a que se referem os autos de infração de que trata este processo, informando, em caso positivo, o crédito correspondente, e apresentar a relação das mercadorias objeto da proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860; c) manifestarse sobre a afirmação da POLIMPORT, às fls. 1210/1211, vol. VI do processo, com suporte nos documentos apresentados às fls. 1338 a 1445, vol VI do processo, esclarecendo se essas mercadorias comercializadas por determinação judicial são as mesmas objeto dos autos de infração, informando as DI e respectiva adição; d) reexaminar o critério de arbitramento para determinação do valor do produto incluído na adição 001 da DI 06/06484153 (fl. 157/158), no que pertine à não dedução quanto ao ICMS, conforme aventado na impugnação da empresa POLIMPORT (fl. 1.204, vol. VI); e) averiguar a possibilidade de lavratura de multa por conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro, em razão do consumo/não localização das mercadorias importadas, tendo em vista a noticiada constatação, pela fiscalização, da ocorrência de fatos que seriam enquadráveis como ocultação do real adquirente (fls. 171/172), à luz do que dispõem o artigo 23, inciso V, e seu § 3o., do Decretolei no 1.455/76; f) manifestarse sobre a adoção, à fl. 178, do valor aduaneiro apurado, como base de cálculo da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n ° 4.502/1964; g) caso a documentação e/ou as informações trazidas ocasionem algum reflexo na apuração do crédito tributário, apresentar o respectivo demonstrativo de cálculo e apensar aos autos, demais documentos, demonstrativos de cálculo ou esclarecimentos que entenda necessários à instrução e julgamento do feito. Cabe destacar, nesse ponto, o disposto na Portaria SRFn° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m ", item 1, subitem 1.2, em especial quanto à necessidade de ciência do objeto da presente Resolução e dos seus resultados às impugnantes (para a contribuinte e para a responsável solidária), com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua eventual manifestação, objetivando, dessa maneira, atender o contraditório e o amplo direito de defesa. Igualmente, merece menção o fato de que, caso ocorra, durante a realização da diligência, a constatação de incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal do lançamento, devese observar o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, concernente à lavratura de auto de infração complementar ou termo de responsabilidade solidária, nos termos da legislação de Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 18 17 regência, para consubstanciar eventuais alterações, concedendose ao sujeito passivo prazo para impugnação relacionada à matéria modificada ou inaugurada, com vista a garantirlhe o exercício do contraditório e da ampla defesa" Em decorrência, foi juntado aos autos o Despacho Secat n° 52/2009 (fls. 1.5071.528) relativo ao processo administrativo de perdimento n° 10611.000767/200860, no qual se extingue o referido processo e abrese novo procedimento, agora para aplicação do previsto no § 3°, art. 23, do Decretolei n° 1.455/1976 (conversão do perdimento em multa). Também foi anexada, às fls. 1.5311.535, a Informação Fiscal elaborada pela fiscalização, a qual apresentou as seguintes considerações quanto às providências requeridas: Em relação ao item "a" acima: "A autoridade lançadora avaliou e concluiu pela não inclusão, como responsável solidária pelo crédito tributário, da empresa que constava como adquirente nas Dis objeto dos autos de infração que compõem o presente processo, por entender que o interesse comum na operação de fato é da empresa RIO LAGOS, na qualidade de importador, e da empresa POLIMPORT, na qualidade de real adquirente. A empresa que constava como adquirente na operação declarada foi caracterizada como interposta pessoa da operação". Quanto ao item "b": "Informamos que não chegou a ser aplicada a pena de perdimento das mercadorias a que se referem os autos de infração de que trata este processo. Originalmente, no processo n° 10611.000767/200860 foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias estrangeiras de propriedade da empresa POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, apreendidas em seus estabelecimentos. Contudo, as mercadorias apreendidas foram liberadas, por Decisão Judicial, para comercialização. Conseqüentemente, o Auto de Infração com a proposta de Perdimento de Mercadorias Importadas constante do processo n° 10611.000767/200860 foi extinto mediante Despacho Secat n° 52/2009 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls.1417 a 1440). Deixamos de apresentar a relação das mercadorias objeto do Auto de Infração com proposta de pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860 devido a sua extinção. Informamos ainda que posteriormente foi lavrado Auto de Infração objeto do processo n° 10611.003438/200951 na empresa POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, com base no disposto no artigo 73 da Lei n° 10.833/2003, pela caracterização de dano ao erário, com base no § 3° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 ". Quanto ao item "c": "Informamos que as mercadorias abaixo relacionadas foram objeto do Auto de Infração com proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860, e também foram objeto do lançamento da multa prevista no artigo 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, em Auto de Infração do presente processo administrativo fiscal: ADC DESCRIÇÃO DI QTDE NF DATA 06/01275700 001 JOGO DE FERRAMENTAS E ACESSÓRIOS DYI BUDDY 4.077,0 0 1S 06/02/2006 06/01555230 001 ASPIRADOR DE PÓ SUPER VAC 110 V 1.641,0 0 24 14/02/2006 06/01555230 001 ASPIRADOR DE PÓ SUPER VAC 220V 563,00 24 14/02/2006 06/01609322 001 ASPIRADOR DE PÓ BLAST VAC 220V 53,00 25 15/02/2006 Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 19 18 06/0623S047 001 COFRE SAFETY BOX 1.305,0 0 251 07/06/2006 06/074S0976 003 JOGO DE PARAFUSOS SUPER LADDER 352,00 260 29/06/2006 Informamos que as mercadorias abaixo relacionadas foram objeto do Auto de Infração com proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860, e também foram objeto do lançamento da diferença dos tributos aduaneiros incidentes e da multa da diferença de preço, em Auto de Infração do presente processo administrativo fiscal: DI ADC DESCRIÇÃO QTDE NF DATA 06/0623S047 001 COFRE SAFETY BOX 1.305,0 0 251 07/06/2006 Entretanto, conforme já informado, o Auto de Infração com a proposta de Perdimento de Mercadorias Importadas constante do processo n° 10611.000767/2008 60 foi extinto mediante Despacho Secat n° 52/2009 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte ". Quanto ao item "d": "Em relação a DI 06/06484153, a autoridade lançadora adotou o critério de arbitramento no qual foi considerado o valor constante da nota fiscal de entrada das mercadorias subtraído dos valores dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos, a seguir relacionados: N F ENTRADA POLIMPORT 001570 VALOR TOTAL DO PRODUTO NF ENTRADA 120.164,16 TRIBUTOS ADUANEIROS PAGOS: II 4.516,95 IPI PIS 558,80 COFINS 2.573,90 ICMS TOTAL TRIBUTOS ADUANEIROS 7.649,65 VR. ENTRADA LIOUIDA R$ 112.514,51 VR. ENTRADA LIQUIDA USS 49.537,49 VR. FRETE US$ 1.236,00 VR. ENTRADA LIO.FOB USS 48.301,49 QUANTIDADE 15.096,00 VR. UNITÁRIO APURADO USS 3,20 Informamos que não foram apresentados documentos que comprovasse o recolhimento do ICMS pela empresa emitente da Nota Fiscal n° 001570, JVC INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 02.174.675/000182, I.E.492.325.002.119, que se encontra inabilitada no Fisco Estadual. Quanto ao item "e": "A autoridade lançadora entendeu pela aplicação do artigo 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, visto que ficou caracterizado, no procedimento fiscal em análise, o consumo ou entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, conforme descrito pormenorizadamente ao longo do Relatório de Auditoria Fiscal". Quanto ao item "f": "O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, estabelecia, em seu art. 631, com base no artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.152/1964, que incorreriam na Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 20 19 multa igual ao valor da mercadoria/valor comercial os que derem causa a infração ali descrita. Para tanto, a autoridade lançadora estabeleceu como valor comercial das mercadorias, o próprio valor aduaneiro apurado, ou seja, aquele valor conhecido através do arbitramento exposto ao longo do relatório ". Quanto ao item "g": "A autoridade lançadora entende que as informações trazidas na presente Informação Fiscal não ocasionaram reflexos na apuração do crédito tributário". Cientificada, em 01/11/2010 (Aviso de Recebimento de fl. 1.536), da Informação Fiscal de fls. 1.5311.535, a Polimport se manifestou nos autos, às fls. 1.5421.552. Após apresentar uma síntese da Diligência, essa empresa aduz: Em relação à primeira providência requerida (item "a") e a respectiva resposta da fiscalização: "Ora, a não inclusão da empresa que constava como adquirente nas DIs representa cerceamento de defesa da ora Impugnante. Fossem a DELTA COMEX e a JVC chamadas a se manifestar nos presentes autos, poderiam trazer maiores informações e documentos, provando a completa improcedência da inclusão da Impugnante no pólo passivo e das alegações de ocultação do sujeito passivo e de subfaturamento. A recusa do Fisco em fazer constar dos presentes autos o suposto "verdadeiro adquirente" é mais um demonstrativo do cerceamento de defesa da Impugnante. Em casos como este a jurisprudência é clara em decidir pela nulidade do processo: (...) " Em relação à providência seguinte (item "b"): "(...), os fatos que levaram à aplicação da pena de perdimento (discutidos no processo 10611.000767/200860) continuam sendo investigados no âmbito do processo no. 10611.003438/200951, o qual pretende, se confirmadas as premissas para a aplicação de tal pena, convertêla em "multa equivalente ao valor de custo das mercadorias apreendidas durante a Operação Dilúvio " (fls. 3 do Relatório de Auditoria Fiscal nos autos do processo no. 10611.003438/200951 Doc. 1). A ora Impugnante apresentou defesa nos autos do processo no. 10611.003438/200951 e desde então aguarda o julgamento. Ressaltese, ademais, que a alienação das mercadorias apreendidas foi deferida principalmente em razão das dificuldades para o seu armazenamento, sendo que o valor obtido com a venda vem sendo depositado em Juízo, nos termos do que foi determinado pela Justiça Federal nos autos da Alienação Judicial no. 2007.70.00.0167201 (PR). Neste sentido, o fato de o processo 10611.000767/200860 (perdimento) ter sido extinto não significa que a discussão em torno das mercadorias ali referidas tenha acabado, nem exime a d. autoridade lançadora de fornecer a lista das mercadorias solicitada por esta C. Turma Julgadora. Resta patente, portanto, o cerceamento de defesa por parte da d. autoridade lançadora, que reiteradamente deixa de trazer aos autos informações que lhe são Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 21 20 solicitadas e que seriam demonstrativos da procedência dos argumentos de defesa apresentados pela ora Impugnante. Vale observar que a multa de 100% do valor das mercadorias foi cobrada nos presentes autos com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro (Decreto n ° 4.543, de 26.12.2002), matéria atualmente regulada no artigo 704 do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 05.02.2009): (...) Ocorre que, conforme atestam o parágrafo único desses dispositivos, a multa de 100% é medida excepcional, que não se aplica quando houver penalidade mais específica. No caso, vemos que não só existe penalidade mais específica como que a Impugnante vem se defendendo da aplicação de tal penalidade nos autos do processo 10611.003438/200951 (conversão do perdimento em multa). Assim, a despeito da extinção do processo n° 10611.000767/200860 (perdimento), os fatos ali narrados continuam sendo investigados no âmbito do processo no. 10611.003438/200951, que visa à conversão do perdimento em multa. Neste sentido, para além de configurar afronta à legislação, na medida em que existe penalidade mais específica, a cobrança de multa com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro configura, no presente caso, condenável bis in idem (efetiva aplicação de dupla penalidade para a mesma suposta infração) ". Em relação à providência constante do item "c"): "(...) a d. autoridade afirmou que as mercadorias são as mesmas, confirmando o quanto alegado pela Impugnante em sua defesa. Neste sentido vejase em especial a p. 5 da 'Relação das Mercadorias Apreendidas e Sujeitas a Perdimento " constante dos autos do processo no. 10611.003438/200951, bem como a fl. 124 do Relatório de Auditoria preparado nos autos do processo no 10611.003438/200951 (doc. 1), que descrevem a investigação das seguintes DIs: Processo no. 10611.003438/200951 "Relação das Mercadorias Apreendidas e Sujeitas a Perdimento" — p. 5___ _ DI ADC Descrição Qtde NF Data da NF 06/01275700 001 DYI Buddy 4.077 18 06/02/2006 06/01555230 001 Super Vac 110V 1.641 24 14/02/2006 06/01555230 001 Super Vac 220V 563 24 14/02/2006 06/01609322 001 Blast Vac 220V 53 25 15/02/2005 06/06238047 001 Safety Box 1.305 251 7/06/2006 06/07480976 003 Super Ladder 352 260 29/06/2006 Processo no. 10611.003438/200951 DIs listadas no Anexo II dos autos processo fls. 124 do Relatório de Auditoria DI ADC Descrição Qtde NF Data da NF 06/01271992 001 AB King 20 7/02/2006 06/01275688 001 ABKing 21 7/02/2006 06/01275696 001 AB King 19 7/02/2006 06/01351767 001 AB King 22 8/02/2006 Confirmadas estão, portanto, as razões de defesa da Impugnante". No que se refere à providência do item "d": Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 22 21 "Em suas considerações a d. autoridade lançadora esclarece que adotou como critério de arbitramento "o valor constante da nota fiscal de entrada das mercadorias subtraído dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos", confirmando em sua planilha que, para fins de tal subtração, não foi considerado o valor do ICMS. Informa ainda que isso se deu porque não foram apresentados documentos que comprovassem o recolhimento de ICMS pela JVC e que esta empresa estaria inabilitada perante o Fisco Estadual. (...) Ora, mesmo que se admitisse tal arbitramento o que se aduz apenas para argumentar, já que não foram observados os procedimentos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira a fiscalização fala em subtrair os "tributos aduaneiros efetivamente recolhidos", ao mesmo tempo em que afirma que a JVC não foi a importadora. Se isso é assim, qual o sentido de se especular se a JVC (distribuidora) recolheu ou não o ICMS? Fato é que o ICMS da importação foi recolhido. Do contrário o produto não teria sido desembaraçado. Além disso, esquecese a d. autoridade lançadora que a JVC não foi chamada a apresentar algum documento nos presentes autos. Deste