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Numero do processo: 13877.000039/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária.
Numero da decisão: 3101-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária.
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI merece indeferimento, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Assim é que cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco se der em relação ao valor do crédito principal, e não quando houver oposição ao valor referente à atualização monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 26/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 00 39 /2 00 5- 82 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição de valores que o contribuinte calculou a título de correção monetária incidente sobre ressarcimentos já concedidos, por falta de previsão legal. A manifestante defende seu suposto direito com base em sua interpretação da legislação, a qual seria respaldada pelos princípios constitucionais e julgados que cita. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta que o ressarcimento tem a mesma natureza da compensação e da restituição, aponta decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que teria uniformizado a jurisprudência, acórdão publicado em 1998, e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13877.000039/200582 Acórdão n.º 3101001.340 S3C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Por várias vezes este Colegiado enfrentou essa discussão atualização monetária de ressarcimento de créditos do IPI com resultados diversos, dependendo da formação. Bem por isso deixo de analisar as duas teses trazidas (Fisco e contribuinte), por considerálas ambas bastante razoáveis, e estou por buscar a solução no último pronunciamento de que tenho notícia na mais alta instância deste Tribunal administrativo a Câmara Superior de Recursos Fiscais. A 3ª Turma da CSRF, em 18 de outubro de 2012, na apreciação do Processo nº 10935.002594/200276, da 9ªRF/DRF/Cascavel, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso especial do Fazenda Nacional, decisão nº 9303002.172, contra o Acórdão nº 203 11.632 da 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Tratase de processo por meio do qual se discutia a atualização pela Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) de valores a serem ressarcidos pela Fazenda Pública. Naquela oportunidade, a CSRF, acompanhando jurisprudência do STJ, decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Acrescentou ainda que só era cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco fosse em relação ao valor do crédito principal e não quando houvesse oposição ao valor referente à atualização monetária. Assim, o recurso especial da Fazenda Nacional foi provido, por maioria dos votos, vencidos os Conselheiros: Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López. Ante o exposto, voto por DESPROVER do recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002074/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS
Período de Apuração: 01/12/2002 a 30/09/2004
BASE DE CÁLCULO DO PIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo do PIS, pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado.
BASE DE CÁLCULO. PIS. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECUPERAÇÃO DE CUSTO DE EXPORTAÇÃO.
O conceito de crédito presumido de IPI relaciona-se, em casos de operações de exportação, com recuperação dos custos incorridos pelo contribuinte exportador.
Dessa forma, não pode ser qualificado como receita na medida em que tais ingressos financeiros têm como causa recuperação de despesa anteriormente suportada pelo contribuinte, neutralizando-se a anterior diminuição patrimonial.
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento parcial.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS Período de Apuração: 01/12/2002 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO DO PIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo do PIS, pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado. BASE DE CÁLCULO. PIS. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECUPERAÇÃO DE CUSTO DE EXPORTAÇÃO. O conceito de crédito presumido de IPI relacionase, em casos de operações de exportação, com recuperação dos custos incorridos pelo contribuinte exportador. Dessa forma, não pode ser qualificado como receita na medida em que tais ingressos financeiros têm como causa recuperação de despesa anteriormente suportada pelo contribuinte, neutralizandose a anterior diminuição patrimonial. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 2 2 A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento parcial. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer Castro Souza e Wilson Sampaio Sahade Filho. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (“DRJ/POA”), como constante às fls. 120/123 que negou provimento à Impugnação da Recorrente, havendo por bem manter o lançamento consubstanciado no Auto de Infração e Imposição de Multa ora guerreado: Relatório Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 72 a 87 em virtude da apuração de falta de recolhimento do PIS, abrangendo o período de dezembro de 2002 a setembro de 2004, exigindo selhe o crédito tributário no valor total de R$ 34.851,80. O enquadramento legal encontrase a fls. 83, 84 e 86 Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 91 a 116, na qual alegou, em síntese: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 3 3 1 – Que as operações de transferência de créditos de ICMS para terceiros não se enquadram no conceito de receita ou faturamento e sequer a cessão destes créditos se realizaria a título oneroso. Explica que não ocorreria uma venda ICMS mas sim uma troca de ativos entre as empresas, sendo uma credora e outra devedora de ICMS junto ao estado do Rio Grande do Sul; 2 – Que careceria de fundamentação legal o procedimento da autuação em tributar as receitas oriundas dos ressarcimentos de crédito presumido de IPI, que seriam redutores de custos advindos do PIS/COFINS cobrados nas etapas anteriores pelos seus fornecedores. Acrescenta que, desta forma, estaria correto o lançamento contábil destes créditos, feito pela empresa como "Débito Ativo a Recuperar e Crédito Custos de produtos vendidos"; 3 – Que o Auto de Infração teria sido elaborado na forma indevida, pois o valor total das irregularides apuradas pela fiscalização teria sido descontado dos saldos credores apurados pela empresa nos processos de ressarcimento e compensação de n°s 13055.000040/2004 08, 13055.000039/200475, 13055.000038/200421, 13055.000037/2004 86, 13055.000036/200431, 13055.000058/2004 00, 13055.000138/200457, 13055.000003/200572, formalizandose a cobrança apenas do saldo restante. Afirma que o valor do presente Auto estaria irremediavelmente comprometido, pois a empresa já teria se utilizado daqueles valores objeto dos processos acima referidos, que foram abatidos do total das irregularidades apuradas. Questiona, também, tais descontos sobre valores dos referidos processos, sem o julgamento final deste auto de infração, o que sujeitaria o Contribuinte a penalidades junto à SRF. 4 – Questiona a legalidade e a constitucionalidade do alargamento do conceito de Faturamento, base de cálculo das exações do PIS/PASEP e da COFINS, promovido pelas Leis 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003. Conclui que também por este argumento, seria indevida a tributação de PIS sob se as transferências de ICMS e sobre os ressarcimentos de IPI incidente nos insumos exportado; 5 – Com relação aos juros de mora calculados pela taxa Selic, alegou que a Lei 9.065/95, que instituiu esta taxa para autilização no cálculo de juros de mora seria inconstitucional e não teria validade, acrescenta que a capitalização mensal de juros, com a qual trabalha a Selic, seria expressamente vedada pelo antigo Decreto 22.626/33 e pelo disposto na Sum 121 do STF. 6 – Que os dispositivos legais citados no Auto de Infração não seriam específicos e adequados para amparar a pretensão fiscal de que os ressarcimentos de crédito presumido de IPI devam ser considerados Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 4 4 como receitas, bem como sobre a incidência de PIS nas transferências de créditos de ICMS. Volta a comentar que o valor do presente Auto estaria irremediavelmente comprometido, pelas mesmas razões apontadas no item 3 anterior. Ao final, requer a baixa e o arquivamento total do auto de infração atacado, que a SRF não efetive quaisquer retificações dos processos de ressarcimento e compensação elencados, até a decisão final administrativa deste auto de infração e o recálculo dos demais valores de PIS remanescentes, após a decisão final, devido aos questionamentos da sua impugnação referentes à incidência do PIS sobre as receitas oriundas das transferências de créditos de ICMS e dos ressarcimentos de crédito presumido de IPI. A decisão de fls. 130/133, proferida pela DRJ/POA, foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363/96, integra a base de cálculo da contribuição, a partir de 02/1999. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do Contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A autoridade julgadora de instância administrativa não é competente para apreciar a legalidade ou constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da DRJ/Campinas, a qual decidiu por manter o crédito tributário lançado pela autoridade fiscal, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 134/152, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a. Preliminarmente, a existência de vício formal irreparável, pela ausência de fundamentação legal para o procedimento da autuação, já que no relatório fiscal e no auto de infração não constaria base legal, a qual sequer existiria de fato, capaz de amparar o entendimento da fiscalização de que os créditos presumidos de IPI devam ser considerados como receitas operacionais, pois Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 5 5 na verdade tais créditos jamais deveriam estar incluídos na receita bruta da empresa por se tratarem de uma recuperação de custos da exportação; b. O crédito presumido de IPI foi instituído com a finalidade de eliminar o chamado "Custo Brasil" e representa um ressarcimento do PIS e da Cofins cobrados pelos fornecedores nas etapas anteriores à sua produção, assim, não havendo sentido em tributar novamente estes custos de produção devolvidos, o que inclusive contrariaria os objetivos do incentivo fiscal; c. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal e corroborado, no caso da Recorrente, pela decisão judicial proferida no processo 2005.71.08.0079376, transitada em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Por primeiro, no que respeita ao enquadramento legal, não há reparos a fazer, conforme se depreende da correta tipificação legal estatuída às fls. 11. Não procede, nesta parte, a argumentação da Recorrente. ALARGAMENTO DA BASE DO PIS No tocante ao alargamento da base de cálculo do PIS, é de se destacar, inicialmente, que o Excelso Supremo Tribunal Federal já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, ou seja, através de análise sob a sistemática de repercussão geral. O precedente proferido tem a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 6 6 improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008) Com isso, restou consolidado no âmbito do Excelso Pretório o entendimento de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 7 7 Verificase, assim, que a referida decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em questão, verificase que a autuação da Recorrente se deu com base no conceito de faturamento dado pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso, na medida em que altera o conceito de faturamento, devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Concluise, portanto, que, para efeitos do cálculo do PIS, devese considerar não o conceito de faturamento, dado pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, mas sim o conceito de receita bruta, o que exclui o crédito presumido de IPI, senão vejamos. BASE DE CÁLCULO DO PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A questão ora analisada, ademais, remonta à delimitação da base de cálculo do PIS, devendose verificar sobre quais receitas tal exação deve incidir. Primeiramente, devese destacar que até 28 de maio de 2009, quando foi publicada a Lei n° 11.941/09, que em seu artigo 79, inciso XII, revogou o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, a base de cálculo da PIS era a mesma tanto para os regimes cumulativos e nãocumulativos. Para ambos os regimes do PIS incidia sobre o faturamento mensal dos contribuintes, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil. Isto significa que, na sistemática antiga, objeto da presente discussão, as totalidades das receitas compunham a base de cálculo do PIS, incluindose também receitas de atividades não compreendidas no objeto social do Contribuinte, tais como receitas financeiras. Tal fato se deve na medida em que, em 1998, a Emenda Constitucional n° 20 (“EC 20/98) modificou a norma de competência instituidora do PIS, autorizando a sua incidência sobre “receita ou faturamento”, ampliando a base de cálculo da referida contribuição para o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil, conforme anteriormente mencionado. Verificase que esta foi a sistemática adotada pela legislação infraconstitucional instituidora do PIS, conforme se depreende da análise dos artigos 2º e 3º da Lei n° 9.718/98, senão vejamos: Lei n° 9.718/98 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 8 8 Art. 2°. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1°. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.(...) Todavia, conforme já mencionado, o Excelso Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 585.235, decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base do PIS, na medida em que o artigo 3º da Lei nº 9.718/98 altera o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Portanto, que, para efeitos do cálculo do PIS, devese considerar não o conceito de faturamento, dado pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, mas sim o conceito de receita bruta, qual seja, a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, independentemente do tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada pela pessoa jurídica para estas receitas. Dessa forma, para que haja a incidência do PIS, devese verificar quais são os ingressos de caixa que se enquadram neste conceito de receita. No caso ora analisado, a matéria de fundo diz respeito a verificação se os créditos presumidos de IPI se enquadram ou não no conceito de receita bruta e, conseqüentemente, ensejam a incidência do PIS. Conforme afirmado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, os créditos presumidos de IPI são, em realidade, incentivos fiscais concedidos pela lei para compensação ou ressarcimento de despesas com IPI, incorridas pelos Contribuintes, quando da industrialização de produtos destinados à exportação. Desta forma, é incorreto o enquadramento dos créditos resumidos de IPI como receita bruta, devendo ser encarados como recuperação de despesas anteriormente incorridas pelo Contribuinte. Em uma recuperação de despesa, não há que se falar na existência de receita. O Professor Marco Aurélio Greco, no artigo "Cofins na Lei nº 9.718/98 Variações cambiais e regime de alíquota acrescida" (Revista Dialética de Direito Tributário nº 50, p. 131) cuja passagem ora se transcreve, deixa muito claro que redução de despesa não é receita: "Ao atribuir competência para alcançar receitas, a CF/88 automaticamente, exclui do campo da tributação as 'despesas' (=feição negativa) (em sentido lato, abrangendo custos, dívidas etc.) realizadas pela pessoa jurídica. Assim, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 9 9 o universo das receitas se opõe ao universo das despesas e este último não foi qualificado pela norma constitucional. (...) Em suma, os conceitos de receita e faturamento têm em comum abrangerem figuras positivas e não vicissitudes das despesas. Eventos que reduzam despesas, embora repercutam patrimonialmente, não configuram receitas e, portanto, não integram a respectiva base de cálculo da contribuição ao PIS e Cofins."(30) No mesmo sentido é o entendimento de José Antonio Minatel: "5.4. RECUPERAÇÃO DE CUSTO/DESPESA NÃO É RECEITA. Não se qualifica como receita o ingresso financeiro que tem como causa o ressarcimento, ou recuperação de despesa e de custo, anteriormente suportado pela pessoa jurídica, enquanto se revele suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial. Equiparase aos efeitos da indenização e, portanto, com essa natureza o valor recebido não ostenta qualidade para ser rotulado de receita, pela ausência do conteúdo material que a possa identificar. Assim, o valor recebido com a função de reembolsar despesa ou custo anteriormente suportado não pode ser qualificado como receita, ainda que com essa designação seja o evento indevidamente relatado pela escrituração contábil da pessoa jurídica, com a função de neutralizar a apuração do resultado, compensando o dispêndio que continua figurando equivocadamente no grupo da despesa. Mais uma vez, digase que não é o registro contábil que dá natureza aos fatos e, dessa forma, não pode ser qualificado como receita o ingresso que não revela qualquer contraprestação por exercício de atividade, nem mesmo remuneração em negócio jurídico que possa indicar cessão temporária e onerosa de direitos, além de faltar o ânimus para obtenção de disponibilidade de nova riqueza." (Conceito de Receita e Regimes de Apuração da COFINS. Porto Alegre: TRF 4ª Região, 2006 Currículo Permanente. Caderno de Direito Tributário: módulo 1, p. 19) No Dicionário de Termos Contábeis (São Paulo: Ed. Atlas, 1999), de autoria dos Professores Sérgio de Iudicíbus, José Carlos Marion e Elias Pereira, "RECEITA" tem a seguinte definição: "(1) representa a entrada de ativos, sob forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços... (2) receita de uma empresa durante um período de tempo representa uma mensuração do valor de troca dos produtos (bens e serviços) de uma empresa durante aquele período. (3)... (4) expressão monetária conferida pelo mercado à produção de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período..." Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 10 10 Em ambas os conceitos, a definição de receita está intrinsecamente relacionada à venda de bens e serviços que, via de regra, constituise no objeto da maioria das empresas Contribuintes. Vêse, dessa forma, que nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação do PIS. Isso porque ao conceber o conceito de receita para fins tributários, o legislador denotou uma necessidade de revelação de riqueza, o que não ocorre no caso em tela, na medida em que não se pode classificar um valor lançado a título de recuperação de despesa uma "Receita". Neste sentido, cumpre destacar os seguintes julgados do Colendo Superior Tribunal de Justiça que, analisando caso análogo, assim decidiu: TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos Contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 11 11 descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como “Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receita decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 807.130/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008) TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DECORRENTE DE EXPORTAÇÕES – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. 1. Incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1.096.429/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2009) Este mesmo entendimento também foi adotado pelo Conselho de Contribuintes, conforme pode ser verificado nos acórdãos abaixo transcritos: ASSUNTO: CONTRIBIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 31/08/2004, 31/07/2005, 31/10/2005, 31/12/2005 (...) BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do Crédito Presumido do IPI pela Lei nº 9.363/96, cuja natureza é de credito escritural incentivado do IPI. (...) Recurso Provido em Parte Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 12 12 (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma, Processo nº 12963.000015/200753, Recurso nº 241.775, Relator Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 01/10/2009) Destaquese que o conselheiro relator Emanuel Carlos Dantas de Assis diz expressamente em seu voto que o crédito presumido de IPI deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS, mesmo após a Lei nº 9.719/98. Portanto, a única conclusão possível é pela impossibilidade de se caracterizar crédito presumido de IPI como receita, impossibilitando a procedência do lançamento ora analisado. Inclusive após a entrada em vigor da Lei 10.637/02, em dezembro de 2002. BASE DE CÁLCULO DO PIS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. No que tange a cessão de créditos de ICMS, entendo também caber razão ao Recorrente. Devese levar em consideração o fato de que, nos termos da sistemática tributária em questão, o ICMS é, por, expressa determinação constitucional, imposto