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Numero do processo: 10218.000325/00-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF
REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO.
A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Credito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerá-lo parcialmente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Credito Tributário Mantido em Parte.
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CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Credito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 03 25 /0 0- 00 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 394 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerálo parcialmente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins, relativo ao anocalendário de 1995, decorrente de divergência entre valores escriturados no livros fiscais e valores declarados em DCTF e DIRPJ. Em impugnação, a recorrente alegou preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por ter sido lavrado sem o devido Mandado de Procedimento Fiscal. No mérito, que a autuação é improcedente, uma vez que os tributos estavam constituídos antes da lavratura, mediante a entrega de Termo de Opção pelo Refis; que esta opção configura denúncia espontânea; que o Decreto nº 3.712/2000 ao permitir a complementação da Declaração Refis até 12/02/2001, permitiu a regularização de todos os débitos; que a taxa Selic deve ser excluídas como juros de mora. A DRJ, por sua vez, proferiu o Acórdão nº 1.595, julgando improcedente a impugnação, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1995, 01/07/1995 a 31/12/1995 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). 0 Mandado de Procedimento Fiscal integral o rol dos atos discricionários vinculados à autorização e controle da execução dos procedimentos de fiscalização e a eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 395 3 Constatada pela fiscalização a falta ou insuficiência de recolhimentos de Cofins, deve a exigência tributária ser constituída de oficio. OPÇÃO PELO REFIS. A opção pelo Refis após o inicio do procedimento fiscal não sustenta a alegação de denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de oficio e juros de mora decorre de observância da legislação de regência e está ligada ao preceito do art. 142 o Código Tributário Nacional (CTN) acerca da atividade vinculada do lançamento. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente repisou as alegações efetuadas na impugnação, acrescentando a necessidade de declaração de nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos da defesa. Por seu turno, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento proferiu o Acórdão nº 3803.00.419, dando provimento ao recurso voluntário, declarando a decadência de todo o lançamento. Cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, por contradição na contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 173, inciso I, do CTN, ao ter declarado a decadência de todo o ano de 1995, quando deveria ter excluído o período de dezembro de 1995 da referida decadência. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos de declaração foram admitidos para sanar a contradição quanto à contagem do prazo decadencial estabelecido no artigo 173, inciso I do CTN, efetuada no Acórdão nº 3803.00.419, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COFINS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 396 4 Em razão do transcurso do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), encontrase extinto o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nas datas acima identificadas. 0 prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Recurso Voluntário Provido. Constatase que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/02/2001 (efls. 81), sendo o lançamento relativo aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1995. Destarte, uma vez que a Cofins do mês de dezembro de 1995 venceu em meados de janeiro de 1996, apenas após esta data seria possível o lançamento, o que leva o termo inicial do prazo para 1º/01/1997 e o termo final para 31/12/2001, após a ciência do Auto de Infração. Concluise, portanto, que o fato gerador de dezembro de 1995 não está decaído. Ultrapassada a prejudicial de decadência em relação a este período, necessário se faz apreciar as demais alegações de recurso voluntário. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da autuação pelo fato de que a recorrente não obteve ciência do MPF 0210300/00071/000, e, portanto, não houve ciência do procedimento fiscal, e que esta suposta ausência causaria a preterição do direito de defesa. Em relação a eventuais irregularidades no MPF, salientase que é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativo funcionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º1 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, instituidora do MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.935/1972. 1 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 397 5 Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto a este ponto, cujos fundamentos adoto de forme complementar como razão de decidir, nos termos do §1º2 do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A segunda preliminar arguida diz respeito à nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação de argumentos defesa, especificamente quanto à alegação de duplicidade de cobrança dos débitos de Cofins relativos ao anocalendário de 1995, uma vez que aderiu e confessou no REFIS, de acordo com a Lei nº 10.002/2000 e Decreto nº 3.712/2000. A recorrente alegou em impugnação que os débitos lançados foram devidamente pagos no parcelamento de que tratou a Lei nº 10.002/2000, declarados antes da lavratura do Auto de Infração, e que a manutenção do lançamento implicaria em duplicidade de cobrança. Sustentou que não são cabíveis o principal, juros de mora e multa de 75% aplicados, bem como houve denúncia espontânea da infração, mediante a declaração ao REFIS. A decisão da DRJ caminhou no sentido da necessidade do lançamento, em razão de ter a adesão ao REFIS ocorrida após o início da ação fiscal, por estar excluída a espontaneidade. Assim, entendo que a decisão não abordou ponto relevante alegado em impugnação quanto à questão da duplicidade de cobrança, via REFIS e Auto de Infração, em inobservância do artigo 31 do Decreto nº 70.235/19723, o que causaria sua nulidade, a teor do artigo 59, inciso II do referido diploma. Ocorre que tal declaração não será necessária, nos termos do §3º do referido artigo 59, em vista do que se decidirá adiante. No mérito, a recorrente alegou, em suma, que a adesão e declaração ao REFIS teria o condão de impedir o lançamento de ofício, uma vez que os débitos estariam confessados antes da constituição do lançamento e que a existência das duas constituições de crédito tributário implicaria em duplicidade de cobrança. Passo à análise. O REFIS foi instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, cujo prazo foi reaberto pela Lei nº 10.002, de 14 de setembro de 2000, tendo sido regulamentado pelos Decretos nº 2 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 3 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 398 6 3.431 e 3.712, ambos de 2000. Abrangeu os débitos vencidos até 29/02/2000, conforme artigos 1º da Lei nº 9.964, de 2000 e do Decreto nº 3.431, de 2000, contemplando os períodos lançados neste processo. Por sua vez, o artigo 3º da referida lei dispôs que a opção pelo REFIS implica confissão irretratável e irrevogável dos débitos informados, bem como o artigo 2º menciona em seu §3º, que a consolidação abrangeria todos os débitos, constituídos ou não, inclusive acréscimos legais relativos a multa, de mora ou ofício, juros e demais encargos, determinados de acordo com legislação vigente à época, conforme transcrito abaixo: Art. 2o O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. § 1o A opção poderá ser formalizada até o último dia útil do mês de abril de 2000. § 2o Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis. § 3o A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. O Decreto nº 3.431/2000, regulamentando a Lei nº 9.964/2000, dispôs, ainda, no §9º do artigo 5º que as multas de ofício incluídas no REFIS seriam reduzidas em 40%, nos termos do artigo 60 da Lei nº 8.383/1991. Após a edição da Lei nº 10.002, de 2000, o Decreto nº 3.712, de 2000, em seu artigo 2º, §1º, determinou que os débitos não constituídos pela pessoa jurídica deveriam ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 12/02/2001. Da análise dos documentos acostados aos autos, constatase que a recorrente efetuou a opção em 27/11/2000 (efls. 303), efetuou a entrega de declaração de débitos em 12/02/2001 (efls. 312/321), onde constam os débitos de Cofins em valores originais correspondentes aos lançados neste Auto de Infração. O demonstrativo de débitos consolidados (efls. 337/355) mostra que a consolidação ocorreu com a multa moratória de 20%, estando o parcelamento sendo controlado no processo nº 10218.450055/200164, de acordo com a informação prestada pela recorrente em recurso voluntário. Neste ponto, frisese que a recorrente recebeu intimações em 11/07/2000 e 11/08/2000, tendo, inclusive respondido à fiscalização em 14/08/2000, ao passo que efetuou a opção pelo Refis apenas em 27/11/2000, caracterizando, assim, estar sob procedimento de fiscalização quando do exercício da opção. Destarte, de acordo com o §1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 e parágrafo único do artigo 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea ou existência de espontaneidade, após o início do procedimento fiscal. No caso, a opção pelo REFIS e a entrega da declaração, ainda que anterior à lavratura do Auto de Infração, não têm o condão de afastar a multa de 75% lançada neste Auto de Infração, em vista de que a consolidação efetuada no REFIS ocorreu com multa moratória de 20% e a ausência de espontaneidade para a prática do ato. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 399 7 Porém, os débitos informados no REFIS consistiram em confissão irretratável e irrevogável de dívida, o que implica a impossibilidade de exigência em duplicidade dos referidos créditos tributários. Assim, entendo que deve ser exonerado do lançamento, a parcela do débito do mês de dezembro de 1995 (recordandose que os demais períodos foram julgados extintos por decadência) correspondente ao valor declarado no REFIS, considerando a redução da multa de ofício em quarenta por cento, de acordo com o §9º do artigo 5º do Decreto nº 3.431/2000. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3401002.998: LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. Ressaltase que sobre o crédito original remanescente, restabelecese a multa de ofício de 75%. Diante do exposto, voto para acolher os embargos de declaração e retificar o acórdão embargado, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose totalmente os créditos tributários correspondentes aos períodos de janeiro a novembro de 1995 e exonerandose, parcialmente, o crédito tributário correspondente a dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907848/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.935058/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 58 /2 00 9- 96 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.966, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.724099/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO COMPLEMENTAR. INEXISTÊNCIA. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. LANÇAMENTO DECORRENTE CANCELADO.
