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Numero do processo: 13819.906847/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3201-002.416
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora confirme a efetiva existência do direito creditório pleiteado em face dos documentos apresentados e da legislação que rege a matéria vigente à época dos fatos controvertidos nos autos. Ainda, elabore relatório conclusivo abarcando os resultados da diligência e cientifique o Recorrente, oportunizando-lhe o prazo de 30 dias para se manifestar, após o quê os autos deverão retornar a este CARF para prosseguimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.901300/2012-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora confirme a efetiva existência do direito creditório pleiteado em face dos documentos apresentados e da legislação que rege a matéria vigente à época dos fatos controvertidos nos autos. Ainda, elabore relatório conclusivo abarcando os resultados da diligência e cientifique o Recorrente, oportunizando-lhe o prazo de 30 dias para se manifestar, após o quê os autos deverão retornar a este CARF para prosseguimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.901300/2012-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-03T11:58:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-03T11:58:23Z; Last-Modified: 2020-02-03T11:58:23Z; dcterms:modified: 2020-02-03T11:58:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-03T11:58:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-03T11:58:23Z; meta:save-date: 2020-02-03T11:58:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-03T11:58:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-03T11:58:23Z; created: 2020-02-03T11:58:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-02-03T11:58:23Z; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-03T11:58:23Z | Conteúdo => 0 S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13819.906847/2012-79 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-002.416 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de dezembro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente LABSYNTH PRODUTOS PARA LABORATORIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora confirme a efetiva existência do direito creditório pleiteado em face dos documentos apresentados e da legislação que rege a matéria vigente à época dos fatos controvertidos nos autos. Ainda, elabore relatório conclusivo abarcando os resultados da diligência e cientifique o Recorrente, oportunizando-lhe o prazo de 30 dias para se manifestar, após o quê os autos deverão retornar a este CARF para prosseguimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.901300/2012-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório, com breves adequações, o relatado na Resolução nº 3201-002.408, 17 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 84 7/ 20 12 -7 9 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.416 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.906847/2012-79 contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório pleiteado relativo à Cofins e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada. De acordo com o despacho decisório eletrônico, o pagamento informado pelo sujeito passivo havia sido identificado mas se encontrava totalmente utilizado para quitar débitos de sua titularidade. Em sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte requereu o reconhecimento do seu crédito, alegando que o pagamento indevido decorrera de vendas para empresas domiciliadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), vendas essas que se submetem à alíquota zero por força do contido no art. 2º da Medida Provisória nº 202/2004, sendo inconstitucionais os diplomas legais anteriores que ignoravam a equiparação às exportações de referidas vendas. Arguiu, também, o então Manifestante, ilegalidade e inconstitucionalidade das alterações promovidas na Lei Complementar nº 70/1991 por meio de leis ordinárias. A decisão da DRJ, denegatória do pedido, baseou-se na ausência de prova do direito creditório e na falta de retificação da DCTF. Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento da prescrição intercorrente, nos termos do § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99, com a extinção da cobrança e arquivamento dos autos ou, alternativamente, o reconhecimento do direito creditório, com a consequente homologação das compensações realizadas. Requereu, ainda, que, caso os documentos então apresentados não fossem suficientes, se convertesse o julgamento em diligência para aferição da verdade material, constatando o crédito e homologando a compensação. Junto ao recurso, o contribuinte carreou aos autos cópias de notas fiscais relativas a vendas para a ZFM no período correspondente, comprovante de arrecadação e demonstrativos de apuração da contribuição com identificação das receitas exoneradas. É o relatório. Voto Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado na Resolução nº 3201-002.408, 17 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.416 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.906847/2012-79 O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, está-se diante de um despacho decisório eletrônico exarado a partir das informações que já se encontravam disponíveis nos sistemas da Receita Federal, vindo o Recorrente a apresentar a documentação relativa ao crédito que alega ter direito somente após a ciência do acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ), quando lhe fora informado da necessidade de tal medida. De acordo com a alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), o contribuinte encontra-se autorizado a carrear aos autos documentos comprobatórios após a Impugnação/Manifestação de Inconformidade quando se destinarem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, considerando o princípio da busca pela verdade material, bem como o princípio do formalismo moderado, e tendo em vista a redução a zero da alíquota da contribuição promovida pelo art. 2º da Medida Provisória nº 202/2004 (convertida na Lei nº 10.996/2004), assim como os elementos probatórios que acompanham o recurso voluntário prenunciando haver consistência nos argumentos do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se tomem as seguintes medidas: a) confirmar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em face dos documentos apresentados e da legislação que rege a matéria vigente à época dos fatos controvertidos nos autos; b) havendo necessidade, intimar o Recorrente para prestar informações adicionais e apresentar novos elementos probatórios do crédito; c) elaborar um relatório conclusivo abarcando os resultados da diligência; d) cientificar o Recorrente dos resultados da diligência, oportunizando- lhe o prazo de 30 dias para se manifestar, após o quê os autos deverão retornar a este CARF para prosseguimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora confirme a efetiva existência do direito creditório Fl. 88DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.416 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.906847/2012-79 pleiteado em face dos documentos apresentados e da legislação que rege a matéria vigente à época dos fatos controvertidos nos autos. Ainda, elabore relatório conclusivo abarcando os resultados da diligência e cientifique o Recorrente, oportunizando-lhe o prazo de 30 dias para se manifestar, após o quê os autos deverão retornar a este CARF para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721009/2017-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA.
A decisão recorrida está adequadamente fundamentada; está livre, escoimada de vício que a pudesse macular ou inquinar de nulidade.
O voto condutor da decisão recorrida não inovou, não trouxe fundamentação nova ao lançamento fiscal. Pelo contrário, ao tratar do princípio da entidade, simplesmente, expressou o que está materializado no lançamento fiscal, ou seja, o resultado do Negócio FGB compôs, integrou, o resultado da recorrente quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal.
A recorrente cedeu e transferiu o NEGÓCIO FGB para empresa sucessora, apenas a partir do ano-calendário seguinte ao fato gerador objeto do lançamento fiscal.
Por último, o auto de infração foi lavrado por agente competente, narrou, descreveu, os fatos imputados com precisão e apurou, adequadamente, os aspectos do fato gerador: elemento pessoal, espacial, material, temporal, quantitativo e qualitativo; está de acordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN.
GLOSA DE DESPESA NÃO OPERACIONAL E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DO NEGÓCIO FGB COMO RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA . INFRAÇÃO MANTIDA.
A recorrente cedeu e transferiu o Negócio FGB para empresa sucessora, apenas em data posterior, em ano-calendário ulterior ao ano objeto da autuação.
O Negócio FGB, sendo parte integrante do patrimônio do sujeito passivo, quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal, compôs, integrou, os resultados operacionais tributáveis da recorrente.
Inexiste razão fático-jurídica para a recorrente anular, contabilmente, mediante registro de despesa não operacional, os resultados (lucros) do Negócio FGB.
A recorrente já se apropriara das despesas e receitas operacionais que geraram o resultado positivo (lucros) do Negócio FGB (lucro), quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal.
As contas contábeis de resultado (despesas e receitas) foram fechadas, cujos saldos foram levados, transferidos, para a conta de Apuração do Resultado do Exercício (ARE), quando da apuração do lucro.
Assim, para efeito contábil-tributário não se pode mais falar em despesas para anular, aniquilar, neutralizar, o lucro apurado do Negócio FGB, quanto ao ano-calendário objeto da autuação, pois o lucro já é o saldo positivo decorrente do confronto entre receitas e despesas operacionais.
A operação de transferência/distribuição dos lucros do Negócio FGB, sob o aspecto contábil-tributário, não deve envolver contas de resultado (contas diferenciais: despesa e receitas), mas sim contas contábeis integrais (contas de ativo circulante e passivo exigível).
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL
O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, quando não há razão fático-jurídica para decidir diversamente. Ambos os lançamentos, principal e reflexo, têm origem no mesmo fato e nas mesmas provas.
Numero da decisão: 1301-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por lhe dar provimento. O Conselheiro Rogerio Garcia Pares acompanhou o voto do relator por suas conclusões.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Sérgio Abelson (suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Nelso Kichel (relator) na reunião anterior.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. A decisão recorrida está adequadamente fundamentada; está livre, escoimada de vício que a pudesse macular ou inquinar de nulidade. O voto condutor da decisão recorrida não inovou, não trouxe fundamentação nova ao lançamento fiscal. Pelo contrário, ao tratar do princípio da entidade, simplesmente, expressou o que está materializado no lançamento fiscal, ou seja, o resultado do Negócio FGB compôs, integrou, o resultado da recorrente quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal. A recorrente cedeu e transferiu o NEGÓCIO FGB para empresa sucessora, apenas a partir do ano-calendário seguinte ao fato gerador objeto do lançamento fiscal. Por último, o auto de infração foi lavrado por agente competente, narrou, descreveu, os fatos imputados com precisão e apurou, adequadamente, os aspectos do fato gerador: elemento pessoal, espacial, material, temporal, quantitativo e qualitativo; está de acordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. GLOSA DE DESPESA NÃO OPERACIONAL E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DO NEGÓCIO FGB COMO RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA . INFRAÇÃO MANTIDA. A recorrente cedeu e transferiu o Negócio FGB para empresa sucessora, apenas em data posterior, em ano-calendário ulterior ao ano objeto da autuação. O Negócio FGB, sendo parte integrante do patrimônio do sujeito passivo, quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal, compôs, integrou, os resultados operacionais tributáveis da recorrente. Inexiste razão fático-jurídica para a recorrente anular, contabilmente, mediante registro de despesa não operacional, os resultados (lucros) do Negócio FGB. A recorrente já se apropriara das despesas e receitas operacionais que geraram o resultado positivo (lucros) do Negócio FGB (lucro), quanto ao ano-calendário objeto do lançamento fiscal. As contas contábeis de resultado (despesas e receitas) foram fechadas, cujos saldos foram levados, transferidos, para a conta de Apuração do Resultado do Exercício (ARE), quando da apuração do lucro. Assim, para efeito contábil-tributário não se pode mais falar em despesas para anular, aniquilar, neutralizar, o lucro apurado do Negócio FGB, quanto ao ano-calendário objeto da autuação, pois o lucro já é o saldo positivo decorrente do confronto entre receitas e despesas operacionais. A operação de transferência/distribuição dos lucros do Negócio FGB, sob o aspecto contábil-tributário, não deve envolver contas de resultado (contas diferenciais: despesa e receitas), mas sim contas contábeis integrais (contas de ativo circulante e passivo exigível). