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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. MULTA MANTIDA.
Deve ser aplicada a multa do art. 44, parágrafo 1o, da Lei nº 9.430/96 quando a contribuinte fizer declaração de crédito inexistente.
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..

e
.	 CCO2/CO3

Fls. 274

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1 ei -n 'E. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
....-4 .•-••, i-

TERCEIRA CÂMARA

Processo ti• 	 10950.001094/2007-33

Recurso n°	 154.038 Voluntário

Matéria	 COMPENSAÇÃO DE IPI

Acórdão n•	 203-13.350

Sessão de	 07 de outubro de 2008

Recorrente CENTERDROGAS DROGARIA E PERFUMARIA LTDA

Recorrida	 DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP

AssuNTo: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI

Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2005

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. MULTA MANTIDA.

Deve ser aplicada a multa do art. 44, parágrafo 1 0, da Lei n°
9.430196 quando a contribuinte fizer declaração de crédito
inexistente.

	

Recurso negado.	 -

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO

• CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos; em negar provimento ao
recurso.

7 j

;GILSON MACMO ROSENBURG FILHO
• i

•
.	 .	 .

Presidente	
_	 .

1._

JEAN CLEUTER tMtfiS‘ENDONÇA
_ ..

.	 Relator	 -
.,

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos
Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, José Adão Vitorino de
Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

..iF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUINTe4
CONFERE COM O OR1GiNAL ----

Brasilia2_16J_____11_1S	 1

11/1

Mate C	 . 81 Oliveira
MM. Slape 91650



•

Processo n° 10950.001094/2007-33 	 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONYRIBUINTES	 CCOVCO3
Acórdão n.° 203-13.350 	 CONFERE COMO ORIGINAL	 Fls. 275

Brasília  02 /6 I	 lj 

Matilde Cursi‘01Neira
Mal. Sie 91650

Relatório

Trata o presente processo de auto de infração lavrado em nome da recorrente
(fls. 151/154), em razão de essa ter efetuado compensações indevidas no período de agosto a
dezembro de 2004, e no mês de outubro de 2005.

O auto de infração foi emitido em 09/10/2006, com multa qualificada de 150%,
chegando ao valor de R$ 46.142,97, relativo ao período de apuração de 01/02/2005 a
30/06/2005. A autuada foi intimada em 24/10/2006 (fl. 157/158).

Em 22/11/2006 a autuada recorreu à DRJ com os seguintes argumentos (fls.
159/184):

Preliminarmente, a autuada reclamou do cerceamento de defesa, pois o auto de
infração não ofereceu instrumentos para a autuada exercer seu direito à ampla defesa.

Ainda na preliminar, argumentou que o auto de infração não estava preenchido
pelos seus elementos constitutivos, o que o torna nulo.

Entrando no mérito, a autuada argumentou que o fisco utilizou na autuação a
Instrução Normativa n° 517 de fevereiro 2005, porém essa já estava expressamente revogada
pela Instrução Normativa n° 598 de dezembro de 2005.

A autuada foi enquadrada no art. 18 da Lei n° 10.833/03, na qual dispõe que
cabe multa isolada no caso de não homologação da compensação. Ocorre que outra exigência
desse dispositivo é que a contribuinte tenha praticado um dos atos descritos nos arts. 71 a 73 da
Lei n° 4.502/64. Como não ficou comprovada a prática dos atos descritos nesses dispositivos,
não cabe a aplicação da multa de oficio.

Como a aplicação da multa de 150% está irregular, pois não foi comprovada a
fraude, o auto de infração perdeu sua motivação, passando a ser nulo.

A multa, em virtude do cancelamento do pedido de compensação, não pode
prevalecer, vez que a autuada fez opção pelo parcelamento dos débitos e, conforme a
legislação, para que fosse concedido o parcelamento, era necessário o cancelamento do pedido
de compensação.

A multa isolada de 150% tem caráter confiscatório.

Em decorrência dos vícios do auto de infração, ele deve ser anulado.

Ao fim, requereu a anulação do auto de infração ou a diminuição da multa.

A DRJ julgou nos seguintes termos (fls. 218/226):

Julgando a preliminar, a DRJ entendeu que não cabe a alegação de cerceamento
de defesa, pois o agente fiscal descreveu detalhadamente os fatos que levaram à aplicação da
multa, além de indicar o enquadramento legal.

2



MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONntieUIN Ft
CONFERE COM O ORIGINAL

Processo o° 10950.001094/2007-33	 Brasiliaa/-12—, O	 CCO2/CO3
Acórdão n. 203-13.350	

fls. 276

Marido CursIno de Moira
Mat. Unte 91650 

Somente após ser intimado a apresentar documentos que comprovassem a
existência do crédito, é que a autuada pediu o cancelamento do pedido de compensação,

• alegando a total inexistência do crédito. Isso não deixa dúvida de que a autuada transmitiu o
pedido de compensação já sabendo a inexistência do crédito. Dessa forma, o fato de pedir

• compensação de créditos que sabe ser inexistente configura fraude

O auto de infração está bem motivado, razão pela qual não cabe nulidade.

Quanto ao caráter consfiscatório da multa de 150%, não cabe à esfera
administrativa apreciar a legalidade ou constitucionalidade da norma.

Ao fim, a DRJ manteve todos os lançamentos.

A autuada foi intimada do acórdão da DRI em 28/09/2009 (fls. 230/231).

Em 24/10/2007 a autuada protocolizou Recurso Voluntário atacando os
seguintes pontos (fls. 232/260):

• Preliminar.

A medida provisória n° 351 de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n°
11.488 de 15 de junho de 2007, alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96. A lei alterada foi a mesma
utilizada para a aplicação da penalidade à recorrente. A nova lei excluiu a previsão da multa de
150%. Dessa forma, não há como manter a multa aplicada.

Caso não seja entendido pela extinção da multa, essa não deve ultrapassar 75%,
pois a mera declaração de compensação de créditos de natureza não tributária não configura
sonegação, dolo ou conluio, de forma que não cabe a multa isolada qualificada.

Manteve as reclamações apresentadas à DRJ quanto ao cerceamento de defesa e
quanto à falta de requisitos constitutivos do auto de infração.

No mérito.
--

Manteve a argumentação de que a Instrução Normativa n° 517 de fevereiro de
2005 foi revogada pela Instrução Normativa n° 598 de dezembro do mesmo ano

Aponta que a decisão da DRJ defende a manutenção da multa de 150% através
de interpretação sistemática dos arts 18, caput e parágrafos 2° e 4° da Lei n° 10.833/03, art. 44,

• II da Lei n° 9.430/96, uma vez que a compensação não declarada estaria sujeita a tal multa.
Ocorre que pela sistemática utilizada pela DRJ, a multa possível é de apenas 75%.

Voltou a alegar que não foi comprovada a prática dos atos descritos nos arts. 71,
72 e 73 da Lei n° 10.833/03, portanto, não cabe a aplicação da multa de oficio.

Também voltou a atacar a falta de motivação do auto de infração e que à multà
• de 150% tem caráter confiscatório , o que vai contra a Constituição Federal.

Também expôs que pretende provar o alegado através de produção de pr as
documentais e periciais, caso necessário. 	 e.

3 k-3(



Processo n° 10950.001094/2007-33	 CCO2/CO3
Acórdão n.• 203-13.350 F1s 277

Ao fim fez os seguintes pedidos:

Que seja determinada a nulidade da autuação;

• Determinação da extinção da penalidade imposta, ou a redução para 75%;

• Que fosse declarada a improcedência do auto de infração em virtude de sua
• atipicidade;

Redução da multa aplicada para 2% conforme legislação civil ou a limitação da
mesma a 75%.

A suspensão da representação fiscal para fins penais.

Que as intimações sejam encaminhadas ao procurador da recorrente

• É o relatório.

• ME-8~0 COlii° C°N1--"Iii-TES
CONFERE COMO ORIGINAL

Madlospatcerde91650ohetra

4



_

• Processo n° 10950.00109412007-33 	 CCO2/CO3
Acórdão n.° 203-13.350	

reaHORE com opoRIGE COJNN21 ttlUINTES	 Fls. 278

8rasma„..426L

L. 	 Mate c . de onvedraMet	 91650
Voto

CONSELHEIRO JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator

O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais requisitos de
admissibilidade, razões pelas quais, dele tomo conhecimento.

• Quer a recorrente o cancelamento do auto de infração lavrado contra ela, ou a
diminuição da multa qualificada aplicada.

O cerne da questão é a aplicação, ou não, da multa de oficio qualificada.

Da preliminar.

Preliminarmente, não deve ser acatada a argüição de cerceamento de defesa.
Isso porque o auto de infração é bem claro, citando o enquadramento, os cálculos, a forma
como se chegou aos resultados. A clareza no auto de infração é tão evidente, que a recorrente
entendeu cada motivo do lançamento, podendo atacar cada ponto em seu recurso.

• Outra alegação da preliminar que não deve prevalecer, é quanto à falta de
elementos constitutivos do auto de infração. Isso porque, os elementos constitutivos do auto de

• infração estão elencados no art. 142 do CTN, quais sejam: verificar a ocorrência do fato
• gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do
• tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade

cabível. Analisando o auto de infração (fls. 151/154) perceberemos que todos esses elementos
foram atendidos.

Do mérito.

• A recorrente alega que o auditor fiscal usou a IN/SRF n° 517 de 25/02/2005,
• porém, essa foi expressamente revogada pela IN/SRF n° 598 de 28/12/2005. Tal alegação não

deve ser considerada, pois o agente fiscal usou como fundamento da autuação a IN/SRF n° 600
de 28/12/2005, as Leis nt" 9.430/96, 8.137/90 e 10.833/03, jamais mencionado a IN/SRF
517.

-	 A recorrente também argumenta que um dos requisitos da aplicação do art. 18
• da Lei n° 10.833/03 é a prática, por parte da contribuinte, dos atos descritos no arts. 71 a 73 da

Lei n° 4.502/64. A recorrente tentou compensar-se de créditos que sabia ser inexistentes, isso
ficou configurado no momento do pedido do cancelamento da compensação, quando a própria
recorrente informou a "total inexistência do crédito". Assim, ficou configurada a prática do ato

• descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64. A recorrente pediu o cancelamento da compensação
somente depois que foram solicitados os documentos comprobatórios dos créditos. Esse pedido
de cancelamento da compensação é a prova inquestionável da irregularidade da compensação.

Tem razão a recorrente ao afirmar que a Medida Provisória n°351 de 2007 ,
foi convertida na Lei n° 11.488/07, alterou o texto do dispositivo que serviu de enquadram to 7./

5



_ .

• Processo n° 10950.0010942007-33 	 CCO21CO3
Acórdão n. 293-13.350

Fls. 279

para o auto de infração, art. 44 da Lei n° 9.430/96. No entanto, o novo texto, do mesmo artigo,
ainda prevê a multa de 150%, se não, vejamos:

"Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as
• seguintes multas:

1- de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença
de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou
recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.

§ 1° 0 percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo
será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no

• 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras
penalidades administrativas ou criminais cabíveis".

O inciso I do artigo supramencionado prevê que a multa deve ser de 75%,
enquanto que parágrafo 1° diz que nos casos dos arts. 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64 a multa

• deve ser duplicada, ou seja, deve ser aplicada a multa de 150%. Ora, o que percebe-se é que
• mudou apenas a configuração do texto do artigo, porém, a ação que enseja a aplicação da multa

• e o percentual da mesma não foi alterada. Assim, não há porque anulá-la.

No que tange às alegações de que a multa aplicada infringe o principio
constitucional do não confisco, esculpido no art. 150 da Carta Magna. Cabe salientar que o
Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para apreciar questões de
inconstitucionalidade, consoante súmula n o 02 deste conselho, in verbis:

"SÚMULA N° 02

"
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se

• pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária".

Sendo assim, deve ser Mantida a multa no percentual de 150% aplicada pelo
auto de infração.

Quanto à produção de provas para comprovar o que foi alegado, este julgador
entende desnecessária a aplicação de perícia. Por outro lado, as provas documentais deveriam
ser apresentadas junto com o Recurso Voluntário interposto.

No tocante à representação fiscal criminal, entendo que o presente feito deve ter
seu curso legal.

Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto.

r,
Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008

JEAN CLEUTER-MENDONÇA7LÕ

MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
• CONFERE COM O ORIGINAL

&amp;Ma&amp; (52 

6
Mate arteno de Ofreira

Met Sie 01660

•


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do ressarcimento do crédito de IPI, diante da inexistência de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.</str>
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S2-C2T1

Fl. 163

MINISTÉRIO DA FAZENDA
tn".k. • g5

- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO

Processo n°	 10380.007548/2002-87

Recurso n°	 161.288 Voluntário

Acórdão n°	 2201-00.190 — 2' Câmara / 1" Turma Ordinária

Sessão de	 8 de maio de 2009

Matéria	 Taxa Selic em Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI (Lei n"
9.363/96)

Recorrente	 PONTES INDÚSTRIAS DE CERA LTDA.

Recorrida	 DRJ-BELÉM/PA

ASS1UNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI

Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002

RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 1\1' 9.363/96.
ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Incabível qualquer forma de atualização
do ressarcimento do crédito de IPI, diante da inexistência de previsão legal.

Recurso Voluntário Negado.

• Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da r Câmara/1' Turma Ordinária da r Seção de
Julgamento do CARF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do
voto do Relator. Venci I oi onselhein - 	 leut- Sim; . endonça.

lat	 wir

LSON M C • ROSENBURG FILHO•

Presidente

1

DASSI GUERZONI FIL

' elator

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos
Dantas de Assis, Andréia Dantas Lacerda Moneta (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça,



Processo n° 10380.007548/2002-87	 82-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.190	 Fl. 164

José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de
Miranda.

Relatório

Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata
a Portaria MF n° 38, de 1997 (Lei n° 9.363, de 14 de dezembro de 1996), formalizado pela
interessada em 31/05/2002, relativo a insumos empregados na produção de produtos
exportados e adquiridos no primeiro trimestre de 2002. O valor do pedido montou a R$
672.142,68 e difere daquele que constou do "Recibo de Entrega" da DCTF entregue pela
interessada, que monta a R$ 653.328,46.

O Serviço de Orientação e Análise Tributária - Seort da DRF em Fortaleza
deferiu parcialmente o pedido, no valor de R$ 653.328,46, portanto, aquele que constou da
DCTF e não do Pedido de Ressarcimento, ressalvando, além disso, o não cabimento da
incidência da taxa Selic.

Na Manifestação de Inconformidade a interessada não teceu qualquer
consideração sobre a glosa parcial ao seu pleito, limitando-se a alegar que o indeferimento por
parte do Fisco quanto à incidência da taxa Selic teria sido motivado pelo fato de não ter a
Certidão Narrativa de Trânsito em Julgado que acostara se referido expressamente à taxa
Selic, mas que a nova Certidão que agora junta sanaria o problema. De outro lado, pede a
unificação de processos que tratariam de outros períodos de apuração, bem como que as
compensações sejam realizadas ao tempo dos respectivos fatos geradores, de modo que não se
configure a mora da requerente.

A 32 Turma da DRJ em Belém/PA, por meio do Acórdão n° 01-11.402, de
26/06/2008, todavia, indeferiu totalmente o pleito da interessada em decisão assim ementada:

Acórdão DRJ N" 01-11402 de 2008

Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.

É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária
de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de
ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela
taxa Selic sobre os montantes pleiteados.

Solicitação Indeferida.

Fundamentou-se a instância de piso na própria Certidão Narrativa acostada
pela interessada, segundo a qual concluiu que restara decidido pelo Poder Judiciário em favor
da impetrante apenas a determinação expressa de que o Fisco não se valesse dos obstáculos
criados pelas instruções normativas SRF nc's. 23 e 103 de 1997, bem como que admitisse os
créditos presumidos relativos aos insumos adquiridos de produtores rurais e que apreciasse os
pedidos de ressarcimento. Em outras palavras, a parte da decisão de primeira instância em que

(92



Processo n° 10380.007548/2002-87	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.190	 Fl. 165

fora autorizada a incidência da taxa Selic acabou sendo reformada pelo Tribunal Regional
Federal da 5' Região, transitando em julgado dessa forma.

No Recurso Voluntário a interessada, após destilar imprecações de toda
ordem ao Fisco (atos ilegais publicados a três-por-quatro; administração fundada em instruções
normativas e em portarias; coação, desfaçatez, ausência de pudor e de moralidade), fez
transcrever trechos de decisões do STJ em que, a seu ver, refletiriam o posicionamento daquela
Corte no sentido de que é devida a taxa Selic sobre os valores ressarcidos pelo Fisco.

É o Relatório.

Voto

Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator

A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em
12/08/2008, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 28/08/2008. Preenchendo os
demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido.

A única matéria agitada pela Recorrente nesta fase de julgamento é a
incidência da taxa Selic ao valor que lhe foi reconhecido a titulo de crédito presumido de 'PI.

Não há mesmo que se falar que a decisão judicial transitada em julgado lhe
fora favorável no que se refere à incidência da taxa Selic, conforme apregoou a interessada na
Manifestação de Inconformidade; tanto assim o é que, diante do veemente rechaço da DRJ
quanto a tal argumentação, a interessada não o repetiu no Recurso Voluntário.

Assim, caberá a este Colegiado apenas se ater ao reconhecimento ou não da
incidência da taxa Selic no valor do crédito reconhecido à interessada.

Respeitadas as posições em sentido contrário, entendo que não existe — e
nunca existiu - previsão legal para incidéncia de juros compensatórios ou de quaisquer outros
acréscimos sobre créditos de IPI, tendo a lei estabelecido a incidência da taxa Selic apenas nos
casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos.

Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundem e não
mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o art. 165 do CTN, tem direito à
restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevido. Já o ressarcimento de que tratam, tanto
a Lei n°9.779/99, quanto as Leis n°9.363/96 e n°10.276/2001, é uma forma de incentivo fiscal
concedido ao sujeito passivo, para manter em sua escrita fiscal créditos do IPI relativos a
determinados bens, produtos ou operações, para utilização mediante compensação na própria
escrita fiscal com os débitos escriturados ou, de forma residual, para serem ressarcidos em
espécie.

A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de
tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juro
equivalentes à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento
não existe previsão legal especifica para essa incidência.	 V.5N1

wrto

P-3



i,

.

Processo tf 10380.007548/2002-87	 52-C2T1
•	 Acórdão n.° 2201-00.190 	 Fl. 166

Em relação à correção monetária dos valores pleiteados a título de
ressarcimento do IPI, é pacífico o entendimento neste Colegiado de que essa atualização visa
apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal, para evitar o enriquecimento sem causa que
sua efetivação em valor nominal adviria à Fazenda Nacional.

Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da
Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que tem natureza de
juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que
se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão
legal.

No processo administrativo o julgador restringe-se à lei, pela sua
competência estritamente vinculada. Se impossibilitado de adotar a Selic como índice de
atualização monetária, não pode fixar outro índice, sem que haja previsão legal para tanto.

Logo, de se indeferir a utilização da taxa Selic como índice de correção
monetária no ressarcimento pleiteado, raz - pela qual nego provimento ao recurso.

U.,
"es, em 8 e maio de 200941,

ODASSI GUERZONI Fl

4


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sjrnoloSTÉC2sieOlhoDdAe FcertbNuDi fite
r CC-MF

V. Ministério da Fazenda

Publicado no Diário Oficial da União

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n2 : 10380.01323512002-68
Recurso n2 : 126.990	

i.11113
Acórdão n2 : 202-16367	 VISTO

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.
Recorrida : DRJ em Recife - PE

NORMAS TRIBUTÁRIAS. CRÉDITO-PRÊMIO. PRES-
CRIÇÃO.

A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do
crédito-prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados
do embarque da mercadoria para o exterior.

ILEGALIDADE. INs SRF N2s 210 E 226, DE 2002.

MINISTÉRIO DA FAZENDA	
São legítimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à

Segundo Conselho de Conlribtantes	 exportação contidas nas INs SRF n2s 210, 226 de 2002, pois
CONFERE COMO ORIGINAL	 além de terem fulcro em Parecer vinculante da AGU, não
Brasilia-DE em21.1.14/ daear

impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal.

IPI. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO.
t.feuza isiiafuji

Secretárn de Sumi. Cravo 	 O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde
30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1 2, § 22, do
Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. Interpretação vinculante
para toda a Administração Pública Federal, nos ter-mos do art. 41
da LC n2 73/93, por constar do Parecer n2 AGU-SF-01/98, anexo
ao Parecer GQ-172/98.

ART. 41 DO ADCT DA CF/1988.

O crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem
reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do
ADCT da CF/1988.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os
Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-
Kozlowski e Dalt° , esar Cordeiro ):Ie Miranda.

Sala e:	 ssões, em 19 de outubro de 2005.

e tolo arlos Atu
Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa,
Antonio Zomer e Evandro Francisco Silva Afaújo (Suplente). • 	 •

1



MINISTÉRIO DA FAZENDA
et C.;	 Segundo Conselho de Contribuintes	 22 CC-MF

Ministério da Fazenda CONFERE COMO QRIGINAL Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes 	 Brasília-DF, em 'd / /4_12422E

Processo n2 : 10380.013235/2002-68
*Secretária da	

mar

Recurso n2 : 126.990	
euz sitiThkawd..afcuàji

Acórdão n2 : 202-16.567

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

RELATÓRIO

Em 18/05/2004 a interessada foi notificada do Acórdão n2 7.773, de 02/04/2004,
por meio do qual a DRI em Recife - PE manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do
crédito-prêmio à exportação, em relação aos períodos compreendidos entre 10/01/1987 e
03/12/1990, sob os seguintes fundamentos: 1) as INs SRF n2s 210 e 226, ambas de 2002, vedam
a análise do mérito do pedido e 2) a inconstitucionalidade referida na impugnação só pode ser
estendida aos demais contribuintes nos casos previstos no Decreto re 2.346/97.

Insurgindo-se contra tal decisão, a interessada interpôs recurso voluntário, às fls.
358/373, em 20/05/2004. Alegou que a extinção do crédito-prêmio pelo art. 1 2, § r, do Decreto-
Lei n2 1.658, de 24/01/1979, não chegou a ocorrer porque além dos Decretos-Leis n2s 1.722; de
03/12/1979, e 1.724, de 07/12/1979, terem sido declarados inconstitucionais, o Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, restabeleceu a vigência do Decreto-Lei n 2 491, de 05/03/1969, sem
definição de prazo. Alegou que o crédito-prêmio não foi revogado pelo art. 41, § 1 2, do ADCT
da CF/1988, porque não se trata de incentivo setorial. Entretanto, ainda que assim não se
entenda, dentro do biênio referido no art. 41 do ADCT foi editada a Medida Provisória n 2 39, de
1989, convertida na Lei n2 7.739, de 16/03/1989, cujo art. 18 alterou a redação do art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, confirmando que o beneficio se encontra em pleno vigor.

• Posteriormente, também a Lei n2 8.402, - de 08/01/1992, teria confirmado a vigência do beneficio.'
Para corroborar sua tese, invocou jurisprudência dos tribunais superiores e doutrina de Ives
Gandra da Silva Martins. Informou que por meio da Portaria MF n2 26, de 12/01/1979, foi criada
a Comissão de Incentivos às Exportações — CIEX, que também recebeu competência para
estabelecer as alíquotas a serem utilizadas para cálculo do crédito-prêmio. Valendo-se desta
competência, em 17/01/1979, a comissão publicou a Resolução CIEX n 2 02/79, relacionando as
alíquotas do crédito-prêmio, em relação às quais requereu aplicabilidade. Insurgiu-se contra as
IN SRF n2s 210 e 226, de 2002, sob o argumento de que violaram os princípios que regem a
Administração Pública, todos com assento constitucional e na Lei n 2 9.784, de 29/01/1999.
Requereu o acolhimento de suas razões a fim de que o Conselho reforme a decisão recorrida e
determine o ressarcimento observando-se a Resolução CIEX n 2 02/79.

É o relatório.

(Jr.	 2



	

è	 MINISTÉRIO DA FAZENDA• 2° CC-MF
•••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintessi. • O ORIGINAL

Segundo Conselho de Contribuintes 	 CONFERECOM
Brunia-DF. eminiZ242ff	

Fl.

Processo n2 : 10380.013235/2002-68 elighafuji
Recurso n2 : 126.990	 ~Guina da Snundo Cirnam

Acórdão n2 : 202-16.567

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

DAS PRELIMINARES

• Da prescrição	 _	 .	
.

Antes de analisar as razões recursais, merece ser analisada a questão do prazo para
aproveitamento do crédito-prêmio à exportação.

O regime jurídico do CTN é inaplicável, uma vez que o beneficio não tinha
natureza jurídica tributária. Contudo, isto não significa que estivesse sujeito à prescrição
vintenária do Código Civil. Tratando-se de uma quantia em dinheiro que era devida pela União,
o Código Civil cede passo à norma específica do art. 1 2 do Decreto n2 20.910, de 06/0111932,
que estabelece que "(..) As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim
todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a
sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
originarem."

• Esta questão já foi enfrentada pelo STJ ‘ que firmou entendimento no sentido de

	

.	 .
que a prescrição ao aproveitamento do crédito-prêmio era regulada pelo Decreto n 2 20.910/32,
conforme se pode verificar na ementa do RESP n 2 40.213-1/DF, DJ de 12/08/1996, verbis:

"EMENTA: Tributário. Ipi. Crédito-prêmio. Ressarcimento. Decreto-lei N° 491, De 5-3-
69. Prescrição. Correção monetária. Variação cambial. Juros moratórios. Honorários
advocaticios.

I - A ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI prescreve em 5 (cinco)
anos (Decreto-lei n° 20.910/32), aplicando-se-lhe, no que couber, os princípios
relativos à repetição de indébito tributário. Ofensa aos arts. 173 e 174 do CPC não
caracterizada.

II - A correção monetária é devida a partir da conversão dos créditos questionados em
moeda nacional, na forma do art. 2° do Decreto-lei n°491, de 1969, aplicando-se, desde
então, a Súmula n° 46 - TFR, segundo a qual aquela correção 'incide até o efetivo
recebimento da importância reclamada'.

- Os juros morató rios são devidos, à taxa de 12% ao ano, a partir do trânsito em
julgado da sentença. Aplicação dos arts. 161, § I° e 167, parágrafo único, CPC.
Inaplicação dos arts. 58, 59 e 60 do Código Civil e do art. 1° da Lei n° 4.414/64.

IV - salvo limite legal, a fixação da verba advocatícia depende das circunstâncias da
causa, não ensejando recurso especial. Súmula n°389 - STF. Aplicação.

V- Recurso especial não conhecido." (grifei)

No mesmo sentido, foi a decisão proferida nos Embargos de Declaração no
Recurso Especial n2 260.096/DF, DJU de 13/08/2001, pág. 42:

()fr	

3



'	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
• 4•••i•	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Centributntes	

r CC-MF
CONFERE COMO ORIGINAL	 Fl.

= 44;'‹ 	 Segundo Conselho de Contribuintes	 &amp;asais-DE em 2/ /. /C lia2r
• •

Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 leuz	 kafuji
Recurso n2 : 126.990	 %nom da Snun0 C ai a

Acórdão t12 : 202-16.567

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - ACOLHIMENTO DE QUESTÃO DE ORDEM
-COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES - IPI -CRÉDITO-
PRÊMIO - PRESCIUÇÃO.

Acolhida questão de ordem para submeter à apreciação da Primeira Seção a matéria
atinente à contagem do prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do
crédito-prêmio do IPI, fica mantida a competência da Turma originária para o
julgamento das demais questões suscitadas no recurso especial.

A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela

prescrição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da
ação. Incidência das Súmulas tes. 443 do STF e 85 do STJ.

Embargos parcialmente acolhidos. "(grifei)

Considerando que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a
exportação dos produtos, a prescrição do seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do
efetivo embarque da mercadoria para o exterior.

No caso dos autos, o pedido foi protocolado em 14/10/2002 (fl. 1), enquanto que
os valores pleiteados referem-se às exportações efetuadas no período compreendido entre
10/01/1987 e 03/12/1990.

Logo, neste processo estão prescritos todos os valores do crédito-prêmio gerados
em períodos anteriores a 14/10/1997.

Dos vícios das INs SRF n2s 210 e 226, de 2002

Cabe esclarecer que os atos normativos baixados pela Secretaria da Receita
Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de
normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CTN.

As determinações de indeferimento liminar e de inaplicabilidade do procedimento
administrativo de ressarcimento ao crédito-prêmio à exportação, contidas nas INs SRF n 2s 210 e
226, de 2002, respectivamente, não violaram nenhum dos princípios alegados pela defesa, uma
vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal

	

e o processamento dos recursos administrativos garantidos em lei. Tanto é assim que a recorrente 	 —
trouxe a discussão até a última instância administrativa ordinária.

O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002, estabelece que:

"Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de
ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto
'crédito-prêmio' instituído pelo art. I° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969."
(grifei)

Ao fazer referência expressa "...ao extinto crédito-prêmio...", o Secretário da
Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável o procedimento estabelecido por aquele
ato administrativo, carecendo de suporte a alegação de violação do principio da motivação.

A decisão da DRF em Fortaleza - CE não pode ser considerada nula e nem ser
anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A
autoridade administrativa transcreveu os dispositivos das INs SRF n2s 210 e 226, de 2002, não
havendo que se falar em falta de motivação é cerceamento de defesa.

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CONFERE COM O ORIGINAL
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Processo n2 : 10380.013235/2002-68
Recurso n2 : 126.990	 amar

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Acórdão n2 : 202-16.567

Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Recife - PE.

DO MÉRITO

A existência de atos normativos de caráter geral, emanados pela autoridade
competente e baixados em harmonia com os princípios gerais da Administração Pública, já seria
mais do que suficiente Para fundamentar o indeferimento do pleito da recorrente.

	

Contudo, como esta é a última instância administrativa ordinária, cumpre-me 	 .
esgotar a discussão è deixar explícito • o • motivo pelo qual a Administração Tributária Considera o
crédito-prêmio à exportação extinto.

As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito-prêmio à exportação

A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento.

Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das portarias baixadas
pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e
inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio não se
deu por efeito de nenhum ato administrativo.

Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que
trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n2 64.833, de 1969, que, em seu art. 1 2, §§ 1 2 e

" 22, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de
estimulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI
incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os
estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita
fiscal uma determinada quantia a titulo de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre
a venda de produtos ao exterior.

Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o
Poder Executivo baixou o Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, que previa„ em seu art. 1 2, a
redução gradual do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a sua extinção total,
em 30 de junho 1983, verbis:

"Art. 1°- O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março
de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção.

§ 1°- Durante o exercício financeiro de 1979, o estimulo será reduzido:

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento);

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§2° - A partir de 1980, o estimulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março,
a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até
sua total extinção a 30 de junho de 1983."

5



MINISTÉRIO DA FAZENDAt1,1.
Segundo Conselho de Contribuintes 	 29 CC-MF•	 "ir	 ra	 Ministério da Fazenda
CONFERE COMO ORIGINAL	 Fl.

Segundo Conselho de Contribuintes	 IllnesIlie-DE em  21 Les_14195-.

Processo n2 : 10380.013235/2002-68
Recurso n2 : 126.990	

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Acórdão n2 : 202-16.567

Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n 2 1.722, de
03/12/1979, que deu nova redação ao artigo 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979,
verbis:

"Artigo 3° - O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n°1.658, de 14 de janeiro de 1979, passa
a vigorar com a seguinte redação:

§ 2 0 - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento)

em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de

1983, de acordo com aio do MiniStro de Estado da Fazenda". (grifei)

Antes da expiração do prazo fixado no § 22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, o Governo Federal baixou o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, que estendeu o
beneficio fiscal instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, às empresas que
exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda
estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia
incidido na sua aquisição. O art. 5 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, revogou os §§ 1 2 e
22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a
desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, unia vez que, tendo sido suprimida a
autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito-
prêmio passou a ser creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário.

A tese da revogação

Com o advento do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, foram introduzidas
normas que estabeleceram a redução gradual do beneficio, até sua extinção por completo em - -
30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo
fiscal criado pelo Decreto-Lei n 2 491, de 05/03/1969, e, tampouco, interferir na escala gradual de
extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas
exportadoras de produtos nacionais, independentemente de serem as fabricantes, enquanto
	  vigorasse o art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Segundo esta tese, a revogação tácita do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979,
teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a
matéria ou fosse incompatível com a norma anterior (art. 2 2, § 1 2, da LICC). Entretanto,
nenhuma destas. duas hipóteses se verificou, pois o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, não
regulou inteiramente a matéria e nem era incompatível com os DL n 2s 491/69; 1.658/79 e
1.722/79, mas apenas e tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras,
enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto,
como a lei nova (DL n2 1.894/81) limitou-se a estabelecer disposições gerais ou especiais a par
das já existentes, não houve revogação tácita do DL n 2 1.658/79, a teor do disposto no art. 22, §
22, da LICC. A interpretação sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da
extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983.

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 45#44fuji
Recurso n2 : 126.990	 Sombra xte Snunds Creu
Acórdão n2 : 202-16.567

A tese da vigência por prazo indeterminado

Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 9 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por
meio do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, criou uma nova situação de gozo do beneficio
previsto no art. 1 2 do pecreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi
revogado. O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o
crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de
forma diferente pelo Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, antes de implementado o termo final
para a extinção do incentivo, conforme o disposto no Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria
reinstituído o crédito-prêmio por prazo indeterminado.

A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente

No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão prolatado pelo
STF no julgamento do RE n2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte:

"TRIBUTO - BENEFÍCIO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem
inconstitucionais o artigo I° do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o
inciso I do artigo 3' do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que
implicaram a autorizacão ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender,
aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais
previstos nos artigos 1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969." (grifei)

Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das
delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, e o no art. 3 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos não interferiu na
vigência do art. P, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original,
quer na redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que
este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado inconstitucional. Porém, como a
nova redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, também encerrava
uma delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era
inconstitucional a expressão "(...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.(..)",
contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu que o dispositivo produzisse o
efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Entretanto, caso se considere que o -art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979,
seja todo inconstitucional, inconstitucionalidade esta que — repito — não foi formalmente
declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2
1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como data fatal o dia 30/06/1983.

Desse modo, por qualquer ângulo que se examine a questão, a declaração de
inconstitucionalidade proferida no RE n2 186.359-5/RS não teve nenhuma influência sobre a
revogação do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros
julgados, adotou a segunda tese supramencionada, tendo se manifestado sobre a aplicabilidade
do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, ter
restauradó o beneficio do crédito-prémio à exportação sem definição de prazo.

7



k	 MINISTÉRIO DA FAZENDA	 CC-MF
• •••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Segundo Conselho de Contribuintes 	 CONFERE COWI,0 OBIGIStc.

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68
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Recurso n2 • 126.990 ~nos de Segunda Crus
Acórdão n2 : 202-16.567

Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2
329.27I1RS, 1 2 Turma, Rel. Min. José Delgado, publicado no DJ de 08/10/2001, pág. 00182, que
resume o entendimento do tribunal sobre a questão:

"TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÊMIO. 1PL DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/ 79,
1.722179 1.658179E 1.894/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR.

1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual o crédito-prêmio
previsto no Decreto-Lei n° 491/ 69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-

.
• • Lei n° 1.658179.

2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 1.724/79,
conseqüentemente ficaram sem efeito os Decretos-Leis n • 1.722/79 e 1.658/79. aos
quais o primeiro diploma se referia.

3. É aplicável o Decreto-Lei n° 491/69, expressamente mencionado no Decreto-Lei n°
1.894/81. que restaurou o beneficio do crédito-prêmio do IPL sem definição de prazo. 

4. Precedentes desta Cone Superior.

5. Recurso provido." (grifei)

Esta ementa foi colhida aleatoreamente entre muitas outras existentes na página
de pesquisa do STJ na internet e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos
proferidos pelo tribunal.

Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos
do STJ, é dificil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o
tribunal.

A primeira delas é quanto à "perda dos efeitos" dos Decretos-Leis n2s 1.658, de

24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724,
de 07/12/1979.

É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de
competência ao Ministro da Fazenda e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-
Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição
de seu inteiro teor feita a seguir:

"DECRETO-LEI N° 1.724, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1979

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55,
item II, da Constituição,

DECRETA:

Art 1° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir,
temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos
1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

Art 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° da Independência e 91° da República.

JOÃO FIGUEIREDO

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8



e	 MINISTÉRIO DA FAZENDA•
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22 CC-MF
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CONFERE COMO ORIGINAL 	 Fl.
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Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 afuji
Recurso n2 : 126.990	 ~Mine da Segunda Cima,.

Acórdão n2 : 202-16.567

Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio
por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658,
de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma
jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito-prêmio (art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts. 1 2, II; 22 e 42. Vejamos cada uma destas referências.

O art. P, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981 ao estabelecer que "(...) Às
empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de
fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: 1- o crédito do imposto
sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; II- o crédito de
que trata o artigo 1° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969 (9", limitou-se apenas a
estender o crédito-prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações.

Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981,
não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou
claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não
expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Já o art. r do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes
termos:

"Art 2° - O artigo 3° do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a
vigorar com a seguinte redação:

'Art. 3°- São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1'
deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à
exceção do previsto no artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 05 de março de 1969, ao qual
fará jus apenas a empresa comercial exportadora '."

O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou
seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à
empresa comercial exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo
também não fez referência ao Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, obviamente que este direito
da comercial exportadora estava condicionado à vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979.

Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou de
exportações efetuadas por comercial exportadora antes de sua vigência e revogou o art. 4 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no
art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição
do crédito-prêmio à exportação.

À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em afirmar que
uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando,
conclui-se que não há fundamento para a teáe da reinstituição do crédito-prêmio pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

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Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

	

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Brades-DF. ernÁLIE/Jjak-,,e°L; 4".
Processo n2 : 10380.013235/2002-68 	 adaifuji
Recurso n2 : 126.990	 ~uns da Sffuntia cámv*
Acórdão n2 : 202-16567

No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à
exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de
Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n2
1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer, que vai a seguir transcrita:

"EMENTA : Crédito-prêmio do IPI — subvenção às exportações. No contexto dos arts. I'
e 2° do Decreto-lei n°491, de 5.3.69, que dispõe sobre estímulos de natureza financeira
(não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior'
não significa venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a venda
efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a aceitação delas por parte do
comprador. O simples contrato de compra-e-venda de produtos industrializados para o
exterior, que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora
elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo suficiente
para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito adquirido ao regime do
crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de creditar-se do valor correspondente ao
beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscal.
Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da
exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para •
o exterior. Em regra, as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda
lhe representava, apenas. uma expectativa de direito e que, para que pudessem 

. adquirir o direito ao regime favorecido do art 1' do Dec.-lei 491/69 e ao respectiio
creditamento. teriam que realizar a exportação dos manufaturados enquanto vigente a
norma legal de cunho geral que previa o subsidio-prêmio. ou. na hipótese do contrato
ter sido celebrado após a previsão legal de extincão do incentivo de natureza financeira
(Acordo no GATT: Dec.-lei 1.658/79. art. 1°. § 2 0: e Dec.-lei 1.722/79. art. 3 0). antes da
extinção total dos mesmos. Há, entretanto, uma situação especial: as empresas
beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à
exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos
Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei
1.219/72) teriam direito adquirido a exportar com os beneficias do regime do crédito-
prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor
correspondente aos beneficias só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do
termo final dos respectivos PEEX's." (grifei)

A íntegra deste parecer encontra-se anexa ao Parecer n 2 GQ- 172/98, do Advogado
Geral da União, que tem o seguinte teor:

"Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ-I 72: 'Aprovo'. Em 13-1-
98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98.

Parecer n° GQ -172

Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73. de 10 de fevereiro de 1993, o
anexo PARECER TI° AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e submeto-o ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art.
40 da referida Lei Complementar.

Brasília, 13 de outubro de 1998.

GERALDO MA GELA DA CRUZ QUINTÃO".

10



•
;.")..	 MINISTÉRIO DA FAZENDA	 CC-MF

Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes
CONFERE COM po ORIGINAL	 Fl.Segundo Conselho de Contribuintes

•	 -	 Braille-DF. em	 /	 I  iO0S"-
''se-:-•#'

Processo n2 : 10380.013235/2002-68	
arattzfuji

Recurso n2 : 126.990	 ~Ima da Segunda Câmara

Acórdão n2 : 202-16.567

Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n 2 73/93, o Parecer
AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tornou-se vinculante para toda a
Administração Pública Federal, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado
pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23.

Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de 30/09/2002,
considerou extinto o crédito-prêmio à exportação.

No mesmo sentido desta interpretação já se manifestou o. Tribunal Regional
Federal da 4a Região, conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas:

"Crédito-prêmio do IPL Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do
Beneficio.

A partir de 1° de julho de 1983, o benefício instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou

extinto." (Apelação em Mandado de Segurança n2 2000.71.00.040996-4/RS,
Relatora Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003)

"Tributário. IPLCrédito-prêmio.Termo final. Vigência.Beneficio .Lei. Inexistência.

I. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação prevista nos

Decretos-leis n° 1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-

prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69.

2. Na hipótese, os fatos geradores, consoante documentos trazidos com a petição inicial,
- - 	 -- • °Correram em 1984. Inexiste qualquerlrerba à ser ?-estititída, 'eis qite . itUsentrnortna

legal autorizativa da fruição do benefício.

3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n°1.658/79, disciplinou acerca

da -extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto-lei n" 491/69, pelo que, se manteve,

para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do

beneficio em tela." (TRF da 4-4 Região, 22 Turma, Ac. n2 96.04.22981-8/RS, Relator
Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, DJ de 27/10/99, pág. 641)

Também o Tribunal Regional Federal da 3 2 Região já chancelou o entendimento
de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n 2 2002.03.00.027537-
8, publicado no DJ, II, de 18/09/2002, -pág: 292, e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ, II, de
24/02/2003, pág. 469.

Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido
. definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins -do art. 41 do ADCT da

CF/I 988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que
estivessem vigentes na data da promulgação da CF/1988.

Entretanto, merece ser apreciada a alegação de que o art. 18 da Lei n2 7.739, de
16/03/1989, teria alterado a forma de cálculo do crédito-prêmio, pois se isto realmente ocorreu,
vai por água abaixo a tese oficial da revogação em 1983.

A recorrente formulou tal alegação inspirando-se no artigo do Prof. Ives Gandra
da Silva Martins, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário n 2 93, às fls. 135/145.

Após concluir que o crédito-prêmio não tinha natureza setorial por ser destinado a
empresas de qualquer setor econômico, o 2rof. Ives Gandra, dando prosseguimento à sua
argumentação, escreveu o seguinte à fl. 140 daquela revista:

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4.

	

2/‘ 49,	 MINISTÉRIO DA FAZENDA4. • CC-MFSegundo Conselho de ContribuintesMinistério da Fazenda

	

r.	 CONFERE COM O QRIGiNAL	 Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes 	 •rasília-DE em  2/ I le

aProcesso n2 : 10380.013235/2002-68	 uji
Recurso n2 : 126.990	 sacana da Segunda C imota

Acórdão n2 : 202-16.567

"Entretanto, ainda que assim não se entenda, é bem de ver que a confirmação dos
incentivos em tela sobreveio com a publicação da Lei n° 7.739, de 1° de março de 1989,
embora com a alteração introduzida na alínea "b" do art. 1° do Decreto-lei n° 1.894/81.
Veja-se o texto do art. 18 da referida lei:

'Art. 18. A alínea 'b' do parágrafo 1° do artigo 1° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de
dezembro' de 1981, passa a vigorar com a seguinte redação:

1°

a) ...

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — 'PI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções
expedidas pelo Ministro da Fazenda'.

Resulta nítido que, ao introduzir alteração na norma do art. I° do Decreto-lei n`
1.894/81, editado sob a ordem jurídica anterior, a Lei n° 7.739/89 confirmou os
estímulos nela veiculados (quer no seu inciso I quer no inciso II) sob a ordem atual,
também para as empresas comerciais exportadoras, segundo entendemos, ou para todos
os beneficiários, se se entender que os estímulos concedidos aos industriais que
exportam seus produtos também ostentam natureza setorial, o que não nos parece
correto."

,	 .	 O problema da:conclusão a que chegou o Prof. Ives Gandra em seu - artigo; 	 -•-•-• •
decorreu do fato de ele ter se limitado a transcrever o art. 18 da Lei n2 7.739, de 16/03/1989, sem
analisar o texto completo do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, após a alteração que
foi introduzida pela referida lei.

Eis a transcrição do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, com as
alterações introduzidas pelo art. 18 da Lei n 2 7.739, de 16/03/1989:

"Art 1° Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira
conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica
assegurado:

- o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisicão
462,snSM251_

- o crédito de que trata o artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

8 1'- O crédito previsto no item 1 deste artigo será equivalente: 

a) no caso de aquisição a produtor-vendedor ou a comerciante contribuinte do imposto
sobre produtos industrializados, ao montante desse tributo, constante da respectiva nota
fiscal;

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IPI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções

expedidas pelo Ministro da Fazenda.." (grifei)

Conforme se pode constatar, a única alteração efetuada pela Lei n2 7.739/89 foi
promovida na letra "b" do § 1 2 que se referia ao direito previsto no inciso I do art. 1 2, ou seja, a
alteração perpetrada pela Lei n 2 7.739/89 foi em relação ao direito de crédito do IPI que incidiu

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MINISTÉRIO DA FAZENDA 2• CC-MF
- •••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

CONFERE COM O ORIGINAL_--- ,N A"	 Segundo Conselho de Contribuintes 	
Fl.

Bratilie-DF. em  1/ 

•
Processo n2 : 10380.013235/2002-68

euza	 afuji
Recurso n2 : 126.990	 ~nu da Segunde Crwa
Acórdão n2 : 202-16.567

na aquisição dos produtos que seriam futuramente exportados e não em relação ao crédito-
prêmio que se encontra previsto no inciso II. Aliás, todo o § 1 2 se refere expressamente ao
crédito previsto no inciso I do art. 1 9. Este direito nada tem a ver com o crédito-prêmio à
exportação que consta do inciso II do mesmo artigo. O crédito do inciso I se refere ao IPI que foi
pago em operações ocorridas no mercado interno, ao passo que o crédito-prêmio referido no
inciso II, era um crédit‘ficto que seria calculado e recebido por força das exportações futuras.

Portanto, nítido é o equivoco do parecer quando concluiu que a Lei n 2 7.739/89
alterou a forma de cálculo do crédito-prêmio, porque ela se referiu apenas e tão-somente ao
direito de crédito do IPI pago nas operações internas de aquisição de produtos a serem
futuramente exportados, o que mais urna vez confirma a tese da revogação do crédito-prêmio em
30/06/1983.

Da mesma forma, o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n 2 8.402,
de 08/01/1992, uma vez que não era incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado
quando do advento da CF/88.

Com efeito, o art. 41 do ADCT estabelece que "Os Poderes Executivos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de
natureza setorial ora em vigor (...)". Pelo "ora em vigor", verifica-se que a Constituição apenas
tratou de incentivos setoriais que estivessem em vigor na data da sua promulgação. Logo, a
contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os

- "	 'que estivessem revogados ao tempo da promulgação ida Carta Magna. 1. 	 • '

Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento
vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor
do disposto na LC n2 73/93, art. 40, § 1 2. Ademais, o crédito-prêmio à exportação não era
incentivo de natureza setorial, uma vez que podia ser usufruído por empresas de quaisquer
setores da economia, desde que efetuassem vendas para o exterior.

A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à
exportação no seu art. 1 2, I, II, III e § 1 2, mas nenhum deles se tratava do crédito-prêmio à
exportação. Vejamos.

O art. 1 2, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes
aduaneiros especiais.

O art. 1 2, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referidos no
art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio,
instituído pelo art. 1 2 deste decreto-lei.

O art. 1 2, III, restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas aquisições de produtos no mercado
interno destinados a futura exportação. Ou seja, restabeleceu o mesmo incentivo que causou o
equívoco no parecer do Prof. Ives Gandra, já analisado linhas atrás.

Por seu turno, o art. 1 2, § 1 2, apenas restabeleceu ao produtor-vendedor, que viesse
a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de
que trata o art. 3 2 do DL n2 1.248/72. Como se viu linhas atrás, o referido art. 3 2 regulou a
hipótese de exportações indiretas, mas vedou ao produtor-vendedor a .utilização do crédito-
prêmio, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. Acrescente-se que o art. 1 2, §

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t.	
MINISTÉRIO DA FAZENDA.rn

Ministério da Fazenda

	

	
CC-MFSegundo Conselho de Contritnuntes

It	 CONFERE COMO ORIGINAL 	 Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes	 Brunia-DE em  27 /.5._i2a

•

Processo n2 : 10380.01323512002-68 	 u a kafali
Recurso n2 : 126.990	 ~Mem da Segunda Cria

Acórdão u2 : 202-16.567

1 2, da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no
DL n2 1.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o
caso do DL n2 491/69, art. 1 2, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas
comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prêmio à exportação.

