Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.720151/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/12/2007
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/12/2007 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.720151/2009-13
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928594
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.830
nome_arquivo_s : Decisao_10830720151200913.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830720151200913_5928594.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7518379
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148411207680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720151/200913 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.830 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria Compensação Recorrente ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/12/2007 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 51 /2 00 9- 13 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.720151/200913 Acórdão n.º 3402005.830 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.347. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10830.720151/200913 Acórdão n.º 3402005.830 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10830.720151/200913 Acórdão n.º 3402005.830 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.720151/200913 Acórdão n.º 3402005.830 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.000006/94-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1990
PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Mantém-se o lançamento por presunção legal de omissão de receitas por constatação de passivo fictício quando o autuado não faz prova que o desateste, deixando de demonstrar que não houve manutenção no passivo de obrigações já pagas.
ATIVO NÃO CONTABILIZADO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO FINANCEIRAS.
Aplicação financeira cuja origem dos recursos não está registrada contabilmente não faz prova de seu oferecimento à tributação, e demonstra ter havido omissão de receitas.
GLOSA DE DESPESAS ATIVÁVEIS.
Não são dedutíveis as despesas que devem ser ativadas, que não podem ser consideradas como necessárias e úteis, e que não se caracterizam como despesas operacionais.
Numero da decisão: 1002-000.477
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer as matérias correção monetária dos gastos ativáveis, CSLL, ILL e despesas/benefícios indiretos, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1990 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Mantém-se o lançamento por presunção legal de omissão de receitas por constatação de passivo fictício quando o autuado não faz prova que o desateste, deixando de demonstrar que não houve manutenção no passivo de obrigações já pagas. ATIVO NÃO CONTABILIZADO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO FINANCEIRAS. Aplicação financeira cuja origem dos recursos não está registrada contabilmente não faz prova de seu oferecimento à tributação, e demonstra ter havido omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS ATIVÁVEIS. Não são dedutíveis as despesas que devem ser ativadas, que não podem ser consideradas como necessárias e úteis, e que não se caracterizam como despesas operacionais.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13805.000006/94-62
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5936089
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.477
nome_arquivo_s : Decisao_138050000069462.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 138050000069462_5936089.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer as matérias correção monetária dos gastos ativáveis, CSLL, ILL e despesas/benefícios indiretos, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7541233
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148416450560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 255 1 254 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.000006/9462 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.477 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 6 de novembro de 2018 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente EMBRAPOL EMPRESA BRASILEIRA DE PRODUTOS ÓTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Mantémse o lançamento por presunção legal de omissão de receitas por constatação de passivo fictício quando o autuado não faz prova que o desateste, deixando de demonstrar que não houve manutenção no passivo de obrigações já pagas. ATIVO NÃO CONTABILIZADO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO FINANCEIRAS. Aplicação financeira cuja origem dos recursos não está registrada contabilmente não faz prova de seu oferecimento à tributação, e demonstra ter havido omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS ATIVÁVEIS. Não são dedutíveis as despesas que devem ser ativadas, que não podem ser consideradas como necessárias e úteis, e que não se caracterizam como despesas operacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer as matérias correção monetária dos gastos ativáveis, CSLL, ILL e despesas/benefícios indiretos, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 00 06 /9 4- 62 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 256 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 3.668, de 05/05/2003 (efls. 178 a 191). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica lavrado em decorrência de infrações à legislação tributária no ano calendário de 1990, conforme relatado no Termo de Constatação n° 01, de fl. 03/07: • omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no passivo exigível de obrigações liquidadas, nó valor de Cr$ 3.887.613,45 e decorrentes de aplicação financeira de origem não comprovada, no valor de Cr$ 184.540,29; • excesso de retirada de sócios, no valor de Cr$ 1.910.960,18, referente às remunerações indiretas paga pela empresa a seus sócio, relativas a contraprestações de arrendamento mercantil e seguros dos veículos arrendados além de outros benefícios, como pagamentos de seguros de vida e de veículos particulares dos sócios; • glosa de despesas que, pela natureza dos bens adquiridos, deveriam ter sido ativados, no valor de Cr$ 314.598,77, tributandose, ainda, omissão de receitas referente A respectiva correção monetária dos bens ativáveis, no valor de Cr$ 298.489,00; • glosa de despesas que a contribuinte não conseguiu comprovar a necessidade das mesmas Para o desempenho de suas atividades e, ainda utilizou documentos inábeis, tais como notas fiscais simplificadas e cupons de máquinas registradoras, no valor de l Cr$ 471.451,97. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 257 3 Em razão das infrações, foi lançado Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor de 4.352,47 Ufir, 12.371,03 Ufir a titulo de juros de mora e 2.176,23 Ufir de multa de oficio. Como as infrações constatadas apresentam reflexos na apuração de outros tributos, foram lavrados, ainda, Autos de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte e ILL, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, da Contribuição para o Finsocial e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Cientificada das autuações, a empresa insurgese contra o lançamentos efetuados, apresentando suas razões de defesa por meio da impugnação de fls. 85/98, subscrita pelo advogado Roberto Faria de Sant'anna, devidamente constituído Mediante a procuração de fl. 99. Rachaça o enteNdimento da fiscalização de que no balanço encerrado em 31/ 2/1990 firam mantidas no passivo exigível diversas obrigações já liquidadas. Descrevendo um a uma a obrigações apontadas pela fiscalização, indica as datas em que as mesmas foram liquidadas, alegando que todas ocorreram durante o mês de janeiro de 1991. Alega que não procede a exigência relativa a aplicação financeira não contabilizada, posto que o valor mencionado na referida aplicação foi oferecido à tributação, embora tenha constado o seu valor do saldo bancário atribuído ao Bradesco. Com relação aos benefícios pagos a dirigentes, alega que o fato de a empresa ceder os seus direito de opção da compra dos bens objeto de arrendamento mercantil aos seus sócios não desnatura o contrato de leasing, sendo legítima, portanto, a dedução, como custo ou despesa operacional, das contraprestações pelas pelo arrendatário cedente, a teor do art. 235, do Decreto n° 85.450, de 1980. Afirma que admitirseia a glosa das parcelas lançadas em custos ou despesas operacionais somente se houvesse a descaracterização do contrato de arrendamento mercantil, por desrespeito às determinações da Lei n° 6.099, de 1974, o que não é efetivamente a hipótese dos autos. Refuta, também, a tese de que tenha havido beneficio indireto aos sócios da autuada. Conforme argumenta, o veiculo depois de dois anos de uso tem valor de mercado aproximadamente 40% do seu preço original, conforme estudo publicado no trabalho Mercado, da Revista Quatro Rodas, de dezembro de 1993, e que comparado com o valor residual de 25% pactuado no contrato de arrendamento mercantil, que foi pago pelos sócios para aquisição dos veículos, os colocam em condições normais de preços de mercado, não sendo nem ínfimos e nem simbólicos, o que elimina os ditos benefícios indiretos. Não concorda, ainda, com a glosa de despesas, que no entender da fiscalização deveriam ter sido ativados, como pintura de prédio locado, que no seu entender tratase de despesa de manutenção e conservação; da instalação de cópia de programa em microcomputador, que seria trabalho de digitação; da atualização e modificação de sistema de processamento de dados, por não se tratarem de implantação. Em relação ao PIS, alega que devem ser afastados os Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, por vícios inconstitucionais, e que nos termos do art. 3°, letra b, e art. 6º, § único, da Lei Complementar nº 07, de 1970, o mesmo deverá ser calculado Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 258 4 à alíquota de 0,75%, sobre o faturamento do sexto mês anterior ao de competência. Informa que propôs ações judiciais para discussão dessa matéria, que se encontram pendentes de apreciação junto a 20ª Vara Federal de São Paulo. Contesta a exigência do Finsocial à aliquota de 2% sobre o faturamento, por entender que o mesmo é indevido a partir da vigência da Lei 7.689, de 1988, sendo na pior das hipóteses, indevidos os aumentos de alíquotas superiores a 0,5%, sendo, inclusive, beneficiário de decisão de primeira instância neste sentido. Diante de todo exposto, requer a improcedência dos autos de infração. A DRJ/RPO deu provimento parcial à impugnação, afastando a exigência fiscal correspondente a PIS, glosa de despesas de arrendamento mercantil (estendendo as desonerações à CSLL), e afastando parcialmente a exigência de IRRF razão do arrendamento de veículos, reduzindo a aplicação da alíquota do FINSOCIAL para 0,5 %, e alterando a forma de cálculo dos juros moratórios. Inconformado com os lançamentos tributários mantidos pela decisão de primeira instância administrativa, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, em 13/06/2008, no qual: a) repete os argumentos já trazidos aos autos pela impugnação, no que se refere a contestação do lançamento decorrente de existência de passivo fictício, aplicação financeira realizada com recursos não tributados, e glosa de despesas ativáveis; b) contrapõese à caracterização como benefícios indiretos dos valores de seguros de vida e de automóveis pagos em favor dos sócios, afirma que, como as despesas tomadas como ativáveis são necessárias, não há correção monetária, e, por fim, pugna pelo afastamento das exigências ligadas a CSLL e IRRF (ILL) em razão do reconhecimento como necessárias das despesas glosadas. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, exceto quanto ao atendimento ao art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, como será visto. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame nesta segunda instância de julgamento, tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. De modo Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 259 5 geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide acabam não se voltando contra os termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade 1. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contrafluxo, existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a matérias não apresentadas na primeira oportunidade, isto é, na impugnação, e que foram trazidas pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário. Tais matérias constituem inovação aposta no recurso voluntário. Na peça impugnatória — comparativamente às alegações do recurso voluntário — podem ser encontrados somente os argumentos/matérias listados no item "a", descrito no relatório deste voto, e que se referem a passivo fictício, não tributação da origem dos recursos que sustentaram aplicação financeira e glosa de despesas ativáveis. Não há no início do contencioso, na impugnação, contestação que se dirija à glosa e à caracterização como benefício indireto das despesas com seguros de vida e de automóveis feitas em favor dos sócios. Não há ali contestação da correção monetária que incide sobre as despesas consideradas pela Auditoria Fiscal como ativáveis, uma vez que seriam necessárias. E tampouco manifestação de discordância quanto ao afastamento das exigências ligadas a CSLL e IRRF (ILL) em consequência do requerido reconhecimento da necessidade das despesas que foram glosadas na autuação. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 260 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). (grifei). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a impugnação, ou a manifestação de inconformidade, contendo as matérias que balizam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Por esta razão, exceto as objeções, não se toma conhecimento das demais questões alegadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não enfrentada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão n.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como de precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos: Acórdãos n.ºs 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Logo, conheço apenas parcialmente do recurso voluntário. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 261 7 Mérito. Passivo fictício. Alega o recorrente que os pagamentos correspondentes ao passivo que fora julgado fictício pela Auditoria Fiscal, posição corroborada pela decisão de piso, ocorreram no ano calendário 1991 e não em 1990 como consta da descrição nos autos de infração. Reitera integralmente as razões que já havia apresentado na impugnação, citando números de cheques, de duplicatas e documentos que denomina "auxiliares" para a comprovação de sua tese, incluindo comunicações por telex registradas entre o contribuinte e alguns bancos comerciais e também lançamentos no livro registro de entradas. Fato é que permanece hígida a fundamentação adotada pela DRJ/RPO na sua decisão, pois, o exame dos documentos acostados à impugnação e juntados aos autos ao tempo da autuação revela que não há dentre estes cópias de boa parte dos documentos referidos acima, os quais o recorrente aponta que fariam prova do pagamento das obrigações somente no ano seguinte, 1991, desconstruindo assim a conclusão do Auditor Fiscal autuante por ter havido manutenção no passivo de obrigações já liquidadas. Há nos autos somente as cópias de documentos disponibilizados no curso da ação fiscal, que constituem conjunto probatório a favor da ocorrência de passivo fictício. Sequer foram apresentados na impugnação os extratos bancários nos quais constariam as liquidações dos cheques que teriam sido emitidos para quitação das obrigações sob análise, ou mesmo os registros contábeis que fariam a mesma prova, ainda que de maneira não absoluta. É bom que se diga que também nenhum protesto por falta de pagamento de título foi juntado ao processo, o que poderia justificar/provar o atraso no pagamento de títulos com vencimento em 1990. Registrese que a auditoria fiscal selecionou para que fossem atestados os pagamentos compras, representadas por duplicadas e notas fiscais, que constam de relação apresentada pelo próprio contribuinte. Os documentos aos quais o recorrente se refere como auxiliares na comprovação das datas dos pagamentos não conferem às suas alegações maior credibilidade, ao contrário, ou atestam a cronologia apontada nos autos de infração, ou demonstram sua debilidade como meios de prova. No caso das "cópias de cheque" constantes dos autos, deve ser consignado que não são cópias dos cheques confeccionados pelas instituições financeiras nas quais o sujeito passivo mantinha contas correntes, mas documentos de controle produzidos pela contabilidade do sujeito passivo, para efeito de integrar sua rotinização interna do procedimento de liquidação de dívidas e pagamentos em geral, ou seja, tratase de documentos produzido pelo próprio contribuinte, o que lhes retira substancialmente o potencial probante. Aliás, os demais elementos apontam para datas de pagamento diferentes das que constam das denominadas "cópias de cheque". No caso das comunicações realizadas por meio de telex, assim como a relação de devolução de cobrança — porquanto os pagamentos teriam sido efetuados diretamente ao cedente (fornecedor) —, cabe observar que dão conta da efetividade dos pagamentos ainda no ano calendário 1990, contrariamente ao que deseja o recorrente que seja admitido: consideração dos pagamentos em 1991. Para que fosse afastada a infração materializada pela Auditoria Fiscal deveria o recorrente trazer aos autos conjunto probatório hábil, idôneo e suficiente. Tratase de Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 262 8 presunção legal de omissão de receitas que admite prova em contrário, que não foi produzida. Não dou provimento ao recurso, portanto, neste tema. Ativo não contabilizado Omissão de receitas. Na mesma linha a conclusão acerca da aplicação financeira não contabilizada resgatada em 02/01/90 em conta mantida no Bradesco S/A. Contra a acusação fiscal descrita nos autos de infração não há nos autos qualquer elemento probante na direção das alegações do recorrente, que ponderam por ter já sido a receita originária da referida aplicação financeira oferecida à tributação no ano calendário 1990. Não existe comprovação da tributação dessa receita revertida em aplicação financeira. Logo, nego provimento também ao recurso quanto a este outro ponto suscitado no recurso voluntário. Glosa de despesas ativáveis. Reitera o recorrente argumentação que já constava de forma idêntica na impugnação. Contesta a qualificação, pelo Fisco, como ativos, dos valores que ele, o recorrente, registrou contabilmente — e assim considerou na apuração do resultado do período — como despesas operacionais. Em primeiro defende que a pintura do prédio configura despesa de manutenção e conservação que não amplia a vida útil do bem alugado. Não se pode concordar com tal alegação dissociada de fundamentos e outros elementos que possam superar o senso comum. É que, a menos que concorra uma razão excepcional, é claro que ao pintarse um imóvel se pretende o benefício da pintura por mais de um exercício social. Essa razão discordante excepcional não foi trazida aos autos pelo recorrente, tendo este reiterado sua posição com suporte único em sua opinião, deixando de acostar laudo ou qualquer fundamentação. Na esteira do melhor esclarecimento acerca do que seria vida útil do ativo, sirvome de trechos de norma publicada em 2009, a NBC TG 27, aprovada pela Resolução CFC n.º 1.177/09, que, embora posterior ao fato gerador, tem cunho didático e não se opõe ao entendimento anterior à sua edição: (...) Vida útil é: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; ou (...) 57. A vida útil de um ativo é definida em termos da utilidade esperada do ativo para a entidade. A política de gestão de ativos da entidade pode considerar a alienação de ativos após um período determinado ou após o consumo de uma proporção Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 263 9 específica de benefícios econômicos futuros incorporados no ativo. Por isso, a vida útil de um ativo pode ser menor do que a sua vida econômica. A estimativa da vida útil do ativo é uma questão de julgamento baseado na experiência da entidade com ativos semelhantes. (...) Dada a definição técnica acima, é fácil identificar que a pintura de prédio comercial constitui ativo com vida útil superior a um exercício, a menos que situação extraordinária justifique perspectiva menor de vida útil, por exemplo, data prevista para encerramento das atividades da empresa inferior a um ano contado da data da pintura, previsão de demolição de prédio em prazo igualmente inferior a um ano da data da pintura, contida em projeto de reestruturação ou de fins semelhantes, etc. Por segundo, cita no recurso voluntário a instalação de cópia de programa em "microcomputadores — trabalho de digitação", sem, contudo, dizer por que entende dedutível, operacional, tal despesa. Portanto, não havendo fundamento na contestação nem apresentação de provas, tal item não deve ser motivador de reforma da decisão recorrida. O terceiro e quarto itens dos quais o recorrente pretende contestar a glosa das respectivas despesas na apuração do resultado tributável são a "Atualização e modificação de sistema de processamento de dados (a) e serviços de processamento de dados (b)" e "Instalação de placas de modem". Aduz que a atualização e modificação do sistema de processamento de dados não se trata de implantação. E só. Quando à instalação de placas de modem nada alega, caracterizando falta de apresentação de razões e provas para análise da despesa com instalação de cópia de programa em microcomputadores. Por isso tais itens também não são motivadores de qualquer reparo na decisão recorrida. Nestes subtemas o recorrente mantevese igualmente no campo da negativa pura, sugerindo apenas que as despesas seriam necessárias, normais e usuais, sem acrescentar razões e/ou elementos de prova que pudessem contrapor o conteúdo da IN SRF n.º 4/85 e dos Acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes de números 1053.511/89, 1039.493/90 e 105 12.695/99, em que se baseou a DRJ para decidir a respeito. Não cabe razão ao recorrente também nessa parte de sua contestação em recurso voluntário. Deixo de enfrentar os aspectos adstritos aos reflexos tributários que alcançam a CSLL e o IR fonte (ILL) pelas razões de início expostas, que obrigam ao não conhecimento destes tópicos. Conclusão. Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, e, não havendo razões para modificar a decisão de primeira instância administrativa, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13805.000006/9462 Acórdão n.º 1002000.477 S1C0T2 Fl. 264 10 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007207/2003-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/10/2001
MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1002-000.441
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/10/2001 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13807.007207/2003-22
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5921912
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.441
nome_arquivo_s : Decisao_13807007207200322.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 13807007207200322_5921912.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7486949
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148454199296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 52 1 51 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.007207/200322 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.441 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente PAULO R. ROSTELLO LTDA. 'ME' Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/10/2001 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 72 07 /2 00 3- 22 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13807.007207/200322 Acórdão n.º 1002000.441 S1C0T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (DRJ/SPOI) mediante o Acórdão n.º 9260, de 30/03/06 (efls. 18 a 21). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Por meio do Auto de Infração de fl. 02, do qual a contribuinte foi cientificada em 28/07/2003, conforme Aviso de Recebimento de fl. 08, foilhe exigido o recolhimento do crédito tributário no montante de R$2.000,00, a título de multa por atraso na entrega de DCTFs, referentes aos quatro trimestres do anocalendário de 1999. 2. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983; artigo 30 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; artigo 1° da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 18, de 24 de fevereiro de 2000; artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 e artigo 5° da IN/SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002. 3. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02 a 06, alegando, em síntese que se trata de entrega espontânea e não possui condições financeiras de pagar por estar enquadrada no Simples. A DRJ/SPOI julgou procedente o lançamento de ofício, motivo pelo qual o contribuinte apresentou recurso voluntário, efl. 27 pugnando pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, pela redução do valor das multas em 50 %, com base no art. 9.º, §§ 2.º e 3.º, da IN RFB n.º 786/2007, e declarando inatividade da empresa desde fevereiro de 2006. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13807.007207/200322 Acórdão n.º 1002000.441 S1C0T2 Fl. 54 3 Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. O recurso voluntário, na verdade somente contesta o valor das multas, acreditando que a aplicação do art. 9.º, §§ 2.º e 3.º, da IN RFB n.º 786/2007, reduziria tais valores. Divide suas razões em dois tópicos, um titulado preliminar, outro, mérito, no entanto ambos tratam do mérito que se resume à redução na aplicação das multas citada. Tratase de argumentação que representa leitura irregular do texto legal. A associação dos §§ 2.º e 3.º do art. 9.º da referida IN impõe um limite mínimo de R$ 500,00 quando do lançamento de ofício decorrente do atraso ou falta de entrega de DCTF. E isso foi o que constou efetivamente do auto de infração de efl. 3. Logo, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega das DCTFs, nem para reduzir os valores lançados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001789/2010-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO
O tempestivo enquadramento dos Registros de Exportação ao regime especial de drawback suspensão e sua vinculação ao Ato Concessório são requisitos indispensáveis, como condições para a fruição do incentivo do Drawback Suspensão, em atendimento à previsão Constitucional de controle aduaneiro. A ausência de alguma dessas informações exclui o benefício do Drawback, em face da impossibilidade de verificação tempestiva das exportações para atendimento do Regime.