Quando o contribuinte comprova ter se equivocado no preenchimento de declaração de ajuste retificadora, informando imposto complementar inexistente, o lançamento decorrente desta glosa deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente Márcio de Lacerda Martins - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
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INEXISTÊNCIA. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. LANÇAMENTO DECORRENTE CANCELADO. Quando o contribuinte comprova ter se equivocado no preenchimento de declaração de ajuste retificadora, informando imposto complementar inexistente, o lançamento decorrente desta glosa deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 40 99 /2 01 4- 12 Fl. 162DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Relatório Das declarações de ajuste: (efls. 127 a 134) O Contribuinte transmitiu para o anocalendário de 2012 duas declarações de ajuste anual sendo a primeira em 27/04/2013 e a segunda (retificadora) em 09/04/2014. Na sistemática de processamento utilizada pela RFB a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada. Na declaração retificadora, o contribuinte informou no campo "Imposto Complementar" o valor de R$5.148,86. Da Notificação de Lançamento: (efls. 55 a 58) O cruzamento eletrônico detectou que não havia recolhimento, no código próprio para imposto complementar 0246, e houve a glosa deste valor. Assim, considerando a data de transmissão foi recalculado o imposto como os acréscimos devidos. Apurouse crédito tributário de R$6.964,86, sendo R$5.148,86 de imposto, R$1.029,77 de multa de 20% sobre o imposto, e R$786,23 de juros de mora, calculados até 28/11/2014. Da Impugnação: (efls. 2 a 58) O Contribuinte não concorda com o lançamento e informa que errou no preenchimento da declaração retificadora, que não existe o imposto complementar e sim o pagamento tempestivo do imposto apurado na declaração retificada. (efls. 2 e 4) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10840.724099/201412 Acórdão n.º 2401004.712 S2C4T1 Fl. 157 3 Solicita o cancelamento da Notificação. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 135 a 138) A 21ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão 1274.084, de 09 de abril de 2015, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO COMPLEMENTAR Somente os recolhimentos efetuados no código 0246, referentes a Imposto Complementar no decorrer do Ano calendário, podem ser objeto de compensação a título de imposto complementar na DAA do exercício correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Do Recurso Voluntário: (efls. 143 a 149) Cientificado do acórdão em 05/2015, não estando legível o dia da entrega /ciência no AR de efl. 141, apesar de constar a assinatura do recebedor. O Recurso Voluntário foi interposto em 16/06/2015, efl. 143 com alegações que podem ser assim resumidas: 1. reitera as razões da impugnação, reforçando tratarse de erro material na declaração de ajuste; 2. não concorda em ser onerado com acréscimo de multa e juros uma vez que efetuou o pagamento tempestivamente; 3. requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE: O Aviso de Recebimento dos Correios não registra a data efetiva da entrega e sim tentativas nos dias 18, 19 e 20 de maio de 2015, apesar de conter a assinatura do Contribuinte como recebedor da correspondência. (vide efl. 141) Entretanto, consta do Extrato do Processo, efl. 151, documento preparado pela Secat/DRF de Ribeirão Preto, que a data da ciência (contribuinte) foi 20/05/2015. Por outro lado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/06/2015, conforme consta à efl. 143, assim o recurso foi interposto dentro do prazo legal sendo, portanto, tempestivo e deve ser conhecido. 2. MÉRITO: O Recorrente afirma que incorreu em erro quando informou haver "imposto complementar", no valor de R$5.148,86, na sua declaração de ajuste retificadora, referente ao ano calendário 2012. Entendeu que a declaração de ajuste retificadora, entregue em 09/04/2014, o cálculo do imposto deveria resultar em zero, tanto o imposto a pagar quanto o a restituir. Como este entendimento preencheu a linha "imposto complementar" com o valor do imposto que já havia recolhido (apurado na declaração retificada), por meio de Darf com o código de recolhimento 0211, código correto para o recolhimento do imposto a pagar. No processamento da declaração retificadora ficou evidente que não existia o pagamento correspondente aos códigos 0246 imposto complementar ou 0190 carnê leão e, portanto, a declaração retificadora foi selecionada para que o Contribuinte apresentasse ou justificasse a ausência daquele pagamento declarado. Na Notificação de Lançamento conta que: (efl.56) O contribuinte não obteve êxito no julgamento da instância de piso que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo a glosa e o lançamento correspondente justificando que: "Somente os recolhimentos efetuados no código 0246, referentes a Imposto Complementar no decorrer do Ano Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10840.724099/201412 Acórdão n.º 2401004.712 S2C4T1 Fl. 158 5 calendário, podem ser objeto de compensação a título de imposto complementar na DAA do exercício correspondente." Discordo desta decisão, uma vez comprovado o erro cometido pelo contribuinte ao preencher a linha correspondente ao valor do imposto complementar, na declaração retificadora. 3. Conclusão: Pelo que foi exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000398/2004-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
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OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 03 98 /2 00 4- 54 Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.285 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de retorno de processo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de que sejam examinadas, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração relativa aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, não apreciadas nesta instância em face da decadência, a qual, posteriormente, foi afastada naquela corte administrativa. O auto de infração de fls. 750/776, lavrado contra o sujeito passivo, exigiu Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos sem causa, referentes aos desembolsos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, por meio do Banco da Amazônia (BASA), Agência Altamira, c/c 070.8772, no período de 01/01/1999 a 31/12/2001, cuja operações ou causas não foram devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, conforme Relatório Fiscal às fls. 777/795. A fiscalização expôs que em 2002 houve uma fiscalização (processo 10215.800021/200406), que objetivou verificar aspectos atinentes à correta aplicação de recursos provenientes da SUDAM; e que o presente procedimento fiscal, iniciado em 2004, teve como principal objetivo verificar a regularidade dos pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belém/PA, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão em impugnação de fls. 905/919, afastando as preliminares, inclusive de decadência, nos moldes do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). A 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso voluntário, acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN) e rejeitou as demais preliminares; e, no mérito, negou provimento ao recurso, conforme acórdão de fls. 991/1051, assim ementado: DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 pagamento a beneficiário não identificado ou o pagamento efetuado sem a comprovação da operação ou causa está sujeito 5 incidência na fonte, cuja apuração e recolhimento devem ser realizados na ocorrência do pagamento (fato gerador). A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.286 3 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO POSSIBILIDADE REVISÃO DE LANÇAMENTO O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) expedido regularmente pelo delegado da unidade jurisdicionante do sujeito passivo assegura, por si só, a possibilidade de reexame de período anteriormente fiscalizado. DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA PELA POLICIA FEDERAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA O fato de o contribuinte ter tido sua documentação apreendida pela Policia Federal, em cumprimento regular de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal, não faz prova alguma de que houve cerceamento ao direito de defesa. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÁS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n°. 5.172, de 1966 CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA LEI N° 8.981, DE 1995, ART. 61 CARACTERIZAÇÃO A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referida em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.287 4 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei no 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do C. P. C. e art. 29 do Decreto n°. 70.235, de 1972). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminar de decadência acolhida. Preliminares de nulidades rejeitadas. Recurso negado. Em análise de recurso especial interposto pela PGFN, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), às fls. 1206/1214, decidiu pela aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN, restabelecendo a exigência em relação a todo o período lançado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso especial provido. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.288 5 Houve interposição de embargos de declaração pelo contribuinte (fls. 1233/1237), que foram acolhidos com efeitos infringentes, no acórdão da CSRF às fls. 1265/1268, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para alterar a decisão recorrida, com retorno à Câmara de origem para análise das demais questões. (...) Voto (...) O Embargante alegou, em síntese: O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da PFN sob o fundamento de que não houve o transcurso do prazo de decadência, mas foi omisso ao não determinar o retorno dos autos à Câmara/Turma recorrida para examinar, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração em relação aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, período esse abrangido pelos efeitos da decadência que havia sido acolhida na decisão a quo. Diante da omissão constatada, ACOLHO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS COM EFEITOS INFRINGENTES, para CONHECER do RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria da Fazenda para considerar devidamente constituído o crédito tributário decorrente do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 1999, com retorno dos autos à Câmara/Turma recorrida para examinar, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração em relação aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999. (Grifos no original) As disposições trazidas no Relatório Fiscal de fls. 777/795, que também contemplam os fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, são as seguintes: Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.289 6 As Intimações (circularizações) foram devidamente encaminhadas para o domicilio tributário dos diversos beneficiários dos pagamentos, conforme dados cadastrais constantes dos arquivos da Receita Federal. (§ 4º do art. 23 do decreto 70.235/72) (...) Algumas correspondências foram devolvidas (fls.649/675) a Delegacia da Receita Federal em Santarém/PA uma vez que não foi possível aos correios localizar o endereço (domicilio tributário) constante da base de dados da Receita Federal. Tendo em vista o silêncio da fiscalizada e a dificuldade em se localizar o domicilio tributário dos beneficiários dos cheques abaixo listados, esclarecemos que os valores destinados às empresas não localizadas (Quadro n° 3) foram considerados pagamentos sem causa e sem comprovação estando, portando, sujeitos ao IRRF. Segue abaixo análise individualizada das respostas referentes às circularizações que foram realizadas pela fiscalização: (...) 