Portanto, é inequívoco que a Lei n2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não
reinstituiu o crédito-prêmio à exportação.

Estando o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado desde 1983, é
óbvio que o Decreto n2 64.833/69, que o regulamentou, não pode mais ser aplicado, uma vez que
perdeu seu fundamento de validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou
ou, como prefere a recorrente, o "declarou revogado" por meio do Decreto s/n 2, de 25/04/1990.

Somente para esgotar a argumentação em relação ao Decreto n2 64.833/69,
acrescento que o Parecer n 2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum
reconheceu a vigência deste decreto. Pelo contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto
n2 64.833/69 porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art.
16 do Decreto-Lei n2 1.219/72. Em outras palavras, as empresas beneficiárias de Programas
Befiex, com a cláusula de garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito-
prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o Decreto n2 64.833/69 teria
que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respectivos
programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n 2 64.833/69 estivesse vigorando em
caráter geral: ' 2 *	 •

No tocante às alíquotas fixadas pela Resolução CIEX n 2 02/79, cuja aplicação foi
pleiteada pela recorrente, é desnecessário tecer qualquer consideração a respeito, em face da tese
oficial acima exposta. Porém, o pleito da recorrente é contraditório com a tese vertida no recurso,
pois se a extinção do crédito-prêmio não poderia se dar por ato administrativo, em face do
princípio da reserva legal, o mesmo raciocínio deve ser aplicado à fixação de alíquotas do
crédito-prêmio por meio de ato administrativo. Assim, não chegaríamos a outra conclusão a não
ser pela inconstitucionalidade da Resolução CIEX n 2 02/79.

Resumindo:

1. o direito de aproveitamento do crédito-prêmio à exportação regia-se pela
prescrição qüinqüenal do Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932, pois o beneficio
não tinha natureza jurídica tributária;

2. o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até
30/06/1983, quando expirou a validade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, por
força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979;

3. o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, limitou-se a estender o crédito-prêmio
para as demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a
restringir sua fruição às comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a
vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969;

4. o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma
jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/I 988, porque não era
incentivo de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988;

14



•

MINISTÉRIO DA FAZENDA CC-MFV Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes
CONFERE COM O ORIGINAL_	 .Segundo Conselho de Contribuintes

	

	
Fl

BrasIlie-DF. em G/

-

Processo n9- : 10380.013235/2002-68 	 euzarfiajuji
Recurso n2 : 126.990	 Secreta". de Segunda Crèfit

Acórdão n2 : 202-16.567

5. esta interpretação é vinculante para toda Administração Pública Federal, nos
termos dos arts. 40 e 41 da LC ne• 73/93, em razão de o Parecer n9 AGU/SF-
01/98, de 15 de julho de 1998, ter sido adotado pelo Parecer GQ-172/98, de
13/10/1998, do Advogado Geral da União, e aprovado na mesma data pelo
Presidente da República.

Em face do exposto, voto no sentido de declarar prescritos os valores do crédito-
prêmio anteriores 14/10/1997 e, no mérito, por negar provimento ao recurso.

Sala d.	 ssões, em 19 o;le outubro de 2005.

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O crédito-prêmio do IPI, incentivo à exportação instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei n°491/69, só vigorou até 30/06/1983.
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      <str>ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de
Julgamento do CARF, por maioria de votos: I) reconheceu-se do recurso. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Morais; e 11) em negar aproveitamento do crédito prêmio. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. A Conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta(Suplente) votou pela extinçãodo crédito prêmio em 04/10/1990</str>
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.	
S2-C2T1

Fl. I

;.#

. ". •;41, -	 MINISTÉRIO DA FAZENDA

.. '13--•ZS '. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO

Processo n"	 10380.000927/2006-70

Recurso n°	 155.233 Voluntário

Acórdão n"	 2201-00.131 — r Câmara / 1" Turma Ordinária
Sessão de	 07 de maio de 2009

Matéria	 CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI - PEDIDO DE RESSARCIMENTO

Recorrente	 BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO DE

BERMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA)

Recorrida	 DRJ - Belém-PA	 1

ASSUNTO: iMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDusTRIATizA nos - I PI
:

Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 	 I
1

IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. EXTINÇÃO EM 30/06/1983.

O crédito-prêmio do 1P1, incentivo à exportação instituído pelo art. 1" clo

Decreto-Lei n°491/69, só vigorou até 30/06/1983.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da 2° Câmara/1" Turma Ordinária da 2" Seção de

Julgamento do CARF, por maioria de votos: I) reconheceu-se do recurso. Vencidos os
Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Morais; e 11) em negar
aproveitamento do crédito prêmio. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça,

Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. A Conselheira Andréia
:Dantas Lacerda Moneta (S: 	 nte) votou pela extinção do crédito prêmio em 04/10/1990.

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Relator

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Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 2

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Andréia Dantas

Moneta Lacerda (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão

Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda..

Relatório

Trata-se de Recurso Voluntário contra o indeferimento de pedido de

ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69, relativo

ao período em epígrafe.

O pedido foi indeferido pelo órgão de origem, que considerou o Crédito-

Prêmio extinto em 30/06/1983, pelo Decreto-Lei n°1.658/79, art. 1", § 2".

Observou, a unidade, de origem, que o contribuinte é patrono do processo

judicial n° 2003.81.00.031567-6, no qual cuidaria da mesma demanda deste processo
administrativo.

O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, referindo-se à

Resolução do Senado n° 71/2005 e defendendo, em síntese, que o beneficio ainda está em

vigor. Requer, ao final, que o valor lhe seja ressarcido, com incidência dos juros Selic.

Quanto à ação judicial mencionada pelo órgão de origem, argúi que não

implica em renúncia à esfera administrativa porque impetrada antes da Resolução Senatorial,

"a qual é o fundamento para o deferimento do presente pedido de ressarcimento em razão dos

seus efeitos erga °nines".

A 3' Turma da DRJ, levando em conta a IN SRF n°600/2005, art. 31, § 1°, II,

"b", considerou o Pedido não formulado, não tomando conhecimento da Manifestação de	 •

Inconformidade

A ementa da decisão recorrida é a seguinte: "Por se encontrar extinto o

beneficio do crédito-prêmio do IPI, não será apreciado o pedido apresentado."

O Recurso Voluntário, tempestivo, insiste no ressarcimento.

É o relatório.

Voto

Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Relator

O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos

no Decreto n" 70.235/72, pelo que dele conheço. Diferentemente da interpretação da DRJ,

amparada na IN SRF n°600/2005, art. 31, § 1°, II, "b", entendo que cabe adentrar no mérito do
litígio porque os autos dão conta apenas do Pedido de Ressarcimento (desacompanhado de

compensação), enquanto o dispositivo legal mencionado manda considerar não/declarada a

compensação baseada no direito ao Crédito-Prêmio. Como os autos não noticiam a existência

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Processo n 0 10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 3

1de qualquer declaração de compensação, convém limitar a lide ao ressarcimento e analisar o
mérito da solicitação.

Apesar das posições contrárias, e ressaltando as divergências em torno do

tema, entendo que o incentivo à exportação denominado crédito-prêmio do IPI está extinto
desde 30/06/1983.

Para o deslinde da questão, importa observar a seguinte legislação:

- Decreto-Lei n°491, de 05/03/1969, cujo art. 1' estabelece que "As empresas

fabricantes de produtos manufaturados poderão se creditar, em sua escrita fiscal, como

ressarcimento de tributos, da importância correspondente ao imposto sobre produtos

industrializados calculado, como se devido fosse, sobre o valor F. O. B., em moeda nacional de
suas vendas para o exterior...";

- Decreto-Lei n" 1.658, de 24/01/1979, que extingue, de forma gradual, o
crédito-prêmio, estabelecendo no seu art. 1' um cronograma de redução, que começa com 10%

em 24/01/1979, continua com 5% em 31/03/1979, 5% em 30/06/1979, 5% em 30/09/1979 e

5% em 31/12/1979 (somando 30% no decorrer de 1979), e a partir de então 5% a cada final de

trimestre, de que forma que em 30/06/1983 o beneficio é totalmente extinto;

- Decreto-Lei n° 1.722, de 03/12/1979, que altera a forma de utilização dos

estímulos fiscais às exportações de manufaturados previstos nos arts. 1° e 5' do Decreto-lei n"

491/69, e no seu art. 3° altera o cronograma de redução do crédito-prêmio para os anos de 1980

a 1983, fixando-a em vinte por cento nos três primeiros desses anos (redução por ano, em vez

de por trimestre, como estava previsto no § 2° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.658/79) e em dez

por cento no primeiro semestre do último, de forma que a data final do incentivo permanece a
mesma: 30/06/1983;

- Decreto-Lei IV 1.724, de 07/12/1979, que autorizava o Ministro da Fazenda

a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir, os estímulos fiscais de que

tratam os artigos 1° e 5° do Decreto-lei n°491/69; e

- Decreto-Lei n° 1.894, de 16/12/1981, que institui incentivos fiscais para

empresas exportadoras de produtos manufaturados e no seu art. 2' altera o art. 3" do Decreto-lei
n° 1.248/1972, de forma a assegurar ao produtor-vendedor, nas operações decorrentes de

compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial

exportadora para o fim especifico de exportação, os beneficies fiscais concedidos por lei para

incentivo à exportação, à exceção do crédito-prêmio previsto no artigo 1" do Decreto-lei n"

491/1969, ao qual passa a fazer jus apenas a empresa comercial exportadora.

O artigo 3°, I, do Decreto-Lei n° 1.894/81, também conferiu nova delegação

de poderes ao Ministro da Fazenda, que assim corno aquela conferida pelo Decreto-Lei n°

1.724/79, foi posteriormente julgada inconstitucional pelo STF.
,

Após o Decreto-Lei n" 1.658/79, nenhuma das alterações legislativas posteriores

modificou a data de extinção definitiva do crédito-prêmio, fixada em 30/06/1983. Pelo contrário:

o Decreto-Lei n" 1.722, de 03/12/1979 corroborou-a expressamente, embora tenha alterado o

cronograma de redução fixando-o por períodos anuais para os anos de I' z0 a 1983, em vez de por

trimestre, como fizera inicialmente o Decreto-Lei ri' 1.658/79.	
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Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2.C2TI
Acórdào n.° 2201-00.131 	 Fl. 4

Permaneceu a mesma data de vigência do beneficio, com a delegação de

competência ao Ministro da Fazenda para graduar, ao longo do ano e conforme a conveniência da

política econômica, os pontos percentuais de extinção do crédito-prêmio correspondentes ao
período (20% ao ano).

A legislação primária posterior ao Decreto-Lei rf 1.722/79 também não trouxe

revogação, nem derrogação, das normas que aprazaram a extinção do crédito-prêmio para o dia

30/06/1983. O Decreto-Lei n° 1.724, de 07/12/1979, ao autorizar em seu art. 1' o Ministro de

Estado da Fazenda a deliberar sobre o crédito-prêmio, não modificou a data final da extinção do

beneficio. Observe-se a redação do Decreto n" 1.724/79:

Art. I" - O Ministro de Estado da , Fazenda ,fica autorizado a
aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir
os estímulos fiscais de que tratam os artigos I' e 5' do Decreto-
Lei n."491, de 5 de março de 1969.

Art. 2" - Este Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua
publicação, revogadas as disposições em contrário.

Com base nessa delegação de competência o cronograma de redução do

crédito-prêmio foi alterado por Portarias Ministeriais, dentre elas as Portarias ifs 252/82 e

176/84, do Ministério da Fazenda, segundo as quais o referido beneficio teve seu prazo de
extinção prorrogado para 30/04/85.

O Supremo Tribunal Federal, todavia, declarou inconstitucionais as

delegações de competência estabelecidas pelos Decretos-Leis n's 1.724/79 e 1.894/81 para o
Ministro da Fazenda. Veja-se:

CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL.
CRÉDITO-PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA.
DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts.
1" e 5". D.L. 1.724, de 1979, art. 1; D.L. 1.894, de 1981, ar. 3",
inc. I. C.F. 1967.

I- É inconstitucional o artigo I' do D.L. 1.724 de 7.12.79, bem
assim o inc. I do an. 3' do D.L. 1494 de 16.12.81, que
autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou
reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos
fiscais concedidos pelos artigos 1"e 5" do D.L. n°49/, de 053,69.
Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6'. Ademais,
as matérias reservadas á lei não podem ser revogadas por ato
normativo secundário.

II- RE, conhecido, porém não provido (letra b).

(RE n" 186.623-3/RS, Min. CARLOS VELLOSO, DJ de
12.04.2002)"

TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA 'LEGALIDADE
ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo 1" do Decreto-lei n"
1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o inciso I do artigo 3" do
Decreto-lei n" 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que

AIimplicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para
00suspender, aumentar, reduzir, temporári, • 	 efinitivamente, ou ,10,

ili

	

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Processo n° I 0380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 5

extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos I" e 5" do

Decreto-lei n"49I, de 5 de março de 1969.

(RE 186359/RS, Pleno," 14/3/2002, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ

10/5/2002, p. 53).

Mais recentemente, em 16/12/2004, o STF concluiu o julgamento do Recurso

Extraordinário n° 208.260-RS, Acórdão publicado em 28/10/2005, e, por maioria, vencido o

MM. Mauricio Corrêa (relator original), declarou a inconstitucionalidade do art. 1' do Decreto
n° 1.724/79, no que delegava ao Ministro da Fazenda poderes para tratar do crédito-prêmio.

Referido julgamento foi iniciado 20/11/1997, quando o Min. Mauricio Corrêa proferiu o seu

voto, afastando a inconstitucionalidade afinal declarada pelo Tribunal. Naquela ocasião foi

acompanhado pelo Min. Nelson Jobim, que na sessão final, em 16/12/2004, reviu a sua posição

anterior e acompanhou a maioria, que seguiu o voto do Min. Marco Aurélio, designado relator
para o acórdão.

O STF entendeu que a delegação de competência em questão implica em

ofensa ao principio da legalidade - haja vista ter-se disposto, por meio de Portaria, sobre

crédito tributário -, bem como ao parágrafo único do art. 6° da Constituição de 1969, que

proibia a delegação de atribuições ("Salvo as exceções previstas nesta Constituição, é vedado a

qualquer dos Poderes delegar atribuições;").

Em conseqüência das declarações de inconstitucionalidades, todos os atos

normativos secundários decorrentes das delegações de competência conferidas pelos Decretos-

Leis n's 1.724/79 e 1.894/81 perderam, com eficácia ex tune, as validades. Tanto os atos

normativos que extinguiram o subsidio antes do prazo legal dos Decretos-leis n's 1.658/79 e

1.722/79, quanto, com maior razão, as Portarias Ministeriais n's 252/82 e 176/84, que tentaram

prorrogar o prazo de vigência do subsidio até 30/04/85. Destarte, o crédito restou definitivamente

extinto em 30/06/83.

Os Decretos-Leis n's 1.658/79 e 1.722/79, no que determinam a extinção do
crédito-prêmio em 30/06/1983, permanecem em pleno vigor.

Quanto ao Decreto-Lei if 1.894, de 16/12/81, em seu art. 1° estendeu às

empresas exportadoras o estimulo fiscal em questão, nos seguintes termos.

Art. 1" - As empresas que exportarem, contra pagamento em

moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional,

adquiridos no mercado interno, fica assegurado:

- O crédito do imposto sobre produtos industrializados que

haja incidido na aquisiçc'to dos mesmos;

11 - O crédito do imposto de que trata o art. 1" do DL n" 491, de

5 de março de 1969.

(negrito ausente no original).

A fim de evitar duplicidade de utilização do crédito-prêmio, o art. 2° Decreto-

Lei n° 1.894/81, a seguir transcrito, restringiu a sua concessão às ipresas produtoras-

vendedoras, quando o referido beneficio fosse utilizado pelas empresas c iikierciais exportadoras:

5



•

-	 Processo n° 10380.000927/2006-70	 52-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 6

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Art. 2' - O artigo 3" do DL n" 1.248, de 29.11.72, passa a vigorar
com a seguinte redação:

'A ri. 3' São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações
de que trata o artigo 1" deste DL. os beneficios .fiscais
concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do
previsto no artigo 1" do DL n° 491, de 05 de março de 1969, ao
qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora'.

(negrito ausente no original).

Se admitida a tese de que o beneficio não fora extinto em 30/06/1983, a

extinção teria se dado, de todo, em 05/10/90 - dois anos após a data da promulgação da

Constituição Federal em 1988, face à ausência de confirmação expressa por lei.

É que, como se sabe, o art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais

Transitórias (ADCT) prevê, em seu § I°, a necessidade de os incentivos fiscais de natureza

setorial, anteriores à nova Carta, serem confirmados por lei. Do contrário consideram-se

revogados após dois anos a contar da data da promulgação da Constituição. Assim dispõe o

referido artigo do ADCT:

Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os
incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo
aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis.

§ 1° Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da
data da promulgação da Constituição, os incentivos que não
forem confirmados por lei.

O crédito-prêmio do IPI é, indiscutivelmente, incentivo fiscal de natureza

setorial, porque tem como objetivo primordial fomentar o setor de exportação, cujo universo é

facilmente determinável.

Inclusive, a Lei if 8.402/92, mencionada como nonna que teria convalidado-

o, confirmou outros incentivos fiscais, mas não o crédito-prêmio. Observe-se a sua redação:

Art. I° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais:

(.)

II - manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre
Produtos Industrializados relativo aos i 77S111770S empregados na
industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5°
do Decreto-Lei 11° 491, de 5 de março de 1969;

(-)

1§ 1 ° É igualmente restabelecida a garantia de concessão dos 	 1
incentivos .fiscais à exportação de que trata o art. 3° do Decreto-
Lei 77° 1.248, de 29 de novembro de 1972, ao produtor-v ndedor
que efetue vendas de mercadorias a empresamercial
exportadora, par 	 Iia o , m específico de exportaçãft 

1
Ia forma

prevista pelo art. 1° do mesmo diploma legal.

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Processo n°10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 7

O inciso II do art. 1° da Lei n° 8.402/92 trata do beneficio à exportação

inserto no art. 5" do Decreto-Lei n°491/69, relativo à manutenção e utilização do crédito do IPI

incidente sobre matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem

efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, nada tendo a ver com o

crédito-prêmio instituído no art. I°.

o § 1" do art. 1" da Lei n° 8.402/92, por sua vez, reporta-se ao art. 3° do
Decreto-Lei n" 1.248/72, cuja redação é a seguinte: "São assegurados ao produtor-vendedor,
nas operações de que trata o artigo 1° deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei

para incentivo à exportação." Claramente o referido § 1' não se refere expressamente ao
crédito-prêmio.

A corroborar a extinção do crédito-prêmio em 30/06/83, a Primeira Tunna

Superior Tribunal de Justiça já decidira, em 08/06/2004, negar, por três votos a uni (o voto

vencido foi do ilustre Min. José Delgado), o pedido de crédito-prêmio de IP1 da empresa

gaúcha Icotron S/A Indústria de Componentes Eletrônicos, Recurso Especial n" 591.708—RS

(2003/0162540-6). A ementa deste Acórdão é a seguinte:

TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI
491/69 (ART. 15. INCONSTITUCIONALIDADE DA
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA AO MINISTRO DA
FAZENDA PARA ALTERAR A VIGÊNCIA DO INCENTIVO.
EFICÁCIA DECLARA TÓRIA E EX TUNC. MANUTENÇÃO DO
PRAZO EXTINTIVO FIXADO PELOS DECRETOS-LEIS
1.658?79 E I .722?79 (30 DE JUNHO DE 1983).

1. O art. I" do Decreto-lei I.658?79, modificado pelo
Decreto-lei 1.722?79, ,fixou em 30.06.1983 a data da extinção do
incentivo fiscal previsto no art. 1" do Decreto-lei 491769
(crédito-prêmio de IPI relativos à exportação de produtos
manufatura(los).

2. Os Decretos-leis 1.724?79 (art. 15 e 1.894?81 (art. 35,
conferindo ao Ministro da Fazenda delegação legislativa para
alterar as condições de vigência do incentivo, poderiam, se
fossem constitucionais, ter operado, implicitamente, a revogação
daquele prazo fatal. Todavia, os tribunais, inclusive o STF.
reconheceram e declararam a inconstitucionalidade daqueles
preceitos normativos de delegação.

3. Em nosso sistema, a inconstitucionalidade acarreta a
nulidade ex tunc das normas viciadas, que, em conseqüência,
não estão aptas a produzir qualquer efeito jurídico legítimo,
muito menos o de revogar legislação anterior. Assim, por serem
inconstitucionais, o art. I' do Decreto-lei 1.724/79 e o art. 3" do
Decreto-lei 1.894/81 não revogaram os preceitos normativos
dos Decretos-leis 1.658/79 e 1.722/79, ficando mantida,
portanto, a data de extinção do incentivo fiscal.

4. Por outro lado, em controle de constitucionalidade, o
Judiciário atua como legislador negativo, e não con
legislador positivo. Não pode, assim, a pretexto de declad n i a
inconstitucionalidade parcial de uma norma, inovar no plano
do direito positivo, permitindo 'que surja, com , parte

4
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Processo n°10380.000927/2006-70 	 S2-C2T
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remanescente da norma inconstitucional, um novo comando

normativo, não previsto e nem desejado pelo legislador. Ora, o

legislador jamais assegurou a vigência do crédito-prêmio do
IPI por prazo indeterminado, para além de 30.06.1983. O que
existiu fai apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se assim

o decidisse o Ministro da Fazenda, com base na delegação de

competência que lhe fora atribuída. Declarando

inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo

que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a

conseqüência de conferir ao beneficio fiscal uma vigência

indeterminado, não prevista e não querida pelo legislador, e

não estabelecido nem mesmo pelo Ministro da Fazenda, no uso

de sua inconstitucional competência delegada.

5. Finalmente, ainda que se pudesse superar a

fundamentação alinhada, a vigência do beneficio em questão

teria, de qualquer modo, sido encerrada, na melhor das

hipóteses para os beneficiários, em 05 de outubro de 1990, por

força do art. 41, § I", do ADCT, já que o referido incentivo

fiscal setorial não foi confirmado por lei superveniente.

6. Recurso especial a que se nega provimento.

(Negritos não-originais)

No voto vencedor do Recurso Especial n" 591.708—RS, o

ilustre Relator, Ministro Teori Albino Zavascki, inicia a sua

argumentação a partir da seguinte indagação:

foi ou não revogada a norma prevista no DL 1.658/79 (art. 1",

§ 29 e reafirmada no DL 1.722/79 (art. 39, segunda a qual o

estimulo fiscal do crédito-prêmio seria definitivamente extinto em

30.06.83?"

A resposta a essa indagação foi dada nos seguintes termos: "o beneficio fiscal

previsto no art. 1° do DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal corno estabelecido pelo

legislador."

No seu voto - que transcrevo porque esclarece toda a controvérsia,

historiando-a, e porque está sem consonância com o entendimento aqui exposto -, o Ministro

Teori Albino Zavascki assim se manifesta:

I. A hipótese é daqueles situadas em domínios não muito bem

demarcados entre a matéria constitucional (de competência do

STF) e infraconstitucional (atribuída ao STJ). É que não se

questiona, propriamente, a constitucionalidade ou não dos
preceitos normativos aplicáveis ao caso. No particular, as partes

estão acordes no sentido de que há normas inconstitucionais,

assim reconhecidas inclusive pelo STF. O que se questiona é se a

norma inconstitucional teria ou mio revogado as anteriores e se,
reconhecida a sua inconstitucionalidade, teria ou não havido
repristinação daquelas. Do modo como posta - de saber se

determinada norma foi ou não revogada por norma rp41
414

014
1	 8



Processo n° I 0380.000927/2006-70	 S2-C2T
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superveniente, se vige ou não e em que limites -, é matéria que,

embora suponha. eventualmente, juízo a respeito das

conseqüências decorrentes da inconstitucionalidade das normas,

comporta apreciação em recurso especial. Aliás, o tema já foi

enfrentado no STJ em outros casos, tanto que há, no recurso,

demonstração de dissídio jurisprudencial que tem como

paradigmas acórdãos deste Tribunal. Assim, preenchidos que

estão os demais requisitos de admissibilidade, conheço do

recurso.

2. Para adequado exame do mérito convém rememorar os

principais episódios da evolução legislativa do chamado "crédito-

prêmio à exportação". Trata-se de incentivo fiscal criado pelo art.

I' do Decreto-Lei 491/69, a saber:

"Art. 1". As empresas fabricantes e expor adoras de produtos

manufaturados gozarão, a titulo de estímulo .fiscal, créditos

tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento

de tributos pagos internamente.

1"- Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos

do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente

sobre as operações no mercado interno.

§ 2" - Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o

mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos

federais, ou aproveitados nas .fármas indicadas por regulamento"

Sobreveio o Decreto-Lei 1.658/79, estabelecendo um cronograma

de redução gradual do incentivo, até sua total extinção, prevista

para a data de 30.06.83, conforme dispunha o artigo I" e seus

parágrafos:

"Art. 1"- O estímulo fiscal de que trata o artigo I' do Decreto-Lei

n" 491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até

sua definitiva extinção.

§ I" - Durante o exercício .financeiro de 1979, o estimulo será

reduzido:

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento,»'

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§ 2"- A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5% (cinco por

cento) a 31 de março, a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de	 •

dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30

de junho de 1983."

O cronograma foi alterado pelo ecreto-Lei 1,722/79, cujo art. 3

CISSini dispas.:

9



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Acórdão	 2201-00.131	 Fl. 10

"Art. 3" - O parágrafo 2' do artigo 1" do Decreto-lei n°1.658, de

24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação:

" 2" O estímulo será reduzido de vinte por cento em 1980, vinte

por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até

30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da
Fazenda."

Editou-se, depois, o Decreto-Lei 1.724/79, com dois artigos:

"Art. I' O Ministro de Estado da Fazenda .fica autorizado a
aumentar ou reduzir; temporária ou definitivamente, ou extinguir
os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1"e 5' do Decreto-lei
n°49], de 5 de março de 1969.

"Art. 2" Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua

publicação, revogadas as disposições em contrário.

Finalmente, foi editado o Decreto-Lei 1.894/81, estendendo

benefícios .fiscais à exportação, inclusive o crédito-prêmio do DL

491/69, art. I", a cenas empresas exportadoras que originalmente

não estavam contempladas, isto é, "às empresas que exportarem,

contra pagamento de moeda estrangeira conversível, produtos de

fabricação nacional, adquiridos no mercado interno" (art. 1", II).

O art. 3" desse Decreto-Lei dispôs o seguinte:

"Art. 3°- O Ministro da Fazenda .fica autorizado, com referência

aos incentivos fiscais à exportação, a:

I - estabelecer prazo, forma e condições, para sua fruição, bem

como reduzi-los, majorá-los, suspendê-los ou extingui-los, em

caráter geral ou setorial;

- estendê-los, total ou parcialmente, a operações de venda de

produtos manufaturados nacionais, no mercado interno, contra

pagamento em moeda de livre conversibilidade;

- determinar sua aplicação, nos termos, limites e condições que

estipulai; às exportações efetuadas por intermédio de empresas
exportadoras, cooperativas, consórcios ou entidades

semelhantes".

Com base na delegação conferida pelos Decretos-Leis 1.724/79 e

1.894/81, o Ministro da Fazenda editou correspondentes atos

administrativos, nomeadamente as Portarias 252/82 e 176/84,
prorrogando a vigência do incentivo fiscal para 1"/05/85.

3. Ocorre que os Tribunais, provocados por contribuintes,

declararam a inconstitucionalidade do artigo 1" do DL 1.724/79 e

do artigo 3" do DL 1.894/81, ao fundamento básico de que a
delegação de competência ao Ministro da Fazenda, para a prática

dos atos neles mencionados, era incompatível com o princípio

constitucional da legalidade estrita, incidente na espécie. Assim o

fez o antigo Tribunal Federal de Recursos, ao julgar a Argüição
de Inconstitucionalidade na AC 109.896/DF (D.I de 22.10.87,
relator Min. Pádua Ribeiro). Assim o fez também (aliás com nzett ts,
voto à época) o TRF da 4" Regi - •' 'eonde provém o recurso ora

, o



Processo n" 10380.00092712006-70	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. I

em exame (Argüição de Inconstitucionalidade na AC 90.04.11176-
0/PR, relator Juiz Paim Falcão, DJ de 10.06.92). E assim o fez o

STF, em precedentes ementados nos seguintes termos:

"CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL.

CRÉDITO-PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA.

DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts. 1"
e 5". D.L. 1.724, de 1979, art. I; D.L. 1.894, de 1981, art. 3", inc.
I. CF 1967.

I- É inconstitucional o artigo 1" do D.L. 1.724, de 7.12.79, bem

assim o inc. I do art. 3" do D.L. 1.894, de 16.12.81, que
autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou

reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos

fiscais concedidos pelos artigos 1°c 5" do D.L. n°491, de 05.3.69.

Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6" Ademais,

as matérias reservadas à lei não podem ser revogadas por ato

normativo secundário.

H — R.E. conhecido, porém não provido (letra b)" (RE 186.623-

3/RS, Min. Carlos Velloso, DJde 12.04.2002)"

TRIBUTÁRIO — BENEFÍCIO — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo I' do Decreto-lei n"

1.724, de 07 de dezembro de 1979, e o inciso I do artigo 3" do

Decreto-lei 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram

a autorização do Ministro de Estado da Fazenda para suspender,

aumentar, reduzi,; temporária ou definitivamente, ou extinguir os

incentivos fiscais previstos nos artigos I" e 5" do Deceto-lei n"

491, de 05 de março de 1969 - (RE 186.359-5/RS, Min. Marco

Aurélio, DJ de 10.05,2002).

4.Reconhecida e declarada a inconstitucionalidade das normas de

delegação previstas no art. I" do DL 1.724/79 e no art. 3" do DL
1.894/81, surgiu a controvérsia, aqui também reproduzida nos

autos, que pós em lados opostos a Fazenda Pública e os

contribuintes exportadores, e que consiste, em suma, em saber se

foi extinto ou não o incentivo fiscal previsto no art. 1" do DL

491/69. No entender dos contribuintes, a resposta é negativa, já

que, não tendo sido legitima a delegação outorgada ao Ministro

da Fazenda para alterar o prazo de vigência ou extinguir o

beneficio, este passou a vigorar com prazo indeterminado. No

entender da Fazenda, a resposta é positiva, porque as normas que

estabeleciam o prazo de 30.06.83 como termo final para a outorga

do incentivo, não foram revogadas, nem expressa e nem

implicitamente, por qualquer norma superveniente. Em suma, a

pergunta que tem de ser respondida é esta: foi ou não revogado a

norma prevista no DL 1.658/79 (art. I", § 2) e reafirmada no DL

1.722/79 (art. 3'), segunda a qual o estimulo .fiscal do crédito-

prêmio seria definitivamente extinto em 30.06.83 ?

5,/Vão procede, no meu entender, o argumento da Fazenda, nos
termos em que foi posto. Se é certo que nenhuma norma posterior

revogou expressamente o prazo fatal de 30 de junho de 1983,

previsto no parágrafo 2" do art. 1" do DL 1.658/79 e 170 art. 3" do

DL 1.722/79, também é cer • que, ao outorgar ao Ministro da

11

Sia



Processo n 0 10380.000927/2005-70	 S2-C2T1
Acórdão n°2201-00,131	 A. 12

Fazenda poderes para "aumentar ou reduzir, temporária ou
definitivamente, ou extinguir" o incentivo, conforme estabelecido

no art. 1"do DL 1.724/79 e na arr. 30(10 DL 1.894/81, o legislador
deixou latente a possibilidade de sua prorrogação para além da
data fatal antes referida. Conseqüentemente, sob este aspecto, não

se pode acolher a tese de que, mesmo com a delegação dada ao

Ministro da Fazenda, o beneficio deveria necessariamente ser

extinto em 30 de junho de 1983. Portanto, a se considerar legítima

a delegação outorgada ao Ministro da Fazenda, não haveria

como negar que o legislador admitiu a possível vigência do

beneficio por outro prazo (maior ou menor), que não o do

Decreto-lei. Assim, implicitamente, a delegação de competência,

nos termos em que conferida, importou a revogação da fatalidade
do prazo para a extinção do beneficio.

Observe-se, no particular, que também não procede a afirmação

dos contribuintes segundo a qual o Decreto-Lei 1.894/81 teria
restaurado o beneficio .fiscal do crédito prêmio, agora sem prazo

determinado. Nada, no citado normativo, autoriza tal conclusão.

Muito pelo contrário, a tese padece de insuperável vício lógico:

não se poderia restaurar em 1981 um beneficio que estava em
plena vigência e que somente seria extinto em 1983.

Portanto, repita-se: o que ocorreu foi uma hipótese de
revogação implícita, por incompatibilidade, como prevê o § I"

do art. 2" da Lei de Introdução ao Código Civil: ao conferir ao
Ministro da Fazenda a faculdade de manter, reduzir ou dilatar a

vigência do beneficio ,fiscal do crédito-prêmio, o legislador,

implicitamente, admitiu a possibilidade de vir a ser modificada,

por ato do Poder Executivo, a data de sua extinção, prevista

para 30.06.83.

6,Mas a Fazenda têm razão, segundo penso, por duas outras

circunstâncias. Primeiro, porque as normas de delegação de

competência ao Ministro da Fazenda — que, como se disse,

importaram a revogação implícita da fatalidade do prazo do
beneficio — 'Oram declaradas inconstitucionais pelo Poder

Judiciário, inclusive pelo STF e, em razão disso, não produziram

o efeito revocatório da legislação anterior.

E em segundo lugar porque o legislador jamais assegurou a

concessão do beneficio por prazo indeterminado. O que ele fez,
ao editar a norma de delegação, foi conferir ao Ministro da

Fazenda a faculdade de modificar o prazo de 'vigência do

incentivo. Mas nem o legislador e nem o Ministro da Fazenda,

em seus atos normativos secundários, conferiram ao beneficio
um prazo indeterminado. O máximo que fez o Ministro foi,

mediante Portarias, prorrogar o incentivo até I" de maio de

1985. Ora, se a indeterminação de prazo não foi querida e nem
chegou e ser instituída pelo legislador ou pelo Executivo, é certo

que ela não poderia ser, simplesmente, suposta como

decorrência do ato jurisdicional que reconheceu

12



Processo ri° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl.

•

inconstitucionalidade da norma. O Judiciário, com efeito, não é
legislador.

Convém detalhar esses fundamentos.

7.Em nosso sistema, de Constituição rígida e de supremacia das
normas constitucionais, a inconstitucionalidade de um preceito
normativo acarreta a sua nulidade desde a origem, razão pela
qual o reconhecimento jurisdicional da inconstitucionalidade
tem efeito meramente declaratório, e não constitutivo, operando
ex tune, a significar que o preceito normativo inconstitucional
jamais produziu efeitos jurídicos legítimos, muito menos o efeito
revocatório da legislação anterior com ele incompatível. Essa é
orientação .firmemente assentada no Supremo Tribunal Federal,
como se verifica, v.g., no RE 259.339, Min. Sepúlveda Pertence,
DJ de 16.06.2000 e na ADIn 652/MA, Min. Celso de Mello, RTJ
146:461, em cuja ementa a doutrina foi assim sumariada pelo
relator:

"O repúdio ao ato inconstitucional decorre, em essência, do
princípio que, fundado na necessidade de preservar a unidade da
ordem jurídica nacional, consagra a supremacia da
Constituição. Esse postulado fundamental do nosso ordenamento
normativo impõe que preceitos revestidos de 'menor' grau de
positividade jurídica guardem, 'necessariamente', relação de
conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política,
sob pena de ineficácia e de conseqüente inaplicabilidade. Atos
inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em
conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica.(..) A
declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juizo de
exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida
ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do
ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e
desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas
as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração
de eficácia das leis e das normas afetadas pelo ato declarado
inconstitucional" (op.cit., p. 461).

Daí a acertada conclusão de Clèmerson Merlin Clève (A
Fiscalização Abstrata da Constitucionalidade no Direito
Brasileiro, RT, 2000, p. 249):

"Porque o ato inconstitucional, no Brasil, é nulo (e não,
simplesmente, anulável), a decisão que o declara produz efeitos
repristinatórios. Sendo nulo, do ato inconstitucional não decorre
eficácia derrogatória das leis anteriores. A decisão judicial que
decreta (redita, que declara) a inconstitucionalidade atinge
todos 'os possíveis efeitos que unia lei constitucional é capaz de
gerar' [José Celso de Mello Filho, Constituição Federal
Anotada, SP, Saraiva, 1986, p. 349] inclusive a cláusula
expressa ou implícita de revogação. Sendo nula a lei declarada
inconstitucional, diz o Ministro Moreira Alves, 'permanece
vigente a legislação anterior a ela e que teria sido revogada
houvesse a nulidade' [Rp I.077/RJ, Pleno, DJ em 28.09.1984J".

ors
13



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C21' I
 n.° 2201-00.131	 Fl. 14

Alerta esse autor, ainda, para a inadequação do termo

"repristinação", reservado às hipóteses de reentrada em vigor de

norma efetivamente revogada (e que, salvo apressa previsão

legislativa, inocorre no direito brasileiro), afirmando ser

preferível, para designar o fenômeno do revigoramento de lei

apenas aparentemente revogada por norma posteriormente

declarada inconstitucional, falar-se em efeito repristinatório (op.
cit., p. 250).

Não foi outra a orientação adotada por esta I" Turma do STJ, no
julgamento do RESP 587.518, julgado em 04.03.2004, de que fui
relator, onde ficou anotado:

"1. 0 vício da inconstitucionalidade acarreta a nulidade da

norma, conforme orientação assentada há muito tempo no STF e

abonada pela doutrina dominante. Assim, a afirmação da
constitucionalidade ou da inconstitucionalidade da norma, tent

efeitos puramente deelaratórios. Nada constitui nem

desconstitui. Sendo declaratória a sentença, a sua eficácia

temporal, no que se refere à validade ou à nulidade do preceito

normativo, é ex tune.

2. A revogação, contrariamente, tendo por objeto norma válida,

produz seus efeitos para o futuro (ex nunc), evitando, a partir de

sua ocorrência, que a norma continue incidindo, mas não

afetando de forma alguma as situações decorrentes de sua

(regular) incidência, no intervalo situado entre o momento da

edição e o da revogação.

3. A não-repristinaçâo é regra aplicável aos casos de revogação

de lei, e não aos casos de inconstitucionalidade. É que a norma

inconstitucional, porque nula ex tunc, não teve aptidão para

revogar a legislação anterior, que, por isso, permaneceu

vigente."

Fundada nesse raciocínio, a Turma, na oportunidade considerou

que, reconhecida a inconstitucionalidade do aumento da

contribuição para o PIS operado pelos Decretos-leis 2.445/88 e
2.449/88, ficou repristinada, isto é, mantida, a sistemática de

recolhimento estabelecida na lei anterior (Lei Complementar

7/70).

Ora, no caso concreto, o fenômeno é exatamente o mesmo.

Declarada a inconstitucionalidade do art. I" do DL 1.724/79 e

do art. 3' do DL 1.894/81, é imperioso reconhecer que deles não

surgiu qualquer efeito jurídico legitimo, muito menos aquele,

antes referido, de produzi,- a revogação implícita do prazo de

vigência do beneficio .fiscal até 30 de junho de 1983. Com a

inconstitucionalidade da norma revogadora (ainda mais em se
tratando de revogação implícita, por incompatibilidade, como é

o caso) ficou inteiramente mantido, e.x- tune, o preceito normativo

que se tinha por revogado. A conseqüência necessária é a da
restauração, da repristinação ou, melhor dizendo, da

manutenção, plena e intocada, da norma que estabeleceu como
sendo em 30 de junho de 1983 o prazo fatal de vigência do p ,
incentivo previsto no art. 1" do DL 491/69.	 3fe.

1 4



Processo n° 10380.000927/2005-70	 82-C2111
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 15

8.Há, ademais, outro fundamento a demonstrar a extinção do

crédito-prêmio na data prevista na lei. A função jurisdicional, no

domínio do controle de constitucionalidade dos preceitos

normativos, faz do Judiciário uma espécie de legislador

negativo, pois lhe confere poder para declarar excluída do

mundo jurídico a norma inconstitucional. Todavia, jamais o

investe na função de legislador positivo, isto é, jamais autoriza

que, a pretexto de declarar a inconstitucionalidade parcial de

uma norma, possa o Judiciário inovar no plano do direito

positivo, permitindo que se estabeleça, com a parte

remanescente da norma inconstitucional, o surgimento de uma

norma nova, não prevista e nem desejada pelo legislador. Essa é

orientação pacifica do STF. "O Poder Judiciário, no controle de

constitucionalidade dos atos normativos, só atua como

legislador negativo e não como legislador positivo", afirmou o

relator da Adin 1.822-4/DF, Min. Moreira Alves (DJ de

10.1299), razão pela qual é verdadeiro 'dogma", na expressão

do voto Ministro Sepúlveda Pertence, "...que não se declara a

inconstitucionalidade parcial quando haja inversão clara do

sentido da lei". No mesmo sentido, entre muitos outros, os

seguintes precedentes: Rp 1.379-1, Min, Moreira Alves, DJ de

11.09.87; Rp 1.451/DF, Min. Moreira Alves, RTJ 127/789). É

também nesse sentido a orientação doutrinária brasileira, a

clássica (como, v.g, a de Lúcio Bittencourt, em "Controle

Jurisdicional de Constilucionalidade das Le. is", 1968, p. 168) e a

atual (como, v.g., a de Gilmar Ferreira Mendes, em "Jurisdição

Constitucional", Saraiva, 1996, p. 264).

Ora, conforme antes se fez ver da evolução legislativa do

incentivo .fiscal em exame, não há norma alguma que tenha

assegurado a vigência do beneficio para além de 30.06.83. O

que existia era apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se

assim o decidisse o Ministro da Fazenda, com base na delegação

de competência que lhe fora atribuída. Pois bem, declarando

inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo

que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a

conseqüência de produzir uma norma nova, conferindo ao

beneficio fiscal uma vigência indeterminado, não prevista e não

querida pelo legislador, e não estabelecido nem mesmo pelo

Ministro da Fazenda, no uso de sua inconstitucional

competência delegada. Não há como negar, portanto, também

por este fundamento, que o benefício .fiscal previsto no art. I" do

DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal como estabelecido pelo

legislador.

9.Finalmente, ainda que se pudesse superar a fundamentação

alinhada, a vigência do beneficio em questão teria, de qualquer

modo, sido extinta por força do disposto no art. 41, e seu § 1" do

Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT, d rsi;
Constituição Federal. Diz o dispositivo:

15



Processo n° 10380.000927/2006-70	 82-C211
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 16

"Art. 41 — Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do

Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os
incentivos .fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo
aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis.

§ I n Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da
data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que
não forem confirmados por lei"

Ora, o incentivo previsto no art. I" do DL 491/69 era um típico
incentivo fiscal setorial, direcionado que estava ao chamado

"setor exportador'', e, como tal, se em vigor à época, deveria ter

sido confirmado por lei. Isso, no entanto, não ocorreu e, por isso

mesmo sua vigência foi encerrada, na melhor das hipóteses para

os beneficiários, em 05 de outubro de 1990, dois anos após a
promulgação da Constituição.

Aliás, a Lei 8.402 de 08.0E92, destinada a restabelecer

incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o "do crédito
do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos instintos

empregados na industrialização de produtos exportados, de que

trata o art. 5" do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969" (art.
1", II). Nenhuma palavra sobre o incentivo aqui em exame,
previsto 170 art. I" do mesmo Decreto-Lei. Convém anotar que
esses dois incentivos são inconfundíveis, tendo o legislado,- dado

a eles tratamento autónomo. Assim, o regime de delegação ao

Ministro da Fazenda para aumentar, reduzir, temporária ou

definitivamente, ou extinguir, dizia respeito a ambos, ou seja,

aos "estímulos fiscais de que tratam os artigos I" e 5' do

Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969", segundo disposição
expressa do an. I" do DL 1.724/69; todavia, apenas o crédito-

prêmio previsto no art. I", e não o incentivo do art. 5", teve seu

prazo de vigência limitado a 30.0683, conlbrine se vê do art. I"
do DL 1.658/79 e art. 3" do DL 1.722/79, todos acima

transcritos. Da mesma forma ocorreu com a Lei 8.402/92, que

faz menção apenas ao restabelecimento do incentivo do ar. 5", e

não ao outro, do art. 1", que já se encontrava extinto.

10.Ante o exposto, nego provimento. É o voto.

Contrário ao entendimento acima, o Min . José Delgado, no seu voto-vista,

manteve o seu entendimento anterior acerca da matéria, pelas razões seguintes:

Em síntese, o que me apresenta convincente é que:

a) o legislador pretendeu, inicialmente, extinguir o crédito-

prêmio do IPI em junho de 1983;

b) porém, por ter resolvido adotar em 1981 a continuidade de

incentivos às empresas exportadoras com o referido crédito-

prêmio, resolveu torná-lo sem prazo certo de extinção, delegando,

contudo, ao Ministro da Fazenda autorização para extinguido

quando, por questões de política fiscal, entendesse conveniente;

c) tendo a referida delegação sido considerada inconstitucional, o
incentivo em questão só pode ser extinto por lei posterior ao DL

16



Processo n" 10380.00092712006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 17

1.894, de 16.12.1981, de modo expresso ou que contenha regra
incompatível com o alcance do discutido beneficio fiscal.

Após o voto do Min, José Delgado, que restou vencido, o Min. Teori Albino
Zavascki, relator do Acórdão 591.708—RS, reconheceu o equivoco em que incorreu nos votos

anteriores sobre o tema e refutou o argumento de que o Decreto-Lei n° 1.894/81 teria
"confirmado" o incentivo em questão, assim se pronunciando:

Senhor Presidente, peço a palavra para tecer algumas

considerações em face do voto que acaba de ser proferido pelo

Ministro Delgado, em que refere a existência de precedente
desta Turma, no sentido de sua tese, precedente que teve

inclusive meu voto de adesão. Realmente, naquela ocasião votei
naquele sentido, e o fiz, na condição de vogal, levado pela

invocação, constante do voto do relator — que, salvo melhor
juízo, foi o próprio Ministro Delgado — de jurisprudência do STJ

e do proprio STF sobre a matéria. Todavia, ao estudar o

presente caso, verifiquei que a invocada jurisprudência do STF

dizia respeito apenas à inconstaucionalidade das normas de

delegação constantes nos Decretos-Leis 1.724/79 e 1.894/81, e

não à questão ora em foco, que é a alegada vigência, por prazo

indeterminado, do crédito-prémio instituído pelo DL 491/69. Dai

a razão porque, agora, estou votando em sentido diferente,

lamentando o equívoco em que incorri quando acompanhei o

relato,- na votação anterior. Faço estas observações em face da

relevância do caso que estamos julgando. co,?? repercussões

importantes nas finanças públicas, caso venha a ser reconhecido

que o referido incentivo está, até hoje, em vigor. Sensibiliza-me a

conseqüência de nossos julgados, até porque, no mister de juiz,

julgamos fatos sociais e não podemos afastar o direito da

realidade do mundo.

Quanto ao mérito da questão, reafirmo os lermos do meu voto.

Conforme lá se afirmou, o DL 1.894/81 nada mais fez do que

ampliar o rol das empresas beneficiadas co,,, o incentivo do art.
1" do DL 491/69. É que, originalmente, faziam jus ao beneficio

apenas e tão somente as "empresas fabricantes e exportadoras"

(art. 1" do DL 491/69); co,,, o DL de 1981, passaram a ser
beneficiadas também as empresas comerciantes que

i
exportassem produtos nacionais por elas adquiridos

internamente ("empresas que exportarem, contra pagamento 	 .
de moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação 	 •

nacional, adquiridos no mercado interno" — art. I' do DL
1.894/81. Não procede, assim, o argumento segundo o qual esse

DL teria tido a intenção de "confirmar" a existência do

incentivo previsto em lei anterior (desiderato que seria muito
estranho para uni preceito normativo), e muito menos o de

"recriar" o beneficio por prazo indeterminado. O que houve

foi, na verdade, uma extensão do beneficio a outras empresas.