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, quando não há razão fático-jurídica para decidir diversamente. Ambos os lançamentos, principal e reflexo, têm origem no mesmo fato e nas mesmas provas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por lhe dar provimento. O Conselheiro Rogerio Garcia Pares acompanhou o voto do relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Sérgio Abelson (suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Nelso Kichel (relator) na reunião anterior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 923 1 922 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721009/201761 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301004.240 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2019 Matéria GLOSA DE DESPESA NÃO OPERACIONAL Recorrente ZURICH SANTANDER BRASIL SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. A decisão recorrida está adequadamente fundamentada; está livre, escoimada de vício que a pudesse macular ou inquinar de nulidade. O voto condutor da decisão recorrida não inovou, não trouxe fundamentação nova ao lançamento fiscal. Pelo contrário, ao tratar do princípio da entidade, simplesmente, expressou o que está materializado no lançamento fiscal, ou seja, o resultado do Negócio FGB compôs, integrou, o resultado da recorrente quanto ao anocalendário objeto do lançamento fiscal. A recorrente cedeu e transferiu o NEGÓCIO FGB para empresa sucessora, apenas a partir do anocalendário seguinte ao fato gerador objeto do lançamento fiscal. Por último, o auto de infração foi lavrado por agente competente, narrou, descreveu, os fatos imputados com precisão e apurou, adequadamente, os aspectos do fato gerador: elemento pessoal, espacial, material, temporal, quantitativo e qualitativo; está de acordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. GLOSA DE DESPESA NÃO OPERACIONAL E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DO NEGÓCIO FGB COMO RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA . INFRAÇÃO MANTIDA. A recorrente cedeu e transferiu o Negócio FGB para empresa sucessora, apenas em data posterior, em anocalendário ulterior ao ano objeto da autuação. O Negócio FGB, sendo parte integrante do patrimônio do sujeito passivo, quanto ao anocalendário objeto do lançamento fiscal, compôs, integrou, os resultados operacionais tributáveis da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 09 /2 01 7- 61 Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 924 2 Inexiste razão fáticojurídica para a recorrente anular, contabilmente, mediante registro de despesa não operacional, os resultados (lucros) do Negócio FGB. A recorrente já se apropriara das despesas e receitas operacionais que geraram o resultado positivo (lucros) do Negócio FGB (lucro), quanto ao anocalendário objeto do lançamento fiscal. As contas contábeis de resultado (despesas e receitas) foram fechadas, cujos saldos foram levados, transferidos, para a conta de Apuração do Resultado do Exercício (ARE), quando da apuração do lucro. Assim, para efeito contábiltributário não se pode mais falar em despesas para anular, aniquilar, neutralizar, o lucro apurado do Negócio FGB, quanto ao anocalendário objeto da autuação, pois o lucro já é o saldo positivo decorrente do confronto entre receitas e despesas operacionais. A operação de transferência/distribuição dos lucros do Negócio FGB, sob o aspecto contábiltributário, não deve envolver contas de resultado (contas diferenciais: despesa e receitas), mas sim contas contábeis integrais (contas de ativo circulante e passivo exigível). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL O lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, quando não há razão fáticojurídica para decidir diversamente. Ambos os lançamentos, principal e reflexo, têm origem no mesmo fato e nas mesmas provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por lhe dar provimento. O Conselheiro Rogerio Garcia Pares acompanhou o voto do relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 925 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Sérgio Abelson (suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Nelso Kichel (relator) na reunião anterior. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 926 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 838/900) em face do Acórdão da 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 819/830) que julgou Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 16/12/2017, a Fiscalização da RFB, unidade Deinf/São Paulo, lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL), regime do lucro real anual, ao imputar a infração glosa de despesas desnecessárias (efls. 427/441), nos seguintes termos: (...) (...) que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 443/461), cujos fatos estão narrados, de forma minuciosa e completa. Em resumo, extraise do referido TVF: que o Banco Santander (Brasil) S/A é controlado pelo Banco Santander (Espanha), com 84,45% do capital; que, até 05/10/2011, o Banco Santander (Brasil) S/A detinha 100% das ações da empresa Santander Seguros S/A (atual ZURICH); Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 927 5 que, com o objetivo de estabelecer uma parceria com o grupo suíço Zurich Insurance na área de seguros, o grupo Santander efetuou um processo de reestruturação societária de sua seguradora, a Santander Seguros S. A. (atual ZURICH). O objetivo final era vender 51% de sua participação na seguradora Santander Seguros S/A para o grupo suíço; que, em 05/10/2011, houve: reestruturação societária: as ações da Santander Seguros S/A (atual ZURICH) foram transferidas pelo Banco Santander (Brasil) S/A para duas empresas do Grupo Santander: ZS Insurance Ameríca SL (Espanha) e para sua subsidiária integral ZS América SPA (Chile), ou seja: que, ainda nesse dia, o Banco Santander (Espanha) vendeu 51% da participação na ZS Insurance America S.L. para a ZURICH INSURANCE COMPANY LTD, sociedade constituída conforme leis da Suíça, ou seja: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 928 6 que para efetuar a compra da participação na ZS INSURANCE AMERICA, S.L., a ZURICH INSURANCE COMPANY LTD impôs uma condição: que o Negócio FGB fosse alienado, ou seja, deixasse de compor o portfólio de fundos da Santander Seguros S. A. (ZURICH); que as razões deste desinteresse pelo Negócio FGB foram informadas na resposta ao Termo de Intimação da Fiscalização Número 05/09/2017: "Os planos de previdência FGB são produtos antigos do segmento de previdência privada que não são comercializados atualmente e cujas condições técnicas não são mais praticadas, tendo em conta as condições atuais de mercado, pois embutem riscos financeiros. O Grupo Zurich não tem interesse na aquisição de produtos desta natureza e o Produto FGB não fez parte da negociação com a Holding ZS Insurance America S. A. (...) Assim, no Contrato de Compra e Venda de Ações, foram considerados apenas produtos comercializados que estavam, na época de sua celebração, dentro do padrão usual do mercado mundial e, sendo assim, este Produto FGB, incompatível com Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 929 7 os produtos disponibilizados no mercado de previdência privada, não foi contemplado no referido Contrato." que o contrato de compra e venda da participação na ZS INSURANCE AMERICA, S.L. reflete esta condição, imposta pela ZURICH INSURANCE COMPANY LTD, na Cláusula 5.15 e que transcrevo excertos: (...) "1. Indenização por Perdas Relacionadas aos Negócios do FGB (...) (b) Todos os lucros e perdas dos Negócios do FGB ficarão por conta do Vendedor [Banco Santander (Brasil) S. A.]. O Vendedor indenizará e isentará as Sociedades Seguradoras Locais [Santander Seguros S. A. (ZURICH)] e suas Coligadas de quaisquer Perdas diretamente relacionadas aos Negócios FGB (...). 2. Contabilização dos Lucros dos Negócios do FGB (...) (b) Os lucros líquidos dos Negócios do FGB e qualquer superávit de capital relacionado aos Negócios FGB (aportados de acordo com o parágrafo 3 abaixo ou de outra forma) serão detidos pelas Sociedades Seguradoras Locais [Santander Seguros S. A. (ZURICH)] (em vez de serem pagos ao Vendedor [Banco Santander (Brasil) S. A.]) e devem ser pagos conforme estabelecido neste instrumento. (...) 4. Venda Obrigatória do FGB (a) O Vendedor [Banco Santander (Brasil) S. A.] concorda em diligenciar a venda, transferência ou outra alienação dos Negócios do FGB, assim que razoavelmente possível após a data deste Contrato (porém, em qualquer caso, em até 30 (trinta) meses após o fechamento da compra das Sociedades Seguradoras Locais [Santander Seguros S. A. (ZURICH)] pelos Compradores [ZS INSURANCE AMERICA S. A. e INVERSIONESZS AMERICA SPA] (...). que, como vimos, a alienação obrigatória do Negócio FGB (segundo o Item 4 do Anexo 5.15 do Contrato de Compra e Venda de Ações Indenização do FGB) deveria ocorrer em até 30 meses após o dia 05/10/2011 (data da assinatura do contrato de compra e venda), o que nos levaria à data limite de 05/04/2014; Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 930 8 que, no entanto, em 31/03/2014, ocorreu a PRIMEIRA ALTERAÇÃO DO CONTRATO DE INDENIZAÇÃO que modificou a Seção 6.1 do Contrato Definitivo de Indenização, estabelecendo que a alienação obrigatória do Negócio FGB deveria ocorrer até 01/01/2015; que a transferência do Negócio FGB só veio a ocorrer em 04/09/2014, quando a ZURICH cede e transfere o NEGÓCIO FGB para a empresa EVIDENCE PREVIDÊNCIA S/A, controlada indireta do Banco Santander (Brasil) S/A; que a falta de interesse pelo NEGÓCIO FGB se revelou não ser uma exclusividade da ZURICH INSURANCE COMPANY LTD, mas de todo o mercado de seguros; que, tanto assim, para cumprir o estabelecido na Seção 6.1 do Contrato Definitivo de Indenização, o Grupo Santander se viu obrigado a resolver o problema da alienação do Negócio FGB internamente. Transformou uma de suas empresas, a ABLASA PARTICIPAÇÕES S. A., em EVIDENCE PREVIDÊNCIA S. A., sua controlada indireta, a fim de nela alocar o Negócio FGB; que, no entanto, no anocalendário 2013, o Negócio FGB apresentou lucro líquido de R$ 263.292344,58. Tal resultado foi "transferido" da ZURICH, onde o Negócio FGB ainda se encontrava, para o Banco Santander (Brasil) S. A.. Ou seja, se o Negócio FGB apresentasse lucro líquido (como o apresentado no anocalendário de 2013), tal lucro deveria ficar detido na ZURICH, ao invés de ser pago ao Banco Santander (Brasil) S. A. (seria transferido apenas quando da transferência do Negócio FGB); que a transferência do lucro líquido apresentado pelo Negócio FGB no ano calendário de 2013, no valor de R$ 263.292344,58, da ZURICH para o Banco Santander (Brasil) S. A. não pode ser aceita como uma despesa necessária para a ZURICH; que, em termos contábeis, o Negócio FGB é representado por um grupo de contas do ativo e do passivo da ZURICH. No que diz respeito à apuração de resultado do Negócio FGB, o conjunto de contas envolvidas está listado na planilha "Balanço EGB.xIsx" entregue em resposta ao Termo de Intimação Número 10/08/2017; que, na citada planilha ("Balanço FGB.xIsx"), constatase que, no ano calendário 2013, o Negócio FGB apurou um lucro líquido de R$ 263.292.344,58; que a contribuinte não ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL o lucro contábil do NEGÓCIO FGB na empresa ZURICH, pois não adicionou o respectivo valor na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Pelo contrário, quando da transferência do lucro líquido do AC 2013 para o Banco Santander, a ZURICH anulou contabilmente o lucro contábil do NEGÓCIO FGB, mediante lançamento de uma despesa no mesmo valor. Nessa parte transcrevo excerto do TVF: (...) 2 Do Contribuinte Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 931 9 A ZURICH SANTANDER BRASIL SEGUROS E PREVIDÊNCIA S.A. (doravante denominada ZURICH) tem sede na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, e tem como objeto social "a exploração das operações de seguros de pessoas, em quaisquer de suas modalidades, bem como planos de pecúlio e rendas da previdência privada aberta", conforme consta no artigo 3° do seu Estatuto Social. 3 Dos Fatos 3.1 Introdução No anocalendário de 2013, verificouse que a ZURICH pagou ao Banco Santander (Brasil) S. A. (CNPJ 90.400.888/000142), a título de despesa não operacional (conta 994395 Outras Despesas Não Operacionais), a quantia de R$ 263.292.344,58. A ZURICH informou, que o objetivo de tal despesa era "anular" o resultado positivo do Negócio FGB (Fundo Garantidor de Benefício), pertencente à ZURICH, e "repassar" tal resultado ao Banco Santander (Brasil) S. A.. Cabe esclarecer que, segundo a própria ZURICH, o Negócio FGB é constituído por "planos de previdência que garantem correção mínima das aplicações e dos benefícios por um índice de inflação". Instada a justificar os motivos pelos quais realizou o "repasse" do resultado do FGB para o Banco Santander (Brasil) S/A, a ZURICH informou, em resposta ao Termo de Intimação Número 27/06/2017, que: "Em 05/10/2011 foi firmado entre o Banco Santander (Brasil) S. A. e Santander Seguros S. A. (antiga denominação da Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S. A.), dentre outras partes, o CONTRATO DE INDENIZAÇÃO (Doc. 2) (4), em decorrência da Cláusula 5.15 do CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES, de 14/7/2011 (Doc. 1) (5). De acordo com a Seção 2.2 do CONTRATO DE INDENIZAÇÃO (Doc.2) a Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S. A. é responsável pelo gerenciamento e operação do Negócio FGB existente antes da data do CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES, DE 14/7/2011 (Doc. 1), sendo que será indenizada pelo Banco Santander (Brasil) S.A. de perdas incorridas pelo Negócio FGB (seção 3.1). Neste sentido, nos termos da Seção 4.2, 'todos os lucros e perdas do Negócio FGB serão arcados pelo Santander Brasil'. Em decorrência do CONTRATO DE INDENIZAÇÃO (Doc.2), a referida empresa seguradora permaneceu responsável pela administração operação dos negócios FGB, sendo indenizada pelo Banco Santander (Brasil) S/A, até que o processo de venda, transferência ou outra alienação de ativos e passivos do Negócio FGB fosse concretizada no sentido de transferir referido negócio para o Banco Santander (Brasil) S/A. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 932 10 (...) 3.3 Conclusão Por todo o exposto, a transferência do lucro líquido apresentado pelo Negócio FGB no anocalendário de 2013, no valor de R$ 263.292344,58, da ZURICH para o Banco Santander (Brasil) S. A. não pode ser aceita como uma despesa necessária para a ZURICH. 