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Numero do processo: 10740.720025/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa.
Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade.
FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório.
ARROLAMENTO DE BENS.
Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF.
A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ.
A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON.
O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS.
A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE.
Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150%
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA.
A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO.
Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-002.077
Decisão: (assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 25 /2 01 4- 27 Fl. 500DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 501 3 A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório O acórdão nº 1459.770, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), negando provimento à Manifestação de Inconformidade, formalizada pelo contribuinte, relatou com exatidão os fatos, conforme a seguir reproduzido: Tratase de: Autos de Infração (fls. 02/103) à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre Fl. 502DF CARF MF 4 o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), objeto do processo nº 10740.720068/201411, abrangendo os anoscalendário de 2010 a 2012 e lavrados na sistemática do Lucro Presumido e no âmbito da DRF Vitória – ES, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 15.097.563,35, aí incluídos principal, multa de 150% e juros de mora (estes últimos calculados até outubro/2014), com imputação de: (i) omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e (ii) receita da atividade escriturada e não declarada; Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720024/201482, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 31798.32047.23092013.1.3.035781, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2012 formado por retenção na fonte de código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurada, segundo indicado, no 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 15/16 e 179/193 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720025/201427,apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 36084.01841.10102013.1.3.039068, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2013 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurado, segundo indicado, no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00 (fls. 29/30 e 178/197 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10783.720248/201498, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 18187.18093.230913.1.3.038998, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 4º trimestre de 2011 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 –Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL,COFINS e PIS/PASEP, apurado, segundo indicado, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 03/04 e 179/199 daqueles autos) Auto de Infração com aplicação de multa isolada por compensação indevida, objeto do processo nº 10740.720069/201457, apenso ao presente, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 1.768.668,25 (fls. 02/07 daqueles autos); Além dos processos acima mencionados, também estão juntados ao processo principal nº 10740.720068/201411, os seguintes processos nºs: 10740.720071/201426 no qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais; 10740.720073/201415 referente a arrolamento de bens. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 502 5 Os processos em que foram formalizados os Autos de Infração e Despachos Decisórios acima relacionados serão aqui relatados e apreciados em conjunto, tendo em conta que decorrem de fatos que se relacionam entre si, contextualizados no Termo de Verificação nº 091513/2013 de fls. 105/202 do processo nº 10740.720068/201411, Termo este que também instrui o processo 10740.720069/2014 57 (às fls. 09/105), bem como os processos 10740.720024/2014 82 (às fls. 57/153), 10740.720025/201427 (às fls. 56/152) e 10783.720248/201498 (às fls. 57/153). Os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. No referido Termo de Verificação (fls. 105/201), inicia a Fiscalização esclarecendo que a auditoria teve como escopo a verificação das operações de cessão de créditos representados por Títulos da Dívida Pública e descreve seu procedimento, de forma detalhada, mediante os seguintes tópicos constantes de fls. 106/133: 2.1 TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 01 1513/2013:....................................................................................2 2.2 RESPOSTA AO TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 011513/2013:............................................................3 2.3 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.4 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.5 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 031513/2013:...............................................................................8 2.6 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 03 1513/2013:..................................................................................13 2.7 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:..................................................................................13 2.8 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:.................................................................................14 2.9 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:............................................................................14 2.10 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:....................................16 2.11 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:............................................................................ 16 Fl. 504DF CARF MF 6 2.12 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:....................................19 2.13 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:.............................................................................22 2.14 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:....................................24 2.15 TERMO DE DEPOIMENTO DE CLAUDIO ASSIS COSTA Nº 081513/2013:........................................................................25 2.16 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 091513/2013 A ROGÉRIO ALVES LOUREIRO:................................................................................27 Na sequência, assevera a Fiscalização o MODUS OPERANDI DA COSTA JUCA NA “COMPENSAÇÃO” DE TRIBUTOS, como segue: (fls. 133/137) Da análise dos documentos apresentados e das demais informações resultantes deste procedimento fiscal identificamos que o seguinte modus operandi da contribuinte para obtenção de suas receitas: a) A COSTA JUCA procurava empresas para a elas “vender” sua proposta denominada “Alternativas & Sucesso”, que formalmente consistia da cessão de créditos originários de títulos públicos (Letras do Tesouro Nacional ou Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, por exemplo) para compensação de débitos de tributos federais. Materialmente, como veremos a seguir, a prática era bem mais simples: a COSTA JUCA promovia a retificação das DCTF originalmente apresentadas pelos contribuintes, com vistas a eliminar ou diminuir o valor dos tributos declarados sem, em momento algum, lançar mão de qualquer pedido de compensação utilizando os supostos créditos representados pelos títulos públicos. b) No depoimento prestado à fiscalização, o sócio oculto e administrador da COSTA JUCA, CLAUDIO ASSIS COSTA, admitiu que a retificação das DCTF promovendo a redução e até a exclusão de tributos devidos eram realizadas por procuradores indicados pela própria COSTA JUCA. c) Com vistas a dar confiabilidade a sua proposta, a COSTA JUCA apresentava a seus futuros clientes documentos que comprovariam a veracidade e o valor atualizado dos títulos públicos, bem como promovia a cessão dos créditos por eles representados por meio de escritura pública registrada em Cartório de Registro de Títulos. Tais documentos foram apresentados a essa fiscalização, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal nº 011513/2013 e ao Termo de Intimação Fiscal nº 021513/2013. d) Em sua negociação a COSTA JUCA utilizavase de três tipos de contrato: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 503 7 Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos. e) Os dois primeiros contratos definiam como remuneração devida 60% do valor “compensado”, em relação aos tributos vencidos e 70% em relação aos tributos vincendos, como cláusula de sucesso, a ser paga quando da “utilização do crédito”. A obrigação do pagamento do valor devido à contratada se concretizava tão logo fosse apresentado o documento comprobatório emitido pelo órgão credor, declarando a devida liquidação por compensação dos débitos. f) Além disso, a contratante se compromete a fornecer instrumento procuratório diretamente à contratada (COSTA JUCA) com plenos poderes para representála perante “todo e qualquer órgão da União, Estado e Município”. g) Já no Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos, a COSTA JUCA contrata a pessoa jurídica MIRANDA & SOUZA CONSULTORIA EM TI LTDA ME, para a prestação de serviços de análise e regularização dos tributos federais vincendos, da terceira pessoa interessada na compensação de suposto crédito decorrente do DecretoLei nº 6.019, de 1943 – CRÉDITO DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA do Governo Brasileiro, para quitação de tributos federais vincendos. h) Neste contrato a remuneração prevista é 11% do valor do débito original já declarados ou daqueles que venham a ser declarados em DCTF mensalmente. Tal valor seria pago “de acordo com a utilização dos créditos para pagamento dos débitos”. i) Além disso, o contrato previa que a contratada se obriga a entregar, ao término do trabalho, “extrato de emissão de certidão ausente de pendências junto ao sistema de cobrança SIEF”. j) No curso deste procedimento de fiscalização e de outros realizados em pessoas jurídicas que teriam “adquirido” o crédito, restou verificado que todo esse documental tinha por objetivo, única e exclusivamente, o convencimento da pessoa jurídica a ser contratada, quanto à licitude do procedimento. Não houve, como não há, qualquer procedimento administrativo em que tais documentos tenham sido apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil com vistas ao reconhecimento do crédito, seja ele decorrente dos títulos públicos ou os decorrentes do DL nº 6.019, de 1943. k) Na verdade, o modus operandi da “consultoria” COSTA JUCA era bem mais grosseiro e podia se dar de uma das duas formas a seguir descritas: k.1 Por via da retificação das DCTF originalmente apresentadas: Fl. 506DF CARF MF 8 • A empresa detentora dos débitos a serem compensados apresentava normalmente sua DCTF mensal, informando os valores dos tributos devidos e para os quais não havia a conseqüente quitação; • A COSTA JUCA, por intermédio de procuradores por ela indicados, promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia/zerava as informações originalmente apresentadas pela contratante; • Para fazer prova da “compensação” a COSTA JUCA apresentava à contratante cópia das DCTF zeradas. k.2 Por via da apresentação de Pedidos de Compensação, formalizados por meio de processo administrativo que tinha como único objetivo capturar um número de processo a ser utilizado como referência nos pedidos futuros: • A COSTA JUCA, utilizandose de procuração lavrada pela contratante, protocolava um Pedido de Compensação em processo administrativo fiscal, sem identificação de débito ou dos créditos a serem compensados. • Quando era intimado a apresentar esclarecimentos e documentos que embasassem o pedido, nada respondia. O processo administrativo era arquivado por falta de objeto. • Ato contínuo, a COSTA JUCA promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia substancialmente o valor do débito declarado originalmente. • Para “provar” à contratante que havia promovido a compensação dos débitos declarados, apresentava cópia dos pedidos de compensação em que indicava o número daquele processo administrativo e extrato das DCTF zeradas. Assim, ratificase que os instrumentos contratuais e escrituras públicas apresentadas pela COSTA JUCA serviam apenas como subterfúgios para atrair a atenção dos potenciais clientes. Nenhum procedimento efetivo de reconhecimento de tais créditos compunha seu modus operandi. O que ocorria na verdade era um procedimento ardiloso, fraudulento, que consistia na exclusão/redução de débitos, mediante a retificação de DCTF, sem qualquer referência ou relação a supostos créditos oriundos de Títulos Públicos ou qualquer outro fundamento jurídico. Importante salientar que a COSTA JUCA utilizouse do seu próprio modus operandi, promovendo a retificação de suas DCTF, para zerar ou diminuir os valores de tributos federais anteriormente declarados. Tendo sido flagrada, utilizandose do seu próprio esquema fraudulento, a COSTA JUCA foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013 a justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 504 9 Em resposta, datada de 25/03/2014, a COSTA JUCA informou que as retificações de DCTF se deram em “razão de acordos contratuais e devolução dos valores recebidos como honorários já apresentados a essa fiscalização em momento anterior”. Não convencidos da resposta apresentada, pois divorciada do conteúdo dos documentos analisados, em 02/04/2014 a contribuinte foi reintimada, por meio do Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, a explicar s retificações dos valores informados nas DCTF, relativamente ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à Cofins, tendo em vista que os valores originalmente informados coincidiam com os valores de receita escriturados nos Livros Diário e Razão dos anoscalendário de 2010 a 2012, nas respectivas DIPJ e com exceção do valor constante do Dacon do mês de dezembro de 2011, com os declarados nos Dacon dos demais meses dos três anos calendário analisados. Em 14/04/2013 o contribuinte apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, em que consignou, em relação aos valores retificados nas DCTF “favor manter os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade”, ou seja, esqueçam as retificações que fiz nos valores informados nas DCTF dos períodos de apuração de 2010 a 2012, em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, comprovando assim seu intuito fraudulento. No tópico 4, a Fiscalização apresenta o resultado de dois procedimentos fiscais realizados em pessoas jurídicas clientes da COSTA JUCA, com o fito de agregar informações obtidas pela fiscalização da Receita Federal para elucidar o modus operandi descrito no item 3 deste relatório. Esclarece que nestes procedimentos, em regra, a autuação se deu a partir da apuração de “compensações” de tributos federais devidos por aquelas pessoas jurídicas, contratantes dos serviços da COSTA JUCA ou contratantes dos supostos créditos. E destaca que a descrição exposta não implica em quebra de sigilo fiscal das operações, tendo em vista que a COSTA JUCA foi parte das operações apresentadas. Expõe, então, informações acerca da auditoria fiscal realizada na CBA Transportes e Comércio Ltda (tópico 4.1, fls. 138/142) e na Transfenix (tópico 4.2, fls. 142/145), bem como aborda a motivação do Distrato da ora autuada com a P. Peixoto Pena Comércio e Transportes Ltda. (item 4.3, fls. 145/148). No tópico 5 do Termo de Verificação (fls. 148) a Fiscalização descreve a Identificação das Receitas Auferidas, expondo, em síntese: no item 5.1, fls. 148/152, a constatação de Receitas Registradas na Contabilidade Sem Individualização, com descrição no sentido de que a contabilidade apresentada pelo contribuinte em relação aos fatos ocorridos nos anos de 2010 a 2012, foi escriturada de forma resumida e consolidada por mês, Fl. 508DF CARF MF 10 inclusive no que tange às receitas auferidas. O histórico contido no lançamento padrão utilizado no Livro Diário para registrar a receita auferida pelos serviços prestados não possibilita a identificação dos clientes, nem do documento contábil ou fiscal que pudesse amparar tal registro contábil; [...] Ressaltese que também não houve, para os anos de 2010 e 2011, o registro da movimentação bancária na contabilidade apresentada pelo contribuinte, conforme se pode verificar nos registros constantes dos Livros Razão correspondentes. ... [...] No Razão Analítico relativo a 2012 houve a escrituração consolidada de alguns lançamentos na conta de Bancos Movimento, mas insuficientes para identificação dos clientes e da individualização das receitas auferidas. no item 5.2, fls. 152/ 155, a análise dos Extratos Bancários, como segue: Para suprir a falta de apresentação, pela COSTA JUCA, da comprovação da origem das receitas auferidas e tendo em vista a falta de informações nos registros contábeis, em 27/05/2014 a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 061513/2014 a apresentar cópia dos extratos bancários das contascorrente de sua titularidade, relativamente às movimentações bancárias dos anoscalendário de 2010 a 2012. Em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal. Em 15/07/2014, a contribuinte entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. De posse daquelas informações, procedemos à conferência e correção das operações indicadas na planilha original comparandoos com os dos extratos bancários entregues, o que resultou na inclusão de operações não informadas na planilha original e exclusão de operações inexistentes nos extratos bancários. Com o fito de identificarmos os créditos efetuados na citada contacorrente que não representariam receitas a serem tributadas, excluímos os seguintes lançamentos: ABERTCRED Abertura de Crédito, APLIC AUT Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM –Resgate Automático. Em 06/08/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo cada lançamento a crédito de sua conta corrente, com as exclusões supra citadas, para que identificasse a natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 505 11 bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Foi também apresentada à COSTA JUCA uma planilha consolidando os valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na contacorrente de sua titularidade, comparandoos aos valores escriturados e informados na DIPJ, sendo solicitada a justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, conforme se reproduz abaixo: Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou, por meio de resposta ao Termo 071513/2013, não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ "em função Fl. 510DF CARF MF 12 dos distratos ocorridos nas negociações realizadas com as seguintes pessoas jurídicas”, conforme informação sintetizada abaixo: Na oportunidade, a COSTA JUCA informou mais treze lançamentos a débito de sua contacorrente, como sendo devoluções de recursos em conseqüência dos distratos informados. Procede a Fiscalização, no tópico 5.3 (fls. 155 a 167) em 12 subitens, a análise dos Distratos Apresentados, a exemplo dos sub itens 5.3.1 a 5.3.3 a seguir reproduzidos : 5.3.1 Comercial Bahiano • Valor originalmente contratado: R$3.200,000,00 • Valor informado no distrato: R$1.800.000,00 (Valor incorrido até a data do distrato) + R$385.000,00, “referentes a 50% do correspondente aos juros e multas oriundos do atraso no pagamento dos tributos federais devidos pela credora à União, objeto de parcelamento junto à Receita Federal do Brasil.” • Data do distrato: 10/12/2013 • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$442.108,00 • Forma de pagamento (devolução): pagamentos efetuados conforme TED, nas datas e valores abaixo: Restou comprovada a transferência de R$ 840.000,00 da COSTA JUCA para a Comercial Bahiano, por meio de três documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 506 13 JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, a Comercial Bahiano realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$ 442.108,00, apurados conforme tabela abaixo: CONCLUSÃO: Como a própria COSTA JUCA afirmou que “todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”, não pode haver devolução de recursos, em razão de distrato, superior ao valor anteriormente recebido. Assim, no período ora analisado, o valor comprovado a ser considerado como devolução à Comercial Bahiano fica limitado ao valor comprovado de ingressos por ela realizados na conta corrente da COSTA JUCA: R$ 442.108,00. 5.3.2 Aços Vitória – Comercial De Aços • Valor originalmente contratado: R$1.000.000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA:R$ 307.317,00 • Forma de pagamento (devolução): para comprovar o pagamento de valor que teria sido devolvido à contratante, a Costa Juca apresentou um conjunto de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), efetuados no âmbito do Processo de Parcelamento 10783.909427/201120. Ocorre que os DARF foram recolhidos em nome da Aços Vitória e NÃO HÁ QUALQUER COMPROVAÇÃO DE ASSUNÇÃO DO ÔNUS de tais pagamentos pela COSTA JUCA. CONCLUSÃO: não restou comprovado que o pagamento dos DARF em nome da pessoa jurídica Aços Vitória, tenha se dado com ônus da COSTA JUCA. 5.3.3 LC Marcon Advogados Associados • Valor originalmente contratado: R$ 2.100,000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$946.810,00 • Forma de pagamento (devolução): TED nas datas e valores abaixo: Fl. 512DF CARF MF 14 Restou comprovada a transferência de R$1.303.816,14 da COSTA JUCA para a LC Marcon, por meio de dezesseis documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, no período de 2010 a 2012, a LC Marcon realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$946.810,00, apurados conforme tabela abaixo: 5.3.4 Brascobra Center ... E, no subitem 5.3.13, resume como segue: 5.3.13 Resumo da Análise dos Distratos Resumindo, os valores que serão considerados como devolvidos pela COSTA JUCA, a partir da análise realizada nos documentos apresentados para justificar a diferença apontada entre os valores de crédito constante dos extratos bancários apresentados e os registrados em sua contabilidade e informados na DIPJ, são os seguintes: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 507 15 No tópico 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176) aborda a Fiscalização as declarações de compensação apresentadas contendo crédito de Saldo Negativo de CSLL de períodos trimestrais de 2011 e 2013, como segue: Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou dois PER/DCOMP eletrônicos, de nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, que teriam por base crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL, cuja origem teria sido a retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado código 5952, apurados, respectivamente, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 e no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00. Abaixo relação de débitos apontados para compensação nos referidos PER/DCOMP: Um terceiro PER/DCOMP foi localizado (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, com crédito relativo ao 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00), mas os débitos apontados para compensação eram do anocalendário de 2013. A partir destas constatações, em 14/03/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013, procedemos à intimação do contribuinte para “identificar, comprovando com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos indicados para compensação nos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, respectivamente, nos valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00”. Em 25/03/2014, em resposta ao TCIF nº 031513/2013, a COSTA JUCA informa que “houve erros nos procedimentos dos Per/Dcomp nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, nos quais deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado.” Fl. 514DF CARF MF 16 Consultada a DIPJ do anocalendário de 2011 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 4º trimestre de 2011, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo). De mesma forma, consultada a DIPJ do anocalendário de 2013 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 1º trimestre de 2013, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo) O contribuinte informou que teria errado na indicação dos períodos de apuração dos créditos, sendo correto os 2º e 3º Trimestre de 2013 e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, no entanto, a COSTA JUCA não apresentou documentação comprobatória relativa à retenção na fonte de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, no código 5952, que teria resultado em Saldo Negativo de CSLL pleiteado nos PER/DCOMP apresentados. Na DIPJ relativa ao anocalendário de 2013, a COSTA JUCA não informou dentre as deduções da CSLL qualquer valor relativo à CSLL retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado (item 32 da Ficha 18A), relativamente aos 2º e 3º Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 508 17 trimestres, não existindo, também nestes trimestres, os alegados saldos negativos de CSLL a compensar. Vejamos. Isso por si só já aponta para indícios fortes da origem duvidosa desses créditos aventados para compensação. No entanto, existem outros indícios que apontam para a inexistência do crédito: por exemplo, a retenção na fonte de contribuições (CSLL, PIS e COFINS) sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, conforme previsto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, pode totalizar 4,65% do valor da receita, distribuídos por tributo nos seguintes percentuais: • 1% CSLL; • 3% COFINS; • 0,65% PIS. Ocorre que a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32% * 9% = 3%). Considerando que a empresa apurou lucro presumido, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Reforçando esses indícios que apontam na direção de um esquema destinado apenas à criação de créditos para fraudar a compensação de tributos administrados pela Receita Federal, as fontes pagadoras responsáveis pela retenção, informadas nas Fl. 516DF CARF MF 18 próprias PER/DCOMP apresentadas pela COSTA JUCA, foram as pessoas jurídicas: ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/0001 68, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/0001 09. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA consta das PER/DCOMP n° 18187.18093.230913.1.3.038998 (crédito informado no 4° trimestre de 2011) e 31798.32047.230913.1.3.035781 (crédito informado no 1° trimestre de 2012) e teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA foi inscrita no CNPJ em 19/08/2011 e possui domicílio tributário na Rua Frederico Méier, 15, sala 502, Méier – Rio de Janeiro/RJ. Apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. No entanto, a surpresa ficou por conta das DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29. Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90. Vide tabelas abaixo: A operação é tão grosseira que a retenção na fonte está muito além dos 4,65% previstos em lei. Há caso em que a suposta retenção alcança 72,5% do rendimento hipoteticamente pago. Isso tudo sem que a ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA tenha recolhido um único centavo aos cofres públicos a título de tributos federais. Detalhe: embora a COSTA JUCA tenha informado na PER/DCOMP que havia recebido recursos da ELITE RIO Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 509 19 DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sujeitos à retenção na fonte no valor de R$ 3.400.000,00, conforme especificado acima, a ELITE sequer a incluiu no rol de beneficiários na DIRF apresentada. A CONSTRUTORA APTA LTDA foi inscrita no CNPJ em 13/11/1989. Apresentou DIRPJ para os anos de 1989, 1990 e 1992. Em 14/09/1999 foi declarada INAPTA por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Mas, as coincidências não param por aqui. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ZP CONSERVAÇÃO E LIMPEZA LTDA, CUNHA LOPES CONSTRUTORA LTDA, MADEIRAS ALBA LTDA, REYLE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CORREIAS LTDA, COMERCIAL AUTOMOTIVA CBA LTDA, AÇOS VITÓRIA COMERCIAL DE AÇOS LTDA, P. PEIXOTO PENA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA, NATURAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AÇO LTDA, AEP CONSTRUCÕES E URBANIZAÇÕES LTDA, MINAS CALOR COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento Fl. 518DF CARF MF 20 efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$ 73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Para a COSTA JUCA, a CONSTRUTORA APTA informou nas DIRF de 2011 e 2013 rendimentos de R$ 1.200.000,00 e R$ 687.032,65 e retenções na fonte de contribuições de R$ 900.000,00 e R$ 98.003,65, respectivamente, assim distribuídos mensalmente: Como se vê, em 2011 a COSTA JUCA teria recebido mensalmente R$ 100.000,00, com suposta retenção na fonte de R$ 75.000,00, o que equivale a 75% dos recursos supostamente recebidos. Nesse ponto, a COSTA JUCA e a CONSTRUTORA APTA não se entenderam, pois para esse período aquela lançou mão de hipotéticos créditos da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, e, não, da CONSTRUTORA APTA. Por mais que se esforce é difícil de acreditar na veracidade dessas operações. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 510 21 Pela sucessão de indícios, não é crível que tudo seja uma mera coincidência. E não é. Em depoimento prestado na sede da Delegacia da Receita Federal em Vitória, em 16/09/2014, o sóciooculto da COSTA JUCÁ, e um de seus administradores CLÁUDIO ASSIS COSTA, indagado acerca da origem dos créditos constantes nas citadas PER/DCOMP, cuja origem informada eram as pessoas jurídicas ELITE e CONSTRUTORA APTA, informou que: • não tinha conhecimento dos fatos; • não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); • que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”. • Que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. • que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Assim, os Pedidos de Compensação constantes dos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, devem ser indeferidos pela INEXISTÊNCIA do crédito indicado para compensação. Note que dos valores de débitos a serem compensados indicados nos PER/DCOMP supra referidos, apenas o relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.038998, se encontra entre os que estão sendo constituídos de ofício neste procedimento fiscal, os demais débitos indicados à compensação não são objeto destes autos, por serem débitos confessados pela COSTA JUCA. No tópico 7 de seu Termo, a Fiscalização (fls. 176) relaciona as INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS A COSTA JUCA confirmou a essa fiscalização que os valores constantes de seus registros contábeis, informados na DIPJ e originalmente nas DCTF apresentadas são representativos das receitas auferidas nas transações cujo objeto era a “compensação” de tributos federais de responsabilidade de suas clientes pessoas jurídicas. Fl. 520DF CARF MF 22 Em respostas datadas de 09/01 e 13/02/2014 houve a apresentação de planilhas referentes aos períodos de apuração do anocalendário de 2012, em que restaram confirmados tais valores. Além disso, em resposta datada de 14/04/2013 a COSTA JUCA apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e Re Intimação Fiscal nº 051513/2013, em que informou que deveriam ser mantidos os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade e desconsiderada a retificação para menor dos valores constantes das DCTF retificadoras por ela apresentadas. Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou DCTF retificando os valores originalmente declarados como devidos de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ dos anoscalendário de 2010 e 2011 e dos meses de fevereiro, março, abril e junho de 2012. Assim deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores mensais de PIS e Cofins. De mesmo modo, deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores trimestrais de CSLL e IRPJ, conforme originalmente contabilizados e informados na DIPJ e DCTF, descontados os valores residuais informados nas DCTF retificadoras e o valor relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, que foi informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.03 8998 caracterizando, portanto, confissão de dívida pelo contribuinte, conforme planilha abaixo: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 511 23 No tópico 7.2 (fl. 179), com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c arts. 287, 288 e 537 do RIR, de 1999 a Fiscalização descreve a constatação de OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Conforme visto, em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal e em 15/07/2014, entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. Conforme descrito no Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, datado de 06/08/2014, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo os lançamentos a crédito de sua contacorrente para que procedesse a identificação da natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Fl. 522DF CARF MF 24 Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ ”em função dos distratos ocorridos nas negociações realizadas”. Procedemos também à consolidação dos valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na conta corrente de sua titularidade, comparadoos aos valores escriturados e informados na DIPJ. Em função de tais diferenças, foram apurados os valores dos depósitos ocorridos na conta corrente de titularidade da COSTA JUCA para os quais não houve a comprovação da origem dos recursos, reduzindo destes os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 512 25 A Fiscalização identifica a base de cálculo mensal do valor do crédito tributário a ser constituído como aquele apurado na coluna VALOR A SER CONSTITUÍDO, destacando que: nos meses de janeiro a abril e junho de 2010 os valores mensais movimentados a crédito na contacorrente de titularidade da COSTA JUCA foram inferiores aos valores confirmados pela contribuinte como sendo a totalização de suas receitas para aqueles meses, conforme constam da DIPJ, da escrituração fiscal e das DCTF posteriormente retificadas. Assim, para estes períodos não haverá lançamento complementar com base nos valores da movimentação financeira; Nos meses de dezembro de 2011, julho, agosto e dezembro de 2012, o valor mensal dos lançamentos a crédito constantes dos extratos bancários da COSTA JUCA foram superiores aos valores de receita mensal informados pela contribuinte, no entanto, quando excluídos os valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas que efetuaram distrato, não resta lançamento complementar a ser efetuado; De mesmo modo, nos meses de maio e novembro de 2012 não será efetuado lançamento complementar em relação aos valores de receita mensal declarados pela COSTA JUCA, tendo em vista que o valor da movimentação mensal a crédito na conta corrente foi inferior ao valor da receita mensal declarada. Esclarece que a coluna DISTRATO CONSOLIDAÇÃO, constante da planilha supra, representa a exclusão dos valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas, no período sob fiscalização (01/2010 a 12/2012), a partir de débitos na contacorrente em questão, em função dos distratos analisados no presente item deste relatório, conforme a seguinte consolidação: Fl. 524DF CARF MF 26 No tópico 7.3 (fl. 182) a Fiscalização aborda a infração por DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE, como segue: Para análise dos PER/DCOMP transmitidos pela COSTA JUCÁ, foram gerados processos eletrônicos individualizados para os seguintes trimestres: 4°T/2011, 1°T/2012 e 1°T/2013. Após o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES que NÃO reconheceu o crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, conforme anotado no Item 6 deste Termo, sobre os débitos indevidamente compensados (NÃO HOMOLOGADOS) a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003), no caso de não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dispõe que: ... Como visto, COSTA JUCA utilizouse de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 513 27 Considerando o exposto, foram apurados os seguintes valores de multa isolada: No Auto de Infração, a multa isolada calculada sobre as compensações não homologadas é lançada de forma consolidada por data de referência que é o momento da apresentação da compensação indevida, melhor dizendo: data da emissão da PER/DCOMP – que consta no próprio número de identificação do documento, por exemplo: a DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 foi apresentada pela COSTA JUCA no dia 23/09/2013. Abaixo, o valor da multa consolidado por data de referência. No tópico 8 (fls. 186/191), a Fiscalização justifica a aplicação da MULTA QUALIFICADA de 150% sobre os valores do PIS, Cofins, CSLL e IRPJ lançados de ofício em decorrência das infrações apuradas nos itens 7.1 Falta de Declaração e/ou Recolhimento de Tributos, 7.2 Omissão de Receitas Apurada com Base em Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada e 7.3 Débito Compensado Indevidamente, invocando os fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício,e fundandose: nas disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; nas disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, no conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. nas disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, Fl. 526DF CARF MF 28 no art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E explica: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: [fls. 189] .... Em 2011: [fls. 189] .... Em 2012: [fls. 190] Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. [fls. 190] Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 514 29 Além disso, a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anos calendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. No tópico 9 (fls. 191), descreve a Fiscalização a constatação de BLINDAGEM PATRIMONIAL DA COSTA JUCA COM UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA, cujas sócias são as irmãs Gabriela de Alcantara Almeida Costa e Amanda de Alcântara Almeida Costa, filhas de Cláudio de Assis Costa (sócio oculto e administrador da COSTA JUCA), por meio de transferência de recursos da COSTA JUCA para a AG COSTA, ambas com mesmo domicílio fiscal, mediante concessão de empréstimos da primeira para a segunda, de 2010 a 2012, no total de R$ 9.440.000,00, para devolução em 06 (seis) anos a partir de 15/07/2014, sem cobrança de juros. E continua a Fiscalização: Fl. 528DF CARF MF 30 Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. No tópico 10 (fls. 193), a Fiscalização noticia e justifica a formalização de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e, no tópico 11, aborda a atribuição de RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, apontando, de início no item 11.1 (fls. 193), seu significado como sendo a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito de o Fisco exigir a prestação da obrigação tributária. Em sentido restrito, significa a submissão ao direito de o Fisco exigir a prestação, em decorrência de expressa disposição legal, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária. Transcreve: disposições do art. 121, caput, art. 124, I, art. 128 e art. 135, III, todos do CTN, entendimento doutrinário e jurisprudência do STJ e expõe: Nos casos em que o Fisco constatar a ocorrência de ato ilícito, deve, por dever de ofício, atribuir a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes ou representantes da empresa comercial, é o que se demonstrará no próximo tópico. 10.2 (sic) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DIMITRI CEREWUTA JUCÁ E GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA, DO SÓCIO OCULTO CLAUDIO ASSIS COSTA E DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, cujas qualificações individualizadas identifica no tópico 10.2.1 (sic), em função dos fatos descritos no tópico 10.2.2. (sic) [Os fatos apontados neste Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 515 31 tópico em relação a cada um dos interessados pessoas física e pessoa jurídica serão abordados no voto quando da análise das respectivas razões de defesa.] Concluiu então a Fiscalização pelo encerramento da ação fiscal (tópico 12 do Termo). Do processo nº 10740.720069/201457, consta Auto de Infração (fls. 02/07) com lançamento da multa isolada por compensação indevida e está instruído com cópia do Termo de Verificação acima mencionado. Do referido Auto de Infração extraise: [fl. 6] Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498, também apensados ao presente, foram exarados Pareceres (respectivamente nas fls. 179/190, 178/194 e 179/196 daqueles autos) com as informações contidas no tópico 6 do Termo de Verificação acima mencionado e, em conseqüência, foram exarados Despachos Decisórios de não homologação das Compensações indicadas nas DCOMP ali mencionadas (respectivamente nas fls. 193, 197 e 199 daqueles autos). Por meio de Termos de Ciência e Entrega de Documentos (fls. 1583, do presente processo nº 10740.720068/201411) foi dada ciência das autuações e da apreciação de Declarações de Compensação assim relacionadas: A ciência postal a cada um dos responsáveis ocorreu nas datas relacionadas abaixo: Fl. 530DF CARF MF 32 Em oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram apresentadas as seguintes peças de defesa: Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 516 33 Na peça de defesa apresentada em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda e Dimitry Cerewuta Jucá (fls. 1595/1614) são apresentados, em síntese: questionamentos acerca de arrolamento de bens, com alegação de ilegalidade do art. 64 da Lei nº 9.532, de 1997, relação de bens arrolados e argumento de impenhorabilidade de bens de família; alegação de ilegitimidade passiva do réu Dimitry Cerewuta Jucá argumentando que: não cabe ao REQUERIDO responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 267, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O REQUERIDO na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo. Também acerca da alegação acima de ilegitimidade são citados ementa de decisão judicial e excerto doutrinário que entende cabível e argumenta: Dessa forma, o REQUERIDO eximese de qualquer responsabilidade, motivos pelos quais requer sua exclusão da relação processual, com a extinção do auto,sua responsabilidade deve ser eximida. ... [...] ... aquele que age sem o consentimento escrito dos sócios em proveito próprio ou de terceiros terá de restituílos à sociedade, pois segundo o art. 1.017 e parágrafo único do Código Civil, se respalda a boafé do sócio, no caso, o REQUERIDO, pelo princípio da boafé, ao impor ao administrador probidade na gestão empresarial. O REQUERIDO não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Fl. 532DF CARF MF 34 Sob o título Desconsideração da personalidade jurídica, invoca, por respeito ao debate, o art. 50 do Código Civil que prescreve a existência de dois requisitos para tal desconsideração: abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, assim, somente estas situações justificariam a desconsideração que deve ser reconhecida por decisão judicial. Cita decisão do STJ e conclui que os presentes requisitos não foram cumpridos pela REQUERENTE, não demonstrando documentalmente a necessidade de tal medida, de arrolar seus bens pessoais. Sob o título serviços advocatícios, aduz a indispensabilidade do advogado à administração da justiça, sendo inviolável seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei, e alega que: os serviços prestados estavam na esteira da pretensão das REQUERENTES, inclusive a natureza desses serviços consistem numa obrigação de meio, o que pertine à cláusula ad exitum; ao exercer a atividade, o contratado não se obriga à ocorrência do resultado apenas age na intenção de que ele aconteça, sem se comprometer com a obtenção de um certo resultado. Aborda, a seguir, o princípio do não confisco e ofensa ao direito de propriedade, bem como a necessidade de o Auto de Infração, como ato administrativo, observar requisitos para sua validade, sob pena de nulidade. Nesse compasso, questiona a ausência de indicação do Fato Gerador, expondo: Arguise em preliminar, a ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalizados o que é absolutamente insuficiente. Pela omissão da origem dos valores constantes no Auto de Infração que deveria conter informações detalhadas, mês a mês, de cada rubrica do Plano de Contas Interno da Instituição Financeira, que entendeu a autoridade fiscal ter o contribuinte recolhido a menor. Cita doutrina acerca de cerceamento de defesa e conclui pretender a Fazenda Municipal (sic) exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário, porém, sem demonstrar a ocorrência do fato gerador e sobre quais itens exigese o diferencial, inviabilizando os meios de defesa. Requer o cancelamento da autuação por nulidade absoluta por preterição do direito de defesa, conforme art. 59, II, do Decreto 70.235, ou, caso se entenda ser o ato suscetível de correção, uma vez consumada esta, pede seja restituído integralmente o prazo de defesa. Sob o título Da Nulidade Da Decisão discorre delongadamente acerca da necessidade de fundamentação de uma decisão Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 517 35 mencionando o art. 93, IX, da Constituição Federal e excertos de doutrina. Aponta, a seguir, a inexigibilidade do débito tributário, questionando a inscrição da dívida ativa e alegando que: não foi intimada de qualquer decisão definitiva referente ao Pedido de Compensação, sendo, por outro lado, surpreendida pelo recebimento da citação em Execução Fiscal referente à mesma competência; o lançamento do órgão fazendário pode ser alterado em caso de impugnação/recurso administrativo. No caso em tela, na medida em que o contribuinte pleiteou regularmente a compensação dos débitos tributária, ainda não apreciada pela Administração Pública Federal inexistem certeza e liquidez na Inscrição da Dívida Ativa executada. Cita o art. 145, I e II do CTN e ementas de decisões judiciais acerca de execução fiscal em caso de pendência de julgamento de processo administrativo. Sob o título Da inexigibilidade da Intimação em Razão da Presença de Causa Suspensiva do Crédito Tributário, invoca o art. 151, III, do CTN e expõe: Menciona os arts. 202 e 203 do CTN alegando nulidade da inscrição e argumenta: Alega irregularidade da multa de mora, expondo: Invoca Princípio da Moralidade Administrativa, discorre acerca do Direito de Petição, para alegar que: Fl. 534DF CARF MF 36 Aborda o instituto da compensação, mencionando art. 156, II, e 170 do CTN, Lei nº 8.383, de 1991, apontando as seguintes conclusões: Aborda a penalidade prevista na Lei n° 12.249, de 2010, alegando ter mudado o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e estipulando multa isolada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, dispositivos considerados inconstitucionais pelo TRF4, por conflito com o direito de petição. Sob o título Multa para pedido indevido de crédito tributário é revogada, transcreve matéria que teria sido veiculada em 20/10/2014 pela Revista Valor Econômico, tratando da revogação, pela Medida Provisória 656, do parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e alteração do parágrafo 17 do mesmo artigo e expondo questionamento acerca da constitucionalidade da multa. Transcreve excerto doutrinário acerca de ampla defesa para concluir: Finaliza formulando os seguintes pedidos: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 518 37 Na peça de defesa de fls. 1618/1683, em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda EPP, são apresentados os argumentos a seguir sintetizados. Inicia destacando a colaboração da Impugnante no curso do procedimento fiscal, ao fornecer de forma espontânea todos os documentos de interesse da fiscalização, inclusive sua movimentação bancária, sem a necessidade de RMF. Aponta, na sequência, irregularidade da conduta da autoridade fiscal que fere preceitos constitucionais, como se vê no Termo de Intimação Fiscal nº 041513/2013, onde se exige a presença da sócia, disfarçada de um pedido de esclarecimento, alegando que tal exigência ignora o fato de que naquele momento o procedimento fiscal já havia sido instruído com o documento de procuração relatado no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal que descreve indicação, como representante, o Sr. Rogério Alves Loureiro. Entende como atitude intimidadora e injustificável a exigência da presença da sócia Gabriela, visto que não houve em nenhum outro momento, em todo o auto de infração, a coleta de depoimento da sócia ou o envio de perguntas ou quesitos por via postal. Informa que questões acerca das compensações realizadas pela Impugnante serão respondidas e rebatidas dentro da Manifestação de Inconformidade nos processos correspondentes. Ao expor os fatos assevera que, tendo recebido, em 16/12/2013, o Termo de Início de Fiscalização, a Impugnante, no dia 23/12/2013 se apresentou perante a autoridade fiscal, através de seu procurador, solicitando melhores informações e prazo para entregar toda a documentação solicitada, de modo que a afirmação de que o representante da Impugnante só respondeu a fiscalização, em 09/01/2013, diverge da realidade e mostra intuito de macular a imagem da impugnante. Questiona o fato de que a primeira intimação exigia que a Impugnante fizesse uma planilha, apresentando as negociações, apenas com a cessão de LTN, na qual deveriam constar determinadas informações – o que alega não ser ônus do contribuinte que está obrigado por lei a guardar e apresentar os documentos fiscais e aqueles que fazem parte da respectiva comprovação destes, e não a elaborar planilhas a cargo da Fiscalização para cumprimento do art. 142 do CTN. Acrescenta que, apesar disso, apresentou em 09/01/2014 os documentos solicitados inclusive planilha objetivando atender com total presteza a fiscalização. Relaciona documentos apresentados em atendimento à intimação e noticia que, convocada por telefone, compareceu à repartição sendo atendida pelo Chefe da Fiscalização porque o Auditor responsável pela Fiscalização estaria licenciado por motivo de doença e continua: Fl. 536DF CARF MF 38 Alega que, considerando tais fatos, evidenciada está a espontaneidade, conforme exemplifica § 2º do Decreto 70.235/72, podendo realizar até uma denúncia espontânea, escapando de qualquer penalidade. Sob o título “Quanto as DCTFs Zeradas, as Compensações e as Informações Prestadas nos termos nº 03, 04 e 05” a Impugnante transcreve excertos do termo de Verificação (tópicos 2.5.1 a 2.5.4, 2.5.6 e 2.9), classifica de confusas e tendenciosas as análises feitas pela Fiscalização e alega que: todos os documentos e justificativas foram apresentadas, principalmente aqueles documentos que tratavam e especificavam os contratos de prestação de serviços e da devolução e compromissos de devolução de receitas recebidas; toda a vida da empresa foi aberta como em uma “caixa preta”, mostrando os insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Tece comentários acerca da funcionalidade da DIPJ, DCTF e DACON e, logo a seguir, argumenta que: no caso da Impugnante, desde o início, foi demonstrado para a fiscalização que diversos valores recebidos pela empresa foram devolvidos em virtude dos distratos; por esse motivo, algumas das DCTFs, foram substituídas, informando que não havia movimento ou valores a pagar; originalmente as DCTF’s foram entregues com valores equivalentes aos informados no DACON e na DIPJ. Porém, com as rescisões ou distratos, houve a necessidade de revisar as declarações. Defende, então, que a DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, e que, como exemplo, diante de valores informados na DIRF e não confessados em DCTF, ... é lícito ao Fisco exigir, por meio de lançamento de ofício, as diferenças apuradas por insuficiência de recolhimentos, porém, no caso em análise limitase ao mês de dezembro de 2011, uma vez que os valores constantes da escrituração contábil e os informados ao FISCO via DACON são os mesmos, verificando apenas uma diferença para o mês de dezembro de 2011. Reportase a documentos entregues no curso do procedimento fiscal acerca de distratos e devoluções de quantias recebidas a título de prestação de serviços com os quais alega ter demonstrado a quantia de 19.477.570,00 (...) em devoluções aos seus clientes, não havendo que se falar em irregularidade nas DCTF’s zeradas ou nas informações prestadas em respostas aos termos de intimação. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 519 39 Discorre acerca do regime de competência e do auferimento de receitas de prestação de serviço, asseverando que: Na tributação por esse regime o pagamento não é elemento essencial para ocorrência do fato gerador, uma vez prestado o serviço, com a anuência do tomador e o compromisso contratual (seja escrito ou verbal) deste de pagar o preço acertado, aperfeiçoase o negócio jurídico e o prestador passa a ter o direito de receber o seu pagamento. Situação diferente dessa (contratante inadimplente) ocorre quando o contratante não paga o valor cobrado pelo contratado porque não aceita o serviço (seja porque o serviço não foi contratado, seja porque o serviço não foi executado conforme previsão contratual) Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (seja no todo, seja em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não podem ser considerados como receitas realizadas. Reportase à Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, IN SRF nº 247, de 2002, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 01, de 2004, e argumenta que de acordo com a alínea “a” do inciso V do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não integram a base de cálculo a Contribuição ao PIS/PASEP as receitas referentes a vendas canceladas. Destaca que não há qualquer menção na legislação brasileira distinguindo o tratamento aplicável à mercadorias e serviços, de modo que mesmo tratandose de receitas relativas à prestação de serviços, existe o direito à exclusão da base de cálculo sobre os valores referentes a vendas canceladas, na apuração da contribuição para o PIS/PASEP. Aborda as DCTF retificadas, alegando ter sido obrigada a devolver e assumir compromissos de devolução de muitos clientes, essas devoluções afetaram diretamente toda a receita bruta dos anos de 2010, 2011 e 2013, conforme comprovado com toda a documentação apresentada. E continua: As retificadoras, não tinham como objeto sonegar informações ao Fisco, até porque os valores de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL foram detectados no relatório fiscal com tamanha facilidade, até porque a impugnante contribuiu com o trabalho da autoridade fiscal que a todo momento solicitava uma planilha diferente, logicamente economizando tempo e mão de obra. o uso da declaração sem movimento foi apenas equacionar os problemas internos da IMPUGNANTE, com as devoluções já anteriormente explicadas, pois a dispensa da constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício somente se aplica aos débitos declarados no campo saldo a pagar de DCTF, tendo assim, natureza de confissão de dívida, passível de encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa da União e execução Judicial, em caso de seu inadimplemento. Fl. 538DF CARF MF 40 Independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos; Porém, o débito confessado em DCTF e encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, não mais há a possibilidade de retificar e, em tais situações, houve a mudança do fato gerador da obrigação tributária e a redução comprovada da receita bruta auferida, a manutenção de valores anteriormente propiciariam um enriquecimento sem causa aos cofres públicos. Cita doutrina e ementa de decisão judicial acerca de enriquecimento sem causa, reportase à equidade e ao princípio da razoabilidade e retoma as objeções ao procedimento fiscal, alegando que: com o Termo de Constatação de Intimação Fiscal nº 05 1513/2013 verificase que a autoridade fiscal deixou de ser técnica em suas análises e começou um modo rudimentar de fiscalizar, em contradição com o art. 142 do CTN; apesar de toda a documentação e explicações apresentadas e ... abrindo a “caixa preta”, mais uma vez, a douta fiscalização, diz que as respostas apresentadas são parciais, sem a possibilidade de verificação de elementos probatórios e solicita nova planilha. Questiona o fato de a Fiscalização ter considerado que as intimações foram atendidas de forma apenas parcial e que as respostas apresentadas não seriam suficientes, formalizando novas intimações e alega que todas foram atendidas. Afirma que as diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo nº 7, exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Acrescenta ter sido reapresentada a planilha das movimentações bancárias, onde a Impugnante conseguiu identificar outros recebimentos, sempre no intuito de melhor atender a fiscalização, conforme consta inclusive do Termo de Verificação. Aborda os termos de intimação fiscal nºs 4 e 8, alegando que demonstram uma atitude abusiva e tendenciosa da autoridade fiscal e não podem representar o interesse da administração pública. Sobre o Termo nº 4, com intimação para comparecimento da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, reportase à resposta de impossibilidade de atendimento relatada no Termo de Verificação e o comparecimento de seu pai Cláudio Assis Costa, questionando o tratamento que teria ele recebido: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 520 41 Menciona a Portaria RFB nº 2.439, de 2010, que trata da formalização de Representação Fiscal para fins penais, e alega que essa portaria não tem o poder de obrigar o Contribuinte a depor, visto que são inúmeras as legislações que concedem o direito de permanecer calado. E continua: Invoca a possibilidade de a autoridade fiscal examinar livros e documentos contida no art. 195 do CTN , e alega que tais regras não se sobrepõem ao direito de não autoincriminação. Cita disposições acerca do silêncio no Código Penal e do Código de Processo Civil. Reclama que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento do Sr. Cláudio Assis Costa à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não foram mencionados no Termo de Verificação, o qual alega conter descrição apenas acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento a solicitação por telefone. E continua: Fl. 540DF CARF MF 42 Assevera que com o intuito de denegrir a imagem do Sr. Cláudio Assis Costa, a Fiscalização o indagou fazendo acusações quanto a utilização do CPF 728.989.921 00, afirmando que o mesmo estaria fazendo uso de outro Cadastro de Pessoa Física. Consigna que o procedimento fiscal em face da Impugnante teve como objeto a cessão de Títulos Públicos e não a vida do Sr. Claudio Assis Costa, mas a autoridade administrativa buscou juntar elementos que pudessem dar uma conotação negativa e agravar uma condição para Impugnante. Assevera ter o Sr. Cláudio explicado que, ao solicitar a 2ª via do documento de seu CPF, recebeu um segundo número por erro da própria Secretaria da Receita Federal e que já tinha tomado as medidas cabíveis e tal fato foi objeto de ação transitada e julgada. Argumenta ser sabida a ocorrência de casos de CPF em duplicidade por erro da própria Secretaria da Receita Federal, causando prejuízos para muitos contribuintes. Cita decisão judicial sobre a matéria. Conclui que: o dever de ofício pelo cancelamento do CPF é da autoridade fiscal, conforme expressa a IN RFB 1042, de 2010, mas até a presente data a inscrição encontrase suspensa e não cancelada. No sistema comprot, não se verifica nenhum processo para cancelamento, o que denota que as autoridades fiscais envolvidas no procedimento fiscal tinham apenas o objetivo de denegrir a imagem do Sr. Claudio Assis Costa na tentativa de imputação de crime contra a ordem tributária. Acerca do Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, reitera a Impugnante ter realizado a compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal. Destaca que nem todas as empresas que compraram esses títulos contrataram a Impugnante para prestar assessoria junto aos órgãos da administração fiscal, transcrevendo excerto do Termo de Verificação em que descritos os tipos de contrato que utilizava: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Prestação de Serviço de Consultoria tributária e Venda de Ativos – o que, entende, afasta a ideia de que a impugnante praticava atos fraudulentos e contínuos, ...pois em grande maioria, os próprios clientes eram responsáveis por apresentar suas declarações perante o fisco. Reprisa seu entendimento de que, no Termo de nº 08, teria a Fiscalização utilizado de um artifício ardil para colher o depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. Entende que a autoridade fiscal, desde o início do procedimento fiscal até o encerramento, utilizouse da dissimulação e atos tendenciosos para justificar a sua autuação. Transcreve excertos do item 3, alíneas a, b, k1 e k2, do Termo de Verificação para alegar que: Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 521 43 o comentário da autoridade fiscal beira o devaneio, pois nos últimos cinco anos, o sistema de informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil está altamente informatizado. Ardiloso e fraudulento são os comentários que tentam induzir a ideia de alguém não vai verificar se as compensações e alterações foram realizadas e informadas na DCTF; diante de retificação de DCTF, a pessoa jurídica recebe a mensagem que sua informação junto ao fisco foi alterada e não iria se certificar dessas alterações, parece ser meio absurda a ideia de que em pleno século 21, alguém daria cheque em branco para o outro; o pior que a autoridade fiscal, insiste em afirmar que a Impugnante valeuse do mesmo modus operandi para diminuir os tributos anteriormente declarados, ou seja, uma estelionatária que pratica o estelionato quanto si mesmo; A verdade que a autoridade fiscal, insiste nessa tese para não convalidar de que com a devolução de honorários recebidos, a Impugnante não seria devedora dos valores anteriormente declarados. Até os processos administrativos são digitalizados e suas informações podem ser vistas através da certificação digital de cada empresa no campo processo digital; Em sua maioria as decisões que acarretam o indeferimento dos pedidos de compensação dos clientes da Impugnante se deram com base no art. 34, I, c, da Instrução Normativa nº 900/2008, ou então com base no § 1º do mesmo artigo, já que eram abertos processos administrativos para efetuar a compensação – sujeitandose a apenas Recurso Hierárquico sem o direito da Manifestação de Inconformidade, tornando os valores anteriormente compensados em imediatamente exigíveis e por sua vez acarretando a obrigatoriedade de devolução dos honorários e encerramento dos contratos; Destarte, que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada – no percentual de 150%, para o que há necessidade de demonstração e comprovação cabais do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, condição que entende não comprovada no presente caso. Reportase à multa de ofício e sua majoração por situação qualificadora, mencionando as condutas dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e a exigência da prática de dolo, alegando equívoco na autuação pois das diversas intimações e respostas encaminhadas pelo fiscal ao contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados, são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. Fl. 542DF CARF MF 44 Opõese à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Transcreve excertos doutrinários destacando a necessidade de existência de motivo para a simulação e concluindo não haver motivação para prática de fraude, dolo, simulação, no caso da retificadoras da DCTF, frente às devoluções realizadas pela Impugnante. Discorda do Indeferimento do PER/DCOMP apresentado por meio eletrônico, alegando que: foi contratado consultoria de fora para analisar as contas e as escriturações fiscais da Impugnante, a qual não possui conhecimento dos clientes da Impugnante e objetivavam apenas a análise de dados; todas as operações com base nas compensações são baseadas no art. 74 da Lei 9.430/96, de modo que a consultoria contratada utilizase da contabilidade e da certificação digital para apurar a possibilidade de crédito ou até mesmo irregularidades de cobranças; o art. 74 da Lei 9.430 autoriza o contribuinte que apurar qualquer crédito, compensar com qualquer tributo que lhe seja devido, sem a obrigatoriedade de compensar com tributos semelhantes, portanto, não há irregularidade na prática adotada pela sociedade Impugnante. Aborda a questão da retenção indevida de tributos na fonte e expõe caber ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito, podendo a fonte pagadora pedir a restituição desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário. Invoca o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, que prevê a obrigatoriedade de retenção na fonte de CSLL, Cofins e PIS, nos pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços que menciona. Transcreve excerto do Termo de Verificação para alegar que: a Fiscalização diz que para o código 5956, a retenção deve ser de 4,65%, com o que concorda, o que não se pode concordar é que havendo uma retenção maior que esse percentual, caracterizase uma fraude ou qualquer indício de ilícito – tese que vai de encontro ao que se chama de retenção indevida ou a maior e segundo a qual nenhum contribuinte fará apuração de crédito, pois quando ocorrer um pagamento a maior, a autoridade fiscal aumentará hipoteticamente o faturamento da empresa para extinguir o crédito. Valese da Solução de Consulta nº 22 da Cosit, que transcreve em parte (fls. 1673), para alegar que: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 522 45 tal parecer emite a possibilidade de uma empresa enquadrada no simples, solicitar a restituição desse tributo indevidamente retido; diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, I, do CTN; na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, que menciona; a par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Expõe que os procedimentos para que o "sujeito passivo que promoveu a retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB" pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da IN RFB 1300, de 2012, que transcreve e que alega constituir, do ponto de vista da Impugnante, o modo ideal de reaver os tributos que lhe foram descontados indevidamente na fonte. Mas ressalva: todavia, as normas não obrigam a fonte pagadora a seguir o prescrito naquele dispositivo, apenas facultam que ela o adote. E continua: Transcreve o art. 112 do CTN e conclui: assim que se cumpra a Lei, desconsiderando o alegado pela autoridade fiscal quanto as compensações para qualificação de multas, já que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunção. Fl. 544DF CARF MF 46 Sob o título “Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento” expõe que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar este mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Transcreve o art. 530, inciso II, do RIR/99, e continua: Cita ementas de acórdãos acerca do arbitramento do lucro, alegando que este deve ocorrer somente em casos extremos, e mediante observância de quatro mandamentos de ordem material, que relaciona (fls. 1678/1679). Apresenta, também, excertos doutrinários para concluir que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro pois os livros permitem facilmente identificar a movimentação financeira da impugnante e da ausência dos quatro requisitos formais firmados pelo Conselho de Contribuintes. Sob o título “Da Representação Fiscal para Fins Penais” reitera a alegação de inexistência de fraude visto que as receitas anteriormente declaradas foram modificadas tendo em vista que houve alteração no fato gerador e obrigatoriamente resultou na devolução dos valores que faziam parte da receita apurada pela impugnante. Expõe que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Noticia ser a fiscalização fruto de uma denúncia descabida realizada pela empresa TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS, a qual alega ter sido ressarcida integralmente dos honorários pagos. Acrescenta que a autoridade fiscal apenas transcreveu a denúncia, sem realizar a devida perícia técnica. Quanto a compensações de uma forma geral, reprisa corresponderem ao direito constitucional de petição, onde o Contribuinte faz sua solicitação enviando para posterior apreciação. Transcreve dispositivo legal no qual destaca a extinção do crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de compensação e expõe: Não pode a autoridade fiscal, esquivar do seu direito de ofício em apreciar as compensações, nem alegar que isso de alguma forma tende a acarretar prejuízos aos cofres públicos, pois todas as compensações são analisadas para posterior homologação ou Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 523 47 indeferimento através de despacho decisório, até porque no momento da entrega fica o contribuinte cientificado de que a Declaração de Compensação apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, nos termos do § 6º do art. 74 da lei nº 9.430 de 1996, com a redação determinada pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003. não se cogita de intuito de sonegação nem de prejuízo aos cofres públicos pois em todos os casos de indeferimentos, são acrescidos ao valor principal a multa de atraso e os juros correspondentes. Cita r transcreve os art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e alegando que em toda a documentação apresentada não se vislumbra a presença dos requisitos essenciais dos artigos acima citados. Finaliza formulando pedido nos seguintes termos: Por sua vez, as Manifestações de Inconformidade (em face dos Despachos Decisórios de não homologação das compensações apresentadas) de fls. 227/292 do processo 10740.720024/2014 82, de fls. 229/294 do processo 10740.720025/201427 e de fls. 252/317 do processo 10783.720248/201498, apresentadas em nome da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda, e de teor semelhante à sua Impugnação acima relatada, são encerradas com pedidos nos seguintes termos: Prosseguindo, na peça de defesa de fls. 1698/1705 do processo nº 10740.720068/201411, apresentada em nome de Cláudio Assis Costa é questionada a atribuição de responsabilidade solidária mediante os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o art. 124, II do CTN não autoriza a responsabilização de terceiros sem vinculação ao fato gerador e interpretação contrária a tal previsão e ao art. 128 do CTN implicaria flagrante violação legal. Transcreve disposições dos arts. 124 e 125 do CTN e excertos de doutrina destacando que: • a solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário; Fl. 546DF CARF MF 48 • interesses econômicos no fato gerador ou interesses nas consequências advindas da realização do fato gerador são irrelevantes para a configuração da solidariedade; • é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária. Aborda especificamente a responsabilidade solidária do Impugnante Cláudio Assis Costa, alegando a necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, o qual transcreve, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Transcreve excerto do Termo de Verificação e alega que restou a autoridade fiscal, ... comprovar os atos praticados com excesso de poder ou infração legal, para concluir: Na sequência, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas, as mesmas alegações apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. , de fls. 1709/1718 do processo nº 10740.720068/201411, (repetida às fls. 1739/1748), nega a Impugnante a ocorrência de blindagem patrimonial e de que sua criação teria finalidade de manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da Costa Juca. Considera tratarse de mera especulação, ou seja, uma pressuposição sem nenhuma comprovação e fácil de ser rebatida. Transcreve excerto do Termo de Verificação e destaca que uma das sócias da empresa AG Costa (Gabriela de Alcântara Almeida Costa) também é sócia da Impugnante (A G Costa) e alega que se houvesse esse suposto objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso, de forma premeditada, a empresa AG COSTA poderia ter sido formada por CLAUDIO DE ASSIS COSTA e sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, ou ainda por terceiros sem qualquer vinculação direta às atividades da autuada COSTA JUCÁ CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Expõe ser sabido que a sociedade holding patrimonial tem por finalidade a redução da carga tributária da pessoa física, o planejamento sucessório e o retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 524 49 pessoa jurídica, razão pela qual empresários utilizam esse tipo de sociedade para imobilizar capital e obter renda com o seu acervo patrimonial. Assim, ao invés das pessoas físicas manterem bens em seus próprios nomes, os mantém através de uma pessoa jurídica a controladora patrimonial. Continua apontando vantagens na constituição de pessoa jurídica para controle do patrimônio de pessoa física e alega inexistir qualquer abusividade no controle do patrimônio da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA pela sociedade empresarial patrimonial AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, mas tão somente vantagens concretas para os titulares das ações, que passam a ter a tributação diferenciada, facilitação na transmissão de bens e maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. Reitera a alegação de que a sociedade ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio e que a finalidade da criação da AG COSTA foi a facilidade na realização no planejamento sucessório que seria um fato concreto na vida de todos e a obtenção de renda através de um acervo patrimonial. Acrescenta que: • Essa renda é a mesma utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, conforme insinua maldosamente a autoridade fiscal; • todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Na sequência, sob o título “Da Responsabilidade Solidária” são expostos argumentos idênticos aos já apresentados na peça de defesa de fls. 1698/1705, em nome de Claudio Assis Costa, sendo acrescentadas as seguintes alegações: Conclui do mesmo modo no sentido de que não merece prosperar o auto de infração ao imputar responsabilidade Fl. 548DF CARF MF 50 solidária a terceiro sem que evidencie a sua efetiva participação para a ocorrência do fato gerador. Ainda, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa, de fls. 1769/1773, é questionada a atribuição de responsabilidade solidária, alegando ser necessário interesse jurídico da situação que constitui o fato gerador, ou na hipótese do art. 135 do CTN, a responsabilidade decorre de atuação com excesso de poderes. Afirma inexistir ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia GABRIELA, conforme imputado no auto de infração. Transcreve excerto do Termo de Verificação (na parte que se refere a Cláudio Assis Costa), e alega não ter a Fiscalização comprovado a ocorrência de ato com excesso de poder ou infração legal e expõe: Na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela IMPUGNANTE são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Conclui: Também nesta impugnação, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Jucá Consultoria Empresarial Ltda, relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido abaixo: De fls. 1.785/1.788 constam Termos e Apensação dos processos mencionados no início deste Relatório. As peças de impugnação acima relatadas foram apresentadas pelos interessados nos dois processos de Autos de Infração: 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 525 51 Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 foram apresentadas peças de defesa em nome de Costa Juca e Dimitry e Manifestação de Inconformidade em nome de Costa Juca contendo razões de defesa no mesmo sentido daquelas apresentadas no processo de auto de Infração 10740.720068/201411 e já relatadas acima. O acórdão recorrido foi proferido, negando a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, resultando na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 550DF CARF MF 52 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 526 53 Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recursos Voluntário não expôs qualquer argumento novo, repisando os mesmos fundamentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recursos Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 552DF CARF MF 54 Concordando com o voto proferido, com fulcro no artigo 57, parágrafo terceiro, Anexo II, do RICARF, transcrevo sua fundamentação: Do mesmo modo como indicado no relatório, os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. Acerca da tempestividade das defesas, comparamse a seguir as datas de apresentação das diversas peças com as datas de ciência dos respectivos requerentes: Registrese que: em nome da pessoa Jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda foram apresentadas duas peças de defesa: (i) uma (fls. 1595/1614) em conjunto com a pessoa física Dimitry Cerewuta Jucá e por ele subscrita (peça que é tempestiva apenas em relação à ciência de Dimitry Cerewuta Jucá) e (ii) outra peça (fls. 1618/1683) apenas em nome da própria da pessoa jurídica (contendo contestação de mérito e subscrita pelo procurador Cláudio com procuração às fls. 1695/1697), a qual é tempestiva; em nome da pessoa física Cláudio Assis Costa foi apresentada peça de defesa (fls. 1698/1705) onde não se encontra a data de protocolização, todavia fora ela juntada aos autos entre outras duas peças de defesa (fls. 1618 / 1683 e fls. 1709/1718), ambas protocolizadas em 25/11/2014, de modo que, se considerada tal data, é tempestiva a defesa de Cláudio de Assis Costa e acerca da tempestividade nada ressalva ou opõe a autoridade preparadora que encaminhou os autos para julgamento; além disso, peça de mesmo teor, em nome de Claudio de Assis Costa e com data de recepção 25/11/2014, encontrase juntada às fls. 1.182/ 1.189 do processo 10740.720069/201457; Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 527 55 em nome dos demais interessados foram apresentadas peças também tempestivas. os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, estão disciplinas na Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, da qual se extrai: ... Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. ... Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. No presente caso, apresentadas: (i) peças de defesa contendo, entre outros, questionamentos sobre o vínculo de responsabilidade (em nome das pessoas físicas e da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. e (ii) peça de defesa quanto ao crédito tributário e à não homologação de compensações (em nome da pessoa jurídica Costa Juca Fl. 554DF CARF MF 56 Consultoria Empresarial Ltda), com as observações supra acerca da tempestividade e preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, delas se toma conhecimento. Arrolamento de Bens Acerca da matéria observese tratarse de medida de preservação do crédito tributário lançado de ofício, prevista nos arts. 64 e 64A da Lei nº 9.532, de 1997. Os procedimentos para fins de arrolamento de bens e direitos, à época em que formalizado, estavam disciplinados na Instrução Normativa RFB n.º 1.171, de 07/07/2011, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas RFB n.º 1.197, de 30/09/2011, e n.º 1.206, de 01/11/2011 e, recentemente, encontrase em vigor a Instrução Normativa RFB 1565, de 11/05/2015. Todavia, o arrolamento é formulado em apartado e não compõe os presentes processos de exigência de crédito tributário e não homologação de compensações,não se inserindo no âmbito de competência deste colegiado, definida no art. 233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, o pronunciamento acerca de questionamento relativo a procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora, a quem devem ser dirigidos os pedidos relacionados à matéria, em processo próprio, e aqui indevidamente apresentados. Nesse sentido já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos assim ementados: ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não é competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a apreciação de pedido de cancelamento de Arrolamento de Bens e Direitos. (Acórdão 1803002.466 Sessão de 26/11/2014) ARROLAMENTO DE BENS. Não cabe ao CARF manifestarse acerca do procedimento administrativo de arrolamento de bens, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. (Acórdão 1202001.211 Sessão de 25/11/2014) E, se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a arrolamento de bens, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Representação Fiscal para Fins Penais Com relação a questionamentos acerca da formalização de Representação Fiscal para Fins Penais relativa a crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, esclareçase que o correspondente processo, de nº 10740.720071/2014 26, não é objeto do presente julgado, pois a questão também não se insere na esfera de competência deste órgão julgador. Tanto é que, neste caso, já há até súmula do CARF a respeito: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 528 57 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Além disso, consoante disposto no “caput” do art. 83 da Lei n.º 9.430, de 1996, a mencionada representação somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário em discussão nos processos em tela. Em suma, o julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, e à nãohomologação de compensações, matérias estas tempestivamente questionadas, não comportando análise de questões que tratam de arrolamento de bens, nem de representação fiscal para fins penais. Alegação de nulidade – Cerceamento de defesa A nulidade da autuação foi arguida na peça em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, sob a alegação de ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalização o que é absolutamente insuficiente, impossibilitando o exercício de defesa. Distintamente do que alegado, os Autos de Infração foram formalizados com observância dos requisitos do art. 142 do CTN e atendem o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Com efeito, os Autos de Infração contêm expressamente a descrição dos fatos, a identificação dos motivos que embasaram a autuação, a indicação das disposições legais consideradas infringidas, a identificação do montante tributável, do sujeito passivo e responsáveis solidários e dos critérios para sua apuração. Não se vislumbra, portanto, ausência de requisitos nem vício de formatação que pudesse comprometer o lançamento ou o direito dos interessados constitucionalmente garantido. Especificamente acerca dos períodos a que se referem as exigências, registrese que os fatos foram descritos de forma detalhada e minuciosa pela Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal nº 091513/2013, de fls. 105/202, o qual contém detalhada e discriminadamente os períodos e valores autuados, além da ressalva, ao final, de que o mesmo é parte integrante e indissociável dos autos de infração. Para maior clareza reproduzse excertos das planilhas que integram o tópico 7.1 do citado Termo de Verificação: 7. DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO Fl. 556DF CARF MF 58 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS ... Os períodos e valores das planilhas acima também estão indicados nos Autos de Infração, a exemplo do item 002 do Auto de IRPJ (fl. 07): Quanto à infração por omissão de receitas, registrese que foi fundamentada, entre outros dispositivos, no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual prevê, no parágrafo 1º, que o valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. E, no caso, a Fiscalização identificou individualizadamente todos os créditos bancários questionados, conforme planilha de fls.1.437/ 1457, que integra intimação Fiscal nº 071513/2013, datada de 05/08/2014, para comprovação da origem de recursos (fls. 1433) e da qual se reproduz, a título de exemplo, o excerto a Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 529 59 seguir, referente ao mês de julho/2010, em que detectados créditos cuja soma perfaz R$ 918.999,99: Por sua vez, na planilha integrante do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179 e seguintes), foram identificados os fatos geradores autuados por omissão de receitas, como se vê no excerto a seguir reproduzido, no qual, para o período exemplificado (julho/2010), foi apurada, a título de valor a ser constituído, a diferença de R$ 213.674,76 ( R$ 918.999,99 R$ 705.325,23) em comparação ao quantum contabilizado e informado em DIPJ: Ainda, nos Autos de Infração de cada tributo, também foram indicadas as datas dos fatos geradores e respectivos valores, como se verifica, no exemplo abaixo, reproduzido do Auto de IRPJ de fls. 06/07: Fl. 558DF CARF MF 60 O mesmo se verifica em relação ao Auto de Infração do processo 10740.720069/201457, também instruído com cópia do mesmo Termo de Verificação Fiscal, conforme excerto de fls. 06 e 09/105 daqueles autos: Diante dos fatos descritos, mostrase injustificável a alegação de que a Fiscalização não teria identificado os períodos autuados ou a ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, como se vê dos Autos de Infração e do minucioso Termo de Verificação Fiscal que os instrui, os fatos geradores foram identificados em todos os seus aspectos, quer aqueles decorrentes da própria contabilidade do contribuinte e de sua DCTF que veio a ser indevidamente retificada, quer aqueles apurados em função dos créditos em sua conta bancária e, também, aqueles que ensejaram a penalidade por compensação indevida. Os Despachos Decisórios, por sua vez, foram fundados nos Pareceres emitidos pela Fiscalização contendo os fatos e a motivação do não reconhecimento de direito creditório utilizado em Declarações de Compensação, os quais também constam do Termo de Verificação Fiscal, não se cogitando da alegada falta de fundamentação. Por outro lado, todos os interessados foram regularmente cientificados dos fatos apurados, das infrações que lhes foram imputadas e das exigências e dos Despachos Decisórios formalizados, recebendo, inclusive, cópia de inteiro teor dos processos digitais correspondentes conforme fls. 1583, com concessão de prazo regulamentar para pagamento ou apresentação de defesa. E, as oportunidades de oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram devidamente aproveitadas mediante apresentação de competentes peças de defesa em todos os processos e por todos os interessados, em que demonstram ter conhecimentos dos fatos e ter compreendido perfeitamente as infrações que lhes foram imputadas. Não se configura, portanto, o cerceamento de defesa. Deve, assim, ser rejeitada a arguição de nulidade, pois a hipótese de ilegitimidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração e despachos decisórios, está perfeitamente definida no Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 59, incisos I e II, que se referem a lavratura por pessoa incompetente e preterição de direito de defesa, situações que não se verificam no presente caso. Deve ser, portanto, rejeitada a arguição de nulidade. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 530 61 Questionamentos acerca do procedimento fiscal No contexto acima descrito, acentuese a impropriedade da defesa ao apresentar questionamentos relacionados ao desenrolar do procedimento fiscal e ao pretender discutir a formalização, o teor e o endereçamento de intimações ocorridas na fase anterior à autuação. Consignese que a constituição do crédito tributário de ofício observa o estabelecido no art. 142 do CTN que estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível – o que foi observado no presente caso. Cumpre à Autoridade Administrativa competente a identificação de tais elementos visando a subsunção dos fatos à norma aplicável, levantando dados no procedimento investigatório de fiscalização, durante o qual não se configura o contraditório nem a ampla defesa, vez que a ação fiscal se desenvolve mediante aplicação do direito tributário material, da qual poderá redundar a formalização da exigência. Assim, a relação jurídica processual somente se concretiza com a apresentação da impugnação (ou manifestação de inconformidade) ao correspondente ato de lançamento (ou de não homologação de compensação), impugnação esta que deve vir acompanhada de todos os elementos de prova indispensáveis a infirmar o ilícito caracterizado nos autos. A teor do disposto no art. 14 do referido Decreto nº 70.235, de 1972, “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, momento em que o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado o Fisco, que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. O procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e/ou com o ato de formalização do Despacho Decisório e a apresentação das correspondentes impugnação e manifestação de inconformidade. A esse respeito, assim leciona James Marins, em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial, Ed. Dialética, São Paulo, 2001, págs. 222/223: "O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de Fl. 560DF CARF MF 62 uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos." É a partir da apresentação da impugnação que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Nesse contexto, imprópria é a pretensão de discutir, no âmbito de impugnação ao lançamento, questões relacionadas a intimações formalizadas no curso do procedimento. Cabível, entretanto, destacar, no que se refere à obrigatoriedade de prestar informações ao Fisco, os seguintes dispositivos legais do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 RIR/1999 [destaques acrescidos]: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). §1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). §2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §1º). §3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §2º). (...) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 531 63 Art. 929. As pessoas físicas ou jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte (DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 11, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 10). (...) Art. 931. Sem prejuízo do disposto na legislação em vigor, as instituições financeiras, as sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades de investimento e as de arrendamento mercantil, os agentes do Sistema Financeiro da Habitação, as bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e instituições assemelhadas e seus associados, e as empresas administradoras de cartões de crédito fornecerão à Secretaria da Receita Federal, nos termos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda, informações cadastrais sobre os usuários dos respectivos serviços, relativas ao nome, à filiação, ao endereço e ao número de inscrição do cliente no CPF ou no CNPJ (Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 12). (...) § 3º A não observância do disposto neste artigo sujeitará o infrator, independentemente de outras penalidades administrativas, à multa prevista no art. 978, por usuário omitido (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 12, §3º). Portanto, a autoridade fiscal está autorizada a requerer informações relativas à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas diretamente ligadas ao fato investigado. Se informações foram solicitadas na forma de planilhas ou mediante comparecimento pessoal, não há impedimento legal para tanto. Eventual impossibilidade de atendimento de intimações é avaliada pelas autoridades fiscais que a ela dá as repercussões cabíveis e, se motivar formalização de exigência (lançamento), os interessados têm oportunidade de defesa contra tais exigências. Também não é capaz de invalidar o lançamento a alegação de que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento de um dos interessados (Sr. Cláudio) à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não teriam sido mencionados no Termo de Verificação Fiscal, o qual contém descrição acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento à solicitação por telefone. Fl. 562DF CARF MF 64 Informações e esclarecimentos dos interessados que fossem por eles considerados relevantes e tivessem sido omitidos pela Fiscalização no Termo de Verificação poderiam ter sido apresentados nas peças de defesa e apreciados neste julgamento como se faz neste Acórdão. Do mesmo modo, eventuais fatos questionados pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal e que os interessados entendem irrelevantes para o lançamento (a exemplo da alegada menção à utilização de dois CPF pelo Sr. Cláudio) não invalidam o lançamento, cujos fundamentos legal e fático puderam ser por eles refutados ou esclarecidos em sede das peças de defesa. Aliás, observese, quanto à alegada menção à duplicidade de CPF de um dos interessados, que tal circunstância sequer foi apontada entre os motivos, analisados adiante, da formalização das exigências nem da atribuição de responsabilidade solidária. Não se vislumbra, assim, qualquer óbice ou falha que comprometa a validade dos lançamentos e dos atos de não homologação de compensação. Alegação de espontaneidade Alega a contribuinte que teria readquirido a espontaneidade no curso do procedimento, após a primeira intimação, em razão do decurso de prazo, entre as primeiras intimações, superior a 60 dias – limite de validade dos atos previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste aspecto, esclareçase que da descrição do procedimento fiscal contida no Termo de Verificação consta: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 532 65 Da simples análise das datas e documentos acima citados constatase que entre as intimações iniciais, invocadas pela defesa, não se identifica decurso de prazo superior a 60 dias que pudesse suscitar reaquisição de espontaneidade. De todo modo, ainda que se confirmasse o decurso do prazo de 60 dias, cumpre consignar que a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo está também regida no art. 138 do Código Tributário Nacional de cujo caput consta: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (Destaques acrescidos). Como se vê, a denúncia espontânea requer, para sua configuração, a confirmação da efetivação de pagamento do tributo devido ou seu depósito, o que não comprovam os Impugnantes terem realizado, mesmo porque apresentadas razões de discordância com a autuação. Neste contexto, a alegação de espontaneidade em nada afeta o lançamento e não permite afastar as exigências. Mérito Compensação indevida – Não homologação Multa isolada Em oposição a não homologação de compensações, é invocado o direito de petição e feita menção ao Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, mediante realização de compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal, com discordância da obtenção de informações por meio de depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, alegandose que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. As alegações apresentadas, contudo, não são hábeis a justificar as compensações analisadas pela Fiscalização, abordadas no item 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176). A compensação de tributos na esfera federal é um direito do contribuinte desde que observados os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a compensação tributária por iniciativa do contribuinte, criada pelo art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, com fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, e ampliada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e pelo Decreto nº 2.138, de 1997, sempre teve por pressuposto a existência de créditos decorrentes de tributos e contribuições, para fazer frente a débitos de mesma natureza. E tal circunstância já havia sido ainda mais detalhada, relativamente aos tributos Fl. 564DF CARF MF 66 administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde meados de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66 (posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 2002), que expressamente limitou a compensação a crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal passível de restituição ou ressarcimento. Além disso, com a nova sistemática de compensação por meio da apresentação de declaração de compensação (DCOMP), foi a ela atribuído o efeito de extinção dos débitos compensados sob condição resolutória de sua ulterior homologação, para o que a autoridade administrativa dispõe de prazo de 05 anos. Assim, não confirmada a existência e/ou diante da impossibilidade da utilização dos créditos informados em DCOMP quando da compensação de débitos, impõese sua não homologação. Por sua vez, a penalidade aplicada tem por pressuposto o mencionado efeito extintivo das Declarações de Compensação – DCOMP, atribuído a este documento desde a sua criação com a Medida Provisória nº 66, de 2002, in verbis: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]” Descumprindo as regras impostas para as compensações – ao indicar crédito para o qual verificada a inexistência de qualquer materialidade fática, como descrito no Termo de Verificação e analisado a seguir , o contribuinte buscou implementar a extinção dos débitos por meio das DCOMP apresentadas. Quanto à menção à revogação da Multa para pedido indevido de crédito tributário conforme refletido em notícia publicada pela imprensa e invocada pela defesa, tratase de casos de pedido de ressarcimento previsto em dispositivo legal distinto daquele que fundamenta a exigência em questão. A multa aplicada no caso em tela encontrase capitulada no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, cujo texto original previa: Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 533 67 “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...).” Com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o referido artigo 18 passou a ter a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...). § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” [Destaques acrescidos] Posteriormente, a redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, passou a ter o seguinte teor, atualmente em vigor, dado pela Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo .” [Destaques acrescidos] Fl. 566DF CARF MF 68 O citado art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê no inciso I do caput a multa de 75% que, aplicada em dobro, resulta no percentual de 150% utilizado pela Fiscalização. Ainda, quanto à menção à revogação de dispositivos que previam a aplicação de multa isolada, observese que a Lei nº 12.249, de 2010, inseriu no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os parágrafos 15 a 17, e a Lei nº 12.844, de 2013, incluiu no mesmo artigo, o parágrafo 18, ficando o texto do ato, como segue: “Art. 74 (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” [Destaques acrescidos] Atualmente, em função das Medidas Provisórias nº 656, de 2014, e nº 668 de 2015 e Leis nº 13.097 e nº 13.137, ambas de 2015, foram revogados os parágrafos 15 e 16 e alterada a redação do parágrafo 17, o qual passou a refletir o seguinte teor: “§ 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13097, de 2015, conversão da MP 656, de 2014)” [Destaques acrescidos] Dessa forma, quando apurada falsidade na declaração apresentada permanece aplicável a penalidade de 150% nos termos do art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Observese que o percentual da multa é fixado em Lei, não se cogitando de arbitramento por parte da autoridade fiscal, como aventado em impugnação. No caso, a Fiscalização demonstra que os créditos indicados nas 03 (três) DCOMP em questão (saldo negativo de CSLL formado por retenções na fonte de código 5952 (retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir privado – CSLL/COFINS/PIS) não existiam, pois não confirmada a ocorrência de retenção de contribuições na fonte e sequer a existência de operações entre a pessoa jurídica autuada e as fontes pagadoras por ela indicadas. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 534 69 De fato, nas DCOMP analisadas no presente caso a contribuinte indicou créditos de Saldos Negativos de CSLL de períodos trimestrais, originados de retenções na fonte que teriam sido efetuadas sob os códigos 5952 pelas fontes pagadoras ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/000168, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/000109. O código 5952 contempla retenções efetuadas por pessoas jurídicas em pagamentos a outras pessoas jurídicas, no percentual total de 4,65%, do qual 1% corresponde a CSLL. E, em relação a tais compensações, descreveu a Fiscalização que: questionada acerca dos créditos utilizados em valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00, a contribuinte alegou erro na informação do período do crédito (que deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado); a verificação das DIPJ de 2011 e 2012 não aponta apuração de saldos negativos de CSLL em nenhum dos períodos mencionados (nem de 2011, nem de 2013); não foram informados no item 32 da Ficha 18A das DIPJ envolvidas qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado; optante pelo lucro presumido, a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32%*9% = 3%), de modo que, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Acerca das fontes pagadoras indicadas pela Costa Juca em suas DCOMP ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA e CONTRUTORA APTA LTDA descreveu a Fiscalização, às fls. 171 e seguintes, evidentes distorções e inconsistências, entre as quais: a fonte pagadora ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. Apesar disso, de acordo com a DCOMP da Costa Juca, a pessoa jurídica Elite teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições (CSLL, PIS, Cofins) no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o Fl. 568DF CARF MF 70 pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. por outro lado, mesmo com DIPJ inativa ou zerada, foram encontradas DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, em relação às quais foi constatado que: Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte (sequer indica a Costa Juca) totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29 (em que sequer é observado o percentual de 4,65%). Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários (também não contemplando a Costa Juca) com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90 (percentual de retenção sem qualquer previsão). a CONSTRUTORA APTA foi declarada INAPTA em 1999 por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ... e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 535 71 pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Confirmando a inexistência do crédito indicado nas DCOMP analisadas transmitidas pela contribuinte com dados inverídicos, a Fiscalização expõe as seguintes informações fornecidas, em depoimento, pelo o Senhor CLÁUDIO ASSIS COSTA, administrador da COSTA JUCA : era Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCÁ; que é contador de formação; perguntado sobre a origem dos créditos informados nos três PER/DCOM apresentados pela COSTA JUCA (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068) informou: não tinha conhecimento dos fatos; “não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”; que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Ainda que, como alegado pela defesa, o Sr. Cláudio Assis Costa, apenas cuidasse da parte comercial da Impugnante e não possuísse capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados, vêse que a Fiscalização reuniu um conjunto de evidências que demonstram que os créditos utilizados nas DCOMP analisadas não existiam, mas sim que foram criados mediante indicação de retenções por fontes pagadoras de forma totalmente incompatível com as declarações por elas prestadas. A Impugnante, mencionando disposições legais como o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, e a IN RFB 1300, de 2012, bem como Fl. 570DF CARF MF 72 invocando solução de consulta acerca de retenção na fonte, defende a possibilidade de existência de crédito compensável decorrente de retenções indevidas ou a maior. Cumpre esclarecer, contudo, que a Fiscalização não negou, em seu Termo de Verificação, a possibilidade de ocorrência de retenções indevidas ou a maior em pagamentos de pessoa jurídica para pessoa jurídica, sujeitos a retenção sob código 5952 de contribuições (CSLL, PIS e Cofins). Também não negou, a Fiscalização (quer no Termo de Verificação quer no Despacho Decisório e Parecer que o embasa), a possibilidade de que, ocorridas retenções efetivas, fossem elas consideradas antecipações e utilizadas, nas DIPJ correspondentes, como dedução na apuração do valor devido ao final do período (quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentados os respectivos Comprovantes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, sendo este último requisito passível de ser suprido pela confirmação em DIRF). O que a autoridade fiscal detectou como irregular, ensejando a não homologação da compensação e a aplicação da penalidade no percentual de 150%, foi a utilização pela contribuinte de crédito formado por retenções em operações cuja existência sequer pode ser comprovada pelas declarações prestadas pelas pessoas jurídicas envolvidas, prestando assim a contribuinte autuada declaração falsa ao indicar crédito decorrente de retenções originadas das fontes pagadoras acima mencionadas. Para reverter a decisão de não homologação e a aplicação da penalidade por compensação indevida bastaria à interessada apresentar provas documentais evidenciando a efetiva ocorrência de operações com as empresas que indicou como fontes pagadoras (ELITE e CONSTRUTORA APTA), bem como comprovando as retenções que teriam ocorrido em tais operações e apresentando os correspondentes comprovantes de retenção. Todavia, nas peças de defesa apresentadas, nada é trazido neste sentido. Limitamse a questionar o procedimento fiscal, a defender o direito de apresentação de DCOMP e a negar a ocorrência de fraude. Em suma, a Interessada não comprovou o direito ao crédito de Saldo Negativo de CSLL. Ademais, como já mencionado, a Fiscalização apontou um conjunto de circunstâncias que demonstram a inexistência de retenções que a interessada aponta em suas DCOMP como formadoras do crédito utilizado e, consequentemente, a opção da contribuinte de inserir nos documentos de compensação informação falsa. Subsiste, pois, válida a conclusão da autoridade fiscal de que débitos foram indevidamente extintos por meio de declarações de compensações, com evidente intenção de fraude aos sistemas de cobrança da Receita Federal mediante a inserção de elementos falsos nas Declarações de Compensação. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 536 73 Importante lembrar que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que, no caso, teria sofrido a retenção do imposto. Decorre, daí, que formulado o pedido de restituição e/ou declaração de compensação deve o interessado dispor das provas hábeis do indébito tributário no qual se fundamenta, e apresentálas quando requeridas, sob pena de pronto indeferimento. Argumenta ainda a Impugnante que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunções. Contudo, o Despacho Decisório de não homologação da compensação e a aplicação da multa de 150% por compensação indevida não foram fundados em presunção, como quis crer a interessada, mas em constatações concretas quanto à apresentação de DCOMP pela contribuinte autuada com crédito que sabidamente inexistia já que formado por retenções na fonte decorrentes de operações que sequer poderiam ter ocorrido, em face das constatações relativas a declarações das alegadas fontes pagadoras, sendo, ainda, a inexistência de tais operações confirmada por representante da própria pessoa jurídica. E, diante da apresentação de Declaração de Compensação, com efeito de extinção dos débitos, mediante utilização de crédito nas circunstâncias descritas, não há como afastar as decisões de não homologação das compensações e a imputação de ocorrência de fraude justificada pela utilização de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Devem ser mantidos, portanto, os Despachos Decisórios exarados nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 e o Auto de Infração com imposição de penalidade objeto do processo 10740.720069/201457. Mérito – DCTF retificadoras zeradas – diferença entre créditos bancários e valores contabilizados Quanto ao mérito, recordese que no processo 10740.720068/201411 foram lançados: Fl. 572DF CARF MF 74 (i) valores contabilizados, informados em DIPJ e não declarados em DCTF (vale dizer, dela excluídos mediante retificação da declaração tópico 7.1 do Termo de Verificação) e (ii) valores decorrentes de depósitos (créditos) bancários cuja origem não foi comprovada, apesar de a contribuinte ter sido regularmente intimada para tanto (tópico 7.2). Quanto à retificação de DCTF zerando valores de débitos antes confessados e contabilizados, a interessada, na impugnação, atribui tal procedimento a distratos decorrentes de seus insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Igual justificativa é mencionada em relação às diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo de Intimação e Constatação nº 7. Em suas palavras, tais diferenças exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Ocorre que na autuação a Fiscalização já excluiu as parcelas relativas aos distratos cuja devolução dos recursos aos clientes (dentre aqueles comprovadamente contemplados na base tributável) pôde confirmar. Como descrito no Termo de Verificação, no curso do procedimento fiscal, a Interessada afirmou a prevalência de valores da DIPJ (em detrimento daqueles da DCTF retificada) e já atribuía as diferenças questionadas entre extratos e contabilidade/DIPJ a cancelamentos de receitas (distratos), sendo essa última alegação repetida na Impugnação. Para melhor análise, registrese que, como descrito no Termo de Verificação, acerca da retificação de DCTF, a interessada Costa Juca foi reintimada, no curso do procedimento fiscal (fls. 119), a: justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. apresentar planilha relacionando os valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, em face da impossibilidade de identificação dos mesmos com base nos históricos constantes nos lançamentos contábeis. Respondeu, conforme consta de fl. 1383: Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 537 75 Refletindo tal ocorrência, descreveu a Fiscalização em seu Termo de Verificação item 2.10 (fl. 120): Relativamente à diferença entre: (i) receitas contabilizadas e informadas em DIPJ e (ii) receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, foi a contribuinte intimada a: (fls. 126/128): a) tomar ciência de planilha, produzida a partir de tabela por ele apresentada elaborada com base nos extratos bancários apresentados, em que foram efetuados os seguintes procedimentos, relativamente aos créditos: conferência e correção das operações indicadas na planilha original, que resultou na inclusão de operações constantes dos extratos bancários e não informadas na planilha original e exclusão de duas operações inexistentes nos extratos bancários; desconsideração das operações que não representariam receitas a serem tributadas (ABERT CRED Abertura de Crédito, APLIC AUT – Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM – Resgate Automático). b) tomar ciência dos valores dos créditos que ingressaram na contacorrente de titularidade da contribuinte, conforme tabela anexa, em que os somatórios mensais, trimestrais e anuais se encontram comparados aos valores escriturados e informados na DIPJ: Fl. 574DF CARF MF 76 c) identificar a natureza jurídica e comprovar com documentos hábeis e idôneos, as operações de créditos constantes dos extratos bancários de sua contacorrente. d) justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Em resposta, conforme fls. 128 e 1.460, a contribuinte consignou que: a) “não foi possível identificar as fontes pagadoras e credoras presentes na planilha anteriormente apresentada, com base em toda a movimentação bancária realizada pela empresa; tendo em vista a insuficiência de informação do próprio extrato bancário, que se encontra em poder desta fiscalização. Ressaltase que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”; b) “a diferença apontada pela fiscalização entre a DIPJ e Movimentação bancária justificase em função dos distratos já apresentados em 14/04/2014 (Recibos em anexo) das seguintes empresas: c) “com base nas devoluções acima enumeradas, a empresa preparouse desde o ano de 2010 para os possíveis distratos; os quais ocorreram, conforme demonstrados nos anexos, por isso, a divergência na contabilização dos mesmos que não integralizaram a base de lucro da empresa”. E, como expressamente constou do Termo de Verificação, todas as informações e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal acerca de distratos formalizados com clientes e acerca de devolução de valores recebidos foram individualizadamente analisados pela Fiscalização, conforme detalhadamente descrito nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), sendo admitidas exclusões da base de cálculo referentes a valores de “receitas canceladas” para os quais fora apresentada a documentação comprobatória. Vejase, a título de exemplo, o tópico 5.3.4 (fls. 158) Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 538 77 Assim, diante das análises e constatações da Fiscalização, os valores acatados foram resumidos no tópico 5.3.13 (fl. 167), como segue: Observese que cancelamentos de receitas antes auferidas somente puderam ser acatados pela Fiscalização em relação a valores dessas receitas que comprovadamente estivessem computadas na base de cálculo dos tributos. Fl. 576DF CARF MF 78 Também a planilha de fl. 180 contida no tópico 7.2, a seguir reproduzida parcialmente, evidencia que, ao apurar os valores a serem constituídos de ofício, a Fiscalização abateu os alegados “valores devolvidos aos clientes decorrentes de distratos”, para os quais foram apresentadas provas consistentes analisadas nos tópicos 5.3.1 (fl. 155) a 5.3.13 (fl. 167): Discriminando, a título de exemplo, os valores de receitas referentes a novembro 2011, temse: depósitos bancários.................................................1.516.351,54 receita contabilizada e informada em DIPJ (cujo débito foi excluído de DCTF) .......................................................582.351,30 distratos (valores restituídos aos clientes pela PJ Costa Juca)............................................................................. 264.090,56 total da receita que ensejou lançamento : 1.516.351,54 264.090,56 = 1.252.260,98 = 582.351,30 + (1.516.351,54 582.351,30 264.090,56) = 582.351,30 + 669.909,68 (valores indicados para o fato gerador 30/11/2011respectivamente no item 2 (fls. 08) e item 1 (fls. 06) do Auto de Infração de IRPJ). Nesse contexto, todas as alegações relativas a reconhecimento de receitas e à possibilidade legal de serem excluídos, da base de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), os valores atribuídos a vendas canceladas (quer de mercadorias quer de prestação de serviços) não afetam o lançamento. Isto porque a Fiscalização expressamente admitiu a exclusão dos valores cancelados (receitas restituídas aos clientes que comprovadamente estivessem incluídas na base tributável) para os quais foi possível confirmar sua ocorrência. E, em relação às parcelas alegadas como distratos e não admitidas na autuação como redutoras das receitas tributáveis, discriminadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, nada esclarecem ou refutam expressamente os Impugnantes. Limitase a defesa a alegar que a quantia de 19.477.570,00 (...) corresponderia a devoluções aos seus clientes, mas nada opõe expressamente à apuração e às análises e constatações fiscais de que as devoluções comprovadas, passíveis de reduzirem os valores a lançar, atingem o montante de R$ 1.824.985,35, reprisese, detalhadamente demonstrado nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), como mencionado acima. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 539 79 Diante do exposto, não há como afastar nem reduzir os valores lançados no processo nº 10740.720068/201411 pois não foram apresentadas, nas peças de defesa, provas documentais de que, no universo de receitas apuradas (qual seja: valores contabilizados/informados em DIPJ e os valores creditados em conta corrente que excedem os contabilizados/informados em DIPJ), haja outros montantes que teriam sido objeto de distratos e de consequente devoluções de receitas, além daqueles já admitidos pela Fiscalização. Neste contexto, também injustificáveis se mostram os questionamentos quanto à descrição pela Fiscalização do modus operandi da autuada e à alegação de que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada. Com efeito, como visto, as constatações da Fiscalização relacionamse a receitas auferidas pela autuada (omitidas ou não) e a extinção de débitos decorrentes de receitas reconhecidas na contabilidade e DIPJ (débitos esses confessados e excluídos de DCTF e/ou débitos incluídos em DCOMP com crédito irregular). Em face de respostas da contribuinte a intimações formalizadas no curso do procedimento, para averiguar a efetividade dos alegados cancelamentos (devolução aos clientes) de receitas auferidas, a Fiscalização necessitou analisar os Distratos alegados e apresentados (tópico 5.3 do Termo de Verificação, fls. 155, já citado acima), os Contratos que teriam sido revertidos (distratados) e os respectivos objetos e motivação (tópicos 3 e 4 do Termo de Verificação, fls. 133/148). E, uma vez apurado crédito tributário a ser constituído, impôsse descrever todas as constatações para justificar a exigência formalizada e a imputação da penalidade. Assim, embora o crédito tributário tenha sido apurado em função de débitos indevidamente zerados em DCTF, de depósitos bancários de origem não comprovada e de débitos confessados em declarações de compensação irregulares, não poderia a Fiscalização se furtar de contextualizar as circunstâncias em que receitas foram auferidas (receitas sem origem comprovada ou receitas de atividades contratualmente previstas, inclusive mediante procedimentos da autuada de cessão de créditos de títulos públicos e oferecimento de serviços de extinção de débitos dos clientes) e os motivos da aceitação de apenas parte das alegações de cancelamento de receitas (distratos). Questionamentos acerca da menção, pela Fiscalização, das atividades da contribuinte para obtenção de receitas e da forma de atuação perante seus clientes (modus operandi), não são hábeis a afastar a exigência. Para tanto, como já mencionado, caberia à Impugnante apresentar esclarecimentos acompanhados de provas documentais que permitissem identificar outras devoluções de receitas comprovadamente integrantes da base tributável, além daquelas já acatadas pela Fl. 578DF CARF MF 80 Fiscalização, bem como comprovar a origem, e o oferecimento à tributação, de valores creditados em suas contas bancária que excederam os valores informados em DIPJ. Mas, nada nesse sentido é apresentado, impondose a manutenção dos valores lançados. Acrescentese, ainda, a improcedência da alegação de que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Tanto não é assim que toda a documentação referente aos Distratos e às devoluções de receitas aos clientes foi analisada pela Fiscalização, como refletido no Termo de Verificação mediante detalhada descrição e justificativa dos motivos da aceitação parcial, ou não, dos distratos como redutores de receitas. E, reiterese, em relação à parte dos alegados valores de distratos motivadamente não acatada pela Fiscalização, nada esclarecem nem acrescentam os interessados nas Impugnações apresentadas. Quanto a argumentos relacionados à apresentação de DIPJ e DACON e à alegação de que DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, observase que os valores objeto do tópico 7.1 do Termo de Verificação (fls. 176), além de não recolhidos, foram apenas informados em DIPJ ou em DACON. Com referência à DIPJ, desde o anocalendário de 1999 tal declaração deixou de figurar dentre os veículos de confissão de débitos, passando a ser meramente informativa. Isto porque o Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 16 da Medida Provisória 1.788/98 (posteriormente convertida na Lei nº 9.779/99), expediu a Instrução Normativa nº 127 de 30 de outubro de 1998, extinguindo em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituindo, em seu art. 1o, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Assim, a partir do anocalendário de 1999, a DIPJ deixou de trazer a confissão dos tributos a pagar. Tal informação passou a estar contida apenas na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Coerentemente, o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 77/98, que antes mencionava a possibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos saldos a pagar constantes, dentre outras, das declarações de rendimentos das pessoas jurídicas, deixou de contemplar esta referência, a partir da alteração introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 014 de 14 de fevereiro de 2000: Art. 1º. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 540 81 estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Já com referência ao DACON, importa observar que se trata de demonstrativo, e não de declaração. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387/2004, foi ele instituído como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, com objetivos semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. É o que se infere dos controles que são exigidos na Instrução Normativa referida: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. Tanto o é que sua apresentação não dispensa a informação dos valores correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583/2005, que passou a impor a retificação do DACON, nos casos em que a retificação da DCTF acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo: Fl. 580DF CARF MF 82 Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. [...] § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 7º Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Previsão no mesmo sentido consta da Instrução Normativa RFB nº 974 de 2009, e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, esta última atualmente em vigor. Registrese, ainda, que a citada Instrução Normativa SRF nº 77/98 permanece em vigor, e seu art. 1o não foi alterado para contemplar o DACON como instrumento de comunicação dos débitos correspondentes à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. Concluise daí que, ao contrário da DCTF, o DACON não é uma declaração, e os valores nele expressos, assim como aqueles indicados em DIPJ, não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Neste contexto, a falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, não permite a mera cobrança, com acréscimos moratórios, e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, circunstância na qual a Lei nº 9.430, de 1996 determina a aplicação de multa de ofício. Não se confirma, assim, a alegação de que independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos. Do exposto, concluise que, tendo sido excluídos débitos da DCTF, a informação em DIPJ e em DACON não permite a Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 541 83 cobrança dos valores, causando, em consequência, prejuízos aos cofres públicos, impondo a formalização do lançamento de ofício. No tocante à infração de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, a Impugnante limitase a invocar novamente a existência de distratos , aspecto já analisado acima e que, como visto, desacompanhado de outros esclarecimentos e provas, além daqueles já apreciados no curso do procedimento fiscal, não é hábil a afastar a exigência. Observese que, regularmente intimado, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem de recursos creditados em contas de sua titularidade, como ocorreu no presente caso, é ônus do contribuinte tal comprovação, sob pena da caracterização de omissão de receita, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; E, nas peças de defesa apresentadas, também não se encontra identificação, acompanhada das correspondentes provas documentais, da origem dos recursos creditados em conta bancária e questionados pela Fiscalização, objeto do item 001 do Auto de IRPJ (fls. 06/07) e do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179/182). Cabível acrescentar que a imputação de omissão de receitas apuradas em função de depósitos bancários cuja origem (apesar da intimação para tanto) não restou comprovada, decorre de expressa previsão legal contida no citado art. 42 – dispositivo que contém critério de mensuração de receita e não se confunde com forma de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado) para apuração do IRPJ e CSLL. Fl. 582DF CARF MF 84 Assim, imprópria se mostra a alegação de que o Auto de Infração teria imposto pagamento apurado sob a forma de arbitramento através dos extratos bancários da Requerida. Ainda, sob o título Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento, são invocadas pela defesa disposições do art. 530, II, do RIR/99 e alegado que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar esse mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Tais alegações, contudo, não são pertinentes ao presente caso. Com efeito, a Fiscalização, ao constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL, observou a forma de tributação pelo Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, conforme se vê nos demonstrativos de fls. 09/43 e 52/75 e nas cópias de fls. 1062, 1076 e 1100, excertos a seguir reproduzidos: Improcedentes, assim, alegações no sentido de que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro, pois não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização. Concluise, assim, que as alegações apresentadas não permitem afastar as constatações fiscais de: (i) receita escriturada, informada nas DIPJ, cujos débitos foram excluídos de DCTF e (ii) omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação da origem. Impõese, pois, manter o lançamento dos valores principais referentes ao IRPJ. Em relação aos lançamentos das Contribuições CSLL, Contribuição ao PIS e à Cofins , não foram apresentadas razões de defesa específicas distintas daquelas já apreciadas e afastadas acima. Assim, tratandose de exigências reflexas, Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 542 85 decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, deve ser adotada igual orientação decisória. Multa de ofício proporcional fls. 186 Ao tratar da penalidade imposta, a Fiscalização indicou como fundamento legal: disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei no 11.488, de 15/06/2007; disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E a autoridade fiscal justificou a imputação da multa proporcional no percentual de 150% em razão da atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício, assim explicando: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar Fl. 584DF CARF MF 86 qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: Em 2011: Em 2012: Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 543 87 Além disso a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anoscalendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. De forma resumida, vêse que a Fiscalização imputa à pessoa jurídica Costa Juca: prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, com a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF),de forma a retificar tais DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos; Fl. 586DF CARF MF 88 omissão de receitas (em “montantes expressivos”) à margem da contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anos calendário seguidos (2010, 2011 e 2012), além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão; lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações. Em sua defesa, alega a interessada equívoco na autuação, pois das diversas intimações e respostas encaminhadas ao fiscal pelo contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. De plano, registrese que, no presente caso, foi aplicada penalidade qualificada, no percentual de 150%, nada tendo sido imputado pela Fiscalização no sentido de agravamento por falta de atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, o que ensejaria multa de 225%. Assim, inócuas são as alegações no sentido de que houve colaboração do contribuinte no procedimento fiscal. Das razões de oposição à qualificação da penalidade, vêse que a interessada, assim como o fez em relação ao mérito, se vale de respostas a intimações e de apresentação de documentos no curso do procedimento fiscal. Ocorre que as respostas e documentos apresentados foram analisados pela Fiscalização que descreveu detalhadamente as informações prestadas e os motivos da confirmação de apenas parte das devoluções de receitas alegadas, devoluções estas que já foram contempladas na apuração do crédito tributário lançado. Para grande parte dos valores contabilizados e informados em DIPJ e que foram zerados em DCTF não foi possível confirmar a justificativa de que decorreriam de receitas canceladas e devolvidas aos clientes, ensejando a conclusão de que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Quanto à constatação de que em sua contabilidade foi efetuada indicação de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, a Impugnante nada refuta nem esclarece especificamente. E, ainda, quanto ao reiterado procedimento de manter à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente, a Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 544 89 Impugnante apenas alega que a diferença entre movimentação financeira e contabilidade decorre de distratos e receitas canceladas. Ocorre que todas as devoluções de receitas que puderam ser confirmadas documentalmente foram acatadas pela Fiscalização e, mesmo assim, grande parte da movimentação financeira permaneceu sem origem identificada configurando omissão de receitas a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Opõese a interessada à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Todavia, as alegadas provas de devolução dos honorários (receitas) foram analisadas e confirmadas apenas em parte e esta análise, discriminada no Termo de Verificação, não foi expressamente refutada e contraditada, pelas defesas, com apresentação de novos esclarecimentos e provas documentais. Por outro lado, os fatos imputados pela Fiscalização e não afastados pela defesa (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos, (ii) existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – constituem ocorrências concretas e não presunções. Há presunção apenas no fato de se considerar como receita omitida os valores de créditos em conta bancária cuja origem, apesar de intimada, a contribuinte não logrou comprovar. Mas tal presunção decorre de expressa previsão legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como visto na análise do mérito. A penalidade aplicada, por sua vez, tem fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com a alteração da Lei nº 11.488/2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 588DF CARF MF 90 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. [...] (Destaques acrescidos) E os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, a que se reporta o art. 44 acima, estabelecem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Destaques acrescidos) Observese que enunciados de Súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, relacionados a presunção de qualificação de multa, bem refletem o direcionamento da jurisprudência administrativa acerca do tema: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 545 91 Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Disto se vê que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada de 150% até mesmo nas hipóteses em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas (como é o caso de uma das infrações imputadas no processo nº 10740.720068/2014 11). Apenas exigese que a este fato esteja atrelada a devida caracterização de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. E, no caso em analise, a Fiscalização identificou a motivação fática da multa qualificada por meio de um conjunto de constatações concretas , repitase: (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos devidos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, (ii) reiterada omissão de receitas decorrente da existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – as quais não permitem afastar a imputação fiscal de intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível. Cabível, ainda, consignar que o percentual da multa é determinado em lei, como visto nos dispositivos acima transcritos, não se cogitando da alegada aplicação da multa por arbitramento. Impõese, pois, a manutenção da multa proporcional aplicada no percentual de 150%. Responsabilidade Solidária A Fiscalização, com fundamento no art. 135 do CTN (fls. 05), atribuiu responsabilidade solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto a: (i) Gabriela de Alcântara Almeida Costa, (ii) Dimitry Cerewuta Jucá e (iii) Cláudio de Assis Costa (tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA). Ainda, com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN (fls. 05), atribuiu Responsabilidade tributária de fato imputada à A G Costa Empreendimentos Imobiliários S A, tendo em vista sua utilização para blindagem patrimonial. Acerca da primeira motivação Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto – tendo a Fiscalização constatado a retificação de DCTF zerando débitos antes confessados, bem como a contabilização e apresentação de DIPJ Fl. 590DF CARF MF 92 com omissão de receitas apuradas por meio de depósitos bancários de origem não comprovada e, ainda, a transmissão de Declarações de Compensação com indicação de créditos de saldo negativo inexistentes, formados por retenção na fonte em operações cuja efetividade sequer foi confirmada – ocorrências que as defesas apresentadas não lograram êxito em afastar , resta caracterizada a prática de atos com infração a lei. E, nessas circunstâncias, o Código Tributário Nacional, no art. 135, prevê a atribuição de responsabilidade solidária, como segue: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. [Destaques acrescidos] Na defesa em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, é alegada sua ilegitimidade passiva sob o argumento de que: não cabe ao requerido responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 265, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O Requerido na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo, inclusive. Todavia, distintamente do que alegado, a Fiscalização constatou, como descrito e demonstrado em seu Termo de Verificação (fls. 196 dos autos), que o sócio DIMITRI, que detém 50% da participação societária da COSTA JUCA, participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme se pode comprovar com a cópia da procuração emitida pela pessoa jurídica CBA Transportes e Comércio, nos autos do PAF nº 10768.003528/200969 utilizado, conforme descrito no item 3 deste termo, como parte da ação fraudulenta no subterfúgio de “compensação” de tributos federais. DIMITRI firmou, na condição de Procurador da CBA o pedido inicial de compensação protocolizado na Receita Federal sob o nº 10768.003528/200969: Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 546 93 Além disto,o sócio DIMITRI representou a COSTA JUCA nas operações de “cessão de crédito”, conforme fazem prova as escrituras públicas juntadas aos autos, bem como firmou os contratos representativos de tais “operações” em nome da COSTA JUCA. Recordese que, como consta dos tópicos 2 (fl. 110), 4.1 (fl. 138) e 5.3. 11 (fl. 165), as pessoas jurídicas CBA Transportes e Comércio Ltda e Dimensão Montagens Promocionais Ltda, mencionadas dos documentos reproduzidos acima, tiveram relações comerciais com a autuada Costa Juca, ou seja, eram “clientes” da Costa Juca. De acordo com a Consolidação do Contrato Social da Costa Juca de fl. 1691, esta tem o seguinte objeto social: E figuram como sócios, ambos com poderes e administração (fl. 1692): Fl. 592DF CARF MF 94 Vêse, pois, que a Fiscalização traz evidências concretas de que a atividade fim da sociedade, relacionada à área tributária, foi diretamente exercida pelo sócio Dimitry Cerewuta Jucá, o qual, portanto, não pode se furtar de responder, pessoalmente, na qualidade de responsável, pelo crédito tributário apurado por infração à lei relativamente a receitas auferidas (declaradas, contabilizadas e não informadas em DCTF ou omitidas da contabilidade e de origem não comprovada), bem como pelo crédito tributário decorrente de compensação indevida mediante declarações prestadas. Destaquese, inclusive, que na Escritura Pública de Cessão de Créditos (acima reproduzida a título de exemplo), o sócio Dimitry Cerewuta Jucá, não é somente qualificado como advogado, mas é identificado como administrador da pessoa jurídica Costa Juca a qual figura como: cedente dos créditos, cessão essa que ensejou auferimento de receitas objeto de análise do procedimento fiscal, o qual veio a redundar na autuação formalizada no processo nº 10740.720068/201411; detentora do crédito e beneficiária da compensação indevida veiculada em DCOMP, que suscitou a aplicação de penalidade isolada no processo nº 10740.720069/201457. Nesse contexto, não há como acatar a alegação de que o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá) não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Como visto, o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá), além de qualificado com titulação de advogado e de ter atuado como representante da pessoa jurídica autuada e de clientes dela no âmbito processual e administrativo, também figura como seu sócio administrador participando diretamente dos atos praticados em nome da pessoa jurídica como refletido nos documentos acima reproduzidos. E, nessas condições, quer na condição de procurador, quer na condição de sócio administrador, a pessoa física, na qualidade de sócio administrador, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente de infração a lei a teor dos incisos II e III do art. 135 do CTN. Ainda quanto à alegação de desconsideração da personalidade jurídica, não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização e nem seria ele necessário, equivocandose a Impugnante ao Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 547 95 invocálo. Referido instituto encontra fundamento no artigo 50 do Novo Código Civil em casos de abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, estendendo, nesta hipótese, a responsabilidade pelas obrigações da sociedade aos bens particulares dos administradores ou sócios. A solidariedade no processo em questão, definida nos arts. 264 e 265 também do Novo Código Civil para os casos em que na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à divida toda, resultando da lei ou da vontade das partes, independe da desconsideração da pessoa jurídica autuada e não a exonera da responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade conjunta e solidária foi atribuída pela Fiscalização com fundamento nos arts. 124 e 135 do CTN, de modo que respondem pelo crédito tributário não apenas o Impugnante Dimitry Cerewuta Jucá, mas também a pessoa jurídica atuada Costa Juca e as demais pessoas físicas (Gabriela de Alcântara Almeida Costa e Cláudio Assis Costa) e pessoa jurídica (A G Costa) às quais também foi atribuída responsabilidade. Na defesa em nome de Cláudio Assis Costa são invocadas disposições dos arts. 124, 125 e 135 do CTN e alegada a ilegalidade da imputação de responsabilidade solidária a terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária e necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Inicialmente registrese ser imprópria a menção ao art. 124 do CTN nesta peça de defesa, pois tal dispositivo não foi o fundamento apontado pela Fiscalização para atribuir responsabilidade à pessoa física Cláudio Assis Costa, mas sim, conforme fls. 05, o art. 135, tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. E, para justificar a responsabilidade do ora Impugnante Cláudio de Assis Costa, descreveu a Fiscalização: Em relação ao sócio oculto CLAUDIO ASSIS COSTA: (fls. 199) Por meio do Termo de Depoimento nº 081513/2013, Cláudio afirmou ser “Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA”. Tal situação já havia ficado patente para esta fiscalização quando sua filha GABRIELA, sócia da COSTA JUCA, foi intimada a comparecer perante a fiscalização da Receita Federal, ela expressamente se manifestou no sentido de que quem cuidava dos negócios da empresa era seu pai, CLAUDIO, Fl. 594DF CARF MF 96 que quando foi contactato, compareceu à Delegacia da Receita Federal e tratou com propriedade, em mais de um momento, dos assuntos pertinentes à COSTA JUCA. Além disso, CLAUDIO aparece como embargante, ao lado da COSTA JUCA, da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SA e de sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, nos autos do processo judicial de Embargos à Execução nº 0017915 40.2013.8.08.0024, em tramitação na 2ª Vara Civil da Comarca da Capital em Vitória (ES), em execução impetrada pela pessoa jurídica TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS E TRANSPORTES LTDA, em decorrência de distrato das operações tratadas nestes autos. CLAUDIO, ainda, firmou na condição de fiador da COSTA JUCA, o Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Demonstrase à exaustão, portanto, que CLAUDIO atuava como administrador e sócio oculto da COSTA JUCA, inclusive garantindo com seu patrimônio particular as dívidas resultantes do desfazimento dos contratos de que se trata no presente Termo. Ora, se, no curso do procedimento fiscal, o próprio interessado (Cláudio Assis Costa) afirma ser Procurador da pessoa jurídica autuada COSTA JUCA, representante da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, e administrar a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA, incoerente se mostra a pretensão de, em sede de impugnação, eximirse da responsabilidade pelo crédito tributário o qual fora constituído justamente em razão de infração à lei, nas seguintes situações: (i) ao deixar a pessoa jurídica de contabilizar e declarar receitas apuradas em função de depósitos bancários de origem não comprovada, (ii) de retificar DCTF excluindo débitos decorrentes de receitas reconhecidamente existentes já que contabilizadas e informadas em DIPJ e (iii) de extinguir débitos mediante transmissão de declarações de compensação com indicação de crédito sem fundamento fático. Recordese que os atos em nome da pessoa jurídica, inclusive no âmbito das obrigações tributárias, são materializados por meio de seus representantes e administradores, quer diretamente quer mediante eleição ou designação de profissionais para tanto. E se tais atos foram efetuados com infração a lei ou excesso de poderes em relação ao contrato social caracterizada está a hipótese legal prevista no art. 135, II e III do CTN. Além disso, evidenciando a participação direta nos atos que redundaram na autuação, vêse que, conforme citado pela Fiscalização e como refletido no documento de fls. 259 e seguintes (parcialmente reproduzidos a seguir), Cláudio Assis Costa figurou como um dos Embargantes, ao lado das pessoas jurídicas Costa Juca e A G Costa e da pessoa física Amanda de Alcântara de Almeida Costa, em Embargos à Execução Judicial Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 548 97 proposta por Transfenix uma das clientes da autuada com a qual foi formalizado Distrato objeto de análise no procedimento fiscal que redundou na constituição do crédito tributário em litígio. Também, como descrito pela Fiscalização e não refutado pela defesa, Cláudio Assis Costa firmou, na condição de fiador da COSTA JUCA, Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida (fls. 408 e 411) com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Ressaltese que o Distrato com a Comercial Bahiano de Alimentos Ltda. foi um daqueles analisados no procedimento fiscal do qual redundou a autuação com formalização do crédito tributário. Fl. 596DF CARF MF 98 Desse modo improcedente se mostra a alegação de que a Fiscalização não teria demonstrado a participação de Cláudio Assis Costa em atos que redundaram na apuração do crédito tributário decorrente de infração à lei. Na defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa também é questionada a atribuição de responsabilidade com alegação de que inexiste ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia Gabriela conforme imputado no auto de infração, mas que na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela Impugnante são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Todavia, em relação à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa descreveu a Fiscalização: A sócia Gabriela detém 50% da participação societária da COSTA JUCA e participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme comprova a cópia do Instrumento Particular de Transação Extrajudicial, datado de 21 de fevereiro de 2014, em que constam como transigentes a COSTA JUCA, a própria GABRIELA e a pessoa jurídica P. PEIXOTO. Por aquele instrumento a COSTA JUCA se obriga a devolver à P. PEIXOTO o valor de R$ 5.800.000,00 e o fez por meio de transferência direta de domínio de bem imóvel, “que se encontrava pendente de escrituração em seu nome junto ao referido Cartório, do antigo proprietário para a terceira transigente (GABRIELA)”, conforme descrito em escritura pública de compra e venda entregue pela COSTA JUCA, como forma de salvaguardar o crédito tributário que fora constituído pela Receita Federal em desfavor da pessoa jurídica P. PEIXOTO, em razão da desconsideração das “compensações” intermediadas pela COSTA JUCA. Não resta dúvida de que a sócia GABRIELA conhecia e participou dos fatos que deram base à presente autuação, tanto Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 549 99 assim que autorizou a transferência do imóvel para quitação de débito da COSTA JUCA, em função de autuação pela Receita Federal da pessoa jurídica P. PEIXOTO pela descoberta do subterfúgio da “compensação” intermediada pela COSTA JUCA. Recordese que operações da pessoa jurídica autuada com a P. Peixoto suscitaram distrato que, entre outros, foi objeto de análise no curso do procedimento fiscal do qual redundou a formalização do lançamento e a não homologação de compensações. E, quanto à evidência apresentada pela Fiscalização acerca da ciência e participação de Gabriela de Alcântara Almeida Costa em fatos ensejadores da autuação, nada refuta expressamente a defesa. Acrescentese que, do Contrato Social (fl. 267) , consta que a sociedade será regida pelo Código Civil e, subsidiariamente, pela Lei das Sociedades Anônimas: E constatações da Fiscalização, decorrentes inclusive da análise de distrato em que foi evidenciada a ciência e participação da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, e que ensejaram imputação de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, sem identificação da origem pela contribuinte em sua contabilidade), de registro contábil de cancelamento de débitos por compensação não materializada ou por compensação objeto de declaração com informação de crédito falso (inclusive ensejando retificação de declarações prestadas ao Fisco para zerar débitos), caracterizamse não apenas infração à legislação fiscal e tributária, mas também inobservância da legislação comercial e contábil, com consequente violação do Contrato Social. Ademais, ainda que a observância das leis comerciais e contábeis não estivesse expressamente prevista no Contrato Social, impõese registrar que a necessidade de cumprimento das normas civis, comerciais e tributárias é inerente a toda Entidade, de modo que constatações que redundaram na imputação de infrações tributárias, sobretudo com aplicação de penalidade agravada – não afastadas pela defesa , não podem ser consideradas decorrentes de atos inerentes à própria administração praticados em conformidade com o Contrato Social, mas sim atos que violam também o Contrato Social. Acrescentese que, em DCOMPs transmitidas em nome da Costa Juca com compensações indevidas, a sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa figura, inclusive, como responsável da Pessoa Jurídica e responsável pelo preenchimento da declaração, com se vê às fls. 02, 14 e 28 do processo Fl. 598DF CARF MF 100 10740.720024/201482, conforme excerto reproduzido a seguir, a título de exemplo: Neste contexto, não há como afastar a imputação fiscal de responsabilidade solidária à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa. Em relação à pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S.A., a imputação da responsabilidade solidária foi formalizada pela Fiscalização, com fundamento no art. 124, I, do CTN, em razão da constatação de ocorrência de blindagem patrimonial da COSTA JUCA descrita no tópico 9 do Termo de Verificação como segue: A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, CNPJ n° 12.048.507/000102, foi inscrita no cadastro da Receita Federal em 01/06/2010 na atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários (CNAE: 4110700). O quadro societário é composto de GABRIELA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, sócia da própria COSTA JUCA, e AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA. Ambas filhas de CLÁUDIO ASSIS COSTA, sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. A primeira é médica e a segunda estudante de medicina. Além disso, o domicílio fiscal da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A é o mesmo da COSTA JUCA, qual seja: Av. Baptista Parra, 673, sala 402 – B. A contabilidade da empresa COSTA JUCA, de 2010 a 2012, aponta empréstimos de R$ 9.440.000,00 para a pessoa jurídica A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Foram os seguintes valores transferidos anualmente: Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 550 101 As DIPJ apresentadas pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A refletem tais valores. Indagada acerca desses empréstimos, COSTA JUCA apresentou cópia dos contratos particulares de mútuo financeiro firmados com a A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Detalhe: nele está escrito com todas as letras que “o pagamento da quantia tomada em mútuo será efetivado em 06 (seis) anos a contar do vencimento da primeira parcela, não havendo cobrança de juros por liberalidade do MUTUANTE, vencendo a primeira parcela em 15/07/2014 e assim sucessivamente todo dia 15 de cada mês” (grifo nosso). Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porsche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. Na defesa apresentada em nome de AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A., é negada a ocorrência de blindagem patrimonial, sob alegação de que Gabriela de Alcântara Almeida Costa é sócia de ambas as empresas (da AG Costa, juntamente com sua irmã Amanda de Alcântara Almeida Costa, e da Costa Juca, juntamente com o sócio Dimitry) e que Fl. 600DF CARF MF 102 se houvesse objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso outras pessoas seriam indicadas como sócias. Justifica a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como sociedade holding familiar para fins de redução da carga tributária da pessoa física, mediante planejamento sucessório e com retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da pessoa jurídica. Todavia, a existência de sócia comum a ambas as pessoas jurídicas vem apenas confirmar tratarse de um mesmo grupo societário. Além disso, tanto a pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como a pessoa jurídica Costa Juca, com sede no mesmo endereço, são geridas por Cláudio de Assis Costa, como refletem as procurações outorgadas a ele e a Josenan de Alcântara Almeida Costa (outra pessoa física): procuração outorgada pelas sócias da AG Costa (Amanda e Gabriela), conforme excerto abaixo reproduzidos, para Claudio Assis Costa gerir a firma: (fl. 1736): procuração outorgada pela Costa Juca, representada pela sócia administradora Gabriela, para Claudio Assis Costa gerir a empresa (fl. 1695): Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 551 103 E, quanto à criação de holding familiar para tributação como pessoa jurídica de forma menos onerosa do que como pessoa física, tal alegação não justifica a transferência de recursos, sem qualquer ônus, entre duas pessoas jurídicas. Vejase que tal transferência, apontada pela Fiscalização, não foi feita de pessoas físicas para a pessoa jurídica AG Costa (com o alegado objetivo de que as pessoas físicas pagassem menos tributos), mas sim da pessoa jurídica autuada (Costa Jucá) para outra pessoa jurídica (AG Costa) e foi realizada de forma não onerosa. Como descreve a Fiscalização, a transferência de recursos se deu por meio de empréstimo da Costa Juca em favor da AG Costa nos anos de 2010 a 2012 a ser pago em parcelas a partir de 2014 sem qualquer previsão de acréscimos (juros) – fato não refutado pelas defesas e que não se confunde com a alegada intenção de criação de holding para tributar, de forma menos onerosa, patrimônio pessoal de pessoa física. Ainda assevera que a sociedade A G Costa ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio, reiterando o objetivo de planejamento sucessório e obtenção de renda através de um acervo patrimonial, renda essa utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, e alegando que todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Esses argumentos, contudo, apenas denotam concordância com a atribuição de responsabilidade solidária a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A por interesse comum. De fato, se, como assevera a Impugnante, os recursos da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A são utilizados para indenização dos prejudicados pelos procedimentos da Costa Juca, fica evidenciado o reconhecimento, pela própria Impugnante, de efetiva ligação e interesse comum entre as Fl. 602DF CARF MF 104 pessoas jurídicas citadas e injustificável se mostra a objeção de que a AG Costa também responda pela quitação do crédito tributário decorrente de procedimentos da mesma Costa Juca, já que a Fazenda Pública também foi prejudicada por atos em nome da Costa Juca. Ainda alega a Impugnante que as empresas têm atividades distintas e a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A não está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária da Impugnante. Neste ponto, recordese que o art. 124 do CTN assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Observase que o referido art. 124 reflete, em seu inciso I, a responsabilidade solidária “de fato”, quando há interesse comum, em paralelo àquela “de direito”, disposta no inciso II, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. Como se vê, o texto do art. 124 é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei, o que afasta eventual pretensão da defesa de que o conceito de interesse comum estivesse previsto em lei. Caso fosse essa a intenção do legislador, dispensável seria a previsão de duas hipóteses de obrigação solidária no art. 124. Ao distinguir as pessoas solidariamente obrigadas em duas espécies, e apenas no caso do inciso II fazer referência à previsão em lei, restou evidenciada no CTN (Lei Complementar) a existência de responsabilidade solidária de fato decorrente do interesse comum – termo que, independentemente de definição diversa do significado expresso pela linguagem, foi considerado suficiente pelo legislador para definição do vínculo da solidariedade. Assim, apesar da alegação de atividades distintas, não se vislumbra impossibilidade de existência de interesse comum entre as pessoas jurídicas, sobretudo se os recursos de uma foram transferidos para outra mediante empréstimos, sem previsão de ônus para a beneficiária, nas condições descritas pela Fiscalização. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso I determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 552 105 pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Destaques incluídos. Também abordando a matéria, decidiu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no sentido de que: São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, esteja em relação com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 37). A sociedade que participa de outra, ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária, referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro” TRF da 4ª Região, A M S n. 9404550469, Rel. Des. Zuudi Sakakihara, DJ 27/10/1999. (destaques incluídos) No presente caso, o interesse comum, caracterizador da responsabilidade solidária da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi evidenciado pela Fiscalização mediante constatação das circunstâncias descritas no item 9 do Termo de Verificação especialmente a existência de sócia comum, de mesmo domicílio e de transferência de recursos da autuada para a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, recursos esses que a própria Impugnante admite serem utilizados para quitação de compromissos da Costa Juca. Ademais, como visto, ambas as pessoas jurídicas, representadas por seus sócios administradores, outorgaram procuração à mesma pessoa física Claudio de Assis Costa para gerir ambas as sociedades. Neste contexto, não há como negar a participação e o interesse comum da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A nas ocorrências em nome de Costa Juca que ensejaram os fatos geradores autuados. Exigibilidade e Inscrição de débitos em dívida ativa Fl. 604DF CARF MF 106 Acerca de alegações relacionadas a inexigibilidade de débitos e questionamentos quanto à inscrição em dívida ativa, cumpre esclarecer aos interessados que os presentes processos têm por objeto 1) a constituição de crédito tributário por meio de lançamentos e 2) a não homologação de declarações de compensações transmitidas pelo contribuinte e, neste julgamento, são apreciadas as razões de defesa em face destes atos. Especificamente quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos, tratandose de matéria não inserida nos atos de lançamento e de nãohomologação questionados, mas sim decorrente das Impugnações e Manifestações de Inconformidade posteriormente apresentadas, não compete a este órgão julgador qualquer manifestação a respeito. O mesmo se diga em relação à inscrição em dívida ativa e à ação de execução – procedimentos de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e que dependem de prévio encaminhamento pela autoridade da DRF jurisdicionante do contribuinte, não passível de questionamento em sede de contencioso administrativo regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972. De todo modo, registrese que, das intimações cientificadas ao contribuinte em razão da constituição do crédito tributário e da não homologação da compensação constou expressamente a concessão de prazo para pagamento ou apresentação de defesa. É o que se constata da intimação de fls. 1583 do processo nº 10740.720068/201411, que também instrui os demais processos nela mencionados e da qual se extrai o excerto a seguir reproduzido: Também das intimações integrantes dos Autos de Infração constou expressa menção de concessão de prazo para extinção do crédito tributário (por pagamento ou outra forma prevista em lei) ou para impugnálo, como se vê, a título de exemplo, no excerto a seguir, extraído do Auto de IRPJ (fl. 04): Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 553 107 Nos Despachos Decisórios de não reconhecimento de direito creditório e não homologação de compensações, também foi feita menção expressa à possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade, como se vê, a título de exemplo, à fl. 193 do processo 10740.720024/201482: Ainda, da Intimação com cobrança dos débitos indevidamente compensados, consta menção a encaminhamento dos débitos para inscrição em Dívida Ativa da União em caso de não haver pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, conforme se extrai, a título de exemplo, de fl. 198 do processo 10740.720024/201482: E consultas aos sistemas informatizados indicam a situação de suspensão por julgamento da impugnação dos processos de Autos de Infração nºs 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457 e a situação de devedor, mas em julgamento de manifestação de inconformidade dos processos de cobrança vinculados aos processos de análise de compensação nºs 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720.248/201498, como refletem as pesquisas abaixo reproduzidas: Fl. 606DF CARF MF 108 processo de cobrança nº 10783.721252/201473, vinculado ao processo nº 10740.720 024/201482 (fls. 195 deste último): processo de cobrança nº 10783.721.254/201462, vinculado ao processo nº 10740.720025/201427 (fls. 199 deste último) Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 554 109 processo de cobrança nº 10783.721.255/201415, vinculado ao processo nº 10783.720.248/201498 (fls. 201 deste último) Concluise pela impropriedade de pretender discutir, em sede de impugnação/manifestação de inconformidade regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, a inexigibilidade de débitos, a sua inscrição em Dívida Ativa da União ou a sua Execução Judicial – questionamentos inerentes a atos da autoridade da unidade da Receita Federal jurisdicionante do domicílio do contribuinte. Ofensa a princípios constitucionais Tendo em vista que em pontos das peças de defesa apresentadas é alegada ofensa a princípios constitucionais, como razoabilidade, não confisco e direito de propriedade, cumpre observar que, na formalização das exigências e na não Fl. 608DF CARF MF 110 homologação de compensações, a autoridade fiscal indicou os respectivos fundamentos legais. Desse modo, as ofensas alegadas refletem inconformismo com a legislação posta, o que não é passível de discussão em sede de julgamento administrativo. Com efeito, é preciso fixar que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF/88 , sendo defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer vícios na legislação regularmente editada, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Também o dever de observância das normas complementares editadas no âmbito da Receita Federal, expressas em atos tributários e aduaneiros, está previsto na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 555 111 Não se identificando nenhuma das hipóteses acima em relação a dispositivo legal que fundamente os lançamentos em litígio, impõese a manutenção da exigência. Confirmando este posicionamento, já foi editada, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a constitucionalidade de lei, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Acrescentese, relativamente à Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 4905 (mencionada na peça de defesa em nome de Dimitry), ainda em trâmite no Supremo Tribunal Federal, que os dispositivos legais nela questionados são os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 12.449, de 2010 e, por arrastamento, os arts. 36, caput e 45, § 1º, I da Instrução Normativa RFB nº 1300 de 2012 dispositivos que não constituem o fundamento para os lançamentos e despachos decisórios em questão. Especificamente quanto à multa isolada por compensação indevida, foi aplicada, como já mencionado, com fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, conforme fls. 06 do processo nº 10740.720069/201457. Juntada de documentos Por fim, quanto ao requerimento genérico de provar o alegado e de juntada de documentos, observese que a questão do Contencioso Administrativo Fiscal está disciplinada no Decreto nº 70.235, de 1972, aplicável não só aos litígios acerca de Autos de Infração, mas também àqueles acerca dos Despachos Decisórios de não homologação de Compensação, por força do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996. Referido diploma legal, a respeito dos temas “prova” e “juntada de documentos”, dispõe em seu art. 16 o seguinte: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 610DF CARF MF 112 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” [Destaques acrescidos] Como visto, a legislação transcrita determina a apresentação da prova no momento da impugnação, admitida a dilação do prazo para formação de prova documental apenas quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nos processos ora em análise, não há notícia de apresentação de elemento de prova após o prazo de impugnação ou de Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 556 113 manifestação de inconformidade que suscitasse análise de sua admissibilidade. O Recorrente não aduziu qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, como preconizado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. A análise jurídica dos fatos e dos demais documentos nos autos endossam a procedência do crédito tributário, exaustivamente, impugnado pelos recorrentes no exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há mera divergência entre a escrita contábil, DIPJ, DACON e DTFCs. Diversamente, vislumbrase o interesse reprovável do contribuinte em compensar insubsistente crédito. Por sua vez, a omissão de receita, assim como a inexistência de qualquer documento que invalidasse a conclusão da unidade de origem, viabilizando a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Os distratos contratuais e as restituições dos recursos aos clientes, não descaracteriza a receita tributável, nem justifica a exclusão em DCTF, tampouco as divergências entre a movimentação financeira e a escrituração contábil. Em 14/04/2014, a contribuinte, ora Recorrente, respondeu ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 051513/2013, no entanto, parcialmente: O contribuinte não apresentou informação que possibilitasse a identificação dos valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, suprimindo a deficiência constante dos históricos dos lançamentos contábeis, conforme intimado. Estas considerações são extensíveis à CSLL, PIS e a COFINS, eis que consiste na tributação reflexa sobre a receita identificada pela autoridade fiscal. Por fim, comprovada a existência de interesse comum, atrai a responsabilidade solidária dos sócios, tal como decidido em acórdão recorrido. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 612DF CARF MF 114 Fl. 613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.721175/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais.
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não-operacionais.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. 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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 11 75 /2 01 2- 61 Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.604 2 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.605 3 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração no valor de R$ 221.264,24 de COFINS e R$ 47.940,66 de PIS, referente ao período de 01/2008 a 12/2008. Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.606 4 Esclarece a autoridade fiscal, que a UNIMED intentou dois Mandados de Segurança, processos nº 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS), discutindo judicialmente o recolhimento das contribuições apenas sobre as receitas de atos não cooperativos. Por isso, foram efetuados dois lançamentos distintos para a COFINS e dois para o PIS. Assim, para COFINS e PIS sobre as receitas de atos nãocooperativos, foi efetuado o lançamento com multa qualificada, que é objeto deste processo. E, COFINS e PIS sobre as receitas de atos cooperativos foram lançadas sem multa de ofício, e com a exigibilidade suspensa para prevenção da decadência, que é o objeto do processo nº 13629.721175/201262. Após a análise da escrituração contábil e planilhas apresentadas pela UNIMED, a autoridade fiscal glosou as deduções de custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clínicas médicas, laboratórios, etc.), excluindoas da base de cálculo. Entendeu a fiscalização que a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. Ademais, a fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão nº 0943740, datado de 08/05/2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para excluir a qualificação da multa, mantendose o crédito tributário lançado com a multa de ofício de 75%, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da COFINS e do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e do PIS. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A UNIMED requer em recurso voluntário a total improcedência dos autos de infração, sintetizando seus argumentos nos pedidos: (i) necessários ajustes na base de cálculo, deduzindose todos os custos assistenciais repassados a terceiros, (ii) a não incidência tributária sobre os atos cooperativos; (iii) a nãoincidência das contribuições sobre as sobras Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.607 5 cooperativistas destinadas ao FATES e Fundo de Reserva, bem como das sobras líquidas repassadas aos cooperados, inclusive via aumento de capital social; (iv) impossibilidade de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento (juros de aplicações financeiras); (v) não incidência de SELIC sobre a multa de ofício e (vi) caráter confiscatório da multa de ofício de 75%. Esta Turma, por meio da Resolução n° 3301000.249, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse os ajustes ao lançamento tributário, aplicando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/2013, independentemente de se tratar de atos cooperativos ou não cooperativos. A diligência foi cumprida, conforme o relatório fiscal de efls. 35743576. Cientificada do resultado da diligência, a UNIMED aduziu: Diante do exposto, sem prejuízo da necessidade de análise de todos os argumentos e pedidos objeto do Recurso Voluntário, requer sejam admitidos os ajustes de base de cálculo já reconhecidos em diligência fiscal, bem como expurgadas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receita não operacionais, haja vista não representam faturamento da cooperativa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de interposição. Em primeiro lugar, este processo e o de n° 13629.721175/201262 formam uma única unidade de julgamento. Por essa razão, são analisados na mesma sessão de julgamento. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS Alega a Recorrente que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Sobre a nãoincidência das contribuições sobre os atos cooperativos, a UNIMED obteve provimento judicial nos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 e 2002.38.00.0275120 para assegurarlhe o não recolhimento da COFINS e PIS sobre tais receitas. Confirase o teor dos provimentos judiciais obtidos pela Recorrente: Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275134/MG COFINS Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.608 6 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586/99 E REEDIÇÕES. COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. ISENÇÃO REVOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. 1.A Medida Provisória nº. 1.858/99 e reedições, ao revogar a isenção concedida pelo art. 6o, I, da Lei Complementar nº 70/91, às sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, não implicou em ofensa a nenhum dispositivo constitucional. 2.A medida provisória constitui instrumento idôneo para a instituição, majoração ou extinção de tributo, tendo em vista que a Constituição Federal, ao estabelecêla como ato normativo primário, não fez nenhuma restrição em relação à matéria (precedentes do eg. Supremo Tribunal Federal, Cf. Adin n. 1.0051 e Adin n. 1.4170). 3.O art. 146, III, “c”, da Constituição Federal, ao estabelecer que deveria ser dado adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, não implicou em concessão de imunidade tributária às sociedades cooperativas. 4.As contribuições destinadas ao custeio da seguridade social podem ser instituídas por lei ordinária, quando compreendidas nas hipóteses do art. 195, inciso I, da Constituição Federal, como é o caso dos autos. Não se faz mister, para tanto, a edição de lei complementar, que somente se faz necessária nas hipóteses do art. 195, § 4º da Constituição Federal, quando se tratar instituição de novas fontes para o custeio da seguridade social (RE nº 146733, Plenário, Relator Ministro Moreira Alves, publicado no DJ de 06.11.1992, pág. 20110; RE nº 138284, Plenário, Relator Ministro Carlos Velloso, publicado no DJ de 28.08.1992, pág. 13456 e RE nº 150755/PE, Plenário, Relator para acórdão Ministro Sepúlveda Pertence, publicado no DJ de 20.08.93, pág. 16322). 5.Na hipótese em que uma matéria, que não é de regulamentação privativa por lei complementar, venha a ser por ela regulamentada, esta lei complementar, no que pertine à matéria por ela disciplinada, é materialmente ordinária, podendo, consequentemente, ser alterada por intermédio de lei ordinária, ou medida provisória. (ADC nº 11/DF, relator Ministro Moreira Alves). 6.Para fins de tributação, o termo faturamento corresponde à receita da empresa, conforme entendimento do eg. Supremo Tribunal Federal expresso no RE nº 150755/PE, Relator para o acórdão o em. Ministro Sepúlveda Pertence. 7. Apelação da impetrante improvida. 4ª Turma do TRF da 1ª Região 12/08/2003. Interposto o Recurso Especial contra o acórdão da 1ª Região, o STJ assim se manifestou, no REsp nº 729.947 MG, DJ 24/05/2007: Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.609 7 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃOCARACTERIZAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Não há por que falar em violação do art. 535 do CPC nas hipóteses em que o acórdão recorrido, integrado pelo julgado proferido nos embargos de declaração, dirime, de forma expressa, congruente e motivada, as questões suscitadas nas razões recursais. 2. Os atos que não se configuram como tipicamente cooperativos, tais quais a prestação de serviços realizada por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência da Cofins. 3. Inviabilizase o conhecimento de alegada divergência jurisprudencial nas hipóteses em que o recorrente, desatendendo o disposto nos arts. 541, parágrafo único, do CPC e 255, § 2º, do RISTJ, não demonstra a similitude fática entre os arestos confrontados. 4. Recurso especial conhecido pela alínea "a" e improvido. Citese o trecho do voto do Min. João Otávio de Noronha, no REsp nº 729.947 da Recorrente, que analisa a nãoincidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos da UNIMED: O outro ponto a ser examinado diz respeito à sujeição das sociedades cooperativas à incidência da Cofins, especificamente no tocante aos atos cooperativos. Nesse aspecto, esta Corte, de igual modo, já firmou entendimento de que os atos tipicamente cooperativos não sofrem incidência das referidas exações. Colho, mais uma vez, o excerto do voto proferido no Recurso Especial n. 543.828/MG que cuidou do tema: "(...) As cooperativas praticam atos que lhe são próprios por isso chamados de atos cooperativos, e, também, atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica por essa razão denominados atos nãocooperativos. Os atos cooperativos encontramse definidos no art. 79 da Lei n.º 5.764/71, que assim dispõe: 'Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.' Por exclusão, chegase ao conceito de atos nãocooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas nãoassociadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil. O ato cooperativo, ao revés, por expressa dicção do parágrafo único, do art. 79 da Lei n.º 5.764/71, não implica operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria. A Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.610 8 sociedade cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro. As despesas são rateadas entre os associados, assim como o resultado positivo do exercício é partilhado, proporcionalmente, entre aqueles que fazem parte da cooperativa. O ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, faturamento ou receita decorrente de atos cooperativos que possa ser titularizado pela sociedade. Dessarte, não há base imponível para a COFINS. O ato nãocooperativo, entretanto, está sujeito a regime jurídico diverso. Assim dispõem os artigos 86 e 87 da Lei n.º 5.764/71: 'Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.' 'Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos'. Por revestirem nítida feição mercantil, os atos nãocooperativos geram receita e faturamento para a sociedade cooperativa. Esse resultado positivo, segundo a previsão do art. 87, será levado à uma conta específica, denominada 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social', de modo 'a permitir cálculo para incidência de tributos'. Em resumo: os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. Portanto, o resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência da COFINS. Cuidase de uma NÃOINCIDÊNCIA PURA E SIMPLES e não de uma norma de isenção. Já os atos nãocooperativos, aqueles praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. (...) No caso em comento, todavia, há que se considerar que as cooperativas médicas como as da espécie – Unimed – praticam atos de prestação de serviços a terceiros, incompatíveis, portanto, com a conceituação de ato cooperativo, não se enquadrando nos ditames da Lei n. 5.764/71. Transcrevo, por oportuno, trecho do voto condutor do acórdão proferido no Recurso Especial n. 778.099/MG, também da relatoria do Ministro Castro Meira, que bem assinala a Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.611 9 impossibilidade de se conferir isenção tributária a cooperativas em face de atos praticados com terceiros: "Caracterizada a diferença entre ato cooperativo e não cooperativo, resta analisar se as atividades desenvolvidas pela ora recorrida – cooperativa de trabalho médico – pode ser classificada como ato cooperativo, portanto, sem a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. No caso, temse que a recorrente, conforme estabelece seu estatuto, presta serviços não apenas aos seus associados, como também a terceiros nãocooperados, atos, assim, que não atendem aos requisitos previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71, como se verifica da transcrição de seus objetivos sociais: 'Art.2º) A Cooperativa terá por objetivo a defesa econômico social dos integrantes da profissão de médico, através do aprimoramento do serviço de assistência médica que será sob a forma coletiva ou individual. § 1º) No cumprimento das suas finalidades, a Cooperativa poderá assinar contratos para prestação de serviços sob a forma coletiva, com firmas ou companhias interessadas em fornecer assistência médica aos seus empregados e/ou familiares. § 2º) Para a prestação de assistência sob a forma individual, a Cooperativa poderá instituir planos de assistência familiar ou pessoal. Assinando contratos com os interessados. § 3º) Seja qual for a forma de serviços prestados. deverá ser sempre observado o objetivo de aprimoramento de assistência médica com livre oportunidade a todos os cooperados e a observância do Código de Ética Profissional. § 4º) Promoverá ainda. a educação cooperativista dos cooperados e participará de campanhas de expansão do Cooperativismo e de modernização suas técnicas. § 5º) A Cooperativa efetuará operações sem qualquer objetivo de lucro' (fl. 36)' (fl. 36). As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação, apenas no que se refere aos atos cooperativos peculiares de sua finalidade. In casu, a UNIMED presta serviços privados de saúde ficando evidenciada, assim, sua natureza mercantil na relação com terceiros ou seja, vende serviços de assistência médica. Ademais, como acima exposto, os atos praticados com terceiros, nãoassociados, são considerados atos nãocooperativos. Assim, os atos cooperados da sociedade cooperativa não são suscetíveis de tributação, por configurarem hipótese de nãoincidência, ao passo que os atos não cooperados, conforme explanação acima, deverão ser tributados." (REsp n. 778.099/MG, relator Ministro Castro Meira, DJ de 21.11.2005.) Com efeito, ao menos diante de tal delineamento fático dos autos – que não comporta reexame na via do especial (Súmula 7/STJ) –, não há como concluir pelo direito da recorrente à isenção da Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.612 10 Cofins, a qual pressupõe a prática de atos tipicamente cooperativos. Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275120 – PIS TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL — COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS NÃO ABRANGIDA PELA DEFINIÇÃO DE ATO COOPERATIVO —INCIDÊNCIA DO PIS. 1. “Denominamse atos cooperativos os praticados entre cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais” (Lei nº 5.764/71, art. 79, caput”) 2. Não se enquadrando a prestação de serviços a terceiros na definição de atos cooperativos, possível a incidência do PIS, nos exatos termos em que determina a Lei nº 9.718/98, tida por constitucional por esta Corte (Arguição de Inconstitucionalidade na AMS nº 1999.01.00.0960532/MG, Rel designado Juiz CARLOS MOREIRA ALVES, Corte Especial, maioria, DJ II 24 SET 2001, p. 135). 3. O STJ assentou o entendimento de que as empresas em geral estão sujeitas ao PIS de 0,65% sobre a receita bruta operacional, além de 1% sobre a folha de pagamento mensal, inclusive as cooperativas em relação aos atos nãocooperativos (Resp 249368/SC, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, T1, DJ 25/09/2000, p. 76). 4. Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 5. Peças liberadas pelo Relator em 22/06/2004 para publicação do acórdão. 7ª Turma do TRF – 1ª Região, 22/06/2004. E, posteriormente, em agravo regimental: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP. RECEITAS AUFERIDAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I – O Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, decidiu que “a receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade de contribuição ao PIS/PASEP” (RE 599.362/RJ, Relator Ministro DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe de 10022015). II – Agravo regimental desprovido. Corte Especial do TRF/1ª Região Brasília, 16 de março de 2017. A aplicação da concomitância de instância administrativa e judicial pressupõe a identidade de objeto litigioso nas duas esferas, fato que resta evidenciado quanto à incidência tributária das contribuições sobre os atos cooperativos. Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.613 11 Portanto, neste ponto, não cabe qualquer digressão sobre a parte do lançamento que se refere à tributação dos atos cooperados, por imperativo da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, é definitiva a exigência de PIS e Cofins sobre os atos cooperativos, sendo obrigatório o cumprimento daquilo que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário, nos Mandados de Segurança acima citados. COOPERATIVA COMO OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE ATOS NÃO COOPERATIVOS O principal ingresso de recursos das cooperativas de trabalho médico, inclusive da Recorrente, é resultado da venda de planos de saúde a terceiros não cooperados. Logo, a venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Nesse sentido, concordo com os termos da decisão recorrida: Uma operadora de plano de saúde tem por objeto o fornecimento de cobertura geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental do cliente, o que engloba serviços médicos, como consulta e exames clínicos, hospitalares, como internação e cirurgia; ambulatoriais, como prontosocorro e pequenas intervenções cirúrgicas etc., além dos serviços de outros profissionais de saúde, como de protéticos, ortopedistas, fisioterapeutas e outros tantos. Enfim, o objeto do plano de saúde é, mediante pagamento de prestação mensal, a cobertura dos custos de todo e qualquer procedimento necessário, dentro dos limites do contrato, à preservação da saúde do cliente. No caso da cooperativa, a finalidade está vinculada à atividade própria do associado. É o que se deduz da Lei n.º 5.764/71, art. 4º: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, ...” Como se vê, o objeto da cooperativa somente pode ser, diretamente, a prestação de serviços aos associados dela, nunca a prestação de serviços a terceiros. Ou seja, a finalidade da cooperativa não pode se voltar diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação (no caso, médicos), é que formam o parâmetro do seu objeto social. Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.614 12 No caso da interessada, os pagamentos mensais recebidos dos clientes não são de titularidade dos médicos cooperados, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, é o serviço prestado ao paciente, pelo qual a cooperativa paga ao médico os honorários. Assim, é óbvio que há receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação específica do serviço médico. Assim as operações realizadas com os clientes dos planos de saúde operados pela cooperativa não representam atos cooperados. Ao pagarem pelo plano de saúde, os valores deles recebidos pela cooperativa representam contraprestação pela disponibilidade dos serviços de assistência. O voto da Min. Eliana Calmon, no REsp nº 215.311, é de hialina clareza quanto à tributação dos planos de saúde, nos quais a UNIMED firma contratos de prestação de serviços com terceiros a serem efetuados pelos seus associados, os médicos cooperados: A UNIMED é uma cooperativa médica, de natureza civil, cujos interesses têm em vista um fim comum, congregando esforços e concentrando poder diretivo. A entidade cooperativa capta recursos de terceiras pessoas que firmam com a mesma ato negocial, a fim de receberem serviços médicos prestados por sua intermediação, mediante pagamento de uma taxa de administração. Os profissionais médicos que atendem aos terceiros são associados à cooperativa e aderem aos planos da entidade dentro de critérios por ela estabelecidos, a fim de prestarem serviços profissionais àqueles que se vinculam diretamente à cooperativa por ato negocial. Os associados, constituídos dos profissionais médicos, são remunerados pela Cooperativa, cujo papel principal é aglutinar clientela; na outra ponta há também aglutinação dos profissionais que irão servir aos terceiros. A verba de manutenção do sistema advém dos terceiros que pagam uma taxa mensal de administração. Vista a sistemática de captação de recursos e de remuneração dos profissionais médicos, vejamos a legislação. O art. 79 da Lei nº 5.764 de 16/12/1971 conceitua ato cooperativo nos seguintes termos: (...) Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.615 13 A mesma Lei nº 5.764/71 também estabeleceu em favor das cooperativas isenção tributária quanto aos chamados atos cooperativos, desde que não fossem atos negociais, ou seja, genuínos atos de cooperação, nos moldes do art. 79 transcrito. Se a cooperativa presta serviço a seus associados, não tendo interesse negocial, ou fim lucrativo, há completa isenção, porquanto o fim de cooperativa não é obter lucro mas, sim, prestar serviços aos associados, sendo os próprios médicos que, recebendo honorários dos conveniados, recolhem diretamente o ISS que incide sobre as importâncias que lhes são repassadas pela cooperativa. ...................................................................................................... Diferentemente, quando a cooperativa assume o caráter empresarial, deve pagar o ISS, como previsto na Súmula nº 81 do Supremo Tribunal Federal: ‘As cooperativas não gozam de isenção de impostos locais, com fundamento na Constituição e nas leis federais’. Ademais, o STJ, no REsp 1.164.716, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a tributação de PIS e COFINS somente incide sobre atos não cooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.616 14 a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. FATURAMENTO DAS COOPERATIVAS MÉDICAS – PLANOS DE SAÚDE Alega a Recorrente que seu faturamento, quando operadora de plano de saúde, decorre da atividade de intermediação, ou seja, das taxas de administração/comissão que remunera a atividade de operação dos planos de saúde. Entretanto, não lhe assiste razão. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Essa foi a posição da decisão recorrida, com a qual concordo: Na medida em que a cooperativa de trabalho médico autuada também atua como operadora de plano de saúde e nessa atividade oferece ao mercado plano de assistência médica hospitalar contratado por preço global que envolve a disponibilização de serviços médicos e a cobertura de despesas com diárias e serviços hospitalares e de laboratórios, é evidente que os valores recebidos assumem a feição de contraprestação, ou seja, são o preço pago por esses serviços colocados à disposição e potencialmente passíveis de serem usufruídos pelos usuários do plano operado. Nesse quadro, os valores pagos pelos usuários associados ao plano de saúde constituem faturamento da operadora do plano de saúde e, portanto, compõem a base de cálculo das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/98. Ressaltese que o RE n° 599.362, em sede de repercussão geral, decidiu que o PIS incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.617 15 relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Por sua vez, o RE n° 598.085, também em sede de repercussão geral, declarou a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela cooperativa com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.618 16 JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.619 17 aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.620 18 possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.858 6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Desse modo, a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento, é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Ademais, com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais pelo PIS/COFINS. Logo, nesse ponto assiste razão à Recorrente, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÕES POSSÍVEIS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS DAS COOPERATIVAS Os lançamentos tributários objetos deste processo e do processo 13629.720065/201362 foram lavrados em 16/01/2013. Posteriormente à lavratura, a Lei nº 12.873/2013 (de 25/10/2013) incluiu o § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98, cujo teor prescritivo é justamente as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS relativas às operadoras de planos de assistência à saúde. O artigo 3º, §9º e §9ºA da Lei 9.718/1998 prescrevem: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.621 19 da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Já a Lei nº 10.676, de 22 de maio de 200,3 dispõe: Art. 1o As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. A Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, por sua vez, estabelece: Art. 10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º É vedado deduzir da base de cálculo das contribuições de que trata o caput os valores destinados à formação de outros fundos, inclusive rotativos, ainda que com fins específicos e independentemente do objeto da sociedade cooperativa. § 2º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, podem efetuar somente as exclusões gerais de que trata o art. 9º, não se lhes aplicando a dedução prevista no caput. Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9º e 10, pela: Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.622 20 I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 1º As glosas dos valores, de que trata o inciso I do caput, devem ser decorrentes de auditoria médica dos convênios e planos de saúde nas faturas, em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados. § 2º As disposições dos incisos II a IV do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001. A alteração legislativa do §9oA tem expresso caráter interpretativo, dispondo sobre as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, portanto, podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O art. 106, I, do CTN, comanda a aplicação da lei interpretativa a ato ou fato pretérito, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É pacífica a questão da exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Sobre as despesas das cooperativas médicas, o voto do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, no acórdão n° 3301003.614, é didático: A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.623 21 saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Por conseguinte, a aplicação do § 9A tem direta influência na apuração da base de cálculo das contribuições, pois podem ser excluídos: o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. O que quer significar: usuários próprios e usuários de outras operadoras. A questão, inclusive, já está pacificada também na Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão n° 9303005.449, julg. 26/07/2017 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão n° 9303004.399, julg. 09/11/2016 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.624 22 beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9º A, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. Acórdão n° 9303004.184, julg. 06/07/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Logo, devem ser reconhecidos os novos valores das bases de cálculo, acolhendose o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal, efls. 3574 3576, para aplicar a dedução da totalidade dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios e de outras operadoras na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em suma, é devida a dedução da base de cálculo da COFINS, das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATEs), pelas cooperativas em geral, bem como é permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde os ajustes relativos à exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; à dedução os valores das corresponsabilidades cedidas; à dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e à dedução do Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.625 23 valor de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Entretanto, quanto a FATEs, bem apontou a decisão recorrida que: Dessa forma, no que tange às sobras líquidas para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Acontece que tais valores não estão evidenciados nos autos. A defendente limitouse a pedir a referida exclusão, sem, contudo, destacar quais seriam os valores destinados aos fundos acima (que seriam os dedutíveis). Assim, não se pode amparar a reclamação da interessada. Assim, é possível a dedução de FATEs desde que comprovadas sua liquidez e certeza, o que não se verifica no presente processo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Prescreve o art. 113 do CTN, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato jurídico tributário e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.626 24 O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012. Por isso, correta a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESOBEDIÊNCIA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa no percentual de 75% do imposto devido e não recolhido, bem como a multa qualificada de 150%. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. A decisão recorrida já desqualificou a multa de 150% para 75%, não restando outro ponto a ser deferido para a Recorrente neste tópico. Por fim, a análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou em desobediência a capacidade contributiva implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. SÍNTESE I Quanto à tributação dos atos cooperativos, incidência ou não de PIS e COFINS, essa questão está inteiramente subordinada ao resultado dos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS). II As receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde pagas pelos clientes terceiros não cooperados), são tributáveis pelo PIS/COFINS. Isso porque prestação de serviço não é ato cooperativo. Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.627 25 III Devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). IV Não compõem o faturamento das cooperativas médicas as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. CONCLUSÃO Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não operacionais. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912266/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 66 /2 01 2- 14 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.639, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 16048.000006/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA
Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado.
Integra-se o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto.
Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2).
Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891.