Numero da decisão: 9303-007.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à vinculação física e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO O tempestivo enquadramento dos Registros de Exportação ao regime especial de drawback suspensão e sua vinculação ao Ato Concessório são requisitos indispensáveis, como condições para a fruição do incentivo do Drawback Suspensão, em atendimento à previsão Constitucional de controle aduaneiro. A ausência de alguma dessas informações exclui o benefício do Drawback, em face da impossibilidade de verificação tempestiva das exportações para atendimento do Regime.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10074.001789/2010-96
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928209
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.378
nome_arquivo_s : Decisao_10074001789201096.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 10074001789201096_5928209.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à vinculação física e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7517818
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148484608000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 10.944 1 10.943 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10074.001789/201096 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.378 – 3ª Turma Sessão de 17 de setembro de 2018 Matéria DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERREIRA INTERNATIONAL LTDA ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO O tempestivo enquadramento dos Registros de Exportação ao regime especial de drawback suspensão e sua vinculação ao Ato Concessório são requisitos indispensáveis, como condições para a fruição do incentivo do Drawback Suspensão, em atendimento à previsão Constitucional de controle aduaneiro. A ausência de alguma dessas informações exclui o benefício do Drawback, em face da impossibilidade de verificação tempestiva das exportações para atendimento do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 17 89 /2 01 0- 96 Fl. 10944DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.945 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à vinculação física e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (RICARF), contra acórdão nº. 3401003.197, fls. 10.809/10.830, que decidiu em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. Fl. 10945DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.946 3 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVADO O ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FORMAIS DE VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. EXPORTAÇÕES VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. Uma vez comprovada a vinculação a ato concessório do regime às exportações, reconhecese o adimplemento das exportações compromissadas. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do DecretoLei nº 37, de 1966; e quanto à vinculação entre os REs e os Atos Concessórios no regime drawbacksuspensão. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 3403 002.455 (PAF13839.003388/200855) referente á aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, quanto a vinculação entre os REs e os Atos Concessórios no regime drawbacksuspensão, indica como paradigma o acórdão nº 301001.731 (PAF 13839.002936/200234), cuja cópia de inteiro teor de ambos foi juntada ao recurso. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 10890/10893. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls.10879/10888, pugna pelo não conhecimento do Recurso interposto, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 10946DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.947 4 Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de Auto de Infração, situado às fls. 02 a 51, originário de procedimento fiscal voltado a verificar o cumprimento do regime de drawback na modalidade suspensão, lavrado para a exigência de: Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício no valor de R$176.467,08; PIS/PASEP, juros de mora e multa de ofício no valor de R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor histórico de R$ 26.068.701,28. A autuação teve origem na ação fiscal desenvolvida para verificação do cumprimento do Regime de Drawback Suspensão, concedido à interessada através dos Atos concessórios nºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. Em sessão de 06/07/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 07.25151, julgando procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da regulamentar no valor de R$ 25.679.000,00, objeto de recurso de ofício. Afastou, ainda, a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manteve o lançamento referente aos tributos devidos e suspensos em razão das importações que, em tese, estariam amparadas pelo regime de drawback. A contribuinte interpôs recurso voluntário contra a decisão de primeira instância administrativa, em cujas razões argumentou que: (i) goza do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, para importação de subprodutos utilizados na fabricação de produtos a base de carne desidratada exportados para o exterior, como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de oxigênio utilizados nas suas embalagens para fins de conservação; (ii) teve diversas exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios (20050258451 e 20050207571), os quais não são objeto da autuação. Após verificar o equívoco cometido, a recorrente optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros de exportação aos respectivos atos concessórios; (iii) desde o início das atividades da recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (SECEX) vinha permitindo a vinculação a posteriori dos registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado e aceita pela Secex, mesmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação, sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente baixados no sistema. Ocorre que, com a implementação do Fl. 10947DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.948 5 sistema drawback web, essa vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível. De acordo com esse novo sistema, os registros de exportação já efetivados ou averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a comprovação do cumprimento do drawback ser vinculadas no momento da averbação do registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de drawback um prazo para providenciarem a vinculação entre os registros de exportação e os atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº 34, de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema drawback web; (iv) não conseguiu promover todos os ajustes necessários dentro do prazo concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados atos concessórios e os respectivos registros de exportação, que levaram a Fiscalização a concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback; (v) embora reconheça que vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi cumprida oportunamente, conforme atestam os documentos anexados à impugnação, que mostram o “caminho” dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão desde a obtenção dos competentes atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos finais, para o mercado externo. Contudo, ao apreciar a impugnação a DRJ eximiuse de analisar a farta documentação que a instruiu, alegando basicamente que os erros formais incorridos pela recorrente já seriam suficientes para configurar o descumprimento do drawback e ensejar a cobrança dos tributos suspensos pelo regime; (vi) ao contrário do afirmado pela r. decisão recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a recorrente se deu ao trabalho de produzir mais de 1700 páginas de documentos para comprovar que cumpriu o compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é evidente que a mesma assumiu o ônus de comprovar que, a despeito de algumas irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é a exportação dos insumos importados incorporados aos produtos finais. Assim, em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo, a recorrente roga a V.Sas. que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento dos mencionados atos concessórios; (vii) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo auto de infração foram devidamente baixados pela Secex pelo fato de que aquela Secretaria prorrogou, por meio da Portaria nº 24, de 26/07/2011, a validade dos atos concessórios com vencimento original entre 01/10/2008 e 31/12/2011. Assim, os atos concessórios que tinham vencimentos originais no ano de 2009 tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que a recorrente providenciou, junto a Secex, a baixa dos referidos atos concessórios, mediante a vinculação a novos registros de exportação. Em sessão de 29/01/2012, a 2ª Turma desta 4ª Câmara proferiu a Resolução CARF nº 3402000.501, por unanimidade de votos, sob a relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, nos seguintes termos: "O recorrente apresentou 1700 páginas de documentos para atestar que o regime de drawback foi cumprido. Porém, a instância a quo não analisou os documento pois entendeu que falta de observância de todas as formalidades previstas no regime era motivo suficiente para ensejar a desconsideração do drawback. Fl. 10948DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.949 6 Discordo da posição da DRJ Florianópolis, pois se o recorrente conseguir provar que os insumos importados sob o regime de drawback suspensão foram incorporados aos produtos finais exportados, entendo cumprida a condição fundamental que rege o regime. Neste norte, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a unidade de origem analise os 1700 documentos acostados nos autos quando da apresentação da impugnação e elabore um relatório conclusivo sobre a utilização dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos produtos exportados pelo recorrente. Em outras palavras, faça análise se o recorrente cumpriu a condição de incorporar em seu produto exportado os insumos importados com suspensão tributária. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito". A Seção de Fiscalização Aduaneira 1 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7ª RF apresentou Relatório Fiscal, situado às fls. 4.622 a 4.624, nos seguintes termos, com grifos do original: "Em razão da solicitação de diligência efetuada pelo CARF às fls. 4614, temos a relatar o que segue. Em 07/10/2013, através do Termo de Intimação nº 468/2013 (fls.4618), intimamos o contribuinte “a relacionar quais documentos apresentados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que inovam o acervo apresentado no curso da ação fiscal, já que para esta fiscalização tal fato não ocorreu”. (grifamos). Analisandose a resposta apresentada em 21/10/13 pelo contribuinte (fls. 4622/4625), observase que o mesmo não procedeu à solicitada relação, preferiu redigir um texto evasivo e sem substância, onde, em suma, informa que o órgão competente, segundo o contribuinte a SECEX, regularizou a situação de novos registros de exportações, vinculandoas à Atos Concessórios . Em nossa fiscalização foram examinados todos os RE apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal, conforme podese atestar pelo Termo de Verificação de fls. 52/94. De outro lado, os motivos de os mesmos não serem aceitos, também estão transcritos no referido Termo de Verificação. Em realidade, o contribuinte não apresentou novos RE vinculados à Atos Concessórios que fossem plenamente regulares com o regime em tela e que, por um lapso, houvera esquecido; simplesmente apresentou novos RE vinculados muito tempo depois das exportações – e até posteriores à autuação/impugnação, ressaltese como sendo regularizados pelo órgão competente a SECEX segundo o mesmo. Contudo, tais registros de exportações são imprestáveis para comprovação do regime, conforme já se explanou sobejamente na autuação e se demonstrará a seguir. Fl. 10949DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.950 7 Uma das razões que causou afastamento de alguns RE foi justamente a falta de vinculação do mesmo ao ato Concessório ou a sua vinculação após a averbação da exportação. A vinculação do Ato Concessório ao RE e o correto código de enquadramento da operação é exigência prevista na Portaria SECEX nº 14/041, que consolidou as normas de importação e de Drawback (art. 134, 141 e 142 da Portaria e itens 2 e 3 de seu anexo “G”), bem como no art. 352 do Decreto nº 4.543/02 – RA/02 (art. 400 do Decreto nº 6.759/09 – RA/09). O escopo da legislação do Drawback é em suma um estímulo à exportação, propiciando ao exportador nacional condições competitivas em termos de preço no mercado internacional, desonerando os tributos devidos numa importação comum, sob a condição de que os produtos importados sejam necessariamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados – princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, inciso I, do Decreto Lei nº 37/66. Assim, a exigência expressa na legislação acima citada (vinculação do RE ao regime) visa o controle do regime num momento crucial que é o da exportação dos produtos produzidos com insumos importados com tributos suspensos. Por fim, é mister se destacar que no Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão há a participação de dois órgãos estatais, a SECEX e a RFB, sendo que cada qual exerce sua atuação dentro de suas competências exclusivas. Basicamente tais áreas de atuação se dividem da seguinte maneira: compete a SECEX administrar o regime desde a sua concessão até o seu término, no tocante a parte comercial e cambial, acompanhando e verificando o adimplemento dos compromissos assumidos em sua área de atuação; e à RFB compete acompanhálo e fiscalizálo, verificando o fiel cumprimento dos compromisso assumidos, com vistas em questões tributárias. Não raro, contudo, encontrarmos um regime adimplente para a SECEX no tocante às suas questões e inadimplente para a RFB em questões tributárias. Sendo possível o inverso também. Assim, a SECEX tornar um regime adimplente significa inexistirem pendências comerciais e/ou cambiais, sem, contudo ter o condão de tornálo também adimplente acerca do cumprimento dos requisitos e condições para fruição dos benefícios fiscais, de competência RFB: imaginar o contrário seria admitir competência (prevalente) da SECEX em assuntos exclusivos da RFB. Assim, pelo exposto, opinamos pela não aceitação dos novos RE, cujas vinculações ao regime se deram após as respectivas exportações, bem como opinamos no sentido de considerar o contribuinte da mesma forma que por ocasião da autuação totalmente inadimplente em todos os atos concessórios pelos motivos já expostos nos autos e pelos motivos ora acrescentados. Propomos que se encaminhe este relatório para o contribuinte, em, querendo, se manifestar no prazo de trinta dias, e, após, encaminhese para o CARF". Fl. 10950DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.951 8 Em sessão de 19/08/2014, a 2ª Turma desta 4ª Câmara proferiu a Resolução CARF nº 3402000.686, também por unanimidade de votos, sob a relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, nos seguintes termos: Esse Colegiado converteu o julgamento em diligência com o fito de análise desses documentos acostados quando da propositura da impugnação. A unidade preparadora intimou o recorrente nos seguintes termos: No exercício das funções de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, através do presente termo, INTIMO o contribuinte em epígrafe A RELACIONAR quais documentos apresentados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que inovam o acervo apresentado no curso da ação fiscal, já que para esta fiscalização tal fato não ocorreu. Prazo para cumprimento: cinco dias 05 (cinco) dias úteis do recebimento desta intimação, na forma do § 1º do art. 19 da Lei n° 3.470/58, alterado pelo art. 71 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de2001'. Nos termos do relatório fiscal, o sujeito passivo não apresentou a relação solicitada pela fiscalização, apenas redigiu um texto evasivo e sem substância, onde, em suma, informa que o órgão competente, a SECEX, regularizou a situação de novos registros de exportação, vinculandoas à Atos Concessórios. Afirma, ainda, que foram examinados todos os RE apresentados pelo recorrente no curso da ação fiscal e que os motivos de os mesmos não serem aceitos estão transcritos no Termo de Verificação que acompanha os autos de infração. Continua seu relatório defendendo os motivos da autuação. Da leitura do citado relatório, fico convicto que não houve a análise dos 1700 documentos acostados aos autos, como requerido pela Resolução nº 3402000501, de 29/01/2012. Diante deste quadro, converto novamente o julgamento em diligência para que seja feita uma análise nos 1700 documentos acostados aos autos quando da apresentação a impugnação e que seja elaborado um relatório conclusivo sobre a utilização dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos produtos exportados pelo recorrente. Espero que desta vez a Unidade Preparadora faça a análise dos 1700 documentos e devolva os autos para deslinde da causa. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Em 05/03/2015, a unidade local, em atenção à Resolução CARF nº 3402000.686, apresentou Relatório Fiscal, situado às fls. 7.728 a 7.734, no qual expôs que os documentos, correspondentes a 1.700 folhas, da maneira como se encontram, "(...) tornam incompreensível o cotejamento físico": Fl. 10951DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.952 9 Diante da incompreensão da autoridade fiscal, a unidade intimou a contribuinte ora recorrente para apresentar, no prazo de 20 dias, (i) laudo técnico, assinado por profissional competente, e (ii) planilha excel referente aos períodos de apuração de 2005, 2006, 2007 e, se houver exportações neste ano oriundas dos 11 (sic) atos concessórios em discussão, também de 2008. A "planilha excel" exigida pela autoridade fiscal deveria conter, segundo a intimação realizada, os seguintes itens: Esclareceu a autoridade fiscal, ainda, que: Em 29/01/2015, a contribuinte entregou à unidade fiscal planilha de levantamento de estoque referente ao período compreendido entre 31/12/2004 a 31/12/2008, buscando demonstrar a utilização do insumo importado com suspensão (tripas de colágeno) nos produtos finais nos quais é utilizado e exportados sob o amparo do regime de drawback. Em 06/04/2015, a contribuinte, ora recorrente, apresentou petição para se manifestar a respeito do relatório fiscal, argumentando, em síntese, que uma vez mais não se observou a resolução deste Conselho, uma vez que os 1.700 documentos juntados aos autos não foram analisados. Fl. 10952DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.953 10 Em 08/04/2015, o Serviço de Fiscalização Aduaneira 1 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7ª RF apresentou Relatório Fiscal, situado à fl. 7.750, nos seguintes termos, com grifos do original: Com efeito, em razão da excelente instrução processual realizada pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, a 4º Câmara da 1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, negou provimento ao Recurso de Ofício, e deu provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar á aplicação da multa prevista no artigo 107, VII, do Decreto Lei nº 37/66, considerando ainda, que não houve descumprimento dos requisitos do regime especial por parte da Contribuinte, em vista do relatório conclusivo realizado pela própria autoridade fiscal, no sentido de que a Contribuinte não vende qualquer produto objeto do regime para o mercado interno. Fl. 10953DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.954 11 Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência referente á aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, aponta como paradigma o acórdão nº 3403002.455, e quanto a vinculação entre os REs e os Atos Concessórios no regime drawbacksuspensão, indica como paradigma o acórdão nº 301001.731. No que tange o Acórdão nº 3403002.455, entendo que não há divergência, transcrevo na parte que interessa do aresto: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 16/10/2013 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. EMBALAGENS. PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. REQUISITOS. EXTINÇÃO DA APLICAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. Sendo incontroverso que houve descumprimento de prazos tanto para a admissão temporária quanto para a exportação temporária, cabível a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas para tais hipóteses (art. 76, I e II da Lei nº 10.833/2003), o que não prejudica a aplicação de sanções administrativas (como a advertência), entre outras. SANÇÃO DE ADVERTÊNCIA. MULTA. INDEPENDÊNCIA MATERIAL DE RITO E DE COMPETÊNCIA. As penalidades de multa e advertência são independentes, aplicáveis mediante ritos diferentes, e julgadas em instâncias administrativas diversas, sendo incabível este CARF manifestarse sobre a sanção administrativa de advertência. (...). Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A matéria debatida nos autos, diz respeito a multa pelo eventual descumprimento do regime especial de drawbacksuspensão, enquanto que o Acórdão paradigma analisa um caso de multa em regime de admissão temporária. O acórdão paradigma aplicou multa do artigo 72, incisos I e II, da lei nº 10.333/03, já a decisão recorrida tratou exclusivamente da multa prevista no artigo 107, do DecretoLei nº37/66, replicado no artigo 728, inciso VII, alínea "d" do Regulamento Aduaneiro, cuja base legal é o artigo 77 da lei nº 10.833/03. Destarte, não há como o interprete confrontar acórdãos que aplicam disposições diversas, ainda que ambas tratem de penalidade no âmbito do Direito Aduaneiro, in caso, a penalidade tinha como objeto punir a Contribuinte por suposto descumprimento do regime de drawback quando expirado o Ato Concessório. Por sua vez, o acórdão paradigma aplica penalidade pelo descumprimento de prazo de exportação de bem sob o regime de admissão temporária, tratese portando de hipóteses distintas. Fl. 10954DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.955 12 Por mais que se busque uma interpretação extensiva, não existe qualquer similitude fática entre os arestos, admissão temporária trata da possibilidade de importação de bens estrangeiros que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total da exigibilidade de tributos incidentes na importação, ou com suspensão parcial, objeto de pagamento proporcional, no caso de utilização econômica do bens, nos termo do artigo 353 do Regulamento Aduaneiro. Neste sentido, no acórdão paradigma o Conselheiro Rosaldo Trevisan, bem esclarece os fundamentos do Regime da admissão temporária. Vejamos: "O regime aduaneiro especial denominado admissão temporária permite a entrada no País de bens estrangeiros que devam aqui permanecer durante prazo fixado, com suspensão do pagamento de tributos, como estabelece o art. 75 do DecretoLei nº 37/1966, regulamentado pelo art. 353 do Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). O Regulamento estabelece que incumbe à RFB definir os casos em que fica permitida a admissão temporária (art. 355), podendose citar como exemplos de casos de aplicação as competições desportivas, feiras e eventos realizados no País. Nesses casos, registrase para os bens uma declaração de importação, que permite a estes a permanência no País pelo prazo de concessão do regime, dentro do qual devem (a) retornar ao exterior, sem pagamento de tributos, ou (b) passar por uma das outras formas de extinção da aplicação do regime (despacho para consumo, destruição sob controle aduaneiro, entrega à Fazenda ou transferência de regime). No retorno ao exterior (reexportação), deve ser registrada uma declaração de exportação (em regra, simplificada). O regime aduaneiro especial denominado exportação temporária permite a saída do País, a título temporário, de bens nacionais ou nacionalizados, com suspensão do pagamento do imposto de exportação, como estabelece o art. 92 do DecretoLei no 37/1966, regulamentado pelo art. 431 do Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). De modo semelhante à admissão temporária, o Regulamento estabelece que incumbe à RFB definir os casos em que fica permitida a exportação temporária (art. 432), podendose também citar como exemplos de casos de aplicação as competições desportivas, feiras e eventos realizados fora do País. Nesses casos, registrase para os bens uma declaração de exportação, que permite a estes a permanência no exterior pelo prazo de concessão do regime, dentro do qual devem (a) retornar ao País, sem pagamento dos impostos de exportação e de importação, ou (b) ser exportados definitivamente. No retorno ao País (reimportação), deve ser registrada uma declaração de importação (em regra, simplificada). Ou seja, estamos falando de regimes temporários simétricos, com aplicação iniciada por uma declaração aduaneira (de importação ou exportação), e em regra, extintos por outra declaração aduaneira (de importação, de exportação ou de transferência de regime). Em 1997, a RFB resolveu estabelecer procedimentos mais simplificados ainda para admissão e exportação temporárias de “recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks e outros bens com Fl. 10955DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.956 13 finalidade semelhante”. Assim, a empresa que exporta têxteis, por exemplo, em carretéis retornáveis, ou que exporta peixes em caixas de isopor retornáveis, não teria que a cada entrada ou saída registrar uma declaração exclusivamente para a embalagem retornável". Já o Regime Especial de drawback é concedido a empresas industriais ou comerciais, instituído em 1966 pelo Decreto Lei nº 37, de 21/11/66, consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado. Existem três modalidades de drawback: isenção, suspensão e restituição de tributos. A primeira modalidade consiste na isenção dos tributos incidentes na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes, destinada à reposição de outra importada anteriormente, com pagamento de tributos, e utilizada na industrialização de produto exportado. A segunda, na suspensão dos tributos incidentes na importação de mercadoria a ser utilizada na industrialização de produto que deve ser exportado. A terceira trata da restituição de tributos pagos na importação de insumo importado utilizado em produto exportado.Tendo a SECEX desenvolvido com o SERPRO sistema de controle para tais operações denominado Sistema Drawback Eletrônico, com módulo específico do SISCOMEX, regime diametralmente oposto da admissão temporária. Além disso, no acórdão paradigma a multa aplicada pelo descumprimento do regime de admissão temporária, o julgador utilizou como fundamento o artigo 72 , I e II da Lei nº 10.833/20031, porquanto no presente caso, o lançamento foi efetuado com fundamento da multa prevista no parágrafo 4 do artigo 728 do Regulamento Aduaneiro, o qual prescreve norma aplicável ao regime de drawback, no sentido de que: " nas hipóteses em que a conduta tipificada neste artigo ensejar também a imposição de sanção administrativa referida no artigo 735 ou 735C, a lavratura do auto de infração para exigência da multa será efetuada após a conclusão do processo relativo á aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir decadência". Como se vê, o paradigma apresentado referente a divergência de aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, não demonstra dissenso jurisprudencial. Deste modo, em face das dessemelhanças fáticas e normativas, a qual impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: 1 Art. 72. Aplicase a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime, e II – 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Fl. 10956DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.957 14 “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Referente a divergência de aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, entendo que não houve dissenso jurisprudencial comprovado, de modo que não tomo conhecimento desta matéria. No que tange, a divergência quanto a vinculação entre dos REs e os Atos Concessórios no regime drawbacksuspensão, tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário por entender que houve o efetivo cumprimento dos requisitos do regime especial pela Contribuinte, valendose de ampla instrução probatória, após duas resoluções convertendo o julgamento diligência, restou comprovado o adimplemento das exportações compromissadas nos atos concessórios. Por sua vez, a Fazenda Nacional alega que não se pode perder de vista que a falta de vinculação entre o Registro de Exportação (RE) e o Ato Concessório (AC) abre espaço para que a empresa comprove dois ou mais atos com os mesmos documentos de exportação e, conseqüentemente, utilize de forma ilegal os insumos importados com tributos suspensos na fabricação de produtos destinados ao mercado interno. Resta claro, portanto, que reconhecer cumprido o regime sem a vinculação entre o RE e o AC é uma maneira de estimular essa prática ilegal. Entendo que não assiste razão a Fazenda Nacional, ao sustentar que houve descumprimento do regime de drawback pelo fato de que as exportações não foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório, pelo contrário houve prova nesse sentido. Todos os materiais importados com o benefício do regime foram empregados na fabricação de produtos exportados. Compulsando aos autos, verifico que, embora a fiscalização alegue que a Contribuinte não teria comprovado a exportação dos produtos que constam nos AC n.ºs 20040099474, 20050010654, 20050045814, 20060045140, 20060153288, 20065559, 20060120240, 20070122342, 20070046042, 2007069255, 20070085684, 20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação. Também ocorreram problemas em razão de mudanças de funcionários, quando foram vinculados a dois atos concessórios todas a exportações Fl. 10957DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.958 15 realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por isso a Contribuinte optou por não vincular as exportações subseqüentes a quaisquer atos concessórios até a correção dos erros. A época a SECEX permitia vinculação a posteriori dos RE’s aos correspondentes AC’s, mesmo após o prazo previsto. Ocorre que com a implementação do Sistema Drawback Web esta vinculação a posteriori não foi mais possível. Apesar do prazo concedido pela SECEX para os ajustes necessários, a Contribuinte não conseguiu realizar todos, restando pendentes algumas divergências que levaram a fiscalização concluir que não houve o cumprimento do regime. Como visto, a decisão recorrida teve o cuidado de esgotar toda e qualquer questão relacionada as provas. Para melhor elucidar, transcrevo parte que interessa do Voto condutor da decisão recorrida, o qual se comprova que não houve descumprimento do regime: "A questão, como bem delimitou o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que nos antecedeu na presente relatoria, cingese a saber se tais insumos foram ou não incorporados aos produtos finais exportados pela contribuinte ora recorrente, o que, se comprovado por meio da documentação em referência trazida em sede de impugnação, demonstraria o cumprimento da condição fundamental que norteia o regime. Não cumprida a determinação deste Conselho, a turma decidiu, novamente por decisão unânime, proferir a Resolução CARF nº 3402000.686, de 19/08/2014, determinando nova diligência. 27. A unidade local, por entender que os documentos, da maneira como se encontravam, tornavam "(...) incompreensível o cotejamento físico" determinado, intimou a contribuinte a ela delegando o trabalho de análise determinado por este Conselho, para a finalidade de apresentar laudo técnico e planilha excel referentes não aos 14 atos concessórios, mas somente aos 11 atos referentes às tripas de colágeno, deixando de lado os 3 atos concessórios que têm por objeto absorventes de oxigênio. A contribuinte elaborou a planilha, na qual realizou o cotejo, nota a nota, das tripas de colágeno importadas com as saídas de produto final da linha "Peperoni". Ao final, indicou o saldo de matériaprima em estoque. Instruiu, ainda, a planilha em referência com cópia das notas fiscais de entrada e de saída com destino ao exterior.Segundo o relatório da autoridade fiscal, "a planilha entregue pela empresa em atendimento ao termo de início lavrado por essa auditoria resume todo o trabalho alvo desta auditoria tendo em vista que ela apresenta vários recursos", esclarecendo, ademais, que apenas os produtos da família "Peperoni" receberam os insumos das tripas de colágeno por se tratarem de uma película que envolve tais mercadorias. Passou, então, à análise da planilha de levantamento de estoque das tripas de colágeno (insumos), tanto in natura como aqueles já incorporados aos produtos "Peperoni. Em seguida, conclui a autoridade fiscal o seu relatório de diligência nos seguintes e precisos termos: Fl. 10958DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.959 16 Observamos, a partir da leitura do relatório apresentado, que a autoridade fiscal procedeu à comparação da planilha apresentada pela contribuinte com o livro de registro de inventário, de maneira a apontar diferenças entre os saldos de estoque de tripas de colágeno. Contudo, há de se observar que, de fato, tal livro auxiliar tem sua escrita baseada na contagem física das matérias primas em estoque ao final de cada período, enquanto que a planilha, por seu turno, indica expressamente a nota fiscal respectiva da operação, e esta é a expressão probatória mais precisa para o desígnio almejado, qual seja, comprovarse vinculação física. Em outras palavras, ao se compulsar a Fl. 10959DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.960 17 planilha apresentada, é possível se compulsar a documentação fiscal que a lastreia, enquanto que a prova do inventário é meramente indiciária, vez que sua reconstrução já não se faz mais possível. Superada esta questão, cabe a análise referente ao "saldo negativo" de estoque de tripas de colágeno que decorre da leitura da própria planilha, da ordem de 203 kg. Em primeiro lugar, no contexto de um universo amostral de 9.300 kg de tripas importadas entre 2005 e 2008, consignase um percentual de 2,18% das mercadorias que supostamente não atenderiam à regra da vinculação física. Explica a contribuinte, em sua manifestação sobre o relatório conclusivo, que tal diferença decorre do fato de que "(...) a requerente decidiu, em junho de 2008, interromper a produção dos itens da linha 'Peperoni'". Esclarece, ainda, que "(...) assim, (...) efetuou a venda de todo o estoque de tripas de colágeno utilizadas na fabricação dos referidos produtos para a empresa LINKS SNACKS INC.", sediada nos Estados Unidos, confirmando, assim, a exportação da totalidade da matériaprima importada, "(...) pois, quando deixou de usar as tripas de colágeno na produção, a requerente devolveu ao exterior as próprias matériasprimas". Argumentou, ademais, que a vinculação a posteriori entre os registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser possível apenas a partir da implementação do sistema drawback web, constituindose, até então, como uma prática difundida no mercado e aceita pela Secex. Isto porque entendemos haver um limite para a atuação deste Conselho para reconstruir a instrução no interesse do deslinde do feito e, mesmo depois de duas resoluções convertendo o julgamento em diligência, não se verificou o efetivo descumprimento dos requisitos do regime especial por parte da contribuinte. Pelo contrário, a (i) planilha apresentada, em conjunto com as (ii) notas fiscais de entrada e de saída, acrescidas dos (iii) esclarecimentos prestados, colocados no contexto do procedimento fiscal levado a termo, são bastantes e suficientes para se reconhecer o adimplemento das exportações compromissadas nos atos concessórios correspondentes. Não sendo possível se prolongar o presente processo indefinidamente, e diante dos dados, documentos e esclarecimentos em referência, reputase necessário o afastamento da acusação fiscal". Dessa forma, não se pode desvirtuar o vasto trabalho fiscal de auditoria elaborado pela Autoridade Fiscal, sob a instrução do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que propiciou o exercício da ampla defesa e contraditório a Contribuinte, restando comprovado que não houve descumprimento do regime especial de drawback. Embora, todos os materiais importados com o benefício do drawback foram empregados na fabricação dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos registros de exportação não se pode lançar crédito tributário com fito de punir o bom Contribuinte que agiu no estrito cumprimento de suas obrigações. Fl. 10960DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.961 18 Irretocável a decisão recorrida. Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional referente á aplicação da multa prevista no art 107, VII, "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, e na parte conhecida nego provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Em que pese o bem elaborado voto do Relator, peço vênia para dele divergir quanto à vinculação entre dos REs e os Atos Concessórios no regime drawbacksuspensão. Nesse sentido, valhome das razões do i. conselheiro Rodrigo Costa Pôssas em seu voto no acórdão nº 9303003.850, exarado em 17/05/2016, que enfrentou situação semelhante. Naquela situação, assim como na que ora se enfrenta, houve a concessão do regime, surgindo um vínculo entre o Fisco e o beneficiário do regime, pelo qual o primeiro desembaraçou mercadorias com suspensão da exigibilidade dos tributos, sob condição de que o segundo promovesse a sua aplicação em produtos destinados à exportação, no prazo e condições estipulados no ato concessório emitido pelo órgão competente. De acordo com o referido acórdão, quando a importadora descumpre o acordado, desrespeitando quaisquer condições previstas na legislação, perde a característica essencial que lhe confere o benefício previsto no Ato Concessório, devendo sujeitarse ao regime de importação comum, pois, para se comprovar a efetiva exportação dos produtos industrializados com o efetivo emprego das mercadoria importadas com a suspensão do imposto, a legislação traz um rol de exigências, com as quais o contribuinte aquiesceu quando assinou o termo de compromisso. A seguir, para fins de esclarecimento, encontrase reproduzido excerto do referido voto, cujas razões de decidir acompanho: O regime aduaneiro especial de drawback, previsto no art. 78 do DL 37/66 e restabelecido por força do art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.402/1992 foi, inicialmente, regulamentado pelo Decreto nº 68.904, de 12/07/1971, sendo que, atualmente, sua regulamentação consta dos arts. 314 a 319 do Regulamento Aduaneiro. É um estímulo à exportação e consiste na suspensão, isenção ou restituição de tributo incidente no ingresso da Fl. 10961DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.962 19 mercadoria (matériaprima ou produtos intermediários) utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de produto destinado à exportação. Na modalidade drawback suspensão, o importador se compromete a proceder à exportação dentro do prazo que lhe é concedido pelo Ato Concessório (condição resolutória futura). Se ao final deste prazo, a condição é satisfeita a contento, a suspensão da exigência do crédito tributário se transforma em isenção. Contudo, decorrido esse prazo sem que a referida exportação se efetive, o contribuinte deverá liquidar o débito em trinta dias, sendo que este débito corresponde à obrigação tributária nascida por ocasião do fato gerador e constituída através do termo de responsabilidade. O regime de drawback tem a natureza jurídica de um contrato, firmado entre a União e a empresa beneficiária, com direitos e obrigações de ambas as partes, no qual a União concede os benefícios de suspensão, restituição ou isenção de impostos e a beneficiária se compromete a cumprir sua obrigação de exportar, dentro dos limites, condições e termos pactuados. A finalidade deste Regime é propiciar ao exportador nacional condições competitivas em relação aos preços internacionais, desonerandoo dos encargos financeiros que caracterizam as importações comuns, sob a condição de que os produtos importados sejam empregados na industrialização de produtos nacionais a serem exportados. É neste aspecto que o princípio da vinculação física entre produtos importados e produtos a serem exportados revestese de fundamental relevância. No caso do drawback modalidade suspensão, como já destacado, os tributos que incidiriam na importação ficam com sua exigibilidade suspensa, sob condição resolutiva do regime, que é a exportação do produto final. Com o adimplemento desta, a suspensão dos tributos se transforma em isenção concreta. Ou seja, na modalidade Suspensão, o benefício é concedido anteriormente à ocorrência de um evento futuro, no caso, a futura exportação, estando intimamente ligado aos compromissos assumidos pela empresa, em conformidade com o projeto elaborado pelo próprio interessado e nos termos do Ato Concessório emitido pela SECEX. A sistemática do Drawback Suspensão é bem diferente daquela que ocorre na modalidade Isenção, em relação à qual o importador utilizou produtos de importação comum, com o pagamento dos tributos devidos, na fabricação de produtos já exportados. Nesta hipótese, o benefício fiscal visa “compensar” os encargos financeiros anteriormente despendidos, possibilitando ao interessado importar com isenção de tributos a mesma mercadoria (qualidade, quantidade, etc.) para repor seus estoques. Por ser um incentivo à exportação, o controle a ser efetuado em relação ao cumprimento das condições e requisitos envolvidos deve ser mais cuidadoso e abrangente, sem, contudo, tornar Fl. 10962DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.963 20 impraticável ou impossibilitar o alcance do objetivo maior pretendido. Isto porque, ao se beneficiar determinadas empresas, devese sempre ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade e injustiça com outras empresas do mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do Regime Drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. No presente caso, houve a concessão do regime, surgindo um vínculo entre o Fisco e o beneficiário do regime, pelo qual o primeiro desembaraçou mercadorias com suspensão da exigibilidade dos tributos, sob condição de que o segundo promovesse a sua aplicação em produtos destinados à exportação, no prazo e condições estipulados no ato concessório emitido pelo órgão competente. A condição básica para a obtenção do benefício é que a importadora se comprometa a atingir certas metas de exportação, utilizandose, para tanto, dos insumos importados sob o regime de Drawback, conforme visto. Não bastasse isso, o atual regulamento aduaneiro, contrariamente ao que assevera a interessada, também prevê a total vinculação entre as mercadorias importadas e aquelas a exportar, conforme transcrição do artigo 341 do Decreto nº 4.543/2002: “Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importadas, com os acréscimos legais devidos.” Se, no entanto, a importadora descumpre o acordado, desrespeitando quaisquer condições previstas na legislação, perde a característica essencial que lhe confere o benefício previsto no Ato Concessório, devendo sujeitarse ao regime de importação comum. No regime de Drawback Suspensão, é pressuposto essencial que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. Para se comprovar a efetiva exportação dos produtos industrializados com o efetivo emprego das mercadoria importadas com a suspensão do imposto, a legislação traz um rol de exigências, com as quais o contribuinte aquiesceu Fl. 10963DF CARF MF Processo nº 10074.001789/201096 Acórdão n.º 9303007.378 CSRFT3 Fl. 10.964 21 quando assinou o termo de compromisso. Assim, não é possível que o exportador faça a exportação sem a devida vinculação documental, que é o meio de prova exigido pela legislação do efetivo cumprimento do regime. Assim, somente poderão ser aceitos para a comprovação do cumprimento do regime de "drawback", na modalidade suspensão, os registros de exportação devidamente vinculados ao ato concessório. (Negritei.) No caso, em que pese haver documentação indicando a utilização dos insumos importados na produção, entendo que faltou comprovação de sua vinculação aos produtos exportados. Dessa forma, descumprida a condição, resta descumprido o regime de drawback . Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 10964DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720599/2009-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COFINS NÃO-CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. POSSIBILIDADE.
