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Numero do processo: 16696.720410/2016-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, a critério da autoridade lançadora.
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
Numero da decisão: 2002-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Recorrente PAULO CESAR RIOS DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 6. 72 04 10 /2 01 6- 03 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 75 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 76 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de: dependentes, despesas médicas e pensão judicial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.4/32), indicando a juntada de documentação comprobatória dos valores declarados. Na sua defesa, o sujeito passivo concorda com a glosa de dependente e contesta as demais glosas integralmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) deu parcial provimento à impugnação (fls. 49/54), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte não se manifesta expressamente. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. Na falta da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas informadas, é de se manter a glosa nos exatos termos em que efetuada. ALIMENTANDO. DEPENDENTE. Os alimentandos não podem ser considerados dependentes para o fim de apuração do imposto de renda. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda, somente é cabível se comprovado o efetivo pagamento. Cientificado dessa decisão em 9/5/2017 (fl.59), o contribuinte formalizou, em 31/5/2017 (fl.61), Recurso Voluntário (fls. 61/71), no qual apresenta as seguintes alegações: argumenta que as despesas médicas foram anteriormente comprovadas, sendo incabível a utilização do termo indevidas para as mesmas. em relação a Célia Gonçalves de Oliveira, os gastos totalizaram R$13.000,00 e estão descritos no documento emitido pela profissional. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 77 4 a despesa com Fábio Marques Pitman, de R$800,00, foi comprovada mediante recibo. a despesa efetuada com o Centro de Odontologia e Radiologia Oral Cabral e Oliveira e Ltda, de R$50,00, também foi comprovada por meio da apresentação de recibo. em relação à pensão paga a Arlinda Celeste Alves da Silveira, indica a juntada de recibo emitido pela beneficiária. aduz que todas as informações anteriores podem ser apuradas, averiguadas e confrontadas junto às fontes pagadoras, nos recibos e nas declarações. requer que seu recurso seja acolhido, com consequente cancelamento do débito exigido. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 78 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Despesas Médicas Sobre dedução de despesas médicas, dispõe a Lei nº 9.250, de 1995, em seu artigo 8º, inciso II, alínea "a" e §2º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: ... II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; .... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro Fl. 78DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 79 6 de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Por seu turno, o artigo 73 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda, dispõe que “ todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Em sede de impugnação, o sujeito passivo juntou os recibos emitidos por Célia Gonçalves de Oliveira, Fabio Marques Pitman e Centro de Odontologia e Radiologia Oral Cabral e Oliveira Ltda. À vista dos documentos juntados, a DRJ/CTA decidiu: 13. O impugnante juntou, às fls. 26 a 32, uma série de recibos de despesas médicas, mas não comprovou que arcou com o efetivo pagamento, aliás, como já exigido pela autoridade fiscal. Neste aspecto, nada acresceu à impugnação. 14. É cediço que o procedimento administrativo fiscal é em tudo semelhante a um ato administrativo, havendo até alguns autores de renome nacional que chegam a denominálo de ato administrativo simples, como Paulo de Barros Carvalho, in verbis: Paulo de Barros Carvalho1 define lançamento como “o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples2, modificativos ou assecuratórios e vinculados3 mediante o qual se declara o acontecimento do fato jurídico tributário, se identifica o sujeito passivo da obrigação correspondente, se determina a base de cálculo e a alíquota aplicável, formalizando o crédito e estipulando os termos de sua exigibilidade”. Posteriormente, tratarseá, novamente, desta definição. 15. A doutrina denomina como atributos do ato administrativo as diferenças entre este e o ato jurídico civil. Um desses atributos, relevante para o caso posto, é a presunção de veracidade, que significa a inversão do ônus probatório da Administração Pública para o administrado. 16. Assim, ao constituir o crédito tributário vergastado, por meio do ato formal desenhado por lei, respeitando a plenitude de defesa, a autoridade fiscal emantouo com os atributos da veracidade e da legitimidade, cabendo ao afetado implantar nos autos uma prova enraizada de forma robusta, capaz de suportar o peso da verdade inquestionável. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 80 7 17. Logo, em face da ausência da prova exigida pela autoridade fiscal, só nos resta confirmar a autuação e declarar a improcedência da impugnação quanto às despesas médicas. Em seu recurso, o contribuinte indica a juntada dos mesmos elementos de prova, quais sejam, os recibos emitidos pelos profissionais. A autuação aponta que, no curso da ação fiscal, o contribuinte fora intimado a comprovar o efetivo pagamento dessas despesas (fl.11). A teor da legislação reproduzida, é prerrogativa da autoridade lançadora decidir se cabe ou não exigir a comprovação de uma dedução pleiteada e, se esta, no caso em tela, considerou que a dedução de despesas médicas constitui fato passível de comprovação, não pode o contribuinte eximirse de apresentála. Assim, a apresentação de recibos de pagamento têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da prática da infração. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares. No caso, não tendo o contribuinte logrado comprovar o efetivo pagamento dessas despesas, como exigido pela autoridade fiscal, não há reparos a se fazer à decisão de piso, mantendo suas glosas. Nesse sentido, já decidiram a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) Segue ementa de julgado do CARF nesse mesmo sentido: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 81 8 Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Pensão Judicial O contribuinte informou o pagamento de pensão no montante de R$25.647,17. Na impugnação, em relação a beneficiária Patricia Angela Cassia, juntou comprovantes de rendimentos de fls. 15/18 e sentença proferida em ação de alimentos (fls.19/22). Em relação a beneficiária Arlinda Celeste, juntou a petição inicial da separação consensual do casal (fls.23/25). A DRJ/CTA restabeleceu parcialmente a dedução, consignando: 12. Quanto à pensão judicial, a motivação fiscal foi a não comprovação do efetivo pagamento. Dos documentos acostados às fls. 15 a 18, depreendese que o Impugnante teve descontado de seus vencimentos a importância de R$ 19.887,28, devendo, assim, a glosa ser reduzida para R$ 5.759,89. Agora, em seu recurso, o contribuinte alega ter efetuado os pagamentos a Arlinda em espécie, não juntando qualquer comprovação de pagamento. As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que à época da lavratura do lançamento dispunha no tocante à dedução de pensão alimentícia: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 82 9 § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Repisese que o art 73 do RIR exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. No caso, como consignado na decisão de primeira instância, o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento do valor declarado. Em seu recurso, junta o recibo de fl. 67, emitido por Arlinda Celeste Alves da Silveira. Primeiro ponto a ser observado é que, da leitura da petição inicial da separação (fls.23/25), constatase que o cônjuge mulher abriu mão do recebimento da pensão, tendo sido acertado o pensionamento para os filhos, à época, menores. No anocalendário 2012, ora em exame, os filhos contavam com 33 e 28 anos. Assim, se de fato persiste a obrigação judicial, caberia aos filhos maiores darem a quitação dos valores e não o excônjuge. E, ainda que assim não fosse, tal qual nas despesas médicas, o recibo ora juntado não se revela hábil a comprovar o efetivo pagamento da despesa. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade (artigo 408 do Código de Processo Civil e artigos 219 e 221 do Código Civil). Como destacado na legislação transcrita, a dedução da pensão alimentícia judicial na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação, havendo referência expressa a “importâncias pagas”. Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº98, que deve ser observada por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 16696.720410/201603 Acórdão n.º 2002000.041 S2C0T2 Fl. 83 10 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Dessa forma, não tendo o sujeito passivo logrado comprovar o efetivo pagamento dessa pensão, não há reparos a se fazer a decisão de piso. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.732725/2015-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual.