4 Do Direito A questão a ser aqui tratada diz respeito à dedutibilidade ou não da despesa representada pelo pagamento de R$ 263.292344,58 feito pela ZURICH ao Banco Santander (Brasil) S. A. Segundo a ZURICH, tal pagamento foi feito em cumprimento ao Contrato Definitivo de Indenização. No entanto, como já ficou demonstrado, a Seção 4.2 do citado contrato determinava expressamente que o lucro líquido apresentado pelo Negócio FGB deveria ser detido pela ZURICH ao invés de ser pago ao Banco Santander (Brasil) S. A. (...) que a Fiscalização da RFB não acatou o registro contábil da despesa escriturada pela Zurich, em contrapartida, ao repasse do lucro líquido efetuado para o Banco Santander. Ou seja, o Fisco rechaçou a despesa de R$ 263.292.344,58 (efetuou a glosa) após a seguinte explicação da contribuinte, conforme TVF: A ZURICH informou, que o objetivo de tal despesa era "anular" o resultado positivo do Negócio FGB (Fundo Garantidor de Benefício), pertencente à ZURICH, e "repassar" tal resultado ao Banco Santander (Brasil) S. A.. que o Fisco adicionou, destarte, o lucro líquido do Negócio FGB R$ 263.292.344,58 ao resultado da ZURICH, anocalendário 2013: a) Base de Cálculo do IRPJ apurada pelo Fisco, anocalendário 2013: Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 933 11 b) Base de cálculo da CSLL, anocalendário 2013 que o crédito tributário lançado de ofício, na data de lavratura dos autos de infração, perfaz o montante de R$ 230.778.970,39 assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 12/2017) (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJ 65.456.876,20 29.638.873,54 49.092.657,15 144.188.406,89 CSLL 39.309.317,01 17.799.258,74 29.481.987,75 86.590.563,50 Total 230.778.970,39 Ciente do lançamento fiscal em 18/12/2017 (efl. 464), a contribuinte apresentou Impugnação em 16/01/2018 (efls. 472/526), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo (efls. 822/823): (...) Da impugnação O contribuinte apresentou em 16/01/2018 (fl. 472) impugnação de fls.474/526 na qual alega em apertada síntese que: houve efetiva obrigação de realizar o pagamento, uma vez que nos exatos termos da impugnação "o Negócio FGB não integrou a compra e venda de ações envolvendo a Zurich Santander"; a despesa é necessária porquanto havia obrigação contratual ao pagamento, não se caracterizando mera liberalidade e nem cabendo ao auditorfiscal interpretação pessoal dos critérios; a despesa estaria relacionada e seria imprescindível às atividades da empresa, estando em conformidade com os requisitos do art. 299 do RIR; Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 934 12 a fiscalização estaria tributando renda de terceiro, uma vez que nos termos da impugnação: "o rendimento auferido com o Negócio FGB ingressa o patrimônio da Impugnante de forma condicionada" e a "a Impugnante não é a efetiva beneficiária de tal rendimento"; o pagamento efetuado teria natureza de reembolso, com o qual o "Santander expurgava de sua contabilidade os efeitos (positivos e negativos) do Negócio FGB"; a despesa seria afeta ao conceito de indenização dos valores recebidos e transferido pela impugnante, uma vez que por concerto prévio de vontades estabeleceuse um vínculo obrigacional; "pela ausência de acréscimo patrimonial da Impugnante, de rigor o cancelamento da glosa fiscal, caso contrário, será oferecido a tributação valores que não pertencem ao seu patrimônio"; "o tratamento contábil adotado pela Impugnante refletiu a neutralidade dos efeitos da referida carteira FGB, tal como previsto contratualmente", sendo que "a Impugnante tratou os valores transitórios do Negócio FGB". Ad argumentandum alega que: teria havido mera postergação dos tributos para o momento da alienação do Negócio FGB, uma vez que "ainda que se considere que a Impugnante somente poderia ter aproveitado a dedutibilidade da despesa no anocalendário de 2015, então nesse caso deveria observada a regra de postergação do imposto, o que no presente caso autorizaria tão somente a exigência de multa e juros de mora, mas não dos tributos exigidos a título de principal"; não há previsão legal para adição à base de cálculo da CSLL de despesa considerada indedutível da base de cálculo do IRPJ; os juros não podem ser cobrados sobre a multa de ofício por ausência de previsão legal. Por fim, registra que fica impugnada também a compensação e a retificação de ofício dos montantes a título de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL constante dos lançamentos de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores foram indevidamente ajustados pelas supostas infrações apuradas no presente processo. (...) Na sessão de 20/12/2018, a 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou a Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal, conforme Acórdão (efls. 819/830), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 935 13 (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2014 PRINCÍPIO DA ENTIDADE. O patrimônio da entidade, objeto de contabilização, tem de estar completamente separado do patrimônio de seus sócios, acionistas, bem como de pessoas jurídicas distintas, ainda que possuam quadro societário idêntico ou semelhante. É forçoso, para cada pessoa jurídica, reconhecer independentemente as suas variações patrimoniais pelo registro de receitas e despesas próprias. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas que não tenham todas as características dispostas no art. 47 da Lei nº 4.506/1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Irresignada com esse decisum, do qual tomou ciência em 24/12/2018 (efls. 833/835), a interessada apresentou Recurso Voluntário em 21/01/2019 (efl. 836/900), suscitando preliminar de nulidade da decisão recorrida e, quanto ao mérito, limitouse a reproduzir as razões apresentadas na instância a quo e já transcritas, em síntese, anteriormente. Quanto à preliminar suscitada, a recorrente assim consignou, em síntese: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 936 14 (...) Constatase, nesse ponto, que no acórdão atacado a Delegacia de Julgamento, tendo se deparado com uma deficiência do trabalho fiscal, optou, por elencar um novo fundamento (inovador) que ensejaria o reconhecimento de que a despesa ora glosada seria indedutível: o descumprimento do Princípio da Entidade que, consequentemente, levou à confusão patrimonial entre Recorrente e Santander. A simples leitura das 19 páginas do TVF demonstra que, em nenhum momento, houve a acusação fiscal atinente ao elemento da confusão patrimonial, ou de qualquer afronta ao Princípio da Entidade. Constatase, nesse ponto, que no acórdão atacado a Delegacia de Julgamento, tendo se deparado com uma deficiência do trabalho fiscal, optou, por elencar um novo fundamento (inovador) que ensejaria o reconhecimento de que a despesa ora glosada seria indedutível: o descumprimento do Princípio da Entidade que, consequentemente, levou à confusão patrimonial entre Recorrente e Santander. (...) Não obstante os ditames legais mencionados acima, se constata que, no caso concreto, aquela Turma Julgadora adotou a equivocada postura de complementar o trabalho fiscal, apresentando alegações e fatos que não foram trazidos pelo Sr. Agente Fiscal no TVF (afronta ao Princípio da Entidade e consequente confusão patrimonial). (...) Destaquese que o ato da DRJ de trazer alegações e fatos não suscitados pela Autoridade Fiscal enseja graves efeitos, como a violação ao duplo grau de jurisdição (ou supressão de instância), a ofensa a direitos basilares como o contraditório e a ampla defesa e, consequentemente, a preterição do direito de defesa da Recorrente, motivo pelo qual o acórdão recorrido deve ser considerado nulo, nos termos do já mencionado artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Assim, evidente que a Turma Julgadora alterou o fundamento do trabalho fiscal no acórdão recorrido ao utilizar para as suas conclusões, ilações e fatos que não foram desenvolvidos pela Autoridade Fiscal, razão pela qual deve este E. Conselho reconhecer a nulidade do referido acórdão. Caso assim não se entenda, o que se alega a título argumentativo, requerse ao menos que os elementos de motivação atinentes à suposta confusão patrimonial e afronta ao Princípio da Entidade sejam descartados por este E. Conselho, pois não compõem referidos autos e não foram alegados no momento oportuno pela Administração Pública, qual seja o da lavratura dos autos de infração. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 937 15 Nesse sentido, requerse o reconhecimento da nulidade parcial do acórdão recorrido, de modo que tais argumentos não sejam utilizados para embasar o presente julgamento, e o reconhecimento de estes não podem embasar a manutenção dos lançamentos fiscais ora combatidos. (...) III.1 – Da Efetiva Obrigação de Realizar o Pagamento (...) Todavia, diferentemente da acusação fiscal (superficialmente reproduzida pelo acórdão recorrido), a correta interpretação do negócio jurídico celebrado não deixa dúvidas de que a Recorrente tinha a obrigação de transferir ao Banco Santander (Brasil) S.A. o resultado positivo apurado com o Fundo FGB. (...) Pois bem. Como mencionado no TVF e no relatório do acórdão recorrido, no ano de 2011, a Zurich Insurance Company (“Zurich”), sociedade sediada na Suíça, iniciou uma parceria com o Banco Santander S.A., sociedade sediada na Espanha (“Santander” ou “Santander Espanha”), com o objetivo de adquirir parte da sua operação no ramo de seguros no Brasil gerida pela Santander Seguros S.A. (antiga denominação social da Recorrente). Para implantação de tal parceria, foi adotado o processo de reestruturação societária descrito no item 3.2. do TVF, no qual, ao final, a Zurich Insurance Company passou a deter 51% de participação no capital social da “Santander Seguros S.A.”, por intermédio das sociedades ZS Insurance America S.L. (sediada na Espanha) e Inversiones ZS América SPA (sediada no Chile); ao passo em que, de outro lado, o “Santander Espanha” passou a deter 49% de participação no capital social da então “Santander Seguros S.A., por intermédio da sociedade ZS Insurance America S.L. (sediada na Espanha). (...) Desse modo, a solução encontrada pelas partes para viabilizar a parceria se deu com a obrigação do Santander de arcar com as perdas e lucros decorrentes do Negócio FGB, como se verifica da Cláusula 5.15. do Contrato de Compra e Vendas, que remete ao Anexo 5.15, o qual, no item 1. b., prevê que “Todos os lucros e perdas dos Negócios do FGB ficarão por conta do Vendedor [Banco Santander (Brasil) S. A.].” (g.n.) Nessa toada, foi celebrado o “Contrato Definitivo de Indenização” (vide Doc. 02 da Impugnação), que trouxe as disposições definitivas relacionadas ao Negócio FGB. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 938 16 A partir da redação da Seção 4.2.2 desse contrato, a Fiscalização conclui que o pagamento realizado foi uma liberalidade por parte da Recorrente, (...). (...) Todavia, tal interpretação está equivocada e não pode prevalecer. Como mencionado acima, o Santander permaneceu integralmente responsável pelo Negócio FGB, tanto pelas perdas quanto pelos ganhos. Nesse contexto, muito embora por questões societárias o Negócio FGB não tenha permanecido com o Santander, os efeitos decorrentes desta carteira deveriam ser sempre neutros para a Recorrente. Tanto é assim, que, no item “f”, da Seção 2.1., da Cláusula II, do “Contrato de Indenização”, está previsto que a sociedade Seguro de Vida Santander Brasil (antiga denominação da Recorrente) deveria transferir os valores que excedessem a zero na avaliação dos Ativos Líquidos Finais no Fechamento, (...). Essa é a tônica do “Contrato de Indenização” celebrado pelas partes, que em diversas passagens aponta para a neutralidade dos efeitos decorrentes do Negócio FGB para a Recorrente. Desse modo, para assegurar a intenção das partes de que os impactos decorrentes do Negócio FGB não se fizessem sentir na Recorrente, foi convencionada a Seção 3.1., da Cláusula III (Indenização), (...). Como se vê, o “Santander Espanha” e o “Santander Brasil” assumiram a obrigação de indenizar a Recorrente pelas perdas eventualmente sofridas com o Negócio FGB. E assim foi cumprido o contrato ao longo dos anos, tendo o Banco Santander (Brasil) S.A. realizado os procedimentos necessários para neutralizar as perdas incorridas pela Recorrente decorrentes do Negócio FGB. Desta feita, estando o Santander obrigado a cobrir as perdas decorrentes do Negócio FGB, evidentemente, este também teria direito aos lucros decorrentes de tal carteira, muito embora a expectativa das partes fosse de que tal negócio sempre seria deficitário. Assim, a intenção das partes, como se infere da leitura completa do contrato, sempre foi a de buscar a neutralidade do Negócio FGB no contexto da operação societária realizada que viabilizou a parceria estabelecida entre o Santander e a Zurich. (...) Como se vê, o dispositivo em comento é claro ao prever que “Todos os lucros e perdas do Negócio FGB serão arcados pelo Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 939 17 Santander Brasil, sujeito aos termos do presente contrato.” (g.n.). Cumpre esclarecer que, diferentemente do apontado no TVF, o dispositivo em comento, mais uma vez, confirma a intenção das partes de manter a neutralidade dos efeitos do Negócio FGB para a Recorrente, ficando o Santander responsável não apenas pelas perdas, mas também pelos lucros. Ora, como visto acima, o Negócio FGB foi tratado de forma apartada em relação à aquisição do negócio de seguros do Santander Brasil pela Zurich, isso para viabilizar parceria estabelecida pelas partes. (...) Contudo, de forma equivocada, o Sr. Agente Fiscal, em análise também corroborada pela DRJ, se apega à disposição contida na Seção 4.2. do contrato que diz que “Os lucros líquidos do Negócio FGB e qualquer capital excedente associado ao Negócio FGB (contribuídos de acordo com a Cláusula V ou diversamente) serão detidos pelo Seguro de Vida Santander Brasil (ao invés de serem pagos ao Santander Brasil), a serem pagos conforme estabelecido na, e sujeitos à Seção 6.6.” (g.n.), para fundamentar o lançamento e a decisão ora combatida. Todavia, a Autoridade Julgadora ignora o trecho final do referido dispositivo, segundo o qual os lucros serão “pagos conforme estabelecido na, e sujeitos à Seção 6.6.” (g.n.) Ora, o contrato prevê de forma expressa a obrigação da Recorrente em efetuar o pagamento ao Santander dos lucros havidos com o Negócio FGB. (...) Dessa forma, a leitura mais atenta das referidas cláusulas não deixa espaço para dúvidas de que estas tratam de momentos distintos: em se tratando de lucros e perdas durante a atividade do Negócio FGB, devem ser observadas as disposições da Cláusula IV; ao passo em que, em se tratando da alienação do Negócio FGB, devem ser observadas as disposições da Cláusula VI. (...) O referido dispositivo é claro no sentido de que, durante a permanência do Negócio FGB com a Zurich, as partes convencionaram que todos os lucros e perdas correntes da operação deveriam ser absorvidos pelo Santander, bem como o contrato, em sua na cláusula IV, diz respeito ao “desempenho financeiro” do Negócio FGB. Ora, desempenho financeiro engloba tanto perdas quanto lucros. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 940 18 (...) Logo, não resta dúvida que a previsão vigente para tal pagamento é o seguinte trecho da seção 4.2 da cláusula IV: “Todos os lucros e perdas do Negócio FGB serão arcados pelo Santander Brasil, sujeito aos termos do presente contrato.” (g.n.). O que se vê, portanto, é que o acórdão recorrido se apega a uma interpretação equivocada da seção 4.2. do contrato de indenização, desconsiderando as demais disposições do contrato, na tentativa de desqualificar a validade do pagamento efetuado. (...) III.2 – Da Necessidade da Despesa Incorrida (...) III.3 – Da Violação ao Conceito de Renda III.3.1. – Da Tentativa Fiscal de Tributar Renda de Terceiro (Jurisprudência consolidada do CARF) (...) III.3.2. – Da Natureza de Reembolso do Pagamento Efetuado (...) III.3.3. –Do Conceito de Indenização dos Valores Recebidos e Transferido pela Recorrente (...) III.3.4. – Indevido Efeito da Glosa da Despesa ora Debatida (...) III.3.5. – Da Contabilização Realizada pela Recorrente– Evidenciação da Inexistência de Renda – Neutralidade Contratual (...) III.4 –Ad Argumentandum: Dos Efeitos da Postergação (...) III.5 – Ad Argumentandum: Da Ausência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, de Despesa Considerada Indedutível da Base de Cálculo do IRPJ (...) III.6 – Das Compensações e Retificações Indevidas de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 941 19 (...) É o relatório. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 942 20 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL O sujeito passivo transferiu o lucro contábil apurado antes do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2013 no valor de R$ 263.292.344,58 quanto ao Negócio FGB (Fundo Garantidor de Benefício) para o Banco Santander Brasil/S/A e, em contrapartida, apropriou suposta despesa no mesmo valor (despesa não operacional). Isso implicou segregação e anulação na contabilidade do referido lucro e, por conseguinte, não houve oferecimento desse lucro à tributação pelo IRPJ e CSLL pela Zurich (autuada) no seu resultado, mesmo sendo o Negócio FGB parte do seu objeto social, do seu patrimônio, e o respectivo lucro (resultado) de sua atividade operacional. O Fisco, então, glosou a despesa a despesa não operacional, conforme autos de infração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2013, computando o referido lucro contábil do Negócio FGB no resultado tributável da ZURICH, conforme já relatado. Veja. A Zurich (sujeito passivo) somente cedeu, transferiu, o Negócio FGB para empresa sucessora muito tempo após o encerramento do anocalendário objeto do lançamento fiscal, ou seja, apenas em anocalendário ulterior ao anocalendário objeto do lançamento fiscal. No anocalendário 2013, ano em que foi gerado o lucro do Negócio FGB, a autuada era titular do Negócio FGB. Por isso, da imposição dos autos de infração do IRPJ e da CSLL com multa de ofício de 75% e respectivos juros de mora contra a Zurich. Durante o procedimento de fiscalização da RFB, a empresa autuada argumentou, por força de contrato, que estaria obrigada a repassar o lucro líquido do Negócio FGB ao Banco Santander Brasil S/A, conforme excerto que transcrevo, narrativa da fiscalização constante do TVF: (...) No anocalendário 2013, verificouse que a ZURICH pagou ao Banco Santander (Brasil) S/A (CNPJ 90.400.888/000142), a Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 943 21 título de despesa não operacional (Conta 994395 Outras Despesas Não Operacionais), a quantia de R$ 263.292.344,58. A ZURICH informou que o objetivo de tal despesa era “anular” o resultado positivo do Negócio FGB (Fundo Garantidor de Benefício, pertencente à Zurich, e "repassar" tal resultado ao Banco Santander (Brasil) S/A. Cabe esclarecer que, segundo a própria ZURICH), o Negócio FGB é constituído por "planos de previdência que garantem correção mínima das aplicações e dos benefícios por um índice de inflação (...) Aqui cabe lembrar, conforme já explicitado no relatório, a Zurich, até 05/10/2011 era denominada SANTANDER SEGUROS S/A, cujo controle era 100% do Banco Santander Brasil S/A e o qual, por sua vez, é controlado pelo Banco Santander (Espanha). Em face de reestruturação societária da SANTANDER SEGUROS S/A., o Banco Santander (Espanha) vendeu 51% de sua participação na ZS INSURANCE AMÉRICA SL e de sua subsidiária para a Zurich Insurance Company Ltd (Suiça), menos o Negócio FGB que foi rejeitado expressamente pelos suíços, conforme já explicitado no relatório. Com isso, o controle da SANTANDER SEGUROS S/A, atual Zurich, passou para a ZURICH (Suíça) e a outra parte do capital social 49% + Negócio FGB continuou com a titularidade do Grupo Santander, representado no Brasil pelo Banco Santander Brasil S/A. Obs: (i) O Negócio FGB permaneceu no capital da Santander Seguros S/A (atual Zurich), sendo também objeto da empresa, até que fosse vendido pelo Banco Santander, conforme cláusula contratual. Se desse prejuízo o Negócio FGB, nesse período, o Banco Santander reembolsaria as perdas anualmente e, se desse lucros, esses seriam retidos e repassados apenas quando da alienação, venda do Negócio FGB; (ii) Para a fiscalização da RFB, além da despesa ser indedutível (contrapartida à transferência dos lucros), o resultado positivo do Negócio FGB foi transferido em 2013 (antes da alienação do Negócio FGB), cuja venda ou transferência ocorreu apenas em 2014. Ou seja: a transferência do Negócio FGB só veio a ocorrer em 04/09/2014, quando a ZURICH cede e transfere o NEGÓCIO FGB para a empresa EVIDENCE PREVIDÊNCIA S/A, controlada indireta do Banco Santander (Brasil) S/A. Assim, conforme auto de infração e TVF, o Negócio FGB, parte integrante do capital da Zurich, integrou os resultados da recorrente (Zurich), no anocalendário 2013, objeto do lançamento fiscal. A decisão a quo manteve o lançamento fiscal. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 944 22 Nesta instância recursal, a recorrente suscitou preliminar de nulidade da decisão a quo e, no mérito, pediu a improcedência do lançamento fiscal e, ainda, apenas a título de argumentação, alegou que teria havido mera postergação do pagamento dos tributos. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NA DECISÃO A QUO. PRELIMINAR REJEITADA A recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por inovação na fundamentação do lançamento fiscal. Em síntese, a alegação da recorrente foi assim deduzida nas razões do recurso: (...) Constatase, nesse ponto, que no acórdão atacado a Delegacia de Julgamento, tendo se deparado com uma deficiência do trabalho fiscal, optou, por elencar um novo fundamento (inovador) que ensejaria o reconhecimento de que a despesa ora glosada seria indedutível: o descumprimento do Princípio da Entidade que, consequentemente, levou à confusão patrimonial entre Recorrente e Santander.. (...) Data venia é desproposital o argumento da recorrente. Deve ser rechaçado de plano essa preliminar de nulidade, por falta de plausibilidade fáticojurídica. O Negócio FGB, no anocalendário 2013, compôs, integrou, o objeto social da recorrente, integrou a atividade da recorrente, pois somente foi baixado, transferido, vendido em 04/09/2014, quando a ZURICH cedeu e transferiu o NEGÓCIO FGB para a empresa EVIDENCE PREVIDÊNCIA S/A, controlada indireta do Banco Santander (Brasil) S/A. Ou seja, o resultado positivo do Negócio FGB (lucros), anocalendário 2013, compôs, integrou o resultado operacional da atividade da recorrente. Embora sujeito a controle específico em decorrência de relação contratual, o Negócio FGB era parte integrante do sujeito passivo, compôs, integrou o resultado da atividade da recorrente para efeito tributário, quanto ao anocalendário 2013, objeto do lançamento fiscal, pois a autuada, como visto, cedeu, transferiu o Negócio FGB apenas em anocalendário ulterior ao anocalendário objeto da autuação. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 945 23 Na verdade, ao explanar argumentos pela manutenção dos autos de infração o voto condutor da decisão recorrida não inovou, não trouxe fundamentação nova ao lançamento fiscal. Pelo contrário, ao tratar do princípio da entidade a decisão recorrida, simplesmente, expressou o que está intrínsico ou materializado no lançamento fiscal, ou seja, quanto anocalendário 2013, o resultado do Negócio FGB compôs, integrou, o resultado da recorrente, pois integrava a pessoa jurídica autuada (fazia parte dela). A propósito, quanto à fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido pela observância do princípio da entidade, transcrevo excerto, in verbis: (...) No caso em comento, a despeito de existir cláusula contratual prevendo a necessidade de alienação do Negócio FGB no prazo de trinta meses da reorganização societária, tal ativo permaneceu como parte integrante da ZURICH até que implementada sua alienação para empresa controlada do próprio Banco Santander SA (Brasil) em 04/09/2014. Ora, se o ativo denominado Negócio FGB integrava o patrimônio da Zurich, não há que se falar em hipótese de transferência direta dos lucros advindos daquele ativo para outra empresa, sob pena de ferir de morte o princípio da entidade. E se não há hipótese legal que preveja tal transferência, por certo, não haverá a possibilidade de deduzir a correspondente despesa. E é neste sentido que não se cabe falar que houve tributação da renda de terceiros, posto que o ativo fazia parte do patrimônio da ZURICH, sendo também seus os rendimentos dali advindos, independentemente do acerto entre os anteriores e atuais sócios para futura alienação do ativo. (...). Ajustes particulares não podem afastar a tributação dos resultados na pessoa jurídica na qual foram gerados, pois o Negócio FGB, enquanto não fosse alienado ou vendido, continuou fazendo parte do patrimônio da Zurich (recorrente), mormente no anocalendário 2013, objeto do lançamento fiscal. A transferência, venda ou alienação do Negócio FGB, retirada, exclusão, do patrimônio da Zurich, só ocorreu em 04/09/2014. Aplicação, no caso, da inteligência do art. 123 do CTN, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 946 24 Assim, o Negócio FGB, sendo parte integrante do patrimônio da Zurich (enquanto inexistente sua transferência, venda para outra pessoa jurídica como sucessora), compôs, integrou os resultados da Zurich, mormente anocalendário 2013 objeto da autuação. Inexiste razão fáticojurídica para anulação dos resultados (lucros) nos seus registros contábeis, ficando, por conseguinte, os resultado (lucros) sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL como resultados da Zurich. Isso é, em suma, observância, prevalência do princípio da entidade. Vêse que a pretensão da recorrente, na operação de transferência de lucros do Negócio FGB ao Banco Santander Brasil S/A, em debitar despesas não operacional no mesmo valor para anular os lucros transferidos , não tem sentido (nem lógica), não tem guarida, não tem amparo dentro da técnica contábil e não tem plausibilidade fáticojurídica no ordenamento jurídico tributário pátrio. No caso, apenas para argumentar, o procedimento contábiltributário que a recorrente deveria der feito para o anocalendário 2013, porém não o fez e por isso do lançamento de ofício, é o seguinte: Primeiro, oferecer o lucro à tributação do IRPJ e da CSLL ou seja, oferecer à tributação os seus resultados (inclusive o lucro líquido do Negócio FGB). Na sequência, a recorrente deveria ter efetuado os seguintes registros contábeis quanto ao Negócio FGB (pelo saldo do lucro remanescente após a tributação = lucros acumulados): 1) Patrimônio Líquido PL: Registrar no PL a conta contábil Lucros Acumulados (conta credora) e a débito a conta contábil ARE (Apuração do Resultado do Exercício). 2) Distribuir ou transferir lucros: Debitar a conta contábil Lucros Acumulados (conta contábil de PL) e creditar a conta contábil Lucros a distribuir/transferir (conta de passivo circulante). 3) Pagamento dos lucros: Debitar a conta contábil de passivo circulante Lucros a distribuir/transferir e creditar a conta Caixa ou Bancos do ativo circulante (pagamento em dinheiro ou cheque). Como demonstrado, a operação de transferência de lucros do Negócio FGB não envolve contas de resultado (contas de diferenciais, de despesa e receitas), mas sim envolve apenas contas contábeis integrais (contas de balanço patrimonial, contas de ativo circulante e passivo exigível). Obs: As contas contábeis dividemse em: a) Integrais (ou Elementares): são as representativas dos bens, dos direitos e das obrigações da entidade, ou seja, Ativo e Passivo Exigível. b) Diferenciais (ou Derivadas): são as representativas de resultado do que será levado ao Patrimônio Líquido, ou seja, a diferença entre as receitas e despesas da entidade: lucros ou prejuízos. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 947 25 A recorrente, além de tudo, como demonstrado, praticou aberração na escrituração contábil/fiscal ao tentar criar despesa (não operacional) para anular o lucro do Negócio FGB. O fato da recorrente ter efetuado a distribuição/transferência do lucro em 2013, e não em 2014 ou 2015, não interfere na legitimidade, legalidade, validade do lançamento fiscal para efeito tributário, pois não se pode confundir o oferecimento à tributação do resultado (lucros) com a distribuição dos lucros. Os lucros acumulados podem ser distribuídos no ano que a empresa bem entender. Porém, o oferecimento à tributação dos resultados (lucros) deve ocorrer no ano da geração dos lucros, no caso anocalendário 2013, a menos que a empresa tivesse regime especial de diferimento da tributação dos resultados do exercício, que não é o ocaso. Logo, o lançamento está correto, inclusive nessa parte. Quanto à alegada neutralidade dos resultados (controle em separado do Negócio FGB, por força contratual), no sentido de ressarcimento da Zurich pelo Grupo Santander das perdas e, por outro lado, o repasse de eventuais lucros (resultados positivos) ao citado Grupo, como visto a contribuinte agiu à revelia da legislação contábil e tributária. Primeiro, deveria ter observado a legislação contábil (técnica contábil) e a legislação tributária de regência (computar os resultados positivos do Negócio FGB nos resultados da empresa Zurich) e, depois, sim, implementar a citada neutralidade dos resultados do Negócio FGB, conforme ajuste contratual. Como demonstrado, diversamente do alegado pela recorrente, não há vício algum na decisão recorrida. Destarte, não tem plausibilidade fáticojurídica a pretensão da recorrente de nulidade da decisão recorrida. Ademais, apenas para argumentar, não há vício algum no lançamento fiscal que o pudesse macular de nulidade, pois os fatos imputados foram descritos, narrados, de forma clara, objetiva, concisa e com respectivo enquadramento legal que permitiu à recorrente o pleno conhecimento do feito fiscal e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, no âmbito deste processo legal administrativo. Vale dizer, o auto de infração foi lavrado por agente competente, em observância do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN, onde se encontram discriminados, especificados, inclusive, os aspectos do fato gerador: elemento pessoal, espacial, material, temporal, quantitativo, qualitativo e demonstrativo das base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. GLOSA DE DESPESA NÃO OPERACIONAL E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DO NEGÓCIO FGB COMO RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 948 26 Como já dito alhures, o Negócio FGB, no anocalendário 2013, pertenceu ao patrimônio da recorrente, logo compôs, integrou, o resultado da recorrente, pois somente foi baixado, transferido, vendido em 04/09/2014, quando a ZURICH cedeu e transferiu o NEGÓCIO FGB para a empresa EVIDENCE PREVIDÊNCIA S/A, controlada indireta do Banco Santander (Brasil) S/A. Assim, o Negócio FGB, sendo parte integrante da Zurich (enquanto inexistente sua transferência para pessoa jurídica como sucessora), compôs, integrou os resultados da Zurich, mormente anocalendário 2013 objeto da autuação. Inexiste razão fático jurídica