Isso, contudo, em nada alterou a natureza do incentivo, nem o

prazo de sua vigência - que, na época, não era indeterminado,

mas, sim, determinado, podendo ser modificado a critério do
Ministro da Fazenda. No art. 3° do DL 1.894/81, aliás, f 2,-A
reafirmada a delegação de po . àquele Ministro. up

17



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 52-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. IS

Reafirmo, outrossim, que, na melhor das hipóteses, o incentivo
.fiscal foi extinto em 05/10/90, por força do art. 41, § 1", do
ADCT. O argumento de que o crédito-prêmio beneficiava,
genericamente, a todos os exportadores ou a todos os produtos
exportados (e que, por isso, não tinha natureza setorial), não
corresponde à realidade. Conforme fiz ver em meu voto, o
beneficio, além de atingir apenas um setor da economia (o
setor exportador), beneficiava apenas certas empresas,
exportadoras de certos produtos (os sujeitos a IPI), e não a todo
e qualquer produto exportado. Aliás, como salientou o Ministro
Delgado, o próprio impetrante, ao formular o pedido (transcrito
no relatório), reconheceu isso, tanto que o limitou "até o termo
final de vigência do mencionado incentivo fiscal, conforme
disposto no art. 41, § 1" do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT)".

(Negritos ausentes no original).

Cabe transcrever, ainda, excertos do voto do Min. Francisco Falcão no

Acórdão 591.708—RS, na parte em que contradiz o voto do Min. José Delgado:

O eminente Ministro José Delgado, em judicioso voto, divergiu
do Ministro Relator defendendo os precedentes deste Co lendo
Superior Tribunal de Justiça.

Assim o fez, por entender que o Decreto-Lei n" 1.894/1981,
efetivamente revogou o Decreto n" 1.658/79, que havia
determinado a extinção do beneficio em 30 de junho de 1983.

Sustenta que o Decreto-Lei ti" 1.894, de 16.12.1981, em seu artigo
1", II, não fixou prazo de vigência do incentivo em comento, razão
pela qual deveria vigorar por prazo indeterminado.

Enumera diversos precedentes da Primeira e Segunda Turmas
desta Corte de Justiça, com a mesma posição suso manifestada.

Após análise ampla da quaestio em tela e a despeito dos
precedentes ,favoráveis à tese do contribuinte, tenho que melhor
razão penence à Fazenda Pública.

Por primeiro, faz-se oportuno visualizar o fim ontológico e
ideológico dos diplomas legais inerentes ao beneficio.

O crédito-prêmio nasceu para incentivar as exportações,
enfitando dotar o exportador de instrumento privilegiado para
competir no mercado internacional.

Fatores internos e internacionais impuseram a edição do Decreto-
Lei n" 1.658/79, que em seu artigo I', dispós:

Assim, ficou definida a extinção do mencionado incentivo para o
prazo certo de 30 de junho de 1983.

O Decreto-Lei n" 1.722/79 alterou os percentuais do estimulo, n Th,
entanto ratificou a extinção na da 	 ima prevista.	 ék.



Processo n" I 0380.000927/2006-70 	 82-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 19

Posteriormente, veio o Decreto-Lei n" 1.724/79, que conferiu ao

Ministro de Estado da Fazenda autorização para aumentar ou

reduzir o multicitado incentivo.

Finalmente, o Decreto-Lei n" 1.894/81, assim prescreveu, verbis:

•
Conforme observei no inicio deste voto, o Decreto acima citado

dilatou o âmbito de incidência do incentivo às empresas aqui

mencionadas, no entanto, em nenhum momento pode-se afirmar

que o regramento encimado apagou a previsão para a extinção
do incentivo, permanecendo intacto tal prognóstico.

Frise-se, por oportuno, assim como o fez o Ministro Relator, que o

diploma supra transcrito iniciou sua vigência em 1981, ou seja, no

âmbito de validade dos Decretos-Leis n" 491/69 e 1.658/79, não

remanescendo qualquer alteração quanto ao prazo de extinção do
beneficio.

Sobre as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo

STF, delimita-se sua incidência a dirigir-se para erronia
consistente na extrapolação da delegação implementado pelos

Decretos-Leis n" 1.722/79, 1.724/79 e 1.894/81, não emitindo,

aquela Suprema Corte, qualquer pronunciamento afeito à

subsistência ou não do crédito-prêmio.

Os normativos em evidência, conforme supra-observado, tinham o

desiderato de reduzir, extinguir ou suspender a isenção do

crédito-prémiollPI. Por consectário lógico deduz-se que a
inconstitucionalidade de tais normas, na parte referente à

delegação supracitada, não teve o condão de restaurar o teor do
Decreto-Lei ir 491/69, na sua formulação original, visto que a

declaração referida não maculou, em nenhum momento, o teor do

Decreto-Lei n" 1.658/79, permanecendo higida a regra de

extinção do crédito-prêmio.

Aqui cumpre rememorar que o artigo 3" do Decreto-Lei n"

1.722/79, ao alterar a redação do sç 2" do artigo 1" do Decreto-Lei

n" 1658/79, manteve a previsão de extinguir o incentivo em junho
de 1983.

Com tais assertivas, reconheço que os precedentes citados pelo

contribuinte e ainda, no voto do eminente Ministro José

Delgado, dentre os quais uni aresta de minha lavra, estabelecem

certa contradição no ponto em que se afirma que o DL 1.894/91

restabeleceu o incentivo fiscal sub oculi, não considerando que
da mesma forma que o Decreto Lei n" 1.724/79 foi tido como

inconstitucional, em face da erronia na delegação de poderes,

assim deveria ser considerado o Decreto-Lei n" 1.894/91, que em

seu artigo 3° também concede ao Ministro da Fazenda as
atribuições para alterar as regras atinentes ao multicitadari

incentivo fiscal. ira

drif 19



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T I
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 20

A despeito da extinção do incentivo .fiscal, conforme determinado

pelo Decreto-Lei n" 1.658/79, endosso também a observação de
que a previsão do artigo 41 do ADCT teria revogado todos os

incentivos que não tivessem sido confirmados após dois anos de

vigência da Constituição de 1988, sendo certo que inexiste

qualquer norma superveniente positivadora do incentivo em

exame, o que sepultaria definitivamente a pretensão ao
mencionado crédito.

Por fim, insubsistente a alegação de que o crédito-prêmio teria

sido restaurado pela Lei n°8.402/92, visto que, embora tenha feito

menção expressa ao Decreto-Lei n" 1.894/81, a Lei em contento

apenas se referiu ao beneficio previsto no inciso 1 do art. I"

daquele diploma legal, ou seja, "o crédito do imposto sobre

produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos

mesmos", não se voltando ao incentivo previsto no inciso II do
mesmo Decreto-Lei n" 1.894/81, que consiste no "crédito de que

trata o artigo 1" do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969".

Frise-se, por oportuno, que se o legislador objetivasse restaurar o

crédito-prêmio teria incluído o inciso 11 do art. 1" do Decreto-Lei

n'' 1.894/81 quando redigiu o dispositivo acima transcrito,

entretanto não o fez, não havendo qualquer referência ao crédito-

prêmio.

Tais as razões expendidas, acompanhando integralmente o voto

do Ministro Relator, NEGO PROVIMENTO ao recurso.

(Negritos não originais)

Neste ponto cabe mencionar que esta Terceira Câmara também já decidiu

conforme o exposto acima, como demonstram os Acórdãos nos 203-09.801, Recurso

Voluntário n° 123.954, relatora Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, e 203-09.802,

Recurso Voluntário n° 125.836, relatora Conselheira Luciana Pato Peçonha Martins, ambos

julgados em 20/10/2004.

Menciono, também que a Resolução do Senado n° 71/2005 não pode ser

empregada para alterar o deslinde da questão, como bem interpretou o Min. Teori Albino

Zavascki, na relatoria do REsp n° 652379/RS, julgado pela 1 3 Seção do ST] em 08/03/2006,

publicação no DJ 01.08.2006 p. 360. Na oportunidade, assim se pronunciou o Minisistro:

2. Cumpre assinalar que, pela Resolução 71, de 20.12.2005, o

Senado Federal, utilizando a faculdade prevista no ar!. 52, X da
Constituição, suspendeu a execução das expressões que oS7-F

declarou inconstitucional, constantes do ar. I" do DL 1.724/79 e

do inciso I do art. 3" do DL 1.894/91. Diz o art. I" da citada

Resolução:

"Ar) I" É suspensa a execução, no art. I' do Decreto-Lei n"

1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão 'ou reduzir

0,4	 20



Processo n" 10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 21

temporária ou definitivamente, ou extinguir', e, no inciso I do

art. 3" do Decreto-Lei n°1.894, de 16 de dezembro de 1981, das

expressões 'reduzi-/os' e 'supendê-los ou extingui-lost,

preservada a vigência do que remanesce do art. I" do Decreto-

Lei n°491, de 5 de março de 1969".

A parte .final do dispositivo ("..preservada a vigência do que

remanesce do art. I' do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de

1969) serviu de mote para provocar a renovação dadiscussão a

respeito do tema objeto do processo.

À toda evidência, a Resolução do Senado não tem o condão de

alterar nem os fundamentos e nem as conclusões acima

alinhadas. Em primeiro lugar, porque o exercício da

competência atribuída ao Senado, de suspender a execução de

11017)las declaradas inconstitucionais pelo STF (art. 52, X da

CF), é fruto de juízo político, que - é elementar enfatizar - não

tem, nem poderia ter efeito vinculante para o Judiciário. Tal

suspensão, na verdade, limita-se, única e exclusivamente, a dar

eficácia erga omnes à decisão do STF. Não é meio próprio para

questionar o mérito dessas decisões, e muito menos para fazer

juízo sobre a respeito dos seus efeitos no plano normativo

remanescente, atividade essa de natureza tipicamente

jurisdicionat O Senado suspende se quiser, segundo juízo

político de conveniência ou oportunidade. Se decidir que não

deve suspender a execução de determinado dispositivo (vale

dizer, que não deve outorgar efeito erga omites à decisão do

STF), nem por isso o Judiciário estará inibido de continuar

reconhecendo a sua inconstitucionalidade. E se o Senado, indo

além da atribuição prevista no ar!. 52, X da CF e da própria

decisão do STF, emite juízo sobre a vigência ou não de outros

dispositivos legais não alcançados pela inconstitucionalidade, é

certo que a Resolução, noparticular, não compromete e nem

limita o âmbito da atividade jurisdicional. É o que decorre do

princípio da autonomia e independência dos Poderes.

Em segundo lugar, porque a Resolução 71 de 2005 do Senado

Federal, bem interpretada, não é, de modo algum, incompatível

com os fundamentos adotados pela jurisprudência da Seção.

Esclareça-se que o art. I" da citada Resolução contém evidente

impropriedade material quando,em sua parte ,final, alude que

,fica "preservada a vigência do que remanesce do art. I" do

Decreto-Lei 11" 491, de 5 de março de 1969". É que a declaração

parcial de inconstitucionalidade, conforme faz claro a própria

Resolução, não teve por objeto o art.1" DL 491/69, dispositivo

esse cuja constitucionalidade jamais foi questionada. Portanto,

ao se referir à parte "remanescente" cuja vigência ficou

preservada, a Resolução do Senado não poderia, logicamente,

estar se referindo  àquele normativo, mas sim ao remanescente

dos próprios dispositivos parcialmente declarados

inconstitucionais pelo STF, a saber, o art. I" do DL 1.724/79 %

do inciso Ido art. 3"do DL 1.894/91.

ri
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Processo n° 10380.000927/2006-70	 S2-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 22

De qualquer »iodo, ainda que se interprete o aludido

"remanescente" como se referindo ao próprio art. I" do DL

491/69, a Resolução nada mais estaria fazendo do que

evidenciar o que comumente ocorre. Sempre que há declaração

de inconstitucionalidade parcial de certos dispositivos com

redução de texto, como ocorreu no caso, o seu alcance é,

obviamente, restrito á parte objeto da declaração, não

produzindo o efeito de comprometer qualquer outro dispositivo.

No caso concreto, portanto, a decisão tomada pelo STF não

comprometeu nem o art. 1", nem qualquer outro dos demais

artigos do referido do DL 491/69. Não comprometeu,

igualmente,nenhum dos demais dispositivos legais

supervenientes que tratam da matéria, nomeadamente os

"remanescentes" dos Decretos-lek 1.724/79 e 1.894/81 e os do

Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79.

Ora, é exatamente nesse pressuposto que está assentado o

fundamento do voto ao inicio transcrito: a inconstitucionalidade

parcial, declarada pelo STF, não comprometeu a legitimidade

dos demais dispositivos sobre crédito-prêmio do IPI, entre os

quais o art. 1"do Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-

lei 1.722/79, que fixou em 30.06.1983 a data da extinção do

referido incentivo fiscal. previsto no art. I' do Decreto-lei

491/69. Esse entendimento, confirmado em precedente da Seção

(Resp 541 239/DF, Min. Luiz Fia, julgado em 09.11.2005),

contou também de obter dictum em precedente do próprio STF

(RE 208.260), constando, no voto do Min. Gilmar Mendes, o

seguinte:

"Em face da declaração de inconstitucionalidade, entendo,

apenas como obter dictum, que os dispositivos do DL 1.658/79 e

do DL 1.722/79 se mantiveram plenamente eficazes e vigentes.

Assim, a extinção do crédito-prêmio de IPI deu-se,

gradativamente, tal como se pode verificar: em 1979, redução de

30% (10% em 24 de janeiro, 5% em 31 de março, 5% em 30 de

junho, 5% em 30 de setembro de 5% em 31 de dezembro); em

1980, redução de 20%; em 1982, redução de 20% e 10% até 30

de junho de 1983".

O importante é que, seja qual seja a interpretação que se possa

dar à Resolução 71/2005, é certo que ela não tem eficácia

vinculativa ao Judiciário e muito menos o efeito revogatório de

decisões judiciais. Não se pode supor, em face do disposto na

parte final do seu art. 1"_ porque ai a sua inconstitucionalidade

atingiria patamares assustadores - que a sua edição tenha tido o

propósito de se contrapor ou de alterar as decisões do STJ

relativas ao incentivo .fiscal em questão, como se o Senado

Federal fosse uma espécie de instância superior de controle da

atividade jurisdicional. Não foi esse, certamente, o objetivo do

Senado e o STJ não se sujeitaria a tão flagrante violação da sua

independência. Em recente episódio, a I" Seção, por

unanimidade, negou aplicação a certos dispositivos da Lei

Complementar 118/05 que, sob o manto de norma interpretativa,

importavam modificação da jurisprudência que - bem ou mal - se (ipilsa.)
22



Processo n" I 0380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão ft' 2201-00.131	 A. 23

firmara na Seção, relativa a prazo prescricional na ação de

repetição de indébito (ERESP 327.043/DF, Min. João Otávio de

Noronha, julgado em 27.04.2005). Se, como se decidiu naquela

oportunidade, nem Lei Complementar pode impor ao ST.I unia
interpretação das normas, com maiores razões se há de entender

que uma Resolução do Senado não poderia fazê-lo.

3. Ante o exposto, nego provinzento ao recurso especial. É o
voto.

No REsp n" 652379/RS, a 1" Seção do STJ, por maioria, decidiu conforme a
ementa seguinte:

TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/69
(ART. 1'). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO.

I. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto

no art. I" do DL 491/69 (crédito-prêmio de IP1), três orientações

foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o

referido beneficio foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1" do

Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79.

Entendeu-se que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a

extinção do beneficio, não foi revogado por norma posterior e

nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade,
reconhecida pelo STF, do art. I" do DL 1.724/79 e do art. 3' do

DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da
Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência

do incentivo fiscal.

2. A segunda orientação sustenta que o art. I" do DL 491/69
continua em vigor, subsistindo incólume o beneficio fiscal nele

previsto.

Entendeu-se que tal incentivo, previsto para ser extinto em

30.06.83, foi restaurado sem por prazo determinado pelo DL

1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de
natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art.

41, § 1" do ADCT.

3. A terceira orientação é no sentido de que o benefício .fiscal foi

extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1" do ADCT,

segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados,

do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os

incentivos .fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo

aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo

que "considerar-se-lio revogados após dois anos, a partir da

data da promulgação da Constituição, os incentivos .fiscais que

não forem confirmados por lei". Entendeu-se que a Lei 8.402/92,

destinada a restabelecer incentivos .fiscais, confirmou, entre

vários outros, o beneficio do art. 5" do Decreto-Lei 491/69, mas

não o do seu artigo I" Assim, tratando-se de incentivo de

natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e

apenas determinados produtos de exportação.) e não tendo sido

confirmado por lei, o crédito-prêmio em questão extinguiu-se no Villa,
II kr

prazo previsto no ADCT.

23



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 24

4. Prevalência do entendimento segundo o qual o crédito-prêmio

do IPI, previsto no art. 1" do DL 491/69, não se aplica às vendas

para o exterior realizadas após 04.10.90.

5. No caso concreto, a pretensão da inicial diz respeito a

exportações realizadas após 04.10.90, o que, nos termos do

entendimento majoritário, determina a sua improcedência.

6. Recurso especial a que se nega provimento.

O julgado do REsp n" 652379/RS, de todo modo, não ampararia a recorrente,
posto que na situação destes autos o período é posterior o 04/10/1990.

Pelo exposto, nego provimento ao Recurso.

Sala das Sessões, e e	 s de 2009	 40

st.iii-Jacarr

EMANDirR S	 DE ASS

24


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    <str name="materia_s">IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)</str>
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    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
Ementa: RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. 
Nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se incluindo aí, por falta de previsão legal, os classificados na TIPI como NT – Não-Tributados.
Recurso negado.</str>
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,

CCO2JCO2
Fls. 1

MINISTÉRIO DA FAZENDA
SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

SEGUNDA CÂMARA

Processo n°	 10425.000778/00-09

Recurso n°	 127.522 Voluntário
A 

Corddbuintes
aselho .8 --i da x.012

Matéria	 IPI	 ww.seouo°,0c°025n ..045-----

IIAcórdão n°	 202-18.778	 de	 "toca

Sessão dede	 14 de fevereiro de 2008

Recorrente	 ILCASA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS DE CAMPINA GRANDE S/A	 •

Recorrida	 DRJ em Recife - PE

Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -
IPI

Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
• MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

CONFERE COMO ORIGINAL 	 Ementa: RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL
Brasília, -__I C_I 03 f O%	 NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO.

Celma Maria de Albuqueragr	 IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO
Mat. Slape 94442 

DOS CRÉDITOS.

Nos termos do art. 11 da Lei n2 9.779/99, é facultada
a manutenção e a utilização, inclusive mediante
ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago
por insumos entrados a partir de 1 2 de janeiro de 1999
no estabelecimento industrial ou equiparado, quando
destinados à industrialização de produtos tributados
pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à
alíquota zero, não se incluindo aí, por falta de
previsão legal, os classificados na TIPI como NT —
Não-Tributados.

\

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.



Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778

Fls. 2

-

ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso.

C

ANTOWIO CARLOS ATU IM

Presidente

•

I	 \

G '` • I ICE	 NCAR

RelaNN

MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília,

Calma Maria de Albuque‘,! ue

Mat. Sia • - 94442 trin

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina
Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio
Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López.



,

,
•	 Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2

Acórdão n.° 202-18.778
Fls. 3

Relatório

Retornam os autos ao Colegiado após a conclusão do julgamento, pelo Egrégio
Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, relativo à classificação fiscal
dos produtos industrializados pela recorrente.

O r. Acórdão restou assim ementado:

"IPI — CLASSIFICAÇÃO FISCAL — O produto identificado como
"LEITE PASTEURIZADO TIPO C", com o auxílio das regras Gerais

para interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação
fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90."

Assim, resta inequívoca a classificação como NT — Não-Tributada, do produto
industrializado pela recorrente.

É o Relatório.

MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Bras Ma, -R i 03 i 0_1_
Calma Maria de Albuquer44.	I

Mat. Siape 94442 

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Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778	 ÍjjF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 4

CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília,

Celma Maria de Albuquer
Mat. Sia e 9444

Voto

Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator

Cinge-se à possibilidade de creditamento de IPI referente à aquisição de
insumos utilizados na fabricação de produtos não-tributados.

Como é cediço, o principio da não-cumulatividade tem o escopo de evitar o
efeito cascata da múltipla tributação sobre os diversos componentes do mesmo produto, em
diferentes estágios da cadeia produtiva, consoante dispõe o art. 153, § 3 2, II, da Constituição
Federal.

Nesse passo, a partir de janeiro/1999, a Lei n 2 9.779/99 veio regulamentar a
questão, no que conceme ao ressarcimento do saldo credor, cujo teor do art. 11 se transcreve a
seguir:

"Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados —

IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição

de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem,

aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado

à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI

devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de

conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de

1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal

— SRF do Ministério da Fazenda". (negritamos)

Pela Lei n2 9.779/99, o saldo credor do IPI acumulado na compra de matérias-
primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produto
isento ou tributado à aliquota zero poderá ser compensado com outros tributos de competência
da SRF.

Referido dispositivo legal é omisso no tocante aos produtos não-tributados. Dai
porque a IN SRF n2 33/99, ao regulamentá-lo, vedou expressamente o ressarcimento do saldo
credor de IPI relativo aos insumos utilizados na produção de não tributados, conforme se
verifica a seguir:

"Art. 2° Os créditos do IPI relativos a matéria-prima (MP), produto

intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para

emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita

fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPL.

§ 3° Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de

MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não

tributados (NT)."

Essa foi a conclusão alcançada pelas Câmaras do Eg. Segundo Conselho de
Contribuintes, à qual acompanho:

"IPL PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SAIDA DE PRODUTOS.

ALIQUOTA ZERO. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR À LEI N°
9.779/99. IN SRF N° 33/99. O direito à manutenção dos créditos

recebidos em virtude da aquisição de matéria-prima, produtos



,

Processo n.° 10425.000778/00-09	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778

Fls. 5

intermediários e material de embalagem pelas empresas que tenham
dado saída exclusivamente a produtos sem débito do IPL inclusive
alíquota zero, somente se aplica após a vigência da Lei n° 9.779/99. 	 i,
Recurso negado". (AC 201-78.391, 1 2 Câmara, 22CC, Rel. Cons.

1Antônio Mário de Abreu Pinto, DJ. de 17/05/2005).

"IPL CRÉDITOS. Não geram direito aos créditos de IPI, que trata o
art. 11 da Lei n° 9.779/99 c/c IN SRF n° 33/99, as aquisições de
produtos que não se enquadram no conceito de matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem empregados, e as
aquisições de insumos cuja prova de integrarem o processo produtivo
da empresa não foi devidamente realizada pela interessada.
PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA NÃO-CUMULATIVIDADE. A
não-cumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito,
atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no
seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos
dele saídos. CRÉDITOS DO IPL PRODUTOS N/T. Deverão ser
estornados os créditos originários de aquisição de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagem destinados à
fabricação de produtos não tributados (NT). Recurso negado". (AC

1203-10.283, 3 5 Câmara, 22CC, Rel. Cons. Antonio Bezerra Neto, DJ. de 	 1
07/07/2005).	 1i

Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.

Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008.

G lit . ' n ' 'O KEL 1ENCAR

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MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília, -2l'e  03 f,-,193--
Celma Maria de Albuquereu)

Mat. Siape 94442 

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Segundo Conselho de Contribuintes	 MINISTÉRIO DA FAZENDAJ	
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Segundo Conselho de Cnritibuintes
Riblicado

Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 no Diário O,	 'Miá()
gle 04-	 0*	 . 96Recurso n2 : 126.989	 1

Acórdão n2 : 202-16.566	 - 
-	 vieghl 

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.
Recorrida : DRJ em Recife - PE

NORMAS TRIBUTÁRIAS. CRÉDITO-PRÉMIO. PRES-
.	 CRIÇÃO.

A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do
crédito-prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados
do embarque da mercadoria para o exterior.

ILEGALIDADE. INs SRF N2s 210 E 226, DE 2002.

São legitimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à
exportação contidas nas INs SRF IA 210 e 226, de 2002, pois

MINISTÉRIO DA FAZENDA além de terem fulcro em Parecer vinculante da AGU, não
Segundo Conselho de Contribuintes impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal.
CONFERE COM O OeIGINAL
Brasília-DF. em  2/ /S _i atir IPI. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. 

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O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-

	

C	 Lei n2 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde
Seereténe da Segunda C rara

30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1 2, § 22, do
Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. Interpretação vinculante
para toda a Administração Pública Federal, nos termos do art. 41
da LC n2 73/93, por constar do Parecer n2 AGU-SF-01/98, anexo
ao Parecer GQ-172/98.

ART. 41 DO ADCT DA CF/1988.

O crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem
reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do
ADCT da CF/1988.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os
Conselheiros Gustavo Kelly Alencar,  Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-
Kozlowslci e Dalto 'esar Cordeiro e Miranda.

Sal; das Sessões, em 1 de outubro de 2005.

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Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa,
Antonio Zomer e Evandro Francisco Silva At;tijo (Suplente).

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Ministério da Fazenda

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31

Recurso n2 : 126.989	
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Acórdão n2 : 202-16.566

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

RELATÓRIO

Em 19/05/2004 a interessada foi notificada do Acórdão n2 7.772, de 02/04/2004,
por meio do qual a DR3 em Recife - PE manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do
crédito-prémio à exportação, em relação aos períodos compreendidos entre 19/10/1982 e

• 29/12/1986, sob os seguintes fundamentos: 1) as IN SRF n2s 210 e 226, ambas de 2002, vedam a
análise do mérito do pedido e 2) a inconstitucionalidade referida na impugnação só pode ser
estendida aos demais contribuintes nos casos previstos no Decreto 1122.346/97.

Insurgindo-se contra tal decisão, a interessada interpôs recurso voluntário, às fls.
503/518, em 20/05/2004. Alegou que a extinção do crédito-prêmio pelo art. 1 2, § 22, do Decreto-
Lei n2 1.658, de 24/01/1979, não chegou a ocorrer porque além de os Decretos-Leis nes 1.722, de
03/12/1979, e 1.724, de 07/12/1979, terem sido declarados inconstitucionais, o Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, restabeleceu a vigência do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, sem
definição de prazo. Alegou que o crédito-prêmio não foi revogado pelo art. 41, § 1 2, do ADCT
da CF/I988, porque não se trata de incentivo setorial. Entretanto, ainda que assim não se
entenda, dentro do biênio referido no art. 41 do ADCT foi editada a Medida Provisória n2 39, de
1989, convertida na Lei n2 7.739, de 16/03/1989, cujo art. 18 alterou a redação do art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, confirmando que o beneficio se encontra em pleno vigor.

• Posteriormente, também a Lei n2 8.402, de 08/01/1992, teria confirmado a vigência do beneficio.
Para corroborar sua tese, invocou jurisprudência dos tribunais superiores e doutrina de Ives
Gandra da Silva Martins. Informou que por meio da Portaria MF n2 26, de 12/01/1979, foi criada
a Comissão de Incentivos às Exportações - CIEX, que também recebeu competência para
estabelecer as alíquotas a serem utilizadas para cálculo do crédito-prêmio. Valendo-se desta
competência, em 17/01/1979, a comissão publicou a Resolução CIEX n2 02/79, relacionando as
alíquotas do crédito-prémio, em relação às quais requereu aplicabilidade. Insurgiu-se contra as
IN SRF n2s 210 e 226, de 2002, sob o argumento de que violaram os princípios que regem a
Administração Pública, todos com assento constitucional e na Lei n2 9.784, de 29/01/1999.

- Requereu o acolhimento de suas razões a fim de que o Conselho reforme a decisão recorrida e
determine o ressarcimento observando-se a Resolução CIEX n 2 02/79.

É o relatório.

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•

2



MINISTÉRIO DA FAZENDA

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CC-MF

CONFERE COM O ORIGINAL 	 n.
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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 d .Ç%kafuji
Recurso n.1 : 126.989	 ~Sm de Segunda Crema

Acórdão n2 : 202-16.566

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

-
DAS PRELIMINARES

- • Da prescrição	 .

Antes de analisar as razões recursais, merece ser analisada a questão do prazo para
aproveitamento do crédito-prêmio à exportação.

O regime jurídico do CTN é inaplicável, uma vez que o beneficio não tinha
natureza jurídica tributária. Contudo, isto não significa que estivesse sujeito à prescrição
vintenária do Código Civil. Tratando-se de uma quantia em dinheiro que era devida pela União,
o Código Civil cede passo à norma específica do art. 1 2 do Decreto n2 20.910, de 06/01/1932,
que estabelece que "(..) As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim
todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a
sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
originarem."

Esta questão já foi enfrentada pelo STJ que firmou entendimento .no sentido ,de
que a prescrição ao aproveitamento do crédito-prêmio era regulada pelo Decreto n 2 20.910/32,
conforme se pode verificar na ementa do RESP n 2 40.213-1/DF, DJ de 12/08/1996, verbis:

"EMENTA: Tributário. Ipi. Crédito-prêmio. Ressarcimento. Decreto-lei N°491. De 5-3-
69. Prescrição. Correção monetária. Variação cambial. Juros moratórios. Honorários
advocatícios.

1- A ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI prescreve em 5 (cinco)
anos (Decreto-lei n 20.910/32), aplicando-se-lhe, no que couber, os princípios
relativos à repetição de indébito tributário. Ofensa aos arts. 173 e 174 do CPC não
caracterizada.

II - A correção monetária é devida a partir da conversão dos créditos questionados em
moeda nacional, na forma do art. 2° do Decreto-lei n°491, de 1969, aplicando-se, desde
então, a Súmula n° 46 - TFR, segundo a qual aquela correção 'incide até o efetivo
recebimento da importância reclamada'.

III - Os juros moratórios são devidos, à taxa de 12% ao ano, a partir do trânsito em
julgado da sentença. Aplicação dos ara. 161, § 1° e 167, parágrafo único, CPC.
Inaplicação dos ara. 58, 59 e 60 do Código Civil e do art. 1° da Lei n°4.414/64.

IV - salvo limite legal, a fixação da verba advocaticia depende das circunstâncias da
causa, não ensejando recurso especiaL Súmula n°389 - STF. Aplicação.

V- Recurso especial não conhecido." (grifei)

No mesmo sentido, foi a decisão proferida nos Embargos de Declaração no
Recurso Especial n2 260.096/DF, DJU de 13/08/2001, pág. 42:

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MINISTÉRIO DA FAZENDA
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Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes 	
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CONFERE COMO ORIGINAL

	

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 euz a rafuji
Recurso nel : 126.989	 ~brio da Uganda Grata

Acórdão n2 : 202-16.566

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - ACOLHIMENTO DE QUESTÃO DE ORDEM
-COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES - IPI -CRÉDITO-
PRÉMIO - PRESCRIÇÃO.

Acolhida questão de ordem para submeter à apreciação da Primeira Seção a matéria
atinente à contagem do prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do
crédito-prêmio do IPI, fica mantida a competência da Turma originária para o
julgamento das demais questões suscitadas no recurso especial.

	

A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela 	 • • -
prescrição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da
ação. Incidência das Súmulas tes. 443 do STF e 85 do Sn.

Embargos parcialmente acolhidos." (grifei)

Considerando que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a
exportação dos produtos, a prescrição do seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do
efetivo embarque da mercadoria para o exterior.

No caso dos autos, o pedido foi protocolado em 14/10/2002 (fl. 1), enquanto que
os valores pleiteados referem-se às exportações efetuadas no período compreendido entre
19/10/1982 e 29/12/1986.

Logo, neste processo estão prescritos todos os valores do crédito-prêmio gerados
em períodos anteriores a 14/10/1997.	 ..

Dos vícios das IN SRF n2s 210 e 226, de 2002

Cabe esclarecer que os atos normativos baixados pela Secretaria da Receita
Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de
normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CTN.

As determinações de indeferimento liminar e de inaplicabilidade do procedimento
administrativo de ressarcimento ao crédito-prêmio à exportação, contidas nas IN SRF ngs 210 e
226, de 2002, respectivamente, não violaram nenhum dos princípios alegados pela defesa, uma
vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal
e o processamento dos recursos administrativos garantidos em lei. Tanto é assim que a recorrente
trouxe a discussão até a última instância administrativa ordinária.

O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002, estabelece que:

	

"Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de 	 •
ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto
'crédito-prémio' instituído pelo art. lk do Decreto-lei ri= 491, de 5 de março de 1969."

(grifei)

Ao fazer referência expressa " ao extinto crédito-prêmio...", o Secretário da
Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável o procedimento estabelecido por aquele
ato administrativo, carecendo de suporte a alegação de violação do princípio da motivação.

A decisão da DRF em Fortaleza - CE não pode ser considerada nula e nem ser
anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A
autoridade administrativa transcreveu os dispositivos das 114 SRF ngs 210 e 226, de 2002, não
havendo que se falar em falta de motivação e cerceamento de defesa. 	 •

4



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MINISTÉRIO DA FAZENDA
Ministério da Fazenda 	 Segundo Conselho de Centribuintes

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Fl.

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 Cill#áthafuji
Recurso n2 : 126.989	 Sousa ea S•Ousia Cima"

Acórdão n2 : 202-16.566

Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Recife - PE.

DO MÉRITO

A existência de atos normativos de caráter geral, emanados pela autoridade
competente e baixados em harmonia com os princípios gerais da Administração Pública, já seria
mais do que suficiente para fundamentar o indeferimento do pleito da recorrente.

Contudo, como esta é a última instância administrativa ordinária, cumpre-me
• esgotar a discussão e deixar explícito o motivo pelo qual'a Administração TribUtária consideia O

crédito-prêmio à exportação extinto.

As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito-prêmio à exportação

A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento.

Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das portarias baixadas
pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e
inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio não se
deu por efeito de nenhum ato administrativo.

Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que
trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n 2 64.833, de 1969, que, em seu art. 1 2, §§ 1 2 e
r, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de 	 --
estímulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI
incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os
estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita
fiscal uma determinada quantia a título de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre
a venda de produtos ao exterior.

Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o
Poder Executivo baixou o Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, que previa, em seu art. 1 2, a
redução gradual do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a sua extinção total,
em 30 de junho 1983, verbis:

"Art. 1°- O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março
de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção.

§ 1°- Durante o exercício financeiro de 1979, o estimulo será reduzido:•

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento):

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§2° - A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março,
a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até
sua total extinção a 30 de junho de 1983."

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MINISTÉRIO DA FAZENDA	 CC-MF
Ministério da Fazenda

'42	 t	 Segundo Conselho de Contribuintes Fl.'tr	 Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COM O ORIGINAL
Bradá-DF. em 2/ LgSkt

Processo n2 : 10380.013216/2002-31
CaleMafujiRecurso n2 • 126.989

~Sm da Segunda Cr ata
Acórdão n2 : 202-16.566

Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, que deu nova redação ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979,
verbis:

"Artigo 3° - O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n°1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa
a vigorar com a seguinte redação:

§ 2° - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento)

em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de

1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda". (grifei)

Antes da expiração do prazo fixado no § 22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, o Governo Federal baixou o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, que estendeu o
beneficio fiscal instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, às empresas que
exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda
estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia
incidido na sua aquisição. O art. 52 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, revogou os §§ 1 2 e
r do art. 1 2 do Decreto-Lei ne 491, de 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a
desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, uma vez que, tendo sido suprimida a
autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito-
prêmio passou a ser creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário.

'	 A tese da revogação

Com o advento do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, foram introduzidas
normas que estabeleceram a redução gradual do beneficio, até sua extinção por completo em
30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo
fiscal criado pelo Decreto-Lei ne 491, de 05/03/1969, e, tampouco, interferir na escala gradual de
extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas
exportadoras de produtos nacionais, independentemente de serem as fabricantes, enquanto
vigorasse o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Segundo esta tese, a revogação tácita do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979,
teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a
matéria ou fosse incompatível com a norma anterior (art. 2 2, § 1 2, da LICC). Entretanto,
nenhuma destas duas hipóteses se verificou, pois o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, não
regulou inteiramente a matéria e nem era incompatível com os DL n 2s 491/69; 1.658/79 e
1.722/79, mas apenas e tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras,
enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto,
como a lei nova (DL n2 1.894/81) limitou-se a estabelecer disposições gerais ou especiais a par
das já existentes, não houve revogação tácita do DL n2 1.658/79, a teor do disposto no art. 2 2, §
22, da LICC. A interpretação sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da
extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983.

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MINISTÉRIO DA FAZENDA	 2° CC-MF
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Fl.
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Processo n2 	10380.013216/2002-31 	
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Recurso n2 • 126.989	 scs. ite ~use crera
Acórdão n2 : 202-16.566

A tese da vigência por prazo indeterminado

Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por
meio do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, criou uma nova situação de gozo do beneficio
previsto no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi
revogado. O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o
crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de
forma diferente pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, antes de implementado o termo final
para a extinção do incentivo, conforme o disposto no Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria
reinstituído o crédito-prêmio por prazo indetenninado.

A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente

No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão prolatado pelo
STF no julgamento do RE n2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte:

"TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem
inconstitucionais o artigo I' do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o
inciso I do artigo 3 do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que
implicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender,
aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais

previstos nos artigos 1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969." (grifei)

Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das
delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, e no art. 3 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos não interferiu na
vigência do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original,
quer na redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que
este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado inconstitucional. Porém, como a
nova redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, também encerrava
uma delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era
inconstitucional a expressão "(...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.(...)",
contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu que o dispositivo produzisse o
efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Entretanto, caso se considere que o art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979,
seja todo inconstitucional, inconstitucionalidade esta que - repito - não foi formalmente
declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2
1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como data fatal o dia 30/06/1983.

Desse modo, por qualquer ângulo que se examine a questão, a declaração de
inconstitucionalidade proferida no RE n2 186.359-5/RS não teve nenhuma influência sobre a
revogação do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros
julgados, adotou a segunda tese supramencionada, tendo se manifestado sobre a aplicabilidade
do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, ter
restaurado o beneficio do crédito-prêmio à exportação sem definição de prazo.

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Segundo Conselho de Contribuintes 	2° CC-MFMinistério da Fazenda
CONFERE COMP OB16114'1/4_1_ 	 Fl.

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Segundo Conselho de Contribuintes
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Processo n9- : 10380.013216/2002-31 	 ""fu
Recurso n2 : 126.989	 ~muna da senda crina

Acórdão ri! : 202-16.566

Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2
329.271/ RS, 1 2 Turma, Rel. MM. José Delgado, publicado no DJ de 08/10/2001, pág. 00182, que
resume o entendimento do tribunal sobre a questão:

"TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÉMIO. 1P1 DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/79,
1.722/79,1.658/79E 1.894/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR.

I. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual o crédito-prêmio
previsto no Decreto-Lei n° 491/69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-

.	 .	 - Lei n°1.658/79.

2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei o° 1.724/79,
conseqüentemente ficaram sem efeito os Decretos-Leis te 1.722/79 e 1.658/79. aos
quais o primeiro diploma se referia.

3.É aplicável o Decreto-Lei n° 491169. expressamente mencionado no Decreto-Lei o°
1,894/81. que restaurou o beneficio do crédito-prêmio do 1PL sem definição de prazo. 

4. Precedentes desta Corte Superior.

5. Recurso provido."(grifei)

Esta ementa foi colhida aleatoreamente entre muitas outras existentes na página
de pesquisa do STJ na internei e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos
proferidos pelo tribunal.

Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos
do STJ, é dificil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o
tribunal.

A primeira delas é quanto à "perda dos efeitos" dos Decretos-Leis n 2s 1.658, de
24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724,
de 07/12/1979.

É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de
competência ao Ministro da Fazenda e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-
Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição
de seu inteiro teor feita a seguir:

"DECRETO-LEI N°1.724, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1979

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55,
item II, da Constituição,

DECRETA:

An I° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir,
temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos
1° e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

An 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° da Independência e 91° da República.

JOÃO FIGUEIREDO

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Karlos Rischbieter". 	

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MINISTÉRIO DA FAZENDA 29 CC-MF
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31 	
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Recurso n2 : 126.989	 ~atina da Segunde ermo
Acórdão n2 : 202-16.566

Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio
por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981.

O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658,
de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma
jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito-prêmio (art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts. 1 2, II; r e 42. Vejamos cada uma destas referências.

O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, ao estabelecer que "(..) Às
empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de

fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: 1- o crédito do imposto

sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; - o crédito de

que trata o artigo 1° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969 (.4", limitou-se apenas a
estender o crédito-prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações.

Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981,
não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou
claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não
expirasse a vigência do art. 1 9 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Já o art. r do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes
termos:

"Art 2° - O artigo 3° do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a
vigorar com a seguinte redação:

'Art. 3° - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1'
deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à
exceção do previsto no artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 05 de março de 1969, ao qual
fará jus apenas a empresa comercial exportadora1

O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou
seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à
empresa comercial exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo
também não fez referência ao Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, obviamente que este direito
da comercial exportadora estava condicionado à vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979.

Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou de
exportações efetuadas por comercial exportadora antes de sua vigência e revogou o art. 4 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no
art. P, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição
do crédito-prêmio à exportação.

À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em afirmar que
uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando,
conclui-se que não há fundamento para a teSe da reinstituição do crédito-prêmio pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

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MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 fuji
Recurso n2 : 126.989	 ~Sm da Segunde Criva

Acórdão n2 : 202-16.566

No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à
exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 2, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de
Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n2
1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer, que vai a seguir transcrita:

"EMENTA : Crédito-prêmio do IPI — subvenção às exportações. No contexto dos arts. I'
e 2" do Decreto-lei n° 491, de 5.3.69, - que dispõe sobre estímulos de natureza financeira •
(não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior'
não significa venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a venda
efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a aceitação delas por parte do
comprador. O simples contrato de compra-e-venda de produtos industrializados para o
exterior, que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora
elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo suficiente
para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito adquirido ao regime do
crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de creditar-se do valor correspondente ao
beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscaL
Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da
exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para
o exterior. Em regra. as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda
lhe representava, apenas. uma expectativa de direito e que, para que pudessem 

.	 --	 adquirir o direito ao regime favorecido do- art 1" do Dec.-lei 491/69 e ao respectivo 	 -
rediunnentoteriananuaturadoenuantovi ente a

norma legal de cunho geral que previa o subsídio-prêmio, ou. na hipótese do contrato
ter sido celebrado após a previsão legal de extincão do incentivo de natureza financeira
(Acordo no GATT: Dec.-lei 1.658/79, art. 1". f2! e Dec.-lei L722179, art. 3"). antes da
extinção total dos mesmos, Há, entretanto, uma situação especial: as empresas
beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à
exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos
Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei
1.219/72) teriam direito adquirido a exportar com os benefícios do regime do crédito-
prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor
correspondente aos beneficios só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do
termo final dos respectivos PEErs." (grifei)

A íntegra deste parecer encontra-se anexa ao Parecer n 2 GQ-172/98, do Advogado
Geral da União, que tem o seguinte teor:

"Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ-I 72: 'Aprovo'. Em 13-1-
98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98.

Parecer n° GQ - 172

Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993, o
anexo PARECER N° AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e submeto-o ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art.
40 da referida Lei Complementar.

Brasília, 13 de outubro de 1998.

GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO".

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Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n2 73/93, o Parecer
AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tomou-se vinculante para toda a
Administração Pública Federal, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado
pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23.

Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de 30/09/2002,
considerou extinto o crédito-prêmio à exportação.

No mesmo sentido desta interpretação já se manifestou o Tribunal Regional
Federal da 42 Região, conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas:

"Crédito-prêmio do !PI Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do
Beneficio.

A partir de 1° de julho de 1983, o beneficio instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou
extinto." (Apelação em Mandado de Segurança n2 2000.71.00.040996-4/RS,
Relatora Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003)

"Tributário. IPICrédito-prêmio.Termo final. Vigência.Beneficio .Lei. Inexistência.

I. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação prevista nos
Decretos-leis n° 1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-
prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69.

2. Na hipótese, os fatos geradores, consoante documentos trazidos com a petição inicial,
• . • • - - -•••	 ocorreram em 1984.- Inexiste- qualquer verba a ser restituída, eit que auieríté"nbritia — ••

legal autorizativa da fruição do beneficio.

3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n° 1.658/79, disciplinou acerca
da extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto-lei n°491/69, pelo que, se manteve,
para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do
beneficio em tela."(TRF da 42 Região, 22 Turma, Ac. n2 96.04.22981-8/RS, Relator
Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, DJ 27/10/99, pág. 641)

Também o Tribunal Regional Federal da 3 e Região já chancelou o entendimento
de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n2 2002.03.00.027537-
8, publicado no DJ, II, de 18/09/2002, pág. 292 e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ, II, de
24/02/2003, pág. 469.

Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido
definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins do art. 41 do ADCT da
CF/1988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que
estivessem vigentes na data da promulgação da CF/1988.

Entretanto, merece ser apreciada a alegação de que o art. 18 da Lei n2 7.739, de
16/03/1989, teria alterado a forma de cálculo do crédito-prêmio, pois se isto realmente ocorreu,
vai por água abaixo a tese oficial da revogação em 1983.

A recorrente formulou tal alegação inspirando-se no artigo do Prof. Ives Gandra
da Silva Martins, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário n2 93, às fls. 135/145.

Após concluir que o crédito-prêmio não tinha natureza setorial por ser destinado a
empresas de qualquer setor econômico, o Prof. Nes Gandra, dando prosseguimento à sua
argumentação, escreveu o seguinte à fl. 140 daquela revista:

11



•

	

-e	 MINISTÉRIO DA FAZENDA	 2* CC-MF
í	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COMO ORIGINAI,.	
Fl.

emitia-DF, em ei 
Processo n2 : 10380.013216/2002-31

jejua	 afuji
Recurso n2: • 126.989 ~na tta Segunda Chama

Acórdão n2 : 202-16.566

"Entretanto, ainda que assim não se entenda, é bem de ver que a confirmação dos
incentivos em tela sobreveio com a publicação da Lei n° 7.739, de 1° de março de 1989,
embora com a alteração introduzida na alínea "b" do art. 1° do Decreto-lei n°1.894/81.
Veja-se o texto do art. 18 da referida lei:

'Art. 18. A alínea 'b' do parágrafo I° do artigo 1° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de
dezembro"de 1981, passa a vigorar com a seguinte redação:

I ° ...	
_

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IPI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções
expedidas pelo Ministro da Fazenda'.

Resulta nítido que, ao introduzir alteração na norma do art. 1° do Decreto-lei n`
1.894/81, editado sob a ordem jurídica anterior, a Lei n° 7.739/89 confirmou os
estímulos nela veiculados (quer no seu inciso I quer no inciso II) sob a ordem atual, -
também para as empresas comerciais exportadoras, segundo entendemos, ou para todos
os beneficiários, se se entender que os estímulos concedidos aos industriais que
exportam seus produtos também ostentam natureza setorial, o que não nos parece
correto."

.

	

	 „	 O problema da conclusão a que chegou o Prof. Ives Gandra em seu- artigo, • ,
decorreu do fato de ele ter se limitado a transcrever o art. 18 da Lei n 2 7.739, de 16/03/1989, sem
analisar o texto completo do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, após a alteração que
foi introduzida pela referida lei. 	 -	 -	 .

Eis a transcrição do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, com as
alterações introduzidas pelo art. 18 da Lei n2 7.739, de 16/03/1989:

"An I° Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira
conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica
assegurado:

•	 1- o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisicão
dos mesmos: 

11- o crédito de que trata o artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

1- O crédito previsto no item I deste artigo será equivalente:

a) no caso de aquisição a produtor-vendedor ou a comerciante contribuinte do imposto
sobre produtos industrializados, ao montante desse tributo, constante da respectiva nota
fiscal;

b) no caso da aquisicão a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IN, até o montante deste tributo que houver incidido na última
tilda do roduto de e tabelecimento industrial ou e, ui sarado a industrial se • undo

instrucões expedidas pelo Ministro da Fazenda.." (grifei)

Conforme se pode constatar, a única alteração efetuada pela Lei n 2 7.739/89 foi
promovida na letra "b" do § 1 2, que se referia ao direito previsto no inciso I do art. 1 2, ou seja, a
alteração perpetrada pela Lei n2 7.739/89 foi em relação ao direito de crédito do IPI que incidiu

12



MINISTÉRIO DA FAZENDAa,
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

	 22 CC-MF
••• 

CONFERE COM O osicte.,
Segundo Conselho de Contribuintes

	

	
Fl.

BresIlie-DF. em 2/

Processo n2 : 10380.013216/2002-31 	 calféabfuji
Recurso n2 : 126.989	 ~Use Segunda Clima!'

Acórdão n2 : 202-16.566

na aquisição dos produtos que seriam futuramente exportados e não em relação ao crédito-
prêmio que se encontra previsto no inciso II. Aliás, todo o § 1 2 se refere expressamente ao
crédito previsto no inciso I do art. 1 2. Este direito nada tem a ver com o crédito-prêmio à
exportação que consta do inciso II do mesmo artigo. O crédito do inciso I se refere ao IPI que foi
pago em operações ocorridas no mercado interno, ao passo que o crédito-prêmio referido no
inciso II, era um créditd ficto que seria calculado e recebido por força das exportações futuras.

Portanto, nítido é o equivoco do parecer quando concluiu que a Lei n2 7.739/89
alterou a forma de cálculo do crédito-prêmio, porque ela se referiu apenas e tão-somente ao
direito de crédito do IPI paro nas operações internas de aquisição de produtos a serem
futuramente exportados, o que mais uma vez confirma a tese da revogação do crédito-prêmio em
30/06/1983.

