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Numero do processo: 13634.000471/2006-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006,2007
INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
Numero da decisão: 1003-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006,2007 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
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ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 00 04 71 /2 00 6- 15 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 130 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 12.12.2006, fl. 01, a partir do início das atividades, ou seja, de 01.03.2006, ao argumento de que: Considerando que por um lapso e não por má fé a empresa deixou de assinalar dentro do programa gerador do CNPJ a quadrícula onde consta a opção pelo pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte (Simples). Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Governador Valadares/MG, de 20.12.2006, fls. 2829: Conforme ficou demonstrado acima, Art. 16 e 17, da IN 608, é de competência do contribuinte preencher corretamente e enviar a FCPJ/Internet, bem como apresentar a documentação adequada em tempo hábil, através de DBE. Não tendo cumprido as formalidades em tempo hábil, por não ter inserido na FCPJ a opção pelo Simples, código 301, deverá se sujeitar ao disposto na referida IN. Informamos também que a partir de 01.01.2003 a Inclusão no Simples por processo administrativo deve obedecer ao disposto no ADI SRF n° 16, de 02/10/2002, com a interpretação dada pela SCI n° 10, de 23/06/2006, que esclareceu que somente pode ser retificada de oficio a Opção pelo Simples que necessariamente deveria ter sido feita por FCPJ via Internet evento 301, desde que comprovado que o indeferimento da Opção ocorreu por erro de fato cometido pelo contribuinte (erro de cadastro, falta de liberarão pela PSFN de dívidas pagas/parceladas e outros que impedem a aceitação do evento 301), o que não ocorreu em vista de haver apresentação de FCPJ somente com o código 101, em 03/03/2006 e não com o código 301. No presente caso não houve comprovação de tal erro, [...]. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0922.301, de 29.01.2009, fls. 5557: INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Solicitação Indeferida Notificada em 08.07.2010, fls. 60 e 64, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.07.2010, fl. 66, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 131 3 No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: As apurações e os pagamentos dos DARF's foram, por conseqüência, feitos com base no SIMPLES. Passados alguns meses foi constatado que a empresa não havia sido incluída no SISTEMA SIMPLES desde a sua fundação, por um simples lapso do contador no ato do preenchimento, não assinalando o código exigido. Foi então aberto um Processo para a Inclusão Retroativa no Simples por Decisão Administrativa. Quando da época da entrega da Declaração no site da Receita Federal, se constatou a impossibilidade de fazêla, tomandose a decisão de entregála pelo Lucro Presumido, em branco, sem valores, para que a empresa não ficasse inadimplente. Posteriormente, tomouse ciência do julgamento da DRF/JF (Processo n° 13634.000471/200615) e ficouse sabendo que a Declaração poderia ser entregue na Agência da Receita Federal, o que procurou fazer, atendendo ao dispositivo legal citado no julgamento. Cumprindo os requisitos para adesão ao SIMPLES, que são: os pagamentos mensais efetuados por intermédio dos Documentos de Arrecadação do Simples (DARFSIMPLES) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada, pedese que seja impugnada a Decisão da DRF/JF e julgado procedente o Recurso apresentado. Concernente ao pedido expõe que: Portanto, contando com a compreensão e justiça deste CONSELHO, pedese que este RECURSO seja deferido. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 132 4 legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. No que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 133 5 Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 09 22.301, de 29.01.2009, fls. 5557: A manifestação inequívoca, como se vê, caracterizase pelos pagamentos em DarfSimples "e" entrega da Declaração Anual Simplificada, sendo que esta última condição não ocorreu, tendo em vista a contribuinte ter apresentado a Declaração IRPJ — Lucro Presumido para os EFs 2007 e 2008. Diante do exposto, o presente voto é pelo indeferimento do que se pleiteou na Manifestação de Inconformidade, devendo ser mantidos os termos do Despacho Decisório, fls. 29v. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) recolheu por DarfSimples em 07.07.2007, 20.07.2006, 10.08.2006, 20.09.2006, 20.10.2006, 20.11.2006, 20.12.2006 e 09.02.2007, fls. 26, 117121; (b) apresentou em 28.06.2007 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido do período de 03.03.2006 a 31.12.2006, fl. 54; (c) apresentou em 28.06.2008 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido do período de 01.01.2007 a 30.06.2007. fl. 54; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 134 6 (d) apresentou em 16.07.2010 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782; e (e) apresentou em 16.07.2010 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395. Analisando os dados constantes nos registros da Secretaria da Receita Federal, verificase que para os anoscalendário de 2006 e 2007 a Recorrente apresentou as Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido, respectivamente em 28.06.2007 e 28.06.2008, fl. 54. Houve efetivação de pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples anoscalendário de 2006 e 2007, fl. 26. Ocorre, que consta na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782: O presente Recibo de Entrega de Declaração Anual Simplificada, anocalendário 2006, contendo a transcrição de parte da referida declaração. constitui confissão de divida. relativa ao Simples Devido nos termos do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84. As informações prestadas na declaração correspondem à expressão da verdade. Esta declaração foi entregue fora de prazo. Foi emitida a Notificação de Lançamento número 62533425249995 conforme previsto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Está registrado na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395: O presente Recibo de Entrega de Declaração Anual Simplificada, anocalendário 2007, contendo a transcrição de parte da referida declaração, constitui confissão de divida, relativa ao Simples Devido nos termos do art. 5 ° do Decretolei n° 2.124/84. As informações prestadas na declaração correspondem à expressão da verdade. Esta declaração foi entregue fora de prazo. Foi emitida a Notificação de Lançamento número 64123854719908 conforme previsto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Em relação às Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendário de 2006 e 2007, fl. 54, inferese que foram substituídas nos sistemas internos da RFB, pelas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782 e do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395, apresentadas em 16.07.2010. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 135 7 Logo, é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anoscalendário de 2006 e 2007. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, tem cabimento. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.720893/2015-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RRA. SUCESSORES. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
É cabível a utilização de IRRF documentalmente comprovado.
Numero da decisão: 2002-000.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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SUCESSORES. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. É cabível a utilização de IRRF documentalmente comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 08 93 /2 01 5- 35 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 49): Rubrica Valor em reais Imposto 495,76 Multa de mora 99,15 Juros de mora 69,30 Total à época 664,21 Na declaração do contribuinte, havia imposto a restituir no valor de 21.228,68 (fls. 56 e 81). As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Compensação indevida de IRRF 21.724,44 O contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a efetiva retenção ou recolhimento de imposto de renda na fonte (fl. 52) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 3 e 4) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 11/08/2015 (fl. 83) e protocolou sua peça no dia 25/08/2015 (fls. 3 e 83), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2), em síntese, o contribuinte alega que os 21.724,44 referese a imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente que sofreram tributação exclusiva na fonte. Em 30/03/2017, pede prioridade no trâmite processual (fl. 93). Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 4); decisões judiciais (fl. 5 e ss); documentos da ação judicial (fl. 9 e ss); certidão de óbito da Sra. Natalina Benedetti Vieira (fl. 24); 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 4 3 carta sindifisco nacional (fl. 25); planilha (fl. 26); certidão divisão de valores da ação (fl. 27); despacho judicial (fl. 28 e ss); extratos de pagamento de precatórios (fl. 30 e ss); dados da autorização Itaú (fl. 36); extrato CEF (fl. 37); guia de retenção IRRF RRA e TED (fl. 38); Dirfs (fl. 39 e ss); nota fiscal consultoria jurídica (fl. 41); Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação improcedente (fl. 97 e ss). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRRF SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A compensação do IRRF sobre rendimentos recebidos acumuladamente somente pode ser pleiteada quando este pode ser devidamente comprovado. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 122) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 24/08/2017 (fl. 109) e protocolou sua peça no dia 20/09/2017 (fl. 122), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 122 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: os rendimentos recebidos foram decorrente do processo judicial 0649937 03.1984.403.6100 por meio do qual foi anulado ato de demissão de seu pai; os valores foram divididos entre os seus cinco herdeiros e a esposa meeira (fl. 27); 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 5 4 o pagamento foi liberado em 25/04/2013 (fls. 30 a 35), com crédito em 31/05/2013; coube ao recorrente o valor de 154.940,74, o qual foi declarado como RRA (fl. 40), não havendo, nesse momento, desconto do imposto de renda pela fonte pagadora; como sua mãe já havia falecido, ocorreu a habilitação dos herdeiros e a retificação do pólo ativo com a exclusão da Sra. Natalina e inclusão dos filhos (fl. 8); em outubro de 2013 foi feito o levantamento do depósito no valor atualizado de 759.715,11 que foi depositado na conta da empresa Asgard Assessoria Empresarial no valor líquido de 683.090,87 (fl. 38) com retenção de 108.622,24 pela Caixa em nome da genitora que já se encontrava falecida, mas cujos valores referemse aos herdeiros consoante habilitação levada à efeito no processo judicial federal; em 17/10/2013, A Asgard repassou aos herdeiros o valor líquido de 76.297,02, descontado honorários e IRRF; o valor de 108.622,24 retido dividido por 5 filhos = 21.724,45 de IRRF; uma parte do rendimento foi recebido em 05/2013 e a outra em 10/2013; que houve um erro material já que foi informado 144 meses quando deveria ter sido informado 138 meses. Por fim, requer a improcedência da notificação de lançamento, restituindo os valores devidos com correção desde a data da retenção até o efetivo pagamento. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O lançamento glosou o IRRF declarado no valor de 21.724,44. De acordo com o documento de fl. 27, os valores da ação foram divididos entre a mãe e os cinco filhos. Contudo, tendo a mãe falecido em 30/05/2007 (fl. 24), o seu quinhão foi recebido pelos Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 6 5 herdeiros (fl. 64 e 66) que se habilitaram na ação (fl. 8 e 22). Os comprovantes de fl. 66 e 39 atestam que a retenção foi realizada no valor de 108.622,24, tendo o contribuinte declarado 1/5 desse valor 21.724,44 (fl. 74) haja vista também ter recebido 1/5 do rendimento a que a retenção se refere. No mais, verifiquei nos sistemas informatizados de processos, em consulta pelo cpfs que constam dos autos dos outros 4 irmãos, que 3 deles caíram em malha pelo mesmo motivo e apresentaram documentação e explicações equivalentes às do recorrente, tendo a malha sido liberada. Diante do exposto, entendo que assiste razão ao recorrente. Conclusão Isto posto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, para que seja restabelecida a compensação de imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no valor de R$ 21.724,44. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.721311/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/04/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE
Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito.
A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003.
Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque.
No caso de exportação de óleo cru por pessoa jurídica devidamente habilitada para o procedimento simplificado de exportação, o embarque da mercadoria para o exterior é automaticamente autorizado mediante protocolização do respectivo requerimento de embarque.
São considerados regulares, por aplicação retroativa de legislação posterior (retroatividade benigna), as exportações realizadas antes da vigência da IN RFB no 1.198/2011, cujos Pedidos de Embarque tenham sido protocolizados previamente ao embarque das mercadorias, respeitada a antecedência exigida, e desde que devidamente instruídos com os respectivos REs.
Embarque de mercadoria sem ordem, despacho ou licença, ou sem o cumprimento de formalidade essencial. Pena de Perdimento.
Sujeita-se à pena de perdimento a mercadoria embarcada com destino ao exterior, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo.
Numero da decisão: 3302-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito. A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003. Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque. No caso de exportação de óleo cru por pessoa jurídica devidamente habilitada para o procedimento simplificado de exportação, o embarque da mercadoria para o exterior é automaticamente autorizado mediante protocolização do respectivo requerimento de embarque. São considerados regulares, por aplicação retroativa de legislação posterior (retroatividade benigna), as exportações realizadas antes da vigência da IN RFB no 1.198/2011, cujos Pedidos de Embarque tenham sido protocolizados previamente ao embarque das mercadorias, respeitada a antecedência exigida, e desde que devidamente instruídos com os respectivos REs. Embarque de mercadoria sem ordem, despacho ou licença, ou sem o cumprimento de formalidade essencial. Pena de Perdimento. Sujeita-se à pena de perdimento a mercadoria embarcada com destino ao exterior, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo.
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Embargante RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito. A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003. Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 13 11 /2 01 3- 41 Fl. 670DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 01/04/2013, referente a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 234.962.072.17. Diante da existência do Processo de Perdimento de Mercadorias n° 12466.721676/201111, lavrouse o presente Auto de Infração visando a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias integrantes dos Despachos de Exportação n° 2101248412/2 (NF 204 e 209) e 2101317568/9 (NF 223 e 234), referentes à 301.364,79 m3 de óleo bruto de petróleo, pela impossibilidade de sua apreensão, conforme relatado a seguir. Em destaque, salientase desde já que há uma evidente falha material na organização das peças processuais, pois é colacionada à página 02 do Auto de Infração, trecho que deveria ter sido colacionado à página 09 e, à página 03, trecho que deveria estar colacionado à página 07. Merece destaque, ainda, o fato de que, às folhas 20 e seguintes, foi colacionado auto de infração relativo à decretação do perdimento, onde a sequências das folhas relativas à narrativa dos fatos foi observada, permitindo clara compreensão. A empresa qualificada nos autos é habilitada para utilizar procedimentos simplificados para o despacho de exportação de petróleo produzido no pais em unidades de produção ou estocagem situadas em águas jurisdicionais brasileiras, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 363, de 16 de outubro de 2003. Em 23/11/2010 foi elaborada a Declaração de Exportação (DE) n° 2101248412/2. Naquela mesma data a DE foi recepcionada e parametrizada em "canal laranja" (Seleção para Análise Documental). Analisados os documentos apresentados constatouse que o deferimento do Pedido de Embarque de Mercadorias (PEM) n° 159657, referente aos Fl. 671DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 3 3 Registros de Exportação (RE) n° 10/1472779001 e 10/1607923001, ocorreu no dia 22/11/2010, data posterior ao embarque da mercadoria, 27/10/2010, conforme Conhecimentos de Carga n° SH019 01 e SH019 02, configurando que a mercadoria foi embarcada antes da anuência da autoridade aduaneira; ou seja, o embarque ocorreu sem a autorização da Receita Federal do Brasil. Há ainda o fato de os Registros de Exportação não se encontrarem efetivados à época do embarque, conforme telas do sistema Siscomex apresentadas pela empresa exportadora. Dessa forma, o despacho de exportação foi interrompido no sistema Siscomex, não tendo sido registrado o desembaraço aduaneiro. Em consequência, o representante do exportador apresentou, em 21/12/2010, suas justificativas referentes ao fato em tela. Em 09/12/2010 ocorreu a elaboração da DE n° 2101317568/9. Não foi registrada a recepção do documento em face de ter sido constatado que o deferimento do PEMn° 159797, referente ao RE n° 10/1633758001, datado de 26/11/2010, foi posterior ao embarque da mercadoria, em 22/11/2010, conforme Conhecimento de Carga n° 020, configurando que a mercadoria foi embarcada antes da anuência da autoridade aduaneira; ou seja, o embarque ocorreu sem a autorização da Receita Federal do Brasil. Para esse fato o representante do exportador apresentou, em 21/12/2010, suas justificativas. Diante de todo o exposto, confrontandose os procedimentos adotados e as normas aplicáveis à situação em tela, concluise que a empresa