A revenda de produto sujeita a tributação concentrada pelo regime não-cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS.
Numero da decisão: 9303-007.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃO-CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. POSSIBILIDADE. A revenda de produto sujeita a tributação concentrada pelo regime não-cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.720599/2009-09
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928171
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.364
nome_arquivo_s : Decisao_13603720599200909.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13603720599200909_5928171.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. (assinado digitalmente) Demes Brito - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7517716
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148539133952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 650 1 649 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.720599/200909 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.364 – 3ª Turma Sessão de 17 de setembro de 2018 Matéria REGIME MONOFÁSIO DO PIS/COFINS Recorrente SUPERGASBRAS ENERGIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃOCUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. POSSIBILIDADE. A revenda de produto sujeita a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 05 99 /2 00 9- 09 Fl. 650DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de Cofins, às efls. 003 a 005 208, referente ao período de abril a junho de 2008, pleiteado no PER nº 15622.18645.230708.1.1.114016, em valor originário de R$ 28.395.501,63. A SAORT da DRF em Contagem, elaborou despacho decisório em 04/01/2012, às efls. 223 a 225, que, com suporte no Termo de Verificação Fiscal de efls. 210 a 222, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 2.268.640,94. Irresignada, em 15/02/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 226 a 267. A 1ª Turma da DRJ/BHE, apreciou a manifestação em 04/02/2013, e no acórdão nº 0242.403, às efls. 307 a 319, considerou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em litígio. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 339 a 366, em 10/04/2013. Os argumentos da contribuinte, estão abaixo resumidos: · o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 admitiria, expressamente, o cálculo de crédito sobre o valor da despesa com frete nas operações de venda, tanto de comerciantes quanto de fabricantes; · o Relatório Fiscal de origem teria se equivocado em sua fundamentação, ao confundir o frete na venda com custo; e por consequência, a instância a quo teria inovado a fundamentação, ao indeferir o recurso pela conclusão de que o crédito calculado sobre o frete nas operações de venda somente tem lugar para mercadorias tributadas às alíquotas de 1,65% e 7,6%; · o entendimento da DRJ também não se sustentaria, pois a incidência concentrada impediria apenas o “custo de aquisição da mercadoria ou insumo que tenha sido tributado de maneira mais gravosa na origem”, o que não se aplica ao frete, servido por outras empresas e tributado às alíquotas normais; · a redução da alíquota de Cofins a zero, para a recorrente, não impede o aproveitamento do crédito, nos termos do art. 17 da Lei 11.033/2004; · as MP´s 413/2008 e 451/2008, que proibiam aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com GLP, não foram, nesta parte, convertidas em lei; Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 651 3 · a recorrente não só revende, mas também acondiciona o GLP em embalagens diversas para cada tipo de consumidor, caracterizando, conforme sustenta, atividade industrial, ainda que não atingida pela legislação do IPI; e que por ter atividade industrial, o GLP empregado no seu processo de acondicionamento deve gerar direito a crédito, como custo de produção; noticia jurisprudência que entende lhe favorecer (Resp 1.215.773/RS). A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 26/04/2017, resultando no acórdão de nº 3301003.442, às e fls. 389 a 399, o qual teve a seguinte ementa: REVENDA DE PRODUTO SOB O REGIME MONOFÁSICO DE INCIDÊNCIA DE PIS E CONFINS. DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETES EM AQUISIÇÃO E VENDA O GLP foi expressamente excluído do rol dos produtos, cujos custos da compra para revenda podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS (alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Assim, não se pode admitir créditos sobre fretes nas operações de compra para revenda, pois compõem o custo de aquisição do GLP. Outrossim, também não é autorizado o cálculo de créditos sobre os fretes em vendas, uma vez que o inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03 expressamente limitou tal prerrogativa aos bens citados no inciso I deste artigo, no qual não se encontra o GLP. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, não acatando os créditos calculados sobre o frete na compra e sobre o frete na venda dos produtos em tela, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Conselheiro Relator Marcelo Giovani Vieira e os Conselheiro Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Foi designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira. Embargos da contribuinte A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3301 003.442 em 07/08/2017 (efl. 418), e manejou embargos de declaração em 11/08/2017, às efls. 421 a 434. A contribuinte afirma a existência de obscuridade quanto à interpretação da regra do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Aponta ainda duas omissões a serem sanadas: a) quanto à demonstração da possibilidade de desconto de créditos calculados sobre despesa com frete na operação de venda do GLP; e b) quanto à demonstração do direito aos créditos sobre fretes no transporte do GLP adquirido da Petrobrás (frete primário). Fl. 652DF CARF MF 4 O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 437 a 443, em 14/09/2017, rejeitou os embargos interpostos, por não encontrar nem a obscuridade e nem as omissões arguídas, mas matérias discutidas com fundamentos suficientes para que o sujeito passivo demonstre sua insatisfação com o que foi decidido no julgado, através dos recursos adequados. Recurso especial da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade de seus embargos de declaração em 16/10/2017 (efl. 461), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 30/10/2017 (efl. 463), às efls. 465 a 501, e em duplicidade, na mesma data, às efls. 542 a 548. Com base nos acórdãos paradigmas nº 9303004.310 e nº 9303004.311, que admitiu o aproveitamento de crédito relativamente a frete e armazenagem de produtos sujeitos a tributação monofásica das contribuições, ainda que as suas receitas estejam sujeitas à alíquota zero, entende estar demonstrada a divergência para com o acórdão a quo, que não o admite. O Presidente da Terceira Seção de Julgamento, por meio do despacho de e fls. 634 a 638, em 1º/03/2018, deu seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, com fundamento nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, para admitir a rediscussão da questão do aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas sobre fretes em operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do recurso especial de divergência da contribuinte bem como do despacho de sua admissibilidade em 24/05/2018 (e fl. 639) e manejou contrarrazões a em 2/05/2018, às efls. 640 a 647. Não questiona a admissibilidade do recurso especial, apenas expõe argumentos para que lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. O litígio se deve a não aceitação do reconhecimento de créditos relativos a duas despesas da contribuinte que comercializa produto sujeito à incidência monofásica, gás liquefeito de petróleo, o GLP. Com se pode observar no Termo de verificação Fiscal, em particular nas às efls. 218 a 222, o litígio decorre de glosas de créditos com despesas de fretes pagos na aquisição de GLP e despesas de armazenamento e frete na operação de venda do produto. Contudo, o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da contribuinte foi expresso em dar seguimento ao recurso, para rediscussão do crédito sobre o frete da venda. Portanto, essa será a matéria enfrentada neste voto. A legislação que entendo envolver o caso está abaixo transcrita: Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 652 5 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (. . .) Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1º e 1º A do art. 2º desta Lei; (...) Fl. 654DF CARF MF 6 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Reparase que, no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.833, de 2003, especificamente em seu inciso I, há expressa referência à atividade de revenda de GLP. Já, no art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, apesar de haver previsão de aproveitamento de céditos, em geral sobre insumos (inciso I do Caput) e sobre fretes de venda (insiso IX do Caput): para créditos em geral, é feita expressa exceção à atividade de revenda de GLP, na alínea (b) do inciso I; e para créditos sobre frete de venda, é feita a delimitação de sua concessão às situações previstas no inciso I e II, sendo que, no inciso I, é excetuada a atividade de revenda de GLP. Assim, o frete sobre a operação de venda, realizada por contribuinte dedicado à atividade de revenda de GLP, não está alcançado pela previsão constante do inciso IX do Caput do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. No caso em apreço, a contribuinte adquire o GLP para revenda e, logo, entendo que a aquisição de GLP para revenda não gera créditos. Apesar de entender que a competência para discussão acerca do frete sobre a compra do produto não ter sido devolvida a esta Câmara Superior, registro aqui que, pelos mesmos motivos, entendo que as despesas de transporte do referido produto, quando da sua aquisição, também não poderiam gerar crédito. Em outras palavras, para mim é evidente que o art. 3º, nos seus incisos, são deferidos créditos apenas nas situações por ele determinadas, não indiscriminadamente. Nessa toada, resta claro que esses créditos não alcançam o frete de vendas, na atividade de revenda de GLP. Como a contribuinte realiza a comercialização de GLP, como distribuidora, estamos diante de situação aplicável às exceções do dispositivo. Assim não caberiam os créditos pretendido, resultando na negativa correta à pretensão de ressarcimento da contribuinte pela delegacia de sua jurisdição. Aliás, esse é o mesmo entendimento do voto vencedor no acórdão a quo. Não condordo com os argumentos de que o não deferimento do crédito em discussão possa causar um desequilíbrio na oneração da cadeia de produção. Penso que a não cumulatividade seja técnica tributária expressa na legislação das contribuições sociais, definida, para determinados setores, de acordo com o § 12 do art. 195 da Constituição Federal, de 1988. Se a forma como a lei expressa a não cumulatividade em algum caso específico não alcança determinado fato, temos situação de lege ferenda. Entendo que as autoridades administrativas, como aplicadoras da legislação, não tenham competência para, a partir de argumentos econômicos ou axiológicos, tentar aperfeiçoar a norma, sob o pretexto de buscar uma melhor técnica de desoneração da cadeia produtiva. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 653 7 Dessarte, vejo como adequado o posicionamento do acórdão recorrido pela glosa dos créditos com as despesas de frete na aquisição e despesas de armazenamento e frete na operação de venda do produto. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator designado Em que pese a excelente argumentação do Ilustre Relator, com a devida vênia discordo de seu entendimento. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente sobre o direito ao aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS sobre fretes em operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.310, de 15/09/2016, de minha relatoria, que trata de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "COFINS NÃOCUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. A revenda de produto sujeita a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Da Não Cumulatividade do PIS e da COFINS Direito a crédito sobre despesas com frete e armazenagem nas vendas de produtos sujeitos à tributação concentrada ("MONOFÁSICA") Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é pessoa jurídica dedicada ao comércio atacadista de produtos de perfumaria, de tocador e de higiene pessoal, apura o Imposto sobre a Renda com base no lucro Real, estando sujeita, portanto, ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Fl. 656DF CARF MF 8 No exercício de suas atividades empresariais, a Contribuinte adquire produtos industrializados e os revende para comerciantes autônomos, denominados "Consultores", que por sua vez, distribui para consumidores finais para comercialização de seus produtos por meio de "venda direta" ou "portaaporta". Com este modelo de negócio, a Contribuinte contrata serviços de transporte (frete) o que é absolutamente imprescindível para comercialização de seus produtos, possibilitando, assim, a sua remessa para os revendedores autônomos e posterior distribuição aos consumidores finais. Neste sentido, todos os serviços de transporte contratados (frete) pela Contribuinte estão diretamente relacionados com as vendas dos produtos, pois viabilizam a sua remessa para os revendedores autônomos e posterior distribuição para os consumidores finais, sendo imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade empresarial. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todavia, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 654 9 Pois bem, penso que a Contribuinte tem o direito a manutenção de crédito de PIS e da COFINS nãocumulativos em relação a despesas de frete e transporte de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica"), conforme dispõe os incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Explico: Com efeito, nos termos da lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, as receitas de comercialização dos produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica") estavam expressamente excluídas do regime não cumulativo, de modo que, por modo lógico, a Indústria e a Distribuidora não podiam apurar créditos de PIS/COFINS. Contudo, no ano de 2004, foi publicada a lei nº 10.865/04, que alterou o texto das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, inserindo as receitas de comercialização de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica") no regime nãocumulativo e permitindo, assim, a apuração de créditos. Deste modo, a partir da vigência da lei nº 10.865/2004, as receitas da indústria permaneceram tributadas pelo PIS e pela COFINS, com aplicação das alíquotas de 2,2% e 10,3%, respectivamente, já as receitas das distribuidoras permaneceram tributadas à alíquota zero, existindo previsão legal para apuração de créditos relacionados a comercialização de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ( "monofásica"). Não obstante, a única vedação expressa contida no texto das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, diz respeito a apuração de créditos pela distribuidora sobre o valor do próprio produto sujeito ao regime de tributação concentrada adquirido da indústria para revenda, o que não é objeto de discussão da decisão recorrida. Por outro lado, em 22/12/2004, foi publicada a lei nº 11.033/04, que, no seu artigo 17, dispõe que: " As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". ("monofásica"). Portanto, da leitura do artigo 17 da lei n°11.033/2004, entendo ser passível a manutenção de créditos a serem descontados, de modo que, se for permitido a descontar os créditos, poderão eles ser mantidos, ainda que vinculados a operações de vendas de produtos sujeitos à suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das contribuições ao PIS/COFINS. De toda sorte, voltando a questão fulcral do caso, com o advento da lei n° 10.865/2004, a qual inseriu receitas de comercialização dos produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ( "monofásica") no regime não cumulativo, o legislador ordinário vedou apenas apuração de créditos sobre o valor do próprio produto, ou seja, no caso em espécie, embora, a Contribuinte venda seus produtos sujeitos à alíquota zero, houve a contratação de serviços de transporte para entrega dos produtos, incidindo custos, encargos e despesas incorridas pela distribuidora, o que não integram o custo de aquisição dos produtos sujeitos à tributação concentrada, portanto, passiveis Fl. 658DF CARF MF 10 de manutenção do direito a crédito de PIS e COFINS nãocumultativos sobre o frete e armazenagem, conforme dispõe o inciso IX do artigo 3º da lei nº 10.833/2003, também aplicável ao PIS. Com efeito, a Fazenda Nacional em seu Recurso, sustenta que o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, inicialmente reconhece o direito ao creditamento de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, restringe o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas as revendas de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Com a devida vênia, discordo de tal interpretação, uma vez que além das despesas incorridas com frete nas operações de venda, entendo que tais operações não integram o custo de aquisição dos produtos sujeitos a tributação concentrada, considerando que nos dispositivos legais não constam vedação quanto ao creditamento. Para melhor esclarecer, transcrevo os dispositivos: Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008)(Vide Lei nº 9.718, de 1998) Lei n° 10.833/2003 (aplicável ao PIS não cumulativo) Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 655 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Sem embargo, as revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime nãocumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, penso ser permitido a manutenção dos créditos, conforme dispõe os incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS, acima transcritos, os incisos I e II, do mesmo dispositivo, tratam dos créditos sobre produtos para revenda, e dos bens e serviços utilizados como insumo (inciso II), os quais também concedem créditos nas hipóteses legais permitidas, de acordo com objeto fim de cada atividade empresária. Neste passo, o inciso IX, acima reproduzido, e o art. 3°, das leis 10.637/02 e 10.833/03, permitem o direito a manutenção dos créditos sobre "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". Portanto, da leitura do dispositivo, percebese que se trata de uma regra geral, ou seja, os custos com armazenagem e frete conferem o direito a manutenção do crédito na operação de venda de bens adquiridos para revenda quando suportados pelo vendedor. A regra demonstra quais caminhos devem ser observados quanto a sistemática utilizada, assim, os custos para obtenção de receita auferível incidem com base imponível, o que remete a exceção para os custos relacionados a insumos, aqueles do inciso I (aquisição de mercadorias de produtor sujeito ao regime concentrado) desde já, advirto que se faz necessário interpretar de modo restritivo. Entretanto, nada obstante, não se pode furtar de uma interpretação extensiva, considerando que o legislador determinou sua aplicação em determinados fatos, portanto, a lei, precisamente define as hipóteses de creditamento aquelas contidas nos incisos I e II, o que se inclui o frete e armazenagem. Neste sentido, a Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB) por meio da Solução de Divergência n° 3 COSIT (maio de 2016) e Solução de Consulta n°64 COSIT (maio de 2016) dirimiu qualquer controvérsia quanto ao direito de crédito das pessoas jurídicas atacadistas e varejistas sobre gastos incorridos com frete na revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada ( "monofásica"). Vejamos: "CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS E DESPESAS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Para efeitos do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, desde que sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica da mencionada contribuição podem ser incluídas no cálculo da "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não Fl. 660DF CARF MF 12 cumulativa e a receita bruta total", mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero. Entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, §§ 7º e 8º; Lei 11.033, de 2004, art. 17. ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS E DESPESAS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Para efeitos do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, desde que sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica da mencionada contribuição podem ser incluídas no cálculo da "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total", mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero. Entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada ou monofásica da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; Lei 11.033, de 2004, art. 17. Fica reformada a Solução de Consulta SRRF01/Disit nº 47, de 2009. Fica revogada a Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 22 de fevereiro de 2008". Solução de Consulta n°64 COSIT (maio de 2016): CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS .A SUJEIÇÃO AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA É CONDICIONADA À APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) COM BASE NO LUCRO REAL. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13603.720599/200909 Acórdão n.º 9303007.364 CSRFT3 Fl. 656 13 A partir de 1º de maio de 2004, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação concentrada, tais como a gasolina ou o diesel, incluemse no regime de apuração não cumulativa sempre que o contribuinte apurar o IRPJ pelo lucro real, salvo as exceções previstas no art.10 da Lei nº10.833, de 2003. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CUSTOS, ENCARGOS OU DESPESAS, EXCETO REFERENTES A PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA SUJEITOS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. POSSIBILIDADE. Desde 1º de maio de 2004, não há mais vedação ao desconto de créditos da Cofins, em relação a custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora de produtos sujeitos à tributação concentrada no regime não cumulativo, exceto aqueles decorrentes da aquisição de produtos para revenda sujeitos à tributação concentrada, atendido o disposto nos incisos II a XI e §§ do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, autoriza que os créditos devidamente apurados porventura existentes sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero), não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, art. 4º; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, inciso I; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso I, alínea “b”, e art. 10, incisos II e III; Lei nº 10.865, de 2004, art. 21 c/c art. 53; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: A SUJEIÇÃO AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA É CONDICIONADA À APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) COM BASE NO LUCRO REAL. A partir de 1º de maio de 2004, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação concentrada, tais como a gasolina ou o diesel, incluemse no regime de apuração não cumulativa sempre que o contribuinte apurar o IRPJ pelo lucro real, salvo as exceções previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CUSTOS, ENCARGOS OU DESPESAS, EXCETO REFERENTES A PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA SUJEITOS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. POSSIBILIDADE. Desde 1º de maio de 2004, não há mais vedação ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, em relação a custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora de produtos sujeitos à tributação concentrada no regime não cumulativo, exceto aqueles decorrentes da aquisição de produtos para revenda sujeitos à tributação concentrada, atendido o disposto nos incisos II a XI e §§ do art. 3° da Lei nº 10.833, de Fl. 662DF CARF MF 14 2003. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei nº 11.033, de2004, autoriza que os créditos devidamente apurados porventura existentes sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero), não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, art. 4º; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, inciso I; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso I, alínea “b”, e art. 8º, incisos II e III; Lei nº 10.865, de 2004, art. 21 c/c art. 53; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: É ineficaz a consulta quando versar sobre dispositivo literal da legislação ou quando tiver por objetivo a prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB. DISPOSITIVOS LEGAIS: incisos IX e XIV do art. 18 da Instrução Normativa RFB no 1.396, de 2013". Deste modo, a própria Receita Federal do Brasil reconhece o direito a crédito sobre gastos incorridos com frete na revenda de produtos sujeitos a tributação concentrada ("monofásica"), portanto, indiscutível, o direito da Contribuinte creditarse dos gastos de frete e armazenagem". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902558/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/09/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 04/09/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.902558/2012-69
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930273
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.995
nome_arquivo_s : Decisao_10880902558201269.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880902558201269_5930273.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7529672
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148553814016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.902558/201269 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.995 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente DOW BRASIL SUDESTE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/09/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 58 /2 01 2- 69 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.752, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902558/201269 Acórdão n.º 3302005.995 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101491/2008-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2003
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.434
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2003 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.101491/2008-32
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921605
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.434
nome_arquivo_s : Decisao_11065101491200832.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 11065101491200832_5921605.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7486756
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148558008320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 44 1 43 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101491/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.434 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF Recorrente WEISSHEIMER LOCAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2003 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF — EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES — OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 91 /2 00 8- 32 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11065.101491/200832 Acórdão n.º 1002000.434 S1C0T2 Fl. 45 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.516, de 22/10/2009 (efls. 23 a 27). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435723 (fl.09), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2003, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 12, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11065.101491/200832 Acórdão n.º 1002000.434 S1C0T2 Fl. 46 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11065.101491/200832 Acórdão n.º 1002000.434 S1C0T2 Fl. 47 4 [...] Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 11065.101491/200832 Acórdão n.º 1002000.434 S1C0T2 Fl. 48 5 Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 11065.101491/200832 Acórdão n.º 1002000.434 S1C0T2 Fl. 49 6 E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900083/2013-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.900083/2013-35
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940442
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.296
nome_arquivo_s : Decisao_11080900083201335.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 11080900083201335_5940442.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7551667
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148578979840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 470 1 469 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900083/201335 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.296 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente RUDDER SERVIÇOS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 28947.78811.240608.1.2.039908 em 24.06.2008, efls. 408429, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$27.626,70 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 3º trimestre do anocalendário de 2007, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 83 /2 01 3- 35 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 471 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 400, cientificado a Recorrente em 19.02.2013, efl. 430, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 57.122,37 [...] 57.122,37 CONFIRMADAS [...] 42.877,88 [...] 42.877,88 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.201, de 27.02.2014, efls. 434442: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho. Notificada em 21.05.2014, efl. 447, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.06.2014, efls. 449467, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos expõe que: DA DECADÊNCIA Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 472 3 Se extrai dos documentos já anexados, que se está diante de pedidos de compensação formulados no terceiro trimestre de 2007, decididos e cientificados ao recorrente em 21 de fevereiro de 2013, ou seja, fora do prazo quinquenal previsto na Lei 9.430/96, [...] Há, portanto, decadência a atingir o pretenso crédito tributário em debate. DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não DIRFs de recolhimento, manifestandose nestes termos: [...] Em diversas demandas que espelham situação idêntica a presente, ou seja, pedido de compensação de CSLL e admissibilidade dos registros contábeis do prestador de serviços/recorrente, como meio de prova das retenções, têmse dado acolhimento à pretensão na via judicial. [...] Portanto, a exigência de que a empresa recorrente prove a retenção exclusivamente por meio de um documento, cuja produção cabe ao terceiro é no mínimo teratológica, contrária aos princípios mais elementares, norteadores da nossa Carta Maior. Evidente assim, tratarse de previsão não sistemática, porque proíbe a compensação do imposto/contribuição, legalmente hábil a compensar. Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só, ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, não limitar à utilização de outros documentos ou provas que não o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo de R$14.244,49 (R$57.122,37 R$42.877,88), deverá também ser reconhecido como direito creditório. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 473 4 Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para reconhecer a decadência e, se este não for o entendimento, que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 474 5 pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que tem direito ao reconhecimento da decadência do direito de lançar. A objeção de decadência por ser matéria de ordem pública pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial representativo da controvérsia nº 973.733/SC3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. No presente caso, tratase de exame de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e não de constituição de crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, no contexto do trâmite do contencioso administrativo, ou seja, na fase litigiosa do procedimento, instaurada pela regular apresentação da manifestação de 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://www.conjur.com.br/dl/relatoriovoto resp973733stjrecurso.pdf> .Acesso em: 26 nov. 2018. 4 Fundamentação Legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 475 6 inconformidade, não tem aplicação as determinações do §4º do art. 150 e inciso I do art. 170 do Código Tributário Nacional (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. A partir da notificação, de acordo com as formalidades legais, o crédito tributário já existe não podendo se cogitar do transcurso da decadência. A contestação aduzida na peça recursal, por isso, não pode ser ratificada. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 5. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais6. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 476 7 reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal7. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente9. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período10. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de 7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 10 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 477 8 limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, código ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. Os valores retidos devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Os valores retidos podem ser deduzidos, pelo sujeito passivo, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 28947.78811.240608.1.2.039908 em 24.06.2008, efls. 408429 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 400, em 19.02.2013, efl. 430, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. O código 5952 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004, e versa sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Neste caso, o regime de tributação previsto é no sentido de que os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições em separado, bem como podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 478 9 ocorridos a partir do mês da retenção (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004). Assim, o Per/DComp previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ter como direito creditório a identificação discriminada de cada contribuição (CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep), no caso em que a antecipação superar o valor devido. Na Análise das Parcelas de Crédito Contribuição Social Retida na Fonte, e fls. 401407, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 19399. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.201, de 27.02.2014, efls. 434442, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo da CSLL informado no PER/DCOMP, no valor de R$ 27.626,70, idêntico à DIPJ, foi formado em sua totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 5952, num montante de R$ 57.122,37, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 42.877,886, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 14.244,49, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de CSLL retida na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 479 10 creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. Logo, os demais documentos anexados pela defesa (Notas Fiscais e Livro Razão) não constituem comprovantes de retenção do imposto na fonte, nos termos da legislação de regência. Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 20107, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço. Logo, informações dos comprovantes de rendimento relativas às filiais das empresas envolvidas serão consideradas como concernentes às matrizes. De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte foram observadas, em alguns situações a seguir transcritas, retenções de CSLL na fonte de determinadas fontes pagadoras, informadas no PER/DCOMP, não consideradas no procedimento de análise do crédito, que resultou no despacho decisório em litígio, quando comparadas aos comprovantes de rendimentos anexados: CNPJ EMPRESA VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 04.130.692/000305 Ruah Vehículos Ltda. 210,23 0,00 119,00 0,00 76.535.764/000224 Brasil Telecom S.A. 5.230,17 5.230,17 5.230,17 0,00 TOTAL 0,00 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 480 11 Quanto ao alegado Comprovante de Rendimento da empresa Ruah Vehículos Ltda., CNPJ 04.130.692/000305, ele não foi apresentado, constando apenas a Nota Fiscal/Fatura de serviço. Anotese que, diversamente do que parece alegar, a interessada não trouxe elementos de sua escrituração pertinentes aos lançamentos ora em questão, além de que, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados desde que comprovados por documentos hábeis. Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11080.900083/201335 Acórdão n.º 1003000.296 S1C0T3 Fl. 481 12 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720152/2016-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros.
Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
A Cédula de Crédito Bancário (CCB) e a Cédula de Produto Rural (CPR) são modalidades de título de crédito, prevista em lei, para viabilizar a captação de recursos no mercado, possuindo, desta forma, natureza de empréstimo, não possuindo natureza de rendimentos apto a ensejar a incidência do imposto de renda. Logo, não há como subsistir a presunção de omissão de rendimentos aplicada sobre esses créditos.
Numero da decisão: 2201-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A Cédula de Crédito Bancário (CCB) e a Cédula de Produto Rural (CPR) são modalidades de título de crédito, prevista em lei, para viabilizar a captação de recursos no mercado, possuindo, desta forma, natureza de empréstimo, não possuindo natureza de rendimentos apto a ensejar a incidência do imposto de renda. Logo, não há como subsistir a presunção de omissão de rendimentos aplicada sobre esses créditos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16004.720152/2016-06
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5932266
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.776
nome_arquivo_s : Decisao_16004720152201606.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 16004720152201606_5932266.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7536183
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148603097088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.595 1 2.594 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720152/201606 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201004.776 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrentes ANTONIO CABRERA MANO FILHO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 52 /2 01 6- 06 Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.596 2 despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A Cédula de Crédito Bancário (CCB) e a Cédula de Produto Rural (CPR) são modalidades de título de crédito, prevista em lei, para viabilizar a captação de recursos no mercado, possuindo, desta forma, natureza de empréstimo, não possuindo natureza de rendimentos apto a ensejar a incidência do imposto de renda. Logo, não há como subsistir a presunção de omissão de rendimentos aplicada sobre esses créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e Voluntário de efls. 2416/2581 interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 2342/2371 a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 1074/1079, lavrado em 18/7/2016, relativo ao anocalendário de 2012, com ciência do RECORRENTE em 20/7/2016, conforme AR de fls. 1084. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por omissão de rendimentos decorrente de depósito bancários de origem não comprovada no valor total de R$ 14.037.860,64, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75% Conforme o Relatório Fiscal de fls. 1053/1057, a fiscalização teve como objetivo oferecer ao contribuinte a oportunidade de comprovar a origem das movimentações financeiras demonstradas nos anexos II a IX (fls. 1062/1073), sintetizadas na planilha abaixo: Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.597 3 O contribuinte, apesar de intimado diversas vezes, não logrou em comprovar a origem de todos os depósitos recebidos, remanescendo os seguintes valores pendentes de comprovação: Conforme exposto no Relatório Fiscal, a parte do RECORRENTE corresponde a 50% do total da movimentação financeira, com exceção feita ao Banco HSBC, que sua participação é 100% (o que corresponde ao total de R$ 24.228.959,05), pois as contas correntes são conjuntas com o cônjuge Ângela Cristina Pivotto Cabrera Mano, a quem caberá responder por 50% da movimentação financeira, através do MPF 2016001748, já instaurado. Ante a ausência de comprovação, tais valores foram lançados como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 1110/1173 em 17/8/2016. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 20/07/2016, e, inconformado com o lançamento, apresenta Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.598 4 impugnação, em 18/08/2016 de fls. 1.029/1.131, em que alega, em síntese, que 1 em preliminar, arguise, com fundamento no art. 5, inciso LVI, c.c. incisos X e XI, do mesmo artigo, ambos da Constituição Federal, a nulidade do Auto de Infração MPF nº 08.1.07.00 2014009415 (fls. 1053/1081), em razão de sua lavratura baseada em prova obtida por meio ilícito, isto é, a quebra do sigilo bancário do Impugnante pela Receita Federal foi efetivada sem ordem judicial; 2 com fulcro nos arts. 11, c.c. 10, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/72, requer a nulidade do Auto de Inf ração MPF nº 08.1.07.002016001748 (fls. 989/998), em face de sua lavratura prematura, isto é, quando ainda se achavam em trâmite diligências, a fim de dar total esclarecimento aos fatos e assim atender ao que havia sido solicitado pelo Sr. Auditor Fiscal, portanto, tornandose incerto e impreciso os fatos narrados, e, por consequência, acarretandose o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, ex vi do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, motivo pelo qual requerse seja reconhecida a sua inteira nulidade e determinado o arquivamento do presente processo; 3 face o procedimento de fiscalização em curso, e a lavratura abrupta do Auto de Infração sob comento, a Impugnante foi tomada de surpresa, sofrendo abalo psíquico, pois seus negócios se desestabilizaram/comprometeram (toda a programação elaborada quanto à localização de documentação e atendimento de notificação caiu por terra). Nem se argumente que, por lhe ser conferido o direito defesa com relação ao Auto de Infração lavrado, a presente arguição de nulidade estaria suprida, tendo em vista que em curtíssimo espaço de tempo de 30 (trinta) dias para preparar documentos, e, ao mesmo tempo, formular sua impugnação, nem é possível diligenciar como se diligenciaria com a presteza necessária (em casos dessa magnitude), conforme no processo de fiscalização em curso; 4 é “conditio sine qua non” para a caracterização como omissão de receita ou de rendimento passível de tributação a não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados em operações de depósito ou de investimento junto a instituição financeira, salientese, situação essa jamais ocorrida “in casu”. Nessa seara, sem deixar de se reportar ao que consta do Auto de Infração – Constatação de Irregularidade Fiscal, mais especificamente aos DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS, onde consta informações tais como conta conjunta ou de titular, banco, agência, nº de conta, data, histórico do lançamento, valor do crédito “não comprovado”, e observações, a Impugnante se socorre de substanciosa documentação que conseguiu arregimentar a fim de provar a intributabilidade dos citados recursos; Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.599 5 5 o Senhor Auditor Fiscal analisando a situação interpretou os recursos que entraram na conta bancária da Impugnante como recursos de mão única, pois, teriam somente entrado no patrimônio da Impugnante, quando, na verdade, dizem respeito a recursos de mão dupla, pois, além de terem entrado também saíram do patrimônio da Impugnante, cuja pretensão de tributá los configura verdadeiro “bis in idem”; 6 por um motivo ou por outro, existiram momentos em que ditos recursos entraram na conta bancária da Impugnante (quando para ressarcir o pagamento anterior de obrigações preestabelecidas e/ou fazer frente a empréstimos efetivados/tomados), e em outros momentos saíram (quando para pagar obrigações preestabelecidas e/ou suportar empréstimos efetivados/tomados); 7 contas correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e a empresa CALPARÁ EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO LTDA., CNPJ. 05.630.609/000168, com contrato social e alterações registrados na JUCEPA, sob nº 15.200832339, em sessão de 09/05/2003, sediada na Fazenda Santa Fé, s/nº, Zona Rural, na cidade de Santana do Araguaia, Estado do Pará, CEP. 68.560000, empresa essa que a Impugnante é sócia detendo 70% (trinta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores reembolsados por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados/tomados), no valor total de R$ 1.463.201,26, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores que foram utilizados pelo Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa), no valor total de R$ 3.174.587,26; [fls. 1277/1438] 8 contas correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e a empresa CALTAREM EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO E BRITA LTDA., CNPJ. 06.751.094/000117, com contrato social e alterações devidamente registrados na JUCEPA, sob nº 15200872110, em sessão de 19/07/2004, sediada na Localidade de Serra Tajuri, snº, Gleba Mulata, na cidade de Monte Alegre, Estado do Pará, CEP. 68.220000, da qual a Impugnante é sócia detendo 60% (quarenta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores que foram reembolsados ao Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados/tomados), no valor total de R$ 961.710,29, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores que foram utilizados pelo Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da mencionada empresa, como suprimento de caixa) , no valor total de R$ 964.718,00; [fls. 1439/1506] Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.600 6 9 Contas Correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e a empresa CABRERA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS AGROPECUARIOS LTDA., CNPJ. sob nº 03.927.457/0001 34, com contrato social e alterações registrados na JUCEPAR, sob nº 41204375375, em sessão de 17 de julho de 2000, sediada na Rua Forel, nº 269, Vila Maria Otilia, Bairro Oficinas, na cidade de Ponta Grossa, Estado do Paraná, CEP. 84.043465, da qual a Impugnante é sócia detendo 70% (trinta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes também contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores que foram reembolsados ao Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da retro mencionada empresa e/ou para fazer f rente a empréstimos efetivados/tomados), no valor total de R$ 107.800,00, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores utilizados pelo Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa), no valor total de R$ 0,00; [fls. 1507/1521] 10 contas correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e a empresa AAA LOGISTIC DO BRASIL LTDA. EPP, CNPJ. sob nº 04.270.356/000104, com contrato social e alterações registrados na JUCESP, sob nº 35216731398, em sessão de 29 de janeiro de 2001, sediada na Rua Piratininga, nº 335, Bairro do Brás, na cidade de São Paulo, Capital, CEP. 03.042001, cujo Contas Correntes também contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores reembolsados ao Impugnante por conta de empréstimos efetivados a referida empresa), no valor total de R$ 27.060,00, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores utilizados pelo Impugnante para efetivação de empréstimos a referida empresa), no valor total de R$ 27.600,00; [fls. 1522/1546] 11 contas correntes ( incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e seu irmão MAURÍCIO CARVALHO CABRERA MANO, CPF. sob nº 025.877.31895, residente na Rua San Francisco, nº 144, Condomínio Débora Cristina, nesta cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, cujo Contas Correntes contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores reembolsados ao impugnante por conta de empréstimos efetivados a referida pessoa e/ou para fazer f rente a empréstimos tomados), no valor total de R$ 148.000,00, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores utilizados pelo Impugnante para efetivação de empréstimos a referida pessoa), no valor total de R$ 0,00; [fls. 1547/1551] 12 contas correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e seu irmão BENHUR CARVALHO CABRERA MANO, CPF. nº 101.960.04896, residente e domiciliado na Avenida Estados Unidos, nº 500, Condomínio Débora Cristina, nesta cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, cujo Contas Correntes contém os lançamentos “a Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.601 7 débito” (representativos dos valores reembolsados ao impugnante por conta de empréstimos efetivados a citada pessoa), no valor total de R$ 300.000,00, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores que foram utilizados pelo Impugnante para efetivação de empréstimos a citada pessoa), no valor total de R$ 164.974,98; [fls. 1552/1557] 13 contas correntes (incluso dos documentos que dão respaldo), envolvendo o impugnante e seu cunhado JOÃO JOSÉ BARRETO HERNANDES, CPF. sob nº 037.781.87805, residente e domiciliado na Rua Escócia, nº 50, Condomínio Débora Cristina, nesta cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, cujo Contas Correntes contém os lançamentos “a débito” (representativos dos valores reembolsados ao Impugnante por conta de empréstimos efetivados a mencionada pessoa), no valor total de R$ 1.946.029,67, bem como os lançamentos “a crédito” (representativos dos valores que foram utilizados pelo impugnante para efetivação de empréstimos a mencionada pessoa), no valor total de R$ 357.182,00; [fls. 1558/1566] 14 a soma dos valores acima que constam como lançamentos “a débito”, isto é, R$ 1.463.201,26 + R$ 961.710,29 + R$ 107.800,00 + R$ 27.060,00 + R$ 148.000,00 + R$ 300.000,00 + 1.946.029,67, perfaz o montante de R$ 4.953.801,22, cuja metade equivalente a R$ 2.476.900,61, no tocante à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada prevista no Auto de Infração lavrado, deve ser excluída do valor apurado da infração no montante de R$ 24.101.817,74, enquanto que a outra metade no valor de R$ 2.476.900,61, à vista do regime da comunhão parcial de bens, entre os cônjuges, igualmente deve ser excluída do valor apurado da infração no montante de R$ 24.228.959,07; 15 asseverese que cada valor de lançamento, data, nº de conta, agência e banco correspondente às operações que compõe o dito montante de R$ 4.953.801,22, objeto do lançamento “a débito” nos Contas Correntes, considerados de “per se”, coincide com cada valor de lançamento, data, nº de conta, agência e banco constante dos DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS; 16 não é crível deixar de excluir do valor apurado da infração no montante de R$ 24.228.959,07, a sobredita metade equivalente a R$ 2.476.900,61, cuja origem ora é comprovada, com a consequente exclusão do cálculo do imposto, juros e multa constante do Auto de Infração ora impugnado, sob pena de atentado contra o princípio da verdade material ou real; 17 em face tãosó do sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil, haver recepcionado a informação originada do BANIF Banco de Investimento Brasil S/A., através das declarações sob nºs 14772 e 15296, em 05 de fevereiro de 2013, relativas aos 1º e 2º semestres de 2012, dando conta das informações envolvendo o impugnante, a título de débito, no montante de R$ 2.828.934,25, e, a título de crédito, no montante Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.602 8 de R$ 37.986.128,84, quando já estava de posse das informações prestadas, através da Carta Resposta datada de 06 de maio de 2016, as quais vieram a ser complementadas pela Carta Resposta datada de 01 de julho de 2016, a fiscalização entendeu de tributar, pelo Imposto de Renda da Pessoa Física, à alíquota de 27,5%, o montante de R$ 37.986.128,84, a título de crédito, por entendêlo inserido no contexto de depósitos bancários de origem não comprovada, carreando mencionado ônus tributário proporcionalmente para a Impugnante; 18 em que pese esse posicionamento da fiscalização, o certo é que tal montante de R$ 37.986.128,84, afigurase totalmente intributável pelo imposto de renda, posto refugir do contido no art. 42, “caput”, da Lei nº 9.430/1996; 19 o valor de R$ 37.986.128,84 foi todo ele destinado a amortizar dívidas da Impugnante, junto ao BANIF, objeto de diversas CPAs; 20 é evidente que não se tem como tributar o montante de R$ 37.986.128,84, inclusive, porque comprovado que se trata de operações totalmente vinculadas a atividade rural, com a destinação dos recursos oriundos dessas operações voltados para o âmbito rural, como requisitado pelos itens 3 e 4 do Termo nº 20 – Constatação e Reintimação Fiscal (Doc_Comprobatórios 0031 a 0038), o que, sem sombras de dúvidas, o deixa completamente fora da incidência do ar t. 42, “caput”, da Lei nº 9.430/1996; 21 corroborando as mencionadas assertivas, a Impugnante toma a liberdade de trazer para o bojo do presente processo digital, as cédulas de produto rural financeiraCPAs., e os respectivos aditamentos, comprobatórias de liberações do ano de 2012 e endividamento de anos anteriores e posteriores, as quais versam sobre a presente impugnação no que pertine à descabida pretensão de tributação do valor de R$ 37.986.128,84, envolvendo o BANIF; [vide fls. 1569/2135] 22 como se vê do Auto de Infração lavrado, e seu respectivo Termo Constatação de Irregularidade Fiscal, almeja a fiscalização tributar, pelo Imposto de Renda da Pessoa Física, à alíquota de 27,5%, o montante de R$ 804.128,00, com a finalidade de carrear a Impugnante mencionado ônus tributário; 23 a fiscalização, sponte propria, entendeu por bem reconhecer como totalmente idônea e, por conseguinte, totalmente comprovada, tanto que as fez constar da relação das receitas declaradas (não sujeitas à tributação), excluindoas da relação das receitas não declaradas, o montante no valor de R$ 804.128,00. A esse respeito, conferirse, também, a Planilha de Recebimentos, envolvendo Senhor Osmar Lorenzato, concernente à venda de equipamentos agrícolas, bem como os lançamentos efetivados às fls. 23, 26, 42, 54, 56, 57, 58, 63, 70, 86, 91, 94 e 100, do LivroCaixa da Atividade Rural – Ano Calendário 2012; [fls. 2136/2197] Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.603 9 24 como se vê do Auto de Infração lavrado, e seu respectivo Termo, também pretende a fiscalização tributar, pelo Imposto de Renda da Pessoa Física, à alíquota máxima de 27,5%, o montante de R$ 1.928.163,07, com o fito de carrear a Impugnante mencionado ônus tributário; 25 a realidade é que versa sobre a venda de cabeças de animais, da raça anelorada, perante a pessoa física de AUGUSTINHO FREITAS MARTINS, brasileiro, casado, agropecuarista, RG. n.º 00488216 SEISP 4 e CPF. n.º 174.070.44104, residente na Rua Ponce de Arruda, 1565, centro, CEP. 78.700260, na cidade de Rondonópolis (MT), cuja venda de cabeças de animais o recebimento se efetivou por adiantamento, uma parte, junto ao próprio adquirente suso dito, correspondente ao montante de R$ 3.197.802,13, e, outra, perante terceiros (por indicação do próprio adquirente), correspondente ao montante de R$ 658.524,00; 26 nesse ponto, conferirse documentação pertinente, tais como planilha de recebimentos, acompanhada de documentos de transferência interbancária, comprovantes de depósitos/transferências, etc.;[fls. 2198/2259] 27 a lei não pode exigir o impossível, o irrazoável na produção da prova crível, eis que a prova não se produz por questão de força contrária a parte que a quer provar. Com isso, a doutrina e a jurisprudência se amoldaram para a realidade da prova diabólica, que é uma teoria que pugnava pela flexibilidade das regras de ônus da prova, com a finalidade de admitir peculiaridades na distribuição de ônus da prova, a depender do caso concreto; 28 no procedimento fiscal tributário para haver autuação, com base em depósito bancário, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; 29 depósito bancário, mesmo após o advento da Lei nº 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica; 30 esclarece, ainda, que a matéria impugnada, com exceção da quebra do sigilo bancário pela Receita Federal, sem autorização judicial, não foi submetida à apreciação judicial (art. 16, incisos IV e V, do Decreto nº 70.235/72). Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.604 10 Das Petições Antes do julgamento da impugnação pela DRJ, o contribuinte apresentou petição de fls. 2315/2325 requerendo a juntada de novas provas, qual seja, a correspondência do banco BANIF de fls. 2326/2327. Nesta oportunidade, requereu também a conversão do julgamento em diligência. Além disso, requer também que o feito seja sobrestado até a questão do “bônus de eficiência” ser definitivamente resolvida pelo Poder Judiciário. Esta matéria também é objeto do Recurso Voluntário do contribuinte. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 2342/2371) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Tendo optado pelo Poder Judiciário para o exame da questão referente à obtenção dos extratos bancários pela Receita Federal independentemente de autorização judicial, o contribuinte renunciou à via administrativa, razão pela qual não se conhece da contestação presente na impugnação relativa a essa questão. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. Os princípios do contraditório e da ampla defesa não se aplicam ao procedimento fiscal, fase que antecede a lavratura do auto de infração, por se tratar de mero procedimento administrativo de verificação de irregularidades tributárias. Todos os direitos constitucionais garantidores do devido processo legal podem ser exercidos na sua plenitude após instaurado o contencioso administrativo por meio da apresentação da impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.605 11 lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses créditos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. A comprovação de empréstimos é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento. No caso de empréstimos entre pessoa jurídica e pessoa física (sócio), necessária a apresentação dos livro contábeis com a correspondente escrituração do fato. FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS CÉDULA DE PRODUTO RURAL E CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM COMPROVADA. Restando comprovado nos autos que parte do crédito bancário de origem não comprovada que compôs o total da presunção de omissão de rendimentos tratase de financiamentos bancários formalizados pela emissão de Cédulas de Produto Rural e Cédulas de Crédito Bancário, mormente quando as emissões tinham como objetivo apenas alterar as datas de vencimento e atualizar os saldos, esses valores devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. DEPÓSITOS BANCÁRIOS RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Para fins de comprovação de origem dos créditos bancários, a alegação de tratarse de receitas advindas da atividade rural deve ser acompanhada de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. ADITIVO À IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O PRAZO REGULAMENTAR PRECLUSÃO. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias a contar da data em que o contribuinte for intimado da exigência. Novas impugnações ou aditivos à primeira, apresentados após o prazo de trinta dias, não devem ser conhecidos por ocorrida a preclusão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.606 12 Preliminarmente, a DRJ decidiu que as contas correntes conjuntas ensejam a presunção da omissão de rendimentos no montante de 50% para cada titular. Desta forma, o lançamento foi reduzido em 50%. No mérito, entendeu pela procedência parcial dos argumentos do contribuinte, especificamente em relação aos créditos efetuados no BANIF, haja vista que o mesmo logrou em comprovar a origem do montante de R$ 18.993.064,42 (correspondente a 50% de 37.986.128,84), relativo às cédulas de produto rural e de crédito bancário. Por fim, entendeu por acolher o argumento do contribuinte quanto a equívocos no lançamento, que considerou no mês de agosto/2012 o total de R$ 528.157,59, quando o correto seria de R$ 201.716,19 e em setembro/2012 o montante de R$ 183.338,32, ao invés de R$ 232.054,11. Assim, foi excluído da base de cálculo o valor de R$ 138.862,91 (correspondente a 50% R$ 277.725,81). Quanto aos demais objetos do lançamento, entendeu a DRJ pela improcedência dos argumentos aduzidos pelo contribuinte em sua impugnação, rebatendoos individualizadamente. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 10/5/2017, através do AR de fls. 2385, apresentou o recurso voluntário de fls. 2416/2581 em 13/6/2017. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, além de alegar a nulidade parcial do julgamento em razão do impedimento do auditorfiscal julgador. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO Em virtude da exoneração parcial do crédito tributário, reduzido de R$ 14.037.860,64 para R$ 2.437.059,36, foi interposto recurso de ofício. Preliminarmente devo apontar que o recurso de ofício preenche condições de admissibilidade, posto que, atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.607 13 Desta forma, analisarseá os fundamentos do acórdão que culminaram em exoneração do crédito, quais sejam: (i) a comprovação de origem dos depósitos relativos as cédulas de produto rural e de crédito bancário no montante de R$ 18.993.064,42; e (ii) a ocorrência de equívocos no lançamento, que considerou no mês de agosto/2012 o total de R$ 528.157,59, quando o correto seria de R$ 201.716,19 e em setembro o montante de R$ 183.338,32, ao invés de R$ 232.054,11. Mérito 1. Depósitos Bancários Sem Origem Comprovada Foi lançado o imposto de renda relativo a depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade do RECORRENTE, ao longo do ano de 2012. Durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado para a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos/depósitos ocorridos em suas contas bancárias. Em resposta, o RECORRENTE juntou os documentos que comprovaram a origem de aproximadamente 31,6% do montante, reduzindo a base de cálculo do lançamento de R$ 70.306.967,88 para R$ 48.330.776,82, nos termos do relatório fiscal de fls. 1059. Em que pese a autoridade fiscal ter reconhecido a procedência de alguns dos depósitos, o fisco procedeu com a lavratura do auto de infração dos depósitos não comprovados. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.608 14 Portanto é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deve apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Neste sentido, entendeu a DRJ que a documentação apresentada pelo contribuinte foi suficiente para comprovar a origem dos depósitos relativos as cédulas de produto rural e de crédito bancário no montante de R$ 37.986.128,84, rateado na proporção de 50% para cada titular da conta, comprovando a origem de R$ 18.993.064,42 do presente lançamento. Pois bem, os depósitos com origem comprovada foram retirados do Extrato de Renda Fixa de fls. 530/534, bem como do demonstrativo constante do anexo IX. (fls. 920). De plano, constatase que se tratam de créditos identificados com a sigla CPA. Analisando o extrato de renda fixa de fls. 530/534, contatase que, além da sigla CPA, os créditos possuem natureza de CPR Financeira. Nos termos do acórdão recorrido, “inferese do extrato que CPA e VDA significam, respectivamente, compra e venda das Cédulas de Produto Rural (CPR) e Cédulas de Crédito Bancário (CCB).” A Cédula de Crédito Bancário (CCB), introduzida no ordenamento jurídico brasileiro através da MP 1.925/99, convertida na Lei 10.931/04, é uma modalidade de título de crédito de forma cartular (em papel) ou escritural, em favor de uma instituição do Sistema Financeiro Nacional, representando uma promessa de pagamento, em dinheiro, decorrente de operação de crédito de qualquer modalidade. Nesse sentido dispõe o art. 28 da Lei nº 10.931/2004: Art. 28. A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial e representa dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma nela indicada, seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta corrente, elaborados conforme previsto no § 2o. Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.609 15 Por sua vez, a Cédula de Produto Rural (CPR) é um título de crédito no qual o devedor se compromete a entregar produtos rurais em garantia a obrigação constituída. Tal modalidade de crédito foi instituída pela Lei 8.929/1994. Vêse, que ambas as rubricas são, em verdade, títulos de crédito para viabilizar a captação de recursos no mercado, possuindo, desta forma, natureza de empréstimo. Correta, portanto, a conclusão da DRJ: Logo, não há como subsistir a presunção de omissão de rendimentos aplicada sobre esses créditos, conforme lançamento. Identificados os créditos como formas de financiamento, não só encontrase comprovada a sua origem, assim como a natureza de rendimento não tributável. Como cediço, empréstimos não possuem natureza de rendimentos, apto a ensejar a incidência do IR, posto que sua concessão é vinculada ao pagamento do valor do principal acrescido dos encargos financeiros. Desta toada, o empréstimo, por si só, pode até significar um aumento do patrimônio do contribuinte, porém esse aumento é proveniente de recursos de terceiros. Em verdade, o empréstimo contraído deve ser visto como passivo e não como receita. Nos casos dos empréstimos para atividade rural, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 83/2001, os encargos financeiros decorrentes destas modalidades de empréstimo para financiamento e custeio da atividade rural podem ser deduzidos na apuração do resultado como despesas da atividade rural: Art. 16. Os encargos financeiros efetivamente pagos em decorrência de empréstimos contraídos para o financiamento de custeio e de investimentos da atividade rural podem ser dedutíveis na apuração do resultado. O CARF possui entendimento firme de que contratos de mútuo (modalidade de contrato de empréstimo) não são receitas tributáveis: MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no património do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuia recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 1 061283 6 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO – MÚTUO. empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) Nesse sentido, por equiparação, os empréstimos contraídos juntos a instituições financeiras também não podem ser interpretados como receitas. Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.610 16 Portanto, deve ser mantida a decisão da DRJ neste ponto. 2. Dos equívocos do lançamento. Outra matéria objeto do recurso de ofício foi a equívoco de valores apresentados no lançamento relativos aos meses de agosto e setembro de 2012, na medida em que considerou o valor total de R$ 201.716,19 e R$ 232.054,11 nos referidos meses em substituição aos valores de R$ 528.157,59 e R$ 183.338,32, respectivamente. Basta proceder com a soma algébrica dos valores indicados no anexo VIII (fls. 644) do auto de infração para constatar que, de fato, ocorreram equívocos que implicaram em majoração do lançamento em desfavor ao contribuinte. Desta forma, a retificação dos cálculos é medida que se impõe. Correto o entendimento da DRJ de afastar o lançamento sobre a quantia excedente, fruto, unicamente, de erro de cálculo da autoridade lançadora. Sendo assim, entendo por manter também este ponto do acórdão recorrido e, consequentemente, negar provimento ao Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINAR Apesar do Recurso Voluntário do contribuinte possuir 165 páginas, percebe se que são estes os pontos atacados pelo contribuinte: (i) nulidade parcial do acórdão recorrido em razão do impedimento do auditorjulgador (fls. 2424); (ii) a possibilidade de apresentação de provas em recurso voluntário (fls. 2465); (iii) a não omissão de rendimentos (fls. 2489); (iv) que as intimações sejam efetuadas nas pessoas dos seus advogados (fls. 2579).. Desta forma, analisarseá os argumentos do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. 1. Da nulidade parcial do acórdão Alega o RECORRENTE a nulidade do acórdão da DRJ, pois participou do julgamento o servidor Otávio Cipriani, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, matrícula Siapecad nº 65.024. Aduz o contribuinte que o Auditor estaria impedido de participar do julgamento, em razão do chamado bônus de eficiência, instituído pela MP nº 765/2016, convertida na Lei nº 13.464/2017. Destarte, impende esclarecer que não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343, de 2015), a saber: Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.611 17 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, este órgão não é competente para analisar a constitucionalidade do bônus de eficiência instituído pela MP nº 765/2016, convertida na Lei nº 13.464/2017. Pois bem, analisarseá a questão do impedimento. Nos termos do art. 3º da Portaria MF nº 341/2011, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, o julgador da DRJ será sempre ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Portanto, apesar do RECORRENTE ter direcionado o impedimento para um julgador em específico, o que ele pretende, em verdade, é declarar a nulidade de todos os julgamentos de primeira instância do processo administrativo fiscal Brasileiro. Pretensão, no mínimo, desarrazoada. Entendo que não merecem prosperar os argumentos do contribuinte. Sobre o tema, adoto como fundamento deste voto a manifestação proferida pelo ilustra Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim, da 3ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, no acórdão nº 3201002.508: 2) IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS INDICADOS PELA FAZENDA, POR CONTA DO BÔNUS DE EFICIÊNCIA PREVISTO NA MP Nº 765/2016. Foi suscitado pela Recorrente o impedimento dos Conselheiros indicados pela Fazenda, em razão do bônus de eficiência previsto na MP nº 765/2016. Em razão da arguição de impedimento aduzida pelo patrono da contribuinte por ocasião do julgamento deste processo, ao argumento de que nós, Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, estaríamos impedidos de atuar no presente julgamento, fazse necessário juntarse aos autos a presente manifestação, nos termos do art. 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, haja vista que não reconhecemos tal impedimento. A arguição foi motivada pela publicação da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, cujo art. 5º prevê um Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil, nos seguintes termos: Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.612 18 Art. 5o Ficam instituídos o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. § 1o O Programa de que trata o caput será gerido pelo Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, nos termos a serem definidos em ato do Poder Executivo federal. § 2o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será definido pelo Índice de Eficiência Institucional, mensurado por meio de indicadores de desempenho e metas estabelecidos nos objetivos ou no planejamento estratégico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Ato do Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil será editado até 1o de março de 2017, o qual estabelecerá a forma de gestão do programa e a metodologia para a mensuração da produtividade global da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fixará o Índice de Eficiência Institucional. § 4o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975: I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4o da Lei n o 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5o do art. 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. § 5o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira a ser distribuído aos beneficiários do Programa corresponde à multiplicação da base de cálculo do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira pelo Índice de Eficiência Institucional. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.613 19 § 6o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não poderá ultrapassar o valor da base de cálculo de que trata o § 4o .[...] (...) É importante destacar, ainda, que ao Processo Administrativo Fiscal aplicase o Decreto nº 70.235, de 1972 e, somente em caráter subsidiário, a Lei nº 9.784, de 1999, cujo art. 69 traz disposição expressa nesse sentido: "Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." E o Decreto nº 70.235, de 1972, remete ao Regimento Interno do CARF, a disciplina do seu julgamento, nos termos do art. 37, verbis: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Todavia, ainda que se entenda ser possível interpretação diversa aquela conferida por meio da Portaria CARF nº1, de 2017, é oportuno esclarecer que o bônus de eficiência, tal como regulamentado por meio da Portaria RFB nº 31, de 18 de janeiro de 2017, ainda que precariamente, posto que será submetido ao Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, somente será devido se a Secretaria da Receita Federal do Brasil atingir as metas constantes do Anexo II. Para tanto, será necessário que os indicadores de 1 a 8, que não são atrelados à arrecadação, sejam positivos. Consoante a fórmula trazida no §2º do art. 2º, a arrecadação somente influenciará o fator de multiplicação F (Indicador 9), o qual, por sua vez, será multiplicado pela somatório de todos os demais indicadores, de onde se conclui que, se a soma não for positiva, ou, em outras palavras, se os demais indicadores de eficiência e produtividade não foram atingidos, o indicador representativo da arrecadação será multiplicado por “zero”, resultando, por conseguinte, em um bônus igual a zero. Entretanto, ainda que todos esses argumentos até então aduzidos estivessem superados, considerase oportuno registrar que nós, na condição de julgadores representantes da Fazenda Nacional, ora signatários da presente manifestação, entendemos não estar impedidos porque sempre nos vimos julgando de acordo com o melhor direito, pautado na imparcialidade que a própria condição de julgador nos impõe. Nesse sentido, e com a devida vênia aos que aduziram o nosso impedimento, entendemos ser necessário colocar e analisar os cenários possíveis decorrentes da presente problemática: Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.614 20 Pois bem, para levantamento desses cenários possíveis, devemos considerar que: (a) a multa lançada pode ser (i) indevida ou (ii) devida e (b) no julgamento, essa multa pode ser (i) mantida ou (ii) cancelada. Dessa forma, por análise combinatória, concluímos que os cenários possíveis são: I. multa indevida mantida; II. multa indevida cancelada; III. multa devida mantida; e IV. multa devida cancelada. A seguir, analisaremos em separado cada um desses quatro possíveis cenários. O primeiro cenário, de multa indevida mantida, é justamente aquele que aparentemente tem apelo. Poderseia pensar que o conselheiro julgaria como devida uma multa indevida para aumentar a base de cálculo do bônus e, assim, aumentar sua parcela no bônus futuramente devido. Entretanto, esse pensamento é equivocado porque não considera dois pontos essenciais: a verdadeira natureza do julgamento administrativo, uma revisão de legalidade do lançamento, que é facultativa e sujeita à palavra final do Poder Judiciário; e que a base de cálculo do bônus de eficiência não é a multa mantida administrativamente, mas sim a multa efetivamente devida, aceita, conformada e recolhida. Na verdade, todo crédito tributário mantido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, antes de ser recolhido, pode ser questionado no Poder Judiciário, em ação própria ou em sede de embargos à execução. E o Poder Judiciário é que tem a palavra final, é ele quem diz se a multa era efetivamente devida ou indevida. A palavra do Poder Judiciário é superior ao julgamento administrativo, podendo reformálo e, inclusive, dentro das regras legais e regimentais, vincular todos os julgamentos administrativos futuros. Nesse caso, se o Poder Judiciário efetivamente decidir que uma multa mantida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal era indevida, não haverá qualquer possibilidade de seu valor influenciar a base de cálculo do bônus de eficiência. Ao contrário, essa situação ensejaria ônus da sucumbência. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.615 21 E o mais importante, esse diálogo com o Poder Judiciário sinaliza o critério a ser utilizado administrativamente em situações equivalentes. Portanto, como a multa administrativamente mantida e considerada indevida pelo Poder Judiciário não é a multa efetivamente recolhida, fica aqui afastada para esse primeiro cenário, a alegação de interesse indireto e, consequentemente, de impedimento do conselheiro fazendário. Passamos agora à análise do segundo cenário, de multa indevida cancelada. Ora, uma multa indevida e cancelada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, por óbvio não aumentaria a base de cálculo do Bônus de Produtividade, o que afasta também nesse cenário qualquer possibilidade de impedimento. O terceiro cenário, de multa devida mantida, é o que a sociedade espera da atuação do Estado, das autoridades tributárias e de todos os julgadores administrativos, sejam eles representantes da Fazenda Nacional, sejam eles representantes dos contribuintes: a aplicação correta da legislação. Todavia, nessa situação, para o caso de o sujeito passivo entender que a multa seria por acaso indevida, caberia a discussão junto ao Poder Judiciário, o que torna aqui aplicáveis todas as explicações já apresentadas para o primeiro cenário. Portanto, também não se pode alegar que, nesse cenário, falar seia de parcialidade e consequentemente de impedimento. Por fim, o quarto cenário, de multa devida cancelada, é o cenário que toda a sociedade quer evitar. Uma multa que pudesse ser considerada devida pelo Poder Judiciário, em face da legislação, e que fosse, entretanto, cancelada no âmbito administrativo caracteriza crédito tributário teoricamente devido, porém definitivamente perdido, porque, nesse caso, a decisão administrativa (ainda que equivocada) é definitiva, por não ter a União legitimidade para recorrer ao Poder Judiciário contra decisão administrativa, salvo que seja provada máfé, por corrupção. Esse cenário, sim, é desencorajado pelo bônus de eficiência. Mas esse cenário é ilegal, além de não interessar à sociedade e, conseqüentemente, ao Estado, aos bons contribuintes ou até mesmo aos conselheiros. Na verdade, esse cenário somente interessaria ao sonegador e àqueles que viessem a lucrar com a sonegação perpetrada. Aliás, situações relacionadas a esse cenário foram apontadas pelo que se depreende do que foi publicado na imprensa ao longo dos anos de 2015 e 2016 na chamada operação "Zelotes". Ora, não se pode dizer que um mecanismo que inibe o erro e a corrupção venha a ser motivo de impedimento de atuação do Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.616 22 conselheiro. Portanto, afastase aqui, para esse cenário, também, a possibilidade de impedimento. Enfim, para todos os cenários possíveis: a multa é devida ou indevida em face da legislação e não da vontade do conselheiro; e independentemente de sua vontade, nenhuma multa que o interessado considere indevida será recolhida sem que a ele seja assegurada a possibilidade de discussão junto ao Poder Judiciário. Pelo que se encontra exposto acima, resta claro que não há interesse do conselheiro, seja direto ou indireto, na multa por ele julgada. Confirmando a conclusão acima, cabe olhar mais uma vez para o passado e perquirir como aqueles que nos antecederam analisaram a situação sobre a qual agora nos debruçamos. Isso porque a presente situação é ontologicamente idêntica àquela que vigiu por mais de uma década nos Conselhos de Contribuintes, entre o início de 1989 e meados de 1999, quando a remuneração dos então AuditoresFiscais do Tesouro Nacional era composta pela RAV Remuneração Adicional Variável. A RAV, instituída pela Lei n° 7.711, de 1988, era calculada sobre o produto da arrecadação de multas em função da eficiência individual e plural da atividade fiscal. O valor dessa RAV foi limitado, inicialmente, ao valor do soldo do Almirante de Esquadra e, posteriormente, a 8 (oito) vezes o valor máximo do vencimento do AuditorFiscal e o valor da RAV devida aos conselheiros era o valor médio devido aos demais AuditoresFiscais. Ora, em tudo a RAV se assemelhava ao atual Bônus de Eficiência: a base era a mesma (produto de multas arrecadadas); o critério era o mesmo (eficiência da atividade fiscal); os limites eram equivalentes, valores máximos de soldos ou vencimentos (atualmente o limite é o vencimento de Ministro do Supremo Tribunal Federal); e o Regimento Interno vigente à época tinha dispositivo de impedimento equivalente. Entretanto, durante todo o período da RAV, nunca foi sequer apontado um caso concreto de parcialidade por interesse direto ou indireto, nem discutido o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, em função dessa remuneração. No entendimento deste conselheiro, a inexistência desse questionamento se deve ao fato de os que nos antecederam terem feito a análise de cenários aqui apresentados e visualizado a inocorrência de interesse direto ou indireto dos conselheiros na multa em julgamento. Mais do que isso, não há registro, durante esse período, de aumento de multas indevidas mantidas administrativamente. Portanto, a história confirma a análise aqui realizada e corrobora a inexistência de qualquer interesse direto ou indireto do conselheiro fazendário na multa em julgamento. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.617 23 Aliás, se fosse possível inferir tal interesse, caberia arguir impedimento em qualquer julgamento acerca de exigências de crédito tributário promovido por funcionários públicos, quer em sede de processo administrativo ou judicial, vez que os tributos arrecadados são a principal fonte de recursos a assegurar a remuneração dos servidores públicos. Ainda, a título de reforço, cumpre fazer referência a outros tribunais administrativos que, em 22 Estados Membros da Federação, também remuneram seus agentes com base na eficiência da fiscalização e arrecadação tributárias, sem que isso implique impedimento para o julgamento administrativo dos lançamentos de ofício. Nesse sentido, convém trazer à tona o modelo do Estado de Pernambuco, onde se tem um Tribunal Administrativo autônomo, composto por julgadores concursados especificamente para tal fim, ou seja, sequer há paridade nos termos do CARF e, a despeito disso, não há diferença entre AuditorFiscal e Julgador, pois ambos os cargos recebem, entre outros valores, um bônus de 30% da arrecadação de multas (dividido por todos os auditores e julgadores, incluindo aposentadorias e pensões). Por todo o exposto, nós, Conselheiros representantes da Fazenda Nacional (Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira), juntamos aos autos a presente manifestação, nos termos do art. 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, haja vista que não reconhecemos tal impedimento. Dessa forma, também, rejeitase esta preliminar. O RECORRENTE embasa seu pleito em ações judiciais apresentadas por outros contribuintes e acosta, como exemplo, a medida liminar deferida em favor de um outro contribuinte para que o CARF retirasse de pauta determinado processo administrativo (fls. 2328/2333). Contudo, cumpre esclarecer que as decisões judiciais proferidas nos mencionados processos apenas geram efeito inter partes, razão pela qual o RECORRENTE não pode se socorrer de eventuais ações judiciais interpostas por terceiros para pleitear a nulidade/suspensão de processo em que é parte. De acordo com o seu Regimento Interno, o CARF apenas está vinculado às decisões do STF sobre a questão que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do plenário da Corte Suprema, ou de matéria julgada sob o rito dos recursos repetitivos do STJ, nos termos do §1º, inciso I e do §2º, do art. 62 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.618 24 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, não há que se falar em suspensão/sobrestamento de julgamento, por falta de previsão regimental, nos termos da Portaria MF n° 343, de 09/06/2015 que aprova o Regimento Interno do CARF. Eventual sobrestamento de processo demandaria uma ordem judicial, o que não ocorreu no presente caso. Portanto, deve o presente processo ser apreciado pela Colega Turma Julgadora, pois há prazo regimental para sua apreciação após a distribuição ao Conselheiro Relator. 