Da mesma forma, o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n2 8.402,
de 08/01/1992, uma vez que não era incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado
quando do advento da CF/88.

Com efeito, o art. 41 do ADCT estabelece que "Os Poderes Executivos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de

natureza setorial ora em vigor (..)". Pelo "ora em vigor", verifica-se que a Constituição apenas
tratou de incentivos setoriais que estivessem em vigor na data da sua promulgação. Logo, a
contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os
'que estivessem'revogádos ao -tetnpo da pfoinulgação da Carta Magna.

Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento
vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor
do disposto na LC n2 73/93, art. 40, § 1 2. Ademais, o crédito-prêmio à exportação não era
incentivo de natureza setorial, uma vez que podia ser usufruído por empresas de quaisquer
setores da economia, desde que efetuassem vendas para o exterior.

A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à
exportação no seu art. 1 2, I, II, III e § 1 2, mas nenhum deles se tratava do crédito-prêmio à
exportação. Vejamos.

O art. 1 2, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes
aduaneiros especiais.

O art. 1 2, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referidos no
art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio,
instituído pelo art. 1 2 deste decreto-lei.

O art. 1 2, III, restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas aquisições de produtos no mercado
interno destinados a futura exportação. Ou seja, restabeleceu o mesmo incentivo que causou o
equívoco no parecer do Prof. Ives Gandra, já analisado linhas atrás.

Por seu turno, o art. 1 2, § 1 2, apenas restabeleceu ao produtor-vendedor, que viesse
a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de
que trata o art. 3 2 do DL n2 1.248/72. Como se viu linhas atrás, o referido art. 32 regulou a

	

hipótese de exportações indiretas, mas vedou ao produtor-vendedor a utilização do crédito- 	 --
prêmio, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. Acrescente-se que o art. 1 2, §

13



MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

É h, tth	 Segundo Conselho de CantribuIntes 	 2* CC-MF
-• 'c. vir Ministério da Fazenda

f-	 CONFERE COMO ORIGINAL_

	

't	 Segundo Conselho de Contribuintes 	 grulha-DF. em 2/ / /Z /
kkei•

Processo na : 10380.013216/2002-31	 CítZiÇZfuJi
Recurso n2 : 126.989	 Salina da Snumla Ciefin

Acórdão n2 : 202-16.566

1 2, da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no
DL n2 1.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o
caso do DL n2 491/69, art. 1 2, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas
comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prêmio à exportação.

Portanto, é inequívoco que a Lei n 2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não
reinstituiu o crédito-prêmio à exportação.

Estando o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado desde 1983, é
óbvio que o Decreto n2 64.833/69, que o regulamentou, não pode mais ser aplicado, uma vez que
perdeu seu fundamento de validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou
ou, como prefere a recorrente, o "declarou revogado" por meio do Decreto s/n 2, de 25/04/1990.

Somente para esgotar a argumentação em relação ao Decreto n2 64.833/69,
acrescento que o Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum
reconheceu a vigência deste decreto. Pelo contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto
n2 64.833/69 porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art.
16 do Decreto-Lei n2 1.219/72. Em outras palavras, as empresas beneficiárias de Programas
Befiex, com a cláusula de garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito-
prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o Decreto n2 64.833/69 teria
que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respectivos
programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n2 64.833/69 estivesse vigorando em

•	 caráter geral.

No tocante às alíquotas fixadas pela Resolução CIEX n 2 02/79, cuja aplicação foi
pleiteada pela recorrente, é desnecessário tecer qualquer consideração a respeito, em face da tese
oficial acima exposta. Porém, o pleito da recorrente é contraditório com a tese vertida no recurso,
pois se a extinção do crédito-prêmio não poderia se dar por ato administrativo, em face do
princípio da reserva legal, o mesmo raciocínio deve ser aplicado à fixação de alíquotas do
crédito-prêmio por meio de ato administrativo. Assim, não chegaríamos a outra conclusão a não
ser pela inconstitucionalidade da Resolução CIEX if 02/79.

Resumindo:

1. o direito de aproveitamento do crédito-prêmio à exportação regia-se pela
prescrição qüinqüenal do Decreto n2 20.910, de 06/12/1932, pois o beneficio
não tinha natureza jurídica tributária;

2. o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até
30/06/1983, quando expirou a validade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, por
força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979;

3. o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, limitou-se a estender o crédito-prêmio
para as demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a
restringir sua fruição às comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a
vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969;

4. o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma
jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988, porque não era
incentivo de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988;

14

\11



MINISTÉRIO DA FAZENDA
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Centribuintes 	

r CC-MF
4d,

CONFERE COM,0 ORIGINAL 	 n.fr".-pi, c 	 Segundo Conselho de Contribuintes
Bresllia-DF em L/

2-
Processo n9- : 10380.013216/2002-31	

1 uza aajuji
Recurso n2 : 126.989	 scan. et sniund*
Acórdão n2 	202-16.566

5. esta interpretação é vinculante para toda Administração Pública Federal, nos
termos dos arts. 40 e 41 da LC n2 73/93, em razão de o Parecer n2 AGU/SF-
01/98, de 15 de julho de 1998, ter sido adotado pelo Parecer GQ-172/98, de

- 13/10/1998, do Advogado Geral da União, e aprovado na mesma data pelo
Presidente da República.

Em face do exposto, voto no sentido de declarar prescritos os valores do crédito-
prêmio anteriores a 14/10/1997 e, no mérito, por negar provimento ao recurso.

Sala das S tes; eirr- ' • e outubro de 2005.

7/// ra
AN'ffiNI• CARLOS A LIM

•

15


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29 CC-MF
t.,-.(t.;i7", Ministério da Fazenda 	 MIMSTÉRIO DA FAZENDA!Segundo Conselho de Contribuintes 	 Fl.

s:;z4r1&gt;	 Segundo Conselho de Contribuintes
Publicado no Diário Oficial C: Unwv••Processo ri' 	 13026.000375/98-29	 De 41 /	 o	 / os I

Recurso n2 : 126.090
Acórdão	 : 201-77.851

Recorrente IMPLEMENTOS: IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS JAN S/A
Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS

PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES.

Inocorre nulidade por cerceamento de defesa quando a decisão
recorrida decidir as questões que lhe foram postas
fundamentando-se em motivos diversos dos trazidos pelas
partes.

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
DECADÊNCIA. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR.

A decadência, quando não argüida nas instâncias de julgamento,
poderá ser invocada pela Delegacia da Receita Federal no
momento da liquidação de acórdão do Conselho de
Contribuintes, desde que a Câmara não tenha acolhido o pleito
do contribuinte nos exatos termos em que foi formalizado.
Tratando-se de ressarcimento complementar da correção
monetária de crédito incentivado de IPI, aplica-se o Decreto n9
20.910, de 06/12/1932, em lugar do art. 168, I, do CTN, como
regra para a contagem da decadência, iniciando-se o qüinqüênio
a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento.

Recurso provido em pane.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS SAN S/A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos
do voto do Relator.

Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004.

QM0.0..nZn, 	 MIN. DA  FAZENDA - 2." CC 
osefa M. 'a Coelho Marques	 CONFERE COM o onioir,A,

Presi • nte	 EWA • - li . :11 92,4 I_ 1,frg_..1

e .. VISTO

Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Régo Gaivão,
Antonio Mario de Abreu Pinto, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco, Gustavo
Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer.



3 .0 	 CC-MF

	

---•,;:e2",r 	 Ministério da Fazenda
MIN DA FAZENDA - 2." CC	 Fl.',"

	

".,nr	 Segundo Conselho de Contribuintes
..,:"..értft' • CO•:FrrE COM O ORIGINAL

.• a/ • ,k9 CL/
Processo 119 : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090
Acórdão n9 : 201-77.851

Recorrente : IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS JAN S/A

RELATÓRIO

Com base no requerimento de fls. 1/10, planilhas de fls. 11/15 e documentos de
fls. 16/210, a contribuinte acima qualificada requereu, em 24/12/1998, restituição no valor de
R$ 433.044,36, a titulo de correção monetária sobre os ressarcimentos de créditos incentivados
do IPL já recebidos, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre os meses de janeiro
de 1993 e abril de 1996, aplicada a atualização entre a data da protocolização do pedidos de
ressarcimento e as datas das efetivas restituições e compensações.

O pedido culminou no Acórdão n2 201-75.487 (fls. 244/251), que reconheceu à
recorrente o direito pleiteado, ressalvando à Delegacia da Receita Federal do domicilio fiscal da
contribuinte a verificação dos cálculos apresentados por ocasião do pedido.

Dando cumprimento ao que foi determinado no Acórdão n 2 201-75.487, foi
proferido o Despacho Decisório DRF/PFO, de 24/07/2003 (fls. 286 a 288), segundo o qual foi
reconhecido o direito creditório contra a Fazenda Pública da União, no valor de apenas
R$ 73.800,40, conforme planilha de fls. 282/284, relativo à correção monetária, entre a data da
protocolização dos pedidos de ressarcimento do IPI e a data do efetivo ressarcimento, valor
sujeito ao acréscimo de juros pela taxa Selic.

A diferença entre o valor requerido pelo contribuinte, de R$ 433.044,36 (fls.
1/10), e o valor concedido (R$ 73.800,40) foi justificada, segundo a autoridade prolatora do
referido despacho, pela glosa das parcelas atingidas pela decadência na data da protocolização do
requerimento (24/12/1998, conforme fl. 01), dizendo ser matéria não suscitada pela contribuinte
em seu pedido, nem objeto de manifestação oficial nas três apreciações do pedido original.

A DRJ em Porto Alegre - RS manteve o despacho decisório, por meio do Acórdão
n2 3.259, de 15/01/2004, que recebeu a seguinte ementa:

"Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

Período de apuração: 01/01/1993 a 30/04/1996

Ementa: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA.

Prescreve em cinco anos, a contar da data de apresentação do pedido original, o direito,
assegurado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, de pleitear a correção monetária,
sobre ressarcimentos de créditos do IPI já autorizados.

Solicitação Indeferida".

Regularmente notificada deste aresto em 06/02/2004, conforme AR de fl. 361,
apresentou a contribuinte recurso voluntário de fls. 362/368 em 18/02/2004, onde insurgiu-se
apenas e tão-somente quanto ao critério para a contagem da decadência. Alegou que no caso
concreto o prazo deve ser contado a partir da homologação expressa da autoridade
administrativa, por força do disposto no art. 156, VII, que exige o pagamento antecipado e a
respectiva homologação, combinado com o art. 150, § 4 2, ambos do CTN. Esta homologação

2



yr	Ministério da Fazenda MIN CA FAZENflA - 2' CC 	
22 CC-MF

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

CO:	 CCM O CRI' 2•AL

I °
Processo u2 : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090 tr o
Acórdão u2 : 201-77.851

teria ocorrido após 29/12/1993, data em que recebera um termo de solicitação de documentos da
DRF em Passo Fundo - RS, destinado a verificar os processos de ressarcimento protocolados
entre julho de 1993 e novembro de 1993, o que configura a tempestividade em relação a estes
pedidos, os quais equivalem, no mês de dezembro de 1998, a R$ 57.175,42. Finalizando sua
defesa, acrescentou que o Acórdão recorrido não enfrentou vários pontos alegados na
manifestação de inconformidade e requereu o acolhimento das razões ora expostas para o fim de
deferir-se o ressarcimento complementar no valor de R$ 57.175,42 (dez/ 1998), devidamente
atualizado até a data do pagamento.

É o relatório do necessário.

3



22 CC-MFMinistério da Fazenda
Segundo Conselho de Contribuintes	 MIN. DA FAZENnA - 2." CC

'
CONFERE COM r, ORIGINAI

Processo n2 : 13026.000375/98-29 	 FA tlL'IÀ cal	 à-AO
Recurso n2 : 126.090
Acórdão n2 : 201-77.851	 1,N.:

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

Analisando os argumentos da recorrente na ordem inversa em que foram
apresentados, verifica-se que o Acórdão recorrido realmente não se manifestou expressamente
sobre os pontos indicados no recurso. Contudo, deste fato não decorre a nulidade do ato
decisório por cerceamento de defesa, pois o relator reconheceu a ocorrência da decadência por
outros fundamentos e concluiu pela manutenção do despacho DRF/PFO, de 24/07/2003 (fls.
286/288), em razão de o critério adotado pela Fiscalização ter sido mais favorável à recorrente.

Conforme se verifica nos autos, a questão da decadência não foi ventilada em
nenhuma das instâncias de julgamento que antecederam a liquidação do Acórdão n 9 201-75.487
(fls. 247/251). Entretanto, no voto condutor daquele aresto (fls.. 247/251), o insigne relator,
Gilberto Cassuli, reconheceu o direito à atualização pleiteada pela contribuinte, mas ressalvou à
DRF em Passo Fundo - RS a verificação dos cálculos apresentados. Em outras palavras, foi
decidido que a contribuinte tinha o direito à atualização pleiteada, mas o pleito não foi acolhido
nos exatos termos do pedido, já que se facultou ao Fisco a revisão dos cálculos.

Logo, foi correta a atitude da DRF em Passo Fundo - RS em argüir a decadência
parcial em relação aos periodos que considerou caducos no momento da liquidação. O problema
que se coloca é a forma de contar este prazo. O debate entre a DRF em Passo Fundo - RS e a ora
recorrente travou-se no campo da decadência do direito de pedir restituição, já que as partes
invocaram o art. 168 do CTN, enquanto que a 3'2 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS
considerou que o prazo deve ser regulado pelo Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932.

Da leitura dos arts_ 168,  I, e 165, I, ambos do CTN, extrai-se que o direito de
pleitear restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da cobrança
ou pagamento espontâneo de tributo indevido, ou maior que o devido, em face da legislação
tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente
ocorrido.

Ora, no caso vertente não se trata de pedido de restituição por pagamento
indevido, mas sim de pedido complementar relativo à atualização de ressarcimentos
anteriormente recebidos, por força do estimulo governamental à fabricação de máquinas e
equipamentos, previsto na Lei n2 8.1 9 1, de 1 1/06/1 991; na Lei n2 9.000, de 16/03/1995, e,
atualmente, na Lei n2 9.493, de 10/09/1997, conforme indicou a recorrente em seu pedido (fl.
01).

Com efeito, vetusta é a distinção entre a restituição e o ressarcimento de créditos
de IPI. Na restituição, a devolução das importâncias assenta-se na preexistência de um
pagamento indevido cuja devolução é reclamada com base no principio geral de direito que
veda o locupletamento sem causa, enquanto que no ressarcimento de créditos incentivados o
pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido mas a devolução das quantias assenta-se

4

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•

r CC-MFMinistério da Fazenda	 MIN DA FAZENOA - 2." CCwi.ua-
Segundo Conselho de Contribuintes

CONFERE C0i.^ C (“:1C-ItvAL	
Fl.

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Processo n2 : 13026.000375/98-29
Recurso n	 126.090	 1 vis-ro
Acórdão n2 : 201-77.851

única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo
sujeito ativo, titular da competência para exigir o tributo.

Como se vê, em ambos os casos ocorre a devolução de uma quantia ao sujeito
passivo, mas esta devolução ocorre por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir
uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos
fixados em lei para incrementar as respectivas atividades, enquanto que a finalidade da repetição
do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa.

Não foi por outro motivo que o legislador estabeleceu distinção legal expressa
entre restituição e ressarcimento no art. 3 2, II, da Lei n2 8.748, de 09/1 2/1 993, e nos arts. 73 e 74
da Lei n2 9.430, de 27/12/1996, que se encontram vazados nos seguintes termos,
respectivamente:

"Art. 3°. Compete aos Conselhos de Contribuintes, observada a competência por matéria
e dentro de limites de alçada focados pelo Ministro da Fazenda:

1- omissis...

- julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância nos processos relativos a
restituição de impostos e contribuielíes e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre
Produtos Industrializados. 

Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7° do Decreto-lei n°2.287, de 23 de julho de 1896,
a utilização de créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em
procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte:

1- o valor bruto da restituicão ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou
contribuição a que se referir;

omissis...

Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, (..) passível de restituição ou de
ressarcimento, poderá utiliza-lo na compensação de débitos próprios (...)". (destaquei)

À luz da nítida distinção existente entre restituição e ressarcimento, considero
inaplicável a regra do art. 168, I, do CT/V, que só se refere a restituição para regular a contagem
do prazo de decadência para formular pedido de ressarcimento.

Na ausência de regra específica, quer nas leis que instituíram o beneficio fiscal,
quer na Lei n2 4.502, de 30/11/1964, relativa ao EPI, só resta ao aplicador do direito suprir a
lacuna socorrendo-se da prescrição qüinqüenal do Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932, como bem
apontou o insigne relator da DRJ em Porto Alegre - RS.

Estabelecida a norma jurídica segundo a qual se fará a contagem do prazo e, •
conseqüentemente, estabelecido o tamanho do prazo, resta investigar a partir de quando o prazo -
começa a correr.

Ora, o fundamento utilizado pelo Conselho de Contribuintes para conceder o
direito de atualização do ressarcimento é a demora da Administração em analisar os respectivos
processos. Como a Administração só pode responder por esta demora a partir da data em que o
pedido de ressarcimento é protocolado, claro está que o prazo prescricional para o pedido de
correção monetária do ressarcimento é de cinco anos contados da data de protocolo do pedido
original, como acertadamente considerou a autoridade administrativa.

5



Ministério da Fazenda	 MIN DA FAZENnA - 2 • re	 29 CC-MIF
Fl.

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•;,"4""C?:› :A 0.2 1- 'S0	 7/J

Processou' : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090 visto
Acórdão n2 : 201-77.851

Conseqüentemente, são improcedentes os argumentos da recorrente quanto à
aplicabilidade do art. 168 do CM e quanto ao nascimento do prazo de decadência surgir a partir
da homologação expressa dos pedidos de ressarcimento.

Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso.

Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004.

AN'SíkétS WITLI

11P

6


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Processo n2 : 11962.000172/2003-82 	 De 4..`i
Recurso n2 : 127.678	 LOS__
Acórdão n2 : 201-78.033

VISTO

Recorrente : CHOCOLATES VITÓRIA S/A
Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG

NORMAS PROCESSUAIS. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI.
PRESCRIÇÃO.

A pretensão relativa ao reconhecimento pela União de direito A
incentivo fiscal de natureza financeira prescreve em cinco anos,
contados da data em que o pedido poderia ter sido apresentado.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
CHOCOLATES VITÓRIA S/A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso para considerar
prescritos os créditos, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Sérgio Gomes
Velloso.

Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2004.

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Presidente
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VISTO

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Gaivão,
Antonio Mario de Abreu Pinto, Ana Maria Ribeiro Barbosa (Suplente), Gustavo Vieira de Melo
Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer.

.	 .

1



	

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22 CC-MF

	

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Processo	 : 11962.000172/2003-82
........

Recurso n2 : 127.678	 VISTO
Acórdão n2 : 201-78.033

Recorrente : CHOCOLATES VITÓRIA S/A

RELATÓRIO

Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI (fls. 1 a 3), incentivo
previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2 491, de 1969.

O pedido referiu-se a exportações efetuadas entre abril de 1983 e abril de 1985 e,
nos termos das tabelas de fls. 20 a 24,0 valor seria de R$ 2.549.184,79.

Afirmou que os valores apurados excederiam os débitos de IPI, requerendo o
ressarcimento em espécie ou, alternativamente, nos termos da Instrução Normativa SRF n 2 210,
de 2002.

Requereu que as notificações e intimações fossem encaminhadas ao endereço do
representante legal.

A Fiscalização instruiu os autos com os extratos do sistema Sief de fl. 27 e propôs
o indeferimento do pedido, em face da revogação do incentivo, nos termos do parecer de fls. 28 a
49, aprovado pela DRF pelo despacho decisório de fl. 50.

A interessada tomou ciência do despacho em 1 2 de abril de 2004 (fl. 5) e
apresentou, em 20 de abril, a manifestação de inconformidade de fls. 52 a 64, alegando que o
Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n 2s 1.722 e
1.658, de 1979, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido que o Decreto-Lei n2 1.894, de
1981, restaurou o incentivo sem definição de prazo.

Quanto à decadência, alegou que o Superior Tribunal de Justiça teria decidido
que, em se tratando de lei declarada inconstitucional, o prazo iniciar-se-ia na data da declaração
de inconstitucionalidade.

Ademais, as Instruções Normativas SRF n 2s 210 e 226, de 2002, seriam ilegais e
os acordos firmados pelo Brasil, no âmbito do GATT, apenas prescreveriam normas de conduta,
não revogariam disposições do direito positivado e não poderiam transgredir o texto da
Constituição.

Ainda alegou que não se aplicariam ao caso as disposições do art. 41 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988 e que teria direito à correção
monetária dos valores devidos.

Por fim, afirmou que as aliquotas a serem aplicadas seriam as aprovadas pela
Resolução Ciex n2 2, de 1979.

A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG indeferiu a
manifestação no Acórdão DRJ/JFA n 2 7.342, de 3 de junho de 2004 (fls. 66 a 68), em face das
disposições da IN SRF n2 226, de 2002.

Tomando ciência do Acórdão em 16 de agosto (fl. 71), apresentou a interessada o
recurso voluntário de fls. 72 a 96, reafirmando as razões da manifestação de inconformidade.

2



CC-MF
Ministério da Fazenda

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Processo n2 : 11962.000172/2003-82	 t'	
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Acórdão n2 : 201-78.033 	 visto

Juntou parecer da lavra de Paulo de Barros Carvalho (fls. 97 a 138), que concluiu
que o crédito-prêmio não é incentivo de natureza setorial; que o incentivo ainda estaria em vigor;
que os decretos que regulamentaram o incentivo teriam sido recepcionados pela Constituição
com status de lei ordinária; que haveria direito legal à transferência de créditos para terceiros;
que as instruções normativas da SRF que vedavam a transferência de créditos seriam ilegais, em
face de a cessão de créditos ser instituto de Direito Civil; que a IN SRF n2 41, de 2000, não
poderia ter revogado a IN SRF n2 21, de 1997, urna vez que a Constituição garantiria o direito
adquirido dos detentores dos créditos.

É o relatório.

60)113---

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4.	 Ministério da Fazenda

	

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Recurso mit2 : 127.678

	

Acórdão	 : 201-78.033	
VISTO

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO

O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razões
pelas quais dele se deve tomar conhecimento.

Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, que não se confunde com
restituição de pagamento indevido ou a maior, o prazo para seu requerimento é de cinco anos,
contados da data em que poderia ter sido efetuado o pedido.

A regra a ser aplicada ao caso, se se considerasse tratar de matéria tributária, seria
a do art. 174 do CiN, mas o prazo não seria contado da extinção do crédito tributário, por não se
tratar de indébito, mas do dia em que poderia ter sido efetuado o pedido de ressarcimento.

Entretanto, segundo decisões reiteradas do Superior Tribunal de Justiça, por se
tratar de incentivo de natureza financeira, o prazo de prescrição é o de cinco anos previsto no
Decreto n2 20.910, de 1932, que diz respeito a todas as dívidas passivas na União:

"TRIBUTÁRIO. 'PI CRÉDITO-PRÊMIO. PRAZO PRE'SCRICIONAL DECRETO IV°
20.910/32.

I. Nas ações em que se busca o aproveitamento de crédito do IPI, o prazo prescricional é
de cinco anos, nos termos do Decreto n° 20.910/32, por não se tratar de compensação ou
de repetição.

2. Agravo regimental improvido." (STJ, Segunda Turma, AGA n g 556.896 / SC, relator o
Min. Castro Meira, DJ de 31 de maio de 2004, p. 276)

Portanto, não se aplicam ao caso as disposições do antigo Código Civil, por se
tratar de suposta divida passiva da União.

Como o presente pedido foi apresentado em 1 2 de julho de 2003, o direito da
interessada prescreveu.

Esclareça-se que não se aplica ao caso a solução anteriormente adotada pelo
Superior Tribunal de Justiça (que mudou recentemente de entendimento), relativamente à ação
de repetição de indébitos de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal
Federal, uma vez que não houve decisão no sistema concentrado, nem houve publicação de
resolução do Senado Federal para dar efeito erga omnes à decisão do STF. Dessa forma, as
declarações de inconstitucionalidade, como reafirmado mais adiante, somente produziram efeitos
entre as partes das respectivas ações.

Quanto ao mérito, embora tenha ocorrido a prescrição, faz-se abaixo, apenas a
titulo de debate (já que a questão restou superada pela ocorrência da prescrição), exposição das
razões pelas quais se considera revogado o incentivo.

O Acórdão de primeira instância indeferiu liminarmente o pedido, à vista da
disposição da 114 SRF n2 226, de 2002, art. 1 2, I, à vista do disposto na Portaria MF n2 258, de 24
de agosto de 2001, art. 7 2, que impõe aos julgadores de primeira instância a observação dos atos
normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal.

4



r CC-MF
Ministério da Fazenda

	

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Processo n2 : 11962.000172/2003-82	
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Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033 	 vurro

Em relação à extinção do crédito-prêmio, cabe fazer um pequeno histórico.

Primeiramente, o DL n2 1.658, de 1979, previu a extinção gradual do incentivo até
30 de junho de 1983. O DL n2 1.722, de 1979, a seguir alterou a graduação da extinção,
mantendo, no entanto, a mesma data.

A seguir, o DL ne 1.724, de 1979, conferiu poderes ao Ministro da Fazenda para
"aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir" o incentivo.

Sob o pálio desse DL, a Portaria MF n2 960, de 7 de dezembro de 1980,
suspendeu o incentivo, "até decisão em contrário".

Entretanto, o DL n2 1.894, de 1981, ao mesmo tempo em que, novamente, deu
poderes ao Ministro da Fazenda para reduzir, majorar, suspender ou extinguir incentivas fiscais,
restabeleceu o crédito-prêmio, sem especificar prazo.

A Portaria MF n2 252, de 1982, estabeleceu, como prazo final de vigência do
incentivo, a data de 30 de abril de 1985. Finalmente, a Portaria MF n 2 176, de 12 de setembro de
1984, previu novamente a extinção gradual do crédito-prêmio, que ocorreria em 1 2 de maio de
1985.

A principal alegação que embasa a tese de que o crédito-prêmio não foi extinto
tem por base as declarações de inconstitucionalidade dos decretos-leis que delegaram poderes ao
Ministro da Fazenda.

Em recente decisão, no RE ne 186.3591R5, o Supremo Tribunal Federal declarou,
por maioria de votos, a inconstitucionalidade dos DLs n2s 1.724, de 1979, art. 1 2, e 1.894, de
1979, art. 3 2, I.

A segunda questão importante para análise do recurso refere-se a se, considerada a
referida inconstitucionalidade, aplicar-se-iam ao crédito-prêmio os DLs n2s 1.722 e 1.658, de
1979, que o extinguiam a partir de 1983.

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Agravo
Regimental em Agravo de Instrumento ti2 250.914/DF, decidiu que, declarada a
inconstitucionalidade do DL n2 1.724, de 1979, "ficaram sem efeito os Decretos-Leis ngs
1.722/79 e 1.658/79, aos quais o primeiro diploma se referia", concluindo que o incentivo teria
voltado a ser regido pela forma prevista originalmente no DL n 2 491, de 1969, em face da
restauração do incentivo pelo DL 112 1.894, de 1981, sem estabelecimento de prazo.

A declaração de inconstitucionalidade a que se referiu o Acórdão não é aquela do
STF, anteriormente citada, mas a do plenário do antigo Tribunal Federal de Recursos, na
argüição de inconstitucionalidade relativa à Apelação Cível n2 109.896.

Do voto do Min. Relator no RE anteriormente citado, constou expressa referência
à decisão do antigo TRF, de forma que o STF seguiu a mesma linha, declarando inconstitucional
também a disposição do DL ri 2 1.894, de 1981.

Entretanto, a conclusão de que os Decretos-Leis n2s 1.722 e 1.658, de 1979,
restariam prejudicados em função da declaração de inconstitucionalidade dos outros DLs
mencionados, é exclusiva do STJ, pois o STF não apreciou tal questão.

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CC—MF
Ministério da Fazenda

	

Segundo Conselho de Contribuintes	 min • A e‘ AZENnA - 2. Ce	 Fl.

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Processo	 : 11962.000172/2003-82 	

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Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033	

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Assim, há duas questões sucessivas, que devem ser superadas, para saber se o
incentivo foi revogado: 1) a inconstitucionalidade dos DLs n2s 1.724, de 1979, e 1.894, de 1981,
relativamente à delegação de poderes ao Ministro da Fazenda, e 2) o prejuízo da vigência dos
DLs n2s 1.658 e 1.722, de 1979, em função dessa inconstitucionalidade.

Entretanto, tais conclusões foram exaradas em ações judiciais especificas. Não
tendo a interessada apresentado ação judicial, os efeitos de tais decisões e de outras decisões
judiciais no mesmo sentido não provocam efeitos para terceiros, além das partes que litigaram
nos respectivos processos.

No caso, não houve publicação de resolução do Senado Federal que permitisse às
Câmaras deste 22 Conselho de Contribuintes deixarem de aplicar os referidos DLs, nos termos do
art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que deixa claro não estar entre
as suas atribuições a de apreciar a constitucionalidade de leis ou atos normativos.

Além disso, deve-se observar que a inconstitucionalidade dos DLs n 2s 1.724 e
1.894, de 1979, foi declarada no STF, por maioria de votos, o que não garante que seja essa a
decisão defmitiva do Tribunal. De fato, o DL n 2 1 .894, de 1981,  ao mesmo tempo em que
restabelecia o incentivo, que estava em vias de extinção, autorizou o Ministro da Fazenda a
extingui-lo. Assim, é perfeitamente possível verificar que a autorização foi concedida juntamente
com o restabelecimento do incentivo, o que implica que esse restabelecimento foi concedido pela
lei de forma condicionada à possibilidade de sua extinção e alteração por portaria ministerial.

Em relação às decisões do STJ, além de pressuporem a revogação do DL n2 1.724,
de 1979, a conclusão de que a revogação desse DL teria importado no restabelecimento do
incentivo sem fixação de prazo também é questão decidida somente no âmbito das ações
judiciais que foram julgadas pelo Colendo Tribunal

Em sentido contrário a esse entendimento, no Acórdão n 2 201-74.420, julgado em
17 de abril de 2001 (DOU de 5 de agosto de 2002), a Primeira Câmara deste Segundo Conselho
de Contribuintes decidiu que a revogação teria ocorrido em 30 de junho de 1983, conforme
reprodução parcial reproduzida abaixo:

"IPI - RESSARCIMEIVTO E VIGÊNCIA DE CRÉDITO-PRÉMIO - DECISÃO JUDICIAL
- Não tendo a decisão judicial tratado da questão do prazo de vigência do crédito-
prêmio, mas, sim, da autorização dada ao Ermo. Sr. Ministro da Fazenda para
suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos
fiscais concedidos pelos artigos 1° e 5° do Decreto-Lei n°491, de 05.03.69, não há que se
falar em dilatação do prazo de vigência de tal incentivo para 05.10.90, de vez que, nos
termos do Decreto-Lei n°1.658/79, o mesmo vigorou somente até 30.06.83."

Essa conclusão tem respaldo no Parecer AGU GQ-1 72, de 1998, da Advocacia-
Geral da União, aprovado pelo Sr. Presidente da República, que tem caráter vinculativo para toda
a Administração Federal.

O referido parecer ressalta que a motivação para a extinção do incentivo foi o
Acordo do Brasil com o Acordo Geral de Comércio e Tarifas - GATT.

Portanto, o incentivo foi extinto em 30 de junho de 1983.

Quanto às intimações e notificações, deverão ser entregues no endereço do
domicílio fiscal da empresahnme previsto no. art. 127 do Código Tributário Nacional (Lei n2

	

4ak-	
6



22 CC-MFMinistério da Fazenda
Fl.

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Segundo Conselho de Contribuintes 	

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Processo n2 : 11962.000172/2003-82
Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033

5.172, de 1966) e no art. 23 do Decreto n2 70.235, de 1972, com as alterações da Lei n2 9.532, de
1997.

À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso.

Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2004.

JOSNCISCO

7


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i Publicado no Diário Idfficial cia_ União	 S2.	 I1 de 	 () c,  I  (-)e) 	 2,010,3 
Rubrica &lt;-‘1,2 1r 'N 

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Processo n° : 10875.002245/00-55
Recurso n° : 120.849
Acórdão n° : 202-14.260

Recorrente : INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.
Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP

IPI — CRÉDITOS REFERENTES A INSUMOS UTILIZADOS
NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS —
RESSARCIMENTO — A escrituração como custo do valor do
IPI referente às aquisições de insumos utilizados na fabricação
de produtos exportados não impede o ressarcimento do crédito
desse imposto, sobretudo se o sujeito passivo, ao escriturar
extemporaneamente o crédito do imposto, reverteu a
contabilização do valor do IPI de custos para a conta de
resultado denominada "recuperação de despesas".
Recurso provido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:
INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.

Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2002

lift.
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Henrique Pinheiro orres
....

Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro,
Eduardo da Rocha Schmidt, Adolfo Montelo, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar,
Ana Neyle Olímpio Holanda e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

cl/ovrs

1



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22 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
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Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° :	 202-14.260

Recorrente : INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.

RELATÓRIO

Trata o presente processo da Solicitação de Compensação, valor de
R$4.272,33, relativa ao ressarcimento de insumos utilizados na fabricação de produtos
exportados (Decreto-Lei n°491/69, art. 5° e Lei n° 8.402/92, artigo 1°, inciso ID. Por bem relatar
os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido:

"Em 18/05/2001 o contribuinte supra—identificado teve
indeferido pela DRF Guarulhos, pedidos de ressarcimento de créditos
incentivados de IPI, sob o fundamento de inexistência de crédito ressarcível,
uma vez que já teria contabilizado os valores como custo.

Irresigrzado, apresentou o sujeito passivo manifestação de
inconformidade em 11/07/2001, alegando em síntese que na qualidade de
exportação de produtos industrializados, tem direito ao ressarcimento dos
créditos de 1PI; que a controvérsia cinge-se à possibilidade de creditamento
extemporâneo; que não existe divergência quanto ao direito de crédito e nem
em relação à sua quantificação, conforme diligência da DRF Guarulhos; que
ofereceu os valores contabilizados corno custos à tributação; que a própria
fiscalização constatou e atestou que os valores contabilizados como custo
foram oferecidos à tributação; que a decisão da DRF Guarulhos foi imotivada,
pois apontado o dispositivo legal que veda seu procedimento."

A 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto
- SP manteve o indeferimento do pleito da interessada, em acórdão assim ementado:

"1121. NULIDADES.
Só são nulos os atos praticados com cerceamento de defesa ou por autoridade
incompetente.

IN INCENTIVOS FISCAIS.
Indefere-se o pleito de ressarcimento quando inexiste crédito ressarcivel, em
face da contabilização dos mesmos valores como custo."

Inesignada com o não acolhimento de seu pedido, a recorrente apresentou
recurso a este Colegiado, onde repisa os argumentos expendidos na manifestação de
inconformidade apresentada à Delegacia de Julgamento e pugna pela reforma do acórdão
recorrido para que lhe seja deferido o direito ao ressarcimento pleiteado.

É o relatório. le

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Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° : 202-14.260

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR

HENRIQUE PINHEIRO TORRES

O recurso é tempestivo e, tendo atendido aos demais pressupostos processuais
para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento.

A contribuinte, ao contabilizar o IPI que pretende ver ressarcido o contabilizou

como custo, quando da aquisição dos insumos. Posteriormente, efetuou a reversão da

apropriação contábil desses créditos de IPI como custo, escriturando-os a crédito na conta de

resultado "recuperação de despesas". Tal fato foi constatado pela Fiscalização e descrito na
informação fiscal que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos - SP

que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI interposto pela reclamante.

Preliminarmente, verifica-se que o litígio não envolve o próprio direito ao

incentivo fiscal, este não foi posto sequer em dúvida pela DRF ou DRJ citadas, mas sim de se

verificar se a apropriação contábil do IPI como custo impediria o aproveitamento do crédito
fiscal.

O direito à utilização e à manutenção, por parte do produtor exportador, de

créditos de IPI referentes a insumos empregados na fabricação de produtos destinados ao exterior

está condicionado, tão-somente, à comprovação da licitude dos créditos, assim entendida o

destaque do imposto nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos e o efetivo consumo destes na

fabricação dos produtos destinados à exportação, sendo que, se esta não ocorrer, deve o

estabelecimento industrial providenciar o estorno dos créditos. O fato de o sujeito passivo haver

escriturado o valor do IPI pago como custo, não importa em perda do direito ao ressarcimento do

crédito, pois a lei não previu tal restrição, e onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazê-

lo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutível do
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosá-la.

No caso presente, é incontroverso a existência dos créditos, havendo

divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face de sua escrituração como custos,

todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração dos créditos pode ensejar

autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de
restituição.

Registre-se, por oportuno, que a contribuinte, ao entrar com o pedido de
restituição dos créditos ora em análise, reverteu o lançamento contábil anterior, escriturando a

crédito na conta de resultado denominada "recuperação de despesas" os valores que haviam
sido registrados como custos. Com isso, deixa de existir a controvérsia acerca da escrituração

desses créditos como custo. Nada impede, entretanto, que a Fiscalização apure eventuais

irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da

escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos créditos destes autos e, se

houver, exija, de oficio, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o
Lucro. ,/t

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	 29 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
tP,Tat	Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° :	 202-14.260

Frente ao exposto, dou provimento ao recurso, sem prejuízo de verificação, por
parte da Delegacia de origem, da certeza e liquidez dos valores alegados, com base na Legislação
específica.

Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2002

ENtJE PINIIEIROSS

4


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    <str name="camara_s">3ª SEÇÃO</str>
    <str name="ementa_s">CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integre-a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido.
RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188)</str>
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      <str>Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.</str>
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CSRF­T3 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 

 

Processo nº  10675.002420/2002­11 

Recurso nº  132.371   Especial do Procurador 

Acórdão nº  9303­001.725  –  3ª Turma  

Sessão de  07 de novembro de 2011 

Matéria  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  XINGULEDER COUROS LTDA 

 

CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE 
RECEITA OPERACIONAL BRUTA. 

Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita 
operacional bruta para efeitos do  incentivo fiscal por ela  instituído deve ser 
buscado  subsidiariamente  na  legislação  do  imposto  sobre  a  renda.  Por  esse 
exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a 
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta 
própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações 
de  conta  alheia.  Não  há,  pois,  autorização  legal  ou  ministerial  para  dela 
excluir  a  parcela  decorrente  da venda no mercado  externo  de  produtos  que 
não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.  

NORMAS  PROCESSUAIS.  PRINCÍPIO  DO  NON  REFORMATIO  IN 
PEJUS. Deferida, ainda que  indevidamente, a exclusão da parcela discutida 
da  receita  operacional  bruta,  a  reforma  de  tal  entendimento  para  que  ela 
integre­a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria  
condenável  reforma  em  prejuízo  do  recorrente,  dado  que  leva  a  um  valor 
ainda maior do incentivo discutido.   

RESSARCIMENTO  DE  IPI.  ACRÉSCIMO  DE  JUROS  CALCULADOS 
COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ 
PROFERIDAS  NO  RITO  DO  ART.  543­C.  Na    forma  de  reiterada 
jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada 
a  partir  da  data  de  protocolização  do  pedido  administrativo,  a  título  de 
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre 
de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, 
RESP 1.150.188) 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso. 

  

Fl. 2080DF  CARF MF

Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI

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Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2

012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO



 

  2

OTACÍLIO DANTAS CARTAXO ­ Presidente.  

 

JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator. 

 

EDITADO EM: 16/01/2012 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Otacílio  Dantas 
Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo 
Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos 
Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann  

 

Relatório 

A douta  procuradoria  da Fazenda Nacional  impugna decisão  proferida  pela 
Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu parcial provimento a recurso 
voluntário  relativo a pedido de ressarcimento de  crédito presumido de  IPI de que  trata a Lei 
9.363, aqui calculado na forma alternativa instituída pela Lei 10.276/2001. 

O recurso especial pretendia a reforma do julgado quanto a três matérias, mas 
o Presidente da Quarta Câmara do CARF só entendeu comprovada a divergência quanto a duas 
delas, entendimento ratificado pelo Presidente do CARF à época.  

A primeira diz respeito ao conceito de receita operacional bruta para efeito de 
apuração do percentual a  incidir sobre as aquisições para   composição da base de cálculo do 
incentivo.  Mais  precisamente,  quanto  à  inclusão  ou  não  da  parcela  relativa  às  vendas  no 
mercado  externo  de  mercadorias  adquiridas  e  não  submetidas  a  qualquer  processo  de 
industrialização. 

Nos trabalhos de verificação fiscal a autoridade responsável, dando aplicação 
a  ato  declaratório  normativo  da  SRF,  entendeu  que  dita  parcela  não  integraria  a  receita  de 
exportação, mas seria incluída na receita operacional bruta. O recurso  voluntário postulava a 
revisão desse entendimento para que dita parcela fosse computada em ambas as receitas, isto é, 
também  fosse  computada  na  receita  de  exportação.  Não  houve  pleito  para  que  ela  fosse 
excluída da receita operacional bruta. 

No  entanto,  a  decisão  recorrida  reviu  esse  entendimento  e  determinou  sua 
exclusão,  também,  da  receita  operacional  bruta,  como  NÃO  fora  postulado  no  recurso 
voluntário. Quanto à Receita Operacional Bruta, o que o recurso voluntário postulara fora que 
fosse  excluída  a  parcela  relativa  à  venda  NO  MERCADO  INTERNO  de  mercadorias  não 
submetidas a processo de industrialização. Essa pretensão lhe foi indeferida. 

A  representação  fazendária  pugna  pela  manutenção  do  entendimento 
esposado pela SRF, ou seja, que ela seja excluída apenas da receita de exportação. 

O segundo apelo admitido disse respeito à possibilidade do cômputo da  Selic 
no  valor  a  ser  ressarcido,  deferido  na  decisão  recorrida,  incidindo  a  partir  da  data  de 
protocolização  do  pedido.  Defende  a  PFN,  quanto  ao  ponto,  necessidade  de  lei  expressa 

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Processo nº 10675.002420/2002­11 
Acórdão n.º 9303­001.725 

CSRF­T3 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

concedendo­a, dado que não se trata de mera correção ou atualização monetária, determinação 
legal essa inexistente. 

A  empresa,  cientificada  do  recurso  especial,  apresentou  extensas  contra­
razões em que, a par de postular a manutenção das parcelas objeto do recurso fazendário, tenta 
rediscutir  a  questão  da  inclusão  ou  não,  na  receita  operacional  bruta,  da  parcela  relativa  à 
revenda no mercado interno.  

Não manejou, entretanto, recurso especial quanto a isso. 

 É o Relatório.  

Voto            

Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS 

Como  dito,  o  objetivo  da  Fazenda  Nacional  é  restaurar  a  metodologia  de 
cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório 
normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. 

Segundo  ele,  para  apurar  o  percentual  entre  a  receita  de  exportação  e  a 
operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias 
primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegar­se à base de cálculo do 
incentivo, deve­se excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no 
mercado  externo  de  mercadorias  adquiridas  e  não  submetidas  a  qualquer  operação  de 
industrialização. 

Assim fazendo, obviamente, reduz­se aquele percentual e, em conseqüência, 
o incentivo.  

A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de se tratar distintamente 
a  mesma  parcela,  determinou  que  o  cálculo  se  fizesse  excluindo­a  também  da  receita 
operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único, e entenderam os membros do 
colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. 

Defende  a  representação  fazendária  a  inexistência  de  permissivo  legal  para 
dita exclusão, na medida em que a própria  lei  instituidora do  incentivo determinou o recurso 
subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita 
operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas 
de produtos fabricados ou meramente revendidos. 

Tenho  entendimento  firmado,  há muito  tempo, no  sentido  de  que  a parcela 
discutida integra ambas,  tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso 
porque,  se  é  verdadeiro  o  argumento  fazendário  quanto  à  Receita Operacional  Bruta,  ele  se 
aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na  legislação do  imposto de 
renda,  nem  na  legislação  comercial,  qualquer  exclusão  a  ser  feita,  seja  entre  produtos 
fabricados e não  fabricados ou qualquer outro. Receita de  exportação é  simplesmente aquela 
que  resulta  da  venda  de  produtos  ou  serviços  no  mercado  externo,  em  nada  interferindo  a 
natureza do produto ou do serviço. 

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012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO



 

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Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para 
regular  o  incentivo,  a  Portaria  38/97  do  Sr. Ministro  da Fazenda. Vale  dizer  que  somente  o 
Ministro  de  Estado  recebeu  autorização  legal  para  tal  regulamentação  (art.  6º  da Lei  9.363) 
carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. 

De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da 
melhor  forma  a  legislação  ao manter  a  exclusão  daquela  parcela  da  receita  de  exportação  e 
determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, 
mantê­la na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela 
fosse  igualmente  computada  na  receita de  exportação. Até  porque  essa  fora  a  postulação  do 
recurso. 

É  importante  destacar  que  essa  determinação  levaria  a  que  o  direito  do 
contribuinte  fosse  ainda  maior  do  que  o  que  lhe  acabou  deferido  pela  decisão  extra  petita. 
Aplicá­la  agora,  no  entanto,  parece­me  impossível  dado  que  levaria  à  reformatio  in  pejus 
contra a recorrente. 

Repita­se que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário. O que 
ele postula é que se determine apenas a inclusão na Receita Operacional Bruta, mantendo­se, 
ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao 
menor dos valores. A  isso, a meu ver, não se pode dar provimento.   

Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. 

Quanto ao segundo aspecto do recurso, também não se pode dar provimento à 
Fazenda. 

Isso  porque,  o  art.  62­A,  recentemente  incluído  no  Regimento  Interno  do 
CARF,  tornou obrigatória a  adoção do entendimento  expresso  em decisão do STJ que  tenha 
sido proferida na sistemática prevista no art. 543­C. 

E naquele e. Tribunal Superior consolidou­se o entendimento de que a Selic é 
devida  exatamente  na  forma  que  foi  concedida  no  julgamento  contestado  (REsp  993.164  e 
1150188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). 

Destarte,  com  a  ressalva  de  minha  posição  pessoal,  que  acolho  todos  os 
argumentos  expendidos pela  representação  fazendária,  nego provimento  ao  seu  recurso neste 
particular. 

Destarte, é o meu voto pelo não provimento integral do recurso fazendário.  

E é assim que voto. 

JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator 

           

 

           

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012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO


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29 CC-MF
t.,-.(t.;i7", Ministério da Fazenda 	 MIMSTÉRIO DA FAZENDA!Segundo Conselho de Contribuintes 	 Fl.

s:;z4r1&gt;	 Segundo Conselho de Contribuintes
Publicado no Diário Oficial C: Unwv••Processo ri' 	 13026.000375/98-29	 De 41 /	 o	 / os I

Recurso n2 : 126.090
Acórdão	 : 201-77.851

Recorrente IMPLEMENTOS: IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS JAN S/A
Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS

PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES.

Inocorre nulidade por cerceamento de defesa quando a decisão
recorrida decidir as questões que lhe foram postas
fundamentando-se em motivos diversos dos trazidos pelas
partes.

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
DECADÊNCIA. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR.

A decadência, quando não argüida nas instâncias de julgamento,
poderá ser invocada pela Delegacia da Receita Federal no
momento da liquidação de acórdão do Conselho de
Contribuintes, desde que a Câmara não tenha acolhido o pleito
do contribuinte nos exatos termos em que foi formalizado.
Tratando-se de ressarcimento complementar da correção
monetária de crédito incentivado de IPI, aplica-se o Decreto n9
20.910, de 06/12/1932, em lugar do art. 168, I, do CTN, como
regra para a contagem da decadência, iniciando-se o qüinqüênio
a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento.

Recurso provido em pane.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS SAN S/A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos
do voto do Relator.

Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004.

QM0.0..nZn, 	 MIN. DA  FAZENDA - 2." CC 
osefa M. 'a Coelho Marques	 CONFERE COM o onioir,A,

Presi • nte	 EWA • - li . :11 92,4 I_ 1,frg_..1

e .. VISTO

Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Régo Gaivão,
Antonio Mario de Abreu Pinto, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco, Gustavo
Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer.



3 .0 	 CC-MF

	

---•,;:e2",r 	 Ministério da Fazenda
MIN DA FAZENDA - 2." CC	 Fl.',"

	

".,nr	 Segundo Conselho de Contribuintes
..,:"..értft' • CO•:FrrE COM O ORIGINAL

.• a/ • ,k9 CL/
Processo 119 : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090
Acórdão n9 : 201-77.851

Recorrente : IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS JAN S/A

RELATÓRIO

Com base no requerimento de fls. 1/10, planilhas de fls. 11/15 e documentos de
fls. 16/210, a contribuinte acima qualificada requereu, em 24/12/1998, restituição no valor de
R$ 433.044,36, a titulo de correção monetária sobre os ressarcimentos de créditos incentivados
do IPL já recebidos, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre os meses de janeiro
de 1993 e abril de 1996, aplicada a atualização entre a data da protocolização do pedidos de
ressarcimento e as datas das efetivas restituições e compensações.