Numero da decisão: 3201-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrando-a com os fundamentos assentados no voto.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado. Integra-se o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrando-a com os fundamentos assentados no voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado. Integrase o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 00 00 06 /2 00 7- 55 Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.314 2 Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrandoa com os fundamentos assentados no voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela contribuinte, em face do Acórdão 3201001.764, prolatado por esta Turma na sessão de 14/10/2014. O acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso voluntário, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA DE CONTROLE ALTERNATIVO. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.315 3 entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro Registro de Controle de Produção e Estoque. Dispensase tal requisito quando o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista dispõem de sistema de controle quantitativo de produtos permitindo a perfeita apuração do estoque permanente. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. DEMORA NA APRECIAÇÃO. OBSTÁCULO DO FISCO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 411/STJ. ART. 62A DO RICARF. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, e a Súmula 411/STJ, pacificaram entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Seguindo tais orientações, a jurisprudência do STJ tem entendido que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, Dje 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013). Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62A do RICARF, autorizandose a incidência da Taxa SELIC. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida é omissa pois utilizou o conceito genérico de isenção para manter a glosa dos créditos sem adentrar na questão da nãocumulatividade da Zona Franca como área incentivada. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Turma entendeu intempestivos os embargos em razão da interposição da peça após o prazo de 05 (cinco) dias da ciência do acórdão. Considerouse a ciência realizada na data do pedido de cópia dos autos pelo patrono. Assim, os embargos não foram conhecidos em decorrência de sua intempestividade. Irresignada, a contribuinte socorreuse do Poder Judiciário e obteve liminar em Mandado de Segurança no processo nº 100223022.2017.4.01.3400, concedida em 04/04/2017, junto à 14ª Vara Cível da SJDF, nos seguintes termos: Pelo exposto, defiro a liminar para determinar a suspensão do curso Processo Administrativo n.° 16048.000006/200755 e a Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.316 4 consequente suspensão da exigibilidade dos débitos compensados com o crédito pleiteado, de modo que não constem como pendência no Relatório de Situação Fiscal da Impetrante e, consequentemente, à emissão de sua Certidão de Regularidade Fiscal, obstando, inclusive, a inscrição da sociedade no CADIN Federal, até final julgamento da presente demanda. Sobreveio sentença no referido Mandado Segurança determinando aquele Juízo a apreciação dos embargos de declaração e o prosseguimento deste processo administrativo, com a decisão: Ante o exposto, confirmo a liminar e concedo a segurança para determinar à autoridade impetrada que aprecie os embargos de declaração opostos pela impetrante no bojo do processo administrativo nº 16048.000006/200755, com a consequente nulidade do Despacho nº 3201S/Nº, com o regular prosseguimento do feito na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos nos termos do relatado linhas acima, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Conforme relatado, o vício apontado pela embargante é a omissão motivada pela falta de enfrentamento na decisão embargada dos seus argumentos para a manutenção dos créditos de IPI sobre insumos provenientes da Zona Franca de Manaus, na forma preconizada pelo art. 9º do DecretoLei nº 288/97, com a redação dada pelo Art. 1º da Lei nº 8.387/91. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracterizase no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. A decisão embargada, adotou as razões de decidir do Acórdão nº 0203.071, de 05/05/2008, para afastar todo e qualquer possibilidade de crédito do IPI nas aquisições isentas em razão da sistemática da nãocumulatividade adotada na Constituição, mantendose silente quanto à diversidade de origem do insumo ou incentivos fiscais concedidos atinentes à operação ou localização geográfica. No recurso voluntário, a contribuinte dissertou longamente identificando pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais quanto à possibilidade de creditamento do Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.317 5 Imposto nas aquisições isentas, quando decorrem de incentivos fiscais regionais, bem como de outros, de igual estatura constitucional em relação ao princípio da não cumulatividade do IPI. De fato, a omissão se caracteriza eis que o julgador utilizouse de fundamento genérico para sustentar a glosa dos créditos com a aquisição de insumos isentos. Contudo, no caso da embargante, a origem da mercadoria Zona Franca de Manaus tem suscitado debates e decisões de tribunais superiores no sentido de sopesar princípios constitucionais para distinguila quanto à regra de concessão de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Passemos à análise. Conquanto a matéria acerca do creditamento de insumos isentos adquiridos de pessoa jurídica situada na Zona Franca de Manaus teve a repercussão geral reconhecida no RE 592.891, não há decisão definitiva que implique a reprodução obrigatória nas decisões deste Conselho, nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF. Assim sendo, no caso dos produtos isentos adquiridos da ZFM não há previsão legal para o aproveitamento do crédito, e portanto, segue a regra geral de não cumulatividade na qual o direito ao crédito decorre de aquisição de produto que teve tributação do IPI. Esse entendimento alinhase à decisão no STF no RE nº 566.819 na qual assentou que as aquisições de matéria prima isentas não dão direito ao crédito do IPI: IPI CREDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI CRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO DIFERENÇA INSUMO ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 5668/9, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010) Em sede de embargos de declaração foi suscitada a possibilidade do creditamento de aquisições isentas quando provenientes da ZFM que assim restou ementado: IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO – ABRANGÊNCIA. No julgamento deste recurso extraordinário, não se fez em jogo situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –, quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante a admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber. (Embargos de Declaração no RE 5668/9, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010) Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.318 6 É verdade que decisões do STF intercalaramse ao longo de determinado período ora concedendo o crédito nas aquisições isentas, ora negandoo, até culminar com o reconhecimento da repercussão geral no indigitado RE 592.891. Esta matéria foi abordada com maestria no Acórdão nº 3403003.050, sessão de 22/07/2014, de Relatoria do Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, decidido pela turma por unanimidade de voto. A reprodução da ementa é suficiente para a compreensão do tema: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PRODUTO ISENTO. CRÉDITO DE IPI. Após um período em que vigorou o crédito para as aquisições isentas, decorrente do RE nº 212.484/RS), conforme afirmado pela própria Recorrente, posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), finalmente, aquele entendimento inverteuse para um posicionamento diametralmente oposto, passando a entender o Supremo Tribunal Federal que nenhuma das aquisições desoneradas outorgam o direito ao crédito presumido (RE nº 566.819/RS). Desse modo, a regra constitucional da não cumulatividade prevalece na legislação do IPI e se aplica às aquisições isentas ainda que da ZFM, sendo inafastável pelos julgadores deste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Conclusão Por todo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrandoa com os fundamentos assentados neste voto. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002632/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido.
Numero da decisão: 2402-006.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos).
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LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 26 32 /2 00 8- 92 Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.376 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos). Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.377 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em oposição ao Acórdão nº 1663.897 12ª Turma da DRJ/SPO, que manteve parcialmente os levantamentos realizados pela NFLD – Debcad nº 35.745.2143, lavrada em 30/09/2004, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2000, 01/2001 a 11/2001, 03/2002, 04/2002, 09/2002 a 06/2003, para matriz e filiais, no montante de R$7.328.737,11 (sete milhões, trezentos e vinte e oito mil, setecentos e trinta e sete reais e onze centavos), consolidado em 28/09/2004. O julgado em lide assim se manifestou: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedentes em parte as impugnações, mantendo parcialmente o crédito tributário, no valor de R$ 5.177.902,83 (cinco milhões, cento e setenta e sete mil, novecentos e dois reais e oitenta e três centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário Às fls. 2.282, no entanto, consta desistência formal apresentada pela Contribuinte, não alcançando, contudo, a parte referente ao recurso de ofício. Às fls. 2.308 consta, por parte do Presidente deste Conselho, determinação de análise e processamento da petição de desistência e reanálise processual. Após o desmembramento dos valores, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.378 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, porém optou por sua desistência, conforme se pode verificar à fl. 2.282, não merecendo ser conhecido. Assim restando pendente de julgamento tão somente o Recurso de Ofício, manejado por força de reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado na Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. Originariamente, a lide tratava de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad nº 35.745.2143, lavrada em 30/09/2004, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2000, 01/2001 a 11/2001, 03/2002, 04/2002, 09/2002 a 06/2003, para matriz e filiais, no montante de R$7.328.737,11 (sete milhões, trezentos e vinte e oito mil, setecentos e trinta e sete reais e onze centavos), consolidado em 28/09/2004. Em julgamento da Impugnação interposta, a DRJ assim se manifestou: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedentes em parte as impugnações, mantendo parcialmente o crédito tributário, no valor de R$ 5.177.902,83 (cinco milhões, cento e setenta e sete mil, novecentos e dois reais e oitenta e três centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário. Tendo em vista que o valor exonerado atinge o limite de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, cabe recurso de ofício desta decisão." Confrontando os valores globais, sem excluir os juros moratórios, o valor exonerado foi de R$2.150.834,28, superior, portanto, ao previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Contudo, tal portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 que, em seu art. 1º, fixou em R$ 2.500.000,00 o novo limite de alçada para dispensa do reexame necessário, vejamos seus termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.379 5 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Ofício ora julgado, deve ser aplicado ao caso a Portaria vigente conforme transcrito, sendo esse o entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência formal apresentada pelo contribuinte e, seguidamente, por não conhecer do Recurso de Oficio, em razão do crédito exonerado ser inferior ao limite de que trata no Art. 1º Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula Carf 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 2379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001323/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2202-004.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: WALTIR DE CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 23 /2 00 7- 80 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 127 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 23/08/2007 para constituir crédito tributário referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, período de apuração 01/01/1997 a 31/12/1999. O Contribuinte, cientificado da autuação em 23/08/2007, interpôs impugnação, levando a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ01) a proferir o Acórdão nº 1217.642 10ª Turma DRJ/RJ01 (fls. 94/100), de 20/12/2007, onde os membros daquele colegiado julgaram improcedente a defesa apresentada. Em face do referido acórdão, o Contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário de fls. 104/119, ora em julgamento. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo e adoto o relatório da DRJ de origem: "DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.115.7986 CFL 30 consolidado em 23/08/2007) lavrado contra a empresa acima identificada, no montante de RS 1.195,13. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08), temos que: 2.1. A interessada deixou de informar em folha de pagamento a remuneração paga ou creditada a trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, bem como não elaborou folha de pagamento por estabelecimento, o que constituiu infração ao artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 225, inciso I, § 9o , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999; 2.2. Para as infrações ocorridas no período anterior a 06/05/1999, além do dispositivo legal supra mencionado, aplicamse as disposições do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/1997, artigo 47, inciso I, § 4 o , e o ROCSS aprovado pelo Decreto 612/1992, artigo 47, inciso I e § 4. 3 . A multa aplicada, foi apurada conforme previsto nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 283, inciso I, alínea "a", e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em seu valor mínimo, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 128 3 3.1. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada manifestouse (fls. 20/61), alegando em síntese que: Das Preliminares Da decadência 4.1. O Código Tributário Nacional CTN prevê duas regras, uma geral, outra específica, acerca do prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar o lançamento (artigos 173 inciso I e 150 § 4o ); 4.2. A auditoria fiscal constatou que o impugnante deixou de informar em folha de pagamento a remuneração paga ou creditada a trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviço no período auditado, bem como por não ter elaborado folha de pagamento por estabelecimento para o período fiscalizado de 01/1997 a 10/1999; 4.3. Desta forma podemos concluir que resta operada a decadência, uma vez que o lançamento foi realizado depois de mais de 10 (dez) anos (01/1997) e quase 08 (oito) anos (10/1999) da ocorrência do fato gerador; Da necessidade de Lei Complementar e da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991 4.4. Se a Constituição Federal de 1988 reservou à Lei Complementar a competência para disciplinar matéria atinente à decadência tributária e se a Lei 5.172/1966 (CTN), recepcionada como Lei Complementar, estabelece prazo decadencial de 05 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e se as contribuições sociais são espécies de tributos, a Lei Ordinária 8.212/1991 não poderia ter cuidado da matéria, muito menos de forma diversa; 4.5. Em recentíssimo julgado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, no julgamento do AI em Resp n° 616.348 MG (2003/02290040); Do mérito 4.6. Informa que j á realizou todas as retificações, objeto deste Auto de Infração; 4.7. Requer sejam acolhidas as prejudiciais para reconhecer a decadência e a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, declarando nula a sanção imposta; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 129 4 4.8. Requer relevação da multa uma vez que: corrigiu a falta até o prazo final para impugnação; pediu a relevação dentro do prazo de impugnação; é primário e não houve circunstância agravante, solicitando o seu arquivamento. 5. É o Relatório." Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reafirma que já se operou a decadência para a constituição do crédito tributário lançado no auto de infração combatido. Quanto ao mérito, argumenta, novamente, que já realizou todas as retificações de GFIP, objeto do Auto de Infração, tendo requerido a relevação da multa dentro do prazo de impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Waltir de Carvalho Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da decadência. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF), o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Observese, inclusive, que o próprio RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015) amoldouse a tal vinculação obrigatória, conforme previsto na alínea "a" do inciso II, § 1º do art. 62 de seu Anexo II. No tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições sociais previdenciárias, foi publicada, em 20/06/2008, a seguinte súmula do STF: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, julgado em 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Portanto, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos. Ainda que o Recorrente não tenha invocado, em sua defesa, a aplicação da Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 130 5 Súmula Vinculante nº 8, por força de sua vinculação obrigatória, deverseá analisar o presente caso à luz do comando normativo por ela veiculado. No caso em tela, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre 01/01/1997 a 31/12/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 23/08/2007 (fls. 03). Adotamos a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que, havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º, CTN. Nesse sentido, a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser seguida, por força do disposto no artigo 62, § 1º, II, "b", RICARF. Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que, no caso, o período verificado está compreendido entre 01/1997 a 12/1999 e que a ora Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 23/08/2007, verificase que estão decadentes as contribuições apuradas em sua totalidade, uma vez que anteriores a 12/2001. Portanto, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário veiculado no presente processo, dandose provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.722010/2016-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/11/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 20 10 /2 01 6- 55 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 227 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1678.936 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Segundo relato da fiscalização, a agente de carga autuada registrou a destempo, em 09/11/2012 às 16h38, no sistema Siscomex Carga, a carga desconsolidada referente ao Conhecimento Eletrônico (CE) HBL 151205218688710, relativo ao MHBL 151205198271879, cuja carga objeto dessa desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos pelo Navio "MSC CAROLINA”, com atracação registrada em 21/10/2012, às 05h31. Referido Conhecimento Eletrônico, portanto, veio a ser incluído no sistema em prazo inferior às quarenta e oito horas antes do registro da atracação, em desacordo com o disposto no art. 22, II, “d”, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Considerando que a autuada é, enquanto Agência de Carga, a pessoa responsável pela prestação das informações sobre o veículo e cargas, nos termos da IN RFB 800/2007, a fiscalização aplicou a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do DL 37/66, por deixar de prestar informação sobre carga no prazo estabelecido. Cientificada do auto de infração em 06/09/2016 (fls. 103/104), a interessada apresentou impugnação, na mesma data, juntada às fls. 41 e seguintes, alegando em síntese que: a) em preliminar, ressalta a ilegalidade da autuação sofrida, uma vez que vai de encontro à decisão judicial emanada pela 14ª Vara Federal de São Paulo, nos autos do Processo nº 0005238 86.2015.403.6100, devendo o auto de infração ser anulado; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 228 3 b) aduz que embora a autuação se funde na não prestação de informações, esta alegação não se sustenta, uma vez que as informações foram efetivamente prestadas, uma vez que, se assim não fosse, não poderiam ter sido efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme o disposto no §2º do art. 37 do DL 37/66. Tendo havido comprovadamente a operação de descarga da embarcação, a anulação da autuação é medida necessária para assegurar a segurança jurídica; c) observa que com a recente modificação da IN RFB 800/2007 pela IN RFB nº 1.473/2014, foi ratificado o entendimento de que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22, seria imputável somente ao armador transportador, visto que somente este manifesta carga; d) a penalidade tem efeito confiscatório, ferindo os princípios da proporcionalidade e isonomia. Ademais, o desrespeito ao art. 729, II, do Decreto 6.759/2009 é flagrante, posto que a multa combatida não poderia superar o valor de R$ 5.000,00 por navio, e não por CE mercante, como tem erroneamente aplicado a impugnada; e) o eventual atraso na prestação de informações por parte do contribuinte não causa qualquer dano à fiscalização, que autua por mero formalismo (princípio da legalidade). Tanto é assim que a autuação é, sem exceção, sempre muito posterior à prestação das informações pelo contribuinte, que se beneficia do instituto da Denúncia Espontânea por essa razão; f) cita diversos normativos para referendar sua tese de que a estipulação de limite ao valor da penalidade imposta é mecanismo necessário a se evitar desproporção. Tais multas não tem natureza arrecadatória (ou não deveriam ter), de modo que a pena de R$ 200,00 (duzentos reais) por informação omitida, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por veículo é medida de rigor para que se respeitem os Princípios da Isonomia e da Proporcionalidade; g) no caso, além da ausência de dolo especifico, que é o elemento subjetivo da norma, ainda deve ser analisada a inexistência da hipótese de incidência tributária imputada erroneamente pela autoridade à impugnante, porque as informações exigidas pelo artigo 22 da IN 800/07 foram prestadas; h) considerando que a autoridade aduaneira em nenhum momento conseguiu provar que a impugnante deixou de prestar informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, é de se concluir que o auto de infração padece de motivação, além de ferir também o princípio da razoabilidade; i) como a impugnante não deixou de prestar as informações, aplicamse ao caso sob análise os dispositivos do art. 138 do CTN e art. 102 do DL 37/66 que tratam da denúncia espontânea, em alinhamento com a jurisprudência judicial e administrativa que cita; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 229 4 j) requer, ao final, seja julgada insubsistente a autuação e cancelada a multa sob comento." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/11/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os argumentos não levados à apreciação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (183/197), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 230 5 A principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 231 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 232 7 Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724541/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/01/2006
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO.
As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples.
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 279 1 278 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724541/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.138 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente FERRARI INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 41 /2 01 0- 81 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 280 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 281 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. Os serviços de suporte técnico em informática impedem a opção pelo Simples, por caracterizar a prestação de serviços de analista de sistemas. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir a este regime de tributação. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.01.002010014957 que culminou com a Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 282 4 Representação Fiscal para exclusão do Simples a partir de 01/01/2006 e formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 02/2007, pela sistemática do Lucro Arbitrado. O auditor fiscal relata que, em procedimento fiscal junto ao contribuinte acima qualificado, iniciado em 16/09/2010 com a ciência do sujeito passivo, constatou que tanto no contrato social da empresa ( inicial e alterações que vigoraram até 30/06/2007 ), o objetivo social da empresa foi a “prestação de serviços de processamento de dados, comercialização de software, equipamentos, acessórios e suprimentos para o apoio do processamento de dados”. Foram apresentadas pela empresa cópias de dois contratos de prestação de serviços com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, com datas de 19/10/2004 e 18/05/2005, onde consta que o interessado prestaria serviços de “análise de sistema, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários – suporte técnico, consultoria técnica, ...” entre outros. De acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, a atividade exercida pela empresa é vedada à participação no Simples. Tal fato acarreta a exclusão de ofício do Simples, conforme art. 13, inciso II, “a” da citada Lei. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; O artigo 9º, assim dispõe: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Considerando a Representação Fiscal, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 200 de 18 de novembro de 2010, do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, excluindo a empresa do Simples, em decorrência da prestação de atividades vedadas para a opção pelo Simples, conforme disposto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996 ( fls. 42 ). A ciência pessoal do referido Ato deuse em 01/12/2010, fls. 138. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 283 5 Em 03/01/2011, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade de fls. 186/191, alegando que: a base de cálculo e a alíquota dos tributos, bem como as exigências legais à inclusão da empresa no Simples deve se pautar pelos serviços efetivamente prestados pelo contribuinte; o instrumento contratual de prestação de serviços mantido entre entidades privadas não pode servir como fundamento único para embasar a exclusão da empresa do Simples; embora conste no instrumento contratual com a empresa FAURGS como objeto os mais variados serviços, o único efetivamente prestado pelo interessado foi o de suporte técnico, até porque, a prestação de serviços ocorria dentro das dependências do Banco Banrisul, e como tal não poderia prestar outro tipo de serviço senão suporte técnico, já que a análise de sistema e a programação, eram exclusivamente efetuadas por funcionários contratados diretamente ao Banrisul, ou seja, serviços que não podem ser terceirizados; e a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa possibilita sua inclusão no Simples. A empresa, comunicada da continuação do procedimento fiscal, relativo aos tributos recolhidos pela sistemática do Simples, do período compreendido entre janeiro/2006 a junho/2007, foi intimada a apresentar livros fiscais e talonário de notas fiscais relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007 ( fls. 74 ). Os valores declarados à Receita Federal eram os mesmos que constavam nos Balancetes e nas Notas Fiscais. Foi o contribuinte intimado, em 29/11/2010 ( fls. 137 ) a optar pela forma de tributação para o período de 01/01/2006 a 30/06/2007, se seria pelo Lucro Arbitrado ou pelo Lucro Real, em vista da exclusão do Simples naquele período. Em 06/12/2010 o contribuinte informa que a opção seria pelo lucro arbitrado ( fls. 139 ). O lançamento de ofício relativo ao período de 01/2006 a 02/2007 está consubstanciado nos autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 40.179,86, Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 4.048,45, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 17.286,66, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 11.780,90, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 73.295,87 (setenta e três mil, duzentos e noventa e cinco reais e oitenta e sete centavos), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2010. Os valores recolhidos no código 6106 – Simples foram distribuídos no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com o percentual de participação de cada um, conforme o art. 2º, parágrafo único da Lei nº 10.034/2000 e IN/SRF/609/2006. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 18/12/2010 (fls. 184 ) e apresenta, em 13/01/2011, sua impugnação de fls. 210/215, acrescentando aos argumentos já trazidos quando de sua manifestação de inconformidade, o seguinte: a Cláusula Segunda do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa Ferrari Informática Ltda e a FAURGS previa que a efetiva prestação de quaisquer dos Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 284 6 serviços seria feita mediante encomenda e provocação exclusiva da FAURGS, o que implica que a demanda poderia se limitar, como de fato se limitou, a apenas uma parcela dos serviços prestados como objeto do contrato. Existe um contrato padrão firmado pela FAURGS com as inúmeras empresas que lhe prestam suporte nas mais diversas áreas de atuação; o único serviço prestado nos anos de 2006 e 2007 foi de “SUPORTE TÉCNICO”, hipótese que permite a inclusão da empresa no Simples; somente a partir de 2007 a empresa passou a prestar serviços de programação, não contemplados pelo Simples, tendo espontaneamente adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido; no período em que aderiu ao Simples, até 2007, todas as declarações e informações prestadas à SRF permitiram o exercício desta atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do Simples. Como nada foi feito pela Receita Federal, é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada; referese ao princípio da segurança jurídica e que cabe à Administração anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade; e quanto à multa, diz que a mesma não deve ser aplicada, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa, e que ela somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal, ela silencia. Ao final, requer seja anulado o ADE/Porto Alegre nº 200/2010, uma vez que a empresa somente exerceu atividade compatível com o Simples. É o relatório." Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 285 7 Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão o Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta as seguintes razões para a reforma do Acórdão de 1ª Instância: Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente 1. O agente fiscal tomou como fundamento para a edição do ato declaratório, ora recorrido, o único contrato de prestação de serviço vigente à época entre a empresa e a Fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, bem como todas as ordens de serviço emitidas no período, onde se constata efetivamente que o tipo de prestado pelo contribuinte foi o de "suporte técnico em informática". Fato devidamente comprovado e superado junto à fiscalização. 2. No entanto, para surpresa da Recorrente, a fiscalização, no afã de arrecadar, movida pela gratificação de produção, criada pelo Governo Federal, para medir a produtividade e melhor remunerar seus servidores da Receita Federal, MODIFICOU E INOVOU na interpretação de conceitos e atividades elencados na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO. 3. Segundo entendimento exarado no respeitável, mas equivocado acórdão da 6ª Turma da DRJ/POA, a saber: "A CBO/2002 inclui os "programadores de sistemas de informação" na família dos "técnicos de desenvolvimento de sistemas e aplicações" (código 3171) e fornece uma descrição sumária das atividades desenvolvidas por eles: Desenvolvem e implantam sistemas informatizados dimensionando requisitos e funcionalidade do sistema, especificando sua arquitetura, escolhendo ferramentas de desenvolvimento, especificando programas, codificando aplicativos. Administram ambiente Informatizado, prestam suporte técnico ao cliente e o treinam, elaboram documentação técnica. Estabelecem padrões, coordenam projetos e oferecem soluções para ambientes informatizados e pesquisam tecnologias em informática". O suporte técnico em informática é expressamente citado pela CBO/2002 como atividade de analista de sistemas, portanto, pela leitura das descrições acima, podese concluir que os serviços de programadores e analistas de sistemas configuram atividade intelectual, de natureza técnica, e, conseqüentemente, nos termos da Lei n° 9.317/1966, art. 9o, XIII, a empresa que desempenha tais atividades está impedida de optar pelo Simples." (vide acórdão)" Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 286 8 4. Primeiramente, importante esclarecer que SUPORTE na linguagem comercial, administrativa, na língua portuguesa, ou em qualquer outra, é entendido como sinônimo de APOIO, uma ajuda, um auxílio. 5. Segundo, suporte técnico em informática, nos remete a uma idéia de que alguém que tenha o conhecimento na área de informática, pode nos dar um apoio, nos fornecer uma ajuda ou até mesmo resolver um problema na área de informática. 6. Pois bem, para a fiscalização da RFB, conforme demonstrado no r. Acórdão, suporte técnico em informática é uma atividade de analista de sistemas, configurando uma atividade intelectual, de natureza técnica. 7. No entanto, não é preciso grande intelectualidade para saber que o Técnico de Suporte em Informática realiza manutenção preventiva e corretiva de equipamentos de informática, identificando os principais componentes de um computador e suas funcionalidades; identifica as arquiteturas de rede e analisa meios físicos, dispositivos e padrões de comunicação; avalia a necessidade de substituição ou mesmo atualização tecnológica dos componentes de redes; instala, configura e desinstala programas básicos, utilitários e aplicativos; realiza procedimentos de backup (cópia de segurança) e recuperação de dados. O Técnico pode atuar em Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem suporte e manutenção de informática. Pode ser autônomo ou empregado, tendo como requisito o Ensino fundamental completo. 8. O interessado em seguir carreira como técnico de suporte em Informática deve ter, no mínimo, o Ensino Médio completo. 9. Tanto que, TUDO O QUE UM TÉCNICO FAZ, UM ANALISTA DE SISTEMAS PODE TAMBÉM FAZER, mas não significa que só um analista possa dar suporte em informática. 10. Portanto, o entendimento exarado no r. acórdão não encontra qualquer fundamentação. Isso porque, a informática se divide em três áreas: Análise de Sistemas, que trabalha com o sistema de informações de uma rede de computadores; Engenharia da Computação, responsável pela criação dos computadores e seus acessórios e; Ciência da Computação, o qual desenvolve softwares. 11. Com a informatização crescente, são muitas as possibilidades de mercado para os profissionais destas áreas, pois a função é estratégica no mundo globalizado, visando descobrir como aplicar as novas tecnologias da informação aos processos de negócios, criar novos produtos e serviços e conquistar um diferencial para sua empresa, além de imprimir eficiência à administração, função clássica do emprego da informática. Nesse contexto, sempre vai existir o profissional de suporte técnico, que não precisa de curso superior como prérequisito, mas detém conhecimento técnico específico, capaz de auxiliar em todas as ramificações da informática, não sendo uma atividade privativa de analista de sistemas! Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 287 9 12. Portanto, os julgadores da 6a turma, ao interpretar as atividades descritas na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO, concluíram equivocadamente que a atividade de suporte técnico, por constar e fazer parte da família de atividades de um analista de sistemas deve obrigatoriamente ser uma atividade privativa de um analista. 13. O ato da fiscalização da Receita Federal, ao interpretar as atividades da empresa, ora Recorrente como atividade de análise e programação, que implicam na exclusão do SIMPLES, convolase em abuso de poder e conseqüente ilegalidade, passível de anulação pela própria administração, conforme dispõem os artigos 53 e 55 da Lei 9.784/99, que normatiza a anulação e a revogação dos atos administrativos no procedimento administrativo em âmbito federal, aplicável às três esferas de poder: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa no Simples nos anos de 2006 e 2007 14. No período em que a empresa aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. 15. Nesse entender, carece de razoabilidade o Ato Declaratório que excluiu do SIMPLES a empresa, quando ao tempo em que prestadas todas as declarações e informações da Empresa foram devidamente aceitas pela SRF. 16. Ademais, o ato da SRF fere visceralmente o Princípio da Segurança Jurídica no momento que tem por irregular determinada situação jurídica, tida anteriormente por regular e com homologação tácita dos atos praticados pelo próprio fisco. 17. Face ao Princípio da Cautela e no intuito de entender a razão da Edição do Ato Declaratório ora atacado, há de se esclarecer que o fato de a empresa, no ano de 2007, ter adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido não pode ser tido como indício ou mesmo presunção de que a atividade desenvolvida no período anterior a esse exercício seja incompatível com o SIMPLES. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 288 10 18. Por absoluta incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa nos exercícios 2006 e 2007, há de ser anulado o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195, que exclui a empresa do SIMPLES, haja vista a evidente ilegalidade que o macula. Da inexigibilidade da multa inexistência de mora 19. Subsidiariamente, caso essa SRF entenda pela manutenção da decisão que excluiu a Empresa do SIMPLES, desde logo importa salientar a inaplicabilidade da multa de ofício na hipótese posta em debate, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa contribuinte. 20. O cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. Na presente hipótese, encontramos situação diversa, haja vista que desde o anocalendário 2003 a empresa contribuinte vinha efetuando suas declarações e recolhendo regularmente os tributos pelo sistema SIMPLES, com códigos e formulários corretos, sem que houvesse qualquer recusa ou notificação pela SRF. 21. Inequívoca, portanto, a presunção de legalidade no procedimento adotado pela empresa que, face ao princípio da segurança jurídica não pode ser surpreendida com onerosa cobrança de multa fiscal moratória. 22. Em face do exposto, REQUER seja o presente recurso recebido, para reformar a decisão proferida pela 6a Turma da DRJ/POA, dandolhe provimento para reconhecer a atividade exercida pela Recorrente nos anos de 2006 e 2007 como compatível com o SIMPLES, anulando o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195 de 04.11.2010, bem como o Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. PIS/Pasep e COFINS. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 289 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Mérito Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – Simples, e alterações posteriores, determina: Art. 9º Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: [...] XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor ou assemelhado, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei). Alega o recorrente que a atividade efetivamente exercida por ele foi a de “suporte técnico”. Do texto legal acima, depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de programador, analista de sistema e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, cabendo então analisar a atividade “prestação de serviços de suporte técnico”. A prestação de serviços de suporte técnico em informática podese caracterizar ou não de cunho intelectual, dependendo das atividades exercidas. No Simples federal quando a atividade se caracteriza como de cunho intelectual, cujo profissão dependia de habilitação profissional legalmente exigida, era vedado a sua opção e permanência nesse regime. Com a criação do Simples Nacional permitiuse que essa atividade fosse possível optar pelo enquadramento desde que em anexo distinto, conforme quadro seguinte*. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 290 12 *Quadro extraído do site https://www.contabilizei.com.br/contabilidade online/enquadramentoanexoiiiouanexovisimplesnacional/ Ressaltase que, evidentemente, não se quer adotar a legislação do Simples Nacional para o presente caso. O objetivo é esclarecer que há atividades de suporte que não se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo instalação de programas de informática e de software, e há atividades de suporte que se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo manutenção de programa e sistemas de informática. Fazse necessário a análise documentos comprobatórios para verificarmos se a atividade do recorrente se caracteriza ou não de cunho intelectual. Consta no registro do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) que o recorrente tem como objetivo social a "Manutenção e reparação de máquinas de escrever, calcular e de outros equipamentos nãoeletrônicos para escritórios" (CNAE 3314709). Consta na 3ª Cláusula da 9ª alteração do contrato social(fls. 219 a 221) da recorrente, o objeto de "prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, conforme ilustrado a seguir. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 291 13 Contudo, o recorrente informou, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, que tem como objeto social a prestação de serviços de processamento de dados e comercialização de software, hardware, equipamentos, acessórios e suprimentos de apoio de processamento de dados. Verificase que a prestação de serviços, informada pelo recorrente, está em desacordo com o disposto em seu contrato social e no registro do CNPJ. Quanto à prestação de serviços, o recorrente declarou que prestou serviços para entidades públicas e privadas dentro da área de suporte em informática, tanto de equipamentos como de serviços administrativos de apoio em tecnologia da informação. Esses serviços era, desde o concerto de equipamentos no local do cliente ou na sede da empresa, até a identificação de problemas de software e o imediato restabelecimento do funcionamento da máquina. Os contratos de prestação de serviços a serem desenvolvidos pela recorrente em favor da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), com datas de 19/10/2004 e 18/05/2005, têm como objeto a prestação de serviços de na área de informática, com as seguintes abrangências: análise de sistemas, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários suporte técnico, consultoria técnica, treinamento, pesquisa e implementação tem todas as atividades tais como: ambientes e sistemas operacionais, redes de computadores, telecomunicação e teleprocessamento, banco de dados, segurança, integridade dos dados, automação, metodologias, ferramentas e arquitetura de sistemas voltados a orientação a objetos, cliente/servidor, internet, entre outros e linguagem de programação. Segue ilustração de um dos contratos. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 292 14 Percebese que, conforme contrato, as atividades envolvidas na prestação de serviços são, em sua maioria, de cunho intelectual. Sendo prestadas por analista de sistemas e outros profissionais de nível superior de graduação. A atividade de suporte não está especificada de forma a identificarmos se essa é ou não de cunho intelectual, contudo pela descrição o suporte técnico pareceme restrito aos produtos e aplicativos bancários. Constatase que não está previsto no contrato de serviço o "concerto de equipamentos no local do cliente ou na sede da empresa, até a identificação de problemas de software e o imediato restabelecimento do funcionamento da máquina". Não constam do processo as ordens de serviço, apesar do recorrente fazer referência a essas em seu recurso voluntário. As notas fiscais de serviço (fls. 78 a 136) trazem discriminação genérica de prestação de serviços e não esclarecem o tipo da atividade do serviço prestados. Como exemplo, ilustramos a Nota Fiscal de Serviço nº 140. Conforme a análise realizada da atividade de suporte técnico e dos documentos comprobatórios, Concluise que: · A atividade de suporte técnico em informática pode ser caracterizada como sendo ou não de cunho intelectual. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 293 15 · As atividades da recorrente previstas no contrato social e especificadas nos contratos de prestação e ordens de serviço não são exclusivas de suporte técnico, e se caracterizam com cunho intelectual. · os contratos de prestação de serviços constantes dos autos prevêem que a Policarpo & Ferrari Informática Ltda. exercerá as atividades de “Análise de sistema, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários – suporte técnico, consultoria técnica, treinamento, pesquisa e implementação em todas as atividades tais como: ambientes e sistemas operacionais, redes de computadores, telecomunicação e teleprocessamento, banco de dados, segurança, integridade dos dados, automação, metodologias, ferramentas e arquitetura de desenvolvimento de sistemas voltadas a orientação a objeto, cliente/servidor, internet, entre outros, e linguagens de programação”, não havendo prova de que não tenha efetivamente prestado tais serviços. · As atividades prestadas pelas recorrente são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. · Estando as atividades de programador, analista de sistemas e consultor, vedadas pelo inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996 à opção pelo Simples, correta a não aceitação do recorrente neste sistema de tributação. Portanto devem ser rejeitados todos os argumentos da recorrente quanto à interpretação da matéria , e ao alegado abuso de poder e ilegalidade do ato da Autoridade Fiscal. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa no Simples nos anos de 2006 e 2007 A recorrente alega no período em que a empresa aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. O fato de o recorrente ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose, apenas, à fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente os contribuintes que atendam às condições previstas na lei podem exercer esse direito. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 294 16 Ressaltase que a exclusão do Simples foi realizada mediante procedimento fiscal, cujo lançamento do crédito tributário decorrente pode ser realizado enquanto não atingido pelo instituto da decadência. A formalidade de apresentar declarações e pagamentos no regime do Simples não tem o condão de transformar a situação fática do exercício de atividade vedada pelo regime de tributação favorecido. Também não é aplicável o Princípio da Cautela pois a situação em nenhum momento foi regular e os atos não foram praticados pelo fisco e sim pelo contribuinte. Assim, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime simplificado pode, e deve, excluílo de tal sistemática. Por conseguinte, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu, que é exatamente o ato de exclusão de que também trata este processo. Portanto devem ser rejeitado o requerimento de anulação do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, com base na alegação de incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa Policarpo & Ferrari Informática Ltda. no período de apuração de 01/01/2006 a 28/02/2007 Da exigibilidade da multa de mora A recorrente alega que a inaplicabilidade da multa de ofício, haja vista a inexistência de mora em sua conduta. Argumenta que o cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. A multa lançada é a prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 aplicada aos casos de lançamento de ofício que, expressa e objetivamente, prevê: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao constatar a ocorrência de uma infração, como no caso, a Autoridade Fiscal deve, obrigatoriamente, lavrar o auto e aplicar a multa, porque a lei não lhe dá discricionariedade. Tal característica implica ser a lei o único referencial para delimitar a atuação fiscal. É importante ressaltar, no caso presente, que a imposição de penalidades tributárias, independe de qualquer elemento subjetivo por parte do sujeito passivo, ou seja, não há que se indagar se o contribuinte teve ou não intenção de lesar o Fisco, acarretandolhe prejuízo. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 295 17 Portanto, devemse ser rejeitadas as alegações da recorrente, e ser considerado correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor dos tributos não recolhidos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.724423/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RITO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Os trâmites relativos ao processo administrativo de suspensão da imunidade e dos presentes autos de infração, respeitaram os ditames normativos constantes do Decreto nº 70.235/72, da Lei nº 9.784/99 e o rito do artigo 32, da Lei nº 9.430/06. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O processo de suspensão da imunidade foi julgado na sessão de 09/04/2014 de forma desfavorável ao contribuinte.
EFEITOS DA DECISÃO PLENÁRIA. ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO.
A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal.
RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL.
Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anos-calendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido.
CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE.
A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa.
PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO.
No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa.
DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL.
Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel.
DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO.
Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS.
Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora.
RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL.
Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN.
De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA.