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DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente PAULO HENRIQUE SALVADOR BRAGATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 27 25 /2 01 5- 90 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 82 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de deduções indevidas com dependentes e de despesas médicas e com instrução , previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/31), alegando, em síntese, que faz jus a deduzir os valores declarados e indicando a juntada de documentação comprobatória de todos os valores declarados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 56/66), mantendo integralmente a glosa da previdência privada e Fapi e parcialmente a das despesas médicas, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Apenas a contribuição previdenciária privada comprovadamente paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. Quando comprovada a relação de dependência, deve ser cancelada a glosa correspondente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é dedutível da base de cálculo do imposto de renda devido a despesa médica comprovada, relativa ao contribuinte e seus dependentes. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, para o titular e dependentes, observados os comprovantes apresentados e o limite legal de dedução estabelecido para o anocalendário. Cientificado dessa decisão em 20/2/2017 (fl.70), o contribuinte formalizou, em 17/3/2017 (fl.73), Recurso Voluntário (fls. 73/78), no qual apresenta as seguintes alegações: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 83 3 não pode se conformar com a glosa da despesa com a previdência privada e FAPI, uma vez que, além de apresentar o documento comprobatório, o desconto se deu no limite de 12% permitido na legislação. reproduz trechos da autuação, de sua impugnação e da decisão de piso, ressaltando que a contribuição paga foi no valor de R$24.695,35 e o valor deduzido foi de R$21.792,49, em observância ao limite legal de 12% dos rendimentos tributáveis. aduz que o comprovante de rendimentos e a declaração de ajuste demonstram que as informações foram inseridas corretamente como sendo pagamentos efetuados pelo titular. alega que o comprovante e a sua DIRPF deixam claro que a despesa com o Fapi é só dele, não havendo nada relacionado a dependentes. reforça que a despesa com a Previdência Privada e Fapi é do titular Paulo Henrique Salvador Bragato, CPF 094.868.57865, ora recorrente. requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.79). É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 84 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O sujeito passivo recorre apenas quanto à glosa da previdência privada e Fapi. A DRJ manteve a glosa integral do valor declarado, consignando: Houve a glosa integral da dedução com Previdência Privada e Fapi informada por falta de comprovação, conforme solicitado no termo de intimação. Inconformado, assevera o interessado que faz jus à dedução, conforme documentos que anexa. Dispõe o artigo 74 do Regulamento do Imposto de Renda vigente, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999: “Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto poderão ser deduzidas (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V) I – as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II – as contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 85 5 imposto devido no anocalendário (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei n.º 9.250, de 1995, art.11). (grifos acrescidos) Concomitantemente, o art. 83 do mesmo diploma legal preconiza que: “Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): 5. de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente;” (grifos acrescidos) Já os arts. 06 e 07 da Instrução Normativa SRF nº 588/2005 condicionam a dedução da Previdência Privada a contribuições para a Previdência Oficial, excetuandose os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, a partir de 01 de janeiro de 2005, in verbis: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 86 6 determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos acrescidos) Dito isto, do exame dos documentos acostados aos autos, verificase que o interessado, não obstante ter apresentado o documento de fl. 28, não saneou a irregularidade apontada pela autoridade tributária na Notificação de Lançamento, na medida em que não apresentou comprovação de pagamento de contribuição à Previdência Privada e Fapi com discriminação dos valores pagos por beneficiário, conforme solicitado na intimação de fl. 55. Desta forma, mantémse a glosa. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o contribuinte defende que o comprovante de rendimentos é hábil e suficiente a fazer a prova exigida. No caso, verificase que, desde o início da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar documento comprobatório da contribuição à previdência privada com especificação do valor pago por beneficiário (fl.55). A decisão de piso julgou improcedente a impugnação nesse tocante justamente em função da ausência de demonstração do valor pago por beneficiário. Ainda que cientificado desses fatos, o contribuinte insiste que o comprovante de rendimentos é suficiente para respaldar seu direito à dedução. Como apontado na decisão de piso, o comprovante de rendimentos não se revela hábil a fazer a prova quanto aos beneficiários do plano de previdência. O documento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 87 7 comprova que o contribuinte sofreu o ônus da contribuição, descontada direto em folha de pagamento, mas não quem são os beneficiários. Essa exigência se justifica pelo fato da legislação de regência, reproduzida na decisão de piso, impor regras e limitações para a dedutibilidade dessas contribuições. Em consulta efetuada no sítio da instituição beneficiária do pagamento, verificase que a Infraprev administra, além de outros, planos voltados aos familiares dos participantes, como se demonstra abaixo (consulta efetuada em 9/3/2018): Planos de Benefícios O Infraprev administra o Plano de Contribuição Variável (Plano CV), com mais de 95% dos participantes, o Plano de Contribuição Definida (Plano PAI I), associativo, voltado aos familiares e dois planos de Benefício Definido (BDI e BDII) fechados ao ingresso de novos participantes. ... Sobre o Plano O Plano Associativo Infraprev I (PAI I), também conhecido como Plano Anei, tem o objetivo de acumular recursos financeiros para todos aqueles que são importantes para você cônjuges, filhos, netos, sobrinhos, primo, cunhado, nora, genro. Garante uma renda adicional que pode ser usada para aposentadoria ou para realizar um sonho de curto, médio ou longo prazo. O valor do benefício é o resultado da soma das contribuições mensais, acrescido do retorno dos investimentos do Infraprev. Para aderir ao plano, empregados da Infraero; participantes do Infraprev; aposentados e pensionistas devem estar associados à Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI) para indicar seus beneficiários. Veja como participar do Plano em Associese. (destaques acrescidos) Esclareçase que as normas que estabelecem deduções da base de cálculo do imposto de renda têm o efeito de excluir uma parcela do rendimento do contribuinte que, normalmente, seria tributada; conseqüentemente, constituem verdadeiras isenções tributárias. No direito tributário, e mais especificamente na legislação do imposto de renda, a regra é a da universalidade da tributação; assim, qualquer exclusão a esse princípio constitui norma excepcional, e dessa forma deve ser tratada. Assim, não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de comprovar que faz jus a deduzir o valor declarado, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18186.732725/201590 Acórdão n.º 2002000.050 S2C0T2 Fl. 88 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16696.720079/2014-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. PAIS.
Podem ser dependentes do contribuinte os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e possam ser documentalmente comprovados. Súmula CARF nº98.
Numero da decisão: 2002-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. PAIS. Podem ser dependentes do contribuinte os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e possam ser documentalmente comprovados. Súmula CARF nº98.
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DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Recorrente PAULO CESAR RIOS DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. PAIS. Podem ser dependentes do contribuinte os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e possam ser documentalmente comprovados. Súmula CARF nº98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 6. 72 00 79 /2 01 4- 51 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 105 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2012, ano calendário 2011, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de: dependentes, despesas médicas e com instrução, pensão judicial e contribuição à previdência privada e Fapi. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/64), indicando a juntada de documentação comprobatória dos valores declarados. Na sua defesa, o sujeito passivo contesta parcialmente a glosa das despesas com instrução e integralmente as demais deduções. A Autoridade lançadora efetuou a revisão do lançamento, emitindo o Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 72/75. Nessa decisão, a glosa da contribuição à previdência privada foi cancelada integralmente. As demais deduções foram restabelecidas parcialmente. Cientificado, o contribuinte não apresentou aditamento a sua impugnação. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 82/87), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, DESPESAS COM INSTRUÇÃO R$421,63 Considerase não impugnada a matéria na qual não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Só podem ser deduzidos para fins de imposto de renda os valores de pensão alimentícia, embasada nas normas do Direito de Família e determinados por decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública devidamente comprovados. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO. DEPENDENTES. Somente podem ser aceitas as deduções comprovadas por meio documentação hábil e idônea que estejam em conformidade com as regras contidas na legislação de regência Cientificado dessa decisão em 9/2/2017 (fl.91), o contribuinte formalizou, em 8/3/2017 (fl.93), seu Recurso Voluntário (fls. 93/102), no qual apresenta as seguintes alegações: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 107 4 com relação a Unimed Volta Redonda, da dependente Alessandra de Asevedo, as despesas pagas por ele somam R$2.305,33. Acrescenta que as despesas próprias e da filha Luasmyn somam R$2.681,53, e não R$2.456,28, como apontado pela Autoridade Fiscal. em relação ao pai, José Mariano da Silveira, informa que é seu dependente de longa data, no plano de saúde, de aluguel residencial, de medicamentos, além de outros itens relevantes. Afirma que o pai é beneficiário de uma aposentadoria por tempo de contribuição e de uma pensão por morte, tendo auferido o total de R$14.170,00, e não R$28.230,00, como apontado na decisão combatida. em relação à pensão, informa que até 2002 efetuava os pagamentos a Arlinda Celeste Alves da Silveira por depósito em conta bancária. Posteriormente, pela beneficiária não dispor mais de conta bancária, passou a efetuar os pagamentos em dinheiro. aduz que, ao cruzar as informações relacionadas aos fatos enumerados, será facilmente constatada a veracidade de seu relato. requer que seu recurso seja acolhido, com consequente cancelamento do débito exigido. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fls.74 e 89). É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 108 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Dependente Em seu recurso, o sujeito passivo requer o restabelecimento de seu pai como dependente. Em sua defesa, junta o comprovante de rendimento de fl.99. O contribuinte informa que o pai é beneficiário de dois rendimentos: aposentadoria por tempo de serviço e pensão por morte. Entretanto, em seu recurso, anexou somente o comprovante da pensão por morte, o qual aponta rendimento de R$14.115,00. Constam dos autos, às fls. 67 e 68, os dois comprovantes de rendimentos do senhor José Mariano da Silveira, demonstrando que ele é beneficiário de dois benefícios distintos, sendo cada um de R$14.115,00, perfazendo o montante de R$28.230,00 no ano calendário 2011. A dedução pleiteada enquadrase no disposto no art. 35, inciso III, inciso VI, da Lei nº 9.250/95, que dispõe: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: ... VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; (destaques acrescidos) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 109 6 Para o anocalendário 2011, o limite de isenção é R$18.799,32 (R$1.566,61 mensal). Como o pai auferiu rendimentos acima do limite de isenção, ele não pode figurar como dependente do contribuinte nesse anocalendário, não havendo reparos a se fazer à decisão de piso. Despesas Médicas No tocante às despesas médicas, o recurso do sujeito passivo recai sobre os pagamentos efetuados a Unimed. Com base na Dmed (fls.69/71), a autoridade fiscal acatou despesas no montante de R$2.456,28, referentes ao contribuinte e a Luasmyn, e R$2.305,33, de Alessandra de Asevedo. Esclareceu ainda que o documento apresentado pelo contribuinte à fl. 26 não permitia verificar a que período se referia. Segue trecho da decisão nesse tocante: No que se refere às despesas com o plano de saúde UNIMED DE VOLTA REDONDA, vale ressaltar que o documento apresentado pelo contribuinte e que informa os valores discriminados por beneficiários (titular e dependentes) não identifica a qual período tais despesas se referem. Por meio de consulta a Dmed, foi possível verificar que o valor das despesas com o titular e com o único beneficiário considerado dependente na declaração (LUASMYN ASEVEDO RIOS DA SILVEIRA) corresponde ao montante de R$ 2.456,28. Foi também possível verificar, por meio de Dmed, que ALESSANDRA DE ASEVEDO é titular do referido plano de saúde e que pagou despesas do montante de R$ 2.305,33. Assim, MANTENHO A GLOSA do valor remanescente de R$ 2.950,44, referente a essa parcela da dedução. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o sujeito passivo faz alusão às despesas declaradas com Unimed, de R$2.305,33 para Alessandra, e de R$2.681,53, para ele próprio e Luasmyn. Em relação à beneficiária Alessandra, não há litígio, uma vez que o valor pleiteado pelo contribuinte já foi acatado pela autoridade fiscal. No tocante às despesas próprias e de Luasmyn, a Autoridade Fiscal acatou o montante de R$2.456,28, com base na Dmed (fls.69/70) e o contribuinte defende que faz jus a deduzir R$2.681,53, juntando documento de fl.101. Ocorre que o documento apresentado pelo contribuinte em seu recurso já constava à fl. 26 e, conforme consignado pela Autoridade revisora, não permite verificar a que período se refere o demonstrativo. Ainda que cientificado dessa falha na instrução probatória, o contribuinte reapresentou o mesmo documento, que não se mostra hábil a fazer prova a seu favor. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 110 7 Assim, mostrase correto o procedimento de acatar o valor informado pelo plano de saúde à Receita Federal do Brasil por meio da Dmed, não havendo reparos a se fazer à decisão de piso. Pensão Judicial O contribuinte informou o pagamento de pensão no montante de R$33.836,60. Na impugnação, em relação a beneficiária Patricia Angela Cassia, juntou comprovantes de rendimentos de fls. 28/30 e sentença proferida em ação de alimentos (fls.53/56). Em relação a beneficiária Arlinda Celeste, juntou peças relativas à separação consensual (fls.57/63). Nesse tocante, a Autoridade revisora consigna: Somente restou comprovado pelo contribuinte o pagamento da pensão alimentícia judicial no montante de R$ 15.836,60, motivo pelo qual MANTENHO A GLOSA do valor remanescente de R$ 18.000,00, para os quais não foram apresentados os respectivos comprovantes dos pagamentos. (destaques acrescidos) A DRJ/RJO manteve a glosa nos seguintes termos: A dedução relativa a pagamento de pensão alimentícia encontra se prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: “Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)” (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 111 8 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) É imperativo repisar que a legislação prevê a dedutibilidade apenas das pensões alimentícias embasadas nas normas do Direito de Família, em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. A fiscalização considerou os valores constantes dos comprovantes de rendimentos de fls. 28 a 30 que totalizam R$15.836,60. O interessado não apresentou comprovante de pagamento relativo à diferença. Ressaltese que de acordo com a sentença de fl. 55 o interessado deve pagar 15% dos seus rendimentos líquidos no caso de trabalho com vínculo empregatício. Da análise da documentação, verificase que não há reparo a ser efetuado por esta instância julgadora. (destaques acrescidos) Agora, em seu recurso, o contribuinte alega ter efetuado os pagamentos a Arlinda em espécie, não juntando qualquer comprovação de pagamento. As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que à época da lavratura do lançamento dispunha no tocante à dedução de pensão alimentícia: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 112 9 decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Registrese ainda que o art 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR), exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. No caso, como consignado nas decisões da autoridade revisora e da julgadora de primeira instância, o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento do valor declarado. Em seu recurso, alega que efetuou o pagamento em espécie. Assim, remanesce sem comprovação o efetivo pagamento da pensão declarada de R$18.000,00. Como destacado na legislação transcrita, a dedução da pensão alimentícia judicial na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação, havendo referência expressa a “importâncias pagas”. Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº98, que deve ser observada por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Dessa forma, não há reparos a se fazer a decisão piso. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16696.720079/201451 Acórdão n.º 2002000.039 S2C0T2 Fl. 113 10 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721966/2016-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE.
As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente.
Numero da decisão: 2002-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES.CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente CARL FRIEDRICH WALTHER TROGER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 66 /2 01 6- 08 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 94 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2012, ano calendário 2011, tendo em vista a apuração de omissão de rendimentos e dedução indevida de previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/17), contestando parcialmente a exação. Alega que faz jus a deduzir o montante de R$5.289,00 a título de contribuição previdência privada. Acrescenta que o valor não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados e ele efetuou, em seu nome, contribuições para o regime de geral de previdência social. Indica a juntada dos recolhimentos efetuados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) negou provimento à Impugnação (fls. 60/63), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (AÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL) E DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI (PARCIAL). Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. Cientificado dessa decisão em 16/5/2017 (fl.68), o contribuinte formalizou, em 14/6/2017 (fl.71), Recurso Voluntário (fls. 71/87), no qual apresenta as seguintes alegações: Argumenta que juntou a sua defesa comprovantes de despesa dedutível no valor de R$5.289,00, representadas por guias GRU, com código 155608 (contribuição para o custeio das pensões militares), cuja fonte arrecadadora é Cmdo Ex/SEF/CPex, CNPJ 00.394.452/053304. Informa que essas contribuições têm base legal no artigo 2º da Lei nº 3.765, de 1960. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 95 3 Diante da decisão de piso, que consignou que a natureza dos recolhimentos não estava identificada, indica a juntada de cartas emitidas pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro Comando da 3ª Região Militar, endereçadas a ele. Ao final, requer o acolhimento de seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.89). É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 96 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Juntada de Provas na Fase Recursal O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a impugnação, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que se destinam a sanear falhas na instrução probatória apontadas pela decisão de piso. Mérito O recurso recai sobre a glosa do montante de R$5.289,00 declarado a título de contribuição à previdência privada. Sobre a dedução dessas contribuições, dispõe o artigo 8º, inciso II, alínea e, da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 97 5 ... e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (destaques acrescidos) Por seu turno, o caput do artigo 11 da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) (destaques acrescidos) Verificase que o contribuinte informou o pagamento de contribuições à previdência privada no montante de R$12.690,54 a Seguro GBOEX CNPJ 92.872.100/0001 26 (fl.22). A autuação aponta que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória dos valores declarados e, segundo informações prestadas à RFB pela entidade GBOEX, os pagamentos efetuados pelo contribuinte seriam referentes a pecúlio. O sujeito passivo pleiteou em sede de impugnação o restabelecimento parcial da dedução. A decisão de piso consigna que, em sua impugnação, o contribuinte juntou apenas as guias de recolhimento de fls. 9 a 17, que não permitiriam identificar a natureza dos recolhimentos efetuados. Agora, em seu recurso, o contribuinte junta declaração e cartas emitidas pelo Ministério da Defesa/Exército Brasileiro/Comando da 3ª Região Militar/Região D.Diogo de Souza (fls.73/83). A declaração noticia que o contribuinte está cadastrado como contribuinte facultativo à pensão militar, na forma prevista no artigo 2º, da Lei nº3.765, de 1960, e vem recolhendo as contribuições para Pensão Militar desde maio de 1977. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 98 6 A mencionada lei dispôs sobre as pensões deixadas pelos militares em caso de morte aos seus dependentes devidamente habilitados. Seu artigo 1º estabelece, alterado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001, que todos os militares das Forças Armadas são contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto em folha de pagamento: Art.1oSão contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto mensal em folha de pagamento, todos os militares das Forças Armadas. Parágrafo único.Excluemse do disposto no caput deste artigo: Io aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias e congêneres; e IIcabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de dois anos de efetivo serviço. (NR) O art. 2º da citada lei, vigente até 29 de dezembro de 2000, por ter sido revogado pela Medida Provisória nº 2.131, de 29 de dezembro de 2000 (atual Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001), permitia que os oficiais demitidos a pedido pudessem continuar como contribuintes da pensão militar, desde que requeressem e se obrigassem ao pagamento da contribuição: Art 2º Os oficiais demitidos a pedido e as praças licenciadas ou excluídas poderão continuar como contribuintes da pensão militar, desde que o requeiram e se obriguem ao pagamento da respectiva contribuição, a partir da data em que forem demitidos, licenciados ou excluídos. § 1º O direito de requerer e de contribuir para a pensão militar, na forma dêste artigo, pode ser exercido também por qualquer beneficiário da pensão. § 2º A faculdade prevista neste artigo sòmente pode ser exercida no prazo de 1 (um) ano, contado da data da publicação do ato da demissão, licenciamento ou exclusão. § 3º Os contribuintes de que trata êste artigo, quando convocados ou mobilizados, passarão à categoria de obrigatórios, durante o tempo em que servirem. Apesar da revogação do retrocitado dispositivo legal, a Medida Provisória nº 2.131, de 2000, em seu art. 35, assegurou a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido que, até 29 de dezembro de 2000, contribuísse para a pensão militar. Art.35.Fica assegurada a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido e à praça licenciada ou excluída que, até 29 de dezembro de 2000, contribuíam para a pensão militar. Da análise da documentação acostada ao recurso, constatase que não se trata de previdência complementar do sujeito passivo. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 99 7 Os documentos apontam que as contribuições efetuadas por ele para o Fundo de Pensões dos Militares representam aportes para garantir o pagamento de pensão militar a dependentes habilitados, quando do seu falecimento. Portanto, a dedução desses valores pelo contribuinte não encontra amparo na legislação de regência, acima destacada, visto que não se configura em complementação de benefício previdenciário. Ainda que se entenda que, para os terceiros habilitados ao recebimento da pensão, o benefício se assemelha ao benefício previdenciário, é preciso observar que a legislação que trata da dedução das contribuições para previdência complementar condiciona a que o titular da declaração seja contribuinte para a previdência oficial e, caso o beneficiário do plano de previdência seja dependente maior de 16 anos, deve este ser filiado ao Regime Geral de Previdência Social ou outro regime oficial de previdência social. É o disciplinamento contido na IN SRF nº 588, de 2005, em seus artigo 6º e 7º: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11040.721966/201608 Acórdão n.º 2002000.035 S2C0T2 Fl. 100 8 Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaques acrescidos) Ocorre que, no caso, o sujeito passivo sequer informou dependente da Declaração apresentada (fl.19). Portanto, não há como acatar a dedutibilidade de tais valores a título de contribuição à previdência privada. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000001/2010-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada pela decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2002-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, para determinar o restabelecimento de despesas médicas no montante de R$10.040,00, no ano-calendário 2007.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente FRANK DE OLIVEIRA CALAZÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada pela decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para determinar o restabelecimento de despesas médicas no montante de R$10.040,00, no anocalendário 2007. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 01 /2 01 0- 81 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16832.000001/201081 Acórdão n.º 2002000.078 S2C0T2 Fl. 236 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2007 e 2008, anocalendário 2006 e 2007, tendo em vista a apuração de deduções indevidas com dependentes, de despesas médicas e com instrução e de previdência privada e Fapi. O contribuinte apresentou impugnação (fls.140/183), onde requer a revisão do lançamento, à vista dos documentos relativos ao anocalendário 2007, os quais não tivera tempo hábil para providenciar no curso da ação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 195/199), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES. INSTRUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Somente podem ser aceitas as deduções comprovadas por meio documentação hábil e idônea e que estejam em conformidade com as. regras contidas na legislação de regência. Cientificado dessa decisão em 22/11/2010 (fl.202), o contribuinte formalizou, em 17/12/2010 (fl.203), seu Recurso Voluntário (fls. 203/229), no qual apresenta as seguintes alegações: Em relação ao anocalendário 2006, indica a juntada de recolhimento, enfatizando que nada tem a contestar. Considerando a decisão da DRJ, que manteve a glosa de algumas despesas pela falta do endereço dos profissionais, aponta a juntada de declarações dos profissionais, contendo a informação. Manifesta concordância quanto à glosa com instrução, no valor de R$325,00. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.200). É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16832.000001/201081 Acórdão n.º 2002000.078 S2C0T2 Fl. 237 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a glosa de despesas médicas relativas ao anocalendário 2007, no montante de R$10.040,00, conforme abaixo discriminado: Andréa Pinto R$80,00 Adriano de Moraes R$5.000,00 Viviane Monteiro R$4.960,00 Em que pese no curso da ação fiscal ter tido intimação ao contribuinte para comprovação do efetivo pagamento dessas despesas (fls.15 e 180), a DRJ manteve suas glosas sob o seguinte fundamento: O interessado anexou ao processo quando de sua impugnação os comprovantes de fls. 166 a 177. Contudo, os documentos de fls. 166 a 171 e 173 a 177 não podem ser aceitos, tendo em vista que não possuem o endereço dos prestadores de serviço, estando então em desacordo com o que a legislação tributária determina. Em relação ao recibo de fl. 172 no valor de R$ 370,00 pagos à Andréa Leonardo da Silva no anocalendário de 2007, pode ser acatado haja vista preencher todos os requisitos legais. Sendo assim, fica mantida a dedução indevida de despesas médicas no valor de RS 18.689,86 do anocalendário de 2006 e R$ 10.040,00 do anocalendário de 2007. (destaques acrescidos) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16832.000001/201081 Acórdão n.º 2002000.078 S2C0T2 Fl. 238 4 Em seu recurso, visando sanear a falha apontada na decisão de piso, o sujeito passivo junta as declarações de fls. 204, 208 e 209. Em outras oportunidades, já manifestei entendimento de que a autoridade fiscal pode exigir elementos adicionais aos recibos, tal como o efetivo pagamento da despesa ou prestação do serviço, a teor do artigo 73 do RIR/99. Ocorre que a decisão de piso aponta como único fundamento para a manutenção da glosa dessas despesas a falta de endereço nos recibos apresentados. A manutenção da glosa na fase recursal sob outro fundamento, como a falta de comprovação do efetivo pagamento, ainda que esse lhe tenha sido exigido no curso da ação fiscal, representaria um prejuízo ao contraditório e a ampla defesa do recorrente. Dessa feita, considerando que as declarações apresentadas corrigem as falhas apontadas pela decisão de piso, cabe o cancelamento das glosas dessas despesas. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento, para determinar o restabelecimento de despesas médicas no montante de R$10.040,00, no ano calendário 2007. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.012950/2007-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2002-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento parcial, para afastar a glosa quanto à dedução das despesas médicas apresentadas.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente CARLOS FRANCISCO CANUTO ANNUNCIACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 29 50 /2 00 7- 94 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 170 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento parcial, para afastar a glosa quanto à dedução das despesas médicas apresentadas. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 171 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2005, ano calendário 2004, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas e de previdência privada. O contribuinte apresentou impugnação (fls.66/109), sintetizada pela primeira instância de julgamento nos seguintes termos: 8.1 que o autuado forneceu, A. fiscalização, os recibos referentes às despesas medicas efetuadas durante o ano calendário de 2004, conforme previsto no inc. III do § 1 0 do art. 80 do RIR11999. No entanto, foi novamente intimado a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento, ocasião em que esclareceu ter realizado todos os pagamentos em espécie, ao longo do ano. Que os recibos emitidos pela Sra. Ana Karla Maciel Lira e Silva, no valor de R$ 6.000,00, pela Sra. Adriana Paula Maciel Lira e Silva, também no valor de R$ 6.000,00, e pelo Sr. Alexandre J. Casimiro da Silva, no valor de R$ 810,00, não foram acatados pela fiscalização, sob argumentação de que não constava o endereço dos respectivos profissionais e, aditivamente, em razão da falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. Que, face A. ausência de indicação dos endereços dos profissionais, junta impugnação declarações dos Srs. Ana Karla Maciel Lira e Silva, Adriana Paula Maciel Lira e Silva e Alexandre J. Casimiro da Silva (doc. 14 a 16), bem como a 2a via dos recibos, revestidos de todas as formalidades legais (doc. 02 a 13). Que a documentação comprobatória das deduções pleiteadas deve ser aceita, uma vez que as despesas medicas, efetuadas em beneficio do declarante e de seus dependentes, são dedutíveis da base de cálculo do imposto, nos termos da alinea "a" do inciso II do art. 80 da Lei n° 9.250/1995, combinado com art. 35 da mesma lei. Ademais, os recibos fornecidos atendem aos requisitos legais previstos no inciso 111 do § 2° do art. 8° da já citada Lei n° 9.250/1995. 