O pedido culminou no Acórdão n2 201-75.487 (fls. 244/251), que reconheceu à
recorrente o direito pleiteado, ressalvando à Delegacia da Receita Federal do domicilio fiscal da
contribuinte a verificação dos cálculos apresentados por ocasião do pedido.

Dando cumprimento ao que foi determinado no Acórdão n 2 201-75.487, foi
proferido o Despacho Decisório DRF/PFO, de 24/07/2003 (fls. 286 a 288), segundo o qual foi
reconhecido o direito creditório contra a Fazenda Pública da União, no valor de apenas
R$ 73.800,40, conforme planilha de fls. 282/284, relativo à correção monetária, entre a data da
protocolização dos pedidos de ressarcimento do IPI e a data do efetivo ressarcimento, valor
sujeito ao acréscimo de juros pela taxa Selic.

A diferença entre o valor requerido pelo contribuinte, de R$ 433.044,36 (fls.
1/10), e o valor concedido (R$ 73.800,40) foi justificada, segundo a autoridade prolatora do
referido despacho, pela glosa das parcelas atingidas pela decadência na data da protocolização do
requerimento (24/12/1998, conforme fl. 01), dizendo ser matéria não suscitada pela contribuinte
em seu pedido, nem objeto de manifestação oficial nas três apreciações do pedido original.

A DRJ em Porto Alegre - RS manteve o despacho decisório, por meio do Acórdão
n2 3.259, de 15/01/2004, que recebeu a seguinte ementa:

"Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

Período de apuração: 01/01/1993 a 30/04/1996

Ementa: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA.

Prescreve em cinco anos, a contar da data de apresentação do pedido original, o direito,
assegurado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, de pleitear a correção monetária,
sobre ressarcimentos de créditos do IPI já autorizados.

Solicitação Indeferida".

Regularmente notificada deste aresto em 06/02/2004, conforme AR de fl. 361,
apresentou a contribuinte recurso voluntário de fls. 362/368 em 18/02/2004, onde insurgiu-se
apenas e tão-somente quanto ao critério para a contagem da decadência. Alegou que no caso
concreto o prazo deve ser contado a partir da homologação expressa da autoridade
administrativa, por força do disposto no art. 156, VII, que exige o pagamento antecipado e a
respectiva homologação, combinado com o art. 150, § 4 2, ambos do CTN. Esta homologação

2



yr	Ministério da Fazenda MIN CA FAZENflA - 2' CC 	
22 CC-MF

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

CO:	 CCM O CRI' 2•AL

I °
Processo u2 : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090 tr o
Acórdão u2 : 201-77.851

teria ocorrido após 29/12/1993, data em que recebera um termo de solicitação de documentos da
DRF em Passo Fundo - RS, destinado a verificar os processos de ressarcimento protocolados
entre julho de 1993 e novembro de 1993, o que configura a tempestividade em relação a estes
pedidos, os quais equivalem, no mês de dezembro de 1998, a R$ 57.175,42. Finalizando sua
defesa, acrescentou que o Acórdão recorrido não enfrentou vários pontos alegados na
manifestação de inconformidade e requereu o acolhimento das razões ora expostas para o fim de
deferir-se o ressarcimento complementar no valor de R$ 57.175,42 (dez/ 1998), devidamente
atualizado até a data do pagamento.

É o relatório do necessário.

3



22 CC-MFMinistério da Fazenda
Segundo Conselho de Contribuintes	 MIN. DA FAZENnA - 2." CC

'
CONFERE COM r, ORIGINAI

Processo n2 : 13026.000375/98-29 	 FA tlL'IÀ cal	 à-AO
Recurso n2 : 126.090
Acórdão n2 : 201-77.851	 1,N.:

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

Analisando os argumentos da recorrente na ordem inversa em que foram
apresentados, verifica-se que o Acórdão recorrido realmente não se manifestou expressamente
sobre os pontos indicados no recurso. Contudo, deste fato não decorre a nulidade do ato
decisório por cerceamento de defesa, pois o relator reconheceu a ocorrência da decadência por
outros fundamentos e concluiu pela manutenção do despacho DRF/PFO, de 24/07/2003 (fls.
286/288), em razão de o critério adotado pela Fiscalização ter sido mais favorável à recorrente.

Conforme se verifica nos autos, a questão da decadência não foi ventilada em
nenhuma das instâncias de julgamento que antecederam a liquidação do Acórdão n 9 201-75.487
(fls. 247/251). Entretanto, no voto condutor daquele aresto (fls.. 247/251), o insigne relator,
Gilberto Cassuli, reconheceu o direito à atualização pleiteada pela contribuinte, mas ressalvou à
DRF em Passo Fundo - RS a verificação dos cálculos apresentados. Em outras palavras, foi
decidido que a contribuinte tinha o direito à atualização pleiteada, mas o pleito não foi acolhido
nos exatos termos do pedido, já que se facultou ao Fisco a revisão dos cálculos.

Logo, foi correta a atitude da DRF em Passo Fundo - RS em argüir a decadência
parcial em relação aos periodos que considerou caducos no momento da liquidação. O problema
que se coloca é a forma de contar este prazo. O debate entre a DRF em Passo Fundo - RS e a ora
recorrente travou-se no campo da decadência do direito de pedir restituição, já que as partes
invocaram o art. 168 do CTN, enquanto que a 3'2 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS
considerou que o prazo deve ser regulado pelo Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932.

Da leitura dos arts_ 168,  I, e 165, I, ambos do CTN, extrai-se que o direito de
pleitear restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da cobrança
ou pagamento espontâneo de tributo indevido, ou maior que o devido, em face da legislação
tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente
ocorrido.

Ora, no caso vertente não se trata de pedido de restituição por pagamento
indevido, mas sim de pedido complementar relativo à atualização de ressarcimentos
anteriormente recebidos, por força do estimulo governamental à fabricação de máquinas e
equipamentos, previsto na Lei n2 8.1 9 1, de 1 1/06/1 991; na Lei n2 9.000, de 16/03/1995, e,
atualmente, na Lei n2 9.493, de 10/09/1997, conforme indicou a recorrente em seu pedido (fl.
01).

Com efeito, vetusta é a distinção entre a restituição e o ressarcimento de créditos
de IPI. Na restituição, a devolução das importâncias assenta-se na preexistência de um
pagamento indevido cuja devolução é reclamada com base no principio geral de direito que
veda o locupletamento sem causa, enquanto que no ressarcimento de créditos incentivados o
pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido mas a devolução das quantias assenta-se

4

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Segundo Conselho de Contribuintes

CONFERE C0i.^ C (“:1C-ItvAL	
Fl.

BPMk n
Processo n2 : 13026.000375/98-29
Recurso n	 126.090	 1 vis-ro
Acórdão n2 : 201-77.851

única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo
sujeito ativo, titular da competência para exigir o tributo.

Como se vê, em ambos os casos ocorre a devolução de uma quantia ao sujeito
passivo, mas esta devolução ocorre por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir
uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos
fixados em lei para incrementar as respectivas atividades, enquanto que a finalidade da repetição
do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa.

Não foi por outro motivo que o legislador estabeleceu distinção legal expressa
entre restituição e ressarcimento no art. 3 2, II, da Lei n2 8.748, de 09/1 2/1 993, e nos arts. 73 e 74
da Lei n2 9.430, de 27/12/1996, que se encontram vazados nos seguintes termos,
respectivamente:

"Art. 3°. Compete aos Conselhos de Contribuintes, observada a competência por matéria
e dentro de limites de alçada focados pelo Ministro da Fazenda:

1- omissis...

- julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância nos processos relativos a
restituição de impostos e contribuielíes e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre
Produtos Industrializados. 

Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7° do Decreto-lei n°2.287, de 23 de julho de 1896,
a utilização de créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em
procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte:

1- o valor bruto da restituicão ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou
contribuição a que se referir;

omissis...

Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, (..) passível de restituição ou de
ressarcimento, poderá utiliza-lo na compensação de débitos próprios (...)". (destaquei)

À luz da nítida distinção existente entre restituição e ressarcimento, considero
inaplicável a regra do art. 168, I, do CT/V, que só se refere a restituição para regular a contagem
do prazo de decadência para formular pedido de ressarcimento.

Na ausência de regra específica, quer nas leis que instituíram o beneficio fiscal,
quer na Lei n2 4.502, de 30/11/1964, relativa ao EPI, só resta ao aplicador do direito suprir a
lacuna socorrendo-se da prescrição qüinqüenal do Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932, como bem
apontou o insigne relator da DRJ em Porto Alegre - RS.

Estabelecida a norma jurídica segundo a qual se fará a contagem do prazo e, •
conseqüentemente, estabelecido o tamanho do prazo, resta investigar a partir de quando o prazo -
começa a correr.

Ora, o fundamento utilizado pelo Conselho de Contribuintes para conceder o
direito de atualização do ressarcimento é a demora da Administração em analisar os respectivos
processos. Como a Administração só pode responder por esta demora a partir da data em que o
pedido de ressarcimento é protocolado, claro está que o prazo prescricional para o pedido de
correção monetária do ressarcimento é de cinco anos contados da data de protocolo do pedido
original, como acertadamente considerou a autoridade administrativa.

5



Ministério da Fazenda	 MIN DA FAZENnA - 2 • re	 29 CC-MIF
Fl.

":•. 'a., 4" Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COM O Cr.; NAL
•;,"4""C?:› :A 0.2 1- 'S0	 7/J

Processou' : 13026.000375/98-29
Recurso n2 : 126.090 visto
Acórdão n2 : 201-77.851

Conseqüentemente, são improcedentes os argumentos da recorrente quanto à
aplicabilidade do art. 168 do CM e quanto ao nascimento do prazo de decadência surgir a partir
da homologação expressa dos pedidos de ressarcimento.

Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso.

Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004.

AN'SíkétS WITLI

11P

6


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do ressarcimento do crédito de IPI, diante da inexistência de previsão legal.
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S2-C2T1

Fl. 163

MINISTÉRIO DA FAZENDA
tn".k. • g5

- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO

Processo n°	 10380.007548/2002-87

Recurso n°	 161.288 Voluntário

Acórdão n°	 2201-00.190 — 2' Câmara / 1" Turma Ordinária

Sessão de	 8 de maio de 2009

Matéria	 Taxa Selic em Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI (Lei n"
9.363/96)

Recorrente	 PONTES INDÚSTRIAS DE CERA LTDA.

Recorrida	 DRJ-BELÉM/PA

ASS1UNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI

Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002

RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 1\1' 9.363/96.
ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Incabível qualquer forma de atualização
do ressarcimento do crédito de IPI, diante da inexistência de previsão legal.

Recurso Voluntário Negado.

• Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da r Câmara/1' Turma Ordinária da r Seção de
Julgamento do CARF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do
voto do Relator. Venci I oi onselhein - 	 leut- Sim; . endonça.

lat	 wir

LSON M C • ROSENBURG FILHO•

Presidente

1

DASSI GUERZONI FIL

' elator

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos
Dantas de Assis, Andréia Dantas Lacerda Moneta (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça,



Processo n° 10380.007548/2002-87	 82-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.190	 Fl. 164

José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de
Miranda.

Relatório

Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata
a Portaria MF n° 38, de 1997 (Lei n° 9.363, de 14 de dezembro de 1996), formalizado pela
interessada em 31/05/2002, relativo a insumos empregados na produção de produtos
exportados e adquiridos no primeiro trimestre de 2002. O valor do pedido montou a R$
672.142,68 e difere daquele que constou do "Recibo de Entrega" da DCTF entregue pela
interessada, que monta a R$ 653.328,46.

O Serviço de Orientação e Análise Tributária - Seort da DRF em Fortaleza
deferiu parcialmente o pedido, no valor de R$ 653.328,46, portanto, aquele que constou da
DCTF e não do Pedido de Ressarcimento, ressalvando, além disso, o não cabimento da
incidência da taxa Selic.

Na Manifestação de Inconformidade a interessada não teceu qualquer
consideração sobre a glosa parcial ao seu pleito, limitando-se a alegar que o indeferimento por
parte do Fisco quanto à incidência da taxa Selic teria sido motivado pelo fato de não ter a
Certidão Narrativa de Trânsito em Julgado que acostara se referido expressamente à taxa
Selic, mas que a nova Certidão que agora junta sanaria o problema. De outro lado, pede a
unificação de processos que tratariam de outros períodos de apuração, bem como que as
compensações sejam realizadas ao tempo dos respectivos fatos geradores, de modo que não se
configure a mora da requerente.

A 32 Turma da DRJ em Belém/PA, por meio do Acórdão n° 01-11.402, de
26/06/2008, todavia, indeferiu totalmente o pleito da interessada em decisão assim ementada:

Acórdão DRJ N" 01-11402 de 2008

Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI

RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.

É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária
de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de
ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela
taxa Selic sobre os montantes pleiteados.

Solicitação Indeferida.

Fundamentou-se a instância de piso na própria Certidão Narrativa acostada
pela interessada, segundo a qual concluiu que restara decidido pelo Poder Judiciário em favor
da impetrante apenas a determinação expressa de que o Fisco não se valesse dos obstáculos
criados pelas instruções normativas SRF nc's. 23 e 103 de 1997, bem como que admitisse os
créditos presumidos relativos aos insumos adquiridos de produtores rurais e que apreciasse os
pedidos de ressarcimento. Em outras palavras, a parte da decisão de primeira instância em que

(92



Processo n° 10380.007548/2002-87	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.190	 Fl. 165

fora autorizada a incidência da taxa Selic acabou sendo reformada pelo Tribunal Regional
Federal da 5' Região, transitando em julgado dessa forma.

No Recurso Voluntário a interessada, após destilar imprecações de toda
ordem ao Fisco (atos ilegais publicados a três-por-quatro; administração fundada em instruções
normativas e em portarias; coação, desfaçatez, ausência de pudor e de moralidade), fez
transcrever trechos de decisões do STJ em que, a seu ver, refletiriam o posicionamento daquela
Corte no sentido de que é devida a taxa Selic sobre os valores ressarcidos pelo Fisco.

É o Relatório.

Voto

Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator

A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em
12/08/2008, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 28/08/2008. Preenchendo os
demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido.

A única matéria agitada pela Recorrente nesta fase de julgamento é a
incidência da taxa Selic ao valor que lhe foi reconhecido a titulo de crédito presumido de 'PI.

Não há mesmo que se falar que a decisão judicial transitada em julgado lhe
fora favorável no que se refere à incidência da taxa Selic, conforme apregoou a interessada na
Manifestação de Inconformidade; tanto assim o é que, diante do veemente rechaço da DRJ
quanto a tal argumentação, a interessada não o repetiu no Recurso Voluntário.

Assim, caberá a este Colegiado apenas se ater ao reconhecimento ou não da
incidência da taxa Selic no valor do crédito reconhecido à interessada.

Respeitadas as posições em sentido contrário, entendo que não existe — e
nunca existiu - previsão legal para incidéncia de juros compensatórios ou de quaisquer outros
acréscimos sobre créditos de IPI, tendo a lei estabelecido a incidência da taxa Selic apenas nos
casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos.

Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundem e não
mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o art. 165 do CTN, tem direito à
restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevido. Já o ressarcimento de que tratam, tanto
a Lei n°9.779/99, quanto as Leis n°9.363/96 e n°10.276/2001, é uma forma de incentivo fiscal
concedido ao sujeito passivo, para manter em sua escrita fiscal créditos do IPI relativos a
determinados bens, produtos ou operações, para utilização mediante compensação na própria
escrita fiscal com os débitos escriturados ou, de forma residual, para serem ressarcidos em
espécie.

A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de
tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juro
equivalentes à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento
não existe previsão legal especifica para essa incidência.	 V.5N1

wrto

P-3



i,

.

Processo tf 10380.007548/2002-87	 52-C2T1
•	 Acórdão n.° 2201-00.190 	 Fl. 166

Em relação à correção monetária dos valores pleiteados a título de
ressarcimento do IPI, é pacífico o entendimento neste Colegiado de que essa atualização visa
apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal, para evitar o enriquecimento sem causa que
sua efetivação em valor nominal adviria à Fazenda Nacional.

Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da
Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que tem natureza de
juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que
se adotada no caso causaria a concessão de um "plus", que só é possível por expressa previsão
legal.

No processo administrativo o julgador restringe-se à lei, pela sua
competência estritamente vinculada. Se impossibilitado de adotar a Selic como índice de
atualização monetária, não pode fixar outro índice, sem que haja previsão legal para tanto.

Logo, de se indeferir a utilização da taxa Selic como índice de correção
monetária no ressarcimento pleiteado, raz - pela qual nego provimento ao recurso.

U.,
"es, em 8 e maio de 200941,

ODASSI GUERZONI Fl

4


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sjrnoloSTÉC2sieOlhoDdAe FcertbNuDi fite
r CC-MF

V. Ministério da Fazenda

Publicado no Diário Oficial da União

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n2 : 10380.01323512002-68
Recurso n2 : 126.990	

i.11113
Acórdão n2 : 202-16367	 VISTO

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.
Recorrida : DRJ em Recife - PE

NORMAS TRIBUTÁRIAS. CRÉDITO-PRÊMIO. PRES-
CRIÇÃO.

A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do
crédito-prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados
do embarque da mercadoria para o exterior.

ILEGALIDADE. INs SRF N2s 210 E 226, DE 2002.

MINISTÉRIO DA FAZENDA	
São legítimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à

Segundo Conselho de Conlribtantes	 exportação contidas nas INs SRF n2s 210, 226 de 2002, pois
CONFERE COMO ORIGINAL	 além de terem fulcro em Parecer vinculante da AGU, não
Brasilia-DE em21.1.14/ daear

impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal.

IPI. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO.
t.feuza isiiafuji

Secretárn de Sumi. Cravo 	 O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde
30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1 2, § 22, do
Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. Interpretação vinculante
para toda a Administração Pública Federal, nos ter-mos do art. 41
da LC n2 73/93, por constar do Parecer n2 AGU-SF-01/98, anexo
ao Parecer GQ-172/98.

ART. 41 DO ADCT DA CF/1988.

O crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem
reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do
ADCT da CF/1988.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os
Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-
Kozlowski e Dalt° , esar Cordeiro ):Ie Miranda.

Sala e:	 ssões, em 19 de outubro de 2005.

e tolo arlos Atu
Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa,
Antonio Zomer e Evandro Francisco Silva Afaújo (Suplente). • 	 •

1



MINISTÉRIO DA FAZENDA
et C.;	 Segundo Conselho de Contribuintes	 22 CC-MF

Ministério da Fazenda CONFERE COMO QRIGINAL Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes 	 Brasília-DF, em 'd / /4_12422E

Processo n2 : 10380.013235/2002-68
*Secretária da	

mar

Recurso n2 : 126.990	
euz sitiThkawd..afcuàji

Acórdão n2 : 202-16.567

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

RELATÓRIO

Em 18/05/2004 a interessada foi notificada do Acórdão n2 7.773, de 02/04/2004,
por meio do qual a DRI em Recife - PE manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do
crédito-prêmio à exportação, em relação aos períodos compreendidos entre 10/01/1987 e
03/12/1990, sob os seguintes fundamentos: 1) as INs SRF n2s 210 e 226, ambas de 2002, vedam
a análise do mérito do pedido e 2) a inconstitucionalidade referida na impugnação só pode ser
estendida aos demais contribuintes nos casos previstos no Decreto re 2.346/97.

Insurgindo-se contra tal decisão, a interessada interpôs recurso voluntário, às fls.
358/373, em 20/05/2004. Alegou que a extinção do crédito-prêmio pelo art. 1 2, § r, do Decreto-
Lei n2 1.658, de 24/01/1979, não chegou a ocorrer porque além dos Decretos-Leis n2s 1.722; de
03/12/1979, e 1.724, de 07/12/1979, terem sido declarados inconstitucionais, o Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, restabeleceu a vigência do Decreto-Lei n 2 491, de 05/03/1969, sem
definição de prazo. Alegou que o crédito-prêmio não foi revogado pelo art. 41, § 1 2, do ADCT
da CF/1988, porque não se trata de incentivo setorial. Entretanto, ainda que assim não se
entenda, dentro do biênio referido no art. 41 do ADCT foi editada a Medida Provisória n 2 39, de
1989, convertida na Lei n2 7.739, de 16/03/1989, cujo art. 18 alterou a redação do art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, confirmando que o beneficio se encontra em pleno vigor.

• Posteriormente, também a Lei n2 8.402, - de 08/01/1992, teria confirmado a vigência do beneficio.'
Para corroborar sua tese, invocou jurisprudência dos tribunais superiores e doutrina de Ives
Gandra da Silva Martins. Informou que por meio da Portaria MF n2 26, de 12/01/1979, foi criada
a Comissão de Incentivos às Exportações — CIEX, que também recebeu competência para
estabelecer as alíquotas a serem utilizadas para cálculo do crédito-prêmio. Valendo-se desta
competência, em 17/01/1979, a comissão publicou a Resolução CIEX n 2 02/79, relacionando as
alíquotas do crédito-prêmio, em relação às quais requereu aplicabilidade. Insurgiu-se contra as
IN SRF n2s 210 e 226, de 2002, sob o argumento de que violaram os princípios que regem a
Administração Pública, todos com assento constitucional e na Lei n 2 9.784, de 29/01/1999.
Requereu o acolhimento de suas razões a fim de que o Conselho reforme a decisão recorrida e
determine o ressarcimento observando-se a Resolução CIEX n 2 02/79.

É o relatório.

(Jr.	 2



	

è	 MINISTÉRIO DA FAZENDA• 2° CC-MF
•••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintessi. • O ORIGINAL

Segundo Conselho de Contribuintes 	 CONFERECOM
Brunia-DF. eminiZ242ff	

Fl.

Processo n2 : 10380.013235/2002-68 elighafuji
Recurso n2 : 126.990	 ~Guina da Snundo Cirnam

Acórdão n2 : 202-16.567

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

DAS PRELIMINARES

• Da prescrição	 _	 .	
.

Antes de analisar as razões recursais, merece ser analisada a questão do prazo para
aproveitamento do crédito-prêmio à exportação.

O regime jurídico do CTN é inaplicável, uma vez que o beneficio não tinha
natureza jurídica tributária. Contudo, isto não significa que estivesse sujeito à prescrição
vintenária do Código Civil. Tratando-se de uma quantia em dinheiro que era devida pela União,
o Código Civil cede passo à norma específica do art. 1 2 do Decreto n2 20.910, de 06/0111932,
que estabelece que "(..) As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim
todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a
sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
originarem."

• Esta questão já foi enfrentada pelo STJ ‘ que firmou entendimento no sentido de

	

.	 .
que a prescrição ao aproveitamento do crédito-prêmio era regulada pelo Decreto n 2 20.910/32,
conforme se pode verificar na ementa do RESP n 2 40.213-1/DF, DJ de 12/08/1996, verbis:

"EMENTA: Tributário. Ipi. Crédito-prêmio. Ressarcimento. Decreto-lei N° 491, De 5-3-
69. Prescrição. Correção monetária. Variação cambial. Juros moratórios. Honorários
advocaticios.

I - A ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI prescreve em 5 (cinco)
anos (Decreto-lei n° 20.910/32), aplicando-se-lhe, no que couber, os princípios
relativos à repetição de indébito tributário. Ofensa aos arts. 173 e 174 do CPC não
caracterizada.

II - A correção monetária é devida a partir da conversão dos créditos questionados em
moeda nacional, na forma do art. 2° do Decreto-lei n°491, de 1969, aplicando-se, desde
então, a Súmula n° 46 - TFR, segundo a qual aquela correção 'incide até o efetivo
recebimento da importância reclamada'.

- Os juros morató rios são devidos, à taxa de 12% ao ano, a partir do trânsito em
julgado da sentença. Aplicação dos arts. 161, § I° e 167, parágrafo único, CPC.
Inaplicação dos arts. 58, 59 e 60 do Código Civil e do art. 1° da Lei n° 4.414/64.

IV - salvo limite legal, a fixação da verba advocatícia depende das circunstâncias da
causa, não ensejando recurso especial. Súmula n°389 - STF. Aplicação.

V- Recurso especial não conhecido." (grifei)

No mesmo sentido, foi a decisão proferida nos Embargos de Declaração no
Recurso Especial n2 260.096/DF, DJU de 13/08/2001, pág. 42:

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'	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
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CONFERE COMO ORIGINAL	 Fl.

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 leuz	 kafuji
Recurso n2 : 126.990	 %nom da Snun0 C ai a

Acórdão t12 : 202-16.567

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - ACOLHIMENTO DE QUESTÃO DE ORDEM
-COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES - IPI -CRÉDITO-
PRÊMIO - PRESCIUÇÃO.

Acolhida questão de ordem para submeter à apreciação da Primeira Seção a matéria
atinente à contagem do prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do
crédito-prêmio do IPI, fica mantida a competência da Turma originária para o
julgamento das demais questões suscitadas no recurso especial.

A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela

prescrição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da
ação. Incidência das Súmulas tes. 443 do STF e 85 do STJ.

Embargos parcialmente acolhidos. "(grifei)

Considerando que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a
exportação dos produtos, a prescrição do seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do
efetivo embarque da mercadoria para o exterior.

No caso dos autos, o pedido foi protocolado em 14/10/2002 (fl. 1), enquanto que
os valores pleiteados referem-se às exportações efetuadas no período compreendido entre
10/01/1987 e 03/12/1990.

Logo, neste processo estão prescritos todos os valores do crédito-prêmio gerados
em períodos anteriores a 14/10/1997.

Dos vícios das INs SRF n2s 210 e 226, de 2002

Cabe esclarecer que os atos normativos baixados pela Secretaria da Receita
Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de
normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CTN.

As determinações de indeferimento liminar e de inaplicabilidade do procedimento
administrativo de ressarcimento ao crédito-prêmio à exportação, contidas nas INs SRF n 2s 210 e
226, de 2002, respectivamente, não violaram nenhum dos princípios alegados pela defesa, uma
vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal

	

e o processamento dos recursos administrativos garantidos em lei. Tanto é assim que a recorrente 	 —
trouxe a discussão até a última instância administrativa ordinária.

O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002, estabelece que:

"Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de
ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto
'crédito-prêmio' instituído pelo art. I° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969."
(grifei)

Ao fazer referência expressa "...ao extinto crédito-prêmio...", o Secretário da
Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável o procedimento estabelecido por aquele
ato administrativo, carecendo de suporte a alegação de violação do principio da motivação.

A decisão da DRF em Fortaleza - CE não pode ser considerada nula e nem ser
anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A
autoridade administrativa transcreveu os dispositivos das INs SRF n2s 210 e 226, de 2002, não
havendo que se falar em falta de motivação é cerceamento de defesa.

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•	 .„,e 	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
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tes 	2' CC-MF

CONFERE COM O ORIGINAL
.79	 K	 Segundo Conselho de Contribuintes	

Fl.

tolha-DF. em Zi 1,11_114ar
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Processo n2 : 10380.013235/2002-68
Recurso n2 : 126.990	 amar

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Acórdão n2 : 202-16.567

Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Recife - PE.

DO MÉRITO

A existência de atos normativos de caráter geral, emanados pela autoridade
competente e baixados em harmonia com os princípios gerais da Administração Pública, já seria
mais do que suficiente Para fundamentar o indeferimento do pleito da recorrente.

	

Contudo, como esta é a última instância administrativa ordinária, cumpre-me 	 .
esgotar a discussão è deixar explícito • o • motivo pelo qual a Administração Tributária Considera o
crédito-prêmio à exportação extinto.

As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito-prêmio à exportação

A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento.

Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das portarias baixadas
pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e
inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio não se
deu por efeito de nenhum ato administrativo.

Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que
trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n2 64.833, de 1969, que, em seu art. 1 2, §§ 1 2 e

" 22, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de
estimulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI
incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os
estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita
fiscal uma determinada quantia a titulo de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre
a venda de produtos ao exterior.

Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o
Poder Executivo baixou o Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, que previa„ em seu art. 1 2, a
redução gradual do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a sua extinção total,
em 30 de junho 1983, verbis:

"Art. 1°- O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março
de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção.

§ 1°- Durante o exercício financeiro de 1979, o estimulo será reduzido:

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento);

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§2° - A partir de 1980, o estimulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março,
a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até
sua total extinção a 30 de junho de 1983."

5



MINISTÉRIO DA FAZENDAt1,1.
Segundo Conselho de Contribuintes 	 29 CC-MF•	 "ir	 ra	 Ministério da Fazenda
CONFERE COMO ORIGINAL	 Fl.

Segundo Conselho de Contribuintes	 IllnesIlie-DE em  21 Les_14195-.

Processo n2 : 10380.013235/2002-68
Recurso n2 : 126.990	

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Acórdão n2 : 202-16.567

Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n 2 1.722, de
03/12/1979, que deu nova redação ao artigo 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979,
verbis:

"Artigo 3° - O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n°1.658, de 14 de janeiro de 1979, passa
a vigorar com a seguinte redação:

§ 2 0 - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento)

em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de

1983, de acordo com aio do MiniStro de Estado da Fazenda". (grifei)

Antes da expiração do prazo fixado no § 22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, o Governo Federal baixou o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, que estendeu o
beneficio fiscal instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, às empresas que
exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda
estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia
incidido na sua aquisição. O art. 5 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, revogou os §§ 1 2 e
22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a
desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, unia vez que, tendo sido suprimida a
autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito-
prêmio passou a ser creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário.

A tese da revogação

Com o advento do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, foram introduzidas
normas que estabeleceram a redução gradual do beneficio, até sua extinção por completo em - -
30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo
fiscal criado pelo Decreto-Lei n 2 491, de 05/03/1969, e, tampouco, interferir na escala gradual de
extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas
exportadoras de produtos nacionais, independentemente de serem as fabricantes, enquanto
	  vigorasse o art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Segundo esta tese, a revogação tácita do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979,
teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a
matéria ou fosse incompatível com a norma anterior (art. 2 2, § 1 2, da LICC). Entretanto,
nenhuma destas. duas hipóteses se verificou, pois o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, não
regulou inteiramente a matéria e nem era incompatível com os DL n 2s 491/69; 1.658/79 e
1.722/79, mas apenas e tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras,
enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto,
como a lei nova (DL n2 1.894/81) limitou-se a estabelecer disposições gerais ou especiais a par
das já existentes, não houve revogação tácita do DL n 2 1.658/79, a teor do disposto no art. 22, §
22, da LICC. A interpretação sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da
extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983.

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1INISTÉRIO DA FAZENDA 2° CC-MF
Ministério da Fazenda 	 Jegundo Conselho de Contribuintes

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 45#44fuji
Recurso n2 : 126.990	 Sombra xte Snunds Creu
Acórdão n2 : 202-16.567

A tese da vigência por prazo indeterminado

Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 9 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por
meio do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, criou uma nova situação de gozo do beneficio
previsto no art. 1 2 do pecreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi
revogado. O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o
crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de
forma diferente pelo Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, antes de implementado o termo final
para a extinção do incentivo, conforme o disposto no Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria
reinstituído o crédito-prêmio por prazo indeterminado.

A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente

No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão prolatado pelo
STF no julgamento do RE n2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte:

"TRIBUTO - BENEFÍCIO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem
inconstitucionais o artigo I° do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o
inciso I do artigo 3' do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que
implicaram a autorizacão ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender,
aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais
previstos nos artigos 1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969." (grifei)

Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das
delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, e o no art. 3 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos não interferiu na
vigência do art. P, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original,
quer na redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que
este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado inconstitucional. Porém, como a
nova redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, também encerrava
uma delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era
inconstitucional a expressão "(...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.(..)",
contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu que o dispositivo produzisse o
efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Entretanto, caso se considere que o -art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979,
seja todo inconstitucional, inconstitucionalidade esta que — repito — não foi formalmente
declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2
1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como data fatal o dia 30/06/1983.

Desse modo, por qualquer ângulo que se examine a questão, a declaração de
inconstitucionalidade proferida no RE n2 186.359-5/RS não teve nenhuma influência sobre a
revogação do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros
julgados, adotou a segunda tese supramencionada, tendo se manifestado sobre a aplicabilidade
do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, ter
restauradó o beneficio do crédito-prémio à exportação sem definição de prazo.

7



k	 MINISTÉRIO DA FAZENDA	 CC-MF
• •••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Segundo Conselho de Contribuintes 	 CONFERE COWI,0 OBIGIStc.

BMSIIII-DF.	 jiáj

Processo n2 : 10380.013235/2002-68
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Recurso n2 • 126.990 ~nos de Segunda Crus
Acórdão n2 : 202-16.567

Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2
329.27I1RS, 1 2 Turma, Rel. Min. José Delgado, publicado no DJ de 08/10/2001, pág. 00182, que
resume o entendimento do tribunal sobre a questão:

"TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÊMIO. 1PL DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/ 79,
1.722179 1.658179E 1.894/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR.

1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual o crédito-prêmio
previsto no Decreto-Lei n° 491/ 69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-

.
• • Lei n° 1.658179.

2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 1.724/79,
conseqüentemente ficaram sem efeito os Decretos-Leis n • 1.722/79 e 1.658/79. aos
quais o primeiro diploma se referia.

3. É aplicável o Decreto-Lei n° 491/69, expressamente mencionado no Decreto-Lei n°
1.894/81. que restaurou o beneficio do crédito-prêmio do IPL sem definição de prazo. 

4. Precedentes desta Cone Superior.

5. Recurso provido." (grifei)

Esta ementa foi colhida aleatoreamente entre muitas outras existentes na página
de pesquisa do STJ na internet e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos
proferidos pelo tribunal.

Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos
do STJ, é dificil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o
tribunal.

A primeira delas é quanto à "perda dos efeitos" dos Decretos-Leis n2s 1.658, de

24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724,
de 07/12/1979.

É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de
competência ao Ministro da Fazenda e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-
Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição
de seu inteiro teor feita a seguir:

"DECRETO-LEI N° 1.724, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1979

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55,
item II, da Constituição,

DECRETA:

Art 1° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir,
temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos
1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

Art 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° da Independência e 91° da República.

JOÃO FIGUEIREDO

Karlos Rischbieter".

8



e	 MINISTÉRIO DA FAZENDA•
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22 CC-MF
azend*fr,.".•1".'	 a

CONFERE COMO ORIGINAL 	 Fl.
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diefièi;
Processo n2 : 10380.013235/2002-68	 afuji
Recurso n2 : 126.990	 ~Mine da Segunda Cima,.

Acórdão n2 : 202-16.567

Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio
por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658,
de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma
jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito-prêmio (art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts. 1 2, II; 22 e 42. Vejamos cada uma destas referências.

O art. P, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981 ao estabelecer que "(...) Às
empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de
fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: 1- o crédito do imposto
sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; II- o crédito de
que trata o artigo 1° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969 (9", limitou-se apenas a
estender o crédito-prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações.

Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981,
não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou
claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não
expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Já o art. r do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes
termos:

"Art 2° - O artigo 3° do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a
vigorar com a seguinte redação:

'Art. 3°- São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1'
deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à
exceção do previsto no artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 05 de março de 1969, ao qual
fará jus apenas a empresa comercial exportadora '."

O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou
seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à
empresa comercial exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo
também não fez referência ao Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, obviamente que este direito
da comercial exportadora estava condicionado à vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979.

Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou de
exportações efetuadas por comercial exportadora antes de sua vigência e revogou o art. 4 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no
art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição
do crédito-prêmio à exportação.

À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em afirmar que
uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando,
conclui-se que não há fundamento para a teáe da reinstituição do crédito-prêmio pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

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9



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Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

	

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68 	 adaifuji
Recurso n2 : 126.990	 ~uns da Sffuntia cámv*
Acórdão n2 : 202-16567

No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à
exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de
Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n2
1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer, que vai a seguir transcrita:

"EMENTA : Crédito-prêmio do IPI — subvenção às exportações. No contexto dos arts. I'
e 2° do Decreto-lei n°491, de 5.3.69, que dispõe sobre estímulos de natureza financeira
(não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior'
não significa venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a venda
efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a aceitação delas por parte do
comprador. O simples contrato de compra-e-venda de produtos industrializados para o
exterior, que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora
elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo suficiente
para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito adquirido ao regime do
crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de creditar-se do valor correspondente ao
beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscal.
Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da
exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para •
o exterior. Em regra, as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda
lhe representava, apenas. uma expectativa de direito e que, para que pudessem 

. adquirir o direito ao regime favorecido do art 1' do Dec.-lei 491/69 e ao respectiio
creditamento. teriam que realizar a exportação dos manufaturados enquanto vigente a
norma legal de cunho geral que previa o subsidio-prêmio. ou. na hipótese do contrato
ter sido celebrado após a previsão legal de extincão do incentivo de natureza financeira
(Acordo no GATT: Dec.-lei 1.658/79. art. 1°. § 2 0: e Dec.-lei 1.722/79. art. 3 0). antes da
extinção total dos mesmos. Há, entretanto, uma situação especial: as empresas
beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à
exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos
Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei
1.219/72) teriam direito adquirido a exportar com os beneficias do regime do crédito-
prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor
correspondente aos beneficias só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do
termo final dos respectivos PEEX's." (grifei)

A íntegra deste parecer encontra-se anexa ao Parecer n 2 GQ- 172/98, do Advogado
Geral da União, que tem o seguinte teor:

"Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ-I 72: 'Aprovo'. Em 13-1-
98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98.

Parecer n° GQ -172

Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73. de 10 de fevereiro de 1993, o
anexo PARECER TI° AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e submeto-o ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art.
40 da referida Lei Complementar.

Brasília, 13 de outubro de 1998.

GERALDO MA GELA DA CRUZ QUINTÃO".

10



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Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes
CONFERE COM po ORIGINAL	 Fl.Segundo Conselho de Contribuintes

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Processo n2 : 10380.013235/2002-68	
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Recurso n2 : 126.990	 ~Ima da Segunda Câmara

Acórdão n2 : 202-16.567

Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n 2 73/93, o Parecer
AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tornou-se vinculante para toda a
Administração Pública Federal, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado
pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23.

Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de 30/09/2002,
considerou extinto o crédito-prêmio à exportação.

No mesmo sentido desta interpretação já se manifestou o. Tribunal Regional
Federal da 4a Região, conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas:

"Crédito-prêmio do IPL Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do
Beneficio.

A partir de 1° de julho de 1983, o benefício instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou

extinto." (Apelação em Mandado de Segurança n2 2000.71.00.040996-4/RS,
Relatora Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003)

"Tributário. IPLCrédito-prêmio.Termo final. Vigência.Beneficio .Lei. Inexistência.

I. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação prevista nos

Decretos-leis n° 1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-

prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69.

2. Na hipótese, os fatos geradores, consoante documentos trazidos com a petição inicial,
- - 	 -- • °Correram em 1984. Inexiste qualquerlrerba à ser ?-estititída, 'eis qite . itUsentrnortna

legal autorizativa da fruição do benefício.

3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n°1.658/79, disciplinou acerca

da -extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto-lei n" 491/69, pelo que, se manteve,

para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do

beneficio em tela." (TRF da 4-4 Região, 22 Turma, Ac. n2 96.04.22981-8/RS, Relator
Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, DJ de 27/10/99, pág. 641)

Também o Tribunal Regional Federal da 3 2 Região já chancelou o entendimento
de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n 2 2002.03.00.027537-
8, publicado no DJ, II, de 18/09/2002, -pág: 292, e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ, II, de
24/02/2003, pág. 469.

Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido
. definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins -do art. 41 do ADCT da

CF/I 988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que
estivessem vigentes na data da promulgação da CF/1988.

Entretanto, merece ser apreciada a alegação de que o art. 18 da Lei n2 7.739, de
16/03/1989, teria alterado a forma de cálculo do crédito-prêmio, pois se isto realmente ocorreu,
vai por água abaixo a tese oficial da revogação em 1983.

A recorrente formulou tal alegação inspirando-se no artigo do Prof. Ives Gandra
da Silva Martins, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário n 2 93, às fls. 135/145.

Após concluir que o crédito-prêmio não tinha natureza setorial por ser destinado a
empresas de qualquer setor econômico, o 2rof. Ives Gandra, dando prosseguimento à sua
argumentação, escreveu o seguinte à fl. 140 daquela revista:

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Segundo Conselho de Contribuintes 	 •rasília-DE em  2/ I le

aProcesso n2 : 10380.013235/2002-68	 uji
Recurso n2 : 126.990	 sacana da Segunda C imota

Acórdão n2 : 202-16.567

"Entretanto, ainda que assim não se entenda, é bem de ver que a confirmação dos
incentivos em tela sobreveio com a publicação da Lei n° 7.739, de 1° de março de 1989,
embora com a alteração introduzida na alínea "b" do art. 1° do Decreto-lei n° 1.894/81.
Veja-se o texto do art. 18 da referida lei:

'Art. 18. A alínea 'b' do parágrafo 1° do artigo 1° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de
dezembro' de 1981, passa a vigorar com a seguinte redação:

1°

a) ...

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — 'PI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções
expedidas pelo Ministro da Fazenda'.

Resulta nítido que, ao introduzir alteração na norma do art. I° do Decreto-lei n`
1.894/81, editado sob a ordem jurídica anterior, a Lei n° 7.739/89 confirmou os
estímulos nela veiculados (quer no seu inciso I quer no inciso II) sob a ordem atual,
também para as empresas comerciais exportadoras, segundo entendemos, ou para todos
os beneficiários, se se entender que os estímulos concedidos aos industriais que
exportam seus produtos também ostentam natureza setorial, o que não nos parece
correto."

,	 .	 O problema da:conclusão a que chegou o Prof. Ives Gandra em seu - artigo; 	 -•-•-• •
decorreu do fato de ele ter se limitado a transcrever o art. 18 da Lei n2 7.739, de 16/03/1989, sem
analisar o texto completo do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, após a alteração que
foi introduzida pela referida lei.

Eis a transcrição do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, com as
alterações introduzidas pelo art. 18 da Lei n 2 7.739, de 16/03/1989:

"Art 1° Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira
conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica
assegurado:

- o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisicão
462,snSM251_

- o crédito de que trata o artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

8 1'- O crédito previsto no item 1 deste artigo será equivalente: 

a) no caso de aquisição a produtor-vendedor ou a comerciante contribuinte do imposto
sobre produtos industrializados, ao montante desse tributo, constante da respectiva nota
fiscal;

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IPI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções

expedidas pelo Ministro da Fazenda.." (grifei)

Conforme se pode constatar, a única alteração efetuada pela Lei n2 7.739/89 foi
promovida na letra "b" do § 1 2 que se referia ao direito previsto no inciso I do art. 1 2, ou seja, a
alteração perpetrada pela Lei n 2 7.739/89 foi em relação ao direito de crédito do IPI que incidiu

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MINISTÉRIO DA FAZENDA 2• CC-MF
- •••	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

CONFERE COM O ORIGINAL_--- ,N A"	 Segundo Conselho de Contribuintes 	
Fl.

Bratilie-DF. em  1/ 

•
Processo n2 : 10380.013235/2002-68

euza	 afuji
Recurso n2 : 126.990	 ~nu da Segunde Crwa
Acórdão n2 : 202-16.567

na aquisição dos produtos que seriam futuramente exportados e não em relação ao crédito-
prêmio que se encontra previsto no inciso II. Aliás, todo o § 1 2 se refere expressamente ao
crédito previsto no inciso I do art. 1 9. Este direito nada tem a ver com o crédito-prêmio à
exportação que consta do inciso II do mesmo artigo. O crédito do inciso I se refere ao IPI que foi
pago em operações ocorridas no mercado interno, ao passo que o crédito-prêmio referido no
inciso II, era um crédit‘ficto que seria calculado e recebido por força das exportações futuras.

Portanto, nítido é o equivoco do parecer quando concluiu que a Lei n 2 7.739/89
alterou a forma de cálculo do crédito-prêmio, porque ela se referiu apenas e tão-somente ao
direito de crédito do IPI pago nas operações internas de aquisição de produtos a serem
futuramente exportados, o que mais urna vez confirma a tese da revogação do crédito-prêmio em
30/06/1983.

Da mesma forma, o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n 2 8.402,
de 08/01/1992, uma vez que não era incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado
quando do advento da CF/88.

Com efeito, o art. 41 do ADCT estabelece que "Os Poderes Executivos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de
natureza setorial ora em vigor (...)". Pelo "ora em vigor", verifica-se que a Constituição apenas
tratou de incentivos setoriais que estivessem em vigor na data da sua promulgação. Logo, a
contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os

- "	 'que estivessem revogados ao tempo da promulgação ida Carta Magna. 1. 	 • '

Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento
vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor
do disposto na LC n2 73/93, art. 40, § 1 2. Ademais, o crédito-prêmio à exportação não era
incentivo de natureza setorial, uma vez que podia ser usufruído por empresas de quaisquer
setores da economia, desde que efetuassem vendas para o exterior.

A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à
exportação no seu art. 1 2, I, II, III e § 1 2, mas nenhum deles se tratava do crédito-prêmio à
exportação. Vejamos.

O art. 1 2, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes
aduaneiros especiais.

O art. 1 2, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referidos no
art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio,
instituído pelo art. 1 2 deste decreto-lei.

O art. 1 2, III, restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas aquisições de produtos no mercado
interno destinados a futura exportação. Ou seja, restabeleceu o mesmo incentivo que causou o
equívoco no parecer do Prof. Ives Gandra, já analisado linhas atrás.

Por seu turno, o art. 1 2, § 1 2, apenas restabeleceu ao produtor-vendedor, que viesse
a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de
que trata o art. 3 2 do DL n2 1.248/72. Como se viu linhas atrás, o referido art. 3 2 regulou a
hipótese de exportações indiretas, mas vedou ao produtor-vendedor a .utilização do crédito-
prêmio, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. Acrescente-se que o art. 1 2, §

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MINISTÉRIO DA FAZENDA.rn

Ministério da Fazenda

	

	
CC-MFSegundo Conselho de Contritnuntes

It	 CONFERE COMO ORIGINAL 	 Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes	 Brunia-DE em  27 /.5._i2a

•

Processo n2 : 10380.01323512002-68 	 u a kafali
Recurso n2 : 126.990	 ~Mem da Segunda Cria

Acórdão u2 : 202-16.567

1 2, da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no
DL n2 1.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o
caso do DL n2 491/69, art. 1 2, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas
comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prêmio à exportação.

Portanto, é inequívoco que a Lei n2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não
reinstituiu o crédito-prêmio à exportação.

Estando o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado desde 1983, é
óbvio que o Decreto n2 64.833/69, que o regulamentou, não pode mais ser aplicado, uma vez que
perdeu seu fundamento de validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou
ou, como prefere a recorrente, o "declarou revogado" por meio do Decreto s/n 2, de 25/04/1990.

Somente para esgotar a argumentação em relação ao Decreto n2 64.833/69,
acrescento que o Parecer n 2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum
reconheceu a vigência deste decreto. Pelo contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto
n2 64.833/69 porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art.
16 do Decreto-Lei n2 1.219/72. Em outras palavras, as empresas beneficiárias de Programas
Befiex, com a cláusula de garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito-
prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o Decreto n2 64.833/69 teria
que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respectivos
programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n 2 64.833/69 estivesse vigorando em
caráter geral: ' 2 *	 •

No tocante às alíquotas fixadas pela Resolução CIEX n 2 02/79, cuja aplicação foi
pleiteada pela recorrente, é desnecessário tecer qualquer consideração a respeito, em face da tese
oficial acima exposta. Porém, o pleito da recorrente é contraditório com a tese vertida no recurso,
pois se a extinção do crédito-prêmio não poderia se dar por ato administrativo, em face do
princípio da reserva legal, o mesmo raciocínio deve ser aplicado à fixação de alíquotas do
crédito-prêmio por meio de ato administrativo. Assim, não chegaríamos a outra conclusão a não
ser pela inconstitucionalidade da Resolução CIEX n 2 02/79.