2) AGROINDUSTRIAL BRASIL S/A — CNPJ 03.062.244/000197 (fls.380/382) O responsável pela Agroindustrial Brasil S/A declarou que o pagamento em questão referiase à venda de novilhas a Agropecuária Pinguim S/A, entretanto não apresentou documentação comprobat6ria que confirmasse tal declaração. Com base na insuficiência de esclarecimentos e provas por parte do beneficiário do cheque e da empresa fiscalizada, concluímos que o valor questionado (Quadro no 5) configurase em pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeito ao IRRF. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.290 7 3) AGROPECUÁRIA RIO FLORES S/A — CNPJ 02.652.687/000175 (fls.383/386) A Agropecuária Rio Flores S/A, também empresa beneficiária da SUDAM, recebeu a quantia total de R$916.200,00 da Agropecuária Pingiiim S/A. A circularizada não apresentou resposta ao atual Termo de Intimação Fiscal 193, entretanto, em fiscalização realizada anteriormente no decorrer do ano de 2002 (fls.385/386), a Agropecuária Rio Flores S/A declarou que os valores foram utilizados para demonstração de depósito em conta corrente da empresa exigido pela SUDAM. A beneficiária fez questão de ressaltar que esta operação teve a orientação da contadora e de servidores/auditores da SUDAM e anuência do BASA. Esta operação tem característica de operação utilizada pelo "esquema" que consiste em fazer com que o mesmo dinheiro seja utilizado por diversas empresas da SUDAM como prova de depósito dos recursos próprios, com a finalidade de viabilizar as liberações dos recursos do FINAM, que só eram autorizadas após a comprovação das integralizações por parte dos acionistas. Tendo em vista a irregularidade do "esquema" em questão e com base na falta de documentação comprobatória, informamos que os valores questionados (Quadro n° 6) configuramse em pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 6) FRANGO GIGANTE S/A — CNPJ 02.713.660/000145 (fls.410/411) Embora o contribuinte não tenha respondido ao Termo de Intimação Fiscal 200, com base nos altos valores repassados pela Agropecuária Pingüim S/A (R$540.000,00), praticamente na mesma data (14/01/1999 e 15/01/1999), e tendo em vista o fato de que a Frango Gigante S/A também recebeu recursos do FINAM, ou seja, teve projeto aprovado junto à extinta SUDAM, temos fortes indícios para acreditar que os recursos desembolsados pela Agropecuária Pingüim em nome da Frango Gigante serviram de comprovação de recursos próprios da circularizada para a liberação de recursos públicos do FINAM, esquema já mencionado anteriormente. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.291 8 Tendo em vista a irregularidade dos desembolsos questionados (Quadro n° 9) e a falta de documentação hábil e idônea que comprove a autenticidade das operações que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, efetuamos lançamento de tais valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 8) ILHA MOTOCENTER LTDA — CNPJ 02.952.676/000100 (fls.416/419) O responsável pela empresa esclareceu que os valores recebidos não foram objeto de operação comercial realizada diretamente com a Agropecuária Pingüim S/A e sim com terceiros. Em conseqüência da falta de documentação hábil e idônea comprobatória das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 11) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeitos ao IRRF. Quadro nº 11 9) INCRAL COM E REP ARAUCÁRIA LTDA — CNPJ 03.539.280/000107 (fls.420/434) O responsável pela Incral informou que não realizou operação comercial diretamente com a Agropecuária Pingüim, esclareceu ainda que, os valores recebidos referiamse a transações comerciais efetivadas entre a Incral e a empresa de construção, Construtora Constrói, entretanto nenhum documento foi apresentado. Na fiscalização desenvolvida no decorrer do ano de 2002 (fls.423/434), a Construtora Constrói, CNPJ 01.963.111/0001 66, encaminhou A. Receita Federal relação de todas as notas fiscais que foram emitidas em nome da Agropecuária Pinguim S/A, com base na informação prestada por tal construtora, os valores e datas de emissão e pagamento expressos nas notas fiscais relacionadas pela construtora não coincidem com os dados constantes dos cheques que segundo a Incral foram emitidos pela Agropecuária Pinguim para pagamento dos serviços prestados pela Construtora Constrói e posteriormente repassados pela Construtora Constrói a Incral. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.292 9 Com base na insuficiência de provas efetivas quanto a autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingiiim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 12) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 13) MILTON LUIZ ANSELMO — CPF 035.938.40804 (fls.4651469) Embora o Sr. Milton não tenha respondido ao atual Termo de Intimação Fiscal 212, em circularização realizada em fiscalização desenvolvida anteriormente no ano de 2002, o Sr. Milton Luiz Anselmo afirmou que foi gerente da Fazenda Pinguim entre agosto de 1998 a julho de 2000, informou que os valores foram utilizados no pagamento de despesas de implantação do projeto Agropecuária PingUim S/A, porém não apresentou documentação que ratificasse tal declaração. Com base na insuficiência de provas efetivas quanto à autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingiiim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 16) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. 14) MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) — CNPJ 05.024.583/000104 (fls.470/608) Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.293 10 MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA — CNPJ 84.189.950/000104 (fls.609/615) A empresa Agropecuária Pingiiim S/A, bem como a empresa Mônaco Diesel Ltda(Revemar) e a empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda, fazem parte de um grupo que se autodenomina de Grupo Mônaco e têm em comum os mesmos sócios cotistas, membros de uma única família segundo informações e dados constantes das folhas n° 473; 611/615 . Em resposta à solicitação de esclarecimentos quanto aos inúmeros cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A em nome da empresa Mônaco Diesel Ltda (Revemar), a circularizada encaminhou copia de inúmeras notas fiscais emitidas pela empresa Mônaco Diesel em nome da Fiscalizada. Na análise das notas fiscais apresentadas, não conseguimos identificar ligação entre os valores constantes dos cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A (Quadro n° 17) e os valores expressos nas nota fiscais emitidas pela Mônaco Diesel Ltda, além do que, na maioria dos casos, as notas fiscais mencionam condições de pagamento a vista, nesses casos os valores e datas expressos nos cheques deveriam ser coincidentes com as datas e valores constantes das notas fiscais, o que não se verifica na análise dos documentos apresentados onde as datas de emissão e os valores expressos nas notas fiscais não se aproximam das datas e valores expressos nos cheques. Com relação ao Termo de Intimação fiscal 214 (fls.609/612), o responsável pela empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda informou que não realizou nenhuma transação comercial com a Agropecuária Pingüim S/A, esclareceu que os cheques relacionados no termo de Intimação (Quadro no 18) foram provenientes de negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda (fl.613). No procedimento de fiscalização realizado anteriormente em 2002 (fls.614/615), o responsável pela empresa Mônaco Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.294 11 Motocenter Comercial Ltda informou que durante a implantação do projeto da Agropecuária Pingüim era comum os proprietários recorrerem aos caixas das outras empresas do grupo para atender necessidades prementes de investimento no decorrer do prazo entre uma liberação e outra. Já em resposta ao atual termo de intimação fiscal 214 (fl.613), o responsável pela Mônaco Motocenter informou que os valores questionados referiamse a negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda. Importante salientarmos que as empresas embora façam parte de um grupo econômico são entidades autônomas, portanto, as operações realizadas entre as empresas que fazem parte do grupo (transações entre partes relacionadas) devem gozar de transparência, independência e isenção. (...) No caso em epígrafe, as transações entre partes relacionadas ganham destaque ainda maior tendo em vista o fato de que houve utilização de recursos públicos na implantação do projeto da Agropecuária Pinguim S/A. Os recursos próprios e do FINAM têm objetivos claros de investimento no projeto, não podendo ser desviado para outras empresas com vínculos familiares ou não. Este tratamento dispensado aos recursos pela PINGUIM não se justifica a luz do regulamento estabelecido pela SUDAM, tampouco à luz dos princípios de responsabilidade que devem pautar o gerenciamento do dinheiro público. Tendo em vista o breve relato acima e a insuficiência de provas quanto à autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim às empresas, Mônaco Diesel Ltda e a Mônaco Motocenter Comercial Ltda, empresas de um mesmo grupo familiar, efetuamos o lançamento de tais valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.295 12 15) NORAUTO RENT A CAR LTDA — CNPJ 83.368.837/000115 (fls.616/625) Embora o atual termo de intimação fiscal 216 não tenha sido encaminhado com sucesso a Norauto Rent a Car Ltda, com base em informação constante de intimação realizada na fiscalização anterior, realizada no decorrer do ano de 2002, o responsável pela Norauto Rent a Car Ltda informou que não efetuou operação comercial diretamente com a Agropecuária Pingüim S/A, esclareceu ainda que, o valor recebido (Quadro n° 19) referiase à venda de um veiculo ao Sr. Carlos Carrilho de Castro Júnior. Como não conseguimos identificar e comprovar a causa que deu origem ao pagamento realizado pela Agropecuária pingüim S/A, efetuamos lançamentos do valor questionado a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeito ao IRRF. (...) 18) TIBIRI AVÍCOLA AS TIBISA — CNPJ 23.670.151/0001 52 (fls.6341636) O responsável pela Tibiri Avícola informou que o pagamento foi direcionado a cobrir despesas com elaboração de um ante projeto e assessoria técnica e econômica, visando a implantação de uma unidade de criação de frangos de corte, entretanto, nenhum documento comprobatório foi apresentado. Tendo em vista a inexistência de provas quanto à autenticidade da operação comercial que deu causa ao pagamento realizado pela Agropecuária Pingüim S/A, providenciamos lançamento do valor (Quadro n°22) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação. (...) Continuando a fiscalização, não conseguimos identificar os reais beneficiários de inúmeros cheques, em alguns casos, os nomes estão ilegíveis, em outros há homônimos, alguns cheques não estão nominais, alguns nomes de beneficiários não foram localizados no banco de dados da Receita Federal. Intimamos várias vezes a fiscalizada a identificar os reais beneficiários e as operações que originaram tais pagamentos, entretanto, até o final da fiscalização não recebemos nenhum esclarecimento por parte da Agropecuária Pingüim S/A. Nos casos em questão a não identificação do beneficiário implica também na não comprovação da operação ou sua causa. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.296 13 Tendo em vista a falta de esclarecimentos e provas quanto à identificação dos reais beneficiários dos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, bem como a não comprovação da operação que deu causa aos pagamentos abaixo relacionados (Quadro n° 26), efetuamos lançamentos dos valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação. Os argumentos trazidos no recurso voluntário (fls. 931/948) quanto ao mérito, envolvendo os fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, são basicamente os mesmos apresentados na impugnação, a seguir resumidos: em relação aos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26, elaborados pela fiscalização para demonstrar a consideração de pagamentos sem causa (acima transcritos), a recorrente justifica a falta de apresentação dos documentos comprobatórios pela seguinte razão: Não se conseguiu documentos ou outra informação referente à contrapartida do(s) débitos em conta corrente, chegando a conclusão que os dados e documentos que comprovam a operação estão contidos no material apreendido pela Policia Federal em 05/07/2001, conforme Termo de Apreensão (anexo) quanto aos demais quadros em que a fiscalização aponta os pagamentos sem causa (acima transcritos), assim se pronunciou a recorrente: QUADRO 5 Agroindustrial Brasil S/A — Compra de novilhas da raça nelore, conforme documentação em anxo [sic] (...) QUADRO 11 Ilha Motocenter Ltda. Na [sic] efetivamos negócios diretos com essa empresa. Notas fiscais comprobatórias anexo Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.297 14 QUADRO 12 Incral Com. E Rep. Araucária Ltda. Transações efetivadas com a empresa Construtora Constrói, documentos em anexo. (...) QUADRO 16 Milton Luiz Anselmo Gerente da empresa no período de 1998 a 2000 e os cheques emitidos em seu nome eram para fazer frente a despesas da empresa. Documentos retidos pela Policia federal. QUADRO 17 Mônaco Diesel Ltda. Contrato de mútuo entre empresas, conforme documentação em anexo. QUADRO 18 Mônaco Motocenter Com. Ltda Contrato de mútuo entre empresas, conforme documentação em anexo. O contribuinte trouxe no recurso os documentos de fls. 945/985. Junto à impugnação já havia trazido os documentos de fls. 815/897; e no aditivo à impugnação (fls. 900), o documento de fls. 901. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. A presente análise se restringe ao exame das provas apresentadas pela recorrente para descaracterizar a infração relativa aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, em cumprimento do acórdão em embargos da CSRF, de fls. 1265/1268, que acolheu o pleito do contribuinte nesse sentido. Cumpre registrar que a numeração das folhas mencionadas nesta decisão se refere ao processo já digitalizado. Apenas nas transcrições de trechos das peças contidas nos autos é que se manteve a numeração original. Em relação aos pagamentos sem causa, apontados pela fiscalização nos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26 (fls. 780/793 e transcritos no relatório), a recorrente não trouxe provas que desconstituíssem a infração e argumentou que não conseguiu documentos ou outra informação relativa à contrapartida dos débitos em conta corrente, o que a fez concluir que os dados e documentos que comprovam as operações estariam contidos no material apreendido pela Policia Federal em 05/07/2001, conforme Termo de Apreensão que anexou às fls. 850/851. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.298 15 Ocorre que esse argumento, já apreciado em sede de preliminar pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 991/1051), está fora do âmbito desta análise, que se limita à verificação das provas trazidas para descaracterizar a infração. Portanto, como não há apresentação de provas que identifiquem as causas e operações correspondentes aos pagamentos realizados pelo contribuinte até 29/09/1999, apontados nos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26, devese manter o lançamento do imposto de renda retido na fonte sobre tais quantias. No que diz respeito ao pagamento de R$ 9.000,00, indicado no quadro 5, efetuado à AGROINDUSTRIAL BRASIL S/A — CNPJ 03.062.244/000197, o contribuinte alega que se trata de compra de novilhas da raça nelore, conforme documentação em anexo. Contudo, nos autos há apenas uma declaração apresentada pela Agroindustrial Brasil, na ocasião das circularizações, de que vendeu novilhas à autuada (fls. 391), mas não houve apresentação de documento que confirmasse essa declaração, como observou a autoridade fiscal. A recorrente também não trouxe nenhum documento comprobatório dessa operação. Logo, necessário manter o lançamento nesse ponto. Quanto aos cheques nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 35.000,00, emitidos em favor de ILHA MOTOCENTER LTDA — CNPJ 02.952.676/000100 (quadro 11), a recorrente alega que: QUADRO 11 Ilha Motocenter Ltda. Na [sic] efetivamos negócios diretos com essa empresa. Notas fiscais comprobatórias anexo Verificase que, durante o procedimento fiscal, a ILHA MOTOCENTER LTDA. informou que esses cheques não foram objetos de nenhuma transação comercial com a emitente, mas sim com terceiros (fls. 433/432). E nos documentos trazidos pelo contribuinte aos autos (fls. 815/897, 901, 945/985), não há notas fiscais em nome dessa empresa. Assim, persiste essa infração. Em relação aos pagamentos nos valores de R$ 25.000,00 (12/01/1999), R$ 18.000,00 (22/02/1999) e R$ 20.000,00 (30/03/1999), efetuados à INCRAL IND. COM. E REP, ARAUCÁRIA LTDA — CNPJ 03.539.280/000107 (quadro 12), o contribuinte diz que foram transações efetivadas com a CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, conforme documentos em anexo. Nesse aspecto, conforme já consignou a fiscalização no relatório fiscal e como se verifica às fls. 437, a INCRAL informou que esses valores (cheques emitidos pela recorrente) foram recebidos em transações comerciais com a CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, mas não apresentou nenhum documento relativo a essas operações. A CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, às fls. 438/449, também indicou as notas fiscais que foram emitidas para a recorrente, porém nenhuma delas coincide com os dados dos cheques compensados. Essas notas fiscais foram emitidas a partir de 04/06/1999 e os cheques em 12/01/1999, 22/02/1999 e 30/03/1999. A recorrente também trouxe no recurso, às fls. 884/893, notas fiscais da CONSTRUTORA CONSTRÓI, emitidas em seu nome, mas todas com datas a partir de Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.299 16 21/05/1999, ou seja, em momento posterior ao da emissão dos cheques em pauta e em valores distintos. Assim, mesmo na eventual hipótese da recorrente ter efetuado pagamentos à CONSTRUTORA CONSTRÓI, por serviços prestados, mediante cheques ao portador e que, posteriormente, esses cheques tenham sido repassados por essa Construtora à INCRAL, (abstraindose das questões relativas à regularidade de operação nesse sentido) tal operação não demonstraria a causa dos pagamentos citados no quadro 12, visto que as quantias e datas dos cheques não conferem com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela CONSTRÓI para a recorrente. Observase ainda que o contribuinte trouxe, às fls. 894, uma nota fiscal da INCRAL emitida para a AGROPECUÁRIA PINGÜIM, mas na data de 07/12/1998 e no valor de R$ 40.000,00. Portanto, essa nota fiscal também não confere com as quantias e datas dos pagamentos em questão. Dessa forma, permanece a insuficiência de provas quanto à autenticidade das operações realizadas e, por conseguinte, devese manter a exigência fiscal demonstrada no quadro 12, no que diz respeito ao período objeto desta análise. Quanto aos montantes indicados no quadro 16 (R$ 25.000,00; R$ 50.000,00; R$ 25.000,00; R$ 20.000,00; R$ 20.000,00; R$ 50.000,00; R$ 6.000,00; R$ 20.000,00, referentes ao período em análise) relativos a pagamentos efetuados a MILTON LUIZ ANSELMO — CPF 035.938.40804, a recorrente argumenta que se trata de gerente da empresa, no período de 1998 a 2000, e que os cheques emitidos em seu nome eram para fazer frente a despesas da empresa. Também diz que os documentos foram retidos pela Policia Federal. Porém, não houve apresentação de provas que confirmassem essa alegação. Assim, não se desconstituiu a infração apontada. Em relação aos cheques constantes no quadro 17, destinados à MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) CNPJ 05.024.583/000104 (R$ 30.000,00 e R$ 20.420,99, de 03/02/1999; R$ 21.000,00, de 20/04/1999; R$ 44.000,00, de 21/05/1999; R$ 20.000,00, de 26/05/1999; R$ 16.400,00, de 27/05/199); e no quadro 18, destinados e à MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA CNPJ 84.189.950/000104 (R$ 21.000,00, de 24/02/1999; R$ 16.000,00, de 22/04/1999; R$ 60.000,00, de 10/05/1999; R$ 40.000,00, de 12/05/1999) o contribuinte alega que são decorrentes de contrato de mútuo entre as empresas, conforme documentação em anexo. Nesse sentido, verificase que a recorrente trouxe na impugnação, às fls. 824/828 e 837/840, cópias de contratos de mútuo que teriam sido firmados entre ela e a MÔNACO DIESEL LTDA. e a MÔNACO AUTO CENTER COMERCIAL LTDA, nos quais constam as mesmas datas de emissão dos cheques e mesmos valores, em relação ao período em exame, com exceção do contrato nº 03, com a Mônaco Diesel (R$ 44.000,00), às fls. 826, em que não há coincidência de data. Porém, observase que, nesses contratos, sequer há a identificação dos representantes legais da Mônaco Diesel e da Mônaco Auto Center, que teriam assinado os termos. Também não há nenhum outro documento ou registros contábeis que corroborem inequivocamente essa operação entre as empresas. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.300 17 Ademais, conforme exposto no relatório fiscal (trecho repetido abaixo), essas empresas (que fazem parte de um grupo econômico, constituído por sócios de uma única família) foram intimadas a se pronunciarem sobre os cheques em que apareciam como beneficiárias e houve inconsistências nas informações prestadas: 14) MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) — CNPJ 05.024.583/000104 (fls.470/608) MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA — CNPJ 84.189.950/000104 (fls.609/615) A empresa Agropecuária Pingiiim S/A, bem como a empresa Mônaco Diesel Ltda(Revemar) e a empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda, fazem parte de um grupo que se autodenomina de Grupo Mônaco e têm em comum os mesmos sócios cotistas, membros de uma única família segundo informações e dados constantes das folhas n° 473; 611/615 . Em resposta à solicitação de esclarecimentos quanto aos inúmeros cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A em nome da empresa Mônaco Diesel Ltda (Revemar), a circularizada encaminhou copia de inúmeras notas fiscais emitidas pela empresa Mônaco Diesel em nome da Fiscalizada. Na análise das notas fiscais apresentadas, não conseguimos identificar ligação entre os valores constantes dos cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A (Quadro n° 17) e os valores expressos nas nota fiscais emitidas pela Mônaco Diesel Ltda, além do que, na maioria dos casos, as notas fiscais mencionam condições de pagamento a vista, nesses casos os valores e datas expressos nos cheques deveriam ser coincidentes com as datas e valores constantes das notas fiscais, o que não se verifica na análise dos documentos apresentados onde as datas de emissão e os valores expressos nas notas fiscais não se aproximam das datas e valores expressos nos cheques. (....) No procedimento de fiscalização realizado anteriormente em 2002 (fls.614/615), o responsável pela empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda informou que durante a implantação do projeto da Agropecuária Pingüim era comum os proprietários recorrerem aos caixas das outras empresas do grupo para atender necessidades prementes de investimento no decorrer do prazo entre uma liberação e outra. Já em resposta ao atual termo de intimação fiscal 214 (fl.613), o responsável pela Mônaco Motocenter informou que os valores questionados referiamse a negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda. (...) (Grifouse) Além das inconsistências nos esclarecimentos, observase que nenhum contrato de mútuo ou documento contábil demonstrando operações dessa natureza foi apresentado pelas empresas do grupo quando da circularização realizada pelo fisco. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.301 18 Da mesma forma, o contribuinte, antes da lavratura da autuação, foi reiteradamente intimado a se pronunciar sobre os cheques emitidos. Contudo, naquela ocasião, não apresentou esclarecimentos e documentos comprobatórios da real operação ocorrida entre as empresas (conforme relatório fiscal às fls. 793/794). Apenas em sede de impugnação foram trazidos os supostos contratos de mútuo com a intenção de respaldar os valores envolvidos, porém, de forma irregular e desacompanhados de outros documentos capazes de confirmar a operação. Notase ainda que o contribuinte trouxe na impugnação notas fiscais da MÔNACO DIESEL LTDA. (REVEMAR), às fls. 850/881, aparentemente para demonstrar a restituição de quantia que supostamente teria sido objeto de mútuo em mercadorias (possibilidade indicada nos contratos). Todavia, como os contratos de mútuo não foram aceitos nesta análise, tornase desnecessário se pronunciar sobre tais notas fiscais. Ademais, várias delas estão com a data e valores ilegíveis e naquelas em que se pode identificar a data, verifica se que a emissão se deu em 2002, ou seja, passados mais de uma ano de emissão dos supostos contratos de mútuo de 1999 (que estipulava o prazo de uma ano para restituição do valores). E, ainda, se o contribuinte desejasse demonstrar inequivocamente a operação alegada com essas notas, deveria ao menos fazer a correlação entre elas e as quantias supostamente emprestadas. Conveniente também ressaltar a avaliação feita pela autoridade fiscal, com a qual se concorda neste voto, sobre a necessidade de transparência entre as empresas, ainda que pertencentes ao mesmo grupo econômico, especialmente quando há recursos públicos envolvidos, conforme abaixo: (...) Importante salientarmos que as empresas embora façam parte de um grupo econômico são entidades autônomas, portanto, as operações realizadas entre as empresas que fazem parte do grupo (transações entre partes relacionadas) devem gozar de transparência, independência e isenção. (...) No caso em epígrafe, as transações entre partes relacionadas ganham destaque ainda maior tendo em vista o fato de que houve utilização de recursos públicos na implantação do projeto da Agropecuária Pinguim S/A. Os recursos próprios e do FINAM têm objetivos claros de investimento no projeto, não podendo ser desviado para outras empresas com vínculos familiares ou não. Este tratamento dispensado aos recursos pela PINGUIM não se justifica a luz do regulamento estabelecido pela SUDAM, tampouco à luz dos princípios de responsabilidade que devem pautar o gerenciamento do dinheiro público. (...) (Grifouse) Portanto, diante desse contexto, concluise que os documentos trazidos pelo contribuinte não são aptos a comprovar a causa dos pagamentos efetuados à MÔNACO DIESEL LTDA. e à MÔNACO AUTO CENTER COMERCIAL LTDA, no período em análise, inseridos nos quadros 17 e 18. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.302 19 Por fim, em cumprimento do acórdão em embargos da CSRF, examinouse as provas apresentadas pelo contribuinte relativas aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999 e se constatou que essas provas não foram suficientes para descaracterizar a infração, devendo ser mantido o lançamento do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995, a seguir: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...) Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 1302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900780/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO EM DCOMP. IRRF. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
Comprovada a existência de direito creditório, relativo a IRRF recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP), cujo pagamento foi comprovadamente indevido, devem ser homologadas as compensações declaradas.
Numero da decisão: 2202-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: Relator
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IRRF. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Comprovada a existência de direito creditório, relativo a IRRF recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP), cujo pagamento foi comprovadamente indevido, devem ser homologadas as compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 80 /2 00 8- 16 Fl. 257DF CARF MF 2 O presente processo é relativo a pedido de compensação substanciado na Declaração de Compensação nº 21693.86614.060204.1.3.045622, pela qual a Contribuinte pretende utilizar crédito alegado, oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor total de R$ 29.220,74 (atualizado), para compensar débito posterior do mesmo tributo. Conforme Despacho Decisório (fl. 57), a compensação declarada foi parcialmente homologada, uma vez que o credito disponível era inferior ao crédito pretendido. Cientificada da decisão em 06/05/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/06/2008, alegando, em síntese, que tal crédito foi extraído do pagamento efetuado a maior no Código de Arrecadação 5706, através do DARF recolhido em 13/10/2003, no valor de R$ 115.007,08, acrescido de multa, totalizando o valor pago de R$ 116.904,70, referente ao IRF sobre o pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio do 3° trimestre de 2003, apurado em 30/09/2003, que conforme demonstrativo em anexo, se verifica que o valor devido era de R$ 102.556,03, sendo R$ 87.172,51 no código 5706 e R$ 15.383,52 no código 9453. Afirma a impugnante que a diferença entre o valor devido no código 5706 e o valor do DARF pago gerou o crédito no montante de R$ 27.834,58 (atualizado para R$ 29.220,74) em favor da Impugnante, valor este integralmente compensado da seguinte forma: R$ 15.383,52, que acrescido de juros e multa representou a compensação de R$ 16.808,03, para pagamento de IRF código 9453 apurado no dia 30/09/2003 e o saldo remanescente de R$ 12.289,81 (atualizado para R$ 12.412,71), para pagamento complementar do IRF no valor de R$ 12.289,81 e juros de R$ 122,90 no código 5706, apurado em 31/12/2003 em conformidade com a citada PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRF) DRJ/BSA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Conforme voto condutor, a DRJ entendeu que a Contribuinte não trouxe aos autos material probatório que comprovasse o erro cometido, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao mês de fevereiro de 2004, argumentando que apenas cópia de planilha elaborada pela própria Contribuinte ou memória de cálculo, sem a devida escrituração, não é suficiente para desconstituir o Despacho Decisório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10166.900780/200816 Acórdão n.º 2202003.747 S2C2T2 Fl. 258 3 A Contribuinte foi cientificada da decisão em 23/04/2009, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 126, tendo interposto recurso voluntário em 22/05/2009 (fls. 127/130), no qual alega, em síntese: em janeiro de 2004, quando da revisão dos registros contábeis para fins de encerramento do balanço do exercício de 2003, foi constatada a diferença no imposto devido ao 3° trimestre no que tange à remuneração do capital próprio, no montante de R$ 27.834,58, sendo também constatado o equívoco no código de arrecadação que, no caso, foi informado como sendo o de n° 5706, quando o correto seria adotar os de n° 5706 (para acionistas residentes no pais) e 9453 (para os acionistas residentes no exterior); constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 27.834,58 que, atualizado até o mês de fevereiro de 2004, atingiu o valor de R$ 29.220,74 e o equívoco do código de arrecadação, promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP, aproveitando este crédito para a liquidação do IRRF incidente sobre juros do capital próprio residente no exterior (código 9453) devido no dia 30/09/2003, no valor de R$ 15.383,52 que, com os acréscimos legais atingiu R$ 16.808,03 e o IRRF incidente sobre juros do capital próprio (código 5706) declarado na DCTF do 1° trimestre de 2004 (1ª semana/janeiro), no valor de R$ 12.289,81, o qual, com os acréscimos legais, atingiu R$ 12.412,71; informa que anexou ao recurso a folha do Livro Razão com o registro do lançamento contábil e os recibos de pagamento dos juros sobre o capital próprio aos acionistas no 1°, no 2° e no 3° trimestre de 2003, onde se verifica, no 3º trimestre, que a base de cálculo do imposto deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04 e 15% deste valor resulta no imposto devido de R$ 87.172,51, a ser recolhido no código 5706; esclarece que o acionista FIRE Fundo Mútuo de Investimento em Empresas Emergentes é isento do imposto de renda, embora sediado no pais, conforme cópia do cartão do CNPJ anexo e que a acionista QUALCOMM Incorporated é domiciliada no exterior, tendo auferido no mesmo período o valor de R$ 102.556,72, resultando no imposto de R$ 15.383,52 a ser recolhido no código 9453. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso, julgando procedente o pedido de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e está dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A Recorrente alega a existência de pagamento a maior, no valor de R$ 27.834,58, a título de IRRF incidente sobre Juros sobre o Capital Próprio (JCP), em virtude de equívocos constatados na apuração do IRRF relativo ao 3º trimestre de 2003, detectados quando da revisão dos registros contábeis para fins de encerramento do balanço do exercício de 2003. Fl. 259DF CARF MF 4 Sustenta que a base de cálculo do imposto no 3º trimestre deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04, sendo que 15% deste valor resulta no imposto devido de R$ 87.172,51, a ser recolhido no código 5706, além da parcela relativa à acionista QUALCOMM Incorporated, no valor de R$ 102.556,72, resultando no imposto de R$ 15.383,52 a ser recolhido no código 9453. Visando à comprovação de suas alegações, a Recorrente apresentou cópias de planilhas de cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio JCP (fls. 208/229), DARF recolhido (fl. 209), DCOMP entregue (fls. 210/215), DCTF retificadora (fls. 216/217), DCTF original (fl. 218), registros contábeis (fls. 219/221) e recibos do pagamento de JCP (fls. 222/224). Não desconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo, como no presente caso. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Mediante cotejo entre as informações apresentadas, é possível concluir que os valores que constam da DCTF retificadora possuem suporte nos registros contábeis exibidos e, portanto, a Contribuinte tem um direito creditório no valor de R$ 27.834,58, relativo ao pagamento indevido a título de IRRF incidente sobre Juros sobre o Capital Próprio (JCP), referente ao 3º trimestre de 2003. Pelo Livro Razão apresentado (fl. 220) e pela planilha de fl. 208, verificase que a base de cálculo do imposto (Código 5706) deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04, resultando no imposto devido de R$ 87.172,50 (aplicada a alíquota de 15%), o qual deveria ter sido recolhido no código 5706, valor este declarado na DCTF retificadora (fl. 216). Como o valor recolhido foi de R$ 115.007,08 de valor principal, conforme DARF de fl. 209, a Contribuinte faz jus a um direito creditório original de R$ 27.834,58, referente ao Código 5706, conforme informado na DCOMP (fl. 212). Dessa forma, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10166.900780/200816 Acórdão n.º 2202003.747 S2C2T2 Fl. 259 5 Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721438/2012-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornou-se devida a estimativa.