modo, como poderia ser provado o recolhimento do ICMS? Vêse que novamente a Fiscalização incorre em arbitrariedades, cerceando a defesa da Impugnante. Vale notar que o simples fato de a JVC estar inabilitada perante o Fisco estadual não permite a conclusão à qual chegou a autoridade lançadora, de que o ICMS não teria sido recolhido. E ainda que assim não fosse, a emissão da nota fiscal pela JVC para a Impugnante ocorreu em junho de 2006 e a inabilitação da JVC perante o Fisco Estadual ocorreu mais de um ano depois, em setembro de 2007 (doc. 2), de maneira que nada nos presentes autos autoriza a conclusão a que chegou a autoridade lançadora. O disposto acima reforça, assim, a completa improcedência da presente autuação, eis que baseada em argumentos fracos, sem qualquer base fática minimamente sustentável a uma análise mais cuidadosa das alegações apresentadas ". Em relação à providência contida no item "e": "Conforme visto no item 22 acima, a multa do artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro é medida excepcional, que não pode ser aplicada quando há penalidade mais específica. Assim, por terem os fatos supostamente narrados nos presentes autos uma tipificação específica eles não podem dar ensejo à aplicação da multa de 100% com base no antigo artigo 631 do antigo Regulamento do IPI. A d. autoridade lançadora admite portanto o erro de capitulação legal ao afirmar, na informação fiscal, que a multa aplicada não foi a do art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76. Além disso, esquecese a d. autoridade que a entrega a consumo foi realizada em razão de determinação judicial e pretende aplicar penalidade a quem cumpriu um tal mandamento, como se fosse uma opção da Impugnante não fazêlo. Ora, nos termos do Código de Processo Civil é dever das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final, sendo que a violação de tal dever constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 23 22 criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa (artigo 14, V, e parágrafo único da Lei 5.869, de 11.01.1973). Vêse portanto que as mercadorias foram apreendidas e a aplicação da pena de perdimento não foi possível por fato alheio à Impugnante, mas preferiu a d. autoridade, à despeito da existência de penalidade específica, punir a Impugnante por esta ter cumprido uma determinação judicial". No que pertine à providência do item "f": A d. autoridade reitera que impôs a multa com base no artigo 631 do Regulamento Aduaneiro (...) bem como que tais dispositivos estabeleceriam "multa igual ao valor da mercadoria/valor comercial ". Em seguida argumenta que, para fins do lançamento, foi adotado "o próprio valor aduaneiro apurado", como se este fosse o valor comercial das mercadorias. Confessa, assim, o erro de capitulação legal, ao afirmar categoricamente que considera os fatos subsumidos na hipótese do artigo 83,1, da Lei 4.502/64 (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) mas aplicar a multa prevista no art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76. (...) Resta clara, assim, a incompatibilidade entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal adotado e reiterado pela d. autoridade lançadora. Tendo a d. autoridade pretendido aplicar a penalidade que não condiz com a hipótese descrita e afirmada como base legal para a autuação fiscal, resta inequívoco o erro de capitulação legal, passível de gerar a nulidade do presente processo, consoante fartamente reconhecido pela jurisprudência administrativa (...) Vale notar que mesmo que os fatos narrados nos presentes autos tivessem sido capitulados como hipótese do art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76 o presente auto de infração merece ser cancelado, uma vez que nem o artigo 83,I, da Lei 4.502/64 (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) nem o art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76 são aplicáveis à trading. De fato, não se pode esquecer que o presente auto de infração foi lavrado contra a tradine e que a Impugnante foi incluída no pólo passivo pela via do termo de sujeição passiva solidária. Ou seja, a ora Impugnante foi considerada devedora solidária de tributos e multas supostamente devidos em fatos praticados pela trading, em razão de suposto "interesse comum" com a situação que ensejou o fato gerador (art. 124,I, CTN). Acontece que a multa aplicável à trading em situações como a supostamente descrita nos presentes autos não é nem a do artigo 83, I, da Lei 4.502/64 (art. 631 do antigo Regulamento Aduaneiro/art. 704 do Regulamento Aduaneiro atualmente vigente), nem a do artigo 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76, mas aquela do artigo 33 da Lein° 11.488, de 15.07.2007: (...) Ora, se a trading não poderia ser penalizada com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro, como considerar a ora Impugnante sujeito passivo solidário de tais débitos? De fato, se o débito não é exigível da trading também não pode ser exigido de seu suposto devedor solidário! Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 24 23 A pena do artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, por ser menos severa, é de ser aplicável a fatos ocorridos em 2006, com base no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional: (...) As Delegacias de Julgamento têm reconhecido que esta é a única penalidade aplicada à importadora: (...) A conclusão a que se chega é de que, qualquer que seja a linha adotada, os fatos narrados nos presentes autos não podem dar ensejo à aplicação da multa de 100% com base no antigo artigo 631 do Regulamento do Aduaneiro. Restam inequívocos, portanto, o cerceamento de defesa da impugnante, pela não inclusão no pólo passivo da empresa que constava como adquirente na operação e pelo reiterado comportamento da d. autoridade lançadora que, sempre que lhe é oportuno, deixa de trazer aos autos informações que lhe são solicitadas e que seriam demonstrativos da procedência dos argumentos de defesa apresentados pela ora Impugnante. Como se não bastasse a nulidade acima apontada, resta confirmado o erro de capitulação legal quanto à multa aplicada, por patente discrepância entre a base legal adotada (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) e a base de cálculo utilizada (valor aduaneiro). Não se pode ignorar, ainda, que (i) a multa do artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro é medida excepcional, não aplicável quando haja penalidade específica, a exemplo da penalidade por dano ao Erário constante do artigo 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76; bem como que (ii) nenhuma dessas penas pode ser aplicada à trading, já que a esta se aplica exclusivamente a multa específica do artigo 33 da Lei n° 11.488/07, sendo que, se o débito não é exigível do devedor principal, ele também não pode ser cobrado de seu suposto devedor solidário via termo de sujeição passiva solidária. Diante de todo exposto, espera a Impugnante que o Auto de Infração ora combatido seja julgado improcedente e sem efeito, resultando daí o seu cancelamento para os devidos fins de direito ". Tendo os autos retornado a esta DRJ, decidiuse, através da Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.8791.882), novamente converter o julgamento em diligência para que fosse cientificada a empresa RIO LAGOS a respeito da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, assim como da Informação Fiscal de fls. 15311535, anexando ao processo prova do referido