exportadora, através de seus representantes, ignorou a autoridade da Receita Federal do Brasil através da inobservância do cumprimento das etapas necessárias para as operações de exportação. Em suma, a autuada realizou suas exportações à revelia da autoridade aduaneira, visto que promoveu a exportação de suas mercadorias sem o deferimento dos respectivos Pedidos para Embarque de Mercadorias, o que implica na incidência da pena de perdimento, com fulcro no inciso I, do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 06/05/2013 (fls. 134), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 03/06/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 136 a 178, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü O procedimento é nulo, em virtude de que a aplicação da pena pecuniária não foi precedida da decretação do perdimento. Defende que só se configura definitivamente o dano ao Erário após a decisão administrativa que determina a aplicação da pena de perdimento. Descreve a legislação e cita acórdão do Tribunal Regional Federal da 1a Região; ü Restariam violados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, pois o auto de infração seria ininteligível e, desta forma, não conteria a correta descrição dos fatos e da conduta Fl. 672DF CARF MF 4 imputada ao acusado. Transcreve trechos que apresentariam inconsistências, cita legislação e jurisprudência; ü Os embarques questionados pela autoridade fiscal teriam sido precedidos da expedição de Certificado de Arqueação de Carga Líquida, onde se verificaria a designação de Autoridade Fiscal para assistir a arqueação. Cita decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes no sentido de que tal ato representaria a autorização que se alega não obtida; ü A primeira operação de exportação reputada como irregular, processada com base na Declaração de Exportação (DE) 2101248412 2 [referente a carga embarcada e destinada ao exterior em 27/10/2010], teria sido iniciada em 15/10/2010, por meio da formulação do Registro de Exportação 10/1472779001, no qual teriam sido prestadas todas as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal inerentes à sua identificação. Na mesma data, teria sido formulado pedido de arqueação da embarcação que transportaria o óleo cru e, em 18/10/2010, designado servidor para acompanhar e validar dita arqueação. Em 20/10/2010 teria apresentado Pedido de Embarque de Mercadorias (PEM). ü A possibilidade de se formular declaração de exportação após o embarque da mercadoria teria sido expressamente autorizada pelo art. 52 da Instrução Normativa n° 28, de 1994 que, em seu art. 55, disciplina a apresentação de Pedido de Embarque de Mercadoria. Já a Portaria ALF/VIT n° 37, de 2007, prevê que o PEM deverá ser apresentado no prazo máximo de 10 dias e mínimo de 24 horas, em relação à previsão de atracação da embarcação. O Navio que transportou a mercadoria atracou em 22/10/2010, o que demonstraria, mais uma vez, o estrito cumprimento das normas; ü Após a chegada da embarcação a impugnante solicitara, em 25/10/2010, que o embarque, antes direcionado para um único destino, fosse fracionado para dois destinos, mediante a expedição de dois BLs. Por tal motivo, em 15/10/2010, solicitou a retificação do RE e a obtenção de novo RE, relativo ao novo destino a ser incluído. Afirma que tal retificação não implicou alteração no valor ou quantidade totais a serem exportados; ü Devido a questões de ordem prática, teria tido que aguardar a obtenção de diversos documentos, como, por exemplo, a cópia de BL. Como conseqüência, apenas em 10/11/2010, teria sido possível retificar o RE 10/1472779001 e obter o RE 10/1607923001. De posse desses registros, pleiteou a formulação de novo PEM, de n° 159657, acatado pela autoridade fiscal, o que ratificaria todo procedimento adotado pela autuante. Em 23/11/2010, elaborou a Declaração de Exportação 2101248412/2, dentro do prazo previsto no art. 56, IV da Instrução Normativa n° 28, de 1994. A fim de demonstrar sua boafé, anexa as notas fiscais da operação, autorizadas pela Receita Federal do Brasil, que refletiriam a saída física do óleo bruto de petróleo ao exterior; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 4 5 ü O despacho processado com base na DE 2101317568/9, apresentado em 09/12/2010, [referente a carga embarcada e destinada ao exterior em 22/11/2010] teria sido iniciado em 16/11/2010, por meio da formulação do RE 10/1633758001, onde teriam sido prestadas as informações já enumeradas, mesma data em que teria sido apresentado requerimento de arqueação da carga e designado o agente responsável pelo seu acompanhamento. No dia seguinte (17/11/2010), teria sido apresentado o PEM 159797, que somente foi deferido em 26/11/2010. Aduz que o fato da mercadoria ter sido exportada em data anterior ao deferimento do referido pedido, ou seja, em 22/11/2010, demonstraria a morosidade ü da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Noutro giro, defende que a expedição de certificado ü de arqueação em 21/11/2010 demonstraria que o Fisco tomara conhecimento da operação; ü Se a sua intenção fosse realizar exportação sem o conhecimento do Fisco não teria apresentado o correspondente despacho de exportação. Reafirma, sinteticamente, suas alegações acerca da possibilidade de apresentação de DE posteriormente ao embarque e sustenta que a legislação não o obriga a aguardar o deferimento do PEM, mas limita se a exigir que este seja apresentado no prazo regulamentar; ü j) As disposições da Instrução Normativa n° 28, de 1994, seriam inaplicáveis ao despacho simplificado de exportação de petróleo, disciplinado pela Instrução Normativa n° 363, de 2003, à qual se subordinaria em razão de prévia habilitação. Transcreve o Ato Declaratório de Habilitação e disserta acerca do regime, esclarecendo que, em razão de sua habilitação, seria obrigado a apresentar mensalmente relatórios que contemplariam a produção diária, o quantitativo destinado à exportação, o volume de petróleo a ser exportado por país de destino e as datas previstas para o início e o final da operação de embarque, entre outras informações. Afirma que não faria sentido o Fisco a autorizar a adotar procedimento simplificado e, ao mesmo tempo, punila em razão da alegação de ausência de prestação de informações. Afirma que a IN 363/03 não prevê a necessidade de prévia apresentação de PEM. Cita jurisprudência; ü Não se poderia falar em Dano ao Erário, pois não se demonstrou prejuízo à Fazenda Nacional, nem máfé. Cita jurisprudência judicial e administrativa e pleiteia a aplicação do artigo 112, II do CTN; ü Por fim, argumenta que, pela aplicação dos arts. 736 e 737 do Regulamento Aduaneiro, a Pena de Perdimento poderia ser relevada e substituída pela multa de 1%. Pleiteia que, na remota hipótese em que se mantenha a autuação, procedase a tal substituição. Fl. 674DF CARF MF 6 Em 24 de outubro de 2013, através do Acórdão n° 11043.465, a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Recife/PE por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, exonerando a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e qua renta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101 317568/9. Quanto ao crédito exonerado, recorreuse de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Entendeu a Turma que num primeiro plano, portanto, podese assumir algumas premissas: a exportação pressupõe a prévia autorização da autoridade fiscal que, regra geral, é levada a efeito por meio do desembaraço aduaneiro, que tem como documentobase a declaração de exportação (DE). Apenas excepcionalmente, a legislação admite que, conforme disciplinado pela Receita Federal, a mercadoria embarque com destino ao exterior antes do desembaraço aduaneiro. Para efetivar a simplificação prevista no art. 52 da IN SRF 28/94, a Alfândega de Vitória instituiu o Pedido de Embarque de Mercadoria (PEM), em formulário papel, que tem por objeto formalizar a solicitação e o deferimento do embarque de mercadoria destinada ao exterior, cujo despacho no Siscomex será procedido em momento posterior. Mesmo na hipótese de exportação de granéis sujeitos a despacho a posteriori, o embarque da mercadoria fica condicionado à prévia autorização pela Alfândega de Vitória, nos termos do art. 4o, a ser formalizada por meio do deferimento do PEM. Por outro lado, extraise igualmente da leitura dos dispositivos que lidam com o assunto, em particular da quantificação de granéis, que a autorização para embarque a ser deferida por intermédio do PEM não se confunde com os procedimentos relativos à arqueação, destinados, exclusivamente, à quantificação da mercadoria, e regidos por legislação específica. Neste ponto, cabe observar que, no caso particular da exportação de petróleo por unidades de produção ou estocagem, matéria do presente processo, a Receita Federal do Brasil instituiu procedimentos simplificados de exportação, por meio da IN RFB 363/03, posteriormente substituída pela Instrução Normativa RFB no 1.198/2011 e Instrução Normativa RFB no 1.381/2013. A Instrução Normativa SRF n° 363/03, vigente à época dos fatos, instituiu a necessidade de prévia habilitação da empresa que opte pelo procedimento simplificado de exportação do petróleo. Ainda que a Instrução Normativa SRF n° 363/03 não tenha feito previsão expressa à necessidade de prévia autorização de embarque pela Unidade Local, o teor do artigo 20 deixa claro, no entender da Colenda Turma, ser aplicáveis à exportação de petróleo as disposições dos art. 52 e 55 da Instrução Normativa SRF 28/94, que disciplinam o despacho de exportação a posteriori, os quais fundamentaram a Portaria ALF/Vitória 37/2007. A Turma entendeu que não há margem para se questionar a vigência ou aplicabilidade da referida portaria ao caso em tela, posto que instituída posteriormente à IN SRF 363/03, e fundamentada em dispositivo não revogado da IN RFB 28/94, cuja matriz legal encontrase, como visto, gizada no DL 37/66. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 5 7 Igualmente, foi o entendimento da Turma que não há margem para se confundir as figuras da autorização para embarque, quantificação da mercadoria e despacho de exportação. Os três conceitos, aliás, encontramse tratados separadamente na IN RFB no 1.198/2011, que substituiu a IN SRF 363/03. Destacou a Turma que embora a Instrução Normativa RFB no 1.198/2011 exija a prévia autorização de embarque da mercadoria, esta é automaticamente deferida por meio da mera protocolização do requerimento de embarque (documento de natureza e propósitos idênticos ao do Pedido de Embarque da Mercadoria, em que se baseava a autorização de embarque no âmbito da Alfândega de Vitória), devidamente instruído, conforme caput do art. 10. Observese que o § 2° do mesmo artigo deixa claro que, a partir da publicação desta norma, a regra passa a ser o deferimento automático do requerimento de embarque, isto é, sem a necessidade de intervenção da autoridade local, e a exceção, a ser devidamente comunicada ao exportador, sua suspensão, caso se entenda necessária qualquer intervenção. Na mesma linha, a Instrução Normativa RFB no 1.381/2013, manteve a distinção entre os conceitos de autorização para embarque, quantificação da mercadoria e despacho de exportação e, apesar de ligeira alteração nos termos empregados, previu a autorização de embarque da mercadoria mediante a protocolização do requerimento. A Turma ainda argui que a alteração normativa relativamente à dispensa de deferimento do requerimento de embarque, uma vez que este, como visto, passa a ser autorizado automaticamente mediante mero registro daquele documento, produziria efeitos em operações concretizadas antes da vigência daquelas normas. Para tanto, o Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento apoia seu entendimento no artigo 106 do Código Tributário Nacional e assim invoca o princípio da retroatividade benigna da legislação tributária. Assim sendo, para deslinde da lide que ora se apresenta, a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento – Recife/PE elegeu o seguinte critério: a verificação se nas operações em tela o exportador dispunha, no momento do embarque da mercadoria, de PEM devidamente registrado e instruído com Registros de Exportação (REs) válidos, respeitado, ainda, o prazo de antecedência previsto nas normas posteriores (inicialmente cinco dias, conforme previsto na IN RFB no 1.198/2011, reduzido para dois dias por força da IN RFB no 1.381/2013). O quadro a seguir, constituído com base nos documentos apresentados pelo próprio exportador (fls. 396 e seguintes) resume as datas em que ocorreram os eventos mais relevantes relacionados às operações sobre a análise. Fl. 676DF CARF MF 8 No caso da Declaração de Exportação 2101248412/2, extraise dos autos que o embarque da mercadoria ocorrera previamente à protocolização do PEM e, até mesmo, previamente à retificação e registro dos REs que instruiriam o PEM extemporaneamente registrado. Assim, ainda que se considere a aplicação retroativa das INs RFB no 1.198/2011 e no 1.381/2013, não há como deixar de reconhecer que, nesse caso, o envio da mercadoria ao exterior derase sem ordem, despacho ou licença, formal, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de formalidade essencial estabelecida em texto normativo, hipótese que se subsume ao inciso I do art. 105 do DL 37/66. Por outro lado, no caso da declaração de exportação no 2101317568/9, constatase que o PEM n° 159797, referente ao RE n° 10/1633758001, foi registrado em 17/11/2010 e, portanto, antecede em cinco dias o embarque da mercadoria, em 22/11/2010. Nesse caso, entendo que, a despeito de o embarque da mercadoria ter ocorrido antes de seu necessário deferimento, à época dos fatos, há que se reconhecer a existência de norma superveniente que modificou a dinâmica da exportação de petróleo, deixando de exigir o prévio deferimento do PEM e expressamente concedendo autorização de embarque por meio de sua mera protocolização, devidamente instruído. Com base nessas considerações, a Turma exonerou a parcela da multa relativa à Declaração de Exportação no 2101317568/9, no montante de R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos). A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 18/11/2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 541 do processo digital. Em 19/12/2013, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 548 a 587. Em síntese, foi alegado que: ü Da violação aos princípios do devido processo legal ampla defesa e contraditório; ü Da ausência de procedimento prévio para apuração da ocorrência de dano ao erário, condição para procedibilidade da aplicação da multa prevista no §3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76; ü Da operação de exportação cuja autuação foi mantida pela decisão recorrida. Não há o que se falar em exportação realizada sem autorização da Receita Federal do Brasil, ou à revelia das autoridades aduaneiras, tendo em vista que a Recorrente comprovou: I. ter apresentado o Registro de Exportação (RE) n.° 10/1472779 001 em folhas 31/33); II. ter formulado Requerimento de Arqueação em 15.10.2010 (folhas 42/49); Fl. 677DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 6 9 III. ter obtido Certificado de Arqueação de Carga Líquida, emitido pelo agente fiscal Sr. Heleno Dias de Azevedo em 28.10.2010 (folhas. 49); IV. ter apresentado seu primeiro Pedido para Embarque de Mercadorias (PEM) em 20.10.2010; V. ter sido emitido conhecimento de embarque, "Bili of Lading BL” em (folhas 50/55); VI. ter emitido Notas Fiscais autorizadas pela Receita Federal do Brasil (folhas 38/39); VII. ter retificado e desmembrado o RE n.° 10/1472779001, em 10.11.2010, ocasião em que gerou novo RE autuado sob o n.° 10/1607923001 (folhas 34/36); VIII. ter apresentado novo PEM n.° 159657. em 11.10.2010, o qual foi devidamente analisado e deferido em 22.11.2010 (fís. 41}; e, por fim, IX. ter elaborado, tempestivamente, sua Declaração de Exportação (DE) n.° 2101248412/2, em 23.11.2010, em estrita observância ao disposto nos artigos 52, parágrafo único e 56, inciso V, ambos da IN SRF n.° 28/94 (fls. 28/30). ü Da plena aplicabilidade da retroatividade benigna das Instruções Normativas RFB 1.198/11 e 1.381/13; ü Da ausência de dano ao Erário, inaplicabilidade da Pena de perdimento e, consequentemente, da multa ora imputada. DO PEDIDO a) Ante a todo o exposto, a Recorrente espera e requer o acolhimento das preliminares para reformar a decisão recorrida e anular o auto de infração, bem como, caso superadas as preliminares, seja a decisão recorrida parcialmente reformada no tocante à parte que manteve a auto de infração, julgandose totalmente procedente o presente Recurso Voluntário para cancelar a integralidade dos créditos tributários ora exigidos. b) Alternativamente, na remota hipótese de não ser o auto de infração julgado totalmente improcedente, ou nulo, requer a relevação da pena de perdimento mediante a sua conversão na multa correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria (art. 712 do Regulamento Aduaneiro). c) Por fim, conforme já noticiado alhures, considerando que a ora Recorrente requereu perante a Receita Federal do Brasil a cópia do PEM original, protocolado anteriormente ao PEM n° 159657, Fl. 678DF CARF MF 10 conforme faz prova da requerimento em anexo ÍDoc. 01), vem requerer sua posterior juntada aos autos. Em 19 de março de 2015, através do Acórdão n° 3403003.636, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por maioria de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário. Em síntese, o v. Acórdão assinalou que: ü Constatase que o primeiro embarque aconteceu em outubro de 2010 e o segundo em 22.11.2010. Entretanto, o Pedido de 159657 aconteceu 11.11.2010, posterior ao embarque e o Pedido 159797, a solicitação foi efetivada em 17.11.2010, com modificação para o início e término do embarque; ü Não há prova demonstrando que Recorrente tenha solicitado “PEM” antes do embarque. Arguição trazida em sede recursal de que foi solicitada cópia do documento ao Órgão Fazendário, é a confirmação de que prova cabal ao deslinde da questão deixou de ser colecionado aos autos com intuito de demonstrar o desacerto do Fisco; ü Em relação alegação de que a Recorrente estar a demandar documento que constituiria prova de existência de “PEM” tempestivo, é de se destacar que incumbe a recorrente a guarda da documentação referente os despachos e as operações em que atue; ü Em sendo assim, a Interessada deixou de fazer prova conclusiva quanto ao arguido, que o pedido tenha sido solicitado antes do embarque; ü Quanto ao QRECURSO DE OFÍCIO, compulsando os autos verifica se que assiste razão ao Julgador de piso em afastar parcela da autuação referente a pedido que à luz disposto na IN 363 de 2003 seria tempestivo. Em 02 de julho de 2015, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora, tomou ciência do Acórdão n° 3403003.636, e se pronunciou no sentido de que não haveria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A empresa autuada tomou ciência do Acórdão n° 3403003.636, por via eletrônica, em 11/06/2015 (folhas 633). Em 16/06/2015, a empresa autuada apresentou EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, de folhas 635 a 644 do processo digital. Alega em síntese que a decisão embargada também incorreu em flagrantes obscuridade, omissões e contradições que devem ser sanadas, a saber: ü Incorreu em obscuridade, na medida em que às fls. 619 afirma que a decisão de primeira instância teria mantido o lançamento em sua integralidade, quando na verdade a decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar por Fl. 679DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 7 11 completo a penalidade imposta sobre a operação de exportação relativa à DE n° 2101317568/9; ü Incorreu em omissão, pois: Ø Deixou de se pronunciar acerca da preliminar de nulidade do Al em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa; Ø Deixou de enfrentar o argumento recurso de que a Embargante protocolou o PEM, ainda que posteriormente ao efetivo embarque, mas antes de qualquer procedimento fiscaiizatório da Fazenda, o que tem o condão de regularizar a exportação nos moldes de jurisprudência deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Ø Deixou de enfrentar o argumento recursal no sentido de que, o art. 