não cumulativo, devendo se compensar em cada operação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado. Assim, na condição de imposto não cumulativo, o ICMS, eventualmente pode gerar saldos credores continuados na escrita fiscal do Contribuinte. Diversas são as hipóteses que podem ocasionar essa situação, tais como, saídas desoneradas do imposto com autorização para se manter os créditos, alíquota aplicável na saída menor do que a de aquisição, entre outras. O fato é que o crédito acumulado de ICMS gerado por um Contribuinte não pode ser enquadrado no conceito de receita supra mencionado e nem, tampouco pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, "o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pela diferença entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas. Por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador". Ao final, está concluído que mesmo que não haja recolhimento do ICMS, em razão da apuração de saldo credor, "em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa". Quando a Contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos, desde que atendidas às condições constantes do Regulamento do ICMS do respectivo Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 13 13 Estado Membro, o legislador previu, dentre outras, a possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica, que pode ser estabelecimento fornecedor, nas operações de compras de matériaprima, material secundário ou de embalagem máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, isso quando o saldo de crédito supera os seus débitos. Assim, é muito comum que na existência de saldo de créditos acumulados de ICMS, os contribuintes realizem operações de cessão de créditos, mormente com seus fornecedores. Analisandose estas operações contabilmente, verificase que não há transito em contas de resultado, não representando ingresso de receita para a contribuinte. Ao contrário, tratase de pagamento de insumos via cessão de crédito. Não há circulação de dinheiro, tão somente a transferência de um direito que, no caso do ICMS será feita por meio da emissão de Nota Fiscal. A operação é escritural, sendo a transferência regida pela legislação de cada EstadoMembro. A cessão de créditos não pode ser comparada a uma venda de mercadorias, isto porque se trata de operação fiscal no qual a contribuinte possuidora dos créditos cede o direito de utilização a uma outra empresa, operação essa sem cunho comercial. Neste sentido, podese citar o recente julgado da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/2005 64 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009, Recorrente: FAZENDA NACIONAL, Interessado: CALÇADOS MAJOLO LTDA.) No mesmo sentido é o acórdão 340300.708 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em que foi relator o conselheiro Winderley Morais Pereira, cabendo destaque o seguinte excerto de seu voto: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos Fl. 15DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.002074/200565 Acórdão n.º 3202000.500 S3C2T2 Fl. 14 14 as empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. A matéria já foi enfrentada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 20218.714, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2008, com relatoria do e. Conselheiro Antonio Zomer, quando foi decidido pela não incidência das contribuições sobre as receitas obtidas com a transferência de créditos de ICMS a terceiros.” Portanto, a contribuinte simplesmente deixou de utilizar as reservas de seu caixa para efetuar o pagamento, sem que isso passe a ser fato gerador das contribuições sociais. Além disso, aplicável também ao tema é a decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (RE 585.235), que decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base do PIS, na medida em que o artigo 3º da Lei nº 9.718/98 altera o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, reformandose a decisão da DRJ/POA, para excluir o crédito presumido de IPI, bem como as operações de cessão de crédito de ICMS para fins de incidência do PIS. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 16DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 03/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10580.008436/2001-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 1990 a 1996
PIS DECRETOS NO. 2.445 E 2.449/89. ART. 170A
DO CTN.
Não podem ser objeto de compensação créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado quando opostos posteriormente ao art. 170A do CTN
COMPENSAÇÃO. ART. 168, I DO CTN. AÇÃO JUDICIAL.
CONCOMITÂNCIA
Não é possível apreciação pelo CARF de matéria submetida ao poder
Judiciário de acordo como Decreto no. 70.235/72
Numero da decisão: 3302-001.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ART. 170A DO CTN. Não podem ser objeto de compensação créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado quando opostos posteriormente ao art. 170A do CTN COMPENSAÇÃO. ART. 168, I DO CTN. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA Não é possível apreciação pelo CARF de matéria submetida ao poder Judiciário de acordo como Decreto no. 70.235/72 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Evande Carvalho, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexdandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator) Relatório Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10580.008436/200114 Acórdão n.º 330201.572 S3C3T2 Fl. 2 2 Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 533/541) da interessada contra o Despacho Decisório n° 423, de 30 de abril de 2007 (fls. 528/530), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR), que não homologou compensações solicitadas. O presente processo contém um Pedido de Restituição protocolado em 14/11/2001 (fl. 01), diversos Pedidos de Compensação entregues entre 14/11/2001 e 15/09/2002 (fls. 02, 246, 248, 250, 252, 260, 287, 290, 515/519), e diversas Declarações de Compensação entregues entre 14/11/2002 e 15/05/2003 (fls 262, 264, 266, 268, 274, 279, 520, 521, 522). Os pleitos de compensação de créditos relativos à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) com débitos referentes a tributos diversos se fundamentaram no Mandado de Segurança n° 2000.33.00.0337034 (fls. 22/51 e 295/324). O processo ficou aos cuidados do Grupo de Ações Judiciais (GAJ) da DRF/SDR, conforme despacho à folha 259. Apenas em 2003, com o trânsito em julgado da referida ação judicial, é que este processo administrativo retornou ao Serviço de Tributação (Seort) da DRF/SDR, conforme despacho à folha 273. No Seort o pedido da interessada foi então analisado à luz da decisão definitiva da Justiça, sendo exarado o referido despacho decisório, contra o qual a interessada interpôs a manifestação de inconformidade em tela. No despacho decisório a autoridade fiscal informou que o direito da contribuinte aos créditos pleiteados já se extinguira, e que, portanto, descabia a homologação das compensações solicitadas relacionadas a esse crédito. Cientificada do despacho decisório em 09/07/2002 (fl. 552), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em tela, sendo essas as razões de sua defesa, em síntese: • Que o entendimento mais recente do Superior Tribunal de Justiça é de que o prazo para exercer o direito ao pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de dez anos (tese dos cinco mais cinco); • Que os pedidos de compensação protocolados há mais de cinco anos da decisão proferida no Despacho Decisório já se encontram homologados tacitamente. Todavia, os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferiram a solicitação, julgando improcedente a Manifestação de inconformidade, não homologando as compensações apresentadas. Intimada em 25.02.2008, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 18.03.2008. É o relatório Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10580.008436/200114 Acórdão n.º 330201.572 S3C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade em parte, por isso dele conheço também parcialmente. O Recorrente pleiteou que fossem homologadas dos pedidos de compensações protocolados no período de 2002, ou seja há mais de 5 (cinco) anos, tendo em vista ter sido obrigada a recolher a Contribuição ao PIS, sob a égide dos malsinados Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Nos termos do artigo 170 do CTN: “A lei, pode nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Posteriormente, sobreveio o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 que autorizou a compensação para quitação de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em conformidade com os artigos supracitados, foi editada a Instrução Normativa nº 21/97, posteriormente revogada pela Instrução Normativa nº 210/2002, que passou a disciplinar acerca da compensação administrativa, nos seguintes termos: “Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2o A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.” No caso concreto, conquanto tenha obtido medida liminar necessária e suficiente para requerer a restituição do tributo, o Acórdão de fls. 233 e ss. cassou a segurança sob o argumento direto de que haveria a prescrição qüinqüenal in casu, posto que o prazo para requererse tal direito extinguirase outubro de 2000. Daí a controvérsia passa a ser se teríamos que aplicar recente decisum dos tribunais superiores no sentido de que, requerido o direito anteriormente a 2005, nos termos da Lei Complementar 118 ou se aplicável a decisão judicial que, verificamos, ainda não transitou em julgado. Isso posto, resumindo – os créditos em si estão submetidos ao Judiciário, assim como a eventual prescrição do direito de compensálos nos termos do art. 168, I do CTN, estando presente nesse processo exclusivamente a homologação das compensações realizadas. Ora, nesse sentido, considerando o anteriormente exposto, e que as compensações o foram posteriores ao Art. 170A do CTN, que o trânsito em julgado das lides Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10580.008436/200114 Acórdão n.º 330201.572 S3C3T2 Fl. 4 4 para que os tributos fossem passíveis de compensação. Mais – caso não aufira a sua pretensão, inexistirão créditos a serem compensados, pois que decorrentes dos Decretos no. 2.445 e 2.449/89, auferíveis até o exercício findo em 1996. Nesse sentido, voto por não conhecer do Recurso na matéria submetida ao Poder Judiciário, qual seja, quanto à prescrição, e por negar provimento ao recurso voluntário quanto à homologação das compensações, posto que desde o início não poderiam ter ocorrido, independentemente da lide ainda não conclusa. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11610.013599/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário conta decisão de primeira instância que manteve o lançamento, em virtude de o Fisco não ter reconhecido as compensações declaradas por meio de DCTF entre o FINSOCIAL (apurado ao longo do ano de 1991) e a COFINS (3º e 4º Trimestres de 1997). Consta nos autos a informação de decisão judicial, proferida nos autos do processo nº 92.00004946, parcialmente procedente para reconhecer a inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do FINSOCIAL e para indeferir a pretensão à repetição do indébito, sob o fundamento da ausência de prova que demonstrasse efetivo recolhimento. A Fiscalização, por sua vez, não reconheceu a compensação declarada por meio da DCTF, sob o fundamento de que os tributos referidos têm natureza diversa e, assim, não estão amparados pela compensação em conta gráfica, prevista pelo referido art. 66 da Lei nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 13 59 9/ 20 02 -5 0 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 137 2 8.383/91, concluindo pela insuficiência do recolhimento da COFINS, dando causa ao lançamento em tela. Salientase a presença, nos autos, das DCTF´s referentes aos períodos acima, que relacionam os valores compensados entre o FINSOCIAL e a COFINS, bem como dos comprovantes de Recolhimento da COFINS que excedeu ao valor compensado (fls. 28/39). Nos autos constam os comprovantes de recolhimento do FINSOCIAL apurado ao longo de 1991 (fls. 40/47). As compensações declaradas no 3º Trimestre de 1997 (DTCF´s fls. 28/33) relacionamse com o processo judicial 92.00004946 e as compensações declaradas no 4º Trimestre de 1997 (DCTF´s 34/39), com outro processo judicial nº 92.00.004938. Inconformada com a autuação, a Recorrente manejou Impugnação, julgada parcialmente procedente pela DRJSão Paulo/SP, para excluir a penalidade imposta com base no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em razão de sua superveniente atipicidade, segundo as alterações trazidas pelo art. 18 da Lei nº 11.488/2007, aplicada retroativamente por ser mais favorável à Recorrente. Os fundamentos da decisão de primeira instância adota os argumentos exarados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. INAPLICABILIDADE DA AÇÃO JUDICIAL INVOCADA. É manifesta a impossibilidade jurídica de efetuar compensação entre tributos de espécies distintas nos moldes da lei no 8.383/91 em virtude de vedação expressa contida nesse diploma legal. Por outro lado, não se presta a amparar tal procedimento a ação judicial invocada pelo sujeito passivo, uma vez que, ao julgála, o Poder Judiciário se limitou a reconhecer a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do Finsocial, sem afastar a limitação legal mencionada. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em homenagem ao principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio imposta, em virtude de o art. 18 da lei 10.833/2003, na redação dada pelo art. 18 da lei 11.488/2007, não prever sua aplicação no caso em exame. Lançamento Procedente em Parte Intimada dessa decisão em 11/12/2008, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/01/2009, aduzindo, em síntese que o FINSOCIAL e a COFINS têm a mesma natureza, dada a coincidência de suas finalidades, afirmando ainda que a COFINS veio em substituição ao FINSOCIAL, com a alteração legislativa perpetrada pela vigência da Lei Complementar nº 70/91 (que criou a COFINS), revogadora do DecretoLei nº 1.940/82, que instituía o FINSOCIAL. A Recorrente aduz em seu recurso que a compensação se deu sob a regência da Lei 8.383/91, que vige ainda após a Lei 9430/96 e que esse entendimento encontra precedentes nas esferas administrativas de julgamento e nos tribunais superiores. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 138 3 Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto à compensação entre o FINSOCIAL e a COFINS, em conta gráfica por meio de DCTF, relembro que já se trata de matéria pacificada pelo CARF e também pelo STJ, no sentido de que é expediente perfeitamente possível, por serem considerados tributos de mesma espécie, não havendo afronta ao disposto pelo art. 66, §1º da Lei nº 8.383/911. Em 1997, ano em que a Recorrente apresentou as referidas DCTF´s, a regra vigente dispensava a apresentação de pedido de compensação para tributos da mesma espécie, também conforme pacifica jurisprudência administrativa, a compensação se dava no âmbito do lançamento por homologação. A Instrução Normativa n° 21/97, com as alterações trazidas pela Instruções Normativas n°s 73/97 e 34/98, trazia disposições específicas apenas para Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies, uma vez que as compensações entre tributos 1 Superior Tribunal de Justiça: Ementa TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE DIFERENTES ESPÉCIES. INVIABILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A competência atribuída pelo art. 105, III, da Constituição Federal ao STJ restringese à uniformização da interpretação da legislação infraconstitucional, sendo inviável a apreciação, por esta Corte, de matéria constitucional, ainda que para efeitos de prequestionamento. 2. Admitese a compensação dos indébitos recolhidos a título de FINSOCIAL, com os valores devidos referentes à COFINS, em razão de possuírem a mesma natureza jurídicotributária e destinaremse ambas ao custeio da Previdência Social, pelo que não há violação ao § 1º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91. Precedentes: EREsp 78301/BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 28.04.1997; EREsp 89.038/BA, Rel. Min. Adhemar Maciel, DJ de 30.06.1997. 3. Está assentada nesta Corte a orientação segundo a qual são os seguintes os índices a serem utilizados na repetição ou compensação de indébito tributário: (a) IPC, de março/1990 a janeiro/1991; (b) INPC, de fevereiro a dezembro/1991; (c) UFIR, a partir de janeiro/1992; (d) taxa SELIC, exclusivamente, a partir de janeiro/1996. 4. Recurso especial a que se dá parcial provimento. (Processo REsp 737396 / SP RECURSO ESPECIAL 2005/00485701 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 03/05/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 16/05/2005 p. 271) [grifamos e destacamos] Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: EmentaPROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXCLUSÃO DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÃ VIDA. PROCEDIMENTO DE COBRANÇA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Nos casos de débitos efetivamente declarados em DCTF, não pagos no devido prazo legal, cabe à autoridade tributária encaminhálos à PFN para imediata inscrição em dívida ativa e conseqüente cobrança executiva, não cabendo a instauração de processo fiscal, de natureza contenciosa, para a exigência dos mesmos, por ferir o arcabouço legal, normativo e jurisprudencial vigente e aplicável à sistemática ínsita à DCTF. COFINS, COMPENSAÇÃO. É legítima a compensação da Contribuição para o FINSOCIAL recolhida a maior em virtude de aplicação à alíquota superior a 0,5% a partir de 1989, corrigida monetáriamente, com a COFINS, instituída pela Lei Complementar nº. 70/91. Recurso provido. (Localidade Brasil Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20308042 do Processo 103840000029916 Data 19/03/2002) [grifamos e destacamos] Ementa COFINS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL COM DÉBITOS DE COFINS. VALIDADE DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de Finsocial podem ser compensados com débitos de COFINS mediante declaração em DCTF. Recurso provido em parte. (Localidade Brasil Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20400817 do Processo 10510001642200208 Data 05/12/2005) [grifamos e destacamos] É certo, ainda, que a compensação deve ser apreciada segundo as normas vigentes à data do ingresso do pedido de compensação. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.159 S3C1T1 Fl. 139 4 da mesma espécie eram processadas independentemente de requerimento, bastando a informação em DCTF. Com isso, entendo assistir razão à Recorrente quando aduz pela possibilidade de compensação de seu crédito de FINSOCIAL com crédito de COFINS, através de DCTF, inclusive porque, como já reconhecido pelo Poder Judiciário, o FINSOCIAL e a COFINS são tributos da mesma espécie e, portanto, a compensação entre ambos por meio de DCTF não afronta a determinação do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Vencida esta etapa, passo a analisar a materialidade do mérito, ou seja, se os autos trazem elementos necessários e suficientes para garantir a compensação pretendida pela Recorrente. Nesse ponto, fiquei vencido por entender que havia nos autos elementos convincentes para julgamento da lide, momento em que cedi ao entendimento de meus pares para conversão do julgamento em diligência para que, em atendimento ao contraditório, a Repartição de origem pudesse averiguar as provas juntadas aos autos que comprovem o direito creditório, a utilização do crédito unicamente para compensação da COFINS em apreço e a devida escrituração contábil da compensação. Diante do exposto, converto o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que a fiscalização tome as seguintes providências: a) com base nos DARFs de FINSOCIAL acostados aos autos e as informações relativas à receita da Recorrente verifique se há direito creditório em favor da Recorrente e em que montante; b) certifique se os créditos de FINSOCIAL foram utilizados apenas para compensação da COFINS, conforme as provas juntadas nos autos e os registros de que dispõe a fiscalização; c) verifique a regularidade e legitimidade dos documentos contábeis juntados aos autos e a exata compensação dos créditos de FINSOCIAL com a COFINS, registrada na contabilidade; e d) intime a Recorrente a trazer aos autos informações atualizadas dos processos judiciais nºs 92.00004946 e 92.00.004938, o que poderá ser feito espontaneamente pela Recorrente. Concluída a diligência, intimese a Recorrente de seu resultado, para que se manifeste, querendo, em 30 dias, sendo que após, deverá o processo retornar para julgamento deste Colegiado Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10865.903800/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Embargante ALEXANDRE KERN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 38 00 /2 00 9- 12 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903800/200912 Acórdão n.º 3803004.000 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 11065.004332/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO. EMBARGOS.