para anulação dos resultados (lucros) nos seus registros contábeis, mediante registro em contrapartida de suposta despesa não operacional, ficando, por conseguinte, os resultados (lucros) do Negócio FGB sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL como resultados da Zurich. A infração imputada glosa de despesa desnecessária, a narrativa dos fatos, fundamentação legal e demonstrativos de apuração do crédito tributário exigido nestes autos, quanto ao anocalendário 2013, estão apresentados, consignados no relatório, a partir dos autos de infração do IRPJ, CSLL e do TVF. A recorrente argumentou que a despesa glosada seria necessária e que o lançamento fiscal não deveria prosperar. A questão já foi tratada, sobejamente, quando do enfrentamento da preliminar de nulidade suscitada e que foi rechaçada, rejeitada, por falta de plausibilidade fáticojurídica. A glosa da despesa, para efeito do IRPJ e da CSLL, justificase, por si só, como despesa não operacional, conforme autos de infração dessas exações fiscais, pois a recorrente já se apropriara das despesas e receitas que geraram o resultado positivo (lucros) do Negócio FGB (lucro), anocalendário 2013, quando da apuração do lucro contábil antes do IRPJ e da CSLL. Ora, as contas contábeis de resultado (despesas e receitas) já foram fechadas, cujos saldos foram levados, transportados, para a conta de Apuração do Resultado do Exercício (ARE), quando da apuração do lucro, anocalendário 2013, objeto da autuação. Assim, para efeito contábil/tributário não se pode mais falar em despesas (seja operacional ou não operacional) para anular, aniquilar, o lucro apurado do Negócio FGB, anocalendário 2013, pois o lucro contábil antes do IRPJ e da CSLL já é o saldo positivo decorrente do confronto entre receitas e despesas operacionais e deve ser oferecido à tributação como resultado da recorrente. Como já dito, quando do enfrentamento da preliminar suscitada, o sujeito passivo ZURICH (empresa autuada) cometeu equívoco, aberração contábil/fiscal ao tentar anular, neutralizar, aniquilar, na sua contabilidade, os lucros do Negócio FGB que foram transferidos para o Grupo Santander, quanto ao anocalendário 2013, por força contratual. Ora, quanto à alegada neutralidade dos resultados (controle em separado do Negócio FGB, por força contratual), no sentido de ressarcimento da Zurich pelo Grupo Santander das perdas e, por outro lado, o repasse ao citado Grupo de eventuais lucros (resultados positivos), como visto a contribuinte agiu à revelia da legislação contábil e tributária. Primeiro, deveria ter observado a legislação contábil (técnica contábil) e a legislação Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 949 27 tributária de regência (deveria ter computado nos resultados da empresa também os lucros do Negócio FGB) e depois, sim, implementar a citada neutralidade dos resultados do Negócio FGB, conforme relação contratual entabulada. Assim, por inobservância da legislação tributária de regência, a Zurich (sujeito passivo) sofreu, de forma legal, legítima e válida, a imposição dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, atinentes ao anocalendário 2013 com multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos. Os respectivos demonstrativos do lucro real, da base de cálculo da CSLL, e do crédito tributário lançado de ofício, anocalendário 2013, estão transcritos no relatório. A contribuinte ainda alegou que: (...) teria havido mera postergação dos tributos para o momento da alienação do Negócio FGB, uma vez que "ainda que se considere que a Impugnante somente poderia ter aproveitado a dedutibilidade da despesa no anocalendário de 2015, então nesse caso deveria ser observada a regra de postergação do imposto, o que no presente caso autorizaria tão somente a exigência de multa e juros de mora, mas não dos tributos exigidos a título de principal"; (...) Data venia tratase de alegação, também, sem plausibilidade fáticojurídica. Como já dito quando do enfrentamento da preliminar de nulidade, o fato da recorrente ter efetuado a distribuição/transferência do lucro em 2013 (ano de apuração dos lucros), e não transferência em 2014 ou em 2015, isso não interfere na legitimidade, legalidade, validade do lançamento fiscal do anocalendário 2013, pois não se pode confundir o oferecimento à tributação do resultado (lucros) com a distribuição dos lucros. Os lucros acumulados podem ser distribuídos no ano que a empresa bem entender. Porém, o oferecimento à tributação dos resultados (lucros) do Negócio FGB deve ocorrer no ano da geração dos lucros, no caso anocalendário 2013, a menos que a empresa autuada Zurich tivesse regime especial de diferimento da tributação dos resultados do exercício, que não é o ocaso. Logo, o lançamento está correto, inclusive nessa parte. Ademais, a contribuinte não comprovou nos autos que tivesse oferecido à tributação o lucro do Negócio FGB do anocalendário 2013 nos anoscalendário subsequentes (2014 e/ou 2015), e desde que antes da ciência do termo de início de fiscalização. Ainda, como já enfrentado pela decisão a quo, não se cabe falar que houve tributação da renda de terceiros pelos autos de infração do IRPJ e da CSLL, posto que o ativo fazia parte do patrimônio da ZURICH, sendo também seus os rendimentos dali advindos, independentemente do acerto entre os anteriores e atuais sócios para futura alienação do ativo. Deve ser mantida a infração imputada. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.721009/201761 Acórdão n.º 1301004.240 S1C3T1 Fl. 950 28 As outras matérias suscitadas estão prejudicadas em face da manutenção da infração imputada, pois o lançamento fiscal (autos de infração do IRPJ e da CSLL), como mencionado, foi efetuado de forma legal, legítima e válida, não cabendo reparo algum. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Mantémse o lançamento decorrente, quando não há razão fáticojurídica para decidir diversamente do que foi decidido para o lançamento do IRPJ (lançamento principal).. Assim, deve ser mantido o acórdão recorrido que manteve o lançamento fiscal. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003054/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal. Verificada correta adequação do sujeito passivo da obrigação tributária principal, deve ser afastado o argumento de ilegitimidade passiva.
Numero da decisão: 2301-006.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, e João Maurício Vital (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal. Verificada correta adequação do sujeito passivo da obrigação tributária principal, deve ser afastado o argumento de ilegitimidade passiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 30 54 /2 00 6- 11 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, e João Maurício Vital (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de folhas 22/23, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ano-calendário de 2004, no valor total de R$ 5.414,36 acrescido da multa de lançamento de ofício de 75 % e de juros de mora, à taxa Selic, calculados até 31/07/2006, perfazendo um crédito tributário de R$ 10.588,32. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 23 do processo, que acompanha o Auto de Infração, foi apurada, pela fiscalização, a infração abaixo descrita: Omissão de rendimentos recebidos do Exterior, no valor de R$ 27.500,00 - Fonte pagadora: Ministério do Desenvolvimento Agrário –IICA. Consta ainda na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” supracitado, que a apuração da omissão de receitas se deu por meio do confronto entre o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte como “Recebidos do Exterior”, com o valor informado como pagos a este, por “Órgão/Entidade da Administração Pública Federal” em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Intemacionais (Derc). O enquadramento legal do lançamento é o indicado no mesmo Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl.23. Devidamente cientificado do lançamento, o autuado, em 11/07/2006, conforme AR de fl.48, o autuado apresenta, na data de 07/08/2006, a impugnação de fls.0l/21, com as seguintes alegações, em síntese: => nulidade: contesta o fato de não haver sido intimado para prestar esclarecimentos sobre a sua DIRPF, nos termos d o art.835, “caput” e parágrafos 3° e 4°, do RIR/99 e entende que a autoridade lançadora e /ou julgadora não pode tentar formatar ou moldar o ordenamento jurídico a seus próprios interesses arrecadatórios, tendo havido, no seu entender, interpretação restritiva da autoridade lançadora; => lembra que as atividades administrativas de lançamento e de julgamento são vinculadas a teor do parágrafo único do a1t.142, do CTN e conclui, que, em assim sendo, não poderia a fiscalização da Receita Federal do RN proceder à lançamento fiscal “por controle remoto”, ignorando os atos e termos processuais previstos na legislação que rege a espécie e à qual está plenamente vinculada, o que, por si só, já invalida o lançamento em lide. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 => invoca o art.11l, inciso II, do CTN e aduz que a legislação pertinente, assim como a doutrina e a Jurisprudência interativa do Conselho de Contribuintes do -Ministério da Fazenda, convergem para o fato de que, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que prestem serviços a organismos internacionais patrocinados pela ONU e órgãos congêneres, são isentos do Imposto de Renda, a teor dos arts. 3° a 7°, do Decreto- lei n° 1.380, de 31/12/1974 e art. 5° da Lei n° 4.506, de 30/11/1964, mantidos em vigor pelo art.30 da Lei n° 7.713/88; => acrescenta que a única exceção estabelecida pela ONU, é quando a forma de remuneração paga é feita por hora ou taxa horária, o que não se aplica ao caso vertente; cita ainda o Parecer CST n° 717, de 06/04/1979 e PN CST n° 03, de 1996, ambos da SRF, como respaldo legal para o seu entendimento; => destaca que o BIRD, atualmente Banco Mundial, de acordo com o Perguntas e Respostas Pessoa Física da SRF, 2004, p.96, questão 137, financiou o projeto do IICA em questão, sendo o PN CST n° 03, de 1996, esclarecedor sobre o caso análogo; transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre o assunto e lembra que o art.l00, III, do CTN, alberga as decisões administrativas como normas complementares de Direito Tributário; Aduz, por fim, que no case em exame, os atos administrativos das autoridades tributárias citados, mesmo que estivessem incorretos, excluiriam, mesmo por analogia, a imposição das multas e juros, conforme estatuído no parágrafo único do art.100 supracitado. Entende que resta cristalino o direito à isenção pretendida, mesmo porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto de Renda na Fonte, em decorrência da não-incidência tributária. Requer, à vista do exposto, a decretação da nulidade da notificação Fiscal em lide, por total falta de supedâneo legal; por ofensa às normas processuais e meritórias. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quanto à nulidade, que não merece acolhimento eis que não houve erro algum e que ambos os códigos apresentados nos autos distinguem perfeitamente a que valores se referem e que todos os demais requisitos legais foram devidamente cumpridos; => da leitura das normas pertinentes ao tema, depreende-se, de uma maneira clara e insofismável, que o autuado não pode ser classificado como “funcionário” do IICA, condição exigida pelo art. 5° do Decreto n° 4.506, de 1964 precitado, segundo o qual, a isenção tributária em comento somente alcança os rendimentos do trabalho auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado por tratado ou convênio, a conceder isenção. => quanto à argumentação do impugnante de que resta cristalino o direito à isenção pretendida, pelo fato de a fonte pagadora não haver procedido à retenção do Imposto de Renda na Fonte, cabe lembrar que na Cláusula Segunda, item 3 do Contrato de Consultoria, ficou estipulado que “O(A) CONSULTOR (A) ficará responsável pelos pagamentos dos impostos, taxas e outros encargos perante o Governo Brasileiro. ” Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 Em face das razões acima, e levando-se em conta o mandamento contido no artigo 111 do Código Tributário Nacional, Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966, segundo o qual devem ser interpretadas literalmente as normas que disponham sobre outorga de isenção, não há como considerar isentos os rendimentos em discussão, devendo ser mantido o lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, aduz o contribuinte que entende que tem direito a isenção, motivo pelo qual não lançou tal rendimento como tributável. Junta posicionamentos administrativos e judiciais corroborando seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar - Nulidade No presente processo houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal - houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor Verifica-se, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam-se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dando-lhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 É necessário, portanto, que o auditor-fiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, o recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugná-la da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório Resta muito claro, pois, que o contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. Assim, não merece acolhimento esta preliminar levantada. Mérito – Isenção rendimentos – PNUD Quanto ao lançamento que se refere a omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD) – Ministério do Desenvolvimento Agrário - IICA, o acórdão recorrido aduz que a contribuinte não goza de isenção do Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, devido ao fato de ser consultor contratado residente no País e não funcionário do Organismo Internacional. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos de Organismos Internacionais, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do PNUD. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 Trata-se do Recurso Especial nº 1.306.393DF, julgado em 24/10/2012, sendo relator o Ministro Mauro Campbell Marques, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Ressalto que a Súmula CARF nº 39, que apontava a natureza tributável desses rendimentos, foi revogada por meio da Portaria nº 3, de 9/1/2018. Assim, deve ser cancelada a omissão de rendimentos em análise, Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16707.003054/2006-11 Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12448.732231/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2011
IRPF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Caracteriza infração de omissão de rendimentos a falta de informação, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos informados em DIRF, apresentada pela fonte pagadora.