ato, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias para eventual manifestação da citada empresa. Tendo em vista o disposto na Portaria SRF n° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m", item 1, subitem 1.2, destacouse a necessidade de dar ciência também do objeto da Resolução n° 2.183 e dos seus resultados às impugnantes (para a contribuinte e para a responsável solidária), procedendo à reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua eventual manifestação, objetivando, dessa maneira, atender o contraditório e o amplo direito de defesa. Em relação à POLIMPORT, observouse que esta deveria ser somente cientificada desta última resolução e do pronunciamento da autoridade lançadora dela decorrente. Cientificada da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.4861.505), da Informação Fiscal de fls. 15311535, e da Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.8791.882), Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 25 24 conforme Termos de Ciência de fls. 1.883, 1.884 e 1.885, respectivamente, e correspondências com avisos de recebimento (fls. 1.9011.912), que retornaram, tendo sido elaborados os editais de fls. 1.9131.915, a Rio Lagos não se manifestou nos autos. Cientificada da Resolução n° Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador, conforme Termo de Ciência de fls. 1.883 e correspondência com aviso de recebimento (fls. 1.8961.897), a Polimport também não apresentou manifestação quanto a isso. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador. É o relatório. A Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, conheceram das impugnações, para darlhes provimentos parcial, nos seguintes termos: I Preliminarmente a) por unanimidade de votos: a.1) REJEITAR as arguições de nulidade, fundadas em cerceamento do direito de defesa, ilegitimidade passiva, violação ao devido processo legal por aventado descumprimento dos procedimentos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira e na impossibilidade de reexame do despacho de importação, suscitadas pelas impugnantes RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; a.2) REJEITAR o pedido de sobrestamento do processo, assim como de exclusão do crédito relativo às DI´s objeto do extinto processo de perdimento, suscitado pela impugnante POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; a.3) REJEITAR o protesto genérico de produção de provas, suscitado pela impugnante POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., bem como o pedido de sustentação oral feito pela impugnante RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; b) por maioria de votos: b.1) REJEITAR a arguição de nulidade, por vício material, fundada no descumprimento dos procedimentos relativos à valoração aduaneira, previstos no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, suscitado pelo julgador Ricardo Serra Rocha; b.2) REJEITAR a arguição de nulidade, por vício formal, fundada no descumprimento dos procedimentos relativos à valoração aduaneira, previstos no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, suscitado pelo julgador Carlos Alberto Santana Viana; b.3) DECLARAR A NULIDADE, POR VÍCIO FORMAL, do lançamento relativo à multa prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, exonerando os sujeitos passivos do valor de R$ 1.442.296,52, vencido o julgador Ricardo Serra Rocha, que votou no sentido de declarar a nulidade por vício material do citado lançamento; II No mérito, por maioria de votos, a) EXONERAR o sujeito passivo do valor de R$ 11.973,70, relativo à multa por subfaturamento, prevista no parágrafo único do arigo 88 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, referente às DI´s nº s06/06238047/001; 06/06234653/002, 06/0746272 Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 26 25 2/002, 06/01522790/001; 006/01687749/001, 06/01831254/001 e 06/02497501/001, conforme demonstrativo ao final do voto relator; b) CONSIDERAR DEVIDOS os demais valores lançados, a título de tributos, contribuições, multa e juros de mora. No mérito, foi vencido o julgador José Fernando Costa d´Almeida, que votou no sentido de manter integralmente a multa prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como todos os demais valores lançados. A devedora principal, Rio Lagos Importação e Exportação Ltda., foi intimada da decisão de piso através do Edital nº 080/2012 (fls.2.075), contudo, não interpôs Recurso Voluntário. Por sua vez, a devedora solidária, Polimport Comércio e Exportação Ltda., foi intimada em 26/11/2013 (AR de fls.2.085) e, interpôs Recurso Voluntário em 21/12/2013 (fls.2.0882.145), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de impugnação. Adicionalmente, nos termos do §6º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, informa a devedora principal que o Ministério Público reconheceu que as provas colhidas durante o procedimento de investigação da Polícia Federal estão eivadas de nulidade por serem, inquestionavelmente, ilícitas, sendo que, houve a extinção da ação criminal nº 2006.70.00.030389 por ausência de materialidade nos delitos julgados na referida ação. Juntou cópia da sentença, do trânsito em julgado e do parecer do MP. Por fim, considerando que a decisão piso tenha exonerado o crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, previsto na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega que todos os documentos que deram suporte ao lançamento fiscal foram declarados ilegais nos autos processo 2006.70.00.03003839, sendo que o MM. Juiz da lide aplicou a decisão proferida pela Corte Superior nos autos do Habeas Corpus 142.045/PR que decidiu quais provas seriam consideradas válidas. Neste ponto, resta claro que as decisões proferidas nos processos judiciais possuem relevância no resultado do processo aqui em análise, considerando que o lançamento fiscal está totalmente fundamentado em provas, no caso em notas fiscais, declarações de importação e transferência de numerário, sendo que a nulidade destas provas e consequentemente a impossibilidade de utilizálas é absolutamente imprescindível para o caso sob análise. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 27 26 Todavia, não constam nos autos elementos suficientes, tais como: inicial, decisões, sentença, acórdão e transito em julgado dos referidos processos (exceção apenas a sentença e trânsito em julgado do processo 2006.70.00.03003839); para se aferir a veracidade das alegações apresentadas pela Recorrente, bem como para verificar corretamente a aplicabilidade das referidas decisões ao presente processo administrativo. Deste modo, entendo ser imprescindível para o deslinde da questão a juntada de cópias das principais peças dos processos anteriormente citados, para se perquirir sobre o efeito das decisões judiciais que declaram ilícitas as provas colhidas na denominada "Operação Dilúvio". Por outro lado, tratandose de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em mente o que determina o artigo 157, caput e §§ do Código de Processo Penal: Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2º Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Como a Recorrente alega que todas as provas que instruíram o lançamento fiscal foram declaradas inválidas pelo judiciário, entendo prudente que seja conferida oportunidade à autoridade fiscal para que analisem as provas colacionadas aos autos e segreguem os elementos que na sua opinião não possuam nexo de causalidade com as interceptações telefônicas ou, ainda que