Devem ser rejeitados os embargos em que a embargante não logra demonstrar as omissões, as contradições ou as obscuridades alegadas.
Numero da decisão: 3402-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios, nos termos do voto da Relatora.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante DELEGADA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE NOVO HAMBURGO E PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado REICHERT CALÇADOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO. EMBARGOS. Devem ser rejeitados os embargos em que a embargante não logra demonstrar as omissões, as contradições ou as obscuridades alegadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidentesubstituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 43 32 /2 00 4- 67 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de embargos de declaração ao Acórdão n° 20311.376, de 24 de janeiro de 2007, apresentados pela titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo HamburgoRS (DRF/NHO) cujas razões foram ratificadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos embargos declaratórios apresentados às fls. 165 e 166, com a alegação de conter o referido Acórdão omissões, contradições e obscuridades. Aduziu a autoridade executora do acórdão ora embargado, em síntese, que: I – o Parecer das fls. 45 e 46 preenche os requisitos do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), pois o autor do referido Parecer, Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, seria a autoridade competente e a matéria tributável seria a transferência de crédito do ICMS, não se falando, na situação em apreço, em tributo devido, pois o confronto entre débitos e créditos resultou saldo a restituir e tampouco se pode falar em aplicação de penalidade por falta de previsão legal; II – há contradição nos fundamentos do voto condutor do Acórdão, pois afirmase que estáse tratando de ressarcimento de saldo credor e confunde saldo credor com créditos; III – a decisão pelo ressarcimento ou pela homologação de compensação por suposta ausência de lançamento parece ser uma contradição e decidir assim, sem considerar eventuais débitos não incluídos na base de cálculo pode significar total desvirtuamento do cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financimento da Seguridade Social (Cofins) nãocumulativas; IV – de acordo com o Acórdão embargado, primeiro devese ressarcir os créditos apurados para, depois, efetuarse o lançamento; e V – não se pode autorizar o ressarcimento, pois o saldo a ressarcir é o resultado do encontro de contas entre débitos e créditos. Ao final, a embargante solicitou a revisão do Acórdão n° 20311.376 para que este colegiado se manifeste e promova as alterações necessárias quanto às omissões, contradições e obscuridades apontadas. A outra embargante, a PGFN, afirmou que não fora intimada do Acórdão embargado, ratificou e incorporou as razões dos declaratórios apresentados pela autoridade executora, pleiteou a correção do equívoco processual ocorrido e pediu que os embargos da DRF/NHO sejam acolhidos para sanar as contradições existentes, bem como para o fim de “corrigir o trâmite processual, determinandose nova intimação da União ao final do julgamento e devolução do prazo para recurso”. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 11065.004332/200467 Acórdão n.º 3402001.937 S3C4T2 Fl. 271 3 Os embargos de declaração são tempestivos e foram propostos por partes legítimas, nos termos das disposições regimentais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deles conheço. Inicialmente, considerando que a PGFN incorporou as razões dos embargos declaratórios apresentados pela DRF/NHO, serão analisados estes últimos embargos declaratórios, cabendo, quanto aos embargos da Procuradoria, o exame específico apenas da questão diferenciada trazida em seus declaratórios, que se refere à falta de intimação do Acórdão ora embargado e, quanto a esse ponto, cumpre apenas esclarecer que equívocos meramente processuais não são passíveis de serem sanados pela estreita via dos embargos de declaração, que, em conformidade com as disposições regimentais deste CARF, prestamse apenas a sanar omissões, contradições ou obscuridades porventura verificadas no Acórdão embargado. Com esse esclarecimento, também podese afirmar que, mesmo com atenta e minudente leitura de todo o arrazoado produzido pela titular da DRF/NHO, não foram demonstradas omissões, contradições ou obscuridades no Acórdão n° 20311.376. O que se percebe é a pretensão de se discutir novamente a matéria de direito, à luz da interpretação dada pela embargante ao art. 142 do CTN. A contradição que se tentou demonstrar estaria no fato de o voto condutor do Acórdão referirse à inobservância do art. 142 do CTN e a embargante entender que o Parecer das fls. 45 e 46, em que se propôs o reconhecimento parcial do direito creditório, conformase às disposições daquele dispositivo legal. Em resumo, afirmou a embargante que o Parecer elaborado em processo de iniciativa do sujeito passivo para subsidiar a decisão sobre o pedido de ressarcimento é apto a constituir o crédito tributário. Nesse ponto, cabe primeiramente esclarecer que a referência feita no Acórdão embargado ao art. 142 do CTN inclui também seu parágrafo único, que foi omitido pela embargante, o qual impõe o dever de se efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. E o crédito tributário, não se pode olvidar, só pode ser constituido em auto de infração ou em notificação de lançamento, conforme dicção do art. 9° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, o processo de consulta e, com as adaptações necessárias, o processo de restituição e de ressarcimento. Ora, tanto o auto de infração, como a notificação de lançamento, devem ser feitos com estrita observância, respectivamente, dos arts. 10 e 11 do precitado Decreto. Assim, na seara das normas processuais relativas ao proccesso administrativo tributário, é oportuna a transcrição de trecho dos comentários e anotações ao Decreto n° 70.235, de 1972, feitos pelo Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, Gilson Wessler Michels: (...) concluída a ação fiscal e restando constatada a prática de alguma infração à legislação tributária, deve a exigência respectiva ser formalizada por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento (artigo 9.o). Apenas por meio de um destes instrumentos formais, lavrados com estrita observância dos requisitos que a lei lhes impõe (artigos 10 e 11) é que o Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 lançamento se aperfeiçoa como tal; vícios de forma, em regra, anulam a exigência fiscal.(...) Ainda sobre esse aspecto dos embargos, cabe esclarecer que a constatação de ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos termos do Acórdão embargado, está traduzida no fato de a fiscalização ter verificado todas as condições do art. 142, caput, do CTN, e não ter efetuado o lançamento imposto pelo parágrafo único desse mesmo artigo, e, ao proceder à compensação de ofício de crédito tributário não constituindo, renunciou ao lançamento e, na mesma medida, à multa aplicável prevista no precitado art. 44. Por outras palavras, observase que, ao final, temse caracterizada a dispensa de multa (anistia), sem a necessária guarida legal. Embora apresentada de forma confusa, a embargante faz entender que a outra contradição alegada estaria relacionada à referência, no voto condutor do Acórdão, a ressarcimento de saldo credor, sem contudo admitir o confronto entre débitos e créditos. Ora, nos termos da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, na apuração da contribuição para o PIS a pagar, não há confronto entre débitos e créditos de forma semelhante ao prescrito na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O que a ordem legal faz é permitir que do valor do tributo apurado sejam descontados os créditos que a própria lei enumera e, sendo o valor total dos créditos superior ao valor do tributo apurado, restarão ainda créditos que podem ser utilizados na forma prevista no art. 4°, § § 1° e 2°, da precitada lei. Portanto, no voto embargado, a expressão “saldo credor” traz a palavra saldo em sua acepção de resto de uma quantia a pagar ou a receber, pois sob o ponto do vista da contribuinte, a diferença entre a contribuição para o PIS apurada e a soma dos créditos legais constitui saldo do tributo a ser pago (saldo devedor) ou saldo de créditos a ressarcir (saldo credor). Por fim, cabe lembrar que as decisões proferidas pelo CARF são aplicáveis apenas às partes do processo e ao caso específico objeto do processo. Vale dizer: elas não atingem situações futuras, tampouco impõem procedimentos ao Fisco, que, claro, suportará o ônus do procedimento ofensivo a disposições legais que tenha adotado e, a seu juízo, poderá adotar as providências necessárias para se resguardar nas situações futuras. Aqui, é pertinente lembrar que à Fazenda Pública interessa que seus atos irregulares sejam invalidados o mais rápido possível para que possa agir para salvaguardar seus interesses antes que se opere a decadência. Nesse aspecto, assim se manifestou o Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, Gilson Wessler Michels, nos comentários e anotações referidos alhures: (...) Do ponto de vista da Administração Tributária, o contencioso administrativo fiscal tem importância na medida em que lhe permite rever os atos praticados por seus agentes, com isso exercendo, por mais uma via, o devido controle sobre a legalidade dos atos administrativos. A importância desta atuação importa não apenas à busca pela regularidade legal dos lançamentos, mas também à tentativa de evitar que exigências fiscais indevidas acabem onerando a Fazenda Pública por conta de sua preservação no tempo. Interessa à Administração que atos irregulares sejam invalidados rapidamente, dado que a invalidação tardia pode representar, em face da decadência, a perda do direito de refazer a exigência, além do que a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 11065.004332/200467 Acórdão n.º 3402001.937 S3C4T2 Fl. 272 5 manutenção de atos irregulares pode demandar ações judiciais, no âmbito das quais os ônus para a Fazenda se ampliam (...) Por todo o exposto, verificase que a embargante começou afirmando a existência de omissões, contradições e obscuridades, depois, ao longo de sua explanação, tentou demonstrar contradição e, ao final, no seu pedido, novamente referiuse a omissões, contradições e obscuridades, sem contudo, obter êxito em demonstrálas. Destarte, voto por rejeitar os embargos declaratórios apresentados pela DRF/NHO e pela PGFN. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 11020.912256/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Numero da decisão: 3401-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria não arguida na primeira instância, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
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LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III Recorrente BOMBARDELLI COMPONENTES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria não arguida na primeira instância, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 56 /2 00 9- 96 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é da Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11020.912256/200996 Acórdão n.º 3401002.152 S3C4T1 Fl. 67 3 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.º 9.718/98, ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452 RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001 , em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Pelo exposto, em face da preclusão não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e na parte conhecida nego provimento ao Recurso Voluntário. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.001461/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003
IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE.
Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte.
MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora.
MULTA DE OFÍCIO
Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003 IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 61 /2 00 8- 39 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 400 a 421) apresentado em 06 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1528.063, 16 de agosto de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 376 a 390), cientificado em 09 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de fevereiro a maio de 2003, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança que determina a abstenção de decidir/homologar o processo administrativo de restituição cumulado com declaração de compensação de débitos de IPI, em que ocorreu desistência do pedido de compensação, não suspende a exigibilidade do crédito lançado de ofício. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte, pois o lançamento de ofício é atividade privativa da autoridade fiscal. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 430 3 Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 12 de fevereiro de 2008, de acordo com o temo de fls. 13 a 16. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/07) e Demonstrativos (fls.08/11), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.161.493,45, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$2.871.612,41, com a exigibilidade suspensa por força de Medida Judicial concedida nos autos do processo n°2003.71.00.0301832/RS do TRF da 4 a Região (art. 151, incisos II e IV do CTN), em razão de ter sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento industrial apresentou inconsistências nas informações prestadas à RFB, quanto aos débitos de IPI apurados pelo estabelecimento filial Araucária, no período compreendido entre o 3º decêndio de fevereiro/2003 e o 3º decêndio de maio/2003, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal e descrição dos fatos constante do auto de infração de fl.06. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal de fls.12/15, que os débitos de IPI, informados nas DCOMPs (fls. 54 a 65) e nas DCTFs (fls. 48 a 53) anexas, nos períodos informados no Quadro I, estariam com saldo zero de IPI a pagar, extintos por compensação sem DARF, mediante utilização de créditos de terceiros, oriundos de decisão judicial. As referidas compensações, entretanto, ainda estão pendentes de apreciação por parte da Receita Federal, conforme decidido pela DRJ de Florianópolis no processo administrativo 13003.000439/200224 (fls. 23/32) e tendo em vista uma decisão judicial provisória que obstaculiza eventual não homologação do procedimento (Embargos de Declaração em AMS n° 2003.71.00.0301832/RS fls. 33 a 47). Portanto, conclui a fiscalização, na hipótese de uma futura não homologação da compensação, farseá necessária a interposição de ação de cobrança dos débitos em tela, o que poderia ser obstaculizado tendo em vista a ineficácia do lançamento baseado nas declarações de compensação em formulário de papel e eletrônicas formalizadas no processo n° 13003.000439/200224, quanto ao período de 10/03/03 a 15/10/03, uma vez que conforme entendimento jurisprudencial sintetizado no Acórdão da DRJ de Florianópolis nº 6.703, de 07/10/2005, prolatado no processo 13003.000314/200113, de fls. 165/175, de interesse da própria Synteko, apenas as declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil após 31/10/2003, na vigência da MP nº135, de 2003, constituem confissão de dívida. Por esta razão, efetuouse o lançamento de ofício dos débitos envolvidos na compensação em tela, mantendose suspensa sua Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 exigibilidade, até a solução definitiva da discussão no processo n°13003.000439/200224, fls.23/32, uma vez que a ação judicial mencionada, que impede o tratamento das DCOMP's, sem contudo vedar a constituição do crédito tributário, conforme despacho de fl.20, encontrase no STJ, com decisão em Recurso Especial, favorável à União, com sua aplicação suspensa em virtude da interposição de embargos de declaração por ambas as partes (fls.71/85). O enquadramento legal prevê infração aos artigos 34, inciso II, 122, 124, 125, incisos I e III, 127, 130, 199, 200, inc.IV, e 207, § 2º, todos do Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/02), art. 17, da MP 135, de 30.10.2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Regularmente cientificada, em 12/02/2008, fl.06, a autuada apresentou impugnação, fls.72/95, subscrita por procuradores devidamente habilitados alegando que: os débitos objeto do auto de infração ora impugnados já foram constituídos pelas DCTF e DCOMP, assim impõese o cancelamento do lançamento deste auto de infração; os débitos ora exigidos foram extintos mediante formalização dos pedidos de compensação com os créditos adquiridos da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda – COOXUPÉ, nos termos do inciso II, do art.156, do CTN, no Processo Administrativo nº 13003000.439/200224 (doc. Nº 12), em 11/11/2002, portanto, até que sobrevenha decisão administrativa decidindo sobre a homologação das respectivas compensações dos débitos de IPI e COFINS, o que não ocorreu até o momento, não há como exigir os débitos no auto de infração, sendo este improcedente; ainda que se entenda que os referidos créditos tributários não foram extintos mediante compensação, os mesmos encontramse com a sua exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, a qual determinou o sobrestamento da análise do pedido de restituição e respectivas compensações realizadas nos autos do Processo Administrativo n° 13003 000.439/2002 24, pela DRF Porto Alegre; o direito creditório é decorrente de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação de Repetição de Indébito nº 91.00079642, a qual julgou indevidos os recolhimentos efetuados a título de Quota de Contribuição sobre Exportação de Café, em função da declaração de inconstitucionalidade desta exação pelo Supremo Tribunal Federal (docs. nºs 13 a 19); tais créditos lhe foram cedidos através de escritura pública, da qual a União Federal foi devidamente cientificada, além disso foi realizada a transferência do pólo ativo da referida ação, por decisão judicial também já transitada em julgado; está suspenso o prazo prescricional para exigência dos créditos tributários pelo fisco, os créditos tributários em questão não podem ser objeto de cobrança, uma vez que sua exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 431 5 impetrou Mandado de Segurança nº 2003.71.00.0301832, objetivando que os expurgos relativos a janeiro de 1989, fevereiro de 1989, março de 1990, abril de 1990, maio de 1990 e fevereiro de 1991, nos percentuais de 42,72%, 6,31%, 30,46%, 44,90%, 2,36% e 13,89%, fossem incluídos na apuração do referido indébito, e, discorrendo sobre o andamento da ação, conclui que o lançamento só poderia ter sido feito quando do trânsito em julgado da decisão final da referida ação; em 05.08.2003, foi proferida decisão através do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, interposto contra decisão liminar proferida nos autos do acima mencionado mandado de segurança, determinando que a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre se abstivesse de analisar o pedido de restituição e, consequentemente, as compensações formuladas nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224, até que fosse proferida decisão final no referido mandado de segurança, o