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM, previsto apenas na IN n.° 28/94; Ø Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Ø Incorreu em contradição ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. DO PEDIDO Diante do exposto, espera e requer seja conhecido e integralmente provido os presentes embargos de declaração para sanar os vícios da decisão embargada cabalmente comprovados ao longo da presente peça recursal e, consequentemente, emprestandolhes os devidos efeitos modificativos, reconhecer a improcedência da autuação na parte em que mantida pela decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 16 de fevereiro de 2017, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para que uma nova decisão seja prolatada em Fl. 680DF CARF MF 12 melhor forma, com apreciação da preliminar de nulidade arguida, e, eventualmente, saneado o lapso constante do Relatório da decisão embargada. Portanto, entendese que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3403003.636, da 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF data de 19 de março de 2013. A empresa RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 16 de junho de 2015. Às folhas 633 do processo digital, consta documento referente à Termo de Ciência, com a ciência eletrônica do Embargante, na data de 11 de junho de 2015. Assim, o prazo de 5 dias para apresentação dos embargos foi observado. O recurso é tempestivo. 3. DA OBSCURIDADE, OMISSÕES E CONTRADIÇÃO Em 16 de outubro de 2015, a empresa RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao Acórdão n° 3403003.636, de folhas 635 a 644, objetivando: Sanar obscuridade: na medida em que às folhas 619 afirma que a decisão de primeira instância teria mantido o lançamento em sua integralidade, quando na verdade a decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar por completo a penalidade imposta sobre a operação de exportação relativa à DE n° 2101317568/9. Sanar as seguintes omissões: Ø Deixou de se pronunciar acerca da preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa; Ø Deixou de enfrentar o argumento recurso de que a Embargante protocolou o PEM, ainda que posteriormente ao efetivo embarque, mas antes de qualquer procedimento fiscaiizatório da Fazenda, o que tem o condão de regularizar a exportação nos moldes de jurisprudência deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Ø Deixou de enfrentar o argumento recursal no sentido de que, o art. 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM, previsto apenas na IN n.° 28/94; Ø Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 8 13 Sanar a seguinte contradição: ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. 4. DO DEFERIMENTO PARCIAL DA OBSCURIDADE Fragmento extraído do Relatório do Acórdão n° 3403003.636, às folhas 619 do processo digital: Cuidase recurso de Ofício e Recurso Voluntário. O voluntário interposto pela empresa Raízen Combustíveis Ltda., atual denominação social da empresa Shel Brasil Ltda., em razão da decisão que manteve o lançamento em sua integralidade exigindo multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias integrantes dos Despachos de Exportação n° 2101248412/2 (NF 204 e 209) e 2101317568/0 (NF 223 e 234) totalizando a quantidade de 301.364,79m3 de óleo bruto de petróleo, pela impossibilidade de sua apreensão em virtude da mercadoria não encontrar mais em solo brasileiro, como consta do relato fiscal: (Grifo e negrito nossos) De fato, a informação veiculada nesse fragmento é equivocada. Transcrevese abaixo o Acórdão n° 3403003.636, às folhas 618 do processo digital: Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, exonerando a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101317568/9. O julgador Zenaldo Loibman votou pelas conclusões. Quanto ao crédito exonerado, recorrese de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela legislação vigente. (Grifo e negrito nossos) Portanto, procede a alegação da Embargante, na medida em que o Acórdão n° 3403003.636 é expresso em assinalar que a impugnação foi julgada PROCEDENTE EM PARTE, na medida em que exonera a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101317568/9. Fl. 682DF CARF MF 14 DAS OMISSÕES Preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa É alegado nos itens 21 a 24 do RECURSO VOLUNTÁRIO: 21. Ora, da análise dos fatos "descritos” no Auto de Infração vergastado, depreendese claramente que, no afã de se cobrar uma multa exorbitante da Recorrente, o ilustre fiscal, ao que tudo indica por um lapso de atenção, fez um "corte e cola” do Auto de Infração objeto do processo administrativo n° 12466.721676/2011 11, de modo a tornálo incompreensível, ante a falta de concatenamento lógico de suas assertivas, impossibilitando, destarte, o exercício de defesa da Recorrente. 22. Nesse exato sentido, confirase acórdão proferido pela 3a Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo administrativo n° 10680.009059/200790, julgado em 23/08/2011, em textual: "A ausência de clareza e precisão do levantamento, da autuação e da muita, resultam em nuildade da autuação, por cerceamento do direito a ampla defesa, do contraditório, o que acaba por macular o due process of law, isto é o devido processo legal. A nuiidade ora suscitada é reconhecida, nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 37, caput, da CF/88 e a reconheço como de cunho material, pois se refere intrinsecamente com a descrição da infração propriamente dita.” 23. Por essa mesma razão é que o Decreto n° 70.235/72 também enumera como elemento essencial do auto de infração a descrição dos fatos e a correta disposição legal infringida, veja se: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da iavratura; ill a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável: a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná ia no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." 24. Nessa linha de raciocínio, merece reforma a decisão recorrida, uma vez que o auto de infração claramente carece da motivação necessária e intrínseca à própria natureza do ato administrativo do lançamento tributário, indo de encontro a todos os princípios corolários da Administração Federai contidas na Lei 9.784/99 art. 2°, bem como no próprio Decreto 70.235/72 art. 59. A argumentação esposada pelo Embargante tem o seu fundamento. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 9 15 O Acórdão n° 11043.465, da 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Recife/PE, datado de 24 de outubro de 2013, se pronuncia sobre o tema. Este Relator ao iniciar seus trabalhos na presente análise, admite essa dificuldade, inclusive fazendo a seguinte referência no início do Relatório: Em destaque, salientase desde já que há uma evidente falha material na organização das peças processuais, pois é colacionada à página 02 do Auto de Infração, trecho que deveria ter sido colacionado à página 09 e, à página 03, trecho que deveria estar colacionado à página 07. Mas em seguida, na mesma linha adotada pelo Acórdão n° 11043.465, esclarece: Merece destaque, ainda, o fato de que, às folhas 20 e seguintes, foi colacionado auto de infração relativo à decretação do perdimento, onde a sequências das folhas relativas à narrativa dos fatos foi observada, permitindo clara compreensão. Desse modo, ainda que seja patente a falha material na organização das peças processuais, o direito de Defesa da empresa autuada não ficou prejudicado, dada a colação de outro documento referente ao AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL N° 0727600/00286/11, pela fiscalização, a partir das folhas 19 do processo digital, contendo idêntica descrição dos fatos. O artigo 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM O artigo, vigente à época dos fatos, assim dispunha: Art. 15. O despacho aduaneiro de exportação de petróleo será processado pela unidade da SRF referida no art. 4º. Parágrafo único. O registro da declaração de exportação poderá ser efetuado no Siscomex após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional. (Renumerado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 385, de 12 de janeiro de 2004) § 1º O registro da declaração de exportação poderá ser efetuado no Siscomex após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional. § 2º No caso de unidades de produção ou de estocagem de petróleo exploradas sob o regime de consórcio de empresas, o despacho de exportação deverá ser realizado em nome de cada empresa associada, informandose no campo 'observações' do Registro de Exportação a identificação da unidade de produção ou de estocagem de petróleo, bem assim o nome e o CNPJ do consórcio. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 385, de 12 de janeiro de 2004) Fl. 684DF CARF MF 16 A Instrução Normativa SRF n.° 363/2003 instituiu a necessidade de prévia habilitação da empresa que opte pelo procedimento simplificado de exportação do petróleo. Ainda que a Instrução Normativa SRF n° 363/03 não tenha feito previsão expressa à necessidade de prévia autorização de embarque pela Unidade Local, o teor do artigo 20 deixa claro ser aplicáveis à exportação de petróleo as disposições da Instrução Normativa SRF 28/94: Art. 20. Aplicamse aos procedimentos previstos nesta Instrução Normativa, no que couber, as disposições constantes da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Os artigos 52 e 55 da Instrução Normativa SRF 28/94, vigentes à época dos fatos, assim dispunham: Art. 52. O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A critério do chefe da unidade local da SRF, o registro da declaração poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, na exportação: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) (...) Art. 55. A autorização para o embarque dos produtos indicados no parágrafo único do art. 52, será concedida pelo chefe da unidade local da SRF ou por quem for por ele designado, à vista de pedido do interessado e de Termo de Responsabilidade, para formulação da declaração para despacho aduaneiro "a posteriori", que obedecerá o modelo anexo. Esses dispositivos fundamentaram a Portaria ALF/Vitória 37/2007. Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Embora não conste na Ementa, essa informação consta expressamente do corpo do do Acórdão n° 3403003.636, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, não se vislumbrando qualquer omissão e prejuízo à Embargante. DA CONTRADIÇÃO Ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 10 17 Esse assunto já foi devidamente abordado na OMISSÃO referente ao tópico “O artigo 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM”. Com base nas razões acima expostas, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, reconhecendo a OBSCURIDADE em relação ao Relatório do Acórdão n° 3403003.636, às folhas 619 do processo digital e a OMISSÃO em relação a falha material na organização das peças processuais, em que pese o direito de Defesa da empresa autuada não restar prejudicado. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 686DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003462/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009
DEPÓSITO JUDICIAL. REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago.
DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN.
A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207-210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado, mantendo a suspensão dos débitos, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação do demonstrativo referido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago. DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN. A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado, mantendo a suspensão dos débitos, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação do demonstrativo referido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 62 /2 01 0- 97 Fl. 353DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.216227: 5. O processo em exame versa sobre um lançamento de Cofins e outro de Pis, ambos realizados pela DEFIS/SPO em 27/10/2010 com o escopo de constituir débitos dessas contribuições apurados no período de janeiro a agosto de 2009. 6. O lançamento da Cofins foi formalizado no auto de infração anexo às fls. 93/96, cujos demonstrativos se acham nas fls. 89/92; já o do Pis deu origem ao auto de infração das fls. 102/105, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 98/101. 7. O autor do feito lavrou ainda um Termo de Verificação Fiscal (fls. 79/87). Segundo relata nesse documento, apurou os débitos mencionados em planilha anexa à fl. 88, empregando como base de cálculo as “outras receitas” contabilizadas pela empresa no período autuado, as quais não haviam sido tributadas em virtude de discussão judicial travada nos autos do mandado de segurança n° 2004.61.00.0094621. Ressalta que os débitos não foram declarados em DACON nem em DCTF e assinala a necessidade de lançálos sem exigibilidade suspensa e com multa de ofício, tendo em vista que os depósitos judiciais realizados pela autora haviam perdido a eficácia devido à desistência da ação. 8. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa de ofício e juros de mora (calculados até 30/09/2010), perfaz os montantes de R$ 7.672 348,57 no caso da Cofins (fl. 93) e R$ 1. 665.707,13 no caso do Pis (fl. 102). 9. Tomando conhecimento da autuação em 29/10/2010 (fls. 94 e 103), a interessada apresentou em 29/11/2010 — tempestivamente portanto — impugnação composta de 17 folhas (fls. 109/125) e instruída com diversos documentos (126/189), na qual alega em síntese que: 1. Em 2004 impetrou os mandados de segurança n° 2004.61.00.0094621 e 2004.61.00.0256724. 2. O primeiro tinha por fim assegurarlhe o direito líquido e certo de apurar o PIS e a COFINS apenas sobre as receitas decorrentes das vendas de bens e serviços, deixando de incluir, portanto, as “outras receitas” na base de cálculo dessas contribuições. 3. Pleiteou ainda nesse processo a possibilidade de aproveitarse dos valores/créditos indevidamente recolhidos a maior, ou seja, dos valores pagos a título de PIS/COFINS sobre “outras receitas”. 4. Revogada a medida liminar anteriormente concedida que autorizava a exclusão das “outras receitas” da base de cálculo do PIS/COFINS, efetuou Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 3 3 depósito judicial do benefício gerado pela decisão judicial para as contribuições apuradas entre setembro de 2004 e dezembro de 2007, devidamente acrescidas de juros moratórios, passando desde então a fazêlo mensalmente até o período de apuração de junho de 2009, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 5. Após o período de apuração de Junho de 2009, parou de efetuar os depósitos judiciais e passou a recolher as contribuições ao PIS e à COFINS incidentes sobre “outras receitas”. 6. O segundo tinha por fim assegurarlhe o direito líquido e certo de aproveitar o direito à geração de créditos da nãocumulatividade relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, sob a mesma alíquota aplicável às instituições financeiras, e relativos às despesas com terceiros das mais diversas ordens, sob a mesma alíquota aplicável a cada um destes. 7. Também revogada a medida liminar anteriormente concedida, efetuou depósito judicial dos benefícios fruídos nas apurações das contribuições relativas ao período de setembro de 2004 a dezembro de 2007, devidamente acrescidas de juros moratórios, passando então a fazêlo mensalmente, até o período de apuração de dezembro de 2008, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 8. Após o período de apuração de dezembro de 2008, a Impugnante parou de efetuar os depósitos judiciais e passou a não mais tomar créditos da não cumulatividade das contribuições ao PIS e a COFINS incidentes sobre despesas financeiras. 9. Tal fato foi objeto de verificação da fiscalização, que, inclusive, deixou de autuar, neste mister, a Impugnante. 10. A quase integralidade dos valores lançados nos autos de infração ora impugnados encontrase depositada judicialmente e está em vias de ser convertida em renda da União, já que desistiu de ambas as ações judiciais a fim de aderir ao parcelamento instituído pela lei n° 11.941/2009. 11. No tocante ao mandado de segurança n° 2004.61.00.0094621, em 30/09/2009 requereu a desistência do recurso de apelação interposto e renunciou ao direito sobre o qual se fundava a ação (documento 3), requerendo ainda a conversão em renda dos valores depositados — a qual deverá darse nos termos da referida lei n° 11.941/2009, que prevê redução de 100% da multa e 45% dos juros para pagamento a vista/conversão de depósitos — e o levantamento das diferenças. 12. A autoridade fiscal lançou a totalidade dos valores apurados a título de Pis e Cofins incidentes sobre “outras receitas”. 13. Ao fazêlo, ignorou completamente a existência dos depósitos judiciais, apoiandose na conclusão absurda de que, homologada a desistência da ação judicial, eles seriam ineficazes por não estarem mais vinculados a uma medida judicial e, portanto, não mais se prestariam a suspender a exigibilidade do crédito tributário. 