Resumindo:

1. o direito de aproveitamento do crédito-prêmio à exportação regia-se pela
prescrição qüinqüenal do Decreto n 2 20.910, de 06/12/1932, pois o beneficio
não tinha natureza jurídica tributária;

2. o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até
30/06/1983, quando expirou a validade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, por
força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979;

3. o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, limitou-se a estender o crédito-prêmio
para as demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a
restringir sua fruição às comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a
vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969;

4. o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma
jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/I 988, porque não era
incentivo de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988;

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•

MINISTÉRIO DA FAZENDA CC-MFV Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes
CONFERE COM O ORIGINAL_	 .Segundo Conselho de Contribuintes

	

	
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BrasIlie-DF. em G/

-

Processo n9- : 10380.013235/2002-68 	 euzarfiajuji
Recurso n2 : 126.990	 Secreta". de Segunda Crèfit

Acórdão n2 : 202-16.567

5. esta interpretação é vinculante para toda Administração Pública Federal, nos
termos dos arts. 40 e 41 da LC ne• 73/93, em razão de o Parecer n9 AGU/SF-
01/98, de 15 de julho de 1998, ter sido adotado pelo Parecer GQ-172/98, de
13/10/1998, do Advogado Geral da União, e aprovado na mesma data pelo
Presidente da República.

Em face do exposto, voto no sentido de declarar prescritos os valores do crédito-
prêmio anteriores 14/10/1997 e, no mérito, por negar provimento ao recurso.

Sala d.	 ssões, em 19 o;le outubro de 2005.

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i Publicado no Diário Idfficial cia_ União	 S2.	 I1 de 	 () c,  I  (-)e) 	 2,010,3 
Rubrica &lt;-‘1,2 1r 'N 

22 CC-MF1.-..le.	 Ministério da Fazenda
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Segundo Conselho de Contribuintes
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Processo n° : 10875.002245/00-55
Recurso n° : 120.849
Acórdão n° : 202-14.260

Recorrente : INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.
Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP

IPI — CRÉDITOS REFERENTES A INSUMOS UTILIZADOS
NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS —
RESSARCIMENTO — A escrituração como custo do valor do
IPI referente às aquisições de insumos utilizados na fabricação
de produtos exportados não impede o ressarcimento do crédito
desse imposto, sobretudo se o sujeito passivo, ao escriturar
extemporaneamente o crédito do imposto, reverteu a
contabilização do valor do IPI de custos para a conta de
resultado denominada "recuperação de despesas".
Recurso provido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:
INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.

Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2002

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Henrique Pinheiro orres
....

Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro,
Eduardo da Rocha Schmidt, Adolfo Montelo, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar,
Ana Neyle Olímpio Holanda e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

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22 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
,;•.;	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° :	 202-14.260

Recorrente : INDÚSTRIA DE MEIAS SCALINA LTDA.

RELATÓRIO

Trata o presente processo da Solicitação de Compensação, valor de
R$4.272,33, relativa ao ressarcimento de insumos utilizados na fabricação de produtos
exportados (Decreto-Lei n°491/69, art. 5° e Lei n° 8.402/92, artigo 1°, inciso ID. Por bem relatar
os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido:

"Em 18/05/2001 o contribuinte supra—identificado teve
indeferido pela DRF Guarulhos, pedidos de ressarcimento de créditos
incentivados de IPI, sob o fundamento de inexistência de crédito ressarcível,
uma vez que já teria contabilizado os valores como custo.

Irresigrzado, apresentou o sujeito passivo manifestação de
inconformidade em 11/07/2001, alegando em síntese que na qualidade de
exportação de produtos industrializados, tem direito ao ressarcimento dos
créditos de 1PI; que a controvérsia cinge-se à possibilidade de creditamento
extemporâneo; que não existe divergência quanto ao direito de crédito e nem
em relação à sua quantificação, conforme diligência da DRF Guarulhos; que
ofereceu os valores contabilizados corno custos à tributação; que a própria
fiscalização constatou e atestou que os valores contabilizados como custo
foram oferecidos à tributação; que a decisão da DRF Guarulhos foi imotivada,
pois apontado o dispositivo legal que veda seu procedimento."

A 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto
- SP manteve o indeferimento do pleito da interessada, em acórdão assim ementado:

"1121. NULIDADES.
Só são nulos os atos praticados com cerceamento de defesa ou por autoridade
incompetente.

IN INCENTIVOS FISCAIS.
Indefere-se o pleito de ressarcimento quando inexiste crédito ressarcivel, em
face da contabilização dos mesmos valores como custo."

Inesignada com o não acolhimento de seu pedido, a recorrente apresentou
recurso a este Colegiado, onde repisa os argumentos expendidos na manifestação de
inconformidade apresentada à Delegacia de Julgamento e pugna pela reforma do acórdão
recorrido para que lhe seja deferido o direito ao ressarcimento pleiteado.

É o relatório. le

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22 CC-MFwr	 Ministério da Fazenda
•	 Fl.

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Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° : 202-14.260

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR

HENRIQUE PINHEIRO TORRES

O recurso é tempestivo e, tendo atendido aos demais pressupostos processuais
para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento.

A contribuinte, ao contabilizar o IPI que pretende ver ressarcido o contabilizou

como custo, quando da aquisição dos insumos. Posteriormente, efetuou a reversão da

apropriação contábil desses créditos de IPI como custo, escriturando-os a crédito na conta de

resultado "recuperação de despesas". Tal fato foi constatado pela Fiscalização e descrito na
informação fiscal que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos - SP

que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI interposto pela reclamante.

Preliminarmente, verifica-se que o litígio não envolve o próprio direito ao

incentivo fiscal, este não foi posto sequer em dúvida pela DRF ou DRJ citadas, mas sim de se

verificar se a apropriação contábil do IPI como custo impediria o aproveitamento do crédito
fiscal.

O direito à utilização e à manutenção, por parte do produtor exportador, de

créditos de IPI referentes a insumos empregados na fabricação de produtos destinados ao exterior

está condicionado, tão-somente, à comprovação da licitude dos créditos, assim entendida o

destaque do imposto nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos e o efetivo consumo destes na

fabricação dos produtos destinados à exportação, sendo que, se esta não ocorrer, deve o

estabelecimento industrial providenciar o estorno dos créditos. O fato de o sujeito passivo haver

escriturado o valor do IPI pago como custo, não importa em perda do direito ao ressarcimento do

crédito, pois a lei não previu tal restrição, e onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazê-

lo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutível do
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosá-la.

No caso presente, é incontroverso a existência dos créditos, havendo

divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face de sua escrituração como custos,

todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração dos créditos pode ensejar

autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de
restituição.

Registre-se, por oportuno, que a contribuinte, ao entrar com o pedido de
restituição dos créditos ora em análise, reverteu o lançamento contábil anterior, escriturando a

crédito na conta de resultado denominada "recuperação de despesas" os valores que haviam
sido registrados como custos. Com isso, deixa de existir a controvérsia acerca da escrituração

desses créditos como custo. Nada impede, entretanto, que a Fiscalização apure eventuais

irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da

escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos créditos destes autos e, se

houver, exija, de oficio, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o
Lucro. ,/t

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	 29 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
tP,Tat	Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10875.002245/00-55
Recurso n° :	 120.849
Acórdão n° :	 202-14.260

Frente ao exposto, dou provimento ao recurso, sem prejuízo de verificação, por
parte da Delegacia de origem, da certeza e liquidez dos valores alegados, com base na Legislação
específica.

Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2002

ENtJE PINIIEIROSS

4


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Segundo Conselho de Contribuintes	 MINISTÉRIO DA FAZENDAJ	
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Segundo Conselho de Cnritibuintes
Riblicado

Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 no Diário O,	 'Miá()
gle 04-	 0*	 . 96Recurso n2 : 126.989	 1

Acórdão n2 : 202-16.566	 - 
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Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.
Recorrida : DRJ em Recife - PE

NORMAS TRIBUTÁRIAS. CRÉDITO-PRÉMIO. PRES-
.	 CRIÇÃO.

A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do
crédito-prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados
do embarque da mercadoria para o exterior.

ILEGALIDADE. INs SRF N2s 210 E 226, DE 2002.

São legitimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à
exportação contidas nas INs SRF IA 210 e 226, de 2002, pois

MINISTÉRIO DA FAZENDA além de terem fulcro em Parecer vinculante da AGU, não
Segundo Conselho de Contribuintes impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal.
CONFERE COM O OeIGINAL
Brasília-DF. em  2/ /S _i atir IPI. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. 

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O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-

	

C	 Lei n2 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde
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30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1 2, § 22, do
Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. Interpretação vinculante
para toda a Administração Pública Federal, nos termos do art. 41
da LC n2 73/93, por constar do Parecer n2 AGU-SF-01/98, anexo
ao Parecer GQ-172/98.

ART. 41 DO ADCT DA CF/1988.

O crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem
reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do
ADCT da CF/1988.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os
Conselheiros Gustavo Kelly Alencar,  Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-
Kozlowslci e Dalto 'esar Cordeiro e Miranda.

Sal; das Sessões, em 1 de outubro de 2005.

ra •
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Presidente e Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa,
Antonio Zomer e Evandro Francisco Silva At;tijo (Suplente).

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MINISTÉRIO DA FAZENDAes	 r CC-MF
Ministério da Fazenda

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31

Recurso n2 : 126.989	
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Acórdão n2 : 202-16.566

Recorrente : RODOLFO G. MORAIS &amp; CIA. LTDA.

RELATÓRIO

Em 19/05/2004 a interessada foi notificada do Acórdão n2 7.772, de 02/04/2004,
por meio do qual a DR3 em Recife - PE manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do
crédito-prémio à exportação, em relação aos períodos compreendidos entre 19/10/1982 e

• 29/12/1986, sob os seguintes fundamentos: 1) as IN SRF n2s 210 e 226, ambas de 2002, vedam a
análise do mérito do pedido e 2) a inconstitucionalidade referida na impugnação só pode ser
estendida aos demais contribuintes nos casos previstos no Decreto 1122.346/97.

Insurgindo-se contra tal decisão, a interessada interpôs recurso voluntário, às fls.
503/518, em 20/05/2004. Alegou que a extinção do crédito-prêmio pelo art. 1 2, § 22, do Decreto-
Lei n2 1.658, de 24/01/1979, não chegou a ocorrer porque além de os Decretos-Leis nes 1.722, de
03/12/1979, e 1.724, de 07/12/1979, terem sido declarados inconstitucionais, o Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, restabeleceu a vigência do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, sem
definição de prazo. Alegou que o crédito-prêmio não foi revogado pelo art. 41, § 1 2, do ADCT
da CF/I988, porque não se trata de incentivo setorial. Entretanto, ainda que assim não se
entenda, dentro do biênio referido no art. 41 do ADCT foi editada a Medida Provisória n2 39, de
1989, convertida na Lei n2 7.739, de 16/03/1989, cujo art. 18 alterou a redação do art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, confirmando que o beneficio se encontra em pleno vigor.

• Posteriormente, também a Lei n2 8.402, de 08/01/1992, teria confirmado a vigência do beneficio.
Para corroborar sua tese, invocou jurisprudência dos tribunais superiores e doutrina de Ives
Gandra da Silva Martins. Informou que por meio da Portaria MF n2 26, de 12/01/1979, foi criada
a Comissão de Incentivos às Exportações - CIEX, que também recebeu competência para
estabelecer as alíquotas a serem utilizadas para cálculo do crédito-prêmio. Valendo-se desta
competência, em 17/01/1979, a comissão publicou a Resolução CIEX n2 02/79, relacionando as
alíquotas do crédito-prémio, em relação às quais requereu aplicabilidade. Insurgiu-se contra as
IN SRF n2s 210 e 226, de 2002, sob o argumento de que violaram os princípios que regem a
Administração Pública, todos com assento constitucional e na Lei n2 9.784, de 29/01/1999.

- Requereu o acolhimento de suas razões a fim de que o Conselho reforme a decisão recorrida e
determine o ressarcimento observando-se a Resolução CIEX n 2 02/79.

É o relatório.

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MINISTÉRIO DA FAZENDA

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CC-MF

CONFERE COM O ORIGINAL 	 n.
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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 d .Ç%kafuji
Recurso n.1 : 126.989	 ~Sm de Segunda Crema

Acórdão n2 : 202-16.566

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
ANTONIO CARLOS ATULIM

O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele
tomo conhecimento.

-
DAS PRELIMINARES

- • Da prescrição	 .

Antes de analisar as razões recursais, merece ser analisada a questão do prazo para
aproveitamento do crédito-prêmio à exportação.

O regime jurídico do CTN é inaplicável, uma vez que o beneficio não tinha
natureza jurídica tributária. Contudo, isto não significa que estivesse sujeito à prescrição
vintenária do Código Civil. Tratando-se de uma quantia em dinheiro que era devida pela União,
o Código Civil cede passo à norma específica do art. 1 2 do Decreto n2 20.910, de 06/01/1932,
que estabelece que "(..) As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim
todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a
sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
originarem."

Esta questão já foi enfrentada pelo STJ que firmou entendimento .no sentido ,de
que a prescrição ao aproveitamento do crédito-prêmio era regulada pelo Decreto n 2 20.910/32,
conforme se pode verificar na ementa do RESP n 2 40.213-1/DF, DJ de 12/08/1996, verbis:

"EMENTA: Tributário. Ipi. Crédito-prêmio. Ressarcimento. Decreto-lei N°491. De 5-3-
69. Prescrição. Correção monetária. Variação cambial. Juros moratórios. Honorários
advocatícios.

1- A ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI prescreve em 5 (cinco)
anos (Decreto-lei n 20.910/32), aplicando-se-lhe, no que couber, os princípios
relativos à repetição de indébito tributário. Ofensa aos arts. 173 e 174 do CPC não
caracterizada.

II - A correção monetária é devida a partir da conversão dos créditos questionados em
moeda nacional, na forma do art. 2° do Decreto-lei n°491, de 1969, aplicando-se, desde
então, a Súmula n° 46 - TFR, segundo a qual aquela correção 'incide até o efetivo
recebimento da importância reclamada'.

III - Os juros moratórios são devidos, à taxa de 12% ao ano, a partir do trânsito em
julgado da sentença. Aplicação dos ara. 161, § 1° e 167, parágrafo único, CPC.
Inaplicação dos ara. 58, 59 e 60 do Código Civil e do art. 1° da Lei n°4.414/64.

IV - salvo limite legal, a fixação da verba advocaticia depende das circunstâncias da
causa, não ensejando recurso especiaL Súmula n°389 - STF. Aplicação.

V- Recurso especial não conhecido." (grifei)

No mesmo sentido, foi a decisão proferida nos Embargos de Declaração no
Recurso Especial n2 260.096/DF, DJU de 13/08/2001, pág. 42:

J\I	 3



MINISTÉRIO DA FAZENDA
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Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes 	
r CC-MF

CONFERE COMO ORIGINAL

	

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 euz a rafuji
Recurso nel : 126.989	 ~brio da Uganda Grata

Acórdão n2 : 202-16.566

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - ACOLHIMENTO DE QUESTÃO DE ORDEM
-COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES - IPI -CRÉDITO-
PRÉMIO - PRESCRIÇÃO.

Acolhida questão de ordem para submeter à apreciação da Primeira Seção a matéria
atinente à contagem do prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do
crédito-prêmio do IPI, fica mantida a competência da Turma originária para o
julgamento das demais questões suscitadas no recurso especial.

	

A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela 	 • • -
prescrição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da
ação. Incidência das Súmulas tes. 443 do STF e 85 do Sn.

Embargos parcialmente acolhidos." (grifei)

Considerando que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a
exportação dos produtos, a prescrição do seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do
efetivo embarque da mercadoria para o exterior.

No caso dos autos, o pedido foi protocolado em 14/10/2002 (fl. 1), enquanto que
os valores pleiteados referem-se às exportações efetuadas no período compreendido entre
19/10/1982 e 29/12/1986.

Logo, neste processo estão prescritos todos os valores do crédito-prêmio gerados
em períodos anteriores a 14/10/1997.	 ..

Dos vícios das IN SRF n2s 210 e 226, de 2002

Cabe esclarecer que os atos normativos baixados pela Secretaria da Receita
Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de
normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CTN.

As determinações de indeferimento liminar e de inaplicabilidade do procedimento
administrativo de ressarcimento ao crédito-prêmio à exportação, contidas nas IN SRF ngs 210 e
226, de 2002, respectivamente, não violaram nenhum dos princípios alegados pela defesa, uma
vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal
e o processamento dos recursos administrativos garantidos em lei. Tanto é assim que a recorrente
trouxe a discussão até a última instância administrativa ordinária.

O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002, estabelece que:

	

"Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de 	 •
ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto
'crédito-prémio' instituído pelo art. lk do Decreto-lei ri= 491, de 5 de março de 1969."

(grifei)

Ao fazer referência expressa " ao extinto crédito-prêmio...", o Secretário da
Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável o procedimento estabelecido por aquele
ato administrativo, carecendo de suporte a alegação de violação do princípio da motivação.

A decisão da DRF em Fortaleza - CE não pode ser considerada nula e nem ser
anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A
autoridade administrativa transcreveu os dispositivos das 114 SRF ngs 210 e 226, de 2002, não
havendo que se falar em falta de motivação e cerceamento de defesa. 	 •

4



•

MINISTÉRIO DA FAZENDA
Ministério da Fazenda 	 Segundo Conselho de Centribuintes

	 CGMF
•-•••	 CONFERE COM O ORIGi&amp;U-, Segundo Conselho de Contribuintes

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Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 Cill#áthafuji
Recurso n2 : 126.989	 Sousa ea S•Ousia Cima"

Acórdão n2 : 202-16.566

Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Recife - PE.

DO MÉRITO

A existência de atos normativos de caráter geral, emanados pela autoridade
competente e baixados em harmonia com os princípios gerais da Administração Pública, já seria
mais do que suficiente para fundamentar o indeferimento do pleito da recorrente.

Contudo, como esta é a última instância administrativa ordinária, cumpre-me
• esgotar a discussão e deixar explícito o motivo pelo qual'a Administração TribUtária consideia O

crédito-prêmio à exportação extinto.

As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito-prêmio à exportação

A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento.

Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das portarias baixadas
pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e
inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio não se
deu por efeito de nenhum ato administrativo.

Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que
trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n 2 64.833, de 1969, que, em seu art. 1 2, §§ 1 2 e
r, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de 	 --
estímulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI
incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os
estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita
fiscal uma determinada quantia a título de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre
a venda de produtos ao exterior.

Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o
Poder Executivo baixou o Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979, que previa, em seu art. 1 2, a
redução gradual do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a sua extinção total,
em 30 de junho 1983, verbis:

"Art. 1°- O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março
de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção.

§ 1°- Durante o exercício financeiro de 1979, o estimulo será reduzido:•

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento):

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§2° - A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março,
a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até
sua total extinção a 30 de junho de 1983."

5



MINISTÉRIO DA FAZENDA	 CC-MF
Ministério da Fazenda

'42	 t	 Segundo Conselho de Contribuintes Fl.'tr	 Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COM O ORIGINAL
Bradá-DF. em 2/ LgSkt

Processo n2 : 10380.013216/2002-31
CaleMafujiRecurso n2 • 126.989

~Sm da Segunda Cr ata
Acórdão n2 : 202-16.566

Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, que deu nova redação ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979,
verbis:

"Artigo 3° - O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n°1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa
a vigorar com a seguinte redação:

§ 2° - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento)

em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de

1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda". (grifei)

Antes da expiração do prazo fixado no § 22 do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de
03/12/1979, o Governo Federal baixou o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, que estendeu o
beneficio fiscal instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, às empresas que
exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda
estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia
incidido na sua aquisição. O art. 52 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, revogou os §§ 1 2 e
r do art. 1 2 do Decreto-Lei ne 491, de 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a
desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, uma vez que, tendo sido suprimida a
autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito-
prêmio passou a ser creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário.

'	 A tese da revogação

Com o advento do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, foram introduzidas
normas que estabeleceram a redução gradual do beneficio, até sua extinção por completo em
30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo
fiscal criado pelo Decreto-Lei ne 491, de 05/03/1969, e, tampouco, interferir na escala gradual de
extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas
exportadoras de produtos nacionais, independentemente de serem as fabricantes, enquanto
vigorasse o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Segundo esta tese, a revogação tácita do Decreto-Lei n 2 1.658, de 24/01/1979,
teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a
matéria ou fosse incompatível com a norma anterior (art. 2 2, § 1 2, da LICC). Entretanto,
nenhuma destas duas hipóteses se verificou, pois o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, não
regulou inteiramente a matéria e nem era incompatível com os DL n 2s 491/69; 1.658/79 e
1.722/79, mas apenas e tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras,
enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto,
como a lei nova (DL n2 1.894/81) limitou-se a estabelecer disposições gerais ou especiais a par
das já existentes, não houve revogação tácita do DL n2 1.658/79, a teor do disposto no art. 2 2, §
22, da LICC. A interpretação sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da
extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983.

6



MINISTÉRIO DA FAZENDA	 2° CC-MF
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Fl.
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Processo n2 	10380.013216/2002-31 	
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Recurso n2 • 126.989	 scs. ite ~use crera
Acórdão n2 : 202-16.566

A tese da vigência por prazo indeterminado

Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por
meio do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, criou uma nova situação de gozo do beneficio
previsto no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi
revogado. O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o
crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de
forma diferente pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, antes de implementado o termo final
para a extinção do incentivo, conforme o disposto no Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria
reinstituído o crédito-prêmio por prazo indetenninado.

A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente

No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão prolatado pelo
STF no julgamento do RE n2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte:

"TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem
inconstitucionais o artigo I' do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o
inciso I do artigo 3 do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que
implicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender,
aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais

previstos nos artigos 1°e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969." (grifei)

Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das
delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 1 2 do Decreto-Lei n2
1.724, de 07/12/1979, e no art. 3 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos não interferiu na
vigência do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original,
quer na redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que
este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado inconstitucional. Porém, como a
nova redação introduzida pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, também encerrava
uma delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era
inconstitucional a expressão "(...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.(...)",
contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu que o dispositivo produzisse o
efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Entretanto, caso se considere que o art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979,
seja todo inconstitucional, inconstitucionalidade esta que - repito - não foi formalmente
declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2
1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como data fatal o dia 30/06/1983.

Desse modo, por qualquer ângulo que se examine a questão, a declaração de
inconstitucionalidade proferida no RE n2 186.359-5/RS não teve nenhuma influência sobre a
revogação do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros
julgados, adotou a segunda tese supramencionada, tendo se manifestado sobre a aplicabilidade
do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, ter
restaurado o beneficio do crédito-prêmio à exportação sem definição de prazo.

7



•	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
Segundo Conselho de Contribuintes 	2° CC-MFMinistério da Fazenda
CONFERE COMP OB16114'1/4_1_ 	 Fl.

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Segundo Conselho de Contribuintes
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Processo n9- : 10380.013216/2002-31 	 ""fu
Recurso n2 : 126.989	 ~muna da senda crina

Acórdão ri! : 202-16.566

Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2
329.271/ RS, 1 2 Turma, Rel. MM. José Delgado, publicado no DJ de 08/10/2001, pág. 00182, que
resume o entendimento do tribunal sobre a questão:

"TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÉMIO. 1P1 DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/79,
1.722/79,1.658/79E 1.894/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR.

I. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual o crédito-prêmio
previsto no Decreto-Lei n° 491/69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-

.	 .	 - Lei n°1.658/79.

2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei o° 1.724/79,
conseqüentemente ficaram sem efeito os Decretos-Leis te 1.722/79 e 1.658/79. aos
quais o primeiro diploma se referia.

3.É aplicável o Decreto-Lei n° 491169. expressamente mencionado no Decreto-Lei o°
1,894/81. que restaurou o beneficio do crédito-prêmio do 1PL sem definição de prazo. 

4. Precedentes desta Corte Superior.

5. Recurso provido."(grifei)

Esta ementa foi colhida aleatoreamente entre muitas outras existentes na página
de pesquisa do STJ na internei e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos
proferidos pelo tribunal.

Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos
do STJ, é dificil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o
tribunal.

A primeira delas é quanto à "perda dos efeitos" dos Decretos-Leis n 2s 1.658, de
24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724,
de 07/12/1979.

É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de
competência ao Ministro da Fazenda e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-
Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição
de seu inteiro teor feita a seguir:

"DECRETO-LEI N°1.724, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1979

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55,
item II, da Constituição,

DECRETA:

An I° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir,
temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos
1° e 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

An 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° da Independência e 91° da República.

JOÃO FIGUEIREDO

F

Karlos Rischbieter". 	

8



MINISTÉRIO DA FAZENDA 29 CC-MF
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COM O OBIGIVAL_ 	 n.
;#,	 Brasliie-DF. ems2/S/Call

Processo n2 : 10380.013216/2002-31 	
464,84

afuji
Recurso n2 : 126.989	 ~atina da Segunde ermo
Acórdão n2 : 202-16.566

Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio
por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981.

O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658,
de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma
jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. 1 2 do Decreto-Lei
n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983.

O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito-prêmio (art. 1 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts. 1 2, II; r e 42. Vejamos cada uma destas referências.

O art. 1 2, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, ao estabelecer que "(..) Às
empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de

fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: 1- o crédito do imposto

sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; - o crédito de

que trata o artigo 1° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969 (.4", limitou-se apenas a
estender o crédito-prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações.

Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981,
não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou
claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não
expirasse a vigência do art. 1 9 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969.

Já o art. r do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes
termos:

"Art 2° - O artigo 3° do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a
vigorar com a seguinte redação:

'Art. 3° - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1'
deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à
exceção do previsto no artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 05 de março de 1969, ao qual
fará jus apenas a empresa comercial exportadora1

O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou
seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à
empresa comercial exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo
também não fez referência ao Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, obviamente que este direito
da comercial exportadora estava condicionado à vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de
05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979.

Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou de
exportações efetuadas por comercial exportadora antes de sua vigência e revogou o art. 4 2 do
Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no
art. P, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição
do crédito-prêmio à exportação.

À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em afirmar que
uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando,
conclui-se que não há fundamento para a teSe da reinstituição do crédito-prêmio pelo Decreto-
Lei n2 1.894, de 16/12/1981.

9



MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

'V.	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes 	 cc-MF
CONFERE COMO ORIGINAL 	 Fl.

	

t9P ", "t'	 Segundo Conselho de Contribuintes
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in cties.t.,

Processo n2 : 10380.013216/2002-31	 fuji
Recurso n2 : 126.989	 ~Sm da Segunde Criva

Acórdão n2 : 202-16.566

No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à
exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 2, do Decreto-Lei n2 1.658, de
24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de
Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n2
1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer, que vai a seguir transcrita:

"EMENTA : Crédito-prêmio do IPI — subvenção às exportações. No contexto dos arts. I'
e 2" do Decreto-lei n° 491, de 5.3.69, - que dispõe sobre estímulos de natureza financeira •
(não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior'
não significa venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a venda
efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a aceitação delas por parte do
comprador. O simples contrato de compra-e-venda de produtos industrializados para o
exterior, que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora
elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo suficiente
para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito adquirido ao regime do
crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de creditar-se do valor correspondente ao
beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscaL
Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da
exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para
o exterior. Em regra. as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda
lhe representava, apenas. uma expectativa de direito e que, para que pudessem 

.	 --	 adquirir o direito ao regime favorecido do- art 1" do Dec.-lei 491/69 e ao respectivo 	 -
rediunnentoteriananuaturadoenuantovi ente a

norma legal de cunho geral que previa o subsídio-prêmio, ou. na hipótese do contrato
ter sido celebrado após a previsão legal de extincão do incentivo de natureza financeira
(Acordo no GATT: Dec.-lei 1.658/79, art. 1". f2! e Dec.-lei L722179, art. 3"). antes da
extinção total dos mesmos, Há, entretanto, uma situação especial: as empresas
beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à
exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos
Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei
1.219/72) teriam direito adquirido a exportar com os benefícios do regime do crédito-
prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor
correspondente aos beneficios só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do
termo final dos respectivos PEErs." (grifei)

A íntegra deste parecer encontra-se anexa ao Parecer n 2 GQ-172/98, do Advogado
Geral da União, que tem o seguinte teor:

"Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ-I 72: 'Aprovo'. Em 13-1-
98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98.

Parecer n° GQ - 172

Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993, o
anexo PARECER N° AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da
União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e submeto-o ao
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art.
40 da referida Lei Complementar.

Brasília, 13 de outubro de 1998.

GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO".

10



Ministério da Fazenda	 M?! d1 S 0ÉRA 0
Fl.

Segundo Conselho de Contribuintes 	 INAL
CONFE

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R
Brirstlia-DF. em—tii._02a

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l eoi opmdA0 Ecotkir	 CC-MF

u ID A

Processo n2 : 10380.013216/2002-31
Recurso n2 : 126.989

	

	 euz	 afik"
~em de ~is C bis"Acórdão n2 : 202-16.566

Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n2 73/93, o Parecer
AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tomou-se vinculante para toda a
Administração Pública Federal, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado
pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23.

Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de 30/09/2002,
considerou extinto o crédito-prêmio à exportação.

No mesmo sentido desta interpretação já se manifestou o Tribunal Regional
Federal da 42 Região, conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas:

"Crédito-prêmio do !PI Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do
Beneficio.

A partir de 1° de julho de 1983, o beneficio instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou
extinto." (Apelação em Mandado de Segurança n2 2000.71.00.040996-4/RS,
Relatora Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003)

"Tributário. IPICrédito-prêmio.Termo final. Vigência.Beneficio .Lei. Inexistência.

I. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação prevista nos
Decretos-leis n° 1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-
prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69.

2. Na hipótese, os fatos geradores, consoante documentos trazidos com a petição inicial,
• . • • - - -•••	 ocorreram em 1984.- Inexiste- qualquer verba a ser restituída, eit que auieríté"nbritia — ••

legal autorizativa da fruição do beneficio.

3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n° 1.658/79, disciplinou acerca
da extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto-lei n°491/69, pelo que, se manteve,
para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do
beneficio em tela."(TRF da 42 Região, 22 Turma, Ac. n2 96.04.22981-8/RS, Relator
Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, DJ 27/10/99, pág. 641)

Também o Tribunal Regional Federal da 3 e Região já chancelou o entendimento
de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n2 2002.03.00.027537-
8, publicado no DJ, II, de 18/09/2002, pág. 292 e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ, II, de
24/02/2003, pág. 469.

Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido
definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins do art. 41 do ADCT da
CF/1988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que
estivessem vigentes na data da promulgação da CF/1988.

Entretanto, merece ser apreciada a alegação de que o art. 18 da Lei n2 7.739, de
16/03/1989, teria alterado a forma de cálculo do crédito-prêmio, pois se isto realmente ocorreu,
vai por água abaixo a tese oficial da revogação em 1983.

A recorrente formulou tal alegação inspirando-se no artigo do Prof. Ives Gandra
da Silva Martins, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário n2 93, às fls. 135/145.

Após concluir que o crédito-prêmio não tinha natureza setorial por ser destinado a
empresas de qualquer setor econômico, o Prof. Nes Gandra, dando prosseguimento à sua
argumentação, escreveu o seguinte à fl. 140 daquela revista:

11



•

	

-e	 MINISTÉRIO DA FAZENDA	 2* CC-MF
í	 Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

Segundo Conselho de Contribuintes	 CONFERE COMO ORIGINAI,.	
Fl.

emitia-DF, em ei 
Processo n2 : 10380.013216/2002-31

jejua	 afuji
Recurso n2: • 126.989 ~na tta Segunda Chama

Acórdão n2 : 202-16.566

"Entretanto, ainda que assim não se entenda, é bem de ver que a confirmação dos
incentivos em tela sobreveio com a publicação da Lei n° 7.739, de 1° de março de 1989,
embora com a alteração introduzida na alínea "b" do art. 1° do Decreto-lei n°1.894/81.
Veja-se o texto do art. 18 da referida lei:

'Art. 18. A alínea 'b' do parágrafo I° do artigo 1° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de
dezembro"de 1981, passa a vigorar com a seguinte redação:

I ° ...	
_

b) no caso da aquisição a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IPI, até o montante deste tributo que houver incidido na última saída
do produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, segundo instruções
expedidas pelo Ministro da Fazenda'.

Resulta nítido que, ao introduzir alteração na norma do art. 1° do Decreto-lei n`
1.894/81, editado sob a ordem jurídica anterior, a Lei n° 7.739/89 confirmou os
estímulos nela veiculados (quer no seu inciso I quer no inciso II) sob a ordem atual, -
também para as empresas comerciais exportadoras, segundo entendemos, ou para todos
os beneficiários, se se entender que os estímulos concedidos aos industriais que
exportam seus produtos também ostentam natureza setorial, o que não nos parece
correto."

.

	

	 „	 O problema da conclusão a que chegou o Prof. Ives Gandra em seu- artigo, • ,
decorreu do fato de ele ter se limitado a transcrever o art. 18 da Lei n 2 7.739, de 16/03/1989, sem
analisar o texto completo do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, após a alteração que
foi introduzida pela referida lei. 	 -	 -	 .

Eis a transcrição do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, com as
alterações introduzidas pelo art. 18 da Lei n2 7.739, de 16/03/1989:

"An I° Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira
conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica
assegurado:

•	 1- o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisicão
dos mesmos: 

11- o crédito de que trata o artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969.

1- O crédito previsto no item I deste artigo será equivalente:

a) no caso de aquisição a produtor-vendedor ou a comerciante contribuinte do imposto
sobre produtos industrializados, ao montante desse tributo, constante da respectiva nota
fiscal;

b) no caso da aquisicão a comerciante não contribuinte do imposto sobre produtos
industrializados — IN, até o montante deste tributo que houver incidido na última
tilda do roduto de e tabelecimento industrial ou e, ui sarado a industrial se • undo

instrucões expedidas pelo Ministro da Fazenda.." (grifei)

Conforme se pode constatar, a única alteração efetuada pela Lei n 2 7.739/89 foi
promovida na letra "b" do § 1 2, que se referia ao direito previsto no inciso I do art. 1 2, ou seja, a
alteração perpetrada pela Lei n2 7.739/89 foi em relação ao direito de crédito do IPI que incidiu

12



MINISTÉRIO DA FAZENDAa,
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Contribuintes

	 22 CC-MF
••• 

CONFERE COM O osicte.,
Segundo Conselho de Contribuintes

	

	
Fl.

BresIlie-DF. em 2/

Processo n2 : 10380.013216/2002-31 	 calféabfuji
Recurso n2 : 126.989	 ~Use Segunda Clima!'

Acórdão n2 : 202-16.566

na aquisição dos produtos que seriam futuramente exportados e não em relação ao crédito-
prêmio que se encontra previsto no inciso II. Aliás, todo o § 1 2 se refere expressamente ao
crédito previsto no inciso I do art. 1 2. Este direito nada tem a ver com o crédito-prêmio à
exportação que consta do inciso II do mesmo artigo. O crédito do inciso I se refere ao IPI que foi
pago em operações ocorridas no mercado interno, ao passo que o crédito-prêmio referido no
inciso II, era um créditd ficto que seria calculado e recebido por força das exportações futuras.

Portanto, nítido é o equivoco do parecer quando concluiu que a Lei n2 7.739/89
alterou a forma de cálculo do crédito-prêmio, porque ela se referiu apenas e tão-somente ao
direito de crédito do IPI paro nas operações internas de aquisição de produtos a serem
futuramente exportados, o que mais uma vez confirma a tese da revogação do crédito-prêmio em
30/06/1983.

Da mesma forma, o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n2 8.402,
de 08/01/1992, uma vez que não era incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado
quando do advento da CF/88.

Com efeito, o art. 41 do ADCT estabelece que "Os Poderes Executivos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de

natureza setorial ora em vigor (..)". Pelo "ora em vigor", verifica-se que a Constituição apenas
tratou de incentivos setoriais que estivessem em vigor na data da sua promulgação. Logo, a
contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os
'que estivessem'revogádos ao -tetnpo da pfoinulgação da Carta Magna.

Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento
vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor
do disposto na LC n2 73/93, art. 40, § 1 2. Ademais, o crédito-prêmio à exportação não era
incentivo de natureza setorial, uma vez que podia ser usufruído por empresas de quaisquer
setores da economia, desde que efetuassem vendas para o exterior.

A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à
exportação no seu art. 1 2, I, II, III e § 1 2, mas nenhum deles se tratava do crédito-prêmio à
exportação. Vejamos.

O art. 1 2, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes
aduaneiros especiais.

O art. 1 2, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referidos no
art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio,
instituído pelo art. 1 2 deste decreto-lei.

O art. 1 2, III, restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2
1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas aquisições de produtos no mercado
interno destinados a futura exportação. Ou seja, restabeleceu o mesmo incentivo que causou o
equívoco no parecer do Prof. Ives Gandra, já analisado linhas atrás.

Por seu turno, o art. 1 2, § 1 2, apenas restabeleceu ao produtor-vendedor, que viesse
a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de
que trata o art. 3 2 do DL n2 1.248/72. Como se viu linhas atrás, o referido art. 32 regulou a

	

hipótese de exportações indiretas, mas vedou ao produtor-vendedor a utilização do crédito- 	 --
prêmio, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. Acrescente-se que o art. 1 2, §

13



MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

É h, tth	 Segundo Conselho de CantribuIntes 	 2* CC-MF
-• 'c. vir Ministério da Fazenda

f-	 CONFERE COMO ORIGINAL_

	

't	 Segundo Conselho de Contribuintes 	 grulha-DF. em 2/ / /Z /
kkei•

Processo na : 10380.013216/2002-31	 CítZiÇZfuJi
Recurso n2 : 126.989	 Salina da Snumla Ciefin

Acórdão n2 : 202-16.566

1 2, da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no
DL n2 1.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o
caso do DL n2 491/69, art. 1 2, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas
comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prêmio à exportação.

Portanto, é inequívoco que a Lei n 2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não
reinstituiu o crédito-prêmio à exportação.

Estando o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado desde 1983, é
óbvio que o Decreto n2 64.833/69, que o regulamentou, não pode mais ser aplicado, uma vez que
perdeu seu fundamento de validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou
ou, como prefere a recorrente, o "declarou revogado" por meio do Decreto s/n 2, de 25/04/1990.

Somente para esgotar a argumentação em relação ao Decreto n2 64.833/69,
acrescento que o Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum
reconheceu a vigência deste decreto. Pelo contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto
n2 64.833/69 porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art.
16 do Decreto-Lei n2 1.219/72. Em outras palavras, as empresas beneficiárias de Programas
Befiex, com a cláusula de garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito-
prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o Decreto n2 64.833/69 teria
que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respectivos
programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n2 64.833/69 estivesse vigorando em

•	 caráter geral.

No tocante às alíquotas fixadas pela Resolução CIEX n 2 02/79, cuja aplicação foi
pleiteada pela recorrente, é desnecessário tecer qualquer consideração a respeito, em face da tese
oficial acima exposta. Porém, o pleito da recorrente é contraditório com a tese vertida no recurso,
pois se a extinção do crédito-prêmio não poderia se dar por ato administrativo, em face do
princípio da reserva legal, o mesmo raciocínio deve ser aplicado à fixação de alíquotas do
crédito-prêmio por meio de ato administrativo. Assim, não chegaríamos a outra conclusão a não
ser pela inconstitucionalidade da Resolução CIEX if 02/79.

Resumindo:

1. o direito de aproveitamento do crédito-prêmio à exportação regia-se pela
prescrição qüinqüenal do Decreto n2 20.910, de 06/12/1932, pois o beneficio
não tinha natureza jurídica tributária;

2. o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até
30/06/1983, quando expirou a validade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, por
força do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979;

3. o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, limitou-se a estender o crédito-prêmio
para as demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a
restringir sua fruição às comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a
vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969;

4. o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma
jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988, porque não era
incentivo de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988;

14

\11



MINISTÉRIO DA FAZENDA
Ministério da Fazenda	 Segundo Conselho de Centribuintes 	

r CC-MF
4d,

CONFERE COM,0 ORIGINAL 	 n.fr".-pi, c 	 Segundo Conselho de Contribuintes
Bresllia-DF em L/

2-
Processo n9- : 10380.013216/2002-31	

1 uza aajuji
Recurso n2 : 126.989	 scan. et sniund*
Acórdão n2 	202-16.566

5. esta interpretação é vinculante para toda Administração Pública Federal, nos
termos dos arts. 40 e 41 da LC n2 73/93, em razão de o Parecer n2 AGU/SF-
01/98, de 15 de julho de 1998, ter sido adotado pelo Parecer GQ-172/98, de

- 13/10/1998, do Advogado Geral da União, e aprovado na mesma data pelo
Presidente da República.

Em face do exposto, voto no sentido de declarar prescritos os valores do crédito-
prêmio anteriores a 14/10/1997 e, no mérito, por negar provimento ao recurso.

Sala das S tes; eirr- ' • e outubro de 2005.

7/// ra
AN'ffiNI• CARLOS A LIM

•

15


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Ementa: RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. 
Nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se incluindo aí, por falta de previsão legal, os classificados na TIPI como NT – Não-Tributados.
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,

CCO2JCO2
Fls. 1

MINISTÉRIO DA FAZENDA
SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

SEGUNDA CÂMARA

Processo n°	 10425.000778/00-09

Recurso n°	 127.522 Voluntário
A 

Corddbuintes
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Matéria	 IPI	 ww.seouo°,0c°025n ..045-----

IIAcórdão n°	 202-18.778	 de	 "toca

Sessão dede	 14 de fevereiro de 2008

Recorrente	 ILCASA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS DE CAMPINA GRANDE S/A	 •

Recorrida	 DRJ em Recife - PE

Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -
IPI

Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
• MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

CONFERE COMO ORIGINAL 	 Ementa: RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL
Brasília, -__I C_I 03 f O%	 NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO.

Celma Maria de Albuqueragr	 IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO
Mat. Slape 94442 

DOS CRÉDITOS.

Nos termos do art. 11 da Lei n2 9.779/99, é facultada
a manutenção e a utilização, inclusive mediante
ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago
por insumos entrados a partir de 1 2 de janeiro de 1999
no estabelecimento industrial ou equiparado, quando
destinados à industrialização de produtos tributados
pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à
alíquota zero, não se incluindo aí, por falta de
previsão legal, os classificados na TIPI como NT —
Não-Tributados.

\

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.



Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778

Fls. 2

-

ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso.

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ANTOWIO CARLOS ATU IM

Presidente

•

I	 \

G '` • I ICE	 NCAR

RelaNN

MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília,

Calma Maria de Albuque‘,! ue

Mat. Sia • - 94442 trin

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina
Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio
Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López.



,

,
•	 Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2

Acórdão n.° 202-18.778
Fls. 3

Relatório

Retornam os autos ao Colegiado após a conclusão do julgamento, pelo Egrégio
Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, relativo à classificação fiscal
dos produtos industrializados pela recorrente.

O r. Acórdão restou assim ementado:

"IPI — CLASSIFICAÇÃO FISCAL — O produto identificado como
"LEITE PASTEURIZADO TIPO C", com o auxílio das regras Gerais

para interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação
fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90."

Assim, resta inequívoca a classificação como NT — Não-Tributada, do produto
industrializado pela recorrente.

É o Relatório.

MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Bras Ma, -R i 03 i 0_1_
Calma Maria de Albuquer44.	I

Mat. Siape 94442 

I

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Processo n.° 10425.000778/00-09 	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778	 ÍjjF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 4

CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília,

Celma Maria de Albuquer
Mat. Sia e 9444

Voto

Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator

Cinge-se à possibilidade de creditamento de IPI referente à aquisição de
insumos utilizados na fabricação de produtos não-tributados.

Como é cediço, o principio da não-cumulatividade tem o escopo de evitar o
efeito cascata da múltipla tributação sobre os diversos componentes do mesmo produto, em
diferentes estágios da cadeia produtiva, consoante dispõe o art. 153, § 3 2, II, da Constituição
Federal.

Nesse passo, a partir de janeiro/1999, a Lei n 2 9.779/99 veio regulamentar a
questão, no que conceme ao ressarcimento do saldo credor, cujo teor do art. 11 se transcreve a
seguir:

"Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados —

IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição

de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem,

aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado

à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI

devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de

conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de

1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal

— SRF do Ministério da Fazenda". (negritamos)

Pela Lei n2 9.779/99, o saldo credor do IPI acumulado na compra de matérias-
primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produto
isento ou tributado à aliquota zero poderá ser compensado com outros tributos de competência
da SRF.

Referido dispositivo legal é omisso no tocante aos produtos não-tributados. Dai
porque a IN SRF n2 33/99, ao regulamentá-lo, vedou expressamente o ressarcimento do saldo
credor de IPI relativo aos insumos utilizados na produção de não tributados, conforme se
verifica a seguir:

"Art. 2° Os créditos do IPI relativos a matéria-prima (MP), produto

intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para

emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita

fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPL.

§ 3° Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de

MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não

tributados (NT)."

Essa foi a conclusão alcançada pelas Câmaras do Eg. Segundo Conselho de
Contribuintes, à qual acompanho:

"IPL PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SAIDA DE PRODUTOS.

ALIQUOTA ZERO. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR À LEI N°
9.779/99. IN SRF N° 33/99. O direito à manutenção dos créditos

recebidos em virtude da aquisição de matéria-prima, produtos



,

Processo n.° 10425.000778/00-09	 CCO2/CO2
Acórdão n.° 202-18.778

Fls. 5

intermediários e material de embalagem pelas empresas que tenham
dado saída exclusivamente a produtos sem débito do IPL inclusive
alíquota zero, somente se aplica após a vigência da Lei n° 9.779/99. 	 i,
Recurso negado". (AC 201-78.391, 1 2 Câmara, 22CC, Rel. Cons.

1Antônio Mário de Abreu Pinto, DJ. de 17/05/2005).

"IPL CRÉDITOS. Não geram direito aos créditos de IPI, que trata o
art. 11 da Lei n° 9.779/99 c/c IN SRF n° 33/99, as aquisições de
produtos que não se enquadram no conceito de matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem empregados, e as
aquisições de insumos cuja prova de integrarem o processo produtivo
da empresa não foi devidamente realizada pela interessada.
PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA NÃO-CUMULATIVIDADE. A
não-cumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito,
atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no
seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos
dele saídos. CRÉDITOS DO IPL PRODUTOS N/T. Deverão ser
estornados os créditos originários de aquisição de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagem destinados à
fabricação de produtos não tributados (NT). Recurso negado". (AC

1203-10.283, 3 5 Câmara, 22CC, Rel. Cons. Antonio Bezerra Neto, DJ. de 	 1
07/07/2005).	 1i

Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.

Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008.

G lit . ' n ' 'O KEL 1ENCAR

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MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
CONFERE COMO ORIGINAL

Brasília, -2l'e  03 f,-,193--
Celma Maria de Albuquereu)

Mat. Siape 94442 

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cado no Diáric un ciai da União
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Processo n2 : 11962.000172/2003-82 	 De 4..`i
Recurso n2 : 127.678	 LOS__
Acórdão n2 : 201-78.033

VISTO

Recorrente : CHOCOLATES VITÓRIA S/A
Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG

NORMAS PROCESSUAIS. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI.
PRESCRIÇÃO.

A pretensão relativa ao reconhecimento pela União de direito A
incentivo fiscal de natureza financeira prescreve em cinco anos,
contados da data em que o pedido poderia ter sido apresentado.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por
CHOCOLATES VITÓRIA S/A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso para considerar
prescritos os créditos, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Sérgio Gomes
Velloso.

Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2004.

01‘71.4.-a. Mar •'
osefa Maria Coelho Marques

Presidente
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Jos 49tériVnidji-64seo	 .	 i! O L—Pr
ROO° í.

VISTO

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Gaivão,
Antonio Mario de Abreu Pinto, Ana Maria Ribeiro Barbosa (Suplente), Gustavo Vieira de Melo
Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer.

.	 .

1



	

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Processo	 : 11962.000172/2003-82
........

Recurso n2 : 127.678	 VISTO
Acórdão n2 : 201-78.033

Recorrente : CHOCOLATES VITÓRIA S/A

RELATÓRIO

Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI (fls. 1 a 3), incentivo
previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2 491, de 1969.

O pedido referiu-se a exportações efetuadas entre abril de 1983 e abril de 1985 e,
nos termos das tabelas de fls. 20 a 24,0 valor seria de R$ 2.549.184,79.

Afirmou que os valores apurados excederiam os débitos de IPI, requerendo o
ressarcimento em espécie ou, alternativamente, nos termos da Instrução Normativa SRF n 2 210,
de 2002.

Requereu que as notificações e intimações fossem encaminhadas ao endereço do
representante legal.

A Fiscalização instruiu os autos com os extratos do sistema Sief de fl. 27 e propôs
o indeferimento do pedido, em face da revogação do incentivo, nos termos do parecer de fls. 28 a
49, aprovado pela DRF pelo despacho decisório de fl. 50.

A interessada tomou ciência do despacho em 1 2 de abril de 2004 (fl. 5) e
apresentou, em 20 de abril, a manifestação de inconformidade de fls. 52 a 64, alegando que o
Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n 2s 1.722 e
1.658, de 1979, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido que o Decreto-Lei n2 1.894, de
1981, restaurou o incentivo sem definição de prazo.

Quanto à decadência, alegou que o Superior Tribunal de Justiça teria decidido
que, em se tratando de lei declarada inconstitucional, o prazo iniciar-se-ia na data da declaração
de inconstitucionalidade.