qual encontrase pendente de julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, conforme se constata do andamento processual daquela Corte (docs. n°s 27 a 29); não obstante, em 14.07.2004, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre DRF/POA, em manifesta desobediência à supramencionada decisão, proferiu o Parecer DRF/POA/SEORT n°481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819 (docs. n°s 30 e 31), no qual não reconheceu o referido direito creditório, deixando, por conseqüência, de homologar as respectivas compensações; irresignada, a Impugnante apresentou manifestação de inconformidade em 23/02/2006 (doc. n° 32), tendo sido proferido o Acórdão n° 5.574, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, julgando nulo o Parecer DRF/POA/SEORT n° 481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819, em função de ter desacatado a acima mencionada decisão judicial, constante às fls. 22/32, destes autos (doc. n° 33); tendo sido proferida decisão proibindo a Delegacia da Receita Federal de analisar os pedidos de compensação formulados nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224 restou suspenso o prazo para homologação das referidas compensações, previsto no §5°, da Lei n° 9.430/96, ficando consequentemente suspensa a exigibilidade dos referidos créditos tributários; a autuação em questão tratase da cobrança de débitos de IPI, apurado mediante informação do contribuinte ao Fisco, através da DCTF, na qual apura o quantum debeatur e informa ao Fisco por meio de DCTF's, juntamente com as respectivas vinculações de pagamentos, que é modalidade de constituição do crédito tributário, sendo, portanto, dispensável a lavratura de auto de infração; a cobrança da multa de ofício é indevida porque fundamentada em dispositivo legal que não mais se encontra em vigor em nosso ordenamento jurídico, sustentando a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN. Cita ainda o § 2º do art. 5º do Decreto nº Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2.124/84, que determina, no caso de não pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não ter ocorrido no caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito. Ao final, requer a desconstituição do lançamento. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.375. No recurso, alegou a Interessada ser improcedente o lançamento por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário e haver sido efetuado o lançamento com base em declaração do próprio contribuinte em DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Descabe razão à Interessada. Conforme jurisprudência pacífica do Carf, a apresentação de ação judicial, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito, não é obstáculo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, o art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, exige tal lançamento. Ademais, os débitos declarados em DCTF e vinculados a hipótese de extinção, suspensão ou exclusão de crédito tributário não representam confissão de dívida. Não haveria, ainda, o que temer em relação ao presente auto de infração, uma vez que os valores não seriam exigidos em duplicidade e somente seriam eventualmente exigidos se houvesse alteração da decisão que impediu a não homologação das compensações. Ademais, também não haveria cobrança se, eventualmente, a Interessada obtivesse algum sucesso com o seguimento das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação (o que, efetivamente, não se verificou posteriormente). Em relação ao estado do atual processo à época do julgamento de primeira instância, a DRJ esclareceu que a Interessada obteve, em agravo de instrumento em processo de mandado de segurança, a vedação à não homologação das compensações, o que levou à lavratura do auto de infração. Meses após as compensações, a Interessada apresentou pedidos de cancelamento das declarações para incluir os débitos no Paes, tendo sido o pedido de parcelamento inicialmente indeferido. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade relativa ao parcelamento. Posteriormente, a DRF/POA indeferiu as compensações, considerandoos não declaradas, negado seguimento à manifestação de inconformidade. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 432 7 Tendo apresentado mandado de segurança contra o não recebimento da manifestação de inconformidade, a DRJ /FLS decidiu declarar a nulidade parcial do despacho decisório, deferindo a desistência das compensações e abstendose de se manifestar a respeito do Paes, ressaltando que, caso não fossem os débitos incluídos no parcelamento, deveria a DRF providenciar a sua cobrança. A DRJ verificou não haver impedimento a que a Interessada desistisse das compensações. A seguir, de forma correta, a primeira instância concluiu que não se haveria que falar em extinção de crédito tributário por meio das referidas compensações. Não só a falta de previsão sobre a compensação de créditos apurados por terceiros implica a não extinção dos referidos créditos, como também o fato de que o não reconhecimento da possibilidade de extinção era, à época, impedido por decisão judicial. Vale dizer, havia verdadeiro litígio judicial em relação à matéria, o que, por si só, impediria a extinção dos créditos. Em relação à multa de ofício, também cabe razão à Primeira Instância, uma vez que o disposto no art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, referese à hipótese de débito declarado em DCTF. Somente nesses casos é que a multa de ofício não seria aplicável, conforme decidiu a DRJ. Quando se trata de débitos não declarados em DCTF, não há que se falar em aplicação do referido dispositivo. Devese, entretanto, ressaltar que o processo encontrase na seguinte situação: 1 O processo não poder ser cobrado enquanto não houver decisão definitiva no processo n. 13003.000439/200224. 2 O auto de infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa até que seja decidido definitivamente o processo administrativo acima mencionado, o que poderá ocorrer com a decisão administrativa definitiva nele exarado ou, se assim concluir a referida decisão, com o trânsito em julgado do mandado de segurança. 3 As compensações e a eventual cobrança devem ser efetuadas com os débitos lançados no presente processo, pois os débitos tributários devidos são os lançados aqui; os débitos lançados no presente processo devem ser controlados aqui e não no processo de compensação, pois, segundo o que a própria fiscalização afirmou, não poderiam ser compensados ou cobrados lá por falta de confissão de dívida; excepcionase do caso a eventual transferência dos débitos do auto de infração para outo processo, com o fim de efetuar eventual compensação total ou parcial, conforme decidir a autoridade fiscal. Esclareçase, por fim, para não se alegar que a decisão contida no presente acórdão seria condicional, que as três situações acima referidas são preexistentes ao presente auto de infração, cuja lavratura foi efetuada apenas para constituir o crédito tributário. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Assim, o que foi decidido no presente acórdão restringiuse a ser ou não cabível o lançamento nessa situação, para constituir o crédito tributário e possibilitar eventual cobrança dos débitos lançados, depois de resolvidas as questões pertinentes à compensação. Dessa forma, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.874, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916356/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO.