possuam, poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula pela Corte Superior, ou que poderiam ter sido obtidas nos termos do parágrafo 2, do artigo 157, do Código de Processo Civil. Até porque, a própria fiscalização afirma (vide TVF) que "Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Busca e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranguá PR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal de uma organização controlada por Marco Antônio Mansur, dedicada à prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras." Por tais razões, compartilho o entendimento adotado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo administrativo nº 12466.002006/200970 que, naquela oportunidade, decidiu converte o julgamento em diligência, por entender imprescindível identificarse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ (HC 142.045/PR), separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiro sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que: Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 28 27 a) o contribuinte: traga aos autos cópia das principais peças (inicial, decisões, sentença, acórdão e transito em julgado) dos processos judiciais HC 142.045/PR e 2006.70.00.00224370; b) a fiscalização: b.1) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; b.2) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; b.3) Identificação da provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); b.4) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo a respeito das provas nestes autos e demais verificações efetuadas. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 2485DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.000813/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA.
Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins de extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhemse os embargos declaratórios, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agregase ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins de extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 13 /2 00 7- 94 Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.268 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.269 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 2.184/2.194, contra o Acórdão nº 2401003.875, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 2.169/2.182. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.014.2357, concernente ao período de 09/2000 a 09/2003, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 2/38). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) em relação às competências lançadas até 11/2001, consideradas extintas devido ao reconhecimento da decadência, o acordão recorrido deixou de pronunciarse sobre a existência de pagamento parcial para cada competência excluída do lançamento; (ii) houve falta de exame e pronunciamento do julgado acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, emitido em virtude do não cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (iii) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004; e (iv) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 207). Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.270 4 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 15/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 9/6/2015 (fls. 2.183 e 2.195). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 2.256/2.257). 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 2.197/2.202 e 2.222/2.236). É o relatório. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.271 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 230103.875, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de análise por competência com relação aos pagamentos antecipados do período decadente; b) ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007; e c) omissão do colegiado no exame do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005; e d) previamente ao julgamento do recurso voluntário, havia pedido de parcelamento do crédito tributário. a) Decadência 11. No que tange ao reconhecimento da decadência, até a competência 11/2001, a Fazenda Nacional alega omissão no acórdão recorrido, dada a inexistência nos autos de qualquer comprovação acerca das competências em que os recolhimentos antecipados ocorreram. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.272 6 11.1 Em outras palavras, tornase insuficiente apenas a indicação de forma genérica pelo acórdão embargado que a fiscalização, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), examinou os comprovantes de recolhimentos, na medida em que o documento de encerramento não lista as competências em que teria havido a antecipação parcial do pagamento. 12. Passo a análise do vício. Por ocasião da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 1624.770, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, conforme fls. 1.974/1.996, foi reconhecida a decadência parcial do lançamento fiscal, excluindose definitivamente os valores referentes às competências 09 a 11/2000, com base no inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 13. Por sua vez, em face do pedido no recurso voluntário, o acórdão recorrido ampliou o período do lançamento alcançado pela decadência, considerando extintas as competências lançadas até 11/2001, agora com aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, tendo em conta a ciência do lançamento em 28/12/2006 (fls. 2.176/2.178). 14. Tanto o Relatório Fiscal da NFLD nº 37.014.2357, às fls. 67/70, quanto o TEAF, acostado às fls. 65/66, revelam que a autoridade lançadora, no curso da mesma ação fiscal, identificou a ocorrência de diversos fatos geradores, cujas contribuições não foram recolhidas à época própria, o que resultou na lavratura de autos de infração e formalização de processos administrativos em separado. 15. Os processos administrativos relacionados aos créditos tributários foram distribuídos em conjunto, por sorteio, ao Conselheiro Igor Araújo Soares, de maneira que as autuações fiscais foram apreciadas simultaneamente pelo colegiado, em grau recursal ordinário, quando das sessões de janeiro e fevereiro de 2015. 16. Quer dizer que o relator originário do processo, Conselheiro Igor Araújo Soares, na época do julgamento possuía uma visão integral da ação fiscal efetuada no contribuinte, inclusive quanto aos documentos instrutórios que acompanhavam os demais processos administrativos. 17. A título exemplificativo, faço alusão ao Processo nº 36624.000802/200712, relativo à NFLD nº 37.065.6270, cujo acórdão proferido em segunda instância, por sinal, é também alvo de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional. 17.1 É possível identificar, naquele processo, a anexação por parte da fiscalização do Relatório de Documentos Apresentados na Ação Fiscal, denominado de RDA, em que aparece a relação individual de Guias da Previdência Social (GPS) pagas pelo contribuinte antes do início do procedimento de auditoria fiscal, inclusive os pagamentos vinculados ao período considerado decadente, no julgamento do recurso voluntário, de 12/2000 a 11/2001. 17.2 Nesse sentido, copio abaixo uma parte do RDA, especificamente os dados disponíveis às fls. 83 do supracitado Processo nº 36624.000802/200712: Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.273 7 18. Como se observa, é patente a existência de recolhimentos de contribuições em GPS, sob o código 2100, utilizado para o pagamento de valores relacionados a folha de pagamento de salários, vinculados às competências consideradas decadentes no acórdão recorrido. 