8.2 que, quanto à despesa efetuada junto à Sra. Quitéria Josinete L. Bezerra, apesar de haver apresentado o respectivo recibo, foi surpreendido com a informação de que a referida profissional não o conheceria, nem reconheceria a assinatura aposta no referido documento. Que o mencionado recibo não foi aceito pela autoridade fiscal, por não preencher as formalidades previstas em lei, e ademais, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 172 4 por não ter sido reconhecida, pela profissional, a assinatura nele aposta. Que, em razão da impossibilidade de localizar a profissional e se contrapor às informações por ela prestadas, aceitou a glosa e efetuou a declaração retificadora, para pagamento do imposto, conforme doe. 01; 8.3 que reconhece a glosa do valor de R$ 1.245,16, referente à dedução para a • previdência privada, uma vez que a beneficiaria, Sra. Camila Albuquerque Beltrão Canuto é dependente legal de sua esposa. 8.4 que a multa de oficio aplicada, no valor elevadíssimo de R$ 4.950,16, é ilegal e inconstitucional, visto que houve a efetiva prestação dos serviços, sendo os valores passíveis de dedutibilidade. Que, mesmo se as despesas médicas não fossem dedutíveis, a multa eventualmente aplicável seria a multa de mora, correspondente a 0,33% ao dia, entre a data de vencimento e a data de pagamento, limitada a 20%, nos termos do art. 61, caput, e § 2°, da Lei n° 9.430/1996. Que, em caso de duvida, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica ao contribuinte, como determinam os arts. 110 e 112, IV, do CTN. Por fim, que houve violação aos princípios constitucionais da legalidade (art. 5°, II, CF/1988), da garantia ao direito de propriedade (art. 5°, XXII, CF/1988), e da proibição do confisco, face à imposição de multas equivalentes a 75% e a 150% do tributo, sem que halo base legal para o procedimento; 8.5 por fim, pede seja julgado improcedente o auto de infração, e a possibilidade de apresentar as provas necessárias à comprovação do ora alegado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à Impugnação (fls. 115/126), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS GLOSA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 173 5 Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de dedução de despesas medicas .quando existir nos autos indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do efetivo pagamento, nos termos do § 30 do art. 11 do DecretoLei n° 5.844/1943. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte concorda expressamente com a infração apontada. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COMPLEMENTAR. GLOSA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte concorda expressamente com a infração apontada. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. Não compete a instância administrativa a análise da constitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A partir da edição do art. 19 da Medida Provisória n° 1.990, de 14/12/1999, o procedimento de retificação de declaração de ajuste independe de autorização, sendo, contudo, inadmissível a apresentação de declaração retificadora após o início de procedimento fiscal. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 174 6 INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964, antiga Lei do Imposto de Consumo. Cientificado dessa decisão em 20/8/2008 (fl.129), o contribuinte formalizou, em 19/9/2008 (fl.141), seu Recurso Voluntário (fls. 141/162), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicia sua defesa descrevendo a ação fiscal e apontando o resultado do julgamento da decisão de primeira instância. Defende que a autuação é indevida, uma vez que os serviços médicos foram prestados e os recibos apresentados, na forma do artigo 80, §1º, inciso III, do RIR/99. Concorda expressamente com a glosa da previdência privada, indicando a juntada de recolhimento do imposto devido, acompanhado da multa e dos acréscimos legais. Da mesma forma, no tocante as despesas médicas declaradas com Quitéria Josinete L. Bezerra. Passa a discorrer sobre as despesas médicas informadas com Ana Karla Maciel Lira e Silva (R$6.000,00), Adriana Paula Maciel Lira e Silva (R$6.000,00) e Alexandre J. Casimiro da Silva (R$810,00), glosadas pela falta de endereços dos profissionais e pela falta de comprovação de seus efetivos pagamentos. Argumenta que anexou todos os recibos médicos, permitindo a identificação dos beneficiários dos pagamentos, além de corrigir a falha quanto aos endereços. Diz que, além dos recibos, anexou declarações dos profissionais, ratificando a prestação dos serviços e os pagamentos informados. Esclarece que os pagamentos foram efetuados ao longo do ano, em espécie ou por meio de cheques de terceiros, visto que é corretor de seguros e, na maior parte das vezes, recebia os pagamentos dos clientes e efetuava seus pagamentos, sem depositar os valores em sua conta bancária. Reclama que a DRJ ignorou os documentos juntados, prendendose no argumento da falta da comprovação do efetivo pagamento. Questiona o fato dos profissionais não terem sido intimados para confirmar a efetividade dos serviços, como realizado com a senhora Quitéria. Reproduz a legislação de regência para defender que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida e que, somente na falta desses, é que se poderia fazer a indicação do cheque nominativo utilizado para efetuar o pagamento. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 175 7 Conclui que todos os itens exigidos pela legislação foram cumpridos, nada mais podendo ser exigido do contribuinte, sendo abusiva, no seu entendimento, a exigência de comprovação do desembolso. Acrescenta que cabe ao Fisco o ônus da prova de que não houve a efetiva prestação dos serviços. Em seguida, passa a questionar a aplicação da multa de ofício, caso suas alegações quanto às despesas médicas não sejam acatadas. Argumenta que foi aplicada indevidamente a multa do artigo 44 quando o correto seria aplicação daquela prevista no artigo 61, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. Entende que caberia aplicar a multa de mora, uma vez que ele deduziu despesas legalmente autorizadas e comprovadas. Frisa que não houve qualquer omissão de sua parte, nem a intenção de ocultar qualquer fato da fiscalização, nem qualquer outro procedimento tendente a prejudicar a arrecadação. Alega que, no caso de dúvida quanto à aplicação da norma tributária, cabe a aplicação da multa menos gravosa, na forma dos artigos 110 e 112, inciso IV, do CTN. Acrescenta que a aplicação da multa no percentual de 75% viola os princípios constitucionais da legalidade e da garantia do direito de propriedade, além de caracterizar notório confisco. Ao final, requer a declaração de improcedência do lançamento. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.164). É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 176 8 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide O recorrente não contesta as glosas da previdência privada e das despesas médicas informadas com Quitéria Josinete Bezerra, bem como as multas de ofício aplicadas a essas infrações. Assim, resta em litígio as despesas médicas informadas com Ana Karla Maciel Lira e Silva, Adriana Paula Maciel Lira e Silva e Alexandre Casimiro da Silva, bem como a multa de ofício aplicada sobre essas infrações. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 177 9 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 178 10 termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas (fl.31). Em sua impugnação, o contribuinte juntou novamente os recibos e declarações dos profissionais, tendo sido mantida a autuação pela DRJ, nos seguintes termos: 25. O contribuinte, em sua peça impugnatória, insurgese contra as glosas efetuadas, apresentando recibos que não teriam sido considerados, pela autoridade lançadora, hábeis e idôneos para comprovação das despesas médicas. Face à ausência de indicação dos endereços dos profissionais, nos mencionados recibos, juntou à. impugnação as declarações dos Srs. Ana Karla Maciel Lira e Silva, Adriana Paula Maciel Lira e Silva e Alexandre J. Casimiro da Silva (doc. 14 a 16) referentes aos endereços de atendimento, bem como a 2 3 via dos recibos, revestidos de todas as formalidades legais (doc. 02 a 13). 26. Da análise dos autos verificase que a auditoria fiscal buscou, junto ao impugnante (Termos de fls. 16, 21, 28 e 36), documentos e informações, inclusive relativos comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços. 27. Da documentação contida nos autos, verificase que as deduções pleiteadas encontramse lastreadas, única e exclusivamente, no fornecimento de recibos. Ressalto que não ha, no processo, qualquer outro meio de prova das deduções declaradas. 28. Neste ínterim, fazse mister esclarecer que, conforme disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei n° 5.844/1943 (art. 73 do Decreto n° 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda), sempre que necessário, outros elementos devem ser apresentados pelo contribuinte a fim de comprovar deduções pleiteadas em suas declarações: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. 29. No presente caso, o elemento adicional, a ser apresentado pelo fiscalizado, conforme reiteradamente solicitado pela fiscalização, é a comprovação da efetividade dos pagamentos, que chegaram a totalizar R$ 19.210,00 no anocalendário de 2004. Para todos os pagamentos efetuados, o defendente não pode comprovar um único desembolso. 30. Em suma, ao contrário do que afirma o impugnante, não houve lesão ao principio constitucional da legalidade, uma vez Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 179 11 que a própria lei, por meio do DecretoLei acima transcrito e recepcionado pela CF/1988, obriga a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. 31. Concluindo, não tendo havido atendimento à condição que a lei impõe como necessária para fins da dedução pleiteada, devem ser mantidas as glosas no que se refere aos valores informados a titulo de despesas médicas para os profissionais Ana Karla Maciel Lira e Silva, Adriana Paula Maciel Lira e Silva e Alexandre J. Casimiro da Silva. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o contribuinte insiste que os recibos já juntados seriam os únicos elementos que a autoridade fiscal poderia exigir. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução, mormente como no presente caso, em que o contribuinte utilizou despesa não reconhecida pela suposta emitente do documento. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. No caso, o recorrente não juntou qualquer elemento de prova quanto aos pagamentos declarados, fora os recibos. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro ou com cheques de terceiros, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19647.012950/200794 Acórdão n.º 2002000.072 S2C0T2 Fl. 180 12 Na ausência dessa comprovação, a glosa deve ser mantida. Multa de Ofício Quanto à aplicação da multa, não há reparos a se fazer a decisão de piso A apuração de infrações no curso da ação fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. A falta de declaração e/ou pagamento do tributo correspondente à dedução indevida de despesas médicas – confirmadas, aliás, no presente julgamento – impõe, por força de lei, o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício. Tal multa não se confunde com a multa de mora, prevista no artigo 61 do mesmo diploma legal, que é aquela que incide sobre tributos declarados e recolhidos espontaneamente pelo contribuinte fora do prazo legal. No tocante à alegação de ofensa a princípios constitucionais, cabe destacar a aplicação da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Portanto, afasto a apreciação da inconstitucionalidade da multa aplicada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.720335/2017-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43.