Numero da decisão: 9101-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornouse devida a estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 38 /2 01 2- 24 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 667 2 Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório LEVYCAM CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES LTDA recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 410/421, contra o Acórdão nº 1301 001.787 (efls. 337/367), que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à tributação do ganho de capital e, por voto de qualidade, manteve a multa isolada. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. JUNTADA POSTERIOR DE PÁGINAS FALTANTES DO TVF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O registro, contido nos autos do processo, da providência de juntada ulterior de páginas faltantes do Termo de Verificação Fiscal TVF, do qual, inclusive, teve a contribuinte integral conhecimento quando da intimação original, não impõe a necessidade de sua intimação específica e nem tampouco qualquer nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA CONTRIBUINTE. REALIZAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA PARA A REDUÇÃO DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO BACEN. REJEIÇÃO. Sendo a contribuinte empresa integrante do universo de entidades submetidas ao controle próprio e específico do Banco Central, somente após a sua expressa autorização nos termos do Art. 11 da Lei 4.728/65 , é que pode ter plena eficácia a decisão firmada em Assembléia Geral Extraordinária a respeito da pretendida redução de capital. Considerando que a referida autorização somente foi materializada após a efetivação do processo de "incorporação de ações", inafastável se verifica a legitimidade da contribuinte para responder por seus eventuais efeitos tributários, sendo, assim, rejeitada a preliminar de ilegitimidade destacada PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido efetivada a operação de incorporação de ações no dia 08/05/2008, inexiste qualquer possibilidade de configuração de decadência na espécie, tendo em vista que o auto de infração fora lavrado em 22/02/2013. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 668 3 Sujeitase à incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a título de ganho de capital, a diferença entre o valor das ações incorporadas ao capital de outra sociedade e o montante representativo das novas ações recebidas em virtude de tal incorporação. Irrelevantes, no caso, a ausência de fluxo financeiro e de manifestação de vontade do titular das ações alienadas. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. CONFISCO E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADES. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO no que diz respeito à tributação do ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e Valmir Sandri. E, pelo voto de qualidade, mantida a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães relativo ao ganho de capital e à multa isolada. Irresignada com o acórdão supra, a Recorrente apresentou Embargos de Declaração (efls. 379/392), os quais foram rejeitados, por meio do despacho de efls. 399/404. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à (i) legitimidade passiva e decadência; (ii) possibilidade de ocorrência de ganho de capital na incorporação de ações; (iii) exigência de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. Por meio do despacho de exame de admissibilidade de efls. 636/642, foi dado seguimento ao recurso especial exclusivamente quanto à matéria da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Em relação às demais matérias, a recorrente não conseguiu demonstrar divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados. Este julgamento limitase, portanto, a análise do recurso especial apresentado contra a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. A Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 669 4 referida multa advém do fato de a contribuinte ter deixado de considerar o ganho de capital obtido na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa em maio de 2008, o que resultou na falta de recolhimento de estimativas para o período. Com relação à matéria admitida, transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 9101001.771): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido entendeu que deve ser mantida a multa isolada à razão de 50% concomitantemente com a multa de ofício, por se tratarem de penalidades de naturezas diferentes. No entanto, o acórdão paradigma "entendeu pela impossibilidade de incidência de ambas as penalidades concomitantemente", sendo "evidente a divergência entre as posições". Ao final, pede que o recurso especial seja admitido e provido para que "seja afastada a multa isolada, já que a sua aplicação não pode ser concomitante com a multa de ofício lavrada". Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 650/661). Defende a Procuradoria a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, alegando, em síntese, que é cabível a cumulação das multas exigidas no anocalendário de 2008, pois as infrações apenadas por cada uma delas são diferentes. Enquanto a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte, a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Assim, o Contribuinte deve pagar tanto a multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, como a multa então disposta no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, pois não se verifica, no presente caso, hipótese que dispense qualquer das exigências. Ainda com a finalidade de demonstrar que as multas sob análise são "inteiramente diversas", argumenta que não incidem sobre a mesma base de cálculo. A multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte, já a multa isolada incide sobre o valor do pagamento mensal. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 670 5 Além disso, a Procuradoria destaca que eventual criação de nova hipótese de dispensa de multa isolada, qual seja, "a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo", decorreria de um juízo de equidade do aplicador da lei. Como não existe norma que permite a dispensa da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 por considerações de equidade, "eventual cancelamento da multa isolada causará evidente violação ao art. 172 do CTN". Ao final, a Fazenda Nacional requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. A contribuinte deixou de incluir o ganho de capital obtido na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa em maio de 2008, resultando no recolhimento a menor de estimativas de IRPJ e de CSLL para o período. Em razão disso, foi exigida multa isolada de 50% sobre os respectivos valores, prevista nos arts. 43 e 44, II, "b", da Lei n° 9.430, de 1996. A decisão recorrida, diante do questionamento da contribuinte, manteve a exigência da multa isolada, afastando a argumentação de que a multa isolada não pode ser exigida após o encerramento do ano em que era devida a estimativa, assim como não pode ser exigida em concomitância com a multa de ofício proporcional, entendendo ser possível a aplicação das duas penalidades em razão de estarem associadas a duas sanções distintas e autônomas. A contribuinte, agora em sede de recurso especial, volta a afirmar a impossibilidade de a multa isolada ser exigida após o encerramento do ano em que era devida a estimativa. A Fazenda Nacional refutou a argumentação da contribuinte, em sede de contrarrazões, reafirmando o entendimento adotado no acórdão recorrido, pelo qual o recolhimento a menor de estimativa é violação de uma obrigação acessória, sendo infração distinta e autônoma daquela praticada quando se recolhe a menor o imposto devido no final do ano (obrigação principal). Pela lógica do argumento levantado pela recorrente, o dever de antecipar deixaria de existir quando o tributo passa a ser exigível ao final do anocalendário, condição em que seria devido o próprio tributo, acrescido da multa de ofício pelo não recolhimento do ajuste anual. Pela mesma lógica, a falta de recolhimento de estimativas não seria punível porque, se ao final do período nada foi apurado como devido, ou ainda, caso tenha sido experimentado prejuízo fiscal ou saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, não haveria mais que se falar em dever de antecipar algo que não existe e, assim, não haveria conduta a ser punida. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 671 6 Contudo, evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Observo, por pertinente, que tal previsão já constava da redação original da lei. Nestes termos, a lei afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada1. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do anocalendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação. Neste sentido é o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa acerta da questão2: Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores 1 Lei nº 8.981, de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [...] V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 Acórdão nº 110100.434, integrado por voto vencedor do Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho afastando a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício antes da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 672 7 estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: (*) negritei Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento3. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. O recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. O mesmo prejuízo ocorre se o contribuinte deixa de recolher as antecipações e apura saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, ao final do período de apuração. Veja que o legislador não fez distinção alguma a tal respeito. Por todas as razões expostas, entendo que a multa isolada lançada nestes autos deve subsistir. 3 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 673 8 Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 674DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001898/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2006
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O julgador de 1ª instância rejeitou a alegação do contribuinte, porque entendeu que o mesmo não efetuara antecipação do pagamento referente, especificamente, às contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de estagiários, objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO STRICTO SENSU. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE.
Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego stricto sensu .
Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O julgador de 1ª instância rejeitou a alegação do contribuinte, porque entendeu que o mesmo não efetuara antecipação do pagamento referente, especificamente, às contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de estagiários, objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 98 /2 00 8- 56 Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 678 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração assim discriminado, conforme descrito no Relatório elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, fl. 264 e seguintes: Debcad nº 37.174.8810, no montante de R$ 19.567.805,61 (dezenove milhões, quinhentos e sessenta e sete mil e oitocentos e cinco reais e sessenta e um centavos), consolidado em 18/12/2008, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II, e parágrafo 1° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente, e, assim, considerados como segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas em época própria, relativas a competências de 12/2002 a 08/2006. Cabe observar que BANCO SANTANDER S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) é a atual denominação social de BANCO SANTANDER BANESPA S.A., anteriormente denominado de BANCO SANTANDER MERIDIONAL S.A., sucessor, por incorporação, do BANCO SANTANDER BRASIL S.A. (CNPJ 61.472.676/000172), do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A. — BANESPA (CNPJ 61.411.633/000187), e do BANCO SANTANDER S.A. (CNPJ 33.517.640/000122). Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 679 3 O Relatório Fiscal, de fls. 33 e ss., informa que os valores lançados neste AI se referem ao contribuinte Banco Santander Brasil S/A (CNPJ 61.472.676/000172), que foi incorporado pelo contribuinte acima, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006. O contribuinte foi cientificado dos Autos de Infração em 19/12/2008 (fl. 02). Para delinear a construção do lançamento, mencionamos e transcrevemos a seguir partes do Relatório Fiscal: 1. Em auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado foi solicitado documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários. Da documentação e esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vínculo empregatício. 2. O Contribuinte apresentou um CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola CIEE, CNPJ 61.600.839/000155 (datado de 25/02/2003), cujo objetivo é disponibilizar estagiários para o Contribuinte. No início diz que se trata de um Termo de Convênio que entre si celebram as partes, sendo consideradas Concedentes diversas empresas do Grupo Banco Santander Brasil S/A, CNPJ 61.472.676/000172, e de outra parte o CIEE, como Agente de Integração. 3. A Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977, que dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2° Grau e Supletivo foi modificada pela Medida Provisória n o 2.16441, de 4 de agosto de 2001. 4 Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 4.1 Está prevista na cláusula 5ª, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio, mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977. Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação; 4.2 Não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. Não foram apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados pelo Banco às Instituições de ensino, nos moldes por elas estabelecidos, previstos em diversos acordos; 4.3 Dentre os valores pagos a título de remuneração aos estagiários, dependendo de setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a um objetivo específico, qual seja, superação de metas pré estabelecidas. Situação totalmente contrária à prevista no termo de compromisso e não contemplada na legislação sobre o assunto; 4.4 Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 680 4 4.5 Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor(a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão. É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; 5. O valor originário do crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas a cargo do empregador. Contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de bolsa estágio e outras rubricas (anexo "SbraRemRub"), todas discriminadas, sem os requisitos da legislação específica; portanto, o contribuinte não considerou como sujeitas às contribuições para a Previdência Social. 6. Os valores objeto do presente levantamento constam em folhas de pagamento, como pagos aos estagiários, considerados nesta auditoria como empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. O período da presente auditoria foi de outubro de 2000 a dezembro de 2006 e, o período do crédito apurado, foi de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à primeira instância (fl. 173), anexando documentos. Alegou, em resumo, decadência parcial do crédito, até 11/2003, e defendeu a impossibilidade de descaracterização de seu programa de contratação de estagiários. O Acórdão 1621.658 (fl. 262), aqui recorrido, assim dispôs, em suma: 1 Decadência No caso em análise, verificase que o crédito constituise do levantamento ESB — FP ESTAGIARIO SANTANDER BRASIL, com a classificação "Não declarado em GFIP", para o qual não há antecipação de pagamento, tendo em vista que a Autuada (sucessora) e o BANCO SANTANDER BRASIL S.A. — CNPJ 61.472.676/000172 (sucedida) não promoveram o recolhimento das contribuições incidentes sobre o fato gerador "remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente", objeto do presente AI, entendendo que tal rubrica não integra o salário de contribuição. Desta forma, temse que, ao contrário do que entende a impugnante, não se aplica ao presente caso o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, mas sim o disposto no artigo 173, inciso I deste mesmo diploma legal. E, ao se aplicar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN ao presente AI, se constata que não há qualquer competência fulminada pela decadência. 2 Dos estagiários A legislação previdenciária isenta os valores percebidos pelos estagiários quando obedecidas as exigências previstas na Lei n.° 6.494/77. A apresentação de Termos de Compromisso de Estágio celebrados com os estudantes não constitui prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Não procede a alegação da impugnante no sentido de que não caberia a ela a guarda e a apresentação da documentação solicitada pela fiscalização. Não tendo sido demonstrado o cumprimento de todos os requisitos da Lei n.° 6.494/77 — a autuada, embora defenda o seu procedimento, não demonstrou durante a auditoria fiscal e nem por ocasião da impugnação do presente lançamento, a regularidade da contratação dos estudantes na forma disciplinada pela legislação específica — temse que foi correto o procedimento da fiscalização no sentido de considerar os estagiários como segurados empregados da empresa concedente, fazendo incidir sobre sua remuneração as contribuições aqui lançadas, sendo procedente o AI, não havendo que se falar em seu cancelamento. Assim, reputouse procedente o lançamento, mantendo o crédito exigido. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 681 5 Cientificado dessa decisão em 17/07/2009, conforme Aviso de Recebimento na fl. 281, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/08/2009, com protocolo na fl. 286. Em sede de recurso, argumenta, em síntese: a) decadência parcial da exigência fiscal até a competência 11/2003, inclusive; b) em relação aos estagiários, repete os argumentos da impugnação, em suma que uma vez que a Recorrente apresentou os contratos firmados com os estagiários, inclusive, todos com interveniência do Centro de Integração Empresa Escola — CIEE, conforme reconhecido pela própria D. Autoridade Administrativa no Relatório Fiscal que acompanha o auto de infração, temse que a Recorrente cumpriu o requisito necessário para a realização do estágio; Além disso, a Recorrente cumpriu os demais requisitos formais e materiais indicados na Lei n.° 6.494/77, pois, além dos Termos de Compromisso firmados, todos os estagiários indicados no auto de infração freqüentam cursos de educação superior; a Recorrente possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha de formação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos; todas as informações e relatórios acerca dos estagiários foram devidamente encaminhados às Instituições de Ensino e/ou ao Centro de Integração EmpresaEscola — CIEE; não há que se falar em ausência de planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio, eis que restou comprovado que tais informações são regularmente encaminhadas à Instituição de Ensino; caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições estabelecidas pela lei e pelas instituições de ensino, as mesmas já teriam se pronunciado haja vista serem as responsáveis pelos estágios, consoante inteligência do artigo 2°, do Decreto n.° 87.497/82. PEDE que o presente recurso seja conhecido e provido para decretar a decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento dos meses de dezembro de 2002 a novembro de 2003; bem como para reconhecer a não existência de vínculo empregatício entre a Recorrente e os estagiários regularmente contratados. Posteriormente, o Recorrente manifestouse ainda trazendo comprovantes de pagamento de contribuições previdenciárias entre 12/2002 (fl. 444/446) e 01/2003 a 13/2003 (fl. 473 a 502). Disse ainda que outros lançamentos, decorrentes do mesmo MPF (fiscalização), tratando do mesmo assunto no mesmo período, haviam sido analisados neste CARF, sendo dado provimento a seu recurso (fl. 464/465). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de olhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 682 6 DECADÊNCIA Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 11/2003. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 19/12/2008. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a contratação de estagiários, rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do Código. Transcrevo da fl. 272, Voto do Acórdão de Impugnação: No caso em análise, de acordo com o DAD — Discriminativo Analítico de Débito, verificase que o crédito constituise do levantamento ESB — FP ESTAGIARIO SANTANDER BRASIL, com a classificação "Não declarado em GFIP", para o qual não há antecipação de pagamento, tendo em vista que a Autuada (sucessora) e o BANCO SANTANDER BRASIL S.A. — CNPJ 61.472.676/000172 (sucedida) não promoveram o recolhimento das contribuições incidentes sobre o fato gerador "remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente", objeto do presente AI, entendendo que tal rubrica não integra o salário de contribuição. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (destaquei) O contribuinte apresentou GPS relativas aos períodos de 12/2002 a 13/2003, conforme relatado (12/2002 (fl. 444/446) e 01/2003 a 13/2003 (fl. 473 a 502)), aludindoas especificamente em suas manifestações. Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e considerando a antecipação de pagamentos de contribuições previdenciárias, ainda que não especificamente sobre a remuneração de estagiários, mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 11/2003, inclusive. MÉRITO I ESTAGIÁRIOS Um documento básico a ser analisado é o convênio firmado entre o contribuinte e o CIEE, cuja cópia está acostada nas folhas 91 e seguintes. Além do contribuinte aqui sucedido, o Banco Santander Brasil S/A (CNPJ 61.472.676/000172), participaram do Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 683 7 mesmo termo de convênio outras instituições, como o BANCO do ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA CNPJ/MF.: 61.411.633/0001787. Este Conselho já tratou da questão, no Acórdão 2403002152, Sessão de 17 de julho de 2013, processo 16327.001895/200812, onde o contribuinte era o mesmo Banco Santander S/A, porém lá como sucessor do Banco do Estado de São Paulo BANESPA, acima citado. No Voto, o Conselheiro relator Ivacir Júlio de Souza, assim dispôs, em resumo: 1 Anuindo o Relatório Fiscal na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador entendeu que não estavam presentes os requisitos materiais e formais exigíveis na lei de regência n.° 6.494, de 07/12/1977. 