14. No entanto, devese considerar no presente caso os seguintes depósitos judiciais vinculados ao mandado de segurança em apreço, comprovados pelos extratos das contas de depósito judicial 1181 635 000027455 (PIS Outras Receitas) e 1181 635 000027463 (COFINS Outras Receitas) – documento 4 , mantidas na Caixa Econômica Federal (Administração de Depósitos Judiciais): (...) Fl. 355DF CARF MF 4 15.A petição que protocolou nos autos do mandado de segurança em exame em 21/06/2010 (documento 5) traz uma planilha dos valores a converter em renda da União e dentre eles os exatos valores acima mencionados. 16. Os depósitos relativos aos períodos de apuração de janeiro, abril e junho de 2009, que estão em vias de ser convertidos em renda da União, extinguem os débitos lançados, nos termos do art. 156 do CTN, como mostram os demonstrativos a seguir: (...) 17. Os valores depositados judicialmente tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário até que seja procedida a conversão do montante em renda da União, sendo totalmente desprovido de razoabilidade o entendimento de que, uma vez transitada em julgado (pela desistência do recurso de apelação e renúncia ao direito CPC, 269, V), os depósitos não teriam lastro em medida judicial e desta forma não teriam o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. 18. Embora seja crível que desde o trânsito em julgado até a efetiva conversão dos depósitos em renda da União haja o processamento normal do feito com o cumprimento de atos formais, não se pode admitir que durante esse trâmite o débito seja exigível e possa ser cobrado da impugnante. 19. Ademais, apenas a título de argumentação, após a edição da lei n° 9.703/98, a conversão do depósito em renda da União passou a ser ato meramente formal, uma vez que os valores depositados ficam à disposição da União na Conta do Tesouro Nacional . 20. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário pelo depósito do montante integral nos termos do art. 151, II, do CTN, não cabe imposição de multa de ofício em lançamento destinado a prevenir a decadência, consoante prevê o art. 63 da lei n° 9.430/96 e confirma a jurisprudência administrativa que ora traz à colação. 21. Diante do exposto, requer seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, II do CTN, até que este seja extinto nos termos do artigo 156, VI do mesmo diploma legal, procedimento este que já foi iniciado nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0094621, bem como seja afastada a multa de ofício aplicada. 22. Já os valores lançados relativos aos meses de julho e agosto de 2009 são de fato devidos, não tendo sido depositados nem recolhidos. Por isso quitouos no dia 26/11/2010, ou seja, dentro do prazo de pagamento do auto de infração — valendose da redução de 50% da multa, segundo dispõe o art. 44 da lei n° 9.430/96 c/c o art. 6o, I, da lei n° 8.218/91 (ambos reproduzidos na impugnação) — como mostram o DARF anexo (documento 6) e os demonstrativos abaixo: (...) 23. Desta forma, requer seja extinto o crédito tributário lançado para os meses de julho e agosto de 2009 pelo pagamento, nos termos do artigo 156, I do Código Tributário Nacional. 24. Quanto aos períodos de apuração de fevereiro, março e maio de 2009, observamse pequenas diferenças entre os valores depositados e os recolhidos: (...) Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 4 5 25. Tais diferenças realmente são devidas, uma vez que a conversão dos depósitos em renda não será suficiente para extinguir a totalidade do crédito tributário lançado. 26. Por isso as recolheu em 26/11/2010, ou seja, dentro do prazo de pagamento do auto de infração. Além disso, recolheu a multa de ofício sobre os valores lançados nos meses em apreço, a qual também é devida em virtude de os depósitos terem sido efetuados a menor. 27. As quantias mencionadas foram recolhidas por meio do DARF anexo (documento 6) e segundo os cálculos a seguir: (...) 28. Como a soma dos valores depositados judicialmente mais os valores pagos no prazo de vencimento do presente auto de infração têm o condão de extinguir a totalidade do crédito tributário lançado para os meses de Fevereiro, Março e Maio de 2009, requer seja reconhecida sua extinção nos termos do artigo 156, I e VI. 29. No que se refere à redução aplicada à multa de ofício, como transcrito no tópico acima, esta tem por base o disposto no artigo 44, § 3° da lei n° 9.430/96 cumulado com o artigo 6°, I da lei n° 8.218/91. 30. Diante do exposto, considerando que os seguintes valores se encontram depositados nos autos do Mandado de Segurança n. 2004.61.00.0094621 e, comprovadamente, em procedimento de conversão em renda da União: (...) 31. Considerando que a multa de ofício no percentual de 75% lançada para os períodos de apuração Janeiro, Abril e Junho de 2009 é indevida por vedação expressa do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como jurisprudência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 32. Considerando que a totalidade dos valores lançados para os períodos de apuração de Julho e Agosto de 2009, devidamente acrescida de juros e multa de ofício foi integralmente quitada, bem como as diferenças apuradas para os períodos de Fevereiro, Março e Maio de 2009, parcela de juros sobre elas incidentes e multa de ofício sobre o total lançado, nos termos dos cálculos abaixo e DARF anexa (Documento 06): (...) 33. requer o conhecimento da presente impugnação para, no mérito, reconhecer ser indevida a multa de ofício lançada para os meses de Janeiro, Abril e Junho de 2009 e a extinção do crédito tributário para todo o restante lançado, nos termos dos incisos I e IV do artigo 156 do Código Tributário Nacional. 10. Segundo o extrato do processo anexo às fls. 209/211, a autoridade preparadora, antes de enviálo a esta DRJ, utilizou ambos os DARF mencionados pelo sujeito passivo — um relativo ao Pis e outro à Cofins (fl. 189) — para quitar integralmente os débitos de julho e agosto de 2009 e parcialmente os débitos de fevereiro, março e maio de 2009, extinguindo, quanto a estes últimos, as diferenças apontadas no item 24 do resumo da peça impugnatória. Fl. 357DF CARF MF 6 11. A extinção integral dos débitos de julho e agosto de 2009 também é atestada pelos extratos do sistema SIEF anexos às fls. 195 (Cofins) e 197 (Pis). 12. Atendendo a despacho exarado por esta Turma de Julgamento (fls. 198/200), a EQAMJ (Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito “sub judice”) da DERAT/SP, por meio dos cálculos de imputação descritos nas fls. 202/207, verificou serem insuficientes para quitar os respectivos débitos os 12 depósitos judiciais citados pela recorrente (item 14 do resumo da peça impugnatória), cuja existência confirmam os extratos do sistema SINAL08 juntados pela autoridade fiscal nas fls. 65/66. Em 20 de junho de 2013, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 FALTA DE DECLARAÇÃO. Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido declarados em DCTF ou outro documento que constitua confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO. Cabe à autoridade julgadora, ao analisar as alegações deduzidas pela impugnante, tomar em conta apenas o crédito tributário remanescente da revisão de ofício empreendida pela unidade de origem. Em outras palavras, não compõem a matéria controversa os débitos por esta exonerados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. O fato de o crédito tributário ter sido objeto de discussão na Justiça, independentemente de sua exigibilidade estar suspensa ou não por depósito judicial ou qualquer outra medida prevista em lei, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL (PA 01/2009 a 06/2009). Não incide multa de ofício sobre o crédito tributário, quando suspenso pelo depósito integral do montante devido, em conformidade com o disposto no art. 151, II do CTN. Sendo, no entanto, insuficiente o depósito realizado, impõese o lançamento da penalidade pecuniária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 FALTA DE DECLARAÇÃO. Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido declarados em DCTF ou outro documento que constitua confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO. Cabe à autoridade julgadora, ao analisar as alegações deduzidas pela impugnante, tomar em conta apenas o crédito tributário remanescente da revisão de ofício empreendida pela unidade de origem. Em outras palavras, não compõem a matéria controversa os débitos por esta exonerados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. O fato de o crédito tributário ter sido objeto de discussão na Justiça, independentemente de sua exigibilidade estar suspensa ou não por depósito judicial ou qualquer outra medida Fl. 358DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 5 7 prevista em lei, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL (PA 01/2009 a 06/2009). Não incide multa de ofício sobre o crédito tributário, quando suspenso pelo depósito integral do montante devido, em conformidade com o disposto no art. 151, II do CTN. Sendo, no entanto, insuficiente o depósito realizado, impõese o lançamento da penalidade pecuniária. Cientificada da decisão de piso 31.10.2013 (fls. 235), a Recorrente interpôs recurso voluntário 28.11.2013 (fls. 236250), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2016 (fls.815) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2016 (fls.820836) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito II.1. Dos períodos de apuração de julho e agosto de 2009 Conforme exposto anteriormente, tratase de Auto de Infração para cobrança de débito do PIS e da COFINS do período de apuração de janeiro a agosto de 2009, com a incidência de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Em relação aos períodos de julho e agosto de 2009, a Recorrente reconhece como devido os débitos apurados nesses meses, inexistindo, assim, controversa sobre o montante exigido. Deste modo, resta analisar os débitos dos períodos remanescentes, alvo de contestação por parte da Recorrente. II.2 Dos demais períodos de apuração (janeiro a junho de 2009) Para os períodos de apuração do período de janeiro, abril e junho de 2009, seja em sede impugnatória quanto em recursal, a Recorrente alega que efetuou depósito judicial do valor integral exigido, no efetivo prazo de recolhimento das contribuições, estando, a exigibilidade das contribuições suspensas nos termos do inciso II, do artigo 151, do CTN. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 359DF CARF MF 8 Requer, por esse fundamento, o afastamento da multa e juros moratórios, bem como da multa de ofício. Quanto aos débitos de fevereiro, março e maio de 2009, a Recorrente assume que ocorreu depósito a menor, o que a levou a recolher, não só as diferenças entre os valores lançados e os depositados, mas também a multa de ofício correspondente à totalidade dos valores lançados, com a redução de 50% prevista no art. 44, § 3º, da lei n° 9.430/96 c/c o art. 6°, I, da lei n° 8.218/91. Requer, por este motivo, que seja reconhecida a suspensão dos débitos objeto de depósito judicial e, reconhecida a extinção pelo pagamento da multa ofício nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que a fiscalização realizou nova apuração do montante originalmente exigido, considerando, para tanto, os valores pagos e depositados pela Recorrente, conforme se verifica no demonstrativo carreado às fls. 207210. Naquela ocasião, a fiscalização corretamente, excluiu a multa e os juros sobre o total do lançamento, mantendose a incidência desses consectários apenas sobre o saldo devedor apurado. Neste cenário, entendo correta a nova apuração de cálculos realizada pela fiscalização que, considerando os depósitos judiciais noticiados pela Recorrente, alguns realizados fora do prazo de vencimento e, outros em valor menor do que devido, refez o lançamento fiscal e manteve a incidência de multa de ofício e juros sobre o saldo devedor apurado. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado com suspensão, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação de mesma folha. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003838/2008-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/04/2002
RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial quando não prequestionada a matéria apresentada ao litígio.
Numero da decisão: 9303-006.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial quando não prequestionada a matéria apresentada ao litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 38 38 /2 00 8- 10 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.014, de 21 de agosto de 2013 (fls. 108 a 112 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem conforme consta do auto de infração, em ato de conferência física para verificar as mercadorias objeto da DDE (Declaração para Despacho de Exportação) n°2081427738/1, de 02/12/2008, a fim de realizar sua devolução ao exterior, a fiscalização constatou que os volumes apresentados não continham as calculadoras descritas nos documentos correspondentes. Em seu lugar foram encontradas 53 (cinquenta e três) caixas de papelão contendo areia, 19 (dezenove) vazias e 16 (dezesseis) com calculadoras pequenas de uso comum. Concluiuse, pois, que as mercadorias anteriormente importadas foram alvo de extravio, conforme evidenciado pelas cópias do AWB, DTA, Fatura, Romaneio e FEM. O Contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese, que: é uma empresa autorizada pela Receita Federal para funcionar como porto seco, podendo receber e armazenar mercadoria estrangeira ou exportar mercadoria nacional, não promovendo a entrada de mercadoria estrangeira, por ser impedido de comercializar, importar ou exportar qualquer tipo de mercadoria. a mercadoria em questão não foi objeto de declaração de importação, não ocorrendo no caso o fato gerador; nos casos de extravio, furto ou roubo da mercadoria importada, em que o depositário cumpriu fielmente o seu dever, não há que ser o mesmo responsabilizada pelo pagamento dos tributos e multa; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 4 3 a análise dos elementos caracterizadores da ocorrência do caso fortuito ou força maior, deve ser feito caso a caso, não podendo o órgão administrativo simplesmente se valer de referido ato declaratório para inovar quanto ao conceito e abrangência do caso fortuito e da força maior, fazendoo prevalecer sobre o Direito Civil, expresso nas leis; a autoridade aduaneira no local alfandegado Embrate, verificou não constatar indícios de violação, troca, ou qualquer outra ação direta do armazém alfandegado, tendo os volumes se apresentados da mesma forma que foram armazenados na sua chegada; tal fato pode ter ocorrido em várias partes da logística: transporte internacional, armazenamento junto a Infraero no aeroporto, transporte rodoviário entre o aeroporto e o Embrate. Ao final requer seja aplicada a pena de perdimento. A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/04/2002 EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As entidades da Administração Pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Recurso Improvido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 121 a 130) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 5 4 pelo contribuinte diz respeito ao descumprimento de formalidades regulamentares, na realização da vistoria aduaneira, a ensejar a nulidade do lançamento. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma os acórdãos de números 30134.887 e 310200.549. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 150 a 153. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 155 a 165, manifestando pelo não provimento do recurso e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade Entendo que o Recurso Especial do Contribuinte interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento, conforme despacho de fls. 150 a 153, sob os argumentos abaixo relacionados: O acórdão recorrido decidiu que as formalidades previstas nos artigos 581, §1º e 587 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto 4.543/2003), reclamadas pelo recorrente, não são imprescindíveis à validade do lançamento. Por sua vez, os acórdãos paradigmas assentam a importância de tais requisitos formais a validar a vistoria aduaneira e permitir o amplo direito de defesa, conforme se verifica claramente pela leitura de suas ementas. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 6 5 Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. É como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo do seu entendimento quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Para chegar a esta conclusão, devemos revisitar algumas peças processuais. Após ser cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de efls. 37 e segs, na qual pede a sua exclusão de responsabilidade em relação ao extravio, mas não alegou em momento algum a questão que agora está sendo discutida no âmbito de seu recurso especial, qual seja, falta de formalidades obrigatórias relativas ao procedimento da vistoria aduaneira. Obviamente que diante da falta de alegações da defesa, a DRJ não acatou a sua impugnação e não teceu qualquer linha sobre estas formalidades. Em seu recurso voluntário, inovou e apresentou diversas questões não alegadas em impugnação, inclusive a questão das formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Porém no acórdão recorrido, efls. 108 e segs, não se tratou no voto do relator de qualquer abordagem sobre as formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Ciente do acórdão, o contribuinte apresentou seu recurso especial de divergência justamente sobre este tema: formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Ou seja, esta matéria não está prequestionada e o recorrente não aviou o remédio adequado para correção da omissão que seria a oposição de embargos de declaração. O contribuinte aviou seu recurso especial em 23/10/2013, quando vigia o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que em seu art. 67, § 3º do anexo II, constava expressamente as condições de seguimento do recurso especial, senão vejamos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 8 7 (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Diante da absoluta falta de prequestionamento da matéria trazida em recurso especial, voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660450/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 50 /2 01 2- 93 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721751/2016-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013, 2014, 2015
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO TRANSMISSÃO DA ECD.
Deixar a empresa de apresentar a Escrituração Contábil Digital via SPED é infração sujeita à multa por mês-calendário a contar da data estabelecida pela Receita federal para o cumprimento da mencionada obrigação acessória.