Ademais, as Instruções Normativas SRF n 2s 210 e 226, de 2002, seriam ilegais e
os acordos firmados pelo Brasil, no âmbito do GATT, apenas prescreveriam normas de conduta,
não revogariam disposições do direito positivado e não poderiam transgredir o texto da
Constituição.

Ainda alegou que não se aplicariam ao caso as disposições do art. 41 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988 e que teria direito à correção
monetária dos valores devidos.

Por fim, afirmou que as aliquotas a serem aplicadas seriam as aprovadas pela
Resolução Ciex n2 2, de 1979.

A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG indeferiu a
manifestação no Acórdão DRJ/JFA n 2 7.342, de 3 de junho de 2004 (fls. 66 a 68), em face das
disposições da IN SRF n2 226, de 2002.

Tomando ciência do Acórdão em 16 de agosto (fl. 71), apresentou a interessada o
recurso voluntário de fls. 72 a 96, reafirmando as razões da manifestação de inconformidade.

2



CC-MF
Ministério da Fazenda

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Processo n2 : 11962.000172/2003-82	 t'	
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Recurso n2 : 127.678	 k--- 	
Acórdão n2 : 201-78.033 	 visto

Juntou parecer da lavra de Paulo de Barros Carvalho (fls. 97 a 138), que concluiu
que o crédito-prêmio não é incentivo de natureza setorial; que o incentivo ainda estaria em vigor;
que os decretos que regulamentaram o incentivo teriam sido recepcionados pela Constituição
com status de lei ordinária; que haveria direito legal à transferência de créditos para terceiros;
que as instruções normativas da SRF que vedavam a transferência de créditos seriam ilegais, em
face de a cessão de créditos ser instituto de Direito Civil; que a IN SRF n2 41, de 2000, não
poderia ter revogado a IN SRF n2 21, de 1997, urna vez que a Constituição garantiria o direito
adquirido dos detentores dos créditos.

É o relatório.

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2° CC-MF

	

4.	 Ministério da Fazenda

	

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Recurso mit2 : 127.678

	

Acórdão	 : 201-78.033	
VISTO

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO

O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razões
pelas quais dele se deve tomar conhecimento.

Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, que não se confunde com
restituição de pagamento indevido ou a maior, o prazo para seu requerimento é de cinco anos,
contados da data em que poderia ter sido efetuado o pedido.

A regra a ser aplicada ao caso, se se considerasse tratar de matéria tributária, seria
a do art. 174 do CiN, mas o prazo não seria contado da extinção do crédito tributário, por não se
tratar de indébito, mas do dia em que poderia ter sido efetuado o pedido de ressarcimento.

Entretanto, segundo decisões reiteradas do Superior Tribunal de Justiça, por se
tratar de incentivo de natureza financeira, o prazo de prescrição é o de cinco anos previsto no
Decreto n2 20.910, de 1932, que diz respeito a todas as dívidas passivas na União:

"TRIBUTÁRIO. 'PI CRÉDITO-PRÊMIO. PRAZO PRE'SCRICIONAL DECRETO IV°
20.910/32.

I. Nas ações em que se busca o aproveitamento de crédito do IPI, o prazo prescricional é
de cinco anos, nos termos do Decreto n° 20.910/32, por não se tratar de compensação ou
de repetição.

2. Agravo regimental improvido." (STJ, Segunda Turma, AGA n g 556.896 / SC, relator o
Min. Castro Meira, DJ de 31 de maio de 2004, p. 276)

Portanto, não se aplicam ao caso as disposições do antigo Código Civil, por se
tratar de suposta divida passiva da União.

Como o presente pedido foi apresentado em 1 2 de julho de 2003, o direito da
interessada prescreveu.

Esclareça-se que não se aplica ao caso a solução anteriormente adotada pelo
Superior Tribunal de Justiça (que mudou recentemente de entendimento), relativamente à ação
de repetição de indébitos de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal
Federal, uma vez que não houve decisão no sistema concentrado, nem houve publicação de
resolução do Senado Federal para dar efeito erga omnes à decisão do STF. Dessa forma, as
declarações de inconstitucionalidade, como reafirmado mais adiante, somente produziram efeitos
entre as partes das respectivas ações.

Quanto ao mérito, embora tenha ocorrido a prescrição, faz-se abaixo, apenas a
titulo de debate (já que a questão restou superada pela ocorrência da prescrição), exposição das
razões pelas quais se considera revogado o incentivo.

O Acórdão de primeira instância indeferiu liminarmente o pedido, à vista da
disposição da 114 SRF n2 226, de 2002, art. 1 2, I, à vista do disposto na Portaria MF n2 258, de 24
de agosto de 2001, art. 7 2, que impõe aos julgadores de primeira instância a observação dos atos
normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal.

4



r CC-MF
Ministério da Fazenda

	

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Processo n2 : 11962.000172/2003-82	
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Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033 	 vurro

Em relação à extinção do crédito-prêmio, cabe fazer um pequeno histórico.

Primeiramente, o DL n2 1.658, de 1979, previu a extinção gradual do incentivo até
30 de junho de 1983. O DL n2 1.722, de 1979, a seguir alterou a graduação da extinção,
mantendo, no entanto, a mesma data.

A seguir, o DL ne 1.724, de 1979, conferiu poderes ao Ministro da Fazenda para
"aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir" o incentivo.

Sob o pálio desse DL, a Portaria MF n2 960, de 7 de dezembro de 1980,
suspendeu o incentivo, "até decisão em contrário".

Entretanto, o DL n2 1.894, de 1981, ao mesmo tempo em que, novamente, deu
poderes ao Ministro da Fazenda para reduzir, majorar, suspender ou extinguir incentivas fiscais,
restabeleceu o crédito-prêmio, sem especificar prazo.

A Portaria MF n2 252, de 1982, estabeleceu, como prazo final de vigência do
incentivo, a data de 30 de abril de 1985. Finalmente, a Portaria MF n 2 176, de 12 de setembro de
1984, previu novamente a extinção gradual do crédito-prêmio, que ocorreria em 1 2 de maio de
1985.

A principal alegação que embasa a tese de que o crédito-prêmio não foi extinto
tem por base as declarações de inconstitucionalidade dos decretos-leis que delegaram poderes ao
Ministro da Fazenda.

Em recente decisão, no RE ne 186.3591R5, o Supremo Tribunal Federal declarou,
por maioria de votos, a inconstitucionalidade dos DLs n2s 1.724, de 1979, art. 1 2, e 1.894, de
1979, art. 3 2, I.

A segunda questão importante para análise do recurso refere-se a se, considerada a
referida inconstitucionalidade, aplicar-se-iam ao crédito-prêmio os DLs n2s 1.722 e 1.658, de
1979, que o extinguiam a partir de 1983.

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Agravo
Regimental em Agravo de Instrumento ti2 250.914/DF, decidiu que, declarada a
inconstitucionalidade do DL n2 1.724, de 1979, "ficaram sem efeito os Decretos-Leis ngs
1.722/79 e 1.658/79, aos quais o primeiro diploma se referia", concluindo que o incentivo teria
voltado a ser regido pela forma prevista originalmente no DL n 2 491, de 1969, em face da
restauração do incentivo pelo DL 112 1.894, de 1981, sem estabelecimento de prazo.

A declaração de inconstitucionalidade a que se referiu o Acórdão não é aquela do
STF, anteriormente citada, mas a do plenário do antigo Tribunal Federal de Recursos, na
argüição de inconstitucionalidade relativa à Apelação Cível n2 109.896.

Do voto do Min. Relator no RE anteriormente citado, constou expressa referência
à decisão do antigo TRF, de forma que o STF seguiu a mesma linha, declarando inconstitucional
também a disposição do DL ri 2 1.894, de 1981.

Entretanto, a conclusão de que os Decretos-Leis n2s 1.722 e 1.658, de 1979,
restariam prejudicados em função da declaração de inconstitucionalidade dos outros DLs
mencionados, é exclusiva do STJ, pois o STF não apreciou tal questão.

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Ministério da Fazenda

	

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Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033	

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Assim, há duas questões sucessivas, que devem ser superadas, para saber se o
incentivo foi revogado: 1) a inconstitucionalidade dos DLs n2s 1.724, de 1979, e 1.894, de 1981,
relativamente à delegação de poderes ao Ministro da Fazenda, e 2) o prejuízo da vigência dos
DLs n2s 1.658 e 1.722, de 1979, em função dessa inconstitucionalidade.

Entretanto, tais conclusões foram exaradas em ações judiciais especificas. Não
tendo a interessada apresentado ação judicial, os efeitos de tais decisões e de outras decisões
judiciais no mesmo sentido não provocam efeitos para terceiros, além das partes que litigaram
nos respectivos processos.

No caso, não houve publicação de resolução do Senado Federal que permitisse às
Câmaras deste 22 Conselho de Contribuintes deixarem de aplicar os referidos DLs, nos termos do
art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que deixa claro não estar entre
as suas atribuições a de apreciar a constitucionalidade de leis ou atos normativos.

Além disso, deve-se observar que a inconstitucionalidade dos DLs n 2s 1.724 e
1.894, de 1979, foi declarada no STF, por maioria de votos, o que não garante que seja essa a
decisão defmitiva do Tribunal. De fato, o DL n 2 1 .894, de 1981,  ao mesmo tempo em que
restabelecia o incentivo, que estava em vias de extinção, autorizou o Ministro da Fazenda a
extingui-lo. Assim, é perfeitamente possível verificar que a autorização foi concedida juntamente
com o restabelecimento do incentivo, o que implica que esse restabelecimento foi concedido pela
lei de forma condicionada à possibilidade de sua extinção e alteração por portaria ministerial.

Em relação às decisões do STJ, além de pressuporem a revogação do DL n2 1.724,
de 1979, a conclusão de que a revogação desse DL teria importado no restabelecimento do
incentivo sem fixação de prazo também é questão decidida somente no âmbito das ações
judiciais que foram julgadas pelo Colendo Tribunal

Em sentido contrário a esse entendimento, no Acórdão n 2 201-74.420, julgado em
17 de abril de 2001 (DOU de 5 de agosto de 2002), a Primeira Câmara deste Segundo Conselho
de Contribuintes decidiu que a revogação teria ocorrido em 30 de junho de 1983, conforme
reprodução parcial reproduzida abaixo:

"IPI - RESSARCIMEIVTO E VIGÊNCIA DE CRÉDITO-PRÉMIO - DECISÃO JUDICIAL
- Não tendo a decisão judicial tratado da questão do prazo de vigência do crédito-
prêmio, mas, sim, da autorização dada ao Ermo. Sr. Ministro da Fazenda para
suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos
fiscais concedidos pelos artigos 1° e 5° do Decreto-Lei n°491, de 05.03.69, não há que se
falar em dilatação do prazo de vigência de tal incentivo para 05.10.90, de vez que, nos
termos do Decreto-Lei n°1.658/79, o mesmo vigorou somente até 30.06.83."

Essa conclusão tem respaldo no Parecer AGU GQ-1 72, de 1998, da Advocacia-
Geral da União, aprovado pelo Sr. Presidente da República, que tem caráter vinculativo para toda
a Administração Federal.

O referido parecer ressalta que a motivação para a extinção do incentivo foi o
Acordo do Brasil com o Acordo Geral de Comércio e Tarifas - GATT.

Portanto, o incentivo foi extinto em 30 de junho de 1983.

Quanto às intimações e notificações, deverão ser entregues no endereço do
domicílio fiscal da empresahnme previsto no. art. 127 do Código Tributário Nacional (Lei n2

	

4ak-	
6



22 CC-MFMinistério da Fazenda
Fl.

A F AZEM A - 2
Segundo Conselho de Contribuintes 	

GONt tPE COM O ORIGINAL

MIN I	 I  

•	 04	 03 __. /(35-BR A
Processo n2 : 11962.000172/2003-82
Recurso n2 : 127.678
Acórdão n2 : 201-78.033

5.172, de 1966) e no art. 23 do Decreto n2 70.235, de 1972, com as alterações da Lei n2 9.532, de
1997.

À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso.

Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2004.

JOSNCISCO

7


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Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. MULTA MANTIDA.
Deve ser aplicada a multa do art. 44, parágrafo 1o, da Lei nº 9.430/96 quando a contribuinte fizer declaração de crédito inexistente.
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..

e
.	 CCO2/CO3

Fls. 274

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1 ei -n 'E. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
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TERCEIRA CÂMARA

Processo ti• 	 10950.001094/2007-33

Recurso n°	 154.038 Voluntário

Matéria	 COMPENSAÇÃO DE IPI

Acórdão n•	 203-13.350

Sessão de	 07 de outubro de 2008

Recorrente CENTERDROGAS DROGARIA E PERFUMARIA LTDA

Recorrida	 DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP

AssuNTo: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI

Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2005

NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. MULTA MANTIDA.

Deve ser aplicada a multa do art. 44, parágrafo 1 0, da Lei n°
9.430196 quando a contribuinte fizer declaração de crédito
inexistente.

	

Recurso negado.	 -

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO

• CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos; em negar provimento ao
recurso.

7 j

;GILSON MACMO ROSENBURG FILHO
• i

•
.	 .	 .

Presidente	
_	 .

1._

JEAN CLEUTER tMtfiS‘ENDONÇA
_ ..

.	 Relator	 -
.,

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos
Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, José Adão Vitorino de
Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

..iF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUINTe4
CONFERE COM O OR1GiNAL ----

Brasilia2_16J_____11_1S	 1

11/1

Mate C	 . 81 Oliveira
MM. Slape 91650



•

Processo n° 10950.001094/2007-33 	 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONYRIBUINTES	 CCOVCO3
Acórdão n.° 203-13.350 	 CONFERE COMO ORIGINAL	 Fls. 275

Brasília  02 /6 I	 lj 

Matilde Cursi‘01Neira
Mal. Sie 91650

Relatório

Trata o presente processo de auto de infração lavrado em nome da recorrente
(fls. 151/154), em razão de essa ter efetuado compensações indevidas no período de agosto a
dezembro de 2004, e no mês de outubro de 2005.

O auto de infração foi emitido em 09/10/2006, com multa qualificada de 150%,
chegando ao valor de R$ 46.142,97, relativo ao período de apuração de 01/02/2005 a
30/06/2005. A autuada foi intimada em 24/10/2006 (fl. 157/158).

Em 22/11/2006 a autuada recorreu à DRJ com os seguintes argumentos (fls.
159/184):

Preliminarmente, a autuada reclamou do cerceamento de defesa, pois o auto de
infração não ofereceu instrumentos para a autuada exercer seu direito à ampla defesa.

Ainda na preliminar, argumentou que o auto de infração não estava preenchido
pelos seus elementos constitutivos, o que o torna nulo.

Entrando no mérito, a autuada argumentou que o fisco utilizou na autuação a
Instrução Normativa n° 517 de fevereiro 2005, porém essa já estava expressamente revogada
pela Instrução Normativa n° 598 de dezembro de 2005.

A autuada foi enquadrada no art. 18 da Lei n° 10.833/03, na qual dispõe que
cabe multa isolada no caso de não homologação da compensação. Ocorre que outra exigência
desse dispositivo é que a contribuinte tenha praticado um dos atos descritos nos arts. 71 a 73 da
Lei n° 4.502/64. Como não ficou comprovada a prática dos atos descritos nesses dispositivos,
não cabe a aplicação da multa de oficio.

Como a aplicação da multa de 150% está irregular, pois não foi comprovada a
fraude, o auto de infração perdeu sua motivação, passando a ser nulo.

A multa, em virtude do cancelamento do pedido de compensação, não pode
prevalecer, vez que a autuada fez opção pelo parcelamento dos débitos e, conforme a
legislação, para que fosse concedido o parcelamento, era necessário o cancelamento do pedido
de compensação.

A multa isolada de 150% tem caráter confiscatório.

Em decorrência dos vícios do auto de infração, ele deve ser anulado.

Ao fim, requereu a anulação do auto de infração ou a diminuição da multa.

A DRJ julgou nos seguintes termos (fls. 218/226):

Julgando a preliminar, a DRJ entendeu que não cabe a alegação de cerceamento
de defesa, pois o agente fiscal descreveu detalhadamente os fatos que levaram à aplicação da
multa, além de indicar o enquadramento legal.

2



MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONntieUIN Ft
CONFERE COM O ORIGINAL

Processo o° 10950.001094/2007-33	 Brasiliaa/-12—, O	 CCO2/CO3
Acórdão n. 203-13.350	

fls. 276

Marido CursIno de Moira
Mat. Unte 91650 

Somente após ser intimado a apresentar documentos que comprovassem a
existência do crédito, é que a autuada pediu o cancelamento do pedido de compensação,

• alegando a total inexistência do crédito. Isso não deixa dúvida de que a autuada transmitiu o
pedido de compensação já sabendo a inexistência do crédito. Dessa forma, o fato de pedir

• compensação de créditos que sabe ser inexistente configura fraude

O auto de infração está bem motivado, razão pela qual não cabe nulidade.

Quanto ao caráter consfiscatório da multa de 150%, não cabe à esfera
administrativa apreciar a legalidade ou constitucionalidade da norma.

Ao fim, a DRJ manteve todos os lançamentos.

A autuada foi intimada do acórdão da DRI em 28/09/2009 (fls. 230/231).

Em 24/10/2007 a autuada protocolizou Recurso Voluntário atacando os
seguintes pontos (fls. 232/260):

• Preliminar.

A medida provisória n° 351 de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n°
11.488 de 15 de junho de 2007, alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96. A lei alterada foi a mesma
utilizada para a aplicação da penalidade à recorrente. A nova lei excluiu a previsão da multa de
150%. Dessa forma, não há como manter a multa aplicada.

Caso não seja entendido pela extinção da multa, essa não deve ultrapassar 75%,
pois a mera declaração de compensação de créditos de natureza não tributária não configura
sonegação, dolo ou conluio, de forma que não cabe a multa isolada qualificada.

Manteve as reclamações apresentadas à DRJ quanto ao cerceamento de defesa e
quanto à falta de requisitos constitutivos do auto de infração.

No mérito.
--

Manteve a argumentação de que a Instrução Normativa n° 517 de fevereiro de
2005 foi revogada pela Instrução Normativa n° 598 de dezembro do mesmo ano

Aponta que a decisão da DRJ defende a manutenção da multa de 150% através
de interpretação sistemática dos arts 18, caput e parágrafos 2° e 4° da Lei n° 10.833/03, art. 44,

• II da Lei n° 9.430/96, uma vez que a compensação não declarada estaria sujeita a tal multa.
Ocorre que pela sistemática utilizada pela DRJ, a multa possível é de apenas 75%.

Voltou a alegar que não foi comprovada a prática dos atos descritos nos arts. 71,
72 e 73 da Lei n° 10.833/03, portanto, não cabe a aplicação da multa de oficio.

Também voltou a atacar a falta de motivação do auto de infração e que à multà
• de 150% tem caráter confiscatório , o que vai contra a Constituição Federal.

Também expôs que pretende provar o alegado através de produção de pr as
documentais e periciais, caso necessário. 	 e.

3 k-3(



Processo n° 10950.001094/2007-33	 CCO2/CO3
Acórdão n.• 203-13.350 F1s 277

Ao fim fez os seguintes pedidos:

Que seja determinada a nulidade da autuação;

• Determinação da extinção da penalidade imposta, ou a redução para 75%;

• Que fosse declarada a improcedência do auto de infração em virtude de sua
• atipicidade;

Redução da multa aplicada para 2% conforme legislação civil ou a limitação da
mesma a 75%.

A suspensão da representação fiscal para fins penais.

Que as intimações sejam encaminhadas ao procurador da recorrente

• É o relatório.

• ME-8~0 COlii° C°N1--"Iii-TES
CONFERE COMO ORIGINAL

Madlospatcerde91650ohetra

4



_

• Processo n° 10950.00109412007-33 	 CCO2/CO3
Acórdão n.° 203-13.350	

reaHORE com opoRIGE COJNN21 ttlUINTES	 Fls. 278

8rasma„..426L

L. 	 Mate c . de onvedraMet	 91650
Voto

CONSELHEIRO JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator

O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais requisitos de
admissibilidade, razões pelas quais, dele tomo conhecimento.

• Quer a recorrente o cancelamento do auto de infração lavrado contra ela, ou a
diminuição da multa qualificada aplicada.

O cerne da questão é a aplicação, ou não, da multa de oficio qualificada.

Da preliminar.

Preliminarmente, não deve ser acatada a argüição de cerceamento de defesa.
Isso porque o auto de infração é bem claro, citando o enquadramento, os cálculos, a forma
como se chegou aos resultados. A clareza no auto de infração é tão evidente, que a recorrente
entendeu cada motivo do lançamento, podendo atacar cada ponto em seu recurso.

• Outra alegação da preliminar que não deve prevalecer, é quanto à falta de
elementos constitutivos do auto de infração. Isso porque, os elementos constitutivos do auto de

• infração estão elencados no art. 142 do CTN, quais sejam: verificar a ocorrência do fato
• gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do
• tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade

cabível. Analisando o auto de infração (fls. 151/154) perceberemos que todos esses elementos
foram atendidos.

Do mérito.

• A recorrente alega que o auditor fiscal usou a IN/SRF n° 517 de 25/02/2005,
• porém, essa foi expressamente revogada pela IN/SRF n° 598 de 28/12/2005. Tal alegação não

deve ser considerada, pois o agente fiscal usou como fundamento da autuação a IN/SRF n° 600
de 28/12/2005, as Leis nt" 9.430/96, 8.137/90 e 10.833/03, jamais mencionado a IN/SRF
517.

-	 A recorrente também argumenta que um dos requisitos da aplicação do art. 18
• da Lei n° 10.833/03 é a prática, por parte da contribuinte, dos atos descritos no arts. 71 a 73 da

Lei n° 4.502/64. A recorrente tentou compensar-se de créditos que sabia ser inexistentes, isso
ficou configurado no momento do pedido do cancelamento da compensação, quando a própria
recorrente informou a "total inexistência do crédito". Assim, ficou configurada a prática do ato

• descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64. A recorrente pediu o cancelamento da compensação
somente depois que foram solicitados os documentos comprobatórios dos créditos. Esse pedido
de cancelamento da compensação é a prova inquestionável da irregularidade da compensação.

Tem razão a recorrente ao afirmar que a Medida Provisória n°351 de 2007 ,
foi convertida na Lei n° 11.488/07, alterou o texto do dispositivo que serviu de enquadram to 7./

5



_ .

• Processo n° 10950.0010942007-33 	 CCO21CO3
Acórdão n. 293-13.350

Fls. 279

para o auto de infração, art. 44 da Lei n° 9.430/96. No entanto, o novo texto, do mesmo artigo,
ainda prevê a multa de 150%, se não, vejamos:

"Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as
• seguintes multas:

1- de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença
de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou
recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.

§ 1° 0 percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo
será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no

• 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras
penalidades administrativas ou criminais cabíveis".

O inciso I do artigo supramencionado prevê que a multa deve ser de 75%,
enquanto que parágrafo 1° diz que nos casos dos arts. 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64 a multa

• deve ser duplicada, ou seja, deve ser aplicada a multa de 150%. Ora, o que percebe-se é que
• mudou apenas a configuração do texto do artigo, porém, a ação que enseja a aplicação da multa

• e o percentual da mesma não foi alterada. Assim, não há porque anulá-la.

No que tange às alegações de que a multa aplicada infringe o principio
constitucional do não confisco, esculpido no art. 150 da Carta Magna. Cabe salientar que o
Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para apreciar questões de
inconstitucionalidade, consoante súmula n o 02 deste conselho, in verbis:

"SÚMULA N° 02

"
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se

• pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária".

Sendo assim, deve ser Mantida a multa no percentual de 150% aplicada pelo
auto de infração.

Quanto à produção de provas para comprovar o que foi alegado, este julgador
entende desnecessária a aplicação de perícia. Por outro lado, as provas documentais deveriam
ser apresentadas junto com o Recurso Voluntário interposto.

No tocante à representação fiscal criminal, entendo que o presente feito deve ter
seu curso legal.

Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto.

r,
Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008

JEAN CLEUTER-MENDONÇA7LÕ

MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
• CONFERE COM O ORIGINAL

&amp;Ma&amp; (52 

6
Mate arteno de Ofreira

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•


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Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integre-a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido.
RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188), turma_s=3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS, dt_publicacao_tdt=Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011, numero_processo_s=10675.002420/2002-11, anomes_publicacao_s=201111, conteudo_id_s=4879304, dt_registro_atualizacao_tdt=Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2020, numero_decisao_s=9303-001.725, nome_arquivo_s=930301725_10675002420200211_201111.pdf, ano_publicacao_s=2011, nome_relator_s=Julio Cesar Alves Ramos, nome_arquivo_pdf_s=10675002420200211_4879304.pdf, secao_s=Câmara Superior de Recursos Fiscais, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.], dt_sessao_tdt=Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011, id=4747257, ano_sessao_s=2011, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:43:47 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713044227005349888, conteudo_txt=Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
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CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 

 

Processo nº  10675.002420/2002­11 

Recurso nº  132.371   Especial do Procurador 

Acórdão nº  9303­001.725  –  3ª Turma  

Sessão de  07 de novembro de 2011 

Matéria  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI 

Recorrente  FAZENDA NACIONAL 

Interessado  XINGULEDER COUROS LTDA 

 

CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE 
RECEITA OPERACIONAL BRUTA. 

Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita 
operacional bruta para efeitos do  incentivo fiscal por ela  instituído deve ser 
buscado  subsidiariamente  na  legislação  do  imposto  sobre  a  renda.  Por  esse 
exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a 
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta 
própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações 
de  conta  alheia.  Não  há,  pois,  autorização  legal  ou  ministerial  para  dela 
excluir  a  parcela  decorrente  da venda no mercado  externo  de  produtos  que 
não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.  

NORMAS  PROCESSUAIS.  PRINCÍPIO  DO  NON  REFORMATIO  IN 
PEJUS. Deferida, ainda que  indevidamente, a exclusão da parcela discutida 
da  receita  operacional  bruta,  a  reforma  de  tal  entendimento  para  que  ela 
integre­a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria  
condenável  reforma  em  prejuízo  do  recorrente,  dado  que  leva  a  um  valor 
ainda maior do incentivo discutido.   

RESSARCIMENTO  DE  IPI.  ACRÉSCIMO  DE  JUROS  CALCULADOS 
COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ 
PROFERIDAS  NO  RITO  DO  ART.  543­C.  Na    forma  de  reiterada 
jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada 
a  partir  da  data  de  protocolização  do  pedido  administrativo,  a  título  de 
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre 
de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, 
RESP 1.150.188) 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar 
provimento ao recurso. 

  

Fl. 2080DF  CARF MF

Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2

012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO



 

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OTACÍLIO DANTAS CARTAXO ­ Presidente.  

 

JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator. 

 

EDITADO EM: 16/01/2012 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Otacílio  Dantas 
Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo 
Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos 
Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann  

 

Relatório 

A douta  procuradoria  da Fazenda Nacional  impugna decisão  proferida  pela 
Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu parcial provimento a recurso 
voluntário  relativo a pedido de ressarcimento de  crédito presumido de  IPI de que  trata a Lei 
9.363, aqui calculado na forma alternativa instituída pela Lei 10.276/2001. 

O recurso especial pretendia a reforma do julgado quanto a três matérias, mas 
o Presidente da Quarta Câmara do CARF só entendeu comprovada a divergência quanto a duas 
delas, entendimento ratificado pelo Presidente do CARF à época.  

A primeira diz respeito ao conceito de receita operacional bruta para efeito de 
apuração do percentual a  incidir sobre as aquisições para   composição da base de cálculo do 
incentivo.  Mais  precisamente,  quanto  à  inclusão  ou  não  da  parcela  relativa  às  vendas  no 
mercado  externo  de  mercadorias  adquiridas  e  não  submetidas  a  qualquer  processo  de 
industrialização. 

Nos trabalhos de verificação fiscal a autoridade responsável, dando aplicação 
a  ato  declaratório  normativo  da  SRF,  entendeu  que  dita  parcela  não  integraria  a  receita  de 
exportação, mas seria incluída na receita operacional bruta. O recurso  voluntário postulava a 
revisão desse entendimento para que dita parcela fosse computada em ambas as receitas, isto é, 
também  fosse  computada  na  receita  de  exportação.  Não  houve  pleito  para  que  ela  fosse 
excluída da receita operacional bruta. 

No  entanto,  a  decisão  recorrida  reviu  esse  entendimento  e  determinou  sua 
exclusão,  também,  da  receita  operacional  bruta,  como  NÃO  fora  postulado  no  recurso 
voluntário. Quanto à Receita Operacional Bruta, o que o recurso voluntário postulara fora que 
fosse  excluída  a  parcela  relativa  à  venda  NO  MERCADO  INTERNO  de  mercadorias  não 
submetidas a processo de industrialização. Essa pretensão lhe foi indeferida. 

A  representação  fazendária  pugna  pela  manutenção  do  entendimento 
esposado pela SRF, ou seja, que ela seja excluída apenas da receita de exportação. 

O segundo apelo admitido disse respeito à possibilidade do cômputo da  Selic 
no  valor  a  ser  ressarcido,  deferido  na  decisão  recorrida,  incidindo  a  partir  da  data  de 
protocolização  do  pedido.  Defende  a  PFN,  quanto  ao  ponto,  necessidade  de  lei  expressa 

Fl. 2081DF  CARF MF

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Processo nº 10675.002420/2002­11 
Acórdão n.º 9303­001.725 

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concedendo­a, dado que não se trata de mera correção ou atualização monetária, determinação 
legal essa inexistente. 

A  empresa,  cientificada  do  recurso  especial,  apresentou  extensas  contra­
razões em que, a par de postular a manutenção das parcelas objeto do recurso fazendário, tenta 
rediscutir  a  questão  da  inclusão  ou  não,  na  receita  operacional  bruta,  da  parcela  relativa  à 
revenda no mercado interno.  

Não manejou, entretanto, recurso especial quanto a isso. 

 É o Relatório.  

Voto            

Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS 

Como  dito,  o  objetivo  da  Fazenda  Nacional  é  restaurar  a  metodologia  de 
cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório 
normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. 

Segundo  ele,  para  apurar  o  percentual  entre  a  receita  de  exportação  e  a 
operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias 
primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegar­se à base de cálculo do 
incentivo, deve­se excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no 
mercado  externo  de  mercadorias  adquiridas  e  não  submetidas  a  qualquer  operação  de 
industrialização. 

Assim fazendo, obviamente, reduz­se aquele percentual e, em conseqüência, 
o incentivo.  

A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de se tratar distintamente 
a  mesma  parcela,  determinou  que  o  cálculo  se  fizesse  excluindo­a  também  da  receita 
operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único, e entenderam os membros do 
colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. 

Defende  a  representação  fazendária  a  inexistência  de  permissivo  legal  para 
dita exclusão, na medida em que a própria  lei  instituidora do  incentivo determinou o recurso 
subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita 
operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas 
de produtos fabricados ou meramente revendidos. 

Tenho  entendimento  firmado,  há muito  tempo, no  sentido  de  que  a parcela 
discutida integra ambas,  tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso 
porque,  se  é  verdadeiro  o  argumento  fazendário  quanto  à  Receita Operacional  Bruta,  ele  se 
aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na  legislação do  imposto de 
renda,  nem  na  legislação  comercial,  qualquer  exclusão  a  ser  feita,  seja  entre  produtos 
fabricados e não  fabricados ou qualquer outro. Receita de  exportação é  simplesmente aquela 
que  resulta  da  venda  de  produtos  ou  serviços  no  mercado  externo,  em  nada  interferindo  a 
natureza do produto ou do serviço. 

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012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO



 

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Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para 
regular  o  incentivo,  a  Portaria  38/97  do  Sr. Ministro  da Fazenda. Vale  dizer  que  somente  o 
Ministro  de  Estado  recebeu  autorização  legal  para  tal  regulamentação  (art.  6º  da Lei  9.363) 
carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. 

De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da 
melhor  forma  a  legislação  ao manter  a  exclusão  daquela  parcela  da  receita  de  exportação  e 
determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, 
mantê­la na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela 
fosse  igualmente  computada  na  receita de  exportação. Até  porque  essa  fora  a  postulação  do 
recurso. 

É  importante  destacar  que  essa  determinação  levaria  a  que  o  direito  do 
contribuinte  fosse  ainda  maior  do  que  o  que  lhe  acabou  deferido  pela  decisão  extra  petita. 
Aplicá­la  agora,  no  entanto,  parece­me  impossível  dado  que  levaria  à  reformatio  in  pejus 
contra a recorrente. 

Repita­se que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário. O que 
ele postula é que se determine apenas a inclusão na Receita Operacional Bruta, mantendo­se, 
ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao 
menor dos valores. A  isso, a meu ver, não se pode dar provimento.   

Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. 

Quanto ao segundo aspecto do recurso, também não se pode dar provimento à 
Fazenda. 

Isso  porque,  o  art.  62­A,  recentemente  incluído  no  Regimento  Interno  do 
CARF,  tornou obrigatória a  adoção do entendimento  expresso  em decisão do STJ que  tenha 
sido proferida na sistemática prevista no art. 543­C. 

E naquele e. Tribunal Superior consolidou­se o entendimento de que a Selic é 
devida  exatamente  na  forma  que  foi  concedida  no  julgamento  contestado  (REsp  993.164  e 
1150188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). 

Destarte,  com  a  ressalva  de  minha  posição  pessoal,  que  acolho  todos  os 
argumentos  expendidos pela  representação  fazendária,  nego provimento  ao  seu  recurso neste 
particular. 

Destarte, é o meu voto pelo não provimento integral do recurso fazendário.  

E é assim que voto. 

JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator 

           

 

           

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Acórdão n.º 9303­001.725 

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012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO


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Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 
IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. EXTINÇÃO EM 30/06/1983.
O crédito-prêmio do IPI, incentivo à exportação instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei n°491/69, só vigorou até 30/06/1983.
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Julgamento do CARF, por maioria de votos: I) reconheceu-se do recurso. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Morais; e 11) em negar aproveitamento do crédito prêmio. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. A Conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta(Suplente) votou pela extinçãodo crédito prêmio em 04/10/1990], dt_sessao_tdt=Thu May 07 00:00:00 UTC 2009, id=4651497, ano_sessao_s=2009, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:11:41 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713042191505424384, conteudo_txt=Metadados =&gt; date: 2009-08-25T20:44:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-25T20:44:09Z; Last-Modified: 2009-08-25T20:44:10Z; dcterms:modified: 2009-08-25T20:44:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-25T20:44:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-25T20:44:10Z; meta:save-date: 2009-08-25T20:44:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-25T20:44:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-25T20:44:09Z; created: 2009-08-25T20:44:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2009-08-25T20:44:09Z; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-25T20:44:09Z | Conteúdo =&gt; 
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S2-C2T1

Fl. I

;.#

. ". •;41, -	 MINISTÉRIO DA FAZENDA

.. '13--•ZS '. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO

Processo n"	 10380.000927/2006-70

Recurso n°	 155.233 Voluntário

Acórdão n"	 2201-00.131 — r Câmara / 1" Turma Ordinária
Sessão de	 07 de maio de 2009

Matéria	 CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI - PEDIDO DE RESSARCIMENTO

Recorrente	 BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO DE

BERMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA)

Recorrida	 DRJ - Belém-PA	 1

ASSUNTO: iMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDusTRIATizA nos - I PI
:

Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 	 I
1

IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. EXTINÇÃO EM 30/06/1983.

O crédito-prêmio do 1P1, incentivo à exportação instituído pelo art. 1" clo

Decreto-Lei n°491/69, só vigorou até 30/06/1983.

Recurso negado.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os Membros da 2° Câmara/1" Turma Ordinária da 2" Seção de

Julgamento do CARF, por maioria de votos: I) reconheceu-se do recurso. Vencidos os
Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Morais; e 11) em negar
aproveitamento do crédito prêmio. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça,

Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. A Conselheira Andréia
:Dantas Lacerda Moneta (S: 	 nte) votou pela extinção do crédito prêmio em 04/10/1990.

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Relator

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Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 2

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Andréia Dantas

Moneta Lacerda (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão

Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda..

Relatório

Trata-se de Recurso Voluntário contra o indeferimento de pedido de

ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69, relativo

ao período em epígrafe.

O pedido foi indeferido pelo órgão de origem, que considerou o Crédito-

Prêmio extinto em 30/06/1983, pelo Decreto-Lei n°1.658/79, art. 1", § 2".

Observou, a unidade, de origem, que o contribuinte é patrono do processo

judicial n° 2003.81.00.031567-6, no qual cuidaria da mesma demanda deste processo
administrativo.

O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, referindo-se à

Resolução do Senado n° 71/2005 e defendendo, em síntese, que o beneficio ainda está em

vigor. Requer, ao final, que o valor lhe seja ressarcido, com incidência dos juros Selic.

Quanto à ação judicial mencionada pelo órgão de origem, argúi que não

implica em renúncia à esfera administrativa porque impetrada antes da Resolução Senatorial,

"a qual é o fundamento para o deferimento do presente pedido de ressarcimento em razão dos

seus efeitos erga °nines".

A 3' Turma da DRJ, levando em conta a IN SRF n°600/2005, art. 31, § 1°, II,

"b", considerou o Pedido não formulado, não tomando conhecimento da Manifestação de	 •

Inconformidade

A ementa da decisão recorrida é a seguinte: "Por se encontrar extinto o

beneficio do crédito-prêmio do IPI, não será apreciado o pedido apresentado."

O Recurso Voluntário, tempestivo, insiste no ressarcimento.

É o relatório.

Voto

Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Relator

O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos

no Decreto n" 70.235/72, pelo que dele conheço. Diferentemente da interpretação da DRJ,

amparada na IN SRF n°600/2005, art. 31, § 1°, II, "b", entendo que cabe adentrar no mérito do
litígio porque os autos dão conta apenas do Pedido de Ressarcimento (desacompanhado de

compensação), enquanto o dispositivo legal mencionado manda considerar não/declarada a

compensação baseada no direito ao Crédito-Prêmio. Como os autos não noticiam a existência

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Processo n 0 10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 3

1de qualquer declaração de compensação, convém limitar a lide ao ressarcimento e analisar o
mérito da solicitação.

Apesar das posições contrárias, e ressaltando as divergências em torno do

tema, entendo que o incentivo à exportação denominado crédito-prêmio do IPI está extinto
desde 30/06/1983.

Para o deslinde da questão, importa observar a seguinte legislação:

- Decreto-Lei n°491, de 05/03/1969, cujo art. 1' estabelece que "As empresas

fabricantes de produtos manufaturados poderão se creditar, em sua escrita fiscal, como

ressarcimento de tributos, da importância correspondente ao imposto sobre produtos

industrializados calculado, como se devido fosse, sobre o valor F. O. B., em moeda nacional de
suas vendas para o exterior...";

- Decreto-Lei n" 1.658, de 24/01/1979, que extingue, de forma gradual, o
crédito-prêmio, estabelecendo no seu art. 1' um cronograma de redução, que começa com 10%

em 24/01/1979, continua com 5% em 31/03/1979, 5% em 30/06/1979, 5% em 30/09/1979 e

5% em 31/12/1979 (somando 30% no decorrer de 1979), e a partir de então 5% a cada final de

trimestre, de que forma que em 30/06/1983 o beneficio é totalmente extinto;

- Decreto-Lei n° 1.722, de 03/12/1979, que altera a forma de utilização dos

estímulos fiscais às exportações de manufaturados previstos nos arts. 1° e 5' do Decreto-lei n"

491/69, e no seu art. 3° altera o cronograma de redução do crédito-prêmio para os anos de 1980

a 1983, fixando-a em vinte por cento nos três primeiros desses anos (redução por ano, em vez

de por trimestre, como estava previsto no § 2° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.658/79) e em dez

por cento no primeiro semestre do último, de forma que a data final do incentivo permanece a
mesma: 30/06/1983;

- Decreto-Lei IV 1.724, de 07/12/1979, que autorizava o Ministro da Fazenda

a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir, os estímulos fiscais de que

tratam os artigos 1° e 5° do Decreto-lei n°491/69; e

- Decreto-Lei n° 1.894, de 16/12/1981, que institui incentivos fiscais para

empresas exportadoras de produtos manufaturados e no seu art. 2' altera o art. 3" do Decreto-lei
n° 1.248/1972, de forma a assegurar ao produtor-vendedor, nas operações decorrentes de

compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial

exportadora para o fim especifico de exportação, os beneficies fiscais concedidos por lei para

incentivo à exportação, à exceção do crédito-prêmio previsto no artigo 1" do Decreto-lei n"

491/1969, ao qual passa a fazer jus apenas a empresa comercial exportadora.

O artigo 3°, I, do Decreto-Lei n° 1.894/81, também conferiu nova delegação

de poderes ao Ministro da Fazenda, que assim corno aquela conferida pelo Decreto-Lei n°

1.724/79, foi posteriormente julgada inconstitucional pelo STF.
,

Após o Decreto-Lei n" 1.658/79, nenhuma das alterações legislativas posteriores

modificou a data de extinção definitiva do crédito-prêmio, fixada em 30/06/1983. Pelo contrário:

o Decreto-Lei n" 1.722, de 03/12/1979 corroborou-a expressamente, embora tenha alterado o

cronograma de redução fixando-o por períodos anuais para os anos de I' z0 a 1983, em vez de por

trimestre, como fizera inicialmente o Decreto-Lei ri' 1.658/79.	
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Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2.C2TI
Acórdào n.° 2201-00.131 	 Fl. 4

Permaneceu a mesma data de vigência do beneficio, com a delegação de

competência ao Ministro da Fazenda para graduar, ao longo do ano e conforme a conveniência da

política econômica, os pontos percentuais de extinção do crédito-prêmio correspondentes ao
período (20% ao ano).

A legislação primária posterior ao Decreto-Lei rf 1.722/79 também não trouxe

revogação, nem derrogação, das normas que aprazaram a extinção do crédito-prêmio para o dia

30/06/1983. O Decreto-Lei n° 1.724, de 07/12/1979, ao autorizar em seu art. 1' o Ministro de

Estado da Fazenda a deliberar sobre o crédito-prêmio, não modificou a data final da extinção do

beneficio. Observe-se a redação do Decreto n" 1.724/79:

Art. I" - O Ministro de Estado da , Fazenda ,fica autorizado a
aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir
os estímulos fiscais de que tratam os artigos I' e 5' do Decreto-
Lei n."491, de 5 de março de 1969.

Art. 2" - Este Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua
publicação, revogadas as disposições em contrário.

Com base nessa delegação de competência o cronograma de redução do

crédito-prêmio foi alterado por Portarias Ministeriais, dentre elas as Portarias ifs 252/82 e

176/84, do Ministério da Fazenda, segundo as quais o referido beneficio teve seu prazo de
extinção prorrogado para 30/04/85.

O Supremo Tribunal Federal, todavia, declarou inconstitucionais as

delegações de competência estabelecidas pelos Decretos-Leis n's 1.724/79 e 1.894/81 para o
Ministro da Fazenda. Veja-se:

CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL.
CRÉDITO-PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA.
DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts.
1" e 5". D.L. 1.724, de 1979, art. 1; D.L. 1.894, de 1981, ar. 3",
inc. I. C.F. 1967.

I- É inconstitucional o artigo I' do D.L. 1.724 de 7.12.79, bem
assim o inc. I do an. 3' do D.L. 1494 de 16.12.81, que
autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou
reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos
fiscais concedidos pelos artigos 1"e 5" do D.L. n°49/, de 053,69.
Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6'. Ademais,
as matérias reservadas á lei não podem ser revogadas por ato
normativo secundário.

II- RE, conhecido, porém não provido (letra b).

(RE n" 186.623-3/RS, Min. CARLOS VELLOSO, DJ de
12.04.2002)"

TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA 'LEGALIDADE
ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo 1" do Decreto-lei n"
1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o inciso I do artigo 3" do
Decreto-lei n" 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que

AIimplicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para
00suspender, aumentar, reduzir, temporári, • 	 efinitivamente, ou ,10,

ili

	

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Processo n° I 0380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 5

extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos I" e 5" do

Decreto-lei n"49I, de 5 de março de 1969.

(RE 186359/RS, Pleno," 14/3/2002, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ

10/5/2002, p. 53).

Mais recentemente, em 16/12/2004, o STF concluiu o julgamento do Recurso

Extraordinário n° 208.260-RS, Acórdão publicado em 28/10/2005, e, por maioria, vencido o

MM. Mauricio Corrêa (relator original), declarou a inconstitucionalidade do art. 1' do Decreto
n° 1.724/79, no que delegava ao Ministro da Fazenda poderes para tratar do crédito-prêmio.

Referido julgamento foi iniciado 20/11/1997, quando o Min. Mauricio Corrêa proferiu o seu

voto, afastando a inconstitucionalidade afinal declarada pelo Tribunal. Naquela ocasião foi

acompanhado pelo Min. Nelson Jobim, que na sessão final, em 16/12/2004, reviu a sua posição

anterior e acompanhou a maioria, que seguiu o voto do Min. Marco Aurélio, designado relator
para o acórdão.

O STF entendeu que a delegação de competência em questão implica em

ofensa ao principio da legalidade - haja vista ter-se disposto, por meio de Portaria, sobre

crédito tributário -, bem como ao parágrafo único do art. 6° da Constituição de 1969, que

proibia a delegação de atribuições ("Salvo as exceções previstas nesta Constituição, é vedado a

qualquer dos Poderes delegar atribuições;").

Em conseqüência das declarações de inconstitucionalidades, todos os atos

normativos secundários decorrentes das delegações de competência conferidas pelos Decretos-

Leis n's 1.724/79 e 1.894/81 perderam, com eficácia ex tune, as validades. Tanto os atos

normativos que extinguiram o subsidio antes do prazo legal dos Decretos-leis n's 1.658/79 e

1.722/79, quanto, com maior razão, as Portarias Ministeriais n's 252/82 e 176/84, que tentaram

prorrogar o prazo de vigência do subsidio até 30/04/85. Destarte, o crédito restou definitivamente

extinto em 30/06/83.

Os Decretos-Leis n's 1.658/79 e 1.722/79, no que determinam a extinção do
crédito-prêmio em 30/06/1983, permanecem em pleno vigor.

Quanto ao Decreto-Lei if 1.894, de 16/12/81, em seu art. 1° estendeu às

empresas exportadoras o estimulo fiscal em questão, nos seguintes termos.

Art. 1" - As empresas que exportarem, contra pagamento em

moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional,

adquiridos no mercado interno, fica assegurado:

- O crédito do imposto sobre produtos industrializados que

haja incidido na aquisiçc'to dos mesmos;

11 - O crédito do imposto de que trata o art. 1" do DL n" 491, de

5 de março de 1969.

(negrito ausente no original).

A fim de evitar duplicidade de utilização do crédito-prêmio, o art. 2° Decreto-

Lei n° 1.894/81, a seguir transcrito, restringiu a sua concessão às ipresas produtoras-

vendedoras, quando o referido beneficio fosse utilizado pelas empresas c iikierciais exportadoras:

5



•

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Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 6

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Art. 2' - O artigo 3" do DL n" 1.248, de 29.11.72, passa a vigorar
com a seguinte redação:

'A ri. 3' São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações
de que trata o artigo 1" deste DL. os beneficios .fiscais
concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do
previsto no artigo 1" do DL n° 491, de 05 de março de 1969, ao
qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora'.

(negrito ausente no original).

Se admitida a tese de que o beneficio não fora extinto em 30/06/1983, a

extinção teria se dado, de todo, em 05/10/90 - dois anos após a data da promulgação da

Constituição Federal em 1988, face à ausência de confirmação expressa por lei.

É que, como se sabe, o art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais

Transitórias (ADCT) prevê, em seu § I°, a necessidade de os incentivos fiscais de natureza

setorial, anteriores à nova Carta, serem confirmados por lei. Do contrário consideram-se

revogados após dois anos a contar da data da promulgação da Constituição. Assim dispõe o

referido artigo do ADCT:

Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os
incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo
aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis.

§ 1° Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da
data da promulgação da Constituição, os incentivos que não
forem confirmados por lei.

O crédito-prêmio do IPI é, indiscutivelmente, incentivo fiscal de natureza

setorial, porque tem como objetivo primordial fomentar o setor de exportação, cujo universo é

facilmente determinável.

Inclusive, a Lei if 8.402/92, mencionada como nonna que teria convalidado-

o, confirmou outros incentivos fiscais, mas não o crédito-prêmio. Observe-se a sua redação:

Art. I° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais:

(.)

II - manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre
Produtos Industrializados relativo aos i 77S111770S empregados na
industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5°
do Decreto-Lei 11° 491, de 5 de março de 1969;

(-)

1§ 1 ° É igualmente restabelecida a garantia de concessão dos 	 1
incentivos .fiscais à exportação de que trata o art. 3° do Decreto-
Lei 77° 1.248, de 29 de novembro de 1972, ao produtor-v ndedor
que efetue vendas de mercadorias a empresamercial
exportadora, par 	 Iia o , m específico de exportaçãft 

1
Ia forma

prevista pelo art. 1° do mesmo diploma legal.

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Processo n°10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 7

O inciso II do art. 1° da Lei n° 8.402/92 trata do beneficio à exportação

inserto no art. 5" do Decreto-Lei n°491/69, relativo à manutenção e utilização do crédito do IPI

incidente sobre matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem

efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, nada tendo a ver com o

crédito-prêmio instituído no art. I°.

o § 1" do art. 1" da Lei n° 8.402/92, por sua vez, reporta-se ao art. 3° do
Decreto-Lei n" 1.248/72, cuja redação é a seguinte: "São assegurados ao produtor-vendedor,
nas operações de que trata o artigo 1° deste Decreto-lei, os beneficios fiscais concedidos por lei

para incentivo à exportação." Claramente o referido § 1' não se refere expressamente ao
crédito-prêmio.

A corroborar a extinção do crédito-prêmio em 30/06/83, a Primeira Tunna

Superior Tribunal de Justiça já decidira, em 08/06/2004, negar, por três votos a uni (o voto

vencido foi do ilustre Min. José Delgado), o pedido de crédito-prêmio de IP1 da empresa

gaúcha Icotron S/A Indústria de Componentes Eletrônicos, Recurso Especial n" 591.708—RS

(2003/0162540-6). A ementa deste Acórdão é a seguinte:

TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI
491/69 (ART. 15. INCONSTITUCIONALIDADE DA
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA AO MINISTRO DA
FAZENDA PARA ALTERAR A VIGÊNCIA DO INCENTIVO.
EFICÁCIA DECLARA TÓRIA E EX TUNC. MANUTENÇÃO DO
PRAZO EXTINTIVO FIXADO PELOS DECRETOS-LEIS
1.658?79 E I .722?79 (30 DE JUNHO DE 1983).

1. O art. I" do Decreto-lei I.658?79, modificado pelo
Decreto-lei 1.722?79, ,fixou em 30.06.1983 a data da extinção do
incentivo fiscal previsto no art. 1" do Decreto-lei 491769
(crédito-prêmio de IPI relativos à exportação de produtos
manufatura(los).

2. Os Decretos-leis 1.724?79 (art. 15 e 1.894?81 (art. 35,
conferindo ao Ministro da Fazenda delegação legislativa para
alterar as condições de vigência do incentivo, poderiam, se
fossem constitucionais, ter operado, implicitamente, a revogação
daquele prazo fatal. Todavia, os tribunais, inclusive o STF.
reconheceram e declararam a inconstitucionalidade daqueles
preceitos normativos de delegação.

3. Em nosso sistema, a inconstitucionalidade acarreta a
nulidade ex tunc das normas viciadas, que, em conseqüência,
não estão aptas a produzir qualquer efeito jurídico legítimo,
muito menos o de revogar legislação anterior. Assim, por serem
inconstitucionais, o art. I' do Decreto-lei 1.724/79 e o art. 3" do
Decreto-lei 1.894/81 não revogaram os preceitos normativos
dos Decretos-leis 1.658/79 e 1.722/79, ficando mantida,
portanto, a data de extinção do incentivo fiscal.

4. Por outro lado, em controle de constitucionalidade, o
Judiciário atua como legislador negativo, e não con
legislador positivo. Não pode, assim, a pretexto de declad n i a
inconstitucionalidade parcial de uma norma, inovar no plano
do direito positivo, permitindo 'que surja, com , parte

4
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remanescente da norma inconstitucional, um novo comando

normativo, não previsto e nem desejado pelo legislador. Ora, o

legislador jamais assegurou a vigência do crédito-prêmio do
IPI por prazo indeterminado, para além de 30.06.1983. O que
existiu fai apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se assim

o decidisse o Ministro da Fazenda, com base na delegação de

competência que lhe fora atribuída. Declarando

inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo

que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a

conseqüência de conferir ao beneficio fiscal uma vigência

indeterminado, não prevista e não querida pelo legislador, e

não estabelecido nem mesmo pelo Ministro da Fazenda, no uso

de sua inconstitucional competência delegada.

5. Finalmente, ainda que se pudesse superar a

fundamentação alinhada, a vigência do beneficio em questão

teria, de qualquer modo, sido encerrada, na melhor das

hipóteses para os beneficiários, em 05 de outubro de 1990, por

força do art. 41, § I", do ADCT, já que o referido incentivo

fiscal setorial não foi confirmado por lei superveniente.

6. Recurso especial a que se nega provimento.

(Negritos não-originais)

No voto vencedor do Recurso Especial n" 591.708—RS, o

ilustre Relator, Ministro Teori Albino Zavascki, inicia a sua

argumentação a partir da seguinte indagação:

foi ou não revogada a norma prevista no DL 1.658/79 (art. 1",

§ 29 e reafirmada no DL 1.722/79 (art. 39, segunda a qual o

estimulo fiscal do crédito-prêmio seria definitivamente extinto em

30.06.83?"

A resposta a essa indagação foi dada nos seguintes termos: "o beneficio fiscal

previsto no art. 1° do DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal corno estabelecido pelo

legislador."

No seu voto - que transcrevo porque esclarece toda a controvérsia,

historiando-a, e porque está sem consonância com o entendimento aqui exposto -, o Ministro

Teori Albino Zavascki assim se manifesta:

I. A hipótese é daqueles situadas em domínios não muito bem

demarcados entre a matéria constitucional (de competência do

STF) e infraconstitucional (atribuída ao STJ). É que não se

questiona, propriamente, a constitucionalidade ou não dos
preceitos normativos aplicáveis ao caso. No particular, as partes

estão acordes no sentido de que há normas inconstitucionais,

assim reconhecidas inclusive pelo STF. O que se questiona é se a

norma inconstitucional teria ou mio revogado as anteriores e se,
reconhecida a sua inconstitucionalidade, teria ou não havido
repristinação daquelas. Do modo como posta - de saber se

determinada norma foi ou não revogada por norma rp41
414

014
1	 8



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superveniente, se vige ou não e em que limites -, é matéria que,

embora suponha. eventualmente, juízo a respeito das

conseqüências decorrentes da inconstitucionalidade das normas,

comporta apreciação em recurso especial. Aliás, o tema já foi

enfrentado no STJ em outros casos, tanto que há, no recurso,

demonstração de dissídio jurisprudencial que tem como

paradigmas acórdãos deste Tribunal. Assim, preenchidos que

estão os demais requisitos de admissibilidade, conheço do

recurso.

2. Para adequado exame do mérito convém rememorar os

principais episódios da evolução legislativa do chamado "crédito-

prêmio à exportação". Trata-se de incentivo fiscal criado pelo art.

I' do Decreto-Lei 491/69, a saber:

"Art. 1". As empresas fabricantes e expor adoras de produtos

manufaturados gozarão, a titulo de estímulo .fiscal, créditos

tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento

de tributos pagos internamente.

1"- Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos

do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente

sobre as operações no mercado interno.

§ 2" - Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o

mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos

federais, ou aproveitados nas .fármas indicadas por regulamento"

Sobreveio o Decreto-Lei 1.658/79, estabelecendo um cronograma

de redução gradual do incentivo, até sua total extinção, prevista

para a data de 30.06.83, conforme dispunha o artigo I" e seus

parágrafos:

"Art. 1"- O estímulo fiscal de que trata o artigo I' do Decreto-Lei

n" 491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até

sua definitiva extinção.

§ I" - Durante o exercício .financeiro de 1979, o estimulo será

reduzido:

a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento);

b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento,»'

c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento);

d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento);

e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento).

§ 2"- A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5% (cinco por

cento) a 31 de março, a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de	 •

dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30

de junho de 1983."

O cronograma foi alterado pelo ecreto-Lei 1,722/79, cujo art. 3

CISSini dispas.:

9



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Acórdão	 2201-00.131	 Fl. 10

"Art. 3" - O parágrafo 2' do artigo 1" do Decreto-lei n°1.658, de

24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação:

" 2" O estímulo será reduzido de vinte por cento em 1980, vinte

por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até

30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da
Fazenda."

Editou-se, depois, o Decreto-Lei 1.724/79, com dois artigos:

"Art. I' O Ministro de Estado da Fazenda .fica autorizado a
aumentar ou reduzir; temporária ou definitivamente, ou extinguir
os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1"e 5' do Decreto-lei
n°49], de 5 de março de 1969.

"Art. 2" Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua

publicação, revogadas as disposições em contrário.

Finalmente, foi editado o Decreto-Lei 1.894/81, estendendo

benefícios .fiscais à exportação, inclusive o crédito-prêmio do DL

491/69, art. I", a cenas empresas exportadoras que originalmente

não estavam contempladas, isto é, "às empresas que exportarem,

contra pagamento de moeda estrangeira conversível, produtos de

fabricação nacional, adquiridos no mercado interno" (art. 1", II).

O art. 3" desse Decreto-Lei dispôs o seguinte:

"Art. 3°- O Ministro da Fazenda .fica autorizado, com referência

aos incentivos fiscais à exportação, a:

I - estabelecer prazo, forma e condições, para sua fruição, bem

como reduzi-los, majorá-los, suspendê-los ou extingui-los, em

caráter geral ou setorial;

- estendê-los, total ou parcialmente, a operações de venda de

produtos manufaturados nacionais, no mercado interno, contra

pagamento em moeda de livre conversibilidade;

- determinar sua aplicação, nos termos, limites e condições que

estipulai; às exportações efetuadas por intermédio de empresas
exportadoras, cooperativas, consórcios ou entidades

semelhantes".

Com base na delegação conferida pelos Decretos-Leis 1.724/79 e

1.894/81, o Ministro da Fazenda editou correspondentes atos

administrativos, nomeadamente as Portarias 252/82 e 176/84,
prorrogando a vigência do incentivo fiscal para 1"/05/85.

3. Ocorre que os Tribunais, provocados por contribuintes,

declararam a inconstitucionalidade do artigo 1" do DL 1.724/79 e

do artigo 3" do DL 1.894/81, ao fundamento básico de que a
delegação de competência ao Ministro da Fazenda, para a prática

dos atos neles mencionados, era incompatível com o princípio

constitucional da legalidade estrita, incidente na espécie. Assim o

fez o antigo Tribunal Federal de Recursos, ao julgar a Argüição
de Inconstitucionalidade na AC 109.896/DF (D.I de 22.10.87,
relator Min. Pádua Ribeiro). Assim o fez também (aliás com nzett ts,
voto à época) o TRF da 4" Regi - •' 'eonde provém o recurso ora

, o



Processo n" 10380.00092712006-70	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. I

em exame (Argüição de Inconstitucionalidade na AC 90.04.11176-
0/PR, relator Juiz Paim Falcão, DJ de 10.06.92). E assim o fez o

STF, em precedentes ementados nos seguintes termos:

"CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL.

CRÉDITO-PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA.

DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts. 1"
e 5". D.L. 1.724, de 1979, art. I; D.L. 1.894, de 1981, art. 3", inc.
I. CF 1967.

I- É inconstitucional o artigo 1" do D.L. 1.724, de 7.12.79, bem

assim o inc. I do art. 3" do D.L. 1.894, de 16.12.81, que
autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou

reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos

fiscais concedidos pelos artigos 1°c 5" do D.L. n°491, de 05.3.69.

Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6" Ademais,

as matérias reservadas à lei não podem ser revogadas por ato

normativo secundário.

H — R.E. conhecido, porém não provido (letra b)" (RE 186.623-

3/RS, Min. Carlos Velloso, DJde 12.04.2002)"

TRIBUTÁRIO — BENEFÍCIO — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo I' do Decreto-lei n"

1.724, de 07 de dezembro de 1979, e o inciso I do artigo 3" do

Decreto-lei 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram

a autorização do Ministro de Estado da Fazenda para suspender,

aumentar, reduzi,; temporária ou definitivamente, ou extinguir os

incentivos fiscais previstos nos artigos I" e 5" do Deceto-lei n"

491, de 05 de março de 1969 - (RE 186.359-5/RS, Min. Marco

Aurélio, DJ de 10.05,2002).

4.Reconhecida e declarada a inconstitucionalidade das normas de

delegação previstas no art. I" do DL 1.724/79 e no art. 3" do DL
1.894/81, surgiu a controvérsia, aqui também reproduzida nos

autos, que pós em lados opostos a Fazenda Pública e os

contribuintes exportadores, e que consiste, em suma, em saber se

foi extinto ou não o incentivo fiscal previsto no art. 1" do DL

491/69. No entender dos contribuintes, a resposta é negativa, já

que, não tendo sido legitima a delegação outorgada ao Ministro

da Fazenda para alterar o prazo de vigência ou extinguir o

beneficio, este passou a vigorar com prazo indeterminado. No

entender da Fazenda, a resposta é positiva, porque as normas que

estabeleciam o prazo de 30.06.83 como termo final para a outorga

do incentivo, não foram revogadas, nem expressa e nem

implicitamente, por qualquer norma superveniente. Em suma, a

pergunta que tem de ser respondida é esta: foi ou não revogado a

norma prevista no DL 1.658/79 (art. I", § 2) e reafirmada no DL

1.722/79 (art. 3'), segunda a qual o estimulo .fiscal do crédito-

prêmio seria definitivamente extinto em 30.06.83 ?

5,/Vão procede, no meu entender, o argumento da Fazenda, nos
termos em que foi posto. Se é certo que nenhuma norma posterior

revogou expressamente o prazo fatal de 30 de junho de 1983,

previsto no parágrafo 2" do art. 1" do DL 1.658/79 e 170 art. 3" do

DL 1.722/79, também é cer • que, ao outorgar ao Ministro da

11

Sia



Processo n 0 10380.000927/2005-70	 S2-C2T1
Acórdão n°2201-00,131	 A. 12

Fazenda poderes para "aumentar ou reduzir, temporária ou
definitivamente, ou extinguir" o incentivo, conforme estabelecido

no art. 1"do DL 1.724/79 e na arr. 30(10 DL 1.894/81, o legislador
deixou latente a possibilidade de sua prorrogação para além da
data fatal antes referida. Conseqüentemente, sob este aspecto, não

se pode acolher a tese de que, mesmo com a delegação dada ao

Ministro da Fazenda, o beneficio deveria necessariamente ser

extinto em 30 de junho de 1983. Portanto, a se considerar legítima

a delegação outorgada ao Ministro da Fazenda, não haveria

como negar que o legislador admitiu a possível vigência do

beneficio por outro prazo (maior ou menor), que não o do

Decreto-lei. Assim, implicitamente, a delegação de competência,

nos termos em que conferida, importou a revogação da fatalidade
do prazo para a extinção do beneficio.

Observe-se, no particular, que também não procede a afirmação

dos contribuintes segundo a qual o Decreto-Lei 1.894/81 teria
restaurado o beneficio .fiscal do crédito prêmio, agora sem prazo

determinado. Nada, no citado normativo, autoriza tal conclusão.

Muito pelo contrário, a tese padece de insuperável vício lógico:

não se poderia restaurar em 1981 um beneficio que estava em
plena vigência e que somente seria extinto em 1983.

Portanto, repita-se: o que ocorreu foi uma hipótese de
revogação implícita, por incompatibilidade, como prevê o § I"

do art. 2" da Lei de Introdução ao Código Civil: ao conferir ao
Ministro da Fazenda a faculdade de manter, reduzir ou dilatar a

vigência do beneficio ,fiscal do crédito-prêmio, o legislador,

implicitamente, admitiu a possibilidade de vir a ser modificada,

por ato do Poder Executivo, a data de sua extinção, prevista

para 30.06.83.

6,Mas a Fazenda têm razão, segundo penso, por duas outras

circunstâncias. Primeiro, porque as normas de delegação de

competência ao Ministro da Fazenda — que, como se disse,

importaram a revogação implícita da fatalidade do prazo do
beneficio — 'Oram declaradas inconstitucionais pelo Poder

Judiciário, inclusive pelo STF e, em razão disso, não produziram

o efeito revocatório da legislação anterior.

E em segundo lugar porque o legislador jamais assegurou a

concessão do beneficio por prazo indeterminado. O que ele fez,
ao editar a norma de delegação, foi conferir ao Ministro da

Fazenda a faculdade de modificar o prazo de 'vigência do

incentivo. Mas nem o legislador e nem o Ministro da Fazenda,

em seus atos normativos secundários, conferiram ao beneficio
um prazo indeterminado. O máximo que fez o Ministro foi,

mediante Portarias, prorrogar o incentivo até I" de maio de

1985. Ora, se a indeterminação de prazo não foi querida e nem
chegou e ser instituída pelo legislador ou pelo Executivo, é certo

que ela não poderia ser, simplesmente, suposta como

decorrência do ato jurisdicional que reconheceu

12



Processo ri° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl.

•

inconstitucionalidade da norma. O Judiciário, com efeito, não é
legislador.

Convém detalhar esses fundamentos.

7.Em nosso sistema, de Constituição rígida e de supremacia das
normas constitucionais, a inconstitucionalidade de um preceito
normativo acarreta a sua nulidade desde a origem, razão pela
qual o reconhecimento jurisdicional da inconstitucionalidade
tem efeito meramente declaratório, e não constitutivo, operando
ex tune, a significar que o preceito normativo inconstitucional
jamais produziu efeitos jurídicos legítimos, muito menos o efeito
revocatório da legislação anterior com ele incompatível. Essa é
orientação .firmemente assentada no Supremo Tribunal Federal,
como se verifica, v.g., no RE 259.339, Min. Sepúlveda Pertence,
DJ de 16.06.2000 e na ADIn 652/MA, Min. Celso de Mello, RTJ
146:461, em cuja ementa a doutrina foi assim sumariada pelo
relator:

"O repúdio ao ato inconstitucional decorre, em essência, do
princípio que, fundado na necessidade de preservar a unidade da
ordem jurídica nacional, consagra a supremacia da
Constituição. Esse postulado fundamental do nosso ordenamento
normativo impõe que preceitos revestidos de 'menor' grau de
positividade jurídica guardem, 'necessariamente', relação de
conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política,
sob pena de ineficácia e de conseqüente inaplicabilidade. Atos
inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em
conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica.(..) A
declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juizo de
exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida
ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do
ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e
desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas
as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração
de eficácia das leis e das normas afetadas pelo ato declarado
inconstitucional" (op.cit., p. 461).

Daí a acertada conclusão de Clèmerson Merlin Clève (A
Fiscalização Abstrata da Constitucionalidade no Direito
Brasileiro, RT, 2000, p. 249):

"Porque o ato inconstitucional, no Brasil, é nulo (e não,
simplesmente, anulável), a decisão que o declara produz efeitos
repristinatórios. Sendo nulo, do ato inconstitucional não decorre
eficácia derrogatória das leis anteriores. A decisão judicial que
decreta (redita, que declara) a inconstitucionalidade atinge
todos 'os possíveis efeitos que unia lei constitucional é capaz de
gerar' [José Celso de Mello Filho, Constituição Federal
Anotada, SP, Saraiva, 1986, p. 349] inclusive a cláusula
expressa ou implícita de revogação. Sendo nula a lei declarada
inconstitucional, diz o Ministro Moreira Alves, 'permanece
vigente a legislação anterior a ela e que teria sido revogada
houvesse a nulidade' [Rp I.077/RJ, Pleno, DJ em 28.09.1984J".

ors
13



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C21' I
 n.° 2201-00.131	 Fl. 14

Alerta esse autor, ainda, para a inadequação do termo

"repristinação", reservado às hipóteses de reentrada em vigor de

norma efetivamente revogada (e que, salvo apressa previsão

legislativa, inocorre no direito brasileiro), afirmando ser

preferível, para designar o fenômeno do revigoramento de lei

apenas aparentemente revogada por norma posteriormente

declarada inconstitucional, falar-se em efeito repristinatório (op.
cit., p. 250).

Não foi outra a orientação adotada por esta I" Turma do STJ, no
julgamento do RESP 587.518, julgado em 04.03.2004, de que fui
relator, onde ficou anotado:

"1. 0 vício da inconstitucionalidade acarreta a nulidade da

norma, conforme orientação assentada há muito tempo no STF e

abonada pela doutrina dominante. Assim, a afirmação da
constitucionalidade ou da inconstitucionalidade da norma, tent

efeitos puramente deelaratórios. Nada constitui nem

desconstitui. Sendo declaratória a sentença, a sua eficácia

temporal, no que se refere à validade ou à nulidade do preceito

normativo, é ex tune.

2. A revogação, contrariamente, tendo por objeto norma válida,

produz seus efeitos para o futuro (ex nunc), evitando, a partir de

sua ocorrência, que a norma continue incidindo, mas não

afetando de forma alguma as situações decorrentes de sua

(regular) incidência, no intervalo situado entre o momento da

edição e o da revogação.

3. A não-repristinaçâo é regra aplicável aos casos de revogação

de lei, e não aos casos de inconstitucionalidade. É que a norma

inconstitucional, porque nula ex tunc, não teve aptidão para

revogar a legislação anterior, que, por isso, permaneceu

vigente."

Fundada nesse raciocínio, a Turma, na oportunidade considerou

que, reconhecida a inconstitucionalidade do aumento da

contribuição para o PIS operado pelos Decretos-leis 2.445/88 e
2.449/88, ficou repristinada, isto é, mantida, a sistemática de

recolhimento estabelecida na lei anterior (Lei Complementar

7/70).

Ora, no caso concreto, o fenômeno é exatamente o mesmo.

Declarada a inconstitucionalidade do art. I" do DL 1.724/79 e

do art. 3' do DL 1.894/81, é imperioso reconhecer que deles não

surgiu qualquer efeito jurídico legitimo, muito menos aquele,

antes referido, de produzi,- a revogação implícita do prazo de

vigência do beneficio .fiscal até 30 de junho de 1983. Com a

inconstitucionalidade da norma revogadora (ainda mais em se
tratando de revogação implícita, por incompatibilidade, como é

o caso) ficou inteiramente mantido, e.x- tune, o preceito normativo

que se tinha por revogado. A conseqüência necessária é a da
restauração, da repristinação ou, melhor dizendo, da

manutenção, plena e intocada, da norma que estabeleceu como
sendo em 30 de junho de 1983 o prazo fatal de vigência do p ,
incentivo previsto no art. 1" do DL 491/69.	 3fe.

1 4



Processo n° 10380.000927/2005-70	 82-C2111
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 15

8.Há, ademais, outro fundamento a demonstrar a extinção do

crédito-prêmio na data prevista na lei. A função jurisdicional, no

domínio do controle de constitucionalidade dos preceitos

normativos, faz do Judiciário uma espécie de legislador

negativo, pois lhe confere poder para declarar excluída do

mundo jurídico a norma inconstitucional. Todavia, jamais o

investe na função de legislador positivo, isto é, jamais autoriza

que, a pretexto de declarar a inconstitucionalidade parcial de

uma norma, possa o Judiciário inovar no plano do direito

positivo, permitindo que se estabeleça, com a parte

remanescente da norma inconstitucional, o surgimento de uma

norma nova, não prevista e nem desejada pelo legislador. Essa é

orientação pacifica do STF. "O Poder Judiciário, no controle de

constitucionalidade dos atos normativos, só atua como

legislador negativo e não como legislador positivo", afirmou o

relator da Adin 1.822-4/DF, Min. Moreira Alves (DJ de

10.1299), razão pela qual é verdadeiro 'dogma", na expressão

do voto Ministro Sepúlveda Pertence, "...que não se declara a

inconstitucionalidade parcial quando haja inversão clara do

sentido da lei". No mesmo sentido, entre muitos outros, os

seguintes precedentes: Rp 1.379-1, Min, Moreira Alves, DJ de

11.09.87; Rp 1.451/DF, Min. Moreira Alves, RTJ 127/789). É

também nesse sentido a orientação doutrinária brasileira, a

clássica (como, v.g, a de Lúcio Bittencourt, em "Controle

Jurisdicional de Constilucionalidade das Le. is", 1968, p. 168) e a

atual (como, v.g., a de Gilmar Ferreira Mendes, em "Jurisdição

Constitucional", Saraiva, 1996, p. 264).

Ora, conforme antes se fez ver da evolução legislativa do

incentivo .fiscal em exame, não há norma alguma que tenha

assegurado a vigência do beneficio para além de 30.06.83. O

que existia era apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se

assim o decidisse o Ministro da Fazenda, com base na delegação

de competência que lhe fora atribuída. Pois bem, declarando

inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo

que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a

conseqüência de produzir uma norma nova, conferindo ao

beneficio fiscal uma vigência indeterminado, não prevista e não

querida pelo legislador, e não estabelecido nem mesmo pelo

Ministro da Fazenda, no uso de sua inconstitucional

competência delegada. Não há como negar, portanto, também

por este fundamento, que o benefício .fiscal previsto no art. I" do

DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal como estabelecido pelo

legislador.

9.Finalmente, ainda que se pudesse superar a fundamentação

alinhada, a vigência do beneficio em questão teria, de qualquer

modo, sido extinta por força do disposto no art. 41, e seu § 1" do

Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT, d rsi;
Constituição Federal. Diz o dispositivo:

15



Processo n° 10380.000927/2006-70	 82-C211
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 16

"Art. 41 — Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do

Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os
incentivos .fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo
aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis.

§ I n Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da
data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que
não forem confirmados por lei"

Ora, o incentivo previsto no art. I" do DL 491/69 era um típico
incentivo fiscal setorial, direcionado que estava ao chamado

"setor exportador'', e, como tal, se em vigor à época, deveria ter

sido confirmado por lei. Isso, no entanto, não ocorreu e, por isso

mesmo sua vigência foi encerrada, na melhor das hipóteses para

os beneficiários, em 05 de outubro de 1990, dois anos após a
promulgação da Constituição.

Aliás, a Lei 8.402 de 08.0E92, destinada a restabelecer

incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o "do crédito
do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos instintos

empregados na industrialização de produtos exportados, de que

trata o art. 5" do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969" (art.
1", II). Nenhuma palavra sobre o incentivo aqui em exame,
previsto 170 art. I" do mesmo Decreto-Lei. Convém anotar que
esses dois incentivos são inconfundíveis, tendo o legislado,- dado

a eles tratamento autónomo. Assim, o regime de delegação ao

Ministro da Fazenda para aumentar, reduzir, temporária ou

definitivamente, ou extinguir, dizia respeito a ambos, ou seja,

aos "estímulos fiscais de que tratam os artigos I" e 5' do

Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969", segundo disposição
expressa do an. I" do DL 1.724/69; todavia, apenas o crédito-

prêmio previsto no art. I", e não o incentivo do art. 5", teve seu

prazo de vigência limitado a 30.0683, conlbrine se vê do art. I"
do DL 1.658/79 e art. 3" do DL 1.722/79, todos acima

transcritos. Da mesma forma ocorreu com a Lei 8.402/92, que

faz menção apenas ao restabelecimento do incentivo do ar. 5", e

não ao outro, do art. 1", que já se encontrava extinto.

10.Ante o exposto, nego provimento. É o voto.

Contrário ao entendimento acima, o Min . José Delgado, no seu voto-vista,

manteve o seu entendimento anterior acerca da matéria, pelas razões seguintes:

Em síntese, o que me apresenta convincente é que:

a) o legislador pretendeu, inicialmente, extinguir o crédito-

prêmio do IPI em junho de 1983;

b) porém, por ter resolvido adotar em 1981 a continuidade de

incentivos às empresas exportadoras com o referido crédito-

prêmio, resolveu torná-lo sem prazo certo de extinção, delegando,

contudo, ao Ministro da Fazenda autorização para extinguido

quando, por questões de política fiscal, entendesse conveniente;

c) tendo a referida delegação sido considerada inconstitucional, o
incentivo em questão só pode ser extinto por lei posterior ao DL

16



Processo n" 10380.00092712006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 17

1.894, de 16.12.1981, de modo expresso ou que contenha regra
incompatível com o alcance do discutido beneficio fiscal.

Após o voto do Min, José Delgado, que restou vencido, o Min. Teori Albino
Zavascki, relator do Acórdão 591.708—RS, reconheceu o equivoco em que incorreu nos votos

anteriores sobre o tema e refutou o argumento de que o Decreto-Lei n° 1.894/81 teria
"confirmado" o incentivo em questão, assim se pronunciando:

Senhor Presidente, peço a palavra para tecer algumas

considerações em face do voto que acaba de ser proferido pelo

Ministro Delgado, em que refere a existência de precedente
desta Turma, no sentido de sua tese, precedente que teve

inclusive meu voto de adesão. Realmente, naquela ocasião votei
naquele sentido, e o fiz, na condição de vogal, levado pela

invocação, constante do voto do relator — que, salvo melhor
juízo, foi o próprio Ministro Delgado — de jurisprudência do STJ

e do proprio STF sobre a matéria. Todavia, ao estudar o

presente caso, verifiquei que a invocada jurisprudência do STF

dizia respeito apenas à inconstaucionalidade das normas de

delegação constantes nos Decretos-Leis 1.724/79 e 1.894/81, e

não à questão ora em foco, que é a alegada vigência, por prazo

indeterminado, do crédito-prémio instituído pelo DL 491/69. Dai

a razão porque, agora, estou votando em sentido diferente,

lamentando o equívoco em que incorri quando acompanhei o

relato,- na votação anterior. Faço estas observações em face da

relevância do caso que estamos julgando. co,?? repercussões

importantes nas finanças públicas, caso venha a ser reconhecido

que o referido incentivo está, até hoje, em vigor. Sensibiliza-me a

conseqüência de nossos julgados, até porque, no mister de juiz,

julgamos fatos sociais e não podemos afastar o direito da

realidade do mundo.

Quanto ao mérito da questão, reafirmo os lermos do meu voto.

Conforme lá se afirmou, o DL 1.894/81 nada mais fez do que

ampliar o rol das empresas beneficiadas co,,, o incentivo do art.
1" do DL 491/69. É que, originalmente, faziam jus ao beneficio

apenas e tão somente as "empresas fabricantes e exportadoras"

(art. 1" do DL 491/69); co,,, o DL de 1981, passaram a ser
beneficiadas também as empresas comerciantes que

i
exportassem produtos nacionais por elas adquiridos

internamente ("empresas que exportarem, contra pagamento 	 .
de moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação 	 •

nacional, adquiridos no mercado interno" — art. I' do DL
1.894/81. Não procede, assim, o argumento segundo o qual esse

DL teria tido a intenção de "confirmar" a existência do

incentivo previsto em lei anterior (desiderato que seria muito
estranho para uni preceito normativo), e muito menos o de

"recriar" o beneficio por prazo indeterminado. O que houve

foi, na verdade, uma extensão do beneficio a outras empresas.

Isso, contudo, em nada alterou a natureza do incentivo, nem o

prazo de sua vigência - que, na época, não era indeterminado,

mas, sim, determinado, podendo ser modificado a critério do
Ministro da Fazenda. No art. 3° do DL 1.894/81, aliás, f 2,-A
reafirmada a delegação de po . àquele Ministro. up

17



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 52-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. IS

Reafirmo, outrossim, que, na melhor das hipóteses, o incentivo
.fiscal foi extinto em 05/10/90, por força do art. 41, § 1", do
ADCT. O argumento de que o crédito-prêmio beneficiava,
genericamente, a todos os exportadores ou a todos os produtos
exportados (e que, por isso, não tinha natureza setorial), não
corresponde à realidade. Conforme fiz ver em meu voto, o
beneficio, além de atingir apenas um setor da economia (o
setor exportador), beneficiava apenas certas empresas,
exportadoras de certos produtos (os sujeitos a IPI), e não a todo
e qualquer produto exportado. Aliás, como salientou o Ministro
Delgado, o próprio impetrante, ao formular o pedido (transcrito
no relatório), reconheceu isso, tanto que o limitou "até o termo
final de vigência do mencionado incentivo fiscal, conforme
disposto no art. 41, § 1" do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT)".

(Negritos ausentes no original).

Cabe transcrever, ainda, excertos do voto do Min. Francisco Falcão no

Acórdão 591.708—RS, na parte em que contradiz o voto do Min. José Delgado:

O eminente Ministro José Delgado, em judicioso voto, divergiu
do Ministro Relator defendendo os precedentes deste Co lendo
Superior Tribunal de Justiça.

Assim o fez, por entender que o Decreto-Lei n" 1.894/1981,
efetivamente revogou o Decreto n" 1.658/79, que havia
determinado a extinção do beneficio em 30 de junho de 1983.

Sustenta que o Decreto-Lei ti" 1.894, de 16.12.1981, em seu artigo
1", II, não fixou prazo de vigência do incentivo em comento, razão
pela qual deveria vigorar por prazo indeterminado.

Enumera diversos precedentes da Primeira e Segunda Turmas
desta Corte de Justiça, com a mesma posição suso manifestada.

Após análise ampla da quaestio em tela e a despeito dos
precedentes ,favoráveis à tese do contribuinte, tenho que melhor
razão penence à Fazenda Pública.

Por primeiro, faz-se oportuno visualizar o fim ontológico e
ideológico dos diplomas legais inerentes ao beneficio.

O crédito-prêmio nasceu para incentivar as exportações,
enfitando dotar o exportador de instrumento privilegiado para
competir no mercado internacional.

Fatores internos e internacionais impuseram a edição do Decreto-
Lei n" 1.658/79, que em seu artigo I', dispós:

Assim, ficou definida a extinção do mencionado incentivo para o
prazo certo de 30 de junho de 1983.

O Decreto-Lei n" 1.722/79 alterou os percentuais do estimulo, n Th,
entanto ratificou a extinção na da 	 ima prevista.	 ék.



Processo n" I 0380.000927/2006-70 	 82-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 19

Posteriormente, veio o Decreto-Lei n" 1.724/79, que conferiu ao

Ministro de Estado da Fazenda autorização para aumentar ou

reduzir o multicitado incentivo.

Finalmente, o Decreto-Lei n" 1.894/81, assim prescreveu, verbis:

•
Conforme observei no inicio deste voto, o Decreto acima citado

dilatou o âmbito de incidência do incentivo às empresas aqui

mencionadas, no entanto, em nenhum momento pode-se afirmar

que o regramento encimado apagou a previsão para a extinção
do incentivo, permanecendo intacto tal prognóstico.

Frise-se, por oportuno, assim como o fez o Ministro Relator, que o

diploma supra transcrito iniciou sua vigência em 1981, ou seja, no

âmbito de validade dos Decretos-Leis n" 491/69 e 1.658/79, não

remanescendo qualquer alteração quanto ao prazo de extinção do
beneficio.

Sobre as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo

STF, delimita-se sua incidência a dirigir-se para erronia
consistente na extrapolação da delegação implementado pelos

Decretos-Leis n" 1.722/79, 1.724/79 e 1.894/81, não emitindo,

aquela Suprema Corte, qualquer pronunciamento afeito à

subsistência ou não do crédito-prêmio.

Os normativos em evidência, conforme supra-observado, tinham o

desiderato de reduzir, extinguir ou suspender a isenção do

crédito-prémiollPI. Por consectário lógico deduz-se que a
inconstitucionalidade de tais normas, na parte referente à

delegação supracitada, não teve o condão de restaurar o teor do
Decreto-Lei ir 491/69, na sua formulação original, visto que a

declaração referida não maculou, em nenhum momento, o teor do

Decreto-Lei n" 1.658/79, permanecendo higida a regra de

extinção do crédito-prêmio.

Aqui cumpre rememorar que o artigo 3" do Decreto-Lei n"

1.722/79, ao alterar a redação do sç 2" do artigo 1" do Decreto-Lei

n" 1658/79, manteve a previsão de extinguir o incentivo em junho
de 1983.

Com tais assertivas, reconheço que os precedentes citados pelo

contribuinte e ainda, no voto do eminente Ministro José

Delgado, dentre os quais uni aresta de minha lavra, estabelecem

certa contradição no ponto em que se afirma que o DL 1.894/91

restabeleceu o incentivo fiscal sub oculi, não considerando que
da mesma forma que o Decreto Lei n" 1.724/79 foi tido como

inconstitucional, em face da erronia na delegação de poderes,

assim deveria ser considerado o Decreto-Lei n" 1.894/91, que em

seu artigo 3° também concede ao Ministro da Fazenda as
atribuições para alterar as regras atinentes ao multicitadari

incentivo fiscal. ira

drif 19



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T I
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 20

A despeito da extinção do incentivo .fiscal, conforme determinado

pelo Decreto-Lei n" 1.658/79, endosso também a observação de
que a previsão do artigo 41 do ADCT teria revogado todos os

incentivos que não tivessem sido confirmados após dois anos de

vigência da Constituição de 1988, sendo certo que inexiste

qualquer norma superveniente positivadora do incentivo em

exame, o que sepultaria definitivamente a pretensão ao
mencionado crédito.

Por fim, insubsistente a alegação de que o crédito-prêmio teria

sido restaurado pela Lei n°8.402/92, visto que, embora tenha feito

menção expressa ao Decreto-Lei n" 1.894/81, a Lei em contento

apenas se referiu ao beneficio previsto no inciso 1 do art. I"

daquele diploma legal, ou seja, "o crédito do imposto sobre

produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos

mesmos", não se voltando ao incentivo previsto no inciso II do
mesmo Decreto-Lei n" 1.894/81, que consiste no "crédito de que

trata o artigo 1" do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969".

Frise-se, por oportuno, que se o legislador objetivasse restaurar o

crédito-prêmio teria incluído o inciso 11 do art. 1" do Decreto-Lei

n'' 1.894/81 quando redigiu o dispositivo acima transcrito,

entretanto não o fez, não havendo qualquer referência ao crédito-

prêmio.

Tais as razões expendidas, acompanhando integralmente o voto

do Ministro Relator, NEGO PROVIMENTO ao recurso.

(Negritos não originais)

Neste ponto cabe mencionar que esta Terceira Câmara também já decidiu

conforme o exposto acima, como demonstram os Acórdãos nos 203-09.801, Recurso

Voluntário n° 123.954, relatora Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, e 203-09.802,

Recurso Voluntário n° 125.836, relatora Conselheira Luciana Pato Peçonha Martins, ambos

julgados em 20/10/2004.

Menciono, também que a Resolução do Senado n° 71/2005 não pode ser

empregada para alterar o deslinde da questão, como bem interpretou o Min. Teori Albino

Zavascki, na relatoria do REsp n° 652379/RS, julgado pela 1 3 Seção do ST] em 08/03/2006,

publicação no DJ 01.08.2006 p. 360. Na oportunidade, assim se pronunciou o Minisistro:

2. Cumpre assinalar que, pela Resolução 71, de 20.12.2005, o

Senado Federal, utilizando a faculdade prevista no ar!. 52, X da
Constituição, suspendeu a execução das expressões que oS7-F

declarou inconstitucional, constantes do ar. I" do DL 1.724/79 e

do inciso I do art. 3" do DL 1.894/91. Diz o art. I" da citada

Resolução:

"Ar) I" É suspensa a execução, no art. I' do Decreto-Lei n"

1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão 'ou reduzir

0,4	 20



Processo n" 10380.000927/2006-70	 S2-C2T1
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 21

temporária ou definitivamente, ou extinguir', e, no inciso I do

art. 3" do Decreto-Lei n°1.894, de 16 de dezembro de 1981, das

expressões 'reduzi-/os' e 'supendê-los ou extingui-lost,

preservada a vigência do que remanesce do art. I" do Decreto-

Lei n°491, de 5 de março de 1969".

A parte .final do dispositivo ("..preservada a vigência do que

remanesce do art. I' do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de

1969) serviu de mote para provocar a renovação dadiscussão a

respeito do tema objeto do processo.

À toda evidência, a Resolução do Senado não tem o condão de

alterar nem os fundamentos e nem as conclusões acima

alinhadas. Em primeiro lugar, porque o exercício da

competência atribuída ao Senado, de suspender a execução de

11017)las declaradas inconstitucionais pelo STF (art. 52, X da

CF), é fruto de juízo político, que - é elementar enfatizar - não

tem, nem poderia ter efeito vinculante para o Judiciário. Tal

suspensão, na verdade, limita-se, única e exclusivamente, a dar

eficácia erga omnes à decisão do STF. Não é meio próprio para

questionar o mérito dessas decisões, e muito menos para fazer

juízo sobre a respeito dos seus efeitos no plano normativo

remanescente, atividade essa de natureza tipicamente

jurisdicionat O Senado suspende se quiser, segundo juízo

político de conveniência ou oportunidade. Se decidir que não

deve suspender a execução de determinado dispositivo (vale

dizer, que não deve outorgar efeito erga omites à decisão do

STF), nem por isso o Judiciário estará inibido de continuar

reconhecendo a sua inconstitucionalidade. E se o Senado, indo

além da atribuição prevista no ar!. 52, X da CF e da própria

decisão do STF, emite juízo sobre a vigência ou não de outros

dispositivos legais não alcançados pela inconstitucionalidade, é

certo que a Resolução, noparticular, não compromete e nem

limita o âmbito da atividade jurisdicional. É o que decorre do

princípio da autonomia e independência dos Poderes.

Em segundo lugar, porque a Resolução 71 de 2005 do Senado

Federal, bem interpretada, não é, de modo algum, incompatível

com os fundamentos adotados pela jurisprudência da Seção.

Esclareça-se que o art. I" da citada Resolução contém evidente

impropriedade material quando,em sua parte ,final, alude que

,fica "preservada a vigência do que remanesce do art. I" do

Decreto-Lei 11" 491, de 5 de março de 1969". É que a declaração

parcial de inconstitucionalidade, conforme faz claro a própria

Resolução, não teve por objeto o art.1" DL 491/69, dispositivo

esse cuja constitucionalidade jamais foi questionada. Portanto,

ao se referir à parte "remanescente" cuja vigência ficou

preservada, a Resolução do Senado não poderia, logicamente,

estar se referindo  àquele normativo, mas sim ao remanescente

dos próprios dispositivos parcialmente declarados

inconstitucionais pelo STF, a saber, o art. I" do DL 1.724/79 %

do inciso Ido art. 3"do DL 1.894/91.

ri
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Processo n° 10380.000927/2006-70	 S2-C2TI
Acórdão n.° 2201-00.131	 Fl. 22

De qualquer »iodo, ainda que se interprete o aludido

"remanescente" como se referindo ao próprio art. I" do DL

491/69, a Resolução nada mais estaria fazendo do que

evidenciar o que comumente ocorre. Sempre que há declaração

de inconstitucionalidade parcial de certos dispositivos com

redução de texto, como ocorreu no caso, o seu alcance é,

obviamente, restrito á parte objeto da declaração, não

produzindo o efeito de comprometer qualquer outro dispositivo.

No caso concreto, portanto, a decisão tomada pelo STF não

comprometeu nem o art. 1", nem qualquer outro dos demais

artigos do referido do DL 491/69. Não comprometeu,

igualmente,nenhum dos demais dispositivos legais

supervenientes que tratam da matéria, nomeadamente os

"remanescentes" dos Decretos-lek 1.724/79 e 1.894/81 e os do

Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79.

Ora, é exatamente nesse pressuposto que está assentado o

fundamento do voto ao inicio transcrito: a inconstitucionalidade

parcial, declarada pelo STF, não comprometeu a legitimidade

dos demais dispositivos sobre crédito-prêmio do IPI, entre os

quais o art. 1"do Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-

lei 1.722/79, que fixou em 30.06.1983 a data da extinção do

referido incentivo fiscal. previsto no art. I' do Decreto-lei

491/69. Esse entendimento, confirmado em precedente da Seção

(Resp 541 239/DF, Min. Luiz Fia, julgado em 09.11.2005),

contou também de obter dictum em precedente do próprio STF

(RE 208.260), constando, no voto do Min. Gilmar Mendes, o

seguinte:

"Em face da declaração de inconstitucionalidade, entendo,

apenas como obter dictum, que os dispositivos do DL 1.658/79 e

do DL 1.722/79 se mantiveram plenamente eficazes e vigentes.

Assim, a extinção do crédito-prêmio de IPI deu-se,

gradativamente, tal como se pode verificar: em 1979, redução de

30% (10% em 24 de janeiro, 5% em 31 de março, 5% em 30 de

junho, 5% em 30 de setembro de 5% em 31 de dezembro); em

1980, redução de 20%; em 1982, redução de 20% e 10% até 30

de junho de 1983".

O importante é que, seja qual seja a interpretação que se possa

dar à Resolução 71/2005, é certo que ela não tem eficácia

vinculativa ao Judiciário e muito menos o efeito revogatório de

decisões judiciais. Não se pode supor, em face do disposto na

parte final do seu art. 1"_ porque ai a sua inconstitucionalidade

atingiria patamares assustadores - que a sua edição tenha tido o

propósito de se contrapor ou de alterar as decisões do STJ

relativas ao incentivo .fiscal em questão, como se o Senado

Federal fosse uma espécie de instância superior de controle da

atividade jurisdicional. Não foi esse, certamente, o objetivo do

Senado e o STJ não se sujeitaria a tão flagrante violação da sua

independência. Em recente episódio, a I" Seção, por

unanimidade, negou aplicação a certos dispositivos da Lei

Complementar 118/05 que, sob o manto de norma interpretativa,

importavam modificação da jurisprudência que - bem ou mal - se (ipilsa.)
22



Processo n" I 0380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão ft' 2201-00.131	 A. 23

firmara na Seção, relativa a prazo prescricional na ação de

repetição de indébito (ERESP 327.043/DF, Min. João Otávio de

Noronha, julgado em 27.04.2005). Se, como se decidiu naquela

oportunidade, nem Lei Complementar pode impor ao ST.I unia
interpretação das normas, com maiores razões se há de entender

que uma Resolução do Senado não poderia fazê-lo.

3. Ante o exposto, nego provinzento ao recurso especial. É o
voto.

No REsp n" 652379/RS, a 1" Seção do STJ, por maioria, decidiu conforme a
ementa seguinte:

TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/69
(ART. 1'). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO.

I. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto

no art. I" do DL 491/69 (crédito-prêmio de IP1), três orientações

foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o

referido beneficio foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1" do

Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79.

Entendeu-se que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a

extinção do beneficio, não foi revogado por norma posterior e

nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade,
reconhecida pelo STF, do art. I" do DL 1.724/79 e do art. 3' do

DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da
Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência

do incentivo fiscal.

2. A segunda orientação sustenta que o art. I" do DL 491/69
continua em vigor, subsistindo incólume o beneficio fiscal nele

previsto.

Entendeu-se que tal incentivo, previsto para ser extinto em

30.06.83, foi restaurado sem por prazo determinado pelo DL

1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de
natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art.

41, § 1" do ADCT.

3. A terceira orientação é no sentido de que o benefício .fiscal foi

extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1" do ADCT,

segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados,

do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os

incentivos .fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo

aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo

que "considerar-se-lio revogados após dois anos, a partir da

data da promulgação da Constituição, os incentivos .fiscais que

não forem confirmados por lei". Entendeu-se que a Lei 8.402/92,

destinada a restabelecer incentivos .fiscais, confirmou, entre

vários outros, o beneficio do art. 5" do Decreto-Lei 491/69, mas

não o do seu artigo I" Assim, tratando-se de incentivo de

natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e

apenas determinados produtos de exportação.) e não tendo sido

confirmado por lei, o crédito-prêmio em questão extinguiu-se no Villa,
II kr

prazo previsto no ADCT.

23



Processo n° 10380.000927/2006-70 	 S2-C2T1
Acórdão n." 2201-00.131	 Fl. 24

4. Prevalência do entendimento segundo o qual o crédito-prêmio

do IPI, previsto no art. 1" do DL 491/69, não se aplica às vendas

para o exterior realizadas após 04.10.90.

5. No caso concreto, a pretensão da inicial diz respeito a

exportações realizadas após 04.10.90, o que, nos termos do

entendimento majoritário, determina a sua improcedência.

6. Recurso especial a que se nega provimento.

O julgado do REsp n" 652379/RS, de todo modo, não ampararia a recorrente,
posto que na situação destes autos o período é posterior o 04/10/1990.

Pelo exposto, nego provimento ao Recurso.

Sala das Sessões, e e	 s de 2009	 40

st.iii-Jacarr

EMANDirR S	 DE ASS

24


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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">1</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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            <str name="field">turma_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">camara_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">370</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">370</int>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
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            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">370</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">370</int>
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          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <str name="field">_recorrente_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">339</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">23663</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">1</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">319</int>
            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">319</int>
            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">319</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">323</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
            <int name="numBuckets">24025</int>
          </lst>
        </arr>
      </lst>
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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">356</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
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            <int name="inputDocSetSize">356</int>
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            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">308</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">364</int>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <str name="appliedMethod">FC</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_turma_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_tipodocumento_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_nomerelator_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">312</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">337</int>
            <str name="field">materia_s</str>
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            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">337</int>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
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          </lst>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">321</int>
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