2. Da possibilidade de apresentar provas em recurso voluntário Em diversos momentos do seu recurso voluntário o contribuinte defende que foi legítima a juntada de provas após a impugnação e antes da decisão da DRJ, em razão do princípio da verdade material nortear o processo administrativo. Em respeito ao princípio da verdade material, acolho o argumento do contribuinte e aceito a juntada de todos os documentos apresentados. MÉRITO 1. Depósitos Bancários Sem Origem Comprovada Foi lançado o imposto de renda relativo a depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade do RECORRENTE, ao longo do ano de 2012, cujos extratos bancários constam às fls. 307 a 559, 697 a 704, 736 a 836, 1360 a 1431, 2236 a 2255 do processo fiscal, e demonstradas/consolidadas nos anexos II a IX (fls. 1062/1073) Durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado por diversas vezes para a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos/depósitos ocorridos em suas contas bancárias. Em resposta ao termo de intimação nº 11, o contribuinte juntou uma série de documentos, que logrou em comprovar 31,6% do montante fiscalizado, nos termos do relatório fiscal (fls. 1.055/1.056) Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.619 25 comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deve apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Deveria, então, o RECORRENTE ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Deveria também têlo feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, o que não foi feito integralmente. Conforme anteriormente mencionado, na análise do Recurso de Ofício, o contribuinte logrou em comprovar a origem dos depósitos relativos as cédulas de produto rural Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.620 26 e de crédito bancário no montante de R$37.986.128,84, rateado na proporção de 50% para cada titular da conta, comprovando a origem de R$ 18.993.064,42 do presente lançamento. Em suma, constatouse que estes depósitos possuem natureza de títulos de crédito (empréstimos) e, portanto, não são rendimentos. Através da análise do relatório sintético de fls. 1059, inferese que o saldo remanescente, cuja DRJ entendeu que não havia comprovação de origem, equivale ao montante de 100% de R$ 127.141,33,(BANCO HSBC, Ag. 243, cic 179401, ANEXO IV) e de 50% dos seguintes valores: (i) R$286.165,00 (BANCO DO BRASIL, Ag. 451, c/c 5388, ANEXO II); (ii) R$ 35.191,21 (BANCO SAFRA, Ag. 12100, c/c 23587, ANEXO III); (iii) R$ 20.200,00 (BANCO ITAÚ, Ag. 9069, c/c 35732, ANEXO V); (iv) R$ 424.262,60 (BANCO SANTANDER, Ag. 0312, 3311, 4733, ANEXO VI); (v) R$3.433.091,60 (COOPERCITRUS/CREDICITRUS, Ag. 3188, c/c 61522, ANEXO VII); (vi) R$ 6.018.596,24 (BANCO BRADESCO, Ag. C/c 23418, 16160, 1526421 , ANEXO VIII) Por sua vez, o RECORRENTE se limita a apresentar uma compilação genérica de contas correntes de sua titularidade e relacionálas com movimentações financeiras de diversas empresas e pessoas físicas. (fls. 2489/2490). Aduz o RECORRENTE que o montante a justificar equivale a inclusão na base de cálculo de 100% dos valores omitidos de R$ 127.141,33 (fls1053/1073, 1185/1215 e 1263/1275) e 50% (em razão da cotitularidade das contas bancárias) dos valores omitidos de R$ 3.174.587,26 (fls. 1277), R$ 961.710,29 (fls. 1439), R$ 107.800,00 (fls.1507), R$ 27.060,00 (fls, 1522), R$ 148.000,00 (fls. 1547), R$ 300.000,00 (fls. 1552) e R$ 1.946.029,67 (fls 1558), Perceba, preliminarmente, que sequer há identidade nos valores mencionados pelo RECORRENTE com aqueles tidos como omitidos, com exceção dos R$ 127.141,33 do banco HSBC. Pois bem, assim alegou o RECORRENTE: Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.621 27 Destarte, o RECORRENTE não relacionou, com a individualização necessária quais documentos se prestam a justificar cada depósito sem origem comprovada. Em verdade, de acordo com o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, deveria o contribuinte ter Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.622 28 justificado cada um dos depósitos, de maneira individualizada (e não apenas apontando as contas correntes), com documentação hábil e idônea, o que não foi cumprido. Pois bem, analisando por amostragem os documentos juntados em sede de impugnação e do Recurso Voluntário, percebo que eles não comprovam com a exatidão necessária a origem dos depósitos, em especial em decorrência da ausência de indicação individualizada de qual depósito cada documento pretende comprovar a origem, o que inviabiliza o trabalho da autoridade fiscalizadora. Perceba que era dever do contribuinte, por força dos artigos supramencionados, fazer este cotejo analítico indicativo, sobretudo para comprovar que seriam valores pertencentes a terceiros, como alega em sua defesa. Para comprovar a origem dos depósitos creditados em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte deveria não somente comprovar uma efetiva movimentação financeira consistente na transferência de numerário entre remetente e destinatário, mostrando sua procedência inequívoca de quem e de onde veio o dinheiro, como também, demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a que título veio este recurso, ou seja, o porquê, o motivo pelo qual este recurso ingressou em seu patrimônio. Dada a sua alegação de que a entrada do recurso se deu para fazer frente a despesas de terceiros, em especial empresas em que é sócio, deveria comprovar e indicar a quais despesas de terceiros os créditos efetuados em sua conta estavam vinculados. Aduz o RECORRENTE, que efetuou operações financeiras, quitando dívidas das empresas de sua titularidade Calpará Exploração de Jazida e Comércio de Calcário Ltda, Caltarem Exploração de Jazida e Comércio de Calcário e Brita Ltda (da qual detém 60% do capital social), Cabrera Comércio e Indústria de Produtos Agropecuários Ltda (da qual detém 70% do capital social), a título de empréstimos e amortizações de obrigações de responsabilidade das empresas. Contudo, deveria demonstrar que o valor de "X" Reais creditado pela Empresa A no dia "Y" através do cheque "Z" serviu para fazer o pagamento da despesa da própria Empresa, que havia sido quitada pelo RECORRENTE, espelhada pelo documento "W". Essa vinculação deveria ser inequívoca, com uma razoável compatibilização de datas e valores, pois não adiantaria também afirmar que um valor creditado em janeiro serviu para fazer um pagamento datado de outubro, por exemplo. Neste sentido, a planilha apresentada pelo contribuinte de fls.1277/1357, apenas pretensamente comprovam que os recursos são provenientes das empresas em questão, todavia, apenas este fato não é suficiente para afastar a tributação. É necessário comprovar a qual título os valores foram recebidos. Portanto, para comprovar que são simples movimentações bancárias, além de comprovar o “ingresso” dos valores, é necessário os vincular a uma “saída”, o que não foi feito. Repiso, esta atividade é dever do contribuinte e não da autoridade julgadora. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos terceiros, o contribuinte não está comprovando nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações a fim de atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.623 29 Conforme itens "a" "l" do TVF (fls. 1053/1057), os créditos não comprovados estão em planilhas elaboradas pela fiscalização às fls. 1061/1073, separados por cada conta corrente (total de 8). Então são esses valores que o RECORRENTE tem que se ater em comprovar. Note que quando ele fala em “conta correntes” ele não está se referindo às contas bancárias, mas sim às contas correntes que mantém com algumas empresas e pessoas. Alega que utiliza estas contas para controlar o reembolso das obrigações que amortizou para as empresas ou para fazer frente a empréstimos contraídos. Para comprovar tais alegações, o RECORRENTE elabora uma planilha e afirma que os valores lançados “a crédito” seriam as despesas que assumiu perante terceiros ou empréstimos por ele concedidos a tais empresas/pessoas; já os valores lançados “a debito” seriam os reembolsos recebidos e lançados como depósitos bancários sem origem comprovada. Vamos tomar como exemplo o caso da conta corrente que ele alega ter com a CALPARÁ EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO LTDA. O RECORRENTE faz um resumo dos valores de lançamento a débito e a crédito (fl. 1277) realizados na planilha de conta corrente que ele mesmo elabora (fls.1278/1357). Conforme supracitado, os pagamentos que ele alega que fez, com recursos próprios, para cumprir obrigações de responsabilidade da citada empresa são lançados na coluna "crédito"; ao passo em que os recebimentos que ele alega que auferiu da empresa para saldar os valores por ele desembolsados em nome da empresa, ou para fazer frente a empréstimos por ele efetivados para a mencionada empresa, estão lançados na coluna "débito"; Já no primeiro documento existe um valor de R$ 16.100,00, relativo ao pagamento para a Agropecuária CFM. Contudo, não há no documento de fls. 1277/1438, apontado pelo RECORRENTE, nenhuma informação de qual despesa esse valor faz frente, nem se de fato se tratou de despesa da empresa CALPARÁ. A julgar pela metodologia adotada pelo RECORRENTE na elaboração da planilha, entendo que este valor de R$ 16.100,00 se referiu a um depósito da CALPARÁ na conta do Banco Bradesco do contribuinte para que esse pudesse efetuar o pagamento para a Agropecuária CFM. Ora, conforme já dito, considerando que a justificativa apontada pelo contribuinte é de ressarcimento de despesas, ele deveria ter feito o apontamento de qual “saída” pretende justificar, comprovado, em especial, através da identidade de datas e valores. Não há, sequer, indicação de que foi o RECORRENTE quem fez o pagamento. É preciso esclarecer que apontar a origem do valor depositado não é o mesmo que justificar sua origem. É de rigor a demonstração efetiva, com base em documentação hábil e idônea, que tal depósito tem origem em valores não tributáveis ou isentos, caso contrário o mesmo é considerado como rendimento tributável omitido pelo contribuinte e sujeito ao imposto de renda, conforme presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Neste mesmo caso da CALPARÁ, verificase que os valores lançados na coluna "débito" são, de fato, os mesmos depósitos cuja origem não foi comprovada (planilhas elaboradas pela fiscalização às fls. 1061/1073). Contudo, conforme acima exposto, não há Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.624 30 qualquer nexo de causalidade entre os depósitos e os pagamentos que alega ter realizado em nome da Empresa. Sequer são apresentados documentos representativos dos pagamentos das obrigações da empresa. Assim, conforme exposto, não há como verificar se foi o RECORRENTE quem assumiu tais pagamentos com recursos próprios. Novamente ressalto que é dever do contribuinte, e não da autoridade fiscalizadora, comprovar suas alegações. Caso de fato o RECORRENTE efetue pagamento de obrigações da Empresa através de sua própria conta corrente deveria fazer de tal prática uma exceção e não uma regra. Da forma como está, não há qualquer nexo de causalidade entre as obrigações da Empresa que ele alega ter assumido com os valores creditados em suas contas correntes (originários de contas da Empresa ou de seus clientes). Esta suposta confusão do seu patrimônio com o da empresa é um risco assumido pelo RECORRENTE, e se não restar demonstrado de forma clara que o valor creditado pela empresa em sua conta corrente serviu para fazer frente a obrigações daquela, não há como afastar a presunção de omissão de receita. Não cabe ao contribuinte se beneficiar da própria torpeza. É preciso ter em mente que não basta indicar de onde veio o valor creditado, mas sim justificar sua origem. E por justificar entendase esclarecer que tal crédito, não levado à tributação pelo contribuinte, é de origem não tributável ou isenta. Caso contrário, quando o recorrente apenas aponta a origem sem qualquer justificativa, ele está apenas confirmando a presunção legal de omissão de rendimentos. Portanto, não há como acatar os seus argumentos para afastar a tributação sobre os valores recebidos em sua conta corrente. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.625 31 Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, não merece reparo o lançamento, na medida que caberia ao RECORRENTE ter demonstrado, de forma elucidativa, o nexo de causalidade entre os depósitos efetuados em sua conta bancária e os dispêndios que alega ser de terceiros, inclusive empresas de sua titularidade, o que facilitaria a comprovação dos dispêndios. A mesma lógica pode ser aplicada as alegações das demais empresas, quais sejam, CALTARÉM, CABRERA, e A.A.A. LOGISTIC. Quanto aos demais depósitos, o RECORRENTE os justifica como sendo oriundos de contratos de mútuos firmados com Benhur Carvalho Cabrera Mano, seu irmão, no valor de R$ 300.000,00 (fls. 1552), de Mauricio Carvalho Cabrera Mano R$ 148.000,00 fls. (1547), e João José Barreto Hernandes, seu cunhado, no montante de R$ 1.946.029,67 (fls. 1558). A jurisprudência do CARF entende que para ser comprovado o contrato de mútuo entre pessoas físicas são necessários cumprir alguns requisitos, quais sejam: (i) comprovante do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte; (ii) a informação da dívida deve constar nas declarações de rendimentos do mutuário e mutuante; (iii) demonstração de que o mutuário possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. Neste sentido: MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no património do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuia recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 1 061283 6 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO – MÚTUO. empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.626 32 de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) Analisando a documentação apresentada pelo contribuinte para justificar o empréstimo recebido do seu irmão Benhur (fls. 1553/1557), constatase que não há qualquer documento que comprove que o contrato de mútuo consta nas declarações de imposto de renda do mutuário e do mutuante. O mesmo se aplica para a documentação acostada para justificar os mútuos com João José (fls.1559/1566) e Maurício (fls.1548/1551) Também não constam nos autos prova de que os mutuários possuíam recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. Portanto, deve ser mantido lançamento em relação aos depósitos sem origem comprovada. Por fim, alega o RECORRENTE de que a regra do art. 42, §3º, inciso II, que não considera para fins de omissão de rendimentos os depósitos de valor individual inferior a R$ 12.000,00 e global a R$ 80.000,00 deve ser entendida por conta corrente. Em outras palavras, o RECORRENTE defende que cada conta bancária pode receber depósitos de valor inferior, desde que respeitados os limites individuais e global. Não merece prosperar o entendimento do contribuinte. O limite para a imposição tributaria com base em depósitos bancários de origem não comprovada estão inscritos no artigo 42, § .3", inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, atualizados pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997, que assim determinam: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Ii No caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório dentro do ano calendário não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) Lei nº 9.481/1997 Art. 4º. Os valores a que se refere o inciso II do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reias). Assim, a presunção legal de omissão de rendimentos não gera efeitos com relação a pessoas físicas para os depósitos bancários de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não supere R$ 80.000,00. Este entendimento foi consolidado na Súmula 61 do CARF: Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 16004.720152/201606 Acórdão n.º 2201004.776 S2C2T1 Fl. 2.627 33 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. A própria jurisprudência do CARF, ao aplicar a súmula nº 61, não faz a distinção por conta corrente, como alega o RECORRENTE, mas sim pelo total dos depósitos de pequeno valor recebidos pelo contribuinte no anocalendário (Acórdãos nº 2301005.248, de 4 de abril de 2018, e Acórdão nº 2301005.487, de 6 e julho de 2018). Portanto, considerando que o limite legal estabelecido não faz distinção “por conta corrente”, entendo que o limite de R$ 12.000,00 reais por depósito e R$ 80.000,00 por ano calendário devem ser entendidos globalmente, sobre todas as contas correntes do contribuinte. 2. Do Pedido de Intimação Pessoal do Advogado. Súmula CARF No que diz respeito ao pedido para que as intimações dos atos deste processo sejam direcionadas ao patrono do RECORRENTE, entendo que tal pleito não merece prosperar. Sobre o assunto, invoco a Súmula nº 110 deste CARF: “Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.” CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 2627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722172/2016-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/09/2013
RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966.
AUTUAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. ATO ARBITRÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra qualquer vício ou afronta à constituição da atividade de lançamento, quando a ação ou omissão do sujeito passivo se subsume à previsão legal para a aplicação da penalidade. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme o art. 142 do CTN.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/09/2013 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966. AUTUAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. ATO ARBITRÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra qualquer vício ou afronta à constituição da atividade de lançamento, quando a ação ou omissão do sujeito passivo se subsume à previsão legal para a aplicação da penalidade. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme o art. 142 do CTN. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10909.722172/2016-33
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927275
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.411
nome_arquivo_s : Decisao_10909722172201633.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10909722172201633_5927275.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7513200
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148613582848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 126 1 125 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.722172/201633 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.411 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente APL SOLUÇÕES DE LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/09/2013 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966. AUTUAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. ATO ARBITRÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra qualquer vício ou afronta à constituição da atividade de lançamento, quando a ação ou omissão do sujeito passivo se subsume à previsão legal para a aplicação da penalidade. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme o art. 142 do CTN. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI Nº 37/1966. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 21 72 /2 01 6- 33 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 127 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12094.953 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a multa citada, referente a apuração da falta de informação, no prazo legal, dos dados de desconsolidação da carga chegada ao Porto de Itajaí em 01/10/2013 às 23:05h (momento da atracação), pois o registro das informações do CE House ocorreu somente em 01/10/2013 às 17:18h (fl. 09), ou seja, após o prazo de 48h antes da atracação do navio, conforme o disposto no art. 22, III, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJO, por Acórdão dispensado de ementa , de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (112/122), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos jurídicos já apresentados em seu recurso inicial. É o relatório, em síntese. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 128 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta nos autos cingese na autuação fiscal por ter a ora recorrente infringido o inciso III, do art. 22, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, isto é, por ter a recorrente prestado informações sobre a desconsolidação de carga após o prazo de 48 horas antes da chegada do navio no porto de destino do conhecimento genérico, conforme exige o ordenamento jurídico: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Iomissis ......................................................................................................... III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. ......................................................................................................... (grifo nosso) Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 129 4 ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: A recorrente alega, inicialmente, que todos os prazos exigidos pela Receita Federal do Brasil foram cumpridos, restando, portanto, satisfeita a obrigação acessória em tempo hábil, e que, conseqüentemente, não teria ocorrido nenhum tipo de dificuldade seja para a fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário. De pronto, afirmemos que não assiste razão a recorrente. Sua primeira afirmação contraria a realidade dos fatos, tendo em vista que foi, justamente, a falta do cumprimento da obrigação acessória dentro do prazo legalmente exigido que motivou a autuação fiscal e, por outro lado, este descumprimento temporal se encontra devidamente comprovado nos autos (fl. 09/11). Além disso, quanto à falta de prejuízo fiscal, vale lembrar que, conforme o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966, a responsabilidade de seus atos independiam da extensão dos efeitos causados por ele: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Com efeito, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre a desconsolidação da carga infringe o disposto na Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 130 5 legislação e, ademais, prejudica o controle aduaneiro e, por conseqüência, os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Continuando sua defesa, a recorrente alega que a aplicação da penalidade pela fiscalização aduaneira afrontou os Princípios Constitucionais da Moralidade, Razoabilidade, Proporcionalidade e o da Segurança Jurídica e, por isso, se mostra totalmente arbitrária. Melhor sorte não cabe à recorrente também nessa alegações. Subsumindose seu ato à previsão legal para aplicação da penalidade, não há como se vislumbrar qualquer afronta à Lei ou à Princípio Constitucional, por outro lado, não se pode olvidar que a atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em seqüência, a recorrente assevera que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações sobre a desconsolidação da carga foram prestadas antes do início do procedimento administrativo, que culminou com o presente lançamento, assim, estando a situação fática se amoldando às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 131 6 exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de desconsolidação da carga à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 132 7 AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Ademais, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Nessa esteira, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 133 8 pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Dessa forma, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Seguindo em seu Voluntário, a recorrente alega que o art. 107, IV, e, do Decretolei n.º 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, é inconstitucional, na medida em que ofende aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da individualização da pena, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Quanto a essas alegações de inconstitucionalidade, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Dessa maneira, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco, de desproporcionalidade, de irrazobilidade ou da não individualização da pena seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10909.722172/201633 Acórdão n.º 3002000.411 S3C0T2 Fl. 134 9 Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de inconstitucionalidade do art. 107, IV, e, do Decretolei n.º 37/1966. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