A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1201-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a de 225% para 150%. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento aos recursos voluntários em menor extensão para manter o agravamento da multa de ofício de 225%. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal. RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anos-calendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN. 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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RITO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os trâmites relativos ao processo administrativo de suspensão da imunidade e dos presentes autos de infração, respeitaram os ditames normativos constantes do Decreto nº 70.235/72, da Lei nº 9.784/99 e o rito do artigo 32, da Lei nº 9.430/06. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O processo de suspensão da imunidade foi julgado na sessão de 09/04/2014 de forma desfavorável ao contribuinte. EFEITOS DA DECISÃO PLENÁRIA. ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 23 /2 01 1- 02 Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 3 2 RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anoscalendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 4 3 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 5 4 obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento aos recursos voluntários em menor extensão para manter o agravamento da multa de ofício de 225%. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. O presente processo administrativo versa sobre lançamentos relativos aos anocalendário 2006, 2007, 2008 e 2009 (neste ano referentes somente a PIS e COFINS), na sistemática do lucro real anual, onde foram constatadas as seguintes infrações: 1.1. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 369/382 e 2.110, no valor de R$ 1.128.017,72, devido a: i. Item 001 Omissão de receitas por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Item 002 Receitas operacionais escrituradas mas não declaradas: fato gerador em 31/12/2006; Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 6 5 iii. Item 003 Custos, despesas e encargos não necessários, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; iv. Item 004 Custos, despesas e encargos pagos a pessoas físicas vinculadas, em relação aos quais a entidade não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; v. Item 005 Distribuição disfarçada de lucros (negócios em condições de favorecimento a pessoa ligada): fato gerador em 31/12/2006; vi. Item 006 Distribuição disfarçada de lucros (pagamentos a pessoas ligadas em valores superiores aos do mercado): fatos geradores em 31/12/2007 e 31/12/2008; vii. Item 007 Falta de adição da CSLL ao lucro líquido do período, na apuração do lucro real: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 31/12/2008. 1.2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 383/393 e 2.111, no valor de R$ 396.336,13, devido a: i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre receitas operacionais escrituradas, mas não declaradas: fato gerador em 31/12/2006; ii. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; iii. Custos, despesas e encargos pagos a pessoas físicas vinculadas, em relação aos quais a empresa não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; iv. Custos, despesas e encargos não necessários, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; v. Distribuição disfarçada de lucros (negócios em condições de favorecimento a pessoa ligada e pagamentos a pessoas ligadas em valores superiores aos do mercado): fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008. 1.3. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, fls. 502/517 e 2.114, nos valores de R$ 1.073.020,42 e R$45.641,18, respectivamente, devido a: i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração: fatos geradores mensais desde 31/01/2006 até 31/12/2009. 1.4. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, fls. 518/531, 2.112 e 2.113, nos valores de R$ 74.352,16 e R$ 9.888,93, respectivamente, devido a: Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 7 6 i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados valores apurados com incidência cumulativa padrão: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Insuficiência de recolhimento, da contribuição ao PIS, incidente sobre a folha de salários: fatos geradores mensais desde 31/01/2006 até 31/12/2009. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos exigese a multa de ofício de 225%, do artigo 44, inciso I e de 150%, do artigo 44, inciso II e § 2º da Lei nº 9.430/1996, e artigo 44, §§ 1º e 2º da mesma lei. 3. A autoridade fiscal apresentou Representação Fiscal para Fins Penais – IRPJ, em relação à Fundação Hospitalar de Saúde, processo nº 10950.724915/201190. 4. No mais, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária nºs 7, 8 e 9, de Jorge Abou Nabhan, Ana Maria Pletsch Nabhan e Pletsch & Nabhan Ltda (fls. 2.116/2.121), bem como o Termo de Responsabilidade Tributária Pessoal TRTP, de Jorge Abou Nabhan (fls. 2.122/2.123) e os Termos de Arrolamento de Bens e Direitos, em relação à Fundação Hospitalar de Saúde (autuada), à P&N e ao Jorge Abou Nabhan (fls. 2.124/2.128). 5. Devidamente cientificados em 27/12/2011 (fls. 2.144) apresentaram, tempestivamente e conjuntamente, a impugnação administrativa de fls. 2.151/2.178, onde trazem, de acordo com o relatório constante da decisão de primeira instância, as seguintes questões de fato e de direito: "PRELIMINARES 9. Em preliminar, requerem que seja sobrestado o julgamento da presente impugnação, até julgamento do recurso interposto junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 98 DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, que suspende a imunidade tributária da Fundação Hospitalar de Saúde, de Cianorte, nos anos calendário de 2005 a 2008, objeto do processo nº 10950.004285/201052, mantido em primeira instância pela DRJ/CTA; justificam que, se o CARF declarar sem efeito o ADE, então os presentes autos de infração perderão objeto e serão cancelados. 10. Ainda em preliminar, pleiteiam nulidade dos autos de infração, reclamando de cerceamento ao direito de defesa, de violação aos princípios do contraditório, da eficiência e da causalidade (CRFB/88, art. 5º, LV e 37, ambos CRFB/88; art. 142, parágrafo único do CNT (sic) e arts. 332 e 333 do CPC) ao argumento de que o Relatório Fiscal contém vícios que aniquilam o princípio da liquidez, certeza e exigibilidade do ato, porque não identificou o regime jurídico da Fundação nem a forma de manutenção da mesma e ocultou dos impugnantes as bases de cálculo e fatos geradores das exações; que, em vez de elaborar o usual “Termo de Verificação Fiscal” por escrito, o autoridade fiscal gravou em DVD 2.109 (dois mil, cento e nove) itens, consistentes em documentos, relatórios e, aqui e acolá, Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 8 7 demonstrativos, de forma desconexa, resultantes de 2 (dois) anos de investigações fiscais, a ponto de os impugnantes não entenderem o seu raciocínio de forma a poderem se defender adequadamente, no exíguo prazo de 30 (trinta) dias concedido. 11. Pugnam pela realização de diligência e perícia, a fim de identificar tudo que consta do DVD (2.109 itens) e os fatos omitidos sobre a história e regime jurídico da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde – FHISA; e descrevem que, em 1992, foi realizada ata de aprovação dos estatutos, registrada em cartório, o que fez surgir a Fundação, instituída por leis municipais dos municípios de Rondon, Cidade Gaúcha, Guaporema, Jussara, Cianorte, São Tomé, Indianópolis, integrantes do Consórcio de Municípios autorizado pelo art. 241 da Constituição Federal, disciplinado pela Lei Federal nº 11.107, de 2005, e Decreto nº 6.017, de 2007, e citam a Lei nº 1.471, de 25 de maio de 1996, do município de Cianorte que determinou dotações do Fundo Municipal de Saúde e imunidade a impostos e taxas municipais à Fundação; aduz que o Dr. Jorge Abou Nabhan apresentouse como instituidor da Fundação, devido ao comodato para uso do acervo de bens de ativo, móveis e imóveis do pioneiro Hospital Cianorte, conforme arts. 2º e 7º dos Estatutos; que o Dr. Jorge Abou Nabhan entregou para utilização pela Fundação o acervo de bens: móveis e 5.564,89 m² de edificações nos terrenos urbanos de propriedade da empresa Plesch & Nabhan Ltda (P&N), anteriormente Jorge Abou Nabhan e Cia Ltda (Hospital Cianorte), por empréstimo, sem ônus; os municípios mantenedores referendaram: a) o Contrato de Comodato com a P&N, b) foi celebrado “Contrato de Concessão”, em 22/09/1992; que a contraprestação até 31/12/2006, quando cessou o contrato, consistia em uma comissão ajustada conforme a letra “b” da cláusula quinta do contrato, 17% do montante arrecadado pela FHISA em verbas de manutenção, do movimento financeiro de atendimentos particulares e de contratos e/ou convênios firmados; que o curador das Fundações em Cianorte comandou as alterações dos Estatutos de 10/10/2000, tendo sido mudada a denominação para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte, e tolerou a validade dos contratos de Comodato e de Concessão; que, em 2005, foi instalado inquérito civil e o mesmo curador questionou o Contrato de Concessão, consequentemente, o negócio jurídico foi alterado em 16/06/2007, com efeitos retroativos a 01/01/2007, para contrato de locação entre a Fundação e a P&N, sendo revogadas as comissões, passando a Fundação a pagar aluguel mensal; que, por insistência da Corregedoria do TJ/PR, o curador ajuizou as Ações Civis Públicas: processo nº 694, de 22/08/2008; processo nº 408 de 03/04/2009; processo nº 1.142 de 18/09/2009; processo nº 2.082, de 2010, e Cautelar Incidental ao processo nº 408/2009, questionando o contrato de terceirização da administração – essas ações judiciais motivaram a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 98 da DRF/MGA e a consequente ação de fiscalização; que, afinal, o Dr. Jorge Abou Nabhan foi afastado da presidência da Fundação, por força de ato judicial, Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 9 8 liminar deferida em 05/09/2008, fls. 19/20 da ACP nº 694, de 2008. 12. Para o deferimento desse pedido de perícia ou diligência, indicam perito e apresentam os quesitos às pags. 2.158/2.159; aduzem que é necessária a constatação física e os valores investidos pela Fundação na expansão projetada, além de esclarecer as omissões do autoridade fiscal, na ação fiscal, as quais podem e devem ser elucidadas na diligência e perícia suplementar. MÉRITO. 13. No mérito, advogam a decadência dos lançamentos sobre os fatos geradores dos anoscalendário 2005 e dos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006; afirmam serem confiscatórias as multas de ofício de 225% e invocam interpretação mais favorável; e pugnam pela irretroatividade do ADE que suspendeu a imunidade. Decadência. Fatos geradores do anocalendário 2005. 14. Com base no art. 172, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, tendo sido os autos cientificados, em 26/12/2011, afirmam que, sem ter tempo ou condições para identificar os elementos referentes ao ano 2005, pugnam pela extinção desse crédito tributário, pela decadência; transcrevem jurisprudência. Decadência. Fatos geradores 31/01 a 30/11/2006. 15. Invocam os art. 142, 149, 150, §4º c/c o art. 175, I e ainda os arts. 173, c/c os §§ 1º e 4º do art. 150, do CTN, para arguir a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006, por se tratarem de lançamentos por homologação e, se provadas as antecipações de pagamentos, mesmo que parciais, nas diligências requeridas, fica provada a decadência do direito de lançamento de ofício. Multa de ofício de 225%, confiscatória. 16. Afirmam que consta do Relatório Fiscal entregue no DVD, sob o título “Qualificação e agravamento da multa de ofício”, a justificativa desta multa, porém sem levar em consideração o regime jurídico da Fundação; que o auditor imputou as figuras penais tributárias (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; art. 44, §§ 1º e 2º, II; arts. 11 e § 3º da Lei nº 8.218, de 1991) e as tomou por fundamento ao agravamento da multa que acusa ser de natureza confiscatória e punitiva, além de indevida; que o foco da infração imputada projeta sobre os Contratos de Concessão e Comodato firmados entre a P&N e a Fundação, negócios jurídicos motivadores das comissões pagas à primeira, até o final do ano 2006, caracterizados como distribuição disfarçada de patrimônio da Fundação, em 2005, 2006 e 2007, embora renunciado pelo impugnante, Dr. Jorge Abou Nabhan. Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 10 9 17. Negam a acusação fiscal de que houve conluio e simulação; citam a definição de simulação do art. 167, § 1º e 2º do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e descrevem os seguintes fatos: a. O art. 18 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, outorgou autonomia aos municípios o que implicou na responsabilidade compartilhada em liderar e organizar os serviços de saúde dos municípios; e os arts. 4º e 10 da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, instituiu o SUS e autorizou os municípios a constituírem consórcios para desenvolver em conjunto as ações e serviços de saúde; b. Foi constituído o consórcio de 7 (sete) municípios já descritos, porque municípios menores vivem à míngua de recursos, devido aos arranjos partidários governamentais, fincados em interesses partidários; esse consórcio instalou a Fundação; c. A Fundação foi criada sem fins lucrativos; então surgiu a necessidade de recursos; em vez de dotarem verbas necessárias nos respectivos orçamentos municipais e as transferirem espontaneamente, os municípios consorciados articularam os contratos de Concessão e de Comodato e “jogaram no colo” do Dr. Jorge Abou Nabhan a responsabilidade extraadministração de prover os recursos, o que significou peregrinar e mendigar recursos públicos nas Secretarias de Governo do Estado, na Assembléia legislativa, nos Ministérios do Poder Executivo da República e Câmara de Deputados Federais; assim, definida essa sua responsabilidade, que implicava em viagens e contatos, paciência e perseverança, os municípios consorciados propuseram a remuneração na forma da cláusula 5º, “b”do contrato de Concessão; destaca que tal contrato e negócio jurídico foi referendado e assinado pelas curadoras de Fundações. 18. Afirma que a contabilidade da Fundação evidencia a ausência de verbas públicas orçamentárias para suprir as necessidades de recursos, desde 1992 até 2008. 19. Diz que o que deu margem às figuras penais de dolo de conduta e de dano foram as ações e omissões volitivas dos gestores dos municípios consorciados, no plano arquitetado no interior do Consórcio. Ajuste doloso. Sonegação. 20. Acerca da acusação fiscal de ajuste doloso nos Contratos de Concessão, Comodato e Locação com a P&N, destacam que fluíram 19(dezenove) anos desde 22/09/1992 até a notificação dos lançamentos de ofício; que foram firmados os contratos com a assinatura das Promotoras Curadoras de Fundações; que o Curador de Fundações participou da reforma dos Estatutos em 10/10/2000, tendo tido oportunidade de fiscalizar os contratos e distratálos mediante a aplicação do art. 168 do Código Civil. Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 11 10 21. Cita que o que motiva e induz o dolo de conduta é quando o agente se nega a cumprir a norma tributária; lembra o art, 18, I do Código Penal, de que há dolo quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; que o fiscal não examinou fatos, indícios e provas, nem se inteirou da origem e regime jurídico da Fundação, nem identificou os responsáveis, quando, se houve dolo dano tributário na forma de sonegação, foi devido à conduta e ação oculta dos municípios integrantes do Consórcio, que são os verdadeiros agentes da conduta omissiva, porque deixaram de usar recursos de seus orçamentos para manter a Fundação e se valeram da habilidade do Dr. Jorge Abou Nabhan, por uma “comissão”, mediante o compromisso deste de angariar recursos públicos. 22. Pelo exposto, afirma, conluio ou simulação, dolo de dano, sonegação, não podem ser atribuídos aos impugnantes, que não lhes deram causa nem motivo, ao contrário, foram obrigados a gerir a Fundação com escassez de recursos motivada pelo não cumprimento, por parte dos municípios consorciados, da sua obrigação de repassarem recursos de seus respectivos orçamentos os quais, dessa forma, visaram valeremse tão somente de recursos arrecadados junto à União e Estado. 23. Em síntese, quem deveria figurar no pólo passivo dos lançamentos de ofício são os municípios consorciados, causadores do desvio de finalidade, por induzirem o Dr. Jorge Abou Nabhan ao erro. In dúbio pro contribuinte. 24. Invocam em seu benefício o art. 112 do CTN. IMPUGNAÇÃO AO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) Nº 98 DRF/MGA, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2010. 25. Em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 98 DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, que suspende a imunidade tributária da Fundação Hospitalar de Saúde, de Cianorte, nos anoscalendário de 2005 a 2008, objeto do processo nº 10950.004285/201052, advoga a imunidade e a irretroatividade do ADE; que a imunidade conferida pelo art. 150, VI “c” da CF, de 1988, e art. 9º, IV, “c” do CTN é pré requisito do art. 14 deste, porque o art. 111 do CTN determina a interpretação literal da legislação tributária, enquanto que, sem conhecer as causas e a realidade da Fundação, o Fisco presumiu a prática de danos ao patrimônio da mesma; e transcreve decisão do CARF que restabeleceu a imunidade que havia sido afastada pela autoridade administrativa, em caso semelhante. 26. Protesta pela irretroatividade do ADE, cujos efeitos, segundo o art. 32, § 5º da Lei nº 9.430, de 1966, tem como termo inicial a data da prática da infração, o que significa efeito “ex tunc”, pois se trata de suspensão, que não admite efeitos retroativos, como no caso de cassar ou de anular o benefício; por isso, Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 12 11 conclui, o ADE nº 98 da DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, não tem o condão de: a. Autorizar o lançamento tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidente sobre a infração tipificada como distribuição disfarçada de patrimônio da Fundação, porquanto os valores tomados como fatos geradores foram indispensáveis para manter a atividade da Fundação; b. Regulamentar o art. 9º, I e II e §§ 1º e 2º, por meio do art. 32 e § da lei nº 9.430, de 1996, por se tratar de dispositivo inconstitucional, que conflita com o caput do art. 146, II da CF, de 1988, porque não é lei complementar; c. Desautorizar lição do autor Paulo de Barros Carvalho, na exegese de que suspender equivale a sobrestar e parar o efeito da imunidade, portanto, produz seus efeitos a partir da data da edição do ADE, jamais retroagindo. 27. Destacam que a Fundação não praticou qualquer infração capitulada no art. 150, VI “c” da CRFB/88 e art. 9º, IV, “c” do CTN, nem o art. 14, I a III e §§ do CTN e os gastos de viagens e comissões fora necessários à manutenção das atividades de prestação de serviços de saúde, sem fins lucrativos, à população, e afirmam que os incisos I a III e § 1º do art. 14 do CTN não autorizam a retroatividade do ADE de suspensão da imunidade, que produz somente efeitos ex tunc, a partir de 09/2009; que o § 5º do art. 32 da Lei ordinária nº 9.430, de 1996, fere o art. 146, II da CF de 1988, pois deveria ser lei complementar a regular o dispositivo do CTN. Conclusão. 28. Requerem que sejam afastados os ônus da responsabilidade solidária e supletiva de P&N, Ana Maria Pletsch Nabhan e de Jorge Abou Nabhan, a qual deve ser atribuída aos municípios consorciados. 29. Requerem diligência suplementar, com base no art. 16, IV e 18, §§ 1º e 3º do decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a fim de reordenar, quantificar mês a mês os fatos geradores de 01/2006 até 31/10/2011 e apurar se houve ou não transferências de recursos dos orçamentos dos Municípios Consorciados mantenedores, para a Fundação. 30. Requer prazo de 60 (sessenta) dias para juntar ao processo, laudos periciais da diligência requerida e de 10 (dez) dias para juntar procuração de Ana Maria Pletsch. 31. Aqui se conclui o resumo da impugnação. Adendo à impugnação, fls. 2.355/2.418. 32. Em 21/05/2012, quatro meses depois de esgotado o prazo para impugnação, a Fundação Hospitalar de Saúde, o dr. Jorge Abou Nabhan, Ana Maria Pletsch Nabhan e a P&N solicitaram, fls. 2.355/2.418, juntada de laudo do auditor particular Agnaldo Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 13 12 Aparecido de Souza, CRC PR038047/00, detentor do Ato Declaratório CVM nº 9.340, de 25 de maio de 2007, documentos relacionados à pág. 2.418, e petição, advogando ser direito assegurado no art. 3º, III, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, de modo a contraditar as convicções do autoridade fiscal (CRFB/88. art. 5°, LV, e CPC, art. 333, II), no concernente às bases de cálculo e fatos geradores do IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, juros e multas lançados de oficio. 33. Inicialmente, pedem a juntada de laudo realizado por auditor Agnaldo Aparecido de Souza, citando o nº do seu CRC e Ato declaratório CVM, e outros documentos. 34. A seguir apresentam histórico dos fatos, conforme a seguir: a. Sobre o planejamento, constituição e natureza jurídica da Fundação, transcrevem declaração do Dr. Arlei Hernandes de Biazzi, exprefeito de município de São Tomé, sobre os motivos, causa e finalidade do surgimento da Fundação, pág. 2.356; transcrevem os dispositivos das leis municipais, sobre a instituição e manutenção conjunta, pelos municípios signatários do Convênio Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde, com sede em Cianorte/PR. b. Relatam que, desprendido, o dr. Jorge Abou Nabhan, sócio administrador da Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, sucedida pela P&N, cedeu bens imóveis e todos os móveis e equipamentos do Hospital Cianorte, para, em seu lugar, passar a operar a Santa Casa de Cianorte, a ser mantida pelo Consórcio (previstos no art. 10 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990) dos municípios instituidores, que dessa forma cumpriam exigência Constitucional. c. Que, em 28/10/1992, esses municípios se reuniram e aprovaram os Estatutos da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde – FHISA; a promotora Curadora de Fundações de Cianorte emitiu parecer favorável; o ato de constituição foi publicado e foi registrado no registro Civil de Pessoas Jurídicas da comarca de Cianorte/PR; destaca os arts. 2º, 7º e 21 dos Estatutos que especificam que a Fundação será sustentada pelos municípios consorciados, autorizados por leis municipais, que funcionará nas dependências da Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, atendendo sem ônus os pacientes; que dará “concessão a um órgão instituidor da Fundação, de modo a obter o trabalho de Secretaria Executiva e toda Administração Geral”; que poderá firmar convênios e se financiará com as contribuições orçamentárias dos municípios consorciados e estabelece o critério de cálculo, prestação de serviços diferenciados dos padrões de atendimentos do Sistema Único de Saúde – SUS, e contribuições de entes e pessoas naturais qualificados como mantenedores – portanto foi constituída como fundação de direito público, pois ao abrigo de leis municipais, que se obrigavam à sua manutenção financeira; que, em seguida, postulou e recebeu das administrações tributárias a certificação Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 14 13 da imunidade do art. 150, VI, “c” da CF de 1988 c/c os arts. 9º, IV, “c” e 14, I do CTN. d. Contudo, o Curador das Fundações administrou a reforma do Estatuto da Fundação, em 10/10/2000, que passou a ser de direito privado e, consequentemente, descaracterizou o regime jurídico de fundação de direito público, retirando dos municípios a obrigação de manter a Santa Casa de Cianorte, passando a Fundação a ser mantida, exclusivamente, com recursos privados e eventuais verbas públicas remanejadas de convênios; criou a Secretaria Executiva a ser gerida por um coordenador eleito pela Diretoria e alterou o nome para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte; porém o Curador das Fundações manteve intocável a legalidade dos contratos de Concessão e de Comodato que haviam sido celebrados de boafé e sob proteção dos Estatutos de 22/09/1992, autorizando que a comissão continuasse sendo paga à P&N, até que fosse celebrado o primeiro contrato de Locação, em 11/06/2007. e. Afirmam que os contratos de Concessão e Comodato estavam autorizados no Estatuto de 1992, o qual foi referendado pelo Curador das Fundações (visto instrumental de 28/10/97) e pelo presidente do Consórcio de Municípios e da Instituição que representou a FHISA na celebração desses contratos com a então Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda (sucedida pela P&N), sendo que a Concessão previa: manter o controle financeiro e dos atendimentos da FHISA, alocar o corpo clínico necessário, criar e manter plano de atividades e proposta orçamentária, propor requisição de servidores municipais necessários, elaborar os demonstrativos, relatórios e prestação de contas anuais; e arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências à FHISA; em contrapartida seria remunerada com 17% desse montante, excetuadas doações recebidas e financiamentos obtidos; os contratos foram a registro público. f. Que, em 2006, foi questionado o contrato de Concessão (que vigeu por 14 anos, 8 meses e 11 dias), pois o Curador das Fundações o considerou imoral; assim foi substituído pelo primeiro contrato de Locação, por valor avaliado por imobiliárias de R$ 41.000,00 mensais, em 11/05/2007; porém tal valor foi contestado pelo Curador das Fundações, que diligenciou para que fosse depositado em juízo pela FHISA e propôs Ações Civis Públicas de Intervenção nº 694/2008, de Reparação de Danos nº 826/2008; de exclusão do Dr. Jorge Abou Nabhan como Conselheiro Diretor da Fundação nº 408/2009 e de exclusão de Conselheiros Antigos e Constituição de Novo Conselho Diretor n° 1142/2009; d) a extinção da Ação de Despejo n° 633/2009, com a liberação de todo o valor depositado em juízo a título de aluguel, por força da liminar (aproximadamente R$ 41.000,00), tendo em contrapartida fixação de um aluguel de R$32.000,00, a partir de 01/12/2009, num contrato de aluguel com prazo de 25 anos (300 meses), nele incluindose a locação dos terrenos onde está construído o Centro Médico e o comodato dos terrenos com a nova Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 15 14 construção (efetuada com recursos públicos) consistente em Centro Cirúrgico e UTI, Obstetrícia, Cozinha, Lavanderia e 2 quatros (fls. 2.629 e 2.631) que foram cedidas em comodato pelo prazo de 300 meses; assim, foi assinado o segundo contrato de Locação, em 28/10/2010, os depósitos judiciais dos aluguéis foram liberados. g. Afirmam que a Plestsch & Nabhan Ltda renunciou a R$ 258.251,46 de créditos de “comissões” acumulados até a data do primeiro contrato de locação em 11/06/2007, fato avalizado por auditor particular devidamente credenciado, no Relatório de Auditoria Específica da Fundação Hospitalar de Saúde FHISA”, Anexos I a XI, que reproduzem às fls. 2.368/2.371. h. Relatam a “Intervenção Ministerial na FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE SAÚDE: Denúncia à SRFB MPF n° 09.1.05.0020090066519 PAF n° 10950.004285/201052”: que o Curador das Fundações ajuizou Ação Civil Pública, para denunciar irregularidades e exonerar da administração da FHISA os médicos Jorge Abou Nabhan e Evandro Terra Peixoto e nomear interventor, denunciando a administração e o contrato de Concessão; que, de má fé, não considerou a origem da Fundação de direito público, constituída pelo Consórcio de municípios e que o contrato estava amparado pelo Estatuto e referendado pela então Curadora das Fundações; relata que a liminar requerida foi deferida e sucessivamente, foram nomeados vários interventores até que, já depois de alterado o Estatuto e transformada em Fundação de direito privado, foi eleito novo Presidente, Sr. João Carlos Raddi, em 26/06/2010; que tal intervenção provocou a fiscalização pela RFB, culminando com a emissão do ADE nº 98, de suspensão da imunidade da Fundação nos anos 2005 a 2008 e dos autos e termos do presente processo. 35. Acerca dos autos de infração, afirmam que, sem meios e possibilidades de conciliar valores distribuídos nos anos de 2005 a 2008, os impugnantes valeramse do auditor particular, a fim de verificar os demonstrativos do lucro real elaborados pela fiscalização (fls. 82, 192/194 e 295), que reproduzem às fls. 2.378/2.381 e as exações apenadas com multa de 225%. 36. Em preliminar ao mérito, advogam a ilegalidade do ADE nº 98, de 2010, com base nos arts. 146, II, 150, VI, “c” da CF, de 1988, e art. 14, I e § 1º do CTN, pelo seu pretendido efeito retroativo aos anos de 2005 a 2008, e requerem o cancelamento dos autos, por perda de objeto, e que se reconheça o contido no Decreto nº 2.194, de 1997, e no Parecer PGFN/CRF nº 439, de 1996, e se manifeste sobre a inconstitucionalidade declarada em Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, na ADI 18023, especialmente do § 5º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 14 da Lei nº 9.532, de 1997; requerem: “Considerando que a corte Administrativa de Recursos Fiscais CARF, entende que a impugnação oposta em face do Ato Declaratório n° 98, de 05 de novembro de 2010, deverá ser Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 16 15 julgada juntamente com os lançamentos de ofícios e impugnados, requerem a Vossas Excelências se dignem avocar do CARF, no retorno do Recurso Voluntário no PAF n° 10950.004285/201052, na expectativa de ser reapreciado nesta Impugnação. Na impossibilidade da avocação pedem, então, comuniquem a Corte Administrativa Superior para sobrestar o julgamento daquele recurso, até que conheça o efeito "ex nunc" do ato e a r. Decisão proferida neste feito, em Primeira Instância”. 37. Também em preliminar de mérito, advogam a decadência dos lançamentos de: IRPJ e CSLL dos fatos geradores de 2005 e até 11/2006, alegando que os lançamentos são por homologação, regidos pelos arts. 150, § 4º e 173, do CTN, e art. 38 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo o autoridade fiscal adotado regime do lucro real trimestral; de Cofins e PIS, também até 11/2006, com base nos mesmos artigos do CTN e por se tratar de lançamentos por homologação, em base mensal. 38. No mérito, contesta a acusação de distribuição disfarçada de lucros; as responsabilizações solidárias e tributária pessoal, a multa de ofício de 225%. 39. Quanto à pretensa distribuição disfarçada de lucros, transcreve a legislação, arts. 464, I a VI e §§ e 466 do RIR de 1999, afirmando que não comporta aplicação analógica nem extensiva, transcreve textos e acórdãos, ressalta que a análise dos fatos a seguir evidencia a ausência de dolo: a. No caso do Contrato de Concessão, firmado em 22/09/2012, dizem que é de natureza comutativa e negócio jurídico bilateral com base na autonomia de vontade do Consócio de Municípios e amparado no Estatuto da FHISA aprovado em assembléia e referendado pela então Curadora das Fundações; que a autoridade fiscal ao criticálo não levou em conta a causa, motivo e finalidade da FHISA, não tendo razão quando afirmou que foi descumprido o art. 64 do CC, de 2002, pois a Pletsch & Nabhan disponibilizou os bens do seu ativo imobilizado à Fundação, mediante o contrato de Comodato e que a CF de 1988, lhe assegura o direito de propriedade e, se forem desapropriados os bens, será necessário valor justo e depósito judicial antecipado; que o contrato de Concessão vigeu até 11/06/2007 e foi revogado com a assinatura do primeiro contrato de Locação, quando então se modificou a relação jurídica entre as partes; à pág. 2.393, transcreve valores da movimentação do razão da conta “comissões”, seguindo apurados pelo auditor particular que contrataram: demonstra saldo credor de R$ 348.640,21 em 31/12/2005, explicando que foram pagos R$ 283.050,00 e estornados R$258.251,46; e em 31/12/2006, tendo sido estornados R$ 822.509,25, restou saldo zero. Destaca que houve estorno de “comissões” do ano 2006 e até 05/2007 e renúncia da P&N a R$1.000.000,00, objeto de contrato de confissão de dívidas assinado pela FHISA e que foi autorizado o estorno desse crédito no ajuste do 2º contrato de Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 17 16 Locação liberação pela FHISA dos depósitos judiciais dos aluguéis anteriores; que, por isso, a “comissões” não caracterizam distribuição disfarçada de lucros (art. 464, I a VI, do RIR de 1999, e arts. 60 a 62 do Decretolei nº 1.598, de 1977) e comparam o contrato com o de locação de lojas em shoppings. b. Sobre os contratos de Locação, embasados no art. 5º, XXII a XXVI da CF, de 1988, e nos arts. 565 e 1.228 e § 1º do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e seu art. 565, disciplinado pela Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991; afirma que o autoridade fiscal glosou os aluguéis, incorrendo nos erros materiais: violou o direito de propriedade da locadora e, em 2007, do total depositado em juízo de R$492.000,00, incluiu como distribuição disfarçada de lucro, o dobro, R$ 984.000,00 e exigiu tributos, o que configura excesso de exação; i. afirma que os valores pagos foram: 1. em 2005, R$177.670,21, no contrato de Comodato; 2. em 2006, R$ 393.598,09 no contrato de Comodato; 3. em 2007, R$ 307.841,33, no contrato de Aluguel, pagos e depositados, 4. em 2008, R$ 492.000,00 creditados/depositados judicialmente; em 2006; ii. Que a soma das parcelas demonstradas pelo autoridade fiscal foram: 1. em 2006, R$393.598,00, no contrato de Comodato; 2. em 2007, R$ 984.000,00, no contrato de Locação, o dobro do que foi pago, que corresponde a 12 x R$41.000,00, isto é, R$ 492.000,00; 3. em 2008, R$1.009.397,20, no contrato de Locação, sendo que os alugueres depositados em juízo e depois liberados, também foram no total de R$ 492.000,00, mas o autoridade fiscal adicionou, erroneamente, R$ 517.387,20. iii. Afirmam que os erros descritos fulminam de nulidade as exações lançadas de ofício, dada a falta de liquidez, certeza e exigibilidade dos créditos (arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; art. 142 e 204 do CTN, art. 618, I do CPC) c. Quanto ao financiamento rotativo, conta corrente, afirmam que a P&N supria as necessidades urgentes de dinheiro da Fundação, emprestando dinheiro a título gratuito, sem juros nem correção e destaca que o art. 60, V e § 1º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, afirma que não se aplica a distribuição disfarçada de lucros nessas operações: i. Apresenta demonstrativo, na pág. 2.399, “da razão contábil dos Anexos I a XI”, em que o saldo credor evoluiu de R$ Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 18 17 621.547,34 em 31/12/2004, para R$ 172.458,69 em 31/12/2008, três meses e mais após a destituição do Dr. Jorge Abou Nabhan; ii. Afirma que o autoridade fiscal incluiu empréstimos que a Fundação tomou da P&N, como sendo distribuição disfarçada de lucros, tratandose de notórios resgates de empréstimos rotativos, dívidas que a Fundação devolveu à P&N: 1. em 31/12/2005, R$54.456,19, da conta credora P&N, cujo histórico é “Cheques compensados não identificados” – afirma que o razão contábil conciliado com os extratos bancários integrantes do processo comprovam que os cheques sacados de movimento bancário da P&N foram entregues a título de empréstimos e depositados nas contas bancárias da Fundação e que os cheques sacados das contas desta são devoluções desses empréstimos e foram depositados nas contas da P&N; 2. em 31/12/2006, R$884.804,13, da mesma conta, cujo histórico é “Empréstimo resgatado no ano de 2006”; 3. em 31/12/2007, da mesma conta, cujo histórico é “Resgate de empréstimo no ano 2007”; d. Quanto às despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação, afirmam que: i. consta do parágrafo segundo da cláusula primeira do contrato de Comodato, que estes deverão ser devolvidos “no estado em que se encontram, quando findo o contrato, salvo depreciação natural”; ii. sobre os terrenos 17/18, também cedidos em comodato, foram construídos 1.282,20 m², com recursos dos convênios nº 2263/2000 e 4.182/2001, com o Ministério da Saúde, contendo centro cirúrgico, UTI neonatal e Adultos, cozinha, lavanderia e equipamentos médicos; em consequência, o comodato foi pactuado para 25 anos, ao fim dos quais, depois de esgotado o seu prazo de vida útil, deverão ser devolvidos à P&N “em perfeitas condições de manutenção, conservação e funcionamento” (cláusula segunda); iii. o autoridade fiscal não atentou para a cláusula oitava, letra “d”, que remete ao art. 442 do CC, de 2002; por isso, as glosas são ilegais; e. Despesas de viagem e outras, resumo pág. 2.405: i. Afirmam que tais gastos efetuados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, eram indispensáveis ao desenvolvimento das atividades da Fundação, pois deslocouse às repartições do Ministério da Saúde, Câmara de Deputados e Senado Federal, para buscar recursos para aquisição dos equipamentos e construção, conforme provam os convênios com a Funasa e outros, nº 2.263/2000, 4.182/2001, 1.467/2003, 1.264/2005, 2.658/2003, 3.836/2001, 1.164/2002, 2.054/2002, 1.321/1999, 1.267/2005, 1.174/2002, 2.679/2000, 5.632/2005, 4.182/2001 e 4.740/2004, Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 19 18 no total de 15 convênios, resultando nos 17 leitos de UTI, 1.336,36 m² de ampliação e equipamentos, que justificam as despesas de com viagens a Brasília de R$18.609,41, em 2005, 2006 e 2007; ii. quanto às demais despesas presumidas do expresidente, nos anos 2005, 2006, 2007 e 2008, R$25.821,81, culpa os contadores, que não instruíram a P&N a emitir fatura mensal do aluguel de R$41.000,00 e por isso a P&N emitiu notas fiscais de prestação de serviços (NFPS) com históricos das suas obrigações que pagaria com o aluguel recebido, listadas à pág. 2.407, quando, na realidade, eram receitas de bens de capital da P&N; apresenta à pág. 2.407, os registros possíveis das partidas contábeis do aluguel mensal na contabilidade da P&N; e o contador da Fundação incorreu no mesmo erro, porque, conforme a “Ficha Razão Contábil, Anexo V, VI”, fls. 2.407/2.408, contabilizou o aluguel como despesa operacional/custo dos serviços hospitalares/aluguel e como passivo/outras contas a pagar/P&N, registrado as NFPS; que, na verdade, são notas fiscais referentes ao aluguel. 40. Sobre as responsabilizações tributárias solidárias e pessoal, apontam erro de direito nas responsabilizações pessoais ao Dr. Jorge Abou Nabhan e a Ana Maria Pletsch Nabhan: a. afirmam que as pessoas físicas não se confundem com a jurídica (P&N), com qual foram lavrados os Contratos de Comodato e Concessão (vigentes de 22/09/1992 a 11/06/2007) e os de Locação (o primeiro de 11/06/2007 a 28/10/2010 e o seguindo, de 28/10/2010 a 24/10/2035), e invoca o art. 20 do CC, de 1916, e arts. 44 a 50, 981 a 985, 1.052 e 1.060 do CC, de 2002; que os dispêndios de comissões e aluguel foram para a P&N, portanto cabe a esta a responsabilização solidária e que, para que os seus sócios fossem responsabilizados, haveria que provocarem a dissolução irregular da empresa, conforme arts. 124, II, 128, 135, III e 137, VI do CTN; b. afirmam que o art. 79, VII da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, revogou o art. 13 da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, que determinava a responsabilidade solidária, com seus bens pessoais, dos sócios das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, pelos débitos junto à Seguridade Social e também que o art. 195, I, “a”, “b”, “c” da CF, de 1988, determina que o custeio das exações autuadas é do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada e por isso não podem ser responsabilizados pessoalmente o Dr. Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan; c. lembram também que foram atingidos pela decadência os lançamentos até 11/2006; requerem a liberação dos bens imóveis arrolados. 41. Acerca da multa de 225%, reiteram as acusações de ser confiscatória, pois o autoridade fiscal pretende expropriar o patrimônio da Santa Casa Cianorte, e o pleito de “in dúbio pro contribuinte” e requerem seu cancelamento. Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 20 19 42. Concluem requerendo: “Considerando que os Impugnantes pediram a Vossas Excelências a instalação da perícia, auditoria e o prazo para investigar e analisar fatos geradores, capitulação legal e bases de cálculos distribuídos entre mais de 5.000 itens gravados nos seis (6) DVDs, pleito fundado no artigo 3º, inciso III, da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, requerem juntada desta petição e documentos esclarecedores, antes de julgarem em PRIMEIRA INSTÂNCIA”. 43. À fls. 79/80, procuração de Ana Maria Pletsch e às fls. 2.649/1.651, de Jorge Abou Nabhan.” 6. Em sessão de 31 de janeiro de 2013, a 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do voto da relatora, Acórdão nº 0639.126 (fls. 2863/2927), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO:NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RITO. Determina a legislação que o ato declaratório suspensivo da imunidade tributária de entidade dita beneficente de assistência social, devido à constatação de descumprimento dos requisitos, suspende a imunidade a partir da data da prática da infração e, se for o caso, a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, e a impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. ADE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DRJ. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não se justifica sobrestar o julgamento pela Delegacia de JulgamentoDRJ de impugnação a autos de infração lavrados devido à suspensão da imunidade de fundação no período autuado, à espera do resultado final de julgamento de ato declaratório de suspensão previamente emitido, contestado pelo interessado e já julgado pela DRJ, e cujo recurso já aguarda julgamento de segunda instância no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. RETORNO DE PROCESSO PELO CARF. SOBRESTAMENTO. Delegacias de Julgamento DRJ não detém jurisdição sobre o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, portanto descabelhes requerer o sobrestamento do julgamento de processo que se encontra naquela instância ou avocar a si tal julgamento. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 21 20 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. REGIME JURÍDICO. FUNDAÇÃO. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o autoridade fiscal não identificou o regime jurídico de imunidade da Fundação, se está provado no processo o descumprimento dos requisitos para tal, bem como estão explicados os parâmetros que levaram à autuação no regime do lucro real anual. CERCEAMENTO DEFESA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. BASES DE CÁLCULO. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o autoridade fiscal ocultou as bases de cálculo e fatos geradores das exações, se provado que todos estão demonstrados e explicados, e constante a base legal, nos documentos que foram cientificados aos interessados. CERCEAMENTO DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. MEIO DIGITAL. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o extenso e detalhado relatório da fiscalização foi entregue em meio digital e não em papel, se o próprio contribuinte mantém e apresentou à fiscalização, a sua contabilidade, também em meio digital, e ambos assim procederam em conformidade com a legislação. CERCEAMENTO DE DEFESA. FORMA DE MANUTENÇÃO. FUNDAÇÃO. O argumento de que a fundação, criada sem fins lucrativos, viu se obrigada a remunerar o seu fundador e presidente, porque os municípios consorciados não dotaram nem transferirem verbas, atribuindo àquele a responsabilidade de prover os recursos, é descabido, pois a suspensão da imunidade se deveu ao desatendimento dos requisitos para tanto, sendo irrelevante a forma como foi mantida, passando a receita e resultados a serem tributáveis. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Desnecessária perícia para: comprovar renúncia a créditos indevidos, se o alegado estorno não consta dos documentos acostados, nem o contribuinte apresenta novas provas; para descaracterizar pagamentos indevidos, se estes estão documentados e o contribuinte não apresenta provas em contrário; para consolidar os fatos geradores de cada espécie tributária autuada, se tal consolidação resulta nos próprios valores constantes nos autos de infração; para destacar os valores pagos, retidos e recolhidos pelo autuado se, no Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 22 21 julgamento pela DRJ, foi possível identificalos e consideralos; para avaliar o aluguel de imóvel locado pelo fundador e dirigente de Fundação à mesma, se o valor não foi motivo de questionamento fiscal, porém foi a sua existência que, entre outros, motivou a suspensão da imunidade da Fundação. ARROLAMENTO DE BENS. A apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anoscalendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. Procedem os valores apurados pelo autoridade fiscal, obtidos na contabilidade do contribuinte, contraditados pelo impugnante apenas com argumentos não respaldados por documentação comprobatória. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos, pela pessoa jurídica, a empresa ligada, de aluguéis em montante que excederam notoriamente ao valor de mercado, esse montante excedente, não é dedutível para a determinação do lucro real. PAGAMENTO SEM CAUSA. Valores pagos, quando não for indicada a operação ou a causa que lhe deu origem, são indedutíveis na apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Valores contabilizados como pagamentos de empréstimos tomados pela entidade, de empresa de propriedade do seu Diretor, não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de Caixa por administrador cuja efetividade da Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 23 22 entrega e origem dos recursos não foram comprovadamente demonstrados. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, se previstas em contrato de aluguel que, apesar de objeto de ação civil pública que culminou em acordo, foi substituído por outro contrato de aluguel em que constam as mesmas obrigações. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. São indevidas despesas de viagem de Presidente da Fundação, alegadamente realizadas para arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação, se o Estatuto da entidade determina que tais atribuições são, estatutariamente, do Coordenador Geral e não do Presidente. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Procedente a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, se a impugnação não apresenta qualquer documento que contradiga a conclusão fiscal, mas apenas argumentos. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01//2006 a 31/12/2009 PIS. FOLHA DE PAGAMENTO. FUNDAÇÃO. O PIS é exigido das Fundações privadas e públicas, sobre a folha de pagamento. PIS/FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTOS. Devem ser deduzidos da exigência de ofício os valores recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. PIS. RECEITA OMITIDA. Descabe a exigência de PIS sobre receitas omitidas, se estas restaram descaracterizadas. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 24 23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DOLO. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. No caso de dolo e simulação, o art. 150, § 4º do CTN, remete a contagem do prazo decadencial ao art. 173, I do CTN, isto é, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DOLO. CONLUIO E SIMULAÇÃO. Caracteriza simulação e conluio entre a entidade e seu Presidente, a entidade se declarar imune/isenta, enquanto remunera seu Presidente de várias formas, mediante ajuste doloso entre as partes, visando a sonegação, ou seja, impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições individuais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Os percentuais de multa de ofício aplicada são aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para apresentar os arquivos ou sistemas de que trata o art. 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante dos elementos nos autos inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 25 24 não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. DIRETOR PRESIDENTE DE FUNDAÇÃO E SÓCIO DE EMPRESA LIGADA. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FUNCIONÁRIA E SÓCIA DE EMPRESA LIGADA. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, os administradores dos bens do contribuinte, pelos tributos devidos por estes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESA LIGADA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETOR DE FUNDAÇÃO PRIVADA CUJA IMUNIDADE FOI SUSPENSA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. 7. A DRJ/ CTA não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Questões Preliminares I. Sobrestamento do julgamento 7.1. A contribuinte solicitou o sobrestamento do presente processo até que o recurso interposto contra decisão da DRJ no processo nº 10950.004285/201052, relativo ao Ato Declaratório Executivo (ADE), que suspendeu a imunidade tributária, fosse julgado pelo CARF. 7.2. O r. voto condutor da DRJ considerou que tal pretensão não procede, pois no momento que se evidenciou o descumprimento dos requisitos para a imunidade da Fundação, a limitação de tributar foi suspensa e foram lavrados os autos de infração em Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 26 25 discussão neste processo. As discussões relativas ao ADE e aos autos de infração são, portanto, distintas e o objeto dos processos independentes. 7.3. A contribuinte solicita ainda (i) que o processo referente ao ADE retorne à DRJ para reapreciação ou (ii) que a DRJ/CTA solicite ao CARF o sobrestamento do julgamento do recurso referente ao processo nº 10950.004285/201052. Essas pretensões são descabidas e não podem ser atendidas, pois a DRJ não tem jurisdição sobre o CARF. II. Nulidade: Inocorrência 7.4. São nulos os atos que se enquadrem nos termos do artigo 59, do Decreto nº 70.234/72. As demais irregularidades, por não resultarem em prejuízo para o contribuinte, não importam em nulidade, nos termos do artigo 60, do Decreto nº 70.234/72. No presente caso, a r. DRJ considerou que não há nulidade dos autos de infração, pois não houve ofensa aos dispositivos legais citados, tampouco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 7.5. A autoridade fiscal identificou de forma clara o regime jurídico a que passou a estar sujeita a Fundação no período de 2005 a 2008; as bases de cálculo e critérios de apuração foram minuciosamente descritos no Relatório Fiscal; o órgão autoridade fiscal procedeu em conformidade com a legislação ao ter encaminhado o processo eletrônico gravado na mídia eletrônica; e, diferentemente do alegado pela contribuinte, existe no processo o Termo de Verificação Fiscal sob o nome “Relatório Fiscal do AI – Auto de Infração” e consta nas fls. 2017/2109. III. Perícia 7.6. Não se demonstrou necessário realizar perícia para: (i) comprovar renúncia aos créditos indevidos; (ii) consolidar os fatos geradores de cada espécie tributária autuada; (iii) destacar os valores pagos, retidos e recolhidos pelo autuado; e (iv) avaliar o aluguel de imóvel locado pelo fundador e dirigente de Fundação à mesma. IV. Decadência 7.7. Nenhuma exigência relativa aos fatos geradores de 2005 e 2006 foi atingida pela decadência, pois em caso de dolo, fraude ou simulação aplicase a contagem de prazo prevista no artigo 173, I, do CTN. Questões de Mérito I. Da Indedutibilidade dos Contratos de Concessão e Aluguel 7.8. A autoridade julgadora considerou ser o contrato de Concessão irregular e indevido, por se tratar de lucro distribuído disfarçadamente à P&N, Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan. O pagamento consistiu em infração ao disposto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97, visto que a Fundação Hospitalar se declarava imune/isenta. 7.9. A partir de 2007 o Contrato de Concessão foi encerrado e substituído por um contrato de aluguel. Partindo do valor de aluguel firmado em acordo entre a Fundação e a P&N em R$32.000,00, a r. DRJ verificou que o valor deflacionado pelo IGPM para 10/2007 resulta em R$ 26.541,82 e para 10/2008, resulta em R$29.809,86. Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 27 26 7.10. A partir da presunção de distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos de alugueis pela pessoa jurídica à empresa ligada em montante que excederam ao valor de mercado, a r. DRJ considerou ser este excedente indedutível para fins de determinação do lucro real. II. Da Indedutibilidade de Cheques não Identificados 7.11. A adição pelo autoridade fiscal do montante de R$ 54.465,19, referente a cheques não identificados na apuração do lucro real, é justificada pelo artigo 358, § 3º, inciso II do RIR/99, dispositivo este que remete ao artigo 304 do RIR/99, que determina a não dedução na apuração do lucro real valores pagos sem a devida indicação da operação ou da causa que lhe deu origem. 7.12. A r. DRJ entendeu que a defesa não foi capaz de justificar a origem desses valores apresentando apenas alegações sem documentação hábil e idônea. III. Dos Valores Referentes a Empréstimos 7.13. A r. DRJ considerou que os lançamentos referentes à omissão de receita, com base nos valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa, são improcedentes, pois a autoridade fiscal apurou os valores referentes a estes lançamentos com base em mero pressuposto de que tais valores teriam suprido o Caixa. IV. Da Manutenção de Bens 7.14. Tendo em vista o teor de ambos os Contratos de Aluguel e nenhuma menção à manutenção no Acordo, não se vislumbra motivo para considerar indevidas as despesas de manutenção de prédios e equipamentos objetos de locação, pactuadas em ambos os contratos, o anterior e o posterior ao Acordo. Portanto, conclui ser procedente o pleito da contribuinte em relação à glosa das despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação. V. Das Despesas de Viagem do Presidente da Fundação 7.15. A autoridade fiscal glosou como despesas não necessárias os gastos com as viagens realizadas pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, enquanto Presidente, relativas aos anos de 2005, 2006 e 2009. 7.16. Os contribuintes argumentam que essas despesas contabilizadas como viagens do Dr. Jorge Abou Nabhan, Presidente da Fundação, decorrem do cumprimento de atribuições como arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. Contudo, a r. DRJ, com base no Estatuto da Fundação vigente em 2005, 2006 e 2009, considerou devidas as glosas, pois tais atribuições cabiam ao Coordenador Geral e não ao Presidente da Fundação. VI. Dos Pagamentos Indevidos à Jorge Nabhan e à P&N 7.17. Como os contribuintes não apresentaram provas hábeis a afastar a conclusão da autoridade fiscal de que os pagamentos apontados se referiam a retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente e de sua empresa P&N, a r. DRJ manteve a glosa destes valores. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 28 27 VII. Das Bases de cálculo não Impugnadas 7.18. A r. DRJ consignou que não foram impugnadas as diversas bases de cálculo e, portanto, manteve os valores trazidos pela douta autoridade fiscal de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. VIII. Da Multa de 225% 7.19. Os motivos para a qualificação e agravamento da multa de ofício foram descritos pela fiscalização, são eles: (i) mediante os contratos de concessão, comodato e locação, a Fundação e os demais interessados visaram impedir o conhecimento do Fisco das condições irregulares quanto à imunidade; e (ii) a contribuinte não apresentou os arquivos digitais e sistema de escrituração contábil na forma e prazo estabelecido. 7.20. A autoridade julgadora considerou que a defesa não foi capaz de contestar diretamente as infrações descritas no Relatório Fiscal (fls. 2017/2109) que motivaram a qualificação e agravamento da multa. 7.21. Quanto à alegação de a multa ter caráter confiscatório e punitivo, a legislação determina a qualificação e agravamento conforme o artigo 44, inciso I e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. 7.22. No mais, em relação à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que embasou a autuação, não cabe às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar conformidade de lei válida e vigente. IX. Da Verificação de Conluio, Sonegação, Dolo e Simulação 7.23. Durante o procedimento fiscalizatório foram verificadas diversas práticas irregulares da Contribuinte e dos responsáveis solidários, caracterizando simulação e conluio entre a Fundação e seu Presidente, em razão de a entidade se declarar imune/isenta, enquanto remunera seu Presidente de várias formas, mediante ajuste doloso entre as partes, visando à sonegação, e consequentemente, impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições individuais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. X. Do ADE de Suspensão da Imunidade Tributária 7.24. A alegação de violação ao princípio da irretroatividade da lei tributária não é cabível neste caso, pois, a legislação determina que o ato declaratório que suspende imunidade tributária emitido em razão da constatação de descumprimento dos requisitos têm efeitos a partir da data da prática da infração. Os recursos apresentados pela entidade com imunidade suspensa não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. 7.25. No mais, não é cabível discutir impugnação ao ato em si, pois essa questão é relativa a processo administrativo fiscal diverso. XI. Da Responsabilidade Passiva Solidária e Tributária Pessoal 7.26. A contribuinte e os interessados responsabilizados pretendem que os Municípios Consorciados sejam responsabilizados ao invés deles. A r. DRJ entendeu ser Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 29 28 incabível tal anseio, pois no período da autuação (2005 a 2009) os Municípios já tinham sido afastados de suas funções, seja como mantenedores ou agentes com poder de decisão sobre o destino da Fundação. 7.27. Em relação à responsabilização dos interessados, a DRJ considerou ter sido demonstrado, durante o procedimento fiscalizatório, que eles foram diretamente beneficiados e tinham interesse comum nas situações descritas. 7.28. Sobre a Pletsch & Nabhan Ltda, esta e a Fundação constituíram, na prática, no período de 2005 a 2009, uma única organização. Logo, a autoridade fiscal bem caracterizou esta união como grupo econômico de fato, ao qual não cabia imunidade de impostos/contribuições. 7.29. Por fim, em relação à responsabilização pessoal do Dr. Jorge Abou Nabhan, ficou demonstrado pela fiscalização que este interessado infringiu cláusula do estatuto da Fundação e legislação que determinam a não remuneração dos cargos de administração. Foram verificados ainda conluio e simulação na negociação do contrato de comodato, casado com o contrato de concessão e, posteriormente, do contrato de aluguel, com valores superiores ao de mercado, além de outras remunerações indevidas recebidas de forma direta e indireta pelo interessado. 8. As Recorrentes (Fundação Hospitalar de Saúde, Jorge Abou Nabhan, Ana Maria) apresentaram, conjuntamente, Recurso Voluntário (fls. 2975/3024) em 25/04/2013, reiterando parcialmente as razões já expostas em sua Impugnação (fls. 2151/2176), em especial para que seja: (i) declarada a irretroatividade do ADE nº 98, da DRJ/Maringá/PR, de 05/11/2010, que suspendeu o benefício de isenção nos anoscalendário 2005 a 2008, ante a inaplicabilidade dos artigos 12 a 14, da Lei nº 9.532/97, e do §5º, do artigo 32, da Lei nº 9.430/96, por força da cautelar deferida pele E. Supremo Tribunal Federal, no julgamento inicial da ADI nº 1.802; (ii) declarada a decadência dos créditos tributários relativos ao ano calendário de 2006, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN (faturamentos e receitas operacionais); (iii) confirmado o cancelamento parcial dos débitos lançados; e (iv) cancelados os demais lançamentos e autuações de ofício referentes a esse processo administrativo fiscal. 9. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal mais multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 2.500.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, nos termos da Portaria MF 63/2017. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 10. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Síntese dos fatos Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 30 29 11. Conforme documentos acostados ao processo, a empresa Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, cuja razão social foi posteriormente alterada para Pletsch & Nabhan Ltda (que será aqui citada como P&N), foi constituída desde 09/02/1978, com o nome fantasia Hospital Cianorte, tendo como sócio responsável o Dr. Jorge Abou Nabhan e como sócia sua esposa Ana Maria Pletsch Nabhan (fls. 977/978). 12. Em 28/10/1992 (fls. 1.010 e 2.236/2.251), foi aprovado Estatuto da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde (FHISA), por consórcio de municípios fundadores autorizados pelas respectivas leis municipais, publicado na Imprensa Oficial em 09/12/1992 e registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos em 15/12/1992 (itens 158 a 159, fls. 2.032/2.033). 13. A FHISA passou a operar nas dependências da então Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda (atual P&N), dependências estas constituídas de terrenos, prédio e instalações, onde vinha funcionando a P&N. 14. A FHISA visava atendimento hospitalar e de saúde dos munícipes e outras entidades conveniadas. Confirase alguns trechos relevantes do Estatuto, verbis: "Artigo 7º, § único. Para o cumprimento de suas finalidades a fundação poderá: (...) e) Dar concessão a um órgão instituidor da Fundação, de modo a obter o trabalho de Secretaria Executiva e toda Administração Geral." “Artigo 11. A Secretaria Executiva é o órgão executivo constituído por um Coordenador Geral e pelo apoio técnico e administrativo integrado pelo quadro de pessoal a ser aprovado pelo Conselho Diretor”. "Artigo 12, § único. para o desempenho de suas funções, o Coordenador Geral não receberá nenhum valor a título de remuneração”, “qualificandose, também como membro instituidor pela cessão dos bens de uso hospitalar, em comodato, (...), por prazo indeterminado, o Dr. Jorge Abou Nabhan (...)” "Artigo 12, § único. Para desempenho de suas funções, o Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". " Artigo 14, § único. Para desempenho de suas funções, o Presidente do Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". "Artigo 17, § único. Para desempenho de suas funções, o Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". 15. No mais, ao Coordenador Geral, dentre outras atribuições, competia arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. No artigo 20, parágrafo único, o Estatuto dispunha que “Quando da cessão em comodato de equipamentos e/ou instalações físicas para utilização pela Fundação, deverseia emitir um Contrato de Cessão em Comodato...” e, adicionalmente, também previa dotações orçamentárias dos municípios integrantes. Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 31 30 16. A Ata da Assembléia que aprovou o Estatuto também aprovou a assinatura de Contrato de Comodato do imóvel de propriedade do Dr. Jorge Abou Nabhan e o Contrato de Concessão. 17. Não foi constituído patrimônio para a FHISA e foi firmado, em 22/09/1992, contrato de “Cessão em Comodato” sem ônus das instalações da P&N, por 25 anos (fls. 933/944 e 2.278/2.280, instalações de propriedade do Diretor Presidente, Dr. Jorge Abou Nabhan). 17.1. O contrato é sem ônus, a Fundação é responsável pela manutenção preventiva e corretiva do prédio e instalações e pelo pagamento do IPTU e outras obrigações legais, a Fundação poderá fazer benfeitorias e ampliações autorizadas pelo Comodante, as quais “automaticamente se incorporarão ao imóvel, fazendo parte integrante de sua estrutura física, com vínculo indenizatório por parte da Comodante ou do proprietário e constituindo direito de retenção, quando da entrega do imóvel, conforme prevê o art. 526 do Código Civil Brasileiro (...)”, prazo indeterminado, podendo ser rescindido a qualquer momento por qualquer das partes. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 Código Civil. Art. 516. O possuidor de boa fé tem direito a indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto as voluntarias, se lhe não forem pagas, ao de levantálas, quando o puder sem detrimento da coisa. Pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis, poderá exercer o direito de retenção 18. Foi firmado também Contrato de Concessão, com a mesma empresa deste (fls. 2.274/2.277), em 22/09/1992 (antes de formalizada a Fundação), para administrar a FHISA por 25 anos, remunerado mediante cobertura total da folha de pagamento e encargos sociais dos funcionários da P&N e ainda 17% do montante de arrecadação de verbas de manutenção oriundas das contribuições e complementações das mantenedoras, do movimento financeiro de atendimento a particulares, das receitas de contratos e convênios: 18.1. Seu objeto “serviços de administração interna, funções estas consideradas pelos estatutos como Secretaria Executiva (...)”, inclui “arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à FHISA”, executados com "quadro de pessoal da Concessionária (P&N).” 18.2. Remunerada pela “cobertura total da Folha de Pagamentos (...) incluindo obrigações sociais (...) 17% do montante arrecadado”, contra emissão de NFPS. 18.3. Prazo de validade 25 anos. 19. Em 05/12/1992 (fls. 2.446/2.451), a Promotoria de Justiça das Fundações atestou que a FHISA havia protocolado pedido de instituição da Fundação sem fins lucrativos, com parecer favorável da Promotoria, sendo aprovado o Estatuto e autorizado ser cadastrada no Ministério Público Estadual, para todos os efeitos legais. 20. Em 27/12/1996, obteve isenção de impostos (fls. 898) como entidade de utilidade pública. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 32 31 21. Na AGE do dia 25/11/1996 (fls. 2.002) foi alterado o Estatuto para prever que a Fundação não mais seria presidida por prefeito de um dos municípios mantenedores, mas por pessoa natural. Em 26/12/1996 (fls. 1.999/2.000), o Sr. Kalil Abou Nabhan (pai do Dr. Jorge Abou Nabhan) foi eleito Presidente do Conselho Diretor para o biênio 1997/1998 e indicou seu filho como Coordenador Geral (responsável pela Secretaria Executiva, que executa a administração da Fundação, atividade para a qual havia o Contrato de Concessão para a P&N). 22. O Dr. Jorge Abou Nabhan assumiu a Presidência a partir de 1999 (fls. 1.023), passou a representar a contribuinte, presidir as reuniões do Conselho Diretor, com direito ao voto de qualidade, sendo que o seu pai figurava como membro do órgão e tinha direito a voto. 23. No mais, o Dr. Jorge Abou Nabhan era e é sócio da empresa P&N que executava as funções estatutárias da Secretaria Executiva, remunerada em 17% do montante arrecadado, na qual, no departamento de faturamento, trabalhava a sua cônjuge e sócia, Ana Maria Pletsch (fls. 1.657). 24. No extrato do sistema CNPJ da RFB (fls. 2.655/2.656), consta inicialmente como “Associação”, a partir de 11/06/1999, como “Fundação mantida com recursos privados” e a partir de 12/09/2005, “Fundação privada”. 25. O Estatuto foi alterado em 10/10/2000 (fls. 11/22 e 2.193/2.206), para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte/Paraná, não sendo mais sustentada por consórcio de Municípios fundadores, mantendo a mesma estrutura administrativa, com o órgão administrativo denominado Secretaria Executiva chefiada pelo Coordenador Geral. Na ocasião, o Dr. Jorge Abou Nabhan exercia o cargo de DiretorPresidente (fls. 3, 973/976 e 987/998). 26. Em 24/11/2006, consta da Ata da Assembléia Geral de fls. 973/976: (i) o registro da presença do Curador das Fundações do Ministério Público Estadual; (ii) a necessidade de revisão do Contrato de Concessão remunerado com os já referidos 17%; e (iii) a informação do Auditor do Ministério Público que ingressaria com ação judicial, em virtude da constatada desorganização, falhas e irregularidades na contabilidade da Fundação. 27. Em 04/12/2006 e 12/12/2006 (fls. 979/986), as Atas das Assembléias Gerais registram discussão acerca da substituição do Contrato de Concessão por Contrato de Aluguel de R$ 41.000,00 mensais, mais R$ 8.000,00 de remuneração do Diretor, bem como o fato da Fundação possuir dívida de R$ 1.000.000,00 para com a P&N. Em 31/01/2007, a Ata de fls. 987/991 registra que o Curador das Fundações do MP Estadual exige a extinção do Contrato de Concessão, levantamento detalhado da alegada dívida de R$ 1.000.000,00 da Fundação com a P&N, prestação de contas e contabilidade refeitas. 28. O sócio fundador Dr. Jorge Abou Nabhan, no Agravo de Instrumento n.º 5257063, reconheceu não existir a dívida de R$ 1.000.000,00 do sujeito passivo com a P&N (fl. 2.100). 29. Em 11/06/2007, em substituição ao Contrato de Concessão, foi firmado Contrato de Aluguel entre a Fundação e a P&N, com vigência a partir de 01/01/2007, por 5 (cinco) anos, podendo ser prorrogado, valor do aluguel R$ 41.000,00 mensais, com reajustes IPCIBGE (fls. 1.106/1.111 e 2.281/2.286). Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 33 32 30. As irregularidades na administração e da contabilidade da Fundação, constam de relatório de auditoria (prestação de contas, fls. 994/998) Ata da Assembléia Geral de 10/04/2008. 31. Na ata de Assembléia Geral de 15/08/2008 (fls. 999), o Dr. Jorge Abou Nabhan expressa intenção de transformar a Fundação em Fundação Nabhan, da família Nabhan, e aprova o ingresso de 3 (três) membros da família para integrar o Conselho Diretor da Fundação. 32. Em 22/08/2008 (fls. 2.309/2.341), o Ministério Público do Estado do Paraná, por meio de seu Promotor de Justiça, no exercício da função de Curador de Fundações, propôs Ação Civil Pública de Intervenção (autos ACP de Intervenção 694/2008 de 22/08/2008) em face da Fundação Hospitalar de Saúde (figuravam nos autos o Dr. Jorge Abou Nabhan (Diretor) e Dr. Evandro Terra Peixoto (Coordenador Geral)). 33. Foi concedida liminar para afastar os dirigentes e o Promotor, após descrever os Contratos de Comodato e Concessão, juntamente com as irregularidades na administração da Fundação, afirma que: "Em verdade, havia uma situação esdrúxula, o Dr. Jorge Abou Nabhan ao mesmo tempo em que era Coordenador Geral ou Presidente do Conselho Diretor da Fundação era sócioproprietário da empresa concessionária responsável pela administração da Fundação (Jorge Abou Nabhan & Cia. Ltda. Hospital Cianorte). Os atos administrativos da Fundação eram praticados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, na qualidade de coordenador ou presidente do Conselho Diretor, porém, a Fundação pagava os 17% do montante arrecadado pela FHISA ao Hospital Cianorte em virtude do contrato de concessão da administração, bem como era responsável pelo pagamento dos salários (incluídos encargos) de todos os funcionários da concessionária envolvidos na administração da Fundação. Na realidade, a única finalidade do contrato de concessão era remunerar o coordenador e depois presidente da Fundação, Dr. Jorge Abou Nabhan. A simulação foi utilizada porque seria exorbitante se remunerar um coordenador geral com tais valores e também porque havia expressa proibição de que qualquer conselheiro da Fundação pudesse ser remunerado. (...) Em verdade, a Fundação sempre funcionou sob o comando do Dr. Jorge Abou Nabhan que a conduziu como uma propriedade particular, à margem das disposições estatutárias e das normas vigentes. Mister destacar que as vantagens da manutenção da natureza jurídica fundacional é o fato de ser beneficiária de isenções e benefícios públicos referentes a financiamentos e custeios de serviços de saúde, possuindo declarações de utilidade pública nas esferas federal, estadual e municipal. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 34 33 (...) Por interferência deste órgão ministerial, o contrato de concessão foi rescindido. Por outro lado, a pedido do Dr. Jorge Abou Nabhan, também foi rescindido o contrato de comodato, que foi substituído por um contrato de aluguel predial e de equipamentos (digase, deteriorados) do antigo Hospital Cianorte à Fundação (atual P&N.), no valor de R$ 41.000,00 (quarenta e um mil reais). (...) 1.3. DA BUSCA DO SANEAMENTO. Importante esclarecer que esta administração irregular permaneceu silente até que em meados de 2003, quando a Fundação realizou a prestação das contas do ano 2000 e seguintes pelo Sistema de Cadastro e Prestação de Contas SICAP instituído pela Resolução 2434/2002, da ProcuradoriaGeral de Justiça. A partir daí (evidenciadas as irregularidades), a Fundação não teve mais as suas contas aprovadas pelo Ministério Público do Estado do Paraná. Condicionouse a aprovação de contas a regularização total da Fundação. (...) Em outras palavras, foi concedido o prazo de mais de ano para que a Fundação buscasse soluções internas e as apresentasse de forma a demonstrar a regularidade de seu funcionamento e também de suas contas. (...) 1.8. DA NECESSIDADE DA INTERVENÇÃO JUDICIAL. A intervenção judicial justificase diante da recusa do Dr. Jorge Abou Nabhan, enquanto Presidente da Fundação, de cumprir as normas estatutárias e as decisões do Conselho Diretor, em especial a decisão de intervenção interna, bem como pela necessidade de se promover mudanças contratuais, verificação contábil, levantamento patrimonial, realização de adequações sanitárias e alterações estatutárias. (...) 4. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS. Ante o exposto, requer o Ministério Público: l.a) seja concedida liminar, inaudita altera parte e sem justificação prévia, em face aos documentos apresentados, determinandose a intervenção imediata na Fundação Hospitalar de Saúde, com a nomeação da Sra. Madalena Aparecida Volpato como interventora, com poderes do Coordenador Geral e do Presidente do Conselho Diretor previstos no Estatuto, suspendendose todos os poderes do atual Coordenador Geral c do atual Presidente do Conselho Diretor; Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 35 34 (...) 3. DA LIMINAR. O caso exige a imediata intervenção na Fundação pata conter os desmandos e se iniciar o necessário processo de regularização da entidade Fundacional, o que não é possível se o Dr. Jorge Abou Nabhan continuar a manter o controle (absoluto) da Fundação com a anuência do Coordenador Geral, Dr. Evandro Terra Peixoto." 34. A liminar foi deferida em 05/09/2008 (fls. 2.338/2.339), foi negado o agravo de instrumento interposto pela Fundação em face da ACP de Intervenção 694/2008, confirmandose o afastamento dos citados gestores da Direção, por 2 (dois) anos, em 10/03/2009 (fls. 1790/1792). 35. Em continuidade ao reporte fático, temos que: (i) em 15/10/2009, “a continuidade da intervenção se faz ainda necessária” (fl. 1.734); (ii) em 24/03/2010 (fls. 1.617/1.618) o processo foi extinto com julgamento de mérito para reconhecer o pedido de destituição do Conselho Diretor da FHISA (Processo nº 1.142/2009, fl. 908). A própria intervenção tinha como objetivo afastar o antigo administrador (Dr. Jorge Abou Nabhan). Nos autos foi constatada “desorganização geral em contabilidade, ausência de prestação de contas real, vários empréstimos bancários, utilização de verbas destinadas a outros empreendimentos e dificuldade de sua manutenção”, “o Ministério Público já ter conseguido colher todos os dados necessários para avaliar a antiga gestão e, por conseguinte, instruir eventuais ações (...) homologo a intervenção, ao tempo em que julgo extinto o processo”. 36. O contrato de aluguel firmado em 11/06/2007 não foi aceito pelo MP. Por meio da Ação Civil Pública nº 826/2008 (fls. 1.735/1.736), em 06/10/2008, o MP questionou a validade dos contratos de Comodato, de Concessão e o de Aluguel. 37. A P&N, por sua vez, moveu a Ação de Despejo 633/2009, contra a Fundação (fls. 1.727/1.732), em razão do não pagamento dos aluguéis. 38. Em 31/03/2010 foi firmado Acordo entre a Fundação e a P&N referente aos aluguéis. O Acordo de Transação foi homologado perante o Poder Judiciário, em 28/10/2010 (fls. 1.735/1.736), com o seguinte teor (fls. 906/911): 38.1. A P&N aceita: (i) alterar o Contrato de Aluguel para R$ 32.000,00 mensais, com reajuste IGPM prazo de 25/10/2010 a 24/10/2035 (25 anos), podendo a Fundação rescindir unilateralmente o contrato caso fosse extinta ou mudasse sua sede (fls. 2.599/2.603); (ii) concluir as obras do Centro de Diagnose; e (iii) cancelar a Ação de Despejo nº 633/2009; 38.2. A Fundação aceita pagar à P&N R$ 113.258,68, referente ao Alvará Judicial 193/2010 e R$ 306.764,28 de alugueis referentes ao período 01 a 09/2010. 39. Em 22/03/2010 (fls. 899/902) foi discutido em Assembléia Geral a necessidade de reforma do Estatuto Social para fins de prever a contratação de administrador profissional; também foi consignado que, por decisão liminar da juíza da vara cível da Comarca de Cianorte, autos nº 408/2009, a chapa encabeçada por Dr. Jorge Abou Nabhan não Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 36 35 poderia concorrer à eleição do Conselho Diretor. Foram eleitos o Presidente Alcides Nascimento Oliveira e o vice Presidente João Carlos Raddi. 40. Em 25/05/2010 (fls. 948/963 e 2.207/2.235) houve alteração no Estatuto Social da Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte/PR. Cumpre destacar os seguintes trechos: "Artigo 9º. A administração da fundação será feita pelos seguintes organismos: I Conselho Diretor; II Diretoria Executiva; III Conselho Fiscal; IV Superintendência de gestão de convênios. Artigo 10. O conselho Diretor é um órgão deliberativo e será constituído por 14 (quatorze) Membros, cuja formação será a seguinte: (...) IV a pessoa do Dr. Jorge Abou Nabhan. Artigo 14. Ao Conselho Diretor compete: (...) VI escolher o Administrador a ser contratado, decidir sobre sua remuneração e demissão. Artigo 37. A Fundação será administrada por um Administrador, devidamente graduado em Curso Superior de Administração de Empresas e inscrito no Conselho Regional de Administração CRA, contratado, remunerado e demitido na forma do artigo 14, VI, e 30, V, conforme a legislação trabalhista aplicável. Parágrafo Único: O Administrador não poderá ser Membro dos Conselhos Diretor e Fiscal. Artigo 39. A Fundação poderá nomear um Superintendente de Gestão de Convênios, o qual será investido nas atribuições constantes no parágrafo primeiro desta disposição. (...) Parágrafo Segundo: Ao Superintendente de Gestão de Convênios reservamse as seguintes atribuições: I Captação de recursos, públicos ou não, para a Fundação Hospitalar de Saúde; II Desenvolvimento e gestão de projetos objetos de financiamentos pelos recursos a serem captados na forma do inciso anterior, conforme a vontade e a necessidade da Fundação Hospitalar de Saúde; Artigo 41. O Superintendente de Gestão de Convênios não poderá ser remunerado pela Fundação Hospitalar de Saúde, Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 37 36 mas tão somente reembolsado pelas despesas que realizar relativamente ao desempenho de suas funções, tais como transporte, hospedagem, alimentação, etc. Artigo 50. A fundação honrará, desde sua instituição, todos os contratos e convênios realizados. Parágrafo Único. No caso de extinção da Fundação, os contratos de comodato, por ventura existentes, serão extintos e o bem, objeto deste instrumento, será devolvido ao seu proprietário, observado o direito de retenção previsto no artigo 516 do Código Civil Brasileiro. 41. Em 28/10/2010 foi firmado Contrato de Aluguel dos terrenos e prédio do hospital com os equipamentos e móveis, pelo prazo de 25/10/2010 até 24/10/2035, no valor de R$ 32.000,00, com correção anual pelo IGPM. A Fundação poderia rescindir unilateralmente contrato caso fosse extinta ou mudasse sua sede. Determina, ainda, a entrega à Fundação em Comodato, sem ônus, pelo mesmo prazo, dos terrenos e prédios referentes ao Centro Cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva – UTI, 1.336,36 m², construídos com recursos públicos. II. Da suspensão da imunidade da Fundação, durante o período de 01/01/2005 a 31/12/2008 42. O Ato Declaratório Executivo DRF/MGA nº 98, de 5 de novembro de 2010 (fls. 2.847), suspendeu a imunidade tributária da entidade nos anoscalendário 2005 a 2008. 43. A base legal da suspensão foi o artigo 32, § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que remete aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela LCP nº 104, de 10.1.2001); II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 38 37 manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 44. Por sua vez a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determinou: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da MPV 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 39 38 caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. (grifos nossos) 45. O rito estabelecido pelo artigo 32, da Lei nº 9.430/96, prevê que, emitido o ADE, a suspensão de imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 40 39 Contudo, é assegurada à entidade o direito de impugnar o ADE, seguindo o rito do processo administrativo tributário. 46. In casu, a Fundação apresentou sua impugnação, julgada improcedente pela DRJ/CTA, Acórdão nº 0633.786, de 29 de setembro de 2011 (fls. 2.848/2.862). 47. A mesma legislação determina que, simultaneamente, a fiscalização de tributos federais lavre, se for o caso, os competentes autos de infração, bem como que eventual impugnação e recurso apresentados pela entidade não tenham efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado, verbis: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 41 40 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. 48. No presente caso, o ADE foi emitido em 05/11/2010, publicado no DOU em 09/11/2010. A contribuinte apresentou impugnação ao Ato e em 29/11/2011 teve resultado desfavorável. Com efeito, foi apresentado recurso ao E. CARF (Processo nº 10950.004285/201052). 49. Em sessão de 09 de abril de 2014, a 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1802002.111, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais para a fruição da imunidade tributária suspende o benefício da entidade. 50. Logo, restou evidenciado, em consonância com o Relatório Fiscal do AI, itens 723/741 (fls. 2.095/2.101), que houve descumprimento do artigo 14, incisos I, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), devido a distribuição de parcelas de suas rendas na forma de remunerações e benefícios à P&N e seus sócios, Dr. Jorge Abou Nabhan (também Presidente do Conselho Diretor da Fundação) e à sua esposa Ana Maria Pletsch Nabhan. 51. Assim, não merece ser acatado o argumento da Recorrente de inobservância do procedimento previsto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96. Claramente, não houve cerceamento do seu direito de defesa, seja no curso do processo administrativo de suspensão da imunidade seja nos presente autos. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. III. Dos Efeitos da ADI nº 1.802/DF 52. De fato, conforme alegado pela Recorrente em seus instrumentos de defesa, foi proferida decisão de mérito pelo plenário do Supremo Tribunal Federal na ADI 1.802/DF, de relatoria do Min. Dias Toffoli, em que o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do artigo 12, § 1° (formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (os três últimos por inconstitucionalidade formal). Segue ementa da decisão: EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Pertinência temática verificada. Alteração legislativa. Ausência de perda parcial do objeto. Imunidade. Artigo 150, VI, c, da CF. Artigos 12, 13 e 14 da Lei nº 9.532/97. Requisitos da imunidade. Reserva de lei complementar. Artigo 146, II, da CF. Limitações constitucionais ao poder de tributar. Inconstitucionalidades Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 42 41 formal e material. Ação direta parcialmente procedente. Confirmação da medida cautelar. (...) 3. A orientação prevalecente no recente julgamento das ADIs nº 2.028/DF, 2.036/DF, 2.228/DF e 2.621/DF é no sentido de que os artigos de lei ordinária que dispõem sobre o modo beneficente (no caso de assistência e educação) de atuação das entidades acobertadas pela imunidade, especialmente aqueles que criaram contrapartidas a serem observadas pelas entidades, padecem de vício formal, por invadir competência reservada a lei complementar. Os aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade, tais como as referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo, continuam passíveis de definição por lei ordinária. 4. São inconstitucionais, por invadir campo reservado a lei complementar de que trata o art. 146, II, da CF: (i) a alínea f do § 2º do art. 12, por criar uma contrapartida que interfere diretamente na atuação da entidade; o art. 13, caput, e o art. 14, ao prever a pena se suspensão do gozo da imunidade nas hipóteses que enumera. 5. Padece de inconstitucionalidade formal e material o § 1º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, com a subtração da imunidade de acréscimos patrimoniais abrangidos pela vedação constitucional de tributar. 6. Medida cautelar confirmada. Ação direta julgada parcialmente procedente, com a declaração i) da inconstitucionalidade formal da alínea f do § 2º do art. 12; do caput art. 13; e do art. 14; bem como ii) da inconstitucionalidade formal e material do art. 12, § 1º, todos da Lei nº 9.532/91, sendo a ação declarada improcedente quanto aos demais dispositivos legais." (ADI 1802, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLl, Tribunal Pleno, julgado em 12/04/2018, Processo Eletrônico, DJe085 Divulg 02/05/2018, publicado em 03/05/2018) 53. De acordo com o artigo 62, §1º, inciso I, do RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade quando, por decisão definitiva plenária do STF, tenha sido declarada inconstitucional. 54. A ADI 1.802/DF teve seu julgamento proferido em decisão plenária e houve seu trânsito em julgado em 11/05/2018. Portanto, tal decisão deve ser observada por este E. CARF. 55. Contudo, no presente caso, a motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 43 42 56. Ademais, tal declaração inconstitucionalidade não desqualifica o mérito deste caso, vez que as alíneas "a" à "h", com exceção da "f", foram consideradas, neste mesmo precedente, constitucionais: "sendo a ação declarada improcedente quanto aos demais dispositivos legais." 57. Logo, as infrações constantes do TVF e dos respectivos lançamentos, especialmente quanto à impossibilidade de "remunerar, sob qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados" continuam em vigor. 58. E, por mais que a alínea "a" do § 2º do artigo 12 da Lei nº 9.532/97 tenha sofrido sucessivas alterações, in casu, a redação vigente à época dos fatos geradores era a mais restritiva (supra) e, ainda que assim não fosse, as questões fáticoprobatórias assistidas neste processo levam, inevitavelmente, a constatação de violação não só da alínea "a" (mesmo se, à título de argumento, considerarmos a redação atual) como de outras alíneas, bem como dos preceitos constantes dos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN. IV. Inocorrência de Decadência no AnoCalendário de 2005 59. Com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN, os Recorrentes, tendo sido os autos cientificados em 27/12/2011, consideram que operouse a decadência dos créditos tributários relativos ao anocalendário 2005. 