A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
Numero da decisão: 3803-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de têla apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 56 /2 00 9- 55 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0231.923, da DRJ/Belo Horizonte, de 18 de abril de 2011, fls. 16/18 (da imagem digitalizada), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou os débitos nela declarados, com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador encerrado em 31 de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, fl. 2, mediante o qual não homologou a compensação pleiteada, fundada no fato de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, de fl. 1, alegou possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de novembro 2002 a setembro 2005, e que, após a constatação da existência de tais créditos, em dezembro de 2005 procedeu à sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressaltou que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14 de novembro de 2003, esta foi retificada em 20 de maio de 2009, demonstrando a existência do crédito. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte constatou que a DCTF foi retificada após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Pela intempestividade da retificação e na ausência de prova que demonstrasse a existência do direito creditório, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 13 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 02 de fevereiro de 2012, em que indica o valor das receitas do mês de agosto de 2003 com peças tributadas à alíquota zero e anexa relatórios, sintético e analítico, em que lista os clientes a quem efetuara as vendas, notas fiscais correspondentes e respectivos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se vê do relatório, o desprovimento da manifestação de inconformidade centrouse na retificação da DCTF que extrapolou o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e ma falta de prova da alegação da existência do crédito utilizado na DComp. Na pretensão de estar suprindo a falha da defesa na primeira instância a Recorrente anexa os documentos acima referidos. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10680.916356/200955 Acórdão n.º 3803003.918 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Consignese, antes do mais, que as provas do direto alegado devem vir acompanhadas da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ressalvadas as hipóteses das letras “a”a “c”, deste parágrafo. A Recorrente não alega nenhuma das impossibilidades para a anexação dos elementos na manifestação de inconformidade, ou após a entrega desta, a requerimento perante a autoridade julgadora de primeira instância, documentos com que a Recorrente pretende provar sua alegação de legitimidade do crédito. Portanto, está, em tese, precluso o direito de fazêlo nesta instância, a menos que a prova trazida aos autos seja singela, de simples, direta e pontual verificação, em virtude do que sobrelevaria privilegiar o princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal. Contudo, no presente caso, a defesa não cuidou de apresentar o direito em que se funda a sua alegação, segundo os fundamentos jurídicos. Ademais, apreciando os documentos eles nada dizem com a escrituração contábil/fiscal, não são documentos contábeis, são anexos de algo não identificado, não são assinados, indicam clientes, não peças, portanto, não trazem qualquer comprovação do direito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10510.005834/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.634
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 48/51), lavrado em 15/10/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em virtude da suposta falta de recolhimento desse tributo, relativo aos decêndios compreendidos nos meses de abril, maio e junho de 2003, bem como pela não declaração desses valores na DCTF relativa ao 2º trimestre de 2003, nos prazos estabelecidos pela legislação, no qual foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 1.188.765,70, sendo a obrigação principal no valor de R$ 470.788,81 e R$ 717.976,89, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 21/10/2008 (fls. 57) e apresentou Impugnação (fls. 59/65), remetida por via postal em 19/11/2008, tida como tempestiva, conforme Termo de Juntada de Impugnação de fls. 71, no qual, em suma, alega apenas matéria de direito, afirmando tratar a imposição de multa no percentual de 75% indevida, tendo em vista que ela não teria praticado qualquer ilícito fiscal, afirmando que tal fator é “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios da moralidade, da proporcionalidade e, principalmente do não confisco. Alegou não existir qualquer tipo de material probatório nos autos que permitisse caracterizar a prática de ilícito e, por isso, a multa seria aplicada com base em mera presunção. Em conclusão, postulou pelo provimento da Impugnação, com fito de se excluir do lançamento o valor da multa ou, subsidiariamente, a reduzir a penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. A Impugnação foi julgada improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 1518.196, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA, de fls. 72/75, em 22 /01/2009. O acordão supracitado considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário. Restou consignado na decisão que o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), não homologou as Declarações de Compensação informadas pela Recorrente por força da vedação introduzida no Código Tributário Nacional (CTN) pela Lei Complemente 104/01 – Artigo 170A, CTN. Ademais, justificou o lançamento dos débitos tributários, em tese compensados indevidamente, asseverando que as Decomp’s eram anteriores a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, ou seja, tais declarações não constituíam confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls. 02/03) para proceder com o devido lançamento. Consta, ainda, no voto que os créditos pleiteados pela Recorrente seriam ilíquidos e incertos, tendo vista que eram provenientes de ação judicial com decisão não transitada em julgado, mas que, no entanto, “a interessada informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já tinha transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl. 10)”. Ressaltando, em remate, que “não é apenas através da omissão que ocorre o ilícito, mas também de ações, como a praticada pela contribuinte ao informar como ocorrido o inexistente. Eis aí a caracterização da infração, justificando o lançamento de ofício e a aplicação da multa de ofício” (destaques originais). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 2 3 No tocante à impossibilidade de compensação de créditos tributários objeto de ação judicial, na forma efetuada pela Recorrente, a autoridade fazendária discorreu sobre o art. 170A, CTN e citou excerto do REsp n.º 352.859, julgado pela 2ª Turma do STJ, relatado pela Min. Eliana Calmon, DJ 06/05/02, asseverando tal impossibilidade. Colacionou, ainda, parte do Parecer PGFN/CRJ n.º 679, de 2001, que discorre acerca do alcance do artigo 170A, CTN, frisando, com veemência, a impossibilidade de compensação de créditos tributários por medida cautelar. Já no que concerne à multa de ofício de 75%, restou declinado no acórdão de primeira instância que a aplicação desse percentual é obrigatória, além do que tal importe visa desestimular o inadimplemento das obrigações tributárias. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, o julgador de primeira instância consignou que não cabe à autoridade administrativa tal apreciação, vez que tal análise é privativa do Poder Judiciário. Quanto ao caráter confiscatório da multa, afirmou o julgador que tal vedação é dirigida ao legislador e que o princípio do não confisco orienta o processo de elaboração da lei e que “uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou”. Desse modo, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário lançado em desfavor da Recorrente, nos moldes do Auto de Infração. A Recorrente, por sua vez, tomou ciência do referido acórdão em 18/02/2009 (fls. 79) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 80/83) em 19/03/2009. Em suas razões de recurso voluntário, argumentou a Recorrente sobre a possibilidade de compensação de créditos por medida liminar, ressaltando que apenas procedeu com as compensações “por força da autorização obtida nessas medidas, devidamente concedidas pelos juízos processantes, o que afastaria a suposta ilicitude das compensações”. Além disso, a Requerente repisou os argumentos já tecidos em sua Impugnação (fls. 59/65), ressaltando ser juridicamente insubsistente a fixação a título de multa de ofício no importe de 75%, por se tratar de “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios do não confisco, da moralidade e da proporcionalidade. Ratificou que em tal patamar a multa “desapropria o patrimônio do manifestante, em prol do locupletamento ilícito do Estado”, o que agrediria o preceito estatuído pelo artigo 5º, inciso XII e 170, incisos II e III, ambos da Constituição da República. Frisou ainda, que a edição da Lei 11.488/07, “fez cessar a possibilidade de imposição do percentual de 75% nos casos em espécie”, afirmando que “o máximo legalmente possível seria a multa de mora, já que se trata de imposto não recolhido no vencimento”. Arrematou, em conclusão, que a multa de ofício só seria cabida em casos de evidente fraude atentatória à Fazenda Nacional, o que não teria ocorrido. Em seus pedidos, postulou pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado, com fito de se excluir o lançamento do crédito apurado, e ainda o valor da multa ou, subsidiariamente, a redução da penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Conforme se depreende do relatório, tratase de auto de infração para lançamento de tributo não declarado pelo contribuinte em DCTF, mas apenas informado em DIPJ e em Declarações de Compensação que foram consideradas não homologadas pelo Despacho Decisório DRF/AJU n° 0484, de 03 de junho de 2008, em virtude dos créditos nelas apontados serem decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. A Recorrente alegou, tanto na impugnação como no recurso, unicamente: (i) a ilegalidade da aplicação da multa de 75% pelo fato de não ter praticado nenhum ilícito, e que tal multa caracterizaria confisco, o que feriria os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, e (ii) que as compensações teriam sido efetuadas com base em determinação judicial, contudo não juntou aos autos qualquer peça ou certidão do aludido processo judicial que comprovasse o trânsito em julgado. No tocante à aplicação da multa, é importante esclarecer que como as declarações de compensação apresentadas pela ora Recorrente foram anteriores a edição da MP n°135, de 2003, sua apresentação não constitui confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls.02/03) justamente para efetuar o lançamento dos débitos compensados indevidamente que não tinham sido declarados espontaneamente pela contribuinte nas DCTF´s por ele entregue e tampouco pagos. No presente caso ainda há uma agravante, pois se verifica que a contribuinte informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já havia transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl.10). Alega a Recorrente que não praticou ilícito fiscal, não havendo no processo prova disso, decorrendo a pena de mera presunção, o que não seria possível. No entanto, a apresentação da declaração inexata de trânsito em julgado da ação na DCOMP teve como implicação direta o fato de permitir à contribuinte a transmissão da declaração de compensação eletrônica via Internet. Se tivesse informado na DCOMP que não ocorrera o trânsito em julgado na ação judicial, certamente o programa gerador da declaração impediria a sua transmissão eletrônica, o que a obrigaria a apresentar a declaração em formulário, evidenciando de imediato que os créditos não eram passíveis de compensação. Assim, estaria justificada a aplicação da multa de oficio no caso em análise, tanto pelo fato de que os débitos não foram informados em DCTF, como pelo fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, ao informar na Decomp que teria ocorrido o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 3 5 trânsito em julgado da ação judicial da qual decorreria o crédito, quando na realidade o trânsito não ocorrera até a data da análise do pedido pela DRF de origem. No tocante à alegação de inconstitucionalidade da multa de 75%, prevista na Lei 9.430/96, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Já no que se refere à alegação apresentada no Recurso Voluntário de que as compensações foram efetuadas com base em autorização judicial, é de se registrar que Recorrente não logrou comprovar que as compensações teriam sido declaradas somente após o trânsito em julgado da ação judicial, e de acordo com o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), o aludido processo judicial estaria ainda pendente de julgamento de Recurso Extraordinário no Supremo Tribunal Federal, despacho esse que não foi contestado pela Recorrente. Assim, tendo em vista que as referidas compensações foram declaradas no ano de 2003, e antes do trânsito em julgado da ação judicial a elas vinculada, entendo que deve ser aplicada a Lei Complementar 104, de 10.01.2001, que introduziu no Código Tributário Nacional o artigo 170A a seguir transcrito: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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