Comprovada parcialmente a natureza dos valores que deram azo ao lançamento, impõe-se o recálculo do IRPF devido no respectivo ano-calendário com a exclusão dos valores comprovados da base de cálculo.
Numero da decisão: 2402-008.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo como rendimento omitido apenas o montante de R$ 63.608,36.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 IRPF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Caracteriza infração de omissão de rendimentos a falta de informação, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos informados em DIRF, apresentada pela fonte pagadora. Comprovada parcialmente a natureza dos valores que deram azo ao lançamento, impõe-se o recálculo do IRPF devido no respectivo ano-calendário com a exclusão dos valores comprovados da base de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo como rendimento omitido apenas o montante de R$ 63.608,36. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Caracteriza infração de omissão de rendimentos a falta de informação, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos informados em DIRF, apresentada pela fonte pagadora. Comprovada parcialmente a natureza dos valores que deram azo ao lançamento, impõe-se o recálculo do IRPF devido no respectivo ano-calendário com a exclusão dos valores comprovados da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo como rendimento omitido apenas o montante de R$ 63.608,36. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 22 31 /2 01 2- 58 Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 Relatório Cuida-se de recurso voluntário (e-fls. 354/420) em face do Acórdão n. 08.32- 142 - 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza - DRJ/FOR (e-fls. 318/332), que julgou improcedente a impugnação (e-fls. 02/06), apresentada em 17/09/2012, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 22/08/2012 (e-fl. 312) mediante a Notificação de Lançamento - Imposto de Renda Pessoa Física - n. 2011/532876345374486 - no valor total de R$ 71.627,27 (e-fls. 304/309) - com fulcro em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação da Justiça Federal. Cientificada do teor da decisão de primeira instância em 21/05/2015 (e-fl. 340), a impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 09/02/2015, esgrimindo os seguintes argumentos, que transcrevo no essencial: [...] Como exposto nos fatos, entendeu a r. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza — DRJ/FOR, não ter a Contribuinte logrado êxito em demonstrar a transferência dos valores impugnados, para a sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, nem tampouco a comprovação de que a sociedade tenha efetuado o pagamento da tributação sobre tal importância. PRIMEIRAMENTE, importante enfatizar que, a Contribuinte, juntamente com outras advogadas, consolidou a sociedade de fato a qual pertenciam desde 1994; constituindo a sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, nos termos da lei n° 8.906/94, em Agosto de 2005 (fls. 227/236), inscrita no CNPJ através do n° 07.511.864/001-17. [...] Quando da constituição da sociedade, os sócios definiram que todos os honorários recebidos pelos advogados que integram a sociedade, por ações judiciais e extrajudiciais ou serviços advocatícios prestados a partir de a constituição de a sociedade, seriam revertidos a benefício da mesma, compondo os resultados sociais, nos termos da Cláusula 15 do Contrato Social (fls. 234), corno se segue: [...] Objetivando ratificar a cláusula epigrafada, os sócios da MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, celebraram Acordo de Quotista onde uma dos objetivos foi promover a destinação dos valores oriundos das Ações Judiciais iniciadas anteriormente à constituição da sociedade, como se verifica: [...] Nestes termos é que, obtendo a receita oriunda das Ações Judiciais através das transferências realizadas pela Contribuinte quando do levantamento dos Alvarás, nos termos do artigo 2° da Lei n o 8.846/94, a MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, emitiu as respectivas notas fiscais constantes de fls. 242/295, do presente processo, efetuando todos os recolhimentos de impostos federais e municipal sobre as mesmas incidentes. Objetivando não existirem quaisquer dúvidas quanto a esta efetiva transferência e o pagamento dos tributos pela MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, a Contribuinte junto ao presente os seguintes documentos relativos ao ano-calendário de 2010: Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 (a) Extratos bancários da conta 0625 agência 1272-2, instituição Caixa Econômica Federal — CEF; (b) Extratos da sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS da conta 60323- 2, agência 0407, instituição Banco Itaú S.A.; (c) Conta de recebidos do Livro Razão da sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, (d) Conta dos impostos pagos do Livro Razão da sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS; (e) Declaração de rendimento da sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS; (f) Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS (g) Balanço Patrimonial do exercício de 2010 — MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS A Colenda DRJ/FO no julgamento do v. Acórdão n° 08-32.142, expõe o reconhecimento da não tributação dos valores, advindos de Ação Judicial, creditados na conta de um dos sócios e transferidos à pessoa jurídica, na pessoa física, na medida em que os mesmos serão tributados na pessoa jurídica, senão vejamos: (..) Inicialmente, há de se esclarecer que, para o caso de existência de sociedade de advogados e de créditos jeitos na conta corrente mantida em nome de um dos sócios, o sócio beneficiário dos créditos na conta corrente deve providenciar a transferência dos recursos financeiros para a conta corrente da sociedade, pessoa jurídica, relacionados a todos os créditos recebidos. Os créditos seriam tributados, primeiramente, na Pessoa Jurídica, através de registro da receita bruta no Livro Caixa e do respectivo ãoRF, e da apresentação da Declaração de Informações Econômico Fiscais — DIPJ. Feita a tributação na Pessoa Jurídica, haveria a distribuição de lucros para os sócios, que são rendimentos isentos e não tributáveis. (...) Grifos nossos Em complemento, a DRJ/FOR dispõe que reconhece a existência da sociedade e que os trabalhos nas ações judiciais foram realizados através dos esforços de todos os sócios da sociedade, TODAVIA INFORMA QUE, POR NÃO TEREM SIDO ANEXADOS OS LIVROS E DIRPJ DA SOCIEDADE NÃO HAVERIA A POSSIBILIDADE DE RECONHECER O DIREITO PLEITEADO, senão vejamos: (..)Quanto à constituição da sociedade, no ano-calendário de 2005, quanto à emissão das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas no valor dos honorários advocatícios e em favor do autor da ação Judicial, quanto aos recebidos emitidos pela sociedade, e quanto ao fato de atuação das três advogadas jurídica da sociedade, apesar da emissão das Notas Fiscais, se, e somente se, ficasse demonstrado a transferência efetiva dos recursos para a conta corrente da sociedade e posteriormente a distribuição de lucros para os sócios, conforme a participação no capital social, após a tributação na Pessoa Jurídica. Nessa hipótese, a tributação dar-se-ia, na pessoa jurídica, através de apresentação de Declaração de Informações Econômico — Fiscais Pessoa Jurídica. No segundo momento, aos sócios receberiam os lucros da pessoa jurídica, que são tidos como rendimentos isentos ou não tributáveis. (...)Grifos nossos Desta forma, é que os documentos ora anexados atendem à solicitação da Receita Federal e demonstram de forma insofismável não terem os valores apresentados pela instituição financeira ingressado no patrimônio da Contribuinte, não gerando, portanto, qualquer riqueza à mesma passível da incidência de Imposto de Renda. Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 Nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional — CTN, o fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica: para haver o fato gerador deve o contribuinte ter percebido renda produto do capital e/ou do trabalho ou, ainda, proventos, de qualquer natureza que importem em acréscimos patrimoniais. A contribuinte não disponibilizou do montante indicado, ao contrário, o transferiu para a sociedade MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS que, os ofereceu à tributação e realizou o pagamento de todos os tributos, conforme as anexas contas do Livro Razão da mesma. Insta salientar que a Contribuinte transferiu à sociedade M EIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS, inclusive o quantum de imposto de renda retido na fonte ao qual a DRJ/FOR compensou do montante devido em razão do reconhecimento do montante de RS 18.526,25 (dezoito mil reais, quinhentos e vinte e seis reais e vinte e cinco centavos). Demonstrado está terem sido os valores transferidos da conta da contribuinte para a conta da sociedade tendo esta os faturado e sobre os mesmos recolhido os impostos pertinentes. Quanto à tese exposta no v. Acórdão, ora recorrido, de que o valor foi utilizado para compor o capital social da sociedade, o que ratificaria o fato de ter a contribuinte disponibilizado dos créditos, data máxima vênia, a mesma não encontra apoio nos documentos juntados pela Contribuinte, nas provas a que ora se requer ajuntada, nem tampouco na legislação vigente. Da leitura do contrato social celebrado em Agosto de 2005, verifica-se na cláusula quarta que o capital social da sociedade é de R$ 3.000,00 (três mil reais) totalmente subscrito e integralizado: [...] Portanto o capital social da MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS foi totalmente subscrito e integralizado quando de sua constituição em AGOSTO DE 2005. Ainda, data máxima vênia, a controvérsia na tese apresentada pela DRJ/FOR é tão gritante que o valor a que se impugna é de R$ 175.328,87 (cento e setenta e cinco mil, trezentos e vinte e oito reais e oitenta e sete centavos); e as quotas da Contribuinte foram subscritas e integralizadas pelo valor de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), cai assim por terra a tese apresentada na parte final do v. Acórdão, ora recorrido. Apenas para que não hajam quaisquer dúvidas, quanto ao fato de o Acordo de Quotistas e o Contrato Social EM MOMENTO ALGUM REGEREM que o valores advindos das ações iniciadas anteriormente à formação da sociedade seriam utilizados para a composição do capital social; faz-se importante analisar as regras da Cláusula Quinze do Contrato Social e Cláusula Primeira do Acordo de Quotistas às fls. 234 e 237, respectivamente. As cláusulas epigrafadas determinam que os valores serão revertidos para a formação do PATRIMÔNIO SOCIAL DA SOCIEDADE. Depreende-se da leitura dos documentos acima epigrafados, que os valores transferidos pela contribuinte à sociedade entraram como rendimentos, sobre os mesmos foram pagos todos os impostos incidentes e vieram a compor o patrimônio social da sociedade. Pelos termos acima, é que totalmente infundado o v. Acórdão recorrido, devendo o mesmo ser reformado objetivando não seja configurado o bis in idem pela Receita Federal. [...] Em virtude das alegações aduzidas em sede de recurso voluntário, o Colegiado entendeu, nos termos da Resolução n. 2402-000.776, por converter o julgamento em diligência à Unidade da Secretaria Especial da Receita Federal para, em regime de urgência, em virtude de ordem judicial, para apreciação, de forma sistêmica e conclusiva, de todo o conjunto probatório acostado aos autos, com especial atenção aos documentos de e-fls. 370/420, inclusive quanto i) à Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 convergência de informações prestadas na DIPJ/Exercício 2011 - Ano-calendário: 2010 - da pessoa jurídica Sociedade Meira Coelho Advogados Associados com as informações constantes das demais declarações existentes nos sistemas da Receita Federal e com a sua escrita contábil/fiscal; ii) às notas fiscais e recibos emitidos pela Sociedade Meira Coelho Advogados Associados; iii) à ocorrência de tributação, na Sociedade Meira Coelho Advogados Associados, dos recursos financeiros efetivamente transferidos; iv) à ocorrência de distribuição de lucros aos sócios e em que ordem de valor; v) aos registros no Livro-Caixa da Sociedade Meira Coelho Advogados Associados; e vi) à efetiva integralização do capital social da Sociedade Meira Coelho Advogados Associados, sem prejuízo de outros aspectos que a autoridade ora diligenciada entenda necessários, observando-se que o resultado da diligência deverá ser consolidado em Informação Fiscal, de forma conclusiva, que deverá ser cientificada à contribuinte para, a seu critério, apresentar manifestação no prazo de trinta dias. Em atendimento à diligência em tela, a Unidade de Origem da RFB lavrou Informação Fiscal (e-fl. 591), em face da qual a Recorrente se pronunciou (e-fls. 461/585). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima - Relator. O recurso voluntário já foi conhecido pelo CARF. Passo à apreciação. Por oportuno, resgato, no essencial, o relatório da decisão recorrida, por contextualizar a lide com precisão: [...] Contra a contribuinte, acima identificada, foi emitida Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 305/309, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 37.936,17, acrescido de Multa de Ofício, no percentual de 75%, no valor de R$ 28.452,12. O crédito tributário totalizou,, em 31/08/2012, o valor de R$ 71.627,27, compreendendo o somatório de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, Multa de Ofício e Juros de mora, com base na Taxa Selic. De acordo com o quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 306, anexo à Notificação de Lançamento, o crédito tributário é relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2011, ano-calendário 2010, e decorreu de revisão dessa declaração. Desta revisão resultou alteração dos Rendimentos Tributáveis, por infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, rendimentos decorrentes de decisão da justiça federal, no valor de R$ 175.328,87, relacionada à DIRF apresentada pela Caixa Econômica Federal, e rendimentos decorrentes de decisão da justiça federal, no valor de R$ 18.526,25, relacionado à DIRF apresentada pelo Banco do Brasil, totalizando o valor de R$ 193.855,12. Na Declaração de Ajuste Anual, não foram informados rendimentos percebidos da Caixa Econômica Federal e nem rendimentos percebidos do Banco do Brasil. Foram informados, apenas, rendimentos percebidos da Meira Coelho Advogados Associados, no valor de R$ 32.000,00. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 No Sistema Informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil consta DIRF apresentada pela Caixa Econômica Federal informando rendimentos decorrentes de decisões da Justiça Federal que somam o valor de R$ 175.328,87, e retenção de IRRF, no valor total de R$ 5.259,85. Verifica-se, também, DIRF apresentada pelo Banco do Brasil, informando rendimentos decorrentes de decisões da Justiça Federal que somam o valor de R$ 18.526,25, e retenção de IRRF, no valor total de R$ 555,72. Trata-se de rendimentos de honorários advocatícios relacionados a processos judiciais no âmbito da Justiça Federal e pagos através de crédito em conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. [...} Todavia, em sede de diligência (Resolução n. 2402-000.776), restou caracterizado que a Recorrente admite que logrou comprovar documentalmente a efetiva tributação pela MEIRA COELHO ADVOGADOS ASSOCIADOS o valor de R$ 130.246,76, conforme se extrai dos esclarecimentos prestados à RFB (e-fls. 461/465), cujo excerto reproduzo a seguir: [...] Com isso, a Recorrente buscou comprovar que os valores cuja comissão lhe é imputada pela autoridade fiscal foram efetivamente transferidos à Sociedade e lá foram tributados, de forma que exigir o pagamento do IRPF pela Recorrente implicaria em tributar duas vezes a mesma renda/receita. Na realidade, em razão do tempo decorrido desde que os fatos geradores em questão, a Recorrente logrou comprovar documentalmente a efetiva tributação pela Sociedade do valor de R$ 130.246,76. Por outro lado, logrou comprovar que o montante total transferido para a referida Sociedade naquele ano foi de R$ 378.531,59 (superior, inclusive, à omissão imputada à recorrente), sendo que a receita total anual daquela sociedade foi de R$ 1.623.976,40. [...] Tal comprovação, inclusive, é atestada na Informação Fiscal, verbis: [...] Ressaltamos que às fls.463 a Sra. Izabel reconhece que só comprovou a importância de R$130.246,76, de um total de R$175.328,87, restando portanto, R$45.082,11. [...] Assim, verifica-se que da omissão de rendimentos constatada pela autoridade lançadora, no valor total de R$ 193.855,12, devem ser afastados R$ 130.246,76, restando assim R$ 63.608,36 a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, correspondentes à soma de R$ 45.082,11 remanescentes dos rendimentos decorrentes de decisões da Justiça Federal informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, com R$ 18.526,25 referentes aos rendimentos decorrentes de decisões da Justiça Federal informados em DIRF pelo Banco do Brasil. Nessa perspectiva, impõe-se o recálculo do IRPF devido no Exercício 2011, considerando-se omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica na ordem de R$ 63.608,36, em conformidade com os arts. 1º. a 3º. e parágrafos da Lei n. 7.713/1973; arts. 1º. a Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-008.153 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.732231/2012-58 3º. da Lei n. 8.134/1990; arts 1º. e 15 da Lei n. 10.451/2002; art. 27 da Lei 10.833/2003; e art. 43 e 718 do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99), vigente à época dos fatos. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo como rendimento omitido apenas o montante de R$ 63.608,36. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.731932/2015-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE.