19. A despeito do relator originário fundamentar, inicialmente, suas conclusões a partir do que foi assinalado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, não significa que deixou de avaliar a existência dos recolhimentos antecipados por competência, dado o conjunto probatório carreado pela fiscalização aos vários processos originados da mesma ação fiscal levado a cabo no contribuinte. 20. Nesse passo, é de se reconhecer a existência de omissão do ato decisório, devido à sua incompletude no tocante à explicitação da análise por competência do período considerado decadente, caracterizando vício de forma, de maneira que se agrega novos fundamentos à decisão embargada consoante razões acima expostas, mantidas, todavia, as conclusões do julgado na parte dispositiva. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.274 8 21. Ressalto, por sua vez, que o votocondutor destacou que, para fins de aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o exame do pagamento parcial antecipado das contribuições previdenciárias deve ser considerado com um todo, em que o pagamento da parcela dos segurados implica aceitar a existência de recolhimento antecipado parcial também relativamente à parte da empresa. 21.1 Para melhor compreensão do decidido pelo Acórdão nº 240103.875, reproduzo excerto do voto do conselheiro Igor Araújo Soares (fls. 2.178): (...) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4º do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. (destaques do original) 22. Dessa feita, uma vez constatada omissão no acórdão recorrido, cumpre o acolhimento dos declaratórios para correção do vício apontado pela Fazenda Nacional, na forma alhures explicitada, porém sem atribuirlhes efeito modificativo, mantendose, por conseguinte, a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em virtude da decadência. b) Ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007 23. Prossegue a Fazenda Nacional alegando que o acórdão embargado foi omisso acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, retroativos a 1º de janeiro de 1998. 23.1 Para o órgão da União, o supracitado Ato Cancelatório havia deixado bastante claro que a entidade não cumprira todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, independentemente da discussão se a entidade era possuidora ou não do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 23.2 Segundo ainda a embargante, a motivação do lançamento, conforme bem registrou a decisão de primeira instância, não se encontrava atrelada a determinado e específico Ato Cancelatório. Vale dizer, há necessidade de análise da isenção não só sob o prisma do requisito do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (Ato Cancelatório nº 01/2005), mas Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.275 9 também quanto ao atendimento das exigências enumeradas nos incisos III e V do citado artigo (Ato Cancelatório nº 02/2007). 24. Pois bem. Como se sabe, a oposição dos declaratórios tem cabimento limitado, somente para atacar vícios formais previamente tipificados na legislação. 25. A petição de embargos tem como pretensão um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão de fundo decidida, por unanimidade, pelo colegiado. A toda a evidência, o inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento no concernente à delimitação da acusação fiscal não significa a existência de omissão no acórdão. 26. O acórdão embargado é incisivo e unívoco quanto à matéria suscitada pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar em omissão de pronúncia sobre questões que deveriam ser apreciadas pelo julgado. 26.1 Com efeito, o votocondutor do julgado manifestase de forma ostensiva que o lançamento fiscal decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório nº 01/2005, tendo descumprido o contribuinte exclusivamente o disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 26.2 Nesse sentido, reproduzo o correspondente trecho do Acórdão nº 240103.875, ora combatido (fls. 2.178/2.179): MÉRITO Logo, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.276 10 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) 27. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. c) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 28. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 28.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.277 11 novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.278 12 § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 29. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 30. Outra vez pretende a Fazenda Nacional a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 31. Como já afirmado alhures, na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 31.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, consoante entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 32. Trago excertos do Acórdão nº 240103.875 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 2.180/2.181): (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.279 13 partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. (...) 33. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 34. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 35. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.280 14 d) Parcelamento 36. Por derradeiro, assinala a Fazenda Nacional uma outra omissão identificada no Acórdão nº 240103.875, relacionada à falta de pronunciamento sobre a adesão do contribuinte ao parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009. A inclusão do débito em parcelamento, conforme noticiada às fls. 207, caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 37. Verifico que às fls. 207 não há qualquer informação sobre parcelamento. Todavia, na Intimação nº 577/2010, datada de 12/7/2010, referente ao encaminhamento da decisão de piso para ciência do fiscalizado, a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 1.998): 1. Pela presente dáse ciência do acórdão n° 1624.770 da Delegacia da . Receita Federal de Julgamento (143 Turma DRJ/SPOI) e do respectivo anexo DADR, cujas cópias seguem anexas. 2. É facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do `AR') . 3. Na hipótese de apresentação de recurso ao Conselho, o mesmo deverá ser protocolado no CAC. 4. Transcorrido o prazo acima, sem as devidas providências do contribuinte, o processo ficará sobrestado, aguardando consolidação da Lei de Parcelamento 11.941/2009, para que sejam adotadas as devidas providências. (GRIFEI) 38. Acontece que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 39. O recurso voluntário foi protocolado em 11/8/2010, juntado às fls. 2.002/2.070, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 18/8/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 2.072). 39.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.014.2357. 40. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.281 15 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão existente no Acórdão nº 240103.875. Acolhemse os aclaratórios, sem efeitos modificativos, tão somente para explicitar que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias foi realizada por competência, para fins da extinção do lançamento até 11/2001 devido à decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 2281DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.720414/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologando-se a compensação.