Numero da decisão: 2201-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Recorrente BOI VERDE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013, 2014, 2015 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO TRANSMISSÃO DA ECD. Deixar a empresa de apresentar a Escrituração Contábil Digital via SPED é infração sujeita à multa por mêscalendário a contar da data estabelecida pela Receita federal para o cumprimento da mencionada obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 17 51 /2 01 6- 98 Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.212 2 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recursos Voluntários de fls.7049/7063, de fls. 7066/7102 e de fls. 7131/7166, interpostos, respectivamente, pelos responsáveis solidários Jaime Valler, Dory Grando e Agostinho Scatalão Neto, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS de fls. 6810/6844, que julgou improcedente as impugnações apresentadas pela BOI VERDE ALIMENTOS LTDA e pelos sujeito passivos solidários JAIME VALLER, AGOSTINHO SCATALÃO e DORY GRANDO mantendo o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (fls. 02/06) lavrada em 01/08/2016 por não atendimento á intimação para apresentação da escrituração contábil digital (ECD) ou esclarecimentos pelo contribuinte. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 20.000,00. Conforme o Relatório Fiscal nº 0140721.751/201698 de fls. 08/09: por força do disposto no art. 14 da Lei 9.718/96, a empresa fiscalizada é sujeita ao Lucro Real como forma de tributação, por conseguinte, obrigada a adotar a Escrituração Contábil Digital (ECD) nos termos do disposto no art. 3°, inciso I, da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007; a empresa foi solicitado a proceder à transmissão da contabilidade dos anos calendário 2013, 2014 e 2015 para o ambiente SPED Sistema Público de Escrituração Digital e apresentar o recibo emitido após a conclusão desta transmissão, no entanto deixou de atender a intimação da fiscalização; 1) Da Multa: A multa varia, pois, o inciso II do artigo 57 da Medida Provisória n° 2.158 35, alterada pela Lei 12.873 de 2013, estabelece multa de R$ 500,00 por mêscalendário pelo não atendimento à intimação para apresentar a escrituração digital. Para os anoscalendário de 2013 e 2014, a ECD deveria ser entregue até o último dia útil de junho do anocalendário seguinte (art. 5° da Instrução Normativa n° 787, de 19/11/2007, que vigorou até 30/11/2015), e para o anocalendário 2015, a ECD deveria ser entregue até maio do ano seguinte (Instrução Normativa RFB n° 1.594, de 01/12/2015, o art. 5°). A multa lançada foi, então, assim apurada: Fl. 7212DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.213 3 Da Impugnação Em face dos autos de infração, foram apresentadas as impugnações compiladas na tabela abaixo: Ante a clareza e precisão didática do resumo das Impugnações elaborada pela Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO BOI VERDE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 05.413.780/000115. • Não há elementos para que se considere hipótese de responsabilidade solidária no caso dos autos, sendo que não há interesse comum entre as pessoas tidas como devedores solidários e o Impugnante. • A análise das condições existentes na legislação, com a interpretação doutrinária e jurisprudencial a respeito do assunto certamente serão suficientes para que se possa concluir pelo desacerto praticado pelo agente fiscal. • Tece argumentos jurídicos contrários aos procedimentos adotados pela fiscalização para a caracterização da responsabilidade solidária e menciona jurisprudências. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. (...) • Busca demonstrar que não há interesse comum entre a empresa Boi Verde Alimentos e as pessoas consideradas responsáveis solidários. • As provas apresentadas pela fiscalização são desconexas, isoladas e aleatórias. • Não se pode considerar a viabilidade econômicofinanceira de uma empresa somente por seu faturamento. Isso seria temerário, um erro primário. Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.214 4 • O proprietário do imóvel locado pelo Impugnante retrata exemplo típico desta situação, porquanto foi sócio de várias empresas que se estabeleceram no local e simplesmente encerraram suas atividades de forma irregular. • Com relação ao Sr. Dory Grando, pelo fato de ter sido sócio de duas empresas anteriormente que infelizmente tiveram problemas financeiros, acabou por comprometer todo o seu patrimônio, necessitando buscar fonte de renda onde efetivamente tem conhecimento, que é no ramo da comercialização de carnes. O fato de ter sido empresário mal sucedido, necessitando de emprego, não pode ser considerado como crime ou fraude, como sustentado pelo agente fiscal. • Com relação ao Sr. Jaime Valler menor razão assiste para as suposições levantadas pelo agente fiscal para tentar responsabilizálo. O fato de ser empresário de destaque na cidade, por primeiro, não lhe pode trazer qualquer traço de responsabilização tributária. • A empresa da qual é sócio o Sr. Jaime Valler, e que possui relação jurídica com o sujeito passivo atual, conforme demonstra seu contrato social. • Com relação às transferências mencionadas pelo agente fiscal nos Autos de Infração, no valor de R$ 24.209.118,78, a despeito de o número inicialmente impressionar, é possível constatar, pelos documentos ora juntados, que há origem para toda a negociação. • Em relação as notas fiscais anexadas, a empresa Qually Peles possui contrato de fornecimento de couro com a empresa Curtume Panorama Ltda. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerce suas atividades. Por isso, e somente por isso, não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a tividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • Não se pode acatar o posicionamento do agente fiscal de que pelo fato de ter o Sr. Jaime Valler prestado depoimento na ação de despejo movida pelo Sr. Artur teria demonstrado conhecimento minucioso do contrato e das atividades do sujeito passivo e que haveria interesse comum com o Impugnante na exploração da atividade. • Enfim, relata inúmeras passagens e situações específicas das vidas pessoais e empresariais dos sujeitos passivos solidários com o intuído de demonstrar que não participam das atividades da empresa fiscalizada por não possuírem interesses em comum. • Que os Autos de Infração não trazem prova do interesse comum dos Srs. Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jaime Valler na gestão do negócio. Fl. 7214DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.215 5 • Não há um único documento assinado por referidas pessoas na qualidade de representantes do Boi Verde Alimentos Ltda em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • O agente fiscal não reuniu qualquer documento para demonstrar que as pessoas tidas como responsáveis solidários pelo débito participam da administração da empresa? • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente suspeitas e tendenciosas as informações obtidas pelo Agente Fiscal e descritas no relatório fiscal, posto que em nada contribuem no contexto probatório, estando eivadas de irregularidades e suspeições. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos, como reconhecido pelo próprio agente fiscal, foram informais, e não ocorreram sob o pálio da ampla defesa e do contraditório, por isso não podem ser considerados • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização solidária são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN), de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADIN n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição Fl. 7215DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.216 6 sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O sujeito passivo requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, ns. 10140721.751/2016 98 e 1014 0721.0 63/201628, notadamente no que diz respeito às alegações de fraude, que levaram a responsabilização de terceiros, tendo em vista a ausência dos elementos para tanto, nos termos da fundamentação esposada. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei n. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no princípio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Fl. 7216DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.217 7 IMPUGNAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO JAIME VALLER – CPF 144.416.40900. • Não é caso quer de responsabilização solidária do Impugnante em relação a esta multa vez que: não é sócioinvestidor ou sócio administrador da empresa autuada, e jamais teve interesse, comum com a Autuada; esta multa, se devida, não é de responsabilidade do sócio, mas sim da empresa; o caso em tela não se subsume ao tipo do Art. 57 da Medida Provisória 2.158/352001. • Seja pelo depoimento do Sr. Artur Jose Vieira (No Processo Administrativo sob n° 10140.721964/201458), seja pelos fatos levantados pela fiscalização, temse que o Sr. Jaime jamais foi o administrador desta empresa. Quer o Sr. Artur, quer a fiscalização foram claros ao indigitar que a administração do Frigorífico Boi Verde caberia, exclusivamente, aos Srs. Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando (inclusive porque os parentes, destes, e não do Sr. Jaime, é quem trabalhariam no Frigorífico). • O fato de o Impugnante ter patrimônio pode até significar que isto o legitimava para ser fiador no contrato de locação. Mas, entretanto, não há qualquer prova de que este patrimônio, do Impugnante, foi utilizado para integralizar capital social (e, evidentemente, que por se tratar de uma sociedade em comum (o que se admite pela Eventualidade), não se esta a falar de "capital social" registrado em contrato social, mas sim de capital social enquanto medida de contribuição econômica de um sócio para a atividade empresarial). • Pelo Princípio da Eventualidade, mesmo que demonstrado que o Impugnante seja sócioinvestidor do Frigorífico Boi Verde Ltda (já que a tese de que o Impugnante poderia ser sócio administrador do Frigorífico Boi Verde Ltda foi afastada pelo próprio Relatório Fiscal do Processo Administrativo sob n° 10140.721964/201458,), cabe, agora, indagar se, mesmo assim, poderseia responsabilizar, o Impugnante, solidariamente, pela multa indigitada no Auto de Infração. • Quanto a este ponto, há que se partir da premissa de que uma empresa ser sociedade em comum, não lhe retira a capacidade tributária passiva. Neste sentido vale transcrever o Art. 126, III do CTN. • O sócio (investidor ou administrador), não pode ser por ela responsabilizado solidariamente com a empresa. • Consta no "Relatório Fiscal de Lançamento Tributário" que a aplicação da multa estaria legitima pelo seguinte fato: "Sujeito passivo não atendeu a intimação fiscal (feita por edital) para a transmissão da contabilidade para o ambiente SPED e nem apresentou o recibo comprovante da entrega da ECD solicitada, uma vez que, de fato não depositou sua Escrituração Contábil Digital relativo aos anoscalendários de 2013, 2014 e 2015, conforme consulta no SPED" Fl. 7217DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.218 8 • A multa, portanto para a Lei, é pelo não atendimento à intimação, e, por conseguinte, calculada pelos meses calendários que não se atendeu a intimação, mas não pelos meses calendário em que não se cumpriu a obrigação acessória (transmissão da ECD ao SPED). • Portanto, há que se reduzir a multa, o que se admite pela eventualidade, para o fim de ser a mesma calculada exclusivamente pelo período de meses em que não se atendeu a intimação da fiscalização (de jan/2016) até a data do lançamento (agosto/2016). PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: a) conheça da Impugnação, suspendendo a exigibilidade do tributo: b) em relação a este Auto de Infração: b.l) declare que o Impugnante não é sócio administrador ou sócio investidor do Frigorífico Boi Verde Ltda, c, por esta razão, não pode ser responsável pelos créditos indicados no Auto de Infração; c.2) pela eventualidade, se declare que ainda que o Impugnante seja sócio (investidor ou administrador) do Frigorífico Boi Verde Ltda, ele não pode ser responsabilizado por multa punitiva (Art. 134, parágrafo único do C'l'N); c.3) pela Eventualidade, caso se considere devida a multa, que esta seja reduzida e calculada exclusivamente pelo período de meses em que não se atendeu a intimação da fiscalização (de jan/2016) até a data do lançamento (agosto/2016), e não pelos meses em que não se cumpriu a obrigação acessória (transmissão da ECD ao SPED), sendo esta a medida que mais se coaduna com a Lei e a Justiça. Pretendese provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a produção de prova documental, testemunha e pericial, rogandose, desde já seja utilizada, como prova empresta nestes autos, o Processo Administrativo sob n° 10140.721964/201458 (referente aos Autos de Infrações 51.062.8168, 51.062.817 6 e 51.062.8184). IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO AGOSTINHO SCATALÃO CPF 04 8.625.14 898. • A linha de raciocínio empregada pelo agente fiscal, (após uma análise minimamente aprofundada) mostrase absolutamente frágil e até mesmo temerária, e esteiase na conclusão de que como os sócios de direito não possuem patrimônio compatível com o empreendimento, seriam os Srs. Agostinho Scatalão (Impugnante), Dory Grando e Jayme Valler seus verdadeiros Fl. 7218DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.219 9 sócios (de fato), porquanto estes seriam detentores de patrimônio. Sustenta a tese de responsabilização do Impugnante no fato de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos teriam histórico de serem empregados de outros frigoríficos, bem como de que não teriam patrimônio compatível com a atividade desenvolvida pela empresa. • Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Há um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • As declarações de imposto de renda ora apresentadas fazem prova (que certamente seriam acessíveis ao agente fiscal, mas que estranhamente não foram mencionadas na sua linha de raciocínio) de que o Impugnante se trata de produtor rural com muito mais tempo de experiência no ramo do que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda. • A prova apresentada pelo Impugnante dá conta de que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio. • Antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP (Companhia Energética de São Paulo) quando da construção da Usina Jupiá (conforme crédito declarado nos impostos de renda dos anos de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014). Com os recursos provenientes desta compra e venda o Impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades rurais. • Este elemento (compra e venda de uma propriedade para a CESP), estranhamente desconsiderado pelo agente fiscal, que foi tão diligente na busca de tantos outros elementos para sustentar a irregularidade da gestão da empresa Boi Verde, é de fundamental importância, porque remonta à origem do patrimônio do Impugnante. • De modo que é possível afirmar que o vistoso patrimônio mencionado pelo agente fiscal foi adquirido pelo Impugnante antes mesmo de começar a trabalhar para o Boi Verde Alimentos Ltda. • Uma das atividades econômicas desenvolvidas pelo Impugnante é a compra de bovinos para engorda e posterior abate, ou seja, além de trabalhar para o Boi Verde Alimentos, continua a explorar a atividade pecuária. Adquire bezerros ou Fl. 7219DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.220 10 garrotes e os deixa para engorda, normalmente em pastos arrendados para posteriormente abatêlos no momento adequado. • Junta várias notas fiscais, do período em que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda., demonstrando que adquire animais para engorda. Conforme se denota das notas fiscais juntadas com a defesa, é possível verificar que eram adquiridos animais com pouca idade para engorda e depois abate no sujeito passivo, não se antevendo qualquer ilegalidade nesta conduta. • Na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante trabalha na compra e venda de gado com os pecuaristas. De outro lado, como o Impugnante também é pecuarista, atuando na compra e venda de animais para engorda (atividade diversa da empresa Boi Verde Alimentos Ltda.) acaba sendo interessante trabalhar na empresa pelo fato de que possui contato constante com pecuaristas e, nestas condições, toma conhecimento de rebanhos que podem ser adquiridos para posterior abate. • Por força desta atividade o Impugnante realiza receita com a atividade e por isso tem condições de manter seus gastos e propriedades, situação que passa distantemente da conclusão alcançada pelo agente fiscal de que seria interesse comum (jurídico) na exploração da atividade. • A boa fé do Impugnante resta demonstrada por sua postura, que muito além de negar genericamente os fatos, apresenta argumentos consistentes, acompanhados de robusta prova, o que permite concluir que não pode ser enquadrado como devedor solidário. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Como em tão ampla e extensa fiscalização não foi possível encontrar nenhum documento comprovando, de forma inequívoca, que seria o Impugnante responsável pela administração da empresa, ou então seu sócio de fato? • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente tendenciosas as informações prestadas pelos ex funcionários acima mencionados, haja vista os danos por eles sofridos em razão das condutas adotadas pelo sujeito passivo, Fl. 7220DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.221 11 tendo inclusive Reclamações Trabalhistas ajuizadas em desfavor da empresa, tendo os declarantes como autores da demanda. • O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O Impugnante foi fiador do contrato, porquanto foi exigência do proprietário do imóvel para que o negócio (locação) fosse firmado e como trabalhava na empresa, foi garantidor do contrato. Não há qualquer ilegalidade nesta conduta, sendo que mesmo em casos em que o locatário possui patrimônio, ainda assim nessa modalidade de contrato é comum haver fiança de terceiro. • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização do Impugnante são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN) , de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo . • Não basta ao agente administrativo simplesmente alegar, porque acredita que assim seja, que o Impugnante é sócio da empresa, sem qualquer tipo de prova. • Os depoimentos utilizados no Auto de Infração, como também mencionado acima, não podem ser levados a sério, porquanto colhidos em respeito ao contraditório e, ainda, de pessoas que estavam simplesmente afirmando fatos por ouvir dizer. • Mesmo que se pretenda responsabilizar o Impugnante pelo disposto no art. 135, II do CTN, ainda assim é de se concluir que não houve provas suficientes de ilícito praticado, muito menos de dolo em sua conduta, o que implica, da mesma forma, no cancelamento do Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. Fl. 7221DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.222 12 • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e Fl. 7222DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.223 13 em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DORY GRANDO CPF 305.095.64968. • Da narrativa contida no Relatório Fiscal verificase que o agente fiscal coordenou sua atuação e linha de raciocínio para demonstrar: a) que os sócios constantes do contrato social não têm capacidade de sêlo, seja pela ausência de histórico de atuação administrativa em empreendimentos do mesmo segmento, seja pelo patrimônio incompatível com o negócio; b) que as pessoas de Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jayme Valler estão em conluio e são os verdadeiros administradores da empresa, notadamente porque são respectivamente produtores rurais e empresários conhecidos em seus segmentos econômicos. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. • O interesse comum não pode ser presumido, deve ser provado pela autoridade fiscal, com robustas evidências de que se trata de pessoas envolvidas na mesma atividade. • Não estão presentes sequer indícios a sustentar a fantasiosa tese que alicerça os Autos de Infração ora impugnados. Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Sustentouse nos Autos de Infração que os elementos para a responsabilização do Impugnante decorrem de uma conjugação de fatores que permitem a conclusão de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. não seriam os reais detentores de seu capital social, notadamente porque seriam pessoas sem expressão econômica, sem histórico na atividade na qualidade de empresários e, por fim, que possuiriam patrimônio absolutamente incompatível com o porte da empresa. Por primeiro é de se reconhecer até mesmo um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • O início da responsabilização pretendida pelo agente fiscal decorre do fato de ser o Impugnante conhecido pecuarista e empresário no estado de Mato Grosso do Sul. Realmente o Impugnante é pessoa trabalhadora, desde tenra idade se dedicando ao trabalho para sair da origem humilde e conseguir Fl. 7223DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.224 14 melhores condições de vida para sua família, sendo que, ao contrário do que consignado pelo agente fiscal, ainda não se tem notícia de que esse tipo de postura é algum demérito. • Foi sócio da empresa Frigoara Frigorífico Arapongas Importação e Exportação de Carnes Ltda. Após encerrar as atividades no local, tendo transferido a sociedade a terceiros que continuaram na empresa, o Impugnante mudase para o Mato Grosso do Sul e como fruto do trabalho até então desenvolvido, tornase sócio da empresa Friporã – Frigorífico Bataiporã Ltda., situado na cidade de Bataiporã, tudo conforme documentação anexa. • Ocorre que a atividade infelizmente não foi exitosa, tendo o Impugnante de encerrar as atividades da unidade frigorífica, ficando vários débitos não pagos. Importante mencionar que o insucesso da atividade empresária não pode ser confundido com má fé ou ilícito, como quer fazer crer o agente fiscal. • O Impugnante acabou ao longo dos anos perdendo seu patrimônio para dívidas decorrentes da atividade do Friporã e, por isso, não teve alternativa senão buscar fontes de renda onde seria possível. A dívida que recai sobre o Impugnante, de mais de R$ 1.000.000,00 referente a multa ambiental aplicada à pessoa jurídica mas que lhe foi estendida. • Diante deste cenário por certo que o Impugnante se viu impossibilitado de continuar a exercer a atividade de empresário, sendo acometido de stress pelos problemas enfrentados. • Nada mais natural, portanto, que diante de situações como essas, seus familiares passem a auxiliar nos negócios, sendo por isso criada a pessoa jurídica Casagran, o que não se pode chamar de blindagem patrimonial, até porque mesmo os efeitos que pretende alcançar o agente fiscal eram inexistentes na época de sua constituição (1.997). • É leviana a tentativa do agente fiscal de chamar a atenção para o patrimônio das empresas constituídas pelo Impugnante. • O Impugnante constituiu todo o seu patrimônio antes de prestar serviços no sujeito passivo, e nada mais adquiriu após, justamente por força das dificuldades financeiras enfrentadas com o insucesso das atividades anteriores. • É realmente sócio do sujeito passivo, que fatura, como mencionado no auto de infração, centenas de milhões de reais por ano, como se poderia explicar que todo o seu patrimônio teria sido adquirido somente antes do início dos trabalhos no sujeito passivo? • Por ter sido sócio de dois frigoríficos anteriormente, possui conhecimentos importantes no mercado da carne processada (destino final da produção da planta frigorífica) e por isso é Fl. 7224DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.225 15 peça importante na atuação da empresa. Somente por isso, foi contratado para trabalhar no sujeito passivo. • A situação financeira do Impugnante, absolutamente diversa daquela noticiada no Auto de Infração, acabou por tornar necessário o aceite ao convite. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerceu suas atividades, por isso não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a atividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • O Sr. Artur tinha interesse em prejudicar o sujeito passivo e essa é uma das formas pelas quais poderia fazêlo, porquanto poderia se deparar com imaginações férteis, prontas a criar uma ficção a respeito do assunto, como de fato ocorreu no caso do presente Auto de Infração. • O Impugnante trabalha na empresa no setor de comercialização de produtos, devido ao conhecimento que possui com vários pecuaristas. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. • Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O fato de o Impugnante ter possuído, algum dia, patrimônio, não pode ser considerado de forma isolada para fins de ampliação da responsabilidade tributária. E como demonstrado pela documentação acostada aos autos, atualmente não mais possui patrimônio, todo consumido pelas dividas deixadas pelas empresas anteriores, que não lhe podem ser atribuídas pessoalmente . • Esqueceuse de mencionar o agente fiscal que naqueles autos o Sr. Arthur prestou depoimento na qualidade de informante do juízo, tendo em vista o nítido interesse que possuía na causa, não Fl. 7225DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.226 16 podendo ser tido como prova inequívoca, ou mesmo elemento complementar, para concluir pela presença do interesse comum. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Como reconhecido pelo próprio agente fiscal, não houve, por parte de nenhuma das demais testemunhas ouvidas no processo, qualquer menção ao fato de que o Impugnante seria sócio da empresa. Havendo várias testemunhas, é realmente estranho que nenhuma delas tenha mencionado fato de tamanha relevância para o deslinde da causa, apenas o proprietário do imóvel, interessado, portanto, e ainda assim o agente fiscal tenha lhe atribuído o peso de uma confissão. • Fosse o agente fiscal tão diligente na coleta de provas quanto foi em sua imaginação para criar a tese da responsabilidade solidária, poderia ter buscado alguma prova de que o Impugnante investiu dinheiro na empresa, integralizou capital de alguma forma, representa a pessoa jurídica, enfim, atos que efetivamente poderiam fazer pressupor pela administração da sociedade e não somente levianas ilações. • E realmente não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Não se pode acreditar que um servidor público, ciente de suas responsabilidades, possa responsabilizar uma pessoa física por uma dívida de R$ 15.000.000,00 aproximadamente simplesmente porque pessoas compareceram à fiscalização e informaram (porque não depuseram) que, por ouvir dizer, seria o Impugnante o sócio da empresa. • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo. • Somente porque entende que os sócios do contrato social não têm condições de sêlo, bem como de que é necessário responsabilizar alguém pelo débito, buscou estender a responsabilidade ao Impugnante. • A quem se atribui a qualidade de administrador, de gestor de uma empresa do porte do sujeito passivo deve pelo menos demonstrar, de forma concreta, atos praticados neste sentido por aquele que se pretende responsabilizar. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a Fl. 7226DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.227 17 ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, e 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Fl. 7227DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.228 18 Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Da Decisão da DRJ em Campo Grande/MS Quando do julgamento do caso, a delegacia da receita de Campo Grande MS, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa (fls. 6810/6844): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 2013, 2014 e 2015 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. INTERESSE COMUM. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Fl. 7228DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.229 19 Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÁLCULO DO VALOR DA MULTA. O cálculo do valor da multa aplicada é regido por legislação pertinente, vinculada e de cumprimento obrigatório, não cabendo à autoridade fiscal aplicação de critérios subjetivos ou mesmo discricionários. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NA APLICAÇÃO DAS MULTAS DECORRENTES DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Aplicase a solidariedade às multas decorrentes do descumprimento das obrigações assessórias, as quais se convertem em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, em cumprimento ao § 3° do art. 113 do CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. A prova documental será apresentada na impugnação, com preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Acerca das preliminares levantadas, assim entende a DRJ: Sobre a nulidade do lançamento elencada, decide citando o art. 59, o qual estipula que são nulos os lançamentos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 7229DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.230 20 Quanto a inconstitucionalidade, decide a delegacia que o órgão em questão não é competente para tratar de tal matéria, pois somente o poder judiciário é o titular desta competência. Por sua vez, no tocante a jurisprudência judicial e administrativa apresentada, entende que não sendo parte nos litígios objeto dos acórdãos, a interessada não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatada, devendo seu conteúdo decisório ser aplicado apenas as partes envolvidas naqueles litígios. No Mérito decide que: Deve ser mantida a responsabilidade solidária para com os três sujeitos passivos pessoas físicas. A autoridade julgadora afirmou que o caso em questão já foi analisado nos autos da PAF nº 10140.721964/201458, e tanto naquela oportunidade quanto nos presentes autos os RECORRENTES não juntaram provas capazes de afastar os levantamentos realizados pela autoridade fiscal. Ademais, a autoridade julgadora constata que nem o sujeito passivo nem os responsáveis solidários questionam o fato de não terem entregue a documentação necessária, apenas contestam o quantum da multa, uma vez que o responsável solidário Jaime Valler alega que a multa deve ser calculada proporcionalmente ao tempo transcorrido entre a intimação para apresentação dos livros contábeis em meio digital e a lavratura do auto de infração. A DRJ, assim, afirmou que tal entendimento encontrase equivocado pois vai de encontro ao que prevê o art. 57, II, da MP 2.15835. Assim, os critérios de cálculo do valor da multa são estabelecidos por lei e, em função do princípio da estrita legalidade, não há margem de ação para que a autoridade fiscal, subjetivamente, defina o valor da multa a ser aplicada. Dos Recursos voluntários Em princípio destacase que apenas os responsáveis solidários apresentaram Recurso Voluntário, de forma que, para a pessoa jurídica, a decisão da DRJ transitou em julgado. Desta forma, foram apresentados os seguintes recursos voluntários: (i) Jaime Valler: devidamente intimado em 25/4/2017 (fls. 7043), apresentou o recurso voluntário de fls 7049/7063em 3/5/2017; (ii) Dory Grando: devidamente intimada em 20/4/2017 (fls.7045) , apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7066/7102 em 16/05/2017; e (iii) Agostinho Scatalão Neto: devidamente intimado em 2/5/2017 (fls. 7042), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7131/7166 em 16/5/2017. Em suas razões de recurso, os RECORRENTES reiteraram o alegado em suas Impugnações. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 7230DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.231 21 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Da Responsabilidade solidária O presente processo é originário do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF nº 0140100.2015.002156 que, por sua vez, é o mesmo documento que originou o PAF nº 10140.721063/201628 (cujo objeto é a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR dos anoscalendário 2013, 2014 e 2015). Sendo assim, são conexos o presente processo e o PAF nº 10140.721063/201628, cujo Relatório fiscal descreve as razões pelas quais foi atribuída a responsabilidade solidária aos Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando. Portanto, sobre a responsabilidade solidária, adoto o voto, de minha relatoria, proferido nos autos do processo nº 10140.721063/201628: “Destaco adiante os principais pontos que culminaram para a atribuição da responsabilidade solidária no presente caso. No presente caso, a autoridade lançadora, após diversas tentativas infrutíferas de localizar a empresa devedora, diligenciou perante os locais onde funcionavam a empresa e a filial, assim como no endereço dos seus sócios de direito, todas tentativas sem sucesso. Nas visitas, coletou informações de exfuncionários da Boi Verde, assim como do proprietário das instalações onde funcionavam a filia da empresa (Sr. Artur José Vieira Júnior). Na ocasião, um dos exfuncionários (Sr. Rosalvo Neto) informou que as correspondências da Boi Verde, “após o fechamento do frigorífico, passaram a ser encaminhadas para um escritório montado nas dependências do jornal O Estado do MS, empresa de propriedade do Sr. Jaime Valler”, o qual foi fechado “devido à repetidas visitas de oficiais de justiça ocasionadas por inúmeras ações trabalhistas movidas contra a empresa”. Estas mesmas informações foram confirmadas por outro ex funcionário (Sr. Osvaldo Nonato), o qual ainda afirmou que, após o fechamento do frigorífico, o Sr. Jaime Valler “levou todas as máquinas para uma de suas empresas gerando uma demanda judicial contra ele por parte do Sr. Artur dono das instalações”, e que a sócia de direito (Sra. Gilmara) era cunhada do Sr. Agostinho Scatalão e não tinha poderes na estrutura de comando da empresa. Fl. 7231DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.232 22 O proprietário das instalações onde funcionavam a filia da Boi Verde (Sr. Artur José Vieira Júnior) informou à autoridade fiscal que todos os acordos de negociações do aluguel do imóvel do Sr. Artur foram feitos com os senhores Agostinho Scatalão Neto e Jaime Valler, que aparecem como fiadores com renúncia dos benefícios de ordem (fls. 216/223). Informou também as negociações para solucionar o inadimplemento do aluguel eram tratadas pelo Sr. Dory Grando e que “quando a empresa abandonou as instalações, o Sr. Jaime Valler levou o maquinário do frigorífico que eram de sua propriedade para uma das empresas dele na cidade de Campo Grande/MS”. Através análise dos autos de um dos processos judiciais movidos por decorrência da inadimplência do aluguel (processo nº 082969854.2013.8.12.0000), a autoridade fiscal constatou depoimento prestado em juízo, durante audiência de instrução, pelo Sr. Artur no sentido de que “antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; (...)”. Tais constatações ratificam trabalho anterior de fiscalização na mesma empresa Boi Verde, que culminou no PAF nº 10140.721964/201458 (Relatório Fiscal às fls. 346/366). Segundo a fiscalização, naquela oportunidade a autoridade responsável pelo lançamento “demonstrou que a empresa Boi Verde Alimentos LTDA, usava de interpostas pessoas para encobrir os verdadeiros proprietários e responsáveis com a intenção de burlar o fisco e proteger seus patrimônios pessoais”. Assim, destacou diversos trecho do Relatório Fiscal do PAF de 2014 para demonstrar o “modus operandi” da empresa e identificar os responsáveis de fato (fls. 33/38), dentre os quais destaco os seguintes: “Item 2.16. O sujeito passivo, com o suporte técnico do contador João Lemos Sandi, limitase a apresentar à fiscalização escassos documentos, deficientes e insuficientes para o alcance de uma auditoria fiscal abrangente e minuciosa. Segundo declaração firmada pela sócia Gilmara Eloiza Cavalcante em 08/03/2012 e apresentada à fiscalização pelo contador João Lemos Sandi, anexo 04, a empresa Boi Verde Alimentos não possui Livro Diário e Razão nos anos calendários 2008, 2009 e 2010, embora esteja legalmente obrigada a têlos. Ou seja, segundo sua "proprietária" a empresa não mantém escrituração contábil regular. Ora, não é factível que um empreendimento que faturou R$ 50.238.213,22, em 2008, R$ 87.504.380,43 em 2009 e R$ 92.499.898,22 em 2010, seja administrado sem o suporte de uma escrita contábil, de relatórios contábeis, de controles contábeis. (...)” “Item 2.17. Temse assim uma empresa sem patrimônio, com sócios desprovidos de capacidade econômica e gerencial, que não cumpre de forma contumaz suas Fl. 7232DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.233 23 obrigações tributárias e que reiteradamente causa embaraços à fiscalização. Estes fatos esboçam procedimentos que visam mascarar, artificiosamente ocultar e dissimular os negócios de terceiros, pois mantém os seus verdadeiros controladores no anonimato, preservando os seus patrimônios pessoais. Os sócios formais aparentam assumir um papel de comando, de direção, mas factualmente não possuem qualquer autoridade e responsabilidade. Este conjunto de indícios evidencia que os sócios que compõem formalmente a pessoa jurídica são interpostas pessoas, condição esta que modifica dolosamente as características dos fatos geradores dos tributos decorrentes de suas atividades econômicas, vez que se apresentam ficticiamente no polo passivo da obrigação tributária, ocultando terceiros responsáveis efetivamente pela ocorrência dos fatos geradores de tributos.” "Item 3.4. Muito embora o sujeito passivo Boi Verde seja uma empresa desprovida de qualquer patrimônio, cujos sócios são manifestamente interpostas pessoas, os senhores Jaime Valler e Agostinho Scatalão não titubearam em empenhar seu patrimônio obrigandose como devedores principais e renunciando ao benefício de ordem. Evidente está o interesse de ambos no êxito do empreendimento empresarial, pois sem o suporte financeiro destes o frigorífico jamais iniciaria suas atividades naquelas instalações." "Item 3.8. É notório e revelador o desinteresse das partes em ouvir os “sócios proprietários” da Boi Verde Alimentos Ltda. Ouviuse até mesmo o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas, estranhamento, não se ouviu os "proprietários" da empresa frigorífica, a princípio os maiores interessados no deslinde da causa. Entrementes, não há ao longo do moroso e custoso processo judicial qualquer manifestação ou declaração pessoal dos supostos sócios proprietários ou de seus herdeiros, pois na data da oitiva das testemunhas, 30/11/2011, Bráulio Aguero já havia falecido. Tais circunstâncias corroboram o afirmado pelo Sr. Artur José Vieira Junior de que as negociações referentes ao arrendamento foram realizadas com os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão e José Aparecido Tomazelli. A participação da dupla Gilmara Eloíza Cavalcante e Bráulio Aguero resumiuse às formalidades de apor suas assinaturas no contrato." " Item 3.12. Muito embora o Sr. Agostinho Scatalão seja uma pessoa de posses e pecuarista fornecedor de gado para o sujeito passivo, com situação patrimonial amplamente superior a dos “sócios proprietários” do frigorífico Boi Verde, o mesmo figura formalmente como empregado deste frigorífico. Observase assim uma inversão da ordem natural dos fatos, pois os que comandam efetivamente e proveem sustentação financeira ao empreendimento Fl. 7233DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.234 24 empresarial apresentamse formalmente como empregados e aqueles de minguado patrimônio e desprovidos de capacidade gerencial, reles subordinados, colocamse formalmente à frente da pessoa jurídica. A situação fática diverge frontalmente daquela retratada no contrato social, revelando que houve simulação na constituição do sujeito passivo." " Item 3.13. Conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Agostinho Scatalão Neto iniciou seu suposto vínculo empregatício com o sujeito passivo em 01/10/2005. Destaquese que este é o único vínculo empregatício mantido em toda a vida laboral do Sr. Agostinho Scatalão Neto. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Agostinho informa como ocupação principal o código 120, correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". Consta ainda como "empregada" do frigorífico a esposa do Sr. Agostinho, a Sra. Iara Joelma Cavalcante, CPF 206.426.62835, que igualmente declara como ocupação principal o código correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". No ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo." " Item 3.24. Não obstante o Sr. Dory Grando ser detentor de vistoso patrimônio e se apresentar como pecuarista e empresário, o mesmo consta nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP como empregado do sujeito passivo Boi Verde Alimentos Ltda. Conforme informado na GFIP, o suposto vínculo empregatício iniciouse em 01/10/2005, mesma data do início do igualmente suposto vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto. " " Item 3.25. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Dory informa a natureza da ocupação como “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. A esposa do Sr. Dory Grando, Sra. Marlene Casavechia Grando, CPF 624.799.20925, também consta como "empregada" do frigorífico Boi Verde. No entanto, igualmente declara como natureza de sua ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e como ocupação principal “Produtor na Exploração Agropecuária”. No ano Fl. 7234DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.235 25 de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos do frigorífico Boi Verde no total R$ 162.582,87." " Item 3.26. Há também aqui uma inversão de papéis. De um lado pessoas desprovidas de patrimônio e capacidade financeira apresentamse formalmente como proprietários de uma indústria frigorífica que fatura dezenas de milhões, sem quaisquer bens e carregada de dívidas tributárias. Do outro lado, uma pessoa com extenso patrimônio conhecido, pecuarista e fornecedor do próprio frigorífico, apresentase formalmente como empregado deste." Ora, todos os fatos acima apontados e verificados pela fiscalização convergem para o entendimento de que quem comandava e forneciam sustentação administrativa e financeira para a Boi Verde eram, de fato, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando. Note que desde a celebração do contrato de locação, referidas pessoas foram quem se apresentaram à frente do negócio, conforme destacou o proprietário do imóvel locado onde funcionou a filial da Boi Verde. Tanto que os mesmos Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatalão Neto figuraram como fiadores no contrato, renunciando ao benefício de ordem, revelando o nítido interesse comum no negócio, tendo em vista que a empresa Boi Verde era desprovida de patrimônio e os seus sócios de direito possuíam poucos recursos, o que colocava os fiadores como a principal fonte de segurança do contrato de arrendamento, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus já que eram os principais pagadores pois renunciaram o benefício de ordem. Tal situação revela o interesse comum dessas pessoas físicas com a empresa Boi Verde, o que ficou demonstrado também pela iniciativa e empenho nas articulações da locação. Conforme o Contrato Social e alterações da empresa Boi Verde (fls. 291/313) esta foi constituída em 27/11/2002 e tinha como sócios os Srs. Bráulio Aguero e Ceríaco Morales Rodrigues. Este último foi substituído até que figurou como sócia, em 20/11/2003, a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Mediante análise das informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (fls. 315/321), que o Sr. Bráulio Aguero, a despeito de figurar no contrato social como sóciogerente da empresa Boi Verde, figurou como seu empregado de 01/08/2001 a 31/01/2003 (na matriz) e de 16/05/2006 a 07/07/2006 (na filial), e que a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante também era empregada da Boi Verde no período de 01/06/2003 a 1/11/2003, com salário de R$ 500,00, alguns dias antes de figurar no quadro social da empresa (alteração contratual de 20/11/2003). Ademais, ainda segundo o CNIS, o sócio original (Sr. Ceríaco Morales Rodrigues) trabalhava como motorista de carro de passeio (CBO 7823) e a pessoa que o substituiu na sociedade da empresa antes da Sra. Gilmara (Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero) também era empregado da Boi Verde desde 01/10/2007. Fl. 7235DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.236 26 Destaco também que o Sr. Agostinho Scatalão Neto (fiador do contrato de locação) e o Sr. Dory Grando constam em GFIP como funcionários da Boi Verde, sendo evidente que a situação patrimonial de ambos era bastante superior ao dos sócios de direto, os quais não possuíam patrimônio que respaldasse a abertura do negócio. Este foi o único vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto em toda sua vida. Outra constatação que chama muita atenção é o fato de as esposas dos Srs. Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando constarem também como empregadas da Boi Verde. Em suas respectivas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, o Sr. Agostinho e sua esposa informam como ocupação principal “Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços”. Por sua vez, o Sr. Dory Grando e sua esposa declaram como natureza da ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador Titular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. Ademais, os salários declarados pelos casais representam uma pequena parte de seus rendimentos, o que revela que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade da situação de empregado. Não seria crível uma pessoa continuar como empregado sendo que os frutos colhidos em razão de tal relação representam apenas 6% de todo o rendimento auferido no ano. Ademais, segundo relato de terceiros, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando se apresentavam para o mercado como proprietários da Boi Verde. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao incluir os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando como responsáveis solidários desta autuação, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, pois estas pessoas possuem nítido interesse comum nos negócios da Boi Verde. Conforme exposto, os autos de infração que compõem o presente processo administrativo foram formalizados com base nos mesmos fatos e documentos em que se formalizaram os autos de infração que compõem o PAF nº 10140.721964/201458, processo com o mesmo objeto e referente às competências de 01/2009 a 12/2012. Acontece que esse outro processo já foi objeto de julgamento pela segunda turma desta 2ª câmara, no acórdão CARF nº 2202003.740, de 03/04/2017. De outro lado, analisando o referido acórdão, constatase que as defesas apresentadas pela Contribuinte são as mesmas. Inclusive, também os acórdãos recorridos têm as mesmas conclusões. Por essa razão, adoto os fundamentos ali esposados em sua integralidade para compor parte do presente voto: Fl. 7236DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.237 27 MÉRITO Responsabilidade solidária De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 51/71, os Senhores JAIME VALER, AGOSTINHO SCATALÃO NETO e DORY GRANDO são sujeitos passivos solidários do débito em questão, nos termos do art. 124, I, do CTN (Termo de Sujeição Passiva de fls. 06/07), por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, posto que foram considerados sócios de fato da empresa frigorífica BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., enquanto os sócios formais são pessoas interpostas. Os fatos que conduziriam a tal conclusão e o inconformismo dos recorrentes são analisados na sequência. Sócios formais pessoas interpostas Conforme o Relatório Fiscal (fls. 51/71), a empresa BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., foi constituída em 27/11/2002, com o capital social de R$ 100.000,00 e tendo no quadro societário o Sr. Bráulio Aguero e o Sr. Ceríaco Morales Rodrigues, sendo este último substituído pelo Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero (filho do Sr. Bráulio Aguero) em 29/01/2003, que também foi substituído, em 20/11/2003, pela Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Com fulcro nas informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) (anexos), a fiscalização constatou que essas pessoas tiveram vários vínculos empregatícios em frigoríficos e matadouros e observa, por exemplo, que: embora conste no contrato social que o Sr. Báulio exercerá a gerência da empresa, este manteve vínculo empregatício com a Boi Verde de 16/05/2006 a 07/07/2006; que o Sr. Ceríaco exerceu funções de motorista; que o Sr. Luiz Carlos desde 02/05/2010 é empregado da Boi Verde; que a Sra. Gilmara trabalhava como auxiliar de escritório na Boi verde, com o salário mensal de R$ 500,00 e dezenove dias após a rescisão de seu contrato de trabalho passou a exercer o cargo de diretora administrativa da sociedade "com todos os poderes para executar os atos de administração e decidir sobre todos os negócios e questões de interesse da sociedade". O auditor também transcreve trecho de decisão, publicada em 29/10/2003, relativa ao processo judicial nº 001005006.2003.4.03.6000, movido pela Boi Verde Alimentos Ltda. contra o INSS, na qual foi consignado que o local de residência dos sócios dessa empresa seria "incompatível, em tese, com a magnitude da atividade que exploram". Menciona que na ficha de "Bens e Direitos" das Declarações de Ajuste Anual, a Sra. Gilmara declara apenas as cotas da empresa Boi Verde, no valor de R$ 50.000,00; e o Sr. Bráulio, uma casa em bairro periférico de Campo Grande/MS, um veículo 2003, e as cotas da Boi Fl. 7237DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.238 28 Verde, totalizando R$ 78.000,00. Salienta que não há registro de recebimentos de lucros dessa empresa. A fiscalização não conseguiu localizar a sócia Gilmara Eloiza. Nas diligências realizadas no estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS, a fiscalização sempre foi atendida por Jair Benites Rodrigues, funcionário do "financeiro". Segundo este, a sócia Gilmara estaria viajando. Em diligências realizadas pela fiscalização, em junho de 2012, nos endereços residenciais dos sócios da Boi Verde, constatouse se tratar de moradias modestas, conforme fotografias colacionadas no Relatório Fiscal, e soubese, pelos pessoas que lá residem, que o Sr. Bráulio faleceu há sete anos e que a Sra. Gilmara estaria viajando sem previsão de retorno ou que teria se mudado, informações essas corroboradas por certidões do Poder Judiciário, colacionadas no Relatório Fiscal e trazidas às fls. 104/109. Em diligência no endereço do estabelecimento matriz da empresa da empresa Boi Verde, localizado na Rod. MS 080 S/N Km 71, no município de Rochedo/MS, a autoridade fiscal verificou que as instalações frigoríficas estavam sendo operadas por outra empresa (Navi Carnes Ind. e Com. Ltda) desde 2007 e o responsável pelo RH desconhecia a existência da Boi Verde. Ou seja, o estabelecimento matriz da empresa não foi localizado no endereço cadastral informado à RFB, embora o seu faturamento em 2011 tenha sido de R$ 126.785.000,91 e em 2012 de R$ 150.781.803,71. As atividades operacionais são desenvolvidas unicamente em um estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS. A fiscalização informa que as dívidas tributárias acumuladas pelo sujeito passivo junto ao Fisco Federal são bastante elevadas, tendo sido lançados em anos anteriores créditos tributários no montante de R$ 60.529.920,97. Assevera, porém, que a expectativa de satisfazer estes créditos em favor da Fazenda Pública é praticamente nula, pois a pessoa jurídica e seus "proprietários" formais não possuem qualquer patrimônio exequível. Por meio do contador João Lemos Sandi foram apresentados escassos documentos e declaração da sócia formal de que não há escrituração de 2008, 2009 e 2010 (fls. 111), embora estivesse obrigada a têlas. A fiscalização ressalta que é prática regularmente adotada pelo sujeito passivo furtar o alcance dos objetivos inerentes à auditoria fiscal. Assim, se está diante de uma situação em que a empresa não tem patrimônio; não faz a escrituração contábil; os sócios são desprovidos de capacidade gerencial e econômica, e sequer são localizados pelo fisco ou pela Fl. 7238DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.239 29 Justiça Federal; há contumaz descumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais; causasse embaraços à fiscalização, como a manutenção cadastral da matriz em endereço em que não está fisicamente localizada, a inacessibilidade aos sócios formais, a escassa apresentação de documentos. Há, portanto, que se concordar com a autoridade fiscal de que as pessoas que compõem o quadro societário formal não os sócios reais e que ocorreu simulação fraudulenta na constituição da empresa Boi Verde Alimentos Ltda., com o intuito de ocultar os verdadeiros sócios e de suprimir o recolhimento de tributos. Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Jaime Valler Tendo sido vencida na questão do conhecimento de ofício quanto à sujeição passiva solidária do SR. JAIME VALLER, passo a analisar essa matéria também no que lhe diz respeito. Ao se analisar os elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendesse comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Como noticia o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o frigorífico Boi Verde iniciou suas atividades em uma unidade industrial de propriedade do SR. JAIME VALLER localizada na cidade de Rochedo/MS; que posteriormente estas instalações foram vendidas para o Sr. José Clarindo Capuci, onde passou a operar uma unidade do frigorífico Navi Carnes; que, por conseguinte, o SR. JAIME VALLER negociou o arrendamento da planta frigorífica de sua propriedade (do Sr. Artur) localizada na Rod. BR 163, km 393 – C. Grande/São Paulo; que desde então passou a operar nestas instalações o frigorífico Boi Verde; e que os subprodutos e o couro produzidos pelo Boi Verde são destinados ao SR. JAIME VALLER. A cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. fls. 112/118), estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores JAIME VALLER e Agostinho Scatalão Neto. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca desse contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o Sr. Fl. 7239DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.240 30 JAIME VALLER e esposa, e o Sr. Agostinho Scatalão e esposa, tendo sido arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Nessa lide, no depoimento em juízo, do Sr. Artur José Vieira, pai do locador (fls. 120/121), consta: "... que antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; que esse fato inclusive saiu no jornal de Jaime; que quando foi assinar o contrato apareceu a Boi Verde, Tomazelli e Agostinho Scatalão; ...". E o depoimento do SR. JAIME VALLER nessa contenda também demonstrou seu minucioso conhecimento das tratativas do arrendamento e das instalações do frigorífico, conforme os seguintes trechos (fls. 122/123): (...) o Ministério da Agricultura só suspendeu o SIF após o início dos trabalhos da Boi Verde (...); (...) recebeu ligação de "Artur pai", certa vez, se queixando dos descontos [no valor do aluguel pago]; (...) que as partes fizeram acordo de reservar o mínimo de R$ 30.000,00 de aluguel; (...) que os descontos efetuados no aluguel eram decorrentes de dívidas trabalhistas, bloqueios judiciais e reformas; (...);que foi feita reforma na parte da lagoa, ambiental, sala de matança, escritório, asfalto interno, reformaram as câmaras e motores; que houve melhoria na parte elétrica; que o frigorífico tinha capacidade para abater 100 cabeças e hoje tem capacidade para 400; (...) que no início do contrato foi feito um acordo com relação às dívidas trabalhistas; (...) que participou apenas da reunião com o desembargador João de Deus para a negociação destas dívidas; (...). A atitude de ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A iniciativa e empenho nas articulações da locação, assim como o conhecimento de detalhes de questões relacionadas ao empreendimento, reforçam a constatação de que interessado está à frente dos negócios da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. O Relatório Fiscal também dá conta que o SR. JAIME VALLER possui vasto patrimônio, é pecuarista e fornecedor de gado para abate na empresa frigorífica Boi Verde; empresário de destaque na cidade, sócio de várias empresas, entre elas a Qually Peles Ltda., cliente da autuada. E verificou ainda que a transações comerciais entre as empresas Boi Verde Alimentos Ltda. e Qually Peles Fl. 7240DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.241 31 Ltda. não são compatíveis com a movimentação de recursos entre elas, pois o valor das vendas de peles feitas pela autuada à Qually Peles nos anos de 2009 a 2012, somaram mais de R$ 24.000.000,00, e a movimentação financeira entre as empresas nesse período ficou muito aquém desse montante (aproximadamente R$ 300.000,00) (quadro às fls. 60). Enfim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) Portanto, necessário manter o recorrente no pólo passivo solidário desta autuação. Fl. 7241DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.242 32 Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Agostinho Scatalão Neto Em sede de recurso (fls. 2316/2350), Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. No entanto, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Dory Grando, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). O conteúdo desse depoimento se confirma diante da cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do referido Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. 112/118), que estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores Jaime Valler e AGOSTINHO SCATALÃO NETO. A concordância em ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca do contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o SR. Jaime Valler e esposa, e o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO e esposa, tendo sido arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Tais circunstâncias também corroboram as informações prestadas pelo arrendador, Sr. Artur, sobre os verdadeiros sócios gerentes da empresa. Fl. 7242DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.243 33 O fato de o Sr. Artur José Vieira Júnior estar em litígio com o recorrente em ação de despejo, não desqualifica a prestação de informações ao fisco e o depoimento de seu pai à Justiça, como se aventou no recurso, pois o locador em questão não depende do reconhecimento da condição de sócio dos fiadores para obter sucesso na lide judicial. O Relatório fiscal também dá conta que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO possui patrimônio considerável, tendo obtido receita bruta de comercialização de bovinos no ano de 2013, no valor de R$ 1.013.686,82, para a Boi Verde (conforme Declaração de Ajuste Anual do IRPF2014). Traz tabela quantificando as vendas de gado para abate que fez à Boi Verde de 2009 a 2012. E, apesar de ter situação amplamente superior a dos "sócios proprietários", figura formalmente como empregado do frigorífico desde 01/10/2005, sendo esse seu único vínculo laboral. Sua esposa, Sra. Iara Joelma Cavalcante, também consta como empregada do frigorífico; e ambos informam na declaração de imposto de renda o código de ocupação principal 120, que corresponde à "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". A fiscalização mostra, ainda, que no ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando, assim, que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo. Dessa forma, por um lado, deparase com uma empresa frigorífica que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). Por outro lado, constatase a presença no empreendimento de pecuarista com patrimônio considerável; que se coloca como fiador de empresa sem patrimônio e constituída com sócios aparentes, em contrato de locação para funcionamento do frigorífico, como um dos principais pagadores e sem benefício de ordem, evidenciando o interesse comum no empreendimento; reconhecido informalmente pelo locador como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no Fl. 7243DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.244 34 processo judicial acerca desse contrato); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, com receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vinculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, diferentemente do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Cumpre registrar também que não procede o argumento de que a autoridade julgadora de primeira instância teria entendido que o recorrente foi considerado sócio por força do patrimônio adquirido na empresa Boi Verde. Como se verifica no trecho do voto condutor do acórdão da DRJ, a seguir reproduzido, ficou claro que a relatora entendeu que uns dos elementos considerados pelo fisco para identificar o recorrente como sócio de fato foi seu patrimônio adquirido antes de trabalhar na Boi Verde: O impugnante alega que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio, pois antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda, o impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, Fl. 7244DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.245 35 tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP, e com os recursos provenientes desta compra e venda o impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades. Ora, mas nem precisaria de o impugnante comprovar que já possuía patrimônio antes de ingressar na empresa Boi Verde, pois foi exatamente isso que a fiscalização quis demonstrar, que o impugnante era detentor de um vasto patrimônio antes de ser empregado da Boi Verde. E não foi simplesmente pelo fato de já possuir patrimônio que o impugnante foi considerado como administrador da empresa, e sim por todas as constatações feitas pelo fiscal, narradas no Relatório e comprovadas com os documentos juntados aos autos. Portanto, não procede o entendimento do impugnante no sentido de que “em se demonstrando que o patrimônio do Impugnante foi adquirido com bens anteriores inclusive ao ingresso na atividade, é de se ter por completamente desmontada a frágil linha de raciocínio defendida no Auto de Infração”, pois, como visto, a fiscalização nunca quis demonstrar que os bens do impugnante foi adquirido após seu ingresso na Boi Verde. O que a autoridade lançadora demonstrou foi a inversão da ordem dos fatos, pois os sócios aparentes do frigorífico são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, e o impugnante, que figura como um simples empregado da Boi Verde, é pessoa possuidora de considerável patrimônio e um dos fornecedores de gado para o frigorífico. Observase que o próprio frigorífico, que fatura milhões, é desprovido de patrimônio, e seus sócios contratuais, mesmo após a integralização da sociedade, continuaram sem patrimônio, e sem receber nenhum rendimento do frigorífico, o que reforça a convicção da existência de simulação na composição societária da empresa fiscalizada. (...) (Grifos nossos) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Fl. 7245DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.246 36 Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) Fl. 7246DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.247 37 que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Fl. 7247DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.248 38 Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo. Responsabilidade solidária Sr. Dory Grando Em sede de recurso (fls. 2316/2350), SR. DORY GRANDO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. Porém, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou a autoridade fiscal, o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o SR. DORY GRANDO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Agostinho Scatalão Neto, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). A fiscalização também expõe que lhe foi informado pelo Sr. Luiz Marcelo Nantes Pereira (sócio administrador da empresa Namper Representações Comerciais Ltda., que segundo apurado pelo fisco, realizou abate de bovinos nas instalações do sujeito passivo) de "que sabe que os proprietários do frigorífico Boi Verde são Agostinho Scatalão e Dory Grando"; e pelo Sr. Jair Domingos Smaniotto (sócioadministrador da JD Smaniotto e Cia Ltda., cliente do sujeito passivo) de que "sabe por ouvir dizer que Dory Grando é proprietário do frigorífico Boi Verde." Como apurou a auditoria fiscal, o SR. DORY GRANDO participa ou participou de diversas empresas (Agropastoril Tucano Ltda. e Agropastoril Maringá, desde 1994; Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda., de 1996 a 1997; Agropecuária Casagran Administração e Participação S/S Ltda. e Curtume Bata Ltda, desde 1999), cujos contratos sociais revelam que foram utilizados na integralização do capital Fl. 7248DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.249 39 social bens de expressivos valores, como fazendas, apartamentos, terrenos, rebanho bovino, veículos, o que denota o uso da chamada "blindagem patrimonial", estratégia de transferir a totalidade dos bens da pessoa física para uma pessoa jurídica, protegendo o patrimônio pessoal de credores. Também foi constatado pelo fisco que, nos autos da apelação criminal nº 000214352.2010.8.12.0017, interposta pelo Sr. Dory Grando contra sentença que o condenou por atos praticados à frente dos frigoríficos Friporã e Pontual, constou na decisão judicial que: "O apelante figurava como um dos sócios do Frigorífico Friporã e, nos termos da Alteração de Contrato Social de fls. 609611, em 1997 teria retiradose da sociedade. Todavia, embora não constasse no contrato social como sócio à época dos fatos, o conjunto probatório não deixa dúvidas que ele continuou na administração da empresa, atuando efetivamente". Tal situação denota que a mesma estratégia utilizada pelo SR. DORY GRANDO no frigorífico Friporã, de colocar interpostas pessoas no quadro societário e se manter no controle a efetiva administração da empresa, também foi usada para administrar a empresa Boi Verde Alimentos Ltda, com a diferença, que nesta última, mostrase formalmente como empregado do sujeito passivo, como pontuou a fiscalização. O Relatório Fiscal traz notícia veiculada na Internet que destaca o SR. DORY GRANDO como um grande investidor em pregão de bovinos e também indica em planilha que, de 2009 a 2012, vendeu mais de 4.500 cabeças de gado para a Boi Verde. Menciona ainda que as Declarações de Ajuste Anual do IRPF apresentadas mostram que a cada ano o SR. DORY GRANDO promove alteração em seu endereço, estratégia que visa claramente dificultar a sua localização. Apesar de ser pecuarista, empresário e detentor de patrimônio, consta na GFIP da Boi Verde como "empregado" desde 01/10/2005 (mesma data de início de vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto). Sua esposa, Sra. Marlene Casavechia Grando, também consta como "empregada" da Boi Verde. O casal informa na Declaração de Ajuste Anual a natureza da ocupação como "Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador/Titular" e como ocupação principal "Produtor na Exploração Agropecuária", tendo declarado no ano de 2013 receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos da Boi Verde no total de R$ 162.582,87, o que evidencia que os vínculos empregatícios e os salários Fl. 7249DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.250 40 recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Dory Grando à frente dos negócios do sujeito passivo. Portanto, no contexto apresentado, se está diante de empresa frigorífica, que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, que não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). E nesse empreendimento há a presença de pecuarista com patrimônio considerável, reconhecido informalmente pelo locador das instalações como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no processo judicial acerca desse contrato); que é informalmente percebido, no âmbito negocial, como dono da empresa; sócio de outras empresas, e que tem em seu histórico a ocorrência de interposição de pessoas na gestão formal enquanto exercia a gestão de fato (frigorífico Friporã); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, sendo as receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vínculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, ao contrário do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Fl. 7250DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.251 41 Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. Fl. 7251DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.252 42 José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com Fl. 7252DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.253 43 repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo.’ Destacase que todos os documentos utilizados para embasar o voto supracitado e comprovar as alegações fáticas estão presentes nestes autos. Em análise ao relatório fiscal (fl. 33) o próprio auditor ressalta que as informações colhidas na fiscalização vieram para ratificar e complementar o trabalho efetuado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Sr. Leonildo Libério Alves da Silva que culminou no processo administrativo nº 10140721.964/201458. Portanto, ressalta a validade dos argumentos acima colacionados. Dentre os documentos apresentados, merecem destaque: (i) o contrato de aluguel de fls. 330/336, o qual consta os Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatação Neto como fiadores que renunciaram ao benefício de ordem; (ii) os depoimentos em processos judiciais de fls 337/341; (iii) o contrato social e alteração da Boi Verde (fls. 290/313) em conjunto com os relatórioa de vínculos empregatícios do CNIS (fls. 315/321); e (iv) a declaração da Sra. Gilmara de que a empresa autuada não possui livros contábeis (fl. 329).” Concluise, portanto, como legitima a inclusão dos recorrentes como responsáveis solidários. Fl. 7253DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.254 44 Da multa por descumprimento de obrigação acessória Conforme se infere do relatório apresentado, o contribuinte pleiteia o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória com base nos seguintes argumentos: (i) inconstitucionalidade da cobrança da multa; e (ii) excesso de multa e seu caráter confiscatório. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelos RECORRENTES, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do judiciário, notadamente do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. A multa em comento foi lavrada por descumprimento da exigência legal de apresentar à fiscalização a Escrituração Contábil Digital (ECD) via SPED relativa aos anos calendário 2013, 2014 e 2015, em clara desobediência ao dever legal estipulado pelo art. 57, inciso II, da Medida Provisória nº 2.15835/2001: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; Lei nº 9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 7254DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.255 45 Observando a competência estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal definiu as datas limites para a apresentação da Escrituração Contábil Digital pelos contribuintes. Para o período objeto da fiscalização (2013, 2014 e 2015), esses prazos foram estabelecidos pela Instrução Normativa n° 787, de 19/11/2007 (válida para os anos calendário 2013 e 2014) e pela Instrução Normativa RFB n° 1.594, de 01/12/2015 (válida para o anocalendário 2015), conforme abaixo descrito: IN n° 787/2007 “Art. 5º A ECD será transmitida anualmente ao Sped até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao ano calendário a que se refira a escrituração.” IN n° 1.594/2015 Art. 5º A ECD será transmitida anualmente ao Sped até o último dia útil do mês de maio do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. O responsável solidário Jaime Valler defende que a multa de R$ 500,00 por mês calendário é pelo não atendimento à intimação da autoridade fiscal. Assim, deveria ser calculada pelos mesescalendário em que não atendeu à intimação, e não pelo período em que deixou de cumprir a obrigação acessória. No entanto, entendo que não assiste razão o pleito do RECORRENTE. É que, conforme exposto, havia prazo previsto em Instruções Normativas para o cumprimento das obrigações de transmissão da ECD pela empresa contribuinte. Sendo assim, restou evidente nos autos o não cumprimento desta obrigação desde o prazo estipulado pela Receita Federal até a data da lavratura do auto de infração. Portanto, calcular a multa a partir da intimação dada pela fiscalização seria beneficiar o contribuinte que deixa de cumprir suas obrigações acessórias, já que o prazo para a transmissão era (ou deveria ser) de seu conhecimento, conforme estabelecido pela RFB em Instruções Normativas. Ademais, a própria interpretação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 converge para o entendimento de que o dies a quo para o cálculo das multas nele estabelecidas é a data legalmente prevista para o cumprimento da obrigação acessória. Tanto que o §3º do mencionado dispositivo afirma que a multa para apresentação extemporânea de documentos “será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício”: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: Fl. 7255DF CARF MF Processo nº 10140.721751/201698 Acórdão n.º 2201004.574 S2C2T1 Fl. 7.256 46 a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (...) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício.” Ou seja, se é permitida a redução da multa quando a obrigação for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício da RFB, então é evidente que a data base para o cálculo da multa não é a intimação da fiscalização, mas sim a data estabelecida em lei para o cumprimento da obrigação. Sendo assim, a em que multa pela não cumprimento da obrigação deve ter como base a data em que a obrigação deveria ser observada pelo contribuinte, e não a data em que foi intimado pelo Fisco para sanar o vício. Resta efetivamente comprovado nos autos a prática da conduta ilegal (deixar de apresentar a ECD nos prazos estabelecidos pela Receita Federal), bem como a multa foi estabelecida em respeito aos critérios legais vigentes à época dos fatos. Portanto, plenamente válida a multa objeto do presente auto de infração. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 7256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000382/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência para determinar que os processos 13603.000696/2008-92, 13603.000686/2008-57 e 13603.000717/2008-70 sejam apensados ao presente caso, retornando os processos para o relator por prevenção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência para determinar que os processos 13603.000696/2008-92, 13603.000686/2008-57 e 13603.000717/2008-70 sejam apensados ao presente caso, retornando os processos para o relator por prevenção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência para determinar que os processos 13603.000696/200892, 13603.000686/200857 e 13603.000717/200870 sejam apensados ao presente caso, retornando os processos para o relator por prevenção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu o relatório desenvolvido na resolução n. 3402000.721 (fls. 334/338), veiculada por este Tribunal administrativo, o que passo a fazer nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .0 00 38 2/ 20 09 -4 4 Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 351 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Em julgamento o auto de infração de fls. 02/03, lavrado em decorrência da constatação de recolhimento a menor de IPI lançado em virtude da utilização de créditos básicos indevidos. No termo de verificação fiscal de fls. 09/15 estão consignados os fundamentos que ensejaram a autuação em tela, assim resumidos: conforme indicado na tabela logo abaixo, foram apropriados créditos extemporâneos de IPI na escrita da fiscalizada sob a alegação, em resposta à intimação lhe dirigida no curso da ação fiscal, de que decorriam de compras efetuadas de comerciantes atacadistas que não destacavam o IPI nas notas fiscais emitidas, estando o direito creditório amparado no art. 165 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI de 2002 — RIPI/2002). Porém, intimada a indicar as notas fiscais e os produtos nelas relacionados que ensejariam os créditos extemporâneos, nada foi esclarecido relativamente aos creditamentos efetuados em maio/2006 e em junho/2006, sendo que nem mesmo houve informação de tais créditos em PER/DCOMP. Sobre os créditos registrados em novembro/2005 houve apresentação do demonstrativo de notas fiscais às fls. 150/151, mas nada foi informado acerca dos produtos ali descritos, o que impedia, à luz do art. 190 do RIPI/2002, a aceitação do pretenso direito creditório. Sendo assim, os aludidos créditos extemporâneos foram glosados de ofício; Período de Apuração Valor Creditado (R$) 11/2005 200.349,94 05/2006 650.150,00 06/2006 550.530,00 houve apropriações de créditos de IPI na escrita da fiscalizada decorrentes da aquisição de sucatas de alumínio, cobre e magnésio, classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "NT" (não tributado). Os levantamentos fiscais relativos às notas fiscais e aos valores do imposto aproveitados constam dos demonstrativos de fls. 16/60 e 164/166. O direito ao creditamento em questão também estava sendo discutido perante o Poder Judiciário sem que a autora tenha obtido medida liminar ou decisão favorável ao seu pleito, não tendo havido ainda trânsitos em julgado. Foram, então, glosados de ofício da escrita fiscal os referidos créditos; como decorrência das glosas efetuadas, foi inteiramente reconstituída a escrituração do livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI) no período de janeiro/2005 a junho/2006, conforme indicado nos itens 1 a 5 relacionados na fl. 14frente e na planilha de fl. 14verso, redundando na apuração de saldos devedores do IPI no período de janeiro/2005 a fevereiro/2006, os quais foram lançados de ofício no presente processo. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 352 3 No termo de verificação fiscal consta, ainda, a informação de que (fl. 15): ì) ao fim dos 1° e 2º trimestres de 2006 foram apurados saldos credores em montantes inferiores aos originalmente pleiteados em PER/DCOMPs apresentados; ii) os pedidos de ressarcimento referentes aos 1º, 3º e 4° trimestres de 2005 seriam indeferidos integralmente e, nos trimestres de 2006 (1º e 2°), parcialmente, sendo as glosas dos créditos informadas nos processos de ressarcimento nºs 13603.000969/200892; 13603.000715/200881; 13601.000686/200857 e 13603.000717/200870. Tomada a ciência do auto de infração pelo contador da empresa em 10/08/2009 (fl. 02verso), a autuada, por meio de procurador constituído pelo instrumento de mandato de fls. 198/199, enviou pela via postal em 09/09/2009, conforme o carimbo aposto pelos Correios no envelope postal (fl. 200) a impugnação de fls. 171/197, na qual aduziu, em síntese, que: o não aproveitamento integral do "crédito presumido" do IPI aviltava o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI; a multa de ofício aplicada no percentual de 75% era ilegal e inconstitucional, porquanto confiscatória; também era eivado de ilegalidade e inconstitucionalidade a utilização de juros fixados à taxa Selic; as razões de defesa apresentadas contavam com arrimo na doutrina e em decisões judiciais, cujos excertos foram mencionados. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0930.273, de 30 de junho de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A matéria objeto de discussão travada na via administrativa de modo concomitante com a via judicial implica a renúncia àquela via, reputandose definitivamente constituído o crédito tributário na esfera administrativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006 1INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 353 4 2 CONSECTÁRIO LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Não tendo havido, à época do lançamento de ofício, provimento judicial que implicasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, imputável a multa de ofício prevista no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei d 9.430, de 1996, que, assim como os juros de mora calculados com base na taxa Selic, contam com validade e eficácia no ordenamento jurídico, não cabendo à esfera administrativa questionálos ou negarlhes aplicação. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados na impugnação, inovando, apenas, na questão da concomitância. (...). 2. Por intermédio da citada resolução, assim decidiu este CARF: (...). Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de auto de infração decorrente de indeferimento de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Os créditos financeiros que o sujeito passivo pretende utilizar para quitar os débitos tributários constituídos nestes autos estão em debate nos processos nºs 13603000969/200892, 13603000715/200881, 13601000686/200857 e 13603000717/200870. Em face da dependência deste processo com os acima citados, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que a unidade preparadora acoste cópia das decisões definitivas proferidas nos autos dos processos nºs 13603000969/200892, 13603000715/200881, 13601000686/200857 e 13603000717/200870 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser ressarcido de acordo com as decisões definitivas dos processos relatados. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...). 3. Em resposta a tal determinação, a unidade preparadora responsável assim se manifestou: (...). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 354 5 5. Há nota de processo apontado que a numeração correta de dois dentre os quatros, apontados acima, é 13603.000696/200892 e 13603.000686/200857. 6. Verificouse de pronto que as situações dos processos (eprocesso) apontados, todos Pedidos de Ressarcimentos de IPI: Processo 13603.000696/200892 em Recurso Voluntário, aguardando distribuição (DFMFCARFCEGAPSEDISCA 40/Gestão do IPI). Processo 13603.000686/200857 em Recurso Voluntário, aguardando distribuição (DFMFCARFCEGAPSEDISCA 40/Gestão do IPI). Processo 13603.000717/200870 em Recurso Voluntário, aguardando distribuição (DFMFCARFCEGAPSEDISCA 40/Gestão do IPI). Processo 13603.000715/200881 Recurso Voluntário Não conhecido, prevalecendo Decisão da DRJ, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento. 7. Apenas complementando a Informação, o que impulsionou à Ação Fiscal foram os Pedidos de Ressarcimento, a glosa de créditos básicos indevidos no período de janeiro/2005 a junho/2006 e créditos extemporâneos nos períodos novembro/2005, maio/2006 e junho/2006, segue a abaixo trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal acostado ao presente. "Cumpre alertar que tais glosas serão informadas nos respectivos processos de ressarcimento, protocolizados sob os n 13603.000696/200892, 13603.000715/200881, 13603.000686/2008 57 e 13603.000717/200870, e submetidas ao critério da autoridade competente." 8. Portanto, conforme explicitados nos itens anteriores, não há objeto para a Diligência proposta, três dentre os quatros ainda aguardam distribuição no próprio CARF, e o quarto, ao contrário, sequer foi reconhecido o direito creditório. 9. Entendendo ter cumprido o feito que cabia ante os fatos descritos, devolvemos o presente ao Douto Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por restar prejudicada a Diligência, tendo em vista que os processos supracitados (três) encontramse pendentes de análise neste Conselho. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme exposto no relatório alhures, em face das glosas de créditos aqui efetuadas, a fiscalização promoveu a reconstituição da escrita fiscal da recorrente, resultando em apuração de saldo devedor objeto de exigência fiscal no presente processo administrativo. Logo, a reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos e que impactou em lançamento de débitos, se mantida, repercutirá, obrigatoriamente, nos citados processos de ressarcimento convertidos em compensações, i.e., nos processos autuados sob os números Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 355 6 13603.000696/200892; 13603.000686/200857; 13603.000717/200870; e 13603.000715/200881. 6. Não obstante, os citados processos administrativos foram objeto de manifestações de inconformidade e recursos voluntários, sendo em que três destes processos os recursos aguardam distribuição perante este Tribunal, conforme atestam os respectivos andamentos processuais obtidos junto ao sítio eletrônico do "comprot": Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 356 7 7. Apenas o processo n. 13603.000715/200881 já objeto de análise por parte deste CARF e atualmente encontrase perante a autoridade fiscal competente para fins de que sejam tomadas as providências cabíveis, consoante se observa do extrato processual abaixo transcrito: 8. Dessa feita, os PA's n.s 13603.000696/200892; 13603.000686/200857; 13603.000717/200870 apresentam uma reflexão com o processo sub judice. Este Colegiado, inclusive, vem entendendo que o julgamento do auto de infração é prejudicial ao julgamento dos demais PA's neste tipo de situação, vinculando, pois, os processos de ressarcimento dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse sentido cito os seguintes Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 357 8 acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. 9. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 (DOU 14/03/2016), a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário, inclusive da multa isolada, dela decorrente; II autos de exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, autos de exclusão do Simples e os possíveis autos de lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; e III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou II o de reconhecimento de direito creditório mais antigo, não existindo autuação. § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e ... 10. Resolvendo o problema da distribuição e julgamento de processos que, embora conexos/decorrentes, não foram apensados na sua origem, o Regimento Interno do CARF assim dispõe: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10976.000382/200944 Resolução nº 3402001.385 S3C4T2 Fl. 358 9 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. 11. Portanto, com base nas citadas normas, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência para determinar que os demais processos (autos n.s 13603.000696/200892; 13603.000686/200857; e 13603.000717/200870;) sejam apensados ao presente Processo, no qual se controverte o auto de infração. Feito isso, tendo em vista a prevenção deste Relator, que primeiro recebeu o processo principal, determino que todos os processos apensos a mim retornem para que seja dado prosseguimento à apreciação do presente recurso voluntário e seu julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. 12. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720076/2007-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720076/200718 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.911 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS.INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 76 /2 00 7- 18 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11020.720076/200718 Acórdão n.º 9303006.911 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.130, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11020.720076/200718 Acórdão n.º 9303006.911 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11020.720076/200718 Acórdão n.º 9303006.911 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910371/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.223
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. 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Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 4.605,89 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de novembro/2005, com utilização do direito creditório de R$ 4.128,99 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 29/04/2005, da estimativa de CSLL de março/2005 (R$ 159.147,95). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10980.910371/200913 Acórdão n.º 1402003.223 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 236DF CARF MF
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