As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-002.333
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 32 /2 01 5- 66 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.333 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.731932/2015-66 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto integralmente o relatado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: decadência do crédito tributário; entrega espontânea da GFIP com recolhimento dos valores devidos; alteração de critério jurídico; ausência de intimação prévia e de fiscalização orientadora; violação a princípios constitucionais. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Quanto à alegação de decadência, impõe-se observar que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.333 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.731932/2015-66 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Dessa feita, não procede a preliminar de decadência suscitada. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Não procede a alegação de que a exigência só poderia se dar a partir do exercício 2014. A alteração ocorreu no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. Assim, a partir dessa data e antes de decaído o direito do Fisco, a autoridade fiscal tem o poder-dever de proceder ao lançamento da exigência. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto à alegação de falta de intimação prévia ao lançamento, no caso em tela, não houve necessidade dessa intimação, pois a autoridade autuante dispunha dos elementos necessários à constituição do crédito tributário devido. A prova da infração é a informação do prazo final para entrega da declaração e da data efetiva dessa entrega, a qual constou do lançamento. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária é que a intimação deve ser realizada. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.333 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.731932/2015-66 Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Acrescento que o artigo 55, da Lei nº123, de 2006, trata de fiscalizações trabalhistas, sanitárias, de segurança, de relações de consumo, entre outras, não se aplicando ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13706.003021/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA INFORMAÇÃO BENEFICIÁRIO RECIBO. PRESUNÇÃO SER O PRÓPRIO CONTRIBUINTE PAGANTE. ENTENDIMENTO SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA - COSIT Nº 23/2013. IDONEIDADE DE RECIBOS. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física, sobretudo quando corroborados por Declaração do Profissional Prestador de Serviços confirmando a sua efetividade e o pagamento.
In casu, não constando dos recibos colacionados aos autos o beneficiário dos serviços deduzidos é de se presumir como tal o próprio contribuinte pagante, na esteira do entendimento inscrito na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2013.
Numero da decisão: 2401-007.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA INFORMAÇÃO BENEFICIÁRIO RECIBO. PRESUNÇÃO SER O PRÓPRIO CONTRIBUINTE PAGANTE. ENTENDIMENTO SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA - COSIT Nº 23/2013. IDONEIDADE DE RECIBOS. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física, sobretudo quando corroborados por Declaração do Profissional Prestador de Serviços confirmando a sua efetividade e o pagamento. In casu, não constando dos recibos colacionados aos autos o beneficiário dos serviços deduzidos é de se presumir como tal o próprio contribuinte pagante, na esteira do entendimento inscrito na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 30 21 /2 00 9- 28 Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.487 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003021/2009-28 Relatório SAUL DOUEK NETO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 18 a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 16-54.229/2014, às e-fls. 50/56, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente das deduções indevidas com dependentes, instrução e despesas médicas, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às fls. 13/18, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: Dedução Indevida com Dependentes Glosa do valor de R$ *****1.516,32, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Dedução Indevida com Despesa de Instrução Glosa do valor de R$ *****2.373,64, indevidamente deduzidos a título de despesa com instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ *****20.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Foram glosadas as despesas médicas, abaixo relacionadas, sem identificação do beneficiário do serviço prestado, sem descrição detalhada do serviço prestado, recibos genéricos e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas: ADRIENE BARRETO DE. FREITAS - R$3.000,00 NADJA MARIA MUREB MARQUES - R$8.000,00 ADRIANA TEREZA DE ANDRADE FREITAS CABOCLO - R$9.000,00 O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 67/79, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, explicita ter demonstrado sua boa-fé em atender as exigências fiscais, apresentando toda a documentação comprobatória. Afirma que todos os recibos obedecem os requisitos legais, sendo hábeis e idôneos para comprovar as despesas, citando jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega que a única maneira da RFB afastar a utilização dos recibos médicos seria a comprovação, ou fortes indícios dos recibos serem falsos, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.487 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003021/2009-28 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE O contribuinte desde a impugnação aduz aceitar as glosas das deduções com dependentes e com instrução. Neste sentido, resta em litigio apenas as glosas das deduções com despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Uma vez intimado a comprovar as despesas, o autuado apresentou documentação comprobatória, razão pela qual a fiscalização ao avalia-la entendeu por bem proceder a glosa nos seguintes termos: Foram glosadas as despesas médicas, abaixo relacionadas, sem identificação do beneficiário do serviço prestado, sem descrição detalhada do serviço prestado, recibos genéricos e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas: ADRIENE BARRETO DE. FREITAS - R$3.000,00 NADJA MARIA MUREB MARQUES - R$8.000,00 ADRIANA TEREZA DE ANDRADE FREITAS CABOCLO - R$9.000,00 O contribuinte alega ser possível a dedução das despesas médicas devidamente comprovadas. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a ação fiscal, sob o argumento de que: Documento de fl. 19 – Recibo emitido pela psicóloga ADRIANE BARRETO DE FREITAS. Note-se que a falha em relação a ausência de informação acerca do paciente permanece, isto é, não consta quem foi o beneficiário do tratamento psicológico, só diz quem efetuou o pagamento. Ainda, outro descumprimento formal na emissão do recibo está no fato do mesmo apontar pagamentos de vários períodos, sendo que os recibos devem ser emitidos no momento em que há a transferência do valor, uma vez que o profissional beneficiário está obrigado à apuração do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) e por isso são irregulares os recibos que englobam pagamentos de outros meses. Documentos de fls. 20 a 23 – Recibos emitidos pela fonoaudióloga NADJA MUREB MARQUES. Note-se que a falha em relação a descumprimento formal na emissão do recibo está no fato de que cada um aponta pagamentos de vários períodos (três meses cada um), sendo que os recibos devem ser emitidos no momento em que há a transferência do valor, uma vez que o profissional beneficiário está obrigado à apuração Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.487 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003021/2009-28 do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) e por isso são irregulares os recibos que englobam pagamentos de outros meses. Documentos de fl. 24 – Recibo emitido pela dentista ADRIANA TEREZA DE ANDRADE FREITAS CABOCLO. Note-se que referido recibo não informa o nome do paciente, isto é, não diz quem foi o beneficiário do tratamento e não informa o endereço do prestador do serviço, exigência contida no inciso III do art. 80, acima reproduzido. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos anteriormente anexados, impondo seja decretada a improcedência do feito. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: [...] II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.487 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003021/2009-28 [...] Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a autoridade lançadora glosou as despesas por não constar dos recibos a identificação do beneficiário do serviço prestado, sem a descrição detalhada do serviço prestado, genérico e por não se revestirem das formalidades legais. Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, trouxe à colação desde a ocasião da impugnação recibos e declaração dos profissionais que prestaram os serviços, argumentos e documentação não aceitas pelo julgador de primeira instância. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. O fiscal em nenhum momento contestou ou apontou a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, sequer trouxe argumentos que convalidasse sua presunção, ele apenas achou por bem desconsiderar os recibos apresentados, especialmente por não constar o nome do beneficiário dos serviços. Especificamente sobre a questão da ausência do beneficiário, está não merece prosperar, pois a Solução de Consulta Interna n° 23 da COSIT é clara sobre a ausência de beneficiário, vejamos: "Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades." Ademais, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, salvo comprovação de inidoneidade destes documentos. No entanto, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pelo contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco. No caso dos autos, os recibos foram complementados por declarações dos profissionais emitentes, constando todos os requisitos legais (nome, endereço, cpf e registro no órgão de classe), além de especificarem os tratamentos realizados. Por fim, apenas por amor ao debate, o fundamento da DRJ que os recibos são irregulares porque não foram emitidos mensalmente ou no momento em que houve a transferência dos valores, não existe na legislação qualquer requisito nesse sentido, além de que extrapola a motivação imposta pela autoridade lançadora. Este Conselheiro tem reiteradamente decidido que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada aos autos, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução da despesa declarada pelo contribuinte, referente a psicóloga ADRIANE BARRETO DE FREITAS (R$ 3.000,00), a fonoaudióloga NADJA MARIA MUREB MARQUES (R$ 8.000,00) e a odontóloga ADRIANA TEREZA DE ANDRADE FREITAS CABOCLO (R$ 9.000,00). Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.487 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003021/2009-28 Assim, estando as despesas médicas comprovadas por recibos, documentação hábil e idônea, devem ser restabelecidas às deduções encimadas. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.900703/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1998
DIPJ. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO INFORMADO EM PERDCOMP. IMPERIOSIDADE DE RESPEITO À NORMA INSTRUMENTAL REGENTE AO TEMA.
Retificações documentais cujo desiderato impactam na DCOMP devem ser feitas por intermédio deste mesmo instrumento e não no curso do processo, à revelia do procedimento estabelecido pela norma regente. Não se pode admitir, portanto, a retificação de DIPJ ao longo PAF, sem que tenha sido observado o devido processo legal imperativo à tanto.
COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NECESSIDADE PARA GARANTIA DO DIREITO CREDITÓRIO
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, pois o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1302-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO INFORMADO EM PERDCOMP. IMPERIOSIDADE DE RESPEITO À NORMA INSTRUMENTAL REGENTE AO TEMA. Retificações documentais cujo desiderato impactam na DCOMP devem ser feitas por intermédio deste mesmo instrumento e não no curso do processo, à revelia do procedimento estabelecido pela norma regente. Não se pode admitir, portanto, a retificação de DIPJ ao longo PAF, sem que tenha sido observado o devido processo legal imperativo à tanto. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NECESSIDADE PARA GARANTIA DO DIREITO CREDITÓRIO Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, pois o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 07 03 /2 00 8- 67 Fl. 586DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.241 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.900703/2008-67 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 54 a 58) interposto contra o Acórdão n 10- 37.492, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (e-fls. 44 a 47), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: A DRF de Novo Hamburgo não homologou compensações declaradas pela interessada por não conseguir confirmar a apuração do crédito, em virtude da divergência entre declarações prestadas quanto ao valor do saldo negativo de imposto de renda: Números dos PER/DCOMP: 10979.10753.301003.1.3.020713 e 043454.17840.301203.1.3.021033. No termo de intimação de fl.3 consta solicitação da autoridade preparadora para que a interessada retificasse a DIPJ correspondente ou apresentasse PERD/COMP retificador. O litígio que ora se analisa corresponde ao crédito compensado na Dcomp, equivalente a R$ 4.041,18 (fl. 24). Em manifestação de inconformidade atestada como tempestiva pela DRF (fl.42), a contribuinte alega o seguinte: - Em 12 de setembro de 2007 recebeu o termo de intimação nº 697569156. - Não podendo retificar a DIPJ/99 por meio eletrônico, providenciou a retificação por meio de declaração em formulário (papel), em 05 de outubro de 2007. - A referida retificação não foi aceita, conforme documento nº 781178331 (despacho decisório fl. 2). A retificação pretendia alterar a Ficha 13, linha 13 (imposto de renda na fonte) de R$ 5.716,12 para R$ 5.807,46, conforme relatório anexo e, linha 22 para R$ 3.949,84 (saldo negativo de períodos anteriores). O Acórdão, por sua vez, negou provimento à Manifestação de Inconformidade, apontando inconsistência do valore de saldo negativo do IRPJ indicado para compensação. Sua conclusão conduz à ausência de liquidez e certeza, decorrente do inadimplemento ao ônus da prova. Em sequência, o Recurso Voluntário reitera as alegações esposadas em sede exordial. Pugna pelo respeito à verdade material, ao solicitar avaliação de sua escrituração contábil juntada na presente etapa recursal. O Contribuinte entende que os balancetes mensais e os livros diários propiciariam ao julgador o panorama necessário à verificação de seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 587DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.241 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.900703/2008-67 Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Mérito De imediato, adianto a impossibilidade de acatar o pleito recursal do Contribuinte. Por primeiro, impende ressaltar o aspecto de inexatidão da via retificadora eleita, no que cinge à DIPJ/99. Sua apresentação à Autoridade Fiscal foi feita em 05/10/2007, data em que já era mais que conhecido o sistema informatizado da Receita para o processamento de tal providência. Não se pode admitir, portanto, a retificação ao longo PAF, sem que tenha sido observado o devido processo legal imperativo à tanto. E, nessa toada, a jurisprudência do CARF tem requerido a efetiva retificação das Declarações, admitindo-as quando corretas e documentalmente sustentáveis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. (Acórdão nº 1302-002.403, de 19/10/2017, Rel. Cons. Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa) Aliás, em virtude de inúmeros casos de PER/DCOMP decorrentes de erros adstritos à sistemática procedimental, houve por bem formular o PN COSIT n° 02/2015, cujo teor relativiza o rigor formalista do PAF; contudo, este Parecer ressalta a necessidade de se adotar o instrumento processual adequado para a produção de efeitos que se requer. Transcrevo a ementa elucidativa: Fl. 588DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.241 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.900703/2008-67 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e-processo 11170.720001/2014-42. Fl. 589DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.241 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.900703/2008-67 Assim, fica evidente que não se pode açambarcar o estrito cumprimento de um formalismo minimamente necessário à produção de efeitos na seara Fiscal. Abaixo segue julgamento do CARF, que guarda semelhança com o presente caso: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO INFORMADO EM PERDCOMP. ALEGAÇÃO DE TER SIDO RETIFICADA A DIPJ. INOVAÇÃO. Retificações no valor do crédito de Saldo Negativo pleiteado em Perdcomp devem ser feitas por este mesmo instrumento e não no curso do processo, sob pena de inovação do pedido. A mera retificação do valor do Saldo Negativo apurado na DIPJ, que tem caráter de obrigação acessória apenas informativa, não tem o condão de, por si só, modificar o que foi formalmente requerido pelo próprio contribuinte via Perdcomp. (Acórdão n° 1201-003.170, sessão de 19/09/2019, rel. Cons. Allan Marcel Warwar Teixeira) Quanto ao mais, nota-se que o Recurso Voluntário focou basicamente em apresentar as provas documentais esparsas, sem demonstrar suas alegações de forma precisa e analítica. Aliás, merece pontuar que o e. CARF tem firmado jurisprudência que a retificação formal das Declarações deve, ainda, ser acompanhada da respectiva comprovação material. Esta, por seu turno, deve ser cabalmente comprovada pelo Contribuinte, de modo a indicar ao Julgador a precisão de seu direito. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RETIFICAÇÃO DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO MATERIAL DA RETIFICAÇÃO A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito. Por isso, quando apresentada antes de qualquer procedimento de ofício pela autoridade administrativa, tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente. Porém, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF exige comprovação material. DIPJ. IMPOSTO A PAGAR. INFORMAÇÃO NECESSÁRIA. NÃO SUFICIENTE. Conforme já pacificado neste Conselho, a informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, conforme súmula n° 92 (Acórdão n° 1003-000.916, Sessão de 08/08/2019, Rel. Cons. Wilson Kazumi Nakayama) Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, concluindo pela impossibilidade de se promover a compensação. Por fim, resta evidente que o Contribuinte apresentou sua defesa de forma assaz genérica, sem apontar quais elementos indicariam a liquidez e certeza de seu direito creditório, assemelhando-se a uma “negativa geral” de irregularidade. Em outras palavras, ainda que admitidas as provas apresentadas no Recurso Voluntário, não houve qualquer demonstração de como seu teor corroboraria o pleito compensatório. Fl. 590DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.241 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.900703/2008-67 Dispositivo Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 591DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723888/2017-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2002-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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score : 1.0
Numero do processo: 13819.000239/2007-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 20 a 24), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu as glosas de dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$6.111,89, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 02 39 /2 00 7- 91 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.907 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.000239/2007-91 A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, conforme decisão da DRJ: 3. A Impugnante propugna pela insubsistência e pela improcedência da ação fiscal, informando não possuir a correspondente documentação, que teria sido anexada à declaração de ajuste anual do IRPF/2.005 (ano-calendário 2.004), entregue na DRF/SP/CAC/SÃO BERNARDO DO CAMPO. Para comprovar suas alegações e embasar seu pleito, anexa os documentos de fls. 3 a 8. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/SP2 que, por unanimidade, em 23/06/2010, no acórdão 17-41.989, às e-fls. 37 a 41, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às e-fls. 111 a 113, no qual alega: requer a juntada e a apreciação do recibo anexo, emitido pela Sul América Seguros Saúde S.A., CNPJ MF. 86.878.469/0001-43 (Anexo Único), através da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), associação responsável pela administração do plano de saúde, no valor total de R$ 42.811,64, representativo de mais de 80% dos valores glosados. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/08/2010, e-fls. 44, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 06/09/2010, e-fls. 45, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 20 a 24), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu as glosas de dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A DRJ julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte parcialmente procedente, nos seguintes termos: II- DA GLOSA PARCIAL DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE 10. Dispõe a Lei n° 9.250/1.995, art. 12, V, que poderá ser deduzido do imposto progressivo apurado na declaração de ajuste anual o imposto retido na fonte, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. 11. A DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), A fl. 30, é hábil para o restabelecimento da dedução do imposto na fonte glosada no lançamento, no valor de R$ 463,06, incidente sobre rendimentos tributáveis, na importância de R$ 6.199,17, pagos ao contribuinte, no ano-calendário 2.004, pela empresa Brademaq Indústria e Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.907 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.000239/2007-91 Comércio de Máquinas Ltda, CNPJ 04.416.094/0001-35, e oferecidos A. tributação na declaração de ajuste anual do IRPF/2.005 (fls. 31 e 32). Logo, subsiste a autuação pela dedução indevida de despesas médicas. Da dedução de despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.907 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.000239/2007-91 O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente Fl. 61DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.907 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.000239/2007-91 com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 62DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.907 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.000239/2007-91 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. No caso em tela, a DRJ manteve a glosa das despesas médicas pelo fato da contribuinte não carrear aos autos qualquer documentação comprobatória. Em sede recursal, a contribuinte, às e-fls. 47, anexa documento supostamente apresentado pela Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, atestando pagamentos referente a plano de saúde. Contudo, tal documento não contem qualquer identificação da entidade, nem sequer assinatura do responsável pelo setor de contratação de plano de saúde ou setor financeiro, não merecendo ser acolhido como prova hábil a afastar a autuação. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.930348/2009-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
Numero da decisão: 3002-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 134 dos autos: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) n° 40181.26358.200208.1.3.04-0001, em 20/02/2008, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Cofins no montante de R$ 17.621,18. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA) emitiu Despacho Decisório eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 03 48 /2 00 9- 43 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.930348/2009-43 Acórdão n.º 3002-000.961 S3-TE02 Fl. 1,5 indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débito declarado pela empresa em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais e informa que apresentou DCTF retificadora em 31/10/2009, na qual constaria o valor correto da Cofins apurada. Desta forma, conclui que estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão. Anexa cópias das declarações fiscais (DCTF original e retificadora, DACON e Per/Decomp) além do Comprovante de Arrecadação referente ao recolhimento original que alega ter sido a maior e gerado, assim, o crédito fiscal em questão. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório combatido pois entende que teria atendido todas as formalidade legais previstas. A DRF de origem atesta a tempestividade da Manifestação protocolada e encaminha para apreciação da DRJ. A manifestação de inconformidade e os documentos apresentados pelo contribuinte se encontram às fls. 02/132. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (134/136): ASSUNTO: CONTRIBU|ÇÃO PARA O FINANCIAME:NTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, a decisão consignou que “a simples entrega de DCTF retificadora, sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado”. Assim, entendeu que faltou comprovação do crédito alegado pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/02/2011 (vide AR à fl. 138 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/03/2011, Recurso Voluntário (fls. 139/143). Em seu recurso, o contribuinte alegou que a não homologação teria decorrido da ausência de retificação da DCTF do período em questão, o que, contudo, deveria ser modificado em razão dos documentos anexados ao recurso e em razão do princípio da verdade material. Apresentou a seguinte explicação: A retificação do valor da COFINS apurada na competência de junho de 2005 decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. Especificamente, os lançamentos contábeis Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11080.930348/2009-43 Acórdão n.º 3002-000.961 S3-TE02 Fl. 2 (doc. 01), o registro de apuração do ICMS (doc. 02), bem como o demonstrativo auxiliar de apuração do tributo (doc. 03) que seguem em anexo, demonstram a correta base de cálculo e o crédito apurado. Pediu, ao fim, a homologação da compensação declarada e, no caso de permanecerem dúvidas sobre a existência do crédito, requereu a realização de diligência nos livros da empresa. Juntou, às fls. 144/195, atos societários, procuração, documento de identidade da procuradora, o acórdão recorrido com a respectiva intimação, DARF, cópia da manifestação de inconformidade, livro razão contábil, apuração do ICMS e demonstrativo auxiliar de apuração do tributo. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, entendeu a DRJ por indeferir o pedido do contribuinte, tendo em vista que este não se desincumbiu do seu ônus de comprovar o direito creditório em questão. Ao analisar o caso, entendo que agiu de forma acertada a DRJ naquela oportunidade, visto que, como restou consignado na decisão recorrida, a mera apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar que houve pagamento a maior do que o devido. Acontece que, nesta fase recursal, o contribuinte trouxe aos autos elementos adicionais tendentes a comprovar o que alega. São eles: livro razão contábil, apuração do ICMS e demonstrativo auxiliar de apuração do tributo. Cumpre-nos, então, considerar a possibilidade de análise desta documentação complementar acostada aos autos, sob a ótica da preclusão. Consoante já tive a oportunidade de me manifestar em situações anteriores, em casos como o presente, entendo que a análise da documentação complementar trazida em sede de recurso voluntário, tendente a comprovar argumentação já trazida desde a manifestação de inconformidade, constante de DCTF retificadora apresentada naquela oportunidade, não encontra óbice no instituto da preclusão. Isso porque, no meu entender, a documentação anexada ao Recurso Voluntário representa uma complementação da documentação trazida pelo Recorrente desde a sua manifestação de inconformidade, diante dos fundamentos constantes da decisão recorrida. Nessa ótica, não haveria óbice à sua apreciação nesta instância, a qual encontra respaldo na alínea c do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.930348/2009-43 Acórdão n.º 3002-000.961 S3-TE02 Fl. 2,5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sendo assim, entendo que a documentação acostada poderá ser apreciada nesta fase recursal. Acontece que, ao fazê-lo, entendo que, em que pese a juntada aos autos de documentos adicionais pelo Recorrente tendentes a comprovar o alegado, este Colegiado não possui, neste momento, elementos suficientes para concluir pela certeza e liquidez do direito creditório alegado. Isso porque, consoante se extrai do demonstrativo auxiliar de apuração do tributo, anexado pelo contribuinte à fl. 193 e seguintes dos autos, a DCTF retificadora corrigiu uma série de informações originalmente prestadas, relacionadas não apenas à base de cálculo inicial dos bens adquiridos para revenda, como também valores relacionados a créditos considerados na apuração do imposto, a exemplo de bens utilizados como insumos, entre outros. Acontece que o contribuinte não trouxe em suas razões recursais esclarecimentos acerca de cada uma das alterações realizadas, para que se pudesse concluir com segurança sobre a correção da nova apuração realizada. Verifica-se, ainda, que não anexou o recorrente aos autos elementos contábeis/fiscais suficientes à validação das informações constantes do seu livro razão, não tenho anexado, por exemplo, o livro diário, ou mesmo as notas fiscais/faturas que embasam as aquisições/despesas incorridas. Até porque, como é cediço, nos moldes do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional, o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da sua certeza e liquidez. Ademais, sabe-se que o ônus probatório compete ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Em outras palavras, em casos de pedidos de compensação, o ônus probatório é do Recorrente. É o que se extrai tanto do teor do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, quanto o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. *** Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11080.930348/2009-43 Acórdão n.º 3002-000.961 S3-TE02 Fl. 3 Nesse contexto, ainda que admitida a juntada de documentos adicionais realizada pelo Recorrente quando da interposição do Recurso Voluntário, entendo que o Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório. Sendo este o caso, entendo que não cabe, nesta oportunidade, determinar a baixa do processo em diligência, visto que esta baixa findaria por representar uma inversão do ônus probatório, visto que a fiscalização, para fins de confirmar o direito creditório do contribuinte, teria que diligenciar a apresentação de esclarecimentos e documentos adicionais aos autos, além dos que foram apresentados pelo recorrente. Penso, pois, que a conclusão constante da decisão recorrida há de ser mantida. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 201DF CARF MF
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