Numero da decisão: 2002-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos tidos por omitidos a partir do mês de agosto de 2013.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente ELIAS CARDOSO LOURENCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos tidos por omitidos a partir do mês de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 72 03 35 /2 01 7- 17 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 53 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$2.831,28 para R$917,27. A notificação consigna duas infrações: a) rendimentos indevidamente declarados pelo contribuinte como isentos. Aponta que, intimado, o contribuinte não comprovou a condição de aposentado no ano calendário 2013, por esse motivo os rendimentos recebidos da fonte pagadora SEPLAG MG devem ser levados à tributação (fl.10). b) número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado tributação exclusiva. O contribuinte informou o total de 18 e 17 meses para os valores recebidos da fonte pagadora – Sec. de Estado de Planejamento e Gestão. Intimado, o contribuinte não comprovou com documentação o número de meses relativo ao RRA (fl.13). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 6/9/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 3/10/2017, à fl. 2/19 dos autos, na qual o representante do contribuinte afirmou que os rendimentos seriam isentos, indicando a juntada de laudo médico que comprovaria a isenção a partir de dezembro de 2010. Em relação aos rendimentos acumulados, alegou que se trataria de rendimento isento. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 29/34). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 2/3/2018 (fl. 38), o contribuinte, em 15/3/2018 (fl. 40), apresentou recurso voluntário, às fls. 42/49, no qual requer o reconhecimento do direito à isenção dos rendimentos declarados diante do laudo médico que atestaria sua patologia desde dezembro de 2010. Indica a juntada de documento comprobatório de sua aposentadoria e requer o reconhecimento da isenção a partir de dezembro de 2010. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.36). Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 54 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega fazer jus a isenção, indicando o laudo médico de fl.8, que, no seu entendimento, seria hábil a comprovar seu direito à isenção a partir de dezembro de 2010. Não obstante, conforme consignado na decisão recorrida, duas são as condições para reconhecimento da isenção: que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e comprovação mediante laudo médico oficial da existência de moléstia grave. O laudo médico oficial de fl.8 consigna patologia decorrente de acidente em serviço. Em seu recurso, o recorrente junta correspondência dando notícia de sua aposentadoria a partir de 2/8/2013 (47). O ato de aposentadoria faz alusão aos artigos 40, §1º, inciso I, da Constituição Federal, e 8º, inciso III, alínea a e §2º da Lei Complementar nº 64, de 2002, do Estado de Minas Gerais, que dispõem: Constituição Federal Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 55 4 § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) I por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) ... Lei Complementar nº 64, de 2002, do Estado de Minas Gerais. Art. 8º O servidor integrante do Regime Próprio de Previdência de que trata esta Lei Complementar será aposentado: (Caput com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 110, de 28/12/2009.) ... III por invalidez permanente, atestada na forma do art. 13: a) com proventos integrais, se a invalidez for decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, mencionada no § 2º deste artigo; ... § 2º – Para fins do disposto na alínea “a”do inciso III do caput, entendese como: I– acidente em serviço o evento danoso que tiver como causa mediata ou imediata o exercício das atribuições inerentes ao cargo ou, ainda, a agressão sofrida e não provocada pelo servidor no exercício de suas atribuições; II– moléstia profissional a enfermidade que decorrer das condições do serviço ou de fato nele ocorrido, devendo o laudo médico estabelecer a sua rigorosa caracterização; III– doença grave, contagiosa ou incurável, com base em conclusão da medicina especializada, as seguintes enfermidades: tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira posterior ao ingresso no serviço público, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, artrite reumatóide, fibrose cística (mucoviscidose), lúpus eritematoso disseminado (sistêmico), pênfigo foliáceo e outras que a lei indicar. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 56 5 (Parágrafo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 110, de 28/12/2009.) Assim, como aqui está se tratando do anocalendário 2013, é de se reconhecer o direito à isenção dos rendimentos auferidos pelo contribuinte da fonte pagadora SEPLAG MG a partir do mês de agosto, quando foram preenchidos os requisitos para reconhecimento do benefício. Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 43: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (destaques acrescidos) Em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, o recorrente nada apresentou, seja na impugnação, seja agora em seu recurso. Cabe ressaltar que, embora sustente que esses rendimentos seriam isentos, foi o contribuinte que os informou como de tributação exclusiva em sua Declaração de Ajuste. A autuação limitouse a alterar o número de meses associados aos rendimentos recebidos, diante da falta de apresentação de provas pelo contribuinte. Assim, em relação a essa infração, sem elementos de prova, como inclusive aponta a decisão recorrida, não há como reconhecer a isenção pleiteada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo do IR os rendimentos auferidos pelo recorrente a partir de agosto de 2013 da fonte pagadora SEPLAG MG (fl.10). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.008633/2004-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO.
Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano.
Numero da decisão: 2002-000.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. Recorrente HENRIQUE CESAR ALVES LISBOA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO. Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 86 33 /2 00 4- 71 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 106 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 8/15), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2001. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo a restituir de R$35.531,19 para saldo de imposto a pagar de R$1.069,78. A notificação consigna a omissão de rendimentos no valor de R$134.241,50. Às fls.20/43, foram juntados os documentos reunidos no curso da ação fiscal. Impugnação Cientificado ao contribuinte em 22/10/2004, o AI foi objeto de impugnação, em 22/11/2004, às fls. 2/17 dos autos, na qual alega que o valor tido por omitido foi recebido a título de demissão incentivada, apontando a juntada de correspondência enviada ao Banco Santander Meridional S.A., em 6/10/2000, na qual faz referência ao PR2000. Acrescenta que a discussão acerca da tributação desses valores já está superada tanto na via judicial quanto na via administrativa, apontando algumas decisões. Menciona ainda as IN SRF os 165/98 e 4/99 e o AD nº 3/99. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 54/55): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para a caracterização da isenção do imposto de renda é necessária a comprovação, por documentação adequada, da participação do interessado, em programa de demissão voluntária. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 2/9/2008 (fl. 58), a contribuinte, em 29/9/2008 (fl. 61), apresentou recurso voluntário, às fls. 61/99, no qual alega, em apertado resumo, que: foi funcionário do Banco Santander Meridional do Brasil S.A. de 22/9/1980 a 16/10/2000. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 107 3 desligouse em 9/10/2000, no Programa de Demissão Voluntária PDV, intitulado Plano de Reestruturação PR2000, indicando a existência nos autos do termo de rescisão contratual, carta de pedido de demissão e carta de divulgação do PR2000. explica que as verbas "INDENIZAÇÃO/TRAN GA EMPLER" e "IND.ADICIONAL" foram recebidas nesse contexto, defendendo que não devem sofrer a incidência de IR. aponta que a decisão recorrida não diverge desse entendimento, tendo consignado como justificativa para negativa do seu pleito a ausência de prova de ingresso no programa. reproduz parecer da PGFN e decisões judiciais e administrativas acerca do tema aduz que sua participação resta comprovada por meio do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (fl.28), da sua carta de adesão (fl.29) e do comprovante de rendimentos (fl.43), acrescentando agora, em seu recurso, o Boletim Informativo do PR2000 (fls.73/88). aponta que, no termo de rescisão do contrato de trabalho, consta o pagamento das verbas "IND.INCENT PR/2000" e "IND.ADICIONAL", as quais estão previstas no boletim mencionado. argumenta que as verbas lhe foram pagas no contexto desse programa de demissão voluntária PR2000 e, por consequência, são isentas de IR, nos termos da lei e da jurisprudência acerca do tema. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 108 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a omissão de rendimentos pagos ao recorrente pelo Banco Santander Meridional S/A. Sustenta o recorrente que as verbas tidas por omitidas decorrem de adesão à plano de demissão voluntária, intitulado PR2000, requerendo o reconhecimento de isenção para tais verbas. O colegiado de primeira instância manteve a autuação, consignando: O contribuinte rescindiu seu contrato de trabalho com o Banco Santander Meridional S.A. e recebeu indenização denominada no termo de rescisão de “IND/TRANS.GA.EMPLER”, fl.5. Apresentou documento em que renuncia a estabilidade e onde menciona o interesse em receber as vantagens de “PR 2000” fl. 4. Em uma rescisão pode existir utilização de parâmetros de um programa de demissão, mas para a caracterização da isenção do imposto de renda há que estar comprovada a efetiva participação no Programa de Demissão Voluntária PDV. Entendemos que essa manifestação do próprio contribuinte é insuficiente para caracterizar a participação num PDV. Na inexistência de documentos comprobatórios de tal participação, entendemos correto o enquadramento dos rendimentos tributáveis realizado no auto de infração. (destaques acrescidos) Sobre verbas pagas no contexto de programa de demissão voluntária, seguem esclarecimentos do Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, constantes do Acórdão nº 2201 002.923, de 18 de fevereiro de 2016: Para o deslinde da questão, importa trazer a colação o Recurso Especial no 1.112.745 SP, de 23/09/2009, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ, no qual o Superior Tribunal de Justiça examina a natureza jurídica das verbas pagas nas rescisões de contrato de trabalho para determinar se a mesma se sujeita ou não à tributação do imposto de renda, considerando a diversidade de denominações utilizadas para classificação de tais verbas. Inicialmente, tratase dos valores considerados como pagos por mera liberalidade do empregador: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 109 5 "Sabese que nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas, o que enseja, em alguns casos, confusão na aplicação da já consolidada jurisPrudência do STJ. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de classificála como sujeita ao imposto de renda ou não. Acertadamente, a verba paga por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho é aquela que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, é paga sem decorrer de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tal verba a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda. [...] Na hipótese dos autos, não foi demonstrado que a "gratificação não eventual" foi paga pelo empregador ao empregado dentro do contexto do Plano de Demissão Voluntária PDV. Também não consta dos autos menção a qualquer Acordo Coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião da demissão sem justa causa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o seu pagamento. Sendo assim, a verba foi certamente paga por liberalidade do empregador havendo que se sujeitar ao imposto de renda." Em seguida, o Ministro Relator, analisa a natureza da verba intitulada "compensação espontânea", concluindo que, independentemente da denominação dada, constitui verba paga no contexto de um Plano de Demissão Voluntária, aplicando a Súmula no 215 do STJ, segundo a qual "a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda". Transcreve, ainda, precedente da Primeira Seção do STJ no qual se procurou definir o conceito de PDV e estabelecer as fronteiras entre as verbas pagas em seu contexto e aquelas pagas por mera liberalidade do empregador. A tese repetitiva restou consubstanciada na seguinte ementa (grifos nossos): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO PAGA NO CONTEXTO DE PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 215/STJ. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. Nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 110 6 verba a fim de, aplicando a jurisprudência desta Corte, classificála como sujeita ao imposto de renda ou não. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda já que não possuem natureza.denizatória. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.° 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. N° 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. "Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja a resilição ou distrato do contrato de trabalho no caso das relações regidas pela CLT, ou a exoneração, no caso dos servidores estatutários. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. [...] Inexiste liberalidade em acordo de vontades no qual uma das partes renuncia ao cargo e a outra a indeniza [...]" (REsp N° 940.759 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.3.2009). "A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda". Enunciado n. 215 da Súmula do STJ. Situação em que a verba denominada "gratificação não eventual" foi paga por liberalidade do empregador e a chamada "compensação espontânea" foi paga em contexto de PDV. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Convém lembrar que a jurisprudência consolidada nos recursos repetitivos deve ser observada no âmbito deste Tribunal, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 111 7 Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Em síntese, do Recurso Especial nº 1.112.745 SP o STJ podese extrair alguns requisitos a serem observados para caracterização da natureza das verbas recebidas quando da rescisão do contrato de trabalho. No caso das verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho o pagamento: (a) ocorre nos casos de demissão com ou sem justa causa; (b) não decorre de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluídos PDV e Acordos Coletivos); (c) depende apenas da vontade do empregador; e (d) excede as indenizações legalmente instituídas. Por outro lado, os Programas de Demissão Voluntária PDV pressupõem: (a) uma oferta pública para a rescisão do contrato de trabalho; (b) a existência de um acordo de vontade para por fim à relação empregatícia; e (c) não existindo margem para liberalidade por parte do empregador. No caso, o sujeito passivo juntou correspondência sua dirigida ao Banco Santander Meridional, datada de 6/10/2000, noticiando seu interesse em se desligar do banco com as vantagens do PR2000 e indenizações relativas a sua estabilidade (fl.5). O termo de rescisão do contrato de trabalho consta à fl.6 e o comprovante de rendimento, à fl.7. Em face da decisão de piso, o sujeito passivo junta, às fls. 73/79, o Programa de Reestruturação PR2000, defendendo que aderiu a esse programa. Às fls. 80/89, o recorrente juntou o Programa de Desligamento Incentivado PDI. Entretanto, da análise dos documentos juntados, sua alegação não pode ser acatada. Da leitura do documento relativo ao PR2000, constatase que os empregados interessados deveriam solicitar sua adesão no período de 13 a 16 de junho de 2000, até às 18:00 (item 3, do programa). Vêse ainda, da leitura do item 4, que, para participar, o funcionário deveria utilizar o Termo de Participação. Por seu turno, segundo as regras do PDI, a adesão deveria ser solicitada entre 12/1/98 e 23/1/98. Ora, como dito, o recorrente pretendeu comprovar sua adesão por meio de carta de próprio punho e datada de 6/10/2000. Ou seja, não preencheu o termo próprio para adesão, nem observou o prazo estipulado. O contribuinte nada juntou de forma a comprovar que o prazo de adesão ao programa teria sido prorrogado. Assim, como apontado na decisão de primeira instância, ainda que sua rescisão possa ter utilizado os parâmetros estipulados no PR2000, a adesão do contribuinte não restou comprovada, não podendo ser reconhecida a isenção para as verbas recebidas por ele. Sobre o assunto, segue jurisprudência deste CARF: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 112 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 1.112.745 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, estão sujeita à tributação do imposto de renda as verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho, assim consideras aqueles que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). CARACTERIZAÇÃO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 1.112.745 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, os Programas de Demissão Voluntária PDV se consubstanciam por uma oferta pública para a realização do negócio jurídico que se materializa por meio de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, não existindo margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO. Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano. (Acórdão nº 2201002.923, de 18/2/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1986 VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.008633/200471 Acórdão n.º 2002000.339 S2C0T2 Fl. 113 9 com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória. Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo). Hipótese em foram pagas três indenizações ao contribuinte: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho, porquanto paga por mera liberalidade, e outras duas decorrentes da legislação trabalhista, não sujeitas à incidência do imposto de renda, e que não foram tributadas na rescisão do contrato de trabalho. (Acórdão nº 2201002.991, de 10/3/2016) Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720091/2016-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão inicia-se na data de diagnóstico da doença, indicada em laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente JANDETE LEMOS DOS PRAZERES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão iniciase na data de diagnóstico da doença, indicada em laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 91 /2 01 6- 25 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10469.720091/201625 Acórdão n.º 2002000.340 S2C0T2 Fl. 54 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 13/16), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$14.872,87 para saldo de imposto a pagar de R$3.566,34. A notificação consigna que o laudo médico apresentado pela contribuinte aponta que a moléstia grave foi diagnosticada a partir de 14/5/2015, não alcançando os rendimentos recebidos em 2010, resultando na apuração de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave, no valor de R$109.853,57 (fl.14). Impugnação Cientificada à contribuinte em 22/12/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 11/01/2016, à fl. 2/11 dos autos, na qual a contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 23/25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. DATA DE INÍCIO DA ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão iniciase na data de diagnóstico da doença que a enseja constante em laudo médico oficial. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 16/6/2016 (fl. 29), a contribuinte, em 11/7/2016 (fl. 33), apresentou recurso voluntário, às fls. 33/46, no qual alega, em síntese: requer a anulação do débito lançado tendo em vista ter sido acometida de moléstia grave. tendo em vista que o imposto exigido já foi recolhido, solicita que o débito seja tornado sem efeito. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10469.720091/201625 Acórdão n.º 2002000.340 S2C0T2 Fl. 55 3 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.48). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos recebidos pela recorrente das fontes pagadoras Ministério da Fazenda e Comando da Marinha, os quais ela alega serem isentos por ter sido ela acometida por doença grave. A autuação consigna que o laudo médico apresentado aponta o diagnóstico da doença em 14/5/2015, não alcançando os rendimentos recebidos no anocalendário 2010. Analisando a impugnação apresentada, o colegiado de primeira instância manteve a exigência consignando: No propósito de ilustrar o tema debatido pela interessada, cita se que o artigo 39, inciso XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, consubstanciado no Decreto nº 3.000 de 26.03.1999, e que tem como matriz legal o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 (com a redação dada pela Lei n. 11.052/2004), o artigo 47 da Lei nº 8.541/92 e o artigo 30, § 2º, da Lei n. 9.250/95, dispõe que “não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante),contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, fibrose cística e hepatopatia grave, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão ou depois da aposentadoria ou reforma”. Este mesmo artigo 39, em seus parágrafos 4º e 5º, determina que: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10469.720091/201625 Acórdão n.º 2002000.340 S2C0T2 Fl. 56 4 "§ 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei n.9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (negritos realizados pelo relator) Não constam dos autos informações acerca se a interessada é aposentada ou beneficiária de pensão, mas isso não fora abordado pela autoridade lançadora, bem como o laudo médico pericial de fl. 9 faz presumir que houve a avaliação para fins de isenção de imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria. Ultrapassada essa condição, confirmase, tal qual se expôs no lançamento, que o mencionado laudo oficial, firmado pelo Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor SIASS UFRN, emitido em 08/10/2015, revelou que o diagnóstico da doença (cardiopatia grave) de que a contribuinte é portadora data de 14/05/2015. Em assim sendo, somente a partir do mês de maio/2015 os seus proventos de aposentadoria ou de pensão são considerados isentos nos termos da indigitada legislação; logo, não se aplica a isenção para o exercício 2011. Em sede de recurso, a recorrente junta o laudo já apresentado (fl.34), que aponta o início da doença em 14/5/2015. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso, visto que o laudo apresentado não alcança os rendimentos auferidos em 2010 e a recorrente não apresentou nenhum outro documento. Quanto ao aproveitamento dos recolhimentos de fls. 35/40, esclareçase que a recorrente deve buscar informações nas Unidades da RFB ou no sítio da RFB acerca da possibilidade de compensação do crédito exigido com o saldo não utilizado dos DARFs recolhidos sob o código 0211. Oportuno lembrar que, com a apresentação de declaração retificadora, a declaração original não produz mais efeitos, sendo substituída integralmente pela nova declaração entregue. Nesse sentido, o artigo 54 da IN RFB nº 15, de 2001, então vigente, disciplinava: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10469.720091/201625 Acórdão n.º 2002000.340 S2C0T2 Fl. 57 5 Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Atualmente, encontrase em vigor a IN RFB nº 1500, de 2014, que disciplina a entrega de declaração retificadora de igual forma, em seu artigo 82. Assim, independentemente da indicação de valor de IRPF devido na declaração original e do seu eventual recolhimento pela recorrente, a inclusão de rendimentos recebidos como isentos indevidamente na declaração retificadora caracteriza a infração indicada na notificação de lançamento, a ensejar o lançamento de ofício do imposto devido e não declarado, inclusive com a multa de 75% e juros de mora correspondentes. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000799/2008-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002.
Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002
Numero da decisão: 2002-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIADO POLÍTICO. Recorrente LUIZA DE SIQUEIRA CAMPOS CORREA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 ANISTIADOS POLÍTICOS. ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.599/2002. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O benefício alcança as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 07 99 /2 00 8- 02 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 93 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da DRJ/RJ2, que considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls.60/64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIA POLÍTICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica. Se houve retenção de imposto de renda na fonte, os rendimentos deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 24/27, relativa ao anocalendário 2004, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no valor de r$166.870,60. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$28.709,36, para saldo de imposto a pagar de R$9.259,15. Cientificada da notificação em 17/1/2008 (fls.49), a contribuinte impugnou a exigência fiscal em 14/2/2008 (fls. 3/47), alegando, em síntese, que os rendimentos considerados omitidos seriam isentos por força do parágrafo único, artigo 9º, da Lei nº 10.559, de 2002. Intimada da decisão do colegiado de primeira instância em 22/11/2011 (fl. 66), a recorrente, por intermédio de representante legal (fls.84/85), apresentou recurso voluntário em 13/12/2011 (fls. 68/85), em que alega os seguintes argumentos de defesa: é pensionista do Exército brasileiro, recebendo o benefício por ser viúva de anistiado político, conforme Emenda Constitucional nº 26, de 1985 e artigo 8º e parágrafos do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. os valores recebidos se configuram em uma indenização, por dano patrimonial, e não devem ser submetidas à incidência do IR. Cita jurisprudência e doutrina acerca do tema e a Lei nº 10.559, de 2002. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 94 3 menciona medida liminar a ela favorável concedida pelo STJ no mandado de segurança nº 11.038. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.86). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 95 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pela recorrente, os quais ela alega serem isentos por se tratar de indenização paga a anistiado político. Inicialmente, cabe registrar que o mandando de segurança nº 2005/0161747 5, citado no recurso voluntário, não se aplica a situação aqui analisada, visto que foi ajuizado pela recorrente visando o fim do desconto na fonte do IR sobre a pensão por ela recebida. A ação foi ajuizada em 2005 e aqui está se tratando do anocalendário 2004 quando o IRRF já fora descontado por ocasião do pagamento da pensão a ela ao longo do ano de 2004. Assinale se ainda que, em consulta ao sítio do STJ, constatase que foi declarada a ilegitimidade passiva da RFB para figurar no pólo passivo da ação, conforme trecho da decisão a seguir reproduzido: Inicialmente, acolho a alegação de ilegitimidade passiva ad causam do Sr. SecretárioGeral da Receita Federal, considerando que os procedimentos tidos como ilegais não resultam nem dependem de sua conduta, mas sim dos órgãos administrativos responsáveis pelo pagamento da pensão, isto é, o Comando do Exército e o Ministério da Defesa. Quanto ao mérito da questão, o colegiado de primeira instância considerou improcedente a impugnação, consignando: A Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002 (resultante da conversão da Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da Unido —DOU de 29.08.2002), ao regulamentar o art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, garantiu ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1°, inciso II), e também dispôs que os valores pagos a titulo de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 96 5 indenização ao anistiado político são isentos do imposto de renda (art.9°, parágrafo único): ... No que toca aos pagamentos de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vinham sendo efetuados pelo INSS e demais entidades públicas, a referida Lei, dispôs o seguinte: Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos , que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. (Grifouse.) O Decreto n° 4.897, de 25 de novembro de 2003, ao regulamentar o parágrafo único do art. 9° da Lei n° 10.559, de 2002, determinou expressamente que também estão isentos do imposto de renda as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002: Art. 10 Os valores pagos a titulo de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9° da Lei n°10.559, de 13 de novembro de 2002. § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei n°10.559. de 2002. Entretanto, conforme se depreende da leitura dos arts. 10 e 12 da Lei n° 10.559, de 2002, bem como do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 8 de dezembro de 2003 (publicada no DOU de 09.12.2003), transcritos a seguir, a isenção do art. 9° da referida lei é condicionada à existência prévia de requerimento: Art. 10. Caberá ao Ministro de Estado da Justiça decidir a respeito dos requerimentos fundados nesta Lei. (..) Art. 12. Fica criada, no âmbito do Ministério da Justiça, a Comissão de Anistia, com a finalidade de examinar os requerimentos referidos no art. 10 desta Lei e assessorar o respectivo Ministro de Estado em suas decisões. (...) Exposição de Motivos n°197, do Ministério da Justiça: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 97 6 CONCLUSÕES DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL Em atendimento ao disposto no art. 3° do Decreto de 27 de agosto de 2003, que instituiu Comissão Interministerial para estabelecer critérios e forma de pagamento da reparação econômica aos anistiados políticos de que trata a Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002, o Ministro de Estado da Justiça, na condição de coordenador daquela Comissão, torna públicas as conclusões dos trabalhos por ela realizados. 1. O art. 9º, parágrafo único, da Lei n° 10.559, de 2002, concedeu isenção do imposto de renda aos valores pagos a titulo de indenização aos anistiados políticos e deve ser observado independentemente da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça. Neste sentido, foi editado o Decreto n°4.897, de 25 de novembro de 2003. Sendo assim, as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da referida Lei n2 10.559 de 2002, a partir de 29 de agosto de 2002, são isentos do imposto de renda, desde que exista o prévio requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica, ainda que pendente de deferimento. Ressaltese que se a fonte pagadora efetuou retenção de imposto de renda, há que se observar, ainda, o disposto no parágrafo único do art. 22 do Decreto 4.897, de 2003: Art. 2° O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarse6 após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n°10.559. de 2002. (Grifouse). Portanto, eventual restituição de imposto de renda já recolhido somente poderá ser efetivada após deferimento da mencionada substituição de regime. (destaques acrescidos) Assim, a decisão de piso não reconhece a isenção pleiteada pelo fato de a recorrente não ter apresentado requerimento junto ao Ministério da Justiça para substituição da pensão recebida pelo regime de reparação econômica. Nesse tocante, cabe reproduzir o Decreto nº 4.897, de 2003: Art. 1º Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13706.000799/200802 Acórdão n.º 2002000.271 S2C0T2 Fl. 98 7 § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. § 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.” O §2º, do artigo 1º, acima destacado, estabelece regras para a retenção retroativa do IR devido no caso de indeferimento da substituição do regime. Essa regra se mostra incompatível com o entendimento da decisão de piso, de reconhecimento da isenção somente após o requerimento da substituição de regime ao Ministério da Justiça. Ao prever a retenção retroativa, é de se concluir que o decreto reconhece a não incidência do imposto no momento do pagamento, sem condicionar a isenção à existência de pedido ou portaria ministerial. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a omissão de rendimentos apontada no lançamento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 98DF CARF MF
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