Numero da decisão: 3201-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologando-se a compensação.
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PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologandose a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 04 14 /2 00 8- 19 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 37 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Apresentado o processo a esse Conselho, o colegiado houve por bem baixar o processo em diligência, para a análise de provas não apreciadas, que confirmariam o direito creditório, pois a retificação da DCTF apenas teria ocorrido após a apresentação de manifestação de inconformidade. Por economia processual, transcrevo voto da Resolução nº 3201000.498: O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme se depreende do relatório, o núcleo do presente contencioso cingese aos efeitos do procedimento adotado pela Recorrente no sentido de retificar a sua DCTF para legitimar o crédito informado em DCOMP pretérita. A instância a quo, sem entrar no mérito da existência do crédito, entendeu que a compensação é indevida, pois o crédito utilizado pela Recorrente somente passou a existir formalmente após a retificação da DCTF, o que sucedeuse após a manifestação de inconformidade. Por outro lado, a Recorrente alega que o direito creditório sempre existiu, tendo havido apenas um erro formal na DCTF original, o que pode ser verificado pela fiscalização, pois não foram informados os valores dos tributos retidos por suas fontes pagadoras. É certo que o contencioso administrativo fiscal deve ser guiado pelo princípio da verdade material, segundo o qual os formalismos exacerbados devem ser afastados para que prevaleça a realidade dos fatos. A decisão da instância a quo no sentido de que a vedação à juntada de novos documentos após a manifestação de inconformidade é medida que se impõe, segundo o cânone de processo administrativo fiscal, é verdadeira, porém, não absoluta. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 38 3 apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Ao que tudo indica nos autos, a Recorrente fez prova de que o crédito alegado existe. Logo, em homenagem ao princípio da verdade material, as provas devem ser admitidas no julgamento deste CARF. Nesse particular, transcrevese a ementa de um interessante julgado, a saber: ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.212, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011) Superado, então, o entendimento de que a Recorrente não poderia juntar provas em fase recursal nem retificar a sua DCTF em momento posterior ao despacho decisório, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Teresina/PI para que confirme, ou não, se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 39 4 Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado. Assim, retornada a diligência, o relatório da fiscalização apresentou o seguinte teor: No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e no uso da competência de que trata o art. 37 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), realizamos diligência para atender a Resolução nº 3201000.498, de 17 de setembro de 2014, da 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2. Os créditos utilizados nas DCOMP nº 15751.75929.090908.1.7.04 6515, 14269.35019.090908.1.7.048749 e 09085.69892.090908.1.7.04 6050 referemse a pagamentos a maior de COFINS relativos aos períodos de apuração dezembro/2005, março/2006 e novembro/2006, respectivamente. 3. Tais créditos têm origem nas parcelas de COFINS retidas na fonte e não utilizadas como dedução pela contribuinte nos respectivos períodos de apuração. 4. Considerando que a interessada não demonstrou a existência dos créditos (com a retificação das DCTF) antes da emissão do despacho decisório, o CARF converteu o julgamento em diligência para que a DRF/TSA confirme se as alegações da contribuinte estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal. 5. Os valores referentes a COFINS dos anos de 2005 e 2006 foram objeto de ação fiscal da Safis/DRF/TSA, resultando no Auto de Infração constante no processo 10384.005827/200861. 6. No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora verificou a existência de valores decorrentes de retenções na fonte por órgãos públicos, fls. 164/170, e, deduzindose da COFINS apurada, além dos recolhimentos efetuados, constatouse que, para os períodos de apuração abaixo discriminados, houve pagamentos a maior a título de COFINS. 7. Tendo em vista que os valores utilizados pela contribuinte nas DCOMP do presente processo coincidem com aqueles apurados pela autoridade fiscal, conforme exposto no item anterior, concluímos pela procedência dos direitos creditórios. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 40 5 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora. O recurso voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o direito à compensação foi denegado, não sob o fundamento de inexistência de direito creditório, mas pela retificação extemporânea da DCTF, documento hábil a constituir o crédito tributário. Não obstante, no âmbito da remansosa jurisprudência desse Conselho e como já acenara o relator original do feito, Conselheiro Daniel Mariz Gudiño, a verdade material sobrepõese aos formalismos estritos, pois a questão que se impõe, é a legalidade da tributação. E nesse sentido, a diligência deixou assente de quaisquer dúvidas, que há o direito aos créditos pleiteados. Assim sendo, deve ser julgado procedente o recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 41 6 Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001564/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA.
CABIMENTO.
Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança.
Numero da decisão: 1803-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA. CABIMENTO. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança.