60. No referido anocalendário, a contribuinte contabilizou resultados negativos em sua contabilidade. Contudo, a douta autoridade fiscal, na apuração de lucro real em 31/12/2005, cancelou o prejuízo fiscal apurado. 61. Partindo da ocorrência do fato gerador em 31/12/2005 e iniciando a contagem do prazo de decadência a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, temse que o prazo decadencial se iniciou no dia 01/01/2007. 62. E em 27/12/2011, não havia ainda se completado o prazo de 5 (cinco) anos. 63. Por fim, cabe esclarecer que o prejuízo contábil de 31/12/2005 foi corrigido para lucro real (fl. 82), porém a autoridade fiscal se limitou a glosar as compensações daquele prejuízo indevido e não exigiu IRPJ nem CSLL em relação ao lucro real que apurou em 31/12/2005. V. Inocorrência de Decadência relativamente aos Fatos Geradores até 30/11/2006 64. Invocam os artigos 142, 149, 150, §4º c/c o art. 175, I e ainda os artigos 173, c/c os §§ 1º e 4º do art. 150, todos do CTN, para arguir a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006, por se tratarem de lançamentos por homologação e, se provadas as antecipações de pagamentos, mesmo que parciais, ficaria demonstrada a decadência do direito de lançamento de ofício. 65. A legislação invocada pela Recorrente determina que: Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 44 43 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, s alvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" 66. Os autos de infração foram cientificados aos interessados em 27/12/2011 (fl. 2.144), e se referem a exigências de IRPJ e CSLL, no regime do lucro real anual (fatos geradores em 31 de dezembro de 2006, 2007 e 2008); exigências de PIS e COFINS sobre omissão de receitas (fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007); COFINS sobre as receitas próprias da Fundação e PIS/Folha de Pagamento, sobre fatos geradores mensais, a partir de 01/2006. 67. Quanto aos pagamentos por parte da Fundação, cumpre consignar que não ocorreram antecipações de pagamentos de IRPJ, CSLL ou COFINS, somente ocorreram recolhimentos parciais de PIS/Folha de pagamento, a partir de 03/2007. 68. No mais, diante da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o artigo 150, §4º, do CTN, remete a contagem do prazo decadencial ao artigo 173, inciso I, do CTN. 69. Portanto, nenhuma exigência relativa a fato gerador de 2006 foi atingida pela decadência. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 45 44 Mérito I. Desembolsos contrato de concessão e contrato de aluguel: Despesa indedutível 70. Os Recorrentes afirmam terem sido pagos R$ 283.050,00 e em outro momento o valor de R$ 177.670,21. A conta que apresentaram às fls. 2.393, intitulada “Comissão”, aponta que foram pagas comissões de R$ 283.050,00. 71. A autoridade fiscal considerou como pagamentos referentes ao Contrato de Concessão de 2005, R$ 454.020,00 (item 34 do Relatório Fiscal do AI), valor este constante do Balancete de Verificação de 31/12/2005 da Fundação (fls. 105), ali registrado como “Despesa c/Adm FHISA”, sendo que à fl. 98, no Passivo, a P&N está identificada como “Adm FHISA". 72. Por isso, procede o valor considerado do pagamento em 2005 de R$ 454.020,00, obtido em documento contábil fornecido pela própria entidade, documento este não contraditado pelos Recorrentes por meio de outra prova idônea. 73. Às fls. 2.788/2.790, verificase que a P&N declarou R$ 523.405,64 de receitas na DIPJ retificadora do anocalendário 2005, portanto, o valor do pagamento é compatível. 74. A autoridade fiscal descreveu o valor como lucro distribuído disfarçadamente, nos termos do artigo 464, inciso V, do RIR/1999 (pagamento a pessoa ligada de aluguéis, royalties ou assistência técnica, em montante que excede notoriamente o valor de mercado), e adicionou o valor ao resultado contábil, conforme artigo 467, inciso IV, do RIR/1999. 75. Isso porque, em se tratando de Fundação e sendo o Dr. Jorge Abou Nabhan seu Presidente e sócioresponsável pela P&N junto com sua esposa Ana Maria Pletsch Nabham, funcionária registrada na Fundação, ambos pessoas ligadas, considerou indevido na totalidade o pagamento. 76. Como a entidade se declarava imune, tais pagamentos caracterizaram infração ao disposto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97, destacandose o parágrafo único do artigo 13 dessa lei, que determina tratarse de despesa indedutível, devendo ser adicionada ao lucro: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 46 45 a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, c aso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998). Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 47 46 consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. (...) Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. 77. Vejam que, o fato do contrato de concessão ter sido cancelado mediante o Acordo firmado na ACP nº 826/2008 e o Estatuto ter sido alterado para que as figuras do Coordenador e da Secretaria Executiva (cargos não remunerados) fossem substituídas por administrador profissional (contratado e remunerado como tal), demonstram que o referido instrumento era irregular e indevido. II. Do Contrato de Concessão relativo ao AnoCalendário de 2006 78. A autoridade fiscal e julgadora consideraram o pagamento à P&N de R$ 473.869,04, conforme Balancete de Verificação de 31/12/2006 (fls. 121), conta Despesas c/Adm FHISA. Este valor está confirmado às fls. 1.112/1.113 na Ficha Razão de Custos Despesas c/ Adm FHISA. 79. Por isso, procede o valor considerado de R$ 473.869,04, no item 006 do auto de infração, obtido a partir de documentos contábeis fornecidos pela própria entidade, e não contraditados pelas Recorrentes por outro documento idôneo. Portanto, o estorno reclamado pelos contribuintes não restou comprovado. 80. Destaquese que, o embasamento legal é o mesmo do anocalendário 2005, comentado no item anterior. 81. Na DIPJ retificadora que a P&N entregou, as receitas declaradas totalizam R$ 364.956,55 (fls. 2.791/2.803) e a empresa informou 1 (um) empregado, o que evidencia que o valor considerado é compatível com a DIPJ e ao mesmo tempo é desproporcional em relação ao objeto do Contrato de Concessão, assim remunerado, pois com apenas 1 (um) empregado a P&N teria executado as atividades de Secretaria Executiva. III. Do Contrato de Aluguel relativo aos Anoscalendário de 2007 e 2008 Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 48 47 82. A partir de 01/01/2007 o Contrato de Concessão foi encerrado e substituído inicialmente pelo 1º Contrato de Aluguel (R$ 41.000,00 mensais), posteriormente cancelado e objeto do Acordo, sendo firmado novo Contrato de Aluguel (R$ 32.000,00 mensais a partir de 10/2010) e os aluguéis do período de 01/01/2007 a 31/12/2009 foram contestados pelo MP na ACP nº 826/2008, que foi encerrada com a celebração do Acordo já descrito. 83. O Balancete de Verificação de 31/12/2007 (fls. 132), aponta pagamentos de “Aluguel ref Prédio FHISA” de R$ 492.000,00, o que equivale a R$ 41.000,00 vezes 12; às fls. 1.203/1.208, o razão da conta do passivo “Aluguéis a Pagar” aponta que foram creditados R$ 492.000,00, havia um saldo anterior de R$ 138.314,59, foram pagos R$ 322.473,59, restando saldo a pagar de R$ 307.841,33. 84. O Balancete de Verificação de 31/12/2008 (fl. 143), aponta pagamentos de “Aluguel do Prédio FHISA” de R$ 492.000,00, o que equivale a R$ 41.000,00 vezes 12; às fls. 1.209/1.213, o razão da conta do passivo “Aluguéis a Pagar” aponta que foram creditados R$ 492.139,49, havia um saldo anterior de R$ 307.841,33, foram pagos R$ 746.853,23, restando saldo a pagar de R$ 53.139,45. 85. Às fls. 1.557/1.565, a autoridade fiscal elaborou planilha intitulada “Aluguel”, na qual computou os desembolsos com aluguéis pela Fundação para a P&N, referentes aos anos de 2007 e 2008, apurando o total de R$ 1.069.326,54 (que é exatamente a soma de dos valores pagos em 2007 R$ 322.473,59 (2007) e em 2008 R$ 746.853,23); à fl. 1.566, deduziu R$ 45.510,72 de “Total de Despesas”, concluindo pelo valor de aluguéis pagos em 2007 e 2008 de R$ 1.023.815,82. 86. Portanto, de fato cabe razão aos Recorrentes no que tange aos aluguéis de 2007 e 2008. 78.1. Para o ano de 2007, com base no razão da conta “Aluguéis a Pagar” e planilha da autoridade fiscal, que consignou no item 52 (fls. 2.203) que R$ 6.301,89 são despesas de 2007, concluise que o valor do aluguel pago foi de R$ 316.171,70. 78.2. Para o ano 2008, com base no razão da conta “Aluguéis a Pagar” e planilha do autoridade fiscal, o valor do aluguel pago foi de R$ 707.644,40. 87. A soma desses dois valores perfaz o total apontado pela autoridade fiscal de R$ 1.023.815,82, referente aos dois anos. 88. Consultandose a DIPJ retificadora do anocalendário 2007, temse que a P&N declarou R$ 419.892,46 de receitas e no anocalendário 2008, R$ 825.406,06, fls. 2.807/2.832, valores compatíveis com a conclusão supra. 89. Os valores dos aluguéis pagos foram objeto de lançamento fiscal item 005 do auto de infração, como distribuição disfarçada de lucros, artigos 464, inciso V, 466 e 467, inciso IV do RIR/1999, descritos nos itens 51 e 59 do Relatório Fiscal do AI. Os valores de aluguel aqui discutidos, pagos pela Fundação à empresa de propriedade do Diretor da Fundação, foram considerados despesa indedutível na totalidade. Confirase o teor do artigo467, do RIR/ 1999: Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica: (...) Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 49 48 IV No caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado, não será dedutível; (grifos nossos) 90. No caso de presunção distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos, pela pessoa jurídica, a empresa ligada, de aluguéis em montante que excederam notoriamente ao valor de mercado, esse montante excedente, não é dedutível para a determinação do lucro real. IV. Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica 91. Os Recorrentes anexaram, fls. 2.567/2.598, Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica, elaborado por empresa imobiliária, que conclui ser o valor de mercado do aluguel, em 09/07/2010, R$ 42.285,30 (fl. 2.596). 92. No entanto, resta desmentido este valor, dado que a P&N, representada pelo seu sócio Dr. Jorge Abou Nabhan, assinou o Acordo referendado pela Justiça, concordando com o valor do aluguel mensal de R$ 32.000,00, com reajuste anual pelo IGPM, a partir de 25/10/2010, conforme Contrato de Aluguel de fls. 2.599/2.603, firmado em 28/10/2010. Esse valor deflacionado pelo IGPM para 10/2007 resulta em R$ 26.541,82. E, para 10/2008, resulta em R$ 29.809,86. 93. O montante de aluguéis em 2007 resulta da soma de 9 (nove) meses pelo valor reajustado em 10/2006 e de 3 (três) meses do valor reajustado em 10/2007; os montantes dos anos 2008 e 2009 são apurados analogamente. 94. Do exposto, concluise que os valores excedentes ao valor de mercado, desembolsados pela Fundação para a P&N, pessoa jurídica associada por ser de propriedade do Presidente do Conselho Diretor da Fundação, objeto da autuação item 005, são os a seguir: 2007: R$316.171,70 () 205.684,32 = 11.033,38 2008: R$707.644,40 () 328.303,76 = 379.340,64 V. Cheques compensados, não identificados 95. A autoridade fiscal adicionou os seguintes valores na apuração do lucro real: “cheques compensados não identificados” – anocalendário 2005 – R$ 54.456,19; explica no item 35 (fl. 2.021), que a Fundação pagou à P&N, cheques no total de R$ 54.456,19 (fls. 438 e 452), valor adicionado ao lucro com base no artigo 358, § 3º, inciso II, do RIR/1999, este dispositivo remete ao artigo 304, que determina não serem dedutíveis na apuração do lucro real, valores pagos, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento. 96. À fl. 438, Consta do Razão da conta do ativo “Valores não identificados no exercício – Cheques compensados e não identificados”, o lançamento a crédito (saída) do citado valor; à fl. 452, o mesmo valor está registrado a débito (saída) da conta do passivo “Fornecedores – Pletsch&Nabhan Ltda”, isto é, o recurso foi pago à P&N, conforme evidenciam os lançamentos contábeis apresentados pela Fundação, sendo não identificada a Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 50 49 causa desse dispêndio; as justificativas apresentadas no adendo aos instrumentos de defesa não estão documentadas. 97. Cabe relembrar que, o alegado demonstrativo/laudo de perito do “razão contábil dos Anexos I a XI”, não foi apresentado, apenas valores transcritos no adendo à Impugnação e ao Recurso Voluntário, sem documentos a respaldálos. VI. Empréstimos P&N x Fundação: Anoscalendário 2006 e 2007 98. A autoridade fiscal adicionou os seguintes valores na apuração do lucro real de 2006 e 2007, com o título de “valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa”: Anocalendário 2006 R$ 884.804,13 Anocalendário 2007 R$ 636.568,61 Anocalendário 2006 99. A autoridade fiscal explica no item 46 (fl. 2.022) que no ano 2006, adicionou o citado valor ao lucro real, demonstrado na planilha de fl. 1.753, que resume lançamentos extraídos do razão das contas do ativo: Banco Conta Movimento Unicred, Caixa Econômica Federal; do passivo: Empréstimos Unicred, Empréstimos e Financiamento – Pletsch Nabhan, fls. 1.740/1751; identifica que R$ 227.830,58 foram pagos diretamente ao Dr. Jorge Abou Nabhan e R$ 656.976,45 à P&N, com cheques, sendo os valores oriundos de contas de: Unicred Empréstimo, Banco Unicred, Caixa Econômica, Banco do Brasil. 100. Por sua vez, o razão da conta do passivo Empréstimos e Financiamento – Pletsch Nabhan aponta um saldo credor inicial em 02/01/2006 de R$ 621.547,35, créditos adicionais de R$ 571.667,03 e débitos (isto é pagamentos contabilizados à conta da P&N) no total de R$ 884.804,13, restando saldo em 29/12/06 de R$ 308.410,25. 101. Os históricos dos créditos são: crédito B. Brasil, depósito Unicred cta 730963 ref empréstimo, Vlr empréstimo Pletsch Nabhan (Unicred), Unicred ref Empréstimo FHISA, cfe cx. 06/11/06, Empréstimo Pletsch Nabhan, Crédito B.Brasil ref empréstimo Pletsch Nabhan, Vlr empréstimo CEF Pletsch. Anocalendário 2007 102. Quanto ao ano 2007, a autoridade fiscal esclarece no item 54 (fl. 2.023), que adicionou o citado valor, demonstrado na planilha de fl. 1.773, ao lucro real; este valor foi obtido da ficha razão da conta do passivo Empréstimos e Financiamentos – Pletsch Nabhan, fls. 1.760/1.761, na qual consta saldo credor inicial de R$ 308.410,25, créditos de novos empréstimos tomados de R$ 600.381,61, débitos (pagamentos à P&N e ao Dr. Jorge Abou Nabhan) de R$ 636.568,61 e saldo credor final de R$ 272.223,25. 103. Na ata de Assembléia em 10/04/2008, fls. 994/998, o relatório de auditoria apontou: "3.5 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS R$ 889.612,74 A entidade tem pleiteado empréstimos junto à instituições bancárias, porém o limite cadastral da mesma não tem sido suficiente para garantir os aportes necessários. Em decorrência Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 51 50 tem se utilizado da empresa PLETSCH & NABHAN com a qual mantêm transações, para obter os referidos empréstimos, cujo valor em 31/12/2006 era de R$ 708.157,25. Ocorre que os valores são creditados pelos bancos na conta da empresa (Pletscli & Nabhan) pelo valor líquido, não sendo evidenciados na entidade os valores dos juros e encargos financeiros correspondentes. Recomendamos uma análise criteriosa destes eventos e a elaboração pelo Departamento Jurídico da entidade dos competentes contratos de mútuo, formas de pagamento e valor dos juros, na forma do contrato de financiamento do estabelecimento bancário concedente, para os devidos respaldos documental junto a entidade, evitandose assim implicações que caracterizem transações irregulares com partes relacionadas. Alertamos para as implicações fiscais junto a tomadora dos empréstimos, uma vez que os juros pagos não estão relacionados com as suas próprias atividades." 104. Os desembolsos de pagamentos de empréstimos para a P&N e seu sócio foram objetos de autuação como omissão de receitas com base no artigo 282 do RIR/1999 (item 001 do auto de infração), que determina que a omissão de receita pode ser quantificada com base no valor dos recursos de Caixa fornecidos à empresa por administradores, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. 105. Temse que a transcrita ata de assembléia é um indício de que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas Razão citadas. 106. O autoridade fiscal buscou os valores no razão do passivo Empréstimos e Financiamentos – Pletsch Nabhan, sendo lógico o pressuposto de que valores que a P&N emprestou à Fundação deram entrada no Caixa ou em Bancos, para pagamento de dispêndios, mas não foram apurados a partir de valores que deram entrada na conta Caixa, mas apenas no pressuposto de que tais valores teriam suprido o Caixa; além do que, eventuais valores entregues ao Caixa ou Bancos para pagamentos de dispêndios da Fundação teriam sido aqueles contabilizados como novos empréstimos tomados: R$ 571.667,03 em 2006 e R$ 600.381,61 em 2007 e não os desembolsos, como considerou o autoridade fiscal. 107. Em linha com a decisão de piso, é de se considerar improcedentes os lançamentos referentes à omissão de receita, com base nos “valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa” apurados a partir de valores de empréstimos pagos, obtidos em conta do passivo. VII. Da Manutenção dos Bens 108. Os contribuintes insurgiramse contra as glosas de despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação, invocando o Contrato de Comodato, que não mais vigia porque, analisandose a autuação, verificase no lançamento fiscal, item 005 (fls. 370/371), que tais valores glosados se referem aos anoscalendário 2007 (no valor de R$ 190.516,34) e 2008 (no valor de R$ 340.738,33), quando os Contratos de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 52 51 Comodato e Concessão, foram substituídos por Contrato de Aluguel; e para o ano 2009, não objeto de exigência fiscal. 109. O Contrato de Aluguel firmado com vigência a partir de 01/01/2007, fls. 1.106/1.111, e que foi objeto da ACP 826/2008 que culminou com o Acordo, determinava: CLÁUSULA TERCEIRA O prazo do presente contrato de locação é de sessenta meses, iniciado em 01 de janeiro de 2.007 e o término em 31 de dezembro de 2.011 podendo ser renovado, automaticamente, por iguais período sucessivos, até o limite de sessenta meses, data em que a LOCATÁRIA se obriga a restituir o imóvel locado no estado de conservação em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do uso normal, inteiramente livre e desocupado. CLÁUSULA SÉTIMA: A LOCATÁRIA será responsável, enquanto durar a locação, por: (...) b)todas as despesas de conservação do prédio; CLÁUSULA OITAVA A LOCATÁRIA, exceto as obras que importem na segurança do imóvel, obrigase por todas as outras, devendo trazêlo em perfeito estado de conservação, e em boas condições de utilização, para assim restituílo com todas as instalações sanitárias, elétricas, e hidráulicas; fechos, vidros, torneiras, ralos e demais acessórios, quando findo ou rescindido este contrato, sem direito a retenção ou indenização por benfeitorias ainda que necessárias, as quais ficarão a ele incorporadas, devendo ainda a locatária fazer a manutenção preventiva e corretiva. PARAGRAFO PRIMEIRO Sendo necessárias benfeitorias no imóvel, para adaptálo às atividades sociais da LOCATÁRIA, esta apresentará projeto a LOCADORA, o qual no prazo de 15 (quinze) dias apresentará sua resposta por escrito, de concordância ou não com a sua execução. PARAGRAFO SEGUNDO No caso de introdução de benfeitorias no imóvel realizadas pela LOCATÁRIA com a concordância da LOCADORA, caberá a este aceitála na entrega do imóvel de forma incondicional. CLÁUSULA DEZESSETE A LOCATÁRIA assume neste ato a responsabilidade em promover a manutenção periódica necessária a conservação dos utensílios, máquinas e equipamentos que lhe são neste momento locados, cujo custo é de sua exclusiva responsabilidade, objetivando a entrega dos mesmos ao final do período de locação em iguais condições de recebimento, conforme termo de Vistoria anexo, ressalvandose o desgaste natural decorrente do uso normal dos bens do desenvolvimento da atividade de prestação de serviços médico hospitalares. 110. Já o 2º Contrato de Locação previa: Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 53 52 CLÁUSULA SEGUNDA: PRAZO Este contrato vigorará pelo prazo de 300 (trezentos) meses, iniciandose aos 25 de Outubro de 2010 e findandose aos 24 de outubro de 2035, ocasião esta em que a LOCATÁRIA se obriga a restituir os imóveis locados e d ados em comodato completamente limpos e desocupados, juntamente com os utensílios, máquinas e equipamentos hospitalares constantes no Anexo I deste contrato, todos e m perfeitas condições de manutenção, conservação e funcionamento, independente de qualquer notificação ou interpelação, judicial ou extrajudicial. Salvo as obras que importem na segurança do imóvel, a LOCATÁRIA obriga se por todas as outras, devendo trazer o imóvel locado, e seus acessórios, em perfeitas condições de higiene, limpeza, manutenção, conservação e funcionamento, bem como proceder a devida manutenção corretiva e preventiva para assim restituílo. D) A LOCATÁRIA será responsável, enquanto durar a locação, por: todos os encargos tributários incidentes sobre a propriedade do imóvel, exceto as contribuições de melhorias; todas as despesas de conservação do prédio, de seguro, de consumo de água, luz, telefone, conservação e manutenção do imóvel c outras ligadas ao uso do imóvel; todas as multas pecuniárias provenientes de atraso no pagamento de encargos tributários e fiscais sob sua responsabilidade. 111. A autoridade fiscal consignou no item 53 do relatório Fiscal do AI que: “Segundo o contrato de comodato, depois locação, a conservação do imóvel, das instalações e dos equipamentos nele contidos, pertencentes ao Presidente Jorge Abou Nabhan, representou despesa do sujeito passivo nos valores respectivos de R$ 116.013,56 e R$ 74.502,78 (fls. 1118 a 1133), segundo determinado pelo inc. IV do art. 467 (...) do RIR/1999.” 112. No item 61, analogamente, em relação ao ano 2008, com base nos documentos de fls. 1.155/1.177. 113. E no item 68, analogamente, em relação ao ano 2009, com base nos documentos de fls. 1.178/1.201. 114. Os citados documentos referentes a 2007, 2008 e 2009, são a fichas Razão das contas de Despesas Gerais e Administrativas, Manutenção de Bens e Instalações e Despesas Gerais e Administrativas, Manutenção de Equipamentos. Tendo em vista o teor de ambos Contratos de Aluguel e nenhuma menção à manutenção no Acordo, não se vislumbra motivo para considerar indevidas as despesas de manutenção de prédios e equipamentos objetos de locação, pactuadas em ambos contratos, o anterior e o posterior ao Acordo. 115. Por isso, em consonância com a decisão de piso, merece ser afastada a glosa destas despesas. VIII. Despesas de Viagem do Presidente da Fundação Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 54 53 116. A autoridade fiscal glosou despesas de viagem relativamente aos anos 2005 (R$ 3.556,83 não objeto de exigência fiscal, mas que alterou de ofício o prejuízo fiscal); 2006 (R$ 14.216,26), item 003 do auto de infração; e em 2009 (R$ 3.382,04 não objeto de exigência fiscal, mas que alterou de ofício o prejuízo fiscal do contribuinte), como despesas não necessárias às operações da Fundação. 117. Os Recorrentes argumentam que tais gastos efetuados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, eram indispensáveis ao desenvolvimento das atividades da Fundação, pois deslocou se às repartições do Ministério da Saúde, Câmara de Deputados e Senado Federal, a fim de buscar recursos para aquisição dos equipamentos e construção, conforme provam os convênios. 118. Nos itens 39, 47 e 69 do Relatório Fiscal do AI, o autoridade fiscal cita os documentos de fls. 480, 1.798/1.800 e 1.803, que são fichas Razão da conta Despesas Gerais e Administrativas, Despesas de Viagens e Estadias e registram os valores com o histórico “Despesas de Viagem do Dr. Jorge Abou Nabhan”. 119. O Estatuto da Fundação vigente em 2005, 2006 e 2009, determinava que era de competência do Coordenador Geral, entre outras atribuições, arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. 120. Os Recorrentes argumentam que as despesas de viagem em epígrafe contabilizadas como viagens do Dr. Jorge Abou Nabhan, Presidente da Fundação, foram no cumprimento de atribuições que, estatutariamente, cabiam ao Coordenador Geral. 121. Sob este argumento, as autoridades fiscal e julgadora consideram descaber razão as Recorrentes. Contudo, é senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. E mais, não é porque o Estatuto prevê essa atribuição ao Coordenador Geral que o Presidente não deve exercêla na prática. 122. Por fim, há documentação contábil idônea que demonstra a ocorrência da despesa. Nesse sentido, considero que deve afastada a glosa destas despesas. IX. Dos Pagamentos ao Presidente Dr. Jorge Abou Nabhan e à P&N 123. Os Recorrentes culpam os contadores de não terem instruído a P&N à emitir fatura mensal do aluguel de R$ 41.000,00 e, por essa razão, a empresa acabou por emitir notas fiscais de prestação de serviços (NFPS) (fls. 2047). 124. De acordo com a “Ficha Razão Contábil, Anexo V, VI”, fls. 2.407/2.408, foi contabilizado o aluguel como despesa operacional/custo dos serviços hospitalares/aluguel e como passivo/outras contas a pagar/P&N. 125. Os Recorrentes não apresentaram qualquer documento hábil a afastar a conclusão da autoridade fiscal de que tais pagamentos se referiam a retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente e de sua empresa P&N. 126. Nesse sentido, em linha com a decisão de piso, a glosa deve ser mantida. Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 55 54 X. Das Base de Cálculo do IRPJ e CSLL: Anoscalendário 2005 a 2009 127. Considero incontroversas as bases de cálculo constantes do AIIMs apuração com base no lucro real anual. 128. Em vista do decidido no item VIII, a adição de R$ 3.372,04 de despesas de viagem do Dr. Jorge Abou Nabhan (anocalendário de 2009), deve ser afastada. XI. COFINS e PIS: Receita Omitida 129. Registro que a questão não foi trazida em sede de Recurso Voluntário. Portanto, considero incontroverso o tema. XII. Do Agravamento da Multa (de 150% para 225%) 130. O agravamento da multa de ofício foi levado a efeito com base no artigo 44, § 2°, inciso I, da Lei n° 9.430/96, que assim prevê: (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 131. A aplicação do agravamento da multa deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. 132. No mais, de acordo com a Súmula CARF nº 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". 133. Dessa forma, ainda que no presente caso a Recorrente e os solidários não tenham atendido as intimações de forma satisfatória (não apresentação dos arquivos digitais e sistema de escrituração contábil na forma e prazo estabelecidos pela RFB (fls. 2.028/2.030), ao meu ver, tal dispositivo deve ser interpretado com cautelas, dirigindose apenas às situações de reiterado não atendimento às intimações feitas ao longo do procedimento fiscalizatório. E, digase, "não atender" não é "sinônimo de "mal atender". 134. O campo de aplicação do agravamento da penalidade não contempla a hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos e esclarecimentos por parte dos contribuintes, o que, a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação. 135. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, aliás, vem afastando o agravamento da multa quando não há prejuízos ao trabalho fiscal, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 56 55 PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornar se inaplicável o agravamento da multa. (Acórdão nº 9202 004.290, publicado em 17/08/2016) 136. Inaplicável, portanto, o agravamento da penalidade. 137. Quanto às alegações de caráter constitucional, consigno que não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. 138. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 139. Com efeito, rejeito a tese defensiva de que a multa de ofício destes autos tem caráter confiscatório ou que viola a capacidade contributiva dos sujeitos passivos. XIII. Da Presença de Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada 140. Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional. A r. autoridade fiscal deve comprovar que a Recorrente teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 141. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” 142. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 57 56 143. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 144. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 145. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 146. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 147. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 148. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier1, a figura da fraude exige três requisitos. O primeiro, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o segundo, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o terceiro, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 149. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 150. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta 1 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 58 57 ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 151. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 152. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 153. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. 154. No presente caso, as imputações de simulação (Fundação que supostamente cumpria o requisitos para usufruir da imunidade), de conluio (entre a Fundação, seu Presidente e a empresa deste (P&N)) e dolo (intenção), bem como de sonegação de impostos e contribuições, na medida em que se declarava imune, enquanto remunerava seu diretor de várias formas e não reinvestia seus resultados em suas atividades. 155. A intervenção pelo Ministério Público, suscitada pelo Curador das Fundações do Ministério Público do Estado do Paraná e decretada judicialmente, foi desencadeada a partir do ajuizamento da ação ACP 694/2008, em 22/08/2008, sendo que, conforme relatado, desde 2006 (dois anos antes), o Curador (Ata da Assembléia de 24/11/2006) apontou desorganização, falhas e irregularidades na contabilidade, estas apontadas por auditoria independente e descritas também na Ata (fls. 994/998) da Assembléia presidida pelo próprio Dr. Jorge Abou Nabhan em 10/04/2008. 156. No mais, todo o esforço despendido pelo MP foi no sentido de eliminar essa remuneração irregular do membro da Diretoria da Fundação e os fatos demonstram que, efetivamente, houve conluio e ajuste doloso na contratação do Contrato de Concessão entre a P&N e a Fundação, desde a sua origem, só sanados pela alteração do Estatuto e substituição do Contrato de Concessão, pelo de Aluguel em valor compatível com o mercado, consubstanciado no 2º Contrato de Aluguel. 157. Cabe destacar também que o Dr. Jorge Abou Nabhan foi afastado do cargo de Diretor, mediante a já citada ACP 684/2008, porque havia irregularidades financeiras, como empréstimos tomados pela Fundação, que beneficiaram a P&N e outras, conforme Relatório Fiscal. 158. Portanto, em vista dos elementos trazidos pela autoridade fiscal, mantenho a qualificação da multa de ofício. XIV. Lançamento Reflexo de CSLL 159. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 59 58 XV. Da Responsabilidade Solidária e Pessoal 160. Acerca da aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN no caso concreto, vale trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Determina tal dispositivo legal que: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 161. Para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, inciso I, é imprescindível considerar que o "interesse comum" constante do dispositivo supra não é um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico, mas interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 162. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. 163. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária. 164. Dito de outra forma, para haver solidariedade tributária, as pessoas a que se refere o dispositivo devem efetivamente participar (i.e., ser partes) do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária ("situação que constitua o fato gerador...") no mesmo polo da relação jurídica, como os coproprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão. 165. Tratase, pois, da chamada comunhão de interesses entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo. É nesse caso que se aplica a norma, de modo tal em que seja impossível a identificação de um único contribuinte, pois todos os envolvidos possuem tal qualidade e, consequentemente, obrigamse perante o Fisco. 166. Logo, pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (vendedor vs comprador, e.g.) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador" não possuem a comunhão de interesses jurídicos a que alude o artigo 124, inciso I, do CTN. Como tal, não podem ser responsabilizadas, sob pena de permitirse a inclusão de qualquer pessoa no polo passivo da obrigação tributária, o que não se pode admitir senão em virtude de lei, a teor do artigo 124, inciso II, do CTN. 167. Nesse sentido, são os ensinamentos de Luciano Amaro a respeito da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 60 59 preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei Oá agora nos termos do item li do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 168. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 61 60 Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 62 61 Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 169. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 170. No presente caso, a autuação se deu sobre a Fundação e os Termos de Sujeição Passiva Solidária são direcionados a: (i) o então Presidente da Fundação e sócio de empresa concessionária de serviços de Secretaria Executiva da Fundação; (ii) sua esposa, também sócia desta empresa e funcionária da Fundação; e (iii) a empresa concessionária. 171. Os responsáveis solidários, Dr. Jorge Abou Nabhan e de Ana Maria Pletsch Nabhan, geriram a Fundação via a empresa P&N, em que são proprietários. Não se pode negar que foram diretamente beneficiados. Há efetivo interesse comum (artigo 124, inciso I, do CTN). 172. No que tange à P&N, esta e a Fundação, conforme resumiu o autoridade fiscal nos itens 723 a 741, de fls. 2.095/2100, constituíram no período de 2005 a 2009 uma única organização, cujos lucros eram consumidos em remuneração à P&N e seus sócios, Dr. Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan, restando a Fundação com prejuízos acumulados. 173. Por isso, o autoridade fiscal caracterizou a união da Fundação com a P&N como formação de grupo econômico de fato, ao qual não cabia imunidade de impostos/contribuições, e a autuação se deu na pessoa jurídica da Fundação, os pagamentos de despesas não necessárias e indevidas e a distribuição disfarçada de lucros foram adicionados aos resultados tributáveis; apuraramse receitas omitidas e lucros/resultados negativos reais e a P&N foi responsabilizada solidariamente pelo IRPJ e contribuições incidentes, artigo 124, inciso I, do CTN. 174. Por outro lado, a P&N por meio dos seus sócios Dr. Jorge Abou Nabhan e seu cônjuge Ana Maria Pletsch Nabhan, administravam os bens da P&N, cedidos em comodato e, posteriormente, locados ao sujeito passivo. Ademais, também administravam os recursos financeiros da Fundação por meio da Secretaria Executiva, objeto do Contrato de Concessão à P&N e através do Dr. Jorge Abou Nabhan como Presidente do Conselho Diretor da Fundação. 175. Portanto, a suspensão da imunidade decorre das ações por eles executadas. A Fundação que não pode ser responsabilizada exclusivamente pela exigência fiscal resultante, de onde se evidencia ser necessária e correta a responsabilização solidária do Dr. Jorge Abou Nabhan e de Ana Maria Pletsch Nabhan, conforme artigo 134, III do CTN. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 63 62 176. Em relação ao Dr. Jorge Abou Nabhan, foi emitida responsabilização pessoal, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, vez que infringiu os estatutos da Fundação, que determinavam não ser remunerado o cargo de Presidente do Conselho Diretivo. 177. Ademais, o Dr. Jorge Abou Nabhan ao mesmo tempo que exercia a Presidência do Conselho Diretor da Fundação, figurava como sócio administrador da P&N, com a qual foi verificado conluio e simulação na contratação do Contrato de Comodato, casado com o Contrato de Concessão e, posteriormente, no Contrato de Aluguel a valores superiores aos de mercado, além de outras remunerações recebidas direta e indiretamente, objetos da autuação que se analisou neste voto. 178. Diante do exposto e em consonância com a decisão de piso, não acolho o pedido dos Recorrentes pela anulação dos termos de sujeição passiva solidária e “exclusão”da responsabilidade solidária dos Recorrentes, pois entendo satisfatórios os ajustes e demais provas/indícios apresentados pela autoridade fiscal. 179. Do mesma forma, cabível a responsabilização pessoal do Dr. Jorge Abou Nabhan. XVI. Da Intempestividade dos Novos Argumentos de Direito 180. Por fim, cumpre salientar que as razões finais apresentadas pelos Recorrentes em 08/06/2018 tiveram o condão de adicionar novos argumentos ao Recurso Voluntário apresentado, tempestivamente, em 25/04/2013 (fls. 2975/3024). 181. Nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72, deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada e o prazo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão. Confira se: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." 182. No mais, os documentos apresentados nas referidas razões, em nada afetam a análise de mérito aqui formulada, devendo a Recorrente observar os ditames constantes do artigo 16, §§ 4º à 6º, do Decreto nº 70.235/72. 183. Assim sendo, diante da intempestividade dos pleitos adicionais constantes da razões finais (questões de direito e não de fato), desconsidero as seguintes alegações complementares trazidas nestes autos e sequer suscitadas no curso do processo administrativo de suspensão da imunidade: (i) "Da Nulidade do Auto de Infração para exigência de PIS e COFINS. Imunidade Tributária. Inaplicabilidade do artigo 13, da MP nº 2.15835/2001. Entendimento firmado pelo STF em sede de repercussão geral. Observância Obrigatória por Força do Art. 62 do RICARF" (item 3 das razões); e (ii) "Da Nulidade do Auto de Infração para exigência de IRPJ e CSLL decorrentes de isenção. Inexistência de ato declaratório de suspensão de isenção de IRPJ e CSLL. Inaplicabilidade do artigo 15 da Lei nº 9.532/1997. Erro de Direito. Vício Insanáve." (item 4 das razões). Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 64 63 Conclusão 184. Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3142DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900596/2006-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 165 1 164 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900596/200639 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3002000.013 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 12 de julho de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SANTA VERÔNICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (INCORPORADA POR SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 59 6/ 20 06 -3 9 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 166 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 24990.07322.080703.1.3.049041 (fl. 02/06), transmitido em 08/07/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 24/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 22/07/2008 (fl. 14/17), na qual alegou que recolheu errado a contribuição para o PIS eferente a março/2003, R$ 4.502,35, assim como informou este valor incorreto na DCTF original. Contudo, o valor realmente devido, R$ 784,22, foi declarado corretamente na DIPJ 2004. A ora recorrente continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora regularizando a situação em 18/03/2008. Ademais, o Sujeito passivo segue discorrendo sobre a legislação aplicável ao caso e apresenta tabela explicativa dos valores realmente devidos, dos valores efetivamente pagos e dos créditos utilizados em compensações. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia do DARF e cópias parciais das DCTF´s, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo com o fito de reduzir tributo — mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar — só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 167 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 77/88), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o DARF apresentado já seria documento hábil e idôneo para garantir o direito creditório, devendo ser analisado em conjunto com a ficha 21 da DIPJ, com a Dacon e com a DCTF retificadora. Além disso, a recorrente informou que a movimentação das contas de receitas financeiras, no montante de R$ 47.528,25, deu origem a base de cálculo da contribuição no mês de março. Por outro lado, a contribuinte alegou que não possuía todos os documentos necessários, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, devido ao tempo decorrido e por estarem guardados em arquivo externo. Por fim, a recorrente alegou que, para corroborar o seu direito, anexou ao Recurso Voluntário planilha com a base de cálculo do PIS utilizada durante o anocalendário de 2003 e o balanço patrimonial datado de 30/04/2004. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 168 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ................................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 169 5 Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 170 6 Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias parciais das DCTF's, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Se, por um lado, é certo que a Dacon e a DIPJ fazem prova em favor da contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos contábeis e fiscais, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, Dacon, transmitida em 31/03/2004, e DIPJ, transmitida em 28/06/2004, entendo que é admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Assim, analisando os novos documentos apresentados, constatase que, a princípio, os lançamentos contábeis confirmam as afirmações da contribuinte. Entretanto, entendo que tais documentos ainda não são suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, tendo em vista que não foram juntados os documentos fiscais que embasaram os lançamentos contábeis. Porém, por outro lado, compulsando os autos, percebese que o voto condutor do Acórdão recorrido mencionou a necessidade de juntada apenas de livros contábeis. Dessa forma, embora fosse ônus da recorrente comprovar seu crédito de forma inequívoca, entendo que o teor do Acórdão recorrido pode têla induzido a considerar suficientes os documentos contábeis. Dessa forma, a fim de privilegiar o Direito à Ampla Defesa, voto por converter o julgamento em diligência para a unidade de origem intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais do PIS e d) os efetivos recolhimentos realizados. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 171 7 Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte do teor do relatório de diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 171DF CARF MF
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