2 Dado que consta de reiteradas intimações a apresentação dos documentos constantes na cláusula 2 do sobredito convênio, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da Recorrente. As obrigações da Recorrente no referido Convênio estão elencadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo, pois adimplidas. 3 Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. No item 3.2.2 o CIEE está como interveniente em todos os contratos assinados entre as partes, a Autoridade autuante afirmou que existiram pontos em desacordo com a legislação. O sujeito passivo é uma instituição financeira, entretanto, mesmo sublinhando que seria obrigação da Instituição de ensino, o Auditor Fiscal baseou a autuação no Art. 9° , “h” do Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. 4 Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que constataramse produzidos os, também, exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhados dos respectivos relatórios. Observa este Relator, a seu turno, que nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a Autoridade Fiscal fez constar a seguinte observação: Toda documentação solicitada, a qualquer momento, aplicase a todas as empresas incorporadas no período, quando não nomeada na solicitação. Prosseguindo, na análise constante do Acórdão 2403002152: 5 A ação fiscal teve início em 18/10/2007 e encerramento em 19/12/2008. No curso da referida ação, dispondo sobre o estágio de estudantes, a Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008 alterou a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revogou as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001. Na nova Lei, o legislador reiterou de forma mais objetiva os aspectos que suscitaram a motivação do lançamento em comento, realçando que o que se pretende com o estágio é fazer com que o educando desenvolva competência próprias da atividade profissional. Desse modo, entendeuse que efetuar os Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 684 8 trabalhos típicos dos empregados da empresa concedente não se caracteriza desvio do aprendizado. 6 Ressaltando quais são as obrigações das instituições de ensino, o sobredito destaque do inciso IV do caput do art. 7° revela que o relatório das atividades exigido na ação fiscal é exigência que se faz ao educando com a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, verbis: Art. 7o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I – celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II – avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; III – indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV – exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades; 7 Não obstante tudo que foi exposto, transcreveuse parte do Relatório fiscal onde a Autoridade autuante registra que todos os estagiários executam sua tarefas ao abrigo do Termo de compromisso o qual tem sido equivocadamente tratado como contrato de estágio : “...os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados ...” 8 Cumpre ressaltar que o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamentou a exortada Lei n° 6.494/77 e no art. 4° do referido diploma fica definido que cabe às instituições de ensino e não as empresa que concedem os estágios regularem entre outras questões a sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular, fatos geradores que como destacado alhures motivaram o auto em comento. 10 Aduz que o art. 6º do mesmo sobredito diploma define que a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. Caracterizando como Termo de compromisso, afastando assim hipótese de relação trabalhista, o legislador evitou denominar de contrato o pacto entre as partes e no § 1º do art. supra acentua que o Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. 11 Desse modo, entendeuse que as exigências legais previstas na lei n° 6.494/77, regulamentadas pelo Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982 foram todas cumpridas pela Recorrente. A exigência fiscal ora em apreço é da responsabilidade das Instituições de ensino, como acima se verificou. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 685 9 12 Foi citado o entendimento do TST, 3ª Turma: Acórdão do processo Nº RR 46643337.1998.5.09.5555, 21/10/1998 Estágio relação de emprego. Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termo de compromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988.” Para destacar que: Sobre o voto supra, destacando que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE, ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício. Novamente a seu turno, observa este Relator que ao analisar o caso com o Banespa Banco do Estado de São Paulo, sociedade anônima, o Conselheiro relator do voto que aqui se toma como paradigma usou ainda o argumento da necessidade de ingresso na sociedade de economia mista do Estado se dar por concurso público, conforme previsto na CF/88. Aqui, o Banco sucedido não tinha o capital majoritariamente pertencente ao Estado e tais argumentos, especificamente, não se aplicam. Prosseguindo nas razões daquele voto: 13 A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Tudo isto posto, entendeuse que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, à época dos fatos, disciplinada pela Lei nº 6.494/77 revogada pela Lei n° 11.788/2008. Portanto, eventuais hipóteses de irregularidades na execução do estágio, deveriam ser resolvidas entre o estagiário, as instituições de ensino e o agente interveniente, o CIEE. 14 A Autoridade autuante, afirmando ser de interesse, registrou nos item 8.1.2 e 8.1.3 manifestações classistas que não motivam o auto quer pela evidente politização da questão, quer por serem supervenientes aos fatos geradores, como o caso do congresso do ano de 2008. 15 Concluiu então aquele Relator que: Por experiência própria vivenciada em dois momentos em empresas diferentes, durante minha formação, no terceiro grau , eu mesmo fazia questão ainda que na condição de estagiário, de aprender e realizar o máximo possível das tarefas realizadas pelos empregados, de preferência as mais complexas pois do Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 2202003.727 S2C2T2 Fl. 686 10 contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade. Tudo isto sopesado, compulsado os autos, não alcancei desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino que ensejasse caracterizar relação de emprego “ stricto sensu ”. Quanto à questão de que “alguns estagiários” em alguns setores da instituição financeira teriam recebido gratificações ou bônus, entendo que tal argumento foi utilizado pelo Auditor Fiscal no meio de um conjunto de outros, que procurou levantar, para defender a descaracterização do estágio. Entretanto, já tendo aqui tratado dos outros aspectos, tal argumento, sozinho, não seria suficiente para manter a autuação. Primeiro porque diz que “alguns receberam” esses valores e exigiuse a contribuição relativamente à remuneração de todos os estagiários, tenham ou não se verificado esses prêmios. Segundo porque, conforme narrado, quando receberam não foi devido a metas individuais de desempenho, mas porque o setor onde estavam estagiando havia atingido as metas. Essa política de inserir o estagiário no ambiente organizacional, inclusive atribuindolhe tarefas e, no caso, prêmios comuns na atividade, coadunase com que o educando desenvolva competências próprias da atividade profissional. Diz a Lei nº 11.788, de 2008, que “Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos... O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional...”. Trazendo a esta lide os argumentos acima expostos, os quais se amoldam perfeitamente, entendo, em suma, que foram realizados os termos devidos, com interveniência do CIEE e das instituições de ensino (fl. 98 e ss.) e concluo da mesma forma que foi feito no Acórdão 2403002152, aqui repetidamente citado. CONCLUSÃO. Em conclusão, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2003, inclusive e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 686DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929138/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 38 /2 00 9- 11 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11080.929138/200911 Acórdão n.º 9303004.515 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.960, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11080.929138/200911 Acórdão n.º 9303004.515 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11080.929138/200911 Acórdão n.º 9303004.515 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11080.929138/200911 Acórdão n.º 9303004.515 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11080.929138/200911 Acórdão n.º 9303004.515 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011329/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.073
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme Portaria CARF nº 1, de 2012.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Cuidase de lançamento para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF – suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 39.960,85, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 96.509,44. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Resolução n.º 2201000.073 S2C2T1 Fl. 2 2 A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. ?Tratase de rendimentos recebidos em decorrência de ação ordinária movida pelo Contribuinte contra o Estado do Paraná. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a União não seria parte legítima para exigir o imposto, que seria da responsabilidade do estado. Supletivamente, pede a exclusão de multa e juros. A DRJCURITIBA/PR julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que os rendimentos recebidos pela Contribuinte são verbas trabalhistas e como tais tributáveis e que a União é a titular da competência para exigir o Imposto de Renda e de que, constatada a omissão de rendimentos, é devida a exigência do imposto correspondente com multa e juros de mora. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/02/2011 (fls. 92) e, em 17/03/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 93/102 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Voto Compulsando os autos verificase que os rendimentos objeto da autuação foram recebidos de forma acumulada em decorrência de decisão judicial. Os documentos de fls. 60/65, peças da ação ordinária referida que trazem os cálculos dos valores pagos á ora Recorrente, claramente demonstram que os valores recebidos por ela em 2002, acumuladamente, referemse a diferenças de remuneração que lhe eram devidas no período de 05/1985 a 04/1995. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal STF acolheu como sendo de repercussão geral matéria que versa sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em períodos diversos daquele de sua competência, conforme leading case RE 614.406, que tem a seguinte descrição extraída do sítio do STF: Recurso extraordinário interposto pela alínea b do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em que se discute a constitucionalidade, ou não, do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, que trata da incidência do imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, tendo em conta a declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo, por Tribunal Regional Federal, após o pronunciamento do Plenário Virtual no sentido da inexistência da repercussão geral da matéria — efetuado no RE 592211/RJ (publicado no DJe de 21.11.2008) — e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, à unidade do ordenamento jurídico, à uniformidade da tributação federal e à isonomia tributária (artigo 543A, § 5º, do Código de Processo Civil). [] E, como se sabe, o Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, determinou o sobrestamento do julgamento dos processos enquanto o STF não decidir as matérias acolhidas como de repercussão geral, conforme art. 62, a seguir reproduzido: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Resolução n.º 2201000.073 S2C2T1 Fl. 3 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.”. Resta configurada, pois, a situação definida na Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, que expediu orientações sobre o sobrestamento dos julgamentos com amparo no art. 62A do Regimento Interno. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto o sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até decisão do STF. Assinatura Digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 117DF CARF MF
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