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INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA. CABIMENTO. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 115 2 Relatório Tratase de declaração de compensação de saldos negativos de IRPJ e CSLL, relativos ao ano de 2001, nos montantes de R$ 62.343,63 e R$ 45.793,29, respectivamente, com débitos de estimativas de outubro a dezembro de 2002. A autoridade administrativa reconheceu integralmente os saldos negativos de IRPJ e CSLL, mas constatou a insuficiência do direito creditório para compensar as estimativas de novembro de dezembro de 2002 (fls. 56/57 e 58/59). Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou em síntese que: a) O valor cobrado de estimativa deve se limitar ao valor máximo do ajuste DIPJ, sendo que os valores estimados e estornados do saldo de IRPJ e CSLL do ano de 2001, não podem interferir no saldo inicial do ano de 2002, sendo assim não haveria saldo a recolher. b) Como o fato gerador da obrigação tributária cobrada ocorreu em 31/12/2002, e o lançamento se deu em 19/05/2008, entende o contribuinte que decaiu o direito da Fazenda Nacional. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO. Despacho Decisório que analisa PER/DCOMP transmitida pela empresa, não efetua lançamento de oficio. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada , pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) O caso em tela do qual se defende relacionase com cobrança proveniente de DCOMP's com valores não homologados no Despacho Decisório 529/2008. b) A cobrança deveria limitarse apenas à diferença entre o devido no Ajuste Anual x efetivamente recolhido por estimativa. c) Deve ser extinto o presente Processo Administrativo por ofensa ao princípio da ampla defesa na constituição do crédito tributário e pela existência de decadência do crédito. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 116 3 d) Há um considerável erro praticado pela autoridade fiscal, que é desconsiderar saldos negativos de exercícios anteriores a maior e basearse em estimativas (informadas nas DCTF's) para cobrar o IRPJ e a CSLL nos períodos de apuração já mencionados. e) A fiscalização, ao entender que os valores informados nas DCTF's relativas ao lapso temporal de 11/2002 (parcial) e 12/2002 para o IRPJ e de 12/2002 para a CSLL não estavam cobertos pelo saldo negativo da Recorrente do ano calendário de 2001, cobrou as estimativas apuradas por estimativas feitas em DCTF's, e por isso só poderia cobra los até o último átimo temporal do exercício financeiro ao qual se relacionou as estimativas, ou seja, até 31 de dezembro de 2002. Após isto, só poderia ser cobrado o tributo proveniente do ajuste anual, se a diferença fosse positiva. f) É entendimento do Conselho de Contribuintes, 2ª instância julgadora de processos administrativos tributários em âmbito federal, que encerrado o exercício financeiro, a exigência tributária restringese a diferença entre o tributo devido e o recolhido por estimativa, se positiva. g) Sem a real apuração se houve lucro real em 2002, e se este houve, se não foi absorvido pelo prejuízo de competências anteriores, não há como se determinar que os valores apresentados em DCTF's, e que representam estimativas, estão corretos, e que há realmente diferenças a recolher por supostamente não serem cobertas em DCOMP's analisadas no Despacho Decisório 535 aqui já mencionado. h) Não há previsão legal de se exigir Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre estimativas de tributos, simplesmente porque a legislação de regência do IRPJ e da CSLL não trazem tal hipótese como fato imponível de tributos. i) Em nenhum momento até agora a autoridade fiscal buscou a verdade real, já que adotou estimativas informadas em DCTF's como lucro real, e entendeu que tais estimativas, quando confrontadas com as DCOMP's dos mesmos períodos geraram uma diferença de IRPJ e CSLL a pagar, no período de outubro e novembro de 2002 para o IRPJ e de novembro para a CSLL. Deveria a fiscalização buscar o lucro real apurado ao final do exercício para averiguar se houve realmente diferenças geradoras de obrigação tributária de pagar IRPJ e CSSL dos períodos de 11/2002 (parcial) e 12/2002 para o primeiro tributo e 12/2002 para o segundo. j) Requer seja julgado procedente o presente Recurso reformando a decisão recorrida, para cancelar a Intimação 43/2008/ARF/IUA/MG de 19/12/2008, por vícios formais e materiais na constituição do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 170DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 117 4 A contribuinte foi cientificada por edital afixado em 31/12/2008 (fls. 109). O recurso foi protocolado em 13/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o saldo negativo de IRPJ, por ter verificado que o saldo negativo apurado em 31/12/2001, utilizado para compensar as estimativas relativas ao ano de 2002, foi insuficiente para compensar parte da estimativa de novembro, e a estimativa de dezembro de 2002 (fls. 79/80). Em nenhum momento a recorrente pronunciase sobre a questão da insuficiência do direito creditório apurado em 31/12/2001, apurada pela autoridade administrativa. Notese que foi reconhecido integralmente o saldo negativo relativo ao ano de 2001, tal como declarado pela contribuinte. Do mesmo modo, o saldo de CSLL apurado em 31/12/2001 foi integralmente reconhecido, tendo a autoridade administrativa demonstrado sua insuficiência para compensar os débitos objeto das presentes declarações de compensação. A argumentação da recorrente limitase à alegação de que após o encerramento do exercício financeiro, não é mais possível cobrarse as estimativas, mas tão somente a diferença entre o IRPJ e a CSLL devidas ao final do ano calendário, e os valores pagos. Primeiramente cumpre observar que a jurisprudência citada pela recorrente aplicase aos casos de lançamento de ofício, ou seja, aquele efetuado nos termos do art. 149 do CTN. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, determina o seguinte: “Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II – o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” No entanto, no presente caso não houve lançamento de ofício, mas declaração de débitos por meio de DCTF e declaração de compensação prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Hugo de Brito Machado assim descreve a compensação, tal como regulada pelo art. 74: "A compensação de que se trata será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados e, uma vez declarada à Secretaria da Receita Federal, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." Fl. 171DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 118 5 (Curso de Direito Tributário, 27ª ed., São Paulo: Malheiros, 2006, págs. 226/227) A compensação de créditos tributários é um instituto jurídico autônomo, ou seja, um conjunto de normas específicas, que tem como regra geral o art. 170 do CTN, que assim dispõe: "Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". (negritamos) No procedimento de compensação não se materializa nenhuma das hipóteses previstas no art. 149, podendo haver apenas as seguintes situações, homologação expressa ou tácita ou não homologação da compensação declarada, sendo que neste último caso, a autoridade administrativa não só pode, como deve proceder à cobrança dos débitos com base na declaração efetuada. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, a necessidade de se proceder ao lançamento atinge apenas eventual débito remanescente (EREsp 576.661/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 16.10.2006), e não o débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado (e, portanto, efetivamente constituído) não se sujeita mais ao prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, e sim ao prazo prescricional de cinco anos para "a ação de cobrança" (art. 174 do CTN). É certo que no caso de estimativas declaradas em DCTF como pagas, cabe à autoridade administrativa fazer uma auditoria interna e confrontar as informações com aquelas constantes da DIPJ, efetuando lançamento de ofício, se cabível. Na hipótese de estimativas compensadas por meio de declaração de compensação, ocorre extinção dos débitos no momento de sua entrega, nos termos do § 2°, do art. 74 da Lei n° 9.430/1996: “§ 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” O débito de estimativa, além de confessado, também já havia sido extinto, até o momento em que a autoridade administrativa apurou a insuficiência do direito creditório. Por conseguinte, como a compensação não foi homologada em virtude da insuficiência do direito creditório, os débitos declarados devem ser cobrados. Salientese mais uma vez que a recorrente não se manifestou sobre a insuficiência do direito creditório apontada pela autoridade administrativa. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 119 6 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 173DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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